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Numero do processo: 10070.000069/2003-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO
Data do fato gerador: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem- se na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Incluem-se, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referirem-se a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC
No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplica-se a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62-A do RICC).
O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição.
Recurso do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.442
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Possas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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ementa_s : IPI – CRÉDITO PRESUMIDO Data do fato gerador: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem- se na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incluem-se, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referirem-se a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplica-se a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62-A do RICC). O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição. Recurso do Contribuinte Provido
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os insumos, matériasprimas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem se na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incluemse, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referiremse a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplicase a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62A do RICC). O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição. Recurso do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Possas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Trachesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de IPI, fl.01, relativo ao i crédito presumido apurado no 1º trimestre do anocalendário de 2002, com fundamento na Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado em 15/01/2003. Apenso o processo de compensação n2 10070.000588/200382. ‘A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAI) no Rio de Janeiro RJ, por meio do despacho decisório de fls. 43/50, indeferiu o pleito em questão, sob os fundamentos de que a legislação de regência não permitem o aproveitamento de crédito do IPI nas operações que envolvam produtos NT, decorrente da aquisição de MP, PI e ME neles empregados, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, como também não homologou a Declaração de Compensação.’ Inconformada com a negativa do seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 59/77, na qual, em síntese, apresentou argumentos resumidos, conforme transcrição abaixo: ‘FUNDAMENTOS JURÍDICOS a) Disciplina Legal Crédito Presumido: (...) a Contribuinte está obrigada a cumprir tão somente o disposto na lei, sabido que o nosso ordenamento jurídico consagra o PRINCIPIO DA LEGALIDADE: (...) b)Requisitos do Benefício Fiscal – Adimplemento (...) O fundamento do Despacho Decisório é o mesmo contido no Parecer MF/SRF/COSIT DITIP nº 139/1996, contudo, data vênia Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 203 3 é inadmissível, porque ao intérprete da lei não é atribuída competência para inovar a ordem jurídica. Assim, nenhum ato normativo emanado do poder executivo poderá restringir o alcance da Lei nº 9.363/1996, para aplicála somente em relação aos produtores com status de industrializados sujeitos a uma alíquota ou isentos do IPI, se a LEI elegeu como condição ao beneficio a exportação de 'MERCADORIA'. Também não se extrai da Lei nº 9.363/1996 nenhuma restrição ao direito aos créditos de IPI presumidos na hipótese de produtores exportadores de produtos IVT (nãotributados). (...) (...) a Contribuinte implementa todos os requisitos previstos na LEI para usufruir desse direito ao crédito de IPI presumido, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais, alcançadas pela imunidade. (...) (...) a concessão desse beneficio fiscal não está limitada aos ditames da, legislação do IPI, cuja aplicação é tão somente subsidiária. (...) (...) o fato da MERCADORIA exportada pela Contribuinte estar classificada na TIPI como NT (nãotributada) não a impede do exercício dó direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas, toda e qualquer mercadoria destinada ao exterior. (...) o entendimento do Despacho Decisório diverge do entendimento jurisprudencial do Eg. Conselho de Contribuintes. (...) c) Apuração do Crédito Presumido: (...) (...) o crédito presumido merece deferimento em relação a qualquer aquisição que represente custos de produção, pois, a intenção da lei foi desonerar as exportações do PIS e da COFINS — incidentes no ciclo de produção sob o efeito cumulativo. (...) (...) a Instrução Normativa n° 23/1997 também não poderia restringir a utilização dos créditos, na forma do seu art. 2°, § 2°, porque a norma jurídica por ato emanado do Poder Executivo. (...) d) Extinção de obrigação tributária: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Uma vez demonstrada a legitimidade dos créditos presumidos de IPI, é imperiosa a homologação das compensações entre os créditos com débitos de outros tributos federais. (...) O desfecho da obrigação tributária é o seu cumprimento, desaparecendo o tributo ao verificarse qualquer causa extintiva dessa obrigação. O direito contempla as causas extintivas das obrigações tributárias, dentre elas a COMPENSAÇÃO, que tem o poder de impedir que se exija novamente a exação, que não mais existe em decorrência da extinção da relação obrigacional. (...) Assim sendo, reputamse legítimas as compensações promovidas pela Contribuinte, merecendo, ao final, serem declaradas como homologadas. e) Atualização Monetária: A Contribuinte acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidos forem deferidos, devem ser seguidos da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA desde sa (sic) suas ocorrências, para recompor esses valores dos efeitos da inflação. (...) Constatase que o óbice à correção monetária cria uma vantagem ilícita em favor da União Federal, em desequilíbrio ao PRINCÍPIO DA IGUALDADE, considerando que a União Federal recorre à correção monetária para atualizar os seus créditos. (...) Assim sendo, os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados a partir das ocorrências, nos mesmos moldes utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento do PRINCIPIO DA ISONOMIA’. Por tudo que expôs, propugnou pela reforma do despacho decisório recorrido, com a conseqüente procedência do seu pedido de ressarcimento. A DRJ em Juiz de Fora — MG apreciou as alegações postas na manifestação de inconformidade e o que mais consta dos autos do presente processo, decidindo pelo indeferimento da solicitação nos termos do voto do relator do Acórdão nº 10.337, de 02 de junho de 2005, assim ementado: ‘Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 204 5 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N'T. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não tributados (NT). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: I LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. 2 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IN. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Solicitação Indeferida’. Inconformada a contribuinte no devido prazo legal interpôs recurso voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 99/117, solicitando a reforma do acórdão recorrido e o deferimento do seu pedido de ressarcimento. Na Sessão de Julgamento desta Segunda Câmara realizada em 07 de dezembro de 2005, o julgamento do presente foi convertido em diligência, por considerar relevante para o deslinde da controvérsia a legitimidade dos créditos pleiteados e se os insumos foram efetivamente aplicados na industrialização de produtos exportados ou vendidos a empresa comercial exportadora com fins específicos de exportação para o exterior. Determinou esta Segunda Câmara, por meio daquela Resolução, que a Unidade local da Secretaria da Receita Federal realizasse todas as verificações requisitadas pela autoridade local quando da análise do pedido de ressarcimento de IPI, solicitação não atendida à época por entender a fiscalização que não sendo a interessada contribuinte do 1PI não teria direito aos créditos. Após concluída a diligência, fosse intimada a contribuinte a conhecer do resultado, e, no prazo de 10 dias, a apresentar manifestação, se quisesse. Em cumprimento à diligência, a fiscalização expediu o Relatório Fiscal de Diligência no qual se constatou que dos créditos pleiteados pela recorrente, como a legislação que rege a matéria permitisse o crédito do IPI para a produção de produtos NT, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 apenas as aquisições de insumos referidos como insumos permitidos seriam contemplados com o beneficio, no primeiro trimestre de 2002. Informou que os demais créditos referemse a óleo diesel, energia elétrica e fretes. Esclareceu ainda que a contribuinte não possui livro de Registro de Apuração de IPI, não fazendo, portanto, os estornos exigidos nestes livros. A contribuinte apresentou sua manifestação à diligência, na qual alegou que o crédito pleiteado não pode ser reduzido como pretende a fiscalização, pois a lei instituidora do beneficio não faz restrição aos custos agregados ao processo produtivo identificados na Instrução Normativa nº 65/1979 da Secretaria da Receita Federal. Acresce que a atualização monetária desde o protocolo do pedido é devida para recompor os valores dos créditos. É o Relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não tributados (NT). (Súmula nº 13 do 2º Conselho de Contribuintes). CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Recurso negado. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial às fls. 174/244, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Alega em sua peça recursal que é direito do contribuinte exportador, ainda que produtor de mercadoria NT, a apuração do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.636, de 1996, e que sobre os ressarcimentos deve incidir a taxa Selic. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 258/259, para que a CSRF aprecie as matérias impugnadas. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 205 7 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 262/276. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith da Amaral Marcondes Armando Aprecio o Recurso Especial do Contribuinte, apresentado, conforme despacho acima mencionado, em boa forma. As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT e à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: “ É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º , parágrafo único diz: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 206 9 Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PISPASEPCOFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciar se. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matériasprimas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os Fl. 266DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10070.000069/200314 Acórdão n.º 9303001442 CSRFT3 Fl. 207 11 conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI. É importante ressaltar que não foi avaliada neste processo a questão do processo produtivo da mercadoria exportada. Entretanto, entendo que o fundamento da glosa foi tratarse de mercadoria com notação NT na TIPI, o que ao meu sentir está equivocado, conforme argumentei. Por outro lado, consultei o sito do CARF e já não existe a mencionada Súmula nº 13. No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, faço a ressalva de que, a despeito de meu entendimento quanto à matéria, em face da superveniência do art. 62A do Regimento Interno do CARF RICARF, as decisões definitivas de mérito Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Tribunal Administrativo. A recorrente teve obstada pela administração tributária a aplicação da referida Taxa. No recurso, pede a fruição do benefício desde o protocolo do pedido até a data do efetivo pagamento. Nos recursos repetitivos do STJ está subjacente a questão do dies a quo para aplicação da taxa Selic, considerado o protocolo do pedido de restituição ou ressarcimento junto à administração tributária. Na esteira do exposto voto por dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Judith da Amaral Marcondes Armando Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13739.001757/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1319.251 (fl. 34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, e manteve a redução Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 do imposto a restituir de R$6.343,31 para R$1.323,73, conforme Demonstrativo à fl. 26, que incluiu para tributação rendimento excluído pelo contribuinte em declaração retificadora (fl. 32). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente reafirma que os rendimentos lançados correspondem a adicional por tempo de serviço, pagos na rubrica "TRIÊNIO QÜINQÜÊNIOS", que possui natureza não tributável, nos termos do artigo art. 1o, inciso III, alínea “n”, da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que o litígio persiste pela inconformidade do recorrente quanto ao entendimento explicitado na decisão recorrida em relação à tributação dos rendimentos por ele excluídos na declaração retificadora. Com efeito, a diferença incluída para tributação pela fiscalização corresponde a rendimentos considerados nãotributáveis pelo contribuinte, nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 1994: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13739.001757/200712 Acórdão n.º 210101.636 S2C1T1 Fl. 2 3 públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Em suma, o recorrente apresentou declaração retificadora por entender que não incide o imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço, excluídos que foram do conceito de remuneração pela Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ademais, o § 4º do mesmo artigo dispõe que: § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Esse entendimento já está consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10480.909510/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.909510/200999 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.175 – 2ª Turma Especial Data 06 de março de 2013 Assunto Diligência Recorrente PLASTICOR BRINDES IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 09 51 0/ 20 09 -9 9 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 23 a 26v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 27v a 37v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como multa por atraso na entrega das declarações. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/DCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração de novembro de 2003, no valor de R$ 19.363,54 (fl. 03). A este processo coube o valor de R$ 1.383,90 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 1.383,90, período de apuração novembro de 2003, correspondente ao PIS (fls. 04, 26v e 33). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 195,36 (principal), R$ 39,07 (multa) e R$ 145,77 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 4 3 ano base 2003 exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909510/200999 Resolução nº 1802000.175 S1TE02 Fl. 8 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000026/2006-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO – LEGITIMIDADE PASSIVA A questão da legitimidade passiva, tal como a da decadência, é conhecível de ofício, desde que haja recurso a ser conhecido, i.e., desde que se abra efetivamente a instância recursiva, não se tornando preclusa por não ter sido arguida na impugnação. O fato de não haver manifestação expressa sobre isso não implica omissão. Embargos rejeitados sobre a questão. OMISSÃO – DISPOSITIVO – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – CANCELAMENTO OU NULIDADE O provimento do recurso por erro na identificação do sujeito passivo enseja nulidade por vício substancial. Caso, portanto, de nulidade material. Omissão existente, sanada, sem efeitos infringentes. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – MILTON FERNANDO MASSUCO – ME – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A ciência dos lançamentos se dera em 15/12/06, e sua impugnação oposta em 8/02/07, com sua perempção, e, por corolário lógico, igualmente perempto o recurso voluntário. Omissão quanto à intempestividade da impugnação existente, sem geração de efeitos infringentes, por não se afetar o erro na identificação do sujeito passivo. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – ARIANE CRISTINA NONATO – ME – CONTRIBUINTE A ciência dos lançamentos pela contribuinte se dera em 11/12/06, e sua impugnação apresentada em 9/01/07. Intempestividade inexistente. A ciência do acórdão a quo se dera em 11/03/08 e o recurso interposto em 11/03/08, sem que haja feriado nacional, estadual, municipal ou ponto facultativo federal no dia seguinte ao da ciência nem no termo ad quem do prazo recursal. Ocorrência de intempestividade do recurso. O acórdão embargado
fora expresso de modo que não se cuida de omissão. Tratase
de erro “quasematerial”
e conhecível de ofício, em qualquer tempo e em qualquer instância
de julgamento. Perempção que impõe ser reconhecida, tendo por
consequência necessária e lógica, a produção de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1103-000.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e lhes DAR provimento parcial, com a re-ratificação do acórdão embargado para não conhecimento dos recursos voluntários, por intempestivos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO – LEGITIMIDADE PASSIVA A questão da legitimidade passiva, tal como a da decadência, é conhecível de ofício, desde que haja recurso a ser conhecido, i.e., desde que se abra efetivamente a instância recursiva, não se tornando preclusa por não ter sido arguida na impugnação. O fato de não haver manifestação expressa sobre isso não implica omissão. Embargos rejeitados sobre a questão. OMISSÃO – DISPOSITIVO – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – CANCELAMENTO OU NULIDADE O provimento do recurso por erro na identificação do sujeito passivo enseja nulidade por vício substancial. Caso, portanto, de nulidade material. Omissão existente, sanada, sem efeitos infringentes. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – MILTON FERNANDO MASSUCO – ME – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A ciência dos lançamentos se dera em 15/12/06, e sua impugnação oposta em 8/02/07, com sua perempção, e, por corolário lógico, igualmente perempto o recurso voluntário. Omissão quanto à intempestividade da impugnação existente, sem geração de efeitos infringentes, por não se afetar o erro na identificação do sujeito passivo. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – ARIANE CRISTINA NONATO – ME – CONTRIBUINTE A ciência dos lançamentos pela contribuinte se dera em 11/12/06, e sua impugnação apresentada em 9/01/07. Intempestividade inexistente. A ciência do acórdão a quo se dera em 11/03/08 e o recurso interposto em 11/03/08, sem que haja feriado nacional, estadual, municipal ou ponto facultativo federal no dia seguinte ao da ciência nem no termo ad quem do prazo recursal. Ocorrência de intempestividade do recurso. O acórdão embargado fora expresso de modo que não se cuida de omissão. Tratase de erro “quasematerial” e conhecível de ofício, em qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Perempção que impõe ser reconhecida, tendo por consequência necessária e lógica, a produção de efeitos infringentes.
