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Numero do processo: 13807.012178/00-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO DA EXPLORAÇÃO ANO CALENDÁRIO 1995 - CÁLCULO DO ADICIONAL DO IRPJ - REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA - INAPLICABILIDADE DO MAJUR.
O MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado legislação tributária do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar a forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei.
Numero da decisão: 9101-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado). Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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O MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado “legislação tributária” do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar a forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 21 78 /0 0- 51 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado). Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 838/845) interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67 da Portaria MF n° 256/09. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 10323.655 proferido pelos membros da Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “LUCRO DA EXPLORAÇÃO — ERRO NO CALCULO Erro no cálculo do adicional do IRPJ. Cálculo equivocado do contribuinte aplicando o percentual da atividade incentivada à parcela do lucro da exploração” Em suas razões recursais sustentou que o entendimento proferido no acórdão recorrido foi equivocado, pois a adoção da sistemática prevista pelo MAJUR/1996 para o cálculo da isenção relativa ao IRPJ incidente sobre o lucro de exploração da Recorrente, levou à majoração do valor do IRPJ devido no anocalendário de 1995. Assim, tendo em vista que o cálculo previsto pelo MAJUR levou à redução do valor da isenção, quando comparado ao montante apurado de acordo com o critério previsto, à época, pelo § 4° do artigo 558 do RIR/1994, pugnou pela reforma do acórdão proferido, sob o principal fundamento de que houve indiretamente a majoração do IRPJ devido no período. Nesse sentido trouxe como paradigma o acórdão CSRF/0105279 “BENEFÍCIOS FISCAIS — SUDENE LUCRO DA EXPLORAÇÃO MAIOR QUE O LUCRO REAL —CÁLCULO DO BENEFÍCIO NO ADICIONAL — ANO BASE 1995. Para cálculo do benefício sobre o adicional no lucro da exploração sobre as diversas atividades com isenção ou redução, adotase a mesma sistemática de cálculo do imposto e adicional sobre o lucro real, ainda que o lucro da exploração seja superior ao lucro real. As regras restritivas constantes do MAJUR 1996 não encontram respaldo na legislação de regência do benefício.” Em sede de exame de admissibilidade (fls. 8912/894) foi dado seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls.898/900, por meio da qual sustentou que não merece reforma o acórdão recorrido, pois correta a observância das Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 484 3 instruções provenientes da Receita Federal por meio do MAJUR, as quais se destinam a dar orientação ao correto preenchimento da declaração pelo contribuinte e, portanto, devem ser seguidas, pois conforme preceitua o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" inclui também as normas complementares que versam sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e, por constituírem o plexo jurídico do sistema tributário, devem ser igualmente obedecidas nos julgamentos das instâncias administrativas. Por fim, concluiu que foi acertado o acórdão recorrido, o qual não merece reforma É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre destacar que o cerne da questão é a verificação da forma para o cálculo do benefício da isenção do adicional do IRPJ sobre as atividades relacionadas à SUDENE. No acórdão recorrido foi consignado que o cálculo do contribuinte referente ao adicional sobre o lucro foi equivocado, pois este simplesmente multiplicou o percentual da atividade incentivada pelo valor do lucro da exploração, ao invés de calcular corretamente o adicional de imposto de renda. Portanto, cumpre verificar qual é o valor correto da isenção do adicional de imposto de renda calculado de acordo com a legislação vigente. O cálculo a ser feito, considerando o disposto no Regulamento do Imposto de Renda, deve se dar da forma a seguir descrita. Quando ocorre a isenção e redução do imposto de renda sobre o lucro real decorrente de incentivos fiscais relacionados à SUDENE, o § 4º do artigo 558 do RIR/94 (atualmente § 4º do artigo 547 do RIR/99) somente determina como se calcula a BASE DE CÁLCULO do lucro isento, conforme pode ser visto abaixo: “RIR/99 ART. 558 § 4 º O lucro isento será determinado mediante a aplicação, sobre o lucro da exploração (art. 544) do empreendimento, de percentagem igual à relação, no mesmo período de apuração, entre a receita líquida de vendas da produção criada pelo projeto e o total da receita líquida de vendas do empreendimento (Decreto Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 Lei n º 1.564, de 1977, art. 1 º , § 4 º , DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 19, § 1 º , alínea "a ", e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º , inciso I).” Desta maneira, utilizandose as informações do processo temos o seguinte cálculo: LINHA/DISCRIMINAÇÃO R$ PROPORÇÃO 01 ‐ Atividade Isenta 110.707.865,97 17,87% 03 ‐ Atividade com Redução de 50% 11.027.687,23 1,78% 07 ‐ Demais Atividades 497.855.472,02 80,35% 08 ‐ Total da Receita Líquida 619.591.025,22 100,00% FICHA 21 ‐ RECEITA LÍQUIDA POR ATIVIDADE Para facilitar o entendimento, utilizaremos apenas o cálculo para as atividades ISENTAS, cuja proporção entre a Receita da atividade incentivada e a Receita Total Líquida foi de 17,87%. De acordo com o previsto no RIR, para calcular a parcela do lucro isento devese multiplicar o lucro da exploração que foi de R$ 67.914.162,56 pelo percentual de 17,87%, o que totaliza um lucro isento de R$ 12.136.260,85. O valor do IMPOSTO DE RENDA sobre o lucro isento é o resultado da multiplicação do Lucro Isento (R$ 12.136.260,85) pela alíquota de IR da época (25%) que totaliza R$ 3.034.065,21, este resultado é o mesmo se analisarmos os cálculos apresentados pela empresa e pela fiscalização, o que significa que ambos utilizaram o mesmo critério. O próprio Manual de preenchimento da declaração de imposto de renda (MAJUR) determina que para o cálculo do IRPJ devese multiplicar o LUCRO DA EXPLORAÇÃO pela alíquota de 25%: “MAJUR/2000 Linhas 11/02, 11/07, 11/12, 11/17, 11/22 e 11/27 – Imposto Estas linhas serão preenchidas automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicarão os valores resultantes da multiplicação da alíquota do imposto pelo lucro da exploração correspondente, informado respectivamente nas Linhas 11/01, 11/06, 11/11, 11/16, 11/21 e 11/26.” Portanto, até aqui inexiste divergência. A questão a ser dirimida referese ao cálculo do adicional do IRPJ sobre o lucro isento, já que neste ponto a fiscalização apurou valor menor do que o apurado pelo contribuinte. Passo, então, à análise da regra aplicável. Para o cálculo do adicional, seguindo a mesma linha de raciocínio do cálculo do IRPJ, tese esta defendida pelo Recorrente, devese aplicar a alíquota do adicional, que nesta época era escalonada, sobre o mesmo lucro isento, conforme tabela abaixo: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 485 5 ALÍQUOTA LUCRO DA EXPLORAÇÃO ADICIONAL Parcela do Lucro abaixo de R$ 180.000,00 0% 180.000,00 ‐ Parcela do Lucro entre R$ 180.000,00 e R$ 780.000,00 12% 600.000,00 72.000,00 Parcela do Lucro acima de R$ 780.000,00 18,00% 11.356.260,85 2.044.126,95 TOTAL 12.136.260,85 2.116.126,95 CÁLCULO DO ADICIONAL SOBRE O LUCRO ISENTO ALÍQUOTA LUCRO DA EXPLORAÇÃO ADICIONAL Parcela do Lucro abaixo de R$ 180.000,00 0% 180.000,00 ‐ Parcela do Lucro entre R$ 180.000,00 e R$ 780.000,00 12% 600.000,00 72.000,00 Parcela do Lucro acima de R$ 780.000,00 18,00% 428.872,09 77.196,98 TOTAL 1.208.872,09 149.196,98 50% DE REDUÇÃO 50,00% VALOR A SER REDUZIDO 74.598,49 CÁLCULO DO ADICIONAL SOBRE O LUCRO ISENTO ‐ ATIVIDADES COM REDUÇÃO DE 50% De acordo com a fórmula de cálculo do ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA prevista na legislação da época, o valor referente à parcela isenta é de R$ 2.116.126,95 para as parcelas 100% incentivadas e de R$ 74.598,49 para as parcelas com 50% de redução. Por outro lado, considerando o disposto no Manual de Preenchimento do Imposto de Renda (MAJUR), conforme pretende a fiscalização, o cálculo do adicional seguiria as regras abaixo: O MAJUR, apresenta uma forma diversa para cálculo do adicional nos casos de lucros isentos e determina que quando o Lucro Real for menor do que o Lucro da Exploração, o que ocorre neste processo, a proporção verificada entre a Receita da atividade incentivada e a Receita Total Líquida, que foi de 17,87% segundo já demonstrada anteriormente, deve ser aplicada sobre o valor do adicional total da pessoa jurídica, considerando as atividades normais e as incentivadas, que no período totalizou R$ 9.311.430,53 conforme pode ser visto à página 458 o que totaliza R$ 1.663.952,64 sendo este o valor utilizado pela fiscalização. CÁLCULO DO IRPJ ‐ LUCRO REAL: TOTAL % ATIVIDADE ISENTA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ (Folha 457 ou 16) 52.110.169,64 17,87% 9.312.087,31 IRPJ ‐ ALÍQUOTA DE 25% (Folha 458 ou 17) 13.027.542,41 17,87% 2.328.021,83 ADICIONAL (Folha 458 ou 17) 9.311.430,54 17,87% 1.663.952,64 Desta forma, fica caracterizado que, de acordo com o MAJUR, o ADICIONAL APURADO NO PERÍODO DEVE SER RATEADO proporcionalmente entre as receitas das atividades normais e as incentivadas, sendo que esta forma de cálculo não está prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Segue cópia do exemplo apresentado pelo MAJUR: “MAJUR Linhas 11/03, 11/08, 11/13, 11/18, 11/23 e 11/28 – Adicional Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 6 Estas linhas somente serão preenchidas se a pessoa jurídica apurar lucro real sujeito à incidência do adicional de que trata a Linha 13/03, observando o disposto nos subitens 7.1.4.1.2 e 7.1.5.2.II deste manual. Se o lucro real for menor que o lucro da exploração, o rateio do adicional será efetuado com base na proporção da receita líquida de cada atividade em relação à receita líquida total, indicada nas Linhas 09/01 a 09/09 da Ficha 09 – “Demonstração do Lucro da Exploração”. Exemplo: A pessoa jurídica, na apuração anual do imposto, obteve os seguintes resultados em 31 de dezembro: a) Lucro Real menor que o Lucro da Exploração: Receita Líquida: Linha 09/01 da Atividade Isenta R$1.800.000,00 Linha 09/04 da Atividade com redução de 50% R$ 900.000,00 Linha 09/09 – das Demais Atividades R$3.300.000,00 Linha 09/10 Total da Receita Líquida R$6.000.000,00 Linha 13/03: Adicional no período de apuração R$ 201.600,00 Adicional da Linha 11/03 (Atividade Isenta): Atividade Isenta = R$1.800.000,00 xR$201.600,00 = R$60.480,00 R$6.000.000,00 Adicional da Linha 11/18 (Atividade com Redução de 50%): Atividade c/red. 50% = R$900.000,00 x R$201.600,00 = R$30.240,00 R$6.000.000,00 Assim, diante do exposto, entendo que, de fato, não devem ser aplicadas as regras do MAJUR, pois a forma de apuração do adicional nele prevista é diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, cujas regras, aplicadas ao caso dos autos, restringem o direito do contribuinte previsto em Lei. A previsão pelo MAJUR de uma restrição ao direito do contribuinte previsto em lei, mostrase incompatível com o princípio da estrita legalidade e desrespeita a hierarquia das normas. Neste ponto, é necessário a transcrição de alguns artigos do Código Tributário Nacional – Lei n º 5.172, de 1966 (que tem “status” de Lei Complementar), na parte que trata da legislação tributária: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 486 7 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Ora, se o MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado “legislação tributária” do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei. Por sua vez, o contribuinte utilizou outra forma de cálculo que não está prevista no Regulamento do Imposto de Renda, nem no MAJUR, qual seja, utilizou a proporção entre as receitas incentivas e as totais que foi de 17,87%, conforme cálculo já apresentado, e multiplicou pelo valor do lucro da exploração, como se os 17,87% pudessem ser a alíquota de adicional de imposto de renda. CÁLCULO DO CONTRIBUINTE DESCRIÇÃO R$ Alíquota efetiva LUCRO DA EXPLORAÇÃO 12.136.260,85 25,00% IRPJ (25%) 3.034.065,21 17,87% ADICIONAL 2.168.596,79 IRPJ TOTAL 5.202.662,00 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 8 Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para reconhecer o valor da isenção do ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA até o limite calculado nos termos da legislação e do regulamento de imposto de renda em vigor, cujos montantes foram de R$ 2.116.126,95 nas atividades isentas e R$ 74.598,49 nas atividades beneficiadas com redução de 50%. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
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Numero do processo: 13502.001270/2003-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Maria Teresa Martinez López - Relatora.
