Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13855.001534/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO - A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
Numero da decisão: 2202-002.649
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO - A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13855.001534/2006-48
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5359569
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.649
nome_arquivo_s : Decisao_13855001534200648.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13855001534200648_5359569.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5519270
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816461684736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2291; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 998 1 997 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.001534/200648 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.649 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria Omissão de Rendimentos Depósito Bancário Recorrente Kelson Kleber dos Santos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 34 /2 00 6- 48 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 999 3 Relatório Tratase de impugnação apresenta contra lançamento que, apurando omissão de rendimentos e glosando valores deduzidos diretamente do imposto devido, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 563.165,41, compreendendo Imposto de Renda, multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e demais dispositivos citados no auto de infração de fls. 03 a 10. Entendeu a Fiscalização terem ocorrido as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas, nos anos de 2003 e 2004; b) omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos de 2003 e 2004; e c) dedução indevida do imposto, de valores pretensamente doados ao Fundo da Criança e do Adolescente, no ano de 2003. O contribuinte admitiu apenas a correção do lançamento relativamente à glosa da doação feita à instituição Lar da Caridade, impugnando o restante do crédito tributário. Alegou, quanto à glosa da dedução de incentivo, que a entidade favorecida, a Instituição Espírita Nosso Lar, estava cadastrada no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Município de Uberaba/MG, e por essa razão a dedução era válida. No que tange aos depósitos bancários, afirmou não ter como demonstrar a origem dos valores depositados, uma vez que eles pertenceriam à empresa Antik Indústria e Comércio de Couros para Calçados e Representações Ltda, com quem mantinha contrato de representação comercial. De acordo com uma das cláusulas do referido contrato, à empresa era permitido utilizar a conta corrente do impugnante para movimentar receitas oriundas de suas operações. Assim, as quantias depositadas em sua conta bancária não lhe pertenceriam, mas sim a terceiro, contra quem, por força do próprio art. 42 da Lei n° 9.430, o lançamento deveria ter sido feito. Ressaltou ainda que a Fiscalização não demonstrou que o contrato era falso. Quanto ao recebimento de comissões, alegou o impugnante que mantinha contrato de representação tanto com a empresa Curtume Açay S/A, quanto com a empresa Antik, e que fizera intermediação de vendas da Curtume Açay para a empresa Antik, recebendo comissão apenas da primeira. E tais valores já teriam sido tributados na declaração de ajuste. Ademais, a Fiscalização não demonstrou que houve recebimento também da empresa Antik. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Disse ainda que a diferença no valor de R$ 3.634,20, encontrada pela Fiscalização nos rendimentos informados como tendo sido recebidos da empresa Açay, corresponde ao Imposto de Renda retido na fonte. Com esses fundamentos, pugnou pela anulação do lançamento. A impugnação veio acompanhada dos documentos de fls. 358 a 794. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Campo Grande, DRJ/CGE ao analisar a impugnação, negou provimento parcial por unanimidade, através do acórdão DRJ/CGE 0417.932 de 19 de junho de 2009, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÕES RECEBIDAS. PROVA DA EXISTÊNCIA DO CONTRATO E DAS VENDAS. CARACTERIZAÇÃO. A existência de contratos de prestação de serviço de intermediação de compra e venda de mercadoria e a existência dos documentos fiscais referentes às vendas são suficientes para caracterizar a aquisição de disponibilidade que constitui fato gerador do Imposto de Renda. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção "júris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A comprovação da origem dos recursos não pode se limitar à identificação da pessoa do depositante, mas exige esclarecer os negócios jurídicos de que se originam os recursos. DOAÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis apenas as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos municipais, estaduais e pelo Conselho nacional dos direitos da criança e do adolescente, não se aplicando igual tratamento às doações feitas diretamente às entidades filantrópicas. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde em síntese reitera os argumentos de impugnação, no que tange aos depósitos bancários e doações. É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1000 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, antes de mais nada devemos analisar a preliminar suscitada pelo Recorrente. Preliminar de Nulidade Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bom como que os documentos apresentados na impugnação não teriam sido devidamente analisados. Com a devida vênia, os documentos apresentados foram devidamente analisados e considerados pela autoridade julgadora. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1001 7 Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Entendo que não merece reparos a decisão de DRJ, desta forma rejeito a preliminar suscitada pelo Recorrente. Mérito – Depósito Bancário Omissão de Rendimentos No mérito a questão que se coloca, no presente caso, diz respeito à ocorrência ou não de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”. Segundo a fiscalização, teria havido sim tal omissão, em virtude de movimentações verificadas nas conta correntes de titularidade do Recorrente. Por sua vez o Recorrente alega que parte dos valores movimentados em sua conta corrente foram valores pagos pelas empresas Antik, na qual detinha contrato de prestação de serviços por ser representante comercial. Podemos verificar que parte das movimentações financeiras foram minuciosamente identificadas no decorrer da fiscalização, conforme podemos verificar as fls 22 a 26 dos autos. Como já se antecipou, atribuise ao Recorrente a omissão de rendimento de que trata o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que tem a seguinte redação: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Conforme se depreende do caput do referido dispositivo, caracterizase a omissão de rendimento quando a origem dos valores creditados na conta de depósito não for comprovada, caso em que a tributação da pessoa física será feita com base na tabela progressiva (§4º.). Se a origem dos depósitos for demonstrada, os respectivos valores deverão observar as regras de tributação específicas, nos termos do §2º da referida norma legal. Estabelece ainda o 2º. que “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. ...”. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1002 9 É o caso dos autos, como passo a evidenciar. Podemos verificar que no decorrer a fiscalização o contribuinte sempre alegou que os valores objeto do lançamento tiveram como origem pagamentos efetuados pela empresa Antik Indústria e Comércio de Couro para calçados e Representações Ltda. Foi apresentado no decorrer do procedimento fiscal, antes da lavratura do auto de infração, para a autoridade lançadora os documentos que embassassem esses argumentos. Além disso foi apresentados os comprovantes bancários onde demonstram que parte dos valores depositados tiveram como origem a conta bancária daquelas sociedades conforme foi devidamente apurado pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal e devidamente evidenciando nas planilhas de fls. 22 a 26 dos autos. Com base no demonstrativo elaborado pela autoridade lançadora de fls. 22 a 26, podemos verificar vários depósito bancário considerados como de origem não comprovada, foram minuciosamente identificados pelo Recorrente no curso do procedimento fiscalizatório, antes da lavratura do auto de infração, e foram devidamente destacados pela autoridade fiscalizatória. Conforme tabela abaixo: Ora, como esses depósitos foram minuciosamente identificados no decorrer do procedimento fiscalizatório, a autoridade lançadora deveria ter observado o disposto nos §§ 2º. e 5º. do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, ou seja fundamentar o auto de infração com base em omissão de rendimentos, e não com base fundamento legal que foi utilizado no presente caso.. Desta forma entendo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Nesse sentido devemos excluir o valor de R$ 738.977,52 relativo ao anocalendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. Gostaria de destacar que esse é o atual posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme ementa abaixo transcrita: Processo n 11020.000638/200380 Recurso n° 102137.659 Especial do Procurador Matéria IRPF Acórdão n° CSRF/0401.132 Sessão de 04 de novembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETER BRUGGER DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM COMPROVADA Comprovada a origem do depósito bancário, não há que se falar em autuação com fundamento no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Recurso Especial do Procurador Negado. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Em relação aos demais valores, não foi feita essa prova por parte do Recorrente, desta maneira entendo que não há como acolher os argumentos apresentados no recurso voluntário. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e no mérito voto por dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para excluir da base de cálculo o valor de R$ 738.977,52 relativo ao ano calendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002328/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU- AUSÊNCIA DE RAZÃO JURÍDICA PARA NULIDADE
Diferentemente do alegado pela defesa, a decisão recorrida não inovou o critério jurídico do lançamento ao se calcar na atribuição de responsabilidade por sucessão de fato, pois este também foi um dos fundamentos adotados pela autoridade fiscal.
DECADÊNCIA - FRAUDE
Uma vez caracterizada fraude pela autoridade fiscal, acusação contra a qual a defesa nem sequer se insurge, deve ser aferida a decadência pelo prazo fixado no art. 173, inciso I, do CTN.
MULTA - SUCESSÃO
Deve ser mantida a multa punitiva, no presente feito, não só pela sucessão de dívida patrimonial, mas sobretudo por ter o responsável tributário contribuído para a realização do ilícito.
Numero da decisão: 1401-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU- AUSÊNCIA DE RAZÃO JURÍDICA PARA NULIDADE Diferentemente do alegado pela defesa, a decisão recorrida não inovou o critério jurídico do lançamento ao se calcar na atribuição de responsabilidade por sucessão de fato, pois este também foi um dos fundamentos adotados pela autoridade fiscal. DECADÊNCIA - FRAUDE Uma vez caracterizada fraude pela autoridade fiscal, acusação contra a qual a defesa nem sequer se insurge, deve ser aferida a decadência pelo prazo fixado no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA - SUCESSÃO Deve ser mantida a multa punitiva, no presente feito, não só pela sucessão de dívida patrimonial, mas sobretudo por ter o responsável tributário contribuído para a realização do ilícito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.002328/2010-55
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861234
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.324
nome_arquivo_s : Decisao_13896002328201055.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 13896002328201055_5861234.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7273141
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050304973373440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 605 1 604 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002328/201055 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.324 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria IRPJ Recorrente ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU AUSÊNCIA DE RAZÃO JURÍDICA PARA NULIDADE Diferentemente do alegado pela defesa, a decisão recorrida não inovou o critério jurídico do lançamento ao se calcar na atribuição de responsabilidade por sucessão de fato, pois este também foi um dos fundamentos adotados pela autoridade fiscal. DECADÊNCIA FRAUDE Uma vez caracterizada fraude pela autoridade fiscal, acusação contra a qual a defesa nem sequer se insurge, deve ser aferida a decadência pelo prazo fixado no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA SUCESSÃO Deve ser mantida a multa punitiva, no presente feito, não só pela sucessão de dívida patrimonial, mas sobretudo por ter o responsável tributário contribuído para a realização do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 28 /2 01 0- 55 Fl. 5410DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, faço uso do relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau: Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, cientificados à impugnante em 20 de outubro de 2010, conforme documento de fl. 385, no valor total de R$ 10.561.522,45, devido às irregularidades assim descritas nos autos de infração: Auto de Infração do IRPJ, fls. 349/352: “Razão do arbitramento nos períodos: 03/2005 06/2005 09/2005 12/2005 Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Constatação de Intimação Fiscal, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, Inciso III, do RIR/99. 001 – Receita Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) Prestação de Serviços Gerais Omissão de receitas de prestação de serviços: 1) comprovados por meio de notas fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários; 2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras de serviços cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. [Demonstrativos com fatos geradores trimestrais, em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005] Fl. 5411DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 606 3 Enquadramento legal: Art. 530, Inciso III, do RIR/99. 002 – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Depósitos bancários de origem não comprovada, que deverão ser considerados omissão de receitas para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o reflexo da Contribuição Social s/Lucro Líquido, conforme os valores apurados e demonstrados em planilhas anexas ao Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização. [Demonstrativos com fatos geradores trimestrais, em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005] Enquadramento legal: Arts. 27, inciso I, e 42, da Lei n.º 9.430/96; Arts. 530, inciso III, do RIR/99. (...).” Auto de Infração da CSLL, fls. 356/360: “001. CSLL – Prestadora de Serviços. Falta de Recolhimento da CSLL. Omissão de receitas de prestação de serviços: 1) Comprovadas por meio de notas fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários; 2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2005 a 31/12/2005] Falta de Recolhimento da CSLL Depósitos bancários de origens não comprovadas, que deverão ser consideradas omissão de receitas para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o reflexo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme os valores apurados e demonstrados em planilhas anexas ao Termo de Verificação e encerramento da Fiscalização. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2005 a 31/12/2005] Enquadramento legal: Art. 22, da Lei n.º 10.684/03 e art. 37, da Lei n.º 10.637/2002.” 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Fiscalização, fls. 329/344, que se transcreve: Em cumprimento ao determinado no MPF em epígrafe, iniciamos a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário 2005, exercício 2006, junto ao contribuinte acima identificado, tendo em vista que o mesmo, embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no anocalendário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde informa as receitas auferidas no período zeradas. Fl. 5412DF CARF MF 4 Iniciamos o procedimento fiscal em 09/05/2008, diligenciando no domicílio fiscal do contribuinte na Av. Andrômeda, 2000, e a empresa não foi localizada, obtendose a informação de que a "empresa mudouse para Alameda Tocantins, 125.” Em seguida, comparecemos no referido endereço e na recepção da portaria, fomos informados que no local não se encontra nenhuma empresa com a razão social mencionada. Deuse o prosseguimento à ação fiscal, com as providências devidas e aplicáveis na situação de empresa não localizada, conforme a seguir descritos: 1) Em 12/05/08, lavramos o Termo de Constatação Fiscal, para o registro dos fatos que constatamos em relação à localização da empresa e deuse ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal ao sujeito passivo, por Edital de Intimação SEFIS/DRF/BRE, n° 35, de 12/05/08; 2) Em 26/05/08, através de Ofício DRF/BR/SEFIS n° 008/2008, solicitouse à Junta Comercial do Estado de São Paulo, as cópias do contrato social, com as alterações posteriores e o breve relato da empresa, que foi atendida em 01/08/2008; 3) Ciência dos Termos de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrados em 17/07/09 e 14/05/2010, por meio dos Editais SEFIS n° 54 de 17/07/09 e n° 32 de 14/05/2010. NOTA: Considerando que a fiscalizada não se encontra no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Em face da não localização da empresa, os sócios atuais do sujeito passivo, ANDRÉ LUIS MOLINA, CPF n° 388.445.76830 e EDNA APARECIDA SERVIDONE, CPF n° 080.276.74433, admitidos na sociedade em 02/01/2008, conforme registro na JUCESP 013.810/080, foram intimados para comparecerem à Repartição, inicialmente no endereço informado no cadastro CPF, e por não terem sido localizados, enviouse a correspondência nos endereços informados no documento da JUCESP. Entretanto, também não foram localizados, dandose ciência do procedimento fiscal pelo Edital, conforme a seguir descrevemos: ANDRE LUIS MOLINA a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua Diana, 359, Apto. 05, Perdizes/SP, domicilio constante no cadastro CPF. Devolvida com informação do agente postal "ausente" b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Mazzini, 447 Cambuci/SP, domicílio fiscal constante no documento da JUCESP, também devolvido com informação do agente postal "ausente". c) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 96 de 28/10/2009. EDNA APARECIDA SERVIDONE a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua João Dias Martins, 110 apto. 301, Boa Viagem/RecifePE, domicílio fiscal constante no cadastro CPF. Devolvida com indicação "desconhecida"; b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Madre Eugénie Villien, n° 32, Pedreira/SP, endereço constante no documento da JUCESP. Devolvida com a informação do agente postal "número inexistente"; c) Em 12/11/2009 foi reencaminhada à Rua Muritinga, 480, apto. 94, Vila Floresta em Santo André/SP, endereço informado na DIRPF/06. Devolvida contendo as informações do agente postal: "desconhecido, informação do porteiro/síndico". Fl. 5413DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 607 5 d) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 95 de 28/10/2009. Cumpre salientar que em sessão de 31/01/2008, JUCESP 026.129/085, o endereço da sede da fiscalizada foi alterado passando da Av.Andrômeda 2000, bloco 10, Alphaville Barueri para Rua Mazzini, 447 fundos, Cambuci São Paulo, que por sinal é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA Considerando que tanto a empresa quanto os seus sócios não foram localizados por esta fiscalização, tendo os