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Numero do processo: 11516.006725/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal.
Numero da decisão: 1401-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 67 25 /2 00 9- 64 Fl. 451DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro (incorreta aplicação de percentual sobre a receita bruta da atividade de prestação de serviços médicos) por meio dos quais são exigidos da Recorrente, o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, anocalendário de 2005/2006, acrescido de multa e juros de mora, conforme descrição nas tabelas abaixo: IRPJ VALOR DO CRÉDITO R$ 232.501,71 JUROS DE MORA R$ 102.727,92 MULTA R$ 174.376,26 VALOR TOTAL R$ 509.605,89 CSLL VALOR DO CRÉDITO R$ 73.962,96 JUROS DE MORA R$ 32.663,14 MULTA R$ 55.471,44 VALOR TOTAL R$ 55.471,44 2. Inferese dos autos, que “nos anoscalendário de 2005 e 2006, o contribuinte escriturou e declarou as receitas da atividade, consoante as DIPJ/2006 e Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11516.006725/200964 Acórdão n.º 1401002.282 S1C4T1 Fl. 617 3 DIPJ/2007 (fls. 040/073), porém, aplicou o percentual de 8% (oito por cento) e 12%( doze por cento), menor que o devido, na determinação do lucro presumido e da contribuição social”. 3. Segundo informações constantes nos autos, “a atividade médica exercida pela fiscalizada não se enquadra no conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, § 1, inciso III, alínea “a”, da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não podendo, então, beneficiarse dos percentuais reduzidos”. E que “o contribuinte não atende os requisitos necessários para que seja prestadora de serviços hospitalares, e que a pessoa jurídica, nos períodos fiscalizados, era constituída como sociedade simples, conceito que se contrapõe ao de sociedade empresária”, bem como “não tem estrutura física adequada para o exercício de atividade que a caracterize como prestadora de serviço hospitalar”. 3. Cientificado da autuação em 05/01/2010 (fls. 106), o interessado apresentou impugnação em 04/02/2010 (fls. 109/130), na qual alegou: i) SOCIEDADE CIVIL AUSÊNCIA DE EXIGÊNCIA EM LEI DE TIPO SOCIETÁRIO DIVERSO: Diz que “o lançamento mostrase viciado, porque desconsidera a tributação empreendida pelo contribuinte com base em critérios não previstos em lei. E que, a Lei n. 9.249/95, que previu a tributação diferenciada para os estabelecimentos hospitalares e equiparados — em nenhum momento dispôs sobre o caráter empresarial da sociedade. E, a organização do contribuinte sob a forma de sociedade empresarial só passou a ser exigível a partir do ano de 2008, com a publicação da Lei n. 11.727, posterior a autuação fiscal”. ii) ESTRUTURA HOSPITALAR INEXIGIBILIDADE: Alega que “conforme a nova posição deste Tribunal, adotada desde o segundo semestre do ano de 2009, não há necessidade de internação, tampouco de uma estrutura complexa do estabelecimento para que se possa qualificar o serviço pelo contribuinte como médicohospitalar. E restou definido que somente as consultas médicas devem ficar excluídas do rol de serviços hospitalares, de forma que todos os demais procedimentos — como os exames laboratoriais, por exemplo — podem ser caracterizados como tal.”. iii) Como prova, juntamse “notas fiscais de produtos e reagentes adquiridos nos períodos fiscalizados, aplicados no desenvolvimento regular de suas atividades, e as RAIS da empresa, que dão conta dos empregados por ela mantidos nos anos de 2005 e 2006”. iv) Requereu o cancelamento integral do auto de infração e do crédito tributário correspondente. 4. O Acórdão ora Recorrido (0267.922 2ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006. Fl. 453DF CARF MF 4 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. Para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração da base de cálculo do IRPJ, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade de laboratório de análises clínicas, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006. DECORRÊNCIA. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, não havendo outras razões de ordem jurídica que lhes determinem tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “ao contrário do que se defende na impugnação, os atos administrativos normativos fazem parte da legislação tributária e a todo vinculam... A autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento da legislação vigente, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN)”. 6. Após a edição das Instruções Normativas (IN SRF nº 480/2004 e a IN SRF nº 539/2005), “a matéria encontravase pacificada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no sentido de que a atividade de laboratório de análises clínicas seria considerada prestação de serviços hospitalares, desde que a contribuinte fosse constituída de fato e de forma como sociedade empresária e que possuísse estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 2002. Nesse sentido, dispôs a ementa da Solução de Divergência n.º 10 Cosit, de 14 de setembro de 2007”. 7. Extraise do Acórdão recorrido, que “o § 8º do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, esclarece que a lista de que trata o caput pode conter situações específicas para as quais o entendimento judicial não se aplica, bem como orientação sobre eventual modulação de efeitos. (...) A PGFN deve apresentar contestação e interpor recurso, quando se tratar de sociedade simples, tendo em vista a alteração introduzida pela Lei n.º 11.718, de 2008, no art. 15, III, da Lei n.º 9.249, de 1995. Segundo essa alteração, a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária. A impugnante só deixou de regerse pelas condições de uma sociedade simples e passou a regerse pelas normas de uma sociedade empresária em 17/03/2009, por ocasião da vigésima quinta alteração e consolidação do contrato social, fls. 32 a 38. conseqüentemente, há de se considerar que os serviços prestados pela impugnante não caracterizam serviços hospitalares, por não ser ela constituída sob a forma de sociedade empresária nos anoscalendários de 2005 e 2006”. 8. Dessa forma, a decisão da turma julgadora manteve a cobrança da diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11516.006725/200964 Acórdão n.º 1401002.282 S1C4T1 Fl. 618 5 reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar da recorrente. 9. Certificado da decisão do Acórdão em 04/05/2016, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 15/05/2016 (fls. 431/), no qual alegou: i) FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO EVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Afirma que “o Auto de Infração impugnado diz respeito aos anos calendário de 2005 e 2006, é certo que a redação esposada pela Lei n. 11.727/08 em nada altera a situação fática da Recorrente, diante da impossibilidade de sua aplicação retroativa. (...) Assim, se a Lei vigente à época dos fatos nada impunha ao contribuinte em relação à forma de sua constituição societária, indubitável que demais atos normativos infralegais (IN SRF 539/2005) não têm o condão de criar nova obrigação, ou mesmo instituir exigência não prevista em Lei”. ii) Argumenta que “não há que se cogitar se o contribuinte é ou não sociedade empresária, uma vez que tal requisito em momento algum restou previsto na Lei n. 9.249/95. Ademais, se efetivamente não fosse necessária a previsão em diploma legal — isto é, se mera indicação de tal requisito em uma Instrução Normativa fosse o suficiente — não existiriam motivos para a nova redação apresentada pela Lei n. 11.727/08, que incluiu tal exigência em seu artigo 15, §1°, alínea "a"; bastando, para tanto, a IN 539/2005”. iii) Reafirma que “somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do benefício legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. (...) haja vista que a organização do contribuinte sob a forma de sociedade empresarial só passou a ser exigível a partir do ano de 2008, com a publicação da Lei n. 11.727”. iv) Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto, para determinar a suspensão da exigibilidade do tributário discutido no Processo Administrativo n° 11516006.725/200964. v) Requereu ainda, o cancelamento do auto de infração lavrado e do crédito tributário correspondente. 10. É o relatório do essencial. bela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Fl. 455DF CARF MF 6 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre a cobrança da diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que empresa recorrida enquadrase na “Observação 2 do item 52 do Título II da Lista da PGFN”, por ser sociedade simples no momento do lançamento fiscal. Afirmando que “a impugnante só deixou de regerse pelas condições de uma sociedade simples e passou a regerse pelas normas de uma sociedade empresária em 17/03/2009, por ocasião da vigésima quinta alteração e consolidação do contrato social, fls. 32 a 38. Conseqüentemente, há de se considerar que os serviços prestados pela impugnante não caracterizam serviços hospitalares, por não ser ela constituída sob a forma de sociedade empresária nos anoscalendários de 2005 e 2006”. Seguindo a mesma linha de entendimento de Conselheiros desta mesma TO, entendo que não merece prosperar a decisão recorrida. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11516.006725/200964 Acórdão n.º 1401002.282 S1C4T1 Fl. 619 7 generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente Fl. 457DF CARF MF 8 promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014, sob a qual a DRJ fundamentouse para manter o crédito tributário, que "há de se considerar que os serviços prestados pela impugnante não caracterizam serviços hospitalares, por não ser ela constituída sob a forma de sociedade empresaria nos anoscalendário de 2005 e 2006": Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11516.006725/200964 Acórdão n.º 1401002.282 S1C4T1 Fl. 620 9 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensadecontestarerecorrer art2ovviiea7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, Fl. 459DF CARF MF 10 segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Todavia, sustenta a contribuinte em seu recurso voluntário acerca do princípio da legalidade, que “contrariar um dispositivo, no caso, ainda, um princípio constitucional, é o mesmo que têlo por inexistente, negarlhe vigência, deixar de aplicálo ou violálo”. E que, “pela falta de amparo legal, mostrase inócua a exigência feita pela autoridade notificante, haja vista que a organização do contribuinte sob a forma de sociedade empresarial só passou a ser exigível a partir do ano de 2008”. Aduz que “em 13/10/1998 a empresa efetuou sua 15ª alteração contratual, quando passou a exercer suas atividades sob a forma de sociedade civil. Em 14/12/2007, na 24ª alteração contratual, a Recorrente passou a ser regida sob a forma de sociedade simples”. Argumenta ainda, “que somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal”. Neste particular, também assiste razão a recorrente. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2005/2006, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11516.006725/200964 Acórdão n.º 1401002.282 S1C4T1 Fl. 621 11 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904179/2012-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3001-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri- Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 79 /2 01 2- 40 Fl. 187DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.721 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29241011 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 32531.43996.091208.1.3.043635. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.904179/201240 Acórdão n.º 3001000.299 S3C0T1 Fl. 216 3 nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 3.073,01, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/09/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Fl. 189DF CARF MF 4 Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Ainda, informa ter ofertado à tributação, itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Vez que excluo os itens relativos aos brindes, doações e produtos submetidos à monofasia, por ter sido argumento de cunho inovador, vez que surgiu apenas no momento do Recurso Voluntário, considerando, portanto, estar precluso seus argumentos. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Não há, entretanto, nos autos, notícia das razões e fatos, do apontado erro na apuração do tributo tido como causador do pagamento a maior. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10925.904179/201240 Acórdão n.º 3001000.299 S3C0T1 Fl. 217 5 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS, mas, até o presente momento processual, desvirtuouse da questão central. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a Fl. 191DF CARF MF 6 título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10925.904179/201240 Acórdão n.º 3001000.299 S3C0T1 Fl. 218 7 DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Fl. 193DF CARF MF 8 Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.904179/201240 Acórdão n.º 3001000.299 S3C0T1 Fl. 219 9 qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Fl. 195DF CARF MF 10 Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Conclusão Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10925.904179/201240 Acórdão n.º 3001000.299 S3C0T1 Fl. 220 11 Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725450/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO.
TRIBUTAÇÃO.
As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não-cumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins.
TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO.
A redução a zero da alíquota da Cofins, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência não-cumulativa dessa contribuição, aplica-se também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da não-cumulatividade.
O fato de as receitas financeiras serem consideradas como receitas típicas/operacionais de determinada pessoa jurídica não retira dessas receitas a sua caracterização como "receitas financeiras", pois a natureza de financeira dessas receitas persiste.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. CONCEITO DE INSUMOS.
É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, visto que se enquadra no conceito de insumos relacionado à prestação de serviços da Recorrente.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011
Ao PIS, deverão ser aplicadas as mesmas conclusões dispostas nos tópicos acima, relacionadas à COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-004.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em I) negar provimento ao Recurso de Ofício e II) em relação ao Recurso Voluntário: i) por unanimidade de votos, a) em negar provimento quanto à equiparação do contribuinte às instituições financeiras e tributação com base no regime da cumulatividade; e b) em dar provimento para reconhecer como devido o desconto de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS, calculados com base em despesas de repasse efetuadas por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos da lei de regência, insumos para a prestação de serviços no cumprimento do seu objeto social; e ii) por maioria de votos, em dar provimento para determinar que seja excluída da autuação a integralidade das receitas financeiras da recorrente, tanto aquelas relacionadas às suas aplicações financeiras (conta 7.1.5) quanto aquelas relacionadas à concessão de financiamentos (conta 7.1.1), em razão da aplicação da alíquota zero disposta no art. 1º do Decreto nº 5.442/2005, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que entendiam pela exclusão apenas das receitas relacionadas às aplicações financeiras.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não-cumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota da Cofins, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência não-cumulativa dessa contribuição, aplica-se também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da não-cumulatividade. O fato de as receitas financeiras serem consideradas como receitas típicas/operacionais de determinada pessoa jurídica não retira dessas receitas a sua caracterização como "receitas financeiras", pois a natureza de financeira dessas receitas persiste. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. CONCEITO DE INSUMOS. É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, visto que se enquadra no conceito de insumos relacionado à prestação de serviços da Recorrente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 Ao PIS, deverão ser aplicadas as mesmas conclusões dispostas nos tópicos acima, relacionadas à COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado.