EDITADO EM: 16/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Maria Teresa Martinez López Relatora. EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS. Trata o presente processo de auto de infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado com base em supostas divergências constatas entre os valores declarados em DCTF ou pagos/depositados/compensados e os respectivos valores escriturados nos Livros Razão, Diário e respectivos balancetes mensais dos anos base de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, do qual foi o contribuinte cientificado em 28/11/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 27 0/ 20 03 -8 0 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 9 2 A referida exação foi impugnada, subindo os presentes autos a DRJ/Salvador, a qual, por meio do Acórdão n° 1511.133, 4ª Turma, de fls. 177 a 188 considerou procedente o lançamento correspondente. Inconformado com a decisão acima referida, o contribuinte, protocolou o recurso voluntário, de fls. 195 a 224, sendo o presente processo encaminhado a então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, atualmente Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual, por meio da Resolução n° 20201.213, de fls. 322 a 332, converteu o feito em diligência, encaminhando os presentes autos a DRF, para, de forma conclusiva, se manifestar acerca das seguintes questões: (I) se os créditos detectados pela fiscalização estão ou não vinculados a outros processos administrativos, que digam respeito ao período lançado no presente processo administrativo; (ii) caso a resposta ao item (i) seja negativa ou os créditos estejam parcialmente desvinculados a outros processos, e assim provenientes de erros em DCTF, INFORMAR (demonstrativo com imputação de pagamento) se os mesmos (créditos) são suficientes para abater o saldo devedor restante, descontados os DARFs provenientes de pagamentos reconhecidos pela recorrente (juntados nos autos); (iii) apenas para informação de execução, INFORMAR se os valores depositados na AO n° 2005.33.00.0003250 (fls. 244/265) foram efetuados com juros e multa de oficio lançada no presente auto de infração; (iv) informe, com relação ao período de janeiro de 2001, qual a veracidade das informações trazidas pela recorrente. Nesse sentido, no que diz respeito ao Proc. n° 10580.009879/0082 apensado ao de n° 10580.010801/0091, a identidade e correspondência com estes, bem como o andamento daquele processo administrativo; e (v) em prestigio ao principio da verdade material, preste à repartição de origem os esclarecimentos complementares que digam respeito ao presente processo." Retornam os autos para julgamento, após cientificado, o contribuinte, do resultado da Diligência, com a informação de que: (i) após consulta nos sistemas DCTF GER e SIEFPERDCOMP, não foi localizada a utilização do crédito de COFINS suscitado pelo interessado, vinculada a outros processos; (ii) que, de fato, os depósitos judiciais realizados pela Requerente nos autos da Ação Judicial n° 2005.33.00.0003250, relativos aos períodos de apuração 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001 e 08/2002, foram feitos em seus valores integrais, sendo suficientes para cobrir os respectivos juros e multa de oficio lançados no presente auto de infração, sobejando ainda um saldo credor, conforme Parecer EAC/1 n° 9/2011, à fl. 594; (vi) que o débito relativo a janeiro de 2001 foi extinto através da compensação homologada nos autos do processo n° 10580.009879/0081, no montante de R$ 253.615,20 acrescidos dos pagamentos indicados às fls. 22 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 10 3 para a referida competência, "restando saldo para dois dos três pagamentos, que perfaz R$ 406,93 (quatrocentos e seis e noventa e três centavos)" e (iii) por fim, no que tange aos recolhimentos e demais créditos, a d. Fiscalização analisou os depósitos, pagamentos e compensações vinculados, concluindo pela existência de supostos saldos devedores nas competências de 10/1998, 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001, 04/2002, 07/2002, 08/2002 e 11/2002. Cientificado do Despacho de Diligência, o recorrente detalhadamente se manifesta (excertos): que “Referida decisão, portanto, teve como objetivo melhor instruir os autos do presente processo com a efetiva análise da existência de crédito fiscal de COFINS além dos respectivos recolhimentos e depósitos judiciais vinculados” que, “E como se não fosse suficiente, a autoridade administrativa ainda desconsiderou que os supostos débitos apurados nas competências de 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001 e 08/2002, encontramse integralmente depositados na Ação Judicial n° 2005.33.00.0003250, em montante suficiente para cobrir os respectivos juros e multa de oficio lançada no presente auto de infração. Assim, apesar de expressamente reconhecido no Parecer EAC/1 n° 9/2011, à fl. 594 e consignado no próprio relatório de diligência, a autoridade administrativa desconsiderou os respectivos depósitos e compensou os supostos débitos (extintos pela conversão dos débitos em renda da União) com créditos de pagamentos indevido. que “A diligência em análise, portanto, é omissa e precária para os fins pretendidos, violando o principio da verdade material ...” REQUER “que determine a realização de nova diligência para apuração correta e completa do crédito tributário pela Requerente, identificando e utilizando, per si, e de forma cronológica todos os valores existentes para quitação dos supostos débitos tributários.” Das exigências relacionadas às competências de março de 1999 e junho de 2001 Compensação pela Fiscalização de débitos já quitados Nas competências de março de 1999 e junho de 2001, por sua vez, a autoridade administrativa compensa parcialmente os débitos originalmente apurados com crédito de COFINS pago a maior nas competências anteriores, conforme destacado na planilha abaixo, segundo a fiscalização: (...) Ocorre que os débitos de COFINS apurados nas referidas competências foram integralmente depositados na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito à fl. 581 do Relatório Vêse, portanto, que é totalmente improcedente a exigência dos supostos saldos devedores, porquanto os referidos débitos encontramse extintos pela conversão em renda dos depósitos realizados nos autos da Ação Ordinária n° Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 11 4 2005.33.00.0003250, razão pela qual (I) DEVEM SER EXTINTOS OS DÉBITOS EM QUESTÃO (ART. 156, VI, DO CTN), (II) CANCELANDOSE AS COMPENSAÇÕES PROCEDIDAS PELA FISCALIZAÇÃO, (III) COM A RESTAURAÇÃO DOS RESPECTIVOS CRÉDITOS DE COFINS UTILIZADOS PARA A COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS APURADOS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. Por fim, impõese ainda observar que a utilização equivocada dos créditos apurados nas competências de fevereiro de 1999, março e abril de 2001, para quitação dos débitos aqui relacionados resultou na indevida manutenção de supostos débitos apurados nas competências subsequentes numa espécie de efeito em cadeia, o que quedará claro a seguir. Da exigência relativa à competência de maio de 1999 Na competência de maio de 1999, por sua vez, a autoridade administrativa deveria ter compensado o débito originalmente apurado, no valor de R$ 116,55 (cento e dezesseis reais e cinquenta e cinco centavos), com saldo acumulado até março de 1999 no valor de R$ 1.474,90 (um mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e noventa centavos), somado ao crédito apurado em abril, no valor de R$ 1.218,05 (um mil, duzentos e dezoito reais e cinco centavos). Ocorre que o referido saldo credor não foi integralmente apurado, conquanto a fiscalização não considerou parte do crédito das competências de novembro e dezembro de 1998, relacionado às compensações não homologadas nos autos do processo n° 13501.000154/200353, mas cuja decisão foi objeto de tempestivo recurso voluntário, ainda pendente de julgamento. Outrossim, no que tange à suposta alegação de que apenas o débito da competência de fevereiro de 1999 teria sido compensado nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, o Requerente apresenta cópia da DCTF do período comprovando que o débito de janeiro de 1999, no montante de R$ 72.336,22 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos) também foi objeto de compensação no processo em questão e deve ser considerado para fins de composição do saldo credor do período (Doc. 02). Registrese, ainda, que o demonstrativo de fls. 408 dos autos que a fiscalização informa não ter analisado é expresso em destacar a existência de outro pedido de compensação nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, relativo ao período de apuração de março de 1998, no montante de R$ 168.640,92 (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e quarenta reais e noventa e dois centavos) !!! Outrossim, no que tange à suposta alegação de que apenas o débito da competência de fevereiro de 1999 teria sido compensado nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, o Requerente apresenta cópia da DCTF do período comprovando que o débito de janeiro de 1999, no montante de R$ 72.336,22 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos) também foi objeto de compensação no processo em questão e deve ser considerado para fins de composição do saldo credor do período (Doc. 02). Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 12 5 Registrese, ainda, que o demonstrativo de fls. 408 dos autos que a fiscalização informa não ter analisado é expresso em destacar a existência de outro pedido de compensação nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, relativo ao período de apuração de março de 1998, no montante de R$ 168.640,92 (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e quarenta reais e noventa e dois centavos)!!! Destarte, não obstante expressamente reconhecido que os valores compensados no processo acima destacados encontramse extintos pela homologação tácita dos pedidos apresentados, a D. Fiscalização mais uma vez omitiuse e não considerou o referido crédito na composição do saldo credor deste período. Além disso, impõese reiterar que a fiscalização ainda imputou — equivocadamente o crédito relativo a fevereiro de 1999 para suposta quitação do débito relativo bi competência de março de 1999, quando, em realidade, referido débito encontrase EXTINTO O DÉBITO EM QUESTÃO PELA CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA (artigo 156, VI, do CTN, nos termos da alínea "h" acima). Ocorre que a utilização equivocada dos créditos apurados nas competências de novembro de 1998 a abril de 1999 resultou na indevida manutenção de supostos débitos apurados nas competências subsequentes numa espécie de efeito em cadeia, o que quedará claro a seguir. Das exigências relacionadas As competências de novembro e dezembro de 2001 Em seu relatório de diligência, a autoridade administrativa manteve em aberto os débitos apurados nas competências de novembro e dezembro de 2001, nos montantes abaixo destacados, sob o fundamento de que não haveria qualquer pagamento indevido ou a maior, em relação aos valores calculados pela fiscalização: (...) Ocorre que os débitos de COFINS apurados nas referidas competências foram integralmente depositados na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito 5 fl. 581 do Relatório aqui impugnado, sendo suficientes para cobrir inclusive os juros e multa de oficio lançados. Das exigências relacionadas às competências de abril, julho e novembro de 2002 Em seu relatório de diligência, a autoridade administrativa manteve em aberto os débitos apurados nas competências de abril, julho e novembro de 2002, nos montantes abaixo destacados, sob o fundamento de que não haveria qualquer pagamento indevido ou a maior, em relação aos valores calculados pela fiscalização: (...) Referida conclusão esta atrelada de parte do crédito apurado pela própria fiscalização, relacionado As compensações não homologadas nos autos do processo n° 13501.000019/200227. Reiterese, entretanto, e em consonância Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 13 6 com o próprio relatório de diligência, que a r. decisão foi objeto de tempestivo recurso voluntário, ainda pendente de julgamento. Assim, além da questionável arbitrariedade praticada pela autoridade administrativa, que nunca poderia desconsiderar um crédito por ela própria reconhecido à época do lançamento, cumpre reiterar a existência de saldo credor acumulado nas competências anteriores e que não foram integralmente utilizados pela fiscalização, e que certamente resultará na extinção dos supostos saldos devedores. Da omissão na análise da competência de agosto de 2002 0 débito de COFINS apurado na competência de agosto de 2002 foi integralmente depositado na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito à fl. 581 do Relatório aqui impugnado!! Vêse, portanto, que é totalmente improcedente a exigência do suposto débito, porquanto encontramse extintos pela conversão em renda dos depósitos realizados nos autos da Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, razão pela qual DEVE SER EXTINTO 0 DÉBITOS EM QUESTÃO (ART. 156, VI, DO CTN) DO PEDIDO Ante todo o exposto, requer sejam plenamente acatadas as razões apresentadas na presente manifestação para declarar a nulidade da diligência, nos termos do artigo 59, II do Decreto n° 70.235/72, em razão dos inúmeros vícios apontados, os quais impediram a demonstração da efetiva composição do crédito tributário, tal como determinada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ou, subsidiariamente, caso não seja este o entendimento de V. Sas., reconhecer integralmente a improcedência da autuação. (...) Diante das colocações do recorrente, acima parcialmente transcritas, quando da análise do resultado da Diligência em confronto com a documentação apresentada e o Parecer EAC/1 n° 9/2011, dúvidas restam a esclarecer, quando da apuração do possível saldo devedor, em confronto com a efetiva análise da existência de crédito fiscal de COFINS (consideração de recolhimentos e depósitos judiciais vinculados, que deveriam ser abatidos do saldo devedor). Para melhor análise e esclarecimentos dos fatos acima, junto a esta E. Turma de julgamento, VOTO no sentido de converter o julgamento em nova Diligência. Para tanto, a DRF deverá se manifestar CONCLUSIVAMENTE, sobre o resultado da Diligência com as alegações trazidas pelo contribuinte. Em havendo alteração no saldo devedor, deve ser elaborada uma nova planilha do resultado final. Posteriormente, cientificar o recorrente, do novo Despacho de Diligência para apresentação de suas considerações, dentro do prazo legal, se assim o desejar. Maria Teresa Martinez López Relatora Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720088/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração para a constituição de crédito tributário de multa equivalente ao valor aduaneiro, relativo ao dano ao erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta, prática punível com a pena de perdimento das mercadorias que, em virtude de seu consumo, substituiuse por este lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 08 8/ 20 13 -3 4 Fl. 899DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720088/201334 Resolução nº 3302000.459 S3C3T2 Fl. 900 2 A empresa adquirente CONCREMAX CONCRETO ENG E SANEAMENTO LTDA, CNPJ n° 15.378.979/000103, foi autuada como responsável solidária. Ambos sujeitos passivos apresentaram impugnação. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 16 55.220, no qual decidiu pela improcedência da impugnação, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2010 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos (adiantamentos) de terceiro presumese por conta e ordem deste. Ocultado o real adquirente, acolhese a infração imputada (DL 1.455/1976, artigo 23, V). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada em 10/03/2014, a recorrente interpôs recurso voluntário em 08/04/2014. Já em relação à responsável solidária CONCREMAX CONCRETO ENG E SANEAMENTO LTDA, não constam nos autos sua ciência do Acórdão nº 1655.220, proferido pela Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1, nem recurso voluntário interposto. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Verificase que o responsável solidário CONCREMAX CONCRETO ENG E SANEAMENTO LTDA, CNPJ n° 15.378.979/000103, não foi cientificado do Acórdão nº 16 55.220, proferido pela Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1, em desconformidade com o artigo 68 do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). Destarte, tendo sido violados os princípios do contraditório e ampla defesa e o devido processo legal, voto para encaminhar os autos à unidade de origem para que o sujeito passivo CONCREMAX CONCRETO ENG E SANEAMENTO LTDA, CNPJ n° 15.378.979/000103, seja cientificado do Acórdão nº 1655.220, sendolhe facultado o prazo de trinta dias para apresentação de recurso voluntário, com posterior retorno dos autos a este Conselho para julgamento. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720088/201334 Resolução nº 3302000.459 S3C3T2 Fl. 901 3 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 901DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722536/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA DETERMINADO POR PROCESSO - NÃO CONHECIMENTO
O limite do Recurso de Ofício é fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, deve-se avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008.
Conforme o Parágrafo Único da Portaria MF n. 03: " O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Assim, entendo que inaplicável o somatório dos valores exonerados para definição do limite de alçada, posto que a autuação deu-se em processos distintos, razão pela qual, deixo de conhecer o recurso de ofício, por entender que individualmente, nenhum dos processo alcançou o limite mínimo de alçada.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DA PARTE
Não cabe apreciação de questões de mérito trazidas em recurso, quando formaliza o recorrente pedido de desistência em relação a todo o levantamento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - DIRETORES ESTATUTÁRIOS - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO
Tratando-se de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados.
Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados.
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira Araújo.- Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA DETERMINADO POR PROCESSO - NÃO CONHECIMENTO O limite do Recurso de Ofício é fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, deve-se avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008. Conforme o Parágrafo Único da Portaria MF n. 03: " O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Assim, entendo que inaplicável o somatório dos valores exonerados para definição do limite de alçada, posto que a autuação deu-se em processos distintos, razão pela qual, deixo de conhecer o recurso de ofício, por entender que individualmente, nenhum dos processo alcançou o limite mínimo de alçada. AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DA PARTE Não cabe apreciação de questões de mérito trazidas em recurso, quando formaliza o recorrente pedido de desistência em relação a todo o levantamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - DIRETORES ESTATUTÁRIOS - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO Tratando-se de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira Araújo.- Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.722536/201157 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401003.770 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO Recorrentes WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA DETERMINADO POR PROCESSO NÃO CONHECIMENTO O limite do Recurso de Ofício é fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, devese avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008. Conforme o Parágrafo Único da Portaria MF n. 03: " O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Assim, entendo que inaplicável o somatório dos valores exonerados para definição do limite de alçada, posto que a autuação deuse em processos distintos, razão pela qual, deixo de conhecer o recurso de ofício, por entender que individualmente, nenhum dos processo alcançou o limite mínimo de alçada. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RECURSO VOLUNTÁRIO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO NÃO CONHECIMENTO DA PARTE Não cabe apreciação de questões de mérito trazidas em recurso, quando formaliza o recorrente pedido de desistência em relação a todo o levantamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 36 /2 01 1- 57 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Tratandose de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no saláriodecontribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira Araújo. Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A., conforme abaixo especificado: (1) DEBCAD nº 51.014.1412 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais, relativas às competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010 e 01/2011 a 06/2011. (2) DEBCAD nº 51.014.1420 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias de segurados empregados relativas às competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010 e 01/2011 a 06/2011. (3) DEBCAD nº 51.014.1439 foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) relativas às competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010 e 01/2011 a 06/2011. De acordo com o relatório fiscal de fls. 41 a 59, o lançamento das contribuições contidas no levantamento “L3 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS” do auto de infração de DEBCAD nº 51.014.1412, foi efetuado com base em valores pagos a título de participação nos lucros e resultados a diretores e membros do conselho de administração da empresa. O lançamento das contribuições contidas no levantamento “E3 – FOLHA EMPREG EXTERIOR”, do auto de infração de DEBCAD n° 51.014.1412, assim como das contribuições contidas nos autos de infração de DEBCAD’s nº 51.014.1420 e nº 51.014.1439, foi efetuado com base nas remunerações devidas a “empregados transferidos para o exterior”. O lançamento das contribuições contidas no levantamento “P3 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” do auto de infração de DEBCAD nº 51.014.1412, por sua vez, foi efetuado sobre contribuições feitas a plano de previdência privada relativas a diretores e membros do conselho de administração da Autuada.Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 1262 a 1282, nos seguintes termos: 1. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. 2. Reconhece que firmou documentos de suspensão dos contratos de trabalho firmados com certos colaboradores. Afirma que, nesses casos, anotou a suspensão nas CTPS e, ulteriormente, lavrou documentos denominados “Contrato Complementar de Suspensão de Contrato de Trabalho”, “para suportar detalhes relativos ao status dos contratos de Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 4 5 trabalho porquanto suspensos, assim como também, detalhes de sua ulterior retomada, em dado momento”. 3. Alega que a realidade está muito distante da interpretação que a autoridade fiscal deu a estes contratos complementares de suspensão de contrato de trabalho. 4. Aduz que não é correto afirmar que todas as empresas relacionadas no quadro XI que consta na fl. 10 do relatório fiscal de fls. 1152 a 1171 são subsidiárias da “WEG BRASIL”, “a uma pelo fato de que o conceito de ‘subsidiária integral’ encontra assento na Lei 6.404/76 (LSA), mais especificamente no seu artigo 251 que prevê claramente que uma subsidiária tem como requisito o controle direto por companhia brasileira” e, a duas, pelo fato de não deter “cotas/controle de todas as empresas listadas no referido quadro XI”. 5. Assevera que “nenhum dos documentos acostados pela Autoridade no PAF em questão evidencia o caráter de ‘subsidiária integral’ das empresas listadas no quadro XI do tópico 4.1.9, aliás, sequer tal palavra (ou análoga) consta nos documentos acostados”. 6. Diz que reconhece a vinculação dos segurados com a WEG BRASIL, “uma vez que um contrato de trabalho SUSPENSO não é um contrato de trabalho EXTINTO, eis que o vínculo, de fato, persiste”. Ressalta, porém, que tal situação não evidencia uma “‘transferência’ para uma ‘subsidiária no exterior’”. 7. Sustenta que a cláusula 4ª do “Contrato Complementar de Suspensão de Contrato de Trabalho” não faz nenhuma alusão ao pagamento de “remuneração” durante o período da suspensão, mas apenas, de “‘corrigir anualmente o salário nominal do Brasil de acordo com os índices aplicados à categoria’, ou seja, o compromisso da Impugnante nada mais é do que manter o VALOR do salário corrigido, para preservação dos direitos do contrato porquanto suspenso, o que não consiste, em hipótese alguma, em PAGAMENTO DE 8. Alega que “o objetivo de ‘corrigir anualmente’ a referência salarial é preservar seu poder aquisitivo para, no futuro, quando o contrato de trabalho for retomado, evitar prejuízos para o empregado”. 9. Sustenta que os demais itens elencados na cláusula 4ª do mencionado contrato, tais “como recolhimento mensal da Contribuição Previdenciária como facultativo, no limite do teto máximo de contribuição” e “recolhimento mensal do FGTS”, dentre outros, “se constituem em liberalidade da Impugnante, buscando estimular a futura retomada dos contrato suspensos pelos colaboradores, arcando com as contribuições previdenciárias destes como avulsofacultativos, bem como, recolhendo seu FGTS com base no referencial da remuneração periodicamente corrigida, na forma exposta no parágrafo anterior”. 10. Ressalta que “não se pode olvidar a coerência da Impugnante ao assim proceder, pois é notório que a retenção de colaboradores se constitui prioridade das organizações – especialmente na era da globalização – levandoas a propor incentivos cada vez mais agressivos, de forma a reter seus talentos humanos”. 11. Assevera que “não transferiu colaboradores”; que “a maioria das empresas listadas no quadro XI do tópico 4.1.9 não são subsidiárias ou controladas diretas”; que “os colaboradores com contratos suspensos não recebem remuneração mensal”; que “os Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 contratos suspensos não foram extintos, remanescendo vínculo”; e que “os valores pagos porquanto suspensos os contratos não são base de apuração de contribuições sociais à Previdência”. 12. Sustenta que a contradição reside também no próprio embasamento apresentado pela Autoridade Fiscal, ao invocar a letra “f” do inciso “I” do artigo 12 da Lei nº 8.212/91, visto que “o próprio quadro XI, do tópico 4.1.9 do REFISC indica que, à exceção da WEG Ibéria S.L. e WEG Singapore, nenhuma outra das empresas lá constantes preenche o requisito da ‘maioria do capital votante’ pertencendo à empresa brasileira, ou melhor, à Impugnante”. 13. Frisa que “se o Legislador fez questão de pontuar o requisito imprescindível da ‘maioria do capital votante’ pertencendo à empresa brasileira, não pode a Autoridade Fiscal passar por cima desta CONDIÇÃO, ignorandoa e fazendo lançamentos ao arrepio do próprio diploma que fundamenta sua pretensão”. 14. Ressalta que “a letra ‘f’ do mencionado artigo 12 trata sim de vinculação entre empresa brasileira e estrangeira, porém, de vinculação direta, e de controle acionário direto por empresa brasileira, ou seja, dois graus de exigência que devem ser observados para ensejar a tributação”. 15. Destaca que “a própria Autoridade Fiscal cai em contradição no tópico 4.1.9 do REFISC, ao inovar alegando que a Impugnante teria ‘participação direta ou indireta’ em todas as empresas listadas no quadro XI do tópico 4.1.9, forçando uma interpretação inexistente na previsão específica da letra ‘f’ do artigo 12, acima transcrito, já que não há qualquer previsão de participação ‘indireta’”. 16. Ressalta que “ainda que tal requisito estivesse preenchido para todas as empresas listadas no quadro XI do tópico 4.1.9 do REFISC (o que não é o caso, como acima demonstrado), ainda assim os contratos suspensos não estariam sujeitos à hipótese de lançamento pretendida”. 17. Frisa que “estamos diante de contratos SUSPENSOS no Brasil, para colaboradores que foram atuar em outras pessoas jurídicas sediadas no exterior, sem pagamento de salários no Brasil e vinculados àquelas empresas no exterior por OUTROS contratos de trabalho”. 18. Destaca que “a própria CLT, no artigo 474 e seguintes, trata de diversas hipóteses de ‘suspensão do contrato de trabalho’, período durante o qual não há pagamento de remuneração logo, logicamente, durante o período de suspensão o empregado continua ‘vinculado’ com seu empregador porém, sem receber remuneração”. 19. Ressalta que “se não há remuneração, não haverá fato gerador das contribuições previdenciárias ou de qualquer tributo”. 20. Assevera que “o diploma em tela trata de empregado ‘contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior’, ou seja, com pagamento de remuneração por empresa brasileira, o que também não se vislumbra nos casos em comento, uma vez que há a concomitância de dois contratos de trabalho, quais sejam o PRIMEIRO suspenso, com a Impugnante, o SEGUNDO, em voga e mantido com empresa sediada no exterior, lembrando que todos os colaboradores que trabalhavam para a Impugnante e tiveram seus contratos suspensos atuavam, até a suspensão, como colaboradores regulares no Brasil”. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 5 7 21. Alega que “o caso concreto difere, por exemplo, de uma empresa brasileira que contrata funcionário com o fulcro específico de que estes atuem e seu nome no exterior, mantendo um contrato ativo no Brasil com local de execução em empresa no estrangeiro – hipótese esta sim que caracterizaria o sentido que o Legislador deu à letra “f” do inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/91”. 22. Sustenta que a autoridade fiscal se contradiz, visto que, ao mesmo tempo que reconhece a existência de dois contratos de trabalho paralelos, afirma expressamente que os segurados foram transferidos para o exterior. 23. Assevera que é incabível “querer lançar contribuições sociais sobre um contrato cujo foro de execução, local de pagamento e legislação de regência sequer são brasileiros”. 24. Cita a Súmula 207 do TST. Alega que a concomitância de dois contratos distintos, por si só, já é “suficiente para fulminar a pretensão da Autoridade Fiscal, no caso, de usar a base de valores pagos no exterior por empresas estrangeiras para lançar a cobrança de contribuições sociais no Brasil”. 25. Frisa que “afora a contagem do tempo de serviço para fins de aposentadoria, por força do contrato suspenso, não há possibilidade jurídica de outro vínculo qualquer do segurado suspenso com a Previdência Social pela lógica ausência do segurado do território brasileiro e, como já mencionado e reconhecido no REFISC (tópicos 4.15 e 4.1.12), a Impugnante vem, por liberalidade, recolhendo a contribuição social pelo teto máximo, de maneira a preservar o prazo de contagem do contrato suspenso”. 26. Diz que não existe nenhuma vedação de que a empresa arque com as contribuições de segurado facultativo dos seus colaboradores com contrato de trabalho suspenso, “assim como também não há qualquer previsão legal que dê à Autoridade Fiscal argumentos para, como pretendido no tópico 4.1.12 do REFISC, simplesmente desconsiderar tais pagamentos, como se jamais tivessem ocorrido”. 27. Ressalta que “na letra ‘b’ do tópico 4.1.10 do REFISC, a Autoridade simplesmente informa que ‘são devidas’ as ‘contribuições dos segurados empregados’, pretendendo lançálas vis a vis do reconhecimento (no tópico seguinte) que as mesmas foram recolhidas pela Impugnante, caracterizando nitidamente a hipótese de duplicidade de lançamento”. 28. Diz que a autoridade fiscal deveria ter reconhecido que “(a) o segurado com o contrato suspenso teve os valores de contribuição recolhidos pelo teto pela Impugnante e (b) por tal situação não haveria fundamento para pretender nova cobrança, eis que os valores foram apropriados e vinculados àquele segurado em questão”. 29. Afirma que a exigência de contribuições para terceiro e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é descabida não só pelos fundamentos acima transcritos, “mas também pela ausência de contraprestação pela Previdência Social sobre os mesmos”. 30. Cita o artigo 11 da Lei nº 7.064/1982, que prescreve que, “durante a prestação de serviços no exterior não serão devidas, em relação aos empregados transferidos, as contribuições referentes a: SalárioEducação, Serviço Social da Indústria, Serviço Social Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 do Comércio, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e Instituto Nacional de Colonização e de Reforma Agrária”. 31. Assevera que a cobrança de contribuições sobre uma relação de trabalho que tem seu foro de contratação, remuneração e execução fora do país, não tem sentido. 32. Afirma que o “FGTS recolhido sobre os colaboradores com contrato suspenso foi calculado tomando como base o valor referencial da última remuneração paga por ocasião da suspensão do contrato devidamente corrigida, (vide parágrafos 19 e 20 acima), logo, tratase de recolhimento sobre um valor de referência que, na prática, não foi salário pago sob as Leis brasileiras, logo, não pode consistir em base de contribuição social”. 33. Assevera que a autoridade fiscal distorceu a realidade fática, visto que “usou da base referencial do FGTS para lançar a contribuição social sobre, novamente, pagamentos de salários que jamais ocorreram”. 34. Alega que não há nenhuma irregularidade no fato de ter declarado em GFIP os colaboradores com contrato de trabalho suspenso com código de recolhimento do FGTS nº 3 já que “(a) os trabalhadores com contratos suspensos negociaram o recolhimento do FGTS com a Impugnante durante o lapso da suspensão e, (b) inobstante os recolhimentos das contribuições previdenciárias na categoria de facultativos, os mesmos trabalhadores, por todos os argumentos antes expostos, NÃO estariam contidos no RGPS”. 35. Alega que, “por não haver um código GFIP específico para o caso concreto, por analogia, a Impugnante utilizou a categoria 3 nas GFIP/SEFIP, afinal, está claro que a questão de segurados no exterior detém condições tributárias exclusivas e tipificadas pela legislação (à saber, Leis 7.064/82 e 8.212/91), porém, não observadas pela RFB quando da criação das categorias para a GFIP/SEFIP, não podendo, por conseqüência, ser a Impugnante penalizada por uma omissão administrativa do ente arrecadador”. 36. Lembra que a participação dos administradores nos lucros é prevista no §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 37. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 38. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 39. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. 40. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 41. Sustenta que “tanto a categoria de segurados obrigatórios, como celetistas (Inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/91) como a categoria dos contribuintes individuais, como administradores (letra ‘f’ do inciso V do artigo 12 da Lei 8.212/91), está contida na hipótese de isenção da contribuição social sobre receitas de participação nos resultados, Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 6 9 tipificada na letra ‘j’ do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8212/91, que trata de ‘lei específica’”. 42. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 43. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 44. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 45. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 46. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 47. Afirma que tal afirmação é uma ilação infundada, pois induz “a um raciocínio equivocado de que a Lei 10.101/2000 teria sido feita ‘sob medida’ para ‘regulamentar’ um dispositivo de outra Lei, no caso, a 8.212/91, estreitando a isenção para somente a categoria dos empregados celetistas, excluindo os administradores”. 48. Frisa que “a Lei 10.101/2000 decorre da conversão da Medida Provisória 1.982/77, após sucessivas reedições, sendo que em nenhum destes diplomas (medidas provisórias antigas ou própria Lei 10.101) consta alguma menção de que o legislador estaria buscando a aventada ‘regulamentação’” mencionada pela autoridade fiscal. 49. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 50. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 51. Ressalta que todos os seus diretores não são empregados. 52. Afirma que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 53. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 54. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. 55. Frisa que “para os trabalhadores com salário até o teto previdenciário, praticamente não há necessidade de complementação de aposentadoria, pois o valor que é pago pelo INSS já é, praticamente, igual ao salário da ativa”. 56. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 57. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 58. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados. 59. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 60. Assevera que a matéria deve ser vista de forma ampla, qual seja, “o fato de que quanto maior for a poupança previdenciária acumulada, não importando a favor de quem, maior será a segurança financeira e social da coletividade, já que notório o fato de que um dos pilares de solidez do sistema financeiro é um bom nível de reservas econômicas combinado com parcimônia nos gastos públicos, especialmente no tocante aos elevados custos sociais envolvidos”. 61. Diz que a preocupação do legislador foi a de “fomentar o aumento da previdência privada no país, seja na modalidade aberta ou fechada, sem jamais fazer ressalvas quanto à possibilidade de um contribuinte contar com mais de um plano”. 62. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. 63. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. 64. Ressalta que o plano “aberto” contratado (Bradesco Vida e Previdência) é devidamente autorizado pela SUSEP, órgão do Ministério da Fazenda, do qual faz parte a Receita Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 7 11 Federal do Brasil, portanto, as contribuições foram feitas de forma regular, a uma entidade autorizada a funcionar no ramo de previdência complementar. 65. Destaca que os regulamentos dos planos em debate (WEG Seguridade Social e Bradesco Vida e Previdência), assim como a legislação, não contêm “proibição à adesão pelos participantes a outros planos quaisquer”. 66. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 67. Aduz que, por decorrência lógica da demonstração da improcedência dos autos de infração de DEBCAD nº 37.279.9477, nº 37.279.9485 e nº 37.279.9493, o auto de infração de DEBCAD nº 37.275.0320 também deve ser declarado improcedente. 68. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 69. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. Foi exarada a Decisão de 1 instância, fls. 1314 a 1343, que determinou a procedência parcial do recurso, tendo inclusive recorrido de ofício considerando que em relação a 3 processos conexos lavrados durante o mesmo procedimento fiscal ocorreu exoneração de montante superior ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma do art. 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação conferida pelo Decreto nº 6.224, de 04 de outubro de 2007, c/c os artigos 25, inciso II, e 34, inciso I e §1º, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941/2009, e com a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Os processos identificados pelos números COMPROT 11516.722535/201111, 11516.722536/201157, 11516.722537/201100, 11516.722538/201146, 11516.722539/201191, 11516.722540/201115 e 11516.722541/201160, tratam de lançamentos fiscais referentes a créditos de contribuições previdenciárias e de terceiros, bem como a multas por descumprimento de obrigações acessórias, efetuados no mesmo procedimento fiscal, conforme demonstrado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) de fls 1256/1257. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Os valores pagos pela empresa relativos a programa de previdência complementar não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes integram o salário de contribuição. EXPATRIADO. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional, é segurado obrigatório, como empregado, da Previdência Social. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos), o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. EXPATRIADO. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional, é segurado obrigatório, como empregado, da Previdência Social. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/07/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais previdenciárias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1353 e seguintes, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 8 13 70. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. EMPREGADOS NO EXTERIOR COM CONTRATOS SUSPENSOS 71. Reconhece que firmou documentos de suspensão dos contratos de trabalho firmados com certos colaboradores. Afirma que, nesses casos, anotou a suspensão nas CTPS e, ulteriormente, lavrou documentos denominados “Contrato Complementar de Suspensão de Contrato de Trabalho”, “para suportar detalhes relativos ao status dos contratos de trabalho porquanto suspensos, assim como também, detalhes de sua ulterior retomada, em dado momento”. 72. Sustenta que a cláusula 4ª do “Contrato Complementar de Suspensão de Contrato de Trabalho” não faz nenhuma alusão ao pagamento de “remuneração” durante o período da suspensão, mas apenas, de “‘corrigir anualmente o salário nominal do Brasil de acordo com os índices aplicados à categoria’, ou seja, o compromisso da Impugnante nada mais é do que manter o VALOR do salário corrigido, para preservação dos direitos do contrato porquanto suspenso, o que não consiste, em hipótese alguma, em PAGAMENTO DE 73. Sustenta que os demais itens elencados na cláusula 4ª do mencionado contrato, tais “como recolhimento mensal da Contribuição Previdenciária como facultativo, no limite do teto máximo de contribuição” e “recolhimento mensal do FGTS”, dentre outros, “se constituem em liberalidade da Impugnante, buscando estimular a futura retomada dos contrato suspensos pelos colaboradores, arcando com as contribuições previdenciárias destes como avulsofacultativos, bem como, recolhendo seu FGTS com base no referencial da remuneração periodicamente corrigida, na forma exposta no parágrafo anterior”. 74. Frisa que “estamos diante de contratos SUSPENSOS no Brasil, para colaboradores que foram atuar em outras pessoas jurídicas sediadas no exterior, sem pagamento de salários no Brasil e vinculados àquelas empresas no exterior por OUTROS contratos de trabalho”. 75. Destaca que “a própria CLT, no artigo 474 e seguintes, trata de diversas hipóteses de ‘suspensão do contrato de trabalho’, período durante o qual não há pagamento de remuneração logo, logicamente, durante o período de suspensão o empregado continua ‘vinculado’ com seu empregador porém, sem receber remuneração”. 