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Numero do processo: 10805.906622/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 66 22 /2 00 9- 88 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF em Campinas não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 7ª Turma da DRJ Campinas, na sessão de julgamento de 24 de abril de 2012, por meio do acórdão 0537.736 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09//2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser objeto de restituição créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e do PIS, não havendo falar em direito creditório. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringese a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 19 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 21/03/2013 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/04/2013, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 20 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 21 7 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 22 9 abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 23 11 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 24 13 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 25 15 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906622/200988 Acórdão n.º 3803006.399 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10875.902794/2011-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9).
É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida.
A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo.
PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 94 /2 01 1- 73 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 86 2 PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 87 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 88 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.60/74 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 48/53) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 14/09/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 01986.17808.140907.1.3.043497 (efls. 33/37), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 592,21, assim especificado: a) – SIMPLES, código de receita 6106, período de apuração agosto/2007, data de vencimento 14/09/2007, valor R$ 592,21; crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 366,65: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido do Simples Federal (parcelas do PISSimples e da CofinsSimples) do período de apuração 31/05/2003, código de receita 6106, data de arrecadação 10/06/2003, valor original do recolhimento – DARF R$ 2.265,13. Em 01/11/2011, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 30, pela DRF/Guarulhos, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do crédito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 366,65. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 89 5 (...) Ciente dessa decisão em 21/11/2011 – Aviso de Recebimento – AR (efl.39), a Contribuinte, em 16/12/2011 (efl. 30), apresentou Manifestação de Inconformidade por via postal (efls.02/15), juntando ainda documentos de efls. 16/37, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 49), in verbis: (...) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma traz consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214,215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. (...) A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, à luz dos fatos e da legislação de regência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão, de 26/11/2013, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 48), in verbis: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 90 6 Ciente desse decisum em 06/01/2014 (efl. 56), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.60/74 em 21/01/2014 comprovante de postagem ECT (efls. 58/59), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao objeto social: que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, ramo de comércio varejista de materiais/produtos ou equipamentos elétricos e eletrônicos e materiais de construção; 2) – Preliminar de nulidade: que, apesar da pessoa jurídica Recorrente ter sido notificada do despacho decisório, a notificação não ocorreu conforme determina a lei, ou seja, não houve notificação na pessoa física dos sócios ou administradores, implicando nulidade do ato por prejuízo à defesa e ao contraditório (cerceamento do direito de defesa). que, se o endereço eleito pela pessoa jurídica, é o local para receber intimações e notificações, isso não autoriza que qualquer pessoa que esteja ocasionalmente no estabelecimento, por exemplo um cliente, seja pessoa capacitada juridicamente para receber notificação em nome da empresa. que, por conseguinte, deve ser declarada nula a ciência do despacho decisório, pois realizada em desconformidade com a lei. 3) – Quanto ao direito creditório: que é pessoa jurídica sujeita a pagamento de tributos federais; que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta, sem exclusão da parcela do ICMS; que a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar a parcela do ICMS, que não é receita própria; que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; que na DCOMP não tem como esclarecer a origem do crédito (no caso de declaração expressa de inconstitucionalidade pelo STF) e não tem como usar o direito de peticionar, restando na manifestação de inconformiade o direito de peticionar, esclarecer e requerer; que efetuou o recolhimento do Simples sobre a receita bruta, em DARF; porém, isso implicou pagamento do PISSimples e Cofins –Simples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 91 7 que, consoante melhor doutrina pátria e decisão do STF, faz jus à restituição do PIS/Cofins incidente sobre o ICMS; que o crédito pleiteado do PISSimples e CofinsSimples decorreu, portanto, da exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). que, por fim, pediu deferimento do direito creditório pleiteado, mediante reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 92 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas decisões anteriores objeto deste processo, o crédito pleiteado foi denegado, por ser inexistente; faltou comprovar sua liquidez e certeza. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, suscitando, primeiro, preliminar de nulidade e, no mérito, matéria de direito. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso voluntário, a Recorrente sucitou preliminar de nulidade da intimação atinente ao Despacho Decisório da DRF/Guarulhos, por via postal, Aviso de RecebimentoAR, na pessoa física diversa da designada pela empresa. Na primeira instância de julgamento, a Contribuinte, também, suscitou esta preliminar de nulidade, conforme razões constantes da Manifestação de Inconformidade que, nessa parte, transcrevo no que pertinente (efls. 05/08), in verbis: PRELIMINARMENTE Em 22/11/2011 a manifestante recebeu o DESPACHO DECISÓRIO, (DOC 03) oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme AR em poder desta delegacia, (...) Senhor Delegado o despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa DOMINIUM MATERIAIS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA, (...) O representante legal da manifestante é seu sócio gerente (DOC 01) razão pela qual somente ele poderia ter recebido a correspondência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, máxime por tratarse de intimação para pagamento postada com aviso de recebimento. Da assinatura oposta no documento do correio, o assinante não é sócio, não é procurador, e nem legitimado e não representa legalmente a requerente. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 93 9 Portanto, quem recebeu e assinou o despacho decisório, não é sócio, não é procurador, nem legitimada, não representa legalmente a requerente, e nem tem vínculos com a Manifestante. (...) Entretanto para eficácia da intimação ou notificação, e para sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei, e a lei dispõem que deve a mesma ser entregue na pessoa do sócio, procurador, ou legitimado, e não a um estranho que não tem relação processual (art. 222 do CPC). (...) A garantia da ampla defesa do "due process of law" deve impor que obrigatoriamente se faculte a parte o direito de produzir provas, argüir legitimidade, enfim, o amplo contraditório, tudo dento dos ditames da lei, evitando assim remeter a parte à via administrativa em toda a sua inteireza. A manifestante entende que o DESPACHO DECISÓRIO não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei, e trás a nulidade do processo. (...) Assim sendo, em preliminares requer que V.S. se digne determinar seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório, (...) Data venia, a preliminar suscitada não merece prosperar, pois carece de pressupostos fáticos e jurídicos. Diversamente do alegado pela Recorrente, a notificação por via postal, com Avisto de Recebimento – AR, deuse nos termos da lei. A propósito, estatui o art. 23 do Decreto 70.235/72, in v erbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 94 10 No caso, a Contribuinte foi notificada do Despacho Decisório por via postal – Aviso de Rececimento – AR em 21/11/2011 (efl. 39), assinado por André R. Cruz. A Recorrente confirma, em suas razões, que recebeu a correspondência no dia seguinte, ou seja, em 22/11/2011 e que, porém, a ciência do recebimento no AR foi dada por pessoa sem vículo funcional com a empresa; que apenas estariam aptos a receber correspondência e dar ciência no AR sócio da empresa ou representante legal. Não tem guarida a pretensão da Recorrente. Primeiro, André Ribeiro da Cruz é sócio da Recorrente, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 29/01/2002 (efl. 16/22), e consta assinatura de Andre R. Cruz no Aviso de RecebimentoAR (efl. 39). Ainda que não sejam a mesma pessoa, isso é irrelevante. A legislação processual administrativa não exige, não estabelece que a ciência do recebimento de correspondência por via postal, Aviso de Recebimento – AR, seja dada exclusivamente a sócio ou representante legal de empresa. Inclusive, para informação da Recorrente, porteiro do Prédio, onde funciona a empresa, pode receber a correspondência e assinar o AR. A matéria é pacífica neste CARF, inclusive, encontrase sumulada, conforme Súmula CARF nº Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A Recorrente não comprovou prejuízo algum à sua defesa. Pelo contrário, mencionou expressamente que recebeu a correspondência no dia 22/11/2011 (dia seguinte à data de assinatura constante do AR). E, conforme consta dos autos, exerceu plenamente o contraditório e a ampla defesa na instância a quo, em alentada defesa, suscitando preliminar e defesa de mérito, revelando conhecer plenamente a lide objeto do processo. Como visto, a intimação, entrega do Despacho Decisório por via postal, cumpriu plenamente sua função, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, em observância do princípio da instrumentalidade das formas, ainda que o ato processual tenha sido realizado de outro modo ou forma, mas restou atingido, alcançado o seu objetivo sem prejuízo às partes, é plenamente válido, não existindo razão alguma para suscitar sua nulidade. Nesse sentido, são também os precedentes da jurisprudencia dos tribunais pátrios: TJSP Apelação : APL 491469820098260000 SP 0049146 98.2009.8.26.0000 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 95 11 NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. Relator(a):Roberto Mac Cracken. Julgamento:03/03/2011. Órgão Julgador:37ª Câmara de Direito Privado. Publicação:24/03/2011. Ementa NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. Recurso não provido TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 00229201220138190000 RJ Relator(a):DES. CLAUDIO BRANDAO DE OLIVEIRA. Julgamento:16/10/2013. Órgão Julgador:SÉTIMA CAMARA CIVEL. Publicação:24/03/2014 11:09 Ementa: Agravo de Instrumento. Direito Processual Civil. Recurso no qual se alega nulidade da citação postal, por ter sido recebida por terceiro. Matéria de ordem pública que não é passível de preclusão, eis que ainda não foi apreciada. Citação via postal de Pessoa Jurídica recebida pelo porteiro do prédio. Citação válida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. Recurso a que se nega provimento. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 96 12 TRF2APELAÇÃO CIVEL: AC 388942 RJ 2006.51.01.0153937 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. Relator(a):Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. Julgamento:05/05/2009. Órgão Julgador:QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. Publicação:DJU Data::01/07/2009 Página::99. Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Consoante os dispositivos acima citados, e mesmo em face do que dispõe o art.223, parágrafo único do CPC, convém ressaltar que em respeito ao princípio da aparência, bem como ao princípio da instrumentalidade do processo, a jurisprudência pátria, de longa data já possui entendimento que a citação/intimação realizada em pessoa que não possui poderes de gerência/administração da pessoa jurídica é válida, não lhe sendo exigido que possua poder de gerência ou que receba costumeiramente correspondências. 2. Segundo a jurisprudência dominante no STJ, e regular a citação de pessoa jurídica, por via postal, quando a correspondência é encaminhada ao estabelecimento da ré, sendo ali recebida por um seu funcionário. Desnecessário que o ato de comunicação processual recaia em pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa, representem a sociedade (REsp 161167). 3. Consoante entendimento já consolidado nesta Corte Superior, adotase a teoria da aparência, considerando válida a citação de pessoa jurídica, por meio de funcionário que se apresenta a oficial de justiça sem mencionar qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representação em juízo (AgRg no Ag 547864). 4. Apelação improvida. STJ EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL : EREsp 156970 SP 1999/00158032. Ministro Vicente Leal. Julgamento 02/08/2000. CECorte Especial. Publicação: DJ 22.10.2001 p. 261RDR vol. 22 p. 164 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 97 13 a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DE PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Nas razões do recurso, a Recorrente informou que apurou direito creditório do Simples Federal do anocalendário 2003, da seguinte forma: a) que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta (faturamento), sem exclusão da parcela do ICMS; b) que, pela legislação de regência, a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, a receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; c) que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar, não deve compreender, a parcela do ICMS, pois não é receita própria; d) que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; e) que, pela decisão do STF, a base de cálculo da Contribuição para PIS e da Cofins é o faturamento bruto (receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços); f) que efetuou o recolhimento do Simples, em DARF, que implicou apuração e pagamento da Contribuição PIS – Simples e da CofinsSimples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; g) que tem direito de crédito sobre o pagamento do PISSimples e da Cofins –Simples sobre a parcela do ICMS, quanto ao anocalendário 2003; h) que, por iniciativa própria, recalculou o valor devido no Simples Federal, a título de PISSimples e CofinsSimples dos períodos mensais do anocalendário 2003, excluindo o ICMS da receita bruta, e apurou, assim, valor pago a maior dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 98 14 i) que pediu, por fim, o reconhecimento do crédito utilizado na DCOMP. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. O crédito demandado pela Recorrente não tem respaldo fáticojurídico. Na legislação do ICMS (Lei Complementar nº 87/96, art. 13, § 1º, I) e suas ulteriores atualizações, o ICMS é calculado “por dentro”, nos seguintes termos: Art. 13. (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive o inciso V da caput deste artigo: I O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (...). O ICMS integra a receita bruta, ou seja, o faturamento bruto. Ainda, quanto à legislação do ICMS, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, recentemente (18/05/2011), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461SP (18/05/2011). A seguir trancrevo a Ementa do Acórdão do Pleno do STF, proferido nos autos do processo do RE 582461SP, sessão de 18/05/2011, Relator Min. Gilmar Mendes: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 99 15 ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Na legislação de regência da Cofins e da Contribuição para o PIS (Lei 9.718/1998, Lei 10.637/200, Lei 10.833/2003 e Lei nº 10.865/2004) também não há previsão legal de exclusão do ICMS da receita bruta (faturamento), em relação às operações de venda de mercadorias e prestação de serviços quando incide esse imposto. Diversamente do alegado pela Recorrente, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, como efeito erga omnes, não tratou da questão do ICMS, se cabível ou não sua exclusão da receita bruta =faturamento bruto. Vale dizer, em relação à legislação da Contribuição para o PIS e da CSLL, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 o STF fixou o entendimento de que a receita bruta = faturamento bruto corresponde a vendas de mercadorias, prestação de serviços ou vendas de mercadorias com prestação de serviços, não abarcando outras receitas, mormente receitas financeiras para as pessoas jurídicas cujo objeto social seja o comércio de mercadorias e prestação de serviços em geral; afastou, por conseguinte, o alargamento da base de cálculo desse dispositivo. Como demonstrado, a parcela do ICMS faz parte da receita bruta (faturamento), base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins.. Logo, enquanto não houver mudança da legislação de regência da Contribuição para o PIS e da Cofins para exclusão do ICMS da receita bruta ou decisão judicial erga omnes excluindo o ICMS da receita bruta, a base de cálculo dessas exações continua abarcando o ICMS. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 100 16 Ainda, não consta dos autos que a Recorrente tenha decisão transitada em julgado conferindolhe o direito de excluir a parcela do ICMS da apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição do PIS. Quanto ao afastamento da exigência da Contribuição para o PIS e da Cofins nas operações de importação de mercadorias e serviços, a decisão do STF no Recurso Extraordinário 559.937RS tem efeito, apenas, inter partes, não beneficia a Recorrente, pois não é parte daquele processo. No citado RE, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 .O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições PIS/Cofins no desembaraço de importação de bens e serviços, sessão de 20/03/2013. O citado dispositivo extrapolou o art. 149, § 2º, II, “a”, da CF que constitucionalizou o conceito técnicojurídico de valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições PIS/Cofins incidentes na importação. A Fazenda Nacional, porém requereu a modulação dos efeitos dessa decisão do STF. Como visto, a Recorrente não tem respaldo legal para excluir o ICMS da receita bruta. E, também, não é beneficiária de decisão judicial nesse sentido. Logo, o crédito pleiteado não tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Além disso, apenas para argumentar, a Recorrente sequer demonstrou como apurou o suposto crédito (não juntou demonstrativo, planilha, memória de cálculo, nem cópia da escrituração contábil/fiscal). A arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência dessas exações fiscais federais que não prevê a exclusão do ICMS da receita bruta, não pode ser enfrentada na órbita administrativa, por não ser a esfera competente. A matéria é da alçada do Poder Judiciário, e não da esfera administrativa. Esse entendimento, por ser pacífico, já está sumulado neste CARF, conforme Súmula CARF nº 02, que transcrevo a seguir, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como visto, a Recorrente não comprovou o direito creditório pleiteado. A Contribuinte é autora do pedido de crédito, no processo de compensação tributária. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constituitivo do direito creditório alegado contra o fisco (CPC, art. 333, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902794/201173 Acórdão n.º 1802002.250 S1TE02 Fl. 101 17 Portanto, não restando comprovado o direito creditório pleiteado, pela falta de demonstração da liquidez e certeza, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10580.722440/2008-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO.
Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere-se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 40 /2 00 8- 57 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indeferese o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 261 3 lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1525.967, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 173.007,00, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 262 5 Examinando o assunto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, fls. 140 a 146, decidiu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte ao lançamento fiscal formalizado pelo Auto de Infração, fls. 03 a 12, nos seguintes termos de sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; b) a tributação não se restringe ao valor do principal, mas, também, aos juros e atualização monetária; c) quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, lembra que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal; d) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; e) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos membros do Ministério Público Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN; f) que o impugnante reclama isonomia de tratamento frente aos membros da esfera federal, entretanto, tratase de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, cada um com suas peculiaridades. Observese, ainda, que o reconhecimento da isenção na Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 esfera federal decorreu de resolução no âmbito do poder judiciário federal, cujo alcance não pode ser ampliado mediante a aplicação da analogia; g) que o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora; h) que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; i) observa que a aplicação da multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; j) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, observa que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. k) quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Cientificado em 06/04/2011, fls. 149, o interessado interpôs recurso voluntário em 15/04/2011, fls. 140 a227, alegando, em síntese, que: O lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Diz que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais. Requer a recorrente que, apenas na seara das hipóteses, a se admitir qualquer autuação, que se considere como valor passível de cobrança, não aqueles lançados no auto de infração, mas, que se refaça a conta de autuação, levando em conta a situação do autuado, em Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 263 7 mira com todas as verbas recebidas em cada exercício, bem como considerando todas as despesas e deduções cabíveis. Por meio da Instrução Normativa nº 1.127/2010, a Receita Federal reduziu a carga tributária sobre os rendimentos recebidos pelo contribuinte acumuladamente, denominados RRA, hipótese do suposto crédito tributário constituído no caso em tela. Com essa nova orientação, o contribuinte pode ser beneficiado pela redução da alíquota para os RRA recebidos, e assim, o imposto será calculado sobre o montante mensal, dos rendimentos pagos. Ressalta que a decisão hostilizada não enfrentou as questões suscitadas pelo recorrente na impugnação relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado da Bahia, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Reitera que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração. A decisão recorrida ignorou o princípio da isonomia, uma vez que as leis distintas que regem os Ministérios Públicos, Federal e Estadual, não se sobrepõem a Constituição e nem aos princípios nela insculpidos. Se foi decidido que a verba tem natureza indenizatória para os membros do Ministério Público na esfera federal, a mesma razão deve ser usada na esfera estadual. Caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal. Nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal. Acrescenta que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV que se referiam às férias indenizadas foram excluídos a menor da base de cálculo pela decisão de primeira instância. Pondera que ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Requer o cancelamento do débito reclamado. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Em sessão realizada em 12 de março de 2013, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 62A, §1º, Regimento Interno do CARF, Portaria MF 256, de 2009 e na Portaria nº 1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do RICARF, o presente processo foi redistribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recorrente ressalta que a decisão hostilizada não enfrentou as questões suscitadas na impugnação relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado da Bahia. Importa ressaltar que a decisão recorrida enfrentou essa questão, quando afirmou que o caso dos autos não trata de IRRF que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia (que segundo o impugnante seria de competência do Estado por força da repartição de receita prevista no inciso I do art. 157) e sim de Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos, conforme fls.132 (fls. 134, digital), nos seguintes termos: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Observese, ainda, que não é necessário que o julgador enfrente um a um todos os argumentos defensivos, desde que tenha fundamento suficiente para a decisão adotada. Esse entendimento consta, inclusive, de um dos julgados colacionados pelo recorrente (Resp 874759/SE, fls.155), conforme excerto seguinte: Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta.” (Resp Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 264 9 874759/SE, Relator Teori Albino Zavascki, julgado em 07/11/2006). Portanto, inexistente no caso a alegada omissão. O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.802, proferido Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, em sessão realizada no dia 20 de março de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Preliminarmente, não assiste razão à Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6º da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 265 11 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 4º, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a não incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração.” Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722440/200857 Acórdão n.º 2802003.140 S2TE02 Fl. 266 13 Quanto a tese da ilegitimidade ativa, ressaltese que o fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: Quanto à exclusão da multa, convém obserar que, de acordo com o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 11, sobre o imposto de renda apurado de ofício incidiu, única e exclusivamente, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), regulamentada pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Foi contra essa imputação que o contribuinte direcionou sua defesa. Ainda em relação ao assunto, convém aduzir que ao caso se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotese que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 3 a 6) verificase que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses ano calendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada; logo, as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Observese, ainda, que a IN RFB nº 1.127, de 2010, citada pelo recorrente, tem fundamento de validade em lei posterior à ocorrência dos fatos geradores, portanto é inaplicável para fins de definir o cálculo do imposto no casos destes autos (art. 144 do CTN). Também o fato de declarar rendimentos com base nos informes fornecidos pela fonte pagadora (ainda que sob influência do texto da Lei do Estado da Bahia) não significa que tenha ocorrido a hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Também nesse tópico, não cabe reparo ao acórdão recorrido. Constatado que a tributação das verbas tem amparo em lei, não compete ao CARF apreciar alegação de que a exação viola o princípio do não confisco. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O recorrente alega que a decisão recorrida incorrera em erro ao excluir da base de cálculo o valor de R$1.442,71, para cada ano de 2004, 2005, 2006, correspondente às férias. Compulsando os autos, observase que os citados valores correspondem exatamente aos demonstrados no quadro RESUMO da planilha anexa às fls. 106, sob o título TOTAL ABONO FÉRIAS. Pretende agora o recorrente com base na mesma planilha que também seja considerado como exclusão da base de cálculo o valor (R$3.034,74) correspondente às férias propriamente ditas, para cada ano de 2004, 2005 e 2006, que se encontra demonstrada no mesmo quadro RESUMO. Nesse sentido, cumprese salientar que a isenção do imposto de renda somente atinge à parcela relativa ao abono pecuniário de férias (art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 936, de 5 de maio de 2009). Portanto, sem razão o recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor da multa de ofício. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11070.722083/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Kalinka Bravo. OAB: 242.811/SP
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente COOPERATIVA AGRO PECUARIA ALTO URUGUAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Kalinka Bravo. OAB: 242.811/SP Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério. Tratase de lançamento das contribuições previdenciárias previstas no artigo 25, I e II da Lei nº 8.212/1991, referentes à comercialização da produção rural do segurado especial à adquirente Cooperativa AgroPecuária Alto Uruguai Ltda. A fiscalização informa que a Cooperativa impetrou a Ação Ordinária nº 1999.71.05.0023032 com o intuito de não mais recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a aquisição da produção rural. Desde 05/2009 o contribuinte não declarou as contribuições em GFIP e, com exceção da competência 07/2009, também não havia efetuado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .7 22 08 3/ 20 12 -2 6 Fl. 9372DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11070.722083/201226 Resolução nº 2301000.458 S2C3T1 Fl. 9.288 2 os recolhimentos. A decisão do Supremo Tribunal Federal transitou em julgado em 21/06/2011, tendo o sujeito passivo obtido êxito somente em relação à contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural comercializada por produtor rural empregador pessoa física. Com relação à comercialização da produção rural por segurado especial, as contribuições foram consideradas devidas pelo Judiciário. A Recorrente, em atendimento às intimações da fiscalização, apresentou uma planilha referente à aquisição de produção rural de seus associados, produtores não empregadores, do período de 01/2009 a 05/2012. A autoridade lançadora efetuou comparações e testes por amostragem da planilha apresentada em relação às notas fiscais, à contribuição recolhida no período para o SENAR (mesma base de cálculo dos segurados especiais e dos produtores rurais pessoas físicas) e à contabilidade da empresa nas contas INSS PROD. AGRÍCOLAS A RECOLHER – código 2140113 e RESERVA P/CAPITALIZAÇÃO – código 24201, e estando conforme, a utilizou como base para o lançamento do débito nas competências 05/2009, 06/2009 e 08/2009 a 04/2012. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a não incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que se trata de relação de cooperado com a cooperativa, albergado, portanto, pelo ato cooperativo. Sustentou que a planilha apresentada e adotada pela fiscalização detém erros materiais, tais como produtores rurais pessoas físicas, exportação de produtos rurais e de que não havia o desconto da contribuição por entender que não era devida. A DRJ de Porto Alegre manteve integralmente a autuação o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário a esse Conselho. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. Como se verifica do relato acima e das alegações trazidas pelo sujeito passivo aos autos principalmente no que diz respeito a prática de ato cooperativo, bem como em relação a equívocos surgidos na planilha adotada pela fiscalização, com destaque para a petição anexada a esses autos, a qual traz elementos, ao menos iniciais, de que há produtores rurais pessoas físicas computadas no presente lançamento, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: i) esclarecer se os segurados identificados na planilha (segurados especiais) são cooperados da recorrente; ii) em relação à mesma planilha identificar se há produtores rurais pessoas físicas ou apenas segurados especiais; iii) nos valores computados na base de cálculo há exportação de produtos rurais entregues pelos segurados especiais à recorrente? Fl. 9373DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11070.722083/201226 Resolução nº 2301000.458 S2C3T1 Fl. 9.289 3 Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal, consultando seu banco de dados, bem como intimando o sujeito passivo para fornecimento de informações, produza informação fiscal esclarecendo as questões acima, intimando, posteriormente o sujeito passivo para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 9374DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000636/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidário pelo crédito tributário decorrente de tributos e multas, o adquirente do equipamento fabricado com insumos importados com o Benefício de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno, quando ficar demonstrado que as empresas praticaram, em conjunto, atos lesivos ao Erário.
DECLARAÇÃO INEXATA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA AGRAVADA. 150% SOBRE O VALOR DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
Sobre a totalidade ou diferença de tributos ou contribuições apurados em procedimento de fiscalização incide multa de cento e cinquenta por cento, devida pela infração por falta de pagamento ou declaração inexata, nos casos de evidente intuito de fraude.
Evidente a presença do intuito doloso na situação em que a empresa responsável pela licitação internacional e a beneficiária do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, sub-modalidade Fornecimento no Mercado Interno, prestam declaração falsa ao Órgão Concedente.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em Auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC.
SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 3102-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes Autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam parcial provimento, apenas para reconhecer o direito a desconto dos créditos conforme pleiteado pelo contribuinte. Os Conselheiros Demes Brito, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade da Arcelormital. Pelo voto de qualidade, foi dado provimento ao Recurso de Ofício, vencidos os Conselheiros Demes Brito, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que negavam provimento. Fizeram sustentação oral a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional, e os advogados dos sujeitos passivos, Dr. Cristiano Augusto Ganz Viotti de Azevedo, OAB/PR 52.102, e Dr. Maurício Sirihal Werkema, OAB/MG 84.062.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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SUBMODALIDADE FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. EQUIPAMENTOS FORNECIDOS. PAGAMENTO. FINANCIAMENTO INTEGRAL. INGRESSO DE DIVISAS. OBRIGATORIEDADE. É condição para a concessão e adimplemento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade Fornecimento no Mercado Interno, o pagamento integral do valor correspondente aos bens fornecidos pela empresa vencedora da licitação internacional com recursos captados do exterior, provenientes de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidário pelo crédito tributário decorrente de tributos e multas, o adquirente do equipamento fabricado com insumos importados com o Benefício de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno, quando ficar demonstrado que as empresas praticaram, em conjunto, atos lesivos ao Erário. DECLARAÇÃO INEXATA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA AGRAVADA. 150% SOBRE O VALOR DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 06 36 /2 01 0- 05 Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.666 2 Sobre a totalidade ou diferença de tributos ou contribuições apurados em procedimento de fiscalização incide multa de cento e cinquenta por cento, devida pela infração por falta de pagamento ou declaração inexata, nos casos de evidente intuito de fraude. Evidente a presença do intuito doloso na situação em que a empresa responsável pela licitação internacional e a beneficiária do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade Fornecimento no Mercado Interno, prestam declaração falsa ao Órgão Concedente. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em Auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes Autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que davam parcial provimento, apenas para reconhecer o direito a desconto dos créditos conforme pleiteado pelo contribuinte. Os Conselheiros Demes Brito, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama votaram pelas conclusões em relação à responsabilidade da Arcelormital. Pelo voto de qualidade, foi dado provimento ao Recurso de Ofício, vencidos os Conselheiros Demes Brito, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que negavam provimento. Fizeram sustentação oral a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional, e os advogados dos sujeitos passivos, Dr. Cristiano Augusto Ganz Viotti de Azevedo, OAB/PR 52.102, e Dr. Maurício Sirihal Werkema, OAB/MG 84.062. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Demes Brito. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.667 3 Do lançamento O presente processo se refere a lançamentos inerentes ao Imposto sobre as Importações – II, ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, acrescidos dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei 9.430, de 27/12/1996, e da multa de ofício de 150% (art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996; inciso II, §6º, artigo 80, da Lei nº 4.502/1964; e artigo 19 da Lei nº 10.865/2004). Na data da autuação – 29/03/2010 –, o valor total do crédito tributário foi de R$ 68.326.091,71, conforme Demonstrativo Consolidado (fl. 02vol. 1) e Autos de Infração de fls. 03225. Segundo descreve a Autoridade fiscal (vide fls. 05, 66, 123 e 175), o lançamento foi motivado pelo não atendimento integral da legislação que regulamenta o incentivo à exportação de que trata o drawback suspensão, inerente à modalidade para fornecimento no mercado interno, relativo aos Atos Concessórios nº 20040276295 e 20040281841, emitidos em 04/04/2005 e 07/10/2005, respectivamente, conforme Relatório de Auditoria Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração. A capitulação legal que ensejou o lançamento foi a seguinte: Imposto sobre as Importações: arts. 2º, 103, inciso I, 39, 72, 73, inciso I e § único, 75, 90, 94, 97,106,107, 243, 244, 248, 335, inciso I, art. 336, arts. 338 a 342, 602, 603, incisos I e IV, 604, inciso IV, 613 e 684, todos do Regulamento Aduaneiro/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002; arts. 2º, 69, 72, 73, inciso I e § único, 75, 90, 94, 97, 107, 108, 243, 244, 248, 383 a 392, 400 a 403 do Decreto nº 6.759/2009); art. 5º da Lei nº 8.032/90, com a redação dada pela Lei nº 10.184/2001; art. 3º da Lei nº 11.732/2008; Decreto nº 6.702/2008; Imposto sobre Produtos Industrializados: art. 34, inciso I; art. 123, inciso I, alínea “r”; art. 131, inciso I, alínea “a”, art. 200, inciso I, todos do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social: art. 1o.; art. 3o., inciso I; 4º, inciso I, 5º, inciso I, 7º, inciso I e 8º , inciso II, art. 13, inciso I; arts. 19 e 20, todos da Lei 10.865/2004; arts. 2º, 3º, 482, 483, 485, 491, 504, 602, 604, inciso IV, e 684, todos do Regulamento Aduaneiro/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002; arts. 2º, 3º, 542, 543, 545, 551, 564, 673, 674, e 768, do Decreto nº 6.759/2009. Contribuição para o PIS/PASEP: ; art. 1o.; art. 3o., inciso I; 4º, inciso I, 5º, inciso I, 7º, inciso I e 8º , inciso II, art. 13, inciso I; arts. 19 e 20, todos da Lei 10.865/2004; arts. 2º, 3º, 482, 483, 485, 491, 504, 602, 604, inciso IV, e 684, todos do Regulamento Aduaneiro/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002. O trabalho realizado pelas Autoridades fiscais e a motivação que ensejou o lançamento constam de detalhado RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (fls. 227338), que é parte integrante do Auto de Infração acima referenciado. O relatório citado é composto de INTRODUÇÃO e PARTES I a IV. Na primeira, cita o nº do Mandado de Procedimento Fiscal, define o objeto da ação fiscal (verificação do cumprimento das obrigações fiscais referentes à aplicação do REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO, FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO, concedido à SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA, a qual doravante denominarei Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.668 4 apenas SIEMENS, através dos Atos Concessórios nº 20040276295 e 20040281841, e a correspondente apuração do crédito tributário). As partes I a IV são assim denominadas: PARTE I – LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E REQUISITOS; PARTE II – PROCEDIMENTOS E FATOS APURADOS; PARTE III – CONCLUSÕES; PARTE IV – RELAÇÃO DE DOCUMENTOS. Na PARTE I, a fiscalização define o regime de drawback suspensão, sua natureza jurídica, considerandoa uma isenção sob condição resolutória; trata da submodalidade fornecimento no mercado interno, prevista no artigo 5º da Lei nº 8.032/1990, afirmando que esta visa a proporcionar à empresa nacional maior competitividade nas licitações internacionais; cita doutrina de ARAÚJO e SARTORI, no sentido de que o intuito da lei é promover a entrada de divisas no país; menciona a Lei nº 11.732/2008, que tratou do conceito e dos requisitos de licitação internacional para fins dessa submodalidade; menciona o Decreto nº 6.702/2008, que regulamentou o artigo 3º desta Lei. Ainda na PARTE I, o autuante cita os dispositivos do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) que tratam do regime; cita a Portaria SECEX nº 14/2004, a qual, em seu artigo 58, referese à submodalidade de drawback em relevo, assim como seu artigo 76, que menciona o ganho cambial; transcreve, ainda, o Anexo “E” dessa Portaria, o qual traz regras específicas para essa espécie de drawback. No item 2 dessa parte, a fiscalização discorre sobre os requisitos exigidos para o gozo do incentivo: ganho cambial; importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes; fabricação no país de máquinas e equipamentos; licitação internacional; fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados pelo vencedor da licitação internacional; pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento. No item 3 da PARTE I, trata da competência da RFB a respeito do regime. Sobre isso, a fiscalização afirma, às fls. 258259: “A competência fiscalizadora do DECEX é de natureza auxiliar à da Secretaria da Receita Federal, órgão incumbido da fiscalização do regime e da constituição do crédito tributário respectivo. Tanto isso é verdade que a SRF não está vinculada à conclusão do DECEX. Inúmeros são os julgados em que o Conselho se debruça sobre o cumprimento do ato concessório, a despeito da opinião do DECEX [...]”. Em verdade, o alcance do poder fiscalizador da Secretaria da Receita Federal, in casu, é dúplice. Ela pode tanto anular o ato concessório do drawbacksuspensão para fornecimento no mercado interno, em razão de entender que o contribuinte nunca fez jus ao benefício (o ato concessório foi expedido ilegalmente, e.g., sem que o contribuinte tenha participado de licitação internacional); quanto verificar a ocorrência da condição resolutiva do ato. No primeiro caso, a ação do Fisco é controladora do ato concessório. Ao DECEX compete a expedição do ato de concessão, à SRF o controle de legalidade do ato.[...] No segundo caso, a ação do Fisco é verificadora da resolução do ato. Sabese que o drawbacksuspensão é uma isenção sob condição resolutiva. Isso porque a isenção é concedida com sua validade condicionada a evento futuro e incerto. O não implemento de tal condição implica na extinção do ato concessório sponte sua desde seu nascedouro, haja vista o não cumprimento pelo contribuinte do compromisso e, Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.669 5 com isso, dos requisitos legais. Nesse caso não se trata de nulidade do ato concessório, que é legal, mas pura e simplesmente de sua resolução, em face do não implemento de condição resolutória. [...]”Relativamente à PARTE II do RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (PROCEDIMENTOS E FATOS APURADOS), merecem destaque os seguintes trechos: “1. DOS TERMOS DE INTIMAÇÕES DO PROCEDIMENTO FISCAL E RESPOSTAS 1.1. Dos Termos de Intimação vinculados ao MPF 06151002007 003597 e respostas Determinado o procedimento fiscal através da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n°06151002007003597, foi lavrado em 20/10/2008, com ciência em 23/10/2008, o TERMO INTIMAÇÃO FISCAL Nº 003597, através do qual a empresa fiscalizada foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, os seguintes elementos, relativos ao Ato Concessório de Drawback n° 20040281841:[...] 1.2. Dos Termos de Intimação vinculados ao MPF 06151002009000560 e respostas O Mandado de Procedimento Fiscal 06151002009000560 foi emitido em 16 de fevereiro de 2009, para verificação das operações de importação e fornecimento no mercado interno vinculadas ao ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK nº 20010276295 e ao ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK nº 20040281841,em substituição ao MPF nº 06151002007003597, cujos atos praticados durante o procedimento de fiscalização, termos e documentos vinculados foram convalidados e vinculados ao referido procedimento fiscal.[...] 1.3. Do Termo de Intimação vinculado ao MPF 06151002009004027 O Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 06151002009004027 foi emitido em 20 de novembro de 2009, para proceder à coleta de informações e documentos junto à empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A, CNPJ 17.469.701/000177, sucessora da COMPANHIA SIDERÚRGICA TUBARÃOCST, destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte/responsável SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA, CPF/CNPJ n° 01.564.402/000181. Determinado o procedimento fiscal, foi lavrado em 23/11/2009, com ciência pessoal na mesma data, o Termo de Intimação Fiscal n° 01/06151002009004027, através do qual a empresa diligenciada ARCELORMITTAL BRASIL S/A foi intimada a apresentar, no prazo de 5 dias, os seguintes elementos: 1 Relacionar todos os beneficiários de pagamentos, por número de contrato, CNPJ, razão social e valores, que utilizaram os recursos oriundos do empréstimo concedido pelo European Investment Bank EIB; 2 Declarar qual foi a origem dos recursos utilizados para pagamento da “parcela nacional” do fornecimento objeto do contrato n° 03733441 e do contrato nº 03742791, efetuados à empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA (e sucessora), em território nacional, visto que o montante originário do empréstimo concedido pelo European Investment Bank EIB, que ingressou no país através dos contratos de câmbio n° 05/010274 e n° 05/010276, não foi suficiente para cobrir os desembolsos efetuados. 3 Cópia do Estatuto Social, alterações estatutárias e atas de assembléias, da empresa sucedida Companhia Siderúrgica Tubarão CST, e de suas sucessoras, onde fiquem demonstradas as alterações societárias ocorridas e a situação da atual sucessora. (...) Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.670 6 Em 23/12/2009 a empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A apresentou resposta ao referido Termo de Intimação, com esclarecimentos e documentos anexados. Destacamos os seguintes itens: ‘4. Os empréstimos contraídos com as Instituições Financeiras supracitadas poderiam atingir o total de U$D 210.000.000,00, sendo que o empréstimo contraído junto ao KfW, representou o montante efetivo de U$D 111.000.000,00 e o valor junto ao EIB representou o montante de US$ 70.000.000,00.’ ‘ 7. Conforme se observa da planilha anexa (doc.05), foram empreendidos efetivamente nos contratos de fornecimento n°. 03733441, 03742791 e 03734071, como montante total destinado aos projetos, e no que tange às empresa Paul Wurth, Siemens Vai, SMS Demag e Ferrostal, o valor de R$726.249.720,94, valor este referente a parcela nacional e importada de fornecimento. Ainda conforme demonstrado por esta planilha, e documentos ora acostados, os valores de financiamento contraídos junto ao EIB (doc.06), KfW (doc.07), BNDES e KfW (Doc. 03 e 04) seriam suficientes para suportar todas as operações relacionadas aos acima citados contratos.’ Reproduzimos no quadro abaixo a planilha apresentada pela empresa diligenciada (doc.05 da resposta apresentada), referente aos valores contratados para os projetos e o resumo dos desembolsos efetuados: VALOR DESEMBOLSO PARCELA NACIONAL PARCELA IMPORTADA PROJETO EMPRESA R$ USD R$ USD AF3 VAI TECNOLOGIA 219.633.096,00 77.218.682,00 64.066.085,00 22.524.376,00 PAUL WURTH 72.971.743,00 25.655.431,00 72.765.975,00 25.583.087,00 MAN FERROSTAAL 74.973.992,00 26.359.382,00 17.102.883,00 6.013.038,00 TOTAL PROJETO 367.578.831,00 129.233.495,00 153.934.943,00 54.120.501,00 CONVERTEDOR 3 SMS EMAG 73.793.061,00 25.944.190,00 29.971.302,00 10.537.321,00 TOTAL PROJETO 73.793.061,00 25.944.190,00 29.971.302,00 10.537.321,00 DESGASEIFICAÇÃO VAI TECNOLOGIA 82.303.606,00 27.581.637,00 18.667.978,00 6.256.025,00 TOTAL PROJETO 82.303.606,00 27.581.637,00 18.667.978,00 6.256.025,00 TOTAL DESEMBOLSO 523.675.498,00 182.759.322,00 202.574.223,00 70.913.847,00 Relacionamos no quadro abaixo as fontes de financiamento informadas pela empresa diligenciada para os projetos acima relacionados: FONTES DE FINANCIAMENTO BANCO USD R$ KfW USD 111 111.000.000,00 315.717.000,00 EIB 70.000.000,00 199.101.000,00 BNDES 33.021.059,00 93.921.801,00 KfW USD 85 85.000.000,00 241.765.500,00 TOTAL 299.021.059,00 850.505.301,00 De acordo com os elementos apresentados, apenas o montante do empréstimo concedido pelo banco European Investment Bank EIB, no valor de USD 70.000.000,00, seria utilizado para o desembolso da denominada ‘Parcela Nacional do Fornecimento’, visto que o montante originado da instituição financeira governamental alemã Kreditanstalt für Wiederaufbau KfW seria exclusivamente para pagamentos dos fornecedores domiciliados na União Européia. O valor desembolsado relativo ‘Parcela Nacional do Fornecimento’ totalizou R$ 523.675.498,00 (equivalente a USD 182.759.322,00), conforme demonstrativo apresentado pela empresa diligenciada, superior ao valor ingressado originário do EIB. Analisando os esclarecimentos prestados e documentos apresentados, especialmente os valores reproduzidos nos quadros acima, constatamos que a empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A não logrou êxito em comprovar que a totalidade dos recursos utilizados no desembolso da denominada ‘Parcela Nacional Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.671 7 do Fornecimento’ foi originada de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. (...) 2. DOS FATOS APURADOS 2.1. Da Licitação Internacional – Alto forno nº 3 A empresa Companhia Siderúrgica de Tubarão CST realizou um procedimento de compra para implementação de um novo AltoForno na fábrica da CST (implementation of a new Blast Furnace in CST's plant), que denominou de ‘LICITAÇÃO INTERNACIONAL’. (...) >Proposta Apresentada Regularmente intimada, a empresa fiscalizada apresentou a Proposta Comercial (Commercial Proposal) referente ao convite (Invitation) 03733441, apresentada à empresa licitante em 14/07/2003 (prazo indicado na Carta Convite n° CDE024/03). A Proposta Comercial foi firmada pelo Consórcio de Empresas denominado EUROPEAN CONSORTIUM CST BAST FURNACE N°3, composto pela empresa líder FERROSTAAL AKTIENGESELLSCHAFT GERMANY, FERROSTAAL DO BRASIL COMERCIO E INDUSTRIAL LTDA, VAI INDUSTRIES (UK) LIMITED, VOESTALPINE INDUSTRIA LTDA, PAUL WURTH S.A LUXEMBOURG e PAUL WURTH DO BRASIL LTDA. Não identificamos na proposta original apresentada referência ao regime aduaneiro especial de Drawback. A empresa fiscalizada apresentou também a Proposta Comercial (Commercial Proposal Rev 04A), apresentada à empresa licitante em 02/02/2004, considerando o regime aduaneiro especial de Drawback para a empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA. A proposta apresentada separava os itens relativos ao fornecimento e serviços nacionais (item 1 da proposta), dos itens relativos ao fornecimento e serviços importados (item 2 da proposta). (...) > Decisão da Licitação A empresa fiscalizada apresentou cópia de ofício n° CDE044/04 da COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO, de 14/10/2004, endereçada à empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, onde a empresa licitante declara que ela foi vencedora na concorrência internacional e que a obtenção do Ato Concessório de Drawback foi considerada na formação do preço da proposta apresentada posteriormente negociada, que resultou no Contrato Comercial n° 03733441, assinado em 28/05/2004. Constatamos que a empresa declarada vencedora da licitação internacional VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA não foi convidada a participar do procedimento licitatório, nem a empresa sucessora VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA. > Contrato Por fim, também foi apresentado o denominado "CONTRATO TURNKEY PARA FORNECIMENTO DO ALTO FORNO Nº. 3 CONTRATO NO. 03733441", firmado entre a empresa licitante COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO e VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Ltda., Paul Wurth do Brasil Tecnologia e Equipamentos para Metalurgia Ltda., denominados de "Fornecedores Nacionais", e VAI Industries Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.672 8 (UK) Limited, Ferrostaal Aktiengesellschaft e Paul Wurth S.A., denominados de "Fornecedores Estrangeiros", datado de 28/05/2004. Passamos a analisar o contrato: Em seu preâmbulo, são definidas as partes, de um lado como CONTRATANTE denominada sempre como COMPANHIA, e de outro lado as empresas CONTRATADAS, divididas entre FORNECEDORES NACIONAIS e FORNECEDORES ESTRANGEIROS: FORNECEDORES NACIONAIS: VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, denominada "VAI ES"; Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Ltda, denominada "FSB"; e Paul Wurth do Brasil Tecnologia e Equipamentos para Metalurgia Ltda, denominada "PWBR". FORNECEDORES ESTRANGEIROS: VAI Industries (UK) Limited, companhia organizada e existente sob as leis da Inglaterra, denominada "VAI UK"; Ferrostaal Aktiengesellschaft, companhia organizada e existente sob as leis da Alemanha, denominada "FSE"; e Paul Wurth S.A., companhia organizada e existente sob as leis de Luxemburgo, denominada "PWLU". Também no preâmbulo são definidos os fornecimentos e responsabilidades, que transcrevemos abaixo ‘CONSIDERANDO que os equipamentos e materiais nacionais serão fornecidos à COMPANHIA pelos FORNECEDORES NACIONAIS, e os materiais, produtos intermediários e componentes a serem importados deverão ser adquiridos pelos FORNECEDORES NACIONAIS dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS, para subseqüente transferência para a COMPANHIA, como parte integrante do AF3, sujeitos aos termos e condições estabelecidos neste presente instrumento; e ‘CONSIDERANDO que a fim de atingir os valores de performance garantidos na Seção 12 da Especificação Técnica Contratual, os FORNECEDORES ESTRANGEIROS deverão fornecer à COMPANHIA os Serviços de Supervisão, Comissionamento e Treinamento necessários, conforme previsto na Especificação Técnica Contratual, a qual é parte integrante deste CONTRATO, e os FORNECEDORES ESTRANGEIROS estão preparados para oferecer à COMPANHIA tais Serviços de Supervisão, Comissionamento e Treinamento para o AF3; e ‘CONSIDERANDO que a VAI UK, na capacidade de responsável técnica perante a CST, possuindo a tecnologia relativa ao AF3 a ser fornecida pelos FORNECEDORES NACIONAIS à COMPANHIA e, sob este pressuposto, os FORNECEDORES ESTRANGEIROS, com sua própria tecnologia, acordaram com a COMPANHIA em prestar os serviços correspondentes de forma a que o fornecimento do AF3 pelos FORNECEDORES NACIONAIS satisfaça os valores de performance garantidos, previstos na Seção 12 da Especificação Técnica Contratual;...’(grifos nossos) No preâmbulo, consta de forma inequívoca, que os itens importados seriam fornecidos pelos FORNECEDORES ESTRANGEIROS (VAI Industries UK Limited, Ferrostaal Aktiengesellschaft e Paul Wurth S.A) aos FORNECEDORES NACIONAIS para subsequente transferência à CST. Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS forneceriam também à CST os Serviços de Supervisão, Comissionamento e Treinamento necessários. A tecnologia do Alto Forno fornecido pertencia à VAI Industries UK Limited. Na cláusula segunda está delimitado o escopo do contrato: Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.673 9 2.1Escopo de trabalho da CONTRATADA O escopo deste CONTRATO é o fornecimento pela CONTRATADA para a COMPANHIA do AF3, compreendendo equipamentos, materiais, toda a engenharia, projeto, planejamento, desenhos e projetos detalhados, pessoal especializado e assistência técnica, construção civil, industrialização, prémontagem e montagem, testes a frio e a quente dos componentes e sistemas auxiliares, incluindo supervisão de montagem, comissionamento, início de operação (‘Startup’) e testes de performance, treinamento e outros serviços, bem como todas as operações restantes conforme necessárias e exigidas para o fornecimento do AF3 como um sistema completo, conforme a Especificação Técnica Contratual, de maneira que o AF3 possa atingir os valores de performance garantidos, conforme estabelecido na Seção 12 do Anexo 2 deste instrumento. Segue o referido contrato: 2.2.2 Os FORNECEDORES NACIONAIS comprarão e diretamente importarão todos os materiais, produtos intermediários e componentes, os quais são partes integrantes do AF3, como listado no Anexo 1E, e tais materiais, produtos intermediários e componentes a serem importados serão fornecidos para os FORNECEDORES NACIONAIS pelos FORNECEDORES ESTRANGEIROS, (grifos nossos) 2.2.3 Os preços contratuais dos materiais, produtos intermediários e componentes a serem importados serão pagos pela COMPANHIA diretamente aos FORNECEDORES ESTRANGEIROS ou através do financiamento a ser providenciado na forma da Cláusula 3 deste instrumento, (grifos nossos) Nos itens acima transcritos também fica claro que os itens importados seriam pagos pela CST aos FORNECEDORES ESTRANGEIROS, de forma direta ou através de financiamento, de forma a confirmar que a operação de importação foi realizada entre a CST (real adquirente) e os fornecedores estrangeiros (exportadores efetivos). Sobre os Serviços de Supervisão e Comissionamento a serem prestados pelos FORNECEDORES ESTRANGEIROS: 2.5.1 Para permitir que os FORNECEDORES ESTRANGEIROS cumpram as suas obrigações sob este CONTRATO relativas ao gerenciamento do projeto e supervisão de montagem, "Startup" e comissionamento do AF3, incluindo os testes de performance, de forma tal que os valores de performance garantidos do AF3, conforme estabelecidos na Seção 12 da Especificação Técnica Contratual, sob este CONTRATO sejam atingidos, os FORNECEDORES ESTRANGEIROS enviarão especialistas estrangeiros, até o número necessário, segundo os seus critérios, para cumprir com tais obrigações, conforme estimado na Cláusula 7 deste instrumento, (grifos nossos) 2.5.2 Os especialistas dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS a serem enviados para o Brasil deverão também supervisionar a fabricação nacional, construção civil, montagem e comissionamento e fazer recomendações, sugestões e aconselhamentos à COMPANHIA. Para este fim, os especialistas dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS executarão e entregarão à COMPANHIA a Declaração de Reconhecimento, conforme estabelecido na Cláusula 8 deste instrumento, (grifos nossos) Sobre os Serviços de Treinamento a serem prestados pelos FORNECEDORES ESTRANGEIROS: 2.6.1 Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS deverão treinar os especialistas da COMPANHIA conforme estipulado na Seção 10 da Especificação Técnica Contratual, no Brasil, na usina, com relação à operação e manutenção do AF3, afim que os especialistas da COMPANHIA possam se familiarizar com a operação e manutenção do AF3 para atingir os valores de performance garantidos, conforme estabelecidos na Seção 12 da Especificação Técnica Contratual. Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.674 10 2.6.4 Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS deverão fornecer manuais de treinamento para os especialistas da COMPANHIA conforme os padrões dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS, conforme definido na Especificação Técnica Contratual. Nos itens acima transcritos mais uma vez fica claro a participação dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS como efetivos fornecedores dos itens importados, responsáveis também pela supervisão, montagem e treinamento. Foi previsto no item 2.9.6 do contrato a utilização do benefício do Drawback. A cláusula terceira do contrato tratou do preço contratual. Coube a empresa fiscalizada o montante de R$ 175.525.224,00, referente à parcela nacional do fornecimento. Além desse valor, o contrato tratou também do valor correspondente ao fornecimento da parte importada, a ser recebido pela empresa VAI Industries Limited (VAI UK), nos valores de GBP 4.919.749,00 e EURO 12.394.839,00. O valor contratual devido relativo à ‘parcela nacional’ do fornecimento totalizava R$ 461.330.461,00, assim distribuído: (...) O contrato assim tratou do pagamento da "parcela importada" do fornecimento: 3.2.3 Fornecimento da Parcela Importada somando GBP 4.919.749,00 e Euro 39.678.037,00: 3.2.3.1 GBP 4.919.749,00 e Euro 12.394.839 para a parcela a ser fornecida pela VAI UK; (grifo nosso) 3.2.3.2 Euro 5.192.248,00 para a parcela a ser fornecida pela FSE; (grifo nosso) 3.2.3.3 Euro 22.090.950,00 para a parcela a ser fornecida pela PWLU. (grifo nosso) No item 3.2.3 do contrato reproduzido acima, estava previsto de forma expressa quem efetivamente foi contratado a fornecer os itens importados. Determinou de forma expressa e inequívoca que as empresas estrangeiras VAI Industries UK Limited, Ferrostaal Aktiengesellschaft e Paul Wurth S.A foram efetivamente quem forneceu os itens importados à CST. A cláusula quinta do contrato tratou do pagamento. No item 5.5 constam as ‘Disposições Gerais de Pagamento para as Parcelas Importadas’: 5.5.1 Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS, cada um na sua própriaparcela de materiais, produtos intermediários, componentes e serviçosimportados, deverão receber pagamentos do Preço Contratual para osmateriais, produtos intermediários, componentes e serviços importados,conforme esta Cláusula 5 por meio de desembolso direto das previsões de empréstimo estabelecidas neste instrumento. 5.5.2 Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS deverão emitir suas faturas/documentos relativos a pagamentos para a COMPANHIA/BANCO FINANCIADOR e os pagamentos correspondentes conforme com esta Cláusula 5, deverão ser feitos diretamente pela COMPANHIA ou, sujeitos à aprovação final pelas agências de exportação de crédito pertinentes, pelo BANCO FINANCIADOR, por meio de desembolso direto para os FORNECEDORES ESTRANGEIROS nas moeda(s) correspondente(s), pela utilização de empréstimos, oriundos dos acordos de empréstimo correspondentes, a serem concluídos antes da entrada em vigor do contrato. Se, após a assinatura deste CONTRATO, o detalhamento dos preços, procedimentos de faturamento etc, precisar ser modificado para facilitar os acordos de financiamento e/ou drawback, isto deverá ser incorporado em um Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.675 11 aditamento ao CONTRATO. Neste aditamento, o prêmio do seguro de exportação cobrado pelas respectivas agências de crédito de exportação também deverá ser incluído, (grifo nosso) Também nesses itens o contrato previu o faturamento pelos FORNECEDORES ESTRANGEIROS contra a CST e a previsão de recebimento dos valores, ou diretamente pela CST ou através de financiamento. Em nenhum momento foi previsto que os FORNECEDORES NACIONAIS efetuariam o pagamento aos FORNECEDORES ESTRANGEIROS, confirmando que a operação comercial de importação não foi realizada pela empresa fiscalizada mas pela CST. Também consta do item 5.5.2 do Contrato que o procedimento de faturamento poderia ser modificado para facilitar acordos de financiamento ou drawback, o que indica a possibilidade de alteração no faturamento de forma a caracterizar que a operação foi realizada efetivamente pela empresa fiscalizada e as demais empresas nacionais. No Aditivo n°.1 do referido Contrato, em sua cláusula 5, foram alterados os nomes das empresas contratadas: VOEST ALPINE Industria Ltda, sucessora legal e cessionária da VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda; MAN Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Ltda, anteriormente denominada Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Ltda.; e MAN Ferrostaal Aktiengesellschaft, anteriormente denominada Ferrostaal Aktiengesellschaft. Em seu preâmbulo, o Aditivo n° 1 assim considerou: ‘CONSIDERANDO que as Partes, conforme previsto na Cláusula 5.5.2 do CONTRATO, acordaram em aditar o CONTRATO a fim de atender as exigências das Autoridades financeiras e conforme acordado entre as Partes em conformidade com este Aditivo ao CONTRATO (doravante designado como ADITIVO N°1). (...) ‘CONSIDERANDO que os FORNECEDORES ESTRANGEIROS nomearam a FSE para agir como seu agente e em seu nome (doravante designado como o ‘Agente Financeiro’). O Agente Financeiro será responsável pelo gerenciamento do faturamento e do respectivo pagamento de fundos que sejam pagos da porção de financiamento europeu coberto pela ECA; " No mesmo aditivo, em sua cláusula 3, foram alterados os preços contratuais. O valor contratual devido relativo à ‘parcela nacional’ do fornecimento totalizou R$ 461.680.675,00, assim distribuído: (...) Com o aditivo n° 1, o fornecimento da ‘parcela importada’ totalizou GBP 4.919.749,00 e Euro 40.128.003,00, assim distribuído: •VAIUK= GBP 4.919.749,00 e Euro 12.636.165,00 •FSE= Euro 5.192.248,00 •PWLU= Euro 22.299.590,00 No mesmo aditivo, foram alteradas as redações dos subartigos 5.5.1 a 5.5.5. Transcrevemos os subartigos 5.5.1 e 5.5.2 com a nova redação, relativo às "Disposições Gerais de Pagamento para as Parcelas Importadas: 5.5.1 A FSE, na qualidade de Agente Financeiro, emitirá suas faturas/documentos relativos a pagamentos para a COMPANHIA/BANCO FINANCIADOR (Kreditanstalt für Wiederaufbau "KfW") em conformidade com os Artigos 5.3 e 5.4 deste instrumento, sendo que os pagamentos correspondentes mencionados em 5.3.1.3 e 5.3.1.4 para a Parcela de Fornecimento Importada da VAI UK, 5.3.2.3 e 5.3.2.4 para a Parcela de Fornecimento Importada da FSE, 5.3.3.3 e 5.3.3.4 para a Parcela de Fornecimento Importada da PWLU, 5.4.1.3 para a Parcela de Serviços Importada da VAIUK, 5.4.2.3 para a Parcela de Serviços Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.676 12 Importada da FSE, 5.4.3.3 para a Parcela de Serviços Importada da PWIU e 5.4.4.3 para os Serviços de Montagem Elétrica e 5.4.5.3 para os Serviços de Montagem de Refratários serão feitos pelo BANCO FINANCIADOR (KfW) por meio de desembolso direto aos FORNECEDORES ESTRANGEIROS na(s) respectiva(s) moeda(s), usando financiamento relativo aos contratos de financiamento correspondentes a serem finalizados antes da entrada em Vigor deste instrumento. Com a aprovação da Agência de Crédito de Exportação, o desembolso conforme 5.4.4.3 e 5.4.5.3 para a subcontratadas que prestam os serviços de montagem elétrica e de refratários será feito pelo BANCO FINANCIADOR (KfW) em nome dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS pela FSE, agindo como Agente Financeiro, e será reembolsado à COMPANHIA. 5.5.2 Em vista da atuação da FSE como Agente Financeiro, a FSE terá o direito de receber pagamentos do Preço Contratual para os materiais, produtos intermediários e componentes importados, serviços nacionais e importados de montagem elétrica e de refratários conforme esta Cláusula 5 por meio de desembolso direto das linhas de financiamento aqui descritas. Se, após a assinatura deste CONTRATO, o detalhamento dos preços, procedimentos de faturamento etc, precisar ser modificado para facilitar os acordos de financiamento e/ou drawback, isto deverá ser incorporado em um aditamento ao CONTRATO. Neste aditamento, o prêmio do seguro de exportação cobrado pelas respectivas agências de crédito de exportação também deverá ser incluído, (grifo nosso) Constatamos que estava previsto no Contrato que a empresa Ferrostaal Aktiengesellschaft (FSE), na qualidade de Agente Financeiro, emitiria as faturas relativas às "parcelas de fornecimento importada" para a CST e para o KfW (Banco Financiador), em substituição às empresas estrangeiras VAI Industries UK Limited e Paul Wurth S.A. Portanto, as operações relativas à "parcela de fornecimento importada" efetuadas pela empresa VAI Industries UK Limited, foram faturadas pela empresa Ferrostaal Aktiengesellschaft, na qualidade de Agente Financeiro, mas o fornecimento continuou contratualmente de responsabilidade da empresa estrangeira VAI Industries UK Limited. No Aditivo n°.2 do referido Contrato, em sua cláusula 3, foram alterados os preços contratuais. O valor contratual devido relativo à "parcela nacional" do fornecimento totalizou R$ 468.141.345,00, assim distribuído: (...) Com o aditivo n° 2, o fornecimento da "parcela importada" totalizou GBP 4.919.749,00 e Euro 40.128.003,00, assim distribuído: •VAIUK= GBP 4.919.749,00 e Euro 12.636.165,00 •FSE=Euro 5.192.248,00 •PWLU = Euro 22.299.590,00 No mesmo aditivo, em sua cláusula 4, constam as seguintes observações sobre o faturamento do contrato: Devido ao fato de que a unidade da Voest Alpine Indústria Ltda. situada no Estado do Espírito Santo ("VAI MSES") é a responsável pelas atividades necessárias à execução do CONTRATO tais como compras e gestão, porém não se limitando a isso, o faturamento do CONTRATO será efetuado pela VAI MSES. Devido ao fato de que a unidade da MAN Ferrostaal Comércio e Indústria Ltda. situada no Estado do Espírito Santo ("FSES") é a responsável pelas atividades necessárias à execução do CONTRATO tais como compras e gestão, porém não se limitando a isso, o faturamento do CONTRATO será efetuado pela FSES. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.677 13 4.1 Devido ao fato de que a unidade da Paul Wurth do Brasil Tecnologia e Equipamentos para Metalurgia Ltda. situada no Estado do Espírito Santo ("PWES") é a responsável pelas atividades necessárias à execução do CONTRATO tais como compras e gestão, porém não se limitando a isso, o faturamento do CONTRATO será efetuado pela PWES. No Aditivo n°.3 do referido Contrato, em sua cláusula 3, foram alterados os preços contratuais. O valor contratual devido relativo à "parcela nacional" do fornecimento totalizou R$ 474.121.626,00, assim distribuído: (...) Com o aditivo n° 3, o fornecimento da "parcela importada" totalizou GBP 4.919.749,00 e Euro 40.128.003,00, assim distribuído: • VAIUK= GBP 4.919.749,00 e Euro 12.636.165,00 • FSE= Euro 5.192.248,00 • PWLU = Euro 22.299.590,00 Seguiu o Aditivo n° 4. Em resumo, com base no "CONTRATO TURNKEY PARA FORNECIMENTO DO ALTO FORNO N°.3 CONTRATO NO. 03733441" e aditivos, constatamos os seguintes fatos: A empresa licitante CST contratou a empresa luxemburguesa VAI Industries UK Limited como FORNECEDOR ESTRANGEIRO dos itens importados, contra pagamento no montante de € 12.636.165,00 e 4.919.749,00 libras esterlinas. O faturamento das operações relativas à "parcela de fornecimento importada" efetuadas pela empresa VAI Industries UK Limited, foi efetivada pela empresa Ferrostaal Aktiengesellschaft, na qualidade de Agente Financeiro. Foi previsto no Contrato que o pagamento relativo aos itens importados seriam feitos através de financiamento obtido junto ao KfW (Banco Financiador). A empresa licitante CST contratou a empresa brasileira VOEST ALPINE Indústria Ltda como FORNECEDOR NACIONAL, contra pagamento no montante de R$ 184.000.845,00. (...) 2.2. Da Licitação Internacional – Estação de desgaseificação à vácuo A empresa Companhia Siderúrgica de Tubarão CST realizou um procedimento de compra para implementação de uma nova Estação de Desgaseificação à Vácuo na Usina Siderúrgica da CST (implementation of a new Vacuum Desgasser Station in CST's Steelworks), que denominou de ‘LICITAÇÃO INTERNACIONAL’. (...) >Proposta Apresentada Regularmente intimada, a empresa fiscalizada apresentou a Proposta Comercial (Commercial Proposal) referente ao convite (Invitation) 03742791, apresentada à empresa licitante em 15/09/2003 (prazo indicado na Carta Convite n° CDE043/03). Não identificamos na proposta original apresentada referência ao regime aduaneiro especial de Drawback. A empresa fiscalizada apresentou também a Proposta Comercial Revisão nº 03(Commercial Proposal Rev 03), apresentada à empresa licitante em 23/03/2004, considerando o regime aduaneiro especial de Drawback. Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.678 14 (...) > Decisão da Licitação A empresa fiscalizada apresentou cópia de ofício n° CDE048/04 da COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO, de 14/10/2004, endereçada à empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, onde a empresa licitante declara que ela foi vencedora na concorrência internacional e que a obtenção do Ato Concessório de Drawback foi considerada na formação do preço da proposta apresentada posteriormente negociada, que resultou no Contrato Comercial n° 03742791, assinado em 28/06/2004. Constatamos que a empresa declarada vencedora da licitação internacional VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA não foi convidada a participar do procedimento licitatório, nem a empresa sucessora VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA. > Contrato Por fim, também foi apresentado o denominado "CONTRATO TURNKEY PARA FORNECIMENTO DO RH2 CONTRATO NO. 03742791", firmado entre a empresa licitante COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO e VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda e VAI FUCHS GmbH Technometal, datado de 28/05/2004. Passamos a analisar o contrato: Em seu preâmbulo, são definidas as partes, de um lado como CONTRATANTE denominada sempre como COMPANHIA, e de outro lado as empresas CONTRATADAS, divididas entre FORNECEDOR NACIONAL e FORNECEDOR ESTRANGEIRO: FORNECEDOR NACIONAL: VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, denominada "VAI ES"; FORNECEDOR ESTRANGEIRO: VAI FUCHS GmbH Technometal, companhia organizada e existente sob as leis da Alemanha, denominada "VAI TM"; (...) No preâmbulo, consta de forma inequívoca, que os itens importados seriam fornecidos pelo FORNECEDOR ESTRANGEIRO (VAI FUCHS GmbH Technometal) ao FORNECEDOR NACIONAL para subsequente transferência à CST. O FORNECEDOR ESTRANGEIRO forneceria também à CST os Serviços de Supervisão, Comissionamento e Treinamento necessários. Na cláusula segunda está delimitado o escopo do contrato: (...) fica claro que os itens importados seriam pagos pela CST ao FORNECEDOR ESTRANGEIRO VAI FUCHS GmbH Technometal, de forma direta ou através de financiamento, de forma a confirmar que a operação de importação foi realizada entre a CST (real adquirente) e o fornecedor estrangeiro VAI FUCHS GmbH Technometal (exportador efetivo). (...) A cláusula quinta do contrato tratou do pagamento. No item 5.1.8 constam as ‘Disposições Gerais de Pagamento para as Parcelas Importadas’: Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.679 15 (...) Também nesses itens o contrato previu o faturamento pelo FORNECEDOR ESTRANGEIRO contra a CST e a previsão de recebimento dos valores, ou diretamente pela CST ou através de financiamento. Em nenhum momento foi previsto que o FORNECEDOR NACIONAL efetuaria o pagamento ao FORNECEDOR ESTRANGEIRO, confirmando que a operação comercial de importação não foi realizada pela empresa fiscalizada mas pela CST. (...) 2.3. Do Ato Concessório n° 20040276295 A empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, CNPJ 05.886.887/000180, através de correspondência datada de 18/10/2004, e dirigida ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, SECEX/DECEX/CGME (registro da data do protocolo de forma manuscrita com a data de 20/10/2004), formalizou pedido para a concessão de regime de drawback para fornecimento no mercado interno, modalidade suspensão, destinados a amparar a importação de materiais e componentes a serem utilizados na fabricação, instalação e montagem, em sistema turnkey, do altoforno nº 3, a ser fornecido no mercado interno à Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, situada no município de Serra, ES. A empresa informou ainda que a venda era decorrente de licitação internacional, destinada à expansão para 7,5 milhões de toneladas/ano da produção da licitante de placas de aço e bobinas laminadas a quente. Informou ainda que a implantação desse projeto industrial estava sendo desenvolvida pelo consórcio liderado por ela (VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, integrado também pelas consorciadas PAUL WURTH DO BRASIL TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS PARA METALURGIA LTDA e FERROSTAAL DO BRASIL COMERCIO E INDÚSTRIA LTDA, sendo cada empresa responsável, individualmente, pela sua operação de drawback. Relacionou na referida correspondência os elementos anexados para análise do SECEX e informou os valores da operação. A empresa declarou que a empresa licitante, CST, cobriria o valor total do fornecimento no mercado interno pelos financiamentos obtidos nas instituições financeiras internacionais, KfW da Alemanha, e EIB da União Européia. A empresa VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA através de correspondência datada de 08/11/2004, e dirigida ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, SECEX/DECEX/CGME (registro do protocolo de forma manuscrita com a data de 12/11/2004), aditou o pedido para a concessão de regime de drawback, substituindo a possível beneficiária anteriormente identificada VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA pela sua sucessora VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA, CNPJ 01.564.402/000181. O Ato Concessório de Drawback n° 20040276295 foi registrado em 04/04/2005 para a empresa VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA, CNPJ 01.564.402/000181. Em 13/09/2005, através de correspondência datada de 12/09/2005, com a referência CST800/DB01/05, a empresa VOESTALPINE Indústria Ltda, solicitou Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.680 16 ajustes nos valores do Ato Concessório, devido a ajustes cambiais das moedas Libra e Euro em relação ao dólar. Resumimos no quadro abaixo os dados básicos do Ato Concessório: NÚMERO 20040276295 TIPO FORNECIMENTO MERCADO INTERNO GENÉRICO CNPJ BENEFICIÁRIO 01.564.402/000181 RAZÃO SOCIAL VOESTALPINE INDÚSTRIA LTDA (SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA) DATA DE REGISTRO 04/04/2005 DATA DE VALIDADE 04/04/2007 ITENS IMPORTADOS PARTES, PEÇAS, COMPONENTES, BENS INTERMEDIÁRIOS, MÁQUINAS, MATÉRIAS PRIMAS, INCLUINDO SOBRESSALENTES DE OPERAÇÃO PARA FABRICAÇÃO DE UM ALTO FORNO NCM IMPORTAÇÃO GENÉRICO VR TOTAL IMP – CIF USD 24.468.619,00 ITEM EXPORTADO* ALTOFORNO NCM EXPORTAÇÃO * 84178090 VR TOTAL EXP* ALTORIZAD O FOB USD 74.100.494,00 *FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO (...) 2.4. Do Ato Concessório n° 20040281841 A empresa VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, CNPJ 05.886.887/000180, através de correspondência datada de 19/10/2004, e dirigida ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, SECEX/DECEX/CGME (registro da data do protocolo de forma manuscrita com a data de 20/10/2004), formalizou pedido para a concessão de regime de drawback para fornecimento no mercado interno, modalidade suspensão, destinados a amparar a importação de materiais e componentes a serem utilizados na fabricação e montagem de uma estação de desgaseificação a vácuo RH nº 2, a ser fornecida no mercado interno à Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, situada no município de Serra, ES. A empresa informou ainda que a venda era decorrente de licitação internacional, destinada à expansão para 7,5 milhões de toneladas/ano da produção da licitante de placas de aço e bobinas laminadas a quente. Relacionou na referida correspondência os elementos anexados para análise do SECEX e informou os valores da operação. A empresa declarou que a empresa licitante, CST, cobriria o valor total do fornecimento no mercado interno pelos financiamentos obtidos nas instituições financeiras internacionais, KfW da Alemanha, e EIB da União Européia. O Ato Concessório de Drawback n° 20040281841 foi registrado em 07/10/2005 para a empresa VOEST – ALPINE INDÚSTRIA LTDA, CNPJ 01.564.402/000181. Resumimos no quadro abaixo os dados básicos do Ato Concessório: NÚMERO 20040281841 TIPO FORNECIMENTO MERCADO INTERNO GENÉRICO CNPJ BENEFICIÁRIO 01.564.402/000181 RAZÃO SOCIAL VOESTALPINE INDÚSTRIA LTDA (SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA) DATA DE REGISTRO 07/10/2005 Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.681 17 DATA DE VALIDADE 07/10/2007 ITENS IMPORTADOS PARTES, PEÇAS, COMPONENTES, BENS INTERMEDIÁRIOS, MÁQUINAS, MATÉRIAS PRIMAS, INCLUINDO SOBRESSALENTES DE OPERAÇÃO PARA FABRICAÇÃO DE UMA ESTAÇÃO DE DESGASEIFICAÇÃO DE AÇO LÍQUIDO, A VÁCUO RH. NCM IMPORTAÇÃO GENÉRICO VR TOTAL IMP – CIF USD 6.994.527,00 ITEM EXPORTADO* ALTOFORNO NCM EXPORTAÇÃO * 84541000 VR TOTAL EXP* ALTORIZAD O FOB USD 18.795.892,00 *FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO (...) 2.6. Da importação – Ato Concessório nº 20040276295 (...) 2.6.2. Dos pagamentos das importações efetuadas Todas as importações efetuadas vinculadas ao Ato Concessório de Drawback 20040276295 foram originárias da Alemanha, no valor total de US$ 23.367.128,37 (FOB). Em moeda original negociada, os valores das importações, incoterm CPT, totalizaram 4.730.399,24 libras esterlinas e € 12.636.511,25. O exportador declarado, MANN FERROSTAAL AG, é a empresa líder do consórcio de empresas denominado EUROPEAN CONSORTIUM CST BAST FURNACE N°3, vencedor da licitação internacional, e nomeado como Agente Financeiro pela empresa contratada VAI Industries Limited (VAI UK), responsável pelo fornecimento da "Parcela Importada". Regularmente intimada, a empresa fiscalizada apresentou os seguintes contratos de câmbio, relativos aos pagamentos vinculados às importações realizadas. CONTRATO DE CAMBIO N° 04/119111 DE 09/12/2004 MOEDA 978 EURO VALOR 1.895.424,75 NATUREZA DA OPERAÇÃO: IMPORTAÇÃO GERAL RECEBEDOR: MAN FERROSTAAL AKTIENGESELLSCHAFT AG FATURA: 12/4948LE CONTRATO DE CAMBIO N° 04/119119 DE 09/12/2004 MOEDA 540 LIBRA ESTERLINA VALOR 737.962,35 NATUREZA DA OPERAÇÃO: IMPORTAÇÃO GERAL RECEBEDOR: MAN FERROSTAAL AKTIENGESELLSCHAFT AG FATURA: 12/4945LE Constatamos que os valores relativos aos contratos de câmbio acima identificados representaram 15% do total importado, (incoterm CPT). Para os valores restantes, constam nas DIs a seguinte informação: ‘A CONTRATAÇÃO DO CAMBIO, REFERENTE A PARCELA DOSINSUMOS IMPORTADOS PARA PAGAMENTO A PRAZO, SERAREALIZADA PELA COMPANHIA SIDERUGICA DE TUBARÃO CST, TOMADORA DO FINANCIAMENTO EXTERNO CONCEDIDOPOR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS,,CONFORME DEFINIDO PELO ART. 5, DA LEI No. 8.032/90’. ... CONDIÇÕES DE PAGAMENTO: EMPRESA IMPORTADORA: VOESTE ALPINE INDUSTRIA LTDA. Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.682 18 CONTRATANTE DO FINANCIAMENTO: COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARAO CST ENTIDADE FINANCIAMENTO: KFW KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU 15% EQUIVALENTE A EURO 123.396,09 – PAGO ANTECIPADAMENTE ATRAVÉS DO CONTRATO DE CAMBIO No. 04/119111, DO BANCO ITAU S/A; 85% EQUIVALENTE A EURO 699.244,54 A SER RECEBIDO PELA EMPRESA FORNECEDORA DIRETAMENTE DO BANCO KFW KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU CONFORME CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE 21/07/2004, FIRMADO ENTRE O BANCO KFW E A CST FORMALIZADO ATRAVÉS DO ROF No. TA317842 DE 01/12/2004. ALEM DO FINANCIAMENTO MENCIONADO, TAMBÉM AMPARA ESTE PROJETO OS FINANCIAMENTOS EXTERNOS CONCEDIDOS PELO KFW KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU CONFORME ROF No.TA328287, DE 21/02/2005, PELO EIB EUROPEAN INVESTMENT BANK CONFORME ROF No.TA306105, DE 01/09/2004. (texto copiado da DI nº 05/07605025. Para as demais DI´s constam texto semelhante) (...) 2.7. Da importação – Ato Concessório nº 20040081841 (...) 2.7.2. Dos pagamentos das importações efetuadas Todas as importações efetuadas vinculadas ao Ato Concessório de Drawback 20040291841 foram originárias da Alemanha, no valor total de US$ 15.835.379,03(FOB). Em moeda original negociada, os valores das importações totalizaram €5.605.361,97, (incoterm CFR e CPT). Acrescentando o valor total do frete prepaid (€49.745,78), totalizamos €5.655.100,78. Regularmente intimada, a empresa fiscalizada apresentou os seguintes contratos de câmbio, relativos aos pagamentos vinculados às importações realizadas. CONTRATO DE CAMBIO N° 04/126741 DE 29/12/2004 MOEDA 978 EURO VALOR 854.453,26 NATUREZA DA OPERAÇÃO: IMPORTAÇÃO GERAL RECEBEDOR: VAI FUCHS GMBH FATURA: 62/2004 Constatamos que os valores relativos aos contratos de câmbio acima identificados representaram 15% do total importado, (no incoterm informado). Para os valores restantes, constam nas DIs a seguinte informação: ‘A CONTRATAÇÃO DO CAMBIO, REFERENTE A PARCELA DOSINSUMOS IMPORTADOS PARA PAGAMENTO A PRAZO, SERAREALIZADA PELA COMPANHIA SIDERUGICA DE TUBARÃO CST, TOMADORA DO FINANCIAMENTO EXTERNO CONCEDIDOPOR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS,,CONFORME DEFINIDO PELO ART. 5, DA LEI No. 8.032/90’. ... CONDIÇÕES DE PAGAMENTO: EMPRESA IMPORTADORA: VOESTE ALPINE INDUSTRIA LTDA. CONTRATANTE DO FINANCIAMENTO: COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARAO CST ENTIDADE FINANCIAMENTO: KFW Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.683 19 KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU 15% EQUIVALENTE A EURO 573.720,16 – PAGO ANTECIPADAMENTE ATRAVÉS DO CONTRATO DE CAMBIO No. 04/126741, DO BANCO ITAU S/A; 85% EQUIVALENTE A EURO 3.251.080,90 A SER RECEBIDO PELA EMPRESA FORNECEDORA DIRETAMENTE DO BANCO KFW KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU CONFORME CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE 21/07/2004, FIRMADO ENTRE O BANCO KFW E A CST FORMALIZADO ATRAVÉS DO ROF No. TA323142 DE 06/01/2005. ALEM DO FINANCIAMENTO MENCIONADO, TAMBÉM AMPARA ESTE PROJETO OS FINANCIAMENTOS EXTERNOS CONCEDIDOS PELO KFW KREDISTANSAFALT FUR WIEDERAUFBAU CONFORME ROF No.TA328287, DE 21/02/2005, PELO EIB EUROPEAN INVESTMENT BANK CONFORME ROF No.TA306105, DE 01/09/2004. (texto copiado da DI nº 05/10073314. Para as demais DI´s constam texto semelhante) (...) 2.8. Do financiamento externo Devidamente intimada, a empresa fiscalizada apresentou cópias da tradução juramentada dos Contratos de Financiamento para expansão da usina siderúrgica da CST, juntamente com as cópias das traduções juramentadas, firmados com o banco governamental estrangeiro KfW e com a instituição financeira estrangeira European Investment Bank. 2.8.1. Do contrato firmado entre o Banco KfW e a empresa offshore CST Overseas Ltd. A empresa fiscalizada apresentou cópia do contrato denominado ACORDO ESTRUTURAL para a Concessão de Empréstimos Individuais (FRAMEWORK AGREEMENT for the Granting of Individual Loans), datado de 21 de julho de 2004, firmado entre a empresa offshore CST Overseas Ltd., Georgetown, Grand Cayman Islands e KfW, Frankfurt am Main, para financiamento de equipamento e serviço para a Expansão da Usina Siderúrgica da CST. De acordo com o contrato são definidos os seguintes termos: >Borrower (Tomadora): CST Overseas Ltd., Georgetown, Grand Cayman Islands > CST: Companhia Siderúrgica de Tubarão >Bank (Banco): KfW. Frankfurt am Main > Project (Projeto): Expansão da usina siderúrgica da CST >Exporters (Exportadores): Fornecedores domiciliados na União Européia >Export Contracts (Contratos de Exportação): Contratos de exportação firmados com os fornecedores domiciliados na União Européia Também de acordo com o contrato, a tomadora (CST Overseas Ltd.) e a CST firmaram um Contrato de Agenciamento datado de 21/07/2004, onde a Tomadora concordou em efetuar pagamentos em nome da CST, de valores devidos pela CST aos Exportadores, nos termos dos respectivos Contratos de Exportação. Reproduzimos a seguir os itens 1.1 e 1.2 do artigo 1º do referido contrato, onde são definidos o valor e o objeto: (...) Artigo 1º Valor e Objeto 1.1Baseado nos contratos de empréstimos individual a serem celebrados nos termos deste Acordo Estrutural ("Contratos de Empréstimo Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.684 20 Individual") a KfW concederá à Tomadora empréstimos individuais ("Empréstimos Individuais") que não excedam o valor total de USD 140.000.000,00 (por extenso: cento e quarenta milhões de dólares NorteAmericanos) ("Valor Total"). 1.2Os Empréstimos Individuais deverão ser utilizados pela Tomadora exclusivamente para financiar indiretamente os Contratos de Exportação denominados em EUROS ("Contratos EUR"), em Libras GBP ("Contratos GBP") ou em Dólares NorteAmericanos USD ("Contratos USD"), a serem celebrados entre a CST e os Exportadores relacionados ao Projeto e mencionados nos respectivos Contratos de Empréstimo Individual. O financiamento estará limitado a 85% do total do valor do pedido de cada Contrato de Exportação ("Preço Total"). No caso em que o Preço Total seja reduzido durante o período de desembolso, a KfW reduzirá o respectivo Empréstimo Individual proporcionalmente. Do contrato extraímos que os empréstimos deveriam ser utilizados exclusivamente para financiar os Contratos de Exportação, celebrados entre a CST e os Exportadores, definidos como sendo os fornecedores domiciliados na União Européia. Portanto, concluise que os empréstimos somente poderiam ser utilizados para pagar os fornecedores domiciliados na União Européia, e não fornecedores da CST domiciliados no Brasil, como é o caso da empresa fiscalizada. A empresa fiscalizada não apresentou os Contratos de Empréstimos Individuais, nem os Contratos de Exportação para análise da fiscalização. (...) 2.8.2. Do contrato firmado entre a instituição financeira European Investment Bank e a empresa licitante Companhia Siderúrgica Tubarão A empresa fiscalizada apresentou cópia do contrato denominado CONTRATO DE FINANCIAMENTO (FINANCE CONTRACT), datado de 21 de julho de 2004, firmado entre a entre o European Investment Bank e Companhia Siderúrgica de Tubarão, para financiamento do Projeto de Expansão da CST. De acordo com o contrato são definidos os seguintes termos: >Borrower (Tomadora): Companhia Siderúrgica de Tubarão >Bank (Banco): European Investment Bank > Project (Projeto): Construção e operação de um terceiro alto forno em uma grande usina siderúrgica integrada já existente para a produção de placas de aço >Amount of Credit (Valor do Crédito): €56.540.000 (cinqüenta e seis milhões e quarenta mil Euros), equivalente a US$ 70.000.000 (setenta milhões de Dólares) O montante do empréstimo concedido pelo banco European Investment Bank EIB, no valor de USD 70.000.000,00, ingressou em território nacional amparado pelos contratos de câmbio n° 05/010274 e n° 05/010276, correspondente a R$180.481.800,00. De acordo com a planilha apresentada pela empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A, o valor desembolsado relativo "Parcela Nacional do Fornecimento" totalizou R$ 523.675.498,00 (equivalente a USD 182.759.322,00), superior ao valor ingressado originário do EIB. VALOR DESEMBOLSO PARCELA NACIONAL PROJETO EMPRESA R$ USD % AF3 VAI TECNOLOGIA 219.633.096,00 77.218.682,00 42,25% PAUL WURTH 72.971.743,00 25.655.431,00 14,04% MAN FERROSTAAL 74.973.992,00 26.359.382,00 14,42% TOTAL PROJETO 367.578.831,00 129.233.495,00 70,71% CONVERTEDOR 3 SMS DEMAG 73.793.061,00 25.944.190,00 14,20% Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.685 21 TOTAL PROJETO 73.793.061,00 25.944.190,00 14,20% DESGASEIFICAÇÃO VAI TECNOLOGIA 82.303.606.00 27.581.637,00 15,09% TOTAL PROJETO 82.303.606,00 27.581.637,00 15,09% TOTAL DESEMBOLSO 523.675.498,00 182.759.322,00 100,00% (...) 2.8.3. Das constatações relativas ao financiamento externo O artigo 5º da Lei 8.032/90 determina que o fornecimento no mercado interno em decorrência de licitação internacional, será efetuado contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. O financiamento é do contrato de fornecimento. Relativo ao empréstimo concedido pelo banco KfW: >Constatamos que não existe Contrato de Financiamento externo firmado entre o banco KfW e a empresa licitante Companhia Siderúrgica de Tubarão. O contrato apresentado foi firmado entre o banco KfW e a empresa offshore CST Overseas Ltd, que não faz parte do processo de fornecimento em questão. >Constatamos também que os empréstimos concedidos pelo banco KfW deveriam ser utilizados exclusivamente para financiar os Contratos de Exportação, celebrados entre a CST e os Exportadores, definidos como sendo os fornecedores domiciliados na União Européia. Portanto, concluise que os empréstimos somente poderiam ser utilizados para pagar os fornecedores domiciliados na União Européia, e não fornecedores da CST domiciliados no Brasil, como é o caso da empresa fiscalizada. Relativo ao empréstimo concedido pelo EIB: >O montante financiado USD 70.000.000 (setenta milhões de dólares), correspondente a R$180.481.800,00, não foram suficientes para pagar os valores contratados relativos a "parcela nacional" do fornecimento. (...)”No item 2.9, ainda da PARTE II do RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (PROCEDIMENTOS E FATOS APURADOS), a fiscalização discorre sobre o fornecimento no mercado interno. No subitem 2.9.1, trata dos produtos fornecidos no mercado interno vinculados ao Ato Concessório nº 20040276295. No subitem 2.9.1.1, trata do recebimento pelos fornecimentos relativos a esse AC. No subitem 2.9.2 trata dos produtos fornecidos no mercado interno vinculados ao Ato Concessório nº 20040281841. No subitem 2.9.2.1, trata do recebimento pelos fornecimentos relativos a esse AC.: “2.9.1.1. Do recebimento financeiro da venda/fornecimento A empresa fiscalizada foi intimada a declarar qual foi a forma de recebimento dos valores, relativos ao fornecimento dos itens produzidos, vinculados ao ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK n° 20040276295 (pagamentos efetuados pela empresa cliente, CST), com o detalhamento das datas de recebimento, dos valores recebidos, dos documentos vinculados (notas fiscais, duplicadas, declarações de importação, etc) e da natureza de cada pagamento; no caso de pagamento efetuado pela empresa cliente (CST) a terceiros, declarar qual foi a natureza dos pagamentos, as datas, os valores e os documentos vinculados (notas fiscais, duplicatas, declarações de importação, etc). Em resposta apresentou a seguinte declaração: Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.686 22 ‘Os valores recebidos pela empresa ora intimada, relativos ao fornecimento dos itens produzidos, vinculados ao Ato Concessório supracitado, ocorreram através de depósitos bancários em conta corrente n° 267105, agência 1403 (Agência Corporate), Banco Itaú (341) e conta corrente n° 18647822, agência 0016, Banco de Boston (479), realizados pela empresa cliente (CST) e referemse às notas fiscais 425 e 426 apresentadas no item 3.1 do Termo de Intimação Fiscal protocolo 13/03/2009. (...) A nota fiscal 427 referente ao faturamento da mercadoria importada foi paga parcialmente, através do depósito bancário efetuado no dia 09/12/2004, no banco Itaú S/A, agência 1403, conta 267105. (...)’ A empresa apresentou também uma planilha de controle financeiro, denominada “PROJECT 800 FINANCIAL CONTROL”, com as descrições dos eventos, os valores devidos, as datas, as invoices, os valores recebidos e as datas de recebimentos, totalizando R$ 171.751.359,51. De acordo com o Relatório Unificado de Drawback Exportação (RUD) do Ato Concessório de Drawback nº 20040276295, e de acordo com a previsão legal, a empresa fiscalizada deveria ter recebido da Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, o valor total de US$ 116.004.762,36, referente ao fornecimento do produto, objeto do Contrato de Fornecimento nº 03733441, em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, ou por entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES com recursos captados no exterior. Entretanto, o valor correspondente a US$ 29.219.931,39 do montante informado, relativo aos itens importados, foi pago diretamente ao fornecedor estrangeiro pela empresa CST ou por sua conta e ordem. Não houve o ingresso de divisas no país decorrente do pagamento em moeda de livre conversibilidade, relativo ao fornecimento no mercado interno, da parcela "importada" do contrato. Tal fato corrobora com a constatação já relatada de que a "parcela importada" do fornecimento foi contratada junto com a empresa estrangeira VAI Industries Limited (VAI UK), e não com a empresa brasileira VOEST ALPINE Indústria Ltda, sucessora legal e cessionária da VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda. O montante relativo à parcela "nacional" do fornecimento, a ser paga pela empresa licitante CST, que totalizou R$ 188.765.685,84 se considerarmos as notas fiscais de saídas emitidas, ou R$ 184.000.845,00 se considerarmos o total contratado, também deveria ser liquidado com recursos oriundos de financiamento externo, com o efetivo ingresso de divisas no país. Devidamente intimada a comprovar que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST foram feitos em moeda conversível com recursos oriundos de financiamento externo, a empresa fiscalizada apresentou os seguintes contratos de câmbio, acompanhados de cópia dos ROFs referente ao contrato de financiamento externo firmado com o EIB: CONTRATO DE CAMBIO DATA BANCO PAGADOR NO EXTERIOR NATUREZA DA OPERAÇÃO VR EM USS VALOR EM R$ 05/010274 23/02/2005 B.BRASIL EUROPEAN IN V.BANK EMP.RES.BRASIL EMPRÉSTIMOS DIRETOS 19.000.000,00 48.963.000,00 05/010276 23/02/2005 B.BRASIL EUROPEAN INV.BANK EMP.RES.BRASIL EMPRÉSTIMOS DIRETOS 51.000.000,00 131.518.800,00 TOTAL 70.000.000,00 180.481.800,00 A empresa também apresentou declaração firmada pela ArcelorMittal Brasil S.A, sucessora da Companhia Siderúrgica Tubarão CST, informando a existência Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.687 23 dos contratos de financiamento com o KfW e com o EIB. Informa que os recursos disponibilizados pelo EIB seguiram a forma de desembolso por transferência internacional de recursos com o seu respectivo transito no país, e os recursos disponibilizados pelo KfW seguiram o desembolso no exterior. A empresa ARCELORMITTAL foi devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados no desembolso da denominada "Parcela Nacional do Fornecimento", mas não logrou êxito, visto que de acordo com os elementos apresentados, apenas o montante do empréstimo concedido pelo EIB, no valor de USD 70.000.000,00, foi utilizado para o desembolso da denominada "Parcela Nacional do Fornecimento". O montante originado do KfW foi utilizado exclusivamente para pagamentos dos fornecedores domiciliados na União Européia. O valor desembolsado relativo "Parcela Nacional do Fornecimento" totalizou R$ 523.675.498,00 (equivalente a USD 182.759.322,00), conforme demonstrativo apresentado pela empresa diligenciada, superior ao valor ingressado originário do EIB. Reproduzimos novamente nos quadros abaixo a planilha apresentada pela empresa ARCELORMITTAL, referente aos desembolsos efetuados por projeto e as fontes de financiamento: VALOR DESEMBOLSO PARCELA NACIONAL PARCELA IMPORTADA PROJETO EMPRESA R$ USD R$ USD AF3 VAI TECNOLOGIA 219.633.096,00 77.218.682,00 64.066.085,00 22.524.376,00 PAUL WURTH 72.971.743,00 25.655.431,00 72.765.975,00 25.583.087,00 MAN FERROSTAAL 74.973.992,00 26.359.382,00 17.102.883,00 6.013.038,00 TOTAL PROJETO 367.578.831,00 129.233.495,00 153.934.943,00 54.120.501,00 CONVERTEDOR 3 SMS DEMAG 73.793.061,00 25.944.190,00 29.971.302,00 10.537.321,00 TOTAL PROJETO 73.793.061,00 25.944.190.00 29.971.302,00 10.537.321.00 DESGASEIFICAÇÃO VAI TECNOLOGIA 82.303.606,00 27.581.637,00 18.667.978,00 6.256.025,00 TOTAL PROJETO 82.303.606,00 27.581.637,00 18.667.978,00 6.256.025,00 TOTAL DESEMBOLSO 523.675.498,00 182.759.322.00 202.574.223,00 70.913.847,00 FONTES DE FINANCIAMENTO BANCO USD R$ KfW USD 111 111.000.000,00 315.717.000,00 EIB 70.000.000,00 199.101.000,00 BNDES 33.021.059,00 93.921.801,00 KfW USD 85 85.000.000,00 241.765.500,00 TOTAL 299.021.059,00 850.505.301,00 Constatamos que a empresa fiscalizada não recebeu o montante total das notas fiscais de saídas emitidas e do fornecimento declarado, mas apenas da denominada "parcela nacional" do fornecimento. O restante, denominado "parcela importada" do fornecimento foi liquidado diretamente com o efetivo fornecedor estrangeiro VAI Industries Limited, conforme determinava o contrato de fornecimento. Constatamos que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST não foram feitos com recursos totalmente oriundos de financiamento externo, conforme determina a Lei n°. 8.032/90. (...)”. “2.9.2.1. Do recebimento financeiro da venda/fornecimento A empresa fiscalizada foi intimada a declarar qual foi a forma de recebimento dos valores, relativos ao fornecimento dos itens produzidos, vinculados ao ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK n° 20040281841 (pagamentos efetuados pela Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.688 24 empresa cliente, CST), com o detalhamento das datas de recebimento, dos valores recebidos, dos documentos vinculados (notas fiscais, duplicadas, declarações de importação, etc) e da natureza de cada pagamento; no caso de pagamento efetuado pela empresa cliente (CST) a terceiros, declarar qual foi a natureza dos pagamentos, as datas, os valores e os documentos vinculados (notas fiscais, duplicatas, declarações de importação, etc). Em resposta apresentou a seguinte declaração: ‘Os valores recebidos pela empresa ora intimada, relativos ao fornecimento dos itens produzidos, vinculados ao Ato Concessório supracitado, ocorreram através de depósitos bancários em conta corrente n° 267105, agência 1403 (Agência Corporate), Banco Itaú (341) e conta corrente n° 18647822, agência 0016, Banco de Boston (479), realizados pela empresa cliente (CST) e referemse às notas fiscais 436 e 437 apresentadas no item 9.1 do Termo de Intimação Fiscal protocolo 13/03/2009. (...) A nota fiscal 438 referente ao faturamento da mercadoria importada foi paga parcialmente, através do depósito bancário efetuado no dia 29/12/2004 e 08/11/2006, no banco Itaú S/A, agência 1403, conta 267105. (...)’ A empresa apresentou também uma planilha de controle financeiro, denominada “PROJECT 800 FINANCIAL CONTROL”, para o contrato nº 03742791, com os valores recebidos e as datas de recebimentos, totalizando R$ 45.075.550,29. De acordo com o Relatório Unificado de Drawback Exportação (RUD) do Ato Concessório de Drawback nº 20040281841, e de acordo com a previsão legal, a empresa fiscalizada deveria ter recebido da Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, o valor total de US$ 29.311.801,39, referente ao fornecimento do produto, objeto do Contrato de Fornecimento nº 03742791, em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, ou por entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES com recursos captados no exterior. Entretanto, o valor correspondente a US$ 8.180.326,33 do montante informado, relativo aos itens importados, foi pago diretamente ao fornecedor estrangeiro pela empresa CST ou por sua conta e ordem. Não houve o ingresso de divisas no país decorrente do pagamento em moeda de livre conversibilidade, relativo ao fornecimento no mercado interno, da parcela "importada" do contrato. Tal fato corrobora com a constatação já relatada de que a "parcela importada" do fornecimento foi contratada junto com a empresa estrangeira VAI FUCHS GmgH Technometal, e não com a empresa brasileira VOEST ALPINE Indústria Ltda, sucessora legal e cessionária da VAI Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda. O montante relativo à parcela "nacional" do fornecimento, a ser paga pela empresa licitante CST, que totalizou R$ 45.075.549,44 se considerarmos as notas fiscais de saídas emitidas, ou R$ 60.191.200,00 se considerarmos o total contratado, também deveria ser liquidado com recursos oriundos de financiamento externo, com o efetivo ingresso de divisas no país. Devidamente intimada a comprovar que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST foram feitos em moeda conversível com recursos oriundos de financiamento externo, a empresa fiscalizada apresentou os seguintes contratos de câmbio, acompanhados de cópia dos ROFs referente ao contrato de financiamento externo firmado com o EIB: Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.689 25 CONTRATO DE CAMBIO DATA BANCO PAGADOR NO EXTERIOR NATUREZA DA OPERAÇÃO VR EM USS VALOR EM R$ 05/010274 23/02/2005 B.BRASIL EUROPEAN IN V.BANK EMP.RES.BRASIL EMPRÉSTIMOS DIRETOS 19.000.000,00 48.963.000,00 05/010276 23/02/2005 B.BRASIL EUROPEAN INV.BANK EMP.RES.BRASIL EMPRÉSTIMOS DIRETOS 51.000.000,00 131.518.800,00 TOTAL 70.000.000,00 180.481.800,00 A empresa também apresentou declaração firmada pela ArcelorMittal Brasil S.A, sucessora da Companhia Siderúrgica Tubarão CST, informando a existência dos contratos de financiamento com o KfW e com o EIB. Informa que os recursos disponibilizados pelo EIB seguiram a forma de desembolso por transferência internacional de recursos com o seu respectivo transito no país, e os recursos disponibilizados pelo KfW seguiram o desembolso no exterior. A empresa ARCELORMITTAL foi devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados no desembolso da denominada "Parcela Nacional do Fornecimento", mas não logrou êxito, visto que de acordo com os elementos apresentados, apenas o montante do empréstimo concedido pelo EIB, no valor de USD 70.000.000,00, foi utilizado para o desembolso da denominada "Parcela Nacional do Fornecimento". O montante originado do KfW foi utilizado exclusivamente para pagamentos dos fornecedores domiciliados na União Européia. O valor desembolsado relativo "Parcela Nacional do Fornecimento" totalizou R$ 523.675.498,00 (equivalente a USD 182.759.322,00), conforme demonstrativo apresentado pela empresa diligenciada, superior ao valor ingressado originário do EIB. Reproduzimos novamente nos quadros abaixo a planilha apresentada pela empresa ARCELORMITTAL, referente aos desembolsos efetuados por projeto e as fontes de financiamento: (...) Constatamos que a empresa fiscalizada não recebeu o montante total das notas fiscais de saídas emitidas e do fornecimento declarado, mas apenas da denominada "parcela nacional" do fornecimento. O restante, denominado "parcela importada" do fornecimento foi liquidado diretamente com o efetivo fornecedor estrangeiro VAI FUCHS GmbH Technometal, conforme determinava o contrato de fornecimento. Constatamos que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST não foram feitos com recursos totalmente oriundos de financiamento externo, conforme determina a Lei n°. 