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Numero do processo: 15586.720083/2016-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/08/2014
PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO
Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ-LABORE.
As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de pró-labore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal.
Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-004.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO Há necessidade de comprovação do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador para que se aplique as disposições constantes do artigo 124, I, do CTN. Tal comprovação se consubstancia na demonstração, pelo Fisco, de que o solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓLABORE. As importâncias pagas aos sócios registradas como distribuição de lucros mas que configurem retribuição do trabalho prestado devem ser consideradas pagamentos a título de prólabore, incidindo sobre elas a contribuição previdenciária social. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício decorre do cumprimento da norma legal. Apurada a infração, é devido o lançamento da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Dr. José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento. Quanto à imputação de responsabilidade solidária, restaram vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), José Alfredo Duarte Filho e Douglas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 83 /2 01 6- 66 Fl. 842DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 3 2 Kakazu Kushiyama, que afastavam à responsabilidade do recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 15586.720081/201677, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo solidário mantendo integralmente os termos do lançamento fiscal em que se exige crédito tributário, referente à contribuição da empresa prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, incidente sobre a remuneração paga sob a forma de lucros distribuídos no período de 03/2011 a 08/2014, além de multa de ofício de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Em 30/06/2015, data posterior à baixa da empresa, formalizouse procedimento fiscal através do qual se constatou que os pagamentos efetuados sob a forma de distribuição de lucros ao sócioadministrador e aos demais sócios configuravam, na realidade, remunerações vinculadas à prestação de serviços, mais especificamente, aos plantões trabalhados pelos sócios, todos médicos. Ainda segundo o relatório, no caso de lançamentos futuros efetuados após a extinção da personalidade jurídica da empresa, a responsabilidade deve ser atribuída aos administradores dos períodos dos respectivos fatos geradores (arts. 4º, 5º e 9º da Lei Complementar nº 123/2006), bem como àqueles com interesse comum nas situações que constituíram o fato gerador da obrigação principal (art. 124, inc. I da Lei nº 5.172/1966). A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo solidário, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual mantevese a responsabilidade do sujeito passivo solidário com base no interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme previsto no caput, § 4º e §5º da Fl. 843DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 4 3 Lei Complementar nº 123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966). Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado.” É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 15586.720081/201677, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Henrique de Oliveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018. Acórdão nº 2201004.484 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade e portanto o conheço. Conforme consta do relatório fiscal houve a constituição do crédito tributário após encerramento da empresa Clinic Center S/S LTDA, CNPJ 10.826.184/000105, e que foi administrada por Valdecir Arrivabeni, CPF 493.191.83791, até a sua extinção, em 02/02/2015. Houve a lavratura de termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente com base nos termos do artigo 9ºcaput, § 4º e §5º da Lei Complementar nº123/2006 e no inc. I do art. 124 do Código Tributário Nacional (lei nº 5.172/1966): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 9º O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do Fl. 844DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 5 4 empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. (...) § 4º A baixa do empresário ou da pessoa jurídica não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados tributos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da falta do cumprimento de obrigações ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários, pelas pessoas jurídicas ou por seus titulares, sócios ou administradores. § 5º A solicitação de baixa do empresário ou da pessoa jurídica importa responsabilidade solidária dos empresários, dos titulares, dos sócios e dos administradores no período da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Ocorre que, a solidariedade definida pelo art. 9º §§ 4º e 5º da referida Lei 123/2006 são aplicadas tão somente às empresas que estão sob o regime do Simples Nacional e, na espécie, não houve a comprovação por parte da fiscalização de que a empresa que foi baixada estivesse no referido regime especial de tributação. Inclusive a aferição da responsabilidade pelos termos do art. 124, I do CTN não restou comprovada pela fiscalização, sendo apenas indicado como fundamento da solidariedade o fato que o registro do distrato acarreta a extinção da personalidade jurídica da sociedade e a responsabilidade tributária caberá aos sócios. Impende ressaltar, que nos casos de sujeição passiva solidária, cabe ao Fisco promover a prova e relatar os fatos de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal que vincule o sujeito passivo solidário, não sendo possível o interesse meramente econômico e financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitua o fato gerador. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso para afastar a responsabilidade solidária do recorrente no lançamento. Caso vencido na preliminar acima, no mérito, entendo que o recurso não merece prosperar. Com efeito pelo Relatório Fiscal, ficou comprovado pela autoridade lançadora que os pagamentos intitulados como distribuição de lucros eram, na realidade, remuneração decorrente de serviços prestados, quando demonstrou que vários médicos recebiam, mensalmente, valores a título de distribuição de lucros quando nem sequer figuravam no contrato social como sócios e não possuíam qualquer vínculo empregatício com a autuada, além de que as escalas de plantões Fl. 845DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 6 5 indicadas, provam a sua relação direta entre as escalas e a distribuição de lucros com base em valor/hora para remuneração desses plantões, recebendo os médicos adiantamentos de lucros exclusivamente em decorrência de sua atividade laboral nos plantões, longe portanto, de ser distribuição a título de lucros. Quanto à multa de ofício resta mantida, pois as razões recursais se debruçam apenas em relação ao princípio do não confisco, aplicandose nesse caso os termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator" Voto Vencedor "Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem os argumentos e a logicidade jurídica do eminente Relator, ouso, com a devida vênia, dele discordar somente quanto à responsabilidade solidária imputada. Explico. Segundo a Autoridade Fiscal, o Recorrente é responsável solidário posto que tem interesse comum no fato gerador, como se pode inferir do seguinte excerto do Relatório Fiscal: (...)" Em que pese haver a menção a Lei Complementar nº 123/06, fica patente ao longo do relatório da imputação pelo Fisco, da responsabilidade solidária que tal argumento é complementar à verificação do interesse comum no fato gerador, fato este comprovado ao longo do relato feito pela Autoridade Lançadora. Recordemos outros pontos do mencionado relatório: Fl. 846DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 7 6 Linhas adiante nova explicitação: Ora, patente a motivação fiscal ao imputar, segundo as normas explicitadas pelo CTN, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído: Há nítido interesse comum no fato gerador da obrigação tributária por parte do coobrigado. Explico. Como dito pelo ínclito Relator, o auto de infração em discussão foi lavrado em razão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de 'distribuição de lucros', que, na visão do Fisco, são verdadeira remuneração pelo trabalho prestado, uma vez que decorrem de serviços médicos realizados em plantões, pelo Recorrente. A relação laboral apresenta nítido caráter bilateral, ou seja, a prestação de serviços pessoal é prestada por alguém em benefício de outrem. Ao recordarmos que a Constituição Federal, por meio do artigo 195, outorga competência para que o legislador institua um tributo incidente sobre a remuneração paga à pessoa física, pelo trabalho prestado, qualquer que seja o vínculo existente entre o tomador e trabalhador, e que tal tributo, contribuição social nos dizeres da Carta da República, deve ser suportado pelo empregador e também pelo trabalhador, tornase inequívoco o interesse comum, entre o tomador e a pessoa prestadora de serviços no fato gerador trabalho remunerado. Por amor à clareza, reitero: há interesse comum quanto às contribuições sociais previdenciárias, entre trabalhador e tomador de serviços, por expressa disposição constitucional, quanto ao fato gerador trabalho remunerado. Não é outra a posição da doutrina. Paulo de Barros Carvalho, no clássico Curso de Direito Tributário (Ed. Saraiva, 14ª ed., pag. 311), discorrendo sobre o tema, esclarece que o interesse comum no fato gerador: "Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como por exemplo, na incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas sejam proprietárias do mesmo imóvel" Fl. 847DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 8 7 Logo, forçoso reconhecer a procedência da responsabilidade solidária imputada. Tal constatação, nos leva, por via de consequência, afastar peremptoriamente as demais alegações recursais sobre o tema. Quanto a esse aspecto, invoco o contido no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifouse)" Neste caso, tendo sido adotado como premissa que a imputação da responsabilidade solidária se deu com base no artigo 124, I, do CTN, e tendo ocorrido a demonstração, pela Autoridade Lançadora, do interesse comum no fato gerador, os demais argumentos apresentados pela recorrente não seriam "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". Ademais, o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 15586.720083/201666 Acórdão n.º 2201004.493 S2C2T1 Fl. 9 8 (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revela se inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509 AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, a doutrina distingue entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, em que pese o julgador deva enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, basta para tanto que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008)." CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da responsabilidade solidária imputada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721484/2016-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2015 a 31/03/2015
RETIFICAÇÃO DA GFIP DEPOIS DA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Não há impedimento para que a Gfip seja retificada depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA OU AUXÍLIO-ACIDENTE.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do Ricarf), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.
A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat) é definida pelo grau de risco da atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no estabelecimento. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor.
