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Numero do processo: 16327.001729/2003-10
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/1998
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 29 /2 00 3- 10 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001729/200310 Acórdão n.º 9900000.911 CSRFPL Fl. 9 3 Relatório Em face de Real Previdência e Seguros S/A, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/11, para cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar os recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0203.202 que se encontra às fls. 349/354 e cuja ementa é a seguinte: “RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. Admitese o recurso especial de divergência quando restar demonstrado e comprovado documentalmente o dissídio jurisprudencial argüido. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se não existir autolançamento a ser homologado, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O art. 173, I, do CTN, ao se referir ao "primeiro dia do exercício seguinte" está se referindo ao exercício financeiro da União, que coincide com o ano civil e não ao primeiro dia do mês seguinte ao de ocorrência do fato gerador. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PROVA DOCUMENTAL. A função do recurso especial de divergência é dirimir dissídios jurisprudenciais com o objetivo de uniformizar a interpretação da legislação tributária na esfera administrativa e não reexaminar as provas juntadas aos autos. PRECLUSÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legalmente previstas. Recurso especial negado.” A CSRF manteve a decisão de segunda instância na parte em que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1997, aplicandose à espécie o artigo 173, I do CTN. Intimada do acórdão em 08/09/2009 (fls. 369) a contribuinte interpôs o recurso extraordinário de fls. 370/390, em que sustenta divergência entre o acórdão recorrido e Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 os acórdãos CSRF/0104.600 e CSRF/0105.067 para pleitear que o reconhecimento de decadência fosse estendido para todos os fatos geradores, inclusive os ocorridos até 02/1998, pleiteando a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Ao Recurso Extraordinário do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 34001407 de 17/03/2011 (fls. 416/417), posteriormente confirmado pelo Despacho nº 9303061 de 18/12/2012 (fls. 429). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pelo contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 419/427). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pelo contribuinte sustenta a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos CSRF/0104.600 e CSRF/0105.067, assim ementados: “CSLL DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou no o recolhimento de tributo. Preliminar de decadência acolhida.” “IRPJ E OUTROS DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei nº 8.383, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). 2) PIS — As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. 3) Tendo sido os lançamentos de oficio efetuados, em 18/03/98, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência dos fatos geradores referentes aos primeiro e segundo semestres de 1992 e ao mês de janeiro de 1993, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar os tributos e a contribuição para o PIS. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001729/200310 Acórdão n.º 9900000.911 CSRFPL Fl. 10 5 Recurso negado.” O acórdão recorrido entendeu que o § 4º do artigo 150 do CTN somente poderia ser utilizado nos casos em que verificada a existência de pagamento com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. Além disso, determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) em razão da preclusão do direito da Recorrente de apresentar prova documental da existência de pagamento antecipado em sede de Recurso Especial. Os acórdãos em confronto, no entanto, manifestaram o entendimento no sentido de que o cômputo do prazo decadencial deve seguir a regra do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento antecipado do tributo. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. A discussão no presente recurso é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001729/200310 Acórdão n.º 9900000.911 CSRFPL Fl. 11 7 primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. De fato, tenho entendido que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições devidas pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados. No presente caso, a decisão de segunda instância, neste ponto mantida no julgamento pela CSRF datado de 30/6/1998 (fls. 345 e seguintes), reconheceu a decadência para os fatos geradores até a competência 11/1997, aplicando o art. 173, I do CTN. Ocorre que relativamente à competência de 01/98 e 02/98 o contribuinte trouxe aos autos Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (fls. 14/19) e Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARFs (fls. 332/333) que demonstram ter havido o recolhimento antecipado, ainda que parcial, das contribuições devidas. Muito embora o acórdão recorrido tenha declarado precluso o direito da Recorrente de apresentar as provas documentais do pagamento antecipado das contribuições ora em discussão, entendo que tal posicionamento não deve prosperar pois a apresentação de tais provas somente se tornou relevante quando do julgamento na sistemática de recursos repetitivo do RESP nº 973.733 (i.e. STJ entendeu que a existência de prova da antecipação do pagamento é relevante para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN), o qual se deu após a decisão do recurso voluntário da Recorrente. Tanto que anteriormente à decisão do recurso voluntário interposto pela Recorrente a d. fiscalização pleiteava a aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91 e somente após a publicação do RESP nº 973.733 é que a fiscalização sustentou a tese da aplicação do artigo 173, I do CTN quando não comprovado o pagamento. Assim, tendo o contribuinte juntado a prova necessária do pagamento do imposto após a publicação do referido recurso repetitivo, tal prova documental apresentada pela Recorrente deve ser analisada, por contrapor fatos supervenientes, nos termos do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Não bastasse isso, tratase de matéria de ordem pública (decadência) cujo exame esta sujeito a testes de preclusão mais moderados. Pois bem, considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 22/05/2003 (fls. 32), deve ser declarada a decadência também em relação aos fatos geradores ocorridos em 01/98 a 02/98, para os quais há prova de recolhimento antecipado e aplicase o art. 150, §4º do CTN. Tal reconhecimento de decadência deve ser acrescido àquele dos períodos aos quais mesmo pelo art. 173, I do CTN a decadência já deveria ser declarada, reconhecidos já pela decisão de segunda instância Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pelo contribuinte para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a decadência também em relação aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 1998. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11060.000698/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/03/2004
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I P I
REGIME DE APURAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N.° 10.276, DE 2001
Uma vez exercida a opção para apuração do crédito presumido do IPI para o ano seguinte, esta é definitiva seja qual for o regime de apuração do crédito presumido do IPI pelo qual se opte.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Material de limpeza, itens de ativo permanente, material de uso veterinário, equipamentos de proteção, não revestem a condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento.
Numero da decisão: 3201-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/03/2004 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I P I REGIME DE APURAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N.° 10.276, DE 2001 Uma vez exercida a opção para apuração do crédito presumido do IPI para o ano seguinte, esta é definitiva seja qual for o regime de apuração do crédito presumido do IPI pelo qual se opte. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Material de limpeza, itens de ativo permanente, material de uso veterinário, equipamentos de proteção, não revestem a condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/03/2004 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I REGIME DE APURAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N.° 10.276, DE 2001 Uma vez exercida a opção para apuração do crédito presumido do IPI para o ano seguinte, esta é definitiva seja qual for o regime de apuração do crédito presumido do IPI pelo qual se opte. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Material de limpeza, itens de ativo permanente, material de uso veterinário, equipamentos de proteção, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 06 98 /2 00 7- 50 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran. Relatório Referese o presente processo administrativo a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O estabelecimento acima identificado solicitou o ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no valor de R$ 1.452.600,57, do terceiro trimestre de 1997 ao primeiro trimestre de 2004, conforme declarações de compensações em formulário, declarações de compensação transmitidas pela internet (DCOMP) e pedidos de ressarcimento transmitidos pela internet (PER), constantes das fls. 03 a 595, conforme planilhas elaboradas no relatório fiscal nas fls. 603 e 604. O pleito foi examinado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria (DRF/STM), que concluiu pela procedência parcial do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, no valor de RS 138.648,81, conforme Relatório de Verificações Fiscais (RVF) das fls. 603 a 618, pelas razões a seguir transcritas. Relata o auditor que até o 3o trimestre de 2002, o contribuinte não apresentara os Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI (DCP), nem a demonstração em ficha específica da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Após intimação, apresentou os demonstrativos e retificou as DCTFs para incluir as informações relacionadas ao Crédito Presumido de IPI, exceto quanto aos DCPs do 3o e 4o trimestres de 1997. Segue discorrendo no item 5 do RVF sobre as irregularidades constatadas no decorrer da ação fiscal, resumidamente transcritas no itens abaixo: 5.1. Apuração indevida do valor dos insumos aplicados com base em custo integrado. 5.2. Adoção indevida do regime alternativo de apuração do Crédito Presumido do IPI referentes aos trimestres de 2003 e 2004, tendo em vista opção manifesta nos DCPs originais do 4o Fl. 976DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11060.000698/200750 Acórdão n.º 3201001.899 S3C2T1 Fl. 94 3 trimestre de 2002 e 4o trimestre de 2003 pelo regime da Lei 9.363, de 1996. 5.3. Base de cálculo do Crédito Presumido de IPI não ajustada pelos estoques finais. 5.4. Base de cálculo do Crédito Presumido do IPI com inclusão indevida do IPI incidente nas aquisições. 5.5. Inclusão na base de cálculo do crédito presumido de aquisição de produtos não considerados matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. 5.6. Inclusão na base de cálculo de aquisição de produtos adquiridos de pessoas físicas e despesas com frete de equinos. 5.7. Inclusão na base de cálculo de valores relativos a despesas com energia elétrica e combustíveis. 5.8. Decadência relativamente ao direito creditório apurado no 3o trimestre de 1997, dado que o interessado promoveu a primeira utilização do Crédito Presumido de IPI mediante entrega de Declaração de Compensação em formulário em 30 de dezembro de 2002. Diante das constatações acima, foram elaborados demonstrativos de apuração dos Créditos Presumidos de IPI, anexos ao relatório, e sintetizados na planilha de fls.617. Na sequência, foi proferido o Despacho Decisório DRF/STM de 27 de junho de 2007, da fl. 642, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, na forma proposta pela fiscalização, reconhecendo ao interessado o direito creditório no valor de R$ 138.648,81, e homologando as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Foram juntadas nas fls. 645 a 654 cópia da petição inicial referente a ação ordinária com pedido de antecipação de tutela n° 2003.71.00.0779732 impetrada pelo interessado, na qual requer declaração do direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores relativos às compras de "'animais in natura", A ciência do citado despacho ocorreu em 07 de agosto de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 686. O interessado apresentou, no devido prazo, em 31 de agosto de 2007, a manifestação de inconformidade das fls. 687 a 706, alegando, após relato dos fatos, o que vem resumido na sequência. Relativamente ao item 5.2 Adoção indevida do regime de apuração do Crédito Presumido de IPI do relatório de ações fiscais, o interessado sustenta que a Lei n° 10.276/01 oferece uma alternativa buscando favorecer o contribuinte exportador não fazendo nenhuma restrição de natureza irretratável Fl. 977DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 No que diz respeito ao item 5.5 inclusão, pelo interessado, de valores relacionados a compras de produtos não considerados matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, o interessado, após citar artigos do regulamento do IPI e do Imposto de Renda, informa que fez relação das notas fiscais de todos os materiais que não foram admitidos no levantamento do crédito, indicando a sua aplicação, sustentando que tais compras fazem parte do processo produtivo do estabelecimento, devendose incluir ainda os respectivos fretes sobre tais compras. Quanto ao item 5.6 adição indevida à base de cálculo do crédito de valores relacionados a compras de equinos junto a pessoas físicas e a despesas com fretes de equinos, alega que obteve sentença favorável exarada pelo Juiz da Vara Federal de Santana do Livramento nos autos do processo n° 2005.71.06.0023559, em que busca o direito de incluir na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI as compras de equinos junto a pessoas físicas no período de 1997 a 2002, conforme trecho que transcreve. Sustenta ainda direito a atualização monetária pela taxa SELIC dos valores restituídos A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade , em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Período de apuração: 01/10/1997 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa e torna insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Material de limpeza, itens de ativo permanente, material de uso veterinário, equipamentos de proteção, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados, no cálculo do crédito presumido, os gastos com esses itens. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11060.000698/200750 Acórdão n.º 3201001.899 S3C2T1 Fl. 95 5 Incabível a concessão do crédito presumido acrescido de juros de mora pela taxa SELIC. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inicialmente, a decisão recorrida manifestouse sobre a ausência de manifestação de inconformidade da ora Recorrente sobre os itens 5.1, 5.3 e 5.4 do Relatório de Verificações Fiscais, quais sejam: 5.1) apuração indevida do valor dos insumos aplicados com base em custo integrado, 5.3) base de cálculo do Crédito Presumido de IPI não ajustada pelos estoques finais, 5.4) base de cálculo do Crédito Presumido do IPI com inclusão indevida do IPI incidente nas aquisições, 5.7) inclusão na base de cálculo de valores relativos a despesas com energia elétrica e combustíveis e 5.8) decadência relativamente ao direito creditório apurado no 3o trimestre de 1997. Por conseguinte, com relação aos tópicos descritos, a matéria foi reputada como incontroversa, por aplicação do Decreto n° 70.235, de 1972, art.17 Quanto à matéria recorrida, entendeuse que o contribuinte não poderia alterar a opção pelo regime da Lei n° 9.363, de 1996, feita nas DCTFs correspondentes aos 4os trimestres de 2002 e 2003, porquanto, uma vez exercida a opção para apuração do crédito presumido do IPI para o ano seguinte, esta é definitiva seja qual for o regime de apuração do crédito presumido do IPI pelo qual se opte. No que tange à questão do direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI de insumos adquiridos referentes a produtos de limpeza, itens do ativo permanente, material de uso veterinário, que não fazem parte do processo produtivo da empresa, a decisão manifestouse no sentido de que tais produtos não se caracterizam como matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), por aplicação do parágrafo único do art. 3o da Lei n° 9.363, de 1996, bem como artigo 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 1998 (RIPI/98). Apresentado recurso voluntário, foram reiterados os argumentos de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Verificase que o presente litígio referese a direito creditório de crédito presumido de IPI. A primeira questão a ser enfrentada é quanto à possibilidade de mudança de regime de apuração de crédito presumido de IPI , no curso do anocalendário, considerandose que a fiscalização entendeua indevida, em face da legislação em vigor. Em sua defesa, a Recorrente alega, como ponto fundamental, que foi induzida a erro, pois teria sido intimada, no curso da fiscalização, a apresentar retificações dos demonstrativos de crédito. Não assiste razão à Recorrente, pois como bem posto na decisão recorrida, a legislação estabelece as condições para mudança de regime, conforme dispõe o art. 1o, § 4o, da Lei n.° 10.276, de 2001: Art. 1o o Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. [...] § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: 1 o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subsequentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo iodas as demais normas estabelecidas na Lei n° 9.363, de 1996. E a Instrução Normativa SRF n. 69, de 06 de agosto de 2001, prescreve que: Art. 2o A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11060.000698/200750 Acórdão n.º 3201001.899 S3C2T1 Fl. 96 7 1 o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida neste ano: II todo o anocalendário, se exercida nos anos subsequentes; III o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3o A opção de que trata o art. 2o será formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), correspondente ao: I último trimestrecalendário do ano de 2001, na hipótese do inciso I: II último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso II; III primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso III." Portanto, o regime de apuração dos créditos presumidos deve ser feita anualmente, por expressa disposição legal, não assistindo razão à Recorrente. O segundo ponto a ser abordado, é quanto à inclusão à base de cálculo do beneficio fiscal de valores relativos a materiais de limpeza, itens de ativo permanente, material de uso veterinário, ração, fretes sobre as compras, dentre outros. A Recorrente juntou anexo à defesa, de uma relação, com as respectivas notas fiscais, de todos os materiais que não foram admitidos no levantamento do crédito, indicando a sua aplicação e comprovando que eles fazem parte desse processo, incluindo o respectivo frete, além de planilhas elaboradas pelo auditor fiscal correspondentes aos períodos de 1997,1998,1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Dentre outros produtos, elencou em sua defesa: Fl. 981DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Nesse ponto, da mesma forma não assiste razão à Recorrente, considerando se que de acordo com o parágrafo único do art. 3o da Lei n° 9.363, de 1996, utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, MP, PI e ME e, o artigo 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 1998 (RIPI/98), vigente à época, determina que: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; E a expressão "consumidos no processo de industrialização" é fixado no Parecer Normativo CST n° 65/79: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos 'que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização.' (...) 10.2 A expressão 'consumidos...' há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Estando atrelado o consumo do produto em função de ação direta sobre o produto em fabricação, resta claro que não se aplica aos produtos referidos no caso concreto, inclusive o frete. Sobre a inclusão na base de cálculo do crédito de valores relacionados a compras de equinos junto a pessoas físicas e a despesas com fretes de equinos, alegase que a matéria está sendo discutida no Poder Judiciário. Destarte, na documentação juntada aos autos, temse a cópia da decisão do Superior Tribunal de Justiça, no RESp 1041.905, em que se julga procedente o pedido da Recorrente, porém, não há a alegada restrição temporal da eficácia da decisão judicial, como alegado, conforme se depreende de seu dispositivo: Fl. 982DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11060.000698/200750 Acórdão n.