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Numero do processo: 10980.720691/2011-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO.
O mandado de procedimento fiscal (MPF) pode ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas sejam necessárias, sem troca do auditor-fiscal responsável pelo trabalho, permanecendo no site da Receita Federal disponível para consulta mediante código de acesso fornecido ao contribuinte (ano-calendário 2010).
LIVROS. IMUNIDADE.
A imunidade a impostos de livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. 150, VI, "d") é objetiva, não alcança a receita das pessoas jurídicas que os produz ou comercializa.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Tributam-se como omissão de receitas os valores creditados em contas bancárias cuja origem não seja comprovada após regular intimação da autoridade fiscal.
PIS E COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRÁFICOS.
A receita bruta decorrente da prestação de serviços gráficos não está submetida à alíquota zero de PIS e Cofins que beneficia a venda, no mercado interno, de livros (art. 28, VI, da Lei 10.865/2004).
MULTA QUALIFICADA.
A omissão de receitas identificada por depósitos bancários de origem não comprovada, com suporte em presunção legal, é insuficiente para autorizar a imposição de multa qualificada, sendo necessária a caracterização do intuito de fraude.
Numero da decisão: 1103-000.937
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para (i) afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao seu percentual ordinário de 75% fixado no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, por unanimidade, e (ii) reduzir a base de cálculo da multa isolada (art. 21 da Lei 9.317/1996) para R$ 32.044,00, correspondente à receita bruta declarada no mês 12/2006, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. O mandado de procedimento fiscal (MPF) pode ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas sejam necessárias, sem troca do auditorfiscal responsável pelo trabalho, permanecendo no site da Receita Federal disponível para consulta mediante código de acesso fornecido ao contribuinte (anocalendário 2010). LIVROS. IMUNIDADE. A imunidade a impostos de livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. 150, VI, "d") é objetiva, não alcança a receita das pessoas jurídicas que os produz ou comercializa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributamse como omissão de receitas os valores creditados em contas bancárias cuja origem não seja comprovada após regular intimação da autoridade fiscal. PIS E COFINS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRÁFICOS. A receita bruta decorrente da prestação de serviços gráficos não está submetida à alíquota zero de PIS e Cofins que beneficia a venda, no mercado interno, de livros (art. 28, VI, da Lei 10.865/2004). MULTA QUALIFICADA. A omissão de receitas identificada por depósitos bancários de origem não comprovada, com suporte em presunção legal, é insuficiente para autorizar a imposição de multa qualificada, sendo necessária a caracterização do intuito de fraude. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 06 91 /2 01 1- 90 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para (i) afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao seu percentual ordinário de 75% fixado no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, por unanimidade, e (ii) reduzir a base de cálculo da multa isolada (art. 21 da Lei 9.317/1996) para R$ 32.044,00, correspondente à receita bruta declarada no mês 12/2006, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1436.035/2011, da 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto SP (fls. 2.010)1. Para descrição dos fatos, adoto por transcrição o relatório da decisão recorrida, tendo em vista a sua clareza e objetividade: "Contra a empresa acima identificada foram lavrados os Autos de Infração de IRPJSimples, PISSimples, CSLLSimples, CofinsSimples, e CSS/INSSSimples lavrados e cientificados em 25 de janeiro de 2011, contra a Interessada, relativos ao anocalendário de 2006, em razão de haver sido apurada as seguintes irregularidades: 1.) omissão de receitas – receitas não escrituradas 2.) omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados. 3.) insuficiência de recolhimento 4.) falta de comunicação de exclusão do Simples(multa isolada) Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 1.275.986,78 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 150% e dos juros de mora calculados até 30/12/2010, assim distribuídos: 1) Multa isolada R$ 6.194,43 2) Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 89.465,98 3) PIS Programa de Integração Social R$ 65.552,54 4) CSLL R$ 89.465,98 5) COFINS R$ 263.432,29 6) CSS/INSS R$ 761.871,55 7) Crédito Tributário Total R$ 1.275.986,78 Em seguida, 17 de março de 2011, foram emitidos os ADE nº 39 e 40, que excluíram a empresa do Simples Federal e do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2007 e 01/07/2007, respectivamente, cuja ciência deuse em 22/03/2011. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 5 4 Ao mesmo tempo, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, relativos ao anocalendário de 2007, cuja ciência deuse em 22/03/2011, em razão de haverem sido apuradas as seguintes irregularidades: 1.) Receita operacional omitida – prestação de serviços gerais 2.) Depósitos bancários de origem não comprovada. 3.) Falta e/ou insuficiência de recolhimento do Imposto de Renda. Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 1.475.840,15 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 150% e dos juros de mora calculados até 28/02/2011, assim distribuídos: 1) IRPJ R$ 664.733,90 2) PIS R$ 73.568,28 3) CSLL R$ 397.601,74 ' 4) COFINS R$ 339.936,23 . Total do Crédito Tributário.............................. R$ 1.475.840,15 No Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal (TVEPAF), fls. 69 a 88, há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades, apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos autos de infração referentes ao Simples Federal, relativo ao anocalendário de 2006. Consoante o TVEPAF no ano calendário de 2006 a empresa foi optante do regime do SIMPLES FEDERAL, na condição de microempresa. Por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, o Contrato Social e suas alterações, livros fiscais, extratos bancários e blocos de notas fiscais de serviços ou arquivos digitais referente a estas notas, tudo referente aos anoscalendário de 2006 e 2007. O autuante nos dá conta que os Termos de Intimação Fiscal TIF 0001 a 0009, os Termos de Constatação Fiscal TCF 0001 e 0002, o Termo de Devolução de Documentos TDD 0001 e os Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n° 0001 foram cancelados devido ao erro de identificação da unidade 0919700, sendo que os demais termos estão com a unidade 0910100 correta. Pelo TIF nº 0010 a empresa foi intimada a esclarecer a divergência apurada entre a Receita Bruta informada na DIPJS do anocalendário de 2006, e a receita bruta declarada no Livro de Registro de ISS 2006 n° 8, no total de R$ 1.629.549,51, e a apresentar os livros Caixa, Diário, e Razão. Em resposta informou que: 'Os valores das diferenças nos anos de 2006 e 2007 são referentes serviços prestados com papel imune, os quais não incidem em impostos do SIMPLES NACIONAL, conforme embasamento do Decreto n° 6.842/2009', quanto aos livros solicitados declarou que eles foram extraviados. Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 6 5 Em atendimento ao TIPF, foram apresentados, em meio papel, os extratos das contas correntes mantidas no Banco do Brasil S.A, agência 07560, c/c 26.6264; Caixa Econômica Federal CEF, agência 2975, c/c 00967, HSBC Bank Brasil Banco Múltiplo e Itaú Unibanco S.A, agência 0124, c/c 0737910 e Banco Itaú, agencia 0624, c/c 550844. Da análise dos extratos bancários das contas mantidas nessas instituições bancárias, apurouse, após o expurgo dos valores relativos a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, dos estornos, dos cheques devolvidos, dos empréstimos e de outros ajustes que pudessem constituirse em duplicidade de créditos, a diferença no valor de R$ 2.103.142,07 (dois milhões, cento e três mil, cento e quarenta e dois reais e sete centavos), relativo a depósitos cuja origem não foi comprovada pela empresa por documentação hábil e idônea, apesar de intimada a fazêlo. Foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, por entender a Fiscalização que houve prática dolosa da contribuinte, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502,de 1964. Constatouse, ainda, insuficiência de recolhimento em decorrência de a empresa ter apresentado Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, ano calendário 2006, na condição de MICROEMPRESA, quando o correto teria sido declarar na condição de EMPRESA DE PEQUENO PORTE conforme alteração realizada em 01/01/2001 no cadastro CNPJ. Como foi considerada a receita tributável o valor de R$ 4.174.828,45, a empresa ultrapassou o limite valor de R$ 2.400.000,00 definido para a opção para empresa de pequeno porte (EPP), de acordo com o inciso II do art. 9º da Lei 9.317, de 1996 e inciso II do art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. Por se tratar de exclusão obrigatória que deixou de ser comunicada pela empresa até 31/01/2007, em conformidade com o disposto no art. 13 da Lei nº 9.317, de 1996, foi exigida a multa isolada de acordo com o disposto no art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996. No TVEPAF, anocalendário 2007 (fls. 171 a 190), há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades, apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos autos de infração relativos ao anocalendário de 2007. Consoante o TVEPAF no ano calendário de 2006 a empresa foi optante do regime do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, na condição de microempresa. Por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, o Contrato Social e suas alterações, livros fiscais, extratos bancários e blocos de notas fiscais de serviços ou arquivos digitais referente a estas notas, tudo referente aos anoscalendário de 2006 e 2007. Pelo TIF nº 0010 a empresa foi intimada a esclarecer a divergência apurada entre a Receita Bruta informada na DIPJS do anocalendário de 2007, no valor de R$ 397.932,11 e a receita bruta declarada no Livro de Registro de ISS 2006 n° 9, no total de R$2.545.278,94, e a apresentar os livros Caixa, Diário, e Razão. Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 7 6 Em resposta informou que: 'Os valores das diferenças nos anos de 2006 e 2007 são referentes serviços prestados com papel imune, os quais não incidem em impostos do SIMPLES NACIONAL, conforme embasamento do Decreto n° 6.842/2009', quanto aos livros solicitados declarou que eles foram extraviados. Solicitados os Blocos de Notas Fiscais de Serviços referentes ao ano calendário de 2007, verificouse que o contribuinte emitiu notas de Prestação de Serviços no total de R$2.562.553,91, naquele ano Em atendimento ao TIPF, foram apresentados, em meio papel, os extratos das contas correntes mantidas no Banco do Brasil S.A, agência 07560, c/c 26.6264; Caixa Econômica Federal CEF, agência 2975, c/c 00967, HSBC Bank Brasil Banco Múltiplo e Itaú Unibanco S.A, agência 0124, c/c 0737910 e Banco Itaú, agencia 0624, c/c 550844. Da análise dos extratos bancários das contas mantidas em instituições bancárias, apurouse, após o expurgo dos valores relativos a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, dos estornos, dos cheques devolvidos, dos empréstimos e de outros ajustes que pudessem constituirse em duplicidade de créditos, a diferença no valor de R$ R$ 1.605.424,82, relativo a depósitos cuja origem não foi comprovada pela empresa por documentação hábil e idônea, apesar de intimada a fazêlo. A fim de definir a forma de tributação, a Fiscalização solicitou ao contribuinte que optasse por uma forma de tributação diferente ao do SIMPLES Federal e. Nacional, para o anocalendário de 2007, assim como, apresentar os livros contábeis/fiscais obrigatórios devidamente escriturados. Em resposta o contribuinte optou pelo Lucro Presumido, porém, como não tivesse apresentado os livros fiscais solicitados, a Fiscalização entendeu que a contabilidade era imprestável, realizando os lançamentos com base no Lucro Arbitrado. Foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, por entender a Fiscalização que houve prática dolosa da contribuinte, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502,de 1964. Constatouse, ainda, insuficiência de recolhimento em decorrência de a empresa ter apresentado Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, ano calendário 2006, na condição de MICROEMPRESA, quando o correto teria sido declarar na condição de EMPRESA DE PEQUENO PORTE conforme alteração realizada em 01/01/2001 no cadastro CNPJ. Regularmente cientificada, ingressou em 25/04/2011, com a impugnação de fls. 1.851 a 1.863, ..." Na impugnação, foi suscitada preliminar de nulidade dos autos de infração em razão de descumprimento do prazo de 60 dias para encerramento da fiscalização, e, no mérito, em síntese, alegouse que as receitas estariam abrangidas pela imunidade do art. 150, VI, "d", inclusive aquelas identificadas por intermédio dos depósitos bancários, sustentouse a impossibilidade de utilização das receitas sujeitas ao ISS como base para incidência de tributos federais, tendo em vista previsão legal própria para aquele imposto municipal, e refutouse a imposição das multas isolada e qualificada. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 8 7 A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, assim resumindo a decisão: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO. LIMITE PARA ENQUADRAMENTO ULTRAPASSADO. A constatação de omissão de receitas, que somadas às receitas declaradas ultrapassam o teto para enquadramento no Simples Federal, autoriza a exclusão do sujeito passivo deste regime de tributação simplificada. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS NO LANÇAMENTO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO. LIMITE PARA ENQUADRAMENTO ULTRAPASSADO. A constatação de omissão de receitas, que somadas às receitas declaradas ultrapassam o teto para enquadramento no Simples Nacional, autoriza a exclusão do sujeito passivo deste regime de tributação simplificada. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS NO LANÇAMENTO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE. FALTA DE ATO POR ESCRITO POR MAIS DE SESSENTA DIAS O fato de a fiscalização ter sido encerrada após decorridos 60(sessenta) dias da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, não acarreta a nulidade do Auto de Infração, por falta de previsão legal. PROVA EMPRESTADA DECLARAÇÃO PERIÓDICA DE INFORMAÇÕES. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ISS. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 9 8 O art. 9º do DecretoLei 1.598/1977 autoriza a autoridade tributária determinar a base do imposto com supedâneo em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. O Livro Registro de Apuração do ISS, onde consta o valor dos serviços prestados, se prestam para este fim, visto que neles a empresa registrou suas receitas de prestação de serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. CABIMENTO. Comprovada a ausência da escrituração regular dos livros comerciais e fiscais que amparariam a tributação com base no lucro presumido, cabível é o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA . É cabível a imposição de multa qualificada, tendo em vista a comprovação de que o contribuinte dolosamente não declarou as receitas tributáveis auferidas. MULTA ISOLADA. Mantémse a multa isolada por falta de comunicação à RFB de exclusão obrigatória do Simples Federal." A qualificação da multa de ofício foi mantida por maioria de votos, vencido o Relator. Cientificada da decisão por via postal em 10/04/2012 (fls. 2.041), a contribuinte, por intermédio da sua advogada, interpôs o recurso no dia 5 do mês seguinte (fls. 2.042), no qual suscitou preliminar de nulidade dos autos de infração por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e, no mérito, sustentou a improcedência da exigência tendo em vista não ter omitido receitas e estar protegida por imunidade, inclusive a PIS e Cofins. Requereu perícia para comprovação da origem dos depósitos bancários sem indicar quesitos e perito. Quanto às multas, no caso de manutenção da exigência principal, requereu o afastamento da multa isolada e a redução da multa de ofício qualificada. É o relatório. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A recorrente suscitou preliminar de nulidade do lançamento tributário. Alegou que a lavratura dos autos de infração teria ocorrido após extinção do mandado de procedimento fiscal (MPF) por decurso de prazo, além de não ter sido designado outro auditor fiscal para dar prosseguimento à fiscalização. Na época dos fatos, a execução dos procedimentos fiscais de competência da Receita Federal do Brasil (RFB) estava submetida à disciplina fixada pela Portaria RFB 11.371/2007, que previa, no seu art. 4º, parágrafo único, a ciência do MPF pelo sujeito passivo por intermédio da Internet, no endereço eletrônico da instituição2. O art. 15, parágrafo único, do referido ato administrativo vedava a indicação do mesmo auditor fiscal quando novo MPF fosse expedido em razão de mandado extinto por decurso de prazo. Já o art. 12 previa a possibilidade de prorrogação do prazo de validade (art. 11) pela autoridade outorgante "tantas vezes quantas necessárias". Segundo o art. 18 da citada portaria, os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta no site da Receita Federal do Brasil, mediante código de acesso (art. 4º), mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. O código de acesso 86785237 constou do termo de início de fiscalização entregue à recorrente (fls. 226). Em consulta ao site indicado, constatase que o MPF 09.1.01.00201001270 (fls. 2.314), expedido para a fiscalização que deu origem à exigência ora discutida, contém indicação das alterações ocorridas quanto a supervisão, tributo e prazos de validade (prorrogações). Naquilo que interessa ao presente julgamento, vêse no "demonstrativo de prorrogações" o registro de quatro ocorrências, estendendo o prazo de conclusão para até 5 de junho de 2011, data posterior àquela indicada pela recorrente como de encerramento da ação fiscal, em 18/03/2011. Confirmase descabida a sua alegação. Com a regular prorrogação do MPF, excluise a possibilidade de extinção por decurso de prazo e afastase a exigência de indicação de outro auditor fiscal para prosseguimento da fiscalização. Não houve qualquer irregularidade relativa ao MPF. 2 www.receita.fazenda.gov.br opção "Cobrança e Fiscalização" Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 11 10 Rejeitase a preliminar. No mérito, a recorrente alegou não ter excedido o limite legal para enquadramento no Simples, teria ocorrido "uma má interpretação de lançamentos pela Fiscalização", tendo em vista que estaria protegida por imunidade. Requereu perícia para demonstrar a inexistência da omissão de receitas e a sua imunidade. Não indicou perito e quesitos. A omissão de receitas foi apurada com base na presunção relativa do art. 42 da Lei 9.430/1996, que assim dispõe: "Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §4º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)" Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 12 11 A fiscalizada foi regularmente intimada a comprovar os créditos bancários mas não logrou fazêlo. Na