8.032/90. (...)”. 2.10. Do resultado cambial O ponto principal do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, mesmo na submodalidade Fornecimento no Mercado Interno, é o ganho cambial. Para atender ao disposto no artigo 5o da lei 8.032/90, o pagamento decorrente do fornecimento no mercado interno deverá ocorrer no Brasil, com recursos captados em moeda conversível decorrente de financiamento (no exterior ou no BNDES com recursos comprovadamente externos), e transformados em moeda nacional, por meio de operação de câmbio, com resultado cambial positivo. Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.690 26 No caso do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno, para a aferição do ganho cambial, devese considerar a comparação entre o valor total pago pelas importações, e o valor líquido recebido no país pelo fornecimento efetuado no mercado interno. A diferença entre o total recebido no mercado interno decorrente do fornecimento e o total pago nas importações beneficiadas com a suspensão dos tributos incidentes, justifica a concessão do beneficio e proporciona o ingresso de divisas no país. No caso em questão, para materializar o ganho cambial, a empresa fiscalizada deveria ter inicialmente pago o montante total das importações. Posteriormente recebido da Companhia Siderúrgica de Tubarão CST, o valor total do fornecimento do produto, em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, ou por entidade governamental estrangeira, ou pelo BNDES com recursos captados no exterior, devidamente convertido em moeda nacional com o competente contrato de cambio, comprovando o efetivo ingresso de divisas no país. A diferença seria o valor do ganho cambial, representando a entrada liquida de divisas. Considerando que o montante do empréstimo concedido pelo banco European Investment Bank EIB, no valor de USD 70.000.000,00, ingressou em território nacional amparado pelos contratos de câmbio n° 05/010274 e n° 05/010276, correspondente a R$ 180.481.800,00; e considerando que o valor total de R$ 523.675.498,00 (de acordo com a planilha apresentada pela empresa ARCELORMITTAL) referente ao total do desembolso dos contratos, relativo à parcela nacional do fornecimento (para todos os contratos vinculados ao projeto da CST); constatamos que apenas 34,46% do total foram comprovadamente oriundos de financiamento externo que efetivamente ingressaram no país. Portanto, não houve o ganho cambial esperado para o Regime Aduaneiro Especial de Drawback. 2.11. Da baixa do Ato Concessório nº 20040276295 A empresa SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA, sucessora da empresa beneficiária VOESTALPINE INDÚSTRIA LTDA, protocolou em 19/01/2007 correspondência datada de 18/01/2007, através do qual solicita baixa do Ato Concessório de Drawback 20040276295. Apresenta os RUD's Relatórios Unificados de Drawback, e informações relativas à importação, ao fornecimento efetuado e às variações cambiais. (...) Consultando o referido Ato Concessório de Drawback constatamos que o mesmo encontrase na situação EM PROCESSAMENTO DE BAIXA. Todos os documentos relativos ao Ato Concessório em questão e correspondências trocadas com o SECEX acima citadas estão anexados no DOC. III.1 no presente processo administrativo fiscal. 2.12. Da baixa do Ato Concessório nº 20040281841 A empresa SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA, sucessora da empresa beneficiária VOESTALPINE INDÚSTRIA LTDA, protocolou em 19/01/2007 correspondência datada de 18/01/2007, através do qual solicita baixa do Ato Concessório de Drawback 20040281841. Apresenta os RUD's Relatórios Unificados de Drawback, e informações relativas à importação, ao fornecimento efetuado e às variações cambiais. Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.691 27 Consultando o referido Ato Concessório de Drawback constatamos que o mesmo encontrase na situação EM PROCESSAMENTO DE BAIXA. Todos os documentos relativos ao Ato Concessório em questão e correspondências trocadas com o SECEX acima citadas estão anexados no DOC. III.2 no presente processo administrativo fiscal. 4. DA AÇÃO JUDICIAL A empresa fiscalizada apresentou Certidão do Objeto e Pé, relativa ao Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0340542 (8ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal), e Certidão do Objeto e Pé relativa ao Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0340556 (13ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal). As referidas ações têm por objeto a anulação das decisões do Departamento de Operações de Comércio Exterior – Decex, Decisão nº 413/DECEX2007 e Decisão nº 396/DECEX2007, que declararam nulos o Ato Concessório de Drawback nº 20040281841 e o Ato Concessório de Drawback nº 20040276295, respectivamente. O Processo nº 2007.34.00.0340542 recebeu decisão nº 475/2007 que deferiu pedido liminar para suspender a decisão do DECEX e restabelecer o Ato Concessório anulado. A União Federal interpôs Agravo de Instrumento. O Ministério Público apresentou parecer. Pela certidão apresentada, os Autos encontramse conclusos para sentença. O Processo nº 2007.34.00.0340556 teve a liminar indeferida em 06/11/2007. Foi interposto Agravo de Instrumento e deferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo ativo para suspender os efeitos da decisão do DECEX. Foi prolatada sentença denegando a segurança pleiteada, contra a qual a impetrante interpôs apelação, recebida no efeito meramente devolutivo. Foram apresentadas as contra razões pela Fazenda Nacional e intimado o MPF. Pela certidão apresentada, os Autos encontramse com remessa ordenada para o TRF da 1ª Região. As certidões apresentadas pela empresa fiscalizada fazem parte do DOC. X (...)” Na PARTE III do RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL, a fiscalização dispõe sobre as infrações apuradas e conclusões: “1. DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO FISCAL 1.1. Da simulação da real operação Diante dos fatos constatados relatados no item 2 da Parte II do presente relatório, e dos elementos de prova apurados durante o procedimento fiscal, também explicitados no item 2 da parte II do presente relatório, fica comprovado que a real operação de Fornecimento, Construção e Montagem do Alto Forno n° 3 da COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO não foi efetuada do modo como foi declarado e formalizado pela empresa fiscalizada.Também fica comprovado que a real operação de Fornecimento da estação de desgaseificação de aço líquido a vácuo RH para a COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO não foi efetuada do modo como foi declarado e formalizado pela empresa fiscalizada. A empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA não poderia ser beneficiada com a concessão do regime de drawback, porque não foi a responsável pelo Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.692 28 fornecimento das denominadas "parcelas importadas" para a empresa licitante CST, ou seja, não efetuou por sua conta e ordem as importações dos materiais, produtos intermediários e componentes, constando nas Declarações de Importação apenas para se beneficiar da suspensão dos impostos aduaneiros decorrentes do regime aduaneiro especial de drawback. Para as operações vinculadas ao Ato Concessório de Drawback nº 20040276295, apontamos os seguintes elementos de prova, com as devidas constatações: >Contrato n° 03733441: Em resumo, com base no ‘CONTRATO TURNKEY PARA FORNECIMENTO DO ALTO FORNO Nº 3 CONTRATO Nº 03733441’ e aditivos, constatamos os seguintes fatos: A empresa estrangeira VAI INDUSTRIES UK LIMITED, foi contratada pela empresa CST para fornecer os itens importados, contra pagamento no montante de €12.636.165,00 e 4.919.749,00 libras esterlinas, valor das importações efetuadas beneficiadas pelo regime de drawback. A empresa estrangeira VAI INDUSTRIES UK LIMITED consta expressamente no Contrato como FORNECEDORA ESTRANGEIRA e responsável pelo fornecimento dos itens importados. O faturamento das operações relativas à “parcela de fornecimento importada” efetuadas pela empresa VAI Industries UK Limited, foi efetivada pela empresa Ferrostaal Aktiengesellschaft, na qualidade de Agente Financeiro. A empresa brasileira VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA foi contratada pela empresa CST para fornecer a denominada "parcela nacional do fornecimento", contra pagamento no montante de R$184.000.845,00, valor que não inclui os itens importados. Foi previsto no Contrato que o pagamento relativo aos itens importados seriam feitos através de financiamento obtido junto ao KfW (Banco Financiador). >Acordo Estrutural para a Concessão de Empréstimos Individuais (FRAMEWORK AGREEMENT), de 21/07/2004, firmado entre a empresa CST Overseas Ltd e KfW: Os empréstimos destinavam exclusivamente para o financiamento de Contratos de Exportação, celebrados entre a CST e os Exportadores. Os Exportadores foram definidos pelo acordo como sendo os fornecedores domiciliados na União Européia. Portanto, concluise que a empresa brasileira VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA não poderia ser a fornecedora dos itens à CST por impossibilidade geográfica, visto que está localizada no Brasil e não na comunidade européia. >Declarações de Importação pagamentos não efetuados pela importadora declarada A empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA não efetuou os pagamentos devidos decorrentes das operações de importação efetuadas em seu nome, contrariando o previsto na legislação cambial brasileira. Detalharemos no item 1.2 abaixo o disposto na legislação, e a previsão legal para pagamento por terceira pessoa. Está comprovado que efetivamente a operação comercial foi realizada entre a empresa licitante CST e a empresa estrangeira contratada VAI INDUSTRIES UK LIMITED. Também foi previsto no Contrato n° 03733441 e Aditivos que o Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.693 29 faturamento das operações relativas à "parcela de fornecimento importada" efetuadas pela empresa estrangeira VAI INDUSTRIES UK LIMITED, seria efetivada pela empresa FERROSTAAL AKTIENGESELLSCHAFT (MANN FERROSTAAL AG), na qualidade de Agente Financeiro. A empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA apareceu na operação para reduzir a carga tributária incidente nas importações, através de sua utilização como "aparente" importadora e beneficiária do drawback, e posteriormente como fornecedora do produto final à real adquirente (a contratante CST). A sua efetiva participação, conforme definido no Contrato, ocorreu na denominada "parcela nacional do fornecimento". No item 2.9.1 da Parte II do presente Relatório, no sub item denominado "PARCELA NACIONAL DO FORNECIMENTO", constam as notas fiscais relativas ao fornecimento efetuado (industrialização sem material importado): 000425 e 000426. Foi também previsto no Contrato n° 03733441, após o Aditivo n° 1, no item 5.5.2, que o faturamento poderia ser modificado para facilitar os acordos de financiamento e/ou drawback: ‘Se, após a assinatura deste CONTRATO, o detalhamento dos preços, procedimentos de faturamento etc, precisar ser modificado para facilitar os acordos de financiamento e/ou drawback, isto deverá ser incorporado em um aditamento ao CONTRATO. Neste aditamento, o prêmio do seguro de exportação cobrado pelas respectivas agências de crédito de exportação também deverá ser incluído.’ (grifo nosso) Foi o que aconteceu: A empresa brasileira VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA foi a responsável pela importação para se beneficiar do regime aduaneiro especial de drawback, visto que nem a empresa licitante CST nem a empresa fornecedora estrangeira VAI INDUSTRIES UK LIMITED poderiam requerer o benefício por ausência de direito. Também a empresa FERROSTAAL AKTIENGESELLSCHAFT (MANN FERROSTAAL AG) na qualidade de Agente Financeiro, constou na operação de importação em lugar da efetiva contratada VAI INDUSTRIES UK LIMITED. Para as operações vinculadas ao Ato Concessório de Drawback nº 20040281841, apontamos os seguintes elementos de prova, com as devidas constatações: >Contrato n° 03742791: A empresa estrangeira VAI Fuchs GmbH Technometal, foi contratada pela empresa CST para fornecer os itens importados, contra pagamento no montante de €6.298.681,00, valor das importações efetuadas beneficiadas pelo regime de drawback. A empresa estrangeira VAI Fuchs GmbH Technometal consta expressamente no Contrato como FORNECEDORA ESTRANGEIRA e responsável pelo fornecimento dos itens importados. A empresa brasileira VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA, sucedida pela empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA foi contratada pela empresa CST para fornecer a denominada "parcela nacional do fornecimento", contra pagamento no montante de R$79.543.270,00, valor que não inclui os itens importados. Foi previsto no Contrato que o pagamento relativo aos itens importados seriam feitos através de financiamento obtido junto ao KfW (Banco Financiador). Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.694 30 >Acordo Estrutural para a Concessão de Empréstimos Individuais (FRAMEWORK AGREEMENT), de 21/07/2004, firmado entre a empresa CST Overseas Ltd e KfW: Os empréstimos destinavam exclusivamente para o financiamento de Contratos de Exportação, celebrados entre a CST e os Exportadores. Os Exportadores foram definidos pelo acordo como sendo os fornecedores domiciliados na União Européia. Portanto, concluise que a empresa brasileira VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA não poderia ser a fornecedora dos itens à CST por impossibilidade geográfica, visto que está localizada no Brasil e não na comunidade européia. >Declarações de Importação pagamentos não efetuados pela importadora declarada A empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA não efetuou os pagamentos devidos decorrentes das operações de importação efetuadas em seu nome, contrariando o previsto na legislação cambial brasileira. Detalharemos no item 1.2 abaixo o disposto na legislação, e a previsão legal para pagamento por terceira pessoa. Está comprovado que efetivamente a operação comercial foi realizada entre a empresa licitante CST e a empresa estrangeira contratada VAI Fuchs GmbH Technometal. Também foi previsto no Contrato n° 03742791 que o faturamento das operações relativas à "parcela de fornecimento importada" efetuadas pela estrangeira VAI Fuchs GmbH Technometal, seria efetivado pelo Agente Financeiro. A empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA apareceu na operação para reduzir a carga tributária incidente nas importações, através de sua utilização como "aparente" importadora e beneficiária do drawback, e posteriormente como fornecedora do produto final à real adquirente (a contratante CST). A sua efetiva participação, conforme definido no Contrato, ocorreu na denominada "parcela nacional do fornecimento". No item 2.9.2 da Parte II do presente Relatório, no sub item denominado "PARCELA NACIONAL DO FORNECIMENTO", constam as notas fiscais relativas ao fornecimento efetuado (industrialização sem material importado): 000436 e 000437. A empresa brasileira VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA foi a responsável pela importação para se beneficiar do regime aduaneiro especial de drawback, visto que nem a empresa licitante CST nem a empresa fornecedora estrangeira VAI Fuchs GmbH Technometal poderiam requerer o benefício por ausência de direito. O Código Civil Brasileiro, no Livro III, Título I, Capítulo V, trata da invalidade do negócio jurídico. Seu artigo 167 assim dispõe: Art. 167. E nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá SIMULA ÇÃO nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula nãoverdadeira;... Portanto, na operação em questão está caracterizada a SIMULAÇÃO, visto que foram conferidos direitos à empresa VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA, no caso o benefício fiscal do regime aduaneiro especial de drawback, que não seria Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.695 31 devido caso a operação real aparecesse, ou seja, caso o real fornecedor e o real adquirente constasse expressamente na operação de importação de na concessão do benefício. O benefício fiscal do drawback, com a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes nas importações foi indevido, e os tributos incidentes nas importações são devidos. 1.2. Da irregularidade apurada relativa aos pagamentos das importações efetuadas O Regulamento de Importação e Consolidação das Normas Cambiais foi instituído pela Circular n°.2.730, de 13/12/96, em decorrência do disposto na Resolução n°.2.342, de 13/12/96. Em seu capítulo 6, são definidos os procedimentos aplicáveis ao pagamento de importações brasileiras. Destacamos os itens 5a e 11 do título 1 (disposições preliminares), que reproduzimos abaixo: "5. O pagamento das importações efetuadas com cobertura cambial ou para pagamento em reais é devido após: a) o desembaraço aduaneiro, no caso de mercadoria importada diretamente do exterior em caráter definitivo, inclusive sob o regime de "drawback" ou destinada a admissão na Zona Franca de Manaus ou em Area de Livre Comércio. " "11. No caso de financiamento concedido por instituição do exterior que não o exportador, o pagamento das parcelas do financiamento deve ser efetivado na moeda em que houver ocorrido o desembolso." No título 2 denominado "Contratação de Câmbio", são relacionadas as situações onde é permitida a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador indicado na correspondente DI., que reproduzimos abaixo: a) alteração da denominação social do importador; b) concordata ou falência do importador, facultada a contratação do câmbio pelo garantidor, estabelecido no País, coresponsável pelo pagamento da importação; c) inadimplemento do importador com o banco Autorizado a operar em câmbio, instituidor de carta de crédito ou garantidor do pagamento da importação; d) decisão judicial; e) fusão, cisão, sucessão ou incorporação da empresa importadora; ou f) quando se tratar de consignatário de importação beneficiada pelo Fundo para o Desenvolvimento de Atividades Portuárias FUNDAP. A empresa fiscalizada não efetuou os pagamentos aos seus fornecedores estrangeiros, referentes aos itens importados objetos do projeto em questão. Os pagamentos foram feitos pela empresa CST através de empréstimo contraído junto ao agente financeiro estrangeiro Kredistanstalt Für Wiederaufbau (KfW). Não identificamos previsão na legislação que fundamente os pagamentos em questão. 1.3. Das demais infrações apuradas relativas aos requisitos exigidos na Legislação de Drawback Ainda que não ficasse caracterizada a SIMULAÇÃO na operação em questão, o regime aduaneiro especial de drawback não seria cabível no presente caso, tendo em vista o não atendimento dos requisitos legais e infralegais previstos, relativos à fruição do regime. Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.696 32 1.3.1. Do não atendimento ao requisito relativo ao pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento Para atender ao disposto no artigo 5o da Lei n° 8.032/90, corroborado pelas demais normas aplicáveis ao regime de Drawback, o pagamento do fornecimento das máquinas e equipamentos fabricados no país deveria ser feito em moeda conversível, mediante financiamento que atenda aos seguintes requisitos: >Pagamento em moeda conversível; e > Recurso totalmente proveniente de financiamento; e >Financiamento contratado pela empresa licitante e efetivado; e >Origem do financiamento: Instituição financeira internacional da qual o Brasil participe, ou Entidade governamental estrangeira, ou BNDES, com recursos captados no exterior. A falta de qualquer um dos requisitos acima relacionados previsto na legislação de regência contamina a operação de Drawback e seus objetivos. Constatamos que não existe Contrato de Financiamento externo firmado entre o banco KfW e a empresa licitante Companhia Siderúrgica de Tubarão, contrariando o disposto no artigo 5o da Lei n° 8.032/90, e demais dispositivos citados na Parte 1 do presente Relatório. O contrato apresentado foi firmado entre o banco KfW e a empresa offshore CST Overseas Ltd, que não faz parte do processo de fornecimento em questão. Constatamos que os empréstimos concedidos pelo banco KfW deveriam ser utilizados exclusivamente para financiar os Contratos de Exportação, celebrados entre a CST e os Exportadores, definidos como sendo os fornecedores domiciliados na União Européia. Portanto, concluise que os empréstimos somente poderiam ser utilizados para pagar os fornecedores domiciliados na União Européia, e não fornecedores da CST domiciliados no Brasil, como é o caso da empresa fiscalizada. Mesmo considerando como regular o pagamento efetuado no exterior com recursos originários do banco KfW, relativos à parcela importada, a operação não atende ao previsto na legislação, visto que o financiamento obtido junto ao banco KfW não foi responsável pelo pagamento de 100% do valor devido. Cerca de 15% do montante devido em cada operação de importação foram pagos de forma antecipada, sem a contrapartida do financiamento externo, conforme já relacionado no item 2.6.2 e 2.7.2 da Parte II do presente Relatório. A legislação prevê o financiamento integral. Constatamos que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST não foram feitos integralmente com recursos oriundos de financiamento externo, conforme determina a Lei n°. 8.032/90, contrariando o disposto no artigo 5o da Lei n° 8.032/90, e demais dispositivos citados na Parte 1 do presente Relatório. Mais uma vez destacamos que a legislação prevê o financiamento integral. Portanto, concluímos que a operação em questão não atendeu ao disposto na legislação de regência, e conseqüentemente a empresa fiscalizada não atendeu aos Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.697 33 requisitos exigidos para a fruição dos benefícios do Drawback, relativos ao pagamento do fornecimento realizado e ao financiamento. O benefício fiscal do drawback, com a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes nas importações foi indevido, e os tributos incidentes nas importações são devidos. 1.3.2. Do não atendimento ao requisito de ganho cambial Para atender ao disposto no artigo 5o da lei 8.032/90, o pagamento decorrente do fornecimento no mercado interno deveria ocorrer no Brasil, com recursos captados em moeda conversível decorrente de financiamento (no exterior ou no BNDES com recursos comprovadamente externos), e transformados em moeda nacional, por meio de operação de câmbio, com resultado cambial positivo. Destacamos que não basta a existência de contrato de financiamento externo ou com o BNDES. E fundamental a utilização efetiva desse recurso no pagamento efetuado. No caso do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno, para a aferição do ganho cambial, devese considerar a comparação entre o valor total pago pelas importações, e o valor líquido recebido no país pelo fornecimento efetuado no mercado interno. Conforme relatado e demonstrado no item 2.10 da Parte II do presente Relatório, não foi apurado resultado cambial positivo satisfatório na operação em questão, contrariando o disposto no artigo no artigo 5o da Lei n° 8.032/90, no artigo 78 do DecretoLei nº 37/66, no artigo 76 da Portaria SECEX n 14/2004 e demais dispositivos citados na Parte 1 do presente Relatório. Portanto, concluímos que a operação em questão não atendeu ao disposto na legislação de regência, e conseqüentemente a empresa fiscalizada não atendeu aos requisitos exigidos para a fruição dos benefícios do Drawback, relativos ao ganho cambial da operação. O benefício fiscal do drawback, com a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes nas importações foi indevido, e os tributos incidentes nas importações são devidos. 1.3.3. Das importações realizadas antes da data de registro do Ato Concessório nº 20040276295 Somente poderão ser aceitos, para comprovação do Regime, DI registradas dentro do período compreendido entre a data da emissão do Ato Concessório e o prazo de validade da exportação constantes no Ato Concessório e seus Aditivos. Entretanto, o sujeito passivo informou, para fins de comprovação, importações realizadas antes da emissão do Ato Concessório nº 20070276295, ou seja, antes de 04/04/2005. A DI n° 0503337492 foi registrada em 01/04/2005, portanto antes da data de registro do Ato Concessório. Neste caso, esta importação não poderá ser aceita como operações drawback, e os tributos incidentes nas importações são devidos, de acordo com o disposto nos artigos 335, 336, 338, 340, 341 e 342 do Decreto n° 4.543/02, vigente à época dos fatos. 2. DO LANÇAMENTO Os Atos Concessórios de Drawback n° 200402762955 e nº 20040281841 foram inadimplidos, e os tributos incidentes nas operações de importação efetuadas pela empresa fiscalizada vinculadas aos referidos Atos Concessórios são devidos. Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.698 34 Constam nos itens 2.6.1 e 2.7.1 da Parte II do presente Relatório as correspondentes bases de cálculo e alíquotas para os lançamentos fiscais dos tributos aduaneiros não recolhidos, que são efetuados no competente Auto de Infração vinculado ao presente Relatório de Auditoria Fiscal. 2.1. Da responsabilidade solidária Quanto à empresa licitante COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO CST, sucedida pela empresa ARCELORMITTAL BRASIL S.A, há sujeição passiva enquanto responsável solidário decorrente da sua caracterização como real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira tal como demonstrado no item 2 da Parte II do presente relatório, e no item 1.1 acima. Está plenamente demonstrada no presente relatório tanto a comunidade do interesse jurídico quanto o proveito conjunto que retiram da situação importador e adquirente, tendo relação pessoal e direta com o fato gerador, o que atrai a incidência da norma que se retira do artigo 124, inciso I, do CTN”. No subitem 2.2. da PARTE III, a fiscalização trata das penalidades, afirmando ser cabível a multa de ofício agravada (150%) em virtude da simulação constatada (art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996; inciso II, §6º, artigo 80, da Lei nº 4.502/1964; e artigo 19 da Lei nº 10.865/2004). Afirma ainda que, com base no artigo 95, incisos I e V, do Decretolei nº 37/1966, a VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA e a CST (ARCELORMITTAL BRASIL S/A) devem responder conjuntamente pelas infrações praticadas. Das Impugnações Conforme folha 04, volume 01, a empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A foi cientificada do mesmo ato administrativo em 30/03/2010. Inconformada com a formalização dos lançamentos, insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 29/04/2010, a impugnação de fls. 2.307 2.375 (volume 10), onde apresenta os argumentos que, entende, demonstrariam a insubsistência do Auto de infração. Após discorrer sobre o Auto de Infração, dispõe sobre a VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO LTDA (VAIES). Explica que essa empresa era uma subsidiária integral da VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA (VOEST), a qual, em 2004, incorporou a VAIES. Por isso os atos concessórios foram emitidos em nome da VOEST. Em 2005, o grupo SIEMENS adquiriu o grupo austríaco VAI TECH, controlador da VOEST. Esta, em virtude disso, passou, em 2007, a denominarse SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA (SIEMENS VAI), que foi incorporada, em 2009, pela SIEMENS LTDA. Em seguida, a impugnante reportase sobre o drawback fornecimento no mercado interno, pronunciase a respeito dos financiamentos obtidos (KfW1Acordo Estrutural; KfW2 – Empréstimo de US$ 85.000.000,00; financiamento obtido do EIB; e financiamento do BNDES); em seguida manifestase sobre o Contrato Turnkey (nº 03733441), e sobre o Contrato Turnkey (nº 03742791). Depois, alega: nulidade do lançamento por incompetência da Receita Federal para desconstituir o Ato Concessório, visto que a fiscalização se baseou, para autuar, nos mesmos documentos que fundamentaram o pedido de concessão junto ao Decex; falta competência à RFB para negar efeitos ao Ato Concessório validamente expedido pelo Decex; isso, além de ser uma invasão de competência legal, implica numa violação ao princípio da segurança jurídica e ao instituto do ato jurídico perfeito; Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.699 35 a legislação é bastante clara ao definir os âmbitos de competência do Decex e da RFB, atribuindo privativamente ao primeiro a competência exclusiva de análise e deferimento do drawback suspensão; já à RFB, tem competência apenas para a fiscalização do cumprimento dos requisitos definidos no Ato Concessório; na hipótese de não ser declarada a nulidade, pede afastamento de multa e juros, por aplicação do § único do artigo 100 e do artigo 112, ambos do CTN, uma vez que o Ato Concessório se enquadra no conceito de norma complementar (incisos I e II do artigo 100 do CTN); inexistência de simulação, com o consequente afastamento da multa qualificada. Somente poderia haver simulação se a Autoridade fiscal tivesse comprovado uma diferença entre o que as partes declararam num negócio jurídico concreto e o que aconteceu de fato na realidade; a Autoridade fiscal teve uma compreensão dos fatos e dos contratos diferente da compreensão do Decex; nulidade da atribuição de responsabilidade solidária; o fato de a ora impugnante ser a destinatária do fornecimento interno a que está vinculado o drawback, por si só, não pode ser considerado como “interesse comum”; no presente caso, não há importação por conta e ordem da impugnante, motivo pelo qual não pode ser aplicado o art. 95, inciso V, do Decretolei nº 37/1966. regularidade dos financiamentos; o fato de o financiamento com o KfW ter sido obtido através da subsidiária integral CST Overseas não representa nenhuma irregularidade; a legislação do regime não impede que o financiamento seja obtido por terceiro e repassado ao licitante no Brasil; a legislação apenas exige que o fornecimento seja feito contra pagamento em moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, o que de fato ocorreu; tanto que o Decex concedeu o regime requerido pela VAIES com base no contrato de financiamento KfW 1, bem como o BACEN Autorizou o registro dos contratos de câmbio simbólico e dos registros de operações financeirasROFs; existência de ganho cambial: Fornecimento AF3 o Contrato nº 03733441prevê que os itens importados pelos fornecedores nacionais seriam pagos diretamente aos fornecedores estrangeiros por liberação de recursos dos agentes financeiros internacionais, no montante de GBP 4.919.749,00 e Euro 39.678.037,00, que, convertidos para US$ nas taxas de câmbio previstas no contrato, perfaziam o total de US$ 54.120.502,92; esses pagamentos foram feitos com o financiamento KfW1 (até US$ 140 milhões) diretamente no exterior. De acordo com o contrato de financiamento, 85% do valor das importações seriam pagos diretamente no exterior e 15% seriam pagos pelo importador, no caso, a VAIES (fornecedor nacional). Assim, apenas 15% do valor das importações relativas ao contrato de fornecimento para o AF3 poderiam ser entendidos com saída de divisas do Brasil, embora na realidade tenha sido realizado por força de adiantamento posteriormente coberto por recursos externos; conforme o item 3.2.3.1 do contrato de fornecimento, a parcela importada da VAIUK correspondia a GBP 4.919.749 e Euro 12.394.839,00, que, convertidas pelas taxas de câmbio do contrato e somadas, correspondiam a R$ 64.066.085,44 ou US$ 22.524.376,98; Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.700 36 as importações realizadas pela VAIES com amparo no AC 20040276295 corresponderam a R$ 57.963.388,05, conforme planilha anexa (Doc. 6). Somandose o ICMS incidente na transferência desses itens importados para a impugnante (R$ 5.592.952,00), o valor do fornecimento da parcela importada perfez R$ 63.556.272,77 (US$ 29.219.931,39), mencionados pelo fiscal no item 2.9.1 da Parte II do Relatório Fiscal; no entanto, apenas 15% foram pagos diretamente pela VAIES ao fornecedor estrangeiro. Isto é, R$ 8.694.508,21 (15% de R$ 57.963.388,05) foram pagos pela VAIES mediante remessa de recursos, e R$ 49.268.879,84 (85% de R$ 57.963.388,05) foram pagos diretamente no exterior ao fornecedor estrangeiro, não representando saída de divisas; em razão do fornecimento denominado no contrato como Parcela Nacional, a VAIES recebeu da impugnante o montante de R$ 188.765.685,84, nos termos do item 3.2.1.1, conforme notas fiscais nº 425 e 426 anexas (Doc. 5); neste valor está exatamente o ganho cambial da operação de fornecimento do Altoforno 3 referente à parte atribuída à VAIES, tendo sido efetivamente coberto pela impugnante com financiamentos externos; o total do fornecimento do AF3 atribuída à VAIES foi de R$ 252.321.958,61, correspondente a R$ 63.556.272,77 (importações) mais R$ 188.765.685,84 (valores dos fornecimentos internos), conforme planilha anexa (Doc. 6) e conforme item 2.9.1 da Parte II do Relatório Fiscal. Assim, o total do fornecimento da VAIES foi de R$ 252.321.958,61. considerando que 85% das importações foram pagos diretamente no exterior, a impugnante pagou à VAIES no Brasil o valor de R$ 203.053.146,05, o qual é composto dos R$ 8.694.508,21 (15% das importações), dos R$ 5.592.952,00 (ICMS sobre a transferência desses bens) e dos R$ 188.765.685,84. esses R$ 203.053.146 tiveram origem em financiamentos externos. Isso porque, com o total dos financiamentos KfW 2, EIB e BNDES, a impugnante nacionalizou R$ 442.566.640,00 (US$ 188.021.059,94), o que afasta qualquer dúvida quanto à existência de recurso externos para pagar aquele valor; de acordo com o AC nº 20040276295, a VAIES poderia importar US$ 24.468.619,00 e deveria fornecer no mercado interno (equiparável ao “compromisso de exportação”) o montante de US$ 74.100.494,00, valor esse que deveria ser pago com recursos captados no exterior. Portanto, o ganho cambial esperado nessa operação seria de US$ 49.631.875,00 (US$ 74.100.494,00,00 – US$ 24.468.619,00). No entanto, entraram no Brasil, de fato, US$ 188.021.059,94, dos quais devem ser subtraídos apenas os R$ 8.694.508,21 remetidos ao exterior para pagamentos do adiantamento de 15% do valor das importações relacionadas ao AF3; salientese que todo o fornecimento de bens para a montagem do AF3 prevista no contrato de fornecimento correspondia a R$ 285.665.553,00 (itens 3.2.1.1, 3.2.1.2 “a” e 3.2.1.3), o que demonstra que os financiamentos externos captados pela impugnante eram mais do que suficientes para pagamento de toda a parcela nacional de fornecimento de bens, e não apenas da parcela da VAIES; também é importante indicar que os valores dos financiamentos KfW2, EIB e BNDES somam US$ 188.021.059,94, enquanto que a parcela total de fornecimento nacional correspondeu a US$ 100.434.396,16, se convertida pela taxa de câmbio prevista no contrato (US$ 1,00 = R$ 2,8443), o que corrobora que os Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.701 37 financiamentos eram suficientes para pagamento do fornecimento de todos os bens componentes do AF3; Fornecimento RH2 o Contrato de fornecimento RH2 nº 03742791 previa o pagamento de R$ 60.191.200,00 pelo fornecimento de bens nacionais (item 3.2.1) e de 5.696.355,00 euros referentes ao fornecimento de bens importados (item 3.2.3), correspondentes a R$ 18.667.980,68, se convertidos pela taxa de câmbio prevista no contrato; esses pagamentos foram feitos com o financiamento KfW1 (até US$ 140 milhões) diretamente no exterior. De acordo com o contrato de financiamento, 85% do valor das importações seriam pagos diretamente no exterior e 15% seriam pagos pelo importador, no caso, a VAIES (fornecedor nacional). Assim, apenas 15% do valor das importações relativas ao contrato de fornecimento para o RH2 poderiam ser entendidos com saída de divisas do Brasil; as importações realizadas pela VAIES com amparo no AC 20040281841 corresponderam a R$ 15.835.379,21, conforme planilha anexa (Doc. 7), os quais foram transferidos para a impugnante por meio da NF nº 438 anexa (Doc. 8), no valor de R$ 17.449.454,09 (R$ 15.835.379,21 + PIS/COFINS); no entanto, apenas 15% foram pagos diretamente pela VAIES ao fornecedor estrangeiro. Isto é, R$ 2.375.306,88 (854.453,25 euros de acordo com as DIs) foram pagos pela VAIES mediante remessa de recursos, sendo o restante pago diretamente no exterior ao fornecedor estrangeiro, não representando saída de divisas; em razão do fornecimento denominado no contrato como Parcela Nacional, a VAIES recebeu da impugnante o montante de R$ 45.075.549,44, nos termos do item 3.2.1.3, conforme notas fiscais nº 436 