Numero da decisão: 2301-005.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do relator; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar o óbice da falta de retificação de Gfip na análise do direito creditório relativo ao SAT/RAT; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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POSSIBILIDADE. Não há impedimento para que a Gfip seja retificada depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU AUXÍLIO ACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do Ricarf), o que somente ocorre com o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 84 /2 01 6- 75 Fl. 1047DF CARF MF 2 trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat) é definida pelo grau de risco da atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no estabelecimento. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do relator; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar o óbice da falta de retificação de Gfip na análise do direito creditório relativo ao SAT/RAT; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, em relação às demais matérias; vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório O presente processo tem por objeto manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo acima identificado contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP que considerou não homologadas as compensações de contribuições previdenciárias por ele efetuadas nas competências 02/2015, 03/2015 e 04/2015 (nos valores de R$ 2.584.600,80, R$ 2.529.743,50 e R$ 2.649.458,40, respectivamente). O conteúdo do Despacho Decisório DRF/OSA/SEORT nº 276/2016 (fls. 7 a 13) pode ser resumido da seguinte maneira: Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 3 3 Após ser intimado para apresentar justificativas para a origem dos créditos utilizados nas compensações efetuadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP das competências 02/2015, 03/2015 e 04/2015, o sujeito passivo alegou que se tratava de: (i) valores indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; (ii) valores recolhidos a maior a título de SAT/GILRAT, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta com inscrição no CNPJ deve verificar sua atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco. Contudo, os créditos alegados pelo sujeito passivo não foram acatados. Os recolhimentos de contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias e quinze primeiros dias de afastamento não foram considerados indevidos em virtude da orientação contida na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014 e também porque o sujeito passivo não apresentou GFIP retificadora com exclusão dessas rubricas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Já os recolhimentos efetuados a título de SAT/GILRAT não foram considerados como créditos porque o sujeito passivo não apresentou GFIPs retificadoras com informação da nova atividade preponderante e também não esclareceu qual atividade estava sendo considerada anteriormente e não relacionou todos os seus trabalhadores com suas respectivas funções para demonstrar qual seria a nova atividade preponderante a ser considerada. Assim, considerouse que não há elementos de prova da ocorrência de pagamentos a maior ou indevidos, inexistindo, por conseguinte, previsão legal para restituição ou compensação. Destacouse que, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, cabe ao contribuinte a demonstração, por meio de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que a autoridade administrativa possa aferir sua liquidez e certeza. Salientouse também que a GFIP é instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, constituindose em termo de confissão de dívida, nos termos do art. 32 da Lei 8.212/91, c/c o art. 225 do Decreto 3.048/99. Por fim, concluiuse que “resta claro que as compensações realizadas em GFIP pelo contribuinte não encontram arrimo na legislação tributária vigente e devem ser consideradas não homologadas e os créditos tributários que foram supostamente assim liquidados devem retornar a condição de exigíveis nos sistemas de controle da RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previstos na legislação tributária vigente”. O sujeito passivo tomou ciência do Despacho Decisório no dia 09/06/2016 (fls. 16) e apresentou manifestação de inconformidade tempestiva no dia 06/07/2016 (fls. 13 a 31), acompanhada de documentos (fls. 35 a 82), na qual alega, em síntese, que: A recorrente é empregadora de trabalhadores sujeitos ao regime geral da previdência social e nessa condição é obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de salários e da contribuição previdenciária destinada ao custeio do seguro de acidente de trabalho, tributos sujeitos a lançamento por homologação. Foram verificados recolhimentos a maior desses tributos, realizados em até 60 meses, de modo que foi realizada a apuração do respectivo crédito e sua compensação administrativa, nos termos da legislação vigente. Esse crédito se refere a recolhimentos de contribuição previdenciária calculada sobre valores pagos aos empregados a título de adicional Fl. 1049DF CARF MF 4 de férias e primeiros quinze dias de afastamento por doença ou acidente, bem como valores pagos a maior a título de contribuição para o seguro acidente de trabalho. A compensação efetuada tem fundamento no art. 74 da lei 9.430/96, no art. 89 da lei 8.212/91, no art. 251 do Decreto 3.048/99 e no art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, dispositivos que permitem ao contribuinte, sempre que ocorrido o recolhimento indevido, o uso da via administrativa da compensação. A fiscalização não homologou a compensação dos créditos referentes ao terço de férias e primeiros quinze dias do auxíliodoença sob o argumento de que a PGFN ainda não autorizou a dispensa de recurso e contestação sobre esses assuntos. Contudo, as compensações foram feitas a partir de informações e decisões oriundas do próprio sistema processual da RFB, pois buscou amparo em decisões do CARF, tais como as proferidas nos processos 13161.720148/201396, 10630.720315/201175, 16095.000066/201199 e 10783.722724/201162. Portanto, o Município de Osasco apurou créditos em conformidade com a orientação das mais recentes decisões proferidas pelo órgão de recurso ao qual a Receita Federal do Brasil está vinculada. A orientação do CARF segue critérios jurídicos adequados, pois a Lei 8.212/91, em seu art. 22, I, determina que a contribuição incida sobre os valores da remuneração paga em retribuição pelo trabalho prestado, o que não é o caso do terço constitucional de férias e do pagamento referente aos primeiros quinze dias de afastamento do segurado. Inexistem normativas que determinem a inclusão de tais valores na base de cálculo da contribuição da empresa, motivo pelo qual a RFB deveria promover interpretação mais criteriosa. Não houve questionamento no Despacho Decisório a respeito dos valores compensados, de modo que requer o reconhecimento do direito creditório. Quanto à compensação envolvendo o SAT/GILRAT, não houve discordância da DRF quanto ao mérito dos créditos utilizados, sendo a não homologação fundamentada exclusivamente no fato de a interessada não ter enviado GFIPs retificadoras relativas às competências que originaram os créditos compensados. Historicamente, o Município de Osasco sempre contribuiu para a previdência sob a atividade “administração pública em geral”, mas analisando a verdadeira atividade desenvolvida por cada um de seus funcionários, verificouse que a atividade que de fato ocupou o maior número de funcionários nos exercícios de 2011, 2012, 2013 e 2014 foi a atividade de “educação infantil – pré escola”, fazendose então necessário o ajuste de seu enquadramento para esses períodos, conforme determinado pela própria RFB na Solução de Consulta COSIT nº 49/2014. Foram prestadas informações a respeito da origem desse crédito, inclusive em relação à composição dos valores, e a RFB não apresentou nenhuma oposição quanto ao mérito do crédito, resumindose a discordância da autoridade fiscal à questão formal concernente à falta de envio de GFIPs retificadoras. A RFB poderia ter notificado o contribuinte para que esclarecesse qual era a atividade equivocada e qual era a correta, solicitando documentos comprobatórios, mas em vez disso preferiu apegarse a aspectos formais. O dever de retificação da GFIP não desqualifica o crédito compensado. A administração tributária não tem qualquer tipo de discricionariedade com relação ao lançamento tributário. Essa mesma lógica de legalidade aplicase ao procedimento de compensação, de modo que não cabe à administração pública manter para si valores que não lhe são devidos. Diante disso, se a RFB não manifestou inconformismo com o fundamento de mérito da compensação, não poderia exigir o pagamento do crédito tributário. Havendo irregularidade relativa a obrigações acessórias, ao invés de exigir o crédito tributário, a RFB deveria ter lavrado multa por descumprimento de obrigação acessória (prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91). Como não foi aberto procedimento de fiscalização e o Município prestou todos os esclarecimentos solicitados pela RFB, esta deveria ter marcado prazo para apresentação das referidas retificações na GFIP. O CARF reconhece que a inexistência de retificação da GFIP não infirma a existência do direito creditório e não constitui óbice à Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 4 5 compensação ou restituição, conforme se verifica na decisão proferida pela Câmara Superior daquele órgão no processo nº 10972.720122/201143. Há, portanto, inadequação entre os fatos narrados no Despacho Decisório e a hipótese legal utilizada pela RFB, pois ou não se concorda com a existência do crédito, determinandose sua exigência, ou se aponta irregularidade de obrigações acessórias, com aplicação de multa. O lançamento tributário é informado pela verdade material, de modo que a suposta irregularidade formal na qual a recorrente incorreu não serve de fundamento para a inexistência do crédito. O CARF admite retificação de obrigações acessórias após a notificação fiscal, conforme decisões proferidas nos processos nºs 13971.900878/200877 e 10909.902571/200957. No presente caso o Município efetuou essa retificação, o que se comprova pelos documentos em anexo. De qualquer forma, não existe previsão legal determinando que a retificação de obrigação acessória é condição para a realização de compensação. O art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 não condiciona a compensação à retificação (apenas a restituição é condicionada no art. 3º, § 11), de modo que o Despacho Decisório carece de fundamento legal nesse ponto. O próprio site da RFB, ao explicar o procedimento de compensação, também não informa essa necessidade. A melhor interpretação e aplicação do princípio da legalidade e da moralidade deveria ter motivado a RFB a notificar a interessada a apresentar as retificações das GFIPs, ao invés de coibir o uso de um crédito que foi apurado conforme Solução de Consulta proferida pela própria RFB. Ao final, com base nesses argumentos, o interessado requereu o acolhimento total de sua manifestação de inconformidade, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Requereu também a imediata suspensão da exigibilidade do crédito em questão. O Acórdão da DRJ (fls. 115 e ss.) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2015 a 31/03/2015 COMPENSAÇÃO. PRÉVIA RETIFICAÇÃO DA GFIP. REQUISITO. A prévia retificação da GFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU ACIDENTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O adicional constitucional de férias e a remuneração referente aos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, os valores recolhidos pela empresa sobre tais verbas não podem ser considerados pagamentos indevidos. ALÍQUOTA DO GILRAT/SAT. GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. Fl. 1051DF CARF MF 6 A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é definida pelo grau de risco da atividade preponderante, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos no estabelecimento. Se o contribuinte não comprova que recolheu esse tributo com alíquota superior à devida, não há como reconhecer o direito creditório em seu favor. Irresignado, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 1011 e ss.) reiterando os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No tocante às alegações sobre a diminuição da alíquota da contribuição SAT/RAT, não conheço das alegações, uma vez que não houve julgamento do mérito no tocante a tal ponto no Despacho Decisório, ou seja, não se trata de matéria litigiosa quanto ao mérito. A questão central do presente processo administrativo é determinar se há ou não a possibilidade de compensação de crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sem que haja alteração da GFIP. Em voto proferido no âmbito do Acórdão n. 2401002.403, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira destacou que há possibilidade de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ainda que a GFIP não tenha sido alterada, conforme pode ser observado abaixo: "FALTA DE CORREÇÃO DAS GFIP. Por fim, quanto ao segundo argumento trazido pelo auditor que não procedeu o município a retificação das GFIP, entendo que também não é suficiente para indeferir direito a compensação, uma vez que o próprio auditor destaca a existência de contribuições indevidas. Entendo que o descumprimento da Instrução Normativa, quanto a retificação das GFIPs constitui falta, ou seja sujeita as penalidades da legislação. Ao proceder a compensação das contribuições recolhidas indevidamente à título de agente político, indicou o contribuinte que a dita verba não constitui mais fato gerador de contribuição previdenciária, ou seja, deveria proceder a retificação das GFIP. Em não o fazendo incorre em falta sujeita a Auto de Infração de Obrigação Acessória, vez que faz constar