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Numero do processo: 10935.903887/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 87 /2 01 3- 25 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.564.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903887/201325 Acórdão n.º 3402005.634 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903350/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
ISENÇÃO. CRÉDITOS. IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS.
Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67.
ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO.
A competência da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) para a fiscalização de tributos federais na Zona Franca de Manaus abrange a verificação da regularidade de cumprimento de Processo Produtivo Básico (PPB), e não se confunde com a competência da SUFRAMA, órgão de planejamento, promoção, coordenação e administração da Zona Franca, para acompanhar os PPB, nem com o estabelecimento, em portaria conjunta, de PPB para diversos produtos, previamente a sua execução.
ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PORTARIA ESPECÍFICA. CONDIÇÃO PARA FRUIÇÃO. CUMPRIMENTO OBRIGATÓRIO.
Estabelecido em Portaria Interministerial, emitida pelas autoridades competentes, o PPB para determinado produto, o cumprimento estrito de seus termos constitui condição para fruição de isenção vinculada à Zona Franca de Manaus.
Numero da decisão: 3401-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos (relator), Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, exclusivamente no que se refere ao descumprimento do PPB. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente, Redator Designado e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Muller Nonato Cavalcante (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o Conselheiro Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 ISENÇÃO. CRÉDITOS. IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A competência da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) para a fiscalização de tributos federais na Zona Franca de Manaus abrange a verificação da regularidade de cumprimento de Processo Produtivo Básico (PPB), e não se confunde com a competência da SUFRAMA, órgão de planejamento, promoção, coordenação e administração da Zona Franca, para acompanhar os PPB, nem com o estabelecimento, em portaria conjunta, de PPB para diversos produtos, previamente a sua execução. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PORTARIA ESPECÍFICA. CONDIÇÃO PARA FRUIÇÃO. CUMPRIMENTO OBRIGATÓRIO. Estabelecido em Portaria Interministerial, emitida pelas autoridades competentes, o PPB para determinado produto, o cumprimento estrito de seus termos constitui condição para fruição de isenção vinculada à Zona Franca de Manaus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos (relator), Cássio Schappo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 33 50 /2 01 3- 33 Fl. 567DF CARF MF 2 e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, exclusivamente no que se refere ao descumprimento do PPB. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente, Redator Designado e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Muller Nonato Cavalcante (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o Conselheiro Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (conforme disponibilizado pelo relator original, Cons. André Henrique Lemos, na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF) Adotase o relatório da DRJ/RPOSP (efl. 463 e ss.), por bem externar o que consta dos autos: Em 06/04/2015, foi emitido o Despacho Decisório à fl. 449, com fulcro em termo de verificação fiscal, que, do montante do crédito solicitado de R$ 34.115.169,93 referente ao 1º trimestre calendário de 2011, nada reconheceu e não homologou as compensações declaradas, conforme demonstrativos de apuração às fls. 451 e 452. Consoante o termo de verificação fiscal disponível para consulta no sítio da RFB na internet (menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório") e com o mesmo teor do relatório fiscal constante do auto de infração (processo nº 19311.720022/201507; fls. 39.815/39.856), houve a glosa de créditos, para o período de 01/10/2010 a 30/09/2012, referentes a aquisições com isenção (RIPI/2010, arts. 81, II, e 95, III) de tampas e rolhas metálicas da empresa RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda. e de concentrados das empresas AROSUCO Aromas e Sucos Ltda. e PEPSICOLA Industrial da Amazônia Ltda., sem o cumprimento de requisitos indispensáveis. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou, em 30/04/2015, após ciência em 14/04/2015 por via postal (AR à fl. 455), a manifestação de inconformidade às fls. 02/09 subscrita pelos patronos constituídos pela procuração às fls. 11/13, em que, em síntese, sustenta que: a) O crédito tributário constituído no auto de infração lavrado (processo nº 19311.720022/201507) e decorrente de glosas de créditos Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 568 3 efetuadas está com a exigibilidade suspensa em virtude de contestação administrativa, conforme o CTN, art. 151, III; o Despacho Decisório é, portanto, improcedente porque as glosas de crédito não podem ser consideradas definitivas; b) De outro modo, o Despacho Decisório deve ter sobrestada a respectiva execução (cobrança) até o deslinde da discussão administrativa da exigência fiscal, que se caracteriza como questão prejudicial em relação ao indeferimento do PER/DCOMP; c) Caso haja julgamento do indeferimento do PER/DCOMP determinado pelo Despacho Decisório, as razões para a ilegitimidade do lançamento resultante das glosas de crédito são as mesmas expendidas na impugnação à exigência fiscal: regularidade dos processos produtivos básicos dos concentrados e aditivos produzidos pela PEPSICOLA e pela AROSUCO, com as respectivas matérias primas sólidas e líquidas misturadas e homogeneizadas na Zona Franca de Manaus, consoante a norma que disciplina o processo produtivo básico; direito ao crédito sobre os insumos provenientes da Zona Franca de Manaus em virtude do regime fiscal, mais vantajoso em relação às demais regiões do país, assegurado pelo art. 40 do ADCT da CF/88. Por derradeiro, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório em pauta, ou então que a execução do Despacho Decisório seja sobrestada até que sobrevenha decisão final no âmbito do processo nº 19311.720022/201507; alternativamente, ainda, que seja apreciado o mérito das glosas de crédito que deram causa ao indeferimento do PER/DCOMP, à luz da mesma argumentação ofertada na peça de defesa concernente ao auto de infração, que deve ser considerada como se fosse integralmente transcrita na manifestação de inconformidade. Sobreveio decisão da DRJ/RPOSP (efl. 461 e ss.), a qual, à unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (ementa abaixo transcrita): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, ainda que elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, se houver descumprimento dos requisitos do processo produtivo básico fixados em atos normativos, consoante elementos probatórios que informam o auto de infração lavrado em procedimento fiscal, cuja apreciação configura antecedente lógico ao exame do PER/DCOMP. Fl. 569DF CARF MF 4 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária, conforme arcabouço probatório que instrui o processo de exigência fiscal resultante de procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO DE PROCESSO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para o sobrestamento de julgamento de processo, sendo que, à luz do princípio da oficialidade, os processos administrativos devem ser sempre impulsionados de ofício; no máximo, sendo o caso de auto de infração anterior, o processo relativo a PER/DCOMP deve aguardar o deslinde da análise do mérito daquele. Em 23/12/2016, deuse ciência do acórdão, por meio de AR (efl. 487), havendo interposição de recurso voluntário em 23/01/2017 (efl. 489 e ss.), no qual, basicamente é repisado o que fora articulado em manifestação de inconformidade, juntandose cópia do RV interposto no PAF 19311.720022/201507. À efl. 537 e ss. sobrevieram contrarrazões da Procuradoria, defendendose que: (a) em preliminar, inexiste sobrestamento, mas conexão (em sentido lato; vinculação por dependência, artigo 6°, § 1º, II do RICARF c/c artigo 55, § 3º, CPC/2015) entre as PER/DCOMP apresentadas e a glosa levada a efeito no PAF 19311.720022/201507; pedindo distribuição por dependência ao referido PAF; (b) a glosa de créditos do IPI não tem o condão de impedir que o fisco adote as medidas protetivas cabíveis; não havendo a alegada nulidade; (c) não houve omissão no acórdão recorrido no tocante ao reconhecimento dos requisitos técnicos (competência da SUFRAMA); boafé da Recorrente; fabricação de concentrado e aditivo (kits) integralmente concluídos na ZFM e o refrigerante é produto distinto destes, como alega a Recorrente, vez que o acórdão foi explícito nestes assuntos; (d) não há nulidade do acórdão em que a glosa de créditos seria uma decorrência do princípio da nãocumulatividade, vez que também fora abordada pelo acórdão recorrido; (e) no mérito, o descumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do crédito do IPI (artigos 95, III c/c 237 do RIPI/10): produtos elaborados com matériasprimas agrícolas ou extrativas vegetais de produção regional por estabelecimento na ZFM, com projeto aprovado pela SUFRAMA, desde que haja emprego de MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. A aprovação do projeto PEPSI/AROSUCO não se confunde com o reconhecimento da isenção, devendo obedecer as demais condições (artigo 6º), com aprovação e atendimento do Processo Produtivo Básico (PPB), mormente de Refrigerantes (Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT 8/1998). O produto final do PPB do "Concentrado" do Refrigerante deve ser necessariamente único, totalmente produzido e industrializado na ZFM, porém, os concentrados vieram em kits, compostos por partes líquidas e sólidas, com etapa de homogeneização do refrigerante em Jundiaí/SP; (f) são indevidos os créditos de tampas e rolhas, porque a fornecedora Ravibras não utilizou matériasprimas agrícola e extrativa vegetal de produção nacional, violando o artigo Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 569 5 81, II do RIPI/2010; e (g) não há conflito de competência entre a SUFRAMA e a RFB (acórdão 3402002.932), cabendo ser feita a glosa por esta (acórdãos 3301003.005 e 3301003.006); (h) inexiste crédito de IPI de aquisição de insumo isento (artigos 153, § 3°, II c/c 40 da ADCT, ambos da CF/88), pois somente teria direito ao crédito em caso de efetivo pagamento do tributo na etapa anterior (STF, dentre outros, RE 353.657, 496.757, 566.819 e 398.365, estes dois últimos com repercussão geral reconhecida; RE 592.891, que trata da situação peculiar da ZFM). À efl. 562 consta Despacho de Saneamento, determinando seja o presente processo pautado e julgado em conjunto com o PAF 19311.710022/201507; o que, aliás, será feito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Julgamento conjunto processos 10830.903349/201317; 19311.720022/201507 e 10830.903351/201388 Entendese que o presente feito deve ser julgado em conjunto com os referidos PAF, vinculado por decorrência, artigo 6°, §§ 1° a 3° especialmente pelo inciso II do § 1° , do Anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito Fl. 571DF CARF MF 6 passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (Negrito do Relator). Os recursos voluntários tratam do mesmo assunto, mas diferem quanto ao período de apuração, havendo, inclusive, os mesmos signatários. Por estas razões, acatase o julgamento conjunto dos feitos. Do crédito do IPI nas aquisições de insumo isento Viuse que a Recorrente, por meio de PER/DCOMP buscou créditos do IPI, oriundos de produtos isentos, os chamados "concentrados" de refrigerantes, situados na designada "Amazônia Ocidental" (Zona Franca de Manaus ZFM), resultando em DDE não homologando o crédito, culminando em glosa, por meio de Auto de Infração; havendo manifestação de inconformidade, não acatada pela DRJ de Piso, acórdão desafiado pelo recurso voluntário que se julga. Começase por este assunto que, entendese seja o principal, o qual, dependendo do seu resultado, despiciendos serão os demais. O tema é conhecido deste Tribunal e também dos Tribunais de Superposição (STJ e STF). No STJ, REsp. 1.134.903/SP, submetido aos chamados representativos de controvérsia ou mais popularmente recursos repetitivos (Tema 276), cuja ementa segue abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 570 7 que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota Fl. 573DF CARF MF 8 zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional. 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Sublinhados do original). No STF, outrora entendeu pelo direito ao crédito do IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484, m.v., DJ 27/11/1998, p. 22): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Recurso não conhecido. Também nos casos de alíquota zero (RE 350.446), e posteriormente, aos produtos isentos (RE 566.819, m.v., DJe 10/04/2011): IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. Além disso, o Excelso Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral sobre os casos de créditos na entrada de insumos provenientes da ZFM (tema 322, RE 592.891, DJe 25/11/2010). Em 25/05/2016 houve prosseguimento do processo, ocorrendo 3 (três) votos por distintos argumentos, pela negação de provimento do Recorrente (União), oportunidade em que pediu vista dos autos o Min. Teori Zavaski, o qual devolveu os autos para julgamento em 14/06/2016, pendendo de julgamento a partir de então. Finda a questão judicial, impende destaque para o que vem decidindo este CARF: ISENÇÃO. IPI. CRÉDITO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. No artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75, entendese por "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1º, § 4º, do DecretoLei n. 291/67 (Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), não se confundindo com a Amazônia Legal (Lei nº 5.173/66). ISENÇÃO. CRÉDITOS. IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 571 9 Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. Nos termos da Súmula 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade comissiva ou omissiva da lei tributária. IPI. "BIS IN IDEM". BEBIDAS. REGIME MONOFÁSICO. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO. Restando comprovado que o contribuinte debita os impostos indevidamente creditados na saída dos produtos em alienação a terceiros, oferecendo tudo quanto devido à tributação pelo regime monofásico, significa que não existe falta de pagamento do imposto a ensejar cobrança do IPI. (Acórdão 3402002.993, m.v.) Na oportunidade (julgamento em 24/02/2016), acordaram os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os 84,31%, correspondentes às saídas tributadas de produtos monofásicos (que geraram os créditos básicos glosados), seja aplicado aos valores glosados sob essa rubrica em cada período de apuração, a fim de que seja revertida a glosa nesse percentual, afastandose o bis in idem. Os saldos da escrita fiscal deverão ser reconstituídos considerandose como glosa 15,69% do valor glosado a cada período de apuração. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter também a glosa dos créditos incentivados. Em seu voto, a Relatora, Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, faz importante ressalva sobre o assunto de índole constitucional que atinge o aproveitamento de crédito no particular caso dos autos que, aliás, no precedente, figura a mesma Recorrente do presente contencioso. Comungase de seu entendimento, adotandose seu entendimento como fundamento de decidir: A Zona Franca de Manaus, nos termos da Lei n. 3.173/1957, foi criada como um porto franco. Com o advento do Decretolei n. 288/1967, tornouse “área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatôres locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos.” Vêse que se trata de regime jurídico com objetivo desenvolvimentista para o norte do país, muito anterior ao atual texto constitucional. Entretanto, o Artigo 40 Ato das Disposições Constitucionais Transitória (“ADCT”) 2 da Constituição de 1988 recepcionou claramente a legislação referente à Zona Franca de Manaus. 3 Não poderia ter sido outra a opção do constituinte, uma vez que a legislação referente à Zona Franca de Manaus dá efetividade à Fl. 575DF CARF MF 10 ideologia nacional desenvolvimentista trazida pelo texto de 1988, que elencou a redução das desigualdades regionais como objetivo fundamental da República (artigo 3º, inciso III)4 e da ordem econômica (artigo 170, inciso VI),5 tudo na linha iniciada pela Constituição de 1934 (artigo 177) 6 e seguida pela Constituição de 1946 (artigo 199). 7 É neste contexto, de patente zelo constitucional sobre a matéria, que deve ser analisada toda a legislação brasileira atinente ao desenvolvimento da região amazônica, nela incluindose, por óbvio, as leis que implementarem as isenções de IPI para produtos ali fabricados, editadas justamente para cumprir os ditames constitucionais aludidos acima. Afinal, é consabido que o IPI é tributo com nítido caráter extrafiscal (artigo 153, §1º da Constituição), vale dizer, espécie tributária utilizada pela União como instrumento de intervenção sobre o domínio econômico.8 Isto quer dizer que o tributo (IPI) é manejado para que seja alcançado determinado fim (desenvolvimento da região amazônica), pela indução do comportamento dos particulares (instalaremse na região, que, pela sua posição geográfica, tem condições de desenvolvimento muito aquém do necessário). A finalidade do tributo, em casos como este, é preponderantemente extrafiscal, e não fiscal (arrecadatória), fato que deve guiar a interpretação da respectiva lei. Neste contexto é que a discussão sobre o direito ao crédito de IPI, decorrente de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus, não se limita à não cumulatividade, como ocorre nos demais casos de isenção, alíquota zero e não incidência do IPI, nos quais é preciso que o tributo seja efetivamente exigido e pago na etapa antecedente da cadeia produtiva para que exista o direito ao crédito. Tal situação já é consolidada pelo STF, bem como sumulada pelo CARF (Súmula 18). Com efeito, a discussão não termina neste ponto, pois os incentivos criados pela Zona Franca de Manaus são benefícios fiscais regionais, que, para que sejam efetivos e alcancem a finalidade para a qual foram constitucionalmente criados, devem ser interpretados de forma diversa. O histórico dos julgamentos do STF a respeito do direito ao crédito de IPI oriundo de operações onde não há cobrança do imposto comprova tal necessidade de separação dos assuntos. Efetivamente, a situação dos créditos de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus vem sendo entendidos como um assunto “especial” no STF, em relação ao assunto “geral” crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas (que não dão direito ao crédito, como firmando na alteração de jurisprudência consolidada nos RE 370.682 e 566.891). A diferenciação entre as duas situações se depreende com nitidez tanto dos esclarecimento do Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE 566.819, como do RE n. 592.891, que trata especificamente do crédito de IPI decorrente de produtos munidos de isenção da Zona Franca de Manaus, cuja repercussão geral foi reconhecida mesmo depois da consolidação do entendimento do STF sobre o “assunto geral” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 572 11 do crédito de IPI. Este último processo encontrase ainda pendente de julgamento. Nessa toada é que a doutrina9 vem clamando pela consolidação do entendimento em favor do contribuinte: “Devese reconhecer que no caso de um benefício direcionado ao desenvolvimento de determinada região, o não reconhecimento do crédito presumido de IPI tornaria o benefício fiscal completamente inútil, mormente quando a intenção de sua extensão às saídas para outros territórios é explícita na lei. Em outras palavras: só faz sentido falar em isenção como benefício fiscal para os produtos industrializados originados da ZFM e destinados a outras regiões caso se autorize o creditamento do IPI pelos adquirentes de forma a compensar, via redução de carga tributária da cadeia produtiva, as desvantagens decorrentes dos custos de importação de mercadorias adquiridas de estabelecimentos distantes. Sem o crédito, não há benefício algum, esvaziandose o conteúdo e sentido da norma jurídica exoneratória. (...) É a outorga de crédito, portanto, o que confere sentido à norma, realizando seus objetivos, bem como os objetivos constitucionais que a amparam. Não se pode dar interpretação à norma que anule seus efeitos, sob pena da violação ao postulado hermenêutico de que não se presumem palavras inúteis na lei e à regra de que, na aplicação das leis, devese atentar para seus fins sociais e às exigências do bem estar comum.” (grifei) Pois bem. Destacado meu entendimento pessoal, no sentido de que a única forma de fazer com que os mandamentos constitucionais e legais sobre o desenvolvimento da região amazônica sejam efetivos, e não fictícios, é dando direito ao crédito de IPI relativamente aos produtos de lá advindos, necessário se faz admitir que não é de competência deste Conselho resolver o caso em favor do contribuinte. Explico. A legislação do IPI traz duas situações distintas sobre o direito ao crédito de IPI relativo a produtos da região amazônica, quais sejam: i) o artigo 9º do Decretolei n. 288/67, regulado pelo artigo 69, incisos I e II do RIPI/2002, que concede a isenção porém não traz previsão expressa para o aproveitamento do crédito presumido; ii) o artigo 6º do Decreto n. 1.435/75, regulado pelo artigo 82, inciso III do RIPI/2002, o qual expressamente estabelece o direito ao aproveitamento do crédito de IPI “calculado como se devido fosse” (sob condição de cumprimento de seus requisitos, como discutido no tópico acima). Disso, conjuntamente com todo o arcabouço constitucional traçado nas linhas acima, constatase que o entendimento segundo o qual, mesmo sem previsão expressa da lei sobre o Fl. 577DF CARF MF 12 direito ao crédito de IPI relativo ao artigo 9º do Decretolei n. 288/67, ele deve ser concedido, equivale ao julgamento de que a legislação trouxe uma omissão inconstitucional, justamente ao não prever o direito ao crédito. De fato, não só atos comissivos, mas também os omissivos são passíveis de representar afronta ao texto da Constitucional,10 resultando em vício de validade que deve ser corrigido pelo Poder Judiciário via controle de constitucionalidade da lei. Tal faculdade, contudo, não alcança o CARF, que está vedado a se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF n. 2). 