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Numero do processo: 17883.000209/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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(assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 20 9/ 20 10 -6 8 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 556 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.298.8938, lavrado em 22/09/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre , no período de 09/2005 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.477.244,51, fls. 01. Para melhor compreensão do caso, passamos a reproduzir o relatório constante do Acórdão a quo: 2. O Relatório Fiscal aduz em síntese: 2.1. Que em reunião com os representantes da empresa e com a presença dos responsáveis pelas áreas: jurídica, segurança, engenharia e medicina do trabalho e recursos humanos vinculados aos empregados expostos aos agentes noviços, buscouse captar, "entre outras situações, os procedimentos adotados pela empresa no que se refere ao seu entendimento de quais empregados/setores estariam enquadrados em grau de risco acima do tolerado, mesmo depois de todos os mecanismos de controle e redução por ela adotados", bem como quais as medidas tomadas para que tais riscos fossem minimizados (usos de EPC e EPI). 2.2. "O fato gerador do tributo em tela é a efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou a associação desses agentes, que prejudique a saúde ou a integridade física daqueles. A referida exposição foi constatada a partir da análise da documentação ambiental da notificada, especialmente os laudos técnicos de condições ambientais de trabalho." ' 2.3."A base de cálculo do presente lançamento constituise na remuneração paga, devida ou creditada, no decorrer do mês, ao longo do período fiscalizado, aos empregados que exercem suas funções nos postos de trabalho sujeitos à ação dos agentes nocivos benzeno ou cromo,...". 2.4. Tal adicional tem previsão no § 6o, do artigo 57, da Lei 8.213/91, e sua incidência abrange exclusivamente as remunerações dos segurados que trabalhem sujeitos às condições especiais. No presente caso, o acréscimo da alíquota da contribuição social é de 6% (seis por cento) concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 557 3 2.5. De acordo com o Anexo IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999, obedecendo ao artigo 58, da Lei 8.213/91, os agentes químicos benzeno e cromo proporcionam adicional da alíquota de contribuição. "Os agentes benzeno e cromo aparecem na relação do anexo n° 13 da NR15, onde não há limite de tolerância. A simples exposição aos agentes configura a nocividade." 2.6. Foi confrontado "o preenchimento do código "ocorrência" da GFIP com os empregados ocupantes dos cargos expostos ao agente químico "benzeno" das gerências GCR, GTME e GCB e ao agente químico "cromo" das gerências GEE, e GRZ relacionados pela empresa através dos ofícios de n° 4, de 02 de setembro de 2010, e de n° 7, de 13 de setembro de 2010. Entretanto, alguns empregados não foram enquadrados na GFIP com o "código 4 Exposição a Agentes Nocivos 25 anos"." Os salários de contribuição obtidos em GFIP dos empregados do período estão relacionados no anexo I. 2.7. "A constatação dos fatos narrados no corpo deste Relatório Fiscal foi verificada cor Contándose cada ocupante do cargo/função exposto, incluido na relação anexa de empregados de abril de 2007, fornecida pela empresa, com a correspondente declaração em GFIP, dentro do período analisado. Para os outros meses do período analisado, utilizamos os mesmos empregados tendo em vista a falta de informação dos ocupantes dos cargos." 2.8. "No que concerne à multa aplicada no presente Auto de Infração, foram observadas as disposições contidas no artigo 35A, da Lei n° 8.212/91, em respeito ao Princípio da Retroatívidade Benigna (artigo 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/66, do Código Tributário Nacional CTN)." 2.9.Consta informação de que "será formalizado processo de Representação Fiscal Para Fins Penais, ..." 3. Às fls. 283/334 consta Relatório de Riscos Ocupacionais contendo a análise da fiscalização sobre a documentação pertinente aos riscos ocupacionais no período estudado. 3.1. O Relatório de Riscos Ocupacionais esclarece inicialmente que: 3.1.1."Mediante a demanda proporcionada pelo Ministério Público Federal, através do Oficio MPF/PRM/VR/GAB/RRF N° 836/2009, de 27 de abril de 2009,iniciamos os trabalhos relativos aos Riscos Ocupacionais, na empresa, com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, Mandado de Procedimento Fiscal 0710500.2009.00587, de 10 de novembro de 2009." Fl. 572DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 558 4 3.1.2. "A auditoria fiscal tem a finalidade de verificar o gerenciamento do ambiente de trabalho, o controle dos riscos ocupacionais existentes e o cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho, e, por conseqüência, a confirmação das informações declaradas e confessadas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social GFIP." 3.1.3. Inicialmente, foram solicitados os seguintes documentos: Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), contendo informações detalhadas das medições realizadas em campo; Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA); Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), inclusive os relatórios anuais; Relação de setores da área produtiva da empresa correspondente ao enquadramento das análises ocupacionais vinculadas ao LTCAT e relação de acidentes de trabalho e Atas de reunião da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CIPA. 3.1.4. Complementa o acima exposto informando que: "Neste momento, obtivemos verbalmente a informação de que a CSN contribui com o adicional do GILRAT, contribuição prevista no parágrafo 6o do artigo 57 da Lei 8.213/91, reconhecendo, em GFIP, empregados sujeitos aos agentes "calor", "benzeno" e "cromo" epara os empregados sujeitos ao agente físico "ruído" acima do limite de tolerância (85 dB(A)), o uso de protetor auricular neutraliza a nocividade deste agente." 3.1.5.Aponta os procedimentos adotados pela fiscalização, os esclarecimentos fornecidos pela impugnante, assim como diversas inconsistências no Laudo apresentado e principalmente no confronto do Laudo com a GFIP. 3.1.6. Informa em relação à empresa terceirizada que a "CSN apresentou laudos elaborados em 2002 a 2003 como base do período de setembro de 2005 a dezembro de 2007. Portanto, as condições ambientais deste período devem ser as mesmas obtidas na época da confecção do laudo. A terceira, representante da CSN, coloca em dúvida quanto às mesmas condições ambientais de 2003 e do período auditado. Sendo diferentes, o laudo apresentado não pode alimentar a GFIP e neste caso, haveria a obrigação de realizar outras avaliações ambientais. Portanto, estranhamos os dizeres repetidos da terceira, tais: "vale lembrar que tais avaliações referemse ao ano 2003. Se foram observadas novamente entre 2005 e 2007 pode não tratarse mais das mesmas condições"". 3.1.7. Da impossibilidade de relacionar as funções do laudo com as funções do PPRA, onde por vezes existe uma função do PPRA para duas avaliações com a mesma denominação da função no laudo assim como procedimentos diversos impeditivos de se correlacionar explicitados por ano, ou seja, há várias funções reconhecidas no PPRA sem a correspondente avaliação no laudo. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 559 5 3.18. A fiscalização afirma que "os elaboradores dos PPRA de 2005 a 2007 não tomaram conhecimento das avaliações ambientais de 2002 e 2003, as quais são fontes de informações da GFIP. Não havendo informação clara da quantificação dos agentes, visto que os documentos não correspondem, não há como priorizar as ações." 3.19. Quanto ao PCMSO, temos que o relatório elaborado pela empresa demonstra valores acumulados dos exames audiométricos alterados, podendo ser ou não revelados no ano em estudo. Ou seja, a grande quantidade encontrada de exames alterados sugestivos de PAIR ocupacionais é resultado do ano estudado acumulado com anos anteriores, prejudicando a análise do período que realmente interessa, desvirtuando os objetivos do relatório anual. 3.2. O Relatório de Riscos Ocupacionais conclui que: 3.2.1.Não foram revelados os critérios para a formação dos GHE ("Grupo Homogêneo de Exposição (GHE) Conjunto de empregados que estão submetidos à mesma nocividade dos agentes, isto é, a pesquisa de um único elemento é válida para todo o grupo. A empresa achou por bem utilizar as funções como GHE"), tendo sido observado, no entanto, que as diversas funções encontradas não correspondem à função escolhida para o GHE determinado pelo laudo. Entende a fiscalização que "há necessidade, para a determinação da dose do nível de pressão sonora, do IBUTG para o agente nocivo "calor" e da concentração dos agentes químicos, da seleção da tarefa rotineira dos empregados relativos ao GHE escolhido, a fim de proporcionar um resultado mais próximo da realidade. A empresa, tomando as funções como GHE, não fornece informações sobre como determinou a rotina dos grupos escolhidos." 3.2.2. "A comprovação dos resultados obtidos em campo, durante as avaliações em 2002 e 2003, não foi apresentada. A CSN, por força de contrato, não guardou os documentos, comprometendo a confiabilidade dos resultados", porém ela é obrigada a guardar esses comprovantes. 3.2.3. A relação de empregados apresentada não corresponde às funções envolvidas nas avaliações ambientais, sendo específicas as denominações das funções do laudo. 3.2.4. Ocorre também, "nas avaliações para a mesma gerência, mais de uma função com a mesma denominação e, na relação de empregados, a mesma situação acontece. Como relacionar empregados nas correspondentes funções?'" 3.2.5. "Desde novembro de 2009, quando do início dos nossos trabalhos, deixamos claro à empresa que iríamos confrontar, para verificação da declaração em GFIP, os ocupantes das Fl. 574DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 560 6 funções incluídas no laudo técnico, fonte das informações declaradas em GFiP, com a relação de empregados. De outra forma, solicitaríamos, por amostragem, os empregados ocupantes das funções relacionadas ao laudo. Não é razoável, que depois de tanto tempo, a empresa ainda não envie, de forma imediata e exata, a relação dos seus empregados com os respectivos cargos." 3.2.6. "É de vital importância para o preenchimento do campo "ocorrência" da GFIP, reconhecendo ou não o adicional do GILRAT, que a empresa determine, de forma precisa, os ocupantes das funções contidas no laudo. Portanto, não é de se estranhar os inúmeros erros encontrados. Quando o laudo neutraliza a nocividade do agente a GFIP determina o pagamento do adicional e quando a nocividade não é neutralizada, a empresa não reconhece o adicional." 3.2.7. "Quando questionada a empresa sobre detalhes nas avaliações ambientais, a mesma não consegue esclarecêlos, tais como, descrições diferentes no mesmo item, entrega de duas avaliações diferentes para o mesmo item, falta de informação do critério na seleção do GHE para o agente "benzeno" e cancelamento de avaliações sem informar o motivo." 3.2.8. "A siderúrgica, de forma repetitiva, defendese alegando a competência dos técnicos elaboradores das avaliações. Não estamos questionando a capacidade dos técnicos e sim, procedendo à verificação das conformidades das demonstrações ambientais e do correto gerenciamento dos riscos ocupacionais de acordo com artigo 291 da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13 de novembro de 2009." 3.2.9. "Além disso, as avaliações que alimentam o campo "ocorrência" da GFIP foram geradas com o propósito de proporcionar ou não o direito ao adicional de insalubridade, conforme previsto no artigo 192 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, tanto que, em sua conclusão, não há discussão sobre trabalho permanente e nem a informação da concessão ou não de aposentadoria especial. A obrigação de elaboração do laudo contida no parágrafo 3o do artigo 58 da Lei 8.213 de 24 de julho dei 991 não foi cumprida." 3.2.10. "Cada gerência geral da CSN tem liberdade para a confecção do PPRA, mas nenhuma observou as avaliações ocorridas em 2002 e 2003. Os* programas estabelecidos no período auditado não foram planejados em função das quantificações dos riscos ocupacionais obtidos nas avaliações mencionadas." 3.2.11. "Como já discutido, os relatórios anuais dos anos de 2005 a 2007 não produziram, tanto para o controle biológico da exposição dos agentes químicos como para a monitoração da Fl. 575DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 561 7 exposição ocupacional, a informação de que houve seis casos de perda auditiva bilateral neurosensorial e a exposição ocupacional ao agente nocivo "benzeno" que não estão identificados nos referidos relatórios. Portanto, a sua finalidade não foi atendida que é identificar os exames alterados ocupacionais." 3.2.12. "Nos relatórios anuais também ocorre a mesma falta de transparência observada nas demonstrações ambientais." 3.2.13. "A empresa deixa dúvida quanto às condições ambientais do período analisado, afirmando que podem ter havido mudanças entre 2002 e 2003 em relação aos anos de 2005 a 2007. Esta declaração compromete a validade de todos os documentos entregues." 3.2.14. "Resumindo as situações encontradas, podemos afirmar que a CSN não atende às diversas indagações porque não as possui. Toda a memória foi destruída por razões não esclarecidas. Ela não conhece as hipóteses, os critérios e as condições que nortearam as avaliações ocorridas de 2002 a 2003 no campo. As questões levantadas foram respondidas sumariamente e, na maioria das vezes, fugindo ao assunto. Há casos em que a CSN não sabe quem trabalhou nos postos identificados em suas avaliações, denegrindo por completo, as informações declaradas em GFIP." Após tomar ciência pessoal da autuação em 30/09/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 338/360, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ªª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 420/438, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 20/01/2012, fls. 478. O recurso voluntário, apresentado em 17/02/2012, fls. 498/524, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia protestando por nulidade do lançamento, uma vez que entende não houve motivos para o arbitramento. Aponta que a fiscalização motivou o arbitramento pelo fato de ter sido apresentada relação completa do todos os cargos/funções da empresa e não somente aqueles solicitados pela autoridade fiscal. Reconheceu que informou a relação de cargos somente para um mês (04/2007), mas argumenta que a fiscalização deveria ter agido conforme determina o art. 142 do CTN e apurado a informação para os demais meses. Se as informações foram fornecidas, o arbitramento resta desamparado de motivação. Insiste que o procedimento de arbitramento é exceção e só pode ser adotado diante da ausência ou imprestabilidade da documentação fornecida pela contribuinte, o que não teria ocorrido no caso. Assim, requer a nulidade da autuação. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 562 8 Faz resumo da legislação aplicável e passa a defender a inexigibilidade da contribuição adicional prevista nos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91 por estar ocorrendo superávit e desequilíbrio estrutural do Sistema de Seguridade Social. Tratando do lançamento na parte que se refere ao agente nocivo Cromo, reconhece que os empregados do Cargo Operador de Solução I da gerência GEE estavam expostos ao agente nocivo, mas sustenta que tal cargo foi extinto em 06/2007, não devendo prosperar qualquer lançamento a ele referido após essa data. Na gerência GRZ o agente nocivo é o Ácido Crômico e não o Cromo como apontou a fiscalização. Tal agente possui um limite de tolerância de 0,04 mg/m3. No LTCAT apresentado na impugnação ficou demonstrado que todos os cargos da gerência GRZ estão abaixo do limite de tolerância referido na Norma Regulamentadora (NR) 15, o que comprovaria a insubsistência do presente lançamento. Se a autoridade fiscal utilizou tal LTCAT para embasar o lançamento, não poderia este ser desconsiderado no julgamento como o foi pela autoridade julgadora de 1ª instância. Quanto ao agente Benzeno, contesta a forma de exposição do trabalhadores. Sustenta que a exposição dos trabalhadores não é habitual ou permanente. Alega que ao cotejamento dos LTCATs de cada ano com os PPPs dos empregados demonstraria não existirem os requisitos legais ensejadores da obrigação de recolher a contribuição adicional. Por fim, requer a aplicação da multa mais benéfica. É o relatório. Voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Ao iniciarmos a análise do presente caso, percebemos que documentos essenciais para formarmos nossa convicção não constam dos autos na forma que possamos visualizálos. Entre os documentos exigidos pela legislação, aqueles previstos na IN 03/2005: "Art. 387. A contribuição adicional de que trata o art. 382, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: 1 a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o inciso V do art. 381; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela SRP. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17883.000209/201068 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.417 S2C3T1 Fl. 563 9 Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário. " Tais documentos foram fornecidos pela recorrente em CDROM, conforme admitiu a fiscalização, no Relatório de Riscos Ocupacionais de fls. 283/334. Porém, não foram impressos ou tiveram suas imagens disponibilizadas para visualização. Vários argumentos da recorrentes estão focados nas informações dos LTCATs e dos PPPs, o que induz à conclusão óbvia de que sem a visualização dos documentos citados, não temos como afastar ou confirmar as alegações da recorrente. Pelo exposto, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: 1. sejam juntados aos autos os documentos citados no art. 387, inciso I da IN 03/2005 (PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT e PPP), apresentados pela recorrente por meio de CD ROM que se relacionem com os agentes nocivos Cromo, Ácido Crômico e Benzeno; 2. manifestese a autoridade autuante, ou outra autoridade fiscal que a tenha substituído, sobre as alegações da recorrente, especialmente sobre: i. as alegações quanto ao fato de existir exposição ao agente Ácido Crômico e não ao Cromo para alguns cargos, bem como se houve ou não obediência aos limites tolerados para o respectivo agente; ii. a extinção do cargo de Operador de Solução I da gerência GEE a partir de junho/2007; iii. a alegação da recorrente de que não no cotejamento dos LTCATs com as PPPs não haveria habitualidade e/ou permanência de exposição; 3. Após as providências acima, seja a recorrente intimada a apresentar manifestação no prazo de trinta dias; 4. Retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 578DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13816.000663/2002-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado para exigir o PIS declarado em DCTF relativo aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre julho e dezembro de 1997. O motivo alegado para a autuação foi o não recolhimento dos valores devidos em razão da ocorrência “pagamento não localizado no sistema”. Em sede de impugnação, o contribuinte confirma o não recolhimento das contribuições devidas no período abarcado pelo lançamento. Entretanto, alega que possui ação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 16 .0 00 66 3/ 20 02 -5 1 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000663/200251 Resolução nº 3403000.501 S3C4T3 Fl. 3 2 judicial que impede a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic. Alegou também que o lançamento não poderia ter sido efetuado porque em 26/04/2000 os débitos ora lançados teriam sido incluídos no REFIS. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Campinas entendeu que há concomitância com processo judicial quanto à questão da cobrança da taxa Selic e considerou normal e legal a lavratura de auto de infração para cobrar débitos que já estariam incluídos no parcelamento. Destaco o seguinte excerto da fundamentação do voto da DRJ: “(...) Conforme relatado, tratase de exigência decorrente da revisão interna da DCTF 97, a partir da qual se verificou a não confirmação de recolhimentos relativamente ao PIS períodos de apuração outubro, novembro e dezembro/97 (fi.17). 6. Não houve, propriamente, impugnação quanto ao mérito da exigência, na medida em que não há contestação quanto aos valores autuados e sua fundamentação. As razões de impugnação se resumem nas alegações de existência de ação judicial relativa à Selic e adesão ao Programa Refis. 7. No que tange à alegada improcedência da autuação, temse a registrar que a existência de ação judicial ou a adesão ao Programa Refis não constituem obstáculo à constituição do crédito tributário, uma vez que nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previstas no artigo 151 do mesmo diploma legal. 7.1. Isto porque o artigo 151 do Código Tributário Nacional relaciona as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas nada dispõe sobre qualquer forma de impedimento à sua constituição. E o meio correto para isto é o Auto de Infração, conforme preceituado nos artigos 9° e 10 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, com a nova redação dada pelo artigo 1° da Lei n°8.748, de 09 de dezembro de 1993.(...)” Regularmente notificado do Acórdão da DRJ em 27/10/2005, o contribuinte manejou em tempo hábil o recurso voluntário, no qual alegou, em síntese, a nulidade do auto de infração por ausência de motivação, uma vez que não teria sido declinado a causa da autuação. No mérito, alegou que os débitos objeto do auto de infração já estavam confessados em DCTF, fato que afasta a possibilidade de serem lançados de ofício. Além disso, nos termos da Orientação nº 6, de 16 de junho de 2004, da Secretaria Executiva do Comitê Gestor do REFIS, todos os débitos confessados em DCTF antes da opção pelo referido programa devem ser consolidados para efeitos de parcelamento, de onde também decorre a nulidade deste auto de infração, uma vez que optara pela adesão ao Refis em 26/04/2000. Contestou os consectários do lançamento de ofício. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, o contribuinte não contesta os valores devidos a título de PIS. Entretanto, alega que os débitos foram incluídos no Refis antes da lavratura do auto de infração. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13816.000663/200251 Resolução nº 3403000.501 S3C4T3 Fl. 4 3 Na fl. 24 do PDF existe cópia da confirmação do recebimento do termo de opção pelo Refis, datado de 26/04/2000, enquanto que na fl. 17 se pode verificar que o auto de infração foi emitido cerca de dois anos após, em 08/05/2002. Sendo assim, para melhor subsidiar o julgamento da lide, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade administrativa esclareça conclusivamente os seguintes quesitos, juntando os documentos comprobatórios quando for o caso: 1) Foi válida a opção do contribuinte estampada no documento de fl. 24? 2) Os débitos exigidos no presente auto de infração eletrônico foram incluídos no Refis? Qual a data em que ocorreu a inclusão? 3) Se os débitos ora exigidos não tiverem sido incluídos no Refis, indicar o motivo pelo qual não foram incluídos. 4) Qual a data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração eletrônico? Atendida esta solicitação, os autos deverão retornar ao colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 115DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11065.721552/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008, 2009
FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZOS ÀS PARTES. PRINCÍPIO DA FORMALIDADE MODERADA. NULIDADE SUPERADA.