mesmos sido intimados via Editais, e considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, mediante Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Atendendo o Termo de Intimação Fiscal, as empresas diligenciadas enviaram as cópias de notas fiscais de serviços prestados emitidas pela fiscalizada com os respectivos comprovantes de pagamentos, a contabilização desses pagamentos e o contrato firmado para prestação de serviços. PROBANK S/A MPF 185/08 a) Apresentou, em 18/06/2008, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovante de pagamentos das notas fiscais c) Escrituração contábil d) Contratos constituídos de proposta para Prestação de Serviços, firmado em 05/09/2005 e Aviso de Cancelamento de Prestação de Serviços, de 04/01/2006. C & A MODAS LTDA. MPF 186/08 a) Apresentou, em 25/06/08, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais e c) Escrituração contábil. EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO S/A MPF 187/08 a) Apresentou, em 12/06/08, cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais; c) Comprovantes de rendimentos pagos e de tributos e contribuições retidos e, d) Contrato de prestação de serviços, lavrado em 01/06/05. JANSSENCILAG FARMACÊUTICA LTDA. MPF 188/08 Tomou ciência, em 04/06/08, do Termo de Intimação Fiscal Diligência, no entanto não apresentou os elementos solicitados. Fl. 5414DF CARF MF 6 PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A MPF 189/2008 a) Apresentou em 08/07/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e c) Demonstrativos individualizados das retenções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL d) Termo de cessão de Contrato, datado de 09/01/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. CRC CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE LTDA. MPF 190/08 Não atendeu o Termo de Intimação Fiscal. UNIDOCK'S ASSESSORIA E LOGÍSTICAS DE MATERIAIS LTDA. MPF 191/08 a) Apresentou em 03/07/08 relação de notas fiscais emitidas com as respectivas cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços; b) Cópias do contrato de prestação de serviços firmado em 01/12/2003 e c) Escrituração contábil dos documentos. NexoCS INFORMÁTICA LTDA. MPF 192/08 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovante de pagamento das notas fiscais; c) Escrituração contábil dos documentos e, d) Instrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. ACCENTURE DO BRASIL LTDA. MPF 193/08 Apresentou parcialmente cópia das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, numeradas de 2972 a 3625, e esclarecendo verbalmente a não localização das demais notas, enviou via email, relação de notas fiscais. BANCO ITAUBANK S/A MPF 194/08 a) Apresentou em 23/06/08 cópias das notas fiscais, e em 29/07/08 apresentou as notas faltantes; b) Cópia do contrato de serviço firmado em 24/05/04 e, c) Relação contendo as informações das notas fiscais, com as deduções do IRRF e das contribuições. SOTREQ S/AMPF 195/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais; b) Demonstrativo de valores que constaram informados na DIRF; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços, firmado em 01/07/05. Fl. 5415DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 608 7 ARTHUR LUNDGREN TECIDOS S/A CASAS PERNAMBUCANAS MPF 196/08 a) Apresentou em 14/08/08 cópias das notas fiscais de serviços; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços firmado em 16/08/04. MARISA LOJAS VAREJISTAS LTDA. MPF 197/08 a) Apresentou em 20/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de depósitos efetuados na c/c bancária da ZERA; c) Contrato firmado em 07/02/2006 entre Marisa lojas varejistas e PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382 e; d) Escrituração contábil. HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. MPF 198/08 a) Apresentou em 20/06/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Notas de débitos das despesas reembolsadas com os respectivos comprovantes de pagamentos; d) Contrato de prestação de serviços e, e) Escrituração contábil. SSA GLOBAL TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. MPF 199/08 Apresentou cópias das notas fiscais com os respectivos comprovantes de pagamentos. FIDELITY PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. MPF 200/2008 Apresentou em 07/05/09 os documentos que foram relacionados nos Anexos de I a IV, ou seja: Anexo I serviços que foram executados pela ZERA, com a discriminação das notas fiscais com os respectivos valores, bem como as deduções dos tributos; Anexo II contrato de prestação de serviços firmado em 27/05/05; Anexo III escrituração contábil e no Anexo IV comprovação dos pagamentos. IBI PROMOTORA DE VENDAS LTDA. MPF 201/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados e, b) Comprovantes de pagamentos de que foram creditados à ZERA no Banco Real S/A. DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. MPF 202/2008 a) Apresentou em 13/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovante de pagamentos/depósitos efetuados através de boleto Itaú; c) Escrituração contábil no Livro Razão e Fl. 5416DF CARF MF 8 d) Contrato de prestação de serviços n° CT IT 0005 01 2004, firmado em 05/01/04, e o Termo de Rescisão Contratual, lavrado em 05/10/06. RHMED CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA. MPF 203/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relação de pagamentos efetuados no período; c) Cópia do contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A MPF 204/2008 a) Apresentou em 25/06/08 cópias de notas fiscais de janeiro a maio de 2005; b) Comprovantes de valores líquidos que foram depositados na conta corrente bancária da ZERA e, c) Escrituração contábil. EXCIM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A MPF 205/08 Empresa não localizada. AES COMMUNICATIONS RIO DE JANEIRO S/A MPF 206/08 a) Apresentou em 17/06/2008 cópias das notas fiscais b) Comprovantes de pagamentos c) Contrato social d) Escrituração contábil e) Contrato celebrado entre AES Communications e PROBANK Software e Consultoria S/A, datado de 01/08/2006. ; ZENITH QUALITY SOLUTIONS COMÉRCIO LTDA. MPF 207/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal Diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. MPF 208/08 a) Apresentou em 28/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relacionou em planilha os valores pagos no período (mencionou o n° da NF nos casos de documentos não localizados); c) Contrato de prestação de serviços firmado em 27/07/05; d) Termo Aditivo n° 02 de 30/05/06 ao contrato de prestação de serviços OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ONS MPF 209/08 a) Apresentou em 02/07/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relatório contendo os valores que compõem a DIRF/06; c) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; d) Escrituração contábil (livro razão e livro diário) e, e) Cópias dos contratos firmados com a ZERA. Fl. 5417DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 609 9 OPEN CONCEPT SERVIÇOS LTDA. MPF 210/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. EPS OUTSOURCING CONSULTORIA LTDA. MPF 211/08 Correspondência devolvida, por não ter sido localizada a empresa. CONNECTMEDCRC CONS., ADMIN. E TECNOL EM SAÚDE LTDA. MPF 212/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal Diligência em 05/06/08 e em 24/04/09 no Termo de Reintimação Fiscal e não apresentou os elementos solicitados. CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA. MPF 213/08 a) Apresentou em 23/06/2008 as notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos de serviços prestados; c) lnstrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK, CNPJ 42.778.183/000382; e) Escrituração contábil. BANCO IBI S/A MFP n° 214/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos efetuados mediante crédito na conta corrente do Banco Real e, c) Demonstrativo de valores que foram informados na DIRF, com os valores das deduções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL. C FISCHER S/C LTDA. MPF 215/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. C & R CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO LTDA. MPF 216/2008 a)Contrato de prestação de serviços n° CT IT 0009 02 2004, Anexos 001 e 002, firmado em 10/09/2004; b) cópias das notas fiscais de serviços prestados com os respectivos depósitos bancários. MAGECORP SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. MPF 217/08 Apresentou cópias de notas fiscais de serviços de sua emissão, figurando a ZERA como destinatário dos "Serviços de Consultoria e desenvolvimento de projetos". A & L INFORMÁTICA COMERCIO E SERVIÇOS LTDA. ME MPF 218/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. PETROFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A MPF 219/2008 a) Apresentou em 15/07/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e, Fl. 5418DF CARF MF 10 c) Contrato de Prestação de Serviços. ROCHE DIAGNOSTICA BRASIL LTDA. MPF 220/08 Em 27/06/08, apresentou a cópia da nota fiscal de serviços, n° 3294, comprovante de pagamento, contrato de prestação de serviços e escrituração contábil. PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A MPF 221/08 a) Apresentou em 16/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. LOJAS AMERICANAS S/A MPF 222/2008 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato firmado em 01/06/2000. DA REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ IRPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Apesar de intimada e reintimada, via afixação de Editais na dependência desta DRF/BRE, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeira. A fiscalizada embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no anocalendário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, com o campo referente às informações das receitas auferidas no período "ZERADAS". Desta forma, ficou configurada a hipótese prevista no art. 33, I da Lei 9.430/96, justificandose a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, conforme previsto no art. 6º da Lei Complementar 105/2001. "Art. 33. A Secretaria da Receita Federai pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art.200 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996;..." Relacionamos abaixo, as Instituições Financeiras que em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira, forneceram as documentações solicitadas, tais como: arquivo do extrato bancário na forma de mídia eletrônica, extratos bancários em papel, fichas de aberturas de contas com cartão de assinaturas e instrumento de procuração outorgando poderes a terceiros e cópias dos cheques emitidos, superior a R$ 5.000,00. Fl. 5419DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 610 11 BANCO ITAUBANK (BANKBOSTON) S/A RMF n° 42/08 BANCO DO BRASIL S/A RMF n° 43/08 BANCO REAL S/A RMF n° 44/08 BANCO RURAL S/A RMF n° 45/08 BANCO UNIBANCO S/A RMF n° 46/08 BANCO ITAÚ S/A RMF n° 47/08 BANCO BRADESCO S/A RMF n° 48/08 BANCO BANESPA (SANTANDER) RMF n° 49/08 BANCO SUDAMERIS S/A RMF n° 50/08 BANCO PINE S/A RMF n° 51/08 BANCO ABC BRASIL S/A RMF n° 52/08. Na apuração dos depósitos bancários de origens não comprovados, os créditos bancários correspondentes aos recebimentos das notas fiscais e demais valores que correspondem às receitas operacionais da empresa, que foram possíveis de identificação, as transferências de valores de mesma titularidade foram excluídos, sendo os valores remanescentes considerados omissão de receita, ou seja, depósito bancário de origem não comprovado, conforme demonstrados em planilhas. DAS IRREGULARIDADES APURADAS NO SUJEITO PASSIVO Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação fiscal foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Nos casos em que não obtivemos as cópias das Notas Fiscais solicitadas, quer seja pelo não atendimento das empresas diligenciadas ou pelas mesmas não terem sido localizadas, a falta dessas notas fiscais para obtenção das receitas omitidas foi solucionada, confrontandose os valores constantes na DIRF com os valores que comprovaram esses recebimentos, mediante créditos nas contas correntes, constantes nos extratos bancários. Elaboramos planilhas (ANEXO I) individualizadas para os valores cujas cópias das notas fiscais foram enviadas pelas empresas diligenciadas, onde constam o n° das notas fiscais, a data da emissão dessas notas, o valor bruto, a data do crédito na c/c bancária, o valor líquido creditado, as incidências sofridas do Imposto de Renda Retido na Fonte, PIS, COFINS e CSLL, e a identificação do banco. Os valores das notas fiscais foram confrontados com as DIRF's e respectivos valores líquidos creditados nas contas bancárias. Apuramos as seguintes irregularidades: > Omissão de receitas de atividades operacionais apuradas a partir das informações obtidas junto aos clientes tomadores dos serviços; > Omissões de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada; > Falta de recolhimento dos tributos retidos das empresas prestadoras de serviços a) Planilha identificando as omissões de receitas apuradas por esta fiscalização: Fl. 5420DF CARF MF 12 Período de OMISSÃO OMISSÃO DEPOSITO Apuração C/NF (1) DIRF (2) BANCÁRIO (3) TOTAL JAN 1.094.981,60 42.967,74 327.289,10 1.465.238,44 FEV 1.610.873,54 39.741,94 372.656,39 2.023.271,87 MAR 1.077.601,26 104.955,15 392.527,82 1.575.084,23 1º TRIM. 3.783.456,40 187.664,83 1.092.473,31 5.063.594,54 ABR 1.423.075,12 89.561,93 455.455,51 1.968.092,56 MAI 1.242.127,94 73.379,38 454.006,66 1.769.513,98 JUN 1.469.283,97 65.054,71 651.762,62 2.186.101,30 2º TRIM. 4.134.487,03 227.996,02 1.561.224,79 5.923.707,84 JUL 1.213.701,47 105.988,12 684.106,64 2.003.796,23 AGO 1.520.372,39 106.367,11 1.133.579,89 2.760.319,39 SET 1.248.432,74 92.120,33 931.694,52 2.272.247,59 3 º TRIM. 3.982.506,60 304.475,56 2.749.381,05 7.036.363,21 OUT 1.420.334,98 55.980,16 1.134.355,25 2.610.670,39 NOV 1.545.609,96 80.921,66 1.054.621,48 2.681.153,10 DEZ 1.330.616,68 40.365,16 1.041.841,48 2.412.823,32 4º TRIM 4.296.561,62 177.266,98 3.230.818,21 7.704.646,81 (1) Valores comprovados por meio de Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras dos serviços e cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras dos serviços que não apresentaram as Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada mas cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (3) Remanescentes dos extratos bancários referentes aos créditos em conta corrente não comprovados. b) TRIBUTOS RETIDOS E NÃO RECOLHIDOS: Período BASE DE BASE DE IRRF PIS COFINS CSLL de CÁLCULO CÁLCULO Apuração IRRF PIS/COFINS JAN 858.840,83 712.359,77 12.882,61 4.630,34 21.370,79 7.123,60 FEV 755.543,71 613.897,24 11.333,16 3.990,33 18.416,92 6.138,97 MAR 731.021,01 566.517,48 10.965,32 3.682,36 16.995,52 5.665,17 ABR 874.741,07 738.307,45 13.121,12 4.799,00 22.149,22 7.383,07 MAI 843.390,07 695.205,21 12.650,85 4.492,83 20.736,16 6.912,05 JUN 928.328,32 758.535,84 13.924,92 4.930,48 22.756,08 7.585,36 JUL 917.589,07 751.006,44 13.763,84 4.881,54 22.530,19 7.510,06 AGO 773.151,30 618.343,66 11.597,27 4.019,23 18.550,31 6.183,44 SET 903.604,09 738.398,36 13.554,06 4.799,59 22.151,95 7.383,98 OUT 806.130,41 669.573,38 12.091,96 4.352,23 20.087,20 6.695,73 NOV 27.907,60 13.907,60 418,61 90,40 417,23 139,08 DEZ 19.268,35 15.674,60 289,03 101,88 470,24 156,75 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme já informado acima, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos, Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na Fl. 5421DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 611 13 dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Considerando que a fiscalizada não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. O fiscalizado apresentou DIPJ pelo Lucro Real com todos os campos zerados, para o período fiscalizado. Diante do exposto, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica foi calculado sobre o lucro arbitrado, conforme disposto no inciso III do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda. "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei na 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)" O Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi determinado mediante a utilização do percentual de 38,4,% sobre a receita bruta apurada, de acordo com o disposto no art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda: "Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;(...)" Do exposto, resultaram na constituição dos créditos tributários de: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica, efetuando a compensação do Imposto de Renda Retida na Fonte (IRRF/1708), incidente sobre as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (ANEXO II); b) o reflexo da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensandose as CSLL destacadas e incidentes nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II) e Auto de Infração da CSLL, retida e não recolhida, conforme demonstrado no ANEXO V; c) COFINS, apuradas sobre a mesma base utilizada para a apuração do IRPJ, compensado os valores das retenções incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, os valores da COFINS retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V); Fl. 5422DF CARF MF 14 d) Contribuição social s/ PIS, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensando as contribuições do PIS incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, as contribuições ao PIS, retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas" para prestação de serviços (ANEXO V), e, e) os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte, retidos e não Recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V). Da multa agravada Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos e a apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Em face do exposto, a multa referente à omissão de receitas foi agravada pela falta de atendimento às intimações, previsto no artigo 959 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) e artigo 44 da Lei 9.430/96. Da multa qualificada Aos valores submetidos à tributação por esta fiscalização, referentes à omissão de receitas foi aplicada multa qualificada, por ter o contribuinte praticado atos que se enquadram nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, incorrendo na hipótese prevista no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Lei 11.488/07). A ação/omissão dolosa está caracterizada em diversas condutas, como: > A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. > Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. > O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. > Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. > Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. Fl. 5423DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 612 15 > Observamos que os sócios admitidos são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, conforme abaixo descrito: EDNA APARECIDA SERVIDONE: > cadastrada no CPF em 2006; > consulta no site do TSE, o n° do título de eleitor inexistente; > não localizada nos 3 (três) domicílio fiscal (cadastro CPF, JUCESP e DIRPF). ANDRÉ LUIS MOLINA: > cadastrado no CPF em 2006; > não existe declaração de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física; > não localizado nos 2 (dois) domicílios fiscais (cadastro CPF e JUCESP). > Na mesma alteração contratual em que os sócios foram substituídos, comunicouse também a alteração de endereço do sujeito passivo para a Rua Mazzini, 447 fundos Cambuci/SP que coincidentemente é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina Rua Mazzini 447 Cambuci/SP; > Apresentação de DIPJ com informação de que não auferiu receitas de atividades (DIPJ ZERADAS) e DCTFs com valores incorretos das retenções na fonte; > Impediu a cobrança dos impostos e contribuições sociais inclusive os valores retidos das empresas contratadas, prestadoras de serviços, uma vez que as DCTF transmitidas, ainda que contivessem valores incorretos, foram RETIFICADAS mediante a apresentação de DCTF retificadora, ZERANDO as informações anteriormente prestadas; > Os valores retidos de Imposto de Renda Retido na Fonte (código 1708), bem como das Contribuições Sociais de PIS, COFINS e CSLL retidos sobre os pagamentos efetuados à prestadores de serviços, não foram recolhidos aos cofres da União. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário, juntado às fls. , acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria. Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. Gilberto de Freitas, diretor da PROBANK Software, destaca a forma pela qual foi estruturada a transação: "encontramos uma modelagem de negócio Fl. 5424DF CARF MF 16 inovadora, que trará ganhos de sinergia, preservando a identidade das duas empresas e a independência das outras linhas de negócio. Como não se trata de fusão ou aquisição, mas de um acordo de participação para atuação conjunta apenas nas áreas de consultoria e fábrica de software, a integração será muito mais rápida e eficiente." Fazem parte da administração da nova companhia executivos e membros de Conselho de ambas as organizações. Pela PROBANK S/A, foram indicados Paulo Martins, como Presidente; Gilberto Freitas, como diretor financeiro, e Ronald Valladão, como diretor comercial para governo. Da ZERA Integradora foram nomeados Milton Conca, como diretor técnico, e João Ângelo Rodrigues, como diretor comercial corporativo. Nesta semana, as empresas começarão a executar a integração das operações, redes e atendimento para assegurar uma transição suave e com geração de valor imediato para clientes, parceiros e investidores. Como parte dessa integração inicial, PROBANK e ZERA anunciam as linhas de negócios que serão exploradas pela nova companhia. A PROBANK Software passará a comercializar as aplicações de negócios desenvolvidas pela ZERA: o G PM Gestão de Processos e Materiais, estilizado para planejamento e controle de produção, integrando os subsistemas WMS, MÊS e APS ao sistema ERP; e o VPLoad, aplicativo que seleciona contas do sistema de cartão de crédito VisionPlus para criação de ambientes de testes e geração de campanhas. A nova companhia também oferecerá implementação, licenciamento e suporte a todos os produtos corporativos Microsoft e Oracle, que até então faziam parte do portifólio da PROBANK S.A. A área de consultoria da PROBANK Software terá as seguintes linhas de negócios: Business, Suíte, dedicada a implementação de ERP, CRM e Supply Chain Management; Desenvolvimento de Sistemas, dedicada a implementação de metodologia de e desenvolvimento, seguindo as diretrizes do CMMI e capacitação profissional da plataforma Java; Cartão de Crédito, para implementação e desenvolvimento de soluções baseadas nas plataformas VisionPlus e B2K; Gerenciamento eletrônicos de Documentos (GED), com certificações oficiais nas plataformas Documentum e FileNet; Business Intelligence (BI), com expertise nas plataformas Cognos, Hyperion, Informática e Business Objects; e Project Management, dedicada ao gerenciamento de projetos segundo a metodologia do PMI. A PROBANK Software oferecerá ainda diversas modalidades de contratação dos serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas e aplicativos, segundo as diretrizes do CMMI, através dos seus centros de excelência em tecnologia Java, Net e Mainframe. A nova companhia utilizará os frameworks desenvolvidos pela ZERA para projetos nessas plataformas. Sobre a PROBANK A PROBANK provê soluções e serviços que ajudam as organizações a alcançarem seus objetivos estratégicos em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). É líder no mercado de outsourcing e está listada entre as 500 maiores companhias brasileiras. Registrando crescimento médio anual de receitas de 83,50% nos últimos cinco anos, a companhia prevê vendas de R$ 200 milhões para o exercício de 2006. Entre as linhas de negócio da PROBANK, há soluções e serviços para integração de sistemas e terceirização de processos de negócios. Os serviços de backoffice que incluem processamento de pagamentos e depósitos (retaguarda bancária), gerenciamento de projetos e equipes e operações centrais de CRM formam a principal linha de negócio da companhia e respondem por 42% das receitas. Em seguida, com 36%, vêm os serviços de campo (field services), que incluem instalação, operação, manutenção e suporte técnico de equipamentos de TIC. Outros serviços de PROBANK são: fábrica de software, consultoria e locação de equipamentos Fl. 5425DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 613 17 com garantia de disponibilidade (customer premises equipment). Já as soluções da companhia em infraestrutura estão voltadas para a computação de 64 bits, armazenamento e redes. O sistema de gestão da qualidade da PROBANK, está certificado em conformidade com a norma ISO 9001:2000. Em 2005, a companhia recebeu o Prêmio Info 2000, concedido pela Revista Info, como a empresa que obteve o maior crescimento em vendas de Tl no País. A PROBANK também foi premiada pela revista Isto É Dinheiro como a melhor empresa na Categoria Gestão Financeira no Setor Tecnologia no ano de 2004 e listada entre as 500 maiores empresas brasileiras no ranking da mesma publicação em 2005. A PROBANK mantém parcerias de negócios com a Silicon Graphics, Sun, Microsoft, Oracle, Cisco, Enterasys, Alcatel, Huawei, Check Point e Módulo Security, tendo alcançado certificações de alto nível como Cisco Premier Partner e Microsoft Gold Partner, dentre outras. No portifólio da PROBANK há projetos de grande alcance econômico e social, como a implantação de backbone da Justiça Eleitoral, o suporte técnico às Eleições 2004 e ao Referendo do Desarmamento em 2005, a operacionalização dos programas sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, a infraestrutura de comunicação de dados dos correspondentes bancários e a retaguarda de agências da Caixa Econômica Federal. Sobre a ZERA A ZERA é uma empresa inovadora que tem como missão agregar valor aos negócios dos clientes através de soluções integradas de Tecnologia da Informação e Comunicação. Com faturamento anual de R$ 25 milhões e cerca de 300 colaboradores, a empresa está sediada em Alphaville (SP) e mantém centros de desenvolvimento no Rio de Janeiro (RJ) e em Vitória (ES). As áreas de negócios da ZERA incluem projetos e outsourcing, consultoria em business intelligence, ERP e gerenciamento eletrônico de documentos, serviços de CRM, call center e software para planejamento e controle de produção e cartão de crédito. A empresa implementou com sucesso diversos projetos para clientes corporativos dos setores de finanças, varejo, farmacêutico, petroquímico, energia e telecomunicações. Na carteira de clientes da empresa estão C&A, Banco IBI, Xerox, Bankboston, Lojas Americanas, Marisa, Pernambucanas, Roche, Petroflex, Primesys e AES, dentre outras corporações. A ZERA tem no seu portifólio projetos implementados em outros países, através de parcerias com HP e Accenture." A Ficha Cadastral Completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01/10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doc. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doc. 357.746/089 Fl. 5426DF CARF MF 18 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo apresentamos algumas transcrições desses documentos, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações decorrentes do contrato, tem interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANKS/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") Fl. 5427DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 614 19 (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "1º ADITAMENTO AO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..." (grifamos) Da leitura dos textos acima transcritos, depreendemos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 deve ser responsabilizada nos termos do Art. 124, inciso I do CTN: "São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Da Sujeição Passiva Solidária Conforme já informado no tópico referente à multa qualificada, o ex sócio administrador, Sr.Milton Sérgio Conca utilizou de procedimento fraudulento para eximir o sujeito passivo do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. Conforme acima informado, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. Os fatos acima descritos caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1º e art 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou Fl. 5428DF CARF MF 20 caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr.MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/0003 82 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DF SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Assim, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, sendo que uma via desses Termos com os seus anexos, serão enviados aos respectivos domicílios, em nome de: a. Sr. Milton Sérgio Conca, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, sócio administrador à época dos fatos, nos termos dos arts. 124 c/c 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). b. PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). DEMONSTRATIVO DETALHADO NOS ANEXOS ANEXO I: notas fiscais emitidas para as empresas contratantes para prestação de serviços [constituído de 67 folhas]; ANEXO II: relação das notas fiscais emitidas com os valores das retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 24 folhas]; ANEXO III: valores apurados de depósitos bancários de origens não comprovados [constituído de 6 folhas]; ANEXO IV: consolidação de valores das receitas omitidas e depósitos bancários de origens não comprovados, utilizados na apuração do crédito tributário, e as retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 01 folha]; ANEXO V: valores do IRRF, PIS, COFINS e CSLL, retido e não recolhido das empresas contratadas para prestação de serviços, bem como a falta de declaração na DCTF [constituído de 32 folhas]. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, e a ciência deverá ser dada por EDITAL DE INTIMAÇÃO Fl. 5429DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 615 21 SEFIS, e considerado ciente no 16° dia da afixação do Edital, tendo em vista a não localização da empresa no seu domicílio fiscal. 3. A autoridade fiscal elaborou, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 372/374, em nome de Milton Sérgio Conca e de fls. 365/371, em nome de PROBANK Software e Consultoria S/A, sendo que se transcreve este último: “Contexto No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização relativo ao sujeito passivo acima identificado, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, relativamente à fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do ano calendário 2005, exercício 2006, constatouse os fatos a seguir descritos que ensejaram a lavratura do presente Termo de Sujeição Passiva Solidária pelo crédito tributário constituído. A empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ IRPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo. Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Nos documentos enviados pelas empresas diligenciadas, comprovouse a o acordo de participação entre ZERA e PROBANK S/A, conforme o texto do informe publicitário abaixo transcrito, bem como corroborados nos contratos firmados com as empresas contratantes para prestação de serviços. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Fl. 5430DF CARF MF 22 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. (...) A ficha cadastral completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01 /10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doe. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doe. 357.746/089 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo fizemos transcrições, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A... Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações decorrentes do contrato, tem Fl. 5431DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 616 23 interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente")... (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da Interveniente Anuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") (...) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da Interveniente Anuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A Fl. 5432DF CARF MF 24 ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "1o ADITAMENTO AO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..."(grifamos) Ressaltamos também que, de acordo com as informações constantes nas Fichas Cadastrais obtidas junto à Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/0003 82 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Portanto, fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente aos tributos IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA e o REFLEXO da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, do Imposto de Renda Retido na Fonte, do PIS, da COFINS e da CSLL, na data de 28/09/2010, contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são encaminhados neste ato. Fica cancelado, POR ESTAR INCOMPLETO, O TERMO PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ENCAMINHADO POR ENGANO FALTA DE ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES E DA ASSINATURA DO AFRFB TORNANDO SEM EFEITO O REFERIDO TERMO ENCAMINHADO POR MEIO DO AR RJ 463362599, FICANDO O SUJEITO PASSIVO INTIMADO A PARTIR DO RECEBIMENTO DESTE.” 4. Inconformada, a empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, qualificada como “Sujeito Passivo Solidário”, apresentou a impugnação de fls. 396/419, em 16 de novembro de 2010, com as seguintes razões de defesa. Fl. 5433DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 617 25 4.1. Afirma que, conforme suscitado pela autoridade fiscal, a PROBANK S/A e a ZERA S/A firmaram um Acordo de Participação em Dezembro de 2005, enquanto as atividades da impugnante tiveram início somente em meados de 2006. 4.2. Acrescenta que as empresas acordantes, inclusive a impugnante, mantiveram suas personalidades jurídicas e continuaram a exercer suas atividades. Enfim, apenas uniram esforços para aumentar sua visibilidade no mercado. Em suas palavras: “A concorrência e a competitividade nunca se fizeram tão intensas ou transparentes. Com a crescente integração das economias mundiais, o mercado nacional (e internacional) reestruturase velozmente, provocando o acirramento da concorrência entre as empresas. Diante deste cenário, a dinamização das atividades se revela como um dos aspectos mais importantes na conquista de novos mercados. Alianças estratégicas são, hoje, movimentação ínsitas a qualquer prática negocial. É essa a realidade que impulsiona novas técnicas de associação e integração. No caso em tela, a impugnante surgiu de um acordo legítimo baseado na livre iniciativa em que, repitase, as empresas acordantes continuaram a exercer suas atividades, sendo exclusivamente responsáveis pelos direitos e obrigações decorrentes desse exercício. Assim, temse que o acordo de participação foi apenas um instrumento negocial legítimo em que duas empresas, que mantiveram suas personalidades jurídicas e suas atividades, decidiram unir esforços para ampliar sua penetração mercadológica.” 4.3. Diz que não se pode admitir que uma atuação essencialmente estratégica, do ponto de vista do mercado, implique em transferência de responsabilidade quanto ao cumprimento dos deveres fiscais. E que os atos eventualmente praticados pela ZERA em nada beneficiaram a impugnante, tendo em conta que atuação das empresas, a par do acordo firmado, deuse de forma apartada, sem a conjugação de interesses específicos na prática de fatos jurígenos. E, sob a ótica societária, não houve qualquer vinculação entre as partes que permitisse a conclusão do silogismo acentuado pela fiscalização. 4.4. Portanto, a obrigação tributária decorrente do exercício das atividades da ZERA cabe tão somente a ela, pois nunca houve interesse comum ou mesmo conjugação de esforços da impugnante para a elisão do fato gerador. E, se um determinado contribuinte não mantém relação com o fato jurígeno, não colhe eventuais benefícios que dela decorram, não pode ser arrolado como responsável pelo recolhimento do tributo. 4.5. Referindose ao artigo 124, Inciso I, do CTN, afirma: “Esse ponto merece reflexão. Se o dispositivo mencionado acima não comporta benefício de ordem – dispositivo esse que se escora a fiscalização – porque então o trabalho fiscal não imputou diretamente a responsabilidade à Impugnante sem que tantos e tortuosos caminhos fossem realizados para localizar – PRIMEIRAMENTE – o real sujeito passivo da obrigação? A resposta é singela. Não há responsabilidade por parte da Impugnante. Prova maior disso é que não houve nenhuma prova nos autos de que realmente existia por parte da Impugnante o interesse comum na prática do fato gerador. Com efeito, conquanto o Digesto Tributário tenha garantido a prerrogativa de Fl. 5434DF CARF MF 26 imputação sem benefícios de ordem por parte da Fiscalização, não o fez sem critérios. A indicação, decerto lacônica, de “pessoas que tenham interesse comum” na prática do fato imponível, deve observar balizas fáticas e comprobatórias, sob pena de afronta à segurança e estabilidade das relações jurídicas.” 4.6. Transcreve jurisprudência, fls. 402/405. 4.7. Argumenta que não é jurídico, muito menos razoável, que uma empresa constituída após a ocorrência dos fatos geradores tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, tendo em conta que foi constituída somente em 20/04/2006, mais de um ano depois dos fatos geradores presentes no auto de infração. Assim, haveria uma barreira temporal intransponível, na medida em que uma empresa que não existe, não pode ter interesse algum na prática de qualquer fato gerador. 4.8. Ademais, os documentos enviados pelas empresas diligenciadas comprovam que todos os pagamentos feitos em decorrência dos serviços prestados em 2005 foram efetuados diretamente para empresa ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, não havendo qualquer documento, ou declaração, que mencione a participação da Impugnante em tais atividades. 4.9. Afirma que, segundo a fiscalização, duas situações foram determinantes para a atribuição da responsabilidade solidária: o suposto esvaziamento da carteira de clientes do sujeito passivo, que ocorreu por meio da cessão de contratos para a PROBANK S/A, e o fato e o Sr. Milton Conca ter sido sócio administrador da ZERA e também ter sido diretor técnico da Probrank Software e Consultoria S/A. No entanto, tais premissas seriam falaciosas e merecem ser rechaçadas. Em continua: “Segundo informações da própria fiscalização, o sujeito passivo manteve relações negociais com 38 (trinta e oito) empresas (fls. 330/334) que, como já dito, foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados pelo sujeito passivo no ano de 2005. Algumas destas empresas , 07 (sete) especificamente, não atenderam ao Termo de Intimação Fiscal e NUNCA FIZERAM parte do rol de clientes da Impugnante. São elas: (...) Já 13 (treze) empresas enviaram a documentação solicitada pela fiscalização, mas não houve qualquer cessão de contrato e, por via de conseqüência lógica, NENHUMA COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO. São elas: (...) Somente 04 (quatro) empresas enviaram documentos comprovando a cessão de seus contratos, a saber: (...) ORA, COMO PODE HAVER O ALEGADO ESVAZIAMENTO DA CARTEIRA DE CLIENTES DO SUJEITO PASSIVO, QUANDO DAS 38 (TRINTA E OITO) EMPRESAS DILIGENCIADAS, SOMENTE EM 04 (QUATRO) HOUVE COMPROVAÇÃO DE CESSÃO?! Pela documentação que embasou a conclusão da fiscalização, verificase que, em relação à grande parte das empresas diligenciadas não foi realizado qualquer comprovação de contrato de cessão para a Impugnante. Só se pode Fl. 5435DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 618 27 falar em “esvaziamento” da carteira quando, por óbvio, TODOS os contratos de uma empresa são rescindidos ou transferidos, o que não ocorreu no caso. Não há nos autos, qualquer documento que comprove que algumas dessas empresas não continuaram a ser clientes do sujeito passivo, e ainda, que o sujeito passivo não tenha obtido novos clientes a partir daí, aumentado – e não esvaziando – a sua carteira de clientes. Por outro lado, há ainda outro fato que merece destaque. Todos os 04 (quatro) contratos foram transferidos, conforme informa a própria fiscalização, no ano calendário de 2006. E, pretende a fiscalização, a partir dessa premissa, imputar responsabilidade solidária à Impugnante em virtude do alegado “esvaziamento” da carteira de clientes da Impugnante por fatos geradores do anocalendário de 2005. Essa pretensão é absurda e merece ser absolutamente repelida.” 