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Numero do processo: 36958.000807/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005
DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinam-se a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular por vício formal a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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COMISSÕES. Recorrentes UNIÃO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005 DIÁRIAS. VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga ao empregado quando não fica demonstrado que os pagamentos destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não há prestação de contas dos gastos realizados pelo empregado. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 07 /2 00 7- 65 Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular por vício formal a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.474 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário interpostos em face do Acórdão n.º 0934.026 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 13311345, com ciência ao sujeito passivo em 26/04/2011, fl. 1389, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 35.778.8354, da qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 12/12/2005, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal de fl. 156162, o lançamento trata de exigência de contribuições destinadas à Seguridade Social devidas pelos segurados empregados, pelos segurados autônomos/contribuintes individuais e pela empresa, inclusive as destinadas ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como as contribuições devidas aos terceiros (salário educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). De acordo com o relatório fiscal, fl. 156162, as contribuições referemse ao período de 02/1998 a 08/2005 e incidiram sobre: a) valores pagos a motoristas a título de diárias de viagens em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal, identificados nos registros contábeis da conta “4.1.02.01.0004 viagens e estadias”; b) valores pagos a supervisores de vendas a título de ajuda de custo de despesas de viagens sem comprovação, identificados em folhas de pagamento; e c) valores pagos aos representantes comerciais autônomos a título de comissões, identificados nos registros contábeis, na conta “4.2.01.01.0006 comissões de representantes”. Foram juntados os seguintes demonstrativos dos fatos geradores: a) planilha “Diárias de Motoristas”, contendo relação nominal dos motoristas, valor dos proventos, das diárias, da contribuição retida e da contribuição a recolher; fl. 204557, acompanhada de documentos da empresa denominados “acertos de motoristas”, juntados por amostragem, fl. 558568; e b) planilha “Ajuda de Custo”, contendo relação nominal dos beneficiários do pagamento de ajuda de custo, o valor recebido e a diferença de contribuição do segurado a recolher, fl. 569632. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, fl. 640667, sustentando, em síntese, que os pagamentos de diárias e de ajuda de custo destinamse a ressarcimento de despesas, que os pagamentos de diárias não coincidem com a data da viagem do motorista, de modo que não são representativos da competência do fato gerador, e que os valores pagos aos representantes comerciais são, na verdade, repasses dos incentivos/gratificações dados pelos fornecedores aos representantes de seus produtos. Juntou documentos de acerto de viagens de alguns motoristas, acompanhados de relatórios de notas fiscais e de recibos de pagamentos diversos, fl. 676772. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) em Uberlândia (MG) converteu o julgamento em diligência, fl. 776. Em atendimento à diligência, foi emitida informação fiscal, fl. 778783, reiterando as exigências incidentes sobre pagamentos feitos aos supervisores de vendas e aos representantes comerciais, e, com relação aos pagamentos de diárias aos motoristas, reconheceuse que a Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 competência do fato gerador é o mês do deslocamento do empregado, o que nem sempre coincide com o mês do registro contábil da despesa referente ao acerto de viagem, adotada no lançamento para identificar a competência do fato gerador. Diante disso, a fiscalização sugeriu o desmembramento da parte do lançamento relativa às diárias, para revisão. Acompanharam a informação fiscal os seguintes demonstrativos: a) “planilha de verificação do valor das diárias utilizadas efetivamente dentro do mês de viagem”, fl. 784794, b) “demonstrativo atual do valor básico de diárias por rota a partir de janeiro/04, aproximadamente”, fl. 795800; c) documentos de acertos de motoristas, f. 802862. A respeito da informação fiscal houve manifestação da interessada às fl. 879 882. A impugnação foi considerada improcedente e foi mantido o lançamento tributário, conforme julgamento da Seção do Contencioso Administrativo da SRP em Uberândia (MG), nos termos da DecisãoNotificação (DN) nº 11.430.4/0190/2006, fl. 883897. A autuada recorreu da decisão, fl. 909944, e o recurso foi julgado por este Conselho, que decidiu pela nulidade da decisão recorrida, nos termos do Acórdão CARF nº 230100.154 da 3a Câmara/1a Turma Ordinária/2a Seção de Julgamento, sessão de 04/05/2009, rel. Marco André Ramos Vieira, fl. 961964. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 30/08/2005 VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Processo Anulado Segue trecho do fundamento adotado no voto condutor: A Decisão de primeira instância não afastou os argumentos colacionados pela fiscalização. O julgador a quo não afirmou porque não deveriam ser desmembrados os autos, tampouco superou a afirmação fiscal de que algumas viagens possuem os acertos efetuados em mês posterior ao da viagem. E como é cediço a autoridade julgadora não pode substituir a autoridade lançadora, se esta afirmou que pôde identificar lançamentos indevidos, deveria a autoridade julgadora considerar e ter pelo menos julgado procedente em parte o lançamento. Com isso, os autos retornaram à origem para emissão de nova decisão, agora pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) em Juiz de Fora (MG), a qual, em 06/04/2010, converteu o julgamento em diligência, fl. 974979. Em atendimento, a fiscalização emitiu informação fiscal às fl. 9971003, e sugeriu, com base na análise da contabilidade da empresa em cotejo com os documentos de acertos de viagem, a retificação da parte do lançamento relativa às contribuições incidentes sobre o pagamento de diárias diante da necessidade de adequar a competência do fato gerador à data da viagem do motorista, que não correspondia, necessariamente, à data do registro contábil do pagamento de diárias, tendo elaborado os seguintes documentos emitidos de acordo com a nova sistemática: a) planilha por estabelecimento contendo relação nominal do Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.475 5 motorista, sua remuneração, valor da diária e diferença de contribuição do segurado, fl. 1004 1309, e b) acertos de motoristas não contabilizados, fl. 13101325. Em substituição à decisão anulada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG) emitiu o Acórdão n.º 0934.026, e julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário lançado, com exclusão das competências anteriores a 12/2000 em razão da decadência, bem como dos valores indevidos de contribuições incidentes sobre diárias pagas aos motoristas após acerto da competência do fato gerador, nos termos da informação fiscal de fl. 9971003. O julgado restou assim ementado: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA ANULADA POR FALTA DE CLAREZA NA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA. O reconhecimento pela autoridade lançadora da possibilidade de inadequação na apuração da competência equivalente à ocorrência do fato gerador ocasiona dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito tributário. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. No âmbito do lançamento por homologação, havendo algum pagamento, o prazo para constituir de ofício o crédito tributário relativo a eventuais diferenças encontradas pelo Fisco deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADOS E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AJUDA DE CUSTO DIÁRIAS. COMISSÕES. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo em desacordo com as hipóteses de exclusão estabelecidas pela legislação previdenciária. A legislação previdenciária prevê a integração do total das diárias pagas ao salário de contribuição quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. E devida a contribuição previdenciária sobre pagamento de remunerações a título de comissões a segurados contribuintes individuais. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas durante o mês. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Considerando o valor do crédito tributário exonerado, a decisão foi submetida a este Conselho para reexame necessário. Em 25/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso voluntário parcial, fl. 13901426, repetido às f. 14301467, no qual deixou de contestar a parte do lançamento tributário relativa aos valores pagos aos representantes comerciais autônomos a título de comissões. Com relação às demais matérias apresentou suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por entender que os vícios apontados no acórdão que anulou a decisão de primeira instancia não foram sanados, considerando que a decisão recorrida manteve os valores pagos aos motoristas pelo ressarcimento de suas despesas de viagens, presumindo a natureza de diária com base apenas nos registros contábeis. Alega, também, cerceamento de defesa diante da falta de demonstração numérica do cálculo do valor das diárias e de fundamentação fática e jurídica quanto ao uso da técnica do arbitramento. Argumenta que o prazo de trinta dias é insuficiente para analisar os dados da “planilha 01”, de modo que solicita prorrogação do prazo para complementação da defesa e apresentação de provas, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Alega que a autoridade lançadora desconsiderou formais registros contábeis da recorrente, presumiu a ocorrência do fato gerador e arbitrou o crédito tributário adotando a metodologia de cálculo narrada no relatório fiscal. Acrescenta que não questiona a utilização do critério de presunção e arbitramento, mas discorda da ausência da descrição, no relatório fiscal, do uso do arbitramento, dos critérios adotados e do correspondente fundamento legal. Justifica sua tese afirmando que constitui arbitramento considerar pagamentos realizados a título de contraprestação de despesas operacionais como se salários fossem, contrariando os registros contábeis e fiscais da empresa. Cita decisões administrativas reconhecendo a nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal do arbitramento. No mérito, insurgese contra a incidência de contribuições sobre os pagamentos realizados aos supervisores de vendas e aos motoristas. Com relação à ajuda de custo paga aos supervisores de venda, argumenta que se trata de indenização de despesas de viagens com veiculo próprio, como combustível e quilometragem, e demais despesas de alimentação, hospedagem, ligações telefônicas, etc, de caráter indenizatório, de modo que não integra o salário, conforme art. 457 § 2o da CLT, e também não integra o salário de contribuição por aplicação analógica das alíneas “b”, “m” e “s” do § 9o do artigo 28 da Lei 8.212/91. Acrescenta que a habitualidade do pagamento não lhe retira o caráter indenizatório, conforme jurisprudência e doutrina citadas. Com relação às diárias pagas aos motoristas, argumenta que não ocorreram pagamentos de diárias excedentes a cinqüenta por cento do salário mensal e que a conclusão da fiscalização está equivocada porque não considerou a competência correta do pagamento da diária, que é o mês do envio da carga ao motorista, demonstrando, por amostragem, equívocos Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.476 7 cometidos nos cálculos das diárias dos motoristas Edson Pereira Fades e Alexsandro Romero de Aguiar, conforme documentos em anexo. Explica que distribui seus produtos em sistema de transbordo, o qual consiste no envio de várias cargas através de carretas conduzidas pelos motoristascarreteiros, para distribuição pelos motoristasentregadores, os quais permanecem na região de entrega por várias semanas, ultrapassando o limite de um mês, chegando até a três meses. A recorrente faz adiantamentos de valores para despesas de viagem ao motoristaentregador antes dele sair de viagem e a cada nova carga a ele enviada pelo sistema de transbordo. O desembolso dos valores é efetuado pela empresa quando da emissão das notas fiscais e envio da carga para entrega, enquanto que o acerto da viagem com apuração das diárias de viagem, compreendendo as várias cargas distribuídas, é realizado no retorno do motoristaentregador à sede da empresa. Alega também que na apuração do valor das diárias indevidamente foram considerados pagamentos de despesas operacionais. Cita, a título de exemplo, os casos dos motoristas Adalberto José Rafael e Alex Rosa de Lima para demonstrar que se considerou diária pagamento de guincho, refeição do período excedente (caminhão estragado) e despesas do motorista trainee, conforme documentos em anexo. Explica que essas despesas foram contabilizadas indevidamente como diárias. Com base nos documentos anexos aos autos, relativos ao motoristacarreteiro Juvenal Pereira de Rezende, esclarece que os motoristascarreteiros não auferem diárias, mas tão somente adiantamento para despesas de viagem (refeições, hospedagem, etc) com prestação de contas quando do retorno, ocasião em que são efetivamente contabilizadas tais despesas, o que é feito a título de diárias. Sustenta que as diárias de viagens que ultrapassem o percentual de cinqüenta por cento não constituem salário desde que o empregador demonstre que as diárias, ainda que elevadas, visam a atender às necessidades com viagens, conforme jurisprudência colacionada. Pede que seja dado provimento ao recurso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Diárias. Preliminar de invalidade do lançamento. Insuficiente Demonstração da base de cálculo. Presunção e Arbitramento. A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento e se este foi feito com base em presunção. As contribuições incidentes sobre diárias pagas aos motoristas foram inicialmente apuradas com base nos lançamentos contábeis contendo histórico de diárias, registrados na conta contábil “viagens na distribuição”, considerandose ocorrido o fato gerador na data do registro contábil do pagamento da diária. Admitindo tese da defesa, a fiscalização propôs a retificação do lançamento, o que foi acatado pela decisão de primeira instância ora recorrida, passandose a considerar a ocorrência do fato gerador na data da viagem do motorista ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada. As datas e os valores das diárias pagas foram então apurados com base na contabilidade da empresa, mediante cotejo dos dados dos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta nº 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. Conforme visto, a diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data do fato gerador do tributo, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta nº 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. Considerando que a empresa contabiliza na conta contábil nº 392 os pagamentos de diárias juntamente com pagamentos de despesas de viagem relativas à manutenção do veículo, alimentação do motorista, pedágio, despesas com guinchos, dentre outras, a fiscalização analisou os registros da conta contábil nº 392 e selecionou aqueles com histórico de pagamento de diárias e excluiu os registros contábeis que entendeu impertinentes, adotando os seguintes critérios, conforme consignado na segunda informação fiscal de fl. 997 1003: Da seleção dos lançamentos excluímos os transbordos, despesas de viagens, deixando um único lançamento para cada carga; Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.477 9 A conta 392 registra geralmente dois lançamentos para um mesmo número de carga, essa duplicidade foi excluída para possibilitar a conciliação correta; Acertos de diárias da conta 326, no período de 2000 a 2002, foram contabilizados em grupos, de modo que trazem diversas cargas num único lançamento. Em casos assim consideramos somente um número de carga, geralmente o último, mas quando esse número estava incompleto adotamos o primeiro da linha; Valores lançados a crédito foram confrontados com os valores a débito da mesma carga e deduzidos; Os arquivos magnéticos do Razão na competência 09/2000, fornecidos pela empresa em 2005, continham na verdade lançamentos de 08/2000. Solicitamos essa documentação no Termo de Intimação Fiscal 01, mas não fomos atendidos, dai a redução de lançamentos de diárias deste período. A planilha juntada às fl. 10041309 consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento não atingido pela decadência. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a planilha citada apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. O fundamento jurídico do lançamento é o pagamento de diárias e está claramente identificado no relatório fiscal e nas informações fiscais que o acompanham, sendo que os documentos juntados aos autos, a priori, não são capazes de provar que se trata de verbas ressarcitórias de despesas de viagem. Existem nos autos recibos de pagamento de arrastamento de caminhão e recibos emitidos por restaurantes, alguns com descrição de pagamento de refeições e outros sem especificação do serviço prestado. Os recibos estão acompanhados dos documentos da empresa chamados de “acertos do motorista”. É a prestação de contas do motorista, onde se registram os débitos, geralmente valor da mercadoria transportada e numerário de adiantamento de viagem, e os créditos, tais como, pagamento da mercadoria, mercadorias devolvidas, numerários devolvidos, despesas de viagem e diárias. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 De acordo com a sistemática adotada pela empresa, os recibos juntados aos autos referemse à prestação de contas de despesas que são ressarcidas pela recorrente e que são controladas nos acertos dos motoristas, onde são identificadas pela rubrica “despesas de viagem”. Essas despesas são controladas nos acertos dos motoristas separadamente das diárias. Com relação às diárias, não há qualquer documento relacionado aos seus valores, podendose afirmar que os gastos vinculados às diárias não estão sujeitos à prestação de contas. As planilhas abaixo demonstram a análise de todos os documentos juntados ao processo, a qual embasa as conclusões aqui expostas: Tabela 1 – Documentos Anexos à Impugnação e Analisados na Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motoris ta Acerto do Motorista Recibos Despesas Viagem Despesa Viagem (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls Descrição Recibo Conclusão Edson Pereira Frades 0,00 159,00 677 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 240,00 681 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 173,00 685 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Alexsa ndro Romero de Aguiar 0,00 196,00 692 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 199,00 696 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 177,00 700 0,00 diárias sem prestação de contas Total 0,00 572,00 0,00 Adalber to Jose Rafael 220,00 315,00 706 10/02/2004 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/02/2005 50,00 708 arrastamento diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem s/data 70,00 709 n/c diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 220,00 315,00 220,00 Alex Rosa de Lima 0,00 194,00 718 0,00 diárias sem prestação de contas 0,00 167,00 715 0,00 diárias sem prestação de contas 90,00 168,00 721 09/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 10/06/2005 15,00 724 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 07/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 08/06/2005 15,00 725 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 06/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 05/06/2005 15,00 726 despesa (treinamento mot 4010) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 90,00 529,00 90,00 Juvenil P.Reze nde 108,00 0,00 730 09/03/2005 108,00 731 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 732 10/03/2005 54,00 733 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 734 14/03/2005 72,00 735 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 736 19/03/2005 108,00 737 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 738 19/03/2005 72,00 739 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 740 26/03/2005 72,00 741 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 742 31/03/2005 90,00 743 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 744 07/04/2005 108,00 745 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 747 12/04/2005 72,00 747 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 748 15/04/2005 54,00 749 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.478 11 108,00 0,00 750 22/04/2005 108,00 751 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 72,00 0,00 752 27/04/2005 72,00 753 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 754 06/05/2005 126,00 755 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 138,00 0,00 756 12/05/2005 138,00 757 758 refeição/des pesa Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 90,00 0,00 759 19/05/2005 90,00 760 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 761 24/05/2005 54,00 762 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 162,00 0,00 763 06/06/2005 162,00 764 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 765 11/06/2005 108,00 766 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 54,00 0,00 767 14/06/2005 54,00 768 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 126,00 0,00 769 18/06/2005 126,00 770 refeição Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) 108,00 0,00 771 23/06/2005 108,00 772 refeiçao Valor expressivo e múltiplo de R$ 18,00 (valor tabelado da diária) Total 1.956,00 0,00 1.956, 00 Tabela 2 – Documentos Anexos à Informação Fiscal de fl. 778783 (Primeira Informação Fiscal) Motorista Acerto do Motorista Recibos Nº Despesa Viag (R$) Diárias (R$) fls Data Valor (R$) fls Descrição Recibo Conclusão João Severino G Neto 24570 50,00 0,00 802 01/04/2004 50,00 803 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 26054 120,00 0,00 804 29/04/2004 120,00 805 despesa com arrasto caminhão Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 170,00 0,00 170,00 Luiz Mauro dos Santos 53743 118,00 0,00 806 28/04/2005 108,00 807 6 refeições de R$18,00 Valor de diária conforme doc. Anexo (ver a linha abaixo) 53677 0,00 108,00 808 810 Anexo ao acerto 53743 56672 54,00 0,00 815 18/05/2005 54,00 816 3 despesas (restaurante) Valor de diária conforme doc. Anexo (ver a linha abaixo) 56593 0,00 54,00 817 818 Anexo ao acerto 56672 Total 172,00 162,00 108,00 Luiz Mário de Carvalho 55561 108,00 0,00 811 12/05/2005 108,00 812 refeição Valor de diária conforme doc anexo (ver a linha abaixo) 55554 0,00 108,00 813 814 Anexo ao acerto 55561 Total 108,00 108,00 108,00 Cadimo Duarte Raposo 56513 90,00 0,00 819 18/05/2005 90,00 820 5 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 58301 90,00 0,00 821 02/06/2005 90,00 822 5 refeições Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 51827 90,00 0,00 823 13/04/2005 90,00 824 5 refeições Valor de diária conforme doc anexo (ver a linha abaixo) 51820 0,00 90,00 825 826 Anexo ao acerto 51827 Total 270,00 90,00 270,00 Rogerio Silva Freitas 35937 15,00 133,00 827 27/09/2004 15,00 828 despesa de transbordo diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 15,00 313,00 15,00 Vladimir Domingos Souza 27769 15,00 104,00 829 31/05/2004 15,00 830 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33254 15,00 98,00 831 18/08/2004 15,00 832 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33969 15,00 99,00 833 29/08/2004 15,00 834 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 31757 15,00 139,00 835 29/07/2004 15,00 836 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33580 15,00 86,00 837 25/08/2004 15,00 838 despesa de transbordo (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 30,00 0,00 849 20/04/2004 30,00 850 2 despesas (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 105,00 526,00 105,00 Serapião 29333 30,00 98,00 839 20/06/2004 30,00 840 2 refeições diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ferreira Leal rubrica despesas de viagem 24904 25,00 0,00 847 10/04/2004 25,00 848 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 55,00 98,00 55,00 Abadio Almeida Ribeiro 26965 15,00 0,00 841 12/05/2004 15,00 842 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25336 15,00 0,00 843 14/04/2004 15,00 844 despesa (restaurante) Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 29922 15,00 107,00 845 01/07/2004 15,00 846 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 24904 15,00 113,00 853 14/07/2004 15,00 854 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 25710 15,00 97,00 855 04/08/2004 15,00 856 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35947 15,00 122,00 857 13/10/2004 15,00 858 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 33075 15,00 120,00 859 19/08/2004 15,00 860 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem 35946 15,00 96,00 861 24/09/2004 15,00 862 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 120,00 655,00 120,00 Alex Rosa de Lima 36856 15,00 186,00 851 11/04/2004 15,00 852 despesa (restaurante) diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem Total 15,00 186,00 15,00 O problema levantado pela recorrente é que os valores que integram a rubrica “despesas de viagem” em alguns casos foram contabilizados com o histórico de diárias, de modo que, a fiscalização, ao adotar o critério do histórico da conta contábil, sem analisar os documentos de caixa a eles correspondentes, efetuou o lançamento por presunção. Essa alegação não é capaz de macular a identificação do fato gerador, pois o fato tributário foi extraído da contabilidade da empresa, segundo a classificação por ela adotada, e a contabilidade faz prova contra as sociedades empresariais, conforme estatui o Código Civil, art. 226 e do Código de Processo Civil, art. 378. Código Civil Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Código de Processo Civil Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. A eficácia probatória da contabilidade só pode ser afastada diante de prova contundente do erro cometido, cujo ônus é da recorrente. A recorrente apresentou, por amostragem, os documentos vinculados aos motoristas Adalberto José Rafael, Alex Rosa de Lima e Juvenil Pereira de Rezende (relacionados na Tabela 1 deste voto), a fim de comprovar que sua contabilidade classificou como diárias o que na verdade são ressarcimentos de despesas de viagem de motoristas. Esses documentos foram analisados pela fiscalização na primeira informação fiscal de fl. 778783, conforme consta da Tabela 1 deste voto. A fiscalização identificou despesas de arrasto de caminhão contabilizadas pela empresa com o histórico de diárias, que é o caso do motorista João Severino G. Neto (ver tabela 2 deste voto). Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.479 13 Além disso, a fiscalização afirmou que os recibos contendo despesas com refeições foram ressarcidos pela recorrente quando do acerto de viagens, e que, independente disso, a recorrente pagou diárias sem exigir prestação de contas, conforme ficou demonstrado nas Tabelas 1 e 2 deste voto (ver os casos em que se concluiu pela existência de “diárias sem prestação de contas. Recibos vinculados à rubrica despesas de viagem”). Mas a fiscalização também analisou alguns documentos de despesas de viagem e concluiu que se tratavam de pagamento dissimulado de diárias. Explicou que o valor das diárias é tabelado, mas identificou casos em que a empresa pagou diárias muito superiores ao que seria devido no mês e que essa situação não foi justificada pela empresa, citando, como exemplo, os pagamentos feitos em 2004 ao motorista Abadio Almeida Ribeiro. Quanto ao motorista Juvenil Pereira de Rezende, constatou que o valor dos recibos de alimentação é muito alto e é múltiplo de dezoito reais, que é o valor tabelado das diárias (ver Tabela 1 deste voto). Observou que isso ocorreu em todos os recibos apresentados pela empresa em 2005, sendo que, em alguns deles, o recibo consigna a quantidade multiplicada por R$ 18,00, citando, como exemplo, o acerto 56672 (ver Tabela 2 deste voto). Identificou acertos de viagens de motoristas que registram despesas de viagem mas o documento a ele anexo trata o mesmo valor como diárias pagas (ver na tabela 2 deste voto os exemplos de valores analisados pela fiscalização como pagamentos de diárias “conforme doc. Anexo”, sendo que o Anexo também está identificado na tabela 2). Entretanto, nem as informações fiscais nem a decisão recorrida deixam claro se no lançamento tributário esses documentos foram considerados despesas ou diárias e, por conseguinte, se esses valores foram excluídos ou não da base de cálculo. Repito que a dificuldade da análise dessa questão, neste foro, decorre da ausência de informação detalhada da composição da base de cálculo. Constatase, entretanto, que os documentos apresentados não desnaturam o fato gerador, ao contrário, o confirmam. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen1: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: 1 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Na espécie, o vício atinge somente a parte do lançamento relativa ao pagamento de diárias, devendo ser desconstituído somente o crédito tributário decorrente deste fato gerador. Por fim, é recomendável a realização de lançamento substitutivo. Mérito Por incompatibilidade, deixo de apreciar as questões de mérito do recurso voluntário relacionadas ao lançamento sobre pagamento de diárias. A matéria relativa ao pagamento de comissões aos representantes autônomos não foi contestada no recurso, restando preclusa. Passo à análise das demais matérias. Ajuda de Custo. Natureza. Prova Cabe aqui analisar a natureza jurídica da ajuda de custo paga pela empresa aos supervisores de vendas. A recorrente explica que essa verba é paga aos supervisores de vendas em ressarcimento a despesas inerentes ao trabalho, como quilometragem pelo uso de veículo para fazer frente às despesas com combustível e desgaste do automóvel, ligações telefônicas e despesas de alimentação e hospedagem decorrentes de viagens a serviço, mas deixou de demonstrar, com documentos e demais meios de prova, que os pagamentos tiveram essa finalidade. As parcelas destinadas ao ressarcimento de despesas necessárias à execução do trabalho não integram o salário de contribuição, pois não são pagas em retribuição ao trabalho, mas, para isso, deve ficar comprovada a despesa incorrida. Nessa linha, a Lei 8.212/91, art. 28, § 9o, “s” expressamente prevê que os pagamentos feitos para ressarcir as despesas pelo uso de veiculo do empregado não integram o salário de contribuição, desde que devidamente comprovadas. Art. 28... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) A alínea “m” do mesmo artigo, invocada pela recorrente, não se aplica à espécie, pois cuida da hipótese de indenização ao empregado nos casos de remoção, ou seja, quando há alteração do local de prestação de serviço previsto no contrato de trabalho sem Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36958.000807/200765 Acórdão n.º 2402004.459 S2C4T2 Fl. 1.480 15 mudança de domicílio (caput do artigo 469 da CLT). Diferenciase das viagens a serviço, onde o empregado se desloca para outras localidades sem que haja alteração do seu domicílio nem do contrato de trabalho quanto ao local da prestação do serviço. Art. 28 ..... m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O artigo 457, § 2o da CLT, também suscitado pela recorrente, realmente exclui do salário a parcela paga pela empresa a título de ajuda de custo. Entretanto, não se aplica à espécie, pois, conforme entendimento de grande parte da doutrina, a ajuda de custo de que trata este dispositivo legal não é a parcela paga para fazer frente a despesas relacionadas ao exercício regular da atividade laboral, mas sim aquela “correspondente a um único pagamento, efetuado em situações excepcionais, em geral para fazer face às despesas de transferência do empregado ocorridas no interesse do empregador” 2. Em suma, não ficou comprovado que os pagamentos feitos a título de ajuda de custo destinamse a ressarcir despesas inerentes à execução do trabalho e não ficou comprovada a prestação de contas dos gastos realizados. Na falta da prova do caráter ressarcitório das verbas pagas, independentemente de sua denominação, esses valores são considerados remuneração e integram o saláriodecontribuição. Recurso de Ofício. Decadência. Exclusão de pagamentos lançados a título de Diárias O crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera o valor de um milhão de reais, pressuposto do recurso de ofício, cabendo a este Conselho o reexame da decisão, nos termos da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A decisão de primeira instância excluiu do lançamento as contribuições lançadas no período anterior a dezembro de 2000 em aplicação à tese de decadência quinquenal com base no art. 150 § 4o do CTN, por ter constatado, em consulta ao banco de dados de arrecadação da Receita Federal do Brasil (RFB), recolhimentos de contribuições. O período 2 DE BARROS, Alice Monteiro. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ed. LTR, 2011, p. 636. A autora também afirma que essa é a posição de grande parte da doutrina, como Amauri Mascaro Nascimento (O Salário. São Paulo: LTr, 1996, edição facsimilada, p. 327), Orlando Gomes e Élson Gottschalk (Curso de Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 239 – atualizador: José Augusto Rodrigues Pinto), Arnaldo Sussekind (Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. OP.cit., 1964, vol. II, p. 36), Adriano Capanhole (Prática e Jurisprudência Trabalhistas, 1962, p. 321), Marly Cardone (Viajantes e Pracistas no Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 51) e Délio Maranhão (Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1979, p. 193). Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 atingido pela decadência abrange somente as contribuições lançadas sobre os pagamentos de diárias. Além disso, o acórdão recorrido acatou exclusões de valores da base de cálculo do lançamento relativo às diárias, sugeridas na segunda informação fiscal, fl. 9971003. Enfim, o recurso de ofício tem por objeto a parte do lançamento relativa ao crédito tributário decorrente do pagamento de diárias, a qual está fulminada por nulidade. Portanto, deixo de conhecer do recurso de ofício por perda de objeto. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, anulando, por vício formal, a parte do lançamento relativa ao crédito tributário decorrente do pagamento de diárias e por não conhecer do recurso de ofício. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.004501/2003-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, refere-se à impossibilidade de indicação do mesmo Auditor-Fiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, ainda que parcial, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4); b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplica-se a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. MOMENTO.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO.
Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO DO PAF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. PRESCINDIBILIDADE.
Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revela-se prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias.
Pedido de Realização de Diligências e Perícias Indeferido
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de diligências e perícias, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 45.000,00. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, referese à impossibilidade de indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, ainda que parcial, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4); b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 01 /2 00 3- 44 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 437 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. MOMENTO. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO DO PAF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. PRESCINDIBILIDADE. Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias. Pedido de Realização de Diligências e Perícias Indeferido Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de diligências e perícias, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ Fl. 437DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 438 3 45.000,00. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 683.040,32, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, em procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do “Termo de Verificação Fiscal”, às fls. 104/105 deste processo digital, que: A movimentação financeira informada pelos bancos se mostrou incompatível com os rendimentos do contribuinte, referente ao período de 1998, dada a condição de "OMISSO" em que o mesmo se encontrava em relação à sua Declaração de Imposto de Renda de 1999 — DIRPF/99. Em atendimento à intimação constante do Termo de Início de Fiscalização, de 18/06/03, o contribuinte apresentou extratos de 1998 dos seguintes bancos: Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A. Mediante os extratos apresentados apurouse, em ambas as instituições financeiras, um total de R$ 980.285,05 de depósitos efetuados em 1998, sendo que, deste total, R$ 136.313,78 se referem a soma de depósitos individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e R$ 843.971,27 se referem a soma de depósitos individuais superiores a R$ 12.000,00. O contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos bancários efetuados em seu nome. No entanto, até a presente data, em que pese o suficiente prazo concedido, além dos dias excedentes, o mesmo não apresentou nenhum documento de forma a atender as exigências solicitadas. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 439 4 Assim, foi considerada como omissão de rendimentos a totalidade dos depósitos efetuados em 1998, no valor de R$ 980.285,05, cujas fontes de recursos não foram comprovadas, razão pela qual, em obediência ao art. 42 da Lei 9.430/96, foi submetido à tributação mediante a lavratura do competente Auto de Infração. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 115/120. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 199/208, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF Com o advento da Lei n° 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. DESCABIMENTO. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de trazer aos autos, tanto durante a fiscalização quanto na impugnação, documentos e esclarecimentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, é de se indeferir a solicitação do pedido de diligência/perícia com o intuito de suprir a ausência de provas que o contribuinte já poderia ter juntado à impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/07/2008 (fl. 216), o Interessado interpôs, em 13/08/2008, o recurso de fls. 220/253, acompanhado do “Rol de Diligências e Perícias” de fls. 254/257 e dos documentos de fls. 258/432. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Decadência Foi cientificado do lançamento em 11/12/2003. O fato gerador aconteceu no ano de 1998. O prazo decadencial de 05 (cinco) anos findouse em 31/12/2002. Portanto, a Autoridade administrativa perdeu o direito de cobrar do contribuinte qualquer imposto relativo ao ano de 1998. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 440 5 Em consonância com o § 4º do art. 150 do CTN, o crédito tributário deve ser exigido somente até 05 (cinco) anos da data do fato gerador. Assim, o contribuinte, ora Recorrente, não pode ser acionado nem cobrado pela Autoridade administrativa, pois está extinto o crédito em face da decadência ocorrida, conforme entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. No caso de não ser acolhida a decadência na forma mencionada acima, deve ser aplicada ao caso em tela a decadência mensal, conforme decisão dada no processo n° 10510.003107/200526, Acórdão 10422.439, Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Portanto, o Recorrente requer que seja aplicada a decadência mensal nos últimos 05 (cinco) anos contados da data do lançamento de ofício, ou seja, de 11/12/2003. Logo a apuração deverá abranger apenas o período de 12/12/1998 a 31/12/1998. Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal Contra o Recorrente foi aberto o MPF n° 0813400 2001 00773 4, em nome do AuditorFiscal da Receita Federal Sr. Milton Hirotsugu Inoue, tendo sido extinto pelo decurso do prazo de validade. Porém, foi reaberto outro MPF n° 08.1.90.0020030097251 em nome do mesmo Auditor, em total desrespeito ao disposto no parágrafo único do artigo 16 da Portaria SRF n° 3007, de 26/11/2001. O artigo 7º da mesma Portaria exige forma e requisitos específicos que deverão conter no MPF e que não foram cumpridos, quais sejam: o prazo de duração do MPF, o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado; o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; o código de acesso à internet que permitiria ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF, tudo em total afronta aos incisos IV, VI, VII e VIII do referido artigo. O Contribuinte não tomou ciência no Termo de Início de Fiscalização, fl. 43, onde se solicitava a apresentação de documentos e a comprovação de origem de recursos, pois o local para tanto está em branco. Cerceamento de defesa Com a falta de orientação do AuditorFiscal no sentido de cumprir a determinação prevista no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, o Recorrente deixou de apresentar as exigências do decreto, juntando apenas os extratos bancários e os contratos das empresas, apesar de constarem nos contratos todas as informações, nomes e endereços que facilitariam a realização das diligências. Assim, sem a comunicação da negativa da diligência, o Recorrente não teve como buscar por meios próprios a obtenção dos comprovantes de depósitos que estão em poder das empresas. As instituições financeiras seguem as normas constitucionais e possuem procedimentos internos que não permitem a quebra de sigilo ou a violação de informações que transcendam às do próprio correntista, motivo pelo qual o contribuinte requereu as diligências, pois estas seriam requisitadas pela autoridade administrativa e não seriam negadas, comprovando a origem dos créditos também através das perícias solicitadas. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 441 6 Portanto, o Recorrente teve cerceado o seu direito de defesa, pois não foi comunicado que as diligências não seriam realizadas e, desta forma, ficou impedido de providenciar os referidos comprovantes para instruir sua impugnação, que seriam requeridos perante as instituições financeiras e também perante as empresas através da via judicial. Em nenhum momento foi dada oportunidade ao contribuinte para que recebesse por escrito a informação objetiva e correta sobre o que estava sendo fiscalizado e de que forma poderia provar ao Fisco as suas razões. Em nenhum dos Termos de Inicio de Fiscalização ou MPF Complementares existe a assinatura do Contribuinte. Apenas tomou ciência e assinou o termo de comparecimento e retenção de documentos. Mérito Exclusão dos valores de origem comprovada de aplicações/resgates de mesma titularidade e dos valores com retenção na fonte Conforme Planilha de Conferência de Depósitos de fls. 95 à 101, verificamos que o AuditorFiscal deixou de excluir os seguintes valores de origem comprovada: a) o total de R$ 165.200,00 são valores depositados pela Empresa Meta Telecomunicações Ltda., pertencente ao Recorrente e seu sócio Roberto Almada, conforme prova o contrato de fls. 132/134, e devem ser excluídos, pois são de origem comprovada, cuja identificação é feita pelo n° da Conta Corrente da Meta, ou seja, agência 0715, conta n° 38502 7. b) o total de R$ 45.000,00 são valores depositados pela Empresa Sul América Seguros, para ressarcir o Recorrente pelo roubo de seu veiculo, sinistro n° 2114478, conforme faz prova os documentos juntados neste ato com o presente recurso (docs.04/05), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor. c) o total de R$ 13.730,00 são valores depositados pela Empresa Peg Ligue Classificados S/C Ltda., pertencente ao sócio do Recorrente, o Sr. Roberto Almada, conforme faz prova os contratos juntados neste ato com o presente recurso (docs.06/10D), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta da Peg Ligue, agência 0189, conta n° 393895. d) o total de R$ 2.500,00 são valores depositados pelo sócio do Recorrente o Sr. Roberto Almada, conforme documento juntado neste ato (docs.11/14), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta do Sr. Roberto Almada, agência 0715, conta n° 384657. e) o total de R$ 5.299,77 são valores depositados pela Empresa Fort House Administradora de Condomínios, que repassava os valores referentes à locação de imóvel e telefone pertencentes ao Recorrente, conforme faz prova os documentos juntados neste ato com o presente recurso (docs. 15/24), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta da Fort House, agência 1000, conta n° 606937 (esclarece que as iniciais FH constantes no histórico é de Fort House). f) o total de R$ 5.000,00 são valores depositados pelo Dr. Paulo Octaviano D. Junqueira Neto, advogado contratado pelo Recorrente, que repassou o valor recebido em juízo, Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 442 7 conforme faz a prova os documentos juntados neste ato (docs.25/26), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, ou seja, conta do Sr. Paulo Octaviano, agência 0735, conta n° 084907. g) o total de R$ 5.000,00 são valores depositados pela inquilina Márcia Regina Delphino, referente a pagamento de aluguel ao Recorrente, conforme faz prova os contratos juntados neste ato (docs.27/31), tendo em vista a negativa da diligência em razão da falta de informação por parte do Auditor, conta corrente da Márcia, agência 0072, conta 17221 6. h) o total de R$ 1.000,00 são valores depositados pelo Sr. Rogério De Marchi Galante, sobrinho do Recorrente, filho de sua irmã Maria Rosa De Marchi, dai o MR no depósito, conforme pesquisa realizada na Agência do Recorrente, onde a gerente informou que a conta estava encerrada e o titular da conta é Sr. Rogério De Marchi Galante, agência 2552, conta n° 031953. i) o total de R$ 678.425,74 são valores depositados através de cheques e que serão comprovados pelo Recorrente, que não o fez até a presente data em virtude da negativa da diligência e perícia em razão da falta de informação por parte do Auditor que não explicou corretamente como deveria ser feito o pedido de diligência. Portanto, o Recorrente juntou apenas os extratos a pedido do Auditor e contratos na impugnação, motivo pelo qual pede em liminar a devolução do prazo para juntada dos comprovantes, pois não teve as informações corretas e confiou nas diligências a serem realizadas pela autoridade administrativa, para, ao final, excluir os valores que lista na peça recursal. O Recorrente requer a exclusão dos valores acima comprovados nos itens "a" até "h" e a determinação de devolução do prazo para comprovar a origem dos valores discriminados na letra "i". Após a verificação final, existindo a remota possibilidade de ter que pagar os valores apurados pelo Auto de Infração, requer o Recorrente que seja abatido o valor de R$ 27.847,06 já retidos na fonte no ano de 1998, conforme valores discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF", às fls. 19/22. Inconstitucionalidade A autoridade administrativa afirma não ter competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis, portanto deixou de aplicar o disposto no art. 5°, V, XII da Constituição Federal, que não permite a violação à intimidade, a vida privada, sigilo da correspondência e de dados, de todo cidadão e em especial do contribuinte que teve o sigilo bancário quebrado, sem que houvesse uma ordem judicial ou mesmo um Mandado de Procedimento Fiscal MPF aberto. Quebra de sigilo bancário A investigação pode e deve ocorrer através do levantamento da movimentação bancária, pela CPMF, das situações em que já houver Mandado de Procedimento Fiscal em curso. Portanto, para dar continuidade e conclusão ao mesmo, mas nunca o inverso, ou seja, aproveitarse de informações bancárias sem nenhum Mandado de Procedimento Fiscal, para que se possa propiciar um procedimento investigatório, sob pena não Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 443 8 só da ilegalidade de tal ato, como também de desrespeito ao princípio da motivação dos atos administrativos, da segurança jurídica e da liberdade democrática. Diligências e Perícias O Recorrente teve seu pedido de diligência e perícia negado pela 2ª Turma da DRJ/STM. Ocorre que o Recorrente em momento algum foi orientado pelo Auditor que deveria apresentar os requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, muito menos sabia da existência dos mesmos. O Recorrente cumpriu todas as solicitações e determinações feitas pelo Auditor, tanto que juntou todos os extratos bancários solicitados, justificando a origem dos depósitos na confiança de que estava cumprindo integralmente todas as exigências para comprovação da origem dos créditos. Esclarece o Recorrente que interpôs a impugnação juntando à mesma os contratos de sua empresa e das empresas que efetuaram os créditos em sua conta, agindo, mais uma vez, na confiança de que estaria comprovando a origem dos depósitos, pois com tais documentos seria possível a realização das diligências para a comprovação individual dos depósitos, colocando desta forma um ponto final na discussão sobre a origem dos referidos créditos. Ocorre que, mais uma vez por falta de orientação do Auditor, o Recorrente não apresentou na sua impugnação os requisitos exigidos para realização das diligências, caindo por terra todos os seus esforços de juntar os contratos para comprovação da origem dos créditos com a realização da diligência/perícia em seus extratos e contratos. Informa o Recorrente que tem todo o interesse em solucionar todas e quaisquer dúvidas da autoridade administrativa, tanto é que todas as exigências feitas pelo Auditor foram cumpridas. Para não ocorrer mais nenhum prejuízo ao Recorrente junta, ao presente recurso, documentos que comprovam a origem dos créditos e pede a devolução do prazo para apresentar a microfilmagem/listagem dos depósitos efetuados em suas contas. Equiparação da pessoa física a pessoa jurídica O Recorrente exercia sua atividade de prestador de serviços de telecomunicações como pessoa jurídica de fato e com a utilização de sua conta pessoal de pessoa física, tendo em vista a urgência dos contratos celebrados com as empresas do Rio de Janeiro, pois residia e trabalhava em São Paulo na época. Em seguida, constituiu a empresa Meta Telecomunicações Ltda., com a qual exerceu as mesmas atividades. Solicita mais uma vez diligências junto às empresas citadas e ao final relacionadas para comprovar a origem dos créditos, haja vista que na contabilidade das mesmas deverão constar os pagamentos efetuados ao Recorrente, bem como os recolhimentos do Imposto de Renda na fonte que as mesmas deverão comprovar em seus livros e documentos, pois são de responsabilidade fiscal delas. Solicita, também, diligências e perícias junto às agências do Banco Itaú e do Banespa, atual Santander, ao final relacionadas no rol de diligências e perícias, para comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas correntes através da microfilmagem dos documentos de crédito. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 444 9 Já foram solicitadas aos bancos as microfilmagens dos documentos que deram origem aos créditos, decorrendo daí a necessidade de prazo para o direito de ampla defesa, corno também a necessidade de diligências e perícias para que possam garantilos e comproválos. Depósitos bancários O Auditor poderia, desde o início, ter pedido ao Recorrente que apresentasse os documentos que comprovassem a origem dos depósitos, demonstrando naquela etapa de apuração a origem dos depósitos de forma individual com os nomes dos depositantes, evitando assim a burocracia absurda de fazer com que o Recorrente viesse a apresentar impugnação e agora o presente recurso. Diante do exposto, não se pode falar que o Recorrente deixou de apresentar os comprovantes de depósitos, ou mesmo os requisitos da diligência para comprovar a origem individual dos mesmos, pois em momento algum o Auditor solicitou tais documentos, sendo certo que o Recorrente somente tomou conhecimento de todas as exigências após a decisão de primeira instância. Pedidos Solicita seja recebido e provido o presente recurso em suas preliminares. Caso contrário, que seja recebido e provido no mérito para serem excluídos os valores comprovados e devolvidos, bem como sejam descontados os valores já retidos na fonte. Solicita, também, que sejam realizadas todas as diligências e perícias necessárias à comprovação da origem dos créditos e para que sejam determinados os verdadeiros responsáveis pelos mesmos, com diligências e quesitos para perícia relacionados ao final deste. Pede, por fim, que seja designado o perito contábil ao final qualificado e com respectivo endereço para a realização das perícias que se fizerem necessárias. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Analiso, inicialmente, as preliminares suscitadas pelo Recorrente. PRELIMINARES Decadência do direito do Fisco em constituir o presente crédito tributário Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 445 10 Observo, por primeiro, que a Súmula CARF nº 38 dispôs sobre o momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por outro lado, já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e decorre da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Houve retenção de imposto de renda na fonte durante o anocalendário de 1998, conforme comprova o “Dossiê de Contribuinte SIGA PF” acostado aos autos em fls. 38/44. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 150, § 4º, do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/1998). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 108, revela que o mesmo foi lavrado em 04/12/2003 e que o Interessado foi cientificado do lançamento, pessoalmente, em 11/12/2003. Logo, não ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário, porquanto o termo final do lustro decadencial se deu em 31/12/2003. Mandado de Procedimento Fiscal Alega o Recorrente que MPF n° 0813400 2001 00773 4, aberto em nome do AuditorFiscal da Receita Federal Milton Hirotsugu Inoue, foi extinto pelo decurso do prazo de validade. Porém, foi reaberto outro MPF n° 08.1.90.0020030097251 em nome do mesmo Auditor, em total desrespeito ao disposto no parágrafo único do artigo 16 da Portaria SRF n° 3007, de 26/11/2001. Ressalto, inicialmente, que o primeiro MPF emitido não foi o de nº 08.1.90.0020030097251 (fl. 2), como quer fazer crer o Interessado, mas sim o MPF nº 08.1.90.002003009725, datado de 11/03/2003 (fl. 14), cujos Auditores designados foram Roberto Jorge Salama e Márcio Ruiz. Somente após a emissão deste MPF é que foi emitido o MPF Complementar nº 08.1.90.0020030097251 (fl. 2), por intermédio do qual houve a substituição do Auditor anteriormente indicado, Márcio Ruiz, pelo Auditor que concluiu a Fiscalização, Milton Hirotsugu Inoue. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 446 11 Registro, também, por oportuno, que a hipótese ventilada no art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, além de não implicar em nulidade dos atos praticados, referese à impossibilidade de indicação do mesmo AuditorFiscal para execução de fiscalização tão somente em casos de extinção do MPF pelo decurso do prazo, com emissão de outro para conclusão de procedimento fiscal anteriormente iniciado, não se aplicando aos casos de emissão de um segundo MPF sem que a fiscalização que seria instaurada pelo primeiro tenha sequer se iniciado, como soe acontecer no presente caso. Confira a redação do dispositivo: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13; Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. No caso concreto, a instauração do procedimento fiscal por intermédio do MPF n° 0813400 2001 00773 4, emitido em 26/03/2001 (fl. 5), não chegou a se consumar, haja vista que o “Termo de Início de Fiscalização”, emitido em 11/04/2001 (fl. 34), não surtiu os efeitos lhe são próprios (abertura do procedimento fiscal), pois não foi recebido pelo contribuinte, conforme atesta o “Termo de Constatação Fiscal” de fl. 33 (“contribuinte mudou se”). A segunda tentativa de cientificar o contribuinte do “Termo de Início de Fiscalização” emitido em 11/04/2001 também foi infrutífera, consoante “Termo de Constatação Fiscal” de fl. 35, no qual está escrito: “Dona Maria Izabel da Costa Torres, moradora do endereço acima, afirma ter adquirido a casa há mais ou menos 03 (três) anos e desde então reside na mesma. Afirma não ter comprado a casa do contribuinte acima e diz que não o conhece”. O início do procedimento fiscal somente veio a ocorrer por intermédio do “Termo de Início de Fiscalização” de fl. 45, emitido em 18/06/2003 e enviado ao contribuinte juntamente com o MPF nº 08.1.90.0020030097251, conforme atesta o aviso de recebimento de fl. 46, também datado de 18/06/2003. Após o início do procedimento fiscal o Interessado compareceu a então Secretaria da Receita Federal – SRF e apresentou os extratos bancários solicitados pela Fiscalização, consoante “Termo de Comparecimento e Retenção de Documentos” de fl. 47, datado de 10/09/2003, vindo, a partir daí, a fluir normalmente o curso do procedimento fiscal. Em resumo: inaplicável, à espécie, o art. 16 da Portaria SRF nº 3007/2001, porquanto não houve extinção de MPF por decurso de prazo. O que ocorreu foi a emissão de um segundo MPF em 2003 para instauração de outro procedimento fiscal, uma vez que o procedimento fiscal anterior, que seria instaurado pelo MPF emitido em 2001, sequer se iniciou. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 447 12 Aduz o Recorrente, também, ainda em relação ao MPF, que os requisitos do art. 7º da Portaria SRF nº 3007/2001 não foram cumpridos. Segundo o Interessado não constou do MPF o seu prazo de duração, o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado, o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato e o código de acesso à internet que permitiria ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. Sem razão o Recorrente. É que, conforme observado acima, o MPF que instaurou o procedimento fiscal não foi o de nº 08.1.90.0020030097251 (MPF Complementar, à fl. 2), mas sim o MPF nº 08.1.90.002003009725, emitido em 11/03/2003, à fl. 14. Todos os requisitos citados pelo Recorrente encontramse no MPF de fl. 14, de modo que também esta alegação deve ser afastada. Anoto, por fim, apenas a título de argumentação, que as normas que regulamentam o MPF são normas interna corporis, o que significa dizer que eventuais vícios na sua emissão e execução, acaso existentes, só maculam o lançamento se houver prejuízo ao contribuinte, o que não ocorreu na hipótese vertente. Cerceamento de defesa Sustenta o Interessado que em virtude da falta de orientação do Auditor Fiscal não mencionou, na impugnação, as exigências previstas no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, juntando apenas os extratos bancários e os contratos das empresas que continham as informações, nomes e endereços que facilitariam a realização das diligências. O dispositivo legal citado pelo Recorrente determina que o contribuinte mencione, na peça impugnatória, as diligências ou perícias que pretende sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. À evidência, a Autoridade fiscal não está obrigada a informar ao contribuinte aquilo que já está previsto legalmente, haja vista que “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, art. 3º). Assim, não merece acolhida a tentativa do Recorrente de transferir à Fiscalização o ônus que lhe cabia de, no momento oportuno, indicar os requisitos legais necessários à realização das diligências ou perícias. Afirma o Interessado, ademais, que em nenhum momento lhe foi dada a oportunidade para que recebesse por escrito a informação objetiva e correta sobre o que estava sendo fiscalizado e de que forma poderia provar ao Fisco as suas razões. Segundo o Recorrente, em nenhum dos Termos de Inicio de Fiscalização ou MPF Complementares existe a sua assinatura. O “Termo de Início de Fiscalização” de fl. 45, emitido em 18/06/2003, enviado ao contribuinte juntamente com o MPF nº 08.1.90.0020030097251 (aviso de recebimento à fl. 46) e o Termo de Intimação Fiscal de fls. 96/103, datado de 21/10/2003 e recebido pessoalmente pelo Recorrente na mesma data, evidenciam que as afirmações do Interessado estão em descompasso com a realidade. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 448 13 Portanto, a insurgência do Recorrente se mostra inverossímil por duas razões: a uma, por ter sido devidamente intimado a apresentar os extratos bancários e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados; a duas, porque, mesmo após a intimação, o Interessado se manteve inerte, não se desincumbindo de fazer prova da origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Assim, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve em consonância com as normas que o regulam. Sigilo bancário A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que, inclusive, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a Autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de crédito tributário anterior à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 449 14 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 450 15 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 451 16 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 452 17 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Assim, o deslinde da controvérsia passa, necessariamente, pelo entendimento do que seja comprovar “a origem dos recursos utilizados nessas operações”, condição necessária para desfazer a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A Fiscalização, em regra, interpreta o vocábulo “origem” de maneira abrangente, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação, sendo irrelevante o aspecto temporal da comprovação. Assim, seja na fase anterior à autuação, seja na fase do contencioso administrativo, não bastaria comprovar a mera origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria necessário, ainda, comprovar, documentalmente, tanto quem fez o depósito bancário, quanto a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem entendendo, no entanto, que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, basta a comprovação da origem dos depósitos bancários, sem necessidade de comprovação da motivação da operação. Nessa linha de raciocínio, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem dos depósitos bancários, submeter os valores depositados às normas de tributação específicas, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos). Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 453 18 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão nº 2202002.199 da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 21 de fevereiro de 2013). Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente seria elidida se ele comprovasse, também, que os valores não eram tributáveis. Em outras palavras: transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, os contribuintes deveriam sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se o contribuinte comprovasse, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008). A razão deste entendimento é óbvia: a possibilidade de comprovação exclusiva da origem na fase contenciosa tornaria inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É que os contribuintes esperariam a autuação e, em sede de contencioso administrativo, afastariam a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de se comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. Penso ser mais razoável o entendimento esposado pela jurisprudência administrativa, em detrimento do entendimento ainda prevalente na Fiscalização da RFB. Assim, comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 454 19 autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. No caso concreto, o Interessado foi intimado, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, mas quedou se inerte, vindo a colacionar aos autos, à época da impugnação, contratos de prestação de serviços firmados com empresas de telecomunicação (fls. 121/195) que, a meu ver, não comprovam os depósitos efetuados em suas contas bancárias e nem revelam a natureza dos valores depositados (se tributáveis ou não). Nesta sede, o Interessado pleiteia a exclusão de valores que entende que foram comprovados, indicandoos na peça recursal (fls. 233/239), e anexa os documentos de fls. 258/432. Observo, no entanto, que em relação à presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada não basta a indicação dos valores desacompanhada de prova material (materializada em documentos) que lhes dê sustentação. Uma verificação percuciente do acervo documental carreado aos autos evidencia que apenas o documento de fl. 262 é hábil a comprovar a origem de um depósito, no valor de R$ 45.000,00, efetuado em 12/03/1998 em uma das contas do Recorrente. Tal documento demonstra que o Interessado foi ressarcido pelo roubo de um veículo pela empresa Sul América Seguros. Por se tratar de verba destinada a recompor o patrimônio do contribuinte, revelase como verba não tributável, devendo ser excluída da base de cálculo do lançamento. Em relação ao restante dos valores depositados nas contas correntes do Interessado não houve, em meu entendimento, a juntada ao recurso de nenhuma prova material hábil e idônea suficiente à comprovação da origem dos recursos, tampouco de que tais recursos estão fora do campo de tributação. Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, com exceção do comprovante de pagamento de sinistro no valor de R$ 45.000,00, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Ressalto, ainda, por importante, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram na conta corrente do Interessado no período (exceto o comprovante de pagamento de sinistro no valor de R$ 45.000,00), mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 455 20 Valores retidos na fonte discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF" O Recorrente requer seja abatido o valor de R$ 27.847,06 já retidos na fonte no ano de 1998, conforme valores discriminados no "Dossiê de Contribuinte Siga PF". A quase totalidade dos valores retidos na fonte, constantes do “Dossiê de Contribuinte Siga PF” (fls. 22/24), referemse à tributação exclusiva na fonte, decorrentes de aplicações financeiras, que não se sujeitam ao ajuste anual. Os demais são relativos a “juros sobre o capital próprio”, em valores irrisórios, mas que não foram lançados na declaração de ajuste anual porque o Interessado não apresentou declaração no anocalendário de 1998. Nesse contexto, entendo que descabe o abatimento pretendido. Equiparação da pessoa física a pessoa jurídica Aduz o Recorrente que exercia sua atividade de prestador de serviços de telecomunicações como pessoa jurídica de fato e com a utilização de sua conta pessoal de pessoa física. Os documentos carreados aos autos, no entanto, não permitem concluir que os depósitos efetuados na conta corrente pessoal do Interessado sejam oriundos da prestação de serviços pela suposta pessoa jurídica de fato. Demais disso, para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 a comprovação da origem dos depósitos há de ser individualizada, de forma que tal alegação não tem o condão de elidir o procedimento fiscal. Apreciação de inconstitucionalidade no âmbito do PAF Sobre este ponto, transcrevo a Súmula CARF nº 2, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diligências e Perícias Somente é justificável o deferimento de diligências e perícias cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a diligência ou a perícia acerca de matéria que poderia ser elucidada pelo próprio contribuinte mediante a juntada dos comprovantes de depósitos realizados em suas contas correntes bancárias. Assim, sou pelo indeferimento do pedido de realização de diligências e perícias formulado pelo Recorrente, adotando, como razão para o indeferimento, os seguintes fundamentos articulados na decisão de piso: Por outro lado, a realização de diligências pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais que, por algum motivo justificável, não foi possível ao contribuinte fazêlo quando da apresentação de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação. Em se tratando de contas bancárias de titularidade do próprio contribuinte não se vislumbra qualquer óbice a que ele Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.004501/200344 Acórdão n.º 2801003.840 S2TE01 Fl. 456 21 diretamente solicitasse às instituições financeiras cópias de documentos relativos à sua movimentação bancária. Nas autuações com base em depósitos bancários de origem não comprovada o ônus da prova é do próprio contribuinte. Não é lícito obrigarse o Fisco a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Cabe, ainda, esclarecer que a realização de perícia destinase, precipuamente, a esclarecer ponto controvertido ou questão técnica levantada no processo fiscal, esclarecimento este que necessita ser dado por especialista, detentor de reconhecido saber, habilidade e experiência. Não é o que ocorre na presente situação. A prova do fato aqui alegado claramente não depende de conhecimento específico de técnico especialista para ser produzida. O próprio impugnante poderia durante o procedimento de fiscalização ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos ao fiscal autuante em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à origem dos recursos depositados em suas contas bancárias no período em questão. É inadmissível que as diligências e perícias possam ser utilizadas para suprir a ausência de provas que a parte já poderia ter juntado à impugnação ou para, por via indireta, reabrir a ação fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar o pedido de realização de diligências e perícias, por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 45.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10314.013990/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
LEGITIMIDADE PASSIVA
Subsume-se à regra legal da responsabilidade solidária, devendo, pois, ser inserida na relação jurídico-tributária, o real adquirente de mercadorias importadas, por se encontrar vinculado ao fato jurídico tributário.
DIREITO DE DEFESA AO VALOR ADUANEIRO APURADO. INEXISTÊNCIA OFENSA AO ART 148 DO CTN.
O momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento.
SUBFATURAMENTO. VALORAÇÃO ADUANEIRA
Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira do GATT/1994.
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS
As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos demonstram que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizam-se como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes.
PENALIDADES. CONFISCO. OFENSA PRINCÍPIOS PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE
A instância administrativa de Julgamento não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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DIREITO DE DEFESA AO VALOR ADUANEIRO APURADO. INEXISTÊNCIA OFENSA AO ART 148 DO CTN. O momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento. SUBFATURAMENTO. VALORAÇÃO ADUANEIRA Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira do GATT/1994. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos demonstram que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes. PENALIDADES. CONFISCO. OFENSA PRINCÍPIOS PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE A instância administrativa de Julgamento não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 39 90 /2 00 8- 21 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 936 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120. O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida em 15 de dezembro de 2011 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 1756.227 1ª Turma da DRJ/SP2, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/01/2004 Pena de perdimento. Mercadorias não encontradas. Incidência da multa proporcional ao valor aduaneiro. O lançamento ocorreu dentro do prazo regulamentar, não estando eivado pela decadência. Foi demonstrado a conveniência do modus operandi descrito à empresa que deve figurar no pólo passivo da presente autuação. O real valor aduaneiro de transação foi apurado pela fiscalização, cabendo a empresa autuada suportas os efeitos previstos na Lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 937 3 Na origem, tratamse de autos de infração, lavrados em 02/12/2008, em face do sujeito passivo em epígrafe e de outros abaixo identificados, para formalização de exigência do Imposto de Importação (efls. 32/49); Imposto sobre Produtos Industrializados (efls. 50/67), contribuições da Cofins –Importação (efls. 68/79) e PIS – Importação ( efls. 80/91), todos apurados sobre diferenças de valores de mercadorias importadas decorrentes de apontada ocorrência de subfaturamento, acrescidos de juros de mora e multa qualificada, além de Lançamentos da Multa do Controle Administrativo das Importações, conforme inciso I do art. 633 do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) e da multa conforme art. 631 do Decreto no 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) aplicada em virtude de o produto estrangeiro em situação irregular ter sido entregue a consumo e incidente sobre o valor comercial das mercadorias, no Auto do IPI. Ainda foram identificados como sujeitos passivos as empresas: OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, CNPJ nº 01.184.974/0001 35.(contribuinte) MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA, CNPJ nº 68.428.275/0001 64.(responsável solidário) LANSARET COM. DE INFORMATICA, CNPJ nº 05.540.292/000179. .(responsável solidário) Do Relatório Fiscal de efls. 92/169, parte integrante dos Autos de Infração, extraise que os presentes autos de infração têm origem na denominada “Operação Dilúvio” deflagrada pela Policia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, no Estado do Paraná, na qual foram constatadas diversas irregularidades e esquemas fraudulentos operacionalizados através das empresas controladas por Marco Antonio Mansur, chamado de grupo MAM, as quais prestavam serviços de importações para diversas empresas do Brasil, inclusive para a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA , ora recorrente. Em razão disto, foi realizado procedimento fiscal na empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA para verificar a regularidade das operações de importação realizadas pelas empresas relacionadas no relatório de auditoria, tendo ao final sido informada pela fiscalização a participação da mesma como sendo a real adquirente das mercadorias importadas nas Declarações de Importações DI relacionadas nos autos. Menciona o Auditor Fiscal que a OPERAÇÃO DILÚVIO consistiu de um conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias sob controle de MARCO ANTONIO MANSUR. Segundo afirma, tratase de um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interposta pessoas que atuavam, de forma dissimulada, como importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros. Afirma ainda que, além da ocultação dos reais adquirentes, as empresas importadoras e distribuidoras controladas por MARCO ANTONIO MANSUR; denominada Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 938 4 GRUPO MAM, em conluio com seus clientes, praticavam também de forma sistemática o subfaturamento dos preços declarados. O extenso Relatório de Auditoria (efls 92 a 169) registra, entre outros, o contexto dos fatos analisados, as empresas envolvidas, o modus operandi e as infrações apuradas, segundo os itens e sub itens a seguir relacionados, sobre alguns dos quais, para melhor compreensão, relatase sucintamente as descrições efetuadas pelos autuantes: 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contexto 1.1.1 Da Operação Dilúvio 1.1.2 Do Grupo MAM Etapas: 1.1.2.1 — Fluxo das mercadorias 1.1.2.2 — Fluxo Financeiro 1.1.2.3 — Parte Visível da Operação 1.1.2.4 Vantagens Obtidas Pelas Empresas Clientes 1.2 Metodologia de Trabalho “Tendo em vista o fato de que as operações de importação registradas pelo GRUPO MAM, independente da forma como foram declaradas, caracterizamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros (reais adquirentes), o presente procedimento fiscal foi focado no adquirente, restringindose, portanto às importações registradas pelas empresas relacionadas no presente Relatório de Auditoria por conta e ordem da empresa "FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA", CNPJ n° 74.514.928/000120, e todos os demais estabelecimentos que transacionaram com mercadorias de procedência estrangeira.” 1.2.1 Termos e Anexos 1.3 Resumo 2 DAS EMPRESAS 2.1 FLORENCIO BIJOUTERIAS LTDA “Esta empresa era uma das clientes do grupo e real adquirente de mercadorias importadas, oculta em todas as fases do procedimento de importação, utilizandose de empresas do grupo MAM para efetuar e registrar as operações de importação. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 939 5 O modus operandi das importações destinadas a "FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA", envolvia empresas ditas de fachada, que simulavam a entrada e a saída das mercadorias, tendo como importadora registrada nas Declarações de Importação, em todos os casos analisados, a empresa "OPUS – TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA"; CNPJ n° 01.184.974/000135, ora atuando como importadora por Conta Própria, ora atuando por conta e ordem de terceiros. Algumas dessas importações tinham como adquirentes registradas nas respectivas Declarações de Importação as empresas: "LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA", CNPJ n° 05.540.292/000179, que aparece como adquirente em sete das Declarações de Importação envolvidas, e "MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP", CNPJ n° 68.428.275/000164, que aparece como adquirente em apenas uma das DIs registradas.” 2.2 OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA 2.2.1 Breve Histórico 2.2.2 Quadro Societário 2.3 LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA 2.3.1 Breve Histórico 23.2 Quadro Societário 2.4 MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA 2.4.1 Breve Histórico 2.4.2 Quadro Societário 3 MODUS OPERANDI 3.1 Considerações Gerais sobre o Esquema de Fraudes “A organização é formada por importadoras, distribuidoras, transportadoras, empresas de assessoria comercial e participação societária, aparentemente distintas umas das outras, mas que, de fato, constituem um conjunto de empresas funcionando sob um único comando, denominado GRUPO MAM, alvo da OPERAÇÃO DILÚVIO. 0 GRUPO MAM especializouse na prestação de serviços, de importação a diversos clientes, viabilizando significativa, e ilícita redução dos tributos devidos, seja na fase de nacionalização, seja nas etapas subseqüentes de comercialização dos produtos no mercado interno. Para tal, foram praticadas inúmeras irregularidades, a saber: falsificação de documentos, subfaturamento dos valores declarados nas operações de importação, ocultação dos reais Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 940 6 intervenientes, simulação de operações comerciais, remessa de divisas à margem do controle legal, geração de créditos tributários fraudulentos e, utilização de benefícios fiscais relativos ao ICMS (tributo estadual incidente em operações de importação). Pelas investigações realizadas, constatase que o GRUPO MAM desenvolveu dois grandes esquemas de simulação: o primeiro com vistas a ocultar os reais adquirentes de mercadorias importadas, fonte maior dos rendimentos obtidos pelo grupo; e outro para, ocultar os principais responsáveis pelo esquema; bem como o patrimônio obtido. O complexo esquema engendrado propiciava amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização.” 