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Numero do processo: 13603.723770/2012-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
Numero da decisão: 1002-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeita-se à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001 incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2010 sujeitase à aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 incidentes sobre cada mêscalendário de atraso. Descabe falarse em infração de natureza continuada por inexistência de previsão legal nesse sentido. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA VEDADA À APRECIAÇÃO DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar a respeito de alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do que dispõe a Súmula CARF n° 02. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A teor da Súmula CARF n. 49, a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. FCONT. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 37 70 /2 01 2- 29 Fl. 60DF CARF MF 2 A multa por descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT tem natureza objetiva e independe da intenção do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2010, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem retratar os fatos até este momento processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/BHB: "A sociedade acima qualificada recebeu a notificação de lançamento de fl. 24, que lhe exige o pagamento multa no valor de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais), como segue: 2 DADOS DA DECLARAÇÃO Exercício Prazo Final Entrega Data/Entrega N° de meses em atraso 2010 30/11/2011 30/10/2012 11 3 DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTÁRIO Multa por atraso na entrega da escrituração Código 1512 Apuração de Crédito Tributário Valores em Reais R$ 5.000,00 X Número de meses ou fração em atraso 55.000,00 Valor da Multa por atraso na entrega da escrituração 55.000,00 4 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 3 3 Descrição dos fatos: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração de atraso. Enquadramento Legal: Arts. 16 da Lei n° 9.779/99:57, inciso I, da medida Provisória 215835/01; art 2° da Instrução Normativa RFB 967/09 Ciente em 30 de outubro de 2012 (fl. 18), a interessada apresentou, em 14 de novembro de 2012, a impugnação de fls. 1 a 16, alegando, em resumo, o que segue. [...] 2 FINALIDADE DO FCONT O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. [...] No presente caso, o FCONT foi entregue sem movimentação, ou seja, não há ajustes a serem efetuados. Como a notificada já entregou a FCONTE, a sua finalidade foi cumprida, não pode ser apenado com multa. [... ] 3 NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Houve uma alteração radical no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n. 12.350 de 20/12/2010. Foi introduzido no mundo jurídico, o seguinte verbete: Art. 40. Os arts. 1°, 23, 25, 50, 60, 75 e 102 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 102 § 2 ° A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.' A partir dessas modificações o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades seja de natureza principal, acessória ou administrativa. Seguemse excertos da exposição de motivos da mencionada Medida Provisória e menção ao artigo 472 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 2009, associando a denúncia espontânea à delação premiada. Fl. 62DF CARF MF 4 A seguir, aduz: 5 INFRAÇÃO CONTINUADA Conforme podese comprovar pela Notificação anexa, houve aplicação de 11 (onze) multas, para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal. Entretanto, devese aplicar uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada. Esse é o entendimento da própria Fazenda Nacional, ao assim expressar no Regulamento do IPI art. 565 do Decreto n. 7.212, de 15 de junho de 2010 [...]. [... ] Assim, requer a aplicação de uma única sanção. 6 BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Conforme já relatado, a Autuada deixou de apresentar uma FCONT do anocalendário de 2010. A Receita Federal aplicou 11 (onze) multas de R$5.000,00 perfazendo o montante de R$55.000,00 Porém, a multa a ser aplicada em face da ausência da declaração deve incidir apenas uma vez em face do descumprimento pertinente àquele mês e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco, sob pena de legitimarse um bis in idem, que, como é cediço, deve ser abominado por razões óbvias de proporcionalidade e razoabilidade. [...] Sustenta que a penalidade em tela feriria 'os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco'. Menciona a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 551/RJ e escreve: As decisões do STF, em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou Constitucionalidade, PRODUZEM EFICÁCIA CONTRA TODOS E EFEITO VINCULANTE, por força do disposto no parágrafo único do art. 28 da Lei n.° 9.868, de 10/11/1999, bem como parágrafo 2° do art. 102 da Constituição/1988. [... ] Menciona o Código Civil, o artigo 52, § 1°, da Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990 e acrescenta: O Supremo Tribunal Federal, já sepultou o tema, no RE n° 98393/RJ, relator Ministro Décio Miranda, publicado DJ de 17/08/84, pg. 12911, Ement Vol 134503 pg. 418, julgado em 28/06/84 Segunda Turma, ao assim se expressar: 'Tributário. Multa moratória cobrada a razão de 100% do valor do débito, e Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 4 5 acompanhada de outras cominações, além da correção monetária, mostrase excessiva e é fixada em 30% '. Prosseguindo, volta à ADI 551/RJ e escreve: O STF, já assentou em Ação Direta de Inconstitucionalidade, que: '... embora haja dificuldade para se fixar o que se entende como multa abusiva, constatamos que as multas são acessórias e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal'(Excerto do voto proferido pelo eminente Ministro Marco Aurélio na ADI 551/RJ, julgado em 24/10/2002 Tribunal Pleno, DJ de 14/02/2003, pg. 58, Ement. Vol. 0209801 PP00039). Menciona os artigos 92 e 412 do Código Civil e 110 do CTN Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, entendendo que o valor da multa não pode ultrapassar o do principal e concluir: Como a multa ultrapassa o principal, ela deve ser reduzida. Como não há principal,também não haverá multa. Finda pedindo: Isto posto, diante das relevantes razões fáticas e legais, que não podem ser elididas ou tolhidas, sob pena ocorrer cerceamento de defesa e negativa ao princípio do contraditório pleno assegurado pela constituição, (inciso LV art. 5°), a autuada requer: 1. Cancelamento das exigências contidas no Auto de Infração, conforme já demonstrado. 2. Se assim não entender, o que achamos improvável, requer sejam feitas as devidas reduções, no montante a ser apurado, levandose em conta todos os excessos mencionados, inclusive: infração continuada, bis in idem da multa, multa confiscatória; [...]" A 4a Turma da DRJ/BHB julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte do crédito tributário discutido nos autos, por meio do acórdão nº 0246.227, de 12 de julho de 2013 (efls 26), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 FCONT O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos por lei, sujeitase à multa de R$ 1.500,00 por mêscalendário ou fração de atraso. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 64DF CARF MF 6 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE ADI que verse sobre tributos estaduais não vincula a administração tributária federal. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 39), do qual foram extraídos abaixo, na ordem e sob a denominação originalmente apresentada, os principais tópicos e argumentos que, entendese, são pertinentes à solução da presente lide. I DO EMBASAMENTO LEGAL DA MULTA Neste tópico de seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que "No FCONT são efetuados os ajustes da escrituração comercial, que não devam ser considerados para fins de apuração do resultado com base na legislação vigente em 31.12.2007. Ou seja, os lançamentos que existem na escrituração comercial, mas que devem ser expurgados para remover os reflexos das alterações introduzidas pela Lei n° 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei n° 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976." Afirma que no presente caso não pode ser apenada com multa porque a FCONT foi entregue sem movimentação e que não há ajustes a serem efetuados. Aduz que "se o contribuinte inadimple obrigação acessória, da qual não gera qualquer lesão patrimonial à Fazenda, e a omissão, por outro lado, não se reveste de má fé ou dolo que venham a beneficiar um terceiro em detrimento da Fazenda Pública, a infração meramente regulamentar não pode ser apenada com multa elevadíssima, sob pena de se equipar a dolo e máfé e os delitos daí surgidos". II DA APLICABILIDADE DA NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Sobre este tópico o Recorrente entende que houve equívoco no acórdão de impugnação "quanto a alegação da inaplicabilidade da alteração ocorrida no instituto da denúncia espontânea através da Medida Provisória 497, de 27/07/2010, convertida na Lei n° 12.350 de 20/12/2010." Diz que houve uma alteração radical no instituto da Denúncia Espontânea através da MP n° 497/2010, convertida na lei nº 12.350/2010 porquanto "foi introduzido no mundo jurídico, o seguinte verbete: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 5 7 Art. 40. Os arts. 1°, 23, 25, 50, 60, 75 e 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 102................... § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento'." Em apoio ao seu argumento, acrescenta, que a "A exposição de motivos da Medida Provisória 497, de 27/07/2010 é esclarecedora: 'EMI n° 1 1 1 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT, de 23 de julho de 2010. (...) 40. A proposta de alteração do § 2° do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (...) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' Afirma, ainda, que "A própria Receita Federal, já tinha regulamentado o assunto, ao dispor que não cabe multa no caso de denúncia espontânea, conforme está previsto na Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009, nos seguintes termos: 'Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considerase denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB'." Fl. 66DF CARF MF 8 III BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Acerca deste tema o Recorrente registra que "houve a indevida aplicação de 11 (onze) multas para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal" e que "Neste sentido, deve ser aplicada no caso em tela uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada." Aduz que "esse é o entendimento da própria Fazenda Nacional, ao assim expressar no Regulamento do IPI art. 565 do Decreto n. 7.212, de 15 de junho de 2010: Art. 565. As infrações continuadas, punidas de conformidade com o art. 597, estão sujeitas a uma pena única, com o aumento de dez por cento para cada repetição da falta, não podendo o valor total exceder o dobro da pena básica (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, caput e §1° Decretolei n° 34, de 1966, art. 2o, alteração 20a). § 1o Se tiverem sido lavrados mais de um auto ou notificação de lançamento, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, $ 3o). § 2o Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado (Lei n° 4.502, de 1964, art. 74, § 4o)." O Recorrente conclui afirmando que "a multa a ser aplicada em face da ausência da declaração deve incidir apenas uma vez em face do descumprimento pertinente àquele mês e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco, sob pena de legitimarse um bis in idem, que, como é cediço, deve ser abominado por razões óbvias de proporcionalidade e razoabilidade", citando jurisprudência que, no seu entendimento, corrobora com sua tese. IV MULTA PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Quanto a este tema, o Recorrente afirma que "apesar de atendido o princípio da legalizada a fixação do valor da multa fere os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco." Aduz que "a multa fiscal ou tributária não pode ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. Isso configura desvio de finalidade". Conclui que "não merece prosperar a alegação do r. relator de que a ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não podem ser analisados em sede de contencioso administrativo." Em abono a sua tese, cita doutrina, jurisprudência e artigos dos códigos civil e de defesa do consumidor brasileiros. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 6 9 V MULTA O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL Sobre este tópico o Recorrente registra que "Na decisão ora recorrida, alega o r. relator que o acessório não segue o principal", mas que "há uma regra milenar que diz que o acessório segue o principal. Logo, a alegação supracitada não merece prosperar." Em apoio a esse argumento aduz que "Nosso Código Civil, estabelece: 'Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.' 'Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal'." Conclui afirmando que "É sabido e surrado que 'A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias' (art. 110 do CTN)." É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso, obedecendo a mesma ordem temática apresentada pelo Recorrente. I DO EMBASAMENTO LEGAL DA MULTA Neste tópico, o Recorrente afirma que não pode ser apenado com multa porque o FCONT foi entregue sem movimentação e que não há ajustes a serem efetuados, eis que a finalidade do FCONT é expurgar da escrituração comercial determinados lançamentos para o fim de remover os reflexos das alterações introduzidas pela lei n° 11.638/2007 e pelos artigos 37 e 38 da lei n° 11.941/2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil para apuração do lucro liquido do exercício. Analisandose a legislação de regência, constato que os critérios de obrigatoriedade de entrega do FCONT estão previstos no artigo 8º da IN RFB nº 949/2009: Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. Fl. 68DF CARF MF 10 § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. A IN RFB nº 1.139/2011 alterou o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009, estabelecendo a obrigatoriedade de entrega do FCONT mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Confirase: Art. 8º (...) § 1º (...) (...) § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos acima e a teor do que dispõe o inciso I do artigo 103 do CTN1, combinado com o inciso I do artigo 100 do mesmo código2, depreendese que, a 1 Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; II as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias após a data da sua publicação; III os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista. 