4.10. Quanto ao fato de o Sr. Milton Conca ter sido diretor da impugnante no período de abril de 2006 a outubro de 2008, diz que, os fatos geradores objeto da autuação referemse ao anocalendário de 2005, data anterior à constituição da Impugnante. 4.11. Diz que a lógica de se atribuir a responsabilidade solidária pelo simples fato de um de seus diretores ter feito parte de outra empresa, é frágil e viola frontalmente o princípio da legalidade. 4.12. Em suas palavras: “A diretoria tem como função praticar todos os atos não apenas de gestão de negócios sociais, como também de orientação das atividades técnicas da sociedade. Geralmente, por decisão estratégica, os diretores são pessoas com grande conhecimento técnico na área de atuação da empresa para orientar a melhor atuação para realização de seu objeto social. A nomeação do Sr. Milton Conca como diretor da Impugnante no período de 04/2006 a 10/1008, apenas corrobora as suas alegações sobre a união de esforços visando obter maior penetração mercadológica. Ressaltese que ele foi nomeado como “diretor técnico” da Impugnante. Repitase: a nomeação de uma pessoa como diretor de uma empresa não tem o condão de atribuir à sociedade nomeante qualquer responsabilidade que este diretor tenha, eventualmente, praticado atos com excesso de poderes em outra empresa. Esse é o entendimento do Egrégio Conselho de Recursos Fiscais – CARF. Confirase: (...) Mais uma vez, não logrou êxito a fiscalização em configurar a responsabilidade solidária da Impugantne, uma vez que o trabalho fiscal partiu de uma interpretação absolutamente desprovida da razoabilidade, com o intuito único e exclusivo de satisfação de seu alegado crédito tributário à revelia dos fatos e da melhor hermenêutica jurídica.” 4.13. Requer a decadência para o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2005, tendo em conta que a formalização do crédito tributário somente se deu em 20 de outubro de 2010, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Menciona jurisprudência, fls. 413/414. Fl. 5436DF CARF MF 28 4.14. Aduz que não pode ser responsabilizada pelas multas aplicadas à empresa ZERA, sob nenhuma modalidade de sucessão. 4.15. Acrescenta que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, XLV, dispõe que “a pena não passará da pessoa do condenado”, razão pela qual há um muro constitucional que veda a cominação de pena imputável à pessoa do agente do fato punível. E que não há qualquer fundamento legal que possibilite a imputação das penalidades aplicadas em razão da conduta do sujeito passivo à Impugnante, mormente quando ela sequer estava constituída à época da suposta conduta delituosa. Transcreve jurisprudência, fls. 416/418. Em suas palavras: “Fica evidente que somente a pessoa que tenha praticado a conduta que levou à cominação da pena. No caso, foi o sujeito passivo ZERA Integradora que deixou de apresentar documentos e que, segundo a fiscalização, cometeu atos com fraude. A Impugnante, repitase pela enésima vez, sequer estava constituída à época dos fatos geradores (2005). Diante de todo o cenário doutrinário e jurisprudencial demonstrado, concluise que, se por absurdo, a Impugnante for considerada responsável por qualquer óptica obrigações contidas no auto de infração, deverá ser excluído do montante a ser pago, o percentual das multas imputadas ao sujeito passivo.” 4.16. Finaliza sua defesa: “À vista do exposto, requer a Impugnante seja conhecida e provida a presente Impugnação, para que: (i) Seja acolhida a alegação de ilegitimidade passiva, eis que os requisitos necessários à imputação de responsabilidade solidária, conforme demonstrado, não se configuraram; (ii) Caso seja ultrapassada a preliminar argüida, seja acolhida a alegação de decadência do crédito tributário relativo às competências de janeiro a setembro de 2005 (inclusive), reconhecendo a extinção das somas apuradas a título de IRPJ e CSLL; (iii) Subsidiariamente, caso não se entenda pela desconstituição do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o cancelamento das multas aplicadas, posto que a cominação da pena somente é imputável ao agente que pratica o fato imponível, qual seja, ZERA INTEGRADORA;” DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A Delegacia de Julgamento negou provimento à impugnação do responsável tributário (PROBANK Software e Consultoria S/A) nos seguintes termos. Em primeiro lugar, concluiu não proceder a alegação de que a empresa inexistia na época do fato gerador, uma vez que é resultante da transformação de sociedade civil existente desde 1998. Em segundo lugar, por uma série de fatos, concluiu que houve sucessão fática entre a contribuinte e a responsável impugnante. Abaixo, transcrevo trecho da decisão com esse teor: 28. E se suas atividades são continuadas por outra empresa, constituída formalmente para esta finalidade, que, inclusive, operou inicialmente no mesmo endereço e passou a ter sócios Fl. 5437DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 619 29 comuns com a empresa anterior, não há nenhum reparo à sucessão de fato a que se refere a autoridade fiscal. 29. Cabe também ressaltar que os fatos acima descritos corroboram, de forma inequívoca, a existência de um liame entre as atividades desempenhadas pelas empresas ZERA e PROBANK, pois a atuação delas era no mínimo complementar, diante da caracterização do mesmo em determinado período, da coincidência de sócios e administradores, bem como da transferência de clientes. 30. Portanto, está plenamente caracterizado o interesse comum a que se refere o artigo 124, inciso I, do Código tributário Nacional, bem como a responsabilidade solidária da impugnante. No tocante à alegação de decadência, entendeu o julgador que deve ser aplicada a regra estampada no art. 173, inciso I do CTN e não aquela prevista no art. 150, § 4º, por duas razões independentes e suficientes: falta de pagamento e fraude. Desse modo, uma vez ter sido o sujeito passivo notificado em 20 de outubro de 2010 e os fatos geradores serem relativos aos quatro trimestres de 2005, não houve a decadência, pois o seu prazo quinquenal se iniciou para os três trimestres mais antigos em 01/01/2006. Logo a autoridade poderia formalizar a exigência perante o responsável tributário até 31/12/2010. No tocante à aplicação de multa ao responsável tributário, a autoridade julgadora aduziu o seu caráter patrimonial, ou seja, é dívida de valor. Ademais, considerou que a empresa contribuiu para a conduta delitiva do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO A responsável tributária PROBANK Software e Consultoria S/A, única impugnante, apresentou recurso voluntário às fls. 556589. Reitera as alegações, muitas das quais de forma literal, tecidas na impugnação. Acrescenta apenas que a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal apenas lhe atribuiu responsabilidade tributária solidária, enquanto o julgador manteve o lançamento com base numa suposta sucessão de fato. No entanto, esses dois institutos jurídicos são diferentes e se submetem a disposições do CTN também diferentes. Fl. 5438DF CARF MF 30 Também aditou, em contraposição aos argumentos da DRJ, ter ocorrido a decadência em razão de a própria fiscalização ter anexado "Declarações do Imposto de Renda na Fonte DIRF's que comprovam retenções de Imposto de Renda, além de CSLL, PIS e COFINS em todos os períodos autuados (janeiro a dezembro de 2005) realizados por empresas que realizaram pagamentos por serviços prestados pela ZERA LTDA". É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator DECADÊNCIA De fato, há informações carreadas pela própria autoridade fiscal da retenção na fonte dos quatro tributos (IRRF, CSLL, Pis e Cofins). Cito as folhas 116 e 119122. Se fosse a ausência de pagamento a única razão para o deslocamento da regra decadencial do art. 150 §4º, para o art. 173, inciso I, teria razão a recorrente. Nada obstante, ainda permanece a fraude como razão suficiente para aplicação do prazo desfavorável e, em relação a tal fundamento, o recurso não se insurge. Aliás, não questiona a fraude nem sequer ao contestar a aplicação da multa qualificada, como veremos a seguir. Desse modo, não procede a alegação de decadência. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE Antes de passarmos à análise do mérito da atribuição de responsabilidade, vale registrar o que dispõe o art. 57 do RICARF, especialmente seu parágrafo 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (Nosso destaque) Pois bem, conforme registramos no relatório, a impugnação repete, inclusive de forma literal, quase todas as razões da impugnação. Com isso, em grande medida, Fl. 5439DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 620 31 simplesmente ignora e deixa de se contrapor a fundamentos essenciais da decisão recorrida, cujos trechos relevantes passamos a transcrever: 15. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, a partir dos fatos presentes nos autos e das alegações de defesa ofertadas pela impugnante: 15.1. A ficha cadastral da PROBANK Software e Consultora S/A, CNPJ 02.817.035/000143, presente nos autos, fls. 311/318, traz a informação de que as atividades da empresa iniciaramse em 1º de outubro de 1998; de que é resultante da transformação de sociedade civil registrada anteriormente sob nº 12777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil da Pessoa Jurídica da Comarca de BarueriSP, sob a denominação de C. J. S. Informática Ltda, indicando que o exercício de atividades ocorria antes de 20 de abril de 2006; 15.2. A empresa ZERA não foi localizada no endereço constante no cadastro da Receita Federal do Brasil, tendo sito feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJIRPJ, protocolizada sob nº 13896.001808/201007. Apesar de intimada e reintimada, via afixação de editais, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de seus livros contábeis e fiscais, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras; 15.3. O domicílio fiscal da empresa ZERA, constante dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Avenida Andrômeda, n.º 2000, Bloco 10, Bairro Alphaville, BarueriSP), mostrase coincidente com o domicílio fiscal anterior da PROBANK Software e Consultoria S/A (Avenida Andrômeda, n.º 2000, Nível 06/Bloco 10, Sitio Tambor, BarueriSP), que somente foi alterado em 13 de setembro de 2007, fato confirmado na Ficha Cadastral Completa fornecida pela JUCESP; 15.4. No documento de fls. 34/40, Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, verificase que após a retirada da empresa ZERA do sócio Milton Sérgio Conca, por meio do documento n.º 13.810/080, Sessão de 02/01/2008, que em 31/01/2008 foram encerradas três filiais da empresa, situadas nos seguintes endereços: (i) Travessa Paiaguas, 116, 1º Andar, CJ 11, Porto, Cuiabá, MT (NIRE 51999017774); (ii) Rua Luis Alves Siqueira Castro, 500, Conjunto 01, Jardim Parnaíba, Santana de Parnaíba, SP (NIRE 35902984038); RN, 117, 2ª Andar, Sala 3, Centro, Martins, RN (NIRE 24999005464). 15.5. A empresa ZERA utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento de tributos e contribuições incidentes sob suas operações, pois efetuou a transferência dos contratos mantidos com seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382, que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Fl. 5440DF CARF MF 32 15.6. O Sr. Milton Sérgio Conca foi sócio administrador da ZERA desde o início das atividades da empresa em 06/09/2002, até 02/01/2008, e no período de 20/04/2006 a 29/10/2009 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, ora impugnante; 15.7. Os atuais sócios da ZERA, André Luis Molina e Edna Aparecida Servidone não foram localizados nos domicílios fiscais constantes do Sistema CPF (Da Secretaria da Receita Federal do Brasil), JUCESP e DIRF (RFB), são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indícios de interpostas pessoas; 15.8. No informe publicitário transcrito pela fiscalização, consta expressamente que: 1. “A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . 2. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. 3. Fazem parte da administração da nova companhia executivos e membros de Conselho de ambas as organizações. Pela PROBANK S/A, foram indicados Paulo Martins, como Presidente; Gilberto Freitas, como diretor financeiro, e Ronald Valladão, como diretor comercial para governo. Da ZERA Integradora foram nomeados Milton Conca, como diretor técnico, e João Ângelo Rodrigues, como diretor comercial corporativo. 16. Esses fatos não foram contestados pela impugnante, que se limitou a afirmar que as empresas (ZERA e PROBANK) apenas uniram seus esforços para aumentar a visibilidade no mercado, face à concorrência e à competitividade, além de trazer questionamentos sobre a ocorrência dos fatos geradores e a data de sua formalização, fatos estes que não foram as únicas justificativas para a conclusão do trabalho fiscal. 17. Conforme transcrito, de forma clara e expressa, as empresas ZERA e PROBANK S.A. uniramse para formar uma nova companhia, enfim, uma outra empresa, denominada PROBANK Software e Consultoria S/A, a qual mantinha, até 13 de setembro de 2007, o mesmo endereço da ZERA, na Avenida Andrômeda, n.º 2000, Bloco 10, Barueri/SP. 18. Por sua vez, conforme já comentado, mostramse incipientes os argumentos apresentados no sentido de que, enquanto os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram no anocalendário de 2005, a empresa somente teria sido constituída em 20 de abril de 2006 e, portanto, não teria qualquer interesse comum na prática de tais fatos geradores. 19. Em primeiro lugar, conforme já salientado, a PROBANK (impugnante), apesar de formalmente constituída junto à Fl. 5441DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 621 33 JUCESP em 20 de abril de 2006, resultou da transformação da sociedade civil, denominada “C.J.S. INFORMÁTICA LTDA.”, registrada anteriormente sob n.º 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca da BarueriSP, sociedade esta que teve por início de suas atividades a data de 1º de outubro de 1998, conforme informação constante nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Sistema CNPJ). 20. Em segundo lugar, como bem enfatizou a autoridade fiscal, a PROBANK S/A tratase de sucessora de fato da ZERA. 21. Em verdade, verificase da narrativa elaborada pela autoridade fiscal que a empresa ZERA não foi localizada em nenhum endereço, muito menos seus atuais sócios, que se tratam de pessoas desprovidas de qualquer capacidade financeira ou econômica. Que nada informou em sua DIPJ, a qual foi apresentada “zerada” e, que apesar de intimada e reintimada, em todos os endereços disponíveis e por todos os meios possíveis, inclusive por Edital, não apresentou quaisquer esclarecimentos nem apresentou quaisquer documentos à autoridade fiscal. 22. E a comprovação do “interesse comum” a que se refere a impugnante não está restrito a uma simples análise de datas, como ela pretende, mas sim a todo um comportamento e procedimentos fraudulentos que caracterizam plenamente o objetivo deliberado de descumprir com as obrigações tributárias formalmente em nome da empresa ZERA, na medida em que as atividades e clientela desta empresa foram transferidos paulatinamente para PROBANK, que passou a englobar todas as atividades da ZERA, sem que houvesse a formalização de tal negócio junto a JUCESP. O recurso repete as mesmas razões da impugnação, desconsiderando quase todos os fundamentos da decisão recorrida, como a existência da pessoa jurídica na época dos fatos como sociedade civil que veio a ser transformada em sociedade empresarial. Assim, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). Passo a enfrentar com a minha própria lavra a razão especificamente dirigida contra a decisão recorrida, qual seja, a de inovação no critério jurídico do lançamento. Pois bem. A defesa alega que a decisão recorrida fundamentouse em sucessão de fato, instituto jurídico diverso da atribuição de responsabilidade tributária imputada pela autoridade lançadora. Nada obstante, a acusação promovida pela autoridade fiscal é clara e literal de que uma das razões para a atribuição da responsabilidade solidária foi a sucessão de fato. Abaixo, transcrevo trecho do termo de verificação fiscal que não deixa dúvidas acerca do teor acusatório (fl. 353): Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto Fl. 5442DF CARF MF 34 responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDARIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Dessa forma, a Delegacia de Julgamento não inovou o critério jurídico do lançamento e, desse modo, reiteramos, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. MULTA Quanto à responsabilidade também pela multa, a DRJ assim decidiu: 51. Quanto à transferibilidade da multa de ofício exigida, agravada e qualificada conforme transcrição no relatório, diz a impugnante que somente a pessoa que tenha praticado a conduta que levou à cominação da pena é que deveria suportá la. E que, no caso, foi o sujeito passivo ZERA Integradora que deixou de apresentar documentos e que, segundo a fiscalização, cometeu atos com fraude. 52. Enfim, defende a impugnante o caráter pessoal das multa exigidas pelo lançamento e que, portanto, não poderia ser responsabilizada por penalidades exigidas em conseqüência de atos que não foram praticados por ela. 53. Nesse sentido, apesar de as origens da multa encontraremse no direito penal, a grande maioria dos juristas não concorda com a premissa de que as sanções tributárias tenham caráter pessoal. Segundo eles, a pena referida no artigo 5º, XLV, da Constituição Federal, referese tão somente ao direito penal. As sanções tributárias têm caráter patrimonial e, portanto, são transmissíveis aos responsáveis e aos sucessores. 54. No direito tributário, o caráter patrimonial da multa está patente no artigo 128, do Código Tributário Nacional, que se transcreve: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” 55. José Cretella Jr. (Comentários à Constituição de 1988, 3ª ed., Forense Universitária, Vol. 1, pág. 499) defende que o inciso LXV do art. 5º da Constituição Federal seria direcionado apenas à responsabilidade penal e acrescenta: “(...) Ao contrário da responsabilidade criminal, que é pessoal e intransferível, a responsabilidade patrimonial ultrapassa a pessoa do acusado e transmitese aos herdeiros, obrigados ao ressarcimento até os limites da herança, passandolhes, assim, como todos os encargos e dívidas do de cujus, escapando ao status resumido no brocardo conhecido mors omnia solvit: Na verdade, a morte dissolve todos os vínculos de natureza penal, não os de caráter civil ou patrimonial.” 56. Atualmente, nem mesmo o próprio direito penal trata a pena pecuniária como intransmissível. Com o advento da Lei n.º 9.268, de 1º de abril de 1996, o artigo 51 do Código Penal ficou com a seguinte redação: "Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicandoselhe as normas da legislação Fl. 5443DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 622 35 relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.” 57. Com a modificação legislativa, Roberto Gomes Lima e Ubiracy Perralles (Teoria e Prática da Execução Penal, 4ª ed., Forense, 2001, pág. 155) constataram que “o princípio da intransmissibilidade deixou de ser absoluto para ser relativo, porquanto falecendo o condenado, sem resgatar a pena de multa, o seu espólio responderá pelo pagamento dessa dívida, na força do monte.” 58. Por outro lado, aceitar as alegações da impugnante, seria admitir que o direito aceita a desobediência de seus preceitos sem que sejam aplicadas as penalidades que o mesmo direito prescreve, enfim, seria permitir que o contribuinte descumpridor de suas obrigações decorrentes da lei, pudesse, por meio de em evento sucessório planejado, formalizado ou não junto às Juntas Comerciais, escapar das penalidades prescritas pela lei, em frontal violação ao princípio da isonomia e criandose, por via de atos de particulares, uma anistia que a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional apenas aceitam quando feita por lei específica. 59. Por sua vez, conforme já apreciado, cabe destacar que a atribuição da responsabilidade solidária aqui tratada abrange todo um conjunto de atos que caracterizaram plenamente o interesse da empresa PROBANK nas situações que culminaram na lavratura do presente lançamento, particularmente no que se refere na existência de endereço comum com a empresa autuada, por um período de tempo; na transferência da clientela; na existência de sócios comuns às duas empresas. 60. Enfim, a responsabilidade tributária não está limitada aos tributos e contribuições devidos, mas abrange também as multas moratórias e punitivas, inclusive a agravada ou qualificada que, por representarem dívida de valor, possuem natureza patrimonial e não pessoal como pretende a impugnante. Em relação a esse tema, o recurso também repete as mesmas razões da impugnação. Logo, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). CONCLUSÃO Voto por rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 5444DF CARF MF 36 Fl. 5445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905279/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitamente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10875.905279/2009-21