em GFIP informação incorreta. Dessa forma, entendo que a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é sim possível, evitando que a GFIP permaneça incorreta, mas não ser Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 5 7 determinante para indeferir restituição, ou mesmo declarar indevida compensação". No Acórdão 9202003.930 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 12 de abril de 2016, os conselheiros votaram por unanimidade em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, sendo que o Acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO INAPLICABILIDADE. O fato de o ente público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos, não pode constituir óbice à compensação ou restituição quando constatado o direito creditório do recorrente, uma vez que existe Auto de Infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP. Recurso Especial da Fazenda Negado Vale destacar, ainda, que o Parecer Normativo Cosit n. 5/12 já demonstrou o entendimento que a retificação de DCTF após o despacho decisório seria possível, conforme pode ser observado abaixo: Parecer Normativo Cosit n. 5/12 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 1053DF CARF MF 8 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 6 9 eprocesso 11170.720001/201442 Diante do exposto, considerando que há a possibilidade de compensação de crédito de pagamento indevido de contribuição previdenciária sem que haja alteração da GFIP, resta analisar a natureza dos pagamentos indevidos. Nesse sentido, vale lembrar que os pagamentos indevidos se fundam em :(i) valores indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; (ii) valores recolhidos a maior a título de SAT/GILRAT, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta com inscrição no CNPJ deve verificar sua atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco. No primeiro caso, cumpre citar o REsp 1230957/RS, julgado em 26/02/2014 como recurso representativo de controvérsia, pelo qual decidiuse que não incidiria contribuição previdenciária sobre o adicional relativo às férias indenizadas (o que decorreria de expressa previsão legal do artigo 28, §9º, d, da Lei n. 8.212/91) e sobre o adicional de férias concernente às férias gozadas (que possui natureza indenizatória e não é habitual), assim como os valores pagos pelo empregador nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente não possuem natureza de remuneração, pois não tem por intuito retribuir o trabalho. Com relação à contribuição SAT/GILRAT, cumpre mencionar o texto da Solução de Consulta Cosit 49/14, que permite que os órgãos da administração pública direta reenquadrem o seu grau de risco de acordo com a atividade preponderante: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: ÓRGÃOS PÚBLICOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO E ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO. CÓDIGO CNAE. Para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT, cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados em seu âmbito. Não há necessária vinculação entre a atividade principal do órgão público, que define o código CNAE para fins de incrição no CNPJ, e a atividade preponderante do órgão público, que define o enquadramento no grau de risco para fins de apuração da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Art. 202 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 RPS; Art. 72 da IN RFB nº 971, de 2009; Ato Declartório PGFN nº 11, de 2011; e Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 2014. Fl. 1055DF CARF MF 10 Nesse sentido, o Município de Osasco que era originalmente enquadrado na alíquota de 2% do SAT/GILRAT em virtude do seu CNAE, verificou que a maior parte dos seus funcionários estava enquadrada na alíquota de 1% do SAT/GILRAT conforme demonstrado nos estudos constantes nas fls. 1026 e seguintes. Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das matérias a respeito das quais não há negativa do fisco na concessão do reconhecimento do direito creditório, e, na parte conhecida, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator para o voto vencedor Divirjo do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, pelas razões que passo a elencar. Como relatado, os pagamentos indevidos decorrem de (i) valores pretensamente indevidamente recolhidos à Previdência Social sobre remunerações pagas a funcionários a título de adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente e a (ii) valores pretensamente recolhidos a maior a título de SAT/Gilrat, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta com inscrição no CNPJ deve verificar sua atividade preponderante para fins de determinação do grau de risco. Quanto ao adicional constitucional de férias e primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, os argumentos do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi em seu voto no Acórdão 2401003.943: A base de cálculo das contribuições previdenciárias está definida no art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelece o conceito de saláriodecontribuição e discrimina as verbas que sofrem ou não a incidência da contribuição previdenciária. Em que pese os limites estabelecidos para a análise da inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do RICARF), não se pode dizer que o art. 28 tenha extrapolado os lindes normativos definidos pela Constituição Federal. Com efeito, conforme já observamos em nossa dissertação de mestrado, "o art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 7 11 creditados". (A importância da execução de ofício das contribuições previdenciárias no processo do trabalho. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito), USP, São Paulo, p. 54. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/ tde05122012162954/ptbr.phpest. Acesso em 19/06/2014) No que se refere à contribuição dos segurados, a Constituição "não faz qualquer menção aos seus contornos básicos (art. 195, II), exceto quando estipula no § 11 do art. 201 que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. De tal referência extraise apenas o elemento da base de cálculo".(Idem p. 57.) Assim, podese concluir que, fora destes limites da base imponível do tributo "folha de salários", "demais rendimentos" e "ganhos habituais", sendo que este último não deixa de ser "rendimento", "a lei não pode estabelecer a incidência, salvo mediante a instituição de nova fonte de custeio por lei complementar, conforme determinação do art. 195, § 4º, da CF". (Idem p. 68.) E, dentro dos mencionados parâmetros constitucionais, a Lei n° 8.212/1991, em seu art. 11, delimitou a base de cálculo da contribuição das empresas, a qual incide sobre a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a) e dos trabalhadores, que, por sua vez, incide, sobre o seu "saláriodecontribuição" (parágrafo único, alínea b). Portanto, temos que adentrar na análise da lei previdenciária para definir o conceito de "remuneração" e de "saláriode contribuição". Entendemos que remuneração "pode ainda abarcar os conceitos de vencimento, soldo, subsídios, prólabore, honorários ou qualquer outra espécie de retribuição que "remunere" (Ibidem p. 69 e seguintes.), de sorte a englobar, nos limites da Lei n° 8.212/91, não só a contraprestação (trabalho efetivamente prestado) e a disponibilidade (tempo à disposição"), como também outras obrigações decorrentes da relação de trabalho, inclusive as interrupções remuneradas do contrato de trabalho e outras conquistas sociais. Quanto ao conceito de saláriodecontribuição para empregados e avulsos, a Lei n° 8.212/91 foi generosa em termos extensivos, definindoo como a remuneração auferida, "assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho" (art. 28 da Lei n° 8.212/91). Notese que a Lei não falou em "contraprestação" (uma prestação por outra), mas sim em "retribuição", ressoando a crítica da doutrina trabalhista quanto à definição de salário contida no art. 457 da CLT, que faz uso da expressão "contraprestação" ao invés de "retribuição". Daí Alice Monteiro de Barros afirmar que: Fl. 1057DF CARF MF 12 preferimos conceituar o salário como a retribuição devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, de forma habitual, não só pelos serviços prestados, mas pelo fato de se encontrar à disposição daquele, por força do contrato de trabalho. Como o contrato é sinalagmático no conjunto e não prestação por prestação, essa sua característica justifica o pagamento do salário nos casos de afastamento do empregado por férias, descanso semanal, intervalos remunerados, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato. (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 591) Assim, verificase que, quanto ao segurado empregado e avulso, o conceito legal estabelecido é amplo, de forma a abarcar todo e qualquer título que sirva para retribuir a prestação de serviços. Todavia, é preciso ressaltar que a base de cálculo é apurada mediante o cotejamento dos conceitos supradescritos com as regras de inclusão, exclusão e os limites descritos nos parágrafos do mesmo artigo. Todas essas regras valem também para a formação da base de cálculo da contribuição das empresas, que é a "remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço" (parágrafo único, alínea a, do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, bem como art. 22, I e II, da mesma lei). Assim, tanto nos QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO POR AUXÍLIO DOENÇA OU AUXÍLIOACIDENTE (art. 60, § 3°, da Lei n° 8.213/91), como no saláriomaternidade (art. 28, § 2°, da Lei n° 8.212/91) e nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), bem como sobre o avisoprévio indenizado (art. 487 e seguintes da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. (Grifouse.) O caráter remuneratório dos ADICIONAIS DE FÉRIAS (art. 7°, XVII, da CF), de horas extras (art. 7°, XVI, da CF), noturno (art. 7°, IX, da CF), de insalubridade (art. 7°, XXIII, da CF) e de periculosidade (art. 7°, XXIII, da CF), é inequívoco, pois tratam se de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. (Grifouse.) Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do saláriodecontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). (Grifouse.) Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014, cuja ementa transcrevo: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10882.721484/201675 Acórdão n.º 2301005.596 S2C3T1 Fl. 8 13 Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC. Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Nãoinclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. (Grifou se.) Em relação às compensações envolvendo supostos recolhimentos indevidos da contribuição para o SAT/Gilrat, não há demonstração ou comprovação dos pretensos créditos. A Solução de Consulta Cosit nº 49, de 2014, citada pelo letrado conselheiro relator, esclareceu que “para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/Gilrat, cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados em seu âmbito”. Assim, a alteração da alíquota deve ser feita à vista da situação concreta, verificandose qual é a atividade preponderante do órgão público, o que só pode ser feito mediante análise de todas as atividades exercidas pelo órgão e da alocação dos segurados empregados em cada uma dessas atividades. Desse modo, a retificação da alíquota SAT/Gilrat, informada na Gfip do ente público, não produz efeitos se não houver demonstração efetiva de sua atividade preponderante, nos termos da legislação pertinente. No presente caso, a demonstração da atividade preponderante não foi apresentada pelo sujeito passivo, nem perante a autoridade fiscal que efetuou o procedimento de verificação das compensações, nem perante o órgão de julgamento por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. Embora o sujeito passivo alegue que apresentou toda a documentação pertinente, não há documentos no presente processo que amparem tal afirmação. Como muito bem assentou a decisão recorrida, “ao contrário do que afirma o sujeito passivo, a discordância da autoridade fiscal não se limitou à questão formal relacionada ao envio de GFIPs retificadoras. Não houve “concordância” da autoridade fiscal com o “mérito” da compensação que envolveu o SAT/GILRAT. Evidentemente, a autoridade fiscal não questionou o conteúdo da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014 (e nem poderia fazêlo, pois se trata de solução de consulta com efeito vinculante para a RFB), mas questionou o fato de o contribuinte não ter esclarecido sua atividade e não ter relacionado os trabalhadores com as respectivas funções a fim de demonstrar a atividade preponderante”. Esse é o teor do item 5 do Despacho Decisório DRF/OSA/SEORT Nº 325/2016 (efl. 36), a seguir transcrito: Fl. 1059DF CARF MF 14 5. Fundamenta que parte do alegado crédito para compensação está em uma manifestação da própria RFB, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 49/2014, que orienta que cada órgão da Administração Pública Direta, com inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/GILRAT. Alega que com base nesta orientação verificou ter declarado de forma equivocada sua atividade preponderante, de maneira que a correção acarretou a apuração de crédito, muito embora não tenha esclarecido qual atividade estava sendo considerada anteriormente e relacionado todos os trabalhadores com suas respectivas funções demonstrando assim qual a nova atividade preponderante a ser considerada e seu SAT/GILRAT. Conclusão Por tais fundamentos, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, nessas questões. João Bellini Júnior Fl. 1060DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000174/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1999
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. OCORRÊNCIA.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
VÍCIO FORMAL. PRAZO PARA O LANÇAMENTO
O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
SEGURADO EMPREGADO. PREFEITURA MUNICIPAL. SAT.
