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Numero do processo: 16682.721085/2013-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/05/2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
O conhecimento de Recurso Especial exige a comprovação de seu cabimento, seja através da similitude fática que autoriza a análise de divergência jurisprudencial, seja pelo interesse de agir, que demonstra o resultado útil do julgamento.
Na hipótese em análise, não é possível verificar similitude entre o caso tratado no acórdão paradigma e o caso concreto discuto no acórdão recorrido, pois as condições que levaram a decisão do colegiado no recorrido referem-se especificamente a questões de fato não encontrados no paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/05/2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. O conhecimento de Recurso Especial exige a comprovação de seu cabimento, seja através da similitude fática que autoriza a análise de divergência jurisprudencial, seja pelo interesse de agir, que demonstra o resultado útil do julgamento. Na hipótese em análise, não é possível verificar similitude entre o caso tratado no acórdão paradigma e o caso concreto discuto no acórdão recorrido, pois as condições que levaram a decisão do colegiado no recorrido referemse especificamente a questões de fato não encontrados no paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 85 /2 01 3- 02 Fl. 899DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2302003.586, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse de Autos de Infração de Obrigação Principal – nºs 51.005.2967 e 51.005.2975, respectivamente, nos valores de valor de R$ 10.711.500,19 (dez milhões, setecentos e onze mil, quinhentos reais e dezenove centavos) e de R$ 2.958.414,32 (dois milhões, novecentos e cinquenta e oito mil, quatrocentos e quatorze reais e trinta e dois centavos), consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros, porém pagos em desacordo com a lei específica de regência, conforme descrito no relatório fiscal e anexos a fls. 16/38. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 365/384. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, às fls. 628/639, julgou improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 658/677. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às efls. 709/750, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, mantendo no lançamento apenas as contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos para as categorias funcionais de diretores e executivos a título de Participação nos Lucros e Resultados, porque os critérios específicos para tais categorias não foram objeto de negociação na reunião que aprovou o Programa de Participação nos Lucros e Resultados, com a participação do Sindicato da categoria. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16682.721085/201302 Acórdão n.º 9202007.097 CSRFT2 Fl. 10 3 Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. INSTRUÇÕES APARTADAS QUE SE LIMITEM À EXECUTORIEDADE DO PACTO. A Lei n° 10.101/00 exige que os instrumentos decorrente da negociação de participação nos lucros ou resultados ostentem regras claras e objetiva, mas não impõe que as regras sejam ser sempre exaustivas, vedando qualquer detalhamento à parte, pois tal conclusão iria de encontro ao objetivo de incentivar a produtividade, que tem um caráter coletivo, mas também individual, exigindo, assim, um nível de detalhamento e pormenorização por vezes incompatível ou inconveniente a um pacto coletivo. Para o incentivo à produtividade, é possível e as vezes até é preciso relegar a pormenorização, o detalhamento aos instrumentos empresariais internos, seja para se evitar a exposição das estratégias sigilosas, seja porque a individualização, setor a setor ou função a função, é demasiadamente extensa, principalmente em grandes empresas, que ostentam um quadro de dezenas de milhares de trabalhadores em inúmeras funções ou setores. O que se vedou foi a discricionariedade, o subjetivismo e a obscuridade. Compete à fiscalização, todavia, descaracterizar a PLR, se verificar a fraude ou a ilicitude, em caso de não formalização do detalhamento, de sua inobservância ou quando carreguem em si critérios subjetivos ou obscuros de mensuração dos resultados. A delegação jamais pode ser utilizada como instrumento de tergiversação, de fraude, de transgressão ou de modificação do pacto celebrado. Deve se restringir a dar executoriedade àquilo que foi pactuado, face à variabilidade de particularidades e ao resguardo do sigilo empresarial, que deixa de ser exposto à concorrência (art. 155, §§ 1° e 2°, da Lei n° 6404/76). Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 752/763, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência em relação à regra aplicável sobre a tributação dos valores pagos a título de PLR sem prévia pactuação materializada por regras claras e objetivas através de acordo ou convenção coletivos. O Colegiado recorrido decidiu excluir da tributação os valores pagos a título de PLR, em que pese tenha observado que as regras do PLR foram estabelecidas em documentação à parte do acordo coletivo. Os paradigmas entendem que a inexistência de regras claras e objetivas, que impossibilitem ao empregado o conhecimento prévio do que precisa fazer e do quanto receberá de participação, desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição. Também, em sentido diverso daquele decidido pelo colegiado a quo, paradigmas concluíram só ser possível excluir os valores pagos a título de PLR da tributação quando as regras sobre o plano são estipuladas em acordo ou convenção coletiva. Fl. 901DF CARF MF 4 Às fls. 766/771, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a tributação dos valores pagos a título de PLR sem prévia pactuação materializada através de acordo ou convenção coletivos. Intimados à fl. 777, o Contribuinte manifestouse, às fls. 783 e ss., em relação ao recurso, porém, foi considerado como decurso do prazo para as contrarrazões, conforme despacho de fls. 825/826, do qual tomou ciência o Contribuinte às fls. 865. Vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO I PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE A Contribuinte pugna pelo não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, nos seguintes termos: Preliminarmente, verificase que a PGFN foi intimada do acórdão recorrido em 12/02/2015 (fls. 751) e interpôs recurso especial apenas em 17/03/2015 (fls. 752 a 763), ou seja, quando já decorridos 33 dias. Neste ponto é importante salientar as regras que permeiam o processo administrativo e assim observar que a abertura do prazo e a manifestação da recorrente se encontram em acordo com o RICARF, não tendo no que se falar em intempestividade. II DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, mas não atende aos demais pressupostos de admissibilidade, os quais passo a expor. Compulsando o acórdão recorrido observo que o tema Pacto Prévio não foi abordado, tendo sido tratado tão somente da questão de regras claras e objetivas e se estas poderiam ser discriminadas em documento apartado. Na visão do colegiado, não implicaria em violação às exigências da Lei 10.101/2000 o fato de a regulamentação da Participação nos Resultados, incluídas as definições de metas, os critérios de avaliação de desempenhos da empresa e individuais e a forma de cálculo e distribuição dos valores a serem pagos, ter sido estabelecida em instrumentos diversos do Acordo de PLR documento apartado, em reunião aberta com empregados, empresa e sindicato da categoria. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 16682.721085/201302 Acórdão n.º 9202007.097 CSRFT2 Fl. 11 5 Observando o Recurso da Fazenda Nacional, esta recorre com base na discussão observada pelo acórdão recorrido: Na visão do colegiado, não implicaria em violação às exigências da Lei 10.101/2000 o fato de a regulamentação da Participação nos Resultados, incluídas as definições de metas, os critérios de avaliação de desempenhos da empresa e individuais e a forma de cálculo e distribuição dos valores a serem pagos, ter sido estabelecida em instrumentos diversos do Acordo de PLR, não tendo sido objeto de negociação com os empregados da empresa. Contudo o exame de admissibilidade parece ter dado seguimento a fundamento diverso, remetendose a pacto prévio para materialização de regras claras e objetivas, extrapolando o fundamento discutido no recorrido que se remetia a questão do plano de metas ter sido ajustado em documento apartado: De fato, procedendose ao cotejo analítico da divergência, resta clara a divergência de entendimentos. Enquanto o Colegiado recorrido decidiu excluir da tributação os valores pagos a título de PLR, em que pese tenha observado que as regras do PLR foram estabelecidas em documentação à parte do acordo coletivo, os Colegiados prolatores dos acórdãos paradigmas concluíram só ser possível excluir os valores pagos a título de PLR da tributação quando as regras sobre o plano são estipuladas em acordo ou convenção coletiva. Dessa feita entendo comprovada a divergência jurisprudencial, quanto à questão da impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a título de PLR sem prévia pactuação materializada por acordo ou convenção coletivos. Analisando o primeiro acórdão paradigma Acórdão n. 230200.256 observo que de fato para aquele colegiado o pacto prévio era fundamental para que se entendessem claras e objetivas as regras do acordo de PLR, vez que estas deveriam ser do conhecimento dos empregados antecipadamente para que então fossem consideradas claras. Quanto a alegação de que o acórdão é da mesma turma cumpre salientar Tomando como base o segundo paradigma Acórdão n° 2402002.458, este também não discute regras claras e objetivas com base na existência da metodologia em documento apartado, mas sim a inexistência de regras por completo, vez que esta não vem especificada no acordo coletivo, nos seguintes termos: Por sua vez, nos Acordos apresentados nos autos não constam regras claras, eis que eles fixam percentuais sobre salário ou do piso salarial dos empregados. Isso comprova que, efetivamente, o pagamento de verbas a título de PLR não atendeu os requisitos formais exigidos pela legislação, e mais, as Atas com que a Recorrente tenta provar a fixação de metas são simples acordos, celebrados entre a GRANOL (Recorrente) e a Comissão de Fábrica da Unidade de Osvaldo Cruz, que não constam dos Acordos Coletivos ou da Convenção. [...] Fl. 903DF CARF MF 6 Isso por que o caso concreto dos autos deste processo a aprovação das metas de apuração da PLR foi realizada por meio de reunião que aprovou o Programa de Participação nos Lucros e Resultados, com a participação do Sindicato da categoria, situação muito diferente do caso do paradigma que se refere a pactos entre empregados e empresa que não integram nem foram citados no acordo coletivo. Deste modo considero que o tema trazido pela Fazenda Nacional impossibilidade de demonstrar Regras Claras em documento apartado não pode ser conhecido com base nos dois paradigmas carreados ao recurso especial. E o tema proposto pelo exame de admissibilidade pactoprévio para materialização de regras claras não coincide nem com recurso da Fazenda Nacional nem com os paradigmas propostos, ante ao fato de que o recorrido não utiliza tal matéria como argumento da decisão que se vida reformar. III SIMILITUDE FÁTICA Quanto a análise de similitude fática também há diferenças entre os casos concretos discutidos no recorrido e no paradigma. Enquanto no primeiro ha detalhamento das regras claras e objetivas, no paradigma não há qualquer detalhamento de como a PLR seja alcançada. Deste modo, não há como garantir que caso o colegiado do paradigma julgasse o caso do recorrido haveria diferença de posicionamento. Importa salientar aqui que para a maioria do colegiado o resultado do acórdão recorrido estaria atrelado diretamente a questão específica do caso concreto, pois nos presentes autos restou comprovado uma negociação préexistente consolidada por meio de resolução apontada pelas partes, aprovada com a participação do Sindicato da categoria constante do acordo coletivo. Diante de todo o exposto não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 904DF CARF MF Processo nº 16682.721085/201302 Acórdão n.º 9202007.097 CSRFT2 Fl. 12 7 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas reforçar alguns pontos suscitados durante as discussões acerca da motivação pelo não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Quanto a tempestividade do Recurso, compete esclarecer que, ao contrário do suscitado pelo recorrente o prazo para Fazenda Nacional apresentar seu recurso, iniciase a partir do recebimento presumido, conforme descrito no art. 79 do Regimento Interno do CARF, senão vejamos: Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será cons iderado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediant e ciência nos autos. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Aliás, resta claro no próprio Manual de Admissibilidade de Recurso Especial, versão 3.0, essa orientação. No caso de processo digital ou digitalizado, a ciência da Fazenda Nacional segue as regras do art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010 (art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, d e 2015). Nesse caso, as datas de remessa à PGFN e ao CARF são atestadas pelos Despachos de Encaminhamento do e Processo. Caso não ocorra a ciência pessoal em data anterior, presume se a intimação no prazo de trinta dias da remessa do processo à PGFN, inici ando se daí a contagem do prazo recursal. A contagem dos trinta dias para determinação da data da ciência deve ser iniciada no dia seguinte à data do despacho de encaminhamento e consequente entrega dos autos à PGFN, independentemente de o dia da semana ser útil ou não, ou de que se trate de dia de expediente normal ou não. O critério de contagem do prazo previsto para aperfeiçoamento da intimação presumida não se confunde com o critério de contagem do prazo para a prática dos atos processuais. Quanto ao conhecimento do mérito, esclareço que acompanhei a relatora apenas pelas conclusões, posto que não concordo com suas primeiras razões para não conhecer do recurso. Na verdade, não há indagação da procuradoria em relação ao pacto ser prévio, mas pelo que pude interpretar de seu recurso buscou demonostrar a divergência em relação a falta de pacto com atendimento de regras de clareza e objetividade no pagamento do PLR. a necessidade de existência de um pacto que contemple metas e ajustes entre as partes. Vejamos trecho colacionado no recurso da PGFN: Fl. 905DF CARF MF 8 Paradigma 230200.256 Logo, verificase que o referido acórdão enquadrase na hipótese fática discutida nos autos, tendose em conta que os paradigmas entenderam que a inexistência de regras claras e objetivas, que impossibilitem o empregado o conhecimento prévio do que precisa fazer e do quanto receberá de participação, desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição. Também em sentido diverso daquele decidido pelo colegiado a quo, se manifestou a Segunda Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, a qual entendeu que inexistindo prévia pactuação das regras do PLR, materializada por acordo ou convenção coletiva, devem incidir contribuições previdenciárias sobre os pagamentos. Paradigma 2402002.458 A fim de melhor demonstrar a divergência transcrevese trecho do voto condutor do acórdão: “Relatório [...]Esse Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores das contribuições ocorreram com o pagamento de valores classificados como Participação nos Lucros, mas sem possuir as premissas básicas previstas na Lei n° 10.101 e, que a legitimidade dos Acordos Coletivos depende da observância dos requisitos formais e essenciais exigidos pela lei, cita as infrações detalhando as exigências da Lei n° 10.101/2000: 1. não constam as metas a serem atingidas e que deveriam estar claramente expressas; 2. não consta a forma de apurar os resultados referentes às metas inicialmente afixadas, uma vez que também não existem metas a serem atingidas; [...] Por sua vez, nos Acordos apresentados nos autos não constam regras claras, eis que eles fixam percentuais sobre salário ou do piso salarial dos empregados. Isso comprova que, efetivamente, o pagamento de verbas a título de PLR não atendeu os requisitos formais exigidos pela legislação, e mais, as Atas com que a Recorrente tenta provar a fixação de metas são simples acordos, celebrados entre a GRANOL (Recorrente) e a Comissão de Fábrica da Unidade de Osvaldo Cruz, que não constam dos Acordos Coletivos ou da Convenção. [...] Ou seja, interpretando sob esse angulo, entendo que existiria a possibilidade de conhecer o recurso especial em relação a matéria "necessidade de existência de acordo com atedimento das regras de clareza e objetividade", trazido pela procuradoria. Todavia, acompanhei pelo não conhecimento, por entender que a situação fática tratada no acórdão recorrido é distinta dos paradigmas. No recorrido houve o detalhamento em instrumento apartado, apresentado inclusive a fiscalização, e foi essa situação específica que levou o redator do voto vencedor a considerar cumprido o requisito da estipulação de metas. Senão vejamos trecho do voto vencedor: Fl. 906DF CARF MF Processo nº 16682.721085/201302 Acórdão n.º 9202007.097 CSRFT2 Fl. 13 9 Em suma, o lançamento das contribuições incidentes sobre a PLR dos funcionários (excluídos os diretores e executivos) ocorreu, exclusivamente, em razão dos fatores de desempenho empresarial e individual, tomados em conta para o cálculo da PLR, terem sido discriminados em instrumentos à parte do Termo de Acordo celebrado Comissão de Empregados e do Sindicato dos Trabalhadores (fls. 107/117). Em tais instrumentos (cartilhas e slides) não constaram a assinatura da Comissão e do Sindicato. A própria autoridade fiscal, analisando as planilhas, cartilhas e slides apresentados, reconhece que “os critérios aplicados no cálculo dos valores pagos a cada empregado está (sic) de acordo com o Programa de Remuneração Variável – PRV”. Portanto, não se duvida que o quanto ali contido foi respeitado, imputandose a ilegitimidade seja pelo fato de os pormenores, o detalhamento não ter sido objeto da negociação (aspecto material), seja pelo fato de não constarem as assinaturas da Comissão e do Sindicato (aspecto formal). Em que pese reconheça que o Termo de Acordo não tenha esgotado a avença, a recorrente defende que tais objetivos/métodos foram amplamente divulgados a todos os empregados, por meio de reuniões presenciais coletivas, além daquelas realizadas, periodicamente, com os chefes de cada equipe, com a entrega de material didático, também disponibilizados na intranet da empresa. Ou seja, defende que não houve desvirtuamento ou fraude do quanto pactuado. Verifico ainda que o pagamento da PLR está vinculado à existência de lucratividade, constando do Termo de Acordo que “o pagamento de participação nos lucros está condicionado à apuração de lucro no exercício social a que se refere, que se não ocorrer, torna indevido qualquer pagamento (clásula IV, a.4). A base de cálculo do benefício é o “Lucro da Atividade Operacional da IPIRANGA, após a dedução dos prejuízos acumulados de exercícios anteriores” (cláusula III, a), sendo que o montante da participação será equivalente a 3% do lucro apurado (cláusula IV, a, a.1). Portanto, afora o fato invocado pela autoridade fiscal, parecenos que o Termo de Acordo efetivamente pretendeu estatuir um plano de participação nos lucros e resultados, afastando, por mais este argumento, a possível desconfiança de que se trata de uma fraude. [...] Diante de tal panorama, a questão essencial a se enfrentar é se, uma vez estabelecidos por acordo/convenção coletiva ou comissão paritária os critérios gerais, as linhas mestras do pagamento da PLR, podem as partes, por delegação implícita contida no próprio pacto, relegarem a complementação e/ou pormenorização da PLR a outro instrumento a ser elaborado e detalhado, a princípio, pela própria empresa. Como visto, no entendimento da autoridade fiscal, todos os instrumentos deveriam conter data e a assinatura das partes Fl. 907DF CARF MF 10 negociantes (empresa e comissão de empregados) e do sindicato da categoria, para que pudessem ser considerados como parte integrante do Acordo de PLR. Como a recorrente apresentou apenas “slides de apresentação” e cartilhas, sem o atendimento daqueles requisitos, não foram considerados instrumentos hábeis a comprovar a legitimidade da PLR. Entendemos que para o incentivo à produtividade, é possível e as vezes até é preciso relegar a pormenorização, o detalhamento aos instrumentos empresariais internos, seja para se evitar a exposição das estratégias sigilosas, seja porque a individualização, setor a setor ou função a função, é demasiadamente extensa, principalmente em grandes empresas, que ostentam um quadro de dezenas de milhares de trabalhadores em inúmeras funções ou setores. Ou seja, não se trata de inexistência de regras, mas de metas estipuladas em instrumento apartado que levaram o colegiado a acatar o recurso do sujeito passivo. Não vilslumbro a mesma situação fática nos paradigmas apresentados, assim como descrito pela relatora. Diante do exposto, acompanho a relatora pela conclusões, e NÃO CONHEÇO do Recurso Especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 908DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001466/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/2003 a 28/02/2006
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
LUVAS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BONUS.
