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Numero do processo: 10831.008658/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. AFERIÇÃO DA
REGULARIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DO
REGIME. ILEGITIMIDADE ATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL.
Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drawback. Todavia, pertence a outro órgão da administração páblica federal tanto a concessão do benefício
como eventual aferição da regularidade do ato concessório.
DRAWBACK SUSPENSÃO, INADIM.PLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Na modalidade suspensão, a fruição do beneficio do drawback está
subordinada ao princípio da vinculação fisica, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se isicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo. Não há se falar em aplicação do disposto no Ato Declaratório Cosit 20, de 1996, senão para os setores econômicos definidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A
QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO.
Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4", e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §40, Segundo a regra do artigo 173, incisol, o prazo decadencial
tem início no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado". Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do artigo 17,3 do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, MULTA DE OFÍCIO (75%).
Tem fundamento no ordenamento .jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado, Não há se falar em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. O principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, SUSPENSÃO DA
EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇADO. JUROS DE MORA..
Irreparável o lançamento de juros de mora sobre o crédito tributário apurado ex officio. A impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente, independentemente do motivo dessa falta.
Numero da decisão: 3101-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar.
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: TARÁSIO CAMPELO BORGES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. AFERIÇÃO DA REGULARIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE CONCESSÃO DO REGIME. ILEGITIMIDADE ATIVA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Compete à Secretaria da Receita Federal fiscalizar os tributos federais, inclusive aqueles inerentes às operações de comércio exterior beneficiadas com a concessão do regime aduaneiro especial drawback. Todavia, pertence a outro órgão da administração páblica federal tanto a concessão do benefício como eventual aferição da regularidade do ato concessório. DRAWBACK SUSPENSÃO, INADIM.PLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA, Na modalidade suspensão, a fruição do beneficio do drawback está subordinada ao princípio da vinculação fisica, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e .fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se fisicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo. Não há se falar em aplicação do disposto no Ato Declaratório Cosit 20, de 1996, senão para os setores econômicos definidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/06/1999 a 12/06/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4", e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão do crédito tributário, não há se falar 1MrIm)tz 03.i0912010 por TAR/1.151(.) CAMPELO BORGL. S 08/09r2010 HENRIQUE. P11,11-1EIRO TOR digiUrm., ntz.2. 03.i11912010 por 1A1-11,..biu u RES fm.itenticado tligitalmeifile oro 03;09/2010 por TARASIO CAMPE.1...0 OORGES Emitido em 16109/2010 polo Min1st6rio da Fazenda DF- CARI Mi' 1'1 992 em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §40 , Segundo a regra do artigo 173, incisol, o prazo decadencial tem início no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a titio para mediu o prazo decadencial do inciso I do artigo 17,3 do Código Tributário Nacional, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, MULTA DE OFÍCIO (75%). Tem fundamento no ordenamento .jurídico a multa de oficio de setenta e cinco por cento incidente sobre o montante do tributo lançado, Não há se falar em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade. O principio constitucional da vedação ao uso do tributo com efeito de confisco não alcança as penalidades do direito tributário. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. A penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇADO. JUROS DE MORA.. Irreparável o lançamento de juros de mora sobre o crédito tributário apurado ex officio. A impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente, independentemente do motivo dessa falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar. provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator, EDITADO EM: 03/09/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campeio Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente, Assinalo i!eiralmonteerr i13/0020 10 por TARASIO CAMPEIO LtOP,GEE3 0 ,309 1 2010 por HENRIOUE PINHEIRO ToR s Adlienlic&lo digitalmente oro 03 10020 -10 por TARASIO CAMPEI.° BoRo ES Emitido orn I6'0020 1n polo N.lsrrio da Fazenda 2 1-1. 993 S3-C1T1 Fl. 826 Dr CAIU Níf Processo n" 108.31008658/2006-34 Acórdão n "3101-00,493 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DR.1 São Paulo (SP) que julgou procedente [ 1 ] o lançamento do imposto de importação [2], acrescido de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), do qual preposto da sociedade empresária teve ciência no dia 5 de dezembro de 2006. Segundo a denúncia fiscal [3 ], a fiscalização aduaneira constatou o inadimplemento de compromissos originalmente assumidos por CYANAMID QUiMICA DO BRASIL LTDA., em 16 de abril de 1999, substituída, em 27 de dezembro de 2000, no polo passivo dessa obrigação por CYANAMID AGRICULTURA DO BRASIL LTDA. [4 ], objeto de incorporação pela BASF S.A. aprovada em Assembléia Geral Extraordinária de 1° de dezembro de 2000 [5]. A fruição dos beneficias do drawback suspensão outorgados no Ato Concessório 00001-99/000042-5 [ 6] tinha prazo de validade das exportações inicialmente fixado no dia 16 de outubro de 1999, alterado por aditivos e finalmente fixado no dia 8 de abril de 2001 [7]. Para a concessão do regime aduaneiro especial, a beneficiária assumiu o compromisso de exportar monocrotofós (Azodrin Técnico) e requereu suspensão dos tributos incidentes na importação de MMCAA (monometil-2-cloro-acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila). A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), por intermédio do Banco do Brasil, encaminhou à Receita Federal o Relatório Unificado de Drawback de folhas 133 a 145, sem emitir juízo de valor acerca do adimplemento do regime aduaneiro especial. No encerramento da ação fiscal, o autuante assevera que o sujeito passivo da obrigação tributária sonegou informações à fiscalização, "impossibilitando a verificação, pela Receita Federal, do Principio da Vinculação Física e da conseqüente e efetiva exportação dos produtos importados ao amparo do regime especial de drawback [...] ficando caracterizado, consectariamente, o inadimplemento total do regime especial fiscalizado" [13] Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 767 a 777 (volume IV) Auto de infração do imposto de importação acostado às folhas 1 a 79. Fatos geradores: 14 de junho de 1999 a 12 de junho de 2000, 3 Descrição dos fatos de folhas 2 a 4 e termo de constatação fiscal acostado às folhas 17 a 79 (nas folhas I 7 a 43 550 apresentados os fundamentos legais, doutrinários e jurisprudenciais do regime aduaneiro especial) 'I Aditivo ao ato concessório acostado à folha 131. Termo de constatação fiscal, folha 44. Ato concessório acostado à folha 127 Aditivo ao ato concessório acostado à folha 130 e termo de constatação fiscal, folha 41 H Descr 1 ição dos fatos follp 2,, diLiilainK3nte 1.t3m9!2n O por t'AKA,1(.) GAMPELO BORGES C)E .;i0/20 o por 1-1ENR€OUE PINHERO TOE; RE Autr,..,ntinack) dtalmente em D2/09/2(110 por ÏAiASO CAMPELO 13ORGE.: Errilide oro 16/09/210 polo Ministério da Fazenda 5 6 1.)I . CARI :\11 . 11 994 Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 251 a 284 (volume II), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: - seja reconhecida a decadência das exações impostas no auto de infração tendo em vista a última exportação validade [sie] ser datada de novembro de 2000 ou que seja reconhecida a decadência das operações caso a caso, uma vez que em cada exportação era aberto o prazo decadencial para a fazenda contestar a operação efetivada lançando os créditos que achasse pertinente; - seja dado provimento à impugnação tendo em vista que já havia sido concedida baixa pelo Banco do Brasil, bem corno por não existir regra que permita a desconsideração de toda documentação acostada para glosa total dos valores impugnados; - requer o afastamento da imputação dos juros calculados pela taxa SELIC, tendo em vista a mesma ser patentemente inconstitucional, bem como da multa, devido esta ultrapassar o limite do razoável, tendo efeito confiscalório, bem corno da imputação dos juros, que só podem incidir a partir da constituição definitiva dos valores; - requer a produção de provas, principalmente a pericial, possibilitando a indicação de assistente técnico para a questão, perguntando se o material importado é utilizado no processo de produção do material exportado e se as quantidades indicadas na importação tem equivalência com as mercadorias exportadas. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Período de apuração: 14/0611999 a 12/06/2000 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO, INADIMPLEMENTO, IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. - Em caso de inadimplernento do regime de drawback, modalidade suspensão, o termo de inicio do prazo decadencial para lançamento de oficio decorrente de descumprimento de compromissos assumidos para obtenção do Ato Concessorio será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que venceu o prazo de validade para exportação dos produtos incentivados (com acréscimo de mais 30 dias previstos no art 319, inciso I e parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos), referente aos insurnos supostamente amparados pela suspensão, aplicando-se, pois, ao caso, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, DRAWBACK. PRINCIPIO DA V1NCULAÇÃO FÍSICA. DOCUMENTAÇÃO COIVIPROBATORIA - A legislação de regência do drawback impõe a observância do principio da vinculação fisica, segundo o qual a mercadoria importada ao amparo desse regime deve ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, o que requer seu emprego físico no processo industrial do produto exportado. Diante da falta de comprovação do atendimento ao principio da 9 A pessoa jurídica fiscalizada, regularmente intimada no termo de início de fiscalização (folhas 65 e seguintes), deixou de apresentar ao fisco federal, dentre outros documentos: laudos técnicos, livro de registro de controle . da.produção e clf. ergue, platVill MS dernowitratias cfasela0o insupo x rr,Nuto, clwitolniunte ern 9.i1...dlo por -\ piq • LU_ esc") 914'11 11 no' 1- 11\1011E. PINI•lEIRO TOR RES jtiio digii.:111T1ente oni WinEi!.i20-10 por TARABIO AMPFLO BO1 G17.S 4 Emitido ént 16/0O12010 poto Ministério da Fazenda 4 H 5 S3-C1 TI Fl 827 DE CARI' MF. Processo n° 10831 008658/2006-34 Acórdão n 03101-00,493 vinculação fisica, em razão da não-apresentação da documentação solicitada pelo fisco, deixa o beneficiário de demonstrar o adimpIernento do regime drawback DRAWBACK DOCUMENTAÇÃO INSTRUTORIA E COMPROBATOR1A OBRIGATORIEDADE DE GUARDA ATÉ A EXPIRAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL - No caso do drawback, até que se opere a decadência ou a prescrição das penalidades e dos créditos tributários já constituídos, deverá ser mantida em boa guarda toda a documentação hábil à comprovação do atendimento dos requisitos inerentes ao incentivo à exportação em questão, DRAWBACK-SUSPENSÃO MULTA DE OFÍCIO - Cabível a multa de oficio, prevista no art, 44, inciso 1, da Lei 9.430/96, sobre o imposto de importação, pela caracterização de inadimplemento dos compromissos assumidos quando da concessão do regime de drawback-suspensão, conforme previsto peia legislação de regência. DRAWBACK-SUSPENSÃO JUROS DE MORA/TAXA SELIC - Cabíveis os juros de mora calculados com a Taxa SELI C, na vigência do art. 13 da Lei 9.065/95 e/co art. 161, § I° do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 795 a 817 (volume 1:\) Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [ 10] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em quatro volumes, ora processados com 824 folhas,. É o relatório, Voto Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Relatar 11) Despacho acostado à folha 824 determina o encaminhamento dos autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O3CI9t2010 por TARASID CAMPELO BORGES 08/IIIP/2010 poi HENRIOL I E PINHEIRO TOR RES Autenticado digitalrnúnte:Uhl 0310IL],2010 por "I"ARASIO CAMPEL.C) BORGES Emitida •,-. r1 10/0010Q i O pelo Mi€)istério da Fazenda 1)1 ARE M E El Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 795 a 817 (volume IV), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade, Versa o litígio, conforme relatado, sobre a exigência do imposto de importação, acrescido de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), decorrente de denunciado inadimplemento de regime aduaneiro especial drawback, na modalidade suspensão. Quanto à invocada decadência dos fatos motivadores dos lançamentos de folhas 1 a 79, entendo-a desmotivada. Com efeito, decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por força do disposto no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal de 1988, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4 0 [ H l e 173 [ 12] do Código Tributário Nacional. Na situação fática que se apresenta, importação com suspensão do crédito tributário, não há se faiar em pagamento antecipado de tributo, Assim, afasto o artigo 150, § 4 0 , para considerar pertinente ao caso concreto a regra do artigo 173. Por conseguinte, é de cinco anos o prazo concedido à Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário, esse prazo é contado a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" 13 e o primeiro desafio que se apresenta é definir o dies a gira do prazo previsto no inciso 1 do artigo 173 do Código Tributário Nacional Neste ponto, creio relevante lembrar que o ônus financeiro decorrente da estrutura administrativa do Estado é suportado pela sociedade, Esse ônus é diretamente proporcional ao tamanho e inversamente proporcional à eficiência da estrutura administrativa. Conseqüentemente, não é razoável exigir determinada ação de qualquer órgão do Estado senão direcionada para a consecução do interesse coletivo. Fiz essa digressão porque não considero dever da autoridade administrativa, para prevenir a decadência e sob pena de responsabilidade funcional, promover o lançamento dos créditos de todos os tributos suspensos em face da outorga de benefícios fiscais, inclusive incentivos à exportação, na tese mais favorável ao fisco, com guarda do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do ano imediatamente subseqüente àquele da ocorrência do fato gerador do tributo. CTN, artigo 150: O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislaçã'o atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa [ .3 § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 12 CTN, artigo 173: O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: (I) do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (II) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento 13 ri-Nj nrl i, ri 7 -; inrkn n riurt iVIWUR:7:, f par TARPS10 CAMPELO 1:10R etES EAO3 P2ÍI1 t3 per HENEICIUE P3t ,11-tEIRO -FOR HES it.. ott:ffltict atik'y tfitjti talmertle pot 1'AF",!