Em se tratando de matéria em que o julgador de primeira instância está vinculado administrativamente a ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma eventual devolução do processo para manifestação sobre essa matéria teria resultado certo, cujo único efeito seria o de adiar a decisão de segunda instância. Em assim sendo, aplicável o princípio da formalidade moderada no processo administrativo, e a alegação de nulidade da decisão recorrida deve ser superada.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
A glosa de despesas de amortização decorrentes do chamado ágio interno não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1302-001.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, afastar a preliminar de nulidade suscitada, vencido o Conselheiro Frizzo; b) por maioria, afastar a decadência suscitada, vencidos os Conselheiros Frizzo e Cristiane; c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto e Cristiane; d) por maioria, reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Waldir e Eduardo; e e) por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Cristiane e Pollastri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008, 2009 FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZOS ÀS PARTES. PRINCÍPIO DA FORMALIDADE MODERADA. NULIDADE SUPERADA. Em se tratando de matéria em que o julgador de primeira instância está vinculado administrativamente a ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma eventual devolução do processo para manifestação sobre essa matéria teria resultado certo, cujo único efeito seria o de adiar a decisão de segunda instância. Em assim sendo, aplicável o princípio da formalidade moderada no processo administrativo, e a alegação de nulidade da decisão recorrida deve ser superada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A glosa de despesas de amortização decorrentes do chamado ágio interno não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, afastar a preliminar de nulidade suscitada, vencido o Conselheiro Frizzo; b) por maioria, afastar a decadência suscitada, vencidos os Conselheiros Frizzo e Cristiane; c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto e Cristiane; d) por maioria, reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Waldir e Eduardo; e e) por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Cristiane e Pollastri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrente DUROLINE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, sem qualquer propósito negocial ou efeito societário a não ser a redução da carga tributária, e sem que se tenha verificado qualquer pagamento ou outro sacrifício patrimonial capaz de validar a alegada maisvalia. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico, cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A glosa de despesas de amortização decorrentes do chamado “ágio interno” não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 15 52 /2 01 2- 69 Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.066 2 DE PAGAMENTO PRÉVIO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a inexistência de pagamento foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008, 2009 FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS DE IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZOS ÀS PARTES. PRINCÍPIO DA FORMALIDADE MODERADA. NULIDADE SUPERADA. Em se tratando de matéria em que o julgador de primeira instância está vinculado administrativamente a ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma eventual devolução do processo para manifestação sobre essa matéria teria resultado certo, cujo único efeito seria o de adiar a decisão de segunda instância. Em assim sendo, aplicável o princípio da formalidade moderada no processo administrativo, e a alegação de nulidade da decisão recorrida deve ser superada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, afastar a preliminar de nulidade suscitada, vencido o Conselheiro Frizzo; b) por maioria, afastar a decadência suscitada, vencidos os Conselheiros Frizzo e Cristiane; c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto e Cristiane; d) por maioria, reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Waldir e Eduardo; e e) por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Cristiane e Pollastri. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.067 3 Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 10041.382 da 1ª Turma da DRJ/POA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPJ/CSLL GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. Comprovada conduta dolosa com intuito de fraude, correta a aplicação da multa de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO PELA DRJ. Os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados e não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexiste a respeito qualquer contraditório suscetível de apreciação pela turma de julgamento da DRJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 08/12/2012 (Termo a fls. 1967) e interpôs recurso voluntário em 20/12/2012 (Termo a fls. 2060), no qual alega as seguintes razões de defesa: Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.068 4 a) que a Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração, por meio do qual lhe são exigidos valores a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (R$ 687.302,09) e Contribuição Social sobre O Lucro Líquido (R$ 264.708,75), acrescidos de multa qualificada (150%) e juros de mora (SELIC), cujo somatório do crédito tributário exigido ao longo da autuação (tributos, multa e juros) atinge o total de R$ 2.848.252,364 (dois milhões, oitocentos e quarenta e oito mil, duzentos e cinquenta e dois reais e trinta e seis centavos); b) que se trata a indigitada autuação da desconsideração pelas dd. Autoridades Fiscais do valor de ágio amortizado pela ora Recorrente entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, em decorrência da incorporação da empresa Superline Empreendimentos e Participações (Superline); c) que, em resumo, os respeitados AuditoresFiscais desconsideraram a referida amortização de ágio por conta dos seguintes fundamentos: c.1) que a amortização teve por objeto “ágio interno”, artificialmente criado através de operações realizadas por empresas pertencentes a um mesmo bloco de controle, visando apenas e tão somente diminuir o valor de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) devidos pela Recorrente; c.2) que o ágio amortizado pela Recorrente não decorreu de operações que tenham envolvido terceiros (partes independentes) e tampouco demandou efetivo desembolso, o que impediria sua amortização; c.3) que o ágio interno não é aceitável segundo as leis comerciais e societárias, não sendo possível, por este motivo, a sua amortização para fins tributários, sendo considerado, inclusive, despesa desnecessária e, portanto, indedutível do lucro real e da base de cálculo da CSLL; c.4) que a empresa SUPERLINE foi utilizada como mero “veículo” para transportar o ágio artificialmente criado, o que se verifica pela sua curta existência, não tendo chegado a incorrer em custos operacionais; d) que, mais do que isso: ignorando a licitude das operações societárias (tanto no que tange à forma quanto no que tange ao conteúdo), entenderam os dignos Auditores Fiscais que os atos promovidos ela Recorrente representam fraude, devendo, por isso, ser sancionados com a multa qualificada prevista no art. 44, I e § 10, da Lei n. 9.430/96; e) que, em janeiro de 2003, a empresa Sulcromo S/A (“SULCROMO”) detinha 99,93% das ações da Duroline S/A (“DUROLINE”), ora Recorrente; f) que, em agosto do mesmo anocalendário, foi constituída a empresa Duroline Participações Ltda. (“DUROLINE PARTICIPAÇÕES”), sob o CNPJ n. 05.967.594/000128, a partir da cisão parcial da SULCROMO, conforme Protocolo de Condições e Justificação de Cisão Parcial de 25/08/2003; g) que, de acordo com tal protocolo, a operação de cisão se deu “pela necessidade encontrada pela administração da Sociedade de segregar as atividades operacionais exercidas, de forma que os acionistas possam ter, de forma isolada, a avaliação adequada do desempenho de seus dois ramos de atividades: prestação de serviços, através da sociedade que ora se pretende cindir (SULCROMO S.A., acima qualificada); e a produção de autopeças, o que se dá através da sociedade controlada DUROLINE S.A”; Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.069 5 h) que a cisão permitiu, portanto, que o grupo pudesse avaliar de forma adequada e segregada os dois empreendimentos; i) que a DUROLINE PARTICIPAÇÕES tinha por objeto social as seguintes atividades: (i) investimento em ações, quotas ou qualquer outro tipo de participação societária, com fito de auferir lucros, dividendos, bonificações ou outros rendimentos similares; (ii) orientar e assistir, inclusive financeiramente, coligadas e controladas; e, (iii) participar no capital social de outras sociedades, independente do tipo jurídico; j) que, em 30/10/2003, foi constituída a SUPERLINE, cujos sócios eram DUROLINE PARTICIPAÇÕES e Carlos Roberto Mazzozzochi; l) que a integralização do capital da SUPERLINE se deu pela transferência, pela sócia DUROLINE PARTICIPAÇÕES, das ações do capital social que detinha junto à DUROLINE, ora Recorrente, sendo que, para tanto, providenciou laudo de avaliação deste investimento, datado de 31/08/2003, realizada através da consagrada metodologia “discounted cash flow” ou fluxo de caixa descontado (rentabilidade futura) e por empresa especializada e com grande experiência na avaliação de empresas pertencentes ao segmento de negócio da Recorrente; m) que o referido laudo de avaliação atestou que o valor de mercado do aludido investimento era R$ 20.716.000,00 (vinte milhões, setecentos e dezesseis mil reais), logo, tendo em vista que o valor patrimonial da participação detida por DUROLINE PARTICIPAÇÕES em DUROLINE era, em 31/10/2003, de R$ 2.698.426,39 (dois milhões, seiscentos e noventa e oito mil, quatrocentos e vinte e seis reais e trinta e nove centavos), quando da constituição da SUPERLINE sobreveio ágio equivalente a R$ 18.017.573,62 (dezoito milhões, dezessete mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e dois centavos); n) que tal ágio decorre, portanto, da diferença entre o valor de mercado do investimento (R$ 20.716.000,00) e seu valor patrimonial (R$ 2.698.426,39) tudo consoante ditam o art. 20, II, do DL 1.598/77 e o art. 385 do RIR/99 (Decreto n. 3.000/99); o) que a contabilidade de todas as empresas espelha com perfeição e em detalhes a evolução de toda a operação, pois, se, de um lado, o valor do ágio restou registrado nos livros da Recorrente, de outro, em contrapartida, a empresa DUROLINE PARTICIPAÇÕES registrou contabilmente o correspondente ganho de capital em sua demonstração de resultado tanto um (ágio), como outro (ganho de capital), contabilizados pelo mesmo valor (R$ 18.017.573 2); p) que, em função da necessidade de reestruturação societária, que viria a proporcionar (i) uma redução de custos operacionais, (ii) racionalização das atividades administrativas, (iii) maior valor e liquidez das ações para os acionistas, (iv) fortalecimento do Patrimônio Líquido para aumento da eficiência e capacidade de financiamentos e (v) possibilidade de busca de parceiros estratégicos, foi realizada em 02/01/2004, a incorporação da SUPERLINE pela ora Recorrente; q) que, exatamente conforme dispõem a legislação nacional e as normas contábeis brasileiras, a Recorrente, após incorporar a empresa SUPERLINE, contabilizou em seu ativo diferido o valor de R$ 6.125.975,03, correspondente ao acervo líquido da sociedade incorporada decorrente do ágio no montante de R$ 18.017.573,63 e a respectiva provisão para sua realização no montante de R$ 11.891.598,59 e, ato subsequente, passou a amortizar o referido ativo diferido mês a mês, de acordo com a expectativa de resultados futuros previstas no Laudo de Avaliação e dentro dos preceitos estabelecidos nos arts. 7° e 8° da Lei n. 9.532/97 e no art. 20, § 2°, “b”, do DecretoLei n. 1.598/77; Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.070 6 r) que DRJ/POA entendeu por não enfrentar a questão relativa a possibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa constituída pelo lançamento fiscal matéria trazida pela ora Recorrente em sua originária Impugnação Administrativa, logo, negandose a resolver o litígio tal qual lhe fora proposto, o respeitado Colegiado a quo proferiu acórdão infra petita, o que justifica seja determinado por Vossas Senhorias o retorno dos autos a DRJ/POA para que finalmente se pronuncie sobre o tema; s) que estão extintos pela decadência os créditos relativos ao anocalendário de 2006 já que a notificação do auto de infração está datada de 23/05/2012, pois, ao caso aplicase a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN, seja porque neste ano ela apurou prejuízo fiscal, logo não havia como promover pagamentos, nem houve o dolo alegado pela fiscalização, para deslocar a regra decadencial para o art. 173, I, do CTN; t) que, diversamente, do que pretendem fazer crer os respeitados Auditores Fiscais, porém, as operações societárias promovidas pela Recorrente são válidas e eficazes, tendo sido realizadas de acordo com todas as exigências estabelecidas na legislação nacional sendo, assim, permitida a amortização do ágio consoante estabelecem os arts.. 7° e 8° da Lei n. 9.532/978 e o art. 20, § 2°, “b”, do DecretoLei n. 1.598/77; u) que, não bastasse, o ágio decorrente de tais operações ostentar como fundamento econômico a rentabilidade futura da empresa cujas ações compõem o respectivo investimento, o que possibilita, cumpridos os requisitos do art. 385 do RIR, sua amortização nos termos do art. 20, § 2°, II, do DecretoLei n. 1.598/77, pouco importando a existência ou a inexistência de outras operações econômicas por parte de qualquer das empresas partícipes da reestruturação societária e tampouco o fato de não decorrer o ágio de negociação com terceiros; v) que marca toda a autuação, os respeitados AuditoresFiscais partem da ideia de que a Recorrente promoveu diversas operações societárias junto a empresas vinculadas, tendo como intuito exclusivo beneficiarse da amortização do ágio daí resultante sem que houvesse a imediata tributação do correspondente ganho de capital (que se encontrava diferida pelo art. 36 da Lei n. 10.637/02); z) que robustecendo a possibilidade de amortização do ágio surgido entre operações que envolvam empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, cumpre indagar: se não envolvendo operações societárias mantidas entre empresas do mesmo grupo econômico, em que hipóteses haveria de ser aplicado o art. 36 da Lei n. 10.637/02? Quando faria sentido haver uma integralização de capital de uma participação societária a valor de mercado, em outra empresa, com a hipótese de diferimento da tributação do ganho de capital, se não em alguma pertencente ao mesmo grupo econômico? Houvesse ingresso de terceiros na operação, já neste momento, seguramente haveria a realização do ganho de capital, que na presente hipótese está diferido, logo, é óbvio, não haveria aplicação das previsões do art. 36 da Lei 10.637/02, sujeitandose referida operação às regras já existentes; aa) que o contexto legislativo demonstra que somente faz sentido a previsão legal disposta no art. 36 da Lei n. 10.637/02 se for admitida a realização de tais operações societárias entre “partes vinculadas”, o que derruba, em um só golpe a restrição fiscal quanto ao denominado “ágio interno” e pensar de modo diverso conduz a imprestabilidade do art. 36 da Lei 10.637/02; ab) que, concordem ou não os respeitados AuditoresFiscais com a legislação em vigor à época dos fatos postos a exame, não há dúvida de que a Lei n. 9.532/97 realmente permitia a amortização do ágio decorrente de rentabilidade futura sem quaisquer das restrições informadas no lançamento fiscal (participação de terceiro nas operações que originaram o ágio Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.071 7 e efetivo desembolso) e a a Lei n. 10.637/02 (art. 36) estabelecia o diferimento da tributação incidente sobre o correlato ganho de capital; ac) que, se não há no ordenamento pátrio qualquer exigência da participação de terceiros para que reste configurado o ágio amortizável, tornase evidente a possibilidade de amortizálo e, se a lei não distingue “ágio” de “ágio interno”, motivos não há para considerar se o ágio gerado em operações realizadas sem participação de terceiros como uma despesa desnecessária e, portanto, indedutível do lucro real e da base de cálculo da CSLL; ad) que, havendo previsão legal específica para dedutibilidade do ágio do lucro real e da base de cálculo da CSLL (art. 385 do Decreto 3.000/99), descabida a alegação de não enquadramento desta despesa no art. 299 RIR; ae) que, em nítida confirmação acerca da ausência de base legal à autuação, os respeitados AuditoresFiscais fundaram seu lançamento na aplicação do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01 de 14 de fevereiro de 2007, ato administrativo que respaldaria a restrição do aproveitamento do denominado “ágio intemo” (fl. 33 do AI), entre outros argumentos de natureza estritamente contábil; af) que não se queira dizer, conforme mencionado no acórdão ora combatido, que o Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01/07 tratarseia de mera orientação, de caráter interpretativo, sobre norma contábil aplicável às sociedades anônimas, pois que, conforme já mencionado em tópico anterior, não há qualquer restrição na legislação quanto à amortização do ágio gerado entre parte interdepentes, não havendo que se falar, portanto, em interpretação relativamente a esta; ag) que, tendo natureza de ato infralegal que sequer pode ser considerado “norma complementar” na dicção do art. 100 do Código Tributário Nacional (“CTN”) por não ser norma tributária, mas, apenas, contábil, o Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01 de 14 de fevereiro de 2007 é incapaz de restringir o direito à amortização de ágio e/ou inovar o ordenamento jurídico através de restrição não aparente nas leis de regência do IRPJ e da CSLL; ah) que o propósito negocial (business purpose) subjacente à reestruturação societária promovida pela Recorrente visou a obtenção de financiamentos com menores custos e a futura negociação das participações societárias de seus sócios; ai) que, não obstante a exigência de que as reestruturações societárias devam apresentar propósito diverso da simples redução ou postergação da carga tributária não encontre amparo no ordenamento jurídico nacional”, para que dúvidas não restem quanto à legalidade das operações promovidas pela ora Recorrente, importa demonstrar as razões econômicas pelas quais foram realizadas as operações societárias contra as quais se volta o Fisco; aj) que a Recorrente de tradicional indústria do setor de autopeças, que tem como principal atividade a fabricação de lonas e pastilhas de freios e outros produtos do sistema automotivo, com atuação reconhecida no Brasil e no exterior, a empresa, com sede em Caxias do Sul, produz diversos equipamentos que compõem o sistema de freios de veículos pesados, tais como ajustadores, rodas, pastilhas de freio, entre outros materiais de fricção; al) que, em 2003, diante de um cenário econômico em que as operações de fusões e aquisições eram cada vez mais comuns, constataram os administradores do grupo econômico a que pertence a Recorrente a necessidade de separação das atividades do grupo; am) que se tornava patente para a Recorrente, então, que o fortalecimento e preparação do seu negócio para o futuro eram imprescindíveis, diferentemente de anos Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.072 8 anteriores, a simples manutenção de sua estrutura já não garantiria mais a subsistência de seu empreendimento no mercado, na linha do quanto frequentemente era noticiado; an) que o contexto em que realizadas as operações societárias postas em cheque pela Fiscalização de Tributos Federais era: de um lado o segmento de autopeças estava em franca ascensão e em novos níveis de produtividade e exigência; de outro, as operações de fusões e aquisições cresciam de forma exponencial, o que tornava cada vez mais concreta a possibilidade de que num futuro próximo haveria de ser negociado o controle das operações promovidas pela Recorrente ou a entrada de um novo parceiro estratégico que traria novas tecnologias ou a possibilidade de atuação em novos mercados; ao) que, então, promoveuse a cisão parcial da empresa SULCROMO, o que segregou efetivamente as estruturas de negócio do grupo econômico a que pertence a Recorrente. Tal operação, de fato, serviu para segregar a prestação de serviços (SULCROMO) das atividades industriais (DUROLINE), de forma que os acionistas pudessem realizar, de forma isolada, a avaliação do desempenho dos dois ramos de atividade, demonstrando, também, a percepção de seus administradores quanto à necessidade de expandir seus negócios para tornaremse menos vulneráveis aos concorrentes e mais atraentes aos seus targets e/ou possíveis investidores; ap) que, fundamentados na legislação vigente (e especialmente nas previsões do art. 36 da Lei 10.637/02 que visava justamente a avaliação justa dos ativos para a entrada de novos investidores), os administradores objetivaram traçar um plano que permitisse a preparação do grupo econômico para uma possível parceria ou mesmo para a venda de suas operações. Ao mesmo tempo, foi mantida a estratégia de ampliar as atividades e manter a excelência dos serviços prestados; aq) que a preparação da empresa para uma possível parceria ou para a ampliação de suas atividades requereu a realização das operações societárias já referidas e, por meio das quais, foi possível à recorrene, de forma lícita e transparente, corrigir o valor de seus ativos a preço de mercado, através do método “discount cash flow”, consagrado para avaliação de negócios; ar) que tal avaliação de ativos a preço de mercado permitiu que: (i) a Recorrente tivesse acesso a financiamentos para a realização de uma série de investimentos na construção de novas instalações e na modernização de equipamentos e processos; (ii) os sócios da Recorrente pudessem transacionar suas participações societárias por valores justos e já espelhados em sua contabilidade; (iii) a Recorrente se tornasse atraente para a recepção de novos investidores que garantissem a competitividade e crescimento no mercado; as) que se não fosse a inicial segregação – que separou a atividade da prestação de serviços, restaria inviabilizado o ingresso da empresa Borracha Vipal no quadro societário da Duroline Participações, da mesma forma, que a correção de seus ativos a preço de mercado, com o decorrente fortalecimento do patrimônio líquido, veio, portanto, possibilitar para a recorrente a obtenção de financiamento em valores significativos, tais como o obtido junto ao FINEP (R$ 9.584.399,00), o qual possibilitou a transformação do antigo laboratório da recorrente em um moderno Centro Tecnológico e Treinamento; at) que, não havendo conduta dolosa tendente à ocultação ou engano, visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou a modificar suas características essenciais, cai por terra a pretendida qualificação dos atos como fraudulentos, do que decorre a necessidade de que seja afastada a multa qualificada de que dispõe o art. 44, § 10, da Lei n. 9.430/96; Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.073 9 au) que não incide juros de mora sobre as multas de ofício lançadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, deve ser acolhida a alegação de nulidade da decisão recorrida, pois a DRJ, ao se esquivar de analisar argumentos de defesa contrários a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, sob a alegação de que os autos de infração não formalizaram tal crédito, proferiu realmente uma decisão infra petita, por um equivocado entendimento sobre os limites da competência daquele órgão julgador. Ora, a DRJ não poderia desconhecer que as unidades da RFB estão vinculadas às conclusões do Parecer MF/SRF/Cosit/ Coope/Senog n° 28, de 1998, de tal forma que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício seria um efeito implícito da decisão por ela exarada, tanto que. certamente, no valor dos DARF (a fls. 1964 e 1965) encaminhados à recorrente após a decisão da DRJ já estavam inseridos os juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Ora, se o contribuinte tivesse que esperar a ciência da decisão de primeira instância, para, então, se insurgir contra a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, haveria uma ilegal supressão de instância. Diante disso, haveria, realmente, necessidade de se devolver os autos à DRJ/POA para que prolatasse decisão complementar quanto ao ponto não apreciado, todavia, entendo que, in casu, aplicase o disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70235/72, pelas razões que passo a expor na análise do mérito. Com relação à preliminar de mérito – decadência, não tem razão a recorrente, pois, independentemente, de ter sido ou não demonstrada a sua conduta dolosa, a regra de decadência aplicável in casu é a do art. 173, I, do CTN, pelo simples fato de não ter havido antecipação de pagamento no anocalendário de 2006 – já que apurou prejuízo fiscal no período. Por força do disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF, os colegiados deste Conselho deverão reproduzir em suas decisões o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido definitivamente julgada por meio de recurso representativo de controvérsia, nos termos dos arts. 