Não integra o conceito de salário-de-contribuição os valores pagos à título de bônus de contratação (também denominado de "luvas" ou "hiring bonus") quando não restar demonstrado que foram pagos em decorrência da prestação de serviço.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, se mais benéfico ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores até nov/2004, inclusive; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que o recálculo da multa aplicada seja realizado nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2003 a 28/02/2006 DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. LUVAS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BONUS. Não integra o conceito de saláriodecontribuição os valores pagos à título de bônus de contratação (também denominado de "luvas" ou "hiring bonus") quando não restar demonstrado que foram pagos em decorrência da prestação de serviço. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, se mais benéfico ao sujeito passivo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores até nov/2004, inclusive; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que o recálculo da multa aplicada seja realizado nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 66 /2 00 9- 26 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 230 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16327.001466/200926, em face do acórdão nº 1645.634, julgado pela 12ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 11 de abril de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, por meio do Auto de Infração (AI) DEBCAD n.º 37.265.7800, no montante de R$ 686.677,28 (seiscentos e oitenta e seis mil e seiscentos e setenta e sete reais e vinte e oito centavos), consolidado em 18/12/2009, referente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) – SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE – Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), incidentes sobre valores pagos, pelo incorporado BANCO SANTANDER BRASIL S.A. – CNPJ 61.472.676/000172, aos empregados, a título de PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR LUVAS, não declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), relativas a competências de 12/2003 a 02/2006. O Relatório do Auto de Infração, de fls. 17 a 19, em suma, traz as seguintes informações: • que o Banco Santander Brasil S.A. – CNPJ 61.472.676/000172 foi incorporado pelo contribuinte em epígrafe, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006; • que, em auditoria fiscal concluída no incorporado em dezembro de 2006, foi verificado que o mesmo não considerou Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 231 3 como verba incidente de contribuições para a previdência social a remuneração paga aos segurados empregados, a seguir discriminada: levantamento PCL – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR LUVAS – DEBCAD 37.043.5966 – competências 10/2005 a 02/2006; • que esta verba foi objeto de cobrança das contribuições previdenciárias devidas conforme Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD com o n.° de DEBCAD acima mencionado, sendo que a contribuição para o FNDE deixou de ser cobrada naquele momento, tendo em vista as determinações contidas no art. 615 da Instrução Normativa SRP n.° 03, de 14/07/2005; • que, naquele momento, foi elaborada e encaminhada REPRESENTAÇÃO ADMINISTRATIVA — RA ao Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE; cadastrada na RFB sob o n.° 35464.004958/200609, tendo sido uma cópia entregue ao contribuinte; • que, devido à transferência de competência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do Decreto n.° 6.003, de 29/12/2006, e da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, o FNDE devolveu tal RA para o devido lançamento do crédito; • que foi considerada a mesma base lançada na NFLD retro mencionada, cujo Relatório de Lançamentos (RL) consta na RA utilizada como base deste lançamento, bem como neste AI, tendo sido aplicada a alíquota de 2,5%; • que os conceitos de remuneração e salário estão previstos nos artigos 457 e 458 da CLT, e o de saláriodecontribuição, para o empregado, está estabelecido no artigo 28, inciso I da Lei n.º 8.212/91 e no artigo 214, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99; • que, por terem os mesmos elementos de prova, este AI seria apensado à NFLD retro mencionada. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos ao Auto de Infração: capa do AI; RL – Relatório de Lançamentos; DD – Discriminativo do Débito; FLD – Fundamentos Legais do Débito; IPC – Instruções para o Contribuinte; Relatório de Vínculos; e, Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 30/12/2009 (fls. 02), a empresa apresentou, em 29/01/2010, a impugnação de fls. 28 a 41, com documentos anexos às fls. 42 a 112 (cópias de Procuração e substabelecimento, de documentos de identificação dos subscritores da impugnação, de Atas de Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias e de Reuniões do Conselho de Administração), e, em 08/02/2010, o requerimento de juntada de documentos de fls. 113, com Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 232 4 documentos anexos às fls. 114 a 125 (cópias de guias de recolhimento do SalárioEducação), fazendo um breve relato dos fatos, e deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Afirma, aqui, a impugnante, que foi submetida à fiscalização, tendo, desta, emanado a exigência inserta nesta notificação, segundo a qual estaria sujeita ao pagamento do débito de R$ 686.677,28, por ter deixado de recolher, nos períodos de dezembro de 2003 a fevereiro de 2006, a contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, supostamente incidente sobre os pagamentos efetuados aos funcionários a título de “Luvas”. E destaca que o presente auto de infração seria complementar ao consubstanciado nos autos do P.A. n.° 35464.000583/200781 – NFLD n.° 37.043.5966, em que a autoridade fiscal teria procedido ao lançamento das verbas previdenciárias e do INCRA, supostamente incidentes sobre os valores pagos a titulo de “Luvas”, no período de abril a julho de 1999, fevereiro e novembro de 2000, janeiro, fevereiro, abril, maio, outubro e dezembro de 2001, janeiro, março a junho, agosto, outubro e dezembro de 2002, fevereiro, maio, junho de 2003 a janeiro de 2005, março de 2005 a fevereiro de 2006. Pontua, ainda, que o lançamento referente à NFLD n.° 37.043.5966 teria sido parcialmente cancelado em razão do reconhecimento da decadência argüida em sede de recurso voluntário, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Da decadência: Sustenta, aqui, a empresa, que parte do crédito tributário em tela estaria fulminada pela decadência. Informa que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n.º 8, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91, que determinavam que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Para ela, deveria ser aplicado às contribuições em tela, por se tratarem de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência dos fatos geradores. Defende, no caso, que os créditos tributários apurados nos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004 estariam decaídos, tendo em vista que teria sido cientificada da autuação em 30/12/2009. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 233 5 Afasta a possibilidade de aplicação do prazo previsto no artigo 173 do CTN, em vista da ausência de pagamento do tributo, afirmando ter recolhido a contribuição devida nos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004, conforme guias anexas. Ressalta, então, que, em sede de julgamento do recurso interposto nos autos da NFLD n.° 37.043.5966, vinculada ao presente AI, a Autoridade Julgadora teria reconhecido a decadência do direito do Fisco em efetuar a cobrança de parte do crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Segundo ela, teria havido a antecipação do pagamento da contribuição ao Salário Educação incidente sobre a remuneração dos empregados, de modo que eventuais inexatidões no referido recolhimento, apontadas pela Autoridade Fiscal, deveriam ser formalizadas dentro do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN. E conclui que o lançamento, consistente em auto de infração notificado ao contribuinte em 30/12/2009, seria parcialmente extemporâneo, razão pela qual deveria ser decretada a sua decadência, com a conseqüente anulação e cancelamento da exigência tributária referente aos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004. Das luvas: Defende, aqui, a empresa, a não incidência de contribuição ao Salário Educação sobre o pagamento efetuado aos empregados a título de luvas. Inicialmente, esclarece que os valores exigidos na presente Notificação de Lançamento Fiscal não seriam derivados do pagamento de gratificações ajustadas, como teria feito entender a Autoridade Fiscal, mas sim do pagamento efetuado aos empregados a titulo de ganhos eventuais. Alega que os valores desembolsados a titulo de “Luvas” não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros, na medida em que se configurariam como ganhos eventuais, conforme disposto na Instrução Normativa n.º 04/99 da Diretoria Colegiada do INSS. Para ela, o simples fato do pagamento da verba enumerada, do prêmio, se perfazer em vantagem ao empregado não significaria que a mesma estaria abrangida pelo conceito de salário de contribuição, constante no art. 28, inciso I da Lei n.° 8.212/91. Afirma que o comando encerrado no § 4º do art. 201 da Constituição Federal estaria a indicar que não seria qualquer “ganho” do empregado que integraria o salário para efeito de pagamento da contribuição previdenciária. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 234 6 Faz menção, então, aos artigos 22 e 28 da Lei n.º 8.212/91, e alega que, para o “ganho” integrar o “salário”, ele deveria ser “habitual”, acrescido da adjetivação “útil”. Segundo ela, o pagamento do salário na forma de utilidade somente se subsumiria ao conceito de salário indireto, na hipótese desta remuneração estar substituindo uma necessidade vital do empregado. Destaca que o pagamento das luvas, no caso, não se revestiria da natureza salarial, já que não contemplaria a satisfação de uma “necessidade vital”, nem substituiria parte do salário do empregado, tampouco se revestiria do caráter de habitualidade, necessários à configuração do salário indireto. Sustenta, ainda que o pagamento das luvas seria despendido pelo empregador como incentivo, prêmio, ou seja, para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo, não podendo compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Menciona que tal prêmio, cujo valor seria estipulado pelo empregador, visaria a incentivar o trabalho dos empregados, sem contudo substituir uma despesa que os mesmos teriam, sendo concedido para que o empregado se sentisse estimulado a desenvolver seu trabalho. Para ela, existiria diferença entre o pagamento de salário indireto e o pagamento de um prêmio a titulo de estimulo para a produtividade, sendo que a linha divisória entre as duas situações estaria na constatação de haver ou não substituição de um pagamento que seria normalmente realizado pelo empregado, como uma despesa normal – existindo substituição, haveria salário indireto, e não ocorrendo a mesma, se trataria de uma despesa da empresa, que não se caracterizaria como remuneração. Entende que, como o empregado não contaria com tal numerário para a manutenção de sua vida normal, este não integraria a remuneração indireta. E conclui que a parcela paga a titulo de prêmio não constituiria acréscimo no salário dos empregados, pugnando pelo cancelamento do Auto de Infração. Do pedido: Face às razões expostas, requer a empresa seja julgada procedente a impugnação para: a) o reconhecimento da decadência do direito do Fisco em exigir a contribuição ao Salário Educação apurada nos períodos de dezembro de 2003 a novembro de 2004; b) a desconstituição do auto de infração, tendo em vista não se tratar de pagamento com natureza salarial, sendo impossível a sua integração na base de cálculo da contribuição em tela. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 235 7 É o relatório. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 170/190, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Decadência Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 11/2004. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 30/12/2009. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a , rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e considerando a antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos a título de "luvas", mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 11/2004, inclusive. 2. Pagamento de luvas / hiring bonus. As contribuições ao SalárioEducação foram lançadas, neste AI, por meio do levantamento PC – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR LUVAS, em competências de 12/2003 a 02/2006, considerando as mesmas bases de cálculo da NFLD n.º 37.043.5966 processo administrativo n.º 35464.000583/200781, na qual foram lançadas apenas contribuições previdenciárias e destinadas ao INCRA, e que constam, no Relatório Fiscal da referida NFLD, as informações a seguir transcritas: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 236 8 (...) DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS (...) 2. Da análise da documentação descrita no item 1 anterior, constatouse que a empresa remunerou, sob o título "Abono de permanência" e posteriormente "Luvas", segurados da Previdência Social. 3. Não foram apresentados à fiscalização, apesar de formalmente solicitados mediante TIAD de 20/09/2006, documentos que demonstrassem os critérios utilizados pela empresa para remunerar os segurados empregados, conforme descrito no item 2 supra. Porém, foi informado verbalmente à fiscalização pelo Senhor Marco Antonio de Almeida, Gerente Geral de Assuntos Fiscais da empresa, a política de pagamento do Abono de Permanência / Luvas, como segue: a) Para determinadas contratações de segurados que ocupem cargos elevados na estrutura administrativa da empresa, são oferecidos benefícios extrasalariais para concretizar as contratações; b) A concessão do Abono de Permanência / Luvas faz parte desses benefícios; c) Conforme o cargo a ser ocupado pelo segurado, determinado valor, em moeda corrente, é colocado à sua disposição; d) Esse valor é pago através de aportes de capital, em nome do segurado, em uma das seguintes empresas: d.l) Santander Seguradora S/A CNPJ 87.376.109/000106; d.2) Icatu Hartford Seguros S/A CNPJ 42.283.770/000139. (...) DO CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO DOS ABONOS DE PERMANÊNCIA E DAS LUVAS CONCEDIDOS (...) 8. Não se constatou a exigência por parte da empresa de relatório de prestação de contas dos segurados em relação aos gastos por eles efetuados, afastandose então o aspecto de reembolso e reforçando o aspecto remuneratório; 9. Assim, a prática reiterada de a empresa empregadora utilizarse da concessão de benefícios, entre eles Abono de Permanência e Luvas, para concretizar a contratação de profissionais graduados no mercado, e a expectativa criada aos trabalhadores pela bonificação, conferemlhes propriedades Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 237 9 retributivas e, consequentemente, constituemse em elementos remuneratórios do trabalho; (...) DOS CRITÉRIOS E PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA O CÁLCULO DO MONTANTE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA NESTE DOCUMENTO (...) 1. Resultou infrutífera a intimação tanto para a empresa apresentar as folhas de pagamento, os Livros Diário e os Contratos de Prestação de Serviço celebrados com as empresas Santander Seguradora S/A, Santander Seguros S/A e Icatu Hartford Seguros S/A, quanto para apresentar a Relação de Beneficiários do Abono de Permanência / Luvas, ou seja, revelar a quais segurados da Previdência Social foram pagos os valores a esse título e, então, identificar esses segurados e as respectivas remunerações para o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, por meio da Guia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, para efeito da formação dos saláriosdebenefício correspondentes. Não foram apresentados também, os documentos de suporte referentes aos lançamentos na escrituração contábil da empresa solicitados pela Fiscalização. (...) 6. Em conformidade com as disposições dos §1° e §3°, do art. 33, da LOSS/91, a base de cálculo das contribuições previdenciárias relativa aos pagamentos efetuados a título de "Abono de Permanência" e "Luvas" esta sendo arbitrada, neste documento, e lançada no CNPJ 61.472.676/000172 (Centralizador) pelo valor constante da Relação de Pagamentos e pelos lançamentos efetuados a débito nas seguintes contas contábeis, os quais registram a contabilização dos pagamentos dos Abonos / Luvas efetuados: (...) b) COSIF 1.9.9.10.00.2 Despesas Antecipadas; Padrão 31390.9 Desp Antec Abono de Permanência, no período 09/2003 a 05/2005; c) COSIF 8.1.7.27.00.3 Despesas de Pessoal Benefícios; Padrão 95587.9 Desp Benef Prev Comp Luvas, no período 03/2004 a 05/2004; d) COSIF 1.9.9.10.00.2 Despesas Antecipadas; Padrão 31401.0 Desp Antecip Prev Comp Luvas, no período 06/2005 a 12/2005; e e) Relação de Pagamentos apresentada à fiscalização pelo contribuinte, no período 10/2005, 01/2006 e 02/2006. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 238 10 (...) (grifouse) Pois bem. Em relação a matéria do bônus de contratação, também chamado de "luvas" ou hiring bonus, transcrevo o voto vencido da Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio, cuja sessão participei e acompanhei o seu voto, de modo que o presente voto integre as minhas razões para decidir no presente caso. Segue a transcrição do voto: "BÔNUS DE CONTRATAÇÃO HIRING BONUS Em sua decisão (fls. 563), a DRJ entendeu que o bônus de contratação se subsume ao conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, pois este "não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou título. São vantagens acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. No que tange à verba denominada Bônus de Contratação, a situação fática demonstra que o intuito era nitidamente de complementação da remuneração e não indenização. Os artigos 22 , I, da Lei nº 8.212/91 e 201, I, e §1º do Regulamento da Previdência Social RPS não deixam dúvidas que o fato gerador das contribuições previdenciárias se caracteriza como a remuneração pela prestação de um serviço. Vejamos: "Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifamos) Regulamento da Previdência Social RPS Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 239 11 II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual § 1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º (grifamos) Analisando a situação fática mencionada na decisão recorrida, o que encontramos foi o pagamento de um bônus, a alguns empregados, uma única vez, no mês de setembro de 2009. Assim, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, entendo que não se encontra demonstrado que o referido pagamento teria natureza de "complementação da remuneração" em razão dos seguintes motivos. Em primeiro lugar, a referida verba é paga por ocasião da contratação do empregado e, sendo assim, não há que se falar que se trata de verba destinada a retribuir o trabalho, uma vez que a relação trabalhista entre as partes sequer iniciou. Em segundo lugar, por entender que os mencionados pagamentos possuem natureza indenizatória. Isso porque, quando ainda usufruíamos de economia saudável e expansão, em que havia razoável escassez de mão de obra qualificada, foi introduzida a figura do bônus de contratação como forma de compensar o trabalhador pelos benefícios já adquiridos no antigo empregador Tratase de pagamento sem nenhuma feição retributiva de prestação de serviços, não se caracterizando o bônus de contratação como decorrência lógica de prestação de serviços, pois o pagamento serve efetivamente como incentivo para ruptura do vínculo empregatício anterior para o empregado assumir nova relação jurídica empregatícia, reduzindo os riscos inerentes a esta opção. Nesse sentido, importante destacar a seguinte decisão do Tribunal Superior do Trabalho RECURSO DE REVISTA. 1. CONTRATO POR PRAZO DETERMINADO. INDENIZAÇÃO. O recurso de revista se concentra na avaliação do direito posto em discussão. Assim, em tal via, já não são revolvidos fatos e provas, campo em que remanesce soberana a instância regional. Diante de tal peculiaridade, o deslinde do apelo considerará apenas a realidade que o acórdão atacado revelar. Esta é a inteligência das Súmulas 126 e 297 do TST. Recurso de revista não conhecido.2. BÔNUS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO.Não verificada a habitualidade no pagamento do bônus, tampouco o seu recebimento em decorrência do labor a ser desenvolvido, mas como incentivo à contratação, não se faz potencial a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 240 12 ofensa ao art. 457, § 1º, da CLT. Por sua vez, arestos em desacordo com o art. 896, 'a', da CLT ou inespecíficos (Súmula 296/TST) não impulsionam o recurso de revista. Recurso de revista não conhecido. (Processo:RR 9070019.2003.5.02.0072, Rel. Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma; DEJT 22/05/2009).(grifamos) Por fim, há que se ressaltar que o referido pagamento se deu uma única vez o que lhe retiraria o requisito da habitualidade. Embora se trate de matéria recente, o CARF já se manifestou, mais de uma vez, quanto exclusão do bônus de contratação da base de cálculo conforme se verifica pelas decisões abaixo transcritas: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. O Supremo Tribunal Federal, no RE nº 478410 entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Adoção do mesmo entendimento pela AGU por meio da edição da Sumula nº 60. BÔNUS CONTRATAÇÃO. Conflito na autuação que configura a verba como gratificação ajustada, a qual decorre de relação de emprego, porém exige o crédito tributário sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Ausência de demonstração que o bônus de contratação fora pago em decorrência de prestação de serviços. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente NFLD ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.(Acórdão 2301003.086, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de setembro de 2012) (grifamos) "SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. BÔNUS DE ADMISSÃO. CARACTERÍSTICAS. Para integrar o salário de contribuição, a verba paga a segurado deve ter as seguinte características: a) não eventualidade; b) auferição pelo trabalho; c) integração ao patrimônio do trabalhador; d) irrelevância do título; e e) paga pelos serviços efetivamente prestados ou pelo tempo à disposição do empregador. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 241 13 No presente caso, o fisco fundamentou a existência do fato gerador somente pela verba não constar do rol expresso no § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/19991, tornando insuficiente a demonstração do fato gerador e a conseqüente existência da obrigação tributária principal"(Acórdão 2301003.762, 3ª Câmara , 1ª Turma Ordinária, Sessão de 15 de outubro de 2013) (grifamos). Diante do exposto, entendo que não restou demonstrado o caráter retributivo da prestação de serviço exigido pelo artigos. 28, I da Lei nº 8.212/91 e 201, II, §1º do Regulamento da Previdência Social que pudesse legitimar a incidência de contribuições sociais sobre tais verbas." Entendo que a utilização pelas empresas de pagamento de luvas com objeto de atrair melhores profissionais, serve como forma de compensação, vindo a indenizar aquele profissional, incentivandoo ao pedido de demissão da outra empresa que trabalho. Entendo que se trata de verba não remuneratória, tendo função indenizatória, até porque não há prestação de serviço que justifique a ela integrar o conceito de saláriode contribuição. No presente caso não se afigura o bônus de contratação ("luvas" ou hiring bonus") como decorrente de prestação de serviços. Assim, compreendo pela não integração destas verbas no conceito de saláriodecontribuição, devendo ser dado total provimento ao recurso, razão pelo qual encaminho voto neste sentido. Sendo vencido quanto ao mérito do recurso, passo a análise das demais questões suscitadas. Multa aplicada Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 242 14 Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Conclusão. Ante o exposto, voto por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2004, inclusive e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, no que toca ao recálculo da multa para aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN. Entendeu o i. Relator que na aplicação da retroatividade benigna a multa deve se limitar a 20%, conforme art. 35, da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse ponto tenho que discordar de tal posicionamento pelas razões que passo a expor. A legislação vigente à época dos fatos geradores era a seguinte: Para obrigação principal: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 243 15 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d)cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifei) Para obrigação acessória: Art. 32 [...] § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 244 16 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Do que se lê, à época dos fatos geradores aplicavase multa pela falta de recolhimento, em notificação de lançamento, cumulada com multa por descumprimento de obrigação acessória, de 100% sobre o valor do débito, limitada aos valores previstos no § 4º, acima transcrito. Com a alteração introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, restou alterado o art. 35, mandando aplicar a multa e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, nos casos de débitos não pagos nos prazos previstos em legislação, e foi incluso o art. 35A, mandando que se aplicasse o art. 44 da Lei 9.430/96, nos casos de lançamento de ofício: Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei) Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 245 17 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (Grifei) Como se verifica, com a nova redação, as multas aplicadas no lançamento de ofício (principal e por descumprimento de obrigação acessória) foram conjugadas em um só percentual (75%) que agora é aplicado tanto pela falta de recolhimento quanto pela falta de entrega de declaração ou entrega de declaração com dados inexatos. Dessa forma, na aplicação da penalidade mais benéfica devese comparar as multas da legislação anterior (falta de pagamento/recolhimento + falta de declaração e declaração inexata) com a legislação atual (falta de pagamento/recolhimento/declaração e declaração inexata). Em realidade, o que visualizo é a ocorrência de um desmembramento da antiga redação do art. 35, que previa o percentual da multa, de acordo com a condição da obrigação/crédito, se inscrito ou não em notificação de lançamento, ou em dívida ativa. Sendo que a nova redação do art. 35 tratou dos casos de pagamento após o vencimento da obrigação, e o art. 35A dos casos em que há constituição do crédito por lançamento de ofício. Então, como o caso dos autos se trata de lançamento de ofício, o comparativo das multas, para aplicação da mais benéfica, deve ser feita da seguinte forma: Legislação anterior Legislação atual Art. 35, inciso II (obrigação principal: lançamento de ofício por falta de pagamento) 1 Art. 32, § 5 (obrigação acessória: falta de declaração/declaração inexata) Art. 35A (lançamento de ofício) c/c Art. 44 (Obrigação principal + obrigação acessória: lançamento de ofício por falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata). 1 Análise no momento do julgamento Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16327.001466/200926 Acórdão n.º 2202004.715 S2C2T2 Fl. 246 18 Uma vez que, a legislação atual juntou as multas de obrigação principal e acessória a uma só multa de 75% (sem ocorrência de qualificação da multa), a aplicação do novo art. 32A só se justifica aos casos em que só ocorre a falta de declaração ou declaração inexata, sem a ocorrência de falta de pagamento ou recolhimento. Ou seja, justificase nos casos em que o contribuinte efetuou o pagamento/recolhimento, mas não entregou a declaração ou a entregou com dados incorretos, sem impactos sobre o valor da contribuição devida/paga. Portanto, discordo do entendimento do i. Relator quanto à aplicação da multa limitada a 20% constante na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, pois a aplicação dele só é cabível nos casos em que não há lançamento de ofício. No caso dos autos, ocorreu tanto falta de pagamento quanto declaração inexata, onde só é cabível a aplicação da multa da antiga redação do art. 35 c/c art. 32, § 5º, ou o novo art. 35A, se mais benéfico ao contribuinte. Dessa forma, para a aplicação da multa mais benéfica, nos termos do art. 106 do CTN, o comparativo de multas deve seguir o disposto na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa aplicando a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.001012/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/08/2001
EX TARIFÁRIO. MATÉRIA-PRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA IGUAL A 63,5%.
Os destilados alcoólicos importados que constituem matéria-prima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica que não atende o "Ex Tarifário" n° 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de ofício proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal.
