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Numero do processo: 15374.913626/2008-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, inadmite-se a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão.
administrativa.
Numero da decisão: 1001-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, inadmite-se a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão. administrativa.
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score : 1.0
Numero do processo: 10660.901556/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2006 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano- calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito.
Numero da decisão: 1301-001.013
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2006 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano- calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito.
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10660.901556/200941 Acórdão n.º 130101.013 S1C3T1 Fl. 56 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10660.901556/200941 Acórdão n.º 130101.013 S1C3T1 Fl. 57 3 Relatório CONSTRUTORA GOMES PIMENTEL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de compensação, em que a contribuinte busca compensar débitos de sua titularidade com crédito decorrente de alegado pagamento indevido de CSLL, efetuado em 30 de novembro de 2005. Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Varginha, também em Minas Gerais, indeferiu a compensação pleiteada sob alegação de inexistência de crédito, vez que o pagamento apontado foi utilizado integralmente para a quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que efetuou pagamento de estimativa de CSLL no ano de 2005 no total de $ 59.225,74, tendo apurado contribuição a pagar no valor de R$ 29.256,37, resultando daí saldo a compensar de R$ 29.999,37. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0936.366, de 16 de agosto de 2011, pela improcedência da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustenta: que não homologar a compensação com base apenas na interpretação dada ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, é desprezar o princípio constitucional da legalidade, cerceando, em razão de um ato infralegal, um direito que a lei outorgou ao contribuinte; que possuía direito creditório suficiente para fazer frente à compensação pleiteada; que a não homologação decorreu de um simples erro material no preenchimento da declaração de compensação (no campo TIPO DE CRÉDITO constou a informação PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, ao invés de SALDO NEGATIVO apurado em declaração anterior DIPJ/2006); Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10660.901556/200941 Acórdão n.º 130101.013 S1C3T1 Fl. 58 4 que, em respeito ao princípio da verdade material, deve ser reconhecido o erro material e a homologação da compensação, ou, alternativamente, deve ser promovida diligência para que seja dado ao crédito alegado o tratamento adequado. É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10660.901556/200941 Acórdão n.º 130101.013 S1C3T1 Fl. 59 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Versa a lide sobre ausência de reconhecimento de direito creditório apontado para fins de compensação tributária. A ora Recorrente transmitiu em 28 de junho de 2006 PER/DCOMP com as seguintes características: TIPO DE CRÉDITO: Pagamento Indevido ou a Maior; CRÉDITO UTILIZADO: CSLL – R$ 10.064,45 PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/10/2005 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/11/2005 DÉBITO COMPENSADO: IRPJ – R$ 10.064,45 PERÍODO DE APURAÇÃO: OUT/2005 VENCIMENTO: 30/11/2005 O Despacho Decisório emitido (cópia às fls. 11) indeferiu a compensação pleiteada sob alegação de inexistência do crédito, vez que o montante indicado foi utilizado para pagamento da estimativa de CSLL (código 2484) correspondente ao mês de outubro de 2005. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que, no ano de 2005, recolheu estimativas mensais no total de R$ 59.255,74, incluída a estimativa do mês de outubro de R$ 10.064,15, sendo que a contribuição devida neste mesmo ano importou em R$ 29.256,37, motivo pelo qual restaria um saldo a compensar de R$ 29.999,37. A decisão de primeira instância, que não é digna de reparo, esclareceu que: i) o pagamento efetuado em 30/11/2005 não foi indevido ou a maior, vez que foi realizado na forma da lei para quitar débito relativo à estimativa mensal, devidamente declarado em DCTF; e ii) o que é passível de compensação é o saldo negativo apurado ao final do período de apuração, não se podendo utilizar pagamentos isolados de uma ou outra estimativa mensal. No recurso voluntário, a contribuinte alega que a não homologação decorreu de um simples erro material no preenchimento da declaração de compensação (no campo TIPO DE CRÉDITO constou a informação PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, ao invés de SALDO NEGATIVO apurado em declaração anterior DIPJ/2006). Argumenta que, em respeito ao princípio da verdade material, deve ser reconhecido o citado erro material e a homologação da compensação, ou, alternativamente, deve ser promovida diligência para que seja dado ao crédito alegado o tratamento adequado. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10660.901556/200941 Acórdão n.º 130101.013 S1C3T1 Fl. 60 6 Não merecem acolhimento tais argumentos. À evidência, não estamos diante de erro de fato, mas, sim, de compensação não autorizada pela legislação de regência. Como acertadamente destacado pela decisão recorrida, o pagamento efetuado em 30 de novembro de 2005 foi feito em observância à legislação aplicável e foi devidamente declarado em DCTF, não havendo que se falar, pois, em pagamento indevido ou maior que o devido. Como é cediço, o que é passível de compensação é o saldo (negativo) apurado ao final do período de apuração, logo, se a sua constituição só se dá, no caso, em 31 de dezembro, somente a partir daí podese falar em sua utilização, e, tratandose de compensação, somente envolvendo débitos supervenientes. No presente caso, ainda que se considerasse o saldo negativo apurado em 31 de dezembro de 2005 como líquido e certo, não se pode admitir a sua compensação com débito de outubro de 2005, eis que, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. Nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto pago a título de estimativa mensal poderá ser compensado se o saldo, em 31 de dezembro, for negativo. Na forma do disposto no Ato Declaratório SRF nº 3, de 2000, os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Tal disposição, inclusive, guarda consonância com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que estabelece que a compensação só é possível com importância correspondente a período subseqüente, isto é, o débito deve ser superveniente ao crédito. Não se trata, portanto, de erro material no preenchimento do PER/DCOMP. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725510/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 10 /2 01 2- 32 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13811.725510/201232 Acórdão n.º 3201003.977 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.450, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725510/201232 Acórdão n.