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, sob a relatoria do Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal, se não vejamos o seguinte excerto da ementa, in verbis: 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.074 10 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Tratase, no presente processo, de situação fática enquadrada pela autoridade fiscal como conduta dolosa, a qual consistiu em apertada síntese nos seguintes fatos: 1º criase uma empresa denominada SUPERLINE, cujo capital foi integralizado, pela DUROLINE PARTICIPAÇÕES, com a entrega das quotas de capital que detinha na DUROLINE S/A, avaliadas acima do seu valor patrimonial; 2º há o registro de ganho de capital na DUROLINE PARTICIPAÇÕES, cuja tributação fica diferida nos termos do art. 36 da Lei 10637/02 e o registro do ágio por expectativa de rentabilidade futura na SUPERLINE; 3º por último, a DUROLINE S/A (controlada) incorpora a SUPERLINE e passa a amortizar o ágio. Esse planejamento tributário se tornou possível a partir do art. 39 da MP 66/02 (convertido no art. 36 da Lei 10.637/02), o qual permitiu o diferimento da tributação do ganho de capital auferido quando se dá, em integralização, um investimento contabilizado por um valor menor que o valor das cotas/ações integralizadas. Tal inovação veio no bojo do segundo processo de privatização de empresas públicas, iniciado com as alterações da Lei 8.031/90 pela Lei 9.491/97. Na verdade, não foi essa a única alteração na legislação tributária promovida, de 1991 até 2002, para viabilizar reorganizações societárias e o aproveitamento do ágio, ambos com o fito de estimular o processo de privatização de empresas estatais, se não vejamos o seguinte histórico. DO HISTÓRICO O DecretoLei 1.598/77 dispunha, no seu art. 34, que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituísse seria computado na determinação do lucro real, como perda de capital dedutível, a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado. Facultativamente, o contribuinte, para efeito de determinar o lucro real, podia optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos. Então, a diferença entre o valor contábil registrado na investidora e o valor a preço de mercado da incorporada constituía uma perda de capital dedutível da base tributável em caso de fusão, cisão e incorporação. Vale salientar que, durante muito tempo não se admitiu ágio ou deságio na subscrição de ações, algo que começou a ser aceito com uma mudança de entendimento da CVM, se não vejamos o seguinte excerto da Nota Explicativa CVM nº 247/96, in verbis: “7 DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Alguns esclarecimentos e alterações importantes foram feitos neste tópico. A primeira, e talvez a principal delas, trata da existência de ágio/deságio na subscrição de ações. Até algum tempo atrás, era Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.075 11 entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros.” Certo que o posicionamento da CVM não teria o condão de alterar a legislação tributária, mas tal entendimento terminou sendo absorvido pela legislação tributária, a qual começou a tratar como ágio a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações e, mais do que isso, a considerar a existência de ágio na investidora, mesmo que sem ter havido uma negociação direta com terceiros. Em 1991, em pleno processo de privatização do Governo Collor de Mello (Lei 8.031/90), a douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emite o Parecer PGFN nº 970/1991, o qual colocou em dúvida até a possibilidade de se tributar o ganho de capital auferido quando se dá, em integralização, um ativo contabilizado por um valor menor que o valor das cotas/ações integralizadas, se não vejamos: “8. Por outro lado, o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de uma renda ou de proventos de qualquer natureza, segundo preceitua o art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o conceito de renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos que o referido imposto incide sobre a percepção de uma renda segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda ou proventos os que a lei define como tais, coincidam ou não com o conceito econômico. 9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de uma operação de troca (permuta), pois os participantes do leilão também buscam trocar títulos públicos por participações acionárias das estatais, e, dessa forma, afastarseia a preocupação dos reflexos na licitação (leilão), pois o objetivo final dele não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos. (...) 15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e a própria base de cálculo. (...) Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.076 12 16. É evidente que o momento não seria aquele da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão, existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em conseqüência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” Com a devida vênia da douta PGFN, órgão merecedor das mais elevadas considerações e respeito, tal Parecer era frágil juridicamente, pois não havia como negar o ganho de capital na espécie, tanto que se fez necessária a edição de uma norma para diferir a tributação de tal ganho, se não vejamos o art. 65 da Lei 8.383/91, in verbis: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.”. No final de 1994 é publicada a MP 812/94 (posteriormente convertida na Lei 8981/95), a qual altera o regime de compensação de prejuízos fiscais, pois abandona o limite temporal e adota o limite quantitativo. Tal alteração veio se tornar, posteriormente, fundamental para os planejamentos com ágio, como no caso em tela, isso porque o valor amortizável dos ágios era tão elevado, em muitos casos, que dificilmente o contribuinte teria lucro para absorver a despesa em 4 anos (período máximo para compensação de prejuízos no regime anterior), razão pela qual essa alteração permitiu que a despesa de ágio se transformasse em saldo de prejuízos fiscais compensáveis ad perpetuam. Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.077 13 No ano de 1995, o art. 21 da Lei 9.249/95 veio amplificar o ágio amortizável (ou a perda de capital na dicção do art. 34 do DL 1598/77), pois, ao contrário do previsto no art. 34 do DL 1598/77, passou a ser possível avaliar a investida a ser incorporada pelo seu valor contábil. Notese que, pelo art. 34 do DL 1.598/77, já era autorizada a dedutibilidade da diferença entre o valor contábil do investimento e do seu acervo líquido incorporado como perda de capital dedutível (de uma vez só ou amortizável em 10 anos), logo não foi o art. 7º da Lei 9.532/97 que tornou dedutível o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Todavia, a grande contribuição da Lei 9.532/97 para o processo de privatização foi disposto no seu art. 8º, no qual se permitiu que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada. Isso era fundamental para preservação dos intangíveis da empresa adquirida com ágio. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Até esse momento a legislação fiscal só permitia que se transferisse para a empresa operacional adquirida o ágio efetivamente pago a terceiros, o que vulgarmente denomino de transferência de ágio externo. Todavia, consulta formulada à Coordenação de Tributação da Receita Federal em 2002, por uma importante entidade de âmbito nacional, a qual coubeme o exame, sustentava que, se uma Companhia 1 fosse integralizar capital em uma Companhia 3 com a conferência de ações de uma Companhia 2, poderia resultar em ágio na Companhia 3 e nenhum ganho de capital na Companhia 1. Sustentava o Consulente que, se o preço de emissão das novas ações da Companhia 3, a serem subscritas pela Companhia 1 como resultado da conferência das ações da Companhia 2, fosse fixado levandose em conta o valor econômico das próprias ações conferidas (ou seja, ações da Companhia 2 avaliadas acima do seu valor patrimonial, ou seja, com ágio), de forma que a cada ação da Companhia 2, conferida ao capital da Companhia 3, corresponda 1 ação da Companhia 3, não havia que se falar em ganho de capital, pois, em seus registros contábeis, a Companhia 1 deveria proceder a uma mera substituição em sua conta de investimentos, substituindo em seus registros a contabilização de ações representativas de um investimento na Companhia 3. Não obstante a redação final da solução de consulta não fosse mais exatamente a, por mim, proposta, prevaleceu a idéia central no item b das conclusões: “b) não se pode depreender da inteligência do art. 434 do RIR/99 que a companhia, pelo simples fato de ter elaborado laudo de avaliação do ativo, nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404/76, esteja obrigada a levar a registro em sua contabilidade eventual maisvalia apurada no valor do investimento, desde que o lote de ações da Companhia 2, que se afirma ter o mesmo valor das ações a serem integralizadas da Companhia 3, seja incorporado ao patrimônio da Companhia 3 pelo valor contábil registrado na escrita da Companhia 1;” Ao se exigir que, in casu, as ações da Companhia 2 fossem registradas, na Companhia 3, pelo valor contábil registrado na Companhia 1 e que tal valor fosse exatamente o Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.078 14 mesmo valor de emissão das ações da Companhia 3, indiretamente, estava sendo dito que não poderia existir ágio na aquisição das ações da Companhia 2 pela Companhia 3, sem que houvesse uma ganho de capital tributável na Companhia 1. Surpreendentemente, alguns meses depois de expedida essa solução de consulta, o art. 39 da MP 66 (DOU de 30/08/2002) veio confirmar que a Solução de Consulta estava certa quando afirmava haver ganho de capital se houvesse ágio na outra ponta, mas, por outro lado, diferiu a tributação até que houvesse a alienação das ações integralizadas (no exemplo dado, o ganho de capital obtido com as ações da Companhia 2 só seria tributado, na Companhia 1, quando ela alienasse as ações da Companhia 3). Todavia, o legislador da MP 66 teve o cuidado de deixar claro, no § 2º, que não seria considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação. Com isso, não havia mais sequer a necessidade de se desembolsar recursos no pagamento de ágio, pois esses passaram a ser gerados por meros laudos de avaliação em conferência de ações. Em 2005, coubeme redigir proposta da RFB de revogação do art. 36 da Lei 10.637/02, proposição essa que foi inserida na MP 255/05 e que previa não só fim do diferimento da tributação de tal ganho de capital, como também uma tributação mínima anual (caso não houvesse a realização do investimento) do ganho já diferido e controlado na Parte B do Lalur. O Congresso Nacional achou por bem apenas revogar o art. 36, sem disciplinar como se daria a tributação dos ganhos de capital que já tinham sido diferidos. Tal fato veio reforçar a ideia de que tudo aquilo tinha sido feito para o processo de privatização, razão pela qual, findo o processo, poderia ser revogada a norma, mas não tributar o passado (ganhos de capital diferidos controlados no Lalur). Ora, realmente entendo toda a indignação da autoridade lançadora diante de tal quadro normativo, porém, esse planejamento tributário foi autorizado e incentivado pelo legislador federal1, com um conjunto de normas que se encaixam com perfeição, pois, conforme demonstrado anteriormente, foise a cada momento se inserindo um novo elemento normativo que tornava o planejamento cada vez mais atraente. Assim, ainda que se admita um déficit ético em tais normas, elas são legítimas e válidas juridicamente, razão pela qual, salvo comprovada ilicitude dos atos praticados, o simples fato de o recorrente ter se valido de todos esses permissivos legais não pode jamais ser interpretado em seu desfavor. DOS CONCEITOS VAGOS NÃO POSITIVADOS Inicialmente, há que se ressaltar que os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, o qual não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações 1 Certamente, que o destinatário de todas essas alterações normativas foram os licitantes dos pregões de empresas estatais, mas, em uma República, a norma beneficia a todos se o legislador não a excetuou. Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.079 15 internas, se não vejamos o teor do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.”.[grifo nosso] Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.080 16 logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal. Não se pode conceber, sob uma perspectiva puramente jurídica, que se diferencie os efeitos da aquisição de uma participação pelo pagamento em pecúnia daquela que se deu com uma dação em pagamento, pois sempre que o bem dado em pagamento superar o valor patrimonial da participação adquirida, haverá ágio. Ademais, qual é o conceito, para fins tributários, de grupo econômico? É aquele formado entre controlador e controladas? Pode ser aquele formado apenas por coligadas sem controle comum? É bem verdade que o art. 2º do DL 1.598/77 até tentou algo nesse sentido, mas foi logo revogado. Por sua vez, é inaplicável, para fins tributários, o conceito insculpido no art. 2º da CLT, pois a norma já limita a sua aplicação às relações de emprego. Já o inciso X do art. 30 da Lei nº 8.212/91 é de pouca valia, pois não define grupo econômico, o que leva alguns julgados a lhe dar uma interpretação restritiva, se não vejamos o seguinte excerto do Acórdão nº 0223813, de 21/09/09, da DRJ/BH, in verbis: “PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO À FISCALIZAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à Fiscalização documento e/ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. Para a configuração de grupo econômico há necessidade de convergência de vários indícios e elementos fáticos. A mera participação societária majoritária de uma empresa em outra não é capaz, por si só, de ensejar a constituição do grupo. A partir do exame da documentação contida nos autos, insubsistente a configuração de grupo econômico e consequentemente, a responsabilização da entidade arrolada como solidária, excluindoa do pólo passivo do lançamento.” Sem emitir qualquer juízo de valor sobre o julgado acima transcrito, vale observar que a legislação tributária, mais especificamente a legislação do IRPJ, não trabalha com o conceito de grupo econômico, mas com o de entidade jurídica, razão pela qual são frágeis as autuações fundamentadas no referido pronunciamento da CVM sobre ágio interno e que trabalham com conceitos de grupo econômico juridicamente indefinidos. Nesse sentido, ressaltese que a simples constatação de geração de ágio interno em reestruturação societária, sem a demonstração de que a conduta do contribuinte se configura em um ato ilícito, não justifica a qualificação da multa, a qual exige que a ação do contribuinte seja dolosa (art. 71 e 72 da Lei nº 4.506/72). O TVF afirma que “Em momento algum o ágio interno foi aceito pela Contabilidade, pela CVM ou pelas regras tributárias”. Ora, eu diria que o reconhecimento do ágio interno nunca foi vedado pelas regras tributárias, ao contrário, ao se refletir um pouco mais sobre o texto do então vigente art. 36 da Lei 10.637/02, concluise que ali existia uma autorização expressa de ágio interno (intragrupo), pois se a norma sustentava que havia ganho de capital em uma ponta da operação nela regulada, na outra ponta, poderia haver ágio interno, bastando que as empresas investida e investidora estivessem sobre o controle do subscritor/integralizador, o que a lei não vedava. Da mesma forma, não vislumbro norma legal contábil que vede o reconhecimento do ágio intragrupo, mesmo porque o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que serviu de base para o lançamento, não nega a existência de Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.081 17 ágio interno, pelo menos, não para fins tributários, tanto que ressalva que “do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto)”. Para a legalidade tributária, basta isso, se não demonstrada qualquer ilicitude. Ademais, o julgamento no âmbito do CARF é de cognição restrita. O próprio regimento e a súmula no 2 já vedam qualquer juízo de constitucionalidade de lei. Na verdade, isso decorre do fato de que a atividade dos colegiados do CARF não passa de mero controle de legalidade dos lançamentos tributários. Assim, ou se demonstra que a operação está maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e a ela devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. DA CONDUTA DA RECORRENTE Diante disso, cabe verificar se a autoridade fiscal logrou demonstrar ilicitude na conduta da recorrente, razão pela qual, vale a transcrição do seguinte excerto do TVF (a fls. 1539 e 1540), in verbis: Nos anoscalendário de 2003/2004, foram estruturadas uma série de operações em seqüência, premeditadas, envolvendo uma empresa “veículo”, partes relacionadas e ágio artificialmente gerado, sem modificação do controle da empresa Duroline, sem propósito negocial, visando unicamente moditicar fatos geradores futuros de lRPJ e CSLL, através de uma redução do lucro tributável. Por todo o exposto no presente relatório fiscal, concluise que, no caso concreto, houve por parte do contribuinte, nas pessoas de seus acionistas, Carlos Roberto Mazzochi (Diretor) e Jorge Luiz Mazzochi, uma ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante de imposto devido, o que se subsume ao previsto no art. 72 da Lei 11° 4.502/64, fraude, motivando a aplicação da multa de 150% para as infrações aqui apuradas, sem prejuízo de Representação Fiscal para Fins Penais, elaborada contra os sujeitos da conduta dolosa, compondo processo administrativo digital nº 11065721554/201258, uma vez que: ambos, Carlos Roberto Mazzocl1i e Jorge Luiz Mazzochi, assinaram o Contrato Social de constituição de Superline (empresa “veículo” e “efêmera”) em 30/10/2003, como representantes de Duroline Participações (sócia majoritária, com 99,99% do capital social, de Superline); ambos, Carlos Roberto Mazzochi e Jorge Luiz Mazzochi, foram eleitos diretorpresidente e diretoradministrativo respectivamente de Superline; Carlos Roberto Mazzochi era Diretor~Presidente de Duroline e Jorge Luiz Mazzochi era membro do Conselho de Administração desta; ambos, Carlos Roberto Mazzochi e Jorge Luiz Mazzochi, participaram da Assembléia Geral Extraordinária ocorrida em Duroline, em 02/01/2004, na qual foi aprovado o Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação da sociedade Superline, e o respectivo Laudo de Avaliação Contábil do Acervo Liquido desta; Carlos Roberto Mazzochi assinou o Livro Diário de Superline, ano calenclário 2003, contendo registro do ágio e da provisão para realização do ágio. Não cabe à fiscalizada invocar desconhecimento ou prática de erro escusável. Em momento algum o ágio interno foi aceito pela Contabilidade, pela CVM Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.082 18 ou pelas regras tributárias: nem quando foi criado, nem quando foi amortizado, nem em qualquer outro momento anterior ou posterior. Vale relembrar que o custo histórico como base de valor já há muito está consagrado pela Contabilidade e, por extensão, pela legislação do imposto de renda, que apura o lucro real com observância dos preceitos das leis comerciais (Decreto Lei 110 1.598, de 1977, art. 6º, §1°). Primeiro, ressalto que essa é a única razão pela qual a autoridade fiscal considerou a conduta da recorrente dolosa. Não há, no TVF, qualquer outro motivo a justificar a qualificação da conduta como dolosa, afora, logicamente, um ou outro comentário implícito na descrição dos fatos ocorridos. Segundo, notese que a autoridade fiscal não enquadra os negócios jurídicos praticados pela recorrente em qualquer ilícito civil, ou seja, ela fala em empresa veículo, falta de propósito negocial e ágio artifícial, mas em nenhum momento enquadra os atos praticados como simulação, abuso de direito, etc, mas como “uma ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante de imposto devido, o que se subsume ao previsto no art. 72 da Lei 11° 4.502/64, fraude”. Ora, então, a acusação é de conduta em fraude à lei, ou seja, os atos de reestruturação societária praticados teriam como finalidade criar artificialmente uma despesa de ágio e assim modificar o critério quantitativo (base de cálculo) do fato gerador, fazendo com que a lei tributária não atingisse aquela parcela da renda excluída da tributação. Diante dessa constatação, a primeira questão que se coloca é se a fraude à lei tributária pode decorrer de atos lícitos. Em outras palavras, se o contribuinte pratica, antes da ocorrência do fato gerador, atos lícitos que têm o condão de modificar as características essenciais do fato gerador, terá incorrido em fraude à lei tributária? Certamente não, pois a conduta se enquadraria naquilo que a doutrina denomina como elisão fiscal – economia tributária por meios legais. Ressalto que o entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extratributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto, pois nem mesmo o art. 187 do Código Civil sustenta tal doutrina. Isso porque a finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo – inclusive tributário, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. Ora, seria desarrazoado sustentar que o contribuinte, diante de dois caminhos lícitos, fosse obrigado a escolher aquele que fosse tributariamente mais oneroso, sob pena de estar excedendo os limites impostos pelo fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes à atividade empresarial. Em verdade, tal doutrina é muito mais propositiva do que analítica do Direito posto, pois nem mesmo do art. 187 do CC podese extrair que o limite para o planejamento tributário legítimo seja dado pela existência de causa extratributária. Destarte, ou os atos praticados com o intuito de afastar a incidência da lei tributária são ilícitos ou não há que se falar em fraude à lei (tributária). No caso em tela, a autoridade fiscal sustenta que o ágio foi artificialmente gerado e que foi constituída empresa veículo e efêmera, ou seja, sustenta, implicitamente, que teria havido simulação na constituição da Superline e nos atos posteriores que levaram ao registro da despesa com amortização do ágio. Tratase assim de uma simulação que se apresenta como instrumento de uma fraude à lei, ou seja, simulouse atos que tiveram o condão de modificar as características essenciais do fato gerador, afastando assim a incidência da lei tributária sobre parte da renda. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.083 19 Todavia, é débil a demonstração de tal simulação, pois limitase à constatação dos seguintes fatos: que Carlos Roberto Mazzochi e Jorge Luiz Mazzochi, assinaram o Contrato Social de constituição de Superline (empresa “veículo” e “efêmera”) em 30/10/2003, como representantes de Duroline Participações (sócia majoritária, com 99,99% do capital social de Superline); que Carlos Roberto Mazzochi e Jorge Luiz Mazzochi foram eleitos diretorpresidente e diretoradministrativo respectivamente de Superline e que Carlos Roberto Mazzochi era DiretorPresidente de Duroline e Jorge Luiz Mazzochi era membro do Conselho de Administração desta; que Carlos Roberto Mazzochi e Jorge Luiz Mazzochi, participaram da Assembléia Geral Extraordinária ocorrida em Duroline, em 02/01/2004, na qual foi aprovado o Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação da sociedade Superline, e o respectivo Laudo de Avaliação Contábil do Acervo Liquido desta; que Carlos Roberto Mazzochi assinou o Livro Diário de Superline, anocalendário 2003, contendo registro do ágio e da provisão para realização do ágio. Ora, tudo se resume no fato de ter sido constituída uma pessoa jurídica (SUPERLINE) por outra (DUROLINE PARTICIPAÇÕES), tendo os representantes legais desta acumulado postos de comando naquela e, logicamente, participado dos atos de gestão das duas pessoas jurídicas e, por fim, deliberado, dois meses após a constituição da primeira, pela sua incorporação por outra pessoa jurídica sob o mesmo controle acionário (DUROLINE S/A). Ora, o único indício de simulação nos fatos narrados está na constatação da existência efêmera da Superline, pois, se ela tivesse sido incorporada, por exemplo, 20 anos após a sua constituição, não haveria sequer indício de simulação, ainda que mantidas as demais circunstâncias fáticas. Além disso, o fato de a Superline ter sido criada intragrupo não é sequer indício de simulação, pois toda a operação poderia ter sido realizada a partir da aquisição de ações de uma empresa preexistente, levando ao mesmo resultado. Por outro lado, se a existência efêmera da Superline é um indício, será indício de uma simulação absoluta, pois nada foi dissimulado. No presente caso, o que se buscou foram os efeitos que são próprios do ato considerado como simulado (constituição da Superline), ao contrário, por exemplo, do que ocorre no planejamento conhecido como casa separa, em que simulase uma integralização de capital seguida de devolução de capital, para se dissimular uma compra e venda de participação societária ou de algum ativo da pessoa jurídica que devolve o capital. Em verdade, in casu, o que a recorrente desejava efetivamente era se enquadrar na norma legal insculpida no art. 36 da Lei 10.637/02. Tratase, assim, de um único indício de simulação na constituição da Superline, caracterizado pela sua existência efêmera, o qual não fora praticado para se esquivar da aplicação de uma regra de incidência tributária, mas para se enquadrar no permissivo legal do art. 36 da Lei nº 10.637/02. Ou seja, as modificações nas características essenciais do fato Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.084 20 gerador não decorreram unicamente da constituição da Superline e dos demais atos desencadeados a partir dela, pelo menos, não diretamente, pois as alterações do critério quantitativo do fato gerador se deram em razão da incidência da norma insculpida no art. 36 da Lei 10.637/02 sobre o fato imponível. Tanto isso é verdade, que, nas mesmas circunstâncias fáticas do presente caso, seria impossível a realização do mesmo planejamento após a revogação do indigitado art. 36. Ensinanos Pontes de Miranda (in Tratado de Direito Privado, Bookselles, 1ª ed., p. 442) que “Em toda simulação há divergência entre a exteriorização e a volição, quer seja quanto ao objeto, ou melhor, quanto à matéria, de re ad rem (B vende manuscritos, dizendo vender pastas), ou quanto à pessoa, de personam (A doa a C, dizendo doar a B), ou quanto à categoria jurídica, de contractu ad contractum (A doa dizendo vender), ou quanto ao tempo , de tempore ad tempus (contratou por cinco anos a casa, dizendo ser por três anos), ou quanto à quantidade, de quantitate ad quantitatem (A vende seis caixas e o contrato fala de três), ou quanto a fato, de facto ad factum (A declara que pagou, e não pagou, ou viceversa), ou quanto ao lugar, de loco ad locum (A assina como se fora concluído no Brasil o contrato que concluíra no Uruguai)”. Ora, no caso em tela, não há divergência entre a exteriorização e a volição, pois a recorrente queria efetivamente constituir a Superline, o que fica evidente quando verificamos que não se encaixa em qualquer das categorias acima (simulação quanto objeto, pessoa, categoria jurídica, tempo, quantidade, fato, lugar, local). Nesse sentido, vale diferenciar causa de motivo do negócio jurídico, pois, “Causa é o fim que o agente procura e o leva a prática do ato, sem se cogitar do fim, que antes tivera, e do fim, ou fins, ulteriores, que com o ato entende alcançar. Motivos são as pré intenções que dão ensejo ao negócio. O que é essencial ao negócio jurídico é a causa, sendo que o acordo sobre a causa pode ser simulante: dissimulase a doação, simulandose o pagamento; dissimulase o pagamento, doandose; vendese, simuladamente, quando, em verdade, se doou (Pontes de Miranda, in Tratados de Direito Privado, Tomo 3, ed. Bookseller, p. 124/126/127). No presente caso, o autuante tenta sustentar a simulação na constituição da Superline não pelo vício na causa, mas no motivo, ou seja, pelo fato de a pessoa jurídica ter sido constituída para o fim específico de reestruturação empresarial que possibilitaria o gozo dos benefícios do art. 36 da Lei 10.637/02. Por esses motivos, ainda que se aceitasse como suficiente o único indício trazido pela Fiscalização, não restaria demonstrada a simulação na constituição da Superline. Em suma, a afirmativa de que houve ação dolosa sem demonstrar plenamente a ilicitude dos atos praticados, soa apenas como tendo ocorrido atos de gestão, intencionalmente praticados, com a finalidade de reduzir custos tributários, o que, por si só, não é ilícito. A autoridade lançadora não qualificou como simulada a constituição da Superline, nem demonstrou ser fraudulento o laudo de avaliação da Duroline (de onde aflorou o ágio), logo, não poderia concluir pela ilicitude das operações de reagrupamento societário praticadas pela recorrente. Se não restou devidamente demonstrado vícios nos negócios jurídicos praticados pela recorrente, falar em conduta dolosa é negar a esfera de liberdade que o ordenamento jurídico resguarda a todo administrador de empresas de livremente escolher, diante de caminhos lícitos, o que importe em menor carga tributária. Se assim não fosse, o contribuinte estaria obrigado a escolher sempre o caminho que o levasse a maior carga tributária, sob pena de sua ação ser considerada dolosa. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.085 21 Alberto Pinto Souza Junior – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiram divergências que levaram a conclusões diversas, exclusivamente no que tange a: (i) mérito do lançamento, ou seja, a glosa de despesas com a amortização de ágio; (ii) preliminar de nulidade da decisão recorrida; e (iii) incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Passo a tratar de cada um dos pontos acima, expondo os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. i) Glosa de despesas com a amortização de ágio. A principal matéria em discussão, que constitui o cerne do lançamento, é a glosa de despesas com ágio, descrita minuciosamente pela AuditoraFiscal autuante no Relatório da Ação Fiscal (fls. 1490/1542) e assim sintetizada à fl. 1492: Com relação ao ágio amortizado pela fiscalizada nos anoscalendário de 2006 a 2008, verificarseá ao longo deste relatório, que o mesmo foi gerado em operação que envolveu partes interdependentes, sem o respectivo desembolso, envolvendo empresa veículo, criada excepcionalmente para este fim, numa operação desprovida de qualquer propósito negocial. Nesta ação fiscal foi glosada a amortização do ágio realizada pela fiscalizada nos referidos anoscalendário, conforme será a seguir detalhado. Como se vê, tratase da amortização de despesas que a doutrina e as discussões administrativas vieram a denominar “ágio interno”, ou seja, aquele gerado por via de reorganizações societárias de caráter transitório dentro de um mesmo grupo econômico, sem o efetivo pagamento por uma nova riqueza ou maisvalia gerada, com o exclusivo objetivo de economia tributária. A matéria não é nova, e tem sido objeto de acirradas discussões no CARF e, em particular, neste Colegiado, e se encontra ainda distante de um consenso ou de pacificação. Com a devido respeito aos que pensam diferente, e especialmente, ao ilustre Relator, que tão bem se expressou e fundamentou seu ponto de vista, o Colegiado, por maioria de votos, divergiu de suas conclusões. A posição adotada foi pela inadmissibilidade da redução do resultado tributável pela apropriação das despesas em questão. Sobre a matéria, peço vênia para transcrever excertos do voto vencedor proferido pelo não menos ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado no acórdão nº 1302001.108 (processo nº 19515.005340/200900), de 11 de junho de 2013. Com seu brilho, didatismo e clareza, os trechos reproduzidos a seguir dão conta dos fundamentos que também foram adotados no presente julgamento. [...] Antes de adentrar ao exame das operações em si e de seus efeitos fiscais, entendo que seja necessário tecer algumas observações acerca do tema da amortização do ágio criado como mecanismo de planejamento tributário pelas empresas. Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.086 22 Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 2. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 3. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo” 4. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 5. 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 3 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 4 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. 5 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.087 23 Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 6 [...] Notese que depois de realizadas todas as etapas não há qualquer alteração nas relações jurídicas constituídas, com exceção do já mencionado ágio decorrente da reavaliação patrimonial efetuada no bojo das operações societárias. Ora, como ensina Orlando Gomes: “a lei exige uma justificação para a criação, por um negócio jurídico, de um vínculo digno de proteção. Esta justificação se encontra na relevância social de interesse que se quer tutelar e no fim que se pretende alcançar: a causa”. Qual o vínculo digno de proteção que a lei tributária (Lei nº 9.532/1997) queria tutelar quando autorizou a amortização (num prazo de 60 meses) do ágio pago (com o fundamento econômico na rentabilidade futura) pelas pessoas jurídicas que viessem a absorver o patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão? Teria o legislador criado uma autorização legal, uma espécie de receituário fiscal, para que os contribuintes pessoas jurídicas, mediante uma série de atos ordenados, simulassem uma reorganização societária, reavaliando seus próprios ativos com base na expectativa de rentabilidade futura (pelo valor que bem lhe aprouver7) e, com isso, passassem a amortizar de seus resultados, na base de 1/60 avos para cada mês de apuração, o valor a título de ágio pelo qual não despenderam nenhum centavo? Que espécie de benefício fiscal seria este, dirigido apenas às grande empresas, tributadas pelo Lucro Real, sem qualquer contrapartida, e ainda por cima, renovável periodicamente, vez que a lei não fixa nenhum limite a tais operações? Não posso crer que o legislador desrespeitaria de forma tão vil a Constituição Federal, pois se assim tivesse desejado, estaria afrontando diversos princípios constitucionais como os da isonomia, da capacidade contributiva, da igualdade concorrencial, entre outros. A resposta a este questionamento está na origem da criação do permissivo legal, na década de 90, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, conforme bem relata o ilustre Conselheiro Valmir Sandri, no seu voto proferido no Acórdão nº 1301000.999, in verbis: “Como visto do relatório, a questão gira em torno da dedução da amortização do ágio com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º, da Lei nº 9.532, de 1997. A norma foi editada no bojo do Programa Nacional de Desestatização, implementado na década de 90, e teve por objetivo tornar mais atrativos os leilões para 6 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 7 Não existe viabilidade concreta do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuiinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único controle real possível em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, com ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio e se o mesmo é coincidente com a avaliação feita.. Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.088 24 alienação das empresas estatais para obter um melhor preço, com inegável característica de benefício fiscal indutor de um comportamento. Efetivamente, antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Entretanto, essa situação foi alterada pela Lei nº 9.532, de 1997, que dispôs: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 19773, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.089 25 Por seu turno, as investidoras também não têm interesse em serem extintas, e mais, podem ter limitações regulatórias específicas, que impeçam a junção patrimonial. Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com ágio) no leilão numa empresa veículo (sociedade com propósito específico), a qual seria incorporada pela investida. Por isso, no contexto do PND, além de prever expressamente a possibilidade de operações invertidas (art. 8º da Lei nº 9.532/97), a Lei nº 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, em seu art. 4º, permitiu a utilização de várias estruturas societárias possíveis para a implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais. A conferir: [...] Portanto, operações como as ora submetidas a julgamento nada têm de planejamento ilícito ou inoponível ao fisco, sendo, ao contrário atuações induzidas pelo Poder Público. Além de a possibilidade de dedução do ágio permitido pelo artigo 7º da Lei nº 9.532/97 ter sido uma forma encontrada pelo Governo de incrementar os preços das ofertas nos leilões de privatização (conduta induzida), o normativo deixou ao inteiro talante dos contribuintes o momento de obter o aproveitamento fiscal do sobrepreço pago (opção fiscal), ao vincular a dedutibilidade do ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão.” Não obstante existirem diversos autores que sustentam que a referida lei constituiu um incentivo fiscal às privatizações, Luiz Eduardo Schoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem” 8 Qualquer que fosse o objetivo, conforme havíamos analisado, o legislador baseouse em um motivo econômico relevante quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, é certo que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que se amoldem às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. 8 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialética, 2012, p. 67. Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.090 26 Todavia, não é o que ocorre no caso dos autos, situação que bem se subsume à retratada na sequência do voto condutor do Acórdão 1301000.999, já citado, in verbis: “O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômico social que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Seria o caso (não presente neste processo) de “ágio fabricado internamente”, quando a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento.” A situação prevista no § 2º do art. 39 da MP. 66 (convertida na Lei nº 10.637/2002), por sua vez, também não autoriza a montagem fiscal consistente na produção de uma reorganização societária feita com o único pretexto de gerar um ágio artificial (que de fato não existe). Notese que esse dispositivo trata da neutralização de efeitos que poderiam advir em consequência de operações societárias realizadas, mas que não interferem nem modificam a formação do ágio. O vício aqui tratado, no entanto, está na formação do próprio ágio o que inviabiliza o seu aproveitamento. Com a devida vênia aos que advogam a tese de que tal dispositivo estaria a criar ou, no caso, complementar o receituário que permitiria simulacros de reorganizações societárias, como a aqui examinada, reafirmo minha convicção de que o nosso legislador jamais conceberia uma lei nesse sentido, em flagrante afronta aos princípios constitucionais. Certamente tal dispositivo é dirigido a situações concretas em que, de fato, exista substância nas modificações societárias produzidas, diferentes da ora analisada. Em conclusão, os atos formais de reorganização societária registrados pela recorrente não representam negócios efetivos; são meramente aparentes, sem substância ou existência real, [...]. Assim, ainda que formalmente regulares os atos societários, não existe uma efetiva aquisição de investimentos, [...], pelo que entendo correta a glosa dos valores amortizados efetuada pelo Fisco. Por fim, examino a questão do ágio sob a perspectiva de sua apuração e reconhecimento na contabilidade. Essa discussão ganha sua relevância em face do argumento utilizado quando se discute a questão do ágio no âmbito das operações societárias no sentido de que o regime contábil dado ao instituto seria diferente daquele previsto na legislação tributária. Tal entendimento deriva do fato do legislador ter disciplinado o instituto no âmbito de uma lei que tratava Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. E esta, de fato, disciplinou a matéria por meio do art. 20 do DL. 1598/779. 9 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.091 27 Com a devida vênia, ainda que a legislação tributária tenha regulado procedimentos contábeis no seu bojo, até pela falta de maior detalhamento pela lei societária, não autoriza a conclusão de que existam dois tipos de ágios distintos para um mesmo fato econômico: um jurídicotributário e outro contábil. Em que pese a contabilidade e direito tributário tenham seus campos próprios de conhecimento e ciência, é inegável a interseção entre ambos no âmbito das relações jurídicotributárias. Não se deve olvidar que o lucro tributável é definido pela legislação do Imposto de Renda a partir do lucro líquido apurado na escrituração comercial, tendo o próprio DecretoLei nº1.598/77, no inc. X do seu art. 67, estabelecido expressamente que o lucro líquido do exercício deverá ser apurado, a partir do primeiro exercício social iniciado após 31 de dezembro de 1977, com observância das disposições da Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Desta forma, as normas contábeis exaradas pelas entidades responsáveis pela normatização e regulamentação da contabilidade não são elementos estranhos à aplicação da legislação tributária, pelo contrário, fazem parte do arcabouço de mensuração do resultado tributável obtido pelas sociedades empresariais. E aí provavelmente resida um dos pontos nodais nesta discussão, concernente ao reconhecimento do ágio sob a perspectiva de sua apuração contábil. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999) dispõe extensamente sobre o registro e amortização do ágio na contabilidade da pessoa jurídica, in verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.092 28 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.093 29 § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Como se vê, tanto o registro da ocorrência do ágio quanto os de sua amortização, de acordo com a legislação tributária devem ser feitos na contabilidade do sujeito passivo, que por sua vez deve seguir as normas de escrituração da legislação comercial. Ora, o art. 20 do DL. 1598/77 define a existência de ágio ou deságio como sendo a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Deste conceito emanam duas grandezas a serem determinadas com vistas à apuração da existência de ágio (ou deságio). A primeira é o custo de aquisição e a segunda é o valor do patrimônio líquido. Quanto a este último não há dúvidas de que se trata do valor patrimonial da empresa investida na data do investimento. Quanto à primeira é que surgem controvérsias quando se trata de operações societárias realizadas internamente num grupo econômico: qual é o custo de aquisição? O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 750/9310, que dispõe sobre os princípios fundamentais da contabilidade, ao tratar do registro dos componentes patrimoniais assim estabelecia no seu art 7º: 10 Essa redação foi alterada pela Resolução CFC nº 1282/2010, por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.094 30 Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; [...] (grifo nosso) Fundada nesses princípios a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, ou seja, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum, in verbis: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.095 31 como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substancia econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). Resta evidente a convergência Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 com o princípio emanado do CFC quando se trata da definição do custo de aquisição de um componente patrimonial. Não obstante, respeitáveis vozes têm se insurgido contra a invocação desta norma da CVM para fins de interpretação da lei tributária, alegando que a mesma não teria o condão de modificar os conceitos legais do ágio ou mesmo ser utilizada na interpretação da legislação tributária, pois abrigaria conceitos de caráter meramente econômicos ou contábeis. Com a devida vênia aos que assim pensam, entendo que a nota da CVM apenas proclama o óbvio, seja em termos jurídicos, contábeis ou econômicos, deixando nua a falta de substância das operações societárias realizadas com o único intuito de gerar ágios artificialmente, com vistas à redução da carga tributária, situação não amparada pela lei, conforme já examinamos. Ora, se não há a criação de riqueza nova, como se justificaria a existência de um ágio? Afinal, qual a finalidade da lei tributária (do imposto de renda, em especial), senão estabelecer a carga tributária conforme a capacidade econômica do contribuinte? No voto que restou vencido, no Acórdão nº 110100.708, a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, cita o exame do conceito de ágio pela doutrina contábil, evidenciando que o entendimento da CVM está completamente amparado nos princípios e fundamentos contábeis, in verbis: “[...]o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), e citado pela Fiscalização nos termos de sua edição de 2008, afirma o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de unia empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.096 32 Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Destigio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta (..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de uni Balanço da empresa da qual se compraram as ações, referencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente uni processo prolongado, levando, As vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.() 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Destigio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Destigio Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.097 33 a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(..) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (..). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa , a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.098 34 mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B." (negrejouse)” (destaques cfe original) A Relatora do voto vencido no referido acórdão também analisou com propriedade a Nota Explicativa CVM nº 247/96, demonstrando que o fato de admitir ágio ou deságio na subscrição de ações não invalida a conclusão do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007, in verbis: “Em seu memorial, a recorrente acrescenta que a própria CVM, na Nota Explicativa que acompanhou a edição da Instrução CVM no 247/96, tratou da questão, justificando a existência e o reconhecimento do ágio no caso de subscrição de capital, mesmo que "não tenha havido uma negociação direta com terceiros" (grifo do original). Assim, é importante esclarecer que a referia Instrução CVM n° 247/96 assim dispôs: Art. 13 Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: I. equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10; e II. ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. E a correspondente Nota Explicativa foi assim redigida, na parte aventada pela recorrente: 7 DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Alguns esclarecimentos e alterações importantes foram feitos neste tópico. A primeira, e talvez a principal delas, trata da existência de ágio/deságio na subscrição de ações. Até algum tempo atrás, era entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.099 35 Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros. [...] O entendimento anterior era de que, em função da variação do percentual de participação, a nova equivalência patrimonial revelava um ganho de variação para a Cia A e, conseqüentemente, uma perda na Cia B, que deveriam ser contabilizados de imediato nos resultados dos investidores. A explicação para a perda estava baseada na seguinte construção: [...] Esse entendimento não é verdadeiro. Na realidade, a Cia B pagou uma parcela adicional em função de uma maisvalia dos bens, que não está refletida nos registros contábeis da Cia XYZ Só que não o fez diretamente aos proprietários das ações (Cia A). Portanto, o que existe neste caso é a figura do ágio com fundamento nesta maisvalia, e isto é fácil de verificar. Imaginemos que a Cia XYZ tenha reavaliado seus ativos antes do aumento de capital, neste caso, a situação seria a seguinte: Nestes termos, resta claro que a Nota Explicativa, ao mencionar que não houve uma negociação direta com terceiros, está cogitando que ao menos houve uma negociação indireta com terceiros. No exemplo acima referido, a Cia B paga valor representativo de maisvalia de ativos à Cia XYZ, o que beneficia indiretamente seus sócios, Cia A, situação distinta da presente, na qual o beneficio experimentado pela controladora Gerdau S/A decorre de maisvalia por ela reconhecida mediante subscrição, na Gerdau Participações S/A, do investimento que ela antes já detinha na Gerdau Açominas S/A. (grifo nosso) Dai a pertinente interpretação veiculada no OficioCircular CVM/SNC/SEP no 01/2007: [...] Ou seja, este ato limitase a reforçar o que consta da lei desde sua edição: é necessário que haja preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, superior ao valor patrimonial desse investimento. E somente há preço e, por conseqüência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes.” Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.100 36 Como se observa, tanto as normas contábeis quanto a doutrina são convergentes em não reconhecer a existência de ágio quando não há negociação, ainda que indireta, com terceiros e efetivo pagamento pelas participações subscritas, situações que também não se verificam nas operações ora examinadas. A utilização dos princípios contábeis para dar uma resposta satisfatória ao desafio de mensuração do resultado das pessoas jurídicas, foi bem observado por Schoueri, que aborda a solução encontrada pelo legislador pátrio para a questão da dedutibilidade do ágio, in verbis: “Conforme já referido, pelo princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (o matching principle), as despesas que sejam diretamente relacionadas a receitas de determinado período devem ser com estas confrontadas, a fim de que não sejam geradas quaisquer distorções. Não seria razoável que se contabilizasse uma receita sem que a despesa que a originou fosse a essa contraposta; caso contrário, se verificariam valores absolutamente fictícios, com resultados negativos no período em que se contabilizasse a despesa e positivos no período que se escriturasse a receita, quando, em verdade, esses valores contrapostos acarretariam um resultado global neutro. Segundo explana Sérgio de Iudicibus, os princípios dão as grandes linhas filosóficas da resposta contábil aos desafios do sistema de informação da Contabilidade, operando num cenário complexo, no nível dos postulados, formando, pois, o núcleo da doutrina contábil. Muito além de influenciar as ciências contábeis, é de se notar que os princípios influenciam todos os demais âmbitos de estudo dotado de cientificidade, dentre esses o Direito. Um princípio que fornece respostas satisfatórias a uma ciência pode perfeitamente oferecer respostas também satisfatória a outros âmbitos científicos. E ocorreu justamente isso em matéria de amortização de ágio. Além de fornecer resposta aos desafios contábeis, o princípio do confronto das despesas com as receitas também foi utilizado pelo legislador para fornecer respostas satisfatórias aos desafios fiscais de amortização do ágio. Foi de rara felicidade a introdução desse princípio, de natureza primordialmente contábil, na apuração do lucro real das pessoas jurídicas nacionais, por parte do Poder Executivo quando formulou o tratamento do ágio na incorporação que atualmente observamos em nosso ordenamento jurídico. Entendeuse que o momento de dedutibilidade fiscal do ágio deveria estar estritamente vinculado ao momento em que as receitas que acarretaram o seu pagamento fossem auferidas, isto é, o momento em que o ágio fosse considerado realizado. Ora, qual o motivo de se ter pago um montante superior ao valor do patrimônio líquido de uma pessoa jurídica para adquirila? A expectativa de auferir resultados positivos futuros em decorrência desse ágio pago é a resposta. Se os resultados positivos futuros tiveram sua origem em dispêndio com ágio ocorrido no passado, nada mais correto que registrar esse ágio em ativo para que apenas seja considerado em conta de resultado quando os referidos resultados positivos futuros foram Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.101 37 auferidos. Eis onde o legislador acertou ao edificar a regulamentação do ágio ora em vigor.” 11 (grifos nosso) Muito feliz a observação de Schoueri de que o legislador buscou na ciência contábil a solução para a questão da amortização do ágio. E o fez tanto com relação à adoção do princípio do confronto entre despesas e receitas como também ao já citado princípio do registro pelo valor original, resultante do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, pois ambos se complementam neste caso. Senão, como se pode falar em dispêndio com ágio pago numa transação que não envolve terceiros? Como se admitir a dedução de um dispêndio que não existiu sobre uma receita que dele não decorreu? Seria absolutamente contraditório aceitar um princípio e negar o outro. As conclusões de Luis Eduardo Schoueri12, acerca da previsão legal de dedutibilidade do ágio formado com base na expectativa de rentabilidade futura, reforçam meu entendimento nesse sentido: “Já na hipótese do dispêndio antes contabilizado como ágio concernente a rentabilidade futura, o auferimento de lucros tributáveis na empresa A é per se suficiente para traduzir a realização do dispêndio com o ágio antes incorrido, que deverá ser realizado para compensar os resultados positivos, à medida em que forem ocorrendo. Daí o porque de após a incorporação o ágio passar a ser ativo intangível, amortizável, uma vez que apenas a partir desse momento os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável. Dessa forma, para que se possa considerar os lucros auferidos pela Empresa B como real resultado global positivo na Empresa A, fazse essencial primeiramente baixar o valor originalmente pago a título de ágio contra esses lucros. Isso porque os lucros passarão a ser tributados na Empresa A, e se não forem baixados os dispêndios anteriormente efetuados, contra as receitas que o fundamentaram, procederseá a tributação de uma não renda. Essa é a lógica que informa o art. 7º da Lei nº 9.532/1997: a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, deverá lançar o valor correspondente ao ágio cujo fundamento seja o de rentabilidade futura da coligada ou controlada incorporada no ativo intangível. Nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/1997, a amortização do ativo diferido, oriundo do ágio fundamentado em rentabilidade futura poderá ocorrer à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração, o que corresponde a um período mínimo de amortização de cinco anos. Ou seja: após a incorporação, a cada mês será lançada uma parcela de 1/60 do valor originariamente pago a título de ágio, a título de despesa de amortização do ativo diferido surgido com a incorporação. Essa amortização não é qualquer favor ou 11 SCHOUERI, Luis Eduardo. op cit, p. 71 e 72 12 SCHOUERI, Luis Eduardo. Op cit, p. 79 e 80 Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.102 38 benefício, já que o legislador pressupõe que, com a incorporação, o empreendimento lucrativo passe a compor o resultado da incorporadora. Terá, pois, a incorporadora mensalmente, dois efeitos: um valor, lançado a despesa, relativo à amortização do ativo diferido correspondente ao que, antes da incorporação era ágio; e um ganho correspondente a lucratividade do empreendimento incorporado. E por que não se trata de benefício? Exatamente porque a incorporadora pagou aquele ágio. Ou seja: não há como falar em renda se o suposto ganho não corresponde a qualquer riqueza nova. É verdade que o empreendimento é lucrativo; o contribuinte (incorporadora), entretanto, não tem qualquer ganho, até que recupere o ágio que pagou. “ (destaques nossos) Ora se é lógico não haver a tributação do resultado antes de deduzido o ágio efetivamente pago em face da expectativa de lucratividade futura, da mesma forma não faz sentido deduzir do lucro, como despesa, um valor que não foi efetivamente despendido. O lucro, neste último caso, é o mesmo que a empresa já teria antes da suposta reorganização societária e não ocorreu nenhum dispêndio que justifique a sua redução. Observese ainda que, quando se fala em ágio pago, não se está discutindo a possibilidade do pagamento de uma subscrição ser feita por outros meios que não o pagamento em dinheiro, tais como a dação em pagamento de bens ou direitos. Não há dúvidas de que o pagamento de uma subscrição possa ser feito sob diversas formas ou meios, como a dação em pagamento de bens ou direitos, p.ex. A questão que se coloca é que para que se admita a existência do pagamento de ágio é que haja um efetivo sacrifício patrimonial por parte da adquirente. Não caracteriza qualquer desembolso a mera transferência escritural das ações registrados pela investidora em seu patrimônio (indevidamente reavaliados) para o da investida. Mormente, se, ato contínuo, é feita a reversão do investimento, mediante a incorporação reversa, apenas para cumprir um requisito legal, sem qualquer modificação do seu controle direto ou indireto, seja quantitativa, seja qualitativamente. A ausência de um efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pelas participações subscritas em operações com empresas controladas revela a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois não há efetiva modificação da situação patrimonial. Ora, como já visto, os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio na subscrição de investimentos é um fato econômico captado pela ciência contábil e regulado pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis. É nessa perspectiva que a orientação normativa da CVM e demais normas contábeis devem ser vistas. Não como fonte normativa tributária, mas como Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.103 39 elementos para a adequada interpretação da lei quanto aos efeitos do fato econômico (ágio) por ela regulado, pois os seus fundamentos foram buscados na ciência contábil. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, observadas disposições legais específicas em contrário, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. Dissociar o fato econômico (ágio) captado pela ciência contábil daquele regulado pela lei tributária tornaria esta completamente abstrata, divorciada do contexto econômico que visa regular. Pelo exposto, entendo que, também sob o ponto de vista de apuração dos resultados segundo os princípios e as normas contábeis, não pode ser aceita a dedutibilidade de ágio nas operações aqui retratadas, com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, uma vez que os referidos dispositivos remetem ao ágio apurado nos temos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1997, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. O exame dos autos demonstra que as considerações e fundamentos acima transcritos se amoldam à perfeição ao caso concreto. Senão vejamos: · Na situação inicial, até 28/08/2003, a Sulcromo S/A era acionista majoritária (99,93% do capital social) da fiscalizada Duroline S/A. · Em 29/08/2003 foi constituída a Duroline Participações Ltda, a partir da cisão parcial da Sulcromo. Entre os elementos ativos da sociedade cindida vertidos para a nova sociedade cindenda (Duroline Participações) estava a participação detida pela Sulcromo na Duroline (fiscalizada). Após esta operação, Duroline Participações passou a deter 99,93% do capital social de Duroline (fiscalizada). Os acionistas controladores da nova sociedade Duroline Participações eram os mesmos acionistas controladores da Sulcromo. · Em 30/10/2003 foi constituída a Superline Empreendimentos e Participações Ltda. Sua controladora (99,99% do capital) era a Duroline Participações, e a integralização do capital se deu pela conferência das ações da Duroline (fiscalizada) detidas até então pela Duroline Participações. Desde que a conferência se fez a valor de mercado, a Superline contabilizou ágio na operação. · Em 02/01/2004 a Duroline (fiscalizada) incorporou sua controladora Superline. O ágio anteriormente registrado na contabilidade da Superline passou a ser registrado na contabilidade da incorporadora Duroline (fiscalizada) e, a partir daí, amortizado, reduzindo o resultado tributável. · Todas as operações se deram dentro do mesmo grupo econômico, controladas direta ou indiretamente pela Sulcromo S/A e seus sócios e/ou administradores Srs. Carlos Roberto Mazzochi, Sérgio Francisco Stumpf, Abramo Antônio Mazzochi, Jorge Luiz Mazzochi e Ivo Roberto Dall’Agnol (confirase quadro à fl. 1517). · Ao final da operação, com a extinção da Superline por incorporação, o statu quo ante foi restabelecido, ou seja, a Duroline Participações voltou a ser controladora de Duroline (fiscalizada), com 99,93% de seu capital social, sem que em nenhum Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.104 40 momento a Sulcromo deixasse o controle direto ou indireto das sociedades e sempre com a participação, em todas as sociedades e operações, das mesmas pessoas físicas anteriormente mencionadas. · As seguidas operações, em especial a criação da efêmera sociedade Superline e sua subsequente extinção por incorporação não revelaram qualquer propósito negocial ou necessidade societária, nem modificaram algum aspecto da organização empresarial do grupo econômico. Seu único efeito foi a contabilização do ágio na Superline, sua transferência para a Duroline (fiscalizada) e subsequente amortização, que veio afinal a ser glosada pelo Fisco. · Referido ágio não decorreu de qualquer pagamento, desembolso ou sacrifício patrimonial por parte de qualquer das empresas ou pessoas envolvidas. Afirma o Fisco (fls. 1517/1518): “O surgimento da maisvalia decorreu da incorporação de ações avaliadas economicamente, em uma operação ‘não caixa’ entre empresas do mesmo grupo: em vez de incorporálas pelo valor patrimonial, Superline recebeu as ações da fiscalizada pelo valor econômico – pelo qual não houve qualquer desembolso”. · O ágio assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Tratase, de fato, de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode atribuir o condão de reduzir o resultado tributável. Diante do exposto, a decisão do Colegiado foi por manter a glosa das despesas em questão. Ressalto que, no que tange à multa de ofício de 150% aplicada no lançamento, o Colegiado decidiu reduzila ao percentual de 75%, prevalecendo, neste aspecto, as considerações que constam do voto do ilustre Conselheiro Relator. ii) Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em seu voto, o ilustre Relator considerou que que a Turma Julgadora em primeira instância deveria ter apreciado os argumentos da então impugnante contrários à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ao não fazêlo, teria incorrido em nulidade, sendo o caso de devolução dos autos à instância a quo para que fosse prolatada decisão complementar sobre essa matéria. Essa preliminar de nulidade foi, no entanto, superada pelo Relator, à luz do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Tendo em vista que o Colegiado decidiu pela manutenção parcial do lançamento, conforme item (i) deste voto, a preliminar de nulidade voltou a ser discutida. O Colegiado, então decidiu superála, mas por por motivo diferente daquele invocado pelo Relator. No voto do Relator, foi ressaltado que “as unidades da RFB estão vinculadas às conclusões do Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog n° 28, de 1998, de tal forma que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício seria um efeito implícito da decisão por ela exarada”. É verdade. E outro efeito dessa vinculação é o de que a manifestação da Turma Julgadora em primeira instância sobre essa matéria não poderia ser diferente da rejeição dos argumentos de impugnação contrários à incidência dos juros sobre a multa de ofício, posto que as DRJs se encontram inseridas na estrutura administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, destarte, igualmente subordinadas ao mencionado ato administrativo. Em assim sendo, uma eventual devolução dos autos à DRJ para o exame dessa matéria teria como resultado Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.105 41 certo o não acolhimento das razões de impugnação, a apresentação de novas razões recursais e, finalmente, o retorno do processo a este CARF, nas mesmas condições em que atualmente se encontra. O único efeito concreto seria o transcurso de tempo sem o avanço do processo, com evidentes prejuízos às partes. Entendeu então o Colegiado que seria o caso da aplicação do princípio da formalidade moderada, que deve reger o processo administrativo, superandose uma possível nulidade da decisão de primeira instância. Seu reconhecimento, como visto, seria decorrência de uma formalidade cujo cumprimento não traria qualquer benefício às partes e, ao contrário, somente serviria para postergar a decisão do CARF sobre a matéria. A preliminar foi, diante disso, rejeitada. iii) Incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.106 42 débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.107 43 desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, o Colegiado decidiu negar provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. iv) Conclusão No mais, a decisão se deu conforme o bem fundamentado voto do ilustre Relator. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi: a) afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; b) afastar a decadência; c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário; Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.108 44 d) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%; e e) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Declaração de Voto Inobstante o respeitável entendimento do Relator, inquestionavelmente autorizado a tecêlos, peço vênia para divergir nas questões que passo a tratar nos subitópicos seguintes. 1. Da qualificação da multa de ofício Para a qualificação da multa de ofício, consoante se depreende do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 1490 e ss.), os dispositivos empregados foram os seguintes: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(...) Para justificar a subsunção do § 1o supratranscrito, a autoridade fiscal buscou apoio no art. 72 da Lei n. 4.502/94, segundo o qual “fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Com o devido respeito, não há fraude neste caso. A primeira advertência a ser feita decorre da constatação que o tema em debate encerra grande divergência neste Conselho, até por conta da ampla possibilidade de interpretações decorrentes das leis pertinentes. O que não se pode negar é a ausência de regras claras e objetivas para que o contribuinte se autodetermine frente aos fatos. Assim, se há dúvida entre quem deve decidir sobre o assunto, não é possível exigir a certeza da conduta por parte do contribuinte. Aliás, a dúvida deve beneficiar o contribuinte, nos termos do art. 112, incisos, CTN, observese: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.109 45 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Na mesma trilha caminha o Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual “apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (art. 136 do CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os arts. 