11 Assim, é a sentença judicial, capaz de constituir direito do contribuinte ao efetuar a interpretação/integração da lei tributária, bem como declarar a inconstitucionalidade da omissão legislativa, que poderá suprir tal deficiência da legislação do IPI. É tal pedido que, no fundo, requer a Recorrente em sua defesa, pautada em questões constitucionais e pragmáticas. Por tudo quanto exposto, não reconheço o direito à manutenção dos créditos de IPI pleiteado pela Recorrente. Por meio de tais considerações, ratificandose o assunto deve ser decidido pelo Poder Judiciário, devido seu status constitucional, conheço do recurso, mas lhe nego provimento. Quanto aos demais assuntos, entendese são derivados do presente, logo, por este são absorvidos, razão pela qual, deixamse de ser apreciados. Com estas considerações, conheço do recurso e lhe nego provimento.”. Durante os debates, no julgamento do processo, em novembro de 2018, o relator original, Cons. André Henrique Lemos, alterou seu posicionamento, exclusivamente no que se refere a ter sido cumprido o processo produtivo básico (PPB), em relação a concentrados em kits, com partes líquidas e sólidas, para os quais ocorreu "homogeneização" do refrigerante em Jundiaí/SP, interpretando que tal circunstância não enseja, por si, o descumprimento do PPB estabelecido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT no 8, de 25 de fevereiro de 1998. Na ocasião, tal posicionamento, acompanhado pelos Conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, foi vencido, no colegiado, ensejando a necessidade de redação do voto vencedor, a seguir. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 573 13 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado, Externo no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento do relator, e que acabaram por prevalecer majoritariamente no seio do colegiado, exclusivamente no que se refere ao descumprimento do processo produtivo básico (PPB) para concentrados em kits, com partes líquidas e sólidas, em relação aos quais ocorreu homogeneização do refrigerante em Jundiaí/SP. No que se refere à impossibilidade de demanda de créditos em relação a produtos isentos adquiridos na Zona Franca de Manaus, a negativa de provimento proposta pelo relator original gozou de acolhida unânime na turma de julgamento. Como bem destacou o relator, o presente processo tem ligação estreita com o de no 19311.720022/201507, que trata de auto de infração que deu origem às glosas de créditos que foram demandados no presente processo. Assim, a decisão em relação a ambos os processos reclama unicidade. Daí ambos os processos terem sido julgados na mesma sessão pelo colegiado, em 29 de novembro de 2018. O próprio acórdão da instância de piso faz referência a esta circunstância, também apreciando conjuntamente ambos os processos. A Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT no 8, de 25 de fevereiro de 1998 estabeleceu o processo produtivo básico (PPB) para (i) extratos aromáticos vegetais naturais, (ii) concentrados, bases e edulcorantes para bebidas não alcoólicas, e (iii) corante caramelo, na forma abaixo: Art. 1o Estabelecer para os produtos EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS, CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E CORANTE CARAMELO, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos: I EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS a) trituração das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas; c) extração; d) decantação; e) filtração; f) concentração; e g) estabilização do extrato. Fl. 579DF CARF MF 14 II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e c) homogeneização, quando necessário. III CORANTE CARAMELO a) dissolução do açúcar, formando o "açúcar líquido"; b) floculação; c) filtração; d) troca iônica; e) evaporação; f) filtração; g) mistura do "açúcar líquido" com outras matériasprimas; h) homogeneização; e i) filtração. Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus. Como se percebe, pelo texto do parágrafo único, TODAS as etapas dos PPB devem ser realizadas na Zona Franca de Manaus. No presente caso, no entanto, narra a fiscalização que os concentrados de refrigerantes vieram em kits, compostos por partes líquidas e sólidas, tendo ocorrido a etapa de homogeneização em Jundiaí/SP, portanto, fora da Zona Franca de Manaus, o que se comprova com notas fiscais e planilhas, e com resposta da empresa a termo de diligência/solicitação e documentos. Em seu Recurso Voluntário, a empresa alega, inicialmente, que as glosas somente poderiam ter sido efetuadas após a decisão definitiva no processo referente à autuação, e que a decisão da DRJ seria nula por não apreciar tal tema. Durante os debates no julgamento do processo, não foi encontrada causa de nulidade, seja porque a DRJ se manifestou sobre a possibilidade de curso conjunto dos processos, seja porque a glosa pode ser efetuada dentro das competências da fiscalização, assim como o lançamento. A única limitação seria à duplicidade de exigência, que não ocorre no caso em análise. Bem delimitado o lançamento, que não opera como óbice à fruição dos créditos, ao fim e ao cabo de ambos os processos administrativos. No mais, recordese que, desde a instância de piso, tomase o cuidado de julgar ambos os processos conjuntamente, o que, aliás, é uma demanda alternativa da própria recorrente, aqui acatada. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10830.903350/201333 Acórdão n.º 3401005.713 S3C4T1 Fl. 574 15 Em relação ao PPB, a recorrente alega ser o tema de competência exclusiva da SUFRAMA, que as fornecedoras apresentaram documentos que atestam o atendimento às condições para fruição do incentivo, e que os diferentes itens comercializados – concentrados e aditivos – tiveram suas matériasprimas sólidas e líquidas misturadas e homogeneizadas na Zona Franca de Manaus, e o que não se fez foi a mistura de todos eles na própria região amazônica, já que tal medida, a par de não ser obrigatória, só se dá quando da fabricação da própria bebida para consumo, e o PPB impõe a fabricação integral do concentrado ou aditivo na Zona Franca de Manaus, mas não do refrigerante, produto para consumo. As auditorias independentes apresentadas pela recorrente, no caso, assim como eventuais manifestações da SUFRAMA, podem ser tomadas em conta nos processos do gênero, mas não elidem a documentação comprobatória em sentido diverso carreada aos autos. Aliás, a competência da RFB para fiscalização da matéria é inquestionável, e não se confunde com a competência da SUFRAMA para aprovação de PPB, como entendeu, v.g., no Acórdão 9303002.302, unanimemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais: ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A Fiscalização da RFB, na figura do Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil é competente para a fiscalização de tributos federais na ZFM, inclusive para atestar a regularidade do PBB, mesmo contra possíveis pareceres da Suframa. No caso, é inequívoco que saíram da Zona Franca de Manaus produtos líquidos e sólidos (o que se verifica pelas próprias embalagens de transporte), e não um produto único (concentrado). A fiscalização, assim, não confunde o PPB do concentrado com o processo de produção do refrigerante, mas simplesmente atesta documentalmente que o produto saído da Zona Franca de Manaus não corresponde a um concentrado, mas a kits com produtos sólidos e líquidos, o que é avesso ao estabelecido no PPB constante da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT no 8, de 25 de fevereiro de 1998, como aqui registrado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902615/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 15 /2 01 5- 17 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902615/201517 Acórdão n.º 1301003.539 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 30/05/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902615/201517 Acórdão n.º 1301003.539 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720140/2016-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.
A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço.
Vale dizer que, no referido julgado, foi estabelecido apenas um conceito abstrato de insumo para fins de interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, cabendo ao julgador avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadra-se ou não nesse conceito, além de não caracterizar hipótese de vedação legal ou de tratamento específico em outro dispositivo das Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005 (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF).
PIS/COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. INSUMOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens.
Na comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, somente há o direito ao creditamento sobre os bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso.
DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS.
Não há restrição à tomada de créditos, com fundamento nos incisos VI ou VII c/c o §1o, III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sobre os encargos de depreciação e amortização quando os bens sejam adquiridos ou as edificações e benfeitorias sejam realizadas anteriormente ao início da atividade empresarial, desde que atendidos aos demais requisitos previstos em lei, em especial, que os encargos de depreciação e amortização sejam incorridos no mês de apuração das contribuições.
ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 são regras de exceção que não comportam interpretação extensiva. A norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas.
Se aluguel e condomínio são despesas de naturezas diferentes, não há que se falar, para o creditamento de despesas de condomínio, de aplicação do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, que só prevê o desconto de créditos em relação às despesas de "aluguéis de prédios". Não há relação de acessoriedade entre alugueis e encargos de condomínio.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-006.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar do lançamento a parcela decorrente da reversão parcial das glosas relativas às despesas pré-operacionais de amortização sobre benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, calculada sob a mesma metodologia utilizada pela fiscalização para os créditos relativos às despesas operacionais sobre benfeitorias. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos que davam provimento em maior extensão para reconhecer também o direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro acompanhou a relatora pelas conclusões quanto às atividades de comercialização/revenda.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço. Vale dizer que, no referido julgado, foi estabelecido apenas um conceito abstrato de insumo para fins de interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, cabendo ao julgador avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadra-se ou não nesse conceito, além de não caracterizar hipótese de vedação legal ou de tratamento específico em outro dispositivo das Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005 (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF). PIS/COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. INSUMOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Na comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, somente há o direito ao creditamento sobre os bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Não há restrição à tomada de créditos, com fundamento nos incisos VI ou VII c/c o §1o, III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sobre os encargos de depreciação e amortização quando os bens sejam adquiridos ou as edificações e benfeitorias sejam realizadas anteriormente ao início da atividade empresarial, desde que atendidos aos demais requisitos previstos em lei, em especial, que os encargos de depreciação e amortização sejam incorridos no mês de apuração das contribuições. ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 são regras de exceção que não comportam interpretação extensiva. A norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas. Se aluguel e condomínio são despesas de naturezas diferentes, não há que se falar, para o creditamento de despesas de condomínio, de aplicação do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, que só prevê o desconto de créditos em relação às despesas de "aluguéis de prédios". Não há relação de acessoriedade entre alugueis e encargos de condomínio. Recurso voluntário provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar do lançamento a parcela decorrente da reversão parcial das glosas relativas às despesas pré-operacionais de amortização sobre benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, calculada sob a mesma metodologia utilizada pela fiscalização para os créditos relativos às despesas operacionais sobre benfeitorias. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos que davam provimento em maior extensão para reconhecer também o direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro acompanhou a relatora pelas conclusões quanto às atividades de comercialização/revenda. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. A relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal, distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência na produção ou na execução do serviço. Vale dizer que, no referido julgado, foi estabelecido apenas um conceito abstrato de insumo para fins de interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, cabendo ao julgador avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, além de não caracterizar hipótese de vedação legal ou de tratamento específico em outro dispositivo das Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005 (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 40 /2 01 6- 55 Fl. 1567DF CARF MF 2 PIS/COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. INSUMOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Na comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, somente há o direito ao creditamento sobre os bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. DESPESAS PRÉOPERACIONAIS. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Não há restrição à tomada de créditos, com fundamento nos incisos VI ou VII c/c o §1o, III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sobre os encargos de depreciação e amortização quando os bens sejam adquiridos ou as edificações e benfeitorias sejam realizadas anteriormente ao início da atividade empresarial, desde que atendidos aos demais requisitos previstos em lei, em especial, que os encargos de depreciação e amortização sejam incorridos no mês de apuração das contribuições. ALUGUEL. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 são regras de exceção que não comportam interpretação extensiva. A norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas. Se aluguel e condomínio são despesas de naturezas diferentes, não há que se falar, para o creditamento de despesas de condomínio, de aplicação do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, que só prevê o desconto de créditos em relação às despesas de "aluguéis de prédios". Não há relação de acessoriedade entre alugueis e encargos de condomínio. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar do lançamento a parcela decorrente da reversão parcial das glosas relativas às despesas préoperacionais de amortização sobre benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, calculada sob a mesma metodologia utilizada pela fiscalização para os créditos relativos às despesas operacionais sobre benfeitorias. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos que davam provimento em maior extensão para reconhecer também o direito aos créditos decorrentes de despesas com condomínio. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro acompanhou a relatora pelas conclusões quanto às atividades de comercialização/revenda. (assinado digitalmente) Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.568 3 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração, relativos aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2012, para a exigência das contribuições não cumulativas de PIS/Pasep e Cofins em face de glosas de créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nos valores totais de R$16.322.061,03 e R$79.708.810,36, respectivamente, com juros de mora calculados até dezembro de 2016. Foram efetuadas, entre outras, as glosas relativas aos seguintes itens: bens ligados à atividade de comércio de mercadorias; bases de cálculo de aluguéis e fretes que não atenderam às condições previstas na legislação; serviços, tais como despesas com condomínio, propaganda e conservação das lojas, necessários à atividade de revenda; despesas pré operacionais; bens imobilizados, e o ICMS destacado, classificados como “Equipamentos”, utilizados na revenda; bens que a Fiscalização não considerou como “benfeitorias em imóveis de terceiros”, embora o contribuinte os tivesse classificado como tal; materiais gráficos utilizados nas lojas, como, por exemplo, catálogos, “banners” e adesivos; compras de bens sob o CFOP 19902. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, a nulidade do Auto de Infração por erro de cálculo e cerceamento do direito de defesa e a definição do conceito de insumo pela essencialidade ou imprescindibilidade do custo ou despesa para a respectiva operação. Em caráter específico contesta as seguinte glosas: (a) Despesas com propaganda e marketing {códigos 10102 e 10113 do SPEDContríbuições); (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota {código 10103 e 10113 do SPEDContribuições); (c) Despesas gerais com materiais e serviços necessários para o provimento e manutenção das lojas da Requerente e desenvolvimento regular de suas atividades {códigos 10102. 10113 e 19902 do SPEDContribuições); (d) Benfeitorias em imóveis de terceiros (Códigos 10102 e 19902 do SPED Contribuições} (e) despesas relacionadas a atividades financeiras (SERASA, SPC, Serviço de Atendimento ao Cliente "SAC" e despesas com telefonia, como "telefone Fl. 1569DF CARF MF 4 comunicação de dados LP") {classificadas no código 10103 do SPED Contribuições) (f) taxas de administração de cartão de crédito/débito, bem como despesas incorridas pela Requerente para prestação de serviços financeiros aos seus clientes {classificadas no código 10113 do SPEDContríbuições) (g) Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado {códigos 10109 e 10110 do SPEDContribuições) (h) Glosa de despesas préoperacionais relacionadas à aquisição de bens do ativo imobilizado e benfeitorias (i) Despesas com condomínio de imóveis utilizados para instalação de lojas da Requerente (classificadas no código 10103 do SPEDContribuições). A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito por expressa previsão legal ou se enquadrar no conceito de insumo, resultante do cruzamento dos artigos 3ºs das Leis n° 10.833/2003 e 10.637/2002 com os artigos 8º e 66, respectivamente, das Instruções Normativas SRF n°s 404/2004 e 247/2002. Cientificada dessa decisão em 22/05/2017, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/06/2017, com as seguintes alegações e pedidos: VI. CONCLUSÃO E PEDIDO 240. Diante de todo o exposto, podese concluir que o v. Acórdão recorrido deve ser reformado, de modo que os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente sejam prontamente restabelecidos, considerando que a glosa efetuada pela Fiscalização foi pautada em interpretação restritiva e incongruente com os preceitos constitucionais e legais que regem a matéria. Sobre o assunto, aferese que: (i) preliminarmente, o Auto de Infração é nulo, por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, já que não se pode aferir qual o critério para as glosas parciais (de determinadas rubricas, como por exemplo edificações e benfeitorias), tampouco para o cálculo do montante do crédito considerado como validado; (ii) no mérito, contrariamente ao que sustenta o v. Acórdão recorrido, o conceito de insumo deve ser interpretado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa (seu empreendimento operacional), do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Os custos e despesas glosados, em sua totalidade, são essenciais no contexto da atividade operacional da Recorrente; (...) (v) a partir da correta interpretação do conceito de insumo, deve ser reconhecida a possibilidade de crédito em relação às despesas com propaganda e marketing (classificadas no código 10102, 10113 e 19902 do SPED Contribuições); frete, incluindo despesas com combustível e manutenção da frota (classificadas no código 10103 e 10113 do SPEDContribuições); despesas com materiais necessários para o provimento das lojas da Recorrente (tais como cabides, adesivos, banners, etiquetas, catálogos, adesivos, lâmpadas etc.) (classificadas no código 10102 e 19902 do SPEDContribuições); despesas relacionadas ao reparo e manutenção de lojas e seus equipamentos (classificadas no código 10102 e 10113 do SPEDContribuições); despesas com contratação de empresas para a prestação de serviços de atendimento temporário (classificadas no código 10103 e 10113 do SPEDContribuições); despesas relacionadas a atividades financeiras (SERASA, SPC, Serviço de Atendimento ao Cliente — “SAC” e despesas com telefonia, como “telefone comunicação de dados