apuração da omissão, a autoridade fiscal excluiu valores relativos a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, estornos, cheques devolvidos, empréstimos e outros ajustes que pudessem corresponder a duplicidade de créditos. Conforme relatado, os extratos bancários foram entregues pela própria contribuinte em atendimento às intimações expedidas pela fiscalização, sem necessidade de requisição de movimentação financeira (RMF) aos bancos. A alegada imunidade de receitas e lucros seria assegurada pelo art. 150, VI, "d", da Constituição da República. O dispositivo constitucional tem a seguinte redação: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão." A imunidade a impostos aludida é objetiva, dirigida a "livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão", sem alcançar a receita ou a renda das pessoas que os produz ou comercializa. Roque Carrazza também considera objetiva esta imunidade, não alcançando a empresa jornalística ou editorial, o livreiro, etc., cujas rendas originárias do livro, do jornal e do papel destinado à sua impressão se submetem à tributação. Afirma o autor3: "O próprio princípio da igualdade com seu consectário, o da capacidade contributiva reforça esta posição, que, aliás, é pacífica em nossos Tribunais. Não teria sentido jurídico que uma empresa que edita livros deixasse de pagar imposto sobre a renda, ao passo que outra que fabrica veículos tivesse que pagálos. Ambas, por explorarem atividade econômica, devem sujeitarse a este imposto (e a outros)." 3 "Curso de Direito Constitucional Tributário", São Paulo, 13ª edição, 1999, Malheiros Editores, pág. 500. Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 13 12 No RE 170717 (DJ de 08/05/1998), o STF ratificou o entendimento de imunidade objetiva, que "não protege a receita bruta da empresa". No âmbito da União, a proteção constitucional alcança o imposto sobre produtos industrializados (IPI) e os impostos sobre importação (II) e exportação (IE). Tratandose de imunidade a impostos, estão fora da sua abrangência contribuições sociais, espécie tributária diversa daqueles (impostos). Também não se confirma a alegada "imunidade" a PIS e Cofins em razão do comando do art. 28 da Lei 10.864/2004. O art. 28, VI, da Lei 10.865, de 30/04/2004, e não 10.864 como referido pela recorrente, determinou a redução para 0 (zero) das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de livros, conforme conceito dado pelo art. 2º da Lei 10.753/2003 (dispositivo incluído pela Lei 11.033/2004). Considerase livro, para efeitos da Lei 10.753/2003 (art. 2º), a publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer formato e acabamento. O parágrafo único equipara a livro: I fascículos, publicações de qualquer natureza que representem parte de livro; II materiais avulsos relacionados com o livro, impressos em papel ou em material similar; III roteiros de leitura para controle e estudo de literatura ou de obras didáticas; IV álbuns para colorir, pintar, recortar ou armar; V atlas geográficos, históricos, anatômicos, mapas e cartogramas; VI textos derivados de livro ou originais, produzidos por editores, mediante contrato de edição celebrado com o autor, com a utilização de qualquer suporte; VII livros em meio digital, magnético e ótico, para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual; VIII livros impressos no Sistema Braille. As notas fiscais apresentadas pela contribuinte (fls. 410/1.101) são relativas a prestação de serviços, todas elas, ratificando a atividade econômica principal de "edição integrada à impressão de cadastros, listas e de outros produtos gráficos" indicada no comprovante de inscrição e situação no CNPJ – cadastro nacional da pessoa jurídica (fls. 2.313), disponível para consulta pública no site da RFB no endereço já indicado neste voto. Como exemplo, as folhas dos autos adiante indicadas identificam notas fiscais de prestação de serviços gráficos de confecção de cartões de visita/postais (fls. 469 e 709), convites (fls. 1.073), agendas (fls. 1.080), adesivos/etiquetas (fls. 492 e 580), contratos (fls. 1.014), envelopes (fls. 1.075), notas fiscais (fls. 480), fichas de avaliação/agendamento de Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 14 13 consulta/atendimento/atestado médico (fls. 504, 588, 589 e 604), blocos de recibo/atestado médico/registro de presença/pedidos (fls. 494, 567, 588 e 597), cartazes/faixas/folhetos/livretos/banners (fls. 474, 479, 486, 568, 652, 718 e 1.008), revistas/informativos (fls. 894 e 897), livros (fls. 503), etc. As operações informadas nas notas fiscais examinadas não são de venda, são de prestação de serviços. Portanto, a receita bruta delas decorrente não está abrangida pela redução para zero das alíquotas de PIS e Cofins determinada pelo art. 28, VI, da Lei 10.865/2004. O pedido de perícia deve ser rejeitado, não apenas pela inobservância do art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972 quanto à indicação de perito e quesitos mas também pelo sua desnecessidade, tendo em vista o descabimento do argumento de imunidade apresentado pela recorrente, demonstrado neste voto. Segundo a descrição constante dos termos de verificação fiscal relativos aos anoscalendário 2006 e 2007 (fls. 69 e 171), a multa qualificada foi imposta em razão da prática de ações que visavam a ocultar receitas, assim descritas: “... foi constatada a omissão de receita não em apenas um mês isolado, mas, durante todo o ano de 2006 e 2007, cujas receitas de prestação de serviços informadas na Declaração do SIMPLES foram inferiores aos constantes das Notas Fiscais de Saída, nas origens a créditos em contascorrente em instituições financeiras, assim como, aos informados no Livro Registro de ISS nº 8 e nº 9 ...” A classificação como imune dada pela contribuinte também foi apontada pela fiscalização como motivação para a qualificação, o que evidenciaria a intenção de omitir receitas “mesmo que estivesse correto esse entendimento.”, tendo em vista a existência de diferenças de receitas de R$ 234.634,63 em 2006 e de R$ 177.643,14 em 2007. Tais fatos caracterizariam “o elemento subjetivo da prática dolosa dirigida à sonegação tributária” prevista no art. 71, I, da Lei 4.502/1964, impondose a multa de 150% prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/1996. O Relator vencido assim expôs o seu entendimento: “Protesta a interessada contra a aplicação da multa qualificada de 150%, ao argumento de que não agiu de forma dolosa e que não houve por parte da Fiscalização nenhuma comprovação robusta neste sentido, de forma que a interpretação dada pelo Auditor Fiscal não seria suficiente para comprovar qualquer dolo por ela praticado. Entendo que cabe razão à contribuinte. No caso da omissão de receitas que não foram declaradas à RFB, encontravamse devidamente registradas no livro de Apuração de ISS, e suportadas por notas fiscais emitidas pela contribuinte, conforme constatado pela Fiscalização. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 15 14 Ocorre que, em razão de interpretação errônea da legislação a contribuinte teria entendido que tais receitas seriam imunes à tributação do IRPJ e contribuições, motivo pelo qual, em que pese tais receitas encontraremse registradas não foram oferecidas à tributação. Não vislumbro no presente caso nenhum dolo ou fraude por parte da contribuinte. Quanto aos depósitos bancários, apesar de não comprovar sua origem afirma a contribuinte que se tratam de vendas de livros, que no seu entender seriam imunes a tributação. Mais uma vez evidenciase a interpretação errônea da contribuinte. Entendo que não há que subsistir a qualificação da multa quando o contribuinte adota entendimento diverso do adotado pela Receita Federal do Brasil – devendo considerarse que se trata de uma empresa de pequeno porte, sem o apoio jurídicocontábil de uma grande empresa – pois não há caracterização de dolo nesta hipótese. Ademais disso, caberia à Fiscalização a comprovação de que teria havido dolo ou fraude da contribuinte para que a multa qualificada pudesse ser exigida. Nesse sentido, foi expedida a Súmula Vinculante do CARF, verbis: ‘Súmula CARF nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.’ Pelas razões acima, entendo que não pode subsistir a multa qualificada.” Adoto as mesmas razões expostas no voto vencido, que bem reproduz a jurisprudência deste Conselho. A recorrente se insurgiu contra imposição da multa isolada por falta de comunicação obrigatória da sua exclusão do Simples alegando concomitância com a multa do art. 44 da Lei 9.430/1996. A multa encontrase assim demonstrada na tabela 9 do termo de verificação fiscal (fls. 86): Receita bruta declarada em 12/2006 32.044,00 Diferença apurada em 12/2006 377.640,55 Total em 12/2006 409.684,55 Alíquota de 15,12% (Simples) 61.944,30 Multa de 10% (art. 21 da Lei 9.317/1996) 6.194,43 Com efeito, há a concomitância alegada, tendo em vista a inclusão na base de cálculo da receita omitida. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.720691/201190 Acórdão n.º 1103000.937 S1C1T3 Fl. 16 15 Dessa forma, há de se reduzir a sua base de cálculo para o valor da receita bruta declarada em dezembro de 2006, de R$ 32.044,00. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para (i) reduzir a base de cálculo da multa isolada (art. 21 da Lei 9.317/1996) para R$ 32.044,00, correspondente à receita bruta declarada no mês 12/2006, e (ii) afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao seu percentual ordinário de 75% fixado no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.013719/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 25/08/2008 a 15/10/2008
COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN.
Nos termos da art. 170-A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, é defeso a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2.