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da lei tributária segundo o princípio do in dubio pro contribuinte. Precedente: REsp nº 494.080/RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 16/11/2004. (...)” (REsp 699700/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2005, DJ 03/10/2005, p. 140). Por isso, o AFRFB falha ao afirmar que o contribuinte praticou uma “ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante devido” (fl. 1539). Notese que, pela interpretação do AFRFB, toda multa de ofício seria qualificada, até porque qualquer ato do contribuinte modifica alguma característica do fato gerador. Vale dizer, o simples fato de apurar adições, exclusões ou compensações no lucro real traduzem modificação nas características do tributo. Há, portanto, dificuldade em verificar as situações que autorizam indigitada qualificação, razão pela qual este Conselho tem diversas súmulas sobre o assunto (súmulas CARF n. 14, 25, 34, 40). No caso dos autos, posicioneime contra a utilização do ágio, pois, em resumo, não houve efetiva aquisição da empresa incorporada. Nestes caso, reconheço a indedutibilidade do ágio, mas pela simples razão de que a operação não era necessária à atividade da empresa, consoante preceitua o art. 299 do RIR, observese: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). (...) (grifo não original) A desnecessidade da operação não significa que ela foi fraudulenta. Consoante tenho defendido, o empresário tem a liberdade de escolher a forma que reorganiza seu empreendimento, desde que não afronte a legislação (art. 5o, inc. II, c.c. art. 150, inc. I, ambos da CF/88). A incorporação de outras pessoas jurídicas não é ato vedado. Aliás, nem mesmo a utilização do ágio é vedado. Discutese a forma e as situações de sua utilização. Nesse sentido, entendo que a multa qualificada não pode se manter, até mesmo porque não há nada que autorize a conclusão de que houve fraude na utilização do ágio. Note se que a conclusão do AFRFB decorre de sua interpretação dos fatos. No entanto, todos os atos realizados pelo contribuinte estão induvidosamente documentados, de tal modo que o AFRFB deles pode conhecer em sua integralidade. Portanto, não há fraude, mas simples desnecessidade da despesa, consoante já entendeu este Conselho, observese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. As despesas escrituradas em Livro Caixa têm sua dedutibilidade condicionada não só a verificação da sua necessidade à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, mas, também, à sua comprovação nos estritos termos em Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.110 46 que prevê a legislação tributária. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de Livro Caixa. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF. Acórdão 2801 002.120. Rel. Antonio de Padua Athayde Magalhães. Sessão 01/12/2011). (grifo não original). Especificamente no caso do ágio, encontrase precedentes neste Conselho afastando a multa qualificada, fato que somente aumenta a necessidade de aplicar o art. 112 do CTN, consoante exposto acima, observese: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 (...) DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ÁGIO INTERNO .MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. (CARF. Acórdão n. 1402001.338. Rel. Leandro de Andrade Couto. Sessão 06/03/2013). (...) DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal. (...) (CARF. Acórdão 1302001.145. Rel. Marcio Rodrigo Frizzo. Sessão 06/08/2013). Ante ao exposto, declaro meu voto no sentido de afastar a qualificação da multa, tendo em vista que a indedutibilidade do ágio no caso em tela não autoriza a conclusão de que a contribuinte agiu com fraude, nos termos acima expostos. 2. Dos Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício. Inicialmente, convém destacar que a possibilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício necessita de expressa previsão legal para que possa ser exigida. De modo geral, fundamentase tal possibilidade no art. 61, § 3º da lei 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.111 47 acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo não original) O art. 61, § 3º da lei 9430/96 é utilizado como fundamento para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o que deve ser profundamente refletido, uma vez que a simples e superficial leitura conduz a interpretação dissonante da constante no acórdão recorrido. A interpretação frequentemente exposta é no sentido de que é que o supratranscrito §3º, ao mencionar o termo “débitos”, estaria se referindo tanto ao “tributo” quanto à “multa” (moratória e de ofício). Em outras palavras, os juros de mora previstos no § 3º do art. 61, segundo tal linha de pensamento, deveriam ser aplicados aos débitos referidos no caput do artigo, quais sejam, tanto o tributo quanto a própria multa de mora ou de ofício. Com o devido respeito, a interpretação está equivocada. Para demonstrar a coerência da conclusão que ora se sustenta, apresentar as suas premissas. Para tanto, devese responder às seguintes questões: (i) Há no conceito do art. 61, no termo legal “débitos decorrentes de tributos e contribuições” está inclusa a “multa” (sanção de ato ilícito)? (ii) Caso positiva a resposta, qual é o tipo de multa a que o artigo faz referência (moratória, isolada ou de ofício)? A primeira indagação conduz necessariamente à investigação de outras questões, as quais elenco didaticamente em forma de perguntas para o bom desenvolvimento da argumentação: (i) Qual a correta interpretação da amplitude do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, referido no caput do art. 61 da lei 9430/96? (ii) Ao dizer “débito”, o legislador se referiu somente ao “tributo” (art. 3º, CTN) ou a este já somado o valor da possível multa (sanção) incidente? (iii) E a principal delas: se o intuito do legislador foi considerar débito como o valor do tributo já acrescido da multa de mora, por que no caput ele foi expresso em acrescentar o trecho “acrescidos de multa de mora” e no § 3º entendeu ser desnecessário tal informação? Com a cautela devida, a resposta de tais perguntas deve advir de um cuidadoso processo hermenêutico que se inicia com a apresentação do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, uma vez que este é o termo utilizado pelo legislador no texto legal do caput do art. 61 da lei 9430/96. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.112 48 Prevê o art. 3º do CTN, “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. A multa moratória decorre não do tributo em si, mas do descumprimento da obrigação prevista na legislação tributária (ato ilícito). O tributo decorre do fato gerador. Logo, o débito decorrente de tributo é o resultado da relação entre base de cálculo e a alíquota (originária da regra matriz). Ao ser empregado o termo “débitos” no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96, não se pretendeu fazer menção a “tributo” e “multa”, mas simplesmente ao valor do tributo em si. Ou seja, aos débitos para com a União, decorrentes de “tributos e contribuições” (impostos, contribuições de melhoria, taxas, empréstimo compulsório e outras contribuições). Tal conclusão é confirmada pelo próprio caput, onde o legislador faz a referida menção expressa. Somente em um segundo momento o art. 61, caput, da Lei 9.430/96 se refere às multas, quando menciona que “serão acrescidos de multa de mora”. Esta disposição deixa claro que no termo “tributos e contribuições” não estão incluídas as multas. Em outras palavras, no caput do art. 61 da Lei 9.430/96 o legislador usou a palavra “débitos” se referindo somente a tributos, o que mais claro fica quando temos débitos decorrentes de tributos e contribuição, e não sanção de atos ilícitos. No entanto, no § 3º, justamente em razão de não pretender fazer incidir sobre a multa os juros de mora, o legislador apenas se referiu aos “débitos”, não por lapso e nem por má técnica legislativa, mas simplesmente por assim entender que não era cabido. Desta forma, a mens legis do § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96 é de que o termo “débito” se refere somente ao “tributo” a ser pago, excluída a “multa”, pois esta vem prevista logo em seguida. Se o termo “débito” se referisse a tributo e multa não haveria necessidade do legislador repetir o termo “multa de mora” logo em seguida ao termo “débitos decorrentes de tributo”. A expressão “débitos decorrentes de tributo”, previsto no artigo 61, somente pode ser assim entendido: “a expressão ‘débitos decorrentes de tributos’ é igual a ‘tributos’, pois o tributo em si pode ser acrescido de multa de mora” (segunda parte do caput). Ao contrário, se a expressão “débitos decorrentes de tributos” for igual a “tributo mais multa”, como poderia a segunda parte do caput acrescer a isto, novamente, multa moratória? Porém, mesmo que entendêssemos, a título argumentativo, que dentro do conceito do art. 61, na definição de “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, está presente alguma espécie de multa, esta deve ser a moratória, vez que há a expressão “serão acrescidos de multa de mora”. Nunca, em momento algum, cita multa de ofício. O referido dispositivo, como já foi explicitado anteriormente tem como objeto somente as multas de mora e não as multas de ofício. Convém uma nova análise: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.113 49 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo não original) Aliás, quais “débitos a que se refere este artigo” podem ser “acrescidos de multa de mora”? Somente os confessados e não pagos, ou seja, declarados em DCTF, GFIP ou parcelados. Nunca um débito originário de um auto de infração que é objeto de análise por este colegiado. Assim este dispositivo legal, art. 61 e seu §3º, da lei 9.430/96, foram criados para débitos confessados e não pagos e não para débitos objeto de lançamento de ofício. O texto legal, em seu caput, é claro ao indicar que “os débitos” aos quais o § 3º se refere serão acrescidos de multa de mora. Em nenhum momento, o legislador se refere à multa de ofício ou qualquer outra espécie de multa. Portanto, o disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, ainda que se entendesse pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, o que não é o caso, seria apenas aceitável sobre a multa de mora e nunca sobre a multa de ofício por evidente carência de previsão legal. Ora, outro entendimento seria desvirtuar não só o “espírito da lei” como seu próprio “corpo físico”, vez que a única multa, expressamente prevista no art. 61, caput da Lei 9.430/96 é a multa de mora (débitos declarados e não pagos). Seria impensável confundir multa moratória (sanção pelo atraso) e multa de ofício. Outro dispositivo utilizado frequentemente para aplicar os juros moratórios à multa de ofício, é o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, como suposto fundamento legal autorizador da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entendo que não há possibilidade para tanto, uma vez que o § 1º dispõe que há necessidade de existência de lei, pela expressão “Se a lei não dispuser de modo diverso”. Então, precisa de lei dispondo favoravelmente, porém que fixe ou não indexador. Mas, enfim precisa de lei complementar, como se nota da redação legal: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (grifo não original) Logo, é equivocado, data maxima venia, o entendimento no sentido da fundamentação da incidência de juros moratórios com os artigos 61, § 3º da Lei 9.430/96 e art. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 11065.721552/201269 Acórdão n.º 1302001.183 S1C3T2 Fl. 2.114 50 161 do CTN, acima referidos, nos casos da multa originária de lançamento de ofício. Não há dúvida, de que tal incidência de correção sobre a multa de ofício carece de previsão legal. Em arremate, entendo que não há possibilidade alguma de aplicação de juros moratórios em relação à multa de ofício no presente caso, ante à ausência de disposição legal, que não é suprida pelo art. 61, § 3º da lei 9.430/96, e nem subsidiariamente pelo art. 161 do CTN. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10882.900430/2009-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2000
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2000 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 30 /2 00 9- 45 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 160 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 161 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 162 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 163 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 164 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900430/200945 Acórdão n.º 9303002.467 CSRFT3 Fl. 165 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10865.722506/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2301-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 06 /2 01 1- 18 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratamse de Autos de Infração AI lavrados contra o sujeito passivo em referência, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: AIOP 37.304.7436, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte da empresa e do SAT; AIOP 37.344.4230, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados; AIOP 37.344.4257, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, Terceiros – Salário Educação (FNDE), INCRA, SENAT, SEST e SEBRAE, incidentes sobre a alimentação fornecida aos empregados; Segundo Relatório Fiscal, é fato gerador da contribuição lançada, o pagamento de remuneração de empregados em forma de utilidade, a título de auxílio alimentação, sem adesão ao PAT (Levantamento AL1) A autoridade lançadora informa que a autuada paga a seus funcionários, por determinação do Acordo Coletivo, valealimentação, consistindo num crédito de determinado valor, para os funcionários efetuarem compras de gêneros alimentícios na rede de supermercados conveniados A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1437.891, da 7a Turma da DRJ/RPO, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo somente o lançamento AIOP 37.344.4230, relativo a segurados, considerando improcedentes os demais lançamentos objeto do presente processo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que a fiscalização não poderia lançar contribuições patronais e aos terceiros de uma empresa que, à época da ocorrência dos fatos geradores, era optante do SIMPLES NACIONAL, somente por ter sido constatada atividade vedada pelo referido sistema de tributação. Esclarece que, antes de excluir a empresa do SIMPLES e efetuar o lançamento, há a necessidade de emissão de ato declaratório específico, com a possibilidade de abertura do contencioso administrativo. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reafirma que o presente processo se refere à matéria correlata aos Autos de Infração principais, que devem ser julgados concomitantemente, a fim de se evitar decisões contraditórias sobre os mesmos fatos. Entende que as decisões nos AIs principais refletem diretamente nesses autos, e deixar de cientificar a recorrente de todas as decisões proferidas nos supracitados processos implica cerceamento de defesa, uma vez que a exigência do julgamento reunido foi feita sobre o pressuposto de que todos eles seriam cientificados na mesma data Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.722506/201118 Acórdão n.º 2301003.724 S2C3T1 Fl. 191 3 No mérito, defende a nãoincidência de contribuições sobre o auxílio alimentação Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, para que seja julgado improcedente a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Constatase, dos autos, que os AIs discutidos se referem a contribuições previdenciárias incidentes sobre as quantias relativas ao valealimentação, fornecido pela recorrente aos seus empregados. Em que pese a afirmação contida no Acórdão recorrido de que tratase de alimentação em pecúnia, observase, do Acordo Coletivo juntado aos autos, e do relato fiscal, que tratase de fornecimento de alimentação in natura, uma vez que, segundo cláusula 28o do Acordo, o auxílio consiste em um crédito no supermercado conveniado ou no fornecimento de vale, para descontos em gêneros alimentícios. A autoridade lançadora afirma, no item 10, alínea “a”, de seu relatório, que “os funcionários efetuam compras de gêneros alimentícios na rede de supermercados conveniados, até o limite de 20% de sua remuneração, e são descontados com a rubrica “convênio supermercado”, com a participação da empresa no valor citado acima”. Portanto, entendo que restou claro que se trata de fornecimento de auxílio alimentação in natura. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.722506/201118 Acórdão n.º 2301003.724 S2C3T1 Fl. 192 5 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10865.908793/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 08 79 3/ 20 09 -3 7 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1434.391, às fls. 33 a 38: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ código de receita: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, em 22/10/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/11, na qual alega, em síntese, que: a) o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” ao invés de “Pagamento Indevido ou a maior”; b) a diferença do valor compensado a maior, na cifra de R$ 1.300,94, referese a 7,5% de juros Selic que foi utilizado indevidamente no PER/Dcomp; c) em razão do tipo de crédito referirse a saldo negativo de IRPJ, os juros deveriam ser de 2,08% (1,08 referente a Jan/2007 + 1% referente a Fev/2007); d) o valor principal do débito compensado indevidamente com juros no valor de R$ 940,15 já foi recolhido com juros e multa, conforme comprovante de recolhimento anexo ao processo. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2006 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 4 3 Ementa: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 22/08/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/09/2011, onde desenvolve os argumentos descritos abaixo: no mês de junho de 2006, foi apurado o valor do IRPJ de R$ 65.522,12, enquanto o recolhimento foi efetuado no valor de R$ 82.867,99 em 31/07/2006, havendo assim um recolhimento indevido ou a maior de R$ 17.345,87, que aplicada a Taxa Selic acumulada resultou no valor corrigido de R$ 18.646.81; nos registros contábeis da Recorrente, encontrase escriturado no mês de janeiro de 2007 o IRPJ (cód. 2362) no valor de R$ 109.371,58, liquidado da seguinte forma: a) R$ 90.724,77, por pagamento via DARF em 28 de fevereiro de 2007, e b) R$ 18.646,81, devidamente corrigido, mediante compensação com o valor pago indevidamente ou a maior a título de IRPJ referente ao período base de junho de 2006, tudo de conformidade com o PER/COMP 16478.78456.280207.1.3.04.4894, transmitido em 28/02/2007, e comprovado pelos inclusos documentos e informações transmitidas pela Recorrente à Receita Federal do Brasil, através de DCTF, Declaração do Imposto de Renda, registros contábeis e recolhimentos efetuados; o crédito que a Recorrente possui e compensou é oriundo do recolhimento efetuado indevidamente ou a maior em período anterior, que resultou no saldo negativo verificado na hipótese em que o total de estimativas supera o montante do IRPJ devido Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 5 4 efetivamente conforme apuração do lucro real no balanço encerrado em 31 de dezembro de 2006; na data do vencimento do tributo compensado, a Recorrente possuía saldo suficiente, que devidamente corrigido foi suficiente para a compensação do tributo constante da Declaração de Compensação apresentada, onde informou um crédito do código 2362 (IRPJ) no valor de R$ 18.646,81; pela farta documentação existente, e as informações transmitidas pela Recorrente que constam dos controles da Receita Federal do Brasil, podese verificar que existe crédito de tributo recolhido indevidamente ou a maior, que resultou no SALDO NEGATIVO DO IRPJ APURADO EM 31/12/2006, suficiente para compensar parte do IRPJ apurado em janeiro de 2007; o recolhimento mediante "DARF" e a compensação se fizeram na estreita conformidade das exigências legais, tanto é que foi devidamente comunicado através da Declaração de Débitos e Créditos – DCTF; é inconteste o direito à compensação de tributos indevidamente pagos, recolhidos a maior, considerado como SALDO NEGATIVO DO IRPJ; é indubitável que a compensação de créditos de tributos e contribuições do mesmo sujeito passivo pode ser feita mediante entrega da declaração de compensação; a compensação tem força imperativa. Seus efeitos extintivos se produzem ex lege e não ex voluntarem. Ela dispensa a vontade das partes; o só fato de ser encarado como um consectário do princípio da estrita legalidade já é causa suficiente para que se lance crença na premissa de que a sistemática da compensação, que sempre deve estar calcada na simplicidade, objetividade e plena eficácia, não pode ser injustificadamente obstaculizada, nem tampouco ter seu alcance diminuído; havendo pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes; esse é um direito subjetivo que a lei lhe conferiu e que, portanto, não pode ser anulado por normas infralegais; como se pode observar pela inclusa documentação e pelas informações transmitidas à Receita Federal do Brasil, através das DCTF's, LALUR, DIÁRIO, entrega da DIPJ 2007 e 2008, DARF's recolhidos, etc., a Recorrente tomou os cuidados necessários no sentido de que o crédito a compensar era efetivamente compensável, pois originário de recolhimento excedente recolhido a título de IRPJ; além do IRPJ ter sido recolhido a maior ou indevidamente, o SALDO NEGATIVO A PAGAR, calculado ao final do período de apuração, constante do LIVRO DIÁRIO e LALUR, da Recorrente, se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente; Fl. 360DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 6 5 os inclusos documentos também comprovam que a liquidez e certeza do crédito compensado encontramse devidamente evidenciados nos acentos contábeis e na DIPJ/2007, página 11, item 18, sob o título IMPOSTO DE RENDA A PAGAR de () R$ 17.345,87; mais especificamente, diante do texto legal, não se vislumbra qualquer embaraço à compensação do IRPJ de janeiro de 2007, no valor de R$ 109.371,58, com o crédito existente relativo ao recolhimento indevido de períodos anteriores, devidamente corrigido, relativo ao IRPJ de junho de 2006, no valor de R$ 17.345,87, que acrescido do recolhimento da diferença ultrapassa o valor de R$ 18.646,81; face às decisões do Colendo Superior Tribunal de Justiça, é de se concluir que, na forma estatuída pelo art. 66 da Lei 8.383/91, a lei autoriza a compensação ao contribuinte, sem fazer referência à liquidez e certeza do crédito compensável