LP”) (classificadas no código 10103 do SPED Contribuições); taxas e comissões pagas a empresas administradoras de cartão de crédito/debito, bem como despesas incorridas pela Recorrente para prestação de Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.569 5 serviços financeiros aos seus clientes, através da parceria com a Midway (classificadas no código 10113 do SPEDContribuições); (vi) especificamente com relação ao frete interno (gastos com frota própria e de terceiros), além dos argumentos relacionados ao conceito de insumo, há que se considerar que tais gastos correspondem a efetivo custo de aquisição de bens para revenda, devendo ser permitido o creditamento com base no artigo 30, inciso 1, das Leis 10.637/02 e 10.833/03; (vi) caso se desconsidere a possibilidade de creditamento especificamente em relação às taxas de administração de cartão, o que se admite para argumentar, nesse caso haveria que se considerar o valor das respectivas taxas como receitas de terceiros (administradoras de cartões) e não da Recorrente, excluindose, dessa forma, o valor correspondente a tais receitas da base tributável do Auto de Infraçâo; (vii) assim como para os insumos, a análise de possibilidade de créditos sobre bens do ativo imobilizado deve ser examinada de forma ampla, de modo a contemplar não apenas os bens utilizados na atividade industrial e de prestação de serviços, mas também na atividade comercial; (viii) para a glosa de despesas de determinadas edificações e benfeitorias, caso seja desconsiderada essa natureza (o que se admite apenas para fins de argumentação, já que constituem efetivas edificações e benfeitorias), estas devem ser consideradas como ativos imobilizados (p.ex. equipamentos de segurança, equipamentos de informática, quadros expositores e araras fixas), reconhecendose a possibilidade do creditamento sob essa rubrica; (ix) as despesas préoperacionais relacionadas à aquisição de máquinas, ativos e equipamentos, além de edificações e benfeitorias, são ativadas (e não “despesadas”), nos termos da legislação fiscal aplicável (RIR/99), de modo que, assim como o ativo, os respectivos encargos são amortizáveis e podem gerar créditos de PIS e COFINS, razão pela qual a glosa é improcedente neste particular; (x) no que diz respeito às despesas com condomínio, estas devem ser consideradas como acessório do principal aluguel, cujo creditamento deve ser autorizada com base em disposição expressa de lei (artigo 3°, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Para hipótese de imóveis próprios, o crédito deve ser igualmente permitido, seja por uma questão lógica e de isonomia (não há razão para privilegiar despesas de imóveis alugados em detrimento de imóveis próprios), seja com base no conceito de insumo (cuja interpretação ampla se presta justamente a afastar tais distorções); e (xi) por fim, deve ser reconhecida a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de mora. Nesse particular, considerando que a Selic foi instituída para fins de atualização dos valores de principal, é claramente ilegal a sua exigência sobre o valor da multa, conforme jurisprudência desse CARF. 241. Portanto, a Recorrente requer seja julgado INTEGRALMENTE PROCEDENTE o presente Recurso Voluntário, para o fim de que seja totalmente cancelada a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração em tela, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. 242. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, a Recorrente protesta ainda pela juntada oportuna de quaisquer documentos aptos a demonstrar a realidade fática dos autos, acaso necessários. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 1571DF CARF MF 6 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Preliminar de nulidade do auto de infração A recorrente suscita a nulidade do auto de infração por cerceamento do seu direito de defesa em face da ausência de especificação dos critérios adotados para a validação de parte dos créditos e glosas do restante. No entanto, a motivação para as glosas, relativamente ao não enquadramento no conceito de insumos ou a não subsunção ao dispositivo que prevê o direito ao crédito, bem como a metodologia para a apuração da base de cálculo das contribuições, foram devidamente especificados no extenso e detalhado Relatório Fiscal e nas tabelas e demonstrativos ali mencionados. Com relação especificamente às edificações e benfeitorias, por exemplo, não houve qualquer falha que restringiria o direito de defesa da recorrente, eis que, ao contrário do alegado, foi descrito o critério para a glosa de parte dessas despesas e a metodologia de cálculo do crédito admitido, como se denota no Relatório Fiscal (itens 7.3.4, 7.3.5, 10.5.17 a 10.5.19, e 10.5.24 a 10.5.29). Em resumo, relativamente às despesas operacionais (mas não as despesas préoperacionais) relacionadas às benfeitorias, os créditos foram admitidos em grande parte1, como consta no item 7.3.4 do Relatório Fiscal, vez que "não há restrições quanto ao tipo de atividade da empresa, ou seja, podem ser descontados créditos de edificações e benfeitorias em imóveis tanto da empresa ou de terceiros, contanto que sejam utilizados nas atividades da mesma". Contudo, diante da impossibilidade de aplicação parágrafo 14 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, tais valores foram recalculados à taxa de amortização de 10% ao ano em face do tempo de vida útil das benfeitorias. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração por ausente o cerceamento do direito de defesa alegado. Créditos de PIS e Cofins sobre insumos Como se sabe, em reiteradas decisões, este CARF já vinha afastando o conceito restrito de insumos dado pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Até então, esta Relatora, vinha adotando o entendimento de que seria cabível o desconto de créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que fossem pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção, conforme delineado no Voto do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816, de 27 de fevereiro de 2014, naquilo que não fosse conflitante com as restrições ao creditamento dispostas nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Ocorre que, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. 1 Dentro desta rubrica, apenas não foram validados alguns bens que a Fiscalização não considerou como “benfeitorias em imóveis de terceiros”, embora o contribuinte os tivesse classificado como tal, entre os quais veículos, móveis, equipamentos de segurança, equipamentos de informática, quadros expositores e araras. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.570 7 Não obstante o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF2, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 3 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Não estaria em consonância com os princípios da 2 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 3 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1573DF CARF MF 8 razoabilidade e da eficiência da Administração Pública, o CARF decidir de forma mais favorável a Fazenda Nacional do que pode a própria Receita Federal, a qual, inclusive, pode rever atos já praticados com o entendimento anteriormente vigente. No mais, o conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais curvome desde já ao entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Nesse mesmo sentido, no Acórdão nº 9303007.512 – 3ª Turma, de 17 de outubro de 2018, sob a relatoria do Conselheiro Demes Brito, a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por acatar o conceito abstrato de insumo delimitado pelo REsp nº 1.221.170/PR. Os critérios da essencialidade e relevância que serão adotados por esta Relatora no presente processo são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.571 9 legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, transcritas abaixo, no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005: 60. Por fim, é importante mencionar que, embora não esteja tão claro no Acórdão[4], constando apenas no Voto da Ministra Assusete Magalhães, não devem ser enquadradas como insumo as despesas cujo creditamento é, de forma expressa, vedado por lei. Ressalvamse, pois, do entendimento firmado pelo STJ, as vedações e limitações de creditamento previstas em lei. 61. Destacase, nesse ponto, excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observase que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” 62. Dessa forma, verificase que as despesas que possuem regras específicas contidas nas Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, as quais impedem o creditamento de PIS/COFINS, não devem ser abrangidas pelo conceito de insumo, mesmo que, eventualmente, utilizandose os critérios de essencialidade e relevância ao objeto social do contribuinte, pudesse ser defendida sua importância para o Fl. 1575DF CARF MF 10 processo produtivo. Deve prevalecer o disposto na própria legislação, que impõe vedação e limite ao creditamento. 63. Imperioso salientar que a leitura açodada do Acórdão não pode levar à conclusão de que tais vedações poderiam ser ignoradas, ampliandose, além dos limites legais, o conceito de insumo, a pretexto de serem adotados os critérios aludidos no precedente do STJ. Tal pretensão, além de contrariar frontalmente a legislação, não estaria abarcada pela extensão do julgado. (...) 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. (...) Para o presente processo, considerandose o critério intermediário de insumo delimitado pelo STJ no referido REsp, afastase desde já o critério mais restritivo adotado pela fiscalização autuante com base nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, bem como aquele proposto pela recorrente, correspondente aos custos e despesas operacionais utilizados na legislação do Imposto de Renda. Atividades desenvolvidas pela empresa Consta no art. 3º do Estatuto Social da recorrente, a seguinte delimitação para o seu objeto social: Art. 3º A Companhia tem como objeto; a) comercialização em geral, (...), bem como quaisquer outros que completem as suas linhas de lojas especializadas e de departamentos; b) representação comercial de outras empresas; c) importação e exportação de produtos de qualquer espécie; d) criação e fabricação, por meios próprios ou sob encomenda, de artigos de sua linha de comercialização; e) prestação de serviços de qualquer natureza, inclusive de correspondente de instituições financeiras e demais instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional; f) atividades de telemarketing e teleatendimento, englobando cobrança e consultoria às operações com cartões de crédito e débito; e g) organização e administração dos direitos e obrigações de natureza financeira referentes às operações com cartões de crédito e débito de qualquer espécie. Apurou a fiscalização autuante que, em relação ao faturamento, a atividade preponderante da recorrente é a comercialização de mercadorias, vez que 99,9% da receita bruta apurada para o ano de 2012 era proveniente das receitas de vendas de mercadorias, sendo apenas 0,1% da receita bruta decorrente da venda de serviços. Como esclarecido no Relatório Fiscal, basicamente, a empresa "compra mercadorias no mercado interno (inclusive da Zona Franca de Manaus) e no exterior para revendêlas em suas lojas". Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.572 11 Com relação à atividade secundária de prestação de serviços pela recorrente consta no Relatório Fiscal que: 6.4. Com relação à prestação de serviços efetuada pela empresa, esta corresponde em grande parte a atividades também vinculadas à venda de mercadorias, caracterizandose pela intermediação de campanhas de marketing de fornecedores de suas lojas e principalmente pela atividade de prestação de serviços para a empresa Midway S/A – Crédito, Financiamento e Investimento – CNPJ: 09.464.032/000112 (empresa financeira do grupo a que pertence o contribuinte). 6.5. A Midway atua como financiadora das operações financeiras efetuadas com o cartão de crédito “Riachuelo” (cartão próprio utilizado nas compras na rede de lojas do contribuinte). Os serviços que o contribuinte presta à Midway são caracterizados como atividades não financeiras, tais como recebimentos de pagamentos, emissão de novos cartões e renegociação de créditos relativos ao cartão “Riachuelo”, o qual é utilizado principalmente nas compras de mercadorias pelos clientes. Esta prestação de serviços está prevista no “item C.5” e “Anexo 1ª Fase” do convênio entre a Midway e o contribuinte, que foi apresentado à Fiscalização em 01/09/2015 (DOC013). 6.6. Verificamos que a prestação de serviços não é significativa no volume de receitas de vendas da empresa, consistindo em uma parcela ínfima do total destas vendas, além de ser uma atividade em grande parte vinculada à atividade principal de comércio varejista. A atividade principal e amplamente preponderante do contribuinte é a comercialização de mercadorias através de suas lojas de departamentos. Atividade de comercialização de mercadorias versus conceito de insumos Ao que se observa da leitura dos incisos I e II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/20024, em relação à "revenda" de mercadorias, só há o direito ao desconto de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os próprios "bens 4 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 1577DF CARF MF 12 adquiridos" para revenda (inciso I), enquanto que "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda", há direito ao aproveitamento de créditos sobre todos os "bens e serviços, utilizados como insumo" nessas atividades (inciso II), sendo que aqui o conceito de insumo deve ser buscado no REsp nº 1.221.170/PR. Como se denota da redação dos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, a preposição "na" que sucede a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo" e que antecede os termos "prestação de serviços" e "produção ou fabricação" delineia o entendimento de que os bens e serviços que serão objeto de creditamento são aqueles utilizados como "insumo" nessas duas atividades, seja lá qual for o conceito de insumo a ser adotado pelo intérprete. De outra parte, nesse dispositivo legal (incisos II), a referência a "bens ou produtos destinados a venda" na segunda atividade geradora de crédito ("produção ou fabricação") está a dizer que o creditamento diz respeito ao processo produtivo do bem ou produto "destinado a venda", ou seja, ao processo produtivo do qual resultarão os bens ou produtos a serem vendidos, e não à atividade posterior de vendas. Contudo, considerando os critérios definidos pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, em especial, o da relevância mais abrangente do que o critério da pertinência , não se pode descartar por completo a hipótese excepcional de uma despesa posterior ao processo produtivo vir a ser também considerada insumo: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. Ainda que caiba, dentro do conceito de insumos, a discussão casuística acerca de algumas despesas posteriores ao processo produtivo, na mera comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, atividade preponderante da ora recorrente, somente há o direito ao creditamento sobre os próprios bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Tratase da prerrogativa do legislador ordinário de conferir tratamento privilegiado a determinados segmentos que seriam merecedores dentro do contexto econômico e social do País. Não se deve olvidar que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.573 13 Nesse sentido já decidiu este CARF em face da própria contribuinte no Acórdão nº 3403003.306, de 14 de outubro de 2014, mediante voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, proferido nos seguintes termos: (...) A divergência em relação ao voto do relator toma lugar quando, a partir do conceito de insumo adotado pela turma (mais estreito que o derivado da legislação do IRPJ, entretanto mais alargado que o previsto na legislação do IPI), conclui que: A atividade econômica geradora de receitas, base de cálculo das Contribuições ao PIS e a COFINS no regime nãocumulativo, não se resume à industrialização, como ocorre com o ultrapassado Imposto sobre Produtos Industrializados, de onde surgiu o conceito de insumo na legislação brasileira, mas sim a todo o tipo de exercício, que compreende a venda de bens, seja no atacado ou no varejo, a prestação de toda a sorte de serviços e a realização de outras atividades (...) Em face da Súmula CARF nº 2, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: "II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)" (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo [artigos 3º, II das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003] torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a nãocumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF nº 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Acrescentese que o fato de as mesmas Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3º, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Devese destacar ainda, antes de analisar as rubricas em espécie com créditos rechaçados pelo fisco, que soaria absolutamente irrazoável que a lista de incisos com as hipóteses ensejadoras de crédito dos arts. 3º das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 fosse meramente exemplificativa (podendo haver créditos sobre hipóteses ali não arroladas, desde que ausentes também da lista proibitiva dos §§ 2º dos arts. 3º). Isso equivaleria, de plano, a afirmar que todas as alterações já efetuadas Fl. 1579DF CARF MF 14 (sempre por Lei) nos incisos dos arts. 3º foram inúteis, e que uma das listas (a permissiva dos incisos ou a proibitiva dos parágrafos) seria totalmente dispensável. (...) Passase agora a analisar cada glosa especificamente contestada dentro do conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR. (a) Despesas com propaganda e marketing (códigos 10102 e 10113 do SPEDContribuições) Informa a recorrente que realiza despesas com propaganda e marketing na atividade comercial varejista, bem como na prestação de serviços e em outras atividades no âmbito da parceria com a Midway. Como dito acima, na comercialização de mercadorias não produzidas ou fabricadas pela contribuinte não se vislumbra hipótese direito ao crédito das contribuições com base nos incisos II dos arts. 3os das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, razão pela qual não merece reforma a decisão recorrida nesta parte. Com relação às despesas com propaganda e marketing realizadas para a "prestação de serviços e outras atividades no âmbito da parceria com a Midway", argumenta a recorrente que, como "tais atividades são realizadas nas dependências das lojas da Recorrente, que assume a totalidade dos custos e despesas necessários a essa atividade, inclusive a publicidade, os gastos correspondentes devem ser considerados como insumos também no âmbito dessas atividades". No entanto, a recorrente não especificou em qual modalidade de serviços que presta a terceiros que utilizaria os serviços de propaganda e marketing como insumo. Como se sabe, incumbiria à recorrente apresentar os elementos modificativos ou extintivos para a glosa mantida pela decisão recorrida. Ademais, com relação ao convênio celebrado com a Midway para exploração conjunta do negócio relativo aos Cartões, o contrato que consta nas fls. 905/922 também nada menciona acerca de despesas de propaganda e marketing incorridas no âmbito do referido convênio. Dessa forma, diante da inexistência nos autos de elementos que comprovem a a essencialidade ou a relevância dos serviços de propaganda e marketing nos serviços que a recorrente presta a terceiros, não há como reformar a decisão recorrida neste ponto. Assim, devem ser mantidas as glosas com propaganda e marketing. (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota (código 10103 e 10113 do SPEDContribuições) Sustenta a recorrente que seria incontestável que os dispêndios com frete são indispensáveis ao empreendimento operacional e econômico que lhe gera receita. Argumenta que, no caso de transporte realizado por frota própria, o valor do frete compreende os dispêndios com desgaste de peças dos veículos, manutenção, combustíveis, dentre outros; e, no caso de frota contratada, o valor do frete compreende o valor contratado para a prestação dos serviços (e, em determinados casos, também gastos com combustível e manutenção). A recorrente entende que fundamento para o creditamento estaria nos incisos I dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, "tendo em vista que as despesas com frete (incluindo combustível e manutenção da frota) compreendem custo da mercadoria Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.574 15 revendida", mas poderiam ainda ser "subsidiariamente consideradas como insumo da atividadefim da Recorrente (uma vez que imprescindíveis ao desenvolvimento das referidas atividades)". Conforme se observa nos itens 10.3.6 e 10.7.6 do Relatório Fiscal5, os créditos relativos ao frete sobre compras de mercadorias foram todos validados pela fiscalização, razão pela qual incabível a reversão das glosas de frete remanescentes com fundamento nos incisos I dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, dispositivos que abrigam o desconto de créditos relativamente aos bens adquiridos para posterior revenda e o frete nas suas aquisições quando seu custo, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição do bem. As glosas ora sob discussão não são relativas ao transporte na compra de mercadorias. Embora haja construção jurisprudencial no CARF6 no sentido de admitir o desconto de créditos relativos ao frete em algumas hipóteses específicas, na situação retratada 5 Relatório Fiscal: 10.3.6. A Fiscalização analisou estas despesas, validando as bases de cálculo de créditos relativas a despesas de energia elétrica, aluguéis de prédios, aluguéis de máquinas e equipamentos e fretes sobre compras, e glosando as bases de cálculo de aluguéis e fretes que não atenderam às condições previstas na legislação com base na descrição do serviço, na conta analítica contábil debitada/creditada e no participante/fornecedor. O valor total validado foi de R$ 168.810.957,14, e as bases de cálculo foram corretamente identificadas na coluna “Código do Crédito” da Tabela 2 do DOC043. (...) 