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Numero do processo: 13656.721445/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação da infração cometida pelo agente fiscal.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Os atos praticados pelo contribuinte perfizeram os requisitos formais exigidos pela legislação, não restando caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte e, portanto, aplica-se as disposições do art. 150, §4° do CTN, inciando-se o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário, a partir da ocorrência do fato gerador.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas conseqüências fiscais.
AGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGITIMIDADE. A criação da empresa veículo teve como objetivo o aproveitamento do ágio no Brasil, fazendo-se necessário um aumento de capital para receber as ações oriundas da conferência ocorrida no exterior para que então ocorresse a sua incorporação. Patente, portanto, a artificialidade da operação que teve como intuito a alocação do ágio gerado sem a participação de terceiro, visando exclusivamente a redução da tributação.
ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE LEGITIMIDADE E INTERESSE DE AGIR. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
A recorrente não possui legitimidade e interesse de agir para questionar a atribuição da responsabilidade tributária solidária efetuada pelo Fisco às pessoas físicas e jurídica relacionadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária e que ainda não foram cientificadas do acórdão de impugnação. A matéria relativa à responsabilidade tributária constante do recurso voluntário da contribuinte não deve ser conhecida.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1301-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Roberto Silva Junior; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o ano-calendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que negavam provimento. No que se refere à exigência atinente à amortização de ágio, a decisão foi unânime no sentido de negar provimento, sendo que os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o relator pelas conclusões. No que se refere à exigência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, ficando vencidos, nessa parte, os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Não restou comprovada nos autos a ausência de fundamentação ou motivação da infração cometida pelo agente fiscal. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Os atos praticados pelo contribuinte perfizeram os requisitos formais exigidos pela legislação, não restando caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte e, portanto, aplicase as disposições do art. 150, §4° do CTN, inciandose o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário, a partir da ocorrência do fato gerador. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas conseqüências fiscais. AGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGITIMIDADE. A criação da empresa veículo teve como objetivo o aproveitamento do ágio no Brasil, fazendose necessário um aumento de capital para receber as ações oriundas da conferência ocorrida no exterior para que então ocorresse a sua incorporação. Patente, portanto, a artificialidade da operação que teve como intuito a alocação do ágio gerado sem a participação de terceiro, visando exclusivamente a redução da tributação. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 14 45 /2 01 3- 97 Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 3.996 2 aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. FALTA DE LEGITIMIDADE E INTERESSE DE AGIR. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A recorrente não possui legitimidade e interesse de agir para questionar a atribuição da responsabilidade tributária solidária efetuada pelo Fisco às pessoas físicas e jurídica relacionadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária e que ainda não foram cientificadas do acórdão de impugnação. A matéria relativa à responsabilidade tributária constante do recurso voluntário da contribuinte não deve ser conhecida. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Roberto Silva Junior; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que negavam provimento. 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O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 32093222) exige o recolhimento de R$ 39.331.240,08 de imposto, R$ 58.996.860,12 a título de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 22.458.138,09 de juros de mora, além de 44.577.058,75 de multa de ofício exigida isoladamente. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: 3.1. glosa do encargo com amortização indevida de ágio interno, escriturada na conta 23050000.0000 – Amortização Ágio e declarada nas linhas 20 ou 21 da Ficha 05A das DIPJ’s 2008, 2009 e 2010, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 01 (fls. 32033204), com infração ao disposto nos arts. 3º e 13, III, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 249, I, 251, 299, 324, § 2º, 325, 385 e 386 do RIR de 1999: . anocalendário de 2007 ............................................. R$ 310.317.059,76 . anocalendário de 2008 ............................................. R$ 310.317.059,76 . anocalendário de 2009 ............................................. R$ 155.158.529,88 3.2. multa de ofício isolada sobre a diferença de estimativa de IRPJ calculada sobre o encargo com amortização do ágio interno, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 02 (fls. 32053207), com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999, art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007): . 31/01/2007................................................................. R$ 1.490.033,48 . 28/02/2007................................................................. R$ 2.204.754,17 . 31/03/2007................................................................. R$ 2.178.002,17 . 30/04/2007................................................................. R$ 2.091.595,56 . 31/05/2007................................................................. R$ 2.996.266,08 . 30/06/2007................................................................. R$ 4.851.389,24 Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 3.998 4 . 31/07/2007................................................................. R$ 4.047.835,76 . 31/08/2007................................................................. R$ 4.316.541,82 . 31/01/2008................................................................. R$ 2.267.787,88 . 29/02/2008................................................................. R$ 3.582.121,35 . 31/03/2008................................................................. R$ 1.368.619,54 . 30/04/2008................................................................. R$ 8.677.749,21 . 31/05/2008................................................................. R$ 4.504.362,49 Auto de infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 32233236) exige o recolhimento de R$ 19.549.974,76 de contribuição, R$ 29.324.962,14 a título de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 11.163.035,59 de juros de mora, além de R$ 10.565.540,68 de multa exigida isoladamente. 5. O lançamento decorre das mesmas infrações que deram causa ao lançamento de IRPJ, com infração ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações introduzidas pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995), art. 2º e 9º da Lei nº 9.249, de 1995 (com as alterações dos arts. 78 e 88 da Lei nº 9.430, de 1996), art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Relatório de Auditoria Fiscal 6. A glosa dos encargos com amortização do ágio interno foi assim justificada no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202): “II. Conclusão Por todo exposto, concluímos que é descabida essa amortização de ágio interno, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos acionistas com eles mesmos, haja vista a ausência de substancia econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. Por conseguinte, efetuamos a glosa dos valores amortizados indevidamente pela fiscalizada nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, da forma que será detalhada a partir desse ponto. 1. Glosa de valores não amortizáveis Como foram diversas as razões da glosa explicitadas ao longo do relatório acima, elas serão resumidas a seguir. 1.1 Da inexistência de ágio a ser amortizado Não houve formação de ágio legítimo, seja na integralização do capital da RSAM pelo grupo ALCOA, ou na operação com grupo Camargo Corrêa. No Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 3.999 5 primeiro caso não houve ágio pago, apenas o aumento de capital da empresa de passagem com as ações majoradas da fiscalizada, gerando o ágio a partir dessa diferença. Na operação entre os grupos Camargo Corrêa e ALCOA também não houve ágio pago, no sentido estabelecido pela legislação, qual seja, aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. Esses grupos econômicos não podem ser considerados partes independentes, pois eram parceiros na exploração das atividades da fiscalizada e continuaram sendo após a permuta de ações, quando o grupo Camargo Corrêa recebeu ações da ALCOA IN e, ainda, essa operação teve por objeto apenas 40% das ações da fiscalizada. Portanto, o suposto ágio registrado na contabilidade da fiscalizada e indevidamente aproveitado na apuração do Lucro Real, tratase de ágio interno, riqueza gerada a partir da transação dos acionistas com eles mesmo. 1.2 Da ausência de fundamentação econômica A fiscalizada informou que o fundamento econômico do ágio era a expectativa de rentabilidade futura e que o documento comprobatório para sua contabilização era o Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira elaborado pela Deloitte, em 30/12/2003, com data de valoração das ações em 30/11/2003. Essa exigência de avaliação por empresa especializada existe para dar suporte ao ágio efetivamente pago, quando o fundamento para o pagamento do ágio seja a expectativa de rentabilidade futura. Embora a fiscalizada tenha se esforçado para tentar demonstrar o enquadramento nesse dispositivo, como não houve pagamento por esse ágio, não se pode cogitar que este suposto dispêndio tenha fundamentação econômica. Mesmo se considerarmos a operação entre os grupos Camargo Corrêa e ALCOA, com data de 01/08/2003. Devemos lembrar que o comprovante da formação do ágio era o relatório da Deloitte, com validade a contar de dezembro/2003. Portanto, esse relatório não teria o condão de retroagir para servir de suporte a qualquer suposto ágio gerando naquela operação. 1.3 Da utilização de empresa veículo A RSAM PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 06.027.762/000168, conforme demonstrado nos fatos narrados acima, não foi criada com a finalidade de atuar no mercado investindo em outras pessoas jurídicas, esse era apenas o objetivo formalmente estabelecido nos atos constitutivos. Sua real vocação, como foi comprovado pela fiscalização, era servir de instrumento para possibilitar através da incorporação reversa a amortização pela fiscalizada de seu próprio ágio. Tratase, portanto, de uma empresa veículo ou de passagem, cuja criação e extinção não atendia a uma finalidade negocial ou econômica, apenas visava servir de instrumento para a consecução de um planejamento tributário indevido perpetrado pelo grupo ALCOA. 1.4 Da não caracterização de despesa dedutível A contabilização do ágio interno não é aceita pelas normas contábeis, uma vez que ofende os princípios basilares da contabilidade, como já foi dito. Assim, se não é aceito contabilmente, não pode ser aceito tributariamente. Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.000 6 A rigor, a amortização de ágio interno deve ser considerada pelo fisco como uma despesa inexistente, por que não observa as disposições das leis comerciais, não havendo condições para sua contabilização, o que implica que tributariamente não pode ser considerada na apuração dos tributos. Ainda que se considere esse dispêndio como possível de ser contabilizado, não se pode discutir, a luz da legislação tributária, a sua indedutibilidade, nos termos dos art. 247, 299 do RIR/99. Dessa forma, para apuração do Lucro Real nos períodos mencionados, esses valores indevidamente amortizados foram adicionados ao lucro líquido apurado pela fiscalizada, conforme determina o art. 249 do RIR/99.” Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária 7. Às fls. 31773181, o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, em 12/12/2013, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em nome dos seguintes responsáveis tributários: . Alcoa Inversiones España S.L. (CNPJ nº 05.808.206/000166), cuja razão social anterior era Alcoa Transformación S.L.: controladora da Alcoa Alumínio por ocasião da apuração do ágio interno de R$ 1.551.585.298,70 constituído sobre o patrimônio líquido da interessada, na integralização do aumento do capital da empresa veículo RSAM Participações Ltda., em 31/12/2003, mediante entrega de 6.002.851 ações ordinárias e 724 ações preferenciais da contribuinte; o valor desse ágio acabou integrando o acervo vertido para a interessada por ocasião da incorporação reversa ocorrida em 23/07/2004, quando passou a ser amortizado à razão de 1/60 ao mês; Eduardo Sampaio Dória (CPF nº 149.048.60896): representante da Alcoa Inversiones España S.L., Alcoa Brazil Holdings Company e Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32433244 e 32533254); . Carlos Eduardo Mahfuz (CPF nº 029.768.28814): representante da Alcoa Brasil Holdings Company, Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda., Alcoa Inversiones España S.L. e Companhia Geral de Minas; também foi diretor da fiscalizada (até 2005) e da RSAM Participações Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32513252); . João Luiz Serafim da Silva (CPF nº 002.619.82826): representante da Alcoa Luxembourg S.A.R.L., diretor da interessada e membro do Conselho de Administração da interessada; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32473248); . Marcelo de Arruda Barros Rangel (CPF nº 063.855.03860): representante da Alcoa Transformación e Companhia Geral de Minas e diretor da RSAM Participações; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32493250) ; . Adjarma Azevedo (CPF nº 047.186.07868): presidente da fiscalizada em 2003 e membro do seu Conselho de Administração de 2002 a 2004, tendo sido nomeado para compor o Conselho Consultivo da companhia em 14/04/2004; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32453246); . Josmar Verillo (CPF nº 392.513.30891): presidente da fiscalizada em 2003 e 2004 e membro do seu Conselho de Administração; é representante da Companhia Geral de Minas na administração da RSAM Participações; Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.001 7 . Franklin Lee Feder (CPF nº 668.181.50810): presidente da fiscalizada desde janeiro/2005; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32413242). 8. A atribuição de responsabilidade tributária solidária foi assim justificada pela autoridade fiscal: “De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal ficou comprovada a existência de um planejamento tributário indevido, por parte do grupo ALCOA, utilizando algumas PJ para criação e amortização de um ágio ilegal. Houve a demonstração de que essas pessoas, vinculadas ao grupo ALCOA, se reuniram em conluio para a prática das referidas infrações tributárias. As decisões do grupo ALCOA foram manifestadas mediante representantes, procuradores e também dos diretores das pessoas jurídicas brasileiras. Essas pessoas físicas é que conceberam e executaram o planejamento tributário indevido, provavelmente receberam muito bem por isso. Podemos ver nas cópias das atas de reunião dos acionistas, da diretoria e nas alterações dos atos constitutivos, que sempre houve unanimidade nas decisões lavradas naqueles instrumentos que estão assinados por todos. Ou seja, não há qualquer voto divergente, seja na reunião da diretoria ou do conselho de administração, demonstrando que continuamente houve assentimento de todos nos atos praticados. É obrigação legal da fiscalização, ao lavrar um auto de infração, efetuar a correta identificação do sujeito passivo que será o contribuinte, como também daqueles que por expressa disposição legal sejam considerados responsáveis pelos fatos constatados. A diretoria constitui o órgão executivo de uma SA. Compete à diretoria a representação da sociedade e a prática de todos os atos necessários ao funcionamento regular dos negócios empresariais da companhia, observando as orientações do Conselho de Administração e dos acionistas. O mesmo ocorre em relação às sociedades LTDA, obedecendose os respectivos contratos sociais. Da mesma forma, os representantes do grupo ALCOA internacional também atuaram na concepção e execução do esquema, que sabiam indevido e ilegal. Essas pessoas além de participarem da articulação da operação, praticaram os atos societários e comerciais necessários para sua execução, desde a geração do ágio indevido, como do seu aproveitamento igualmente ilegal. Como gestores executivos, tiveram o pleno domínio de todos os fatos necessários para que esse benefício indevido fosse aproveitado pela fiscalizada, com os decorrentes efeitos tributários de redução ilegal do IRPJ e CSLL. Portanto, ficou demonstrado que há nexo de causalidade entre a participação dos diretores e representantes e a geração e aproveitamento desse ágio ilegal, que levou ao grave prejuízo para os cofres públicos que foi descrito no Relatório de Auditoria Fiscal. Dessa forma, ao autuarmos o contribuinte ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ 23.637.697/000101, atribuímos a responsabilidade solidária passiva pelo crédito tributário devido, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, porquanto Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.002 8 realizaram, em nome das pessoas jurídicas envolvidas, todos os atos que possibilitaram a amortização do ágio indevido, conforme descrito no relatório.” Impugnação aos lançamentos de IRPJ e CSLL 9. Regularmente intimada pessoalmente em 20/12/2013 (fls. 3210 e 3224) e por edital afixado em 31/01/2014 e desafixado em 15/02/2014 (fl. 3580), a interessada, por intermédio de seus representantes legais (mandatos às fls. 33723374), apresentou, em 04/01/2013, a tempestiva impugnação de fls. 32623370, instruída com os documentos de fls. 33713498 e 35863645. 10. No tópico “Fatos envolvidos nos Autos de Infração” a impugnante relata que o ágio cuja amortização foi glosada pela autoridade fiscal decorre dos seguintes fatos: . o capital social da impugnante era detido pelo grupo Alcoa, através da Alcoa Brazil Holdings Company (59,01% das ações), e por duas empresas do grupo Camargo Corrêa, a Allpar S.A.R.L e a Trelawney Inc. (40,88% das ações), havendo ainda aproximadamente quinhentos acionistas minoritários; . em 01/08/2003 a Alcoa Luxembourg S.A.R.L. adquiriu 14.929.774 ações da Alcoa Inc., que é a companhia principal do grupo, sediada nos EUA e cujas ações são negociadas em bolsa, por US$ 344.400.027,00; . em 01/08/2003 a Alcoa Luxembourg S.A.R.L. adquiriu as ações da impugnante que pertenciam a Allpar S.A.R.L e a Trelawney Inc., dandose a aquisição através de permuta com as ações da Alcoa Inc. adquiridas naquela data; . em 06/10/2003 as ações adquiridas na permuta pela Alcoa Luxembourg S.A.R.L. foram vendidas para sua subsidiária integral Alcoa Transformación S.L., atualmente denominada Alcoa Inversiones España S.L., por 319.975.031,00 EUR, valor correspondente ao custo da sua aquisição (US$ 344.400.027,00); . as ações da impugnante, que pertenciam à Alcoa Brazil Holdings Company, foram adquiridas pela Alcoa International Holding Company em 13/11/2003 através de incorporação daquela, sendo que em 17/11.2003 a Alcoa International Holding Company conferiu essas ações em aumento de capital da Alcoa Luxembourg S.A.R.L, sua subsidiária integral, a qual em 18/11/2003 as vendeu para a Alcoa Inversiones España ao mesmo valor unitário da aquisição das ações das empresas Camargo Corrêa (460.709.000,00 EUR); . para o reflexo, no Brasil, desses atos no âmbito externo, já no mesmo mês de novembro/2003 foi constituída a RSAM Participações Ltda., cujas quotas iniciais foram adquiridas de seus fundadores pela Alcoa Inversiones España, e para a qual em dezembro foram conferidas as ações da impugnante, recém adquiridas pela pessoa jurídica espanhola; . o valor do aumento de capital da RSAM correspondeu ao valor de aquisição das ações permutadas com as empresas Camargo Corrêa, e utilizado nas sucessivas transferências para a Alcoa Luxembourg e a Alcoa Inversiones España, cujo valor também serviu de base para a transferência das ações da Alcoa Brazil Holdings para Alcoa Inversiones España; . nesse ato de conferência, surgiu o ágio do investimento da RSAM na impugnante, o qual, atendendo aos art. 7º e 8º da Lei nº 9532, passou a ser amortizado pela impugnante a partir da incorporação da RSAM em julho/2004. Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.003 9 11. Também argui as preliminares de nulidade e decadência e aponta incongruências e equívocos do procedimento fiscal: a) no tópico “Nulidade do procedimento fiscal” argui que auto de infração não poderia ter sido lavrado em face de abranger fatos ocorridos no anocalendário de 2007, período objeto de fiscalização anterior ocorrida em 2009, em cujo curso a amortização do ágio originado na RSAM foi examinada; que jamais se poderia atribuir ao MPF a condição de ordem escrita para segundo exame, prevista no art. 906 do RIR de 1999, pois: (i) tem finalidade de planejamento e controle administrativo dos procedimentos fiscais, além de servir para informação dos contribuintes; (ii) a ordem escrita para um segundo exame precisa ser devidamente motivada; (iii) o MPF autorizou inicialmente a fiscalização do PIS e da Cofins de abril/2008 a dezembro/2009, tendo sofrido alteração para incluir o IRPJ do ano calendário de 2008; também alega nulidade em decorrência da impossibilidade de conferir os cálculos que acarretaram os lançamentos de IRPJ, CSLL e multa isolada, pois não recebeu as planilhas dos cálculos e nem as conseguiu na repartição fiscal no prazo para a impugnação; b) no tópico “Incongruências e equívocos do procedimento fiscal” afirma que o RAF que acompanha os autos de infração contém incongruências e equívocos de tal monta que revelam não apenas a sua improcedência, mas também um preconcebido espírito de autuar e de acusar a prática dolosa de atos lesivos ao erário público; o fiscal não demonstrou que a avaliação da Deloitte estaria errada, ou que o valor do capital subscrito seria outro, o que somente poderia fazer se trouxesse dados probatórios de inveracidade e procedido de acordo com o art. 148 do CTN; que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9532 nada dispõem acerca da forma de comprovação dos ágios ou deságios e os Pareceres Normativos CST nºs 78 e 107/78 e a IN SRF nº 11/96, que trataram do MEP, não estabeleceram qualquer requisito formal sobre o assunto; o RIR de 1999 restringiuse a tratar do MEP nos art. 384 e seguintes, nos exatos termos do Decretolei nº 1598 e das disposições legais pertinentes; c) a lei determinou que o ágio deve ser comprovado pelo contribuinte através da “demonstração” preconizada pelo art. 20 do Decretolei nº 1598, cuja forma e cujo conteúdo não têm regulamentação legal; como o fundamento do ágio ou deságio depende fundamentalmente da motivação da pessoa adquirente do investimento, a lei não requer uma específica forma de prova além da “demonstração”, inexistindo requisito no sentido de que a prova documental não possa ser feita pela própria pessoa sem o concurso de terceiros; a razão (fundamento do ágio ou deságio) está exclusivamente na vontade do adquirente, porque é motivo seu e não condição do ato ou negócio jurídico; com base no art. 148 o fisco pode questionar os efeitos fiscais que vierem a ser gerados pelo ágio ou deságio, o que necessariamente passará pela comprovação da acuidade das razões e dos cálculos que levaram ao seu fundamento econômico; d) o RAF ataca o fato de a RSAM ter sido formada por advogados da Deloitte, que foi a empresa que elaborou o laudo de avaliação do patrimônio da impugnante; contudo, não existe qualquer ilegalidade no fato de muitos escritórios de advocacia manterem pessoas jurídicas já inscritas nos registros públicos competentes para se iniciar de imediato novos empreendimentos, sem necessidade de passar por todas as barreiras burocráticas e pela perda de tempo que a agilidade os negócios não pode suportar; e) as empresas Alcoa e as empresas Camargo Corrêa eram e permanecem sendo empresas independentes, com objetivo de explorar negócio ou projeto de interesse mútuo; o ágio somente se formou no Brasil com a conferência das ações da Fl. 4003DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.004 10 impugnante para a integralização do capital da RSAM em dezembro/2003; a permuta realizada entre empresas no exterior em agosto jamais poderia ter qualquer vestígio contábil no Brasil, nem havia em relação a ele uma pessoa jurídica que se subsumisse ao art. 20 do Decretolei nº 1598 para que algum desdobramento do custo de aquisição fosse feito; f) no tópico “Da decadência” alega que a decadência se operou antes da intimação dos autos de infração, em 20/12/2013, para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, a teor do art. 150, § 4o, do CTN; além de se tratar de lançamento por homologação, houve pagamento de IRPJ e CSLL e a passagem para a normatização do art. 173 não é possível porquanto não houve dolo, fraude ou simulação; na verdade, a decadência deve ser operada sobre a totalidade dos autos de infração, pois os ilícitos apontados teriam ocorrido no ano de 2003, através do aumento de capital da RSAM e da sua incorporação pela impugnante; a RFB sequer pode alegar que somente está lançando os tributos sobre amortizações ocorridas nos cinco anos anteriores, pois em 2009 ela fiscalizou os mesmos atos e não os autuou, o que significa que abriu mão do direito de vir depois a dizer que os mesmos eram fraudulentos e incapazes de gerar deduções fiscais. 