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário
Recurso Voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente INDÚSTRIA DE TINTAS CORFIX LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 25/08/2008 a 15/10/2008 COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. Nos termos da art. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, é defeso a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário Recurso Voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 37 19 /2 00 8- 40 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Segundo o Termo de Constatação Fiscal das fls. 19 a 23, o estabelecimento acima qualificado foi autuado, para exigência da multa isolada de que trata o art. 18, §4º, da Lei nº. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação que lhe foi dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por compensações consideradas não declaradas, objeto de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declarações de Compensação (PER/DCOMPs) transmitidos entre 25 de agosto e 15 de outubro de 2008. As compensações de débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foram consideradas não declaradas, com base no inciso II, “d”, do § 12 do art. 74 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que foi dada pelo art. 4º. da Lei nº. 11.051, de 29 de dezembro de 2004, por ter sido oferecido crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, proferida na Ação Ordinária nº. 2003.71.00.0394020, proposta pelo interessado, conforme Processo nº.11080.012791/200850, reproduzido nas fls. 11 a 18. Na referida ação, foi pleiteado o direito de efetuar o lançamento, no livro Registro de Apuração do IPI, dos créditos dos insumos desonerados desse imposto, por isenção, alíquota zero e em aquisições de produtos fornecidos por optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativos aos cinco anos anteriores, bem assim o direito de se creditar em relação aos mesmos insumos, nas aquisições que ocorressem a partir da propositura da ação. A autuação totalizou R$ 1.229.592,50, correspondendo a 75% do valor total dos débitos cuja compensação foi considerada não declarada, e foi formalizada nos Autos de Infração a seguir discriminados: Autos de Infração Folhas Valor da Multa 25 e 26 89.903,69 30 e 31 180.361,49 35 e 36 414.101,59 40 e 41 425.947,51 45 e 46 70.953,01 50 a 52 48.325,23 Total 1.229.592,52 Cientificado das exigências em 28 de novembro de 2008, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 56, o sujeito passivo apresentou, em 23 de dezembro de 2008, a impugnação tempestiva das fls. 61 a 63, firmada por advogado, credenciado Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.013719/200840 Acórdão n.º 3202001.111 S3C2T2 Fl. 158 3 pela procuração da fl. 64 e pela cópia do documento de identidade das fls. 65 e 66, instruída com os documentos das fls. 67 a 135, dizendo que a ação judicial em causa transitou em julgado em 7 de novembro de 2007, mencionando o Recurso Especial (Resp) nº. 757.203/RS e o Processo nº. 11080.013846/200768, de habilitação do crédito oferecido em compensação. Encerra pedindo o acolhimento das razões de defesa.” A DRJPorto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa adiante transcrita (elfs. 137/140): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 25/08/2008 a 15/10/2008 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada de 75%, por compensação considerada não declarada, por ter sido utilizado crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO. DEFERIMENTO. EFEITOS. O deferimento do pedido de habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 148/151), alegando, em síntese: que o crédito de IPI utilizado nas compensações observou o disposto na lei nº. 9.430/1996, bem como obedeceu ao deferimento do pedido de habilitação dos créditos conforme decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº. 2008.71.00.0147002 e processo administrativo nº. 11080.0136846/200768.; e que a multa aplicada fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ao final, requereu a improcedência dos Autos de Infração. É o Relatório Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. No período de 25/08/2008 a 15/10/2008, a contribuinte transmitiu declarações de compensação eletrônicas, pretendendo utilizarse de créditos de IPI sobre a aquisição de insumos isentos ou à alíquota zero, no montante de R$ 2.564.094,20, para compensação com débitos diversos, referentes a IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS, totalizando o montante de R$ 1.425.369,02. Os créditos de IPI utilizados seriam aqueles os quais alega a querelante terem sido reconhecidos judicialmente, nos autos da ação sob o rito ordinário nº 2003.71.00.0394020, em trâmite na 7ª Vara da Justiça Federam em Porto Alegre. A análise das compensações foi objeto do processo administrativo nº. 11080.012791/200850, tratandose estes autos dos Autos de Infração que foram lavrados contra a contribuinte em razão de tem sido consideradas indevidas tais compensações, cobrandose na autuação a multa de ofício isolada de 75%. Toda a saga perante a Justiça Federal foi minudentemente descrita pela DRFBPorto Alegre. Confirase: “............................................................................................................................ 3. A interessada ingressou com uma "ação declaratória de direito a crédito de tributo com pedido de antecipação de tutela" (fls. 6 a 19), visando obter permissão para efetuar o lançamento em seu livro de registro e apuração do IPI dos créditos dos insumos desonerados de IPI (isenção, alíquota zero e SIMPLES), relativos aos cinco anos anteriores, bem como para creditarse dos mesmos insumos cuja s. aquisições se seguissem a partir dai. 4. Em despacho As fls. 20 29, o Juiz da 7ª Vara Federal de Porto Alegre concedeu em parte a antecipação dos efeitos da tutela, permitindo que a empresa, "ora em diante, passe a creditarse do crédito presumido do IPI, em virtude de eventual isenção, não tributação ou tributação à alíquota zero sobre a matériaprima utilizada em seu processo de industrialização, tomandose por base a alíquota de saída do produto final". 5. A sentença de fls. 30 a 42 reconheceu o direito "ao creditamento dos valores nominais correspondentes ao IPI incidente sobre a aquisição de matérias primas, insumos e materiais secundários desonerados desse tributo, nos últimos cinco anos, nas operações subseqüentes sujeitas 5 tributação, de acordo com os documentos acostados aos autos, e de ora para adiante, tornando definitivos os efeitos da tutela antecipada, nos termos da fundamentação retro". 6. Em apelação cível, o acórdão de fls. 43 a 52 reformou a decisão de primeiro grau nos seguintes termos: a) prescrição dos créditos anteriores a 0110811998; b) incidência de correção monetária pela taxa SELIC, desde a data em que o aproveitamento do crédito poderia ter sido feito, até a data do trânsito em julgado; c) incidência de juros de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.013719/200840 Acórdão n.º 3202001.111 S3C2T2 Fl. 159 5 d) autorização para compensar com outros tributos administrados pela SRF somente após o trânsito em julgado da decisão; e) exclusão da possibilidade de creditamento de IPI relativo a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens adquiridos de. Fornecedores optantes pelo SIMPLES. 7. Inconformada, a União apresentou recurso especial e recurso extraordinário, ambos admitidos. No recurso especial alegou, a União, que o aproveitamento dos créditos de IPI só seria admissível mediante prova de que houve transferência do encargo financeiro ao consumidor, e que quaisquer compensações com aproveitamento do crédito só poderiam ser realizadas após o trânsito em julgado da decisão (fl. 66). No recurso extraordinário a União sustentou que "ofende o princípio constitucional da nãocumulatividade o reconhecimento do crédito presumido do IPI nus casos de sujeição à alíquota zero ou ausência de tributação, situação evidentemente distinta das hipóteses de isenção tributária, assim como macula o comando constitucional que restringe a .concessão de crédito presumido â edição de lei especifica". Alega, ainda, "que em se tratando na espécie de crédito físico, remanesce unicamente o direito a sua manutenção para aproveitamento posterior, havendo de ser afastada a atualização monetária, que, acaso incidente, importará na eliminação da exata proporção entre o débito e o crédito escritural, em infringência ao prefalado principio constitucional da nãocumulatividade" (fl. 67). 8. Julgando o recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão, entendendo que, com o advento da restrição imposta pelo art. 170A do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer após o trânsito em julgado da decisão que a autorizou, e que a exigência de prova da identificação do contribuinte de fato (art. 166 do CTN) não se faz pertinente em situação diversa da de repetição de indébito (fls. 68 a 73). 9. O recurso extraordinário, no qual, ao final, serão tratadas as questões de fundo do direito do contribuinte, ainda está pendente de decisão, concluso ao Ministro Relator (fI. 80). 10. Em 06/12/2007, o contribuinte protocolou PAF de pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, que recebeu o n° 11080.013846/200768, a fim de possibilitar a utilização do crédito em compensações, mediante a transmissão de declarações de compensação eletrônicas. 11. A habilitação do crédito foi indeferida (fl. 77), pois não há decisão judicial transitada em julgado amparando o contribuinte, em sua pretensão ao direito creditório, nem há definitividade no direito reconhecido nas instâncias inferiores, eis que a matéria ainda será reexaminada pelo Supremo Tribunal Federal, que poderá, ou não, reformar as decisões recorridas. 12. Contra a decisão administrativa que indeferiu o pedido de habilitação de crédito, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 2008.71.00.0147002 (fl. 82), solicitando a imediata compensação, sem exigência de habilitação prévia. 13. O pedido de liminar foi indeferido, com base na Súmula n° 45, do Tribunal Regional Federal da 4 2 Região, e na Súmula n° 212, do Superior Tribunal de Justiça (fl. 83). 14. O contribuinte. apresentou agravo de instrumento contra o despacho que indeferiu a liminar, e obteve o provimento judicial considerando ilegal a exigência de habilitação prévia do crédito e obrigando a autoridade coatora a recepcionar a Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 declaração de compensação, incumbindo "meramente homologála em havendo concordância" (fls. 78 e 79). No momento, o mandado de segurança encontrase concluso ao Juiz, para sentença (fl. 82). 15. Em cumprimento à decisão judicial no agravo de instrumento, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) habilitou o crédito, possibilitando ao contribuinte transmitir declarações de compensação com a utilização do crédito analisado. No entanto, o SECAT encaminhou o presente processo a este Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) para análise com a recomendação de "não homologação das compensações efetuadas com o referido crédito, procedendose à glosa do tributo devido", eis que, conforme o comando legal contido no art. 4° da Lei n° 11.051/2004, considerase não declarada a compensação decorrente de decisão judicial não transitada em julgado (fl. 81).” (grifos não constantes do original) Irretocável, pois, a decisão administrativa de primeira instância, cujos fundamentos adoto como razão de decidir e abaixo transcrevo: “Em 7 de novembro de 2007, efetivamente transitou em julgado o acórdão referente ao julgamento do REsp nº 757.203 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme alegado pela defesa. Ocorre que a decisão foi em sentido contrário ao da pretensão do impugnante, reafirmando a posição daquele colegiado, de se aguardar o trânsito em julgado, para realizar compensações com créditos decorrentes de decisão judicial. Eis a transcrição da ementa do aresto: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – INCIDÊNCIA DO ART. 170A DO CTN – PROVA DA NÃO REPERCUSSÃO (ART. 166 DO CTN) –INAPLICABILIDADE. 