10.7.6. A Fiscalização analisou estes custos e despesas, validando as bases de cálculo de créditos relativas a custos de bens para revenda e a despesas de energia elétrica, de aluguéis de prédios, de aluguéis de máquinas e equipamentos e de fretes sobre compras que atenderam às condições previstas na legislação. O valor total validado foi de R$ 94.546.918,38, e as bases de cálculo foram corretamente identificadas na coluna “Código do Crédito” da Tabela 4 do DOC043. 6 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. Fl. 1581DF CARF MF 16 pela recorrente, de frete ou gastos de transporte de produtos para revenda, fora do contexto da prestação de serviços ou da produção de bens, não se cogita de creditamento a título de insumo. Também não socorrem a recorrente os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03, eis que não comprovado, que se trataria de legítima hipótese de frete na operação de venda ou revenda entre o estabelecimento da recorrente e da adquirente. O transporte de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para posterior revenda, que não se refere ao próprio transporte do produto revendido para o estabelecimento adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Eventuais despesas com transporte ou frete anteriores ao frete na operação de revenda, que o viabiliza, podem ser caracterizadas como despesas com vendas, para as quais não há previsão legal de creditamento. Com relação às despesas com combustível e manutenção da frota, como já mencionado, também não há possibilidade de creditamento das contribuições como insumos na atividade comercial varejista. Assim, devem ser mantidas as glosas de despesas de transporte (frete, combustível e manutenção) deste tópico. (c) Despesas gerais com materiais e serviços necessários para o provimento e manutenção das lojas da Recorrente e desenvolvimento regular de suas atividades (códigos 10102. 10113 e 19902 do SPED Contribuições) Informa a recorrente as despesas glosadas neste tópico seriam relacionadas a: (i) materiais utilizados nas lojas (cabides, adesivos, aviamentos, banners, etiquetas, lâmpadas, catálogos, informativos de sinalização, material de higiene e materiais relacionados); (ii) contratação de empresas para a prestação de serviços de atendimento temporário, bem como serviços de limpeza e segurança (no que estão embutidas despesas com refeição e valetransporte); (iii) reparo e manutenção de lojas e seus equipamentos (ar condicionado, elevador, escada rolante, outras instalações e materiais necessários para tais reparos e manutenções); (iv) despesas diversas, relacionadas à aquisição, aluguel e ao reparo de hardwares e softwares, dentre outras. Argumenta que, se o Acórdão recorrido admite a “essencialidade” dos referidos produtos para a consecução da atividadefim da Recorrente, não haveria como sustentar que tais despesas não compreendem insumos passíveis de creditamento de PIS e Cofins. No entanto, como já alertado neste Voto, a atividade comercial varejista não foi contemplada pelo direito ao creditamento como insumo com fundamento nos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Ainda que se pudesse ultrapassar esta primeira barreira, também o conceito de insumo adotado neste Voto, delimitado pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, não abrigaria as referidas despesas, vez De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.575 17 que os critérios da essencialidade e da relevância dizem respeito ao processo produtivo ou à execução do serviço, mas não à atividade de vendas. A decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. (d) Benfeitorias em imóveis de terceiros (Códigos 10102 e 19902 do SPEDContribuicões) Relativamente a este tópico, a recorrente aduziu exatamente as mesmas razões já apresentadas na impugnação, que já foram bem rechaçadas pela decisão recorrida, a qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: Apesar de constar em um tópico da impugnação o título “Benfeitorias em imóveis de terceiros”, questiona o impugnante, neste ponto, que foram glosados os créditos relativos a móveis e equipamentos, tais como: veículos, móveis, equipamentos de segurança, equipamentos de informática, quadros expositores e araras. Em relação às glosas de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, cabe esclarecer somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Assim, os referidos bens vinculados às atividades de venda, revenda, administração, etc, não dão direito ao crédito. Consideramse benfeitorias as construções, ampliações, obras novas e outros melhoramentos que aumentem o valor econômico do bem imóvel. Somente devem ser incluídos na contabilidade da empresa a título de benfeitorias em imóveis de terceiros, os gastos com construções e instalações que se incorporem ao imóvel arrendado e se revertam ao proprietário do imóvel ao final da locação. Observase que o contribuinte inclui itens que não se enquadram no conceito de gastos com edificações ou benfeitorias, tais como: veículos, móveis, equipamentos de segurança, equipamentos de informática, quadros expositores e araras. Assim, verificada a inclusão indevida de itens a título de benfeitorias, devem ser mantidos os créditos tributários lançados em decorrência da glosa efetuada pela autoridade fiscal neste item. Quanto aos créditos apurados em relação as edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros a Lei autoriza expressamente o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS, entretanto, o impugnante apurou os créditos segundo o parágrafo 14 do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (incluído pela Lei 10865, de 2004) Como se vê, esta opção do cálculo do crédito somente se aplica em relação à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, não havendo qualquer previsão a respeito de benfeitorias em prédios de terceiros. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização, recalculando os créditos sobre os encargos de amortização a uma taxa de 10% ao ano, com base na informação do próprio contribuinte sobre a vida útil das benfeitorias. Fl. 1583DF CARF MF 18 (e) despesas relacionadas a atividades financeiras (SERASA, SPC, Serviço de Atendimento ao Cliente — “SAC” e despesas com telefonia, como “telefone comunicação de dados LP”) (classificadas no código 10103 do SPED Contribuições) A decisão recorrida manteve tais glosas sob o fundamento de que seriam referentes ao custo geral da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo adotado por aquele órgão. De outra parte, alega a recorrente que: 175. No caso da Recorrente, além do comércio varejista, são prestados variados serviços de natureza financeira, dentre os quais podemos destacar a concessão de linhas de crédito, operações com cartões de crédito e débito, dentre outras. As atividades financeiras e as vendas à prazo (nas quais são embutidas receitas financeiras de juros), constituem parcela significativa do faturamento da Recorrente. 176. Para a realização dessas atividades (que constam expressamente em seu estatuto social), inclusive para a viabilização das vendas de produtos a prazo, a Recorrente realiza consultas prévias ao SERASA e ao SPC, no intuito de checar a existência de eventuais impedimentos em relação aos clientes. 177. Notase que tais consultas são pressupostos das concessões de crédito e da realização de vendas a prazo, atividade estas que são diretamente relacionadas ao objeto social e à geração de receita da Recorrente. Em outras palavras, sem as consultas ao SERASA e SPC, a prestação de serviços financeiros e as vendas a prazo tornamse inviáveis. (...) 180. Importante ressaltar que, no que tange a essas atividades especificas, o argumento adotado pela v. Acórdão recorrido não seria aplicável, já que se tratam de insumos relacionados a atividades de prestação de serviços e não de atividades puramente comerciais. Assim, se, ad argumentandum, os argumentos relacionados à impossibilidade de se tratar de maneira igual insumo para prestadores de serviços e empresas comerciais forem desconsiderados, pelo menos a parcela relacionada às despesas tratadas nesse tópico deve ser afastada. 181. Como já mencionado no presente Recurso Voluntário, dentre as atividades financeiras desempenhadas pela Recorrente constam aquelas relacionadas a telemarketing e teleatendimento, que compreendem as atividades de cobrança e consultoria às operações com cartão de crédito. Vale transcrever, a propósito, trecho do Estatuto Social da Recorrente nesse sentido: (...) Em que pese a possibilidade de, em tese, alguns desses itens integrarem o conceito de insumo da prestação de serviços de natureza financeira, telemarketing ou teleantendimento, na hipótese específica dos autos, não há qualquer comprovação de que tais despesas seriam desvinculadas da atividade preponderante da recorrente no comércio varejista, ou seja, não seriam destinadas apenas a viabilização das vendas aos seus clientes. A recorrente não logrou êxito em demonstrar sequer que se trataria de efetivo um serviço prestado: a quem seria prestado e como se daria a sua prestação e remuneração. O fato de haver previsão no seu objeto social, por si só, não é hábil a comprovar que a recorrente prestou tal serviço no ano de 2012. Ainda que assim não fosse, os autos também careceriam da devida segregação das despesas aplicadas pela recorrente na atividade comercial, para a qual não se concede o crédito como insumo, daquelas destinadas à prestação de serviços financeiros, de telemarketing e de teleatendimento, não se olvidando que apenas 0,1% da receita bruta da empresa apurada para o ano de 2012 foi relativa à venda de serviços em geral. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.576 19 Assim, diante da não apresentação, a cargo da recorrente, de elementos de fato e de direito hábeis para reverter as glosas em contraposição à decisão recorrida, essa deve ser mantida. (f) taxas de administração de cartão de crédito/débito, bem como despesas incorridas pela Recorrente para prestação de serviços financeiros aos seus clientes (classificadas no código 10113 do SPEDContribuições) Alega a recorrente que as despesas incorridas com o pagamento das taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito e débito configuram verdadeiros insumos, ou seja, os serviços prestados pelas operadoras de cartões são essenciais à viabilização das atividades de comercialização das mercadorias e produtos aos consumidores, estando diretamente relacionados à geração de receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS e à atividadefim dessa sociedade. No entanto, como já repisado neste Voto, não cabe o creditamento de insumos relativamente à atividade de comercialização de mercadorias. Acrescenta a recorrente que parte dessas despesas seriam insumos na prestação de serviços no âmbito da parceria firmada com a Midway, mas não descreve qual seria o serviço específico no qual seriam aplicadas tais despesas, restando esta Relatora impossibilitada de analisar eventual essencialidade ou relevância ao serviço que recorrente presta a terceiro. Dessa forma, deve ser mantida a glosa sobre taxas de administração de cartão de crédito/débito (g) Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (códigos 10109 e 10110 do SPEDContribuições) Aduz a recorrente que seria indiscutível a essencialidade desses produtos para o desenvolvimento regular das atividades empresariais e para a manutenção da fonte de geradora de receitas da Recorrente, inclusive, a Fiscalização reconhece no Relatório Fiscal que tais bens “são sem dúvida necessários à atividade de revenda”. No entanto, além de os encargos de depreciação não serem passíveis de creditamento como insumo (incisos II dos arts. 3º das referidas Leis), eis que o correspondente crédito é previsto em outro inciso; não caberia o desconto de créditos, como dito, em relação à atividade de comércio de mercadorias. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à incidência dos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os quais preveem o desconto de créditos para os encargos de depreciação somente para as "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" [grifei], mas não para a atividade de revenda da recorrente. Dessa forma, descabe reverter a glosa dos encargos de depreciação. (h) Glosa de despesas préoperacionais relacionadas à aquisição de bens do ativo imobilizado e benfeitorias Fl. 1585DF CARF MF 20 Com fundamento no art. 325 do RIR/99, que dispõe sobre a possibilidade de amortização de despesas de organização préoperacionais ou préindustriais, entende a recorrente que teria direito ao respectivo crédito sobre as despesas préoperacionais relativas à aquisição de bens do ativo imobilizado e benfeitorias. Nos incisos VI e VII c/c o §1o, III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, está previsto o creditamento das contribuições sobre os encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (inciso VI) e de edificações em imóveis próprios ou de terceiros (inciso VII), nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Embora, na hipótese do inciso VI, haja a restrição à utilização dos bens do ativo imobilizado nas atividades de produção de outros bens, locação ou prestação de serviços a terceiros; e, na situação do inciso VII, haja a limitação de que as edificações ou benfeitorias sejam realizadas em "imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa"; não se verifica qualquer restrição temporal nesses incisos quanto à aquisição ou realização desses itens, se antes ou depois da empresa começar a operar. A única restrição temporal que se observa é no §1o, III do dispositivo, no sentido de que os encargos de depreciação e amortização dos bens sejam incorridos no mês de apuração; questão sobre a qual a fiscalização não apontou qualquer discordância em relação ao procedimento adotado pela contribuinte. Ademais, não se poderia alegar que o bem do ativo imobilizado deveria ser imediatamente após a aquisição destinado às atividades específicas mencionadas no inciso VI, vez que, não raras vezes, pode ocorrer um período de instalação e testes antes do seu efetivo funcionamento; nem tampouco poderseia sustentar a imediata necessidade de utilização das edificações e benfeitorias, as quais podem levar um determinado tempo para ser concluídas e utilizadas na forma prevista. É certo que tais itens (incisos VI e VII) podem ser adquiridos ou realizados e, só depois de algum tempo, começarem efetivamente a operar dentro do funcionamento normal da empresa. No mais, a depreciação de um bem iniciase somente quando ele está disponível para uso, ou seja, quando está em condição de funcionamento na finalidade para a qual foi adquirido; bem como a amortização de despesas préoperacionais começa com o início de operação da empresa (art. 325, §1º, I do RIR/997). Portanto, no momento em que as 7 Capital e Despesas Amortizáveis Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.577 21 despesas de depreciação e amortização são incorridas, os itens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 já estão operando na finalidade para os quais foram adquiridos/realizados. Dessa forma, o que se depreende dos incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 é que as expressões "para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" (inciso VI) e "utilizados nas atividades da empresa" (VII) dizem respeito apenas à finalidade do bem adquirido ou da edificação ou benfeitoria realizadas, ou seja, essas expressões não têm o condão de impor a restrição temporal de utilização imediata de tais itens nas atividades para as quais foram previstos. Assim, entendo que não há qualquer restrição prévia à tomada de créditos sobre os encargos de depreciação e amortização quando os bens sejam adquiridos ou as edificações e benfeitorias sejam realizadas anteriormente ao início da atividade empresarial, desde que atendidos aos demais requisitos previstos em lei, em especial, que os encargos de depreciação e amortização sejam incorridos no mês de apuração das contribuições. No caso específico da ora recorrente, no entanto, pela mesma razão da manutenção da glosa no tópico anterior "(g)", a recorrente não pode descontar créditos das despesas préoperacionais dos encargos de depreciação ou amortização sobre a aquisição de bens do ativo imobilizado, vez que não demonstrada a finalidade dos itens do ativo imobilizado para locação a terceiros, produção de bens ou prestação de serviços. Assim, mantémse a glosa de despesas préoperacionais sobre a depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado. De outro lado, relativamente às edificações e às benfeitorias, como não há a restrição da atividade da empresa para o creditamento, conforme interpretou a própria autoridade fiscal8, inclusive porque há previsão de amortização de bens e direitos relacionados à comercialização de bens e serviços (art. 324, §4º do RIR/999), e neste Voto se afastou a Art.325. Poderão ser amortizados: Io capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): (...) d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; (...) II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou préindustriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, §3º, alínea "a"); (...) §1ºA amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, §3º): I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; (...) 8 Relatório Fiscal: 7.3.4. Com relação ao inciso VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; observamos que não há restrições quanto ao tipo de atividade da empresa, ou seja, podem ser descontados créditos de edificações e benfeitorias em imóveis tanto da empresa ou de terceiros, contanto que sejam utilizados nas atividades da mesma. A Fiscalização constatou que o contribuinte realiza várias benfeitorias nos imóveis alugados para instalação de suas lojas de departamentos. 9 Art.324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, §1º). Fl. 1587DF CARF MF 22 restrição colocada pela fiscalização ao creditamento de despesas préoperacionais, devem ser revertidas tais glosas. Dessa forma, neste tópico, devem ser parcialmente revertidas as glosas sobre despesas préoperacionais relacionadas à amortização sobre benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, devendo o crédito admitido ser calculado sob a mesma metodologia utilizada pelo autuante para os créditos relativos às despesas operacionais de mesma natureza (em face do tempo de vida útil das benfeitorias). (i) Despesas com condomínio de imóveis utilizados para instalação de lojas da Recorrente (classificadas no código 10103 do SPEDContribuições). Entende a recorrente que, como a legislação autoriza o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre os “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (art. 3°, inciso IV, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), e, no seu caso, o valor do condomínio integra contratualmente o valor do aluguel (como é de praxe em alugueis comerciais), a totalidade do valor deveria ser considerada como aluguel (art. 25 da Lei de Locações) e ser passível de creditamento das contribuições. Argumenta que tal entendimento decorre também de todo o encadeamento lógicojurídico do exame conjunto das Leis 10.637/02 e 10.833/03, além da Lei de Locação e dos precedentes sobre a matéria. Esclarece que as despesas de condomínio são relativas aos imóveis alugados para instalação das lojas da Recorrente. No entanto, se aluguel e condomínio são despesas de natureza diferentes, não há que se falar, para o creditamento das despesas de condomínio, de aplicação do inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, que só prevê o desconto de créditos em relação às despesas de "aluguéis de prédios". Segundo se depreende da lições de Carlos Maximiliano, a norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas. A enumeração de hipóteses específicas que autorizam o desconto de créditos das contribuições no art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 são regras de exceção que não comportam a interpretação extensiva.10 Não há relação de acessoriedade entre alugueis e encargos de condomínio, os quais possuem causa diferente e independente. O aluguel é devido pelo uso e gozo de unidade individual e o condomínio pela fruição de espaço e utilidades de uso comum entre os moradores do mesmo local. O fato de a recorrente ser obrigada ao pagamento das despesas de condomínio juntamente com o aluguel, não o torna acessório deste. Também por falta de previsão legal não prospera o pedido da recorrente para creditamento relativos às despesas de IPTU em imóveis próprios, vez que não se trata de bem ou serviço para eventual enquadramento no conceito de insumo (incisos II dos arts. 3º das Leis nºs Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03). §1ºEm qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, §2º). §2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, §5º). (...) §4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). 10 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 13864.720140/201655 Acórdão n.º 3402006.026 S3C4T2 Fl. 1.578 23 Assim devem ser mantidas as glosas relativas às despesas de condomínio de imóveis alugados utilizados para instalação de lojas da Recorrente, bem como as despesas de IPTU em imóveis próprios. Por fim, requer a recorrente o afastamento da incidência de juros sobre a multa de ofício, o que não poderá ser acolhido em face dos enunciados das Súmulas CARF abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar do lançamento a parcela decorrente da reversão parcial das glosas relativas às despesas préoperacionais de amortização sobre benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, calculada sob a mesma metodologia utilizada pela fiscalização para os créditos relativos às despesas operacionais sobre benfeitorias. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1589DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003195/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DE LANÇAMENTO.
Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.