º 3201003.977 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13811.725510/201232 Acórdão n.º 3201003.977 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13811.725510/201232 Acórdão n.º 3201003.977 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900593/2006-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente SANTA VERÔNICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (INCORPORADA POR SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 59 3/ 20 06 -0 3 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 161 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 39917.65394.080703.1.7.044961 (fl. 02/06), transmitido em 08/07/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 04/03/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 28/03/2008 (fl. 12/15), na qual alegou que recolheu errado a Cofins referente a março/2003, R$ 8.186,09, assim como informou este valor incorreto na DCTF original. Contudo, o valor realmente devido, R$ 1.425,85, foi declarado corretamente na DIPJ 2004. A ora recorrente continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora regularizando a situação em 18/03/2008. Ademais, o Sujeito passivo segue discorrendo sobre a legislação aplicável ao caso e apresenta tabela explicativa dos valores realmente devidos, dos valores efetivamente pagos e dos créditos utilizados em compensações. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia do DARF e cópias parciais das DCTF´s, original e retificadora, e da DIPJ 2004. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo com o fito de reduzir tributo — mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar — só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 162 3 Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 76/86), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o DARF apresentado já seria documento hábil e idôneo para garantir o direito creditório, devendo ser analisado em conjunto com a ficha 26A da DIPJ e com a DCTF retificadora. Além disso, a recorrente informou que a movimentação das contas de receitas financeiras, no montante de R$ 47.528,25, deu origem a base de cálculo da contribuição no mês de março. Por outro lado, a contribuinte alegou que não possuía todos os documentos necessários, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, devido ao tempo decorrido e por estarem guardados em arquivo externo. Por fim, a recorrente alegou que, para corroborar o seu direito, anexou ao Recurso Voluntário planilha com a base de cálculo da Cofins utilizada durante o ano calendário de 2003 e o balanço patrimonial datado de 30/04/2004. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 163 4 Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ................................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 164 5 circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 165 6 circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias parciais das DCTF's, original e retificadora, e da DIPJ 2004. Se, por um lado, é certo que a DIPJ faz prova em favor do contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos contábeis e fiscais, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, DIPJ transmitida em 28/06/2004, entendo que é admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Assim, analisando os novos documentos apresentados, constatase que, a princípio, os lançamentos contábeis confirmam as afirmações da contribuinte. Entretanto, entendo que tais documentos ainda não são suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, tendo em vista que não foram juntados os documentos fiscais que embasaram os lançamentos contábeis. Porém, por outro lado, compulsando os autos, percebese que o voto condutor do Acórdão recorrido mencionou a necessidade de juntada apenas de livros contábeis. Dessa forma, embora fosse ônus da recorrente comprovar seu crédito de forma inequívoca, entendo que o teor do Acórdão recorrido pode têla induzido a considerar suficientes os documentos contábeis. Dessa forma, a fim de privilegiar o Direito à Ampla Defesa, voto por converter o julgamento em diligência para a unidade de origem intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.900593/200603 Resolução nº 3002000.010 S3C0T2 Fl. 166 7 Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte do teor do relatório de diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907200/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10990.74577.140904.1.3.04-5945[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 31/07/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de junho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.173, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10990.74577.140904.1.3.04-5945[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 31/07/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de junho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.173, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 20 0/ 20 08 -0 1 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 10990.74577.140904.1.3.045945[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 31/07/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de junho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.173, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 5 4 alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recohido em 31/07/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 7 6 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10680.907200/200801 Resolução nº 1201000.493 S1C2T1 Fl. 8 7 Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.004307/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
ANO CALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006
IRPJ. OMISSÃO APURADA CONSIDERANDO APENAS PARTE DOS REGISTROS CONTÁBEIS. IDENTIFICAÇÃO DE QUE AS RECEITAS CONSIDERADAS OMITIDAS FORAM OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO.
No procedimento realizado a autoridade fiscal não percebeu que os valores correspondentes às receitas financeiras eram escriturados na conta 33200000 denominada "receitas financeiras" e na conta 33201000, denominada "prêmios sobre operações bancárias". Em assim procedendo apurou omissão de receita considerando apenas os registros da conta 33200000. Contudo, quando se considera os registros efetuados na conta denominada "prêmios sobre operações bancárias", bem como a forma de contabilização dos ganhos
com as operações de Swap que foram lançadas pelo regime de caixa,
conforme artigo 30 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, temse