1. A Primeira Seção desta Corte já firmou entendimento de que, com o advento da restrição imposta pelo art. 170A do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer após o trânsito em julgado da decisão que a autorizou. 2. Exigência de prova da identificação do contribuinte de fato – art. 166 do CTN – não se faz pertinente em situação diversa da de repetição de indébito. Precedentes. 3. Recurso especial parcialmente provido.” (destacado na transcrição) Além disso, quanto ao direito aos créditos, em si, em 8 de novembro de 2010, foi publicado despacho do Ministro relator do Recurso Extraordinário (RE) nº 570.692, proposto pela União (Fazenda Nacional) perante o Supremo Tribunal Federal (STF), pelo qual foi reformado o acórdão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, na parte que autorizou créditos do IPI nas aquisições de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, tendo o referido despacho transitado em julgado em 29 de novembro de 2010. Quanto ao crédito referente aos insumos isentos, em 11 de maio de 2012 foi deferida antecipação de tutela na Ação Rescisória nº 000349583.2012.404.0000 (TRF), proposta pela União (Fazenda Nacional), nos termos que seguem: “ANTE O EXPOSTO, defiro o pedido de antecipação da tutela a fim de suspender liminarmente a execução do acórdão proferido na AC nº 2003.71.00.0394020, impedindo que a ré proceda à compensação dos valores apurados em decorrência do referido julgado, bem como possibilitando o lançamento de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.013719/200840 Acórdão n.º 3202001.111 S3C2T2 Fl. 160 7 eventuais valores já creditados e compensados, restando sua cobrança suspensa até posterior desconstituição do acórdão rescindendo.” Isso basta para evidenciar que, no período de 25 de agosto a 15 de outubro de 2008, o interessado transmitiu declarações de compensação utilizando créditos decorrentes de decisão judicial sem trânsito em julgado, o que justificou a medida adotada no Despacho Decisório DRF/POA n º 609, de 2008, reproduzido nas fls. 11 a 18, de considerar essas compensações não declaradas. Quanto à menção feita pelo impugnante ao Processo no 11080.013846/200768, de habilitação dos créditos reivindicados na Ação Ordinária nº. 2003.71.00.0394020, cumpre dizer que o deferimento do pedido de habilitação ocorreu exclusivamente por força de decisão proferida no Mandado de Segurança nº. 2008.71.00.0147002. Ademais, o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento, conforme § 6º do art. 3º da Instrução Normativa SRF no 517, de 25 de fevereiro de 2005 (§ 6º do art. 51 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005; § 6o do art. 71 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008).” (sublinhado não constante do original) O que se verifica claramente, portanto, é que a contribuinte efetuou as compensações sem que houvesse qualquer trânsito em julgado de sentença favorável ao seu pleito, como muito bem salientou a decisão recorrida, o que é expressamente vedado pelo art 170A do CTN, o qual veda a compensação de crédito que, sendo discutido na esfera judicial, não tenha a ação ainda transitado em julgado. Vejase: Art. 170A. E vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. À época em que a contribuinte apresentou as DCOMP o crédito utilizado não se revestia de liquidez e certeza, vez que não havia trânsito em julgado e, sem este, não há a certeza do crédito. Demais disso, há expressa vedação legal à pretensão da recorrente, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa negar a aplicação de lei tributária vigente. Quanto às questões constitucionais aduzidas pela recorrente, referentes à ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade da multa aplicada, temse que, havendo previsão legal para a aplicação das multas, argumentos relativos à inconstitucionalidade de lei não devem ser objeto de apreciação pela autoridade administrativa julgadora. Isto porque, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade por este Poder seja com efeitos erga omnes (no controle concentrado de constitucionalidade), seja com efeito inter partes (no controle difuso) a lei gozará, sim, de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. Por oportuno, temse que tal questão encontrase sumulada no âmbito deste CARF: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Súmula CARF nº.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904022/2012-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 22 /2 01 2- 51 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904022/201251 Acórdão n.º 3803005.461 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.720091/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 91 /2 00 9- 28 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de PIS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (PIS não cumulativo), conforme pedido constante nos autos. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1024.175, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720091/200928 Acórdão n.º 3302002.428 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de PIS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 19/20), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de PIS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS para terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 10 da lei 10.637/02 determina que a base de cálculo do PIS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI — não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003).” A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente , importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16/12/94, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720091/200928 Acórdão n.º 3302002.428 S3C3T2 Fl. 12 5 Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o PIS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.637/02, a saber: “Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720091/200928 Acórdão n.º 3302002.428 S3C3T2 Fl. 13 7 Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do PIS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10711.722536/2011-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO.
A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista.
Numero da decisão: 3803-005.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 25 36 /2 01 1- 88 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa administrativa prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66[1]. Conforme registro no campo Descrição dos Fatos do auto de infração e demais documentos constantes dos autos, a interessada registrou no SiscomexCarga os dados relativos à desconsolidação da carga descrita no Conhecimento Eletrônico Genérico/Filhote (MHBL) n° 130805218098966, apenas no dia seguinte à atracação do navio, ocorrida em 23/11/2008, portanto fora do prazo estabelecido na norma de regência. Na impugnação apresentada, a Autuada alegou o que segue: a) a autuação representa nada mais que um excesso de zelo da Fiscalização; b) tendo o representante do armador, bem como os agentes de carga, apresentado tempestivamente as informações sobre as cargas transportadas, a Fiscalização não sofreu qualquer dificuldade; c) a data de atracação inicialmente prevista era outra, sendo assim há que se aplicar o disposto no artigo 112 do CTN. A lavratura da autuação afronta o princípio da segurança jurídica; d) a responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva, mas sim por culpa presumida. A autuada não agiu ou impediu a Fiscalização, não havendo qualquer prejuízo que justifique a sua penalização; e) ocorre a exclusão da penalidade em razão da denúncia espontânea. O cumprimento de uma obrigação acessória fora do prazo legal configura a denúncia espontânea da obrigação; a penalidade poderia ser relevada com base no disposto no artigo 736 do Decreto n° 6.759/09[2]; f) houve violação ao princípio da irretroatividade; g) o artigo 22 da Instrução Normativa RFB n° 800/07 tem vigência a partir de 1° de abril de 2009; 1 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; 2 Art. 736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei n o 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4 o , caput ): I a erro ou a ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; ou II a eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1 o A relevação da penalidade poderá ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (DecretoLei n o 1.042, de 1969, art. 4 o , § 1 o ). § 2 o O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei n o 1.042, de 1969, art. 4 o , § 2 o ). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10711.722536/201188 Acórdão n.º 3803005.557 S3TE03 Fl. 120 3 Em julgamento da lide a DRJ/Florianópolis esclareceu que não havia litígio quanto à ocorrência dos fatos narrados na autuação, discordando a Interessada apenas quanto aos critérios de aplicação do direito. Reconheceu que cumpriram tempestivamente com suas obrigações acessórias o transportador e, igualmente os agentes de carga que desconsolidaram os Conhecimentos Eletrônicos anteriores ao emitido relacionado à Action Agenciamento de Cargas Ltda. Apontou que a infração em tela não diz respeito às obrigações acima, mas à desconsolidação do CEMHCL, filhote, informado tempestivamente, em 21/11/2008, por CONTACT NVOCC LTDA. e consignado à ACTION AGENCIAMENTO DE CARGAS LTDA. A desconsolidação ora sob foco foi providenciada um dia após a atracação do navio, em 24/11/2008, no entender do Fisco fora do prazo determinado pela norma de regência, pelo que, considerou impossível afastar a presente exigência, à parte do cumprimento de outras obrigações acessórias por terceiros. Refutou a alegação de ter ocorrido irretroatividade na aplicação do prazo para prestar a informação da desconsolidação da carga, previsto no art. 22 da IN RFB nº 800/07, com efeito a partir de 1º de abril de 2009. Para tanto, sustentou que a Fiscalização aplicou ao caso o prazo do Parágrafo único do artigo 50. Com respeito à denúncia espontânea reclamada pela Defesa, afirmou que o instituto não alcança o descumprimento de prazos para satisfação de atos de natureza essencialmente formal. Subsidiariamente, sustentou que o § 3º, do artigo 683, do Decreto nº 6.759/09 afasta a possibilidade de apresentação de denúncia espontânea para o caso dos autos: A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/11/2008 EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 11 de junho de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 10 de julho de 2012, em que reencetou todos os argumentos já levantados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. O auto de infração foi pedagógico e pródigo em compor a Descrição dos Fatos, apresentando, de início, o funcionamento do comércio internacional, o papel dos seus atores e definindo os instrumentos negociais envolvidos nessas operações. Trouxe à baila, de forma transcrita e elucidativa, a legislação que rege a obrigatoriedade de prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, suas formas e os respectivos prazos. Por fim, contextualizou nesse preâmbulo os fatos verificados na auditoria e concluiu pela ocorrência da infração praticada pela Action Agenciamento de Cargas Ltda., substanciada no não cumprimento do seu dever de informar a desconsolidação da carga a ela consignada no prazo estabelecido pela norma regulamentar. A regramatriz da infração encontrase estampada no art. 50, que requer a sua combinação conceitual com o art. 2º, § 1º, inciso IV, e o art. 10, todos da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”, e que rezam: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. [grifei] Quem, em termos normativos, pode ser transportador? Art. 2º [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10711.722536/201188 Acórdão n.