12. No mérito, apresenta as seguintes alegações de defesa para demonstrar a improcedência do lançamento fiscal: a) No tópico “Mérito – não teria havido ágio, pois o ágio somente existiria nas aquisições de investimentos através de contratos de compra e venda com pagamento de preço” argumenta que atualmente não existe qualquer controvérsia quanto ao fato de os ágios e deságios constatados na aquisição de investimentos sujeitos ao MEP terem um regime legal específico para fins tributários, distinto dos critérios contábeis, conforme determinam os arts. 20 e seguintes do Decretolei nº 1598 e arts. 7o e 8o da Lei nº 9532; b) que é inteiramente irrelevante o título jurídico pelo qual o investimento tenha sido adquirido, podendo a aquisição ter ocorrido por qualquer ato ou negócio jurídico – compra, permuta, subscrição de capital, etc. –, pois não há no art. 20 qualquer limitação do seu alcance em função do modo de aquisição, assim como é irrelevante a contraprestação corresponder a um pagamento em dinheiro ou a outra qualquer obrigação da adquirente; c) a objeção fiscal ao ágio nascido de aquisição de investimento quanto este tenha sido conferido em integralização de capital é improcedente, derivada de má aplicação da norma legal, a qual se refere de modo genérico à “aquisição”; se a lei não fez qualquer distinção quanto ao ato de aquisição, não é possível ao seu intérprete ou aplicador fazer distinções entre uns e outros, ou restrições a alguns deles; não se poder dizer que, quando a lei menciona “aquisição”, ela somente se refere à aquisição por compra e venda, e não à aquisição por outros atos ou negócios jurídicos que também acarretem a transferência do domínio; a norma legal se aplica a qualquer ato ou negócio jurídico que tenha por causa jurídica a transmissão da propriedade mediante qualquer tipo de contraprestação onerosa; d) no tópico “Mérito – o ágio seria interno, porque na parte advinda das ações que pertenciam às empresas Camargo Corrêa, esta seria e teria continuado a ser parceira do grupo Alcoa, e também seria interno na parte das ações que sempre estiveram no domínio de empresas Alcoa” aduz que o OfícioCircular CVM/SN/SNC/SEP nº 01/07 não questiona a validade legal do ágio e não trata da questão tributária; que não há, do ponto de vista da legislação tributária, qualquer restrição ao lançamento do ágio interno e sua contabilização, exceto na ocorrência de simulação; a própria legislação tributária pressupõe aquisição entre partes Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.005 11 relacionadas, eis que o art. 20 do Decretolei 1598 referese à avaliação de “investimento em sociedade coligada ou controlada”, que são entidades relacionadas; e) o OfícioCircular CVM/SN/SNC/SEP nº 01/07, embora considere aspectos econômicos e contábeis, admite que a pressuposição do ágio é haver preço ou custo, que não deriva somente da compra e venda; a referência à transação consigo mesmo e o contexto do ofíciocircular demonstram que a oposição da CVM é quanto a alguns procedimentos que foram adotados para a criação de um ágio exclusivamente dentro da própria empresa (daí o ágio ser consigo mesmo), representando verdadeiramente mera reavaliação sob a roupagem de ágio; f) o ágio da RSAM se originou de negócios, um deles com parte independente e outro com pessoas jurídicas do mesmo grupo, com pagamento de preço e dentro de uma ampla reestruturação de participações societárias em escala internacional; este aspecto demonstra que a reestruturação não foi feita exclusivamente para gerar um ágio inexistente, pois se assim fosse assim, ela teria se restringido à impugnante e não alcançaria empresas sediadas em outros países; g) o ágio em questão foi formado quando a Alcoa Inversiones España conferiu ações da impugnante para a RSAM, por valor que derivou de negócio com o grupo Camargo Corrêa, e de outros atos entre empresas do mesmo grupo, mas com diferentes patrimônios e que adotaram o mesmo valor daquele valor “arm's length”, ou, como também diz o ofíciocircular, originado de “transações entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação”; referido ofíciocircular limitase a emitir um conceito e a se referir a algumas situações para esclarecer a essência do conceito, não contendo, destarte, uma lista taxativa das situações em que possa existir ágio, principalmente para efeitos fiscais; h) no tópico “Mérito – a dedução fiscal das amortizações teria decorrido da empresa da RSAM, empresaveículo ou de passagem, sendo que, depois da incorporação, as ações voltaram ao domínio da Alcoa Inversiones España, que as conferira à RSAM” assevera que a jurisprudência do CARF tem admitido que nem toda pessoa jurídica, interposta no caminho de alguma estruturação ou reestruturação societária, pode ser taxada de empresaveículo ilegalmente utilizada; i) a interposição de uma empresaveículo caracteriza simulação (inciso I do § 1º do art. 167 do Código Civil) se visa criar uma situação artificial substitutiva de uma outra situação real na qual o efeito desejado não pudesse ser atingido; a RSAM não exerceu qualquer papel para criação artificial de ágio, pois este proveio de negócios anteriores em que a Alcoa Inversiones España adquiriu as ações a preços superiores ao seu valor patrimonial contábil e as transferiu para a RSAM pelo mesmo valor de aquisição; o art. 8º da Lei nº 9532 permitiria o mesmo tratamento fiscal se a impugnante absorvesse parte do patrimônio da empresa espanhola, relativa ao seu investimento na impugnante, em operação de cisão parcial daquela; j) no tópico “Mérito – parte do ágio da amortização não poderia ter sido deduzida, porque fora deduzida pela RSAM antes da sua incorporação pela impugnante” alega que durante os seis primeiros meses após a conferência das ações para a RSAM e o registro do ágio na contabilidade desta, as amortizações contábeis do ágio foram adicionadas ao lucro líquido para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e registradas na parte B do LALUR para futura dedução fiscal; k) o tratamento legal cabível quando da apuração de ganho ou perda de capital é o mesmo, quer eles estejam em aberto nas contas de investimento, quer já tenham Fl. 4005DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.006 12 sido amortizados, pois no primeiro caso eles estão figurando como débitos do ativo permanente e no segundo a amortização é indedutível, mas seu valor fica no LALUR para ser considerado como parte do custo do investimento quando da ocorrência da alienação do investimento ou da sua baixa por outras razões; a incorporação acarreta a sucessão do direito de considerar que amortização contábil indedutível integre o custo para efeitos fiscais, o que a sucessora somente pode fazer por via do Lalur, tanto quanto a sucedida o faria no encerramento do investimento se não tivesse havido a sua incorporação; l) no tópico “A fundamentação legal dos autos de infração é precária” afirma que a fundamentação legal do lançamento fiscal é extremamente precária, razão pela qual os autos de infração são nulos por ferirem as exigências do art. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972; m) no tópico “Descabimento do agravamento da multa proporcional” assevera que a matéria em discussão não é propriamente em torno dos vícios elencados no inciso VII do art. 149 do CTN, que autoriza o lançamento de ofício quando houver dolo, fraude ou simulação, mas mera discussão jurídica sobre a verdadeira qualificação do ato praticado; todos os aspectos relacionados à dedução do ágio levantados pelo fiscal são sujeitos a interpretações jurídicas conflitantes, tanto é que a fiscalização de 2009, sobre os mesmos fatos, sequer entendeu haver infração; ao invés de provas de dolo, fraude ou simulação, há controvérsia jurídica que se mantém até hoje; n) o art. 149 do CTN precisa ser considerada em conjunto com o art. 44 da Lei nº 9430 e arts. 71 a 73 da Lei nº 4502, além de incidir também o art. 112 do CTN; em 2007 o art. 44 da Lei nº 9430, que comanda a aplicação dos art. 71 a 73 da Lei nº 4502, passou por alteração através da qual foi retirada a expressão, antes existente, que aludia ao evidente intuito de fraude; com a nova redação, omissa a respeito do evidente intuito, a norma passou a simplesmente determinar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502 nos casos previstos nas suas hipóteses; o) a ressalva inicial do art. 136 do CTN – “saldo disposição de lei em contrário” – está refletida no § 1º e no caput do art. 44, pois este exige multa de 75%, devida objetivamente, independentemente da vontade, do conhecimento da infração ou de qualquer outro fator subjetivo, e no § 1º a distingue da situação em que a penalidade passa a 150%, em virtude do elemento subjetivovolitivo do autor da infração; a interpretação histórica da norma de agravamento mostra que o evidente intuito de fraude, então exigido, tinha definição legal, pois o inciso II do art. 44 dizia que esse intuito seria definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502; ainda que o art. 44 não mais diga expressamente sobre intuito de fraude, ele continua a fazer parte indissociável dos artigos da Lei 4.502, porque estes foram mantidos; p) os arts. da Lei nº 4.502 estão em perfeita sintonia com a antiga e com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430 e com o art. 136 do CTN, pois apenas catalogam situações dolosas, ou seja, em que haja conhecimento da ilegalidade e, ainda assim, o agente queira a prática ilegal; o dolo não se presume, devendo ser cabalmente provado, o que não permite supor sua existência tãosomente em virtude da ocorrência de falha que tenha acarretado falta de pagamento de tributo, inclusive quando qualquer eventual infração dependa de julgamento final após amplo debate de teses jurídicas que estão se apresentando nos autos; q) não há prova de que a impugnante tenha agido com dolo e não há sequer a somatória de indícios logicamente concatenados e convergentes para a formação da convicção da ocorrência de fraude; a documentação de suporte de todos os atos revela a transparência como eles foram praticados, sem qualquer tentativa de Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.007 13 esconder o que quer que fosse; não há qualquer prova de dolo, nem indício, porque não houve fraude; o que se dá aqui, na pior das hipóteses, seria erro de conduta, por erro de direito na percepção da qualificação jurídica dos autos praticados; r) no tópico “Descabimento da aplicação da multa isolada” argumenta que em relação ao períodobase de 2007 é francamente descabida a exigência de multa isolada em face de possuir origem no mesmo dispositivo de lei (art. 44 da Lei nº 9430) e na mesma infração sobre a qual foi aplicada a multa de ofício qualificada; o pagamento do tributo se dá em duas diferentes etapas, a primeira em caráter provisório e antecipatório, e a segunda quando se apura o ajuste final, de caráter definitivo; logo, o não pagamento do tributo, quando ocorre, constituise em uma única conduta, e não em duas, passíveis de dupla penalização; para que fosse cabível a incidência das duas multas seria necessário que a lei determinasse expressamente, nos incisos I e II do caput, que a exigência das respectivas multas se daria sem prejuízo da cobrança daquela prevista no inciso IV do § 1º; s) após o encerramento do períodobase não cabe mais a exigência das antecipações que tenham deixado de ser recolhidas no mês próprio, porque seu valor desde então já integra o valor do tributo devido ao final do período e apurado na respectiva DIPJ e, em consequência, também não é mais possível a cobrança da multa que seria devida sobre a falta de insuficiência de recolhimento da sua mera antecipação; outro não será o entendimento se for analisar a questão sob o prisma do princípio da consumação, segundo o qual a infração mais grave absorve aquela mais leve, sendo a pena decorrente daquela suficiente para também punir esta última e excluir uma penalização específica a esta; em relação ao períodobase de 2008, lançada sem a concomitância do principal, alega que, pela mesma razão de a antecipação representar técnica de arrecadação do tributo devido ao final do período base, não pode ser exigida multa por falta de recolhimento de uma antecipação de uma verba que ainda não é devida; t) no tópico “Descabimento de juros sobre a multa” assevera que o art. 61, caput e § 3º, da Lei 9.430 somente autoriza a incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, sendo que os §§ 1º e 2º tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas; em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição; assim, não cabe aplicação do art. 61 da Lei 9430, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições. 13. Com relação à atribuição de responsabilidade solidária, apresenta as seguintes alegações: a) no tópico “Inexistência de solidariedade” argui que assume a responsabilidade integral por todos os seus atos e, portanto, também pelos fatos sobre os quais foi autuada, tem patrimônio suficiente para arcar com tal responsabilidade e não pode se calar ante a violência da inclusão de funcionários seus no pólo passivo de supostas obrigações tributárias, e como coautores de práticas acusadas de serem criminosas; que os art. 124 e 135 são inaplicáveis conjuntamente, uma vez que o primeiro trata de contribuintes e o segundo de responsáveis, e não existe situação na qual uma só pessoa possa ser contribuinte e, ao mesmo tempo, responsável; os supostos responsáveis não podem ser contribuintes, porque não tiveram qualquer vínculo pessoal e direito com o fato gerador de qualquer obrigação tributária tratada nos autos; Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.008 14 b) a solidariedade do inciso I do art. 124 não é entre responsáveis, porque a solidariedade é entre pessoas que tenham a obrigação cumprir a obrigação tributária como contribuintes; o interesse comum na situação que constitua o fato gerador é o decorrente da condição de mais de uma pessoa se encontrar na condição de contribuinte, tal como define o inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN; c) a responsabilidade do terceiro (inclusive nos casos do art. 135) distinguese da solidariedade daqueles que têm interesse comum no fato gerador, porque a norma de responsabilidade é secundária, e não primária, como é a norma de incidência; a característica do interesse comum, aludida no inciso I do art. 124, é de se tratar de situação em que os solidários são contribuintes, sem se confundir com a responsabilidade do art. 135; portanto, não existe qualquer solidariedade entre a impugnante e seus funcionários ou a Alcoa Inversiones España, pois estes não tem relação pessoa e direita com a situação que constituiu os fatos geradores supostos pela fiscalização, relação esta que seria detida exclusivamente pela impugnante se houvesse fato gerador; d) quanto ao inciso III do art. 135, dirigese aos não contribuintes que podem ser responsáveis se preenchidas as circunstâncias materiais descritas na respectiva hipótese de incidência; como a responsabilidade estatuída pelo art. 135 é pessoal, a pessoa do “contribuinte” é a primeira prejudicada pela ação indevida da pessoa do responsável e, por isso, não pode ser sujeita ao tributo; a pessoa que for indevidamente representadas pelo responsável não pode ser catalogada como contribuinte porquanto não praticou voluntariamente o fato gerador; como o art. 135 não estabelece a responsabilidade supletiva a que se alude o art. 128, a fiscalização não poderia atribuir a condição de sujeitos passivos tanto à impugnante quanto aos seus funcionários e à Alcoa Inversiones España; e) o consequente da norma é a responsabilidade pessoal pelos créditos tributários e o seu antecedente é a prática de atos praticados com excesso de poder e atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos; quando houver alguma infração praticada no exercício normal da atividade funcional, a pessoa representada suporta o ônus correspondente, no mínimo por “culpa in eligendo” ou por “culta in vigilando”, mas não quando a prática funcional for irregular, em atos em que a irregularidade ou anormalidade se manifesta em relação aos limites do exercício da função; a própria colocação da infração de lei juntamente com a infração de contrato social ou estatuto, no mesmo pressuposto fática para estabelecer a responsabilidade pessoa do seu agente, desvenda que não é qualquer infração à lei que o coloca nesta condição, mas, sim, a infração perante um limite funcional que derive de lei, tanto quanto de derivar de contrato social ou de estatuto; f) a acusação dos supostos responsáveis está motivada na alegação de que eles teriam concebido e executado os atos infracionais, mas eles apenas agiram no cumprimento normal das suas funções, tendo diligenciado para obter a orientação jurídica e fiscal de especialistas; a Alcoa Inversiones Espana não está e não agiu na condição de diretor, gerente ou representante da impugnante (inciso III) e ou da RSAM; além disso, não praticou qualquer ato irregular ou anormal no exercício de função; g) acrescenta que o fato de Eduardo Sampaio Dória ter agido em nome da Alcoa Brazil Holdings Company e da Alcoa do Brasil Indústria e Comércio não tem qualquer relevância, pois estas não tiveram qualquer participação no aumento de capital da RSAM e na incorporação desta pela impugnante; que ele não pode ser responsabilizado pelas ações em nome da Alcoa Inversiones España, eis que: (i) se a mandante não é responsável, seu mandatário não pode ser responsável, a menos que se tratasse de tributo incorrido em nome da mandante sob uma das infrações do art. Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.009 15 135, o que não é o caso; (ii) se a mandante fosse responsável, seu mandatário não agiu com excesso de poder; (iii) nunca agiu na condição de representante legal da impugnante e nem da RSAM; h) que o fato de Carlos Eduardo Mahfuz ter agido em nome da Alcoa Brazil Holdings Company e da Alcoa do Brasil Indústria e Comércio não tem qualquer relevância, pois estas não tiveram qualquer participação no aumento de capital da RSAM e na incorporação desta pela impugnante; que ele não pode ser responsabilizado pelas ações em nome da RSAM e da Alcoa Inversiones España, eis que: (i) se a mandante não é responsável, seu mandatário não pode ser responsável, a menos que se tratasse de tributo incorrido em nome da mandante sob uma das infrações do art. 135, o que não é o caso; (ii) se a mandante fosse responsável, seu mandatário não agiu com excesso de poder; (iii) não praticou qualquer ato irregular ou anormal na condição de diretor da impugnante e da RSAM; i) que o fato de João Luiz Serafim da Silva ter agido em nome da Alcoa Luxembourg não tem qualquer relevância, pois esta não teve qualquer participação no aumento de capital da RSAM e na incorporação desta pela impugnante; que ele não praticou qualquer ato irregular ou anormal no exercício da função de diretor e conselheiro da impugnante; j) que Marcelo de Arruda Barros Rangel não pode ser responsabilizado pelas ações em nome da Alcoa Inversiones España e da CGM, eis que: (i) se a mandante não é responsável, seu mandatário não pode ser responsável; (ii) se a mandante fosse responsável, seu mandatário não agiu com excesso de poder; (iii) não praticou qualquer ato irregular ou anormal na condição de diretor da impugnante e da RSAM; k) que o fato de Adjarma Azevedo ter agido em nome da Alcoa Brazil Holdings não tem qualquer relevância, pois esta não teve qualquer participação no aumento de capital da RSAM e na incorporação desta pela impugnante; que ele não praticou qualquer ato irregular ou anormal no exercício da função de diretor e conselheiro da impugnante; encerrou sua presidência em janeiro/2003, antes dos fatos objeto de autuações; l) que Josmar Verillo não pode ser responsabilizado pelas ações em nome da CGM, que detinha 1 quota na RSAM, pois não praticou qualquer ato em excesso de poder; que ele não praticou qualquer ato irregular ou anormal no exercício da função de diretor e conselheiro da impugnante; somente foi nomeado presidente em 18/02/2004; m) que Franklin Lee Feder assumiu a presidência da impugnante a partir de janeiro/2005 e não praticou qualquer ato irregular ou anormal no exercício funcional; que o mais poderia ser responsabilizado somente porque sob sua gestão houve as amortizações do ágio, eis que ele não participou de sua formação em 2003. 14. Ao final requer seja acolhida e provida esta impugnação, com cancelamento total dos autos de infração, seja por um, seja por mais de um dos seguintes fundamentos: . há nulidade do procedimento fiscal em face: (i) de o procedimento fiscal alcançar períodobase já fiscalizado, cuja fiscalização considerou válidas as amortizações; (ii) da impossibilidade de serem conferidos os cálculos que acarretaram os lançamento fiscais; (iii) de não cumprirem as normas constitucionais e legais relativas à motivação e fundamentação dos atos administrativos; Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.010 16 . ocorreu a decadência do direito de lançar o IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2007 a 2009; . o ágio existiu e foi regularmente amortizado pela impugnante em observâncias das restrições legais aplicáveis; . na eventual hipótese de não acolhimentos dos pleitos anteriores, a multa agravada deve ser reduzida por não ter havido infração praticada dolosamente, além de haver nulidades no respectivo lançamento, por falta de provas das circunstâncias legais em que ela caberia e por insuficiente fundamentação legal; . não cabe a incidência de juros sobre as correspondentes multas; . a multa isolada deve ser cancelada por não poder incidir concomitantemente com a multa de lançamento “ex offício”; . devem ser excluídas as sujeições passivas das pessoas arroladas como solidárias, por não ser o caso de solidariedade e por não ter havido atos das mesmas passíveis de enquadramento na hipótese legal de responsabilidade. Impugnação apresentada pelos responsáveis solidários 15. Alcoa Inversiones España S.L., Eduardo Sampaio Dória, Carlos Eduardo Mahfuz, João Luiz Serafim da Silva, Marcelo de Arruda Barros Rangel, Adjarma Azevedo, Josmar Verillo e Franklin Lee Feder apresentaram, por intermédio de seu representante legal (mandatos às fls. 3374 e 35433579), a impugnação de fls. 34993523, instruída com os documentos de fls. 35243542, na qual reproduzem as alegações de defesa apresentadas, em 04/01/2013, no tópico “Inexistência de solidariedade” da impugnação de fls. 32623370. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 3262/3498, julgou procedente o lançamento fiscal, bem como a atribuição de responsabilidade tributária solidária. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3733/3845), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Em sede de contrarrazões, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa de óficio e isolada, bem como dos juros sobre a multa aplicada, além da aplicação da SELIC sobre estes valores. Ademias, foram apresentadas Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.011 17 O contribuinte aponta duas irregularidades no procedimento fiscal, a saber: (i) segunda fiscalização sobre o mesmo períodobase e (ii) impossibilidade de conferir os cálculos que acarretaram os lançamentos. Em relação ao primeiro, o contribuinte alega que os autos de infração não poderiam ter sido lavrados, pois abrangeram o períodobase de 2007, que já fora fiscalizado em 2009, conforme o MPF n. 06.1.12.002009003286 (doc.05 da Impugnação). Dessa maneira, concluiu que na primeira fiscalização a amortização deduzida foi tida como boa pelo fiscal, enquanto que na segunda fiscalização ocorrida em 2009/2010, a mesma amortização foi glosada. Assim, ressalta que deveria haver uma ordem escrita do Superintendente Regional da Receita Federal ou do Delegado da respectiva jurisdição para motivar esse segundo exame, conforme o art. 906 do RIR/99. Nesse ponto, a decisão recorrida entendeu que o Delegado da Receita Federal do Brasil possui competência para autorizar ou determinar o reexame ou abertura de novos procedimentos fiscais em períodos anteriormente auditados, mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do art. 302, V da Portaria MF nº 203/2012 c/c arts. 2º e 6º inciso IV e § 8º, da Portaria RFB nº 3.014/2011. Dessa maneira, concluiu que a fiscalização pode examinar a qualquer tempo o cumprimento das obrigações fiscais relativas a períodos não decaídos, desde que devidamente autorizada. Pois bem, entendo que deve ser mantida a decisão da DRJ nesse ponto, conquanto o MPF tem o condão de designar um novo exame de período já fiscalizado. Apesar do MPF só abarcar o exercício de 2008, o benefício do ágio se originou desde 2004. Cumpre ressaltar que o MPF prevê as verificações obrigatórias nos últimos 5 anos, conforme Portaria nº 11.371/2007 em vigor à época. Ainda se assim não fosse, quaisquer irregularidades em relação ao aspecto meramente formal do MPF não tornariam nulo o lançamento conforme jurisprudência deste Colegiado. Confirase: Mandado de Procedimento Fiscal — Ausência. Com efeito, não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não implicando nulidade do lançamento a eventual irregularidade relacionada com a sua emissão, (...) a existência do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização n° 01.2.01.00.2004.00027 0, no qual está prevista a realização das denominadas "verificações obrigatórias", representadas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos cinco anos e no período de execução do procedimento fiscal. Portanto, nos exatos termos do parágrafo primeiro do art. 7° da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, (acórdão n° 10515.952 Relator Wilson Fernandes Guimarães) Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.012 18 Destaco que o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães está em consonância com o meu entendimento sobre a matéria e com a posição mais recente adotada por este Colegiado. No tocante a segunda alegação da impossibilidade de conferir os cálculos que acarretaram a nulidade dos lançamentos fiscais, o contribuinte alega que não há elementos suficientes para a realização de uma conferência completa. Na infração principal, afirma que não recebeu as planilhas dos cálculos efetuados pelo fiscal, ocorrendo o mesmo com a multa isolada, pois não identificou o critério estabelecido para a formação da base de cálculo. A decisão da DRJ entendeu que as planilhas Anexos 1 e 2 do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 3182/3207) e os demonstrativos de apuração fiscal (fls. 3209/3236), cuja as cópias foram entregues à Recorrente, demonstram de forma clara a apuração e os cálculos que resultaram na exação fiscal. Entendo que não restou comprovada nos autos a impossibilidade da conferência do cálculo tanto do lançamento fiscal quanto da multa isolada como alega a Recorrente. Adicionalmente, a Recorrente questiona a fundamentação legal do lançamento fiscal, indicando a sua precariedade. Esta alegação é infundada, uma vez que as infrações apuradas foram capituladas, bem como foram descritos os motivos que levaram o agente fiscal a glosar as despesas de ágio, dando a Recorrente o conhecimento do objeto da autuação fiscal. Logo, não há que se falar em nulidade dos autos de infração por ausência de fundamentação ou motivação, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pelo contribuinte. Assim, os argumentos trazidos não devem prosperar. Nesse sentido, julgo no sentido de não acatar as preliminares de nulidades argüidas pela Recorrente. DECADÊNCIA Sustenta a Recorrente que o lançamento relativo ao períodobase de 2007 estaria decaído, uma vez que a intimação dos autos de infração ocorreu em 20.12.2013. Assim, a teor do art. 150 § 4º, os lançamentos decorrentes do referido períodobase só poderiam ter ocorridos até 31.12.2012. Ainda, alega que a decadência deveria ser aplicada sobre a totalidade dos autos de infração, conquanto toda argumentação fiscal gira em torno dos ilícitos apontados no RAF, originados em 2003, por meio de aumento de capital da RSAM e de sua incorporação pela Recorrente, o que gerou a amortização do ágio em 2004, 2005 e 2006. A decisão da DRJ entendeu pela aplicação do art. 173, I em vez do art. 150 §4º do CTN, pois foi evidenciado nos autos a criação de condições artificiais que possibilitaram à interessada amortizar o ágio de R$ 1.551.585.298,70 constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido. Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.013 19 Nesse sentido, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, isto é, dia 01/01/2009 para os créditos tributários do anocalendário de 2007, sendo que o termo final para o decadencial seria em 31/12/2013. Portanto, não haveria decadência, uma vez que o lançamento fiscal foi cientificado em 20/12/2013. Discordo, contudo, com o entendimento da decisão recorrida. Entendo que todos os atos praticados pelo contribuinte perfizeram os requisitos formais exigidos pela legislação, não restando caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. Portanto devese aplicar as disposições do art. 150, §4° do CTN, inciandose o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (a partir da ocorrência do fato gerador), razão pela qual o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2007se encontra decaído. No tocante a decadência da totalidade dos autos de infração, porquanto o registro do ágio ter ocorrido em 2003 relativas as amortizações glosadas a partir de 2007 já estaria decaído em 2008. Ainda que o ágio tenha se originado em 2003, a repercussão tributária decorrente deste só ocorrera em 2007 a 2009 quando da amortização do ágio (fato gerador da obrigação tributaria), momento em que a Fazenda Nacional passou a exercer seu direito de constituir o crédito tributário. Dessa forma, o ágio gerado na aquisição da participação societária não acarreta o fato gerador da obrigação tributária, somente quando da efetiva utilização iniciase o prazo decadencial para o lançamento do tributo. Assim, improcede a preliminar suscitada pela recorrente quanto decadência total dos períodos autuados, porém procede a fundamentação trazida quanto a decadência relativa ao anocalendário de 2007. DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO De início cumpre conceituar e esclarecer os principais aspectos do tratamento fiscal do ágio, bem como os requisitos para amortizalo. Conforme o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, o ágio é caracterizado pela diferença positiva entre o custo da aquisição e o valor do patrimônio líquido da adquirida no momento da aquisição Portanto, o ágio é apurado pela pessoa jurídica que adquire participação societária em outra companhia, cujo o investimento é definido como relevante. Nesse sentido, a adoção do método da equivalência patrimonial é obrigatória para a avaliação de investimentos relevantes, permanentes em sociedades consideradas como coligadas e controladas. Com efeito, o conceito de controle societário na legislação fiscal encontra respaldo no art. 384 do RIR/99 para efeitos de determinação das situações nas quais Fl. 4013DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.014 20 determinadas participações societárias devem ser avaliadas pelo método da equivalência patrimonial. Desse modo, o ágio será apurado com base na participação do percentual do capital social da empresa adquirida, constituindose pela diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio líquido da companhia adquirida no momento da aquisição. De acordo com o art. 385 do RIR/99, na aquisição de investimentos avaliados pelo método do patrimônio líquido (denominado método de equivalência patrimonial), o custo de aquisição deve ser segregado entre (i) o valor do patrimônio líquido do investimento no momento da aquisição, e (ii) o ágio ou deságio correspondente à diferença entre o valor pago de acordo com o item anterior e o custo de aquisição do investimento. Ainda, o art. 383 do RIR/99 e o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 dispõem que o ágio deve ter um fundamento econômico, e descreve os três tipos de fundamentos econômicos que têm efeitos para fins do aproveitamento fiscal, a saber: (i) valor de mercado dos ativos; (ii) expectativa de rentabilidade futura, ou (iii) intangíveis e outras razões econômicas. Daí a importância do propósito negocial somado ao efetivo substrato econônimco da transação para que o ágio gerado seja considerado uma despesa dedutível para fins fiscais. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 regulam o tratamento tributário e preceitua que o ágio registrado poderá ser amortizado para fins tributários pela companhia por um período não inferior a 60 meses. Confirase: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.015 21 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Conforme o artigo 386 do RIR/99, é condição para o aproveitamento do ágio a incorporação entre a empresa investida e a empresa investidora. Após a incorporação, o ágio Fl. 4015DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.016 22 tendo por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura da empresa investida poderá ser aproveitado fiscalmente mediante amortização como despesa dedutível. Importante notar que sua alocação deve ser suportada por documentação adequada, entendida como um laudo de avaliação que fundamente a futura amortização do ágio. A alocação é importante porque determina os critérios de amortização para fins contábeis, bem como as implicações fiscais relacionadas. Além disso, o ágio é derivado de uma aquisição entre terceiros independentes, e não gerado em conseqüência de transação intragrupo, visto que não há a transferência da titularidade, isto é, no final da transação as empresas ainda estariam sob um controle comum. Pois bem, o cerne da discussão encontrase no registro do ágio, se assiste a Recorrente o direito à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio decorrente da da conferência de acões da Recorrente para a integralização de capital da RSAM, sendo posteriormente incorporada A fiscalização glosou o ágio sob a justificativa deste ter sido gerado internamente, em virtude de uma transação dos acionistas com eles mesmos. Nesse ponto, vale transcrever o trecho do Termo de verificação Fiscal que esclarece o entendimento adotado pelo agente fiscal: "Através da descrição dos fatos, já feita no relato acima, ficou evidente que houve uma estrutura montada para aparentemente atender todos os ditames legais, como objetivo de fazer crer que estaríamos diante de um ágio amortizável, sendo que, na verdade estamos diante do chama ágio interno, riqueza gerada a partir de transações dos acionistas com eles mesmo, A contabilização do ágio interno nunca foi aceita pelas normas contábeis porque colide frontalmente com princípios da contabilidade. O estabelecimento do preço de ativos, sem a necessária independência entre as partes envolvidas, está por natureza esvaziada de qualquer substância econômica. É importante destacar que, de acordo com a legislação, a avaliação dos investimentos intragrupo é feita pelo método da equivalência patrimonial (que é tributariamente inerte). sendo que as normas contábeis nunca aceitaram o registro do ágio interno" Na sequência a DRJ sintetizou às fls 3682/3690 as operações que deram origem ao ágio interno, conforme excerto a seguir: Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.017 23 Fl. 4017DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.018 24 Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.019 25 Fl. 4019DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.020 26 Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.021 27 Fl. 4021DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.022 28 Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.023 29 Fl. 4023DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.024 30 Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.025 31 Nesta esteira, a decisão concluiu que a restruturação societária do grupo resultou em um ágio interno, sendo indedutível para fins fiscais em razão da ausência de substância economica para constituição da RSAM Participações, falta de pagamento na aquisição, bem como pela dependência entre as partes, confirmando a glosa das quantias amortizadas pela Recorrente a título de ágio. Concordo com a decisão da DRJ. Tratase de uma reorganização societária do grupo Alcoa ocorrida no exterior no anocalendário de 2003, em que ocorreram sucessivas operações societárias, culminando na constituição da RSAM, empresa receptora das ações correspondentes aos valores frutos da conferência de ações realizada no exterior, sendo posteriormente incorporada pela Recorrente. A Recorrente alega que o ágio foi formado quando a Alcoa Inversiones Espanha conferiu ações da recorrente à RSAM por valor originado da transação com o grupo Camargo Correria, de tal modo que o seu aproveitamento para fins fiscal seria possível com a cisão da referida empresa seguida pela incorporação à Recorrente. Como se nota, as aquisições das participações societárias ocorreram no exterior. O ágio surge quando da conferência das ações na RSAM, momento em que as empresas envolvidas já eram pertencentes a um mesmo grupo societário e sujeitas ao um único controle, não sendo a RSAM a real adquirente do investimento com ágio. Além disso, as operações ocorreram dentro de um contexto de dependência ao interesse econômico do grupo, não havendo a transferência da titularidade para terceiros, bem como respectivo desembolso. Este Colegiado já se manifestou pela necessidade da presença de partes independentes na transação para a formação do ágio e, por conseguinte, a obtenção de seu reconhecimento econômico e contábil. Confirase: "Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona esse aspecto),do ponto de vista econômico o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes. (...)“(Acórdão n.º 10517.219 05/12/2007) Como bem traz a decisão, a orientação da CVM nos termos de seu Ofício circular CVM SNC/SEP nº 1/2007 em que dispõe que o “ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo”. Fl. 4025DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.026 32 Ainda ressalta que “do ponto de vista econômico, o registro do ágio, em operações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação”. Apesar de ser uma orientação contábil, o papel do laudo de avaliação é prescindível quando a transferência das ações ocorre sem a participação de terceiros, sendo que, ao final da transação, a titularidade das participações societárias é mantida pelo grupo. Nessa linha, o Pronunciamento Técnico CPC 15, que trata de Combinação de Negócios, já aprovado pela Deliberação CVM 580/2009, diz textualmente que suas disposições somente admitem o registro de ágio derivado de uma efetiva operação de aquisição de negócio e, portanto, não são aplicáveis a operações que não atendam a essadefinição, tais como as combinações de negócios de entidades sob controle comum. A doutrina, por sua vez, também reconhece a dificuldade de se avaliar a substância econômica de uma operação realizada entre empresas sob controle comum, na medida em que este substrato deveria representar riqueza nova, como se observa na lição extraída do Manual de Normas Internacionais de Contabilidade publicado pela Ernst & Young e Fipecafi: (...) A expressão substância econômica empregada pela CVM em seu OfícioCircular de 2007 diz respeito à geração de riqueza (maisvalia) e, quando a transação é efetuada entre empresa sob controle comum, nenhuma riqueza é efetivamente gerada. (MACHADO, Paulo José; MORAES, Wilson José Ozório e RELVAS, Tânia Regina Sordi. IFRS 3 – Combinação de negócios In Ernest &; Young e Fipecafi. Manual de Normas Internacionais deContabilidade. São Paulo: Atlas, 2009. p. 196.) É importante destacar que existe uma dificuldade inerente à avaliação da ‘substância econômica’ em combinações de negócios ocorridas entre empresas sob controle comum e a simples existência de minoritários (não controladores) não é suficiente para caracterizar a ‘substância econômica’ de uma transação desse tipo. Além disso, o goodwill (ágio fundamentado em rentabilidade futura) gerado em transações entre empresas do grupo será eliminado no consolidado da controladora final e, portanto, tornase inconsistente o reconhecimento de goodwill gerado internamente, pois do ponto de vista do grupo não houve geração de riqueza (maisvalia). A determinação do verdadeiro propósito da transação entre partes relacionadas é altamente subjetiva. Aliado a isso, a decisão da DRJ aponta a falta de comprovação de pagamento, a ausência de desmbramento do custo de aquisição na escrituração contábil, bem como a observância dos requisitos para a dedutibilidade do ágio, conforme trecho a seguir (fl.3708): A alegação da Recorrente em que o ágio teria surgido em operações societárias realizadas anteriormente a 31/12/2003 pela Alcoa Transformación, que teria adquirido as ações a preços superiores ao seu valor patrimonial contábil e as transferido para a RSAM Participações pelo mesmo valor de aquisição, não se encontra demonstrada nos autos em face de falta de comprovação: (i) do pagamento do valor negociado, a preço de mercado, com o grupo Camargo Corrêa e com outras empresas do grupo Alcoa; (ii) de que a Alcoa Luxembourg e a Alcoa Fl. 4026DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.027 33 Transformación tenham à época segregado nas respectivas escriturações comerciais o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio ou deságio; (iii) de que as ações da Alcoa Alumínio tenham sido entregues na integralização do aumento de capital da RSAM Participações com seu valor já segregado em valor do patrimônio líquido e ágio; (iv) que teriam sido atendidas todas condições previstas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1977, para dedutibilidade da amortização do ágio. 116. Ao contrário, consta da Alteração de Contrato Social da RSAM Participações em 31/12/2003 (fls. 793000) que a Alcoa Transformación (Alcoa Inversiones España) integralizou aumento de R$ 2.826.260.725,00 da RSAM Participações mediante entrega de 6.002.851 ações ordinárias e 724 ações preferenciais representativas do capital social da Alcoa Alumínio, as quais foram objeto de avaliação pela Deloitte Touche Tohmatsu, nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404, de 1976. 117. Ainda que estivesse comprovado que a Alcoa Transformación realmente adquiriu as ações da Alcoa Alumínio a preços superiores ao seu valor patrimonial contábil e as transferiu para a RSAM Participações pelo mesmo valor de aquisição, o fato é que o ágio teria sido apurado pela Alcoa Transformación, e não pela RSAM Participações, ou seja, em operações totalmente dissociadas daquelas registradas na escrituração comercial da RSAM Participações e da Alcoa Alumínio, em diferentes datas, cuja retificação não poderia mais ser agora admitida. Verificase que a constituição da RSAM teve como objetivo o aproveitamento do ágio no Brasil. Para essa persecução fiscal, se fez necessário um aumento de capital para receber as ações oriundas da conferência ocorrida no exterior para que então corresse a incorporação pela Recorrente. Nesse sentido, este colegiado já se manifestou conforme ementa do voto proferido pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha AGIO. TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE. Não é ilícita a conduta do investidor que adquire diretamente o investimento, com pagamento de ágio, e, a seguir, promove aumento de capital em outra empresa, integralizandoo com os investimentos previamente adquiridos, inclusive o ágio. Não se pode qualificar como ilícita a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Essa conclusão fica especialmente reforçada na situação em comento, em que a operação "direta", que permitiria o aproveitamento fiscal do ágio sem qualquer questionamento, encontrava intransponíveis óbices societários (CVM) e regulatórios (ANEEL). 16561.720036/201400 Patente a artificalidade da operação que teve como intuito a alocação do ágio gerado sem a participação de terceiro, visando exclusivamente a redução da tributação. Desse modo, pela análise dos elementos fáticos da transação, constatouse que a transação não foi revestida de propósito negocial, tendo o objetivo meramente fiscal, por meio de uma transferência artificia, criando uma despesa de amortização de ágio para fins fiscais. Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.028 34 Assim, resta prejudicado o ágio originado na organização societária do grupo, sobretudo, por não possuir substrato econômico em razão de não ter sido praticada entre partes independentes. DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Os Termos de Declaração de Sujeição Solidária foram lavrados em nome de Alcoa Inversiones España S.L., Eduardo Sampaio Dória, Carlos Eduardo Mahfuz, João Luiz Serafim da Silva, Marcelo de Arruda Barros, Rangel, Adjarma Azevedo, Josmar Verillo e Franklin Lee Feder, os quais foram vinculados ao cumprimento da obrigação tributária imposta, sob o manto dos artigos 124 I e 135, III do CTN. O art. 124 do CTN1 atribui a responsabilidade solidária para aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou aqueles expressamente designados por lei. Por sua vez, o art. 1352, do mesmo diploma legal é aplicável aos representes, diretores ou gerentes das pessoas jurídicas envolvidas. Conforme os termos de Verificação fiscal (fls. 19/20), foi aplicado o art. 124, I a todos administradores dos negócios das empresas envolvidas que tiveram participação ativa no planejamento tributário, de forma a praticar todos os atos societários e comerciais necessários para sua execução, culminando no aproveitamento indevido do ágio. Por sua vez também aplicou o art. 135, III aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes à medida que criaram condições artificiais para justificar a amortização indevida do ágio, mediante as sucessivas operações societárias realizadas. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiramente, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária por apenas terem participado, como administradores, nas práticas societárias que originou a infração fiscal. Tal entendimento é corroborado por este Colegiado, o qual já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, conforme ementa a seguir: SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRI PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. 1 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 2 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 4028DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.029 35 Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).(Ac. 1301001.400, Seção em 12/02/2014) Por sua vez, quanto ao art. 135, III do mesmo dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não há, pois, qualquer comprovação das condutas supostamente dolosas praticadas pelo responsável solidário, sendo descritas somente as infrações realizadas pelas pessoas jurídicas e transcritos os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. Entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Logo, para efeito de atribuição da responsabilidade contida em tal artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1101728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Fl. 4029DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.030 36 Nessa esteira, entendo que os atos societários praticados pelos sócios não são capazes de atrair a incidência do art. 135 do CTN. Diante o exposto, entendo que deve ser excluída a responsabilidade de todas as pessoas citadas, pois não restou justificada e comprovada a responsabilidade tributária, conforme os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. DO DESCABIMENTO DA MULTA A Fiscalização entendeu que a Recorrente reduziu o montante de impostos devidos mediante a realização de atos societários sem a devida substância econômica ou propósito negocial. Dessa forma, considerou sua conduta como artificial e dolosa quando do uso da empresaveículo para se aproveitar fiscalmente do ágio decorrente de tais operações societárias. Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Entendo, contudo que todos os atos praticados pelo contribuinte perfizeram os requisitos formais exigidos pela legislação, não restando caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação fraude ou conluio, pois tais prática pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ademais, inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei. Ora, inobstante a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia com a amortização do ágio, não se pode presumir dolo nos atos praticado do Contribuinte quando da série de operações societárias, pois as interpretou como válidas e amparadas na lei. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício restou justificada, devendo ser reduzida a 75%. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O contribuinte pugna pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme fls. 2442/2444. O art. 161 do CTN, cumulado com o art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, constituem os fundamentos sobre os quais se exigem os juros de mora sobre a multa de ofício. Os referidos dispositivos encontramse adiante transcritos: Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.031 37 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, denotase que a taxa SELIC deve ser aplicada "sobre os débitos a que se refere este artigo". Por seu turno, o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Não há, portanto, qualquer dispositivo legal que permita a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Notese que a multa de ofício é uma punição imposta ao contribuinte pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo, isto implica dizer que esta penalidade não é um débito decorrente de tributos e contribuições federais. Nesse sentido, o professor Luciana Amaro explana que: "No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, frequentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio de multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, devese graduála em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.032 38 arrecadação" (Direito Triutário Brasileiro, São Paulo. Editora Saraiva, 2006, p. 439/440). Dessa forma, verificase que a multa não tem a finalidade acarredatória, apenas visa desestimular o comportamento ilícito, enquanto que o tributo é fruto da realização da fato lícito, que tem por objetivo a produção da receita pública. Julgo, por conseguinte, procedente o pedido do contribuinte no que se refere à não incidência dos juros sobre a multa de ofício decorrente do descumprimento da obrigação principal tributária, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário em relação a esta questão. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Sobre a aplicação dos juros SELIC sobre o crédito tributário, já foi sumulada por este colegiado, a sabe: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros oratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em inaplicabilidade do juros SELIC quando constatado período de inadimplência. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir a responsabilidade solidária, bem como determinar a redução proporcional da multa de ofício e, por fim, para determinar a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. mantendo a glosa da despesa de amortização de ágio. É como voto Marcos Paulo leme Brisola Caseiro Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.033 39 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo. Redatora Designada Em que pese os argumentos do ilustre relator, divirjo do seu voto quanto ao conhecimento dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária e à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 3.177 a 3.181) foi atribuída a responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas e jurídica, com fundamento nos art. 124, I e art. 135, III do CTN: Alcoa Inversiones España S.L. CNPJ: 05.808.206/000166; Eduardo Sampaio Dória CPF: 149.048.60896; Carlos Eduardo Mahfuz CPF: 029.768.28814; João Luiz Serafim da Silva CPF: 002.619.82826; Marcelo de Arruda Barros Rangel CPF: 063.855.03860; Adjarma Azevedo CPF: 047.186.07868; Josmar Verillo CPF: 392.513.30891; Franklin Lee Feder CPF: 668.181.50810. As responsáveis solidárias acima identificadas apresentaram impugnação (fls. 3.499 a 3.579) aos autos de infração, entretanto, a mesma foi julgada improcedente conforme acórdão às fls. 3.660 a 3.722. Compulsando os autos do processo verificase que as responsáveis solidárias ainda não foram cientificadas do referido acórdão, bem assim, não apresentaram recurso voluntário a este órgão julgador. No Recurso Voluntário apresentado pela Alcoa Alumínio S/A – CNPJ: 23.637.697/000101 (fls. 3.733 a 3.845), a recorrente alega a improcedência da atribuição da sujeição passiva solidária às pessoas físicas e jurídica acima identificadas, entretanto, não existe nos autos qualquer instrumento que outorgue à Alcoa Alunínio S/A poderes para representálas, seja de forma geral ou específica, no presente processo administrativo. A contribuinte Alcoa Alumínio S/A carece de interesse de agir e legitimidade processual no que tange à responsabilidade tributária atribuída às pessoas físicas e juridica acima identificadas. A Lei nº 9.784/99, ao tratar do processo administrativo no âmbito da administração pública federal, estabelece em seu art. 9º, inciso II, o vínculo entre legitimidade e interesse de agir e no processo administrativo: Art. 9º São legitimados como interessados no processo administrativo: Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.034 40 [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; Consta ainda do Código de Processo Civil – CPC, Lei nº 13.105/2015, o qual aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, a necessidade de interesse e legitimidade para postulação em juízo, bem assim, a vedação à pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando expressamente autorizado pelo ordenamento jurídico: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. [...] Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Nesse mesmo sentido já dispunha o antigo Código de Processo Civil – CPC, Lei nº 5.869/73, vigente à época dos fatos: Art.2º Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Art. 3º Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. [...] Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Relativamente ao interesse de agir, vale ressaltar que a exclusão ou não das pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo da autuação em nada aproveitaria à recorrente, dada à solidariedade da responsabilidade atribuída, em que o crédito tributário pode ser exigido integralmente de qualquer um dos sujeitos passivos solidários, sem benefício de ordem. Dessa forma, o pedido para exclusão da responsabilidade das pessoas físicas e jurídicas identificadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária é desnecessário aos interesses da recorrente pois não lhe adviria qualquer prejuízo se negado ou ganho se provido. Diante de todo o exposto e considerando a inexistência de dispositivo legal que autorize a recorrente a pleitear direito alheio em nome próprio, bem assim, que a exclusão ou não das responsáveis solidárias do polo passivo é desnecessária aos interesses da recorrente, voto por não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária constantes do recurso voluntário. Nesse sentido a recente decisão deste Colegiado: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.035 41 A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a diversas pessoas físicas e jurídicas, as quais não interpuseram impugnação nem recurso voluntário válidos. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. (Acórdão 1301002.179, Sessão de 24/01/2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que têm por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O art. 139 do Código Tributário Nacional dispõe expressamente que o crédito tributário decorre da obrigação principal: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.036 42 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, a multa de ofício e quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301002.279 S1C3T1 Fl. 4.037 43 decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de negar provimento ao pedido de exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Em conclusão, por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de: (i) não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária; (ii) negar provimento ao pedido de exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 4037DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904969/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/06/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.527
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/06/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 69 /2 01 2- 87 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.983. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.904969/201287 Acórdão n.º 3301003.527 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.016419/94-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A confissão dos débitos em DCTF dispensa, mas não impede, sua constituição por meio de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9303-004.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão dos débitos em DCTF dispensa, mas não impede, sua constituição por meio de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 64 19 /9 4- 28 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Érika Costa Camargos Autran. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20403.229, da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. E incabível a exigência da multa de ofício no lançamento de valores de tributos que, embora não pagos, foram declarados em DCTF, com natureza de confissão expressa de dívida. Recurso de Ofício Negado. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. É incabível a exigência, por meio de auto de infração, de tributo já declarado em DCTF” Insatisfeita, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando contradição do relator que anteriormente havia proferido em outro processo entendimento divergente do acórdão embargado, requerendo a anulação do acórdão proferido e restringir o mérito do julgamento ao objeto do recurso. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, após apreciar os embargos, por unanimidade de votos, conheceu e rejeitou os Embargos de Declaração, consignando acórdão 340200.337 com a seguinte ementa (Grifos meus): “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRADIÇÃO ENTRE O ACÓRDÃO EMBARGADO E ACÓRDÃO Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 5 4 PROFERIDO ANTERIORMENTE. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INCABÍVEIS. Contradição entre o Acórdão embargado e outro anteriormente proferido não configura contradição entre a decisão e os seus fundamentos e, por isso, não é passível de se resolver pela estreita via dos embargos de declaração. Embargos rejeitados. ” Insatisfeita ainda, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · O lançamento somente foi realizado em razão de decisão do próprio Conselho, proferida às fls. 53/60; · Na ocasião, o Relator, cujo voto foi acolhido por unanimidade, entendeu de forma diametralmente oposta ao acórdão ora recorrido; · Destarte, não poderia o mesmo órgão Conselho de Contribuintes, desconsiderando a decisão anteriormente proferida, resolver pela anulação do lançamento e determinar o prosseguimento da cobrança pela DCTF, tendo em vista a ocorrência da preclusão sobre a matéria. Em Despacho às fls. 36 a 37, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Após ter sido cientificado de todas as decisões, o sujeito passivo não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O que concordo com o exame de admissibilidade contemplado no Despacho às fls. 36 a 37 – o que peço vênia para transcrever parte: “[...] Cuidase de recurso especial por contrariedade à lei e por divergência manejado pela Fazenda Nacional, com lastro no artigo 7º, I do RICSRF, aprovado pela Portaria MF 147/07, c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/09, em face do acórdão no 20403.229, de 03/06/2008, que reputou incabível a exigência, por meio de auto de infração, de tributo já declarado em DCTF. A Fazenda Nacional contesta esta conclusão, destacando que a constituição do crédito tributário se deveu a decisão proferida pelo extinto Conselho de Contribuintes, no mesmo processo, por intermédio do acórdão nº 10413.396, onde concluiu que a DCTF não preencheria os requisitos essenciais para formalização e exigência do crédito tributário respectivo. O recurso especial é tempestivo e, no caso vertente, assenta se na possibilidade de questionar decisão não unânime de Câmara, quando contrária à lei ou evidência de prova, e, muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, foi recepcionado, por assim dizer, em norma de caráter transitório, como aplicável às decisões prolatadas em sessões de julgamento realizadas até 30/06/2009, de modo que, em Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 7 6 tais hipóteses, nos termos do artigo 4° daquele ato administrativo, seriam processados de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Nesta senda, verificase que o aresto em destaque foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça manejada arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto da contrariedade à lei exigido para seu cabimento. Vale destacar, ainda, a existência de uma divergência interna de entendimentos, uma vez que este Conselho Administrativo já se manifestou neste processo em duas oportunidades, sendo que as conclusões expostas são diametralmente opostas, o que, por si só, já seria suficiente à admissibilidade do recurso especial. [...]” Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide, ou seja, se é cabível ou não a exigência, por meio de auto de infração, de tributo já declarado em DCTF. No que tange à essa matéria, depreendendose da análise dos autos do processo, entendo da mesma forma que o relator do acórdão recorrido – o que peço licença para transcrever parte do voto: “Por outro lado, para exame do recurso de ofício, conseqüente da exoneração da multa em valor superior ao limite de alçada, há de se considerar que o débito em questão foi espontaneamente declarado em DCTF expresso em Ufir e, portanto, foi integralmente declarado, constituindo, pois, confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário confessado, nos estritos termos do art. 5°, § 1º, do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e, portanto, afastando a possibilidade de lançamento de ofício, com imposição punitiva.” Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 8 7 Eis que entendo que a informação do crédito apresentado em DCTF constitui definitivamente o crédito tributário, em respeito ao art. 5º, § 1º, do Decreto 2.124/84: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.[...]” Frisese tal entendimento o decidido em Recurso Especial 1.120.295/SP – sede de repetitivo que traz que a entrega de DCTF constitui o crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência. Eis o que segue (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. 1. O prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 9 8 vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis : "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva . Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor." 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 10 9 (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis : "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." [...]” Tal decisão há de ser observada pelos Conselheiros, conforme art. 62, § 2º, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões. Necessário para tanto que revisitemos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou DCTF, espelho à efl. 74, confessando débitos de diversos tributos relativos ao fato gerador de novembro/1993. Tendo recebido cobrança dos referidos débitos, o contribuinte insurgiuse com a forma de cálculo do valor devido, em face da mudança da data de vencimento e também do critério de sua conversão em UFIR. Desta forma, apresentou a petição de efls. 40/42. Referida petição foi recebida como impugnação e encaminhada para julgamento pela DRJ/RJ. A DRJ/RJ proferiu a decisão de efls. 78/88, consubstanciada na seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS e COFINS PERÍODOBASE DE 11/93 CONVERSÃO DO VALOR DO DEBITO DECLARADO EM QUANTIDADE DE UFIR PARA CRUZEIROS REAIS VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO INTRODUZIDO AUTOMATICAMENTE PELO SISTEMA DE PROCESSAMENTO DE DCTF CONTRA O QUAL INSURGE SE O CONTRIBUINTE LITÍGIO INSTAURADO CONTRA EXIGÊNCIAS RESULTANTES DOS CRITÉRIOS CONSUBSTANCIADOS EM NOTIFICAÇÃO EXPEDIDA NO ATO DA ENTREGA DA DCTF E EM DARF DE COBRANÇA AUTOMÁTICA Reveste a natureza juridica, de impugnação, na forma do artigo 16 do Decreto n° 70235/72, a reclamação formalizada contra o critério legal de conversão do valor do débito declarado em UF1R para cruzeiros reais adotado pela repartição e de vencimento da obrigação atribuido automaticamente pelo sistema de DCTF, do qual resultou cobrança por processo eletrônico, consubstanciada em DARF expedidos para o contribuinte, exigindo recolhimento de diferenças, por imputação de pagamento, quando esses critérios lido se encontravam explicitados na notificação contida no recibo de entrega da DCTF e decorreram de aplicação de MP cuja eficácia, em face da interpretação do artigo 62, parágrafo único da Constituição Federal, é questionada. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 12 11 PRAZO DE VIGÊNCIA DE MEDIDA PROVISÓRIA DA MP 368193 Na contagem do prazo previsto no artigo 62, parágrafo único da Constituição Federal, para que o Congresso Nacional converta em lei medida provisória, excluise o dia do inicio e incluise o do vencimento. Exigência fiscal procedente. Mantida a exigência, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, efls. 91/97. A seguir, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferiu o Acórdão nº 10413.396, efls. 100/107, com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AVISO DE COBRANÇA Simples aviso de cobrança, ainda que concretizado em D.A.R.F., não preenche qualquer das formalidades essenciais, a que se reporta o artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, para a constituição e exigência de crédito tributário em favor da União. D.C.T.F A D.C.T.F constitui obrigação acessória, ainda que assuma o caráter de confissão de divida, artigo 5° do Decretolei n° 2.154/88; porém, não preenche os requisitos essenciais á formalização e exigência de crédito tributário em favor da União. (...) ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR os autos em face de não haver lançamento regularmente constituído, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Como se depreende, o Conselho de Contribuintes anulou todos os atos constantes do presente processo, com o entendimento de que para a exigência do referido crédito tributário seria necessário efetuar o lançamento por meio de auto de infração. Desta forma foram efetuados os lançamentos dos tributos, CSLL, PIS e Cofins, consubstanciados às efls. 111/134, por meio de Notificações de Lançamentos, com aplicação de multa de ofício correspondente a 100% do valor dos tributos. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de efls. 135/138. A impugnação foi levada a julgamento pela DRJ/RJ, efls. 148/153, a qual proferiu decisão mantendo parcialmente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, efls. 162/167. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 13 12 Por determinação do Conselho de Contribuintes, os débitos da CSLL, foram retirados do presente processo, permanecendo somente os débitos do PIS e da Cofins Despacho de efl. 187 e 192. Em seguida, por meio do Acórdão nº 20309.346, efls. 205/209, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, anulou a decisão da DRJ e determinou o retorno dos autos para que fosse proferida outra decisão na forma e requisitos adequados. Atendendo o determinado, a DRJ/RJ proferiu o Acórdão nº 6.930, efls. 221/231, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI — ARGUIÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA A autoridade administrativa não tem competência legal para se pronunciar sobre argumentos de inconstitucionalidade de MP ou de Lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. VALORES INFORMADOS EM DCTF — É inaplicável a multa de oficio sobre os valores dos débitos já declarados em DCTF, apresentada antes do inicio da ação fiscal. Lançamento Procedente em Parte Referida decisão, manteve a exigência dos tributos e cancelou a aplicação da multa de ofício sob o fundamento de que se tratava de débitos declarados em DCTF. Na oportunidade foi apresentado o recurso de ofício em relação a dispensa da multa. Inconformado, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário, efls. 244/258. Referidos recursos, de ofício e voluntário, foram julgados pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 20403.229, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/11/1993 a 30/11/1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 14 13 É incabível a exigência da multa de oficio no lançamento de valores de tributos que, embora não pagos, foram declarados em DCTF, com natureza de confissão expressa de divida. Recurso de Oficio Negado. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. É incabível a exigência, por meio de auto de infração, de tributo já declarado em DCTF. Recurso Voluntário Provido Pois bem, da referida decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, sendo o cerne da lide responder se é cabível ou não a exigência, por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, de tributo já declarado em DCTF. A decisão recorrida e a relatora entendem não ser possível a manutenção da exigência por meio de notificação de lançamento, consubstanciados sobretudo no que dispõe o art. 5º, § 1º, do DecretoLei nº 2.124/84, in verbis: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.[...] É evidente que tal dispositivo concedeu força de confissão de dívida à DCTF. Porém não afastou a validade de auto de infração ou notificação de lançamento, regularmente constituídos nos termos do que dispõe o Decreto nº 70.235/72. Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 15 14 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Da mesma forma que a decisão do STJ transcrita pela relatora, também reforça o caráter de confissão de dívida da DCTF, mas de forma alguma impede a constituição de um débito declarado por meio de Notificação de Lançamento ou Auto de Infração. Confira o seguinte trecho destacado da ementa da decisão do STJ: (...) 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis : "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Não tenho dúvida que o comando que emana da referida decisão é favorável à Fazenda Nacional, ou seja, a simples entrega da DCTF é suficiente para a exigência do crédito tributário, sendo dispensada qualquer outra medida por parte do Fisco. Ou seja, é da conveniência do Fisco tomar ou não outras medidas assecuratórias para exigir o crédito tributário declarado e confessado. Naturalmente que essas medidas adicionais devem estar prescritas em lei e não podem cercear o direito de defesa do contribuinte. Como já vimos, há previsão legal para constituir o crédito tributário por meio de Notificação de Lançamento, que é o caso. As notificações de lançamentos obedeceram as formalidades legais, não trazendo nenhum prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. As decisões de piso já afastaram o excesso do lançamento ao descontituir a exigência da multa de ofício. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10768.016419/9428 Acórdão n.º 9303004.908 CSRFT3 Fl. 16 15 Ademais, no presente caso, não era interesse do Fisco a emissão das Notificações de Lançamentos. Elas decorreram de decisão do Conselho de Contribuintes que entendeu ilegal a cobrança sem a efetivação do lançamento. Não se está cobrando um centavo a mais do que o próprio contribuinte já confessou ser devedor. Portanto cancelar o presente lançamento significa dispensar a exigência de tributo previsto em Lei. Reforço, que neste mesmo sentido vem decidindo esta turma da CSRF conforme Acórdão nº 9303004.221, proferido na sessão de 10/08/2016, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 30/11/2002 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão dos débitos em DCTF dispensa, mas não impede, sua constituição por meio de lançamento de ofício. De forma que voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para análise das questões de mérito ainda não apreciadas. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 813DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901005/2009-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de novembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de novembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de novembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (CSLL) do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 10 05 /2 00 9- 69 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 9101002.909 CSRFT1 Fl. 3 2 saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 9101002.909 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 9101002.909 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 9101002.909 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10166.901005/200969 Acórdão n.º 9101002.909 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 13836.000497/99-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE
RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO.
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude
de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE.
Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de
jurisdição.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 303-31.064
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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PROCESSOW SESSÂO DE ACÓRDÂON° RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA ~---MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 13836.000497/99-16 06 de novembro de 2003 303-31.064 126.518 HOTEL DAS FONTES S.A DRJICAMPINAS/SP FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRlBUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida Provisória n° 1.110, de 30/08/95. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. Não havendo análise do pedido de restituição/compensação, anula-se a decisão de primeira instância, devendo outra ser proferida em seu lugar, em homenagem ao duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência e declarar a nulidade do processo a partir da decisão de Primeira Instância, inclusive, na fonna do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto. Brasília-DF, em 06 de novembro de 2003 /IRINEU BIANCHI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZEN ALDO LOIBMAN, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. 'me MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR 126.518 303-31.064 HOTEL DAS FONTES S/A. DRJ/CAMPINAS/SP IRINEU BIANCHI RELATÓRIO O relatório da decisão recorrida é o seguinte: "Trata o presente processo de pedido de restituição e compensação da contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial, relativa à parecela recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), referente ao período de apuração de outubro de 1989 a março de 1992. A autoridade fiscal indeferíu o pedido (fls. 40/42), sob a alegação de que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decai do, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (ST), no exercício dos controles difuso e concentrado da constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contado da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. O contribuinte impugnou o despacho decisório em 29/06/2000 (fls. 55170). Alegou, em síntese e fundamentalmente, que: - sendo a contribuição denominada Finsocial sujeita à homologação após o pagamento, conclui-se que a extinção do crédito tributário ocorre somente após decorrido o prazo de 10 (dez) anos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido, conforme artigo 122 do Decreto n° 92.698, de 21 de maio de 1986. - com fundamento no Parecer Cosit n° 58, de 27 de outubro de 1998, a impugnante alega que também teria uma contagem favorecida do prazo decadencial para a repetição de possível indébito de tributo pago com base em lei declarada inconstitucional, i.é." 5 (cinco) anos, 'contados da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição', in casu, a data da publicação da Resolução do Senado Federal nO49, de 10 de outubro de 1995. - aduz ainda que o estinção do crédito 2 ! I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° - 126.518 303-31.064 lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 (dez) anos: 05 para a homologação tácita e mais 05 para o exercicio do direito à restituição de recolhimcnto indevido. Ao final, com base nas razões apresentadas, o contribuinte requer a improcedência do despacho que detem1inou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu legitimo direito à restituição dos valores pagos a maior a título de Finsocial." Remetidos os autos à DRJ/CPS, seguiu-se a decisão singular de fls. 146/151, que indeferiu a solicitação, estando a mesma assim ementada: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunalk Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Cientificada da decisão (fls. 154), tempestiv interpôs o Recurso Voluntário de fls. 155/172, tomando a arg impugnação. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° recurso. 126.518 303-31.064 VOTO Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do A decisão guerreada afastou a pretensão do contribuinte, sob o entendimento de que o direito para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, considerada esta como sendo a data do efetivo pagamento. Primeiramente há que se estabelecer o marco inicial para a contagem do prazo de que dispõe o contribuinte para pedir a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. Segundo a letra fria da lei (CTN, art. 168,1, c/c art. 165,1), o direito de pleitear a restituição de tributo indevido ou pago a maior, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário (grifei). A corrente jurisprudencial dominante nos tribunais superiores fixou- se no sentido de que a extinção do crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, podendo ser sintetizada na seguinte ementa: À luz do CTN esta Corte desenvolveu entendimento no sentido de computar a partir do fato gerador, prazo decadencial de cinco anos e, após, mesmo não se sabendo qual a data da homologação do lançamento, se este não ultrapassou o quinqüidio, computar mais cinco anos (STJ, AgRg-Resp. 251.831/GO, 2" T. ReI" Min. ELIANA CALMON,DJU 18/02/2002). Para corroborar o entendimento, observe-se que na data de 29 de julho do corrente ano, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, em caráter de urgência, o Projeto de Lei Complementar nO73, cujo artigo 3° diz: Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ~ 1° do art. 150. Ora, a introdução no CTN de dispositivo legal 5J.o caráter interpretativo, representa o reconhecimento inequívoco Po/ pa Executivo da linha de entendimento majoritário dos tribunais supe ores, justamente com a alteração legal emprestar-lhe entendimento contrá .0. ========4========== do de mero e do Poder retendendo ,-~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 Então, à primeira vista e em condições normais, o direito de pleitear a restituição inicia-se na data do pagamento do crédito tributário e estende-se por 10 (dez) anos. No entanto, o próprio STJ tem entendido que, nos casos em que houver declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, o dies a quo do prazo prescricional da ação de restituição de indébito não está prevista no CTN. Criou-se, então, corrente jurisprudencial segundo a qual o inicio do prazo prescricional de 5 (cinco) anos é a declaração de inconstitucionalidade na via incidental, que no meu entender não se aplica aos pedidos de restituição nas vias administrativas. É o caso dos autos. Ocorreu a declaração de inconstitucionalidade do Finsocial pago a maior em relação ao aumento de alíquotas, veiculada pela Lei n° 7.689/88, declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Acórdão RE n° 150.7864- IIPE, DJU de 02/04/93. Tal circunstância por si só não modificou o entendimento jurisprudencial supra, segundo o qual o prazo se alarga por 10 (dez) anos, uma vez que não houve a expedição de Resolução pelo Senado Federal. É cediço que toda lei traz como pressuposto elementar a sua conformidade com a Lei Maior. Os tributos assim exigidos não podem ser rotulados de indevidos ou pagos a maior, e enquanto a lei não for retirada do mundo juridico, não pode o contribuinte eximir-se da obrigação de que é destinatário. Desta maneira, não se pode considerar inerte o contribuinte que, em razão da presunção de constitucionalidade da lei, obedeceu aos seus ditames, já que a inércia é elemento indispensável para a configuração do instituto da prescrição. Tanto isto é verdade que o direito à restituição da parte que litigou com a União Federal no processo que originou o RE n° 150.764-IIPE, nasceu apenas a partir do julgamento do mencionado recurso, enquanto que os demais contribuintes não foram alcançados pelos efeitos erga omnes daquela decisão. Embora o Pretório Excelso tenha cumprido o ritual estabelecido pela Carta Magna, comunicando o julgamento ao Senado Federal, este demitiu-se do seu dever constitucional, deixando de expedir a competente Resolução para extirpar do mundo jurídico a norma inquinada de inconstitucional. Os argumentos do relator da matéria, Senador Almir Lando atentam contra a independência dos Poderes, porquanto, o que qualifica o jul ento não é o resultado obtido na votação (que in casu deu-se por seis votos contr cinc ) mas o que se decidiu. Seria o mesmo que o STF retirar do mundo jurídico uma I i que fosse aprovada no Congresso Nacional por maioria simples. r ====5 _ ======='= MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31:064 Assim sendo, o prazo para pleitear a restituição, ao menos na via administrativa, continuou sendo de 5 (cinco) anos a contar da homologação - expressa ou tácita - do tributo pago de forma antecipada, consoante o entendimento jurisprudencial suso referido. Com o advento da Medida Provisória n° 1.110, publicada no 0.0. U. de 31 de agosto de 1995, a exigência do Finsocial em percentual superior a 0,5% tomou-se indevida, já que o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade daquela norma, explicitando na respectiva mensagem ao Congresso Nacional, verbis: Cuida, também, o projeto, no art. 17, do cancelamento de débitos de pequeno valor ou cuja cobrança tenha sido considerada inconstitucional por reiteradas manifestações do Poder Judiciário, inclusive decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. Em sendo assim, o tributo indevido ou pago a maior a que alude o art. 165, I, do CTN, passou a ser assim considerado a partir da publicação da MP 1.I 10/95. Logo, somente a partir desse momento é que nasceu efetivamente o direito dos contribuintes postularem perante a Administração Tributária a restituição dos valores recolhidos a maior. De outra parte, se é certo que a MP em questão não refere a hipótese de restituição de tributos, também é certo que desde a Medida Provisória n° 1.621-36, de 10 de junho de 1998, bem assim suas sucessivas reedições, até o advento da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, ficou estabelecido que o disposto no caput não implica em restituição ex affieia de quantia paga. Ademais, o art. 27, da citada Lei n° 10.522, diz que "não cabe recurso de oficio das decisões prolatadas, pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo. em processos relativos a restituição de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados ". Ora, se a Lei diz expressamente que o que nela se dispõe não implica em restituição ex officio, e se não comporta recurso de oficio acerca das decisões prolatadas em processos relativos à restituição de impostos e contribuições administrados pela SRF, segue-se que a restituição pleiteada na via administrativa é de todo pertinente. Outrossim, o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da MP 1.110/95, teve respaldo oficial através do Parecer Cosit n° 58, de 27 de outubro de 1998. Analisando dito Parecer, fica claro que tal ato abordou o a unt de forma a não deixar dúvidas, razão pela qual transcrevo o seu inteiro teor, adotan o-o como fundamentos do presente voto: _=============<6======='~- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 126.518 303-31.064 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tunc. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES. Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não- participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da lei. Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato especifico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passiveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Dispositivos Legais: Decreto nO 2.346/1997, art. 1°; Medida Provisória nO 1.699-40/1998, art. I 8, ~ 2°; Lei nO 5. I72/1966 (Código Tributário Nacional), art. 168. RELATÓRIO As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude de lei declarada inconstitucional, com os seguintes questionamentos: a) Com a edição do Decreto nO2.346/1997, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional passam a admitir eficácia ex tunc às decisões do Supremo Tribunal Federal que declaram a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção? b) Nesta hipótese, estariam os delegados e i petor s da Receita Federal autorizados a restituir tributo cobr do cO! declarada inconstitucional pelo STF? 7 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA -RECURSO N°- ACÓRDÃO N° :-126.518- : 303-31. 064 c) Se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo inicial para a contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 168 do CTN: a data do pagamento efetuado ou a data da interpretação judicial? d) Os valores pagos à título de Finsocial, pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas no que excederam à 0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n° 7.68911988, art. 9° e conforme Leis nOs 7.787/1989 e 8.14711990, acrescidos do adicional de O, I% (zero vírgula um por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do Decreto- lei 2.39711987, art. 22, podem ser restituídos a pedido dos interessados, de acordo com o disposto na Medida Provisória nO 1.621-3611988, art. 18, S 2°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para o pedido de restituição? e) Na ação judicial o contribuinte não cumula pedido de restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis nOs 2.445/1988 e 2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei Complementar n° 7/1970. Para que seja afastada a decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de restituição do indébito? f) Considerando a IN SRF n' 2111997, art. 17, S I', com as alterações da IN SRF n' 7311997, que admite a desistência da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário, para pleitear a restituição/compensação na esfera administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o ajuizamento da ação ou da data do pedido na via administrativa)? Há que se falar em prazo prescricional ("prazo para pedir")? O ato de desistência, por parte do contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de direito já conquistado pelo autor, vez que o CTN não prevê a data do ajuizamento da ação para contagem do prazo decadencial, o que justificaria o autor a prosseguir na execução, por ser mais vantajoso? FUNDAMENTOS LEGAIS 2. A Constituição de 1988 firmou no Brasil o/~a jurisdicional de constitucionalidade pelos métodos do con role cohcentrado e do controle difuso. \ _ I 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 :_303-31.064-- -- 3. O controle concentrado, que ocorre quando um único órgão judicial, no caso o STF, é competente para decidir sobre a inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta de inconstitucionalidade ADln e pela ação declaratória de constitucionalidade, onde o autor propõe demanda judicial tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou constitucionalidade da lei, e não um caso concreto. 4. O controle difuso - também conhecido por via de exceção, controle indireto, controle em concreto ou controle incidental (incidenter tantum) - ocorre quando vários ou todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a inconstitucionalidade de lei ou norma. 4.1 Esse controle se exerce por via de exceção, quando o autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja, paralelamente à discussão principal, o debate sobre a inconstitucionalidade da norma, querendo, com isso, fazer prevalecer a sua tese. 5. Com relação aos efeitos das declarações de inconstitucionalidade ou de constitucionalidade, no caso de controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga omnes); no plano temporal, efeitos ex tunc (efeitos retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da nonna); e, administrativamente, têm efeito vinculante. 5.1 Os efeitos da ADln se estendem além das partes em litígio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma, desvinculada de um caso concreto. Tal declaração atinge, portanto, a todos os que estejam implicados na sua objetividade. 5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de Inconstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda a execução da lei ou do ato normativo inquinado de inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts. 169 a 178). 6. Passando a analisar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, devem ser consideradas duas possibilidades, posto que, no tocante ao caso concreto, à lide em si, os efeitos da declaração estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no processo, vale di er, têm efeitos interpartes; em sua dimensão temporal, parac~as esmas partes, teria efeito ex tunc. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 6.1 No que diz respeito a terceiros não-participantes da lide, tais efeitos somente seriam os mesmos depois da intervenção do Senado Federal, porquanto a lei ou o ato continuariam a viger, ainda que já pronunciada a sentença de inconformidade com a Constituição. É o que se depreende do art. 52 da Carta Magna, verbis: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: x - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; 7. Vale dizer, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade obtida pelo controle difuso somente alcançam terceiros, não- participantes da lide, se for suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo Senado Federal. 7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constitucionalista José Afonso da Silva: ••... A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do artigo 52, X; ..." 8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação ao controle difuso, a doutrina não é pacífica, entendendo alguns que seriam ex tune (como Celso Bastos, Gilmar Ferreira Mendes) enquanto outros (como José Afonso da Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex nune (impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não desconstituiria, por si só, os atos juridicos perfeitos e acabados e as situações definitivamente constituidas). 9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na mais autorizada doutrina, conforme o Parecer PGFN nO1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição definida no sentido de que a Resolução do Senado Federal que declarasse a inconstitucionalidade de lei seria dotada de efeitos ex nune. 9.1 Contudo, por força do Decreto nQ 2.346/1997 aquele órgão passou a adotar entendimento diverso, manife ado no Parecer PGFNICA T/nQ 437/1998. 10. Dispõe o art. I° do Decreto nO2.346/1997: ===10- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta ou indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. S 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a ínconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia "ex tunc", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucíonal não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. S 2° O dispositivo no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. 11. O citado Parecer PGFN/CAT/no 437/1998 tomou sem efeito o Parecer PGFN nO 1.185/1995, conclui do que "o Decreto nO 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a Administração Pública Federal, o efeito ex (une ao ato do Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF". 11.1 Em outras palavras, no controle de constítucionalidade difuso, com a publicação do Decreto n" 2.346/1997, os efeitos da Resolução do Senado foram equiparados aos da ADIn. 12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, seja por via de controle concentrado, seja por via de controle difuso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato normativo declarado inconstitucional. 12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4°, que o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional possam adotar, no âmbito de suas competências, decisões definitivas do STF que declarem a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato nonnativo que teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado. 13. Com relação à segunda questão, a resposta que delegados/inspetores da Receita Federal podem 11 MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 12 RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pclo STF. Isto porque, no caso de contribuintes que não foram partes nos processos que ensejaram a declaração de inconstitucionalidade - no caso de controle difuso, evidentemente - para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tcnha sido pago com basc em lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeitos erga omnes, o que, já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese prevista no art. 4. do Decreto n. 2.34611997. 14. Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção à ela, determinada pela Medida Provisória n. 1.699- 4011998, art. 18 ~ 2. , que dispõe: Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: ~ 2. O disposto neste artigo não implicará restituição "ex o/fido" de quantias pagas. 15. O citado artigo consta da MP que dispõe sobre o CADIN desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n. 1.11011995, art. 17), tendo havido, desde então, três alterações em sua redação. 15.1 Duas das alterações incluíram os incisos VlIl (MP n. 1.244, de 14/12/95) e IX (MP n. 1.490-15, de 31/10/96) entre as hipóteses de que trata o copul. 16. A terceira alteração, ocorrida em 10/0611998 (MP n. 1.621-36), acrescentou ao ~ 2. a expressão "ex ojficio". Essa mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao entendimento de que, só a partir de então, poderia ser procedida a restituição, quando requerida pelo contribuinte; antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto ao Poder Judiciário. 16.1 Salienta-sc que, nos termos da Lei n. 4.65711942 (Lei de Introdução ao Código Civil), art. 1., ~ 4., as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 17. Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos que acompanhou a proposta de alteração, o disposto n 2. "consiste em norma a ser observada pela Administração Trirutaria pois esta não pode proceder ex ojfido, até por imposslbilidad material e ~'= .. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON° 126.518 303-31.064 insuficiência de informações, eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex ojJicio visou, portanto, tão-somente, dar mais clareza e precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova, razão pela qual não há que se falar em lei nova. 18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder á restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP nO1.699/1998. art. 18, antes mesmo que fosse incluida a expressão "ex ojJicio" ao S 2°. 19. Com relação ao questionamento da compensação/restituição do Finsoeial recolhido com alíquotas majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram declaradas inconstitucionais pelo STF em diversos recursos - como as decisões do STF são decorrentes de incidentes de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes envolvidas no processo (a União e o contribuinte que ajuizou a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito tributário neste caso. 19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é uma das hipóteses em que a MP nO 1.699-40/1998 permite, expressamente, a restituição (art. 18, inciso Ill), razão pela qual os delegadoslinspetores estão autorizados a procede-la. 19.2 O mesmo raciocínio vale para a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela SRF, devendo ser salientado que o interessado deve, necessariamente, pleiteá-Ia administrativamente, mediante requerimento (IN SRF nO21/1997, art.12), inclusive quando se tratar de compensação Finsocial x Cofins (o ADN COSIT nO15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma espécie). 20. Ainda com relação à compensação Finsocial x Cofins, o Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF nO32/1997, art. 2°, havia decidido, verbis: Art. 2° - Convalidar a compensação efetiva pelo contribuinte, com a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9° da Lei nO7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a , oo (meio por cento), conforme as Leis nos 7.787, de 30 e jun o de 1989, ========- -13====~====_== .. MINlSTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO NO 126.518 303-31.064 -- 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercicio de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto-lei n' 2.397, de 21 de dezembro de 1987. 20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei n' 9.430/1996, art. 77, e no Decreto n' 2.194/1997, S I' (o Decreto n' 2.346/1997, que revogou o Decreto n' 2.194/1997, manteve, em seu art. 4', a competência do Secretário da Receita Federal para autorizar a citada compensação ). 21. Ocorre que a IN SRF n' 32/1997 convalidou as compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a Cofins, que tivessem sido realizadas até aquela data. Tratou-se de ato isolado, com fim especifico. Assim, a partir da edição da IN, como já dito, a compensação só pode ser procedida a requerimento do interessado, com base na MP n' 1.699-40/1998. 22. Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art. 168 do CTN estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, contados da data da extinção do crédito tributário. 23. Como bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercicio durante certo lapso de tempo" (Curso de Direito Tributário, 7' ed., 1995, p.311). 24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10' ed., Forense, Rio, p. 570), que entende que o prazo de que trata o art. 168 do CTN é de decadência. 25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável; que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, era a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contríbuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o inicio da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos erga omnes, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após ublicação da Resolução do Senado ou após a edição de to e ecifico da 14 . . MlNJSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 :_303-31.064 - Secretária da Receita Federal (hipótese do Decreto n' 2.346/1997, art. 4'). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por meio de ADln, o tenno inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF. 27. Com relação às hipóteses previstas na MP n' 1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o contribuinte não- participante da ação possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação: a) da Resolução do Senado n' 11/1995, para o caso do inciso I; b) da MP n' 1.110/1995, para os casos dos incisos II a VII; c) da Resolução do Senado n' 49/1995, para o caso do inciso V111; d) da MP n' 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. 28. Tal conclusão leva, de imediato, à resposta à quinta pergunta. Havendo pedido administrativo de restituição do PIS, fundamentando em decisão judicial específica, que reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-leis n" 2.445/1988 e 2.44/1988 e declara o direito do contribuinte de recolher esse contribuição com base na Lei Complementar n' 7/1970, o pedido deve ser deferido, pois desde a publicação da Resolução do Senado n' 49/1995 o contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação o respectivo pedido de restituição - tem esse direito garantido. 29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do Finsocial, o Decreto n' 92.698/1986, art. 122, estabeleceu o prazo de 10 (dez) anos, conforme se verificar em seu texto: Art. 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados (Decreto-lei n' 2.049/83. art. 9'). I - da data do pagamento ou recolhimento indevido; 11- da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." 30. Inobstante o fato de os decretos terem força v' culante para a administração, conforme assinalado no p pa do Parecer 15 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 _ ---- ---- 16 1. quando ocorrer a suspensão da normativo pelo Senado; ou PGFN/CAT/no 437/1998, o dispositivo acima não foi recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razão pela qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os demais tributos e contribuições administrados pelo SRF, ou seja, 5 (cinco) anos (CTN, art. 168), contado da forma antes determinada. 30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cofins, o prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto nO 2.173/1997, art.78 (este Decreto revogou o Decreto nO612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo). 31. Finalmente a questão acerca da IN SRF nO21/1997, art. 17, com as alterações da IN SRF nO73/1997. Neste caso, não há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista que a desistência do interessado só ocorreria na fase de execução do título judicial. O direito à restituição já teria sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não cabendo à administração a análise do pleito de restituição, mas, tão-somente, efetuar o pagamento. 31.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do título judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor, trata-se de juízo a ser firmado por ele, tendo em vista que a desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na esfera administrativa pode ser medida interessante para alguns, no sentido de que pode acelerar o recebimento de valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em geral, mais demorado (emissão de precatório). CONCLUSÃO 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo que: a) As decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção, têm eficácia ex tune; b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, desde que a declaração de inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta; ou, se na via indireta: ""'""Q0 ",o ===== MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 2. quando o Secretário da Receita Federal editar ato específico, no uso da autorização prevista no Decreto nº 2.346/1997, art.4º; ou ainda, 3. nas hipóteses elencadas na MP nº 1.699-40/1998, art. 18; c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não- participantes da lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto nº 2.346/1997, art. 4º), bem assim nos casos permitidos pela MP nº 1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicação: I. da Resolução do Senado nº 11/1995, para o caso do inciso 1; 2. da MP nº 1.110/1995, para os casos dos incisos 11a Vll; 3. da Resolução do Senado nº 49/1995, para o caso do inciso Vlll, 4. da MP nº 1.490-15/1996, para o caso do inciso IX. d) os valores pagos indevidamente a título de Finsocial pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP nº 1.699- 40/1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de pedido de restituição/compensação desde a edição da MP nº 1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco anos); e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a maior com base nos Decretos-leis n'" 2.445/1988 e 2.449/1988, fundamentados em decisão judicial específica, devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contando da data de publicação da Resolução do Senado nº 49/1995; t) na hipótese da IN SRF nº 21/1997, art. 17, S lº, com as alterações da IN SRF nº 73/1997, não há que se falar em prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se de decisão já transítada em julgado, constituindo, apenas, u rerrogativa do oootriboio",oom,i"" '" ""bimoo,", =( moi,'~l, 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-3 L064- ---- ------ ---- de valor a que já tem direito (a desistência se dá na fase de execução do titulo judicial). Assim, o entendimento da administração tributária vazado no citado Parecer vigeu até a edição do Ato Declaratório SRF nO096, de 26 de novembro de 1999, publicado em 30/11/99, quando este pretendeu mudar o entendimento acerca da matéria, desta feita arrimado no Parecer paFN n° 1.538/99. O referido Ato Declaratório dispôs que: 1 - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Sem embargo, o entendimento da administração tributária era aquele consubstanciado no Parecer COSIT n° 58/98. Se debates podem ocorrer em relação à matéria, quanto aos pedidos formulados a partir da publicação do AD SRF n° 096, é indubitável que os pleitos formalizados até aquela data deverão ser solucionados de acordo com o entendimento do citado Parecer, pois quando do pedido de restituição este era o entendimento da administração. Até porque os processos protocolados antes de 30/11/99 e julgados, seguiram a orientação do Parecer. Os que embora protocolados mas que não foram julgados haverão de seguir o mesmo entendimento, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual. Entendo, outrossim, que mesmo após o advento do AD SRF 096/99, o inicio da contagem do prazo prescricional é da publicação da MP 1.110, uma vez que naquele diploma legal, expressamente, o Sr. Presidente da República admitiu que a exigência era inconstitucional, como adrede referido. Entendo ainda que não se aplica ao caso presente o disposto no art. 73 da lei 9.430/66, porquanto o S 3°, do art. 18, da lei de conversão da MP 1.110- (Lei n° 10.522) que lhe é posterior, dispõe sobre a restituição, vedando que a mesma se dê ex o.fficio e silenciando quanto às demais formas, enquanto que o art. 27 veda o recurso oficial das decisões administrativas que concedam a restituição. Logo, interpretando o diploma legal de forma harmônica, fica afastada a incidência do art. 73 retro mencionado, bem como, fica evidenciada a possibilidade da restituição nas vias administrativas. Finalmente, as restrições apontadas no Parecer 3401/2002, aprovado no Despacho do Exmo. Sr. Ministro da Fazend ==================.