76. Ressalta que “se não há remuneração, não haverá fato gerador das contribuições previdenciárias ou de qualquer tributo”. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 77. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 78. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 79. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 80. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 81. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 82. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 83. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 84. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 85. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 86. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 87. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 88. No processo 14.485.001551/200784, o próprio CARF proferiu acordão 2301003473 reconhecendo o alcance da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a administradores. 89. PREVIDÊNCIA PRIVADA DIRIGENTES 90. Afirma que não andou bem o acordão, já que consiste numa disposição constitucional, qual seja, que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. 91. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 92. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 9 15 93. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 94. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 95. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". 96. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 97. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. 98. Este Conselho já enfrentou a questão por ocasião do julgamento do processo 10783723424/201109, em que foi proferido o acordão 2402003.661 que entendeu que não há fundamento para incidência de contribuições sociais 99. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. 100. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 101. Faz uma analogia: Determinado contribuinte, preocupado com seus rendimentos após a aposentadoria, decide por contratar um plano de previdência aberta no mercado (num banco, por exemplo), mesmo já participando de um plano fechado, patrocinado por sua empregadora. É notória a dedutibilidade de contribuições revertidas para planos de previdência privada para fins de cálculo e apuração do IRPF anual, logo, o contribuinte do exemplo acima não encontraria óbice para deduzir as contribuições vertidas em ambos os planos (o aberto contratado junto ao banco e o fechado (patrocinado por sua empregadora) até o limite legal, eis que tais valores receberiam um tratamento tributário equivalente. 102. Resumi seus argumentos descrevendo: 102.1. (a) todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 102.2. (b)não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. 102.3. (c) não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. 102.4. Incabível o lançamento também em relação ao salário educação e terceiros, porto que a base por si só é improcedente. Mesmo encaminhamento deve ser dado aos levantamentos correlatos.. 103. Aduz que, por decorrência lógica da demonstração da improcedência dos autos de infração de DEBCAD nº 51.014.1412 51.014.1420 e 51.014.1439 também devem ser declarados improcedentes. 104. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 105. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. O recorrente apresentou requerimento de desistência, fls. 1403, para os levantamentos E3, S3. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007 do Ministro da Fazenda. Em relação ao recurso voluntário identificase a tempestividade do mesmo, razão pela qual o conheço. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme consta da decisão de primeira instância recorre a DRJ de ofício em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, devese avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008, conforme segue: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA , no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 , com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 , e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 , com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007 , resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Uma questão relevante diz respeito ao fato de que as decisões que exoneraram os créditos encontraremse em processos distintos, mas todas correspondentes a mesma autuação, razão pela qual procedeu aquela autoridade a soma do valor exonerado em todos os processos, recorrendo de ofício em função da exoneração ultrapassar em conjunto o limite definido na portaria acima citada. Contudo, entendo de forma diversa para efeitos do cálculo do limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 Conforme transcrição do trecho da portaria, que eu seu parágrafo único determina: " O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Assim, entendo que inaplicável o somatório dos valores exonerados para definição do limite de alçada, posto que a autuação deuse em processos distintos, razão pela qual, deixo de conhecer o recurso de ofício, por entender que individualmente, nenhum dos processo alcançou o limite mínimo de alçada. Face o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. DO MÉRITO Primeiramente, convém destacar que o recorrente procedeu a desistência parcial do recurso, fls. 1378 e 146, em relação a remuneração de segurados empregados transferidos para o exterior que encontravamse com contratos suspensos, razão pela qual não há o que ser apreciados sobre os levantamentos E1. E2,W6, S1, S2, E1, E e multa isolada no montante de R$ 457.329,00, bem como em relação ao reflexo dessas desistência para os demais DEBCADS lavrados sobre a mesma base de cálculo, DEBCAD nº 37.279.9485 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias de segurados empregados relativas às competências 01/2008 a 12/2008 (desistência integral); DEBCAD nº 37.279.9493 foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) relativas às competências 01/2008 a 12/2008.(desistência integral); DEBCAD nº 37.275.0320 foi lançada multa decorrente da apuração de que Interessada apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP relativas às competências 02/2007, 03/2007, 07/2007, 02/2008, 03/2008 e 07/2008, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. (desistência em relação as multas decorrentes dos fatos geradores não informados em GFIP, mas cuja desistência do recurso implica a concordância com a indicação dos fatos geradores e por consequência a falta omissão apontada no AI68. QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente · Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. · Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. · Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 11 19 4.2 Remunerarão de Diretores Participação nos Lucros e Resultados da Empresa (Contribuição constante do subitem 2.1.2 deste REFISC) 4.2.1) Atendendo a solicitação do Termo Fiscal de 25/05/2011 (Doc 1), no qual foram solicitados os Programas de Benefícios concedidos pela WEL, esta apresentou, dentre outros, o programa de Participação nos Lucros e Resultados por parte dos empregados e dirigentes, bem como as Convenções Coletivas de Trabalho firmados com os Sindicatos dos Empregados vinculados, disciplinando referido beneficio, os quais abrangiam exclusivamente os segurados empregados da empresa. 4.2.2) Referido benefício, quando pago aos segurados empregados, de acordo com a legislação previdenciária, não seria base de cálculo para efeito do cálculo da contribuição previdenciária, conforme disposto na alínea “j” do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9o Não integram o salário d econtribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 4.2.3) A participação dos segurados empregados, nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea "j". do parágrafo 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1° e 2o: (...) 4.2.5) A WEL disponibilizou ainda as Atas do Conselho de Administração (Doc 12), no qual verificamos que eram aprovadas as distribuições a título de participação nos resultados aos dirigentes da empresa (Diretores e Membros do Conselho de Administração), razão pela qual intimamos a empresa por meio do Termo Fiscal de 25/07/2011 (Doc 18), a apresentar relação mensal contendo informações individualizadas de todos os dirigentes/acionistas beneficiários da verba "participação nos lucros e resultados". Em resposta, a WEL remeteu a correspondência de 05/08/2011 (Doc 19) na qual foram trazidos os documentos solicitados (Doc 21). 4.2.6) De acordo com a própria informação prestada pelo contribuinte, constante de seu Anexo de n° 8 (Doc 9), referidas verbas foram lançadas nas contas contábeis Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 821000120/581010001, conforme amostragem de lançamento no QUADRO XIII a seguir: 4.2.7) Constatase, assim, que a WEL remunerou seus Diretores e membros do Conselho de Administração com o benefício de participação nos lucros e resultados, conforme discriminação de beneficiários e valores concedidos, constantes do Anexo II Participação nos Resultados, o qual foi elaborado a partir da informação prestada pela empresa (Doc 12) e lançamentos contábeis. 4.2.8) Referidas importâncias integram o salário de contribuição recebido pelos administradores/conselho de administração, nos termos do Art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei nº 10.101/00, em seus Artigos 1° e 2° contempla, exclusivamente, os segurados empregados, não incluindo, os segurados contribuintes individuais, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias paga sob esta remuneração, as quais foram apuradas em conformidade com o descrito no subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor o mesmo indica que a lei 10.101/2000 somente possibilitaria a exclusão de valores pagos à título de PLR para os segurados empregados, razão pela qual não há respaldo para exclusão dos valores distríbuídos aos administradores. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA DIRETORES NÃO EMPREGADOS Como parte do lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais, importante apreciar, primeiramente, o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, aos quais se enquadram os diretores não empregados, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 12 21 acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 13 23 e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Ao contrário do afirmado pela recorrente, entendo que a verba paga aos administradores e conselheiros possui natureza remuneratória. Como destacado pelo auditor fiscal, a Lei n 6.404/1976 não regula a exclusão da participação nos lucros e resultados do conceito de remuneração, nem tampouco, pode valerse o recorrente da lei 10.101/2000 para excluir tais valores da base de cálculo de contribuições A participação nos Lucros e Resultados PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988, donde devese observar os ditames legais, para que dito pagamento seja excluído do conceito de salário de contribuição. Diversamente do argumento trazido pelo recorrente quanto ao pagamento de acordo com a lei 6.404, a verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos administradores e conselheiros. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho o que pelo natureza também poderia excluir o valor do conceito de salário de contribuição. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76.. Senão Conforme ensina Fábio Ulhoa Coelho o conceito de “administradores”, em uma sociedade anônima, “abrange os membros de dois órgãos da estrutura societária: a diretoria e o conselho de administração, os quais, em decorrência, são definidos como órgãos da administração” (Curso de direito comercial, volume 2 – 5. ed. rev. e atual. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA – São Paulo: Saraiva, 2002. p. 236). A participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, não se confunde com a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa prevista na Lei nº 10.101/2000. Além de ser disciplinada em outro diploma legal, a participação prevista no § 1º, do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976, é restrita aos administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei nº 10.101/2000 é devida pelas empresas a todos os seus empregados. A legislação previdenciária, ao contrário do que alega a Autuada, exclui da incidência das contribuições sociais previdenciárias somente a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000: A participação dos administradores nos lucros das companhias, portanto,sempre sofrerá incidência de contribuições sociais previdenciárias, pois, além de ser uma forma de contraprestação aos serviços prestados, não foi incluída na redação do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/1991, e no inciso X do §9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, que fazem referência somente à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, prevista na Lei nº 10.101/2000. Neste sentido, colhese da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4º Região:(...) Ressaltese que o §1º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social, quando fala que o “lucro distribuído ao segurado empresário” não sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias, está se referindo a remuneração proveniente do capital social que pode ser paga aos acionistas de uma sociedade anônima. Tal remuneração não se confunde com a participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 14 25 nº 6.404/1976, que conforme já dito, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Nesse sentido, ensina Sérgio Pinto Martins: Diferenciase, ainda, a participação nos lucros da participação no capital; nesta última, o empregado teria ações ou quotas da empresa. A participação nos lucros não diz respeito à participação do empregado no capital da empresa, mas à participação no resultado positivo obtido pela empresa ao final de certo período de tempo, geralmente um ano. (Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas – 2. ed. – São Paulo: Atlas, 2000) Ante o exposto, verificase que a autoridade fiscal agiu legitimamente ao lançar contribuições sociais previdenciárias sobre valores pagos a administradores (diretores não empregados e membros do conselho de administração) a título de participação nos lucros e resultados da Autuada. É essencial destacar que a Constituição de 1988 estabelece em seu art. 7º, XI, a “participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei”. Frisese que o legislador Constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. Porém ao contrário do que afirma a recorrente, primeiramente, no meu entender, assim, como já se manifestou o julgador, a Participação nos Lucros e Resultados PLR é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, , aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, bem esclarece dita questão, conforme descrito abaixo. Raciocínio, que entende aplicável ao presente caso: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 15 27 inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Ou seja, normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Assim, não há que se falar em auto aplicabilidade. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. À recorrente alega ainda que a os valores” paga a seus “administradores e conselheiros”, não estaria consubstanciada na Lei nº 10.101/00, mas sim na Lei n° 6.404/76, que em seu art. 152, trata do pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, assim, o requisito estabelecido pela lei 8.212/91, motivo pelo qual tais pagamentos não se submeteriam a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. No entanto, não procede tais argumentos, como se demonstrará. Os pagamentos tais como realizados aos Administradores poderão ocorrer por força do §1º do art. 152 da Lei 6.404/76, que está inserido no título “Remuneração” de administradores, e, cuja interpretação sistêmica não deixa dúvidas de que o comentado pagamento é feito em retribuição ao trabalho, assim como já afirmou o julgador. Conforme disposto no inciso III do art. 22 e inciso III do art. 28, ambos da Lei 8.212/91, a contribuição previdenciária incide sobre a remuneração paga ao contribuinte individual pelos serviços prestados. O termo remuneração no ordenamento jurídico brasileiro corresponde a totalidade de retribuições, em dinheiro ou em utilidades, recebidas pelo trabalhador em contraprestação aos serviços prestados. Neste sentido a lição de Sergio Pinto Martins abaixo reproduzida: “A palavra remuneração contida no inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 tem sentido amplo, sendo os honorários dos autônomos. É o pagamento pela prestação dos serviços dos autônomos”(“Direito da Seguridade Social – Custeio da Seguridade Social, Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 Benefícios, Acidente do Trabalho, Assistência Social, Saúde”, 24ª edição, Ed. Atlas, São Paulo – 2007). Em se tratando de Sociedades Anônimas, a remuneração concedida aos administradores pode comportar duas partes distintas: o então chamado “pro labore”, e outra variável, que consiste na participação nos lucros da companhia, que será devida ou não dependendo do que dispuser o estatuto social. Contudo o estatuto somente pode estabelecer a participação nos lucros quando, simultaneamente, prevê dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido e somente poderá ser paga no exercício que for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76. Tais limites são objeto do §1º do art. 152 da Lei das S.A. e, segundo a doutrina comercial, têm o objetivo de fixar parâmetros para o pagamento da remuneração dos administradores das SA, de modo a proteger os acionistas minoritários, coibindo abusos de acionistas majoritários, que se elegem para se atribuírem remuneração sem proporção com os serviços prestados. Ou seja, a interpretação dada aos dispositivos, no entender dessa relatora em hipótese alguma gera o afastamento da natureza remuneratória da referida verba. Cabe observar ainda que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos, é atribuição patrimonial ou destinação de resultado. Contudo, esta característica comum entre os dois pagamentos, é incapaz de igualar a natureza de remuneração de capital, do dividendo, com a natureza de remuneração do trabalho, da participação estatutária. Dúvidas não há que o dividendo pago a acionista decorre da sua participação acionária na companhia, enquanto que a participação estatutária aos administradores é paga em razão da prestação do trabalho. Ressaltese que o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, retro citado, garantiu a todos os trabalhadores, a participação nos lucros e resultados, desvinculada da remuneração na forma prevista em lei. Em obediência ao preceito constitucional, a alínea “j” do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/1991, estabeleceu, dentre as hipóteses livres da tributação previdenciária, “a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica”. A lei específica, Lei nº 10.101/2000, que regulou o pagamento da participação no lucro e resultado, desvinculado da remuneração somente a previu para o empregado. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, nem tampouco, entender que a referida lei também se aplica aos trabalhadores não empregados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como PLR, as verbas salariais pagas a todos os seus colaboradores. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Apenas para reforçar a tese adotada pelo auditor fiscal, não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 16 29 Assim, seja pela não aplicação da lei 10.101/2000, já que a mesma é restrita aos empregados, seja pelo fato que os valores recebidos vinculamse aos trabalhos prestados e não ao dividendo distribuído pelo capital investido, o que impossibilita a aplicação da art. 152 da lei 6.404 para exclusão dos valores do conceito de remuneração, os valores lançados como participação nos lucros aos administradores e conselheiros constituem salário de contribuição, razão pela qual procedente a autuação. CONCLUSÃO: devem ser mantidos os lançamentos em relação aos PLR PREVIDÊNCIA PRIVADA – Quanto aos levantamentos de Previdência privada a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente o todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. o não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. o não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. 4.3 Remuneração de Diretores Previdência Privada (Contribuição constante do subitem 2.1.3 deste REFISC) 4.3.1) Em resposta ao Termo Fiscal 25/05/2011, (Doc 1) a WEL, através de correspondência (Doc 2), apresentou os Contratos firmados com a Bradesco – Vida e Previdência S/A (Doc 4), bem como o Estatuto e o Regulamento Básico da WEG Seguridade Social (Doc 5) que se constituem nos Programas de Previdência Privada, não fornecendo a relação dos beneficiados de referidos programas. Tanto no Contrato firmado com a Bradesco, como com a WEG Seguridade, é previsto que os Planos de Previdência Complementar abrangeriam tanto os dirigentes como também os empregados do contribuinte. 4.3.2) Por meio do Termo Fiscal de 21/06/2011, (Doc 14), a WEL foi reintimada a apresentar a Relação dos empregados/dirigentes beneficiários dos programas da empresa com os respectivos valores pagos, oportunidade em que informou que as contribuições para a WEG Seguridade Social era um percentual sobre a Folha de Pagamento, abrangendo Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 30 todos os segurados (empregados e dirigentes), enquanto que com relação à “Bradesco Vida e Previdência”, o benefício abrangia somente os dirigentes e, com a anuência desta fiscalização, disponibilizou a relação anual dos beneficiários deste plano relativo aos anos de 2006 e 2007 (doc 16)". 