que todos os rendimentos auferidos a título de receita financeira foram oferecidos à tributação, sem necessidade de perícia para apurar tal fato. Correto o acórdão recorrido que cancelou o lançamento.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1402-001.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006 IRPJ. OMISSÃO APURADA CONSIDERANDO APENAS PARTE DOS REGISTROS CONTÁBEIS. IDENTIFICAÇÃO DE QUE AS RECEITAS CONSIDERADAS OMITIDAS FORAM OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. No procedimento realizado a autoridade fiscal não percebeu que os valores correspondentes às receitas financeiras eram escriturados na conta 33200000 denominada "receitas financeiras" e na conta 33201000, denominada "prêmios sobre operações bancárias". Em assim procedendo apurou omissão de receita considerando apenas os registros da conta 33200000. Contudo, quando se considera os registros efetuados na conta denominada "prêmios sobre operações bancárias", bem como a forma de contabilização dos ganhos com as operações de Swap que foram lançadas pelo regime de caixa, conforme artigo 30 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, temse que todos os rendimentos auferidos a título de receita financeira foram oferecidos à tributação, sem necessidade de perícia para apurar tal fato. Correto o acórdão recorrido que cancelou o lançamento. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 43 07 /2 00 8- 64 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 622 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Pelo que se extrai do auto de fls. 264 e seguintes, notificado à recorrente em 23/12/2008, tratase de lançamento de crédito tributário, com multa de 75% (setenta e cinco por cento), correspondente à omissão de "caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada conforme termo de verificação e constatação fiscal". Por sintetizar a controvérsia posta nos autos, adoto o relatório do acórdão recorrido, de fls. 567 e seguintes, do qual transcrevo a seguinte passagem: 2. Consoante Termo de Verificação e Constatação fiscal de fls. 246/249, em vista da glosa efetuada na repartição do imposto incidente na fonte sobre operações de cessão de créditos entre a Cia Hering, o Banco Modal e cedentes, dentre os quais a autuada. 2.1. A Cia Hering, retificou sua DIRF, para excluir os valores de IRFONTE que antes informava haver retido das cedentes. Dai, o IRFONTE sobre juros e prêmios não foi retido, nem tampouco declarado em DCTF pela Cia Hering. 2.2. Assim, segundo acórdão CSRF 011.696/94 e 01.1.711/94, a falta de retenção e de recolhimento do IRFONTE implica na vedação de sua compensação pelo beneficiário dos rendimentos. 3. Analisada a documentação a fiscalização pretendeu constatar omissões de receitas, constituídas pelas diferenças entre os valores de receitas apuradas nas operações e as declaradas, conforme demonstrativo de fls. 248, servindo de instrumento às constatações folha do razão contábil conta 33200000 — Receitas Financeiras e valores integrantes dos contratos de cessão. Inclusive, da CDMA PARTICIPAÇÕES (PLAYCENTER), cujos contratos de cessão foram apresentados pelo contribuinte. 4. Ciente das exigências em 23.12.2008, fls. 251, o sujeito passivo acosta aos autos a impugnação de fls.280/297, lastreada pela documentação de fls. 381/399 — demonstração contábil do plano de contas e contrato de cessão de créditos, através da qual alega, em síntese: 4.1. da nulidade das autuações por ausência de motivação do ato administrativo: em cumprimento à intimação de demonstração da apropriação dos valores decorrentes de operações de swap e financeiras de renda rixa, a impugnante apresentou documentos, planilhas, memórias de cálculo, evidenciando o correto tratamento fiscal dados As receitas e sua contabilização. 4.1.1. A fiscalização, no entanto, afirmou que "o contribuinte não logrou apresentar toda a documentação comprobatória solicitada", invertendo o ônus da prova, ao invés de comprovar, por demonstração analítica, a existência de receita supostamente não tributada. 4.1.2. Portanto, em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, incumbe ao fisco a comprovação de forma segura da ocorrência do fato gerador, realizando as necessárias inspeções à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis (Acórdãos 10706268/01 e Recurso n 126.360, 8ª. Câmara, DOU 22/08/01), fls. 284/285, Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 623 3 4.2. da decadência do PIS E da COFINS para valores de receita decorrentes de contrato cedidos entre julho e novembro/03, dada a ciência das autuações em 23.12.08; 4.3. da sistemática de retenção na fonte pelas cessionárias e possibilidade de dedução do imposto retido, em conformidade com a legislação aplicável A matéria, sendo exigido da fonte pagadora o imposto retido e não recolhido, disposição do Parecer Normativo no 01/02 e IN SRF no 25/01, 32 e 33 e Lei nº 8.981/95, art.74; 4.4. do correto oferecimento à. tributação das receitas recebidas, face a equívocos de apuração laborados pela fiscalização quer quanto ao contrato 03 de cessão de direitos, a menor no A.I em R$ 300.000,00 e no contrato 08, valor da cessão, R$ 2.029.929,27; não, R$ 3.292.381,69 (ver planilha de fl. 300). 4.5. da apuração de variações monetárias de direitos de créditos, em função da taxa de câmbio, em operações de swap, se processar por regime de caixa, na forma do art. 30, MP 2.158/01; isto é, quando da liquidação da correspondente operação . os ajustes de variação cambial de swaps se encontra refletido no razão da conta variação cambial, ora como receita, ora cormo despesa; 4.6. da necessidade de baixar o processo em diligência para a indicação, de forma eficaz, da real existência os créditos tributários objetos destes autos. 4.7. Finalmente, apesar de a documentação demonstrar que a receita foi devidamente oferecida à tributação requer perícia contábil, indicando o perito e os quesitos pertinentes, fls. 297. Por meio do acórdão de fls. 567 e seguintes, a DRJ cancelou o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: (...) 6.1 a questão afeta aos presentes autos se relaciona à pretendida omissão de receitas. Não, ao IRFONTE. Portanto, descipienda a argumentação impugnatória quanto à retenção/recolhimento deste tributo. 6.2. desnecessária a diligência e a perícia requeridas, visto que, como se demonstrará a seguir, a documentação dos autos é suficiente ao equacionamento desta pendenga. 6.3. impõese o reconhecimento da decadência para os lançamentos efetuados do PIS e da COFINS, para os fatos geradores ocorridos até novembro/03, como requerido. 7.2. No contrato 08, de 21/10/03, fls.110/114, juros (R$ 1.929.590,26) e prêmios (R$ 100.338,71), perfazem R$ 2.029.939,27. Não, R$ 3.392.381,69, fls.248, fundamento dos A.I.s. Diferença a maior, R$ 1.262.452,42. 7.3. ....., o montante das receitas que decorreram das operações de cessão de créditos com a CIA HERING, perfaz, R$ 41.054.376,53 (R$ 42.016.828,95 + 300.000,00 1.262.452,42). Não, R$ 42.016.828,95, fls. 248. 8. Por outro lado, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 68, o sujeito passivo apresentou A fiscalização, fls. 71/199: contratos de Instrumentos particulares de Cessão de Direitos de Crédito e Obrigações referentes a CDBs, e respectivas memórias de cálculo; Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 624 4 folhas dos razões da conta contábil 33200000, na qual foram registradas as receitas auferidas, de acordo com os balancetes e DIPJs; razão contábil analítico das mesmas contas, em acordo com os balancetes e DIPJs; planilhas resumo (razões contábeis em Excel), para fins de localização dos valores das receitas dos contratos na contabilidade da empresa, sumarizados 02 anos calendário. 8.1. Igualmente, intimadas, fls. fls. 205 e 210, as Cias Hering e CDMA, fls.207 e 214. 