Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10882.003750/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, deve-se constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.
Tratando-se de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, deve-se constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Tratando-se de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.003750/2008-74
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887199
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.663
nome_arquivo_s : Decisao_10882003750200874.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10882003750200874_5887199.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7375570
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586460454912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 264 1 263 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.003750/200874 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.663 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria IPI NÃO DECLARADO EM DCTF E NÃO RECOLHIDO Recorrente MULTIFORJA S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, devese constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 37 50 /2 00 8- 74 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 265 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de lançamento de oficio, efls. 123 a 128, lavrado contra a empresa acima identificada, para a exigência do crédito tributário do IPI, no valor total de R$ 2.270.522,61, incluídos multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2008. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal, efls. 105109, aponta que: O referido MPF determinou a fiscalização dentre outros tributos/contribuições, do IPI relativo aos anos calendários de 2003,2004, 2005 e 2006. No decorrer da ação fiscal constatamos irregularidades relativas ao IPI ano calendário de 2004, 2005 e 2006, conforme segue: A ação fiscal teve início em 07/03/2008 com a lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal. Constatamos nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que o contribuinte deixou de apresentar dentro do prazo legal as DCTF relativas aos anos calendários de 2003 a 2006. Assim, em 09/05/2008 intimamos o contribuinte a: a) apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com referência ao período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, através do Termo de Intimação Fiscal n° 04; b) apresentar demonstrativo de apuração de base de cálculo do IPI, com referência ao período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006; c) apresentar Livro de Apuração do IPI, com referência ao período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, através do Termo de Intimação Fiscal n° 09. Em 05/06/2008 recebemos do contribuinte somente os documentos relativos ao anocalendário de 2003. Diante da ausência de entrega da documentação solicitada com referência aos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, lavramos termo de reintimaçâo fiscal n° 10 em 27/06/2008. Através de contato telefônico a fiscalizada solicitou dilação do prazo para atendimento à intimação. Já em 25/08/2008, sem que houvesse a entrega de qualquer documento por parte da fiscalizada formalizamos novo termo de reintimação fiscal. Em 12/09/2008 recebemos do contribuinte, dentre outros documentos, o demonstrativo de apuração da base de cálculo do IPI dos anoscalendários de 2004 a Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 266 3 2006, cópia das DCTF dos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2004 entregues pela Internet e recebidas em 14/08/2008. Em análise à documentação apresentada constatamos haver débitos de IPI relativos aos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, os quais não foram objetos de declaração e/ou recolhimento dentro do prazo legal, no valor total de R$ 1.034.419,92. Diante dos fatos, coube a esta Fiscalização lavrar Auto de Infração face à insuficiência de declaração do IPI relativo aos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, com base nos artigos 34, 122 caput, 127, 199, 200 e 202, todos do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), e no artigo 841 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 1999, abaixo transcritos. (...) Dessa forma e tendo em vista as irregularidades apuradas, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, procedemos à lavratura de Auto de Infração do IPI com a correspondente constituição do crédito tributário da infração relacionada acima, tendo por base os valores destacados na tabela abaixo: (...) O auto de infração foi devidamente impugnado. Em seguida, a 4ª Turma da DRJ/SDR, acórdão n° 1530.883, negou provimento ao apelo do contribuinte, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, devese constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Impugnação Improcedente. Em recurso voluntário, a empresa aduz: a nulidade do auto de infração; a exclusão de juros SELIC; o não cabimento da multa de 75% e a confiscatoriedade da multa de ofício aplicada. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 267 4 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar de competência, suscitada de ofício O auto de infração lavrado no presente processo decorreu do MPF n° 08.1.13.002008001588. O mesmo procedimento fiscal resultou na autuação de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, bem como todas as imputações fiscais fundamentamse nos mesmos elementos de prova. Consta no Auto de Infração (efl.129), a seguinte motivação: O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), livro II, elenca as hipóteses de competência da 1ª Seção. No seu inciso IV, constam os casos que versam sobre PIS, COFINS e IPI, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 268 5 IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Por sua vez, o § 5º do art. 6º do RICARF dispõe: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Entendo que os três artigos devem ser aplicados conjuntamente. Não consta informação sobre os outros processos, que formalizaram as exigências de PIS, COFINS e IRPJ. Em pesquisas efetuadas no portal “Acompanhamento Processual”, observase que tais processos não estão no CARF. Assim, se não estão no CARF, e considerando a aplicação conjunta dos dispositivos do RICARF supracitados, entendo que não há que se declinar da competência desta Seção para apreciação deste caso. Dito de outra forma, não há vinculação entre processos na mesma instância. Por isso, analiso o recurso voluntário da Recorrente a seguir. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 269 6 Nulidade do auto de infração Sustenta a Recorrente que o auto de infração é nulo, porque não especificou a forma como a receita foi obtida, dificultando dessa forma, a sua defesa. Não há razão no argumento, pois os débitos apurados constam das DCTF transmitidas pela própria empresa após o início do procedimento fiscal, conforme extratos de e fls. 32/103. A DCTF tem natureza de confissão, sendo legítimo o lançamento efetuado com base nas informações nela prestadas pelo contribuinte. A autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Consta nos autos, que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Em suma, ausente qualquer violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Exclusão de Juros SELIC Requer o afastamento da incidência da SELIC, por entender não estar em mora. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10882.003750/200874 Acórdão n.º 3301004.663 S3C3T1 Fl. 270 7 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, segundo o art. 62 do CARF, não há que se afastar a aplicação de legislação válida e vigente. Não cabimento da multa de 75% e confiscatoriedade da multa aplicada Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Cumpre salientar que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, constatada a falta de pagamento de tributo declarado, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente, que neste caso foi de 75%. A caracterização da multa como efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deve ser afastado também esse pleito da Recorrente Conclusão Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.724524/2015-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/04/2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem o dever de proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTÕES DE MÉRITO. REPRODUÇÃO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, quanto ao mérito, perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever, naquilo que interessa a solução do litígio, a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/04/2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem o dever de proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTÕES DE MÉRITO. REPRODUÇÃO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, quanto ao mérito, perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever, naquilo que interessa a solução do litígio, a decisão de primeira instância.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.724524/2015-64
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897555
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.452
nome_arquivo_s : Decisao_11128724524201564.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 11128724524201564_5897555.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7409311
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586469892096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 284 1 283 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.724524/201564 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.452 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria PENALIDADES OUTRAS COMÉRCIO EXTERIOR Recorrente SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/04/2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem o dever de proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 45 24 /2 01 5- 64 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 285 2 INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOAFÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boafé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTÕES DE MÉRITO. REPRODUÇÃO EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa, quanto ao mérito, perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever, naquilo que interessa a solução do litígio, a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 286 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 16070.876 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 28.01.2016, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido por meio da lavratura de auto de infração. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste Colegiado Extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 129 a 148), que segue transcrito: Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/09/2015, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 10.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. * OCORRÊNCIA Nº 1. DATA DE REFERÊNCIA 06/04/2011 O Agente de Carga SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079001216, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151105056199001 a destempo em/a partir de 06/04/2011 17:48, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105058109298. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) HLXU4513050, pelo Navio M/V RIO DE JANEIRO, em sua viagem 112S, com atracação registrada em 08/04/2011 09:02. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 11000117116, Manifesto Eletrônico 1511500646891, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105056127019, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151105056199001 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105058109298. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. * OCORRÊNCIA Nº 2. DATA DE REFERÊNCIA 10/05/2011 O Agente de Carga SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 3823079001216, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105061270096 a destempo em/a partir de 10/05/2011 16:57, Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 287 4 segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105079467126 151105079521350. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) HJCU1065919, pelo Navio M/V IMARI, em sua viagem 041SN, com atracação registrada em 21/04/2011 04:09. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 11000133847, Manifesto Eletrônico 1511500710549, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105061270096 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105079467126 151105079521350. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105061270096 foi incluído em 12/04/2011 09:51, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. Cientificado do auto de infração, via eletrônica, em 15/10/2015 (fls. 56), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 57 à 81, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ FATOS CONTRA OS QUAIS SE INSURGE A IMPUGNANTE. A IMPUGNANTE foi autuada no valor de R$ 10.000,00 (dez mil Reais) devido a “001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR". A autuação foi fundada no Art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009 (Novo Regulamento Aduaneiro), e demais normas. Não obstante o indiscutível conhecimento técnico do respeitável Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pela autuação, no presente caso sua interpretação da Legislação Aduaneira não está coerente com as normas que tratam do SISCOMEX CARGA, além de ferir Princípios Basilares que devem nortear a atuação da Administração Pública. Ab Initio é de rigor observar que a IMPUGNANTE jamais deixou de prestar quaisquer informações, diante do que a impugnante vem à presença de V.Sa. expor seu inconformismo e requerer, desde já, que o Auto de Infração seja anulado. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 288 5 ⊙ DAS INFORMAÇÕES EFETIVAMENTE PRESTADAS A autuação se funda na NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES, mas tal alegação não se sustenta. Se as informações não tivessem sido prestadas na forma e no prazo estabelecidos pela própria Receita Federal, não poderiam ser efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme Art. 37, § 2º, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.633, de 29.12.2003. Transcreve o artigo 37 do DecretoLei nº 37/66. Já que houve EFETIVAMENTE a operação de descarga da embarcação, não há que se falar em “não prestação de informação", visto que a documentação e narrativa da própria autuação provam cabalmente a prestação da informação sobre todos os conhecimentos eletrônicos referentes às cargas, ao contrário do alegado pela impugnada: "NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR”. Diante disso, a autuação não pode prosperar, sendo que sua anulação é medida necessária para que assegure ao contribuinte o mínimo de segurança jurídica. ⊙ DO FERIMENTO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E DA ISONOMIA. Não fosse apenas seu caráter confiscatório, a penalidade ora combatida é nitidamente desproporcional, seja em comparação à suposta infração, seja em comparação ao negócio em cujo contexto é aplicada (transporte internacional, remunerado mediante pagamento de frete). Além disso, fere o Princípio da Isonomia, ao tratar de forma mais grave infrações relacionadas à prestação de informações sobre cargas do que informações sobre tripulantes ou passageiros, deixando de prever qualquer limite às autuações, permitindo o absurdo que se tem verificado, multas de milhões de Reais. Aliás, notese as multas relacionadas ao SISCOMEX CARGA já passam de bilhões de Reais, sendo absolutamente incobráveis. O desrespeito ao Art. 729, II do Decreto nr. 6.759/2009 também é flagrante. De forma alguma a multa ora combatida poderia superar o valor de R$ 5.000,00 por navio, conforme previsto. O suposto dano à fiscalização pelo descumprimento dos prazos previstos na Instrução Normativa SRFB n. 800/07 jamais poderia chegar ao patamar de R$ 5.000,00, como previsto no Artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei n. 37 de 18 de Novembro de 1966. O valor é excessivo e extremamente lesivo ao contribuinte, rechaçando com força indevida conduta que gera pouco ou nenhum reflexo na ação fiscal. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 289 6 Todas as cargas destinadas à máquina produtiva brasileira estão sujeitas a processo de internação (nacionalização) cujo processamento requer o registro de Declaração de Importação (DI), apresentação de documentos e, muitas vezes, conferência física das cargas. O eventual atraso na prestação de informações por parte do contribuinte interveniente no SiscomexCarga) não causa qualquer dano à fiscalização, que autua por mero formalismo (princípio da legalidade). Tanto é assim que a autuação é, sem exceção, sempre muito posterior à prestação das informações pelo contribuinte, que se beneficia do instituto da Denúncia Espontânea por essa razão. Mas mesmo sendo o caso de afastamento da penalidade em virtude da Denúncia Espontânea, é de rigor debater o presente tópico, tendo em vista a patente desproporcionalidade da exação imposta. Além do valor excessivo, observase que no caso das multas de SISCARGA há limite (teto) ao valor aplicável. Transcreve o artigo 729 do Decreto n. 6.759/09. Claramente há ferimento a Princípios basilares que merecem guarida Jurisdicional, sendo de rigor que às multas em apreço apliquese o limite previsto no Artigo 729 do Decreto n. 6.759/09, ou seja, R$ 5.000,00 por veículo, e não por CE Mercante, como tem erroneamente aplicado a Impugnada. Da forma como se encontra aplicada, a norma (Art. 107, IV, “e”, DL37/66) é rigorosamente INCONSTITUCIONAL, sendo certo que todas as penalidades nela fundamentadas devem ser canceladas. ⊙ DA NÃO TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que, não obstante o teor do artigo 136 do Código Tributário Nacional, a inexistência de DOLO ESPECÍFICO de embaraçar deve ser observada, porque é exigência de Norma Especial (DecretoLei nº 37/66). Transcreve o artigo 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/66. Como se observa, a norma pretende punir a quem embarace, dificulte ou impeça ação de fiscalização, o que absolutamente não ocorreu no caso vertente! Não fosse apenas a ausência de dolo especifico, que é o elemento subjetivo da norma, ainda deve ser analisada a inexistência da hipótese de incidência tributária imputada erroneamente pela autoridade à Impugnante, porque as informações exigidas pelo artigo 22 da IN 800/07 FORAM PRESTADAS. REPISESE: A conduta descrita na norma como subsumível à hipótese de autuação é a NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 290 7 Não pode a ilustre autoridade ignorar o significado de NÃO PRESTAÇÃO, pois seria esta a conduta tipificada no dispositivo legal aplicável, ou seja, na alínea “e" do inciso IV do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Resta comprovado que a autuação modificou ilegalmente os efeitos da não prestação de informações, o que é absolutamente equivocado. A penalidade imposta pelo poder público não admite o recurso à analogia, nem a interpretação extensiva, pois as suas disposições aplicamse no sentido rigoroso, estrito. ⊙ OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO Para justificativa do ato, a autoridade descreveu infração ao artigo 22 da Instrução Normativa 800/07, que dispõe sobre os prazos mínimos para a prestação da informação à RFB. Destarte, sabendose que a Impugnante de forma alguma deixou de prestar toda e qualquer informação obrigatória para a consolidação dos atos de fiscalização e controle da Receita Federal, podemos então assumir que o auto de infração em questão está totalmente desmotivado, não havendo embasamento que justifique a sustentação da autuação. Transcreve o artigo 50 da Lei 9.784/99. Podese então concluir, analisandose o Auto de Infração, Data Maxima Venia, parcamente fundamentado, que as hipóteses previstas em lei não abrangeram os fatos que ocorreram (reconhecidos pela própria autuante), não havendo, portanto, razão ou motivo que sustente a autuação. Não conseguiu provar a autoridade aduaneira em que momento a impugnante deixou de prestar informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Instrução Normativa RFB 800/07, posto que não fundamentou adequadamente sua autuação. ⊙ PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na espécie, fácil é concluir que é inaplicável a multa prevista na alínea "e" do inciso IV, do art. 107 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Há de se observar que a recente modificação da IN RFB nº 800/07, trazida pela Instrução Normativa RFB nº 1.473. de 2 de junho de 2014 ratificou o entendimento que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22 seria imputável somente AO ARMADOR TRANSPORTADOR. VISTO QUE SOMENTE ESTE MANIFESTA CARGA. Transcreve o artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 1.473/2014. Há que se pressupor também que a prática de atos administrativos discricionários se processe dentro de padrões Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 291 8 estritos de RAZOABILIDADE, ou seja, com base em parâmetros objetivamente racionais de atuação e sensatez. E o chamado Princípio da Razoabilidade. Ao regular o agir da Administração Pública, não se pode supor que o desejo do legislador seria o de alcançar a satisfação do interesse público pela imposição de condutas impossíveis de serem realizadas. Ao contrário, é de se supor que a lei tenha a coerência e a racionalidade de condutas como instrumentos próprios para a obtenção de seus objetivos maiores. Dessa noção indiscutível, extraise o Princípio da Razoabilidade: Em boa definição, é o princípio que determina à Administração Pública, no exercício de faculdades, o dever de atuar em plena conformidade com critérios racionais, sensatos e coerentes. Não tendo a impugnante deixado de prestar as informações essenciais à fiscalização, não pode o agente público exigir da Impugnante a multa estipulada no auto de infração em discussão. Transcreve o artigo 28 do Ato Declaratório COREP nº 3/2008. ⊙ DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA No caso em análise, a deficiência da autuação é clara, o que já bastaria para a declaração de sua insubsistência. Porém, ainda há um outro aspecto a ser considerado, que é o momento da ocorrência dos fatos. Como se nota, a IMPUGNANTE não deixou de prestar quaisquer informações. A IMPUGNANTE foi próativa, agiu em favor da fiscalização, visando SEMPRE manter a clareza e lisura com que conduz seus negócios. Assim, ao caso em análise se aplicam os dispositivos do Art. 138 do CTN, bem como do Art. 