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Agência de Fomento. Recorrentes AGÊNCIA DE FOMENTO DO PARANÁ S.A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota da Cofins, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa dessa contribuição, aplicase também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da nãocumulatividade. O fato de as receitas financeiras serem consideradas como receitas típicas/operacionais de determinada pessoa jurídica não retira dessas receitas a sua caracterização como "receitas financeiras", pois a natureza de financeira dessas receitas persiste. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. CONCEITO DE INSUMOS. É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, visto que se enquadra no conceito de insumos relacionado à prestação de serviços da Recorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 50 /2 01 3- 07 Fl. 1847DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 Ao PIS, deverão ser aplicadas as mesmas conclusões dispostas nos tópicos acima, relacionadas à COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em I) negar provimento ao Recurso de Ofício e II) em relação ao Recurso Voluntário: i) por unanimidade de votos, a) em negar provimento quanto à equiparação do contribuinte às instituições financeiras e tributação com base no regime da cumulatividade; e b) em dar provimento para reconhecer como devido o desconto de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS, calculados com base em despesas de repasse efetuadas por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos da lei de regência, insumos para a prestação de serviços no cumprimento do seu objeto social; e ii) por maioria de votos, em dar provimento para determinar que seja excluída da autuação a integralidade das receitas financeiras da recorrente, tanto aquelas relacionadas às suas aplicações financeiras (conta 7.1.5) quanto aquelas relacionadas à concessão de financiamentos (conta 7.1.1), em razão da aplicação da alíquota zero disposta no art. 1º do Decreto nº 5.442/2005, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que entendiam pela exclusão apenas das receitas relacionadas às aplicações financeiras. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.848 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 1686/1715 dos autos: Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica acima identificada, em que foram lançados os créditos tributários seguintes: PIS/Pasep R$ 9.094.302,86 e Cofins R$ 32.736.034,05 (incluídos nesses valores as contribuições, multas proporcionais e juros de mora). 2. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1592/1605, o lançamento decorreu do fato da fiscalizada haver apurado suas contribuições da mesma forma que as instituições financeiras, estando esse procedimento incorreto, segundo a autoridade lançadora. Acrescenta que tal entendimento já externado pela Receita Federal em informações prestada no curso de ação judicial impetrada pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE). 3. Com relação à apuração da infração a fiscalização intimou a empresa a apresentar relação de rubricas contábeis que ensejariam o aproveitamento de créditos das contribuições calculadas na forma não cumulativa. A fiscalizada, embora não concordasse com essa forma de apuração, encaminhou o requerido, tendo sido efetuada a seguinte análise pela fiscalização: “As planilhas de demonstram os valores mensais das rubricas listadas nos itens 1 a 5, da resposta transcrita acima, estão juntadas às fls. 110/135. Em relação ao que a contribuinte solicita, temos que: 1) a recuperação de créditos baixados como prejuízo e a reversão de provisões operacional são exclusões previstas literalmente nos art. 1°, §3°, inciso V, alínea b da Lei 10.637/02 e art. 1o §3°, inciso V, alínea b, da Lei 10.833/03; 2) a exclusão das despesas por obrigações por empréstimos e repasses não encontra respaldo na legislação vigente à época dos fatos, conforme já nos manifestamos no tópico 4 atrás. 3) Os créditos nãocumulativos derivados dos encargos de depreciação e amortização, bem como de aluguéis de máquinas e equipamentos encontram respaldo na legislação citada pela contribuinte. As planilhas que demonstram as rubricas contábeis e o detalhamento mensal dos valores aproveitados, inclusive razões contábeis, encaminhadas pela Fiscalizada, estão juntadas às fls. 136/1225. Fl. 1849DF CARF MF 4 4) Em relação às Receitas com Alíquota Reduzida 0% RECEITAS FINANCEIRAS: conforme art. 1º §3°, inciso I da Lei 10.637/02 e art. 1º § 3o , inciso I da Lei 10.833/03, regulamentada pelo art. 1o do Decreto n° 5.442/05, temos que essa previsão somente se aplica às pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Dessa forma, aos valores auferidos mensalmente no período objeto da ação fiscal, que estão contabilizados nas Contas COSIF sintéticas "7.1.5.10.00 RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" e "7.1.5.40.00 RENDAS DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO" aplica¬se a alíquota prevista para o regime nãocumulativo. ............ Diante disso, refizemos a apuração e cálculo dos valores a pagar das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, adotando o regime não cumulativo, observados os critérios expostos nos itens 1 a 4 acima. Isso foi feito nos seguintes demonstrativos: 1. Base de Cálculo dos PIS/PASEP e COFINS Valores declarados pela contribuinte DACON; 2. Base de Cálculo dos PIS/PASEP e COFINS Valores apurados pela Fiscalização, 3. Diferenças apuradas de PIS/PASEP e COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO e, 4. Diferenças lançadas de PIS/PASEP e COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO.” 4. Cientificada em 30.07.2013, a interessada apresentou, tempestivamente, em 29.08.2013, impugnação (fls. 1608/1649) na qual, após tecer comentários sobre sua atividade, traz os seguintes argumentos: “... 3 – Da Equiparação das Agências de Fomento às Instituições Financeiras A criação das agências de fomento coincide com o Plano Nacional de Desestatização (PND) levado a cabo na década de 1990 que tinha como um dos objetivos a redução da atuação dos Estados no setor financeiro. Nesse sentido, dispõe o art. 1º da Medida Provisória 1.514/1996 ..... É importante reprisar a forma de atuação e função da Fomento Paraná perante o Sistema Financeiro Nacional, que tem sua origem na Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.574, de 17 de dezembro de 1998, e, posteriormente, na Resolução n° Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.849 5 2.828/2001 do Banco Central do Brasil, que, com menção expressa em seu art. 8º de aplicabilidade das mesmas condições estabelecidas para o funcionamento de instituições financeiras às agências de fomento. Para tanto, cumpre colacionar o art. 8º da Resolução 2.828/2001 supracitado: ‘Art. 8º Aplicamse às agências de fomento as mesmas condições e limites operacionais estabelecidos para o funcionamento de instituições financeiras na Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e na legislação e regulamentação posteriores relativas ao Sistema Financeiro Nacional, no que não conflitarem com o disposto nesta Resolução.’ ........ Ora, o Conselho Monetário Nacional, ao dispor sobre o funcionamento das Agências de Fomento, perseguiu os objetivos políticos insculpidos na Lei Federal nº 4.595/1964, dispondo que tais instituições possuem por objeto social o financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos na Unidade da Federação onde tenham sede (art. 1º , caput, da Resolução nº 2.828/2001 editada pelo Banco Central do Brasil). Tais motivos já são suficientes para se verificar que as Agências de Fomento / integram o Sistema Financeiro Nacional, gozando das mesmas prerrogativas das demais instituições financeiras. ....... Além do até aqui exposto, podese apresentar como fundamento ao reconhecimento do status de instituição financeira das Agências de Fomento, culminando com o gozo por tais instituições das mesmas prerrogativas e benefícios auferidos pelas instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional, o disposto nos artigos 17 e 18 da Lei Federal nº 4.595/1964, (...) ........ Ora, conjugandose os dispositivos legais colacionados acima com aqueles anteriormente citados, relativos à constituição e funcionamento das Agências de Fomento, verificase o perfeito enquadramento do objeto social de tais instituições às atividades principais das instituições financeiras, posto que as Agências de Fomento coletam, intermediam e/ou aplicam seus recursos próprios, bem como recursos de terceiros, no financiamento de capitais associados a projetos. A única diferença a ser ressaltada é que as Agências de Fomento financiam o desenvolvimento, levando em conta o cunho social, o que não condiz com as práticas dos bancos comerciais, que somente visam ao lucro. Fl. 1851DF CARF MF 6 ....... Verificase, portanto, que além do status de instituição financeira conferido às agências de fomento, estas exercem função típica de instituição financeira, bem como obedecem aos mesmos requisitos para sua instituição e funcionamento. A guisa de exemplo podese citar a Lei Federal nº 10.973/2004, que, ao regulamentar os incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica pátrios, em seu art. 3°A, deu nomenclatura de instituição financeira às agências de fomento, corroborando o entendimento até aqui sustentado. ........ 4 – Da instituição do Regime NãoCumulativo e da necessidade de manutenção de certas atividades no regime anterior. ........ Com efeito, a instituição do regime não cumulativo para o PIS/COFINS requer cuidados do legislador, na medida em que tais tributos incidem sobre as receitas das empresas. Dessa forma, para manter a carga tributária deveria admitirse a tomada de créditos sobre tudo o que for necessário para auferir a receita. Para as instituições financeiras a nãocumulatividade seria especialmente problemática na medida em que esse setor econômico tem como insumo e produto final justamente o dinheiro. A conceituação dos créditos, para esses setores, deveria abranger basicamente todos os custos e despesas operacionais. Por esse motivo as instituições financeiras permaneceram submetidas ao regime cumulativo do PIS/COFINS, que é mais adequado à sua atividade econômica. E, mesmo o cálculo do PIS/COFINS devidos pelas instituições financeiras no regime cumulativo tem diversas especificidades, como a possibilidade de excluir despesas com intermediação, obrigações por empréstimos, perdas com título de renda fixa e variável, perdas com ativos em operações de hedge, etc, que não são admitidas para as demais empresas submetidas ao regime cumulativo. Vale destacar que a falta de razoabilidade na inclusão da Impugnante no regime não cumulativo do PIS/COFINS é comprovada pela própria autuação que ora se combate. ........ 5 – Da Necessária Aplicabilidade do Regime Cumulativo Não se pode admitir que apenas em situações desfavoráveis, a exemplo da ' equiparação disposta na Lei Federal n° 7.492/1986, que as Agências de Fomento sejam alçadas ao status de instituição financeira. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.850 7 ........ Diante de tal sistemática, o artigo 8°, inciso I, da Lei Federal nº 10.637/2002 e o artigo 10, inciso I, da Lei Federal ns 10.833/2003, referentes ao PIS/Pasep e à Cofins, respectivamente, ao excepcionarem a aplicação do regime nãocumulativo, e vigência das normas anteriores, pretenderam incluir todos os órgãos pertencentes na categoria de instituições financeiras, uma vez que, embora não descrito expressamente no parágrafo 1o do artigo 22 da Lei Federal n. 8.212/1991, consubstanciavase na mens legis inserir todas as instituições financeiras na excepcionalização do regime nãocumulativo. É certo que a técnica legislativa utilizada para determinar as instituições financeiras que deveriam permanecer no regime cumulativo não foi a mais adequada. O legislador de 2002 e 2003 fez remissão a uma legislação de 1998 que, por sua vez fazia remissão a leis de 1991 e 1981. ......... Em outras palavras: se as agências de fomento têm as mesmas características das instituições financeiras citadas pelo art. 22 da Lei 8.212/1991, atuam no mesmo segmento econômico, tem como atividade principal conceder financiamentos e se submetem às mesmas normas regulatórias, não há qualquer razão plausível para lhe negar o mesmo tratamento em relação ao PIS/COFINS. E tanto é assim que o próprio legislador foi obrigado a sanar suposta omissão legislativa, equiparando as agências de fomento aos bancos de desenvolvimento para fins de apuração de tributos (art. 70 da Lei Federal 12.715/2012). Tratase, portanto, de interpretação autêntica, corroborando a prática já existente de que as agências de fomento sempre deveriam ter sido tributadas como as demais instituições financeiras. Também não há justificativa para uma interpretação restritiva do art. 8º da Lei 10.637/2002 e art. 10 da 10.833/2003, como pretende o Fisco. ........ Destacase ainda que, a Instrução Normativa da Receita Federal nº 247/2002, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, instituiu no art. 95, a planilha de cálculo que deve ser utilizada para apuração do PIS e Cofins, incluindo no rol de instituições que devem utilizar a planilha ‘(...) as demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (...)’ conforme citado abaixo: ‘Art. 95. As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, inclusive as associações de poupança e empréstimo, deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com a planilha de cálculo constante do Anexo I.’ Fl. 1853DF CARF MF 8 ...... 6 – Do Princípio Constitucional da Igualdade Tributária A prática adotada pelos AuditoresFiscais, quando da lavratura dos autos de infração ora impugnados, violou o Princípio Constitucional da Igualdade, estatuído no art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, que preconiza a igualdade de todos perante a lei. ....... Em caso envolvendo a sistemática de apuração do PIS e COFINS, a Agência de Fomento do Amazonas S/A AFEAM, por meio do Mandado de Segurança ns. 17888¬ 97.2012.4.01.3200, cujo objetivo pretendeu afastar a incidência do recolhimento do PIS e COFINS sobre a receita bruta, teve como resultado, em sentença de primeiro grau, a concessão da segurança, para "reconhecer (...) o direito ao recolhimento de PIS e COFINS sobre o seu faturamento, assim entendido a receita bruta originada do exercício de sua atividadefim, com fundamento no art. 8B, da Lei nB 10.637/2002, e art. 10, da Lei 10.833/2003"™. Além disso, o Sr. Delegado da Receita Federal em Manaus (AM), quando prestou as suas informações, muito embora negando a pretensão da AFEAM, ratificou a aplicação do regime cumulativo às Agências de Fomento, nos seguintes termos: ‘A partir da EC 20/98, só existem as bases de cálculo prestas no art. 195, alíneas "b" da CF/88. No caso da Impetrante de ser sobre a receita bruta, pelo regime cumulativo, pois qualquer outra forma não prevista no parâmetro constitucional seria adotar base de cálculo inconstitucional. Não há como adotar as bases de cálculo das LC 70/91 (COFINS) e da Lei 9.715/98 (PIS) que contrarie a disposição constitucional (...)’ Assim, fica claro que tanto aquela decisão, bem como o posicionamento do Sr. DelegadoAdjunto da RFB, foram no sentido de que a AFEAM deve calcular o PIS/COFINS pelo regime cumulativo, o que, por questão de igualdade, deve ser aplicado à Fomento Paraná, sob pena de ocorrer tratamento desigual, em flagrante ofensa à Constituição da República Federativa do Brasil. ......... 7 Do Princípio Constitucional da Proporcionalidade A ação tomada pelos Auditores em autuar a ora impugnante, por suposta ‘insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS’ carece de razoabilidade, pelo que se passa a expor. ..... A ora Impugnante sempre recolheu as contribuições para o PIS/Cofins pelo regime cumulativo de contribuição, indicando esta opção no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.851 9 Sociais (DACON), entregue mensalmente a título de obrigação acessória, e estando , desde 2004, sujeita ao acompanhamento diferenciado, o AuditorFiscal destacado para a fiscalização pessoal da Fomento Paraná nunca constatou qualquer irregularidade no recolhimento das referidas contribuições. .... Ora, desde 2004 a Receita Federal fiscaliza anualmente a Impugnante e nunca questionou a apuração do PIS/COFINS pelo regime cumulativo, o que só veio a ocorrer com a Nota à Ação Judicial COSIT n9 01, editada no âmbito do mandado de segurança nº 3924404.2010.4.01.3400. Assim, a presente autuação decorre de clara modificação de critério jurídico do Fisco quanto ao regime de PIS/COFINS aplicável às agências de fomento. Ocorre que a mudança de critério jurídico não pode ser aplicada retroativamente sob pena de violar o princípio da confiança legítima do administrado. ..... O caso dos autos é claramente um dos exemplos em o princípio da proteção da confiança é quebrado pela Administração Pública, que, desrespeitando o princípio da irretroatividade e a boafé do contribuinte, exige do mesmo a diferença de tributo relativo a períodos anteriores à própria modificação de seu critério jurídico. .......... Além do mais em 2012 foi editada a Lei Federal nº 12.715, equiparando as Agências de Fomento aos Bancos de Desenvolvimento, para fins de apuração dos tributos federais, conforme citado abaixo: ‘Art. 70. Para fins de incidência de tributos federais, inclusive contribuições previdenciárias, ficam submetidas às regras de tributação aplicáveis aos bancos de desenvolvimento as agências de fomento referidas no art. 1º da Medida Provisória nº 2.19270, de 24 de agosto de 2001. § 1.2 O disposto no caput aplicase a partir de 1º de janeiro de 2013. § 2 – As agências de fomento poderão, opcionalmente, submeterse ao disposto no caput a partir de 1º de janeiro de 2012.’ A partir desta alteração, a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa nº 1.314/2012, que alterou o §1°, do art. 1º , da Instrução Normativa nº 1.285/2012, evidenciando que hoje a Receita Federal entende pela aplicabilidade do regime de apuração cumulativo Fl. 1855DF CARF MF 10 às Agências de Fomento, corroborando pela equiparação às Instituições Financeiras. Carece, pois, de proporcionalidade a medida adotada pelos Auditores, por entenderem pela existência de suposta irregularidade nos recolhimentos, que sempre foram chancelados em momento anterior pelos seus pares. ........ A medida desproporcional adotada pelos AuditoresFiscais em autuar a ora impugnante tornará inviável a prática de tais operações sociais, inviabilizando a própria atividade fim da Fomento Paraná, que é proporcionar o desenvolvimento social, cultural, financeiro, científico e tecnológico do Estado do Paraná. ......... 7.1 Do Princípio da Proporcionalidade da Carga Tributária Vedação ao Caráter Confiscatório Feitas as considerações acerca do Princípio Constitucional da Proporcionalidade, cabe agora um breve estudo sobre a aplicabilidade do referido princípio ao ordenamento tributário pátrio. ......... Vedase com tal garantia constitucional o ato do ente político de inviabilizar o exercício do direito de propriedade, impedindo que o fisco desaposse alguém de seus bens para benefício próprio, evitando, com isso, que o Estado anule a riqueza privada. Ora, o raciocínio é simples: ao utilizar a prerrogativa constitucional de tributar, o legislador deve fazêlo atendendo ao princípio constitucional da proporcionalidade. ....... Além de toda a carga tributária "oficial" incidente sobre a ora impugnante, existe ainda a chamada "tributação oculta", entendida como aquela que se efetiva na transferência de recursos financeiros por vias oblíquas e geralmente obscuras, agravando ainda mais a carga tributária suportada pelos contribuintes. .......... Diante de todo o exposto, resta caracterizado o caráter confiscatório da autuação fiscal, devendo ser mantida a aplicabilidade do regime cumulativo de incidência. ...... 8 – Princípio da Eventualidade Aplicação do Regime NãoCumulativo com Alíquota Zero Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.852 11 A Receita Federal do Brasil, ao efetuar o cálculo do regime que entende aplicável à Fomento Paraná, chegou ao montante total supostamente devido de R$ 41.830.336,91 (quarenta e um milhões, oitocentos e trinta mil, trezentos e trinta e seis reais e noventa e um centavos), sendo que, deste valor, aproximadamente 20,5 milhões representam o tributo devido sem incidência de juros e correção; 5,8 milhões a título de correção monetária e 15,4 milhões representam a multa de 75% a ser aplicada. ......... Contudo, os ilustres auditores desconsideraram o conteúdo do Decreto Federal 5.442/2005 quando da lavratura do Termo de Verificação Fiscal e respectivos autos de infração, que determina a aplicabilidade da alíquota zero incidente sobre as receitas financeiras auferidas por pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa. Apenas na eventualidade, caso não se acate o pedido de aplicabilidade do regime cumulativo de recolhimento das contribuições, resta patente a necessidade de aplicação da denominada ‘alíquota zero’, estabelecida pelo Decreto Federal n2 5.442/2005, conforme passa a aduzir. O Decreto supramencionado reduz a zero as alíquotas do PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa. ....... Porém, em desrespeito ao conteúdo do Decreto Federal, o Termo de Verificação considerou simplesmente o entendimento exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que no acórdão n. 0731.865, entendeu que a redução a zero das alíquotas aplicase somente às pessoas jurídica sujeitas ao regime nãocumulativo que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao referido regime. Tal interpretação é feita da simples leitura do conteúdo do parágrafo único do artigo 1 ° do Decreto Federal nº 5.442/2005 (...) ....... Porém, há que se considerar o caput do referido artigo, que possui interpretação óbvia: O caput do artigo, colacionado anteriormente, regulamenta a aplicabilidade da chamada alíquota zero, que incide sobre TODA E QUALQUER RECEITA FINANCEIRA AUFERIDA PELA PESSOA JURÍDICA SUJEITAS AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O parágrafo primeiro do referido artigo, para dissipar qualquer dúvida, APENAS ACRESCENTA a aplicabilidade da referida alíquota àquelas instituições que se submetem ao regime misto, pois parte de suas contribuições são realizadas pelo regime não cumulativo. Fl. 1857DF CARF MF 12 ......... Porém, os Auditores que autuaram a ora impugnante desconsideraram tal posicionamento, adotado inclusive por seus colegas, entendendo indevidamente que a alíquota zero aplicase apenas às pessoas jurídicas que se submetem ao regime misto. Tal interpretação, com a devida vénia, é absurda. Como exposto, em nenhum momento o Decreto 5.442/2005 pretendeu restringir a redução a zero da alíquota de PIS/COFINS incidentes sobre as receitas financeiras apenas de empresas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo de apuração das contribuições. Ao contrário, referida norma simplesmente pretendeu explicitar que a redução a zero também se aplica às operações de hedge e empresas submetidas ao regime misto de apuração. E tal assertiva se comprova pelo teor das soluções de consulta acima transcritas. ....... Por fim, nem se argumente que, por ser a Impugnante uma instituição financeira as receitas financeiras por ela auferidas teriam a natureza de receitas operacionais, e por isso estariam excluídas do âmbito de aplicação do Decreto 5.442/2005. É certo que a Teoria Contábil diferencia as receitas financeiras das operacionais a partir de sua vinculação com o objeto social da entidade. Entretanto, para fins tributários existe um conceito legal de receitas financeiras, que abrange todas as receitas decorrentes de variação monetária de direitos de crédito. ...... Em segundo lugar, as receitas financeiras para as quais a Impugnante pretende aplicar a alíquota zero para as contribuições ao PIS e a COFINS decorrem de aplicações financeiras em títulos públicos ou de renda fixa. Assim, tais receitas não decorrem da atividade econômica principal da Impugnante (concessão de crédito) sendo classificadas como financeiras para fins contábeis. Ou seja, são receitas financeiras tanto do ponto de vista legal (art. 9e da Lei 9.718/1998), quanto do ponto de vista contábil (receitas não operacionais). Pelo exposto, caso não se reconheça a submissão da Impugnante ao regime cumulativo do PIS/COFINS a redução a zero das alíquotas sobre as receitas financeiras nos termos do Decreto 5.442/2005 é medida que se impõe. ...... 