8.2. Exatamente da análise de tais documentos e planilhas a fiscalização concluiu das receitas de cada operação e as pretendidas omissões de receitas, nelas incluída, fls. 248. 8.3. Ora, a documentação acostada aos autos comprova que as apropriações dessas receitas (juros e prêmios) não se efetuava, exclusivamente, pela conta 33200000 (juros), fls. 193. Sim, por esta e pela conta 33201000 (prêmios s/ operações bancárias), fls. 194. 8.3.1. Por oportuno, a documentação de fls.129/174, da qual teria sido extraída a receita contabilizada, fls.248, é constituída, em verdade, simples listagem de valores de anoscalendário diferentes, 2003 e 2004, tomados sem qualquer sequência vinculada ao anocalendário respectivo. Portanto, não reflete a correta escrituração do sujeito passivo. 8.4. Tais fatos fragilizam a assertiva fiscal no sentido de que da análise documentação apresentada juntamente com a escrituração contábil da conta 33200000, teria sido constatada não oferecimento integral a tributação dos resultados positivos nas operações de cessão de títulos de renda fixa (juros e prêmios). 9. Outrossim, simples exame da DIPJ relativa ao ano calendário de 2003 evidencia que, ao contrário de assertiva fiscal, das receitas declaradas, geradoras de IRFONTE, dentre as fontes pagadoras/retentoras, constavase PLAYCENTER S.A, receita declarada de R$ 21.559.047,11, fls. 63. Exatamente o valor informado pela fiscalização como omissão de receita advinda desta fonte pagadora, fls. 248. 9.1. Igualmente, em relação a Cia Hering: R$ 41.054.378,80, fls. 63, e R$ R$ 41.054.376,53 (vejase item 7.2, deste voto). Diferença declarada a maior, R$ 2,27. 10. Neste exato contexto impõese reconhecer que, para a exigência de tributo é necessário que se comprove, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do mesmo. Pois, tratandose de atividade vinculada (CTN, art. 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias A obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário, consoante acórdão nº 10706.268/01, reproduzido em sua ementa às fls. 284. 11. Do exposto seguese que, uma vez que cessionária de direitos creditórios, CIA HERING, retificou sua DIRF para excluir valores de IRFONTE, que antes informara retidos das cedentes, no montante de R$ 8.210.875,76, fundamento da ação fiscal, fls. 246/247, e constado na DIPJ do contribuinte tal valor como o IRFONTE, fls. 65, impunhase, por simples e singela logicidade, a glosa dessa retenção. 12. Por lógica conseqüência, não configurada, materialmente, a alegada o de receita, falece elemento às exigibilidades do PIS, da CSLL e da COFINS. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 625 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Por ter o acórdão recorrido cancelado lançamento de crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, necessário recurso de ofício. A essência da qual decorre a exigência do crédito tributário, conforme consta à fl. 255 do termo de verificação fiscal, diz respeito à omissão de receita financeira. Destaca a autoridade fiscal que intimou a contribuinte para apresentar os demonstrativos consolidados das operações de cessão de direitos creditórios datados e assinados, bem como a identificação de tais operações de cessão no Livro Diário, LALUR e Balancetes mensais. Em resposta a empresa destacou que "toda documentação com relação às operações de cessão de crédito de swap para a Cia Hering e Playcenter foram devidamente entregues em resposta protocolada em 11/8/2008 (fls. 231/232). Na fl. 256, destaca a autoridade fiscal que "após análise da documentação apresentada juntamente com a escrituração contábil da conta 33200000 — "Receitas Financeiras" foi constatado que o contribuinte não logrou comprovar que ofereceu integralmente os resultados positivos das operações de cessão de títulos de renda fixa e swaps (juros e prêmio) efetuadas durante o anocalendário de 2003, conforme quadros I e II abaixo: (valores em R$) Cia HERING Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 626 6 CDMA No termo de verificação fiscal à fl. 257, após destacar as planilhas supramencionadas indicando a receita omitida, a autoridade fiscal informa que a omissão apurada foi constatada através da diferença entre a receita apurada e a receita declarada, sendo que a receita declarada foi constatada conforme conta contábil 33200000 Receitas Financeiras. Além da controvérsia quanto à escrituração de parte dos valores na conta 33201000 (prêmios s/operações bancárias), fls. 194, que pela numeração digital corresponde à fl. 195, conforme destacado no acórdão da DRJ, em relação aos aspectos materiais há diferença em relação ao contrato datado de 21/10/2003, conforme registro a seguir transcrito: Ao somar o valor de 1.929.590,56 + 100.338,71, de forma equivocada encontrouse R$ 3.292.381,69, conforme cálculos demonstrados no quadro acima. Neste sentido, correto o acórdão recorrido quando faz os ajustes destacando que "no contrato 08, de 21/10/03... juros (R$ 1.929.590,26) e prêmios (R$ 100.338,71), perfazem R$ 2.029.939,27. Não, R$ 3.392.381,69.... Diferença a maior, R$ 1.262.452,42." Demonstrando especial análise aos cálculos, o acórdão recorrido também percebeu que na primeira operação realizada em 15/09, mostrada no quadro abaixo, em vez de somar os juros mais os prêmios, a autoridade fiscal diminuiu, resultando numa diferença a menor de R$ 300.000,00. Neste contexto, correto o raciocínio do acórdão recorrido quando aponta imprecisões relacionadas aos cálculos acima transcritos. Corrigidos os valores, temse que o ganho com os contratos de CDB, com a Cia Hering foi de R$ 24.373.332,11 e os com operação de Swap de 16.681.044,45, totalizando 41.054.375,55, que devem ser somado ao ganho com os dois contratos com CDB da Playcenter, conforme planilhas que transcrevo: Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 18471.004307/200864 Acórdão n.º 1402001.400 S1C4T2 Fl. 627 7 Superadas as questões relacionadas às diferenças de valores, na apuração da receita financeira a autoridade fiscal considerou somente os valores especificados na conta nº 33200000 Receitas Financeiras, desconsiderando os valores lançados na conta 33201000 (prêmios s/ operações bancárias), fls. 194, que pela numeração digital corresponde à fl. 195. Quando se considera os valores lançados na conta 33201000 e se observa os ajustes demonstrados pela recorrida a partir da fl. 305, observando ainda que em relação à receita com Swap deve ser observado que a recorrida considerou o regime de caixa, conforme previsto no artigo 30 da Medida Provisória 2.15835/01, que se encontra em vigor por força do artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 2001, não se vislumbra a necessidade de baixar os autos em diligência para realizar perícia. Com tais considerações, agregando ao acórdão recorrido as razões aqui destacadas, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000361/00-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICAS. PER/DCOMP. DECADÊNCIA
As Declarações de Compensação que indicarem créditos apurados há mais de cinco anos, só poderão ser homologadas, caso lastreadas em pedidos de restituição formulados no prazo legal, não indeferidos ou não apreciados após cinco anos de sua apresentação, e cujo valor não tenha sido pago ou creditado ao beneficiário.
