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Numero do processo: 10783.911556/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.
Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.
OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.
A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo anocalendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 15 56 /2 00 9- 63 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10783.911556/200963 Acórdão n.º 1201002.608 S1C2T1 Fl. 48 2 Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão recorrido, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido (código: 6106 SIMPLES). De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Entretanto, o contribuinte argumenta que mencionado PER/DCOMP não proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo regime do Lucro Real, em síntese, considerando: (i) Em janeiro de 2005, o contribuinte formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, inclusive recolhendo o valor devido sobre esse regime simplificado; (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real, possibilitando a transmissão da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); (iv) O pagamento indevido originou dos recolhimentos dos Simples Federal (código: 6106), enquanto não confirmada a opção pela Receita Federal do Brasil, efetivando as respectivas compensações (PER/DCOMPs) com IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com vigência a partir de janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O acórdão recorrido identificou "que a interessada não manifesta inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à DRJ/RJO1, bem como da consequente anulação do débito Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10783.911556/200963 Acórdão n.º 1201002.608 S1C2T1 Fl. 49 3 constante do respectivo despacho decisório, sendo que, como adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente para apreciação da respectiva demanda." prosseguindo que "tendo em vista suas idas e vindas pelas sistemáticas de apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a legislação a que esta Relatora está submissa e que rege a matéria, adotada a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva) para todo anocalendário, conforme o art. 3º, caput, da Lei nº 9.430, de 1996 ("A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário")." Todavia, a primeira e irretratável opção do contribuinte foi pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Posteriormente, a Receita Federal do Brasil convalidou a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005. Adicionalmente, o contribuinte ressaltou que não realizou qualquer pagamento no anocalendário de 2005, inerente ao lucro real, nem foi transmitida a Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a modificação do regime simplificado. Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, preceitue que a "declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil o suficiente para exigência do débitos indevidamente compensados", vemos que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, impossibilitando qualquer exigência tributária oriunda da apuração do lucro real. O cancelamento da declaração de compensação, requerida pelo sujeito passivo, limitarseá enquanto não sobrevier a respectiva decisão administrativa, segundo o artigo 82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 900/2008, reiterando a previsão da antecedente Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 600/2005. Entretanto, não haverá impedimento para revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sobretudo, quando evidenciada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10783.911556/200963 Acórdão n.º 1201002.608 S1C2T1 Fl. 50 4 Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para janeiro de 2005, consoante decisão da própria Receita Federal do Brasil, ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real. Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos (código: 6106 SIMPLES) no correspondente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900079/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
OPÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. RETIFICAÇÃO. DCTF.
A retificação de DCTF "desaparecendo" com os débitos declarados e com apuração trimestral, depois da ciência do Despacho Decisório que não homologou sua compensação, não tem o condão de reverter a opção pelo lucro real anual, irretratável para todo o ano-calendário
Numero da decisão: 1001-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. OPÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. RETIFICAÇÃO. DCTF. A retificação de DCTF "desaparecendo" com os débitos declarados e com apuração trimestral, depois da ciência do Despacho Decisório que não homologou sua compensação, não tem o condão de reverter a opção pelo lucro real anual, irretratável para todo o anocalendário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 79 /2 00 8- 01 Fl. 217DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 15/20, de n. 19923.76875.291203.1.3.042478, de 29/12/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (Crédito de Pagto Indev ou a Maior de IRPJ, no valor principal de R$ 8.769,91 segundo DARF com as seguintes características: IRPJ, Código de Receita 5993 (IRPJ Lucro Real Estimativa mensal), PA 31/05/2001, vencimento em 30/06/2001). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 745550660, de 14/02/2008 (efl. 02), que analisou as informações e concluiu foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que: Recolheu (no total de R$ 28.097,19) aos cofres públicos, a titulo de IRPJ (Cód. 5993), referente aos 2° trimestre do ano de 2001; Tais valores foram pagos indevidamente, porquanto no referido 2°trimestre de 2001 a empresa apurou prejuízo fiscal de R$ 100.441,56, conforme cópia de DIPJ que anexa; Requer a reforma integral do Despacho Decisório, e a conseqüente homologação do Pedido de Compensação. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0628.930 lª Turma da DRJ/CTA, e fls. 115/119) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Como contribuinte efetuou o recolhimento do mês de janeiro/2001 no código 5993 (IRPJ Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real Estimativa Mensal), no valor de R$ 6.142,59, fez opção para a Forma de Tributação pelo Lucro Real ANUAL, sendo este valor alocado como estimativa para o referido mês, não configurando o crédito como disponível. Despiciendo, para fixação da opção, já que esta é irretratável, o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1° trim/2001, em 06/03/2008, após a ciência do Despacho Decisório, retirando as informações quanto aos débitos da Receita 59931 (IRPJ Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ PJ Não Obrigadas ao Lucro Real Balanço Trimestral). Aduziu aquele acórdão: 10. Acontece que referido pagamento foi alocado a um débito do contribuinte na DCTF original, entregue em 15/08/2001, conforme fls. 76 e 7778, e sendo esta declaração a ativa na data da emissão do Despacho Decisório, verificouse que não havia saldo disponível do referido pagamento, para ser utilizado na compensação pretendida. Correto, portanto, o Despacho Decisório nesse momento, quando decidiu pela não homologação, tendo em vista ausência de Direito Creditório, já que todo o pagamento indicado como esteio do Crédito já estava utilizado. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10980.900079/200801 Acórdão n.º 1001000.949 S1C0T1 Fl. 218 3 11. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 28/02/2008 (fls. 05), como já dito, e seis dias depois, em 06/03/2008, transmitiu DCTF retificadora (fls. 76), excluindo todos os Débitos de IRPJ Receita 59931, anteriormente declarados, conforme se vê de fls. 79 (em comparação com fls. 77). (...) 14. Verificase que a DIPJ 2002, AC 2001, que se encontra ativa é aquela entregue em 06/01/2004 (fls. 96104), não tendo sido mais retificada, daquela data para cá. Portanto, referida DIPJ é anterior a emissão do Despacho Decisório, que foi em 28/02/2008. 15. A DIPJ em questão, de fato, não apresenta estimativas de IRPJ a pagar nos meses do 2° trimestre de 2001, conforme fls. 8184, até porque a forma de tributação consta como Lucro Real Trimestral (fls. 96). Esta forma de tributação — Lucro Real Trimestral vem desde a DIPJ original, entregue em 25/06/2002, conforme fls. 9095. 16. O problema é que a apresentação de DIPJ, apurando Lucro Real Trimestral, paralelamente com recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ, Receita 5993, é legalmente incompatível. (...) 17. A partir da Lei 9.430/96, de fato, o regime ordinário de apuração do Lucro Real é na periodicidade trimestral (art. 1°), mas é possível ao contribuinte optar por recolher estimativas mensais (art. 2°), sendo que, uma vez exercida esta opção, obrigatoriamente a forma de apuração passa a ser de Lucro Real ANUAL (§ 3°, art. 2°). A opção é exercida por intermédio do pagamento referente ao mês de janeiro par. único, art. 3°), ou seja, declinado o Código da Receita no DARF referente ao mês de janeiro, está fixada a opção. A escolha é irretratável para todo o anocalendário, consoante art. 3°, "caput". (...) 19. No caso, o contribuinte efetuou o recolhimento do mês de janeiro/2001 no código 5993 (IRPJ — Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal), no valor de R$ 6.142,59, conforme fls. 83. Depois, vinculou esse pagamento na DCTF do 1° trim/2001 a um débito de IRPJ59931, conforme fls. 82. Assim procedendo, fez opção para a Forma de Tributação pelo Lucro Real ANUAL e não poderia/deveria ter entregado a DIPJ pelo Lucro Real TRIMESTRAL, já que estava vedado a tanto. 20. Despiciendo, para fixação da opção, já que esta é irretratável, o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1" trim/2001, em 06/03/2008 (fls. 81 e 84), após a ciência do Despacho Decisório de fls. 01, retirando as informações quanto Fl. 219DF CARF MF 4 aos débitos da Receita 59931 (IRPJ — Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ — PJ Não Obrigadas ao Lucro Real —Balanço Trimestral); mesmo porque, insolitamente, vêse em fls. 91, ao final, que os DARF vinculados ao "novo' Débito, Código 33731, continuam aqueles do Código 59931. Surtiria efeitos legais se o interessado, desde o inicio, tivesse efetuado o pagamento do IRPJ, referente a janeiro/2001, já no Código 33731, o que fixaria a opção para o Lucro Real Trimestral. Mas, isso o contribuinte não fez, como já demonstrado. 21. Nesses termos, era obrigatório para o interessado apurar Lucro Real ANUAL e entregar DIPJ nesta forma de tributação, calculando o imposto mensal sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Finalmente, o imposto a ser pago mensalmente seria determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2010 (efl. 128) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/12/2010 (efl. 129), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e se propõe a comprovar saldo negativo de IRPJ (do ano calendário 2001) neste procedimento administrativo, com base nos documentos juntados. Aduz: O caso em tela seria de fácil resolução caso o julgamento administrativo fosse mais célere, pois, se o julgamento ocorresse em tempos passados, teria o contribuinte acesso ao programa da DIPJ do ano calendário de 2001, a qual retificaria e poderia demonstrar por meio eletrônico a existência do saldo negativo do IRPJ, evitando assim maiores discussões e entraves. Entretanto, tal sistema não é mais disponibilizado para o acesso do contribuinte, de modo que será necessário comprovar a existência de tal saldo negativo neste procedimento administrativo, com base nos documentos juntados ao procedimento, que por sua vez são hábeis e suficientes para demonstrar a existência de tal direito. (...) Estando os créditos tributários (tanto o crédito a favor do contribuinte quanto ao a favor do Estado) não corre o prazo prescricional nos termos da legislação vigente. (...) Havendo portanto no plano da realidade fática a existência do crédito ora requerido, o mesmo há de ser reconhecido e ao final compensado. Em 26/04/2011 o contribuinte anexou aos autos requerimento em que junta documentos (efls. 202/216) que daria conhecimento de decisões da Delegacia de Julgamento Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10980.900079/200801 Acórdão n.º 1001000.949 S1C0T1 Fl. 219 5 de Curitiba, em caso que entende análogo ao presente, do mesmo contribuinte, e que julgou procedente a demanda. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A razão da negativa ao aproveitamento do alegado crédito (pagamento de IRPJ no valor principal de R$ 8.769,91 segundo DARF com as seguintes características: IRPJ Código de Receita 5993 Lucro Real Estimativa mensal, PA 31/05/2001, vencimento em 30/06/2001) foi a negativa da DRJ ao pleito do contribuinte de ter seu IRPJ calculado segundo o lucro trimestral durante o ano calendário 2001. Aderimos às razões da decisão de primeira instância, pois segundo o disposto o § 3º do art. 2° da Lei 9.430/96 a pessoa jurídica que optar pela pagamento do imposto anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano; e segundo o art. 3º da mesma Lei a adoção da forma anual (com estimativas mensais) pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, será irretratável para todo o anocalendário. Ou seja, de nada adianta a tentativa de retificação das DIPJs ou DCTFs em questão. Era obrigatório para o recorrente apurar Lucro Real anual e entregar DIPJ nesta forma de tributação, calculando o imposto mensal sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Desta forma, como também já destacado a decisão de primeira instância, não anula a opção pela apuração anual do IRPJ o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1° trim/2001, em 06/03/2008, após a ciência do Despacho Decisório, retirando as informações quanto aos débitos da Receita 59931 (IRPJ — Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ — PJ Não Obrigadas ao Lucro Real —Balanço Trimestral). Surtiria efeitos legais se o interessado, desde o início, tivesse efetuado o pagamento do IRPJ, referente a janeiro/2001, já no Código 33731, o que fixaria a opção para o Lucro Real Trimestral. Mas, isso o contribuinte não fez. Também não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário em questão, pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 05/2001. Ou seja, requerer crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário deveria ser aposto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (IRPJ estimativa do período de apuração maio de 2001) e confrontar com análise da Fl. 221DF CARF MF 6 situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Ou seja, o fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ no ano calendário 2001 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Por fim os documentos juntados pelo recorrente (efls. 202/216) referentes a decisões da Delegacia de Julgamento de Curitiba trazem litígios sobre IRPJ de período de apuração diverso (2003) e a respeito de matéria diversa (negativa do débito confessado em PERDCOMP) não podendo trazer qualquer efeito aos presentes autos, além de não de subsumir nos preceitos do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720327/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CIENTIFICAÇÃO. PORTAL E-CAC.
Considera-se cientificado o contribuinte por meio da abertura da sua Caixa Postal, no Portal e-CAC, mesmo que o processo tenha se iniciado e meio físico e as cientificações anteriores tenham sido por via postal.
DIRETOR-PRESIDENTE. SIMULAÇÃO. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIZAÇÃO.
Restando demonstrado que diretor-presidente de pessoa jurídica efetuou a contratação simulada de pessoas jurídicas, dissimulando contratos de emprego e reduzindo, indevidamente, as obrigações tributárias, cabe a sua responsabilização pelos créditos apurados em face da desconsideração dos contratos simulados.