Numero da decisão: 3302-005.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento. O Conselheiro Walker Araújo fará declaração de voto. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões acatando o laudo pericial do INT. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araujo.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. Recorrente PERNOD RICARD BRASIL IND E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/08/2001 EX TARIFÁRIO. MATÉRIAPRIMA DESTINADA À FABRICAÇÃO DE UÍSQUE. GRADUAÇÃO ALCOÓLICA IGUAL A 63,5%. Os destilados alcoólicos importados que constituem matériaprima destinada à fabricação de uísque e que apresentam graduação alcoólica que não atende o "Ex Tarifário" n° 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC, sendo a falta de recolhimento, decorrente da declaração inexata da mercadoria, punível com a multa de ofício proporcional a 75% da diferença de tributo não recolhida, consoante expressa determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento. O Conselheiro Walker Araújo fará declaração de voto. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões acatando o laudo pericial do INT. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 10 12 /2 00 6- 92 Fl. 519DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Walker Araujo. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 22/02/2006, formalizando a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados na importação acrescido de juros de mora e multa de ofício, no valor de R$ 309.884,52. A empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, em 17/08/2001, a mercadoria discriminada na Declaração de Importação n° 01/08216041 (fls. 16 a 19), como “DESTILADO ALCOÓLICO CHAMADO DE MALTE UÍSQUE (MALT WHISKY) COM GRADUAÇÃO ALCOÓLICO DE 59,5% GAY LUSSAC OBTIDO DE CEVADA MALTADA COM MÍNIMO DE 3 ANOS DE ENVELHECIMENTO”, e classificoua no código NCM 2208.30.10 da TEC, havendo calculado e pago o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à alíquota de 20%, conforme o “ex” tarifário 001. Todavia, em ato de revisão aduaneira, a fiscalização da Alfândega do porto do Rio de Janeiro (RJ) apurou que, referida mercadoria, quando submetida à análise laboratorial (fls. 09 e 10), foi identificada como “MATÉRIAPRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, com graduação alcoólica igual a 63,5%, em razão de que o IPI devido na referida importação deveria ter sido calculado e pago à alíquota de 70%, consoante o previsto no “ex” tarifário 003. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 16/03/2006 (fls. 44), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 12/04/2006, de fls. 45 à 58, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Em 28 de maio de 2010, a Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, através do Acórdão n° 0720.137, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a 2a Turma de julgamento que no que concerne à importação sob apreço, para que fizesse jus ao tratamento tarifário, consistente na aplicação da alíquota de 20% para cálculo do IPI, previsto no “EX 001” da aludida posição, o produto importado pelo impugnante deveria constituir um destilado alcoólico chamado uísque de malte (malt whisky) com teor alcoólico em volume entre 58% e 61% GayLussac e não qualquer outra matéria prima obtida de cereal e destinada à produção de uísque, com graduação alcoólica igual a 63,5%, conforme foi identificado pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda. Considerou a Turma em sua votação que os documentos colacionados pelo impugnante não gozam de força probatória suficiente para demonstrar a improcedência desses laudos, eis que se prestam, quando muito, a indicar tãosomente a procedência do produto importado e sua respectiva liberação para comercialização no mercado nacional, tal é o caso Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10711.001012/200692 Acórdão n.º 3302005.819 S3C3T2 Fl. 3 3 dos certificados de origem emitidos pela Comunidade Européia, constantes às folhas 89 e 90, e do certificado de inspeção vegetal emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, colacionado à folhas 92. Aduz ainda que o certificado de análise acostado fl. 91, além de ter sido emitido por laboratório estrangeiro cuja isenção, no caso concreto, não foi possível aferir, sequer apresenta qualquer liame capaz de indicar com segurança que o produto analisado tratouse exatamente do mesmo produto que foi importado pelo impugnante. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 16/07/2010 (folhas 123), via Aviso de Recebimento. Em 05/08/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 125 a 141. Alegou que: ü Conforme demonstrado pelo Certificado de origem da mercadoria constante da referida DI a graduação alcoólica do produto importado, corresponde a 59,3% Gay Lussac com mínimo de 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação em questão, expedindo o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL n° 258/2001, relativo à LI 01/08332095; ü O certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE; ü O referido certificado atesta a graduação alcoólica da amostra analisada, bem como, que a mesma atende aos padrões de qualidade e identidade exigidos pela legislação brasileira, o que derruba a fundamentação da autuação; ü O cerne da autuação fiscal está fundamentado, portanto, na errônea identificação por parte do laboratório de análises a serviço do Ministério da Fazenda, que analisando as mercadorias, entendeu tratarse de matériaprima obtida de malte destinada a produção de uísque; ü O entendimento fiscal, acolhido pela decisão que ora se recorre, não deve subsistir, haja vista que conforme já mencionado, laudos e certificados comprovam de forma cabal que a mercadoria importada apresenta, de fato, graduação alcoólica de 59,5 %. ü Na decisão em que foi julgado improcedente a impugnação foi determinada diligência pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento FNS/SC, a fim de dirimir as dúvidas existentes com relação aos elementos apresentados, no que concerne às reais Fl. 521DF CARF MF 4 características dos produtos analisados ficando demonstrado pelos laudos, naqueles autos, que as mercadorias importadas tratavamse de Malte Whisky, ratificando e comprovando a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, que corresponde à mesma utilizada no presente processo. DO PEDIDO Requer a realização de diligência, para que fique comprovada a regular utilização da classificação fiscal adotada pela Recorrente e por consequência, seja reformada a r. decisão, dandose provimento integral ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, com a anulação do lançamento e arquivamento dos autos. Em 28 de junho de 2012, a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 3a Seção do CARF, através da Resolução n° 3102000.219, procedeu Solicitação de Diligência para que a Unidade de Origem intime a recorrente a apresentar Análise Laboratorial n° 5645/01, e o resultado da perícia realizada no processo de n° 10711.005086/200517. Regularmente intimada, via Aviso de Recebimento, folhas 265, a Recorrente esclareceu que tal documento nunca lhe foi disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o qual somente lhe entregou o respectivo certificado de inspeção vegetal (n° 258/2001, já anexado a estes autos), que contém menção ao resultado da referida análise. Nessa oportunidade comenta o resultado da perícia realizada no processo administrativo n.° 10711.005086/200517, no qual também se discute o enquadramento do “malt whisky”, a Recorrente apresenta cópia integral do relatório técnico n.° 113/11 (Doc. 04), elaborado pelo Laboratório de Química Analítica e Metrologia em Química — LAQAM, vinculado ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), tal como solicitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. E acrescenta: Ademais, importante ressaltar que em tais análises restou confirmada a graduação alcoólica dos produtos examinados (59,6% e 58,8% vol), em percentuais que revelam tratarse de matériaprima para a produção local de ‘whisky' e não do produto acabado, o qual, como o próprio fisco aponta nestes autos, deve possuir graduação alcoólica que varie de 38% a 54% vol. Esclarece que houve cancelamento do Auto de Infração correspondente, na medida em que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o Produto, por unanimidade de votos, passível de enquadramento no “Ex 01” da NCM 2208.30.10. Por outro lado, anexa o laudo pericial solicitado no processo n° 10711.005086/200517, requerido na diligência demandada. Em 23 de abril de 2014, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção do CARF, através da Resolução n° 3102000.303, baixou os autos em NOVA DILIGÊNCIA para que o Laudo fosse complementado com resposta aos seguintes quesitos: 1) A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10711.001012/200692 Acórdão n.º 3302005.819 S3C3T2 Fl. 4 5 2) A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3) Outras considerações que julgar pertinentes. Elaborado o RELATÓRIO TÉCNICO n° 122/15 pelo Laboratório de Análise Orgânica Instrumental LANOI, a Recorrente se manifestou às folhas 478 e seguintes do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de julho de 2010, apresentando a recorrente recurso voluntário em 05 de agosto de 2010. Da controvérsia. Por meio da Declaração de Importação n° 01/08216041, registrada em 17 de agosto de 2001, a Recorrente submeteu para despacho o seguinte destilado alcoólico, MALTE UÍSQUE (MALT WHISKY) COM GRADUAÇÃO ALCOÓLICO DE 59,5% GAY LUSSAC OBTIDO DE CEVADA MALTADA COM MÍNIMO DE 3 ANOS DE ENVELHECIMENTO classificado na NCM 2208.30.10, sob o “ex” tarifário 01. Por ocasião do despacho de importação, foi retirada amostra do destilado alcoólico para envio ao Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (“LABOR”), o qual entendeu que a amostra se trataria de matéria prima obtida de cereal destinada à produção de uísque com graduação alcoólica de 63,5%. A fiscalização entendeu que referido produto não se enquadraria no ex tarifário 01 indicado na Declaração de Importação, sendo passível de enquadramento no “Ex” Tarifário 3 da NCM 2208.30.10, com alíquota maior. Fl. 523DF CARF MF 6 Nesse sentido, tratase de discussão de matéria de fato: a precisa identificação do produto importado e sua classificação tributária em face da legislação vigente à época da importação e também de matéria de direito: sua classificação tributária em face do Ex Tarifário pleiteado. Dos documentos apresentados pelo importador. Os documentos apresentados pelo importador tem por função indicar procedência do produto importado e respectiva autorização para revenda / consumo no mercado interno, não sendo hábeis para chancelar sua classificação tributária, assunto que é de competência exclusiva da Receita Federal do Brasil / Ministério da Fazenda. NO MÉRITO. Da matéria de fato. Passase agora a citação de trechos do RELATÓRIO TÉCNICO n° 122/15 elaborado pelo Laboratório de Análise Orgânica Instrumental LANOI: Esclarece o RELATÓRIO que o destilado alcoólico de malte (Malte Whisky) encontrase fora da graduação alcoólica exigida pela legislação vigente para o seu enquadramento como produto final, necessitando o ajuste a graduação alcoólica com o uso de água ou mesmo de etanol potável. Informa ainda que os parâmetros estabelecidos no decreto 6.871/09 descrevem que a matéria prima para a produção de uísque é o destilado simples de cereal com graduação alcoólica superior a 54% e inferior a 95°%, a 20 °C. ” O mesmo RELATÓRIO, em resposta ao segundo quesito formulado pelo interessado, afirma que o produto se classifica como matéria prima para a produção de uísque, uma vez que o resultado da análise da graduação alcoólica foi de 54,87%. O valor encontrado situase no intervalo estabelecido de 54% a 95%, a 20 °C.” (folhas 467 do processo digital). Ratificam os técnicos que, por ter apresentado graduação alcoólica de 54,87%, o produto em questão foi classificado como um destilado alcoólico próprio para elaboração de uísque. Este destilado é tratado através do ajuste da graduação alcoólica com adição de água desmineralizada, até que se atinja o valor desejado. Esclarece ainda que, como foi claramente exposto no Relatório Técnico N°113/11, a análise feita no produto foi apenas para determinação de sua graduação alcoólica. Quanto à denominação destilado de malte, foi considerado o declarado pelo cliente na DI n°01/08216041 como “Destilado alcoólico chamado de malte uísque (malt whisky)...”. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10711.001012/200692 Acórdão n.º 3302005.819 S3C3T2 Fl. 5 7 Esclarecem os técnicos que nenhuma análise química foi feita para determinar se tratavase de destilado malte ou de cereais.(malt ou grain). O destilado alcoólico em tela foi classificado originariamente como matéria prima por se tratar de produto de origem vegetal que, para ser utilizado na composição de bebida (produto final) necessita de tratamento, que neste caso é a adição de água desmineralizada, para atingir a graduação alcoólica desejada. Diante do exposto, ratificase o entendimento de se tratar o produto de um destilado alcoólico de malte (Malte Whisky), matériaprima, cuja concentração alcoólica varia entre 54% a 95%, e que pode ser utilizado para posterior preparação de Malt Whisky produto final, com graduação alcoólica abaixo de 54%. Para afirmar categoricamente que tratase de matériaprima para elaboração de uísque de malte ou uísque de cereais, análises químicas minuciosas e complexas devem ser feitas, no sentido de identificar algum marcador químico específico proveniente do malte ou do cereal utilizado no processo. Portanto, o RELATÓRIO TÉCNICO n° 122/15 traz duas informações imprescindíveis para o deslinde da contenda: a) O produto em análise é um destilado alcoólico de malte (Malte Whisky), matériaprima, cuja concentração alcoólica varia entre 54% a 95%; e b) Pode ser utilizado para posterior preparação de Malt Whisky produto final, com graduação alcoólica abaixo de 54%. Da matéria de direito. A legislação regulatória, nos termos do Decreto n° 2.314, de 04 de setembro de 1997, vigente à época da importação, distingue em7 duas seções separadas o que é matéria prima ("destilados alcoólicos") e o que é produto final ("bebidas alcoólicas destiladas"). Por disposição expressa do Decreto n° 2.314/97, não é possível classificarem um mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico. Essa distinção tem por fundamento o artigo 10° do próprio Decreto, segundo o qual bebida alcoólica (produto final) é a "bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius", in verbis: Art. 10. As bebidas serão classificadas em bebida não alcoólica e bebida alcoólica. §1° Bebida não alcoólica é a bebida com graduação alcoólica até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius. §2° Bebida alcoólica é a bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius. Fl. 525DF CARF MF 8 Por disposição expressa do artigo 88 do Decreto n° 2.314/97, o destilado alcoólico possui graduação alcoólica acima de 54% e abaixo de 95%, não sendo possível, portanto, classificarem um mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico, in verbis: Art. 88. Destilado alcoólico simples de origem agrícola é o produto com graduação alcoólica superior a cinqUenta e quatro e inferior a noventa e cinco por cento em volume, a vinte graus Celsius, destinado à elaboração de bebidas alcoólicas, e obtido pela destilação simples ou por destiloretificação parcial seletiva de mosto, ou subprodutos provenientes unicamente de matéria prima de origem agrícola, de natureza açucarada ou amilácea, resultante da fermentação alcoólica. Por este motivo, o Decreto n° 2.314/97 trata de dois tipos de Malt Whisky: I. o Malt Whisky produto final; e II. o Malt Whisky matéria prima em artigos diversos, Um na seção separada para produto final e outro na de matérias primas. Obs: Fragmento extraído da petição da Recorrente, folhas 376 e seguintes do processo digital. Para melhor visualização é apresentada a seguinte tabela: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10711.001012/200692 Acórdão n.º 3302005.819 S3C3T2 Fl. 6 9 Obs:Tabela presente no RELATÓRIO TÉCNICO n° 122/15 elaborado pelo Laboratório de Análise Orgânica Instrumental LANOI, folhas 466 do processo digital. Foi apurado que: 1) O produto em análise é um destilado alcoólico de malte (Malte Whisky), matériaprima, cuja concentração alcoólica varia entre 54% a 95%; e 2) Pode ser utilizado para posterior preparação de Malt Whisky produto final, com graduação alcoólica abaixo de 54%. É de se ressaltar que o artigo 111 do Código Tributário Nacional exige que se interprete literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário ou outorga de isenção. Portanto, o produto em questão foi identificado como “MATÉRIAPRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, com graduação alcoólica igual a 63,5%, em razão de que o IPI devido na referida importação deveria ter sido calculado e pago à alíquota de 70%, consoante o previsto no “ex” tarifário 003 do código NCM 2208.30.10 da TEC. Fl. 527DF CARF MF 10 O Princípio do NãoConfisco. Quanto ao princípio do nãoconfisco, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Declaração de Voto Conselheiro Walker Araujo. Conforme já devidamente explicitado pelo nobre relator, o cerne da controvérsia diz respeito ao correto enquadramento da mercadoria importada pela Recorrente, relativamente ao extarifário da NCM 2208.3010. Há previsão de alíquotas diferentes para o IPI, a depender do "Ex" a que pertencer a mercadoria.importada. O teor alcoólico de 59,5% +1,5 (58% a 61%) estabelece o limite máximo para que o IPI incida na alíquota de 20% ("Ex" 002), conquanto no caso de o teor alcoólico situarse acima desse patamar, o IPI passa a ser de 70% ("Ex" 003): 2208.30 Uísques 2208.30.10 Com um teor alcoólico, em volume, superior a 50% vol, em recipientes de capacidade superior ou igual a 50 litros Alíquota de IPI =20% EX 001 — Destilado alcoólico chamado uísque de malte ("malt whisky') com teor alcoólico em volume de 59,5% +/1,5% (59,5% +/1,5% GayLussac), obtido de cevada maltada. EX 002 Destilado alcoólico chamado uísque de cereais ("grain whisky') com teor alcoólico em volume de 59,5% +/1,5% (59,5% +/1,5% GayLussac), obtido de cereal não maltado adicionado ou não de cevada maltada. Alíquota de IPI = 70% EX 003 — Outras preparações próprias para elaboração de uísque. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10711.001012/200692 Acórdão n.º 3302005.819 S3C3T2 Fl. 7 11 Para o contribuinte, a mercadorias devem ser enquadras no "ex 01", ao passo que para fiscalização, amparada pelo Laudo Técnico emitido pelo Labor, entende que o correto enquadramento é no "ex 03". No caso dos autos, para fins de enquadramento no "ex 01" da NCM 2208.30.10 há que se verificar se a mercadoria possui as seguintes características, a saber: (i) è um uísque de malte; (ii) possui teor alcoólico em volume de 59,5% com variação de até 1,5% em volume; e (iii) foi obtido de cevada maltada. O Laudo emitido pelo Labor, utilizada pela fiscalização como subsídio para sustentar seu entendimento quanto a correta classificação do produto, trouxe em suas conclusões que o produto sob análise não se tratava de "Malt Whisky", que o teor alcoólico encontrado foi de 63,9% e 63,5% e, que o produto era originário de cereal maltado. É de se ver que referido Laudo é pobre, com o perdão da palavra, de maiores detalhes quanto aos métodos utilizados para análise do produto. Tanto é, que a informação contida no Laudo de que a fonte de consulta foram "Métodos Analíticos do Ministério da Agricultura" não permite a inferência contida nas respostas aos quesitos apresentados (vide fls.1112). E, foi justamente a ausência de informações contidas no Laudo emitido pelo Labor que, motivou os julgadores deste conselho, converter o julgamento em diligência duas vezes (fls.257261 e 338345), para obter maiores informações técnicas sobre o produto. Neste eito, foram colacionados aos autos os seguintes documentos: a) Certificado emitido pelo MAPA (fls.104): O documento atesta que o produto não ultrapassou o limite de graduação alcoólica de 59,5% com variação 1,5% em volume; b) Certificado emitido pelo laboratório internacional credenciado pelo MAPA R.R Tatlock & Thomson Fls. 112: O documento atesta que o produto possui graduação alcoólica de 59,8%; e c) Relatório técnico nº 000.122/15 elaborado pelo INT fls. 464/469: que atesta que o produto possui graduação alcoólica de 54,87%, Os dois primeiros documentos citados anteriormente citados, comprovam, ao meu ver, o acerto da classificação realizada pelo contribuinte, ao passo que o terceiro o classifica a posição eleita pela fiscalização. Entretanto, este último documento informa que a mercadoria sob análise é um destilado de malte, contrariando tudo aquilo que foi dito no Laudo emitido pelo Labor, a saber: Diante do exposto, retificase o entendimento de se tratar o produto de um destilado alcoólico de malte (Malte Whisky), matéria prima, cuja concentração alcoólica varia entre 54% e 95% e que pode ser utilizado para posterior preparação de Malt Whisky produto final, com graduação alcoólica abaixo de 54%. Ainda que as informações técnicas possuam certo grau de incoerência entre si, à vista do que consta dos autos, entendo que o Laudo emitido pelo Labor, ao meu ver, não se presta para embasar as prestações da fiscalização, posto que contraria a conclusão dos outros documentos anteriores citados, demonstrando, assim, ser imprestável para o fim pretendido. Fl. 529DF CARF MF 12 Neste cenário, entendo que as mercadorias importadas devem ser enquadradas no "Ex 01" da NCM 2208.30.10, posto que há nos autos documentos suficientes para contrapor o posicionamento adotado pela fiscalização. Diante do exposto, entendo que a correta solução ao litígio seria dar provimento ao recurso voluntário. Walker Araujo Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720678/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 06 78 /2 01 2- 06 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 13884.720678/201206 Acórdão n.º 2402006.383 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13884.720678/201206 Acórdão n.º 2402006.383 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13884.720678/201206 Acórdão n.º 2402006.383 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003984/2006-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004
DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO.
O exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a que se refere o art. 173, I do CTN, é aquele subsequente ao exercício financeiro em que o lançamento poderia ser realizado, o qual, por sua vez, é posterior à data de ocorrência do fato gerador (Súmula CARF nº 101).
Assim, para fato gerador ocorrido em 31/12/1999, o lançamento somente poderia ser realizado no ano de 2000, o que define o termo a quo para contagem do prazo decadencial como sendo 1º/01/2001.
Numero da decisão: 9202-007.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a que se refere o art. 173, I do CTN, é aquele subsequente ao exercício financeiro em que o lançamento poderia ser realizado, o qual, por sua vez, é posterior à data de ocorrência do fato gerador (Súmula CARF nº 101). Assim, para fato gerador ocorrido em 31/12/1999, o lançamento somente poderia ser realizado no ano de 2000, o que define o termo a quo para contagem do prazo decadencial como sendo 1º/01/2001.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35011.003984/200630 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.151 – 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ESTADO DO AMAZONAS TRIBUNAL DE JUSTIÇA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a que se refere o art. 173, I do CTN, é aquele subsequente ao exercício financeiro em que o lançamento poderia ser realizado, o qual, por sua vez, é posterior à data de ocorrência do fato gerador (Súmula CARF nº 101). Assim, para fato gerador ocorrido em 31/12/1999, o lançamento somente poderia ser realizado no ano de 2000, o que define o termo a quo para contagem do prazo decadencial como sendo 1º/01/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 39 84 /2 00 6- 30 Fl. 490DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 230101.884, proferido na sessão de 15 de março de 2011, assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2004 Ementa: CARGO EM COMISSÃO. RGPS. O servidor ocupante de cargo em comissão, quando não amparado por Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a oferecer informações sobre os gestores e responsáveis pela empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança, de acordo com o entendimento do Poder Judiciário. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/1999, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do Relator; e c) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. O Recurso visa rediscutir a definição do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Em exame preliminar de admissibilidade o Presidente da Terceira Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de fls. 407 a 411. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a decisão do STJ, no REsp nº 973.733/SC não é incompatível com a interpretação de que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fl. 491DF CARF MF Processo nº 35011.003984/200630 Acórdão n.º 9202007.151 CSRFT2 Fl. 3 3 lançamento seria efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN; que, no caso, tendo o fato gerador mais recente ocorrido em 31/12/1994, não haveria decadência, pois o prazo para o lançamento se encerraria em 31/12/2000. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 31/05/2012 (AR, efls. 415), a Contribuinte apresentou, em 06/12/2012, as Contrarrazões de efls. 225 a 234 no qual aduz, em síntese, que, por força do art. 67, § 7º do RICARF o recorrente deveria indicar dois acórdãos paradigmas; que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 240101.759 e 220201.248; que consultando o sítio do CARF constata que não há registro do Acórdão nº 220201.248; que, portanto, a Recorrente descumpriu um dos requisitos regimentais, o que impediria o conhecimento do Recurso, por violação ao art. 67, § 7º do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barboda Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, ante as contrarrazões apresentadas pela Contribuinte, examino a questão. Alega a Contribuinte que, como um dos acórdãos paradigmas apresentados (220201.248) não foi encontrado no sítio do CARF, a Fazenda Nacional teria apresentado apenas um paradigma, em descumprimento ao disposto no art. 67, § 7º do RICARF. A alegação, todavia, não procede. Como é cediço, embora, de fato, o Regimento interno preveja que o Recurso Especial deve comprovar a divergência por meio de dois paradigmas, nada impede que a demonstração seja feita com apenas um; o que não pode, a teor do § 7º do mesmo artigo, é indicar mais de dois paradigmas por matéria. Assim, tendo a defesa indicado apenas um acórdão como paradigma, ou, tendo indicado mais de um, mas somente um deles foi considerável hábil a demonstra a divergência, o requisito do recurso neste ponto terá sido atendido. Não vejo, portanto, violação nos requisitos de admissibilidade neste ponto. Constato ainda que os demais requisitos foram satisfeitos, razão pela qual conheço do recurso. Quanto ao mérito, anoto inicialmente que o acórdão recorrido, tendo entendido que não houve pagamento antecipado do tributo, concluiu que seria aplicável a regra do art. 173, I do CTN para definição do termo inicial de contagem do prazo decadencial, conforme se constata da leitura do seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido: Neste sentido, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2005 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 12/1998 a 03/2004, todas as contribuições Fl. 492DF CARF MF 4 apuradas até a competência 12/1999, anteriores a 01/2000, devem ser excluídas do presente lançamento. Assim, quanto à regra aplicável, não há divergência com os acórdãos paradigmas e com a tese defendida pela Fazenda Nacional. Aduz a Fazenda Nacional, contudo, que ao definir o termo inicial de contagem do prazo, o acórdão recorrido adotou a data do fato gerador e não o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A divergência diz respeito especificamente ao período de apuração 12/1999. Segundo o acórdão recorrido este período estaria alcançado pela decadência, o que implica em assumir que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado seria 1º/01/2000, enquanto para o paradigma, em caso idêntico, o termo inicial seria 1º/01/2001, o que afastaria a decadência. Assiste razão à Fazenda Nacional. De fato, se a ciência do lançamento ocorreu em outubro de 2005, estariam alcançados pela decadência, segundo a regra do art. 173, I, apenas os períodos de apuração/fatos geradores até 11/1999. Para o período 12/1999 o lançamento somente poderia ser efetuado no ano de 2000. Logo, o primeiro dia do exercício seguinte a este seria 1º/01/2001 e, portanto, o lançamento poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2005. A regra do art. 173, I do CTN é clara neste ponto e não há como tergiversar a respeito. Se o fato gerador se completa no último dia do ano de 1999, o lançamento em relação a este somente pode ser realizado em data posterior, o que ocorreria no ano de 2000. E se é assim, a data indicada no artigo 173, I do CTN só poderá ser 1ª de janeiro de 2000. Ante o exposto, conheço do recurso e no mérito doulhe provimento para restabelecer a exigência com relação ao período de apuração 12/1999. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 493DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911355/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. "DEDO DE BORRACHA A50" E "AMÔNIA ANIDRA"
De acordo com o laudo técnico carreado aos autos pela embargante, o "Dedo de Borracha A50" compõe a depenadeira, utilizada no setor de frangos. E a "amônia anidra" é aplicada para resfriamento das câmaras frigoríficas, em que são conservados os produtos. Como são necessários ao processo produtivo, incluem-se no conceito de insumos, e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS.
Numero da decisão: 3301-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, reconhecendo o direito ao registro de créditos da COFINS sobre compras de "Dedo de Borracha A50" e "Amônia Anidra".