da obrigação tributária; assim, uma vez cientificado da compensação realizada, através do PER/DCOMP, da devida comunicação em DCTF, e também cientificado dos recolhimentos dos tributos com a entrega das DIPJ 2007 e 2008, caberia ao Fisco tomar as providências necessárias para a verificação do correto procedimento adotado pela Recorrente, e não agir da forma que agiu; os valores pagos a título de estimativa são considerados como adiantamento do montante efetivamente devido na apuração do lucro real no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano respectivo, nos termos do inciso IV do § 4º do art. 2º da Lei n° 9.430/96; o IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL, à alíquota de 15%, foi de R$ 524.389,49, e o Adicional foi de R$ 325.593,00, resultando no montante de R$ 849.982,49; com a dedução do PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, no valor de R$ 16.236,61, apurouse o IRPJ/2006 no valor de R$ 833.745,88; o IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA no período foi de R$ 851.091,75, e esse encontro de constas gera um SALDO NEGATIVO DE IRPJ em 31 de dezembro de 2006 no valor de R$ 17.345,87; é cediço que o saldo negativo de IRPJ pode ser objeto de restituição ou compensação a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração anual; como o pedido da compensação foi efetuado em 28/02/2007, dentro do prazo de vencimento do IRPJ, e a diferença relativa aos acréscimos foi paga, sob todos os ângulos que se analise a questão, constatase a total arbitrariedade cometida pelo fisco em não homologar o pedido de compensação; por todas as razões desenvolvidas, foi demonstrada a improcedência do débito que está sendo exigido através do Processo Administrativo n° 10865.909.669/200999, posto que regular foi a compensação efetuada; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 7 6 dúvida não pode restar sobre a licitude do procedimento da Recorrente em compensar parte do IRPJ devido no período de janeiro de 2007, com o recolhido indevidamente em período anterior, que resultou no SALDO NEGATIVO DO IRPJ apurado no Balanço encerrado em 31 de dezembro de 2006, no valor de R$ 17.345,87; ante o exposto, e de tudo que melhor dos autos consta, impõese a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido o direito compensatório com a conseqüente homologação da compensação. Na sessão realizada em 10/07/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.264 (fls. 337 a 348), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 352 a 355. Este é o Relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 10/07/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.264 (fls. 337 a 348), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 28/02/2007, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de junho/2006, no valor de R$ 17.345,87. Tanto na DCTF quanto na DIPJ, a Contribuinte informou débito de estimativa de IRPJ para o mês de junho no valor de R$ 65.522,12, mas para quitar este débito, ela realizou um pagamento de R$ 82.867,99, em 31/07/2006. Esta seria a origem do pagamento a maior, no valor excedente de R$ 17.345,87, que ela pretendeu compensar com a apresentação do PER/DCOMP ora examinado. O débito objeto da compensação corresponde à parcela da estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2007. A negativa da Delegacia de origem foi amparada no entendimento de que os recolhimentos de estimativa mensal só poderiam ser utilizados na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Procurou também esclarecer que computou indevidamente no PER/DCOMP juros Selic de 7,50%, informando que o crédito referente a saldo negativo comportaria juros de apenas 2,08% (1,08% referente a Jan/2007 + 1% referente a Fev/2007). Para corrigir o erro, registrou ter realizado recolhimento de R$ 940,15, correspondente à diferença computada a título de juros Selic (DARF às fls. 20). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 9 8 Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.264, em 10/07/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo anual (e não mais porque o crédito decorria de pagamento a maior de estimativa mensal). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias de DCTF; demonstrativo das estimativas de IRPJ apuradas e pagas ao longo de 2006; cópias do livro Diário contendo lançamentos em várias contas, entre elas as com os títulos “IRPJ Estimativa Mensal” e “IRPJ”; cópias do livro Diário contendo a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE; cópia integral da DIPJ referente ao anocalendário 2006; comprovantes dos recolhimentos de estimativas ao longo de 2006; demonstrativos do cálculo do IRPJ real mensal a pagar; cópias do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, contendo a apuração do lucro real mensal; e cópias do livro Diário contendo lançamentos na conta “Provisão p/ IRPJ” e as demonstrações dos resultados mensais – DRE ao longo de 2006. A documentação apresentada indica que a Contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 17.345,87, e que este saldo negativo seria formado por deduções a título de estimativas mensais (R$ 851.091,75) e também por dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT (R$ 16.236,61). Não há registro do cômputo de retenções na fonte para a formação do referido saldo negativo. O IRPJ apurado no ajuste, antes das deduções, foi de R$ 849.982,49. A Contribuinte anexou comprovantes de recolhimentos das estimativas de 2006, procurando demonstrar o montante de R$ 851.091,75. Ocorre que os documentos apresentados, entre eles o Demonstrativo de fls. 78, evidenciam que a estimativa do mês de janeiro/2006, no valor de R$ 57.727,55, foi quitada via compensação pelos PER/DCOMP Fl. 364DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 10 9 33090.67809.240206.1.3.027665 e 13907.250408.240206. 1.3.03 7746. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, o fato de haver base de cálculo positiva no período demanda alguns esclarecimentos adicionais. É que uma eventual não confirmação dos valores deduzidos para a formação do saldo negativo poderia gerar imposto a pagar no ajuste, o que prejudicaria o reconhecimento do reivindicado crédito, já que o alegado excesso nas estimativas seria total ou parcialmente absorvido para a quitação do ajuste, dependendo do montante do saldo que restasse em aberto. Isso decorre da relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final do período, não havendo como subsistir o alegado saldo negativo em caso de não confirmação integral das deduções que o geraram. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2006; o valor das estimativas recolhidas em DARF referentes a 2006; o valor da dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; a condição da estimativa de janeiro/2006, que teria sido quitada por meio dos PER/COMP 33090.67809.240206.1.3.027665 e 13907.250408.240206. 1.3.037746; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 352 a 355, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 16478.78456.280207.1.3.044894 em que foi utilizado o crédito no valor de R$ 17.345,87 proveniente do pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de junho de 2006 para compensação. A compensação não foi homologada, por estar em desacordo com a IN RFB n.º 600, de 28 de dezembro de 2005 cujo artigo 10 determinava Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 11 10 que o valor pago, ainda que indevido ou a maior, deveria ser deduzido do IRPJ devido no final do período de apuração para compor o saldo negativo: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” (destacamos) Aqui convém lembrar que a Administração está vinculada ao princípio da legalidade, pelo artigo 37 da Constituição Federal e que as instruções normativas são normas complementares da lei, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional, o que significa que a DRF/Limeira não pode julgar contrário ao que está na norma. A Delegacia de Julgamento manteve a decisão que não homologou a compensação e, na apreciação do recurso apresentado pelo contribuinte, a 2ª Turma Especial do CARF optou por converter o julgamento em diligência, baseado nas seguintes premissas: 1 “Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais.” O documento analisado neste processo é uma declaração de compensação e, portanto, é regida pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Notese que ele determina que haja uma lei que estabeleça as condições e garantias para que a compensação ocorra e que o crédito seja líquido e certo. No caso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde a edição da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o instituto da compensação é regido por aquela lei e não pela Lei 8.383/1991, como quer fazer crer o contribuinte. A leitura atenta daquele artigo já afasta a premissa de que não há requisitos formais para a compensação: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 12 11 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (destacamos) O §1º é bem claro ao determinar que a compensação seja feita por meio de declaração de compensação e que esta deverá conter as informações sobre o crédito, de forma que o entendimento de que um crédito pode ser trocado por outro afronta o texto da lei. No presente caso, foi analisado apenas o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de junho de 2006, enquanto que para a apuração do saldo negativo tem que ser verificadas todas as estimativas mensais, como o próprio julgador reconhece: “A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar”. 2 “No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil”. O artigo 74 da Lei n.º 9.430/1996 prevê a apresentação de recurso no caso de não homologação da compensação, denominado Manifestação de Inconformidade e estabelece que ele é regido pelo Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972. [...] O § 4º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil deixa claro que a prova documental não pode ser apresentada a qualquer momento: [...] Claro está que existe sim uma fase probatória específica no âmbito do contencioso administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3 “Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP”. O julgador demonstra estar desatualizado sobre a forma como é feita o reconhecimento do crédito no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, principalmente no caso de despacho decisório eletrônico, como é o presente e os elementos de prova que devem instruir a declaração de compensação dependem do tipo de crédito pleiteado. A formalidade exigida pelo § 1º da Lei n.º 9.430/1996 é justamente para que a análise do crédito seja ágil e possa ser verificado automaticamente, sem necessidade de intimações ou produção de provas. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 13 12 No caso de pagamentos indevidos, o contribuinte é intimado quando comete equívocos na reprodução das informações do Darf que impedem a localização e confirmação do pagamento, o que não ocorreu aqui. É prescindível a apresentação de Darf, pois a Secretaria da Receita Federal tem o controle de todos os pagamentos dos tributos por ela arrecadados, bastando que o contribuinte o discrimine corretamente; as estimativas compensadas podem ser confirmadas pela simples informação do número da declaração de compensação em que foram compensadas e muitos livros podem ser acessados pelos sistemas de escrituração digital. Além disso, não há porque intimar um contribuinte a comprovar saldo negativo quando o que ele solicitou foi pagamento indevido. Isto evidencia mais uma vez o risco de se converter um crédito de pagamento indevido para saldo negativo de IRPJ, pois, na declaração de compensação de saldo negativo, a forma como as estimativas foram extintas tem que ser devidamente discriminadas, o que nunca ocorreu aqui nem foi objeto de análise pela DRF/Limeira. 4 “Isto decorre da relação entre as estimativas mensais e o ajuste no final do período, não havendo como subsistir o alegado saldo negativo em caso de não confirmação integral das deduções que o geraram”. Importante esclarecer que as diligências são feitas para que o Auditor Fiscal esclareça algum ponto que fundamentou sua decisão e que pode não ter ficado claro para o julgador. Como o saldo negativo de IRPJ não foi objeto de análise nesta declaração de compensação, precluiu o direito da autoridade a quo de se manifestar sobre o assunto na fase de recurso. Convém lembrar que os quesitos para a análise do direito creditório ficam a critério do parecerista responsável pela análise, o qual responderá administrativamente no caso de erro, de forma que o CARF não pode determinar a forma e os quesitos a serem verificados para o reconhecimento do crédito, cabendo a ele a apuração do crédito da forma que entender cabível quando o processo se encontra em fase de recurso, lembrando apenas que o saldo negativo já pode ter sido objeto de outra declaração de compensação ou de pedido de restituição e que a semelhança entre os valores do pagamento indevido e do saldo negativo de IRPJ não é uma regra geral, mas apenas uma coincidência. Isto posto, proponho o retorno deste processo àquele órgão. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: que ela não pode julgar contrário à norma prevista no art. 10 da IN SRF 600/2005, que veda a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ/CSLL; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 14 13 que a declaração de compensação deve conter as informações sobre o crédito, de forma que o entendimento de que um crédito pode ser trocado por outro afronta o texto da lei (Lei 9.430/1996, art. 74, § 1º); que ao contrário do afirmado pela Turma Julgadora do CARF, existe sim uma fase probatória específica no âmbito do contencioso administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o julgador demonstra estar desatualizado sobre a forma como é feita o reconhecimento do crédito no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil; que os elementos de prova que devem instruir a declaração de compensação dependem do tipo de crédito pleiteado; que não há porque intimar um contribuinte a comprovar saldo negativo quando o que ele solicitou foi pagamento indevido; que as diligências são feitas para que o Auditor Fiscal esclareça algum ponto que fundamentou sua decisão e que pode não ter ficado claro para o julgador; que o saldo negativo de IRPJ não foi objeto de análise nesta declaração de compensação, e que, portanto, precluiu o direito da autoridade a quo de se manifestar sobre o assunto na fase de recurso; que os quesitos para a análise do direito creditório ficam a critério do parecerista responsável pela análise, o qual responderá administrativamente no caso de erro, de forma que o CARF não pode determinar a forma e os quesitos a serem verificados para o reconhecimento do crédito; que o saldo negativo já pode ter sido objeto de outra declaração de compensação ou de pedido de restituição e que a semelhança entre os valores do pagamento indevido e do saldo negativo de IRPJ não é uma regra geral, mas apenas uma coincidência. A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Não há justificativa para o retorno dos autos com a resposta acima transcrita. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.264, em 10/07/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 15 14 Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o crédito decorria de pagamento a maior de estimativa mensal). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. No caso concreto, o crédito reivindicado no valor de R$ 17.345,87 poderia ser passível de restituição/compensação até mesmo como pagamento a maior de estimativa mensal, eis que foram afastadas as restrições impostas pelo art. 10 da IN SRF 600/2005. A matéria já foi inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, não mais subsiste o fundamento utilizado pela Delegacia de origem para negar a compensação, e só isso já justificaria um aprofundamento no exame do PER/DCOMP. As informações prestadas pela Contribuinte no curso do processo indicam que ela optou por incluir o excedente mensal na apuração anual, o que teria gerado um saldo negativo nesse exato valor de R$ 17.345,87. Ainda segundo as informações contidas nas peças de defesa, a Contribuinte realizou um recolhimento complementar ao PER/DCOMP objeto deste autos, correspondente à diferença dos juros Selic que teriam sido aplicados a mais sobre o crédito compensado, eis que computados desde o recolhimento da estimativa mensal, e não a partir do ajuste anual. O processamento eletrônico de declarações de compensação, embora ágil, apresenta limitações, e, por isso, muitas questões são dirimidas na dinâmica do processo. Inclusive, depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP eletrônicos não mais podem ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). Portanto, após o despacho decisório que negou a compensação, não mais havia a possibilidade de retificação do PER/DCOMP para alterar o tipo de crédito (pagamento a maior de estimativa para saldo negativo). A Contribuinte procurou comprovar recolhimentos de estimativas em 2006, no montante de R$ 851.091,75, para demonstrar a existência de seu direito creditório, juntando ainda vários outros documentos contábeis e fiscais. Não é dado à Delegacia de origem escusarse de cumprir a diligência que foi solicitada visando esclarecer se em 2006 houve ou não o alegado recolhimento a maior de IRPJ no montante R$ 17.345,87, seja no contexto da estimativa mensal, seja no contexto da apuração anual. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908793/200937 Resolução nº 1802000.421 S1TE02 Fl. 16 15 Poderíamos até debater os vários pontos suscitados pela DRF Limeira/SP na resposta à diligência demandada pelo CARF (o saneamento de erros no processo; o significado técnico da expressão fase processual probatória específica; as razões e os limites para pedidos de diligência; a alegada preclusão “do direito” da autoridade a quo de se manifestar sobre o assunto nesta fase de recurso; etc.), mas isso não se adequaria ao rito do PAF. Deste modo, voto no sentido de remeter novamente os autos à DRF Limeira/SP, para que atenda ao que foi demandado na mencionada Resolução nº 1802000.264 (fls. 337 a 348), proferida por este colegiado em 10/07/2013. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 371DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18050.008721/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;
É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.849
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECCIONAR FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; É obrigatória a inclusão em folha de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 87 21 /2 00 8- 01 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 31/10/2008 e cientificado pessoalmente ao sujeito passivo em 06/11/2008, por não ter a empresa confeccionado as suas folhas de pagamento, nos moldes preconizados pela legislação previdenciária vigente, incluindo na mesma, todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. O contribuinte impugnou a autuação, solicitando a conexão com os PAF’s 18050.008717/200835 e 18050.008718/200880, por se tratarem da matriz do lançamento, devendo esta autuação ficar sobrestada até o julgamento daqueles. Acosta as defesas apresentadas nos referidos PAF’s e requer o provimento do recurso para que a autuação seja julgada improcedente, em face dos argumentos expendidos naqueles processos. Acórdão de fls. 72/74, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando o pedido trazido na impugnação. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.008721/200801 Acórdão n.º 2302002.849 S2C3T2 Fl. 176 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Em preliminar, não deve ser atendida a solicitação da recorrente quanto ao sobrestamento desta autuação até o julgamento dos respectivos processos relativos à obrigação principal de recolher a contribuição previdenciária sobre as remunerações dos contribuintes individuais, porque não há qualquer impedimento ao prosseguimento deste julgamento. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Auto de Infração de Obrigação Principal, o que se consubstanciou nos PAF’s 18050.008717/200835 e 18050.008718/2008 80. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Já, descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração de Obrigação Acessória. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Muito embora o acessório siga o principal, no caso vertente é de se ver que esta autuação se deu porque a recorrente não confeccionou as folhas de pagamento com a inclusão de todos os segurados que lhe prestaram serviço, em especial os contribuintes individuais estando nesta categoria também os segurados empresários que receberam pro labore. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e Fl. 178DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.008721/200801 Acórdão n.º 2302002.849 S2C3T2 Fl. 177 5 V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. De acordo com os elementos constantes do processo a empresa deixou de incluir nas suas folhas de pagamento do período de 01/2004 a 12/2004, a totalidade dos valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. A recorrente, em suas razões, não refutou que não confeccionou as folhas de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados ao seu serviço, limitandose a solicitar o sobrestamento do feito. Ocorre que tal pedido é inócuo, na medida em que a autuação não está discutindo a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores pagos, ou se todos os valores lançados na contabilidade da recorrente são efetivamente salário de contribuição para os contribuintes individuais, mas sim, a obrigatoriedade imposta pela legislação acima citada de que as folhas de pagamento da empresa inclua todos os segurados que lhe prestaram serviço, com suas remunerações. O que não foi cumprido pela autuada. Ainda que apenas um segurado apontado pelo fisco não estivesse incluído em folha, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória constante do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91, seria pertinente. Portanto, como já exposto, o auto de infração trata do descumprimento de obrigação acessória de não confeccionar folhas de pagamentos nos moldes e padrões estabelecidos pela legislação da Receita Federal do Brasil, não havendo prejudicialidade neste julgamento em relação aos autos de infração de obrigação principal, porquanto a infração cometida referente a deixar de relacionar coletivamente todos os segurados, não listando seus contribuintes individuais, autônomos e empresários, persistirá.independentemente do julgamento daqueles processos. Nada há mais a ser tratado neste AIOA, posto que a recorrente não se manifestou sobre o mérito da autuação e em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 179DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.720519/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008
CONTRADIÇÃO. FUNDAMENTO E DECISÃO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste contradição quando o fundamento descrito no voto caracteriza erro de direito e nulidade do lançamento por vício material e a decisão é pelo cancelamento da autuação.