9 – Da Não Cumulatividade Necessidade de Exclusão das Despesas de Captação da Base de Cálculo do PIS e COFINS ante a suposta aplicabilidade do regime não cumulativo. Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.853 13 A Fomento Paraná não opera apenas com recursos próprios, captando também recursos originados de outras instituições de apoio ao desenvolvimento, como recursos captados do BNDES/FINAME. A operação financeira é simples: A Fomento Paraná toma valores do BNDES/FINAME pagando uma determinada taxa de juros e, após, empresta os valores tomados, com um retorno financeiro superior aos juros pagos, auferindo dessa maneira seu ‘spread’ bancário, que, na essência referese à diferença entre a taxa de juros que as instituições financeiras pagam na captação dos recursos e taxa de juros que cobram dos clientes quando do repasse dos recursos. Porém, ao pagar juros para a captação de valores ao BNDES/FINAME, este já recolhe os tributos devidos na operação, ou seja, o BNDES recolhe as contribuições para o PIS/COFINS sobre os juros pagos pela Fomento Paraná. Após, a Fomento Paraná empresta o valor tomado, praticando uma taxa de juros maior do que a de captação, e a registra como receita de operações de créditos, porém, parte dos juros cobrados será destinada ao pagamento da primeira operação que já foi devidamente tributada pela repassadora dos recursos. Assim temse que a simples tributação da integralidade dos juros praticados pela Impugnante, como pretendem os AuditoresFiscais, sem a exclusão das despesas por obrigações de empréstimos e repasses implica em verdadeiro efeito cascata de tributação denominado também como efeito cumulativo, por abarcar valores destinados ao custeio dos juros, já tributados em operação anterior, prática vedada pela legislação vigente. 10 – Da Não Dedução das Despesas de Captação da Base De Cálculo do PIS e COFINS NãoCumulativo. Adicionalmente, as Leis Federais nss 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) criaram, para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo, a possibilidade da apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre determinados custos e despesas operacionais necessários à manutenção da geração de receitas por parte das empresas. ...... Percebese assim que a Receita Federal do Brasil, pretendendo regulamentar a lei, adotou um conceito extremamente restritivo de insumos, restringindoo às matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens não contabilizados no ativo imobilizado e fisicamente desgastados em decorrência da prestação de serviços. Notase que, não obstante a inexistência de qualquer remissão do texto legal à legislação do IPI, a Receita Federal recorreu à letra do RI PI Fl. 1859DF CARF MF 14 para determinar os insumos passíveis de crédito, delimitando tal conceito por meio de atos administrativos por ela mesma editados. Entretanto, tal remissão é inadequada na medida em que a legislação do IPI ao contrário da legislação do PIS/COFINS restringiu em muito a aplicabilidade do conceito de "insumo" aos bens adquiridos, concluindo que tal conceito alcança somente aqueles bens ou serviços consumidos na fabricação do produto ou na prestação do serviço. Tal visão não se amolda à feição jurídica do PIS/COFINS, que, ao contrário do IPI e do ICMS, o fato gerador das contribuições não se identifica com a produção e circulação econômica de um produto, mas com a receita gerada por uma multiplicidade de operações indistintamente. Em outras palavras, a nãocumulatividade no PIS e da COFINS não se presta a afastar a exigência de tributos incidentes sobre operações de produção/circulação de mercadorias e produtos industriais, mas sim afastar da receita tributável todas as despesas necessárias à sua obtenção, sem distinção entre insumos, ativo e materiais de uso e consumo ou de sua destinação direta ou indireta à atividade da empresa. ......... Ainda que se admita a existência de lacuna quanto ao conceito de insumo gerador de crédito no âmbito do PIS/COFINS, a reclamar o recurso à legislação referente a outro tributo, a conclusão lógica é a de que o intérprete se dirija ao tributo cuja estrutura mais se aproxime à do PIS e da COFINS, qual seja, o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ. ........ Assim sendo, verificase que o custo de captação assumido pela ora Impugnante é utilizado nas atividadesfim desta Agência de Fomento, caracterizandose como verdadeiro insumo, e, em aplicação analógica do inciso II, do artigo 3°, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, geram com isso direito a crédito de PIS e COFINS no regime não cumulativo de apuração. .......... 11 – Princípio do In Dúbio Pro Contribuinte Inaplicabilidade de Multa Apenas na eventualidade de se entender pela aplicação do regime cumulativo de recolhimento, seja pela aplicação da alíquota zero, seja pela aplicação cheia, deve ser afastada do auto de infração impugnado a multa estabelecida, pelos motivos que passam a ser aduzidos. Conforme abordagem anterior, esta Agência de Fomento sofre um regime diferenciado de fiscalização, em que um auditorfiscal é destacado para que efetue o acompanhamento pessoal do recolhimento dos tributos devidos pela ora impugnante. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.854 15 ........ Feita a análise econômicotributária desta Impugnante de maneira diferenciada, segundo o rito estabelecido pela portaria supracitada, desde 2004 a Receita Federal do Brasil NUNCA verificou qualquer irregularidade na aplicação do sistema cumulativo para o recolhimento das referidas contribuições. .......... Assim sendo, não há máfé por parte da ora impugnante a ensejar aplicação de multa pela suposta irregularidade nos recolhimentos, devendo ser afastada a cominação da mesma dos autos de infração, minorando assim eventual valor entendido como devido ao fisco. .......... Ora, no caso dos autos é evidente a existência de prática reiteradamente observada na medida em que a Receita Federal já externou o entendimento de que as agências de fomento se submetem à sistemática cumulativa do PIS/COFINS. Por outro lado, a Impugnante é fiscalizada anualmente há 10 (dez) anos e jamais foi autuada por apurar e recolher o PIS/COFINS pelo regime cumulativo. Diante do exposto, requer seja afastada a multa cominada, em razão da boafé da ora impugnante, que nunca deixou de recolher as contribuições que entendia devidas, tendo inclusive respaldo de agentes da Receita Federal que sempre atestaram a regularidade dos tributos arrecadados, face o controle pessoal exercido em razão do regime diferenciado de acompanhamento. 12 – Pedidos Diante de tudo o que anteriormente foi exposto, REQUER a Agência de Fomento do Estado do Paraná S/A Fomento Paraná, que seja: a) integralmente acatada a presente Impugnação, reconhecendo o direito a apuração e recolhimento do PIS/Pasep conforme estabelecido no artigo 8º da Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da COFINS conforme estabelecido no artigo 10º da Lei n. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, elidindose por completo os valores constantes da penalidade que foi imposta à Fomento Paraná, conforme exposto nos itens 3 a 7; b) pelo princípio da eventualidade, caso não acatado o requerido na alínea anterior, o que seguramente não se acredita, mas aqui somente dito a título de argumentação, a aplicação do regime nãocumulativo com aplicação da alíquota zero sobre as receitas financeiras, bem como, deduzindose da base de cálculo, a título de créditos as despesas por obrigações de empréstimos e repasses (itens 8 e 9), excluindose também do auto de infração a multa aplicada, em razão do princípio da boafé desta impugnante, conforme aduzido nos itens 10 e 11, Fl. 1861DF CARF MF 16 recalculandose o montante devido conforme documento acostado à defesa.” Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário conforme demonstrativo apresentado ao final daquela decisão. Esclareceu o Relator, naquela oportunidade, que, para o cálculo, partiuse dos valores apurados pela fiscalização nas Tabelas de fls. 1590 e 1591, excluindo os valores correspondentes às receitas financeiras (conforme fls. 110 a 113). Transcrevese a seguir a ementa deste julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota da Cofins, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa dessa contribuição, aplicase também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessa contribuição, aplicase também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da não cumulatividade. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.855 17 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2013 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicala, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, uma vez que o lançamento é uma atividade vinculada e não cabe à autoridade administrativa, em face dessa sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária. PRÁTICAS REITERADAS. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. As práticas reiteradas das autoridades administrativas significam uma posição firmada pela administração, antiga, reiterada e pacífica, com relação à aplicação da legislação tributária, e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Incabível classificar como prática reiterada o fato da Receita Federal não haver detectado anteriormente a irregularidade cometida pela impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ainda, constou ao final da decisão a informação de que esta está sujeita à reanálise através de Recurso de Ofício. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 01/03/2014 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 1735 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 17/03/2014 Recurso Voluntário (fls. 1737/1759), através do qual requereu o reconhecimento: (i) das Agências de Fomento como instituição financeira; (ii) da submissão das Agências de Fomento ao regime cumulativo; (iii) da suposta violação do art. 146 do CTN em relação à alteração retroativa do entendimento da Receita Federal quanto à apuração do PIS/Cofins para a Agência de Fomento; (iv) dos créditos sobre despesas de captação no regime nãocumulativo; (v) da necessidade de excluir todas as receitas financeiras da base de cálculo do PIS/Cofins. O contribuinte apresentou, ainda, em 16/07/2014, contrarrazões ao recurso de ofício (vide fls. 1829 e seguintes dos autos). Não consta do processo, contudo, razões de recurso de ofício, constituindose este, portanto, apenas da menção à necessidade de confirmação do valor exonerado por parte deste Conselho, inserta ao final da decisão da DRJ, em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1863DF CARF MF 18 Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise tanto do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte quanto do Recurso de Ofício. É o breve relatório. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.856 19 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: 1. Da admissibilidade Consoante indicou a DRJ, a decisão em questão está sujeita a Recurso de Ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É válido destacar, inclusive, que o valor exonerado pela DRJ é superior ao limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) disposto na Portaria do Ministério da Fazenda n. 63/2017, pelo que deve ser conhecido. O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passase, então, à análise de ambos os recursos. De início, é importante mencionar que a Ação Judicial da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento ABDE, referenciada anteriormente no relatório acima, não impacta diretamente o julgamento da presente demanda, visto que a empresa aqui autuada não poderá se beneficiar do resultado daquela ação judicial, tendo em vista que não se encontra domiciliada no Distrito Federal. Logo, não há que se falar em concomitância no caso concreto aqui analisado. Nesse sentido, já havia se manifestado a DRJ na decisão recorrida, conforme passagem a seguir: Ação Judicial da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento – ABDE 5. Primeiramente é necessário esclarecer que o Mandado de Segurança Coletivo nº 3924404.2010.4.01.3400, impetrado na Seção Judiciária do Distrito Federal, pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento – ABDE, a qual representa, entre outras, a impugnante, não produz efeitos em relação à contribuinte. Observase da leitura da parte decisória da sentença que o processo somente surte efeitos para os associados da autora – ABDE – domiciliados no Distrito Federal, como se lê: “Acolho a preliminar de ilegitimidade passiva do Secretário da Receita Federal do Brasil, porque os atos de incidência tributária ora atacados competem aos Delegados da Receita Federal. Da mesma forma, com razão a autoridade coatora quando sustenta que não é legítima para figurar no pólo passivo quanto aos associados da impetrante domiciliados fora do Distrito Federal, porque ele é incompetente para exigir ou deixar de exigir tributo de contribuinte fora de seu domicílio fiscal. Mantémse o processo, portanto, tão somente com relação aos associados da autora domiciliados no Distrito Federal.” (grifouse). Fl. 1865DF CARF MF 20 2. Da Decisão Recorrida Conforme acima relatado, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário conforme demonstrativo apresentado ao final daquela decisão. Esclareceu o Relator, naquela oportunidade, que, para o cálculo, partiuse dos valores apurados pela fiscalização nas Tabelas de fls. 1590 e 1591, excluindo os valores correspondentes às receitas financeiras (conforme fls. 110 a 113). Transcrevese a seguir a ementa deste julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota da Cofins, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa dessa contribuição, aplicase também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. TRIBUTAÇÃO RECEITA FINANCEIRA. REDUÇÃO PARA ALÍQUOTA ZERO. A redução a zero da alíquota do PIS/Pasep, incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessa contribuição, aplicase também, às pessoas jurídicas que Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.857 21 tenham apenas parte de suas receitas submetidas à sistemática da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2013 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicala, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, uma vez que o lançamento é uma atividade vinculada e não cabe à autoridade administrativa, em face dessa sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária. PRÁTICAS REITERADAS. EXCLUSÃO DE PENALIDADE. As práticas reiteradas das autoridades administrativas significam uma posição firmada pela administração, antiga, reiterada e pacífica, com relação à aplicação da legislação tributária, e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Incabível classificar como prática reiterada o fato da Receita Federal não haver detectado anteriormente a irregularidade cometida pela impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ou seja, a DRJ acatou o pleito do contribuinte tão somente no que tange à exclusão dos valores relativos às receitas financeiras, em razão da alíquota zero prevista no Decreto Federal 5.442/2005. Nos demais fundamentos, negou provimento à impugnação apresentada. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1737/1759), através do qual requereu, assim como na impugnação: (i) o reconhecimento das Agências de Fomento como instituição financeira; (ii) a submissão das Agências de Fomento ao regime cumulativo; (iii) a análise da suposta violação do art. 146 do CTN em relação à alteração retroativa do entendimento da Receita Federal quanto a apuração do PIS/Cofins para a Agência de Fomento; (iv) o reconhecimento dos créditos sobre despesas de captação no regime nãocumulativo; (v) a necessidade de excluir todas as receitas financeiras da base de cálculo do PIS/Cofins. Os referidos pleitos serão devidamente analisados a seguir. Fl. 1867DF CARF MF 22 3. Do reconhecimento das Agências de Fomento como instituição financeira De início, defende a Recorrente que as Agências de Fomento deveriam ser reconhecidas como instituições financeiras, no intuito de que lhe seja conferido o mesmo tratamento tributário daquelas instituições. Esclarece que "A criação das agências de fomento coincide com o Plano Nacional de Desestatização (PND) levado a cabo na década de 1990 que tinha como um dos objetivos a redução da atuação dos Estados no setor financeiro". Segue dispondo que, na sua visão, haveria um perfeito enquadramento do objeto social de tais instituições às atividades principais das instituições financeiras "posto que as Agências de Fomento coletam, intermediam e/ou aplicam seus recursos próprios, bem como recursos de terceiros, no financiamento de capitais associados a projetos". Destaca, ainda, que a única diferença a ser ressaltada entre as agências de fomento e as instituições financeiras é que as primeiras financiam o desenvolvimento, levando em conta o cunho social, o que não condiz com as práticas dos bancos comerciais. Aduz que, "além do status de instituição financeira conferido às agências de fomento, estas exercem função típica de instituição financeira, bem como obedecem aos mesmos requisitos para sua instituição e funcionamento". Nesse contexto, afirma que a existência de vedações a algumas operações não afasta a natureza de instituição financeira às agências de fomento. Alega que o Banco Central do Brasil estabelece de forma expressa que a elas se aplicam as mesmas condições e limites operacionais estabelecidos para o funcionamento de instituições financeiras como previsto no Art. 8º da Resolução do BACEN 2.828/01, in verbis: ‘Art. 8º Aplicamse às agências de fomento as mesmas condições e limites operacionais estabelecidos para o funcionamento de instituições financeiras na Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e na legislação e regulamentação posteriores relativas ao Sistema Financeiro Nacional, no que não conflitarem com o disposto nesta Resolução.’ Por fim, faz a alegação de que a DRJ teria ignorado por completo a regulamentação do BACEN e os arts. 17 e 18 da Lei nº 4.595/1964 que regulamenta o Sistema Financeiro Nacional. Entendo que a decisão da DRJ não merece reforma. Conforme se extrai da leitura do art. 8º supra transcrito, o BACEN determinou que às agências de fomento deveriam ser aplicadas as mesmas condições e limites estabelecidos para o funcionamento de instituições financeiras na Lei n. 4.595/1964. Em nenhum momento, contudo, reconheceu as agências de fomento como instituição financeira. Ao contrário, o próprio Recorrente reconhece haver importantes distinções entre ditas instituições, pelo que não deve ser acolhido o seu pleito. 4. Da submissão das Agências de Fomento ao regime cumulativo De acordo com o contribuinte, a Agência de Fomento, por possuir as mesmas características das instituições financeiras citadas pelo art. 22 da lei nº 8.212/1991 e no art. 3º, §6º, inciso I da Lei 9.718/1998 (atuam no mesmo segmento econômico; tem como atividade principal conceder financiamentos e, por fim, se submetem às normas regulatórias), defende que o regime tributário das Agências de Fomento se encaixa perfeitamente no art. 3º da Lei nº Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.858 23 9.718/98. Pretende, com isso, afastar o fundamento da autuação que entendeu por tributar a Recorrente no regime nãocumulativo, defendendo que estaria sujeita ao regime cumulativo. A solução deste tópico, portanto, é uma consequência lógica do tópico imediatamente anterior. Não sendo instituição financeira, não teria a agência de fomento direito à manutenção do regime cumulativo, visto que não se encontra dentre as exceções ao regime instituído pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, previstas, respectivamente, em seus artigos 8º e 10º, complementados pelo artigo 3º, §6º, da Lei nº 9.718/1988. Por concordar com os fundamentos apresentados na decisão recorrida, transcrevoos a seguir, adotandoos como razão de decidir: 10. O fato de as agências de fomento integrarem o Sistema Financeiro Nacional não as equipara à instituições financeiras, pelas atividades exercidas. As agências de fomento possuem características peculiares quando comparadas com os bancos, por exemplo, conforme se conclui da leitura do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.19270/2001, uma vez que o objetivo da criação das agências de fomento é a redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária. 11. Dentre as principais peculiaridades das agências de fomento, quando comparadas com bancos de desenvolvimento e bancos de investimento, por exemplo, podem ser listadas como: necessidade de constituição sob a forma de capital fechado; vedação expressa em funcionar pelo Banco Central do Brasil; restrição em empregar em suas atividades recursos externos e vedação em captação de recursos junto ao público e contratação de depósitos interfinanceiros. 12. Neste sentido, transcrevese trecho da Nota – Ação Judicial nº 1 – Cosit, de 19.01.2011, citada tanto no Termo de Verificação, quanto na impugnação apresentada: “• A necessidade de constituição sob a forma de capital fechado, consoante § 2º do artigo 1º da Resolução CMN nº 2.828, de 2001. Já os bancos de desenvolvimento e de investimento, ainda que necessariamente constituídos sob a forma de sociedade anônima, podem ser de capital aberto ou fechado, consoante, respectivamente, artigo 8º da Resolução CMN nº 394, de 1976, e artigo 2º da Resolução CMN nº 2.624, de 1999. • A vedação expressa à transformação das agências de fomento em qualquer outro tipo de instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil, conforme § 6º do artigo 1º da Resolução CMN nº 2.828, de 2001. Inexiste tal vedação para os bancos de desenvolvimento e bancos de investimento. • As agências de fomento, também na forma do artigo 2º da Resolução nº 2.828, de 2001, com redação dada pela Resolução CMN nº 3.757, de 2009, somente podem empregar em suas atividades, além de recursos próprios, os provenientes de: Ifundos e programas oficiais; IIorçamentos federal, estaduais e municipais; IIIorganismos e instituições financeiras nacionais e internacionais de desenvolvimento; Fl. 1869DF CARF MF 24 IVcaptação de depósito inter financeiro vinculado a operações de microfinanças (DIM). • Às agências de fomento são, ainda, vedados (atual artigo 4º da Resolução CMN n° 2.828, de 2001): (...) III a captação de recursos junto ao público, inclusive de recursos externos, ressalvado o disposto no inciso III do art. 2°; IV a contratação de depósitos interfinanceiros, na qualidade de depositante ou depositária, ressalvado o disposto no inciso IV do art. 2º.” 13. Observese que as restrições impostas à estrutura de captação/aplicação das agências de fomento, não se aplicam aos bancos de desenvolvimento e investimento, que podem captar recursos de terceiros, lhes sendo, permitida, ainda, a captação por meio de operações de crédito no país e no exterior, neste último caso, inclusive por repasse. Não há, também, qualquer limitação à forma de depósito financeiro a ser utilizada para captação no caso dos bancos de investimento. 