Em sua vigência, o Decreto nº 612/92, ao determinar a incidência da alíquota de 3% sobre as Prefeituras Municipais, determinou a incidência sobre todo o órgão executivo do Município, independentemente da atividade exercida pelos órgãos subordinados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em rejeitar a preliminar de existência de vício material no lançamento, reconhecendo-o como sendo de natureza formal, vencido nesse ponto o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator); e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, no que se refere à preliminar.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1999 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. OCORRÊNCIA. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. VÍCIO FORMAL. PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. SEGURADO EMPREGADO. PREFEITURA MUNICIPAL. SAT. Em sua vigência, o Decreto nº 612/92, ao determinar a incidência da alíquota de 3% sobre as Prefeituras Municipais, determinou a incidência sobre todo o órgão executivo do Município, independentemente da atividade exercida pelos órgãos subordinados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em rejeitar a preliminar de existência de vício material no lançamento, reconhecendo-o como sendo de natureza formal, vencido nesse ponto o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator); e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, no que se refere à preliminar. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. OCORRÊNCIA. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. VÍCIO FORMAL. PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. SEGURADO EMPREGADO. PREFEITURA MUNICIPAL. SAT. Em sua vigência, o Decreto nº 612/92, ao determinar a incidência da alíquota de 3% sobre as Prefeituras Municipais, determinou a incidência sobre todo o órgão executivo do Município, independentemente da atividade exercida pelos órgãos subordinados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 01 74 /2 00 7- 92 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.019 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em rejeitar a preliminar de existência de vício material no lançamento, reconhecendoo como sendo de natureza formal, vencido nesse ponto o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator); e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, no que se refere à preliminar. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 17546.000174/200792, em face do acórdão nº 0521.474, julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), na sessão de julgamento de 13 de março de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a NFLD n° 35.835.3181, .mantendo o valor de R$ 604.705,77, consolidado em 28/04/2006 consoante Discriminativo Analítico do Debito Retificado (DADR) que integra o presente acórdão com terceiros. Alega que o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas e previdenciários. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.020 3 Defende a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciários sobre pagamento a segurados autônomos. Lembra que a lei tributária não pode alterar instituto de direito privado. Argumenta que a alíquota do SAT exigida em 3% é improcedente. Informa que a grande maioria dos cargos é burocrática, devendo lhe ser aplicada a alíquota de 1%, nos termos do artigo 26 do Decreto n° 356, de 7 de dezembro de 1991. Defende que deva ser enquadrada no grau de risco leve, sob o código 801.99(9). Sustenta que o código 801 previsto no grau de risco grave está relacionado aos serviços • públicos que encontram similitude com a atividade privada. Informa que a sua posição está respaldada em laudo pericial, no qual se confirma a terceirização de serviços como coleta de lixo, canalização de esgoto, manutenção pesada de máquinas, construção civil, pavimentação de ruas, etc. Salienta que Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999, determina a incidência da alíquota de 1%. Sustenta a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora.” Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 731/741, reiterando as alegações expostas em impugnação. O contribuinte juntou aos autos cópia dos contratos de prestação de serviço, assim como outros comprovantes de quais foram os serviços prestados pelos contribuintes em questão. Em relação ao mérito, entendeu a DRJ que os valores pagos a Isabel Cristina Gama da Silveira devem ser excluídos, tendo em vista que “No contrato no 572/97, a fls. 336, não obstante o objeto não ser deveras genérico, dando azo à possibilidade de a Municipalidade ditar a maneira como será realizado, não vislumbro que o serviço tenha sido prestado por segurado empregado. Foi contratado um curso de duração de três meses o qual foi pago em duas parcelas. Não há o pagamento mensal que poderia ser indicio de pagamento salarial. Além disso, a Prefeitura não fixou horas de trabalho a serem cumpridas, demonstrando que o serviço irá durar tempo o necessário pra a sua realização. Ademais, há cláusula que autoriza a contratada a contar com a colaboração de profissionais de sua confiança, afastando a pessoalidade na prestação do serviço.” Com a chegada dos autos ao CARF, foi preferida a Resolução n. 2403 000.268, de Relatoria do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, onde compreendeuse pela necessidade de diligência fiscal. Ocorre que quando do retorno da diligência não houve o cumprimento da diligência “(i) cópias de inteiro teor dos Acórdãos anexados (fls. 842905)”, motivo pelo qual esta Turma Ordinária, em Resolução n. 2202000.771, determinou nova conversão em diligência, de maneira que: Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.021 4 Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade preparadora da Receita Federal do Brasil anexe cópia do inteiro teor dos Acórdãos do CRPS: (a) Acórdão CRPS nº 022471, de 28/10/2003, que anulou a NFLD nº35.386.5559; (b) Acórdão CRPS nº 022470, de 28/10/2003 que anulou a NFLD nº35.181.1800; devendo, também, caso existam, anexar aos autos decisões supervenientes aos acórdãos referidos, que tenham promovido modificação nestes. Após, necessário que seja intimado o contribuinte, no prazo legal para, querendo, se manifestar quanto ao resultado da diligência. Por fim, devem os autos retornarem a este Conselho para julgamento. Retornaram os autos, sendo juntado aos autos documentos das fls. 992/1008. Foi aberto prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte a respeito dos documentos juntados, nos termos da Intimação de fl. 1013 (INTIMAÇÃO/SECAT/Nº 669/2017RMG). Contudo, houve o decurso do prazo sem manifestação, vindo os autos conclusos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Na Resolução nº 2403000.268, o Conselheiro Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro falou do seu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Contudo, em razão da superveniência da edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a fim de se analisar questão da decadência, entendeu a Turma julgadora que seria preciso definir se a anulação das NFLDs pelo CRPS ocorreu em razão de vício formal ou vício material para se definir o critério de aplicação da decadência., além da existência ou não de recolhimentos feitos pelo contribuinte. Segue abaixo o trecho do seu voto, cujo fundamentação também compartilho: "O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.022 5 Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.023 6 as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ora, em função da superveniência da edição da Súmula Vinculante 08 do STF, a fim de se analisar questão da decadência, é preciso definir se a anulação das NFLDs pelo CRPS ocorreu em razão de vício formal ou vício material para se definir o critério de aplicação da decadência., além da existência ou não de recolhimentos feitos pelo contribuinte." Em resposta a diligência, foi apresentada à fl. 972 a seguinte Informação Fiscal: "Tendo em vista que a resolução do CARF convertida em diligência (fls. 839 840) foi atendida, conforme itens abaixo, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.024 7 proponho o retorno do processo a esse órgão, para prosseguimento: (i) cópias de inteiro teor dos Acórdãos anexadas (fls. 842905); (ii) comprovantes de recolhimento Plenus/CCOR anexados (fls. 906971); (iv) não identificamos em nossos sistemas processo judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo. Tendo em vista que não foi cumprido o item (i) da diligência, foi proferida a Resolução nº 2202000.771. Diante disso, a Unidade de origem promoveu a juntada das cópias de inteiro teor dos Acórdãos. Verificase que não está expresso no acórdão se a anulação dos lançamentos por vício formal ou material. O motivo da nulidade se deu em razão de erro na identificação do sujeito passivo. Portanto, compreendo que o vício foi de natureza material. No presente caso, a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.838.3181, foi emitida em substituição às NFLDs DEBCAD n°s 35.386.5559, 35.181.187 7 e 35.181.1800, tornadas nulas em razão de erro formal na identificação do sujeito passivo. A NFLD n° 35.386.5559 foi anulada pelo Acórdão n° 022471, de 28/10/2003; a NFLD n° 35.181.1877, pelo Acórdão n° 022470, de 28/10/2003 e a NFLD n° 35.181.1800, pelo Acórdão n° 022473, de 28/10/2003. O período objeto da NFLD 35.838.3181, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, é de 07/1995 a 12/1999. A Recorrente teve ciência da referida NFLD em 28/04/2006, à fl. 01 destes autos. Consoante comprovantes de recolhimento Plenus/CCOR anexados (fls. 906/971) anexados na Diligência Fiscal, houve recolhimento antecipado nas referidas competências, logo, para regra decadência a ser utilizada é a do art. 150, § 4º do CTN. Deste modo, impõese o reconhecimento da decadência no lançamento, fulcro no art. 150, § 4°, do CTN, haja vista que verificado o pagamento antecipado, consoante fls. 906/971, nos termos da Súmula nº 99 deste Conselho: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.025 8 Portanto, entendo por reconhecer a decadência do período abrangido pelo lançamento (07/1995 a 12/1999), por considerar que as NFLD nºs 35.386.5559, 35.181.1877 e 35.181.1800 foram anuladas por vício material, por haver erro na identificação do sujeito passivo, tendo o contribuinte somente tido ciência do débito em 28/04/2006, quando já abrangido a totalidade do débito pela decadência. Ante o exposto, voto por preliminar de existência de vício material no lançamento e dar provimento ao recurso voluntário. Sendo vencido quanto a preliminar, passo à análise do mérito do recurso. 2.1. SAT. Alíquota de 3%. O Fisco irá tributar determinada prestação de serviço como realizada por segurado empregado se encontrar os pressupostos previstos na alínea "a" do inciso I do artigo 12 da Lei n°8.212/91. Assim, compreendo que a Prefeitura Municipal é órgão executivo independente e composto. Na vigência do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1.992, deve recolher o SAT razão de 3%. Desse modo, adoto os fundamentos da DRJ de origem (fls. 701/713), que entendeu que o Decreto n° 612/92, ao determinar a incidência da alíquota de 3% sobre as Prefeituras Municipais, determinou a incidência sobre todo o órgão executivo do Município, independentemente da atividade exercida pelos órgãos subordinados. Assim, a alíquota de 1%, nos Municípios, será aplicada, portanto, aos órgãos do Poder Legislativo. Somente a partir de 07/1997, em razão do Decreto 2.173/97 é que a alíquota passou a ser 1% (grau de risco leve), ao CNAE 75.116. Carece de razão o contribuinte, portanto. 2.2 Taxa Selic. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.026 9 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, de que a nulidade do primeiro lançamento se deu por vício material. Entendeu que o i. Relator que a nulidade das NFLD’s 35.386.5559, 35.181.1877 e 35.181.1800 se deu por vício material em decorrência de erro na identificação do sujeito passivo. Entretanto, como se observa, o lançamento se refere a remuneração de segurados do Município de Jundiaí que exerciam suas atividades na respectiva Prefeitura Muncipal. É certo que por esse Órgão ser despersonalizado a lavratura deveria ser em nome do Município de Jundiaí seguido do termo Prefeitura Municipal, como forma de discriminar a que segurados correspondia o respectivo lançamento; o que foi feito na nova NFLD, que ora se analisa. O vício na identificação do sujeito passivo seria material, se os fatos geradores objeto do lançamento pertencessem a sujeito passivo que não tivesse qualquer vinculação com eles; entretanto, no caso dos autos, dada a falta de personalidade jurídica da Prefeitura Municipal, o Município responde pelo crédito tributário, na qualidade de sujeito passivo, e assim sempre esteve direta e pessoalmente vinculado aos fatos geradores originadores do lançamento que ora se discute. Dessa forma, não houve inclusão de dado novo, a matéria, os fatos geradores, e a base de cálculo são as mesmas constantes nas primeiras NFLD’s. Assim, considerando a nulidade por erro formal, não há que se falar que tenha ocorrido o instituto da decadência, pois quando do novo lançamento não havia decorrido 5 anos, contados da data de nulidade do lançamento, nos termos do inciso II do art 173 do CTN. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Acórdão n.º 2202004.733 S2C2T2 Fl. 1.027 10 Fl. 1027DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.932407/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LQUIDEZ
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Numero da decisão: 3301-005.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LQUIDEZ A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LQUIDEZ A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 07 /2 00 9- 10 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10980.932407/200910 Acórdão n.º 3301005.457 S3C3T1 Fl. 486 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. /30) apresentada em 18/11/ 09, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 34469.70821.250609.1.3.040059, nos termos do despacho decisório emitido em 07/10/ 09 pela DRF em Curitiba/PR (cópia à fl. 02). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/06/2009 (cópia às fls. 15/19), a contribuinte indicou um crédito de R$ 57.051,00 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 20/07/2007, sob o código 5856, no valor de R$ 439.693,86), e um débito de Cofins (5856), relativo ao mês de maio de 2009, vencido em 25/06/2009, no valor de R$ 69.990,17. Segundo o despacho decisório, cientificado em 19/10/2009 (fl. 152), a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido (que foi localizado) já havia sido integralmente utilizado na extinção do débito de Cofins (cod. 5856) de junho de 2007 (de mesmo valor). Na manifestação apresentada a contribuinte alega preliminarmente a nulidade do despacho “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido”. No mérito, diz que o entendimento fiscal não pode prosperar e informa que o crédito buscado “é oriundo de um levantamento realizado pela contribuinte ao constatar que suas vendas para o exterior, realizadas no período de fevereiro/2007 a outubro/2009, foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente às alíquotas e ao recolhimento do PIS e da COFINS.” Afirma que as receitas de exportação não sofrem a incidência do PIS ou da Cofins e que tal equívoco não pode obstar o direito creditório questionado. Cita e transcreve jurisprudência e alerta que cabe ao ente fiscalizador buscar a verdade ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Ao final, requer a nulidade do despacho ou a sua desconstituição, homologandose, assim, a compensação pretendida. Às fls. 152/154, cópia do aviso de recebimento e de extratos de consulta aos sistemas de controle de Dacon e DCTF." É o relatório." Em 20/02/2013, a DRJ em Curitiba julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0639.281 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10980.932407/200910 Acórdão n.º 3301005.457 S3C3T1 Fl. 487 3 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Se o crédito pleiteado está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado, temse como correto o despacho decisório que não homologa a compensação declarada. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada da escrituração contábil/fiscal do período não é elemento suficiente a demonstrar que determinadas receitas foram erroneamente incluídas na base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e novamente traz demonstrativos de cálculo da COFINS. Desta feita, contudo, adiciona cópias do que informa ser o livro razão (fls. 187 a 482). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10980.932407/200910 Acórdão n.º 3301005.457 S3C3T1 Fl. 488 4 inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679820/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/10/2006
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/10/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/10/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 20 /2 01 1- 85 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.728, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679820/201185 Acórdão n.º 3302005.971 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.001510/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial.