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 7 11 partir de 29/03/2011, data da publicação da IN RFB nº 1.139/2011 de 2011 no DOU, a elaboração do FCONT tornouse obrigatória mesmo aos contribuintes que não tinham lançamento com base em métodos e critérios diferentes dos prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. Tendo em conta que a IN RFB nº 1.139/2011 entrou em vigor em 29/03/2011 e que o prazo para entrega da FCONT que gerou o lançamento da multa questionada expirou em 30/11/2011(efls. 24), por óbvio, podese afirmar que o Recorrente estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória ainda que não fossem necessários os ajustes de que trata o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Esse entendimento decorre da inteligência do princípio tempus regit actum, pelo que compreendese que a validade imediata da alteração normativa após a data de sua publicação alcança também o períodobase objeto da autuação com vencimento em 30/11/2011. Ainda que assim não fosse, a entrega espontânea do FCONT do exercício de 2010 pelo Recorrente leva à presunção de que estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória por existência de lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Nessa perspectiva, se o Recorrente vislumbra infirmar o lançamento e elidir a cobrança da multa fiscal por entender que estava desobrigado da entrega do FCONT no exercício de 2010, caberia provar que não existiu na escrituração contábil/fiscal correspondente qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles aplicáveis para fins tributários, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, juntando aos autos os documentos comprobatórios pertinentes, tais como Balanço patrimonial acompanhado da Demonstração do Resultado do Exercício DRE, cópia da DIPJ ou declaração de escrituração contábil digital SPED/ECD do períodobase da autuação, donde se pudesse inferir, de forma inequívoca, a desnecessidade de elaboração do FCONT de acordo com a legislação de regência. Considerando todo o exposto e ante a ausência de comprovação nos autos da inexistência de ajustes do FCONT na forma preconizada pela legislação de regência, entendo que não há motivos de fato e de direito que justifiquem a dispensa de elaboração do FCONT do períodobase da autuação e o cancelamento da multa respectiva. II DA APLICABILIDADE DA NOVA LEGISLAÇÃO EXCLUINDO TODAS AS PENALIDADES PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Com relação ao tema, o Recorrente afirma que a MP n° 497/2010, convertida na lei nº 12.350/2010, trouxe alteração radical no instituto da Denúncia espontânea, ao alterar o artigo 102 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e que a própria RFB "regulamentou" o assunto no artigo 472 da IN RFB n° 971/2009. O DecretoLei nº 37/1966 e a IN RFB n° 971/2009 tratam, respectivamente, de imposto de importação e de normas gerais de tributação previdenciária, não guardando nexo Fl. 70DF CARF MF 12 com a presente autuação, que referese à multa por descumprimento de obrigação tributária acessória autônoma. Portanto, a previsão de aplicação do instituto da Denúncia Espontânea previsto naqueles diplomas normativos restringemse aos tributos neles previstos, não sendo permitido ao intérprete conferir interpretação ultra legem àqueles dispositivos para o efeito de ampliar seu alcance e afastar exações tributárias de natureza diversa. Dentro dessa perspectiva, entendo que a questão da Denúncia espontânea foi fundamentadamente afastada pela decisão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos, desde já, como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: " (...) A seguir, ela afirma que a Medida Provisória (MP) 497, de 2010, haveria trazido uma “alteração radical” ao “instituto da denúncia espontânea”. Quanto a isto, cabe, inicialmente, recordar que esta MP alterou artigos do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, que se aplica à tributação do comércio exterior e, mais particularmente, ao imposto de importação. Por conseguinte, tratase de seara alheia à matéria ora enfocada. Porém, o cerne da questão encontrase no fato de que a denúncia espontânea em matéria tributária foi assim delineada pelo CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional pelo Ato Complementar nº 36, de 13 de março de 1967: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Isto posto, salta aos olhos que, no caso vertente, inexistem quer a denúncia, quer a espontaneidade. A infração foi cometida pelo atraso na transmissão do FCONT, nos moldes do artigo 2º da IN RFB nº 967, de 2009, e, por óbvio, não se pode considerar que cometer uma infração seja o mesmo que noticiála ao Fisco federal. E, além disso, a exigência da multa foi realizada imediata e automaticamente, fazendo parte da própria recepção do mencionado Formulário pelos sistemas eletrônicos de processamento de dados da RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, o procedimento administrativo de cobrança já teve início, afastando completamente a hipótese da aplicação ao caso vertente do instituto da denúncia espontânea. (...)" Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 8 13 Não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto aos fundamentos legais apresentados que legitimam a cobrança da multa em questão, reforçandose que a matéria discutida nos autos já foi objeto da Súmula nº 49 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aduzo que a jurisprudência do STJ também é assente no sentido de que a denúncia espontânea não alberga o descumprimento de obrigação tributária acessória autônoma. Nesse sentido, confirase trecho do voto do o Exmo. Sr. Min. João Otávio de Noronha, relator do Voto condutor no Rec. Esp. n° 91.579 RJ (DJ 22/11/2004): O apelo merece prosperar, uma vez que a tese defendida no recurso especial encontra amparo na jurisprudência desta Corte sobre o tema. Com efeito, é pacífico o entendimento deste STJ no sentido da legalidade da exigência da multa moratória em virtude de atraso na entrega da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF), visto que o instituto da denúncia espontânea, consagrado no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alberga a prática de ato puramente formal, mas relacionase exclusivamente à natureza tributária de determinada exação, tendo vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquela vinculadas. Ocorre que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF é responsabilidade acessória autônoma, sendo norma de conduta do contribuinte, necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, não se confundindo com o nãopagamento do tributo nem com as multas decorrentes de tal procedimento, uma vez que não tem relação alguma com o fato gerador do tributo, não estando, por conseguinte, alcançada pelo art. 138 do CTN. Desse modo, este STJ tem entendido que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa aplicada para punir infração de norma de conduta do contribuinte, em razão de atraso na entrega da DCTF, porquanto essa penalidade não está vinculada ao fato gerador da exação tributária. Nesse sentido, confiramse os seguintes precedentes desta Corte: «TRIBUTÁRIO. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. É assente no STJ que a entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. As responsabilidades acessórias autônomas, Fl. 72DF CARF MF 14 sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 2. É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído. 3. A entrega da DCTF fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso 4. Agravo regimental desprovido» (Primeira Turma, AgRg no Ag n. 490.441/PR, relator Ministro Luiz Fux, DJ de 21/6/2004). «TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES. 1. Não cuidando o caso de homologação tácita, não há se falar na ocorrência da decadência (art. 150, § 4º, do CTN). O prazo prescricional incide conforme o disposto no art. 174, do CTN, id est, no qüinqüênio posterior à constituição do crédito tributário, o qual, na presente demanda, iniciase a partir do momento da efetivação da declaração por meio da entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. A entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 3. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 4. Recurso não provido» (Primeira Turma, REsp n. 572.424/PR, relator Ministro José Delgado, DJ de 15/3/2004). «TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE RENDA. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. CONDENAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 512 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 211 DO STJ. I A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código de Processo Civil. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 9 15 II Ademais, 'a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um' (REsp 243.241/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 21/08/2000). III A ausência de prequestionamento da matéria versada no recurso especial, embora opostos embargos declaratórios, impede a admissibilidade daquele, quanto a alegada ofensa ao art. 512 do CPC, a teor da Súmula 211 do STJ. IV Agravo regimental improvido» (Primeira Turma, AgRg no Ag n. 502.772/MG, relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 22/3/2004). «TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O atraso na declaração de rendas constitui infração de natureza formal e não está alcançada como conseqüência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do Código Tributário Nacional. Precedentes. 2. Recurso especial provido» (Segunda Turma, REsp n. 363.451/PR, relator Ministro Castro Meira, DJ de 15/12/2003). Pelo exposto, concluo não assistir razão ao Recorrente quanto ao tema recorrido. III BIS IN IDEM DA INFRAÇÃO CONTINUADA Acerca deste tema o Recorrente registra que "houve a indevida aplicação de 11 (onze) multas para infrações da mesma origem e natureza, praticadas nas mesmas condições, apuradas em uma única apuração fiscal" e que "Neste sentido, deve ser aplicada no caso em tela uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada." Para enfrentar a controvérsia, trago a baila os dispositivos legais e normativos que consubstanciaram a presente autuação: Lei n. 9.779/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória n. 2.15835/2001 Fl. 74DF CARF MF 16 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF n. 967/2009 Art. 2º O prazo de entrega dos dados a que se refere o art. 1º será o mesmo prazo fixado para apresentação da DIPJ, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, a ser disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >. § 1º (...) § 4º Excepcionalmente para dados relativos ao ano calendário de 2010, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2011. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1164, de 13 de junho de 2011) Observase que o art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário e que o § 4º da Instrução Normativa/SRF n. 967/2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.164/2011, fixou a data de 30/11/2011 para entrega da FCONT do exercício de 2010. Tendo em conta a literalidade dos dispositivos citados e o fato de que o contribuinte entregou o FCONT em 30/10/2012 (efls. 24) não resta dúvida de que o atraso no cumprimento da obrigação tributária acessória perfez um total de 11 meses. Sendo assim, correta a autuação da multa no valor de R$ 55.000,00 constante da notificação de lançamento original de efls. 24, o qual foi devidamente reduzido para R$ 16.500,00 no acórdão de impugnação, ante a constatação de ocorrência do princípio da retroatividade benigna insculpido no artigo 106 do CTN. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13603.723770/201229 Acórdão n.º 1002000.242 S1C0T2 Fl. 10 17 Não prospera, portanto, o argumento levantado pelo Recorrente respeitante à redução da multa por infração continuada, mesmo porque este conceito originário do direito penal só tem aplicação no direito tributário quando existente previsão legal nesse sentido, o que não é o caso da presente autuação. IV MULTA PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Sobre a questão em epígrafe, observo que a decisão de 1a instância que deixou de examinar as argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade apresentados pelo Recorrente não merece qualquer reparo, eis que está em consonância com a jurisprudência deste CARF, consubstanciada na súmula nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de ilegalidade ou constitucionalidade de leis tributárias, razão pela qual nego provimento à questão levantada pelo Recorrente. V MULTA O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL Por fim, também não prospera o argumento do Recorrente de que a multa pelo atraso na entrega do FCONT seria acessória de uma obrigação principal inexistente e que, por isso, seria igualmente inexistente. Isso porque, como visto nos tópicos I e II deste Voto, a multa pelo descumprimento da indigitada obrigação tributária acessória é autônoma e prevista em lei. Além disso, possui natureza objetiva, o que significa dizer que o caráter punitivo da reprimenda quedase alheia às circunstâncias materiais referidas pelo Recorrente ou à caracterização de dolo na prática da infração, eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por todo o exposto, considero hígido o lançamento da multa guerreada, razão pela qual, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 76DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002055/2001-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES.
Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS.
Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99.
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4ºdo art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.063
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos efetuadas junto a cooperativas. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso,
Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López que proviam o recurso em maior extensão, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoa física e a correção pela taxa SELIC.
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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ementa_s : INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4ºdo art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal. Recurso provido em parte.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13811.002055/2001-41 Recurso n° 141.011 Voluntário Acórdão n° 2101-00.063 — 1' Câmara! 1' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria IPI CREDITO PRESUMIDO Recorrente GRANOL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida DRJ em Ribeirão Preto ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 1P1. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições do PIS e da Cofins. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.858-7/1999 e AD SRF n" 88/99. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4" do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de benefício fiscal. Recurso provido em parte. V)Ri Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos efetuadas junto a cooperativas. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López que proviam o recurso em maior CAZ Processo if 13811.002055/2001-41 S2-C1T1- Ateórclào o.° 2101-00.063 Fl. 321 extensão, para incluir na apuração do crédito presumido as aquisições de insumos de pessoa física e a corr- 7 . •ela taxa SELIC. ----N aar 4.1 • P e - O MARCOS CÂNDID IP P esidente . p..- , 4eARIA- CRISTINA IROZ& Cliklatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2" Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, SP. Por bem relatar os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados apv no valor de R$ [], referente ao 2" trimestre de 2000, com fundamentação na Lei n°9.363/96. [excluído] No despacho decisório de fls. 226/231, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP), deferiu parcialmente o pedido no valor de R$ [V, sendo glosada a parcela restante do beneficio fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não- contribuintes de PIS e COFINS, e indeferido o pedido de atualização monetária pela taxa SEL1C, posteriormente Yradicionado a este processo. As compensações, convertidas em Declarações de Compensação, com o advento da Lei n° 10.637, de 2002, art. 49, que alterara a redação da Lei n" 9.430. de 1996, art. 74, foram homologadas até o limite do valor deferido relativamente ao pleito de ressarcimento. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 244/268, alegando, em resumo, o seguinte: (11'- 2 Processo n° 13811.002055/2001-41 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 322 I. Conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n" 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presume-se a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; 2. Foi excluída da base de cálculo do incentivo, pela decisão recorrida, parcela referente aos insetmos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas com fundamento exclusivamente nas Instruções Normativos n°23 e 103, de 1997, sendo que, pela Lei n" 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão de tais aquisições, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; 3. O ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC." Apreciando as razões da inconformidade do contribuinte, a Turma Julgadora proferiu decisão, conforme ementa a seguir reproduzida: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - 1P1 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FISICAS E DE COOPERATIVAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, não-contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal Solicitação Indeferida." C"--- 3 Processo n° 13811.002055/200141 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.063 Fl. 323 Cientificada da decisão em 25/04/2007 a empresa apresentou em 18/05/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, referente à glosa das aquisições de pessoas fisicas e cooperativas, bem como a atualização monetária do valor a ressarcir com juros de mora com base na taxa selic. É o relatório. Voto Conselheiro MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, apurado sobre as aquisições efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas. O período de aquisição está compreendido entre janeiro e março de 1991. Em relação a essas matérias a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu diferentemente no que diz respeito às aquisições efetuadas de cooperativas. De fato, dos fundamentos do Recurso Especial à CSRF n° 203-131.359 constam as duas matérias solucionadas nos seguintes termos, que adoto: "Relativamente à possibilidade de incluir-se ou não, na base de cálculo do crédito presumido, os valores correspondentes às aquisições de insumos efetuadas perante pessoas que não são contribuintes do Pis/Pasep/Cofins, assim dispõe a Lei n= 9.363/96: Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Páç".. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art. 30 Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de (f2- 4 Processo n° 138 I 1.002055/2001-41 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 324 embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a ineidéncia das contribuições referidas no art. I o. tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (grifei) Ao utilizar-se no art. 12 da expressão "..incidentes sobre as respectivas aquisições"..., o legislador estabeleceu que o cálculo do beneficio só poderia levar em conta insumos que sofreram a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins na etapa anterior. Isto é confirmado pela expressão "...referidos no artigo anterior...", presente no are. 22. Ou seja, somente integram a base de cálculo do crédito presumido os insurnos aplicados em produtos exportados que, ao ingressarem no estabelecimento produtor, sofreram a incidência das contribuições na operação que deu origem à entrada. Colocando a pá de cal sobre qualquer dúvida a respeito, a parte final do art. 32 da lei estabelece, com todas as letras, que para os efeitos de cálculo do crédito presumido (..para os efeitos desta Lei..), a apuração será feita considerando as normas que regem as contribuições que estão sendo ressarcidas, "...tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor...". Dessa forma, para que haja o ressarcimento é necessário que os insumos tenham sofrido a incidência das contribuições em etapas anteriores da cadeia produtiva. Para que isso ocorra é necessário que os fornecedores dos insumos empregados na industrialização dos produtos exportados sejam contribuintes do PIS e da Cofins. O argumento de que a lei estabeleceu uma alíquota média presumida correspondente a duas operações não tem o menor fundamento jurídico. O que se presume não é a incidência das contribuições em operações anteriores e nem que tal incidência ocorreu num número "x" de operações, unia vez que a alíquota está fixada na lei e os três artigos citados deixaram claro que o ressarcimento se refere às duas operações imediatamente anteriores. O que se presume não é a incidência anterior do PIS/Pasep/Cofins, mas sim que o valor final do incentivo é um crédito de IPL Ressalte-se que esta interpretação está implícita no item 4.6 do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n2 139, de 22 de abril de 1996, que assim se expressa: "O valor das matérias-primas adquiridas diretamente de pessoas físicas que não são contribuintes da COFINS e PISTPASEP não compõe a base de cálculo do crédito presumido, com relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, pois nesse caso não há o que ressarcir". Além disso, a Instrução Normativa - SRF n2 23 de 13/03/1997, que regulamentou o Cálculo e a Utilização do Crédito Presumido instituído pela Lei n2 9.363/1996, no seu art. 22 22. dispõe que: Cc- 5 Processo n° 13811.002055/2001-41 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 32$ "Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 2 " - O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS".(grifei) Releva notar que esses atos administrativos apenas explicitaram o que já se continha na lei, tendo em vista que as contribuições sociais - P1S/Pasep/Cofins incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. O mesmo raciocínio não mais se aplica às aquisições efetuadas de cooperativas. A Medida Provisória n°1.856-6, de 29/06/1999 revogou o inciso 1 do art. 6" da Lei Complementar n" 70/1991, que tratava da isenção das "sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades". O Ato Declaratório SRF n" 88, de 17/11/1999 declarou que "as contribuições para o P1S/Pasep e para financiamento da seguridade social — Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n" 1.858-7, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de I999.". Ou seja, a partir de novembro de 1999 as sociedades cooperativas deixaram de ser isentas da Cofins e pagam o PIS sobre o faturamento, com as exclusões determinadas para as pessoas jurídicas em geral, além das específicas. O crédito presumido de IPI constante dos autos referem-se ao período aquisitivo compreendido entre janeiro e março de 2001, portanto, devem ser incluídos na base de cálculo os valores das aquisições efetuadas das cooperativas." No caso destes autos o período aquisitivo está compreendido entre abril e junho de 2001. O argumento relativo às cooperativas perdeu suporte legal depois da criação da sistemática da Cotins e do PIS não cumulativos. Isso porque, também as empresas em geral, excluídas as exceções legais, passaram a apurar essas contribuições excluindo diversos valores da base de cálculo. Ora, a norma referente às cooperativas, citada na decisão recorrida e acima reproduzida reporta-se à exclusão de "valores" repassados aos cooperados e não à "receita" decorrente das vendas dos produtos (valores repassados aos associados, decorrentes da 6 Processo n° 13811.002055/2001-41 52-CIT I Acórdão n.° 2101-00.063 Fl. 326 comercialização de produto por eles entregue à cooperativa). Portanto, verifica-se que não é a receita da venda dos produtos por eles entregues à cooperativa que será objeto de exclusão da base de cálculo. Isso significa que valores restam da referida venda que são tributados pelas contribuições. Sendo as cooperativas contribuintes dessas exações, as aquisições efetuadas pelo exportador se incluem entre as que são passíveis de compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Assim como na sistemática da Cotins e do PIS não cumulativo não se busca identificar quais produtos foram tributados pelas contribuições e quais estariam isentos ou não tributados para considerá-los ou afastá-los da base de cálculo do referido crédito, também em relação às cooperativas, por isonomia, deve-se ter o mesmo entendimento. Quanto à incidência de juros de mora, entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4" do art. 39 da Lei n° 9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O principio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 40, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. >ig...E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir ao tributo calculado de forma presumida. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais CA.--- 7 Processo e 13811.002055/2001-41 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.063 Fl. 327 .. superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 30 da Lei n° 9.430/96. A segunda não tem qualquer previsão ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por dar provimento parcial para incluir na apuração da base de cálculo do crédito presumido as aquisições efetuadas de cooperativas. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. A ARI; CRISTINA. ROZSA OS A 8 Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.727104/2009-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-007.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 71 04 /2 00 9- 81 Fl. 265DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global (Auto de Infração de fls. 2 a 11). Em sessão plenária de 19/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280201.652 (fls. 132 a 140), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. As verbas percebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza remuneratória e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10580.727104/200981 Acórdão n.º 9202007.238 CSRFT2 Fl. 266 3 "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos para REJEITAR a preliminar suscitada e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$ 34.459,19 (trinta e quatro mil, quatrocentos e cinqüenta e nove reais e dezenove centavos) em cada anocalendário e a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator." O processo foi enviado à PGFN, que não interpôs Recurso Especial (fls. 142). Cientificada do acórdão em 14/02/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. fls. 239), a Contribuinte interpôs, em 26/02/2014 (protocolo de fls. 147), o Recurso Especial de fls. 147 a 170, com fundamento no art. 64 e seguintes, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria “URV – parcelas de natureza indenizatória", conforme despacho de 04/09/2015 (fls. 242 a 247), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de fls. 248/249. Relativamente à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: a origem dos pagamentos da Lei Estadual n° 8.730, de 2003, e da Lei Complementar n° 20, de 2003, foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus Servidores Públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV; a decisão recorrida contradiz o quanto já foi decidido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, que já analisou idêntico assunto ao aqui discutido, tendo concluído pelo caráter indenizatório da parcela recebida a título de URV (processo n° 10580.726058/20090, que originou o Acórdão n° 210201.746); por fim, cumpre destacar as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia: "(...) Embora se trate de matéria controvertida, o exame das circunstâncias e do contexto vigorante à época da edição das leis estaduais mostra existirem elementos para considerar que o abono variável previsto na Lei Federal englobou a parcela correspondente à diferença de URV resultante da lei n. 8.880/94. Na medida em que o Supremo Tribunal Federal emitiu pronunciamento afirmando a natureza jurídica da verba, inclusive à vista de precedentes do próprio Tribunal, é no mínimo razoável entender que a verba contemplada nas leis estaduais comunga da mesma natureza jurídica daquela prevista pela lei federal." Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, para que se reconheça a improcedência do lançamento, em razão da natureza indenizatória da parcela em exame. Fl. 267DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado à PGFN em 28/06/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 256) e, em 08/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 264), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 257 a 263, contendo os seguintes argumentos: o abono variável foi instituído inicialmente para os membros da Magistratura Federal, nos termos da Lei nº 9.655, de 1998, alterada pela Lei 10.474, de 2002; em 27/07/2002, foi editada a Lei nº 10.477, que, dispondo sobre a remuneração do Ministério Público da União, estendeu o abono variável concedido aos membros da Magistratura Federal, bem como a forma de cálculo e pagamento, aos membros do Ministério Público da União; em 12/12/2002, o Presidente do Supremo Tribunal Federal editou a Resolução nº 245, que previu que o abono variável possui natureza indenizatória; na mesma linha do quanto decidido administrativamente pelo Supremo Tribunal Federal, o ProcuradorGeral da República em 23/12/2002, emitiu despacho estendendo a interpretação contida na Resolução nº 245, de 2002, ao abono variável concedido aos membros do Ministério Público da União; após essa sequência de leis e despachos, vieram dois Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (Parecer 529/2003 e 923/2003) que reconheceram a não incidência tributária sobre o abono variável percebido pelos membros da Magistratura e Ministério Público Federal; ocorre que o contribuinte não integra o quadro de nenhuma das duas carreiras e os referidos pareceres reconheceram a não incidência tributária apenas aos membros da Magistratura e Ministério Público Federal, conforme os estritos limites traçados pela Resolução 245 do Supremo Tribunal Federal; não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia; a pretensão do contribuinte implica evidente ofensa ao artigo 150, da Constituição Federal, e artigos 97 e 111, do Código Tributário Nacional; com efeito, nenhuma das leis que dispõem sobre o tema ora tratado (Leis 9.655, de 1998, 10.474, de 2002, e 10.477, de 2002) exime a tributação de imposto de renda sobre a parcela discutida; tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo, não havendo nenhuma norma sobre a tributação; ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; cumpre registrar que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária, sobretudo se considerado o artigo 3º, da Lei 7.713, de 1988; o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10580.727104/200981 Acórdão n.º 9202007.238 CSRFT2 Fl. 267 5 ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título; no caso concreto constatase que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos pelo contribuinte em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, que em seu art. 3º dispõe sobre diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, portanto não há dúvida de que o abono deve se sujeitar à incidência do IRPF. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e, na parte em que teve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 269DF CARF MF 6 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10580.727104/200981 Acórdão n.º 9202007.238 CSRFT2 Fl. 268 7 resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. Fl. 271DF CARF MF 8 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de inúmeros julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dentre os quais o Acórdão nº 9202 004.464, de 28/09/2016, que reformou o Acórdão nº 210201.746, indicado pela Contribuinte como paradigma, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação." Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10580.727104/200981 Acórdão n.º 9202007.238 CSRFT2 Fl. 269 9 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903722/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITOS DE PIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 22 /2 01 2- 14 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10280.903722/201214 Acórdão n.º 3301004.954 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.903722/201214 Acórdão n.º 3301004.954 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.122. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.903722/201214 Acórdão n.º 3301004.954 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003665/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ E REFLEXOS ANO-CALENDÁRIO 2002.
RECURSO PEREMPTO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Numero da decisão: 1302-000.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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RECURSO PEREMPTO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por ser intempestivo (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Relator. EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1289DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Relatório Tratase de lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 9.962.563,25 (nove milhões, novecentos e sessenta e dois mil, quinhentos e sessenta e três reais e vinte e cinco centavos), constituídos por meio dos Autos de Infrações de fls. 07 a 41, referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário: 2002. O lançamento foi efetuado em face de constatação pela fiscalização da omissão de receitas apurada com base em Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, ensejando a cobrança de diferenças de IRPJ, aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa (IRPJ e CSLL) e cobrança das diferenças das contribuições sociais: CSLL, Pis e Cofins (apuração reflexa). Cientificada do lançamento em 16/05/2007, a fiscalizada impugnou as exigências em 13/06/2007, alegando em síntese: a) que a quebra do seu sigilo bancário realizada no curso do Processo Administrativo Fiscal por exclusiva atuação da Receita Federal, sem intervenção do Poder Judiciário é ilegítima; b) que no presente caso não se encontra aparente sequer a requisição das informações bancárias por parte da Receita Federal, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado, requerendo a nulidade do auto de infração, pois fundamentada em prova ilícita; c) que o contribuinte tem direito ao “pleno e efetivo conhecimento das infrações cometidas, a descrição detalhada dos fatos geradores, a demonstração detalhada dos cálculos de apuração dos créditos fiscais, bem como o fundamento jurídico do ato administrativo, hão de ser expressamente formalizados no Auto de Infração, no momento de sua lavratura, sob pena de nulidade”; d) quando se trata da tributação sobre a renda, o que se tributa é a parcela correspondente ao acréscimo patrimonial, ou seja, o lucro real, o qual, em sua apuração, devem ser considerados os custos, as despesas operacionais e as provisões dedutíveis, em contrapartida à receita líquida apurada, sendo que a CSLL tem a mesma natureza, uma vez que provém do lucro; e que “ao tentar cobrar o Imposto de Renda ou a Contribuição Social sobre parcela que não significa acréscimo patrimonial a Receita Federal acaba por desfigurar a base de cálculo dessas exações”; e) que a “multa exigida isoladamente, prevista no art. 44, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.432/96 temse que foi definitivamente cancelada pela MP n° 351/2007, pelo que, em respeito ao artigo 106, II do CTN, requer seja aplicada retroativamente ao caso concreto”, julgandoa improcedente; f) No tocante aos demais autos de infração, observase que as razões de defesa são idênticas àquelas do auto relativo ao IRPJ, ressaltandose Fl. 1290DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.003665/200720 Acórdão n.º 1302000.768 S1C3T2 Fl. 1.290 3 que nas defesas relativas à Cofins e ao PIS, a impugnação limitase a argüir a nulidade da prova, inclusive pela apontada ausência de autorização judicial para a quebra do sigilo bancário pela Fiscalização. Ao final requer que seja declarada a improcedência dos Autos de Infração lavrados. A Primeira Turma da DRJ–Salvador julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 1515.673 de 14 de maio de 2008 (fls. 394/412), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVA DA INFRAÇÃO. ILICITUDE. DEVER DE SIGILO. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. Descabe a alegação de ilicitude da prova da infração obtida pelo exame dos extratos bancários do contribuinte, uma vez que não constitui violação ao dever de sigilo o exame das informações bancárias dos correntistas pelas autoridades e os agentes fiscais tributários da União, se o procedimento fiscal estava em curso e os exames foram considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DIREITO DE DEFESA. Incabível a pretensão de nulidade do Auto de Infração, se na descrição dos fatos constam todos os elementos que deram causa ao lançamento, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos de forma a permitir o exercício pleno do direito de defesa, em consonância com a legislação que rege a matéria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 1291DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Contribuição para o PIS Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS IRPJ. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. DECORRÊNCIA. Em se tratando dos mesmos pressupostos fáticos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, “mutatis mutantis”, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para a Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, em decorrência da relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente. A contribuinte autuada, ora recorrente, foi cientificada do acórdão em 21/07/2008 (fls. 417), tendo interposto o presente recurso voluntário em 21/08/2008 (fls. 420/435). Em síntese a recorrente alega: a) que o lançamento relativo ao Pis e a Cofins não poderia ter sido efetuado em relação aos fatos geradores mensais de janeiro a abril de 2002, em face de já ter decorrido o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN quando da autuação; b) que a autoridade fiscal indicou omissão receita operacional tributável pelo IRPJ, “presumindo esta suposta situação irregular em virtude da existência de valores creditados em contas bancárias mantidas em instituições financeiras pela Recorrente”, tendo se limitado “a indicar a existência de valores em contas bancárias, titularizadas pelo Recorrente, carreando aos autos extratos bancários incompletos, constando apenas as rubricas de crédito, sem indicar a existência ou ausência de rubricas negativas nas mesmas contas”, e que não indicou “a natureza da suposta receita omitida, não declinando sequer sua possível origem, tampouco correlacionandoa a operações efetuadas pelo autuado. Desta forma, ao Recorrente não foi possibilitado saber qual o motivo jurídico que levou o AFRFB a efetuar o lançamento do crédito tributário em apreço, se decorrente de ganho de capital, se oriundo de venda de mercadorias ou prestação de serviços, levando à vedação do exercício do direito de defesa pelo contribuinte, lesando gravemente o direitogarantia constitucional do devido processo legal, impondose claramente a nulidade da autuação” por não permitirem o pleno exercício do direito de defesa do sujeito passivo; c) que “a mera existência de depósitos em contas bancárias não são (sic) sinais exteriores de riqueza, logo, inidôneos a embasar o lançamento direto do crédito tributário em apreço; são apenas meros indícios que não desincubem a Fazenda Pública de apurar e provar a disponibilidade económica ou jurídica de renda” e, portanto a “omissão de receita não foi devidamente delimitada pelo AFRFB, conferindo vício de legalidade absoluto à autuação, tornadoa (sic) nula”; Fl. 1292DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.003665/200720 Acórdão n.º 1302000.768 S1C3T2 Fl. 1.291 5 d) que a descrição da infração é por demais lacunosa, “impondose sua nulidade pela vedação do exercício da garantia constitucional do devido processo legal pelo autuado, impedindo a contradita da autuação e o uso dos meios necessários à sua ampla defesa”; e) que no presente caso “existe verdadeira dúvida quanto à natureza e circunstâncias materiais do fato e, não obstante, no que tange à gradação da penalidade aplicável, remetendo a autuação à aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional que prescreve a interpretação mais favorável ao acusado diante da existência de dúvidas como as declinadas”; Ao final requer que seja julgado nulo o Auto de infração “visto que se demonstrou à saciedade resultar em cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, na forma do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72” e caso não seja acolhida a alegação, propugna pela improcedência do auto de infração, “eis que não se poderá tributar a mera existência de valores em contas bancárias, mas a eventual existência de aquisição de disponibilidade de renda”. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Em obediência ao art. 35 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, regulador do Processo Administrativo Fiscal, passo ao exame da tempestividade do recurso voluntário apresentado. Em relação à intimação, o art. 23 do citado decreto assim preceitua: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 1293DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) (grifei) A contagem dos prazos deve respeitar o disposto no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Já o prazo para interposição do recurso voluntário é regido pelo artigo 33 do diploma processual já mencionado, nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso o sujeito passivo, ora recorrente, foi intimado da decisão de primeira instância, proferida pela DRJSalvador, em 21/07/2008 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento PostalAR (fls. 417) tendo interposto o recurso voluntário no dia 21/08/2011 – Quinta Feira (fls. 420). De acordo com a regra do art. 5° do citado decreto, o último dia do prazo para interposição do recurso foi 20/08/2008. Portanto, o recurso voluntário só foi interposto no 31º dia após a ciência da decisão. Ante ao exposto, deixo de conhecer o recurso, por intempestivo. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1294DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13808.000448/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996
Decadência. Base de cálculo negativa de CSLL.
