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Numero do processo: 10920.906355/2012-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 8 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.906355/201228 Recurso nº Acórdão nº 3801003.910 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente OSMAR LIEBL ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 55 /2 01 2- 28 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao DARF recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da COFINS e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da COFINS “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da COFINS sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo do PIS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000400/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 215 1 214 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000400/200923 Recurso nº 11.065.000400200923 Voluntário Acórdão nº 3403003.256 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria IOF AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDUSTRIAL HAHN FERRABRAZ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 OPERAÇÕES DE MÚTUO. RECURSOS FINANCEIROS. ENTRE SOCIEDADES. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 04 00 /2 00 9- 23 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório INDUSTRIAL HAHN FERRABRAZ LTDA. foi autuado pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS pela falta de recolhimento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Segundo a descrição dos fatos constante no Relatório da Ação Fiscal, de fls. 89 a 97, a infração decorreu de operações de mútuo celebradas com as sociedades Sulbrás Consultoria e Assessoria Ltda. e Renill Participações Ltda., nos anoscalendário de 2004 a 2007 (cópias dos contratos celebrados nas fls. 21 e 22 e dos razões contábeis contemplando os lançamentos a débito de contas patrimoniais ativas efetuados na escrituração da autuada nas fls. 23 a 35). O Auto de Infração das fls. 70 a 75 e anexos montou a R$ 1.711.966,67. Em impugnação (fls. 130 a 159) arguise a nulidade da autuação, por cerceamento do direito de defesa, porque o endereço disponibilizado nos anexos ao auto de infração (fl. 85) para consulta ao processo está localizado na cidade de São Paulo. Considera que, tendo o auto de infração sido lavrado pela DRF em Novo Hamburgo/RS, tendo como sujeito passivo sociedade localizada na cidade de São Leopoldo/RS, tal fato afrontaria o princípio da eficiência, da razoabilidade e economia processual, a ele subjacentes, prejudicando o exercício do direito de defesa. Quanto ao mérito, argumenta, primeiramente, que, diante do disposto no art. 10, inc. IV do Regulamento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, aprovado pelo Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002 RIOF, sucedido pelo Regulamento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, aprovado pelo Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, é impossível exigirse recolhimento do imposto quando a operação de crédito não foi liquidada no vencimento estipulado em contrato. Assim, o lançamento somente poderia recair sobre amortizações vinculadas à operação de crédito beneficiando a empresa Renill Participações, sob pena de afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito de confisco. Argumenta que não existe amparo constitucional para que a Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, altere, como fez no seu art. 13, o fato gerador do IOF, estendendoo aos contratos de crédito celebrados entre pessoas jurídicas não financeiras, o que consiste em inovação quanto ao disposto no art. 63, inc. I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, norma cujo status é de Lei Complementar. Contesta o enquadramento das operações de crédito praticadas como sendo contrato de mútuo, afirmando que poderiam ser melhor definidas como abertura de crédito e doação. Quanto ao empréstimo à empresa Sulbrás, afirma que a operação financeira efetivada mais se aproximaria, formal e materialmente, do contrato denominado de "Contrato de Abertura de Crédito", do que do contrato de mútuo, tendo em vista a tese doutrinária que transcreve. Discorre sobre o negócio jurídico de doação, concluindo que o contrato ajustado com a empresa Renill não se trata de mútuo, mas, provavelmente, de um contrato de abertura de crédito ou até mesmo de doação, pois não consta a data definitiva de seu término. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.000400/200923 Acórdão n.º 3403003.256 S3C4T3 Fl. 216 3 Invoca a interpretação benigna prevista no art. 112 do CTN, tendo em vista que os contratos não estavam pagos por ocasião da autuação, o que gera dúvidas quanto a sua exata natureza jurídica. A 3ª Turma da DRJ/POA julgou a impugnação improcedente e manteve o lançamento de ofício. O Acórdão nº 1035.133, de 26 de outubro de 2011, fls. 185 a 191, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF Período de apuração: 28/02/2004 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a decretação de nulidade do auto de infração, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar o lançamento. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 198 a 202, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a reforma da decisão porque baseada na falsa premissa de que a operação de crédito teria sido liquidada. Reitera que as operações glosadas não podem ser enquadradas como contratos de mútuo, sendolhes a melhor definição como abertura de crédito e doação entre as empresas Sulbrás e Renil, conforme tese já explicada na impugnação. Aduz que, por definição da legislação civil, é impossível ser exigido o recolhimento de IOF na hipótese em que a operação de crédito não foi liquidada no vencimento estipulado em contrato, presente sua indefinição e não acabamento do acordado para a perfectibilização do ato jurídico, salvo as amortizações realizadas, sob pena de afronta a capacidade contributiva e vedação de utilização de tributo com efeito de confisco. Assim, inexistindo data definitiva para seu término, não há como caracterizar os contratos glosados como de mútuo, na medida em que legal e doutrinariamente são contratos de abertura de crédito e de doação. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Afirma que, sem obstáculo da Súmula CARF nº 2 e da imposição do art. 142, parágrafo único, do CTN, a matéria presente nos autos foi reconhecida pelo STF como de repercussão geral da questão constitucional suscitada, conforme informação retirada dos autos do Recurso Extraordinário nº 590.186RS; ainda sem data de julgamento definida pelo Plenário da Suprema Corte. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 198 a 202 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 1035.133 , de 26 de outubro de 2011. A decisão recorrida mantémse por suas próprias jurídicas razões. Liminarmente, desprezamse os argumentos tendentes a afastar a aplicação do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, por alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade, em face da Súmula CARF nº 2, que o recorrente demonstrou bem conhecer. A hipótese de incidência de IOF sobre operações de mútuo de recursos financeiros está prevista no referido dispositivo1. A exegese é direta: o imposto incide não só nas operações de crédito intermediadas por instituição financeira, como também nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre quaisquer pessoas jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física. Ademais, é irrelevante que as operações realizadas tenham ou não gerado ganhos ou receitas financeiras, pois a norma não estabeleceu essa condição, bastando que as operações se caracterizem como mútuo, conforme definição contida no art. 5862 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que, aliás, manteve a redação do art. 1256 do Código Civil anterior (Lei nº 3.071, de 1916): Assim, adotando a interpretação literal do texto legal, e considerando os documentos constantes no processo, em especial os contratos de mútuo formalizados bem como as informações prestadas pelo contribuinte no curso da ação fiscal, verificase que as operações que motivaram a autuação enquadramse perfeitamente no conceito de mútuo, hipótese de incidência do IOF. 1 Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1°. Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º. Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º. O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. 2 Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.000400/200923 Acórdão n.º 3403003.256 S3C4T3 Fl. 217 5 Empréstimo à Sulbrás Consultoria e Assessoria Ltda. De acordo com o "Contrato de Mútuo", fls. 20, no dia 16 de fevereiro de 2004, a Hahn Ferrabraz emprestou R$ 8.000.000,00 à Sulbrás, a ser utilizado na medida de suas necessidades, pelo prazo de um ano, com a remuneração calculada mensalmente pela TJLP. A conta patrimonial ativa "1.01.02.02.001.0003 Sulbrás Ltda.” apresentou lançamentos a débito cujos históricos se referem aos valores emprestados e correção monetária. Em 31/07/2005 o saldo dessa conta, no valor de R$ 9.567.994,48 foi transferido para a conta patrimonial ativa IHF Participações Ltda. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 09 (fls. 34 a 37), o contribuinte respondeu que (fl. 40) a empresa concordava com os valores mencionados no referido Termo, apurados de acordo com sua contabilidade e esclareceu que a transferência do saldo do contrato de mútuo para a conta da empresa IHF Participações Ltda decorreu de cisão da primeira e que o contrato de mútuo não foi renovado, passando a vigorar por prazo indeterminado. Empréstimo à Renill Participações Ltda. De acordo com o "Contrato de Mútuo" que consta na fl. 21, no dia 30 de julho de 2004, a recorrente emprestou R$ 5.000.000,00 a Renill, a ser utilizado na medida de suas necessidades, pelo prazo de seis meses, com a remuneração calculada mensalmente pela TJLP. A conta patrimonial ativa "1.01.02.02.001.0004 Renill Participações Societárias Ltda." apresentou lançamentos a débito cujos históricos se referem aos valores emprestados e correção monetária, bem como lançamentos a crédito referentes a amortizações parciais. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 09 (fls. 34 a 37), o contribuinte respondeu que (fls. 48) a empresa concordava com os valores mencionados no referido Termo, apurados de acordo com sua contabilidade, e esclareceu que o contrato de mútuo não foi renovado, passando a vigorar por prazo indeterminado. Os lançamentos a débito da conta de Renill Participações Ltda., em vista de pagamentos de sua responsabilidade, foram efetuados pelo contribuinte. Os lançamentos a crédito da mesma conta correspondem a desembolsos feitos pela titular e os históricos indicam a origem dos créditos utilizados, dos quais era titular. Em síntese, a autuada celebrou contratos de mútuo com vencimento determinado, disponibilizou recursos financeiros que foram efetivamente utilizados pelos mutuários, com operações registradas em contas de patrimoniais de Ativo na sua contabilidade. Vencidos e não pagos, ou parcialmente amortizados, os referidos contratos passaram a vigorar por prazo indeterminado, como esclarecido no curso da ação fiscal. Ficou assim plenamente caracterizada a natureza jurídica do negócio celebrado entre as partes, como sendo operação de mútuo, nos termos do art. 586 do Código Civil de 2002, sendo improcedentes as máculas impostas pela recorrente a respeito do seu próprio procedimento, sugerindo que a estruturação do negócio jurídico indica tratarse "provavelmente" de contrato de abertura de crédito ou até mesmo de um contrato de doação. Por fim, quanto ao RE 590.186/RS (Rel. Min. Carmem Lúcia), em que se controverte a incidência do IOF nas operações de mútuo praticadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoas físicas segundo as mesmas regras aplicáveis às operações praticadas pelas instituições financeiras e se argui a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei nº Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN 6 9.779, de 1999, o STF reconheceu, em 29/08/2008, a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada (Tema 104). Nada obstante, em consulta ao sítio web do STF, atestase que os autos restaram conclusos para o relator desde 08/04/2010. Não há, assim, trânsito em julgado da decisão. Até a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, este tribunal administrativo decidia pelo sobrestamento dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Contudo, após a revogação, permanece vigente apenas o caput do art. 62 A: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) E a decisão, como exposto, não é definitiva. O efeito da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A (que permitia o sobrestamento de processos administrativos em decorrência da repercussão geral reconhecida pelo STF), aliado ao teor da Súmula 2 deste CARF, ocasiona conclusão óbvia, que torna previsível a decisão administrativa. Vejase o teor dos parágrafos revogados pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013: “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” E complementese com o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. Vejase que de forma alguma se está aqui a defender que o comando legal (art. 13 da Lei no 9.779, de 1999l) é constitucional (ou mesmo inconstitucional). Estáse, sim, simplesmente afirmando que há súmula dispondo que os julgamentos deste CARF não podem assumir o comando legal como inconstitucional. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.000400/200923 Acórdão n.º 3403003.256 S3C4T3 Fl. 218 7 Houvesse decisão definitiva do STF no Recurso Extraordinário no 590.183/RS, ou mesmo uma das hipóteses previstas no art. 26A do PAF, cabível seria o reconhecimento administrativo da inconstitucionalidade. Todavia, na situação em que se encontra o RE, não se vê possibilidade de a questão ser resolvida administrativamente em favor da recorrente. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 17 de setembro de 2014 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10380.724501/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio CarlosGuidoni Filho Conselheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio CarlosGuidoni Filho Conselheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
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MACEDO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio CarlosGuidoni Filho Conselheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 50 1/ 20 10 -9 1 Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 PROVISÃO INDEDUTÍVEL. EXCLUSÃO. PRESSUPOSTOS. LALUR. ADIÇÃO NO PERÍODO DE SUA CONSTITUIÇÃO. CONTROLE NA PARTE B. COMPROVAÇÃO. Para justificar a exclusão de provisão indedutível, tornase necessário ao contribuinte comprovar: que, no período de formação da provisão, o referido valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; a demonstração de controle efetivo da provisão na parte B do LALUR (ou de livro específico para fins de apuração do resultado ajustado da CSLL). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Inexiste previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de trinta por cento do lucro real, ainda que seja na época da incorporação da sociedade empresária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PERÍCIA. ENCARGO PROBATÓRIO. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. Podese responsabilizar o sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pela sociedade incorporada, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadoras e incorporadas, estavam sob controle comum.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de CSLL (fls. 02/12), no valor global de R$8.436.367,24. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão indevida ao lucro líquido antes da CSLL sobre o lucro, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos; e (iv) insuficiência de saldo de bases negativas. 2. Segundo a autoridade fiscal: Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de FortalezaCe, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, notese que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119, no evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 4 3 endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100. Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 328/355) contra o lançamento, em 23/11/2010, com as seguintes alegações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômicofinanceira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão ‘Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX’ no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 5 4 efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio anobase de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionandoos ao lucro real, como Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 6 5 determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no ‘contas a pagar’. Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimandoa de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparandose o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômicofiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 7 6 renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos somase ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confirase os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no DecretoLei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecerlhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 8 7 torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do DecretoLei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicamse, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. 4. O sujeito passivo também anexou os documentos de fls. 356/501, 505/583 e 585/683. 5. Anexei as fls. 779/780. 6. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa reproduzida acima. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 9 8 Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência do lançamento pela: (i) ilegalidade da glosa da exclusão de provisões; (ii) ilegalidade da glosa da exclusão do PAES; (iii) ilegalidade da glosa de compensação de base negativa da CSLL; e (iv) impossibilidade de exigência de multa de sucessor. Supervenientemente, em 06.02.2014, a Contribuinte apresentou memoriais, pelos quais reforça os elementos de prova apresentados no processo, especialmente mediante juntada do LALUR (parte A) dos anoscalendário de 2003 a 2006 e planilha informativa dos lançamentos realizados no LALUR no anocalendário de 2006. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio CarlosGuidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. (i) Glosa da Exclusão de Provisões Aduz o acórdão recorrido que os elementos de prova trazidos aos autos pela Contribuinte não comprovariam (i) a adição, no cálculo na base de cálculo da CSLL de períodos anteriores, das provisões que foram objeto de exclusão na apuração do IRPJ do ano 2006; e (ii) o registro de receita, nos períodos respectivos, referente às provisões excluídas/revertidas. Segundo o acórdão, ainda, para que fosse reconhecida a regularidade da exclusão em referência seria indispensável a prova do controle da utilização das provisões, realizado por meio da parte B do LALUR. Verbis: “22. Quanto às 05 (cinco) provisões constituídas em 2006, o sujeito passivo não comprovou o efetivo controle do saldo das provisões por meio de demonstrativos escriturados na parte B do LALUR, tendo a autoridade fiscal anexado a parte A do mesmo livro (fl. 29). 23. Outrossim, 06 (seis) provisões expressas na planilha “Resumo Exclusões 2006” foram constituídas em 2003 ou em 2005, o que atrairia a necessidade de anexação dos correspondentes livros LALUR, partes A (para demonstrar a adição dos referidos valores) e B (para demonstrar o controle da utilização das provisões), documentos esses não aduzidos pelo contribuinte. 24. Salientese que o impugnante não demonstrou, por meio da escrituração no livro Razão, devidamente lastreado pelo livro Diário, inclusive com autenticação no Registro do Comércio, que as reversões das provisões (citadas em sua peça impugnatória, especialmente quanto às despesas trabalhistas) foram lançadas contabilmente como receitas do anocalendário 2006 (pressuposto explicitado no parágrafo 17, supra). Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 10 9 25. Por tais motivos, a simples informação dos valores excluídos por meio de planilhas (fls. 367, 392/393, 426/428) ou a impressão de telas (fl. 434) do sistema eletrônico de contabilidade são insuficientes para comprovar a legitimidade da exclusão.” A Contribuinte, por sua vez, alega que as provas produzidas são suficientes para demonstrar que as referidas provisões foram efetivamente adicionadas (ao lucro líquido para formação da base de cálculo da CSLL) quando de sua respectiva constituição. Esclarece que, além das provisões de natureza tributária, há provisões de natureza trabalhista, para as quais não foi possível, no prazo de impugnação, identificar e relacionar com exatidão a constituição e a reversão/realização das provisões, pois as “constituições” seriam registradas com base em valores estimados para cada reclamação trabalhista e a “reversão/realização” seria feita com base no valor efetivo dos acordos firmados. Confirase: “No entanto, enquanto é simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão ‘Vr. Ref. IPI Dinel incorporado no PAEX’ no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada à base de cálculo da CSLL no ano de 2003 (cfr. doc. nº 2 à Impugnação) – e que, mesmo ante a prova produzida pela Recorrente, teve sua glosa mantida pelo acórdão recorrido, que entendeu ter sido a prova insatisfatória – já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a Recorrente, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos dos acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível; por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada.” No intuito de demonstrar alguns exemplos da correlação entre a constituição das provisões, com as respectivas adições, e a sua realização, a Contribuinte, apresentou os seguintes casos: “(i) provisão constituída em 31/12/2005, no valor de R$ 1.177.924,40, relativa a auto de infração lavrado contra a filial de Salvador (doc. nº 4) em matéria de ICMS na importação; A exigência foi liquidada, mediante pagamento no valor de R$ 1.310.133,45, em 31/05/2006 (doc. nº 5); (ii) provisão constituída em 26 de julho de 2006 (cfr. doc. nº 4), relativa ao valor exigido a título de IPTU da filial LapaSP na execução fiscal nº 872.9425/999. A dívida foi liquidada, mediante pagamento no valor de R$ 144.790,23, em 24/07/2006), dando causa à reversão da provisão (doc. nº 6) (iii) provisão constituída em 21 de julho de 2006 (cfr. doc. nº 4), no valor de R$ 48.851,46, relativa à cobrança de COFINS. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 11 10 A obrigação foi liquidada, mediante pagamento no valor de R$ 48.851,46, em 21/07/2006 (doc. nº 7) dando causa à reversão da provisão (doc. nº 4)” Nos memoriais apresentados às vésperas desse julgamento, a Contribuinte cita outros exemplos de adições e exclusões por ela realizadas no próprio anocalendário de 2006, os quais teriam sido desconsiderados pela Fiscalização ao lavrar os lançamentos, verbis: “Exemplo 1: Exclusão de R$ 1.818.260,04, realizada em 29/12/2006 cuja adição também no valor de R$ 1.818.260,04 foi realizada em 29/12/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 2: Exclusão no valor de R$ 653.380,50, realizada em 20/09/2006 cuja adição também no valor de R$ 653.380,50 se deu no dia 20/09/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 3: Exclusão no valor de R$ 342.557,79, realizada em 31/08/2006 cuja adição também no valor de R$ 342.557,79 se deu no dia 31/08/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 4: Exclusão no valor de R$ 166.641,41, realizada em 31/10/2006 cuja adição no valor de R$ 238.755,32 se deu em 31/08/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 5: Exclusão no valor de R$ 194.841.05 em 01/03/2006 cuja provisão no valor de R$ 258.002,80 foi adicionada em 28/02/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 6: Exclusões nos valores de R$ 19.635,79 em 08/05/2006, R$ 83.280,69 em 08/05/2006 e R$ 74.522,59 em 12/05/2006 relativamente à provisão no valor de R$ 301.151,92, adicionada em 31/03/2006 (doc. n.º 2); Exemplo 7: Exclusões nos valores de R$ 5.148,65, R$ 525,00, R$ 1.666,66, R$ 2.200,00, R$ 4.958,65, R$ 1.500,00, R$ 9.695,00, R$ 13.587,07, R$ 5.608,65 e R$ 4.988,65, realizadas no mês de novembro de 2006 relativamente à parcela de provisão trabalhista no valor de R$ 423.262,07, adicionada em 30/04/2006 (doc. n.º 2)”. Pois bem. É de conhecimento geral que as provisões são estimativas de decréscimos patrimoniais, os quais (decréscimos), por definição e princípio, não são líquidos e certos. Salvo previsão legal em sentido contrário, a constituição de uma provisão impõe ao contribuinte a adição do montante correspondente ao lucro real do mesmo período, em virtude dessa despesa não se revestir das características necessárias para sua dedutibilidade. Por sua vez, o resultado da reversão de uma provisão também não deve ser computado na determinação do lucro operacional do período respectivo, se tal provisão não foi deduzida do lucro real anteriormente. Há, pois, dois finais possíveis para uma provisão constituída, quais sejam: (i) a realização ou (ii) a reversão. A realização de uma provisão se dá quando aquela estimativa (de decréscimo patrimonial) se confirma e a despesa correspondente se torna líquida e certa, perdendo a natureza de provisão, caracterizandose como dívida efetiva da empresa. Neste caso, o saldo daquela provisão é reclassificado para o grupo “contas a pagar”. Esse lançamento contábil não impacta as contas de resultado do contribuinte, pois a despesa já foi registrada quando da constituição da provisão. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 12 11 Por se tratar, nesse momento, de uma despesa líquida e certa, aquele valor de despesa que foi adicionado ao lucro líquido no passado e controlado na parte B do LALUR passa a ser dedutível, sendo passível de exclusão no cálculo do lucro real do período de realização da provisão. Caso a estimativa de decréscimo patrimonial não seja confirmada, haverá necessidade de reversão da provisão. Neste caso, o saldo registrado em conta de passivo é revertido contra um crédito em conta de resultado. Essa receita, por representar mera reversão de um lançamento (passivo) indiferente à formação do lucro real do período da constituição da provisão, também pode ser excluída no cálculo do lucro real do período de sua reversão. Em ambos os casos (realização / reversão), a condição sine qua non para que seja autorizada a exclusão do valor da provisão é a de que a despesa (da provisão) tenha sido adicionada à base de cálculo do IRPJ do período correspondente no momento de sua constituição. Por sua vez, a comprovação do registro do valor (da provisão) como receita no período de extinção da provisão aplicase tão somente aos casos de reversão, e não nos casos de realização da provisão. Assim, consideradas as particularidades do caso, a comprovação a ser exigida da Contribuinte é a de que os valores excluídos no anocalendário de 2006 foram adicionados ao lucro real nos anos anteriores ou no próprio ano de 2006. Compulsando os documentos acostados aos autos (fls. 367 a 428), verificase que a Contribuinte restringiu a sua prova à demonstração da constituição e da realização das provisões, juntando provas robustas sobre a constituição na contabilidade (razões contábeis) e ao pagamento dos valores provisionados (guias de recolhimento, comprovantes de pagamento, emails etc.). Contudo, no que diz respeito à prova de que as provisões foram adicionadas à base de cálculo d CSLL no referido ano de constituição, verificase, para as provisões constituídas em 2002, 2003 e 2005 (conforme quadro às fls. 392), apenas a apresentação, às fls 433, de página da parte A do LALUR em que não se consegue identificar ao certo o ano, possivelmente em função de se tratar de processo eletrônico. Nesta página, aparentemente, consta a adição de um valor de aproximadamente R$ 17 milhões a título de “Provisão p/ Contingência”. Já no que diz respeito às provisões constituídas e revertidas no ano de 2006, verifico adições denominadas “Provisão para Contingência” no valor de R$ 16.742.534,57 e “Provisões Não Dedutíveis” no valor de R$ 1.773.825,87, para as quais não foi apresentado conciliação com os valores das provisões constituídas no ano de 2006, conforme fls. 392. Considerandose o conjunto dos elementos probatórios apresentados nos autos, reforçado pela cópia dos LALUR dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 e planilha de conciliação dos valores adicionados e excluídos no ano de 2006 apresentada em sede de memoriais, está presente verossimilhança da alegação da Contribuinte suficiente para recomendar a realização de diligência para verificação da procedência de suas razões recursais. Nesses termos, oriento voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências e verificações a seguir relacionadas: (i) dar ciência dessa resolução à Contribuinte, entregandolhe cópia; Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.724501/201091 Resolução nº 1102000.231 S1C1T2 Fl. 13 12 (ii) certificar a autenticidade dos LALUR´s juntados aos autos, mediante conferência com o respectivo documento original e o confronto com outros elementos da contabilidade da Contribuinte; (iii) intimar a Contribuinte para que, no prazo de 90 dias, prorrogáveis a critério da Fiscalização, apresente demonstrativo detalhado (a) das adições do valor das provisões constituídas nos anos de 2002 a 2006 ao lucro real do período correspondente, cuja realização/reversão serviu de base para os lançamentos, nos moldes da planilha apresentada a esse Colegiado em sede de memoriais, e (b) do controle do saldo dessas provisões (LALUR, Parte B), inclusive no tocante aos valores relativos ao PAES; (iv) à luz dos elementos constantes dos autos, dos LALUR´s de 2002 a 2006, dos demais elementos da contabilidade e do demonstrativo mencionado no item supra, verificar e atestar a efetiva adição, ao lucro real do período correspondente, do valor das provisões constituídas nos anos de 2002 a 2006 que serviram de base aos lançamentos, inclusive no tocante aos valores relativos ao PAES; (v) verificar e atestar se as adições a título de provisões efetuadas nos anos de 2002 a 2005 foram, porventura, excluídas antes do ano de 2006; (vi) verificar e atestar se o valor total das adições e exclusões constante nos LALUR´s apresentados pela Contribuinte corresponde aos valores declarados nas DIPJs correspondentes. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio CarlosGuidoni Filho Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 18088.720058/2013-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. FATO GERADOR. AÇÃO DOLOSA. OCORRÊNCIA. MULTA EM DOBRO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
O fato gerador da obrigação tributária ora discutida ocorreu em virtude de a empresa ter sido excluída do Simples Nacional por intermédio do ADE DRF/AQA nº 159.784, de 22 de agosto de 2008. Apesar da exclusão, a empresa, informou em GFIP, para as competências de 01/2009 a 03/2010, a opção pelo Simples Nacional. Em decorrência disso, ela deixou de informar e de recolher as contribuições patronais a que estava sujeita no referido período.
De acordo com a descrição constante do parágrafo anterior, o julgador a quo entendeu que houve prática de ação dolosa pelo contribuinte, prática essa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por tais motivos, julgou-se cabível a multa de ofício aplicada em dobro.