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865889
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.382
nome_arquivo_s : Decisao_10875905279200921.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10875905279200921_5865889.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7295246
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305129611264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.905279/200921 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.382 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria LUCRO PRESUMIDO. Recorrente E.J IMAGEM SERVICOS DE RADIOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 79 /2 00 9- 21 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 3 2 A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar crédito próprio com crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância, em 13 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2014, alegando, em síntese: preliminarmente: incompetência da DRJ em Recife para julgar a manifestação de inconformidade no mérito, sustenta que efetuou pagamento do IRPJ a maior que o devido, visto que utilizou percentual de presunção do lucro de 32%, enquanto faz jus ao percentual reduzido de 8%, consoante Solução de Consulta nº 63, SRRF/8ª Região Fiscal, de 23 de março de 2004, a qual anexa, e que retificou a DIPJ em questão, razão pela qual não existe motivo por parte da RFB para não homologar a compensação em questão. Defende que a ausência de retificação da DCTF não pode impedir o reconhecimento de seu direito. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.372, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.905274/200906, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.372): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, constatase que tal apelo é aparentemente intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 5 4 No caso, a ciência foi postal e, como se observa às fl. 88, o rastreamento do objeto pelos Correios indica que o contribuinte foi intimado em 13/01/2014, uma segundafeira. Assim, o prazo para interposição do recurso iniciouse dia 14/01/2014, findando em 12/02/2014, uma quartafeira. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado dia 13/02/2014, quintafeira, como comprovam a solicitação de juntada de fl. 104, assim como o carimbo oficial da repartição da RFB, na primeira folha das suas razões (fl. 90). Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Com base nas informações acima, a constatação necessária seria de que o prazo recursal foi extrapolado em 1 dia. Ocorre que, não obstante tenha sido juntado aos autos o status de rastreamento dos Correios, não há comprovação de que tal documento foi efetivamente recebido, por ausência de juntada do respectivo Aviso de Recebimento AR. Uma vez que não foi anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 13/01/2014, considero não haver nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente em tal data. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) O simples histórico da entrega do AR extraído do sítio eletrônico dos Correios até pode ser tomado como início de prova, especialmente quando nenhuma das partes questiona a data ali consignada. Mas este não é o documento oficial dotado de fé pública que atesta a entrega. Até porque, em um caso extremo em que o contribuinte alegue não ter sido intimado, exigir deste prova em contrário que infirme o conteúdo dessa declaração unilateral dos Correios significaria demandar a apresentação de prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Em outra ocasião já votei por converter o julgamento em diligência, a fim de que (i) a unidade de origem anexe aos autos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 6 5 cópia do AR assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão 1144.008, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RecifePE (Código de Rastreamento JG106969555BR); e (ii) se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente, sendo que, não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento JG106969555BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente. Em tal diligência considerei também que deveria ser intimada a contribuinte para provar, se entender necessário, a ocorrência de justa causa que a tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 223 do Código de Processo Civil: Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1o Considerase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Não obstante, a experiência demonstra que em casos como tais a diligência resta infrutífera porque nem a unidade de origem nem os Correios guardam por tanto tempo tas registros. Neste sentido, considerando que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada, havendo dúvida quanto à data da intimação e tendo esta sido supostamente ultrapassada em apenas 1 dia, considero que o recurso deve ser tido por tempestivo. Concluo que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade e portanto dele tomo conhecimento. Passo ao mérito. A DRJ não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que, como não houve retificação da DCTF por ocasião da ciência da Solução de Consulta, cabia ao interessado o ônus de provar seu direito. Considerou que a Solução de Consulta cuida da matéria em tese, de forma que não haveria nos autos comprovação de que a interessada efetivamente faz jus ao percentual de presunção reduzido de 8%. A razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 8 7 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 9 8 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Dispositivo Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 10 9 Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000364/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Numero da decisão: 2401-005.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendo-se a decisão anterior.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13976.000364/2007-99
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868374
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.451
nome_arquivo_s : Decisao_13976000364200799.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 13976000364200799_5868374.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendo-se a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7316285
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305147437056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.515 1 1.514 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13976.000364/200799 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.451 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Embargante INDÚSTRIAS ARTEFAMA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 64 /2 00 7- 99 Fl. 1515DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 240101.964 (fls. 1.251/1.264), assim ementado: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência, a regra contida no artigo 173, I do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria". Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi proferida nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida: a) declarar a decadência até a competência 10/2001; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. A embargante alega que houve omissão, pois tanto a fiscalização quanto o Acórdão embargado entenderam que o contribuinte “não teria comprovado o atendimento aos Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.516 3 requisitos necessários para o seu enquadramento como agroindústria e, por conseguinte, o regime substitutivo previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/1991”, sem, contudo, ter sido feita a devida justificação desse entendimento, trazendo, ao final, a seguinte conclusão: Sendo assim é forçoso concluir que o v. acórdão foi omisso na fundamentação de suas razões de decidir, não tendo ficado claro – com base em fundamentos legais – o que é necessário para que uma pessoa jurídica seja qualificada como agroindústria, na medida em que não há qualquer percentual de produção própria exigido em lei, tampouco demais requisitos trazidos pelo v. acórdão (como definição de percentual ínfimo, estágio da floresta e preponderância entre matériasprimas próprias e adquiridas de terceiros). Alega também que o acórdão em questão é contraditório, pois ora afirma que a Embargante cumpre integralmente os requisitos da Lei nº 10.256/2001 e ora afirma que a embargante não se enquadra na condição de agroindústria. Os aclaratórios foram admitidos, conforme despacho de fls. 1.487/1.490, nos seguintes termos: Da alegada omissão Para melhor análise da omissão apontada, extraímos do Voto condutor o seguinte excerto: "Vêse, assim que o requisito essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústrias é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros." Conforme se observa na transcrição acima, a Relatora do presente Voto assevera que a “produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros”, ainda que tal exigência não esteja prevista em lei, porém, de fato, não justifica tal entendimento, devendo, pois, ser sanada tal omissão. Da alegada contradição Pois bem, segundo consta no Voto condutor, a Embargada atende integralmente os requisitos da Lei nº 10.256, de 09/07/2001, fl. 1.261, nos seguintes termos: "Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001." Ora, como a Lei nº 10.256, de 2001, incluiu na Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 22A, que trata da contribuição devida Fl. 1517DF CARF MF 4 pela agroindústria, ao dizer que a Embargante cumpre integralmente os requisitos desta Lei está, ao mesmo tempo, s.m.j., dizendo que a Embargante se enquadra na condição de agroindústria, porém, nas argumentações seguintes, o Voto rebate tal situação, dizendo que não está correto o enquadramento da Embargante como agroindústria, sendo esta a posição firmada pela Turma Julgadora. Dessa forma, como se vê, há de fato uma contradição no Voto, que precisa ser sanada. É o relatório. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.517 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Os embargos foram admitidos para sanar a contradição e omissão apontadas e foram incluídos em pauta para que seja sanado o vício. Ressaltese que a relatora do acórdão de recurso voluntário proferido no presente processo deixou de integrar o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Assim, o que se busca nesse voto é esclarecer seu entendimento sobre os fatos, afim de sanar a omissão e contradição apontadas nos embargos, o que não significa ser, necessariamente, o entendimento desta relatora. CONTRADIÇÃO De fato, como alega a embargante, consta do voto o seguinte trecho: Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001. Contudo, nas argumentações seguintes, o voto rebate tal situação, dizendo que não está correto o enquadramento da embargante como agroindústria, conforme trechos abaixo citados, sendo esta a posição firmada pela Turma Julgadora. Pelo que se lê do dispositivo acima transcrito, verificase que, na definição do que seja Agroindústria, estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, e, acrescentada a essa, a industrialização de produção adquirida de terceiros. Vêse, assim que o requesito (sic) essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústria é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros. [...] Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, Fl. 1519DF CARF MF 6 tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria. (grifo nosso) Portanto, é evidente o erro material da relatora ao redigir o parágrafo citado no início deste tópico, que deve ter a redação alterada, incluindose o trecho grifado, passando a ter a seguinte redação: Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, contudo, não cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001. OMISSÃO Consta do voto condutor do acórdão recorrido que: Vêse, assim que o requisito essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústrias é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros. Da leitura do voto, observase que a relatora se vale de vários elementos para afirmar que a empresa não industrializa produção própria, não se enquadrando nos requisitos da Lei nº 10.256/2001: No presente caso, no entanto, o objetivo principal da impugnante, conforme verificado pela fiscalização e que consta de seu contrato social e CNPJ, é a fabricação e comercialização de móveis com predominância de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. Em que pese a alegação de que se enquadrou como Agroindústria embasada em orientações fornecidas pela própria Receita Previdenciária, através de processo de Consulta, ato que vincula os seus agentes, sendo que qualquer modificação na resposta dada à consulente somente operaria efeitos para o futuro, vale esclarecer que nas Consultas n°.310/2004, 310A/ 2004 e 330/2004 (fls 843/852), que o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente. Como já salientado na fundamentação da decisão de primeira instância a Recorrente, nas Declarações de Imposto de Renda Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.518 7 relativa aos anos de 1999 a 2005, declarou não exercer atividade rural. De igual modo agiu a empresa ao impetrar a ação judicial n°. 2001.72.01.0045350, em 31/12/2001, na 3ª, Vara de Joinville, na qual pleiteia seja reconhecida a inexigibilidade das contribuições ao INCRA sob o argumento de que não é produtor rural. Verificouse, assim, que o enquadramento como Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria Diante dos vários elementos apontados, no mérito, a relatora nega provimento ao recurso. De qualquer forma, quanto à proporção entre a produção própria e a adquirida de terceiros, afirmando a relatora que "mesmo que considerando como produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas", o que demonstra seu entendimento que não pode ser considerada produção própria a aquisição de árvore em pé, logo, isso seria elemento suficiente para negar provimento ao recurso, por não ser a empresa agroindústria, ela acrescenta que "tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros", elemento este objeto dos embargos. Em que pese a relatora não ter discorrido mais sobre o assunto no acórdão embargado, pois suas razões de decidir eram suficientes para, no mérito, negar provimento ao recurso, o entendimento sobre a produção própria ínfima também é encontrado em outros acórdãos, conforme abaixo: Excerto do voto do conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, proferido no Acórdão nº 9202003.570, da 2ª Turma da CSRF, em sessão de 29/1/15, no qual foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda para desconsiderar o enquadramento do sujeito passivo como agroindústria: Dessa forma entendo que, como a lei não estipula limites mínimos de industrialização de produção própria, o não enquadramento de agroindústria com base na relação do faturamento decorrente da comercialização própria em relação Fl. 1521DF CARF MF 8 ao total faturado pela empresa, como quer a recorrente, implica violação ao fundamental princípio da legalidade. Feitas essas considerações, entendo que no presente caso, a Recorrente dignou demonstrar que o Sujeito Passivo não é agroindústria, pois não se enquadra na capitulação legal – art. 22A, da Lei n. 8.212/91. O aludido dispositivo legal é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo agroindústria, ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal. É verdade que a legislação previdenciária não estipula o percentual de produção própria ou adquirida de terceiros suficiente para qualificação de uma pessoa jurídica como agroindústria, todavia não se pode deixar de analisar a realidade tal como ela se apresenta, em busca da Verdade Material, como meio garantidor da certeza do crédito tributário, no qual se deve buscar a realidade dos fatos. Em que pese a força da literalidade dos dispositivos legais, assume grande relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide. Não basta aterse simplesmente a literalidade do texto legal, é necessária a busca pela realidade fálica em perseguição à verdade material. A reunião desses dois aspectos resultará na aplicação adequada da lei. Caso contrário, qualquer indústria (inclusive os grandes complexos industriais) que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menos que fosse, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial, o qual, na verdade, é um regime substitutivo criado para ser aplicado ao verdadeiro produtor rural. No presente caso, no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústria. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.519 9 enquadrarse na hipótese legal à lei, muito embora não proíba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. [...] O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. Ainda nesse sentido, extraise excerto de voto proferido em decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: A atividade de agroindústria, no ramo de reflorestamento, no máximo, poderia envolver a produção de matéria prima primária para a indústria (toras, tábuas, etc.), mas não a complexa atividade de industrialização de madeira, especialmente quando se destina ao outro ramo de atividade do contribuinte, que é a industrialização de papel. Não fosse assim, qualquer indústria que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menor que fosse a quantidade, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial. Como dito anteriormente, o regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, que soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da empresa é a industrialização da madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade papeleira. (TRF4, APELREEX 2005.72.11.0017539, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 24/02/2010) Assim, em que pese a lei não estabelecer o percentual mínimo de produção própria para que a empresa seja considerada agroindústria, há entendimentos no sentido de que o percentual substancialmente pequeno em relação à quantidade de matéria prima necessária, descaracteriza a agroindústria, especialmente quando não se trata de um produtor rural que industrializa produção própria, mas de uma indústria que resolve ter produção própria, em quantidades mínimas perto de toda a matéria prima que precisa, para, indevidamente, enquadrarse como agroindústria, usufruindo de benefício fiscal. Fl. 1523DF CARF MF 10 Sendo assim, os embargos devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000215/2002-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para a juntada ao processo do resultado das ações judiciais pertinentes.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Relatório