O prazo decadencial tem seu início no momento em que o contribuinte utiliza o saldo negativo para alterar a base de cálculo da CSLL, não havendo óbice temporal para o fisco verificar a origem deste saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-00.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 311 1 310 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000448/200250 Recurso nº 865.550 Voluntário Acórdão nº 130200.690 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria CSLL Recorrente HELFONT PRODUTOS ELÉTRICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 Decadência. Base de cálculo negativa de CSLL. O prazo decadencial tem seu início no momento em que o contribuinte utiliza o saldo negativo para alterar a base de cálculo da CSLL, não havendo óbice temporal para o fisco verificar a origem deste saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 336DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 312 2 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, procedeuse a lavratura de Auto de Infração, que teve por finalidade a redução do saldo da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, declarado em 31/12/1996. A tal fato se limitou a exigência. 02. Segundo o descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 100/103), as irregularidades que motivaram mencionada determinação consistiram em, verbis: “(....................) I.a. NO LALUR, EM 31/12/1996, O SALDO DA BASE NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, É COMPOSTO, PARTE POR PARCELA TRANSFERIDA, INDEVIDAMENTE, DO LALUR DA INCORPORADA (CONDUPLAST....) I – DOS FATOS A empresa fiscalizada no anocalendário de 1996, exercício financeiro 1997, apresentou sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIRPJ, pelo regime de tributação pelo LUCRO REAL, apuração Anual. Pelo exposto a seguir, concluímos pela redução da base de cálculo negativa da CSL – de R$ 7.197.870,00, registrado no LALUR, em 31/12/1996, para R$ 3.619.314,00 apurado nesta fiscalização. Com efeito, analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, solicitada no decorrer dos trabalhos fiscais, constatamos que o valor da base negativa da contribuição social registrado no LALUR, em 31/12/1996, está incorreto, “exvi” o estabelecido no artigo 514 do RIR/99 (matrizDecretolei nº 2.341/87, art. 33) e artigo 57 da Lei nº 8.981/95, ou seja, à pessoa jurídica sucessora é vedada a compensação de base negativa da CSL, de períodosbase anteriores, apurada na sucedida. Segundo essa documentação (Protocolo de Incorporação e Ata da Assembléia Geral Extraordinária, respectivamente, de 28/01/1994 e 31/01/1994, tendo como database da avaliação 31/15/1993), cópia anexa, o contribuinte incorporou a empresa CONDUPLAST INDÚSTRIA DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA. – CGFC 61.186.458/000171. Transferindo, assim, para o seu LALUR – PARTE “B”, cópia anexa, em 31/12/1993, a parcela de CR$ 442.424.870 referente ao valor da base de cálculo negativa da CSL dessa incorporada, perfazendo o total de CR$ 1.098.162,48 (655.737.178 + 442.424.870), que corrigido monetariamente em 31/01/1994 resultou em base negativa de períodos anteriores no valor de CR$ 1.524.862.547,00, contra CR$ 910.565.606,00 que seria o correto, ou seja, considerando se somente o valor da base negativa da CSL do próprio estabelecimento. Ainda, em 31/01/1994, procedido os ajustes (adições e exclusões) o contribuinte apurou, por conseqüência, a base de cálculo da contribuição social após a compensação (base negativa), a importância de CR$ 1.909.993.444, quando o correto seria o valor de CR$ 1.295.696.503. Essa diferença, portanto, veio refletirse no anocalendário de 1996, onde o saldo da base negativa da CSL registrado no LALUR do contribuinte é de R$ 7.197.870,00, contra R$ 3.619.314,00 apurado na presente fiscalização, conforme o demonstrativo de recomposição da base de cálculo negativa e registro no sistema da SRF (SAPLI), em anexo. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 313 3 Por todo o exposto, deve ser procedida a redução da base negativa da contribuição social de R$ 7.197.870,00 para R$ 3.619.314,00, através da lavratura de Auto de Infração tendo como base de cálculo, a diferença, ora apurada, de R$ 3.578.556,00 (R$ 7.197.870,00 – R$ 3.619.314,00). Cumpre esclarecermos, que a diferença em termos percentuais entre o registrado a maior no LALUR em janeiro/1994 e o reflexo em dezembro/1996, correspondente, respectivamente, a 32,16% e 49,72%, distorção essa que atribuímos à apuração errônea da base negativa da CSL no LALUR no mês de março/1994 onde não foi considerado o total da base de cálculo da CSL compensável, resultante dos ajustes pelas adições e exclusões, no valor de CR$ 894.058.735,00 (considerado pelo contribuinte a parcela CR$ 57.476.842,00); e à apuração errônea do valor da base negativa da CSL corrigida, no calendário de 1995 (saldo em 31/12/1994 R$ 6.686.306,00 corrigido, em 31/12/1995, corresponde a R$ 8.188.050,00, e não R$ 8.464.009,00 informado na declaração), conforme demonstrativo de conferência da base de cálculo negativa da CSL, em anexo. II DO DIREITO A presente questão encontra amparo legal nos seguintes atos: A norma de apuração e pagamento da Contribuição Social encontrase estabelecida no artigo 57 da Lei nº 8.981, de 20/01/1955 (sic): (......................) O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, trata de tributação das pessoas jurídicas, nos casos de incorporação, fusão e cisão, conforme o estabelecido no artigo 514, a saber: (......................) Corroborando o entendimento sobre a matéria, ora em questão, encontrase decidido a nível de consulta a seguinte posição: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 11, DE 13 DE FEVEREIRO DE 2001 (DOU DE 24/04/2001) ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL “EMENTA: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA CINDIDA. COMPENSAÇÃO PELA SUCESSORA. IMPOSSIBILIDADE. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto das (sic) renda de pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao impedimento para compensação, pela sucessora, de base de cálculo negativa da CSLL períodosbase anteriores, apurada pela sucedida.” “Dispositivos legais: Lei nº 9981 (sic), de 1995, art. 57: MP nº 211327, de 2001, art. 22”. III – DO ENQUADRAMENTO LEGAL Lei nº 8.981/95, art. 57; art. 514 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26/03/1999. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 314 4 IV – DO VALOR TRIBUTÁVEL Valor tributável para efeito de redução da base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro; R$ 3.578.556,00 V – DA RETIFICAÇÃO DO LALUR De todo o exposto, fica o contribuinte INTIMADO a, no prazo de (sic) regulamentar de 30 (trinta) dias, retificar o LALUR conforme o apurado na presente ação fiscal. VI – DO ENCERRAMENTO (.........................)”. 02.01. Além dos dispositivos legais mencionados no “Termo de ......”, acima, consta, às fls. 107, que o contribuinte, face a seu procedimento, infringiu, também, o disposto no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988. 03. O contribuinte foi cientificado do teor da mencionada exigência em 22/03/2002 e, com a mesma não se conformando, em 16/04/2002, através de seus representantes legais (fls. 131 e 132), impugnoua (fls. 112/161), alegando, em síntese, que: 03.01. a exigência é destituída de qualquer amparo legal, devendo, portanto, ser julgada improcedente, conforme restará demonstrado; 03.02. preliminarmente, o fisco federal decaiu de seu direito de proceder à fiscalização de lançamentos contábeis/fiscais relativos aos períodosbase de 1994 e 1996; 03.02.01. com efeito, a base de cálculo negativa da CSLL, apurada em 31/12/96, foi reduzida, em razão de a Impugnante haver incorporado a empresa CONDUPLAST INDÚSTRIA DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., e ter acrescido àquela base de cálculo negativa, a apurada pela incorporada no anobase de 1994, ou seja, ambas as datas há mais de cinco anos da lavratura do Auto de Infração ora impugnado. E o conceito expresso pelo Código Tributário Nacional é no sentido de que a decadência sanciona a inércia do fisco.; 03.02.02. é o que fala o art. 173 do referido CTN, além de, por seu art. 150 determinar que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso típico da CSLL, tem a Fazenda Pública o dever de verificálos no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do respectivo fato gerador. Embasa seu entendimento em doutrina trazida; 03.02.03. e as contribuições sociais, caso da CSLL, são um exemplo típico de tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme, inclusive, vêm decidindo algumas das Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementas reproduzidas; 03.02.04. e, no caso presente, a fiscalização não exercitou de maneira tempestiva, a atividade homologatória das operações praticadas no períodobase de 1994. Sabendo que a incorporação da empresa CONDUPLAST ocorreu no anocalendário de 1993 e o aproveitamento da base de cálculo da Contribuição em questão se deu em janeiro de 1994, dispunha o Sr. Fiscal Federal dos 5 anos subseqüentes, ou seja, até janeiro/1999 para atestar a regularidade do procedimento adotado pela fiscalizada naquele período.; Fl. 339DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 315 5 03.02.04.01. além de que, por se sujeitar a CSLL ao lançamento por homologação, qualquer questionamento acerca do saldo da base de cálculo negativa da CSL apurada pela Supte. no anocalendário de 1996 também deveria ter ocorrido nos cinco anos subseqüentes aos lançamentos contábeis por ela efetuados, isto é, até 31.12.2001. Daí que tal procedimento foi homologado, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, extinguindose, conseqüentemente, qualquer exigibilidade dele decorrente. 03.03. Já quanto ao mérito – admitindose, como mera argumentação, que a preliminar não venha a ser acolhida – também não merece prosperar, pois não poderia a Fiscalização Federal reduzir o saldo da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela Supte. no anocalendário de 1996.; 03.03.01. foi a CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88 (alterada pela Lei nº 8.034/90), que por seus arts. 1º e 2º estabelecem que mencionada contribuição mantém total vinculação com a existência de lucro, apurado em obediência à legislação comercial, não havendo qualquer impedimento à compensação de prejuízos fiscais, até porque em existindo, conflitaria com tal legislação (art. 189 da Lei das SA). Em razão de tal respaldo, legislação posterior veio a propiciar, de maneira expressa, a compensação da base negativa da CSLL, apurada em períodos anteriores, nos mesmos moldes em que o fazia em relação aos prejuízos fiscais, para fins de apuração do IRPJ; 03.03.02. a Lei nº 8.981/95, por seu art. 58, veio a limitar a compensação da base de cálculo negativa da CSL em 30% do valor do lucro líquido auferido, de forma semelhante à compensação de prejuízos fiscais. Por sua vez o art. 57, do mencionado diploma faz alusão a regra já anteriormente consagrada, qual seja, de que aplicarseiam à CSLL as mesmas regras de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, inclusive no que se refere ao disposto no artigo 38, mantidas as bases de cálculo e alíquotas previstas na legislação vigente, com as alterações introduzidas por tal diploma legal; 03.03.02.01. com base, então, no referido diploma legal, poderseia concluir, tal como o fez o Sr. Agente Fiscal, que, como o art. 33 do DecretoLei nº 2341/87 veda a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcançaria a compensação de bases de cálculo negativas da CSL. Tal interpretação é incorreta, além de não encontrar amparo legal, vez que a compensação de bases de cálculo negativas não se enquadra entre as “normas de apuração” a que se refere o art. 57 da Lei nº 8.981/95; 03.03.02.02. fosse essa a pretensão do legislador, ao incluir a compensação dentre as “normas de apuração”, não teria, ao limitála a 30% do lucro líquido, estabelecido dispositivos distintos para o IRPJ e para a CSLL (arts. 42 e 58), distinção essa mantida por legislação posterior, em razão de que mencionados tributos possuem regras próprias de apuração e cálculo de sua base de cálculo. É o que diz doutrina reproduzida; 03.03.02.03. assim, em havendo regras legais expressas que permitiam a compensação da base de cálculo negativa