A fundamentação legal utilizada para justificar o lançamento e sua manutenção em primeira instância de julgamento administrativo foi o art. 35-A da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.447
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. FATO GERADOR. AÇÃO DOLOSA. OCORRÊNCIA. MULTA EM DOBRO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. 1. O fato gerador da obrigação tributária ora discutida ocorreu em virtude de a empresa ter sido excluída do Simples Nacional por intermédio do ADE DRF/AQA nº 159.784, de 22 de agosto de 2008. Apesar da exclusão, a empresa, informou em GFIP, para as competências de 01/2009 a 03/2010, a opção pelo Simples Nacional. Em decorrência disso, ela deixou de informar e de recolher as contribuições patronais a que estava sujeita no referido período. 2. De acordo com a descrição constante do parágrafo anterior, o julgador a quo entendeu que houve prática de ação dolosa pelo contribuinte, prática essa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por tais motivos, julgouse cabível a multa de ofício aplicada em dobro. 3. A fundamentação legal utilizada para justificar o lançamento e sua manutenção em primeira instância de julgamento administrativo foi o art. 35 A da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 58 /2 01 3- 49 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720058/201349 Acórdão n.º 2803003.447 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720058/201349 Acórdão n.º 2803003.447 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, consubstanciado no AI DEBCAD nº 51.025.117 0, correspondente à parte devida pela empresa, inclusive para o RAT, e AI DEBCAD nº 51.025.1188, correspondente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. SONEGAÇÃO. É cabível a multa de ofício agravada de 150% quando caracterizada a prática de ação ou omissão dolosa pelo contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVADA. DECLARAÇÕES. DOLO. CONTRATAÇÃO DE ESCRITÓRIO CONTÁBIL. Constatada a presença de conduta dolosa nas declarações apresentadas pela empresa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das contribuições devidas, é cabível a aplicação da multa de ofício agravada, independentemente de as declarações terem sido elaboradas e entregues por escritório contábil contratado pela empresa. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720058/201349 Acórdão n.º 2803003.447 S2TE03 Fl. 5 4 A r. decisão recorrida merece reforma neste Egrégio Segundo Grau de Jurisdição, é que olvidando o objetivo do processo administrativo fiscal deixou de apreciar na busca da verdade material, suporte único para legitimar e sustentar toda exação, em especial no caso vertente, a não demonstração de ação dolosa da Contribuinte, posto que seus livros fiscais representavam a realidade fática e a obrigação neles escrituradas. Insta salientar que as obrigações estavam declaradas no livro diário da empresa, a contabilidade e o balanço expressavam as obrigações, portanto, nenhuma intenção de fraudar o fisco houve, o débito se encontrava registrado, logo não há situação fática a justificar conduta típica caracterizadora de fraude. Não tem justificativa a imposição de multa qualificada decorrente do levantamento fiscal e lançamento. A Contribuinte, como pode ser observado dos documentos que acompanharam a impugnação, sempre procedeu a regular declaração e efetuou os pagamentos pertinentes ao longo do período objeto da fiscalização, ainda que não tenha o contabilista em princípio observado o desenquadramento, fato é que a sua declaração de imposto de renda, os seus livros fiscais, em especial o razão trouxeram a realidade fática de suas operações. Por se tratar de lançamento por homologação, estando os livros fiscais e contábeis conformes com a realidade fática, sem qualquer irregularidade razão não há para aplicação da multa qualificada, tal como fez a Digna autoridade fiscal, procedimento que, com a devida vênia, ao ser mantido pela Turma Julgadora contraria o direito, destoa da melhor doutrina e jurisprudência, inclusive deste Egrégio Conselho. A falta atribuída a Recorrente não justifica a aplicação da multa qualificada, ausente evidente intuito de fraude, ao revés, sua escrituração era de todo regular, os valores estavam contabilizados, circunstâncias que afastam a tipicidade, a intenção de suprimir dolosamente o que deveria estar contido no auto lançamento. Por todas estas razões, inexistente fundamentação e motivação para lastrear a multa aplicada, é que roga a Egrégia Câmara, deste augusto Conselho se digne prover o presente Recurso Voluntário para o fim de excluir a multa qualificada, mantendose exclusivamente a moratória por tratarse de débito declarados pelo Contribuinte, como medida de inteira justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720058/201349 Acórdão n.º 2803003.447 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O fato gerador da obrigação tributária ora discutida ocorreu em virtude de a empresa ter sido excluída do Simples Nacional por intermédio do ADE DRF/AQA nº 159.784, de 22 de agosto de 2008. Apesar da exclusão, a empresa, informou em GFIP, para as competências de 01/2009 a 03/2010, a opção pelo Simples Nacional. Em decorrência disso, ela deixou de informar e de recolher as contribuições patronais a que estava sujeita no referido período. De acordo com a descrição constante do parágrafo anterior, o julgador a quo entendeu que houve prática de ação dolosa pelo contribuinte, prática essa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por tais motivos, julgouse cabível a multa de ofício aplicada em dobro. A fundamentação legal utilizada para justificar o lançamento e sua manutenção em primeira instância de julgamento administrativo foi o art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Ressaltese, ademais, que o dispositivo legal referido na parte final do parágrafo anterior, remete às regras previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. No ponto, estou de pleno acordo com os dispositivos legais utilizados para majorar a multa de ofício. Como bem referido no acórdão recorrido, o contribuinte foi excluído do Simples Nacional (ADE DRF/AQA nº 159.784, de 22/08/2008), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, data em passaram a ser devidas as contribuições patronais, e quanto ao ato de exclusão, sequer apresentou manifestação de inconformidade. Contudo, apesar de não mais pertencer ao Simples Nacional, a empresa apresentou suas GFIPs, no período de 01/2009 a 03/2010, com a declaração de ser optante pelo referido sistema. Vêse, portanto, que a falta ocorreu e a multa aplicada atende perfeitamente aos pressupostos legais utilizados pela fiscalização. Destarte, correto o procedimento fiscalizatório, bem como os apontamentos constantes da decisão recorrida. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720058/201349 Acórdão n.º 2803003.447 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13842.000235/98-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI
Os insumos admitidos nos cálculos do valor do beneficio são as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituas pela legislação em vigor, utilizados em produtos exportados. No que tange ao ressarcimento de crédito de IPI, não há previsão legal, para utilização da taxa SELIC, aplicando-se apenas quando houver oposição injustificada da Fazenda.
Numero da decisão: 3403-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Os insumos admitidos nos cálculos do valor do beneficio são as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituas pela legislação em vigor, utilizados em produtos exportados. No que tange ao ressarcimento de crédito de IPI, não há previsão legal, para utilização da taxa SELIC, aplicandose apenas quando houver oposição injustificada da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 2. 00 02 35 /9 8- 55 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente contra decisão que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada anteriormente pela Recorrente contra despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPTI de que trata a Lei nº 9.363/1996, no valor total de R$ 157.674,70, relativamente ao 2º trimestre do ano de 1998. A Recorrente apresentou também pedidos de compensação de tributos. Reconhecimento do direito creditório de R$ 157.674,70 com base na informação fiscal de fls 108/109 isso de forma parcial em virtude de ratificações efetuadas no calculo de crédito presumido instaurado da seguinte maneira: 1) exclusão da receita de exportação de produtos que foram revendidos para o exterior sem industrialização realizada pela empresa; 2) exclusão do custo dos insumos dos materiais revendidos 3) exclusão do custo dos insumos do valor do IPI correspondente as aquisições; 4) exclusão dos custos dos insumos correspondentes aos valores do produto pallets, não considerados como insumos; Regularmente notificada a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, fls 131/140 alegando: (a) Retificar a exclusão de exportação relativa a revenda de R$ 959.538,03 para R$ 565.133,23 conforme documentos em anexo fls (b) Defende a inclusão do valor relativo dos pallets por considerar como material de embalagem; (c) Requer inclusão de cálculos de insumos R$ 1.852.738,25 que não foram incluídos no calculo e no DCP; juntou laudo técnico para justificativa da inclusão; (d) Inclusão do calculo de insumos no valor de R$ 119.489,70, adquiridos de pessoas físicas que não foram inclusos no calculo e no DCP originários; (e) Ratificação do valor de exclusão dos materiais adquiridos para revenda R$ 562.093,05 para R$ 547.187,79 doc. Anexado 04 (f) Apresentação de novo cálculo de benefício para o trimestre, fls. 133, resultando em pedido adicional de R$ 84.459,00 (g) Ressarcimento no valor de R$ 199.999,49 já inclusa correção monetária. A Decisão consignou que, inicialmente, a Recorrente acata a exclusão do IPI incidente nas aquisições de insumo, de modo que a questão já não poderia ser mais abordada em momento processual posterior, muito menos ser objeto de Recurso Voluntário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13842.000235/9855 Acórdão n.