Numero da decisão: 3302-006.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior votaram pelas conclusões, entendendo pela anulação da decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. Em primeira votação, o Conselheiro Raphael Madeira Abad negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede afastavam a decadência declarada e devolviam os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida e os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior anulavam a decisão recorrida anulavam a decisão de primeira instância por vedação ao reformatio in pejus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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INOCORRÊNCIA. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, posteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas que em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petição pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, em afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias, relativamente ao período considerado decaído na decisão recorrida, vencido o Conselheiro Raphael Madeira Abad que negava provimento ao recurso voluntário. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 10 /2 01 0- 75 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual a Recorrente objetiva direito a créditos decorrentes da aquisição de matéria prima de pessoas físicas no mercado interno. Isto porque em 2004 a Lei 10.925 estabeleceu Crédito Presumido da agroindústria, a ser deduzido dos valores de PIS e COFINS devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos (...) destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaques nossos) (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. A Recorrente, valendose da legislação, requereu o ressarcimento do crédito no bojo do Processo originário 1385200570/200614. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 4 3 Em 21.01.2006 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança (Processo n. 2006.61.13.0002504) por meio do qual discute a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS pleiteando, inclusive, o seu recebimento em pecúnia. "Por todo o exposto, requerse a concessão de medida liminar suspendendo, de logo, a eficácia do injurídico Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 15, de 22 de dezembro de 2005 (doe. n.° 6), bem como das teratológicas decisões administrativas exaradas, em 13 de dezembro de 2005, pelo Delegado da Receita Federal em Franca (does. n.o S 4 e 4 A), de forma a garantir, à impetrante, o regular e imediato aproveitamento e/ou ressarcimento, em pecúnia, dos créditos de PIS/Pasep e COFINS (provenientes da aquisição de bens que entraram no processo produtivo de mercadorias que exportou para o exterior), conforme determinado nas Leis no s 10.637/2002 (art. 5º , § 2º), 10.833/2003 (art. 6º , § 2º) e 10.925/2004 (art. 8º)." (destaques nossos) Posteriormente, a Lei 12.058/2009 estabeleceu UM NOVO DIREITO, UMA NOVA FORMA de utilização de Crédito de PIS / COFINS. "Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (grifos nossos) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 5 4 Sinteticamente, a Lei 12.058/2009 criou novo direito, qual seja o de ressarcimento, em dinheiro, dos créditos, estabelecendo ainda que este direito surgiu a partir de 01.11.2009 para os saldos dos créditos presumidos nos períodos dos anos calendário 2004 a 2007 e a partir de 01.01.2010 para os anos seguintes. Ressalvou ainda que tais créditos devem ter sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A partir deste novo marco normativo, o contribuinte efetuou, ainda nos autos do mencionado processo originário novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito presumido do já mencionado período, inclusive quanto à correção pela SELIC desde a data do primeiro pedido. Para a análise deste novo direito o processo originário foi desmembrado no processo ora sob análise, no bojo do qual passou a ser discutida a aplicação do artigo 36 da Lei 12.058/2009. A determinação da formalização deste novo processo ocorreu conforme ato administrativo de fls. 03. Contudo a DRF de Franca (17.05.2010 efls 204) não conheceu do pedido administrativo por força da sua CONCOMITÂNCIA com o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504. Ementa: PIS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Posteriormente (10.08.2011) a Recorrente desistiu do Mandado de Segurança sob o argumento de que ele haveria perdido o objeto em razão da edição da lei 12.058/2009, editada dois anos antes e que teria garantido o seu direito ao crédito e, diante deste fato novo, em agosto de 2011 peticionou à DRF Franca, em peça denominada "Desistência de Ação Judicial" por meio da qual informou o fim da apontada concomitância e reiterou o pedido de utilização dos créditos (efls. 213). Analisando o presente processo, já desmembrado, a DRF de Franca salientou que o pedido de ressarcimento realizado em 04.11.2009 ainda nos autos do processo original, do qual este foi desmembrado, não pode ser conhecido em razão da concomitância com ação judicial. Contudo, também entendeu que a partir do momento que a Contribuinte desistiu da ação judicial, a ela passou a ser possível formular novo pedido, o que a DRJ de Franca entendeu haver sido formulado em agosto de 2011 por meio da já mencionada petição que informou a desistência do Processo Judicial. Seguindo este raciocínio, a DRJ de Franca, em 11.01.2012, não reconheceu o direito creditório da Recorrente bem como glosou parte do direito creditório deferido no Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 6 5 processo originário. ao ressarcimento em valor inferior ao que foi por ele pleiteado (efls. 224 242 ). Irresignada com a decisão, a Recorrente apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE por meio da qual fundamenta e requer o crédito (08.05.2102). Em 08.01.2014 foi apresentado pedido de reconsideração (fls. 290) Contudo, a DRJ do Rio de Janeiro, ao julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 09.04.2014, fls. 300 e seguintes, entendeu que a análise do crédito se encontrava preclusa em razão de não haver sido apresentado recurso em face da decisão que não conheceu do pedido de ressarcimento por força de concomitância. A DRJ admitiu que como o reconhecimento da concomitância não foi objeto de recurso, a discussão foi encerrada em âmbito administrativo. Entendeu ainda que o requerimento de desistência da ação judicial ocorrido em 09.08.2011 acompanhado de novo requerimento de utilização do crédito, realizado em agosto de 2011 (efls. 213) é um PEDIDO NOVO. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 320) por meio do qual sustenta, em síntese, que não restou operada a decadência, eis que o desmembramento do processo administrativo original foi realizado de ofício. Defende que a Ação Judicial cuja existência motivou o indeferimento do pedido de reconhecimento do crédito na verdade não questionava o direito ao ressarcimento com base na Lei n. 12.058/2009, nem influenciaria no montante a ser ressarcido, razão pela qual não haveria óbice para a análise administrativa do pleito naquele momento. Entende que na decisão proferida pela DRF houve enfrentamento da questão do direito ao ressarcimento, reforçando a sua tese de que o direito não estaria decaído. No mérito, sustenta o seu direito de que o calculo do créditopresumido de PIS/PASEP das agroindústrias seja calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser de 60% daquela prevista no artigo 2º da Lei n. 10.637/2002, ou seja 1,65% x 60% = 0,99. Finalmente, defende que ao seu crédito deve ser aplicada a Taxa Selic, uma vez que a Administração criou óbice ilegítimo ao reconhecimento do crédito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 7 6 Em janeiro de 2006 a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n. 2006.61.13.0002504 por meio do qual questionou a forma de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em discussão no bojo do já mencionado processo originário. Em 04.11.2009 a Recorrente formulou o pedido de ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria, com fulcro na Lei 12.058/2009, pedido este que acarretou o desmembramento do processo ordinário no presente processo. Em razão da existência de processo judicial versando sobre a mesma matéria, em 17.05.2010 a DRF de Franca não conheceu o pedido administrativo de ressarcimento de COFINS formulado ainda nos autos do já mencionado processo originário com fulcro na Lei 12058/2009, declarando a CONCOMITÂNCIA entre o pedido administrativo e o processo judicial (efls 204). Ementa: PIS. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 36 DA LEI 10.058/2009. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL QUE INTERFERE NO VALOR A SER RESSARCIDO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido administrativo de ressarcimento de PIS quando o contribuinte possui ação judicial que possa interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3o do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96." Contudo, a Recorrente NÃO RECORREU desta decisão que NÃO CONHECEU A PETIÇÃO de pedido de ressarcimento e declarou a concomitância, LIMITANDOSE a providenciar a extinção do processo judicial (10.08.2011), informar tal fato à DRF e requerer novamente o crédito em agosto de 2011 pressupondo, talvez, que tal medida fosse suficiente para extinguir a concomitância. "De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 10 de agosto de 2011." Ocorre que não foi assim que entendeu a DRF. Diante da inexistência de recurso e da adoção de medida diversa, a DRF admitiu que a contribuinte havia aberto mão do direito de recorrer e formulado outro pedido, tendo enfatizando esta linha de raciocínio no despacho decisório. Outro elemento relevante com relação ao contribuinte é a existência de ação judicial questionando a possibilidade do ressarcimento dos créditos presumidos da agroindústria com base na lei 10.925/2004. Após ter o seu pedido de ressarcimento e compensação de créditos presumidos da agroindústria previstos nos artigos 8 e 15 da Lei 10.925/2004 indeferido, o contribuinte impetrou mandado de segurança procurando rever os despachos em questão bem como afastar de uma maneira geral o ADI SRF 15/2005 para atingir os demais períodos. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 8 7 A ação mandamental recebeu o número 2006.61.13.0002504 (folhas 172 a 195) e em primeira instância a segurança foi denegada (folhas 196 a 204). Oportuno indicar que o contribuinte também tentara anteriormente ação declaratória com pedido de antecipação de tutela, que recebeu o n° 2005.61.02.0130763, com objeto muito similar. O contribuinte solicitou a desistência desta ação após ter a tutela antecipada negada Desta forma, não havia outra possibilidade senão não conhecer da petição de ressarcimento, por existência de ação judicial em andamento que pode interferir no valor a ser ressarcido, em paralelo com o disposto no A DN Cosit 03/96. Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento constate às fls. 217 a 219. Conhecendo o pedido formulado em agosto de 2011 como um novo pedido, desta vez sem o óbice da concomitância, a DRF o deferiu parcialmente. Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 08.05.2012 (efls. 254 e seguintes), no bojo da qual requereu o direito ao crédito no percentual de 60%, requerendo, por fim, a homologação dos pedidos de compensações. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ Rio de Janeiro entendeu que em razão da Contribuinte não haver recorrido da decisão que não conheceu do seu requerimento por concomitância, o pedido formulado em agosto de 2011, após a desistência da ação judicial, tratavase de um pedido novo. Assim, posteriormente à edição da Lei nº 12.058/2009, em 04/11/2009 (...) o contribuinte apresentou um segundo requerimento, (...) considerando a alteração legislativa que lhe permitia, agora, tal faculdade. Tal requerimento foi tomado, corretamente, como novo pedido pela unidade local, sendo objeto da decisão (...) que não conheceu do pedido, em razão da existência de ação judicial com o mesmo objeto. Esta decisão não foi objeto de manifestação de inconformidade pelo requerente, caracterizandose, portanto, como definitiva no âmbito administrativo, uma vez que o requerimento foi analisado pela autoridade competente, e que a correspondente decisão não foi contestada pelo sujeito passivo, por meio dos recursos previstos na legislação. (...) a empresa apresentou um terceiro requerimento (...) no qual novamente solicita o ressarcimento (...) informando que havia desistido do pleito judicial, não permanecendo, portanto, o óbice que havia fundamentado a negativa anterior da Administração. Em resposta, foi proferido pela unidade local o despacho decisório (...) reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado. Contra tal decisão o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade (...) objeto do presente julgamento. (...) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, como já dito, vêse que a presente análise se restringe ao pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte (...) devidamente contestado pela empresa por meio da manifestação de inconformidade submetida a este Colegiado. Partindo do paradigma de que o pedido em exame foi formulado em agosto de 2011, a DRJ entendeu que tal direito estaria alcançado pela decadência. No presente caso, tendo sido o pedido de ressarcimento em análise formulado em 28/08/2011, somente poderia ser reconhecido o crédito apurado até ago/2006. Em decorrência, encontramse alcançados pela decadência os períodos objeto do presente pedido, outubro, novembro e dezembro de 2004. Finalmente, após a análise, assim restou lavrada a ementa do Acórdão 12 64.671. PIS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para aproveitamento de crédito presumido do PIS não cumulativo para fins de ressarcimento/compensação é de cinco anos, a contar da data do ato ou fato que originou o direito creditório. PIS NÃO CUMULATIVO CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO PEDIDOS DIVERSOS. Para cada pedido de ressarcimento específico formulado pelo contribuinte, fundamentado em legislação e/ou fatos diversos, deve ser proferida decisão específica pela autoridade originalmente competente para apreciar o pedido, passível de contestação por meio dos recursos previstos nas normas administrativas. Agora, no presente Recurso Voluntário a Recorrente sustenta a tese de que não havia concomitância entre o Mandado de Segurança e os créditos. Alega que o direito ao ressarcimento foi realizado com base na Lei n. 12.058/2009 e a causa de pedir do Mandado de Segurança era fundamentado na Lei 10.925/2004. Sustenta ainda que a própria decisão judicial fez menção à inocorrência de similitude de matérias. Efetivamente, ao tomar ciência da decisão que declarou a concomitância entre as medidas judiciais e a Recorrente não manejou qualquer recurso com o objetivo de reformála, onde poderia formular todos estes argumentos. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente afirma que a DRF havia admitido a sua petição de desistência da ação judicial como uma superação de óbice e dado continuidade à análise do processo formulado em 2009. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 10 9 Contudo, a DRF, ao deferir parcialmente o direito de compensação ressaltou expressamente que recebeu a petição de desistência do Mandado de Segurança em agosto de 2011 como um novo pedido de utilização do crédito, agora sem o óbice da concomitância, decisão esta que não foi objeto de qualquer recurso. "Ocorre que houve desistência do pleito judicial, desaparecendo o óbice anteriormente relatado, o que viabilizou a apresentação de novo pedido de ressarcimento (...)/' Efetivamente, neste grau recursal não é possível analisar se a matéria do Mandado de Segurança era ou não concomitante com a matéria discutida no Processo Administrativo, se influenciaria a decisão, ou se tratavam de assuntos distintos e independentes, uma vez que a decisão que declarou a concomitância não foi questionada. Assim, o Recurso Voluntário sob análise circunscrevese à seguinte discussão: Se o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança, era um "pedido novo" como admite a DRJ, ou se era uma "continuação" do pedido que foi realizado em 04.11.2009, agora sem o impedimento da Concomitância. No caso concreto, admito que assiste razão à DRJ ao entender que a decisão que declarou a concomitância tornouse definitiva por ausência de manifestação de inconformidade que atacasse o mérito do que foi decidido, no caso a dita concomitância entre o que foi requerido em esfera administrativa e em esfera judicial. A concomitância entre o processo administrativo e ação judicial é fator que impede a continuidade da tramitação do requerimento administrativo, entendimento esposado na Sumula CARF n. 01, que por força da Portaria MF n. 277/2018, possui efeito vinculante em todos os órgão da Receita Federal do Brasil. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por esta razão a DRF entendeu que após a formulação do pedido de desistência da ação judicial a contribuinte estaria livre para reformular o pedido perante a Administração Pública, e que agora não era mais concomitante. Este raciocínio foi seguido pela DRJ quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade. Contudo, pela leitura do Parecer Cosit n. 07, de 22 de agosto de 2014 é possível extrair o entendimento de que nem mesmo a desistência da Ação Judicial seria suficiente para encerrar a concomitância, verbis. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 11 10 independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Segundo este entendimento, perfeitamente válido, nem mesmo após o pedido de desistência da ação judicial poderia ser formulado o mesmo requerimento na instância administrativa. Ocorre que o pedido formulado após a desistência do Mandado de Segurança não se confunde com o que foi nele requerido, eis que impetrado quando ainda não havia lei expressa que autorizasse o exercício do direito pleiteado no writ. Contudo, não há como esquivarse do fato de que não houve recurso da decisão que declarou a concomitância, razão pela qual tornouse imutável na instância administrativa. Por este motivo admitese que assiste razão à DRF quando reconheceu a petição de agosto de 2011 como um novo pedido, eis que o anterior foi negado e não recorrido. Da mesma forma entendese que assiste razão à DRJ quando, ao cotejar as datas nas quais foram formulados os requerimentos, declarou a decadência do direito. Assim, por estes motivos, voto no sentido de conhecer do Recurso Administrativo mas negarlhe provimento por entender correta a decisão que reconheceu a decadência dos créditos objeto do presente recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 12 11 Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado. A maioria do Colegiado afastou a decadência de o sujeito passivo requerer o ressarcimento de crédito presumido apurado na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 2.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21 e 02.06.29 da NCM. Não se discutiu o cânone legal que regia o prazo decadencial dos créditos pleiteados. A questão se restringiu na definição do instrumento legal que caracterizou o pedido de ressarcimento do crédito presumido. Para o relator original, o documento apresentado em 23/11/2011 seria um novo pedido de ressarcimento. Partindo dessa premissa, os créditos pleiteados estariam fulminados pela decadência, conforme demonstrado no voto vencido. Acontece que o Colegiado entendeu de forma diferente. Para a Turma Julgadora a petição protocolada em 23/08/2011 não passou de mera informação sobre os créditos pleiteados na petição protocolada em 04/11/2009. Sendo este o pedido de ressarcimento que deve ser usado para contagem do prazo decadencial. A questão é meramente fática, de forma que seu deslinde terá obrigatoriamente que passar pelos documentos que a lastreiam. O sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de créditos das contribuições vinculados à receita de exportação relativo ao 1º trimestre de 2006. Seu pedido fora parcialmente deferido, uma vez que montante do crédito pleiteado não era ressarcível, pois teria sido apurado nos moldes dos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em 04/11/2009, o sujeito passivo atravessa petição solicitando o ressarcimento do valor correspondente a parte que foram indeferido sob o fundamento da edição da Lei nº 12.058/2009, que estabeleceu novas regras para o setor frigorífico, trazendo a possibilidade de compensação ou ressarcimento a tais créditos. Segue trecho da petição: "A Requerente ingressou com Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Todavia, a fiscalização houve por bem reconhecer apenas parte dos créditos pleiteados pela Requerente (...) não passível de Ressarcimento nas formas dos artigo 8º e 15 da Lei 10.925/2004. Com a edição da lei 12.058 de 13 de outubro de 2009 a qual estabelece novas regras para o setor frigorífico, sendo que no artigo 36 trata que o crédito presumido apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004 advindo de pessoa física e não deduzido nas saídas do mercado interno Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 13 12 como determinava o Ato Declaratório n. 15 de 10 de dezembro de 2005, poderá ser compensados ou ressarcidos. (...) Referido valor (...) não foi ressarcido ou autorizado a compensação com débitos da própria Receita Federal, conforme INFORMAÇÃO FISCAL, datada de 30 de abril de 2009 nas folha de n. 124. Portanto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal. DO PEDIDO Diante do exposto, solicitamos o seu ressarcimento ou autorização para compensação com débitos administrado pela Receita Federal do valor referente ao credito da Agroindústria (...)" Em 23/08/2011, o contribuinte apresenta requerimento informando a desistência de ação judicial que poderia impedir o ressarcimento pleiteado na petição apresentada no dia 04/11/2009, que abaixo reproduzo: "Requerente ingressou em 04/11/2009 com Pedido de Ressarcimento dos saldos de créditos de Contribuição para a COFINS, vinculados à receita de exportação, (...) Em 05/05/2010 a fiscalização desta Delegacia fez por bem separar os créditos apurados no referido (...) haja vista a entrada e vigor da Lei 12.058/2009. Referida Lei autorizou o ressarcimento dos saldos de créditos apurados ainda na forma da Lei n° 10.925/2004, conforme pode ser observado do caput do artigo 36 e incisos ss., que dispõe: (...) Ocorre que o despacho decisório (...) reconheceu a previsão legal de ressarcimento/compensação dos citados créditos, porém, indeferido seu pagamento imediato sob os fundamento da existência de ação judicial (...) envolvendo referidos créditos. De forma a afastar esse impedimento, esta Contribuinte achou por bem desistir de referido litígio judicial, tendo assim feito conforme é possível observar do documento anexo de petição protocolada junto ao Tribunal Regional Federal da 3° Região, em 10 de agosto de 2.011. (...) Do Pedido. Diante do exposto e por acreditar na inexistência de qualquer impedimento legal, REQUER seja deferido o ressarcimento e/ou compensação os saldos apurados na forma da Lei n° 10.925/2004 e autorizado pela Lei 12.058/2009 (...)". Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13855.001510/201075 Acórdão n.