º 3201001.899 S3C2T1 Fl. 97 9 Nesse sentido, de fato, referido direito creditório não pode mais ser apreciado em sede de contencioso administrativo fiscal, por força da vedação de concomitância entre instâncias judicial e administrativa, em virtude do Princípio da Unicidade de Jurisdição. Reconhecido o direito creditório, deve a Recorrente buscar a execução de seu direito nas formas prescritas na legislação de regência. Finalmente, quanto à possibilidade de correção monetária dos créditos pela taxa SELIC, referida questão já se encontra decidida pelo STJ em sede de recurso repetitivo, entretanto, no caso dos autos, prejudicada pelas questões anteriores. Em face do exposto nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 983DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 11634.000552/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 176 a 179, integrado pelos demonstrativos de fls. 172 a 175, pelo qual se exige a importância de R$252.531,50, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. dedução indevida de dependente, anos-calendário 2001, 2002 e 2003; 2. dedução indevida de despesas de Livro Caixa, anos-calendário 2001, 2002 e 2003; 3. de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2002 e 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 191 a 213, instruída com os documentos de fls. 214 a 267, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 284 a 286): Cientificado do lançamento em 23/11/2006 (fl. 182), o contribuinte ingressou, em 22/12/2006, por meio de representante (procuração à fl. 215), com a impugnação de fls. 191/200 e 203/213. Após narrar os fatos, demonstra a tempestividade da impugnação. Aduz, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo de quebra do seu sigilo bancário, entendendo que "mesmo após a edição da Lei Complementar n° 105/2001 o sigilo bancário dos contribuintes somente poderá ser quebrado pelo Poder Judiciário, por constituir um direito individual previsto na Constituição Federal de 1998 (sic)" e "mesmo se considerada a possibilidade de decretação pela autoridade fazendária de quebra de sigilo bancário, o que não se crê em absoluto, seria somente possível mediante ato administrativo fundado em elementos que demonstrassem a extrema necessidade da quebra do sigilo bancário, o que não ocorreu. Ressalte-se, a respeitável Auditora Fiscal não indicou elemento algum que fundamentasse ou motivasse seu ato". Ainda em sede de preliminar, argúi a decadência, pois "somente foi intimado do atacado auto de infração em 23 de novembro de 2006. Assim, com fulcro no art. 150, § 4°, estão fulminados pela decadência os créditos tributários referente ao período de 01/01/2001 a 22/11/2001, que extrapolam o prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do evento tributável, para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento de ofício". Defende a nulidade do lançamento pela impossibilidade de admitir-se, sumariamente, depósitos bancários como renda, pois "no mundo dos fatos, depósito bancário não significa receita omitida. Os depósitos podem ser oriundos de receitas já tributadas, ou de empréstimos, ou de transferências entre contas, ou de subseqüentes depósitos oriundos de um mesmo saque, ou mesmo os pertencerem a outras pessoas" e, "diante de tal ocorrência, cumpre ao Auditor Fiscal portar-se com cuidado e diligência, aprofundando as investigações para a concatenação de elementos veementes, capazes de formar o inarredável convencimento, de que realmente se trata de renda omitida". Fl. 434DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 3 3 Diz que não houve o dimensionamento correto do montante da receita omitida, já que a "Auditora Fiscal considerou, sumariamente, transferência entre contas do próprio Autuado como renda, tornando inconsistente a matéria tributável". Apresenta planilha que aponta tais valores. Alega que não foram considerados na elaboração dos cálculos os "valores também declarados como sujeitos à tributação exclusiva recebidos nos anos calendários de 2002 e 2003, como se verifica em fls. 153 e 157". Contesta a tributação de valores pertencentes a terceiros. Explica que exerce a advocacia e no "desenvolver de suas atividades, por questões operacionais, efetua pessoalmente o levantamento dos valores 'ganhos' por seus clientes em ações judiciais, deposita em sua própria conta corrente e, posteriormente, repassa os valores aos clientes. Tal afirmativa é comprovada facilmente pelas planilhas e documentos anexados (doc. anexo n°3). Nessas, verifica-se a identificação da origem dos créditos efetuados nas contas correntes do Impugnante. Cada crédito tem demonstrada sua relação com a ação judicial correspondente e seu real proprietário, no caso, cada cliente". Insurge-se contra a adoção da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, por considerá-la ilegal e ofender a princípios constitucionais. Transcreve decisões administrativas e judiciais ao longo da peça impugnatória. Requer, por fim, sejam acolhidas as preliminares de quebra ilegal do sigilo bancário e de decadência e, no mérito, a improcedência do lançamento calcado em depósitos bancários e, eventualmente, sejam reconhecidos os erros de apuração da base de cálculo e a inaplicabilidade da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora. Protesta genericamente pela produção de provas e juntada posterior de documentos que não detêm ainda. Para esclarecer a alegação de que haviam valores depositados que pertenceriam a terceiro, o processo foi baixado em diligência (fl. 274), tendo retornado com os documentos e informações de fls. 275/281. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 06-14.858 (fls. 282 a 298), de 07/08/2007, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 4 4 Não ofende o sigilo fiscal a obtenção de dados bancários pela autoridade fiscal, pois essa atividade independe de autorização judicial. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de ofício, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430 de 1996. O art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Considera-se justificado o depósito oriundo de transferência de recursos de outra conta bancária do próprio contribuinte. GLOSAS. DEPENDENTE. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. Mantêm-se as glosas relativas a dependente e despesas de livro caixa não impugnadas diretamente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. A decisão a quo exclui do montante tributável as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilha de fl. 294. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 07/12/2007 (vide AR de fl. 309 verso), o contribuinte interpôs, em 07/01/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 315 a 337, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 215), expondo as razões Fl. 436DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 5 5 de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 05, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2011, veio numerado até à fl. 349 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos anos-calendário 2002 e 2003, e outras infrações apuradas nos anos-calendário 2001, 2002 e 2003 (vide Auto de Infração anexado às fls. 176 a 179). Numa análise preliminar dos autos, observa-se que os extratos bancários que compõem o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 163 a 170, do qual se transcreve o seguinte excerto: Considerando que o contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações, ou seja, não houve apresentação dos documentos solicitados, em 09/02/2006 foram elaboradas Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, com base nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 3.724 de 10/01/2001, onde em relatório conciso ficou demonstrado que para o prosseguimento da ação-fiscal seria necessário Fl. 438DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 7 7 obter os extratos bancários das contas movimentadas pelo contribuinte no período fiscalizado, fls. 28 e 29. Em 15/02/2005, as Requisições de Informações Financeiras n°s. 0910200-2006- 00005-4 e 0910200-2005-00006-2 foram encaminhadas à Caixa Econômica Federal e ao Banco Itaú S/A, respectivamente, fls. 30 a 37. Considerando que a Sra. Neila Maria, cônjuge do contribuinte, também não atendeu a nenhuma das intimações, ou seja, não houve apresentação dos documentos solicitados, em 09/02/2006 foi elaborada Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, com base nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 3724 de 10/01/2001, onde em relatório conciso ficou demonstrado que para o prosseguimento da ação-fiscal seria necessário obter os extratos bancários das contas movimentadas pela Sra. Neila no período fiscalizado, fls. 38 e 39. Em 15/02/2005, a Requisição de Informação Financeira n°. 0910200-2006- 00004-6 foi encaminhada ao Banco BCN, fls. 40 a 43. As instituições financeiras atenderam às RMF(s), fls. 44 a 121. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 trata-se de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em Fl. 439DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 8 8 seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideram-se não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543-B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguarda-se a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando-se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideram-se prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543-B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha- se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543-B do CPC). Ressalte-se que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citando-se como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Conclui-se, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo - acessado em 13/08/2012 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 9 9 Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 10 10 Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626Ag-R-AgR, 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 11634.000552/2006-81 Resolução n.º 2202-00.290 S2-C2T2 Fl. 11 11 RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 13899.000758/2002-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.
A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, e impede a apreciação, pela autoridade no processo da esfera administrativa a quem caberia o julgamento, apenas das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário.
RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO.
Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador.
Numero da decisão: 3401-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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DCTF REVISÃO Recorrente NICHIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, e impede a apreciação, pela autoridade no processo da esfera administrativa a quem caberia o julgamento, apenas das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 07 58 /2 00 2- 01 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida do auto de infração relativo à Contribuição para o PIS, formalizando crédito tributário, com causa na não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de abril a junho de 1997. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, antes de apreciar a impugnação da contribuinte, baixou o processo em diligência (Resolução n.º 907, de 08/02/2006, fls. 111), para a unidade da DRF em Taboão da Serra: Afirma o impugnante que, nos autos da Ação Ordinária n° 97.00038246 e da Medida Cautelar n° 96.00358591 obteve amparo judicial às compensações efetuadas. Ressalta, ainda, tratarse de compensação entre tributos de mesma espécie. Vêse na cópia da sentença que julgou ambas as ações, às jls. 37/46, que a liminar não foi inicialmente concedida, mas o correspondente agravo de instrumento foi provido. Em consulta ao sítio da Justiça Federal na Internet, localizase o referido recurso sob n° 96.03.0951218 e a decisão favorável ao contribuinte, precedida de efeito ativo concedido em acórdão publicado em 10/01/97, limitando a compensação aos débitos da própria Contribuição ao PIS e ressalvando o poder fiscalizador da Fazenda Pública (fls. 62/69). No mesmo sentido, a sentença proferida em 19/10/98, autorizou a compensação entre créditos e débitos da Contribuição ao PIS (fls. 37/46). Os autos da cautelar subiram ao TRF/3" Região, onde ingressaram sob n° 2000.03.99.0745038 e foram julgados em 24/04/2002, com extinção sem julgamento do mérito por in i f Ação da via eleita, entendendo tratarse de medida satisfativa e inexistir *ie) o de dano (fls. 70/79). Já os autos da ação ordinária ingressaram no TRF da 3a Região sob n° 2000.03.99.0706227 e aguardam julgamento (fls. 84). Ainda, nos sistemas informatizados da SRF, observase que foram formalizadas outras exigências referentes à Contribuição ao PIS declarada em DCTF, tratadas nos autos dos processos administrativos 13899.001202/200142, 13899.001605/200272 e 13899.001364/200342, atualmente localizados do SECAT da DRF/Taboão da Serra (fls. 85/89). E, nos períodos autuados, o contribuinte também indicou, em DCTF, vinculação à Medida Cautelar n° 96.00358591 (fls. 90/110). Por tais razões, para garantir o bom julgamento da lide, ENCAMINHO o presente processo à Delegacia da Receita Federal em Taboão da Serra/SP para que, em análise conjunta com os processos administrativos 13899.001202/200142, 13899.001605/200272 e 13899.001364/200342, manifestese sobre o amparo judicial à compensação alegada e quanto à sua implementação independentemente do pleito judicial, se necessário manifestandose quanto à suficiência e disponibilidade do crédito. Ao final, caso remanesça crédito tributário devido, o contribuinte deve ser cientificado de tais conclusões, reabrindose prazo para complementação de sua defesa. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA Processo nº 13899.000758/200201 Acórdão n.º 3401002.824 S3C4T1 Fl. 3 3 Em 14/03/2007, para atender à Resolução da DRJ, a autoridade preparadora, após intimação ao contribuinte (fls. 115), emitiu Parecer de fls. 191 do qual consta: Da análise do presente processo constatase que: Despacho da DRJ/CPS, às fls. 111, informa o desfecho da ação cautelar 96.00358591, com a extinção sem julgamento do mérito pelo TRT/3B RF, no processo 2000.03.99.0745038, por inadequação da via eleita. Por conseqüência, são desconsiderados os cálculos de compensação efetuados com base nessa medida judicial. A ação ordinária 97.00038246, que, na data da análise deste processo administrativo pela DRJ/CPS, estava pendente de julgamento no TRF 3a Rg., sob n" 2000.03.99.0706227, teve decisão judicial em 11/09/2006, dando provimento à apelação da autora quanto ao direito à compensação do excedente do recolhimento do PIS, com parcelas do próprio tributo, (fls). Também deu provimento à apelação da União quanto à prescrição qüinqüenal, determinando a não compensação de indébitos decorrentes de pagamentos a maior anteriores a 02/1992. Assim, utilizandose do Sistema de Cálculos de Créditos Subjudice da SRF, foram recalculados os PIS devidos na forma da LC 07/70 e apurados os excedentes de recolhimentos, a partir de 02/1992, nos termos da decisão judicial. As cópias dos darfs de recolhimento do PIS 3885 apresentados pelo contribuinte foram confirmadas com os registros da SRF; Feita a vinculação dos excedentes do PIS com os débitos do mesmo tributo, declarados em DCTF na condição de compensados por medida judicial, verifica se que o montante foi suficiente para amortizar integralmente os débitos de 01 e 03/07 processo 13899.001202/200142, 04, 05 e 06/1997 processo 13899.000758/200201, e 07 e 08/1997 processo 13899.001605/200272. Também foi possível amortizar integralmente o débito de 01/1998, parcialmente o de 02/1998, e não houve saldo para amortizar o de 03/1998, todos declarados em DCTF como compensados por medida judicial. Proponho manter em suspenso, por medida judicial, os débitos dos processos acima, até a conclusão do processo 2000.03.99.0706227, atualmente no TRF/3" Rg. aguardando apreciação do recurso especial (15/04/2007). (GRIFOS NOSSOS) Em 10/05/2010, 3 anos após o parecer de 14/03/2007, a unidade jurisdicionante juntou cópias das telas de consulta onde consta, para a ação judicial em comento, decisão proferida em 15/04/2008, em sede do STJ, para o RESP 1.001.341 SP, e que, desde 17/11/2008 ele estava SOBRESTADO EM ATENDIMENTO AO ART. 543 B , § 1 ° DO CPC E 328 DO RISTF (PROCESSO COM A MESMA CONTROVÉRSIA: RE 561908). Em 17 de janeiro de 2011, encaminha, então, este processo administrativo de volta à DRJ em Campinas para julgamento. Em sua apreciação final da lide, a Respeitável 5ª Turma da DRJ em Campinas: (1) não acolhe a preliminar de nulidade da autuação argüida pela impugnante, pois (a) a falta de intimação prévia não acarreta nulidade, e a motivação, 'somente poderia acarretar a improcedência da exigência se acaso infirmada pela defesa".(b) que o lançamento está consoante o art. 90 da MP n. 2.15835, de 24/08/2001, que vigia na ocasião; ( c) que a existência de ação judicial não é causa de nulidade, nem impedimento para a lavratura do auto de infração.(2) decidiu afastar a multa de ofício por retroatividade benigna no julgamento de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA 4 processos pendentes pela aplicação do caput do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, uma vez que a situação em tela não se enquadra nas hipóteses desse caput. (3) decidiu não apreciar o mérito pela concomitância de ação judicial. O Acórdão n.º 0532.629, de 16 de fevereiro de 2011, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, por meio do qual argumenta: 1. tratamse de valores glosados que foram compensados com base em decisão judicial; a r. decisão ora recorrida, na parte que manteve os valores compensados como indevidos, não está sequer fundamentada, com argumentos que sustentem a sua manutenção. O procedimento, aspecto formal do processo é o meio pelo qual a lei estampa os atos e fórmulas da ordem legal do processo, e seu desvirtuamento configura o vício de procedimento, merecendo o ato ser nulo/anulado, a fim de recompor a lide nos termos em que foi proposta, assegurando a prestação jurisdicional, 2. Em 10/01/97, a medida liminar foi deferida assegurando a Recorrente o direito de efetuar a compensação do PIS recolhido indevidamente com base nos Decretos Nº 2445 e 2449, ambos de 1.988, devendo ser aplicada a Lei Complementar 07/70, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; O período objeto da presente glosa é exatamente posterior ao deferimento da liminar e foi completamente embasado e assegurado por esta medida. Assim, a Recorrente passou a compensar os valores do PIS de acordo com o artigo 66 da Lei n^ 8.383/91, (com as alterações da Lei 9.069, de 29/06/95, através do seu artigo 58 e artigo 38 da Lei nº 9.250/95), então vigentes 3. O STJ decidiu por dar provimento ao recurso especial da Recorrente com base no Resp n9 1.002.932/SP, representativo da controvérsia. Assim, s.m.j., correto o procedimento adotado pela Recorrente, que compensou administrativamente com base em uma decisão judicial favorável. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA Processo nº 13899.000758/200201 Acórdão n.º 3401002.824 S3C4T1 Fl. 4 5 4. o presente processo administrativo é NULO por contrariar o próprio entendimento do Fisco Federal consubstanciado na IN/SRF Nº 31 de 08 de abril de 1997, a qual determina a dispensa da constituição de créditos da Fazenda Nacional e o cancelamento do lançamento nos casos que específica: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e com base no que dispõe o Decreto n9 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve : (...) Art. 1º Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente : VI a parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto Lei n^ 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decreto Lei 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar ns 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. ()" · Quanto ao mérito há que destacar que a matéria já é bem conhecida e que inclusive foi julgada INCONSTITUCIONAL pelo Plenário do STF. Assim, ..., as modificações do PIS feitas pelo DLs 2445 e 2449, ambos de 1.988, foram julgados inconstitucionais pelo STF, restando decidido que o PIS deve ser exigido nos termos da LC 07/70 até a vigência da MP 1.212/95, ou seja, fevereiro de 1.996... · Quanto ao prazo prescricional, não há o que possa ser supostamente alegado eis que, o processo judicial cuja decisão já transitou em julgado decidiu que não se aplica ao caso o disposto no art. 3º da LC n. 118/2005; e o prazo é de 10 anos a conta do fato gerador. · no presente caso é também inaplicável o disposto no artigo 170A, do CTN. A uma porque sequer foi cogitado na fase processual cuja decisão transitada em julgado serviu de embasamento para as compensações ora glosadas e, a duas, porque a propositura da demanda judicial foi bem anterior à data de vigência da Lei Complementar 104/2001, ... razão pela qual, inexiste vedação legal à compensação antes do trânsito em julgado da ação. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade da decisão de 1º grau: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA 6 A recorrente sugere a nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação para manter como indevidos os valores compensados. Entretanto, ao contrário do que argumenta a recorrente, o acórdão de primeiro piso apresenta o motivo, os fundamentos e as razões para esse resultado. Vejamos: ".... não é possível admitir que o procedimento do contribuinte esteja subjudice, em decorrência da propositura de ação judicial com o mesmo objeto, e, concomitantemente, reconhecer a possibilidade de compensação nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, a qual é promovida por conta e risco do sujeito passivo, mas tem efeitos extintivos se confirmada a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado ..... Embora indiscutível o efeito declaratório da inconstitucionalidade reconhecida judicialmente, em decorrência da Resolução do Senado n° 49/95, relativamente aos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, o fato é que o contribuinte tornou litigiosa a questão ao submetêla ao Poder Judiciário, impedindo a homologação administrativa de seu procedimento, fora dos limites do que autorizado judicialmente para o seu caso concreto. Assim sendo, nesta parte, e em face da supremacia hierárquica da esfera judicial, tornase prejudicado o apelo impugnatório relativamente ao mérito da exigência, posto que, a teor do parágrafo 2o, artigo Io do Decretolei n°. 1.737, de 1979, e do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830, de 1980, a propositura de ação judicial impede que a matéria seja também decidida na esfera administrativa, entendimento esse contido no Ato Declaratório Normativo n°. 03, de 14/02/1996, da COSIT, anteriormente citado." Portanto, a meu ver, não procede a argumentação da recorrente, razão por que proponho a este Colegiado não acolher essa preliminar. Preliminar de nulidade da autuação A recorrente pede a nulidade do Auto de Infração por desrespeitar o disposto na IN/SRF Nº 31 de 08 de abril de 1997, pois teria ficado dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto Lei n.º 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar n.º 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. S.m.j., entendo que a razão do lançamento aqui em debate não corresponde perfeitamente à hipótese que a citada Instrução Normativa acaba por dispensar. A autuação objeto destes autos se cinge à "não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de abril a junho de 1997". A contribuinte confessou o valor devido, mas os valores indicados para compensação não receberam confirmação considerando a ação judicial indicada para justificálos. Como se vê, há um distinção fundamental que excluí este auto de infração da hipótese tratada naquela Instrução Normativa. Por isso, concluo que não é possível acolher a proposta da recorrente neste particular. Submeto ao Colegiado. Preliminar de prescrição As decisões proferidas nas ações judiciais ingressadas pela contribuinte se pautaram pelo entendimento de que o prazo prescricional para restituir e compensar seria de Fl. 380DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA Processo nº 13899.000758/200201 Acórdão n.º 3401002.824 S3C4T1 Fl. 5 7 cinco anos, sendo possível aproveitar apenas os recolhimentos indevidos ou a maior que o devido a partir de 02/1992. A recorrente argumenta em contrário. Pareceme que razão assiste à recorrente. Tratase de matéria que creio resolvida por decisão com eficácia erga omnes. O prazo para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. No presente caso, o pedido da contribuinte compreende para origem do crédito os períodos de janeiro de 1990 a 13/10/1995 (fls. 157 a 159), portanto o seu aproveitamento no período aqui discutido (3º trimestre de 1997) está aquém do limite dos dez anos definido por essa decisão do STF. Proponho o acolhimento da preliminar que afasta a limitação prescricional de 5 anos. Mérito A contribuinte ingressou com ação judicial para · para que possa a requerente COMPENSAR, sem os ilegais requisitos da Instrução Normativa n° 67/92, o PIS INDEVIDAMENTE POR ELA RECOLHIDO, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida (cuja execução dos referidos decretosleis foi suspensa por Resolução do Senado Federal), com as contribuições vincendas ao PIS calculadas à alíquota de 0,75% sobre o faturamento, de acordo com as Leis Complementares ns. 7/70 e 17/73, contribuição essa pertencente à mesma espécie, a fim de evitar | irreparáveis prejuízos à Requerente, qual seja, a diminuição de seu capital de giro, conforme acima exposto. · A declaração do direito de COMPENSAR, sem os ilegais requisitos da Instrução Normativa n° 67/92, a contribuição ao PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL . PIS indevidamente por ela recolhido, cuja inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2445 e 2449/88 já foi reconhecida pelo ..., e cuja execução foi suspensa pela Resolução n° 49 do Senado Federal, montante este que deverá ser corrigido monetariamente, desde o recolhimento indevido, pelos índices que reflitam a inflação do período, no prazo prescricional de 10 anos, acrescido de juros legais e da taxa SELIC,(Lei 9.250/96 e IN n° 22/96, com as contribuições vincendas para o PIS, criada pelas Leis Complementares n° 07/70 e 17/73, contribuição social pertencente à mesma espécie, "ex vi" do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA 8 Obteve provimento favorável à sua pretensão, como se pode verificar nos textos das decisões proferidas: Esclareço que não se trata de autorizar compensação provocando a extinção do crédito tributário. Tratase, na verdade, de autorizar que o contribuinte proceda à compensação, sem que o Fisco o autue pelo simples fato de assim estar procedendo. De outra parte, o Fisco não ficará inibido de autuar o contribuinte, a qualquer momento, se a compensação for realizada irregularmente. Vale dizer, o procedimento de compensação será realizado por conta e risco do sujeito passivo, cuja chancela será negada pela Administração Fazendária quando verificar a inexatidão dos créditos lançados. Assegurase, assim, o direito do contribuinte de proceder à compensação sob a vigilância, quanto a sua regularidade, do Fisco, que deverá autuar quando verificar inexatidão. Posto isso, dou provimento ao agravo para possibilitar o procedimento de compensação dos créditos da contribuição ao PIS, corrigidos, com débitos vincendos da mesma contribuição social, nos termos do § 1o do artigo 66 da Lei n° 8.383/91. (17/04/1997, Agr TRF 3ª) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOSLEIS 2.445 e 2.449/88. LC 7/70. RESOLUÇÃO SENATORIAL 49/95. 1. Preliminares arguidas pela União concernentes à insuficiência documental probatória da autora e de sua ausência de interesse de agir rejeitadas. 2. O STF proclamou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/88 (RE 148.7242/RJ). 3. Declaradas inconstitucionais a alíquota (0,65%) e a base de cálculo (receita bruta operacional) estabelecidas pelos Decretosleis, e mais, a suspensão de sua eficácia pela Resolução Senatorial 49/95, remanesceu a normatização da LC 7/70, tornando indevidas as diferenças entre as duas sistemáticas legais. Até a edição da MP 1.212, de 28 de novembro de 1995, convertida na Lei 9.715/98, a base de cálculo do PIS restou inalterada (faturamento dos seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador), pois as leis que medearam esses dois diplomas legais (LC 7/70 e MP 1.212/95) apenas cuidaram, validamente, de prazos de recolhimento. Até que decorresse o prazo previsto no art. 195, § 6.°, da CF, depois da edição da MP 1.212/95 (com efeitos a partir de 1." de março de 1996), o recolhimento do PIS deveria observar tanto a alíquota, como a base de cálculo previstas na LC 7/70, tendo sido indevidos os recolhimentos feitos com base nos DL's 2.445 e 2.449, de 1988. 4. Recolhimentos comprovados segundo os documentos de arrecadação acostados aos autos. Indiscutível o direito à compensação, segundo a Lei 8.383/91. A compensação, prevista genericamente no art. 156, II, CTN, e detalhada no art. 170 do mesmo Estatuto. Inexistindo dúvida de que, em sendo o Fisco e o contribuinte, ao mesmo tempo, credor e devedor um do outro, a compensação se coloca como uma modalidade extintiva do tributo, em havendo lei autorizadora. 5. A compensação passou a ser realizada pelo próprio contribuinte, sem necessidade de prévia apreciação pela autoridade fazendária, podendo ser feita entre quaisquer tributos ou contribuições administrados pela SRF, independentemente da natureza, espécie ou destinação. Nesse sentido, a própria SRF editou a IN 210/2002. No caso concreto, limitação da compensação dos valores indevidamente recolhidos a maior a título de PIS exclusivamente com parcelas da própria exação, nos exatos termos do estreito pedido deduzido pela autora em sua exordial. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA Processo nº 13899.000758/200201 Acórdão n.º 3401002.824 S3C4T1 Fl. 6 9 6. Aplicável à espécie a prescrição qüinqüenal, contado o qüinqüênio retroativamente da data da distribuição. Caráter interpretativo do art. 3.° da LC 118/2005. Aplicação aos processos em curso. 7. Correção monetária. Os valores indevidamente recolhidos devem ser atualizados desde o recolhimento indevido, nos termos da Súmula 162 do E. STJ, e calculados segundo os critérios do Provimento 24/97, com as alterações introduzidas pelo Provimento 26/2001, ambos da E. Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3.° Região, até 31.12.95, com exclusão dos índices não alcançados pela lide. A partir de janeiro de 1996, deve ser aplicada a Taxa SELIC, a título de juros e correção monetária, nos termos do art. 39 da Lei 9.250/95 e do Provimento n.° 26/2001 da Corregedoria Geral da Justiça Federal da 3." Região com exclusão, portanto, de qualquer outro índice, dada a composição da SELIC englobar juros e correção monetária. Critérios adotados pela jurisprudência do E. STJ. Precedentes. 8. Diante da sucumbência recíproca, as partes arcarão com as custas processuais e honorários ádvocatícios distribuídos proporcionalmente ao montante em que restaram Vencidas, com fundamento no art. 21, "caput", do CPC. Preliminares suscitadas pela União rejeitadas. Apelação da União e remessa oficial parcialmente providas. Apelação da autora provida. (Apelação: PROC. : 2000.03.99.070^77 AC 647863; ORIG. : 9700038246 21 Vr SAO PAULO/SP; 30/08/2006.) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (Ia Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 16S do CTN, tem inicio, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3o da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06706/2007, DJ 27.08.2007. declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do art. 4o, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Recurso especial a que se dá provimento. RECURSO ESPECIAL N° 1.001.341 SP (2007/02550412); MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI; 15 de abril de 2008.) A meu ver, no mérito, deve se aplicar o teor decidido definitivamente na Ação Judicial ingressada pela contribuinte. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA 10 No que concerne à atribuição da Autoridade Fiscal, principalmente de certificarse da regularidade dos créditos e aproveitamentos, as decisões judiciais não as afetaram. Nesse sentido, valhome da informação fiscal da autoridade da unidade jurisdicionante, quando atendeu a Resolução do Colegiado a quo, onde consta: "feita a vinculação dos excedentes do PIS com os débitos do mesmo tributo, declarados em DCTF na condição de compensados por medida judicial, verifica se que o montante foi suficiente para amortizar integralmente os débitos.” Interpreto, portanto que, se a apuração da correção dos valores pleiteados pelo contribuinte, mesmo com o prazo qüinqüenal, foi suficiente para amortizar os débitos, no mínimo o mesmo se sucede para o prazo decenal. Conclusão Proponho, assim, a esta Eg. Turma dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário qual seja: dar provimento somente quanto à preliminar de prescrição decenal do direito de compensar no caso em discussão. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Assinado digitalmente em 05/02 /2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEI RA
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Numero do processo: 19679.004979/2003-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. OPOSIÇÃO. PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO. MATÉRIA DE LIQUIDAÇÃO.
Não havendo, em relação à autuação lavrada, questionamento em relação ao débito, mas apenas oposição no sentido de que teria sido tentado incluí-lo no REFIS, inclusão que não restou comprovada, cabe a manutenção da autuação, devendo, por óbvio, a autoridade preparadora, na implementação do julgado, tomar em conta se houve posterior inclusão do débito no REFIS (ou em outra modalidade de parcelamento), por não dizer tal matéria respeito ao mérito da autuação (ou ao contencioso sob apreciação deste colegiado), mas à forma de liquidação do débito.
Numero da decisão: 3403-003.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. OPOSIÇÃO. PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO. MATÉRIA DE LIQUIDAÇÃO. Não havendo, em relação à autuação lavrada, questionamento em relação ao débito, mas apenas oposição no sentido de que teria sido tentado incluí-lo no REFIS, inclusão que não restou comprovada, cabe a manutenção da autuação, devendo, por óbvio, a autoridade preparadora, na implementação do julgado, tomar em conta se houve posterior inclusão do débito no REFIS (ou em outra modalidade de parcelamento), por não dizer tal matéria respeito ao mérito da autuação (ou ao contencioso sob apreciação deste colegiado), mas à forma de liquidação do débito.
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OPOSIÇÃO. PARCELAMENTO NÃO COMPROVADO. MATÉRIA DE LIQUIDAÇÃO. Não havendo, em relação à autuação lavrada, questionamento em relação ao débito, mas apenas oposição no sentido de que teria sido tentado incluílo no REFIS, inclusão que não restou comprovada, cabe a manutenção da autuação, devendo, por óbvio, a autoridade preparadora, na implementação do julgado, tomar em conta se houve posterior inclusão do débito no REFIS (ou em outra modalidade de parcelamento), por não dizer tal matéria respeito ao mérito da autuação (ou ao contencioso sob apreciação deste colegiado), mas à forma de liquidação do débito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 49 79 /2 00 3- 00 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração (eletrônico) lavrado em 17/06/2003 (fls. 24 a 32, com ciência em 09/08/2003, cf. AR de fl. 41)1 para exigência de COFINS, no valor de R$ 1.019.732,17 (a título de principal), em decorrência de auditoria interna em DCTF referente aos quatro trimestres de 1998, na qual se apurou “falta de recolhimento ou pagamento do principal”. Nos Demonstrativos de fls. 26 a 29, informase que para todos os períodos houve exigibilidade suspensa referindo a processo judicial não comprovado (“Exigibilidade suspensa”/“Proc. jud. não comprova”). Segundo a autuação, no primeiro trimestre, o processo informado foi o de no 13811.000992/95, e nos demais o de no 13811.00992/95. O auto é lavrado contra a “CGN Construtora LTDA”, CNPJ no 44.020.907/000198, número de CNPJ que passou a corresponder à empresa “DCG INCORPORADORA LTDA”, cf. tela de fl. 44 e documentos subsequentes do processo. Na impugnação de fls. 2 a 4 (com protocolo de 01/09/2003), a empresa sustenta que: (a) o processo administrativo indicado (no 13811.000992/95) se refere a consulta formulada pela empresa acerca da incidência ou não da COFINS na venda de imóveis sob a luz de dispositivos constitucionais e arts. 1o e 2o da Lei Complementar no 70/1991; (b) em razão de novas regras estabelecidas para o processo de consulta (Lei no 9.430/1996, arts. 48 a 50, e IN SRF no 2/1997), a consulta teve que ser cancelada, dando lugar a outra, efetuada no processo administrativo no 13811.000207/9723; (c) o resultado final da referida consulta foi contrário aos interesses da empresa, que aguardou que as autoridades competentes lhe comunicassem qual o valor realmente devido para que pudesse recolhêlo; (d) nesse ínterim sobreveio o programa REFIS, ao qual a empresa resolveu aderir em 25/04/2000, tendo inclusive mencionado o processo administrativo no 13811.000207/9723 relativo ao débito a ser parcelado, na ficha 13 (desistência de impugnação ou recurso voluntário da declaração do REFIS); (e) entretanto, por não ter sido devidamente apurado pelo setor competente o real valor do débito, este deixou de ser considerado no total parcelado do REFIS; e (f) inconformada, a empresa apresentou requerimento ao Comitê Gestor do REFIS, em 21/12/2001, solicitando manifestação, para inclusão do débito no REFIS (documento de fls. 15/16). Em 18/02/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 45 a 49), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) a empresa não contesta que são devidos os valores lançados nestes autos, apenas opondo razões atinentes a ter solicitado sua inclusão em parcelamento; (b) os débitos indicados como “exigibilidade suspensa” pela empresa não gozavam de suspensão, cf. art. 151 do Código Tributário Nacional; (c) como se pode ver na pesquisa de fl. 44, os débitos de COFINS constituídos no auto de infração no anocalendário de 1998 jamais foram consignados ou confessados no parcelamento do REFIS; (d) a alegação de que a empresa estaria aguardando a autoridade fiscal lhe comunicar o montante devido não faz sentido, haja vista que se trata de lançamento por homologação, e ciente do resultado do processo de consulta cabia ao próprio contribuinte retificar suas declarações e apurar os valores devidos, para confissão de dívida e parcelamento; e (e) uma vez que os débitos, à data do lançamento, não haviam sido pagos nem confessados, cabível a manutenção da autuação. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19679.004979/200300 Acórdão n.º 3403003.608 S3C4T3 Fl. 85 3 Cientificada da decisão da DRJ em 02/05/2014 (fl. 55), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 27/05/2014 (fls. 57 a 61), repetindo as considerações expressas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe de início destacar que a consulta informada nas declarações da empresa não ensejou “suspensão da exigibilidade” do crédito, e o processo informado efetivamente não é judicial, não tendo sido comprovado (havendo ainda erro de digitação em um trimestre). Não há muito o que discutir, assim, nestes autos. A quantia é assumidamente devida pela empresa, que afirma que estava somente aguardando o fisco informála de quanto ela deve. A resposta à consulta formulada, contrária aos interesses da recorrente, equivaleu a tal informação, devendo a empresa efetuar o recolhimento sem as exclusões que postulava na consulta. Não tendo efetuado o lançamento, o fisco, com base nos valores declarados pela própria empresa, efetuou a exigência, com juros de mora e multa de ofício, como prevê a legislação. E a empresa inclusive se equivoca em seu recurso voluntário (fl. 60), ao afirmar que a DRJ afastou a multa de ofício (provavelmente por copiar na peça de defesa equivocadamente excerto de outro processo): Nem a DRJ excluiu a multa de ofício, nem o acórdão por ela proferido teve o número indicado na peça recursal. O Acórdão proferido pela DRJ (que manteve integralmente o lançamento, inclusive da multa de ofício) foi o de no 1263321. Também não comprova a recorrente que a quantia estava incluída no REFIS. Assim, e não havendo questionamento efetivo em relação ao débito, apenas a oposição de tentativa de inclusão no REFIS, cabe a manutenção integral do lançamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 Eventual inclusão do débito no REFIS (ou em outra modalidade de parcelamento) deve, por óbvio, ser tomada em conta na implementação deste julgado pela unidade preparadora, por não dizer respeito ao mérito da autuação (ou ao contencioso sob apreciação deste colegiado), mas à forma de liquidação do débito. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 12963.000197/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. REGIME DE APURAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. A controvérsia residia na alegada utilização do regime de caixa para tributação das variações cambiais, apesar de tê-las registrado contabilmente pelo regime de competência. Contudo, não há nos autos qualquer informação ou indícios documentais de que a Contribuinte teria optado a qualquer tempo pelo regime de competência, sendo certo que a previsão legal pelo regime de caixa não significa que a empresa esteja dispensada de apresentar comprovantes da opção efetuada. Assim, constatada insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL, sem que os elementos de prova passivos pudessem elidir o feito fiscal, há que se manter os respectivos lançamentos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRIBUTABILIDADE PELO IRPJ E PELA CSLL. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem característica de subvenção para custeio, mas, sim, de ressarcimento de despesas fiscais com PIS e COFINS. Consequentemente, não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, inclusive no bojo da sistemática do lucro presumido. Trata-se de uma espécie de recuperação de custo - que na melhor técnica contábil - tem por correspondente uma conta redutora dos impostos incidentes sobre o produto vendido.