(,,t2310 C,AMPItt_ BORC-)Et:'; Etttitide era ItStt ü9:20 10 peto Mtnist(r.ttrio da Fazetndil 11 6 1-1 15 16 DE CA RE ME . Fl 997 Processo n" 10831 00808/2006-34 S3-C1T1 Acórdão a "3101-00.493 Fl 828 Proceder dessa forma é desperdiçar os já insuficientes recursos públicos para movimentar a máquina da Fazenda Nacional e lançar tributos que somente serão exigidos se infrações às normas tributárias forem praticadas no futuro. Não é essa a interpretação que faço do inciso 1 do artigo 173 do CIN. Como a eficiência da administração pública é um dos princípios enumerados no capuz' do artigo 37 da Constituição Federal 14 e o enunciado da norma jurídica pospõe o dies a TI° para a aferição do prazo nele previsto para o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" 15 , considero razoável entender que a Fazenda Nacional deve otimizar o uso de sua máquina de fiscalização direcionando-a para a auditoria de procedimentos em contribuintes com indícios de infrações à legislação tributária, Logo, como o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial não pode ser anunciado senão depois de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício I6, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a gila" para medir o prazo decadencial do inciso 1 do artigo 173 do CTI\L É certo que a ora recorrente pretende fixar o marco vestibular do prazo decadencial com um ano de antecedência. Para tanto, alega que a última exportação vinculada ao ato concessório ora examinado ocorreu no ano anterior ao do prazo de validade das exportações. Nada obstante, considero esse fato de somenos importância, por dois motivos principais: (1) a Fazenda Nacional não foi comunicada que essa exportação seria a última vinculada àquele ato concessorio; e (2) independentemente da existência dessa comunicação, o inadimplemento do regime aduaneiro especial, repito, não pode ser aferido senão perante o decurso do trintidio ulterior à validade do ato concessório. Destarte, rejeito a tese de decadência dos fatos motivadores dos lançamentos efetivados no dia 5 de dezembro de 2006. Sobre o beneficio do drawback, um incentivo à exportação, é cediço que ele pode ser concedido nas modalidades suspensão, isenção ou restituição, cada qual com suas peculiaridades. No Regulamento Aduaneiro (RA) vigente à época da ocorrência dos fatos geradores 18 , então aprovado pelo Decreto 91.030, de 5 de março de 1985, a matéria era regulada em capítulo próprio, nos artigos 314 a 334, Constituição Federal, artigo 37 [redação dada pela EC 19, de 19981: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [ CTN, artigo 173, inciso I Prazo de validade das exportações: 8 de abril de 2001 [Aditivo ao ato concessório acostado à folha 130 e termo de constatação fiscal, folha 411 17 Dies a giro para contar o prazo deeadencial: 1" de janeiro de 2002 . 1B Período de ocorrên0a dos,fatosferadores: _14 de junho de 199,9 a p..(1101191)19 1g 200,q., daValm ràrde por 0,0,1,p,_CHO por riEk • , 1.1 u Autrúic.aik) dirjiLánel'ile cri 03,'W.-1/20 I() por TARASIO CAMPELO F.,ORGES Firlitido em 16,q)912010 polo Ministério da Fazenda 7 DF CARI : NU' 1'M Aqui se discute o denunciado inadimplemento de compromissos assumidos para a fruição do beneficio do drawback, na modalidade suspensão, por inobservância do princípio da vinculação física, que impõe aos insumos importados com suspensão dos tributos aplicação direta e fisicamente à mercadoria exportada, seja integrando-se fisicamente a ela, seja, excepcionalmente, consumindo-se no processo produtivo, A propósito dessa modalidade do benefício fiscal, permite o RA, no inciso 1 do artigo 314, cuja matriz legal é o inciso 11 do artigo 78 do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, a "suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada". No § 1" do artigo 315, está explicitada a norma excepcional: "O beneficio também poderá ser concedido para matéria-prima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão". Na busca da melhor exegese dessas normas, vale recordar determinação contida no Código Tributário Nacional, quando cuida da interpretação e integração da legislação tributária: Art I 1 I. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Também vigiam naquela época outras normas jurídicas, de hierarquia inferior, todas com a finalidade precípua de controlar o adimplemento do compromisso de exportação assumido como condição indispensável ao gozo do benefício fiscal. In casu, pelo Ato Concessorio 00001-991000042-5, de 16 de abril de 1999 ,1 j, com as alterações introduzidas por seus aditivos, a ora recorrente assumiu o compromisso de exportar, no prazo assinalado, determinada quantidade de monocrotofós (Azodrin Técnico) e, em contrapartida, foi autorizada a promover importações de MMCAA (monometil-2-cloro- acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila) com suspensão do pagamento dos tributos exigíveis nessa operação. Portanto, amparado, principalmente, no CTN, artigo 111, caput e inciso 1 [21, bem como no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91,030, de 5 de março de 1985, artigo .314, inciso 1 [21 ], e no artigo 315, § 1 0 [22], entendo como únicos aspectos relevantes para o deslinde dessa questão perquirir a existência e a procedência de denúncia quanto ao 19 Ato concessório acostado à folha 127. 2') CTN, artigo I 1 I: Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (I) suspensão ou exclusão do crédito tributário; [.. 1. RA 1985, artigo 314: Poderá ser concedido [. ], nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o beneficio do "drawback" nas seguintes modalidades (Decreto-Lei 37/66, art. 78, I a III): (I) suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [ .]. 22 RA 1985, artigo 315: O beneficio do "drawback" [.. ] I') O beneficio também poderá ser concedido para matéria-prima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação.cm condições que justifiquem a epncessão. . • - — - - 1./..-4TUI-V2[.) CrIX:Ir 1».1-,A,r,11) 1.»,r,11-ELU É-15,n1+..PUE digii.a3rwmie E9rn 031W:112,f)1{) por TARA....;10 CA: ELO 13()IGE.`.; 8 Emindonr 16:W2010 poo Klinklõrin do Fazenda 8 1 99 9 S3-C1 TI Fl 829 DF CARI' Processo n" 10831 008658/2006-34 Acórdão n "3101-00,493 inadimplemento do compromisso de exportação de monocrotofós (Azodrin Técnico) produzido mediante o uso de MMCAA (monometil-2-cloro-acetoacetamida) e TMP (Fosfito de Trimetila) importados com suspensão dos tributos. O adimplemento do compromisso de exportação deve ser levado a efeito sob o aspecto da ternpestividade e da suficiência, No entanto, a aferição do principio da vinculação física resta prejudicada, porquanto o sujeito passivo da obrigação tributária, a despeito de regularente intimado [23], deixou de apresentar os documentos necessários para esse cotejo, tais como: laudos técnicos, livro de registro de controle da produção e do estoque, planilhas demonstrativas da relação insumo x produto. Consequentemente, dada a impossibilidade de ser realizada a auditoria de produção mediante o necessário confronto dos resultados teóricos inerentes à produção industrial com os assentamentos fiscais do controle da produção e do estoque do estabelecimento, entendo não comprovada a veracidade das exportações declaradas de mercadorias produzidas mediante o uso de insumos importados com suspensão dos tributos sob o amparo do Ato Concessório 00001-99/000042-5, de 16 de abril de 1999 Ademais, ante a lógica das razões recursais, sequer existe controvérsia no que respeita ao inadimplemento do drawback, pois a própria recorrente admite que tentou, sem sucesso, modificar o ato concessorio, posteriormente ao escoamento das prorrogações do seu prazo de validade para nele incluir outro produto no compromisso de exportação, senão vejamos: Cabe exaltar que, não se pode levar em conta para o cálculo decadencial indicado o pedido de inclusão do produto AZODRIN 400 no campo de mercadorias a serem exportadas, datado de 14/08/2001. A negativa indicada tem lastro em dois fatores: o primeiro, o fato de que o pedido de inclusão não foi aceito pelo BANCO DO BRASIL, autoridade competente paia tal ato, e o segundo que o pedido foi efetivado fora do prazo legai, data limite do ato concessário. Por esses exatos motivos, verifica-se que o pedido de inclusão datado de 14/08/2001 é completamente nulo, ao podendo assim ser utilizado para fins de computo do inicio da contagem do prazo decadencial. [2] Ora, se a ora recorrente solicitou alterar seu compromisso de exportação em momento posterior ao prazo compromissado é porque sabia que se encontrava inadimplente com o regime aduaneiro especial e vislumbrava, com esse artificio, sair da inadimplência. Quanto à multa contestada, ela foi aplicada em conformidade com o disposto no artigo 44, inciso 1, da Lei 9,430, de 1996: 75% sobre o tributo devido A contrário das 23 Termo de inicio de fiscalização às folhas 65 e seguintes Rectmo yOulgátio folhap 8Q2 9 w. Assirtwit digitarrnr-t-ntc: . , 1 3Ç r201 por 17.t. C.) - BORGES OFV01,1 20 10 prni- HENRIQUE PINHEIRO TOR •,,utériticarto en 0:10:ti2010 por TARAS° CAMPEI.( 3OR3ES Ernitido 1W09.2í.) I O pelo Ministério da Fazenda 1)1 :: R.1 F : 1'1. 1.000 25 30 razões reeursais, não existe, nos autos deste processo administrativo, lançamento simultâneo de outra multa igual a 30% do débito apurado [-]. Igualmente impertinente, ao meu juizo, a alegada inconstitucionalidade do lançamento fundada em suposta extrapolação da capacidade contributiva e na inobservância da vedação ao confisco ou suposta ofensa ao princípio da proporcionalidade. Malgrado posições doutrinárias em sentido contrário, não entendo extensível às penalidades do direito tributário a vedação constitucional ao uso do tributo com efeito de confisco. O tributo é uma "prestação pecuniária compulsória [...] que não constitua sanção de ato ilícito"26 e a penalidade é a sanção de ato ilícito. A vedação ao confisco por meio da tributação visa coibir os excessos da administração tributária perante o contribuinte. Alidatis inutandis, a penalidade tem por fim reprimir os excessos do administrado em face da administração, inclusive com ações eminentemente confiscatórias.. As penas de perdimento do veículo 27, da mercadoria" e de moeda29 são exemplos desse confisco. No que respeita à incidência de juros de mora, o acórdão recorrido também é irreparável. Está amparado no ordenamento jurídico o lançamento de .juros sobre tributos devidos e não pagos nem depositados integralmente no vencimento. Com efeito, o artigo 161 [30], caput e § 2°, do Código Tributário Nacional impõe a incidência de juros de mora sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, independentemente do "motivo determinante da falta", exceto na "pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito". Destaco, a propósito, outra exceção à regra de incidência dos juros de mora sobre os créditos não pagos no vencimento: depósito do seu montante integral, regra enunciada no caput do artigo 83 [31 ] do Decreto 93..872, de 23 de dezembro de 1986. Recurso voluntário, folha 809 (volume IV): "Veja-se que, multa aplicada em razão do suposto não recolhimento do diferencial de aliquota sobre o produto foi quantificada percentagem de 75% e 30% sobre o valor do suposto débito, nos termos do artigo 44, inciso 1, da Lei 9,430/96" 26 Código Tributário Nacional, artigo 3" 27 Decreto-lei 37, de 1966, artigo 104 28 Decreto-lei .37, de 1966, artigo 105, com um dos incisos alterado pelo Decreto-lei 1 804, de 1980 29 Lei n" 9 069, de 1995, artigo 65, capta e § 1", incisos 1 cll CTN, artigo 61: O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária [.. ] § 2. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito 31 ' I Decreto 93.872, de 1986, artigo 83: Será também feito na Caixa Econômica Federal, voluntariamente pelo contribuinte, depósito em dinheiro para se eximir da incidência de juros e outros acréscimos legais no processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Parágrafo único O depósito de que trata este artigo, de valor atualizado do litígio, nele incluídos a multa e os juros de mora devidos nos termos da legislação específica, será feito à ordem da Secretaria da Receita Federal, podendo ser convertido em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito, à ordem dojuizo comoetente „ B ORGE S , olgttaErnemte oro 121 ,.)9mt) -1U por ARA:510 GAMRELO SURGES 03/09 n 2010 por HENRIQUE El ,11-1E1 RO ToR At.donlicado iqoIITonlo en1 0.3/02/201 O por fARASIO CAN ,IBELO BORGES 10 Emifido .1(vriv2O 10 polo k.linistério da Fazenda 10 Dr CARI M l 1. 1 00 I Processo n" 10831 008658/2006-34 S3-C1T1 Acórdão n "3101-00,493 1;1 830 Ao revés do pretendido pela recorrente, a impugnação da exigência e os recursos interpostos apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário lançado, mas não inibem a incidência de juros sobre os valores não recolhidos tempestivamente. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campeio Borges ii.uíodia[rnunte em O:3 109 ,201U ür TARASIO CAMPELO BORGES O5i09/201+à por HENR1OUE -..3 [EIRO TOP. RES Atitenlicw_io digitalmenle 03i0W2010 por TARASK) CAMPEI...0 BORGES E milido n 16/0'.=)1201Q p p..fD Miniszério da Fazenda 11