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988. Junta textos da jurisprudência: (2ª Vara da Justiça Federal em Santos, Processo nº 0008671 62.2010.403.6104, Juiz Federal Substituto Fabio Iveits de Pauli, j. 12/04/2011); (8ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, Processo n° 0019687 88.2011.403.6100, DJ 29/08/2012). ⊙ DO PEDIDO Diante do exposto, a Impugnante está convicta que será julgada insubsistente a autuação em tela, bem como determinado, consequentemente, seu cancelamento e definitivo arquivamento, medida que ora se requer. Repisese que o Poder Público tem sua atuação adstrita aos limites da Lei, devendo cumprir rigorosamente o que é previsto nas normas específicas, de forma que sua insubsistência é a medida de rigor a ser aplicada. É o Relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 292 9 Da ementa do acórdão recorrido A 23ª Turma da DRJ/SPO, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/04/2011 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A prestação de informação extratemporânea não exclui a infração. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos da decisão vergastada, o autuado interpôs, às efls. 156 a 203, recurso voluntário para pleitear a improcedência do lançamento ora debatido. Neste sentido, reitera grande parte dos argumentos impugnatórios apresentados à 1ª Instância 23ª Turma da DRJ/SPO (efls. 57 a 81), que podem ser assim sintetizados, que: (1) é incabível a lavratura do presente Auto de Infração pela existência de tutela antecipada nos autos da Ação Ordinária 000523886.2015.4.03.6100 da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais ACTC, da qual a impugnante é associada, razão pela qual pretende que seja anulada o presente lançamento; (2) o presente processo deve ser extinto, por estrita falta de fundamentação legal, nos termos do artigo 52 da Lei 9.784 de 1999, uma vez que o acórdão recorrido descreveu o assunto da Impugnação como sendo Imposto de Importação II, quando a matéria do Auto de Infração referese unicamente à aplicação de multa aduaneira por desconsolidação de cargas fora do prazo; (3) a decisão recorrida, inadvertidamente, considerou que o recorrente é Agente Marítimo para sustentar, nos termos do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, a legitimidade passiva da autuação fiscal, não atentando que a autuada é Agente de Cargas, nos exatos termos do artigo do mesmo decretolei. Logo, referida matéria está fadada ao insucesso, Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 293 10 uma vez que não é representante do armador, conforme depreendese de seu objeto social, constante do respectivo contrato social; (4) o Auto de Infração fere a determinação de individualização das condutas, que impõe que para cada conduta deve corresponder um Auto de Infração. Logo, a autoridade lançadora deveria ter aplicado uma única e não múltiplas multas, conforme dispõe o artigo 729 do RA, ferindo, por consequência, seu direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, contrariando, também, o artigo 9ª do Decreto 70.235 de 1972 e a própria Administração, na medida em que a Solução de Consulta Interna 8 Cosit de 14.02.2008, citada no acórdão recorrido, prescreve que a "multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados"; (5) a alteração na IN RFB 800 de 2007, trazida pela IN RFB 1.473 de 2014, ratificou o entendimento que o eventual atraso na informação seria imputável tão somente ao armador transportador pois somente este manifesta a carga. Alega que no inciso III do artigo 22 da mencionada norma regulamentar cita “conhecimento genérico”, documento de emissão exclusiva do armador transportador, mais um motivo para que seja anulado o Auto de Infração; (6) não há tipicidade da multa aplicada, não ocorreu dolo específico, a despeito do artigo 136 do CTN e que a presente exigência está contida na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, ainda mais que no caso não houve falta de prestação de informações; (7) falta motivação para a lavratura do Auto de Infração, na medida em que é carecedor de fundamento que ampare sua existência. Cita os incisos I e II e o parágrafo 1º do artigo da Lei 9.784 de 1999, pois em momento algum a fiscalização não provou que a recorrente deixou de prestar as informações necessárias ao devido controle aduaneiro; (8) na espécie restou configurada a ocorrência de denúncia espontânea, uma vez que as informações foram devidamente prestadas pelo recorrente. Cita o artigo 102 do Decretolei 37 de 1966 e o artigo 138 do CTN. Cita jurisprudência judicial e administrativa sobre denúncia espontânea. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 07.03.2016 (efl. 207), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 294 11 Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O Recurso Voluntário foi juntado em 30.03.2016, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 253), após ciência no dia 29.02.2016, conforme observase do "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM" (efl. 154), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Das questões preliminares 1Das nulidades em geral Inicialmente, observo que sancionada determinada lei, em sentido restrito ou lasso, ela incorporase ao sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, inciso I, compete ao Poder Judiciário. À luz do inciso I do artigo 103 da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, inciso I, do Decreto 70.235 de 1972, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicála sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 295 12 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1.1Da nulidade do auto de infração, em face da ação judicial O Recorrente alega que, em razão do deferimento da tutela antecipada concedida nos autos da Ação Ordinária 000523886.2015.4.03.6100, ajuizada pela ACTC, da qual é associada, o Fisco está impedido de efetuar lançamento para exigirlhe a penalidade em comento, razão pela qual suscita a nulidade do presente Auto de Infração. Em suma, assevera que a decisão judicial proferida em seu favor tem o efeito de impedir a exigibilidade da penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória, objeto do Auto de Infração. De se dizer que referido lançamento, em face das circunstâncias acima, é preventivo da decadência, tendo em vista que o Juízo da 14ª Vara Cível Federal de São Paulo deferiu parcialmente a tutela para determinar a União "se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66". É evidente que se o Poder Judiciário decidir pela impossibilidade da aplicação da multa em comento, deverá prevalecer o comando judicial. Mas não se poderá negar os efeitos do lançamento preventivo da decadência, sob pena de se admitir que os órgãos de julgamento tem o poder de alterar a constituição do crédito tributário. É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc., tem a obrigação legal e funcional deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina, verbis: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 296 13 A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. [...] (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) .... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 297 14 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). [...] (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) Logo, é plenamente cabível o presente lançamento. 1.2Da nulidade do acórdão recorrido, em face de erro material O Recorrente alega que a decisão recorrida deve ser anulada. Primeiro, por falta de fundamentação legal, pelo fato de haver descrito que o assunto referese a II, quando a matéria tratada é a aplicação de multa aduaneira por desconsolidação de cargas fora do prazo. Segundo, por lhe haver considerado Agente Marítimo para sustentar a legitimidade passiva da autuação fiscal, quando tratase de Agente de Cargas. De plano, cumpre salientar que as hipóteses de nulidade da decisão recorrida estão previstas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972, a seguir transcrito, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Compulsando em sua integralidade, verificase que a decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, não obstante as insignificantes para o deslinde da matéria litigada imperfeições apontadas pelo Recorrente, da qual a pessoa Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 298 15 jurídica foi regularmente cientificada. Assim, percebese, sem qualquer esforço, que o presente ato contêm todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. Ademais, insta salientar, por oportuno, que não só a decisão recorrida, mas todos os demais atos que integram o presente processo respeitaram as formas instrumentais, os documentos foram reunidos nos presentes autos, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Desta feita, temse que o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Consta do Relatório do Acórdão 16070.876, exarado pela 23ª Turma da DRJ/SPO, em 28.01.2016, já reproduzido neste julgado, toda a contextualização fática e jurídica que motivou a autuação contestada. Por sua vez, o Recorrente tinha conhecimento do conjunto probatório robusto que instrui os autos e comprova a infração que lhe foi imputada, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, que identifica como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105079467126 151105079521350. De se ver, portanto, que as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram sobejamente observadas, permitindose concluir pelo não tem cabimento das referidas alegações recursais, afastandose qualquer possibilidade de nulidade do Auto de Infração ou da Decisão Recorrida. 1.3Da nulidade em face da ausência de motivação do auto de infração Segundo o Recorrente há vício de motivação no lançamento. Entende que o Auto de Infração carece de precisão quanto à hipótese de incidência da exação pretendida, muito menos quanto à subsunção do fato à norma legal. O relatório fiscal, contido na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" (efls. 26 a 50), à evidência, demonstra insofismável que a autoridade lançadora expõe, de forma completa, direta, concisa e precisa, os fundamentos fáticos e jurídicos que fundamentam a autuação, mencionando não só os ilícitos cometidos pelo autuado como também a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, inclusive, individualizando suas bases de cálculo, é o que observase dos seus títulos e subtítulos {I. INTRODUÇÃO; II. EXAME JURÍDICO (1. FATO; OCORRÊNCIA Nº 1 DATA DE REFERÊNCIA 06/04/2011, RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO, OCORRÊNCIA Nº 2 DATA DE REFERÊNCIA 10/05/2011, RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO; 2. NORMA; SISCOMEX CARGA E SUA NORMA DE REGÊNCIA, CLASSIFICAÇÃO DO AGENTE DE CARGA COMO TRANSPORTADOR E DA ABRANGÊNCIA DO TERMO, INTERVENIENTES ADUANEIROS, NATUREZA JURÍDICA DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO, PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO, RESPONSABILIDADE LEGAL DO TRANSPORTADOR E DA PENALIDADE APLICÁVEL EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, RESPONSABILIDADE OBJETIVA PELO COMETIMENTO DE INFRAÇÃO; 3. VALOR, MOTIVAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA IMPOSTA E DO Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 299 16 BEM JURÍDICO TUTELADO PELO ESTADO, PROCESSO DE CONTROLE ADUANEIRO, INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA APLICÁVEL, APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA, MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO, APLICAÇÃO DO DIREITO PÚBLICO E DA LEGITIMIDADE DO POLO ATIVO CONSTITUINTE); III. CONCLUSÃO}. Portanto, claríssima a imputação fiscal. Não há a menor falha na motivação do auto de infração, quanto a sua fundamentação legal e a descrição da conduta ilícita e a menção às provas acostadas. Das questões de mérito 1Da denúncia espontânea da infração O recorrente traz a tona, uma vez mais, o instituto da denúncia espontânea da infração cometida, objetivando ver excluída a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passou a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. De plano, a denúncia da infração não restou configurada. Emerge do relatório que integra o Auto de Infração, notadamente os textos que especificam a * OCORRÊNCIA Nº 1. DATA DE REFERÊNCIA 06.04.2011 e a * OCORRÊNCIA Nº 2. DATA DE REFERÊNCIA 10.05.2011, que o autuado concluiu a desconsolidação da carga relativa aos Conhecimentos Eletrônicos neles identificados a destempo, segundo o prazo regularmente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, tanto que referida autoridade lançadora, corretamente, concluiu que para os casos "em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico", uma vez que em conformidade com artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, por sua vez, regulamentado pela IN/SRF 115 de 16.11.1984, que, segundo preceituava o parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002), afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar porque a penalidade ora objetada não comporta o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, que fundamentou a decisão consignada no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014, verbis: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 300 17 Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 301 18 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, cita se trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 302 19 EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 303 20 Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em suma, em se tratando de multas aduaneiras, a denúncia espontânea possui tratamento expresso e específico. Com efeito, reproduzse, a seguir, os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (Decretolei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 1º). § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º): Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 304 21 I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Da simples leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que o instituto da denúncia espontânea passou, depois do ano de 2010 e em alguns casos, a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, esta mesma regra é expressa ao determinar, desde a vigência do Regulamento Aduaneiro de 2002, que depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o contribuinte prestou as informações exigidas apenas após a atracação do navio no porto brasileiro. Como bem pontuou o auto de infração. 2Da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver excluída a penalidade imposta sob a justificativa da presunção da sua boafé, ainda mais que no caso em discussão sua conduta não implicou em dano ao erário. Entretanto, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento da multa aplicada pela prática da infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, por boafé do infrator. Tratase, como visto ao longo deste voto, de multa não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade, independentemente da intenção do agente. Salientese, por oportuno, que a lei não confere qualquer espaço para discricionariedade ao agente fiscal, nem ao julgador, no tocante à dosimetria da multa, em face da infração ora examinada, a fim de aplicála ou não, sendo o bastante que se caracterize a situação descrita na legislação de regência para que haja a aplicação da penalidade. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 305 22 3Da natureza da obrigação acessória tributária A própria natureza da obrigação acessória tributária representa um viés autônomo de eventual tributo a ser exigido. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (parágrafo 3º do artigo 113 do CTN). Dessa forma, com fulcro no retrocitado preceito legal, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, conforme corretamente descrita no auto de infração. De arremate, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Noutros termos, quedase alheia à vontade do contribuinte e/ou responsável ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 4Do permissivo legal para adotar os termos da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 306 23 (...) 1.5Da fundamentação mediante transcrição da decisão recorrida Verificado que o Recorrente, quanto às questões de mérito de maior relevância, não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, amparado no permissivo regimental acima reproduzido, que valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para complementar minhas contrarazões e, por consequência, fundamentar os questionamentos reapresentados na peça recursal. (início da transcrição do voto da Decisão Recorrida adotada) Voto (...) ▣ A RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO E A SUA LEGITIMIDADE PARA OCUPAR O PÓLO PASSIVO A respeito dos argumentos aduzidos, cumpre trazer a lume os dispositivos legais que tratam do instituto da solidariedade tributária, quais sejam, o artigo 121, parágrafo único, inciso II; o artigo 124, inciso II, e artigo 128 do Código tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que assim dispõem: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (...) Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifo e negrito nossos) Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 307 24 A solidariedade passiva ocorre quando duas ou mais pessoas devam responder conjuntamente pela mesma obrigação. No que respeita à solidariedade tributária, do conjunto normativo acima mencionado, inferese que pode se dá das seguintes formas: a) em razão do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; b) por designação expressa em lei. Nesse sentido, observase que a responsabilidade solidária está expressamente prevista o art. 95 do Decretolei nº 37/1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; (destaquei) Assim, por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Atentese ainda para inciso II do art. 95 do Decretolei nº 37/1966 (acima transcrito) c/c artigo 32, inciso I, parágrafo único, alínea “b” do mesmo diploma legal, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, que tratam expressamente da responsabilidade do transportador e, sendo este estrangeiro, prevêem a responsabilidade solidária de seu representante no País: Art. 32 É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II (...) Parágrafo único É responsável solidário: a) (...); b) o representante, no País, do transportador estrangeiro. Notese que a regra do parágrafo único acima foi mantida na nova redação dada pela Lei nº 11.281/2006. Inferese, portanto, que a lei designou como responsável solidário o representante no País do transportador estrangeiro. Estabelecidos os pressupostos legais quanto ao instituto da responsabilidade solidária, cabe, a seguir, a análise quanto à responsabilidade do agente marítimo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 308 25 Acréscimo à presente reprodução: cujos fundamentos, conforme a mesma legislação citada no voto condutor do acórdão recorrido, equivalemse para qualquer outro interveniente nas operações de transporte marítimo internacional. Observase que, ao aludir à figura do “representante”, a lei não restringe seu conteúdo ao contrato de representação comercial stricto sensu, tal como previsto na comercial, mas denota a pessoa que atua por ordem e no interesse do transportador perante as autoridades aduaneiras, praticando atos que, dentre outras finalidades, têm estrita relação com controle aduaneiro do veículo e da carga. Assim, incabível restringir a interpretação da lei tributária, sob a ótica dos institutos de direito privado, relativos a contrato de agenciamento e de representação, na pretensão de definir os efeitos tributários, devendose atentar para o aspecto teleológico da norma. A responsabilidade tributária é disciplinada por diploma legal específico, sendo descabido aplicar legislação de direito privado quando existem leis específicas que regem a matéria, pois, é preceito de hermenêutica que a norma especial prevalece sobre a norma geral. Nesse sentido, cabe destacar os ensinamentos doutrinários de Samir Keedi sobre agência marítima: É a empresa que representa o armador em determinado país, estado, cidade ou porto, fazendo a ligação entre este e o usuário do navio. Não é comum o contato do usuário com o armador, diretamente, sendo esta função exercida pelo Agente Marítimo. Entre as importantes atividades de uma Agência Marítima está o angariamento de carga para o espaço do navio e o controle das operações de carga e descarga. O contrato de prestação de serviços costuma incluir a administração do navio, recebimento e remessa do valor do frete ao armador, representação do navio e do armador junto às autoridades portuárias e governamentais, etc., e o atendimento aos clientes. (Keedi, Samir. Transportes e seguros no Comércio Exterior, 2ª ed., São Paulo: Aduaneiras, 2003) (destaquei) Diante de abalizada doutrina, podese constatar que o comércio marítimo impõe a necessidade de os armadores possuírem em cada porto um representante, com conhecimento em diversas áreas comerciais e jurídicas, para atuar na prática de determinados atos de interesse daqueles, agindo, portanto, como representante do armador. Assim, o Agente Marítimo é o elo na cadeia de comunicação entre o Armador e as demais pessoas que interagem com o navio quando este chega a um Porto Nacional. Com efeito, sabese que o agente marítimo atua efetivamente como representante do transportador em determinado porto, perante as autoridades governamentais e portuárias. Sua missão Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 309 26 é assumir o gerenciamento e essa administração envolve múltiplas ações e serviços, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades, contratação de serviços, tais como, praticagem, rebocadores e