º 3803005.557 S3TE03 Fl. 121 5 e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; O que compreende informar carga transportada? Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV a informação da desconsolidação; e V a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. Por sua vez a norma sancionadora conformase nos termos do art. 107, IV, “e”, do Decreto nº 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, que, ademais, autoriza à Secretaria da Receita Federal do Brasil a dispor sobre os prazos e a forma de apresentação das informações necessária ao controle aduaneiro, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga.[grifei] Todas as disposições acima compõem o acervo normativo que sustenta o feito fiscal, constante dos campos Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. A nota tônica a se considerar no desate da controvérsia travada neste processo ressalta do conceito abrangente de transportador, que compreende o papel de desconsolidador nacional desempenhado pela agencia de carga, para os efeitos fiscais de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 cumprimento da obrigação de prestar informações à RFB. Envolve também o conceito de informação da carga transportada elucidado pela própria instrução normativa ao dispor que esta compreende a informação de desconsolidação e que somente com esta informação a carga será considerada manifestada, para efeito legal. Tais preceitos regulamentares são perfeitamente válidos, na medida em que estão ancorados em fundamento legal de validade, segundo disposição do DecretoLei nº 37/66. É sobre este suporte jurídico que o fato de ter a Action Agenciamento de Cargas Ltda. apresentado a desconsolidação da carga no dia 27/06/2008, dia seguinte à atracação do navio, violou o prazo fixado pela norma do art. 50, parágrafo único, inciso II, da IN RFB 800/07. Uma vez configurada a personalidade de transportador que assume a agência de carga, para os fins da obrigação de informar, em tela, à Autuada é aplicável a norma excludente do benefício da denúncia espontânea prevista no art. 683, §3º, do Decreto nº 6.579/09: Art. 683. [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O que não se pode perder de vista é que todas as informações visando ao controle de entrada de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados devem ser prestadas antecipadamente à efetiva chegada do navio ao País, como se apreende das disposições do art. 31 e 32 do Decreto nº 6.579/09: Art. 31. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, caput, com a redação dada pela Lei n o 10.833, de 2003 , art. 77). §1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. §2º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário também devem prestar as informações sobre as operações que executem e as respectivas cargas (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, §1 o , com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003 , art. 77); Art. 32. Após a prestação das informações de que trata o art. 31, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As operações de carga, descarga ou transbordo em embarcações procedentes do exterior Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10711.722536/201188 Acórdão n.º 3803005.557 S3TE03 Fl. 122 7 somente poderão ser executadas depois de prestadas as informações referidas no art. 31 (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 37, §2 o , com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003 , art. 77). Nessa linha, antes que entrassem em vigor os prazos fixados no art. 22 da IN RFB nº 800/07, em 1º de abril de 2009, é que o art. 50 do mesmo regulamento prescreve o prazo mais benéfico, para antes da atracação do navio no porto, ação aquela de informar que pode se dar com antecedência de até minutos, conforme a semântica do texto. Ante este arrazoado, podese asseverar o que já pontuado pela decisão recorrida: que não houve aplicação retroativa dos prazos fixados pelo art. 22 da IN RFB nº 800/07, atribuindose, por muito, excesso de zelo da Auditoria ao apontálo juntamente com o art. 50. Exposta a questão, não há, no presente caso, dúvida quanto: (i) à capitulação legal do fato; (ii) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (iii) à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e; (iv) à natureza ou graduação da penalidade aplicável. Assim, inaplicável o disposto no artigo 112 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional). De mesmo modo, não se cogite que a presente autuação afrontou o princípio da segurança jurídica. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10675.000757/94-96
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
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Recorrida DRF EM PORTO ALEGRE-RS FDISOCIALr A parcela de ICM integra a base de cálculo da contribuição tã qual nao se adiciona o montante, já pago,do PIS, Recurso provido em parte. Vistos„relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por MALTARIA NAVEGANTES S.A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo .-Conse- lho de Contribuintes por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso , para declarar que o valor do PIS não se inclui na base de cálculo do FINSOCIAL. Vencido o Conselheiro ALUE DA COSTA SANTOS JÚNIOR. Sala das Sessoes, em 07 de julho de 1988 PV'tne 'Mo7 04 --trne--z__ JOSE ALVES DA FONSECA -PRESIDENTE ; ,/li, (f_, , Vet.-to-Si. OSE L , F RNANDES - RELATOR , .-( * t OL A-20 bILVEI"A 11,1119ANJOS - PROCURADOR-REPRESENTANTE DA F(Er FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 15 S E T 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento. os Conselheiros OSVALDO TANCREDO.DEOLIVEIRA, MARIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. F41 cílitsk MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.* 11.080<OL3.197/85-09 Recurso n.°: 79.369 Acordei() 202-01.929 Recorrente: MALTARIA NAVEGANTES S.A. RELATÓRIO Contestando a notificação de fls. 6 para recolher o FIN SOCIAL, a empresa em epígrafe alega: 1) erro aritmgtico nos valores cobrados nos meses de apuração de julho e agosto de 1984; 2) no mgrito, expõe que,de acordo com o D.L. nv 1940/82 e o D.L. n 9 1598/77 e ainda a IN-SRF n 9 51/78, a contribuição inci de sobre a renda bruta, com a exClusão do IPI, 1CM e PUS, para a formação da base de cãlculo do FINSOCIAL; 3) requer perícia para que se cumpra o disposto no art. 142 do C1N, j g que a apuração fiscal não comportou o exame de casos particularizados. Então, foi a firma intimada a juntar ao processo c6- pia do Livro de Apuração do IPI,relativo aos períodos de apuração (janeiro de 1983 a dezembro de 1984). Cumpriu-se a exigência com a apresentação dos documentos de fls. 13/60, face aos quais se fez o demonstrativo de Ss.61 do total da contribuição devida no período in dicado. Tendo-se apurado montante maior que o exigido na noti- ficação inicial, abriu-se novo prazo para a impugnação, novamente produzida, em que se insiste que o IPI, ICM e PIS não integram o faturamento para efeito de cãlculo do FINSOCIAL, ressaltando que a excluslo do PIS se impõe por si mesma "para evitar o absurdo de segue- , /‘ 2- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n 9 11.080-023.197/85-09 Ac6rdão n 9 202-01.929 se supor possível a bitributação de uma contribuição social sobre outra contribuição social anteriormente constituida". A Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre,RS, a- provando o parecer prévio de fls.75/76, manteve o crédito tributá- rio exigido, no valor de Cz$ 60.296 ) 70 com a multa de 20% e acrês cimos legais de juros e correção monetária. Tempestivamente, a empresa propõe recurso a este Conse lho, sustentando a mesma linha de argumentos da impugnação, ou se- ja, de que se justifica a exclusão do ICM por se tratar de tributo não-cumulativo ,sendo a menção ao IPI e ao PU4not.exto do Circular n 9 51178 (item 2) ,meramente exemplificativa e não taxativa. Por força do art. 153, § 29 da Constituição, somente o D.L. n 9 1949/82 poderia estabelecer restrições ao conceito de receita bruta. Invoca o AcOr dão n 9 201-01.362, desta Camara, para afastar da base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao PIS. E o relat6rio. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSE LOPES FERNANDES Versa o processo sobre a cobrança do FINSOCIAL sobre as parcelas do 1CM, IPI, e PIS, como componentes da receita bruta. • Quanto ao ICM, esta Câmara tem decidido repetidamente pela sua inclusão na base de cálculo da contribuição, sob o funda- mento de que, efetivamente, os impostos excluidos da receita bruta, o IPI e o IUM,constam em parcelas separadas nas notas de venda. en quanto o citado tributo estadual vem integrado ao preço da mercado ria. Não hã razão, portanto, para retirá-lo do montante da venda, no qual vem embutido, pelo que deve submeter-se ã incidência do ? FINSOCIAL. Com relação ao IPI, a informação de fls. 62/63 afirma que, examinado o Livro de Apuração do IPI,"verifica-se que nos pe- ríodos em causa não teve a interessada o direito ao :abatimento de nenhuma importância a titulo do IPI incidente sobre suas vendas", segue- /é9 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n 9 11.080-023.197/85-09 3- Acerdão n 9 202-01,929 dando a entender que os valores deste tributo não foram incluídos na base de cálculo da contribuição. Já quanto ao PIS, como afirmamos no voto constante do invocado acOrdão de que fomos relator, em tese, parece-nos que o seu valor não se inclui na base de cálculo do FINSOCIAL, pois am- bas as contribuições incidem sobre a venda de mercadorias, seja levando em conta o faturamento das empresas (PIS) ou, a sua recei ta bruta (FINSOCIAL). São incidências diferentes, com adoção de idêntica base de cálculo. Por isso, o PIS não pode ser adicionado .ã base de cálculo do FINSOCIAL. Dou provimento em parte ao recurso, para declarar que o valor do PIS nãose inclui na base de cálculo do F1NSOCIAL. Sala das Sessões, em 07 de julho de 1988 àiáin LOPá4FERNANDES