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Numero do processo: 10805.902251/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 25 1/ 20 14 -2 2 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10805.902251/201422 Resolução nº 3302001.025 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10805.902251/201422 Resolução nº 3302001.025 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.723368/2014-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 108.
A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AGIO INTERNO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial fundamentado em paradigmas que tratam de matéria fática e jurídica que são estranhas aos acórdão recorrido.
DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO.
I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento.
II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação.
IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento.
REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA.
Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-004.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, não conhecendo apenas em relação à matéria "Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício" e, no mérito, na parte conhecida, quanto à matéria (i) Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento; quanto à matéria (ii) Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 108. A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AGIO INTERNO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Não deve ser conhecido o Recurso Especial fundamentado em paradigmas que tratam de matéria fática e jurídica que são estranhas aos acórdão recorrido. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 68 /2 01 4- 34 Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.842 2 II O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizandose a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, não conhecendo apenas em relação à matéria "Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício" e, Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.843 3 no mérito, na parte conhecida, quanto à matéria (i) Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento; quanto à matéria (ii) Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) Relatório Contra o acórdão n. 1201001.505 da 1° Turma da 2°Câmara, apresentaram Recurso Especial, a PGFN (fls. 6.222/6.238) e também a contribuinte (fls.6.256/6.285). O acórdão recorrido restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.844 4 A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.845 5 redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Em seu Recurso Especial, a PGFN defende a manutenção da multa qualificada e traz os acórdãos paradigmas nºs 1301001.220 e 1103000.857 assim ementadas: MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante.. [...]. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. FRAUDE. Não obstante uma série de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Foi demonstrado que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostraramse desprovidos de causa quando os fatos foram apreciados como um todo, tornandose inevitável concluir que foi criada “sociedade” vazia, sem substância, sem finalidade. Mostrouse plenamente caracterizada a simulação, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em conduta dolosa, deliberada e consciente, caracterizandose ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e a qualificação da multa de ofício prevista no inciso II, Art. 44, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.. A PGFN destaca os seguintes trechos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: "No caso vertente, a meu ver, a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida.. [...]." Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.846 6 "Na autuação, restou demonstrada uma série de operações que culminaram na geração de um ágio que passou a ser amortizado pela recorrente em sua contabilidade. Contudo, ao se apreciar as circunstâncias em que ocorreu a reorganização societária empreendida pela recorrente, tornase inevitável constatar que as operações tiveram, como único objetivo, a fabricação de um “ágio consigo mesmo”, em ações no qual não há como se dissociar a presença do elemento doloso." Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial da PFGN Em despacho de admissibilidade (fls. 6.241/6.244), o Recurso fora integralmente admitido. Contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN A contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN (fls. 6.533/6.550), onde alega em síntese: i) o Recurso Especial da PGFN não merece sequer ser admitido, pois, os acórdãos paradigmas apresentados tratam de casos de ágio interno, que não é a hipótese discutida nos autos, assim, resta não demonstrada a divergência requerida pelo § 8°do art. 67 do RICARF; ii) é improcedente a alegação da PGFN no sentido de existência de intuito doloso da contribuinte no sentido de que a aquisição da TISA nunca ocorreu, tendo em vista que a aquisição da TISA é fato incontroverso que ocorreu mediante negociações com partes não relacionadas e posterior pagamento efetivo do custo de aquisição. iii) quanto à alegação de que o laudo elaborado pela PwC seria uma declaração falsa, destaca a contribuinte que sequer havia previsão legal exigindo a apresentação de laudo de avaliação à época dos fatos. iv) a ocorrência de simulação foi afastada completamente pela contribuinte vez que não houve criação artificial de ágio, a operação ocorreu entre partes não relacionadas, a compra e venda e pagamento ocorreu efetivamente em janeiro de 2007 e o laudo de avaliação demonstrou a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou o ágio. v) não há subsunção dos fatos ocorridos com a norma punitiva. Recurso Especial da Contribuinte A contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 6.256/6.285) no qual alega: Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.847 7 i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa da recorrente e falta de motivação do acórdão recorrido, trazendo como paradigma o acórdão n. 2401004.389; ii) inexistência de previsão legal determinando que o laudo de avaliação deve ser contemporâneo ao pagamento do ágio, ponto em que traz como paradigma o acórdão n. 1102001.018 que de forma oposta ao acórdão recorrido que havia entendido que a elaboração de Laudo de Avaliação após seis meses do efetivo pagamento pela aquisição da TISA seria fato impeditivo de que este documento fosse reconhecido como documento hábil para informar o fundamento econômico do ágio; iii) possibilidade de dedução do ágio para fins de CSLL, vez que o acórdão recorrido entendeu que as regras de apuração do IRPJ são aplicáveis à CSLL, ao mesmo tempo em que o acórdão paradigma n. 9101.002.310 da CSRF concluiu de forma diversa, no sentido de que as normas de apuração e pagamento do IRPJ não alcançam a CSLL. iv) impossibilidade de aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, conforme entendimento do acórdão paradigma n. 1402 002.146 que, diametralmente contrário ao acórdão recorrido. v) inaplicabilidade de juros sobre multa, conforme entendimento do acórdão paradigma n. 910100.722 que entendeu que os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, contrariamente ao que foi decidido no acórdão recorrido. Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte Em despacho de fls. 6.564/6.579, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial da contribuinte apenas em relação às matérias: i) dedutibilidade do ágio para fins de CSLL; ii) concomitância de multa isolada com multa de ofício e iii) juros de mora sobre multa de ofício. Inconformada com o não seguimento das matérias relacionadas à nulidade da decisão de primeira instância e falta de obrigatoriedade legal de apresentação do laudo, a Contribuinte apresentou Agravo. Em despacho de fls 6.669/6.680, o Agravo foi rejeitado, prevalecendo o despacho anterior que havia dado seguimento parcial do Recurso Especial da Contribuinte. Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Contribuinte, alegando em síntese: i) é indedutível, para fins de CSLL, a amortização do ágio decorrente de aquisições de participações societárias avaliadas pelo método da equivalência patrimonial. Nem toda a norma aplicável ao IRPJ também tem efeitos para a CSLL, contudo no presente processo não se está diante de um caso de falta de previsão legal para a adição da despesa da Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.848 8 amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL, mas sim de ausência de norma específica que autorize a dedução dessa despesa no cálculo dessa contribuição. ii) é válida a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício, vez que não se aplica ao caso em tela a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96. iii) ao contrário do que sustenta a recorrente, é plenamente válida a incidência de juros de mora sobre os valores relativos à multa de ofício. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Recurso Especial da PGFN Conhecimento Para melhor análise de Conhecimento do Recurso Especial da PGFN, destaco aqui trecho final do respectivo Despacho de Admissibilidade: Enquanto a decisão recorrida entendeu que “descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos”, os acórdãos paradigmas apontados decidiram, de modo diametralmente oposto, respectivamente, que “a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida” e que “as operações tiveram, como único objetivo, a fabricação de um ‘ágio consigo mesmo’, em ações no qual não há como se dissociar a presença do elemento doloso". Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.849 9 A experiência do presente relator nos anos de atuação neste Conselho mostra que o julgamento dos casos que envolvem ágio, especialmente no tangente à decisão de aplicação de multa qualificada ou não, parte de uma análise fática de cada caso. Isso porque, a legislação tributária traz possibilidades e requisitos para dedução do ágio que devem ser cumpridas pelo contribuintes. Se o contribuinte não cumpre tais requisitos, fica sujeita a autuação do fisco em decorrência de glosa da dedução do ágio. Se o contribuinte utiliza de artificialismo, fraude ou simulação para tentar transparecer que cumpriu os requisitos legais de dedução, será penalizado com multa qualificada. Entendeu a turma no acórdão recorrido que restou não comprovada a conduta ou ação fraudulenta, artificial ou simulada do contribuinte que pudesse levar à aplicação da multa qualificada. Nos casos dos autos discutese ausência de propósito negocial, utilização de empresa veículo ou mesmo a função do laudo de avaliação, para ao final concluirse pela inexistência de conduta fraudulenta do contribuinte. Contudo, não fez parte dos presentes autos a discussão sobre ágio interno, que muitos conselheiros entendem que por si só implicam na indedutibilidade do ágio ou mesmo na necessária aplicação de multa qualificada. Pois bem, se o chamado ágio interno não fez parte das discussões nos presentes autos não há dúvida nos autos que a transação de que resultou o ágio aconteceu entre partes não relacionadas, entendo não ser possível conhecer Recurso Especial que traga como paradigmas acórdãos que analisaram operações de ágio interno e em conseqüência disso concluíram pela aplicação da multa qualificada. O acórdão paradigma n. 1301001.220 demonstra como razões de decidir, diversos aspectos relacionados ao ágio internos, tais como: i) ágio amortizado gerado internamente, não havendo qualquer tipo de desembolso; ii) sócio majoritários em comum entre comprador e vendedor; iii) ausência de compra, venda, mercado livre e aberto. Tais situações não se aplicam ao caso em tela. E o mesmo se aplica ao acórdão 1103000.857 também trazido como paradigma e igualmente referente ao ágio interno. Neste acórdão, a multa qualificada foi mantida em razão da fabricação de ágio "consigo mesmo". Verificase claramente nos acórdãos paradigmáticos que toda a razão de decidir baseouse em artificialidade flagrante na operação de ágio interno que teria sido fabricada dolosamente entre partes relacionadas em operação desprovida não somente de propósito negocial mas também de essência, o que resultou na conclusão de que o contribuinte incorreu em atos simulados e fraudulentos. O acórdão recorrido, como já anotado acima, não trata de tal hipótese. Não concordo com a Recorrente quando alega que a similitude fática encontrase no fato de que o acórdão recorrido e os paradigmáticos tratam de criação artificial de ágio. Entendo que o conceito de similitude fática adotada pela PGFN neste caso é elástica demais. Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.850 10 Assim, entendo não ter sido demonstrada a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmáticos. Portanto, o Recurso Especial não deve ser conhecido. Recurso Especial da Contribuinte Conhecimento Adoto as razões do Presidente da Câmara para conhecimento do Recurso Especial da contribuinte em relação aos temas suscitados com exceção à discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em razão da aplicação da Súmula CARF n. 108 que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Isso porque, adoto aqui o disposto no art. 67, § 3º do Regimento deste Conselho que assim dispõe: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido parcialmente e apenas em relação aos temas: i) dedutibilidade do ágio para fins de CSLL e ii) impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada. Mérito Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL O acórdão recorrido alega que as regras de dedução aplicáveis ao IRPJ devem ser aplicados à CSLL. Contudo, a Recorrente traz acórdão paradigmático desta 1° Turma da CSRF que entendeu que a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas à Contribuição Social sobre o Lucro, por expressa disposição legal, não alcança a base de cálculo da contribuição. Assim, para análise de mérito ora posta, imprescindível trazer as definições legais referente à base de cálculo da CSLL. Neste sentido, inicio destacando o art. 2º da Lei 7.689/88, que assim dispõe: Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.851 11 Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1 Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) Cabem também destacar o quanto contido no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) Veja que o dispositivo legal acima traz previsão limitada e fechada quanto à aplicação das normas do IRPJ para a CSLL, inclusive, há expressa menção quanto à manutenção da base de cálculo da CSLL conforme definida em legislação própria. Fl. 6851DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.852 12 Ora, a discussão sobre dedutibilidade do ágio abrange, sem sombra de dúvidas, a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL, assim, a adoção automática ou ampliada daquilo que fora decidido para IRPJ também para a CSLL sem maior ou mais profunda análise da legislação própria da CSLL me parece equivocada. A base de cálculo da CSLL está definida na Lei n. 7.689/88 e lá não é possível identificar qualquer regra expressa no sentido de obrigatoriedade de adição do ágio pago ou requisitos especiais para sua dedução. No caso em tela, o ágio foi efetivamente pago e o correspondente valor corretamente contabilizado. A aquisição que gerou o ágio está claramente relacionada ao negócios da Recorrente, ou seja, à geração de receita e lucro da Recorrente, sendo, portanto, necessária. Desta forma, por absoluta falta de previsão legal, improcedente a glosa da dedução do agio para fins de CSLL por mera consequência do que foram decidido para o IRPJ em decisão que levou em consideração tão somente as previsões contidas na legislação do IRPJ. Assim, procedentes as argumentações da Recorrente neste tópico. Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada Inicio a análise deste tema destacando que, se por um lado, o texto da Súmula CARF nº 105 deixa claro que tratase apenas da cobrança concomitante de multa isolada e multa de ofício lançada na vigência do artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 antes das alterações trazidas pela MP nº 351/07, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, por outro lado enxergo que ser possível e correta a aplicação do mesmo racional para lançamentos posteriores à alteração legal acima mencionada. Isso porque, ao entender do presente Conselheiro, as alterações trazidas pela MP n. 351/07 não alteraram o vício antes existente relacionado ao Princípio da Consunção que veda a cumulação de penalidade sobre um mesmo ato ou fato. O suposto divisor de águas considerado pela Súmula CARF n. 105 que é a edição da MP n. 351/07 não trouxe qualquer alteração que pudesse sanar o vício antes existente, limitandose à simples alteração de alíquota da multa, conforme se percebe da leitura da Exposição de Motivos da MP n. 351/07, in verbis: A alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora. Fl. 6852DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.853 13 Não houve alteração do racional para aplicação da multa isolada, tão somente do percentual aplicado que passou a ser 50%, assim, o racional que conduziu os julgados que culminaram na edição da Súmula CARF n. 105 pode ser aplicado aos lançamento efetuados já sob a vigência da MP n. 351/07. Ora, o recolhimento de estimativas mensais do IRPJ/CSLL configura verdadeira obrigação tributária de antecipação do imposto. Por óbvio, se tal obrigação (de antecipar) não for cumprida, a penalidade deve ser aplicada, sem dúvida. Contudo, quando o contribuinte não recolhe o tributo, antecipadamente ou não, e sofre uma autuação com aplicação da multa de ofício, perde razão a aplicação da multa isolada, vez que a multa de ofício já penaliza o contribuinte pela falta de pagamento. Vejam, é indubitável que estamos falando dos mesmo recursos , do mesmo dinheiro, do mesmo caixa que não entrou nos cofres públicos no prazo adequado (legal) e por isso sofreu penalização. Tanto isso é verdade que para regulação da situação, o contribuinte paga somente uma vez o tributo e não duas vezes. Portanto, se a obrigação é uma só, impossível a aplicação de duas penalidades. Não há espaço para dúvidas quanto ao fato que o recolhimento das estimativas é parte integrante da obrigação de recolher o IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração. Não se trata aqui de obrigação acessória ou autônoma que pudesse merecer penalização própria. Encontro aqui apoio nas lições do Prof. Marco Aurélio Greco (Revista Dialética de Direito Tributário n. 76, 2002, p. 148) a este respeito: "Mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (ar. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o luco real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3°, do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de vento futuroque se reputa em formação e que dele não pode se distanciar que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.981/95)" Uma vez entendido que as antecipações e o pagamento do tributo devido apurado ao final do período são obrigações tributárias que claramente incidem sobre a mesma base, inafastável a aplicação do Princípio da Consunção. Fl. 6853DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.854 14 Como bem destacou a Conselheira Cristiane Silva Costa em seu recentíssimo voto no acórdão n. 9101004.010, STJ já se posicionou no sentido de entender indevida a aplicação da multa isolada quando já imposta multa de ofício (RESP 1.496.354): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Desta sorte, entendo como procedentes os argumentos da Contribuinte no sentido de ser vedada a cobrança concomitante da multa isolada e multa de ofício Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 6854DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.855 15 Quanto ao tema da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, temos o que o assunto já encontrase devidamente sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, não merecem guarida as alegações da Recorrente em relação a este tópico. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL da PGFN e restando vencido nesta parte no MÉRITO voto por NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO PARCIALMENTE do RECURSO ESPECIAL da CONTRIBUINTE para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de dedução do ágio para fins de CSLL e afastar a cobrança concomitante da multa isolada sobre estimativas com a multa de ofício. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 6855DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.856 16 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto do I. conselheiro, peço vênia para discorrer sobre as matérias: repercussão da glosa de despesa de amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; incidência da multa de ofício e da multa isolada sobre insuficiência/falta de recolhimento de estimativas mensais. Passo ao exame. I. Repercussão da Glosa de Despesa de Amortização de Ágio na Base de Cálculo da CSLL. RE da Contribuinte. Protesta a Contribuinte sobre a repercussão de glosa de despesa de amortização de ágio na Base de Cálculo da CSLL. Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena de incorrer em contradições. Toda a construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontra se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram tratados três momentos cruciais para o investidor, nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, respectivamente delineados: (1) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, e (2) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento. Em relação ao segundo momento (desenvolvimento do investimento), a interpretação integrada dos dois diplomas normativos consolidou a construção de sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. Isso porque, em se considerando estritamente os lançamentos contábeis, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida. É o que prescreve o art. 22 do Decretolei nº 1.598, de 1977, quando determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do Fl. 6856DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.857 17 investimento na data do balanço (...), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável. Tal repercussão é neutralizada logo no artigo seguinte (art. 23), ao predicar que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não será computada no lucro real (...). Assim, o crédito em conta de resultado seria excluído na apuração do lucro real. Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1). Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos. A preocupação do legislador em compatibilizar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a operacionalização de ajustes no lucro líquido, é evidente. Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias relativas ao primeiro momento (aquisição do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), poderseia aplicar um entendimento diferente daquele relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento). Em relação ao terceiro momento (desfazimento do investimento), predica a norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decretolei nº 1.598, de 1977). E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), o primeiro momento (nascimento do investimento) trata da aquisição do investimento que, se for realizada com sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ao determinar nos incisos I e II que o custo de aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Repito: o que se tutela é a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os motivos apresentados até o momento são suficientes para demonstrar que a glosa de despesa de amortização do ágio tem repercussão tanto para a apuração da base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL. Contudo, caso ainda haja alguma contestação sobre tal entendimento, cabem considerações complementares. Não se pode esquecer que o ágio é despesa, submetida a amortização. Fl. 6857DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.858 18 Logo, encontrase a despesa do ágio submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei) A interpretação dada ao dispositivo pelo Conselheiro Marcos Pereira Valadão, no Acórdão nº 9101002.396, é didática e esclarecedora: Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas, do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL. A redação do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe claramente sobre hipóteses de despesas indedutíveis tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, incluindo expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição à Base de Cálculo da CSLL. No mesmo contexto, encontrase a redação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, mencionada pela autoridade fiscal: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base Fl. 6858DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.859 19 de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Pela expressão normas de apuração entendese o cômputo do quantum tributável, o procedimento consistente em determinar a base de cálculo do tributo, mediante operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente que repercussão dos ajustes efetuados para apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL. Nesse contexto, entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal ao promover a glosa de despesa de amortização de ágio tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Portanto, deve ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte em relação à matéria. II. Incidência da Multa de Ofício e da Multa Isolada por Insuficiência/Falta de Recolhimento de Estimativa Mensal. A matéria devolvida consiste em apreciar a suposta concomitância entre multa de ofício e multa isolada de estimativas mensais, para os anoscalendário 2008 e 2009. Cabe discorrer, a princípio, sobre o lucro real, que é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, Fl. 6859DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.860 20 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (grifei) Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 6860DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.861 21 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Portanto, não há óbice para que possa ser efetuado lançamento após o ano calendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Fato é que o descumprimento de norma que determina o pagamento do tributo em regime de antecipação proporciona substancial prejuízo, por permitir uma liberalidade no ordenamento jurídico sem base legal, por fomentar um tratamento desigual entre os contribuintes, e por implicar em não ingresso de recursos aos cofres do Estado. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Fl. 6861DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.862 22 Vale dizer que o caso concreto trata de fatos geradores posteriores a 2006, ou seja, sob a égide da nova redação dada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, que afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Por isso, não há se falar na incidência da Súmula nº 105 do CARF, que se aplica aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007). Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Assim sendo, deve ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte em relação à matéria. III. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte, em relação à parte conhecida. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 6862DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903240/2008-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1640.509, de 26 de julho de 2012, da 10ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 24 0/ 20 08 -8 1 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 3 2 Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do r. acórdão, passo a transcrevêlo abaixo: O presente processo trata dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação – PER/DCOMP discriminados abaixo, relativos à compensação de diversos débitos com crédito relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001: 42626.61405.130206.1.7.039728 (fls. 60 a 69), 15096.04716.150206.1.3.033625 (fls. 56 a 59), 16680.66485.140806.1.3.030150 (fls. 52 a 55) e 19955.31276.120906.1.3.037023 (fls. 48 a 51). No despacho decisório de fls. 5, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO verificou que, do crédito de R$28.252,15 pleiteado pela requerente, o montante de R$20.956,11 já havia sido utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP de final 9728, restando disponível o crédito de R$7.296,04. Assim, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP de final 9728 e não homologadas as compensações declaradas nos demais PER/DCOMP acima relacionados. Cientificada da decisão em 21/08/2008 (fls. 71), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 4, acompanhada dos documentos de fls. 5 a 70. Alega que o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2001 foi de R$55.541,11 e não de R$28.252,15, como declarado no PER/DCOMP e na DIPJ. Sustenta que houve um erro de fato no preenchimento da linha 38 da ficha 17 (CSLL mensal paga por estimativa) da DIPJ 2002, não tendo sido somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, no total de R$27.198,96, que foram quitados por compensação com saldo negativo de CSLL de período anterior. Ante o exposto, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida a decisão final no presente processo. Requer também o acolhimento de sua manifestação de inconformidade, para que: a) seja retificada de ofício a DIPJ 2002, passando a constar o valor de R$55.541,11 na linha 38 da ficha 17; b) sejam homologadas as compensações, extinguindose os créditos tributários ora impugnados. É o relatório. A DRJ/SP1 julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. ESTIMATIVAS MENSAIS. SALDO NEGATIVO. Na composição do saldo negativo da CSLL apurado no final do ano calendário, somente podem ser considerados os valores de estimativas mensais efetivamente pagos, assim considerados os créditos extintos por meio de dedução da CSLL retida por órgão público, compensação de pagamento a maior ou indevido, compensação de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, compensação solicitada por meio de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos por meio de Darf. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO. Sob a égide do art. 66 da Lei nº 8.383/91, a compensação entre tributos de mesma espécie prescindia de autorização administrativa. Tal fato, no entanto, não implica reconhecer a regularidade das compensações informadas em DCTF, mormente quando a interessada não apresenta documentação contábil e fiscal que as comprove. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Que o Despacho Decisório nº 781219835 verificou que, do crédito de R$ 28.252,15 apresentado no PER/DCOMP, o montante de R$ 20.956,11 havia sido utilizado em compensações anteriores, restando disponível o valor de R$ 7.296,04; (ii) Na manifestação de inconformidade, a ora Recorrente esclareceu que houve erro de fato no preenchimento da linha 38 da ficha 17 (CSLL mensal paga por estimativa) na DIPJ 2002, pois não foram somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2002, no total de R$ 27.198,96, os quais foram quitados com saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999, concluindo que o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2001 de R$ 55.541,11 e não de R$ 28.252,15; (iii) A DRJ, quando da análise da impugnação; confirmou que os valores IPJ 2002 e na DCTF, bem como consta no sistema os pagamentos realizados e as compensações foram declaradas em DCTF, contudo fundamentou sua decisão na ausência de comprovação quanto à existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999, suficiente pata quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001 através de compensação; (iv) Que é facultado à contribuinte a juntada de novos documentos antes da decisão final do processo administrativo, nos moldes do art. 38 da Lei 9.784/99, em razão do necessidade do exercício da ampla defesa e colaciona decisões do CARF nesse sentido. Em razão do exposto, a Recorrente colaciona, junto ao recurso voluntário, documentos que Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 5 4 comprovariam a existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999 suficiente para quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, através das seguintes documentações: cópia do Livro Razão e cópia dos balancetes analíticos de dezembro/1999, dezembro/2000 e dezembro/2001; cópia do Livro Diário, cópia dos DARF de pagamento de estimativas de CSLL durante o ano calendário de 2001 e cópia das DIPJ de 2000,2001 e 2002; Ao final, requereu que os documentos juntados no recurso voluntário sejam apreciados e, ao final, sejam homologadas as compensações apresentadas. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente declarou ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ de 2002 no valor de R$ 55.541,11, contudo em razão de erro de fato no preenchimento da DIPJ pois não foram somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2002, no total de R$ 27.198,96, os quais foram quitados com saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999, teria informando apenas o valor de R$ 28.252,15 A DRJ, ao analisar a defesa da Recorrente, fundamentou que as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001 foram declarados na DCTF como compensadas com crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, entretanto não juntou documentos contábeis suficientes para comprovar a informação prestada na DCTF, bem como para provar para demonstrar a existência de saldo negativo de CSLL a pagar ao invés de saldo negativo. Diante de tais razões, a DRJ, acertadamente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A Recorrente, em grau de recurso voluntário, acostou novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar a existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999, suficiente para quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, o que embasaria a prova de ter havido erro de fato no preenchimento da DIPJ 2002. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 6 5 Logo, havendo qualquer discrepância nas informações cantantes na PER/DCOMP com as demais declarações fornecidas pelo contribuinte, é acertado o Despacho Decisório e demais decisões que não reconhecem o crédito. Contudo, a decisão da DRJ baseouse primordialmente na ausência de comprovação do erro cometido por parte do contribuinte e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos contábeis e fiscais da empresa para comprovar suas alegações. A autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. A Recorrente acostou no Recurso voluntário cópias do Livro Razão e do Livro Diário, cópia dos balancetes analíticos de dezembro/1999, dezembro/2000 e dezembro/2001, cópia dos DARF de pagamento de estimativas de CSLL durante o ano calendário de 2001 e cópia das DIPJ de 2000,2001 e 2002, tudo para complementar as demais provas já acostadas na manifestação de inconformidade. Tais informações e provas fornecidas pela Recorrente nesta oportunidade são novos no processo e não foram analisados e discutidos pela DRF e pela DRJ. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, verificase que a não comprovação do erro de fato foi ventilada apenas no acórdão recorrido, tendo aquela, desde o primeiro momento nos autos, apresentando defesas e documentos para buscar comprovar o que alega em suas peças. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito, a título de saldo negativo de CSLL ano calendário 2001, que seja realizada as compensações possíveis em relação às DCOMP nºs 42626.61405.130206.1.7.039728, 15096.04716.150206.1.3.033625, 16680.66485.140806.1.3.030150 e 19955.31276.120906.1.3.037023. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 14055.720841/2012-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 72 08 41 /2 01 2- 58 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.577,52, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, como segue: Contra o Contribuinte acima identificado foi emitida, em 07/05/2012, a Notificação de Lançamento de fls. 07 a 11, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2011, anocalendário 2010, tendo sido apurado o crédito tributário assim constituído (em Reais): (...) O lançamento teve origem na constatação de dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 20.500,00, relativas ao profissional Peterson de Souza, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Conforme despacho de fls. 82, como o Aviso de Recebimento referente à ciência do lançamento foi extraviado, considerouse que a referida ciência ocorreu com a data de formalização deste processo, razão pela qual a impugnação é tempestiva, devendo ser conhecida, haja vista que atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Convém ressaltar que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem Fl. 102DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 102 3 exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Esclareçase que para se fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, se torna indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. A propósito de dedução de despesas médicas, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: (...) Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento, se assim for exigido pela autoridade lançadora, como neste caso. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias. Nesse sentido, não basta somente que o Contribuinte demonstre que o total de saques efetuados é superior ao montante das despesas glosadas, mas que realize a correlação entre tais saques e os respectivos recibos, como esclarecido. Como não foram apresentados recibos relativos a cada sessão ou consulta, mas somente três recibos (fls. 22 a 24), não há como correlacionar os valores pagos para cada um dos atendimentos com saques nos extratos bancários apresentados (fls. 29 a 47), de forma que reste comprovado que estes foram utilizados para o pagamento em espécie das despesas médicas. Mesmo que se admita que os pagamentos foram efetuados na data da emissão de cada recibo, não há saques bancários em valores iguais ou superiores aqueles descritos nos recibos naquelas datas. Por conseguinte, não restou comprovado o efetivo pagamento, devendo ser mantida a glosa efetuada. Fl. 103DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, o que resulta na manutenção do crédito tributário lançado. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.577,52, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em sua declaração de IRPF 2011, anocalendário 2010, o contribuinte lançou alguns valores dedutíveis, conforme prevê a legislação pertinente. Ocorre que o Senhor Auditor Anísio Carrasco solicitou ao contribuinte a documentação comprobatória da dedução no valor de R$ 20.500,00 que correspondia a despesas odontológicas justificadas por Recibos do Profissional Peterson de Souza CRODF 6867. Tal solicitação foi atendida com a entrega dos recibos de pagamentos, emitidos pelo profissional, ao auditor citado. Não obstante, o contribuinte foi autuado pela Secretaria da Receita Federal – SRF, conforme Notificação 2011/451952527443812. Destarte o Contribuinte propôs impugnação do ato, em documento esclarecendo todas as circunstâncias que justificam e deram origem ao lançamento da dedução da Declaração de IRPF. Sintetizando os fatos: em 2009, o contribuinte foi vítima de restrição cadastral indevida, junto aos sistemas de proteção ao crédito, e a partir daí ficou impedido de utilizar cartões de crédito ou cheques como meios de pagamento, entre outras restrições. Em 2010 o contribuinte iniciou um tratamento odontológico complexo, que resultou num gasto de 20.500,00 (vinte mil e quinhentos reais) justificados por 3 (três) recibos de pagamentos emitidos pelo profissional citado, conforme as exigências legais à época do ocorrido. Ocorre que, devido à restrição cadastral, o contribuinte efetuou o pagamento ao Dentista em espécie e, em primeira análise, a comprovação legal do pagamento é o próprio recibo de pagamento emitido pelo profissional. Todavia, após questionamento confirmado pela Notificação supracitada, este contribuinte, através do documento de impugnação, adicionou documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados para o pagamento do Dentista. Ora, sabendo da necessidade de tal procedimento médico, o contribuinte que já estava com restrição cadastral, liquidou um dos seus bens, um veículo, no valor de R$ 11.000,00 para pagar parte do tratamento. É fato que não há um saque de igual valor aos recibos emitidos pois não era preciso efetuar estes saques nas datas correlatas pois o contribuinte dispunha de reservas financeiras que não estavam alocadas em sua conta corrente. Mas os extratos anexados à solicitação de Impugnação são suficientes para demonstrar a capacidade financeira deste contribuinte de liquidar com a referida despesa médica. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 103 5 Os documentos comprobatórios e suficientes citados neste recurso estão disponíveis no pedido de Impugnação acompanhados ainda de uma declaração de recebimento dos valores emitidas pelo profissional Peterson de Souza CRODF 6867 com os dados do paciente / contribuinte, valores, datas e local dos procedimentos médicos. Ante o exposto, o contribuinte requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, sendo revista assim a decisão anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 105DF CARF MF 6 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência Fl. 106DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 104 7 coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Fl. 107DF CARF MF 8 Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Neste sentido, deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou os recibos de prestação de serviços do profissional habilitado por ocasião da verificação fiscal e juntou aos autos conforme fls. 22/24, bem como juntou extratos bancários requeridos pela fiscalização, conforme fls. 29 a 47, em valores compatíveis com os desembolsos para cobrir despesas médicas, além da informação da venda de um veículo, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie. Neste sentido, ficou constatada a providência de atendimento da exigência legal da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total de R$ 20.500,00, conforme comprovantes fornecidos pelo profissional Peterson de Souza CRODF 6867. O referido profissional formalizou declaração, fls. 49 a 51, com informações técnicas sobre o tratamento dentário realizado no Paciente/Contribuinte, e juntou radiografias dentárias que identificam o procedimento odontológico realizado. Declara ainda o profissional ter recebido o valor de R$ 20.500,00, parceladamente, nos períodos de atendimento, em espécie, conforme informado pelo Recorrente. Ressaltese que não há obrigatoriedade legal de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 105 9 que a cada atendimento/pagamento deva haver emissão de recibo correspondente, podendo ser convencionado entre as partes a forma que melhor se adequar a ambos, bastando para efeito de comprovação a emissão de recibos parciais que comporão o total declarado. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante comprovantes assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declaração, assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Verificase, neste caso, que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional habilitado e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas objeto do crédito tributário lançado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, excluindo se, por consequência, o crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.722327/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 27 /2 01 0- 79 Fl. 1204DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração em razão de empresa ter deixado de apresentar contratos e notas fiscais de prestação de serviços de segurança/vigilância e limpeza, conforme discriminado em sua escrituração fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 48/49), por deixar de exibir documentação regularmente requerida por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 42/44), a empresa infringiu os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei º 11.941/2009, c/c o art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Em sessão plenária de 15/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.671 (fls. 1092/111), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. FATOS GERADORES. NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. A PGFN foi cientificada da decisão em 5/04/2017 (fl. 1598 do Processo nº 13603.722323/201091, ao qual os presentes autos estavam apensados) e, em 04/05/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1113/1125 (fls. 1607 do processo 13603.722323/2010 91), com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 3 3 Portaria MF nº 343/2015, visando rediscutir as seguintes matéria “Grupo econômico contrato de rateio de despesas com contribuições previdenciárias”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 31/07/2018 (fls. 1126/1130). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a contribuição devida à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados empregados, consoante o disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991, incide sobre o seu salário de contribuição mensal, definido no art. 28 da mesma Lei; a fiscalização ao examinar a contabilidade do contribuinte constatou registro de verbas pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que, de acordo com a legislação previdenciária constitui base de incidência de contribuições previdenciárias, tais como salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário, assim como registro de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, como de segurança, vigilância e limpeza, sem a comprovação da retenção e do recolhimento da contribuição de 11% prevista no art. 31, da Lei nº 8.212/1991; em resposta aos termos de intimação fiscal expedidos pela Autoridade Autuante em relação a valores pagos aos segurados beneficiários de tais pagamentos, assim como àqueles decorrentes de cessão de mãodeobra, a contribuinte informou que não realizou os pagamentos, justificou os lançamentos como sendo de rateio de despesas com a empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando Contrato de Rateio de Despesas; quanto ao Contrato de Rateio de Despesas, celebrado entre as empresas Minas Logística Ouro Fino Ltda e Logística Ouro Fino Ltda, registrese que o assunto não está respaldo na legislação previdenciária, porém, na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, encontrase fundamento no art. 299, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 2009 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1991; no âmbito da legislação previdenciária, o art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212/1991 e art. 225, inciso II, §§ 13 ao 15, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, determinam que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; a escrituração contábil, portanto, deve ser efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em históricos contábeis ou em outras contas ou grupos de contas, cujos títulos, sejam diversos daqueles usualmente utilizados para lançamento dos referidos fatos geradores; a fiscalização apurou na contabilidade do contribuinte autuado, verbas contabilizadas que de acordo com a legislação constituem base de cálculo de incidência de contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros, tais como, salários/ordenados, Fl. 1206DF CARF MF 4 horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário e serviços contratados com cessão de mãodeobra, não resta dúvida de que a empresa autuada é responsável pelo encargo previdenciário decorrente de tais hipóteses de incidência; é irrelevante a forma como a empresa autuada pagou as verbas registradas em sua contabilidade, pois, de acordo com a legislação previdenciária as contribuições incidem sobre os valores pagos, devidos ou creditados; o fato do registro contábil das verbas salariais decorrer de rateio entre empresas do grupo econômico, não retira a responsabilidade do contribuinte autuado pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre referidas verbas, assim como a obrigação da retenção e recolhimento da contribuição de 11% incidente sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratados com cessão de mãodeobra; dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN que, “Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”; mesmo que o referido Contrato de Rateio de Despesas tenha estabelecido a quem compete a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, o mesmo não pode ser oposto à Fazenda Pública, conforme determinação contida no art. 123 do CTN; DRJ de origem concluiu que os documentos juntados ao feito pelo autuado que segundo ele, comprovam que os recolhimentos de todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados foram recolhidos regularmente, não devem ser acolhidos, pois, não há como saber se os recolhimentos referemse de fato aos valores correspondentes àqueles apurados pela fiscalização, já que foram efetuados de forma global pela Logística Ouro Fino Ltda; não constam folhas de pagamento/discriminativos com os valores do rateio e Guia da Previdência Social – GPS, que correspondem aos valores registrados na contabilidade e os apurados pela fiscalização; em nenhum momento o contribuinte demonstrou quais são os trabalhadores e as atividades que exerceram e que deram origem à escrituração contábil; diante da constatação nos registros contábeis do autuado de fatos geradores de contribuições previdenciárias e a não apresentação de documentos que demonstrem os respectivos recolhimentos, agiu corretamente a fiscalização ao lavrar o Auto de Infração contra o contribuinte e demais empresas integrantes do grupo econômico; também com espeque nesses fundamentos, o Auto de infração lavrado por infringência ao disposto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991 e alterações posteriores, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do RPS, por ter o contribuinte autuado deixado de apresentar à fiscalização os contratos e as notas fiscais/faturas de prestação de serviços de segurança, vigilância e limpeza, registrados na sua escrituração contábil e no Relatório Fiscal do Auto de Infração nº 37.261.6550; é incontroverso que o contribuinte, de fato, não apresentou os documentos solicitados. Requer a Fazenda Nacional seja admitido e provido o Recurso Especial. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 4 5 Cientificadas do acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento entre 29/08/2018 (fl. 1151/1152), a Contribuinte, conjuntamente com as demais empresas do grupo econômico, em 12/09/2018 (fl. 1158), ofereceram conjuntamente as Contrarrazões de fls. 1160/1182, alegando, em resumo o que segue: Conhecimento é franca a necessidade da admissibilidade do recurso contrarrazoado ser reformada; sustentamse as razões recursais unicamente na parcial transcrição dos apontamentos das decisões recorridas e dos supostos julgados paradigmáticos, dos quais foram suprimidos trechos que lhes alteram a interpretação; o Recurso Especial interposto pela União viola caput e os §§ 1º, 8º e 11 do art. 67 do Regimento Interno do CARF e não preenche os requisitos de admissibilidade, quer seja porque omite a juntada do inteiro teor do paradigma e o replica no corpo recurso com a supressão de trechos que lhe altera a interpretação, quer seja porque, quando inteiramente cotejadas a decisão recorrida e o paradigma, salta aos olhos que não guardam qualquer similitude fática ou jurídica entre si; de acordo com a decisão recorrida, o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque têm natureza indenizatória (reembolso) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; em razão disso, afirmouse que a classificação contábil de uma determinada rubrica não é suficiente para configuração de um fato gerador, tampouco o Contrato Rateio objetiva dissimular sua ocorrência ou natureza; a incidência tributária, como obrigação ex lege que é, prescinde apenas da verificação dos elementos da realidade que se amolde à hipótese de incidência; o Recurso Especial, contudo, desobedece claramente à ordem do §8º c.c. §11º, do art. 67, da Lei nº 8.212/91 pois não colaciona o inteiro teor da outra decisão e, ao transcrevêla no corpo da petição, suprime relevantíssimo conteúdo que desmente a existência de similitude fática e jurídica entre os casos; o faz, afinal, para dificultar a constatação de inexistência de divergência jurisprudencial apta a sustentar o seu recurso de exceção; a integral leitura do paradigma (possível apenas com a juntada aos autos como anexo a estas contrarrazões) faz saltar aos olhos que o que efetivamente lá se discutiu foi a solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico pelo inadimplemento por uma delas; naquele processo, como se nota, a questão da existência ou não de grupo econômico só foi tornada controvertida porque as empresas não se reconheciam como tal; Fl. 1208DF CARF MF 6 o Fisco constatou que operavam com nítida confusão patrimonial, inclusive com o pagamento direto de despesas de uma empresa por outra, além de associação informal, objetivando omitir sucessão negocial e a identidade operacional; objetivase, com isso, apenas justificar o cerne daquela controvérsia: a responsabilização solidária prevista no inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/1991; a situação fática e a controvérsia jurídica analisadas no presente feito são completamente distintas; enquanto a decisão recorrida tratou da inexistência de feição remuneratória de despesa de reembolso advindo de rateio de despesas de empresas de um mesmo grupo (que se reconhece como tal), o paradigma tratou da validade da solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico (que não se reconhecia como tal) pelo inadimplemento parcial por uma delas; isso se evidencia ainda mais quando se constata que o ponto central do recurso paradigmático é o inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 e a solidariedade passiva frente às contribuições previdenciárias não foi nem mesmo abordado en passant na decisão recorrida, tampouco apontado expressamente como controvérsia nas razões do Recurso Especial manejado pela União; não há incompatibilidade entre a decisão recorrida e a Legislação; não há colisão, atrito ou mesmo divergência de interpretação a reclamar a admissibilidade do Recurso Especial combatido; à toda evidência, inadmissível não só porque amparado em violações ao § 8º c.c. §11º, do art. 67, da Lei nº 8.212/91 mas porque as omissões que o permeiam, contanto aclaradas, demonstram cabalmente a inexistência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorridos e o Acórdão paradigma; Mérito despesas incorridas por quaisquer contribuintes para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos que compartilha com outras empresas quem compõe seu grupo econômico tem natureza indenizatória; a decisão recorrida é irretocável porque reconhece que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque tem natureza de reembolso (portanto indenizatória) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; a Constituição Federal outorga a