lanchas, providências para agendamento da inspeção do navio pelos órgãos competentes (Saúde dos Portos, Polícia Federal e Receita Federal), além de comunicação constante com o operador portuário (responsável pela carga/descarga), entre outros. Considerandose assim as funções exercidas pelo Agente Marítimo, esclareçase ainda que a expressão “representante, no País, do transportador estrangeiro” não tem o significado de representante em todo o território nacional, mas sim de representante no Brasil, podendo este ser nacional ou local. Concluise, portanto, que o transportador estrangeiro de grande porte pode ter um representante em âmbito nacional, sendo usual é que tenha “representantes” locais em cada porto, que são os Agentes Marítimos. No entanto, em quaisquer das duas hipóteses acima se tem a responsabilidade solidária, conforme dispôs o art. 32 do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo art. 1º do Decreto Lei nº 2.472/88. O agente marítimo, por atuar como representante do transportador no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Ademais, o representante do transportador estrangeiro firma um Termo de Responsabilidade perante a Aduana, em que declara essa sua condição, evidenciando assim sua responsabilidade solidária pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações em que incorrer o transportador. Neste ponto, ressaltese que o Termo de Responsabilidade tem amparo legal, estando expressamente previsto no art. 39, §§ 2º e 3º, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decreto nº 2.472/1988: Art. 39 (...) (...) § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Grifo e negrito nossos) Portanto, conforme disposição legal acima, quando o agente marítimo assina o termo de responsabilidade perante Alfândega, o faz na qualidade de representante do transportador. Amparado Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 310 27 no citado termo, a empresa atua efetivamente em nome transportador, praticando atos durante o despacho. A jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade do agente marítimo, firmando o entendimento de que a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, publicada em 1985, foi superada com o advento do Decretolei nº 2.472, de 1988. O Egrégio Conselho de Contribuintes corrobora com o entendimento acima esposado, havendo, ainda, decisões judiciais neste sentido, conforme evidenciam as ementas a seguir transcritas: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Inaplicável, na espécie sob julgamento, a Súmula n. 192 do TFR, esta superada pela edição do DecretoLei n. 2.472/88. (Acórdão nº 30328571, Terceira Câmara, Recurso nº: 118229, Data da Sessão: 25/02/1997) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO COMO REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Apurada avaria e falta de mercadoria é responsável pelo tributo e multas o representante do transportador estrangeiro. Inaplicabilidade, no caso, das cláusulas STC (Said to Contain). (Acórdão nº 30128239, Primeira Câmara, Recurso nº: 118200 Data da Sessão: 13/11/1996) PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CONHECIDA. DEPOSITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE FISCAL DO AGENTE MARÍTIMO. SUMULA 192 DO EXTFR. INAPLICABILIDADE. FATO GERADOR. O AGENTE MARÍTIMO, QUANDO NO EXERCÍCIO EXCLUSIVO DAS ATRIBUIÇÕES PRÓPRIAS, NÃO E CONSIDERÁVEL TRIBUTÁRIO, NEM SE EQUIPARA AO TRANSPORTADOR PARA EFEITOS DO DECRETO LEI 37, DE 1966.' (SUMULA 192/ TFR). NÃO SE APLICA O ENTENDIMENTO SUMULADO QUANDO O AGENTE MARÍTIMO ASSINA TERMO DE RESPONSABILIDADE EQUIPARANDOSE AO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. (...) APELAÇÕES E REMESSA IMPROVIDAS. (negritei). (ACÓRDÃO AC 9618/PE, Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 91.05.034353, Órgão Julgador: Primeira Turma, Relator: Desembargador Federal CASTRO MEIRA, Data Julgamento: 05/09/1991) Não prospera a tese de que a autuação ofende o artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal (“nenhuma pena passará da Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 311 28 pessoa do condenado”), empregado, por analogia, à penalidade administrativa, pois, diante da legislação de regência, concluise que a multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. ▣ DA TIPIFICAÇÃO O artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 assim estipula: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (negrito não pertencem ao texto reproduzido) § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3º A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei nº 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4º A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Pelo ditame do caput 37, o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos. Nesse sentido, o artigo 107 , inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei no 37/66, estipula a respectiva sanção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 312 29 (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 determina os prazos mínimos para a prestação das informações à Receita Federal do Brasil correspondentes ao manifesto e seus Conhecimentos Eletrônicos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (... ) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.473, de 2 de junho de 2014) Tratase de uma infração omissiva. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada no Ato Declaratório Executivo COREP nº 3, de 28 de marco de 2008, mas sim no artigo 107 , inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, complementada pela alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. ▣ PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTRATEMPORÂNEA O legislador não previu a prestação de informação extratemporânea como uma excludente de punibilidade. Ademais, a alínea “d)”, do inciso II, do artigo 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 é taxativa em prever o prazo de quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 313 30 prestação das informações à Receita Federal do Brasil correspondentes ao manifesto e seus Conhecimentos Eletrônicos. Além do que a alínea “c” do inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei nº 37/66 determina expressamente a não apresentação de resposta, no prazo estipulado como núcleo da infração. Logo, o pleito de cancelamento da multa regulamentar em função da prestação de informação extratemporânea não pode prosperar por ausência de previsão legal. ▣ A AUSÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA Transcrevese o artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Transcrevese o também o artigo 102 do DecretoLei n° 37/66: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) O pleito do impugnante se pauta no argumento de prestação de informação extratemporânea. Esse argumento não prospera, em função do Parágrafo Único do artigo 138 do Código Tributário Nacional e da alínea b), do Parágrafo 1º, do artigo 102, do DecretoLei nº 37/66, pois houve a prestação de informação ainda que extratemporânea. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 314 31 Acerca do tema, há que se ter presente que a denúncia espontânea, capaz de afastar a imposição de penalidades de natureza tributária, é aquela iniciada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, tendo por pressuposto básico o total desconhecimento pelo Fisco acerca da existência do tributo denunciado. O contribuinte que verificar o seu descumprimento nas obrigações tributárias, e antes de qualquer procedimento de ofício ou medida de fiscalização da autoridade administrativa tributária se denuncia e, se houver a obrigação de pagar, efetua o pagamento, adentra no que tipifica a norma do art. 138 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional. O autor Luciano da Silva Amaro interpreta o parágrafo acima citado de forma bastante elucidativa em seu livro Direito Tributário Brasileiro: ...Se eu agir porque estou com medo do Fisco, eu estou agindo espontaneamente. Se eu agir porque a fiscalização está no meu vizinho, eu estou agindo espontaneamente. Se eu agir porque o Fisco diz que a partir de amanhã ele dará início a fiscalização eu estou agindo espontaneamente... (AMARO, 1998, p.37) O autor Luciano Amaro continua em suas exemplificações, agora quanto a falta de conduta espontânea: (...) Depois que o fiscal lavrou o termo de início de fiscalização, onde disse que vai investigar tal ou qual coisa, isso já está fora da espontaneidade. Mas qualquer outra coisa, eu continuo podendo denunciar espontaneamente. Se ele fiscalizar as minhas despesas de certa natureza, eu posso denunciar outro assunto, que não esteja dentro do escopo do que ele veio ver. (AMARO, 1998, p.37) Não é o caso, pois não está a se lidar com uma penalidade tributária e sim de natureza administrativaaduaneira. A distinção é perceptível ao se analisar o seguinte elemento que compõe o caput do artigo 138 do Código Tributário Nacional: ... acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. A infração em comento não se relaciona à exigência de tributo, tampouco ao seu controle ou sua mensuração. ▣ DAS MULTAS APLICADAS SUCESSIVAMENTE PARA O MESMO NAVIO/VIAGEM Para dirimir o assunto, transcrevese trecho da Solução de Consulta Interna nº 8 COSIT, de 14 de fevereiro de 2008: Da aplicação da multa ao transportador Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 315 32 10. Quanto ao segundo questionamento, referente à aplicação da multa de R$ 5.000,00, para cada declaração de exportação informada fora do prazo ou pelo conjunto de declarações não informado, dois pontos devem ser observados. 11. Em primeiro lugar, cabe destacar que o art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, teve nova redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, a Lei nº 10.833, de 2003, trouxe uma definição de infração mais específica aplicável ao caso em questão, prejudicando assim o disposto no art. 44 da IN nº 28, de 1994, o qual sujeitava o infrator ao pagamento da multa por embaraço à fiscalização prevista no art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969. 11.1. A Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, que resultou na conversão da referida lei foi publicada no Diário Oficial da União em 31 de dezembro de 2003 e, como não houve alteração do artigo na conversão dessa Medida Provisória na lei, a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003 é a que se refere à línea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; e (...) 12. A penalidade é aplicável, em qualquer caso, à empresa de transporte internacional. Nesse sentido, o que o art. 44 da IN SRF nº 28, de 1994, considerou como embaraço à Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 316 33 atividade de fiscalização aduaneira foi o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. A obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. 13. Tendo em vista o acima exposto, concluise que a tipificação legal atualmente em vigor para a imposição de penalidade é a alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. 14. O segundo ponto a ser observado, é no que diz respeito a qual ação, ou no caso em estudo, qual a omissão deve ser penalizada com a multa referida no item 13. A Coana questiona se se aplica ao caso o comando do art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966, que trata da aplicação e graduação das penalidades, que assim dispõe: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. 15. Como se pode perceber, o art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966, trata da cumulatividade de infrações, quando praticadas pela mesma pessoa. No presente caso, não temos duas infrações e sim e tãosomente uma única infração: não prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 15.1. Assim, não cabe a aplicação do art. 99 do Decreto lei nº 37, de 1966, para sanar a dúvida apresentada. 16. Restaria, assim, a dúvida se a cada informação não prestada, sobre cada uma das declarações de exportação, geraria uma multa de R$ 5.000,00 ou se a multa seria pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar o transportador de informar os dados sobre a carga, como um todo, transportada. Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 317 34 ou seja, deixaram de cumprir a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Sendo assim, temse as seguintes ocorrências: ∙ OCORRÊNCIA Nº 1. DATA DE REFERÊNCIA 06/04/2011 ➞ Navio M/V RIO DE JANEIRO, em sua viagem 1128, com atracação registrada em 08/04/2011 09:02; ∙ OCORRÊNCIA Nº 2. DATA DE REFERÊNCIA 10/05/2011 ➞ Navio M/V IMARI, em sua viagem 041SN, com atracação registrada em 21/04/2011 04:09. Portanto, a multa regulamentar deve ser de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por se tratarem de duas infrações. ▣ DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do artigo 94 do DecretoLei nº 37/66: TÍTULO IV Infrações e Penalidades CAPÍTULO I Infrações Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 94 do DecretoLei nº 37/66 é taxativo no sentido de que a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 318 35 O DecretoLei nº 37/66, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações aduaneiras, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, ou seja, desconsidera a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força do artigo 94 do DecretoLei nº 37/66, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação aduaneira. Assim, o legislador consagra a responsabilidade objetiva por atos infracionais aduaneiros, dispensando a Receita Federal do Brasil de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. ▣ DA ARGUIÇÃO DE DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Quanto às acusações de ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 319 36 constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximirse de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 320 37 Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’" (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tão somente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 321 38 sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivo repressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 202 17.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. (...) Da conclusão Com supedâneo no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF 329 de 2017, adota se, também como razão de decidir, nos seus exatos termos, os fundamentos de mérito da decisão recorrida. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11128.724524/201564 Acórdão n.º 3001000.452 S3C0T1 Fl. 322 39 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003168/2006-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decreto-lei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie.
MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO.
No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplica-se a legislação vigente à época da apreensão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/02/2006 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decreto-lei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplica-se a legislação vigente à época da apreensão. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.003168/2006-91
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890050
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.209
nome_arquivo_s : Decisao_10675003168200691.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10675003168200691_5890050.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7385981
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586482475008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 74 1 73 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.003168/200691 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.209 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente MARIA DO CARMO OLIVEIRA FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decretolei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. MÁQUINA CAÇANÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplicase a legislação vigente à época da apreensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 68 /2 00 6- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 75 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de multa no importe de R$ 1.000,00 aplicada pela fiscalização aduaneira face a importação de mercadoria atentatória à moral, bons costumes, saúde ou ordem pública, com fulcro no artigo 107, inciso VII, alínea “b” do Decreto Lei 37/66, com a redação data pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. A fiscalização tece os seguintes argumentos para fundamentar a autuação: Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLÂNDIA/MG, Foram apreendidas pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 02 (duas) placas para máquinas “caçaníquel”, no estabelecimento comercial denominado “PATENSE”, localizado na Av Monsenhor Eduardo, 815 Bairro Bom Jesus UberlândiaMG, onde se encontrava a Sra MARIA DO CARMO OLIVEIRA FERREIRA, que declarou ser esposa do proprietário, porém não o identificou, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO D/13, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado. As referidas placas foram recebidas pelo responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 17/2006, de 22/02/2006. Em 22/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das placas, processo 10675.000955/200681. A autuada foi cientificada da autuação em 23/11/2006, conforme “AR” de fl. 16, não conformada, apresentou, através de advogado devidamente habilitado (procuração de fl. 31), em 15/12/2006, impugnação (fls. 20/21), com os seguintes termos: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 76 3 1. O requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde/publica” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para máquina “caçaníquel”, conforme descrito no Auto de Infração, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00(..), com base no art. 107, inc. VII, “b”, do Dec. Lei n.37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 29/12/2003. 2. O requerente não é “importador” e também “não importou” as mercadorias (placa de máquina caçaníquel), bem como não é, e nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de “placa(s) estrangeira(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s), porque nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão. Assim, mesmo que olhasse, não saberia se seria placa estrangeira ou não, e muito menos se era de importação proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica, em anexo, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e destinatário Game Line Ltda. 6. A multa pecuniária de R$1.000,00(..) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior, 17/09/99, conf. Nota Fiscal, portanto ao fato não pode ser aplicada a multa Pecuniária. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa pecuniária porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei n. 10.833 de 29/12/2003 que deu nova redação ao art. 107; inc. VII, “b”, do Dec. Lei n.37/66, ou seja, se a importação da(s) placa(s) ocorreu em data anterior é inaplicável a multa. 7. O requerente/autuado pede a improcedência da autuação, determinando o arquivamento do processo administrativo na forma da lei. 8. Requer produção de provas: documental e testemunhal, com rol oportuno. 9. Requer sejam as intimações dirigidas, doravante, ao endereço do advogado do requerente, cf. consta no cabeçalho desta petição." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 77 4 Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), analisando as argumentações do contribuinte, julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 22/02/2006 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não gera efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. As intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ESTRANGEIRA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. MÁQUINA “CAÇANÍQUEIS”. Aplicase a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Irresignado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese a autuação fiscal para exigência de multa pecuniária pela apreensão de uma placa eletrônica para máquina caçaníquel, encontrada em poder do recorrente no transcurso de uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal em 22/02/2006. Desta forma, ficando o recorrente sujeito a penalidade prevista na alínea "b" do inciso VII do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Ilegitimidade passiva Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 79 6 O sujeito passivo alega que não é parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária, tendo em vista não ser proprietário da máquina caça níquel e por não ter realizado a importação das mesmas. Quanto à legitimidade, entendo que o art. 602, parágrafo único e o art. 603, I, do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro, resolvem a questão, respectivamente: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94, § 2o). Art. 603 Respondem pela infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; ......................................................................................................... (grifo nosso) Desse modo, na condição de proprietário do estabelecimento comercial, no qual foi encontrada em operação a máquina caçaníquel, que continha a placa eletrônica, cuja a importação é proibida e, por conseqüência, sendo o beneficiário do seu uso indevido, responde o recorrente pessoalmente pela infração contida no art. 107, VII, b, do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 80 7 prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; ......................................................................................................... Por outro lado, para reforçar a afirmação de que não era proprietário da máquina, o recorrente alega que, em realidade, alugou um espaço em seu estabelecimento comercial para a colocação da máquina caçaníquel e que, por isso, recebia apenas um aluguel préfixado. Em suas palavras: "O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para a colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos."(grifo nosso) Primeiramente, esclareçase que o sujeito passivo não fez prova da existência desse mencionado contrato de locação. Porém, mesmo que o tivesse feito, isso não o eximiria da responsabilidade, pois estaria, de qualquer forma, concorrendo e se beneficiando com a prática da infração. Além disso, tendo em vista sua própria afirmação de que era "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", temse que, por conseqüência, o recorrente necessariamente também sabia da importação irregular das máquinas, da proibição do seu uso e das freqüentes operações de repressão realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal, uma vez que estas eram amplamente divulgadas nos meios de comunicação. Ainda com o intuito de comprovar que não era o proprietário da mercadoria apreendida, o recorrente apresentou notas fiscais e laudo técnico, que supostamente atestariam que a empresa Grand Columbus Importação & Exportação Ltda teria importado a máquina caçaníquel em questão e que esta pertenceria a empresa Games Line Ltda. Contudo, melhor sorte não assiste ao contribuinte nessa alegação, pois não há como vincular a máquina caçaníquel apreendida às notas fiscais apresentadas. Ressaltese que apenas um número de série (9917152) é citado no laudo técnico (fl. 25/28) apresentado e que as notas fiscais não têm o número de série dos equipamentos transacionados. Como decorrência desse fato, não merece retoque a análise realizada pelo voto condutor do Acórdão recorrido: "Devese também lembrar que, acaso fossem consideradas as notas fiscais apresentadas, assim como o laudo, sem prova inconteste de que a máquina caça níquel apreendida, a que se refere o presente processo, estivesse contida nas importações a que elas se relacionam, qualquer máquina caça níquel porventura encontrada poderia ter a multa ilidida com a apresentação desses documentos". Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 81 8 Com efeito, a legislação aduaneira adotou a responsabilidade objetiva, assim, não importando o elemento volitivo para ser caracterizada a infração. Ademais, estendeu a responsabilidade pela prática da infração a todos que concorressem para a sua prática ou dela se beneficiassem. No caso concreto em análise, restou demonstrado que o recorrente se beneficia economicamente da mercadoria proibida, portanto, vinculandoo à infração imputada, da qual não pode eximirse de responsabilidade, portanto, restando certo estar apto a figurar no pólo passivo do auto de infração. Assim sendo, rejeito a preliminar argüida. Mérito O recorrente alega que desconhecia a existência de placas eletrônicas estrangeiras no interior da máquina caçaníquel, que nunca as abriu e, mesmo que tivesse olhado o seu interior, por falta de conhecimento técnico, não saberia se a placa era importada ou não, muito menos que se tratava de objeto de uma importação proibida. Entendo que essas alegações não merecem prosperar por inúmeros motivos. Inicialmente, ressaltese que o próprio recorrente carreou aos autos notas fiscais, que atestariam uma suposta importação regular da máquina caçaníquel. Assim, não há como se manter crível a sua afirmação de que não conheceria a origem estrangeira da máquina. Logo, pouco importa se o recorrente abriu a máquina ou mesmo se detinha conhecimento técnico, a sua ciência da origem estrangeira da mercadoria restou comprovada pela documentação por ele apresentada. Ademais, como já mencionado acima, o recorrente demonstrou, por suas próprias palavras, "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", conhecer que tal "praxe" era ilegal, que máquinas desse tipo foram importadas irregularmente e que os "agentes públicos" envidavam esforços para coibir sua utilização. Em realidade, não poderia ser diferente, uma vez que o esquema criminoso em que se insere o evento em questão, irradia imensa repercussão social por envolver criminalidade organizada e, por isso mesmo, ocupou as páginas dos principais jornais do país, assim como o noticiário no rádio e na televisão. Dessa forma, tornouse fato notório a existência de componentes eletrônicos de origem estrangeira nas máquinas caçaníquel, como a apreendida na posse do ora recorrente. Assim, não é razoável considerar que aqueles que exploravam esses equipamentos desconhecessem tais circunstâncias. Por fim, o sujeito passivo alega, ainda, que a multa pecuniária disposta no inciso VII, do art. 107 do Decreto Lei nº 37/66 somente foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003 com o advento da Lei nº 10.833. Assim, afirma que não se aplicaria tal multa ao presente caso, considerandose que a importação teria sido realizada em data anterior à vigência da referida lei, conforme as notas fiscais apresentadas. Além disso, mesmo que as notas fiscais fossem desconsideradas, o recorrente assevera que a multa não poderia ser aplicada, pois "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior". (Impugnação fl.21) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 82 9 De acordo com a alinea b, do inciso VII, do art. 107, do Decreto Lei nº 37/66, a multa em tela é aplicada pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. Então, devemos analisar o significado dos termos da determinação legal citada. Em linhas gerais, o substantivo importação significa a entrada, temporária ou definitiva, em território nacional de bens ou serviços originários ou procedentes de outros países, a título oneroso ou gratuito. Esta é uma definição lato sensu e, por conseguinte, abarca várias situações fáticas. Por exemplo, os bens importados podem ser não só aqueles de origem estrangeira, isto é, produzidos em outros países, como também os procedentes do exterior, aqueles produzidos no país, os quais foram, anteriormente, submetidos a um processo de exportação. Da mesma maneira, a definição engloba não só a entrada lícita de bens estrangeiros no território nacional, ou seja, aquela realizada segundo o procedimento comercial e fiscal vigente, assim como a entrada ilícita, contrabando ou descaminho. Por outro lado, devese ter claro que, quando o dispositivo legal menciona mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, por conseqüência, ele está se referindo a mercadorias de importação proibida. Desta forma, a prescrição contida no inciso VII citado se refere a mercadorias objeto de contrabando. A prática do contrabando visa, justamente, fazer entrar no território nacional bens cuja importação é proibida pelas normas aduaneiras. Assim, para alcançarem seu objetivo, os agentes envolvidos no contrabando realizam uma série de ações, visando ocultar das autoridades o ingresso das mercadorias. Dessa forma, podese dizer que a ocultação e a fraude são ingredientes indispensáveis para que ocorra o delito. À vista disso, permanentemente, nas operações de contrabando, se intenta esconder o "o que", o "quem", o "onde" e o "quando". Sabese que as autoridades realizam freqüentes operações de combate ao contrabando, visando impedir a entrada dessas mercadorias Contudo, sabese também que, devido à vasta fronteira brasileira, terrestre e marítima, essas operações logram um êxito parcial. Desse modo, grande quantidade de mercadorias proibidas adentra clandestinamente no país e estas só podem ser apreendidas pelas autoridades fiscais e policiais, quando já estão em zona secundária. Conjugando os dois tópicos, percebese que as autoridades somente possuem condição de precisar o fator temporal do contrabando, em geral, quando a descoberta do delito ocorre em zona primária. Após esse momento, o elemento "quando" se torna uma incógnita. Porém, repisese, incógnita esta gerada pela própria prática do delito, pois a ocultação desse elemento é essencial para a realização do contrabando. Em realidade, o poder público apenas toma conhecimento da existência de determinada mercadoria proibida no país no exato momento de sua apreensão. Dessarte, a alegação de que "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior " se constitui uma afronta ao Princípio Nemo auditur propriam turpitudinem allegans (Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza), pois esconder o momento da entrada no país do bem proibido é elemento essencial para a prática do delito e, logo, perpetrado pelos próprios envolvidos na operação. Assim, aqueles que fazem ou se beneficiam de algo incorreto ou em desacordo com as normas legais não podem alegar tal conduta ou seus efeitos em proveito próprio. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 83 10 Com efeito, em casos de apreensão de bens proibidos em zona secundária, devese ter em conta que o ônus da prova necessita ser invertido pela impossibilidade do Poder Público precisar o momento da entrada dessas mercadorias no país. Cabe ao infrator, que deu causa a essa impossibilidade, então, provar quando a importação irregular ocorreu. No presente caso concreto, o material proibido apreendido se encontrava em operação em zona secundária, logo, caberia ao sujeito passivo provar em que momento a importação sucedeuse. Para tanto, o recorrente juntou notas fiscais e laudo técnico a fim de comprovar não ser o proprietário das mercadorias e, além disso, que a importação teria acontecido em data anterior à vigência da Lei 10.833/2003. Como já consignado anteriormente, tais documentos não estão aptos a provar que os bens apreendidos se encontram inseridos naquela DI. Desse modo, por absoluta conseqüência lógica, também são incapazes de demonstrar quando, de fato, a importação dos produtos apreendidos ocorreu. Assim, resta claro que o recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. Considerando que a apreensão aconteceu cerca de 3 anos após a alteração do art. 107 do DecretoLei nº 37/66, que os bens apreendidos, por serem de importação proibida, a princípio, foram introduzidos no país por contrabando e que o recorrente não conseguiu comprovar que a importação irregular ocorreu em data anterior à vigência da lei que instituiu a multa em questão, entendo ser aplicável a penalidade pecuniária ao presente caso. Porém, tendo em vista a complexidade do tema, creio ser oportuno desenvolver outros aspectos. Quanto à data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, como já mencionado, creio ser o dia da apreensão dos bens proibidos, pois este foi o exato momento que o Poder Público pode tomar ciência da ocorrência da importação ilegal. Entretanto, existe outra tese jurídica que também não socorre o recorrente. Por essa tese, a Administração Fazendária deve considerar a data de aplicação da pena de perdimento dos bens proibidos apreendidos como a precisa data da ocorrência da infração. Transcrevese ementa do Acórdão 544623/CE de 29/11/2012 da 1ª Turma do TRF5, que teve como Relator o Desembargador Federal Francisco Cavalcanti: ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. MÁQUINAS "CAÇANÍQUEIS". PERDIMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. 1. Hipótese em que o MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido inicial, qual seja, "declarar nula a multa aplicada ao autor, pela inexistência de qualquer prova que o indicie como agente responsável pela importação das máquinas caçaníquel encontradas em seu poder" ou, alternativamente, "declarar a nulidade do auto de infração, em face da fundamentação legal deste embasarse em lei posterior ao fato gerador". 2. "Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 84 11 bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105" (art. 107, VII, "b", do DecretoLei nº. 37/66). 3. "As máquinas caçaníquel objetos de importação no caso ora em comento são, indubitavelmente, mercadorias estrangeiras atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tendo sido o autor responsabilizado pela prática de contravenção penal, haja vista que explorava em sua atividade comercial tais produtos de procedência estrangeira" (trecho extraído da sentença). 4. Como bem ressaltou o MM. Juiz sentenciante, "nos termos dos arts. 94 e 95, I, c/c o art. 107, VII, "b", todos do DecretoLei 37/66, a responsabilidade administrativa e a conseqüente aplicação da multa não se erige apenas em relação ao importador da mercadoria, mas também àquele que, direta ou indiretamente, aufere benefícios decorrentes da entrada ou da permanência do produto irregular, independentemente da intenção (elemento subjetivo). É indiscutível, pois, a existência do nexo causal entre a importação do bem ilegal e o fato gerador do auto de infração, culminando na responsabilidade administrativotributária". 5. Não houve aplicação retroativa de lei ao presente. Isso porque, de acordo com o art. 714, parágrafo único, do Decreto nº. 6759/09, a multa prevista no art. 107, VII, do Decreto Lei 37/66 (com a redação dada pela Lei 10.833/2003) somente incide no final do processo relativo à aplicação da pena de perdimento, que, in casu, deuse em 28/01/2009. É precisamente nesta data que a Administração Fazendária considera ocorrida a infração. 6. Em relação à condenação do apelante ao pagamento de custas e de honorários advocatícios, a interpretação do art. 12 da Lei n.º 1.060/50, mais consentânea com os fins sociais, impostos pelo art. 5º da LICC, não permite que os processos perdurem suspensos por longo tempo, aguardando que a parte adquira capacidade financeira para saldar as custas e honorários advocatícios de processos julgados. 7. Ademais, a previsão constitucional do direito à assistência judiciária gratuita (art. 5º, LXXIV, da CF/88) não impõe a condição prevista na Lei n.º 1.060/50. 8. Por ser o apelante beneficiário da justiça gratuita, não deve ser condenado ao pagamento de honorários advocatícios, nem tampouco ao de custas. 9. Apelação parcialmente provida. (grifo nosso) Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 85 12 Outro tópico importante a ser ponderado referese ao momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho. Doutrina e jurisprudência desenvolveram, ao longo do tempo, uma classificação dos crimes quanto ao momento consumativo. Baseado nos ensinamentos do Professor Damásio Evangelista de Jesus, podese ter uma visão esquemática dessa classificação. Os crimes se dividiriam, então, em 4 tipos, segundo o momento consumativo: a) Instantâneos; b) Instantâneos de efeitos permanentes; c) necessariamente permanentes; d) eventualmente permanentes. Os crimes instantâneos são os que se completam em um só momento. A consumação se dá em um determinado instante, sem continuidade temporal. Já nos crimes instantâneos de efeitos permanentes temos que eles se caracterizam pela índole duradoura de suas conseqüências. A permanência dos efeitos não depende do agente. Os crimes permanentes são os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. Podese dizer que o momento consumativo se protrai no tempo. Contudo, devese distinguir os necessariamente permanentes dos eventualmente permanentes. No crime necessariamente permanente, o prolongamento da conduta está contido na norma como elemento do crime. No eventualmente permanente, o crime é tipicamente instantâneo, mas prolongase sua consumação, isto é, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Quanto aos crimes de contrabando e descaminho, a jurisprudência encampou diversas teses, como se percebe nos Acórdãos seguintes: Instantâneo de efeito permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 13.767PR (95.002445001) Relator: Ministro Vicente Cernicchiaro EMENTA CC. Constitucional. Penal. Processual Penal. Competência. Descaminho. O descaminho (CP art. 334, caput) é crime instantâneo de efeito permanente. Não se confunde com o crime permanente. A consumação ocorre no local em que o tributo deveria ser pago. Pouco importa o local da apreensão da mercadoria. (grifo nosso) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 86 13 Permanente: HABEASCORPUS Nº 2005.01.00.0703677/MG Processo na Origem: 200538030048563 RELATOR:O EXMO. SR. JUÍZ TOURINHO NETO PROCESSO PENAL. HÁBEAS CORPUS. CRIME DE DESCAMINHO. CONSUMAÇÃO. LOCAL DE APREENSÃO DA MERCADORIA. COMPETÊNCIA. 1. O crime de descaminho é permanente, protraindose sua consumação até o momento de apreensão, se não foi apreendida quando da entrada da mercadoria em território nacional. 2. A competência para o processo e julgamento do crime de descaminho é determinada pelo lugar em que se deu a apreensão da mercadoria, ainda que o auto de apreensão e a lavratura do auto de prisão em flagrante tenhase dado em outro lugar, sede de Seção Judiciária diversa da que foi apreendida a mercadoria. (grifo nosso) Eventualmente permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 11.067PR (94.0321821) Relator: Ministro Adhemar Maciel EMENTA Processual Penal. Conflito de competências. Descaminho. Crime eventualmente permanente. Volta aos precedentes antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n 4.184 e CC n. 7.9497). Competência do juízo da prisão. I Mercadoria estrangeira, provavelmente adquirida no Paraguai, foi apreendida em S. Paulo. O juiz federal de S. Paulo, por entender que o crime se consumou no momento em que a mercadoria entrou no território nacional (Paraná), remeteu os autos ao juiz federal de Foz do Iguaçu, que suscitou o conflito. II Aplicável é o art. 71 do CPP. In casu, o crime (descaminho) pode ser classificado de “eventualmente permanente”. Assim, a competência se firma pela prevenção. Volta aos precedentes Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 87 14 antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n. 4.184 e CC n. 7.9497). III Conflito conhecido. Competência do juízo da prisão (3ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado de S. Paulo, o suscitado). (grifo nosso) Além do interesse teórico, a diferenciação entre crimes instantâneos e permanentes tem especial importância na determinação de inúmeras questões processuais, tais como a prescrição, o flagrante, a legítima defesa, o concurso de agentes, a competência territorial e, de grande relevância ao caso ora analisado, a sucessão de leis. Dessa maneira, tomese, por exemplo, a determinação da competência, regulada no Código de Processo Penal do art. 69 ao art. 91. Transcrevese os arts. 70 e 71 que esclarecem essa questão quanto ao momento consumativo: Art.70.A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. §1oSe, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. §2oQuando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. §3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. Art.71.Tratandose de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. (grifo nosso) Pela análise do disposto no diploma legal retrocitado, constatase que, nos crimes instantâneos, a competência será do Juízo do local onde foi praticada a infração, porém, em se tratando de crimes permanentes, a competência será firmada pela prevenção. Ora, no caso dos crimes de contrabando e descaminho, devido às várias teses jurídicas existentes, estabeleceuse uma enorme divergência sobre o assunto da competência, o Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 88 15 que levou o Judiciário a encarar, por diversas vezes, a suscitação do conflito de competência. Por esse motivo, o Superior Tribunal de Justiça STJ fez editar a Súmula nº 151 com o intuito de pacificar a orientação sobre a matéria: Súmula STJ nº 151: A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho definese pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens. Assim sendo, embora a celeuma versasse sobre a determinação da competência, a partir da publicação da Súmula nº 151, devese conceber que o STJ firmou entendimento que os crimes de contrabando ou descaminho são crimes permanentes, pois, se fossem crimes instantâneos, a competência necessariamente seria do Juízo do local onde ocorreu a entrada irregular da mercadoria. Como já mencionado, os crimes eventualmente permanentes são tipicamente instantâneos, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Dessa forma, entendo que uma diferenciação plausível, que considere tanto a doutrina, como o posicionamento do STJ, é que os crimes de contrabando e descaminho são instantâneos, quando as mercadorias se destinam para uso próprio, isto é, sem nenhum intuito comercial, porém, quando tal intuito está presente, devese considerálos crimes permanentes. Tendo em vista o entendimento do STJ, a questão processual relacionada à sucessão de leis se clarifica: Nos crimes de contrabando ou descaminho, considerados crimes permanentes, se aplica a legislação vigente à época da apreensão das mercadorias contrabandeadas ou descaminhadas. Então, no caso concreto, no qual a destinação para utilização econômica do bem contrabandeado é evidente, aplicase a legislação vigente na data da apreensão, 22/02/2006, por se tratar de crime permanente. Desse modo, por qualquer dos vieses analisados sobre a questão, entendo não existir erro material e, por conseguinte, estar correta a decisão da instância a quo, isto é, ao caso, aplicase a multa administrativa introduzida pela Lei 10.833/2003. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 89 16 Declaração de Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Esta declaração de voto se faz necessária pois, em virtude da rica argumentação do conselheiro relator, aprofundei o estudo da matéria e acabei por mudar a posição que vinha adotando: passo a acompanhálo e a negar provimento ao recurso voluntário nos litígios desta natureza. Contudo, o principal fundamento da minha decisão reside em ponto diverso, do que resulta imprescindível a explanação que se segue. Em julgamentos anteriores, diante de mesma situação fática e de recursos voluntários nos quais foram apresentados exatamente os mesmos argumentos, posicioneime a favor do contribuinte, tendo como justificativa o fato de nunca haver sido determinado se a entrada da mercadoria no país se deu antes ou depois da publicação da Lei nº 10.833/2003. Para esclarecer esse posicionamento, transcrevo a ementa do Acórdão nº 3002000.111, de julgamento recente nesta Turma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário Provido.