Numero da decisão: 1101-001.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, (i) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente às variações cambiais; e (ii) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente à tributação de crédito presumido de IPI, divergindo os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que seguem em anexo. Fizeram declarações de voto os Eminentes Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. REGIME DE APURAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. A controvérsia residia na alegada utilização do regime de caixa para tributação das variações cambiais, apesar de têlas registrado contabilmente pelo regime de competência. Contudo, não há nos autos qualquer informação ou indícios documentais de que a Contribuinte teria optado a qualquer tempo pelo regime de competência, sendo certo que a previsão legal pelo regime de caixa não significa que a empresa esteja dispensada de apresentar comprovantes da opção efetuada. Assim, constatada insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL, sem que os elementos de prova passivos pudessem elidir o feito fiscal, há que se manter os respectivos lançamentos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRIBUTABILIDADE PELO IRPJ E PELA CSLL. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem característica de subvenção para custeio, mas, sim, de ressarcimento de despesas fiscais com PIS e COFINS. Consequentemente, não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, inclusive no bojo da sistemática do lucro presumido. Tratase de uma espécie de recuperação de custo que na melhor técnica contábil tem por correspondente uma conta redutora dos impostos incidentes sobre o produto vendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, (i) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente às variações cambiais; e (ii) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente à tributação de crédito presumido de IPI, divergindo os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Edeli Pereira Bessa, nos termos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 01 97 /2 00 7- 62 Fl. 943DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 2 do relatório e votos que seguem em anexo. Fizeram declarações de voto os Eminentes Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório O vertente Processo Administrativo cuida de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, nos importes de R$ 3.292.360,59 e R$ 1.185.381,20 (em ago/2007), respectivamente, atinentes aos anoscalendário de 2003 a 2006, nos quais foi imputada à contribuinte – que atua na sistemática do Lucro Presumido – a insuficiência no recolhimento dos tributos, identificada a partir dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal nas escriturações da empresa, conforme relatório fiscal acostado às fls. 1122/1126. Inicialmente, a fiscalização compreendia apenas o AC 2003 e os tributos PIS e COFINS. Porém, foi estendida posteriormente aos AC 2004 a 2006, sendo apurados também o IRPJ e a CSLL, conforme os MPFs constantes às fls. 5 e 6 dos autos, limitandose a presente discussão à exação destes últimos. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar seus livros, documentos fiscais e contábeis, por meio dos Termos de Intimação constantes às fls. 7, 8, 11, tendo havido a retenção de alguns deles (fls. 17, 51, 53 e 54). Na ocasião, a autoridade fiscal apurou diferenças entre os valores declarados em DCTFs e aqueles registrados nos documentos contábeis, as quais foram sintetizadas nas planilhas de fls. 1018/1121, tendo o Contribuinte sido intimado a justificar a divergência apontada e apresentado o seguinte esclarecimento, verbis: “As receitas Variações Cambiais Ativas foram apuradas para fins de cálculo de impostos federais pelo regime de caixa, ou seja, no momento da liquidação da operação, conforme prevê a MP 2.15835 de 2001, porém na contabilidade, foi observado o regime de competência. Por este motivo surgiu a diferença apurada na referida intimação. ” (fl. 52). Fl. 944DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.346 3 A autoridade fiscal, contudo, afirmou que a “análise da escrituração demonstrou que as diferenças encontradas não eram causadas unicamente por esses fatos” (fl. 1124) e que, apesar de a Contribuinte ter a opção de escolha entre o regime de liquidação (caixa) ou de competência, ela não estaria dispensada de comprovar documentalmente a realização da operação, por meio de controles extracontábeis, relações de títulos ou outros documentos probantes, especificadores das datas da liquidação. Por não ter assim procedido, o lançamento fiscal considerou regime adotado na escrituração, levantando a receita pelos valores registrados na contabilidade da empresa. Ademais, a Autoridade Fiscal constatou que a contribuinte não escriturou corretamente os créditos presumidos de IPI para os períodos fiscalizados, uma vez que (i) em alguns deles a empresa sequer promoveu os lançamentos dos créditos no Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 56/182), embora (ii) os tivesse apurado e registrado nos Demonstrativos de Crédito Presumido (fls. 413/573). Tal comportamento reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, motivando o lançamento de ofício. Ao final do Relatório Fiscal, foram acostadas planilhas quanto à apuração e utilização do crédito presumido do IPI (fls. 1127/1128) e quanto às diferenças apuradas entre os valores declarados em DCTF e aqueles registrados na contabilidade (fls. 1128/1131) A Fiscalizada foi cientificada em 15/10/2007, conforme AR à fl. 1154. Insurgiuse a contribuinte contra a atuação, apresentando Impugnação para cada tributo exigido (IRPJ e CSLL), de igual teor, que repousam aos fólios 1156 a 1185, alegando, em síntese, que: a) Não foi cientificada dos novos MPFs ampliadores do período inicial de fiscalização, conforme corrobora o próprio corpo dos mandados, que não possuem a manifestação de ciência do impugnante, gerando nulidade do procedimento fiscal; b) Deve ser realizada diligência, a fim de intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos que deveriam constar nos autos, bem como juntar todos os elementos possíveis para colaborar com a apuração da verdade material, inclusive os controles extrafiscais da empresa; c) Tendo em vista que a tributação se baseia na ocorrência dos fatos econômicos (efetiva receita auferida), entendeu que os créditos presumidos de IPI somente deveriam ser incluídos na base de cálculo no momento de sua utilização, sob pena de haver tributação desautorizada e violação à legislação. Além disso, a empresa não foi intimada a esclarecer os fatos sobre os créditos presumidos de IPI. d) O lançamento é insubsistente, visto que houve inverídica apuração das receitas de exportação e suas variações cambiais, bem como dos efetivos valores dos créditos de IPI, restando prejudicada a apuração do IPRJ e da CSLL. e) Não é cabível a aplicação da multa e de juros de mora ao caso, porque, caso fosse devido o tributo, tratarseia a infração de erro apurável icto oculi pela autoridade fiscal, a qual deveria retificálo de ofício, conforme interpretação conjunta dos arts. 147, § 2º e 112 do CTN. Subsidiariamente, se fosse admitida a Fl. 945DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 4 multa, esta teria de ser aplicada no percentual de 20%, de acordo com o art. 61, § 2º da Lei 9.430/96. A peça impugnatória foi julgada pela 2ª Turma Julgadora da DRJJFA, cujos membros acordaram pela procedência do lançamento fiscal (fls. 1194/1205). A ementa do acórdão restou redigida nos moldes reproduzidos, litteris: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de controle da administração tributária, de sorte que sua eventual irregularidade formal não enseja a nulidade os autos de infração; não se cogita de nulidade processual ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n°70.235/1972. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS FORMAIS. INDEFERIMENTOS. Devem ser indeferidos os pedidos de realização de diligência e perícia, seja porque: não foram preenchidos os requisitos formais dessa última; suas realizações são despiciendas, dado que a situação fática bastou para o seu enquadramento nos tipos legais; tanto na fase procedimental, quanto na processual, a contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova documental dos fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatada insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL, sem que os elementos de prova passivos pudessem elidir o feito fiscal, há que se manter os respectivos lançamentos, o dela decorrente daquele. (fl. 1194) Cumpre detalhar que o entendimento esposado no r. acórdão atribuiu ao contribuinte, “no exercício do seu direito de defesa, valerse de matéria de prova robusta, e.g., de controles extracontábeis, de relação de títulos, tal como sugerido no TCF, ou ainda das evocadas notas fiscais que dessem lastro à sua escrituração contábil, a demonstrar de modo irretorquível as respectivas datas das suas liquidações” (fl. 1201) seja em relação às suas alegação quanto às variações cambias, seja quanto à contabilização dos créditos presumidos de IPI. Quanto a esses últimos (créditos de IPI), asseverouse a sua adequação ao conceito de renda e a inexistência de hipótese de exclusão ou isenção pela legislação regente, fatos que determinam o seu cômputo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da forma como apurado pelo Fisco: no mês de ocorrência da exportação ou da venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.347 5 A DRJ também não admitiu os enfretamentos do contribuinte contra a multa de ofício aplicada, fundamentando que o caso concreto contempla a falta de recolhimento dos tributos em razão de diferenças encontradas entre os valores declarados e os apurados com base nos livros e documentos da contribuinte. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário em face do r. acórdão em 14.08.2009 (fl. 1214), logo após ser cientificado do teor da decisão em 15.07.2009, consoante o AR à fl. 1213, pugnando pelo cancelamento do lançamento por esta Colenda Turma. No bojo da peça postulatória limitase a repisar os argumentos tecidos ao longo da impugnação (fls. 1214/1224), os quais podem ser sintetizados nos seguintes termos: a) o aparato documental apresentado teve sua finalidade desvirtuada, tendo seus elementos servido apenas às conclusões ilógicas da autoridade fiscal; b) na ocasião da apuração fiscal, não foi concedido à contribuinte a oportunidade de elucidar os fatos que foram duvidosos ao Auditor; c) embora a resposta dada à intimação fiscal estivesse desprovida de técnica, restou claro que a divergência na apuração fiscal surgiu do critério adotado: as variações cambiais ativas foram utilizadas pelo regime de caixa, mas contabilizadas pelo regime da competência, o que teria resultado num procedimento mais benéfico ao fisco, visto que o favor foi obtido somente no momento da apuração; d) é defeso ao Auditor emitir juízo de valor sobre a opção de regime feita pela contribuinte, visto que faz parte da discricionariedade da empresa; e) não houve aprofundamento por parte da autoridade administrativa quanto à forma de apuração do lucro pela Recorrente, a qual lançou mão apenas da escrituração que deu azo à apuração do lucro presumido, encerrando a autuação posteriormente; f) os arts. 2º e 3º da Lei 9.718/18 foram equivocadamente interpretados, uma vez que o IPI não é receita, mas sim uma espécie de recuperação de custo, tendo como correspondente uma conta redutora dos impostos incidentes sobre o produto vendido; g) a Recorrente se encontra diante de uma autuação teratológica, com risco de comprometimento de sua atividade, haja vista a desproporcionalidade daquela em relação ao próprio empreendimento. Anexadas ao recurso, a Recorrente, enfim, traz planilhas demonstrativas das operações de exportação, da variação ativa no momento da liquidação e demais resultados que influenciam cada um dos tributos, sobre os quais versa a presente autuação. É o relatório. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 6 Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto às fls. 1214/1224. A Contribuinte foi intimada do r. decisum de primeira instância em 15/07/2009 (quartafeira) – consoante AR à fl. 1213 –, nos moldes do art. 23, §1º, II, do Decreto n. 70.235/72. O trintídio legal para interposição do recurso findaria, portanto, em 14/08/2009 (sextafeira), nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. Tempestivo, portanto, o recurso interposto em 14/08/2009. Como relatado, a Contribuinte insurgese no voluntário contra os alegados equívocos da Fiscalização ao incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores referentes às variações cambiais ativas – consideradas pela Fiscalização no regime de competência e não de caixa, como procedido pela Recorrente – e referentes aos créditos presumidos de IPI. Vejamos ambos os questionamentos separadamente. Das variações cambiais ativas. Regime de caixa x regime de competência No recurso voluntário sob julgamento, a Contribuinte busca a revisão do entendimento mantido pela DRJ/JFA quanto à inexistência de provas a corroborar os lançamentos contábeis pelo regime de caixa e a “demonstrar de modo irretorquível as respectivas datas das suas liquidações” (fl. 1201), por entender que, verbis: “De toda forma, como não foi possível da outra oportunidade, requer pela juntada das planilhas auxiliares – conseguidas após diligências junto ao i. responsável contábil que cuidava do setor à época dos fatos. As planilhas são auto explicativas – demonstram cada uma das operações de exportação, bem como apuração da variação ativa na oportunidade da liquidação e os resultados tiveram influência em cada um dos tributos da forma que a legislação determina aplicação, ou seja, o IRPJ e a CSLL trimestral e no caso dos demais, mês a mês. ” (fl. 1222, destaquei) Antes de analisar a questão, contudo, entendo necessário verificar, com base na legislação aplicável aos fatos – anoscalendários 2003 a 2006 –, qual era o regime de escrituração contábil previsto (regime de caixa ou regime de competência) e, havendo a possibilidade, qual seria o procedimento que a Contribuinte poderia optar. Pois bem. O artigo 20 da Medida Provisória n. 2.15835/2001, vigente à época dos fatos, previa a possibilidade de as pessoas jurídicas submetidas à sistemática de lucro presumido adotarem o regime de caixa “para fins de PIS/PASEP e COFINS”, se igualmente o adotassem para o IRPJ e CSLL. Confirase a dicção desse dispositivo: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de Fl. 948DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.348 7 renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o ano calendário. § 3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. No ponto, é esclarecedora a Solução de Consulta n. 15/COSIT, de 13 de setembro de 2011, que analisou as alterações trazidas pela Lei n. 12.249, de 2010, e a possibilidade de o contribuinte alterar o regime de tributação das variações cambiais (que não é o objeto da presente demanda), salientando que, verbis: “6. A importância do dispositivo supracitado se encontra na permissão concedida ao contribuinte de optar pelo momento em que irá reconhecer a variação cambial na base de cálculo dos tributos, se pelo regime de caixa ou de competência. 7. No regime de competência, a variação cambial é reconhecida a cada período, independentemente da liquidação da operação. Assim, se ocorrer no período uma variação cambial passiva (despesa), já nesse período ela irá reduzir o montante do tributo devido. Ao contrário, caso ocorra no período uma variação cambial ativa (receita), ela irá implicar majoração do tributo devido no período. 8. Pelo regime de caixa, apenas quando da liquidação da operação é que será reconhecido o ganho ou a perda por variação cambial. 9. Salientese que a adoção do regime de caixa revelase uma forma mais segura e conservadora para o contribuinte, posto que não será necessário oferecer à tributação a variação cambial ativa decorrente de operação ainda não liquidada e que, portanto, poderia não se realizar. Por outro lado, a adoção do regime de caixa não permite que o contribuinte aproveite antes da liquidação da operação as perdas decorrentes de variações monetárias passivas (para redução da base de cálculo do tributo). […] 23. Diante do exposto, solucionase a consulta interna respondendo à interessada que: Fl. 949DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 8 a) até 31 de dezembro de 2010, o contribuinte podia alterar durante o período de apuração a opção do regime de tributação das variações cambiais (caixa x competência), desde que seus efeitos fossem aplicados a todo o anocalendário. b) a partir de 1º de janeiro de 2011, com a nova redação dada ao art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.249, de 2010, a opção pelo regime de tributação das variações cambiais (caixa e competência) deve ser exercida em janeiro do anocalendário ou no mês do início de atividades, sendo irretratável, salvo em situação de elevada oscilação da taxa de câmbio.” (destaquei) Evidente, portanto, em relação aos anoscalendários de 2003 a 2006, a regra era o registro e a tributação das variações cambiais pelo regime de caixa, conforme previsto no artigo 30 da MP 2.15835/2001, antes das alterações trazidas pela Lei n. 12.249/2010. No presente caso, é incontroverso que as variações cambiais ativas foram utilizadas pela Contribuinte no regime de caixa, conforme determinação legal à época, mas foram registradas em sua contabilidade pelo regime de competência, conforme se verifica dos seguintes excertos extraídos do relatório fiscal e do próprio recurso voluntário: [relatório fiscal] “Em resposta a essa intimação, fls. 36, o contribuinte limitouse afirmar in verbis: ‘2Em relação ao item 2 vimos esclarecer que as receitas Variações Cambiais Ativas foram apuradas para fins de cálculo de impostos federais pelo regime de caixa, ou seja, no momento da liquidação da operação, conforme prevê a MP 2.15835 de 2001, porém na contabilidade, foi observado o regime de competência. Por este motivo surgiu a diferença apurada na referida intimação.’ […] Em relação a essas receitas a legislação de fato atribui ao contribuinte a possibilidade de optar entre o regime de liquidação ou o de competência. No entanto, isso não significa que a empresa esteja dispensada de apresentar comprovantes da opção efetuada. ” (fl. 1124, destaquei) [recurso voluntário] “Também na outra, embora resposta desprovida de técnica, restou esclarecido que divergência da apuração fiscal surgiu do critério adotado as variações cambiais ativas foram utilizadas pelo regime caixa, muito embora contabilizadas pelo regime da competência. ” (fl. 1222) Nada obstante, é evidente que a adoção do regime apuração das bases de cálculos dos tributos em questão, caixa (liquidação) ou competência, imprescindivelmente vai depender da existência de documentação hábil a suportar os lançamentos a serem registrados na contabilidade, o que, nos termos das Normas Brasileiras de Contabilidade – ITG 2000, é definida como: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.349 9 “[...] 1. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apoiam ou componham a escrituração. 2. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. 3. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio magnético, desde que assinados pelo responsável pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado, devendo ser submetidos ao registro público competente. [...]” (destaquei) No presente caso, o Termo de Intimação Fiscal acostado à fl. 40 intimou a Contribuinte a “apresentar os seus esclarecimentos para os fatos, acompanhados dos documentos comprobatórios” (negritei), sob pena de lançamento de ofício. Em resposta, a Recorrente reiterou sua resposta anterior, qual seja, de que toda a controvérsia residia na utilização do regime de caixa para tributação das variações cambiais, apesar de ter contabilmente as registrados pelo regime de competência, sendo certo a este Julgador que, conforme extraído da legislação e Consulta interna supracitadas, aquele regime de caixa é a situação ordinariamente prevista e que somente poderia ser ilidida caso a pessoa jurídica tivesse optado expressamente pelo regime de competência, conforme prevê o supracitado §1º do art. 30 da MP 2.15835/2001. Contudo, não há nos autos qualquer informação ou indícios documentais de que a Contribuinte teria optado a qualquer tempo pelo regime de competência, mediante o envio de declaração (ou documento similar) à Receita Federal, o que confirma a alegação do recurso voluntário de que o d. Auditor Fiscal não poderia – como o fez – asseverar que o mero registro na contabilidade pelo regime de competência implicaria no reconhecimento de que a Contribuinte teria cabalmente adotada esse regime para apuração das bases de cálculos dos tributos lançados. Daí porque entendo equivocada a presunção da Fiscalização, citada abaixo, uma vez que a Contribuinte não precisaria provar que optou pelo Regime de caixa (liquidação) se este era o regime padrão previsto no art. 30 da MP 2.15835/2001, verbis: “Ademais, toda sua escrituração foi feita com base no regime de competência, embora pudesse optar pelo de caixa, por estar no Lucro Presumido, e a escrituração tem força probatória. Se, realmente, em relação às receitas de variações cambiais, a opção da empresa foi pelo regime de liquidação, esse fato deveria ser provado, através de controles extracontábeis, relações de título, demonstrando as respectivas datas em que foram liquidados etc.” (fl. 1124, grifei) Fl. 951DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 10 Porém, igualmente considero irrefutável a conclusão da Fiscalização no sentido de que a previsão legal pelo regime de caixa “não significa que a empresa esteja dispensada de apresentar comprovantes da opção efetuada” (fl. 1124), sendo inequívoco nos presentes autos que o lançamento fiscal partiu de documentos válidos – revestidos dos requisitos intrínsecos e extrínsecos exigidos pela legislação tributária e NBC ITG 2000 –, os quais fazem prova das operações neles registradas. Assim, realmente incumbiria à Recorrente demonstrar que, a despeito de ter registrado em sua contabilidade as variações cambiais pelo regime de competência, as operações que as originaram foram efetivamente liquidadas em momento diverso, conforme comprovariam os documentos comprobatórios exigidos pela Fiscalização. A Contribuinte, contudo, não se desincumbiu desse ônus. Realmente, desde o início do procedimento de fiscalização, a Recorrente foi intimada a comprovar os lançamentos realizados e as divergências apuradas em razão da utilização de regimes de tributação diversos nas DCTFs e nos livros contábeis, conforme exaustivamente afirmado, mas apenas em sede de recurso voluntário apresentou breves arquivos internos que não são hábeis a infirmar as constatações da Fiscalização ou mesmo contrapor os registros validamente inseridos nos documentos contábeis analisados pelo Il. Auditor Fiscal. E isso porque as planilhas acostadas às fls. 1227/1341 não preenchem quaisquer requisitos formais, bem como não trazem referências a outros documentos – notas fiscais, contratos mercantis, contratos de câmbio, etc – que apoiem ou componham aquela escrituração contábil que foi reputada válida pela Fiscalização. Saliento que sequer as planilhas são assinadas por algum responsável pela empresa, v. g. o contador e/ou seus diretores, de modo que não é possível precisar ou confrontar aquelas informações em razão da manifesta ausência de apresentação de documentos comprobatórios revestidos dos mínimos requisitos formais, conforme alertado no Relatório Fiscal. Em verdade, tratase de simples arquivos de controle interno da empresa e que não têm o condão de justificar a discrepância apontada nos autos de infração. Somese a todas essas dificuldades a ausência de qualquer arquivo que, ao menos minimamente, indicasse qual seria a receita que decorreria com o registro das variações cambiais ativas pelo regime de liquidação ou mesmo se as informações apresentadas pela Recorrente nas referidas planilhas corresponderiam à realidade, já que não há suporte documental nos autos. Por esses fundamentos, NEGO provimento ao recurso voluntário quanto ao lançamento sobre as variações cambiais declaradas pela Recorrente pelo regime de caixa nas DCTFs enviadas, ante a manifesta ausência de documentação comprobatória. Do IRPJ e da CSLL sobre créditos presumidos de IPI na exportação A vertente matéria já foi por mim apreciada, enquanto Conselheiro da 3ª Turma Especial da 1ª Seção deste E. Conselho Administrativo, no Acórdão n. 180300.346, julgado em 07/04/2010, cujo entendimento trago à baila, conforme reprodução abaixo, verbis: “(4) Da intributabilidade dos valores atinentes a créditos presumidos de IPI Fl. 952DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.350 11 Também se rebela a recorrente contra os lançamentos formalizados sobre os montantes de créditos presumidos de IPI apurados no período fiscalizado. Segundo a exegese que encampa, os créditos presumidos de IPI não representariam receita, para fins de incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; ao contrário, ditos ativos configurariam simples ressarcimento dos custos tidos em função do recolhimento das duas contribuições sociais citadas por último, sendo oficioso, por conseguinte, o cancelamento das exigências ora tratadas. Esta matéria vem sendo objeto de controvertidos debates administrativos e judiciais. Para expormos nosso posicionamento, necessária é a leitura inicial do artigo 10, capta, da Lei n° 9.363/96, que apresenta a seguinte redação: ‘Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.’ A análise do dispositivo acima reproduzido permite dupla exegese. Há juristas que vislumbram no crédito presumido de IPI a natureza de subvenção de custeio, ofertada pelo Poder Público, mediante renúncia fiscal, para auxiliar o beneficiário a arcar com os gastos de sua atividade. Nesta linha de entendimento, os créditos em comento deveriam sempre ser adicionados ao resultado tributável, vez integrarem o conceito de lucro operacional, nos termos do artigo 392, I, do RIR/99. Outra corrente, todavia, com a qual me alinho, entende que os créditos presumidos de IPI representam verdadeiro ressarcimento, oferecido ao contribuinte para compensar as despesas tidas com o recolhimento pretérito de PIS e de COFINS incidentes sobre as operações que a lei especifica. É a própria dicção normativa que nos permite entrever este caráter de recuperação de custos, já que o enunciado do estresido artigo 1' tacha a concessão dos créditos, literalmente, como ‘ressarcimento de despesas fiscais’. A orientação que esposamos conta com partidários neste colegiada, consoante se pode inferir da ementa de julgamento adiante exposta: ‘CSLL — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI BASE DE CÁLCULO DA CSLL O crédito presumido de IPI, não tem característica de subvenção para custeio e sim de ressarcimento. Consequentemente, não integra a base de cálculo da CSLL na sistemática do lucro presumido. (Ac. 1° CC — 10516.469/07)’ Fixada, assim, a natureza dos ditos créditos, restanos perquirir, contudo, sobre a possibilidade de sua inclusão na base de Fl. 953DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 12 cálculo 'do IREI e da CSLL. A resposta a esta indagação deve pressupor o fato de o contribuinte ter estado sujeito, à época da apuração dos créditos presumidos (1° trimestre de 2003 e 2° a 40 trimestres de 2004), ao regime de apuração pelo lucro presumido, consoante DIPJ's carreadas às fls. 180 e ss. Nesse cenário, a solução da controvérsia parece jazer no artigo 53 da Lei n° 9.430/96, verbis: ‘Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado.’ Ora, o enunciado normativo é claro: os valores recuperados, a título de custos e despesas — inclusive fiscais, pertinentes ao presente ressarcimento de PIS/COHNS — deverão ser, em regra, adicionados ao lucro presumido, salvo se tais montantes se referirem a penados igualmente abrangidos pela sistemática de lucro arbitrado ou presumido — o que ocorre in casu. A orientação ora agasalhada já encontrou guarida em outros precedentes do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: ‘LUCRO PRESUMIDO RECUPERAÇÃO DE CUSTOS De acordo com o art. 53 da Lei 9,430/96, os custos ou despesas recuperados não são adicionados ao lucro presumido se comprovado que não foram deduzidos em período anterior tributado pelo lucro real ou se se referirem a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado, (Ac, 1º CC — 101 95.443/06)’ Não posso deixar, em face do exposto, de votar pela exclusão, junto às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, dos montantes pertinentes aos créditos presumidos de IPI auferidos pela recorrente. Quanto à incidência do PIS e da COFINS sobre tais ativos, por sua vez, visiono também a necessidade de expurgo, haja vista a concessão de créditos presumidos de IPI representar mecanismo de recuperação de custos, inconfundível com a aferição de receitas de faturamento. A respeito da abrangência do conceito de faturamento, foi definido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09/11/2005, por meio de acórdão prolatado para solução do Recurso Extraordinário — RE n° 390840/MG, transitado em julgado em 29/09/2006, o entendimento de que só poderiam ser tributadas pelo PIS e pela COFINS as receitas derivadas de venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços, afastados os demais rendimentos nãooperacionais percebidos pelo sujeito passivo fiscal. Neste sentido, estornadas da tributação, relativamente a estas contribuições, estariam também os créditos presumidos em discussão, uma vez ter sido declarada Fl. 954DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.351 13 inconstitucional a regra do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98, ampliador da base imponível das citadas exações. Tal entendimento judicial deve ser observado por este Conselho, em todos seus termos. Isto assim se faz por força da promulgação da Lei if 11.941, em 27/05/09, responsável por adicionar ao Decreto n° 70.235/72, regulamentador do Processo Administrativo Fiscal, o artigo 26A, § 6°, inciso I, vigente com as seguintes feições redacionais: ‘Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob finidamento de inconstitucionalidade. § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)’ Nesse sentido já decidiu este conselho: ‘CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI N° 9,718/98 DECLARADA PELO STF, IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (Acs, 2° CC — 20218,397/07 e 202 18.396/07)’ Não há, portanto, como se admitir a manutenção das exigências de PIS e COFINS formalizadas sobre os créditos presumidos autorizados pela Lei n° 9.363/96. É necessário o expurgo destes rendimentos, junto ao total de faturamento averiguado pelos trabalhos fazendários.” No presente caso, reitero o entendimento supratranscrito para excluir a incidência de IRPJ e da CSLL sobre os créditos presumidos do IPI, uma vez que, como salientado pela Recorrente à fl. 1223, tratase de “uma espécie de recuperação de custo – que na melhor técnica contábil – tem por correspondente um conta redutora dos impostos incidentes sobre o produto vendido”, como autorizam os arts. 1º, 2º c/c §3º, e 4º da Lei n. 9.363/96, verbis: “ Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 14 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. […] § 3o O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” (destaquei) Por esses fundamentos, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso tão somente para expurgar das bases de cálculo dos lançamentos de IRPJ e de CSLL os valores atinentes aos créditos presumidos de IPI. É como voto. Benedicto Celso Benício Júnior – Relator Declaração de Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE Para melhor entendimento penso que se deve buscar delinear as quatro espécies que compõem a chamada receita operacional das pessoas jurídicas, a saber: 1. receita bruta, entendida como sendo o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria somado ao resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 44, I e II, da Lei n. 4.506∕64; art. 12, do DecretoLei n. 1.598∕77; art. 31, da Lei n. 8.981∕95; arts. 224, 279 do RIR∕99); Fl. 956DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.352 15 2. valores recuperados correspondentes a custos e despesas, que compreendem recomposições de custos (art. 44, III, da Lei n. 4.506∕64; art. 53, da Lei n. 9.430∕96; arts. 392, II e 521, §3º, do RIR∕99); 3. subvenções para custeio (art. 44, IV, da Lei n. 4.506∕64; art. 392, I, do RIR∕99); e 4. subvenções para investimento (art. 38, §2º, do DecretoLei n. 1.598∕77; art. 1º, VIII, do DecretoLei n. 1.730∕79). Dessas subespécies de "receita operacional" a apuração no regime do Lucro Real tributa todas, apenas excepcionando, em alguns casos, as "subvenções para investimento". Já no regime de apuração do Lucro Presumido, não são tributados os "valores recuperados correspondentes a custos e despesas" (recomposição de custos), na forma do art. 53, da Lei n. 9.430∕96, repetido pelo art. 521, §3º, do RIR∕99, como alertado pelo I. Relator: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. § 2º Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serão adicionados à base de cálculo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3º, inciso III). § 3º Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 53). § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 52). Em claras palavras, o citado artigo determina que a base de cálculo do IRPJ apurado pelo Lucro Presumido é composta pelo somatório das seguintes parcelas (art. 25, da Lei n. 9.430∕96): 1ª) Resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a "receita bruta", Fl. 957DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 16 (+) 2ª) Ganhos de capital; 3ª) Rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras; e 4ª) Demais receitas e resultados positivos. Dentro dessa última parcela é que se inserem as residuais outras subespécies da "receita operacional" e que não pertençam aos três itens anteriores, dentre elas a recomposição de custos e as subvenções. Ocorre que, como visto antes, o § 3º, do artigo 521, do RIR/1999 retira da base de cálculo do Lucro Presumido os valores relativos a recuperações de custos e despesas, quando tais ocorreram em período no qual o contribuinte tenha se submetido a referido regime de tributação. Deste modo, enquanto que para o regime do Lucro Real basta classificar o crédito presumido de IPI previsto no art. 1º, da Lei n. 9.363∕96 como "receita operacional" para fins de compor a base de cálculo do IRPJ, na tributação pelo Lucro Presumido é preciso investigar a que título o crédito presumido de IPI previsto no art. 1º, da Lei n. 9.363∕96 compõe a "receita operacional", ou seja, se é "recomposição de custos" (como entende o I. Relator), se é "subvenção para custeio", se é "subvenção para investimento" ou qualquer outro tipo de receita. Nessa toada, para dar solução ao caso concreto convém verificar se o crédito presumido de IPI previsto no art. 1º, da Lei n. 9.363∕96 se encaixa na definição de "valores recuperados correspondentes a custos e despesas" (recomposição de custos) o que pode ensejar a sua não tributação no regime do Lucro Presumido pelo IRPJ e CSLL quando o custo ou a despesa da empresa se deram em período onde estava submetida também ao Lucro Presumido ou Arbitrado ou se o crédito presumido de IPI pertence à subespécie "subvenção para custeio", onde é indubitavelmente tributada a título de IRPJ e CSLL apurados pelo Lucro Presumido, ou ainda se pertence à espécie "subvenção para investimento" onde via de regra não sofre tributação. Para melhor elucidação, vale circular pelo arcabouço jurídico tributário que se relaciona com o tema, especificamente o Parecer Normativo nº 71/1972, expedido Receita Federal e que, tratando do então crédito prêmio do IPI previsto no art. 1º, do DecretoLei n. 491∕69, em tudo bastante semelhante ao crédito presumido de IPI aqui apreciado, assim exprimiu: 7. Com efeito, analisandose a sistemática e a natureza desses incentivos, verseá, preliminarmente, que eles são atribuídos em forma de crédito tributário sobre o valor das exportações e pela manutenção do crédito do imposto incidente sobre as matérias primas e outros produtos adquiridos para emprego na industrialização das mercadorias exportadas; na área federal, tais créditos são vinculados ao IPI e, na esfera estadual, ao ICM. São utilizados: a) para deduzir do imposto devido pelas operações no mercado interno; b) na transferência para estabelecimentos da mesma firma ou interdependentes; c) na transferência para estabelecimentos de terceiros, em pagamento de insumos adquiridos e, Fl. 958DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.353 17 finalmente, d) pelo ressarcimento em espécie. 8. Ora, quaisquer das modalidades mencionadas nas alíneas "a" e "c" do item precedente implicarão, necessariamente, na diminuição do custo de produção e, com isso, funcionarão como devoluções de custos, item contemplado no art. 157 do RIR (...) Exprimase, na dicção PN, tal benefício é "devolução de custos" para efeito do IRPJ. Similarmente, o crédito presumido de IPI previsto no art. 1º, da Lei n. 9.363∕96 é claro incentivo vinculado a um custo específico, qual seja: aquele decorrente do ônus tributário suportado no mercado interno em razão dos tributos acumulados na cadeia produtiva, especificamente as contribuições ao PIS e COFINS, de modo que tem igual característica de recuperação de custos/despesas, como esclarece a própria lei: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Assim, se a própria lei define o que está sendo ressarcido, se a própria lei define que houve um custo específico suportado pela pessoa jurídica e que é esse custo que está sendo amenizado, não há como fugir à classificação contábil do crédito presumido de IPI como "valores recuperados correspondentes a custos e despesas" (recomposição de custos), enquadradas no art. 44, III, da Lei n. 4.506∕64; no art. 53, da Lei n. 9.430∕96; e nos arts. 392, II e 521, §3º, do RIR∕99. No vernáculo, a lição de Aurélio: Ressarcir [Do lat. resarcire.] Verbo transitivo direto. Indenizar, compensar, reparar E a respeito, a jurisprudência: 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". STJ (REsp 807130 ∕ SC, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.06.2008). Na mesma tônica: Fl. 959DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 18 1. O legislador, em respeito à máxima econômica de que não se exportam tributos, criou o crédito presumido de IPI como um incentivo às exportações, ressarcindo o exportador de parte das contribuições ao PIS e à Cofins incidentes sobre as matérias primas adquiridas para a industrialização de produtos a serem exportados. 2. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363∕96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos (...) Igualmente: 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363∕96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. (REsp 813.280∕SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJU de 02.05.06). Ainda que tais decisões do STJ envolvam PIS e COFINS, é certo que os conceitos ali expressos sobre a caracterização jurídica do chamado “crédito prêmio” denota sua condição de “recuperação de custos/despesas”, rubrica que sofreria tributação normal do IRPJ e da CSLL se o regime de tributação da autuada fosse o Lucro Real. Se ficar patente nos autos que a sistemática de apuração foi a do Lucro Presumido, os montantes pertinentes ao referido “crédito prêmio” não se incluem na base de cálculo para fins de apuração do Lucro Presumido, por expressa previsão do art. 521, § 3º, do RIR vigente (art. 53, da Lei n. 9.430∕96). Portanto, no caso concreto, se restar constatado incontroversamente que a Recorrente é optante pela apuração do IRPJ consoante o regime do Lucro Presumido, voto no sentido de excluir os valores relativos ao “crédito prêmio do IPI” dos lançamentos realizados, acompanhando o Relator. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Conselheiro Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Concordo com a conclusão do I. Relator, mas observo que o fato de a lei denominar este benefício como ressarcimento não é suficiente para classificálo como recuperação de custos ou despesas, e afastar seu cômputo no lucro presumido. Nos termos do Parecer Normativo CST nº 142/73, a atividade estatal de carrear para a empresa recursos financeiros para custeio ou operação identificase, sem dúvida, no plano orçamentário, com a ajuda financeira do poder público às empresas privadas com autorização de lei especial, conceituada e classificada na Lei de Orçamento, como Fl. 960DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 12963.000197/200762 Acórdão n.º 1101001.218 S1C1T1 Fl. 1.354 19 subvenção (Lei nº 4.320/64, art. 12, §§ 2º e 3º, item II, combinados com o art. 19). E no presente caso, a lei permite, por meio do benefício em questão, que o sujeito passivo se valha de crédito presumido que reduzirá o recolhimento de IPI, hipótese que em primeira análise, dissociada de qualquer contrapartida exigida do sujeito passivo, tem contornos de subvenção para custeio. Porém, aprofundando a análise, observo que este crédito se destina ao custeio de despesas específicas, quais sejam, as contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E isto apenas para empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, favorecida com isenção daquelas contribuições em suas operações de exportação de mercadorias para o exterior. Sob esta ótica, o custeio daquelas contribuições pagas pela empresa produtora e exportadora de mercadorias na aquisição de seus insumos revelase como verdadeira devolução dos gastos antecipados, em razão de incidências tributárias que não deveriam ter ocorrido, caso fosse possível saber que os insumos vendidos àquela empresa integrariam produtos posteriormente exportados. Por sua vez, o art. 53 da Lei nº 9.430/96 dispensa o cômputo, no lucro presumido, dos valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, se o contribuinte comprovar que os custos e despesas se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido. E observo nos autos que no anocalendário 2002 a contribuinte já era optante pelo lucro presumido (fls. 182/199), e assim permaneceu em todos os períodos autuados. Como considero razoável admitir um giro de estoque de no máximo 360 dias, concluo que as aquisições de insumo desoneradas das contribuições antes referidas se verificaram durante o anocalendário 2002, de modo que não podem subsistir as exigências fiscais decorrentes da tributação destes valores. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 961DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalment e em 18/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE
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Numero do processo: 10850.908254/2011-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2001
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 54 /2 01 1- 81 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração junho de 2001, no valor de R$ 1.152,84.. O pedido foi transmitido através do PER nº 09625.03467.271205.1.2.041797, fls. 2/4, em 27/12/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 45/46). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 6 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 196/198 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Junho de 2001 no valor de R$.8.322,50, e observado que o valor recolhido foi de R$.4.481,22 (fls.195), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 196/198 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Junho de 2001 no valor de R$.8.322,50, e observado que o valor recolhido foi de R$.4.481,22 (fls.195), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Junho de 2001, recolhido em 13/07/2001, no código 2172, no valor original de R$.1.152,84 (Mil Cento e Cinquenta e Dois Reais e Oitenta e Quatro Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 09625.03467.271205.1.2.041797, transmitida em 27/12/2005 (fls.2/4).. A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 10 8 dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908254/201181 Acórdão n.º 3801004.920 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, homologandose as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13056.000066/2004-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADAS.
Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado e diante da inexistência de contradição no Acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1202-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADAS. Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado e diante da inexistência de contradição no Acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
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EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADAS. Negase provimento aos embargos de declaração opostos quando não constatada omissão no julgado e diante da inexistência de contradição no Acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituta convocada), Marcos Antônio Pires (suplente convocado), Geraldo Valentim Neto, Nereida de Miranda Finamore Horta, Joselaine Boeira Zatorre, (suplente convocada) e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 66 /2 00 4- 38 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.227 S1C2T2 Fl. 366 2 Relatório Recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.358/360) dirigidos ao Presidente da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que o contribuinte alega a existência de supostas omissões e contradições no Acórdão nº 1202001.140, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (fls.341/349), relativamente às seguintes matérias: 1. Haveria contradição entre a ementa, as provas e a fundamentação do acórdão embargado, pois (i) a ementa fundamenta a decisão na ausência de certeza e liquidez dos créditos que compuseram o saldo negativo de IRPJ, quando haveria nos autos prova de toda a composição do referido saldo negativo; e (ii) a ementa não seria condizente com o voto proferido, pois enquanto a primeira trataria da existência do crédito (saldo negativo) a segunda trataria apenas das compensações então realizadas; 2. Alega que haveria omissão quanto à arguição de decadência do direito de a Fazenda Pública revisar a base negativa de IRPJ de composição de 2003, defendida pela Embargante; 3. Haveria ainda contradição no acórdão quanto às retenções de IRRF ao dispor sobre pagamento a maior de IRRF e a composição do saldo negativo de IRPJ do ano de 2003, pois a Embargante aponta que pleiteou a composição das retenções referidas como saldo negativo de IRPJ e não o reconhecimento de pagamento a maior, como supostamente o acórdão teria tratado; 4. Finalmente, aduz que haveria contradição na decisão, pois o que se teria argumentado em sua defesa seria a impossibilidade de aplicação do art. 149 do CTN para que fosse revisto de ofício o saldo negativo de IRPJ e o que se discutia nos autos não se limitaria às compensações, mas também a formação do saldo negativo e a sua alteração após cinco anos. 5. A Embargante pede que os Embargos sejam recebidos e acolhidos para que seja concedido efeito infringente ao acórdão. É o relatório. Voto Embora tenha sido incorretamente endereçado, os Embargos foram tempestivamente apresentados, motivo pelo qual tomo conhecimento do presente recurso em atenção ao princípio da razoabilidade, uma vez que devidamente encaminhado pela Secretaria a esta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Passo, dessa forma, à análise das questões apontadas pela Embargante. A Embargante aponta supostas contradições e omissões no acórdão embargado, sem, contudo, ter razão em seus argumentos e, por esse motivo, os embargos não Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.227 S1C2T2 Fl. 367 3 devem ser acolhidos, pois ao contrário do que se alega, não há quaisquer contradições e não há omissão em relação à arguição da decadência. Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 1202001.140 objeto dos presentes embargos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte.” A questão da decadência arguida pela Embargante foi analisada e afastada, conforme o voto do relator, como se pode auferir às fls. 345/346, uma vez que o arquivamento do PER/DCOMP ocorreu por pedido da Embargante. A própria Embargante apresentou uma petição em 08/01/2007 (fls. 17/18), solicitando a alteração do débito de IRPJ de R$ 166.920,60 para R$ 0,01, por não existirem débitos no 4º trimestre de 2003, justificando tal alteração para não anular o processo e, em consequência, manter o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2003 e todas as demais compensações transmitidas posteriormente. Restou claro não ter ocorrido decadência, uma vez que da data do protocolo do pedido de alteração do débito da compensação não decorreram cinco anos em relação ao desarquivamento e análise do crédito alegado nas novas compensações, E tal questão foi plenamente analisada em detalhes e decidida no voto do acórdão ora embargado. O que ocorreu de fato em 24/01/2007 foi apenas a exclusão do débito apresentado no PER/DCOMP e arquivamento do processo, como explanado não apenas no acórdão embargado, mas na íntegra da decisão anterior da DRJ/RS de Porto Alegre. Portanto, ao apresentar novos pedidos de compensação se utilizando de um crédito não homologado anteriormente, obrigou a análise (desarquivamento) dos autos do processo administrativo em questão, tendo sido decidido por homologar apenas parcialmente o crédito pretendido, consoante Despacho Decisório de fls. 174/178 de 12/04/2011. Ocorre que a Embargante parte da premissa de que o despacho proferido em 24/01/2007 em processo administrativo de compensação teria homologado o crédito, quando em verdade, teria apenas excluído o débito apontado no pedido de compensação. Da mesma forma, a incorreta premissa da Embargante de que houve homologação do crédito pretendido em 2007 a fez crer que há nos autos prova de toda a composição do saldo negativo de IRPJ de 2003. Não há contradições no acórdão ou ementa em relação ao voto e fundamentos, pois o que se decidiu foi pela improcedência relativamente à parte do crédito em Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.227 S1C2T2 Fl. 368 4 que não houve a sua comprovação, repetindo os dizeres da ementa do acórdão, segundo o qual “cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte”. Portanto, afastada a incorreta premissa de que haveria certo e homologado crédito com a decisão de arquivamento do processo de PER/DCOMP em 24/01/2007, até porque fora necessário o desarquivamento e reexame de processo administrativo de DCOMP para avaliar a existência do crédito alegado e pretendido, nos termos dos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000/99 e art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Conforme se é possível observar, não assiste razão à Embargante, vez que não há omissão ou contradição no acórdão embargado, que está em conformidade com o entendimento deste E. Conselho. Em face do exposto, conheço dos embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000307/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
Responsabilidade solidária. Lançamentos cancelados. Prejudicialidade.
Afastados, por ausência de fundamento, os lançamentos contra a empresa contribuinte, resta prejudicada a responsabilidade solidária dos sócios.
Numero da decisão: 1201-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir as preliminares e, no mérito, dar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 Responsabilidade solidária. Lançamentos cancelados. Prejudicialidade. Afastados, por ausência de fundamento, os lançamentos contra a empresa contribuinte, resta prejudicada a responsabilidade solidária dos sócios.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 Simples. Exclusão. Cancelamento. Quando não comprovadas as circunstâncias e infrações que ensejariam, em tese, a exclusão da empresa da sistemática do Simples, devem ser cancelados os respectivos Atos Declaratórios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Simples. Cancelamento da exclusão. Nulidade dos lançamentos. Restaurada a sistemática do Simples, por ausência de fundamentos para a exclusão da empresa, devem ser cancelados os lançamentos dela decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 Responsabilidade solidária. Lançamentos cancelados. Prejudicialidade. Afastados, por ausência de fundamento, os lançamentos contra a empresa contribuinte, resta prejudicada a responsabilidade solidária dos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir as preliminares e, no mérito, dar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 07 /2 00 7- 95 Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Autos de Infração do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005, com crédito tributário apurado da seguinte forma: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 45.688,61 Programa Integração Social R$ 20.710,34 Contribuição p/Financiamento S. Social R$ 95.587,52 Contribuição Social s/Lucro Liquido R$ 34.266,46 O processo originouse com a Representação Administrativa formulada pela autoridade fiscal da DRF/São José do Rio Preto, na qual são relatados fatos relacionados às empresas FORTES EMPREENDIMENTOS RIO PRETO LTDA., VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA. e COMERCIAL DE CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA. que, em tese, caracterizam a ocorrência das hipóteses de vedação ou exclusão do SIMPLES FEDERAL previstas nos incisos IV e V do art. 14 da Lei n. 9.317/1996 para as duas primeiras empresas referidas. A Representação Administrativa é bastante extensa e foi sinteticamente reproduzida no relatório da decisão recorrida, conforme abaixo: 1. Em 08/11/2006, Auditores Fiscais da então Secretaria da Receita Previdenciária de São José do Rio Preto lavraram auto de apreensão, guarda e devolução de documentos no estabelecimento situado na Estrada Vicinal José Marciano Barreto, Km 2, Valentim Gentil/SP, local indicado como sede das empresas COMERCIAL DE CARNES e VALENTIM GENTIL ABATEDOURO, bem como num escritório de contabilidade daquela cidade. Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Foram apreendidos diversos documentos relacionados a empregados das três empresas referidas, que funcionavam naquele local, compreendendose os últimos dez anos (janeiro de 1997 em diante). Ressaltese que os trabalhos de fiscalização foram realizados em decorrência da Operação Grandes Lagos, deflagrada pela Polícia Federal, com autorização judicial, na qual se investigou fraudes bilionárias perpetradas por frigoríficos da região. Por meio dos despachos de fls. 736 a 739 concluiu o Delegado da DRF/São José do Rio Preto que as empresas FORTES EMPREENDIMENTOS e VALENTIM GENTIL ABATEDOURO incorreram nas hipóteses de exclusão do SIMPLES FEDERAL previstas no art. 14, IV e V, da Lei n. 9.317/1996, quais sejam, constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas e prática reiterada de infração à legislação tributária, tendo em vista o esquema utilizado por elas, juntamente com a COMERCIAL DE CARNES, que funcionavam ao mesmo tempo, no mesmo local, com os mesmos empregados, pagos em uma única folha de pagamento, com recursos provenientes de “caixa 1” e “caixa 2” e com um número considerável de empregados sem registro formal. Em consequência, foram editados o Ato Declaratório Executivo DRF/São José do Rio Preto n. 22/2007, que excluiu a FORTES EMPREENDIMENTOS do SIMPLES FEDERAL, com efeitos a partir de 01/01/1997, e o Ato Declaratório Executivo DRF/São José do Rio Preto n. 23/2007, que excluiu a VALENTIM GENTIL ABATEDOURO do mesmo regime, com efeitos a partir de 24/08/2004. A FORTES EMPREENDIMENTOS e a VALENTIM GENTIL ABATEDOURO apresentaram, respectivamente, as SRS (Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples) de fls. 752 e 776, nas quais alegam que seus sócios estão indicados nos contratos sociais, devidamente registrados nos órgãos competentes, tendo sido apresentadas por eles DIRPFs com indicação das quotas sociais e das retiradas de prólabore. Aduziram, ainda, que não há fundamento para a afirmação de que houve prática reiterada de infração à legislação tributária, pois não há auto de infração lavrado, e apresentaram certidões negativas de débito como prova do alegado. O Delegado da DRF/ São José do Rio Preto indeferiu as SRS apresentadas, por meio dos despachos de fls. 774 e 811, sob o fundamento de que os contribuintes “não apresentaram nada de novo que ensejasse a revisão de ofício dos ADEs emitidos”. Em razão da exclusão, foi desenvolvida ação fiscal no contribuinte VALENTIM GENTIL ABATEDOURO, que resultou na lavratura dos autos de infração debatidos neste presente processo administrativo. Em 15 de janeiro de 2009 o Contribuinte foi intimado a optar pela forma de tributação do lucro para o período entre 24 de agosto de 2004 e 31 de dezembro de 2005 e apresentar, de acordo com a escolha, os livros contábeis necessários à fiscalização. No mesmo termo de intimação solicitouse que o contribuinte comprovasse a origem dos valores creditados em sua conta corrente (R$ 1.079.843,58) no Banco Bradesco, individualizadamente, sob pena de caracterização de omissão de receitas. Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 5 4 A empresa respondeu que os créditos bancários decorreram de recebimentos de clientes e que não foi possível vincular cada recebimento aos documentos fiscais porque a empresa “é de pequeno porte e não possui contabilidade que atenda a essa particularidade”. Ao término dos trabalhos, foram lavrados os autos de infração correspondentes, com os seguintes fundamentos, conforme descritos, em síntese, pelas autoridades fiscais: 1. A fiscalizada teve como “sócios” o Sr. Rogério Alves Ferreira (excluído em 16/03/2007) e a Sra. Nilvana Fortes Peres, com capital “integralizado” nos valores de R$ 10.000,00 e R$ 20.000,00, respectivamente; 2. Entretanto, a fiscalização constatou que o Sr. Rogério e a Sra. Nilvana não são os titulares de fato da fiscalizada, mas sim interpostas pessoas (“laranjas”), bem como que a integralização de capital na empresa, por seus “sócios de direito”, foi pura simulação, conforme demonstraremos a seguir. 3. O Sr. Rogério não possui capacidade econômica/financeira necessária à condição de proprietário de uma empresa frigorífica. Aliás, demonstraremos, adiante, que a sua cota parte do capital social "integralizado" na empresa foi simulada, tendo sido, efetivamente, oriunda da empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., outra empresa aberta em nome de laranjas, mas que também pertence, DE FATO, ao Sr. Nivaldo Fortes Peres e seus filhos (Luciano e Rodrigo). 4. O Sr. Rogério Alves Ferreira foi interrogado pela Polícia Federal, em virtude de sua participação no esquema de fraudes investigado na operação Grandes Lagos (fls. 893/894). Notese que o Sr. Rogério Ferreira mentiu, descaradamente, em seu interrogatório, já que afirmou ser proprietário "de fato" e "de direito" da fiscalizada. 5. O mais impressionante é que ele afirmou que conheceu a sua “sócia” Nilvana Fortes Peres “na noite” em “barzinhos” da cidade de São José do Rio Preto, quando foi convidado por ela pra constituir a empresa Valentim Gentil Abatedouro. 6. A Sra. Nilvana também não possui capacidade econômica/financeira para ser proprietária de uma empresa frigorífica. Aliás, demonstraremos, adiante, que a sua cota parte do capital social "integralizado" na empresa foi simulada, tendo sido, também, oriunda da empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. 7. A Sra. Nilvana Fortes Peres foi interrogada pela Polícia Federal, em virtude de sua participação no esquema de fraudes investigado na operação Grandes Lagos (fls. 905/907). Afirmou que estava desempregada havia dois anos, quando constituiu a empresa fiscalizada. Também afirmou que conheceu o seu sócio (Rogério) “por meio de amigos em festas, barzinhos, momento em que iniciou uma amizade”. Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 6 5 8. A fiscalização constatou que os titulares de fato da empresa VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA – EPP são o Sr. NIVALDO FORTES PERES e seus filhos LUCIANO DA SILVA PERES e RODRIGO DA SILVA PERES; 9. Ao contrário dos titulares de direito (“laranjas”), o Sr. Nivaldo Fortes Peres possui capacidade econômica/financeira para ser proprietário de diversas empresas. Basta verificar as suas declarações do imposto de renda. No anocalendário 2006 o seu patrimônio declarado já era superior a R$ 21.000.000,00 (fls. 987/993). 10. Portador do CPF n. 217.280.06864, Luciano da Silva Peres é filho do Sr. Nivaldo e atua junto com o seu genitor na condução das fraudes aplicadas, mas numa posição hierarquicamente inferior. É sócioproprietário das empresas FEISP LTDA. e EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA. 11. Rodrigo da Silva Peres é outro filho do Sr. Nivaldo. Portador do CPF n. 276.282.42812, também atua junto com o seu genitor na condução das fraudes aplicadas e também numa posição hierarquicamente inferior. É sócio proprietário das empresas PORTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA. e FEISP LTDA. As autoridades fiscalizadoras elaboraram um extenso relatório (fls. 1.267 e ss.) sobre as atividades e os procedimentos de criação e integralização do capital da contribuinte, cujo histórico serviu de fundamentação para a responsabilidade dos sócios de fato apurados durante os trabalhos. Os fiscais relatam as atividades das empresas “noteiras” objeto da Operação Grandes Lagos, que foram responsáveis pela emissão de quase dois bilhões de reais em notas frias, durante os anoscalendário de 2000 e 2006. Especificamente em relação à empresa autuada neste processo, os fiscais constataram as seguintes ocorrências: 1. Face à sofisticação das operações bancárias e visando aprofundar a investigação, a fim de não deixar qualquer dúvida acerca das constatações acima, a fiscalização solicitou à Justiça Federal que autorizasse a Receita Federal a ter acesso às contas bancárias de todas as empresas pertencentes ao empresário Nivaldo Fortes Peres, bem como das pessoas físicas que o integram (titulares de fato, laranjas etc.), tendo em vista a necessidade de rastrear as operações financeiras do grupo, para demonstrar a vinculação entre as empresas ostensivas, paralelas, titulares de fato e titulares de direito (fls. 1035/1042). 2. Com o deferimento da quebra de sigilo bancário, pelo Juízo Federal de Jales, das pessoas físicas e jurídicas sob investigação (fls. 1043/1052), foram solicitados às Instituições Financeiras os Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 7 6 extratos (arquivos magnéticos) das contas bancárias (contas correntes e aplicações financeiras), as fichas cadastrais, os cartões de assinaturas, cópia de cheques, depósitos, e fitas detalhe (por amostragem) de todos os investigados. 3. De posse dos extratos bancários, juntamos, num mesmo arquivo magnético, todas as contas bancárias tituladas pelas empresas pertencentes ao Sr. Nivaldo Fortes Peres e efetuamos o cruzamento entre elas, com o objetivo de apurarmos as transferências interbancárias. 4. Cumpre esclarecer que para a elaboração do cruzamento de dados, em meio magnético, foram utilizados os seguintes parâmetros: • coincidência de datas (mesma data); • mesmo valor; • transferências entre contas de diferentes titularidades. 5. Ou seja, somente apuramos os lançamentos bancários (débitos e créditos) efetuados entre contas de titularidades diferentes, bem como coincidentes em datas e valores. Como resultado deste trabalho, constatamos que mais de 8.000 (oito mil) lançamentos foram efetuados entre os investigados, todos coincidentes em datas e valores, conforme os parâmetros acima especificados. 6. Partindo deste conjunto de dados, selecionamos, por amostragem, parte destes lançamentos, e solicitamos às instituições financeiras, por intermédio de RMF – Requisição de Movimentação Financeira, cópia autêntica dos seus comprovantes. 7. Com os documentos apresentados pelas instituições financeiras e após uma análise minuciosa dos mesmos, restou comprovado que o Sr. Nivaldo Fortes Peres e seus filhos (Luciano e Rodrigo) são os titulares de fato da fiscalizada e também de outras empresas abertas em nome de "laranjas"; 8. Concluíram as autoridades que os depósitos bancários não foram contabilizados/declarados pelo contribuinte e que não tiveram a respectiva origem comprovada, razão pela qual foram reputados receitas omitidas. 9. Ademais, a despeito de intimado a tanto, e tendo em vista sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte não apresentou a escrituração relativa ao período de 24/08/2004 a 31/12/2005, razão pela qual não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, assim reputados os depósitos bancários de origem não comprovada; 10. Os lançamentos que não tiveram comprovação de origem e foram considerados como receita conhecida correspondem aos créditos na conta bancária da empresa constantes das planilhas Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 8 7 de fls. 1.284 a 1.288, integrantes do Termo de Verificação Fiscal; 10. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), pois ficou caracterizado o evidente intuito de fraude em razão da constituição da empresa em nome de interpostas pessoas e das diversas fraudes e simulações praticadas com o objetivo de impedir que o fisco tomasse conhecimento desse fato; 12. Foram também lavrados Termos de Sujeição Passiva contra os sócios de fato da interessada, conforme demonstrado, os Srs. NIVALDO FORTES PERES, LUCIANO DA SILVA PERES e RODRIGO DA SILVA PERES, que tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação, na qual alegou, em síntese, que: 1. A exclusão do SIMPLES e o despacho que indeferiu a SRS apresentada não foram devidamente fundamentados, violando o direito ao contraditório e a ampla defesa e o comando inscrito no art. 50 da Lei n. 9.784/1999, de modo que os referidos atos são nulos; 2. Não houve a prática de qualquer ato que justificasse sua exclusão do SIMPLES, pedindo que seus argumentos sejam acolhidos, cancelandose o Ato Declaratório de Exclusão; 3. Informou que os livros solicitados estavam em poder do Fisco Estadual, apresentando inclusive Protocolo de Recebimento de Livros e Documentos; 4. Não houve omissão de receitas, pois os valores movimentados na conta corrente bancária foram oferecidos à tributação e informados na declaração PJSI; 5. Não foram solicitados os extratos bancários da empresa e os trabalhos foram concluídos sem que os extratos fossem juntados aos autos; 6. É descabido o agravamento da multa, pois as receitas omitidas foram apuradas a partir de presunção, que não é prova do dolo. Foram também apresentadas impugnações pelos responsáveis solidários, basicamente com os mesmos argumentos aduzidos pela empresa. Em sessão realizada em 29 de setembro de 2011, os membros da 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgaram improcedente as manifestações de inconformidade apresentadas contra os ADE de exclusão do Simples Federal dos contribuintes FORTES EMPREENDIMENTOS RIO PRETO LTDA. e VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA. e pela improcedência das impugnações apresentadas por Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres, Rodrigo da Silva Peres e VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA. Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 9 8 As ementas a seguir demonstram o teor da decisão proferida naquela instância de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005. EXCLUSÃO DO SIMPLES ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO ARBITRADO DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Caso o contribuinte seja excluído do SIMPLES e não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado. Presumese que correspondem a receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. Havendo prova do dolo na prática de infrações tributárias, é cabível a aplicação de multa qualificada (150%). É responsável pelo crédito tributário lançado aquele que tiver interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/1997, 24/08/2004 PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO Á LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NA CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA EXCLUSÃO DO SIMPLES É cabível a exclusão do SIMPLES quando ficar comprovada a prática reiterada de infração à legislação tributária e a utilização de interpostas pessoas na constituição de pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 10 9 Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão, em 02 de dezembro de 2011, a empresa interpôs Recurso Voluntário em 30 de dezembro de 2011, alegando em síntese: 1. Preliminar de irregularidade na exclusão do SIMPLES por falta de fundamentação, tendo em vista que o ato declaratório de exclusão não se deu em razão da falta de cumprimento de seus requisitos, ou por vedação legal, mas por ato unilateral da Administração, que excluiu a Recorrente do SIMPLES por ato administrativo praticado de ofício, ao desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados por ela; 2. O trabalho da autoridade fiscal se baseou em dados colhidos em operação da Polícia Federal, que analisando conversas telefônicas e documentos apreendidos chegou a conclusões subjetivas. Com base exclusivamente nesses dados, a fiscalização determinou que a Recorrente fosse excluída do SIMPLES, sob a alegação de prática reiterada de infração à legislação tributária; 3. Não pode sofrer as consequências de sua exclusão do SIMPLES, antes de proferida decisão definitiva no processo administrativo no qual se discute a validade de tal exclusão, não servindo aquele processo como motivação para o presente auto, restando sem validade o presente processo fiscal; Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 11 10 4. Preliminar de cerceamento do direito de defesa, pois respondeu tempestivamente a intimação, apresentando contrato social e informando que os livros solicitados estavam em poder do Fisco Estadual; 5. Falta de motivação para a prática do ato administrativo que arbitrou o lucro. O motivo que a autoridade justificou foi a não apresentação dos livros fiscais e contábeis, sendo que esses livros foram apreendidos pelo Fisco Estadual; 6. O que impossibilitou a reconstituição do livro Caixa e a apresentação da documentação pertinente à origem da movimentação bancária, tal como exigido pela fiscalização foi que toda a documentação estava apreendida pelo Fisco Estadual; 7. Nos anoscalendário de 2004 e 2005 nenhuma receita omitida foi apurada, já que os valores depositados na única conta bancária da empresa são os valores inseridos na Declaração PJSI; 8. A falta de contabilização da movimentação financeira ou a contabilização com imperfeição não são motivos para o arbitramento do lucro; 9. O simples depósito bancário não configura obtenção de receita. Tratase de elemento indiciário que necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão (omissão de vendas, subfaturamento, omissão de rendimentos, etc.) e os respectivos depósitos, objetivandose uma convicção segura; 10. As supostas provas de que a fiscalização se utilizou para embasar a exclusão da empresa do Simples foram colhidas através da famigerada "Operação Grandes Lagos", que deu origem ao Inquérito Policial n° 000036316.2006.403.6124 (200661240003631), distribuído à Justiça Federal de Jales em 20/03/2006; 11. A fiscalização utilizouse de prova emprestada da operação da Polícia Federal, denominada "Grandes Lagos", como único meio de prova a dar embasamento as suas alegações; 12. O Auto de Infração foi lavrado anteriormente ao encerramento das investigações policiais, além do que tais supostas provas não foram objeto de apreciação judicial, não podendo ser entendidas como conclusivas. Assim, não pode e não deve ser considerada sequer prova emprestada, mas apenas indícios que requer aprofundamento investigatório; 13. Conforme certidão expedida pela Secretaria da 1a Vara da Justiça Federal de Jales, o processo foi arquivado. Portanto, se as Autoridades competentes em apurar o “esquema fraudulento” concluíram pelo arquivamento dos Autos, a autoridade fiscal Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 12 11 autuante e a autoridade julgadora não podem afirmar que houve crime e manter a multa agravada; 14. Não é aplicável ao caso a multa qualificada, pois não há sequer certeza do lançamento. Não houve dolo. A fraude não se presume, deve ser provada pelo Fisco a intenção pré determinada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica, prova esta que não consta dos autos; 15. Requereu o cancelamento das autuações fiscais, para afastar a exigência do crédito tributário e o arquivamento do processo. Os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento. Posteriormente, constatouse que, por erro de anexação ao processo eletrônico, o Recurso Voluntário dos responsáveis solidários não constava dos autos, circunstância que foi devidamente sanada. Neste Recurso Voluntário, apresentado pelos responsáveis solidários, foram repetidos, de forma genérica, os mesmos argumentos da Recorrente. Posteriormente, os responsáveis solidários apresentaram memoriais, nos quais constam diversos documentos, que serão analisados neste voto. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator Os recursos foram apresentados de forma tempestiva e atendem aos pressupostos legais, de forma que deles tomo conhecimento. Tendo em vista os diversos argumentos trazidos pela Recorrente e pelos responsáveis solidários, decidimos analisálos de forma tópica, conforme segue: 1. Das irregularidades na exclusão do Simples, por cerceamento de defesa e falta de motivação para a prática de ato administrativo Ao contrário do que alega a Recorrente, ou seja, que a fiscalização representou pela sua exclusão do Simples apenas em função de dados colhidos pela Polícia Federal durante a Operação Grandes Lagos, os autos informam com clareza os fatos e a fundamentação legal para tal medida, nos seguintes termos: “Esquema utilizado pelas empresas Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda., Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil Ltda. e Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 13 12 Ltda., funcionando ao mesmo tempo, no mesmo local, com os mesmos empregados, pagos em uma única folha de pagamento, com recursos provenientes de um 'caixa um' e 'caixa dois' e com um número considerável de empregados sem registro formal”. Os atos declaratórios de exclusão, que se basearam nos argumentos acima, apurados pela fiscalização, mencionam expressamente a fundamentação legal utilizada, qual seja, os artigos 14, IV e V e 15, V, da Lei n. 9.317/96, conforme demonstrado no relatório. Com efeito, os citados artigos estabelecem: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. A simples leitura dos despachos e da representação nos permite concluir pela sua validade jurídica, até porque o Contribuinte não apresentou qualquer documento ou fato em sentido contrário, circunstância que, inclusive, serviu de base para o indeferimento das Solicitações de Revisão apresentadas. De se notar que logo no início do processo, às fls. 002, temos uma representação administrativa para exclusão do Simples, efetuada pelos auditores da então Secretaria da Receita Previdenciária de São José do Rio Preto, na qual se tem notícia de que foram apreendidos diversos documentos, tanto na sede da empresa como num escritório de contabilidade no município de Valentim Gentil e que a análise desses documentos permitiu às autoridades fiscais constatar as verbas de “Caixa 1” e “Caixa 2”, conforme demonstrado nas duas últimas colunas das folhas de pagamento e no rodapé dos recibos. As autoridades afirmaram que este fato demonstrou claramente a fraude citada pelo citado “grupo econômico”, que remunerava todos os empregados pertencentes às empresas utilizandose de recursos financeiros de caixa único. Em razão disso, voto por afastar qualquer alegação no sentido de que não houve fundamentação para os atos administrativos praticados pelas autoridades competentes. Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 14 13 No mesmo sentido, entendo que não pode prosperar a alegação de cerceamento de defesa, em razão da suposta apreensão dos livros e documentos da empresa pela Fazenda Estadual, por diversos motivos. A um, porque tal informação contrasta com aquela apresentada pela própria Recorrente, quando intimada, no sentido de que “é empresa de pequeno porte e não possui contabilidade que atenda a essa particularidade” (fls. 1.249). A dois, porque deveria, então, provar que os documentos estavam em poder daquela fiscalização, por meio de documentos hábeis a confirmar a apreensão e o tempo em que ocorreu. E, por fim, percebese, à evidência, que mesmo passados vários anos do ocorrido a interessada não trouxe, aos autos, qualquer documento ou livro que possa lhe trazer proveito. Assim, afasto, por ausência de fundamento, a alegação de cerceamento de defesa, tendo em vista as inúmeras oportunidades que foram oferecidas à empresa para comprovar suas alegações. 2. Da nulidade do Acórdão impugnado por preterição do direito de defesa Aduzem os Recorrentes solidários que o acórdão sob revisão seria nulo por ter preterido o seu direito de defesa, circunstância materializada pela negativa de prova pericial. Ocorre que a prova pericial só se faz necessária quando o julgador entende que faltam elementos, nos autos, para a formação da sua convicção. A leitura do extenso processo em debate me leva a concluir que não existem fatos que ensejem a reclamada perícia, posto que entendo presentes todos os elementos necessários à análise do caso, com a consequente possibilidade de livre convicção dos julgadores, conforme prescreve o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Portanto, afasto a preliminar de nulidade. 3. Nulidade do processo administrativo Entendem os Recorrentes que o processo administrativo que ensejou a lavratura dos autos de infração não poderia prosperar, sob o literal argumento de que “é razoável concluir que a impugnação e/ou recurso ao ato de exclusão de ofício do SIMPLES suspende os seus efeitos, a teor dos artigos 142 e 151 do Código Tributário Nacional. A matéria é bastante conhecida e tem jurisprudência pacífica neste Conselho, no sentido de que o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES permite (na verdade, exige, à Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 15 14 luz do próprio artigo 142 citado pelos Recorrentes) que as autoridades competentes analisem os documentos e a contabilidade das empresas excluídas. Nessa linha de raciocínio, a eventual percepção de matéria tributável deve ser lançada de ofício, pois, como os próprios Recorrentes reconheceram, tratase de dever (atividade vinculada) para o auditorfiscal. Resta afastada, portanto, a nulidade suscitada. 4. Impedimento das autoridades fiscais Os Recorrentes alegam que os auditores encarregados da fiscalização estariam impedidos de proceder aos trabalhos, nos termos do artigo 18, III, da Lei n. 9.784/99: Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: (...) III esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. O argumento se fundamenta no fato de que os Srs. Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres representaram à CorregedoriaGeral da Receita Federal pela instauração de sindicância contra os AFRFB Jeferson de Lima Garcia, Paulo Cesar Martinasso e Valmir da Cruz, com o objetivo de apurar supostas infrações disciplinares, em 08 de outubro de 2008. Ocorre que não se tem notícia, nos autos, sobre a abertura de qualquer procedimento administrativo contra os referidos auditores, baseado na representação protocolizada, cujo trâmite deve obedecer ao artigo 144 da Lei n. 8.112/90: Art.144. As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade. Parágrafo único. Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia será arquivada, por falta de objeto. (grifamos) Portanto, a ausência de comprovação sobre a instauração do procedimento administrativo disciplinar nos leva a concluir que a representação foi arquivada ou, quiçá, carece de análise pelas autoridades competentes. Contudo – e apenas a título de argumentação –, entendo que, ainda que houvesse sido instaurada a sindicância administrativa, as partes em litígio seriam, nos exatos termos da Lei n. 8.112/90, a União e os Servidores Públicos, de sorte que não restaria materializado o impedimento previsto no artigo 18, III, da Lei n. 9.784/99, pois o denunciante certamente não é parte do processo administrativo disciplinar, embora possa ter interesse na questão e, nesse sentido, ser convocado como testemunha. Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 16 15 Dessa forma, afasto a nulidade aventada pelos Recorrentes solidários. 5. Incompetência das autoridades fiscais Neste tópico, os Recorrentes contestam a validade do procedimento fiscal, sob o argumento de que o MPF é imprescindível para a definição da competência da autoridade administrativa. Alegam, ainda, que não foram incluídos no MPF e que, em razão disso, não poderiam ser chamados a pagar tributos de terceiros. A questão é bastante conhecida deste Conselho, cuja jurisprudência, inclusive, é mansa no sentido de que o MPF é instrumento de controle interno da Receita Federal do Brasil e, portanto, prescindível para a validade dos lançamentos tributários. Aqui, nem se discute a existência dos MPF´s, porque eles efetivamente foram emitidos e constam dos autos. E mais: o motivo de os Recorrentes não constarem dos MPF´s baseiase justamente nos fatos apurados pela fiscalização a partir do início da operação “Grandes Lagos”. Praticamente todos os casos de responsabilidade solidária se iniciam com MPF´s voltados para as pessoas jurídicas. Contudo, quando no decorrer dos trabalhos a autoridade fiscal entende que os sócios da empresa ou terceiros com poderes de gestão efetivamente praticaram atos passíveis de imputação tributária, normalmente os intima no encerramento da fiscalização, para que possam exercer os direitos de contraditório e ampla defesa. Ocorre que no caso sob análise os Recorrentes foram efetivamente intimados via MPF, como textualmente afirmam às fls. 12 do Recurso Voluntário: Em 21.fev.2008, o sr. Nivaldo Fortes Peres foi notificado do MPFD n.° 08.01.01.00200800444. e, em 27.fev.2008, os srs. Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres foram intimados dos MPFD n. 08.01.07.00200800566 e 08.01.07.00 2008 00567, respectivamente. Não há pois, fundamento para sustentar a alegação dos Recorrentes. 6. Do uso de provas ilícitas e da contaminação do processo Neste derradeiro tópico preliminar, que sintetiza os argumentos trazidos pelos Recorrentes solidários, a primeira afirmação é de que houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Aqui, ao contrário do que alegam os Recorrentes, convém destacar que a atividade fiscal foi empreendida a partir da Operação “Grandes Lagos” e se iniciou com a representação para exclusão do Simples por ofensa à legislação previdenciária, conforme se depreende do documento de fls. 05, no qual assim se manifestou a autoridade fiscal: Após a Operação Grandes Lagos, efetuada pela Polícia Federal no mês de outubro de 2006, no segmento de Frigoríficos — por determinação Judicial — Processo 2006.61.24.0016662 da 1a Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 17 16 Vara Federal de Jales — SP, através do Ofício 078/2006, deflagrouse várias ações fiscais em empresas do Estado de São Paulo e estados vizinhos, cumprindose diversos mandados de busca e apreensão e de prisão. Portanto, não há de se falar em irregularidade nos procedimentos de Requisição de Movimentação Financeira. No que tange ao sigilo bancário, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no RE 601.314/SP, que decidirá sobre a possibilidade de fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial. Consulta realizada no sítio do STF, em 22 de agosto de 2014, revela que o Recurso ainda não foi julgado, de sorte que não há impedimento para que esta Turma se manifeste acerca da matéria, nos termos do que estabelece o Código de Processo Civil. Nesse contexto, tampouco cabe o sobrestamento do feito, conforme já decidido reiteradamente neste Colegiado. Assim, tendo em vista a vigência e a eficácia da Lei Complementar n. 105, nada impede, por enquanto, a aplicação do seu artigo 6o, circunstância que foi corretamente aplicada no caso sob exame, dado que a Recorrente, devidamente intimada, não apresentou as informações solicitadas: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Na esteira da Lei Complementar foram publicadas a Lei n. 10.174/2001 e o Decreto n. 3.724/2001, que atualmente formam o ambiente jurídico no qual a fiscalização está autorizada, nas hipóteses previstas, a requisitar informações bancárias dos contribuintes sob auditoria. A existência de tais veículos normativos impede que este Conselho decida de forma a contrariar seus preceitos, nos termos da Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Das questões de mérito Para a correta compreensão dos fatos, convém ressaltar que a Operação Grandes Lagos envolveu dezenas de empresas e que as fiscalizações dela decorrentes verificaram as atividades de algumas sociedades, todas supostamente inseridas no mesmo contexto e algumas com nomes e atividades semelhantes. Todavia, a empresa objeto deste processo é a Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda., de modo que devemos Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 18 17 nos ater apenas aos fatos a ela imputados, sem prejuízo de outras provas ou conclusões que porventura venham a ser exaradas em processos distintos. A leitura atenta dos autos nos permite concluir que as atividades da empresa fiscalizada, embora realizadas num cenário bem mais amplo, são de menor relevância econômica, haja vista que a autuação total dos tributos no período, efetuada pelas autoridades competentes, é de aproximadamente duzentos mil reais. Isso porque a Recorrente é, segundo se conseguiu depreender, mera prestadora de serviços, cuja atividade principal consiste em retirar o couro do animal e cortálo em quatro partes, como esclarece a empresa. Não se trata, portanto, de “empresa noteira” (que emitiria notas fiscais frias) nem tampouco de proprietária das carnes, na esteira do que se decidiu no Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, conforme documentos trazidos em memoriais. Assim, nossa análise deve levar em consideração os fatos e circunstâncias relativos à contribuinte autuada, bem como a eventual participação dos responsáveis solidários, de acordo com as provas e documentos trazidos ao processo. Com efeito, isso é importante porque no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.263 e ss., no qual as autoridades elaboram extenso relatório das atividades do setor, as únicas imputações relativas à contribuinte dizem respeito a(os): a) fatos que ensejaram a exclusão do Simples, b) falta de capacidade econômica dos sócios de direito da autuada e c) transferência de um funcionário, o Sr. José Carlos Polizeli, que teria trabalhado na empresa entre 2004 e 2008. Portanto, esses são os fatos que devem ser analisados, no âmbito deste relatório, independente de outras conclusões que porventura venham a ser adotadas em relação às demais empresas e atividades do chamado “ grupo econômico”. A exclusão do Simples foi motivada, conforme já relatado, por ofensa aos incisos IV e V da Lei n. 9.317/96, que tratam, respectivamente, da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual e da prática reiterada de infração à legislação tributária. Segundo as autoridades fiscais, a primeira infração seria demonstrada pela forma de integralização do capital da Recorrente, cujo procedimento foi assim descrito: Por intermédio dos documentos requisitados na RMF 08.1.07.11200800013 4 (fls. 1102/1103), demonstramos que, não obstante constar no extrato bancário da Valentim Gentil (conta n° 64.905/8, da agência n° 25/6 do Bradesco) que os valores (R$ 10.000,00 e R$ 20.000,00) foram depositados em dinheiro e pelos "sócios" (fl. 1104), restou comprovado que, DE FATO, os valores depositados foram supridos pela empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda, por intermédio do cheque n° 002401, conta n° 7.3032, agência 2825, do Banco Bradesco. Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 19 18 Apesar de este cheque ter sido sacado em moeda corrente (fls. 1110/1111), a análise da fita detalhe esclarece como se deu a operação (fl. 1112): N° Autenticação Agência Conta Valor Histórico 675 0025 649058 20.000,00 +DP21 676 0025 649058 10.000,00 +DP21 677 2825 73032 30.000,00 S021 Resumindo: primeiro houve um saque na conta da Rio Preto Abatedouro (R$ 30.000,00); ato continuo recursos foram utilizados na integralização de capital da fiscalizada, por meio de dois depósitos, em dinheiro, em nome dos sócioslaranjas. Ou seja, apesar de toda a sofisticação implementada com o objetivo de enganar o Fisco, restou comprovado que os recursos utilizados na integralização da fiscalizada tiveram como origem a empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda, cuja titularidade, DE FATO, é do Sr. Nivaldo Fortes Peres e seus filhos (Luciano e Rodrigo). No que respeita à Recorrente, o único indício nos autos da interposição fraudulenta de terceiros é a sistemática de integralização do seu capital, nos exatos termos acima transcritos. Não existem, no processo, outras provas ou documentos que revelem a participação dos responsáveis solidários na gestão da empresa ou o fato de auferirem qualquer benefício econômico indevido a partir de suas atividades. Dessa forma, entendo que não restou comprovada a efetiva participação dos supostos sócios de fato na empresa. Em depoimento à Polícia Federal, conforme relatado, tanto o Sr. Rogério Alves Ferreira como a Sra. Nilvana Fortes Peres, titulares de direito, negaram a existência de terceiros na gestão da sociedade. Por meio de memoriais, os responsáveis solidários informam que o Inquérito Policial n. 000395804.2011.403.6106, que investigava o envolvimento do Sr. Nivaldo Fortes Peres com as atividades mencionadas foi arquivado, em 07 de outubro de 2011. Com efeito, a cópia do Ofício n. 701/2011SCIP1240, expedido pelo Exmo. Juiz Federal Substituto de São José do Rio Preto noticia que o referido inquérito foi “arquivado a pedido do Ministério Público Federal, por falta de base ou fundamento para a ação penal”. Temos, portanto, a acusação fiscal relativa à forma de integralização do capital, que entendo como indício, versus a não comprovação de participação ou benefício dos responsáveis na Recorrente, corroborada pelo arquivamento do inquérito policial, a pedido do Ministério Público Federal (embora o fundamento do pedido seja o fato de que o crédito não estaria definitivamente lançado, como se depreende da certidão judicial trazida nos memoriais). De se notar que tal decisão tem como fundamento a Súmula Vinculante n. 24 do Supremo Tribunal Federal: Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 20 19 Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Esse argumento foi empregado, entre outros, na decisão proferida pela 3a Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto, que trancou a ação penal, com a extinção do processo sem julgamento de mérito, contra diversas pessoas supostamente envolvidas na operação Grandes Lagos, entre elas o Sr. Nivaldo Fortes Peres. Ressaltese que a imputação ao Sr. Nivaldo, na referida ação, dizia respeito ao fato de ser titular da empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., de forma que tal circunstância não se relaciona, diretamente, com a ora Recorrente ou com os fatos aqui discutidos. Somese a esses elementos, ainda, a certidão negativa de débitos trabalhistas apresentada, a certidão positiva com efeitos de negativa da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (dado que os créditos deste processo estão com a exigibilidade suspensa) e a regularidade cadastral da Recorrente, todas trazidas nos memoriais. Em razão de todo o conjunto probatório relativo ao caso, cabe ao julgador proferir decisão, de acordo com o seu grau de convencimento acerca dos fatos narrados. Entendo que, à luz das informações e provas aqui presentes não há como afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os responsáveis solidários efetivamente possuíam interesse comum quanto aos fatos geradores dos tributos da Recorrente (artigo 124, I, do CTN, base da imputação fiscal), visto não restar demonstrado, sequer, sua participação na gestão da empresa. Isso não afasta, por óbvio, a possibilidade de participação ou responsabilidade em outros fatos ou em empresas diversas, estranhas ao caso sob análise. Contudo, no que tange à Recorrente, isso não ficou comprovado, o que nos leva a concluir pela não aplicação do artigo 14, IV, da Lei n. 9.317/96. Em relação ao segundo fundamento para a exclusão do Simples, qual seja, a prática reiterada de infrações contra a ordem tributária, a existência de certidões negativas em favor da Recorrente, argumento apresentado pela defesa, certamente lhe favorece. Contudo, convém investigar os fatos e as razões que levaram as autoridades fiscais a tal conclusão. A Representação Administrativa para exclusão do Simples se inicia às fls. 002 do processo eletrônico. A leitura da Representação nos permite perceber que foram analisados e apreendidos documentos de diversas empresas, como a Frigorífico ND Ltda., o Frigorífico Valentin Gentil Ltda. e a Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil. Ocorre que os fatos e documentos que levaram as autoridades a apurar a existência de pagamento de funcionários “por Caixa Único, com recursos advindos de Caixa 1 e Caixa 2” se referem ao período entre 1997 e 2000, sendo certo que não são aplicáveis para o caso sob análise. Em relação à empresa Comercial de Carnes e Derivados Valentim Gentil, a autoridade informa que elaborou planilha de diferenças (rubrica salários e outras) para o período entre janeiro de 2000 e setembro de 2004. Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 21 20 Apenas no item 13 do tópico VI – DA RELAÇÃO DOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS – anexos e análises, a autoridade fiscal menciona os documentos relativos à Contribuinte, Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda., nos seguintes termos: CNPJ: 06.951.738/000110: CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais DCBC Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo, competências por amostragem 09 a 12/2004 e 01/2005, com relação nominal dos empregados devidamente registrados, cuja base de cálculo encontrase na PLANILHA COMPARATIVA anexada, bem como Relatório CAC 98 Resumo Mensal GFIP por Estabelecimento, competências 10/2004 e 01/2005 e Relatório CAC56 Totais de Vínculos e Massa Salarial da GNP exercícios de 2004 e 2005, conforme análise no Item IV, 2.3, 2 e juntada à presente R.A. às fls. 14, (Vide fls. 250/263); 13.1 Planilha sobre o Resumo da Folha de Pagamento de 09/2004 a 10/2006, com cópias anexas, por amostragem, competência 10/2006, (fls. 264/269); 13.2 Cópia da GRPS Guia de Recolhimento da Previdência Social mês 02/97 e Arquivo REMAQ do FGTS, com relação dos empregados registrados (número de empregados registrados = 51), enquanto na folha de pagamento apreendida (cópia em anexo) encontramse relacionados 60 (sessenta), logo, 9 (nove) empregados sem registro, conforme Planilha Comparativa de fls. 14 e Planilha Completa de fls. 15/66, (fls. 270/273); 13.3 GRPS 12/1998 e 13/1998 (do 13° Salário) e respectivas cópias dos resumos e das folhas de pagamento analíticas dos empregados, nos termos da Planilha Comparativa de fls. 14, informando os empregados devidamente registrados em relação à Folha de Pagamento / Recibos de Salários objeto de apreensão AGD em 08/11/2006, conforme Planilha de 52 páginas, juntada às fls. 15/66 (fls. 275/286): 13.4 GRPS Guia de Recolhimento da Previdência Social, Guia de Recolhimento do FGTS e Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP, na competência 01/99, informando o número de empregados registrados (27), com relação aos constantes da Folha de Pagamento Completa apreendida AGD de fls. 08/10, conforme Planilha Comparativa, fls. 14 e Planilha Completa, fls. 15/66, (fls. 287/294); 13.5 Folha de pagamento e respectivos resumos, competência 01/2000, nos termos da Planilha Comparativa, fls. 14, em relação aos documentos apreendidos planilha de fls. 15/66, (fls. 295/300). Portanto, os documentos acima representam o conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização como suporte para a exclusão do Simples por prática reiterada de infrações à legislação tributária. Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 22 21 A análise dos documentos relativos à ora Recorrente nos leva a concluir que são apenas de natureza cadastral e, desse modo, incapazes de subsidiar, isoladamente, a imputação feita pela fiscalização. A partir das fls. 290 do processo eletrônico a autoridade fiscal colaciona documentos de outra empresa, o Frigorífico N.D. Ltda. Ocorre que, além de pertencerem a contribuinte distinto, tais documentos indicam fatos geradores ocorridos entre os anos de 1997 a 2000. Nesse sentido, vale lembrar que a Recorrente somente foi constituída em 2004. Conquanto a fiscalização tenha adotado a tese de confusão entre as empresas, de sorte que os empregados recebiam a partir do chamado “caixa único”, os documentos não podem subsidiar as infrações imputadas, posto que a Representação para exclusão do Simples data de 11 de julho de 2007, mas indica fatos ocorridos nos anos de 1997 a 2000; portanto, já alcançados pela decadência, conforme pacificado pelo STJ, embora, à época, a fiscalização previdenciária adotasse o prazo de dez anos para os tributos dessa natureza, entendimento declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e consolidado na Súmula Vinculante n. 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Assim, além de se referirem a outro contribuinte, tais documentos não podem ser utilizados como fundamento para a infração, dado que eventuais créditos deles decorrentes já estariam fulminados pelo instituto da decadência. E, ainda que assim não fosse, creio que seria hipótese, especificamente no que tange à Recorrente, de eventual lavratura de auto de infração em matéria previdenciária, mas não da imputação de prática de infrações reiteradas, circunstância que não se consegue inferir dos documentos trazidos ao processo. O trabalho empreendido pelos auditores é bastante detalhado, sendo certo que a maior parte das imputações se refere a outras empresas, que, imagino, são objeto de processos administrativos específicos. Como os trabalhos foram realizados em várias empresas, este processo possui mais documentos relativos a outros contribuintes do que à própria autuada. É o caso, por exemplo, da empresa Rio Preto Abatedouro, constituída em 2002 e, aqui sim, responsável por enorme movimentação econômica, da ordem de 233 milhões de reais em quatro anos, conforme números apurados pela fiscalização. Conquanto tais informações possam servir de indício para toda a operação, não são automaticamente aplicáveis ao caso concreto, que trata apenas da ora Recorrente e de seus responsáveis solidários. Em conclusão, entendo que os motivos que fundamentaram a exclusão da Recorrente do Simples não restaram comprovados, razão pela qual o Ato Declaratório Executivo n° 23 e os tributos dele decorrentes não podem ser mantidos, exclusivamente no que se refere à Contribuinte Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16004.000307/200795 Acórdão n.º 1201001.086 S1C2T1 Fl. 23 22 A ressalva é assaz relevante, pois se percebe, ao longo do processo, que existe verdadeira confusão entre as empresas autuadas. Prova disso é que em mais de uma oportunidade, as folhas com o nome do Contribuinte e o respectivo CNPJ foram riscadas, retirando os dados da empresa Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda. e substituindoos pelos da ora Recorrente, como se pode perceber, entre outras, das fls. 781 e 783 do processo eletrônico. Ademais, o único Auto de Infração de pessoa jurídica que consta do processo referese à contribuinte Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda., cujo extrato encontrase às fls. 885, assim como somente em relação a esta empresa se tem notícia das respectivas intimações e da lavratura dos Termos de Responsabilidade Solidária. Solicito, por oportuno, a juntada ao processo dos documentos trazidos pelos Recorrentes em memoriais, por constituírem fundamentos da decisão aqui exarada. Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários e, no mérito, voto por DARLHES provimento, para afastar a exclusão do Simples e cancelar os lançamentos efetuados contra a empresa Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. e, por decorrência, a responsabilidade solidária imputada aos Srs. Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres e Rodrigo da Silva Peres. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10580.732605/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE
O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária.
MULTA AGRAVADA. ART.35-A DA LEI 8212/91
O artigo 35-A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.040
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. MULTA AGRAVADA. ART.35-A DA LEI 8212/91 O artigo 35-A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 Recurso Voluntário Negado
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PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. MULTA AGRAVADA. ART.35A DA LEI 8212/91 O artigo 35A da lei 8212/91 determina a aplicação do art. 44 da lei 9430/96, onde resta assentado o agravamento da autuação quando não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos, apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da lei 9430/96, apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 26 05 /2 01 2- 85 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado AI nº 51.003.1412 (contribuições da empresa, incluído SAT/RAT), no valor de R$ 399.571,77, AI nº 51.003.1420 (contribuição de segurados), no valor de R$ 173.449,86, AI nº 51.003.1439 (contribuição destinada a outras entidades e fundos), no valor de R$ 29.436,81, referentes a contribuições não declaradas em GFIP e juros e multas associados, e AI nº 51.003.1447 referente a folha de pagamento com omissão de rubricas (Código de Fundamentação Legal –CFL 30), no valor de R$ 1.716,57, AI nº 51.003.1455 referente a não exibição de documentos (CFL 38), no valor de R$ 17.165,50, AI nº 51.003.1471 referente a não arrecadação da contribuição de segurados (CFL 59), no valor de R$ 1.716,57, e AI nº 51.003.1480 referente a informações incorretas em GFIP (CFL 78), no valor de R$3.500,00, consolidados em 10/01/2013, verificados no estabelecimento de CNPJ nº 03.154.807/000177 desse contribuinte, lançados em 10/01/2013 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 11/01/2013. Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações a empregados e contribuintes individuais não declaradas em GFIP, no período de 01/2009 a 12/2009. O r. acórdão – fls 979 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado, excluindo às diferenças de contribuição de segurados, no valor originário de R$ 628,36 e da multa de 112,5% correspondente, lançada no AI nº 51.003.1420, e da multa isolada por informações incorretas em GFIP (CFL 78), no valor de R$ 3.500,00, lançada no AI nº 51.003.1480. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Impossibilidade de agravamento da multa de ofício · Multa de mora de 24% retroatividade benigna · A autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração combatido, acabou por atualizar monetariamente o valor pela SELIC, além de aplicar Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 5 4 juros de mora e multa moratória, tudo isto com suposto espeque nos arts. 34 e 35 , I, II e III da Lei n° 8.212/91. · Da inaplicabilidade da multa de oficio · Impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multas isoladas · Imprescindibilidade da perícia · Requer seja determinada a realização da perícia contábil, e, ainda, que seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão de primeira instância administrativa, para ser reconhecida a improcedência ou parcialmente procedente a autuação.. É o relatório. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que impugnado, temos o seguinte: DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Segundo Pontes de Miranda, "A perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que simplesmente precise de ser fixado(...)." (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV,pg. 625, Forense, 2º edição, 1979) Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 7 6 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 1014 formulou pedido de produção de provas e de perícia, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, correta a decisão da autoridade julgadora, também por este motivo. DA MULTA AGRAVADA Lei 8212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por seu turno, o art. 44 da lei 9430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Acréscimo de 50% não atendimento de intimação Lei 9430/96 art. 44, parágrafo 2º: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 8 7 marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei; O relatório fiscal informa: “A empresa autuada foi intimada na TIPF a apresentar as folhas de pagamento (2008 e 2009) e contabilidade (2008) em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais, atual ou em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. Estes arquivos não foram entregues à fiscalização. (…) Em função do exposto a multa de ofício foi agravada de 50%” A recorrente apenas faz genérica alegação informando que “sempre colaborou com a fiscalização, atendeu aos prazos de forma tempestiva, apresentou os documentos requisitados e jamais se esquivou do seu dever de colaboração para a busca da verdade dos fatos, e apuração do verdadeiro valor devido”, sem no entanto apresentar provas do alegado. A conduta apontada justifica o agravamento da multa, que deve ser mantido. Ressaltese que a legislação citada deixa claro que a penalidade independe de avaliação quanto ao elemento subjetivo, determinando sua aplicação independentemente de dolo ou culpa. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA – Obrigação Principal A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 9 8 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732605/201285 Acórdão n.º 2803004.040 S2TE03 Fl. 10 9 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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