PROVAS. SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. CONFISCO. MULTA DE OFÍCIO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, conforme expressa previsão normativa.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. CONFISCO. MULTA DE OFÍCIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, conforme expressa previsão normativa. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 31 95 /2 01 0- 19 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 800 2 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. CONFISCO. MULTA DE OFÍCIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, conforme expressa previsão normativa. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório O acórdão nº 1669.096, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO), julgou improcedente à impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 801 3 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 802 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. CONFISCO. O percentual da multa de ofício e dos Juros Selic aplicados está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestarse a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 23/04/2010 (fls. 146 e 147), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, contribuição para o PIS/Pasep, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 66 a 115) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 133 a 145), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, tributados no montante superior à receita declarada. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 803 5 2.2. Insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 120 a 126. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 66 a 75) com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 31/03/2010 no montante de R$ 93.918,92. 3.2. PIS (fls. 76 a 85) com base no artigo 3º, alínea “b” da Lei Complementar (LC) nº 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “b”, 5º e 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2010, no montante de R$ 68.661,17. 3.3 CSLL (fls. 86 a 95) com base nos artigos 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “c”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2010, no montante de R$ 93.918,92. 3.4. COFINS (fls. 96 a 105) com base nos artigos 1º e 2º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “d”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2010, no montante de R$ 276.536,85. 3.5. Contribuição para a Seguridade Social – INSS (fls. 106 a 115) com base nos artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “f”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/1996, e 3º da Lei nº 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/03/2010, no montante de R$ 799.554,26. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no montante de 75% dos tributos lançados é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei nº 9.317/1996 (fls. 72, 82, 92, 102 e 112). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. 5. Irresignada com os lançamentos, em 21 de maio de 2010, a empresa apresentou a impugnação às fls. 666 a 694, instruída Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 804 6 com os documentos às fls. 695 a 706, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos de acordo com o apresentado pela defendente): Da Inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 – Impossibilidade de Quebra do Sigilo Bancário Sem Ordem Judicial. 5.1. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XII, determina que "é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas" além de determinar por invioláveis "a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas" físicas ou jurídicas. 5.2. Com efeito, no presente caso, os dados da impugnante (dados bancários), de fato, não foram mantidos em sigilo, acenando pela produção de prova ilícita. 5.3. Na esfera da existência privada da pessoa jurídica estão inseridos todos os dados relativos à pessoa, os quais não devem vir a público, a não ser por manifesta vontade do titular do direito, ou por ordem judicial. 5.4. Nesta linha, considerando que o AI decorre inexoravelmente de quebra de sigilo bancário, outrossim, que fora efetivado sem autorização judicial, impõese reconhecer seu vício insanável cuja nulidade se mostra clara. (descreve doutrina em apoio a sua tese). 5.5. Se de um lado há, constitucionalmente, assegurado o direito e dever do Estado de obter receita por meio do exercício da competência tributária, há, por outro lado, asseguradas aos contribuintes, inúmeras garantias constitucionais que impõem limitações ao poder de tributar, e que devem direcionar a ação fiscal para que o procedimento esteja pautado em princípios, tais como legalidade, segurança jurídica e igualdade. (descreve doutrina em apoio a sua tese). 5.6. Os atos da fiscalização, que buscaram com êxito e de maneira totalmente inconstitucional o acesso aos dados bancários do contribuinte, ferem seu direito líquido e certo da inviolabilidade e do exercício sereno de sua atividade empresarial. (descreve doutrina em apoio a sua tese). 5.7. Após tais digressões, mostrase incontestável o fato de que a Lei Complementar 105/2001 encontrase maculada pela inconstitucionalidade, sendo os atos da fiscalização inconstitucionais e violadores das garantias constitucionais asseguradas à Impugnante. (descreve jurisprudência em apoio a sua tese). Da Impossibilidade de Tributação Decorrente Exclusivamente dos Ingressos Realizados nas Contas Bancárias da Impugnante – Pena de Presumirse Faturamento Sobremodo Superior ao Realmente Auferido no Período. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 805 7 5.8. O argumento articulado no item anterior já é suficiente para motivar o cancelamento integral do AI combatido. Todavia, caso assim não entenda o r. julgador, o que se admite apenas para debate, importante destacar que a tributação não pode pautar se, exclusivamente, nas entradas realizadas nas contas bancárias da Impugnante, uma vez que nem todos os ingressos podem ser considerados receita, conforme será demonstrado ao longo do presente tópico. Da Dificuldade Financeira da Impugnante Situação que Culmina em Movimentação Bancária Oriunda de Contas de Mesma Titularidade. 5.9. Nos últimos anos, a Impugnante passou por períodos de grande dificuldade financeira, sendo que, para manutenção de suas atividades, se viu obrigada a lançar mão de meios legítimos perante as instituições financeiras, para obter capital de giro, expedientes que ocasionaram grande movimentação financeira, mas que não representam faturamento. 5.10. Assim, sem outra alternativa, a Impugnante adotou a postura de transferir e depositar cheques de sua própria titularidade para cobrir faturas e despesas em suas contas correntes, bem como para aumentar o volume financeiro nos bancos visando a concessão de empréstimos e a manutenção de seu capital de giro. Do depósito de inúmeros cheques de mesma titularidade (até R$ 299,00) para cobrir conta corrente e usufruir do tempo de 48 horas para compensação destes. 5.11. A prática adotada pela Impugnante, que efetivamente resultou em grande movimentação bancária (créditos em conta bancária), foi a utilização da compensação bancária (48 horas) para cheques de pequeno valor (até R$ 299,99), para postergar por dois dias o pagamento de determinadas faturas. 5.12. Referido expediente pode ser exemplificado da seguinte maneira: uma despesa de R$ 3.000,00 (três mil reais), que iria ser descontada em conta corrente, era saldada por 11 (onze) cheques de R$ 272,72 (duzentos e setenta e dois reais e setenta e dois centavos) emitidos por contas de outros bancos, porém, da mesma titularidade. 5.13. Nesse contexto, tendo em vista o depósito dos 11 (onze) cheques, o gerente da instituição financeira autorizava o pagamento da despesa no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) e, assim, a empresa conseguia "fôlego" financeiro de dois dias para cobrir outras despesas, em razão do prazo de 48 horas para compensação dos 11 (onze) cheques emitidos. 5.14. Exemplificativamente. verifiquese movimentação bancária do Banco Bradesco, utilizada pela fiscalização, onde o desconto de cheques com prazo de compensação de 48 horas foi realizado: Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 806 8 5.14.1. 06/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030600SEQ05793 R$2.614,00). 5.14.2. 06/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030599SEQ05102 R$ 2.499,88). 5.14.3. 09/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030599SEQ06200 684,00). 5.14.4. 11/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030600SEQ08056 R$ 3.238,00. 5.14.5. 11/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030599SEQ07409 R$ 2.262,00. 5.14.6. 16/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030600SEQ00047 R$ 2.641,00. 5.14.7. 16/01/06: (DEP CC AUTOAT AG02350MAQ030599SEQ08945 R$ 5.143,00. 5.15. Há vários outros depósitos como se verifica dos extratos, em todos os bancos, em todos os meses e praticamente todos os dias. 5.16. Ademais, relevante atentar que os tribunais, tanto na esfera administrativa, quanto na judicial, aduzem sobre a impossibilidade de tributação somente com base na movimentação bancária do contribuinte. (transcreve julgados). 5.17. Se a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão, incabível será a autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. 5.18. Por fim, tendo em vista o custo e prazo exigidos para comprovação de todo o alegado, uma vez que demanda a solicitação de microfilmagem de cheques perante as instituições financeiras, a Impugnante informa que irá apresentar prova ao longo da instrução da presente impugnação, na medida do possível, outrossim, da possibilidade de arcar com o custo da operação bancária. Da Multa Aplicada – Necessidade de Observância ao Não Confisco. 5.19. Em que pese a inafastabilidade das alegações até o momento aduzidas, as quais, uma vez acolhidas, irão acarretar a inexigibilidade da multa aplicada, em respeito ao princípio da eventualidade mister se faz apontar, ainda, a inconstitucionalidade da sua aplicação. 5.20. De fato, é imperioso que os diplomas tributários infraconstitucionais guardem harmonia com a Lei Maior, em especial no que tange ao disposto no artigo 150, inciso IV. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 807 9 5.21. O descumprimento de tal preceito é nitidamente observado na exigência da multa de 75% do valor do tributo que entende o fisco devido, inconstitucionalidade esta que deverá ser afastada por este R. Órgão Julgador. (transcreve julgados). 5.22. Discutese, por outro lado, se a vedação constitucional relativa ao efeito confiscatório se aplica ou não às penalidades decorrentes de obrigações fiscais. 5.23. Ora, pela análise da legislação vigente, bem como pelo que se deduz dos julgados ora colacionados, podese afirmar que as penalidades fiscais estão sujeitas ao confisco, por serem decorrentes de uma obrigação tributária. 5.24. Assim, há que se depreender que a multa aplicada no Auto de Infração e Imposição de Multa combatido, correspondente a 75% do suposto crédito tributário apurado é excessivamente gravosa, além de absolutamente desproporcional ao valor do imposto, devendo ser afastada, sob pena de violação do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda a instituição de tributos com efeito confiscatório. (transcreve julgados). Dos Juros de Mora Da Impossibilidade de Cobrança em Momento Anterior à Citação para Pagamento. 5.25. Os juros de mora declinados no AI não merecem prosperar ao passo que somente poderiam incidir da data de intimação da impugnante para pagar ou impugnar o presente AI. 5.26. Não há que se falar em vencimento de crédito que não existia no mundo fático. De fato, ainda que se presuma que todas as entradas em conta corrente da impugnante são receitas auferidas, o que, por si só já se trata de absurda presunção, ainda assim, somente a partir da intimação desta para pagar ou impugnar o lançamento é que se pode falar em juros moratórios. Da Competência dos Órgãos Julgadores Administrativos para Analisar Questões que Envolvam Matéria Constitucional. 5.27. Em homenagem ao devido processo legal, e as demais garantias constitucionais, tais como a universalidade de jurisdição e o direito de petição, devem os órgãos julgadores administrativos, mediante a análise das questões que lhes são submetidas, responderem ao administrado de forma fundamentada, ainda que tais questões sejam de índole constitucional, o que já foi reconhecido pelo E. STF, bem assim, por diversos Tributais Administrativos Estaduais, ou mesmo pelo antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 6. A final, a recorrente protesta pela produção de provas posteriores, em especial pela prova documental obtida junto as instituições bancárias. A contribuinte interpôs o tempestivo recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 808 10 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 809 11 referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 810 12 identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 811 13 requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS A Recorrente requereu a produção de provas, em especial, documentais, auferidas junto às instituições bancárias. Todavia, a prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (i) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente e; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 812 14 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), sobretudo, quando existe a presunção juris tantum de omissão de receitas, invertendo o ônus probatório para Recorrente. Certamente, a extensão da dilação probatória necessitaria de prévia justificativa e pedido específico da contribuinte, demonstrando, nitidamente, a relevância para resolução do presente litígio. Frisese que a contribuinte não anexou qualquer documento na sua impugnação administrativa ou no seu recurso voluntário, hábil e idôneo, que elidiria a presunção normativa de omissão de receitas, consubstanciada na movimentação financeira. II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: 26. Em relação ao cerne do presente litígio, para se apreciar o cabimento ou não dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, devese verificar com atenção o que ocorreu durante o procedimento fiscal. 27. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 150 e 151 – ciência em 03/04/2009), a apresentar em 20 dias, relativamente ao anocalendário 2006, Livros Caixa, Diário e Razão, bem como Livros Auxiliares. Não tendo a interessado disponibilizado a documentação, lavrouse Termo de Intimação Fiscal (fls. 152 e 153 – ciência em 30/04/2009) para novamente solicitar os retrocitados Livros, acrescentandose requerimento para fornecimento dos extratos Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 813 15 bancários, acompanhados de documentação hábil e idônea para justificar a origem dos créditos bancários apurados em suas contas bancárias, conforme valores totais indicados no T.I.F, no montante de R$ 6.370.563,28. Termos de Intimação Fiscal (fls. 157, 158, 162 e 163 – ciência em 28/05/2009 e 01/07/2009) foram lavrados, para reintimála a apresentar a documentação. 28. Sem qualquer manifestação da empresa, em 04/08/2009 o autuante emitiu Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira para requisição dos extratos bancários da requerente junto ao Banco ABN AMRO Real S/A, Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A, Banco Santander S/A e HSBC Bank Brasil S/A (fls. 167 a 208). Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF) foram expedidas para as referidas instituições financeiras (fls. 172 a 208), com ciência em 07/08/2009, tendo sido acostados aos autos Extratos bancários e documentos das contas bancárias às fls. 213 a 619. 29. Termo de Intimação (fls. 624 e 625 – ciência em 04/11/2009) foi exarado para que a fiscalizada, conforme planilha a ela disponibilizada, apontasse, para cada crédito bancário e com documentação hábil e idônea, a origem do recurso que justificou cada depósito, com identificação individualizada da data e da folha dos Livros Diário e Razão (ou Livro Caixa) na qual consta a escrituração do depósito. Em 26/11/2009 a contribuinte requereu dilação do prazo para atendimento do pleito da fiscalização (fl. 629), que foi atendido pelo autuante (fl. 630). Termo de Intimação Fiscal foi lavrado (fls. 638 e 639 – ciência em 11/02/2010), para reintimála, nos mesmos termos do anterior. 30. Termo de Verificação Fiscal foi lavrado com esclarecimento de todas as fases do procedimento fiscal e fundamentação legal pertinente (fls. 133 a 145). 31. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes consta no processo, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos às fls. 14 a 61, bem como a totalização mensal em quadro às fls. 139 e 142, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, no anocalendário 2006, no valor de R$ 5.097.307,12, tendo declarado em sua Declaração Simplificada receita bruta de R$ 176.461,75 (fls. 645 a 662). 32. Portanto, o que se observa é que, diante destes fatos e da vinculação e obrigatoriedade do lançamento tributário (parágrafo único do artigo 142 do CTN), a fiscalização não teve alternativa legal diferente da aplicação ao caso das normas contidas no § 1º do artigo 7º e no artigo 18 da Lei nº 9.317/1996, que fazem parte do enquadramento legal da autuação e dispõem sobre o regime tributário dos contribuintes optantes pelo Simples Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 814 16 (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), já que no momento dos fatos geradores neste processo discutidos (ano calendário 2006) a autuada era optante pelo regime simplificado, conforme pesquisa no sistema CNPJ efetuada pelo relator e Declaração Simplificada às fls. 645 a 662. 33. O § 1º do artigo 7º e o artigo 18 da Lei nº 9.317/1996, assim dispõe: Art. 7°(...) § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. (...) Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.(negritos acrescidos) 34. Como se vê, mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. E como o optante pelo Simples está obrigado a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios embasadores, diante da disposição do acima transcrito artigo 18, ele também está sujeito à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 815 17 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (...) (grifos acrescidos) 35. De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. 36. Neste ponto devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. 37. Não se pode confundir métodos de apuração de omissão de receitas com as formas de tributação do lucro. 38. Em relação ao método de apuração, esclarecese que a caracterização de uma omissão de receitas pode se dar por uma de duas vias: por uma presunção legalmente estabelecida ou, Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 816 18 então, pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração. 39. No primeiro caso, a lei estabelece, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos – baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário – esta a cargo do contribuinte –, a ocorrência da omissão de receitas. Foi este o método de apuração de omissão de receitas utilizado no lançamento ora discutido. 40. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 41. Já no segundo caso, a inexistência da presunção legal obriga a comprovação material do fato diretamente vinculado à subtração irregular das receitas, e não de outro que apenas indiretamente se relacione com o ilícito e que demande, por tal, cognição complementar para a caracterização da infração. 42. Em qualquer dos casos, no entanto, não se desobriga a autoridade de comprovar o(s) fato(s) que dá(ão) origem à omissão de receitas: ou aquele definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum, ou aqueles outros concretamente evidenciadores da materialidade da infração. 43. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência, e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete ao contribuinte e não ao fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser eximirse da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. 44. Assim, caracterizada a receita omitida, os lançamentos foram corretamente e motivadamente realizados e os respectivos créditos tributários devem ser mantidos. Desta forma, os lançamentos não são nulos ou devem ser anulados. Ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados e demonstrados e em legislação plenamente vigente. 45. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de contas bancárias com expressiva movimentação (no presente caso, R$ Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 817 19 5.097.307,12 diante de uma receita bruta anual declarada em R$ 176.461,75 fl. 142), intimou a recorrente a comprovar a origem de créditos efetuados em contas bancárias. 46. Diante da falta de comprovação da origem dos mesmos depósitos bancários, o auditor fiscal não teve outra escolha senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. 47. Assim, não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 48. No lançamento ora impugnado, como já dito acima, a contribuinte é optante pelo Simples. Portanto, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado (Simples), de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. 49. Desta forma, sobre os créditos bancários cuja origem não foi comprovada foi aplicado o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos. 50. Pugna a recorrente que adotou a postura de transferir e depositar cheques de sua própria titularidade para cobrir faturas e despesas em suas contas correntes, bem como para aumentar o volume financeiro nos bancos visando a concessão de empréstimos e a manutenção de seu capital de giro. 51. Neste tópico, enfatizese que o Termo de Verificação Fiscal deixa claro que foram excluídos, da base de cálculo da apuração, as transferências bancárias entre as contas da fiscalizada, cheques devolvidos, estorno de CPMF, crédito para redução do saldo devedor, etc: (...) Ao elaborar as planilhas esta Fiscalização Federal teve o cuidado de excluir os valores que não representam ingresso de receita, tais como: as transferências bancárias feitas entre as contas da fiscalizada, cheques devolvidos, estorno de CPMF, crédito para redução de saldo devedor, etc. (...) (grifos acrescidos) Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 818 20 52. Esclareçase que qualquer demanda específica da defendente acerca deste quesito somente pode ser analisada a partir de dados individualizados, que contemplem o valor em questão, as contas de origem e destino, a data da transferência, bem como a indicação, na cópia dos extratos bancários, dos registros envolvidos. 53. A requerente também consigna que tendo em vista o custo e prazo exigidos para comprovação de todo o alegado, uma vez que demanda a solicitação de microfilmagem de cheques perante as instituições financeiras, informa que irá apresentar prova ao longo da instrução da presente impugnação, na medida do possível, outrossim, da possibilidade de arcar com o custo da operação bancária. 54. Como já restou esclarecido na análise das preliminares, não cabe a este órgão julgador se manifestar, acolhendo ou indeferindo juntada de documentos que ainda não ocorreu. 55. Assevera a recorrente que há que se depreender que a multa aplicada, correspondente a 75% do suposto crédito tributário apurado é excessivamente gravosa, além de absolutamente desproporcional ao valor do imposto, devendo ser afastada, sob pena de violação do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda a instituição de tributos com efeito confiscatório. 56. Neste quesito, cumpre esclarecer que a referida vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas e taxas dentro de limites aceitáveis. 57. Estando a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 acima transcrito, que ainda não foi revogado, não teve sua execução suspensa pelo Senado Federal, nem foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado ou em Súmula Vinculante, não há como o julgador administrativo vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos (por exemplo, proporcionalidade, razoabilidade, direito de propriedade, liberdade de profissão e de comércio). 58. Assim, demonstrado que a multa de ofício foi correta e legalmente aplicada no percentual de 75% dos tributos devidos, descabem as afirmações da autuada em sentido diverso. 59. Quanto a jurisprudência administrativa citada pela defesa, cumpre observar que tais decisões não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (Parecer Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 819 21 Normativo CST nº 390, publicado no DOU de 04 de agosto de 1971). E no tocante às decisões judiciais e administrativas mencionadas, essas só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. 60. No que se relaciona aos questionamentos da Impugnante sobre os juros de mora calculados com base na taxa Selic, primeiramente é necessário esclarecer que a norma legal que regula os juros de mora tributários são o caput e o § 1º do artigo 161 do CTN, que assim determinam: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (...). 61. Observase que o § 1º do artigo 161 do CTN não estabelece teto para os juros de mora, mas apenas diz que eles serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso. Portanto, a lei ordinária pode determinar que os juros sejam menores ou que sejam maiores que 1% ao mês, já que diverso não significa apenas menor e o CTN não exaure qual deva ser a forma de cálculo dos juros de mora. Usando desta liberdade concedida pelo CTN, assim dispôs o legislador ordinário no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.º 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n.º 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n.º 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (grifos acrescidos) 62. Os juros de 1% previstos no § 1º do artigo 161 do CTN somente seriam aplicáveis se a legislação ordinária nada dispusesse a respeito. Desta forma, a utilização da taxa Selic como índice de cálculo dos juros de mora está plenamente de acordo com as disposições legais vigentes, não havendo ofensa ao princípio constitucional da legalidade nem nulidade do lançamento, devendo ser mantida, já que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar, sob pena de responsabilidade funcional, a lei introduzida regularmente no sistema jurídico e ainda não retirada do mesmo sistema por quem tenha competência constitucional para tanto. 63. A legalidade do uso da taxa Selic como juros de mora para cobrança de créditos tributários é confirmada pela Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 820 22 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, reproduzindose abaixo trecho de ementa de julgado recente desta Corte, que é o órgão judicial que dá a última palavra sobre a interpretação de legislação tributária federal que não envolva discussão constitucional: 32. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. (Acórdão unânime no Recurso Especial 719.350, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Data do julgamento 16/12/2010, Data da Publicação no Dje 21/02/2011). 64. Este entendimento é aplicado e se encontra pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cuja Súmula 04 assim se encontra redigida: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 65. Com relação aos lançamentos decorrentes, exigências relativas ao PIS, à COFINS, à CSLL e ao INSSSimples, aplica se, no que couber, a mesma decisão que se aplica ao lançamento de IRPJ, devido à correlação existente entre o lançamento principal e seus decorrentes. 66. Informese que tendo em vista a superação do limites de receita bruta para permanência no Simples Federal, a fiscalização lavrou Representação Fiscal para Exclusão do Simples (fls. 2 a 13, acompanhada de documentos às fls. 14 a 61) e emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 05 (fl. 62), em 22/03/2010, para excluir a autuada do referido regime no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. 67. Efetuada pesquisa no sistema CNPJ da RFB, não se constatou a implementação de qualquer evento de exclusão da interessada da sistemática simplificada, tendo a mesma entregue Declaração Simplificada para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007. 68. Em consulta ao sistema Comprot da RFB não se constatou a existência de qualquer processo relacionado à exclusão da recorrente do Simples Federal. 69. Finalmente, cabe assinalar que o Termo de Verificação consigna que foi formalizado processo de arrolamento de bens, em razão do disposto na legislação de regência da matéria. 70. Em face do exposto, voto para que se julgue IMPROCEDENTE a impugnação apresentada contra os lançamentos discutidos neste processo. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 821 23 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que é própria da Recorrente, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pela Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Outrossim, existindo previsão normativa expressa sobre a multa de ofício, não qualificada, novamente, o presente rito não é competente para declarar sua eventual inconstitucionalidade, como impõe a citada Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Por fim, atualmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10830.003195/201019 Acórdão n.º 1201002.334 S1C2T1 Fl. 822 24 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 822DF CARF MF
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Numero do processo: 10707.001508/2006-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção.
