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Numero do processo: 10880.900657/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 57 /2 01 4- 78 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900657/2014-78 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900657/2014-78 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 71DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900657/2014-78 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 72DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900657/2014-78 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 73DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.366 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900657/2014-78 Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722146/2012-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PAF. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA.
O não atendimento às intimações da Fiscalização, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento ou de reiteração da prática infracional.
Numero da decisão: 9202-007.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PAF. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento ou de reiteração da prática infracional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.722146/201225 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.848 – 2ª Turma Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ZANON COMÉRCIO, SERVIÇOS E TRANSPORTE LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento ou de reiteração da prática infracional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 46 /2 01 2- 25 Fl. 2279DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de obrigações principais conforme discriminado a seguir: · AI Debcad nº 51.018.0167, contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; · AI Debcad nº 51.018.0175, contribuições previdenciárias, parte dos segurados; e · AI Debcad nº 51.018.0183, contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional da Indústria SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE. As contribuições objeto do presente processo referemse à obra de construção civil inscrita sob a matrícula CEI n.º 35.720.02058/79, localizada na Av. Almirante Maximiliano da Fonseca, s/nº, distrito industrial de Rio Grande/RS. Em sessão plenária de 16/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.742 (fls. 2200/2232), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não ocasiona cerceamento de defesa do contribuinte e não é nulo o acórdão de primeira instância que desconhece ou nega pedido de perícia quando os fundamentos que conduziram a essa decisão estão expressos no voto. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE QUESITOS. DESNECESSIDADE. Considerase não formulado o pedido de perícia para o qual não há indicação dos quesitos e perito. O julgador administrativo pode indeferir o pedido de produção de provas, como diligências e perícias, se julgálas desnecessárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIZAÇÃO COM BASE NA ÁREA CONSTRUÍDA E PADRÃO DA OBRA. CUB. Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 11080.722146/201225 Acórdão n.º 9202007.848 CSRFT2 Fl. 3 3 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” O processo foi encaminhado à PGFN em 31/03/2017 (Despacho de fl. 2233) e em 02/05/2017 a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 2234/2243 (Despacho de Encaminhamento de fl. 2244), fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, visando rediscutir a matéria “agravamento da multa de ofício, por falta de atendimento à intimação”. Apresenta como paradigmas os acórdãos nº 9202003.673 e nº 10421.564, cujas ementas, no que concerne à matéria em debate, transcrevese a seguir: Acórdão nº 9202003.673 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PAF – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O não atendimento às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício, independentemente da demonstração de prejuízo à formalização do lançamento. Recurso Especial do Procurador provido Acórdão nº 10421.564 [...] MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à . intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. [...] A Fazenda Nacional alega, em síntese, o que segue: Fl. 2281DF CARF MF 4 a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, consequentemente, aferir o valor tributável; caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expeça as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época; a natureza punitiva dessa norma é flagrante, não constando em seu conteúdo qualquer consideração acerca do resultado provocado pelo descumprimento do dever do sujeito passivo de colaborar com a Administração Tributária; o antecedente da norma contempla apenas a hipótese de o contribuinte não atender, no prazo marcado, a intimação para prestar esclarecimento, fato este suficiente para autorizar o agravamento da sanção; desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato; a responsabilidade decorre do descumprimento do dever de prestar esclarecimentos, não importando, segundo o preceito do CTN, quais os efeitos desse ato; a prosperar tal entendimento, restaria aniquilado todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes. Requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida a multa no percentual agravado. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 02/06/2017 (fls. 2245/2250). Cientificado do acórdão de recurso voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 27/06/2017 (fl. 2274), a Contribuinte não apresentou manifestação. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Nos termos do voto condutor da decisão recorrida, no curso da ação fiscal foi apontado que o contribuinte respondeu apenas a um termo de intimação para prestar esclarecimentos após o prazo o prazo determinado pela autoridade autuante e que deixou efetivamente de atender à intimação da Fiscalização também somente em uma ocasião. Além disso, como “Não foi demonstrado ou descrito no Termo de Verificação nenhum prejuízo ou Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 11080.722146/201225 Acórdão n.º 9202007.848 CSRFT2 Fl. 4 5 perturbação ao trabalho fiscal, decorrente deste atraso/falta de resposta”, resolveuse por desagravar a multa de ofício qualificada. O art. 35A da Lei nº 8.212/1991 dispõe que no caso de lançamento de ofício relativo às contribuições devidas à Seguridade Social é aplicável o art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. A respeito da multa de ofício e de seu agravamento, o inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam osarts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A despeito do posicionamento consubstanciado no voto vencedor da decisão recorrida, fato é que o inciso I do § 2º da Lei nº 9.430/1996 é absolutamente claro ao estabelecer que o não atendimento às intimações da Fiscalização, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos enseja o agravamento da multa de ofício. Convém ressaltar que o texto legal, em momento algum, condiciona o agravamento à demonstração de prejuízo à formalização do lançamento ou de reiteração da prática do ato infracional, bastando para tanto que reste comprovado o não atendimento de intimação para a prestação esclarecimento ou seu atendimento após expirado o prazo estabelecido pelo Fisco. Fl. 2283DF CARF MF 6 Além disso, há que se considerar que os esclarecimentos solicitados no decorrer do procedimento fiscal são necessários à sua correta instrução e que a recusa ou o atraso do contribuinte na prestação de tais esclarecimentos, por óbvio, causam evidentes prejuízos à tarefa empreendida pela autoridade autuante. Certamente por essa razão o legislador julgou desnecessária a comprovação desses prejuízos. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer o agravamento da multa. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2284DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.721517/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 15/08/2000 a 20/10/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 15/08/2000 a 20/10/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 15 17 /2 01 1- 40 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 244 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP, que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "UNIBANCO RODOBENS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS S.A. (contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850.721154/201142, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 103 e seguintes do “processo principal” transmitida em 28/11/2008 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de dezembro/2004. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 245 3 Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 429 a 435 do “processo principal”, proferido em 16/06/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 440 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art. 65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. É o relatório." A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 246 4 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem considerasse a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. A diligência foi atendida, conforme pode ser verificado nas fls. 214 (informação fiscal) e fls. 230 (manifestação do contribuinte à informação fiscal). Em resumo, após a diligência, a fiscalização considerou as receitas financeiras e concordou com sua exclusão da base de cálculo da contribuições e reconheceu parcialmente o crédito solicitado. O contribuinte se manifestou sobre as linhas contábeis que não foram reconhecidas pela fiscalização: ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas e outros resultados financeiros. Relatório proferido. Voto Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 247 5 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em fls. 214, a fiscalização reconheceu a maioria do crédito solicitado pelo contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: "19. Refazendo a apuração do PIS do período em análise, com base nos demonstrativos e registros contábeis que constam dos autos, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, temos a seguinte apuração do PIS (8109): (...) 20. Comparando o PIS apurado na diligência com o valor do DARF apontado nos PER/DCOMPs, e tendo em vista que o reconhecimento do crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo RECONHECIMENTO do direito creditório conforme demonstrativo que segue: Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, conforme Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 248 6 julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais. A presente lide, contudo, permaneceu sobre algumas linhas contábeis, conforme trecho da Informação Fiscal de fls. 214: "15. As recuperações de despesas e de custos constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000 , de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) a seguir transcrito, e como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) 16. Ademais, as exclusões possíveis da base de cálculo do PIS e da COFINS, são somente as expressas no § 2º do art. 3º da Lei 9718/98, quais sejam: as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido, os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição e as receitas decorrentes da venda de bens do ativo permanente. 17. Como as receitas originadas de pagamentos dos consorciados previstos em contrato e das recuperações de despesas não constituem receitas financeiras, tampouco foram contempladas como passíveis de exclusão/dedução das bases de cálculo do PIS e da COFINS, é incabível falar em recolhimento indevido das contribuições sob tais rubricas." Em Manifestação à Informação Fiscal o contribuinte alegou que as linhas contábeis, objeto de resolução (ressarcimento desp legais judiciais, multas, recuperação de despesas e outros resultados financeiros), não integram o conceito de faturamento. O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 170 a 213 (memória de cálculo, balancete, contrato de consórcios e apuração da Cofins), o que é suficiente para concluir que não são receitas operacionais. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 249 7 Como já mencionado, a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Como registrado nos leanding cases, "faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços". Faturamento tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Logo, o recurso merece provimento parcial, considerando os moldes propostos na informação fiscal de fls. 214, mas também merece provimento nas demais linhas contábeis, exceto as seguintes: "7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE INSCRIÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.8337173500505 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833." Em observação ao princípio da verdade material, que tem aplicação no processo administrativo fiscal, é igualmente importante observar que estas taxas de administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta 7399900705 “outras resultados financeiros”. Tais taxas representam receitas operacionais e, além disto, não foram suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.721517/201140 Acórdão n.º 3201005.336 S3C2T1 Fl. 250 8 Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903687/2009-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento de direito creditório em declaração de compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Deverá ser indeferido o pleito do recorrente quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada por meio de documentação contábil e fiscal apta para esse fim.