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13161.000215/2002-08
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859585
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.522
nome_arquivo_s : Decisao_13161000215200208.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13161000215200208_5859585.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para a juntada ao processo do resultado das ações judiciais pertinentes. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório
dt_sessao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
id : 7263853
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305184137216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 442 1 441 S3C3T1 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.000215/200208 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.522 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2017 Assunto RESTITUIÇÃO/PIS Recorrente RADEKE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para a juntada ao processo do resultado das ações judiciais pertinentes. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução no 20213.985 do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 215/219), constante do processo 131.610003/109918 (apensado a este), nos seguintes termos: Apresentou a Recorrente, em 28/09/99, pedido administrativo de compensação de valores recolhidos a título da Contribuição para o PIS, no período de dezembro de 1989 a outubro de 1995, com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, considerados inconstitucionais, com débitos das demais exações administradas pela SRF. Encaminhado seu pedido à Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS, foi o mesmo indeferido às fls. 111/113 sob as alegações de que já existe medida judicial autorizando a compensação de créditos do PIS com débitos vincendos do próprio PIS, inexiste crédito a restituir e que, ainda que existissem, já teriam em sua integralidade sido fulminados pelo decurso de prazo decadencial para pleiteálos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 00 21 5/ 20 02 -0 8 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 443 2 A Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 117/144, requerendo a reconsideração do indeferimento, alegando que o pedido judicial decorreu da inércia da administração em responder em prazo razoável ao pedido de compensação, aduzindo também que o direito material não se extinguiu pelo tempo, bem como alegando que à lus da CL no 7/70 possui direito à repetição daquilo que considera indébito. Contudo, a decisão de fls. 170/181, proferida pela DRJ em Campo Grande/MS, abaixo ementada, mantém a decisão impugnada, ensejando o Recurso Voluntário que neste momento se julga: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Pedido de Apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do cr´dito tributário, mesmo quando se tratar de pagamento com base em lei declara inconstitucional pelo STF. BASE DE CÁLCULO. PRAZO DE VENCIMENTO. Os atos legais relacionados como o PIS não declarados inconstitucionais, intepretados em consonância com a Lei Complementar no 07, de 1970, independentemente da data em que tenham sido expedidos, continuam plenamente em vigor, sendo incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. " A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando em síntese que: · o prazo prescricional deve ser contado a partir do momento da declaração da inconstitucionalidade ou, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a partir do momento da homologação, expressa ou tácita; · não há concomitância entre os processos administrativo e judicial, porque a via judicial somente foi tomada diante da inércia da Administração; · inconstitucionalidade da contribuição para o PIS com base nos Decretos Lei no 2445 e 2449, de 1998 Ao fim, solicitou reforma da decisão recorrida no sentido de autorizar a compensação dos seus créditos oriundos de recolhimentos indevidos e a maior do PIS, com os débitos vincendos de PIS, da Cofins, de IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro, até o limite do crédito. O Segundo Conselho de Contribuintes negou provimento ao Recurso Voluntário com a seguinte ementa (fl. 214): NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 444 3 A discussão concomitante de uma mesma matéria nas instâncias administrativa e judicial enseja a renúncia tácita à primeira, exclusivamente no tocante à matéria coincidente, por força do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. Recurso não conhecido. A Recorrente então conseguiu sentença favorável em ação anulatória de decisão administrativa, no processo nº 2004.34.00.0308083/1100, com o objetivo de anular a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes (às fls. 316). Nesse contexto, este processo foi a mim distribuído, para julgamento em conjunto com os processos conexos de nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314. É o relatório. Voto É imprescindível ao deslinde deste caso o levantamento das decisões definitivas no mandado de segurança nº 98.0051104, na 2ª Vara Federal de Campo Grande/MS, e na ação anulatória nº 2004.34.00.0308083/1100, na 20ª Vara Federal do Distrito Federal; bem como, na hipótese de decisão favorável à Recorrente, a verificação dos seus efetivos créditos em compensação, tendo em conta o entendimento sobre o prazo para repetição do indébito consolidado na Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, fazemse necessários, antes de dar seguimento a este julgamento, as seguintes informações: 1. conteúdo das decisões definitivas no âmbito judicial; 2. efetivos créditos a serem compensados pela Recorrente, tendo em conta a Súmula 91 do CARF, no presente caso e também nos processos conexos, processos nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314. Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que o processo seja encaminhado à unidade de origem, a fim de que esta realize as diligências e preste os esclarecimentos necessários. Tendo em conta que os processos nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314 são conexos, serão enviados juntamente para diligência e esclarecimentos pertinentes. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 445 4 Após concluída a diligência, a unidade de origem deverá cientificar a Recorrente, dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar a respeito dos elementos produzidos. Concluídas as etapas anteriores o processo deve ser devolvido ao CARF para que se prossiga no julgamento. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.924994/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.924994/2016-79
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859675
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.560
nome_arquivo_s : Decisao_10680924994201679.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680924994201679_5859675.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7264326
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305291091968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.924994/201679 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.560 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 49 94 /2 01 6- 79 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.924994/201679 Acórdão n.º 3201003.560 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.704, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.924994/201679 Acórdão n.º 3201003.560 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904186/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10746.904186/2012-50
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860114
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.334
nome_arquivo_s : Decisao_10746904186201250.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10746904186201250_5860114.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7268752
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305668579328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904186/201250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.334 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 86 /2 01 2- 50 Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.835, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.560. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1031DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35582.000835/2007-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para prestação de informações acerca de todos os lançamentos relativos à presente ação fiscal, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 35582.000835/2007-25
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5866323
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-000.188
nome_arquivo_s : Decisao_35582000835200725.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 35582000835200725_5866323.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para prestação de informações acerca de todos os lançamentos relativos à presente ação fiscal, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7305129
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305708425216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35582.000835/200725 Recurso nº Voluntário Resolução nº 9202000.188 – 2ª Turma Data 17 de abril de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente HALLIBURTON SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para prestação de informações acerca de todos os lançamentos relativos à presente ação fiscal, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 230100.397 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 2 de junho de 2009, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 544: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 82 .0 00 83 5/ 20 07 -2 5 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 35582.000835/200725 Resolução nº 9202000.188 CSRFT2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros em desacordo com os requisitos legais. SAT. CÁLCULO POR EMPRESA. A alíquota da contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, é calculada conforme maior número de segurados da empresa que exercem atividade com risco leve, médio ou grave. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5°, da Lei n° 8.212/91. PEDIDO DE DILAÇAO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Em face da determinação contida no art. 34 da Portaria MPS n° 520/04, o prazo de defesa não pode ser prorrogado. MULTA. ATENUAÇÃO/RELEVAÇÃO. A multa somente será atenuada/relevada se corrigida a falta durante o prazo para impugnação. Para os autosdeinfração lavrados até a vigência do Decreto n° 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N 0 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n 0 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 35582.000835/200725 Resolução nº 9202000.188 CSRFT2 Fl. 4 3 pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 11 a 13, empresa apresentou as guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alteram o valor das contribuições, no período de 07/2000 a 02/2006, conforme constam nos anexos I a XII, e Resumo Multa, infringindo o artigo 32, inciso IV, parágrafo 5, da lei 8212/91. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 454 a 471. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro RJ julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 503 a 509. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi dado provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo transcritos, 544 a 566: Voto pelo provimento parcial do recurso, para que, nas preliminares, se exclua do cálculo da multa os fatos anteriores a 12/2000, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, na forma do voto. Quanto ao mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa seja calculada conforme preconiza o I, Art. 44 da Lei 9430/1996, deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nos lançamentos correlatos, e que esse valor seja comparado ao da multa já aplicada, a fim de utilização da forma mais benéfica à recorrente, na forma do voto. Foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 573 a 577, mas não foram acolhidos. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 583 a 590, por entender a recorrente que o aresto merece reforma, visto que o acórdão paradigma diverge do acórdão recorrido na forma de aplicação do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 no cálculo da penalidade, enquanto o acórdão recorrido entende pela incidência da referida norma deduzidas as penalidades impingidas nas NFLD's correlatas, o acórdão paradigma aplica a mesma norma, mas, de forma diversa, sem qualquer limitação ou dedução. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 620 a 623, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91; Fl. 713DF CARF MF Processo nº 35582.000835/200725 Resolução nº 9202000.188 CSRFT2 Fl. 5 4 b) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449); d) não resta dúvida quanto a aplicação da penalidade prevista no art. 44,1 da Lei n u 94.30/1996 à espécie; e) controvérsia se limita à dedução das multas das NFLD's correlatas da base de cálculo da penalidade disciplinada na aludida norma, de forma genérica sem análise especifica; f) importante saber se nas NFLD's correlatas, não há julgamento também sobre a decadência, pois se parte do crédito nelas exigidos também tiver sido alcançada pelo aludido instituto, as multas correspondentes não devem ser deduzidas em sua totalidade da penalidade lançada nestes autos, pois, uma vez canceladas ou reduzidas nos lançamentos correlatos, não há dupla penalização que mereça ser afastada; g) a conclusão que a multa deve ser calculada, sem redução de qualquer parcela da penalidade considerada atingida pela decadência no lançamento vinculado, pois se assim se procedesse, ocorreria a dedução indevida de algo que já não mais existiria. Por meio de contrarrazões, fls. 676 a 548, a Contribuinte se insurgiu relativamente ao conhecimento e ao mérito do recurso, sustentando, em síntese, que: a) a decisão recorrida decidiu pela aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, deduzidas as multas aplicadas sobre as contribuições previdenciárias nos lançamentos correlatas, a PGFN, para fundamentar o seu recurso especial, apresentou como acórdão paradigma, decisão proferida pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, na qual restou decidido pela aplicabilidade do referido dispositivo legal, sem, contudo, permitir qualquer dedução; b) sua discordância restringese apenas a essa dedutibilidade em relação aos casos em que houve o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário principal exigido nas NFLD's correlatas; c) não havendo discordância quanto à dedução das penalidades exigidas nas NFLD's correlatas, que é o objeto do acórdão divergente apresentado, não se pode pretender que esse acórdão sirva de paradigma a fundamentar o cabimento do recurso especial em questão; d) a sua controvérsia diz respeito especificamente à suposta impossibilidade de dedução das multas exigidas nas NFLD's correlatas, quando houve o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário principal lançado naquelas NFLD's; Fl. 714DF CARF MF Processo nº 35582.000835/200725 Resolução nº 9202000.188 CSRFT2 Fl. 6 5 e) tendo havido o lançamento do crédito tributário com a imposição da penalidade cabível e sendo reconhecida a extinção de tal débito em razão da decadência do direito da Fazenda de constituílo, não resta dúvida de que a multa a ele vinculada também foi reconhecida como extinta em razão de tal decadência; f) não se pode dizer que não houve a aplicação de penalidade em relação aos créditos tributários exigidos nas NFLD's correlatas, mas sim que essa penalidade não pode ser mais exigida em razão da sua extinção pela decadência; g) diferente do alegado pela PGFN em seu recurso especial, a não dedução, no presente caso, da multa aplicada sobre os créditos tributários das NFLD's correlatas em relação aos quais houve o reconhecimento da decadência importará sim na exigência de dupla penalidade sobre uma mesma infração; Foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual alega, fls 632 a 650: a) com as alterações promovidas pela Lei n° 11.941/09, tal infração passou a ser apenada pela multa prevista no artigo 32A, da Lei n° 8.212/91 e não pela multa estabelecida no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, conforme indevidamente estabelecido na decisão recorrida; b) não resta dúvida de que a penalidade pela ausência de informação na GFIP anteriormente prevista no artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a ser apenada nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91; c) conforme demonstrado, inexiste fundamento legal para aplicação, ao presente caso, da multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, sendo a multa estabelecida no artigo 32A da Lei 8.212/91 a correta a ser aplicada quando da ausência de informações em GFIP, razão pela qual merece ser reformada a decisão ora recorrida que assim não entendeu. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Conforme narrado, o presente lançamento decorre da apresentação das guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o relato fiscal, as informações que não foram prestadas referem se: (i) Participação nos Lucros ou Resultados pagos ou creditados em desacordo com a legislação NFLD n° 37.026.1127; (ii) Prêmio de Produtividade NFLD n° 37.026.1178; Fl. 715DF CARF MF Processo nº 35582.000835/200725 Resolução nº 9202000.188 CSRFT2 Fl. 7 6 (iii) Prêmios pagos através da utilização do cartão flex da empresa Incentive House S/A NFLD n° 37.026.1160; (iv) Pagamento a cooperados através de Cooperativa de Trabalho NFLD n° 37.026.1151; (v) Diferença de SAT/RAT NFLD's n°s 37.026.1127, 37.026.1160 e 37.026.1143. Extraise da impugnação que o contribuinte, no que tangem às NFLD's relativas aos assuntos listados nos itens (iii) e (iv) acima NFLD's n°s 37.026.1160 e 37.026.1151, reconheceu a procedência do lançamento e efetuou o recolhimento dos respectivos créditos tributários. Por outro lado, com relação aos demais itens (i), (ii) e (v) NFLD'S n°s 37.026.1127, 37.026.1178, 37.026.1127, 37.026.1160 e 37.026.1143, a Contribuinte informa ter apresentando impugnação e recurso aos lançamentos principais. Mostrase relevante saber o resultado das referidas autuações/notificações, para o prosseguimento no presente julgamento, já que as decisões dos outros processos repercutem na apreciação do Recurso Especial sob análise. Dessa forma, deve a DRF prestar informações quanto ao andamento do referidos lançamento, identificando o número do processo atribuído a cada lançamento em relação ao DEBCAD, bem como os fatos geradores lançados e a existência de julgamentos, pedidos de parcelamento, ou qualquer outra informação que possibilite identificar a procedência dos lançamentos. Solicitase, caso exista outro lançamento, além do aqui identificado, a realização de planilha com as informações solicitadas, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação aos fatos geradores omissos. Após o cumprimento da diligência, retorne a esta relatora para prosseguimento do julgamento. Face o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRF preste informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação, mais especificamente: NFLD'S n°s 37.026.1127, 37.026.1178, 37.026.1127, 37.026.1160 e 37.026.1143. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008879/2009-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/08/2008
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE.