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Numero do processo: 10830.003499/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Joao Otavio Oppermann Thome-- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Joao Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 03 49 9/ 20 03 -4 9 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.003499/200349 Resolução nº 1102000.210 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sexta Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) assim ementado, verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 1997 ATIVIDADE VEDADA As empresas que desenvolvem atividades assemelhadas à de engenheiro, manutenção e reparo de máquinas e equipamentos para a agricultura estão impedidas de optar pelo Simples. VIGÊNCIA DA LEI. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, assim, o regime de tributação deve também obedecer às normas vigentes à data da ocorrência do fato gerador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o processo de solicitação e ingresso no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, retroativamente a 17/09/1997. A contribuinte teve indeferido seu pedido, não quanto à retroatividade da inclusão, o que foi reconhecido fazer jus, se não fosse a atividade por ela exercida, que foi considerada vedada pela legislação de regência, conforme decisão proferida no despacho decisório de fls. 69/71, pela Delegacia da Receita Federal em Limeira – SP, nos seguintes termos: ...Entretanto, a atividade de fabricação, instalação e manutenção de estufas para a agricultura encontra óbice no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Isto posto, indefiro o pleito de inclusão retroativa de 17/08/1997. Ciente da decisão, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade, na qual alegou em suma: A Secretaria da Receita Federal em Despacho Decisório de 11 de abril de 2008, declarou ser cabível a inclusão retroativa. No mesmo despacho teve indeferida a solicitação de inclusão retroativa a 17/09/1997, em face do disposto no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Observase que das vedações contidas na norma acima, nos incisos I a XVIII e XIX, parágrafos 1º a 4º, não há qualquer menção para que se possa enquadrar a atividade de fabricação instalação e manutenção de estufas para agricultura, como uma atividade vedada pelo simples. A atividade considerada vedada foi atribuída pelo Sr. Chefe da Secat à contribuinte, baseado em informações processadas pela Secretaria da Receita Federal. A contribuinte não foi notificada pela Secretaria da Receita federal quanto ao indeferimento de sua inclusão durante o prazo de 11 anos em que vem exercendo suas atividades tomando as medidas necessárias quanto à entrega da declaração DIPJ e pagando os tributos de acordo com o regime. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.003499/200349 Resolução nº 1102000.210 S1C1T2 Fl. 4 3 A empresa está classificada nas seguintes atividades: CNAE 33.14711: “manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para agricultura e pecuária e; CNAE 46.61300: ‘comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos para uso pecuário, partes e peças’. Consta do contrato social na Cláusula 3º da 5ª alteração contratual o seguinte: A sociedade tem por objeto o Comércio varejista de máquinas aparelhos e equipamentos para uso agropecuário, partes e peças, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para a agricultura e agropecuária em geral. Desde o início de sua atividade econômica até a presente data, atendeu o disposto na Lei nº 9.317, de 1996 revogada pela LC 123, de 2006, apresentando provas documentais dos fatos aqui aludidos que seguem anexo a este. Para instrução processual, junto os documentos que fazem as fls. 77/96. É o essencial.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alega que o acórdão a quo deve ser reformado, pois (i) motivou sua decisão apenas na análise do objeto social da contribuinte, não verificando as atividades que esta, de fato, exerce; (ii) há ofensa ao princípio da verdade material e ao princípio da legalidade; (iii) ausência de admissão no SIMPLES das atividades prestadas que não são excluídas no regime; e (iv) retroatividade benigna do SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar nº 123/06. O presente recurso foi analisado, em 23/11/2011, por esta câmara de julgamento, tendo sido decido pela conversão do julgamento em diligência para que fosse apurada a “natureza da atividade realizada pela Recorrente, através das notas fiscais emitidas, contratos de prestação e serviços e demais informações que o diligenciante entenda esclarecedora do presente litígio”. Determinou ainda a relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro que “do termo de diligência seja cientificado a Contribuinte para que se pronuncie nos autos, se entender necessário”. Em 15/05/2012 (fls. 301), a contribuinte foi intimada para a apresentação: “1. Original e cópia das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa no período 09/1997 a 06/2007, justificando as receitas brutas de prestação e serviços informadas nas Declarações Simplificada das Pessoas Jurídicas – Simples (DSPJ) no referido período; 2. Original(is) do(s) Livro(s) de apuração do ISS no período de 09/1997 a 06/2007; e 3. Original e cópia de contrato(s) de prestação de serviços firmado(s) no período de 09/1997 a 06/2007.” Verificase às fls. 367 a 739, petição da contribuinte requerente a juntada dos seguintes documentos: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.003499/200349 Resolução nº 1102000.210 S1C1T2 Fl. 5 4 “ Original e cópia das notas fiscais de serviços emitidas pela A.D.N. Montagem e Manutenção de Estufas (denominação fantasia da empresa Granadier Neto Comércio e Manutenção de Estufas Agrícolas Ltda. EPP) do período de 1997 a 2007; e Livros Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados da empresa Granadier Neto Comércio e Manutenção de Estufas Agrícolas Ltda. EPP do período de 1997 a 2007;” Nas fls. 740, consta o seguinte despacho do Auditor Fiscal Flávio Costa Ayres: “Tendo em vista o pronunciamento do contribuinte, acima identificado, às fls. 367 a 739, em atendimento à exigência constante da Resolução nº 110200.064, de 23/11/2011, exarada pela 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, cuja decisão foi pela conversão do julgamento em diligência, proponho, após o desentranhamento do eprocesso dos documentos (Volume – V1 / Resolução) às fls 1 a 149, o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para decidir sobre o recurso voluntário interposto pelo contribuinte.” Tendo em vista o despacho acima mencionado, o processo foi remetido novamente para este órgão julgador. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conversão do Julgamento em Diligência Conforme consta no relatório, o presente recurso foi objeto de julgamento neste órgão julgador, tendo os julgadores desta câmara decidido pela conversão do julgamento em diligência para se apurar a “natureza da atividade realizada pela Recorrente, através das notas fiscais emitidas, contratos de prestação e serviços e demais informações que o diligenciante entenda esclarecedora do presente litígio”. Determinou ainda a relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro que “do termo de diligência seja cientificado a Contribuinte para que se pronuncie nos autos, se entender necessário”. Ora, não se verifica no processo o termo da diligência em que conste um relatório conclusivo da autoridade fiscal acerca da natureza dtonio Carlos Guidoni Filhoas atividades exercidas pela contribuinte. Além disso, a contribuinte deve ser notificada para que se manifeste do referido termo. Por conseguinte, oriento meu voto no sentido de converter o processo em diligência para que a anterior seja adequadamente cumprida, mediante: Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10830.003499/200349 Resolução nº 1102000.210 S1C1T2 Fl. 6 5 (i) ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia; (ii) e elaboração do relatório de diligência no qual seja atestada, de forma fundamentada e conclusiva, a natureza das atividades prestadas pela Contribuinte com base nas notas fiscais apresentadas e outros elementos objeto da fiscalização, indicandose precisamente, se o caso, notas fiscais e contratos segundo os quais a Fiscalização entende terem sido prestados serviços previstos no art. 9º, XIII da Lei n. 9317/96. Em relação à verificação efetuada deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720389/2011-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
ERRO DE FATO. ENTREGA INDEVIDA DIPJ.
Constatado o mero erro de fato na entrega da DIPJ incabível a exigência da multa por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1803-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ENTREGA INDEVIDA DIPJ. Constatado o mero erro de fato na entrega da DIPJ incabível a exigência da multa por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 03 89 /2 01 1- 33 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório LIVRARIA E PAPELARIA KIKA LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 3), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls.2) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que, foi inscrita na Junta Comercial e CNPJ em 25/09/2007, na Fazenda Estadual em 09/10/2007 e Fazenda Municipal em 10/10/2007, ocasião em que formulou adesão ao SIMPLES NACIONAL. No entanto, foi exigida a entrega de uma DIPJ para o período de 25/09/2007 a 09/10/2007, que constava como pendência para obtenção de certidão negativa. para o período em que não foi considerada incluída no Simples Nacional e ocasionou a exigência de multa. Como a empresa somente poderia obter a inclusão no SIMPLES após todos os registros nas fazendas estaduais e municipais, entende injusta a aplicação da penalidade já que apresentou a Declaração Simplificada do SIMPLES NACIONAL. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1440.326, de 21 de fevereiro de 2013 (fls. 13/14), julgou improcedente a impugnação, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Ciente da decisão em 20/03/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 19), apresentou o recurso voluntário em 19/04/2013 fls. 21/22, onde reitera suas alegações da inicial. É o relatório Fl. 34DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11030.720389/201133 Acórdão n.º 1803002.115 S1TE03 Fl. 34 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DIPJ (Lucro Presumido), relativa ao período especial de 25/09/2007 a 09/10/2007, período em que medeia entre o registro na Junta Comercial e a data de opção ao SIMPLES NACIONAL. Alega a recorrente que somente foi possível a opção ao SIMPLES NACIONAL após todos os registros nas Fazendas Estadual e Municipal, sendo indevida a exigência de aplicação de penalidade para o período em que não havia atividade e tampouco possibilidade de adesão à sistemática de recolhimento simplificado. Assiste razão à recorrente. Com efeito, a decisão de primeira instância merece reforma pois utilizou de forma parcial as normas que regem a matéria. Devese levar em conta que a sistemática de recolhimento simplificado do SIMPLES NACIONAL instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, foi introduzido no meio do ano de 2007, gerando dúvidas e incertezas de toda ordem. Considerando que a recorrente foi registrada na Junta Comercial e CNPJ em Setembro de 2007, a ela se aplicaram disposições transitórias que foram sendo alteradas ao longo dos períodos subseqüentes. A Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 04, de 30 de maio de 2007, dispunha em sua redação original: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; Fl. 35DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 (...) V – a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI – validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. Ou seja, considerase início da atividade a data do último deferimento de inscrição e que não tem necessariamente vinculação com qualquer outra data informada seja do registro no cadastro do CNPJ ou do Contrato Social, retroagindo os efeitos da opção ao início das atividades assim considerado. As informações da recorrente estão corroboradas com os documentos constantes das fls. 27/29, pelos quais se constata que o último registro obtido na Prefeitura Municipal ocorreu em 10/10/2007. Não é razoável, portanto, entender exigível uma declaração de um período em que a contribuinte sequer havia obtido seu registro definitivo em todos os entes federativos e tampouco iniciado de fato suas atividades, mesmo porque a data a ser considerada deve retroagir ao início ficto das atividades que é o último registro realizado em qualquer um dos entes federativos. Destarte, é descabida a exigência de multa por atraso na entrega da DIPJ do período de 25/09/2007 a 09/10/2007, entregue apenas para atender suposta ausência constante do sistema da RFB, quando na verdade apresentase evidente erro de fato na informação em relação ao início das atividades da recorrente, considerado de acordo com as normas regulamentares emanadas do Comitê Gestor do Simples Nacional. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002092/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REEXAME DA MATÉRIA.