Numero da decisão: 1302-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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DCOMP. DECADÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO Recorrente BRICKELL PARTICIPAÇÕES S/A (ANTIGA DENOMINAÇÃO DELTA PARTICIPAÇÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICAS. PER/DCOMP. DECADÊNCIA As Declarações de Compensação que indicarem créditos apurados há mais de cinco anos, só poderão ser homologadas, caso lastreadas em pedidos de restituição formulados no prazo legal, não indeferidos ou não apreciados após cinco anos de sua apresentação, e cujo valor não tenha sido pago ou creditado ao beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 03 61 /0 0- 41 Fl. 969DF CARF MF Processo nº 13807.000361/0041 Acórdão n.º 1302002.785 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão n. 1629.358, de 04/02/2011, da 3a. Turma da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DCOMP. DECADÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para que o contribuinte possa enviar declaração de compensação não pode exceder o prazo decadencial do crédito nela contido, levandose em consideração que não há pedido de restituição anterior, válido, a ela vinculado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O processo visa analisar Pedidos de Restituição, cumulados com Pedidos de Compensação e Declarações de Compensação eletrônicas (DCOMPs). A origem do crédito em questão reside em saldo negativo da recorrente, apurado até 31/12/1999, e de empresa incorporada (evento ocorrido durante o anocalendário de 1999). Há, nos autos, dois despachos decisórios da Autoridade Administrativa, a seguir detalhados. No primeiro despacho (fls. 687/690), reconheceuse o direito creditório de R$1.140.501,10 (posição em 01/03/1999), referente ao anocalendário 1999, exercício 2010, com base no qual, homologaramse os Pedidos de Compensação discriminados às fls. 625, 627 a 629 e DCOMPs, anexadas às fls. 630 a 685. O segundo despacho decisório (fls. 777/781), diante de pedido de reanálise da recorrente, rerratificou o despacho original, reconhecendo que o crédito da recorrente deveria ter sido atualizado (Selic) até 31/12/1999. Com esse entendimento reconheceuse o valor de R$1.704.264,80. Todavia, a DRF não homologou as DCOMPs enviadas de 10/11/2006 a 22/08/2009, tendo em vista que o crédito utilizado (saldo negativo relativo a retenções na fonte, em aplicações financeiras e prestação de serviços) teria sido apurado em 31/12/1999. Cientificada dessa decisão, em 10/12/2009, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 11/01/2010 (fls. 793/795). Sustentou que tais DCOMPs (item 9 do despacho rerratificador, fls. 780) deveriam ser homologadas, pelo fato de que estariam lastreadas em: (a) Pedido de Restituição n° 10880.012261/9981, de 11/05/1999, deferido em 29/05/2005; e (b) Dcomp n° 09540.73161.151204.1.3.028060, de 15/12/2004, retificado pelo de n° 41578.77100.240307.1.7.029572, formalizadas dentro do prazo de 5 anos contados da apuração anual do saldo negativo de IRPJ, ocorrida em 31/12/1999. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13807.000361/0041 Acórdão n.º 1302002.785 S1C3T2 Fl. 4 3 A DRJ manteve a conclusão do despacho decisório rerratificador, quanto à decadência das DCOMPs enviadas de 10/11/2006 a 22/08/2009. Em recurso voluntário tempestivo (intimação, em 13/03/2011, fl. 886 e recurso interposto, em 13/04/2011, fl. 892), a recorrente reapresentou os fatos e fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, além de esclarecimentos por meio dos quais sustenta que as DCOMPs foram enviadas tempestivamente, os quais serão analisados no voto a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Referese à não homologação de Declarações de Compensação (DCOMPs) enviadas pela recorrente, de 10/11/2006 a 22/08/2009 (item 9 do segundo despacho decisório da DRF – rerratificação – fl. 780), pelo fato de que teriam decaído os respectivos direitos creditórios, apurados em 31/12/1999. O primeiro despacho decisório da DRF (fls. 687/690) reconheceu o direito creditório da recorrente, em R$1.140.501,10, e homologou: (a) Pedidos de Compensação (fls. 625, 627 a 629); e (b) DCOMPs (fls. 630 a 685). O segundo despacho decisório, a pedido da recorrente, retificou o valor do crédito inicialmente reconhecido (R$1.140.501,10) para R$1.704.264,80. Porém, não homologou as DCOMPs transmitidas após cinco anos da apuração do direito creditório nelas indicado (fl. 780). Fundamentouse nas disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Pedidos de Compensação lastreados em Pedido de Restituição Com relação aos argumentos da recorrente de que, os "Pedidos de Compensação" de 10/11/2006 a 22/08/2009 (fls. 780) deveriam ser homologados, por estarem "lastreados" pelo Pedido de Restituição n° 10880.012261/9981, de 11/05/1999 (deferido em 29/05/2005), verificase, em realidade, que tais documentos não se referem a formulários de Pedidos de Compensação, mas a Declarações de Compensação eletrônicas (DCOMPs). Além disso, essas DCOMPs indicam como crédito anterior, a DCOMP n° 09540.73161.151204.1.3.028060, de 15/12/2004 que, por sua vez, foi transmitida para a utilização de direito creditório da recorrente apurado em 31/12/1999 (valor reconhecido pela DRF, por ocasião do despacho rerratificador: 1.704.264,80 R$1.140.501,10 = R$563.763,70 + Selic). Conforme assentou o acórdão recorrido, o Pedido de Restituição n° 10880.012261/9981, de 11/05/1999 (deferido em 29/05/2005), não está vinculado às DCOMPS não homologadas (que a recorrente considerou como "Pedidos de Compensação"). Assim, o direito creditório (ano calendário1999) utilizado pela recorrente nas DCOMPs em Fl. 971DF CARF MF Processo nº 13807.000361/0041 Acórdão n.º 1302002.785 S1C3T2 Fl. 5 4 questão (transmitidas de 2006 a 2009), decaiu em 31/12/2004. Isto é, cinco anos após a sua apuração (art. 74, Lei nº 9.430/1996). Pedidos de Restituição para cada Pedido de Compensação No que diz respeito ao argumento da recorrente de que, para cada um dos "Pedidos de Compensação" em questão (2006 a 2009), teria vinculado um "Pedido de Restituição" e que, portanto, não estariam decaídas, verificase que a DRF, no despacho decisório rerratificador, concluiu que tais Pedidos de Restituição deveriam ser desconsiderados, pelo fato de que se referiam ao mesmo crédito, já indicado no Pedido de Restituição n° 10880.012261/9981, de 11/05/1999. O acórdão recorrido manteve esse entendimento. Analisandose as razões da recorrente, verificase que tais pedidos individuais de restituição se referiam aos Pedidos de Compensação, formulados no prazo legal de cinco anos, os quais foram devidamente homologados pela DRF (Pedidos de Compensação discriminados às fls. 625, 627 a 629 e DCOMPs, anexadas às fls. 630 a 685). Portanto, os "Pedidos de Restituição" relacionados pela recorrente no recurso voluntário, não constituem "lastro" para as declarações de compensação eletrônicas em questão. Como visto, em realidade, as DCOMPs transmitidas pela recorrente de 2006 a 2009, indicavam como crédito a DCOMP n° 09540.73161.151204.1.3.028060, que teve por base crédito de 31/12/1999. Confirmandose