Numero da decisão: 3002-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(documento assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento de direito creditório em declaração de compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Deverá ser indeferido o pleito do recorrente quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada por meio de documentação contábil e fiscal apta para esse fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 47 dos autos: Trata-se de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a Declaração de Compensação DCOMP nº 27327.39266.090905.1.3 040295, referente a alegado crédito, no valor original de R$ 35.978,50, de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF de código de receita 6912 e período de apuração de 31/03/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 36 87 /2 00 9- 64 Fl. 167DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Segundo o Despacho Decisório, não restou crédito disponível para compensação do(s) débito(s) declarado(s) na DCOMP, pois o DARF informado já havia sido utilizado, conforme registrado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP”. Em sua manifestação de inconformidade o interessado alegou, em resumo, que houve erro de preenchimento da DCTF e que retificou essa Declaração e apresentou Dacon, de modo a embasar a compensação declarada na DCOMP. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, os recibos de entrega das DCTF’s retificadora e original, comprovantes de arrecadação, planilha com a apuração antiga e a apuração correta, cópia do documento de identidade da signatária da manifestação, procuração pública, atos constitutivos da empresa, o PER/DCOMP nº 27327. 39266. 090905.1.3.04-0295, documentos relacionados ao pedido de compensação e o despacho decisório (fls. 05/42). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório que denegou o direito pleiteado. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 28/07/2014 (vide Termo à fl. 51 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 27/08/2014, Recurso Voluntário (fls. 53/68). Em seu recurso, o contribuinte reafirmou ter cometido erros de cálculo que o levaram a recolher a maior o tributo em questão. Na página 7 de seu recurso, fl. 59 do processo, apresentou planilha demonstrativa de sua explicação acerca de tais erros, na qual indica que teria cometido erro na apuração do valor total das receitas, o que teria gerado erro na base de cálculo do tributo e, consequentemente, nos valores apurados do débito e do crédito do PIS. Por isto, no cálculo errôneo, teria apurado um valor a recolher de R$ 284.164,01 e, no cálculo correto, o valor a recolher seria de R$ 248.185,51. Por esta razão, na DCTF originalmente emitida, teria constado declaração de débito de R$ 284.164,01, e teria sido gerado e pago o correspondente DARF. Porém, identificado em seguida tal erro, teria sido apresentado A DACON retificadora, com a apuração correta do PIS, e a indicação da diferença recolhida a maior correspondente a R$ 35.978,50 (fl. 10 da DACON). Neste sentido, o contribuinte argumentou que, desde a transmissão da DACON, em 04/08/2005, a Receita federal já possuía elementos para identificar, até de ofício, a existência do crédito alegado. Informou que os valores indicados como corretos estão comprovados nos documentos juntados ao recurso, principalmente nos constantes dos docs. 03, 05, 06, 07 e 08. Fl. 168DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Apontou o artigo 20, § 2º, da Lei 11.941/09 como fundamento da possibilidade de análise probatória em fase recursal, e indicou os princípios da verdade material e da autotutela administrativa como imperativos do poder-dever da Administração de analisar os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte. Ao fim, requereu a reforma da decisão para obter o reconhecimento do pagamento a maior e do crédito correspondente, e a homologação da PERDCOMP nº 27327. 39266. 090905.1.3.04-0295. Juntou os seguintes documentos, de fls. 69/144: despacho decisório, DARF, DCTF original, DACON transmitida em 04/05/2005, DCTF retificadora, apuração do PIS e da COFINS, notas fiscais, razão de contas e balancete de contas. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se extrai do relatório acima, verifica-se que o cerne da presente contenda gira em torno da comprovação por parte do contribuinte acerca do direito creditório pleiteado. Isso porque, como é cediço, nos casos de pedido de compensação, é do contribuinte o ônus probatório. No caso destes autos, verifica-se que o contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, apontou a origem da falha detectada (constatou que teria tomado créditos a menor no momento da apuração do PIS e da COFINS), tendo informado que, embora a DACON tivesse sido adequadamente retificada, olvidou-se de retificar a DCTF na época oportuna, vindo a retificá-la tão somente após o despacho decisório. Naquela oportunidade, anexou aos autos para fins de comprovar o que alega: os recibos de entrega das DCTF’s retificadora e original, comprovantes de arrecadação, planilha com a apuração antiga e a apuração correta e documentos relacionados ao pedido de compensação (fls. 05/42). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que a documentação acostada pelo Recorrente não seria suficiente à comprovação do crédito alegado. Concordo com a decisão recorrida neste particular, visto que, de fato, a documentação apresentada quando da manifestação de inconformidade não logra comprovar a correta apuração do PIS e COFINS do período. Ato contínuo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual traz os seguintes esclarecimentos fáticos: Analisando a base de cálculo para a determinação do PIS a pagar em março de 2005, verificamos que houve equívoco por parte da Recorrente ao preencher a sua DCTF original, que decorreu tanto em relação a apuração do valor do débito quanto em relação ao valor do crédito do PIS existente em sua escrita fiscal, o que ocasionou a não homologação do crédito ora pleiteado. Fl. 169DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Em relação a base de cálculo do PIS, em que pese o valor correto correspondesse a R$ 26.059.718,65, por equívoco a Recorrente utilizou como base de cálculo do PIS apenas o valor das vendas no mercado interno acrescido das receitas financeiras o que montava a quantia de R$ 24.567.848,57. Após a aplicação das exclusões legais no montante de R$ 880.683,87 a Recorrente encontrou a base de cálculo do PIS no valor correspondente a R$ 23.667.549,09, sobre o qual calculou o valor do PIS a pagar aplicando a alíquota de 1,65%. O valor do débito do PIS correspondia a R$ 390.514,56. (Doc.03) Senão bastasse isso a Recorrente também se equivocou em relação ao crédito do PIS que possuía em sua escrita fiscal para utilizar antes de apurar o montante do PIS a pagar. Isso porque apurou um crédito no montante de R$ 90.801,45. Assim, pegando-se o valor do débito do PIS R$ 390.514,56 menos o valor do crédito existente na escrita fiscal correspondente a R$ 90.801,45 a Recorrente apurou um débito de R$ 299.713,11. Ocorre que parte deste valor, correspondente ao montante exato de R$ 15.549,10, já havia sido retida na fonte, portanto, a Recorrente só deveria recolher a diferença correspondente a R$ 284.164,01, que foi o valor exato declarado na DCTF originalmente entregue, bem como, do DARF que fora recolhido. Entretanto, ao recompor a sua escrita fiscal posteriormente a Recorrente constatou que havia cometido um equívoco ao apurar o valor do PIS a pagar em março de 2005, tendo pago o referido tributo em valor superior ao efetivamente devido. Isso porque a base de cálculo correta do PIS em março de 2005 correspondia a R$ 26.059.718,65, aplicando-se a alíquota de 1,65%, o valor do débito do PIS correspondia a R$ 429.985,36. (Doc.05). Por sua vez o valor do crédito do PIS existente na escrita fiscal da Recorrente correspondia a R$ 166.250,75. Assim, pegando-se o valor do débito do PIS R$ 429.985,36 menos o valor do crédito existente na escrita fiscal correspondente a R$ 166.250,75 a Recorrente apurou um débito de R$ 263,734,61 e não de R$ 299.713,11 como fora originalmente apurado de forma totalmente equivocada. Ademais, parte deste valor, correspondente ao montante exato de R$ 15.549,10 já havia sido retida na fonte, portanto, a Recorrente só deveria recolher a diferença correspondente a R$ 248.185,51 a título de PIS devida em março 2005. A fim de facilitarmos a compreensão do quanto aduzido até então segue abaixo uma planilha elaborada a partir dos demonstrativos de apuração do PIS, em que é possível constatar exatamente os erros acima narrados que ocasionaram na divergência de informação e na consequente não homologação do crédito: Importante ressaltar que todos os valores aqui expressos vem comprovados nos documentos em anexo na Determinação para o Crédito do PIS (Docs. 03 e 05) e embasados pela Apuração do PIS (DOC. 06); Notas Fiscais de Venda, Notas Fiscais de Fl. 170DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Devolução e Retorno (DOC. 07); Razão de Contas e Balancete de Contas (DOC. 08) também anexo. Repisando os argumentos aqui trazidos temos que houve, inicialmente, um erro de cálculo por parte da empresa, ora Recorrente, a qual contabilizou erroneamente o total das receitas auferidas no mês de Março de 2005 e os créditos disponíveis para abatimento do débito relativo à Contribuição ao PIS daquele período, conforme demonstrado acima e comprovado pelos documentos anexos. A partir daí, a Recorrente preencheu incorretamente a DCTF, declarando ter como débito o valor de R$ 284.164,01, tendo, consequentemente, emitido e pagado DARF com este valor. Ato contínuo tomou conhecimento do erro nos cálculos e retificou os mesmos, apresentando em 04/08/2005, então, DACON com os valores corrigidos, sendo o devido a título de Contribuição para o PIS o montante de R$ 248.185,51. Conforme análise das páginas 06, 09 e 10 do DACON (Doc. 04), notamos que ela já trazia todas as informações acerca da base de cálculo correta para apuração do PIS efetivamente devida pela ora Recorrente em março de 2005. Tanto é que na página 10 é possível verificar que o débito do PIS apurado em março de 2005 era de R$ 429.985,36, sendo que, deste montante poderia ser descontado o crédito apurado no mês, correspondente ao valor de R$ 166.250,75 e a contribuição para o PIS retido na fonte por pessoas jurídicas de direito privado, no valor de R$ 15.549,10. Assim, às folhas 10 da DACON é possível constatar a memória de cálculo para a apuração do PIS, bem como, verificar que o valor efetivamente devido pela ora Recorrente a título da referida contribuição em março de 2005 correspondia ao montante de R$ 248.185,51, conforme planilha em que reproduzimos as informações constantes da folha 10 da DACON a seguir: Sendo assim, desde 04/08/2005, data em que foi transmitida a DACON a Secretaria da Receita Federal do Brasil já tinha elementos para verificar, inclusive de ofício, o valor total do débito de PIS efetivamente devido pela ora Recorrente em março de 2005, e consequentemente possuía elementos para constatar que a Recorrente pagou o PIS a maior e, portanto, possui direito ao crédito ora pleiteado! Porém, infelizmente, por um mero descuido, a Recorrente não corrigiu os valores constantes da DCTF originalmente apresentada, somente corrigindo-a em momento posterior, qual seja, em 22/05/2009, ou seja, antes de ocorrer a decadência do crédito ora pleiteado e antes do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, sendo, portanto, totalmente possível o deferimento da compensação ora pleiteada. Nesse contexto, realizou o PER/DCOMP no 27327.39266.090905.1.3.04-0295, desejando utilizar os créditos derivados do pagamento a maior realizado anteriormente, no valor de R$ 35.978,50, para compensação de outros tributos, pedido este que não foi homologado, dando origem ao Despacho Decisório e subsequente Acórdão da DR] objeto do presente Recurso Voluntário. Nesta oportunidade, anexou aos autos os seguintes documentos: DCTF original transmitida em 24/05/2006, com a apuração do PIS no valor de R$ 384.164,01; DACON transmitida em 04/08/2005, indicando o importe de R$ 248.185,51; DCTF retificadora transmitida em 22/05/2009 que apurou o PIS no valor de R$ 248.185,51; demonstrativo do crédito de PIS correto; apuração do PIS; notas fiscais de venda; notas fiscais de devolução e retorno; razão de contas e balancete de contas. À primeira vista, entendo que tais documentos estariam aptos a comprovar o direito creditório pleiteado. Contudo, há de se analisar se tais provas poderiam ser admitidas nesta fase recursal. Para tanto, é importante tratar sobre a existência de preclusão no caso em deslinde. Fl. 171DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 No meu entender, a documentação anexada ao Recurso Voluntário representa uma complementação da documentação trazida pelo Recorrente desde a sua manifestação de inconformidade, diante dos fundamentos constantes da decisão recorrida. Nessa ótica, não haveria óbice à sua apreciação nesta instância, a qual encontra respaldo na alínea c do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Acontece que a unidade de origem não chegou a analisar dita documentação, em razão do momento em que a mesma fora apresentada. Sendo assim, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a unidade de origem, com fulcro na documentação apresentada pelo Recorrente tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário verifique se a apuração correta do PIS do Recorrente no período em questão é o constante da DACON e da DCTF retificadora, manifestando-se também sobre a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ocorre que, em sessão de julgamento realizada em 12/06/2019, findei vencida quanto à proposta de diligência acima exposta. Sendo assim, uma vez ultrapassada tal proposta, tornou-se imperativo pronunciar-me acerca do mérito da presente contenda, tendo me pronunciado no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. Isso porque, em que pese ter o Recorrente trazido aos autos elementos que, em princípio, poderiam levar à comprovação da exportação dos produtos em questão, no meu entender, tais elementos ainda não são suficientes ao pleno convencimento acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. E foi justamente por esta razão que votei no sentido de converter o presente feito em diligência. Sendo assim, diante do entendimento da maioria dos julgadores que compõem esta Turma Julgadora no sentido de que deverá ser rejeitada a proposta de diligência apresentada, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Até porque, como é cediço, o reconhecimento do direito creditório está condicionado à comprovação da sua certeza e liquidez e o ônus probatório compete ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Em outras palavras, em casos de pedidos de compensação, o ônus probatório é do Recorrente. É o que se extrai tanto do teor do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, quanto o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. *** Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 172DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, verificando-se que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório, penso que a conclusão constante da decisão recorrida há de ser mantida. 3. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de converter a presente julgamento em diligência, determinando que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta, com fulcro na documentação apresentada pelo Recorrente tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário verifique se a apuração correta do PIS do Recorrente no período em questão é o constante da DACON e da DCTF retificadora, manifestando-se também sobre a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Contudo, considerando que findei vencida quanto à proposta de diligência apresentada, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação à proposta de conversão do julgamento em diligência. Entendo que ocorreu a preclusão do direito de produzir provas, motivo pelo qual não conheço da documentação juntada aos autos nesta fase. O Decreto nº 70.235/1972 define de forma cristalina como e quando se instaura o contencioso administrativo, bem como as condições e limites para o seu desenvolvimento. A ver: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Fl. 173DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do Despacho Decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da Manifestação de Inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante o § 4º do art. 16, acima transcrito, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazê-lo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente se restringe a dizer que houve erro na apuração de PIS/Cofins e informa os valores que entende corretos. Quanto aos documentos ditos probatórios, não há dúvida de que a DCTF retificadora e o comprovante de pagamento do Darf não fazem absolutamente prova de direito creditório. O que se espera do contribuinte é que demonstre porque o valor constante da DCTF retificadora é o valor correto, porque deve prevalecer em relação ao que consta de sua confissão de dívida original. O terceiro e derradeiro documento juntado com o propósito se fazer prova é a planilha abaixo. Não considero que a mera afirmação, por parte do contribuinte, de que devo isso e não aquilo pode sequer configurar o início de uma produção de prova, que se produz geralmente a partir de documentação contábil e fiscal, revestida das formalidades legais. No que tange aos documentos apresentados nesta fase recursal, ao contrário do entendimento professado pela relatora, entendo que tal situação não se enquadra na alínea “c” do o § 4º do art. 16 – juntada intempestiva de documentos que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No caso presente, o relator da decisão de primeira instância limitou-se a explicar de forma didática ao contribuinte o motivo do indeferimento pela unidade de origem. Não há nova razão de decidir, trazida posteriormente aos autos. Fl. 174DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3002-000.758 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.903687/2009-64 Portanto, uma vez que o caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto, está configurada a preclusão temporal. Por derradeiro, ressalto que diligência não se presta a suprir a omissão da recorrente em demonstrar o seu direito creditório, ônus que lhe cabe em um pedido de ressarcimento. O entendimento exposto neste voto não constitui posição isolada, mas recorrente no Carf. A ver, por exemplo, julgamento recente (fevereiro/2019) na 3ª Seção da CSRF – Acórdão nº 9303-008.093, do qual transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/ 2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. (grifado) Pelos motivos expostos, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000134/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2010
IPI. ISENÇÃO. TÁXI.