da CSSL, independentemente de sua origem, no ano calendário de 1994, não é lícito à Fiscalização Federal estabelecer limites ao seu direito de aproveitamento da referida base negativa pelo fato de ter a mesma integrado o patrimônio da Supte. como decorrência de incorporação. Ao se apreciar a legislação em vigor no período fiscalizado, resulta que até o ano de 1999 não havia qualquer impedimento legal para que a sucessora compensasse a base negativa da CSLL da sucedida. Houvesse tal impedimento, deveria estar expresso na legislação em razão de que, nos exatos termos do que dispõe o art. 227 da Lei das S/A, a sucessora por incorporação sucede a incorporada “...em todos os direitos e obrigações”. Traz, por igual, doutrina; Fl. 340DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 316 6 03.03.02.04. dessa forma, como a legislação comercial deve ser observada para fins de apuração da base de cálculo da CSLL e, havendo previsão expressa por parte de tal legislação, de que a incorporadora sucede a incorporada em todos os direitos e obrigações, o impedimento de se compensar a base de cálculo negativa da CSL apurado pela incorporadora, nos períodos que antecederam a incorporação, deve ser regulado por lei de forma clara e precisa. Da mesma forma que o Decreto nº 2341/87 proibia a utilização de prejuízos fiscais da incorporada, por parte da incorporadora, idêntica determinação deveria haver em relação à compensação das base de cálculo negativas da CSLL; 03.03.02.04.01. assim, inexistindo tal disposição no período fiscalizado, à sucessora por incorporação era assegurado o direito de compensar a base de cálculo negativa da CSL da empresa incorporada, com valores vincendos da mesma Contribuição por ela apurados. E tal impedimento, de maneira expressa, somente veio a se dar com a edição (6ª) da MP nº 1858/99 (art. 20), fato este que confirma a tese de que a regra contida no transcrito art. 57 da Lei nº 8981/95 não poderia ser invocada para impedir o exercício do direito da incorporadora na sucessão, assegurado genericamente pelo art. 227 da Lei nº 6404/75 (Lei das S/A).; 03.03.02.04.02. assim, a restrição de que se valeu a Fiscalização Federal somente passou a integrar o nosso ordenamento jurídico, no que se refere especificamente à exação em questão, em julho de 1999, conforme ementa de Acórdão proferido pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que reproduz. 03.04. Restou, portanto, demonstrada e comprovada a ilegalidade da pretensão fiscal, razão pela qual a Supte. tem o direito de contabilizar em seu LALUR, no exercício de 1995 (períodobase 1994), e, de conseqüência, de o utilizar sem qualquer restrição, a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, apurada pela empresa incorporada e retratada em seus livros. Daí, por descabida a exigência, já que sem nenhum amparo legal, deve ser julgada de todo improcedente. A DRJ decidiu: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1996 PRELIMINAR. INCORPORAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ORIUNDA DA EMPRESA INCORPORADA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Pelo fato de o contribuinte (sucessora) haver adicionado à sua base de cálculo negativa da CSLL, o valor, ao mesmo título, oriundo de empresa incorporada, e dele, em seu interesse, vir a se utilizar no momento em que melhor lhe aprouver, não há que se falar na ocorrência de decadência do direito do fisco em constituir crédito tributário sobre o mencionado saldo, em razão do mesmo encontrarse disponível ao contribuinte para tal uso. Pelo fato de que o que vem a ser homologado pela autoridade administrativa é o procedimento do contribuinte, consistente no recolhimento do tributo e, dado ao fato de que tal recolhimento não ter ocorrido, a contagem do prazo decadencial deslocase daquele previsto pelo art. 150 do Código Tributário Nacional, para o estabelecido pelo art. 173, inciso I, do mesmo Código. Preliminar rejeitada. MÉRITO. INCORPORAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ADVINDA DA EMPRESA INCORPORADA. INEXISTÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL A DETERMINAR IMPEDIMENTO AO Fl. 341DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 317 7 PROCEDIMENTO DO CONTRIBUINTE. Em não havendo, à época da ocorrência dos fatos, expressa determinação legal no sentido de impedir que a empresa incorporadora pudesse vir a fazer uso da base de cálculo negativa da CSLL de empresa por ela incorporada, agregandoa ao seu próprio saldo, incorreta a exigência formulada a tal título, devendo, para tanto, vir a ser restaurado o valor da referida base de cálculo negativa. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INOCORRÊNCIA DE RECOLHIMENTO. NÃO CONSIDERAÇÃO NO LALUR. COMPENSAÇÃO. AJUSTES NO SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. Tendo restado saldo positivo da base de cálculo da CSLL, restaria o recolhimento do valor correspondente à CSLL devida. Não tendo ocorrido tal recolhimento e, como decorrência da compensação, de ofício, efetuada em relação ao saldo da base de cálculo negativa existente, há que se proceder ao devido ajuste no saldo da mesma no LALUR, de maneira a adequálo ao seu valor efetivo. Ciente do acórdão DRJ em 27/10/2009, a interessada apresentou recurso voluntário em 09/11/2009 Alega em sue recurso que o prazo decadencial a ser aplicado é o do art. 150 e não a do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional . Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Fl. 342DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 318 8 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A lide se restringe a matéria abaixo relatada pelo voto DRJ e a possibilidade de se efetuar a retificação da base negativa em função da alegada decadência: . Por outro lado, cumpre ressaltar que o “Termo de Verificação Fiscal” fala, às fls. 101, que, muito embora o contribuinte tenha informado em sua DIRPJ/95, Anexo 3, Quadro 05, relativa ao mês de março/1994 haver apurado base de cálculo (positiva) da CSLL, no importe de CR$ 894.058.735,00 (fls. 174) sem, no entanto, nada haver recolhido em razão de tal apuração; 09.01. apropriouse, entretanto, conforme escriturado no LALUR (fls. 91) da importância de CR$ 57.476.842,58 para fins de compensação da base de cálculo negativa, muito embora tal procedimento não tenha sido levado à DIRPJ/95. Ainda que tal apropriação tenha se dado de forma equivocada, restaria saldo da CSLL a ser tributado, fato este inocorrido, conforme pode ser observado às fls. 174; 09.02. tendo sido detectada a existência de saldo da base de cálculo negativa da CSLL, de forma a compensar o valor então apurado, o autuante, quando da realização da ação fiscal, procedeu a tal compensação (CR$ 894.058.735), conforme pode ser observado nas planilhas de fls. 95 e 96; 09.03. dessa maneira, ao proceder tal compensação, evidentemente o saldo de tal base de cálculo negativa reduziuse no corresponde àquele valor que, devidamente atualizado à 31/12/1996, equivale à diferença existente entre o valor levado à escrituração, pelo contribuinte, em seu LALUR e aquele apurado pela ação fiscal, ou seja, os valores contidos na planilha de fls. 95, onde expurgado o valor correspondente à base de cálculo negativa da CSLL advinda da empresa incorporada; 09.03.01. assim sendo, o valor do ajuste a ser efetuado pelo contribuinte em seu LALUR, em relação à base de cálculo negativa da CSLL existente em 31/12/1996, corresponde a R$ 1.598.026,00, ou seja, a diferença entre o valor levado à escrituração naquele livro fiscal (R$ 7.197.870,00) e o valor apurado pela ação fiscal (R$ 5.599.844,00), levandose em conta a compensação procedida por esta última e não considerada, quando da referida escrituração, por parte da interessada. 10. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de que o lançamento seja considerado PROCEDENTE EM PARTE, devendo ser, em razão de tal fato, retificado o saldo da base de cálculo negativa da CSLL, reduzindoo, em 31/12/1996, em R$ 1.598.026,00, o que se dará através Sistema SAPLI. O provimento parcial da impugnação já afastou a retificação da base negativa da CSLL em função da incorporação. Sobre a decadência, pronunciouse o acórdão recorrido: Fl. 343DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 319 9 Ainda em relação à propalada ocorrência da decadência, alega o contribuinte que, por ocasião do lançamento, em 07/02/2002, o fisco já decaíra, isto em 31/12/2001, do direito de fazêlo visto que a verificação fiscal se reportara ao anocalendário de 1996, fundamentando seu entendimento no trazido pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), visto tratarse, a CSLL, de tributo sujeito ao denominado lançamento por homologação. 07.02.01. Cumpre reproduzir, então, o que fala mencionado dispositivo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...........) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifei). 07.02.02. A simples leitura, então, do acima disposto, nos deixa a certeza de que, para que seja considerado homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, nos termos do reproduzido dispositivo, assim como do art. 156, inciso VII, também do CTN, há que ocorrer o pagamento antecipado do tributo (caput, art. 150). Nesse sentido, farta tem sido a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, conforme os seguintes julgados: “NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4º, do CTN. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do CTN.” (Acórdão 20308120, de 16/04/2002) – (grifei). “IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. (........). Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (.....)”. (Acórdão 10514021, de 26/02/2003) – (grifei). Fl. 344DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 320 10 07.02.02.01. Outro não tem sido o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso no Acórdão CSRF/0102.866, de 13/03/2000, nos termos da ementa a seguir reproduzida: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. DECADÊNCIA. EX. 1991. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A modalidade de lançamento se aperfeiçoa quando ocorre tácita ou expressamente a homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte sem prévio exame da autoridade administrativa, relativamente ao imposto cujo montante tributável é por ele apurado. O principal pressuposto desse lançamento é o pagamento do tributo. Na sua ausência não há como se falar em homologação, regendose o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelos ditames que emanam do art. 173 do CTN.” (grifei). 07.02.02.02. No mesmo sentido, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça, em Acórdão exarado em 07/04/2000, em Embargos de Divergência, no REsp nº 101.407/SP, publicado no Diário de Justiça de 08/05/2000, com a ementa seguinte: “TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (.....)”, (grifos meus). 07.02.03. E no caso presente, não ocorreu o recolhimento da CSLL ora discutida (até porque no decorrer do anocalendário de 1996, a base de cálculo apresentada foi negativa), não havendo, portanto, que se falar em lançamento por homologação. Daí se concluir que o prazo decadencial desloca se para aquele previsto pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, cuja redação é a seguinte: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.............)” (grifei). 07.02.03.01. Dessa forma, aplicandose o dispositivo acima, o dies a quo deslocase para 01/01/1998, fazendo com que o prazo decadencial venha a expirar em 31/12/2002. Como o lançamento se deu em 22/03/2002, antes, portanto, do dies ad Fl. 345DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 321 11 quem, é de se rejeitar, por igual, a preliminar argüida pela interessada. Como se pode observar no trecho do acórdão acima transcrito, a fiscalização alterou o saldo negativo em 1996, em função de compensação indevida realizada pela recorrente que apropriou como pago valor de CSLL não recolhido em março de 1994 e pela utilização da base de cálculo negativa da empresa incorporada. Essa última parcela foi excluída pelo julgamento de 1ª instância, restando a primeira. A apuração incorreta da base de cálculo negativa em 1994 refletiu no valor apurado em 1996, ano objeto da fiscalização e retificação da base de cálculo negativa da CSLL. Tendo o contribuinte apurado o IRPJ e a CSLL em base anual e não tendo havido pagamento, o prazo decadencial deve ser contado conforme o estabelecido no art. 173, I do CTN, que estabelece: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Quanto ao prazo para verificação da correção da base de cálculo negativa da CSLL, a jurisprudência deste colegiado tem se manifestado: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma TítuloAcórdão nº 40105873 do Processo 10120000801200313 Data23/06/2008 EmentaAssunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998, 1999 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INICIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL No momento da formação da base de cálculo negativa de CSLL, não há que se falar em ocorrência do fato gerador do tributo, porquanto o saldo de prejuízos fiscais ou base de cálculo negativa é aproveitado em períodos posteriores e seu efeito apenas são sentidos no momento da efetiva compensação. Entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário. Afinal, o direito do fisco de constituir o crédito tributário nasce quando a compensação do lucro é realizada pelo contribuinte e a fiscalização pode voltar no tempo para atualizar os saldos de prejuízo ou base de cálculo negativa, bem como verificar se foram considerados corretamente na apuração do saldo os valores declarados pelo contribuinte. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.000448/200250 Acórdão n.º 130200.690 S1C3T2 Fl. 322 12 No caso concreto, não de se falar em decadência do direito do fisco de modificar o saldo negativo informado pela recorrente, pois o mesmo saldo foi utilizado em 1996 e, mesmo que tenha sido gerado em 1994, o direito de revisão do fisco encerrase em 2001 (cinco anos contados de 1996) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 347DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000075/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples.