e 437 anexos (Doc. 8); o fornecimento de bens para a construção do RH2 é composto de valores das importações e dos valores dos fornecimentos internos, perfazendo o total de R$ 62.525.003,53, conforme demonstrativo e notas fiscais nº 436, 437 e 438 anexos (Doc. 8) e mencionado pelo auditor no item 2.9.2 da Parte II do Relatório Fiscal. Portanto, o fornecimento da VAIES para o RH2 foi de R$ 62.525.003,53; considerando que 85% das importações foram pagos diretamente no exterior, a impugnante pagou à VAIES no Brasil o valor de R$ 49.064.931,21, o qual é composto dos R$ 2.375.306,88 (15% das importações), do PIS/COFINS incluídos na NF nº 438 (R$ 1.614.074,50) e dos R$ 45.075.549,44 (fornecimento no mercado interno). esses R$ 49.064.931,21 tiveram origem em financiamentos externos. Isso porque, com o total dos financiamentos KfW 2, EIB e BNDES, a impugnante nacionalizou R$ 442.566.640,00 (US$ 188.021.059,94) , o que afasta qualquer dúvida quanto à existência de recursos externos para pagar aquele valor; de acordo com o AC nº 20040281841, a VAIES poderia importar US$ 6.894.587,00 e deveria fornecer no mercado interno (equiparável ao “compromisso de exportação”) o montante de US$ 18.795.892,00, valor esse que deveria ser pago com recursos captados no exterior. Portanto, o ganho cambial esperado nessa operação seria de US$ 11.901.305,00 (US$ 18.795.892,00 – US$ 6.894.587,00). No entanto, entraram no Brasil, de fato, US$ 188.021.059,94, dos quais devem ser Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.702 38 subtraídos apenas os R$ 2.375.306,88 remetidos ao exterior para pagamentos do adiantamento de 15% do valor das importações relacionadas ao RH2; importante registrar ainda que os financiamentos eram suficientes para cobrir tanto o fornecimento do AF3 quanto o fornecimento do RH2 realizados pela VAIES, haja vista que dos dois fornecimentos perfizeram o total de R$ 252.118.077,26 (R$ 49.064.931,21 do RH2 + R$ 203.053.146,05 do AF3); Projeto de Expansão – Fornecimento AF3, RH2 e Convertedor 3 vale ressaltar que os financiamentos eram suficientes para pagamento de todos os equipamentos adquiridos pela impugnante para expansão da usina siderúrgica de Serra, quais sejam, AF3, Convertedor 3 e Desgaseificação – RH2, os quais também foram adquiridos com os benefícios do drawback para fornecimento no mercado interno; a aquisição dos referidos equipamentos ocorreu da mesma forma que o AF3. Os itens importados foram pagos diretamente aos fornecedores estrangeiros e os fornecedores nacionais receberam a parcela líquida do fornecimento; o total do fornecimento dos referidos equipamentos no mercado interno perfazia o montante de R$ 397.141.518,00, quando da assinatura dos contratos, que correspondiam a US$ 138.636.426,00, se convertidos pela taxa de câmbio dos respectivos contratos; portanto, os financiamentos obtidos pela impugnante com o KfW2, EIB e BNDES, no valor de R$ 442.566.640,00 (US$ 188.021.059,94) foram mais do que suficientes para pagar todos os equipamentos beneficiados com o drawback adquiridos para expansão da usina de Serra (AF2, Convertedor 3 e Desgaseificação RH2); também merece ser analisado que, pela lógica de mercado, alguns componentes do AF3, do Convertedor 3 e Desgaseificação – RH2 sofreram variação de preços após a assinatura dos contratos. Além disso, os preços contratuais estavam sujeitos a reajustes e atualizações; por esses motivos, o valor efetivamente pago pela impugnante por todo o fornecimento nacional foi de R$ 523.675.498,00, o qual, se convertido pela taxa de câmbio do dólar previsto no contrato de fornecimento do AF3 (2,8443 reais), chega se ao valor de US$ 184.114.016,80. Isso demonstra a suficiência, para pagamento dos fornecimentos beneficiados pelo drawback, dos recursos obtidos mediante financiamento; apesar de a taxa de câmbio do dólar ter subido bastante em relação à taxa considerada nos contratos, o que resultou em uma entrada de recursos em reais menor do que a prevista, isso não pode significar o descumprimento do requisito do ganho cambial; o fato é que todo o valor dos financiamentos nacionalizados foi utilizado para pagamento dos fornecimentos internos relacionados aos regimes de drawback, representando entrada de divisas (ganho cambial) na operação, pois, conforme já exposto acima, as importações pagas diretamente no exterior não podem ser entendidas como saída de divisas; de acordo com os AC´s nº 20040281841 e 20040276295, o ganho cambial esperado nas operações, conjuntamente, era de US$ 61.533.180,00 (US$ 49.631.875,00 + US$ 11.901.305,00). No entanto, entraram no Brasil, de fato, US$ Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.703 39 188.021.059,94, dos quais devem ser subtraídos apenas os R$ 2.375.306,88 remetidos ao exterior para pagamentos do adiantamento de 15% do valor das importações relacionadas ao RH2, o que demonstra o efetivo ganho cambial nas operações; do exposto, não restam dúvidas de que havia recursos decorrentes de financiamentos externos suficientes para pagar o fornecimento de todos os equipamentos do AF3 e do RH2 beneficiados pelo drawback; ainda que fossem utilizados recursos não decorrentes de financiamentos externos para cobrir os reajustes de preço ou as variações cambiais, tal fato não descaracteriza adimplemento do compromisso de drawback assumido, uma vez que o valor pago pela impugnante está de acordo com os compromissos assumidos e houve comprovado ganho cambial nas operações; ademais, conforme jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o item “preço” na operação de drawback não pode ser caracterizado como inflexível, uma vez que sofre interferências do mercado e de políticas econômicas; em nenhum momento a fiscalização alega que a VAIES não teria fornecido a totalidade dos bens importados à impugnante ou que não teria cumprido os “compromissos de exportação” previstos nos Atos Concessórios; apenas alega uma suposta insuficiência dos financiamentos externos para pagamento do todo o fornecimento; ainda que se alegue que o montante financiado pela impugnante no exterior não teria sido suficiente para cobrir o valor efetivamente pago pelo fornecimento no mercado interno do AF3 e RH2, e se desconsiderem as interferências do mercado em tal descompasso, quando muito, a fiscalização poderia apenas considerar o inadimplemento parcial do regime, em razão da insuficiência de financiamento, haja vista que ao menos parte do fornecimento interno foi pago com recursos originados de financiamentos externos, representando ingresso de divisas no Brasil (ganho cambial); nessa hipótese, deveria a fiscalização imputar a insuficiência proporcionalmente a cada drawback relacionado ao fornecimento do AF3, do Convertedor 3 e Desgaseificação –RH2 e considerar o inadimplemento parcial de todos os regimes, ou poderia imputar o financiamento aos primeiros pagamentos realizados pela impugnante e considerar inadimplido parcialmente o regime que recebesse os últimos pagamentos, demonstrando o critério adotado; mas de forma alguma poderia atribuir, arbitrariamente, o inadimplemento total a um determinado regime para exigir a totalidade dos tributos suspensos, e muito menos considerar o inadimplemento total dos dois regimes de drawback da VAIES; mesmo nesse caso, o lançamento seria nulo por falta de liquidez, por imputar a suposta insuficiência dos financiamentos externos exclusivamente ao drawback da VAIES; mesmo que fosse possível a adequação do lançamento para tornálo líquido, isso feriria o art. 146 do CTN, pois representaria alteração no critério jurídico adotado; Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.704 40 a licitação internacional foi realizada regularmente; quando da emissão das CartasConvite ao regime em exame (2003), não havia exigência legal de previsão no instrumento convocatório da utilização do drawback, o que demonstra a insubsistência do questionamento fiscal; inexistência de importações realizadas antes do registro do Ato Concessório; o AC nº 20040276295 foi deferido em 01/03/2005; antes, portanto, do registro da DI nº 05/03337492, que ocorreu em 01/04/2005; Diante do exposto, pede que seja julgada procedente a impugnação, para que seja: a) reconhecida a nulidade do presente lançamento, por patente vício de ilegalidade, já que não compete à Receita Federal cancelar ou negar validade ao ato concessório emitido pelo DECEX, nos termos do inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e dos artigos 11 e 13 da Lei n° 9.784/99; b) subsidiariamente, sejam excluídos do lançamento multa e juros, com base no parágrafo único do artigo 100 e do artigo 112 ambos do CTN; c) afastada a acusação de simulação com a consequente qualificação da multa independentemente da conclusão a que se chegue a respeito do preenchimento ou não dos requisitos legais necessários para a obtenção do drawback; d) reconhecida a impossibilidade de se incluir a impugnante no pólo passivo de obrigações tributárias decorrentes de operações jurídicas (obtenção de drawback e operacionalização de importações) efetuadas por terceiro, com base unicamente em mera presunção de conluio ou em suposto interesse comum; e) reconhecida a legalidade e adequação dos contratos de financiamentos utilizados pela Impugnante para pagamento do fornecimento no mercado interno para fins de atendimento aos requisitos legais necessários à utilização do drawback para fornecimento no mercado interno; f) reconhecida a suficiência dos financiamentos externos obtidos pela impugnante para pagamento dos fornecimentos da VAIES relacionados aos contratos de fornecimento do AF3 e de fornecimento do RH2, bem como a existência de ganho cambial na operação de drawback em exame; g) caso se entenda que os financiamentos externos não seriam suficientes para pagamento de todo o fornecimento do AF3 e do RH2, o que apenas para argumentar se admite, requerse que seja reconhecida a insubsistência do procedimento adotado pela Fiscalização de imputar arbitrariamente a insuficiência de financiamento ao regime de Drawback obtido pela VAIES e, por conseguinte, seja reconhecida a nulidade do lançamento por falta de liquidez e certeza do crédito tributário e/ou pela impossibilidade de revisão do lançamento para ajuste do crédito constituído, haja vista que tal ajuste representaria alteração de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do CTN; h) reconhecida a regularidade das CartasConvite relacionadas ao regime em exame, haja vista que quando da emissão não havia exigência legal deprevisão no instrumento convocatório da utilização do drawback; e i) que seja cancelada a exigência fiscal em relação aos tributos relacionados à Dl 0503337492, tendo em vista que o AC havia sido registrado anteriormente. Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.705 41 Conforme folha 04, volume 01, a SIEMENS LTDA, CNPJ 44.013.159/0001 16, sucessora, por incorporação, de SIEMENS VAI METALS TECHNOLOGIES LTDA, tomou ciência do Auto de infração em 29/03/2010. Inconformada com a formalização dos lançamentos, insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 27/04/2010, a impugnação de fls. 2.471 (vol 10) a 2.527 (volume 11), onde apresenta os argumentos que, entende, demonstrariam a insubsistência do Auto de infração. Após discorrer sobre os fatos, pronunciase sobre os objetivos do drawback fornecimento no mercado interno, alegando equívoco manifesto das premissas adotadas pela fiscalização para a lavratura do Auto de Infração; o drawback fornecimento no mercado interno não teve, ao contrário do tradicional, o objetivo de incentivar as exportações nacionais e, consequentemente, promover o ingresso de divisas e melhorar o balanço de pagamentos nacional; o drawback fornecimento no mercado interno pressupõe perda cambial, já que está baseado na assunção de uma dívida em moeda estrangeira; o erro da fiscalização, ao considerar a venda no mercado interno como importação ficta e passar a exigir ganho cambial, que, insistase, não é o objetivo da norma do drawback fornecimento no mercado interno, tornase ainda mais grave quando o representante do Fisco federal passa a exigir o ingresso da totalidade dos recursos financiados em moeda estrangeira no País; não bastasse o equívoco de hermenêutica relatado nos itens antecedentes, que, por si só, deveria conduzir à nulidade do lançamento, o que desde já é requerido, o Auto de infração traz manifesta contradição, pois a fiscalização entende que a operação comercial foi realizada entre a empresa licitante CST e a empresa estrangeira contratada VAI INDUSTRIES UK LIMITED. Sendo assim, como entender válidas as exigências contidas na autuação, contra a impugnante? tratase de uma evidente contradição em termos. Com esse entendimento da fiscalização, não se pode exigir da impugnante, na condição de contribuinte, quaisquer valores a título de II, IPI, Cofins e Pis importação, razão pela qual o Auto de infração merece pronta anulação, o que desde já se requer; a alegação de simulação por parte da fiscalização é infundada, já que os mesmos documentos mencionados pelo auditor para essa imputação foram entregues antes ao Decex, que tinha pleno conhecimento das operações; a impugnante não elaborou e/ou apresentou ao Decex qualquer documento que contivesse declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, ou que fossem antedatados ou pós datados, o que, por si só, afasta qualquer alegação de simulação, o que deve ser prontamente reconhecido por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento; cabe destacar que é de competência exclusiva do Decex a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumprida a formalização, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; a ação do fisco não pode ser contrária à da Secex; aquela não pode invalidar um Ato Concessório com base em mero exame documental, já realizado pela Secex; ao interferir na atividade de concessão do benefício, o auditor fiscal acabou invadindo, de forma ilícita, a esfera de competência exclusiva do Decex; isto posto, requerse, com fulcro no artigo 59, I, do Decreto nº 70.235/1972, seja prontamente anulado o Auto de infração, uma vez que o auditor fiscal é Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.706 42 incompetente para invalidar um Ato Concessório de drawback com base em mero exame documental, posto que exame dessa natureza foi oportunamente realizado pelo Decex ao deferir o ato; a autuação sem maiores investigações da realidade é um subterfúgio para invalidar, de forma contrária à norma do art. 178 do CTN, o Ato Concessório do drawback deferido pelo Decex; devese lembrar também o teor da Súmula 544 do STF; é absolutamente insuficiente para justificar a simulação a assertiva de que os pagamentos pelas importações não foram efetuados pela VOEST ALPINE INDÚSTRIA LTDA; o pagamento pela entidade governamental estrangeira diretamente para o exportador no exterior não encontra qualquer vedação legal; a interpretação da fiscalização nesse sentido é contrária ao artigo 5º da Lei nº 8.032/1990; o auditor fiscal não deu qualquer importância ao exame da realidade fática da operação de fornecimento do altoforno e do RH2, o que seria fundamental para que restasse caracterizada a alegada simulação; conforme jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, a comprovação das importações se dá por intermédio das respectivas DI´s; não há como concordar com a afirmação constante do Auto de infração segundo a qual a impugnante não efetuou por sua conta e ordem a operação de importação dos materiais, produtos intermediários e componentes; todas as “invoices” emitidas pela MAN Ferrostal Aktiengesellchaft (doc. 08) para envio dos componentes importados foram emitidas em nome da impugnante; uma vez evidenciada a industrialização (montagem) do altoforno pela impugnante e suas parceiras, não há como prevalecer a afirmação da fiscalização no sentido de que estaria comprovado que a operação comercial foi realizada entre a CST e a empresa estrangeira contratada VAI INDUSTRIES LIMITED; não houve irregularidades em relação ao pagamento das importações; a proibição de uma conduta deve estar em norma válida, eficaz e expressa nesse sentido; o fato de a legislação ser absolutamente lacônica acerca da forma de pagamento das importações realizadas pela impugnante não permite ao auditor fiscal inferir qualquer irregularidade nesse caso concreto, sob pena de manifesta violação às normas dos artigos 97 e 111, II, do CTN; quanto ao não atendimento do requisito relativo ao pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento, o auditor não atentou para o fato de que a CST Overseas Ltd é uma subsidiária integral da CST; nos termos dos artigos 251 a 253 da Lei nº 6.404/1976, esse tipo de empresa é a companhia constituída mediante escritura pública, tendo como única acionista sociedade brasileira; a CST é quem responde pelos eventuais danos causados por atos praticados com abuso de poder, sendo obrigada a reparar os danos causados à companhia; a fiscalização omite o fato de o ACORDO COMPLEMENTAR, datado de 21/07/2004, ter sido assinado entre a CST e o KfW, que deixa claro qual a destinação do financiamento, bem como estabelece uma série de compromissos que devem ser observados pela CST, visando a garantir o pagamento dos valores devidos ao KfW; não cabe a alegação da fiscalização no sentido de que o financiamento não foi integral; os recursos captados em moeda conversível (KfW USD 111; EIB, Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.707 43 BNDES, e KfW USD 85) foram suficientes para fazer jus à totalidade do investimento da empresa; por consequência lógica, é de se convir que a CST obteve financiamentos em moeda conversível em valor superior ao dos fornecimentos do altoforno nº 3 e da Estação de Desgaseificação à Vácuo, partes do projeto que contaram com a participação da impugnante; podese dizer que a CST captou financiamento, em US$, no valor de 299.021.059,94, montante mais do que suficiente para comprovar o financiamento integral do fornecimento do altoforno nº 3 e da Estação de Desgaseificação à Vácuo, cujo valor total é de US$ 217.191.658,00; revelamse incorretas, portanto, as assertivas da fiscalização no sentido de que, no que se refere ao pagamento efetuado no exterior com recursos originários do banco KfW, relativos à parcela importada, a operação não atende ao previsto na legislação, visto que o financiamento obtido no KfW não foi responsável por 100% do valor devido; e de que os pagamentos efetuados pela empresa licitante CST não foram feitos integralmente com recursos oriundos de financiamento externo; quanto à alegada inexistência de ganho cambial, a fiscalização está equivocada porque não há que falar em exportação no drawback fornecimento no mercado interno; não há que falar em ganho cambial nas operações desse regime; há manifesta ilegalidade da autuação, uma vez que, na interpretação da lei tributária, não se pode utilizar a analogia para cobrança de tributo; ainda que se admitisse a exigência de comprovação de resultado cambial positivo, a fiscalização está errada porque o investimento do altoforno nº 3 da CST alcançou o montante de US$ 183.353.996,00. Desse total, US$ 129.233.495,00 corresponde à parcela nacional e US$ 54.120.501,00 corresponde à parcela importada. Da mesma forma, na Estação de Desgaseificação à Vácuo, o investimento da CST foi de US$ 33.387.662,00, sendo US$ 27.581.637,00 referentes à parcela nacional do fornecimento e US$ 6.256.025,00 referentes às importações; assim, em ambos os fornecimentos o valor das importações representa menos de 30% do valor total dos equipamentos, de modo que o valor do fornecimento no mercado interno, que está coberto por financiamentos externos e com o BNDES, é muito superior ao montante das importações realizadas; no drawback fornecimento no mercado interno, hipótese em que não é necessária a exportação subsequente, o único meio de se calcular o ganho cambial, por analogia, como quer a fiscalização, seria comparando o valor que foi pago, no Brasil, com recursos obtidos no exterior, para a empresa nacional, com o montante pago no exterior, a título das importações realizadas; diante desse fato, lícito é convir que as operações acarretaram forte entrada de recursos em moeda conversível no país, razão pela qual não merece prosperar a assertiva segundo a qual não foi apurado resultado cambial positivo satisfatório na operação em questão; em relação à DI 0503337492, que, segundo a fiscalização, teria sido registrada antes do registro do Ato Concessório nº 20040276295, tal não ocorreu. Isso porque o deferimento desse AC ocorreu em 03/01/2005, e o registro da referida DI ocorreu em 04/04/2005; Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.708 44 na hipótese de se julgar procedente a autuação ora fustigada, é imperioso destacar que se estará a exigir da autuada o recolhimento em duplicidade das parcelas devidas a título de parte do IPI e da totalidade das contribuições para o PIS e a COFINS; isso porque, ao pagar o PIS e a COFINS sobre as receitas decorrentes da venda, para a CST, do altoforno e da Estação de Desgaseificação à Vácuo, a impugnante não considerou créditos sobre a aquisição dos bens importados, de modo que o valor de venda destes bens foi integralmente tributado pelas contribuições; não tendo havido simulação, não cabe a multa de 150% sobre os tributos incidentes nas importações; em verdade a impugnante não pode ser compelida ao pagamento de qualquer penalidade. Isso porque a fiscalização afirma que a impugnante não foi a responsável pelo fornecimento das denominadas parcelas importadas para a empresa licitante CST. Assim sendo, seriam descabidas as exigências de tributos efetuadas no Auto de infração e, consequentemente, de todas as penalidades nele exigidas; ao obter do Decex o Ato Concessório, a impugnante seguiu uma prática reiterada da Administração, portanto, não cabe o pagamento penalidades, de juros e atualização do valor monetário, por força do art. 100, inciso III do CTN; ultrapassados os argumentos acima, devese aplicar ao caso a norma do art. 112, II e IV, do CTN, afastandose a multa qualificada, reduzindoa para 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996; diante do exposto, requer que seja julgada procedente aImpugnação ao Auto de Infração, decretandose a insubsistência do lançamento oraatacado, tendo em vista a demonstrada improcedência de seus fundamentos, por serde Direito e merecida Justiça. requer, subsidiariamente, que sejam descontadas a totalidade das exigências relativas às contribuições do PIS e da COFINS e da parte das exigências de IPI pagas quando do faturamento no mercado interno. requer, subsidiariamente, que seja afastada a aplicação de qualquer penalidade, cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. requer, ainda subsidiariamente, que seja afastada a penalidade qualificada, reduzindoa para 75%, nos termos do artigo 44. inciso I, da Lei n° 9.430/96. requer, ainda, que as futuras intimações sejam endereçadas exclusivamente para o seguinte endereço: Rua Sergipe, n.° 1.333, 11° andar. Funcionários. Belo Horizonte, Minas Gerais. CEP 30.130171. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006 INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.709 45 No processo administrativo tributário, as intimações por via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Nas infrações à legislação tributária decorrentes de operações de importação, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito na pessoa jurídica que se apresenta como importadora e na real destinatária/contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem, uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum na situação que constitui o fato gerador. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação da multa de cento e cinquenta por cento quando não comprovada a existência de dolo. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime aduaneiro especial de drawback, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de benefício, e a verificação, a qualquer tempo, dentro do prazo decadencial, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO. As Delegacias de Julgamento não têm competência para realizar a apreciação inicial de pedidos de reconhecimento de direito creditório de tributos, os quais deverão ser formulados perante a Autoridade competente, segundo as normas que regem os pedidos de restituição e de compensação. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/04/2005 a 05/09/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO FORNECIMENTO INTERNO INTEGRALMENTE EM MOEDA CONVERSÍVEL DECORRENTE DE FINANCIAMENTO EXTERNO. AUSÊNCIA DE GANHO CAMBIAL. DESCARACTERIZAÇÃO DO INCENTIVO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. É cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, quando descaracterizado o incentivo em razão Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.710 46 de o pagamento do fornecimento não haver sido efetuado integralmente em moeda conversível, proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior, e, ainda, em razão de ausência de ganho cambial na operação Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, e no artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 3 de janeiro de 2008, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada. Por seu turno, insatisfeitas com a decisão de primeira instância, as empresas autuadas apresentam Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Siemens Vai Metals Technologies Ltda De início, explica que, em conjunto com outras duas empresas, constituiu um consórcio que participou da licitação internacional promovida pela Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST para a compra e construção de um AltoForno. Também foi convidada, pela mesma empresa, a participar da licitação internacional para o fornecimento de uma Estação de Desgaseificação a vácuo (RH2). Foi vencedora em ambas. Ingressou perante o Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) com os pedidos de concessão de benefício de Drawback, que, sabia, estava previsto para as duas licitações. A esse respeito, explica, É fundamental destacar que, nos referidos pedidos, a Recorrente (i) informou os detalhes e valores da operação de fornecimento do altoforno e da estação de desgaseificação a vácuo e (ii) esclareceu que a empresa licitante, a CST, cobriria o valor total do fornecimento do equipamento através de contratos de financiamento em moeda estrangeira. Feitas essas considerações, referese ao Auto de Infração e à Decisão de primeira instância administrativa e passa a expor as razões porque entende que a exigência fiscal neste discutida deve ser cancelada. Considera que o entendimento proposto pela Secretaria da Receita Federal parte de “uma interpretação que não considerou o elemento teleológico do artigo 5º da Lei nº 8.032/90”, mostrandose, por isso, “desvinculado da realidade”. Comenta, Os objetivos do drawback para fornecimento no mercado nacional, ao contrário do drawback clássico, que visa o incremento das exportações nacionais, com o ingresso de divisas para o país, foram: (i) permitir, através da exoneração tributária, a captação de recursos internacionais que financiassem a modernização do parque industrial brasileiro e, ao mesmo tempo, (ii) estimular a indústria nacional de máquinas e equipamentos, na medida em que a maior porção dos componentes do equipamento objeto do drawback a ser fornecido no mercado interno deve ser de origem nacional. Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.711 47 Que, ao contrário de como defende a Secretaria, a exigência de resultado cambial positivo e a equiparação do fornecimento no mercado interno a uma exportação são contrários a estrutura do benefício. O mecanismo de funcionamento de drawback para fornecimento no mercado interno, ao contrário do drawback clássico, pressupõe uma perda cambial, pois, conforme podemos inferir da leitura do artigo 5º, da Lei nº. 8.032/90, o benefício está baseado na assunção de uma dívida em moeda estrangeira que deve ser paga pela empresa adquirente da máquina ou equipamento a ser fornecido, de modo que, ao fim do processo, haverá, necessariamente, uma saída de divisas do país. Argumenta que, além desse erro conceitual, a decisão tornase ainda mais equivocada “quando o fisco passa a exigir que ocorra o ingresso da totalidade dos recursos financiados em moeda estrangeira no país, visto que se trata de exigência não prevista em lei”. Ainda mais, mesmo que se admitisse a necessidade de comprovar ganho cambial, “lícito é convir que a operação acarretou forte entrada de recursos em moeda conversível no país [...]”. É dizer, no drawback para fornecimento no mercado interno, hipótese em que não é necessária a exportação subseqüente, o único meio de se calcular o ganho cambial, por analogia, como quer o fisco, seria comparar o valor que foi pago, no Brasil, com recursos obtidos no exterior, para a empresa nacional, com o montante pago, no exterior, a título das importações realizadas. E que, nesse contexto, houve ganho cambial, sendo irrelevante o efetivo ingresso de divisas, exigência que fere o artigo 111 do Código Tributário Nacional. Noutro giro, que, embora reconheça a competência da Secretaria da Receita Federal para fiscalizar o adimplemento do Regime de Drawback, entende que a fiscalização deve ser complementar ao exame feito pela Decex e não contrária. Que “não se pode invalidar uma operação de drawback com base no exame dos mesmos documentos e informações que foram submetidos ao DECEX, no momento dos pleitos dos atos concessórios”, na medida em que a competência para concessão do Regime é exclusivamente da Secex. Esclarece, Vale a pena insistir neste ponto: o DECEX, ao conceder o drawback para a Recorrente, tinha pleno conhecimento de todos os aspectos das operações respectivas, ou seja, conhecia todos os mínimos detalhes e peculiaridades das operações e, diante de tais detalhes e peculiaridades que lhe foram apresentados, concedeu os Atos Concessórios para a Recorrente. E, O fisco só poderia exigir o recolhimento dos tributos desonerados por meio do drawback se estivesse configurado que a Recorrente descumpriu os termos de seu pedido, o que não restou comprovado, razão pela qual o acórdão deve ser reformado por esse E. Conselho com a declaração de insubsistência das exigências nele contidas, o que ora se requer. Passa à questão relacionada ao fechamento dos contratos de câmbio. Argumenta não haver qualquer vedação na legislação ao pagamento efetuado pela entidade governamental diretamente à empresa exportadora e que “o pagamento direto para fornecedores no exterior não fere a legislação cambial brasileira”, ao contrário de como diz o Acórdão recorrido. Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.712 48 Comenta, Tanto é assim, que o Banco Central, após avaliar o contrato celebrado com o KfW, permitiu o Registro da Operação Financeira (ROF) nele consubstanciada. É bem dizer, o Banco Central, autarquia responsável pela regulação do mercado cambial reconheceu a validade da operação. Adentra ao mecanismo de industrialização dos equipamentos fornecidos ao abrigo do Drawback. Esclarece que “por se tratar de contratos turnkey, a CST adquiriu os equipamentos prontos e acabados” e que “uma investigação mais detida do processo de industrialização por parte do auditorfiscal teria o condão de afastar as exigências fiscais”. Tece considerações a respeito: Vale destacar que tanto um altoforno quanto uma estação de desgaseificação a vácuo possuem diversas conexões com outros equipamentos, plantas e sistemas de uma usina siderúrgica e, necessariamente, estão ligados ao solo através de obras civis de infraestrutura. O que não retira a característica de industrialização de seu fornecimento. Que comprovou a aquisição de diversos itens e componentes no mercado nacional e a cobrança da CST de um valor maior do que o somatório de todas as notas, sendo a diferença correspondente à margem de lucro e as horas de trabalho de seus profissionais. Acrescenta que a industrialização restou comprovada pelo próprio Decex. E que também não faz sentido lhe exigir tributos se, como entende o Fisco, a operação comercial de importação não foi realizada pela empresa, mas pela Vai Industries Uk Limited. Sobre os financiamentos, argumenta, e procura demonstrar com dados concretos, que “foram captados recursos em moeda conversível suficientes para fazer jus à totalidade do investimento da empresa”. Que “os contratos celebrados pela CST para sua expansão industrial foram suficientes para cobrir todos os fornecimentos amparados pelo drawback para fornecimento no mercado interno” e que “a desconsideração do segundo contrato de financiamento externo com o KfW e do contrato celebrado com o BNDES, não leva em conta o apontando (sic) dinamismo das operações de financiamento dos projetos de investimentos”. Explica as razões por que considera que os dois contratos estão vinculados ao Regime e porque não pode prosperar o argumento de que eles não tenham como objeto específico o fornecimento dos equipamentos da Recorrente. Ainda mais, que “o fato de parte dos contratos ter sido celebrado com outras empresas – CST Overseas Ltd. e ArcelorMittal Finance – não invalida, em absoluto, os financiamentos para fins de adimplemento do drawback”, na medida em que os contratos sejam expressos quanto à destinação e finalidade dos recursos e a CST Overseas Ltd. seja uma subsidiária integral da CST e a ArcelorMittal Finance uma empresa do mesmo grupo com o objetivo de obter financiamento para empresas do grupo, não havendo nada na legislação que vede este tipo de operação. Requer também a exclusão da exigência da multa e dos juros, por ter agido de boafé e de acordo com os Atos Concessórios expedidos pelo Decex. Argumenta que a concessão do benefício previsto no artigo 5º da Lei 8.032/90 constitui prática reiterada da Administração Federal e que novos entendimentos da Administração não podem ser aplicados a fatos pretéritos, conforme artigo 146 do Código Tributário Nacional. Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.713 49 Finalmente, que sejam descontados da exigência ora discutida os valores oferecidos a tributação do PIS, Cofins e IPI na venda dos equipamentos à CST, por não ter havido apropriação de créditos desses tributos e contribuições na importação. Arcelomital Brasil S.A. Após um breve relato dos fatos transcorridos até a presente fase processual, destaca que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento “reconheceu não haver ato doloso, simulação ou conluio entre a Recorrente e a empresa vencedora da licitação internacional, dado que o contrato de financiamento apresentado à SECEX tinha previsão do pagamento de importações diretamente no exterior, convalidando o argumento da Recorrente de que a toda a operação foi executada nos exatos termos em que apresentada originalmente para obtenção do Ato Concessório do Drawback”. Repete a argumentação da empresa Siemens a respeito da execução das operações nos moldes em que foram previamente informadas para o Decex e acrescenta, Vale ressaltar que após a concessão do regime pelo Decex, mas antes do fechamento do ato concessório, a empresa licitante (ora recorrente) dirigiu comunicação formal ao órgão (carta CDE 045/04 – Doc.9) informandolhe que seria necessário a obtenção de mais linhas de crédito com recursos externos, além daquelas firmadas com os Bancos europeus KFW e o EIB. Estas linhas de crédito foram devidamente comprovadas de acordo com os contratos celebrados com o mesmo KFW (KFW2) e com o BNDES. Lista e descreve cada um dos contratos de financiamento externo obtidos no exterior e esclarece detalhes do Contrato Turnkey AF3 e Turnkey RH2. Requer a exclusão do pólo passivo da autuação. Considera que, “diante do reconhecimento expresso pela r. decisão recorrida da inocorrência de fraude ou simulação na obtenção/implementação do benefício [...] merece ser reconhecida a inexistência de solidariedade da Recorrente com a autuada principal (SVA), posto que a alegação que resta neste processo diz respeito apenas a atos praticados pela VAIES, empresa que efetivamente praticou os fatos geradores dos tributos lançados”. Ainda a esse respeito, aduz que as normas com base nas quais foi mantida a responsabilidade solidária, artigo 124 do CTN e inciso I do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, trazem disposições abertas e podem atribuir uma amplitude inadequada às disposições legais correspondentes. Advoga, O terceiro que não tem relação pessoal e direta com o fato gerador somente pode ser colocado no pólo passivo de determinada obrigação tributária se houver previsão expressa em lei que assim o determine ou no caso de fraude, conluio ou sonegação. Ou seja, a solidariedade tributária na pode ser presumida, devendo necessariamente resultar de lei ou de atitude ilícita. Que o julgador de primeira instância inovou ao embasar a responsabilidade solidária nos incisos I e IV do Decretolei 37/66, já que, no Auto de Infração, a Fiscalização Federal o teria feito com base no inciso V do mesmo diploma legal. Adentra, também, a questão da competência da Secretaria da Receita Federal para revisão da concessão de Ato Concessório emitido pela Secex. Reproduz a afirmação de Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.714 50 que toda a operação e os próprios documentos nos quais fundamentouse a autuação eram de conhecimento do Decex. Expõe, Ou seja, o foco das acusações fiscais não é um suposto descumprimento do compromisso do drawback pela empresa VAIES, e sim a própria forma como se previu e se contratou os financiamentos para pagamento do fornecimento no mercado nacional. Alongase no assunto. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial favorável. Passa ao exame do contexto e finalidade do Regime de Drawback na modalidade de licitação internacional para fornecimento no mercado interno. Resume, A concessão do Drawback suspensão para fornecimento no mercado interno depende da coexistência dos seguintes requisitos: Existência de licitação internacional para o fornecimento nacional; Importação de matérias primas, produtos intermediários e componentes; Fabricação de maquinas e equipamentos no Brasil; Fornecimento no mercado interno, por vencedor de licitação internacional, de máquinas e equipamentos; Pagamento em moeda conversível, através de financiamento por parte de instituição internacional da qual faça parte o Brasil, entidade governamental estrangeira ou pelo BNDES. Explica que, no Regime, o compromisso de exportação, típico do Drawback suspensão, é substituído pelo compromisso de fornecimento no mercado interno com a utilização dos itens importados objeto da suspensão tributária e o requisito de ingresso de divisas no país é assegurado pela exigência de que os recursos destinados às importações e ao fornecimento no mercado interno sejam captados no exterior e conclui, Não haveria razão, portanto, de se cogitar em “saldo positivo” entre importações e exportações, pois não há qualquer exportação. (...) De mais a mais, mesmo que se admita a necessidade de comprovação do ganho cambial no drawback para fornecimento no mercado interno, é de suma importância observar que a sua previsão foi profundamente relativizada pela Portaria SECEX 11/05, que permitiu que a análise do resultado da operação tivesse outros parâmetros, vejase: (...) E que não há legislação exigindo que o pagamento das importações seja feito diretamente pelo titular do Ato Concessório. Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.715 51 Contesta a desconsideração dos contratos de financiamento firmados com a KFW e com o BNDES que, segundo entende, não tem qualquer amparo legal. A respeito da vinculação destes financiamentos ao Regime, explica, Vejase que ambos os contratos têm previsão de destinação de recursos à aquisição de máquinas e equipamentos que propiciem a expansão da capacidade de produção da Recorrente em 50%, sendo que um dos viabilizadores deste objetivo foi exatamente a aquisição do alto forno nº 3 (AF3) e da Estação de Desgaseificação à Vácuo nº 2 (RH2). E que não há qualquer ilegalidade no fato de os empréstimos terem sido contraídos por empresas do grupo econômico da qual faz parte. Ainda mais, que não há proibição legal de que o financiamento seja contraído por terceiro e repassado ao licitante. Tanto é assim que o DECEX concedeu o regime de Drawback requerido pela VAIES com base no contrato de financiamento KfW 1 (fls. 388 e seguintes – DOC. III do PAF), bem como o BACEN Autorizou o registro dos contratos de câmbio simbólico e dos registros de operações financeiras – ROFs. Confirma que a tomadora do primeiro empréstimo, CST Overseas Ltda, é totalmente controlada pela CST, sucedida pela Arcelormital e, do segundo, é empresa do mesmo grupo econômico. Também, que o fato de o primeiro contrato firmado com o KFW prever o pagamento de 85% do valor financiado diretamente ao exportador no exterior não importa no inadimplemento do Regime. Explica que o argumento da DRJ de que a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador indicado na DI é Autorizado apenas nos casos expressamente previstos na RMCCI não pode prosperar, pois, desde 2009, o dispositivo legal correspondente “não mais existe na regulamentação do câmbio brasileiro (revogado pela Circular nº 3.454/2009)”. Referese a Lei 10.775/03, prevendo penalidade nos casos de contratação irregular de câmbio. Pondera, Todavia, A PRÓPRIA LEI 10.755/03 TRATOU DE ISENTAR (DENTRE OUTRAS SITUAÇÕES) AS IMPORTAÇÕES EFETUADAS SOB O REGIME DE DRAWBACK DE TAL PENALIDADE[...] E acrescenta, Conforme se verifica, a Recorrente diligenciou em informar previamente ao BACEN sobre toda a operação de captação de financiamento externo junto aos organismos financeiros internacionais, visando a consecução do projeto de expansão da sua capacidade produtiva em 50% (de 5 milhões para 7,5 milhões de toneladas). E que essa expansão envolveria a construção do AF3 e do RH2 com recursos obtidos no exterior junto a instituições como o KFW, o EIB e o BNDES e a operação seria estruturada com o desembolso da CST Overseas diretamente aos fornecedores dos equipamentos que seriam importados. No que se refere à alegada insuficiência de recursos financeiros obtidos do exterior, após pormenorizada explanação acerca dos vários gastos incorridos na consecução do projeto de expansão e aquisição específica dos equipamentos licitados, finaliza, Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.716 52 Portanto, os financiamentos obtidos pela Recorrente com o KfW2, EIB e BNDES, no valor de R$ 442.566.640,00 (USD 188.021.059,94) foram mais do que suficientes para pagar todos os equipamentos beneficiados com o drawback adquiridos para expansão da usina da Serra (AF3, Convertedor 3 e Desgaseificação – RH2). E acrescenta, Ocorre que, no período da operação, a taxa de câmbio do dólar subiu bastante em relação à taxa considerada nos contratos de fornecimento do AF3, do Converter 3 e do Desgaseificação – RH2, ocasionando uma entrada de recursos em Reais (BRL) menor do que a prevista quando da celebração dos contratos de fornecimento e dos contratos de financiamento, o que não pode significar descumprimento do requisito do ganho cambial. Aduz que, ainda que se considere que o montante financiado no exterior não foi suficiente para cobrir todo o valor pago à SVA, tratarseia, no máximo de um caso de inadimplemento parcial do Regime, razão pela qual o lançamento deve ser considerado nulo, por falta de liquidez. Por fim, requer, também, a exclusão dos valores correspondentes a juros e multas. É indubitável que as importações se deram sobre o abrigo de decisão administrativa proferida pelo DECEX que reconheceu o direito da VAIES ao gozo dos benefícios do Drawback Fornecimento Interno. Caso seja preservada a tentativa de revisão desse ato pela Receita Federal, com a negativa de sua eficácia, somente poderiam ser exigidos os valores referentes ao principal dos tributos desonerados, por força da norma constante do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Recorre, também, às disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. 1 Introdução Ainda que os fatos apurados pela Fiscalização Aduaneira e a legislação aplicável tenham sido esclarecidos de forma pormenorizada no corpo do Relatório de Auditoria Fiscal e parcialmente reproduzidos no Relatório da Decisão de Primeira Instância, penso que seja necessário esboçar um resumo desses fatos, da estrutura do Regime Aduaneiro investigado e das infrações imputadas às Recorrentes. 1.1 – O Regime de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.717 53 Inicio por rememorar, com a brevidade que se faz necessária, a natureza do benefício concedido à empresa autuada. Lei 8.032/90 Art. 5o O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.184, de 2001) O Regime Aduaneiro Especial de que trata o artigo 78, inciso II, do Decreto Lei nº 37/66, citado no caput do artigo 5º, acima reproduzido, é o que prevê a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Regime conhecido por Drawback Suspensão. O artigo 5º da Lei 8.032/90 nada mais fez do que introduzir a previsão de aplicação do Regime de Drawback Suspensão para os casos de importação de mercadorias que não serão exportadas após submetidas a um dos processos um de industrialização especificados no inciso II do artigo 78 do DecretoLei nº 37/66, mas empregadas na fabricação de bem fornecido no mercado interno em decorrência de licitação internacional. Discutese exaustivamente nos Autos a razão da extensão do benefício de suspensão do pagamento dos tributos aduaneiros a essa situação específica. É de sabença que o Regime de Drawback Suspensão proporciona condições favoráveis ao exportador, ao desonerar a importação de insumos que “retornarão” ao exterior uma vez que consumada a exportação à qual o benefício está condicionado. Isso, contudo, não ocorre no caso do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno e, por conseguinte, não pode ser a razão de sua existência. A despeito das inúmeras ilações que possam ser feitas a respeito do assunto, não me parece recomendável caminhar a grande distância das disposições legais pertinentes, uma vez que apenas as leis e as normas infralegais que as regulamentam têm o condão de definir regras e criar obrigações para o contribuinte, razão pela qual carece de efeito prático qualquer tentativa de interpretar a finalidade do instituto legal com base em outras premissas. Quanto a isso, entendo que, até a edição da Lei 11.732/08, mais especificamente a Mensagem de Veto 458/08 ao parágrafo 2o de seu artigo 3º, e do Decreto 6.702/08, havia menor clareza em relação a certos aspectos próprios do Regime de Drawback para Fornecimento no Mercado Interno. Salvo melhor juízo, até então, nem mesmo a expressão contra pagamento em moeda conversível era de interpretação óbvia em relação ao pagamento específico ao qual estavase referindo e à quantidade de valor nele expresso se ao pagamento da importação ou ao pagamento dos bens a serem fornecidos no mercado interno em Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.718 54 decorrência de licitação internacional1, assim como o quantum a ser financiado com recursos internacionais. Com efeito, com entrada em vigor desses novos diplomas legais, restou incontroverso que o pagamento a que se referia o artigo 5º da Lei 8.032/90 era aquele realizado pelo licitante, no mercado interno, pelo fornecimento da máquina ou equipamento fabricado com as matériasprimas, produtos intermediários e componentes importados com o Benefício, e que este pagamento deveria ser efetivado, na sua integralidade, em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. É o que se depreende das disposições legislativas a seguir reproduzidas. Mensagem de Veto nº 458, de 30 de junho de 2008. Ouvido também, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior manifestouse pelo veto aos seguintes dispositivos: § 2° do art. 3 ° Art. 3º........................................................ § 2° O financiamento concedido por instituição financeira internacional ou da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira, ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES será entendido como parte a ser investida na importação. Razões do veto O texto proposto possibilita a interpretação de que o financiamento referido no art. 5° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, poderia corresponder a apenas parte das importações, o que ensejaria a utilização do beneficio do drawback mesmo nos casos em que somente uma parcela muito reduzida do investimento tivesse sido financiada. No entanto, é requisito básico do beneficio do drawback o ganho cambial de uma operação, isto é, a diferença, em divisas, entre o valor exportado e o importado. O mesmo raciocínio deve ser aplicado ao instituto do drawback para fornecimento no mercado interno, decorrente de licitação internacional, de modo que o valor do financiamento deve ser maior do que o valor das importações, diferentemente do que traz o presente dispositivo. Decreto 6.702/08 Art. 1o A importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, sob amparo do regime aduaneiro especial de que trata o art. 5o da Lei no8.032, de 12 de abril de 1990, será necessariamente precedida de licitação internacional, conforme as disposições deste Decreto. Parágrafo único. O fornecimento de que trata o caput, decorrente de licitação internacional, é aquele realizado integralmente contra pagamento com recursos oriundos de moeda conversível proveniente de financiamento concedido por 1 Segundo entendo, o segundo. Inobstante, não me parece inadmissível interpretação diversa. Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.719 55 instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. E nenhum efeito tem, a meu ver, o fato de o artigo 3º da Lei 11.732/082 terse autoproclamado interpretativo. A uma, suas disposições em nada auxiliam o intérprete nos anos anteriores à entrada em vigor da Norma e, a duas, ele referese apenas e especificamente ao conceito de licitação internacional e não às condições para aplicação do Benefício de Drawback Fornecimento no Mercado Interno. De fato, não vejo como os efeitos da retroação da Lei possam, de alguma maneira, conduzir ao entendimento de que o contribuinte já pudesse saber, à época dos fatos, de uma condição explicitada em data muito posterior. Isto posto, necessário ressalvar questão de grande relevo. Refirome às razões do Veto ao parágrafo 2º do artigo 3º da Lei 11.732/08. Conforme consta, constituise em requisito básico do beneficio do drawback o ganho cambial de uma operação, premissa que, segundo entendimento do Poder Executivo expresso no Veto, deve ser aplicado ao instituto do drawback para fornecimento no mercado interno, decorrente de licitação internacional, de modo que o valor do financiamento deve ser maior do que o valor das importações. Como não se pode imaginar que se trate de uma decisão isolada, dissociada da interpretação já consolidada no âmbito da Administração Federal, a presença dessa informação no Veto permite inferir que o ganho cambial é e sempre foi uma condição elementar à concessão do Regime Drawback Suspensão. É anterior à Lei 11.732/08 e independe do esclarecimento nela veiculado. De fato, não há dificuldade em identificar o respaldo legal da premissa assumida pelo Poder Executivo na decisão de vetar o parágrafo 2º do artigo 3º da Lei 11.732/08. Como já dito, o artigo 5º da Lei 8.032/90 referese ao Regime Aduaneiro Especial de que trata o inciso II do artigo 78 do DecretoLei no 37/66 que, como também já foi esclarecido, é o Regime de Drawback na modalidade suspensão. O caput do artigo 78, como percebese incontroverso de sua leitura, admite a concessão dos benefícios listados nos seus incisos nos termos e condições estabelecidas no Regulamento. O Regulamento Aduaneiro vigente à época, Decreto 4.543/02, assim definia: Art. 338. A concessão do regime, na modalidade de suspensão, é de competência da Secretaria de Comércio Exterior, devendo ser efetivada, em cada caso, por meio do Siscomex. § 1o A concessão do regime será feita com base nos registros e nas informações prestadas, no Siscomex, pelo interessado, conforme estabelecido pela Secretaria de Comércio Exterior. (...) 2 Art. 3o Para efeito de interpretação do art. 5o da Lei no 8.032, de 12 de abril de 1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado. Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.720 56 Art. 343. A Secretaria de Comércio Exterior poderá estabelecer condições e requisitos específicos para a concessão do regime, inclusive a apresentação de cronograma de exportações. Por seu turno, a Portaria Secex 14/04, estabelecia as condições exigidas pela Secretaria de Comércio Exterior para a concessão do Regime. CAPÍTULO II REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE SUSPENSÃO Art. 76. No exame do Pedido de Drawback, será levado em conta o resultado cambial da operação. § 1º A relação básica a ser observada é de 40% (quarenta por cento), estabelecida pela comparação do valor total das importações, aí incluídos o preço da mercadoria no local de embarque no exterior e as parcelas estimadas de seguro, frete e demais despesas incidentes, com o valor líquido das exportações, assim entendido o valor no local de embarque deduzido das parcelas de comissão de agente, eventuais descontos e outras deduções. § 2º Outros percentuais poderão ser praticados, desde que observados o ganho cambial, a natureza da operação, além das normas dispostas nesta Portaria, em situações que justifiquem a concessão. § 3º Quando da apresentação do pleito, a interessada deverá fornecer os valores estimados para seguro, frete, comissão de agente, eventuais descontos e outras despesas. Importante sublinhar: o Regime de Drawback Suspensão na submodalidade Fornecimento no Mercado Interno não foi em nenhum momento excepcionado, na legislação que regulamenta o Drawback Suspensão como um todo, da exigência do resultado cambial positivo. Finalmente, além de todos os fundamentos acima apresentados com vistas à demonstrar que o ganho cambial sempre foi uma condição para concessão do Regime de Drawback Suspensão, seja em qual modalidade for, acrescentese que não será difícil confirmar que essa exigência foi especificada nos próprios Atos Concessórios emitidos pela Secex. Basta que se observem as tabelasresumo apresentadas pela Fiscalização Federal no Relatório de Auditoria, elaboradas com base nos dados extraídos dos Atos Concessórios3, que corroboram tudo o que até aqui foi dito. A seguir, para maior clareza, reproduzoas mais uma vez. Número 20040276295 Tipo FORNECIMENTO MERCADO INTERNO GENÉRICO CNPJ Beneficiário 01.564.402/000181 Razão Social VoestAlpine Indústria Ltda (Siemens Vai Metals Technologies Ltda) Data de Registro 04/04/2005 Data de Validade 04/04/2007 Itens Importados PARTES, PEÇAS, COMPONENTES, BENS INTERMEDIÁRIOS, MÁQUINAS, MATÉRIAS PRIMAS, INCLUINDO SOBRESSALENTES DE OPERAÇÃO PARA FABRICAÇÃO DE UM ALTO FORNO NCM Importação GENÉRICO 3 Exportação no valor de US$ 74.100.494,00, por exemplo, à folha 401 do Processo. Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.721 57 Vlr total da Importação CIF USD 24.468.619,00 Item Exportado* ALTOFORNO Ncm Exportação* 84178090 VlrExportação* FOB USD 74.100.494,00 *Fornecimento no mercado interno (...) Número 20040281841 Tipo FORNECIMENTO MERCADO INTERNO GENÉRICO CNPJ Beneficiário 01.564.402/000181 Razão Social VoestAlpine Indústria Ltda (Siemens Vai Metals Technologies Ltda) Data de Registro 07/10/2005 Data de Validade 07/10/2007 Itens Importados PARTES, PEÇAS, COMPONENTES, BENS INTERMEDIÁRIOS, MÁQUINAS, MATÉRIAS PRIMAS, INCLUINDO SOBRESSALENTES DE OPERAÇÃO PARA FABRICAÇÃO DE UMA ESTAÇÃO DE DESGASEIFICAÇÃO DE AÇO LÍQUIDO, A VÁCUO RH. NCM Importação GENÉRICO Vlr total da Importação CIF USD 6.994.527,00 Item Exportado* ALTOFORNO Ncm Exportação* 84541000 VlrExportação FOB USD 18.795.892,00 *Fornecimento no mercado interno (...) De tudo isso, à luz das considerações acima, que tem caráter estritamente objetivo, afastando por completo qualquer construção teórica fundada em opiniões pessoais sobre o assunto, creio que seja possível afirmar com segurança que é condição de aplicação do Benefício de Drawback Suspensão, submodalidade Fornecimento no Mercado Interno, a ocorrência de resultado cambial positivo, sendo este estabelecido pela relação entre o valor das importações e o valor do fornecimento no mercado interno, este coberto pelos empréstimos obtidos no exterior para o pagamento da empresa fornecedora dos equipamentos fabricados com os insumos importados com o Benefício. Esclarecidas as particularidades acima detalhadas, passo ao exame dos fatos apurados pelo Fisco. 1.2 Fatos e irregularidades apuradas Uma vez que as ocorrências apuradas pelo Fisco tenham sido quase idênticas em ambas licitações realizadas (uma para aquisição do Alto Forno nº 3, outra para aquisição do Aparelho de Desgaseificação RH 2), no intento de que os fatos e irregularidades apontadas no Relatório de Auditoria Fiscal possam ser visualizados com a nitidez pretendida, melhor que a apresentação esteja focada em um dos equipamentos que teriam sido adquiridos pela Arcelormital Brasil S/A (na época, Companhia Siderúrgica Tubarão – CST) da Siemens Vai Metals Technologies Ltda (na época, Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda). Aleatoriamente, escolho o Alto Forno nº3, sublinhando que todas os apontamentos que sobre os procedimentos envolvidos em sua aquisição sejam feitos e as conclusões que com base neles se chegará valem igualmente para o processo vinculado à aquisição do Aparelho de Desgaseificação RH 2. Procedimento Licitatório Alto Forno nº 3 Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.722 58 Noticiam os autos que, em 14 de março de 2003, a Companhia Siderúrgica Tubarão – CST encaminhou Carta Convite n° CDE024/03 às empresas VoestAlpine Industrienanlagenb Au Gmbh & Co, Ferrostal Aktiengesellschaft e Paul Wurth do Brasil Ltda, referente ao Convite nº 03733441. Conforme consta, também foram convidadas as empresas SMS Demag, JFE Kawasaki Steel Corporation, Nippon Steel Coorporation e Marubeni do Brasil. Em 14 de setembro do mesmo ano, foi apresentada proposta comercial, pelo Consórcio de Empresas denominado European Consortium CST Bast Funace n°3, composto pela empresa líder Ferrostal Aktiengesellschaft Germany, Ferrostal do Brasil Comércio e Indústria Ltda, Vai Industries (UK) Limited, VoestAlpine Indústria Ltda, Paul Wurth S.A. Luxembourg e Paul Wurth do Brasil Ltda. A proposta comercial acima, apresentada pelo Consórcio European Consortium CST Bast Funace n°3, não fazia qualquer referência ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, em desacordo com o que determina a legislação de regência para os casos nos quais se pretenda utilizálo. Em 14 de outubro de 2004, por meio do Ofício CDE044/04, a Companhia endereçou carta à empresa Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, declarandoa vencedora da concorrência internacional para o fornecimento do Alto Forno nº3. Nesse documento, informa que obtenção do Ato Concessório de Drawback foi considerada na formação do preço da proposta apresentada. A empresa declarada vencedora da licitação internacional, Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, não foi convidada a participar da licitação que venceu. Pedido de Concessão do Regime de Drawback ACs n° 20040276295 e AC nº20040281841 Em 20 de outubro de 2004, a empresa Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda (mais tarde substituída pela empresa VoestAlpine Indústria Ltda) protocolou pedidos de concessão do Regime de Drawback para fornecimento no mercado interno, com vistas à importação de materiais e componentes a serem utilizados na fabricação, instalação e montagem do AltoForno nº 3. No documento informa que a implantação do projeto industrial para instalação do AltoForno estava sendo desenvolvido pelo consórcio por ela liderado, integrado também pelas consorciadas Paul Wurth do Brasil Tecnologia e Equipamentos para Metalurgia Lida e Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Lida. Declara, também, que a licitante, Companhia Siderúrgica Tubarão – CST, cobriria o valor total do Fornecimento no Mercado Interno, no valor de US$ 137.538.175,00 (somatório da Parcela Importada US$ 54.120.502,00, com a Parcela Nacional US$ 83.417.873,00), com os financiamentos obtidos das instituições financeiras internacionais KfW da Alemanha e EIB da União Européia, nos valores líquidos de US$ 119.000.000,00 e US$ 70.000.000,00, totalizando US$ 189.000.000,00. Segundo os cálculos apresentados no Pedido, o índice CIF imp/FOB exp encontravase em 31,22%, considerado, em suas palavras, “dentro dos limites definidos pelas normas legais para as operações de drawback para fornecimento no mercado interno”. Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.723 59 Financiamento externo A fiscalização demonstra, e isso é incontroverso no Processo, que o único empréstimo recebido no país foi aquele contraído junto ao EIB – União Européia, no valor de US$ 70.000.000,00. Concluise que não houve comprovação de ingresso de divisas no país suficiente nem mesmo para honrar o valor correspondente à Parcela Nacional, como acima se viu, da ordem de US$ 83.417.873,00. Quando solicitada a comprovar o pagamento das importações originárias da Alemanha (Parcela Importada), a empresa Siemens apresentou contratos de Câmbio em valores representativos de apenas 15% do total importado. Constatouse que, o que também é incontroverso, os 85% restantes do valor das importações realizadas pela Vai Tecnologia foram pagos diretamente pela CST (ou por intermédio de agente financeiro) aos exportadores estrangeiros, com recursos oriundos de contratos de financiamento externo, mas que não ingressaram no país. Tais contratos faziam parte de um Acordo Estrutural para a Concessão de Empréstimos Individuais, firmado entre a empresa offshore CST Overseas Ltd., Georgetown, Grand Cayman Islands e KfW, Frankfurt am Main, para financiamento de equipamento e serviço para a Expansão da Usina Siderúrgica da Companhia Siderúrgica Tubarão, e que somente poderiam ser utilizados para financiar os Contratos de Exportação celebrados entre a CST e os Exportadores domiciliados na União Européia. A conclusão é a de que o valor correspondente ao empréstimo contraído junto ao KfW nem foi concedido à empresa licitante, nem ingressou no país, comprometendo, inclusive, o resultado cambial positivo esperado. Contrato firmado entre as partes Alto Forno nº 3 Firmaram Contrato para fornecimento do Alto Forno nº. 3, a Companhia Siderúrgica Tubarão, os Fornecedores Nacionais e os Fornecedores Estrangeiros, respectivamente, (i) Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo Ltda, Ferrostaal do Brasil Comércio e Indústria Ltda. e Paul Wurth do Brasil Tecnologia Equipamentos para Metalurgia Ltda.; e (ii) VAI Industries (UK) Limited, Ferrostaal Aktiengesellschaft e Paul Wurth S.A. Nos contratos firmados com os Fornecedores Estrangeiros, ficou definido que eles seriam responsáveis pelo fornecimento dos Serviços de Supervisão, Comissionamento e Treinamento necessários ao bom funcionamento do AltoForno. Além disso, que a empresa VAI UK, na capacidade de responsável técnica perante a CST, possuindo a tecnologia relativa ao AF3, prestaria os serviços correspondentes de forma a que o fornecimento do AF3 pelos Fornecedores Nacionais satisfizesse os valores de performance garantidos. A existência e o teor dos contratos firmados pela Companhia com os Fornecedores Estrangeiros confirmou a presença de uma relação contratual direta entre a licitante e as empresas estrangeiras, fato que já havia sido identificado na forma de pagamento das importações realizadas pela Vai Tecnologies, nos contratos de financiamento e nos documentos relacionados à licitação realizada. 2. Análise dos fatos apurados e das defesas apresentadas Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.724 60 2.1 – Exigência de resultado cambial e financiamento integral Tanto Siemens Vai Metals Technologies Ltda, quanto Arcelormital Brasil S/A sustentam que o Regime de Drawback para fornecimento no mercado interno não se vincula ao resultado cambial positivo exigido pelo Fisco. Nos Recursos Voluntários apresentados, sugerem grande número de indicadores aptos a demonstrar o alcance dos resultados esperados. Argumentam que o objetivo do Regime, ao contrário do drawback clássico, que visa o incremento das exportações nacionais, é permitir a captação de recursos internacionais para financiamento do parque industrial brasileiro e estimular a indústria nacional. Que existe, até mesmo, o pressuposto de uma perda cambial, na medida em que o Benefício esteja baseado na assunção de uma dívida em moeda estrangeira que deve ser paga pela empresa adquirente da máquina ou equipamento a ser fornecido. A esse respeito, como procurouse esclarecer nas considerações introdutórias, não parece que seja apropriado decidir a respeito da ocorrência ou não de irregularidades nas operações praticadas com fundamento em teses a respeito da finalidade do Regime. Ainda que se admita que ele sirva de fomento ao parque industrial brasileiro e que haja, de fato, a assunção de uma dívida em moeda estrangeira, como advogam as Partes, o fato é que, em relação a essa questão, do ponto de vista estritamente legal, não há qualquer razão para que se cogite da existência de alguma distinção entre o Drawback Suspensão na submodalidade Fornecimento no Mercado Interno e o Drawback Suspensão clássico. E nem se diga que no Drawback para Fornecimento no Mercado Interno o ganho cambial deveria levar em conta a comparação entre o valor que foi pago, no Brasil, com recursos obtidos no exterior, com o montante pago, no exterior, a título das importações realizadas; ou com o compromisso de fornecimento no mercado interno com a utilização dos itens importados objeto da suspensão tributária. Além da farta evidência que se extrai das disposições normativas antes examinadas e dos critérios observados pelo Órgão Concedente na aplicação do Regime, o que mais chama a atenção é que, no Pedido apresentado pela Beneficiária à Secex, em nenhum momento as proporções cogitadas pela defesa foram sugeridas, mas sempre a proporção4 à qual, agora, se pretende negar validade. E o mesmo se aplica em relação à necessidade de obtenção de financiamento integral do valor do fornecimento no mercado interno. Embora, como sobredito, devase reconhecer que a legislação, à época dos fatos, não era tão assertiva quanto poderia, resta claro nos autos, tanto no teor dos Atos Concessórios emitidos, baseados na proposta apresentada pela Siemens à Secex, quanto pelo veto presidencial ao parágrafo 2º do artigo 3º da Lei 11.732/08, que essa condição sempre esteve presente, era de conhecimento das Partes e foi aceita. A esse respeito, também não vejo como a Portaria Secex 11/05, cujo teor foi transcrito no Recurso da empresa Arcelormital, tenha relativizado a exigência do resultado 4 Refirome à proporção de 31,22%, CIF imp/FOB exp, informada pela Siemens no Pedido de Drawback, como acima comentado. Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.725 61 cambial. A parte do texto normativo gizada no Recurso apenas estabelece que a relação percentual definida, em regra geral de 40%, poderá ser inferior em determinados casos. De tudo isso, resta confirmar o entendimento já manifesto de que a legislação de regência sempre estabeleceu a condição de resultado cambial positivo e de financiamento integral do fornecimento no mercado interno, e acrescentar que essa condição estava não só estampada nos Atos Concessórios emitidos em favor da Beneficiária, mas também no Pedido de Drawback e nas demais correspondências encaminhadas pelas empresas à Secex, assunto que, a seguir, será melhor examinado. 2.2 – Concessão do Regime e Competência da SRF Um dos principais argumentos do qual as Partes lançam mão está relacionado ao prévio conhecimento e aquiescência da Secretaria de Comércio Exterior – Secex com os termos nos quais o Programa foi proposto. Tais circunstâncias implicariam, inclusive, na ilegalidade da ação do Fisco, tendo em vista a competência exclusiva da Secex para a concessão do Regime. Nada de absurdo nessa premissa. Entendo que, de fato, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil fiscalizar a adimplemento do Programa nos termos e condições em que foi proposto. Pelo menos é isso que depreendo do teor das disposições normativas presentes no Regulamento Aduaneiro, como segue. Art. 386. A concessão do regime, na modalidade de suspensão, é de competência da Secretaria de Comércio Exterior, devendo ser efetivada, em cada caso, por meio do SISCOMEX. § 1o A concessão do regime será feita com base nos registros e nas informações prestadas, no SISCOMEX, pelo interessado, conforme estabelecido pela Secretaria de Comércio Exterior. § 2o O registro informatizado da concessão do regime equivale, para todos os efeitos legais, ao ato concessório de drawback. § 3o Para o desembaraço aduaneiro da mercadoria a ser admitida no regime, será exigido termo de responsabilidade na forma disciplinada em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4o Quando constar do ato concessório do regime a exigência de prestação de garantia, esta só alcançará o valor dos tributos suspensos e será reduzida à medida que forem comprovadas as exportações. Art. 387. O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem como da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar. Inobstante, creio que, no caso concreto, necessário que se verifique com muita atenção se, de fato, o Programa foi efetivamente proposto e aprovado nos termos em que foi executado. Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.726 62 À folha 390 (560 do eProc) e seguintes consta o Pedido de Drawback Fornecimento Interno para o AltoForno nº 3 encaminhado pela Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio – Secex/Decex/Cgme. O excerto seguinte foi extraído do texto do Pedido, com grifos acrescidos por este Relator. Ele contém a proporção percentual proposta pela empresa para a execução do Programa (assunto já tangenciado nas considerações precedentes). Tomandose como base os valores das parcelas nacional e importada da empresas consorciadas e adicionandose as importâncias estimadas de frete seguro na importação, os índices CIF imp/FOB exp global do projeto e individualizado por empresa fornecedora, apresentamse dentro dos limites definidos pelas normas legais para as operações de drawback para fornecimento no mercado interno, com destaque em negrito de nossa empresa, conforme adiante: Reproduzo a seguir os dados informados pela Recorrente à Secex em relação aos limites definidos pelas normas legais. FOB Parcela FOB Importada US$ Frete + Seguro na Importação US$ Parcela Nacional US$ Total Geral US$ Índice Imp/Exp % VAI 21.487.155 1.037.222 49.631.875 72.156.252 31,22 Ferrostaal 5.934.986 78.052 14.500.197 20.513.235 29,31 Paul Wurth 25.070.660 512.427 19.285.801 44.868.888 57,02 TOTAL 52.492.801 1.627.701 83.417.873 137.538.375 39,35 Logo a seguir, a empresa referese à fonte de financiamento do Projeto, nos seguintes termos (mais uma vez, grifos meus). Por outro lado, no que concerne ao requisito financiamento à COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO CST, em moeda estrangeira, cobrindo o valor total do fornecimento no mercado interno, este é composto pelas seguintes instituições financeiras governamentais internacionais e respectivos valores: Instituição Financeira Valor Total do Financiamento % Financiado Valor Líquido do Financiamento KfW, Alemanha US$ 140.000,00 85 US$ 119.000,00 EIB, União Européia US$ 70.000.000 100 US$ 70.000.000 TOTAL US$ 210.000.000 US$ 189.000.000 Como se constata, o valor liquido dos financiamentos em moeda estrangeira, no montante de US$ 189.000.000, supera o valor total de US$137.538.375 relativo ao fornecimento a ser realizado, no mercado interno, pelo conjunto das três empresas consorciadas, neste incluído US$ 72.156.252 referente à nossa empresa. Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.727 63 A Beneficiária do Regime, ao fazer o pedido de Drawback, propôs o Programa com base em um índice calculado pela divisão do CIF importação, representado pelo estimativa de valor a ser gasto na importação de mercadorias e o FOB exportação global, identificado como “Total Geral” e calculado com base na soma do primeiro (Parcela Importada) com o valor da Parcela Nacional, representando o valor relativo ao fornecimento a ser realizado. Chegou, assim, a um índice de imp/exp de 31,22% que, nas suas palavras, atendia aos limites definidos pelas normas legais. A seguir, demonstrou que os empréstimos contraídos pela “COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO CST, em moeda estrangeira”, cobriam o “valor total do fornecimento no mercado interno”. Fazendo menção mais uma vez ao tópico abordado no item anterior, é de se perguntar se é possível a cogitação de que a Beneficiária do Regime não tinha conhecimento de que era exigido um índice representado pela relação entre o valor importado e o valor do fornecimento no mercado interno; o controvertido ganho cambial. E, ainda, que dúvida há de que, ao propor o Projeto, a empresa informou que o valor do fornecimento no mercado interno seria integralmente coberto por empréstimo contraído pela Companhia Siderúrgica Tubarão? Observese como a proponente introduz seu pleito junto à Secex, Prezados Senhores, Com a presente, estamos formalizando nossa solicitação de Pedido de Drawback destinado a amparar a importação de materiais e componentes a serem utilizados na fabricação, instalação e montagem, em sistema turnkey, do altoforno n° 3, a ser fornecido no mercado interno A COMPANHIA SIDERORGICA DE TUBARAO — CST, situada no município de Serra ES, em decorrência de licitação internacional, destinado à expansão para 7,5 milhões de toneladas/ano de sua produção de placas de aço e bobinas laminadas a quente. (grifos acrescidos) Em outro momento, no mesmo documento, o Pedido de Drawback, a empresa declara, Especificamente no que diz respeito à VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPIRITO SANTO LTDA, e também objetivando proporcionar a V.Sas. condições para analisar, e aprovar, a presente operação de drawback, anexamos à presente os seguintes documentos: (...) Laudo Técnico elaborado e firmado pela VAI Tecnologia e Indústria do Espirito Santo Ltda, detalhando o processamento industrial dos equipamentos a serem fornecidos no mercado interno A CST, a participação dos materiais e componentes a serem importados sob o regime de drawback, bem como informações sobre as eventuais perdas, resíduos e subprodutos gerados durante o processo de industrialização e montagem dos equipamentos. (grifos acrescidos) E também, Outrossim, apenas para não deixar qualquer dúvida, pois não existe uma exportação, mas sim uma venda para fornecimento no mercado interno, informamos que não haverá qualquer pagamento ao exterior a titulo de comissão de agente de exportação. Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.728 64 Não tenho nenhuma dúvida. À luz das informações presentes no Pedido de Drawback remetido pela Recorrente à Secex, conforme acima, estou convencido de que a empresa (i) sabia da proporção que deveria ser observada, conhecia como era calculada e as disposições legais aplicáveis (ii) declarou que era responsável pelas importações e sabia que elas constituíam uma parcela (a Parcela Importada) do valor dos bens que iria fornecer no mercado interno e (iii) declarou que o valor dos bens por ela fornecidos no mercado interno, representado pela soma da Parcela Nacional com a Parcela Importada, seria integralmente pago a ela com o financiamento obtido pela Companhia Siderúrgica Tubarão. Não fosse isso tudo de clareza solar, vejase, ainda, em que termos a Recorrente requer a baixa do Ato Concessório. Após fazer certas considerações sobre a variação da taxa de cambio havida no período, a Recorrente apresenta os seguintes resultados5: Com a prestação destes esclarecimentos, passemos agora à análise e avaliação destes dados e, principalmente, de seus efeitos na BAIXA do Ato Concessório de Drawback: 1 Se o montante de R$ 252.321.958,61 referente ao total dos fornecimentos efetuados à CST fosse convertido à taxa cambial de R$ 2,8443, seu valor em dólares seria de US$ 88.711.443,45, ou seja, MAIOR que o compromisso original de US$ 74.100.494,00 fixado no Ato Concessório de Drawback, caracterizando seu INTEGRAL cumprimento; 2 Caso fosse utilizada a taxa de câmbio de R$ 2,1751 como fator de conversão, o fornecimento efetivo no montante de R$ 252.321.958,61 equivaleria a US$ 116.004.762,36, enquanto a meta original de exportação de US$ 74.100.494,00 seria aumentada para US$ 96.898.549,53, mostrando que também nesta condição o valor do fornecimento realizado é MAIOR que o compromisso de exportação aprovado convertido à taxa cambial efetiva do fornecimento, representando INTEGRAL cumprimento do Ato Concessório de Drawback; 3 O valor FOB da efetiva importação realizada de US$ 23.424.617,54 foi MENOR que o montante aprovado de US$ 23.431.397,00, e, por conseguinte, também o compromisso de exportação aprovado de US$ 74.100.494,00 deveria ser proporcionalmente reduzido para US$ 74.079.054,33. Também neste caso, o fornecimento realizado à CST no montante de US$ 116.004.762,36 foi SUPERIOR ao compromisso proporcional de exportação aprovado de US$ 74.079.054,33, caracterizando e ratificando a INTEGRAL adimplência do Ato Concessório de Drawback; 4 — Tomandose como base o compromisso proporcional de exportação aprovado de US$ 74.079.054,33 calculado à taxa cambial de R$ 2,8443 e ajustandoo à taxa cambial MÉDIA efetiva de R$ 2,1751 dos fornecimentos, equivalente à valorização cambial de 23,53 %, o novo compromisso de exportação proporcional aprovado seria de US$ 96.870.513,64, uma vez mais, configurando INTEGRAL cumprimento da meta de exportação/fornecimento proporcional do Ato Concessório de Drawback; 5 A Beneficiária esclarece no pedido de baixa do AC. Destaquese que, o valor total de US$ 72.156.252,00 referente ao fornecimento/exportação originalmente constante do Ato Concessório também foi alterado, com a elevação de seu montante para US$ 74.100.494,00, igualmente devido à variação nas paridades Euro/Dólar e Libra/Dólar e o aditivo de valor. Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.729 65 Vêse que, a todo o momento, a Beneficiária do Regime reportase ao compromisso de exportação, representado pelo valor de US$ 74.079.054,33, que é o valor do fornecimento no mercado interno (depois de alterado), atestando a clara noção de que era esse valor, e não qualquer outro, que seria utilizado para comprovação do ganho cambial exigido na concessão do Regime. Como antes demonstrado, também era de pleno conhecimento que este valor necessariamente deveria ser integralmente coberto por empréstimo concedido à Companhia Siderúrgica Tubarão. Seguindo adiante. As Recorrentes, com muita freqüência, afirmam que o Órgão Concedente tinha pleno conhecimento das condições nas quais o negócio seria realizado, uma vez que os documentos anexados ao Pedido de Drawback continham todas as informações a respeito. Mais uma vez, reproduzo excerto da folha 390 do Processo onde encontrase a correspondência encaminhada pela Vai Tecnologia e Indústria do Espírito Santo à Secex. Especificamente no que diz respeito à VAI TECNOLOGIA E INDÚSTRIA DO ESPIRITO SANTO LTDA, e também objetivando proporcionar a V.Sas. condições para analisar, e aprovar, a presente operação de drawback, anexamos à presente os seguintes documentos: (...) Traduções juramentadas dos Contratos de Financiamento, representados pelo Acordo Estrutural firmado em 21.07.04, entre o banco governamental estrangeiro KfW e a CST Overseas Ltd, ilhas Cayman, e o Acordo Complementar assinado em 21.07.04 entre o mesmo banco KfW e a empresa licitante COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO CST, pelo equivalente a 85% do valor total do financiamento de US$ 140.000.000 (Cento e quarenta milhões de dólares norte americanos); Às folhas 1.541 e seguintes encontrase a tradução juramentada do denominado Acordo Estrutural para concessão de empréstimos individuais celebrado entre a CST Overseas Ltd., Georgetown, Grand Cayman, Ilhas Caimã, a Tomadora e KfW, Frankfurt am Main, que especifica, 1.2 Os Empréstimos Individuais deverão ser utilizados pela Tomadora exclusivamente para financiar indiretamente os Contratos de Exportação denominados em EUROS ("Contratos EUR"), em Libras GBP ("Contratos GBP') ou em Dólares NorteAmericanos USD ("Contratos USD"), a serem celebrados entre a CST e os Exportadores relacionados ao Projeto e mencionados nos respectivos Contratos de Empréstimo Individual. O financiamento estará limitado a 85% do total do valor do pedido de cada Contrato de Exportação ("Preço Total"). No caso em que o Preço Total seja reduzido durante o período de desembolso, a KfW reduzirá o respectivo Empréstimo Individual proporcionalmente. 1.3 As condições de pagamento dos Contratos de Exportação serão, em principio, estipulados como se segue: pelo menos 15 % do Preço Total como pagamento inicial e pagamentos parciais Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.730 66 até 85 % do Preço Total em proporção aos produtos fornecidos e aos serviços executados a serem financiados através de um Empréstimo Individual concedido pela KfW ("Elemento de Crédito"). Primeiro, que se diga que não me parece que as informações contidas nessa cláusula contratual permitam entender que o financiamento de US$ 140.000.000,00 informados no Pedido apresentado pela Vai Tecnologia seria utilizado pela Companhia Siderúrgica Tubarão para pagamento direto às empresas exportadoras e sem o ingresso de divisas no país. A cláusula menciona empréstimos a serem utilizados para financiar indiretamente os contratos de exportação celebrados entre a CST e os exportadores, que seriam pagos, pelo menos, 15 % como pagamento inicial e pagamentos parciais e até 85 % em proporção aos produtos fornecidos e aos serviços executados a serem financiados através de um empréstimo individual concedido pela KfW ("Elemento de Crédito”). Não vejo como extrair disso a certeza de que esses valores não ingressariam no país e não seriam utilizados para pagar a Siemens pelo fornecimento do bem no mercado interno. A única informação que poderia gerar dúvidas é a menção à celebração de contratos de exportação, pela CST, diretamente com os exportadores; contudo, há, também, a informação de que esses contratos seriam financiados de forma indireta, o que pode, perfeitamente, dar margem à interpretação de que o pagamento não seria feito diretamente aos exportadores. Mas o mais importante. De maneira nenhuma, as informações contidas no contrato anexado ao Pedido de Drawback teriam o poder de transformar o teor, a forma e as condições explicitadas de maneira clara e objetiva nesse pedido. Muito pelo contrário, apenas atesta que o teor da Proposta não era condizente com o planejamento real. Além das demais conclusões a que se pode chegar com base nesses dados, o que será devidamente assentado no momento oportuno, não vejo porque se deva discutir a competência da Secretaria da Receita Federal de fiscalizar o Programa, pois não me parece que ele tenha sido executado tal como proposto. 2.3 – Obtenção de empréstimos para execução do Programa Em sua defesa, a Arcelormital assevera que após a concessão do Regime, mas antes do fechamento do Ato Concessório, foi enviada comunicação formal à Secex, Carta CDE 045/04, dando conta da necessidade de obtenção de mais linhas de crédito com recursos externos, além daquelas firmadas com os Bancos europeus KFW e o EIB, e que estas linhas de crédito foram devidamente comprovadas de acordo com os contratos celebrados com o mesmo KFW (KFW2) e com o BNDES. Observese o que é dito na CDE 045/04 (folha 3.617 eProc): Com vistas a permitir a V. Sas. analisar os Pedidos de Drawback, modalidade suspensão e submodalidade para fornecimento interno, formulados pelas empresas vencedoras da concorrência internacional, dos projetos abaixo, para expansão de nossa capacidade de produção, relacionamos adiante suas razões sociais e respectivos valores de fornecimento interno: Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.731 67 Apresenta uma tabela com os valores de fornecimento no mercado interno do AltoForno nº 3, Convertedor nº36 e Estação de Desgaseficação a Vácuo RH nº2, especificados para cada uma das empresas participantes do Programa, perfazendo um total de US$ 183.643.471,00. E prossegue, Outrossim, em conformidade com o estabelecido no art. 5º da Lei 8.032, de 12.04.90, alterado pelo art. 5º da Lei 10.184, de 12.02.01, informamos que os financiamentos cobrindo o valor total dos fornecimentos das empresas beneficiárias pelo regime de drawback foram concedidos pelas seguintes instituições financeiras governamentais internacionais e respectivos valores: (grifos meus) Instituição Financeira Valor Total do Financiamento (US$) KfW, Alemanha US$ 140.000,00 EIB, União Européia US$ 70.000.000 TOTAL US$ 210.000.000 Conclui, Embora este montante de financiamento já aprovado pelas entidades financeiras internacionais seja suficiente para viabilizar as operações de drawback, informamos que o nosso Plano de Expansão contém outros projetos em fase de contratação que também serão amparados por outros financiamentos a serem concedidos pelo JBIC (Japão), Kfw, BID e pelo BNDES, os quais se encontram em fase de negociação. (grifos meus) (...) Peço vênia para apresentar minha veemente contestação em relação ao valor probante atribuído pela Parte a esta correspondência. O que depreendo deste documento é a confirmação de que não só a Siemens, mas também a Arcelormital, conheciam as condições do negócio e previram única e exclusivamente a contratação desses dois empréstimos listados no quadro acima transcrito como forma de execução do Programa nos moldes exigidos pela Secex. Tanto é que, mais uma vez, consta a textual menção à cobertura do valor total dos fornecimentos das empresas beneficiárias pelo regime de drawback. E vejase. O excerto transcrito refere outros financiamentos a serem concedidos, o que, de maneira nenhuma pode ser compreendido como elemento integrante da do Pedido de Drawback. E mais, esclarece que esses financiamentos destinamse a outros Projetos do Plano de Expansão da empresa (!!). E nenhum efeito têm as alegações de que os financiamentos captados com recursos “em moeda conversível tenham sido suficientes para fazer jus à totalidade do investimento da empresa” ou de que os demais financiamentos obtidos não poderiam ter sido 6 Esse, atribuído a empresa SMS Demag Ltda, não faz parte do presente processo. Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.732 68 desconsiderados pelo “fato de parte dos contratos ter sido celebrado com outras empresas – CST Overseas Ltd. e ArcelorMittal Finance, por ser a CST Overseas Ltd. seja uma subsidiária integral da CST e a ArcelorMittal Finance uma empresa do mesmo grupo. Em primeiro lugar, a concessão do Regime nasce com a proposta apresentada pelo interessado. Foi nela que tanto Arcelormital7 quanto Siemens informaram que o Programa específico para o qual estavam pleiteando o benefício seria financiado com os recursos obtidos da KFw, Alemanha, e EIB, União Européia, num total de 210 mil dólares. Reconhecer a possibilidade de que outras fontes de financiamento não declaradas, desvinculadas da operação e cujo emprego sequer pode ser atestado sejam aceitas como prova do adimplemento do Programa seria prestigiar a desordem. Impossível atestar, como pretende a Arcelormital, que o valor de 85 milhões decorrente do contrato de empréstimo KfW28 foi utilizado na fabricação dos do AltoForno e do RH2, embora estivesse destinado a uma máquina de lingotamento contínuo e outros equipamentos, que terminaram sendo fabricada com insumos importados sem o Benefício de Drawback. Uma vez que o recurso ingresse no caixa da empresa, não há como determinar a finalidade específica na qual ele foi utilizado. É necessário que o financiamento seja declarado de maneira precisa na formulação do pedido e o emprego dos recursos possa ser confirmado pela rigorosa observância dos termos prédeterminados para o negócio. Na verdade, essa é uma premissa que de amplo alcance. Poucas chances se tem de provar um fato já ocorrido. Da mesma forma como se atesta a saída de uma mercadoria pelos assentamentos contábeis e os documentos fiscais emitidos e não pela comprovação do fato em si, atestase o adimplemento de um regime pelos registros que lhe são próprios, desde a concessão até a execução. Mais tarde, não haverá nem como demonstrar que o bem circulou por determinado local, tanto quanto não haverá como comprovar a utilização de determinado financiamento nesta ou naquela finalidade (ressalvadas determinadas possibilidades específicas). Assim é que, no pertinente exemplo que se extrai do Drawback Suspensão clássico, o efetivo emprego do insumo no produto exportado não é obtido da observação física do produto acabado (normalmente já exportado), mas do controle dos saldos de matériaprima disponíveis em estoque a cada momento. Muito provavelmente, nunca será comprovado, fisicamente, o emprego do insumo nas finalidades previstas. Vale o mesmo e com muito mais razão para o vertente caso. Não há como demonstrar em que finalidade os recursos, que, aliás, não passam de registros escriturais, foram empregados. Aqui, só possível atestar o adimplemento do compromisso à luz da proposta apresentada. E há mais uma questão de grande interesse. Tal como foi esclarecido nas considerações introdutórias, é fato incontroverso no Processo que parte dos recursos não ingressaram no país e foram utilizados 7 Na Carta CDE 045/04. 8 Vale o mesmo para o empréstimo sem vínculo concedido pelo BNDES Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.733 69 pela Arcelormital para pagar os exportadores estrangeiros. As Recorrentes jamais tentaram demonstrar que isso não aconteceu. Em lugar disso, afirmam à exaustão que não existe nenhum problema com esse tipo de operação. Que a legislação não exige que os recursos ingressem no país e não veda que o pagamento das importações seja feito no exterior. Que é melhor que os recursos não ingressem no país, pois constituiriam uma dívida. Que isso foi previamente informado à Secex etc. Se é assim, não vejo o menor sentido em discutir agora a possibilidade de que outros empréstimos sejam levados em consideração. O que as partes pretendiam fazer foi exatamente o que fizeram. Previram a contratação desses financiamentos nos moldes em que foram executados e com eles pretendiam comprovar o adimplemento do compromisso firmado. Ainda que não tenham deixado claro o que estavam fazendo, vêse que eram esses os contratos com os quais pretendiam financiar o Programa. 2.4 Sujeição Passiva A Siemens argumenta que não faz sentido lhe exigir tributos se, no entendimento do Fisco, a operação comercial de importação não foi realizada por ela, mas pela Vai Industries Uk Limited. Mais uma vez, não vejo como concordar com a defesa. Quem registrou as Declarações de Importação e remeteu 15% do valor da importação para o exterior foi a Siemens e, por isso só, é Sujeito Passivo na operação. Os 85% restantes foram pagos pela Arcelormital ou pelo agente de financiamento diretamente no exterior, revelando, para fins tributários, interesse comum na operação. Segundo entendo, está configurada a situação prevista no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Ainda mais, tratase de uma importação realizada pela Siemens por conta e ordem da Arcelormital, uma vez que os recursos desta tenham sido empregados na operação9. Também não me parece que tenha havido inovação por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ao embasar a responsabilidade solidária nos incisos I e IV do Decretolei 37/66. 9 Decreto 4.543/02 Art. 105. É responsável solidário: (...) § 2o A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III e no § 1o deste artigo (Medida Provisória no 66, de 2002, art. 29). Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.734 70 O que merece ser discutido é a imputação de responsabilidade (lato sensu) às empresas, pelo pagamento de tributos e multas. Tal pode estar embasada numa ou noutra disposição legal. Desde que tais normas sejam válidas e estejam em vigor, passível que os fatos sejam nelas enquadrados. Não constitui inovação a capitulação numa ou noutra base legal. Tal aconteceria se novo fato, até então desconhecido, fosse incluído pelos julgadores nos fundamentos da autuação. Argumentouse, também, que o terceiro que não tem relação pessoal e direta com o fato gerador somente pode ser colocado no pólo passivo quando houver previsão expressa em lei ou no caso de fraude, conluio ou sonegação. No caso concreto, além do interesse comum no fato gerador das importações, há previsão legal específica, uma vez que caracterizada a importação por conta e ordem. Ainda mais, por tudo o que até aqui foi dito, vai ficando claro que as declarações prestadas pelas empresas não foram fiéis à verdade, do que resulta maior razão para que sejam responsabilizadas em conjunto pelas infrações cometidas. 2.5 Exigência de multa e juros de mora Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 previu, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 3734DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.735 71 § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A multa de ofício, por sua vez, está prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96 e alterações posteriores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3735DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.736 72 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) E também não vejo como a concessão do benefício previsto no artigo 5º da Lei 8.032/90 constitua prática reiterada da Administração Federal. A prática reiterada, como até este ponto procurouse demonstrar, é exatamente em sentido contrário. A Administração Federal costuma exigir que as empresas beneficiárias do Regime de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno comprovem a concessão de financiamento nos termos fixados no artigo 5º da Lei 8.032/90 para o pagamento, pela licitante, do valor integral do fornecimento no mercado interno, o que foi declarado como se tivesse sido obtido, mas não foi desta forma executado. 2.6 Demais questões suscitadas nos Autos A Arcelormital argumenta que, desde 2009, a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador indicado na Declaração de Importação deixou de ser autorizado apenas nos casos expressamente previstos na RMCCI – Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais. Quanto a isso, basta destacar que os fatos narrados no processo ocorreram dentro do período que começa em abril de 2005 e termina em setembro de 2006. Conforme informado pela própria Recorrente, a modificação foi introduzida apenas no ano de 2009. No período, as disposições do Regulamento sobre o assunto eram as seguintes. 3. É permitida a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador indicado na correspondente Declaração de Importação, nas seguintes situações: a) alteração da denominação social do importador; b) concordata ou falência do importador, facultada a contratação do câmbio pelo garantidor, estabelecido no Pais, coresponsável pelo pagamento da importação; c) inadimplemento do importador com o banco autorizado a operar no mercado de câmbio, instituidor de carta de crédito ou garantidor do pagamento da importação; d) decisão judicial; e) fusão, cisão, sucessão ou incorporação da empresa importadora; f) importação realizada por conta e ordem de terceiro, situação em que a operação de câmbio pode ser contratada pelo adquirente da mercadoria indicado na DI. Ou seja, o procedimento adotado pelas partes para a contratação e liquidação do câmbio foi flagrantemente ilegal. Uma vez que em momento algum tenham cogitado da Fl. 3736DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.737 73 realização de importações por conta e ordem de terceiro, inexistia previsão legal para a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador. Aliás, embora, como se disse, as importações da Siemens tenham sido de fato realizadas por conta e ordem da Arcelormital, já que com recursos desta, não poderia, nos moldes em que a operação foi proposta, acontecerem importações por conta e ordem, pois foi prevista a industrialização de equipamentos sob a exclusiva responsabilidade da Siemens, que é quem deveria ter realizado a importação dos insumos necessários, por sua conta própria e com recursos seus. E nenhuma importância tem o fato de ter havido registro do ROF – Registro de Operações Financeiras junto ao Banco Central do Brasil. Tratase de um procedimento obrigatório nos casos de financiamento externo de importação, em prazo superior a determinado período. O ROF não representa aquiescência do Banco Central com o forma de liquidação do câmbio. Mas também é importante que se frise que a questão da contratação, fechamento e liquidação do câmbio não haverá de atribuir contornos definitivos à decisão final do vertente litígio. Apenas dá robustez à acusação de que as práticas identificadas pela Fiscalização Federal foram ilícitas. Também não me parece que seja possível falar em inadimplemento parcial do Regime e consequente nulidade do lançamento por falta de liquidez. Diferentemente do que acontece no Drawback Suspensão clássico, no qual o adimplemento pode ser parcial, desde que parte dos insumos tenham sido empregados na finalidade prevista, aqui, com se viu, há exigência de que o pagamento do valor do fornecimento no mercado interno seja integral. É tudo ou nada. Ainda mais, chega a ser inverossímil falarse em adimplemento parcial, quando demonstrado que os termos do negócio proposto foram alterados. Melhor sorte não favorece à Siemens em relação ao pedido de que sejam descontados da exigência os valores oferecidos à tributação das Contribuição do PIS e Cofins e do Imposto sobre Produtos Industrializados na venda dos equipamentos à Companhia Siderúrgica Tubarão. Além de não haver previsão legal que contemple tal pedido, como já apontado na decisão de primeira instância, o fato é que o lançamento credor depende do recolhimento dos tributos e/ou contribuições devidos. Decisões administrativas que os declaram devidos não geram direito de crédito. 2. 7 Recurso de Ofício O Recurso de Ofício apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento referese à decisão de reduzir a multa de ofício constituída no Auto de Infração sub judice do percentual de 150% para 75%, em vista da ausência de provas da presença do intuito doloso nos atos praticados pelas empresas autuadas. No Relatório de Auditoria Fiscal, folha 118 e seguintes (fl. 227 eProc), a Fiscalização Federal fundamenta a conclusão de que os atos praticados o foram mediante simulação, se não vejamos. 1.1 Da simulação da real operação Diante dos fatos constatados relatados no item 2 da Parte II do presente relatório, e dos elementos de prova apurados durante o procedimento fiscal, também Fl. 3737DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.738 74 explicitados no item 2 da parte II do presente relatório, fica comprovado que a real operação de Fornecimento, Construção e Montagem do Alto Forno n° 3 da COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO não foi efetuada do modo como foi declarado e formalizado pela empresa fiscalizada. Também fica comprovado que a real operação de Fornecimento da estação de desgaseificação de aço liquido a vácuo R11 para a COMPANHIA SIDERÚRGICA DE TUBARÃO não foi efetuada do modo como foi declarado e formalizado pela empresa fiscalizada. A empresa VOEST ALPINE INDUSTRIA LTDA não poderia ser beneficiada com a concessão do regime de drawback, porque não foi a responsável pelo fornecimento das denominadas "parcelas importadas" para a empresa licitante CST, ou seja, não efetuou por sua conta e ordem as importações dos materiais, produtos intermediários e componentes, constando nas Declarações de Importação apenas para se beneficiar da suspensão dos tributos aduaneiros decorrentes do regime aduaneiro especial de drawback. Apresenta os elementos de prova que considera confirmar a conclusões acima e conclui, A empresa VOEST ALPINE INDUSTRIA LTDA apareceu na operação para reduzir a carga tributária incidente nas importações, através de sua utilização como "aparente" importadora e beneficiária do drawback, e posteriormente como fornecedora do produto final a real adquirente (a contratante CST). A sua efetiva participação, conforme definido no Contrato, ocorreu na denominada "parcela nacional do fornecimento". No item 2.9.1 da Parte II do presente Relatório, no sub item denominado "PARCELA NACIONAL DO FORNECIMENTO", constam as notas fiscais relativas ao fornecimento efetuado (industrialização sem material importado): 000425 e 000426. Finalmente, Portanto, na operação em questão está caracterizada a SIMULAÇÃO, visto que foram conferidos direitos à empresa VOEST ALPINE INDUSTRIA LTDA, no caso o beneficio fiscal do regime aduaneiro especial de drawback, que não seria devido caso a operação real aparecesse, ou seja, caso o real fornecedor e o real adquirente constasse expressamente na operação de importação na concessão do beneficio. O beneficio fiscal do drawback, com a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes nas importações foi indevido, e os tributos incidentes nas importações são devidos. Divergente foi o entendimento manifesto pelo i. Julgador de primeira instância, como se percebe do teor do excerto extraído do Voto condutor da decisão recorrida, a seguir. Todavia, apesar dessas irregularidades, tendo em vista que no contrato de financiamento com o KfW, apresentado à Secex, já constava a previsão de que haveria pagamento da maior parte das importações diretamente no exterior, o que foi inclusive aposto nas DIs, entendo não configurado o dolo, bem como não ter havido simulação. (...) Por derradeiro, peço mais uma vez vênia para apresentar minha divergência. Salta aos olhos o fato de que ambas empresas informaram ao Órgão Concedente que o pagamento do valor do fornecimento interno seria integralmente coberto pelos dois contratos indicados nas correspondências enviadas. Fl. 3738DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.739 75 Como antes dito, ainda que um desses contratos referisse empréstimos individuais para financiar indiretamente contrato de exportação a serem celebrados entre a CST e os Exportadores, cláusula da qual, repito, não consigo extrair a informação de que parte dos recursos não ingressariam no país, isso em nada modifica (mas confirma) a falsidade das informações prestadas no Pedido de Drawback e nas correspondências que lhe sucederam. Também não vejo nenhum atenuante no fato de isto ter sido informado nas Declarações de Importação correspondentes. Não existe um vínculo imediato entre o Programa para o qual o benefício foi requerido e as importações, nem um controle autoaplicável. Em outras palavras, não é de se esperar que, no curso do despacho de importação, o Autoridade Fiscal confira se a forma de pagamento da importação está de acordo com o Ato Concessório de Drawback. O Regime de Drawback Suspensão é, tipicamente, matéria de fiscalização em Zona Secundária, ainda que a mercadoria importada possa ser examinada em Zona Primária. Sopesando os fundamentos da decisão de primeira instância com as razões que motivaram a Fiscalização Federal e, principalmente, com base no juízo que faço das circunstâncias descritas, não vejo razão para que a multa seja reduzida. 3 Conclusão A Companhia Siderúrgica Tubarão instaurou procedimento licitatório internacional para aquisição dos equipamentos objeto do presente Processo. Em procedimentos dessa natureza, no caso de uma empresa nacional sagrar se vencedora, a legislação pátria prevê a desoneração das importações, pela aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno. Uma proposta comercial para o fornecimento dos bens objeto da licitação internacional foi feita por um consórcio de empresas sediado na União Européia. Essas empresas são as empresas para as quais a CST Overseas, ou agente financiador, pagou o valor dos bens importados (cláusula 3.2.3 do Contrato de Fornecimento do Bens). Foi declarada vencedora da licitação uma empresa que não foi convidada a participar. Ela, a Vai, apresenta Pedido de Drawback no qual afirma que um consórcio de empresas brasileiras, por ela liderado, havia vencido a licitação. No pedido, deixa claro que conhece a exigência de ganho cambial, representado pela relação entre o valor das importações e o valor pago pelos bens fornecidos no mercado interno. Demonstra que esse valor de Fornecimento no Mercado Interno é constituído por uma Parcela Nacional e uma Parcela Importada, e que tudo acontecerá sob sua responsabilidade. Afirma que o valor do Fornecimento será integralmente coberto por financiamento externo. Da mesma forma, a Companhia envia carta à Secex na qual demonstra amplo conhecimento das condições do Programa. Contudo, já estava prédefino que o negócio seria operacionalizado em outras bases. Ainda que não fosse tão auto explicativo como sugere a defesa, havia um contrato de financiamento, prevendo que a Companhia faria o pagamento das importações Fl. 3739DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.740 76 diretamente às empresas estrangeiras. Eram elas as responsáveis pela montagem e funcionamento dos equipamentos. Observese como consta do contrato para operacionalização do negócio (grifos acrescidos). 2.5.1 Para permitir que os FORNECEDORES ESTRANGEIROS cumpram as suas obrigações sob este CONTRATO relativas ao gerenciamento do projeto e supervisão de montagem, "Startup" e comissionamento do AF3, incluindo os testes de performance, de forma tal que os valores de performance garantidos do AF3, conforme estabelecidos na Seção 12 da Especificação Técnica Contratual, sob este CONTRATO sejam atingidos, os FORNECEDORES ESTRANGEIROS enviarão especialistas estrangeiros, até o número necessário, segundo os seus critérios, para cumprir com tais obrigações, conforme estimado na Cláusula 7 deste instrumento. 2.5.2 — Os especialistas dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS a serem enviados para o Brasil deverão também supervisionar a fabricação nacional, construção civil, montagem e comissionamento e fazer recomendações, sugestões e aconselhamentos à COMPANHIA. Para este fim, os especialistas dos FORNECEDORES ESTRANGEIROS executarão e entregarão COMPANHIA a Declaração de Reconhecimento, conforme estabelecido na Cláusula 8 deste instrumento. E no que dizia respeito ao fornecimento dos bens importados para a construção do equipamento licitado e seu pagamento. 3.2.3 — Fornecimento da Parcela Importada somando GBP 4.919.749,00 e Euro 39.678.037,00: 3.2.3.1 — GBP 4.919.749,00 e Euro 12.394.839 para a parcela a ser fornecida pela VAI UK; 3.2.3.2 — Euro 5.192.248,00 para a parcela a ser fornecida pela FSE; 3.2.3.3 — Euro 22.090.950,00 para a parcela a ser fornecida pela PWLU. 5.5.2 — Os FORNECEDORES ESTRANGEIROS deverão emitir suas faturas/documentos relativos a pagamentos sara a COMPANHIA/BANCO FINANCIADOR e os pagamentos correspondentes conforme com esta Cláusula 5, deverão ser feitos diretamente pela COMPANHIA ou, sujeitos aprovação final pelas agências de exportação de crédito pertinentes, pelo BANCO FINANCIADOR, por meio de desembolso direto para os FORNECEDORES ESTRANGEIROS nas moeda(s) correspondente(s), pela utilização de empréstimos, oriundos dos acordos de empréstimo correspondentes, a serem concluídos antes da entrada em vigor do contrato. Se, após a assinatura deste CONTRATO, o detalhamento dos preços, procedimentos de faturamento etc. precisar ser modificado para facilitar os acordos de financiamento e/ou drawback, isto deverá ser incorporado em um aditamento ao CONTRATO. Neste aditamento, o prêmio do seguro de exportação cobrado pelas respectivas agências de crédito de exportação também devera ser incluído. (grifos meus) Conforme informações prestadas pela própria Fiscalizada, dos US$ 116.004.762,36, que ela deveria ter recebido pela execução do Projeto especificado no Ato Concessório nº 20040276295, US$ 29.219.931,39 não foram pagos a ela, mas diretamente às empresas responsáveis pelo Fornecimento da Parcela Importada. De fato, boa parte do financiamento informado à Secex nem era da Companhia, mas da CST Overseas, empresa sediada no exterior, que não internalizou os Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.000636/201005 Acórdão n.º 3102002.227 S3C1T2 Fl. 3.741 77 recursos financeiros obtidos como exige a legislação. E digase, nem poderia fazêlo, pois as cláusulas contratuais determinavam que os empréstimos fossem empregados para financiamento de empresas sediadas dentro da União Européia. Ou seja, a empresa beneficiada com o Regime de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno não venceu uma licitação internacional, tampouco o consórcio de empresas nacionais por ela liderado. Tanto ela, quanto a licitante prestaram falsa declaração ao afirmar ao Órgão Concedente, de que havia vencido a licitação; de que o Fornecimento no Mercado Interno seria pago com recursos de financiamento, que, na verdade, nem tinha sido obtido pela licitante, e que haveria o ganho cambial esperado. Com base em todas as evidências demonstradas no Processo, acima resumidas, VOTO por dar provimento ao Recurso de Ofício e por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900357/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 57 /2 00 9- 10 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900357/200910 Acórdão n.º 3801004.046 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900357/200910 Acórdão n.º 3801004.046 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900357/200910 Acórdão n.º 3801004.046 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900357/200910 Acórdão n.º 3801004.046 S3TE01 Fl. 11 5 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19647.006741/2005-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA
O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede remissão de débitos. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11).