4.3.7) Na análise dos documentos apresentados, quanto aos benefícios da Previdência Privada, constatamos duas situações: a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 17 31 participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor a base para que os valores caracterizemse como base de cálculo de contribuições é que a empresa dois planos de previdência, contemplado em um a totalidade de empregados e na outra aenas os diretores e conselheiros. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. Ao contrário que tentou argumentar o recorrente não entendo que o plano de previdência privada , por ele instituído, cuja concessão, beneficia apenas administradores e conselheiros, tenha preenchido os requisitos para exclusão do conceito acima referenciado. No caso, para que a verba PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA esteja excluída do conceito de salário de contribuição deveria ser paga nos limites do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Novamente o recorrente não demonstrou a concessão do benefício a todos os trabalhadores, pelo contrário argumentou em sede de recurso que: Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 32 Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. Todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. Não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Concordo com o recorrente não impossibilita a criação de mais de um plano de previdência, e que o plano de previdência complementar fechado da WEG Seguridade Social, contempla todos os empregados e dirigentes, conform consta do próprio relatórios fiscal, razão pela qual o auditor não apurou tais valores como salário de contribuição. Os valores ora lançados referemse tão somente aos valores pagos à titulo de previdência para os diretores e conselheiros, uma vez que o plano de previdência Bradesco Vida e Previdência contempla apenas essa categoria, ou seja, são fornecidos 2 planos, um extensível a todos e outro apenas aos dirigentes. Ou seja, os próprios argumentos do recorrente levam a conclusão de descumprimento legal de extensão a todos, entendendo que a legislação aplicável ao caso não estabelece limitações, o que no meu entender não e a interpretação mais acertada. Não acolho a alegação, que a lei não define propriamente a incidência sobre a verba previdência complementar. A definição de salário de contribuição, como mencionamos acima é geral, englobando todas as espécies de pagamento (diretos e indiretos, até mesmo as utilidades), porém no mesmo dispositivo legal o legislador indica, quais verbas estarão excluídas do referido conceito. Caso, entendesse o legislador, que o simples fornecimento de previdência privada fosse excluído do conceito de salário de contribuição, sem qualquer limitação, bastaria uma simples modificação do art. 28, § 9 da lei 8212/91, o que até hoje não foi feito. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 18 33 Entendo, ainda, que a Lei Complementar 109/2001, não prevalece sobre o disposto na lei 8212/91, para efeitos de exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Embora a LC 109/2001 tenha definido os critérios para os regimes de previdência complementar fechados e abertos não podemos interpretar dispositivos isolados para identificar a sobreposição sobre outras legislações que abarcam a matéria. Nesse sentido, valhome do mesmo raciocínio para não aplicação do art. 458, §2 da CLT (que descreve que previdencia privada não cnstitue salário in natura), para não aplicar a lei Complementar 109, tendo em vista a especificidade da lei previdenciária, que descreve conceito de salário de contribuição e as exclusões da referida base de cálculo, prevalece sobre norma geral que também especifica condições para o pagamento Assim, volto a ratificar que havendo norma especifica que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias (art. 28, § 9 da lei 8212/91) e tendo o dispositivo constitucional § 2, do art. 202 da CF/88, feito expressa referência a observância dos termos de lei, entendo que o lançamento encontrase procedente. na medida que demonstrado pela autoridade fiscal que o plano de previdência realmente não alcança a totalidade dos empregados e dirigentes. . Constituição Federa1188: "Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998 § 1' A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20.de 1998 § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei." . (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998) (grifo nosso) " O ganho foi direcionado ao segurado "contribuinte individual" da recorrente (administradores e conselheiros, que digase nem mesmo possuem vinculo de permanência com a empresa), quando a empresa concedeu os planos de previdência privada. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Ademais, a questão do alcance da lei complementar para excluir o benefício de previdência privada, foi muito bem apreciado pelo julgador de primeira instância, razão pela qual adoto o referido voto como razões de decidir. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 34 A isenção tributária sobre o valor das contribuições pagas por pessoa jurídica para programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes deve observar os limites fixados em lei, por força da expressa previsão do art. 202, §2º, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em relação às contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/1991 foi clara ao determinar que os valores relativos a contribuições pagas por pessoa jurídica a programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes somente não integrarão o salário de contribuição, caso o citado programa (de previdência complementar) esteja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes: Com efeito, é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano de previdência complementar que lhes seja facultado aderir, para que possa usufruir da isenção de contribuições sociais previdenciárias. Não o fazendo, ou beneficiando apenas os dirigentes ou um grupo restrito de empregados, esta parcela (contribuições feitas pela empresa a programa de previdência complementar) passa a ser uma forma de pagamento disfarçado de salário ou remuneração sobre a qual deverão incidir as contribuições sociais previdenciárias. No presente caso, entendo que não restou configurada a hipótese de isenção prevista na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, em relação ao plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência”, visto que a própria Autuada admite que o mesmo era disponibilizado somente para seus diretores e membros do conselho de administração. A Impugnante alega que a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre as contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” estaria expressamente prevista no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Vejamos, então, o que dispõem os artigos 68 e 69 da referida lei complementar: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 19 35 § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) Uma leitura isolada e desatenta dos referidos dispositivos legais pode levar a crer que a empresa autuada tem razão. Contudo, isso não acontece. Primeiro, porque o caput do art. 202 da Constituição Federal de 1988 prevê a exigência de lei complementar para regular o regime de previdência privada, enquanto seu §2º determina que as contribuições patronais previstas nos planos das entidades de previdência privada não integram a remuneração dos participantes nos termos da lei, a saber, ordinária, já que a exigência de lei complementar não consta expressamente do texto do citado §2º. Além disso, a alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91 está em perfeita consonância com o que determina o artigo 16 da própria Lei Complementar nº 109/2001: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. (grifouse) Os dispositivos que compõem um diploma legal devem ser interpretadosde forma sistemática. Com efeito, os artigos 68 e 69 da LC nº 109/2001, não devem ser considerados de forma isolada, mas sim em conjunto com o artigo 16, supra transcrito, que é claro ao determinar que os planos de previdência privada devem ser oferecidos a todos os empregados. Constatase, portanto, que a autoridade lançadora não cometeu qualquer ilegalidade ao fundamentar seu lançamento na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, até porque este dispositivo legal encontrase em pleno vigor e não há decisão do STF declarando sua inconstitucionalidade ou resolução do Senado Federal que tenha suspendido sua execução. Diante do exposto, verificase que deve ser considerado legal e escorreito o lançamento de contribuições sociais previdenciárias sobre contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” relativas a diretores e membros do conselho de administração da Autuada. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 36 Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que tivesse sido comprovada a afirmação de que o plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” oferecido pela Autuada foi autorizado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), tal fato não teria o condão de tornar o lançamento das exigências contidas nos levantamentos “P1 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” e “P2 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” do auto de infração de DEBCAD nº 37.279.9477 improcedente, já que na seara tributária, a Receita Federal do Brasil não se encontra vinculada a atos emitidos pela SUSEP. Nesse sentido, cabe citar o disposto no § 4º, do artigo 41, da LeiComplementar nº 109/2001:(...) CONCLUSÃO: Assim, tendo o recorrente descumprido os requisitos legais para concessão do benefício (art. 28, §9º, “p” da lei 8212/91), não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título previdência privada. FUNDAMENTAÇÃO GERAL PARA BENEFÍCIOS CONSTITUÍREM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla.. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele contribuições para Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar privada e PLR aos administradores e conselheiros, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 20 37 "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Isto posto, em relação ao recurso deve o mesmo ser conhecido em parte, considerando que a parte objeto de desistência não há de ser apreciada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto NÃO CONHECIMENTO do RECURSO DE OFÍCIO, face não alcançar o limite de alçada. Em relação ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto PELO CONHECIMENTO PARCIAL dos recursos, para na parte conhecida NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 38 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Conselheira Relatora apenas na parte relativa à incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de contribuições para plano de previdência complementar. Ao tomar conhecimento de decisão adotada pela CSRF tratando da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pelo empregador a título de contribuição para plano de previdência complementar de entidade aberta, resolvi melhor apreciar a questão, nos termos do que ficou decidido por aquele órgão, responsável pela uniformização da jurisprudência no âmbito do CARF. Falo do Acórdão n.º 9202003.193 – 2ª Turma, de 07/05/2014, Neste julgado, o colegiado por sete votos a três decidiu, conforme se vê da ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n.º 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido. Na reunião de outubro passado, no julgamento do PAF n. 14041.001392/200737 já externei meu posicionamento em defesa da adoção do entendimento adotado pela CSRF afastando a incidência de contribuições para plano de previdência privada de empresa aberta, não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Vejo que de fato a situação aqui tratada é similar. Nos termos do relatório do fisco, temos que: “4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9˚ do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC.” Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 21 39 Apreciando esta situação, em que a patrocinadora (a autuada) contrata com empresa previdência complementar do tipo aberta (Bradesco Vida) plano em benefício de grupo de empregados, seus diretores e gerentes, verifico que na conceituação da Lei Complementar n.º 109/2001, tratase de plano de benefício coletivo instituído por entidade aberta de previdência, modalidade prevista no inciso II do art. 26 daquele diploma legal. De se observar que a instituidora do plano, em absoluto, pode ser incluída no grupo das entidades fechadas, haja vista que estas, mais conhecidas como fundos de pensão, são acessíveis exclusivamente pelos empregados de empresa, grupo de empresas ou órgãos públicos, bem como aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial (ver art. 31 da LC n.º 109/2001). Uma vez definida a natureza jurídica do plano, cujas contribuições foram objeto do lançamento sob enfoque, posso dizer que hoje me sinto confortável para acompanhar o entendimento da CSRF acima mencionado, adotando como fundamento o excelente voto do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, do qual transcrevo excerto: No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário decontribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidas pela Lei 9.528, de dezembro de 1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 40 “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.” (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 22 41 previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art. 202, § 2º, da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 42 complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§ 2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. Posso, concluir, então, que estando alinhado inteiramente ao entendimento acima transcrito, encaminho pelo provimento do recurso na parte relativa à incidência de contribuição sobre as contribuições para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Mesmo considerando que na presente lide a tese da aplicação da Lei Complementar n. 109/2001 para afastar a tributação não prevaleceu, encampo também o argumento de que o fato do Plano de Previdência Bradesco Vida ter sido disponibilizado apenas aos dirigentes não contraria a Lei n. 8.212/1991, uma vez que havia a disponibilização do Plano WEG Seguridade Social a todos os empregados e dirigentes. Portanto havia um plano básico extensível a todos os empregados e diretores e um plus concedido apenas aos últimos, o que, a meu ver, não contraria a Lei n. 8.212/1991, posto que esta não exige que o benefício seja igual para todos os segurados a serviço da empresa, mas apenas que abranja a totalidade do quadro funcional. Nessa toada, a concessão de benefício de previdência complementar diferenciado não acarreta em atropelo à lei previdenciária, posto que esta não impõe que exista isonomia na concessão desta benesse e ao intérprete não cabe impor outros requisitos não contemplados no texto legal. Voto por afastar da base de cálculo do lançamento as contribuições vertidas para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 23 43 Declaração de Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Não obstante compartilhar com o entendimento da ilustre Conselheira relatora relativamente a inaplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, para fins de afastar a tributação sobre os valores pagos aos empregados a título de Previdência Privada Complementar, acompanhamos pelas conclusões a divergência suscitada pelo Redator Designado Kleber Ferreira de Araújo, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Destarte, afora a questão da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, a qual fora rechaçada pelo voto de qualidade, remanesceu em discussão para os Conselheiros que acompanharam pelas conclusões e determinantes ao provimento, nesta parte, ao recurso voluntário, a possibilidade de os Planos de Previdência Complementar serem diferenciados entre os administradores/diretores e demais segurados empregados, consoante externado pelo fiscal autuante em seu Relatório, nos seguintes termos: “[...] a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 44 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. [...]” Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que contempla a verba sub examine, bem como algumas considerações a propósito da matéria, senão vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 24 45 [...] p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97);” (grifamos) Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal verba, sem a incidência de contribuições previdenciárias, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Plano de Previdência Complementar, pelo simples fato de haver planos diferenciados entre os empregados e os diretores, o que implicaria dizer não estar presente o requisito “disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes”. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela nobre Conselheira Relatora em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste relator, a conclusão da exigência de Planos de Previdência Complementar eqüitativos a todos os setores de uma empresa, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 46 “p”, § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, em momento algum infere que aludido Plano deverá ser concedido de maneira idêntica a todos os funcionários e dirigentes da empresa, se limitando a estabelecer que “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT”. Ora, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos à concessão de referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente. Assim não o tendo feito, tornase defeso ao intérprete da lei, especialmente àqueles que exercem a atividade judicante no âmbito administrativo, concluir diversamente daquilo que a norma estabelece de forma clara e objetiva: Não incidirão contribuições previdenciárias sobre tais verbas se FOREM EXTENSIVOS A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Repito, inexiste no dispositivo legal retro, a toda evidência, qualquer outro pressuposto legal que não seja o supramencionado, capaz de justificar a manutenção do lançamento. Na esteira desse entendimento, a exigência de Plano de Previdência Complementar igual a todos os empregados e diretores da empresa é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando estabelece interpretação extensiva/subjetiva à norma legal que regulamenta o tema. E, como já sedimentado acima, a isenção não comporta subjetivismo. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição ao gozo da isenção.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 876) Mutatis Mutandis, a 2a Turma da CSRF, analisando processo contemplando Plano de Saúde, onde, igualmente, o legislador somente exigiu a extensividade a todos empregados e dirigentes da empresa, afastou a necessidade de planos igualitários para todos funcionários, na mesma linha proposta acima, conforme se depreende do Acórdão nº 9202 00.295, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA – PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO/COBERTURA À TOTALIDADE DO EMPREGADOS/FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.722536/201157 Acórdão n.º 2401003.770 S2C4T1 Fl. 25 47 De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos.” (Processo nº 35318.001033/200509) É basicamente o que se verifica nos autos, com o agravante de que, tratando se de Previdência Complementar, com mais razão faz sentido a concessão de maneira diferenciada, lastreada no salário de cada funcionário. Ou seja, a complementação do benefício no plano privado acaba por seguir o valor que cada empregado ou dirigente é remunerado. Partindo dessas premissas, inobstante discordar da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, na linha do exposta acima, acompanhamos a conclusão do provimento ao recurso, por outros fundamentos, entendendo inexistir disposição legal determinando o pagamento linear do Plano de Previdência Complementar. Por todo o exposto, estando o lançamento em dissonância com os dispositivos que regem a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, por outros fundamentos daqueles adotados no voto vencedor, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 15586.000337/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Uma vez julgada procedente a infração contida no lançamento do IRPJ, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência dos mesmos fatos que originaram aquele.
MULTA AGRAVADA. 150%.
A redução indevida do lucro e a não apresentação de documentação comprobatória de pagamentos efetuados caracterizam a intenção da interessada de sonegar impostos e prejudicar interesses do Fisco, em face de conduta dolosa utilizada para encobrir o real sócio de fato da empresa, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa de agravada 150% (cento e cinquenta por cento).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO DO SÓCIO. COMPROVAÇÃO.
Uma vez demonstrada, por conjunto de fortes elementos probantes, que o sócio, ainda que formalmente fora do contrato social, continuava a gerir de fato a empresa, e utilizando-se de interpostas pessoas para dissimular tal situação, restou configurada o intuito doloso do ilícito penal tributário cometido.