º 3302006.053 S3C3T2 Fl. 14 13 Pela análise das petições, na minha visão, resta evidente que o documento protocolado em 23/08/2011 tem natureza meramente informativa, pois visou informar a desistência de um possível impedimento uma ação judicial ao pedido de ressarcimento apresentado em 04/11/2009. Definido o documento apresentado em 04/11/2009 como o pedido de ressarcimento, e tendo em vista que o crédito pleiteado se refere aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2006 e 31/03/2006, entendo que não houve a decadência de o sujeito passivo solicitar seu direito, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Conforme já mencionado no recurso voluntário, a Delegacia de Julgamento não enfrentou as outras questões suscitadas na manifestação de inconformidade em virtude da prejudicial de decadência. Diante deste fato, é importante ressaltar que este Colegiado cingise a enfrentar a matéria controversa. Em conseqüência, as demais questões relativas ao processo, aqui não examinadas, devem ser objeto de análise pela DRJ a fim de ser prolatada nova decisão observandose este julgado. Ademais não se pode perder de perspectiva que a apreciação completa do caso por este Colegiado, neste momento, provocaria a supressão de instância administrativa e, por aí, abalaria o amplo direito de defesa do contribuinte que tem a prerrogativa de exercêlo em todas as instâncias cabíveis, sem qualquer indevida supressão. Como o amplo direito de defesa deve ser obviamente preservado, devem ser preservadas todas as instâncias previstas. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar o acórdão vergastado no sentido de afastar a decadência do direito ao ressarcimento dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, e determinar que a DRJ examine as demais questões pertinentes ao caso, não integrantes da matéria controversa decidida no presente julgamento. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.726531/2014-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 65 31 /2 01 4- 38 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 31/39) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2012 (efls. 22/27), onde se apurou: Dedução Indevida de Dependente, de Despesas Médicas, Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, de Previdência Privada e Fapi e com Instrução. O contribuinte apresentou impugnação contestando as despesas glosadas e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02/03). Os autos foram encaminhados à fiscalização e o lançamento foi revisto através do Despacho Decisório SEFIS/DRF/RECIFE Nº 466/2017, restando mantida apenas parte da Dedução Indevida de Pensão Alimentícia (efls. 45/47). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de documentos (efls. 63). A 2ª Turma da DRJ/BEL julgou procedente em parte a impugnação mantendo o resultado apontado no Despacho Decisório (efls. 71/74). Cientificado da decisão de piso em 09/05/2018 (efls. 81), o interessado ingressou com recurso voluntário em 14/05/2018 (efls. 84, 93) com os argumentos a seguir sintetizados: Sustenta que a pensão alimentícia judicial corresponde a 30% de seus vencimento líquidos, descontados inicialmente de seu emprego na Caixa Econômica Federal e depois de sua aposentadoria, com pagamentos sob recibos. Acrescenta que teve que comprovar os pagamentos referentes ao INSS na justiça durante a revisão da pensão alimentícia. Expõe que recebeu notificação automática do exercício 2010 com a glosa dos pagamentos recebidos do INSS (processo nº 10480727.246/201272) e que a 2ª Turma da DRJ/BEL acatou por unanimidade a retirada da mesma, conforme decisão em anexo. No entanto, alega que no presente processo, exercício 2012, a glosa foi mantida pela mesma 2ª Turma da DRJ/BEL. Indica a juntada dos recibos referentes ao exercício 2012 e solicita que seja retirada a glosa correspondente, acatandose o mesmo entendimento da primeira decisão da 2ª Turma da DRJ/BEL. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10480.726531/201438 Acórdão n.º 2002000.502 S2C0T2 Fl. 107 3 O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08, que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei 5.869/73 Código de Processo Civil (CPC), e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Cumpre ressaltar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que cabe ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72. No caso concreto, verificase que o acórdão de primeira instância (efls. 71/74), cujas razões de decidir eu acompanho, manteve o entendimento contido no Despacho Decisório (efls. 45/47), conforme trecho a seguir reproduzido: Em relação à dedução com pensão alimentícia judicial, pleiteada pelo impugnante em sua DIRPF, fls. 23, o mesmo apresentou, fls. 07/09, cópia do acordo firmado no processo de separação judicial, (que estabeleceu o pagamento de pensão alimentícia no percentual de 30% dos seus rendimentos líquidos recebidos da Caixa Econômica Federal), bem como o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 17), onde consta o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 29.146,72 (vinte e nove mil, cento e quarenta e seis reais e setenta e dois centavos), valor esse acatado pela repartição de origem, consoante o Despacho Decisório SEFIS/DRF/RECIFE, nº 466/2017, de 11/09/2017, fls. 45/47. Sobre a possibilidade de dedução do valor pago a título de pensão alimentícia, com acordo entre as partes, no qual não se verifica a homologação judicial, qualquer pagamento efetuado no anocalendário de 2011 se constitui em mera liberalidade do contribuinte. Ora a Revisão da Pensão Alimentícia, fls. 64, somente foi homologada judicialmente em 31/05/2012 e o lançamento ora guerreado referese ao anocalendário de 2011. Como a homologação judicial em vigor desde 03/11/2003, alude aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, temse que não assiste razão ao sujeito passivo pleitear quaisquer pagamentos referentes a outras fontes pagadoras, como se verifica no Comprovante de Rendimentos de fls. 67, emitido pela Fundação dos Economiários Federais – FUNCEF e, acostado aos autos pelo próprio sujeito passivo, no qual, registrese, não Fl. 108DF CARF MF 4 consta qualquer desconto referente a Pensão Alimentícia Judicial. Com efeito, ainda que o recorrente já efetuasse pagamento a título de pensão alimentícia sobre os rendimentos recebidos da FUNCEF anteriormente ao Termo de Cessão de Mediação/Conciliação de 31/05/2012 (efls. 10), estes valores não poderiam ser deduzidos na Declaração de Ajuste por não decorrerem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Como já exposto neste voto, as pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Dessa forma, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. Por fim, cabe esclarecer ao recorrente que eventual decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BEL para o exercício 2010 não vincula a presente decisão, visto que, ao apreciar os elementos de prova, a autoridade julgadora pode formar livremente sua convicção, a teor do art. 29 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907892/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-004.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 92 /2 01 1- 95 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10930.907892/201195 Acórdão n.º 3201004.374 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ/Curitiba que manteve o despacho decisório emitido pela DRF/Londrina, que, por sua vez, não reconheceu os créditos pleiteados. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito declarado em DCTF transmitida pela interessada. Na manifestação apresentada, a interessada alega que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. O Acórdão 06055.581, DRJ em Curitiba, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não tem relação e portanto não autoriza a restituição de PIS ou de Cofins, calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, respectivamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte reforçou as argumentações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10930.907892/201195 Acórdão n.º 3201004.374 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.371, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10930.907128/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.371): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, apesar do prazo de cinco anos do pedido administrativo (30/06/05) até a data do Despacho Decisório de fls 5 (02/12/2011) ter vencido. Será considerada tacitamente homologada, somente a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Entre muitos precedentes neste Conselho, a homologação tácita ganhou destaque no julgamento do Acórdão 9303003.456, na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em fevereiro de 2016, na relatoria do professor Valcir Gassen. Contudo, a grande maioria dos precedentes deste Conselho não aplicou a homologação tácita em pedidos de restituição, desacompanhados da declaração de compensação, por ausência de previsão legal. Este é o caso dos autos. Portanto, não merece provimento a alegação preliminar. Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10930.907892/201195 Acórdão n.º 3201004.374 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914422/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para aferir os valores objeto do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora designada.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para aferir os valores objeto do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora designada. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para aferir os valores objeto do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 42 2/ 20 09 -6 8 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo que por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do r. despacho decisório que decidiu por não homologar pedido de compensação veiculado na Declaração de Compensação de fls. 58 a 63 (PER/DCOMP nº 37698.73247.310308.1.3.048815), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2319) relativo ao período de apuração novembro de 2007. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 58 a 63 (PER/DCOMP nº 37698.73247.310308.1.3.048815), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2319) relativo ao período de apuração novembro de 2007. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 16 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 67), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 26.185,79). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 10, informando e argumentando, em apertada síntese, sobre o seguinte: 4.1 Que incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em novembro de 2007, IRPJ a pagar no montante de R$ 23.005.027,68, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 23.037.433,00). 4.2 Uma vez identificado o equívoco, o recorrente teria constituído crédito tributário, que se pretendeu utilizar na PER/DCOMP acima referida para se compensar os débitos constante na mesma. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP, e estando o pagamento integralmente alocado à quitação de outros débitos não restou crédito disponível para a compensação pleiteada. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 4 3 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando o valor de IRPJ apurado em novembro de 2007, o que, segundo o mesmo, estaria condizente com o apurado na época. 4.5 Em sede do direito, alega preliminarmente que é cabível a manifestação de inconformidade, com base no regimento interno da RFB e na Lei nº 9.430/96. 4.6 Afirma possuir o crédito alegado, pois o que houve foi apenas erro no preenchimento da DCTF, encontrandose portanto o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 170 do CTN. 4.7 Argumenta ser dever da administração pública a busca pela verdade material e neste sentido a Autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte antes de não homologar a compensação. 4.6 Que a adoção da conduta acima estaria em consonância com os princípios da moralidade, eficiência e celeridade previstos na Constituição Federal e na Lei 9.784/99. 4.8 Que houve vício de forma e este não poderia macular a existência do seu direito creditório. 