(grifado) Transcrevo, ainda, o final do voto desse mesmo Acórdão, de relatoria da conselheira Maria Eduarda Simões. Pelo texto fica claro qual aspecto prevaleceu, dentre aqueles favoráveis ao contribuinte, para fins de definição do posicionamento majoritário da Turma: Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 90 17 dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. (grifado) É certo que se está diante de tema polêmico, mas nas decisões a que tive acesso, tanto no Carf como na DRJ, nunca se questionou um dos principais fundamentos da defesa: que a fiscalização não fez prova da entrada da mercadoria posteriormente à publicação da Lei nº 10.833/2003, que teria instituído a penalidade de que trata o auto de infração. Tal situação geraria dúvida insanável sobre a possibilidade de aplicação da multa, prevista no art. 107, inciso VII, alínea “b” do DecretoLei nº 37/1966 da seguinte forma: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Entretanto, o estudo do histórico da legislação nos mostra que esta multa sempre existiu, desde a publicação do DecretoLei em 1966, cabendo à Lei apenas a reorganização do texto e a atualização do seu valor em 2003. Se não, vejamos o DecretoLei em sua redação original: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. Art. 107. Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I De Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco em embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; II De Cr$ 50.000 a Cr$ 100.000 (cinqüenta mil cruzeiros a cem mil cruzeiros), pela saída da embarcação ou outro veículo, sem estar autorizado; III De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por volume, na hipótese do artigo 102, pela falta de manifesto ou documento de efeito equivalente ou ausência de sua autenticação, ou, ainda, falta de declaração quanto à carga; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 91 18 IV De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por infração dêste Decretolei e ao seu regulamento, para a qual não seja prevista pena específica. Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) Pela transcrição acima, vêse que originariamente a multa não constava do art. 107, mas estava em artigo próprio, o art. 109. Percebese também que há um pequeno problema na redação do art. 109. Ele determina a aplicação de multa ao responsável pela infração do art. 105, mas, quando se retorna ao art. 105, vêse que não há um ato, expresso, a ser penalizado – o art. 105 diz apenas que será aplicada a pena de perdimento à mercadoria estrangeira atentatória à moral. Da forma como se encontra, pode ser entendido que a multa se aplica ao ato de importar ou portar ou, mesmo, consumir a mercadoria proibida. Ao longo do tempo o art. 109 não foi alterado, sofrendo apenas atualização em decorrência da mudança da moeda de cruzeiro para real. Aplicouse a conversão definida em lei para todos os valores expressos em cruzeiro, o que resultou em uma multa de valor irrisório, conforme se constata na redação do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 4.543/2002: Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). (grifado) Compreendida a situação anterior, concluise que coube à Lei nº 10.833/2003 tão somente o agrupamento das multas de valor fixo no art. 107 (combinado com a revogação do art. 109), a alteração do valor da multa para adequála à realidade e a tentativa de correção do pequeno defeito na redação original do art. 109. Assim, tínhamos originariamente, em 1966, a seguinte redação: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 92 19 Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) E passamos para a redação abaixo, após as alterações promovidas em 2003, donde se conclui que a multa já vigia há 40 anos quando a fiscalização lavrou o auto de infração: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: VII de R$ 1.000,00 (mil reais): b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; (...) Art.109. No caso do inciso XIX do art.105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifado) Superada a questão temporal ou, dito de outra forma, diante da certeza de que o DecretoLei previa a aplicação de multa ao responsável pela infração desde a sua publicação em 1966, entendo que cai por terra a discussão sobre retroatividade da lei ou sobre a definição da data a ser considerada para fins de aplicação da multa, se da apreensão ou da lavratura, não restando qualquer óbice para a sua aplicação, uma vez atendidas as demais condições. Quanto ao segundo pilar da defesa, ilegitimidade passiva e não participação do recorrente no ato de importação, entendo ter sido suficientemente desenvolvido pelo conselheiro relator, com o qual concordo integralmente. Em resumo, a multa se aplica ao contribuinte porque ele se beneficiou da importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral. Tratase de responsabilidade objetiva, independente da intenção, da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato – arts. 94 e 95 do DecretoLei nº 37/1966. Pelos motivos expostos nesta Declaração de Voto, entendo por correta a autuação, destituída do vício alegado, motivo pelo qual deve ser mantido o crédito tributário. É como voto. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 93 20 Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos trazidos pelo Relator em seu voto, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir delineados. Como é de conhecimento desta turma julgadora, eu já tive a oportunidade de me manifestar sobre esta matéria anteriormente. É o que se pode verificar, exemplificativamente, do conteúdo do Acórdão nº 3002000.104. Naquela oportunidade, manifesteime no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, por entender que o auto de infração combatido apresentavase nulo. As razões ali apresentadas encontramse transcritas a seguir: Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontra se expressamente descrito como sendo a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 94 21 portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. Nesse mesmo sentido já manifestou o Julgador da DRJ Joaquim Jerônimo da Silva Filho (vide decisão proferida nos autos do Proc. nº 10675.003264/200630), cujo entendimento restou vencido naquela oportunidade pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 95 22 Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 96 23 De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 97 24 Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 98 25 Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 99 26 comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Sobre o tema, também já se manifestaram Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicou lhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 100 27 vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 101 28 nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 102 29 Como se vê, no voto acima transcrito, concluí pela nulidade do auto de infração combatido, embasada, primordialmente, no fato de que não seria possível, através da análise do auto de infração, confirmar a aplicabilidade no tempo da penalidade ali indicada. E, naquela oportunidade, fui acompanhada pelos Conselheiros Diego Weiss e Larissa Girard, tendo apenas o Conselheiro Carlos Alberto Esteves divergido do voto de minha relatoria, ali apresentado. No presente caso, é o Conselheiro Carlos Alberto Esteves quem, na qualidade de relator, apresenta as suas razões de decidir. Porém, guardada a devida vênia aos fundamentos ali apresentados, entendo que estes não abalam a conclusão a que cheguei quando do julgamento do Acórdão nº 3002000.104. A uma porque entendo equivocada a conclusão no sentido de que a data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, seja o dia da apreensão dos bens proibidos. Quanto a este ponto, a norma é clara ao dispor como infração punível com multa a "importação da mercadoria estrangeira (...)". A duas porque entendo descabida a análise do momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho, para fins de considerálos como crime permanente. Isso porque, a norma não descreve como infração punível o contrabando ou descaminho, mas, repisese, dispõe que a multa será imposta pela "importação de mercadoria estrangeira (...)", sendo esta aferível em um momento certo, preciso e específico. De outro norte, é válido mencionar que em sessão de julgamento realizada em junho de 2018, a Conselheira Larissa Girard esclareceu que, ao estudar melhor o assunto, chegou à conclusão diversa da outrora apresentada. Fundamentou o seu entendimento no fato de que, antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, a legislação pátria já possuía outras normas que impunham multa pela infração em questão, quais sejam, Decreto nº 91.030/1985 e Decreto nº 5.453/2002, in verbis: Decreto nº 91.030/1985 Art. 514 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria (Decretolei nº 37/66, art. 105, e Decretolei nº 1.455/76. art. 23, IV, e parágrafo único): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem pública. Art. 525 No caso do inciso XIX do artigo 514, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de quarenta e quatro mil cruzeiros (Cr$ 44.000) (Decretolei nº 37/66. art. 109). Decreto nº 5453/2002 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 103 30 refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). Entendo, contudo, que os novos fundamentos, trazidos a julgamento pela ilustre Conselheira, tampouco abalam a conclusão a que cheguei anteriormente quando do Acórdão nº 3002000.104. A uma, porque é certo que o auto de infração combatido exigiu a multa objeto da Lei nº 10.833/2003, e não as multas exigidas pelos Decretos nº 91.030/1985 e 5.453/2002, que são distintas (Cr$ 44.000 e R$ 18,24, respectivamente). A duas porque as penalidades dispostas nos referidos decretos não possuíam o mesmo núcleo da infração ora analisada, visto que deveriam ser aplicadas "ao responsável pela infração", ao passo que a penalidade disposta na Lei nº 10.833/2003 dispõe que a penalidade deverá ser aplicada pela "importação de mercadoria estrangeira (...)". Até porque, penso que as penalidades descritas nos mencionados decretos não possuíam aplicabilidade, visto que impunham multas destinadas ao "responsável pela infração", sem precisar qual a infração a que estaria relacionada. A definição do núcleo infracional como sendo a "importação de mercadoria estrangeira" somente foi instituída pela Lei nº 10.833/2003, não podendo o seu conteúdo, portanto, ser aplicado retroativamente, atingindo importações ocorridas anteriormente à sua vigência. Nesse contexto, para que o auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização logre comprovar a ocorrência do fato gerador e o seu devido enquadramento na norma que impõe a penalidade descrita, inclusive no que tange ao seu aspecto temporal. Entendo, contudo, não ter a fiscalização de desincumbido do seu ônus no presente caso, o que torna nulo o auto de infração combatido. Ademais, é importante que se observe que a impossibilidade de confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada não foi o único fundamento que levou à nulidade do auto de infração. Da leitura da integralidade do voto ali proferido, verifica se que também fora apresentada como razão de decidir o fato de a fiscalização tampouco ter logrado comprovar o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada, não sendo possível, através do auto de infração, identificar, de forma precisa e fundamentada, a relação entre o fato jurídico e a hipótese de incidência. É o que se extrai das passagens a seguir colacionadas, extraídas do voto constante do Acórdão nº 3002000.104: De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. (...). No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.003168/200691 Acórdão n.º 3002000.209 S3C0T2 Fl. 104 31 concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. (...). Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade.(Grifos apostos). Sendo assim, com fulcro nas razões acima elencadas, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000965/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.782
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13770.000965/2001-12
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891798
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.782
nome_arquivo_s : Decisao_13770000965200112.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13770000965200112_5891798.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7390949
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586491912192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13770.000965/200112 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.782 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS PERANTE NÃO CONTRIBUINTE DO PIS/COFINS. Recorrente ARACRUZ CELULOSE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 09 65 /2 00 1- 12 Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 13770.000965/200112 Acórdão n.º 9303006.782 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.298, que, na parte de interesse, não reconheceu o direito de usufruir o crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes do PIS/Cofins. Mediante despacho de exame de admisssibilidade do Presidente da Câmara competente foi dado seguimento ao recurso especial no que tange ao mencionado direito (sobre aquisições de não contribuintes). A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.776, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13962.000237/200153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.776): "Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e as cooperativas. O tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 13770.000965/200112 Acórdão n.º 9303006.782 CSRFT3 Fl. 4 3 Por força regimental Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543 B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 13770.000965/200112 Acórdão n.º 9303006.782 CSRFT3 Fl. 5 4 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito a incluir, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1020DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14112.720968/2012-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO.
O direito de pleitear restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 1003-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.Votou pelas conclusões o conselheiro Sérgio Abelson.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO. O direito de pleitear restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14112.720968/2012-45
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894434
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.093
nome_arquivo_s : Decisao_14112720968201245.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 14112720968201245_5894434.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.Votou pelas conclusões o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7403356
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586494009344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14112.720968/201245 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.093 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ESTAÇÃO RODOVIÁRIA HEITOR EDUARDO LABURU LTDAEPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO. O direito de pleitear restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.Votou pelas conclusões o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão nº 0432.812, de 06.08.2013, da 2ª Turma DRJ/CGE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 72 09 68 /2 01 2- 45 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 14112.720968/201245 Acórdão n.º 1003000.093 S1C0T3 Fl. 3 2 Por economia processual e por entender estar bastante detalhado, utilizarei o relatório elaborado pela primeira instância administrativa, conforme abaixo: Tratase de Pedido de Restituição protocolado em 15/10/2012 (fls. 02/07), com base em suposto crédito de Simples Nacional oriundo de pagamento a maior, referente ao período de apuração julho/2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório SAORT nº 0233/2013, de indeferimento do pedido de restituição, em 03/05/2013 (fls. 26/28), limitando a análise aos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil – RFB, nos termos da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011. E com fundamento na IN/SRF nº 900/2008, então vigente, e no inciso I, do art. 165, e no inciso I, art. 168, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), indeferiu o pedido de restituição, por ter decorrido o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Cientificada do Despacho Decisório conforme intimação datada de 20/05/2013 (fls. 29) e recebida em 11/06/2013 (fls. 41), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/06/2013 (fls. 33/35), alegando, em síntese, que: a) não obstante o pedido inicial ter sido protocolado em 15/10/2012, conforme documento anexo já havia formulado em 01/09/2011 um primeiro requerimento administrativo de restituição do valor adimplido a maior em decorrência da DAS original ter sido gerada com perfil errado (PA 07/2007), para viabilizar posterior compensação de ofício com os débitos existentes; b) este primeiro requerimento interrompeu o prazo prescricional, nos termos do inciso IV, do parágrafo único, do art. 174 do CTN. A manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/CGE, conforme fundamentos abaixo: (...) O requerimento citado pela contribuinte foi juntado às fls. 36. Como se pode ver no documento protocolado em 01/09/2011 (fls. 36), a contribuinte, ao ser cobrada do débito de Simples Nacional do mês de julho/2007, no valor de R$ 21.757,84, e vencimento em Processo 14112.720968/201245 Acórdão n.º 0432.812 DRJ/CGE Fls. 46 3 15/08/2007, através do Termo de Intimação nº 100000006188447, de 02/07/2011, informou que o débito fora quitado através de Guia DAS paga em 14/08/2007, no valor de R$ 27.242,70. A resposta à intimação para cobrança de débito não pode ser aceita como um requerimento de restituição ou como pedido administrativo para viabilizar posterior compensação de ofício, como afirmou na manifestação de inconformidade, pois os pedidos de restituição/compensação devem obedecer aos regramentos estabelecidos em legislação própria. (...) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 14112.720968/201245 Acórdão n.º 1003000.093 S1C0T3 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário repetindo os fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Defende a Recorrente que a petição apresentada à Receita Federal em setembro de 2011, na qual a mesma requer a baixa do Termo de Intimação nº 100000006188447, em razão de pagamento do imposto relativo ao Simples Nacional de 07/2007, é prova suficiente de que o prazo prescricional para o pedido de restituição do valor pago a maior estaria interrompido. Inicialmente, importante destacar que, conforme art. 156 do CTN, são formas de extinção do crédito tributário a prescrição e a decadência. Quanto ao pagamento indevido, o CTN destaca o seguinte: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Logo, vêse que o CTN consagrou a possibilidade do sujeito passivo requerer a restituição total ou parcial, caso tenha efetuado pagamento indevido ou a maior que o devido. Para tanto, conforme artigo 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, vide abaixo: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 14112.720968/201245 Acórdão n.º 1003000.093 S1C0T3 Fl. 5 4 II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. O Código Tributário Nacional, segundo artigo supra, estabelece que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, prazo este decadencial, uma vez que o direito de pleitear administrativamente a restituição configurase direito potestativo. Cumpre esclarecer que o direito à restituição iniciase na data do pagamento indevido, bem como o prazo para pleitear essa restituição. O termo inicial – data do pagamento indevido – aplicase àqueles casos em que o sujeito passivo tenha pago indevidamente de maneira espontânea, por algum tipo de erro. Nessa situação, a lógica de o prazo fluir desde a data do pagamento indevido está no fato de o pedido ser viável desde então. Ou seja, desde que o correu o pagamento indevido, já era possível, ao contribuinte, requerer sua restituição junto ao órgão fazendário, eis que o valor indevido já podia ser assim considerado de pleno direito. Assim, quem pagou tributo indevido tem, num primeiro momento, o direito assegurado por lei à restituição (art. 165 do CTN) e, em seguida, o prazo de 5 (cinco) anos para o exercício desse direito (pedir restituição), sob pena de ele extinguirse (art. 168 do CTN). Verificase, pois, que as citadas normas do CTN se conformam à noção de decadência, tendo Aliomar Baleeiro anotado, a respeito das mesmas, que o "prazo do art. 168 é de decadência e, portanto, não pode ser interrompido" (DireitoTributário Brasileiro, 10. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 570). Com efeito, o art. 168 do CTN não trata da prescrição, vez que a extinção é do próprio direito e não da ação para exercêlo. Dessa forma, entendese ser o caso dos presentes autos de decadência e não de prescrição e, por conseguinte, não se interrompe. Contudo, em razão de eventual confusão doutrinária quanto a ser prescrição ou decadência o prazo estabelecido no art. 168 do CTN, por cautela, verificarseá, se, de fato, poderia ser considerada eventual suspensão de prescrição no caso dos autos. A interrupção de eventual prescrição por força do inciso IV do parágrafo único do art. 174 do Código Tributário Nacional tem como característica a realização de qualquer ato que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Um bom exemplo é a inclusão da dívida decorrente de crédito tributário em parcelamento. Isso porque o pedido de parcelamento do crédito tributário é obrigatoriamente acompanhado da confissão de dívida pelo contribuinte. Ocorre que, nos presentes autos, a petição acima mencionada limitase a informar o pagamento do valor do tributo e entendese não ser essa petição, em razão do seu conteúdo, suficiente para interromper prazo prescricional para requerimento de restituição/compensação. A petição, ao contrário do que alega a Recorrente, não faz qualquer pedido relativo à restituição do valor. A Recorrente limitase apenas a responder a uma intimação, não há informação de existência de processo administrativo, não há informações quanto ao tempo de resposta, ou mesmo se houve uma resposta à referida petição, fatos que deveriam ter sido Fl. 68DF CARF MF Processo nº 14112.720968/201245 Acórdão n.º 1003000.093 S1C0T3 Fl. 6 5 comprovados pela Recorrente, haja vista estar sendo discutida nos autos eventual interrupção de prazo. Sendo assim, entendo ser o prazo estabelecido no art. 168 do CTN decadencial. Não obstante tal posicionamento, com base nas provas carreadas aos autos, entendo correta a decisão da DRJ. Isto posto, voto pelo indeferimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001231/93-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO FISCAL- Por haver nos autos, equívoco intransponível maculando o disposto no inciso LV do Artigo 5º da CF/88 que garante ao processo administrativo o contraditório