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DESPESAS EFETUADAS COM O DECLARANTE E SEUS DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A JUÍZO DA AUTORIDADE LANÇADORA.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, restringindo-se, contudo, aos pagamentos especificados e comprovados efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR/1999, artigos 73 e 80.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede remissão de débitos. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DESPESAS EFETUADAS COM O DECLARANTE E SEUS DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A JUÍZO DA AUTORIDADE LANÇADORA. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, restringindose, contudo, aos pagamentos especificados e comprovados efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR/1999, artigos 73 e 80. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 67 41 /2 00 5- 40 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 200 2 Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Em desfavor da contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2002, anocalendário de 2001. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física – suplementar, de R$ 4.143,56, com multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados pela taxa Selic Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que constatou “dedução indevida a título de despesas médicas, glosado o valor de R$ 19.100,21, tendo em vista que a contribuinte foi intimada, AR 07178725 4, e não apresentou a documentação solicitada no termo de intimação.” Recebido o Auto de Infração, foi impugnado (fl. 07) com as seguintes razões, que resumo: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 201 3 1 – aduz que não teria recebido o Termo de Intimação anterior, mencionado no Auto de Infração; 2 – sendo assim, os valores consignados no Auto de Infração estariam equivocados em termos temporais, visto que os “juros constitucionais” de 1% seriam devidos somente a partir de seu recebimento. Também, a multa de ofício não teria respaldo em lei (Código Tributário Nacional ) que seria omisso nesse sentido; 3 – Se houve realmente equívoco na Declaração de Ajuste Anual, apenas com o recebimento do Auto de Infração tal pode ser constatado, pelo que “se propõe a pagar o valor do principal, sem multa e juros”, e com parcelamento em 200 vezes. Não anexou, enfim, os comprovantes de pagamento das despesas médicas questionadas pela Autoridade Fiscal. Conhecida, a Impugnação foi tratada pela DRJ – 1ª instância, nos seguintes termos, em suma (fl. 75 e seguintes): ... A fiscalização lançou a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 19.100,21, em virtude da contribuinte não ter apresentado a documentação solicitada, conforme demonstrativo das infrações de fl. 06. Não obstante tenha ocorrido qualquer problema relativo ao não recebimento da intimação, à contribuinte foi concedido o prazo legal de 30 dias pra protocolar sua impugnação e apresentar os documentos comprobatórios tendo apresentado sua defesa em 04107/2005, conforme fls. 01 e 02. (...) É importante ressaltar que os documentos comprobatórios devem ser anexados no momento da impugnação, de acordo com art. 15 do Decreto 70.235172 que trata do Processo Administrativo Fiscal: (...) contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório das despesas médicas relacionadas na sua declaração de ajuste anual, de fls. 29 a 31, portanto, deve ser mantida a dedução indevida de despesas médicas não. comprovadas. em relação á multa e aos juros, cita o art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o artigo 161 do CTN; em relação à aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, defende sua legalidade e cita decisões do Conselho de Contribuintes; assenta que o que é determinante para a efetivação do lançamento e considerado no seu julgamento é a ocorrência do fato gerador. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, independentemente da capacidade financeira do contribuinte; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 202 4 quanto ao pedido de parcelamento, por não se tratar de matéria de competência daquela Delegacia de Julgamento, deixou de se pronunciar a respeito, indicando á contribuinte que procurasse “a Delegacia da Receita Federal no Cabo de Santo Agostinho para tratar dos assuntos em questão, podendo, preliminarmente, obter informações no site www.receita.fazenda.gov.br , inclusive sobre a legislação em vigor”. Assim, decidiu aquela instância de julgamento pela procedência do lançamento tributário e manutenção do crédito em caso. Cientificada dessa decisão em 30/12/2008 (AR na folha 99) e inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2009 (folha 105), onde assim manifesta sua insatisfação: teve a oportunidade de se defender pela primeira vez em 27 de junho de 2005, e sustenta a tese que manifestou na ocasião; agora, em segunda vez, causalhe espécie a “nova” cobrança enviada pela Receita Federal, em virtude do lapso de tempo decorrido, por culpa do Fisco (“sete anos, desde o ano calendário de 2001”); isso a faz mencionar no recurso a “prescrição”, já que não pode ser responsabilizada, em nenhuma hipótese, por tal retardo; não obstante, menciona que a Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, deu a essa contribuinte “anistia”. Entende que ao firmar o Aviso de Recebimento com a cobrança administrativa do débito, tal instrumento legal estava em vigor e “atinge em cheio a problemática aqui em discussão.” Assim, anexa a Medida Provisória e requer o arquivamento do feito fiscal, citando possibilidades de “parcelamento, redução e perdão”. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transforma do em meio magnético (arquivo.pdf) Argumento, em princípio, em relação à remissão prevista na MP 449, convertida na Lei nº 11.941/2009, artigo 14, suscitada no recurso, que se a contribuinte requer a aplicação do favor legal a seu caso, é porque não questiona a certeza e liquidez do crédito tributário lançado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 203 5 Aliás, desde a Impugnação, conforme aqui relatado, já se observa que admite o valor do tributo lançado, propondose inclusive a pagálo. Lá, questionou expressamente o termo de início e o percentual para a cobrança dos juros e a aplicação da multa de ofício. Esclarecidas pela 1ª instância as aplicações legais do artigo 161 do Código Tributário Nacional e do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, apenas diz genericamente no recurso que reforça suas alegações, sem contradizer o que foi exposto pelo Julgador a quo e traz duas novas alegações: a prescrição e a remissão. PRELIMINARES. DA REMISSÃO. Inicialmente, aqui não se pode aplicar o art. 14 da Lei nº 11.941/2009, que resultante da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, considera remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, que estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). A aplicação da remissão é atividade a ser executada pela autoridade preparadora, na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte (precedentes: Acórdão: 2101 001.985, Acórdão 2101001.984, Acórdão 2102002.276, Acórdão 2102001.249 e Acórdão 2802002.524, dentre outros). Encontramos no Acórdão 2101001.985, proferido em 21 de novembro de 2011, pela 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, o perfeito enquadramento da situação aqui em caso, pelo que transcrevemos as razões de seu Voto, que adotamos para aqui também decidir, com os devidos ajustes: De acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, o recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, prestase a contestar a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que tenha mantido, no todo ou em parte, o crédito tributário dele exigido, a teor do artigo 73 do Decreto n.° 7.574, de 2011, a seguir transcrito: “Art. 73.O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto n. 70.235, de 1972, art. 33).” Não é o que se observa no presente processo. Em sua peça recursal o contribuinte não questiona, em momento algum, a decisão de primeira instância, que manteve ... o crédito tributário dela exigido. Pelo contrário, não se manifestando quanto ao mérito da decisão, pede que se reconheça a remissão da sua dívida, por ser de pequeno valor, ou a aplicação das regras ... para pagamento à vista ou parcelado. Com efeito, as questões suscitadas pela recorrente não são dirigidas à infração apontada pela autoridade lançadora: glosa de despesas médicas..., mantidas no julgamento a quo. Diferentemente do que aduz a contribuinte, a demora no Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 204 6 julgamento resulta da grande quantidade de impugnações e recursos, e em nada aproveita à Administração Tributária. Cumpre esclarecer que a contribuinte poderia ter impugnado parcialmente o lançamento em exame, efetuando o pagamento que entendesse correto, com as reduções previstas em lei, como também solicitado parcelamento. (...) (destaquei) O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010, estipula a competência quanto ao controle dos valores relativos à extinção de créditos tributários, assim prevendo, em seu artigo 220: “Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários”. Nesse sentido já decidiu este Tribunal Administrativo: “REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. AUSÊNCIA DE LIDE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009. No momento em que o contribuinte pede a aplicação da remissão, está indiretamente reconhecendo a liquidez e certeza do crédito tributário lançado, pedindo que sobre ele incida a remissão legal, ou seja, não há contencioso sobre a procedência do lançamento, mas apenas o pedido do favor legal. Assim, não cabe à Turma de Julgamento deferir, ou não, tal benefício, o qual deve ser apreciado pela autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte (Delegacia da Receita Federal do Brasil). Recurso não conhecido.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210201.249, de 15/04/2011, grifouse) De fato, este Colegiado não tem competência originária para conhecer do pedido da contribuinte quanto à remissão da dívida ou da aplicação das regras de parcelamento ao caso concreto. Os recursos voluntários e de ofício objetivam, sempre, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 205 7 a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau.(destaquei) DA PRESCRIÇÃO Comanda o Código Tributário Nacional: Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. A “constituição definitiva” do crédito tributário somente ocorre quando não mais houver possibilidade de recurso na esfera administrativa. Por isso, ensina LEANDRO PAULSEN: “Termo a quo no lançamento de ofício. Tornase definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. De tais termos é que se conta, conforme o caso, o prazo prescricional.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1202) E como já assentou o STJ, por suas duas Turmas: “Deve ser observado como marco temporal da constituição definitiva do crédito tributário, para fins do artigo 174 do CTN, o dia da notificação ... ao contribuinte da decisão final do Conselho de Contribuintes, ...(STJ, 1ª T., Resp 1028428/SC, Rel. Ministro José Delgado) (também STJ, 2ª T, Resp 435.896/SP, Min. Eliana Calmon, jun/03) Como se pode observar, aqui no caso, a prescrição suscitada ainda não ocorreu. É que não se admite no processo administrativo fiscal a chamada “prescrição intercorrente”, aquela cujo prazo flui no curso do processo, onde ainda se discute o lançamento tributário. Essa matéria é objeto de Súmula deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. É importante destacar que as Súmulas editadas pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme disposto no caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, que assim dispõe: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria e entendo pelo indeferimento das preliminares levantadas no recurso. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 206 8 MÉRITO DA DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Considerando que a contribuinte recorrente diz que ratifica no recurso as razões expendidas na Impugnação, delas trataremos: O artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). Observando que a contribuinte declarou um rendimento total de R$ 37.889,18 tendo, na DIRPForiginal, pleiteado deduções com despesas médicas da ordem de R$ 5.854,28 (fl. 55) e que posteriormente apresentou uma DIRPFretificadora que elevou as despesas médicas para R$ 19.100,21 (fl. 63), ou seja, mais de 50% do total de seus rendimentos tributáveis declarados, entendo que estejam presentes os requisitos legais para questionamento de tais despesas, acima citados. Observo ainda que nessa DIRPF retificadora, um dos beneficiários está identificado como “pagamentos”, pelo valor de R$ 6.700,00. As formalidades existem para preservar direitos, como a ampla defesa e o contraditório, não como um fim em si mesmas, mas como um instrumento para assegurar o exercício desses direitos. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou em efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. Apesar da contribuinte alegar que não recebeu a Intimação Fiscal para apresentar os documentos comprobatórios das despesas declaradas, o Auto de Infração é suficientemente claro na descrição da matéria fática e legal, possibilitandolhe que na fase litigiosa do procedimento, com a apresentação da impugnação (arts. 14, 15 e 16 do Decreto 70.235/1972), colacionasse os devidos documentos, demonstrando a efetividade da despesa declarada e da dedução pleiteada. Nada trouxe, nesse sentido! A própria recorrente reconhece as possibilidades que teve de defesa quando menciona em seu recurso que (fl. 105): “A Contribuinte infraassinada teve oportunidade de se defender por vez primeira em data de 27 de junho de 2005 e os termos em que vazou continuam anchos de validade ... Agora, por vez segunda a postura dessa Receita Federal causa lhe espécie por esdrúxula e leva a Contribuinte a novas incursões que nada tem de despiciendas....” Conforme art. 80 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 207 9 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei) O Imposto de Renda é, indiscutivelmente, tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/1966, que, em seu artigo 150, § 4º prevê que, se a lei não fixar prazo diverso, a Fazenda Pública terá cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para se pronunciar sobre o dever do sujeito passivo de apurar o imposto e antecipar o pagamento. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas se completa em base anual e ocorreu, para o exercício de 2002, em 31/12/2001. Assim, dentro do prazo estabelecido por lei, a Receita Federal manifestouse expressamente, não homologando a apuração efetuada pelo contribuinte, com a emissão do Auto de Infração já identificado, em 27/04/2005, que foi impugnado em 04/07/2005. Considerando a inexistência de qualquer documento, menção ou justificativa por parte da Recorrente para suas despesas médicas declaradas na DIRPF/2002, que foram questionadas pela Autoridade Fiscal, é de ser mantida a glosa das mesmas e a exigência calculada. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 208 10 Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais. Importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente afirma que não é possível aplicar multa não prevista no Código Tributário Nacional. Mas veja que no artigo 142 do Códex está previsto que a autoridade administrativa que proceder ao lançamento deve, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Essa penalidade é pecuniária, obviamente. Também, o artigo 161 comanda que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, “seja qual for o motivo determinante da falta” é acrescido de juros, “sem prejuízo da imposição de penalidades cabíveis”. Assim, estão previstas sim, no CTN, a multa de ofício, a multa de mora e os juros de mora. A “legislação tributária”, a teor do próprio Código, a ele não se resume, mas comporta também as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares, que versem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 97) e a Constituição Federal expressamente comporta a imposição de obrigações “decorrentes de lei”, como é o caso da multa aqui em comento, conforme acima citado. DOS JUROS DE MORA. Apesar de mencionado apenas na Impugnação, pela Recorrente, destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” CONCLUSÃO Por fim, ressalto mais uma vez o excerto do Voto constante do Acórdão 2101001.985, proferido em 21 de novembro de 2011, que aqui trouxemos como um dos fundamentos para decidir, para ratificar que “diferentemente do que aduz a contribuinte, a demora no julgamento resulta da grande quantidade de impugnações e recursos, e em nada aproveita à Administração Tributária. Cumpre esclarecer que a contribuinte poderia ter impugnado parcialmente o lançamento em exame, efetuando o pagamento que entendesse correto, com as reduções previstas em lei, como também solicitado parcelamento” do valor que entendesse correto e pelas vias normais postas a sua disposição. Face ao exposto, VOTO por indeferir a preliminar, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006741/200540 Acórdão n.º 2801003.426 S2TE01 Fl. 209 11 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 20 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10935.907122/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 6 1 5 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.907122/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.622 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria Compensação Recorrente COTRIGUAÇU COOPERATIVA CENTRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 71 22 /2 01 1- 01 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070192), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/05/2003, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.368, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/05/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907122/201101 Acórdão n.º 3803005.622 S3TE03 Fl. 7 3 cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907122/201101 Acórdão n.º 3803005.622 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13975.000210/2005-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Insumo. Delimitação do Conceito
Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços.
Extração
Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições.
Fretes e Combustíveis
Fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização devem ser considerados para efeito de cálculo.
Manutenção de Máquinas e Equipamentos
Despesas com a manutenção só geram crédito se, cumulativamente, digam respeito a máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo e que não sejam empregadas peças com vida útil superior a um ano.
Ausentes elementos que comprovem o cumprimento dessas condições, ao há como reconhecer o crédito.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para acatar a apuração de créditos a sobre os pagamentos de todos os serviços necessários para que a madeira seja extraída e ingresse no processo fabril.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização devem ser considerados para efeito de cálculo. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Despesas com a manutenção só geram crédito se, cumulativamente, digam respeito a máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo e que não sejam empregadas peças com vida útil superior a um ano. Ausentes elementos que comprovem o cumprimento dessas condições, ao há como reconhecer o crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 02 10 /2 00 5- 45 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 741 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para acatar a apuração de créditos a sobre os pagamentos de todos os serviços necessários para que a madeira seja extraída e ingresse no processo fabril. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS de que trata o art. 5º da Lei 10.637/2002, relativo ao primeiro trimestre de 2005. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 568 a 596 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$69.180,62, sendo R$1.937,34 a título de mercado interno e R$67.243,28 a título de mercado externo, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) Inicialmente constatouse um equívoco por parte da requerente em relação ao valor do pedido de ressarcimento. A quantia solicitada referese ao somatório dos créditos do mercado interno e do mercado externo apurados no DACON, quando apenas este último pode ser objeto de ressarcimento, conforme art 20, § 2o da IN 404/2004 e art. 21, § 3o da IN 600/2005; b) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança nº 2006.72.05.0047318/SC; c) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; d) A partir de uma amostragem das notas fiscais de exportação, procedeuse à verificação da efetividade das exportações nos sistemas internos da RFB, tendo sido possível comprovar, por meio do confronto do Demonstrativo de Despachos de Exportação com suas respectivas notas fiscais, a exportação das mercadorias informadas nas notas fiscais amostradas; Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 742 3 e) Foi selecionada para verificação uma amostragem das notas fiscais de aquisições. Da verificação foram constatadas divergências entre os valores informados no DACON e os valores informados pela interessada na documentação apresentada; f) A requerente incluiu na formação da base de cálculo dos créditos de PIS, aquisições de bens de pessoa física, contrariando o disposto no § 3º do art. 3º da Lei 10.637/02. As cópias das notas fiscais encontramse em fls. 416 e 417. Procedeuse à glosa da totalidade desses valores; g) As notas fiscais do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda., CNPJ 92.639.954/000167 foram emitidas com o CFOP 6.501 (remessa com fim específico de exportação) e escrituradas pela requerente com o CFOP 2.101 (compras para industrialização); h) A venda com fim específico de exportação só se efetiva quando a mercadoria vai diretamente do estabelecimento do produtorvendedor para embarque ao exterior ou para depósito em entreposto, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim para seu próprio estabelecimento e a incorporação desse insumo (vidro) ao produto final; i) A aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação quando da saída do estabelecimento fornecedor, já que foi alcançado pela imunidade afeta às exportações por causa da emissão de nota fiscal com CFOP 6.501. A concessão de créditos sobre tais aquisições implicaria na inobservância ao princípio da nãocumulatividade; j) De acordo com os arts. 5o, III e 3o, § 2o da Lei 10.637/2002, as aquisições de mercadorias com fim específico de exportação não geram direito a créditos de PIS. Foram glosadas as aquisições do referido fornecedor, conforme notas fiscais anexas ao processo às fls. 329, 337, 388, 441 e 513 a 527; k) A requerente não excluiu da base de cálculo, a totalidade das devoluções de bens adquiridos como insumos, razão pela qual efetuouse a glosa da diferença apurada no valor de R$607,04; l) A grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) de CFOP 1.352 padecem dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente. Dentre as irregularidades destacamse as relativas à emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte; m) Constatouse que o problema ocorreu preponderantemente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente e que as deficiências inviabilizam a aferição da idoneidade dos documentos emitidos; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 743 4 n) Na memória de cálculo para os créditos referentes a serviços utilizados como insumos, a requerente incluiu, dentre outros, os CFOP 1.949 e 2.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Por se referirem a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens ou serviços utilizados como insumo, razão pela qual se efetuou a glosa dessas quantias; o) Constatouse da conferência das faturas de energia elétrica a inclusão no cômputo do crédito para o PIS, de valor referente à doação ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de multa, juros de mora e correção monetária. A previsão legal de desconto de créditos calculados em relação à energia elétrica não contempla tais valores, motivo pelo qual foram da glosados; p) Intimada a comprovar os valores informados na linha seis (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas) da ficha quatro do DACON, a requerente apresentou cópia de contrato de locação de um caminhão e duas carrocerias reboques, de propriedade da controladora Rohden Artefatos de Madeiras Ltda. Em relação aos comprovantes do efetivo pagamento, informou que a operação estava coberta por contrato de mútuo. A inclusão desta despesa evidencia um equívoco por parte da requerente, pois a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) utiliza capítulos distintos para classificar máquinas e veículos. Assim, foram glosados tais valores; q) Intimada a demonstrar a memória de cálculo dos valores informados na linha sete da ficha seis do DACON, a interessada apresentou as contas contábeis “Fretes de exportação” – 42.036 e “Serviço de armazenagem” – 42.071. A soma dos valores registrados nos balancetes nessas contas é inferior ao registrado no DACON. Os valores considerados na análise foram ajustados de acordo com os balancetes; r) Em relação às despesas com transporte, repetiuse a deficiência na formalização dos CTRC de CFOP 1.352 – nos mesmos termos dos fretes relativos à aquisição de insumos transcrito no item “Despesas com transporte rodoviário de cargas” do Despacho decisório; s) Intimada a demonstrar os valores informados na linha treze da ficha seis do DACON, a interessada informou que se referem a créditos de fretes sobre compras de insumos utilizados na produção, que não haviam sido creditados no ano de 2003. De acordo com o art. 22, § 3o, I da IN 600/2005, é defeso esse creditamento. Cabe à interessada, se assim desejar, retificar o DACON e solicitar pedido de ressarcimento complementar para cada período, observado o prazo decadencial. Foram glosadas os valores informados na referida linha; t) A conferência por amostragem das notas fiscais e dos documentos apresentados pela interessada foi o ponto de partida para a elaboração da planilha do Anexo I do despacho. Levouse em consideração o resultado da análise do trimestre anterior através do processo nº 13975.000212/200534. Assim, os Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 744 5 créditos do período anterior solicitados no citado processo não afetam o estoque de créditos no mercado externo do período ora analisado; u) O crédito de mercado interno do trimestre foi parcialmente utilizado para descontar os débitos do período, razão pela qual o saldo inicial do período subseqüente será igual a R$1.937,34. Foi apurado crédito do mercado externo disponível para compensação ou ressarcimento no valor de R$ 67.243,28. Cientificada da decisão em 27/11/2007 (fl. 610), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/12/2007 (fls. 611 a 619), alegando, em síntese que a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Na época das aquisições, mesmo havendo autorização da suspensão do PIS e da COFINS pela Lei 10.865/04, a recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Em que pese não constar expressamente do Despacho Decisório, houve o indeferimento do crédito do PIS incidente nas operações de importação de bens utilizados no processo produtivo. O contribuinte acredita tratarse de escusável equívoco da autoridade fiscal, pois nos demais trimestres, em idênticas condições, o crédito não sofreu glosa fiscal; g) Não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 745 6 emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; h) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; i) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; j) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.637/02; k) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; l) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em “vícios formais”, mas, quando muito, meras irregularidades, conforme já explanado; m) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; n) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento,, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 746 7 Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Deferida em Parte Em síntese, as autoridades julgadoras a quo concluíram que os elementos apontados pela autoridade preparadora não seriam suficientes para desconsiderar as aquisições da pessoa jurídica Vidroforte, reputadas como adquiridas com o fim específico de exportação, bem assim que as falhas formais, como a ausência de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas ou sua expedição extemporânea, não seriam suficientes para a glosa das despesas de transporte. Tais matérias não estão sujeitas a recurso de ofício. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, pugnar pelo reconhecimento dos créditos relativos aos serviços anteriores à etapa de fabricação e manutenção de máquinas. Em síntese, argumenta que é a proprietária da matériaprima, no caso, da madeira, e que o emprego dessa madeira demanda sua prévia extração. Consequentemente, esse serviço compõe seu processo produtivo. Esse argumento também respaldaria a possibilidade de se apurar créditos na manutenção das máquinas utilizadas na etapa de extração. Com relação ao segundo fundamento para manutenção da glosa relativa às despesas de manutenção, ou seja, a impossibilidade de se apurar, com base nos documentos acostados, quais seriam os serviços de manutenção, defende que tal insuficiência deveria ser suprida pela intimação para apresentação de elementos complementares. Não anexa novos elementos de prova. Em face da nomeação de conselheiro titular e consequente devolução dos autos pelo conselheiro originalmente designado para relatar o feito, que atuava neste Colegiado como substituto, os autos foram redistribuídos a este relator em 25/04/2013, mediante novo sorteio. É o Relatório. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 747 8 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 1 Preliminarmente 1.1 Demarcação do Litígio Não há questão preliminar a ser enfrentada. Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. No mérito, prossegue em litígio exclusivamente a possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) serviços empregados na extração de florestas e no transporte e manuseio da madeira extraída até o seu ingresso no processo fabril; e b) outros produtos e serviços empregados na manutenção de máquinas. 1.2 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou da repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 748 9 o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2 Mérito 2.1 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência) Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu:. Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 749 10 consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas do processo produtivo como um todo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 750 11 Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 2.2 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços inerentes à extração da madeira, seu transporte e às demais operações que precedem a entrada da mercadoria extraída no processo fabril. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável, a meu ver, que se tratam de dispêndios inerentes à produção. Satisfeita tal condição, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, já se manifestou o Fisco, por meio da Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13975.000210/200545 Acórdão n.º 3102002.049 S3C1T2 Fl. 751 12 Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, transporte, desgalhamento, manuseio, enfim, com o pagamento dos serviços necessários para que a madeira seja extraída e ingresse no processo fabril. 2.3 – Manutenção Na linha do que já foi mencionado quando se tratou da fixação de critérios para distribuição do ônus da prova e da delimitação do conceito de insumo, não vejo como reconhecer os gastos de manutenção. Com efeito, não há como, a partir dos documentos colacionados, se a manutenção em questão diz respeito a máquinas empregadas no processo produtivo. Por outro lado, também não há como saber se estão sendo empregadas peças com vida útil superior a um ano, que devem ser contabilizadas no ativo permanente e depreciadas. Neste caso, a dedução se limitaria ao valor da depreciação. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre gastos incorridos com corte, arrasto, transporte, desgalhamento, manuseio, enfim, todos os pagamentos de serviços necessários para que a madeira seja extraída e ingresse no processo fabril. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 805DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11020.912626/2012-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2008
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 26 /2 01 2- 91 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1444.384, de 28/08/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912626/201291 Acórdão n.º 3803006.433 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1444.384, em 16/10/13, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 13/11/13, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912626/201291 Acórdão n.º 3803006.433 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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