A Lei n° 8.989, de 1995, e suas alterações, exige que o beneficiária da isenção exerça, comprovadamente, a profissão de condutor autônomo de passageiros.
Numero da decisão: 3201-005.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ISENÇÃO Recorrente MARIA LUIZA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. A Lei n° 8.989, de 1995, e suas alterações, exige que o beneficiária da isenção exerça, comprovadamente, a profissão de condutor autônomo de passageiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 01 34 /2 01 0- 58 Fl. 84DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de isenção do IPI, na compra de veículo para taxista. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de solicitação da interessada, por meio do documento de fl. 01, para o reconhecimento do direito à isenção do IPI prevista na Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e alterações, relativa à aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros na categoria de táxi. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo GrandeMS, por meio do despacho decisório de fl. 52 e com base no Parecer SAORT de fis. 50/51, indeferiu o pleito de isenção do IPI sob o fundamento de que, da análise das declarações do imposto de renda da pessoa física (DIRPF) apresentadas pela interessada e pelo seu cônjuge, de informações telefônicas colhidas de taxistas que atuam no ponto de táxi em que a interessada, formalmente, atuaria, e, ainda, de informações prestadas pela própria interessada, verificouse que “apesar da requerente possuir veículo em seu nome, na categoria aluguel, e de ser titular de alvará de permissão para exploração da serviço de transporte de passageiros (táxi), não exerce de fato essa atividade, e sim, outro motorista, o que se pode concluir que a interessada não faz jus à isenção pleiteada, uma vez que não atende a todos os requisitos exigidos pela Lei n°8.989, de 24 de fevereiro de 1995 e alterações Í Cientificada da decisão acima pela via postal em 20/04/2010 (conforme o AR afixado na fl. 53), a interessada apresentou em 04/05/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 54/56 na qual requeria o deferimento do seu pedido sob os argumentos de que: a concessão para taxista foi adquirida em janeiro de 2000 por motivo de sobrevivência, pois fora obrigada a aderir a plano de demissão voluntária (PDV), deixando emprego anterior e aposentandose, proporcionalmente, pelo INSS, sendo que comprara a concessão de um táxi com as verbas rescisórias; sua jornada de trabalho como motorista profissional no transporte de passageiros era variável, pois, em razão de sua idade, não lhe era possível laborar ao final da tarde ou à noite, implicando o uso do veículo em revezamento com outros motoristas; . cumpria todos os ditames normativos e necessitava urgentemente trocar o atual veículo por um novo para escapar dos elevados gastos incorridos em oficina e, de outro lado, gerar mais conforto aos seus clientes; a improcedência do seu pedido não se baseara em provas contundentes ou em investigações criteriosas, tendo o Fisco ouvido os taxistas concorrentes do posto, mas não ouvido a requerente. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 14112.000134/201058 Acórdão n.º 3201005.467 S3C2T1 Fl. 85 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 09 29.709, de 28/05/2010 (fls. 71 e ss.), assim ementado: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. Não comprovado o preenchimento dos requisitos exigidos para a fruição da isenção atinente à Lei n° 8.989, de 1995, e suas alterações, é de se indeferir o benefício pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 76 e ss., por meio do qual repete os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. A Recorrente apresentou pedido de isenção do IPI na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros na categoria de táxi. Indeferido o pedido e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente. A razão do indeferimento e da sua manutenção pela instância a quo é a de que a Recorrente, muito embora tenha apresentado os documentos exigidos para a concessão da isenção, não exercia, de fato, a profissão de taxista. Indícios havia: a) na DIRPF 2009/2008 da contribuinte e do seu cônjuge, constava a propriedade de três veículos; b) era sóciaadministradora e responsável pela empresa MAREUZA DECORAÇÕES LTDA, CNPJ n° 00.187.708/000101, que se encontrava com a situação cadastral “Inapta”, pelo motivo “omissa contumaz”; c) recebeu rendimentos tributáveis, pelo menos, desde os anoscalendário de 2006 a 2009, das fontes pagadoras INSS e Fundação Sistel de Seguridade Social; d) nas Declarações de Ajuste Anual, exercícios de 2007 a 2009 (anoscalendário 2006 a 2008), declarou rendimentos tributáveis recebidos somente das fontes pagadoras pessoa jurídica, e não consta declarados rendimentos recebidos de pessoa física, relativamente à atividade de taxista. Acresçase a tudo isso o fato de que, em contato telefônico com o ponto de táxi onde se atestou que a Recorrente exercia a atividade de taxista, a fiscalização foi Fl. 86DF CARF MF 4 informada de que não era a interessada, mas outro motorista que lá trabalha em seu veículo (fl. 55), fato corroborado pela própria Recorrente, que, ao comparecer à unidade da RFB, prestou a seguinte declaração (fl. 51): Contudo, a lei exige a condição de taxista, vale dizer, que a pessoa beneficiada com a isenção na compra do veículo seja condutor autônomo de passageiros. Confirase: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); III cooperativas de trabalho que sejam permissionárias ou concessionárias de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), desde que tais veículos se destinem à utilização nessa atividade; IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifamos) Portanto, o fato de a Agência Municipal de Transporte e Trânsito AGETRAN/PM de Campo Grande (MS) ter atestado que a Recorrente exercia a atividade de taxista – requisito exigido na Instrução Normativa RFB n° 987, de 2009 –, não significa que, por outros meios e análises, não possa a fiscalização demonstrar que a declaração não Fl. 87DF CARF MF Processo nº 14112.000134/201058 Acórdão n.º 3201005.467 S3C2T1 Fl. 86 5 corresponde, como de fato aqui não correspondia, à realidade, daí exigir o tributo não recolhido, se já auferido o benefício, ou, caso contrário, indeferir o pedido. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905330/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-007.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: Relator
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 53 30 /2 01 2- 08 Fl. 107DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Trata o presente processo da DCOMP eletrônica n° 26339.44713.220811.1.3.049802, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito no montante de R$ 61.126,93 proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF no valor de R$ 64.285,97 recolhido em 31/05/2010 código de receita: 31/05/2010. A matéria foi objeto de análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado e, após as referidas verificações, foi proferida decisão por intermédio do Despacho Decisório eletrônico que concluiu: ... foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexisténcia do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas contrarazões alegando em síntese que: (...) II Do Mérito II.a Das nulidades O despacho decisório ... está totalmente eivado de nulidades. Vejamos: Assim decidiu a autoridade administrativa: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". ... sem maiores esclarecimentos quanto a esta suposta inexistência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza a Carta Magna ... ... tendo a administração ... o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a ... Lei n.° 9.784/99 prevê essa imposição em seu artigo 50 ... Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 3 3 Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível ... Todavia, para o deslinde da questão ..., mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" ... Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizariam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. A própria Receita Federal reconhece essas hipóteses, a teor das disposições da IN 900/2008, que regula a restituição/compensação: "Art. 2o Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" (g.n.). ... a Autoridade Administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejariam a restituição postulada. Denotamse ..., por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 ... ... simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5°... Fl. 109DF CARF MF 4 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, ... em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa ...". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa ... ... a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação ... Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição ..., quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 900/2008: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. ... não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida ... obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72 ...: "Ari. 16. (...) §4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; (...)” (g.n.) Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa ... Desta feita ... há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, a declaração de nulidade do despacho decisório combatido, porque “eivado de vício insanável” e, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 4 5 ainda, o envio do processo à DRF de origem para “as diligências necessárias à comprovação do crédito”. Em 27 de março de 2014, através do Acórdão n° 0950.788, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade para NÃO HOMOLOGAR a DCOMP n° 26339.44713.220811.1.3.049802. Entendeu a Turma que: A requerente submete a apreciação sua argumentação contrária às conclusões exaradas no Despacho Decisório eletrônico, que resultaram na não homologação da compensação pleiteada, cujo crédito se refere a pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com data de arrecadação 31/05/2010 recolhido para extinção do PA 30/04/2010. Preliminarmente, ressaltese que toda a argumentação trazida na peça de defesa e referente à ausência de motivação, de fundamentação e de esclarecimentos no despacho decisório, que levaram a não homologação da compensação pleiteada, carece de suporte fático, pois, tais elementos se encontram claramente evidenciados no ato administrativo. O Despacho Decisório informa que a compensação não foi homologada porque o DARF, apontado como origem do crédito pela contribuinte na DCOMP foi localizado, mas se encontra totalmente alocado para quitação de débito próprio, no caso, para o débito com código de receita 5856 e período de apuração 30/04/2010. E mais, o ato administrativo cita não só os dados do DARF (período de apuração, código de receita, valor total e data de arrecadação) indicado pela própria empresa, na DCOMP; como também evidencia a utilização do recolhimento para extinção do débito informado/vinculado em DCTF quando de sua apresentação à RFB também pela interessada, autora de ambas as declarações DCTF e DCOMP. Ademais, é de se esclarecer que não compete à Delegacia da Receita Federal (DRF) demonstrar e confirmar o crédito pleiteado, já que a interessada é que tem o ônus de comprovar a liquidez e certeza do mesmo (artigo 170 do CTN). Compete à autoridade administrativa verificar se houve comprovação ou não do direito creditório, no presente caso, o simples batimento entre as informações constantes dos sistemas foi suficiente para concluir contrariamente ao pleito. No entanto, se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pela interessada, a autoridade administrativa poderá intimar a contribuinte a apresentar documentos para verificação das informações prestadas, tendo em vista o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Fl. 111DF CARF MF 6 Desta forma, merece destaque o fato de que em relação ao objeto do processo, restringiuse a reclamante a apresentar suas alegações, sem, no entanto, juntar qualquer documento ou elemento de prova, ainda que por amostragem, que lastreasse sua argumentação e que permitisse a essa instância de julgamento formar juízo dirimente acerca do alegado ou concluir pela necessidade de diligência/perícia, na forma dos incisos III e IV do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972. E mais, restam afastadas, portanto, as preliminares de nulidade do Despacho Decisório eletrônico. No que tange ao mérito da controvérsia, ou seja, ao crédito postulado, esclareçase que não constam dos autos quaisquer documentos apresentados pela contribuinte que comprovem seu direito de crédito. E, como visto, a não homologação da compensação se deu em virtude de uma questão fática, qual seja: não foi confirmado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a existência do crédito indicado, uma vez que a totalidade do Darf informado na DCOMP extinguiu o débito vinculado em DCTF. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pela contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é menor que o DARF recolhido e apontado como origem do crédito. Nada mais foi trazido aos autos, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria à interessada crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Dessa forma, não tendo a empresa demonstrado enquadrarse nos casos excepcionais elencados no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, 1972, concluise pelo indeferimento do pedido de juntada de novos documentos. No que se refere à discussão levantada sobre os princípios constitucionais que a reclamante entendeu terem sido infringidos destaquese que o seu enfrentamento compete exclusivamente ao Poder Judiciário por força do próprio texto constitucional. A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 10 de abril de 2014, às efolhas 65. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 5 7 A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, em 09 de maio de 2010, conforme efolhas 68, juntado de efolhas 69 à 72. Foi alegado: O direito à ampla defesa não é algo que possa ser tratado de forma simples ou sintética, como explicitamente afirma o faz, o voto sob análise. O direito à ampla defesa é um direito Constitucional (art. 52, LV da Carta Magna) do contribuinte, que deve ser garantido, inclusive no procedimento administrativo fiscal, da forma mais abrangente possível, principalmente pela Administração Pública. Deste modo, não se pode deixar de negar que, a forma sintética com o que foi tratado o direito da Recorrente, implica sim, e nulidade do despacho decisório em questão, conforme o art. 59, inciso II, do Decreto n2 70.235/1972, uma vez que impede que o contribuinte tenha uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Quanto à contrariedade manifestada pelo contribuinte em relação ao fato de não ter sido intimado a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição/compensação, como manda o art. 65 da Instrução Normativa da SRF n? 900/2008. O art. 65 da referida Instrução Normativa segue no sentido de que " a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Senhores Conselheiros, estamos na frente, aqui, de um verdadeiro "dever poder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houverem inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito, agora, se houverem inconsistências no pedido, então a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito. Podemos ver, ainda, que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados pelo mesmo, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Devemos deixar claro que, sim, é ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Agora, se a própria Receita Federal estipula, no art. 65 da IN 900/2008, momento oportuno para a comprovação do crédito, qual seja, o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, por que negar tal oportunidade ao contribuinte? Isto é, por que não dar oportunidade para o contribuinte provar o crédito antes da emissão do despacho decisório? Em nome da celeridade da Fiscalização? Ora, nobres Conselheiros, todos sabemos da gama de obrigações do contribuinte para com o Fisco, e das facilidades que este ultimo tem em termos de fiscalização e cruzamento de dados, tudo em prol da cobrança tributária. Não pode, portanto, o Fisco também passar por cima de suas próprias estipulações em prol do mesmo fim. Portanto, se a Fl. 113DF CARF MF 8 própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, declarandose a nulidade de todo Procedimento Administrativo Fiscal n5 10875.905330/201208. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, v ia Aviso de Recebimento, em 10 de abril de 2014, quintafeira, às efolhas 65. A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, em 09 de maio de 2010, conforme efolhas 68. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · O processamento do PERDCOMP n. 26339.44713.220811.1.3.04 9802, uma vez que o DARF utilizado como crédito na compensação não foi integralmente utilizado. Passase à análise. Tomase por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 6 9 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; VIII os valores de quotas de saláriofamília e saláriomaternidade; e IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobrea Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; O PER/DCOMP formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. A entrega do PER/DCOMP implementa a compensação tributária, tendo por efeito imediato a extinção do débito, ainda que sob ulterior condição resolutória. Cabe ao Sujeito Passivo fornecer informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos, permanecendo com a Autoridade Tributária o poder/dever de validar a operação realizada. No caso que se aprecia, o Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP com o fim de extinguir débito com suposto crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior, apontando um DARF como origem desse crédito. Fl. 115DF CARF MF 10 O núcleo do presente litígio é verificar se o Contribuinte possuía ou não o direito creditório pleiteado. É alegado no Recurso Voluntário, efolhas 71: Senhores Conselheiros, estamos na frente, aqui, de um verdadeiro "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houverem inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito, agora, se houverem inconsistências no pedido, então a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito. Podemos ver, ainda, que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados pelo mesmo, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Ele segue neste sentido, à fls. 7: (...) Devemos deixar claro que, sim, é ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Agora, se a própria Receita Federal estipula, no art. 65 da IN 900/2008, momento oportuno para a comprovação do crédito, qual seja, o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, por que negar tal oportunidade ao contribuinte? Isto é, por que não dar oportunidade para o contribuinte provar o crédito antes da emissão do despacho decisório? Em nome da celeridade da Fiscalização? Ora, nobres Conselheiros, todos sabemos da gama de obrigações do contribuinte para com o Fisco, e das facilidades que este ultimo tem em termos de fiscalização e cruzamento de dados, tudo em prol da cobrança tributária. Não pode, portanto, o Fisco também passar por cima de suas próprias estipulações em prol do mesmo fim. Portanto, se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se manifesta às folhas 07: Consoante o §1° do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pela contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 7 11 respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é menor que o DARF recolhido e apontado como origem do crédito. Nada mais foi trazido aos autos, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria à interessada crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Absolutamente adequada a posição esposada no Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O crédito tributário declarado pela recorrente em DCTF é líquido e certo, razão pela qual deve ser homologada a compensação realizada por meio da PER/DCOMP, sob pena de enriquecimento ilícito da União, vez que está cobrando valores já compensados pela empresa. A comprovação do erro de informação é tarefa que cabe exclusivamente ao Interessado, por meio da apresentação de documentos hábeis e idôneos. A conclusão é a mesma se analisarmos a questão sob o aspecto puramente processual. O Decreto 70.235/1972, que também se aplica a esse tipo de Contencioso, dispõe no seu art. 16, § 4°, que as provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Já o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 RIR/99 (Decreto Lei 1.598/1977, art. 9°, § 1°) estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, no presente caso, caberia ao Contribuinte a apresentação dos elementos de prova (cópias de Livros e Documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF Original, que embasou o Despacho Decisório em referência. Com efeito, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da Defesa. Assim, como não foi corroborado o direito creditório do Manifestante, de conformidade com a Legislação aplicável ao assunto apreciado, e portanto não foi comprovado Fl. 117DF CARF MF 12 haver crédito líquido e certo que compensasse o débito pleiteado pela Empresa, pois o valor do crédito solicitado foi alocado para cobrir apenas o débito indicado no DARF citado, conforme demonstrado, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF, ou pelo menos sua verossimilhança. Na ausência dessa, tomase por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10875.905330/201208 Acórdão n.º 3302007.178 S3C3T2 Fl. 8 13 vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000320/2006-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Numero da decisão: 2002-001.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO DEPENDENTE. Recorrente CLAUDIO GILBERTO PINHEIRO CORREA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 03 20 /2 00 6- 08 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13052.000320/200608 Acórdão n.º 2002001.172 S2C0T2 Fl. 99 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 32/36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$36,93 para saldo de imposto a pagar de R$1.495,80. Segundo consta da decisão recorrida, o contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos recebidos por dependente, no valor de R$11.819,36. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 23/10/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 8/11/2006, às fls. 4/46 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: 1. O contribuinte foi notificado pelo motivo de não ter declarado os rendimentos da esposa, no valor de R$ 11.819,36, inobstante a tenha incluído como dependente. 2. Seqüentemente foi apresentada a SRL, a qual foi indeferida. 3. O contribuinte não acha justo arcar com o ônus de pagar o imposto, pois, em nenhum momento objetivou tirar proveito da informação prestada, tratandose de mero erro de fato. 4. O contribuinte foi levado ao erro pelos próprios agentes da Receita Federal, pois, constatou a irregularidade no site da Receita Federal e, no órgão da RF de Lageado, foi informado de que deveria esperar um aviso da Receita para fazer a retificação. Para sua surpresa, já recebeu a notificação de lançamento. 5. O impugnante acha completamente injusta a cobrança, basta analisar a declaração apresentada. 6. O contribuinte, na condição de bombeiro, auferiu rendimentos de R$ 18.471,99, com Contr. Prev. de R$ 2.069,09, com IRF de R$ 36,93, apresentando 3 filhos como dependentes. A retenção deuse em um único mês, em decorrência da tributação das férias. 7. De forma equivocada, mas nas melhores das intenções, o contribuinte lançou a esposa como dependente, não a incluindo no somatório dos rendimentos. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13052.000320/200608 Acórdão n.º 2002001.172 S2C0T2 Fl. 100 3 Ocorre que a inclusão ou não da esposa como dependente em nada altera o resultado final da declaração, conforme atestado na declaração simulada anexa, estando ai a razão principal para justificar a boafé do contribuinte. O único objetivo da inclusão da esposa como dependente era evitar de ela fazer declaração de isento. 8. Além disso, verificase que não foram apresentadas e lançadas as despesas com previdência privada IPE/PAMES, R$ 371,52 e IBCM, R$ 588,00, bem como consultas com médicos e dentistas que efetivamente existiram. 9. A autuação está totalmente dissociada da realidade vivenciada pelo autuado, visto que, além de entender que não lesou a União, a imposição da multa é extremamente onerosa, diante das dificuldades enfrentadas pela categoria dos policiais militares. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/STM que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 66/72): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. O contribuinte tem direito às deduções devidamente comprovadas. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. O colegiado de primeira instância decidiu por levar em conta no cálculo do imposto deduções no montante de R$1.079,52. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 10/7/2009 (fl. 82), o contribuinte, em 4/8/2009 (fl. 84), apresentou recurso voluntário, às fls. 84/94, de idêntico teor da impugnação apresentada. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13052.000320/200608 Acórdão n.º 2002001.172 S2C0T2 Fl. 101 4 O litígio recai sobre rendimentos recebidos por dependente informado pelo recorrente em sua declaração de ajuste. Do exame dos autos, constatase que o recorrente reproduz em seu recurso voluntário os argumentos da impugnação apresentada. Dessa feita, reproduzo no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, a decisão de primeira instância, com a qual concordo, mantendoa: Esclarecese que, ainda que a lei preveja que, em determinados casos, para a sua aplicação, possa vir a ser considerada a condição pessoal do agente, tal possibilidade não é admitida no âmbito tributário. Com efeito, cabe à esfera administrativa aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar arguições de cunho pessoal, pois o poder da autoridade administrativa é vinculado, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, cabe aqui tãosomente a análise das questões tributárias sobre o ponto de vista estritamente legal. Omissão de rendimentos O impugnante discorda da inclusão dos rendimentos pertencentes a sua esposa. A dedução relativa a dependentes está prevista no art. 8°, inciso II, c, da Lei n.°9.250, de1995. Conforme disposto no artigo 38, § 8°, da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001: " Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração". Optando o contribuinte por considerar sua esposa como dependente, no anocalendário 2004, aproveitandose da dedução respectiva, obrigatoriamente, também deve oferecer à tributação os rendimentos por ela auferidos. Portanto, correto foi o procedimento da fiscalização neste aspecto. ... Quanto à multa de 75%, esclarecese que essa é devida sempre que houver lançamento de oficio, conforme o que estabelece o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996: ... À luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes devem oferecer à tributação na declaração de ajuste anual os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos por eles e também os recebidos pelos seus dependentes indicados na declaração de ajuste. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13052.000320/200608 Acórdão n.º 2002001.172 S2C0T2 Fl. 102 5 Por outro lado, eles podem deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste determinado valor por dependente, que no exercício de 2005 era de R$ 1.272,00. Ao indicarem alguém como dependente, os contribuintes ficam obrigados a incluir em sua declaração os rendimentos recebidos pelo dependente, ainda que fiquem abaixo do limite para isenção, se considerados individualmente. Acrescento que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender às exigências da lei por máfé, por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. A infração é do tipo objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Quanto à inclusão das deduções pleiteadas, registro que já foram acatadas na decisão recorrida, conforme se extrai do trecho a seguir: Com relação às deduções não incluídas no lançamento, assiste razão ao notificado. Os contra cheques, com cópia às fls. 09 a 14, comprovam os pagamentos efetuados ao PAMES, no total de R$ 371,52, e ao IBCM (Instituição Beneficente Cel. Massot, fl. 31), no total de R$ 588,00. O recibo, com cópia à fl. 18, comprova o pagamento de consulta médica no valor de R$ 120,00, no anocalendário. Assim, o contribuinte tem direito à dedução do valor de R$ 1.079,52 referente a despesas médicas, no anocalendário em questão, que corresponde ao imposto a ser cancelado de R$ 161,92 (R$ 1.079,52 x 15%). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.012653/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO E ANTES DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. OCORRÊNCIA EFICAZ.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte procede ao pagamento de tributo devido, o qual, por equívoco, não constou da DCTF do período, antes de qualquer procedimento de fiscalização, promovendo, depois, a retificação da DCTF, para informar o valor do débito já adimplido.