Numero da decisão: 2402-006.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), por intempestividade, e, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que votaram por conhecer integralmente do recurso apresentado pelo responsável solidário e por dar provimento à parte conhecida do recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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PORTAL ECAC. Considerase cientificado o contribuinte por meio da abertura da sua Caixa Postal, no Portal eCAC, mesmo que o processo tenha se iniciado e meio físico e as cientificações anteriores tenham sido por via postal. DIRETORPRESIDENTE. SIMULAÇÃO. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIZAÇÃO. Restando demonstrado que diretorpresidente de pessoa jurídica efetuou a contratação simulada de pessoas jurídicas, dissimulando contratos de emprego e reduzindo, indevidamente, as obrigações tributárias, cabe a sua responsabilização pelos créditos apurados em face da desconsideração dos contratos simulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), por intempestividade, e, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que votaram por conhecer integralmente do recurso apresentado pelo responsável solidário e por dar provimento à parte conhecida do recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 27 /2 01 4- 75 Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.119 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acórdão nº 0267.709 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG, fls. 433 a 453: Tratase de Autos de Infração – AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir. AI Debcad nº 51.003.9294, com valor consolidado em 3/10/2014, de R$ 8.127.769,89, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social, parte da empresa, referentes às competências de 01/2010 a 12/2010. AI Debcad nº 51.003.9308, com valor consolidado em 3/10/2014, de R$ 1.186.443,43, referente à exigência de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), parte da empresa, referentes às competências de 01/2010 a 12/2010. Consta no relatório fiscal (fls. 43/54): Os valores lançados são incidentes sobre pagamentos efetuados a atletas de voleibol de quadra e de praia e aos integrantes de comissão técnica. O contribuinte organiza e participa de campeonatos de voleibol remunerando: jogadores das seleções de voleibol de quadra e de praia, membros das diversas comissões técnicas, árbitros, e profissionais de apoio técnico e administrativo. Por meio da análise de documentos denominados “Termos de Compromisso”, dos contratos de prestação de serviços, da natureza das pessoas jurídicas envolvidas nos negócios jurídicos formalizados, e das regras para participação nos torneios de voleibol, constatouse conforme segue. PAGAMENTO DE DIREITO DE USO DE IMAGEM E RECOMPENSAS A ATLETAS DE VOLEIBOL DE QUADRA FORMALIZADOS COMO SE EFETUADOS A PESSOAS JURÍDICAS. Os jogadores das seleções de vôlei de quadra (feminina e masculina) foram remunerados com a formalização de pagamentos a pessoas jurídicas que firmaram “Termos de compromisso” para receberem tais pagamentos. A remuneração foi efetuada sob as seguintes rubricas “Direitos de uso de imagem” e “Recompensa” e foi registrada mediante a emissão Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.120 3 de notas fiscais de prestação de serviços pelas referidas pessoas jurídicas. Constatouse que os atletas, convocados pelo contribuinte, assinaram um “Termo de Compromisso” que, ao tratar de suas obrigações para com este, emprega as expressões, “enquanto estiver convocado pela CBV”, “durante o período que eu estiver convocado”. Pelo teor desses documentos verificouse que a relação entre a CBV e o atleta era pessoal. Tal relação se desenvolvia durante um período referenciado nos Termos de Compromisso sob a expressão “enquanto estiver convocado pela CBV”, período longo e suficiente para que o atleta pudesse participar de diversos circuitos e campeonatos internacionais, portanto, a relação era contínua e não eventual. Os valores pagos, ainda que formalizados como se fossem direito de imagem e recompensa paga a pessoas jurídicas, foram efetuados como decorrência do exercício das profissões desses atletas, restando evidenciada a presença de onerosidade. Os jogadores de vôlei de quadra cumpriam uma série de obrigações com a CBV: atendimento às convocações, obrigações com patrocinadores da CBV e com os membros das comissões técnicas, cumprimento de horário de treinos e viagens, obrigações de zelar pelos materiais e instalações da CBV. Tal situação caracterizou a existência de sua subordinação em relação à CBV. Diante da existência de pessoalidade, continuidade, onerosidade e subordinação concluiuse que a CBV deveria recolher as contribuições previdenciárias decorrentes das remunerações pagas a esses atletas. Em razão disso foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os comprovantes relacionados a esses pagamentos. Contudo, apesar do Termo de Compromisso ter sido assinado pelos atletas (pessoas físicas), os pagamentos foram formalizados indevidamente como se tivessem sido efetuados a pessoas jurídicas constituídas pelos atletas, com a emissão de notas fiscais de prestação de serviços. Assim, apesar do modo como foram formalizados tais pagamentos, efetuados sob as denominações de “uso de direito de imagem” ou “recompensa”, foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos atletas, jogadoresde vôlei de quadra, na condição de segurados empregados. Os valores das remunerações desses atletas foram obtidos por meio dos registros contábeis efetuados nas contas 2.1.1.7.02.0002 – Provisão de Despesas Seleções, 3.1.1.1.09.0002 – Recompensa e 3.1.1.1.01.0013 – Direito de Uso de Imagem. As contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos incidentes sobre esses pagamentos foram Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.121 4 tratadas no presente processo com os códigos de levantamento – FI e FR. PAGAMENTOS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DOS MEMBROS DAS COMISSÕES TÉCNICAS DO VOLEIBOL DE QUADRA FORMALIZADOS COMO SE FOSSEM EFETUADOS A PESSOAS JURÍDICAS Da mesma forma que os atletas de voleibol de quadra, os membros das comissões técnicas (técnicos, auxiliares, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, estatísticos, dentre outros profissionais), que prestaram serviços com pessoalidade, onerosidade, continuidade e subordinação, tiveram sua remuneração ilicitamente formalizada como pagamentos efetuados a pessoas jurídicas das quais são sócios, com a assinatura de um contrato de prestação de serviços e com a emissão, contra o contribuinte, de notas fiscais de prestação de serviços. Em razão disso, restou à fiscalização desconsiderar tais pagamentos como efetuados a pessoas jurídicas e considerá los como remuneração a segurados empregados. Os valores dessas remunerações foram obtidos por meio dos registros contábeis efetuados nas contas 2.1.1.7.02.0002 – Provisão de Despesas Seleções, 3.1.1.1.01.0014 – Comissão Técnica. As contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos incidentes sobre esses pagamentos foram tratadas no presente processo com os códigos de levantamento – FP. PAGAMENTOS A ATLETAS DE VOLEIBOL DE PRAIA FORMALIZADOS COMO RECOMPENSA Os jogadores participantes dos torneios de voleibol de praia foram remunerados com premiação variável segundo a classificação nos diversos torneios/circuitos. Em alguns casos, os pagamentos efetuados a essas pessoas físicas foram formalizados como se fossem efetuados a pessoas jurídicas que firmaram “Termos de compromisso” com a emissão contra o contribuinte de notas fiscais de prestação de serviços. A CBV angaria fundos de patrocínios para organizar os circuitos de voleibol de praia. De acordo com o regulamento dos circuitos (como por exemplo, o “Regulamento do Circuito do Banco do Brasil – Temporada 2010”) para participação nos circuitos, os atletas devem cumprir com uma série de pré requisitos fixados pela CBV. Atendendo a esses requisitos, os atletas podem participar dos circuitos e receber as recompensas pecuniárias de acordo com a classificação na etapa do circuito e as gratificações por participação, como, o “Bônus Pool” (prêmio extra para os melhores colocados no ranking elaborado pela CBV). O patrocínio ao voleibol de praia ocorre em função do alto nível dos atletas que participam dessas competições. Em outros termos, sua participação é que fomenta a captação de recursos pela CBV para promoção do voleibol de praia. São os atletas de Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.122 5 alto nível, que através da prestação de seus serviços à CBV, viabilizam a essa entidade aumentar a captação de patrocínios em função da notoriedade desses profissionais. Concluiuse que tais atletas, ao participar dos eventos organizados pela CBV, atuaram como prestadores de serviços e foram por ela remunerados, devendo ser enquadrados na condição de segurados contribuintes individuais. Os valores dessas remunerações foram obtidos por meio dos registros contábeis efetuados nas contas 2.1.1.7.02.0002 – Provisão de Despesas Seleções, 3.1.1.1.09.0002 – Recompensa e por meio das folhas de pagamento apresentadas pela CBV. As contribuições previdenciárias, incidentes sobre esses pagamentos, foram tratadas no presente processo com os códigos de levantamento – AP. PAGAMENTOS DE RECOMPENSAS E DIREITOS DE USO DE IMAGEM A ATLETAS DO VOLEIBOL DE PRAIA FORMALIZADOS COMO SE EFETUADOS A PESSOAS JURÍDICAS. Tendo em vista que é a experiência dos atletas que participam das competições de voleibol de praia que atrai recursos financeiros (na forma de patrocínio) para que a CBV promova o voleibol de praia, a relação entre eles e a CBV é personalíssima. Apesar disso, constatouse que, por vezes, a CBV efetuou o pagamento de “recompensas” e “direitos de uso de imagem” a esses atletas formalizando tais operações como se fossem realizados a pessoas jurídicas das quais esses atletas são sócios. Tal formalização foi desconsiderada, para fins previdenciários, tendo sido considerados tais pagamentos como remuneração a contribuintes individuais em decorrência dos serviços que prestaram à CBV. Os valores dessas remunerações foram obtidos por meio dos registros contábeis efetuados nas contas 2.1.1.7.02.0002 – Provisão de Despesas Seleções, 3.1.1.1.09.0002 – Recompensa e 3.1.1.1.01.0013 – Direito de Uso de Imagem. As contribuições previdenciárias, incidentes sobre esses pagamentos, foram tratadas no presente processo com os códigos de levantamento – JP. SIMULAÇÃO E MULTA QUALIFICADA Evidenciada a natureza personalíssima da relação entre atletas, integrantes da comissão técnica e a CBV, não restam dúvidas que os verdadeiros contratados, para prestar os serviços para a CBV, foram os atletas, pessoas naturais, e não as pessoas jurídicas formalizadas como contratadas pelo contribuinte. Os fatos narrados evidenciam a ocorrência de simulação/fraude com a intenção de evitar o pagamento de tributos e encargos trabalhistas. Tal circunstância sujeita o contribuinte à aplicação Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.123 6 de multa qualificada nos termos do que dispõe a Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso I, § 1º. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Em função do ilícito praticado, consubstanciado na simulação/fraude, tendo em vista o que dispõe o CTN, artigo 135, inciso III, o Diretor Presidente, que era o responsável pelas contratações, conforme previsto no estatuto do autuado, foi considerado responsável solidário pelas obrigações lançadas. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o Diretor Ary da Silva Graça Filho (fl. 324). OUTRAS INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS JUNTADOS PELA FISCALIZAÇÃO O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB elaborou os seguintes demonstrativos: Tabela 1 – Empresas utilizadas com os sócios beneficiados pelos pagamentos que identifica a pessoa jurídica utilizada para formalizar o pagamento, os segurados que prestaram os serviços e as funções exercidas por eles (fls. 55/58). Tabela 2 – Direito de uso de imagem, recompensa e prestação de serviços pagos a atletas e membros das comissões técnicas de vôlei de quadra através de pessoas jurídicas, que discrimina os registros contábeis que serviram de base para identificação das remunerações (fls. 59/74). Tabela 4 – Pagamentos de recompensas e direitos de uso de imagem a atletas do vôlei de praia através de pessoas jurídicas, que discrimina os registros contábeis que serviram de base para identificação de remunerações (fls. 103/108). O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB juntou, aos autos, cópias de documentos dentre os quais: Folhas de pagamento relativas aos atletas que atuaram nas competições de voleibol de praia e demonstrativos elaborado pela CBV que contém a indicação dos registros contábeis que apontam para valores referentes a folhas de pagamentos de atletas e premiações (fls. 75/102). Estatuto da Confederação Brasileira de Voleibol – CBV (fls. 126/147). Instrumentos contratuais relativos à formalização da contratação das pessoas jurídicas (fls. 173/208). Termos de compromisso firmados pelos atletas em face do contribuinte (fls. 209/223). Notas fiscais, emitidas pelas pessoas jurídicas, contra a CBV, pelo pagamento de premiações e por serviços prestados pelos integrantes das comissões técnicas (fls. 224/257). Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.124 7 Regulamento do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia de 2010 (fls. 258/277). Folhas de pagamento analíticas de atletas (fls. 278/321). O contribuinte foi cientificado dos autos de infração de que trata o presente processo em 24/10/2014 (conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 323) e o sujeito passivo solidário tomou ciência das autuações em 27/10/2014 (conforme AR de fl. 325). O contribuinte apresentou impugnação, em 24/11/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 336), fls. 329/406, na qual, essencialmente: Diz que deve ser cancelado o AI porque contraria fatos e porque a legislação de regência não permite a cobrança de contribuições sociais sobre contrato de prestação de serviços especiais formalizados com pessoas jurídicas. Afirma que o esporte é uma atividade diferenciada, o que ensejou a promulgação de legislação especial que não permite seja regida pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Assevera que não tem a possibilidade de atender aos ditames da CLT na contratação de atletas e das comissões técnicas, uma vez que contrata apenas para disputar torneios internacionais que acontecem duas ou três vezes no ano com intervalos de dois, três ou quatro meses. Aduz que, ao contrário do entendimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, como o trabalho não é contínuo, não tem como atender à CLT e que, em 2010, disputou torneios conforme segue: (a) seleção adulta masculina – Copa Pan americana (de 23/05 a 29/05), Liga Mundial (de 04/06 a 25/07), Campeonato Mundial (de 24/09 a 10/10); (b) seleção adulta feminina – Gran Prix (de 06/08 a 20/08), Campeonato Mundial (de 29/10 a 14/11). Afirma que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil deveria orientar como computar horas extras e noturnas se, em cada torneio a equipe fica à sua disposição de dez a quinze dias, treinando, jogando e dormindo na cidade do torneio. Diz que o AFRFB devia ainda esclarecer como seriam as férias, se entre uma dispensa e uma nova convocação a equipe fica livre por sete meses sem contrato. Questiona qual seria a forma que permitiria a equiparação salarial exigida pela CLT para trabalhos iguais quando “[...] o valor do atleta é consequência do marketing de sua imagem na mídia, aumentando o faturamento do patrocinador e não do trabalho realizado”. Assevera que, segundo o Fiscal todos os atletas teriam o direito de receber o salário de Messi ou Neymar, por mais limitados que fossem, pois exercem a mesma função. Diz que a Lei nº 11.196/2005 determina em seu artigo 129 o direito à contratação de prestador de serviço. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.125 8 Assevera que o AFRFB não conhece a legislação especial que regula o desporto nacional e cita o artigo 28A da Lei nº 9.615/1998 com redação dada pela Lei nº 12.395/2011. Afirma que apesar da clareza da legislação, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil finge reconhecer que a prestação de serviços era eventual quando se utiliza das expressões “se desenvolvia em períodos”, “longo o suficiente para o atleta participar de diversos circuitos e campeonatos internacionais”. Aduz que, para tentar justificar o lançamento, a fiscalização informou que os Termos de Compromisso, assinados pelos atletas, evidenciam a existência de subordinação, quando na realidade tais documentos visam a somente obrigar o atleta a ter compostura e uma postura digna sob pena de desligamento da comitiva. Acrescenta que se houvesse subordinação em razão disso, ela também existiria em relação ao Banco do Brasil S. A., pois tais termos prevêem que o atleta deve “[...] enquanto estiver convocado pela CBV, preservar a imagem de seu patrocinador o Banco do Brasil S. A.” Assevera que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desconsiderou até mesmo as pessoas jurídicas de profissionais cujas atividades estão fora da CLT, quais sejam as sociedades uniprofissionais, de médicos, fisioterapeutas, e técnicos relacionados no Anexo I. INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA Alega que é absurda e completamente ilegal a multa qualificada uma vez que a estruturação empresarial é uma faculdade da empresa que dentro da lei, pode optar pela forma que melhor atenda aos seus interesses. Diz que não houve conluio, tratase de um contrato de adesão onde os atletas simplesmente aderem às condições por ele impostas, inclusive quanto ao Termo de Compromisso, se sujeitando a normas prédeterminadas e não planejadas para fraudar impostos. Afirma que não se pode admitir que uma autoridade afirme que um contribuinte teve intenção precípua de ocultar uma operação comercial que atendeu a todos os requisitos legais, tendo sido formalizada documentalmente e oficialmente com o arquivamento das sociedades na Jucerja e com pagamentos realizados com emissão de notas fiscais. Aduz que é absurda a afirmação de que houve simulação. Assevera que o autuante alterou a intenção da Lei nº 9.430/1996, artigo 44, aplicando a multa agravada por presunção de fraude e que, se ainda assim não o fora, não caberia o agravamento por não estar tipificado nenhum dos ilícitos previstos nos artigos 71, 72, ou 73 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.126 9 Conclui que é infundada a exasperação da penalidade baseada em mera presunção de conluio decorrente de presunção anterior da existência de dolo. Cita decisão do extinto Conselho de Contribuinte para fundamentar suas alegações concluindo que cabe ao Fisco comprovar a pratica de fraude, dolo ou simulação. Requer sejam anuladas as autuações. O Sr. Ary da Silva Graça Filho, arrolado como responsável solidário, apresentou impugnação, em 24/11/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 407), fls. 407/429, na qual, essencialmente: Diz que não ocorreu nenhuma das hipóteses previstas no CTN, artigo 135, que permitiriam a responsabilização pelos créditos tributários tratados nos presentes autos. Afirma que a contratação dita simulada esta prevista em lei e assevera que o Auditor Fiscal não comprovou que ele praticou atos com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou estatuto. Diz que as conclusões fiscais, além de agredir os fatos, desconsideraram a sua impossibilidade de contratação trabalhista para suas atividades desportivas em afronta à Lei nº 11.196/2005. Assevera que não pode haver conluio em contrato de adesão firmado pelos integrantes das equipes. Alega que não assinou qualquer dos contratos não sendo responsável pela sua formalização. Assevera que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil “invadiu a área da PGFN” propondo o redirecionamento da execução fiscal para os diretores da empresa. Afirma que cabe a inclusão dos administradores das pessoas jurídicas no polo passivo quando da ação de execução pela PGFN. Pede seja julgada procedente a impugnação e excluído do polo passivo das obrigações tributárias tratadas no presente processo. Ao julgar a impugnação, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, conforme dispositivo do Acórdão nº 0267.709, a seguir transcrito: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação e manter os créditos tratados no presente processo. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada no referido acordão: Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.127 10 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Permitese à autoridade tributária desconsiderar ato ou negócio jurídico praticado pelo contribuinte, em desconformidade com a lei, com o objetivo de reduzir o montante do tributo devido. IDENTIFICAÇÃO DE SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem, dentre suas atribuições, competência para identificar a ocorrência de remuneração a segurados obrigatórios da previdência social. Cientificada da decisão, em 15/4/16, segundo Termo de Ciência de fl. 466, a contribuinte não interpôs recurso voluntário, no prazo regulamentar de 30 (trinta) dias. Dessa forma, foi lavrado o Termo de Perempção de fl. 467, informando que se o débito não fosse pago no prazo para cobrança amigável, o processo seria encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, conforme disposto no art. 21, § 3º, do Decreto 70.235, de 6/3/72. Foi expedida, então, a Carta Cobrança nº 058/2016, fl. 468, na qual foi solicitado o recolhimento do débito, no prazo de 30 (trinta) dias, cujos DARFs foram encaminhados em anexo, tendo a contribuinte sido cientificado dessa Carta Cobrança, em 23/5/16, segundo o Termo de Ciência de fl. 481. Em 31/5/16, o procurador da contribuinte, Ricardo Trade, apresentou a manifestação de fl. 482, na qual informou que o crédito tributário estaria “com sua exigibilidade suspensa em razão do inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional”. Em 2/8/16, foi expedida nova Carta Cobrança, fl. 488 a 490, acompanhada dos respectivos DARFs, tendo a contribuinte sido cientificada da mesma em 9/8/16, mediante abertura da sua Caixa Postal, no Portal eCAC. Em 12/8/16, foi juntado aos autos o Termo de Ciência de Processo de fl. 505, dando conta de que o responsável solidário, Ary da Silva Graça Filho, por meio de seu procurador, Denis Alves Hilário (procuração de fl. 506), obteve cópia do inteiro teor do presente processo. Em 17/8/16, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fl. 568) apresentou o recurso voluntário de fls. 513 a 566, no qual arguiu preliminar de tempestividade. Em 12/9/16, o responsável solidário, Ary da Silva Graça Filho, por meio de advogado (procuração de fl. 1.502), interpôs o recurso voluntário de fls. 1.452 a 1.500, no qual traz, em síntese, as seguintes alegações contra a decisão de primeira instância: PRELIMINARMENTE A nulidade do eventual encerramento do processo – ausência de intimação do Recorrente Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.128 11 [...] o Recorrente jamais foi intimado acerca do acórdão nº 02 67.709 que rejeitou integralmente sua impugnação ao auto de infração. É manifestamente irregular e viciado pela nulidade o ato de encerramento do processo administrativo que cerceia o direito de ampla defesa e contraditório do contribuinte. [...] Nesta ordem de considerações, portanto, é imperiosa a decretação de nulidade, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972. De todos os atos processuais posteriores à decisão de primeira instância, bem como o devido processamento deste recurso. [...] DIREITO DE IMAGEM E RECOMPESAS CERDITADAS A ATLETAS CONVOCADOS [...] a fiscalização alega que os Termos e Compromisso firmados entre os atletas e a CB denotariam o caráter empregatício da relação, na medida em que [demonstram relação personalíssima, relação contínua e não eventual, onerosidade e subordinação]. [...] Na mesma linha andou a decisão ora recorrida, que simplesmente alegou que os Termos de Compromisso comprovariam a existência dos requisitos da relação empregatícia. Nenhum desses argumentos merece prosperar! De fato, a relação entre o atleta e a CBV tem um elemento personalíssimo. Não há, todavia, qualquer relação empregatícia entre as partes, ou mesmo qualquer prestação de serviços. [...] a Termo de Compromisso firmado pelos atletas regulamente questões relacionadas à cessão de direito de uso de imagem [é contrato de natureza civil], sem estabelecer qualquer vínculo empregatício. [...] a simples leitura do item 1 [do Termo de Compromisso] já permite observar que mesmo a natureza personalíssima da relação entre o atleta e a CBV é mitigada, tendo em vista que cessão do direito de uso da imagem não é irrestrita, mas se limita à chamada imagem coletiva do atleta – u seja, a sua imagem inserida no contexto de integrante da Seleção Brasileira, em conjunto com outros atletas, e não como um suposto empregado da CBV, coisa que não é. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.129 12 O Termo de Compromisso regulamentava também obrigação acessórias e inerentes à exploração comercial do direito de imagem do atleta convocado pelo patrocinador da seleção, que incluía: a obrigatoriedade de utilização do uniforme nos jogos, treinos, entrevistas, cerimônias, etc.; a vedação da participação em publicidade de outras instituições financeiras; preservação da imagem da CBV e do patrocinador, mantendo conduta ética e adequada e abstendose de emitir críticas públicas à entidade e aos patrocinadores; e compromisso por zelar pelo bom uso dos equipamentos e adotar postura adequada e consciente das regras de convivências social. Tratase de compromissos integralmente inerentes e acessórios à exploração comercial do direito de imagem dos atletas. A cessão de direito de imagem representa a transferência a transferência pelo detentor a terceiros de seus direitos patrimoniais, em troca de uma compensação financeira. [...] não se confunde com obrigação de fazer. As condições acessórias ao contrário não têm o condão de caracterizar essa natureza e, tampouco, de caracterizar o vínculo empregatício entre as partes. [...] Além disso, diversamente do que alegado na decisão recorrida, não estão presentes no caso os requisitos gerais caracterizadores da relação empregatícia [pessoalidade, habitualidade, onerosidade e a subordinação]. [...] À exceção da pessoalidade, nenhum dos demais requisitos da relação empregatícia está configurado no caso em análise. O Recorrente faz uma longa explanação buscando mostrar que, é exceção da pessoalidade, os demais requisitos caracterizadores da relação de emprego não estariam presentes. [...] DIREITO DE IMAGEM [...] a Lei nº 12.441/2011 estabeleceu que a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) poderia ter como única atividade econômica a exploração das diretos patrimoniais de imagem, voz, nome ou marca, do qual seja detentor o titular da pessoa jurídica (artigo 980A do Código Civil). [...] Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.130 13 Portanto, resta devidamente comprovada a insubsistência dos autos de infração na medida em que exigem contribuições previdenciárias sobre os valores creditados a pessoas jurídicas a título de contraprestação financeira pela cessão de direitos de imagem de atletas. RECOMPENSAS Também não procedem as alegações da fiscalização no sentido de que as recompensas pagas a pessoas jurídicas representam salários a empregados da CBV. Conforme comprovado, os atletas convocados não mantinham qualquer relação de emprego com a CBV, o que afasta as premissas adotadas pela fiscalização para a exigência de contribuições previdenciárias sore esses valores. [...] Portanto, sob qualquer enfoque, as recompensas eventualmente pagas como forma de incentivo e premiação pela atuação de atletas na seleção não devem integrar o saláriocontribuição para as exações previdenciárias. PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS – SERVIÇOS DE TÉCNICOS E MEMBROS DE COMISSÕES TÉCNICAS [...] em momento algum [foi apresentado] qualquer elemento fático [...] para justificar a afirmação de que os profissionais “laboraram mediante pessoalidade, onerosidade, continuidade e subordinação.” [...] Não há qualquer indício ou comprovação de eu os s´[ócios ou empregados das empresas contratadas prestassem serviços com subordinação ou recebessem verbas de natureza trabalhista (ex.: férias, décimo terceiro salário, planos de saúde, etc.). [...] Ao assim proceder, a fiscalização violou gravemente o disposto no artigo 142 do CTN, que atribui aos agentes fiscais o ônus de comprovar inequivocamente a ocorrência do fato gerador. [...] PAGAMENTOS DE PREMIAÇÃO EM TORNEIOS DE VOLEI DE PRAIA [...] a fiscalização [conclui] que [a] premiação paga teria natureza de remuneração por serviços prestados por contribuintes individuais. As premiações pagas em concursos desportivos, contudo, não representam a remuneração de um serviço prestado. Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.131 14 [...] O organizador da competição não tem ingerência sobre o trabalho desenvolvido pelos competidores nem, tampouco, tem interesse em contratar desses a prestação de serviços. O objetivo da entidade organizadora é tão somente promover a competição esportiva. E o objetivo das atletas é a participação na competição, disputando o prêmio em dinheiro prometido. PAGAMENTO DE DIREITO DE IMAGEM REFERENTE A VOLEI DE PRAIA Na modalidade vôlei de praia, a CBV não creditava qualquer valor aos participantes de torneios a título de direito de imagem. Os direitos patrimoniais de imagem dos jogadores eram cedidos gratuitamente, como condição na participação nos torneios, nos quais as duplas disputavam premiações em dinheiro. [...] Tais valores referemse exclusivamente a pagamentos efetuados a pessoas jurídicas detentoras dos direitos de exploração da imagem de atletas que participaram de eventos especiais de exibição de voleibol patrocinados. [...] Não se trata, portanto, da prestação de serviços, mas apenas da cessão de direitos de imagem de atletas. [...] DA AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO E DOLO Como visto, toda a sistemática de contratações e pagamentos objeto da autuação combatida tem previsão legal e encontra amplo respaldo na jurisprudência desse próprio CARF. Não obstante, ao ver da autoridade fiscal, a contratação de pessoas jurídicas em relação de natureza personalíssima corresponderia a uma simulação, o que tornaria devida a multa agravada de 150% prevista no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/1996. [...] No entanto, o relatório fiscal não aponta a configuração de [sonegação, fraude ou conluio], limitandose a alegar a ocorrência de simulação prevista no art. 167 do Código Civil Brasileiro. [...] A inexistência do intuito de fraude da CBV e do próprio Recorrente é comprovada pela própria legalidade de seus atos, já exposta nos itens anteriores. [...] Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.132 15 Tampouco há qualquer simulação. [...] Portanto, por qualquer ângulo que se analise a questão, deve ser afastada a multa de 150% indevidamente aplicada pela fiscalização. DA INCORRETA RESPONSABILIZAÇÃO DO RECORRENTE Em função do suposto ilícito praticado, consubstanciado na simulação, que culminou com a imputação da multa de ofício qualificada de 150%, a Autoridade Fiscal lavrou em face do ora Recorrente “Termo de Sujeição Passiva Solidária” para fins de sua responsabilização nos termos do artigo 135 do CTN. No entanto, olvidouse a autoridade fiscal de demonstrar, nos termos exigidos pelo artigo 135, inciso III, do CTN, como o diretor presidente, ora Recorrente, teria cometido infração à lei ou agido com excesso de poder para que fosse possível e legal o redirecionamento da cobrança do crédito tributário para a sua pessoas. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Do recurso apresentado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) Conforme observado no relatório acima, a CBV foi cientificada do lançamento em 15/4/16 e apresentou seu recurso voluntário em 17/8/16, ou seja, após o prazo de 30 (trinta) dias, previsto no art. 33 do Decreto 70.235, de 6/3/72, o que impede o seu conhecimento, nos termos do art. 63, inciso I, da Lei 9.784, de 29/1/99. Todavia, como foi arguida, em preliminar, a tempestividade do recurso, fazermos a sua análise. A Recorrente alega, em síntese, que o presente processo era, originalmente, em meio físico, tendo sido todas as intimações realizadas por via postal, e que estava à espera de uma “cartaintimação da decisão administrativa de primeira instância”, mas que foi surpreendida com o novo formato de tramitação do processo, em meio digital, uma vez que não teria sido comunicada dessa mudança, pela Receita Federal. Aduz, ainda, que a abertura da mensagem eletrônica (no Portal eCAC), não estaria respaldada pelo art. 23, § 2º, inciso III, do Decreto 70.235/72, pois tal regra não se aplicaria “a processo administrativo instaurado e desenvolvido na forma física”. Contudo, em que pesem tais alegações, não merecem guarida. Primeiramente, não há previsão legal de que a regra do art. 23, § 2º, inciso III, do Decreto 70.235/72, não se aplicaria a processos iniciados em meio físico. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.133 16 Em segundo lugar, o Termo de Ciência de fl. 466 atesta, claramente, que a Recorrente abriu sua Caixa Postal, no Portal eCAC, em 15/4/16, às 15:00:39, e teve ciência da intimação do resultado do julgamento da sua impugnação. Logo, a alegação de que teria sido surpreendida pelo novo formato do processo, em meio digital, não tem o condão de justificar a apresentação intempestiva do recurso. Sendo assim, não cabe o conhecimento do recurso voluntário interposto pela CBV, uma vez que intempestivo. Do recurso apresentado pelo responsável solidário O recurso voluntário do responsável solidário é tempestivo e foi apresentado por procurador devidamente constituído, porém, das alegações recursais, somente a última alegação, tratando da sujeição passiva solidária, foi prequestionada em sede de impugnação. Logo, as demais alegações não serão conhecidas, pois, do contrário, importaria na supressão de instância e violação ao princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Para que não reste dúvida a respeito, vêse na impugnação de fls.408 a 411 que o responsável solidário não observou o disposto no art. 16, inciso III, do Decreto 70.235/72, uma vez que não trouxe, em sua peça defensiva, os motivos de fato e de direito para afastar a exação, mas apenas uma alegação genérica de que a autoridade autuante teria afrontado o art. 129, da Lei 11.196, de 21/11/05. Ademais, tanto no preâmbulo quanto na conclusão da impugnação, constata se que a defesa se limitou a contestar, tão somente, a responsabilidade solidária, nos seguintes termos: ARY DA GRAÇA FILHO, brasileiro, casado, advogado, residente na Av. Delfim Moreira nº 242, apt. 401, no Leblon, Rio de Janeiro, CEP 22.441000, portador da identidade nº 1.668.883 do IFP/RJ e do CPF nº 232.359.18868, nos autos do processo em referência, vem, tempestivamente, IMPUGNAR sua inclusão como responsável solidário pelo lançamento realizado contra a Confederação Brasileira de Voleibol, razão porque requer que V. As. Encaminhe suas razões anexas à Delegacia de Receita Federal de Julgamento. [...] Por tais razões espera seja julgada procedente a impugnação, excluindo o impugnante da não usual responsabilidade tributária, até agora, exclusiva da PGFN. Dessa forma, o presente recurso será conhecido parcialmente, para que seja julgada apenas a alegação referente à sujeição passiva solidária. Da alegação quanto à sujeição passiva solidária Segundo a defesa, a autoridade fiscal não teria demonstrado, nos termos exigidos pelo artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, “como o diretor presidente, ora Recorrente, teria cometido infração à lei ou agido Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.134 17 com excesso de poder para que fosse possível e legal o redirecionamento da cobrança do crédito tributário para a sua pessoa”. Pois bem, para melhor análise da questão, vejamos, de início, o que restou consignado no relatório fiscal, fls. 43 a 54: 1 – INTRODUÇÃO [...] 