a decadência declarada pela DRF e mantida pela DRJ. Erro Material da DERAT/SP, fl. 625 A recorrente alega que a DERAT/SP (fl. 625), ao apresentar planilha contemplando relação de Pedidos de Restituição, teria se equivocado ao indicar o valor de R$29.192,34 para o Pedido de Restituição n° 13804.005530/200219. Frisa que, o valor correto seria R$524.816,80. Para demonstrar, juntou ao recurso voluntário o doc. 4. Afirma, assim, que seria necessário alterar o valor somado para o montante de R$1.472.401.69, à ser acrescido dos juros correspondentes da Selic. Verificase que, a recorrente não indicou essa ocorrência em sua manifestação de inconformidade. Isso já redundaria na preclusão da matéria e, por consequência, o não conhecimento do recurso voluntário, nesse ponto. De todo modo, ainda que houvesse equívoco quanto à indicação de valor (erro material), observase que tal Pedido n° 13804.005530/200219, referese a 2002 e que, portanto, já foi devidamente homologado pela DRF. Sendo assim, em nada reflete no acórdão recorrido. DCOMPs que não se referem a este processo A recorrente alega, ainda, que no despacho decisório rerratificador a DRF teria incluído, entre as declarações não homologadas (2006 a 2009, fl. 780), DCOMPs que não se referem a este processo, no total de R$ 117.692,55. Sustenta que, o total das DCOMPs não homologadas que realmente se referem a este caso, somam R$953.834,11. Para demonstrar, anexa planilha (doc. 6) ao recurso voluntário. Da mesma forma, verificase que tal matéria estaria preclusa. Pois, não foi arguida na manifestação de inconformidade. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13807.000361/0041 Acórdão n.º 1302002.785 S1C3T2 Fl. 6 5 Ainda assim, os valores em questão, como acima exposto, foram utilizados após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. Sendo assim, tal alegação também não altera as conclusões da DRJ. Pelo exposto, com base nos fundamentos de cada uma das conclusões acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 973DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002625/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/04/2010
DEPÓSITO JUDICIAL TEMPESTIVO E INTEGRAL, REALIZADO COM O OBJETIVO DE SUSPENDER A INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA AFASTAM OS ENCARGOS MORATÓRIOS - SUMULA CARF N.05.
Os depósitos judiciais realizados de forma tempestiva e integral, efetivados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastam os encargos moratórios, conforme a Súmula CARF n. 05..
Numero da decisão: 3302-005.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède- Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Os depósitos judiciais realizados de forma tempestiva e integral, efetivados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastam os encargos moratórios, conforme a Súmula CARF n. 05.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 26 25 /2 01 0- 51 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10611.002625/201051 Acórdão n.º 3302005.425 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente importou uma aeronave, minuciosamente descrita às fls. 04, em regime de admissão temporária e, por discordar da incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre o bem, impetrou Mandado de Segurança (201038000084202) visando o reconhecimento do seu alegado direito de não recolher o tributo na entrada da mesma no território nacional. A recorrente não logrou êxito no intento de suspender a exigibilidade do crédito por meio de medida liminar em Mandado de Segurança (CTN art. 151, IV), fazendoo então por meio do depósito do montante do tributo (CTN art. 151, II), o que resulta na mesma consequência prática, qual seja a suspensão da exigibilidade do crédito e o não computo de eventuais acréscimos moratórios enquanto perdurar a referida suspensão. Quando da lavratura do lançamento para se prevenir a decadência, a autoridade fiscal lançou, além do tributo em discussão, encargos moratórios sem, contudo, exigilos. Em sede de Impugnação, a Recorrente insurgiuse contra o lançamento dos juros de mora, dentre outras matérias, que foram todas decididas pela DRJ, que entendeu pela sua improcedência, com a consequente manutenção do Auto de Infração, em razão de admitir que: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/04/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DIVERGÊNCIA PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do Princípio da Unidade de Jurisdição, a propositura de ação judicial contra a Fazenda Pública importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário, em relação à qual o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. Havendo divergência parcial de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial, é cabível o julgamento administrativo da lide unicamente no que concerne à matéria diferenciada. Nessa hipótese, havendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/04/2010 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10611.002625/201051 Acórdão n.º 3302005.425 S3C3T2 Fl. 4 3 Diante de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário o lançamento do tributo e consectários legais deve ser realizado com a finalidade de prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública. O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém, não importa nulidade do lançamento de ofício realizado pela autoridade fiscal, ficando assegurado ao sujeito passivo não ser iniciado qualquer procedimento executório enquanto subsistir o depósito. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. O depósito do montante integral do crédito tributário, a partir da data em que é efetivado, afasta a fluência dos juros de mora em favor da Fazenda Pública, o que será reconhecido ao término do processo judicial em que se discute o crédito tributário, quando o valor depositado será devolvido ao depositante, acrescido de juros moratórios, se a sentença lhe for favorável, ou, por ocasião da transformação do depósito em pagamento definitivo, cujos efeitos retroagirão à data de realização do depósito, extinguindo o crédito tributário, inclusive os juros de mora relativos a período posterior àquela data, na hipótese de decisão favorável à Fazenda Nacional. Entretanto, os encargos moratórios lançados deverão continuar a incidir normalmente, no caso excepcional de levantamento do depósito antes do encerramento da lide judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Todas as matérias arguidas foram julgadas improcedentes pela DRJ, contudo apenas os “juros de mora” foram objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente reitera as razões aduzidas na impugnação, especialmente pela aplicação da Sumula 05 do CARF, razão pela qual apenas esta matéria deverá ser apreciada por este Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Admissibilidade do recurso. O presente Recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 2. Incidência de juros de mora sobre o valor lançado. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo expressamente referese a LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA, havendo Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10611.002625/201051 Acórdão n.