Eventual erro em dado fornecido por terceiro não tem o condão de afastar a penalidade cabível ao agente que prestou intempestivamente a devida informação à Receita Federal, eis que se trata de responsabilidade de natureza objetiva e solidária, podendo a multa ser exigida em conjunto ou isoladamente de quem quer que tenha concorrido para a infração ou dela se beneficiado, independente da extensão do dano causado e da intenção dos intervenientes envolvidos.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO.
Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Nos moldes do que dispõe a súmula nº 02 do CARF, não cabe a este Conselho pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que sob o fundamento de ofensa ao princípio da razoabilidade.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3002-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves e Diego Weis Júnior.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE. Eventual erro em dado fornecido por terceiro não tem o condão de afastar a penalidade cabível ao agente que prestou intempestivamente a devida informação à Receita Federal, eis que se trata de responsabilidade de natureza objetiva e solidária, podendo a multa ser exigida em conjunto ou isoladamente de quem quer que tenha concorrido para a infração ou dela se beneficiado, independente da extensão do dano causado e da intenção dos intervenientes envolvidos. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Nos moldes do que dispõe a súmula nº 02 do CARF, não cabe a este Conselho pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que sob o fundamento de ofensa ao princípio da razoabilidade. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.008879/2009-64
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861442
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.016
nome_arquivo_s : Decisao_11128008879200964.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 11128008879200964_5861442.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves e Diego Weis Júnior. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7279114
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305766096896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 139 1 138 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.008879/200964 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.016 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria Aduaneiro. Denúncia espontânea. Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/08/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE. Eventual erro em dado fornecido por terceiro não tem o condão de afastar a penalidade cabível ao agente que prestou intempestivamente a devida informação à Receita Federal, eis que se trata de responsabilidade de natureza objetiva e solidária, podendo a multa ser exigida em conjunto ou isoladamente de quem quer que tenha concorrido para a infração ou dela se beneficiado, independente da extensão do dano causado e da intenção dos intervenientes envolvidos. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decretolei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 88 79 /2 00 9- 64 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 140 2 Nos moldes do que dispõe a súmula nº 02 do CARF, não cabe a este Conselho pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que sob o fundamento de ofensa ao princípio da razoabilidade. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves e Diego Weis Júnior. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 141 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 77/79 dos autos: Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação De acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação relativa aos conhecimentos eletrônicos (CEs) máster (Master Bill of LadingMBL) e submáster (MHBL) ali identificados, relativamente aos CEs agregados (House Bill of Lading HBL) especificados. Para caracterizar a irregularidade apurada, foram também informados dados referentes à embarcação, viagem, porto, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação ensejou a autuação. Na sequência a fiscalização passou a discorrer sobre o Siscomex Carga, indicando a legislação que regula a utilização desse sistema, especialmente quanto aos prazos para prestar informações (arts. 22 e 50 da IN RFB nº 800/2007) e às excludentes e includentes de punibilidade previstas na legislação (art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Foi explicada a motivação da obrigação imposta, destacando sua importância no contexto preventivo, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro. Em seguida, a autoridade lançadora apresentou a legislação aplicável no caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966) e teceu comentários acerca da interpretação dessa legislação, considerando, com base no art. 112 do CTN, ser aplicável ao caso a Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008. Foram apresentados, também, esclarecimentos sobre a natureza objetiva da responsabilidade pela infração apurada e sua materialidade. A fiscalização prosseguiu seu relatório informando quem são os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007, e concluiu que era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas à desconsolidação das cargas correspondentes. Diante dos fatos apurados a autoridade lançadora considerou ser dever de ofício exigir a penalidade formalizada no Auto de Infração em debate. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 15/12/2009 e, em 7/1/2010, apresentou impugnação (fls. 5158) na qual aduz os seguintes argumentos. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 142 4 a) Culpa de Terceiro. O atraso na informação dos CEs agregados foi decorrente da divergência entre o somatório dos pesos deles e o peso informado pelo armador no CE máster, fato que gerou bloqueio no sistema Mercante, impossibilitando a conclusão da desconsolidação. Tal divergência só foi esclarecida quando do desembarque da carga e da realização de sua desova, ocasião em que foi constatado o erro na informação do CE máster. Somente após a correção dessa informação a impugnante pode informar os dados dos CEs agregados. b) Ausência de prejuízo. Tendo a autuada efetuado o registro das informações dos CEs agregados corretamente, fica claro que não agiu ou teve qualquer intenção de cometer infração, sendo que não houve nenhum prejuízo que justificasse sua penalização. c) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. d) Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições do parágrafo único do referido art. 50. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Ao final a impugnante informa que provará o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito e requer que seja cancelado o lançamento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/08/2008 ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na legislação regente, as quais independem de prévio protesto. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/08/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE. Eventual erro em dado fornecido por terceiro não tem o condão de afastar a penalidade cabível ao agente que prestou intempestivamente a devida Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 143 5 informação à Receita Federal, eis que se trata de responsabilidade de natureza objetiva e solidária, podendo a multa ser exigida em conjunto ou isoladamente de quem quer que tenha concorrido para a infração ou dela se beneficiado, independente da extensão do dano causado e da intenção dos intervenientes envolvidos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/08/2008 INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO, OPERAÇÃO OU CARGA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Até a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Aduana referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade do agente de carga, deveriam ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga é obrigação acessória autônoma de natureza formal vinculada a prazo certo, cujo atraso já consuma a infração, causando dano irreversível, razão pela qual não se aplica ao caso a denúncia espontânea, mormente quando a comunicação da irregularidade também é intempestiva, diante da prévia atracação do veículo transportador e do bloqueio realizado no Siscomex Carga no ato do registro intempestivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 12/05/2015 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 95 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 08/06/2015 Recurso Voluntário (fls. 99/121), através do qual, repisando os argumentos apresentados em sua impugnação, requereu o recebimento e provimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância e afastar a multa impugnada. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 144 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Das razões recursais O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ de manter a multa aplicada pela Alfândega do Porto de Santos em 13/09/2009, no valor de R$ 5.000,00, por descumprimento de prazo para entrega de informações sobre a embarcação CAP SAN NICOLAS, chegada em 18/08/2008. Apresenta as seguintes razões para reforma da decisão. 1.1. Da culpa de terceiro. O recorrente argumentou em sua impugnação que a culpa pelo atraso decorreu de erro do armador que forneceu informações incorretas sobre a carga transportada, e que só teve condições de constatar e corrigir a irregularidade no momento do desembarque. A primeira instância se pronunciou no sentido de que sua responsabilidade em informar os dados corretos sobre a carga é objetiva, nos termos dos artigos 94, § 2º e 95, I, do DecretoLei nº 37/1966, e que não há provas de que o contribuinte tenha adotado medidas necessárias para se eximir da culpa pelo descumprimento do prazo legal. O acórdão afirma que o ressarcimento por penalidade para a qual terceiro tenha concorrido ou dado causa deve ser resolvido no âmbito particular. O recorrente impugnou a decisão afirmando que não concorreu para a infração, que decorreu de erro do armador, estando sua boa fé demonstrada em seu ato de corrigir a informação errada. Neste particular, entendo que não assiste razão ao contribuinte, devendo ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Isso porque, como é cediço, a responsabilidade em matéria tributária é objetiva e independe da caracterização de máfé do contribuinte quanto ao seu descumprimento. 1.2. Da ilegalidade do auto de infração. O recorrente afirma que a ele não se aplicava, na situação, a exigência de antecedência na prestação de informações, devido à previsão do art. 50 da IN RFB nº 800/2007. Segundo essa norma, a obrigação só seria exigível a partir de 1º de abril de 2009, e a exceção prevista no parágrafo único não lhe era aplicável em razão de sua condição de agente de cargas, divergente da de transportador. O contribuinte alega que a interpretação do mencionado artigo 50 deve ser restritiva, caso contrário se estaria estendendo penalidade e ferindo o princípio da legalidade. Ainda, alega que aplicarlhe a multa seria desrespeito ao artigo 111 do CTN, que prevê interpretação literal no caso de dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Cita o artigo 150, III, do CTN, que trata da irretroatividade da lei tributária, e o artigo 110 do mesmo Diploma, para impugnar a distorção de conceitos de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 145 7 direito privado (equiparar agentes de carga a transportador) com a finalidade de exigir obrigação tributária. Acerca desse ponto, a decisão da DRJ entendeu que a autuação está de acordo com o artigo 50 da IN RFB nº 800/2007, pois o agente de carga está englobado na definição de transportador, nos termos do artigo 2º, V e § 1º, IV, “e”, da referida instrução normativa. Afirma que os responsáveis pela prestação das informações não ficaram eximidos, mas, dentro do período concedido pela norma para a adaptação das empresas às regras ali estabelecidas, lhes foi admitido o fornecimento dos dados com menor antecedência. Informou que a obrigação do agente de cargas de prestar informações decorre do artigo 37, §1º, Decreto Lei 37/1966, recepcionado pela Constituição com força de lei, dispositivo que é a base legal da IN 800/2007. Além disso, a infração atribuída ao recorrente prevê sua aplicabilidade aos agentes de carga, nos termos do artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela lei 10.833/2003. Sua responsabilidade também está prevista no artigo 18 da instrução normativa, corroborada pela documentação dos autos, uma vez que foi o recorrente quem emitiu o CE. Por fim, o acórdão consigna que o emprego genérico do termo transportador não vai de encontro ao artigo 110 do CTN, pois este se volta à definição de competências tributárias, e a interpretação da palavra tem que ser feita em seu contexto. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor do art. 50 da IN RFB nº 800/2007: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O contribuinte, então, defende que a exceção à regra de que seriam exigidos os prazos de antecedência tão somente a partir de 1º de abril de 2009 seria aplicável apenas aos "transportadores", em razão da literalidade do disposto no parágrafo único acima. Entendo, contudo, que esta não é a melhor solução a ser dada ao caso em análise. De fato, dito dispositivo legal determina que os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta mesma IN somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Ocorre que o parágrafo único deste mesmo dispositivo afasta a prorrogação do prazo no que concerne à obrigação do transportador de prestar informações sobre as cargas transportadas. E o art. 32 do Decretolei nº 37/66, ao tratar sobre a responsabilidade tributária, estende ao agente marítimo (representante, no país, do transportador estrangeiro), na qualidade de responsável solidário, a responsabilidade atribuída ao transportador. É o que se infere da transcrição a seguir: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 146 8 Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Entendo, portanto, que não há que se falar em afronta ao art. 110 do CTN. A equiparação dos agentes marítimos aos transportadores não decorreu da alteração da definição, conteúdo ou alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, mas sim de observância à expressa determinação legal, expressa no art. 32 do Decretolei nº 37/66, acima transcrito. Tal responsabilidade, inclusive, encontra respaldo nos artigos 121, inciso II, 124, inciso II, e 128 do CTN, in verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 147 9 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. *** Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. *** Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Ainda sobre o tema, é importante ressaltar a decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP 1.129.430/SP, em que aquele tribunal decidiu que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, não ostentava a condição de responsável tributário no período anterior à vigência do Decretolei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32 do DecretoLei nº 37/66), por ausência de previsão legal. Tal decisão, portanto, leva à conclusão lógica de que, iniciada a vigência do referido Decretolei nº 2.472/88, não há mais que se falar em ilegitimidade passiva dos agentes marítimos. Nesse mesmo sentido, vem decidindo este Conselho, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/12/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. (...). (Acórdão nº 3402004.438 de 26/09/2017). *** Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/12/2005 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 148 10 relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. (...). (Acórdão nº 3301003.882 de 28/06/2017). Entendo, pois, que deverá ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pelo contribuinte. 1.3. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea. O recorrente impugna a decisão de primeira instância, que rejeitou seu argumento de denúncia espontânea, fundamentada na intempestividade e ineficácia da medida. O recorrente se insurge, argumentando que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade, nos termos do artigo 102, § 2º, do DecretoLei 37/1966, e que o fato de ter retificado as informações antes que fosse instaurado qualquer processo fiscalizador se coaduna com o instituto e afasta o entendimento de intempestividade. Quanto ao entendimento de ineficácia, aduz que não foi demonstrado o dano ao controle aduaneiro, já que as informações foram inseridas no Siscomex antes da formalização da entrada em território nacional. Afirma que a finalidade da denúncia é estimular o contribuinte a informar e sanar omissões que passariam despercebidas ao fisco, dandolhe em troca a exclusão da penalidade que lhe seria aplicada. De tal modo, aplicarlhe a multa contrariaria o princípio da interpretação teleológica. Diz que o artigo 683, §1º, I do regulamento aduaneiro (que não considera espontânea a denúncia realizada no curso do despacho aduaneiro), é contraditória com o artigo 736 do mesmo regulamento (que afasta penalidades de infrações que não tenham gerado prejuízo para o recolhimento de tributos federais em caso de erro ou ignorância escusável do infrator). A decisão da primeira instância afirmou que não foram atendidos os pressupostos da denúncia espontânea, que são a tempestividade e eficácia da denúncia. Quanto à tempestividade, entendeu que a formalização da entrada do veículo procedente do exterior no País, que se dá pelo Termo de Entrada, exclui a espontaneidade, nos termos do 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009, e do artigo 138 do CTN, por se tratar de procedimento administrativo relacionado com a infração. Quanto à eficácia, afirmou que o não fornecimento de informações em tempo hábil prejudicou irreversivelmente os objetivos da norma, e que a posterior prestação de informações não teve o condão de reparar o dano causado. Ademais, por tratarse de obrigação acessória autônoma formal ligada a prazo, a inobservância deste consuma a infração e torna irreversível o prejuízo, conforme decisões do STJ e do CARF que fundamentaram a decisão. Quanto a esta matéria, entendo importante que sejam feitos alguns esclarecimentos. Isso porque, embora concorde com a conclusão a que chegou a DRJ em sua decisão, no sentido de afastar a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, faço com base em fundamentos distintos dos ali consignados, conforme restará devidamente demonstrado a seguir. Em sua defesa, o contribuinte alega a caracterização da denúncia espontânea, visto que todos os registros foram realizados antes de qualquer ação da fiscalização. Pede, portanto, o afastamento da penalidade a ele imposta, com fulcro no artigo 102, § 2º, do DL Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 149 11 37/66, que, em decorrência da alteração introduzida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), estendeu o instituto às penalidades administrativas, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Consoante já tive a oportunidade de me manifestar anteriormente, apesar de reconhecer que este tema é bastante controvertido no âmbito deste Conselho, entendo que o instituto da denúncia espontânea é, em tese, plenamente aplicável a casos que versem sobre obrigação acessória cumprida a destempo pelo contribuinte. Isso porque, com a previsão inserida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010) no referido parágrafo 2º do art. 102 do DL 37/66, que trata especificamente sobre imposto de importação e serviços aduaneiros, previsão esta reproduzida no art. 683, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), houve expressa ampliação da aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa. Logo, a sua não admissão em casos relacionados ao registro de informações no SISCOMEX tão somente em razão da sua entrega ter se dado com atraso representaria, no meu entender, descumprimento de previsão legal expressa, o que não seria possível, sob pena de se incorrer em afronta ao disposto na já referida súmula nº 02 do CARF, bem como do art. 62 do Anexo II do RICARF, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ora, sendo inquestionável que a multa possui natureza administrativa e que o referido parágrafo 2º admite a denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa, quando as condições para a caracterização da denúncia espontânea estiverem presentes, entendo que não se pode afastar dita disposição legal. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 150 12 O que faz, portanto, alguns julgadores, no intuito de defender a inaplicabilidade da denúncia espontânea em casos como o presente é alegar que a sua admissão tornaria inócua a norma que estipula prazos para cumprimento de obrigação acessória. Entendo, contudo, que tal interpretação/conclusão vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. A norma não deixa dúvidas ao estender às penalidades administrativas o instituto da denúncia espontânea, trazendo como exceção tão somente as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, o que não é o caso dos autos. Afora tal exceção, não trouxe o legislador qualquer restrição adicional à aplicação da denúncia espontânea nos casos de penalidades administrativas, não havendo qualquer impedimento para que o fizesse, caso assim pretendesse. Entendo, portanto, que a restrição defendida em algumas decisões deste Conselho invade a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Ademais, entendo que a súmula nº 49 do CARF, que determina que a denúncia espontânea disposta no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, não se aplica ao caso vertente, visto que embasada em precedentes que tratam sobre o envio a destempo de DCTF, matéria diversa da aqui analisada, além de se embasar em caso anteriores à edição da MP 497/2010. Ocorre que a presente contenda versa sobre a denúncia espontânea em Direito Aduaneiro, considerado autônomo e que possui regramento próprio sobre a matéria (art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro), cuja redação sofreu alteração com base no conteúdo da MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), norma esta que não fora objeto dos julgados que culminaram com a edição da referida súmula nº 49. Logo, penso inadequada a indicação de dita súmula como óbice à concessão da denúncia espontânea em casos que versem sobre direito aduaneiro. Da mesma forma, as decisões do STJ que tratam sobre a impossibilidade de admissão da denúncia espontânea em caso de descumprimento de obrigação acessória, em sua grande maioria, tratam de obrigação relacionada à legislação tributária, e não à legislação aduaneira. Apresentandose, portanto, inadequada a sua indicação para fins de fundamentar o afastamento da denúncia espontânea em casos de descumprimento de obrigação aduaneira. Em observância ao princípio da especialidade lex specialis derogat legi generali , apresentase, pois, imperativa, no meu entender, a aplicação da literalidade do art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), admitindose, por consequência, a denúncia espontânea para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira, desde que as demais condições para a sua devida caracterização restem devidamente observadas. Este tema foi muito bem abordado nos votos proferidos tanto pelo Conselheiro Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède no Acórdão nº 3302002.721, quanto pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama no Acórdão 9303005.869. Nesse contexto, uma vez admitida a possibilidade de aplicação, em tese, da denúncia espontânea à multa objeto da presente contenda, há de se verificar, então, a sua efetiva existência no caso concreto analisado. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 151 13 Além da exceção expressamente prevista no parágrafo 2º do referido art. 102 (mercadoria sujeita à pena de perdimento), a denúncia espontânea não deverá ser admitida nos casos previstos no parágrafo 1º, seja porque realizada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, seja porque realizada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Assim, há de se perquirir se a denúncia se enquadra em alguma das situações acima descritas, caso em que restaria afastada a sua espontaneidade. Neste ponto, concordo com a decisão recorrida ao dispor que há de ser afastada a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, conforme passagem a seguir transcrita, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: A denúncia não atendeu ao requisito da tempestividade. Antes de ela ser apresentada já havia sido implementado procedimento administrativo relacionado com a infração. Tratase da formalização da “entrada do veículo procedente do exterior” que, nos termos do Regulamento Aduaneiro, exclui a espontaneidade por “infração imputável do transportador”. Tal disposição conta expressamente no art. 683, § 3º, do Decreto nº 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro em vigor), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro anterior, vigente à época dos fatos), in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (Destaques na reprodução.) A formalização da entrada do veículo no País se dá com a emissão do termo de entrada, em conformidade com o disposto nos artigos 31 e 32 do Regulamento Aduaneiro atual, que correspondem aos artigos 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro anterior, a seguir reproduzidos. Tratase de procedimento administrativo diretamente relacionado com a infração sob exame, pois deve ser realizado depois das informações exigidas serem prestadas, conforme se pode constatar: Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. [...] Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (Destacouse.) A título de informação, observase que o registro de Declaração de Trânsito Aduaneira (DTA) ou de Declaração de Importação também afasta a aplicação da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 612, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (o qual corresponde ao art. 683, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro atual), a seguir reproduzido. É que qualquer um desses registros configura o início do despacho aduaneiro, conforme disposto no art. 35 da IN SRF nº 248/20022 e no art. 15 da IN SRF nº 680/20063, que é procedimento administrativo relacionado com a infração. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 152 14 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada [...]: I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou [...] (Destaque na reprodução.) Em sua defesa, o contribuinte alega que o artigo 683, §1º, I do regulamento aduaneiro (que não considera espontânea a denúncia realizada no curso do despacho aduaneiro) seria contraditória com o artigo 736 do mesmo regulamento (que afasta penalidades de infrações que não tenham gerado prejuízo para o recolhimento de tributos federais em caso de erro ou ignorância escusável do infrator). Ou seja, não contesta que a informação apenas fora incluída no SISCOMEX no curso do despacho aduaneiro, tornando tal fato incontroverso. Defende, contudo, o afastamento da aplicação do disposto no artigo 683, §1º, I do regulamento aduaneiro sob o argumento de que estaria em desacordo com o disposto no art. 736 deste mesmo regulamento. Entendo, contudo, não assistir razão ao contribuinte em sua pretensão. Isso porque, consoante já analisado anteriormente, a responsabilidade em razão do descumprimento da norma aqui analisada é objetiva e não depende de qualquer demonstração de prejuízo relacionado ao recolhimento de tributos federais. Diante do acima exposto, concluo que, apesar de aplicável em tese a denúncia espontânea em relação à inclusão de informações no SISCOMEX a destempo, há de ser afastada a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, visto que as informações foram incluídas no curso do despacho aduaneiro. Neste tópico, é importante registrar, contudo, o entendimento da maioria dos Julgadores sobre a matéria, nos moldes do que determina o art. 63, parágrafo 8º do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Isso porque, embora os demais Conselheiros desta turma de julgamento tenham concordado com a conclusão acima disposta, no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável no caso concreto aqui analisado, o fez por razões distintas da ali apresentada, tornandose necessária, portanto, a indicação dos fundamentos adotados por esta maioria. Os três demais Conselheiros entenderam que, no caso de descumprimento da obrigação acessória aqui analisada, relativa ao registro a destempo de informações no Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 153 15 SISCOMEX, a denúncia espontânea não seria aplicável sequer em tese. Tal entendimento pode ser extraído do conteúdo do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves no Acórdão nº 3002000.010, cuja ementa, sobre a matéria em relevo, assim dispôs: "Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas". Foi este entendimento, portanto, que prevaleceu no julgamento do presente caso, ressalvado o meu entendimento pessoal sobre o tema, acima delineado. 1.4. Ofensa ao principio da razoabilidade. Por fim, o recorrente alega que o atraso na prestação das informações não teve o condão de impedir a realização dos objetivos da Receita Federal com a norma instituidora do prazo, já que as informações foram prestadas antes de qualquer ação fiscalizatória. Afirma que ficou demonstrada a ausência de máfé de sua parte bem como a inexistência de prejuízo ao erário, devendo a administração se pautar pela razoabilidade e cancelar o auto de infração. Pede, por fim, o afastamento da multa. Não merece acolhida os argumentos do Recorrente. Isso porque, como é cediço, em razão disposto na súmula nº 02 do CARF, não cabe a este Conselho pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Uma vez em vigor, é imperativa a sua aplicação por parte da autoridade fiscal e a sua observância por parte dos Conselheiros no âmbito das decisões proferidas no contencioso administrativo, não sendo permitido o seu afastamento em razão do princípio da razoabilidade, conforme pretendido pela recorrente. Transcrevese a seguir o teor da referida súmula: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, consoante já analisado em tópico anterior, é cediço que o descumprimento da obrigação aduaneira aqui analisada independe da verificação de máfé do contribuinte. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.008879/200964 Acórdão n.º 3002000.016 S3C0T2 Fl. 154 16 Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.908977/2006-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10768.908977/2006-52
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.510
nome_arquivo_s : Decisao_10768908977200652.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10768908977200652_5869839.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7324924
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050305841594368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.908977/200652 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.510 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 9 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente SIDERAL COMERCIO E LOGISTICA INTERNACION Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO 2003 Na hipótese de inexatidão imaterial verificada no preenchimento da DCOMP apresentada em formulário ou em meio eletrônico, a retificação somente é admitida . para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1226.667, da 5ª Turma da DRJ/RJ1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 89 77 /2 00 6- 52 Fl. 548DF CARF MF 2 decisório que não homologou a declaração de compensação DCOMP n° 07906.27081.300703.1.3.056146, em 30/07/2003 (fl.2),cujo voto reproduzo (parcialmente) a seguir: Voto 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva e refine os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972. Portanto, dela conheço. 5. A interessada contesta a decisão que não homologou a compensação declarada, mas admite que errou e só tomou conhecimento dos erros através do despacho decisório recepcionado em 30/07/2008, quando não havia mais tempo para efetuar as retificações. 6. Consultado o sistema SIEF/FISCEL verificamos que o pagamento n° 0495371379 consta como sendo relativo ao PA 31/08/2000 e código de receita 2362 (fl.84).). 7. A legislação de regência abrange o Código Tributário Nacional (CTN) — Lei 5.172/66, artigos 156 e 170, a Lei 9430/96, artigos 73 e 74 e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e da Receita Federal do Brasil: CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (..) 11 a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96: Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições. Art. 73. Para efeito do disposto no art. 70 do Decretolei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos infernos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: 1 o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado e) conta do tributo ou da contribuição a que se referir; contribuinte ou responsável será creditada 6 conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10768.908977/200652 Acórdão n.º 1001000.510 S1C0T1 Fl. 3 3 poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2° A compensação declarada Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 3° Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 2003) 1 o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Ill os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já .tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional pare inscrição em Divide Ativa da União; (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) V o débito que j6 tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5° 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 Fl. 550DF CARF MF 4 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado 5 Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 9° 8 facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso Ill do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensa cão nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) I previstas no § 30 deste artigo; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; (incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) c) refirase a titulo público; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial do transitada em julgado; ou (incluída pela Lei no 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009) 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) 2.tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10768.908977/200652 Acórdão n.º 1001000.510 S1C0T1 Fl. 4 5 3.tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) 4.seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição FederaL (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) § 13. 0 disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei no 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto 6 fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) 8. Ao tempo da transmissão da DCOMP sub análise, estava em vigor a Instrução Normativa SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 226/2002, mas a retificação pretendida pela interessada em 15/08/2008 e apresentada em 22/08/2008 foi feita quando em vigor a IN SRF 600, de 28/12/2005, abaixo reproduzida: "Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pad do de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. 0 Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário Fl. 552DF CARF MF 6 (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora." 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 07906.27081.300703.1.3.056146 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3.. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar convicção inequívoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não há, no presente processo, condições de se averiguar a liqui ez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, para que seja possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 07906.27081.300703.1.3.056146. 13. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise, pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade e pelo prosseguimento da cobrança dos débitos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, que considerei tempestivo, visto a informação constante do documento de fl. 545, como segue: Tendo em vista que o contribuinte foi cientificado do Acórdão ng 1226.667 54 Turma da DRJ / RJ I (fls. 85/92) e apresentou recurso voluntário 18/12/2009 (fls. 98/99), proponho encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação. OBS: 0 Aviso de Recebimento (AR) não foi localizado e não há como rastreálo em virtude da falta de registro do seu Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10768.908977/200652 Acórdão n.º 1001000.510 S1C0T1 Fl. 5 7 número nas planilhas de controle de envio de correspondência. Em seu recurso, a recorrente apresenta preliminar que, na realidade, representa uma descrição dos fatos. A seguir, transcrevo as alegações da recorrente: · Os perdcomp's nos 14009.86355.300703.1.3.045635; 40694.12471.300703.1.3.04 6132 e 07906.27081.300703.1.3.046146 (em anexo) foram confeccionados com o intuito de se compensar um débito de IRPJ código da receita 2362 período de apuração 30/06/2003 vencimento 31/07/2003 no valor de R$ 2.951,06 (anexo DIPJ e DCTF do período para analise) utilizando para isto três darf s de recolhimento a maior. O equivoco ocorreu ao repetirmos nos três perdcomps o valor integral do débito (R$ 2.951,06) não o fracionando de acordo com o crédito existente em cada darf. · Sendo cada documento processado individualmente nos controles da SRF, tivemos parte do primeiro crédito no valor principal de R$ 525,00 aceita através do despacho decisório (processo 10768908.976/200616) e a diferença no valor de R$ 2.158,58 não homologada, gerando assim a primeira cobrança deste tributo. · A segunda cobrança do mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp n° 40694.12471.300703.1.3.046132 (processo 10768 908.975/200663) onde o valor nos foi cobrado integralmente, pois havíamos retificado a DCTF no momento em que tomamos ciência da falha cometida, o que causou duvidas a SRF sobre a existência do crédito, gerando assim uma segunda cobrança no valor de R$ 2.951,06 do referido débito. · E por fim, a terceira cobrança deste mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp 07906.27081.300703.1.3.046146 (processo 10768 908.977/200652) onde o mesmo valor de R$ 2.951,06 nos foi cobrado integralmente, em virtude de não ter sido mais possível o processamento dos perdcomps retificadores. · Facultados pela Lei 10833/2003 que nos permite julgar parcialmente improcedente a decisão proferida a nossa manifestação de inconformidade, solicitamos a analise da DIPJ e DCTF do período em questão, que demonstra a existência de um só debito de IRPJ no valor de R$ 2.951,06, a fim de se proceder ao cancelamento dos perdcomp's nos 40694.12471.300703.1.3.04 6132 e 07906.27081.300703.1.3.046146, visto não ser possível mais a realização da compensação pretendida e com isto corrigir a cobrança indevida que originou os darfs nos valores de R$ 3.455,23; R$ 2.647,84; R$ 5.094,18 e R$ Fl. 554DF CARF MF 8 1.008,89 (em anexo), que representam o valor original de R$ 5.902,12 (R$ 2.951,06 x 2), vide extratos dos processos recebidos da SRFMadureira, em anexo. Senhores Conselheiros, é este, em síntese, o ponto de discordância apontado neste Recurso:...; e · por fim, pede provimento ao seu recurso voluntário. O artigo 170, do Código Tributário Nacional (CTN) dispôe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Cita, ainda,o referido PN: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) Com a devida venia, peço para adotar o voto da DRJ por concordar com o seu teor, o qual reproduzo (a parte final, apenas), mais uma vez: 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 07906.27081.300703.1.3.056146 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3.. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10768.908977/200652 Acórdão n.º 1001000.510 S1C0T1 Fl. 6 9 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. .... 12. Não há, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, para que seja possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n° 07906.27081.300703.1.3.056146. 13. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise, pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade e pelo prosseguimento da cobrança dos débitos Portanto, nego provimento ao presente recurso, direito creditório não reconhecido É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