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. "DEDO DE BORRACHA A50" E "AMÔNIA ANIDRA" De acordo com o laudo técnico carreado aos autos pela embargante, o "Dedo de Borracha A50" compõe a depenadeira, utilizada no setor de frangos. E a "amônia anidra" é aplicada para resfriamento das câmaras frigoríficas, em que são conservados os produtos. Como são necessários ao processo produtivo, incluem-se no conceito de insumos, e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, reconhecendo o direito ao registro de créditos da COFINS sobre compras de "Dedo de Borracha A50" e "Amônia Anidra". (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DIREITO AO CRÉDITO. "DEDO DE BORRACHA A50" E "AMÔNIA ANIDRA" De acordo com o laudo técnico carreado aos autos pela embargante, o "Dedo de Borracha A50" compõe a depenadeira, utilizada no setor de frangos. E a "amônia anidra" é aplicada para resfriamento das câmaras frigoríficas, em que são conservados os produtos. Como são necessários ao processo produtivo, incluemse no conceito de insumos, e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, reconhecendo o direito ao registro de créditos da COFINS sobre compras de "Dedo de Borracha A50" e "Amônia Anidra". (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 55 /2 01 1- 24 Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.242 2 Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: "Adoto o realtório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa – PER/DCOMP nº 32643.65447.290110.1.5.090243, transmitido em 29/01/2010 vinculados à receita de exportação, apurados no 4º trimestrecalendário de 2009, no valor de R$ 26.597.813,98. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e a compensação nº 06383.73603.301213.1.3.090635 não homologada. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010, foi lavrado auto de infração para exigência de multa isolada correspondente, tratado no processo nº 11516.722502/201413. Por conta das glosas efetuadas, foram alterados os valores utilizados para desconto dos débitos informados em Dacon, sendo consumidos todos os créditos disponíveis e restando saldo a pagar o qual foi lançado através do auto de infração, tratado no processo nº 11516.722481/201428. No relatório fiscal, a autoridade fiscal informa: os processos nºs 11516.722481/201428, 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 10983.911360/201137, tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre; os autos de infração para exigência de multa isolada devida pela não homologação das compensações, foram tratados nos processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/201451, 11516.722509/201427. Após descrever o procedimento fiscal, passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas na planilha NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.243 3 1.1.2. os valores dos bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 1.2.5. notas fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha SEM Identificação Notas Fiscais Glosadas sem identificação do Fornecedor. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo 1.3.1. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.3.2. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSÃO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte. 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas: Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.244 4 1.5.1. as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte; 1.5.2. os valores relativos a ALUGUEIS DE VEICULOS, ALUGUEL PALCO EVENTOS E SERVIÇO DE LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE, estes, por não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas: 1.6.1. as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na FVNC Fretes de Vendas Não Comprovados; 1.6.2. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal relata que a contribuinte lançou nas linhas 25, 26 e 27 (Ajustes Positivos de Crédito) o crédito presumido de sua atividade agroindustrial Lei nº 10.925/2004 e nº Lei 12.058/2009 , conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/00555 (fls. 525), presente neste processo a fls. 562 e seguintes, e informa que, dos dados apresentados nas planilhas citadas no item b da referida intimação (planilha com a composição dos valores informados na linha 27 das fichas 06A e 16A ), verificase que, apesar de citar os artigos 32 e 33, a contribuinte apurou na linha 27 apenas os créditos previstos no art. 34 da lei 12.058/2009. Traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido da Lei nº 10.925/2004 e da nº Lei 12.058/2009 que sofreram alteração de alíquotas e glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas no arquivo não paginável denominado CREDITO PRESUMIDOdetalheBRF2009 04trim.xlsx anexado a este processo. Informa que foram realizados os seguintes ajuste: a) glosa das operações que não configuram aquisições de insumos com qualquer crédito presumido. Nesta categoria se incluem aquisições de produtos industrializados, aquisições de quaisquer bens para revenda ou aquisições para entrega futura. Estas situações estão corrigidas para alíquota zero de crédito presumido nas listagens anexas e nos resumos acima; Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.245 5 b) as aquisições de bens de origem vegetal ou animal, mas não classificadas nas posições da NCM listadas no art. 8º da Lei 10.925/2004, enquadrados, portanto, no §3º, inc III do citado artigo, tiveram a alíquota corrigida para 2,66% para a Cofins e 0,5775% para o PIS/Pasep; c) as aquisições de soja e seus derivados, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. II e aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM, enquadradas na Lei nº 12.058/2009, art. 33, §3º, tiveram a alíquota corrigida para 3,8% para a Cofins e 0,825% para o PIS/Pasep; d) as aquisições de bens de origem animal, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. I, que embora estivessem com a alíquota correta, 4,56% para a Cofins e 0,99% para o PIS/Pasep, tiveram os valores de crédito corrigidos porque o valor constante da planilha do contribuinte não correspondia à multiplicação da alíquota pela base de cálculo; e) os valores informados na linha 27 (Ajuste Positivos de Créditos) foram glosados porque a empresa não faz jus ao crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, tendo em vista o § 1º daquele artigo. 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados os valores das aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Foram glosados os valores referentes a: 3.2.1. Aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito 3.2.2. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/201451 e 11516.722481/201428. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosas através de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.246 6 A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, e defender que a palavra "insumo", empregada pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, possui abrangência muito maior do que pretende lhe dar a RFB, nas Instruções Normativas SRF nº 247, de 11/11/2002, e nº 404, de 12/3/2004, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Conclui, então, que o conceito de insumos empregado pelas referidas lei é amplo, “alcançando todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários”. Traz a descrição das atividades produtivas da empresa e, na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens adquiridos para revenda Em relação às glosas das aquisições de Bens adquiridos para revenda, aduz que a fiscalização equivocouse ao glosar créditos apurados nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sob o fundamento de que os itens considerados na base de cálculo “não estariam enquadrados no conceito de insumo contido na IN SRF n. 404/04”. Diz que a fiscalização confundiu os incisos I e II do art. 3º e alega que a tomada de créditos nos termos do inciso I exige tão somente que os bens sejam adquiridos para posterior revenda, não havendo qualquer vinculação da tomada do crédito com o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo Inicialmente a Recorrente menciona que ficou demonstrado que a ausência de uma investigação mais aprofundada dos fatos, aliada à equivocada fundamentação jurídica, levou a fiscalização a glosar indevidamente diversos itens usados diretamente na produção, muitos deles podendo ser classificados, inclusive, como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz que “não irá proceder a uma justificação individuada de cada um deles”, que se aterá a “fazer observações adicionais pontuais, sobre alguns dos mais relevantes”. Assim segue. Em relação aos Pallets, explica que são utilizados em diversas etapas do processo produtivo, uma vez que (...) são usados na própria industrialização, para a movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização, evitando seu contato direto com o solo, diminuindo o risco de contaminação. Os pallets também garantem a segurança na movimentação das cargas, permitem a mecanização e levantamento dos produtos e cargas nele transportados, mas, principalmente, possibilita a unitização de todo um quantitativo de produtos e de matérias primas entre fornecedores e a requerente e entre as diversas etapas da produção. Menciona que a jurisprudência do CARF reconhece o direito ao crédito quanto aos pallets, na qualidade de insumo. No título Serviços utilizados como insumo, a interessada defende que dão direito ao crédito os serviços relacionados com a movimentação dos produtos e matériasprimas nas diversas etapas da produção, os quais foram glosados; cita Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.247 7 como exemplo: serviços de repaletização e reforma de pallets; serviços de aplicação de strecht nos pallets; serviços de carga e descarga; serviços de montagem dos equipamentos usados na produção; bem como os serviços de manutenção dos mesmos, dentre outros. Também defende o direito ao crédito em relação aos custos com serviços de transporte de matériasprimas e de produtos adquiridos como insumos, bem como seu transporte do fornecedor até à empresa e seu deslocamento durante a fase de produção alegando que o CARF os reconhece como custo de produção. No título Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes defende o crédito em relação as despesas com a aquisição de peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos, alegando que próprio fisco reconhece que são também passíveis de creditamento; cita a Solução de Consulta nº 9, de 12/01/2012, da 9ª Região Fiscal, Solução de Consulta nº 11, de 27/1/2011, da 8ª Região Fiscal; Solução de Consulta nº 520, de 26/10/2004, da 7ª Região Fiscal; Solução de Divergência COSIT nº 14, de 31/10/2007. A Recorrente defende o direito a crédito em relação “todos os gastos realizados na produção da requerente que sejam decorrentes de exigências legais”. No item Serviços e produtos decorrentes de exigências legais, alega, em síntese, que existem normas do Poder Público que impõe procedimentos de higiene dentro da área fabril, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual e também o controle e manutenção da segurança sanitária, cujo descumprimento ensejaria a “inviabilização da própria atividade, não estando a critério da requerente furtarse ou não a estes gastos”. Defende o crédito em relação: aos serviços aplicados e à aquisição de produtos utilizados na higienização das dependências do setor fabril, das máquinas da produção e do pessoal que lá trabalha; à aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual; aos serviços de análises físicoquímicas e laboratoriais. No mesmo tópico defende o crédito em relação às aquisições de: “Equipamentos como facas, brincos de marcação para suínos e produtos químicos usados em diversas etapas da produção são exemplos de exigências das normas reguladoras às quais a requerente não pode deixar de se submeter”; equipamentos usados na atividade, que embora não sejam os de uso ordinário, igualmente devem obedecer as especificações dos órgãos reguladores; carimbos de marcação que seguem os padrões impostos pelo Poder Público. Já no tópico Outros itens, a Recorrente diz que “não é possível proceder a uma análise minuciosa, trazendo detalhes de cada item listado pela fiscalização”, mas aduz que “confia que a descrição de suas atividades, em todo seu processo produtivo, permita esclarecer o seu direito ao crédito face à natureza dos bens elencados nos autos” Hipótese de bens adquiridos com suspensão Em relação às aos bens adquiridos com suspensão, a interessada alega que a fiscalização equivocouse ao realizar as glosas dos itens listados, isto porque, segundo alega, os créditos apurados no período em questão, e glosados pela fiscalização sob a rubrica "bens utilizados como insumos", não são relativos à operações sujeitas à apuração do crédito presumido (art. 8o da Lei n. 10925/04) nem, tampouco, à suspensão (art. 9o da referida lei). Crédito presumido da agroindústria Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.248 8 No que se refere ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, a interessada alega que o método para o cálculo do crédito presumido, conforme seu parágrafo 3º, está vinculado à natureza do produto desenvolvido pela empresa adquirente do insumo e titular do direito de crédito. Afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, confirma exatamente a interpretação que sustenta. E acrescenta que é esse o entendimento adotado pelo CARF. Quanto ao crédito presumido previsto no art. 33 da Lei n. 12.058/2009, alega que o entendimento da Autoridade Fiscal de que as aquisições para revenda não geram esse tipo crédito não seria a interpretação correta do dispositivo. Afirma que, na redação vigente à época dos fatos, não há qualquer restrição para apuração do crédito presumido sobre a revenda; defende que para a apuração do referido crédito presumido exigiase: (i) ser pessoa jurídica que produza mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; (ii) que as mercadorias fossem destinadas à exportação; (iii) que os créditos presumidos fossem apurados sobre as aquisições de bens classificados na posição 01.02 da NCM; e (iv) que tais bens fossem adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Acrescenta que, ademais, que no seu caso, não há simples revenda de mercadorias ao exterior. Pois os produtos classificados na posição 01.02 da NCM ("BOI VIVO") foram transformados em outros produtos derivados, tais como cortes in natura, sebo, aproveitamento de couro, dentre outros, devidamente destinados à exportação. Por fim, em relação aos créditos presumidos previstos no art. 34 da Lei nº 10.925/2004, diz que não merece prosperar o entendimento da fiscalização de que a requerente estaria enquadrada na hipótese de vedação do parágrafo 1º do referido dispositivo, eis que, supostamente, ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Nesse sentido alega: que industrializa outros produtos além daqueles descritos no parágrafo 1º do art. 34; que a apuração do crédito presumido nos termos acima é realizada pela requerente apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM), nos exatos termos exigidos no caput do art. 34, empregados em outros produtos que não aqueles listados nas 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM, tais como os produtos classificados nos códigos 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Despesas de aluguel com máquinas e equipamentos Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os chamados "Caminhões Munck" ou "guindautos", não são somente veículos, mas máquinas com um guindaste acoplado utilizadas para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da requerente, sendo sua semelhança com um veículo tão somente funcional, qual seja, a capacidade de locomoção. E que o aluguel desses e de empilhadeiras elétricas e outros equipamentos utilizados nas atividades da requerente, está em estrita observância ao disposto no inciso IV, do art. 3º, da Lei n. 10833/2003; cita: "ALUGUEL EMPILHADEIRA ELÉTRICA" e ALUGUEL VEICULO CARGA", dentre outros. Despesas com armazenagem e frete nas operações de venda A Recorrente inicialmente aponta a precariedade do trabalho fiscal que glosou todos os gastos com serviços de frete, limitandose a alegar a ausência de vinculação Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.249 9 entre as notas fiscais de venda e o conhecimento de transporte, quando, segundo alega, restou comprovado, pelos arquivos apresentados pela requerente no curso do procedimento fiscal, que efetivamente ocorreram dispêndios desta natureza geradores de crédito. Reclama que a alegação da Fiscalização foi no sentido de que não seria possível afirmar que os fretes em questão seriam efetivamente relacionados à venda de mercadorias. Mas que, além dos fretes de venda, tem direito a crédito em relação a fretes na aquisição de insumo e fretes de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da requerente. Aduz que apesar de restar consignado na informação fiscal que "não foram alterados os valores relativos à armazenagem", verificouse, pela análise das planilhas apresentadas pela fiscalização, glosas relativas a despesas incorridas a tal título. Defende, assim, que são indevidas as seguintes glosas: "SERVIÇO ARMAZENAGEM" (código do produto 808592), lançados na linha 7 do DACON ("despesas de armazenagem e fretes na operação de venda"); bem como, "MOVIMENTAÇÃO SEPARAÇÃO MERCADORIA SADIA" (código do produto 920999); "SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO)" (código do produto 810135); "SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET" (código do produto 918832); "SERVIÇO DE OPERADOR LOGÍSTICO" (código do produto 928863), lançados de forma equivocada nas linhas 2 e 3 do DACON; dentre outros. Direito à atualização do crédito postulado pela SELIC Com fundamento em julgados do STJ, a interessada defende que faz jus à atualização do crédito postulado, mediante remuneração pela taxa Selic. Inaplicabilidade da multa sobre os débitos compensados A contribuinte alega que, ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório, nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento – através de soluções de consulta ou de divergência, tal como das despesas relativas a fretes, peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos não poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa em virtude da não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos e nem ser aplicada a multa isolada. Aduz que agiu em cumprimento a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Diante dos argumentos expendidos, a interessa requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformado o despacho decisório com o deferimento do pedido de ressarcimento formulado e a homologação das compensações vinculadas. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências, perícia e a juntada de documentos. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0736.507 foi assim ementado: Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.250 10 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Por expressa previsão legal, não cabe atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, passível de utilização através de desconto, compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE/ CERCEAMENTO DE DEFESA Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o contribuinte não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, a glosa de crédito na parte relacionada a tal matéria. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.251 11 Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que,sta é,xaustiva ao,numerar os custos,,ncargos passíveis de creditamento, não,stando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua,ssencialidade na atividade da,mpresa ou à sua,scrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis, lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem, quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,,m função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda,, os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS PAR REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Cofins ss aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. SC FLORIANOPOLIS DRJ Fl. 1226 Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.252 12 diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Cofins, prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese de crédito prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, somente contempla alugueis “prédios, máquinas e equipamentos”, não se aplicando a alugueis “veículos”. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, em sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.253 13 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, por meio das quais pretendeu robustecer os argumentos da fiscalização e da DRJ e requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório." O recurso voluntário foi julgado em 27 de setembro de 2017 e o Acórdão n° 3301004.057 foi assim ementado: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratarse de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.254 14 Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admitese na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.255 15 CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadravase na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.256 16 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.257 17 provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia." O contribuinte interpôs embargos de declaração, acusando o acima transcrito Acórdão de ter cometido omissões e contradições, quando da avaliação da legitimidade dos créditos de COFINS calculados pela embargante sobre os seguintes bens, custos ou despesas: i) "Dedos de borracha A 50"; ii) "Leite in natura"; iii) "Crédito sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos"; iv) "Amônia anidra"; v) "Créditos sobre aluguel de empilhadeiras"; e vi) "Créditos sobre despesas de armazenagem e sobre fretes na operação de venda". O Presidente desta turma conheceu dos embargos de declaração (Despacho de Admissibilidade nas fls. 2.234 a 2.239) e admitiu as omissões e contradições apontadas pelo contribuinte, com exceção da mencionada no item "iv) "Créditos sobre despesas de armazenagem e sobre fretes na operação de venda". É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O contribuinte opôs embargos de declaração em face do Acórdão n° 3301 004.057, acusandoo de ter cometido omissões e contradições, quando da avaliação da legitimidade dos créditos de COFINS calculados pela embargante sobre os seguintes bens, custos ou despesas: i) "Dedos de borracha A 50"; ii) "Leite in natura"; iii) "Crédito sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos"; iv) "Amônia anidra"; e v) "Créditos sobre aluguel de empilhadeiras. O Presidente desta turma admitiu os embargos e determinou o saneamento do Acórdão (Despacho de Admissibilidade DA, fls. 2.234 a 2.239). Passemos `a análise de cada um dos itens. "i) DEDOS DE BORRACHA A 50" Reproduzo o respectivo trecho do DA: "'Dedos de borracha A 50' Segundo a embargante, existe contradição quanto aos "dedos de borracha A 50", pois os créditos relativos a esse insumo foram reconhecidos no dispositivo do julgado, mas não teria constado da fundamentação argumentação nesse sentido. Segundo a embargante, a prova cabal de que tais créditos foram reconhecidos durante a sessão de julgamento é o Acórdão nº 3301004.056, proferido na mesma assentada. Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.258 18 Analisando a fundamentação do voto condutor, verificase que na fl. 2129 existe fundamentação no sentido de negar o direito ao crédito em relação aos "dedos de borracha A 50" em razão da falta de provas, conforme excerto a seguir: '(...) Não obstante concordar com a recorrente, no plano conceitual, da leitura dos autos, notadamente, do laudo técnico acostado, não é possível afirmar estarmos diante de bens comprovadamente enquadrados no conceito de insumos. Identificase no relatório técnico o uso de depenadeiras no setor de frangos. Contudo, não há comprovação de que "Dedo de Borracha A 50" foi aplicado naquele equipamento. (...)' Por seu turno, na folha de rosto do Acórdão recorrido, encontramos a seguinte decisão, no sentido de reconhecer o referido crédito: '(...) (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (...)' Portanto, estando presente o vício apontado pela defesa, o processo deverá retornar à pauta de julgamento a fim de que o vício seja saneado." Procede a reclamação da embargante. Na fl. 1.529 (Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", preparado pela Tyno Consultoria e validado pelos pesquisadores do Centro de Tecnologia de Carnes do ITAL) consta que o citado item compõe a "Depenadeira", equipamento do setor de escaldagem de aves. Por este motivo, esta turma concedeu o crédito, o qual foi consignado no dispositivo (fl. 2.106), porém não no corpo do voto. Assim, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para sanear a omissão identificada no corpo do voto condutor da decisão embargada, que não incluiu entre os créditos da COFINS acatados pelo colegiado os calculados sobre compras de "Dedos de Borracha A50". ii) "LEITE IN NATURA" Transcrevo o correspondente trecho do DA: '"Leite in natura" Segundo a embargante, houve omissão no julgado, pois a decisão não se manifestou sobre informação contida nas fls. 149 e ss. do laudo técnico juntado pela embargante, que indica que o resfriamento do leite in natura era realizado pela embargante, e não pela alienante do referido produto. Sendo assim, não há que se falar em direito ao crédito presumido sobre as aquisições de leite, pois esse crédito só é aplicável na hipótese de a pessoa jurídica fornecedora excetuar cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura. Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.259 19 No recurso voluntário (fl. 1332), verificase que a defesa se insurgiu contra a decisão da DRJ, na parte em que retirou informações da internet para poder chancelar a glosa do crédito integral perpetrada pela fiscalização, relativamente às aquisições de leite in natura, conforme se pode verificar no seguinte excerto do recurso: Analisando a fundamentação contida nas fls. 2130/2132, verificase que o acórdão recorrido limitouse a transcrever os dispositivos legais que estabelecem a suspensão do PIS e COFINS e a reproduzir a fundamentação do Acórdão da DRJ, deixando de enfrentar o argumento do recurso voluntário acima colacionado. Em consequência, o julgado embargado incorreu nas seguintes omissões: (i) abstevese de sopesar as provas juntadas pela fiscalização e o laudo técnico apresentado pela defesa; (ii) abstevese de declinar qual prova sustenta a conclusão no sentido de que a valoração de prova feita pela DRJ é a mais adequada; e (iii) abstevese de proferir juízo acerca do conteúdo e da legitimidade de provas colhidas pelo julgador de primeira instância na internet , que nem sequer foram importadas para dentro dos autos (quod non est in acts non est in mundo). Quanto ao leite in natura, estão caracterizados dois dos pressupostos que rendem ensejo aos embargos de declaração: (i) a omissão na apreciação de argumentos ( insuficiência e impossibilidade de utilizar provas colhidas na internet e que não estão juntadas nos autos); e (ii) omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado (sopesamento das provas apresentadas pelas partes com pronunciamento expresso sobre sua valoração). Portanto, o processo deverá retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento da omissão apontada pela embargante." (g.n.) Passo ao exame dos argumentos da embargante. Em primeiro lugar, cumpre consignar que esta turma adotou como razão de decidir trecho do voto condutor da decisão da DRJ, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99. Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.260 20 Em segundo, que o produto adquirido, objeto da glosa que a embargante almeja reverter, é o "LEITE CRU REFRIGERADO TPO C" (g.n.). Em terceiro, que a fiscalização enquadrou as respectivas compras no inciso II do art. 9° c/c o inciso III do § 1° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que dispõem que estão suspensas de PIS/COFINS as compras de "pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura" (g.n.). Uma vez suspensas das incidências das contribuições, são conferidos os créditos presumidos (art. 8° da Lei n° 10.925/04) e não integrais, como pretendia a embargante. Por fim, em quarto, que tanto as descrições dos processos produtivos contidas nas peças de defesa quanto os Laudos Técnicos foram examinados, tendo sido, inclusive, expressamente citados no acórdão embargado (fl. 2.128), quando do início da revisão do recurso voluntário: "(. . .) Antes de adentrar na análise de cada um dos subtópicos acima listados, consigno que a recorrente fez em suas peças de defesa detalhada descrição do processo produtivo de cada uma de suas áreas de negócio. E robusteceua, com dois laudos técnicos independentes: o "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A." (fls. 1.488 a 2.031), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, que emitiu "Declaração de Validação" (fl. 1.487); e o "Relatório Descritivo Lactalis e a Planilha Itens Lactalis" (fls. 2.033 a 2.092), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Ital (fl. 2.032). (. . .)" (g.n.) A primeira omissão seria a seguinte: "(i) a omissão na apreciação de argumentos ( insuficiência e impossibilidade de utilizar provas colhidas na internet e que não estão juntadas nos autos)". O argumento que não teria sido analisado é o de que a embargante anexou laudo, atestando que realiza processo de resfriamento de leite, o que seria suficiente para concluir que o fornecedor de leite não realizava resfriamento de leite. E, se o mesmo não realizava resfriamento de leite, não se enquadraria na hipótese de suspensão do inciso II do art. 9° c/c o inciso III do § 1° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E, por conseguinte, teria direito a registrar créditos integrais de PIS e COFINS e não presumidos, como determinou a fiscalização. Antes de adentrar nos argumentos da embargante, cumpre consignar que, definitivamente, não se pode admitir como uma construção lógica a de que o fato de a embargante realizar resfriamento implica, necessariamente, em dizer que TODOS os seus fornecedores não o fazem. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.261 21 Ademais, da leitura das peças de defesa e do laudo técnico carreado aos autos pela embargante, não se me parece crível que uma empresa que transporta e vende a granel leite cru também não realize o resfriamento que prestase a manter a integridade do produto. Quanto às alegações, propriamente ditas, o fato de a embargante praticar resfriamento de leite foi sim considerada por ambas as instâncias administrativas. Na fl. 1.133, da manifestação de inconformidade, e, na fl. 1.315, do recurso voluntário, encontrase o "fluxograma da cadeia de lácteos", no qual consta a etapa "resfriamento". E, no trecho da decisão da DRJ adotado como razão de decidir, consta que a conclusão foi construída a partir "(. . .) da descrição do processo produtivo da empresa e as descrições dos produtos glosados (. . .)" acórdão embargado, fl. 2.132. Assim, não houve tal omissão. Ocorreu, entretanto, que a turma não considerou que o fato de a embargante realizar resfriamento significaria que o seu fornecedor NÃO O REALIZAVA. Aliás, com efeito, a descrição do produto adquirido e objeto da glosa é "LEITE CRU REFRIGERADO TIPO C". Em seguida, afasto os argumentos de que não foi apreciada a alegação de que a consulta à internet não seria suficiente para a formação do juízo dos colegiados administrativos, bem como de que seria inadequada, pois não fora carreada aos autos. Não o acato, porque as conclusões da fiscalização (item 4.3 da "Informação Fiscal"), ratificadas pela DRJ e por esta turma, basearamse nas descrições do processo produtivo e dos produtos adquiridos, conforme trecho acima transcrito do voto condutor da decisão de piso, adotado por esta turma. E, por fim acerca da impossibilidade de a DRJ ter utilizado informações colhidas na internet e não carreadas aos autos, também não acolho, pelos motivos citados no parágrafo anterior, e, principalmente, por não constar no recurso voluntário (fls. 1.331 e 1.332) e tampouco nos embargos propriamente ditos (fls. 2.89 e 2.190). Em suma, rejeito os embargos de declaração, no que concerne aos argumentos atinentes à glosa de créditos integrais de COFINS sobre compras de leite in natura. iii) "CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS" O tópico foi assim endereçado pelo DA: "A defesa alegou omissão no Acórdão na parte em que negou o direito aos créditos sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos, em razão da falta de análise do laudo técnico. Analisando o voto condutor do Acórdão, verifica se que tal qual ocorreu com a decisão da DRJ, o direito ao crédito em relação aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos foi negado, sob o argumento de falta de provas de que tal serviço seria aplicado ou empregado na produção, conforme seguinte excerto do voto conduto do Acórdão (fl. 2134): 'Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria.' Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.262 22 Conforme se pode verificar, o voto não fez nenhuma menção ao laudo técnico apresentado, o qual trouxe uma planilha (Anexo II) na qual os peritos procuraram esclarecer onde os são aplicados ou utilizados. Portanto, o acórdão recorrido incorreu em omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado (ainda que para rejeitar as constatações do laudo técnico), devendo o processo retornar à pauta para o fim de que seja sanado o vício apontado." Conforme mencionado no tópico anterior, os laudos técnicos foram sim examinados. No Anexo II do "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A", consta que os equipamentos das áreas de produção sofreram manutenções. Ocorre que o mais importante não foi realizado: os serviços mencionados no Anexo II do referido relatório não foram correlacionados às notas fiscais de manutenção e montagem objetos de glosa pela fiscalização ("NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos, localizada no arquivo não paginável denominado GLOSAS BRF200904trim.xls"). Assim, tanto para a fiscalização quanto para os colegiados julgadores, não foi possível identificar em que máquinas e equipamentos se da área industrial ou administrativa os serviços foram aplicados. E, em razão disto, a conclusão foi: "(. . .) Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. (. . .)" (g.n.) Portanto, rejeito os argumentos da embargante. iv) "AMÔNIA ANIDRA" O DA assim tratou do tema em epígrafe: "Segundo a embargante, foi negado o direito ao crédito sobre "amônia anidra" no bojo de outros itens. Entretanto, houve análise pormenorizada dos demais itens, mas não houve fundamentação que sustente a negativa de crédito em relação à amônia anidra. Conforme se verifica na fl. 2130, realmente não foi apresentada fundamentação para negar o crédito em relação à amônia anidra. Fundamentar é dizer o porquê da decisão e nesta parte do voto não foi explicitado o porquê de o contribuinte não ter direito ao crédito sobre a amônia anidra. Portanto, o processo deverá retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento do vício apontado." Assiste razão à embargante. Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.263 23 Tal qual o ocorrido no item "i", quando da redação final do corpo do voto condutor, dentre as aquisições cujos créditos foram admitidos, foram omitidas as relativas ao produto "amônia anidra". Constam, todavia, no dispositivo (fl. 2.106), conforme apontado nos embargos de declaração (fl. 2.192). Com efeito, também neste caso, a turma decidiu, tendo como fundamento as "(. . .) explicações da recorrente e do laudo técnico 'Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", formalmente ratificado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, por meio da "Declaração de Validação", nos autos, às fls. 1.487 e 1.488 a 2.031 (. . .)". Assim, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para sanear a omissão identificada no corpo do voto condutor da decisão embargada, que não incluiu entre os créditos da COFINS acatados pelo colegiado os calculados sobre compras de "amônia anidra". v) "CRÉDITOS SOBRE ALUGUEL DE EMPILHADEIRAS" O DA descreveu a omissão, da seguinte forma: "Segundo a embargante, o acórdão recorrido asseverou que não fora objeto de contestação a glosa de créditos sobre aluguel de empilhadeiras. Contudo tal glosa foi contestada expressamente no recurso voluntário, mas o acórdão omitiuse em apreciar o argumento. Compulsandose o processo, verificase que na fl. 1340 do recurso voluntário, houve contestação expressa da glosa de créditos tomados sobre aluguéis de empilhadeiras, conforme o seguinte excerto: Por outro lado, no voto condutor do Acórdão (fl. 2135), foi consignado o seguinte: "(...) Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga".(...)" Portanto, a fundamentação apresentada na sequência do parágrafo acima transcrito se referiu apenas à glosa de veículos de carga, quedando omisso o Acórdão em relação à insurgência da defesa contra a glosa de créditos sobre empilhadeiras. Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.264 24 Deve o processo retornar à pauta de julgamento, com proposta de saneamento da omissão apontada." Não houve omissão. Uma revisão atenta do acórdão embargado revela que as compras de "empilhadeiras" e "caminhões munk" compunham o item "veículos de carga" e foram devidamente examinadas, como segue (fls. 2.135 e 2.136): "IV) FICHA 6A LINHA 06 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com a planilha de glosas "NI", em relação à linha 06, foram glosadas notas fiscais contendo as seguintes descrições: i) "SERVICO DE LOCACAO E MANUTENCAO SOFTWARE" ii) "ALUGUEL VEICULO CARGA" iii) "SERVICO LOCACAO DE PROJETOR MULTI MIDIA" iv) "ALUGUEL PALCO EVENTOS" Segundo a fiscalização, não foi atendido o disposto no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, que permite o creditamento somente sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". A DRJ ratificou o procedimento fiscal, destacando que, para fins fiscais, não se pode considerar que os veículos estejam inseridos no conceito de máquinas e equipamentos. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga". Informa que são imprescindíveis ao processo produtivo, pois são EMPILHADEIRAS para deslocamento interno de MP, PI e PA e "caminhões munck", usado para transporte de materiais pesados. Apresentou duas notas fiscais, como exemplos de compras destes itens. Protesta contra a decisão recorrida, acusandoa de alterar o fundamento da acusação, quando esta dispôs que o aluguel de veículos não se encontra no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, pois não estão compreendidos no rol das máquinas e equipamentos. Não obstante, contesta tal argumento, aprofundandose no estudo do significado do vocábulo máquinas. Conclui que abrangeria veículos. Entendo que a DRJ não inovou, porém justificou o posicionamento da fiscalização, com o qual, inclusive, estou de pleno acordo. Não obstante quaisquer digressões semânticas acerca dos vocábulos "máquinas" e "veículos", que eventualmente pudessem levar à conclusão de que o segundo é espécie e o segundo gênero, tradicionalmente, a legislação dispõe sobre os aspectos fiscais relacionados a veículos e máquinas de forma absolutamente distinta. E foi isto que a DRJ, com muita propriedade, demonstrou, citando diversos exemplos, dentre os quais repiso os seguintes: i) o caput do art. 1° da Lei n° 10.485/02: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos (. . .)." Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301005.010 S3C3T1 Fl. 2.265 25 ii) incisos III dos art. 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: " no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos (. . .)." Desta forma, não obstante reconhecer a imprescindibilidade dos citados veículos à operação do contribuinte, mais uma vez expresso que considero que o art. 3° traz uma lista taxativa de hipóteses de tomada de créditos, não podendo o intérprete ampliála. Assim, nego provimento aos argumentos." (g.n.) Isto posto, rejeito os argumentos da embargante. CONCLUSÃO Acolho parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte e confiro efeitos infringentes à parte acolhida, reconhecendo o direito ao registro de créditos da COFINS sobre compras de "Dedo de Borracha A50" e "Amônia Anidra". É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2265DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720152/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Por bem relatar os atos e fatos processuais, adoto o relatório da decisão recorrida: O contribuinte em epígrafe foi alvo de fiscalização que teve seu início com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002013015450 e o Termo de Intimação Fiscal de 23/04/2013. Os períodos de apuração compreendidos nesse procedimento eram de 01/2010 a 12/2010. Com base nessa fiscalização foram lavrados Autos de Infração de Cofins e de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 15 2/ 20 15 -0 6 Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.925 2 PIS (fls. 2 a 22). O Termo de Verificação e Constatação Fiscal motivando os lançamentos se encontra às fls. 3.295 a 3.336. Durante a fiscalização foi solicitado ao contribuinte documentação fiscal e contábil, além de esclarecimentos, a seguir destacados: contrato social e alterações; arquivos digitais dos Livros Diário e Razão; relação dos serviços realizados, produtos comercializados e insumos utilizados; arquivo digital da escrituração fiscal; informação sobre consultas fiscais e ações judiciais; memórias das bases de cálculo das contribuições; relação das retenções na fonte; relação de imóveis e de veículos; esclarecimentos sobre as receitas que foram ou não tributadas; memórias dos rateios entre as receitas cumulativas e nãocumulativas; identificação das vinculações das despesas e custos para com as receitas cumulativas e nãocumulativas; descrição detalhada das atividades e serviços desempenhados para cada receita realizada; justificativa sobre a conta recuperação de custos consórcios; balancetes; planilha com a relação dos serviços dos fornecimentos, montagem e instalação de equipamentos nos faturamentos dos consórcios; explicações sobre as etapas das atividades desenvolvidas; individualização das receitas para cada consórcio; demonstração das contas denominadas recuperação dos custos de serviços; esclarecimentos sobre valores diferidos; apresentação dos reembolsos dos consórcios; apresentação das medições de todos os serviços executados e suprimentos fornecidos; classificação dos serviços prestados ou emprestados; apresentação dos valores mensais dos serviços relativos a projetos; esclarecimentos e comprovação efetiva de determinados recebimentos de valores; apresentação de cópias de faturas com esclarecimentos; entre outros. Encontramse juntados a esses autos: estatutos/contrato sociais (fls. 25 a 32, 205 a 218); recibos de entrega de arquivos digitais; respostas de intimações; notas de débito (fls. 129 a 132); planilhas com as apurações do PIS e da Cofins (fls. 219 a 235); débitos constantes nas DCTFs (fl. 236); planilhas de análises de dados (fl. 237); demonstrativos da conta recuperação de custos – consórcios (fls. 238 a 240); contratos com a Petrobrás (fls. 241 a 308, 822 a 865, 981 a 1.022, 1.029 a 1.114, 1.791 a 2.941); notas fiscais de prestação de serviços e relatórios de medição (fls. 310 a 377, 1.115 a 1.286); memórias de apuração das contribuições (fls. 378 a 379); contrato de constituição de consórcio e planilhas de medição (fls. 380 a 388); planilhas de medição com descrição do item, valor, EAP, período, acumulado e saldo contratual (fls. 389 a 572); contrato com a REFAP (fls. 573 a 821); contrato com a Skanska (fls. 866 a 873); contratos, medições e registros de serviços (fls. 874 a 966); contrato com a Odebrecht (fls. 967 a 980); memória de cálculo de medição (fls. 1.023 a 1.028); contrato de consórcio com a Camargo Corrêa e com a Norberto Odebrecht (fls. 1.287 a 1.435); contrato de empreitada da ampliação industrial (fls. 1.436 a 1.738); contrato Fosfértil (fls. 1.739 a 1.790); entre outros. Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.926 3 É feito um histórico detalhado da ação fiscal no Termo de Verificação e Constatação Fiscal nas fls. 3.296 a 3.306. Constam tópicos específicos também sobre as recuperações de custos e de diferimentos, conceitos e conclusões sobre os serviços prestados pelos consórcios, assim como ocorrências relativas a consórcios específicos. De acordo com a fiscalização, o contribuinte estaria incorretamente tributando parte das receitas pela cumulatividade, quando o correto seria pela nãocumulatividade, assim como não estaria ainda oferecendo a tributação de determinados valores compreendidos como receitas (recuperação de custos com serviços e diferimentos). Essas receitas seriam provenientes de serviços envolvendo outras áreas de engenharia que não a de construção civil (essa sujeita ao regime da cumulatividade). As planilhas com os demonstrativos apurados pela fiscalização estão às fls. 3.328 a 3.396 – resumo das bases de cálculo das contribuições, receitas não cumulativas, faturamento e apuração das contribuições, medições e notas fiscais emitidas, etc. (de acordo com cada consórcio). A ciência dos Autos de Infração foi dada ao contribuinte em 20/01/2015 (fl. 3.337). A impugnação foi apresentada em 19/02/2015, às fls. 3.343 a 3.369 (praticamente a mesma impugnação se encontra também às fls. 3.504 a 3.530 – ou seja, foi feita uma para a Cofins, e outra para o PIS), onde em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: QUE a fiscalização entendeu que a contribuição deveria ser recolhida a alíquota de 7,6%, e não a 3% da Cofins (1,65% e não 0,65% do PIS) como entendia o contribuinte. No entanto, na apuração que originou esses Autos de Infração não foram deduzidos os créditos do regime não cumulativo, o que configuraria crime de excesso de exação, definido no art. 316 do Código Penal. QUE há nulidade da autuação pelo fato da fiscalização ao entender que algumas receitas dos contratos não decorrerem de obras de construção civil, não identificar quais seriam tais receitas, limitandose a listar valores. Cita o art. 142 do Código Tributário. QUE o conceito de construção civil possuía uma grande controvérsia no tocante ao inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/03, com as mais diversas Soluções de Consulta. A definição desse conceito não pode se aquela que as partes estipularam em um contrato ou que conste em orçamentos e medições. Cita o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 10/14. Diz que quaisquer benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo constituem construção civil. QUE da análise dos contratos (cita os mesmos às fls. 3.348 a 3.349) se constataria estarmos diante de construção de edificações, ou seja, obras de construção civil. Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.927 4 QUE a jurisprudência do STJ determinou a competência dos municípios para o lançamento de ISS no regime de recursos repetitivos. Entende que não se podem cindir os serviços que configuram a obra, ou seja, não é possível dividir a construção civil em atividades diferentes. Aduz que a construção civil só aflora quanto tomadas todas as atividades em conjunto em função da finalidade comum. QUE no tocante à Instrução Normativa RFB nº 971/09, todos os serviços dos contratos alcançados pela autuação se enquadram em pelo menos um dos itens do art. 322 da referida instrução. De outro lado, diz que o conceito de construção civil da legislação previdenciária não precisa coincidir com o inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/03. Cita a Solução de Divergência da Cosit nº 11/2014. QUE sobre o inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/03, deve se destacar a expressão “decorrentes de”, no sentido de que o regime cumulativo não se aplica apenas as receitas de obras de construção civil, mas também de suas receitas decorrentes. QUE não pode haver tributação de itens que não constituem receita, ou seja, o ressarcimento feito ao impugnante pelos consórcios. Tal ressarcimento seria de custos incorridos pela mesma na execução dos serviços que compunham a atividade de tais consórcios. Cita a Instrução Normativa nº 1.199/2011 e a NIC 18. Não haveria receita auferida nesses reembolsos. Diz que tal cobrança constituiria bis in idem. QUE sobre a inobservância da nãocumulatividade, novamente veio comentar que não foram deduzidos os créditos por esse regime. A fiscalização teria dito que o contribuinte deixou de apresentar planilha com memória de cálculo dos créditos admissíveis vinculados às receitas legalmente caracterizadas e enquadradas na nãocumulatividade. Sobre isso entende que a fiscalização teria o dever de computar tais créditos, e que se os seus funcionários se tivessem sido informados de que parte das receitas seriam tratadas pelo regime nãocumulativo, poderiam a título de colaboração indicar os valores desses créditos. Nesse sentido preparou a relação que segue os ANEXOS I e II de sua defesa. QUE ocorreram “erros materiais” nos contratos com a Petrobrás relativos à HDT REVAP de números 0800.002965607.2 e 0800.0029655.07.2 devido a serem integralmente tributados pelo regime nãocumulativo devido ao fato de não ter apresentado o detalhamento dos serviços medidos. No entanto, diz ter respondido ao Termo de Intimação nº 17 (ANEXO IV de sua defesa) onde teria apresentado tais relatórios de medição que possuía. Argumenta que se entendido os procedimentos de fiscalização ao cliente Petrobrás teria sido possível obter a totalidade dos valores das referidas medições, solicitando a intimação dessa para fins de apresentar as folhas de registro dos serviços. Cita, ainda o contrato de número 0800.0037911.07.2 que Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.928 5 estaria sujeito ao regime cumulativo, e que entende ter sido indevidamente tributado. Por fim, conclui que o Auto de Infração está eivado de nulidade por inobservância do art. 142, do CTN. Quanto ao mérito, a aplicação da alíquota do regime nãocumulativo para as receitas decorrentes de construção civil: a) estariam em manifesta inobservância do conceito de construção civil estabelecido no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº10/14; b) conflitariam com a jurisprudência do STJ, resultante de acórdão proferido no regime dos recursos repetitivos; c) não observaria o que realmente preceitua o inciso XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/03; d) incluiria na base de cálculo valores que não constituem receitas, mas recebimento de quantias de que era credor; e) não teriam procedido às deduções de créditos do regime nãocumulativo; f) e haveriam erros materiais na determinação das bases de cálculo adotadas na autuação. Solicita assim que seja anulado e tornado sem efeito o Auto de Infração, julgandose improcedente a ação fiscal. Requer, ainda, que seja intimada a Petrobrás para que a mesma apresente as folhas de registros de serviços relacionadas aos relatórios de medição apresentados pela impugnante durante a fiscalização, relativos aos contratos do HDT REVAP, de números 0800.002965607.2 e 0800.0029655.07.2, pertinentes ao ano de 2010, conforme ANEXO V de sua defesa. E, complementando, requer a realização de perícia contábil para determinar o valor dos créditos a que teria direito pelo regime da não cumulatividade, e também para comprovar que estão sendo tributados valores que não constituem receita. Seus quesitos estariam indicados no Anexo III de sua defesa. Esse processo foi objeto da Sessão de Julgamento realizada em 16/07/2015, e através da Resolução nº 10.000782, entendeuse que o mesmo deveria retornar para a DRF jurisdicionante, em diligência, para esclarecer especificamente os seguintes aspectos: a) verificação se o contribuinte faria jus aos créditos no regime nãocumulativo referidos nos ANEXOS I e II da defesa apresentada; b) análise da alegação de erros materiais em alguns contratos específicos considerados dentro do regime nãocumulativo. Após a realização dessa diligência deveria ser cientificado o contribuinte da realização da mesma. A fiscalização em atendimento ao que lhe fora solicitado intimou o contribuinte às fls. 3.674 a 3.676 a esclarecer e promover a apuração da totalidade dos créditos admissíveis vinculados às receitas não cumulativas (Itens 1 e 2), assim como para os contratos citados com erros materiais apresentar se a relação de notas fiscais constantes do termo seriam pela sistemática cumulativa ou nãocumulativa, visto que as fichas de registros de serviços não tinham sido apresentadas (Item 3). Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.929 6 O contribuinte respondeu o Termo de Intimação da Diligência às fls. 3.681 a 3.683, dizendo que não teria como responder os itens 1 e 2 da Intimação. Quanto ao Item 3 o contribuinte diz entender que todas as receitas do Consórcio Camargo Correa Promon – MPE seriam decorrentes de contratos de construção civil, sujeitas assim ao regime cumulativo do PIS e da Cofins. A fiscalização então elaborou o Registro de Procedimento Fiscal correspondente à Diligência nº 08.104.00.2015004199 onde apresenta o resultado das apurações realizadas (fls. 3.699 a 3.711). Ao contribuinte foi, então, dada ciência do resultado da diligência reabrindo o prazo de 30 dias para se manifestar caso entendesse necessário (fls. 3.712 a 3.716). O impugnante apresentou às fls. 3.720 a 3.723 sua manifestação sobre a diligência realizada. Em tal peça a PROMON reforça novamente que os valores das autuações se incluiriam dentro do conceito de construção civil, dizendo, dessa feita, que não se haveria de cogitar de créditos visto estar submetido ao regime cumulativo. Diz que o Auto de Infração é omisso em dizer as atividades do regime nãocumulativo. Afirma que somente poderia responder às indagações dos consórcios de que fosse líder. Sobre os contratos 800.002.9656.07.2 e 800.002.9655.07.2 diz não estar em posse das Folhas de Registros de Serviços com as necessárias medições, e que tais documentos se encontrariam com a PETROBRÁS. Quanto ao contrato 0800.0037911.07.2 a fiscalização teria reconhecido o erro material. Comenta também que não caberia à fiscalização responder aos quesitos que apresentou, sendo que de acordo com o art. 20, do Decreto nº 70.235/72, a indicação do perito da Fazenda caberia ao Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. Em 28 de abril de 2016, a 2ª Turma da DRJ Porto Alegre julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme Acórdão 10056.417 ás fls. 3740 a 3758, cancelando a exigência em relação a pequenos erros materiais no contrato nº 0800.0037911.07.2, conforme quadro à fl. 17 da decisão a quo. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: EXCESSO DE EXAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O desenquadramento realizado do regime cumulativo para o nãocumulativo está devidamente fundamentado nos autos, e a alíquota aplicada está de acordo com a legislação em vigência, motivo pelo qual não caracterizado o alegado excesso de exação. DESENQUADRAMENTO. REGIME CUMULATIVO. CONSTRUÇÃO CIVIL. Correto o desenquadramento do regime cumulativo para o nãocumulativo quando caracterizado não ocorrer a hipótese prevista no art. XX, do art. 10, da Lei nº 10.833/2003, ou seja, que as atividades realizadas não se tratam de receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil. REEMBOLSO/RESSARCIMENTO DE DESPESAS OU DE CUSTOS. A base de cálculo das contribuições não cumulativas é a totalidade das receitas independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o que inclui Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.930 7 os valores recebidos a título de reembolso ou de ressarcimento de despesas ou de custos. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando foi oportunizado ao contribuinte por duas vezes – durante o procedimento fiscalizatório e, posteriormente, em diligência realizada – a apresentar os elementos em questão, não tendo o mesmo atendido ao solicitado. Regularmente cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 3772 a 3802) no qual alega, em síntese: 1 Que a perícia requerida na peça impugnatória não poderia ser feita pelo agente fiscal autuante, devendo ser "designado outro auditor, com abordagem e avaliação independente". Alega que ao não ser atendido esse pleito bem como por não ter sido apreciado o pedido para que a Petrobrás fosse oficiada para que fornecesse as folhas de registro de serviços relacionados a relatórios de medição de dois contratos, foi cerceado seu direito de defesa, pelo que postula em preliminar a decretação de nulidade da r. decisão para "que outra seja proferida após a realização de prova pericial e oficiada a Petrobrás"; 2 Repisa o argumento de que o fiscal autuante não identificou as receitas que não estariam alcançadas no conceito de obras de construção civil a que alude o inciso XX, do art. 10 da Lei 10.833/2003, as quais estariam sujeitas a PIS/COFINS no regime não cumulativo. Dessa premissa conclui que o lançamento seria nulo por não ter bem delimitado a matéria tributável, nos termos do art. 142, do CTN; 3 Discorre sobre o sentido da expressão "construção civil", alegando que haviam soluções de consultas contraditórias acerca do que não estaria albergado naquele conceito, o que daria azo à apuração com base no regime cumulativo. Procura demonstrar, nos 8 contratos que cita de forma sintética, que seu objeto é a construção de edificações e de benfeitorias agregadas ao solo ou ao subsolo, "ou seja, claramente obras de construção civil". Em seu entender, montagem "entra no conceito de construção civil"; 4 Refuta a r. decisão quando essa afirmou que é preciso diferenciar os conceitos de obra de construção civil e de serviço de construção civil, alegando que não há distinção entre elas, e que, cita como exemplo, mesmo treinamento quando decorrente de realização de obras também seria construção civil para fins de incidência cumulativa das litigadas contribuições; 5 Traz à colação escólio jurisprudencial do STJ no sentido de arrimar seu entendimento de que "o contrato de construção civil é o que os civilistas chamam de contrato de fim", sendo que o que o caracterizaria seria a finalidade comum das atividades do prestador de serviço, o que, a seu juízo, não teria sido apreendido pelo fiscal nem pela decisão recorrida. Conclui, no ponto, que na construção civil o relevante é a obra "para onde direcionamse todos os esforços e trabalhos...sendo certo que a obra deve ser vista como uma unidade, uma universalidade", daí que não podem ser cindidos os serviços que a caracterizam, o que se aplicaria, obrigatoriamente, "também a PIS e COFINS". Afirma que no mesmo rumo caminham as decisões dos tribunais Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.931 8 administrativos, pugnando a aplicação do § 2º do art. 62 do RICARF, uma vez que no REsp 1.117.121 o STJ decidiu em recurso repetitivo que a obra de construção civil "para onde direcionamse todos os esforços ..."; 6 Averba que a expressão "decorrente", inserta no texto do inciso XX, do art. 10 da Lei 10.833/03, com a redação da Lei 13.043/14, a leva concluir que "o regime cumulativo se aplica não apenas a receitas de obras de construção civil, mas a qualquer receita decorrente de tais obras", ao contrário da tese fiscal de que só algumas receitas de cada contrato seriam obras de construção civil. Enfim, entende que todas receitas decorrentes dos contratos analisados estão "no regime cumulativo, qualquer que seja a sua natureza"; 7 Na sequência, alega que uma vez cobrada as contribuições no sistema não cumulativo, devem ser deduzidos os créditos a que faria jus, e que as inúmeras intimações feitas pela fiscalização "resultaram de sua incapacidade de identificar receitas da recorrente não resultantes de obras de construção civil". Confronta a decisão recorrida que asseverou que a recorrente teve mais de uma oportunidade de apontar os créditos que entende ter direito mas não o fez, repisando o dito em sede de impugnação no sentido de que a fiscalização ao longo de todo procedimento jamais lhe informou a que estava se referindo quando falava em construção civil. Ademais, afirma que isso não autorizava o agente fiscal a deixar de computar os créditos, "pois dispunha de meios de fazê lo", uma vez que os mesmos constariam de livros e documentos fiscais a que o autuante "tinha e teve acesso". Acresce, o já dito em sede de impugnação, que se seus funcionários houvessem sido informados de quais receitas a serem tratadas pelo regime nãocumulativo "poderiam, a título de colaboração, indicar créditos, por mais que estivessem convictos acerca da aplicação do regime cumulativo às operações sob exame"; 8 Alega que os valores de ressarcimento a ela feitos por consórcios que ela participava não tem natureza jurídica de receitas, pelo que não podem ser incluídos na base imponível das indigitadas contribuições. Referese ao art. 3º da IN RFB 1.199/11, que determina a forma de apropriação das receitas, custos e despesas de pessoas jurídicas participantes de consórcio, para demonstrar que "na medida que cada parte vai desempenhando atividades inerentes ao consórcio, em contrapartida ao que vai sendo gasto ela efetua uma cobrança contra o consórcio, de tal forma que tal custo lhe seja transferido", sendo que o consórcio ao efetuar tal reembolso registra em sua contabilidade o respectivo custo e absorve o encargo econômico correspondente. Assim, consigna que "não há, entre as consorciadas e o consórcio, qualquer relação de prestação de serviço e não há receita auferida em tais reembolsos, sendo sua finalidade instrumental para que os custos incorridos na execução das atividades dos consórcios sejam alocados na escrituração contábil dos mesmos, atendendo ao disposto na IN RFB 1199/11". Conclui que tributar tais valores constitui bis in idem; 9 Por fim, repisa seus argumentos expendidos em impugnação acerca do que chama erros materiais no contratos relativos à HDT REVAP, de números 0800.0029656.07.2 e 0800.0029655.07.2, uma vez que em relação ao contrato 0800.0037911.07.2 com a PETROBRÁS, a decisão recorrida reconheceu o erro. Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.932 9 O processo veio a julgamento deste Colegiado na sessão de 27 de junho de 2017, que converteu o julgamento em diligência, por entender que os elementos constantes nos autos não eram suficientes para ter segurança acerca da situação aventada pela Recorrente. O colegiado entendeu ser necessário a demonstração contábil de que os valores oriundos do consórcio seriam pagamentos de créditos da Recorrente escriturados no ativo, na conformidade dos contratos que regem a relação entre a Recorrente e os consórcios de que faz parte, e nos moldes da Instrução Normativa n. 1.199/2001. Também entendeu ser necessária a certeza sobre o fato desses valores terem sido anteriormente sujeitos à cobrança das Contribuições, quando do auferimento da receita pelo Consórcio, o que acarretaria no bis in idem alegado pela Recorrente (Resolução 3402001.021 às fls. 3820 a 3830). Foi determinada a conversão do julgamento em diligência a adoção das seguintes providências por parte da unidade de origem: a) requisite Laudo Técnico, por profissional habilitado ou credenciado pela RFB, para descrição pormenorizada das atividades exercidas pela recorrente para cumprimento de cada contrato de serviços objeto da presente autuação, classificandoas tanto em relação à Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), instituída pelo Decreto nº 7.708/2012, como em relação à Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil, constante no Anexo VII da Instrução Normativa RFB 971/2009, e/ou à Classificação Nacional de Atividades Econômicas ¬ CNAE, inclusive, se for o caso, sendo possível, segregando as receitas advindas da execução de "obras da construção civil", nelas inclusas as "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil", das demais atividades em relação a um mesmo contrato; b) manifestese em Relatório Conclusivo acerca da descrição das atividades e das suas classificações na NBS ou IN RFB 971/CNAE constantes no Laudo Técnico, da relevância dos serviços dentro do escopo de execução das obras de construção civil objeto de consórcio e da sua eventual potencialidade para alterar, ainda que parcialmente, o enquadramento da contribuinte no regime não cumulativo das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, bem como acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide. c) verifique se os valores que compõe o item IV do Auto de Infração de acordo com o que dispõe a Instrução Normativa RFB n. 1199/11, os contratos de consórcio em questão e demais regras fiscais e contábeis pertinentes, constituem ressarcimentos feitos com recursos da própria Recorrente (conforme fls 3793 a 3798), apresentando também relatório conclusivo sobre esse ponto; d) ainda com relação ao item IV do Auto de Infração, certifique se foram anteriormente tributados pela Contribuição ao PIS e pela COFINS enquanto receitas do Consórcio de que se originaram, também por meio do relatório conclusivo delineado no item (c) acima; e) cientifique a Recorrente dessa resolução, do laudo técnico e do relatório conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; f) por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.933 10 O processo foi devolvido a este Conselho sem o cumprimento da determinação da Resolução 3402001.021, conforme despacho à fl.3838, cujo teor transcrevo a seguir: Prezados Conselheiros Em complemento ao despacho anterior informo: A Devolução deste processo se deu por orientação da DISIT da 8ª. Região Fiscal, considerando que a realização da diligência solicitada é impraticável. Isso porque, ao mesmo tempo em que o Decreto nº 70.235/72, no art. 18, possibilita que a autoridade julgadora determine, inclusive de ofício, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, no art. 20 tal ato legal determina que, no âmbito da RFB, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre AuditorFiscal do Tesouro Nacional (atual AuditorFiscal da RFB), não havendo, no âmbito do Decreto nº 70.235/72, a figura de um "profissional habilitado ou credenciado pela RFB". O processo foi posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Conforme relatado, esta turma julgadora, na sessão de 27 de junho de 2017, entendeu que os elementos constantes nos autos não eram suficientes para ter segurança acerca da situação aventada pela Recorrente e para a solução do litígio, situação que ainda persiste. A unidade de origem descumpriu a determinação da Resolução 3402001.021, numa clara afronta às regras que regem o processo administrativo fiscal, sob a alegação de que a diligência deveria recair sobre o AFRFB, não havendo profissional habilitado ou credenciado pela RFB. Tal alegação, além de revelar um descompromisso com a solução do problema, apresentase equivocada, visto que tal ônus deveria ser imposto à Recorrente, além do fato de que os demais itens da diligência eram da plena competência da Autoridade Fiscal. Dessa forma, por perdurar aquela situação do julgamento de 27/06/2017, entendo que a diligência deve ser cumprida, por ainda ser necessária a demonstração contábil de que os valores oriundos do consórcio seriam pagamentos de créditos da Recorrente escriturados no ativo, na conformidade dos contratos que regem a relação entre a Recorrente e os consórcios de que faz parte, e nos moldes da Instrução Normativa n. 1.199/2001; e também por ser necessária a certeza sobre o fato desses valores terem sido anteriormente sujeitos à cobrança das Contribuições, quando do auferimento da receita pelo Consórcio, o que poderia acarretar o bis in idem alegado pela Recorrente. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para a adoção das seguintes providências por parte da unidade de origem: a) intime a Recorrente para que esta apresente Laudo Técnico subscrito por profissional habilitado, para descrição pormenorizada das atividades Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 10830.720152/201506 Resolução nº 3402001.459 S3C4T2 Fl. 3.934 11 exercidas pela recorrente para cumprimento de cada contrato de serviços objeto da presente autuação, classificandoas tanto em relação à Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), instituída pelo Decreto nº 7.708/2012, como em relação à Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil, constante no Anexo VII da Instrução Normativa RFB 971/2009, e/ou à Classificação Nacional de Atividades Econômicas ¬ CNAE, inclusive, se for o caso, sendo possível, segregando as receitas advindas da execução de "obras da construção civil", nelas inclusas as "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil", das demais atividades em relação a um mesmo contrato; b) manifestese em Relatório Conclusivo acerca da descrição das atividades e das suas classificações na NBS ou IN RFB 971/CNAE constantes no Laudo Técnico a ser apresentado, da relevância dos serviços dentro do escopo de execução das obras de construção civil objeto de consórcio e da sua eventual potencialidade para alterar, ainda que parcialmente, o enquadramento da contribuinte no regime não cumulativo das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, bem como acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide; c) verifique se os valores que compõe o item IV do Auto de Infração de acordo com o que dispõe a Instrução Normativa RFB n. 1199/11, os contratos de consórcio em questão e demais regras fiscais e contábeis pertinentes, constituem ressarcimentos feitos com recursos da própria Recorrente (conforme fls 3793 a 3798), apresentando também relatório conclusivo sobre esse ponto; d) ainda com relação ao item IV do Auto de Infração, certifique se foram anteriormente tributados pela Contribuição ao PIS e pela COFINS enquanto receitas do Consórcio de que se originaram, também por meio do relatório conclusivo delineado no item (c) acima; e) cientifique a Recorrente dessa resolução, do laudo técnico e do relatório conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; f) por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 3937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000953/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 3/ 20 08 -7 4 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13931.000953/200874 Resolução nº 3301000.731 S3C3T1 Fl. 179 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13931.000953/200874 Resolução nº 3301000.731 S3C3T1 Fl. 180 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000340/2007-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas as informações relativas a todos os Debcad relacionados à presente ação fiscal, inclusive fornecendo os números dos respectivos Processos Administrativos Fiscais, com posterior devolução dos autos à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 214 1 213 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14474.000340/200753 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9202000.199 – 2ª Turma Data 19 de junho de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas as informações relativas a todos os Debcad relacionados à presente ação fiscal, inclusive fornecendo os números dos respectivos Processos Administrativos Fiscais, com posterior devolução dos autos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte em face ao acórdão 2401003.209, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 74 .0 00 34 0/ 20 07 -5 3 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 14474.000340/200753 Resolução nº 9202000.199 CSRFT2 Fl. 215 2 Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 35.728.1918, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 10, a empresa deixou de informar em GFIP: valores dos serviços prestados por contribuintes individuais, cooperativas de trabalho, valores pagos em folha de pagamento, quais sejam: 1/3 de férias, auxílio creche sem contraprestação documental, Prêmio e diferença de RAT. O Contribuinte apresentou impugnação, fls.31 a 53, aditada às fls. 59/60, após retificação do valor da multa. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), às fls. 67/77, julgou parcialmente procedente a impugnação. Considerando a procedência parcial do lançamento, foi apresentado Recurso de Ofício pela unidade local, nos termos do art. 366, I e § 2°, do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 e art. 1°, inciso I da Portaria MPS n° 147, de 25 de junho de 2007, por ter sido retificado o débito. Às fls. 67/68, a autoridade fiscal encaminhou a empresa notificada a Decisão Notificação, com a decisão de procedência parcial do lançamento, tendo sido excluído a quantia de R$ 1.163.936,02. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 85 e ss., arguindo em síntese: 1. Decadência das competências até 12/2000; 2. O ora recorrente anexou na NFLD 35.882.4923 (contribuintes individuas) diversos documentos comprobatórios do recolhimento das contribuições previdenciárias, sobre as remunerações dos contribuintes individuais. 3. A autuada quitou parcialmente o débito objeto da obrigação principal relativamente ao período de 01/2001 a 12/2002. (membros do Conselho Fiscal); 4. A autuada comprovou o recolhimento de contribuições sobre as diferenças de honorários dos diretores. 5. O abono de férias previsto em acordo coletivo, objeto da NFLD 35.728.1900, não constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias. 6. Em relação aos pagamentos de auxíliocreche, NFLD 35.882.4931, observamos tratarse de verba indenizatória, nos termos da súmula 310. 7. Os valores pagos a cooperativas de trabalho e produção, objeto da NFLD 35.728.1896, sendo que ocorreu erro na base de cálculo, e ,portanto a exigência é indevida. Tendo cumprindo os termos da diligência, retornou o processo a este conselho para continuidade do julgamento, prestando informações no seguinte sentido: 1 (auxílio creche) – BAIXADA POR AÇÃO JUDICIAL; NFLD 358824940 – BAIXADA POR LIQUIDAÇÃO; NFLD 358824958 – BAIXADA POR LIQUIDAÇÃO; NFLD 357281926 – BAIXADA POR DN; NFLD 358824923 – (contribuintes individuais) AGUARDANDO EXPEDIÇÃO DO ACORDÃO; NFLD 358824966 – AGUARDANDO HOMOLOG. RECURSO DE OFÍCIO; NFLD 357281896 – (cooperativa de trabalho) AGUARDANDO EXPEDIÇÃO DO ACORDÃO; NFLD 357281900 – (abono de férias) AG REG. APÓS ACORDÃO/DEC MINIST. O processo foi novamente baixado em diligência, para que a autoridade fiscal prestasse mais esclarecimentos acerca dos fatos geradores contidas em cada NFLD e o Fl. 349DF CARF MF Processo nº 14474.000340/200753 Resolução nº 9202000.199 CSRFT2 Fl. 216 3 resultado proferido em cada julgamento, posto ser essa informação imprescindível para julgamento do AI em questão. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 235/243, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para: I) excluir os fatos geradores até 11/2000 pela aplicação da decadência quinquenal; II) excluir do valor da multa os fatos geradores excluídos nas respectivas obrigações principais, conforme informação fiscal à fl. 161, descrita no presente voto; III) bem como recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇAS NÃO COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES Não demonstrou o recorrente que as alegações de inexistências de diferenças mostravamse corretas. Mesmo após a diligência e a decisão de primeira instância. Não apresentou o recorrente planilhas e documentos que demonstrassem suas alegações. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS TOTALIDADE DA REMUNERAÇÃO CONSISTE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Independente do pagamento ser feito por liberalidade, toda a remuneração auferida por pessoa física contribuinte individual é fato gerador, salvo as descritas no art. 28, § 9º da lei 8212/91. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/12/2005 PRAZO DECADENCIAL AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Fl. 350DF CARF MF Processo nº 14474.000340/200753 Resolução nº 9202000.199 CSRFT2 Fl. 217 4 Tratandose de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN. Independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 245/254, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, em relação à seguinte matéria: Retroatividade Benigna cálculo da multa. O Acórdão Recorrido adotou como regime jurídico de cálculo da multa, em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008, pela comparação entre a soma das multas das obrigações principal e acessória, previstas respectivamente no art. 35, II, e no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, e o valor da multa de ofício fixada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela MP nº 449/2008, sendo aplicada a menor. O Acórdão Paradigma adotou o entendimento de que, para os fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da MP nº 449/2008, deveria ser aplicada, retroativamente, a Penalidade Pecuniária prevista no art. 32A da Lei de Custeio da Seguridade Social, incluído pela MP nº 449/2008, se esta se mostrasse menos onerosa que aquela prevista na legislação então vigente, digase, art. 32, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/91. Às fls. 331/337, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o regime jurídico aplicável ao cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. A Fazenda Nacional, às fls. 339/344, apresentou Contrarrazões, rebatendo os argumentos quanto ao mérito, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial do Contribuinte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 35.728.1918, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n Fl. 351DF CARF MF Processo nº 14474.000340/200753 Resolução nº 9202000.199 CSRFT2 Fl. 218 5 ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 10, a empresa deixou de informar em GFIP: valores dos serviços prestados por contribuintes individuais, cooperativas de trabalho, valores pagos em folha de pagamento, quais sejam: 1/3 de férias, auxílio creche sem contraprestação documental, Prêmio e diferença de RAT. Para julgamento da obrigação acessória vinculada é necessário conhecer o destino do processo principal. Embora tenha sido realizada diligência a pedido da Conselheira relatora do acórdão recorrido esta não esclareceu quais processos tratam de obrigação principal quais tratam de acessória. Considerando que a relatora não possui acesso ilimitado aos autos, mas tão somente ao auto que esta julgando necessário que a diligência realize esta classificação. Desse modo, será necessário converter o feito em diligência para que sejam prestadas as informações relativas, correlacionandoas com os respectivos PAFs e destacando aqueles que se encontram em tramite no CARF para melhor deslinde do presente processo de obrigação acessória. Diante do exposto converto o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas as informações relativas a todos os Debcad relacionados à presente Ação Fiscal, inclusive fornecendo os números dos respectivos Processos Administrativos Fiscais, com posterior devolução dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720174/2012-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO.
Não comporta relativização a agregação de valor de bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL-60 na apuração de preços de transferência. Demonstrado nos autos de maneira incontroversa que o insumo importado passou por processo de embalagem para ser colocado à disposição do consumidor final, incontestável a agregação de valor do produto.
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
Numero da decisão: 9101-003.503
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002 e (ii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo, substituída pelo conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator "ad hoc"
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. Não comporta relativização a agregação de valor de bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL-60 na apuração de preços de transferência. Demonstrado nos autos de maneira incontroversa que o insumo importado passou por processo de embalagem para ser colocado à disposição do consumidor final, incontestável a agregação de valor do produto. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002 e (ii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo, substituída pelo conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. Não comporta relativização a agregação de valor de bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Demonstrado nos autos de maneira incontroversa que o insumo importado passou por processo de embalagem para ser colocado à disposição do consumidor final, incontestável a agregação de valor do produto. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 74 /2 01 2- 19 Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.930 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002 e (ii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo, substituída pelo conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Na condição de relator "ad hoc" para formalização da presente decisão, cumpre observar que os parágrafos que seguem foram elaborados pela i. Doutora Daniele Souto Rodrigues Amadio, relatora originária dos autos que não mais integra o Colegiado. Tratamse de autos de infração (Efls. 2525 ss.) formalizados para a exigência de IRPJ e CSLL relativamente ao ano calendário de 2009, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, decorrente da acusação fiscal de não adição relativa a ajustes de Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.931 3 preços de transferência, em função (i) da adoção da sistemática da Lei n. 9.430/96 para cálculo do preço parâmetro com base no método do PRL 60, ao invés da sistemática prevista na Instrução Normativa no 243/2002; (ii) utilização do método do PRL 20 para cálculo do preço parâmetro de medicamentos importados acabados e acondicionados no Brasil; (iii) do desconto de ajustes financeiros da apuração do preço praticado; e (iv) desconto dos valores de Contribuição ao PIS e COFINS na apuração do preço parâmetro, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal. Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação administrativa (E fls. ss.) sustentanto, como resumido por ela própria em seu recurso especial, (i) equívoco da Fiscalização ao enquadrar o acondicionamento de medicamentos no regime do PRL 60%; (ii) a violação ao princípio da legalidade advinda da aplicação do método de cálculo previsto na IN 243, em detrimento ao método de cálculo da Lei 9.430; (iii) o descabimento do desconto do PIS e da COFINS na apuração do preçoparâmetro de um tributo com o qual não incorreu e que não foi incluído no cálculo do preço praticado com o consumidor final e (iv) a correção da dedução da taxa Libor nas compras efetuadas a prazo por ela no cálculo dos preço praticados no anocalendário de 2009. A autuação, no entanto, foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (Efls. 3260 ss.), sintetizada pela seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de 20% (PRL20) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇO PRATICADO. JUROS NAS COMPRAS A PRAZO. Inexistindo na legislação vigente tratamento específico quanto ao ajustamento de preços praticados na importação direta da empresa vinculada em compras a prazo, e não comprovando a contribuinte a cobrança de juros nas operações, indevida a redução do preço praticado. MÉTODO PRL. PREÇO PARÂMETRO. DEDUÇÃO DO PIS E DA CONFINS. No método PRL, uma das parcelas a ser deduzida da média aritmética dos preços de revenda para a obtenção do preço parâmetro são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas (entre eles, o PIS e a COFINS). O benefício previsto no artigo 3º da Lei nº 10.147/2000 consiste, simplesmente, no direito do contribuinte, enquadrado nesse regime especial, de deduzir, do montante devido a título de PIS e COFINS, um crédito presumido, não tendo nenhuma repercussão na apuração dos preços de transferência. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.932 4 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo ACORDAM os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, nos termos do voto do relator." Na sequência, foi juntado aos autos termo de perempção (Efls. 3288 ss.), registrando a não apresentação de recurso no prazo de 30 dias. Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efls. 3298 ss.), basicamente no mesmo sentido de sua impugnação administrativa, com acréscimo quanto à tempestividade da peça. Posteriormente, foi também protocolizada petição com a anexação de mandado de segurança impetrado (Efls. 3401 ss.) e correspondentes decisões judiciais para o processamento do recurso voluntário interposto. A turma a quo então julgou o recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para admitir o uso do método PRL 20 nas hipóteses de acondicionamento de produtos importados acabados, como restou consignado na ementa do Acórdão n. 1301 002.015 (Efls. 3438 ss.): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de 20% (vinte por cento), pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples acondicionamento em embalagens de produtos farmacêuticos (blisterização) apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243/02 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/00. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PARÂMETRO. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS VENDAS. PIS E COFINS. DEDUÇÃO. No método PRL, uma das parcelas a ser deduzida da média aritmética dos preços de revenda para a obtenção do preço parâmetro são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, entre eles, o PIS e a COFINS. O benefício previsto no artigo 3º da Lei nº 10.147/2000 consiste, simplesmente, no direito do contribuinte, enquadrado nesse regime especial, de deduzir, do montante devido a título de PIS e COFINS, um crédito presumido, não tendo nenhuma repercussão na apuração dos preços de transferência. PREÇO PRATICADO. JUROS NAS COMPRAS A PRAZO. Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.933 5 Inexistindo na legislação vigente tratamento específico quanto ao ajustamento de preços praticados na importação direta da empresa vinculada em compras a prazo, e não comprovando a contribuinte a cobrança de juros nas operações, indevida a redução do preço praticado. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o decidido com relação ao lançamento do IRPJ, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que excluía a incidência de juros sobre a multa e Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que dava provimento integral ao recurso". A Fazenda Nacional interpôs, assim, Recurso Especial (Efls. 3475 ss.), com relação à questão do uso do PLR 20 na hipótese de embalagem de produtos importados acabados, por entender que isso compreenderia agregação de valor, e que isso levaria à aplicação do PRL 60, ao qual foi dado seguimento por despacho de admissibilidade(Efls. 3488 ss.). Por sua vez, a contriubuinte também interpôs Recurso Especial (Efls. 3505 ss) sustentando divergência do acórdão recorrido em relação aos respectivos paradigmas, no que se refere aos seguintes pontos: (i) adoção da sistemática da Lei n. 9.430/1996 para cálculo do preço parâmetro com base no método do PRL 60, ao invés da sistemática prevista na Instrução Normativa n. 243/2002 (acórdãos n. 1202001.026 e n. 1101000.864); (ii) desconto de ajustes financeiros da apuração do preço praticado (acórdão n. 1102001.238); (iii) desconto dos valores de PIS e COFINS na apuração do preço parâmetro, tendo em vista o regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n. 10.147/2000 (acórdão n. 1201001.259 ) e (iv) inaplicabilidade de juros sobre multa (acórdãos n. 9202002.600 e n. 9101000.722). A contribuinte também apresentou contrarrazões (Efls. 3814 ss.) sustentando, preliminarmente, a ausência de condições de conhecimento do recurso, por impossibilidade de reanálise da matéria fáctica e inaplicabilidade do acordão paradigma (n. 130200.915) ao presente caso, uma vez que trata da desconsideração da aplicação do método do PRL 20 em decorrência do acondicionamento de produtos importados a granel para posterior venda no mercado interno, enquanto o acondicionamento e reacondicionamento promovidos pela contribuinte nos produtos por ela importados (prontos e acabados), partiriam de vários estágios, inclusive em alguns deles sequer haveria Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.934 6 acondicionamento, sendo realizados apenas testes de controle de qualidade, com posterior armazenagem para revenda, desenvolvendo suas razões para o não provimento do recurso. O despacho de admissibilidade (Efls. 3860 ss.) deu seguimento parcial ao recurso da contribuinte, somente com relação à primeira e última matérias. Diante do referido despacho de admissibilidade, a contribuinte interpôs agravo (Efls. 3875 ss.), no intuito de que se suspendesse a exigibilidade do crédito tributário e também fosse dado seguimento ao seu recurso quanto (i) à legitimidade do desconto de ajustes financeiros da apuração do preço praticado e (ii) ao desconto na apuração do preço parâmetro da Contribuição ao PIS e da COFINS, o qual foi rejeitado por despacho às Efls. 3888 ss. Por fim, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (Efls. 3904 ss.), no que se refere à necessidade de adoção do artigo 12 da Instrução Normativa n. 243/2003 e à incidência de juros sobre a multa de ofício. Passase, então, à apreciação dos recursos especiais. Voto Vencido Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" Na condição de relator "ad hoc" para formalização da presente decisão, cumpre observar que os parágrafos que seguem foram elaborados pela i. Doutora Daniele Souto Rodrigues Amadio, relatora originária dos autos que não mais integra o Colegiado. I. Recurso Especial da Fazenda Nacional Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.935 7 demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, observase que a Fazenda Nacional assim delimitou a divergência sustentada: Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.936 8 "Há, portanto, nítida divergência jurisprudencial entre o r. acórdão proferido pelo e. Colegiado a quo e o acórdão paradigma, pois ambos trataram da aplicação do art. 18 da Lei 9430/96, que define o método PRL como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de alguns valores, dentre eles a margem de lucro, que será presumida em 60% na hipótese de “bens aplicados à produção”, ou em 20% “nas demais hipóteses”. Para o acórdão recorrido, a agregação de valor pela colocação de embalagem, por si só, não seria suficiente para a aplicação do método PLR60%. O acórdão paradigma, por sua vez, diante da interpretação da Lei nº 9.430/96 combinada com a leitura da IN. SRF, 243/2002, entende que havendo a agregação de valor na hipótese de colocação de embalagem, o PLR deve observar a margem de lucro de 60%. Portanto, consoante esposado no votovencedor do paradigma ora apresentado, qualquer intervenção realizada pelo importador que não caracterize a mera revenda, acarretando agregação de valor, implica na submissão do item à produção local, sendo inafastável a incidência do PRL60 como método de determinação do preçoparâmetro." (sublinhouse) Por sua vez, assim foi redigido o despacho de admissibilidade: "A Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial suscitando divergência em relação à seguinte matéria: aplicação do método PRL 20 no caso de acondicionamento de produtos farmacêuticos em embalagens (BLISTERIZAÇÃO). Para comprovar o dissenso foi indicado, como paradigma, o Acórdão nº 1302 00.915. Vejamos sua ementa, naquilo que importa ao presente exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL. ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM. O acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). Como se vê, a simples comparação das ementas dos julgados, recorrido e paradigma, por si só, já autoriza afirmar que o dissídio jurisprudencial foi comprovado, vez que, tratando da mesma situação fática (importação de produtos farmacêuticos a granel e acondicionamento em embalagens) e debruçandose sobre idêntica legislação idêntica, decidiram de forma absolutamente distinta. Com essas considerações, concluo que restaram atendidos os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual pronunciome pelo seguimento do recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional." (grifouse) Muito embora a conclusão do despacho de admissibilidade afirme a clareza da divergência, não me parece que numa análise mais detida alguns pontos possam deixar de ser registrados. Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.937 9 Primeiramente, como se lê dos dois documentos transcritos acima, não obstante o despacho acentue que a divergência circunscrevase à "aplicação do método PRL 20 no caso de acondicionamento de produtos farmacêuticos em embalagens (BLISTERIZAÇÃO)", a Fazenda Nacional discute que "qualquer intervenção realizada pelo importador que não caracterize a mera revenda, acarretando agregação de valor, implica na submissão do item à produção local, sendo inafastável a incidência do PRL60 como método de determinação do preçoparâmetro." Isso é relevante diante das consequências seguintes. Apesar de a decisão recorrida haver citado acórdão que remetia ao processo de blisterização de produtos adquiridos a granel, foi feito isso para se confirmar o raciocínio desenvolvido ao longo do voto, que não se voltaria, como expressamente consignado, à questão da agregação de valor, já prejudicando por si só a confirguracao da dievergência nos termos postos pela recorrente. Efetivamente, lêse no acórdão recorrido que o critério de decidir foi a necessidade de se verificar se a embalagem das mercadorias, no caso concreto, teria afetado o processo produtivo e, destacase, a ausência de prova de que isso teria ocorrido, daí porque se teria mantido a adoção do PRL 20. Eis o texto do acórdão recorrido, com destaque para os trechos grifados: "(1) DO MÉRITO DA AUTUAÇÃO ATIVIDADE DE EMBALAGEM ILEGITIMIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL 20% PELA D. FISCALIZAÇÃO Após breve introdução da acusação fiscal, a contribuinte ora recorrente em vasta argumentação passa a demonstrar que o entendimento da fiscalização e mantido pela DRJ, alegando, em síntese que: "é totalmente descabido, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os produtos citados acima são revendidos sem qualquer processo de fabricação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação de preço de transferência (já que a Fiscalização considerou que qualquer agregação de valor seria suficiente para aplicação do PRL 60%)." Aduz, mais: Da análise dos fundamentos da r. decisão, é possível afirmar de plano que uma simples mudança de código não é suficiente para determinar que houve produção de um novo bem. Além disso, a Recorrente possui padrões de código para importação e para revenda no Brasil, de modo que em toda e qualquer situação, haverá mudança de código. Vêse, então, que a lide gira em torno do suposto uso indevido pela fiscalização do Método PRL60 para os ajustes de preços de transferência em relação a determinados produtos farmacêuticos importados pela recorrente de empresas a ela vinculadas e, que nos dizeres da defesa teriam sido objeto exclusivamente do processo de embalagem, sem qualquer alteração em sua natureza. Dessa forma, Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.938 10 sustenta que, no caso, caberia para esses produtos a utilização do método PRL20 Aqui importa reproduzir a legislação que trata da matéria à época do período fiscalizado, a saber: Lei nº 9.430/96 ... Art. 18. (...) A IN/SRF nº 243/2002 regulamenta o tema nos seguintes termos: Art. 12. (...) Como se verifica da leitura dos dispositivos acima transcritos, a legislação estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de agregação de valor resultante de bens importados aplicados à produção. Já o ato normativo por sua vez menciona a agregação de valor de forma genérica o que poderia induzir ao entendimento de que qualquer agregação descaracterizaria o processo de revenda. A meu ver cabe aqui aplicar os fundamentos do acórdão 1402001.467, de 08/10/2013, da lavra do i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, inclusive, tratase da mesma empresa ora recorrente, pelo que peço vênia para transcrever os seguintes fragmentos: Não se pode olvidar que uma Instrução Normativa regula a forma de aplicação da lei que lhe deu origem. Sendo assim, por óbvio que não deve haver incompatibilidade entre elas. Se a lei formal estabelece um regramento de forma restritiva, não cabe ao ato normativo ampliar esse alcance. Na mesma linha, é grande o risco de agressão à lei quando a Instrução Normativa restringe o alcance de dispositivo legal de caráter abrangente. Sobre esse prisma, entendo que a agregação de valor mencionada no § 9º, da IN/SRF nº 243/2002 só pode ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo. Por definição legal, não é o valor da agregação que define o método mas de que forma ela ocorreu. A exposição de motivos da Lei nº 9.959/2000, que modificou a Lei nº 9.430/96 e introduziu o método PRL60, traz com clareza: (...) 5. O artigo 2º admite. para fins de controle de preços de transferência, a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, nos casos de importação de bens, serviços ou direitos empregados, utilizados ou aplicados na produção de outros bens, serviços ou direitos, estabelecendose para tanto, uma margem de lucro de sessenta por cento. (...) Nesse ponto, concordo com a recorrente quando afirma que generalizar o alcance da agregação de valor para definir o método de ajuste adequado tornaria quase impraticável a utilização do PRL20. Cabe então avaliar se o processo de colocação de embalagem, pois é essa a atividade sob exame, caracterizaria a utilização do bem no processo produtivo. Em primeiro lugar, convém esclarecer que entender ou não o processo de embalagem como industrialização mostrase irrelevante no presente caso. Não está em discussão a definição legal para efeito de incidência do IPI, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente. No análise feita pela Fiscalização no procedimento fiscal e corroborada na diligência, a autoridade lançadora enfatiza a agregação de valor para justificar a desqualificação do método PRL20. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.939 11 Com já esclarecido acima, tal hipótese, por si só, não daria ensejo à utilização do método PRL60. Quanto à utilização do bem no processo produtivo, o Fisco baseouse nos registros contábeis onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento o que implicaria na assunção, pelo sujeito passivo, de que o produto original teria se transformado em outro com características distintas. Com todo respeito que merece a autoridade lançadora pelo exaustivo trabalho de levantamento e verificação de dados, penso que tal entendimento está na esfera da hipótese. Até porque poderseia supor que a forma de registro do sujeito passivo envolve questões de controle interno. Em função da matéria sob exame, caberia um aprofundamento da diligência com verificações que permitissem em primeiro lugar a descrição do processo de embalagem para cada um dos produtos avaliados e como conseqüência uma avaliação precisa quanto à caracterização ou não desse procedimento como modificador do estado original do bem. Ratificase: a questão aqui tratada não é de direito mas fática. A colocação de embalagem pode ou não implicar na alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para ajuste dos preços de transferência. No presente caso, tratandose de indústria farmacêutica essa possibilidade é até mais significativa. Entretanto, nem a ação fiscal nem o procedimento de diligência lograram trazer elementos de prova suficientes a demonstrarem essa circunstância, que representava a questão primordial a ser dirimida nos autos. Trago por importante outro precedente ao caso em concreto, tratase do Acórdão 1301000.995 (portanto desta mesma Turma Ordinária), Sessão de 07 de agosto de 2012, na qual, por unanimidade de votos, acordaram seus membros em dar provimento ao recurso voluntário, cuja ementa reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS. 1. Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de “blisterização” não se caracteriza como específico processo de “produção” a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96. 2 Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção. Analisando todas as considerações apresentadas, e, de acordo com as normas regentes da matéria, entendo, com a devida vênia, assistir razão à contribuinte, tendo em vista que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, não se trata, de forma alguma, em qualquer processo de alteração do produto final comercializado, mas sim, apenas e tão somente de procedimento voltado ao atendimento de normas internas aplicadas à comercialização específica do produto importado, que, em absolutamente nada, representa alteração em sua substância. Nessa linha, a par dos valorosos argumentos trazidos pela fiscalização, e, ainda, apresentados pela r. decisão de primeira instância, entendo que, na linha Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.940 12 destacada pelas resposta trazidas pela contribuinte em frente as intimações da autoridade fiscal, e, ainda, de acordo com os argumentos por ela mesma (contribuinte) apresentados, a introdução dos referidos comprimidos (importados à granel) em embalagens exigidas pela vigilância sanitária brasileira não pode, de forma alguma, ser considerada como procedimento de produção, agregando valor ao produto resultante de bens importados aplicados à produção, a ponto de exigir a aplicação da sistemática do indicado PRL60, da forma como pretende a douta fiscalização. Diante dessas razões, concluo pela impossibilidade de configuração, na presente vertente, da hipótese de aplicação do produto importado na produção, da forma como apontado pelo art. 18, II, ‘d’ da Lei 9.430/96, sendo, portanto, inaplicável a margem de lucro sob o percentual de 60% (sessenta por cento), da forma como pretendido pela fiscalização, destacando, portanto, a completa improcedência deste item do lançamento efetuado." (grifouse) Outro ponto que merece destaque, no sentido das considerações realizadas acima, é que o acórdão recorrido não se limitou à análise do caso concreto sob a perspectiva da blisterização de produtos importados a granel, porque como reconhecido, não se cuidou da hipótese específica da circunstância autada no presente processo e tratada desta forma pelo acórdão recorrido Como colocado pela contribuinte, para melhor esclarecer a questão fáctica, nem todos os produtos seriam importados em graneis e alguns sequer sofreriam acondicionamento: " 23. Conforme demonstrado pela Recorrida desde o início do procedimento de fiscalização, o acondicionamento e reacondicionamento promovidos pela ora Recorrida nos produtos por ela importados (prontos e acabados), partem de vários estágios de acondicionamento. 24. Para alguns deles, inclusive, não há sequer acondicionamento, sendo realizados apenas testes de controle de qualidade, com posterior armazenagem para revenda. Essa é a situação dos seguintes produtos: 1 s030 TOMIIDEX 2 MG Não há processo produtivo no Brasil. A Astrazeneca apenas realiza testes/análises e coloca o produto em embalagens individuais de isopor e frta para a proteção contra quebras. Produto tóxico. 1 5093 MERONEM ry lG SF Não há processo produtivo no Brasil. O produto é recebido em embalagem primária. A Astrazenecarealiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagem secundária. I 5095 MERONEM TV 5OO MG SF Não há processo produtivo no Brasil. O produto é recebido em embalagem primária. A Astrazeneca realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagem scundária. 25. A tabela abaixo evidencia a diferença dos estágios de acondicionamento de alguns dos produtos importados pela Recorrida: Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.941 13 Produto importado pela Recorrida Descrição do Procedimento da Embalagem ZOLADEX 3,6MG DEPOT CX CII O produto é recebido em embalagem primária. A Recorrida realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens que serão remetidas ao consumidor. Tais embalagens consistem em blisters, pouchs, frascos envasados entre outras. ARIMIDEX BLISTER l4COMP O produto é recebido em embalagem primária. A Recorrida realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens que serão remetidas ao consumidor. Tais embalagens consistem em blisters, pouchs, frascos envasados entre outras. ZOLADEX LA DEPOT CX CII O produto é recebido em embalagem primária. A Recorrida realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens que serão remetidas ao consumidor. Tais embalagens consistem em blisters, pouchs, frascos envasados entre outras. BUDECORT AQUA 32 MCG SPRAY O produto é recebido em embalagem primária. A Recorrida realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens que serão remetidas ao consumidor. Tais embalagens consistem em blisters, pouchs, frascos envasados entre outras. BTIDECORT AQUA 64 MCG O produto é recebido em embalagem primária. A Recorrida realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens que serão remetidas ao consumidor. Tais embalagens consistem em blisters, pouchs, frascos envasados entre outras. CASODEX 5OMG BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em ernbalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor. SPLENDIL 5MG _ BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor. ATACAND 8MG _ BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a sera ao consumidor ATACAND 16MG _ BULK Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.942 14 O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor. ATACAND HCT 16MG _ BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor. NEXIIIM 2OMG BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor. NEXIUM 4OMG BULK O produto é importado em graneis. A Recorrida apenas realiza testes de controle de qualidade e coloca o produto em embalagens primárias (blisters) e na embalagem secundária (cartucho) na forma a qual será a será apresentado ao consumidor." Diversamente, o paradigma (acórdão n. 130200.915) parte expressamente de uma questão em que houve tão somente importação a granel: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA IRPJ E CSLL ANOCALENDÁRIO DE 2002. O fato gerador de IRPJ e CSLL é o lucro real anual e concluise em 31122002, operandose a decadência apenas a partir de 31122007. DIVERGÊNCIA NA ADIÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – ÔNUS DA PROVA – A autoridade fiscal analisou os suportes analíticos apresentados pela contribuinte e notou insuficiência na adição voluntária de preço de transferência por ela efetuada. A contribuinte nega esse erro, mas não traz quaisquer outros documentos ou suportes que possam infirmar os controles verificados em sede de fiscalização. O ônus da prova cabe à contribuinte que dele não se desincumbiu. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM. O acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60% IN SRF 243/02 ILEGALIDADE A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% do Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.943 15 preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei”. (Grifouse) Desse modo, para além das outras razões expostas incialmente, caso eventualmente se considerasse que a divergência se referiria tão somente à questão do PLR na hipótese de blisterização de produtos importados a granel, ainda assim não se entende que o acórdão acima se prestaria como paradigma para o presente recurso especia, uma vez que neste consta a importação de produtos que não foi realizada a granel, carencendo de similitude fáctica. Assim sendo, pelas diferentes razões apresentadas VOTASE POR NÃO CONHECER o Recurso Especial. Mérito Na eventualidade de vencida quanto ao conhecimento do recurso, compreendese, objetivamente, que o processo de embalagem e aposição de marca no país, de produto importado acabado, sobretudo para o atendimento da legislação regulatória interna, não representa industrialização ou utilização como insumos que imponham a adoção do PRL 60, mostrandose correto o procedimento utilizado pela contribuinte de uso do PRL 20, razão pela qual se mantém o acórdão recorrido no que interessa: "(1) DO MÉRITO DA AUTUAÇÃO ATIVIDADE DE EMBALAGEM ILEGITIMIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL 20% PELA D. FISCALIZAÇÃO Após breve introdução da acusação fiscal, a contribuinte ora recorrente em vasta argumentação passa a demonstrar que o entendimento da fiscalização e mantido pela DRJ, alegando, em síntese que: "é totalmente descabido, seja pelo equívoco na interpretação dos fatos (uma vez que os produtos citados acima são revendidos sem qualquer processo de fabricação), seja pelo equívoco na interpretação da legislação de preço de transferência (já que a Fiscalização considerou que qualquer agregação de valor seria suficiente para aplicação do PRL 60%)." Aduz, mais: Da análise dos fundamentos da r. decisão, é possível afirmar de plano que uma simples mudança de código não é suficiente para determinar que houve produção de um novo bem. Além disso, a Recorrente possui padrões de código para importação e para revenda no Brasil, de modo que em toda e qualquer situação, haverá mudança de código. Vêse, então, que a lide gira em torno do suposto uso indevido pela fiscalização do Método PRL60 para os ajustes de preços de transferência em relação a determinados produtos farmacêuticos importados pela recorrente de empresas a ela vinculadas e, que nos dizeres da defesa teriam sido objeto exclusivamente do Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.944 16 processo de embalagem, sem qualquer alteração em sua natureza. Dessa forma, sustenta que, no caso, caberia para esses produtos a utilização do método PRL20 Aqui importa reproduzir a legislação que trata da matéria à época do período fiscalizado, a saber: Lei nº 9.430/96 ... Art. 18. (...) A IN/SRF nº 243/2002 regulamenta o tema nos seguintes termos: Art. 12. (...) Como se verifica da leitura dos dispositivos acima transcritos, a legislação estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de agregação de valor resultante de bens importados aplicados à produção. Já o ato normativo por sua vez menciona a agregação de valor de forma genérica o que poderia induzir ao entendimento de que qualquer agregação descaracterizaria o processo de revenda. A meu ver cabe aqui aplicar os fundamentos do acórdão 1402001.467, de 08/10/2013, da lavra do i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, inclusive, tratase da mesma empresa ora recorrente, pelo que peço vênia para transcrever os seguintes fragmentos: Não se pode olvidar que uma Instrução Normativa regula a forma de aplicação da lei que lhe deu origem. Sendo assim, por óbvio que não deve haver incompatibilidade entre elas. Se a lei formal estabelece um regramento de forma restritiva, não cabe ao ato normativo ampliar esse alcance. Na mesma linha, é grande o risco de agressão à lei quando a Instrução Normativa restringe o alcance de dispositivo legal de caráter abrangente. Sobre esse prisma, entendo que a agregação de valor mencionada no § 9º, da IN/SRF nº 243/2002 só pode ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo. Por definição legal, não é o valor da agregação que define o método mas de que forma ela ocorreu. A exposição de motivos da Lei nº 9.959/2000, que modificou a Lei nº 9.430/96 e introduziu o método PRL60, traz com clareza: (...) 5. O artigo 2º admite. para fins de controle de preços de transferência, a utilização do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, nos casos de importação de bens, serviços ou direitos empregados, utilizados ou aplicados na produção de outros bens, serviços ou direitos, estabelecendose para tanto, uma margem de lucro de sessenta por cento. (...) Nesse ponto, concordo com a recorrente quando afirma que generalizar o alcance da agregação de valor para definir o método de ajuste adequado tornaria quase impraticável a utilização do PRL20. Cabe então avaliar se o processo de colocação de embalagem, pois é essa a atividade sob exame, caracterizaria a utilização do bem no processo produtivo. Em primeiro lugar, convém esclarecer que entender ou não o processo de embalagem como industrialização mostrase irrelevante no presente caso. Não está em discussão a definição legal para efeito de incidência do IPI, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente. Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.945 17 No análise feita pela Fiscalização no procedimento fiscal e corroborada na diligência, a autoridade lançadora enfatiza a agregação de valor para justificar a desqualificação do método PRL20. Com já esclarecido acima, tal hipótese, por si só, não daria ensejo à utilização do método PRL60. Quanto à utilização do bem no processo produtivo, o Fisco baseouse nos registros contábeis onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento o que implicaria na assunção, pelo sujeito passivo, de que o produto original teria se transformado em outro com características distintas. Com todo respeito que merece a autoridade lançadora pelo exaustivo trabalho de levantamento e verificação de dados, penso que tal entendimento está na esfera da hipótese. Até porque poderseia supor que a forma de registro do sujeito passivo envolve questões de controle interno. Em função da matéria sob exame, caberia um aprofundamento da diligência com verificações que permitissem em primeiro lugar a descrição do processo de embalagem para cada um dos produtos avaliados e como conseqüência uma avaliação precisa quanto à caracterização ou não desse procedimento como modificador do estado original do bem. Ratificase: a questão aqui tratada não é de direito mas fática. A colocação de embalagem pode ou não implicar na alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para ajuste dos preços de transferência. No presente caso, tratandose de indústria farmacêutica essa possibilidade é até mais significativa. Entretanto, nem a ação fiscal nem o procedimento de diligência lograram trazer elementos de prova suficientes a demonstrarem essa circunstância, que representava a questão primordial a ser dirimida nos autos. Trago por importante outro precedente ao caso em concreto, tratase do Acórdão 1301000.995 (portanto desta mesma Turma Ordinária), Sessão de 07 de agosto de 2012, na qual, por unanimidade de votos, acordaram seus membros em dar provimento ao recurso voluntário, cuja ementa reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS. 1. Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de “blisterização” não se caracteriza como específico processo de “produção” a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96. 2 Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção. Analisando todas as considerações apresentadas, e, de acordo com as normas regentes da matéria, entendo, com a devida vênia, assistir razão à contribuinte, tendo em vista que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, não se trata, de forma alguma, em qualquer processo de alteração do produto final comercializado, mas sim, apenas e tão somente de procedimento voltado ao atendimento de normas internas aplicadas à comercialização específica do produto importado, que, em absolutamente nada, representa alteração em sua substância. Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.946 18 Nessa linha, a par dos valorosos argumentos trazidos pela fiscalização, e, ainda, apresentados pela r. decisão de primeira instância, entendo que, na linha destacada pelas resposta trazidas pela contribuinte em frente as intimações da autoridade fiscal, e, ainda, de acordo com os argumentos por ela mesma (contribuinte) apresentados, a introdução dos referidos comprimidos (importados à granel) em embalagens exigidas pela vigilância sanitária brasileira não pode, de forma alguma, ser considerada como procedimento de produção, agregando valor ao produto resultante de bens importados aplicados à produção, a ponto de exigir a aplicação da sistemática do indicado PRL60, da forma como pretende a douta fiscalização. Diante dessas razões, concluo pela impossibilidade de configuração, na presente vertente, da hipótese de aplicação do produto importado na produção, da forma como apontado pelo art. 18, II, ‘d’ da Lei 9.430/96, sendo, portanto, inaplicável a margem de lucro sob o percentual de 60% (sessenta por cento), da forma como pretendido pela fiscalização, destacando, portanto, a completa improcedência deste item do lançamento efetuado." No mesmo sentido, o acórdão n. 1402001.238 em que, por unanimidade de votos, se desconstituiu o crédito tributário pelos mesmos fundamentos: " Conforme relatado, tratase de exigências em face da acusação fiscal de irregularidades no cumprimento da legislação de preços de transferência. A Fiscalização restringiu a sua análise aos métodos de preço de transferência utilizados pela Recorrente nas operações de importação, solicitando inicialmente: (i) memórias de cálculos sintéticas e analíticas dos preços de transferência dos bens, serviços e direitos importados no ano de 2006;e (ii) relação de empresas vinculadas nos termos do artigo 23 da Lei 9.430; (iii) planilha de cálculo conforme modelo indicado pela própria Fiscalização de ajustes de preços de transferência de bens importados, relativamente ao periodo de 2006, devidamente acompanhada de memórias de cálculos de suporte aos métodos adotados; (iv) planilha indicando todas as importações realizadas em 2006 conforme SISCOMEX; (v) planilha consolidando os dados dos livros de inventário da empresa; (vi) planilha indicando as importações devolvidas no ano calendário de 2006; (vii) planilha relacionando todas as saldas efetivas ocorridas durante o ano calendário de 2006; (viii) relação de contratos de mútuo ou empréstimo a pagar e a receber; (ix) plano de contas do mesmo periodo; (x) documentos societários das empresas, dentre outros (ver Termo de Intimação n° 01) . De acordo a Fiscalização, as operações com os referidos produtos não poderiam se sujeitar à apuração de preço de transferência pelo método PRL 20%, pois importaram "agregação de valor no pais". Essa agregação de valor no pais foi resultado de atividades de embalagem de produtos e que, segundo a Fiscalização, constituiriam espécie de industrialização, nos termos do artigo 4°, inciso IV do Decreto 2.637/98 (doravante "Regulamento do IPI") . Vejamos trecho do termo de verificação fiscal que bem resume o pensamento da Fiscalização: "O segundo grupo de produto, com códigos compostos de cinco dígitos, são, no país, submetidos a processo produtivo, de forma a tornálos Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.947 19 aptos a serem colocados no mercado. Nesta situação, a agregação de valor resultante da operação industrial de acondicionamento torna impossível a utilização do método de revenda com margem de 20%". Assim, a Fiscalização houve por bem aplicar o método PRL 60% para apuração do preço de transferência desses produtos, utilizandose da metodologia prevista na IN 243. Aduz a recorrente, basicamente, que não realiza operação de industrialização e sim de acondicionamento dos produtos para revenda, por isso é cabível o PRL 20. A decisão de 1a. instancia manteve a exigência sob os seguintes fundamentos: Analisemos a desqualificação do método PRL20 (e a conseqüente adoção do método PRL60) para os itens importados de códigos 15006, 15018, 15022, 15026, 15031, 15033, 15035, 15036, 15037, 15039, 15040, 15042, 15054, 15055, 15057, 15081, 15085, 15093 e 15095 (Anexo I). Nenhum dos supracitados itens teve saída direta, tendo havido agregação de valor em relação ao produto final comercializado (conforme cálculos constantes do Anexo I, juntado aos autos pela fiscalização), não sendo, portanto, possível a utilização do método PRL20 (sendo, no entanto, possível a utilização do método PRL60), na interpretação a contrario sensu do § 9º, do artigo 12, IN SRF nº 243/2002, in verbis: “Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. (...)” (grifei). Nenhum dos produtos objeto de desqualificação do método PRL20 foi revendido diretamente; todos integraram produtos finais diferentes, conforme se observa dos códigos de itens e de produtos relacionados no supracitado Anexo I. Inclusive, alguns itens importados deram origem a mais de um produto final. Com relação à alegação de que a mera colocação de embalagem nos produtos importados não seria motivo para se desqualificar o método PRL20, há que se destacar que, mesmo nesse caso, há agregação de valor, ainda que eventualmente pequena, sendo que a legislação não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante. Com relação ao Guia de Perguntas e Respostas da DIPJ/2007 (Capítulo XX, pergunta/resposta nº 41), citado pela impugnante, que esclarece que nos casos de acondicionamento e reacondicionamento, não há produção de outro bem, Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.948 20 sendo possível a adoção do método PRL20, há que se destacar que essa disposição (que poderia ser considerada uma norma administrativa) não respalda o procedimento adotado pela contribuinte, sendo, portanto, inaplicável ao caso o § único do artigo 100 do CTN, que exige a “observância das normas”. Isso porque a ação da contribuinte sobre os citados itens não se restringiu a simples acondicionamento/reacondicionamento, que, na definição do artigo 4º, inciso IV, do Regulamento do IPI (RIPI), destinase apenas ao transporte da mercadoria. Mesmo quando teria havido apenas a colocação de embalagem, ela não se destinou apenas ao transporte da mercadoria, mas, conforme afirmação da própria contribuinte, para se adequarem à legislação brasileira (em especial da Lei nº 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, a qual está inserida a comercialização de medicamentos), sendo realizados testes de qualidade e colocados selos de segurança. (...) Pois bem, é incontroverso nos autos que o único processo industrial sofrido pelos produtos no Brasil foi o de acondicionamento para revenda, observada a legislação brasileira pertinente a tais produtos (medicamentos). A meu ver cabe aqui aplicar os fundamentos do acórdão 1402001.012, de 10/4/2012, no qual fui designado para redigir o voto vencedor, a saber: Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. (..) Voto Nos debates realizados no julgamento deste processo divergi do ilustre relator quanto a vedação do método PRL20% às operações em análise. No seu lugar, o fisco utilizou o método PRL 60%. Desde a auditoria fiscal, a contribuinte afirma que não existe motivo que justifique a vedação da utilização do método PRL 20% no presente caso. Seja pelo fato de o método PRL 60% ter sido introduzido pela IN n° SRF 32/2001, porquanto não poderia valer para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2000, seja por se tratar apenas de reacondicionamento do produto para revende. Pois bem. Tal qual o conselheiro Frederico Alencar, entendo que o método PRL 60% foi introduzido pela Medida Provisória n° 1.924, de 1999, e reedições, as quais produziram efeitos a partir de 1° de janeiro de 2000, aplicandose, portanto, ao caso em análise. Ocorre que o Relator formou entendimento no sentido de que a mudança da embalagem de apresentação do produto para fracionamento ou aumento da quantidade, sem qualquer alteração ou agregação de insumos, ou qualquer outro procedimento industrial, implica na aplicação do PRL 60%. Vejamos seus fundamentos nessa parte: “(...) Com efeito, o método PRL 20% somente deve ser utilizado quando não houver agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, ou seja, no caso de simples revenda. Essa é a jurisprudência atual deste CARF, conforme se vê abaixo: Acórdão 1301000.451 da 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de julgamento Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.949 21 do CARF, de 15/12/2010 (...) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2006, 2007, 2008 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AGREGAÇÃO DE VALOR. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. Ademais, há que se reforçar que o art. 4o do Decreto n° 2.637/98, in verbis, caracteriza como industrialização qualquer operação que importe em alterar a apresentação do produto, ainda que seja pela colocação da embalagem, em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a III – omissis; IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V omissis. No caso concreto, a empresa autuada efetuou a troca de embalagens com fracionamento do produto, ação que em nada se assemelha à colocação de embalagem destinada apenas ao transporte ou simples revenda do produto, mas sim ao atendimento das condições mercadológicas, como afirmado pela própria interessada. (...) Contudo, a meu ver, o reacondicionamento do produto, qualquer que seja a motivação, inclusive para atender a aspectos mercadológicos, não implica no PRL60%. Em verdade, a contribuinte não importou os bens para serem utilizados na condição de insumo e sim produtos perfeitamente acabados e definidos, que não se confundem com , matériaprima, material intermediário, ou qualquer insumo destinado à produção de outros produtos. Quanto a esse aspecto a matéria é de fato e não puramente de direito, e ficou muito bem caracterizada, conforme destacado no recurso voluntário (verbis): (...) A Lei 9.430/1996, em seu art. 18, que trata da matéria em comento, é clara ao estabelecer que o método PRL20 pode ser aplicado sempre que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens, serviços ou direitos importados. Nesse contexto não há que se aplicar as definições da legislação do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), uma vez que a norma específica é autoaplicável. Destacase no recurso voluntário que o entendimento da Receita Federal também é neste sentido. Vejamos: “(...) 27. Nesse ponto vale ressaltar a orientação emitida pela Secretaria da Receita Federal aos contribuintes, por meio do docuinento denominado "Perguntas e Respostas" publicado no .site www.receita.fazenda.gov.br. Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.950 22 Vejamos a redação atual da pergunta 842, que tem prevalescido mesmo depois da edição da Lei 9.959/2000 e da IN 32/2001 e da In 243/2002: . Pergunta: 842 Segundo previsão do §10 do art. 4o da IN SRF no 243, de 2002, o PRL com margem de lucro de 20% (vinte por cento) não pode ser utilizado quando 'o produto importado houver sido adquirido para emprego na produção de outro bem. É possível a utilização do PRL nas hipóteses de '• acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado Resposta: Sim. O acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito (destaque da transcrição) 28. A orientação normativa acima indicada, cujo número atual é 712 (doc. 4), repitase, emitida pela SRF, é de cristalina clareza! A colocação de embalagem, assim como qualquer operação de acondicionamento/reacondicionamento, não implica produção de outro bem! (...) Corroborando o exposto, verificase que essa questão do acondicionamento e/ou reacondicionamento já foi apreciada pela Primeira Câmara. do E. Primento Conselho de Contribuintes, que tem decidido por unanimidade no sentido de que a lei não limita o uso do método PRL 20% para os bens importados quesofrem alguma manipulação no País antes de serem revendidos. E mais ! Que a Instrução Normativa não pode estabelecer de forma diferente da lei, como no presente e caso pretende o D. Auditor Fiscal. Vale transcrever as referidas decisões: Acórdão 1014628— Recurso Voluntário — 07/07/2004 DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Ementa: IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O MÉTODOS DE CONTROLE DE PRODUTOS IMPORTADOS DE EMPRESAS • LIGADAS — MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO — PRL — De acordo com o artigo 18 da Lei n. 9.430/96, serão dedutiveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constasntesdos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes' comparadosPIO, Preço de Revenda menos LucroPRL e Custo de Produção mais LucroCPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que 'sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não é possível que a Administração Tributária, por meio de Instrução Normativa, cuia função é de interpretar a norma legal e, portanto, diretamente subordinada à lei, venha alterar a mesma, para vedar a utilização do método PRL.”(destaques da transcrição)” Concluo, pois, que no presente caso, foi correto o procedimento da contribuinte aplicando o método PRL20 para apuração de eventuais ajustes em face da legislação de preços de transferência. (...) Citese também o acórdão 10517.210, de 17/09/2008, que à unanimidade de votos, entendeu aplicável o PRL 20 em situação similar à do presente processo. Aludido acórdão recebeu a seguinte ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 20 E PRL 60 ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO PARA POSTERIOR REVENDA FRACIONAMENTO DO PRODUTO IMPORTADO Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.951 23 EM QUE NÃO OCORRE A TRANSFORMAÇÃO DO PRODUTO O mero acondicionamento de produtos em novas embalagens para fins de venda para o mercado interno não exclui a aplicação do método PRL 20, por não configurar hipótese de "bens importados aplicados à produção". O fato de haver agregação de valores ao produto importado não resulta em afirmar que os mesmos passaram por processo de industrialização ou que foram aplicados na produção de um produto final. O critério utilizado pela lei n° 9.430/96 que impossibilita a utilização do PRL 20 referese a aplicação do produto importado na "produção", e isto não foi verificado na hipótese dos autos. Recurso voluntário provido. Uma vez afastado o ajuste do PRL20 para PRL 60, cujo valor total foi de 12.519.216,83 (fl. 1574), não resta valor a tributar haja vista que a base de calculo total tributada nos autos de infração de foi de R$ 12.424.525,10 (fl. 1575). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza" Por essas razões, VOTASE POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. II. Recurso Especial da Contribuinte Conhecimento do Recurso Especial Valendose dos mesmos requisitos para o conhecimento do Recurso Especial enumerados acima, para se evitar repetição, entendoos preenchidos na situação em exame, quanto às duas matérias às quais dado seguimento pelo despacho de admissibilidade, em seus termos. Assim sendo, VOTASE POR CONHECER o Recurso Especial da contribuinte. Mérito I. Ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/2002 Relativamente à primeira matéria a ser enfrentada neste recurso especial, a ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/2002 face à Lei n. 9.430/1996, por diferentes vezes já me posicionei neste colegiado, em orientação que foi consolidada no elucidativo e didático voto do Ilustre Conselheiro Luis Flávio Neto, no acórdão n. 9101002.513, proferido no julgamento do Processo n. 16643.000069/200954 na sessão de 13 de Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.952 24 dezembro de 2016, cujo conteúdo se adota como razão de decidir, conforme autorização das normas que regem o processo administrativo fiscal. Leiase: “(…) 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas pré determinadas pelo legislador ordinário, um preço parâmetro àqueles praticados por partes independents (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas, que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. A título ilustrativo, se, em uma operação de importação entre partes vinculadas, o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Deverá ser adicionada a parcela excedente ao preço parâmetro ($15,00), considerada indedutível pela legislação de preços de transferência, a fim de acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.953 25 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a media aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a media aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a media aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.954 26 II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço sera determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput sera aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.955 27 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora nenhuma reforma tenha sido implementada pelo legislador, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Devem ser destacados os seguintes dispositivos da IN 243/2002, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço sera determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.956 28 contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput sera aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput sera utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.957 29 bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a media aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo como inciso IV. FONTE PRIMÁR Notese que, em 2012, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações ao art. 18 da Lei n. 9.430/96, tornandoo mais apto a justificar a adoção da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.958 30 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou service importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou service vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É importante observar que, por se tratar de alteração das fórmulas até então vigentes para o cálculo do método PRL, com incremento do ônus tributário, o art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a sua vigência para o dia 01.01.2013, em respeito ao princípio da anterioridade. Conhecidos esses marcos normativos, é preciso compreender com clareza quais as diferentes fórmulas estão em discussão para o cálculo do PRL60, aplicável às operações praticadas pelo contribuinte. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.959 31 Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o valor líquido da operação de revenda (PR), conhecido pelo contribuinte, e a margem de lucro (L), apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP). É relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (vinculada) sem a interferências das regras de preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcela dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passa a ser indedutível. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001. A sua adoção como política tributária encontrava justificativa por diferentes perspectivas, por exemplo: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil; Indução positiva. Para o incentivo à produção nacional, o legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento, de forma que, quanto maior fosse a agregação de valor no Brasil, maior seria o preço parâmetro e, consequentemente, menor seria o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Convencida que esse fator deveria ter sido considerado pelo legislador, editouse, em 2002, a IN 243, com a adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia como a correta aplicação da Lei n. 9.959/2000 (IN 113/2000 e na IN 32/2001). Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.960 32 isso não teria sido contemplado pelo legislador. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula: PP = PR − L − VA L = 60% PR Como se pode observar, de qualquer forma, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Na fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente encontra fundamento na IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% incidiria apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.961 33 O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas:ra i Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 PP = PR – L L = 60% (PR − VA) PP = PR − L − VA L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço liquid de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. nterpretação d Analítico Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) PP = PR − L − VA L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.962 34 9.430/96 e IN 32/01 Como se sabe, a função dessas fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, o que, por si, atenta conta o princípio da segurança e da previsibilidade que norteiam o Direito tributário. No caso, operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”. No entanto, aplicando se a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência acadêmica sobre o tema: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preço parâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dosinsumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD2, in verbis: Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.963 35 “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preço parâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge uma questão crucial para o julgamento deste recurso especial: a administração fiscal possui competência para “melhorar” a fórmula prescrita pelo legislador? Foi legítimo o pretenso exercício de criatividade evolutiva intentado pela IN 243/2002? A resposta a tais questões, com respeito à estrutura normativa das fontes do Direito tributário adotada pela Constituição, é categoricamente negativa. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias e fontes secundárias do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.964 36 função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que não parece haver discordância quanto à função limitada e secundária das Instruções Normativas. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e, portanto, restando despida de validade jurídica. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, uma segunda, atinente à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente e tem o potencial de conduzir a resultados muito díspares. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 4. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que o conteúdo semântico de todos os elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária esteja expressa e exaustivamente previsto em lei ordinária. A Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.965 37 adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori ao princípio da legalidade, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, é comezinho que o Poder Legislativo não pode delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). Tratase de vedação que decorre do princípio da legalidade, prescrito pelos arts. 5o e 150 da Constituição Federal, bem como pelo art. 97 do CTN. A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser solucionada indubitavelmente com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre a matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de delegar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60). No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.966 38 fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. A Lei n. 9.430/96 veicula normas autoaplicáveis para a composição de cálculo do PRL60, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever de observar a formula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 4.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferisse à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de formulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase, ao que tudo indica, de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.967 39 “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese fazendária não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não se chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. Nesse seguir, a IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresentava como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduziria a um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal e a adoção de novos fatores nas formulas traduzidas pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tartarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Contudo, a análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. O expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.968 40 determinada situação”. No caso, não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção normativa. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.969 41 agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Nesse mesmo sentido, GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.11, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Colocodos os argumentos das partes na balança, concluise que a tese da pluralidade semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, tal como colocada, não socorre a PFN para a procedência de suas alegações quanto à validade da IN 243/01. É possível observar que a tese da pluralidade semântica do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 parte de uma construção argumentativa complexa para incluir nessa fluída moldura a fórmula da IN 243/2002. Essa excessiva complexidade, por si só, coloca em dúvida a correção dessa tese. Em sua essência, a tese da pluralidade semântica, sustenta pela PFN, adota a premissa que o intérprete possuiria discricionariedade para escolher um entre os diversos sentidos possíveis de uma lei e, no caso, a IN 243/2002 teria escolhido entre uma das fórmulas matemáticas possíveis prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Além disso, não me parece que a indeterminação semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, presente em quaisquer signos linguísticos, seja tão elevada a ponto de permitir tamanha incerteza, fluidez e poder de escolha da à administração fiscal para a adoção de fórmulas matemáticas tão diferentes e capazes de conduzir a resultados tão díspares. Se outra fórmula poderia ser construída a partir dos enunciados prescritivos da lei, não me parece ser aquela indicada pela IN 243/2002. Tais constatações evidenciam que aceitar a fórmula para o cálculo do PRL60 estabelecida pela IN 243/2002 exige, no mínimo, que nos coloquemos em uma linha extremamente tênue entre a “execução da lei” (função típica da administração fiscal) e a alteração do seu conteúdo (função privativa do Poder Legislativo). Em meu entendimento, contudo, esse limite foi ultrapassado, com ofensa ao princípio da legalidade. Os tópicos seguintes apresentam abundantes evidências de que a instrução normativa extravasou os limites semânticos da lei e, assim, incorreu em ilegalidade. É possível concluir com clareza que a administração fiscal não possuiria discricionariedade para adotar a fórmula indicada pela IN 243/2001. Há, na verdade, vedação legal à sua adoção. Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.970 42 5. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Mas ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 5.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a formula indicada pela IN 243/2002 é diferente daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a IN 243/2002 deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar a intelecção dos agentes fiscais mais simples e dotar a norma legal de maior eficácia. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano. Como se pôde observar acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.971 43 preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Contudo, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também interferiu em qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativadivergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe decidir privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.972 44 adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéia força, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.973 45 parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.974 46 erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da material tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigencias formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preço parâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 5.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. (…) 5.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. (…) 5.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Ou seja: as normas da IN 243/2002 realmente seriam “melhores”? Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.975 47 Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a formula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o onus fiscal sobre o contribuinte. 6. Dispositivo do voto. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso especial e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.976 48 Conselheiro Luís Flávio Neto.” Com as razões adotadas, a conclusão a que se chega corresponde à ilegalidade da Instrunção Normativa n. 243/2002, por não guardar compatibilidade com a Lei n. 9.430/96, seu pretenso fundamento de validade, razão pela qual se vota no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte neste ponto, desconstituindose o lançamento realizado. II. A não incidência de juros sobre a multa Alcançando o último tópico do presente voto, passase à manifestação sobre a incidência de juros sobre a multa. Inicialmente, se compreende que o artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Registrase, primeiramente, que se compreende que a expressão crédito tributário se refira ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance ao termo “crédito” como utilizado pelo legislador para alcançar as multas, porque a redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Neste caso, seria ilógico se compreender, portanto, que as multas então estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se consegue alcançar a partir deste enunciado é a de que, muito embora ele autorize a imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento. A partir dessa norma geral, compreendese que se deve entender legítima Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.977 49 a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras que envolvem o tema deve ser feita dentro dessa moldura que estabeleceu, como sói ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” O que, num momento inicial, poderia indicar duas interpretações possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” abarcar tão somentes estes ou também as multas a eles relacionadas, parece restar reduzida apenas à primeira leitura, justamente em face do alcance permitido pela regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades. Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário Nacional, muito embora a legislação federal possa impor suas penalidades pelo não recolhimento de tributos (leiase, impostos e contribuições) e possa fixar seus próprios íncides de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento. Por essas razões, VOTASE POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.978 50 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. conselheira, peço vênia para discordar em relação ao conhecimento e mérito do recurso especial da PGFN e ao mérito do recurso especial da Contribuinte. Foram devolvidas as matérias: 1) Bens importados aplicados ou não à produção, desclassificação do PRL20 e adoção do PRL60 admissibilidade e mérito recurso especial da PGFN; 2) Ilegalidade da IN/SRF 243/2002 mérito recurso especial da Contribuinte; 3) Juros de mora sobre multa de ofício mérito recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame. I. Bens importados aplicados ou não à produção. Desclassificação do PRL20 e adoção do PRL60. Admissibilidade e Mérito. RE da PGFN. A princípio, cumpre apreciar a admissibilidade do recurso especial da PGFN. A matéria devolvida pretende apreciar se os produtos importados analisados na autuação fiscal encontramse enquadrados na hipótese de bens aplicados à produção, que ensejaria a adoção do método PRL60, ou não, devendo se submeter ao método PRL20. Da análise da decisão recorrida e da decisão paradigma, resta evidente a divergência na interpretação da legislação tributária. Transcrevo excerto do paradigma (Ac 130200.915): Em que pesem os respeitáveis argumentos da D. Conselheira Relatora no sentido de demonstrar que o método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) aplicável aos produtos importados a granel para nova embalagem e venda no Brasil deva ser o método PRL – 20%, tal interpretação não encontra respaldo na legislação que rege a matéria discutida, além de esbarrar em conceitos consagrados pela legislação do IPI. (...) Não resta dúvida que, no caso concreto, o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens, alterando a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final. Não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado a granel. Na sequência, a leitura de excerto da decisão recorrida demonstra com clareza a divergência: Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.979 51 Vêse, então, que a lide gira em torno do suposto uso indevido pela fiscalização do Método PRL60 para os ajustes de preços de transferência em relação a determinados produtos farmacêuticos importados pela recorrente de empresas a ela vinculadas e, que nos dizeres da defesa teriam sido objeto exclusivamente do processo de embalagem, sem qualquer alteração em sua natureza. Dessa forma, sustenta que, no caso, caberia para esses produtos a utilização do método PRL20. (...) Analisando todas as considerações apresentadas, e, de acordo com as normas regentes da matéria, entendo, com a devida vênia, assistir razão à contribuinte, tendo em vista que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, não se trata, de forma alguma, em qualquer processo de alteração do produto final comercializado, mas sim, apenas e tão somente de procedimento voltado ao atendimento de normas internas aplicadas à comercialização específica do produto importado, que, em absolutamente nada, representa alteração em sua substância. Nos presentes autos discutese matéria de direito, e não de fato. Ou seja, cabe analisar se, a partir do momento em que o insumo importado passa por um procedimento de embalagem, independente da natureza ou complexidade do processo, podese concluir que se consumou uma modificação do estado do produto, nos termos da legislação tributária, suficiente para afastar a aplicação do método PRL20 e adoção do PRL60, utilizado, na hipótese de bens importados aplicados à produção. E decisão paradigma e recorrida decidiram de formas distintas, situação precisamente descrita pelo despacho de exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN (efl. 3489): Como se vê, a simples comparação das ementas dos julgados, recorrido e paradigma, por si só, já autoriza afirmar que o dissídio jurisprudencial foi comprovado, vez que, tratando da mesma situação fática (importação de produtos farmacêuticos a granel e acondicionamento em embalagens) e debruçandose sobre idêntica legislação idêntica, decidiram de forma absolutamente distinta. Atendido, portanto, requisito de admissibilidade previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Assim sendo, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. Vale transcrever o art.18 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação vigente à época da autuação), na parte que interessa à lide: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.980 52 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Fato incontroverso é que os produtos em análise submeteramse a processo de colocação de embalagem. Transcrevo excerto da decisão proferida pela DRJ (efls. 3277 e segs.): Analisemos a desqualificação do método PRL20 (e a onseqüente adoção do método PRL60) para os itens importados relacionados no ANEXO 09 PREÇO PARÂMETRO ACONDICIONAMENTO PRL 60 Fonte Fiscalização (fls. 2522/2523). Nenhum dos supracitados itens teve saída direta, tendo havido agregação de valor em relação ao produto final comercializado (conforme cálculos constantes do ANEXO 09), não sendo, portanto, possível a utilização do método PRL20 (sendo, no entanto, possível a utilização do método PRL60), na interpretação a contrario sensu do § 9º, do artigo 12, IN SRF nº 243/2002, in verbis: (...) Analisandose o referido ANEXO 09, verificase que, para todos os itens autuados em que foi adotado o método PRL60, a participação do item importado no produto final nunca é igual a 100% (o que configuraria uma revenda pura), de modo a se concluir que houve, na formação do produto final, agregação de valor ao item importado, não sendo, portanto, permitida a utilização do método PRL20. Nenhum dos produtos objeto de desqualificação do método PRL20 foi revendido diretamente; todos integraram produtos finais diferentes, conforme se observa dos códigos de itens (5 dígitos) e de produtos (3 dígitos) relacionados no supracitado ANEXO 09 e às fls. 881/882. Inclusive, alguns itens importados deram origem a mais de um produto final. Quanto à alegação da impugnante de ilegalidade do § 9º do artigo 12 IN SRF nº 243/2002 (que veda a utilização do método PRL20 quando há agregação de valor ao produto importado), pois estaria em desconformidade com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com as alterações trazidas pela Lei nº 9.959/2000 (que veda a utilização do método PRL20 apenas quando haja a aplicação dos bens importados à produção), cumpre observar que à esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.981 53 à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Com relação à alegação de que a mera colocação de embalagem nos produtos importados não seria motivo para se desqualificar o método PRL20, há que se destacar que, mesmo nesse caso, há agregação de valor, ainda que eventualmente pequena, sendo que a legislação não discrimina a agregação grande da agregação pequena, ou a agregação proporcionalmente relevante da agregação não relevante. Os produtos importados que tiveram que se submeter a algum processo antes de serem vendidos fogem do conceito de simples revenda, impossibilitando a utilização do método PRL20. (Grifei) O processo de embalagem do produto é fundamental para a apreciação do presente caso. Na realidade, é o cerne da autuação fiscal. Observase que a colocação das embalagens para os produtos é confirmada pela própria Contribuinte. Na mesma medida, é incontroversa a agregação de valor. E a autoridade julgadora administrativa não dispõe de margem de discricionariedade para dizer que, a depender do "peso" da agregação do valor, poderseia entender que o bem não teria sido aplicado à produção nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A matéria em debate já foi tratada pelo presente Colegiado, pelos Acórdãos nº 9101002.198 (sessão de 1º/2/2016, "NOVARTIS"), nº 9101002.316 (sessão de 3/05/2016, "NOVARTIS"), e 9101002.416 e 9101002.417 (sessão de 17/08/2016, " PFIZER"), e mais recentemente, em processo da mesma Contribuinte dos presentes autos, no Acórdão nº 9101 002.952 (sessão de 03/06/2017). Foram precisamente situações no qual se discutiu se o processo de embalagem do insumo importado é suficiente para caracterizar a agregação do valor e a aplicação do bem à produção. Vale reproduzir excerto do voto do Acórdão nº 9101002.198, da Conselheira Adriana Gomes Rego, que com clareza notável discorre sobre o assunto. Evidente que após esta última etapa de produção foi agregado valor ao produto inicialmente importado. A embalagem foi totalmente realizada em suas unidades no Brasil, utilizando mão de obra local, maquinário específico, imobilizado em suas indústrias, com aposição de sua marca ao produto. Tudo isso tem valor e pode ser estimado; se representa 10%, 15% ou qualquer outro percentual do produto final, não importa para efeitos legais, porque ao tempo dos fatos, a legislação só apresentava dois percentuais: ou se tratava de revenda, ou de produção. Não há meiotermo. E, como dito, de revenda não se trata. A embalagem do produto poderia ter sido feita ainda no exterior, mas não o foi até por questões óbvias: sai muito mais barato para a empresa transportar os comprimidos a granel para localmente embalálos do que importálos definitivamente prontos. Isso é fato, eis que em termos de volume, a mesma quantidade de comprimidos a granel representa muito menos do que se já estivesse acondicionado em caixas, gerando um custo de transporte muito maior. A própria mão de obra utilizada no Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.982 54 Brasil sabese ser muito mais barata do que nos países de primeiro mundo de onde se origina o produto importado. Convém registrar, ainda, que não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado à granel. A aposição da marca SANDOZ na embalagem (caso dos comprimidos importados pela interessada), com sua exposição à venda, por si só também agrega valor ao mesmo, eis que se traduz em marca conhecida globalmente pela gama e qualidade dos produtos ofertados. Por conseguinte, não se trata de mera revenda dos produtos na forma como foram importados, sendo inaplicável o método PRL20 (...) (grifei) O didático voto destaca aspectos relevantes na agregação do valor: não há "meiotermo", ou se fala em agregação ou não; e não há que se falar que o processo de embalagem teria um custo mínimo, porque é fundamental para a apresentação comercial do produto, trazendo ao conhecimento do consumidor a empresa que é a responsável pela fabricação do produto e se constituindo em fator relevante na composição do preço final. Na mesma medida, o voto do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Acórdão nº 9101002.316) expõe que a agregação de valor ao produto não comporta relativização: Acondicionar bens importados para revenda significa viabilizar a sua comercialização na forma das normas pertinentes, como, no caso, alocandoos em embalagens primárias, secundárias, blísteres e caixas de papelão, e adicionandolhes bulas e lacres, tudo segundo especificações técnicas do órgão fiscalizador competente. Há um inegável valor agregado ao custo dos bens importados não vem ao caso se muito ou pouco , que, mesmo que não os transforme em espécie nova, não pode ser desconsiderado para efeito de definição da adequada margem de lucro a ser aplicada nos procedimentos dos preços de transferência. Por outro lado, é inadmissível que seja dado o mesmo tratamento fiscal a situações distintas, em que os bens importados são meramente revendidos, nas exatas condições em que recebidos (PRL 20), e em que esses mesmos bens importados são manipulados antes de ser postos à venda (PRL 60), com a consequente agregação de valor ao custo dos bens importados, inexistente naquele primeiro caso. A adoção de entendimento diverso provocaria, em última análise, no caso do Preço de Revenda menos Lucro, sérias distorções na apuração do preço praticado e, consequentemente, do preço parâmetro, ao simplesmente se olvidar da existência daquela agregação de valor efetivamente ocorrida. Ao afirmar, a recorrente, que não é toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados que implicaria a aplicação do método PRL 60, está, ela, inadvertidamente, pretendendo distinguir onde a lei não distinguiu. A questão não é o tipo de agregação de valor, mas a sua existência ou não. E, no presente caso, é inequívoca a sua existência. A agregação de valor ao custo dos bens importados, assim existente, ocasiona, naturalmente, a majoração do preço de Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.983 55 revenda, em relação à hipótese em que não haja essa agregação, o que, evidentemente, denota a clara impossibilidade de aplicação do PRL20, nessas circunstâncias, sob pena de como já se disse deturparse o cálculo do preço praticado e do preço parâmetro. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados implica, necessariamente, a aplicação do método PRL 60, posto que, do contrário, ocorreriam inevitáveis inconsistências em se aplicar um método que, em sua formulação original, não admite qualquer valor agregado (PRL 20). (grifei) Dessa maneira, diante do fato incontroverso de que os produtos passaram por processo de embalagem, e que demonstra a agregação do valor de maneira incontestável, cabe ser restabelecida a autuação fiscal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito do recurso especial da Contribuinte. II. IN SRF nº 243, de 2002 x Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. RE do Contribuinte. Sobre a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de matéria já bastante debatida, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.984 56 O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 1. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. 1 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.985 57 E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 2, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 3 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 4 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 4 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.986 58 Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 5. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. 5 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.987 59 Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total6. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; 6 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.988 60 III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.989 61 A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 7, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; 7 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.990 62 RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.991 63 As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.992 64 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.993 65 regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.994 66 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. E não há que falar que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese teria o condão de "confirmar" a ilegalidade da instrução normativa. Tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.995 67 eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 8); após, a previsão apenas em lei. Portanto, entendo não haver reparos ao procedimento da Fiscalização na utilização da IN SRF nº 243, de 2002. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte em relação à matéria. III. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. RE do Contribuinte. Sobre a matéria, juros de mora sobre multa de oficio, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) 8 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.996 68 Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 9. Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não 9 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.997 69 se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.998 70 Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte em relação à matéria. IV. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Apresento a presente declaração de voto para justificar a modificação de entendimento a respeito da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Com efeito, em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 3.999 71 Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvo me ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 4.000 72 vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Sobreleva considerar, ainda, que a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça é também pela manutenção da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Destaco ementas de acórdãos das duas Turmas de Direito Público: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 16561.720174/201219 Acórdão n.º 9101003.503 CSRFT1 Fl. 4.001 73 DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no RESP 1335688, DJ de 04/12/2012, Primeira Turma) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp 1129990, DJ de 01/09/2009, Segunda Turma) Os referidos julgamentos não foram submetidos à sistemática de recursos repetitivos. No entanto, em respeito à orientação do STJ – como também o entendimento da maioria desta Turma a respeito de matéria de direito – voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, adotando as razões dos votos acima referidos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 4002DF CARF MF
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