3.1. 1 Estabelecimentos Equiparados a Industrial 3.2Habilitação para atuar no comércio exterior 3.3 Os Adquirentes/Distribuidores ``LARANJAS” “Uma das características marcantes do GRUPO MAM consistia no reiterado uso de empresas "laranjas" ou fantasmas", geralmente como "distribuidores" de fachada elemento "D"do esquema. Estas eram apresentadas perante o Fisco como sujeito passivo das obrigações tributárias, sejam decorrentes da nacionalização, quando eram apresentadas como adquirentes em operações (pretensamente) por sua conta e ordem; sejam oriundas da comercialização dos produtos no mercado interno, etapa seguinte a nacionalização. Das investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO, podese identificar as seguintes empresas com essas características: GHATS; CONTROL; DELPHIS, MEGA, LANSARET e MM13. Dessa forma, as empresas "laranjas" no esquema do GRUPO MAM (elemento "D") acumulam grande parte dos créditos tributários com o intuito de não honrálos. Os clientes, nessa variação da fraude, recebiam a mercadoria "esquentada", pouco devendo recolher aos cofres públicos relativamente aos tributos e contribuições nãocumulativos incidentes sobre a receita. O esquema viabilizava ainda outra vantagem: o envio de divisas ao exterior, travestido de distribuição de lucros ao sócio estrangeiro, caso este integrasse o quadro societário de alguma dessas empresas do GRUPO MAM.” 3:4 Os Exportadores Fictícios 3.5Benefícios Fiscais Estaduais e Venda de Créditos do ICMS 4 DOS FATOS ANALISADOS Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 941 7 4.1 As Declarações de importação nas quais houve simulação Neste sub item consta a listagem das Declarações de Importação em que, segundo a fiscalização, a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS utilizouse dos serviços do grupo MAM na simulação de operações comerciais. Registra: “Em todos os casos analisados, a empresa OPUS TRADING está registrada nas Declarações de Importação como importadora, ora atuando como importadora por conta própria, ora atuando por conta e ordem de terceiros. Já a empresa LANSARET está registrada como adquirente em sete das Declarações envolvidas, enquanto a empresa MEGA7 está registrada em apenas uma. Essas empresas eram apenas importadoras e adquirentes de fachada, não traduzindo a realidade das operações comerciais que tiveram como real adquirente a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS.” 4.2 Dos Fatos 4.2.1 FATO 1 Controle e Solicitação de Numerários 4.2.2 FATO 2 Demonstrativos de despesas das importações; transferências bancárias em favor da OPUS TRADING e negociações da real adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS com a empresa exportadora HAPPY 4.2.3 FATO 3 Subfaturamento dos preços declarados nas importações 4.2.4 FATO 4 Troca de Mensagens por MSN 5 DA SUJEIÇÃO PASSIVA Neste item, ressalva o autuante: “Tendo em vista essas notas relativas à sujeição passiva, vejamos a que conduz o que se mostrou nos capítulos referentes a "Introdução", ao "Modus Operandi" e "Dos Fatos Analisados", acerca das operações de importação subanalise que, além do subfaturamento eventualmente provado, padecem de vício relativo à ocultação do sujeito passivo. Neste contexto, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se da é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério Subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que é o caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 942 8 Como se demonstrou nos capítulos acima referidos, a organização denominada Grupo MAM e os reais adquirentes de mercadorias, conjuntamente, utilizandose de diversas empresas, simulavam operações de comércio exterior, tanto na modalidade de importação por conta própria (importação direta) em que supostamente seriam titulares das operações as empresas "importadoras" da organização, quanto na modalidade por conta e ordem de terceiros em que as empresas "importadoras” juntavamse as empresas distribuidoras para figurar como adquirentes das mercadorias importadas. Deste modo, tanto em uma modalidade de importação quanto na outra, ocultavamse aos olhos do fisco os reais adquirentes das mercadorias, verdadeiros titulares das operações de comércio exterior, no caso em questão a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS.” 5.1 Diversas obrigações surgidas com a importação de produtos estrangeiros 5.1.1. Imposto de Importação (II) Assim menciona o Auditor fiscal: “Estabelecidos, então, os papeis da pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA, CNPJ 01.184.974/000135 e da empresa adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120,0 nas operações em que aquela procedia importação por conta e ordem desta, resta identificar a que correspondem tais atuações — da importadora e do adquirente — em termos de sujeição passiva. Vejamos. Fato é que as declarações de importação foram registradas pela pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, CNPJ 01.184.974/000135, isto é, foi a tal pessoa jurídica, ainda que por conta e ordem de outrem, quem submeteu a despacho aduaneiro as mercadorias estrangeiras, com o fito de que fossem desembaraçadas e, portanto, pudessem circular economicamente sendo incorporadas ao aparelho produtivo nacional. Nessa condição, a pessoa jurídica importadora, mesmo que atuando por conta e ordem de terceiros, pratica ato para internação das mercadorias quando ainda eram estrangeiras e, conseqüentemente, é contribuinte do imposto de importação. (...). Quanto à empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA, CNPJ 74.514.928/000120 há sujeição passiva enquanto responsável solidário decorrente da sua caracterização como adquirente das mercadorias de procedência estrangeira tal como demonstrado no tópico "Dos Fatos Analisados.” De tudo o que foi exposto, concluise que embora o importador seja o contribuinte dos tributos federais incidente sobre as importações, o adquirente das mercadorias é responsável solidário pelo recolhimento desses tributos, seja porque Fl. 942DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 943 9 ambos têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. Nesse mesmo contexto, as empresas distribuidoras de fachada , LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n° 05.540.292/000179 e MEGA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP, CNPJ n° 68.428.275/000164, foram utilizadas como adquirentes "laranjas", tendo sido registradas como adquirentes em algumas das importações destinadas a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS. No caso das empresas LANSARET e MEGA configurase, da mesma forma, o interesse comum nas situações constituintes dos fatos geradores. Sendo assim, tais empresas também são responsáveis solidárias pelo Crédito tributário decorrentes das importações em que participaram como adquirentes "laranjas". De acordo com o parágrafo único do art 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta beneficio de ordem, assim a exação pode ser feita contra apenas um dos sujeitos passivos (no caso, o importador, empresas distribuidoras de fachada ou o adquirente, sem ordem de preferência) ou contra todos.” 5.1.2 IPI vinculado a Importação 5.1.3 PIS/PASEPImportação e COFINSImportação 5.2 Penalidades Pecuniárias Responsabilidade 6 DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES 6.1 Declaração Inexata 6.2 Ocultação do Real Adquirente “Como visto anteriormente, o esquema fraudulento controlado por MARCO ANTONIO MANSUR dedicavase à realização de importações por conta de ordem de terceiros, porém com ocultação dos reais adquirentes das mercadorias estrangeiras, possibilitando, assim, a realização de inúmeras infrações tributárias e outras, tais como a quebra da cadeia do IPI e o subfaturamento dos pregos declarados. A prática adotada pela organização era de criar uma cadeia comercial fictícia, na qual figuravam um importador operando por conta própria ou por conta de terceiros (de fachada) e uma ou mais empresas distribuidoras de fachada, que atuavam, de forma fictícia, como compradores de mercadorias importadas ou como adquirentes de importações por sua conta e ordem, que davam saída para o real adquirente. As operações comerciais ou de serviços, que se operavam dentro desta cadeia, não passavam de atos dissimulados com vistas a produzir uma aparente normalidade comercial, mas que servia apenas para formalizar uma entrada de mercadorias no estabelecimento do real adquirente como se fossem aquisições nacionais, quando de fato a verdadeira operação comercial, ou seja, aquela ,realizada entre este Fl. 943DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 944 10 adquirente e o seu real fornecedor no exterior, permanecia oculta.” 6.3 Penalidades 6.3.1 Subfaturamento 6.3.2 Entregar a Consumo ou Consumir 6.4 Lançamento e Valores Lançados 6.4.1 Da Valoração Aduaneira 6.4.1.1 Primeiro Método de Valoração 6.4.1.2 Preços Efetivamente Pagos ou a Pagar 6.4.1.3 Arbitramento “No processo de valoração, às importações subfaturadas foi aplicado o "1° método de valoração", definido no AVA/GATT e baseado no valor da transação, tendo em vista que os documentos apreendidos revelaramse como elementos de prova suficientes para quantificar os valores reais das operações comerciais, sem que fosse necessária a aplicação de métodos substitutivos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira.” 6.4.2 Do Produto Estrangeiro em Situação Irregular Consumo ou Entrega a Consumo 7 DECADÊNCIA 8 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS 9 CONCLUSÃO “A documentação apreendida na OPERAÇÃO DILÚVIO é farta em demonstrar que houve uma construção minuciosa, um planejamento criterioso, um esquema em conluio que visava angariar vantagens ilegítimas em detrimento dos cofres públicos. Neste Relatório Fiscal expôsse o objetivo ilícito que os agentes pretendiam alcançar, os meios empregados e as conseqüências dos atos praticados.” À empresa "Florêncio Bijouterias", que se encontra ativa, foi dada ciência pessoal do Auto de Infração. A ciência via postal para as empresas MEGA e LANSARET foi infrutífera, sendo as mesmas cientificadas via edital, haja vista que constam no cadastro (informações do sistema CNPJ) como inaptas por motivos de inexistência de fato. E a empresa "OpusTrading América do Sul Ltda”, sediada na cidade de Maringá, PR., foi também cientificada por edital. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 945 11 Embora cientificadas na forma da lei, as empresas OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA e LANSARET COM. DE INFORMÁTICA não impugnaram os lançamentos. Apenas a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA que foi cientificada dos autos de infração pessoalmente em 05/12/2008 (fls. 33) protocolizou impugnação de efls. 831 à 842, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Transcrevese do Acórdão recorrido as alegações de defesa efetuadas pela empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA: “Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: DA DECADÊNCIA. O direito de efetuar o lançamento decaiu, já que decorridos cinco anos da data do registro da declaração de importação ou da data da pratica da infração. O prazo decadencial acima citado é contado da data do registro da declaração de importação, pois, ainda que a materialidade desse tributo seja o ingresso da mercadoria em território nacional, aquele é o momento escolhido pelo legislador como o de ocorrência do fato signo ensejador do respectivo dever de recolher aos cofres públicos a prestação. DA ILEGITIMIDADE DE PARTE. É a impugnante parte ilegítima para figurar como devedora do crédito tributário levado a efeito pela fiscalização da Receita Federal. A impugnante é empresa comercial, que adquiriu mercadorias importadas das empresas importadoras autuadas e pagou por elas. A relação havida entre as partes era certa e determinada, com inicio na formalização de pedido e encerramento no pagamento do mesmo. Caso as empresas importadoras autuadas tenham infringido a legislação quando da importação dessas mercadorias comercializadas com a impugnante, deverão elas responder pelos créditos tributários apurados. Ressaltese, que as empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da impugnante, motivo pelo qual as importações nunca se realizaram sob a forma de importação de conta e ordem de terceiro. De fato, nunca foi a impugnante que possuía a capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, das importações ao fornecedor estrangeiro. A impugnante comprou mercadorias das empresas importadoras. Tais mercadorias sempre foram recepcionadas com suas respectivas notas fiscais e estas sempre foram pagas. Essas mesmas mercadorias foram posteriormente revendidas e todos os encargos tributários foram devidamente quitados, não havendo então nenhuma irregularidade nos negócios realizados pela impugnante. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 946 12 A boafé se presume enquanto o seu contraponto deve ser provado e, em nenhum momento o relatório fiscal, que serviu de base para a lavratura do auto de infração em testilha, fez menção a qualquer irregularidade que possa ser atribuída à impugnante. A legislação e a jurisprudência dos Tribunais pátrios não deixam dúvidas que: nenhuma sanção pode passar da pessoa do infrator para terceiro de boafé. A fiscalização entendeu que a impugnante era a real adquirente das mercadorias importadas, no entanto, tal situação nunca ocorreu, vez que, conforme já exposto acima, a impugnante apenas encomendava as mercadorias através das empresas importadoras, sendo todas as despesas e os impostos devidos pagos com os recursos das importadoras, inclusive a modalidade de importações por encomenda só veio a surgir com o advento da Lei no 11.281, de 20/02/2006, a qual criou essa nova modalidade de importação justamente para cobrir a lacuna deixada pela modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Portanto, caso tenha ocorrido as irregularidades descritas no auto de infração nas importações realizadas pelas importadoras (subfaturamento), a impugnante não pode ser responsabilizada por tais situações já que nunca efetuou qualquer importação, sendo parte ilegítima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Expõe também a aplicação do principio da razoabilidade em matéria de penalidades pecuniárias. A Carta Constitucional em seu art. 150 IV veda a exigência de tributo com efeito de confisco. Ou seja, cobrança de tributo que implique na perda de bens e condição econômica. Reclama a ausência de valoração com base no art. 84 do regulamento aduaneiro, do acordo de valoração aduaneira do GATT e em contrariedade ao art. 148 do CTN, pois o fisco não respeitou a última parte do artigo quando esta aduz que tal processo de arbitramento, seja ele judicial ou administrativo, deva ser feito respeitandose o contraditório e ampla defesa em caso de contestação. Portanto, a fiscalização não respeitou esse preceito magno, já que de qualquer episódio do qual se verifique possibilidade de sanção ao patrimônio e liberdade do cidadão garantese o direito de defesa. Desta forma, há de a fiscalização nulificar o perdimento e motivar o ato à vista de confrontação com o contribuinte, não cabendo mero arbitramento com base em perícia unilateral com base em paradigmas absolutamente diferentes. A fiscalização também não seguiu a valoração das mercadorias em critério metodológico fornecido pelo acordo de valoração aduaneira GATT, e a IN/SRF 327/03. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 947 13 Logo, à vista dessa ausência, imprestável a alegação de subfaturamento. Em nenhum momento restou provada pela fiscalização aduaneira a ocorrência de qualquer irregularidade no valor praticado nas operações de importação, pois o preço praticado é aquele que constou nas faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras que ampararam as mercadorias importadas. Ressaltese que o método primeiro de valoração aduaneira estabelecido pelo GATT é o valor efetivamente pago pela mercadoria no exterior, ou seja, o valor de face das faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras por ocasião do registro das declarações de importação, o que não foi observado pela fiscalização. DA INEXISTÊNCIA DE OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. As empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da impugnante, motivo pelos quais as importações nunca se realizaram sob a forma de importação por conta e ordem de terceiro. De fato, nunca foi a impugnante que possuía a capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, das importações ao fornecedor estrangeiro. As importadoras pagavam as importações diretamente aos seus fornecedores com recursos próprios, sendo que os pagamentos realizados pela impugnante às importadoras referiamse às compras feitas no mercado interno. Inclusive, somente com o advento da Lei no 11.281, de 20/02/2006, criouse a nova modalidade de importação (importação por encomenda), a qual passou a regrar também esse tipo de importação que a impugnante realizava através das empresas importadoras. Portanto, antes do advento da Lei no 11.281/2006, as aquisições de mercadorias pela impugnante na forma de encomenda através das empresas "tranding" eram totalmente regulares, haja vista que não havia legislação que amparasse tal procedimento. DO EXPOSTO, requer a esta D. autoridade julgadora, exercido o controle negativo do ato de lançamento, julgue improcedente a presente ação fiscal, decretando a insubsistência do lançamento fiscal contra a impugnante, com o seu arquivamento em definitivo, acolhida totalmente a presente impugnação.” Efetuado o julgamento da impugnação interposta, por meio do Acórdão nº 1756.227 1ª Turma da DRJ/SP2, entendeu a turma pela improcedência da impugnação, mantendo os lançamentos efetuados. Consoante consta do Despacho de efl 930 da Inspetoria da Receita Federal do Brasil de São Paulo, a ciência da decisão de 1ª Instância Administrativa por via postal das empresas OPUS TRADING, MEGA e LANSARET foi infrutífera, sendo as mesmas cientificadas por meio de EDITAL. Esgotado o prazo legal, não se manifestaram. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 948 14 Por intermédio da Intimação nº 549 (efl. 885), a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA foi devidamente cientificada do Acórdão de 1ª Instância Administrativa por via postal em 26/12/2011 (AR de efl. 895) e apresentou Recurso Voluntário em 26/01/2012 (efls. 904 a ), reprisando as alegações anteriormente apresentadas na impugnação, exceto quanto à preliminar de decadência que não mais argúi, segundo os itens e subitens a seguir: I Os Fatos II O DIREITO II.l PRELIMINAR a) DA ILEGITIMIDADE DE PARTE II. 2 MÉRITO 2.1) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA A SUPOSTA FALSIDADE DE PREÇO. AUSÊNCIA DE VALORAÇÃO COM BASE NO ART. 84 DO REGULAMENTO ADUANEIRO, DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA DO GATT E EM CONTRARIEDADE (ART. 148 DO CTN). 2.2) DA INEXISTÊNCIA DE OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS 2.3) DAS MULTAS 2.4) A MULTA E AS SANÇÕES TRIBUTÁRIAS 2.5) PROPORCIONALIDADE DE JUSTA MEDIDA ADEQUAÇÃO III A CONCLUSÃO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto A empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA apresentou, tempestivamente e com representatividade válida, o Recurso Voluntário, motivo pelo o qual dele se conhece. Apenas para lembrar, as empresas OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA, MEGA COMERCIO IMP. E EXP. LTDA e LANSARET COM. DE INFORMÁTICA não impugnaram e nem recorreram dos lançamentos, não instaurando litígio. Em conseqüência, as responsabilidades solidárias atribuídas às empresas tornaramse definitivas. No mérito, devese aplicar às mesmas o que for decidido neste julgamento. Como é sabido, o recurso voluntário devolve à instância superior o reexame de matéria decidida na 1ª instância administrativa e contestada pela a recorrente. Desta forma, Fl. 948DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 949 15 persiste em litígio em face do recurso voluntário apresentado pela empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA as seguintes questões: 1) Preliminar de ilegitimidade de parte; 2) No Mérito Valoração Aduaneira: arbitramento (contrariedade ao art. 148 do CTN); Ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro, do acordo do GATT; 3) Da Inexistência de Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias 4) Multas Arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Passase à análise de cada uma das questões, segundo a ordem do recurso. 1) Preliminar de ilegitimidade de parte A recorrente alega ser parte ilegítima para figurar como devedora do crédito tributário levado a efeito pela fiscalização da Receita Federal, posto tratarse de empresa comercial, de boafé, que adquiriu mercadorias importadas das empresas importadoras autuadas e pagou por elas. A relação havida entre as partes era certa e determinada, com início na formalização de pedido e encerramento no pagamento do mesmo. Ainda alega que “a fiscalização entendeu que a recorrente era a real adquirente das mercadorias importadas, no entanto, tal situação nunca ocorreu. Alega que não operava no comércio exterior. Apenas verificava as mercadorias oferecidas pelos exportadores na China e as encomendava através das empresas importadoras (Opus, Lansaret, etc), as quais ficavam sob a responsabilidade de importar essas mercadorias, pagar todos os impostos para a nacionalização das mesmas e, posteriormente, depois de totalmente desembaraçadas nas alfândegas, comercializálas com a recorrente.” Ressalta que a modalidade de importações por encomenda só veio a surgir com o advento da Lei n° 11.281, de 20/02/2006, a qual criou essa nova modalidade de importação justamente para cobrir a lacuna deixada pela modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Aduz que “a legislação e a jurisprudência dos Tribunais pátrios não deixam dúvidas que: nenhuma sanção pode passar da pessoa do infrator para terceiro de boafé.” Pois bem, embora com alegações genéricas tente demonstrar a sua boa fé e a ilegitimidade da apontada sujeição passiva nos lançamentos, o que se constata nos autos é exatamente a real participação da recorrente no esquema fraudulento montado. Ao contrário do alegado, a fiscalização demonstra e comprova, com base na documentação apreendida na Operação Dilúvio, além de informações obtidas pelos Escritórios de Pesquisa e Investigação na 5° e na 9° RF, que houve uma construção minuciosa, um planejamento criterioso, um esquema em conluio que visava angariar vantagens ilegítimas em detrimento dos cofres públicos, no qual a empresa OPUSTRADING AMERICA DO SUL LTDA figurava como a importadora, aquela que viabilizava a operação de importação, com a entrega da declarações de Importações, submetendo à despacho aduaneiro as mercadorias Fl. 949DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 950 16 estrangeiras, com o fito de que fossem desembaraçadas. Mas esta atuava por conta e ordem do real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira, que ficava oculto, conforme se demonstrará no item específico da Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias. Devidamente demonstrada que a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA era a real adquirente das mercadorias e quem, na verdade, comercializava com o real exportador, encontrandose, portanto, vinculada ao fato jurídico tributário, esta subsumese à regra legal da responsabilidade solidária, devendo, pois, ser inserida na relação jurídico tributária, consoante regra contida nos dispositivos a seguir ressaltados: O Código Tributário Nacional assim disciplina: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. ... Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. ... CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 951 17 ... Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I ... II ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SEÇÃO IV Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Em face das regras acima mencionadas do Código Tributário Nacional, as legislações específicas passaram a definir os contribuintes e responsáveis solidários. Imposto de Importação (II) O Código Tributário nacional, em seu art. 22 define o contribuinte do imposto de importação: “Art. 22. Contribuinte do imposto é. I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.” Por sua vez, o Decretolei n°37, de 18 de novembro de 1966 dispõe em seus artigos 1º, 31 e 32 acerca do contribuinte e do responsável solidário: “Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional." Art.31 É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...); Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei n o 2.472, de 01/09/1988) (...) Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 952 18 Parágrafo único. É responsável solidário: ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I (...) II – (... ) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Medida Provisória n o 2.15835, de 2001 ) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; ( Incluída pela Lei n o 11.281, de 2006 ) (...).” IPI vinculado à Importação A respeito da definição do contribuinte e do responsável solidário dispõe o Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados): "Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b) (...): III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); Art. 27. São solidariamente responsáveis: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, pelo pagamento do imposto e acréscimos legais (Decretolei n2 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso III, e Medida Provisória n2 2.15835, de 2001, art. 77).” Neste mesmo sentido são as regras de definição dos contribuintes e responsáveis solidários contidas nos artigos 5º e 6º da Lei n° 10.865/20041. 1 CAPÍTULO III DO SUJEITO PASSIVO Art. 5º. São contribuintes: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 953 19 Assim, estão solidariamente obrigados a contribuinte, a pessoa jurídica importadora OPUSTRADING AMÉRICA DO SUL LTDA, que procedeu a importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS LTDA. Não há, portanto, incorreção da indicação da recorrente como sujeito passivo dos lançamentos ora questionados. Valoração Aduaneira: arbitramento (contrariedade ao art. 148 do CTN); Ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro, do acordo do GATT A recorrente faz menção ao fato de a fiscalização ter citado acerca da possibilidade de se desconsiderar o preço declarado e outro arbitrar em seu lugar. Mas, aduz que o arbitramento do fisco em procedimento unilateral e inquisitivo, não permite contrariedade. Daí a absoluta impropriedade de qualquer valoração feita, pois o fisco não respeitou a última parte do art. 148 do CTN, que exige o respeito ao contraditório e ampla defesa em tal processo de arbitramento, seja ele judicial ou administrativo, em caso de contestação. Cita a ementa do CARF acerta de necessidade de motivação do relatório e decisão baseado nos elementos probatórios. Em outra direção, aduz que a fiscalização também não seguiu a valoração das mercadorias em critério metodológico fornecido pelo acordo de valoração aduaneira GATT, e a IN/SRF 327/03. Logo, à vista dessa ausência, imprestável a alegação de subfaturamento.Transcreve ementa de decisão da DRJ/FNS. I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Parágrafo único. Equiparamse ao importador o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente e o adquirente de mercadoria entrepostada. Art. 6º. São responsáveis solidários: I o adquirente de bens estrangeiros, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; II o transportador, quando transportar bens procedentes do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; III o representante, no País, do transportador estrangeiro; IV o depositário, assim considerado qualquer pessoa incumbida da custódia de bem sob controle aduaneiro; e V o expedidor, o operador de transporte multimodal ou qualquer subcontratado para a realização do transporte multimodal. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 954 20 E argúi mais: “ainda que se cogite de eventual fraude no preço, causa para a aplicação de multa regulamentar, a fiscalização desrespeitou a ordem seqüencial do art. 84 do RA e não motivou o porquê disso.” Improcede tais alegações. O art. 148 do CTN, mencionado pela recorrente, encontrase inserido na Seção II Modalidades de Lançamento e assim estabelece: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada. em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Pois bem, consoante está demonstrado nos autos e conforme se extrai do relatório de auditoria, os dados registrados nas declarações de importação objetos das autuações, não correspondem à realidade das operações comerciais, uma vez que a empresa que se apresenta como importadora, é, de fato, prestador de serviços, nunca tendo realizado qualquer operação comercial de compra de mercadorias estrangeiras. E que, os valores das transações declarados são subfaturados. Daí, é que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, órgão competente para exercer a fiscalização e controle do Comércio exterior2, com base na documentação disponibilizada na Operação Dilúvio, levantou os reais valores praticados, tudo em conformidade com a legislação, conforme se analisará em item seguinte. No decurso do procedimento de auditoria, os agentes fiscais intimam a fiscalizada a apresentar documentos e informações, podendo intimar terceiros. Com a ciência do(s) lançamento(s) iniciase o prazo legal para efetuar o pagamento dos tributos lançados ou apresentar as contestações, se for o caso Portanto, o momento para apresentação da contestação aos fatos, valores aduaneiros levantados e lançamento efetuados é na impugnação, pois é por meio desta que se instaura a fase litigiosa do procedimento, consoante dispõe o art. 14 do Decretolei nº 70.232/72 (PAF), in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” E, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. 