Numero da decisão: 1202-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2003 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Uma vez julgada procedente a infração contida no lançamento do IRPJ, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência dos mesmos fatos que originaram aquele. MULTA AGRAVADA. 150%. A redução indevida do lucro e a não apresentação de documentação comprobatória de pagamentos efetuados caracterizam a intenção da interessada de sonegar impostos e prejudicar interesses do Fisco, em face de conduta dolosa utilizada para encobrir o real sócio de fato da empresa, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa de agravada 150% (cento e cinquenta por cento). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO DO SÓCIO. COMPROVAÇÃO. Uma vez demonstrada, por conjunto de fortes elementos probantes, que o sócio, ainda que formalmente fora do contrato social, continuava a gerir de fato a empresa, e utilizando-se de interpostas pessoas para dissimular tal situação, restou configurada o intuito doloso do ilícito penal tributário cometido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e de sua necessidade às atividades da empresa. RESPONSÁVEL SÓCIOS SEM CAPACIDADE ECÔNOMICA (‘LARANJAS’ PROVAS DOCUMENTAIS SÓCIO DE FATO COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado por documentação nos autos que os sócios que figuram no quadro social da interessada são interpostas pessoas (‘laranjas’) e quem administra, representando a empresa e movimento, inclusive, recursos em contas bancárias, é terceira pessoa, esta, para os efeitos previstos no artigo135, III, do CTN, é sócia de fato da interessada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 37 /2 00 7- 35 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Uma vez julgada procedente a infração contida no lançamento do IRPJ, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência dos mesmos fatos que originaram aquele. MULTA AGRAVADA. 150%. A redução indevida do lucro e a não apresentação de documentação comprobatória de pagamentos efetuados caracterizam a intenção da interessada de sonegar impostos e prejudicar interesses do Fisco, em face de conduta dolosa utilizada para encobrir o real sócio de fato da empresa, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa de agravada 150% (cento e cinquenta por cento). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO DO SÓCIO. COMPROVAÇÃO. Uma vez demonstrada, por conjunto de fortes elementos probantes, que o sócio, ainda que formalmente fora do contrato social, continuava a gerir de fato a empresa, e utilizandose de interpostas pessoas para dissimular tal situação, restou configurada o intuito doloso do ilícito penal tributário cometido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Processo Administrativo Fiscal instruído com autos de infração por meio do qual se formalizou a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL e Imposto de Renda Retido na Fonte. A autoridade lançadora ainda aplicou a multa de ofício qualificada de 150 % sobre a exigência principal. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 17 3 O Terno de Encerramento da ação fiscal (fls. 516/547) descreve detalhadamente o procedimento da fiscalização e as infrações apuradas, donde se destaca o seguinte: efetuada glosa de custos decorrentes de registro contábeis amparados em operações não comprovadas; lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou de sua causa; qualificação de Montalvani de Souza Lima como responsável tributário solidário, pois a empresa contribuinte utilizouse de interpostas pessoas, a saber, Itamar José Dias e Moisés Ribeiro Paz, para encobertar a real identidade dos verdadeiros sócios (fls. 537/542), com base nos artigos 121, II, 124, I, 128 e 135, III do Código Tributário Nacional – CTN; em circularização para verificar divergências entre a DIPJ da interessada e as DIRF de clientes, verificouse que a receita escriturada foi corretamente informada na DIPJ; analisando os custos dos serviços vendidos, destacouse o item “outros custos linha 37/Ficha 04” que representam elevados percentuais do custo total dos serviços (fls. 521), tendo sido a contribuinte intimada a identificálos e comproválos; em 15/02/06, a contribuinte apresentou extratos bancários da conta do BCN e demonstrativos de despesas (fls. 239/296), que foram analisados conforme relatados às fls. 522/528, que resultaram nas infrações apontadas; nos lançamentos de IRPJ e CSLL foram efetuadas a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores (fls.500/514); planilhas com os custos glosados contas às fls. 530/531 e com os pagamentos sem comprovação da operação ou da sua causa às fls. 533/535; foi aplicada multa de 150% estabelecida pela Lei n º 9.340/96, alterada pela MP 351/07, artigo 44, I, § 1º, capitulada no artigo, 71, II da Lei n º 4.502/64, sonegação fiscal, face à inclusão de Itamar José Dias e Moisés Ribeiro Paz no quadro societário para simular transferência de responsabilidade tributária para pessoas que além de não terem relação pessoal e direta com administração da empresa, não possuem capacidade financeira; Intimada em 20/06/07 (fls. 575), bem como na mesma data o responsável tributário Montalvani de Souza Lima (fls. 546), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 581/590, em 17/07/07, alegando, em síntese, o que segue: Fl. 762DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 foram carreados aos autos documentos que comprovam a realização de despesas com os recursos monetários identificados: os relatórios contábeis – demonstrativos de despesas – atestam a saída de recursos para adimplemento de obrigações, corroborado com documentação complementar que comprovam a efetiva saída de recursos e sua destinação. Percebese no histórico bancário que os repasses se destinavam a sociedade cuja é correlata ou de suporte à realizada pela contribuinte, atestando que as despesas foram realizadas e na execuções de suas obrigações contratuais; para empreender os serviços, em especial, os contratos pela CESANCia Espírito Santense de Saneamento, necessitou de outras sociedades, ora por meio de subempreitadas, ora locando máquinas, peças, usinagem e fornecimento de massa asfáltica, contraindo obrigações de pagamentos, adimplidas conforme demonstrativos e movimentação bancária; entende que documento pertinente ou hábil para comprovação da despesa não são somente as notas fiscais de serviços, inclusive esse entendimento é corroborado pelo 1º Conselho de Contribuintes, não existindo lei que impeça a dedução de despesa sem nota fiscal desde que documentos, apontamentos, registros indiquem de modo hábil a mesma existente, conforme acórdãos citados; as despesas foram comprovadas por meios hábeis, como, por exemplo, transferências bancárias, as quais possuem o mesmo efeito e consequências jurídicas de um recibo; despesas foram realizadas, recursos repassados, identificados e quantificadas em escritórios contábeis e bancários, não houve aprovisionamento de valores para o caixa, assim, não obteve saldo ou renda, ou lucro, não ocorrendo fato gerador do IRPJ e CSLL; se qualquer despesa não houvesse sido realizada, teríamos apurado lucro de 44,83%, muito superior ao obtido por empresas do ramo da construção, o que teria sido vantajoso ter optado pelo lucro presumido; Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 18 5 apurou prejuízo, assim, poderia ter optado por tributar a receita em 8% e não os 44,83% que o fisco determina ao não reconhecer as despesas; as despesas foram realizadas, desautotizando a glosa e o lançamento, nos termos do artigo 113 do CTN; a lavratura de 3 (três) autos de infração partiu do mesmo contexto fático. Passou a cobrar IRRF sobre todos os montantes que não havia considerado como pagamento; se esses não são considerados para lavratura do IRPJ e CSLL, como podem servir de base para a do IRRF, afrontando o princípio da legalidade dos atos administrativosfiscais e demonstrando a incoerência entre os lançamentos; quanto à multa, protesta que não houve a ocorrência do fato gerador do IRPJ, por não haver renda ou lucro; ademais, com relação ao percentual duplicado face à sonegação, em momento algum por ação ou omissão impediu o conhecimento dos fastos relacionados à obrigação tributária ou crédito dela decorrente, tanto é que a receita declarada compatibilizouse com a demonstrada por sua contratante, CESAN, não devendo subsistir nem a multa, nem seu agravamento para 150%; requer recebimento em duplo efeito (devolutivo e suspensivo) nos moldes do Dec. nº 70.235/72; requer produção de provas, inclusive documental superveniente, nos moldes dos §§ 4º e 5º do artigo 16 do Dec. nº 70.235; Consta as folhas 629/615, impugnação ao auto de infração de CSLL e as folhas 642/650 a impugnação ao auto de IRRF, onde alega, em síntese, os mesmos argumentos apresentados para o auto de infração de IRPJ. As folhas 629/641, impugnação aos autos de IRPJ, CSLL e IRRF apresentada por Montalvani de Souza Lima, responsável solidário, que, além dos mesmos argumentos trazidos na impugnação da contribuinte, acrescentou: não incidência dos elementos caracterizadores da solidariedade tributária, especialmente quanto ao artigo 135, III do Código Tributário Nacional – CTN, ao relacionar o crédito tributário com sua autuação como gerente, diretor ou representante da fiscalizada, em obrigações tributárias que resultaram de atos Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 praticados com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, bem como o artigo 124, I, quanto ao interesse comum das partes para definir o vinculo de solidariedade; em 2003 não compunha mais o quadro societário, tendo sido sócio até o início de 2001, quando repassou suas cotas, recebendo em equipamentos e remuneração. Posteriormente recebeu procuração dos novos sócios e por força de sua formação técnica e conhecimento sobre as atividades da autuada, pôde concluir execução de alguns poucos contratos em andamento. Tão somente exerceu poderes de procuração, não caracterizando gerência, nem em contrato social, nem em contrato de trabalho, não preenchendo requisitos para ser identificado como responsável pessoal, pois não agiu com excessos de poderes ou infração à Lei ou ao contrato social; o fato de estar como representante em alguns aditivos contratuais da CESAN originouse por equívoco, talvez por força da procuração; a mais, a pessoa que tenta fraudar o fisco, utilizandose de interpostas pessoas, não deixaria rastros e não mostraria a cara de modo a não ter mais qualquer tipo de ligação com a pessoa jurídica; assim não se enquadra quer nos requisitos objetivos quer nos subjetivos de responsabilização tributário. Mesmo diante dos argumentos trazidos pelo impugnante, a 7ª Turma da DRJ/RJO I proferiu acórdão n° 1216.064, fls. 666/678, no qual, por unanimidade de votos, julgou integralmente improcedente as impugnações apresentadas, tanto da empresa contribuinte (Sergel Serviços LTDA.), quanto do responsável tributário (Montalvani de Souza Lima), nos termos da ementa reproduzida a seguir: Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e de sua necessidade às atividades da empresa. RESPONSÁVEL.SÓCIOS SEM CAPACIDADE ECÔNOMICA (‘LARANJAS’). PROVAS DOCUMENTAIS. SÓCIO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado por documentação nos autos que os sócios que figuram no quadro social da interessada são interpostas pessoas (‘laranjas’) e quem administra, representando a empresa e movimento, inclusive, recursos em contas bancárias, é terceira pessoa, esta, para os efeitos previstos no artigo135, III, do CTN, é sócia de fato da interessada. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 19 7 Anocalendário: 2003 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos efetuados pela interessada cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme dispõe o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Uma vez julgada procedente a infração contida no lançamento do IRPJ, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência dos mesmos fatos que originaram aquele. MULTA AGRAVADA. 150%. A redução indevida do lucro e a não apresentação de documentação comprobatória de pagamentos efetuados caracterizam a intenção da interessada de sonegar impostos e prejudicar interesses do Fisco, em face de conduta dolosa utilizada para encobrir o real sócio de fato da empresa, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa de agravada 150% (cento e cinquenta por cento), de que trata o artigo 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.448/2007. Lançamento Procedente. A recorrente (Sergel Serviços LTDA.) e o responsável tributário (Montalvani de Souza Lima) tomaram ciência do acórdão n° 1216.064 (fls. 666/678), proferido pela a 7ª Turma da DRJ/RJOI em 15 de dezembro de 2007 (fls. 682), e em, 11 de janeiro de 2008 (fls. 684), Montalvani de Souza Lima apresentou Recurso Voluntário (fls. 684/696), e, em 15 de janeiro de 2008 (fls. 711), a recorrente (Sergel Serviços LTDA.) apresentou Recurso Voluntário (fls. 711/722), ambos retomando os mesmos argumentos apresentados com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno I – Do juízo de admissibilidade Oportuno esclarecer que este processo já foi objeto de apreciação, no entanto, devido aos documentos juntados aos autos não permitirem concluir se o recurso voluntário foi apresentado no prazo previsto pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, haja vista que o Aviso Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 de Recebimento (AR), fls. 682, que informava originalmente a data de 12 de dezembro de 2007 para ciência da recorrente do acórdão n° 1216.064 (fls. 666/678), proferido pela a 7ª Turma da DRJ/RJOI, se encontra, nos dizeres do relator Nelson Lósso Filho, nitidamente rasurado para o dia 15 de dezembro de 2007, determinouse a conversão do julgamento em diligência para se sanar qualquer controvérsia. Em resposta a resolução n°120200.012, a DRJ de origem entrou em contato com os Correios que informaram não ser possível a confirmação em seus sistemas em razão do tempo decorrido, entretanto, confirmou que o carimbo aposto na face do AR corresponde a efetiva data de entrega. Portanto, fica confirmado o dia 15 de dezembro de 2007 como a data de ciência do Acórdão da DRJ. Em 11 de janeiro de 2008 (fls. 684), Montalvani de Souza Lima apresentou Recurso Voluntário (fls. 684/696), e, em 15 de janeiro de 2008 (fls. 711), a recorrente (Sergel Serviços LTDA.) apresentou Recurso Voluntário (fls. 711/722), neste caso, ambos recursos são tempestivos. Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, por isso tomase conhecimento do Recurso Voluntário da recorrente e do responsável tributário. II – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido A fiscalização efetuou glosa de parte dos custos decorrentes de serviços prestados pela recorrente, contabilmente registrados, no entanto, amparados em operações não comprovadas por documentação hábil e idônea. Os custos declarados da DIPJ – Ficha 04 e registrados no Livro Razão conta nº 3110070600 (fls. 39/40), no valor total de R$ 592.637,92 (quinhentos e noventa e dois mil seiscentos e trinta e sete reais e noventa e dois centavos) foram lançados conforme a forma de tributação adotada pela recorrente, qual seja, lucro real trimestral. Para rechaçar o lançamento fiscal, a recorrente colacionou aos autos extratos bancários e relatórios denominados “Demonstrativos de Despesas”, os quais atestariam a saída de recursos para adimplemento de obrigações. Da análise dos denominados “Demonstrativos de Despesas”, juntado as fls. 252/296, é possível identificar qual o funcionário, data e valor da despesa. Entretanto, a única descrição é “Diversos – outro” com a seguinte observação “Despesas em Obras Cesan”. Abaixo da observação, consta os seguintes dizeres “para uso interno”, portanto, tornando dúbia sua utilização para fins fiscais. A fiscalização no intuito de comprovar a veracidade das despesas registradas como custos, intimou a recorrente para apresentar notas fiscais, cópias de cheques e dos documentos bancários como, por exemplo, TED, DOC, etc. Em resposta apenas afirmou “não ser possível apresentar a documentação comprobatória por causa da natureza dos serviços, itinerantes e que despendem por vezes gastos extraordinários, bem como por intempéries/extravios ocorridos no arquivamento de documentos contábeis”. Acrescenta, ainda, que tais gastos referem à compra de matérias, locação de Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 20 9 máquinas e equipamentos, usinagem e fornecimento de massa asfáltica, despesas com borracharia e com conserto de veículos que compunham os montantes discriminados. Se a recorrente falasse com a verdade, teria no mínimo a preocupação de juntar aos autos, na falta da documentação original, a segunda via das notas fiscais dos fornecedores, contratos de locação, recibos, cheques pagos, dentre outros. Como bem observado pela fiscalização e pela 7ª Turma da DRJ/RJOI, há descrição da saída da conta corrente do BNC (fls. 523/525) que foi efetuada com base no registro das operações no livro Diário (fls. 12/36), que, coincidentemente, correspondem com as datas dos referidos relatórios de despesas não discriminadas, e nas folhas 530/531, a relação da contrapartida de registros contábeis na conta outros custos operacionais – 3110070600. A verdade é que, se as despesas alegadas tivessem realmente ocorrido, estrariam registradas contabilmente nas respectivas contas, tais como: oficinas de terceiros – 3110080200 (fls. 52); peças, tintas para veículos – 31100830; aluguel de máquinas e equipamentos/outros – 3110090300 (fl. 53). O simples registro contábil, acompanhado da declaração que devido à intempéries e extravios ocorridos no arquivamento dos documentos contábeis não haveria como ser juntada da documentação pertinente a comprovar a veracidade dos custos, torna impossível reconhecer essas despesas como custos. Neste sentido é a redação do artigo 923 do RIR/99, senão vejamos: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Neste ponto, oportuno trazer a os ensinamentos de Silvério das Neves e Paulo Viceconti, da sua obra Curso Prátio de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Ed. Frase, 11ª ed., 2004, p.279, a respeito da regra geral da dedutibilidade das despesas: As despesas realizadas pela pessoa jurídica, segundo sua origem, natureza e tipo podem ser dedutíveis e indedutíveis na determinação do lucro real. As despesas serão dedutíveis na apuração do lucro real no momento em que forem incorridas ou pagas (regime de compensação) e quando: Necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica; Usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; Comprovadas por meio de documentação idônea. Do colacionado acima podese inferir que a documentação juntada aos autos (“Demonstrativos de despesas – fls. 252/296), por ser fonte de controle meramente interna da recorrente, não confere as despesas caráter de necessidade à atividade e nem mesmo à manutenção da respectiva fonte produtora, consequentemente, não possui atributos de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 necessidade, usualidade e normalidade que pudessem dar respaldo a sua dedutibilidade, uma vez que não restou comprovada sua ocorrência ou motivação. Portanto, como o declarado pela recorrente é desacompanhado de provas, tratandose de alegação genérica e sem fundamento que, por isso, não merece ser acolhida. Não se tomou o cuidado ao longo do procedimento fiscal – fiscalização, impugnação e até mesmo agora na fase recursal – sequer de juntar aos autos documentação idônea o suficiente que comprovasse a necessidade, ocorrência ou motivação para os altos custos com despesas. Com base nos artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/1972, compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Vejamos o que diz os citados artigos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Neste sentido caminha a jurisprudência do CARF, abaixo colacionadas alguns acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes que corroboram com a necessidade de se comprovar as despesas operacionais a fim de que possam ser deduzidas: “NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO – A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações (Ac. 1º CC 101 72.816/81 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 05/82, pág. 164) e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. (Ac. 1º CC 10172.816/81 e 10304.340/82 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 05/82, pág. 843)”. “CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE – Computamse, na apuração do resultado do exercício, somente os dispêndios de custos ou despesas que forem documentalmente comprados e guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. (Ac. 1º CC 10173.310/82 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 40/82, p. 1201; e 1054.720/90 – DO 07/11/90)”. Enfim, tanto na fase investigatória, quanto agora na fase recursal, a recorrente não alcançou êxito em rechaçar a constatação da autoridade fiscal, em vista disso, é forçosa a manutenção dos lançamentos, nos moldes em que efetuados. Em relação ao lançamento reflexo de CSLL, observase que sendo os mesmos os elementos de comprovação que fundamentaram o lançamento principal de IRPJ, e, analisado e concluído pela sua procedência, há que considerar a íntima relação de causa e efeito existente entre a exigência principal e seu decorrente, devendo, portanto, também ser mantida. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 21 11 III – Imposto de Renda Retido na Fonte Em relação a esta infração, a recorrente resiste alegando que os 3 (três) autos de infração partiram do mesmo contexto fático e que o fisco passou a cobrar IRRF sobre todos os montantes que não havia considerado como pagamento. No seu entender, se esses não são considerados para a lavratura do IRPJ e da CSLL, não podem servir de base para a cobrança do IRRF, afrontando o princípio da legalidade dos atos administrativosfiscais e demonstrando a incoerência entre os lançamentos. Primeiramente, é de observar que os lançamentos de IRPJ e IRRF estão interligados na medida em que a recorrente registrou em sua contabilidade as saídas de recursos da conta bancária do BCN nº 371.486 – agência 360 (fls. 239/251), a débito da conta “Outros custos operacionais”, denominados “pago desp. diversas conf. relat”. Segundo, não se trata de simples desconsideração dos “pagamentos” como documentação probatória dos custos/despesas glosados para a incidência do IRPJ, conforme é possível perceber do decidido acima ao apreciar a procedência do IRPJ, e sim, de considerar não comprovados os custos/despesas contabilizados, porém sem documentação hábil e idônea que os lastreasse, por isso, sua indedutibilidade para fins de apuração do IRPJ. No entanto, o enfoque da presente infração é outro, qual seja, as 47 saídas de recursos da conta BCN nº 371.486, por meio de transferência, TED, DOC e cheque avulso, listado as fls. 526/527. Observase que em 31/05/07, a recorrente apresentou 16 cópias de “recibos de cheque avulso”, sendo 5 ilegíveis e todos efetuados diretamente pelo Sr. Montalvani de Souza Lima, entretanto, nada foi dito quanto aos demais. Diante deste quadro, a fiscalização concluiu pela infração de ocultação do fato gerador do Imposto de Renda tributado exclusivamente na Fonte incidente sobre os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, sem a devida comprovação da operação ou de sua causa. Por isso, não há que se falar em incongruência entre os dois lançamentos, haja vista que no âmbito do IRPJ e CSLL houve a dedução indevida de custos/despesas, implicando em não pagamento de tributo, enquanto no âmbito do IRRF houve a transferência de recursos da interessada ao sócio Sr. Montalvani de Souza Lima, a sua empresa – Montalvani Engenharia, e ainda, a terceiros, sem comprovação de operação ou de sua causa. Na verdade, o que realmente pretende a recorrente é utilizar do artifício da hermenêutica para tentar se eximir da obrigação tributária, pois o comando do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 é claro e único no sentido de abranger a tributação para todos os pagamentos sem causa. Vejamos o que diz a redação do citado artigo: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de1991. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 12 Pela redação do artigo percebese que o comanda da norma é no sentido da comprovação da veracidade da operação e/ou de sua causa, mediante a documentação respectiva. A jurisprudência é justamente nesse sentido, senão vejamos: Processo n° 15983.000320/200614 Recurso n° 162.191 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 130100.120 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrentes: 4ª TURMA / DRJ SÃO PAULO1 / SP e VIAÇÃO VALE DO RIBEIRA TRANSPORTE E TURISMO LTDA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar o beneficiário de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não é suficiente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, pela apresentação de cópias dos cheques nominativos utilizados. Não restando dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos a terceiros, mediante cheques compensados ou sacados por outras pessoas físicas ou jurídicas "na boca do caixa", compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. No mesmo sentido, correta a decisão de primeira instância que exonerou a exigência incidente sobre pagamentos para os quais o contribuinte comprovou, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as operações que deram causa a pagamentos por ele efetuados. Processo nº 10384.001021/200985 Recurso nº 510.779 Voluntário Acórdão nº 130200.490 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria:IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente: LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida: FAZENDA NACIONAL IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação ou sua cau sa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 22 13 Não é despciendo acrescentar, que bastava a recorrente trazer aos autos provas que demonstrassem a correlação com os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, sem a devida comprovação da operação ou de sua causa. Todavia, o recorrente apenas se limitou no recurso voluntário a reiterar as alegações já acostadas na impugnação, não trazendo elementos ou provas que afastassem o apurado ao longo da fiscalização. O que existe é alguns recibos de cheques avulsos e um relatório interno denominado “Demonstrativo de Despesas” que nada esclarecem sobre a natureza ou utilização dos recursos, tornando impossível reconhecer seus efeitos, já que não se tratam de documentos fiscais ou legais. Dessa forma, como bem observado pela decisão a quo, não basta juntar aos autos recibos, aliás, nem isso o fez, pois apenas a mera descrição do serviço não reflete a causa do pagamento, já que a caracterização da causa do pagamento demanda outros elementos de prova, como, por exemplo, contratos de prestação de serviço, de empreitada, obras civis, notas fiscais de serviços e materiais, relatórios de trabalhos folhas de pagamentos, dentre outros. Tendo o § 1º do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 estabelecido a presunção legal para incidência do IRRF nos casos em que houver “recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa”, é forçoso reconhecer que não ficou comprovada a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos sacados da conta bancária da recorrente pela falta de documentação hábil e idônea, por isso, também, deve ser mantido o lançamento nesta parte. (a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos não foram comprovadas) IV – Responsabilidade do Sr. Montalvani de Souza Lima Alegou o Sr. Montalvani de Souza Lima a não incidência dos elementos caracterizadores da solidariedade tributária, especialmente quanto ao artigo 135, III do Código Tributário Nacional – CTN, ao relacionar o crédito tributário com sua autuação como gerente, diretor ou representante da fiscalizada, em obrigações tributárias que resultaram de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, bem como o artigo 124, I, quanto ao interesse comum das partes para definir o vinculo de solidariedade. Antes de adentrar a defesa do Sr. Montalvani de Souza Lima, oportuno transcrever os artigos que embasaram a atribuição da solidariedade tributária: Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 772DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 14 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O Sr. Montalvani declarou ainda que em 2003 não compunha mais o quadro societário, tendo sido sócio até o início de 2001, quando repassou suas cotas, recebendo em equipamentos e remuneração (em alteração contratual sua retirada da sociedade se da em 15/03/01, conforme fl. 123). Neste ponto, encontrase o primeiro equívoco, pois consta Termo de Intimação (fls. 330/331) ao Sr. Montalvani de Souza Lima para comprovar o efetivo recebimento dos recursos relativos à venda de suas quotas conforme consta na alteração contratual, entretanto, o não houve resposta. Dando continuidade a sua defesa, aduziu que posteriormente recebeu procuração dos novos sócios e por força de sua formação técnica e conhecimento sobre as atividades da recorrida, pôde concluir a execução de alguns poucos contratos em andamento e que: “Tão somente exerceu poderes de procuração, não caracterizando gerência, nem em contrato social, nem em contrato de trabalho, não preenchendo requisitos para ser identificado como responsável pessoal, pois não agiu com excessos de poderes ou infração à Lei ou ao contrato social”. Em que pese o grande esforço para ver afastada a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, esta não merece ser afastada. No Termo de Declaração (fls. 334/335) o Sr. Montalvani confirmou que os sócios Itamar José Dias e Moisés Ribeiro Paz são os sócios de direito; que se retirou da sociedade, mas que continuou como o ÚNICO responsável pelas atividades da mesma; que seria responsável pela movimentação das contas bancárias e que havia assinado todos os cheques; que os equipamentos de escavação que recebeu ao sair da sociedade foram utilizados para integralizar as cotas de capital da empresa Montalvani Engenharia; não sabe a respeito dos comprovantes das despesas constantes nos demonstrativos de despesas apresentados pela recorrente. A sua última alegação não condiz com a realidade, pois nas cópias dos “Demonstrativos de Despesas” (fls.252/296) e no resumo de folhas 299/300 consta, na maioria deles, como gerente: Montalvani de Souza Lima, inclusive desde janeiro/2003, sendo que após março/2003, somente o próprio assina como gerente. Nas cópias dos “Recibos de saque avulso” do BCN (fls. 339/335) também se identifica a assinatura do Sr. Montalvani como único responsável pelos saques bancários. Há ainda cópias dos Contratos de Execução de Obras e Serviços entre a recorrente e a Cesan (fls. 179/234), os quais apontam como único responsável, seja como “sócio”, seja como “procurador” ou “representante legal da contratada”, o Sr. Montalvani. Temse ainda, durante o período de fiscalização, os Termos Aditivos nº 01º, 02º e 03º (fls. 223/228) de 03/04/2003, 16/10/2003 e 13/11/2003, respectivamente, que indicam literalmente “neste ato representada por seu sócio o Sr. Montalvani de Souza Lima, inscrito no CPF sob o nº 560.703.81734 (...)” e abaixo da assinatura – “SÓCIO DA CONTRATADA”. Nesse sentido, não há respaldo fático e jurídico algum no argumentado pelo Sr. Montalvani que “o fato de estar como representante em alguns aditivos contratuais da CESAN Fl. 773DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 15586.000337/200735 Acórdão n.º 1202001.224 S1C2T2 Fl. 23 15 originouse por equívoco, talvez por força da procuração”, pois resta claro a reincidência do fato e seria praticamente impossível a não constatação deste equívoco quando da assinatura dos referidos Termos Contratuais, bem como as consequências e responsabilidades dos negócios jurídicos firmados em nome da recorrente. Conforme Termo de Encerramento Fiscal, a fiscalização não localizou os sócios Itamar José Dias e Moisés Ribeiro Paz. Em 02/04/2007, a recorrente informou que o sócio Itamar José Dias encontrase em outro Estado para cirurgia e Moisés Ribeiro Paz encontrase em viagem por questões familiares. As declarações dos sócios Itamar José Dias (comerciante e sogro do Sr. Montalvani) e Moisés Ribeiro Paz (mestre de obras da recorrente) demonstram serem pessoas sem poder aquisitivo para adquirir as cotas de capital social, bem como administrar e gerenciar empresa que no ano de 2003 movimentou uma receita declarada de R$ 1.073.603,76. Do exposto acima, concluise que o Sr. Montalvani de Souza Lima permaneceu como sócio de fato e único responsável pela gestão e administração da recorrente, portanto, com base nos artigos 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional – CTN é responsável pessoal e solidário pelos créditos tributários apurados pela fiscalização por utilizar interpostas pessoas sem capacidade econômica para figurarem como sócios (“laranjas”), infringindo a Lei e o Contrato Social, evidenciando, pois, o intuito de sonegar tributos, consequentemente, configurando o dolo necessário à caracterização da responsabilidade pessoal e solidária. V – Multa de Ofício de 150% Resta claro nos autos que o motivo que levou a fiscalização e a DRJ a manter a aplicação da multa de 150% foi a utilização de interpostas pessoas inseridas na relação jurídica de maneira fraudulenta e o foram justamente para impedir o conhecimento dos reais beneficiários das operações da recorrente, implicando em redução indevida de tributos. Digase desde logo, que essa situação fática se subsume perfeitamente ao tipo previsto no artigo 71, inciso I da Lei nº 4.502/64. Assim, resta nítido pela análise dos autos que a autoridade fiscal lançadora e a decisão da DRJ de origem resolveram qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa da recorrente de se eximir do imposto devido, através da utilização, pelo sócio de fato, de interpostas pessoas (‘laranjas’) para figurarem como sócias da recorrente para sonegar tributos com o fito de dissimular e esconder do fisco os verdadeiros responsáveis pelas obrigações fiscais, no caso, o Sr. Motalvani de Souza Lima, na condição de proprietário de fato e administrador da empresa. Como dito e bem observado pela fiscalização e pela 7ª Turma da DRJ/RJO I, essas condutas são ações dolosas praticadas visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que evidencia o intuito fraudulento de não pagar tributo (artigo 71 da Lei nº 4.502/64), sendo cabível, portanto, a aplicação da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Neste sentido, acompanhase a decisão recorrida, pois estão presentes os elementos demandados para a qualificação da multa. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 16 A decisão recorrida deve ser acompanhada. VI Conclusão Diante de todo o exposto, votase por manter integralmente os lançamentos efetuados nos autos de infração de IRPJ, CSLL, IRRF, mantida igualmente a multa qualificada e a responsabilidade pessoal e solidária do Sr. Montalvani de Souza Lima. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 775DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907795/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 95 /2 01 2- 01 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907795/201201 Acórdão n.º 3803006.830 S3TE03 Fl. 117 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 10 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907795/201201 Acórdão n.º 3803006.830 S3TE03 Fl. 118 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907795/201201 Acórdão n.º 3803006.830 S3TE03 Fl. 119 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em outubro de 2007 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 15.566,03 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 3.412,07 (conforme índice de juros de 21,92% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 1.876,63, valor esse muito próximo, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907795/201201 Acórdão n.º 3803006.830 S3TE03 Fl. 120 5 com diferença de apenas R$ 0,93, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 1.875,70). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009057/2007-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. CASAMENTO NO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. TRIBUTAÇÃO PELO TOTAL EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES.
Comprovado que o contribuinte é casado no regime de comunhão universal de bens, não sendo sua esposa dependente na declaração de ajuste, correta a opção de tributar 100% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em nome de um dos cônjuges.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (03/02/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/02/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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CASAMENTO NO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. TRIBUTAÇÃO PELO TOTAL EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. Comprovado que o contribuinte é casado no regime de comunhão universal de bens, não sendo sua esposa dependente na declaração de ajuste, correta a opção de tributar 100% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em nome de um dos cônjuges. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (03/02/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/02/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 90 57 /2 00 7- 22 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.009057/200722 Acórdão n.º 2801002.066 S2TE01 Fl. 134 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: A Notificação de lançamento de fls. 18/22, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário consolidado em 04/2007 no valor de R$ 7.281,85 (sete mil, duzentos e oitenta e um reais e oitenta e cinc centavos). 0 lançamento originouse da revisão da DIRPF/2005, na qual foi constatada a omissão de rendimentos de alugueis. Na impugnação oferecida, à fl. 01/02, o representante do autuado alegou, em síntese, que: • Os rendimentos de alugueis foram declarados na declaração de ajuste anual de seu cônjuge, segundo documentos anexos; • Requer o cancelamento do lançamento. A 4ª Turma da DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação (fls. 37/40), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte, decorrente de alugueis recebidos de pessoas físicas, detectado através de DIMOB da fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar, através de documentos hábeis, que tal omissão não ocorreu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância, a inventariante do espólio, representada por seu advogado (fl. 131), apresentou o Recurso de fls. 44/47, com os seguintes argumento: · Valendose das prerrogativas legais (inclusive nos termos permitidos pelas instruções normativas da Receita para as declarações daquele ano), ao invés de informar os rendimentos na declaração de Arno, colocou todo os rendimentos na sua própria declaração; · Na legislação citada no próprio voto está previsto que, nos casos de rendimentos provenientes de alugueis em que o bem pertence ao casal, é licito que se faça a declaração dos mencionados rendimentos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.009057/200722 Acórdão n.º 2801002.066 S2TE01 Fl. 135 3 por apenas um dos cônjuges. E foi isso que foi feito no presente caso, conforme se pode verificar pela documentação em anexo; · Traz aos autos a certidão de casamento (doc. 01), a certidão de Obito de Arno Nicolau Heck (doc. 02); a certidão de inventariante para demonstrar sua legitimidade na representação da sucessão (doc. 03); e os contratos de locação e matricula de todos os imóveis pertencentes ao casal e que são objeto de locação, bem como os respectivos contratos de prestação de serviços mantidos com as imobiliárias correspondentes (docs. 07/09); e, por fim, a cópias das declarações de imposto de renda de Edite e de Arno (docs. 05/06); · Ao declarar os valores provenientes dos alugueis, a Sra. Edite, ao invés de colocar o valor no campo rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e informar o CNPJ da fontes pagadoras (imobiliárias), colocou os valores no campo demais rendimentos e imposto pago do titular, subcampo total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas; · Convém esclarecer que a mesma situação ocorreu nos exercícios 2006 e 2007 e as impugnações apresentadas pela recorrente foram acatadas, cancelandose o auto de lançamento e constituição de crédito tributário, conforme se depreende dos documentos n° 10/11, igualmente em anexo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão dos seguintes rendimentos de aluguéis: · CREDITO REAL IMOVEIS E CONDOMÍNIOS S/A, CNPJ 92.691.336/000166, no valor de R$ 9.142,56; · AUXILIADORA PREDIAL LTDA., CNPJ 92.780.600/000138, no valor de R$ 3.764,80. O recorrente alega que os referidos rendimentos foram declarados na declaração da esposa do contribuinte, conforme permite a legislação de regência, eis que se referem a rendimentos de alugueis de bens pertencentes ao casal. Analisando os documentos trazidos em sede de recurso (fls. 50/122), verifica se que: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11080.009057/200722 Acórdão n.º 2801002.066 S2TE01 Fl. 136 4 · O sujeito passivo demonstra ser casado com EDITE MARIA CANEPELLE HECK no regime de comunhão universal de bens; · Os rendimentos de aluguéis em questão referemse a bens imóveis pertencentes ao casal; · Os rendimentos omitidos apurados pela fiscalização foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual de EDITE MARIA CANEPELLE HECK, no campo destinado a rendimentos recebidos de pessoas físicas. Assim, comprovado que o sujeito passivo é casado no regime de comunhão universal de bens, não sendo sua esposa dependente na declaração de ajuste, correta a opção de tributar 100% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em nome de um dos cônjuges, no caso, oferecido à tributação na DIRPF/2005 de EDITE MARIA CANEPELLE HECK. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909100/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 00 /2 01 1- 15 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 134 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 908,89. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/10/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 135 3 Data do Fato Gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2013 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 136 4 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição relativo a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 137 5 Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do livro Diário e do balancete, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado, trazendo, adicionalmente, na segunda instância, parte do livro Razão. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 138 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 139 7 fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909100/201115 Acórdão n.º 3803006.741 S3TE03 Fl. 140 8 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10950.006381/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LUCRO ARBITRADO.