competência legislativa para instituição de tributos, traçando ainda limites ao exercício desse poder. Reproduz art. 195 da CF/1988; esses dispositivos não conceituam, entretanto, essas expressões, relegando a definição dos fatos jurídicos tributários ao Código Tributário Nacional, recepcionado com status de lei complementar pela nova ordem jurídica, nos termos do art. 146, III, da CF; o CTN por sua vez traduz de forma genérica preceito constitucional implícito, a tolher na prática e explicitamente os desmandos legislativos dos Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 5 7 entes tributantes, prevendo, em seu art. 110, que a lei instituidora do tributo não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado – muito menos pode, nessa ordem de ideias, a opinião fiscal; em suma, revela a existência de uma regramatriz fundamental dos tributos, que não pode ser ignorada ou ampliada pelo legislador ordinário ou pelo sujeito ativo tributário num rompante arrecadatório, em especial no tocante aos fatos agravados pelo Direito Tributário. Cita doutrina; não se pode, por outro ângulo, olvidar o caráter de direito de sobreposição do direito tributário, também nominado pela doutrina como direito de superposição; essa característica apresentase visível, face à captação e assimilação de institutos fornecidos por outros segmentos do mundo jurídico. O direito tributário, quando da caracterização dos critérios da regramatriz de incidência, utilizase de institutos advindos de outros subramos da ciência jurídica; por esses motivos é que a compreensão da base de cálculo das contribuições previdenciárias deve advir primitivamente de outros diplomas normativos (p.ex. Consolidação das Leis do Trabalho – CLT), donde se há de extrair que as verbas que interessam à tributação são as de natureza remuneratória; as indenizações, sejam de natureza material ou moral, não se incluem nesse conjunto, porquanto não advêm do capital ou do trabalho e não representam acréscimo, apenas recomposição patrimonial; a decisão recorrida tratou de perquirir e deparouse com inexistência de feição remuneratória nas despesas de reembolso advindo de rateio de serviços administrativos entre as empresas de um mesmo grupo econômico, que, alheias ao campo de incidência das contribuições previdenciárias, não poderiam ser forçadamente exigidas pela autoridade lançadora; a operação é também regular sob a perspectiva jurídicotributária formal, já que todas as despesas rateadas eram e são indispensáveis a realização das atividades da empresa autuada, sem as quais sequer poderia funcionar, e quiçá gerar a riqueza passível de ser tributada; a conformidade com a legislação e a jurisprudência administrativa evidenciase ao constatar que se tratam de despesas indispensáveis a consecução de seu objeto social e que são despesas usuais e normais nas operações, transações e atividades da empresa; o contrato de rateio de despesas de serviços administrativos, ainda que contrato não expressamente previsto e regulamentado no ordenamento jurídico civil, é perfeitamente aceitável conquanto entabulado com respeito à lei, aos bons costumes e os princípios gerais de direito, na forma do art. 425, do Código Civil; tal como reconheceu a decisão recorrida, referido contrato não se presta a alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos, muito menos para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, como afirmou originalmente a fiscalização; todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados sempre foram recolhidos regularmente, assim Fl. 1210DF CARF MF 8 como também eram os decorrentes das relações entre a Logística Ouro Fino Ltda e os colaboradores que prestaram os serviços administrativos comuns ao Grupo; a vontade real das partes não esteve, em nenhum momento, oculta ou dissimulada. Ao contrário, sempre esteve clara e expressa em todas as cláusulas do instrumento e durante toda a execução de seus termos, de sorte que não se sustenta a pretensão fiscal de se aplicar ao caso o comando contido no parágrafo único art. 116, do CTN com o intuito de desconstruir os negócios jurídicos praticados pelas partes envolvidas na celeuma. Requer, por fim, que se reconheça a inadmissibilidade do Recurso Especial ou, subsidiariamente, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. De início, convém ponderar que a presente autuação foi motivada pela recusa do contribuinte em exibir documentos solicitados no curso do procedimento fiscal. Contudo, muito embora a conduta que deu ensejo ao lançamento não tenha nenhuma relação com as obrigações tributárias principais, a decisão recorrida entendeu que “Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária”. Talvez por essa razão o Recurso Especial tenha se pautado no mesmo paradigma apresentado nos apelos relacionados aos autos de infração decorrentes do falta de recolhimento das contribuições (Acórdão nº 2803002.475). Ocorre que essa decisão aborda aspectos vinculados exclusivamente ao não pagamento de tributos, ou seja, não faz qualquer referência ao inadimplemento de obrigação acessória. É o que se constata do primeiro parágrafo de seu relatório: A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.142.7560, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – parte patronal, SAT, parte descontada dos segurados e glosa de deduções com salário família, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 111 a 136, com período de apuração de 01/1999 a 02/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 137. (Grifouse) Observese que, inexistindo relação direta entre os autos de infração pelo não pagamento de tributos (obrigação de dar) e o relacionado à recusa de exibição de documentos solicitados no curso do procedimento fiscal (obrigação de fazer), a premissa trazida no apelo Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 6 9 recursal, de que, mantido o lançamento das obrigações principais, “por via de consequência, segundo a ótica do paradigma, também deveria ser mantido o Auto de Infração lavrado por descumprimento da obrigação acessória correlata”, não se confirma. Desse modo, não há como afirmar que, por ter ser posicionado pela manutenção do lançamento relacionado à exigência do tributo, o Colegiado paradigmático adotaria a mesma conclusão no tocante a eventual autuação por não apresentação de documentos. Tratamse de lançamentos diversos, com finalidades próprias, conjuntos probatórios específicos e fundamentos absolutamente distintos. Com efeito, o exame dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático peculiar de cada processo. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência jurisprudencial. Conclusão Ante o exposto voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1212DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.689095/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 90 95 /2 00 9- 39 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720938/2015-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
Ocorrência de inexatidão material nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Unidade Executora da DRF. Correção saneadora da interpretação da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, ratificando o Acórdão nº 2001.000.431, de 23 de maio de 2018, aclarar a abrangência da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. Ocorrência de inexatidão material nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Unidade Executora da DRF. Correção saneadora da interpretação da decisão colegiada.
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INEXATIDÃO MATERIAL. Ocorrência de inexatidão material nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Unidade Executora da DRF. Correção saneadora da interpretação da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, ratificando o Acórdão nº 2001.000.431, de 23 de maio de 2018, aclarar a abrangência da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 09 38 /2 01 5- 64 Fl. 182DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados apresentados pela Unidade Executora da Delegacia da Receita Federal, em face do Acórdão nº 2001000.431, exarado em 23 de maio de 2018, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DEDUÇÃO POR DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. Reconhecido o direito à dedução do imposto quando efetivamente comprovada a dependência para efeitos tributários. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para justificar a dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa de despesas não se justifica quando resgatada a comprovação de dependência. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, quando comprovada a dependência de filhos. A Unidade Executora da DRF de origem do processo apontou inexatidão, que teve o recurso reconhecido pelo exame de admissibilidade exarado em 16 de outubro de 2018, cujo teor da decisão reflete a demanda do órgão executor da entidade tributante, com as seguintes principais expressões: Da Legitimidade Os embargos não foram assinados por servidor da unidade executora, tendo sido informada a existência de delegação de competência. Da alegada inexatidão material Foi apontada inexatidão material, conforme abaixo: Em seu acórdão, o CARF dá provimento ao recurso, exonerando totalmente o crédito tributário, fls. 159/165. Ocorre que, da leitura deste acórdão, se depreende que foram apreciadas a Dedução Indevida com Dependentes e a Dedução Indevida de Despesas Médicas. Não se pronunciou o CARF, porém, sobre a Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi. Compulsandose os argumentos apresentados no recurso voluntário, observase que, s.m.j., o contribuinte não se pronunciou acerca da dedução indevida de previdência. Esta matéria não recorrida gera redução da restituição declarada, conforme se vê à fl. 176. Diante do exposto, restituo o p.p. ao CARF para que o mesmo avalie a necessidade de se pronunciar, no acórdão, sobre a dedução de previdência privada, para que se possa apurar com exatidão a restituição a que faz jus o contribuinte. No SIEF, o processo se encontra em situação encerrada. A contrário do manifestado nos embargos acima, o recurso voluntário abarcou também as despesas com previdência privada e FAPI. Às e fls. 104 do recurso, o recorrente insurgiuse contra todas as deduções Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15463.720938/201564 Acórdão n.º 2001001.274 S2C0T1 Fl. 183 3 consideradas indevidas pela falta de comprovação da dependência. Em seguida, às efls. 105, o recorrente novamente pleiteou o reconhecimento do direito de colocar o filho, portador de necessidades especiais, como dependente. Finalmente, na conclusão, o pedido foi pelo cancelamento de todo o débito lançado, débito esse que se baseou, em sua integralidade, na falta de comprovação da dependência, que depois foi reconhecida pelo acórdão ora embargado. Assiste razão à Unidade Executora quanto à necessidade de esclarecimento do alcance do julgado, uma vez que o acórdão circunscreveu o restabelecimento das deduções apenas em relação à dedução por dependência e à glosa de despesas médicas. No entanto, numa análise perfunctória, entendese que o reconhecimento da dependência implica também na aceitação da despesa com previdência privada e FAPI do mesmo dependente (o comprovante da despesa no valor de R$ 3.155,10 encontrase às efls. 58). Assim, é necessário que a 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção se manifeste acerca da inexatidão constatada. Diante do exposto, admitemse os embargos para que sejam distribuídos ao relator originário e incluídos em pauta de julgamento 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção para apreciação e saneamento da inexatidão apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator A alegada inexatidão tem origem na afirmação de que Acórdão não teria abrangido a questão da dedução de previdência privada, dificultando, na execução, a apurar com exatidão da restituição a que faz jus o contribuinte. Admitese a falta pormenorizada da decisão a certa deste quesito, contudo, esclareçase que a demanda do Recorrente se relaciona no todo com o filho que na decisão teve o reconhecimento da dependência em vista da comprovação juntada aos autos. Toda a demanda prendese ao fato da dependência para efeitos tributários e a previdência privada está em nome do filho Felipe Rebello Ottati, comprovadamente curatelado por decisão judicial, fls. 157/158 do processo. De vez que, reconhecida a dependência legal do filho curatelado, aceita também a dedução de previdência privada cujo comprovante encontra se na fl. 58 dos autos. Fl. 184DF CARF MF 4 Neste sentido, considerouse incluída na decisão do Acórdão nº 2001.000.431 o item que trata da previdência complementar, considerandose válida a dedução, inclusive porque faz parte do requerido pelo Recorrente no seu recurso voluntário que pede para ser contemplado com o cancelamento crédito tributário lançado e solicita a restituição do imposto de renda constante de sua Declaração de Ajuste Anual. Assim que, esclarecida a abrangência da decisão do Colegiado quanto à inexatidão material apontada nos Embargos, ratificase a decisão do Acórdão nº 2001000.431, fl. 165, cujo texto tem os seguintes termos agora confirmados e aclarados: “Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução por dependência e a exclusão da glosa das despesas médicas, em sua integralidade.” Observese que é dado provimento ao Recurso Voluntário na sua integralidade, isto porque a dedução da previdência privada/Fapi é aceita em razão do reconhecimento da dependência do filho, porque a ela vinculada, mediante provas acostadas aos autos. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos Inominados apresentados pela Unidade Executora da DRF, promovendose o aclaramento da decisão do Acórdão nº 2001.000.431, que restabelece a dedução por dependência, restabelece a dedução de previdência privada/Fapi, e exclui a glosa das despesas médicas em sua integralidade, dando provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902309/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