As multas moratórias estão abarcadas pelo instituto do art. 138 do CTN. Matéria julgada pelo E. STJ (REsp nº 1.149.022/SP), na sistemática dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 1402-003.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO E ANTES DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. OCORRÊNCIA EFICAZ. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte procede ao pagamento de tributo devido, o qual, por equívoco, não constou da DCTF do período, antes de qualquer procedimento de fiscalização, promovendo, depois, a retificação da DCTF, para informar o valor do débito já adimplido. As multas moratórias estão abarcadas pelo instituto do art. 138 do CTN. Matéria julgada pelo E. STJ (REsp nº 1.149.022/SP), na sistemática dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 26 53 /2 00 6- 73 Fl. 149DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 106 a 146), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 96 a 102) que negou provimento à Impugnação apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 92), oferecida contra Auto de Infração referente ao valor de multas de mora de CSLL (fls. 22 a 28). Em resumo, a contenda tem como objeto a exigência da monta da multa de mora exigida pelo recolhimento a destempo da CSLL devida ao final do 4º Trimestre de 2001. A ora Recorrente, inicialmente, transmitiu DCTF informando a ausência de CSLL a recolher em tal período. Contudo, revisando sua escrituração, verificou que, efetivamente, era devida a Contribuição ao final de 2001, promovendo, primeiro, o seu recolhimento, por meio de DARF, em 18/03/2002, abarcando principal e juros, valendo-se do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. Em seguida, em 07/05/2002, transmitiu DCTF retificadora, informando o referido débito. A matéria controversa da contenda refere-se ao debate jurídico sobre dispensa do pagamento de multa de mora pelo instituto veiculado no art. 138 do CTN. Por bem resumir o início da contenda, adota-se, a seguir, o objetivo relatório empregado pela DRJ a quo: Trata-se de impugnação (fls. 01 a 19), de 21/12/2006, a Auto de Infração eletrônico n° 0103673 (fls. 20 a 25), por FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de mora paga a menor), lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, em 21/11/2006, relativo ao ano-calendário de 2001. 2. O crédito tributário constituído foi composto pelo valor a seguir discriminado : Multa paga a menor ........................................................................ .. R$ 40.562,31 3. Como enquadramento legal, o lançamento assinala o artigo 160, da Lei 5.172/66, artigo 1° da Lei 9.249/95, e os artigos 43 e 61, parágrafos 1° e 2°, da Lei 9.430/96 (fl. 21). 4. A teor do contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 21) e nos demonstrativos anexos (fls. 22 a 25), o crédito exigido se refere à de multa de mora não recolhida por ocasião do pagamento de CSLL - PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO, código 2372, efetuado em 18/03/2002, cujo débito, de R$ 267.208,92, declarado em DCTF, relativo ao 4° trimestre de 2001, vencera em 31/01/2002. Fl. 150DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 5. Cientificado do lançamento, em 01/12/2006 (fl. 87), o autuado impugnou o Auto de Infração em 21/12/2006 (fl. 01), oferecendo, em resumo, as seguintes razoes: i) a satisfação do débito de CSLL (a que se refere a multa de mora lançada) se deu fora do prazo de vencimento, mas antes de qualquer procedimento administrativo, enquadrando-se, assim, na denúncia espontânea do artigo 138 do CTN; ii) após o recolhimento do valor apurado do tributo é que encaminhou a DCTF Retificadora (fl. 79) de Declaração anterior (fl. 78) - em que declarara não ter débito de CSLL; iii) espontânea deve ser aplicada quando ainda não houve a constituição do crédito tributário, no presente caso, através de Declaração; iv) nã há que se distinguir a multa moratória da punitiva, no que tange à denúncia espontânea, consoante julgados do STJ, cujos excertos colaciona. É o relatório. Processado o feito, a 8ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa da Contribuinte, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. ELISÃO DA MULTA MORA. DESCABIMENTO. A interpretação de que a denúncia espontânea do artigo 138 do CTN elidiria a multa de mora no pagamento espontâneo implica, de um lado, negar vigência ao disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que obriga o seu recolhimento, e, de outro, afirmar que o legislador ordinário estaria legislando em confronto com o Código, hipótese esta que se afasta pelo princípio da presunção de constitucionalidade das normas legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, ora sob análise, em suma, repetindo todas suas alegações de Impugnação, trazendo a mesma documentação já acostada aos autos quando da sua primeira defesa. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, Relator. O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como relatado, o tema que permeia toda a presente demanda é o alcance das multas moratórias pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. Tal tema é de vasta recorrência neste E. CARF, assim como existe posição e precedente vinculante exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça. Analisando os autos, observa-se que, em relação ao seu conteúdo fático, restou incontroverso que a Recorrente, primeiro, transmitiu DCTF que não constituía qualquer monta de CSLL devida no 4º Trimestre de 2001, depois promoveu o recolhimento da CSLL devida neste período, acompanhada de juros, por meio de DARF em 18/03/2002 e, finalmente, em 07/05/2002, transmitiu DCTF retificadora, informando o referido débito (fls. 141 a 146). Nenhum desses fatos, alegados e objeto de provas na Impugnação, foi questionado neste feito. O lançamento de ofício não acusa a falta da satisfação do principal ou dos juros, sendo precisamente referente à multa de mora. A motivação para a rejeição de suas alegações e manutenção do crédito tributário é puramente jurídica, baseada em interpretação de dispositivos legais. Confira-se o trecho conclusivo do v. Acórdão recorrido: 12. Portanto, pode-se concluir que, para o legislador ordinário, que emitiu os comandos legais insertos nos mencionados artigos 44 e 61, o instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN tem efeito para elidir apenas a multa de ofício, aplicável no lançamento de ofício, não tendo efeito para elidir a multa de mora, do procedimento espontâneo. Na esteira desse raciocínio, e no contexto desse disciplinamento legal, é legítimo inferir-se, também, que, para o legislador ordinário, a multa de mora não possui caráter punitivo, mas apenas indenizatório, e, por esta qualidade, não é alcançada pela denúncia espontânea do referido artigo 138. 13. Ainda, em que pese existir julgados do STJ, colacionados pelo autuado, em sentido diverso do acima exposto, tais decisões, por força do disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, não conferem direitos nem criam deveres para estranhos ao litígio judicial por elas encerrado. Assim, não tendo o autuado sido parte nos processos judiciais nos quais o STJ proferiu as decisões colacionadas, não pode vir, com base nessas decisões, reinvindicar direitos na Fl. 152DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 esfera administrativa, e, tendo o fato como única razão, não podem as autoridades reconhecê-los. (destacamos) Como se observa, a própria DRJ a quo reconhece adotar interpretação diversa daquela externada pelo E. STJ que, já em 2010, era favorável à pretensão da Contribuinte. Posto isso, retornando aos fatos incontroversos nessa contenda, uma vez que o pagamento do DARF deu-se antes da transmissão de DCTF retificadora, em que constava o débito de CSLL em questão, assim como previamente a qualquer Ação de fiscalização, está-se diante de pagamento anterior à sua constituição. Tal tema já foi objeto de apreciação pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.149.022, submetido à resolução de controvérsias pelo regime de recursos repetitivos do art. 543-C do CPC/1973, de aplicação obrigatória no âmbito deste E. CARF, nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF vigente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da Fl. 153DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destacamos) Não obstante, esta C. 2ª Turma Ordinária também já posicionou sobre tal tema, por meio do Acórdão nº 1402-002.420, de votação unânime, prolatado em sessão de julgamento de 22/03/2017, relatoria deste mesmo Conselheiro: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. OCORRÊNCIA EFICAZ. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração apenas parcial de um débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo adimplemento, procede voluntariamente (antes de qualquer procedimento de fiscalização) à quitação do valor remanescente, simultânea ou posteriormente noticiando ao Fisco da existência daquela diferença. Matéria julgada pelo E. STJ (REsp nº 1.149.022/SP), na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, a exigência da penalidade moratória, único objeto desta contenda, mostra- se manifestamente indevida, devendo ser cancelada. Fl. 154DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.939 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.012653/2006-73 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformando-se o v. Acórdão recorrido, para exonerar o crédito exigido. (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 13921.000068/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
MULTA DE OFÍCIO
Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. FILHO MAIOR E CAPAZ.
Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau.