Ementa.
Simples. Exclusão.
Atividades impeditivas.
A interpretação do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317 não pode ser extensiva para abarcar outras atividades senão às listadas no referido inciso, sob pena de causar grave insegurança jurídica.
Numero da decisão: 1302-000.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples. Ementa. Simples. Exclusão. Atividades impeditivas. A interpretação do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317 não pode ser extensiva para abarcar outras atividades senão às listadas no referido inciso, sob pena de causar grave insegurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes De Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 132 2 Relatório Fl. 150DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 133 3 Trata o presente processo de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra o conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 15, de 16/04/2007 (fl.24), da Delegacia da Receita Federal em LondrinaPR, que excluiu o contribuinte do benefício do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. O ADE foi emitido ao amparo do Despacho Decisório de fls.01/02, que estabelece ter sido infringido o disposto no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996. 2. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem em Representação Administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de sua gerência executiva em LondrinaPR (fls.03/17). 3. Cientificada em 25/04/2007 (fl.24), manifestouse às fls. 27/43, para alegar que sua exclusão está irregular posto que o Ato Declaratório Executivo excluiu a empresa Capital Humano Serviços e Suprimentos para Recursos Humanos enquanto que sua denominação correta é “C.H. – Serviços e Suprimentos para Recursos Humanos; que o ato é inválido e deve ser anulado por preterição ao direito de defesa; que por meio do ADE tomou conhecimento de um suposto PAF sob o nº 16370.000075/200705, do qual não foi notificado, cientificado, avisado ou informado e, assim, lhe foi negado o direito de defesa, razão pela qual clama pela nulidade do PAF, bem como do ADE nº 15/2007. 4. Adentrando ao mérito, diz que sua exclusão está fundamentada na prestação de serviços na área de contabilidade, consultoria, administração e advocacia e que seu objeto social é: prestação de serviços administrativos para terceiros, organização de eventos exclusive culturais e desportivos, seleção e agenciamento de mãodeobra e processamento de dados; que não é permitido ao interprete da lei estabelecer que a simples existência no contrato social de atividade impeditiva ao Simples justifique sua exclusão. Transcreve o Boletim Central/Cosit nº 55 de 24/03/1997, que fala sobre o assunto, para ilustrar sua posição e prossegue afirmando que fez opção ao Simples de forma válida, por meio de alteração da FCPJ, informando como atividade o código CNAE 74.993/05, que não foi questionado pela administração, tendo sua opção sido aceita pelo fisco e que o ADE nº 15 resulta de uma óbvia e literal mudança de interpretação da norma jurídica, vedada pelo artigo 146 do CTN. Sustenta que a administração tributária, ao implantar o novo CNAE, alterou seu enquadramento para o código 82.113/00 – serviços combinados de escritório e apoio administrativo e, mais uma vez, pede a nulidade do PAF e do ADE, em decorrência de mudança de critério jurídico. 5. Afirma que como possui múltiplos vínculos, cabe ao fisco provar quais as atividades vedadas ao Simples, não bastando para isso indicar que a exclusão decorre de serviços prestados na área de contabilidade, consultoria, administração e advocacia; que a denominação social não pode prevalecer sobre sua natureza; que não desenvolve quaisquer serviços profissionais regulamentados pela legislação federal e que dependam de registro profissional, bem como não presta serviços de consultoria; que a prestação de serviços administrativos em folhas de pagamento e processamento de dados dependem, apenas de conhecimentos práticos; que não possui em seus quadros colaboradores contadores, advogados ou administradores; que a administração tributária já reconheceu em diversas oportunidades que a prestação de serviços administrativos não obstam o acesso ao Simples, conforme ementas transcritas; que o Conselho de Contribuintes tem declarado nulos os atos que estabelecem de forma genérica que determinado contribuinte se enquadra em situação impeditiva, haja vista a ementa que transcreve e, ao final, mais uma vez, pede a nulidade do ato atacado e do processo correspondente. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 134 4 6. Por fim, contesta os efeitos retroativos da exclusão, transcrevendo julgados dos Tribunais a respeito e alega a afronta ao disposto no artigo 173 do CTN, posto que o ato foi emitido em 2007 prevendo efeitos desde 2002. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972). EXCLUSÃO DO SIMPLES. RITO PROCESSUAL. A lei nº 9.317/96 estabelece que a exclusão de ofício do Simples Federal dar seá mediante ato declaratório, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo, não havendo previsão para emissão de qualquer termo prévio à expedição do ato declaratório. EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Tendo o sujeito passivo declarado em seus atos constitutivos exercer atividade não permitida ao Simples e, tendo ele sido excluído com base nesta previsão, cabe a ele constituir provas suficientes para afastar o impedimento que lhe foi imputado. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Ciente do acórdão DRJ em 29/12/2009, apresentou recurso em 14/01/2010. Em seu recurso alega: nulidade do ato declaratório que o excluiu do Simples, em função de não ter tido ciência do processo 16370.000075/200705; Fl. 152DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 135 5 que o ato declaratório de exclusão está fundado em supostos serviços de contabilidade, consultoria, administração e advocacia atribuídos à recorrente e não em serviços de engenharia, assemelhados ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional exigida, como consta da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 136 6 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O objeto de lide nestes autos tem sido razão de grandes controvérsias neste colegiado. O cerne do problema está na insegurança causada pelo art. 9º , inciso XIII da Lei 9317, abaixo reproduzido: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” (grifei) Muito se tem discutido sobre o alcance do termos assemelhados e também quais seriam os serviços profissionais que somente poderiam ser prestados pelos profissionais listados . Vejamos nos autos a motivação da exclusão e se há a perfeita adequação entre a descrição normativa e os fatos descritos. Vejamos: Na representação de fls. 01 e seguintes, consta: Fl. 154DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 137 7 No contrato de prestação de serviços de fls. 07, conta como objeto: No termo aditivo de fls. 09, consta: Fl. 155DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 138 8 Já na nota fiscal de fls. 12, consta: No ato declaratório de fls. 24, consta: No acórdão DRJ cito: Fl. 156DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 139 9 Pelo descrito, me parece claro que a empresa foi excluída da sistemática do Simples pelo exercício de atividades na área de contabilidade, consultoria, administração e advocacia. No entanto, pelos documentos acostados, também fica evidente que os serviços prestados se configuram como administrativos/auxiliares que, não necessariamente, tem de ser prestados por administrador, contador, consultor e muito menos por advogado. Entendo que ao contrário do que consta do acórdão DRJ não é a recorrente que tem de provar que não exerceu atividade vedada, cabendo sim à administração tributária provar o contrário, sob pena de se exigir a denominada “prova diabólica”, ou seja, provar que não se fez algo. Também não vejo como atividade excludente a operação de manutenção de software de controle de ponto que, por sua simplicidade e disponibilidade de prateleira em qualquer loja de produtos de informática a até bancas de jornal, não exigem conhecimentos profundos da área. Não consta dos autos que a empresa forneça softwares de qualquer espécie. Poderia se alegar que a atividade de seleção é exercida por psicólogos conforme consta, inclusive, do sitio da empresa na internet, mas não foi essa a acusação fiscal. Diante da ambigüidade da acusação fiscal e das atividades que constas nos contratos e notas fiscais anexadas, entendo não configurada a motivação para exclusão da empresa. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 157DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16370.000075/200705 Acórdão n.º 130200.728 S1C3T2 Fl. 140 10 Fl. 158DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/10 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 14367.000390/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 03 90 /2 00 8- 39 Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 14367.000390/200839 Acórdão n.º 2402006.389 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 14367.000390/200839 Acórdão n.º 2402006.389 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 14367.000390/200839 Acórdão n.º 2402006.389 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720430/2015-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
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NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 30 /2 01 5- 23 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10120.720430/201523 Acórdão n.º 1401002.688 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 38.802,17, transmitida através do PER/Dcomp nº 05372.51893.190911.1.3.020273. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10120.720430/201523 Acórdão n.º 1401002.688 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.720430/201523 Acórdão n.º 1401002.688 S1C4T1 Fl. 5 4 Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10120.720430/201523 Acórdão n.º 1401002.688 S1C4T1 Fl. 6 5 Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006045/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. RECOMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO EM DECORRÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Nas compensações em que se utiliza crédito oriundo de saldo negativo que foi objeto de recomposição redutiva em razão de lançamento de ofício, procedido posteriormente à transmissão da DCOMP, a sua homologação resta diretamente dependente do desfecho da Autuação lavrada.