===18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.518 303-31.064 D.O.U. de 2 de janeiro de 2003, não podem obstar o reconhecimento do direito creditório do recorrente. Consta do Despacho do Sr. Ministro da Fazenda que: I) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constitui do, previstas no art. 18 da Medida Provisória n. 2.176-79/2002, convertida na lei nO 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam a situação de créditos tributários que ainda não estivessem extintos pelo pagamento No item "I", estão englobados os casos que são objetivados pelo Parecer, ou seja, onde houve o questionamento judicial e as decisões foram favoráveis à Fazenda Nacional, o que não é o caso dos presentes autos, vez que não há qualquer noticia de que a parte interessada pleiteou a restituição perante o Poder Judiciário, sem sucesso. Já o item "2" pretende dizer mais do que a própria Medida Provisória n° 1.110/95, que admitiu a inconstitucionalidade da exigência de que tratam os presentes autos. Há que se dizer também que as conclusões do Parecer em comento, na parte que restringe o direito à restituição fora dos casos já analisados pelo Poder Judiciário, encontram-se a descoberto de qualquer motivação, o que o toma inválido neste particular, porquanto a motivação é elemcnto obrigatório na constituição de qualquer Ato Administrativo. Fixada a data de 31 de agosto de 1995 como o termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição da contribuição paga indevidamente o termo final ocorreu em 30 de agosto de 2000. In casu, o pedido ocorreu na data de 10 de novembro de 1999, logo, dentro do prazo prescricional. Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela decadência, de modo que afasto a preliminar levantada pela Tu Julgadora e anulo o processo a partir da dccisão recorrida, inclusive, determinando/qu seja examinado o seu pedido, apurando-se a existência ou não dos alegados créditos, bem como, em se ===== 19 - =='== • ___ -- MINISTÉRIO DAFAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° : 126.518 _ -=- ACÓRDÃO-N~o --:-303-31,064 apurando a existência dos mesmos, se já foram utilizados pela contribuinte e/ou se foram objeto de anterior apreciação judicial. as Sessões, em 06 de novembro de 2003 IRINEU BIANCHI - Relator 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000771/2008-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. Em seguida, dar ciência ao contribuinte dos despachos de exame de admissibilidade e respectivo reexame, bem como do relatório da diligência, com abertura do prazo de trinta dias para manifestação exclusivamente quanto ao relatório, com retorno à conselheira relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. Em seguida, dar ciência ao contribuinte dos despachos de exame de admissibilidade e respectivo reexame, bem como do relatório da diligência, com abertura do prazo de trinta dias para manifestação exclusivamente quanto ao relatório, com retorno à conselheira relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 77 1/ 20 08 -2 7 Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Resolução nº 9202000.088 CSRFT2 Fl. 215 2 O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.042, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Lançamento que compreende os seguintes Autos de Infração – DEBCAD: a) 37.361.7097 – Patronal – R$ 942.389,32; b) 37.361.7100 – Segurados – R$ 499.716,36; c) 37.361.7119 – Terceiros – R$ 97.383,19; d) 37.361.7089 – Obrigação Acessória – R$ 161.712,00. A notificação ocorreu em 26/01/2012, lavrado em face de LAFIMAN DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS LTDA., por ter deixado de recolher contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre remuneração paga a título de prêmios, mediante a utilização de sistema, que consistia no fornecimento de bônus que poderiam ser trocados por produtos ou serviços em rede de fornecedores oferecidos pela empresa administradora do sistema, assim como parte patronal e terceiros concernentes a valores pagos a empregados irregularmente contratados como estagiários, não incluídos em folhas de pagamento/GFIP, no período compreendido entre 01/2007 a 12/2007. Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração às fls. 584/614. A Secretaria da Receita Previdenciária – Unidade Atendimento em Suzano/SP, prolatou o Acórdão, às fls. 693/709, mantendo procedente o lançamento. Às fls. 739/776, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações anteriores. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 802/820, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário para determinar o recálculo da multa do AI DEBCAD 37.361.7089 de acordo com o art. 32A e dos AI DEBCAD 37.361.710.0, 37.361.7097 e 37.361.7119 de acordo com o disposto no art. 35, caput (art. 61, da Lei 9.430/96), todos da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.491/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ESTÁGIO. PAGAMENTO DE BOLSA DE FORMA IRREGULAR. VIGÊNCIA DA LEI 6.494/77. O pagamento de bolsa a estagiário em desacordo com os requisitos formais e materiais da Lei de regência da relação especial de trabalho, enseja o lançamento de contribuições previdenciárias. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Resolução nº 9202000.088 CSRFT2 Fl. 216 3 PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 822/833, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos para analise sobre dois temas: havendo lançamento das contribuições, juntamente com a multa por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e tal norma deve ser comparada com a soma das multas aplicadas nos moldes do art. 35, inciso II e do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior. Não mais se aplica o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Quanto à aplicação da multa de mora, a Fazenda Nacional entendeu que o aresto recorrido assim como o paradigma foram proferidos após o advento da MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09 e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8212/91. Assim, conforme o acórdão paradigma, entende que o art. 35 da Lei nº 8.212/91 deve agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/09, qual seja, o art. 35A, que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9.430/96. Já o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8.212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/09. Como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu o acórdão recorrido que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Porém, no paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, § 2º da Lei 9.430/96 foi rechaçada de forma expressa. Às fls. 879/882, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando as divergência jurisprudenciais apontadas. De fato, as decisões em comento adotaram critérios distintos em situações semelhantes para os cálculos da multa por descumprimento de obrigação acessória e da multa de mora mais benéfica ao contribuinte. Às fls. 1001/1012, o Contribuinte igualmente interpôs Recurso Especial, alegando que os contratos de estágios restaram desconsiderados e que restou demonstrada a divergência jurisprudencial ao se extrair dos acórdãos paradigmas que os contratos de estágio devem ser considerados, sob pena de flagrante violação ao princípio da verdade material. Às fls. 1078/1079, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade, uma vez que o recorrente deixou de demonstrar analiticamente quais pontos dos paradigmas colacionados divergem de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13971.000771/200827 Resolução nº 9202000.088 CSRFT2 Fl. 217 4 À fl. 1080 foi realizado o reexame de admissibilidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que manteve o despacho do Presidente da Câmara que negou seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente auto de infração em desfavor do recorrente, por ter deixado de recolher contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre remuneração paga a título de prêmios, mediante a utilização de sistema, que consistia no fornecimento de bônus que poderiam ser trocados por produtos ou serviços em rede de fornecedores oferecidos pela empresa administradora do sistema, assim como parte patronal e terceiros concernentes a valores pagos a empregados irregularmente contratados como estagiários, não incluídos em folhas de pagamento/GFIP, no período compreendido entre 01/2007 a 12/2007. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as divergências jurisprudenciais no tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória e à multa de mora. Contudo, observo que o presente processo se encontra com irregularidades processuais a serem sanadas, e por esta razão converto o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para levantar os débitos e respectivos recolhimentos de contribuições previdenciárias patronais, dos segurados e destinada a terceiros sobre a remuneração dos segurados empregados sobre a folha de pagamentos, contribuintes individuais e cooperativas de trabalho, nas competências de 12/2002 a 03/2003, e para elaborar relatório conclusivo. Em seguida, dar ciência ao contribuinte dos despachos de exame de admissibilidade e respectivo reexame, bem como do relatório da diligência, com abertura do prazo de trinta dias para manifestação exclusivamente quanto ao relatório, É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37313.004083/2003-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/05/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE.
Entendendo a autoridade fiscal, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o Fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades ou mesmo abrir um procedimento de fiscalização no bojo do pedido de restituição.
Numero da decisão: 2301-004.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/05/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo a autoridade fiscal, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o Fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades ou mesmo abrir um procedimento de fiscalização no bojo do pedido de restituição.
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RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo a autoridade fiscal, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o Fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades ou mesmo abrir um procedimento de fiscalização no bojo do pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 3. 00 40 83 /2 00 3- 43 Fl. 4502DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Em 25/11/2003, a ora Recorrente protocolou Requerimento de Restituição de Retenção – RRR com o objetivo de reaver o valor originário de R$ 433.951,39 que foi retido na fonte e recolhido por tomadores de serviço a título de contribuição previdenciária, nos moldes do art. 31 da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei n° 9.711/98), relativos aos meses de competência 03/1999, 04/1999 e 05/1999. A composição do crédito a restituir é a seguinte (fls. 244): Os principais acontecimentos processuais encontramse resumidos no relatório do acórdão recorrido, merecendo ser transcrito (fls. 4396): O Requerimento de Restituição da Retenção — RRR, protocolado em 25/11/2003, encontrase regularmente instruído na forma prevista no art. 207 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 (bem como da IN INSS/DC n° 067/2002, vigente à época do protocolo), conforme documentos de fls. 01 a 816, contendo as Notas Fiscais de Serviços, Resumos das folhas de Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 37313.004083/200343 Acórdão n.º 2301004.952 S2C3T1 Fl. 4.503 3 pagamento e GFIP referentes às competências por ele abrangidas. O referido requerimento seguiu para análise do Serviço de Fiscalização, para despacho conclusivo quanto ao direito à restituição, o qual foi efetuado pelas AFRFB Daniela de Oliveira Cardoso e Nilma Faria, responsáveis, à época, pela fiscalização da empresa, que emitiram o Despacho de fls. 821/827. As auditoras fiscais concluíram que os valores retidos, assim como as informações sobre os fatos geradores das folhas de pagamento foram confirmadas por meio dos registros contábeis da empresa e que, durante a ação fiscal, foram constatados os seguintes fatos: • foram lançados valores devidos ao INSS nas competências constantes do processo de restituição, por meio da NFLD n° 35.675.1538. (diferenças de recolhimento no período de 1999 a 2003) e NFLD n° 35.588.9382 (empresa, SAT, empregados e terceiros, incidentes sobre a remuneração paga a título de vale transporte pago em pecúnia); • nestas mesmas competências, a empresa teve valores retidos sobre notas fiscais de serviços prestados a outros tomadores, os quais não integram o presente pedido, pois já foram totalmente compensados (R$ 136.429,94); • nas competências março e abril de 1999, todos os valores retidos fora devidamente recolhidos pelas tomadoras. Na competência maio/1999, apenas uma empresa não efetuou o recolhimento do valor retido, de R$2.392,11, o que foi objeto de subsidio fiscal, encaminhado ao Serviço de Fiscalização. Sugerem, ao final, o deferimento do pedido de restituição, ressaltando que, com o encerramento da fiscalização, a empresa passou a ter débitos em aberto. Os autos foram analisados pela Agência da Previdência Social/Plano Piloto, em 04/11/2004, que decidiu pelo deferimento do pedido de restituição e recorreu de oficio ao Chefe da Divisão da Receita Previdenciária da Gerência Executiva do DF. O Chefe da Divisão da GEX/DF devolveu o processo à fiscalização para que fosse analisada, de forma pormenorizada, a remuneração da mãodeobra envolvendo a prestação dos serviços e para que se verificasse se a mesma correspondia ao limite mínimo de 40% (quarenta por cento) do valor bruto dos serviços contidos nas Notas Fiscais, conforme previsto na legislação Previdenciária, ante a recomendação da Secretaria Federal de Controle Interno — SFC, para análise apurada das restituições envolvendo retenções de empresas com potencial para prestar serviços de grande vulto. Na Informação Fiscal de fls.1.085/1.090, a auditoria, ao verificar a relação entre o custo da mão de obra e a Fl. 4504DF CARF MF 4 remuneração dos serviços discriminados nas notas fiscais apresentadas, constata que tal relação ficou muito abaixo do limite estabelecido na legislação previdenciária, situação que poderia ensejar a aplicação do critério de aferição indireta (art. 614 e 615 da IN INSS/DC n.° 100/03, vigente à época da análise), em posterior fiscalização, com a análise dos dados contábeis da requerente. Ante a análise acima relatada; foi designado outro Auditor Fiscal para verificar os dados contábeis da requerente, com vistas a confirmar o custo final da mão de obra empregada, abrangendo o contido nas folhas de pagamento e nas notas fiscais de subempreitadas das empresas: Promon Eletrônica Ltda e Getoflex Metzeler Indústria e Comércio Ltda, relativo às competências março, abril e maio de 1999. Por meio da Informação Fiscal de fls. 1092/1094, o Auditor Fiscal conclui; em síntese, que: • em relação às competências 03 a 05/1999, encontrou divergências entre os valores constantes das folhas de pagamento do centro de custos 085/Promon e os valores informados nas notas fiscais de serviços, e que, quando comparados os valores relativos aos serviços prestados com o valor contabilizado como mão de obra (Fopag), os valores dos serviços estariam representando aproximadamente 41 (quarenta e uma) vezes o valor da mão de obra; • que as folhas de pagamento dos centros de custos: 092/Getoflex e 095/Getoflex, na competência 03/99; 065/Promon, 074/Promon, 075/Promon, 082/Promon e 092/Getoflex, em 04/99, não foram anexadas aos autos. Também não foi encontrada a contabilização das despesas com mãodeobra para tais centros de custos nos Livros Diário n.° 15 e 16 e no Razão (Passivo e Custos/Despesas); • a empresa não confeccionou GFIP específica para cada obra. Dessa forma, conclui que os custos com mão de obra informados nas folhas de pagamento, nas competências 03/99 a 05/99, estão incompatíveis com os valores transcritos nas notas fiscais de serviços relativos a serviços prestados e que a empresa não poderia ter executado os serviços mencionados nas notas fiscais de serviço dos centros de custos 092/Getoflex e 095/Getoflex, 065/Promon, 074/Promon, 075/Promon, 082/Promon e. 092/Getoflex, sem a utilização de mão de obra. Sugere o indeferimento da restituição. O Pedido de Restituição foi indeferido, conforme Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil — Previdenciária, em 15 de setembro de.2005, à fl. 1.100. Ciente do indeferimento em 26 de setembro de 2005 (fls.1.101, verso), a interessada apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.103/1.108), no qual argumenta, em síntese, que não existe substrato jurídico em que se funda a r. decisão, exigindo identidade dos valores das Notas Fiscais com os da Folha de Pagamento; Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 37313.004083/200343 Acórdão n.º 2301004.952 S2C3T1 Fl. 4.504 5 Que, em função de amostragem de uma nota só (sem mesmo indicar qual nota seria), o pedido de restituição de todas as demais foi liminarmente denegado. Por outro lado, não há como se pretender que não haja "divergência" de valores entre as Notas Fiscais e a Folha; pois o valor das Notas Fiscais não é composto tão somente pelos custos de mão de obras, mas também de todos os demais custos inerentes à prestação de serviços contratados, tais como materiais, tributos e encargos, além da margem de lucro obtida pela empresa. E, sobre dita margem de lucro, não cabe ao Ente Tributante, em qualquer hipótese, nela se pautar para deferir ou indeferir o pedido de restituição da Recorrente. Explica que os centros de custos n. 065 (nota fiscal 768), 074 (nota fiscal 765), 075 (nota fiscal 766) e 082 (nota fiscal 767) referemse a faturamento correspondente a serviços executados pela Recorrente em 1998, quando não havia ainda a previsão legal de retenção na fonte dos encargos previdenciários; Sendo assim, mesmo tendo sido os valores em questão objeto de recolhimento pela própria Recorrente, precisamente no exercício de 1998, foram também objeto de retenção, quando do pagamento dos serviços pelos tomadores, em 1999, havendo duplicidade de recolhimento, fato que por si só indica o direito à repetição do indébito. Especificamente quanto aos centros de custos nºs 092 e 095, referemse a serviços prestados por subempreitada, encontrandose nestes autos todos os respectivos documentos. Ressalta que foi alvo de fiscalização por um longo período e que, em nenhum momento, foi questionada quanto à "divergência" entre os valores das Notas Fiscais e os da Folha de Pagamento. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões, às fls.1.110/1.116, propondo a manutenção da decisão recorrida. Por meio do Acórdão n. 1.163/2006, a 4ª CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, decidiu por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, após o pedido de restituição da contribuinte, o processo fora convertido em diligência para que a autoridade previdenciária competente examinasse .as razões e os documentos trazidos à colação naquela oportunidade e, posteriormente, novamente convertido em diligência pelo Chefe da Unidade Descentralizadora da SRPDF, para análise pormenorizada do pedido da recorrente, esta não foi intimada a manifestarse a respeito do resultado das diligências. Equivocadamente, a Delegacia da Receita Previdenciária simplesmente cientificou a contribuinte das Informações Fiscais, ofereceu contras razões e remeteu os autos ao Conselho de Recursos da Previdência Social, deixando de cumprir as Fl. 4506DF CARF MF 6 determinações do referido Decisum. O CRPS, por meio do Decisório n. 67/2007, resolveu converter o julgamento em Diligência, para que a autoridade julgadora de primeira instância cumprisse as determinações contidas no Acórdão n. 1.163/2006 e emitisse nova decisão, acolhendo ou não o pleito do contribuinte. Nova Decisão foi proferida pela Divisão de Orientação e Análise da DRF/BSB (fls. 2.585/2.590), que concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com base na Informação Fiscal conclusiva de fls. 1092/1097 e Contrarrazões da DRPDF de fls. 1.110/1.117. Contra a decisão indeferitória, a empresa impetrou Manifestação de Inconformidade (fls. 2.593/2.622), com as seguintes alegações, em síntese: Inicialmente, faz um histórico do andamento do processo, desde seu protocolo, em seguida apresenta as questões que considera essenciais à conclusão do julgamento administrativo, que são: 1º que houve retenção e recolhimento à Previdência; Social, em nome da contribuinte, de valores a título de antecipação compensável de contribuições sociais, e que, não sendo tais valores ordinariamente compensados pela contribuinte, faz ela jus à sua restituição; 2° que, em que pese o aventado pela administração tributária, é fática, lógica e juridicamente inaplicável ao caso, desde qualquer ponto de vista, a legislação previdenciária em torno do "limite mínimo de pelo menos 40% (quarenta por cento) do valor bruto dos serviços contidos nas notas fiscais, fatura ou recibo de prestação de serviços, na remuneração da mão de obra envolvendo a prestação dos serviços"; e 3° as questões complementares suscitadas em torno de supostas inconsistências referentes aos valores transitados, nas competências aqui referidas, entre a contribuinte e as empresas PROMON e GETOFLEX, não têm consistência. Requer, ao final, que seja dada tramitação administrativa prioritária a este processo, na forma do art. 74 da Lei n. 9.430/96; que seja informada a incompetência legal superveniente, por força da nova redação ao parágrafo 11 do art. 89 da Lei n.° 8.212/91, da Delegacia da Receita Federal em Brasília, para proferir decisão neste processo e o imediato provimento do pedido de restituição. A decisão de primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A ementa do julgado é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÕES RETIDAS EM NOTA FISCAL. DE SERVIÇO PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E NA EMPREITADA. RESTITUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 37313.004083/200343 Acórdão n.º 2301004.952 S2C3T1 Fl. 4.505 7 A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Entretanto, em não se confirmando a prestação dos serviços nem comprovada a prática das obrigações acessórias, não faz jus à restituição. Impugnação Improcedente, Direito Creditóno. Não Reconhecido. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta recurso voluntário a este CARF, repisando os argumentos de defesa, a saber: (a) a retenção na fonte e o recolhimento do valor à Previdência Social pelas tomadoras dos serviços da Recorrente são absolutamente inequívocos e incontroversos nos autos; (b) o requerimento de restituição foi instruído com toda a documentação exigida pela legislação vigente à época (IN INSS nº 67/2002); (c) o art. 219, “caput”, §§ 5º, 7º e 8º do Decreto nº 3.048/99, invocado para negar o direito creditório, especialmente a previsão que impõe limite de, pelo menos, 40% do valor bruto dos serviços contidos nas notas fiscais, faturas ou recibos: (c.1) é posterior à ocorrência dos fatos geradores (a vigência do Decreto nº 3.048/99 seria de 12/05/1999, data da republicação do diploma do DOU); (c.2) tratase de ato regulamentar, que integra a legislação tributária, mas que não tem autoridade normativa para restringir ou condicionar o direito legal de restituição; (c.3) é inaplicável ao caso analisado, uma vez que o parágrafo 8º expressamente diz que somente deve ser observado quando "não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos" e, no caso dos autos, tal previsão de valores específicos estaria presente nos contratos à época pactuados entre a Recorrente e as empresas tomadoras dos seus serviços, conforme contratos de fls. 969/986 (Cláusulas 2.1 e 4.1, ambas em referência ao respectivo Anexo 2), 9946/1022 (Cláusula 16, em referência ao respectivo Anexo I14) e 1.046/1.059 (Cláusulas 2.2 e 11, ambas com referência ao respectivo Anexo 4); (d) o art. 56 da Orientação Interna MPS/SRP nº 11, de 12/08/2005, e o Manual de Arrecadação, capítulo IV, tópico II, também invocados para negar o direito creditório, além de não serem atos regulamentares, mas tão somente atos executivos e internos, sequer existiam à época dos fatos; Fl. 4508DF CARF MF 8 (e) as demais questões complementares suscitadas em torno de supostas inconsistências referentes aos valores transitados, nas competências discutidas, entre a Recorrente e as empresas Promon e Getoflex, mesmo se consideradas relevantes, não têm consistência. Em 17/10/2013, este CARF converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização prestasse alguns esclarecimentos adicionais quanto à matéria fática, especialmente sobre os centros de custos contábeis da Recorrente vinculados à prestação de serviços para as empresas Promon e Getoflex (fls. 44504464). Em 27/02/2014, a fiscalização respondeu às indagações formuladas (fls. 44654466). Em 07/07/2014, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência (fls. 44704477). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 22/12/2010 e o recurso voluntário foi interposto em 20/01/2011. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. À época dos fatos (recolhimento das retenções previdenciárias e requerimento de restituição), o art. 31 da Lei nº 8.212/91 encontravase vigente com a redação dada pela Lei nº 9.711/98 (os grifos são nossos): Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). De início, é necessário enfatizar que a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias pelas empresas tomadoras de serviços são fatos tidos como incontroversos no processo. Aliás, a primeira análise do requerimento de restituição feita pela fiscalização teve conclusão favorável à Recorrente, (fls. 19391966), por atender às exigências do art. 16 da Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 37313.004083/200343 Acórdão n.º 2301004.952 S2C3T1 Fl. 4.506 9 Instrução Normativa INSS nº 67/2002. A higidez formal e material do pleito foi confirmada pelo chefe local (fls. 2181). Mas, ao examinar o recurso de ofício interposto da decisão que autorizou o pagamento da restituição, a Chefe da Unidade Descentralizada da SRP/DF resolveu determinar novas diligências – com fulcro em recomendações expedidas pela Controladoria Geral da União – a fim de que a fiscalização verificasse “se a remuneração da mãodeobra envolvendo a prestação dos serviços corresponde ao limite mínimo de pelo menos 40% (quarenta por cento) do valor bruto dos serviços contidos nas Notas Fiscais, fatura ou recibo de prestação de serviços, conforme previsto na Legislação Previdenciária” (fls. 2183). Melhor explicando. Ao analisar diversos processos de restituição deferidos pelo INSS, a Controladoria Geral da União havia previamente externado em relatórios de auditoria de gestão sua preocupação com eventuais fraudes que poderiam estar em curso. Dizia que (fls. 2204 – grifamos): A despeito desses procedimentos estarem estritamente de acordo com o previsto na legislação, observase uma clara inconsistência: em muitos casos as empresas que declaram um pequeno número de empregados na GFIP por outro lado são empresas com potencial para prestar serviços de grande vulto, emitindo notas fiscais em milhões de reais, o que parece contraditório com o fato da mesma empresa possuir um número pequeno de empregados. A pergunta é: Se possui tão poucos empregados como pode prestar um serviço de tamanho vulto? E diante de tal perspectiva, o resultado da segunda análise do pleito teve um desfecho diferente da primeira. Ao realizar a singela comparação entre o custo de mão de obra utilizada na prestação do serviço e o preço cobrado do tomador constante da nota fiscal, a fiscalização concluiu que alguns contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas Promon Eletrônica Ltda. e Getoflex Metzeler Indústria e Comércio Ltda. possuíam relação aquém do limite de 40% acima mencionado, situação que poderia ensejar arbitramento (aferição indireta), em posterior fiscalização (fls. 22042214). Ao receber tais informações, a Delegada da Receita Previdenciária no Distrito Federal indeferiu o requerimento de restituição (fls. 2218). Todos os demais desdobramentos do presente processo giram em torno da observância do limite de 40%. Entretanto, considero descabida tal exigência pelas seguintes razões: (i) não existe controvérsia sobre a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias pelos tomadores de serviços; (ii) a Recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos pela legislação então vigente para pleitear a restituição das retenções (art. 16 da Instrução Normativa INSS nº 67/2002), sendo tal circunstância ratificada inicialmente pela própria fiscalização; (iii) o deferimento final da restituição só não se concretizou porque – segundo o que consta dos autos – os valores envolvidos seriam elevados e haveria uma suspeita generalizada propagada pela Controladoria Geral da União e aceita pela chefia do INSS local Fl. 4510DF CARF MF 10 relativamente à ocorrência de fraude na prestação de serviços de alto valor por empresas que se utilizam de pouca mão de obra; (iv) o parâmetro utilizado para validar a relação entre o valor do serviço cobrado e o número de mão de obra empregada é inapropriado para o presente caso, porque: a. os dispositivos invocados (art. 219, §8º do Decreto nº 3.048/99, segundo o qual § 8º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos) são posteriores aos períodos de apuração das retenções (março/99 a maio/99), sendo o Decreto nº 3.048/99 republicado em 12/05/1999 e retificado em 18/06/1999 e 21/06/1999; b. o disposto no §8º é dirigido ao sujeito passivo da retenção, que é a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra (na espécie, as tomadoras de serviço) e não à prestadora (na espécie, a Recorrente); c. aliás, acerca dessa última constatação sobre a sujeição passiva, qual deveria ter sido a providência tomada pela Recorrente, a prestadora dos serviços? Deveria sujeitarse a uma retenção maior para que pudesse pleitear também uma restituição maior? d. o disposto no §8º retrata uma presunção infralegal e relativa, que autoriza a fiscalização tão somente a prosseguir nos trabalhos de investigação contra eventuais fraudes, mas não lhe legitima o lançamento direto de tributo; e. na espécie, a retenção da contribuição previdenciária à alíquota de 11% ocorreu, na maioria expressiva dos casos, sobre o valor total da nota fiscal (fls. 265276); (v) o pedido de restituição regularmente instruído não pode ter seu seguimento obstado por meros indícios de irregularidade na apuração das contribuições previdenciárias, tal como já decidido por este CARF: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. (acórdão nº 2301004.880, de 19/01/2017, Rel. Andrea Brose Adolfo) Fl. 4511DF CARF MF Processo nº 37313.004083/200343 Acórdão n.º 2301004.952 S2C3T1 Fl. 4.507 11 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DO CONTRIBUINTE. CONCEITO. Nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação. (acórdão nº 2301004.838, de 21/09/2016, Rel. Julio Cesar Vieira Gomes) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. (acórdão nº 2301004.206, de 04/11/2014, Rel. Manoel Coelho Arruda Junior) Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, de modo a deferir o Requerimento de Restituição de Retenção – RRR. É como voto. Fl. 4512DF CARF MF 12 Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 4513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905023/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 23 /2 01 2- 38 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.483. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905023/201238 Acórdão n.º 3301003.577 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901078/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.645
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 78 /2 00 9- 35 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901078/200935 Acórdão n.º 3201002.645 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.434. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901078/200935 Acórdão n.º 3201002.645 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13558.901078/200935 Acórdão n.º 3201002.645 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720122/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, constituem salário-de-contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. Programas de participação no lucro, firmados por meio de convenção coletiva de trabalho na data base da categoria, e anteriormente ao pagamento dos valores fixados, não descumprem o aspecto temporal dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios.
INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF.
É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
Numero da decisão: 2201-003.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR com base nas convenções coletivas dos anos de 2009 e 2010 nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski, Relatora, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 15/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, constituem salário-de-contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. Programas de participação no lucro, firmados por meio de convenção coletiva de trabalho na data base da categoria, e anteriormente ao pagamento dos valores fixados, não descumprem o aspecto temporal dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
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Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2000, seja porque não estão suportados em instrumento prévio ao período de apuração do lucro a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados e aos direitos dos trabalhadores, constituem saláriode contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. Programas de participação no lucro, firmados por meio de convenção coletiva de trabalho na data base da categoria, e anteriormente ao pagamento dos valores fixados, não descumprem o aspecto temporal dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A multa de ofício tem natureza jurídica de penalidade tributária e integra o conceito de crédito tributário nos termos do artigo 142 do CTN, razão pela qual está sujeita aos juros moratórios. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 22 /2 01 4- 38 Fl. 1106DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR com base nas convenções coletivas dos anos de 2009 e 2010 nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski, Relatora, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 15/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 0735.001 6ª Turma da DRJ/FNS que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos seguintes autos de infração, cujos valores já incluem multa de ofício de 75% e demais acréscimos legais: · Debcad 51.035.9370, no valor de R$ 31.228.189,68, relativo à contribuição patronal e à contribuição GILRAT; · Debcad 51.035.9388, no valor de R$ 3.587.919,67, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA). De acordo com o relatório fiscal, a base de cálculo do lançamento é composta por pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros e Resultados no período de 02/2009 a 10/2010. A ciência do contribuinte ocorreu em 26/02/2014 fls 644. Os pagamentos realizados em 02/2009 teriam por base o Acordo Coletivo de PLR de 2007, celebrado entre o Banco BTG Pactual S/A e empresas coligadas (entre as quais a recorrente), tendo como representantes dos empregados a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro CONTRAF/CUT e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários do Município do Rio de Janeiro. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.074 3 A cláusula quinta desse acordo estabeleceria as seguintes condições para o pagamento de PLR: (I) índice de lucratividade do Banco, descrito no Anexo I do Acordo; (II) regras quanto à fixação dos direitos à participação e programa de metas, descritas no Anexo II do Acordo; e (III) avaliação do desempenho individual. O seguinte quadro resumiria as regras aplicáveis aos limites de pagamento da PLR: O Anexo II Regras quanto à fixação dos direitos à Participação e Programa de Metas, conteria outra tabela que correlacionaria a avaliação geral atribuída ao empregado à classificação geral obtida na "Performance Segmentation" e o fator multiplicador a ser utilizado para exceder o limite máximo estabelecido para a PLR: No entender da fiscalização, o acordo padece da falta de regras claras e objetivas que permitam inferir, uma vez definido o "quantum" de PLR a ser distribuído, a forma segundo a qual seria feita esta distribuição por empregado. Para exemplificar, elabora quadro comparativo (fls 24), demonstrando a proporção dos valores recebidos pelos empregados em relação a seu salário, no qual há uma variação de 6 a 41 salários, sendo que aqueles que foram mais favorecidos nessa proporção também eram os melhor remunerados. Os demais pagamentos de PLR efetuados nos anos 2009 e 2010 teriam por base os seguintes instrumentos: (I) Acordo Coletivo de PLR celebrado em 09/12/2009, com vigência retroativa a 01/01/2009 até 31/12/2009 (anexo 3); Fl. 1108DF CARF MF 4 (II) Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR em 2009, celebrado em 19/10/2009 e vigência de 01/09/2009 a 31/08/2010 (anexo 5). O Acordo de 2009 teria muita semelhança com o precedente e estabeleceria como critério para pagamento de PLR (I) o índice de lucratividade do Banco descrito no Anexo I; (II) as regras quanto à fixação dos direitos à participação e programa de metas; (III) a avaliação de desempenho individual. O quadro a seguir estabeleceria um resumo desse instrumento: Também nesse caso as regras padeceriam do vício de falta de clareza e objetividade, impedindo inferir como o valor do PLR é distribuído por empregado. Aponta também a inexistência de definição prévia do acordo de programas e metas, já que o acordo só foi assinado em 19/10/2009, com vigência retroativa a 01/01/2009. Já em virtude da CCT, a fiscalização elaborou o seguinte quadro com as regras para pagamento de PLR: O quadro abaixo consistiria em exemplo numérico da aplicação dessas regras: Com base nesses exemplos, a fiscalização conclui que "mantida a fórmula discriminada a todos os empregados, o percentual de PLR recebida, por empregado, será inversamente proporcional ao seu salário, ou seja: quanto menor o salário, maior o percentual da PLR" (fls 25). Mas não foi o que se verificou, continua o relatório fiscal, exemplificando com o seguinte quadro: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.075 5 Além disso, a fiscalização aponta que, contrariando o que consta da convenção, a empresa pagou PLR em 02/2010 a empregados que não haviam sido admitidos até 31/12/2008. É apontado também, que a entidade representativa dos trabalhadores seria o Sindicato dos Empregados em Empresas Distribuidoras e Corretoras de Títulos, Valores Mobiliários e Câmbio e de Agentes Autônomos de Investimentos do Mercado Financeiro do Estado do Rio de Janeiro SEMCRJ, que não assistiu à categoria na discussão e elaboração de nenhum dos instrumentos apresentados. O sujeito passivo tomou ciência do auto de infração em 26 de fevereiro de 2014 (fls 36) e sua impugnação resultou no acórdão que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FIXAÇÃO PRÉVIA DAS METAS. AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO. O comprometimento prévio com a produtividade antes de iniciado o período a que se refere a apuração do lucro ou do resultado é um imperativo lógicojurídico da moldura legal que, sob os auspícios da atual Carta Política, definiu a PLR como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho comprometido com a produtividade e, para tanto, exige que dos instrumentos decorrentes da negociação, além de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, também devem constar mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. É inviável emprestar eficácia retroativa a norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a Fl. 1110DF CARF MF 6 negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONCEITO. O conceito de saláriodecontribuição, para além de ser um conceito próprio da legislação previdenciária, abarca, não apenas os ganhos habituais, mas todo e qualquer rendimento do trabalho pago ou creditado pelo empregador, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. Tendo tomado ciência dessa decisão em 22/07/2014 (fls 884), a instituição interessada apresentou, tempestivamente, em 20/08/2014 (fls 886), seu recurso voluntário alegando, em síntese, que: A Lei nº 10.101, de 2000, regula a PLR de forma genérica e está orientada pelos princípios da legalidade e da livre negociação. A PLR é regra de imunidade, que deve ser interpretada de forma extensiva. O argumento de que o sindicato representativo da categoria envolvida não participou dos acordos não merece prosperar já que os Acordos de 20/12/2007 e 09/12/2009 e a Convenção de 19/10/2009 tiveram a participação, pelos empregados, do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de diversas jurisdições, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, e pela Contraf Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. O sindicato mencionado no item anterior é representativo dos empregados que atuam na atividadefim da principal empresa do grupo econômico do qual a recorrente faz parte. Os Acordos de 20/12/2007 e 09/12/2009 foram devidamente arquivados pelo SEMCRJ, conforme comprova declaração do presidente deste sindicato de 29/07/2014, nos seguintes termos: "Declaramos para todos os fins, a quem interessar possa, que nos anos 2008 a 2009 esta entidade recebeu para análise, aprovação e posterior arquivamento o acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrado em conformidade com a Lei nº 10.101/00, da empresa BTG Pactual Asset Management S.A. DTVM." A Convenção Coletiva firmada pelo SEMCRJ não previa um programa próprio de PLR aos empregados por ele abrangidos, já a Convenção Coletiva firmada pela CONTRAF e por diversos sindicatos congêneres em 19/10/2009 previa a obrigatoriedade de pagamentos de antecipações a título de PLR, ainda que a empresa mantivesse internamente um plano próprio de PLR. O acordo conteria regras claras e objetivas, tendo como critérios de um lado a lucratividade do Banco e do outro a performance de cada empregado. A Lei nº 10.101/00 não exige que sejam previamente definidos os valores individuais que cada empregado receberá a título de PLR, tampouco exige a estipulação de fórmulas para aquele fim (item 4.11.). O que a Lei nº 10.101/00 exige é que todos os critérios e condições sejam estipulados, de forma clara e objetiva, de modo a não gerar dúvidas aos empregados quanto aos fatores que serão considerados no pagamento da PLR (item 4.12.). Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.076 7 Acordo Coletivo de 2007 PLR paga em 02/2009 O Anexo II do Acordo de PLR de 20/12/2007 estabelece que, uma vez alcançado o índice de lucratividade da empresa, posteriormente, para fins de determinação do valor individual que cada empregado receberá do montante do lucro compartilhado, serão observados: (i) as notas finais atribuídas pelo gestor de cada empregado nas avaliações de desempenho, que pode variar de Insatisfatório a Excelente, e (ii) os valores mínimo e máximo de múltiplo salarial a ser pago a cada empregado, que podem variar conforme a nota final atribuída na sua avaliação de desempenho. Os valores pagos em fevereiro de 2009 estão justificados nas regras previstas no AC de 2007, pois todos os valores estão dentro dos intervalos mínimo e máximo previstos no Anexo II. Configurariam inovação, já que não constam do lançamento, os argumentos da decisão recorrida no sentido de que o acordo: só foi assinado no fim do período a que se referia; não prevê os quesitos para avaliar o desempenho de cada empregado; fica descaracterizado por estabelecer pagamento mínimo independente de lucratividade. As avaliações individuais de cada empregado foram apresentadas à fiscalização pela Recorrente em resposta ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 5 (fls 638), mas a Fiscalização não anexou as referidas avaliações individuais nos autos do processo, tampouco questionou os itens e quesitos considerados nessas avaliações. Se esses quesitos eram necessários e a fiscalização não os questionou nem os anexou ao processo, os autos devem ser cancelados por não ter comprovado e motivado a ocorrência do fato gerador. O pagamento mínimo previsto também não macula o AC2007 posto que só seria pago se houvesse lucro. Acordo Coletivo de 09/12/2009 pagamento em fevereiro de 2010 Defende a existência de regras claras, como no anterior, e que o fato de ter sido assinado apenas no fim do períodobase não implica a descaracterização da PLR paga em fevereiro de 2010, já que basta sua assinatura antes do pagamento. Embora o acordo tenha sido firmado apenas em dezembro, sua negociação foi iniciada antes, como demonstraria uma declaração firmada por um dos sindicatos celebrantes. Convenção Coletiva de 19/10/2009 Na tabela do item 59 do relatório fiscal, que pretende demonstrar a incompatibilidade dos valores pagos em fevereiro de 2010 com a Convenção Coletiva de 19/10/2009, a fiscalização se equivocou, já que esses pagamentos estavam lastreados no Acordo Coletivo de PLR de 09/12/2009. Pela mesma razão não se aplica a esse pagamento a limitação quanto aos empregados admitidos após 01/01/2009. Fl. 1112DF CARF MF 8 Em razão desse equívoco, o auto deve ser cancelado em relação ao pagamento de 02/2010. Antecipações de PLR pagas em outubro de 2009, com base na Convenção Coletiva de 19/10/2009 A única motivação para a desconsideração dessas antecipações como PLR seria a ausência de participação do sindicato da categoria, o que já se mostrou não ser razão suficiente. A autoridade fiscal não mostrou de forma específica o motivo da exigência das contribuições sobre essas antecipações pagas em outubro de 2009, mas inferese que se deve à falta de participação do sindicato da categoria (SEMCRJ). A decisão de piso inovou novamente em relação à fundamentação dos autos, ao acrescentar os seguintes motivos: a convenção não teria sido assinada antes do início do períodobase; a convenção preveria o pagamento de valores fixos sem vinculação a qualquer meta de produtividade. Antecipações de PLR pagas em outubro de 2010, com base na Convenção Coletiva de 20/10/2010 A fiscalização também exigiu contribuições sobre os pagamentos de antecipação de PLR efetuados em outubro de 2010, mas não juntou aos autos do processo a Convenção Coletiva de Trabalho que previa este pagamento, por isso deve ser cancelado o auto de infração por ausência de motivação. Embora entenda que era ônus da fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, não sendo situação de inversão de prova, a recorrente juntou agora, em sede recursal, a Convenção que justificaria esse pagamento. Dos pagamentos de PLR efetuados nas rescisões de contrato de trabalho A fiscalização teria exigido contribuições sobre pagamentos de PLR efetuados nas rescisões de contratos de trabalho de determinados empregados. A recorrente reconhece que errou ao contabilizar esses pagamentos como antecipações quando na verdade corresponderiam à PLR paga na rescisão. Contudo, também aqui não haveria qualquer razão para exigir as contribuições sobre esses valores. Descabimento de juros sobre a multa de ofício Se a exigência das contribuições for mantida, protesta pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, já que isso implicaria majoração da própria penalidade não amparada por previsão legal. Representação Fiscal para Fins Penais Não se insurge contra a representação, mas registra que tal processo deve ficar sobrestado e somente pode ser encaminhado ao Ministério Público depois de proferida a decisão final. Pedido extemporâneo Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.077 9 Da tribuna, o patrono protestou também pela não incidência da contribuição para o INCRA e informou a existência de pedido nesse sentido protocolado recentemente. A fls 1014/1018 vêse que foi juntada petição datada (30/03/2017) de momento posterior à inclusão do processo em pauta. Por esta petição, informase que o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no Recurso Extraordinário (RE) nº 630.898, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, no qual se discute a constitucionalidade e a natureza da contribuição para o INCRA. Em face disso, e invocando o art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, pede que, caso as contribuições sejam mantidas, seja reproduzida nos autos do processo em epígrafe essa futura decisão do STF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar Embora a recorrente não identifique nenhuma matéria como preliminar, no curso de sua petição, reiteradamente, invoca o "cancelamento" do auto de infração sob a alegação de que teria fornecido à fiscalização as avaliações individuais que justificaram o pagamento de PLR e que essas avaliações não foram questionadas pela autoridade fiscal. O fato de não terem sido anexadas ao processo implicaria, a seu ver, que a fiscalização não se desincumbiu do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. A fiscalização comprovou a relação de trabalho entre a recorrente e os beneficiários dos pagamentos. Comprovou também os pagamentos, que se presumem de natureza salarial e integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabia à empresa fiscalizada demonstrar a situação excepcional desses pagamentos, que justificaria sua não inclusão na base tributável. No caso em questão, a ausência das fichas de avaliação no processo, que poderia ter sido suprida pela própria empresa auditada se realmente lhe fosse útil à defesa, a meu ver, não traz qualquer prejuízo para a conformação da existência do fato gerador tributário já que, como ficará evidenciado adiante, não seriam suficientes para suprir as exigências legais que não foram atendidas. Mérito A matéria em discussão nesse processo consiste em definir se os pagamentos realizados pela recorrente obedeceram aos requisitos legais para que pudessem ser caracterizados como participação nos lucros e resultados da empresa, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, e, conseqüentemente, não se submeterem à incidência da contribuição previdenciária e das contribuições para terceiros. Fl. 1114DF CARF MF 10 Inicialmente, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.078 11 encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 1116DF CARF MF 12 PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.079 13 Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Fl. 1118DF CARF MF 14 Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Estabelecidas essas premissas, discutese nesse processo se foram satisfeitas as seguintes exigências: a existência de negociação prévia sobre a participação; a participação Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.080 15 do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores. Passemos à sua análise. A existência de negociação prévia sobre a participação Quanto a essa matéria, há divergência na jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não do ajuste ser prévio ao período de obtenção do lucro a ser distribuído, havendo quem defenda que basta ser anterior ao pagamento. Contudo, filiome à corrente que entende que o acordo deve anteceder ao período de referência, pois essa é uma decorrência lógica da finalidade para a qual o benefício foi instituído. O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Em última análise, ganha o país com o incremento da produtividade e da eficiência. Nesse aspecto, não me sensibilizam argumentos quanto à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contém certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, é desnecessário, e até mesmo indesejável, que o texto legal contenha aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito só fazem sentido se estabelecidos previamente. E isso é também uma garantia para o trabalhador. Ademais disso, a lei, no §1º de seu art. 2º identifica os possíveis "critérios e condições" que devem constar do instrumento resultante da negociação. São critérios e são também condições, e o termo "condições", como é cediço, designa eventos futuros e incertos estabelecidos como premissas para a consolidação ou modificação de uma situação jurídica. Esse entendimento encontra eco na jurisprudência desse colegiado, do que serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, Fl. 1120DF CARF MF 16 ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas razão, pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto, que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? No mesmo sentido, do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 24 de agosto de 2016, extraise do voto do relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.081 17 Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria. É claro que, como toda regra jurídica, sua aplicação deve ser permeada pela razoabilidade. De forma que, se o acordo for estabelecido no início do período de referência, mas em data ainda compatível com a estipulação de metas adequadas para ele, impõese uma certa flexibilização da exigência. No caso em questão, seguindo o que afirmou a recorrente, os pagamentos realizados a título de PLR teriam por suporte os seguintes instrumentos: · Acordo Coletivo de PLR assinado em 20/12/2007, com vigência inicial de 01/01/2007 a 31/12/2007, mas que teria sido tacitamente prorrogado para o ano seguinte, o que justificaria os pagamentos realizados a título de PLR na competência 02/2009; · Acordo Coletivo de PLR assinado em 09/12/2009, com vigência de 01/01/2009 a 31/12/2009, que teria justificado o pagamento de PLR em 02/2010; · Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR em 2009, assinada em 19/10/2009 e com vigência de 01/09/2009 a 31/08/2010 (embora se refira ao lucro obtido em 2009 cláusula primeira) que, segundo a recorrente, teria justificado as antecipações pagas em 10/2009. Logo, o pagamento realizado em 02/2009 teria por base instrumento prévio ao período de apuração dos lucros e resultados, contudo os demais pagamentos acima reportados não. Com efeito, o AC2009, instrumento para pagamento realizado em 02/2010, que teve como base o lucro apurado de 01/01/2009 a 31/12/2009, só foi assinado no último mês de referência. Fl. 1122DF CARF MF 18 Por outro lado, a Convenção Coletiva de Trabalho, aponta como período de vigência 01/09/2009 a 31/08/2010, o que justificaria uma relativização da regra, já que firmada dentro do primeiro bimestre desse período identificado. Ocorre