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O fato de não haver manifestação expressa sobre isso não implica omissão. Embargos rejeitados sobre a questão. OMISSÃO – DISPOSITIVO – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – CANCELAMENTO OU NULIDADE O provimento do recurso por erro na identificação do sujeito passivo enseja nulidade por vício substancial. Caso, portanto, de nulidade material. Omissão existente, sanada, sem efeitos infringentes. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – MILTON FERNANDO MASSUCO – ME – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A ciência dos lançamentos se dera em 15/12/06, e sua impugnação oposta em 8/02/07, com sua perempção, e, por corolário lógico, igualmente perempto o recurso voluntário. Omissão quanto à intempestividade da impugnação existente, sem geração de efeitos infringentes, por não se afetar o erro na identificação do sujeito passivo. INTEMPESTIVIDADE DE IMPUGNAÇÃO E DE RECURSO – ARIANE CRISTINA NONATO – ME – CONTRIBUINTE A ciência dos lançamentos pela contribuinte se dera em 11/12/06, e sua impugnação apresentada em 9/01/07. Intempestividade inexistente. A ciência do acórdão a quo se dera em 11/03/08 e o recurso interposto em 11/03/08, Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.198 2 sem que haja feriado nacional, estadual, municipal ou ponto facultativo federal no dia seguinte ao da ciência nem no termo ad quem do prazo recursal. Ocorrência de intempestividade do recurso. O acórdão embargado fora expresso de modo que não se cuida de omissão. Tratase de erro “quase material” e conhecível de ofício, em qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Perempção que impõe ser reconhecida, tendo por consequência necessária e lógica, a produção de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e lhes DAR provimento parcial, com a reratificação do acórdão embargado para não conhecimento dos recursos voluntários, por intempestivos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Hugo Correia Sotero. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.199 3 Relatório DO LANÇAMENTO Contra a recorrente foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do Simples, ou seja, o IRPJ (fls. 691 a 708) no valor de R$ 22.256,89; PIS (fls. 717 a 722) no valor de R$ 22.256,89; CSL (fls. 731 a 736) no valor de R$ 45.683,55; COFINS (fls. 747 a 752) no valor de R$ 92.256,38 e INSS (fls. 763 a 768) no valor de R$ 143.947,74, além de juros e multa. Consta no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que encontrase no Auto de Infração – IRPJ (fls. 691 a 708), que em 7/04/2006 a fiscalização, com o fim de dar ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 12 a 15), compareceu no endereço do estabelecimento informado no cadastro da empresa Ariane Cristina Nonato ME, já baixada na Receita Federal, e lá encontrou uma outra empresa, cuja responsável era Tereza Nonato Massuco (tia de Ariane Cristina Nonato). Ao solicitar um talão de notas fiscais para conferência, foi fornecido um talão de notas da empresa Varejão Central de Carnes 1 (Ariane Cristina Nonato – ME), do qual foi emitida a nota fiscal 006606 (fl. 679) para constatação, tendo a Sra. Tereza Nonato Massuco informado que a utilização do talonário foi em razão de orientação de seu contador e que tratavase de uma mesma empresa, vez que no Fisco Estadual a empresa Ariane Cristina Nonato – ME havia sido apenas transformada. Em 17/04/2006 a fiscalização compareceu novamente ao estabelecimento, oportunidade em que foi emitida uma outra nota fiscal, a de nº 006591 (fl. 680), da mesma empresa Ariane Cristina Nonato – ME. Em nova diligência no estabelecimento, em 27/06/2006, foi emitida a nota fiscal nº 008067 (fl. 683), desta vez figurando como contribuinte a empresa Milton Fernando Massuco – ME. Diante dos esclarecimentos prestados pela Sra. Tereza Nonato Massuco a fiscalização deu a ela ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 12 a 15), por meio do qual a recorrente fiscalizada (Ariane Cristina Nonato – ME) foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, relação de todas as contas bancárias e cartões de créditos em seu nome, bem assim os extratos bancários, extratos dos cartões de créditos referentes aos períodos de 1º/01/2001 a 31/12/2004, além dos livros fiscais e contábeis. No mesmo termo, a autoridade fiscal esclareceu que a presente ação fiscal foi motivada pelo resultado de uma outra ação junto às empresas Rodrigues e Ferrante Ltda e Zentil & Silva EPP, ocasião em que foram identificados cheques nominais e/ou depositados em nome da recorrente Ariane Cristina Nonato – ME, o que sugeria haver uma movimentação financeira incompatível com os valores das receitas declaradas, conforme demonstrativo (fl. 12), mesmo levando em consideração os rendimentos declarados pela pessoa física Ariane Cristina Nonato. Em 18/04/2006 Ariane Cristina Nonato prestou os esclarecimentos de fls. 16 e 17, informando que seu pai apropriouse de seu nome para dar continuidade aos negócios e que a razão social que resultou da abertura da pessoa jurídica com o seu nome sempre foi, com exclusividade, de uso e manejo de seu pai. Na mesma data, por meio do Termo de Constatação Fiscal de fl. 18, o pai de Ariane Cristina Nonato (Sr. Milton Aparecido Nonato) ratificou os termos da declaração por ela prestada. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.200 4 Em 3/05/2006 foi entregue na ARF/São Carlos documento firmado por Vitorino Ângelo Filipin (fls. 20 e 21), informando que estaria apresentando procuração, livros fiscais solicitados e extratos bancários da pessoa física Ariane Cristina Nonato e da pessoa jurídica Ariane Cristina Nonato – ME. Em 1º/06/2006 foi lavrado o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 236 a 240. Em 19/06/2006, Ariane prestou os esclarecimentos de fl. 243 informando que o documento entregue por Vitorino Ângelo Filipin (fls. 20 e 21) é válido, mas que deixava de apresentar procuração por não ser mais seu advogado; que durante o período de 1º/01/2001 e 31/12/2004 teve uma única conta bancária, a de nº 8011X da agência do Banco do Brasil; que somente seu pai (Milton Aparecido Nonato) tinha permissão para movimentar referida conta; que autorizava o titular da presente ação fiscal a ter acesso aos dados bancários da referida conta; que, na época da baixa da referida empresa, por se tratar de firma individual, só foi encerrada junto a Jucesp e à Receita Federal, transferindo no âmbito estadual e municipal, conforme Xerox anexo DECA estadual e, por essa razão, os talonários poderiam ser utilizados pela empresa sucessora e os novos já teriam sido configurados com a razão social atual; que deixava de apresentar os extratos bancários ainda não entregues (outubro a dezembro de 2003 e maio de 2004) tendo em vista a autorização para acessar os dados bancários. O Banco do Brasil, em atendimento à intimação, apresentou os documentos de fls. 251 a 398. Em 23/08/2006 foi a recorrente intimada por meio do Termo de Constatação e Reintimação de fls. 401 a 403, a comprovar a origem dos recursos relacionados na tabela anexa (de fls. 404 a 420), em atenção ao que dispõe o art. 42 da Lei 9.430/96. Em 12/09/2006 a empresa, por meio de seu procurador Milton Aparecido Nonato (Procuração de fl. 431), informou, à fl. 424. que não era possível saber a origem dos recursos referentes aos depósitos mencionados na intimação por ser de muito tempo e que não possuía em mãos qualquer tipo de comprovantes de depósitos. Diante disso, a fiscalização lavrou os autos de infração, em 11/12/2006, para tributar os valores depositados em conta bancária superiores a R$ 1.000,00 como receita omitida, com fulcro na Lei 9.430/96, art. 42, respeitando a opção pelo Simples. Os valores dos depósitos estão relacionados às fls. 404 a 420 e estão consolidados mensalmente à f. 816. Ressaltou a autoridade fiscal que a escrituração contábil e fiscal da recorrente não guarda qualquer relação com a movimentação financeira apurada, razão pela qual não foram utilizados os livros fiscais. Segundo a fiscalização, houve uma perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME, posto que houve continuidade da mesma atividade, no mesmo local e as pessoas envolvidas são da mesma família. Diante dos fatos narrados, a fiscalização lavrou os autos de infração em 6 vias, uma para o processo fiscal; uma para a ciência da representante de direito Ariane Cristina Nonato; uma para o representante de fato Milton Aparecido Nonato; uma para Milton Fernando Massuco, responsável pela empresa Milton Fernando Massuco – ME (sucessora de Ariane Cristina Nonato – ME); e uma para representação fiscal para fins penais. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.201 5 DA IMPUGNAÇÃO Cientificados dos autos de infração, as empresas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME apresentaram impugnações de fls. 828 a 880 (Milton Fernando Massuco – ME) e fls. 886 a 932 (Ariane Cristina Nonato – ME). Impugnação apresentada por Ariane Cristina Nonato – ME Em suas razões de defesa, a recorrente, por meio de seus procuradores, aduziu o seguinte. Nulidade do Processo – Falta de Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal Alegou nulidade do processo tendo em vista que houve expiração do prazo de validade do mandado de procedimento fiscal, sem a conseqüente expedição de mandado de procedimento fiscal complementar. Omissão de Receitas – Presunção de Omissão de Receitas Alegou que não basta a simples presunção ad hominis levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas para dar fundamento ao auto de infração, é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros de que houve omissão de receita, o que não foi feito. Requereu, caso não seja aceita sua tese, a realização da competente prova pericial. Obtenção de Prova Ilícita – Ofensa ao Princípio Constitucional do Sigilo Bancário Alegou que o fisco adquiriu os extratos bancários diretamente das instituições bancárias, sem ordem judicial, com respaldo na Lei Complementar 105/2001. No entanto, nem mesmo a citada lei complementar tem o condão de tornar o fisco federal independente de autorização judicial e mesmo que estabelecesse a quebra do sigilo bancário sem autorização, só teria sentido para fins de apuração de crimes e não em caso de processo administrativo visando apurar créditos tributários. Dessa forma, segundo a recorrente, teria o fisco conseguido as provas (extratos bancários) de maneira ilícita, o que tornaria nulo o auto de infração. Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Contabilizados Na apuração do IRPJ pesa preponderantemente o confronto entre entradas e despesas, ambas devidamente identificadas, e que no caso a autoridade fiscal esqueceu de levar em consideração as despesas, pois em nenhum momento fez alusão a elas, o que torna inconsistente o auto de infração. Por outro lado, os depósitos bancários correspondem a uma movimentação de dinheiro e não de renda, além de conter empréstimos, valores liberados por cheque especial, circulação de valores entre bancos, e muitas outras situações que não afetam a renda da impugnante em cada ano e, exatamente por isso, não podem admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita. Tributação Reflexa Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.202 6 Alegou que uma vez reconhecida a improcedência do lançamento atinente ao IRPJ, decorrente de omissão de receita, também restam indevidos todos ao valores atinentes às Contribuições para o PIS, COFINS, CSL e INSS. Segundo a recorrente, o lançamento relativo a COFINS e ao PIS seria insubsistente por estar pautado em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal (Lei 9.718/98), além de ter o agente fiscal tomado como base de cálculo para o PIS o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando o comando do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70. Juros Selic A exigência de juros com base na Taxa Selic está em descompasso com o art. 161 do CTN, o que torna a exigência improcedente. Multa Aplicada – Confisco A multa de 150% é confiscatória e deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96. Prova Pericial Requereu a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores, e em especial sobre as questões formuladas (fl. 931). Indicou assistente técnico. Ao final requereu que seja acolhida a impugnação para julgar improcedente o lançamento tributário. Impugnação apresentada por Milton Fernando Massuco – ME A empresa Milton Fernando Massuco – ME, por meio de seus procuradores legalmente constituídos, apresentou a impugnação de fls. 828 a 880, na qual apresentou praticamente as mesmas alegações da recorrente Ariane Cristina Nonato – ME, não havendo razão para repetir aqui os argumentos. Acrescentou, todavia, pedido para que o patrono da recorrente fosse intimado para que pudesse sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos da Constituição Federal, art. 5º, LV, e alegou, em preliminar, o seguinte. Preliminar I – Ilegitimidade Passiva Alegou que a autoridade fiscal lhe atribuiu, injustamente, a qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária, e que não existe nos autos nenhuma prova documental, como por exemplo, a análise de movimentação financeira, de transações entre contas correntes, de instrumento procuratório, de testemunhas, etc., que façam qualquer vinculação do recorrente com a empresa Ariane Cristina Nonato – ME (também recorrente), como também não houve a produção de provas no sentido de que o recorrente auferiu qualquer benefício decorrente de eventual falta de recolhimento de tributo por parte da citada empresa, o que implica reconhecer Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.203 7 que a atribuição de responsabilidade foi feita por mera presunção, o que vicia por completo o procedimento fiscal. Preliminar II – Falta de Identificação do Sujeito Passivo Alegou que, pelo auto de infração, não é possível saber se o impugnante recebeu o mesmo como suposto representante legal da empresa e/ou como responsável solidário, e que tal omissão vicia de nulidade o lançamento na medida em que contraria as disposições constantes no art. 142 do CTN, bem assim os arts. 10 e 11, do Decreto 70.235/72, por não identificar o sujeito passivo, por não conter a qualificação do autuado ou do notificado. Relativamente à multa de 150% acrescentou que ela é prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória 303/2006, não se aplica ao caso primeiro porque, segundo o CTN, ao lançamento aplicase as disposições legais vigentes à época do fato gerador e, no caso, inexistia previsão legal para aplicação da multa nesse percentual e, segundo, porque é princípio básico do direito penal a impossibilidade da retroatividade in pejus, ou seja, prejudicando a situação do réu, no caso, o recorrente. Alegou ainda não ter o recorrente praticado qualquer conduta dolosa, sendo que não existe prova nesse sentido, além de ser referida multa confiscatória, razão pela qual deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96. DA DECISÃO DA DRJ Em 18/01/2008, acordaram os julgadores da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto (SP), por unanimidade de votos, por considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, alegando, em síntese, o que segue. Alegações comuns apresentadas por Milton Fernando Massuco – ME e Ariane Cristina Nonato – ME Da Nulidade do Processo por Falta de Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal O início do procedimento fiscal se deu com a autorização contida no MPF nº 08.1.22.002006001334 (fl. 1), datado em 3/04/2006, para ser executado até 1º/08/2006, ressalvando a possibilidade de haver prorrogação, o que se deu mediante MPF Complementar nº 08.1.22.0020060013341, datado em 5/12/2006 (fl. 688). Dispõe a Portaria 6.087/2005 que o referido mandado se extingue pela conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio, ou pelo decurso do prazo previsto para sua duração, não implicando, neste caso, nulidade dos atos praticados. Assim, mesmo que o aludido MPF tenha se encerrado com o simples decurso do prazo previsto para a sua duração, isso não invalida os atos subseqüentes ou as constatações feitas durante sua execução, pois citado documento é emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.204 8 Assim, não cabe interpretar que qualquer irregularidade ocorrida em um instrumento de controle administrativo instituído por norma infralegal (portaria) possa acarretar a nulidade dos procedimentos fiscais, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN. Destacase ainda o fato de a autoridade fiscal, por diversas vezes (fls. 239 e 403), além de ter dado conhecimento a recorrente da continuidade da ação fiscal, também informou que quaisquer esclarecimentos relativos à fiscalização poderiam ser obtidos direta e pessoalmente com os auditores fiscais signatários, na DRF/Araraquara, ou na ARF da cidade da recorrente, mediante prévio agendamento, o que demonstra que o objetivo do MPF, que é dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, foi alcançado. Preliminar rejeitada. Da Presunção de Omissão de Receita com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não justificada e/ou comprovada Com a previsão do art. 42 da Lei 9.430/96, onde a existência de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receitas, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Ao fazer o uso de uma presunção legalmente estabelecida, o fisco ficaria dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo à recorrente a sua produção. Portanto, nada de ilegalidade existe no lançamento feito com base em depósito bancário de origem não comprovada. E fez a autoridade lançadora o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, intimou a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. A recorrente não tendo apresentado prova da origem do numerário apresentado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida. Deixou de acolher as alegações de que os depósitos bancários poderiam corresponder a empréstimos, ou a valores liberados por cheque especial, circulação de valores entre bancos, pois não comprovou suas alegações. Da obtenção de Prova Ilícita – Ofensa ao Princípio Constitucional do Sigilo Bancário É equivocada a interpretação da recorrente, pois a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dirigidas às Instituições Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.205 9 Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Ademais, a própria Ariane Cristina Nonato, ao prestar os esclarecimentos de fl. 243, autorizou o titular da presente ação fiscal a ter acesso aos dados bancários. Portanto, não tratase de provas ilícitas, tendo a fiscalização agido dentro da lei. Da Multa Aplicada Reputando os argumentos apresentados por Milton Fernando Massuco – ME, a fiscalização não apontou como enquadramento legal para aplicação da multa qualificada o art. 18 da Medida Provisória 303/2006, mas sim o art. 44, II da Lei 9.430/96, c/c art. 19 da Lei 9.317/96. Visto que a conduta da recorrente de não escriturar os depósitos bancários é rotineira, envolvendo valores bastante significativos em relação à receita declarada da empresa, resta impossível negar o dolo, ou seja, a intenção de deixar inúmeros ingressos de recursos financeiros à margem da escrita fiscal, visando ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador. Outra questão a ser observada é que a omissão de receita, caracterizada pelos depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, viçou também impedir o conhecimento fiscal da circunstância de perda do direito da tributação incentivada (Simples), pois se tivesse declarado a totalidade das receitas, sem sombra de dúvida, ultrapassaria o limite legal para permanência no Simples. Totalmente improcedente a pretensão da recorrente em ver reduzida a multa para 20%, pois esta referese à multa de mora prevista para os casos de pagamentos espontâneos, porém fora do prazo, enquanto a penalidade em discussão referese aos procedimentos de ofício nos quais verificase infração à legislação tributária, sendo portanto inerente ao lançamento de ofício. Quanto às alegações de multa confiscatória, ressalta que a apreciação dessa matéria escapa à competência da Turma Julgadora, sendo de competência do Poder Judiciário. Aos julgadores administrativos incumbe aferir em que grau os atos da Administração se harmonizam às leis, na forma como foram elaboradas. Dos Juros de Mora – Selic Sua aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária, conforme faculta a Lei 5.172/66, art. 161, § 1º. Portanto, não é ilegal a sua cobrança. Ademais, por estar vinculado à lei, não compete ao julgador administrativo negar a aplicação de lei validamente promulgada. Do Pedido de Diligência/Perícia Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.206 10 Pelo teor dos quesitos formulados pela recorrente, pretende demonstrar que o lançamento foi efetuado com base em extratos bancários e que nem todos os valores representam rendimentos omitidos e, por conseqüência, não haveria presunção de certeza o auto de infração e, havendo erro, implicaria na sua nulidade. Porém, diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Dos Tributos Reflexos A recorrente alegou inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de PIS e COFINS. Não é pertinente alegar na instância administrativa inconstitucionalidade de lei, por transbordar os limites da competência do julgamento administrativo, cabendo ao Poder Judiciário o controle de legalidade e constitucionalidade de leis. No caso em análise, a recorrente é optante pelo Simples. Portanto, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado (Simples), de acordo com o disposto no caput do art. 24 da Lei 9.249/95. Assim, sobre o total da receita bruta foi aplicado, corretamente pelo autuante, o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos. Alegações apresentadas por Milton Fernando Massuco – ME A fiscalização atribuiu ao Sr. Milton Fernando Massuco, na qualidade de responsável pela empresa Milton Fernando Massuco – ME, responsabilidade solidária pelos créditos tributários apurados na pessoa jurídica Ariane Cristina Nonato – ME, por ter entendido que houve perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas, posto que a atividade é a mesma, mesmas são as instalações, mesmo é o local, bem, como a proximidade das pessoas envolvidas, vez que são da mesma família. Quanto ao pedido de sustentação oral, cumprese informar que tal sustentação não possui previsão no âmbito da legislação processual tributária, já que o dispositivo legal regulador apenas prevê a manifestação por escrito do contribuinte. No entanto, em julgamento perante o CARF ou diante à CSRF, a recorrente haverá de ter oportunidade para tanto. Quanto a alegação de ilegitimidade passiva, também não procede. A condição da sucessora é a de responsável, enquanto a de sucedida é a de contribuinte, estando ambas no pólo passivo da relação tributária, como determina o art. 121 do CTN. O art. 133 estatui que a pessoa jurídica que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.207 11 Talvez em razão do parentesco entre as pessoas envolvidas, pode não ter havido um ato formal de sucessão, porém o fato da empresa Milton Fernando Massuco – ME estar funcionando no mesmo local que se encontrava a empresa Ariane Cristina Nonato – ME, utilizandose inclusive de talonário da empresa sucedida, exercendo as mesmas atividades daquela e utilizandose das mesmas instalações, resta a convicção que houve sim perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME, e diante disso há de se concluir que a empresa Milton Fernando Massuco – ME deve responder solidariamente pelos tributos objetos dos lançamentos. Também é improcedente o argumento de nulidade do auto de infração ao argumento de que não é possível saber se o impugnante recebeu o mesmo como suposto representante legal da empresa e/ou responsável solidário. As autoridades fiscais identificaram corretamente o sujeito passivo nos termos do art. 142 do CTN, atribuindo à empresa Ariane Cristina Nonato – ME a condição de contribuinte e a empresa Milton Fernando Massuco – ME a condição de responsável por decorrência de disposição expressa de lei. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificados da decisão em 11/03/2008 (fls. 1.110 e 1.111), e inconformados, os recorrentes Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME apresentaram recurso voluntário juntos em 11/04/2008 de fls. 1.116 a 1152. Anotase que a recorrente Ariane Cristina Nonato – ME é a bem ver sua “representante” legal, Ariane Cristina Nonato (a pessoa física, e não a firma individual), como se vê da própria procuração de fl. 1.155. Reiteraram, basicamente, o alegado na impugnação de Ariane Cristina Nonato – ME, sem mais contraditar a questão do MPF e dos juros à taxa Selic. Entretanto, acrescentaram, no recurso, preliminares, a seguir resumidas. Da duplicidade na cobrança do auto de infração Alega ser ilegal a cobrança de Milton Fernando Massuco – ME e Ariane Cristina Nonato – ME, pois o responsável pelos débitos é a firma sucessora Milton Fernando Massuco – ME. Haveria dupla arrecadação, o que é ilegal. Frisa ser clara a total responsabilidade de Milton Fernando Massuco – ME pelos débitos, aplicandose o art. 133, I do CTN, conforme o julgamento da DRJ. Isto pois Ariane Cristina Nonato nunca esteve materialmente na atividade da firma Milton Fernando Massuco – ME. Na carta entregue por Ariane, fls. 16 e 17, deve ser observado que seu pai a emancipou somente para fazer uso de seu nome. Não houve qualquer concordância da filha que outorgou ao pai procuração para negociar em seu nome. Não houve dolo ou mesmo culpa neste ato, mas claro vício de consentimento. Neste aspecto, o único responsável, seja pela firma Ariane Cristina Nonato – ME seja pela Milton Fernando Massuco – ME é o Sr. Milton Aparecido Nonato, a quem, caso Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.208 12 haja condenação, deverão ser dirigidos, com exclusividade, todos os ônus do processo, inclusive a representação penal. Requer seja excluída Ariane Cristina Nonato de qualquer responsabilidade tributária ou penal, imputandose, com exclusividade, a responsabilidade pessoal ao seu genitor, Sr. Milton Aparecido Nonato. Da ilegitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato – ME Restou claro no processo que a empresa Ariane Cristina Nonato – ME não pode ser considerada sujeito passivo da obrigação tributária, sendo que toda a obrigação foi assumida pela sucessora Milton Nonato Massuco – ME. Com relação ao mérito, os argumentos reiteram o alegado na impugnação de Ariane Cristina Nonato – ME, não cabendo reproduzilos novamente. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 3/08/2011, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.513, de minha relatoria, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, conforme entendimento que segue. Preliminarmente, rejeitouse o pedido de reconhecimento de nulidade por ofensa a direito fundamental ao sigilo bancário, ex vi da autorização expressa dada pelo titular da conta para acesso aos dados bancários, e em face de não haver a aplicação do atacado art. 6º da Lei Complementar 105/01. Em seguida, tratouse da questão da ilegitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato – ME, sobre o qual transcrevo excertos de meu voto: Da própria descrição fática e fundamentação deduzida nos autos de infração consta o reconhecimento pelo autuante da sucessão da firma individual Ariane Cristina Nonato –ME pela firma individual Milton Fernando Massuco –ME (fls. 701 e 703 – nota se que a fl. 701 deveria ser a fl. 702 e viceversa, processandose a equívoco na numeração; indicamse, aqui, a numeração tal como consta nos autos). Embora em diversas passagens se fale em transformação da empresa Ariane Cristina Nonato –ME, não se concebe essa figura jurídica no caso vertente. A transformação é figura jurídica própria e específica para pessoas jurídicas (ou para sociedades), para mudança de um tipo societário para outro. Erronia jurídica é cogitar de transformação de firma individual. Em nosso direito, infelizmente, não se consagrou o tipo societário da sociedade unipessoal – bastante difundida no direito europeu, e que consta inclusive nas Diretrizes da Comunidade Econômica Européia. Há uma exceção que é a sociedade anônima subsidiária integral, que pode ter um único Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.209 13 acionista, o qual deve ser sociedade brasileira (art. 252 da Lei de S.A.). Mas é só, sem mais exceções. A firma individual não é sociedade (unipessoal) e tampouco pessoa jurídica, de modo que inexiste transformação daquela – é flagrante o equívoco ao se falar em transformação de firma individual (atualmente, empresário, conforme os arts. 966 e 968, do Código Civil). (...) O que há ou, melhor, o que houve, então? Simplesmente se deu a extinção da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME com a aquisição do fundo de comércio pela firma individual Milton Fernando Massuco – ME. É o que deflui dos autos. (...) E, nada há nos autos indicando que a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME existia de fato, ao tempo do aperfeiçoamento dos lançamentos, em 11/12/06 (fls. 691, 717, 731, 747, 763). (...) De tudo quanto deduzi acima, é nítida a ausência de legitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato –ME. O que houve foi a sucessão dessa firma individual, com sua extinção, pela firma individual Milton Fernando Massuco – ME. Na medida em que a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME foi autuada como a contribuinte, tendo ocupado a posição de sujeito passivo a firma individual Milton Fernando Massuco – ME somente como responsável solidária nos lançamentos feitos contra aquela, o que há, no caso vertente, é o chamado erro na identificação de sujeito passivo, a derruir a pretensão fiscal. Como os lançamentos se aperfeiçoaram contra a contribuinte – firma individual Ariane Cristina Nonato – ME – e carecendo essa de legitimidade passiva, não há como sobreviver a responsabilidade solidária atribuída pelo autuante à outra firma individual. (...) E a hipótese, aqui, não é comparável à de grupo de fato, aliás, grupo societário, em que haja, por ex., incorporação por outra do mesmo grupo. Nada há nos autos que indique participação ou ingerência da sucessora na atividade da sucedida, a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME. O único ilícito detectado foi o praticado após a extinção da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME, mas não durante sua existência. Não era a firma individual Milton Fernando Massuco ME, e, assim, o titular dessa, sócio da sucedida. (grifamos) Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.210 14 Através de análise dos fatos, resta claro que a firma individual era dirigida pelo pai da titular da firma individual, Sr. Milton Aparecido Nonato. Este era quem praticava os atos em nome da firma individual e deu causa à omissão de receitas. Entendendose, portanto, que os lançamentos deveriam ter sido feitos conta Milton Aparecido Nonato, com fundamento no art. 124, I, do CTN, i.e., por interesse comum com a contribuinte na situação em que constitui fato gerador da obrigação tributária. Neste sentido, seria cabível a lavratura dos lançamentos somente contra ele, ou em nome da sucessora Milton Fernando Massuco – ME e com sujeição passiva de Milton Aparecido Nonato. Possível o lançamento contra aquela tendo por base o art. 133 do CTN. Por todo o exposto, restou claro estarem fulminados os lançamentos por falta de legitimação passiva e, consequentemente, insubsistente a imputação de responsabilidade solidária. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada a Procuradora da Fazenda Nacional, esta apresentou embargos de declaração de fls. 1183 a 1194. Inicialmente, cumpre salientar que, à fl. 1181, constam assinatura e carimbo da Procuradora da Fazenda Nacional, Patrícia Maia Feitosa, o que indicaria a ciência pessoal no próprio termo de intimação. A única data constante no referido termo é a do carimbo que antecede a assinatura do expedidor do termo de intimação, e é de 31/10/11 (fl. 1181). À fl. 1182, encontrase acostado aos autos documento de comprovação de entrega do acórdão embargado à Procuradoria da Fazenda Nacional, em 10/11/11, por RM da CAT/PGFN (fls. 1182 e 1195). Superado este ponto, os embargos apontam possível intempestividade dos recursos apresentados por Ariane Cristina Nonato – ME e por Milton Fernando Massuco – ME. Assim, entendeuse que, não tendo sido a impugnação protocolada tempestivamente, poderse ia concluir não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, conforme o art. 14 do Decreto 70.235/72. Da mesma maneira o recurso voluntário. Foram apontadas as datas de intimação e início de contagem de prazo para apresentação de defesa, tanto para a empresa Ariane Cristina Nonato – ME, quanto Milton Fernando Massuco – ME. Desta forma, o acórdão objeto dos embargos não poderia ter apreciado a matéria sobre a qual não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. Observados os arts. 15, 23, I, II, § 2º, I e II, 33, 35 e 42, I e II, do Decreto 70.235/72, forçoso concluir que as impugnações apresentadas pelas empresas, quanto o recurso voluntário interposto conjuntamente por ambas, padecem de extemporaneidade. Apresenta julgados do Conselho de Contribuintes e do STJ acerca da não apreciação de defesas intempestivas. Nesse sentido, omissa a decisão embargada por não se manifestar sobre ponto essencial, a saber, incompetência do CARF para julgamento. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.211 15 Observase ainda que a empresa Ariane Cristina Nonato – ME não impugnou especificamente a legitimidade para o lançamento, tampouco formulou pedido expresso nesse sentido. Mesmo assim, o voto sagrado vencedor deu procedência ao recurso da empresa interessada justamente em relação a essa matéria. Aí se divisaria omissão. Teria operado a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16 e 17, do Decreto 70.235/72. Ainda, teria havido julgamento extra petita, por não terem sido objeto de questionamento específico e de pleito expresso pela interessada, no momento oportuno. Ademais, o Colegiado não determinou qual o procedimento a ser aplicado à exigência: se deveria ser cancelada ou anulada. Caberia assim, ao Colegiado, determinar se o caso seria de cancelamento ou de nulidade, e sobre a natureza do referido vício, material ou formal, preenchendo a omissão. É o relatório. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.212 16 Voto Conselheiro Marcos Takata O acórdão embargado foi entregue à Procuradoria da Fazenda Nacional em 10/11/11, conforme RM da CAT/PGFN (fls. 1182 e 1195), tendo sido os embargos opostos em 6/12/11 – fls. 1183 e 1195. Por outro lado, no termo de intimação expedido, de fl. 1181, na parte final da folha, constam assinatura e carimbo da Procuradora da Fazenda Nacional, dra. Patrícia Maia Feitosa, o que indicaria a ciência pessoal no próprio termo de intimação. A única data constante no referido termo é a do carimbo que antecede a assinatura do expedidor do termo de intimação, e é de 31/10/11 (fl. 1181). Problema que se põe é quanto à tempestividade ou não dos embargos. Ou seja, se se considera que a intimação pessoal à Procuradora da Fazenda Nacional se aperfeiçoara na data indicada antes da assinatura do expedidor do termo de intimação, que é a única data constante nesse termo, o qual contém o carimbo e a assinatura da Procuradora da Fazenda Nacional. A referida data é por carimbo de tipologia diversa da usada pela Procuradora da Fazenda Nacional. Ou, por ausência de data após a assinatura do expedidor do termo de intimação, considerase aperfeiçoada a intimação, somente com o decurso de prazo após a data constante do RM da CAT/PGFN (fls. 1182 e 1195). Sendo acolhida como data da intimação pessoal a que figura no termo de intimação de fls. 1181, dia 31/10/11, os embargos são intempestivos, porquanto opostos em 6/12/11. Conforme o art. 23, § 7º, do PAF (Decreto 70.235/72), a intimação da Fazenda deve ser pessoal aos Procuradores da Fazenda Nacional. Eis a dicção dos §§ 7º a 9º do art. 23 do PAF, incluídos pelo art. 44 da Lei 11.457/07: "Art. 23. (...) § 7º. Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8º. Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.213 17 § 9º. Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo." (NR) A existência de entrega do acórdão à PGFN, por RM, para os fins da intimação pessoal da Procuradora da Fazenda Nacional, e, sobretudo, o fato de a única data constante do termo de intimação de fl. 1181 ser a que antecede a assinatura do expedidor do referido termo, indicam me parecer que a intimação pessoal da Procuradora da Fazenda Nacional não se deu na data que antecede a assinatura do expedidor do termo de intimação. Posto isso, considero a data constante no RM da CAT/PGFN, que é de 11/11/11 (fls. 1182 e 1195), para fins da intimação em causa. Em tais termos, reconheço a tempestividade dos embargos, em face do § 7º c/c o § 9º do art. 23 do PAF (Decreto 70.235/72), ambos introduzidos pelo art. 44 da Lei 11.457/07. Ultrapassada a questão da tempestividade dos embargos, prossigo no exame de seu juízo de admissibilidade. Bem se sabe que os embargos não se prestam a reexame da matéria, sendo que o eventual efeito infringente se deve dar como consequência lógica ou necessária1 do saneamento de contradição ou do enchimento de omissão existente (enchimento do vazio) apresentadas no acórdão embargado. Alegase nos embargos que houve omissão no acórdão em comentário, pois os autos de infração foram cientificados à Ariane Cristina Nonato – ME, em 11/12/06, e a Milton Fernando Massuco – ME, em 15/12/06. Entretanto, as impugnações foram por eles apresentadas, respectivamente, em 12/01/07, e em 8/02/07. Com isso as impugnações teriam sido intempestivas. O acórdão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto teria sido cientificado a ambos os citados em 11/03/08, e os recursos voluntários em 11/04/08, com o que resultariam igualmente peremptos. Também é aduzido nos embargos que a matéria da legitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato – ME teria precluído por não oposição de resistência sobre a questão na fase impugnatória, e, sobre isso, teria havido omissão no acórdão embargado. Ainda, o acórdão embargado teria sido omisso, pois, ao se dar provimento ao recurso para reconhecer erro na identificação do sujeito passivo, deixouse de se decretar a nulidade, formal ou material, ou cancelamento dos autos de infração. Pois bem. 1 Cf., entre outros, Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “Código de Processo Civil Comentado”, 7ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 925; Luís Eduardo Simardi Fernandes, “Embargos de Declaração”, 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 475. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.214 18 Não consigo atinar com omissão na intempestividade dos recursos, porquanto o acórdão foi expresso a respeito. Quando muito, podese falar de omissão quanto à questão da intempestividade das impugnações. De todo modo, reconheço como exceção ao aspecto de reexame de matéria em sede de embargos a questão da tempestividade dos recursos, questão conhecível de ofício em qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Nesses termos, o AgRg nos EDcl no REsp 902.353, de relatoria do Ministro Luiz Fux, 1ª Turma, STJ, julgamento em 16/10/08, o AgRg nos EREsp 877.640/SP, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, 1ª Seção, STJ, julgamento em 10/06/09. Seria, a meu ver, uma questão de “quaseerro material”, que poderia ser conhecida de ofício, e em fase de embargos. Prossigo. Vejo que há potencialidade de omissão, no que pertine à preclusão sobre a legitimidade passiva, e também quanto ao dispositivo, no acórdão embargado. Outrossim, conheço dos embargos manejados. Principio com o exame da questão da perempção das impugnações. Compulsando os autos, noto que a contribuinte Ariane Cristina Nonato – ME fora cientificada dos autos de infração em 11/12/06 (fl. 814), como dito nos embargos. Entretanto, sua impugnação não fora apresentada em 12/01/07, como invocado nos embargos com indicação da fl. 886, mas em 9/01/07, conforme a fl. 939 (envelope). Não há intempestividade da impugnação de Ariane Cristina Nonato – ME. Por seu turno, o acórdão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto foi cientificado a Ariane Cristina Nonato – ME em 11/03/08, conforme fl. 1111, e o recurso voluntário foi interposto em 11/04/08, conforme fl. 1116. O dia da ciência recaiu numa terçafeira, e o dia 11/04/08 numa sextafeira. A contribuinte tinha domicílio no Município de São Carlos. Não localizei nenhum feriado nacional, estadual ou municipal, nem ponto facultativo para o serviço público, no dia 12/03/08, nem no dia 10/04/08. Com isso, o termo ad quem para o recurso voluntário se dera em 10/04/08. Reconheço, pois, que o recurso voluntário fora interposto pela contribuinte intempestivamente. Dessa forma, forçoso é o saneamento do acórdão embargado, para se decretar a perempção do recurso voluntário da contribuinte, tendo por consequência lógica e necessária a produção de efeitos infringentes. Já, a empresa responsabilizada solidariamente Milton Fernando Massuco – ME fora cientificada em 15/12/06 (fl. 821) e sua impugnação fora oposta em 8/02/07, conforme fl. 881. Logo, encontrase perempta a impugnação da responsabilizada solidariamente e, por corolário lógico, igualmente perempto o recurso voluntário. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.215 19 Dessarte, reconheço a omissão no acórdão embargado, impondose seu saneamento, o que implica decretar a perempção da impugnação e, por consequência, do recurso voluntário interposto por Milton Fernando Massuco – ME. Isso, conquanto, aqui, o saneamento não tenha o condão de produzir efeitos infringentes, a diverso senso do que ocorre quanto ao saneamento do feito, em relação à contribuinte. Posto tal quadro, ficam prejudicadas as demais questões articuladas nos embargos. Não obstante, não me escuso de as enfrentar. Sobre a questão da legitimidade passiva da contribuinte, cujo desate resultou no erro de identificação do sujeito passivo, sempre tive para mim que ela versa questão conhecível de ofício, de modo que não a tenho como preclusa. Entretanto, tal juízo, assim como o seria o relativo à decadência, que igualmente é conhecível de ofício, só tenho como expendíveis validamente, caso haja recurso a ser conhecido. I.e., desde que se abra efetivamente a instância recursiva, com superação do juízo de admissibilidade. É como vejo no processo administrativo. No que concerne à questão da legitimidade passiva da contribuinte a enfrentei pelas razões ora expendidas. O fato de não me manifestar expressamente sobre isso não implica omissão, de modo que, sobre à questão em comentário, rejeito os embargos. Por fim, reconheço a omissão do acórdão embargado, ao não ser declarado o cancelamento ou a nulidade, formal ou material, dos lançamentos, em face do erro na identificação do sujeito passivo. Não tenho dúvidas de que o erro na identificação do sujeito passivo enseja o reconhecimento de nulidade dos lançamentos por vício substancial. Evidentemente, sendo o vício que fulmina os lançamentos substancial, a nulidade é material. Entretanto, em face da correção operada, reconhecendose a perempção do recurso voluntário interposto por Ariane Cristina Nonato – ME, tudo o mais fica prejudicado em seus efeitos, como havia antecipado – inclusive quanto à questão da legitimidade passiva, nos termos deduzidos acima. Sob essa ordem de considerações e juízo, conheço dos embargos e lhes dou provimento parcial com a reratificação do acórdão embargado para não conhecimento dos recursos voluntários, por intempestivos, com suas perempções, ficando limitado a esses termos o dispositivo do embargado acórdão. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.711 S1C1T3 Fl. 1.216 20 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 11634.001042/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CUSTOS DA ATIVIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Na apuração do lucro arbitrado, salvo as exceções legalmente admitidas, não se deduzem os custos da atividade, mormente quando estes não são nem demonstrados nem sua inocorrência é comprovada. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTINGUIR A ATIVIDADE A QUE SE REFERE A RECEITA OMITIDA. Se a pessoa jurídica tem atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado, como determina o art. 537, parágrafo único, do RIR/99. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Aplicam-se aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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TSUCHIDA FOTOS & FILMAGENS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CUSTOS DA ATIVIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Na apuração do lucro arbitrado, salvo as exceções legalmente admitidas, não se deduzem os custos da atividade, mormente quando estes não são nem demonstrados nem sua inocorrência é comprovada. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTINGUIR A ATIVIDADE A QUE SE REFERE A RECEITA OMITIDA. Se a pessoa jurídica tem atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado, como determina o art. 537, parágrafo único, do RIR/99. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Aplicamse aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório W. H. TSUCHIDA FOTOS & FILMAGENS recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: O presente processo referese a auto de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 90.344,95; de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 48.480,23; de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 11.001,44; e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 50.779,76. Os valores englobam as multas e os juros respectivos e somam, no total, R$ 200.606,38. 2. A fundamentação da decisão do referido auto de infração constituise do seguinte, em síntese. 3. Equiparação da pessoa física à pessoa jurídica: 3.1. Intimado a comprovar a origem dos recursos e a natureza das operações que deram causa aos depósitos e créditos em suas contas bancárias, o contribuinte respondeu o que segue, conforme fl. 279: I – Está providenciando os atos necessários a constituir Pessoa Jurídica, motivo pelo qual entende ser razoável, se tiver que ser autuado, que o seja nesta Pessoa que surgirá, pois desde o começo de suas atividades sempre se apresentou, não em nome próprio, mas em nome de FOTOLON. 3.2. O contribuinte anexou cópias de contratos de cobertura fotográfica onde consta o nome Fotolon Eventos e Formatura, representado pelo contribuinte. Novamente intimado a outros esclarecimentos, o contribuinte afirmou – e juntou notas fiscais e declarações – que não exerce a atividade de forma individual, precisando de vez em quando de outros profissionais para auxiliálo, além de atuar também como promotor de eventos e fornecedor de álbuns de fotografia. Por tudo isso, ficou caracterizada a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. 4. Omissão de receitas: 4.1. Não foi apresentada documentação hábil que comprovasse a origem dos recursos creditados em suas contas correntes, razão pela qual foram lançados os tributos em tela relativamente aos anos de 2004 a 2007, conforme planilha de fls. 281/282, tendo sido o lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida. 5. Tributação reflexa: Adotandose os mesmos fundamentos, procedeuse também ao lançamento de CSLL, PIS e COFINS, reflexamente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 3 6. O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 17/12/2008. Em 16/01/2009, foi apresentada pelo contribuinte impugnação em que se insurge contra a exação, expendendo os seguintes argumentos, em síntese. O contribuinte estranhou o valor da autuação, pois ultrapassa em muito o seu próprio ganho no período, o que se pode comprovar pela ausência de patrimônio pessoal. Percebese que não foram excluídos os custos respectivos aos rendimentos que foram considerados (tomando por base os depósitos bancários). Não concorda com o percentual de arbitramento, que não deveria ser o da preponderante e exclusiva prestação de serviços, quando na verdade deveria ser o coeficiente próprio da atividade comercial. Cuida o empreendimento de vender produtos e serviços para formandos de universidades locais. Na prática, os formandos contratam a empresa para a aquisição de álbuns de formaturas, festas em buffet, churrascos de confraternização, etc. Então, o requerente acha justo que seja redimensionado o valor tributado e cobrado. A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CUSTOS DA ATIVIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Na apuração do lucro arbitrado, salvo as exceções legalmente admitidas, não se deduzem os custos da atividade, mormente quando estes não são nem demonstrados nem sua incorrência é comprovada. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE DE DISTINGUIR A ATIVIDADE A QUE SE REFERE A RECEITA OMITIDA. Se a pessoa jurídica tem atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado, como determina o art. 537, parágrafo único, do RIR/99. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS. Aplicamse aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): “(...) DO MÉRITO Ocorre que a receita bruta não é conhecida, uma vez que a imputação deriva de outra presunção, que imputa tal receita, como sendo a somatória dos depósitos bancários realizados pelo fiscalizado. Assim, verificase que o tributo é produto de duas presunções sequenciais, isto é, aplicandose sobre uma receita presuntiva, uma taxação percentual também presuntiva. Ora, o tributo não pode constituir resultado de duas presunções, em razão do abandono dos fatos materiais, para ser resultado de uma fantasia numérica, apartada do mínimo de realidade fática. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 4 Entendese que é totalmente despiciendo afirmar que uma presunção fundada em outra presunção não pode fundamentar uma tributação justa e correspondente ao verdadeiro objetivo da lei, sob pena de estarse tributando em cima de um erro, ou seja, transformando o fato gerador em realidade ilusória. IV DO PEDIDO Eminentes Senhores Conselheiros: Isto posto, e considerando que a digna fiscalização não produziu um levantamento do movimento real da atividade, limitandose a considerar o somatório dos depósitos bancários; Considerando que não se encontram nos autos qualquer apuração probatória de informações fáticas relativamente ao exercício das atividades exercidas pelo titular do empreendimento fiscalizado; Isto posto, e considerando que a digna fiscalização não produziu um levantamento do movimento real da atividade, limitandose a considerar o somatório dos depósitos bancários;Considerando que ainda que o nobre julgador tenha entendido que o dispositivo legal não faz menção a dedução dos custos de produção, o tema constitui parte indestacável do sistema de apuração da base de cálculo do tributo, sendo desnecessário qualquer menção da lei a esse respeito; Isto posto, e considerando que a digna fiscalização não produziu um levantamento do movimento real da atividade, limitandose a considerar o somatório dos depósitos bancários;Considerando a manutenção do auto de infração nos moldes lavrados pela fiscalização, em contraposição a total ausência de labor probatório de parte do Fisco, que se limitou a considerar o simples somatório dos depósitos bancários; Considerando isso e tudo o mais que dos autos constar, é o presente RECURSO VOLUNTÁRIO TOTAL, para REQUERER seja anulado o julgamento de primeira instância, devendo baixar para a fiscalização produzir provas materiais mais consistentes, e assim justificar o entendimento exposto, como medida de lídima e impostergável JUSTIÇA FISCAL! É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, as alegações da peça impugnatória sem fazer qualquer referência ou contraponto à decisão recorrida. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: 1. Nãoexclusão dos custos 7. A primeira questão trazida pelo contribuinte, em sua impugnação, referese à nãoexclusão, na base de cálculo, dos custos da sua atividade, tendo sido considerados apenas os rendimentos, aquilatados em função dos depósitos bancários (cuja origem não foi comprovada, nos termos da presunção estabelecida pela Lei nº 9.430/96, art. 42). O contribuinte aceita que seu lucro seja arbitrado, não havendo controvérsia a esse respeito, apenas não concorda com o valor do tributo devido, em razão de não se ter subtraído das receitas omitidas o valor dos custos da atividade (além de discordar também da alíquota de arbitramento, conforme será visto no próximo tópico). 8. Não há qualquer mácula, no entanto, no levantamento da base de cálculo feito pela Fiscalização. O art. 532 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99) estabelece que a base de cálculo no regime do lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado diretamente mediante a aplicação dos percentuais de presunção do lucro, estabelecidos no art. 519, acrescidos de vinte por cento, in verbis: Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 9. Não devem ser deduzidos os supostos custos, portanto. A mera observação da disposição legal já é suficiente para chegase a essa conclusão, não sendo necessárias outras análises ou explicações. No entanto, é de se ressaltar que o lucro é arbitrado justamente em hipóteses em que não é possível fazer uma reconstituição fidedigna do lucro efetivamente auferido pelo contribuinte, em razão de defeitos, omissões ou vícios que tornem nãoconfiável a sua contabilidade ou, como no caso, da própria inexistência da contabilidade. Fica impossível aquilatar o lucro real, única modalidade de tributação do IRPJ que permitiria a dedução dos custos efetivamente comprovados e que fossem necessários ao desenvolvimento das atividades do contribuinte. Por Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 6 outro lance de vista, a tributação não incide sobre a totalidade dos rendimentos omitidos, mas apenas sobre um percentual deles, variável de acordo com a atividade preponderantemente exercida pelo contribuinte, e fixado no art. 519, de maneira que o legislador já considera, por presunção e de maneira arbitrada, a existência de custos para o desenvolvimento da atividade. Além de todos esses fundamentos, é de se ressaltar que, no caso, o contribuinte apenas faz uma alegação genérica em que pleiteia a dedução dos seus custos das atividades, mas o contribuinte não apresenta nenhum valor que considere como sendo o valor dos seus custos, assim como não apresenta quaisquer elementos comprobatório que especifique quais seriam esses valores. 10. Não procede a reclamação do contribuinte, pois, no ponto. 2. Percentual de arbitramento 11. A Fiscalização adotou o percentual de arbitramento de 19,2% para o ano 2004 e o de 38,4% para os demais anos fiscalizados. Ambos se referem à prestação de serviços, conforme o art. 519 do RIR/99, acrescidos de 20%, em razão do arbitramento. Como em 2004 o total da receita bruta acumulada no ano foi inferior a R$ 120.000,00, a AuditoraFiscal, corretamente, utilizou o coeficiente que equivale a metade do valor normal de arbitramento para as atividades de prestação de serviços, aplicando o percentual de 38,4% para os demais anos, em que as receitas brutas omitidas foram superiores ao teto de R$ 120.000,00. 12. A prestação de serviços em geral, que não estejam especificamente designados em outras alíquotas (como é o caso dos serviços hospitalares, de transporte de cargas e demais serviços de transporte), submetese à alíquota de arbitramento de 38,4%, conforme o inciso III, “a”, do art. 519 do RIR/99. 13. O contribuinte alega que sua atividade é preponderantemente comercial, razão pela qual deveria ser aplicada a alíquota de 9,6%. 14. Inicio destacando que, no regime de apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, se a pessoa jurídica tem atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado, como determina o art. 537, parágrafo único, do RIR/99. 15. O contribuinte atua, conforme designa sua própria razão social, e é por ele mesmo expresso em sua impugnação, na atividade de fotografia e filmagens para eventos de formatura. Diz o contribuinte que cuida o empreendimento de vender produtos e serviços para formandos de universidades locais e que, na prática, os formandos contratam a empresa para a aquisição de álbuns de formaturas, festas em buffet, churrascos de confraternização, etc. Considerandose estritamente preciso o relato do contribuinte, percebese que entre as suas atividades encontrase tanto a prestação de serviços, sujeita ao percentual de 38,4%, quanto a comercialização de bens, percentual de 9,6%. No entanto, é impossível estabelecerse qualquer correlação entre as receitas omitidas e descobertas Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11634.001042/200893 Acórdão n.º 140200.966 S1C4T2 Fl. 0 7 por meio da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e a atividade específica que a gerou, devendo, pois, incidir em sua plenitude o parágrafo único do art. 537 do RIR/99, de maneira a adotarse o percentual mais alto para a integralidade das receitas brutas omitidas. Correta a determinação da base de cálculo do lucro arbitrado nos percentuais estabelecidos pela autoridade administrativa, no caso. Conclusão Evidenciase nos autos que a omissão de receitas, embora verificada mediante prova indireta, está devidamente caracterizada haja vista que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. Ademais, diante da ausência de escrituração, correto o arbitramento dos lucros, com fulcro no art. 539 do Regulamento do Imposto de renda (RIR/99), posto que o lucro arbitrado já considera os custo incorridos (ficção legal). Diante da discrepância entre os valores contabilizados e o montante dos depósitos bancários, a única alternativa da fiscalização é o arbitramento, do contrário estaria exigindo tributos sobre a receita e não sobre os resultados da empresa (ainda que arbitrados). Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13855.003821/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
IRPJ. AGROINDÚSTRIA. CANA DE AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como
encargos do período correspondente a sua aquisição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente as exigências, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima (relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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AGROINDÚSTRIA. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente as exigências, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima (relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório DA AUTUAÇÃO Tratase de lançamento das exigências do IRPJ e da CSLL relativos aos anos calendário de 2003 a 2006, em razão da infração de redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão do lucro líquido do exercício, das parcelas, a título de “depreciação incentivada”, sem que fossem observados os requisitos legais pertinentes ao exercício da atividade rural (art. 250, I, 313, do RIR/99). Em decorrência, foi glosada a compensação de prejuízos do ano calendário de 2006, no valor de R$ 2.664.930,09 e a compensação de base de cálculo negativa da CSLL, de R$ 785.340,93, no mesmo anocalendário. O item 2 do relatório fiscal, de fls. 3255, referese à atividade rural na produção de açúcar e álcool. Constatou a fiscalização que a partir das informações constantes nas DIPJ, que a contribuinte considera desempenhar atividades rurais, e que a mesma tem como objeto social preponderante a atividade de transformação em que produz açúcar e álcool. Afirma a fiscalização, que do processo produtivo da usina, a produção da canadeaçúcar é própria do setor primário, enquanto que a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário, e que a produção da cana é tão somente uma das etapas para a obtenção do álcool combustível e do açúcar cristal. Salienta que o conceito fiscal do desempenho da atividade rural tem seu desenho normatizado pela Lei 8023/90, com as alterações impostas pela lei 9.430/96. No item 2.1, a fiscalização trata da incompatibilidade entre a produção de açúcar e álcool e a transformação permitida na atividade rural. Na atividade preponderante, a da transformação da produção agrícola, a lei exige outras condições: a) que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, b) sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente utilizados nas atividades rurais, c) a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor e criador; d) que seja utilizada matériaprima, exclusivamente produzida na área rural. Afirma que a limitação imposta atinge a fiscalizada, pois na produção de açúcar cristal e álcool combustível há nítida alteração das características do produto in natura, e que inclusive consta na IN 81/2001, art. 2º, VI, b, item 2, que a atividade permitida como rural é a de moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado e rapadura; e que a norma permite a produção deste açúcar devido à manutenção das características e composição, ao ensejo de que a transformação do produto não derive produto de outra espécie. Acrescenta que no presente caso, o açúcar cristal produzido não mantém a característica, nem a composição do açúcar mascavo, e nos balanços contábeis, “custos de produção”, estaria clara a utilização de produtos químicos para produzir o açúcar e o álcool, de modo a alterar a composição e as características do açúcar fabricado; e que também seria Fl. 914DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 3 3 impossível esconder a alteração das características e composição da cana de açúcar quando se transforma em álcool combustível. Aduz que quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, em nada se assemelham às enormes moendas e caldeiras encontradas no processo produtivo da usina para produzir açúcar e álcool como o moinho usado na atividade do produtor rural de açúcar mascavo. Salienta que a diferença do processo da usina com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial, o verificado nas usinas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de álcool e de toneladas de açúcar cristal requer manejo industrial. Acrescenta que o art. 3º, I, da IN 257/02, veda expressamente a inclusão na atividade rural das atividades de industrialização. Destaca que a usina não industrializa apenas o que planta, pois também compra cana de terceiros, uma vez que sua atividade lucrativa é a venda de açúcar e álcool, independendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. No item 2.2 do relatório fiscal, a fiscalização trata da impossibilidade de adequação da agricultura como atividademeio no conceito legal de atividade rural. Destaca que os dois caminhos possíveis de interpretação das atividades da usina como sendo de atividade rural estão equivocados, quer naquele que se refere ao art. 2º, I, da Lei 8023/90, como agricultor a cultivar a canadeaçúcar, ou ao considerar que executa as atividades de transformação previstas no art. 2º, V, da mesma lei. Salienta a fiscalização, que ao produzir com seu maquinário e sua capacidade e escala industriais, obtém alta rentabilidade do solo, proporcionando ao seu negócio de venda de açúcar e álcool a maior lucratividade possível, assim, a decisão entre produzir ou não cana deaçúcar, não perpassa pela natureza do objeto social, e sim, considera a rentabilidade da produção do açúcar e do álcool. Explica que a fiscalizada foi instada a justificar a conceituação como atividade rural, e a mesma aduziu que explora a atividade rural como atividade meio com o cultivo da cana, e traz o conceito esculpido no ordenamento jurídico previdenciário, art. 201A do Decreto 3048/99, entretanto, de acordo com esse conceito, a agroindústria é a quem industrializa produção própria ou de terceiros, e sofre tributação previdenciária diferenciada, o que atinge a fiscalizada somente, em seus efeitos previdenciários. Ressalta que a legislação do imposto de renda e da contribuição social não utiliza essa conceituação, e que na conceituação da atividade rural, que dista da definição da agroindústria por conter outros limites, antagoniza com a agroindústria ao permitir a industrialização de produção adquirida de terceiros. Reconhece que as receitas de vendas da canadeaçúcar são da atividade rural, mas não aceita que as vendas de açúcar e álcool sejam da atividade rural. Explica o autuante, que na Lei 8023/90, que cuida da tributação da atividade rural, o vocábulo resultado vem significar a diferença entre receitas e despesas da mesma natureza, ou seja, ambas da atividade rural. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 4 4 Acrescenta que a lei admite a transformação, mas desde que o produtor ou o criador mantenha esta qualidade intrínseca de rurícola, ao contrário do fato apurado, em que o industrial servese da atividade como produtor rural para dela extrair benefícios fiscais. A usina dedicase a produzir em escala industrial açúcar e álcool a partir da canadeaçúcar comprada ou cultivada, seu insumo industrial, e não o reverso admitido pela legislação, quando o produtor da canadeaçúcar a transformaria para dar vazão à sua produção rural. Sintetiza, dizendo que, a atividade rural envolve os custos e as receitas na produção, sendo que a indústria açucareira simplesmente por produzir a cana utilizada como insumo no processo industrial, não pode se aproveitar dos benefícios da atividade rural para a produção do açúcar e do álcool. A previsão legal é da tributação do resultado como um todo da atividade rural, não quando as receitas de venda envolvem produtos não considerados da atividade rural. O item 3 do relatório fiscal é dedicado ao benefício da depreciação acelerada incentivada. Segundo o mesmo, a empresa utilizouse do benefício da depreciação incentivada disposta no art. 314 do RIR/99, e que por essa norma, os bens do ativo permanente imobilizado, utilizados na atividade rural poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição, e para tanto, pode ser feita uma exclusão na apuração do lucro real no valor do bem quando imobilizado, com as posteriores adições nos anos subseqüentes à medida que a quota de depreciação for sendo incorrida. Esse procedimento foi adotado pela contribuinte, entretanto, a fiscalização entendeu que a conceituação da fiscalizada ao considerar que exerce a atividade rural está errada, e consequentemente, os efeitos fiscais na apuração do lucro real devem ser desfeitos, a começar pelas glosas nas exclusões incorretas, terminando pela desconstituição das adições que também foram incorretas. Constam no Lalur, como exclusões, os valores das aquisições ocorridas no período, tais como, o maquinário adquirido para o trato da canadeaçúcar e para o transporte da cana, os custos incorridos na formação da lavoura sob a rubrica “cana em formação”, tais como mãodeobra dos trabalhadores rurais, encargos previdenciários e trabalhistas, assim como, os custos das prestadoras de serviços. A autoridade fiscal esclarece que a lei tributária permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose desse benefício não apenas para o maquinário, mas também para a exclusão de custos da cana em formação. Explica que a cana em formação cuida do plantio das mudas de canadeaçúcar plantadas em cada ciclo de cinco anos de produção. Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada, assim, neste processo de produção, os custos de formação de lavoura canavieira estão sendo ativados, para depois serem depreciados. No item 3.1 do relatório fiscal aborda a contabilização e apuração do custo referente ao cultivo da canadeaçúcar. Explica que a empresa cultiva canadeaçúcar em terras próprias, mediante arrendamento em terras de terceiros e também a adquire diretamente de produtores rurais, e para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil. Salienta que a conta “canaviais em formação”, 152003, classificada pelo contribuinte no ativo permanente imobilizado, contém todos os investimentos realizados para a formação da cultura (até o período imediatamente anterior ao primeiro corte/produção), cujos principais custos são: fungicidas, fertilizantes, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, mudas, etc, e que esta conta, sofrerá depreciação em quotas Fl. 916DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 5 5 mensais ao tempo da safra (8 meses), considerando o tempo de vida útil de 5 anos, ou seja, o contribuinte amortiza os custos apurados na formação da lavoura canavieira proporcionalmente ao tempo em que irá auferir receitas com o investimento realizado. Acrescenta que após a imobilização dos custos da cana formação, duas modalidades podem ser feitas: a cana planta (127001) – quando são apropriados os gastos com a lavoura correspondente ao período entre o plantio da cana e o primeiro corte, e a cana soca (conta 127002), a qual apresenta os custos aplicados na lavoura canavieira, após o primeiro corte, sendo apropriados diretamente nos custos de produção da safra em andamento. Ambos lançamentos recaem em contas do ativo circulante, em contas de estoque, quando são feitos no período anterior ao da colheita no caso da cana soca. Nessa fase, os custos já não compõem o ativo permanente, sendo a safra fundada caracterizada como “um estoque em andamento”. Destaca que os valores apropriados na conta cana planta serão adicionados ao custo do produto vendido, a partir da expectativa de produção no início da safra. São mensalmente rateados, de modo que ao final da safra esteja no custo de produção de álcool e açúcar o total do estoque em andamento sob a rubrica safra fundada. Quanto aos efeitos fiscais, por não passar por conta do ativo permanente não sofre os efeitos da depreciação, nem possui benefícios fiscais da atividade rural. No item 3.2 do relatório fiscal, trata do benefício fiscal relativo à depreciação integral da conta lavoura em formação. No item 3.2.1, onde aborda o benefício fiscal utilizado pelo contribuinte, afirma que este contabiliza em conta de ativo permanente imobilizado (canaviais em formação) os custos apropriados para a formação da lavoura canavieira, amortizando contabilmente os custos desta conta na taxa de 20% ao ano, mediante lançamentos de depreciação acumulada bens em operação. Salienta o autuante, que o contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural, nos termos do art. 58, VI, do RIR/99, teria direito ao benefício fiscal previsto nos arts. 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura da canavieira, registrados na conta Lavoura em formação. Assim, o contribuinte excluiu integralmente, nos ajustes do lucro líquido do período, os custos de lavoura em formação. Em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 5 anos, nos ajustes do lucro líquido do período, no Lalur. No item 3.2.2 do relatório fiscal (da infração decorrente da exclusão indevida da depreciação acelerada incentivada da cana em formação), afirma a autoridade autuante que inexiste previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, bens sujeitos à exaustão. Acrescenta que a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso versado deparase com quotas de exaustão. Cita a Solução de consulta da 4ª RF nº 5, de 05.02.2004 e transcreve alguns de seus trechos (onde é citado o PN CST 18/79), a qual conclui que os custos de aquisição e de formação da cultura da canadeaçúcar, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão, e que nesse caso, não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a Fl. 917DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 6 6 atividade rural, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição, visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos para uso na referida atividade. Afirma que nesse mesmo sentido, segue a interpretação técnica contida na Norma Brasileira de Contabilidade nº 19.5 – NBC T 19.5 – depreciação, amortização e exaustão, aprovada pela Resolução nº 1027, de 15.04.2005, do CFC. Acrescenta que, além do art. 314 do RIR/99 não conter a previsão para a exaustão da lavoura em formação, também a permissão legal somente abrange o uso dos bens na atividade rural, sendo que, os bens ativados sob a rubrica “canaviais em formação” não podem ser qualificados como sendo utilizados na atividade rural, uma vez que são compostos por mãodeobra e custos trabalhistas, os quais são diferentes das máquinas e equipamentos propriamente usados na atividade rural. No item 4, aborda a interpretação literal aos benefícios fiscais. Reconhece que a legislação tributária confere tratamento privilegiado aos produtores rurais. Faz duas considerações relevantes. A primeira relativa à interpretação da legislação tributária aos benefícios fiscais. Afirma que a lei delimita com clareza os destinatários do benefício fiscal. Prevê como beneficiários os produtores rurais que transformam sua produção, com as limitações já expostas, assim, a atividade rural de transformação da produção rural sofreu limitação interpretativa legal. A segunda, a norma veiculada no art. 111 do CTN, que dispõe caber a interpretação literal da legislação tributária aos benefícios fiscais. Salienta que é desta forma que deve ser entendida a conceituação da atividade rural. Como benefício fiscal, sua tributação favorecida está restringida à interpretação literal pelo CTN, bem como, limitada pela própria conceituação da atividade de formação do produtor rural, consequentemente, atividades como as agroindustriais, como as desenvolvidas para a produção em escala industrial das usinas de açúcar e álcool não estão beneficiadas em sua tributação. Na apuração da base de cálculo em decorrência do expurgo dos efeitos fiscais da depreciação incentivada, se desconsiderou os efeitos gerados pelas adições e exclusões erradas na apuração do lucro real e da contribuição social, e como a fiscalização foi iniciada no anocalendário de 2003, e tributariamente ocorreu inicialmente uma exclusão, esta foi glosada. As adições posteriores ocorreram a cada período de apuração, sendo que nas adições dos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, a base de cálculo corresponde à diferença entre a exclusão indevida e as adições indevidas em períodos anteriores. Após o lançamento, o prejuízo fiscal que a contribuinte dispunha e compensava com seu resultado teve a reversão do saldo constante no SAPLI, consequentemente, a contribuinte teve prejuízos compensados indevidamente, que também foram objeto de lançamento de ofício, para exigência do IRPJ e da CSLL, acrescidos de juros e multas. DA IMPUGNAÇÃO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 918DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 7 7 A partir do relatório da decisão de primeira instância, transcrevo a síntese das razões apresentadas na impugnação: 0 incentivo fiscal utilizado encontrase previsto no art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970/2001, que determina que o beneficio destinase a qualquer empresa exploradora de atividade rural, quando o bem destinado aos efeitos da depreciação seja utilizado na atividade rural. O dispositivo legal não estabelece nenhuma limitação acerca da necessidade de que a empresa, para usufruir desse beneficio, explore exclusivamente uma atividade rural, vale dizer, a lei não veda o gozo do beneficio pelas empresas que exercem atividades mistas (rural e industrial). O art. 2° da Lei 8.023/90, com a redação dada pela legislação superveniente, é aplicável apenas as pessoas físicas, conforme se infere inclusive pela localização sistemática da norma no RIR199 (arts. 57 e segs.). A legislação conceitua a pessoa jurídica agroindustrial como produtora rural. O art. 22A da Lei 8.212/91, inserido pelo art. 2° da Lei 10.256/2001, definiu a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. A qualificação da atividade como rural independe da obtenção produtos finais diversos da canadeaçúcar in natura, como o açúcar e o álcool. Há incongruência na argumentação da autoridade autuante ao equiparar a cultura de cana às florestas. Caso se admita tal equiparação, deveria a autoridade autuante qualificar a atividade da impugnante como rural, já que o art. 59 da Lei 9.430/96 considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. A canadeaçúcar possui uma parte subterrânea, onde se localizam as raízes da planta, coração de todo o ciclo da cultura, e uma parte aérea constituída pelos colmos, que são cortados na colheita. Com os sucessivos cortes a plantação resulta inviável economicamente, pela perda dos teores de sacarose. Há dispêndios com a cultura que se aplicam a um único plantio, enquanto outros, diversamente, se estendem a todo o ciclo produtivo. Nos termos do art. 179, IV, da Lei 6.404/76, devem ser registrados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. O Pronunciamento VII do IBRACON classifica no imobilizado os bens Fl. 919DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 8 8 tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos, seja igual ou superior a um ano. Dai a conclusão de que os recursos aplicados na formação da cultura devem ser registrados no ativo imobilizado, conforme reconhece inclusive o Conselho de Contribuintes. Os bens sujeitos a depreciação perdem seu valor econômico por força de desgaste de uso, de seu emprego na atividade social, enquanto aqueles sujeitos a exaustão são bens que se esgotam com o curso do tempo, por força da exploração humana, perdendo as suas propriedades físicas. Embora ambos reflitam a perda da vida útil econômica do bem, no primeiro caso não há seu desaparecimento físico, diferentemente da segunda hipótese. Nos termos do art. 307 do RIR199, a depreciação se aplica aos bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal. A parte subterrânea da canadeaçúcar permanece viva após os sucessivos cortes. Ocorre que a cultura se torna economicamente inviável, por força do desgaste, deterioração do uso e por ações da natureza, após quatro ou cinco cortes. Diferentemente, os bens sujeitos a exaustão são objeto da própria atividadefim do explorador, tal como ocorre nas jazidas de petróleo ou de minérios e na cultura de florestas para cortes comerciais. A própria SRF, em 1987, na Solução de Consulta n° 33, afirmou com base no Parecer Normativo n° 18/79, que "o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação". Ademais, o art. 183, § 2°, "c", da Lei 6.404/76, restringe a exaustão para custos relacionados, exclusivamente, a recursos minerais e florestais, sem reportála à formação de lavouras agrícolas, sendo ilegítima a exigência de exaustão fora das hipóteses veiculadas na norma. Portanto, os custos com a formação das touceiras e soqueiras devem ser submetidos à depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória 2.15970/2001, conforme já reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. Em decorrência da improcedência da glosa da depreciação incentivada, também é improcedente a glosa dos prejuízos compensados. Por fim, pede o contribuinte que seja cancelada a exigência fiscal contida nos autos de infração lavrados. A Turma Julgadora considerou a impugnação improcedente, tendo proferido as seguintes ementas: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 9 9 EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ CANADE AÇÚCAR EXAUSTÃO DEPRECIAÇÃO ATIVIDADE RURAL Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória 2.15970/2001. Exerce atividade agroindustrial a empresa que cultiva canadeaçúcar e a industrializa, produzindo álcool e açúcar refinado. AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. A Turma Julgadora transcreve o art. 6º da MP 215970/2001, para concluir que a regra é clara ao exigir que a pessoa jurídica explore a atividade rural e que o conceito de atividade rural foi previsto no art. 2º da lei 8023/90, e afirma que esse artigo aplicase inclusive às pessoas jurídicas (art. 14 da lei 8023/90), bem como, salientou que descabe a alegação de que o art. 22A da Lei 8212/91, inserido pelo art. 1º da lei 10.256/01, equipara a agroindústria ao produtor rural, pois essa norma somente se aplica às contribuições destinadas à seguridade social, previstas nos incisos I e II da Lei 8.212/91. Diz que a própria legislação previdenciária distingue o tratamento a ser dado à agroindústria e ao produtor rural, e que o mencionado art. 22A da Lei 8.212/91, regula as contribuições devidas pelas agroindústrias, enquanto as contribuições devidas pelos produtores rurais pessoas jurídicas são reguladas pelo art. 25 da Lei 8870/94, com a redação dada pelo art. 2º da Lei 10.256/01. Afirma ainda a Turma Julgadora, que não procede a alegação da impugnante no sentido de que sua atividade deve ser qualificada como rural, já que o art. 59 da lei 9.430/96, considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Reconhece que a norma qualifica como rural a atividade de cultivo de florestas, mesmo quando destinada ao corte para industrialização, mas que isso não significa que o contribuinte que industrializa a floresta cultivada também exerce atividade rural, ou seja, aquele que cultiva a floresta e também industrializa o produto após o corte qualificase como agroindústria, não como simples produtor rural. Transcreve os artigos 58, VI, 307, II e § único, IV, 314, 334, todos do RIR/99; e ainda o art. 14 da IN SRF 257/2002, e o art. 59 da Lei 9.430/96. Cita trechos da Solução de divergência COSIT 12/2003, que conclui que o benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição, não inclui a amortização e nem a exaustão de recursos florestais. A partir dessa premissa perquire sua relação com a cultura da cana de açúcar, para fins de verificar se estaria sujeita a depreciação ou a exaustão. Cita doutrinas e item 10.14.5.6, das Normas Brasileiras de Contabilidade, emitidas pelo CFC, o Parecer Normativo CST 18/1979 e acórdão 10318.812/97. Concluiu que agiu com acerto a autoridade autuante ao glosar as exclusões indevidas de depreciação incentivada, e como conseqüência ao glosar os prejuízos compensados indevidamente. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 06.12.2010, e o recurso foi interposto, em 29.12.2010. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 10 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente afirma que exerce atividade tipicamente rural, por ser uma sociedade agroindustrial, cujo objeto social é a plantação e industrialização da cana de açúcar, que compreende desde a preparação das terras destinadas às lavouras até à obtenção do produto final, no caso, açúcar e álcool, posteriormente comercializados no mercado interno e externo. Explica que sua cadeia produtiva é verticalizada, porém, toda voltada e dependente da cana de açúcar innatura, base de sua existência social, e consequentemente, a empresa faz jus ao benefício fiscal conhecido como depreciação incentivada, previsto na MP 2.15970/2001, art. 6º, sendo aplicável à sua atividade rural o benefício da depreciação acelerada do ativo imobilizado. Argumenta que a decisão recorrida interpretou equivocadamente o sentido e a disposição do art. 59, da Lei 9.430/96, por ter entendido indevidamente que a atividade rural da recorrente poderia ser considerada como cultivo de florestas, já que nessa situação seria considerada como exaustão e não depreciação. Afirma que o art. 2º da Lei 8.023/90, com a redação dada pela Lei 9.250/95, trouxe disposições sobre a atividade rural de forma genérica, para dispor sobre tributação dos resultados, e que a autoridade fiscal entendeu equivocadamente que a atividade rural é apenas privativa do setor primário da economia, mas que, o que pretendeu a recorrente não foi tão somente a utilização de benefícios na tributação de resultados, mas sim a garantia especial prevista na MP 2.15970/2001, de que é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Conclui que a Lei 8.023/90 trouxe disposição genérica que foi especificada na MP 2.15970/2001, quando esta apresentou situação especial para depreciação de ativo no exercício de atividade rural, como de fato é a atividade da recorrente. Salienta que de acordo com a norma, empresas rurais, são aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas, e que, para todos os fins legais e contábeis, não importa qual atividade seja especificamente desenvolvida, e que todas elas são rurais (agrícola, animal ou agroindustrial), nos termos do art. 6º da MP 2.15970/2001. Cita acórdão 110100114, proc. 10925.002741/200570. Destaca que permanece equivocado o entendimento de que, uma vez que o objeto social da empresa conteria também as atividades complementares de produção e comercialização de açúcar e álcool, o cultivo da lavoura da cana de açúcar não poderia ser considerado como produção agrícola. Alega que o art. 6º da MP 2.15970/2001, trata expressamente de um benefício especial, no caso, a forma de realização da depreciação do ativo imobilizado na atividade rural; que seria um benefício fiscal objetivo, específico em função da atividade, e não subjetivo como quer fazer crer a autoridade fiscal, e por essa razão, deve ser aplicada nos termos nela dispostos, para atividade rural, sem qualquer distinção quanto a ser esta atividade exercida por pessoa física, jurídica, agrícola, agroindustrial, agropecuária ou qualquer outra diferenciação. Acrescenta que pela inexistência de qualquer especificação para a concessão do mencionado benefício, seria manifestamente indevida qualquer diferenciação para atividade rural, incluindo de ordem financeira, e que a prevalecer o entendimento da autoridade Fl. 922DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 11 11 lançadora, se estaria diante do impropério de não poder ser exercida atividade rural se o fosse por pessoa jurídica de elevado capital ou faturamento. Cita acórdão proferido no recurso 164.119, de relatoria de Sandra Maria Faroni (13855.000997/200773) e conclui que não está em discussão (i) as determinações da Lei 8.023/90, (ii) se ela seria aplicável a pessoa física ou jurídica, (iii) se o tamanho da empresa ou montante do faturamento diferenciaria o que é produção agrícola ou não. Aduz que o que define a atividade rural é a produção de produtos agrícolas, a partir da utilização do solo, no caso, pelo cultivo da terra, por meio da utilização de produtos naturais dela extraídos. Aborda paralelo com a Lei 11.196/2005, que trata dos benefícios relativos à inovação tecnológica. Salienta que reforça seu entendimento, a análise da Lei 10256/2001, cujo art. 2º inseriu o art. 22A na Lei 8.212/91, que estabeleceu a modalidade de contribuição previdenciária a que se sujeita a agroindústria, definindose esta como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a de industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Afirma que o sistema jurídico é uno e como tal deve ser interpretado e que legislação tributária, específica quanto à contribuição social, socorre a recorrente quanto à sua pretensão, ao não distinguir as atividades como não o fez o legislador quando da edição da MP 2.15970, e considerálas únicas para fins previdenciários. Cita também o Estatuto da Terra, Lei 4.504/64, art. 96, onde define o conceito de parceria rural (inclusão pela Lei 11.443/2007). Conclui: Concluise, pois, que a natureza das atividades da Recorrente, previstas em seu objeto social, e de acordo com a legislação aplicável, é de natureza rural, verticalizada. Como produtora rural que é, independentemente da obtenção de produtos finais diversos da canadeaçúcar in natura, no caso, açúcar e álcool, e uma vez que depende fundamentalmente do cultivo da lavoura de canadeaçúcar a partir do qual desenvolve sua atividade agroindustrial, espécie de atividade rural, abrangida pela disposição do artigo 6, da Medida Provisória nº 2.15970/2001, foi autorizada pelo legislador a utilização do beneficio da depreciação incentivada da canadeaçúcar. A seguir, a recorrente aborda a depreciação acelerada, no subitem III.1.2 de seu recurso. Discorda da decisão recorrida sobre a lei não permitir a dedução integral, quando se tratasse de cultivo de florestas, situação em que aplicarseia a dedução, via cotas de exaustão, e que há incongruência nas argumentações e fragilidade jurídica do raciocínio empregado pela decisão, ao equiparar a cultura da cana às florestas, em desacordo com o que resta positivado na legislação pátria. Explica como se desenvolve a cultura da cana de açúcar e a razão sobre ela aplicarse o instituto da depreciação. Destaca que o anexo do recurso voluntário poderá auxiliar na visualização do plantio e colheita dessa cultura. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 12 12 Salienta que a cana de açúcar possui, estruturalmente, uma parte subterrânea, na qual se localizam as raízes da planta, coração de todo ciclo da cultura, e uma parte aérea, constituída pelos colmos (além das folhas), que são objeto dos cortes: a cana de açúcar de primeiro corte é chamada de “cana planta” e de segundo corte em diante de “cana soca”, e a cada corte a planta modifica seu sistema de enraizamento. Explica que a touceira, após o primeiro corte da canadeaçúcar, passa a chamarse, soqueira, ingressando a planta em uma fase que propiciará o crescimento das raízes mais e mais superficiais, o que prejudica a nutrição da planta, e que, o valor econômico da plantação da canadeaçúcar reside no caldo do colmo, de onde é obtida, principalmente, a sacarose, sendo que o emprobecimento dos teores de sacarose, derivado dos sucessivos cortes da plantação, resulta, em dado momento, em inviabilidade da continuidade da cultura, encerrandose um ciclo produtivo para início de um novo. Ressalta que para garantir resultados satisfatórios nas colheitas, o produtor da canadeaçúcar, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando então, a baixa se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Conclui que há elevados dispêndios com a cultura que se aplica a um único plantio, enquanto outras, diversamente, se estendem a todo ciclo produtivo. A seguir, a recorrente passa a analisar os procedimentos adequados para o registro contábil dos custos incorridos com a formação da lavoura, para identificação dos efeitos tributários daí decorrentes. Salienta que as culturas agrícolas, nos termos das NBC, que cuidam dos aspectos contábeis específicos das entidades agropecuárias, dividemse em (i) temporárias, a que se extingue pela colheita sendo seguidas de novo plantio, e (ii) permanentes, aquelas de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. Aduz que o registro contábil dos custos com a formação da cultura canavieira começa a se esquadrinhar na Lei 6.404/76, sendo certo que a companhia deverá registrar no ativo imobilizado os direitos representados por bens destinados à manutenção de suas atividades, de acordo com seu artigo 179, IV. Acrescenta ainda, que de acordo com o Pronunciamento VII do IBRACON e de acordo com doutrina que cita, se conclui, que no caso em exame, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para a geração de receitas em diversos exercícios sociais, o que seria reconhecido pelo 1º CC, no acórdão 10318.812/97, e nesse mesmo sentido, o recurso 129.643 (proc. 10865.000415/9817), sendo pacífica a classificação dos recursos aplicados na formação da cultura canavieira no ativo permanente, devendo ser realizada a apropriação dos respectivos custos no decorrer dos períodos que contribuirão na geração de receitas, de acordo com os limites de sua vida útil econômica. Destaca, que no que toca, ao registro periódico da diminuição do valor do ativo imobilizado, o art. 183, § 2º da Lei das sociedades por ações, impõe que o mesmo ocorra nas seguintes contas, além da conta de amortização alheia ao lançamento e ao caso litigado: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 13 13 a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; e b) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Argumenta que a “depreciação” e a “exaustão” implicam no reconhecimento de redução do valor do custo de bens tangíveis, por força de desgaste efetivo pelo uso ou perda de sua utilidade, mesmo por ação da natureza ou obsolescência. Cita o acórdão 10194.597, no recurso voluntário 119.769, e reconhece que a linha entre esses dois institutos é muito tênue, mas que na depreciação não há o desaparecimento da cultura, sendo que ela somente não poderá ser mais utilizada em decorrência de sua queda de qualidade, enquanto que na exaustão, há o desaparecimento da cultura pela exploração. Cita o Pronunciamento VII do IBRACON e doutrina, para afirmar que os bens sujeitos à depreciação perdem seu valor econômico por força de desgaste de seu uso efetivo, de seu emprego na atividade social, e por sua vez, os bens sujeitos à exaustão são aqueles que se esgotam com o curso do tempo, por força da exploração humana, perdendo suas propriedades físicas. Aduz que embora ambos reflitam a perda da vida útil de um bem, no primeiro caso, não há o desaparecimento físico do bem, diferentemente da segunda hipótese. Destaca que na cultura da canadeaçúcar, os custos a serem imobilizados são os incorridos do preparo do solo até a cobertura dos toletes com terra, que originarão as touceiras/soqueiras; estas últimas não são destinadas à venda, nem se caracterizam como matéria prima, que no caso, são os colmos. Explica que a touceira/soqueira permanecendo viva continua plantada no solo, não deixando de existir, nem sendo consumida pelo próprio solo ou pela retirada periódica dos colmos. Ali permanece até que seja retirada, quando se inicia a cultura de nova lavoura, com novo plantio, pois não mais poderá ser utilizada pela perda de qualidade da sacarose. Afirma que o art. 307, do RIR/99, é claro ao determinar “que podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, e que no caso da cultura canavieira, em que o caule é sucessivamente cortado, provocando o desgaste das touceiras/soqueiras, que permanecem intocados subterraneamente, em situação diversa, no que acontece nos bens sujeitos à exaustão, em que os mesmos são objeto da atividade fim do explorador, tais como, nas jazidas de petróleo ou de minérios, ou ainda, na cultura das florestas, para cortes comerciais. Acrescenta que ainda que os julgadores considerassem o fundamento contido na decisão recorrida, no sentido de que no caso concreto, tratarseía de cultura tipicamente florestal, a legislação prevê a possibilidade de sua classificação como atividade rural, o que garante o direito à depreciação no caso da canadeaçúcar (art. 6º da MP 215970/2001), isto porque o art. 59 da Lei 9.430/96 afasta completamente os argumentos adotados na decisão recorrida, em especial, aquele em que os julgadores afirmam que “quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluindo o solo) será objeto de quotas de exaustão, na medida em que seus recursos forem exauridos (esgotados)”. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 14 14 Salienta que ainda por amor ao debate, se a cultura desenvolvida pela recorrente, fosse “florestal”, o cultivo da canadeaçúcar deve ser integralmente depreciado por expressa disposição legal que equipara a sua atividade a atividade rural. Reforça seu entendimento, com o fato de ter sido expedida pela Receita Federal em 1987, a Solução de Consulta nº 33, afirmando com base no PN 18/79, que “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação, o que vincularia a Receita Federal. Conclui ser evidente que os custos com a formação das touceiras/soqueiras devem ser depreciados, uma vez que os sucessivos cortes da planta, não as destroem e não as consomem, e que, subsumemse os fatos apresentados e ocorridos no caso concreto à hipótese contida no art. 6º da MP 2.15970/2001, que permite ao contribuinte, depreciálo aceleradamente, no próprio exercício em que os custos forem incorridos, dos bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, que forem adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade. Cita o acórdão 10419138 (com a observação do mesmo ter considerado classificação contábil incorreta) e 10196.867 (anexo – pg. 857/). Argumenta ainda que comprovada a possibilidade da realização da depreciação, não há que se falar em glosa, tendo em vista terem sido corretamente compensados os prejuízos fiscais. DAS CONTRARAZÕES DA PFN A PFN, em suas contrarazões argumenta que não podem prosperar as razões apresentadas pela autuada, e afirma que o benefício da depreciação acelerada incentivada para a atividade rural não se aplica porque, no caso dos autos, a atividade exercida é agroindustrial, tratandose de depreciação e não de exaustão. Cita o acórdão 10513.579, em que se assevera a necessidade de cumulatividade dos requisitos para caracterizar a atividade como rural dispostos no inciso V, do art. 2º da Lei 8023/90. Transcrevo trecho das contrarazões: Podese concluir que a atividade da empresa, indústria sucroalcooleira, é a transformação de produtos decorrentes da atividade rural em grande escala, com alteração da composição e das características do produto in natura, para produção do açúcar cristal e álcool. Além disso, a autuada não utiliza equipamentos e utensílios “ usualmente empregados na atividade rural” , mas sim maquinário sofisticado do parque industrial da usina (moendas e caldeiras, que não se assemelham aos moinhos utilizados pelo produtor rural de açúcar mascavo), bem como adquire produtos de terceiros. Assim, a atividade da recorrente se afasta do rol das atividades rurais, não podendo Fl. 926DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 15 15 a esta se igualar, pois a legislação tributária diferenciou o tratamento dado ao produtor rural e ao industrial, em observância ao princípio da capacidade contributiva. Cite-se, por oportuno, trecho do Acórdão 10513.579, em que o julgador descaracterizou a atividade rural e a enquadrou como industrial, ratificando o lançamento fiscal pela falta de cálculo do adicional do IRPJ, pois se verificou que a atividade não era predominantemente rural, seu grande porte, atuante no mercado externo e interno; ocorrência de alteração da composição e características do produto in natura, bem como utilização de equipamentos típicos da atividade industrial, diverso dos rudimentares, usualmente empregados na atividade rural, em similitude com o caso dos autos (...) Também cita o acórdão 120200390, de 08.11.2010, que manteve o lançamento fiscal de IRPJ e CSLL, decorrentes da glosa de despesas de depreciação acelerada incentivada, com fundamento no art. 314 do RIR/99, também em caso semelhante ao dos presentes autos. No julgado, considerouse que a atividade preponderante da atuada era agroindustrial, descaracterizando a atividade rural, razão pela qual entendeu por indevido o gozo do benefício fiscal, não havendo possibilidade de comparação entre uma indústria de transformação em grande escala, como a agroindústria autuada, e o produtor rural a que a legislação tributária se refere. Argumenta que, subsidiariamente, caso não seja afastado o benefício fiscal, como exposto, tendo em vista o incentivo se direcionar a atividade preponderantemente rural, diversamente da atividade econômica da autuada (industrial), convém firmar que o art. 314 do RIR/99, se refere tão somente à depreciação, e o custo para a formação da lavoura canavieira está sujeita à exaustão, de modo que não se aplica a depreciação acelerada incentivada prevista atualmente no art. 6º do MP 215970/2001. Afirma inexistir previsão legal para dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, pois esta se sujeita à exaustão, e a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, de bens sujeitos à exaustão. A legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas dispõe especificamente sobre a amortização dos direitos de exploração de florestas (art. 328 do RIR/99) e exaustão dos recursos florestais (art. 334 do RIR/99). Assim, somente poderá ser deduzido no mesmo ano da aquisição, o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 307 do RIR/99. Citou a Solução de Consulta da RF08, nº. 86, de 14.03.2007, e registrou que, contudo, a empresa não está se utilizando deste beneficio apenas para o maquinário, mas também para a exclusão dos custos da cana em formação, mas, a cana em formação cuida do plantio de mudas de canadeaçúcar plantadas em cada cinco anos de produção. Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada, de maneira que os custos de formação da lavoura canavieira estão sendo ativados para depois serem depreciados. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 16 16 Também citou a solução de consulta da RF04, 5, de 05.02.2004, e o acórdão 10318.812. Conclui que a contribuinte não faz jus ao benefício da depreciação acelerada, previsto no art. 6º da MP 2.15970/2001, segundo o qual, os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no ano da aquisição, pois, referido benefício visa alcançar a atividade preponderantemente rural, e não a predominantemente industrial, como é o caso da autuada, e o custo da formação da lavoura de canadeaçúcar é bem sujeito à exaustão, e o benefício é para os bens sujeitos à depreciação. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e da CSLL, relativo aos anoscalendário de 2003 a 2006, em virtude da infração de redução indevida do lucro real, decorrente das parcelas, a título de “depreciação incentivada”, terem sido excluídas do lucro líquido do exercício, sem a observância dos requisitos legais pertinentes ao exercício da atividade rural. Segundo a fiscalização, o objeto social preponderante da recorrente é a produção de açúcar e álcool, atividade agroindustrial, que não se amolda ao conceito de atividade rural de que trata o art. 2º da Lei 8.023/90, e incompatível com a transformação de produtos agrícolas permitida para a atividade rural, de sorte que, a agricultura não pode ser considerada atividademeio para o conceito legal da atividade rural. Concluiu a autoridade fiscal: a) que a contribuinte não pode gozar do benefício da depreciação acelerada incentivada dos bens do ativo permanente imobilizado, utilizados na atividade rural, porque as atividades exercidas não se conceituam como atividade rural; b) o benefício fiscal previsto no art. 5º da MP 174937/99, não alcança os valores incluídos na conta “Canaviais em Formação”, já que tal conta não está sujeita a depreciação, mas a exaustão, pois há declínio da capacidade produtiva causada pelo corte da parte externa do vegetal; c) os benefícios fiscais devem ser interpretados literalmente, nos termos do art. 111 do CTN. Por outro lado, a recorrente argumenta: Fl. 928DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 17 17 a) que o incentivo fiscal encontrase previsto no art. 6º da MP 2.159 70/2001, e que aplicase a qualquer empresa exploradora da atividade rural, quando o bem destinado aos efeitos da depreciação seja utilizado na atividade rural e que a lei não veda o gozo do benefício pelas empresas que exercem atividades mistas (rural e industrial); b) que o art. 2º da lei 8023/90 é aplicável somente às pessoas físicas, conforme se infere pela localização sistemática da norma no RIR/99 (art. 57 e seguintes); c) que o art. 22a da Lei 8.212/91, definiu a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e a adquirida de terceiros, assim, a qualificação da atividade como rural independeria da obtenção de produtos finais diversos da canadeaçúcar, como o açúcar e o álcool; d) não procede a argumentação do autuante ao equiparar a cultura de cana deaçúcar às florestas, pois se assim fosse, deveria o autuante qualificar a sua atividade como rural, já que o art. 59 da Lei 9.430/96 considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; e) a canadeaçúcar possui uma parte subterrânea, as raízes da planta, e uma parte aérea, “colmos”, que são cortados na colheita, e com os sucessivos cortes a plantação resulta inviável, pela perda dos teores de sacarose, existindo dispêndios com a cultura que se aplicam a um único plantio, enquanto outros se estendem a todo ciclo produtivo; f) Devem ser registrados no ativo imobilizado, nos termos do art. 179, IV, da Lei 6.404/76, os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; que o pronunciamento VII do IBRACON classifica no imobilizado os bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos, seja igual ou superior a um ano; assim, os recursos aplicados na formação da cultura devem ser registrados no ativo imobilizado, conforme reconhece inclusive o Conselho de Contribuintes; g) que embora a depreciação e a exaustão reflitam a perda da vida útil econômica do bem, no caso da depreciação não há seu desaparecimento físico, diferentemente do caso de exaustão, que se esgotam com o curso do tempo; que nos termos do art. 307 do RIR/99, a depreciação se aplica aos bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal e que a parte subterrânea da canadeaçúcar permanece viva após os sucessivos cortes, mas inviável economicamente, após quatro ou cinco cortes; h) que os bens sujeitos à exaustão, diferentemente, são objeto da atividade fim do explorador, como no caso, de jazidas de petróleo ou de minérios e na cultura de florestas para cortes comerciais. i) A Receita Federal na SC 33, afirmou, com base no PN 18/79, que “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, por meio de empreendimentos próprios deve ser denominado “depreciação”, e o art. 183, §2º, c, da Lei 6404/76, restringe a exaustão para custos relacionados, exclusivamente, a recursos minerais e florestais, sem reportála à formação de lavouras agrícolas, sendo ilegítima a exigência de exaustão fora das hipóteses veiculadas na norma; conclui que os custos com a formação das Fl. 929DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 18 18 touceiras e soqueiras devem ser submetidos à depreciação integral prevista no art. 6º da MP 2.15970/2011, conforme reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. j) Cita acórdão proferido no recurso 164.119, de relatoria de Sandra Maria Faroni (13855.000997/200773), que analisou matéria semelhante, e que deu provimento ao recurso nessa parte, e discorda apenas da conclusão da caracterização como exaustão, e não como depreciação. A PFN, em suas contrarazões argumenta que o benefício da depreciação acelerada incentivada para a atividade rural não se aplica porque, no caso dos autos, a atividade exercida é agroindustrial, tratandose de depreciação e não de exaustão. Cita o acórdão 10513.579, em que se assevera a necessidade de cumulatividade dos requisitos para caracterizar a atividade como rural dispostos no inciso V, do art. 2º da Lei 8023/90. Também cita o acórdão 120200390, de 08.11.2010, que manteve o lançamento fiscal de IRPJ e CSLL, decorrentes da glosa de despesas de depreciação acelerada incentivada, com fundamento no art. 314 do RIR/99, também em caso semelhante ao dos presentes autos. No julgado, considerouse que a atividade preponderante da atuada era agroindustrial, descaracterizando a atividade rural, razão pela qual entendeu por indevido o gozo do benefício fiscal, não havendo possibilidade de comparação entre uma indústria de transformação em grande escala, como a agroindústria autuada, e o produtor rural a que a legislação tributária se refere. Argumenta que, subsidiariamente, caso não seja afastado o benefício fiscal, como exposto, tendo em vista o incentivo se direcionar a atividade preponderantemente rural, diversamente da atividade econômica da autuada (industrial), convém firmar que o art. 314 do RIR/99, se refere tão somente à depreciação, e o custo para a formação da lavoura canavieira está sujeita à exaustão, de modo que não se aplica a depreciação acelerada incentivada prevista atualmente no art. 6º do MP 215970/2001. Após essa síntese, passo à apreciação da matéria. De início devese registrar que a contribuinte se equivoca ao argumentar que o art. 2º da Lei 8.023/90 somente se aplicaria às pessoas físicas, em razão da localização da norma no RIR/99 (Seção VII, do Capítulo III, Título IV, Livro I.) isto porque, a lei 8.023/90, que altera a legislação do imposto de renda sobre o resultado da atividade rural, e dá outras providências, não faz qualquer restrição de que a mesma se aplica somente às pessoas físicas, inclusive seu art. 14 determina que o prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbases posteriores, e este diz respeito somente ao resultado da atividade rural e o art. 12, posteriormente revogado, diz respeito à tributação na pessoa jurídica. Em relação ao art. 22A da Lei 8.212/91 (inserido pelo art. 2º da Lei 10.256/2001), essa lei dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui plano de custeio, assim, a definição de agroindústria disposta no art. 22A, somente tem aplicação para efeitos previdenciários, e não para fins de conceituação da atividade rural para fins tributários. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 19 19 Conforme descrito no Relatório Fiscal, a contribuinte tem como atividade preponderante a produção do açúcar e álcool. A questão em litígio é se o fato da recorrente plantar a canadeaçúcar como atividade meio para utilizála como insumo, em seu processo produtivo, pode ou não usufruir do benefício fiscal da depreciação acelerada de que trata o art. 314 do RIR/99. Transcrevo os artigos 314 e 58 do RIR/99: Art.314.Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Art.58.Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): Ia agricultura; IIa pecuária; IIIa extração e a exploração vegetal e animal; IVa exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; Va transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VIo cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). Verificase que o art. 314 do RIR/99, dispõe sobre benefício que se refere a pessoa jurídica que explore a atividade rural. Qual o alcance de explorar a atividade rural? Explorar a atividade rural, para efeitos tributários, é o mesmo que apurar os resultados da atividade rural? A recorrente cita em seu recurso o acórdão 10196.867, de 14.08.2008, que analisou matéria semelhante. Transcrevo o seguinte trecho do voto condutor desse acórdão: O primeiro aspecto a ser observado é que o beneficio fiscal em discussão está previsto no art. 6º da Medida Provisória 2.15970 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 20 20 (originalmente, no art. 7º da MP 1459, de 21 de maio de 1996). Não se nata, pois, de analisar a aplicação do beneficio previsto no § 2º do art. 12 da Lei nº 8.023/90, revogado pela Lei nº 9.249, de 1995 Diferentemente da Lei 8.023/90, que trata da tribulação dos resultados provenientes da atividade rural, .o art 6º da MP nº 2.15970, de 2001 não faz qualquer referência a resultados e nem remete à Lei 8.023/90 A norma em questão não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural. De acordo com o dispositivo transcrito, o beneficio destinase a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade. A lavoura da cana é, sem duvida. uma atividade rural Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros; Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda da produção rural, não cabe reportarse à Lei 8.023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. Nesse caso, o autuante distinguiu onde a lei não o fez. Não apontado que se trata de bem ativado usado em outras atividades da empresa, que não a rural, aplicase, em princípio, o benefício. Respeito essa linha de argumentação, mas ouso dela discordar. Segundo o dicionário Aulete, obtido no sítio da uol na internet, um dos diversos significados da palavra “explorar” é o seguinte: Desenvolver, para extrair resultados econômicos; produzir; cultivar: explorar uma mina de ouro: explorar uma propriedade agrícola: "Lançou a vista para Diamantina, que nessa ocasião atraía os curiosos, e lá se foi ele... explorar o diamante." (Aluísio Azevedo, Coruja)) Segundo o Dicionário Houaiss, obtido no mesmo sítio, um dos significados da palavra “explorar” é o seguinte: extrair lucro, compensação material de, Ex.: está explorando um novo bar na beira da praia. Dos dois significados acima transcritos, verificase que explorar pode significar a obtenção de resultados econômicos e a extração de lucros. Para efeito de tributação de resultados, a Lei 8.023/90, conceituou atividade rural, em seu art. 2º. O art. 12 da mesma lei dispõe sobre a alíquota que incide sobre o lucro da exploração e é dirigido à pessoa jurídica que explora a atividade rural e seu § 2º dispõe que os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição, mas, esses dispositivos foram revogados pela Lei 9.249/95. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 21 21 Segundo o art. 2º da Lei 9.249/95, a pessoa jurídica que tenha por objeto a exploração da atividade rural pagará o imposto de renda e adicional de conformidade com as normas aplicadas às demais pessoas jurídicas. O art. 512 do RIR/99, determina que o prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar a atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no art. 510 do mesmo RIR, isto porque, prevalece o disposto no art. 14 da Lei 8.023/90 (que prevê que o prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores). O caput do art. 541 do RIR/99, estabelece que a pessoa jurídica pagará o imposto de renda à alíquota de 15% sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, e conforme o disposto no § 1º, aplicase, inclusive, à pessoa jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei 8.023/90 (art. 3º, § 3º, da Lei 9.249/95). O caput do art. 542 do RIR/99, que tem como base legal o art. 3º, § 1º , da Lei 9.249/95, e art. 4º da Lei 9.430/96, trata da incidência do adicional de imposto, e dispõe no § 2º que a mesma regra aplicase à pessoa jurídica que explore a atividade rural de que trata a Lei 8.023/90 (art. 3º, § 3º da Lei 9.249/95). O art. 314 do RIR/99, acima transcrito, dispõe que os bens do ativo permanente imobilizado (exceto a terra nua), adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, de que trata o art. 58 do RIR/99 (esse artigo tem como base legal o art. 2º da Lei 8.023/90, o art. 17 da Lei 9.250/95 e o art. 59 da Lei 9.430/96), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (base legal, o art. 5º da MP 174937, de 1999, vigente à época). Por todos esses dispositivos legais citados, verificase que o legislador quando diz “explorar a atividade rural” quer dizer apurar resultados da atividade rural, consequentemente qualquer atividade meio praticada para a obtenção de insumos para serem utilizados no processo produtivo não pode ser caracterizada como exploração da atividade rural, para efeitos tributários. Conforme se constata das cópias das DIPJ acostadas aos autos, a cana de açúcar produzida não gera resultados da atividade rural. Do exposto, concluise que o benefício da depreciação acelerada, não pode ser usufruído pela recorrente. Esta já é razão suficiente para que se negue provimento ao recurso, tornando se desnecessária a discussão sobre depreciação e exaustão. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora Fl. 933DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 22 22 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Nos debates realizados no julgamento deste processo divergi do posicionamento da ilustre Relatora, que está brilhantemente fundamentado no voto acima. Uma vez que fui acompanhado pelos demais membros do colegiado, coube a mim redigir este voto vencedor. Tanto a fiscalização quanto a DRJ de Ribeirão Preto, argumentam que a recorrente não faz jus ao benefício da depreciação acelerada por não exercer atividade tipicamente rural, o que desqualificaria a pretensão do requerente. Todavia esses argumentos estão equivocados, uma vez que a Usina Batatais é sociedade agrícola cujo objeto social é: a plantação e industrialização de canadeaçúcar, e, portanto, exerce atividade tipicamente rural. O artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializa bens de sua propriedade ou de produção própria e adquirida de terceiros, podendo beneficiarse integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural. Esse entendimento foi ratificado por esta mesma Turma no Acórdão 1402 00.271, assim ementado: ATIVIDADE RURAL COMPATIBILIDADE COM EQUIPAMENTOS USUALMENTE EMPREGADOS NA ATIVIDADE EQUIPAMENTOS DE ALTA TECNOLOGIA A lei prevê como condição para caracterizar a atividade como rural, a transformação de produtos, feita pelo próprio produtor, sem que haja alteração da composição e das características do produto in natura, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. O emprego de equipamentos de alta tecnologia, não é vedado pela lei 8.023/1990. ATIVIDADE RURAL. FRIGORÍFICO DE AVES. Comprovado que a empresa atende todos os pressupostos do art. 2o. da Lei 8.023/1990 para fins de enquadramento na atividade rural, cancelase a exigência. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido Equivocamse tanto a fiscalização quanto a DRJ de Ribeirão Preto/SP, ao desconsiderar a atividade rural da Recorrente ao argumento de que: “a regra é clara ao exigir que a pessoa jurídica explore atividade rural” e “ademais, não procede a alegação da Fl. 934DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 23 23 impugnante no sentido de que sua atividade deve ser qualificada como rural”, tese essa que teria amparo no artigo 2º, da Lei nº 8.023/901, com a redação dada pela Lei nº 9.250/95. A tributação beneficiada dos resultados obtidos na atividade rural, não é privativa apenas do setor primário da economia. Nos termos da Medida Provisória nº 2.159 70/2001, e é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Nesse diapasão também não merece prosperar o entendimento da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, que alega em suas contrarrazões que o benefício previsto seria apto a beneficiar a atividade preponderantemente rural e que o recorrente exerce atividade preponderantemente industrial. No que tange à possibilidade da depreciação da plantações de canadeaçucar da empresa, entendo que não merecem reparos os precisos termos do memorial da recorrente, a seguir transcritos: (..) II. DA DEPRECIAÇÃO Cumpre esclarecer que a “confusão” gerada pela interpretação errônea de que a atividade da recorrente deve ser considerada como exaustão e não depreciação, pois estaria comparada ao cultivo de florestas é um argumento facilmente refutado. O primeiro ponto que deve ser observado é que, conforme exposto em Parecer do Dr. Ariovaldo dos Santos, não há diferença contábil entre depreciação e exaustão, tendo em vista que os ambos recebem o mesmo exatamente o mesmo tratamento. Vale citar trecho do referido Parecer que esclarece o tema, vejamos: “tanto depreciação quanto exaustão referemse a perda de valor de ativos, independente de sua natureza, afinal a perda reconhecida é sobre o ativo imobilizado. E nesse imobilizado estão classificados tanto os direitos cujo objeto são recursos minerais ou florestais, quanto os direitos relativos a bens físicos. A contrapartida do registro dessa perda de valor dos ativos é sempre reconhecida no resultado, seja como custo dos produtos vendidos seja como despesa do exercício. Daí podese concluir que os efeitos nos resultados, do ponto de vista da essência econômica, independente da denominação que recebam, depreciação ou exaustão, serão absolutamente iguais”. 1 Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas.” Fl. 935DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 24 24 Ora, com a explanação acima fica claro que não diferença técnica entre os dois institutos, e que a “confusão” criada não pode prejudicar uma empresa séria que se utilizou tecnicamente de um benefício que lhe permitia adotar a sistemática de depreciação exatamente como ocorreu. Ademais, decisão recorrida afirma incorretamente que a cultura de canadeaçúcar equiparase ao cultivo de “de florestas”, situação em que aplicarseia a dedução via quotas de exaustão (nem para as florestas, ressaltese, o termo exaustão é atualmente cabível). A depreciação ocorre quando o bem do ativo está disponível para uso, sendo que tal “operação contábil” deve ocorrer até que o bem seja baixado do ativo. A ciência contábil, ao buscar traduzir em números a realidade econômica, determina a mensuração e registro da depreciação. Neste sentido, a depreciação é necessária para repor economicamente o capital bruto investido (na ciência econômica, a anterior Formação Bruta de Capital Fixo), evitando a tributação desse capital necessário à atividade produtiva por meio da dedução do montante investido dos tributos sobre a renda, ou seja, em linguagem contábil, permitindo a dedução econômica do custo da produção. A confusão conceitual perpetrada pela d. autoridade fiscal deve ser esclarecida para que seja possível a correta compreensão da aplicação do benefício da depreciação acelerada no cultivo da canadeaçúcar. O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Após esse decurso o canavial tornase economicamente inviável pelo seu desgaste, deterioração do seu uso e por ações da natureza de onde se destacam o empobrecimento do solo e a superficialização do sistema radicular da planta, que diminuem a qualidade da sacarose. Assim, no caso de cultivo de canadeaçúcar, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para geração de receitas em diversos exercícios sociais. (...) A Recorrente entende que as decisões proferidas pelo E. Conselho de Contribuintes, bem como os conceitos econômicos e contábeis e principalmente as disposições legais elencadas no recurso voluntário, encerram juridicamente a questão, seja à luz do Direito ou das Ciências Contábeis ou da Ciência Econômica, e demonstram a adequação dos procedimentos adotados pelo contribuinte. (...)” (... A matéria em já era conhecida por mim, pois, pude participar do julgamento de outros recursos na antiga 1a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, a exemplo do Acórdão 10196.867, proferido em 14/08/2008, assim ementado: Fl. 936DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 25 25 CANADEAÇÚCAR EXAUSTÃO DEPRECIAÇÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, não obstante sujeitos a exaustão e não a depreciação, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por: unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL, ao recurso, para cancelar a parcela da exigência correspondente a glosa da depreciação incentivada (...). Vejamos a conclusão do voto condutor do aludido acórdão, quanto a essa matéria, da lavra da ilustre conselheira Sandra Maria Faroni: “O artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.15970/2001, ao permitir a apropriação imediata e integral, no próprio ano de sua aquisição, dos bens do ativo imobilizado aplicados na produção, buscou criar incentivo à atividade rural mediante antecipação da apropriação dos encargos correspondentes à sua perda de valor. A motivação da lei foi incentivar investimentos aplicados na atividade rural. Não pretendeu, a lei, distinguir entre bens do ativo imobilizado sujeitos à amortização ou à exaustão. A meu ver, não importa a denominação contábil dada à apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados, se depreciação, ou exaustão, mas sim a EFETIVA REALIZAÇÃO DO INVESTIMENTO DESTINADO À ATIVIDADE QUE SE DESEJA FOMENTAR. Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela da exigência correspondente à glosa da depreciação incentivada”. (destaquei) Conclusão Diante do exposto oriento meu voto sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente as exigências. É este o voto condutor do presente julgado. (assinada digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 937DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 15586.000991/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.231
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.291.9600, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, para a exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 120 e segs., os fatos geradores de contribuições sociais objeto do lançamento foram: a) pagamento de seguro de vida em grupo para os empregados e diretores da empresa, sem que o benefício fosse previsto em norma coletiva de trabalho; b) pagamento de plano de assistência médica para os dependentes dos segurados a serviço da empresa; e c) pagamentos a cooperativas de trabalho por serviços realizados pelos cooperados. Acrescentase ainda que a multa foi aplicada levandose em conta a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, optandose pela regra mais favorável ao sujeito passivo, no comparativo entre o cálculo efetuado de acordo com a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores e aquele previsto nas regras atualmente aplicáveis. A empresa ofertou impugnação, fls. 365 e segs., tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, fls. 457 e segs, mantido integralmente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 494 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) é equivocado o entendimento da Autoridade Fiscal de que a verba paga a título de seguro de vida em grupo somente poderia ser excluída do saláriodecontribuição, caso estivesse prevista em norma coletiva de trabalho; b) sobre a citada verba não se verifica a ocorrência dos requisitos de retributividade pelo trabalho executado ou habitualidade no pagamento, sem os quais inexiste no mundo fático a hipótese de incidência de contribuições sociais; c) o pagamento do seguro de vida independe dos serviços prestados à empresa, sendo fornecido por esta como mero conforto psicológico para o empregado ou dirigente e a sua família; d) os valores pagos pela empresa a esse título não são recebidos pelo segurado, mas pela seguradora, sendo que o eventual recebimento da indenização somente ocorrerá, caso se concretizem os eventos mórbidos previstos no contrato, afastandose, assim, por completo a sua natureza salarial; e) a jurisprudência é uníssona quando o tema é a não incidência de contribuições sociais sobre os valores relativos a seguro de vida em grupo; f) nem mesmo para fins trabalhistas pode se incluir a referida verba no conceito de salário; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000991/201044 Resolução n.º 2401000.231 S2C4T1 Fl. 616 3 g) as exigências para exclusão do seguro de vida em grupo da tributação previdenciária previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, são ilegais, posto que esse ato normativo não poderia inovar no ordenamento, criando empecilhos a fruição de uma benesse, os quais não foram previstos em lei.É esse o entendimento que tem prevalecido no Judiciário; h) do mesmo modo, o oferecimento de planos de saúde pelas empresas aos seus empregados e dependentes não tem finalidade de retribuir o trabalho prestado, sendo considerado um benefício social. Por esse motivo, inadmissível a sua inclusão no saláriode contribuição; i) a jurisprudência tem manifestado reiteradamente o entendimento contrário à natureza salarial do fornecimento de assistência médica aos segurados; j) considerando que a utilização do plano de saúde pelos segurados e dependentes somente ocorre nos casos de doença, afastase da verba sob comento o requisito da habitualidade; k) não havendo habitualidade, não há de se inserir o fornecimento de assistência à saúde no conceito de remuneração, inexistindo incidência de contribuições sobre a mesma; l) nem mesmo a interpretação literal da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 justifica a tributação da verba sob enfoque; m) a jurisprudência do STJ e do TST não faz qualquer distinção entre a natureza jurídica do fornecimento de plano de saúde aos trabalhadores e aos dependentes destes; n) a invocada interpretação literal do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 não se aplica a situação sob comento, posto que não se está diante de norma de isenção, mas clara situação que não se situa no campo de incidência das contribuições sociais; o) mesmo que se considere a norma inserta na alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 regra de isenção, devese adotar a interpretação teleológica para afastar a tributação, posto que seria grande a incoerência de se desestimular a concretização do valor fundamental da saúde, que recebeu da Carta Magna a mais alta consideração; p) por outro lado, há de se convir que a regra que exclui a incidência de contribuição sobre a assistência médica fala na concessão ao trabalhador, que engloba a saúde do próprio obreiro, mas também daqueles que dele dependam; q) a jurisprudência tem se inclinado nesse sentido, reconhecendo que não tem natureza de salário nem o plano de saúde ofertado ao trabalhador, tampouco o disponibilizado aos dependentes; r) a norma que instituiu a contribuição das empresas tomadoras de serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho deve ser afastada, posto que padece de gritante inconstitucionalidade formal, haja vista que deveria ter sido veiculada por lei complementar em respeito aos ditames dos artigos 154 e 195 da Lei Maior; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 s) há também uma inconstitucionalidade substancial na referida contribuição, na medida que a mesma desestimula o ato cooperativo, contrariando o § 2.º do art. 174 da Constituição Federal; t) tendose em conta a pendência de julgamento da ADI n.º 2.594, devese sobrestar o presente processo até que o STF dê a palavra final sobre a questão; u) o cálculo da multa nos termos da legislação precedente foi feito de forma incorreta, acabando por prejudicar o sujeito passivo, quando da comparação da multa mais benéfica, portanto, não pode prevalecer o patamar de 75% imposto no presente lançamento; v) não tem amparo legal a aplicação de multa progressiva no tempo, devendo o seu limite ser 24% da contribuição devida; w) é ilegítima e inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; x) a legislação prevê a aplicação de juros apenas sobre o tributo, não se concebendo que os mesmos incidam sobre a multa de ofício. Ao final, requer o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000991/201044 Resolução n.º 2401000.231 S2C4T1 Fl. 617 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator O recurso merece conhecimento, por atender às exigências de tempestividade e legitimidade. Compulsando cuidadosamente os autos pude perceber uma informação que pode alterar o destino da lide e que não está suficientemente esclarecida. Explico. Consta na fl. 474 tela do sistema informatizado da RFB dando conta de que o crédito discutido encontrase incluído no parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009, malgrado o órgão preparador em suas manifestações em nenhum momento tenha se reportado a esse fato. Diante dessa circunstância, é prudente que o processo seja devolvido à origem para que haja pronunciamento sobre a atual situação do crédito objeto da lide. Assim, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001504/2002-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
Ementa:
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. APURAÇÃO CENTRALIZADA.
Com o advento da Lei n. 9.779/99 a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI deve ser, obrigatoriamente, de forma centralizada no estabelecimento da matriz.
A retificação do Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento ou ainda no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador.