4.9 Que pelo princípio da verdade material as meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva existência do crédito, face ao princípio da verdade material, para tanto colaciona decisões administrativas no sentido de se cancelar o lançamento quando comprovado o erro no preenchimento da declaração. 4.10 Que houve erro puramente material no preenchimento do PER/DCOMP e que tal erro não poderia ter sido utilizado para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade Após análise da Manifestação de Inconformidade a r. DRJ proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que alega: O crédito da Recorrente decorreu de um erro na aferição do cálculo da estimativa mensal de IRPJ devida em nov./2007, como se demonstrará nas presentes Razões. Na prática, a Recorrente equivocouse ao calcular os créditos a que tinha direito e esqueceuse de computar, originalmente, Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 5 4 determinadas despesas relacionadas a "Certificados de Depósitos Bancários". Foi efetivado, assim, pagamento a maior de R$32.405,32, o qual foi posteriormente aproveitado no âmbito do PERDCOMP discutido no presente procedimento. Afirma ainda que a estimativa mensal do IRPJ de nov/2007 foi apurada conforme a tabela abaixo: Esse valor teria sido recolhido por intermédio de guia DARF paga em 28.12.2007, no valor de R$23.037.433,00 [cf Anexo 05], com o código 2319, e, em seguida, informado na respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF"). Segundo a Recorrente: Por ocasião do encerramento do exercício 2007, a Recorrente verificou que algumas despesas relativas a "Certificados de Depósitos Bancários", no montante de R$810.133,13, às quais fazia jus, não haviam sido computadas como "despesas dedutíveis" ou "deduções" no cálculo do resultado operacional sujeito ao percentual de 16%. Por esse motivo, apurouse novo "resultado operacional tributável", inferior exatamente em R$810.133,13, e por conseguinte, apurou nova base do IRPJ a ser pago por estimativa em nov./2007, no valor total de R$92.351.671,44. Verificado esse equívoco, reconheceuse que o IRPJ por estimativa a pagar no referido período de apuração seria de R$23.005.027,68 e, portanto, a diferença entre esse montante e aquele recolhido por intermédio da guia acostada no Anexo 05 foi considerada pagamento a maior, utilizado para compensação com outros débitos via PERDCOMP n.° 37698.73247.310308.1.3.048815. Conforme a tabela abaixo: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 6 5 Nessa toada afirma ainda que: ...quando da apresentação de sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ2008"), em 30.06.2008, a Recorrente havia percebido o equívoco no cálculo de seu lucro tributável e, por esse motivo, informou corretamente a base de cálculo de IRPJ por estimativa apurada em nov./2007, no valor de R$92.351.671,44 [cf p. 10 da DlPJ08, acostada no Anexo 07]. No âmbito de referida declaração foram indicados os mesmos dados da última coluna da tabela acima, de modo que o saldo a pagar de IRPJ ali declarado foi de R$23.005.027,68. A despeito de ter percebido o erro perpetrado no recolhimento do IRPJ por estimativa de nov./2007 e informado corretamente a base de cálculo na p. 10 de sua DlPJ2008 [cf p. 10 do Anexo 07], a Recorrente esqueceuse de retificar a DCTF relativa à competência nov./2007 para corrigir o saldo do imposto devido ali informado. Por esse motivo, a d. administração tributária houve por bem não homologar a compensação do crédito de R$32.405,32 com os débitos declarados no PERDCOMP ora examinado, proferindo o r. despacho decisório que iniciou o presente procedimento administrativo... Apresenta detalhadamente as contas realizadas cotejando DIPJ, balancete analítico e razão contábil juntados aos autos. Por fim, apresenta jurisprudência deste e. Carf acerca da matéria. É o relatório. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO A r. DRJ de São Paulo proferiu despacho decisório cujo fundamento em sua essência foi a ausência de provas para comprovação da origem do crédito, vejamos: Para comprovar o suposto erro no preenchimento da DCTF, o contribuinte apresenta cópia da DCTF retificadora (fls. 65 e 66), entregue em 16/11/2009, onde passa a constar o valor de R$ 23.005.027,68 a título de IRPJ apurado em novembro de 2007. No entanto, não traz qualquer outro elemento probatório que dê embasamento a tal correção, ou seja, não demonstra, por meio de documentação hábil e idônea, que a apuração renovadora está realmente de acordo com a realidade dos fatos, não faz prova inequívoca de que o pagamento efetuado à época foi indevido ou a maior como desejaria para o reconhecimento do direito creditório. A simples entrega de declaração retificadora não faz prova da existência do crédito, cabendo ao contribuinte demonstrar a exatidão dos novos valores trazidos para que se possa reconhecer seus efeitos, principalmente quando tais modificações tragam como conseqüência a alteração de uma questão já decidida anteriormente em procedimento de auditoria interna. Ressaltese ainda que a retificação da DCTF ocorreu após a ciência do contribuinte do despacho decisório em comento. Ocorre que o cotejo entre a DCTF original e a DIPJ original apresentadas pelo contribuinte ora Recorrente demonstram inconsistência no valor relativo a apuração da estimativa mensal de IRPJ relativa à novembro de 2007. Na DCTF verificase: Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 8 7 Enquanto na DIPJ: Percebese que desde a apresentação das obrigações acessórias acima elencadas verificase que pelo menos uma das duas está errada desde a origem. Não há aqui como sustentar que uma possui maior valor que a outra, caso em que outros elementos comprobatórios devem ser considerados. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 9 8 No presente caso, além das declarações supracitadas, a Recorrente juntou aos autos razão de contas e seu Balancete de verificação analítico/sintético referente ao período de novembro de 2007 que reforçam a validade do valor apresentado na DIPJ: Isto posto, entendo aplicável, e devidamente preenchidos os requisitos, de corrente já difundida neste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que impõe, nos casos de inconsistência entre DCTF e DIPJ, o ônus ao contribuinte de comprovar a origem do crédito, vejamos: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As Declarações (DCTF, DIPJ e DCOMP) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil/fiscal e documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. (Processo Administrativo nº 10880.681713/200901, Acórdão nº 1201 002.173, j. em 11/06/2018) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 10 9 informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Processo Administrativo nº 16327.919408/200951, Acórdão nº 1201 002.106, j. em 16/03/2018) COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal. (Processo Administrativo nº 15374.914985/200928, Acórdão nº 1302 002.365, j. em 17/08/2017) Por tais motivos, voto pela manutenção do direito creditório. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela reforma do r. Acórdão recorrido para garantir o direito de crédito pleiteado. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16327.914422/200968 Resolução nº 1402000.725 S1C4T2 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A maioria do Colegiado entendeu que o direito creditório não está suficientemente provado para homologação da compensação. Consoante alegado pela interessada, o indébito utilizado em compensação foi apurado em razão de recolhimento a maior da estimativa de IRPJ devida em novembro/2007. Contudo, os elementos juntados à manifestação de inconformidade foram insuficientes para demonstração do erro cometido na apuração original do débito, e os documentos apresentados em recurso voluntário, embora representem início de prova, não permitem afirmar cabalmente qual valor seria devido a título de estimativa de IRPJ em novembro/2007. Isto porque não é possível confirmar se a estimativa de R$ 23.005.027,68 está informada na DIPJ apresentada à RFB para o anocalendário 2007, como indicado à fl. 259, bem como não é possível aferir se as antecipações (no valor total de R$ 100.484.894,86) deduzidas para apuração do IRPJ a pagar no anocalendário 2007, segundo reprodução de DIPJ à fl. 260, não contemplaram o excedente aqui utilizado em compensação. Além disso, as planilhas de fls. 342/345, destinadas a demonstrar a apuração original e retificada da estimativa devida em novembro/2007, não podem sem comparadas com a escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, vez que somente constam dos autos a reprodução dos registros na conta de despesa retificada e o balancete de verificação para o qual seu saldo foi transportado (fls. 346/384), sem qualquer outro elemento complementar que estabeleça a correlação do resultado contábil acumulado até novembro/2007 com a base de cálculo da estimativa no mesmo período, sendo certo que o LALUR juntado às fls. 385/392 reflete, apenas, a apuração do lucro real em 31/12/2007. Frente a tais circunstâncias, o presente voto é no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para aferir os valores objeto de compensação, mediante confirmação, junto à escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, do valor apurado a título de estimativa de IRPJ em novembro/2007, bem como da não dedução do alegado excedente de R$ 32.405,00 na apuração do saldo de IRPJ a pagar ao final do anocalendário de 2007. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 474DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.721005/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF.
Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2008 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2008 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 60 1 59 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721005/201143 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.686 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente JOSE MARIO TIEPPO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano calendário de 2008 aplicase o regime de competência, calculandose o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 10 05 /2 01 1- 43 Fl. 60DF CARF MF 2 Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (efls. 5 a 9), exercício de 2010, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Anual no qual se apurou omissão de rendimentos. O sujeito passivo impugnou a exigência alegando trataremse de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) o pagamento de honorários advocatícios para a percepção do rendimento. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, admitindose a dedução, da base de cálculo, dos valores comprovadamente pagos aos advogados. Quanto ao recebimento acumulado, entendeu, o colegiado a quo, que a tributação exclusivamente na fonte de RRA somente passou a viger a partir dos rendimentos percebidos a partir de 28 de julho de 2010, e, em se tratando de rendimento recebidos em 2009, a regra aplicável seria o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, os rendimentos deveriam ser tributados no mês do recebimento ou crédito dos valores. Foi manejado o recurso voluntário no qual o recorrente ratificou os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A matéria foi inúmeras vezes apreciada por este conselho1 . Sem desnecessária delonga, e consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF2, que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 1 Precedentes nos acórdãos nºs. 9202003.518, 2301004.658, 2202004.521, 2801003.713, 9202007.006. 2 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.721005/201143 Acórdão n.º 2301005.686 S2C3T1 Fl. 61 3 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 62DF CARF MF
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