Se não há nos autos prova de que a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar os livros exigidos pela legislação empresarial e fiscal, mas apenas o livro Caixa, não há como se manter o arbitramento do lucro da pessoa jurídica sob o argumento de falta de apresentação daqueles livros
Numero da decisão: 1201-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade, manter as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional e afastar as exigências dos tributos lançados relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2007.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. Se não há nos autos prova de que a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar os livros exigidos pela legislação empresarial e fiscal, mas apenas o livro Caixa, não há como se manter o arbitramento do lucro da pessoa jurídica sob o argumento de falta de apresentação daqueles livros
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JANUARIO LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OPÇÃO PELO SIMPLES. LIMITE LEGAL DE RECEITA BRUTA. Se o sujeito passivo, optante pelo Simples, aufere no anocalendário receita bruta em montante superior ao limite estabelecido em lei para sua permanência no regime simplificado, deverá obrigatoriamente comunicar sua exclusão e, se não o fizer, será excluída de ofício desse regime. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. Se não há nos autos prova de que a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar os livros exigidos pela legislação empresarial e fiscal, mas apenas o livro Caixa, não há como se manter o arbitramento do lucro da pessoa jurídica sob o argumento de falta de apresentação daqueles livros Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade, manter as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional e afastar as exigências dos tributos lançados relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 63 81 /2 00 9- 00 Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0626.086, exarado pela 2º Turma da DRJ em Curitiba PR. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 621 e ss.): O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 61 (fl. 509), de 19/11/2009, que determinou sua exclusão ao Simples Federal, desde 01/01/2007; b) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 60 (f1.510), de 19/11/2009, que determinou sua exclusão ao Simples Nacional, a partir de 01/07/2007 e; c) a impugnação aos autos de infração de fls. 524 557, onde está sendo exigido o credito tributário de R$ 121.671,37 de imposto de renda pessoa jurídica arbitrado, ao amparo do no disposto no artigo 530, inciso I do RIR199, R$ 53.344,13 de CSLL, R$ 38.940,95 de contribuição ao PIS e, R$ 163.647,23 de contribuição ã COFINS. Do Ato declaratório Executivo n° 61, de 19/11/2009 2. O ADE n° 61, de 19/11/2009 foi expedido em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2006 a contribuinte omitiu receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não logrou justificar e, assim, extrapolou o limite estabelecido pela legislação do Simples, que era de R$ 2.400.000,00. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto nos artigos 2°, § 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 9º, inciso I e 14 inciso I, todos da Lei no 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007. 3. Na manifestação de inconformidade de fls. 572573 afirma que o ato não poderia ter sido emitido posto que à época encontravase em pleno exercício do direito de defesa contra os autos de infração relativos ao ano calendário de 2006, objeto do processo n° 10950.006382/200946, o que torna nulo o ADE. Sustenta que enquanto não esgotadas todas as instâncias administrativas para o questionamento daquelas exigências o ato não poderá surtir qualquer efeito jurídico e que a autoridade fiscal antecipouse desmotivadamente, não havendo autorização para a emissão, devendo, assim, ser declarada sua nulidade. Do Ato declaratório Executivo n°60, de 19/11/2009 Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 4 3 4. O ADE n° 60, de 19/11/2009 foi expedido em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2006 a contribuinte omitiu receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem lido logrou justificar e, assim, extrapolou o limite de receitas estabelecido pela legislação do Simples, que era de R$ 2.400.000,00. A fundamentação para a emissão do ato foi com base no disposto no inciso II do artigo 3° e artigo 16 da Lei Complementar n° 123, de 2006, artigo 12 da Resolução CGSN n° 04, de 2007 e artigo 5° da Resolução CGSN n° 15, de 2007, com efeitos a partir de 01/07/2007. 5. Na manifestação de inconformidade de fls. 563564 afirma que o ato não poderia ter sido emitido posto que â época encontravase em pleno exercício do direito de defesa contra os autos de infração relativos ao ano calendário de 2006, objeto do processo n° 10950.006382/200946, o que o torna nulo. Sustenta que enquanto não esgotadas todas as instâncias administrativas para o questionamento daquelas exigências o ato não poderá surtir qualquer efeito jurídico e que a autoridade fiscal antecipouse desmotivadamente, não havendo autorização para a emissão, devendo, assim, ser declarada sua nulidade. Do lançamento 6. Conforme consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 493503, em face de no anocalendário de 2006 o contribuinte ter ultrapassado os limites de receita bruta permitido para sua permanência no Simples, foram emitidos os ADE n° 60 e 61 a fim de formalizar sua exclusão àquele regime de tributação. Os fatos geradores ocorridos no ano de 2006 foram objeto do PAF n° 10950.006382/200946, já julgado por essa DRJ conforme Acórdão n° 26.085. 7. Dando continuidade à ação impetrada contra a impugnante a autoridade fiscal constatou que em relação ao ano calendário de 2007 também ocorreu omissão de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada, no importe de R$ 5.387.707,64. Portanto, como o excesso de receitas auferidas no ano de 2006 acarretou sua exclusão ao Simples, os autos de infração de fls. 524557 foram formalizados com base no arbitramento, ao amparo do disposto no inciso I do artigo 530 do RIR/99. 8. Como já mencionado anteriormente estão sendo exigidos créditos no importe de R$ 121.671,37 de imposto de renda pessoa jurídica; R$ 53.344,13 de CSLL, R$ 38.940,95 de contribuição ao PIS e, R$ 163.647,23 de contribuição à COFINS, além de multa de oficio e juros. 9. As infrações imputadas são: depósitos bancários de origem não comprovada somado ao valor declarado na Declaração Simplificada PJ Simples, a titulo de receitas operacionais. (...) Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 5 4 11. A multa de oficio, para todos os casos, foi de 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11 488, de 15/06/2007. 12. A ciência da exigência ocorreu em 24/11/2009, na pessoa do sócio Mauro Januário que, em 23/12/2009 protocolou a impugnação de fls. 581608, onde inicialmente faz um breve histórico da autuação e, em preliminar sustenta que o auto de infração é nulo posto estar pautado em exclusão ao beneficio do Simples para as quais só agora apresentou manifestação de inconformidade, tendo ocorrido desrespeito ao principio da legalidade, contraditório e ampla defesa. Sustenta que primeiramente lhe deveria ser oportunizado questionar os atos de exclusão, para só então, com base no resultado da análise da manifestação de inconformidade, apurarse acerca da necessidade de lavrar os autos de infração. 13. Alega que as decisões administrativas estão sujeitas ao contraditório e que a lavratura do auto de infração antes mesmo de o contribuinte ter sido cientificado dos atos de exclusão implica em presunção de culpa, devendo ser declarada sua nulidade, posto que nem mesmo o lançamento para prevenir a decadência justifica tal ato. E prossegue afirmando ter sido obrigada a abrir mão de direitos em nome do exercício ao direito de defesa; que como recebeu conjuntamente os atos de exclusão e os autos de infração, teve que abrir mão do direito â redução da multa prevista nos autos; que caso tivesse tido oportunidade de contestar amplamente os atos de exclusão, poderia definir com clareza se optava pelo parcelamento (com redução de 40% do valor da multa) ou pelo pagamento à vista (com 50% de dedução do valor da multa); que a autuação está em completa dissonância com as normas que regulamentam o PAF e deve ser declarada nula. 14. Afirma que a autoridade fiscal teria desconsiderado parte das informações prestadas, bem como documentos capazes de afastar a presunção de omissão de receitas; que, no exercício de sua atividade, ele considerou como receita toda e qualquer movimentação efetuada em suas contas correntes; que o ora impugnante tornouse vitima de lançamento pautado em presunção o que, não é reconhecido nem pela doutrina e nem pela jurisprudência e, muito menos justificativa suficiente para excluíla do regime de tributação do Simples. 15. Sustenta que as presunções jurídicas podem ser utilizadas pelo legislador ordinário, desde que obedecidos os limites estabelecidos pelo constituinte e que as presunções do homem ou meros indícios não são suficientes para embasar o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário; que o procedimento administrativo jamais pode declarar a existência de fato jurídico tributável com base em meros indícios ou presunções do homem; que o procedimento viola os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; que é impertinente a relação feita pelo fisco entre eventual e discutível excesso de Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 6 5 receita bruta no período de 2006, que culminaria com sua exclusão ao regime do Simples em 2007, quando sequer foi oportunizado de forma eficiente e plausível, seu direito de defesa. 16. Alega que o procedimento foi iniciado em outubro e já no mês seguinte presumiuse como receitas todos os valores que transitaram por suas contas correntes, sem se proceder às devidas exclusões cabíveis; que o fisco está vinculado ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional e, em assim sendo, não pode presumir a ocorrência de fato descrito como hipótese de incidência; que a autoridade fiscal só pode constituir o crédito tributário, quando efetivamente comprovada a ocorrência do fato imponível; que no presente caso isso não restou caracterizado posto a total falta de provas; que falta ao procedimento amor à legalidade, visto que iniciado por ato inválido e pautado em presunção e por não lhe ter sido garantido tempo hábil à conciliação destes créditos entre as contas e a própria contabilidade da empresa. 17. Protesta que não lhe foi oportunizado apresentar a contabilidade, refeita, agora, nos termos ditados pela autoridade fiscal, com o regime que melhor lhe aprouvesse; que descabe o arbitramento; que não lhe foi passado o comando de refazer a contabilidade, o que seria possível ante a recuperação de seus dados por meio de backup de suas máquinas e, também, não lhe foi garantido tempo hábil à conciliação destes créditos entre as contas e a própria contabilidade da empresa. 18. Solicita que lhe seja oportunizada a apresentação de laudo técnico que efetuará com base em documentos e dados a serem localizados a fim de contrapor à presente autuação. Afirma que está impossibilitada de elaborar o laudo neste momento em razão da necessidade de restaurar seus arquivos; que o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação do laudo se deve ao exíguo tempo entre o inicio do MPF e sua conclusão e, ante a complexidade da conciliação pretendida; que assim, impugna todos os lançamentos, bem como os abatimentos por ela efetuados e que estejam em dissonância com seu real direito. 19. Discorda da aplicação da multa escalonada. Sustenta que a previsão de aumento da multa caso exercida a defesa administrativa ofende o principio da ampla defesa; que a multa é abusiva e não pode prevalecer por absoluta falta de consonância entre a previsão legal e os critérios de razoabilidade que devem pautar as decisões fiscais. Por fim, ataca a aplicação da taxa SELIC, taxandoa de inconstitucional e pede o cancelamento da exigência. 20. Na conclusão, volta a atacar os autos de infração alegando estarem eivados de vícios devendo ser declarados inválidos e imprestáveis por estarem embasados em atos de exclusão os quais sequer foram discutidos, fato que lhe acarretou prejuízo pois usurpoulhe o direito de obtenção do beneficio decorrente da redução da multa e, entende que será necessário devolverlhe Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 7 6 o direito a optar entre a defesa e a redução das multas e que o auto de infração será certamente desconsiderado quando da apresentação do laudo técnico a ser elaborado. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde, em síntese, reproduz os argumentos expostos na impugnação e, ademais, afirma ser nula a decisão de primeiro grau por cerceamento do direito de defesa. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Preliminares de Nulidade Afirma a defesa serem nulos tanto o lançamento de que trata o presente processo, relativo ao ano de 2007, quanto à decisão de primeiro grau, sob o argumento de que tais atos deveriam aguardar a decisão administrativa definitiva a ser proferida no âmbito do processo nº 10950.006382/200946, relativo ao ano de 2006, onde a contribuinte é acusada de haver omitido receitas e, assim, ultrapassado o limite legal de permanência no Simples, que é de R$ 2.400.000,00, motivo pelo qual foi excluída do sistema simplificado a partir de 01/01/2007. Não assiste razão à recorrente. É certo que o julgamento do processo nº 10950.006382/200946 é prejudicial ao julgamento do presente processo, o que significa dizer que, em cada fase de julgamento, aquele deve ser apreciado antes deste. Mas a lei não exige o trânsito em julgado daquele processo como condição, nem para realização do lançamento de que cuidam os presentes autos, nem para seu julgamento em primeiro grau. Até porque, se houvesse necessidade de aguardarse o trânsito em julgado, não mais haveria possibilidade de realização do lançamento objeto do presente processo, em razão do decurso do prazo decadencial. O assunto é objeto de súmula de Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Afirma ainda a recorrente ser nula a decisão de primeiro grau em razão de a DRJ de origem não haver deferido pedido para juntada dos documentos capazes de afastar a incidência dos fatos geradores ora combatidos. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 8 7 Também aqui não assiste razão à defesa. De fato, conforme se verifica na decisão recorrida (em especial às fls. 631verso e 632), a DRJ de origem fundamentou sua negativa no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a petição para juntada posterior de prova deve ser feita mediante requerimento onde se demonstre a ocorrência de motivo de força maior, fato ou direito superveniente ou para contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos. Nesse sentido, como a petição da impugnante deixou de demonstrar a ocorrência de quaisquer daquelas situações, correto o indeferimento da juntada posterior de provas. 3) Da Exclusão do Simples A contribuinte foi excluída do Simples Federal (de 01/01/2007 a 30/06/2007) e do Simples Nacional (01/07/2007 em diante), em razão de haver auferido receita bruta no anocalendário de 2006 em montante superior ao limite para sua permanência no sistema simplificado, qual seja, R$ 2.400.000,00. A receita bruta auferida no ano de 2006, superior a R$ 2.400.000,00, adveio de omissão de receita apurada no âmbito do processo nº 10950.006382/200946. A impugnação ao referido lançamento foi julgada improcedente pela DRJ de origem, ademais, esta Turma, nesta mesma Sessão de novembro de 2014, negou provimento ao recurso voluntário interposto. Isso posto, ultrapassado, em 2006, o limite legal para permanência da contribuinte no Simples a partir de 2007, correta a sua exclusão do regime simplificado. 4) Do Arbitramento do Lucro Alega a defesa que o arbitramento do lucro somente tem lugar quando o contribuinte, regularmente intimado para tanto, deixa de atender à fiscalização. Afirma haver atendido as intimações que lhe foram dirigidas, razão pela qual é ilegítimo o arbitramento. Pois bem, pelo exame do termo de verificação fiscal (fl. 493 e ss.) é possível constatar que a autoridade, em momento algum, cita a razão pela qual promoveu o arbitramento do lucro da contribuinte relativamente ao ano de 2007. Na descrição dos fatos e enquadramento legal contidos no auto de infração consta o seguinte (fl. 530): Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007 06/2007 09/2007 12/2007 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme ... Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso I, do RIR/99. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 9 8 Compulsandose os autos do processo é possível verificar que somente no termo de início de procedimento fiscal (fl. 02) a contribuinte é intimada a apresentar livros fiscais. E nem sequer na aludida intimação foi solicitada a apresentação de livros Diário e Razão, mas somente livro Caixa. Isso posto, não restou comprovada nos autos a afirmação da autoridade segundo a qual a contribuinte não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, especialmente em relação ao período de 01/07/2007 em diante, em razão da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, deveria a autoridade têla intimado a manifestar sua opção pelo lucro presumido ou real, ao invés de pressupor a opção pelo lucro real. É o que estabelece o art. 32, § 2º, da Lei Complementar nº 123/2006, in verbis: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (...) Afastada a exigência do IRPJ com base no lucro arbitrado, mesmo caminho deverá seguir o lançamento da CSLL. Ademais, quanto à contribuição para o PIS e à Cofins, o lançamento com base no sistema cumulativo deve igualmente ser afastado, pois, como visto, não ficou provado que a contribuinte não possuía os livros e documentos para apuração do lucro real, o que lhe autorizaria a apuração dessas contribuições com base no sistema não cumulativo, conforme disposto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, II, da Lei nº 10.833/2003. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso para: a) manter a exclusão da contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional, haja vista que no ano de 2006 ultrapassou o limite legal de receita bruta para permanência no sistema, conforme processo nº 10950.006382/200946; b) afastar as exigências do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano de 2007. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10950.006381/200900 Acórdão n.º 1201001.142 S1C2T1 Fl. 10 9 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16682.900936/2010-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/09/2007
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA.
Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Numero da decisão: 1802-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/09/2007 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/09/2007 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 36 /2 01 0- 21 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por maioria de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Para descrever os fatos, por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão 1236.649, in verbis: “Tratase de DCOMP Eletrônica n° 05604.98608.290808.1.3.042842, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL Data de Arrecadação: 28/09/2007 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 318.233,48 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 136.219,66 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 136.219,66 O crédito teria sido informado em DCOMP inicial de nº 32152.48830.301107.1.3.043088, sendo sua origem no DARF recolhido em 28/09/2007, de CSLL (código 2484), no valor de R$ 318.233,48. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 11, nº de rastreamento 880539045, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 136.219,66. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF nº 600/2005, art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 5 4 A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/09/2010, fls. 11. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 21/10/2010, fls. 12/129, alegando: I – Do inequívoco direito à compensação a compensação não foi homologada ao argumento de que o montante oriundo de recolhimento indevido ou a maior que o devido, a título de estimativa de IRPJ e CSLL, somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ e da CSLL devidos no final do período de apuração, em 31 de dezembro, em razão do disposto no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. o litígio é restrito à possibilidade de compensação de valores pagos indevidamente ou a maior que o devido a título de estimativa de IRPJ e CSLL; não se discute a compensação dos montantes que foram apurados e que são devidos conforme a sistemática de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL, prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/96. conforme se infere da Ficha 11 da DIPJ/2008 e DCTF, o valor devido a título de estimativa de CSLL no mês de agosto de 2007 é de R$ 617.267,43, quitado com o DARF no valor de R$ 3.768.061,59. Entretanto, recolheu indevidamente o DARF no valor de R$ 318.233,48. a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN SRF nº 900/2008, em vigor quando o despacho decisório foi proferido. a IN SRF nº 900/2008, que regula e interpreta a legislação relativa à compensação tributária, diferentemente do que constava na IN SRF nº 600/2005, não veda a compensação de valores pagos indevidamente a título de débito de estimativa de IRPJ e CSLL. esta norma complementar da legislação tributária deveria ter sido observada nos termos do artigo 106, I do CTN. além de ter revogado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, a IN SRF nº 900/2008 trata juridicamente o pagamento indevido de estimativa como efetivo indébito tributário, sua real natureza jurídica, com incidência da regra do artigo 106, II, “b” do CTN. também deixou de classificar a compensação do indébito como sendo uma infração, aplicandose o artigo 106, II, “a” do CTN. II – A inexistência do fundamento legal para o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. o despacho decisório está fundamentado no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que não possui base legal. tendo que (1) o artigo 2º da Lei nº 9.430/96 define como débito de IRPJ e CSLL um valor exato a ser recolhido mensalmente, com imposição de penalidade pelo não pagamento, e (2) sendo que somente este montante poderá ser deduzido do imposto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 6 5 devido no final do exercício, certamente que os valores recolhidos além do apurado conforme legislação configurase Pagamento Indevido ou Maior a ensejar a sua restituição, nos termos do art. 165, I do CTN. ou seja, a legislação do IRPJ e CSLL vincula a utilização de saldo negativo apenas os valores efetivamente devidos a titulo de estimativa, não havendo vinculação ao saldo negativo de valores pagos a maior. o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 viola as disposições do artigo 2º da Lei nº 9.430/96 e do artigo 165 do CTN. III – Da improcedência do processo de cobrança correlato em razão da inexistência de débito a ser exigido do contribuinte. no caso de não reconhecimento do direito creditório, cabe o cancelamento da cobrança do processo correlato nº 16682.901140/201095. o débito compensado referese a estimativa de CSLL do mês de julho/2008, no valor principal de R$ 148.465,81, a apurou no exercício de 2009 saldo negativo de CSLL no valor R$ 3.354.296,13. o não reconhecimento da compensação possui o condão de reduzir o saldo negativo de CSLL no exercício de 2009. é incabível a cobrança das estimativas após o final do ano calendário, conforme artigos 15, 16 e 49 da IN SRF nº 93/97". É o relatório.” Em sua decisão, a DRJ no Rio de Janeiro (RJ) por maioria de votos, houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/09/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 7 6 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a Recorrente pleiteia pela reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, que seja homologada. Este é o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação ora em vigor, portanto dele tomo conhecimento. O não conhecimento do direito creditório foi arrimado somente no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Isto posto, quer o dispositivo acima que qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, que é determinado em observância ao artigo 2º da Lei nº 9.430/96, seja utilizado para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do saldo negativo. Sobre os mencionados atos normativos, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 9 8 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 10 9 IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, por si só, não encontram mais amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. De fato, no caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ / CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução), pois serão abatidos do imposto apurado no encerramento do anocalendário ou vão compor o saldo negativo. O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior o excesso de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 11 10 Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido ou a maior) por erro de base de cálculo estimada do imposto, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial constante do despacho decisório e a decisão a quo, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente é possível a restituição de saldo negativo, pois é possível a devolução de direito creditório pago em excesso, por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, para analise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, vale dizer para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal a base de cálculo da estimativa referente ao período de agosto de 2007; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado (apurar se o valor pleiteado não compôs o saldo negativo do anocalendário 2007). Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar o seu valor e se decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação na forma da legislação de regência ou em decorrência de apuração de prejuízos no ajuste anual. Por tudo que foi exposto, voto para DAR PARCIAL provimento ao recurso, para afastar o óbice, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Rio de Janeiro para que ela prossiga no julgamento, na análise do mérito do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela contribuinte. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900936/201021 Acórdão n.º 1802002.441 S1TE02 Fl. 12 11 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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