Os embargos de declaração não se prestam ao reexame da matéria.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada a ocorrência de omissão acerca da análise de matéria suscitada no Recurso Voluntário, há que se incluir no Acórdão embargado o exame dessa matéria.
Numero da decisão: 1301-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos opostos, para tão somente complementar a fundamentação do acórdão 1301-000.436, de 11 de Novembro de 2010, sem produção de efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REEXAME DA MATÉRIA. Os embargos de declaração não se prestam ao reexame da matéria. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a ocorrência de omissão acerca da análise de matéria suscitada no Recurso Voluntário, há que se incluir no Acórdão embargado o exame dessa matéria.
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REEXAME DA MATÉRIA. Os embargos de declaração não se prestam ao reexame da matéria. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a ocorrência de omissão acerca da análise de matéria suscitada no Recurso Voluntário, há que se incluir no Acórdão embargado o exame dessa matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos opostos, para tão somente complementar a fundamentação do acórdão 1301000.436, de 11 de Novembro de 2010, sem produção de efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 92 /2 00 5- 32 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão 1301000.436, de 11/11/2010, por meio do qual, os membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. AJUSTES DECLARADOS DA DIPJ. DEDUÇÃO. Os ajustes já efetuados pela contribuinte na DIPJ devem ser deduzidos, produto a produto, dos valores apurados pela autoridade fiscal. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.002092/200532 Acórdão n.º 1301001.293 S1C3T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Recebidos nos termos dos artigos 49, parágrafo 7o., 64 e 65, do Anexo II da Portaria MF 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF – RICARF. Alega, a ora embargante: “Conforme deixou assentado em seu Recurso Voluntário, a despeito dos argumentos por ela suscitados no sentido de que não estaria ela obrigada, pela legislação que rege os preços de transferência no Brasil, a incluir os valores referentes e frete e seguro internacionais na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, asseverou, também, ad cautelam, que de acordo com o parágrafo único, do artigo 100, do Código Tributário Nacional a observância do parágrafo 4o., do artigo 4o., da IN 38/97 pela Recorrente, a qual lhe faculta a possibilidade de computar no custo os valores correspondentes e frete e seguro, impede que a mesma esteja sujeita à cobrança de multa de ofício e juros de mora na hipótese de um auto de infração lavrado contra ela. Todavia, em relação a tal argumento, o v.acórdão embargado omitiuse não somente no seu relatório que, inclusive, sequer mencionou os argumentos apresentados no Recurso Voluntário da Embargante, como também, na sua fundamentação.” Neste sentido, deixa claro, o voto ora embargado que a questão principal discutida nestes autos restringese, ao Preço de Transferência pelo Método PRL, especificamente, não adição dos valores de frete e de seguro internacionais e impostos não recuperáveis. Ou seja, o tópico a ser examinado diz respeito a interpretação do contribuinte de que o parágrafo 4o., do artigo 4o. da IN/SRF 38/97 faculta ao importador a possibilidade de, na determinação do custo, computar os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. Para melhor compreensão da matéria transcrevo trechos do voto condutor de primeira instância (DRJ/SPI), a saber: “Sobre a inclusão dos custos de frete, seguro e imposto de importação no cálculo dos preços praticados, há que se considerar o disposto no artigo 18, § 6°, da Lei n°9430/96, e no artigo 4o., § 4°, da IN SRF n° 38/97 (verbis): Lei n° 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) Fl. 408DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c.) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (..) § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. IN SRF n°38/97 Art. 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1°, independentemente de previa comunicação à Secretaria da Receita Federal. (...) § 4° Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. O supra transcrito artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é obvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei n°9430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.002092/200532 Acórdão n.º 1301001.293 S1C3T1 Fl. 12 5 É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora. Com relação ao disposto no artigo 4°, § 4°, da IN SRF n° 38/97, para se buscar o seu real significado, há que se interpretálo lógica e sistematicamente. Dentro da interpretação sistemática, há que se observar que a IN SRF n° 38/97 nada mais faz do que regulamentar os aspectos relativos a preço de transferência expostos na Lei n°9.430/96, não podendo dispor de modo diverso. Assim, se o artigo 18, § 6°, da Lei n° 9430/96, determina, expressamente, que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo, o artigo 4o., § 4o., da IN SRF n° 38/97 também deve ser interpretado dessa maneira. Dentro da interpretação lógica, que reforça o entendimento acima, há que se observar, novamente, que no preço de revenda e, conseqüentemente, no preço parâmetro, estão sendo considerados os custos de frete, seguros e tributos incidentes na Importação, de modo que o preço praticado pela contribuinte também deve ter os citados custos nele embutidos, para se evitar urna distorção na comparação. Ainda dentro da interpretação lógica, o artigo 4o., § 4o., da IN SRF n° 38/97, ao dispor que na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, "poderão", também, ser computados os supracitados dispêndios, deve ser entendido no sentido de que: se os citados dispêndios forem considerados na formação do custo da bem, comparase, normalmente, o preçoparâmetro, obtido na forma do artigo 18, item II, da Lei n° 9430/96, e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97, com o preço praticado; b) caso contrário, o preçoparâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado será o obtido na forma do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF n° 38/97, diminuído, ainda, dos citados dispêndios, para se evitar distorções na comparação. Dessa forma, o eventual ajuste no preço de transferência será o mesmo, seja através da opção "a" ou da "b", acima explicitadas. Assim, improcede a alegação de equivoco da fiscalização na inclusão das custos de frete, seguro e imposto de importação no cálculo dos preços praticados. Destaquese, por fim, que comprovada a correta apuração dos preços praticados pela fiscalização, e o descumprimento do disposto na IN SRF n° 38/97 pela contribuinte, é inaplicável ao caso o disposto no § único do artigo 100 do CTN, que exige a "observância das normas". (grifei) Examinandose o Acórdão ora embargado, percebese que o recurso voluntário foi negado nos exatos termos da decisão de primeira instância, sem contudo, evidenciar o quanto expresso na sua parte final (do recurso voluntário), qual seja: “Ademais, ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar e no plano meramente hipotético, é certo que, de acordo com o parágrafo único, do artigo 100, do Código Tributário Nacional, a observância do parágrafo 4o., do artigo 4°, da IN 38/97 pela Recorrente, a qual lhe faculta a possibilidade de computar no custo os valores correspondentes a frete e seguro, impede que a mesma esteja sujeita a cobrança de multa de oficio e juros de mora na hipótese de um auto de infração lavrado contra ela.” Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Diante disso, fica evidenciado que a matéria examinada pela decisão embargada sem a devida consideração ao acima exposto, configurase uma omissão, pelo que saneando a mesma passo à sua apreciação. De fato, o parágrafo único do artigo 100, do CTN, exige a observância das normas, vejamos: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Da leitura da norma, constatase claramente, a correição do quanto decidido no voto condutor de primeira instância (DRJ/SPI) com relação a esta matéria, pelo que, reproduzindoa, mais uma vez, alinhome como razões de decidir: “Destaquese, por fim, que comprovada a correta apuração dos preços praticados pela fiscalização, e o descumprimento do disposto na IN SRF n° 38/97 pela contribuinte, é inaplicável ao caso o disposto no § único do artigo 100 do CTN, que exige a "observância das normas". Por fim, cumprese observar que os embargos de declaração não se prestam ao reexame de matéria pelo fato de não se constituir uma terceira instância de julgamento, a teor do disposto no art. 65, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Diante do exposto, voto no sentido de acolher em parte os embargos opostos, para tão somente complementar a fundamentação do acórdão 1301000.436, de 11 de Novembro de 2010, sem produção de efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10935.904733/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 26/04/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 33 /2 01 2- 70 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904733/201270 Acórdão n.º 3801002.452 S3TE01 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904733/201270 Acórdão n.º 3801002.452 S3TE01 Fl. 88 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904733/201270 Acórdão n.º 3801002.452 S3TE01 Fl. 89 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904733/201270 Acórdão n.º 3801002.452 S3TE01 Fl. 90 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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