RECOLHIMENTOS DE COTAS DE DARF INCONTROVERSOS. ERRO NO ENVIO DAS DECLARAÇÕES DE DIRPF. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. INTERESSE PÚBLICO
Valores de cotas de DARF recolhidos e reconhecidos como incontroversos pela decisão de piso, podem ser abatidos e imputados os pagamentos com o valor devido no lançamento, princípio da razoabilidade e do interesse público como vetores para encerramento do contencioso administrativo.
Numero da decisão: 2201-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar a dedução de despesas médicas relacionadas ao contribuinte e ao seu dependente Helder Antônio Schwartz no valor de R$ 4.282,42, bem assim para determinar o aproveitamento dos recolhimentos efetuados espontaneamente pelo contribuinte no período.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. FILHO MAIOR E CAPAZ. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau. RECOLHIMENTOS DE COTAS DE DARF INCONTROVERSOS. ERRO NO ENVIO DAS DECLARAÇÕES DE DIRPF. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. INTERESSE PÚBLICO Valores de cotas de DARF recolhidos e reconhecidos como incontroversos pela decisão de piso, podem ser abatidos e imputados os pagamentos com o valor devido no lançamento, princípio da razoabilidade e do interesse público como vetores para encerramento do contencioso administrativo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-17T20:49:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-17T20:49:09Z; Last-Modified: 2019-07-17T20:49:09Z; dcterms:modified: 2019-07-17T20:49:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-17T20:49:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-17T20:49:09Z; meta:save-date: 2019-07-17T20:49:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-17T20:49:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-17T20:49:09Z; created: 2019-07-17T20:49:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2019-07-17T20:49:09Z; pdf:charsPerPage: 2313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-17T20:49:09Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13921.000068/2006-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.280 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2019 Recorrente DENI LINEU SCHWARTZ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 1. 00 00 68 /2 00 6- 42 Fl. 157DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. FILHO MAIOR E CAPAZ. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau. RECOLHIMENTOS DE COTAS DE DARF INCONTROVERSOS. ERRO NO ENVIO DAS DECLARAÇÕES DE DIRPF. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. INTERESSE PÚBLICO Valores de cotas de DARF recolhidos e reconhecidos como incontroversos pela decisão de piso, podem ser abatidos e imputados os pagamentos com o valor devido no lançamento, princípio da razoabilidade e do interesse público como vetores para encerramento do contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar a dedução de despesas médicas relacionadas ao contribuinte e ao seu dependente Helder Antônio Schwartz no valor de R$ 4.282,42, bem assim para determinar o aproveitamento dos recolhimentos efetuados espontaneamente pelo contribuinte no período. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 99/113) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Fl. 158DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 34 a 38, que lhe exige R$ 40.568,14 de crédito tributário, sendo R$ 18.031,09 de imposto suplementar, R$ 13.523,31 de multa de oficio de 75% e R$ 9.013,74 de juros de mora, calculados até março de 2006. O lançamento foi decorrente da apuração de omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Adicionalmente, foi incluído o IRRF sobre os rendimentos considerados omitidos. Cientificado do lançamento por via postal em 25/05/2006 - fl. 86, o fiscalizado apresentou, por intermédio de procurador - fl. 29, em 21/06/2006, a impugnação de fls. 01 a 28, acompanhada dos documentos de fls. 29 a 70, acatada como tempestiva pelo órgão de origem - fl. 85. Alega equívoco na constituição do crédito tributário, em razão dele já ter sido devidamente apurado e recolhido, conforme copa de Darf de fls. 46 a 49. Suscita que o lançamento é nulo, em razão de ter sido prejudicado em seu direito de defesa, e ilegal por não conter todas as premissas exigidas no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN e nos arts. 5°, LV, e 37 da Constituição Federal, de 1988, pois o auto de infração não teria especificado o motivo da não aceitação dos R$ 9.860,26 recolhidos tempestivamente. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar sua alegação. Afirma que o auto de infração foi baseado em meras presunções, ressaltando que o tributo exigido já foi corretamente apurado e recolhido tempestivamente em 06 parcelas, com o envio de Declaração de Ajuste anual Completa, via internet, em 28/04/2003 às 15:10:45. Reconhece que o “QUADRO RESUMIDO DA PRIMEIRA FOLHA DO DOCUMENTO” encontra-se com valores zerados, mas sustenta desconhecer o motivo, arguindo não ter acesso “ao sistema de informática que criou o mesmo ”, e ter apurado o imposto devido nos moldes da legislação regente do IRPF, conforme demonstraria os “dados insertos no respectivo formulário Argui não terem sido consideradas as deduções de despesas médicas consignadas em sua declaração de ajuste, no valor de R$ 15.612,09 - fl. 41, e nas cópias dos respectivos comprovantes acostados às fls. 50 a 62 dos autos. Sustenta que a não dedução das despesas médicas ocasionaria a cobrança de imposto de renda sobre valores que não representaram efetiva aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, contrariando o disposto no art. 43 do CTN e o conceito de lucro, na medida em que não houve efetivo acréscimo patrimonial. Insurge-se contra a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, considerando-a inconstitucional por ser essa um instrumento para remuneração de capital no mercado financeiro, compatível, portanto, com atividades de especulação financeira, visando compensar os riscos corridos pelo investidos nessas operações. Alega que a utilização da taxa Selic para fins tributários contemplaria “o execrável anatocismo” e, por conseqüência, a usura, prática que estaria enquadrada dentre os crimes contra a economia popular. Afirma que a Constituição Federal limitou a cobrança de juros ao percentual anual de 12%, vedando a qualquer legislação infraconstitucional permitir abuso do poder econômico ou aumento arbitrário do lucro pela cobrança desmedida de juros e demais encargos. Suscita que a taxa Selic padeceria dos mesmos vícios da TR. Fl. 159DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 Enfatiza que os juros deve ficar restrito à remuneração da mora do tributo não recolhido no prazo, sendo confisco qualquer valor adicional cobrado, ferindo os princípios constitucionais da moralidade, da vedação do enriquecimentos sem causa, da propriedade e do não confisco de tributos. Transcreve jurisprudência e doutrina sobre juros, TR, ANDIB, CETIP. Aduz que em virtude da inexistência de infração à legislação do IR, por ter sido o tributo em litígio devidamente apurado e recolhido, seria incabível a aplicação da multa de 75%, cujo percentual considera descabido, inconstitucional e confiscatório, conforme jurisprudência que transcreve. Finaliza solicitando: - nulidade do lançamento; - cancelamento do auto de infração em virtude de o tributo exigido já haver sido apurado e recolhido; - compensação dos valores recolhidos; - consideração das despesas dedutíveis; - exclusão da taxa Selic e da multa ou redução face às ilegalidades e inconstitucionalidades apontadas; - juntada posterior de documentos e produção de provas de todos os meios admitidos no direito; - que as intimações sejam efetuadas no endereço de seu procurador. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte pela DRJ em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235 de 1972. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Fica autorizado o lançamento de ofício, quando o contribuinte fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida. Fl. 160DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. CONSTITUCIONALIDADE. A cobrança dos juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic encontra amparo na legislação em vigor, assim, arguições de inconstitucionalidade . fogem à competência da instância administrativa, em razão de não haver decisões do Poder Judiciário sobre a matéria com efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência dos tribunais limitam-se tão-somente àqueles que fizeram parte da respectiva ação, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. COMPENSAÇÃO. A utilização de recolhimento indevido ou a maior para pagamento de débito decorrente de lançamento de oficio, ainda que de mesma espécie, deverá ser solicitada à Unidade do domicílio fiscal do contribuinte. ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele; não havendo previsão legal para envio ao endereço do procurador. Lançamento Procedente em Parte 03 – A procedência em parte da decisão da DRJ se deu em decorrência do reconhecimento da dedução do valor de R$ 6.533,68 de deduções com dependentes e R$ 12.111,12 com previdência oficial. Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls.117/147 e documentos às fls. 148/155, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. Fl. 161DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 05 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 12 e 13 respectivamente identificado abaixo: 06 – O contribuinte alega em seu recurso as seguintes matérias: preliminar de nulidade e cerceamento do direito de defesa, da declaração de ajuste considerada ao lançamento, do lançamento da multa de ofício, da taxa Selic, das deduções pleiteadas e da compensação de valores. 07 – Passo a analisar o presente recurso na ordem de suas alegações independentemente de versarem sobre o mérito ou como preliminar, posto que assim foi organizada a peça recursal. Preliminar de nulidade e cerceamento do direito de defesa 08 – Afasto a presente preliminar e explico. Inicia o contribuinte suas razões recursais nesse ponto às fls. 122 e indico aquilo que é essencial para o julgamento dos fatos ora postos em discussão: Argúi a ora recorrente que o lançamento fiscal foi lastreado em instrumento nulo de pleno direito, na medida em que o mesmo não contém todos os elementos necessários a que se refere o artigo 142 do CTN, na medida em que olvida o recolhimento de R$9.860,26 (nove mil, oitocentos e sessenta reais e vinte e seis centavos), efetuado em 06 (seis) parcelas devidamente corrigidas (DARFs em anexo - fotocópias autenticadas). Fl. 162DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 Enfrentado aluído -ponto, a Turma Julgadora entendeu pela inexistência da nulidade, sob o argumento de que a autuada recorrente não teve prejuízo de defesa, pois demonstrou pleno conhecimento das infrações apontadas, bem como foi oportunizado a apresentação de documentos. Merece reforma o posicionamento erigido. A nulidade não se resolve- pela possibilidade da autuada desenhar sua defesa. É obrigação vinculada da autoridade lançadora cumprir os requisitos do Art.142 do Código Tributário Nacional. Pela situação fática que emoldura o presente feito, era é ainda é indispensável que o contribuinte-autuados que apurou e recolheu o tributo, entenda o porquê o agente fiscalizador não considerou os respectivos recolhimentos. Nesse ponto que reside a 'nulidade e o vicio insanável, pois, mesmo após o julgamento de primeiro grau,o contribuinte-recorrente ainda não têm condições de entender a desconsideração dos pagamentos. Por ocasião da defesa, apresentou-se os recolhimentos efetuados tempestivamente, bem como, prova do envio da respectiva Declaração de Ajuste do imposto de- Renda Pessoa Física. 09 – Alega o contribuinte a existência de nulidade do lançamento posto que em desacordo com os termos do art. 142 do CTN, contudo, entendo que deve ser afastada tal preliminar uma vez que o auto de infração que formalizou o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, a teor da motivação do AI de fls. 40 ao qual transcrevo: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS TITULAR Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício (código de receita 0561) conforme DIRFs enviadas pelas fontes pagadoras à Receita Federal. R$ 121.112,28 da Paraná previdência 'CNPJ 03.165.607/0001-10 com retenção de imposto de R$ 22.429,62; R$ 68.916,54 do Governo do Estado do Paraná CNPJ 76.416.890/0001-89 com retenção de imposto de R$ 11.579,05; R$ 38.270,75[da Copel CNPJ 76.483.817/0001-20 em maio de 2002 com retenção de imposto de R$ 10.043,08; R$ 49.820,0 da Assembleia Legislativa 39,PR CNPJ 77.799.542/0001-09 com retenção de imposto de R$ 8.623,54. Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e 6° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90;. arts. 1°, 3°, 5°. 6°, 11 e 32 da Lei n° 9.250/95; art. 21 da Lei n° 9.532/97; Lei n° 9.887/99- arts. 1°, 2° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 e 44 do Decreto' n° 3.000/99 - RIR/1999. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - TITULAR O valor da Linha 19 - Imposto Retido na Fonte - Titular, foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados em DIRF, correspondentes a rendimentos tributáveis que não haviam sido informados na Linha 01 (Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas - Titular). Fl. 163DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 10 – Veja que todos os requisitos relacionados ao art. 142 do CTN estão presentes, sendo que os valores relativos a IRRF informados pelas fontes pagadoras dos rendimentos omitidos pelo contribuinte foram considerados no lançamento e o simples fato de não terem sido relacionados os DARF de fls. 56/59 das 6 (seis) quotas do IRPF que o contribuinte alega que recolheu derivado de sua Declaração original em nada faz mudar o lançamento ou o macula, posto que possivelmente tais DARF ou não foram recolhidos ou estavam sem vinculação no sistema da RFB na medida em que de acordo com a DIRPF original de nº 09/24.24.602.245 de fls. 86/92 apesar de entregue em 28/04/2003 constam com valores zerados de rendimentos. 11 – No mais a respeito do assunto, indico como razões de decidir os termos da decisão do I. Conselheiro Matheus Soares Leite no Ac. 2401-006.574 j. 09/05/2019, sem grifos no original, verbis: Preliminarmente, o contribuinte, em seu apelo recursal, que na descrição dos fatos e enquadramento legal, o Fisco não identificou claramente os dispositivos legais que fundamentaram a suposta infração, o que ocasionou o cerceamento do seu direito de defesa. Também alega que o Fisco narrou de forma lacônica a suposta infração, não especificando com detalhes e clareza os supostos pontos infringidos pelo recorrente. Pois bem. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que, neste ponto, não assiste razão ao recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 15), a acusação fiscal está perfeitamente descrita, e consiste na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, também estando perfeitamente identificado o Enquadramento Legal aplicável à espécie, quais sejam, os arts. 1° a 3° e §§, e 8° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/99. Vale destacar, ainda, que o fato gerador foi apurado a partir dos valores informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), tendo sido constatada a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, não havendo que se falar em acusação fiscal consubstanciada somente em “indícios”. Decerto, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os Fl. 164DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo. O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conorme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo, tudo conforme a legislação. A propósito, o próprio contribuinte apresentou defesa e recurso, demonstrando ter perfeita ciência da acusação fiscal que lhe fora imputada. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Por fim, decerto que incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe, portanto, ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário merece ser declarado improcedente, não sendo o caso de decretar a nulidade do auto de infração, eis que preenchidos os requisitos do art. 142 do CTN. Dessa forma, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, além de terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 10, do Decreto n° 70.235/72. Da declaração de ajuste considerada ao lançamento Fl. 165DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 12 – Insurge o contribuinte nesse tópico quanto ao cancelamento do auto de infração, destaco mais uma vez apenas o quanto necessário para a análise do caso: Aduziu a decisão ora recorrida, no que tange à alegação de incorreção na transmissão da Declaração de Ajuste do exercício fiscalizado, que não há comprovação -de que se trataria de erro material atribuível ao órgão público. Não pode. o contribuinte provar e- entender o porquê a transmissão não foi aceita. O que importa é que, conforme se colhe da documentação anexada, o contribuinte ora Recorrente, em 28.04.2003, via Internet pelo Agente. Receptor SERPRO, às. 15:10:45, sob o protocolo n°0951796016 , enviou a respectiva Declaração de Ajuste Anual Completa, com todos os dados exigidos, apurando Saldo de Imposto a Pagar no valor de R$9.860,26 (nove mil, oitocentos e sessenta 'reais e vinte e seis centavos), cujo recolhimento. deu-se em seis parcelas- mensais e sucessivas e devidamente corrigidas. Portanto, conclui-se indiscutivelmente, que a transmissão ocorreu com .protocolo de recebimento, fato esse que exime o contribuinte de qualquer punição, principalmente, porque mesmo que o Quadro Resumo apareça sem tributo a recolher, o fato é que os demais demonstrativo foram preenchidos e enviados a Receita Federal do Brasil, com apuração e recolhimento do valor do imposto devido nas respectivas datas. Pondera também a Turma Julgadora a quo, que o contribuinte na apresentação de sua declaração, além da exclusão dos rendimentos, equivocou-se na identificação dos dependentes, no número dos dependentes, dos bens discriminados, afirmando que: os fatos demonstram que o contribuinte equivocou-se na transmissão dos valores, concluindo que o mesmo .teve tempo e deveria ter se antecipado e corrigido o erro. Resta cristalino, nesse fato, que a própria Turma Julgadora conclui e afirma .que o presente caso é de equívoco na transmissão dos valores e defeito de preenchimento do respectivo Demonstrativo de Ajuste. Ademais, a não apresentação pelo recorrente de qualquer correção ou declaração retificadora, é de somenos importância, vez que, repise-se, o tributo foi “recolhido tempestivamente, não tendo o Erário Público qualquer prejuízo em sua arrecadação. Ora, sendo assim, impõe-se a nulidade do lançamento fiscal, vez que, se infração ocorreu, ela foi de mero descumprimento de obrigação acessória e, não de omissão de rendimentos. Colhe-se -em todo o ato inquinado, que o mesmo não trata de descumprimento de obrigação acessória, sendo todo embasado em suposta. omissão de rendimentos-, exigindo tributo e impondo multa de 75% (setenta e cinco por cento), que estava devidamente apurado e recolhido. (...) omissis Dentro dessa quadratura, onde a própria Turma Julgadora reconhece que o ato reprimido se trata de erro na transmissão, e o lançamento fiscal assim não está fundamentado, impõe-se o seu cancelamento, na medida em que todo o ato fiscal tratou de fundamento fático e embasamento legal inexistente e equivocado (omissão de receita), enquanto a decisão combatida trata a matéria de equívoco de obrigação acessória, fato esse que efetivamente: espelha a realidade. O equívoco da premissa, do fundamento fático e do embasamento legal, está corroborado e claramente manifesto na própria decisão recorrida. Fl. 166DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 Sim, porque a legislação citada e utilizada - arts.7 e 13 da Lei n°9.250, de 1995, pela própria Turma Julgadora, pressupõe e têm como núcleo central da norma, a falta de recolhimento do tributo, o que repise-se, não existiu, sendo falsa a premissa e o fundamento fático. (...)omissis Cumpre por primeiro, destacar consoante se infere na parte da decisão acima transcrita, que ela mesma afirma induvidosamente, que houve o respectivo recolhimento do tributo, pois, faculta ao contribuinte a sua restituição, afirmando inclusive, que os valores não se encontram vinculado a qualquer crédito tributário. Tal raciocínio é coerente somente na parte em que reconhece a existência dos valores recolhidos e a sua vinculação com o exercício em questão, mas, é totalmente destituído de fundamento jurídico e de lógica, quando remete o contribuinte a via crucis da Restituição. O que pretende a. zelosa fiscalização, de forma totalmente repreensível, é desconsiderar os recolhimentos realizados por conta da apuração realizada e impor multa de 75% (setenta e cinco por cento), juros e encargos legais, inflando a cobrança e fazendo de conta que nenhum recolhimento foi efetuado. Ela tem a obrigação de conferir em seus controles e arquivos os valores recolhidos e sua vinculação com os fatos geradores arquivos os valores recolhidos e sua vinculação com os fatos geradores. (...)omissis O que é importa no presente caso, na esteira do quanto fixado pela própria legislação regente da matéria, é que o contribuinte recorrente cumpriu seu dever, qual seja: apurou, recolheu e antecipou o tributo respectivo no prazo respectivo. De todo o exposto, infere-se com limpidez meridiana, que em nenhum momento houve omissão de receita, pois, no quadro da Declaração de Ajuste Anual - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR - foram declaradas e informadas todas as informações pertinentes e exigíveis, apresentando-se o nome das FONTES PAGADORAS, CNPF, RENDIMENTOS RECEBIDOS, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, IMPOSTO NA FONTE E 13° SALÁRIO, o -que afasta qualquer pretensão da autoridade lançadora em enquadrar o fato punido como omissão de- receita, constituindo-se o ato do contribuinte-recorrente, mero. equívoco de obrigação acessória, conforme reconhecido pela decisão combatida, às fIs.95, segundo parágrafo (Em verdade, os fatos demonstram mais que o contribuinte equivocou-se na transmissão de sua declaração). Por derradeiro, inexistindo omissão de receitas, bem como, sendo o respectivo tributo recolhido tempestivamente, na esteira da própria assertiva da autoridade julgadora de primeiro grau, bem como tratando-se de equívoco na transmissão de declaração anual de ajuste, impõe-se o cancelamento do presente Auto de Infração. 13 – Com a devida vênia, apesar da prolixidade das razões do tópico ora defendido, entendo que o mesmo não merece provimento. Explico. 14 - Alega o contribuinte que apresentou a DIRPF original com todos os dados de rendimentos, havendo inclusive emitido os DARF e os recolhido, sendo que houve erro no sistema da Receita Federal do Brasil no momento em que emitiu como “zerada” a DIRPF. Fl. 167DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 15 – A DRJ por sua vez assim entendeu quanto a esse fato alegado pelo contribuinte, de forma sintetizada: No que tange à alegação de incorreção no sistema da Receita Federal, que teria transmitido declaração sem os rendimentos inseridos pelo contribuinte, não há comprovação de que se trataria de erro material atribuível ao órgão público. Obviamente, caso houvesse tal falha, a Administração Fazendária não se furtaria em admiti-la e comunicá-la aos contribuintes, inclusive dando ampla divulgação do fato, posto que, como no caso, o reflexo na arrecadação seria evidente. Também não há notícia de que outros contribuintes tenham encontrado igual erro no processamento da Receita Federal. Saliente-se que no próprio recibo de entrega da declaração, acostado aos autos pelo próprio contribuinte - fl. 39, não consta qualquer valor de Rendimento Tributável. Além disso, o exame da declaração apresentada como correta pelo contribuinte, fls. 40 a 45, em confronto com a existente no banco de dados da Receita Federal, fls. 76 a 82, apontam divergências adicionais à exclusão dos rendimentos tributáveis. Como exemplo podemos citar diferença na identificação dos dependentes, no número de dependentes com o qual efetuou despesas de instrução, na ausência de informação de pagamentos e do cônjuge, além de bens não discriminados e de estarem todos os valores dos bens em 2002 zerados. Ainda que se admitisse a possibilidade da ocorrência de erro de transmissão, esse nunca poderia inserir dados na declaração do contribuinte, a exemplo do que ocorreu com dependentes, onde na declaração suscitada como correta pelo contribuinte aparece duas vezes o nome de sua mãe, Maria Vitória Nissen Schwartz - fi. 41, e na processada aparece o nome da mãe e do filho Helder Antonio Schwartz - fl. 77. Ressalte-se que a data e hora são coincidentes no recibo de fl. 39 apresentado pelo litigante e no resultado do processamento - fl. 75. De qualquer forma, o impugnante teria como verificar tal discrepância ao examinar o recibo de entrega. Como a declaração da pessoa física foi transmitida em 28/04/2003 (tl. 39) e a ação fiscal de revisão teve curso no ano de 2006, o contribuinte teve plenas condições de, espontaneamente, retificar os dados informados durante os 03 anos decorridos entre os fatos citados. Portanto, embora o contribuinte dispusesse de cópia de recibo da declaração com as incorreções, não adotou medida alguma para saneá-la, não podendo, agora, pretender responsabilizar terceiros pelos rendimentos que, ao final, acabaram sendo omitidos na sua apuração de ajuste anual processada pela Receita Federal. De qualquer modo, ainda que se cogitasse que o sistema da Receita Federal tivesse apresentado a falha alegada, isso não eximiria o contribuinte de verificar a correta apuração do imposto devido, bem como todas as demais informações que estava transmitindo ao órgão fiscal. A respeito das infrações à legislação tributária, como na hipótese de omissão de rendimentos, cabe lembrar que independem da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. " 16 – Como bem afirmado pela decisão recorrida às fls. 85/92 há a DIRPF transmitida pelo contribuinte contendo todos os valores “zerados”, sendo que não há comprovação de erro do sistema da RFB nesse sentido, sendo que a cópia da DIRPF apresentada Fl. 168DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 pelo contribuinte a que ele alega ser a correta apenas corrobora com o lançamento na medida em que constam os valores omitidos indicados pela autoridade fiscal. 