porém que, a despeito dessa vigência, se refere ao lucro líquido apurado em 2009, prevendo uma antecipação de pagamento até 10 dias após sua assinatura e a quitação da PLR até 01/03/2010. Ademais, segundo se infere do que apresentado pela defesa, só serviu como referência para uma antecipação feita no próprio mês de sua assinatura (outubro de 2009). Nesse caso, nenhum dos instrumentos firmados em 2009 serviu para estabelecer metas a serem alcançadas, mas apenas para homologar a pretensão de distribuição em cima de resultados já sabidos, o que contraria a finalidade do instituto. Em relação ao pagamento realizado em outubro de 2010, a recorrente alega que teve suporte em a Convenção Coletiva de Trabalho de 10 de outubro de 2010. Quanto a essa Convenção, embora reconheça que não a forneceu à fiscalização, o que aparentemente também não fez em sede de impugnação, trazendo cópia apenas em sede recursal, defende que era ônus da fiscalização avaliála e descaracterizála como apta a justificar pagamento de PLR. Sob esse aspecto, volto a lembrar que o ônus de comprovar o atendimento de condições legais para a fruição de benefícios fiscais é de quem pretende se valer deles. Nesse caso, cabia à recorrente fazer prova de seu direito. O ônus da fiscalização consistia em comprovar a natureza jurídica da relação e a existência de pagamentos, o que foi suficientemente realizado. Retornando ao tema em debate neste tópico, essa convenção juntada apenas em sede recursal, foi assinada em outubro de 2010 e é relativa ao lucro apurado nesse mesmo ano, ou seja, foi assinada no último bimestre do ano de referência. Portanto, também em relação a esse instrumento não foi atendida a necessidade de ajuste prévio entre os interessados. Como resultado desse tópico, apenas o pagamento realizado na competência 02/2009 teve por base instrumento prévio de negociação. A participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo A fiscalização comprova através de Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical dos exercícios 2009 e 2010 (anexo 8 fls 614), que a entidade representativa dos trabalhadores é o Sindicato dos Empregados em Empresas Distribuidoras e Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários e Câmbio e de Agentes Autônomos de Investimentos do Mercado Financeiro do Estado do Rio de Janeiro, contudo essa entidade não teria participado das negociações. Nesse caso, embora a literalidade da norma pudesse levar à compreensão de que os empregados da recorrente não foram representados na negociação, entendo que essa regra pode ser relativizada, uma vez que houve a posterior adesão do sindicato próprio aos termos do acordo. Ademais, regras com cunho garantistas como essas não podem ser aplicadas desconsiderando as peculiaridades do caso concreto e o fato é que o sindicato que participou das negociações é reconhecidamente forte, o que se evidencia pela jurisprudência que vem Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.082 19 concedendo a aplicação das regras relativas aos Acordos/Convenções firmadas com sindicatos representativos dos bancários a empregados de outras instituições do mesmo grupo econômico. Por isso, não me parece que a ausência do sindicato próprio, na hipótese em questão, tenha implicado a fragilização dos empregados na negociação. Quanto a esse aspecto, não entendo caracterizada ofensa à Lei nº 10.101, de 2000, nesse caso em particular. Que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores Pelo texto da lei, exigese que dos instrumentos decorrentes da negociação constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação. De acordo com o Dicionário Online de Português, entre os significados da palavra "claras" estão entendimento claro, evidente, manifestos, sem ambigüidade, inequívoco, explícito, certo, comprovado, averiguado (https://www.dicio.com.br/claras/). No mesmo dicionário, a palavra "objetivo" é definida como propósito; imparcial; prático e direto. Dado o contexto em que o texto se insere, daí se extrai que os instrumentos resultantes da negociação já devem conter critérios/regras inequívocas/explícitas e também práticas/diretas. Leitura que faz sentido quando dele devam constar também mecanismos de aferição, que têm por propósito viabilizar a verificação do cumprimento das regras claras e objetivas fixadas no instrumento resultante da negociação. Tendo dito isso, os acordos de 2007 e 2009 são muito parecidos, como reconhece a recorrente, por isso, farei a análise a partir do acordo de 2009 (fls. 138), assinado em 09/12/2009. Segundo a cláusula quinta, os critérios para pagamento da PLR são os estabelecidos nos anexos I e II e deverão levar em consideração: o índice de lucratividade; as regras quanto à fixação dos direitos de participação e programa de metas descrito no anexo II e avaliação de desempenho individual. No anexo I, o índice de lucratividade é definido como o resultado da comparação do patrimônio ajustado com o patrimônio líquido apurado para esse mesmo fim do ano anterior. O patrimônio ajustado é o patrimônio líquido do semestre anterior ajustado por efeitos de aumento de capital, reduções de capital, pagamentos de dividendos e distribuição, acrescidos de variação do Certificado de Depósito Bancário CDI. Se o patrimônio líquido for superior ao patrimônio ajustado, terá sido atingido o índice de lucratividade e o PLR corresponderá a 25% do resultado líquido antes do imposto de renda. Essa regra é bastante clara e contém em si elementos suficientes para verificar o cumprimento do quanto acordado. No anexo II estão as regras quanto à fixação dos direitos à participação e programas de metas, que podem ser assim resumidas: o percentual a ser distribuído será destinado a todas as áreas do banco; Fl. 1124DF CARF MF 20 o valor mínimo será de 5 e o máximo de 100 salários mensais; o valor a ser recebido por cada empregado resultará de avaliações individuais dos empregados, cujos critérios e condições teriam sido divulgadas internamente para os empregados; os empregados que tiverem uma performance acima do esperado, alcançando uma avaliação correspondente a excelente receberiam até 4x o valor máximo estabelecido ou ainda um valor acima disso. Desses elementos é de se destacar a informação de que os empregados seriam avaliados por critérios e condições que teriam sido divulgadas internamente, mas não estão nos acordos. A lei exige que as regras estejam no instrumento que resulta da negociação e eles não estão. Não basta dizer que os empregados foram avisados das normas ou tinham pleno conhecimento delas, o instrumento necessário para fazer prova disso é o acordo/convenção, até porque, é esse instrumento que conferirá exigibilidade ao acordado. Portanto, se as regras claras existiram, e não há nenhuma prova disso, elas não estavam no instrumento resultante da negociação como exige a lei. A antecipação realizada em 10/2009, por sua vez, teria por base a Convenção de 19/10/2009. Nesta convenção, a antecipação está prevista na cláusula segunda, de onde se transcreve: I Regra Básica 54% (cinqüenta e quatro por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2009, acrescido do valor fixo de R$ 614,00 (seiscentos e quatorze reais), limitada ao valor individual de R$ 4.008,00 (quatro mil e oito reais) e também ao teto de 13% (treze por cento) do lucro líquido do banco apurado no 1º semestre de 2009, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da antecipação da "REGRA BÁSICA" da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2009, em razão de planos próprios. II Parcela Adicional O valor desta parcela da antecipação será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido apurado no 1ª semestre de 2009, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 1.050,00 (um mil e cinquenta reais). II.a) A antecipação da parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Como regra de divisão dos lucros, esses critérios são muito claros e objetivos. Ocorre que efetivamente não há aqui nenhuma meta/lucratividade estabelecida como condicionante para seu pagamento. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.083 21 O instrumento apresentado pela recorrente em sede de recurso voluntário, relativo à antecipação paga em outubro de 2010 é muito semelhante à convenção de 2009, padecendo do mesmo vício: estabelece critérios de cálculo individual e o teto de até 15% do lucro líquido de exercício de 2010, mas nenhuma meta/lucratividade a ser atingida. Vêse com isso que cada um desses instrumentos padece de um vício. Nos acordos havia regras claras quando às metas de lucratividade, mas não quanto ao direito de cada um dos empregados à parcela a ser distribuída. Nas convenções, são estabelecidos os critérios de individualização do valor a ser distribuído, mas não há qualquer regra quanto a metas/resultados a serem atingidos. A conclusão a que se chega é que nenhum dos instrumentos apresentados cumpre as exigências legais quanto ao pagamento de PLR, seja por não constarem de instrumento prévio ao ano de referência do lucro, ou pelo menos firmados no seu início, seja por não conterem regras claras ou objetivas, alguns quanto aos resultados a serem alcançados, outros quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores. Da motivação do auto de infração Como a recorrente reiteradamente alega falta de motivação no auto de infração e inovação na decisão da DRJ, vejamos se o auto de infração contém motivação suficiente para a descaracterização dos instrumentos apresentados. O auto de infração analisou apenas os instrumentos que foram entregues pela recorrente, porque era ônus desta comprovar o direito de que se valia. Nesse caso, foram analisados o AC2007, AC2009 e CCT2009. Em relação ao AC2007, a fiscalização aponta que: não contém regras claras e objetivas e que houve desvirtuamento pois foi utilizado como política salarial (itens 41 a 43 do relatório fiscal fls 23), bem como que não contou com a participação da entidade representativa da categoria (item 64 fls 26). Posteriormente, a fiscalização aponta que "com relação a outros pagamentos de PLR, efetuados nos anos de 2009 e 2010, a empresa apresentou os seguintes instrumentos" (item 44), e indica o AC2009 e CCT2009. Quanto a esses dois instrumentos (AC2009 e CCT2009), a fiscalização aponta que "padecem do mesmo vício de clareza e objetividade que permitiria inferir, uma vez definido o "quantum" de PLR a ser distribuído, a equação de cálculo individualizada por empregado" (item 47) e que o AC2009 também continha o vício insanável de não constituir acordo prévio, tendo em vista a data em que foi assinado (item 48), bem como que ambos não contaram com a participação da entidade representativa da categoria (item 64 fls 26). Excluída a exigência relativa à participação da entidade representativa da categoria, os demais argumentos são suficiente para afastar a força desses instrumentos como base para o pagamento de PLR nos termos estatuídos na Lei nº 10.101, de 2000. Com efeito, é irrelevante que o instrumento seja prévio se ele não contém resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; também não basta que contenha resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores se ele não é prévio. Fl. 1126DF CARF MF 22 Estabelecida a premissa de que a fiscalização apresentou motivação suficiente para afastar a força constitutiva dos instrumentos apresentados, ressaltase que, se, em uma tentativa de reforçar seus argumentos, ela elaborou quadro demonstrativo não estabelecendo uma perfeita adequação entre o instrumento e os pagamentos a ele relativos, isso não é suficiente para macular o lançamento fiscal. Na verdade, esse fato tanto pode resultar de um lapso da autoridade fiscal, como pode também ser decorrência da inadequação das informações prestadas pela empresa fiscalizada. Como ficou patente nesse processo, a fiscalizada sequer entregou todos os instrumentos firmados para análise da fiscalização. Se houve deficiência em seu dever de colaborar com a fiscalização, prestando informações adequadas a demonstrar a robustez de seu direito, não pode agora invocar esse fato em seu favor. Dos pagamentos de PLR efetuados nas rescisões de contrato de trabalho Essa questão restou prejudicada pelas conclusões apresentadas acima, uma vez que, independentemente de serem pagos na rescisão ou na época própria, os instrumentos que deram suporte aos pagamentos não preencheram os requisitos legais para que fossem considerados pagamentos de PLR. Do descabimento de juros sobre a multa de ofício Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43 da Lei nº 9.430, de 1996, como o artigo 61 desta mesma Lei, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.084 23 (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430, de 1996, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pela Autuada, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar os seguintes precedentes judiciais e administrativos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). Fl. 1128DF CARF MF 24 (...) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) (...) JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) Nego provimento. Da contribuição para o INCRA Com base no reconhecimento de repercussão geral na matéria a recorrente pede que se considere indevida a contribuição para o INCRA, tendo em vista sua inconstitucionalidade. Quanto a esse aspecto, em obediência ao que determina o art. 62, § 2º do Regimento Interno deste CARF, apenas as decisões "definitivas de mérito" proferidas pelo STF em repercussão geral é que justificariam afastar a aplicação de uma norma ainda em vigor. Antes disso, deve ser aplicado o que determina o enunciado 2 da Súmula do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além desse enunciado, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito do Acórdão 2401004.218, da lavra do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, da 1º TO/4ª Câmara/2ª Seção deste colegiado: Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.085 25 Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Fl. 1130DF CARF MF 26 Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicando se, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.086 27 Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Mantida a exigência. Fl. 1132DF CARF MF 28 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.087 29 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado Com a máxima vênia, ouso discordar da ilustre Relatora somente no tocante aos pagamentos realizados a título de PLR com base nas Convenções Coletivas de Trabalho. Explico. Segundo a Conselheira Relatora, não há observância do requisito da prévia pactuação entre as partes, previsto na Lei 10.101/00. Esse é ponto fundante da divergência. Necessária alguma digressão doutrinária para que se fixe o motivo da discordância. Honrado pela menção de trecho de meu voto, na parte em que expresso meu posicionamento científico sobre a verba em análise, reitero que os requisitos previsto na norma isentiva regra de estrutura, como ensina Paulo de Barros Carvalho, e que como tal deve ser sempre analisada em confronto com norma de conduta para aferição dos efeitos tributários são de observância obrigatória que seja afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor pago a título de PLR. Reafirmo que a Participação nos Lucros ou Resultados tem sempre digo e repito sempre, natureza remuneratória, se não observadas os requisitos legais. Não se pode não reconhecer a natureza contraprestacional de uma verba paga com base no atingimento de uma meta, de um objetivo, de um ajuste, pactuados previamente. Exsurge a natureza contraprestacional em verba previamente acordada em que cabe ao empregado o cumprimento do combinado. A doutrina trabalhista é unânime em determinar a natureza de salário condição nesse casos. Logo, imprescindível a observância das disposições constantes da norma isentiva que, como cediço em face da disposição codicista, deve ser interpretada literalmente, assim entendida a interpretação sistêmica, aquela que leva em consideração as demais disposições constantes do sistema jurídico, e que não permite o alargamento conceitual típico da integração por analogia. Para não errarmos em nosso raciocínio, voltemos à letra fria da Lei nº 10.101/00, quanto à exigência temporal do ajuste: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 1134DF CARF MF 30 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...)" (destaques não constam do texto da lei) A simples e isenta leitura do texto da Lei nº 10.101/00 esclarece que o instrumento firmado pelas partes, por meio de um acordo firmado por comissão paritária com participação sindical ou por convenção ou acordo coletivo, deve conter regra claras e objetivas dos direitos dos trabalhadores (exegese das disposições constantes no caput, nos incisos I e II, e no § 1º do artigo 2º). Já no incisos I e II do parágrafo 1º do artigo 2º, encontramos a exigência da pactuação prévia. Porém, como se pode confirmar por simples e literal leitura do texto, tal requisito de acordo prévio só existe se o ajuste entre as partes prever o cumprimento em programas de metas, resultados e prazos, posto que a exigência está inserida no inciso II do mencionado parágrafo 1º do artigo 2º. Não há tal requisito no inciso I, isto é, nos casos dos instrumentos pactuados versarem sobre regras claras e objetivas sobre índices de lucratividade, de resultados ou mesmo de produtividade, não quis o legislador estabelecer a exigência da negociação prévia desses índices. E porquê? Em que pese não caber ao intérprete do direito buscar as razões do legislador em norma que se deva interpretar literalmente ou seja, de maneira sistêmica porém, restritiva ouso, como estudioso da ciência do direito, opinar. Ao definir que os objetivos dos programas de participação nos lucros e resultados são a integração do capital e trabalho e o incentivo a produtividade, quis o legislador que o trabalhador, aquele que detém a força do labor, pudesse participar dos ganhos que o impulso de seu trabalho conceitualmente chamada de mais valia acrescesse ao ganho do capital investido pelo empresário, pelo acionista, ou seja, que além de seu salário pago pelo trabalho prestado recebesse um quinhão daquilo que acrescentasse ao lucro, ao resultado da empresa. Para que isso não restasse como um mero favor, uma liberalidade do detentor do capital, exigiu, o legislador, um ajuste sobre aquilo que o trabalhador devia fazer para além das suas funções, qual o 'plus' a ser alcançado, qual sua efetiva missão para atingir o objetivo institucional e por via de consequência, seu quinhão nesse desiderato. Previu a letra da lei que os ajustes fossem feitos sempre com a participação sindical, fator de empoderamento dos trabalhadores, e que se dessem sobre dois grandes parâmetros: i) índices de produtividade, qualidade e lucratividade; ou ii) programa de metas, resultados e prazos, anteriormente acordados. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201438 Acórdão n.º 2201003.550 S2C2T1 Fl. 1.088 31 Ora, o lucro da empresa depende como nos ensina a própria ciência destinada a aferilo, a contabilidade de inúmeros fatores, inclusive os ligados a essência da atividade, como a compra de insumos, as despesas incorridas ou adiadas, a margem de retorno, os investimentos realizados ou postergados, a propraganda, o maketing etc. Claro que o trabalho necessário para a produção de bens ou dos serviços prestados pela empresa impacta o lucro, mas não o faz de maneira direta, de maneira determinante, quanto mais em um único exercício. Por isso, no caso do lucro, da produtividade e da qualidade, não exigiu o legislador pacto prévio, somente que existissem regras claras e objetivas para a percepção da PLR, além das regras para aferição do atingimento dos objetivos acordados, a periodicidade da distribuição, o período de vigência do ajuste e prazos para revisão do acordo. Esse é o ponto fulcral da distinção feita pelo Poder que tem por mister a elaboração das leis. Além dessas considerações, recordemos que, no caso em apreço, o pactuado decorre de convenção coletiva, firmado com sindicato de empregadores que exercem atividade bancária, setor de grande margem de lucro e baixa necessidade de mãodeobra em face do uso disseminado da tecnologia. Cediço também, que ao ajustarse a participação dos trabalhadores no lucro das empresas, sendo tal ajuste firmado ao longo do exercício a necessidade de fazêlo no início deste é totalmente despicienda, posto que o lucro só será aferido de maneira definitiva ao final do período determinado pela legislação. Não obstante, forçoso recordar que o ajuste decorre de convenção coletiva, instrumento de negociação que ocorre, no mais das vezes, nas datas bases de cada categoria profissional, sendo a dos bancários realizada no mês de setembro de cada ano, restando razoável acordo firmado em outubro ou início de novembro, em razão da notória e arrastada negociação que ocorre entre as partes. Mister realçar, com tintas fortes que, nos casos em análise, o pacto ajustado foi firmado antes do efetivo pagamento da parcelas relativas à PLR, afastando qualquer tipo de simulação ou fraude quanto aos valores efetivamente pagos. Assim, verifico que houve pagamento com base em critérios objetivos, fixados por meio de regras claras, perfeitamente aferíveis, sendo definida a periodicidade e a data do pagamento. Por todo o exposto, e como reconhecido pela própria autoridade fiscal e pela ínclita Relatora, afastando o requisito da negociação prévia ser realizada no começo do exercício relativo à participação nos lucros, entendo ser totalmente adequado os valores pagos a título PLR por força das convenções coletivas relativas ao anos de 2009 e 2010. Fl. 1136DF CARF MF 32 CONCLUSÃO Diante dos motivos mencionados e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR nos anos de 2009 e 2010 com base nas convenções coletivas de trabalho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 1137DF CARF MF
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