Numero da decisão: 1301-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade. Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomandose o rito processual, a partir daí. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 23 09 /2 01 3- 07 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 187 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.540, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não homologou a compensação formalizada através da declaração nº 37350.18416.180310.1.7.04 5654. A recorrente indicara, na declaração de compensação (dcomp), como crédito em seu favor uma quantia recolhida a título de estimativa de CSLL. A DRF Divinópolis, entretanto, não reconheceu o direito creditório, alegando que, embora encontrado o pagamento, o valor estava totalmente utilizado para quitação de outro débito da própria recorrente, não remanescendo crédito a ser compensado. Não resignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do direto creditório, de Pagamento Indevido ou a Maior que o Devido para Saldo Negativo de CSLL, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório pleiteado, nem se homologam as compensações declaradas. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 188 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão da DRJ foi interposto recurso, no qual a recorrente alegou que a decisão recorrida havia se apegado a detalhes de forma; especificamente, o equívoco de indicar como crédito o pagamento indevido de estimativa, ao invés de indicar o saldo negativo. Aduziu ter direito de retificar o pedido de compensação, alterando o crédito para saldo negativo. Com isso, o processo retornaria à unidade de origem para prosseguimento da análise. A retificação pretendida encontraria óbice no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que não impede a alegação de qualquer matéria, inclusive a inovação de fatos e argumentos. A recorrente reiterou ter direito de retificar erros formais cometidos na declaração de compensação. Nesse sentido, invocou o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que determina a revisão do despacho decisório na hipótese de "erro de fato" quando do preenchimento da DCTF ou da DIPJ. Ademais, conforme o ADE Corec nº 4/2013 e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, o contribuinte pode unilateralmente corrigir irregularidades. Alegou, por fim, que teria havido descumprimento da referida norma de execução e dos princípios da proporcionalidade, informalidade e verdade material. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação ou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa revise a dcomp, considerando o crédito nela declarado como saldo negativo ou permita à recorrente retificar a declaração. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 189 4 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O problema pode ser resumido em poucas palavras. A recorrente apresentou uma declaração de compensação, na qual informara como crédito o valor recolhido a título de estimativa de CSLL, referente a um mês de 2008. A DRF, porém, decidiu não homologar a compensação, fundada no fato de que o pagamento já estava integralmente alocado a outro débito da própria recorrente. Esta se opôs à decisão, alegando ter cometido um mero erro de preenchimento da dcomp. Sua intenção era, desde o início, compensar o saldo negativo de CSLL, porém, por "erro de fato", informou o valor da estimativa mensal. Pretende, portanto, que o erro seja corrigido de ofício pela Receita Federal. A recorrente sustenta que sua pretensão encontra amparo na legislação em vigor, em especial no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, no ADE Corec nº 4/2013 e na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. A legislação citada prevê a possibilidade de retificação de "inexatidões materiais". Isso, entretanto, não pode ser interpretado como autorização para modificar aspectos essenciais da declaração, e tampouco para refazer por completo a dcomp. Nesse sentido, era cristalina a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente ao tempo da transmissão da dcomp: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Disposições idênticas foram reproduzidas nas Instruções Normativas RFB 1.300/2012 e 1.717/2017, esta atualmente em vigor. As normas que disciplinam a compensação no âmbito da Receita Federal são bastante restritivas no que tange à possibilidade de retificação de dcomp, só o permitindo na hipótese de inexatidão material. Por inexatidão material se deve entender tãosomente o erro de escrita ou de cálculo, caracterizado por uma clara desconformidade entre o dado inserido no documento e a vontade manifestada pelo contribuinte. Nessa linha de entendimento, inexatidão material seria, por exemplo, o erro quanto ao código de arrecadação do tributo, ou quanto ao período de apuração ou a data de vencimento. Enfim, são inconsistências passíveis de ser percebidas a olho nu, pelo simples confronto com os demais dados constantes da mesma dcomp. Só esses erros dão ensejo à retificação da dcomp. Não se pode refazer por completo a declaração, a pretexto de corrigir "erro de fato", sob pena de subverter a lógica da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 190 5 Não discrepam dessa ótica o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, o ADE Corec nº 4/2013, nem a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. É importante que se diga que a eventual correção da DIPJ ou da DCTF, a que se referem o parecer e a norma de execução, recai apenas sobre inexatidões materiais que tenham gerado desconformidade com a dcomp examinada. A toda evidência, a retificação da DIPJ não pode ser feita para modificar a forma de apuração do lucro, de presumido para real, a fim de "gerar" saldo negativo de IRPJ ou de CSLL e, dessa forma, tornar compatíveis as informações da dcomp com a DIPJ, viabilizando a compensação. Cabe ainda esclarecer que as chamadas normas de execução são editadas pela Receita Federal com o propósito de orientar seus servidores quanto a determinados procedimentos, funcionando assim como uma espécie de manual, sem criar direito subjetivo para o contribuinte. Quando a orientação precisa vir revestida de caráter normativo, ela é veiculada sob a forma de instrução normativa ou outro ato de mesma natureza. Portanto, ainda que ocorra um eventual descumprimento de norma de execução, isso não gera, por si só, nulidade do ato administrativo. Em síntese, a legislação que disciplina a compensação no âmbito administrativo só admite que se retifiquem as dcomps na hipótese de inexatidão material. No caso em tela, todavia, o erro cometido pela recorrente não consistiu em mera inexatidão material ou em simples erro de preenchimento. A recorrente alegou que pretendia compensar crédito materializado na forma de saldo negativo. Mas a dcomp não corrobora tal informação. O código da receita, o período de apuração, o vencimento e o valor correspondem aos da estimativa mensal. Enfim, todas as informações apontam no mesmo sentido. Nada indica que a vontade da recorrente fosse compensar saldo negativo. Como se vê, a recorrente busca modificar a dcomp, alterando o crédito informado. O erro alegado é insuscetível de correção, seja pelo próprio contribuinte ou pela Administração Tributária. Para sanar o problema é necessário refazer integralmente a declaração, o que já não se admite nesta fase. A recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Porém, seria cabível a diligência apenas se houvesse alguma questão de fato a ser esclarecida. Os fatos, porém, são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em suposto saldo credor, apurado no final do período base. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem à Delegacia da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, não se trata de mero erro formal. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 191 6 Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório implicará prejuízo aos controles da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em dcomps diferentes. Notese que as dcomps que envolvem saldo negativo têm ficha própria para que sejam discriminados os valores que compõem aquele saldo, sendo tal informação necessária para a correta verificação da existência do pretenso direito de crédito. Importa ressaltar ainda que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar, no prazo de cinco anos, a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Em síntese: não se homologa compensação que utiliza como crédito valor pago a título de estimativa mensal, quando o pagamento se encontra inteiramente utilizado para quitar outro débito do próprio contribuinte, não se admitindo, em nenhuma hipótese, que no curso do processo administrativo seja indicado outro crédito, a fim de viabilizar a compensação. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 192 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à impossibilidade de transformar o pleito original baseado em pagamento indevido ou a maior em outro, com fundamento em saldo negativo do período, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do Colegiado acerca dessa matéria. Como relatado, tratase de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de CSLL, apresentado via Dcomp. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos quando da apresentação da declaração, por outro, deixou inequívoco em suas razões de defesa de que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 193 8 Embora em situações anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.009825/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF.
Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF.
Numero da decisão: 1401-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF. Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 25 /2 00 6- 67 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 137 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Tratase da manifestação de inconformidade (fls. 99/121) contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 1154/2007 (fls. 86/88), cientificado à contribuinte em 14/08/2007 (ver Termo à fl. 94), que indeferiu o pedido de restituição de crédito no valor de R$3.487.029,39, relativo a obrigações da eletrobrás (fl. 01) A autoridade fazendária decidiu no seguinte sentido, conforme item 10 do Despacho Decisório, à fl. 94: "Concluise que não há previsão legal para a restituição de títulos da divida pública, pois estes não tem natureza tributária e não são, portanto, espécie de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal". A manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente em 10/09/2007. A interessada destacou o processo legislativo que regeu o empréstimo compulsório da Eletrobrás desde sua instituição, com a Lei n° 4.156/62, transcrevendo os principais textos normativos. No seguimento, reclama do indeferimento de seu pedido pela Delegacia de origem, com suporte na seguinte linha de argumentação: as cártulas da Eletrobrás não podem ser consideradas títulos da divida pública, títulos públicos ou divida pública; a União é responsável pela devolução do valor integral dos títulos representativos do empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás, a responsabilidade do Estado não pode ser afastada por Instrução Normativa da Receita Federal; não houve decadência do direito e nem prescrição do direito do possuidor das cártulas. Transcreve jurisprudência que entende ratificar a sua tese. Requer, pois, o deferimento do pedido de restituição. É o relatório do essencial. Analisando o pedido do contribuinte a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento do pedido. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisou os argumentos apresentados no pedido original e na impugnação e solicitou o reconhecimento de seu crédito. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 138 3 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O pedido de restituição objeto do presente processo referese ao recebimento de obrigações da Eletrobrás especificadas da seguinte maneira conforme seu pedido. ......Constituise de titulo da Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, subscrito compulsoriamente, emitido mediante contribuições pagas pelos consumidores de energia elétrica conjuntamente com as suas contas de fornecimento do exercício de 1973, instituído pela União Federal, e que por força deste pedido será objeto de compensação tributária. O Contribuinte acima Identificado é portador e titular de Obrigações ao Portador n°s. 1437861, 1437852 e 1437853 — Série HH, emitidas pela Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cópia(s) anexa(s), cártula(s) representativa(s) da obrigação assumida pela União de restituir o titulo da Eletrobrás, espécie tributaria, não alcançada pelo prazo decadencial previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, vez que este comando normativo disciplina apenas as hipóteses de restituição decorrentes de recolhimento indevido, previstas no seu art. 165. Ocorre que em relação a este tipo de pedido, já restou formado o entendimento de que a Receita Federal não é o órgão competente para a análise e deferimento do crédito. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 24, com efeitos vinculantes, no qual restou estabelecido o entendimento pela impossibilidade da análise pela Receita Federal. Vejamos o teor da Súmula. Súmula CARF nº 24 Acórdãos Precedentes: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 139 4 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdão nº 30332277, de 10/08/2005 Acórdão nº 30132112, de 13/09/2005 Acórdão nº 30132156, de 19/10/2005 Acórdão nº 30237140, de 10/11/2005 Acórdão nº 30332636, de 10/12/2005 Neste sentido, sendo as súmulas vinculantes editadas pelo CARF de obediência obrigatória por todos os membros deste Conselho não resta, em verdade, objeto a ser analisado no presente recurso, haja vista que a Receita Federal não é o órgão competente para promover a restituição destas obrigações. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso em atendimento à Súmula CARF nº 24. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