Numero da decisão: 1202-001.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos opostos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Orlando José Gonçalves Bueno.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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FUNDAMENTO E DECISÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste contradição quando o fundamento descrito no voto caracteriza erro de direito e nulidade do lançamento por vício material e a decisão é pelo cancelamento da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos opostos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 19 /2 01 1- 05 Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.077 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório A Fazenda Nacional apresenta embargos de declaração, tempestivamente, em face do acórdão 1202001.002, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO. Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO. Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado. Nos embargos, é apontada contradição no voto, pois, segundo a embargante, “o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento”. Alerta para a previsão contida no inciso II do art. 173 do CTN e pede que seja saneada a contradição existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão, citando precedentes que decidiram pela nulidade por vício formal. É o relatório. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.077 S1C2T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Os embargos foram conhecidos para se esclarecer sobre o verdadeiro alcance da decisão, haja vista a indicação de suposta contradição pela embargante. A questão se apresenta na caracterização do vício do lançamento, se de natureza formal ou material, o que não teria ficado claro no voto que concluiu pelo cancelamento da autuação. A embargante sustenta que, em se tratando de vício formal, por ferir o art. 142 do CTN, caberia a nulidade do lançamento e não o seu cancelamento definitivo. Antes de se concluir sobre os efeitos da nulidade, cumpre perquirir sobre a natureza do erro, se de fato ou de direito. O ato de lançamento é um procedimento administrativo, que se inicia com a ação fiscal até a notificação do lançamento ao sujeito passivo. Como um procedimento moderadamente formal, ele possui pressupostos que devem ocorrer para a realiza ção da norma concreta, qual seja, o lançamento, previstos no art. 10 do PAF e no art. 142 do CTN, os quais disciplinam a formalização da constituição do crédito tributário. Assim, o fato jurídico tributário é verdadeiro para o direito quando seu enunciado descritivo foi elaborado de acordo com as regras do sistema e em consonância com as provas coletadas. Se o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito. Assim, enquanto a ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal, o erro na subsunção do fato ao critério material da regramatriz de incidência que configura erro de direito é vício material. Caso caracterizada, a viabilidade do saneamento do vício ensejaria a anulação do lançamento por vício formal e permitiria uma nova formalização, aplicandose o art. 173, II, do CTN. A doutrina de Paulo de Barros Carvalho (2010, p. 485) pode ser utilizada para esclarecer sobre a definição de erro de fato: (...) o erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lin güísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.077 S1C2T2 Fl. 5 4 Ocorre erro de fato, em outras palavras, quando há um descompasso entre o ato normativo concreto (o lançamento) e os fatos da vida real. De outro lado, ainda consoante o festejado doutrinador (2010, p. 486): Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica,mas envolvendo enunciados de normas jurídicas difer entes, caracterizandose como um descompasso de feição extern a, internormativa. (...) Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no consequente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqü ência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras normas gerais e abstratas, que não a regrapadrão de incidência. Assim, no erro de direito ocorre um equivocado cotejamento entre a norma tributária (hipótese de incidência) e o fato jurídico tributário, no tocante a um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência, qual seja, o material. Nesse caso, a convalidação é impossível. Desse modo, o erro na interpretação da regramatriz de incidência no que concerne ao aspecto material da obrigação tributária gera um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. No caso concreto, a autuação foi descrita no relatório fiscal nos seguintes termos: No caso em tela, conforme planilhas dispostas pela Operadora Eldorado, a mesma apurou o cálculo do lucro da atividade de estacionamento para, aí sim, calcular o referido aluguel. Após tal cálculo, a empresa refez todos os cálculos do DRE da empresa, incluindo a citada despesa de locação, já com o montante de 95% do lucro da atividade que deveria ter sido oferecido à tributação para cálculo do IR e CSSL. Em suma, tal "aluguel" de 95% da receita líquida de aluguel citado pela empresa, corresponde, conforme os próprios relatórios apresentados, a 95% do lucro da atividade. Levandose em consideração que o montante de 95% do lucro da atividade não foi oferecido à tributação, tal valor, conforme disposto no artigo 249, I e p.u., I do Decreto 3.000/99 (RIR/99), deverá ser adicionado ao lucro líquido, a saber: [...] Para que existisse a citada despesa de aluguel, a mesma deveria ser incluída quando da elaboração do DRE demonstrativo do Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.077 S1C2T2 Fl. 6 5 resultado do exercício, após o cálculo do lucro bruto, de acordo com as normas contábeis aceitas. No caso, a Operadora Eldorado, após o cálculo do lucro da atividade, adotou 95% desse lucro a título de aluguel, inserindo novamente estes 95% em novo cálculo do DRE , a título de "despesas operacionais" de aluguel, diminuindo, com isso, o valor da base tributável para o IR e CSSL (sic). A empresa, após este novo cálculo, oferece apenas 5% do lucro a título de base de cálculo para os tributos IR e CSSL (sic) e não os 100% que deveria ser o valor a ser considerado pela empresa como o de base para cálculo do lucro da empresa e, portanto, para o cálculo dos citados tributos. A DRJ manteve o lançamento sob o fundamento assim exposto na ementa: DEDUÇÃO DE DESPESA. INDEDUTIBILIDADE. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Considerase indedutível para fins de apuração do lucro, a despesa de aluguel de imóvel estabelecido entre as partes, em que locador e locatário apresentam os mesmos sócios/co proprietários, em valor extremamente elevado para o tipo de atividade da empresa, exorbitando os conceitos de normalidade e usualidade para a dedutibilidade da despesa operacional, cabendo, neste caso, a adição desta despesa na determinação do lucro real. No voto embargado constou: A autoridade fiscal considerou inoponível ao Fisco, como fundamento de despesa dedutível, a cláusula contratual que estabelece a importância de 95% da “receita líquida” do período e adicionou a respectiva despesa ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. A recorrente alega que a autoridade fiscal, indiretamente, glosou a despesa de aluguel em sua totalidade, e defende que a despesa deduzida é operacional, sendo necessária, usual e normal à atividade da empresa. Sustentam ainda, que não poderiam ser equiparadas a receita líquida apurada com o fim específico de cálculo do aluguel com a receita líquida apurada para fins tributários, nos termos do art. 280 do RIR/99. De fato, o procedimento adotado pela autoridade fiscal, muito embora não tenha buscado caracterizar diretamente a glosa da despesa com o aluguel do estacionamento, o fez de modo indireto, ao considerar que o montante pago a esse título deveria ser adicionado ao lucro líquido em sua totalidade. [...] Todavia, não se pode concordar com o raciocínio da autoridade fiscal para justificar o lançamento da integralidade da despesa de aluguel pago entre pessoas relacionadas, especialmente Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.077 S1C2T2 Fl. 7 6 quando, para esse caso, existe regra específica e clara determinando que somente “não são dedutíveis os aluguéis pagos a sócios e dirigentes de empresas no que exceder o valor de mercado” (inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99). Como se vê, restou evidenciado que houve uma glosa indireta de despesa, embora o fundamento da autuação tenha se limitado ao art. 249, I e parágrafo único do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Dessa forma, não se trata de mero erro de enquadramento legal, visto que a fundamentação fática da autuação não se subsume na regra especial de dedução de despesa de aluguel. Aqui, não se verifica um simples erro formal, mas um erro de direito, em que a descrição dos fatos e a subsunção à norma jurídica, da forma como efetuada pela autoridade fiscal, não corresponde à adequada aplicação do direito. Isso foi reconhecido pela própria DRJ, ao se referir à fundamentação legal correta aplicável ao caso (inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99) e corroborado pela decisão ora embargada, que considerou a apuração fiscal equivocada por não aplicar corretamente as normas tributárias pertinentes ao caso. Assim, não se trata de simples imprecisão do lançamento por insuficiência na descrição dos fatos ou na metodologia de cálculos ou equívoco no enquadramento legal, visto que houve, de fato, uma incorreta apuração da infração tributária. Tratandose de erro de direito, cumpre declarar nulo o lançamento por vício material, o que equivale ao cancelamento originalmente proposto. Isso demonstra a inexistência da contradição apontada pela embargante. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento aos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10120.908112/2009-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, deve-se de indeferir o direito pleiteado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, devese de indeferir o direito pleiteado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 81 12 /2 00 9- 44 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 158 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior do PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito. Fundamentou que o pagamento informado como efetuado a maior encontravase integralmente utilizado na amortização de débito da contribuinte. A identificação do pagamento, bem como sua utilização na amortização de débito da contribuinte, foram informadas em demonstrativo que acompanha o Despacho Decisório. A contribuinte contestou a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não havia transmitido a DCTF retificadora, que aponta a existência do crédito oriundo do pagamento a maior. Informou que esta providência teria sido tomada em 27 de maio de 2009 e anexou as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega da DCTF retificadora. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 3801001.570, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 159 3 Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial do sujeito passivo foi por mim admitido. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate gira em torno da questão do ônus da prova do direito pleiteado, e tem como pano de fundo o princípio da verdade material, a preclusão para apresentação de prova, e, também, o alcance da retificação da DCTF, se suficiente para demonstrar o direito pleiteado. A recorrente defende que, em face do princípio da verdade material, a qualquer tempo pode trazer novas provas, e que a Fazenda Nacional não deve ficar adstrita às provas trazidas pelas partes, devendo fazer perícias e realizar diligências para descobrir a verdade dos fatos. Inicialmente, devese perquerir a quem incumbe o ônus da prova. A resposta a essa questão encontrase muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova,é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 160 4 Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo Civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Outro ponto que merece ser visitado é o do momento oportuno para a prática dos atos processuais pelas partes. Primeiramente, devese responder à questão processual, qual seja, a da aplicabilidade ou não, nas instâncias administrativas, das preclusões consumativa, e, também, da temporal. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 161 5 O processo é o meio pelo qual o indivíduo busca resolver determinado conflito de interesses. Existem situações que podem comprometer o andamento processual, como, por exemplo, a perda do prazo da apresentação de recurso, a não compatibilidade de um ato processual com outro já existente, ou até, a repetição de um ato já praticado. Para que esses tipos de irregularidades não ocorram, temse o instituto chamado preclusão. A doutrina, em sua grande maioria, baseada nas lições de Giuseppe Chiovenda, classifica a preclusão como sendo a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Segundo LUIZ GUILHERME MARINONI, “... a preclusão consiste – fazendose um paralelo com figuras do direito material, como a prescrição e a decadência – na perda de “direitos processuais”, que pode decorrer de várias causas. Assim como acontece com o direito material, também no processo a relação jurídica estabelecida entre os sujeitos processuais pode levar à extinção de direitos processuais, o que acontece, digase, tão freqüentemente quanto em relações jurídicas de direito material. A preclusão é o resultado dessa extinção, e é precisamente o elemento (aliado à ordem legal dos atos, estabelecida na lei) responsável pelo avanço da tramitação processual.” (MARINONI, Luiz Guilherme. Manual do Processo de Conhecimento, cit., p. 665.) Diversos são os artigos do Código de Processo Civil que tratam desse instituto, a exemplo dos arts. 1831 e 2452 A preclusão pode ser temporal, lógica e ou consumativa, e, ainda a pro judicato. Diante dessas considerações, podemos conceituar a preclusão como sendo a extinção do direito processual em virtude do decurso do prazo (preclusão temporal); da prática incompatível com aquele que é facultado pela lei (preclusão lógica); e da própria prática do ato facultado pela lei (preclusão consumativa). Considerase, assim, que a natureza jurídica da preclusão seja um mero efeito jurídico. A preclusão temporal é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de haver exaurido o prazo fixado na lei. Como exemplo, podese citar a não apresentação da impugnação de lançamento no prazo de 30 dias a contar da ciência do lançamento tributário. Assim, a peça impugnatória não poderá ser apresentada no trigésimo primeiro dia, visto que já ocorreu a preclusão. O já citado art. 183 do Código de Processo Civil menciona justamente tal conseqüência, evitando que a parte pratique um ato processual após aquele prazo fixado na lei. Isso seria uma forma de evitar a demora do processo, respeitando, assim, o Princípio da Celeridade Processual. A preclusão lógica é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude da não compatibilidade de um ato com outro já realizado. Por exemplo: o sujeito passivo, ao ser notificado do lançamento fiscal, faz a confissão da dívida e entra com pedido de parcelamento do débito, logicamente, concordou com o lançamento fiscal. Em seguida, impugna esse lançamento. Ora, se concordou com a dívida e entrou com o pedido de parcelamento do débito, com que finalidade impugna a exigência fiscal? Como o próprio nome já diz, a lógica seria a não impugnação. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 162 6 Já a preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Por exemplo: o autuado apresentou a impugnação de lançamento no vigésimo nono dia. No dia seguinte, viu que se esquecera de mencionar um fato e tenta apresentar aditar a impugnação. Tal aditamento não poderá ser praticado em virtude da já apresentada impugnação anterior. Uma vez praticado o ato processual, não poderá ser mais uma vez oferecido, haja vista a existência do instituto da preclusão consumativa. Esta preclusão decorre do princípio da eventualidade, positivado no art. 3003 do CPC. Por esse princípio, o momento processual oportuno para apresentação de TODA matéria de defesa, circunscrevese ao prazo de apresentação, no processo administrativo fiscal, da impugnação de lançamento. O Princípio da Eventualidade deve ser observado pelo autuado, quando da apresentação de sua impugnação, pois, caso não alegue TODA matéria de defesa em tal ocasião, ocorrerá a denominada preclusão consumativa, ou seja, não lhe será lícito, após o prazo de apresentação de contestação, alegar matéria que deveria ter alegado na impugnação45. Anotese, por oportuno, que o princípio da eventualidade deve ser interpretado com o princípio da impugnação específica, enunciado no art. 302 do CPC. Por tal princípio, caberá ao acusado impugnar todos os fatos, um a um, aduzidos pelo Autor. Sobre aquele não impugnado incidirão os efeitos da revelia, e, por conseguinte, o ônus processual respectivo. Convém consignar o escólio dos ilustres juristas 6Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, ao tecer considerações acerca do instituto da preclusão consumativa, ao comentarem o artigo 183 do Código de Processo Civil. Vejamos: 4. Preclusão consumativa. Dizse consumativa a preclusão, quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. Exemplos: a) se a parte apelou no 3º dia do prazo, já exerceu a faculdade, de sorte que não poderá mais recorrer ou completar seu recurso, mesmo que ainda não se tenha esgotado o prazo de 15 dias; b) se o réu contestou no 10º dia de prazo, não pode reconvir, ainda que dentro do prazo da resposta, porque a reconvenção deve ser ajuizada simultaneamente com a contestação (CPC 299): apresentada esta, a oportunidade para ajuizar reconvenção já terá ocorrido; c) se a parte recorreu no 10º dia do prazo, já exerceu a faculdade de modo que não poderá efetuar posteriormente o preparo, pois a lei exige que este seja feito juntamente com a interposição do recurso (CPC 511). Normalmente a preclusão consumativa ocorre quando se trata de ato complexo, isto é, de mais de um ato processual que devam ser praticados simultaneamente, na mesma oportunidade. De todo o exposto, podese concluir que a preclusão pode ser conceituada como a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Assim, um dos efeitos desse instituto será justamente a extinção do direito de praticar o ato processual, funcionando como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, que é o provimento jurisdicional. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 163 7 A grande importância, pois, da preclusão no ordenamento jurídico brasileiro, é evitar que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Após essa breve explanação sobre o instituto da preclusão e dos princípios da eventualidade e da impugnação específica, voltemos aos autos. Como relatado pela decisão recorrida, foi identificado pelos sistemas de processamento de dados da RFB que o crédito que o sujeito passivo pretendia compensar nestes autos havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DCOMP, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação objeto da atual lide. Em razão dessa constatação, foi emitido despacho decisório no sentido de não homologar a compensação aqui em debate. Após ser cientificado da denegação de seu pleito compensatório é que o sujeito passivo apresentou DCTF retificadora, pertinente ao crédito do suposto pagamento a maior. A meu sentir, o momento próprio para o sujeito passivo demonstrar o crédito passível de repetição era o do ato de protocolização do pedido, pois, ao autor cabe demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, não o fazendo no momento apropriado, preclui do direito de o fazer. Poderseia até admitir que o fizesse posteriormente ao protocolo do pedido, mas não após a decisão. Repare que a fase instrutória, onde devem ser produzidas as provas, em todos os ramos processuais, tanto administrativo quanto judicial, dáse antes da decisão ou da sentença. isso porque, como dito linhas acima, as partes têm o momento certo para praticar seus atos processuais sobre pena de preclusão, que funciona como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, evitando que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Ora, no caso sob exame, incorreuse em duas preclusões: a consumativa, pois ao apresentar o pedido, a recorrente exauriu sua participação nesta fase processual. Por conseguinte não poderia mais revisitála, ainda que para carrear provas aos autos; e a temporal, haja vista que a retificadora da DCTF que poderia representar indício do direito pleiteado, só foi apresentada após a fase instrutória. Sobre o tema o Superior Tribunal de Justiça, tratando de matéria processual análoga, posicionouse da seguinte forma: “Preclusão Consumativa. Complementação do recurso. Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer e antecipa o dias ad quem do prazo recursal (caso o recurso não tenha sido interposto no último dia do prazo). Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditálo’, ou ‘corrigilo’, pois já se operou a preclusão consumativa (STJRT 745/197).” (Destaques no original).7 Repisese que as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazer posteriormente, pois nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 164 8 Por derradeiro, mas não menos importante, devese perquirir sobre os efeitos da declaração retificadora da DCTF, apresentada a destempo pelo sujeito passivo. A retificadora, regra geral, tem o efeito de substituir a declaração original, quando apresentada ao tempo de produzir os efeitos que dela se espera. Todavia, como todo e qualquer declaração, precisa ser calçada em provas que lhe confira legitimidade e verossimilhança. O que não é o caso dos autos, pois além haver sido apresentada após o despacho decisório haver apontado a ausência de crédito a compensar, pois o suposto indébito havia sido alocado para extinguir outro débito declarado pelo sujeito passivo, a retificadora não veio arrimada em documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito. Assim, como bem se consignou no acórdão recorrido, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Registrese, por oportuno, que a recorrente teve oportunidade de comprovar o seu direito creditório, mas não o fez, limitandose a apresentar demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 165 9 Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: ‘Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.’ (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.908112/200944 Acórdão n.º 9303002.551 CSRFT3 Fl. 166 10 A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado”. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 16327.001433/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 43 3/ 20 09 -8 6 Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.278 S1C4T1 Fl. 1.834 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1625.219, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Compulsando os autos, não identifiquei o documento de comprovação de tempestividade do recurso, qual seja, o Aviso de Recebimento devidamente assinado pela empresa, em que se ateste a correção do destinatário, endereço, data de expedição e de recebimento da notificação da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.278 S1C4T1 Fl. 1.835 3 VOTO Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Quanto à tempestividade do referido recurso, realmente não há nos autos comprovante de intimação da Recorrente em junho/2010, hábil a ilustrar a sua ciência sobre o acórdão proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando do julgamento da sua impugnação. O único documento relativo à suposta intimação da Recorrente foi apresentado à fl. 413 (atual fl. 441), que se limita à tela de entrega de correspondência extraída do site dos correios. Entretanto, nesse documento não há qualquer indicação do nome do destinatário ou do endereço de entrega da correspondência e, muito menos, se ela foi efetivamente recebida pela Recorrente, deixando de atender o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual é admissível a intimação via postal, desde que haja a comprovação do seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Da leitura da tela juntada à fl. 441 é possível extrair apenas a data (14/06/2010) e o local de entrega da correspondência (COD ALPHAVILLE – BARUERI/SP). Contudo, essas informações não são suficientes para comprovar a efetiva intimação da Recorrente, pois não é possível saber, por exemplo, se a correspondência foi a ela destinada, a quem foi entregue, qual o endereço indicado e, principalmente, se realmente se destinava à intimação da Recorrente sobre o acórdão em análise. Diante do exposto, converto o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal traga aos autos o documento de “aviso de Recebimento – AR”. Em caso de inexistência do documento, que tal fato seja devidamente atestado. Do resultado da diligência, dêse ciência ao contribuinte, com prazo de 30 dias para se pronunciar, retornando o processo, em sequência, para este Conselho. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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