Sob pena de anacronismo jurisdicional e incongruência lógica, uma vez cancelado o lançamento de ofício, deve-se promover a homologação das compensações pretendidas.
Numero da decisão: 1201-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. RECOMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO EM DECORRÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Nas compensações em que se utiliza crédito oriundo de saldo negativo que foi objeto de recomposição redutiva em razão de lançamento de ofício, procedido posteriormente à transmissão da DCOMP, a sua homologação resta diretamente dependente do desfecho da Autuação lavrada. Sob pena de anacronismo jurisdicional e incongruência lógica, uma vez cancelado o lançamento de ofício, deve-se promover a homologação das compensações pretendidas.
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CRÉDITO. RECOMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO EM DECORRÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Nas compensações em que se utiliza crédito oriundo de saldo negativo que foi objeto de recomposição redutiva em razão de lançamento de ofício, procedido posteriormente à transmissão da DCOMP, a sua homologação resta diretamente dependente do desfecho da Autuação lavrada. Sob pena de anacronismo jurisdicional e incongruência lógica, uma vez cancelado o lançamento de ofício, devese promover a homologação das compensações pretendidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 45 /2 00 6- 14 Fl. 556DF CARF MF 2 Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1124.930, sessão de 18 de dezembro de 2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, mantendo a decisão de HOMOLOGAR PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO, nos termos do voto do relator. Por bem sintetizar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, constante do Acórdão ao norte mencionado, completandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —Dcomp (fls.18/63), abaixo descriminadas, por meio das quais compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de saldo negativo do IRPJ do exercício de 2001 — situação especial (período de 01/01 a 31/07/2001), no montante de R$ 13.779.628,73 (valor originário constante da sua DIPJ Retificadora Situação Especial (período de 01/01 a 31/07/2001) entregue em 27/10/2006). De acordo com o Relatório de Informação Fiscal (fls.10/14), propôsse a homologação parcial da compensação, ante o reconhecimento do direito creditório no valor de R$8.678.039,85, inferior ao informado nas Declarações de Compensação. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório de fl. 196, através do qual resolveu HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação até o limite do crédito reconhecido, no valor originário de R$ 8.678.039,85, adiante especificado. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19647.006045/200614 Acórdão n.º 1201002.364 S1C2T1 Fl. 557 3 A divergência encontrada entre o valor do crédito declarado pela interessada e o valor apurado pela fiscalização decorreu de uma exclusão indevida do lucro líquido referente à "Receita para Recomposição Tarifária" de R$ 20.406.355,53, quando tal receita não se encontrava contabilizada de forma a compor o lucro líquido do respectivo período. Tal fato ensejou o lançamento de Auto de Infração específico. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 200/206), alegando, em síntese, que a suposta infração detectada pela fiscalização, a qual alterou o resultado do IRPJ constitui o processo de n° 196476.010151/200783 que se encontra em litígio, desta feita, o presente processo deverá aguai dar a decisão definitiva do citado processo por estar estritamente relacionado com o mesmo. A interessada também traz seus argumentos de defesa acerca da infração detectada relativa ao reconhecimento e oferecimento à tributação da receita de recomposição tarifária, que compõe o litígio do processo n° 19647.010151/200783. Do pedido. A impugnante requer que seja julgada a presente impugnação conjuntamente com a impugnação apresentada no Fl. 558DF CARF MF 4 processo n° 19647.010151/200783, e em caso contrário que este processo seja sobrestado com fulcro no art. 265, inciso IV do CPC até o desfecho do citado processo. Requer ainda que, caso entendimento for no sentido de a presente lide ser julgada independentemente do processo n° 19647.010151/200783, seja analisado o mérito alegado e reformada a decisão recorrida. Novos argumentos anexados. A impugnante trouxe aos autos, em 26/09/2008, novos argumentos de defesa relativos à decisão de Primeira Instância proferida nos autos do processo n° 19647.010151/200783, anexados ao presente processo em 15/12/2008 às fls. 410 a 412. A DRJ/Recife, por meio do Acórdão ao norte identificado, indeferiu a solicitação da contribuinte e manteve a decisão consubstanciada no despacho decisório de efls. 206/207, sob os seguintes argumentos: Conforme relatado, este processo se refere ao pedido de compensação de crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ apurado pela contribuinte relativo ao exercício de 2001 — situação especial (período de 01/01 a 31/07/2001). Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, no período em questão, ensejando lançamento de auto de infração formalizado no Processo n° 19647.010151/200783, no qual foi verificada uma exclusão indevida do lucro líquido referente à "Receita para Recomposição Tarifária" de R$ 20.406.355,53, quando tal receita não se encontrava contabilizada de forma a compor o lucro líquido do respectivo período, ensejando na redução do saldo negativo do IRPJ de R$ 13.779.628,73, para R$ R$8.678.039,85. O citado auto de infração, constante do processo n° 19647.010151/200783, foi objeto de julgamento pela 5' Turma de Julgamento desta DRJRecife, através do Acórdão n° 11 23.277 de 30/06/2008, o qual acatou as alegações da impugnante restaurando os saldos negativos declarados pela contribuinte relativo ao período em questão, consoante trecho do Acórdão transcrito a seguir: (...) (...) No entanto, o Acórdão acima citado foi objeto de Recurso de Oficio tendo em vista que o crédito tributário exonerado excedeu ao limite de alçada previsto na Portaria MF n.°3, de 03/01/2008, portanto, o crédito restaurado pela citada decisão de 1' instância ainda não pode ser considerado líquido e certo pois se encontra aguardando a análise do Recurso de Oficio por parte do 1° Conselho de Contribuintes, onde se encontra o processo desde 12/11/2008, consoante consulta anexa às fls. 407/408. Diante do acima exposto, há de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19647.006045/200614 Acórdão n.º 1201002.364 S1C2T1 Fl. 558 5 circunstância de que, naquele momento, como. agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do 4u.e se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (...) (...) A argüição da impugnante no sentido de que a decisão proferida neste processo deveria aguardar o trâmite do processo supracitado, de n° 19647.010151/200783, queda desamparada. Primeiro, porque não há, na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal em Receita, temse a circunstância de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, à luz do art. 170 do Código Tributário Nacional, ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo. O rito processual cabível é o constante na Lei n° 9.430/96 (artigos 73 e 74), não cabendo a suspensão do processo nos termos do art.265 do CPC citado pela interessada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (e fls. 479 e seguintes). É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. A contribuinte efetuou compensação tributária de débitos, conforme DCOMPs objeto dos autos, utilizando saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 — situação especial (período de 01/01 a 31/07/2001), valor original apurado de R$ 13.779.628,73, informado na DIPJ 2001, Ficha 12 A, efls. 114. Na sequência, em 25/09/2007, a contribuinte foi autuada quanto ao ano calendário 2001, período de 01/01/2001 a 31/07/2001, e o saldo negativo de IRPJ de R$ 13.779.628,73 foi revertido para saldo de IRPJ a pagar de R$ 5.101.588,87, conforme autos do Processo conexo nº 19647.010151/200783, em face da infração abaixo imputada: Fl. 560DF CARF MF 6 Abaixo, trago a colação, o "Demonstrativo de Apuração" de IRPJ do período de 01/01/2001 a 31/07/2001 constante do Auto de Infração do processo conexo nº 19647.010151/200783: Por sua vez, conforme relatado, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório de efls. 206, através do qual resolveu HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação até o limite do crédito reconhecido, no valor originário de R$ 8.678.039,85 A lide objeto do Processo nº 19647.010151/200783, que trata da exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real de receita de recomposição tarifária (RTE), que implicou reversão do saldo negativo da IRPJ do anocalendário 2001, período de 01/01/2001 a 31/07/2001 de R$ 13.779.628,73 para saldo de IRPJ a pagar de R$ 5.101.588,87 , restou com decisão definitiva, irreformável, na instância administrativa, com o advento do Acórdão nº 120100.689 desta Turma, sessão de 08 de maio de 2012 (fls. 2.077 e seguintes do processo conexo nº 19647.010151/200783), que negou provimento ao recurso de ofício da DRJ que cancelou essa exigência do auto de infração. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19647.006045/200614 Acórdão n.º 1201002.364 S1C2T1 Fl. 559 7 Posto isso, claramente as razões para a negativa ao crédito integral utilizado pela Contribuinte nas DCOMPs objetos deste feito restam totalmente afastadas, mostrandose improcedente a recomposição do saldo negativo promovida pelo Fisco, prevalecendo os cálculos efetivamente registrados e declarados pela Empresa, não havendo mais qualquer óbice à sua pretensão compensatória. Diante do exposto, VOTO no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 5.101.588,87, homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 562DF CARF MF
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