14. Dessa forma, comparando as operações das agências de fomento com os bancos de desenvolvimento e investimento, verificamse relevantes diferenças entre as estruturas de captação de recursos e as possibilidade de operações, o que faz com que não se possa estabelecer uma simples equiparação entre as agências de fomento e as instituições financeiras, na forma desejada pela impugnante. 15. As agências de fomento, embora aparentemente sejam instituições financeiras, não se enquadram exatamente nesse conceito, porquanto não podem captar recursos junto ao público; fazer redesconto; ter conta reservada no BACEN, contratar depósito interfinanceiros como depositante ou depositária; e não podem ter participação societária em outras instituições financeiras. 16. Retornando ao âmbito da legislação tributária, destaquese que somente as pessoa jurídicas citadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003, transcritos abaixo, foram excluídas do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, como se lê: Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002: “Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6°: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; (,,,)” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9° do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.859 25 (...)” 17. Dentre as pessoas jurídicas citadas nos §§6º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com referência ao § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, entretanto, não estão as agências de fomento, como se lê: Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: “Art. 3º. (...) (...) § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluída pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Fl. 1871DF CARF MF 26 § 7º As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6º restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 8º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. ( Incluído pela Lei n o 11.196, de 2005 ) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...)” (grifouse) Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: “Art. 22. (...) (...) § 1 o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (...)” 18. Da análise da legislação transcrita, observase que o § 6º da Lei nº 9.718/1998 foi incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.860 27 2001, ou seja, posteriormente à edição do principal dispositivo legal caracterizador das agências de fomento como entidades destinadas à redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária, nos termos da Medida Provisória nº 1.514/1996. 19. Os §§8º e 9º da mesma Lei nº 9.718/98, também incluídos pela MP nº 2.15835/2001, optaram por estabelecer deduções específicas a outros tipos de instituições que não as constantes do rol previsto no §1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, quais sejam: securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e agrícolas e operadoras de planos de assistência à saúde, entidades que foram, a partir do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.637/2002 e no artigo 10º da Lei nº 10.833/2003, excepcionadas do regime de apuração nãocumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 20. De acordo com o exposto, concluise que não haveria qualquer óbice para o legislador, caso fosse sua intenção, excluir do regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma realizada para outros tipos de instituições financeiras (que não as relacionadas no §1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991), quando da edição da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003. Esta, porém, não foi a opção do legislador. Nesse mesmo sentido vem decidindo este Conselho Administrativo Fiscal, a exemplo dos acórdãos n. 3202001.285, de 20 de agosto de 2014 e 3401003.028, de 25 de janeiro de 2016, ambos em análise de processos relacionados a agências de fomento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam nem se equiparam pelas atividades exercidas às instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração do regime não cumulativo da contribuição ao PIS e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO. As receitas auferidas pelas agências de fomento decorrentes da realização de seu objeto social não se enquadram no conceito de receita financeira para fins de aplicação dos regimes de apuração do PIS e da Cofins. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. As despesas de obrigações por empréstimos e repasses realizados por entidades oficiais às agências de fomento se incluem no conceito de insumo para fins de aplicação do regime não cumulativo do PIS e da Cofins. RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PESSOA JURÍDICA SUBMETIDA AO REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 1873DF CARF MF 28 As receitas de aplicações financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da Cofins são tributadas à alíquota zero. *** Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social. Diante do acima exposto, entendo que deverá ser negado o Recurso Voluntário do contribuinte neste ponto. 5. Da análise da suposta violação do art. 146 do CTN em relação à alteração retroativa do entendimento da Receita Federal quanto à apuração do PIS/Cofins para a Agência de Fomento Em seu Recurso, o Contribuinte defende que a Receita Federal sempre compreendeu que as Agências de Fomento estavam submetidas ao regime cumulativo. E, por este motivo, a mesma apenas recebeu autuação em 2012, 10 anos após o início do regime não cumulativo. Diante disso, argumenta que haveria modificação retroativa do critério jurídico do Fisco em relação ao sistema de PIS/Pasep aplicados a ele. Defende, ainda, que a aplicação do Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.861 29 regime cumulativo pela Recorrente deveria ser resguardada nos períodos anteriores ao novo entendimento do Fisco, visto que este surgiu com a edição da Nota COSIT nº 01, de 19/01/2011. Alegou, portanto, que teria havido violação ao art. 146 do CTN. Sobre este tema, a DRJ assim se manifestou: 24. A impugnante julga que a Receita Federal estaria aplicando retroativamente o entendimento da Nota Cosit expedida na ação judicial da ABDE, uma vez que antes disso teria sido submetida a regime especial de acompanhamento sem nunca haver sido apontada irregularidade na apuração das suas contribuições. Tal fato violaria os princípios da confiança legítima do administrado, irretroatividade, proporcionalidade e boafé. 25. No que diz respeito ao citado acompanhamento diferenciado de empresas, citese a Portaria RFB nº 2.356, de 2010, que define as diretrizes para a atividade: “Art. 4º Os casos de incompatibilidade no cruzamento das informações de que trata o art. 2º, com indícios de evasão tributária, deverão ser encaminhados à área competente pela seleção e programação de fiscalização dos contribuintes diferenciados para inclusão, em caráter prioritário, na programação de fiscalização estabelecida para o ano em curso.” 26. Ou seja, pelo teor do ato acima fica claro que acompanhamento diferenciado de contribuintes não tem o condão de se converter em autêntica ação fiscal, homologando automaticamente os procedimentos adotados pelas empresas que o integram, como deseja a impugnante. Detectada eventual inconsistência nos procedimentos da pessoa jurídica, o caso, aí sim, será encaminhado para ser submetido à fiscalização, exatamente como ocorrido no presente caso. 27. No mais, devese ressaltar que, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, competindo seguir a lei e obrigar seu cumprimento (atividade vinculada). Entendo que não assiste razão ao contribuinte em sua pretensão. O fato de a fiscalização ter se mantido inerte durante determinado período de tempo acerca do descumprimento da legislação tributária não possui o condão de transformar o ato ilegal em legal. Se a legislação não abarcava a manutenção das agências de fomento no regime cumulativo, não será a inércia da fiscalização que validará a escrituração realizada pela Recorrente com base neste regime. De outro lado, entendo que o art. 146 do CTN não é aplicável ao caso vertente, nos moldes pretendidos pela Recorrente. Para que melhor se compreenda os fundamentos da presente decisão, transcrevo o teor do referido dispositivo legal: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 1875DF CARF MF 30 Notese que o referido artigo fala em modificação introduzida nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. É certo, contudo, que a ausência de lançamento anterior não se enquadra no dispositivo em questão. Logo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte quanto a este fundamento. 6. Do reconhecimento dos créditos sobre despesas de captação no regime nãocumulativo Em razão do disposto no art. 3º das Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), o Contribuinte requer a consideração dos créditos sobre as despesas com repasses pagas no período ao BNDES e ao FINAME, por entender que tais despesas se caracterizam como insumos à produção das operações de crédito. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, trazse a seguir as razões apresentadas pelo contribuinte: A Fomento Paraná não opera apenas com recursos próprios, captando também recursos originados de outras instituições de apoio ao desenvolvimento, como recursos captados do BNDES/FINAME. A operação financeira é simples: A Fomento Paraná toma valores do BNDES/FINAME pagando uma determinada taxa de juros e, após, empresta os valores tomados, com um retorno financeiro superior aos juros pagos, auferindo dessa maneira seu ‘spread’ bancário, que, na essência referese à diferença entre a taxa de juros que as instituições financeiras pagam na captação dos recursos e taxa de juros que cobram dos clientes quando do repasse dos recursos. Porém, ao pagar juros para a captação de valores ao BNDES/FINAME, este já recolhe os tributos devidos na operação, ou seja, o BNDES recolhe as contribuições para o PIS/COFINS sobre os juros pagos pela Fomento Paraná. Após, a Fomento Paraná empresta o valor tomado, praticando uma taxa de juros maior do que a de captação, e a registra como receita de operações de créditos, porém, parte dos juros cobrados será destinada ao pagamento da primeira operação que já foi devidamente tributada pela repassadora dos recursos. Assim temse que a simples tributação da integralidade dos juros praticados pela Impugnante, como pretendem os AuditoresFiscais, sem a exclusão das despesas por obrigações de empréstimos e repasses implica em verdadeiro efeito cascata de tributação denominado também como efeito cumulativo, por abarcar valores destinados ao custeio dos juros, já tributados em operação anterior, prática vedada pela legislação vigente. 10 – Da Não Dedução das Despesas de Captação da Base De Cálculo do PIS e COFINS NãoCumulativo. Adicionalmente, as Leis Federais nss 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) criaram, para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo, a possibilidade da apropriação de créditos de PIS e Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.862 31 COFINS sobre determinados custos e despesas operacionais necessários à manutenção da geração de receitas por parte das empresas. ...... Percebese assim que a Receita Federal do Brasil, pretendendo regulamentar a lei, adotou um conceito extremamente restritivo de insumos, restringindoo às matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens não contabilizados no ativo imobilizado e fisicamente desgastados em decorrência da prestação de serviços. Notase que, não obstante a inexistência de qualquer remissão do texto legal à legislação do IPI, a Receita Federal recorreu à letra do RI PI para determinar os insumos passíveis de crédito, delimitando tal conceito por meio de atos administrativos por ela mesma editados. Entretanto, tal remissão é inadequada na medida em que a legislação do IPI ao contrário da legislação do PIS/COFINS restringiu em muito a aplicabilidade do conceito de "insumo" aos bens adquiridos, concluindo que tal conceito alcança somente aqueles bens ou serviços consumidos na fabricação do produto ou na prestação do serviço. Tal visão não se amolda à feição jurídica do PIS/COFINS, que, ao contrário do IPI e do ICMS, o fato gerador das contribuições não se identifica com a produção e circulação econômica de um produto, mas com a receita gerada por uma multiplicidade de operações indistintamente. Em outras palavras, a nãocumulatividade no PIS e da COFINS não se presta a afastar a exigência de tributos incidentes sobre operações de produção/circulação de mercadorias e produtos industriais, mas sim afastar da receita tributável todas as despesas necessárias à sua obtenção, sem distinção entre insumos, ativo e materiais de uso e consumo ou de sua destinação direta ou indireta à atividade da empresa. ......... Ainda que se admita a existência de lacuna quanto ao conceito de insumo gerador de crédito no âmbito do PIS/COFINS, a reclamar o recurso à legislação referente a outro tributo, a conclusão lógica é a de que o intérprete se dirija ao tributo cuja estrutura mais se aproxime à do PIS e da COFINS, qual seja, o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ. ........ Assim sendo, verificase que o custo de captação assumido pela ora Impugnante é utilizado nas atividadesfim desta Agência de Fomento, caracterizandose como verdadeiro insumo, e, em aplicação analógica do inciso II, do artigo 3°, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, Fl. 1877DF CARF MF 32 geram com isso direito a crédito de PIS e COFINS no regime não cumulativo de apuração. Sobre este tema, assim se manifestou a DRJ: 36. A contribuinte tece considerações sobre o conceito de insumos, fundamentando seu entendimento em julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – TRF que teriam ampliado o mesmo. Aduz que o conceito adotado pela Receita Federal em seus atos normativos, restringindoos às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e outros bens não contabilizados no ativo imobilizado e fisicamente desgastados em decorrência da prestação de serviços, decorre de remissão inadequada à legislação do IPI. 37. Nesse sentido, afirma que, além da inclusão indevida das receitas de aplicação financeira no cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins pela sistemática nãocumulativa, tem direito à dedução dos insumos à produção de operações de crédito, representado pelas Despesas com Repasses pagas no período ao BNDES e à FINAME. 38. A contribuinte explica que as despesas de repasse relacionamse diretamente com a produção da Agência, porque os repasses feitos pelos repassadores transformamse em operações de crédito que participam e afetam o universo das receitas tributáveis pela contribuição ao PIS/Pasep e pela Cofins. 39. E, não existindo os repasses e as despesas decorrentes, as Receitas de Operações de Crédito oriundas dos empréstimos realizados aos seus clientes com os recursos do BNDES e da FINAME não existiriam, tampouco as receitas tributáveis para as contribuições. Assim, defende que as despesas com obrigações por empréstimos e repasses pagas ao BNDES caracterizamse como insumos da produção das operações de crédito, cujo spread sofre a tributação das contribuições – PIS/Pasep e Cofins. 40. Em relação à utilização, nos atos normativos que tratam da incidência não cumulativa das contribuições, de conceitos semelhantes ao do IPI, devese lembrar que o julgador administrativo, nesta instância, deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que “Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ)”. 41. Quanto ao direito à exclusão das despesas com obrigações por empréstimos e repasses, é de se lembrar que no regime de apuração nãocumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os itens que dão direito a crédito são aqueles selecionados pelo legislador e que estão exaustivamente listados nos artigos que tratam dos créditos nas leis que regem tais contribuições. Como decorrência da expressa enumeração legal, concluise que não é todo e qualquer custo, ainda que necessário à atividade da pessoa jurídica, que gera créditos. Assim, aspectos atinentes à necessidade de determinado custo ou despesa para o desempenho das atividades da pessoa jurídica não constituem parâmetro para avaliar se tais encargos possibilitam ou não o desconto de créditos. 42. A Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, enumerou nos incisos do artigo 3º as hipóteses em que é permitido o desconto de crédito. Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 2003, instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Cofins e também listou exaustivamente as hipóteses em que é permitido o desconto de crédito para esta contribuição, também no artigo 3º. Da leitura destes dispositivos, concluise de que é possível apurar créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre valores Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.863 33 de bens adquiridos para a revenda e de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Observase que emana semelhante definição para insumos utilizados tanto na prestação de serviços, quanto na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 43. Notese que o legislador ordinário ao determinar a possibilidade de apuração de créditos da nãocumulatividade o fez de forma literal, especificando quais os bens e serviços poderiam gerar crédito. Ocorre que as despesas de intermediação financeira e de captação, como as despesas de repasse, não se enquadram na categoria de insumos e não há na legislação tributária hipótese específica de crédito em relação a estas despesas. Portanto, concluise que, por falta de previsão legal, a contribuinte não pode, para os anoscalendário em questão, utilizar possíveis créditos relativos a despesas de repasse. 44. Neste sentido citase, a título complementar, a explanação posta na já citada Nota – Ação Judicial nº 1 – Cosit: “Para melhor compreensão da matéria em análise, é preciso lembrar que, quando o legislador ordinário admitiu a possibilidade de apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos casos de custos e despesas que não se referem propriamente a insumos consumidos ou aplicados na produção de bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ele o fez de forma literal. São as hipóteses que constam dos incisos do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a exemplo dos créditos oriundos de gastos efetuados com: a) combustíveis e lubrificantes; b) energia elétrica e energia térmica, inclusive a vapor consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, c) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pago a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa d) valor das contraprestações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno porte SIMPLES; e) edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresas; f) armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, exceto aos produtos tributados com incidência monofásica/concentrada; e g) valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Logo, como ficou demonstrado, as leis de regência permitem apurar créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o custo de aquisição dos insumos que foram consumidos ou aplicados diretamente na produção de bens e produtos destinados à venda ou nos serviços por elas prestados. Entretanto, as despesas de intermediação financeira e de captação efetuadas pela pessoa jurídica não se enquadram na categoria de “insumos” e o legislador não contemplou hipótese específica de crédito em relação a estas despesas inviabilizando, assim, o respectivo creditamento, ainda que tais gastos sejam necessários ao auferimento das receitas próprias da impetrante. Assim, a impossibilidade de desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de intermediação financeira e de captação, decorre da ausência de previsão legal. (...)” Fl. 1879DF CARF MF 34 Ao analisar o caso e os fundamentos apresentados até aqui, entendo que assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Consoante já tive a oportunidade de me manifestar em oportunidades anteriores, filiome à corrente intermediária construída nas decisões deste Conselho Administrativo Fiscal quanto ao conceito de "insumos" para fins de concessão de crédito do PIS e da COFINS. E, no caso aqui analisado, entendo que as despesas de captação incorridas pela Recorrente devem ser consideradas como insumo dos serviços prestados pela mesma, gerando, portanto, crédito na sistemática nãocumulativa de apuração do PIS e da COFINS, nos moldes do que determina o inciso II, art. 3º, da Lei 10.833/2003 (COFINS) e o inciso III, art. 3º, da Lei 10.637/2002 (PIS), in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; *** Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Esta também foi a conclusão a que chegou este Colegiado nos Acórdãos n. 3202001.285 e 3401003.028, mencionados no tópico anterior e abaixo novamente reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam nem se equiparam pelas atividades exercidas às instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração do regime não cumulativo da contribuição ao PIS e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO. As receitas auferidas pelas agências de fomento decorrentes da realização de seu objeto social não se enquadram no conceito de receita financeira para fins de aplicação dos regimes de apuração do PIS e da Cofins. Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.864 35 AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. As despesas de obrigações por empréstimos e repasses realizados por entidades oficiais às agências de fomento se incluem no conceito de insumo para fins de aplicação do regime não cumulativo do PIS e da Cofins. RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PESSOA JURÍDICA SUBMETIDA AO REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. As receitas de aplicações financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa da Cofins são tributadas à alíquota zero. *** Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social. Fl. 1881DF CARF MF 36 Vejase as razões enunciadas pelos Relatores Charles Mayer de Castro Souza e Eloy Eros da Silva Nogueira em suas decisões, respectivamente: A captação de valores monetários para posterior empréstimo, a juros favorecidos, aos mutuários da Recorrente, na impossibilidade de os empréstimos serem realizados apenas com recursos próprios, a nosso sentir qualificase perfeitamente como insumo utilizado na prestação dos serviços que a Recorrente realiza. Afinal, tais serviços (a obtenção desses recursos) são tomados para tornar possível a prestação dos serviços realizados pela Recorrente (a concessão dos empréstimos a seus mutuários). *** As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto ou serviço vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de determinar que seja recalculado o PIS e COFINS devidos pelo contribuinte, admitindose o crédito relacionado às despesas de captação, visto que se caracterizam como insumo da prestação de serviços da Recorrente. 