17 - Quanto ao questionamento que o recorrente faz acerca que deve-se considerar como mero descumprimento de obrigação acessória e não de “omissão de rendimentos”, cabe esclarecer que a infração, independentemente da terminologia que se emprega, refere-se ao fato de haver diferença apurada nos “rendimentos tributáveis” declarados. Vale dizer, é irrelevante a discussão semântica suscitada, porquanto o termo utilizado tenha papel meramente referencial, importando, no caso, a existência ou não de rendimentos tributáveis que o contribuinte deixou de submeter à tributação na declaração de ajuste anual, o que usualmente se identifica como sendo uma “omissão de rendimentos”. Portanto, afasto tal argumento, não havendo razões para reforma da decisão de piso. Do lançamento da multa de ofício e da taxa de juros Selic 18 – Argumenta o contribuinte em síntese sobre o caráter confiscatório da multa de ofício de 75% desrespeitando o princípio constitucional do não confisco, devendo ser reduzida e a falta de amparo legal da multa por ter efetuado o recolhimento do imposto ora em cobro. 19 – Afasto tais argumentos com a aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 20 – No mais, importante mencionar que a multa de 75% é derivada de Lei e sua a relevação não contem previsão legal. A respeito do assunto adoto como razões de decidir o quanto exposto no voto do I. Conselheiro Thiago Duca Amoni no Ac. 2002-001.117 j. 22/05/2019, verbis: Multa de ofício incidência e juros À luz do Direito Tributário, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 169DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipando-se a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 170DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o lucro líquido, no anoDF calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). Logo, como o contribuinte não cumpriu o dever de lançar corretamente o tributo devido, é correta a aplicação da multa de ofício. 21 – Quanto a incidência de juros sobre a multa de ofício, a matéria é sumulada por este CARF: Súmula 108: Incidem juros de mora calculados a taxa Selic sobre valor correspondente à multa de ofício. Portanto, afasto ambos argumentos e nego provimento ao recurso em ambos os tópicos. Das deduções pleiteadas 22 – Nesse item o contribuinte alega o seguinte: O contribuinte requereu em sua Impugnação a consideração das despesas dedutíveis na apuração do quantun debeatur. O pedido foi provido em parte, sendo reconhecida a dedução de despesas médicas, os montantes de R$6.533,68 e R$12.111.,12de contribuição previdenciária oficial. Primeiramente, para afastar qualquer indício de má fé do contribuinte, tendo em vista a afirmação da decisão combatida que nenhuma comprovação de que o filho seja universitário foi acostada ao processo, se junta neste ato a comprovação de que no período em que as despesas foram consideradas do dependente Helder Antonio Schwartz, o mesmo integrava a Universidade Federal do Paraná, cursando Engenharia Civil, conforme documentos em anexo (Histórico Escolar e Diploma). Outrossim, deixou-se de considerar as despesas com pagamento para Unimed, por os documentos juntados se tratarem de mera planilha contendo débitos automáticos de Fl. 171DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 pagamento, não contendo os requisitos estipulados na legislação para os documentos hábeis a comprovação de despesas médicas dedutíveis. Embora aludidos documentos acostados na Impugnação mereçam validade jurídica, .pois foram emitidos pela própria fonte recebedora dos valores, com certificação de autenticidade emitida por Serventia Notarial, indicação de CNPJ, instituição financeira do respectivo débito em conta corrente, agência e número da conta, portanto, preenchidos todos os requisitos do inciso III, do art.8°, da Lei n°9.250l95, junta-se também nessa oportunidade, novamente Demonstrativos de Pagamentos emitidos pela UNIMED CURITIBA - SOCIEDADE' COOPERATIVA DE MÉDICOS, também -com todos os requisitos do mencionado dispositivo legal, referentes ao contribuinte e seu dependente Helder Antônio Schwartz. Portanto, também nesse ponto merece reforma o auto de infração, devendo-se considerar as despesas com a UNIMED para efeito de cálculo do respectivo tributo, alusivos ao contribuinte e seu dependente Helder Antônio Schwartz. 23 – Contudo, entendo que deve ser provido o recurso nessa parte posto que às fls. 148/150 consta relação de pagamentos da Unimed em nome do titular e do dependente indicado (Helder Antônio Schwartz) pois de acordo com o histórico escolar de fls. 151/153 o dependente completou em 2002 em outubro, 25 (vinte e cinco) anos de idade e o histórico escolar confirma que o mesmo estava cursando a Universidade Federal do Paraná, portanto sendo dedutível a despesa na forma do art. 77 §§ 1º e 2º 1 do RIR/99 vigente á época. 24 – Portanto, dou provimento parcial para reconhecer como dedutível as despesas médicas com a Unimed em relação ao dependente Helder Antônio Schwartz no valor de R$ 1.411,88, (e-fls. 149) e de R$ 2.870,54 (e-fls.148), com o próprio contribuinte. Da compensação de valores 25 – Nesse ponto alega o contribuinte: Tendo em vista a. existência de valores recolhidos em relação às competências e fatos geradores em questão, o contribuinte recorrente, na eventualidade de não ser provida a Impugnação, requereu que sejam compensados e considerados os valores recolhidos nas DARFs em anexo para efeitos de apuração do quantum debeatur. 1 Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). Fl. 172DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.280 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13921.000068/2006-42 lnsurge-se a Turma Julgadora contra o pedido, ao argumento de que às Delegacias de Julgamento não cabe apreciar os pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a. maior pelos contribuintes. lmprospera a afirmação, vez que, não se trata de Pedido de Restituição, mas sim de Compensação, que pelas características e peculiaridades do caso tem tela, justificam que a autoridade julgadora administrativa reconheça e abata os valores efetivamente- recolhidos, que são incontroversos, na apuração eventual de tributo a recolher em conseqüência do ato fiscal. 26 – Entendo que deve ser dado provimento para ser imputado o pagamento dos valores dos DARF de fls. 56/59 ao contrário do quanto decidido pela decisão de piso que reconheceu os recolhimentos, contudo determinou apenas a sua restituição. 27 – Se os valores foram considerados como incontroversos e a DRJ reconheceu eventual falha no envio das declarações pelo contribuinte não há motivos para que haja um pedido novo de restituição, após mais de 10 (dez) anos de trâmite do processo, diga-se de passagem, não sendo razoável e contrário ao interesse público fazer com que o contribuinte aguarde um novo processamento e a unidade da Administração Tributária tenha que se debruçar com algo já evidente quando em um simples encontro de contas a autoridade lançadora consiga apenas em um simples cálculo encerrar o contencioso administrativo ao invés de propaga-lo. Conclusão 28 - Diante do exposto, conheço e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para considerar os valores dedutíveis no total de R$ 4.282,42 em relação às despesas médicas da Unimed com o contribuinte e o dependente Helder Antônio Schwartz e determinar a imputação de pagamento com a utilização dos DARF de e-fls. 56/59, nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000137/2005-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O pagamento ocorrido após a comunicação da decisão desfavorável de primeira instância implica a extinção do crédito tributário e, por conseguinte, do litígio administrativo em razão da ausência de objeto.
Numero da decisão: 2002-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pagamento ocorrido após a comunicação da decisão desfavorável de primeira instância implica a extinção do crédito tributário e, por conseguinte, do litígio administrativo em razão da ausência de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 06/13) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 01 37 /2 00 5- 66 Fl. 75DF CARF MF 2 Anual do exercício 2002, onde se apurou a Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas no valor de R$ 20.800,00. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 45/48): 1. Comprovou as despesas médicas através de recibos firmados pelos médicos, informou que tais pagamentos foram feitos em moeda corrente. Por residir em zona rural (fazenda) sempre conserva em seu poder, numerário suficiente para pagamentos outros e também dessa espécie. 2. Não é obrigatório ter conta corrente em estabelecimento bancário e os recibos de pagamento são os documentos hábeis para comprovação de despesas médicas. O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Cientificado do acórdão de primeira instância em 27/10/2008 (efls. 72), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 18/11/2008 (efls. 51/54) com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que, conforme se verifica nos recibos em anexo, todos os requisitos legais foram atendidos para a comprovação do pagamento relativo a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e hospitais. Aduz que, pelo tempo decorrido entre a apresentação de sua declaração de imposto de renda e a notificação do auto de infração, outros documentos não foram conservados, o que é normal em se tratando de pessoa física, proprietário rural. Entende que, se o fisco quisesse saber mais informações, bastaria chamar os profissionais que assinaram os recibos para prestarem declarações. Sustenta que não se pode falar em dedução indevida a tÍtulo de despesas médicas, uma vez que, quando intimado, apresentou os recibos pelos pagamentos feitos àqueles profissionais. Acrescenta que a Receita não pode exigir que o contribuinte faça todos os seus pagamentos em cheque ou, caso efetue em espécie, que tenha em seu poder o extrato bancário correspondente àquele pagamento. Informa que, no intuito de não ser mais prejudicado, resolveu efetuar o pagamento da quantia calculada pela SRF em R$ 15.802,65, conforme comprovante de pagamento em anexo. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13678.000137/200566 Acórdão n.º 2002001.202 S2C0T2 Fl. 76 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, porém, pelas razões a seguir, não deve ser conhecido. Extraise dos autos que, após a ciência do acórdão de primeira instância (e fls. 72), o contribuinte efetuou o recolhimento do tributo devido (efls. 71), conforme ratificado por despacho da Receita Federal (efls. 74), e posteriormente apresentou Recurso Voluntário contestando a decisão de piso (fls. 51/54). Ocorre, contudo, que, de acordo com o art. 156, I, do Código Tributário Nacional, o pagamento consiste em uma das modalidades de extinção do crédito tributário, sendo, portanto, incompatível com a discussão administrativa no que tange ao mérito do lançamento fiscal. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Em outras palavras, o pagamento configura fato impeditivo à interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte, uma vez que a fase litigiosa é inerente à existência de um crédito tributário contestado. Assim, tendo sido feita a opção pelo pagamento do crédito, com sua consequente extinção, tornase incabível qualquer manifestação deste Colegiado quanto às questões suscitadas pelo recorrente. Em vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 77DF CARF MF
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