º 3302005.425 S3C3T2 Fl. 5 4 informação expressa de que apesar de haver menção aos juros de mora, eles estão com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do valor integral do tributo sob discussão. A única menção a juros de mora está às fls. 02, onde há referência de será utilizada a Taxa Selic acumulada mensalmente. No entanto, o Recorrente invoca a Súmula CARF n. 5, segundo a qual: “ São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." destaques nossos. Ocorre que com a efetivação do depósito judicial do valor integral do crédito tributário, a quantia é disponibilizada antecipadamente ao fisco, facultando ao contribuinte discutir a legitimidade da cobrança sem submeterse às consequências da mora, a contar da data da efetivação do depósito. Isto significa que caso o depósito integral seja realizado antes ou na data do vencimento do tributo, o contribuinte nada mais deverá ao fisco no caso de sucumbência. De outro lado, no caso de lograr êxito em seu intento, o contribuinte levantará o valor depositado, acrescido de acréscimos moratórios, representado pela "Taxa Selic". Assim, este é o caso de aplicação da citada Súmula CARF n. 5, que veda a exigência de juros moratórios no caso do sujeito passivo realizar depósito integral do valor do tributo sob discussão. Por esta razão, é de se dar total provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 513DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915299/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.518
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 99 /2 00 8- 50 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.915299/200850 Acórdão n.º 3302005.518 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo/SP pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que os valores referentes ao período foram recolhidos a maior gerando direito a compensar, sendo que os dados da DCTF foram corrigidos posteriormente por meio de DCTF retificadora, sendo os débitos devidamente compensados, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação declarada. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16031.380. Após ciência ao acórdão de primeira instância apresentou o recurso voluntário , sem argüições preliminares, no que concerne à tempestividade. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.915299/200850 Acórdão n.º 3302005.518 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.517, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.517): "Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 17/06/2011, sexta feira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 108. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 21/07/2011 (fl. 53), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 19/07/2011, na terçafeira anterior, ao do protocolo recursal, em 21/07/2011. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecê la." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade do Recurso Voluntário não atendendo a requisito essencial de admissibilidade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000322/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
A elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dá direito ao crédito dos insumos neles aplicados.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3302-005.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. A elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dá direito ao crédito dos insumos neles aplicados. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. A elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dá direito ao crédito dos insumos neles aplicados. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 22 /2 00 6- 81 Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 3302005.676 S3C3T2 Fl. 1.323 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão da CSRF de fls. 1.2771.283: Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido. SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 405/415, contra o Acórdão nº 1415.906, de 30/05/2007, prolatado pela 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, fls. 390/394, que julgou procedente o auto de infração de IPI de fls. 324/327, referente a períodos de apuração compreendidos entre 30/11/2001 e 31/12/2002, cuja ciência ocorreu em 13/11/2006 (fl. 324). O auto de infração (fl. 325) e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 310/311) consigam que a contribuinte deixou de recolher o imposto em virtude da utilização de créditos básicos indevidos referentes à aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos não tributados NT. Irresignada, em 13/12/2006, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 335/342, aduzindo os seguintes argumentos: 1. os minerais, dentre os quais encontrase a água mineral produzida e comercializada pela empresa, mediante concessão, são imunes no tocante ao IPI (CF, art. 155, § 3º); 2. nos termos dos arts. 11. da Lei nº 9.779/99 e 4º da IN SRF nº 33/99, a imunidade do produto dá direito ao aproveitamento dos créditos referentes as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem nele aplicados. Nesse sentido se pronunciou a SRF por meio de soluções de consultas; Por fim, requer o cancelamento da exigência e que as intimações sejam endereçadas à advogada. A DRJ julgou procedente o lançamento, cujo Acórdão obteve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTO NT OU IMUNE. PRODUTO NÃO DESTINADO AO MERCADO EXTERNO. Glosamse os créditos referentes a insumos aplicados em produto NT, ainda que abrangido por imunidade diversa daquela concernente a produtos destinados ao mercado externo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. As intimações necessárias no curso do processo, por via postal, devem ser destinadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo.Lançamento Procedente". Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 3302005.676 S3C3T2 Fl. 1.324 3 Inconformada, a contribuinte protocolizou, tempestivamente, em 20/09/2007, o recurso voluntário de fls. 405/415, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados e, ainda, aduz que o AD Interpretativo SRF nº 5/2006 inovou ao ultrapassar o alcance da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99. No caso de manutenção do lançamento, que sejam excluídos os juros e multa, com fulcro no art. 100, parágrafo único, do CTN. Alfim, requer seja exonerada da exigência fiscal e a apresentação de suas razões recursais em sustentação oral. A Câmara a quo, deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. A elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito dos insumos neles aplicados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. Observando o contribuinte entendimento emanado da própria administração federal, deve ser aplicado o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. Cientificada da decisão, a ProcuradoriaGeralda Fazenda Nacional interpôs recurso especial, por maioria e de divergência (efls. 915/979), insurgindose contra a decisão da 1ª Câmara do 2º CC que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a exigência da multa de oficio e dos juros de mora, em conformidade com o parágrafo único do art. 100 do CTN. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho n° 3300344 de efls. 1.006/1.007. Contrarrazões apresentadas pelo o sujeito passivo às efls. 1.146 a 1.165. Ao seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial de divergência, quanto à possibilidade de apropriação de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de água mineral, produto imune ao IPI, por força do disposto no artigo 155, § 3º da CB/88, às efls. 1.020/1.145. O recurso especial foi admitido através do Despacho 3300000.306 de efls. 1.260/1.262. Contrarrazões apresentadas pela ProcuradoriaGeralda Fazenda Nacional às efls. 1.267 a 1.273. A decisão noticiada anteriormente deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para anular o acórdão recorrido, com determinação expressa de retorno dos autos à instância "a quo" para julgar apenas as matérias impugnadas e declarou prejudicado o Recurso Especial do contribuinte. Intimada da decisão em 06.06.2017 (fls. 1.289), a Recorrente não apresentou nenhum recurso, volvendo o processo à esta instância para julgamento. É o relatório. Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 3302005.676 S3C3T2 Fl. 1.325 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a CSRF determinou o retorno deste processo à esta instância para que fosse proferido novo julgamento do processo, agora com restrição apenas as matérias impugnadas pela Recorrente, considerando que o antigo relator analisou matéria que tinha sido ventilada apenas em sede recursal, infringindo a determinação contida no artigo 17, do Decreto n° 70.235/72. Assim, a matéria concernente ao inciso II, do artigo 100, do CTN, arguida somente na fase recursal não será analisa neste julgamento. Pois bem. Em relação ao demais pontos trazidos pela Recorrente acerca da matéria em litígio, insta tecer que o antigo relator já havia se pronunciado da seguinte forma (vide acórdão de fls.897907): Conforme anteriormente relatado e consignado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 310), no pedido de ressarcimento, formalizado através do Processo Administrativo n2 13839.000079/200319, constatouse que a contribuinte creditou se do IPI, relativo a insumos aplicados em produtos não tributados "NP". Entendendo incabível o aproveitamento desses créditos de IPI, a Fiscalização glosou os referidos créditos, ensejando saldos devedores de IPI, conforme DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULOS DE APURAÇÃO DE IPI de fls. 301/307, motivando o presente lançamento. A contribuinte alega em sua defesa que, ao regulamentar o art. 11 da Lei n° 9.779/99, a IN SRF n° 33/99, em seu art. 4 2, que trata do direito ao aproveitamento do crédito de insumos aplicados na industrialização, incluiu, não s6 aqueles aplicados em produtos isentos ou tributados à aliquota zero, mas, também, os imunes. Nessa condição albergou a operação da contribuinte que envolve Água mineral, produto NT, em decorrência da imunidade destinada aos minerais. A suportar e corroborar sua tese apresenta a Solução de Consulta SRRF/07 n ° 248/00, cuja ementa se transcreve: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ementa: Produto final imune. Creditamento. Possibilidade. Segundo o entendimento administrativo dominante, o disposto no art. 11 da Lei 9.779/99 defere genericamente ao industrial de produtos imunes o direito de crédito quanto aos insumos e o respectivo aproveitamento para, sucessivamente, compensar com IPI porventura devido, compensar com outro tributo ou obter ressarcimento em espécie, obedecidas as formalidades pertinentes. Dispositivos Legais: CF, art. 150, VI, 'cl', art. 153, § 3°, II e III, art.155, § 3 0; Lei 9.779/99, art. 11; IN 33/99; ADN COSIT 17/00." Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 3302005.676 S3C3T2 Fl. 1.326 5 Ainda visando respaldar seus argumentos, apresenta a decisão da DRJ em Ribeirão Preto SP n 2 991, de 22/05/2001, bem assim Acórdão deste Conselho nº 20216.984, de 28/03/2006, todos no sentido de reconhecer o direito ao crédito de insumos aplicados em produtos imunes, sendo que este último também se refere a insumos aplicados no engarrafamento de água mineral. Registrese que neste acórdão precitado a ConselheiraRelatora designada a redigir o voto vencedor, favorável à contribuinte, valeuse da Solução de Consulta SRRF/5ªRF/Disit nº 17, de 03 de junho de 2005, em cuja conclusão, consigna: "CONCLUSÃO 22. À vista do exposto, respondo a consulente que, a partir de 1° de janeiro de 1999, poderão ser mantidos e utilizados na escrita fiscal do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial os créditos de IPI relativos aos insumos empregados na industrialização de minerais do Pais. A manutenção e a utilização desses créditos observarão as disposições da IN SRF n° 33/1999, não se aplicando, porém, nesse caso, o estorno previsto no art. 2°, ss' 3°, da referida Instrução Normativa." De outra banda, em relação a produtos classificados como NT, conforme leciona Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas I , a despeito da existência de alguns procedimentos ensejadores de industrialização, como eventual beneficiamento ou acondicionamento, para os efeitos fiscaistributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são indicados na Tabela de Incidência do IPI/TIPI como produtos NT. Nessa toada, o art. 42 da IN SRF n2 33/99, ao tratar do direito ao aproveitamento do crédito de insumos aplicados na industrialização e incluir aqueles aplicados em produtos imunes, estaria, neste caso, referindose as situações de créditos incentivados, como no caso dos insumos utilizados na elaboração de produtos destinados à exportação. Caso contrário, a referida IN seria considerada ilegal, por desbordar do previsto no art. 11 da Lei n 2 9.779/99. Nesse diapasão, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n º 5, de 17 de abril de 2006, o qual consigna: "Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n°33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito a manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° 0 disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4' da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação `NT' (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5 0 do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16095.000322/200681 Acórdão n.º 3302005.676 S3C3T2 Fl. 1.327 6 Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." Registrese que este ConselheiroRelator se filia a este entendimento, ou seja, não se considera industrializado o produto resultante de operação excluída do conceito de industrialização. Assim, a elaboração de produtos imunes e, portanto, não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito dos insumos neles aplicados. Filiome ao entendimento proferido pelo antigo relator e, adoto suas razões como causa de decidir, nos termos os artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Não bastasse isso, há a previsão (contraria ao direito do contribuinte) da Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1327DF CARF MF
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