7. Da necessidade de excluir todas as receitas financeiras da base de cálculo do PIS/Cofins. Do suposto erro de execução do julgado da DRJ. Conforme acima indicado, um dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação foi no sentido de que, ao se submeter ao cálculo da contribuição ao PIS e à COFINS, deverão as receitas oriundas de aplicações financeiras ter a alíquota reduzida a zero, conforme prevê o Decreto nº 5.442/2005, in verbis: Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.865 37 “Art.1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.” Segundo a fiscalização, o inciso II acima determinaria que a redução da alíquota somente seria aplicável às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa, não alcançando, portanto, a impugnante, que é tributada apenas pelo regime nãocumulativo. Sendo assim, no lançamento de ofício, o PIS e a COFINS foi calculado sobre todas as receitas operacionais, sem a exclusão das receitas de aplicações financeiras. Ao analisar a matéria, a DRJ entendeu que assistia razão ao contribuinte, determinando, portanto, a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições, visto que sujeitas à alíquota zero. Transcrevo a seguir os fundamentos da decisão recorrida: 33. Tem razão a impugnante. Tal matéria já foi objeto da Solução de Divergência Cosit nº 16, de 30.05.2008, que assim concluiu: “24. Diante do exposto, solucionase a divergência respondendo à SRRF07 que a aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas, submetidas ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme disposto no Decreto nº5.442, de 2005, alcança a totalidade das receitas financeiras auferidas, independentemente de rateio, ainda que essa pessoa jurídica possua parte de suas receitas tributadas pelo regime cumulativo das contribuições.” 34. A Cosit parte do princípio que as receitas financeiras devem seguir a normativa a que estiver submetida a pessoa jurídica; ou seja, se a pessoa jurídica estiver sujeita à nãocumulatividade, às suas receitas aplicase o regramento deste regime. De forma análoga procedese se a pessoa jurídica estiver sujeita à cumulatividade, defendendo: “... Assim, para o regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os fatores financeiros (receita e despesa) não produzem efeitos tributários, enquanto perdurar a alíquota de 0% (zero por cento) hoje vigente e a ausência de autorização do Poder Executivo para descontar créditos sobre Fl. 1883DF CARF MF 38 despesas financeiras. A intenção do legislador foi essa, e isso está claro no inciso II do parágrafo único do art. 1º do Decreto nº5.442, de 2005. Portanto, seria impertinente qualquer interpretação que tivesse como consequência a tributação de parte das receitas financeiras. Ademais, o Decreto citado, ao acrescentar o inciso II, do parágrafo único, do art. 1º, não inova a base legal ao afirmar que se aplica o disposto no caput às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, até mesmo porque não é o fato de a pessoa jurídica auferir alguma receita cumulativa que implicará no seu “desenquadramento como pessoa jurídica submetida ao regime de apuração nãocumulativa”. Na realidade, o inciso II do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005, dá plena eficácia ao disposto no § 2º do art. 27 da Lei nº 10.865, de 2004. Nesse inciso, percebese a declaração de que, ainda que uma pessoa jurídica não cumulativa venha a perceber algumas receitas cumulativas, esse fato não terá o efeito de tornála pessoa jurídica cumulativa, e como as receitas financeiras não são hipóteses de receitas excluídas da nãocumulatividade, a essas receitas devese aplicar o regime de apuração a que estiver submetida a pessoa jurídica. Logo, como a alíquota zero foi um benefício concedido a pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa, quando auferissem receitas financeiras, não se pode negálo a pessoas jurídicas que não deixaram de ser nãocumulativas. .....” 35. Dessa forma, caberá a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições, uma vez que as mesmas estão sujeitas à alíquota zero. Alega o contribuinte, contudo, que, a DRJ teria se equivocado ao executar o julgado, uma vez que teria excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas decorrentes de aplicações financeiras. Tal assertiva, segundo alega, poderia ser confirmada através do confronto da tabela que acompanha o lançamento de ofício com a contabilidade da empresa (fls. 114/117), tomandose como exemplo a competência de março/2009 (vide fl. 1757 dos autos). Em resumo, aduz que o resultado do exercício da Recorrente em março de 2009 aponta receitas operacionais no montante de R$ 10.304.555,15, dos quais R$ 4.325.547,22 corresponderiam a receitas de aplicações financeiras (conta 7.1.5) e R$ 5.736.902,80 a receitas oriunda da concessão de financiamentos (conta 7.1.1). Acontece que, apesar de o lançamento de ofício ter calculado as contribuições sobre a referida receita bruta, o acórdão da DRJ excluiu apenas as receitas de aplicações financeiras, no importe de R$ 4.325.547,22. Defende, então, que as receitas decorrentes da concessão de financiamentos também deveriam ter sido excluídas, uma vez que o conceito de receitas financeiras no Direito Tributário não se confundiria com o conceito de receitas financeiras adotado na contabilidade e, segundo entende, o conceito legal abrangeria as receitas decorrentes de variação monetária de direitos de crédito. Em sua defesa, traz à colação o teor do art. 9º da Lei 9.718/98, a seguir colacionado: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.866 39 contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Conclui, portanto, que, para fins legais, também seriam financeiras as receitas com juros auferidas pela Recorrente em decorrência dos financiamentos concedidos, por trataremse de receitas de variações monetárias de direito de crédito aplicáveis por disposição contratual. Verifiquei, então, que a DRJ, em sua decisão, não entrou nesta discussão sobre o que entendia como receita financeira ou não, para fins de determinar a exclusão disposta pelo Decreto nº 5.442/2005, que previa a alíquota zero. Embora tenha registrado o Relator que, para o cálculo, partiuse dos valores apurados pela fiscalização nas Tabelas das fls. 1590 e 1591, excluindo os valores correspondentes às receitas financeiras (conforme fls. 110 a 113), não esclareceu porque uma ou outra rubrica estava ou não estava sendo ali considerada como receita financeira. Nesse contexto, a discussão que traz a Recorrente nesta oportunidade não é mais a aplicação da alíquota zero disposta no Decreto nº 5.442/2005 e destinada às suas receitas financeiras, cuja aplicação já foi reconhecida pela DRJ no que tange às suas receitas financeiras, mas sim a extensão do conceito de receitas financeiras para fins de aplicação de dito dispositivo legal. No Acórdão n. 3202001.285 deste Conselho, já mencionado na presente decisão e que também tratou de um caso relativo a uma agência de fomento, entendeu o Relator que a discussão daquela contenda seria a mesma travada nos processos que discutem o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS e da COFINS nos casos de instituições financeiras. Nesse contexto, entendeu que "as receitas recebidas pela Recorrente, em razão da realização de seu objeto social, não se qualificam como receitas financeiras, mas como receitas operacionais, temos que a ela é inaplicável a redução à alíquota zero prevista no art. 1º do Decreto n.º 5.442, de 2005". De outro lado, admitiu a exclusão da base de cálculo das referidas contribuições apenas as receitas oriundas de aplicações financeiras. É o que se extrai da transcrição da passagem do seu voto, a seguir colacionada: A Recorrente sustenta, e com razão, que o Decreto n.º 5.442, de 2005, que determina a aplicação da alíquota zero sobre as receitas auferidas pela pessoa jurídica sujeita ao regime de incidência não cumulativa, estenderseia também às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativo – o chamado regime misto (é o que asseveram as Soluções de Consulta referidas no Recurso Voluntário): Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: Fl. 1885DF CARF MF 40 I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (g.n.). Ocorre que o nó górdio da questão não está no fato da aplicação ou não da alíquota zero às receitas auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime misto, mas se as receitas auferidas pela Recorrente, uma agência de fomento – e, de resto, as receitas auferidas por todas as instituições financeiras –, se enquadram ou não no conceito de receitas financeiras, matéria que, como já é do conhecimento de todos, é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decidido), no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral. De fato, fossem as receitas auferidas pela Recorrente receitas financeiras, decerto que praticamente nada teria a pagar, quer num, quer noutro regime de apuração do PIS/Cofins. No regime cumulativo, porque, como alegam as instituições financeiras, não equivaleria a faturamento, que corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; no regime não cumulativo, que incide sobre a totalidade das receitas recebidas pelas pessoas jurídicas, porque se excluem da base de cálculo as saídas isentas da contribuição ou, como seria o seu caso, as sujeitas à alíquota zero (§ 3º, I, do art. 1º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). Todavia, estamos entre aqueles que entendem que as receitas auferidas pelas instituições financeiras, incluindo aí as agências de fomento, em decorrência da realização de seu objeto social não constituem receitas financeiras. Noutras palavras, ao termo “faturamento”, base de cálculo do PIS/Cofins no regime cumulativo, deve ser atribuída a receita derivada do exercício de atividades empresariais típicas. E no regime não cumulativo, como vimos aplicável à Recorrente? Ora, se entendermos que as receitas das instituições financeiras não se qualificam como receitas financeiras no regime cumulativo, mas como faturamento de sua atividade empresarial, pela mesma razão devemos entender que, no regime não cumulativo, também não o são, daí que inaplicável à Recorrente a exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins por ela pretendida (ao menos sobre a totalidade de sua receita). Seria rematado contrassenso não considerar como receitas financeiras as receitas auferidas pelas instituições financeiras submetidas ao regime cumulativo e assim as considerar, para o só efeito da exclusão pretendida, quando uma instituição a elas equiparada estiver submetida a regime de apuração diverso. Notese que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.867 41 de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a Fl. 1887DF CARF MF 42 abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo Tribunal já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, tem o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – vem se reproduzindo noutros tribunais integrantes do Poder Judiciário: (...) Assim sendo, considerando que, no regime não cumulativo, a base de cálculo abrange a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou de sua classificação contábil, e que as receitas recebidas pela Recorrente, em razão da realização de seu objeto social, não se qualificam como Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.868 43 receitas financeiras, mas como receitas operacionais, temos que a ela é inaplicável a redução à alíquota zero prevista no art. 1º do Decreto n.º 5.442, de 2005 (com a exceção que faremos a seguir). Entretanto, como já referido, os valores obtidos pela Recorrente em aplicações financeiras (p.ex., em títulos e valores mobiliários, em títulos de renda fixa, em fundos de investimento etc.) devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez que são tributados, em conformidade com o Decreto n.º 5.442, de 2005, à alíquota zero. Tais valores, importa ressaltar, não se confundem com as receitas operacionais da Recorrente – aquelas derivadas da intermediação financeira, que constitui o objeto de sua atividade e que são tributos pelo PIS/Cofins. Dada a máxima vênia aos fundamentos constantes da decisão acima transcrita, acredito que não seja esta a correta solução a ser dada à presente contenda. Ora, as ações judiciais que versam sobre a extensão do conceito de faturamento para fins de tributação do PIS e da COFINS das instituições financeiras possuem discussão distinta da travada nos presentes autos. Naquelas ações, discutese se as "receitas financeiras" das instituições financeiras compõem ou não o conceito de "faturamento" para fins de tributação do PIS e da COFINS. Ou seja, discutese o conceito de "faturamento" e não o conceito de "receita financeira". Caso fosse esta a discussão aqui travada, entendo que o entendimento esposado pelo Relator no acórdão acima transcrito estaria correto. Até porque, consoante já me manifestei em outras oportunidades, penso que aquelas receitas decorrentes do desempenho das atividades típicas da pessoa jurídica não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS (no caso das instituições financeiras, portanto, entendo que as suas receitas financeiras devem compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS devidas por tais instituições). Não resta dúvidas, contudo, que não é esta a discussão da presente contenda. O que se discute aqui não é a tributação das receitas financeiras da Recorrente pelo PIS e pela COFINS, mas sim se, ainda que as receitas financeiras sejam tributadas pelo PIS e pela COFINS, a exigência fiscal seria devida, não pela não inclusão na base de cálculo das referidas contribuições (hipótese de incidência tributária), mas sim em razão da alíquota zero disposta no Decreto nº 5.442/2005. Até porque, para que o referido decreto tenha reduzido a zero a alíquota aplicável, temse como pressuposto lógico que aquela determinada receita era, ao menos em princípio, tributável pelo PIS e pela COFINS. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevese o conteúdo da referida norma: “Art.1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Fl. 1889DF CARF MF 44 Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.” Notese que o dispositivo acima transcrito foi expresso ao dispor que ficam reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras. Logo, ainda que as receitas financeiras sejam tributáveis pelo PIS e COFINS no caso das agências de fomento, em especial no que tange às receitas decorrentes da concessão de financiamentos (que foi a conclusão a que chegou o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza na sua decisão), entendo não restar dúvidas que o Decreto nº 5.442/2005 anulou tal tributação, ao reduzir a zero a alíquota aplicável no caso vertente, visto que tais receitas também se enquadram como receitas financeiras nos termos do art. 9º da Lei 9.718/98. Entendo, portanto, que o fato de as receitas financeiras serem consideradas como receitas típicas/operacionais de determinada pessoa jurídica não retira dessas receitas a sua caracterização como "receitas financeiras", pois a natureza de financeira dessas receitas persiste. É cediço que tal redução à alíquota zero não se estendeu às instituições financeiras, as quais estavam sujeitas ao regime da cumulatividade. Acontece que, uma vez negada a equiparação das agências de fomento às instituições financeiras, a manutenção destas no regime nãocumulativo finda, como consequência lógica, por incluíla na previsão disposta no Decreto nº 5.442/2005, que instituiu a alíquota zero. Negar o direito ao usufruto desta alíquota reduzida por parte da agência de fomento seria adotar dois pesos e duas medidas, o que não entendo adequado. Nesse sentido, inclusive, foi a decisão da DRJ ao tratar sobre a matéria, embora tenha restado silente no que tange à análise das receitas da Recorrente que poderiam ser consideradas como "financeiras". Por oportuno, trago à colação o teor do Acórdão n. 3401003.028 (datada de 25 de janeiro de 2016), através do qual este Conselho concluiu que deverá ser aplicada a alíquota zero prevista no Decreto 5.442/2005 inclusive quanto às receitas financeiras decorrentes do seu objeto social: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam pelas atividades exercidas como instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo das contribuições ao Pis e da Cofins. RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO NO CUMPRIMENTO DO SEU OBJETO SOCIAL. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras, sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10980.725450/201307 Acórdão n.º 3301004.191 S3C3T1 Fl. 1.869 45 RECEITAS AUFERIDAS PELAS AGÊNCIAS DE FOMENTO DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS QUE DEVEM SER INCLUÍDAS DA BASE DO PIS E DA COFINS. As receitas auferidas pelas agências de fomento, decorrentes da aplicação financeira dos recursos disponíveis, que não se constituem na própria realização de seu objeto social, se qualificam como receitas financeiras para serem incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, entretanto sendo a elas aplicável a redução de alíquota prevista no art. 1° do Decreto n° 5.442, de 2005. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE REPASSES. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE É devido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base em despesas de repasses efetuados por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos das leis de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social. Logo, quanto à pretensão da Recorrente de ter estendida a exclusão ali determinada às suas receitas decorrentes da concessão de financiamentos, penso que lhe assiste razão. Nesse contexto, voto no sentido de determinar que seja excluída da autuação a tributação relativas a todas as receitas financeiras da Recorrente, tanto aquelas relacionadas às suas aplicações financeiras (conta 7.1.5), quanto aquelas relacionadas à concessão de financiamentos (conta 7.1.1), em razão do disposto no art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. 8. Do Recurso de Ofício Por fim, cumprenos analisar, nesta oportunidade, o recurso de ofício. Conforme acima indicado, um dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação foi no sentido de que, ao se submeter ao cálculo da contribuição ao PIS e à COFINS, deverão as receitas oriundas de aplicações financeiras ter a alíquota reduzida a zero, conforme prevê o Decreto nº 5.442/2005. Ao analisar a matéria, a DRJ entendeu que assistia razão ao contribuinte, determinando, portanto, a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições, visto que sujeitas à alíquota zero, esta entendida como as receitas relacionadas às suas aplicações financeiras. Entendo que não merece acolhida o recurso de ofício neste ponto. Consoante restou devidamente abordado no tópico imediatamente anterior, em razão do disposto no Decreto nº 5.442/2005, é válida a aplicação da alíquota zero para as receitas financeiras, nestas se enquadrando, embora não exclusivamente, as receitas decorrentes das aplicações financeiras. Tal decisão, inclusive, encontrase em consonância com o entendimento desde Conselho nas decisões administrativas já anteriormente referidas (em ambos os acórdãos 3401 003.028 e 3202001.285, houve afastamento da tributação dessa rubrica, em razão da alíquota zero aplicável à hipótese). Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 1891DF CARF MF 46 9. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para fins: (i) de reconhecer como devido o desconto de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS, calculados com base em despesas de repasse efetuadas por entidades oficiais às agências de fomento, por serem, nos termos da lei de regência, insumos para a prestação dos serviços no cumprimento do seu objeto social; (ii) determinar que seja excluída da autuação a integralidade das receitas financeiras da recorrente, tanto aquelas relacionadas às suas aplicações financeiras (conta 7.1.5), quanto aquelas relacionadas à concessão de financiamentos (conta 7.1.1), em razão da aplicação da alíquota zero disposta no art. 1º do Decreto n. 5.442/2005. De outro norte, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 1892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722563/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
1. Relatório
Trata-se de auto de infração para lançamento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, do relatório da ação fiscal, fls.1014 e seguintes, retiram-se os seguintes trechos:
1. Introdução (...)
De acordo com o contrato social, a fiscalizada tem como objeto social o comércio varejista de gêneros alimentícios e utilidades domésticas, além de atividades afins.
Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.00-2012-00779-0, a fiscalização se refere à apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas relativamente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2010. No referido período, a fiscalizada apresentou DIPJ indicando ser tributada pelo regime do Lucro Real.
(...)
2. Irregularidades em Relação aos Créditos 2.1 Créditos sobre aquisição de mercadorias/insumos/industrialização por encomenda 2.1.1 Da legislação (...)
2.1.2 Da apuração efetuada pela Fiscalização (...)
O Termo de Intimação Fiscal nº 08 detalhou, em seus Anexos I a XII (que correspondem aos Anexos I a XII deste Relatório), as compras tributadas reconhecidas pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes de incorreções verificadas pela Fiscalização. Essas incorreções estão detalhadas nos Anexos XIII, XIV, XV e XVII daquele Termo, que correspondem aos Anexos de mesmo número deste Relatório.
O Anexo XIII relaciona diversas mercadorias tributadas à alíquota zero e produtos genéricos sem descrição que permitisse a identificação (NCM 999999) e que estavam integrando a base de cálculo dos créditos indevidamente. Por intermédio do Termo em tela, o contribuinte foi solicitado a apresentar a documentação fiscal relativa a tais produtos sem descrição para permitir a análise da apropriação dos créditos. Em resposta, o contribuinte concordou com a exclusão dessas aquisições da base de cálculo dos créditos.
De outra parte, o Anexo XIV demonstra aquisições de mercadorias que ensejam a apropriação de crédito presumido (carnes bovinas) e que estavam integrando a base de cálculo do crédito básico integral indevidamente. Adicionalmente, o Anexo XV relaciona mercadorias que ensejam a apropriação de créditos integrais, mas que o contribuinte não incluiu na sua apuração. Finalmente, o Anexo XVII apresenta mercadorias que o contribuinte equivocadamente incluiu na base de cálculo do crédito presumido, mas que teria direito ao crédito integral.
No Anexo XVI (do TIF 08 e deste Relatório) está demonstrado a base de cálculo do crédito presumido apurado pelo contribuinte, corrigido pelas reclassificações quantificadas nos Anexos XIV e XVII. Ou seja, foram excluídas as mercadorias que passaram a integrar a base de cálculo do crédito integral (Anexo XVII) e incluídas as mercadorias que estavam indevidamente na base de cálculo do crédito integral (Anexo XIV).
(...)
2.1.3 Da inclusão na Base de Cálculo dos créditos do ICMS ST incidente nas compras (...)
2.1.4 Da quantificação das irregularidades relativas a créditos na compra de insumos/mercadorias (...)
2.1.4.1 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos básicos da não-cumulatividade (...)