Em caso de novo pedido de ressarcimento, deverá ser objeto de discussão em processo próprio a ser instaurado a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Declarou-se impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva
(Assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz Da Gama Lobo D Eca, Silvia De Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Com o advento da Lei n. 9.779/99 a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI deve ser, obrigatoriamente, de forma centralizada no estabelecimento da matriz. A retificação do Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento ou ainda no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Em caso de novo pedido de ressarcimento, deverá ser objeto de discussão em processo próprio a ser instaurado a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Declarou-se impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz Da Gama Lobo D Eca, Silvia De Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Com o advento da Lei n. 9.779/99 a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI deve ser, obrigatoriamente, de forma centralizada no estabelecimento da matriz. A retificação do Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento ou ainda no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Em caso de novo pedido de ressarcimento, deverá ser objeto de discussão em processo próprio a ser instaurado a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Declarouse impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 15 04 /2 00 2- 10 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior (Relator), Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz Da Gama Lobo D Eca, Silvia De Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.001504/200210 Acórdão n.º 3402001.993 S3C4T2 Fl. 348 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, formalizado em 12/04/2002 mediante formulário, em que o contribuinte se diz credor do montante de R$ 3.900.000,00 (três milhões e novecentos mil reais) referente ao 1º trimestre de 2002, fundamentado no direito a créditos de IPI decorrentes de isenção/redução do Imposto sobre Produtos Industrializados prevista na Lei n° 8.248/91, ao adquirir matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados em sua produção, bem como, no direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Consoante se extrai de fls. 71, 75, 77/78, 82/86 e 89, o contribuinte protocolou diversos Pedidos de Compensação, cujos débitos foram devidamente cadastrados no sistema PROFISC. Ao proceder a análise dos pedidos, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba por meio do despacho decisório n. 740/2006 de fls. 139/141, houve por bem deferir em parte o pedido de ressarcimento de crédito efetuado pelo contribuinte, reconhecendo o valor de R$ 1.665.375,34 (um milhão, seiscentos e sessenta e cinco mil, trezentos e setenta e cinco reais e trinta e quatro centavos) e determinando a glosa de crédito no valor de R$ 2.234.624,66 (dois milhões, duzentos e trinta e quatro mil, seiscentos e vinte e quatro reais e sessenta e seis centavos), em virtude do crédito presumido do IPI (Ressarcimento do PIS e COFINS sobre as Exportações — Lei n° 9.363/96) ter sido registrado no livro de apuração da filial, quando a legislação determina a apuração centralizada na matriz. Em mesmo ato, a DRF/Sorocaba considerou homologadas as compensações solicitadas pelo contribuinte no limite do valor do ressarcimento reconhecido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Devidamente cientificada da decisão em 08 de março de 2007 (fl. 155), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 156 a 162), em 5 de abril de 2007, no qual reconhece parcialmente a irregularidade cometida, tendo em vista que não obstante a descentralização da apuração do crédito presumido de IPI, o pedido de ressarcimento foi apresentado pela matriz e afirma: a) Que está providenciando a regularização do seu pleito, atendendo ao disposto na Lei n° 9.779/99 que determina a centralização, bem como à Instrução Normativa n° 69/2001 que vigia época. Neste sentido, protesta pela posterior juntada de cópia dos livros de apuração e das notas fiscais de transferência dos créditos e requer a realização de nova diligência para Fl. 351DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 que se verifique a efetiva regularização. Salienta que a fiscalização diligenciou na empresa e verificou a existência efetiva dos créditos e apenas detectou o vicio formal de descentralização, o que não invalida o pleito e todo o trabalho já realizado pela fiscalização. b) Que o vício apontado na decisão ora atacada é do tipo sanável e, em atendimento aos princípios da administração pública, em especial os princípios da moralidade, razoabilidade, da eficiência, da economia, é de se reconhecer que sua regularização tem o condão de sanar os vícios que estavam presentes na origem do pedido de ressarcimento. Acrescenta que o procedimento poderia ter sido regularizado até mesmo durante a ação fiscal, se a fiscalização tivesse orientado a contribuinte, dandolhe prazo para regularizar a questão da centralização, e não apenas trazendo essa questão no Despacho Decisório. Colaciona decisões administrativas. Ao final, requer a revisão do Despacho Decisório e protesta pela realização de diligências e juntada dos documentos que evidenciam a regularização do procedimento. Subsidiariamente, em caso de manutenção da decisão, requer o reconhecimento do seu direito de formular novo pedido de ressarcimento para reconhecer seu crédito e, simultaneamente, utilizálo na compensação dos débitos que se tornarem exigíveis no presente processo, sem a incidência de multa ou juros de mora, pois nunca teria estado em mora, considerando que seus créditos superam os débitos. Nas fls. 248 a 256, o contribuinte apresentou comprovantes da centralização de saldos credores de IPI, de forma a atender a formalidade que teria implicado na glosa do crédito aventada no despacho decisório, reiterando os argumentos e pedidos referidos acima. DO JULGAMENTO PELA DRJ/RPO Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), houve por bem em considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo Acórdão nº. 1436.384 (fls. 302/308 – n.e.), ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em contagráfica, vedado seu ressarcimento. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO INICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.001504/200210 Acórdão n.º 3402001.993 S3C4T2 Fl. 349 5 O pedido inicial não pode ser alterado por meio da manifestação de inconformidade, pois esta é meramente instrumento de revisão da decisão recorrida, portanto inadequada para modificar a questão originalmente apreciada pela unidade de origem, sob pena de subverter as competências de cada instância administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em apertada síntese, a DRJ competente para o julgamento entende não há como sanar a irregularidade apontada pelo contribuinte, de forma a permitir o ressarcimento pleiteado, pois mesmo que o contribuinte efetue a apuração de forma centralizada na matriz, o valor correspondente não pode ser ressarcido para filiais, na medida em que o crédito transferido da matriz para outros estabelecimentos não é ressarcível, nos termos do artigo 11 da IN 21, de 10/03/1997. Com relação à jurisprudência colacionada pela defesa, menciona que a sentença judicial possui efeitos inter partes, sem atingir terceiros não envolvidos no caso concreto, e como o contribuinte não é parte nos processos judiciais citados, a decisão não lhe é aplicável. Nesse sentido, os parâmetros e critérios de julgamentos estão limitados ao âmbito administrativo e não há subordinação do julgador administrativo às decisões administrativas ou judiciais sem força vinculante expressa. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 13/02/2012, conforme AR de fl. 311, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 313/323) em 07/03/2012, aduzindo o que segue: a) A Recorrente tratou de regularizar o seu pleito após o despacho decisório, pedindo que fosse verificado estar sanada a irregularidade, uma vez que efetivamente atendida a Lei n. 9.779/99 que determina a centralização, bem como à Instrução Normativa n. 69/2001 que vigia à época. b) Existência de dois fundamentos que levam a reforma da decisão recorrida, quais sejam: 1) Claro erro material, eis que jamais se cogitou de obter o ressarcimento para filiais; 2) A DRJ verificou a existência de regularização através de nota fiscal e registros nos livros de IPI, dizendo ser impraticável a regularização por inexistência dos respectivos cálculos e que só poderiam ser objeto de novo pedido de ressarcimento referente ao 2º trimestre de 2007. c) Que evidenciada a ocorrência de mero erro material nos pedidos de ressarcimento e compensação, impõese a consideração da retificação apresentada pelo Recorrente para que se altere a forma de apuração dos créditos, de descentralizada para centralizada na matriz. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 d) Com relação ao argumento proferido pela DRJ de que ao sanar a irregularidade, os pleitos só poderiam compor novo pedido referente ao 2º trimestre de 2007, o Recorrente aduz que os créditos remontam ao tempo do pleito em discussão, não existindo restrição para que seja considerado no âmbito da regularização. Ao final, requer a reforma do acórdão 14.36.384 e o anterior despacho decisório n. 740/2006, para deferir integralmente o ressarcimento pleiteado nos autos, homologandose as respectivas compensações, e protesta pela realização de diligência e/ou regularização necessária. Subsidiariamente, em caso de manutenção da decisão, requer o reconhecimento do seu direito de formular novo pedido de ressarcimento para reconhecer seu crédito e, simultaneamente, utilizálo na compensação dos débitos que se tornarem exigíveis no presente processo, sem a incidência de multa ou juros de mora, pois nunca teria estado em mora, considerando que seus créditos superam os débitos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerados eletronicamente até a folha 346 (trezentos e quarenta e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Ressaltase que em razão do processo ter sido materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.001504/200210 Acórdão n.º 3402001.993 S3C4T2 Fl. 350 7 Voto Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Inicialmente cumpre esclarecer que o cerne da controvérsia versada nos autos cingese ao pedido de ressarcimento de saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes às contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), decorrentes de exportação no 1º trimestre de 2002. A razão apontada pela Autoridade Fiscal para o indeferimento do pleito em análise, deuse pelo fato da Recorrente ter registrado indevidamente o crédito presumido de IPI no livro de apuração da filial, quando a legislação determina a apuração centralizada na matriz, ou seja, em desacordo ao comando do artigo 15, inciso II, da Lei n. 9.779/1999. Não obstante o argumentado pela Recorrente e seu esforço na tentativa de corrigir a irregularidade cometida, a fim de possibilitar o ressarcimento do valor correspondente para o estabelecimento filial da empresa, devese observar o panorama jurídico que passo a descrever. Antes mesmo de se adentrar a análise da questão controvertida, cumpre trazer à baila o contexto histórico da legislação tributária que instituiu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, notadamente a Medida Provisória n° 725 e reedições, convertida na Lei n° 9.363/96, in verbis: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. [...] § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. [...] – Grifouse Art. 4° Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2° do art. 2°, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Logo, nos termos dos artigos retro, o contribuinte tinha a opção de apurar o crédito presumido de IPI de forma centralizada, ou, descentralizada. Tal medida foi alterada com o advento da Lei n° 9779/99, em que a centralização passou a ser obrigatória: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; Grifouse [...] Suprida essa fase e considerando que o crédito pleiteado pela Recorrente se refere ao 1º trimestre de 2002, período em que já estava em vigor a Lei n° 9.779/99, claro está que a apuração deveria ter sido realizada de forma centralizada, como bem reconhece a Recorrente. Desta feita, como não foi este o procedimento tomado pela Recorrente, passo a análise da questão controvertida, qual seja, a (im)possibilidade de correção da forma de apuração do crédito após a formalização do pedido e ulterior decisão pela DRF. Compreendo e verifico das provas apresentadas pelo contribuinte em homenagem ao principio da verdade material. No entanto, aos autos me atenho que o crédito presumido de IPI, alvo do pedido de ressarcimento foi realizado pela empresa filial, e ainda que retificadas as apurações para a forma centralizada na matriz, mantenho entendimento no mesmo sentido indicado pela DRJ/Ribeirão Preto, vez que o sujeito passivo indicado como Recorrente não faz jus ao direito creditório. Destaco trecho do voto da DRJ/RPO de fls. 307: [...] mesmo que a contribuinte efetue a apuração de forma centralizada na matriz, o valor correspondente não pode ser ressarcido para filiais, pois o crédito transferido da matriz para outros estabelecimentos não é ressarcível, conforme a norma aplicável: IN 21, de 10/03/1997: Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". (…) § 7º O estabelecimento que receber crédito por transferência de outro, inclusive do matriz, só poderá utilizálo para compensação com débitos do IPI, vedada a restituição ou o ressarcimento em espécie. (grifouse) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.001504/200210 Acórdão n.º 3402001.993 S3C4T2 Fl. 351 9 Portanto, não há como sanar a irregularidade apontada no Despacho Decisório de forma a permitir o ressarcimento pleiteado. Agreguese a isso que a contribuinte afirma que a apuração do crédito presumido foi refeita, porém os cálculos correspondentes não são apresentados nos autos. Ainda, a transferência do crédito somente se dá em 31/05/2007, conforme a nota fiscal correspondente e os registros nos livros de IPI, e, portanto, o crédito correspondente somente poderia, hipoteticamente, integrar pedido de ressarcimento referente ao 2º trimestre de 2007,caso não fosse proibido o ressarcimento desse crédito pelas normas aplicáveis. Cabe ressaltar que o indeferimento pelo Despacho Decisório da parcela referente ao crédito presumido, ao contrário do que entendeu a manifestante, não ataca diretamente o direito ao crédito, mas tãosomente a vinculação do seu ressarcimento ao estabelecimento filial, que é vedada pelas normas. O referido crédito presumido, verificadas sua materialidade e todas as demais condições estabelecidas nas normas, seria passível de ressarcimento por meio de pedido de ressarcimento vinculado ao estabelecimento matriz, mas não ao estabelecimento filial, como pleiteado pela contribuinte. Outra hipótese de utilização do referido crédito admitida pela legislação é sua transferência para o estabelecimento filial, conforme efetuado pela contribuinte, mas somente para dedução de débitos de IPI subseqüentes e não para ser pedido em ressarcimento. No tocante a outro argumento levantado pela Recorrente de que por não haver previsão legal na época da apresentação do PER/DCOMP (12/04/2002) quanto aos requisitos para se promover a retificação dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, deveriam ser admitidas as retificações efetuadas empresa, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como à economia, celeridade processual e eficiência administrativa, não vejo razão para prosperar. Não obstante, a regulamentação acerca das hipóteses de retificação do PER/DCOMP foram regulamentadas a partir da edição da IN/SRF 460/2004, no sentido de prever que sua admissão somente é possível no caso de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento, ou ainda, no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Por hora entendo que o contribuinte deve se ater ao fato de que no ano de 2007, quando a empresa efetivamente requereu a retificação do pedido, já estavam vigentes as regulamentações e critérios para a retificação de Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação, cujas normas tem aplicabilidade imediata por força do art. 144, do CTN. Dessa forma, o marco temporal a ser levado em consideração passa a ser o da legislação em vigor no ano em que foi solicitada a retificação, em que vigorava a IN/SRF n. 600/2005, da qual destaco os seguintes artigos: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2 º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. – Grifouse. Consequentemente, por mais esta razão, não há como prevalecer o interesse da Recorrente. De mesmo modo, com relação ao argumento da Recorrente de que os créditos remontam ao tempo do pleito em discussão não existindo restrição para que seja considerado no âmbito da regularização, em contraponto ao argumento da DRJ de que ao sanar a irregularidade, os pleitos só poderiam compor novo pedido referente ao 2º trimestre de 2007, entendo que por não se tratar de inexatidão material não se perquire aqui quanto ao prazo para fazer a retificação do pedido anterior diante de sua inviabilidade. Já no que tange a se apreciar, como pleito alternativo, como novo pedido de ressarcimento, aquele retificador, entendo que deverá ser objeto de discussão em processo próprio a ser instaurado a partir do trânsito em julgado da decisão administrativa deste processo, ora em análise, a partir da necessária análise do pedido de ressarcimento que fora Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10855.001504/200210 Acórdão n.º 3402001.993 S3C4T2 Fl. 352 11 efetivamente apresentado à administração pública a qual, diante do Direito de Petição, deverá sobre ela se manifestar, mas em processo próprio. Ante todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 4/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 19288.000035/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta.
Numero da decisão: 1803-001.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de multa por atraso na DCTF relativa ao mês de maio de 2010. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo eletrônico. b) O certificado digital que habilitaria cumprir a obrigação só foi adquirido em 08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. c) Ao processar as declarações apresentadas em janeiro a autoridade lançadora equivocadamente considerou que se tratava de uma nova declaração, quando na verdade era apenas a ratificação da declaração existente. d) As obrigações acessórias de apresentar declaração não podem ser punidas porque o impede o art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Cabe ao contribuinte o dever de cuidar de sua senha. Assim, supostas alegações da interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega delas. b) A recorrente tentou apresentar a declaração em 21/07/2010, em papel, tendo o requerimento sido indeferido. c) O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações. d) A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000035/201169 Acórdão n.º 180301.450 S1TE03 Fl. 2 3 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 09/09/2012 (extrato de fls. 59). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Alega a recorrente que a transmissão da DCTF foi impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. Diante desta situação, a contribuinte efetuou a entrega da declaração em papel. A autoridade administrativa indeferiu o requerimento de apresentação da DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): “A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio oculto. O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio oculto, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. (...) Nesse sentido e pelo acima exposto, indeferimos o pleito do contribuinte, eis que ausente previsão legal que o ampare, mormente na hipótese em que a legislação estabelece a forma para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, face à sua equiparação à pessoa jurídica”. O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta de participação no cadastro. Tanto é assim que, há previsão expressa de código de natureza jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 2127. A legislação oferece duas possibilidades às sociedades em conta de participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscreverse no CNPJ, e cumprilas tal como as demais pessoas jurídicas. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 4 Apesar do despacho decisório não ser objeto de discussão no presente processo, a análise de sua validade é essencial para a convicção acerca da existência da infração de atraso na entrega da declaração, esta sim, objeto da autuação questionada neste recurso. Tratase de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega da declaração. O prazo para apresentação da DCTF relativa ao mês de maio de 2010 encerrouse em 21/07/2010. A recorrente protocolou o requerimento de apresentação da DCTF em papel em 21/07/2010, ou seja, dentro do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 17). A decisão recorrida desconsiderou a declaração em papel por entender que não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. O contribuinte, impedido de cumprir obrigação acessória por meio da Internet, diligentemente enviou a DCTF em papel, protocolando requerimento na repartição, dentro do prazo legal. Em que pese a instrução normativa ser clara ao dispor que a DCTF deverá ser apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, o contribuinte não pode ser penalizado na hipótese dos presentes autos. Sua conduta não pode ser equiparada à do contribuinte que não efetuou nenhum esforço para cumprir a obrigação acessória dentro do prazo legal. A situação fática dos presentes autos não é a mesma do caso em que o contribuinte simplesmente entrega sua declaração fora do prazo, sem qualquer tentativa comprovada de cumprila, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. Como diz Eros Roberto Grau, em sua obra “Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: “Vou repetir mais uma vez: a norma é produzida, pelo intérprete, não apenas a partir de elementos colhidos no texto normativo (mundo do deverser), mas também a partir de elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de dados da realidade (mundo do ser). Por oportuno, trazemos à colação decisão do Poder Judiciário que analisa situação análoga: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE DCTF DE FORMA MANUAL. MULTA. CERTIFICAÇÃO DIGITAL. POSTERIOR. SENTENÇA PROCEDENTE. EFEITOS. INALTERADOS. TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. I É importante ressaltar que o juiz não está vinculado a examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000035/201169 Acórdão n.º 180301.450 S1TE03 Fl. 3 5 no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes a lastrear sua decisão. II Inicialmente, devese salientar que a discricionariedade da Administração Pública não pode sobrepor o limite da razoabilidade, na medida em que, caso não existisse o aludido limite, tornariase um verdadeiro obstáculo às empresas que cumprem com suas obrigaçõese e que por algum motivo não poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei por motivos alheios à sua vontade. III Vêse dos autos, que a impetrante agiu com toda a transparência, inclusive tendo buscado o cumprimento nos prazos fixados pela Receita Federal. Aliás, o procedimento necessário à obtenção de certificação não é automático, é complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites necessários, para a regularização. Registrese, ainda, que a impetrante não pretende postergar a entrega de qualquer declaração, apenas objetiva a autorização para momentânea entrega manual das declarações a que está obrigada, sem a imposição da multa prevista pela Receita. IV Não é demais, também, falar sobre o princípio da proporcionalidade. O grande fundamento deste princípio é o excesso de poder e o fim a que se destina é exatamente o de conter atos, decisões e condutas de agentes públicos que ultrapassem os limites adequados, com vistas ao objetivo colimado pela Administração, ou até mesmo pelo Poderes representativos do Estado. Significa que o Poder Público, quando intervém nas atividades sob seu controle, deve atuar porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve processarse com equilíbrio, sem excessos e proporcionalmente ao fim a ser atingido. V Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo manual, enquanto a impetrante providencia a certificação digital, ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. VI Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, persistem os efeitos da sentença que tornou o débito inexigível até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que não ocorreu, acarretando, o descumprimento, em afronta ao disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). VII – Remessa necessária e apelação não providas.”(AMS 2005.51.01.0167166, sessão em 12/04/2011). Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos não houve descumprimento da obrigação acessória, tendo a recorrente entregue a declaração no prazo, valendose do meio possível na época dos fatos, qual seja, a entrega em papel na repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração – não se materializou, e portanto, não pode dar azo à imposição de penalidade. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 6 No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, tratase de matéria sumulada neste Conselho: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000035/201169 Acórdão n.º 180301.450 S1TE03 Fl. 4 7 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela internet, por falta da indispensável assinatura digital, decorreu, unicamente, da culpa in eligendo e in vigilando da Recorrente, a qual, de nenhum modo, poderia alegar desconhecimento da legislação pertinente. Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela falta da necessária assinatura digital. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 18050.004708/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 18050.004708/200875 Resolução n.º 2301000.213 S2C3T1 Fl. 2 2 Relatório e Voto: A recorrente suscita a conexão entre o presente processo e outros dois que aponta, o que suscita analisarmos a legislação que rege a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 18050.004708/200875 Resolução n.º 2301000.213 S2C3T1 Fl. 3 3 O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 18050.004708/200875 Resolução n.º 2301000.213 S2C3T1 Fl. 4 4 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 18050.004708/200875 Resolução n.º 2301000.213 S2C3T1 Fl. 5 5 Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 18050.004708/200875 Resolução n.º 2301000.213 S2C3T1 Fl. 6 6 partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, está requerida explicitamente a conexão com citação dos números dos processos, bem como os fatos narrados são similares. Verificamos no eprocesso que as NFLDs ainda não foram distribuídas(estão no SECOJ em para distribuir). Constatamos que o caso realmente sem a NFLD não dá para julgar, pois a recorrente não se defendeu do mérito, a confiar na conexão. São os seguintes os processos para os quais deveria ser analisada a conexão para distribuição simultânea para o primeiro relator sorteado: 18050004708/200875 , 18050004723/200813, 18050000015/200722 . Por todo o exposto voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, de modo que seja analisada a conexão entre os processos 18050004708/2008 75 , 18050004723/200813, 18050000015/200722, redistribuindoos ao primeiro relator sorteado. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
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