º 3403003.019 S3C4T3 Fl. 6.143 3 Decidiu ainda que não cabe inclusão dos valores de pallets no custo, visto que este é utilizado para transporte de carga e não como material de embalagem, como alega a Recorrente, não cabendo cálculos de benefícios; A Recorrente requer a retificação dos valores excluídos pela auditoria em relação aos materiais revendidos tanto na receita de exportação, de R$ 959.538,03 para R$ 565.133,23 quanto no custo, de R$ 562.093,05 para R$ 547.187,79. Entretanto, o documento de fls. 169 constitui somente em uma planilha e não faz prova em favor do contribuinte, cabendolhe o ônus de provar. A Recorrente solicita ainda um novo cálculo do crédito presumido com a inclusão dos insumos no valor de R$ 1.852.738,25 e R$ 119.489,70 não inclusos no cálculo DCP (fls 53) acarretando R$ 84.459,00 do período original. A Decisão esclarece que o processo se limita ao valor indeferido pela Delegacia de origem, qual seja, glosa de R$ 42.134,21, pois o objeto do processo é o pedido formulado pela própria empresa, no valor de R$ 157.674,70. Dessa forma, a Decisão aponta que a Recorrente deveria ter efetuado retificação de seu DCP e apresentar um novo pedido de ressarcimento nos termos do artigo 8º da Instrução Normativa nº 21/1997, motivo pelo qual suas alegações não são conhecidas. Decidiu ainda a DRJ que a Requerente não tem direito a atualização monetária do crédito pelo simples fato de não existir previsão legal nesse sentido. Observa que os dispositivos constantes no artigo 66 da Lei 8.383 de 30 de dezembro de 1991, e artigo 39 da Lei 9.250 de 26 de dezembro de 1995, se referem apenas a casos de pagamento indevido de tributos e contribuições federais. E o exame aprofundado do incentivo fiscal demonstra que o ressarcimento não se confunde com a restituição ou compensação pelo pagamento indevido de tributos, o que existe, no presente caso, é um fato fiscal que prevê a devolução das contribuições incidentes nas duas operações imediatamente anteriores à industrialização a título de incentivo. São, portanto, institutos distintos. Em face da Decisão a Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando o seguinte: 1) Preliminarmente, a não apreciação de provas que informariam as parcelas que deveriam integrar a base de cálculo dos créditos de IPI a serem ressarcidos. Alega que foram apresentados: (a) cópia do Laudo Técnico do processo de curtimento de couros précurtidos e piquelados; (b) cópia do termos de verificação fiscal relativo à verificação efetuada em Uberlândia, onde foram reconhecidas tais aquisições como matériaprima e produto intermediário sujeitas a processo industrial complementar; (c) relação de notas fiscais relativas a compras desses insumos que foram exluídos indevidamente do valor do custo de aquisição de insumos e da base de cáluclo do crédito presumido do IPI, no montante antes referido de R$ 1.852.738,25; (d) relação de notas fiscais atribuídas como exportação de mercadoria para revenda no montante de R$ 565.133,23 e as correspondentes notas de aquisição; (e) relação de notas fiscais de aquisições de pessoas ou entidades não contribuintes do PIS;COFINS. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 No mérito pleiteia a inclusão dos Pallets como material de embalagem, assim como refaz em seu Recurso a “planilha de reconstituição da apuração do crédito presumido”, relativa aos valores acumulados até o 2º trimestre de 1998, acrescentando os valores não incluídos na base de cálculo do ressarcimento e corrigindo os valores referentes às glosas indevidas. Detalha que no 1º trimestre de 1998 há uma diferença pleiteada de R$ 58.756,71 e que o saldo no 2º Trimestre seria de R$ 199.999,49, informando que, por equívoco, havia excluído ou estornado do custo de aquisição e, consequentemente, da base de cálculo do ressarcimento valores atribuídos como mercadoria de revenda e também relativos à não inclusão de insumos adquiridos no mercado interno. E por essa razão requere a retificação do montante considerado como valor de revenda de mercadoria de R$ 959.538,03 para R$ 565.133,23, de modo que o índice de exportações líquidas passar a ser de 72,64%. Defende a Recorrente que a Receita Federal reconheceu que o couro wetblue é utilizado como insumo e corrigiu o equívoco nos Termos de Verificação Fiscal relativos ao segundo e terceiro trimestre de 1998, razão pela qual, por coerência e dever de justiça, defende, a necessária aplicação deste entendimento para a filial de Mococa/SP, determinandose como improcedentes as “não inclusões” anteriormente ocorridas. A Recorrente solicita ainda: retificação do valor elaborado pelo Fisco, no valor de R4 362.093,05, para R$ 347.743,08; Estorno de R$ 547.187,79 correspondente a aquisições de industrialização realizada em estabelecimento de terceiros, posto que apenas procedeu ao estorno de R$ 199.444,71; A diferença de R$ 14.349,90 explicase porque as notas fiscais 1712 E 1721 não são mercadorias de revenda, havendo ainda um resíduo de R$ 47,83, pois foi considerada a nota fiscal 1630 quando deveria ter sido a nota fiscal 1639. requer ainda a inclusão na base de cálculo do crédito presumido da parcela relativa à aquisição de matériaprima de pessoas ou entidades não sujeitas ao PIS e à COFINS, no montante de R$ 119.489,70. Por fim, requer que seja reconhecido como montante acumulado no 2º Trimestre o valor de R4 421.451,33. A Recorrente alega, nesse aspecto, que a entrega ou retificação de DCP, não constitui requisito para o pleno gozo de seus créditos, citando a ementa do Acórdão nº 144249, de 1º de outubro de 2003. E alega ainda que faria jus à correção monetária por equiparação ao instituto da restituição. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13842.000235/9855 Acórdão n.º 3403003.019 S3C4T3 Fl. 6.144 5 Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe ressaltar que o Recurso Voluntário foi apresentado por Xinguleder Couros Ltda., nova denominação de Braspelco Indústria e Comércio Ltda., sucessora de Curtume Cadorna Ltda. Pois bem. Não se pode perder de vista que o presente processo iniciouse com pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente, que, em conjunto, também efetuou compensações com os créditos por ela detidos, sendo que a Receita Federal do Brasil julgou procedente em parte os créditos pleiteados, em despacho decisório, contra o qual a Recorrente, inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade. Em seu despacho decisão a Receita Federal informou uma glosa de R$ 42.134,21 e uma disponibilidade de crédito de R$ 11.674,70, que foi devidamente aceita pela Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade, no entanto, a Recorrente faz inúmeras solicitações, requer retificações e exclusões, descritas no Relatório, que não se subsumem à discussão relativa às suas compensações. A Recorrente alega que não necessitar de Demonstrativo de Crédito Presumido ou de retificação de seu Demonstrativo para fazer jus ao crédito fiscal a que teria direito, mas o presente processo ver sobre o pleito especificamente por ela formulado com pedidos seguintes de Compensação, que foram objeto de despacho decisório. Não se verifica, no curso do presente processo, o ataque da Recorrente à glosa de R$ 42.134,21 efetuada, única matéria em que ela teria legitimidade para discutir, mas sim um sem números de pedidos, solicitações, adições e exclusões ao seu pedido inicial, quando ele já havia sido julgado. Por essa razão que a Recorrente alega que houve nulidade da Decisão proferida pela DRJ, aduzindo que os documentos por ela acostados não foram analisados, uma vez que a Recorrente efetivamente inova em seu pedido, trazendo para a discussão matéria que não estava contida em seu pedido inicial de ressarcimento e de compensação. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade, inclusive porque na Decisão consta expressamente o motivo do não conhecimento da matéria alegada de forma inovadora, assim como a ressalva da DRJ quanto à planilha estampada na Manifestação de Inconformidade, que foi posteriormente também veiculada no próprio Recurso Voluntário. Se a Recorrente entende que faz jus a valor adicional de crédito presumido de IPI, a ser compensado com outros tributos federais, ela deve sim fazer pedido adicional ou, nos estritos limites de seu processo, se insurgir contra a glosa efetuada pela Receita Federal do Brasil. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Porém, até em decorrência do devido processo legal, não lhe cabe inovar ou fazer outros pedidos diversos daqueles formulados inicialmente, ainda que sob a alegação de que teria cometido equívocos formais ou de interpretação de suas aquisições ou até mesmos de seus próprios créditos. Dessa forma, nos limites do presente processo, não há como se conhecer dos pedidos formulados pela Recorrente, posto que totalmente estranhos ao ressarcimento e aos pedidos de compensação a ele relacionados. Relativamente à inclusão ou não dos pallets no cálculo do crédito presumido, correta a decisão da DRJ, posto que pallets não configuram insumos e sequer material de embalagem, sendo, na realidade, bens de uso e consumo, não outorgando à Recorrente o direito ao crédito presumido do IPI sobre tais aquisições. Importante ressaltar que o despacho decisório afastou a inclusão dos pallets do pedido de ressarcimento. No tocante à correção monetária do crédito presumido de IPI, realmente a legislação não a prevê, apenas sendo aplicável quando há aposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco, conforme ementa extraída do julgamento do processo 10950.004313/200817, de Relatoria do Conselheiro Alexandre Kern, da 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 3ª Seção: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62A do RICARF REsp 993164 Súmula STJ nº 411 No presente caso, portanto, apenas sobre a glosa inicial de R$ 42.134,21 caberia a correção monetária se e somente se a conclusão desse processo fosse favorável à Recorrente, que, em relação aos pontos constantes no despacho decisório não trouxe nenhum elementos bastante para modifica a decisão, tendo se preocupado reiterar seus novos pedidos, efetuados quando da Manifestação de Inconformidade. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 349DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13842.000235/9855 Acórdão n.º 3403003.019 S3C4T3 Fl. 6.145 7 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 16327.000459/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO PRESENTE.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
A aferição da regularidade fiscal para fins de cumprimento do disposto no art. 60 da Lei nº 9.065, de 1995, deve ser realizada em relação ao momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anos-calendário subsequentes.