Tabela 3: PIS/Cofins Incidente sobre Diferenças nos Créditos sobre Compras/Dev. Vendas (R$)
FISCALIZAÇÃO
DACON
DIFERENÇA
Mês
A=Compras Tributadas (Linha H Anexos I a XII)
B=Mercadorias (Linha 1 Fichas
06A e 16A)
C=Insumos (Linha 2 Fichas
06A e 16A)
D=Dev Vendas
(Linha 12 Fichas 06A e 16A)
E=Total Dacon (E=B+C+D)
F=BC
lançamento (F=E-A)
G=Cofins (G=Fx7,6%)
H=PIS
(H=Fx1,65%)
jan/10
22.860.341,80
22.373.365,68
1.513.584,07
138.580,83
24.025.530,58
1.165.188,78
88.554,35
19.225,61
fev/10
25.917.277,42
24.900.114,02
1.620.111,59
137.270,41
26.657.496,02
740.218,60
56.256,61
12.213,61
mar/10
37.177.638,03
37.428.756,76
1.959.332,11
184.102,67
39.572.191,54
2.394.553,51
181.986,07
39.510,13
abr/10
24.839.954,33
23.656.779,53
2.646.458,61
203.738,42
26.506.976,56
1.667.022,23
126.693,69
27.505,87
mai/10
29.113.164,77
26.829.414,11
3.282.679,31
157.485,64
30.269.579,06
1.156.414,29
87.887,49
19.080,84
jun/10
28.998.635,90
29.020.350,51
2.061.191,12
161.359,07
31.242.900,70
2.244.264,80
170.564,12
37.030,37
jul/10
31.074.359,77
31.251.417,03
2.215.682,42
141.988,53
33.609.087,98
2.534.728,21
192.639,34
41.823,02
ago/10
29.535.136,06
29.113.197,86
1.876.511,50
151.537,04
31.141.246,40
1.606.110,34
122.064,39
26.500,82
set/10
34.713.183,95
33.146.090,67
3.097.106,84
129.757,85
36.372.955,36
1.659.771,41
126.142,63
27.386,23
out/10
33.633.676,49
31.396.285,55
3.124.277,11
141.286,12
34.661.848,78
1.028.172,29
78.141,09
16.964,84
nov/10
32.483.406,36
31.038.103,73
2.621.666,73
242.074,81
33.901.845,27
1.418.438,91
107.801,36
23.404,24
dez/10
36.453.316,91
35.332.845,84
2.436.656,32
555.377,16
38.324.879,32
1.871.562,41
142.238,74
30.880,78
2.1.4.2 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos presumidos
(...)
2.2 Outras Operações com Direito a Crédito
No mês de dezembro de 2010, o contribuinte apropriou-se de créditos sobre dispêndios que montam R$ 8.636.413,45 e foram informados na Linha 13 das Fichas 06-A e 16-A Outras Operações com Direito a Crédito do Dacon.
Tabela 5: (em R$)
Conta
Período
Base de cálculo
1. Conta 3219 - Desinsetização
2006 e 2007
245.306,26
2. Conta 3098/3216 - Manutenção Predial
2006 e 2007
749.382,99
3. Conta 3322 - Serviços de Cooperativas
2006 e 2007
2.318.817,25
4. Conta 3118 - Gás e Querodiesel
2006 a 2010
5.217.307,64
5. Conta 3216 - Manutenção e Reparos de Prédios
dez/10
80.733,12
6. Conta 3217 - Manutenção de Máquinas e Equip.
dez/10
24.869,19
Total
8.636.416,45
Como se verifica, trata-se fundamentalmente de crédito extemporâneo relativo a dispêndios diversos verificados nos anos 2006 e 2007 e, no caso de gás e óleo diesel, até o final do ano de 2010.
Os dispêndios com manutenção predial, contabilizados a débito de conta de resultado, por falta de previsão legal, serão glosados. Nesse particular, cabe lembrar que, em relação aos prédios, somente integram a base de cálculo dos créditos os valores incorporados ao imobilizado, com base na depreciação.
Da mesma forma, os créditos sobre desinsetização, por falta de previsão legal, não serão admitidos na base de cálculo dos créditos. Tais dispêndios não caracterizam insumos utilizados diretamente no processo produtivo, nem estão incluídos em outras hipóteses geradoras de créditos.
Já em relação às aquisições de gás e diesel, o contribuinte discriminou a utilização do gás por centro de custo e os respectivos valores. Parcela significativa é referente ao gás utilizado nas padarias ou na geração de energia elétrica, que ensejam a apropriação do crédito da não cumulatividade.
Todavia parcela dos valores refere-se ao gás utilizado como combustível de empilhadeiras ou nas cozinhas dos refeitórios. Nesse caso, não caracterizam-se como insumos, nem estão enquadrados em qualquer outra hipótese geradora de créditos.
(...)
Tabela 6: (em R$)
Centro de Custo
Valor
Utilização
Filial 03 - Macromix Esteio
595,00
Gás para cozinha
Filial 39 - Indústria
4.322,88
Gás para utilização em empilhadeiras
Filial 40 - Sacola Econômica
78,99
Gás para fogão
Filial 41 - CAD 1
145.270,62
Gás para utilização em empilhadeiras
Atacados
2.064,00
Gás para utilização em empilhadeiras
Atacado CBS
288,00
Gás para utilização em empilhadeiras
Atacado Valore
3.006,85
Gás para utilização em empilhadeiras
Atacado Bandeira Dec Sul
3.360,00
Gás para utilização em empilhadeiras
CAD II
58.565,60
Gás para utilização em empilhadeiras
Trocas Matriz
3.289,70
Gás para utilização em empilhadeiras
Manutenção
15,00
Gás para liquinho
Serviços Corporativos
27.343,60
Gás para cozinha
Total
248.200,24
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.00-2012-00779-0, a fiscalização se refere à apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas relativamente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2010. No referido período, a fiscalizada apresentou DIPJ indicando ser tributada pelo regime do Lucro Real. (...) 2. Irregularidades em Relação aos Créditos 2.1 Créditos sobre aquisição de mercadorias/insumos/industrialização por encomenda 2.1.1 Da legislação (...) 2.1.2 Da apuração efetuada pela Fiscalização (...) O Termo de Intimação Fiscal nº 08 detalhou, em seus Anexos I a XII (que correspondem aos Anexos I a XII deste Relatório), as compras tributadas reconhecidas pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes de incorreções verificadas pela Fiscalização. Essas incorreções estão detalhadas nos Anexos XIII, XIV, XV e XVII daquele Termo, que correspondem aos Anexos de mesmo número deste Relatório. O Anexo XIII relaciona diversas mercadorias tributadas à alíquota zero e produtos genéricos sem descrição que permitisse a identificação (NCM 999999) e que estavam integrando a base de cálculo dos créditos indevidamente. Por intermédio do Termo em tela, o contribuinte foi solicitado a apresentar a documentação fiscal relativa a tais produtos sem descrição para permitir a análise da apropriação dos créditos. Em resposta, o contribuinte concordou com a exclusão dessas aquisições da base de cálculo dos créditos. De outra parte, o Anexo XIV demonstra aquisições de mercadorias que ensejam a apropriação de crédito presumido (carnes bovinas) e que estavam integrando a base de cálculo do crédito básico integral indevidamente. Adicionalmente, o Anexo XV relaciona mercadorias que ensejam a apropriação de créditos integrais, mas que o contribuinte não incluiu na sua apuração. Finalmente, o Anexo XVII apresenta mercadorias que o contribuinte equivocadamente incluiu na base de cálculo do crédito presumido, mas que teria direito ao crédito integral. No Anexo XVI (do TIF 08 e deste Relatório) está demonstrado a base de cálculo do crédito presumido apurado pelo contribuinte, corrigido pelas reclassificações quantificadas nos Anexos XIV e XVII. Ou seja, foram excluídas as mercadorias que passaram a integrar a base de cálculo do crédito integral (Anexo XVII) e incluídas as mercadorias que estavam indevidamente na base de cálculo do crédito integral (Anexo XIV). (...) 2.1.3 Da inclusão na Base de Cálculo dos créditos do ICMS ST incidente nas compras (...) 2.1.4 Da quantificação das irregularidades relativas a créditos na compra de insumos/mercadorias (...) 2.1.4.1 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos básicos da não-cumulatividade (...) Tabela 3: PIS/Cofins Incidente sobre Diferenças nos Créditos sobre Compras/Dev. Vendas (R$) FISCALIZAÇÃO DACON DIFERENÇA Mês A=Compras Tributadas (Linha H Anexos I a XII) B=Mercadorias (Linha 1 Fichas 06A e 16A) C=Insumos (Linha 2 Fichas 06A e 16A) D=Dev Vendas (Linha 12 Fichas 06A e 16A) E=Total Dacon (E=B+C+D) F=BC lançamento (F=E-A) G=Cofins (G=Fx7,6%) H=PIS (H=Fx1,65%) jan/10 22.860.341,80 22.373.365,68 1.513.584,07 138.580,83 24.025.530,58 1.165.188,78 88.554,35 19.225,61 fev/10 25.917.277,42 24.900.114,02 1.620.111,59 137.270,41 26.657.496,02 740.218,60 56.256,61 12.213,61 mar/10 37.177.638,03 37.428.756,76 1.959.332,11 184.102,67 39.572.191,54 2.394.553,51 181.986,07 39.510,13 abr/10 24.839.954,33 23.656.779,53 2.646.458,61 203.738,42 26.506.976,56 1.667.022,23 126.693,69 27.505,87 mai/10 29.113.164,77 26.829.414,11 3.282.679,31 157.485,64 30.269.579,06 1.156.414,29 87.887,49 19.080,84 jun/10 28.998.635,90 29.020.350,51 2.061.191,12 161.359,07 31.242.900,70 2.244.264,80 170.564,12 37.030,37 jul/10 31.074.359,77 31.251.417,03 2.215.682,42 141.988,53 33.609.087,98 2.534.728,21 192.639,34 41.823,02 ago/10 29.535.136,06 29.113.197,86 1.876.511,50 151.537,04 31.141.246,40 1.606.110,34 122.064,39 26.500,82 set/10 34.713.183,95 33.146.090,67 3.097.106,84 129.757,85 36.372.955,36 1.659.771,41 126.142,63 27.386,23 out/10 33.633.676,49 31.396.285,55 3.124.277,11 141.286,12 34.661.848,78 1.028.172,29 78.141,09 16.964,84 nov/10 32.483.406,36 31.038.103,73 2.621.666,73 242.074,81 33.901.845,27 1.418.438,91 107.801,36 23.404,24 dez/10 36.453.316,91 35.332.845,84 2.436.656,32 555.377,16 38.324.879,32 1.871.562,41 142.238,74 30.880,78 2.1.4.2 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos presumidos (...) 2.2 Outras Operações com Direito a Crédito No mês de dezembro de 2010, o contribuinte apropriou-se de créditos sobre dispêndios que montam R$ 8.636.413,45 e foram informados na Linha 13 das Fichas 06-A e 16-A Outras Operações com Direito a Crédito do Dacon. Tabela 5: (em R$) Conta Período Base de cálculo 1. Conta 3219 - Desinsetização 2006 e 2007 245.306,26 2. Conta 3098/3216 - Manutenção Predial 2006 e 2007 749.382,99 3. Conta 3322 - Serviços de Cooperativas 2006 e 2007 2.318.817,25 4. Conta 3118 - Gás e Querodiesel 2006 a 2010 5.217.307,64 5. Conta 3216 - Manutenção e Reparos de Prédios dez/10 80.733,12 6. Conta 3217 - Manutenção de Máquinas e Equip. dez/10 24.869,19 Total 8.636.416,45 Como se verifica, trata-se fundamentalmente de crédito extemporâneo relativo a dispêndios diversos verificados nos anos 2006 e 2007 e, no caso de gás e óleo diesel, até o final do ano de 2010. Os dispêndios com manutenção predial, contabilizados a débito de conta de resultado, por falta de previsão legal, serão glosados. Nesse particular, cabe lembrar que, em relação aos prédios, somente integram a base de cálculo dos créditos os valores incorporados ao imobilizado, com base na depreciação. Da mesma forma, os créditos sobre desinsetização, por falta de previsão legal, não serão admitidos na base de cálculo dos créditos. Tais dispêndios não caracterizam insumos utilizados diretamente no processo produtivo, nem estão incluídos em outras hipóteses geradoras de créditos. Já em relação às aquisições de gás e diesel, o contribuinte discriminou a utilização do gás por centro de custo e os respectivos valores. Parcela significativa é referente ao gás utilizado nas padarias ou na geração de energia elétrica, que ensejam a apropriação do crédito da não cumulatividade. Todavia parcela dos valores refere-se ao gás utilizado como combustível de empilhadeiras ou nas cozinhas dos refeitórios. Nesse caso, não caracterizam-se como insumos, nem estão enquadrados em qualquer outra hipótese geradora de créditos. (...) Tabela 6: (em R$) Centro de Custo Valor Utilização Filial 03 - Macromix Esteio 595,00 Gás para cozinha Filial 39 - Indústria 4.322,88 Gás para utilização em empilhadeiras Filial 40 - Sacola Econômica 78,99 Gás para fogão Filial 41 - CAD 1 145.270,62 Gás para utilização em empilhadeiras Atacados 2.064,00 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado CBS 288,00 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado Valore 3.006,85 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado Bandeira Dec Sul 3.360,00 Gás para utilização em empilhadeiras CAD II 58.565,60 Gás para utilização em empilhadeiras Trocas Matriz 3.289,70 Gás para utilização em empilhadeiras Manutenção 15,00 Gás para liquinho Serviços Corporativos 27.343,60 Gás para cozinha Total 248.200,24
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. 1. Relatório Tratase de auto de infração para lançamento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, do relatório da ação fiscal, fls.1014 e seguintes, retiramse os seguintes trechos: 1. Introdução (...) De acordo com o contrato social, a fiscalizada tem como objeto social o comércio varejista de gêneros alimentícios e utilidades domésticas, além de atividades afins. Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.002012007790, a fiscalização se refere à apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 22 56 3/ 20 13 -4 7 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 3 2 relativamente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2010. No referido período, a fiscalizada apresentou DIPJ indicando ser tributada pelo regime do Lucro Real. (...) 2. Irregularidades em Relação aos Créditos 2.1 Créditos sobre aquisição de mercadorias/insumos/industrialização por encomenda 2.1.1 Da legislação (...) 2.1.2 Da apuração efetuada pela Fiscalização (...) O Termo de Intimação Fiscal nº 08 detalhou, em seus Anexos I a XII (que correspondem aos Anexos I a XII deste Relatório), as compras tributadas reconhecidas pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes de incorreções verificadas pela Fiscalização. Essas incorreções estão detalhadas nos Anexos XIII, XIV, XV e XVII daquele Termo, que correspondem aos Anexos de mesmo número deste Relatório. O Anexo XIII relaciona diversas mercadorias tributadas à alíquota zero e produtos genéricos sem descrição que permitisse a identificação (NCM 999999) e que estavam integrando a base de cálculo dos créditos indevidamente. Por intermédio do Termo em tela, o contribuinte foi solicitado a apresentar a documentação fiscal relativa a tais produtos sem descrição para permitir a análise da apropriação dos créditos. Em resposta, o contribuinte concordou com a exclusão dessas aquisições da base de cálculo dos créditos. De outra parte, o Anexo XIV demonstra aquisições de mercadorias que ensejam a apropriação de crédito presumido (carnes bovinas) e que estavam integrando a base de cálculo do crédito básico integral indevidamente. Adicionalmente, o Anexo XV relaciona mercadorias que ensejam a apropriação de créditos integrais, mas que o contribuinte não incluiu na sua apuração. Finalmente, o Anexo XVII apresenta mercadorias que o contribuinte equivocadamente incluiu na base de cálculo do crédito presumido, mas que teria direito ao crédito integral. No Anexo XVI (do TIF 08 e deste Relatório) está demonstrado a base de cálculo do crédito presumido apurado pelo contribuinte, corrigido pelas reclassificações quantificadas nos Anexos XIV e XVII. Ou seja, foram excluídas as mercadorias que passaram a integrar a base de cálculo do crédito integral (Anexo XVII) e incluídas as mercadorias que estavam indevidamente na base de cálculo do crédito integral (Anexo XIV). (...) 2.1.3 Da inclusão na Base de Cálculo dos créditos do ICMS ST incidente nas compras (...) 2.1.4 Da quantificação das irregularidades relativas a créditos na compra de insumos/mercadorias (...) 2.1.4.1 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos básicos da nãocumulatividade (...) Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 4 3 Tabela 3: PIS/Cofins Incidente sobre Diferenças nos Créditos sobre Compras/Dev. Vendas (R$) FISCALIZAÇÃO DACON DIFERENÇA Mês A=Compras Tributadas (Linha H Anexos I a XII) B=Mercadorias (Linha 1 Fichas 06A e 16A) C=Insumos (Linha 2 Fichas 06A e 16A) D=Dev Vendas (Linha 12 Fichas 06A e 16A) E=Total Dacon (E=B+C+D) F=BC lançamento (F=EA) G=Cofins (G=Fx7,6%) H=PIS (H=Fx1,65%) jan/10 22.860.341,80 22.373.365,68 1.513.584,07 138.580,83 24.025.530,58 1.165.188,78 88.554,35 19.225,61 fev/10 25.917.277,42 24.900.114,02 1.620.111,59 137.270,41 26.657.496,02 740.218,60 56.256,61 12.213,61 mar/10 37.177.638,03 37.428.756,76 1.959.332,11 184.102,67 39.572.191,54 2.394.553,51 181.986,07 39.510,13 abr/10 24.839.954,33 23.656.779,53 2.646.458,61 203.738,42 26.506.976,56 1.667.022,23 126.693,69 27.505,87 mai/10 29.113.164,77 26.829.414,11 3.282.679,31 157.485,64 30.269.579,06 1.156.414,29 87.887,49 19.080,84 jun/10 28.998.635,90 29.020.350,51 2.061.191,12 161.359,07 31.242.900,70 2.244.264,80 170.564,12 37.030,37 jul/10 31.074.359,77 31.251.417,03 2.215.682,42 141.988,53 33.609.087,98 2.534.728,21 192.639,34 41.823,02 ago/10 29.535.136,06 29.113.197,86 1.876.511,50 151.537,04 31.141.246,40 1.606.110,34 122.064,39 26.500,82 set/10 34.713.183,95 33.146.090,67 3.097.106,84 129.757,85 36.372.955,36 1.659.771,41 126.142,63 27.386,23 out/10 33.633.676,49 31.396.285,55 3.124.277,11 141.286,12 34.661.848,78 1.028.172,29 78.141,09 16.964,84 nov/10 32.483.406,36 31.038.103,73 2.621.666,73 242.074,81 33.901.845,27 1.418.438,91 107.801,36 23.404,24 dez/10 36.453.316,91 35.332.845,84 2.436.656,32 555.377,16 38.324.879,32 1.871.562,41 142.238,74 30.880,78 2.1.4.2 Da quantificação das irregularidades relativas aos créditos presumidos (...) 2.2 Outras Operações com Direito a Crédito No mês de dezembro de 2010, o contribuinte apropriouse de créditos sobre dispêndios que montam R$ 8.636.413,45 e foram informados na Linha 13 das Fichas 06A e 16A “Outras Operações com Direito a Crédito” do Dacon. Tabela 5: (em R$) Conta Período Base de cálculo 1. Conta 3219 Desinsetização 2006 e 2007 245.306,26 2. Conta 3098/3216 Manutenção Predial 2006 e 2007 749.382,99 3. Conta 3322 Serviços de Cooperativas 2006 e 2007 2.318.817,25 4. Conta 3118 Gás e Querodiesel 2006 a 2010 5.217.307,64 5. Conta 3216 Manutenção e Reparos de Prédios dez/10 80.733,12 6. Conta 3217 Manutenção de Máquinas e Equip. dez/10 24.869,19 Total 8.636.416,45 Como se verifica, tratase fundamentalmente de crédito extemporâneo relativo a dispêndios diversos verificados nos anos 2006 e 2007 e, no caso de gás e óleo diesel, até o final do ano de 2010. Os dispêndios com manutenção predial, contabilizados a débito de conta de resultado, por falta de previsão legal, serão glosados. Nesse particular, cabe lembrar que, em relação aos prédios, somente Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 5 4 integram a base de cálculo dos créditos os valores incorporados ao imobilizado, com base na depreciação. Da mesma forma, os créditos sobre desinsetização, por falta de previsão legal, não serão admitidos na base de cálculo dos créditos. Tais dispêndios não caracterizam insumos utilizados diretamente no processo produtivo, nem estão incluídos em outras hipóteses geradoras de créditos. Já em relação às aquisições de gás e diesel, o contribuinte discriminou a utilização do gás por centro de custo e os respectivos valores. Parcela significativa é referente ao gás utilizado nas padarias ou na geração de energia elétrica, que ensejam a apropriação do crédito da não cumulatividade. Todavia parcela dos valores referese ao gás utilizado como combustível de empilhadeiras ou nas cozinhas dos refeitórios. Nesse caso, não caracterizamse como insumos, nem estão enquadrados em qualquer outra hipótese geradora de créditos. (...) Tabela 6: (em R$) Centro de Custo Valor Utilização Filial 03 Macromix Esteio 595,00 Gás para cozinha Filial 39 Indústria 4.322,88 Gás para utilização em empilhadeiras Filial 40 Sacola Econômica 78,99 Gás para fogão Filial 41 CAD 1 145.270,6 2 Gás para utilização em empilhadeiras Atacados 2.064,00 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado CBS 288,00 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado Valore 3.006,85 Gás para utilização em empilhadeiras Atacado Bandeira Dec Sul 3.360,00 Gás para utilização em empilhadeiras CAD II 58.565,60 Gás para utilização em empilhadeiras Trocas Matriz 3.289,70 Gás para utilização em empilhadeiras Manutenção 15,00 Gás para liquinho Serviços Corporativos 27.343,60 Gás para cozinha Total 248.200,24 De outra parte, o contribuinte apresentou o demonstrativo da natureza dos serviços prestados por cooperativas. Os referidos dispêndios são basicamente relativos a serviços prestados na carga, descarga e movimentação de mercadorias, serviços de segurança, serviços de limpeza, serviços de entrega, serviços de lavagem dos caminhões da empresa, serviços de manutenção predial e serviços de arquivamento de documentos. Cabe repisar que os dispêndios com serviços são admitidos na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade exclusivamente quando utilizados na prestação de outro serviço ou na produção de algum produto. No caso em tela, nenhum dos serviços prestados por cooperativas enquadrase nessas hipóteses. Assim é indevida a apropriação de crédito sobre o montante de R$ 2.318.817,25 no mês de dezembro de 2010. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 6 5 Finalmente, o contribuinte incluiu no valor informado a título de “Outras Operações com Direito a Crédito” em dezembro de 2010, R$ 24.869,19 relativos à manutenção de equipamentos. Conforme demonstrado na Tabela 13 do Termo de Intimação Fiscal nº 02 tais dispêndios referiamse aos centros de custo 1041, 1108 e 1158. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, o contribuinte identificou os centros de custos. No caso em tela, os dispêndios referemse aos centros de distribuição de mercadorias. Verificase, portanto, que não se trata de manutenção de equipamentos utilizados na unidade industrial do contribuinte que beneficia e embala grãos com marca própria. Assim, por não se enquadrarem em nenhuma hipótese geradora de créditos deve ser glosado o crédito indevidamente apropriado sobre esses dispêndios, conforme demonstramos na Tabela a seguir: (...) 2.3 Locação de Equipamentos Por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi solicitado a esclarecer os valores incluídos na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade, em dezembro de 2010, a título de “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos” (Linha 6 das Fichas 06A e 16A do Dacon). Em sua resposta, o contribuinte esclareceu que o valor era composto por R$ 82.092,50 de aluguéis de equipamentos e R$ 793.063,00 referente a crédito extemporâneo sobre serviços de manutenção de equipamentos de refrigeração relativos aos anos 2006 e 2007, que deveriam ter sido informados na Linha 13 “Outras Operações com Direito a Crédito”. (...) Relativamente a este item, o contribuinte apresentou demonstrativo por filial, em que esclarece que os equipamentos que sofreram manutenção são as câmaras frias e balcões refrigerados utilizados para preservação de produtos perecíveis nas lojas. Novamente, não existe previsão legal para dispêndios com serviços de manutenção de equipamentos auxiliares no processo de comercialização de mercadorias. Conforme já referido, a teor do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, os dispêndios com serviços somente são admitidos quando configuram insumos na produção ou na prestação de outros serviços, o que não é o caso do comércio. Destarte, devem ser glosados os valores relativos serviços de manutenção no montante de R$ 793.063,00 que correspondem a um crédito de Cofins no valor de R$ 60.272,78 (793.063,00 x 7,6%) e de PIS/Pasep no valor de R$ 13.085,54 (793.063,00 x 1,65%). (...) 3. Irregularidades em Relação à Contribuição Devida – Vendas Tributadas Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 7 6 3.1 Da apuração efetuada pela Fiscalização (...) Em relação às vendas de refrescos que foram adquiridos na modalidade de industrialização por encomenda, o contribuinte manifestou seu entendimento que ainda estaria vinculado ao regime especial REFRI fazendo jus às alíquotas de PIS/Pasep e Cofins de 2,5% e 11,9%, respectivamente (art. 58M, inciso II da Lei nº 10.833/03). Todavia, como antes referido, houve o protocolo da desistência via internet, pelo que a Fiscalização aplicará as alíquotas majoradas próprias dos não optantes. 3.2 Da quantificação das irregularidades relativas a vendas de mercadorias 3.2.1 Da quantificação das irregularidades relativas a vendas tributáveis com alíquota diferenciada O contribuinte não informou no Dacon vendas com alíquotas diferenciadas. Assim, as vendas de refrescos de marca própria objeto de industrialização por encomenda referidas nos itens anteriores deste Relatório deverão ser tributadas integralmente. (...) 3.2.2 Da quantificação das irregularidades relativas a vendas tributáveis com alíquota normal A contribuinte apresentou impugnação parcial, pois parcelou parte dos débitos, fls. 1351/1367, onde alegou em síntese que: Em preliminar: 1. Que existe consulta formal relativa à apropriação dos créditos de PIS/COFINS. Afirma que a primeira consulta, autos nº 13054.720069/201131, protocolada em 06/04/2011, tratava da apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre serviços e materiais demanutenção e que a segunda, autos nº 13054.720067/201141, também protocolada em 06/04/2011, tratava da apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre serviços e materiais de manutenção de suas instalações, utilizadas nas atividades operacionais da empresa; Afirma que o auditor ignorou a existência dos processos de consulta e procedeu à atuação em relação aos itens, que são objeto da consulta. Assim, pleiteia pela nulidade do auto no que concerne ao que foi objeto de consulta; No mérito: 1. Alega pelo direito aos créditos de PIS/COFINS sobre o ICMS substituição tributária, cujo valor integra o custo da mercadoria, adquirida pelo contribuinte substituído. Ela afirma que há fundamento legal na própria legislação da não cumulatividade das contribuições ao PIS e COFINS, qual seja, artigo 3º, I e §3º, I e II, da Lei nº 10.637, de 2002, em relação ao PIS, e artigo 3º, I e II, da Lei nº 10.833, de 2003. Fundamenta que, em 17.08.2012, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 4ª Região Fiscal, por intermédio da Solução de Consulta nº 60, de 2012, firmou o entendimento de que o valor do ICMS Substituição Tributária compõe o custo de aquisição da mercadoria adquirida pelo contribuinte substituído. Sendo definitivo e, portanto, irrecuperável nas escriturações fiscal e contábil do contribuinte substituído, em virtude de não proporcionarlhe crédito fiscal, o valor Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 8 7 correspondente ao ICMS Substituição deve compor o custo de aquisição da mercadoria adquirida sob tal regime. 2. Insurgese contra a glosa dos seguintes créditos: serviços de cooperativas, gás e querodiesel, manutenção e reparo de prédios, manutenção de máquinas e equipamentos, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos. Afirma que todos os créditos estão relacionados diretamente com seus custos e despesas operacionais, participando e afetando o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Colaciona precedente do Carf, que entende insumo como os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99. 3. Alega que tem direito à tributação diferenciada na venda de refrescos de marca própria em virtude da vinculação do regime especial REFRI, que a alegação de desistência do regime especial não procede. Junta documentação para atestar e esclarece que exerceu sua opção pelo Regime Especial no dia 24.06.2009. Expressa, in verbis, que: 53. Considerando que sua opção ao REFRI estabeleceu início de vigência apenas no dia 01/07/2009, não alcançando os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009, a impugnante realizou em 29/06/2009 a desistência do regime (DOC. VIII), nos termos do art. 580, §2° da Lei 10.833/2003. 54.Contudo, a referida desistência se deu apenas para que a mesma pudesse realizar a opção ao regime no dia 30/06/2009 com base no art. 580, §8° da Lei 10.833/2003, hipótese que lhe propiciou alcançar os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009. 55 .Pois bem, no dia 30/06/2009, quando a impugnante foi realizar novo pedido de opção pelo regime especial, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil RFB (DOC. IX), não deu prosseguimento ao pedido aduzindo que a mesma já era optante pelo regime especial, ignorando qualquer pedido de desistência. 56." Como se não bastasse, a impugnante, precavendose de qualquer risco, protocolou no dia 30/06/2009 pedido escrito junto a RFB (DOC. X) requerendo que os efeitos de sua opção confirmada na tela acima referida fossem estendidos aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009. A DRJ/Belém considerou a impugnação improcedente, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ICMS. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. CRÉDITOS. O ICMSSubstituição Tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado na Cofins nãocumulativa devida, por não constituir custo Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 9 8 de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. GLOSA DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou na prestação de serviço. Portanto, as despesas relativas à manutenção e conservação de máquinas e equipamentos utilizados nos estabelecimentos comerciais da pessoa jurídica na atividade de comercialização de mercadorias não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o (sic) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ICMS. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. CREDITOS. O ICMSSubstituição Tributária não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado na Cofins nãocumulativa devida, por não constituir custo de aquisição, as uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias GLOSA DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou na prestação de serviço. Portanto, as despesas relativas à manutenção e conservação de máquinas e equipamentos utilizados nos estabelecimentos comerciais da pessoa jurídica na atividade de comercialização de mercadorias não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. SOLUÇÃO DE CONSULTA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. 2. Voto Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 10 9 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de abril de 2014, fls. 1462, e o recurso foi protocolado em 22 de maio de 2014, fls. 1465. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da necessidade de conversão do feito em diligência Em relação ao item 3 do relatório da ação fiscal, a fiscalização considerou que a Recorrente não fez adesão ao Regime Especial de Tributação REFRI, ocorre que a Recorrente afirma que, diferente da fiscalização, não há pedido de desistência em relação ao REFRI. Informa que faz prova com os documentos no anexo VII, que foram juntados, na impugnação administrativa, que fez sua opção ao Regime Especial REFRI em 24 de junho de 2009 e afirma in verbis, fls. 1484: 54. Considerando que sua opção ao REFRI estabeleceu início, de vigência apenas no dia 01/07/2009, não alcançando os fatos geradoresocorridos a partir de 01/01/2009, a recorrente realizou em 29/06/2009 a desistência d o regime (DOC. VIII), em anexo a impugnação administrativa,anteriormente, apresentada, nos termos do art. 580,§2° da Lei 10.833/2003. 55. Contudo, a referida desistência se deu apenas para que a mesma pudesse realizar a opção ao regime no dia 30/06/2009 com base no art. 580,§8° da Lei 10.833/2003, hipótese que lhe propiciou alcançar os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009. 56. Pois bem, no dia 30/06/2009, quando a recorrente foi realizar novo pedido de opção pelo regime especial, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil RFB (DOC. IX), em anexo a impugnação administrativa carreada aos autos, não deu prosseguimento ao pedido aduzindo que a mesma já era optante pelo regime especial, ignorando qualquer pedido de desistência. 57. Como se não bastasse, a recorrente, precavendose de qualquer risco, protocolou no dia 30/06/2009 pedido escrito junto a RFB (DOC. X), em anexo a impugnação administrativa apresentada, requerendo que os efeitos de sua opção confirmada na tela acima referida fossem estendidos aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2009. Diante dos documentos, acostados pela Recorrente, percebese que houve uma desistência e, posteriormente, a tentativa de adesão com os efeitos retroativos. Sendo assim, é necessário saber na unidade do Rio Grande do Sul qual foi a resposta a respeito da petição, protocolada em 30 de junho de 2009. Nesse sentido, convertese o feito em diligência para que os autos retornem à unidade e se manifeste a respeito da respeito da petição de fls. 1425. Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 11 10 Outra necessidade de conversão em diligência é em relação às glosas. Observa se pelo contrato social da Recorrente que seu objeto social é extenso com a realização das seguintes atividades: supermercado; comércio varejista e atacadista, bem como a importação, a exportação e a distribuição de: produtos alimentícios, bebidas, brinquedos, vestuários, calçados, produtos de bazar e papelaria, de higiene e limpeza e correlatos; materiais de construção; equipamentos e acessórios de telecomunicações; produtos da indústria petroquímica; comercialização de combustíveis e lubrificantes; atividades de agropecuária, inclusive a comercialização atacadista e o beneficiamento de produtos da agricultura; a distribuição de medicamentos; o empacotamento; captação de prognósticos da loteria esportiva, loteria de números (loto), megasena, supersena e lotomania; a prestação de serviços de arrecadação, pagamentos, cobranças e correlatos, na condiçãode "correspondente no país", conforme as normas editadas pelo Banco Central do Brasil; abatedouro de animais; oficina mecânica própria e para terceiros; o transporte rodoviário de cargas própria e para terceiros; a participação em outras sociedades localizadas no território nacional ou no exterior; agência de publicidade; cartão de crédito/atividades; lancheria, serviços de alimentação; indústria de transformação de produtos alimentícios, higiene e limpeza; estacionamento de veículos e motos de terceiros Quanto às glosas, realizadas pela fiscalização, não se sabe em que setor exatamente os insumos estavam sendo utilizados, pois a Recorrente possui atividade comercial, como também industrial. Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 11065.722563/201347 Resolução nº 3302000.675 S3C3T2 Fl. 12 11 Nesse sentido, convertese o feito em diligência, a fim de que a unidade especifique melhor a glosa da desinsetização, manutenção predial, serviços prestados por cooperativas (carga e descarga), gás e querodiesel, nos seguintes termos: 1. Identificar a natureza (descrição do serviço ou bem adquirido, sua finalidade, local de aplicação) dos itens glosados, especificando a conta contábil a que se refere; 2. Em relação ao gás e querodiesel em que atividades são utilizados, se na indústria, na panificação; 3. Para a realização do trabalho, a fiscalização poderá solicitar as informações necessárias ao atendimento da diligência; 4. Que a contribuinte seja cientificada dessa decisão e do relatório final do resultado da diligência e possa, em cada caso, apresentar sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 1514DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.903552/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento : Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 749 a 769) apresentada em 25 de fevereiro de 2014 contra despacho decisório (efls. 695 a 699 e revisão de ofício de efls. 740 a 742) de 04 de abril de 2013, cientificado em 25 de fevereiro de 2014, que não homologou declarações de compensação com créditos de IPI do 3º trimestre de 2009, apresentadas a partir de 22 de outubro de 2009. De acordo com o despacho decisório, foi apurado o seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 03 55 2/ 20 13 -6 1 Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 11 2 Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMPe período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 1.715.042,98 Valor do crédito reconhecido: R$ 1.715.042,98 O valor do crédito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 14822.72160.221009.1.1.01 0687. Houve revisão de ofício, conforme anteriormente destacado, em que se decidiu o seguinte: 3. Para apurar o valor do crédito, de acordo com a decisão judicial, deveria ser aplicada alíquota igual àquela utilizada na operação tributada. Porém como são muitas as matérias primas utilizadas, sendo que muitas vezes a mesma é aplicada a diferentes produtos, sujeitos a alíquotas variadas, a fiscalização aceitou a forma proposta pelo contribuinte uma alíquota média do IP I tributado nas saídas. 4. Porém, diferentemente da planilha apresentada pela empresa, a fiscalização excluiu do cálculo da alíquota média, os produtos vendidos que não utilizavam nenhuma matéria prima garantida pela ação judicial e incluiu aquelas tributadas à alíquota zero. Também foram consideradas, além dos CFOP 5101 e 6101 usados pelo contribuinte, os CFOP 5118,6118, 5922, 6922, 6109 c 7101. 5. Assim foi elaborada a Planilha de Cálculo Média Percentual Utilizada nos Créditos da Ação Judicial. A alíquota média mensal encontrada foi aplicada sobre a base de cálculo dos créditos da ação judicial aceitos pela fiscalização. 6. Houve alteração também no valor dos créditos apresentados pelo contribuinte. A fiscalização glosou alguns destes créditos pelos seguintes motivos: divergência de alíquotas; créditos não correspondentes à decisão judicial (como aquisições de empresas do SIMPLES, energia elétrica, etc); e créditos em duplicidade (constantes no livro de entradas e na relação de créditos judiciais). Estas glosas constam da Planilha Total das Glosas de Crédito. 7. Em decorrência dos trabalhos de fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração para exigência das contribuições para o II, formalizado no processo n° 10980.720.355/201317, para o período compreendido entre os meses de janeiro de 2008 e dezembro de 2009, conforme o Termo de Verificação Fiscal, Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 12 3 acompanhado dos seus Anexos, que detalham e fundamentam todos os créditos glosados e os cálculos dos créditos e débitos das contribuições para o IPI. [...] Conclusão 12. Assim, face os fatos apresentados pela fiscalização, que não eram conhecidos do Sistema de Controle de Créditos SCC no momento da emissão do Despacho Decisório ora questionado, e considerando o que prevê o artigo 149 inciso VIII do CTN, PROPONHO que se reveja a decisão proferida pelo Despacho Decisório eletrônico n° 048880723 de fl. 503 a 505, para RECONHECER PARCIALMENTE o direito credilório do contribuinte no valor de R$ 1.638.913,41, oriundo de saldo credor do IPI relativo ao 4o trimestre/2009; HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DCOMP n° 19247.18549.200213.1.7.01 4372; HOMOLOGAR PARCIALMENTE a DCOMP n° 29261.97266.180210.1.3.01 7057; e NÃO HOMOLOGAR a DCOMP 05673.55541.260410.1.7.011321, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, do art. 11 da Lei n° 9.779, de L999 e da IN SRF n° 900/2008 (revogada pela atual IN RFB n° 1.300/2017). Decisão 13. Aprovo o relatório e as considerações que fundamentam a presente Informação Fiscal e, no uso da competência definida pelo artigo 280, inciso XIII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF ne 125, de 4 de março de 2009, e delegada pela Portaria DRF/CTA n2 169, de 25 de setembro de 2001, RESOLVO com base no artigo 149 inciso VIII do CTN, REVER A DECISÃO proferida pelo Despacho Decisório eletrônico n° ,048880710 de fl. 503 a 505 para RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 1.638.913,41, oriundo de saldo credor do IPI relativo ao 4o trimestre/2009; HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DCOMP n° 19247.18549.200213.1.7.014372; HOMOLOGAR PARCIALMENTE a DCOMP n° 29261.97266.180210.1.3.017057; e NÃO HOMOLOGAR a DCOMP n° 05673.55541.260410.1.7.011321, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1.999 e da TN SRF n° 900/2008 (revogada pela atual IN RFB n° 1.300/2012). Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou o seguinte: A compensação acima descrita vem ocorrendo desde o trânsito em julgado da decisão judicial, inclusive devidamente homologadas por esta Secretaria. Ocorre que inesperadamente tudo aquilo que era rotineiramente chancelado, passou a ser objeto do Procedimento Fiscal n° 09.1.01.002011017396 (leia se início em 12/12/2011), mais propriamente as compensações efetuadas nos anos de 2008 e 2009, que acabou por desaguar em autuação, cuja lavratura se deu em 21/01/2013 (leiase encerramento) e a cientificação em 24/01/2013, Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 13 4 PAF sob o n° 10980.720355/201317. Por fim, restou protocolada Impugnação aos Autos de Infração em 22/02/2013, o qual aguarda julgamento. [...]Se não bastasse a esdrúxula autuação acima descrita, agora a Contribuinte novamente se vê ameaçada por nova e absurda manobra, vejamos: a) Conforme acima exposto a Contribuinte foi autuada em 21/01/2013, por suposta compensação irregular no entendimento da fiscalização (leiase da Sra. Auditora), mesmo estando autorizada por decisão judicial transitada em julgado, que acabou ensejando os autos de infração recebido em 24/01/2013, ora pendente de recurso administrativo interposto em 22/02/2013; b) Em 16/01/2013, (leiase posteriormente o final de fiscalização) foi emitido Despacho Decisório do delegado da Receita Federal de Curitiba, referente aos 3º e 4o Trimestres do ano de 2009, onde restou reconhecido (leiase homologado expressamente) integralmente o crédito de IPI utilizado neste período; c) Assombrosamente em 27/01/2014, a RECORRENTE foi surpreendida por uma Revisão de Ofício, glosando parte da compensação homologada, utilizando se para atingir seu intento, distorções do objeto de decisão transitada em julgado (leiase em interpretação própria da auditoria ofendendo a coisa julgada), afirmando ainda que a RECORRENTE utilizou de créditos de produtos vendidos que não utilizavam nenhuma matéria prima garantida pela decisão judicial, isso de forma genérica sem apontar quais seriam ditos produtos, bem como quais créditos não correspondem aos autorizados pela decisão judicial, ou seja, fundamentase em argumentos (leiase unilateral e genéricos) que ofendem a coisa julgada, e ainda, que pendem de decisão administrativa, portanto que gozam de efeito suspensivo até sua decisão final, não podendo neste momento serem utilizados para glosa da presente compensação, bem como outros argumentos inverídicos ora utilizados no relatório no afã de fundamentar o estranho ato. d) Falta com a verdade, distorce a realidade dos fatos, quando dito relatório em seu campo de n° 11, afirma que “o SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações emitiu Despacho Decisório Deferindo os Pedidos e Homologando as Compensações com base nas informações da Empresa, alteradas depois pela Fiscalização, fez necessária uma Revisão de Ofício dos processos analisados eletronicamente’’. Ora, conforme exposto, existe uma linha do tempo onde se demonstra que restou homologada a compensação depois da fiscalização, então como pode ser afirmado que foi antes da fiscalização e apenas baseado na documentação fornecida pela Contribuinte. Acrescentou ter ocorrido “bis in idem”, pela autuação e não homologação das compensações: Continuando nosso raciocínio, se a fiscalização optou pela autuação, a qual engloba o principal (leiase imposto compensado), e seus acessórios (leiase juros, multa e encargos), não poderia agora impor nova sanção, qual seja, a glosa da compensação do principal, o que deixa o pagamento do imposto em Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 14 5 aberto gerando novo débito do mesmo fato gerador configurando assim o bis in idem, que se configura no direito tributário quando o mesmo ente tributante cobra um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez, pois se a Secretaria de Receita Federal quisesse apenas glosar a compensação ora realizada, esta deveria informar a Contribuinte do ocorrido para regularização no prazo de 30 dias nos moldes da legislação vigente, contudo optou por autuála, porém agora também em glosar a compensação, desaguando na perda de objeto da presente autuação, ou seja, tornandoa ineficaz. Ainda se referiu ao princípio da eficiência administrativa, mencionando doutrina e ementas de decisões administrativas e judiciais, afirmou que a ação judicial impetrado transitou em julgado, que a Fiscalização não poderia alterar os seus termos e que a certidão explicativa juntada aos autos demonstrálosia. Analisou o pedido de homologação prévia apresentado e o teor do despacho decisório anterior, contestando a alíquota de apuração dos créditos, as glosas de créditos decorrentes de aquisições de optantes do Simples e sua suposta apuração por amostragem, as aquisições de energia elétrica, de material intermediário e embalagens e de material de uso e consumo, concordando apenas com a glosa de créditos aproveitados em duplicidade. Por fim, afirmou não ter fundamento a revisão do despacho decisório. O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão, cuja ementa transcrevese: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 IPI. LIMITAÇÃO AO DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade julgadora administrativa, à vista de expressa disposição de lei, afastar dispositivo de lei ou decreto que limite o direito de crédito de IPI, em razão de alegada violação de princípios constitucionais. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. EFEITOS. Os efeitos da habilitação prévia restringemse à permissão para apresentar pedido de restituição ou ressarcimento e declaração de Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 15 6 compensação, a partir da análise dos elementos formais da existência do crédito, não abrangendo o reconhecimento de sua liquidez e certeza. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DIFERENÇA DE IMPOSTO. ERRO DO CONTRIBUINTE. MULTA E BOAFÉ. É devida a aplicação de multa de ofício sobre a diferença de imposto decorrente do uso de créditos em duplicidade, pois a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou as declarações de compensação com créditos de IPI do 3º trimestre de 2009. Os créditos registrados pela Recorrente em sua escrituração foram glosados, implicando na não homologação de declarações de compensação com créditos de IPI oriundos reconhecimento do direito ao crédito nas aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança n° 98.00232931, transitado em julgado. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 16 7 No termo de Verificação fiscal, observase que em decorrência dos trabalhos de fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração para exigência do IPI, formalizado no processo n° 10980.720.355/201317. O processo n° 10980.720.355/201317, então, referese ao auto de infração de IPI não recolhido, acrescido de juros de mora e de multa, decorrente de glosas de créditos registrados no presente processo. Ademais, a Recorrente alega que haveria um bis in idem entre a cobrança do presente auto de infração e a exigência nos referidos processos administrativos de compensação, conforme consta nas alegações do recurso voluntário: Continuando nosso raciocínio, se a fiscalização optou pela autuação, a qual engloba o principal (leiase imposto compensado), e seus acessórios (leiase juros, multa e encargos), não poderia agora impor nova sanção, qual seja, a glosa da compensação do principal, o que deixa o pagamento do imposto em aberto gerando novo débito do mesmo fato gerador configurando assim o bis in idem, que se configura no direito tributário quando o mesmo ente tributante cobra um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez, pois se a Secretaria de Receita Federal quisesse apenas glosar a compensação ora realizada, esta deveria informar a Contribuinte do ocorrido para regularização no prazo de 30 dias nos moldes da legislação vigente, contudo optou por autuála, porém agora também em glosar a compensação, desaguando na perda de objeto da presente autuação, ou seja, tornandoa ineficaz. O vigente Regimento Interno do CARF , Portaria MF 343/2015, determina que : Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; [...]§ 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo ao processo principal. Conforme exposto, devese entender que o processo principal que deu origem ao auto de infração é o presente pedido de ressarcimento, pois do despacho decisório denegatório, surgiram os autos de infração. Ademais, indubitavelmente, tratamse de processos conexos, fundados no mesmo contexto fático. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10980.903552/201361 Resolução nº 3201000.287 S3C2T1 Fl. 17 8 Sobre a vinculação entre os processos a DRJ também se manifestou: A manifestação de inconformidade constante do presente processo é apreciada conjuntamente com a impugnação de lançamento do processo n° 10980.720355/201317. Diante do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência, para que a este processo seja vinculado o processo n. 10980.720.355/201317, devendo este, portanto, vir para julgamento em conjunto nesta 1 TO, 3 Câmara, distribuído para esta relatora. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900726/2013-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 72 6/ 20 13 -1 0 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10850.900726/201310 Resolução nº 3001000.047 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000199/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1995 a 31/10/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1995 a 31/10/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T10:46:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T10:46:09Z; Last-Modified: 2018-03-28T10:46:09Z; dcterms:modified: 2018-03-28T10:46:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:316ddd6b-9406-484c-a44d-563225c65dc9; Last-Save-Date: 2018-03-28T10:46:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T10:46:09Z; meta:save-date: 2018-03-28T10:46:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T10:46:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T10:46:09Z; created: 2018-03-28T10:46:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-03-28T10:46:09Z; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-28T10:46:09Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000199/200735 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2201004.044 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente NET RIO S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1995 a 31/10/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 99 /2 00 7- 35 Fl. 372DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11330.000199/200735 Acórdão n.º 2201004.044 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 374DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11330.000199/200735 Acórdão n.º 2201004.044 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 376DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.009564/2005-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente IMPACTO PRODUTOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 95 64 /2 00 5- 86 Fl. 31DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efl. 30) interposto contra o Acórdão n° 16 25.073, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 17 e 20), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Em síntese, sustenta que apresentou espontaneamente as DCTF's, de modo que farseia necessário aplicar o instituto previsto no art. 138 do CTN; ademais, advogou pela inexistência de prejuízo ao erário, verbis: Como consta da decisão foi mantida a multa, por ter entregue as DCTF com atraso, o que é uma aberração, pois o Código Tributário Nacional art. 138, diz que a denuncia espontânea da infração, cujos impostos foram recolhidos em seus prazos, não sofrerão autuação, e foi o que aconteceu, o contribuinte entregou as declarações espontaneamente, sendo que os referidos impostos que constam da DCTF, foram recolhidos em seus prazos legais, portanto a Receita Federal do Brasil, não teve qualquer prejuízo com os mesmos, e é por estes motivos que requer que a referida Intimação de n° 1784/2010 de 23/04/2010, sejam anulados e arquivados para que se faça inteira, justiça. Voto Fl. 32DF CARF MF Processo nº 19679.009564/200586 Acórdão n.º 1002000.042 S1C0T2 Fl. 3 3 Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue as declarações antes de qualquer procedimento fiscal. Tais aspectos foram fundamentadamente no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. • De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto pa a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.l38 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Fl. 33DF CARF MF 4 No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901866/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 66 /2 01 2- 23 Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.018, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10680.901866/201223 Acórdão n.º 3201003.322 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1910DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.000978/2007-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada que a decisão recorrida fundamentou a declaração de nulidade por vício material na não comprovação do vínculo empregatício por parte dos segurados carreteiros, todos os levantamentos que não se relacionam a esse fato não podem ser abrangidos pela declaração de nulidade.
Impõe-se a atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração para alterar a decisão recorrida em relação ao resultado do julgamento, o qual deve ser o de provimento parcial do recurso voluntário.
Numero da decisão: 2201-004.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos, para, atribuindo-lhe efeitos infringentes, sanar a decisão representada pelo Acórdão 2403-001.241, para dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada que a decisão recorrida fundamentou a declaração de nulidade por vício material na não comprovação do vínculo empregatício por parte dos segurados carreteiros, todos os levantamentos que não se relacionam a esse fato não podem ser abrangidos pela declaração de nulidade. Impõe-se a atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração para alterar a decisão recorrida em relação ao resultado do julgamento, o qual deve ser o de provimento parcial do recurso voluntário.
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EFEITOS INFRINGENTES. Constatada que a decisão recorrida fundamentou a declaração de nulidade por vício material na não comprovação do vínculo empregatício por parte dos segurados carreteiros, todos os levantamentos que não se relacionam a esse fato não podem ser abrangidos pela declaração de nulidade. Impõese a atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração para alterar a decisão recorrida em relação ao resultado do julgamento, o qual deve ser o de provimento parcial do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos, para, atribuindolhe efeitos infringentes, sanar a decisão representada pelo Acórdão 2403001.241, para dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 09 78 /2 00 7- 13 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 18108.000978/200713 Acórdão n.º 2201004.300 S2C2T1 Fl. 497 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos em face do acórdão no. 2403 001.241, que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da seguinte ementa: VICIO MATERIAL. NULIDADE. A falta de comprovação da situação fática constitui vício material e gera nulidade. O acórdão acima anulou o lançamento realizado sob a alegativa da existência de vício material, tendo em vista que o fisco não se desincumbiu de comprovar cabalmente que os carreteiros autônomos eram, na verdade, empregados, conforme alegado no relatório integrante da NFLD: Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD supra, e referese a contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas em épocas próprias, relativas à parte da empresa, segurados, "contribuição para financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho"(até 06/97) e "financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho"(a partir de 07/97) SAT e Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações de trabalhadores considerados indevidamente como autônomos (carreteiros) pela empresa, em decorrência dos elementos verificados pela fiscalização, constando SEREM SEGURADOS EMPREGADOS, em o observância à legislação previdenciária O acórdão recorrido concluiu que, na verdade, os carreteiros eram autônomos pela falta pessoalidade da relação entre a contribuinte e seus prestadores de serviço. Contra a referida decisão foram opostos os presentes embargos de declaração, cujas razões foram assim sintetizadas no relatório do despacho que os admitiu: A decisão do julgamento foi por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, anulando o lançamento por vício material, sob o entendimento de que fisco não teria demonstrado o vínculo empregatício da contribuinte com os carreteiros. Aponta a Procuradoria que, ante a leitura da NFLD, constata- se que o lançamento se fundamenta em outros levantamentos, além do salário de contribuição dos carreteiros e o acórdão revela obscuridade, pois anula o lançamento por vício na caracterização do vinculo empregatício com os carreteiros, sem fazer nenhuma ressalva quanto aos outros levantamentos que compõem a NLFD. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 18108.000978/200713 Acórdão n.º 2201004.300 S2C2T1 Fl. 498 3 A Resolução nº 2403000.135 converteu o julgamento dos embargos em diligência com o objetivo de saber se não houve a duplicidade na tributação da remuneração dos carreteiros autônomos. A Informação Fiscal de fls. 486/488 assevera que os valores considerados como glosa de compensação originaramse da caracterização dos segurados autônomos como empregados. Que o levantamento SCI Salário Contribuição Carreteiros também deriva da consideração dos autônomos como empregados. Com relação ao levantamento SCG Salário Contribuição GFIP, que se referem a somatória de vários valores, dentre eles a caracterização do segurado autônomo como empregado. Por fim, a autoridade fiscal reconhece que há duplicidade na tributação da remuneração dos carreteiros autônomos nos levantamentos GLO e SCI. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator No que pertine aos levantamentos GLO e SCI, a diligência fiscal concluiu que os referidos lançamentos se deram em função da caracterização como empregados de segurados autônomos. O acórdão no. 2403001.241 anulou por vício material todos os lançamentos derivados da consideração como empregados dos segurados autônomos. Portanto, imperiosa é a nulidade material dos referidos lançamentos, uma vez que a situação fática que os embasou não existiu. Em relação ao levantamento SCG Salário de Contribuição GFIP, assiste razão à embargante. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores oriundos da consideração do vínculo empregatício dos segurados autônomos. Restou claro que a decisão recorrida anulou o lançamento por vício material todos os levantamentos que se originaram do não comprovado vínculo empregatício dos carreteiros. Contudo, a parte do lançamento que não se relaciona com os referidos contribuintes individuias não pode ser atingida pela nulidade material declarada. Assiste razão à embargante, quando afirma que o presente crédito tributário se fundamenta em outros levantamentos, além do salário de contribuição dos carreteiros e o acórdão revela obscuridade, pois anula o lançamento por vício na caracterização do vínculo empregatício com os carreteiros, sem fazer nenhuma ressalva quanto aos outros levantamentos que compõem a NLFD. Nessa toada, devem ser exluídos da abrangência da nulidade material declarada os levantamentos que não se relacionam à questão da não comprovação do vínculo empregatício dos carreteiros, devendo o lançamento ser mantido em relação aos levantamentos remanescentes, porquanto, a contribuinte não trouxe elementos de prova que tenham o condão de alterar esse aspecto do lançamento. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 18108.000978/200713 Acórdão n.º 2201004.300 S2C2T1 Fl. 499 4 Conclusão Diante do exposto, voto pelo conhecimento e acolhimento dos Embargos de Declaração, atribuindolhe efeitos infringentes, para manter o lançamento em relação aos levantamentos remanescentes não abrangidos pela declaração de nulidade material, sanando a decisão para dar provimento parcial ao recurso voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 499DF CARF MF
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