e a ampla defesa, deve ser mantido o Acórdão recorrido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.027
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200105
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO FISCAL- Por haver nos autos, equívoco intransponível maculando o disposto no inciso LV do Artigo 5º da CF/88 que garante ao processo administrativo o contraditório e a ampla defesa, deve ser mantido o Acórdão recorrido.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10410.001231/93-07
conteudo_id_s : 5897384
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/02-01.027
nome_arquivo_s : Decisao_104100012319307.pdf
nome_relator_s : Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
nome_arquivo_pdf_s : 104100012319307_5897384.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
id : 7409247
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586498203648
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T04:51:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T04:51:12Z; Last-Modified: 2009-07-07T04:51:12Z; dcterms:modified: 2009-07-07T04:51:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T04:51:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T04:51:12Z; meta:save-date: 2009-07-07T04:51:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T04:51:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T04:51:12Z; created: 2009-07-07T04:51:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-07T04:51:12Z; pdf:charsPerPage: 1200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T04:51:12Z | Conteúdo => , ni= MINISTÉRIO DA FAZENDA: n '"-; CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n°. . 10410.001231/93-07 Recurso n°. : RD/108-0 089 Matéria : COFINS Recorrente : : FAZENDA NACIONAL Interessada : TV GAZETA DE ALAGOAS LTDA Recorrida 8a CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 21 DE MAIO DE 2001 Acórdão n°. * CSRF/02-01.027 PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO FISCAL- Por haver nos autos, equívoco intransponível maculando o disposto no inciso LV do Artigo 50 da CF/88 que garante ao processo administrativo o contraditório e a ampla defesa, deve ser mantido o Acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • ON PER .- -rfo RIG PRESIDENT amee / FRANCI - -. QU 'QUE SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 22 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SERGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO. Processo n°. : 10410.001231/93-07 Acórdão n°. : CSRF/02-01.027 Recurso n° : RD/108-0.089 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Às fis. 128, Acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho, acolhendo a unanimidade, preliminar de nulidade da Decisão de primeiro grau, porque comportando proferição de outra na boa e devida forma, em razão de haver desprezado os fundamentos da exigência fiscal. Às fls. 134/135 a Fazenda Nacional interpõe Recurso de Divergência, com base no fato de que o Acórdão da Oitava Câmara tendo acatado razões aditivas (fis. 111/117) ao Recurso Voluntário desconsiderou o princípio do prequestionamento. Traz como Acórdão paradigma o de n. 101-90.453 de 14.11.96, confirmando a preclusão quanto novos argumentos são trazidos à fase recursal. Alega ainda que o Acórdão combatido não traz os fundamentos que levaram os julgadores em segundo grau, a conhecer de tais razões aditivas, ficando implícito que o eminente Relator pretendeu estender ã espécie as justificativas alinhadas no processo referente a exigência do IRPJ. Às fls. 144/146 Razões da Fazenda Nacional reafirmando não ser lícito conhecer de razões aditivas ao Recurso Voluntário porque, além de terem sido oferecidas intempestivamente, contêm matéria não prequestionada tanto na Impugnação quanto no Recurso. Continua afirmando que a defesa da Autuad= foi específica porque levantou nulidades, suscitou pontos que considerou relevante- e silenciou quanto a iilt outros, não podende ser considerado o fecho da peça impug , 'ria vez que totalmente abrangente como eficaz contra todos os pontos da acusà....joutütk, ---........ ( ___ Processo n° 10410..001231/93-07 Acórdão n° CSRF/02-01 027 Diz ainda que a Decisão de segundo grau interpreta com rigidez extrema o direito de defesa Às fls 147/148, Despacho n 108-0 007/98, alegando que a despeito de a Decisão haver sido proferida pela Oitava Câmara, a mesma não tem competência para examinar recursos interpostos em processos fiscais de exigência da COFINS, quando originária de processo autônomo, como é o caso e encaminha o processo ao Segundo Conselho Às fls 154, Despacho n 202-0.267 admitindo o Recurso interposto e encaminhando-o à Repartição de origem para ciência do sujeito passivo com relação a admissibilidade do Recurso. Às fls 161/163, Contra —Razões de Recurso alegando que a Contribuinte foi autuada juntamente com todas as suas coligadas, em Ação Fiscal, tendo sido lavrados seis autos de infração para cada uma delas, sendo o espaço de trinta dias insuficiente para enfrentá-los, anexando documentos e produzindo provas contradizendo trinta e seis acusações Com base nesse argumento e na Portaria Ministerial n 260/95 (fls 162) é que produziu razões suplementares ao Recurso Especial Alega aiçlcia que a Decisão recorrida não podia ignorar a .,\preliminar invocada sob pen de levar-se adiante decisão nula, não prestando quaisquer efeitos legais e prop na pela manutenção do Acórdão recorrido , É o relata rio , _/--- 3 Processo n° .: 10410001231193-07 Acórdão n° : CSRF/02-01 027 VOTO FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Relator: É evidente que à época do Julgamento de Segunda Instância, o E. Primeiro Conselho tinha competência para o julgamento da COFINS, somente perdendo-a com o advento do Decreto n. 2.191/97. Trata-se de saber se às razões aditivas (fls. 111/117) farpeadas pelo Recurso de Divergência com alegações de serem extemporâneas e irregulares, estavam de alguma forma contidas na Impugnação e no Recurso Voluntário, ou não, e se o Acórdão combatido centrou-se, exclusivamente, nessas mesmas razões aditivas Disse-as extemporâneas porque quando de sua distribuição em 24.10.96, o processo já se encontrava incluído em pauta de Sessão que realizou-se em 12„11.96, o que se choca com o Regimento Interno — artigo 17, § 50 A Impugnação de fls. 29/57, que inaugura a fase litigiosa para todos os tributos objeto da Ação Fiscal, contém argüição preliminar de nulidade, segundo o entendimento de que na forma da autuação, os espaços destinados à numeração das páginas e dos autos, e bem como, as referências aos documentos que consubstanciaram a autuação, estão em branco, o que cerceia, além de ameaçar a validade do procedimento fiscal, a elaboração das defesas da Impugnante. O Recurso de fls.. 67/105, reitera a retificação doi i- uto de \ Infração, com base nas mesmas razões da peça impugnatória, em sede preli kquar. \\\ .._ As razões aditivas propugnam pela inconstitucionalida• e da legislação que ampara a COFINS e pela nulidade do Auto de Infraç5e, •or 4 Processo n° 10410,001231193-07 Acórdão n° CSRF/02-01 027 obscuridade na base de cálculo que constituiu o crédito tributário, porque sem esclarecimentos da forma como foi calculada a exigência e pela nulidade da Decisão Singular, uma vez que, a mesma entende ser este processo reflexivo, quando não existe registro de qualquer remessa a fatos ou razões que tenham originado um processo matriz e, finalmente, combate a TRD Diz, sem dúvidas, tratrar-se de processo autônomo porque claramente aponta a falta de recolhimento da COFINS O Voto do Ilustre Conselheiro Oscar Lafaiete de Albuquerque Lima, inquestionavelmente, centra-se no preciso fato de que o Julgador de Primeira Instância considerou este processo como reflexo e, admitiu o pleito da Recorrente no que diz respeito à nulidade da Decisão Nesse passo, reconheço impossível afirmar que a Decisão de guerreada foi induzida pelas razões aditivas, posto que, no transcorrer da formação dos autos, ficou pacificado não se tratar de processo reflexo, tanto que nas Razões do Recurso de Divergência nada é mencionado a respeito Assim, dotado como de fato é, o presente, das peculiaridades de processo autônomo, e tendo o Julgador Singular optado pelo entendimento de que é reflexivo, voto pela imprestabilidade da Decisão Monocrática, que não enfrentou as razões de Impugnação, acarretando cerceamento ao direito de defesa da Contribuinte, com ferimento ao disposto no inciso LV do Artigo 50 da Carta Política de 1988, mantendo na integralidade o is(Córdão recorrido Sala das SeS ões-bF, em 2 de maio dz 2 00 FRAN - é " LB • UERQUE SILVA 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000668/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO LEGAL PARA EXCLUSÃO..
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
Ao restringir o acesso a bolsa de nível superior apenas aos empregados com mais de 6 meses, descumpri a empresa o requisito legal previsto no art. 28, §9º, "t", impossibilitando a exclusão do benefício do conceito de salário de contribuição.
Numero da decisão: 9202-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO LEGAL PARA EXCLUSÃO.. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. Ao restringir o acesso a bolsa de nível superior apenas aos empregados com mais de 6 meses, descumpri a empresa o requisito legal previsto no art. 28, §9º, "t", impossibilitando a exclusão do benefício do conceito de salário de contribuição.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19740.000668/2008-87
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885591
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-005.758
nome_arquivo_s : Decisao_19740000668200887.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 19740000668200887_5885591.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
id : 7372812
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586533855232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000668/200887 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.758 – 2ª Turma Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria CS BOLSA DE ESTUDOS NÍVEL SUPERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO LEGAL PARA EXCLUSÃO.. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. Ao restringir o acesso a bolsa de nível superior apenas aos empregados com mais de 6 meses, descumpri a empresa o requisito legal previsto no art. 28, §9º, "t", impossibilitando a exclusão do benefício do conceito de salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 68 /2 00 8- 87 Fl. 1550DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301002.858, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração AI n° 37.179.4340, consolidado em 15/12/2008, no valor de RS 258.849,95, acrescidos de juros e multa, por ter o Contribuinte deixado de recolher a contribuição previdenciária devida e SAT sobre os valores pagos a segurados a título de Participação nos Lucros e Resultados (empregados), Reembolso Faculdade (empregados), Previdência Privada (empregados e diretores) e Prêmios (empregados e diretores), conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 145/165. Apresentada impugnação às fls. 371/407. A 10ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 1207/1219, julgou totalmente procedente o lançamento. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 524/561 (numeração manual), contra a decisão acima transcrita. Em seguida, apresentou petição às fls. 573/574, requerendo desistência parcial do recurso, mantendoo apenas no tocante às verbas pagas a título de PLR e Reembolso Faculdade, de modo que suas razões recursais podem ser resumidas às seguintes: 1) A previsão de pagamento de uma parcela fixa não contraria a legislação sobre o PLR, não tendo sido apurado pela fiscalização se a empresa auferiu lucro ou não para tal pagamento; 2) O requisito legal de que o PLR tem que ser precedido por negociação coletiva de trabalho entre empresa e empregados teria sido satisfeita pela Convenção Coletiva de Trabalho; 3) O art. 7º, XI da Constituição Federal é auto aplicável; 4) Os valores recebidos a título de PLR o foram eventualmente, recaindo na hipótese do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/1991; 5) O reembolso dos valores pagos aos empregados referente aos cursos de graduação e MBA enquadrase na hipótese contida no art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/1991, abrangendo, também, educação superior. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 10 3 A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1360/1370, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentiválos a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Fl. 1552DF CARF MF 4 Às fls. 1377/1394, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Salário indireto – educação: o acórdão recorrido entendeu que as contribuições previdenciárias não incidem sobre as bolsas de estudo de ensino superior concedidas. Contudo, os acórdãos paradigmas, analisando a mesma legislação de regência – Lei nº 8.212/91, em particular o art. 28, § 9º, alínea “t” – concluíram que a verba paga a título de bolsa de estudo em cursos de nível superior, possuem natureza remuneratória e como tal sujeitam se à incidência tributária; 2. Retroatividade benigna: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 1485/1492, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação às duas divergências propostas pela União. Intimado, o Contribuinte, às fl. 1504/1512, apresentou Contrarrazões, requerendo a manutenção do acórdão na parte recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração AI n° 37.179.4340, consolidado em 15/12/2008, no valor de RS 258.849,95, acrescidos de juros e multa, por ter o Contribuinte deixado de recolher a contribuição previdenciária devida e SAT sobre os valores pagos a segurados a título de Participação nos Lucros e Resultados (empregados), Reembolso Faculdade (empregados), Previdência Privada (empregados e diretores) e Prêmios (empregados e diretores), conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 145/165. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as seguintes divergências: 1. Salário indireto – educação e 2. Retroatividade benigna. 1. Salário indireto – educação a) Valores pagos a título de auxílioeducação (bolsa de estudo ensino superior); As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. O acórdão recorrido orienta a questão considerando que valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Independentemente desta argumentação esposada no voto da conselheiro relator do recorrido, a qual aproveita nova redação da Lei alterada apenas em 2008 com a nova redação dada pela L. 11.741 e que poderia ser considerada norma favorável e razão de legiferar do legislador que representa a vontade do Estado, registro o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos. Para dirimir esta questão me aproveito de alguns entendimentos veiculados no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue: Fl. 1554DF CARF MF 6 Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 12 7 ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... Fl. 1556DF CARF MF 8 § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 13 9 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Fl. 1558DF CARF MF 10 Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, bem como suas alterações legais, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas ao empregados, mesmo em se tratando se ensino superior. 2. Retroatividade Benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 14 11 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 1560DF CARF MF 12 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 15 13 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 1562DF CARF MF 14 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 16 15 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 1564DF CARF MF 16 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe parcial procedência. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 17 17 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a concessão de bolsa de estudos de ensino superior, sem cumprir o requisito legal de extensão a todos os segurados. CONCESSÃO DE BOLSA AOS ESTUDO NÍVEL SUPERIOR AOS EMPREGADOS Quanto a concessão de bolsa de estudos nível superior aos empregados, na forma como concedida, constituírem salário de contribuição, razão confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os Fl. 1566DF CARF MF 18 requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, assim como trazido pela ilustre relatora, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 18 19 segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração, determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Fl. 1568DF CARF MF 20 Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, vale ressaltar que corroboro em parte com o acórdão recorrido, especificamente sobre a possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como incluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". Senão vejamos: Do Reembolso faculdade Ao contrário do que afirmado pela fiscalização, a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados a título de auxílio educação compõe toda a educação, inclusive superior, pois se refere a curso de capacitação e qualificação Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 19 21 profissional, previsto no art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores em comento: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Além de estar previsto em norma expressa do texto legal, o intuito do legislador, de incentivar o custeio e investimento na capacitação da mão de obra, é também alcançado através do pagamento de cursos de especialização ou de graduação em nível superior. Este é o entendimento deste CARF, que já foi firmado no julgamento do Recurso Voluntário, cuja decisão transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 (...). BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EXCLUSÃO DE VALORES. Serão excluídos da base de cálculo da contribuição social previdenciária os valores pagos pelos empregadores a título de educação, estando incluídos cursos de graduação, pós graduação, de línguas estrangeiras, tendo em vista que esses estão destinados à capacitação profissional do trabalhador, não retribuindo os serviços prestados por esses. FPAS. REENQUADRAMENTO. Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, da IN SRP nº 03/2005, a RFB, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Recurso Voluntário Provido. (Recurso Voluntário 898318, processo 10166.721622/200982, Quarta Câmara, Segunda Seção de Julgamento, acórdão 2403000.611). Contudo, entendo que a falha na interpretação do relator do acórdão recorrido encontrase no seguinte fato: É bem verdade que a legislação exige que o benefício seja extensivo a todos os empregados da empresa. Contudo, não se tem notícia nos autos, até porque não apontado pela fiscalização, de que apenas parcela dos empregados e diretores tenha acesso. Deste modo, sendo omisso o relatório fiscal sobre este ponto, presume se que o contribuinte teria cumprido dita exigência, pois do contrário deveria ter havido a indicação expressa pelo Fl. 1570DF CARF MF 22 AFRFB. Assim, neste ponto, deve ser reformada a decisão recorrida. Embora a fiscalização tenha descrito em seu relatório fiscal dois pontos para efetivar o lançamento, quais sejam: a concessão de bolsas apenas aos empregados com no mínimo 6 meses na empresa, para o auditor a simples concessão de nível superior já era suficiente para determinar o descumprimento legal, o que não venho a corroborar entigralmente frente a possibilidade de serem considerados qualificação profissional. 5.2.2. O contribuinte foi então intimado mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD em 17/07/2008 a prestar informações sobre os critérios para o pagamento de reembolso faculdade no ano de 2004. 5.2.3. Em resposta a essa intimação foi informado que a bolsa de estudos era extensiva a todos os colaboradores para cursos técnicos, de 3 o grau e pósgraduação, desde que o colaborador tivesse completado no mínimo 6 meses de trabalho pela empresa. Além disso, foi apresentada tabela de benefício de bolsa vigente em 2004 (cópia em anexo, fls.2o3). 5.2.4. Foi também solicitado à empresa que fossem apresentados os documentos referentes aos pagamentos de Reembolso Faculdade. 5.2.5. Analisando os documentos apresentados, constatouse que os reembolsos referemse a cursos de graduação e MBA. Em anexo (fls. ) planilha discriminando os pagamentos feitos a esses empregados e os cursos a que o reembolso se refere. 5.2.6. Frente ao artigo 28 da Lei 8.212/91, transcrito no item 5.1, verificase que qualquer benefício concedido ao obreiro, sob qualquer denominação, é fato gerador de contribuição previdenciária, ante a amplitude da hipótese fenomênica. 5.2.7. Todavia, o § 9 o do artigo supramencionado traz hipóteses taxativas de não incidência dessa tributação. Dentre elas, a que interessa no caso presente: [...] 5.2.8. Dessa forma, a legislação previdenciária somente exclui do saláriodecontribuição as bolsas de complementação educacional que vise à educação básica, nos moldes da Lei 9.394/96, que no Título V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino, Capítulo I Da Composição dos Níveis Escolares estabelece: 5.2.9. Diante do dispositivo legal mencionado acima, concluise que a educação básica compõese tãosomente pela educação infantil, ensino fundamental e médio, não se englobando no conceito de educação básica o ensino superior (graduação/pós graduação/MBA), que é uma outra modalidade de educação escolar. (...) 5.2.10. Assim, não estando albergados na isenção concedida pela alínea "t" do § 9 o do art. 28 da Lei 8.212/91, os valores despendidos por empresa visando a custear o ensino superior de empregados realizam a hipótese de incidência lapidada no art. 28, I da mesma lei, na medida em que são montantes recebidos Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 19740.000668/200887 Acórdão n.º 9202005.758 CSRFT2 Fl. 20 23 pelos obreiros, perfazendo por si só a regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias, principalmente, porque a norma diz "pagos a qualquer título". Contudo, ao contrário do descrito no acórdão recorrido, entendo que a autoridade fiscal trouxe sim em seu relatório a informação de que os cursos não eram extensivos a todos, mas apenas aos trabalhadores com no mínimo 6 meses de prestação de seviços.Senão reprisemos: 5.2.3. Em resposta a essa intimação foi informado que a bolsa de estudos era extensiva a todos os colaboradores para cursos técnicos, de 3 o grau e pósgraduação, desde que o colaborador tivesse completado no mínimo 6 meses de trabalho pela empresa. Além disso, foi apresentada tabela de benefício de bolsa vigente em 2004 (cópia em anexo, fls.2o3). Se a legislação trabalhista e previdenciária considera tanto o trabalhador por prazo indeterminado como determinado como empregados desde o primeiro dis, não vejo como considerar que conceder o benefício a apenas trabalhadores com mais de 6 meses como "extensível a todos os empregados", razão pela qual DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, também nessa parte. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723279/2011-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10730.723279/2011-73