1.7 – A fiscalização, após análise minuciosa dos “Termos de Compromisso”, dos “Contratos de Prestação de Serviços”, da natureza das pessoas jurídicas envolvidas e das regras para participação nos torneios de voleibol, firmou o entendimento de que a Confederação Brasileira de Voleibol, ao remunerar atletas e membros das comissões técnicas segundo seu particular entendimento (pagamentos de premiações, direitos de uso de imagem e prestação de serviços a pessoas jurídicas e pagamentos de premiações a pessoas físicas atletas do voleibol de praia), violou o diploma pátrio legal, em particular a Consolidação das Lei do trabalho – CLT – e a Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, que define o custeio da Previdência Social. [...] 2.1 – Os atletas convocados pela CBV assinavam um “Termo de Compromisso” onde usavase frequentemente expressões como “enquanto estiver convocado pela CBV” ou “durante o período em que eu estiver convocado” para estipular as obrigações dos atletas com a CBV: assinando este “Termo de Compromisso”, e de acordo com o teor do mesmo, depreendiase inicialmente era pessoal, do atleta com a CBV. 2.2 – Prosseguindo, a relação se desenvolvia por um ´período (“enquanto estiver convocado pela CBV”), período este longo o suficiente para o atleta participar dos diversos circuitos e campeonatos internacionais, ou seja, a relação era contínua e não eventual no período em que ele, o atleta, estava convocado. 2.3 – Quanto à onerosidade de ralação, comprovouse na fiscalização que os atletas eram remunerados pelo exercício de sua profissão, em que pese a remuneração era denominada ora de direito de imagem, ora de recompensa. 2.4 – Também os atletas cumpriam uma série de obrigações com a CBV, desde o atendimento às convocações, obrigações com patrocinadores, com membros da comissão técnica, cumprimento de horários de treinos e viagens e zelo com materiais e instalações da CBV, caracterizando a subordinação do atleta à CBV. 2.5 – Ora, se havia pessoalidade, continuidade, onerosidade e subordinação, a relação entre a CBV e o atleta era de patrão e empregado: não caberia portanto à CBV “criar” um instrumento (“Termo de Compromisso”) em que “revogava” a Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.135 18 Consolidação das Leis do Trabalho – CLT – e desenquadrava o atleta profissional da condição de empregado. [...] 7 – DA SIMULAÇÃO E MULTA QUALIFICADA 7.1 – Estabelecida a natureza personalíssima da prestação de serviço a cargo dos atletas e membros das comissões técnicas, a descrição dos fatos aponta a ocorrência, em tese, de simulação por parte dos contratantes e beneficiários (CBV e atletas), em cujo cerne está o dolo de fraudar o pagamento de ônus fiscais, previdenciários e trabalhistas. 7.2 – Diante de tudo exposto, não resta dúvida de que os verdadeiros contratados nos instrumentos firmados entre a CBV e os atletas e membros das comissões técnicas foram as pessoas físicas dos mesmos, caracterizando a simulação conforme definido no art. 167 do Código Civil brasileiro, Lei 10.406/2002, [...]. 8 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 8.1 – Na análise dos fatos, considerando que ao usar o artifício de contratação de empregados através de pessoas jurídicas e de contribuintes individuais sem informação à Previdência agiuse com infração de lei, legitimase o redirecionamento da execução fiscal para Diretores da empresa, com base no artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). [...] 8.2 – Assim, com base no supramencionado artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), o lançamento do crédito tributário será realizado na empresa fiscalizada como contribuinte e a responsabilidade tributária imputada ao Diretor da empresa responsável pelas contratações, no caso, segundo o Estatuto da CBV, seu Diretor Presidente, em nome do qual foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária. Segundo se extrai da transcrição acima, restando evidenciada a presença dos elementos caracterizadores da relação emprego, as contratações efetuadas pela CBV buscaram dissimular contratos de emprego por meio da simulação de contratos com pessoas jurídicas. Tal conduta, inclusive, ensejou a qualificação da multa. Acontece, porém, que tais contratações simuladas somente puderam ser levadas a cabo com a participação ativa do Recorrente, na sua condição de presidente da CBV, segundo se observa no seguinte trecho da decisão recorrida, fl. 452: De fato, a leitura da Cópia do Estatuto da Confederação Brasileira de Voleibol – CBV (fls. 126/147) demonstra, notadamente, no item 34 desse estatuto, que sem a participação do Diretor Presidente não seria possível a formalização de contratações e dos pagamentos como se fossem efetuados em decorrência de uma relação jurídica estabelecida entre pessoas Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 15540.720327/201475 Acórdão n.º 2402006.784 S2C4T2 Fl. 2.136 19 jurídicas, que na realidade se referem a contraprestação dos serviços prestados à entidade (contribuinte), de forma pessoal, pelos atletas e pelos integrantes das comissões técnicas. Nesse particular, cabe trazermos à baila a lição de Leandro Paulsen1: Somente os "diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado" podem ser responsabilizados, e não todo e qualquer sócio. Fazse necessário, pois, que o sócio tenha exercido a direção ou a gerência da sociedade, com poder de gestão. Efetivamente, a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente, ou tolerado, a prática do ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. Constitui prova para a configuração da responsabilidade o fato de o agente encontrase na direção da empresa na data do cumprimento da obrigação, devendo ter poderes de decisão quanto ao recolhimento do tributo. Portanto, diante do quadro que se apresenta, não há como se afastar a pessoa do Recorrente das contratações voltadas a dissimular contratos de emprego e reduzir, indevidamente, as obrigações tributárias. Sendo assim, não merece retoque a decisão de primeira instância. Conclusão Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado pela CBV, por intempestividade, e por conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 1 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 9ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p.222. Fl. 2136DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.901676/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 16 76 /2 01 0- 59 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.901676/201059 Acórdão n.º 1301003.459 S1C3T1 Fl. 3 2 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10469.901675/201012, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que a legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares (de 32% para 8%), e que a RFB, através do ADI 18/2003 estabeleceu que são considerados serviços hospitalares os prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais: 1) a prestação de serviços pelos sócios e por outros profissionais que não compunham os quadros da sociedade; 2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza eminentemente científica. Ademais, discorre acerca do art. 23 da IN 306/2003, que para fins de equiparação de alguns serviços às atividades hospitalares, para fins tributários, devem ser atendidas exigências tais como: a) a prestação direta de serviços de atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou várias atividades previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.901676/201059 Acórdão n.º 1301003.459 S1C3T1 Fl. 4 3 primeiro atendimento, a prevenção de doenças, ações de educação, etc; c) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento em si, inclusive de urgência, procedimentos de enfermagem, a observação do paciente, a execução de diagnósticos e terapêuticos (por 24 horas, se for o caso); d) realização de procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes (externos e internos), dentre outras. Afirma também, que apenas não procedeu na retificação das DCTFs por impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo. O Acórdão recorrido entendeu não haver dúvidas de que as receitas provenientes de serviços hospitalares passou a incidir o percentual de presunção de 8%, excepcionandose tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente reforça os argumentos já apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro estimado, requerendo o seu direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.458, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10469.901675/2010 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.458): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de radiologia, diagnósticos médicos por imagem, ultrassonografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.901676/201059 Acórdão n.º 1301003.459 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15 § 1º inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será e: (...) III–trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.901676/201059 Acórdão n.º 1301003.459 S1C3T1 Fl. 6 5 que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10469.901676/201059 Acórdão n.º 1301003.459 S1C3T1 Fl. 7 6 partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000210/2008-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 11/07/2007
JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE
Os débitos para com a União não pagos em decorrência da suspensão da exigibilidade do crédito com o requisito do depósito de seu montante,não serão acrescidos de multa de mora, conforme prevê a última figura da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3001-000.562
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 11/07/2007 JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE Os débitos para com a União não pagos em decorrência da suspensão da exigibilidade do crédito com o requisito do depósito de seu montante,não serão acrescidos de multa de mora, conforme prevê a última figura da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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RADIOLOGIA E ULTRASONOGRAFIA DE MINAS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 11/07/2007 JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE Os débitos para com a União não pagos em decorrência da suspensão da exigibilidade do crédito com o requisito do depósito de seu montante,não serão acrescidos de multa de mora, conforme prevê a última figura da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 02 10 /2 00 8- 92 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Auto de infração com lançamento de imposto de IPI vinculado à importação, acrescido de juros de mora, sem a incidência de multa. Falta de recolhimento em tempo legal de tributo na importação de 01 (um) EQUIPAMENTO DE RESSONANCIA MAGNETICA MODELO SIGNA EXCITE 1.5T RECONDICIONADO, classificado sob o código NCM 9018.13.00, conforme se verifica no extrato da Declaração de Importação n° 07/09045691, registrada em 11/0712007. impetrou mandado de segurança na 19' Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2007.38.00.0215140, objetivando liminar para o desembaraço aduaneiro de equipamento médico importado sem a exigência do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, vinculado a importação. A liminar foi indeferida e posteriormente, a segurança denegada. 0 contribuinte realizou o depósito judicial do montante integral do crédito tributário na data de registro da DI para fins de liberação da mercadoria. lavro o presente Auto de Infração para o lançamento do referido tributo, com a EXIGIBILIDADE SUSPENSA pelo depósito do montante integral do crédito tributário, conforme processo judicial acima mencionado Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11891.000210/200892 Acórdão n.º 3001000.562 S3C0T1 Fl. 74 3 Impugnação em sua defesa, a recorrente resumiu os fatos até a consequente lavratura do auto de infração acima relatoriado, para, após sobrepor o tema dos juros postos em cobrança. Sustenta que realizou depósito do montante integral discutido, obtendo a suspensão da exigibilidade de crédito, sendo, assim, vedada a exigência de juros. Em seu entender, ao estar albergado sob o direito da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme decidido nos autos do mandado de segurança 2007.38.00.0215140, cujo objeto fora o desembaraço aduaneiro de equipamento médico importado sem a exigência do pagamento do IPI vinculado à importação. Argumenta, inclusive apontando jurisprudência que os assuntos tratados nestes autos administrativos e que deveria prevalecer a sede judicial. Ao final, após expôs que o tema lançado no auto de infração está sendo discutido via judicial, o que exigiria a extinção do ato administrativo fiscal. Traz à tela a discussão sobre a desnecessidade de lançamento tributário ante o depósito do montante integral, uma vez que, com o expediente em curso, não mais se operaria a decadência. Fl. 75DF CARF MF 4 Alegou, por fim, que uma vez insubsistente o auto de infração, em razão da existência da discussão em via judicial, não poderia ser cobradolhe, os juros de mora. A discussão centrase na incidência do IPI da importação de equipamento médico descrito na DI 07/0904569, na qual o crédito encontrase com a exibilidade suspensa em razão do depósito do montante integral em sede do mandado de segurança n.º 2007.38.00.0215140. Sendo requerido pela contribuinte a aplicação do artigo 151 do CTN. DRJ/SPO A impugnação foi recebida e devidamente processada recebendo, após seu julgamento, a seguinte ementa: Acórdão 1670.577 24ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 11/07/2007 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação judicial. Juros de Mora. Os juros de mora serão sempre devidos, ainda que suspensa a exigência por medida liminar, ex vi do artigo 161 do CTN, por serem mera decorrência do principal e, portanto, considerados definitivamente constituídos na esfera administrativa, juntamente com o tributo, que é discutido na via judicial. O relatório merece ser transcrito, assim como, os principais fundamentos do voto condutor: A interessada importou 01 (um) EQUIPAMENTO DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA MODELO SIGNA EXCITE 1.5T RECONDICIONADO, classificando sob o código NCM 9018.13.00, conforme extrato da Declaração de Importação n° 07/09045691, registrada em 11/07/2007. Conforme assevera a fiscalização, o crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa pelo depósito do montante integral realizado nos autos do processo n° 2007.38.00.0215140 da 19a Vara da Justiça Federal em Minas Gerais (art. 151, inciso II do Código Tributário Nacional) na data de registro da declaração de importação para fins de liberação da mercadoria, ou seja, esse equipamento foi desembaraçado sem a exigência do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, vinculado à importação por comprovação de depósito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11891.000210/200892 Acórdão n.º 3001000.562 S3C0T1 Fl. 75 5 Notase que a liminar foi indeferida e a segurança denegada mas que a Justiça Federal fez questão de frisar que o depósito integral do crédito (art. 151, II do CTN) constitui hipótese de suspensão do crédito tributário. Para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo da autuada o recolhimento do IPI e de seus respectivos juros moratórios, entendendo que fica a exigibilidade de tais créditos suspensa até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, num total de R$ 27.430,92. Regularmente intimada dos Autos de Infração, a interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a exigibilidade do tributo está suspensa não há que se falar em auto de infração, sendo insubsistente. é dispensável o ato formal do lançamento quando existe depósito judicial de tributo sujeito à homologação. os juros moratórios são incabíveis por haver depósito do montante integral. A fim de explanar o raciocínio empreendido, seguese os seguintes trechos: Consoante dispõem o § 2º, do artigo 1º, do Decretolei nº 1.737/1979, e o artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse entendimento, inclusive, foi externado pela Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, assim redigida: “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” No tocante ao mérito da questão propriamente dita, referente à cobrança de IPI na importação de bens, temos que no momento do lançamento, a questão era objeto de discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.38.00.0215140. Resta claro, portanto, que a ação ajuizada pela interessada possui o mesmo objeto deste processo administrativo. Assim, em observância ao princípio da prevalência da decisão judicial sobre aquela proferida Fl. 77DF CARF MF 6 Sobre os juros, a decisão de primeira instância administrativa considerou: Os juros de mora são, inevitavelmente, devidos quando os tributos ou contribuições não forem recolhidos tempestivamente, ressalvada a hipótese de depósito do montante integral correspondente ao crédito tributário sub judice, e que resulte em conversão de renda da União. A fluência de juros ocorre mesmo durante a suspensão da cobrança (por medida administrativa ou judicial), segundo determina o artigo 5º do Decreto Lei 1736/1979. Por fim, julgou pela procedência da cobrança dos juros de mora. Recurso Voluntário A recorrente não apresenta discordância quanto a existência de concomitância, insurgindose, tão somente, quanto a impossibilidade de haver exigibilidade de juros de mora, uma vez que a obrigação principal está sujeita ao depósito judicial do montante integral discutido, tendo sido declarada a suspensão da exigibilidade do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de juros de mora na cobrança de imposto sobre produtos industrializados vinculados à importação. A Receita Federal, mediante a lavratura do auto de infração, pôs em curso, procedimento de cobrança referente aos juros, em que pese a argumentaçao da recorrente que estes encargos não lhe poderiam ser cobrados, haja vista a matéria, além de estar sub judice, encontrase, também, com o crédito suspenso em razão de ordem judicial que autorizou o depósito do montante integral do tributo lançado. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em estrita análise, devese, neste colegiado, julgar se cabe ou não a incidência de juros de mora no caso apresentado. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL, para analisar a incidência de juros de mora em caso de suspensão de exigibilidade em decorrência de depósito do montante integral. MÉRITO Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11891.000210/200892 Acórdão n.º 3001000.562 S3C0T1 Fl. 76 7 O mérito da questão aqui tratada referese a possibilidade de cobrança de juros de mora em parcela submetida a depósito judicial. A matéria não oferta maiores dificuldades ao enfrentamento, vez que já é matéria tratada na súmula 05 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pois bem, é sabido que nestes autos, tratouse de decretar a concomitância e, em razão da especificidade do caso, no qual houve depósito do montante integral, devese obedecer à parte em destaque da súmula acima mencionada. Em fls. 09, verificase a presença de Decisão Judicial nos autos do mandado de segurança, que declara o direito da impetrante ao depósito premonitório, ao fito de suspender sua exigibilidade e, ao final, determinou que se informasse, com urgência, a Autoridade Impetrada, para fins de ciência acerca do depósito realizado. Isto porque, encontrase acostado em fls. 22 o encaminhamento do processo com o reconhecimento, por parte da autoridade fazendária, da efetividade do depósito do montante integral. Tal ato administrativo vem fundado no documento de fls. 19, que reconhece o código da receita 7389 IPI OUTROS DEPOSITO JUDICIAL, DATA DE ARRECADAÇÃO 11/07/07, BANCO 104, AGENCIA 0621, NO VALOR DE R$ 25.429,61. Por estes termos, constatase a efetividade do depósito, sendo perfeitamente posto sob égide da súmula em elenco. Desta forma, não deve incidir os juros de mora lançado em face do depósito anterior. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, darlhe total provimento para obstar a incidência dos juros de mora. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001845/2010-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TÍQUETE. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011.
Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em tíquete, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de forneci mento de alimentação in natura.
Numero da decisão: 9202-007.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TÍQUETE. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em tíquete, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de forneci mento de alimentação in natura.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.001845/201036 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.294 – 2ª Turma Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOTO SCARTON LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR MEIO DE TÍQUETE. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em tíquete, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de forneci mento de alimentação “in natura”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 45 /2 01 0- 36 Fl. 248DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403001.304, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.258.4381) lavrado por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I e parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com ciência em 13/12/2010. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13) a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, os valores pagos aos seus empregados a titulo de alimentação, fornecidos através de ticket, sem a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, conforme detalhado na planilha de fls. 16/41. Conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 14/15) o valor da penalidade pecuniária teve como base os artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 283, I, "a", e artigo 373, ambos do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, totalizando a importância de R$ 1.431,79. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 49/105. A DRJ/SDR, às fls. 135/142, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 148/177. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 186/193, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para afastar a incidência da contribuição sobre as parcelas pagas a título de vale alimentação e de alimentação in natura, nos termos do voto. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 10 3 O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de valealimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios. Recurso Voluntário provido Às fls. 195/201, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Salário indireto Alimentação in natura sem PAT. O acórdão recorrido considerou que o fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de valealimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios. Já o acórdão paradigma diverge, no sentido de que não tendo a empresa comprovado sua inscrição no PAT, os valores passaram a constituir salário de contribuição. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 212/213, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Salário indireto Alimentação in natura sem PAT. Cientificado, conforme fls. 216/217, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 221/238, reforçou, no mérito, os argumentos aduzidos no acórdão recorrido, requerendo a manutenção do mesmo. Os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.258.4381) lavrado por infração ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I e parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com ciência em 13/12/2010. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13) a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, os valores pagos aos seus empregados a titulo de alimentação, fornecidos através de ticket, sem a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, conforme detalhado na planilha de fls. 16/41. Conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 14/15) o valor da penalidade pecuniária teve como base os artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 283, I, "a", e artigo 373, ambos do RPS, Fl. 250DF CARF MF 4 atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, totalizando a importância de R$ 1.431,79. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Salário indireto Alimentação in natura sem PAT. Conforme descrito no relatório, a discussão devolvida a este Colegiado por meio do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional resumese em decidir se as parcelas referentes a fornecimento de alimentação por meio de ticket (vale‑ refeição) podem ser consideradas como prestações in natura para fins de aplicação da isenção prevista no art. 28, §9º, 'c' da Lei nº 8.212/91. Essa matéria não é nova na apreciação deste Colegiado, de modo que, na oportunidade em que me manifestei foi no sentido de acompanhar o voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, no Acórdão N. 9202005.756, o qual adoto como razão de decidir para aplicação no caso destes autos, os quais analiso a frente: "Quanto a não incidência da contribuição sobre os valores pagos in natura podemos resumir o entendimento pacificado e vinculante (por força do art. 62, §1º, II, 'c' do RICARF), nos termos em que exposto no parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11: Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Referido parecer não se aplica ao caso concreto pois o mesmo utiliza a expressão in natura em seu sentido estrito (gênero alimentício), e conforme consta da peça de impugnação e do recurso estamos diante de fornecimento de alimentação na modalidade de valealimentação/saláriorefeição sem adesão da empresa ao PAT. Entretanto, independente do entendimento pacificado, filiome a corrente de que o pagamento de auxílio alimentação por meio de vales, cartões ou tickets também não compõe a base de cálculo da contribuição, nos temos do art. 28, §9º, "c" da Lei nº 8.212, de 1991. Em uma análise ampla, realizando uma interpretação lógica da jurisprudência e das normas que regulamentam o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, entendo que devem ser Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 11 5 considerados como pagos in natura as três modalidade de execução do programa previstas no art. 4º do Decreto nº 05/1991. Vejamos: A Lei nº 8.212/91, quando trata da matéria, prevê entre as exceções do §8º do art. 28 que não integram o saláriode contribuição, exclusivamente, a parcela a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. A legislação previdência se limitou a reproduzir o art. 3º da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 a qual originalmente trata dos efeitos do benefício sobre a tributação do Imposto de Renda. O citado art. 3º assim dispõe: "Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho." O Decreto nº 05/1991, o qual regulamenta com mais detalhes os requisitos de enquadramento no PAT, prevê que para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode se valer de três modalidades de fornecimento de alimentação: i) manter serviço próprio de refeições, ii) distribuir alimentos e iii) firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. O mesmo decreto reforça: "Nos Programas de Alimentação do Trabalhador (PAT), previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga innatura pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Vale citar a Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho nº 3/2002, que baixa instruções sobre a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) faz os seguintes esclarecimentos sobre as modalidades de fornecimento de alimentação: Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam registradas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. (Redação dada pela Portaria nº. 61/ 2003) Fl. 252DF CARF MF 6 Art. 10. Quando a pessoa jurídica beneficiária fornecer a seus trabalhadores documentos de legitimação (impressos, cartões eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada) que permitam a aquisição de refeições ou de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, o valor o documento deverá ser suficiente para atender às exigências nutricionais do PAT. ... Art. 12. A pessoa jurídica será registrada no PAT nas seguintes categorias: I – fornecedora de alimentação coletiva: a) operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas transportadas; b) administradora de cozinha da contratante; c) fornecedora de cestas de alimento e similares, para transporte individual. II – prestadora de serviço de alimentação coletiva: a) administradora de documentos de legitimação para aquisição de refeições em restaurantes e estabelecimentos similares (refeição convênio); b) administradora de documentos de legitimação para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentação convênio). Parágrafo único. O registro poderá ser concedido nas duas modalidades aludidas no inciso II, sendo, neste caso, obrigatória a emissão de documentos de legitimação distintos. Se interpretarmos como fornecimento de parcela in natura apenas as duas primeiras modalidades citadas no Decreto nº 05/1991 (manter serviço próprio de refeições e distribuir alimentos), forçosamente, deveríamos concluir que apenas essas não comporiam o saláriodecontribuição. O fornecimento de alimentação por meio de "documentos de legitimação" expedidos por empresas prestadoras de serviço de alimentação coletiva (vales, cartões e outros), ainda que haja a inscrição no PAT não estariam incluídos na exceção do art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 e do art. 3º da Lei nº 6.321/76. Ocorre que não é isso o que acontece. O entendimento que prevalece, inclusive na Justiça Especializada do Trabalho é o de que os valores pagos com observância das regras previstas no PAT (não sendo feita qualquer ressalva quanto a modalidade de execução) não compõe o salário e estão isentos dos encargos sociais. Vale citar informação disponível no sítio do Ministério do Trabalho no portal do PAT "PAT Responde Orientações": 3 Quais as vantagens para o empregador que adere ao PAT? Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 12 7 A parcela do valor dos benefícios concedidos aos trabalhadores paga pelo empregador que se inscreve no Programa é isenta de encargos sociais (contribuição para o Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço – FGTS e contribuição previdenciária). Além disso, o empregador optante pela tributação com base no lucro real pode deduzir parte das despesas com o PAT do imposto sobre a renda. Referência normativa: arts. 1º, caput e 3º, da Lei nº 6.321, de 1976; arts. 1º e 6º, do Decreto nº 5, 4 de 1991. Diante desta realidade, onde para a jurisprudência e para a Administração Pública ainda que a lei cite a expressão in natura também não incide contribuição previdenciária sobre alimentação fornecida na modalidade de vales, cupons e tickets quando ocorrer o correto cadastro no PAT, temos como conclusão lógica a de que todas as modalidades de execução do programa de alimentação do trabalhador possuem natureza de fornecimento in natura de alimentos aos empregados das empresas beneficiárias. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no sentido de o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Ora, conforme exposto, considerando que o Decreto nº 05/1991 não faz distinção entre as respectivas modalidades de execução do programa onde todas são classificadas como pagamento in natura, devo entender que seja na entrega de refeição, de cesta básica ou nos serviços prestados por meio de empresas de alimentação coletiva, o fornecido da alimentação é feita pela própria empresa, razão pela qual ainda que não seja esse o conteúdo da parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 não vejo como afastar o entendimento do STJ para os valores repassados aos trabalhadores por meio de "documentos de legitimação para aquisição de refeições" e " documentos de legitimação para aquisição de gêneros alimentícios". No meu entendimento, somente irão compor o saláriode contribuição o auxílioalimentação pago com habitualidade e por meio da entrega ao trabalhador de moeda corrente ou mediante crédito em conta (onde não há a participação de empresa especializada em alimentação coletiva), nestes casos os valores assumirão feição salarial e, desse modo, integrarão a base de cálculo da contribuição previdenciária." Na hipótese em análise, tratase de vale alimentação/refeição fornecido e sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). De acordo com o Relatório Fiscal, FLS 13: Fl. 254DF CARF MF 8 · a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, os valores pagos aos seus empregados a titulo de alimentação, fornecidos através de ticket, sem a adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, conforme detalhado na planilha de fls. 16/41. Neste ponto verifico que o acórdão recorrido, redigido voto vencedor pelo Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, não merece reforma, devendo ser mantido em seus exatos termos: "A leitura atenta da decisão, por óbvio reproduzida no parecer, A autuação em tela decorreu do fato de o recorrente fornecer a seus empregados alimentação in natura e de valealimentação sem estar inscrito Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Consoante depreendese da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, a parcela “in natura” recebida de acordo com o programa de alimentação de que trata a Lei 6.321, de 14 de abril de 1976, não integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. Apesar do posicionamento inicial da administração de que o fornecimento de alimentação somente estaria fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, se viesse acompanhado da inscrição junto ao PAT, após reiterada jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, ela curvouse ao entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. É o que se vê do Ato Declaratório PGFN 3, de 2011. No caso concreto, entendemos que o fato de o alimento ser fornecido sob a forma de valealimentação ou de alimentação in natura não desvirtua a sua natureza de alimento. Isso porque os valesalimentação são simples documentos de legitimação, cuja utilização destinase, com exclusividade, à aquisição de gêneros alimentícios, não podendo lhes ser dada outra destinação. Com isso, na prática, o fornecimento de valealimentação é simplesmente uma forma alternativa de fornecer o alimento in natura, tendo, como único diferencial em relação a este, o fato de permitir que o trabalhador escolha o tipo de alimento que pretende consumir. Mas esse simples fato, por si só, não retira a sua natureza indenizatória. Nesse sentido, tanto a parcela correspondente ao fornecimento de alimentação in natura, como o valor do valealimentação não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária, motivo pelo qual, não há, por parte do empregador, qualquer infração à legislação previdenciária." Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 13 9 Nesse sentido, entendo que o auxílio alimentação pago por meio de cartão de alimentação ou de refeição tem os mesmo efeitos do pagamento 'in natura'. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante os fundamentos suscitados pela i. Relatora, entendo que a legislação afeta ao tema e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ a respeito da matéria em litígio conduzem a conclusão diversa. A matriz constitucional das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos trabalhadores em geral é a alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal que dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; [...] Com base na previsão constitucional, o art. 28 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias de empregadores e empregados, definida na lei como “saláriodecontribuição”. Vejamos a abrangência legal do saláriodecontribuição em relação à remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos: Fl. 256DF CARF MF 10 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; É certo que a Lei de Custeio Previdenciário, sendo norma de caráter tributário, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao inserir o termo “salário” na definição da base de cálculo das contribuições, a norma previdenciária buscou preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abrangência. O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições previdenciárias (saláriodecontribuição) abrange toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, além de outras prestações e in natura. Excluise da tributação somente aqueles benefícios abrangidos por alguma regra isentiva ou que tenham sido disponibilizados para a prestação de serviços, a exemplo de vestuário, equipamentos e outros acessórios destinados a esse fim. 1 CTN, art. 110. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 14 11 Dessarte, a definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação às rubricas objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Nessa esteira, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 relaciona, de forma exaustiva, as diversas verbas de natureza salarial que podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Em se tratando de salário utilidade pago sob a forma de alimentação, dispõe a alínea “c” do citado § 9º: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] No mesmo sentido é o art. 3º da Lei nº 6.321/1976 que dispõe: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Nos termos dos disposições legais encimadas, para que a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo segurado empregado seja excluída do saláriode contribuição é necessário que essa seja paga de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, instituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de conformidade com a Lei nº 6.321/1976. Não se olvide que o descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção têm como consequência lógica a incidência da exação tributária, corretamente formalizada por meio da autuação objeto do presente processo administrativo. Cabe aqui ressaltar que o art. 111 do CTN estabelece que as normas afetas a outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. A despeito do que dispõe a legislação trabalhista e tributária, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílioalimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg ao REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Fl. 258DF CARF MF 12 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Em virtude do entendimento pacificado no STJ, foi editado o Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT. Conforme alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Resta, portanto, perquirir se a situação retratada nos autos se amolda ou não ao previsto em referido Ato Declaratório. No caso concreto, a matéria devolvida a este Colegiado referese especificamente a auxílio alimentação pago por meio de tíquetes. Não há qualquer contestação quanto o que fora apurado pela Fiscalização de que o auxílio alimentação foi disponibilizado aos trabalhadores da empresa autuada pela utilização de tal instrumento, essa questão é inclusive reiterada nas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Contudo, o Ato Declaratório PGFN nº 3/2011, bem assim os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg ao REsp nº 1.119.787 (ementa reproduzida acima), fazem referência a auxílioalimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, ou seja, o pagamento do benefício feito por meio de tíquetes não está abrangido pelo ato administrativo da PGFN e nem pelas decisões judiciais aqui suscitadas. Desse modo, para se beneficiar da isenção prevista na alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 a empresa necessitaria cumprir rigorosamente os requisitos previstos nesse dispositivo, isto é, o benefício teria de observar as diretrizes dos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o que não se verifica na situação ora analisada. O cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, em observância ao art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002, in verbis: Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15586.001845/201036 Acórdão n.º 9202007.294 CSRFT2 Fl. 15 13 Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). § 1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. § 2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação2 . § 3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Asseverese que a inscrição no PAT tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Não tendo o sujeito passivo adotado essa medida e não estando ele amparado pelo Ato Declaratório PGFN nº 3/2011, não vejo como considerálo isento de contribuições previdenciárias. Conclusão Ante o exposto voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903176/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 76 /2 00 9- 40 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903176/200940 Acórdão n.º 1402003.375 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 58DF CARF MF 4 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903176/200940 Acórdão n.º 1402003.375 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903176/200940 Acórdão n.º 1402003.375 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.721007/2012-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. INTENÇÃO DO AGENTE. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato nem da demonstração, pelo Fisco, da presença do elemento volitivo nos atos praticados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008
IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE/DESTINATÁRIO DA MERCADORIA. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PREVISÃO LEGAL.
Por expressa previsão legal, respondem solidariamente pela infração o adquirente no mercado interno ou o destinatário no mercado interno das mercadorias importadas nos casos de importação realizada por sua conta e ordem ou por encomenda.
Numero da decisão: 9303-007.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. INTENÇÃO DO AGENTE. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato nem da demonstração, pelo Fisco, da presença do elemento volitivo nos atos praticados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE/DESTINATÁRIO DA MERCADORIA. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, respondem solidariamente pela infração o adquirente no mercado interno ou o destinatário no mercado interno das mercadorias importadas nos casos de importação realizada por sua conta e ordem ou por encomenda.
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CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. INTENÇÃO DO AGENTE. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato nem da demonstração, pelo Fisco, da presença do elemento volitivo nos atos praticados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE/DESTINATÁRIO DA MERCADORIA. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, respondem solidariamente pela infração o adquirente no mercado interno ou o destinatário no mercado interno das mercadorias importadas nos casos de importação realizada por sua conta e ordem ou por encomenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 10 07 /2 01 2- 48 Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 3 2 conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3201001.543, de 29 de janeiro de 2014 (fls. 2117 a 2145 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo de voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte First S/A, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 9.542.516,08 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada teve duas Declarações de Importação fiscalizadas em unidade de fronteira da Receita Federal do Brasil. No decorrer daquela fiscalização foram levantados indícios de que haveria a prática de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela interessada, pois as importações eram realizadas na modalidade “direta”. Foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações, transportador e despachante aduaneiro, bem como do próprio diretor da empresa. Também foram apreendidas mensagens eletrônicas que confirmaram as Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 4 3 suspeitas iniciais. Assim, foi realizada fiscalização nas Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 2007 a 2009. A descrição dos fatos do auto de infração foi assim resumida pela fiscalização em seu relatório fiscal: “Diante do relatado acima, podemos concluir que: A FIRST S/A atuava como intermediária nas operações de importação de preformas PET, que são objeto desta fiscalização, ocorridas entre julho de 2007 e setembro de 2008. As preformas PET a serem importadas eram definidas, em quantidade e características, pelas empresas clientes da FIRST, no caso do presente auto, a empresa Uberlândia Refrescos. As empresas destinatárias das preformas PET mantinham contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. A empresa FIRST procurou ocultar da fiscalização, no decorrer tanto do procedimento especial de controle instaurado pela IRF/Santana do Livramento quanto no decorrer da presente fiscalização, que as preformas PET, por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A emissão de notas fiscais de venda para os reais adquirentes das preformas PET, antes mesmo da liberação das mercadorias pela alfândega, era uma prática recorrente da empresa, uma vez que os reais adquirentes já eram conhecidos pela FIRST antes mesmo da importação ocorrer. Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa FIRST S/A e eram reembolsados a ela, pelas reais adquirentes das mercadorias. A empresa FIRST S/A atuava como prestadora de serviços de importação para empresas que utilizavam preformas PET em seus processos produtivos, entre elas a empresa Uberlândia Refrescos Ltda. Houve ocultação do real adquirente (comprador no exterior) das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 5 4 As operações realizadas pela FIRST, por suas características e, tendo em vista que a mercadoria a ser importada (quantidade, tipo, preço) era sempre definida, previamente, em negociação direta entre o adquirente das mercadorias (Uberlândia) e o exportador, se enquadram como importações por conta e ordem de terceiros.”. Com relação às penalidades, assim, concluiu a fiscalização: “Diante de todo exposto no presente Relatório e nos documentos citados, concluise que: A empresa FIRST S/A efetuou diversas operações de importação de preformas PET (DI constantes na Tabela 1), onde declarava importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude. Neste auto, a empresa ocultada foi a Uberlândia Refrescos Ltda. Todas as operações de importação de preforma PET analisadas nesta fiscalização foram realizadas em nome da empresa Uberlândia Refrescos Ltda. A conduta da empresa FIRST S/A configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros) permaneceu oculto. Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas FIRST e Uberlândia Refrescos Ltda, o que configura fraude tributária. Restou demonstrado que a empresa FIRST S/A, mediante cessão de seu nome e seus documentos, importou preformas PET, na realidade, por conta e ordem da empresa Uberlândia Refrescos Ltda., sendo esta empresa acobertada das relações obrigacionais tributárias formadas. Resumindo, concluísse que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário das preformas PET importadas nas DI sob fiscalização (tabela 1), configurando a prática de OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.”. Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 6 5 Assim conclui a fiscalização: “Sendo assim e, tendo em vista que: 1. As mercadorias importadas não estavam mais na posse da importadora, uma vez que foram entregues às adquirentes; 2. As mercadorias foram importadas no período de julho de 2007 a agosto de 2009, para serem utilizadas no processo produtivo da adquirente; 3. Não haveria possibilidade de serem identificadas no estoque da adquirente (uma vez que incluída no estoque, não é possível diferenciar uma preforma PET importada numa data de outra importada numa outra ocasião, pelo fato de as mercadorias não terem uma identificação única e específica). Aplicase, então, a multa do art. 23, V, parágrafos 1° e 3° do DecretoLei 1455 de 1976. Resta esclarecer que, pela prática da infração descrita no artigo 23, inciso V, e parágrafos 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, respondem as empresas FIRST S/A e Uberlândia Refrescos Ltda. em virtude da responsabilidade estabelecida no DecretoLei nº 37, de 1966, com as alterações feitas pela Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Finalmente, então diante dos elementos analisados acima, concluise que essa conduta dolosa resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, consubstanciando simulação para ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23 do DecretoLei n.º 1.455/76, além de restar comprovada a responsabilidade solidária da empresa Uberlândia Refrescos Ltda.” Cientificados do auto de infração, os Contribuintes First S/A e Uberlândia Refrescos Ltda. apresentaram suas respectivas impugnações. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos Contribuintes. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 7 6 Irresignados com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte First S.A., na qualidade de importadora e o Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda., na qualidade de real adquirente, apresentaram seus recursos voluntários. O Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 8 7 cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte First S/A interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 2165 a 2179) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte Uberlândia Refresco Ltda. opôs Embargos de Declaração (fls. 2212 a 2279), sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 2281 a 2286. O Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda. também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 2296 a 2346) em face do acórdão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada diz respeito à caracterização da interposição fraudulenta mediante a ocultação do real adquirente e sua inclusão na autuação fiscal na condição de responsável solidário. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte “Uberlândia” apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3402002.275 e 3402 002.27. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor do acórdãos paradigmas documentos de fls. 2389 a 2421. Em análise à admissibilidade dos recursos especiais interpostos pelos Contribuintes, conforme despacho de fls. 2442 a 2448, entendeuse que restou evidenciada a divergência suscitada pelo recorrente UBERLÂNDIA REFRESCOS LTDA em relação à a ocultação do real importador das mercadorias e sua condição de responsável solidário, admitindo o Recurso Especial do Contribuinte UBERLÂNDIA REFRESCOS LTDA. Quanto Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 9 8 ao recorrente FIRST S/A, entendeuse que não ficou demonstrada a divergência apontada em relação à comprovação de fraude a ela imputada, desta forma, foi negado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte First S/A. No reexame de admissibilidade, foi mantida na íntegra a decisão que negou seguimento ao do Recurso Especial do Contribuinte First S/A., despacho de fls. 2449 e 2450. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2458 a 2465, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda entendo que devo conhecêlos, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho de fls. 2442 a 2448. Do mérito A discursão dos presentes autos se refere aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo o que de fato ocorreu foi importação por encomenda, e não por conta e ordem, bem como que há licitude dos recursos utilizados na importação – o que resta afastar qualquer caracterização de fraude, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 10 9 Para melhor elucidar o meu entendimento, peço licença para transcrever o voto irretocável, voto vencedor do nobre ex. Conselheiro João Carlos Cassuli Jr, acordão n.º 3402002.275: Para dar vasão a incumbência que me foi atribuída, relativa à redação do voto vencedor do julgamento ocorrido para estes autos, constato, inicialmente, que a contenda emerge da acusação fiscal de “interposição fraudulenta”, com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, com as alterações trazidas pelo art. 59, da Lei n° 10.637/2002, e ainda, com imputação de responsabilidade solidária aos supostos reais adquirentes, que teriam sido fraudulentamente ocultados, com embasamento legal no art. 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/66. Tais dispositivos, por constituíremse na “espinha dorsal” do ato administrativo e lhe conferirem a indispensável legalidade, merecem ser reproduzidos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) – Grifouse. Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 11 10 Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) Efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) As operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) Praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiro; (d) Utilizou indevidamente benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; (e) Cedeu nome e documentos para os terceiros, reais importadores por conta e ordem, e que acobertaram relações obrigacionais de prestações de serviços e não de compra e venda; (f) “Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” As condutas imputadas à FIRST justificaram a autuação pela prática de “interposição fraudulenta” de terceiros (art. 23, inciso V, do DL 1.455/76), e como as mercadorias já não mais existiam, na maioria dos casos houve a aplicação da pena de multa substitutiva da pena de perdimento, no percentual de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Tenho, porém, que alguns elementos iniciais, a guisa de premissas, devem ser perquiridos antes que se possa chumbar definitivamente o acerto ou desacerto do ato fiscal, ou a lisura ou o deslize da conduta do contribuinte, até porque aqui estamos cuidando de uma questão capital, de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 12 11 simulação, que deve, antes de mais nada, estar suportada em prova robusta e inquestionável, convenhamos. Está claro que o ato fiscal, ao imputar as condutas de ocultação do real adquirente a empresa FIRST S/A, desqualificou a “importação direta” para importação “por conta e ordem de terceiro”, e ao qualificar o ato como sendo “simulado”, foi textual em dizer que o ato simulado foi a compra no mercado externo com a subseqüente venda no mercado interno (da FIRST – importadora , para o terceiro real adquirente: ATO SIMULADO; para FIRST prestadora de serviços de importação por conta e ordem, para real adquirente, tomador de serviços e real importador: ATO DISSIMULADO). Daí porque é indispensável para que esteja presente o instituto da “simulação”, que tenha concretamente havido o negócio jurídico simulado, o qual foi claramente apontado, qual seja: prestação de serviços de “importação por conta e ordem”. Sabemos que em matéria de comércio exterior existem três modalidades de importação, a saber: direta, por encomenda, e por conta e ordem. Os ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em trabalho inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, conceituam as três modalidades de importação, nos seguintes termos: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 13 12 A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 14 13 salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)”1 Quanto a importação direta, não há dúvidas. Ela é a clássica, na qual o importador importa para si próprio ou para seu consumo ou revenda. Ele assume todos os riscos e procedimentos e usa ou revende o produto. Não há participação de terceiro. Nesse caso, é típico que ocorram dois fatos geradores dos diversos tributos, aqueles incidentes no desembaraço aduaneiro relativos a importação e os outros na operação de venda no mercado interno. Já no que diz respeito às outras duas modalidades, e agora buscando no próprio sítio na internet, vemos que a Receita Federal do Brasil distingue claramente as modalidades de importação “por encomenda” daquela “por conta e ordem”, de modo que, positivamente, são modalidades diversas, sendo que as mesmas se desigualam pelo fato de que, realmente, na modalidade “por encomenda”, o encomendante até pode escolher a mercadoria e mesmo participar de atos de negociação (conforme regra legal abaixo referenciada), mas há também duas operações, uma de importação, pelo importador, e outra de venda, deste para o encomendante, e nesse caso, quem assume todos os riscos da importação, tais como o pagamento do preço pela importação, riscos cambiais (oscilações etc.), é o importador e não o encomendante. Já na importação “por conta e ordem”, tratase de mera prestação de serviços, não havendo “operação de venda no mercado interno”, e quem assume o risco da operação é o ordenante, por conta de quem a operação se realiza. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 15 14 A análise dos emails que constam dos autos, dá conta de que os “supostos reais adquirentes” tiveram, uns mais e outros menos, algum conhecimento das negociações mantidas entre a FIRST e os exportadores sediados no exterior. Tal situação, a meu ver, caracteriza a hipótese do art. 11, §3°, da Lei n° 11.281/2006, pelo qual: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem .... participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Esse preceito legal, em cotejo com a prova dos autos, colhida pela fiscalização, não firma a existência de importação “por conta e ordem”, mas antes afasta acusação de fraude ou simulação, firmando, a meu sentir, a certeza da existência, na pior (ou melhor) das hipóteses, de importação “por encomenda”. No que diz respeito ao benefício do ICMS no Estado de Santa Catarina, relendo a legislação que implementou o denominado “PróEmprego” , não identifiquei nenhum condicionante que para usufruir do incentivo fiscal as importações devessem ser realizadas obrigatoriamente apenas por uma ou algumas dessas modalidades de importações (direta, por encomenda ou por conta e ordem); e, ainda, havia o benefício na revenda de mercadoria, mesmo para compradores fora do Estado, e não apenas para aqueles sediados em SC. Tais aspectos, no meu entendimento, acabam por retirar o possível interesse e até sentido lógico de se fraudar ou simular para ocultar o real adquirente, de modo que a questão do benefício do ICMS tornase fator irrelevante para o deslinde da causa e para sustentar a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário, porque não se presta para servir de “motivo” de eventual simulação ou fraude. Outro aspecto incontroverso dos autos que entendo relevante para a conclusão, é o fato de que sempre quem efetivou o pagamento pelas Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 16 15 importações foi a FIRST S.A. (fechamento de câmbio), e, portanto foi ela que assumiu os riscos da operação de importação (oscilações cambiais), subsequentemente emitindo nota fiscal de venda do produto para os “supostos reais adquirentes”. O fato de tais “supostos reais adquirentes” saberem os produtos que iriam adquirir, denota que tal operação poderia ser da modalidade “por encomenda”, mas jamais que se enquadraria na modalidade que foi capitulada pela autoridade fiscal, que foi taxativa em dizer tratarse de operação “por conta e ordem“ (§3°, do art. 11, da Lei 11.281/06). Tal fator recebe destaque pelos ilustres Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, no já citado artigo, ao concluírem sua exposição sobre a modalidade de “importação por encomenda”, diferenciandoa da “por conta e ordem”, a saber: “Com efeito, cumpre desde já salientar que o artigo 12 da IN SRF 247/02 estabelece que, SE nas operações de importação houver utilização de recursos de terceiros, poderá ser presumida a operação ‘por conta e ordem de terceiros’ o que implicaria o suposto ilícito de interposição fraudulenta de terceiros.” – grifouse. Vejase que a operação de importação não pode ser por conta OU ordem. Deve ser por conta E ordem, de modo que o elemento pagamento é fundamental para qualificar essa espécie de importação, e sendo o pagamento feito pela importadora, com recursos próprios, a importação será ou direta ou por encomenda, não havendo espaço para a importação por conta e ordem. Não se poderia ter olvidado que os recursos sempre foram da FIRST S/A, e, portanto, a operação não seria por conta e ordem, mas quando muito “por encomenda”. Isto está claro inclusive na decisão da DRJ, que reconhece esse fato, mas relevam pelo fato de que, de todo modo, teria havido o fato “ocultação”. O mesmo se dá com a sentença prolatada pelo Excelentíssimo Magistrado Gaúcho, que concedeu parcialmente a segurança para algumas DI’s na Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 17 16 fronteira daquele estado, que reconheceu textualmente tratarseia de operação de “importação por encomenda”. E esse reconhecimento (que estamos diante de uma operação “por encomenda” e não de uma importação “por conta e ordem”), no meu entendimento, se afigura fundamental para o deslinde da questão pelo fato de que, não basta a “ocultação pura e simples”, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O conceito de fraude, dado pelo artigo 72, da Lei 4.502/644, em cotejo aos fatos dos autos, deixa claro que aqui não se está diante da hipótese de fraude, pois que não se impediu ou retardou o fato gerador e nem se excluiu ou modificou suas características essenciais, pois que não se deixou de recolher os tributos nas operações. Portanto, como bem sustentado pelo fiscal autuante, se trataria de simulação, cujo ato simulado teria sido a importação direta, e o ato dissimulado teria sido a “prestação de serviços” inerente à importação por conta e ordem. Se, porém, a importação não se qualifica legalmente como “por conta e ordem”, como reconhece a própria DRJ e mesmo os diversos elementos dos autos, e quando muito se qualificaria como “por encomenda”, que na verdade gera uma venda no mercado interno – tal e qual foi retratado nos documentos fiscais (o que põe em questionamento inclusive a máfé que está ínsita na acusação fiscal) – não há como se extrair ou caracterizar a simulação. Até pode ter havido “ocultação”, mas não há “simulação”, pois que o ato dissimulado, que era a “prestação de serviços” inerentes a importação “por conta e ordem”, inexistente no caso. Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 18 17 De qualquer forma, ainda que viesse a ser superada esta situação, quanto a responsabilidade solidária, do mesmo modo e pelos mesmos motivos, também não há como persistir, pois que, nos termos do art. 95, V, do DecretoLei n° 37/66, reportasse especificamente à imputação de responsabilidade solidária em caso de importação por conta e ordem, e não para os casos de importação por encomenda, caso que aqui está incontroverso que é a hipótese que realmente se molda ao fatos ocorridos. Deste modo, mesmo que se resolva manter a autuação pelo fato de que houvesse ocultação, embora da pessoa do encomendante (o que seria inadmissível, pois que no meu ver estarseia alterando o fundamento jurídico e a capitulação legal do lançamento e o motivo do ato tido por dissimulado), ainda assim, não se poderia estender a responsabilidade solidária por analogia, pois sabidamente a solidariedade não se presume. No entanto, a análise de mérito, atinente à inexistência de ato dissimulado à fazer contraponto à simulação, e eu leva à inexistência de ato simulado, consequentemente, já são plenamente suficientes para que se conclua pela impossibilidade de manutenção do lançamento tributário, pois que não se consumou a hipótese legal que dá sustentação ao ato administrativo pertinente. Com efeito, com a vênia ao ilustre relator, acabo por divergir seu brilhante voto, e, consequentemente, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a autuação, nos termos do que acima restou exposto. Como dito acima, a importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada em contrato firmado entre ambas as empresas (a importadora e a encomendante). Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 19 18 Em resumo, o importador adquire a mercadoria no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante. Assim, para o importador contratado, a operação tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação por conta própria. Em última análise, embora exista a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é o importador que deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação e, de forma semelhante, e o encomendante que deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. A despeito de a fiscalização ter enquadrado as operações de importação realizadas pela First como importação por conta e ordem, há manifestação expressa no Relatório de Ação Fiscal de que os recursos financeiros utilizados pela importadora eram próprios. Ora, se é verdade que a First dispunha de recursos próprios para dar curso às operações de comércio exterior que foram objeto da autuação ora discutida, isso já seria suficiente para afastar o enquadramento da fiscalização, eis que, como visto, a importação por conta e ordem pressupõe que os recursos empregados nas operações dessa natureza tenham origem alheia ao importador. Quando os recursos pertencem ao próprio importador, ou a importação é direta ou é por encomenda. O fato de a First emitir notas fiscais de venda Uberlândia Refrescos Ltda. antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas não tem qualquer relevância para fins de caracterização da importação por conta e ordem, se a própria fiscalização admitiu que os recursos eram da First. Cabe trazer que ainda que a First não tenha declarado as operações de importação de forma irregular, considerando que tinha de antemão conhecimento de que as mercadorias importadas seriam vendidas à Uberlândia Refrescos Ltda, não confere a caracterização de fraude – mas apenas atesta que que descumpriu a obrigação de se declarar as operações como importação por encomenda, nos termos do art. 11 da Lei 11.281/06 e da IN SRF nº 634/06: “Lei 11.281/06 Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 20 19 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presume se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” “IN 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 21 20 § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” In casu, resta, assim, claro estarmos diante de uma operação por encomenda. No que tange às operações alegadamente simuladas pela autoridade fazendária vendas realizadas entre a First e a Uberlândia Refrescos Ltda., temse que não devem ser consideradas simuladas, eis que as vendas declaradas inequivocamente foram realizadas. Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 22 21 Sendo assim, depreendendose da análise dos fatos, não há como caracterizar a operação ora em discussão como fraude e simulação. O que, por conseguinte, entendo que se deve afastar a imputação da multa pecuniária prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores, pois no presente caso, não houve fraude ou simulação. Ademais, de acordo com os dispositivos citados, vêse claro que a aplicação da penalidade está vinculada a comprovação de fraude ou simulação, devendose manter afastada qualquer presunção dessas intenções. Por fim cabe ainda discorrer que para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi a Recorrido – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão da fornecedora das mercadorias, a Recorrida é adquirente de boafé. Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Aqui, a intenção que motiva a empresa Uberlândia Refrescos Ltda, ao comprar as mercadorias da empresa FIRST S/A é econômicofinanceiro, uma vez que, conforme constatado pela própria fiscalização, esta última empresa goza de benefícios fiscais de ICMS no Estado de Santa Catarina, benefício este que é conhecido como PRÓEMPREGO, capitulado na Lei Estadual nº 13.992/07. Referida questão, legitimidade ou não do benefício fiscal em comento, é um problema dos Estadomembros da Federação e que, no presente caso, não serve para prejudicar as Recorrentes, mas sim para beneficiálas, já que demonstra a real intenção das partes envolvidas nesta operação, que apresenta notória índole econômica e não fraudulenta. Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 23 22 Logo, tenho para mim que as questões aqui postas afastam a intenção dolosa na prática de pretensa ocultação de real importador. Vêse que não houve nenhuma intenção de a Recorrida se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. Da Responsabilidade Continuando, tendo em vista que o recurso interposto pela Uberlândia Refrescos Ltda. a trouxe a discussão acerca da responsabilidade solidária, passo a tratar dessa matéria. Pelas razões descritas anteriormente, já é possível afastar a discussão acerca da responsabilidade solidária. Mas, para melhor elucidar, ser condizente tal afastamento, é se de recordar que a autoridade fazendária trouxe a alegação de que teria havido interposição nas operações de importações, na medida em que todos os produtos acobertados pelas DIs examinadas teriam sido direcionados para adquirentes predeterminados, dentre eles, a recorrente. Para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi a recorrente – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a recorrente é adquirente de boafé. Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 24 23 Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Vêse que não houve nenhuma intenção de a recorrente se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. Sendo assim, considerando o mérito já tratado anteriormente, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Uberlândia Refrescos Ltda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 26 25 Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como ato de ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Antes de adentrar ao caso concreto, importa fazer uma breve digressão histórica em torno do assunto. Ainda antes que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 27 26 Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 28 27 Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 29 28 mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla aos controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 30 29 do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importadas, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 31 30 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 32 31 XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 33 32 O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Feitas as considerações preambulares, passo ao exame do caso concreto. Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 34 33 As evidências descritas no acórdão recorrido não deixam margem para dúvidas de importação de mercadorias, pela First, previamente destinadas à empresa Uberlândia Refrescos. Observese (efolhas 2.135 e segs). A fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação da First com empresas que atuavam na área da produção e envasamento de refrigerantes, atuando como importadora e fornecedora de preformas. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal. i) A Fiscalização identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para Uberlândia Refrescos. (fl. 23) "Conforme demonstrado na Tabela 2.1, verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados da citada tabela revelam que as notas de saída (venda) para a empresa Renosa eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 2.2 tinha como destinatários predeterminados a empresa Uberlândia Refrescos." ii) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculado as importações ao transporte e a emissão de documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do relatório fiscal. (fl. 25) "Para cada processo de importação era feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da Fatura Comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota fiscal Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 35 34 de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador noexterior" iii) A Fiscalização demonstra com riqueza de detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada à Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, confirmando que as importações foram realizadas para serem entregues a Renosa. "A Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3 mostra as 42 operações realizadas pela FIRST no período de julho de 2007 a setembro de 2008 como importador direto de garrafas PET, onde as mercadorias importadas foram destinadas à Uberlândia Refrescos. Cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa (Uberlândia) em sua totalidade. Este fato é verificadocomparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. Esta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI e suas notas fiscais de saída pode ser verificada na tabela 3, onde a vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes (que deram saída às mercadorias importadas por meio desta DI) foi feita pelo número de controle interno da empresa FIRST (vide explicação do item 5.2.1), uma vez que esse número é sempre mencionado nas notas fiscais de entrada global e nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas por uma DI, bem como nos livros contábeis. Cada DI possui um código do tipo “IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre a mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída. Observouse então que TODAS as mercadorias de uma DI é sempre destinada a uma única empresa, no presente caso, Uberlândia Refrescos Ltda. O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas muitas vezes em sequência às notas fiscais de entrada (item 5.2.1) e na mesma quantidade e tipo (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário prédeterminado." iv) A investigação da Fiscalização verificou que a empresa não apresentava estoques de preformas importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 36 35 para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal. (fl. 29) "Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. Os gráficos de séries temporais de saldos dos períodos de julho a dezembro de 2007 e 2008 mostram a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIAS IMPORTADAS GARRAFAS PET) no períodode registro das importações analisadas. Verificamos que o saldoapresenta picos lançamentos das notas fiscais de entrada para liberação das importações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída, evidenciando que, contabilmente, os produtos importados apenas passavam pela empresa e eram imediatamente destinados a seus reais adquirentes." v) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First, detalhados no relatório fiscal (fl. 31) "Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em raros casos muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/10361798, vemos que a data de seu registro foi 06/08/2007 e os impostos recolhidos totalizaram R$ 170.391,16. Na seção da tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 7 dias após o registro da DI. A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio. Usando ainda a mesma DI como exemplo verificamos que o terceiro Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 37 36 pagamento ocorreu em 19/09/2007, quinze dias antes da liquidação do contrato de câmbio e onze dias antes da contratação do câmbio, sendo o valor praticamente o mesmo da liquidação do contrato de câmbio. Esse terceiro pagamento ocorre aproximadamente30 dias após o registro da DI, e sempre antes da liquidação do contrato de câmbio. O segundo pagamento ocorre aproximadamente 30 dias após o registro da DI e seu valor equivale a aproximadamente 25% do valor CIF das mercadorias importadas." vi) A empresa First foi intimada a apresentar mensagens trocadas com seu transportador a empresa TORA. Em procedimento posterior, a Fiscalização realizou diligência na empresa TORA transportadora, que franqueou o acesso à correspondência eletrônica trocada entre a transportadora, a First e as empresas fabricantes de bebidas e a Cristalpet empresa exportadora das preformas. As operações de importação realizadas pela First para a empresa Uberlândia Refrescos foram detalhadas no trabalho da auditoria aduaneira. Transcrevo a seguir, trecho extraído do Relatório Fiscal, que trata das apurações realizadas pela Fiscalização no que concerne a empresa Uberlândia Refrescos. (fls. 43 a 42) "Foi aberto o Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº0925200.2011.001532, solicitando documentos e informações sobre as operações sob fiscalização, por meio de aviso de recebimento dos Correios, cuja ciência ocorreu em 01/11/2011 (AR UBERLÂNDIA), intimouse a empresa a apresentar: (1)Declaração, informando se a empresa mantém algum contrato de fornecimento, ou de qualquer outra espécie, com a empresa FIRST S/A. Em caso afirmativo, a empresa deverá apresentar cópia autenticada do contrato. (2) Cópia de todos os pedidos de preformas PET efetuados à empresa FIRST, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009. Se os pedidos foram efetuados através de correio eletrônico, a empresa deverá imprimílos e apresentálos em atendimento à intimação. Em 11/11/2011, a Uberlândia respondeu que (RESP UBERLÂNDIA) realizou compras de preforma PET da empresa FIRST durante os anos de 2007 e 2008 e não manteve contrato de fornecimento com esta empresa. Informou, ainda, que não localizou os pedidos efetuados à empresa FIRST. Resta destacar que a empresa Uberlândia estava habilitada a operar no comércio exterior, nos termos da IN 650/2006, desde 31/05/2006, desde 31/05/2006, na modalidade ordinária. Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 38 37 À luz dos fatos apurados pela Fiscalização Federal, não vejo como deixar de reconhecer que as importações não foram realizadas na modalidade por conta própria, mas no interesse de terceiro, ao qual estavam previamente destinadas; no caso em apreço, à empresa Refrescos Uberlândia. Esclarecido isso, resta decidir acerca das questões jurídicas postas nos autos, no que concerne à correta interpretação da legislação tributária aplicável à situação fática identificada. A esse respeito, releva destacar que, que segundo entendo, não pode prosperar o entendimento de que houve alteração de critério jurídico, ausência de subsunção dos fatos à norma, ou qualquer outro vício ou imprecisão que maculasse o procedimento fiscal, a decisão de piso, ou que, com base em qualquer outra interpretação do direito aplicável, importasse na dispensa da exigência consignado nos autos, com base em suposta revisão do enquadramento dos fatos apurados pelo Fisco, já por ocasião da decisão de primeira instância, quando considerou que a operação estaria melhor enquadrada como importação por encomenda e não importação por conta e ordem, como entenderam os AuditoresFiscais autuantes. De fato, em consonância com os fundamentos até aqui declinados, demonstrase absolutamente irrelevante o fato de a simulação ter origem em operação realizada por encomenda de outro ou por conta e ordem daquele. O elemento nuclear da simulação encontrase na confrontação entre a operação declarada ao Fisco, que foi de importação por conta própria, e operação efetivamente levada a efeito pelo contribuinte, que, conforme demonstrado nos autos, não pode ser reconhecida como tal. É de interesse secundário o enquadramento das operações como tendo sido realizadas por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. O que importa saber é se a conduta declarada pelo contribuinte é ou não condizente com aquilo que foi apurado e comprovado pela Fiscalização Federal. No caso concreto, não era. Disso decorre a prática de conduta passível de ser apenada pela aplicação do disposto na legislação retrocitada. Sob outra perspectiva, é possível dizer que a infração, por ocultação ou por interposição, nada tem a ver com o título sob o qual darseia a importação se tivesse sido corretamente declarada: se por encomenda ou por conta e ordem. A infração ocorre no momento em que o é declarado como sendo por conta própria, operação realizada por conta e ordem e/ou por encomenda de outro, ocultando, por interposição, a pessoa jurídica que estava por trás das transações. Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 39 38 Na mesma toada, como já foi dito na parte introdutória do vertente voto, a discussão acerca da imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Não há que se falar, portanto, em qualificação do ato, se doloso ou de boafé, ou da extensão dos efeitos dele decorrentes com ou sem prejuízo ao Erário. O regramento definido para operações realizadas por conta e ordem de terceiro ou no interesse de terceiro encomendante deixa nítida a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. Finalmente, no que concerne à solidariedade do adquirente/destinatário no mercado interno das mercadorias importadas, aplicase ao caso o disposto no art. 95 do Decretolei 37/66, com redação introduzida pela Lei 11.281/2006, vigente à época dos fatos. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquedar forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10983.721007/201248 Acórdão n.º 9303007.450 CSRFT3 Fl. 40 39 importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Por todo o exposto, com base nos fundamentos expendidos, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2524DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720375/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 75 /2 01 0- 78 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de não homologação da compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09055.805, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.364, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.720351/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.364): O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.793, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Preliminarmente o Contribuinte aduz pela nulidade da decisão por entender que a Manifestação de Inconformidade foi julgada em diversos Acórdãos, de mesmo teor, cada um referente a um processo administrativo, Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 4 3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido Decreto. O fato da Manifestação de Inconformidade contemplar treze processos administrativos e a autoridade administrativa ter proferido treze acórdãos sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 por preterição do direito de defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso. O Contribuinte alega, ainda em preliminar, que como se trata de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito da administração fiscal de recalcular as bases apuradas de acordo com o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828): (...) Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a cito como razões para decidir (fls. 810 e 811): A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos anos de 2005 e 2006, o prazo decadencial para questionamento dessas apurações se encerrou em 2011, sendo vedado ao Fisco proceder, como fez, ao lançamento no ano de 2012, Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 5 4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim, de rigor o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado”. (grifei) Cumpre ressaltar que o presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto, não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito tributário. Os débitos que estão sendo cobrados, ou os tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74 da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco anos da transmissão da Dcomp em questão, também não há que se falar em homologação tácita dos débitos nela declarados. Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso. A questão de mérito diz respeito a possibilidade ou não de se apurar créditos no que tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da recorrente, serviços prestados por terminais portuários, vinculadas à exportação de mercadorias. Neste sentido cito trecho do recurso para que se elucidem os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes): (...) (...) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 6 5 No que tange o mérito da questão, considero relevante trazer o entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma de elucidar o entendimento da DRJ/JFA e que servem como razões para decidir (fls. 811 a 813): Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados pela empresa no Dacon respectivo e apurou “créditos vinculados ao mercado interno MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas necessárias à obtenção das receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno (Ml) e ao mercado externo (ME) o rateio proporcional descrito no item anterior”. Esses créditos não constam do PER analisado conforme esclarece o citado Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo ME) utilizados nos pedidos de ressarcimento decorreram dos custos com serviços prestados pelas empresas TEAG Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. e COSAN S/A Industria e Comércio, relativos a recepção, pesagem, análise, estocagem e carregamento do açúcar nos navios transportadores. Estes serviços estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, logo, não devem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições sociais por expressa vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos pedidos”. (grifei) Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem: Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 7 6 Art. 6ºA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é aquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, sendo que a contribuinte não incorreu nessa hipótese, razão pela qual o indeferimento foi indevido”. A argumentação da empresa, carente de razoabilidade, não pode prosperar tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que está previsto nesse inciso? O fim específico de exportação. Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos DecretoLei n° 1.248/72 e os custos que deram origem aos supostos créditos, ora pleiteados, estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal. Assim, fica vedada a apuração e apropriação destes créditos pela empresa, como se constata da legislação acima transcrita. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela manutenção dos termos do Despacho Decisório. De fato, em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo correto o processo de subsunção legal com a aplicação do disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10480.720375/201078 Acórdão n.º 3301005.375 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17734.722031/2017-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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score : 1.0