Numero da decisão: 1402-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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MORGAN S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhemse os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). A aferição da regularidade fiscal para fins de cumprimento do disposto no art. 60 da Lei nº 9.065, de 1995, deve ser realizada em relação ao momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anoscalendário subsequentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 59 /2 00 3- 11 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 370 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 371 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por FAZENDA NACIONAL fls. 353357 ao Acórdão 1402001.412, proferido em 10/07/2013, que deu provimento ao recurso voluntário (fls. 345348). Admitidos os embargos, passo ao relato. O voto condutor do acórdão embargado encontrase assim vazado: O litígio diz respeito ao momento da comprovação da regularidade fiscal para fins de deferimento da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de destinação de recursos ao Finor e ao Finam. Tanto a autoridade preparadora, quanto a decisão recorrida, entenderam que a regularidade fiscal deveria ser aferida no momento da análise do PERC. A recorrente entende que a comprovação da regularidade fiscal deveria ser aferida em relação ao período em que optou por destinar parte do IRPJ devido como investimentos no Finam e Finor. O tema não comporta mais controvérsia, pois foi editada o enunciado nº 37 da Súmula do CARF, assim vazada: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Considerandose que há nos autos comprovação da regularidade fiscal da recorrente nos anos de 2003 e 2005 (certidões às fls. 109 e 115, respectivamente), entendo que merece prosperar a irresignação do contribuinte. Esclareçase, contudo, que, dada a natureza da controvérsia que ora se aprecia (admissibilidade ou não do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC), a solicitação de liberação da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, formalizada em sede de recurso voluntário, constitui matéria que deve ser apreciada pela unidade administrativa responsável pela análise do pedido de revisão que ora se admite. . Diante do exposto, considerandose a comprovação da regularidade fiscal, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de pendências fiscais à época da DIPJ e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do PERC, nos termos do pedido de fls. 0203. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 372 4 Em resumo, alega a Fazenda Nacional haver contradição no acórdão quanto ao momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal do contribuinte que solicita o incentivo fiscal e a que período esta comprovação deve se referir. Assevera que as certidões a que se refere o voto condutor do aresto foram emitidas em 2003 e 2005, abrangendo o período de 10/06/2003 a 10/12/2003 e 08/03/2005 a 08/09/2005, respectivamente. Aduz ainda que a opção pelo incentivo fiscal foi realizada na DIPJ do ano de 2000, e que, portanto, não haveria prova da regularidade fiscal do contribuinte em tal período. Salienta que tais certidões atestam a situação do contribuinte no momento de sua emissão, possuindo validade por 6 meses, não se referindo a situações pretéritas (nota de rodapé número 2). Acrescenta também que não constam dos autos comprovação de regularidade fiscal perante o INSS e a PGFN, asseverando que somente a partir de 2005 passou a existir emissão de certidão conjunta entre Receita Federal e PGFN. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 373 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. No acórdão embargado, assim me manifestei: O litígio diz respeito ao momento da comprovação da regularidade fiscal para fins de deferimento da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de destinação de recursos ao Finor e ao Finam. Tanto a autoridade preparadora, quanto a decisão recorrida, entenderam que a regularidade fiscal deveria ser aferida no momento da análise do PERC. A recorrente entende que a comprovação da regularidade fiscal deveria ser aferida em relação ao período em que optou por destinar parte do IRPJ devido como investimentos no Finam e Finor. O tema não comporta mais controvérsia, pois foi editada o enunciado nº 37 da Súmula do CARF, assim vazada: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Considerandose que há nos autos comprovação da regularidade fiscal da recorrente nos anos de 2003 e 2005 (certidões às fls. 109 e 115, respectivamente), entendo que merece prosperar a irresignação do contribuinte. Esclareçase, contudo, que, dada a natureza da controvérsia que ora se aprecia (admissibilidade ou não do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC), a solicitação de liberação da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, formalizada em sede de recurso voluntário, constitui matéria que deve ser apreciada pela unidade administrativa responsável pela análise do pedido de revisão que ora se admite. . Diante do exposto, considerandose a comprovação da regularidade fiscal, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário p dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de pendências fiscais à época da DIPJ e determinar o encaminhamento Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 374 6 dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do PERC, nos termos do pedido de fls. 0203. Conforme relatado, alega a Fazenda Nacional haver contradição no acórdão quanto ao momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal do contribuinte que solicita o incentivo fiscal e a que período esta comprovação deve se referir. Concordo em parte com tal afirmação. No que tange à validade das certidões, a conclusão da PGFN parte de premissa equivocada: as certidões emitidas pela Receita Federal, e também pela PGFN (posteriormente substituídas pelas certidões conjuntas) não atestam a situação do contribuinte somente em relação aos últimos seis meses (contados da data de sua emissão). A menção aos seis meses constante de tais certidões referese à validade de tais documentos e não ao período em que o contribuinte supostamente não possui débitos perante a Administração Tributária Federal. Assim, uma certidão negativa emitida em 01 de janeiro de determinado ano, possui validade, em regra, até 01 de julho do mesmo ano. As certidões negativas referemse, no mínimo, aos últimos 05 anos (no período em análise – entre os anoscalendário de 1999 e 2006 – as certidões negativas implicavam apontar inexistência de débitos de até 10 anos anteriores, em face do disposto no art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, posteriormente declarada inconstitucional pelo STF). De outro modo, as certidões positivas indicavam débitos referentes a fatos geradores ocorridos na última década. Basta observar, por exemplo, à fl. 129, que a certidão positiva emitida em 21/02/2006 faz menção a débitos de períodos pretéritos bem mais longínquos que os seis meses apontados pela embargante: Desse modo, as certidões constantes às fls. 109 e 115, emitidas respectivamente em 2003 e 2005, abarcam e comprovam a regularidade fiscal do contribuinte em relação aos anoscalendário de 1999 e 2000, tanto o período a que se refere a DIPJ quanto a ocasião de sua transmissão, momento em que restou caracterizada a opção pelo incentivo fiscal. Certamente este é o espírito da Súmula CARF nº 37: “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Há de se Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 375 7 comprovar regularidade relativa ao período a que se refere declaração de rendimentos e tal comprovação pode ser realizada em qualquer momento do processo administrativo. E assim o foi feito em relação aos débitos administrados pela Receita Federal. Nesse particular, deve ser rejeitada a alegação de contradição da PGFN. Contudo, em relação à afirmação embargante de que “não constam dos autos comprovação de regularidade fiscal perante o INSS e a PGFN, asseverando que somente a partir de 2005 passou a existir emissão de certidão conjunta entre Receita Federal e PGFN”, em princípio, assistiria razão à Embargante, pois de fato, o voto condutor do aresto atevese às certidões emitidas pela então Secretaria da Receita Federal – SRF. Eis a contradição e a dúvida que devem ser sanadas em relação ao acórdão embargado. A análise a respeito das certidões acostadas aos autos deveria se ater à data de comprovação da irregularidade fiscal por parte do contribuinte. Isso porque a aferição da regularidade fiscal para fins de cumprimento do disposto no art. 60 da Lei nº 9.065, de 1995, deve ser realizada em relação ao momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos, no caso, na data da transmissão da DIPJ 2000. A prova de irregularidade fiscal do contribuinte deveria ser trazida aos autos pelo Fisco, demonstrando que, na data da opção pelo incentivo fiscal, qual seja, a data de transmissão da DIPJ, o contribuinte encontravase em débito com a SRF, INSS, ou PGFN. Compulsando as certidões acostadas aos autos, vislumbro que nenhuma delas é capaz de comprovar que, no momento da opção, a Recorrente encontravase em situação fiscal irregular. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício em anoscalendário subsequentes. Nesse contexto, considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Nesse sentido, podese citar o acórdão número 1201 00.131 (Relator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto) e acórdãos números 140200.774, 140200.775, 140200.776 e 140200.777, todos de relatoria do ilustre Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ambos componentes desta turma julgadora. Pelo exposto, voto por conhecer dos embargos, negandolhe provimento e, por conseguinte, ratificando a decisão embargada no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do mérito do PERC. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000459/200311 Acórdão n.º 1402001.412 S1C4T2 Fl. 376 8 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004551/2008-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente - Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente - Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 04 55 1/ 20 08 -7 0 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.004551/200870 Resolução nº 9303000.081 CSRFT3 Fl. 364 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR.. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3.As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.004551/200870 Resolução nº 9303000.081 CSRFT3 Fl. 365 3 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARF até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001197/2009-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação.