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885601
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.875
nome_arquivo_s : Decisao_10730723279201173.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10730723279201173_5885601.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7372822
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586556923904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 112 1 111 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.723279/201173 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.875 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINFRONIO LOPES DE SOUSA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 32 79 /2 01 1- 73 Fl. 112DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de lançamento para cobrança de Imposto de Renda devido pelo contribuinte em razão da suposta omissão de rendimentos caracterizado pelo recebido de honorários advocatícios decorrentes de ação judicial. No caso, houve uma decisão judicial que ordenou o pagamento de determinada quantia ao Contribuinte, tendo sido expedido alvará de levantamento em seu nome. Em sede de impugnação o contribuinte esclareceu: i) O falecido contribuinte JAMAIS recebeu tal quantia, em razão de um desfalque criminoso perpetrado dentro da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e do qual foi vítima pouco antes de morrer. A prova cabal disso é o documento datado de 02/08/2011, assinado pelo Gerente Geral da CEF LUIZ FELIPE MOREIRA CARRÍELO, matrícula 006.7808, devidamente anexado a este processo, e que contém os dados do PRECATÓRIO JUDICIAL do Sr, Sinfronio, disponíveis para saque na CAIXA, mas ainda não sacados. Além disso, anexase, ainda uma vez visto que já haviam sido entregues tais documentos por ocasião do Termo de atendimento cópia dos últimos movimentos da ação de execução fiscal 99.0031603 73000 (numeração antiga), na qual o juiz federal responsável pelo feito determina providências a serem tomadas em diversas esferas. O processo judicial encontrase atualmente concluso para sentença. ii) Ainda que o falecido contribuinte tivesse recebido o valor questionado pela RFB o que, efetivamente, jamais ocorreu é evidente que ele seria devidamente ISENTADO do pagamento de impostos sobre o quantum eventualmente percebido, pois era beneficiário da ISENÇÃO DE IR desde 01/12/2008 em razão de neoplasia grave, conforme preconizado pelas leis federais 7.713/88, 8.541/92 e 9.250/95, além da IN da SRF nº. 15, de 06.02.2001, |art. 5o , inciso XII. Referido laudo é, mais uma vez, anexado a esta IMPUGNAÇÃO, a exemplo do TERMO DE ATENDIMENTO já mencionado. O lançamento foi mantido pela Delegacia de Julgamento que, com base no art. 43 do CTN, concluiu pela ocorrência do fato gerador no momento da liberação do alvará de recebimento, independente do fato de ter havido fraude bancária que tenha impedido o efetivo recebimento da quantia pelo contribuinte. Concluiu ainda que por se tratar de rendimentos de atividade profissional não se aplicaria ao caso a isenção do art. 30 da Lei nº 9.250/95, pois esta alcança apenas os proventos de aposentadoria, reforma e pensão recebidos por portadores de doença grave. O contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando seus argumentos de defesa. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10730.723279/201173 Acórdão n.º 9202006.875 CSRFT2 Fl. 113 3 A 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte determinando o cancelamento do lançamento sob o entendimento de que inexiste fato gerador do tributo quando restar comprovado o não creditamento do respectiva valor em razão da ocorrência de fraude na instituição bancária pagadora. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2009 RECEBIMENTO DE VALORES DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DE QUE O FATO GERADOR NARRADO PELO FISCO SOMENTE OCORREU EM EXERCÍCIO POSTERIOR. CANCELAMENTO DO CRÉDITO. Comprovando o contribuinte que, em razão de fraude, deixou de receber os valores decorrentes de ação judicial, objeto de lançamento fiscal, e que o seu creditamento somente ocorreu em exercício posterior, devese cancelar o lançamento por inocorrência do fato gerador do IRPF. Recurso Voluntário Provido. Após a rejeição dos seus embargos de declaração, a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso Especial. Indicando como paradigma o acórdão 220100.844, a recorrente defende a manutenção do lançamento considerando como momento da ocorrência do fato gerador do IRPF a disponibilidade jurídica do rendimento, independente da sua disponibilidade econômica. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática entre os acórdãos recorridos e paradigmas. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Considerando as razões postas na peça de contrarrazões e cotejando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigmas, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. Conforme mencionado no relatório, a Fazenda Nacional requer a reforma do julgado sob o fundamento de que a mera expedição de 'alvará de levantamento', em favor do contribuinte para recebimento de honorários profissionais reconhecidos em decisão judicial, Fl. 114DF CARF MF 4 caracteriza a disponibilidade jurídica do rendimento e como tal representa o momento da ocorrência do fato gerador do IRPF, independentemente da verificação da respectiva disponibilidade econômica. O exame de admissibilidade assim concluiu quanto a divergência: Com efeito, em contextos fenomênicos semelhantes, as decisões em comento dissentiram a respeito dos efeitos da superveniência de evento externo que obsta a posse de fato da renda posta à disposição do Contribuinte pela fonte pagadora. Realmente, enquanto o Acórdão Recorrido pautouse por considerar como não ocorrido o fato gerador do Imposto de Renda no ano calendário de 2009, determinando o cancelamento do lançamento, o Acórdão Paradigma não reconheceu tal nulidade, decidindo que aquilo que vier a ocorrer em momento posteriormente à disponibilidade jurídica do rendimento é irrelevante para a caracterização do fato gerador, consagrando o entendimento segundo o qual “a aquisição da disponibilidade da renda ocorreu no momento em que fonte pagadora disponibilizou os rendimentos ao Contribuinte”. A partir de uma análise mais detida das decisões, não compartilho do entendimento de estarmos diante de situações fáticas suficientemente semelhantes para caracterização da divergência perpetrada pela União. A situação fática enfrentada pelo Colegiado a quo envolve a impossibilidade de recebimento de rendimento colocado, por ordem judicial, à disposição do contribuinte em agência bancária oficial exclusivamente pela ocorrência de conduta ilegal/fraudulenta de terceiros. Neste cenário o acórdão recorrido cancelou o lançamento por erro na descrição do fato gerador, pois lavrouse notificação para cobrança de IR relativo ao ano calendário de 2009, quanto o correto seria, se devido, lançamento abrangendo o ano de 2011, momento em que a fraude foi superada e a respectiva inventariante recebeu os valores. Vejamos a fundamentação do voto: Para a DRJ, o recorrente não teria comprovado a existência de fraude e o não creditamento no, anocalendário de 2009, dos valores decorrentes da ação judicial. O representante do espólio do contribuinte, por sua vez, junta documentos que, segundo ele, comprovam que ao final do processo judicial a Caixa Econômica Federal reconheceu a fraude e no anocalendário de 2011 disponibilizou a quantia corrigida. Diante do documento de fl. 53, Alvará de Levantamento nº ALR.00470000657/2011, emitido em 12/01/2011, o qual faz referência a Execução Fiscal n.° 99.00316037 e determina o pagamento da quantia de R$ 84.159,86 a Fátima Maria Lustosa Lopes de Sousa (inventariante do espólio do contribuinte), a única conclusão possível é que de fato se trata dos valores que deveriam ter sido recebidos pelo contribuinte no anocalendário de 2009 e que foram frustrados pela fraude perpetrada contra a Caixa Econômica Federal. Nesse sentido, verificase que de fato a disponibilidade econômica e jurídica tratadas no art. 43 do CTN somente veio a ocorrer, em relação à ação judicial tratada na notificação fiscal, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10730.723279/201173 Acórdão n.º 9202006.875 CSRFT2 Fl. 114 5 no anocalendário de 2011, motivo pelo qual o lançamento deve ser cancelado por erro na descrição do fato gerador. No acórdão paradigma o impedimento para o recebimento do valor pelo contribuinte se deu em razão de decisão judicial fundamentada e cujo objetivo era assegurar direitos de credores legítimos. Ou seja, neste caso, por meio de uma sucessão de ações legalmente previstas e para impedir que o contribuinte dilapidasse seu patrimônio a fim de frustrar o pagamento de títulos, procedeuse o bloqueio dos valores. O trecho do acórdão paradigma transcrito na peça recursal deixa clara a situação exposta: Da análise dos elementos carreados aos autos, verifico que os fatos, em síntese, são os seguintes: o Contribuinte deveria receber da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista rendimentos a título de locação, Por determinação judicial, contudo, estes valores foram bloqueados, tendo em vista ação trabalhista movida contra a empresa Cofarma da qual o Contribuinte foi tomado como sócio, fato que o mesmo nega. O que se observa é que, independentemente de ser ou não o Contribuinte sócio da empresa Cofarma e, portanto, de ser devido ou não o bloqueio dos alugueis que tinha a receber, o fato é que houve o pagamento dos referidos rendimentos, seguido do bloqueio dos recursos e, portanto, configurouse a aquisição da disponibilidade jurídica da renda. Aliás, a condição para haver o bloqueio dos recursos é o de o Contribuinte ter recursos a receber. Entendo que no acórdão paradigma o contribuinte teve, além da disponibilidade jurídica dos valores, também a disponibilidade econômica que só não foi exercida porque por determinação judicial aplicouse mecanismo de proteção ao direito de recebimento de créditos por terceiros. Neste caso, ao final do processo movido pelos credores, ou o contribuinte iria poder levantar o dinheiro ou iria perdêlo, mas em ambos os casos o valor já lhe pertencia. No caso ora analisado, se a fraude não tivesse sido solucionada, o contribuinte nunca teria a disponibilidade dos rendimentos tributados, razão pela qual o Conselheiro do acórdão recorrido entendeu que a incidência da hipótese normativa do IRPF somente se deu em 2011 com o recebimento do valor pela inventariante. Observamos, portanto, que a diferença entre os eventos externos impeditivos ao levantamento efetivo da quantia pelos respectivos contribuintes é de fato relevante para fins juízo de admissibilidade o que impede o estabelecimento da divergência pretendida. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 116DF CARF MF 6 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003418/2005-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa na fase que antecede a instauração do litígio, eis que é a partir da deflagração da controvérsia que é oferecido ao acusado prazo para contestar as imputações que lhe foram feitas. Contudo, ainda que assim não fosse, considerando o fato de que os documentos que serviram de suporte à argüição de um suposto cerceamento do direito de defesa foi disponibilizada no curso do procedimento de fiscalização, a alegação revela-se desprovida de lastro, motivo pelo qual, também por isso, não deve ser recepcionada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo controvérsia acerca do fato indiciário elencado pela lei na descrição da presunção de omissão de receitas, cabe ao contribuinte colacionar aos autos provas da não ocorrência do fato presumido. No caso vertente, em que a própria fiscalizada alega que os suprimentos ao CAIXA foram efetuados pelo sócio, o lançamento tributário só não subsistiria se restassem comprovadas a origem e a efetiva entrega dos recursos. MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa na fase que antecede a instauração do litígio, eis que é a partir da deflagração da controvérsia que é oferecido ao acusado prazo para contestar as imputações que lhe foram feitas. Contudo, ainda que assim não fosse, considerando o fato de que os documentos que serviram de suporte à argüição de um suposto cerceamento do direito de defesa foi disponibilizada no curso do procedimento de fiscalização, a alegação revela-se desprovida de lastro, motivo pelo qual, também por isso, não deve ser recepcionada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo controvérsia acerca do fato indiciário elencado pela lei na descrição da presunção de omissão de receitas, cabe ao contribuinte colacionar aos autos provas da não ocorrência do fato presumido. No caso vertente, em que a própria fiscalizada alega que os suprimentos ao CAIXA foram efetuados pelo sócio, o lançamento tributário só não subsistiria se restassem comprovadas a origem e a efetiva entrega dos recursos. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10840.003418/2005-53
conteudo_id_s : 5891476
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-001.015
nome_arquivo_s : Decisao_10840003418200553.pdf
nome_relator_s : Wilson Fernandes Guimarães
nome_arquivo_pdf_s : 10840003418200553_5891476.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 7390817
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586559021056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.250 1 1.249 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.003418/200553 Recurso nº 167.747 Voluntário Acórdão nº 130101.015 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente TETRACARGO TRANSPORTE INTERNACIONAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa na fase que antecede a instauração do litígio, eis que é a partir da deflagração da controvérsia que é oferecido ao acusado prazo para contestar as imputações que lhe foram feitas. Contudo, ainda que assim não fosse, considerando o fato de que os documentos que serviram de suporte à argüição de um suposto cerceamento do direito de defesa foi disponibilizada no curso do procedimento de fiscalização, a alegação revelase desprovida de lastro, motivo pelo qual, também por isso, não deve ser recepcionada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADOS. Inexistindo controvérsia acerca do fato indiciário elencado pela lei na descrição da presunção de omissão de receitas, cabe ao contribuinte colacionar aos autos provas da não ocorrência do fato presumido. No caso vertente, em que a própria fiscalizada alega que os suprimentos ao CAIXA foram efetuados pelo sócio, o lançamento tributário só não subsistiria se restassem comprovadas a origem e a efetiva entrega dos recursos. MULTA QUALIFICADA. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.251 2 Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.252 3 Relatório TETRACARGO TRANSPORTE INTERNACIONAL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões iniciais de defesa trazidas pela fiscalizada, reproduzo, a seguir, relato contido na decisão exarada em primeira instância. Conforme termo de verificação fiscal de fls. 44/50, o procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória encaminhada mediante o Ofício da Polícia Federal de Ribeirão Preto n° 1630/03 Cart. D/DPF.B/POR/SP (fl. 64). Tal demanda teve como escopo e objetivo principal a instrução do Inquérito Policial IPL 110570/03, originado do Procedimento Criminal n° 2003.61.2.014814 0, movida pela Justiça Pública, referente à denúncia realizada junto ao Ministério Público Federal, a fim de apurar eventual prática de crime contra a ordem tributária, tendo em vista que o sócio Sr. Cícero Dadalte, segundo denúncia feita pelas sócias Luciana Liza Nicoletti e Suprema Mercantil e Serviços Agropecuários Ltda. ME (fl. 99/110), estaria executando atividades paralelas isoladamente às oficiais da empresa, em nome da pessoa jurídica fiscalizada. Teria utilizado a conta bancária n° 800 33 301, do Banco Real, Ag. 0911, de titularidade da empresa, sem escrituração em seus livros contábeis e sem a anuência ou mesmo conhecimento dos demais sócios. De acordo com tal denúncia, o sócio denunciado estaria de posse de diversos talonários de notas fiscais falsos (fl. 99/110), assim considerados, tendo em vista que tais documentos, contrafeitos, apresentaram a mesma numeração de notas fiscais regulares, entregues junto ao requerimento para viabilizar o confronto. Tais documentos constam do Termo de Apreensão lavrado pelo Departamento de Polícia Federal Delegacia em Ribeirão Preto SP (fls. 65/71). Da ação fiscal resultaram constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e cuja origem não foi comprovada, efetuados na contacorrente 8000 33 301, Ag. 0911 do Banco Real S/A, aberta em nome da pessoa jurídica. A contribuinte deixou de contabilizar, declarar e recolher o respectivo IRPJ, relativamente aos trimestres do anocalendário 2002 e 1º, 2° e 3° trimestres do ano calendário 2003. 2. Omissão de receita da atividade, caracterizada por empréstimos efetuados por sócio à pessoa jurídica, sem a comprovação da efetiva entrega dos recursos e de sua origem (disponibilidade na pessoa física do sócio). A contribuinte mantinha registrado na conta caixa de seu livro razão nos anoscalendário de 2001 e 2002, empréstimos da pessoa física do sócio Sr. Cícero Dadalte. Sendo intimada a comprovar a origem dos recursos e a efetividade da entrega, não logrou fazêlo. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.253 4 Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração (AI) de fls. 05/16 para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e, em decorrência, o de fls. 17/24 para exigir a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); o de fls. 25/35 para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o de fls. 36/43 para exigir a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Foi aplicada a multa de oficio prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, II, sobre o valor do imposto relativo à infração de que trata o item 1 das infrações apontadas (150%) e a prevista no art. 44, I, da referida lei, sobre o imposto relativo à infração de que trata o item 2 (75%). Conforme consta do referido termo de verificação, foi aplicada a multa de 150%, pelo fato de a contribuinte, por meio do sócio Sr. Cícero Dadalte, ter deixado de contabilizar as receitas de comissão e prestação de serviços de agenciamento de fretes internacionais, utilizandose de conta bancária (Banco Real), cuja existência, fora ocultada, inclusive, dos demais sócios. Além disso, pelo fato de ter sido encontrado em poder de tal sócio, talonário de nota fiscal falsa, já que a numeração desse talonário corresponde aos mesmos números de talonário regular e existência de outras notas fiscais em desacordo com a legislação, que teriam sido emitidas com a intenção de reduzir ou evitar o pagamento de impostos. Por tais motivos, o Fisco considerou ter havido evidente intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964. O crédito tributário exigido corresponde a R$ 70.145,12, conforme abaixo discriminado, constituído com base nas disposições legais constantes dos respectivos autos de infração: [...] Ciente dos lançamentos em 09/12/2005, conforme se constata nos autos de infração, a contribuinte, legalmente representada (fl. 1178), ingressou em 09/01/2006 com a impugnação de fls. 1162/1177, na qual os refuta, em suma, sob as seguintes alegações: Preliminares • Deve ser declarada a nulidade do auto de infração, por violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. • A impugnante foi acusada de que seu sócio tinha a posse de notas fiscais falsas, mas em nenhum momento durante os procedimentos preliminares à lavratura do auto de infração, nem na juntada de eventuais documentos para comprovar a alegada falsidade na elaboração de talonário fiscal, foi intimada a apresentar ou justificar essa acusação, tampouco o Sr. Cícero Dadalte. Teve ciência dos supostos talonários falsos na ciência da autuação fiscal, no item "DO AGRAVAMENTO DA MULTA" no qual relatou o autuante que deixara de contabilizar receitas e teria utilizado notas fiscais falsas, com evidente intuito de fraude. • O direito de apresentar esclarecimentos sobre eventual acusação é uma garantia constitucional. Mérito Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.254 5 Depósito bancário e empréstimo de sócio • No que concerne às justificativas para tributar as diferenças de receitas, apuradas nos extratos bancários, não merecem prosperar. Sobre o item 1 do auto de infração OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS, restou comprovado, exaustivamente, que a conta movimentada no Banco Real tinha somente uma característica de conta meio, ou seja, as antecipações depositadas pelos clientes da impugnante foram repassadas à UTI DO BRASIL como forma de pagamento do serviço prestado. As operações que deram origem às receitas supostamente tributáveis não foram provadas pelo autuante, adotando, no caso em tela, a presunção. • A presunção não está inerente ao Direito Tributário. Conseqüentemente, qualquer auto não pode ser lavrado com base em atos ou fatos presumíveis, mas hão de ser provados por quem os alega. • A Constituição Federal é clara no sentido de que devem ser observados e obedecidos todos os princípios constitucionais, tais como o da legalidade, capacidade contributiva, vedação ao enriquecimento ilícito etc. • A tributação deve incidir sobre o sinal externo de riqueza do contribuinte, que nada mais é do que a base de cálculo do tributo, o real acréscimo patrimonial. Por não serem reais os valores tributados, as presunções constatadas no presente auto de infração são relativas, ilegais. • Não houve comprovação por parte do Fisco de que haveria imposto a recolher, decorrendo o procedimento fiscal de mera presunção, o que não é admitido em nosso direito, mesmo porque não havia imposto a recolher, pois a conta bancária usada é uma conta meio de repasse. • Não se tributa com lastro em dúvida, entendimento exposto no julgamento da Apelação Cível 263.6172/2 do Tribunal de Justiça de São Paulo. Se não quisesse o Fisco arriscar que se conclua desse modo, deveria ter diligenciado de forma a que, presentes os indícios de infração, não pudesse a parte escapar da necessária força da lei, a ser sempre exercida, mas com respeito aos princípios maiores. • Apesar da inexistência da omissão de receita, já que os valores dos depósitos foram repassados à UTI do Brasil e que cabe à autoridade administrativa provar a apontada omissão de receita, verificase do auto de infração que o autuante, inicialmente, adotou a forma de tributar com base no lucro presumido relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002. Todavia, no cálculo do valor devido relativo aos trimestres do anocalendário de 2003, adotou a sistemática do lucro real. Assim a empresa foi penalizada duas vezes, pois a opção da contribuinte, quando da entrega da declaração (DIPJ/2004), foi pela tributação com base no lucro presumido. • Diante dos equívocos praticados pelo autuante, deve ser cancelado o presente auto por falta de prova e gritante ilegalidade. Se não acolhido o pedido, deve ser considerado que a contribuinte relativamente ao anocalendário de 2003, efetuou a tributação com base no lucro presumido. • Outra alarmante decisão do autuante foi de optar pelo rateio das supostas receitas durante os trimestres, ou seja, apurarse a receita do trimestre e, de acordo com as considerações da autuante, ratear os valores para cada mês deste. Lançamentos decorrentes Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.255 6 • A impugnante nas razões expostas demonstrou a improcedência do lançamento do IRPJ. Por conseqüência, os lançamentos efetuados a título de CSLL, Cofins e PIS devem ser, igualmente, cancelados em face da relação de causa e efeito entre esses e a exigência do IRPJ. Multa de oficio • A penalidade agravada é incompatível com o procedimento adotado relativamente aos depósitos bancários não contabilizados. • De fato, a fraude tem definição legal e precisa. Se ocorrida comprovadamente, admitese sua imposição, mas só quando caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante conduta fraudulenta ou dolosa, atos definidos nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502, de 1964. • As supostas irregularidades praticadas pela impugnante não podem ser consideradas fraude, pois não restou identificado o uso de quaisquer artifícios, ardis ou outros meios similares para burlálos, o que justificaria o evidente intuito de fraude. Inaplicabilidade dos juros de mora com base na taxa Selic. Inconstitucionalidade. • Reza o Código Tributário Nacional CTN que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, nos casos em que a lei não dispuser de modo diferente. • Ocorre que a Lei n° 9.065, de 1995 estabeleceu a utilização da taxa para fins de cálculo dos juros de mora incidentes sobre os débitos fiscais, embora referida taxa seja apurada e fixada pelo Banco Central do Brasil por intermédio de ato administrativo (não por lei), sendo válida somente para regular obrigações entre particulares, jamais entre os contribuintes e a Administração Pública. • A taxa Selic foi regulamentada pela Resolução n° 1.124, do Conselho Monetário Nacional, sendo definida pela taxa média ajustada dos financiamentos apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), calculado sobre o valor nominal e pago no seu resgate. • Concluise que a incidência de juros de mora calculados à razão da variação da Selic é inconcebível nas relações de Direito Público, não podendo prosperar a exigência fiscal nesse particular aspecto, ante sua flagrante inconstitucionalidade, já verificada pela C. 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1419.429, de 29 de maio de 2008, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Considerase receita omitida, por presunção legal, o valor do crédito efetuado em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais, a contribuinte regularmente intimada não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem do recurso creditado. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.256 7 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. EMPRÉSTIMO DE SÓCIOS. São tributáveis os valores relativos a empréstimos de sócio, quando não comprovada a efetividade da entrega e a origem dos recursos, porquanto considerados correspondentes a omissão de receita, por presunção legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Estando presentes os atos caracterizadores de fraude, tornase aplicável a multa qualificada de 150%. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.232/1.248, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.257 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Mantidas as referidas exigências, na íntegra, pela autoridade julgadora de primeiro grau, a autuada interpôs recurso renovando a argumentação expendida na peça impugnatória anteriormente apresentada. Passo, pois, a apreciar as alegações trazidas pela Recorrente. NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não merece acolhimento o argüido pela Recorrente. Como é cediço, descabe falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa na fase que antecede a instauração do litígio, eis que é a partir da deflagração da controvérsia que é oferecido ao acusado prazo para contestar as imputações que lhe foram feitas. Não obstante, noticia a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal – fls. 44), que o Departamento de Polícia Federal em Ribeirão Preto, São Paulo, por meio do Ofício 11630/03 – Cart. D/DPF.RBO/SP de 22 de dezembro de 2003, encaminhou à Receita Federal os seguintes documentos (objetos de auto de apreensão): talões de cheque do Sr. Cícero Dadalte e da Recorrente; canhotos de cheques; “emails”; bloco de notas fiscais tidas como verdadeiras; bloco de notas supostamente falsas, vez que apresentavam a mesma numeração das consideradas verdadeiras; e disquetes. Referida documentação, ainda de acordo com a Fiscalização, foi objeto de solicitação de cópia por parte da contribuinte em 06 de dezembro de 2004 (fls. 80/81). Cumpre destacar que a autoridade fiscal, respondendo a Recorrente acerca da impossibilidade de conceder vista dos atos e termos relacionados ao procedimento fiscal “fora da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto”, esclareceu, no próprio documento apresentado pela contribuinte (fls. 561/562), que os documentos existentes já haviam sido fornecidos por meio de cópias autenticadas, inclusive das notas fiscais que, em tese, constituiriam prova de crime tributário. Resta claro, portanto, que ainda que se pudesse cogitar da ocorrência de cerceamento do direito de defesa na fase investigativa do procedimento fiscal, no presente caso, isto não ocorreu. OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÕES LEGAIS Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.258 9 Como é cediço, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, tem amparo em norma legal (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Tratase, assim, de presunção prevista em lei, em que cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a sua aplicação. Na mesma linha, com fundamento no parágrafo 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) estabelece: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas Como se vê, os ingressos em conta bancária e os suprimentos de numerários, uma vez incomprovada a origem dos recursos empregados, constituem presunções legais de omissão de receitas e, dada esta particularidade, para que sejam elididas é necessário que o contribuinte apresente documentação hábil e idônea acerca da referida origem dos valores depositados (em conta bancária) ou supridos. No caso dos empréstimos (suprimentos de numerário), seria necessário ainda que a Recorrente tivesse aportado ao processo comprovação da efetividade da entrega dos recursos. Equivocadas, portanto, as ilações da Recorrente acerca do tratamento das denominadas presunções legais no âmbito do direito tributário pátrio. No caso vertente, relata a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal, fls. 47/48), que a fiscalizada mantinha contrato de prestação de serviços de agenciamento e de fretes internacionais com a empresa UTI DO BRASIL LTDA. Diz que, em razão disso, a contribuinte registrou em livros (reescriturados em vista de determinação nesse sentido) diversas operações em que os clientes antecipavam recursos para cobrir despesas relativas a comissões e fretes, que eram movimentados por meio da conta bancária nº 800 33 301, agência 0911, do Banco Real. Afirma que, apesar de reiteradamente intimada, a Recorrente, relativamente à citada conta, não comprovou, na íntegra, a origem dos créditos ali efetuados, bem como a totalidade dos repasses feitos para empresa UTI DO BRASIL LTDA. Por meio de demonstrativo (fls. 870/880), a autoridade fiscal resumiu os ingressos na conta bancária nº 800 33 301, agência 0911, do Banco Real, que foram considerados como receita omitida. Cientificada do demonstrativo em referência por meio de Termos de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 867/882 e 887/919) e, na ocasião, intimada a se pronunciar sobre supostos empréstimos efetuados pelo sócio CÍCERO DADALTE, a Recorrente comprovou que parte dos recursos depositados na conta bancária foi repassada para a empresa UTI DO BRASIL. Relativamente aos “empréstimos”, nada informou. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.259 10 A partir dessas novas informações relacionadas aos repasses feitos para a empresa UTI DO BRASIL, a Fiscalização elaborou novo demonstrativo (fls. 1.079/1.084), demonstrativo esse que serviu de suporte para os lançamentos tributários. Informa a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal, fls. 49) que, para fins de apuração do montante de receita tida como omitida, considerou a diferença entre os valores depositados e os que foram repassados à UTI DO BRASIL LTDA. Nessa linha, não merece guarida o argumento da Recorrente de que a autoridade fiscal rateou, por mês, os valores apurados em cada um dos trimestres. Como destacado pela autoridade autuante (Termo de Verificação Fiscal, fls. 48), de fato, inicialmente, foi efetuado o rateio mensal dos valores apurados trimestralmente, contudo, para fins de lançamento, tal rateio foi abandonado, sendo os montantes de receita omitida determinados, como já dito, por meio de mera diferença entre os créditos em conta bancária e os valores comprovadamente repassados para a UTI DO BRASIL LTDA. Confirma a assertiva acima o fato de que as planilhas que serviram de base para os lançamentos tributários são as juntadas às fls. 51/56 dos autos, e não as de fls. 879/880. Os suprimentos de caixa, cujas origens e efetividade da entrega não restaram devidamente comprovados, foram também objeto de lançamento de ofício, a título de omissão de receitas, por força do disposto no já citado art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Quanto aos referidos suprimentos, merece relevo a declaração da Recorrente no sentido de que “os valores ali relacionados, em referência a empréstimo do sócio a empresa Tetracargo Transporte Internacional Ltda., infelizmente não possuímos os documentos exigidos por esta fiscalização por se tratar de operações emergenciais para cobertura de possíveis baixas no caixa da empresa e que sempre era reposto pela mesma” (fls. 769). No que diz respeito à tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, afirma a Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal, fls. 49) que a Recorrente fez opção pelo lucro presumido nos anos de 2001 e de 2002, eis que promoveu o recolhimento do imposto nesta modalidade. Porém, em 2003, não efetuou qualquer recolhimento a esse título, deixando, assim, de exercer a opção, nos termos exigidos pela norma de regência (parágrafo primeiro do art. 26 da Lei nº 9.430/96). Ademais, esclarece a autoridade fiscal que, por ocasião da instauração do procedimento fiscal, a contribuinte só havia apresentado à Receita Federal a declaração relativa ao anocalendário de 2001. De fato, a Declaração relativa ao anocalendário de 2003 (DIPJ/2004), em que a contribuinte assinala o LUCRO PRESUMIDO como forma de tributação, só foi apresentada em 17 de maio de 2005 (fls. 569), depois, portanto, de iniciado o procedimento fiscal (06 de dezembro de 2004, conforme Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 58/59). QUALIFICAÇÃO DA MULTA O procedimento fiscal que ora se analisa foi deflagrado a partir de requisição feita por autoridade policial (Ofício 11630/03Cart./DPF.B/RBO/SP) – fls. 64. Referido procedimento teve por objetivo subsidiar a instrução de inquérito policial, que culminou em ação penal contra o Sr. Cícero Dadalte, em virtude de robustos indícios da prática de crime contra o ordem tributária. De acordo com a denúncia, o referido senhor, sócio da ora Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.260 11 Recorrente, estaria utilizando talonários de notas fiscais falsos e movimentando conta corrente bancária à margem da escrituração da empresa. A falsificação dos documentos fiscais restou evidenciada a partir do confronto entre as notas fiscais regularmente emitidas pela Recorrente e as apreendidas pela autoridade policial, eis que estas continham a mesma numeração daquelas. No que diz respeito à conta bancária movimentada pelo Sr. Cícero Dadalte (nº 800 33 301, agência 0911, do Banco Real), a Fiscalização verificou que a totalidade dos cheques foram emitidos pelo referido senhor, e que, na maior parte, a movimentação financeira envolvia a empresa UTI DO BRASIL LTDA. Intimada, a UTI DO BRASIL LTDA. apresentou declaração (fls. 450), por meio da qual esclareceu que a “Tetracargo prestou serviço de agenciamento de cargas aéreas e marítimas, no período de 01 de março de 2001 a 29 de março de 2004, e que os valores pagos a esta companhia o foram a título de comissões sobre os negócios havidos”. Na ocasião, a referida empresa (UTI DO BRASIL LTDA.) apresentou cópia de acordo para subagenciamento de carga aéreas e marítimas (fls. 454/561); Instrumento Particular de Rescisão Contratual e Prova de Quitação datado de 29 de março de 2004 (fls. 462); e várias notas fiscais de prestação de serviços (fls. 463/535). Como dito, a movimentação financeira correspondente a conta bancária nº 800 33 301, agência 0911, do Banco Real, não foi contabilizada. A qualificação da multa, portanto, repousou na manutenção de movimentação financeira à margem da escrituração e na utilização de notas fiscais falsas, fatos incontestáveis haja vista a minuciosa análise promovida pela autoridade fiscal, conforme documento de fls. 883/886. Concluindo a sua análise, a autoridade fiscal assinalou: Da análise das notas fiscais apresentadas concluise que o representante da pessoa jurídica Tetracargo Transporte Internacional Ltda., Sr. Cícero Dadalte, emitiu as notas fiscais originais de seu bloco 01, de números 28, 29 e 31 fora da seqüência cronológica de emissão, sem que fossem contabilizadas na escrituração original, e utilizouse das notas fiscais de número 34, 35 as quais não integraram a escrituração do bloco n° 05 (bloco azul), considerado falso, uma vez que a 1ª via foi entregue ao contribuinte, Uti do Brasil Ltda., CNPJ 02.735.565/000142. O bloco de notas fiscais n° 02 foi considerado verdadeiro(não foi utilizado) e os blocos de número 03,04,05,06 foram considerados falsos, por coincidirem com mesma numeração dos blocos originais de número 01 e 02. A nota fiscal de número 36 pertencente ao bloco original n° 01 estavam todas em poder do Sr. Cícero Dadalte, razão pela qual a empresa Uti do Brasil não enviou cópia autenticada, nem explicou como obteve a cópia ( via fax ou não). Estamos, pois, diante de circunstância em que a qualificação da multa aplicável a uma das infrações apuradas decorre de provas diretas carreadas aos autos, sendo a presunção legal utilizada, apenas, como elemento quantificador da matéria passível de tributação. JUROS SELIC Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10840.003418/200553 Acórdão n.º 130101.015 S1C3T1 Fl. 1.261 12 No que diz respeito aos juros de mora com base na taxa SELIC, a questão, como é cediço, já foi objeto de súmula por parte deste Colegiado, conforme transcrição abaixo. Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720255/2008-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-006.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10215.720255/2008-96
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891018
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.997
nome_arquivo_s : Decisao_10215720255200896.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10215720255200896_5891018.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7389458
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586565312512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10215.720255/200896 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.997 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DORINALDO MOURA DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 02 55 /2 00 8- 96 Fl. 347DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte O referido Recurso Especial foi admitido, por meio do Despacho de Admissibilidade, para rediscutir a decisão recorrida que descartou a possibilidade de agravamento da multa de ofício, quando a inércia do contribuinte é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, e não impede ou dificulta a constituição do crédito tributário. Já os paradigmas consideraram ser aplicável o agravamento da penalidade, sem qualquer ressalva, bastando para isso o desatendimento às intimações fiscais. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) é cediço que a norma ao determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado; b) é de evidência solar que a norma pretende punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, consubstanciando materialização do princípio da igualdade; c) efetivo prejuízo não é elemento do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não exige a norma a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública; d) não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 9202006.997 CSRFT2 Fl. 3 3 e) cabível, portanto, o agravamento da multa, devendo prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas, uma vez que se mostra correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, razão pela qual o lançamento deve ser mantido e o acórdão recorrido reformado. Após a ciência do Contribuinte do teor do Acórdão de Recurso Voluntário e da interposição pela PGFN de Recuso Especial contra o referido Acórdão, foi aberto prazo para o oferecimento de Contrarrazões, mas o sujeito passivo quedouse inerte. Fazse necessário destacar que o Recurso Especial sob análise tratase de Paradigma, de modo que o resultado consignado no presente julgamento será aplicado aos demais processos com fundamento em idêntica questão de direito que foram distribuídos no mesmo lote, consoante o disposto no art. 47, § 1º e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Portanto, aplicase ao presente a sistemática de recursos repetitivos prevista no Regimento Interno da Casa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria controvertida, objeto do Recurso Especial sob análise, referese ao agravamento da multa de ofício aplicada, quando há omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada (art. 42 da Lei n.º 9.430/1996). Fl. 349DF CARF MF 4 Para a maioria dos julgadores do Acórdão recorrido, a referida presunção legal de omissão de rendimentos transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, dispensando o fisco de provar o fato alegado, razão pela qual inexiste pertinência no agravamento da multa por desatendimento às intimações, pois tal ausência de colaboração não dificulta a constituição do crédito tributário. Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado, inexistindo a exigência legal de efetivo prejuízo para o agravamento da multa. Consoante se extrai do relato fiscal, o Contribuinte não respondeu ao Termo de Intimação que determinou a comprovação da origem dos depósitos recebidos em suas contas correntes, concretizandose a presunção de omissão de receitas descrita no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Também, em decorrência do não atendimento da intimação, o imposto apurado foi acrescido da multa de embaraço à fiscalização, definida no inciso I, § 2º, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(...). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Com a interpretação finalística da norma regente do tema, depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 9202006.997 CSRFT2 Fl. 4 5 Ao meu ver, tendo em vista que não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