Estando devidamente fundamentado o julgado, não pode ser acolhida a argüição de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, pela falta de apreciação minuciosa de todos os pontos da impugnação.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO DO LANÇAMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA.
Incabível a exasperação da multa de oficio quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964 Afastado o dolo, o prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é qüinqüenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, excepciona-se a hipótese indicada na parte final
do §4° do artigo 150 do CTN.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO
Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de oficio com a penalidade de maior ônus financeiro.
Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 2102-000.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, DAR parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu todo o crédito
tributário do ano-calendário 2000 e o decorrente do ganho de capital, e cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 2001, nos termos do voto do Relator, vencida a
Conselheira Nàbia Matos Moura que não desqualificava a multa de oficio das infrações referentes à dedução indevida de despesas médicas, despesa com instrução e com previdência privada e que não reconhecia a decadência, &mia em face da infração do ganho de capital, aplicando, na espécie, o prazo do art. 173, I,do CIN
Nome do relator: Rubens Mauricio Carvalho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Estando devidamente fundamentado o julgado, não pode ser acolhida a argüição de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, pela falta de apreciação minuciosa de todos os pontos da impugnação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO DO LANÇAMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA. Incabível a exasperação da multa de oficio quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964 Afastado o dolo, o prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é qüinqüenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, excepciona-se a hipótese indicada na parte final do §4° do artigo 150 do CTN. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de oficio com a penalidade de maior ônus financeiro. Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, DAR parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu todo o crédito tributário do ano-calendário 2000 e o decorrente do ganho de capital, e cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 2001, nos termos do voto do Relator, vencida a Conselheira Nàbia Matos Moura que não desqualificava a multa de oficio das infrações referentes à dedução indevida de despesas médicas, despesa com instrução e com previdência privada e que não reconhecia a decadência, &mia em face da infração do ganho de capital, aplicando, na espécie, o prazo do art. 173, I,do CIN
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PROVAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Estando devidamente fundamentado o julgado, não pode ser acolhida a argüição de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, pela falta de apreciação minuciosa de todos os pontos da impugnação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sào tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO DO LANÇAMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. DECADÊNCIA. Incabível a exasperação da multa de oficio quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de reduzir os tributos devidos, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964 Afastado o dolo, o prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é qüinqüenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, excepciona-se a hipótese indicada na parte final do §4° do artigo 150 do CTN. - MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de oficio com a penalidade de maior ônus financeiro. f Configurado o evidente intuito de fraude, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, DAR parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu todo o crédito tributário do ano-calendário 2000 e o decorrente do ganho de capital, e cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 2001, nos termos do voto do Relator, vencida a Conselheira Nàbia Matos Moura que não desqualificava a multa de oficio das infrações referentes à dedução indevida de des. -: . : 'dicas, despesa com instrução e com previdência privada e que não reconhecia a de , • &mia em face da infração do ganho de capital, aplicando, na espécie, o prazo do art. 173, do CIN. / GIOVA NI CHRISTI ! 1 ' 1 I il 1. AMPOS - Presidente.7:1 , ...00 af i / • _MI/ ! RUBE -II. - Relator.idr ' : EDIFAD• : 10/13 2010 ,Participaram da ses o de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Marcelo Magalhães Peixoto (convocado), Rubens Maurício Carvalho, Rogério de Lellis Pinto (convocado) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 350 a 359 da instância a quo, in verbis: Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 280 a 290 em virtude da apuração da seguinte infração: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS - omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa flsica de janeiro a dezembro de 2000, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 266 a 279. Enquadramento Legal: ans. 1°, 2°, 3° e §5, e 8 0 , da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 1° a 4°, da Lei n°8134, de 1990, arts. 49 a 53, 106, incis IV, 109 e 111 do RIR/1999 e art. 1° da Lei n°9.887, de 1999; 1 2 • — —_ • 3) sem qualquer previsão legal para tanto, os Auditores Autuantes teriam considerado o valor de R$ 36.575,00, relativo a custos em obra de imóvel, como dispêndio em dezembro de 2000, mesmo não tendo sido apresentada documentação comprobatória dessa importância; 4) tendo em vista que o único custo comprovado seria o da mão-de-obra, não cabe ao Fisco considerar outros valores como dispêndios efetuados em obra de imóvel do Interessado, devendo o valor de R$ 36.575,00 ser expurgado da apuração da variação patrimonial do mês de dezembro de 2000; 5) o Fisco teria elegido, sem base legal, o mês de junho de 2000 como data em que teria ocorrido o dispêndio de R$ 15.000,00, ignorando o Documento Particular de Compra e Venda, em anexo, que mencionaria taxativamente que tal valor havia sido anteriormente recebido, tendo, na realidade, ocorrido a quitação em ano- calendário anterior ao de 2000, devendo, por essa razão, ser desconsiderada essa importância do cálculo da apuração da variação patrimonial; 6) a Autoridade Autuante teria indevidamente desconsiderado como origem o recebimento dos empréstimos concedidos à sua filha Renata Araújo Sá, no valor de RS 28.000,00, e ao Sr. Cláudio Andreoli Figueiredo, no valor de R$ 5.000,00; 7) os empréstimos de R$ 28.000,00 e RS 5.000,00 recebidos pelo Interessado estariam devidamente comprovados por contratos de mutuo, declarações de rendimentos dos mutuantes e do mutuário e declarações dos [ornadores de empréstimo indicando a liquidação das dividas em moeda corrente durante o ano-calendário de 2000, devendo tais valores ser considerados como origens na variação patrimonial; 8) teriam sido indevidamente desconsiderados como origens os valores oriundos dos empréstimos recebidos de Jaime José Alves Teixeira e °messias Castelo Branco no ano-calendário de 2001; 9) os valores recebidos como empréstimos no ano-calendário 2001 teriam sido quitados no mesmo ano de seus recebimentos, não constando, por esse motivo, nas declarações de rendimentos dos mutuantes e do mutuário; 10) foi apresentada pelo Autuado declaração em que os credores afirmariam ter recebido os numerários relativos aos empréstimos concedidos ao Impugnante; 11) estaria comprovado que os valores efetivamente teriam ingressado na conta corrente do Interessado no Banco de Crédito Nacional através de depósitos em cheque, conforme extrato anexado aos autos; 12) o Fisco teria incorrido em erro ao olvidar a legislação de regência, modificando a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária de mensal para anual; 13) o Interessado solicita que lhe seja concedida a oportunidade para inclusão de novos documentos que comprovassem os pagamentos efetuados a titulo de despesas medicas junto à Sul América Companhia de Seguro Saúde; 14) o Fisco não teria demonstrado o evidente intuito de fraude por parte do Contribuinte, não cabendo, além disso, a aplicação de multa qualificada sobre infrações decorrentes de presunções legais nem de qualquer outra objeto do presente lançamento. Ao final, o Impugnante requer o cancelamento do auto de infração em tela. Considerando esses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação "<:,14(0 4 1 _ Processo n° 10707.001508/2006-25 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.464 Fl. 12 2) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, constatando-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e comprovados, nos meses de dezembro de 2000 e julho de 2001, conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 266 a 279. Enquadramento legal: artigos 1° a 3°, e §§, da Lei n°7.713, de 1988, arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 1990, art. 1° da Lei n°9.887, de 1999 arts 55 XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/1999; 3) OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS - omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos em junho de 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 266 a 279. Enquadramento legal: artigos 1' a 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 1°c 2° da Lei n°8.134, de 1990, arts. 70,21 e 22 da Lei n°8,981, de 1995, arts. 17,23 e §§ da Lei n° 9.249, de 1995, arts. 22 a 24 da Lei n°9.250, de 1995, arts. 16,17 e §§ da Lei n° 9.532, de 1997, arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/1999; 4) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS - redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente para os anos-calendário 2000 e 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 266 a 279, Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto-lei n°5,844, de 1943, arts. 8°, inciso II, alínea "a" e §§2° e 3°, e 35 da Lei n°9.250, de 1995, e arts. 73 e 80 do RIR11999; 5) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO - redução indevida da base de cálculo com despesas de instrução, pleiteadas indevidamente para os anos-calendário 2000 e 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 266 a 279. Enquadramento legal: art. 11, §3 0, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 8°, II, alínea "b", da Lei n°9.250, de 1995, e arts. 73 e 81 do RIR/1999; 6) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/EAPI - redução indevida da base de cálculo com despesas de previdência privada, pleiteadas indevidamente para o ano-calendário 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 266 a 279. Enquadramento legalt art. 11, §3 0, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 4°, inciso V, da Lei n°9.250, de 1995, e art. 11 da Lei n° 9.532, de 1997, arts. 73,82 e § 1° do RIR11999 e art. 61 da Medida Provisória n°2.158-35. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 36.818,53, foram aplicados multas de 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 288, perfazendo um total de R$ 123.758,44. Após cientificado do Auto de Infração em referência- em 01/12/2006 (fl. 289), o Interessado, apresentou em 27/12/2006, as alegações de fls. 293 a 318, valendo-se, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo aos fatos geradores do período de janeiro de 2000 a novembro de 2001, conforme preceitua o art. 150, §4° do CTN; 2) a Fiscalização teria indevidamente considerado como dispêndio do Interessado o valor de R$ 9.005,32 referente ao imposto de transmissão de bens imóveis, quando na realidade, quem teria efetivamente arcado com esse ônus teria sido sua filha, Renata Araújo Sá, conforme declaração fornecida pela própria, que á época residia juntamente com o Contribuinte c dispunha de recursos para efetuar tal pag crio; 3 mesmo ocorre com outras origens de recursos pelo recebimento de empréstimos. Ainda, aponta ainda divergências nas datas consideradas pela fiscalização e as datas reais dos dispêndios; d) Que lhe foi atribuído regime de tributação anual no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto, quando deveria ter sido considerado o regime de tributação mensal; e) Que inexiste ação dolosa por parte do interessado que justifique a aplicação da multa qualificada; O Apresenta jurisprudência administrativa para sustentar as suas alegações, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa. É ct RELATÓRIO. Voto Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. ALCANCE DO RECURSO Registro que não encontramos alegações de mérito, salvo a questão de qualificação da multa, no presente Recurso, que ora se julga, acerca das seguintes infrações lançadas: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALT1ES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS 003 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS 004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS 005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO 006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI Resta, portanto, incontroverso os respectivos méritos destes lançamentos. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. 11-7 6 _ Processo n© 10707.001508/2006-25 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.464 Fl. 13 unânime, não acatou a preliminar de decadência e no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de apresentação de provas e previsão legal, já que os argumentos da recorrente foram improcedentes, no entendimento do colegiado, diante dos fatos postos nos autos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física— IRPF Exercício: 2001, 2002 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco . anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO A alegação da existência de empréstimos recebidos de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados e do recebimento do pagamento do mútuo. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. PEDIDO DE ABERTURA DE PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS Não cabe reabrir novo prazo para ajuntada de elementos se o Interessado teve oportunidade de apresentar seus documentos probatórios durante todo o procedimento fiscal, no . prazo destinado a impugnação e até depois da entrega de sua peça defensória. ' Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 363 a 391, apresentando argumentos acerca de preliminares de nulidade e no mérito recorre apenas de questões relativas ao acréscimo patrimonial a descoberto e da qualificação da multa, alegando em síntese: a) Decadência do lançamento, nos moldes do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN) para os fatos geradores do período de 01/01/2000 a 30/11/2001, cuja ciência da autuação ocorreu em I 01/12/2006; b) Nulidade da decisão anterior por cerceamento do direito de defesa, pois, J tal decisão não se manifestou acerca da programação de indevida de ação fiscal (MPF) de períodos já decaídos em busca de dolo; c) Indica dispêndios considerados na cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto que não teriam sido custeados de fato pelo recorrent9 . O / s I .. I r I _ infrações estejam configuradas de forma inconteste da intenção dolosa de redução do pagamentos do IR. O artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964, conceitua fraude como sendo "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Nestas circunstâncias, resta saber quando um ato praticado em conformidade com o Direito deixa de ser uma prerrogativa do contribuinte para se caracterizar em sonegação tributária, mediante fraude que impõe aplicação de multa qualificada. A qualificação da multa, no Direito Tributário, está sempre vinculada a uma ação ou omissão consciente, com a finalidade de suprimir ou reduzir tributo. O artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, ao prever multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), faz referência aos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. A seu turno, a Lei n° 4.502, de 1964, nos artigos aqui referidos, dispõe, "in verbis": • An 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendá ria: 1- da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; H - das condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts, 71 e 72. Entendo que a fraude somente se caracteriza a partir de uma ação ou omissão ilícita, o que não é o caso dos autos. Nos autos, a caracterização da qualificação para infrações autuadas está embasada na omissão fundamentalmente. Isso posto, não vejo no presente caso os pressupostos agravantes que permitem a qualificação da multa acima indicada na legislação transcrita e voto por afastá-la totalmente. Pelo exposto fica reduzido o percentual da multa aplicada de 150% para 75% para as infrações da autuação. Feita essa análise, passo a analisar a questão da decadência. DECADÊNCIA O Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo recolhimento não demanda o prévio exame pela Autoridade Administrativa, o que se coaduna com o lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN. No caso em apreço, a Declaração de Ajuste Anual, considerada no lançamento foi entregue pelo contribuinte dentro do prazo, razão pela qual não há justificativa para que não se aplique o art. 150, § 40, conforme a seguir: 8 Processo n° 10707.001508/2006-25 S2-C1T2 Acórdão n. © 2102-00.464 Fl. 14 Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na decisão de primeira instância por não ter rebatido todos os pontos levantados em sua impugnação, eivando-a de nulidade. É certo que o contribuinte tem a prerrogativa de elaborar seu recurso na forma que entender adequada, em face de seu direito de ampla defesa, garantido inclusive na Constituição Federal de 1988. Todavia, é cediço no Superior Tribunal de Justiça, STJ (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271 /SP, julgado em 13/02/2007), que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestar-se sobre todas as alegações do recorrente, nem a ater-se aos fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, fato que ocorreu no presente caso, conforme adiante fundamentado. Esse entendimento também é majoritário nos Conselhos de Contribuintes, cite-se, como exemplo, o Acórdão No. 201-78.107, de 01/12/2004, que traz a seguinte ementa sobre a matéria. "NORMAS PROCESSUAIS NULIDADES DAS DECISÕES Descabe falar-se em nulidade da decisão, por falta de análise de todos os argumentos aduzidos, quando a motivação do julgador já afasta a argumentação em torno das demais questões trazido aos autos." De outro lado, alega que toda autuação deve ser anulada pela programação de 'períodos decaídos em busca do dolo. Na autuação, adotou-se o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. i Da análise dos autos, verifica-se que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização e com base nos documentos e provas trazidas aos autos fez-se o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5. 5, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Por uma questão de ordem, como a regra decadencial aplicável altera-se em função da qualificação da multa, passo a analisar esta questão inicialmente. Todas as infrações foram lançadas com multa qualificada de 150%, cujo fundamento encontramos no Termo de Verificação Fiscal té=.442, fls. 273/274. Em que pese o excelente trabalho de auditoria fiscal, desenvolvido pela autoridade autuante, diante dos fatos postos nos autos, entendo de forma diversa qued as1. - — . Processo n° 10707.001508/2006-25 S2,C1T2 Acórdão n.° 2102-00.464 EL /5 'Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4 0 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifei) Essa matéria vem sendo tratada pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), dessa forma: Ementa: DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano- calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRE/04- 00.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo). Assim, tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 01/12/2006 (fls. 281), conclui-se que, para os fatos . geradores do ano-calendário 2000, efetivamente o direito de o Fisco efetuar o lançamento foi alcançado pela decadência ocorrida em 31/12/2005, além do Ganho de Capital cuja decadência ocorreu em 30/06/2006. MÉRITO - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Acusa o contribuinte que a autoridade fiscal tenha aplicado critérios anuais na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, contrariando a legislação vigente. Verificando as planilhas e demais documentos que consubstanciaram essa infração, especialmente, as planilhas de fls. 275 a 279, concluímos que não se encontra essa falha. Afasto, portanto, essa, alegação. A APD ANO-CALENDÁRIO 2000 Dispêndios de RS 9.005,32, R$ 36.575,00 e R$ 15.000,00 e empréstimos de R$ 28.000,00 e R$ 5.000,00. Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. Destarte, inócua análise destes pontos pela falta de objeto. B APD ANO-CALENDÁRIO 2001 EMPRÉSTIMOS DE RS 30.000,00 9 _ Reclama o contribuinte que 2 valores de empréstimos de R$ 30.000,00, comprovados pelos documentos de fls. 326/327, não foram considerados como recursos no cálculo do acréscimo patrimonial. Realmente estes valores foram desconsiderados como fonte de recursos e a fiscalização para fundamentar essa posição diz, á tl. 269, que estes empréstimos não foram considerados, pois, não constavam da declaração de rendimentos ao final do ano e, tampouco, há provas das respectivas liquidações dessas dívidas. Nesse item, discordo da fiscalização. Às fis. 148 a 150, temos cópias dos cheques nominativos dos cedentes e do extrato do contribuinte, comprovando que ele recebeu esses 2 valores de R$ 30.000,00 em fevereiro de 2001 e entendo que estes fatos são suficientes para que sejam considerados como fonte de recursos no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto em fev de 2001 Dessa forma, aplicando estes recursos (R$ 60.000,00) na planilha da fiscalização de fl. 276, e levando-os até julho de 2001, concluímos que o acréscimo patrimonial a descoberto de julho de 2001, R$ 49.784,23, resta englobado por esse incremento de recurso. Destarte, deve ser cancelado o lançamento do acréscimo patrimonial a descoberto de julho de 2001. CONCLUSÃO Feitas todas as análises das matérias, objeto do presente Recurso, consolidamos abaixo o resultado do julgamento: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FISICAS Ano-calendário 2000: Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Ano-calendário 2000: Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. Ano-calendário 2001: Valor tributável cancelado. Não restou acréscimo a descoberto com a consideração das origens no valor de R$ 60.000,00. 003 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Ano-calendário 2001: Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. 004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Ano-calendário 2000: Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. Ano-calendário 2001: Valor mantido, com redução da multa de 150% para 75%. 005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO Ano-calendário 2000: Afastada a qualificação, o valor tributável foi alcançado pela decadência e deve ser cancelado. o Processo n° 10707.001508/2006-25 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.464 Fl. 16 Ano-calendário 2001: Valor mantido, com redução da multa de 150% para 75%. 006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI Ano-calendário 2001: Valor mantido, com redução da multa de 150% para 75%. Pelo exposto, considerando o alcance do Recurso, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, nas condições da Conclusão acima. ./171,7 RUBENS M — 010 CARVALHO - Relator II
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Numero do processo: 10280.901590/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/12/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.580
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 90 /2 01 3- 77 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.237. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10280.901590/201377 Acórdão n.º 3401005.580 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004415/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ. COMPETÊNCIA.
Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CNPJ DECLARADO INATIVO. APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS.
Havendo créditos das empresas declaradas inativas/extintas, é permitido descontar aquilo que foi recolhido e comprovado pela contribuinte, desde que estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizando-se o referido aproveitamento dos pagamentos realizados, sob pena de enriquecimento sem motivo da administração pública.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35-A, todos da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer (a.1) a matéria relativa à multa agravada, (a.2) a matéria relativa às verbas indenizatórias e (a.3) a questão envolvendo a declaração de inaptidão de sociedades, e, em relação à matéria conhecida, dar parcial provimento ao recurso para (b) reconhecer que deve a autoridade administrativa abater os valores que já foram pagos, referente aos meses de janeiro, setembro e outubro de 2007, das sociedades MJ e KP, conforme planilha às e-fls. 152 e 153 (recurso voluntário), desde que tais valores estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizando-se o referido aproveitamento dos pagamentos realizados, e (c) determinar a aplicação da Súmula CARF 119.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ. COMPETÊNCIA. Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CNPJ DECLARADO INATIVO. APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS. Havendo créditos das empresas declaradas inativas/extintas, é permitido descontar aquilo que foi recolhido e comprovado pela contribuinte, desde que estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizando-se o referido aproveitamento dos pagamentos realizados, sob pena de enriquecimento sem motivo da administração pública. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35-A, todos da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ. COMPETÊNCIA. Está nos limites de competência da Delegacia de Julgamento o exame de questões relacionadas à declaração de inaptidão do CNPJ. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CNPJ DECLARADO INATIVO. APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS. Havendo créditos das empresas declaradas inativas/extintas, é permitido descontar aquilo que foi recolhido e comprovado pela contribuinte, desde que estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizandose o referido aproveitamento dos pagamentos realizados, sob pena de enriquecimento sem motivo da administração pública. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 44 15 /2 00 9- 71 Fl. 169DF CARF MF 2 Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.com o novo art. 35 ou com o art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer (a.1) a matéria relativa à multa agravada, (a.2) a matéria relativa às verbas indenizatórias e (a.3) a questão envolvendo a declaração de inaptidão de sociedades, e, em relação à matéria conhecida, dar parcial provimento ao recurso para (b) reconhecer que deve a autoridade administrativa abater os valores que já foram pagos, referente aos meses de janeiro, setembro e outubro de 2007, das sociedades MJ e KP, conforme planilha às efls. 152 e 153 (recurso voluntário), desde que tais valores estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizandose o referido aproveitamento dos pagamentos realizados, e (c) determinar a aplicação da Súmula CARF 119. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela INDÚSTRIA DE BORRACHAS NSO LTDA, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (5ª Turma da DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 37 e seguintes do eprocesso), o Auto de Infração DEBCAD N°. 37.126.1694, foi lavrado para fins de constituição do crédito relativo ás contribuições devidas a outras entidades denominadas "Terceiros". Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10920.004415/200971 Acórdão n.º 2301005.612 S2C3T1 Fl. 3 3 O relatório do Acórdão recorrido (fls. 114, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "Tratase de lançamento (Auto de Infração de DEBCAD n° 37.126.1694) de contribuições devidas pela sociedade empresária Indústria de Borrachas NSO Ltda, relativas a competências compreendidas no período de 07/2005 a 09/2007. Conforme o relatório fiscal de fls. 36 a 43, foram lançadas “contribuições arrecadados pela Receita Federal do Brasil e destinadas aos fundos e entidades denominados Terceiros: FNDE (Salário Educação), INCRA, SEBRAE, SES1e SENAI”. A presente autuação, ainda de acordo com o citado relatório (fls. 36 a 43), é constituída por cinco levantamentos: a) “KP1 SEGURADOS EMPREGADOS KP”: Neste levantamento foram lançadas contribuições sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados registradas em folhas de pagamento geradas sob a razão social de “IND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA KP LTDA”, relativas ao período de 08/2005 a 01/2007; b) “KP3 SEGURADOS EMPREGADOS KP”: Neste levantamento foram lançadas contribuições sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados registradas em folhas de pagamento geradas sob a razão social de “IND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA KP LTDA”, relativas às competências 13/2006 e 09/2007; c) “MJI SEGURADOS EMPREGADOS MJ”: Neste levantamento foram lançadas contribuições sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados registradas em folhas de pagamento geradas sob a razão social de “IND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA MJ LTDA”, relativas a competências compreendidas no período de 07/2005 a 01/2007; d) “MJ3 SEGURADOS EMPREGADOS MJ”: Neste levantamento foram lançadas contribuições sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados registradas em folhas de pagamento geradas sob a razão social de “lND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA MJ LTDA”, relativas às competências 13/2006 e 09/2007; e) “NSO REMUNERAÇÃO EMPREGADOS NSO”: Neste levantamento foram lançadas contribuições sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados registradas em folhas de pagamento geradas sob a razão social da própria Autuada (Indústria de Borrachas NSO Ltda), relativas à competência 13/2006. A utilização de folhas de pagamento geradas sob a razão social de “IND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA KP LTDA” e de Fl. 171DF CARF MF 4 “IND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA MJ LTDA” na apuração das bases de cálculo utilizadas no presente lançamento, ocorreu, segundo a autoridade fiscal, devido aos seguintes motivos: 2. Os valores das contribuições previdenciárias, levantadas através do presente Auto de Infração, foram apurados lendo como base de cálculo remunerações de segurados empregados e administradores constantes das folhas de pagamentos geradas sob a razão social da Autuada e também daquelas geradas sob as razões sociais: “1ND. DE ARTEFAT OS DE BORRACHA KP LTDA " (CNPJ: 79.515.342/000102) E “1ND. DE ARTEFATOS DE BORRACHA M1 LTDA ” (CNPJ: 02.105.590/000142). Tal procedimento foi motivado pela constatação em ação fiscal anterior a esta (MPF Mandado de Procedimento Fiscal N°s. 0920200/2006/005477, 0920200/2006/005485, 0920200/2006/005493 e 0920200/2006/0055 0 7) que estas empresas não existem, de fato, e que todos os registros contábeis, comerciais, fiscais, tributários e demais operações realizadas sob estas razões sociais, na realidade, referemse à empresa INDUSTRIA DE BORRACHAS NSO LTDA. Esta situação foi demonstrada através de Representação Fiscal, resultante da referida ação fiscal, elaborada em 11/11/2006, cuja cópia juntamos ao presente relatório. A partir da informações constantes da Representação Fiscal foi declarada a inaptidão das inscrições no CNPJ das razões sociais Ind. de Artefatos de Borracha KP Ltda. e Ind de Artefatos de Borracha MJ Ltda., por inexistência de fato, através dos ATOS DECLARATÓRIOS EXECUT1VOS/DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOINVILLE N”s. 03 e 04, respectivamente, ambos de 27/02/2007, publicados no Diário Oficial da União em 28/02/2007 e, com efeitos a partir de 01/01/2002, cujas cópias juntamos ao presente relatório. (...) 4. A inexistência, de fato, das referidas empresas e a condição de que as mesmas são na realidade, a INDÚSTRIA DE BORRACHAS NSO LTDA. foi reconhecida pela Autuada que passou a incluir em suas folhas de pagamentos e GFIPGuia de Recolhimento do FGTS, a partir da competência setembro/2007, os segurados antes informados sob as citadas razões sociais. O valor lançado importa o montante de R$ 202.329,73 (duzentos e dois mil e trezentos e vinte e nove reais e setenta e três centavos), consolidado em 18/09/2009". Após seus argumentos em sede de impugnação não terem sidos acolhidos, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 130, e seguintes do eprocesso, aduzindo o seguinte: A impossibilidade de declaração de inaptidão do CNPJ das empresas KP e MJ por parte da então Secretaria da Receita Federal (através da sua delegacia em Joinville) em razão da falta de competência para tanto violação ao principio da legalidade. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10920.004415/200971 Acórdão n.º 2301005.612 S2C3T1 Fl. 4 5 Nulidade do processo administrativo que declarou a inaptidão das duas pessoas jurídicas por violação aos princípios da ampla defesa, devido processo legal, contraditório e a publicidade e, de conseqüência, inexistência de base fáticojurídica para os lançamentos das contribuições sociais A impossibilidade e de retroação dos efeitos da declaração de lnaptidão anteriores a março de 2007 violação ao principio da legalidade Os Lançamentos indevidos referentes as competências 01/09 e 10/2007, Referente As Empresas KP E MJ. Lançamento indevido referente à competência 13/2006 DA N.S.O (fato gerador próprio). Verbas sobre as quais não devem incidir a contribuição previdenciária a encargo do empregador (cota patronal) e que devem ser glosadas do lançamento. Nesse ponto a recorrente alega que seria uma tese sucessiva em relação aos itens anteriores argumentados por ela acima. Alega a não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre verbas pagas a título de auxílio doença, efetuado pelo empregador nos 15 primeiros dias do evento "ensejador" (sic) do acidente/doença, bem como a não incidência a partir de janeiro/2009 sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado, adicional noturno; terço constitucional de férias gozadas, e adicional de insalubridade. retroação da multa de mora de que trata o art. 35, da lei n° 8.212/91 com redação dada pela mp 449/08 e convertida na lei n° 11.941/09, em substituição a multa de mora do art. 35, II, da lei n° 8.212/91 com a redação revogada pelos instrumentos referidos. a falta de prova robusta para a aplicação da multa agravada. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Em seu recurso a recorrente apresenta pedido que não é objeto do presente processo, qual seja: falta de provas para aplicação da multa agravada. Contudo, essa matéria não foi objeto de lançamento, sendo lavrado somente por não ter recolhido o valor devido. Assim, não conheço da matéria recorrida. Portanto, passo a analisar as demais matérias aduzidas. DA NULIDADE ALEGADA Fl. 173DF CARF MF 6 Alega a Recorrente que existe nulidade devido ao cerceamento ao direito de defesa por terceiras empresas ter sido declaradas inaptas sem ter sido intimadas. Além disso, argumenta a recorrente que o art. da IN 42 da IN 568/2005, é inconstitucional, uma vez que autoriza a suspensão do CNPJ antecipadamente (sem intimação para defesa). No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Nesse sentido, conforme se constada do relatório fiscal (fl. 38), o procedimento adotado pela fiscalização teria ocorrido de forma regular, dos Atos Declaratórios Executivos/Delegacia da Receita Federal em Joinville n°s. 03 e 04, respectivamente, ambos de 27/02/2007, publicados no Diário Oficial da União em 28/02/2007 e, com efeitos a partir de 01/01/2002, cujas cópias juntamos ao presente relatório. Ainda, o art. 80, nos seus parágrafos §2º e §3°, que tiveram redação alterada pela Lei n° 11.941/2009, determinava a suspensão cautelar do CNPJ, e também autorizava a intimação do ato via DOU. Ademais, o CARF carece de competência para analisar ilegalidade ou constitucionalidade de lei, conforme dispõe o art. art. 26A, do Decreto o Decreto n° 70.235/1972, e da Súmula CARF n.º 02, assim transcritos: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A referida fundamentação também serve para todas as demais alegações de inconstitucionalidade alegada pela recorrente em seu recurso. DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DE CNPJ Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10920.004415/200971 Acórdão n.º 2301005.612 S2C3T1 Fl. 5 7 A recorrente realiza as mesmas argumentações de sua impugnação, referente à competência do Secretário da Receita Federal local para declaração de inaptidão de empresa considerada inexistente, em razão da falta de competência para tanto, a qual aduz que haveria violação ao principio da legalidade. Porém, mais uma vez sua pretensão não pode prosperar. Primeiro que, conforme Instrução Normativa RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) n° 568, de 08/09/2005, dispõe sobre o cadastro nacional da pessoa jurídica (CNPJ), aplicada à época dos fatos geradores, o Secretário possui competência para o referido ato, conforme transcrição abaixo: O SECRETÁRIOGERAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, "(...) resolve: (‹) Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: III inexistente de falo; Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa JURÍDICA que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada na endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante a CNPJ e seu preposto; _ III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; 0 IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos 1, 11 e quando caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Art. 42. 0 Delegado da DRF, da DERAT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (DEFIC) ou da DEINJ com jurisdição sobre o domicílio tributário da pessoa jun'dica, acatando a representação referida no parágrafo único do art. 41, suspendem' sua inscrição no CNPJ, intimandoa, por meio de edital publicado na DOU, a regularizar, no prazo de trinta dias, sua situação ou contrapor as razões da representação. Art. 43. Na falta de atendimento à intimação referida no art. 42, ou quando não acatadas as contraposições apresentadas, a Fl. 175DF CARF MF 8 inscrição no CNPJ será declarada inapta por meio de ADE do Delegado da DRF, da Derat, da Defic ou da Deinfi publicado no DOU, no qual serão indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ". Portanto, existe determinação administrativa para o ato do Secretário da Receita Federal. Segundo que, sobre a alegação de ilegalidade do ato, não compete a esse órgão julgador realizar o controle de ilegalidade ou inconstitucionalidade, diante do art. 26A, do Decreto o Decreto n° 70.235/1972, e da Súmula CARF n.º 02. DO APROVEITAMENTO DOS RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS DECLARADAS INAPTAS/INEXISTENTES Conforme se constada dos autos, existem valores recolhidos por empresas terceiras, e que se correlacionam aos fatos geradores da presente autuação, uma vez que no procedimento fiscal inclusive há informação de que esses recolhimentos poderiam ser recuperados por meio de restituição, conforme item 9 do REFISC, transcrito: "9. Não foram deduzidos do montante apurado os recolhimentos efetuados, indevidamente, sob as razões sociais das “empresas inexistentes de fato", cujos valores poderão ser objeto de pedido de restituição". Nesse sentido entendo que assiste razão a recorrente. A DRJ de origem se posicionou no sentido de não haver previsão legal para abater os créditos já pagos por essas empresas. Entretanto, na busca da verdade material no processo administrativo e para se evitar enriquecimento sem causa da administração pública, entendo ser possível realizar o "encontro de contas" das contribuições pagas pelas empresas inexistentes de fato. Ainda, tendo em vista que as empresas tiveram parciais recolhimentos e foram baixados seus CNPJs, entendo que essa possibilidade de retorno dos valores pagos por meio de restituição poderia causar problemas de procedimentos, pois como uma empresa "baixada" poderá realizar atos de empresa "ativa"? Entendo que nesse caso, a situação é peculiar e remonta uma interpretação específica para o pleito da recorrente, que guarda razão lógica de procedimento administrativo. Há informações na efl. 31, onde constam pagamentos. Assim, deve a autoridade administrativa "abater" os valores que já foram pagos, referente aos meses de janeiro, setembro e outubro de 2007, das empresas MJ e KP, conforme planilha descrita pela própria contribuinte fls. 152/153 (Recurso Voluntário), desde que estejam disponíveis e que não tenham sido objeto de pedido de compensação/ restituição, realizandose o referido aproveitamento dos pagamentos realizados. DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS Pede a recorrente o afastamento da incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre verbas pagas a título de auxílio doença, efetuado pelo empregador nos 15 primeiros dias do evento que ensejou o acidente/doença, bem como a não incidência a partir de Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10920.004415/200971 Acórdão n.º 2301005.612 S2C3T1 Fl. 6 9 janeiro/2009 sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado, adicional noturno; terço constitucional de férias gozadas, e adicional de insalubridade. Entretanto, não verifico dos autos o lançamento de tais verbas. Nesse sentido, caberia à autuada fazer prova de que foram cobradas as referidas verbas indenizatórias. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99, em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Assim, deveria ter sido apontado ao menos algum código de cobrança que a corrente entenderia indevido, para que pudesse ter sido feito o cotejo das possíveis verbas que não incidem contribuição previdenciária, segundo o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 1.230.957/RS. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF n.º 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a Fl. 177DF CARF MF 10 comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso, deixando de aprecia matérias que tratam sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade, por incompetência desse órgão julgador, bem como da multa agravada, verbas indenizatórias, e inaptidão de empresas, nos termos do presente voto, e no mérito dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o recolhimento das verbas previdenciárias das empresas declaradas inaptas ou inexistentes, em especial referente aos meses de janeiro, setembro e outubro de 2007, das empresas MJ e KP, conforme planilha descrita pela própria contribuinte (fls. 152/153), e desde que estejam disponíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001139/2006-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos não mencionados na autuação.