Numero da decisão: 3803-006.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de processo com retorno de diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 97 /2 00 9- 57 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 23360.48884.300306.1.1.087697, fls. 2/6, de PIS Não Cumulativo relativo ao 4º. trimestre do anocalendário de 2005, no valor de R$ 28.858,06, utilizado como crédito na Declaração de Compensação DComp nº 20903.90099.290108.1.3.084796, fls. 7/10. Ancorada na Informação Fiscal de fls. 90/98, a DRF/Florianópolis, por meio do Despacho Decisório de fls. 99/100, homologou parcialmente a compensação reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 25.739,96, deixando de considerar na base de cálculo dos créditos os valores de ‘aluguéis pagos à pessoa física e outros valores', sem o respaldo de notas fiscais de entrada’. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 106/107, a Interessada alegou, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Requereu, por fim, que fosse revisto o direito creditório relativo à despesa de aluguel. Em julgamento da lide, acórdão de fls. 123/125, a DRJ/Florianópolis: a) verificou que a Defesa anexou um aditivo ao contrato de locação, de data anterior ao período de que trata o presente processo, por meio do qual o locador passou a ser pessoa jurídica; b) considerou, em tese, a possibilidade do desconto de créditos em relação a pagamentos de despesas de aluguel de prédios locados de pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa, conforme a Lei nº 10.637, de 2002. Todavia, deixou de deferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade pelo fato de a Contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa locadora, visando à comprovação dos pagamentos feitos nos montantes que constam do Dacon. Recurso voluntário apresentado, a Recorrente sustentou a impropriedade e equívoco da decisão recorrida de indeferir a solicitação de inclusão dos valores de aluguéis na base de cálculo dos créditos, por falta de apresentação das notas fiscais a eles correspondentes; afirma não haver base legal para tal exigência e que o contrato de locação já apreciado pelo Colegiado de primeira instância faz prova, por si, da despesa incorrida. Esta Turma, converteu o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco e intime o locador para que informe se tem conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme referido no relatório, consta do Dacon relativo ao 4º trimestre de 2005, fl. 17/18, registro de Despesas de Aluguéis de Prédios Locados e Pessoas Jurídicas, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001197/200957 Acórdão n.º 3803006.452 S3TE03 Fl. 177 3 subsequentemente, nos meses de julho, agosto, setembro, os valores de R$ 4.723,24 mais R$ 2.262,77, R$ 6.106,76 mais R$ 2.079,25 e R$ 5.346,39 mais R$ 1.639,62, cujas somas parciais resultam para os meses de outubro e dezembro no valor de R$ 6.986,01, e para o mês de novembro o valor de R$ 8.186,01 (valor possivelmente equivocado). A Interessada foi intimada para, além da ciência do resultado do julgamento, que interviesse junto ao locador, para que informasse se tinha conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. À fl. 152 está anexada a Declaração do locador dando conta da relação contratual com a Plasson, tendo como objeto a locação do prédio onde instalada a indústria. Ás fls. 169/173 consta folhas do Diário, com respectivos Termos de Abertura e Encerramento, correspondentes ao 4º trimestre de 2005, extraído em 30/09/2004, com registro de dois correspectivos pagamentos de aluguel, no valor de R$ 6.986,01[1]. Dessarte, foi cumprido o objeto da diligência e comprovados a existência do contrato do aluguel e respectivos pagamentos, correspondentes ao valor escriturado no Dacon. Assim, sendo esta a única controvérsia do processo, deve ser revertida a glosa e reconhecido o crédito pleiteado. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 21 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 O valor do pagamento do aluguel referente a dezembro de 2005, decerto encontrase registrado no mêsd e janeiro de 2006, como de regra se verifica ocorrer nos registros relativos ao último mês de cada trimestre, nos demais processos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.904198/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE CUMPRIMENTO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO REGULARMENTE INSTAURADO. Não compete ao CARF apreciar pedido de que seja cumprida a decisão de 1a instância.
Numero da decisão: 1101-001.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE CUMPRIMENTO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO REGULARMENTE INSTAURADO. Não compete ao CARF apreciar pedido de que seja cumprida a decisão de 1a instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
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PEDIDO DE CUMPRIMENTO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO REGULARMENTE INSTAURADO. Não compete ao CARF apreciar pedido de que seja cumprida a decisão de 1a instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 41 98 /2 00 8- 49 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ÁGUAS PRATA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de PER/DCOMP por meio do qual a interessada apontou direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, exercício 2005, para a compensação dos débitos declarados. A autoridade fiscal não homologou as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) com número de rastreamento 796764602, emitido em 23/10/2008, acostado às fls. 02, que se transcreve: “..... PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PERÍODO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO 27427.78800.311005.1.7.023297 Exercício 2005 01/01/2004 a 31/12/2004 TIPO DE CRÉDITO Nº DO PROCESSO DE CRÉDITO Saldo Negativo de IRPJ 10830904.198/200849 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da PessoaJurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 27.863,19 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 93.303,95 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 02647.06652.310506.1.3.024297 36566.20860.310505.1.3.029782 14319.90071.290905.1.7.028064 25938.32155.290905.1.7.024010 31466.77757.300905.1.3.020888 40579.63745.280406.1.3.025351 15527.59224.280406.1.7.027905 27427.78800.311005.1.7.023297 11247.86694.310506.1.3.028087 00397.15630.280406.1.7.024401 10703.28343.280406.1.3.023717 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/10/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 186.291,59 37.258,25 69.958,02 [......] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 4 3 Cientificada do Despacho Decisório em 07/11/2008 (sextafeira), conforme comprova o documento de fl. 100, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 09/12/2008, fls. 01/05, acompanhada dos documentos de fls. 06/117, com as alegações que se seguem. “.... II – DO DIREITO II.1 – Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário 5 – Antes de se adentrar no mérito da questão, fazse necessário registrar que os débitos relativos às compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa até a apreciação final dessa manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96, ... [....] II.2 – Da regularidade das compensações realizadas pela Recorrente 7 – Antes de qualquer demonstração a Recorrente reconhece que não preencheu corretamente e errou ao não retificar os PER/DCOMP, visto que o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 foi dividido em dois PER/DCOMP, no entanto a soma dos valores declarados nos dois PER/DCOMP monta o valor de R$ 119.590,14 que corresponde ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 declarado na DIPJ/2005, conforme comprova a cópia da Ficha 12 A, Linha 20 (doc. 04). [........] 10 – Primeiramente, cumpre esclarecer que a decisão ora combatida tomou como base o saldo da DIPJ original e a Recorrente já havia retificado a citada DIPJ/2005 em 29/05/2008 (doc. 05), onde declara o Saldo Negativo do IRPJ de R$ 119.590,14 na Linha 20 da Ficha 12 A (doc. 04). 11 Ocorre que após a entrega da DIPJ/2005, a Recorrente verificou que o valor do imposto de renda retido na fonte pela empresa La Basque Alimentos Ltda., CNPJ nº 44.930.204/000105 não havia sido declarado, sendo que o valor de R$ 26.286,19 foi incluído na DIPJ/2005 retificadora. 12 – Como mencionado, a Recorrente apresentou dois PER/DCOMP com o demonstrativo do crédito que monta o saldo credor da DIPJ/2005 conforme abaixo: PER/DCOMP Nº Saldo Negativo R$ Data do Doc. Envio 27427.78800.311005.1.7.023297 27.863,19 31/10/2005 06 00397.15630.280406.1.7.024401 91.726,95 28/04/2006 07 Total 119.590,14 13 – Seguiramse para completar a compensação dos créditos os seguintes PER/DCOMP: PER/DCOMP Nº Data do Doc. Envio 10703.28343.280406.1.3.023717 28/04/2006 08 11247.86694.310506.1.3.028087 31/05/2006 09 02647.06652.310506.1.33024297 31/05/2006 10 14 – Para melhor visualização anexamos planilha de controle das compensações efetuadas (doc. 11 e 12). 15 – Já para os PER/DCOMP relacionados abaixo, a Recorrente declara que também se equivocou ao informar o período a que se refere o crédito do Saldo Negativo de IRPJ, uma vez que declarou como sendo do Exercício de 2005, no entanto a informação correta é que o crédito se refere ao Saldo Negativo de IRPJ de 2004, Ano Calendário de 2003. Ressaltese, inclusive, que este referido crédito é controlado no Processo Administrativo nº 10830.904199/200893. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 5 4 PER/DCOMP Nº Data do Doc. Envio 36566.20860.310505.1.3.029782 31/05/2005 13 14319.90071.290905.1.7.028064 29/09/2005 14 25938.32155.290905.1.7.02.4010 29/09/2005 15 31466.77757.300905.1.3.020888 30/09/2005 16 40579.63745.280406.1.3.025351 28/04/2006 17 16 – Desta forma, a Recorrente solicita sua retificação de ofício ou que seja permitida a sua retificação. 17 Com relação ao PER/DCOMP nº 15527.59224.280406.1.7.027905 (doc. 18), a Recorrente solicita que seja cancelado de ofício, tendo em vista que seu preenchimento foi efetuado indevidamente, pois o débito já havia sido liquidado em outro PER/DCOMP. 18 – A não retificação dos PER/DCOMP citados acima levou a D. Autoridade Fiscal entender que não existia ou era insuficiente o crédito tributário disponível em comento, devendo, após o processamento das retificações solicitadas, ser analisado o caso concreto. 19 – Em que pese o erro cometido pela Recorrente ao ter deixado de retificar seus PER/DCOMP, alterando o período de crédito originado no Saldo Negativo de IRPJ, não tem o condão de afastar a realidade fática, qual seja, a de que a Recorrente quitou os valores devidos de impostos através da compensação de um imposto anteriormente recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do Art. 156, inciso II do Código Tributário Nacional. 20 – Eis a demonstração de que, muito embora houvesse incorreções nas informações prestadas através dos PER/DCOMP, conforme esclarecido acima, não há qualquer outra incompatibilidade entre os valores dos saldos negativos dos créditos de IRPJ e suas respectivas compensações, não havendo qualquer sustentação legal após as retificações para que não sejam homologados integralmente os valores compensados. III – DO PEDIDO 21 – Por todo o exposto, a Recorrente requer as seguintes providências: a) a correção de ofício ou, alternativamente, a permissão para que sejam retificados os PER/DCOMP nº 36566.20860.310505.1.3.029782, nº 14319.90071.290905.1.7.028064, nº 25938.31155.290905.1.7.024010, nº 31466.77757.300905.1.3.020888 e nº 40579.63745.280406.1.3.025351 e; b) o recebimento e total provimento da presente manifestação de inconformidade, reformandose a decisão proferida, para fins de reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, homologação das compensações efetuadas. ...” A Turma Julgadora acolheu a maior parte das alegações da contribuinte, reconhecendo o erro na divisão do saldo negativo do anocalendário 2004 em diferentes DCOMP iniciais, confirmando as retenções e o oferecimento da correspondente à tributação e, por conseqüência, o saldo negativo alegado de R$ 119.590,14, o qual, por inexistir evidências de utilização em outras compensações, foi reconhecido para utilização nas compensações a ele vinculadas pela contribuinte. Rejeitou o pedido de cancelamento da DCOMP nº 15527.59224.280406.1.7.027905 porque não comprovada a quitação do débito compensado e, quanto às compensações vinculadas ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003, embora admitindo o erro no preenchimento, houve divergência na Turma quanto ao procedimento a ser adotado para sua regularização, prevalecendo o entendimento de que as Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 6 5 correspondentes DCOMP não deveriam ser anexadas ao processo administrativo nº 10830.904199/200893, mas sim analisadas em autos apartados. Às fls. 216/286 constam as informações acerca da liquidação do acórdão, em razão da qual restaram débitos a serem cobrados. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/02/2011 (fl. 336/337), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/02/2011 (fls. 338/375), no qual questiona o procedimento adotado para liquidação da decisão de 1a instância, na medida em que não foi promovido o desentranhamento das DCOMP nas quais foi utilizado saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003. Pede, assim, que a DRF/Campinas cumpra o que definido na decisão recorrida, do que resultará a homologação das compensações vinculadas ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004, e o cancelamento dos débitos demonstrados à fl. 286. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O demonstrativo de Detalhamento da Compensação, que instrui o Despacho Decisório de nãohomologação das DCOMP tratadas nestes autos (fls. 96/98), permite estabelecer a correlação entre as compensações que a autoridade julgadora de 1a instância afirmou vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 e os processos administrativos nos quais são controlados os débitos compensados, conforme abaixo exposto: · DCOMP nº 36566.20860.310505.1.3.029782, processo administrativo nº 10830905.218/200807; · DCOMP nº 14319.90071.290905.1.7.028064, processo administrativo nº 10830905.219/200843; · DCOMP nº 25938.32155.290905.1.7.024010, processo administrativo nº 10830.905220/200878; · DCOMP nº 31466.77757.300905.1.3.020888, processo administrativo nº 10830905.221/200812; · DCOMP nº 15527.59224.280406.1.7.027905, processo administrativo nº 10830.908964/200844; · DCOMP nº 40579.63745.280406.1.3.025351, processo administrativo nº 10830.908966/200833 Por sua vez, a liquidação das compensações promovida depois da edição da decisão de 1a instância está demonstrada às fls. 216/224 e tem em conta o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004, confirmado no valor de R$ 119.590,14, o qual é imputado a diversos débitos relacionados à fl. 216, associados ao correspondente processo administrativo de controle. O confronto destes elementos deixa claro que a autoridade administrativa local, ao executar a decisão de 1a instância, imputou o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2004 a débitos liquidados por meio de DCOMP nas quais foi utilizado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Não procedeu, portanto, ao prévio desentranhamento das DCOMP, acima relacionadas, para análise das compensações com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003. Imperioso, portanto, que tais cálculos e conseqüentes procedimentos de liquidação sejam reconstituídos, de modo a adequálos ao que decidido pela autoridade julgadora de 1a instância. Considerando que o pedido da recorrente é justamente no sentido de que se cumpra a decisão de 1a instância, inexiste litígio regularmente instaurado e este Colegiado se Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.904198/200849 Acórdão n.º 1101001.155 S1C1T1 Fl. 8 7 mostra incompetente para apreciar o referido pleito. Assim, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, devolvendo os autos à Unidade de origem para regularização dos procedimentos de liquidação do acórdão de 1a instância. Somente se, ao final, subsistir(em) em aberto débito(s) compensado(s) com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004, exsurgirá a pretensão resistida que permitirá ao sujeito passivo pleitear o reconhecimento de seu direito perante este Conselho. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.900246/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO E DA COMPENSAÇÃO.
A compensação pretendida deve ser deferida até o limite em que apurado o crédito em diligência realizada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 16/09/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 441 1 440 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900246/200804 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.684 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria PIS Recorrente BANCO ABN AMRO REAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO E DA COMPENSAÇÃO. A compensação pretendida deve ser deferida até o limite em que apurado o crédito em diligência realizada. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 16/09/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 02 46 /2 00 8- 04 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de compensação de débito de PIS do período 01/2003 no valor de R$1.010.303,90, com crédito decorrente de alegado pagamento a maior de PIS relativo ao período de 11/2002, efetuado em 13/12/2002, no valor total de R$2.219.403,40, conforme declarado pela empresa na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 00714.00337.311003.1.3.042001 (fls. 2126), transmitida em 31/10/2003. Referida compensação não foi homologada pela Deinf/SP conforme Despacho Decisório de número de rastreamento 757861182 (fls. 20) nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Segundo informa a Deinf/SP às fls. 41, a contribuinte foi cientificada da decisão em 02/05/2008 (fls. 40), e enviou em 03/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 0205, acompanhada dos documentos de fls. 0639. Em sua defesa, a contribuinte alega possuir um valor pago a maior de R$1.913.431,80, resultado da diferença entre o PIS recolhido (R$2.219.403,40) e o PIS alegado como devido para 11/2002 (R$305.971,60). Do valor de R$1.913.431,80, a contribuinte alega ter utilizado R$981.163,35 na compensação em análise. A contribuinte alega que entregou em 16/01/2008 DCTF retificadora alterando o PIS de 11/2002 para o valor de R$305.971,60, conforme os valores constantes da DIPJ do anocalendário de 2002. Todavia, segue a manifestante, a DCTF retificadora enviada em 16/01/2008 não foi considerada nessa decisão. Pelo exposto, requer a reforma do despacho decisório, homologando se a compensação pleiteada, extinguindose o débito de PIS de 01/2003 até o montante de R$1.010.303,90, e considerando como o PIS devido para 11/2002 o valor de R$305.971,60. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/SP1 n.º 35.115, de 07/12/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900246/200804 Acórdão n.º 3201001.684 S3C2T1 Fl. 442 3 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, cabendo à contribuinte a comprovação da necessidade de alteração do valor originalmente declarado. Se a contribuinte não comprova a existência do erro material alegado, deve ser mantido o valor do débito declarado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que fundamentem a defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para alterar o despacho decisório contestado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. Iniciado o julgamento, este foi convertido em diligencia para verificar a existência de crédito em nome da recorrente, em face dos documentos juntados. Assim, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Exigese neste processo PIS, o qual não foi compensado por suposta falta de crédito, já que, à época da decisão, não foram aceitos e analisados os documentos juntados pela recorrente, a saber, declarações retificadoras que suportariam o seu direito creditório. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado, ainda mais quando a retificação da declaração ocorre após a ciência do despacho decisório. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Baixado em diligência, esta assim concluiu: Sendo assim, efetuouse o cálculo da compensação declarada na DCOMP nº 00714.00337.311003.1.3.042001 no presente processo no sistema SAPO (fls. 160/162), o qual demonstrou que o crédito compensável de R$ 827.736,70 não é suficiente para extinção do débito de PIS de janeiro de 2003 de R$ 1.010.303,90, tendo remanescido um saldo a pagar de PIS de R$ 282.629,39. Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 23 de julho de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900246/200804 Acórdão n.º 3201001.684 S3C2T1 Fl. 443 5 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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