Numero da decisão: 2002-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para restabelecer apenas a despesa de R$ 9.550,00 com Raphael Serman.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente TRAUDI BAUER FISCHER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos não mencionados na autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 11 39 /2 00 6- 16 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 154 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para restabelecer apenas a despesa de R$ 9.550,00 com Raphael Serman. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 55/58), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.552,20 para saldo de imposto a pagar de R$6.692,89. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$33.618,53, consignando: a) Glosado R$100,00 por se referir, conforme recibos apresentados, a doação realizada para o Hospital Erasto Gaertner CNPJ n° 76.591.049/000128, não considerado como despesa médica. b) Glosado R$ 9.550,00 referente ao Sr. Raphael J. Serman, CPF n° 017.231.589 D 17, por não haver comprovado o efetivo pagamento; c) Glosado R$ 600,00 referente ao Sr. André Antônio Trentini, CPF n° 017.963.77970, por não haver comprovado o efetivo pagamento; d) Glosando R$ 10.060,00 referente ao Sr. Antônio Carlos de Sá, CPF n° 883.372.78900, por não haver comprovado o efetivo pagamento; e) Glosado R$ 9.850,00 referente a L. D. Martins S/C Ltda CNPJ n° 01.962.929/000164, por não haver comprovado o efetivo pagamento; f) Glosado R$ 3.408,53 referente a Unimed CNPJ n° 77.78.1.706/000162 por não haver comprovado o efetivo pagamento; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 155 3 g) Glosado R$ 50,00 referente ao Sr. Luciano Celinski, CPFn° 572.991.10920, por não haver comprovado o efetivo pagamento; Impugnação Cientificada à contribuinte em 12/7/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 7/8/2006, à fl. 2/47 dos autos, na qual a contribuinte indica os documentos juntados relativos a cada uma das despesas, defendendo que a prova se daria mediante recibos e notas fiscais. Requer a realização de diligências junto aos profissionais, caso a documentação juntada seja considerada insuficiente. Acrescenta que os pagamentos teriam sido feitos em espécie, indicando a juntada de extratos, que revelariam os saques efetuados. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 60/65): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa; DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovada parcialmente a despesa glosada admitese a dedução correspondente da base de cálculo na apuração do IRPF devido. O colegiado de primeira instância cancelou a glosa de despesas médicas do montante de R$4.068,53, informadas com Unimed Ponta Grossa (R$3.408,53), André Trentini (R$600,00) e Antonio Carlos de Sá (R$60,00). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 7/4/2009 (fl. 68), a contribuinte, em 5/5/2009 (fl.71), apresentou recurso voluntário, às fls. 71/113, no qual alega, em apertado resumo, que: teria apresentado declarações adicionais dos profissionais consultados que demonstrariam de forma irrefutável a prestação dos serviços e a realização dos pagamentos. teria juntado seus extratos bancários, de forma a demonstrar a existência de lastro financeiro, tendo acrescentado que os pagamentos se deram em espécie. a decisão de primeira instância seria contraditória, uma vez que teria acatado recibos sem endereço e teria mantido a glosa de outras despesas, apontando como justificativa para tal a ausência de endereço. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 156 4 a apresentação de cheque nominativo seria uma alternativa, não podendo ser imposta pelo Fisco. as orientações da RFB bem como a jurisprudência administrativa são no sentido de que a comprovação se dá mediante recibos. novos documentos juntados ao seu recurso sanariam as falhas apontadas na decisão recorrida. seus extratos consignariam saques suficientes a respaldar os pagamentos declarados. teria anexado radiografias demonstrando a realização da cirurgia. o tratamento anual teria tido um custo de R$20.060,00 e os saques realizados na sua contapoupança totalizariam R$20.059,80, conforme demonstrativo elaborado no seu recurso. em 15/3/2004, realizou três retiradas , no valor total de R$10.059,80, tendo sido emitidos pelo senhor Antonio Carlos de Sá os recibos nos valores de R$60,00 e de R$10.000,00. Posteriormente, o recibo de maio valor foi substituído pela nota fiscal emitida por LD Martins, no valor de R$9.850,00. Por ocasião da notificação, teria se dado conta do erro na apresentação do recibo de R$10.000,00. em 20/9/2004, realizou saques no montante de R$10.000,00, que teriam sido repassados a Raphael Serman e Antonio Trentini. Ao final, requer o restabelecimento da despesa informada com Raphael Serman (R$9.550,00) e com LD Martins (R$9.850,00). Em face da ocorrência de inexatidão material no acórdão exarado (fl.116), nova decisão foi proferida (fls. 117/123), para ajuste do cálculo do imposto suplementar. Cientificada da decisão em 1/6/2009 (fl.127), a contribuinte se manifestou em 30/6/2009, reiterando as razões já apresentadas (fls.129/146). Ressalta que seria indevida a exigência de saques coincidentes em datas e valores com as despesas efetuadas, uma vez que os saques teriam sido realizados para o pagamento de diversas despesas, além das discutidas nesses autos. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 157 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide As glosas remanescentes após a decisão do colegiado de primeira instância totalizam R$29.550,00. Nos recursos apresentados, a recorrente requer o restabelecimento dos valores declarados com o profissional Raphael Serman (R$9.550,00) e com a empresa LD Martins (R$9.850,00). Assim, cabe a este colegiado se manifestar somente sobre as despesas indicadas. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 158 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 159 7 termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento a interessada não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 160 8 Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Quanto às alegadas contradições existentes na decisão de piso, esclareçase que, a teor do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, o julgador formará livremente sua convicção. Vejase que as despesas restabelecidas com profissionais médicos na decisão de piso somam R$660,00, enquanto que as duas despesas reclamadas pela recorrente em seu recurso totalizam R$19.400,00. Os gastos com Raphael Serman e com a empresa LD Martins S/C Ltda foram glosados na autuação, uma vez que a contribuinte não apresentou provas quanto ao seu efetivo pagamento (fl.56). Acerca dessas despesas, o colegiado de primeira instância consignou: Com relação aos recibos emitidos pelo profissional Raphael J. Serman, CPF 017.231.58917, fl.33 a 36, constatase que nesses não constam o endereço do profissional que prestou os serviços (inciso III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250/1995, e art. 46 da IN SRF n° 1.5/2001). A Declaração juntada em defesa, também, não contempla todas as especificações e indicações exigidas nos incisos II e III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, eis que não traz o endereço. Mantémse a glosa. ... Na mesma fl.37, a contribuinte juntou a nota fiscal de prestação de serviço emitida pela empresa L.D. Martins S/C Ltda, CNPJ 01.962.929/000164, no valor de R$9.850,00, pago em espécie (segundo afirma) e referente a serviços odontológicos. Aqui, não conseguiu a comprovação do efetivo desembolso, pois nos diversos extratos bancários (conta de poupança e conta consolidada) juntados aos autos (fl.26 a 30), os saques realizados não coincidem com o valor indicado na referida nota fiscal. Na tentativa de comprovar tais despesas médicas, junta (em defesa) as Declarações de fl. 38 e 40. Igualmente, não obteve êxito, observese que essas foram firmadas por Antônio Carlos Domingues de Sá, CRO 10065, que diz ser sócio da empresa L.D.Martins S/C Ltda, entretanto, não consta no processo Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 161 9 nenhuma prova que ateste tal representação legal. Mais uma razão para a não aceitação da dedução efetuada. Assim, deve ser mantida a glosa. (destaques acrescidos) Quanto às despesas com Raphael Serman, a decisão de piso apontou como justificativa para manutenção da glosa a falta de endereço do profissional nos documentos emitidos, exigência que não constou da autuação. Agindo dessa forma, entendo que a contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, ainda que, em fase de recurso, tenha sanado a falha apontada mediante juntada de documentos de fl.93. Nesse sentido, seguem decisões deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. (Acórdão nº2202004.103, de 9/8/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. (Acórdão nº 2402005.705, de 15/3/2017) Por outro lado, quanto à comprovação do efetivo pagamento, justificativa para essa glosa, a decisão de piso não fez nenhuma ressalva, sendo de se concluir que considerou suficientes as provas apresentadas. Pensar de outra forma seria impingir à contribuinte novo cerceamento do seu direito de defesa. Dessa forma, deve ser restabelecida a despesa informada com Raphael Serman, no valor de R$9.550,00. Quanto à despesa com LD Martins S/C Ltda, a glosa se deu por falta de comprovação do efetivo pagamento. Em sua impugnação, a contribuinte juntou nota fiscal (fl.41) e declarações emitidas por Antonio de Sá (fls.42/44), além de extratos bancários (fls.29/34) Conforme trecho acima reproduzido, o colegiado de primeira instância entendeu que não restou comprovado o efetivo pagamento, consignando que os extratos Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10940.001139/200616 Acórdão n.º 2002000.599 S2C0T2 Fl. 162 10 juntados não consignam saque em valor coincidente com a nota fiscal, acrescentando que não restou comprovada a relação do profissional Antonio de Sá com a referida empresa. Como exposto neste voto, a exigência do efetivo pagamento está respaldada na legislação de regência, sendo ônus do contribuinte apresentar provas hábeis a esse fim. Nesse sentido, a disponibilidade financeira não se revela suficiente a esse fim, sendo necessário estabelecer uma relação entre o numerário disponível e os gastos realizados. No seu recurso, a recorrente junta nova declaração emitida pelo senhor Antonio de Sá (fl. 94), documentos que comprovam a relação desse profissional com a empresa LD Martins S/C Ltda (fls. 101/113) e extratos bancários (fls. 97/98). A nota fiscal, no valor de R$9.850,00, foi emitida em 20/9/2004 (fl.41) e, no extrato juntado à fl.98, constam dois saques nessa data: de R$6.252,09 e R$3.747,91, perfazendo o montante de R$10.000,00. Registro que, nesse data, também foi emitido o recibo do médico anestesista, já acatado na decisão recorrida, sendo mais uma evidência de que o serviço foi prestado. Dessa feita, entendo que os documentos juntados fazem a prova do efetivo pagamento dessa despesa, cabendo o seu restabelecimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$19.400,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007374/2007-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS.
O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, não lhe sendo aplicável a Súmula CARF nº 91. São dois institutos completamente distintos, pois o direito à restituição é decorrência do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN, e o ressarcimento tem que estar previsto em lei. Este último constitui-se em dívida passiva da União, sujeitando-se ao prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 1º do Decreto-lei nº 20.910/32 / Parecer Normativo CST nº 515/71, e pacificado na jurisprudência do STJ (REsp nº 48.667/DF).
INSUMOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO. INEXISTÊNCIA. RECONHECIMENTO EM AÇÃO JUDICIAL. RESPEITO À COISA JULGADA.
Não há direito ao crédito na aquisição de produtos não tributados pelo IPI, por ausência de previsão legal e jurisprudência do STF (RE nº 370.682-9/SC). Havendo, no entanto decisão judicial transitada em julgado em favor da autora, há que se respeitá-la.
Numero da decisão: 9303-007.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o creditamento sobre insumos não tributados pelo IPI, por força de ação judicial, mas respeitado o prazo prescricional de 05 (cinco) anos da interposição do Mandado de Segurança.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAINÉIS E SERRADOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, não lhe sendo aplicável a Súmula CARF nº 91. São dois institutos completamente distintos, pois o direito à restituição é decorrência do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN, e o ressarcimento tem que estar previsto em lei. Este último constituise em dívida passiva da União, sujeitandose ao prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 1º do Decretolei nº 20.910/32 / Parecer Normativo CST nº 515/71, e pacificado na jurisprudência do STJ (REsp nº 48.667/DF). INSUMOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO. INEXISTÊNCIA. RECONHECIMENTO EM AÇÃO JUDICIAL. RESPEITO À COISA JULGADA. Não há direito ao crédito na aquisição de produtos não tributados pelo IPI, por ausência de previsão legal e jurisprudência do STF (RE nº 370.682 9/SC). Havendo, no entanto decisão judicial transitada em julgado em favor da autora, há que se respeitála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o creditamento sobre insumos não tributados pelo IPI, por força de ação judicial, mas respeitado o prazo prescricional de 05 (cinco) anos da interposição do Mandado de Segurança. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 74 /2 00 7- 06 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10980.007374/200706 Acórdão n.º 9303007.734 CSRFT3 Fl. 799 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 711 a 729), contra o Acórdão 3201002.062, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 603 a 625), sob a seguinte ementa: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 PRELIMINARES DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A empresa tem direito ao reconhecimento do crédito do IPI decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, de acordo com decisão judicial, ainda que extra petita, posto que transitada em julgado, estando válida, vigente e eficaz. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS/CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. Deve ser efetuada a atualização monetária dos créditos que têm direito, posto que deferida pela sentença do TRF da 4ª Região, Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10980.007374/200706 Acórdão n.º 9303007.734 CSRFT3 Fl. 800 3 aplicandose os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho de Justiça Federal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de oficio, a aplicação da multa de 75 %, em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora, com base na taxa Selic. MULTA CONFISCATÓRIA Aplicase Súmula CARF de n° 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC Aplicase Súmula CARF de n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário a que se dá Provimento em Parte. A PGFN inicialmente interpôs Embargos de Declaração (fls. 627 e 628), que foram rejeitados (fls. 637 a 642). Tudo gira em torno do Mandado de Segurança nº 98.0020963/PR, interposto em 22/09/1998 (fls. 132 a 149), pedindo que fosse concedida medida liminar que assegurasse “o direito de se creditar do IPI em relação às aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas a alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações ... (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), ... pretéritas e futuras, aquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária”. A segurança foi denegada (fls. 152), e a autora interpôs Recurso de Apelação ao TRF da 4ª Região, obtendo decisão favorável, transitada em julgado, com a seguinte ementa (fls. 155): IPI. CREDITAMENTO. MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10980.007374/200706 Acórdão n.º 9303007.734 CSRFT3 Fl. 801 4 duas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade, evitando o fenômeno da superposição tributária. (TRF4, AMS 1999.04.01.1049360/PR, PRIMEIRA TURMA, Relator AMIR JOSÉ FINOCCHIARO SARTI, DJ 17/05/2000) No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 779 a 783), o contribuinte requer que lhe seja reconhecido o direito ao crédito de IPI (i) nas operações de aquisição de insumos do período correspondente a dez anos anteriores à data do protocolo do Mandado de Segurança e (ii) relativo aos insumos não tributados. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 785 a 795), defendendo que (i) a aquisição de insumos não tributados não gera direito a crédito e (ii) na petição inicial, a recorrente teria solicitado o direito em relação aos créditos não alcançados pela prescrição qüinqüenal e, “Portanto, não requereu que lhe fosse reconhecido direito algum além dos cinco anos. Desse modo, acolhido o pedido inicial pela decisão judicial final, o direito de aproveitamento de créditos do IPI fica sujeito ao prazo prescricional de cinco anos, conforme disposição do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 515/71”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, considerando que a esta instância julgadora cabe tãosomente dirimir as divergências que lhe foram trazidas à apreciação, as discussões cingemse aos seguintes pontos (tudo considerando que a ação judicial transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte): Se o prazo prescricional para aproveitamento dos créditos seria de cinco ou de dez anos da impetração do Mandado de Segurança; Se, no caso concreto, haveria direito ao crédito, “como se devido fosse”, na aquisição de insumos nãotributados pelo IPI, pela alíquota de saída dos produtos com eles fabricados. Segmentemos os tópicos: 1) Prazo prescricional para aproveitamento dos créditos Procura o contribuinte direcionar a discussão para a restituição de pagamento indevido a maior, suscitando inclusive a existência de Súmula do CARF a respeito: Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10980.007374/200706 Acórdão n.º 9303007.734 CSRFT3 Fl. 802 5 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como o Mandado de Segurança foi impetrado em 1998, nem caberia discussão a respeito. Não é o caso. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos: o direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN; o ressarcimento tem que estar previsto em lei. Como bem citado pela PGFN em suas Contrarrazões, para fins de ressarcimento de créditos do IPI, aplicase o art. 1º do Decreto nº 20.910/32, pois se trata de dívida passiva da União: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. O Parecer Normativo CST nº 515/71 consigna este entendimento: Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida passiva da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamálo, a norma específica do art. 1º do Decreto n.º 20.910, de 06/01/32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico do art. 6º do mesmo diploma. E é pacífica a jurisprudência do STJ, no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CRÉDITOPRÊMIO (IPI). PRESCRIÇÃO. CTN, artigos 173 e 174. Decreto nº 20.910/32. CPC, artigo 219, § 1º. 1. Os créditos fiscais decorrentes do créditoprêmio do IPI são albergados pela prescrição das parcelas anteriores ao prazo qüinqüenal, no caso, verificado a partir da data do ajuizamento da ação. (...) (REsp 48.667/DF, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 17/03/1997) 2) Crédito, “como se devido fosse”, na aquisição de insumos não tributados pelo IPI: Está discussão está mais que superada no STF: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10980.007374/200706 Acórdão n.º 9303007.734 CSRFT3 Fl. 803 6 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (RE nº 370.6829/SC, Rel. para o Acórdão Min. Gilmar Mendes, Dje 19/12/2007) Ocorre aqui, no entanto, que estamos tratando de uma ação transitada em julgado, e a ementa do Acórdão do TRF4 na Apelação no Mandado de Segurança, apesar de não falar especificamente em insumos “não tributados” no seu corpo, os cita na “caixa alta”, e eles também constam expressamente da Petição Inicial. Assim, não vejo como afastálos do escopo da medida judicial. E, quanto à discussão “matériaprima x insumos”, a citada ementa do TRF4 não faz restrição, utilizandose do termo insumos, que, conforme é consabido, contempla as matériasprimas, os produtos intermediários, e os materiais de embalagem. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o creditamento sobre insumos não tributados pelo IPI, por força de ação judicial, mas respeitado o prazo prescricional de 05 (cinco) anos da interposição do Mandado de Segurança. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 803DF CARF MF
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