2 Constituição Federal de 1988 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 955 21 Vêse que no caso concreto, a ora recorrente, naquela oportunidade, apresentou a sua impugnação. Portanto, não se constata ofensa ao disposto no art. 148 do CTN. Igualmente, é inconsistente a alegação de ausência de valoração com base no art. 84 do Regulamento Aduaneiro e do acordo do GATT. Vejamos. Nas importações analisadas no tópico 4.2.3 do Relatório de Auditoria (Fato 3 — Subfaturamento dos pregos declarados nas importações), ficou perfeitamente caracterizado, que os valores declarados nas DI são muito inferiores aos valores efetivamente praticados, comprovados pelos documentos. Nas tabelas ali elaboradas, o autuante destaca para cada item da DI, o valor unitário declarado em U$ e o valor real em U$. Consta dos autos as informações da devida comprovação da prática do subfaturamento nas seguintes Declarações de Importação importações destinadas a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS, consoante destaca o acórdão recorrido, cujos termos adoto e ratifico, com fulcro. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: 1) Declaração de Importação n°04/06081802, registrada em 24/06/2004; 2) Declaração de Importação n°05/05184200, registrada em 19/05/2005. 3) Declaração de Importação nº05/08580786, registrada em 11/08/2005. 4) Declaração de Importação nº05/12016016, registrada em 07/11/2005. Sendo assim, verificase ser improcedente a alegação da recorrente quando esta afirma que “em nenhum momento restou provada pela fiscalização aduaneira a ocorrência de qualquer irregularidade no valor praticado nas operações de importação, pois o preço praticado é aquele que constou nas faturas comerciais apresentadas pelas empresas importadoras que ampararam as mercadorias importadas”. Com as suas genéricas alegações a recorrente não consegue afastar os fatos apontados. Constatada a existência de fraude e de subfaturamento, o valor aduaneiro declarado pelo importador pode ser desconsiderado pela fiscalização, e o valor real praticado pode ser apurado mediante o emprego das regras sobre a valoração aduaneira, do GATT/1994. O autuante registra: “Como visto anteriormente no tópico que trata dos Fatos Analisados (4.2.3 Fato 3 Subfaturamento dos preços declarados nas importações), os elementos de fato das transações comerciais ficaram perfeitamente caracterizados a partir dos documentos e arquivos magnéticos encontrados tanto na empresa importadora como na empresa adquirente de fato, por conta de quem, as operações foram registradas. Foi possível, portanto, reconstituir as operações comerciais Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 956 22 efetivamente realizadas e identificar com total segurança os verdadeiros intervenientes, comprador, vendedor, bem como os preços efetivamente praticados.” E, tendo em vista os fatos demonstrados nos autos, adoto e ratifico os termos destacados pelo o voto do Acórdão recorrido, que a seguir se transcreve: “ A base de cálculo do imposto de importação é o valor aduaneiro, determinado nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94. O AVA prevê a aplicação sucessiva de seis métodos de valoração, observada a ordem seqüencial nele estabelecida. O primeiro e principal método de valoração aduaneira é baseado no valor de transação das mercadorias importadas em operação comercial de compra e venda, conforme disposto no artigo 1 do referido acordo, in verbis: "Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação,.. A ação da fiscalização é pautada no próprio artigo 1º do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94, na medida em que foi apurado o real valor de transação das Declaração de Importações assinaladas em clara prática fraudulenta aos controles aduaneiros.” Relativamente ao art. 84 do Decreto nº 4.543, de 26 de Dezembro de 2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002) invocado pela recorrente, este estabelece o arbitramento da base de cálculo dos tributos e ou contribuições no comércio exterior nos seguintes termos: “Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado.” (grifei). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 957 23 Desta forma, tendo sido a ação da fiscalização pautada no próprio artigo 1º do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94, na medida em que foi apurado o real valor de transação das Declaração de Importações, verificase a desnecessidade de adoção de um dos critérios de arbitramento previstos nos incisos e alíneas do art. 84 do Regulamento Aduaneiro de 2002 acima transcrito, haja vista que o arbitramento efetuado com base na regra desse dispositivo só deve ser efetuado quando impossível apurar o real valor de transação, o que foi o caso. O real valor aduaneiro de transação foi apurado pela fiscalização, cabendo a empresa autuada suportar os efeitos previstos na Lei. Da Alegação de Inexistência de Ocultação do Real Adquirente das Mercadorias Como relatado, neste item a recorrente reafirma que apenas realizou a encomenda das mercadorias importadas através das empresas importadoras denominadas "tradings" as quais eram as responsáveis pela importação, pagamento de todos os impostos relativos a nacionalização e demais despesas, sendo as mercadorias vendidas à recorrente. E que as empresas importadoras nunca necessitaram de qualquer adiantamento de recursos da recorrente, motivo pelos quais as importações nunca se realizaram sob a forma de importação por conta e ordem de terceiro. E, ainda, que somente com o advento da Lei n° 11.281, de 20/02/2006, criouse a nova modalidade de importação (importação por encomenda), a qual passou a regrar também esse tipo de importação que a recorrente realizava através das empresas importadoras. Portanto, complementa, nunca houve a ocultação do real adquirente das mercadorias, haja vista que a recorrente era apenas a encomendante das mercadorias importadas pelas "tradings" o que ocorreu antes do advento da Lei n° 11.281/2006, sendo certo que não havia legislação específica para que a encomendante figurasse nas operações de importação. As provas coletadas na Operação Dilúvio e carreada aos autos, conforme a seguir relacionado, vão de encontro à tais alegações: 1) FATO 1 CONTROLE DE NUMERÁRIO FLORÊNCIO BIJOUTERIAS efls 310 a 317, VII; 2) FATO 1 SOLICITAÇÕES DE NUMERÁRIO – efls 318 a 324, VII; 3) FATO 2 DEMONSTRATIVOS DE DESPESAS DAS IMPORTAÇÕES – efls 325 a 327, VII; 4) FATO 2 TRANSFERÊNCIAS BANCARIAS EM FAVOR DA OPUSTRADING – efls 328 a 329, VII; 5) FATO 2 NEGOCIAÇÕES DA REAL ADQUIRENTE FLORÊNCIO BIJOUTERIAS COM A EMPRESA EXPORTADORA HAPPY TRADING – efl. 330, VII. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 958 24 Consoante consta no Relatório de Auditoria de efls 94 a 169, as ocorrências dos Fatos 1 e 2 ali relatados e devidamente comprovados com os documentos e informações obtidas pela triagem dos dispositivos magnéticos apreendidos na Operação Dilúvio, acima relacionados, denotam, consoante descreve o autuante, que “a origem dos recursos empregados no desembaraço das mercadorias era da empresa,FLORÊNCIO BIJOUTERIAS, que fazia o depósito para o pagamento das despesas de importação. As empresas ,que estavam registradas nas Declarações de Importação serviam apenas como prestadoras de serviço para a real adquirente, a qual permanecia oculta. Chamam atenção nas planilhas os itens "Taxa Administrativa Trading" e "Taxa Administrativa Distribuidora", que deixam claro que as empresas de fachada atuavam apenas como prestadoras de serviço e para isso até cobravam uma taxa.” Foram encontrados controles de numerário para as importações efetuadas através das seguintes Declarações de Importação 03/07129050, 03/08618917, 04/00127207, 04/00979505, 04/03651160, 04/06081802 e 04/08631982. Já as solicitações de numerdrio estão relacionadas as seguinte importações: 03/08618917, 04/00127207, 04/03651160, 04/06081802, 04/08631982, 04/09852370. Os documentos mencionados no Fato 2, atinentes aos Demonstrativos de despesas das importações, transferências bancárias em favor da OPUS TRADING e negociações da real adquirente FLORÊNCIO BIJOUTERIAS com a empresa exportadora HAPPY TRADING demonstram, ao contrário do alegado, que a FLORÊNCIO BIJOUTERIAS era a empresa que efetivamente negociava, que possuía os recursos financeiros e que realizava os pagamentos, e que a OPUS TRADING apenas atuava como interposta pessoa. Por sua vez, as mensagens trocadas por MSN entre o Gerente do Departamento Operacional da OPUS TRADING e a pessoa identificada como contato da empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS nas transações do grupo, obtidas do relatório "Informação de Pesquisa e Investigação" dos Escritórios de Pesquisa e Investigação na 5ª e na 9ª RF (efls. 382 e 383) e mencionadas no FATO 4 do Relatório de Auditoria demonstram como se dava a Confecção das faturas comerciais (invoices) no Brasil, e desta forma, a manipulação de preços e o esquema de internalização da mercadoria importada, em que as empresas do grupo MAM funcionavam como importadoras e adquirentes de fachada, sendo a real adquirente a empresa FLORÊNCIO BIJOUTERIAS. Portanto, sem razão a recorrente. Das Multas – Da Arguição de Confisco e Desrespeito aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. Depois de tecer comentários sobre a natureza jurídica das multas, de uma forma geral, e das sanções tributárias, ressaltando que em se tratando de sanção jurídica, ela não constitui um fim em si mesma, mas um mero instrumento para alcançar uma finalidade de interesse público, consubstanciada na busca de concretização de uma regra ou princípio protegidos pela ordem jurídica, destacando o que se convencionou denominar função extrafiscal da tributação, bem como ressaltando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, a recorrente acusa que as penalidades aplicadas à recorrente, somadas ao valor principal, implicam em verdadeiro confisco, em ofensa à Carta Constitucional em seu art. 150 IV que veda a exigência de tributo com efeito de confisco. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.013990/200821 Acórdão n.º 3302002.808 S3C3T2 Fl. 959 25 Ao final, requer o afastamento da penalidade imposta e do crédito constituído, para que se respeite o princípio e garantia fundamental à vedação ao confisco, ao amparo do art. 150, IV, da CF. A análise de ofensa de leis instituidoras de penalidade aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e de confisco é de natureza constitucional. Como é sabido, a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a constitucionalidade de leis vigentes no país, e o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. Por esta razão, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) já decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, consubstanciada na Súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória e abaixo reproduzida. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta forma, estando as penalidades aplicadas em conformidade com a legislação vigente, não há como a autoridade administrativa afastálas com base em arguições de inconstitucionalidade. CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.923598/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO PELO CARF.
Declarada inconstitucional a ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno. (RE 585.235 RG-QO/MG).
DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO. AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO.
Afastado o fundamento suscitado pela instância a quo, outro não pode ser erigido no julgamento de segunda instância do qual não tivera ciência o contribuinte, sob pena de cercear-lhe o direito à ampla defesa, devendo o processo retornar para aquela instância tendo em vista a prolação de nova decisão sobre as provas a serem juntadas pelo contribuinte, mediante diligência.
Numero da decisão: 3803-006.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO PELO CARF. Declarada inconstitucional a ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno. (RE 585.235 RGQO/MG). DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO. AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. Afastado o fundamento suscitado pela instância a quo, outro não pode ser erigido no julgamento de segunda instância do qual não tivera ciência o contribuinte, sob pena de cercearlhe o direito à ampla defesa, devendo o processo retornar para aquela instância tendo em vista a prolação de nova decisão sobre as provas a serem juntadas pelo contribuinte, mediante diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. Vencido o conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 98 /2 00 9- 11 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574585), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 22669.00415.230606.1.7.047089, transmitido em 23/06/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 245,21, pois o pagamento informado de R$ 13.116,76, sob o código 8109, efetuado em 12/09/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 08/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 12/09/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.923598/200911 Acórdão n.º 3803006.410 S3TE03 Fl. 41 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde evoca decisão do e. Supremo Tribunal Federal (RE nº 585.235), que teve repercussão geral, e ipso facto deve ser reproduzida nos julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Diversamente do entendimento explicitado pelo órgão julgador de primeiro grau, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deve atentar sim não só para as decisões do Supremo Tribunal Federal de que trata o Decreto nº 2.346/97, mas também para as decisões que adentrem na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869/73, Código de Processo Civil, as quais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito desta Corte Administrativa, com espeque no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Com efeito, a Lei nº 9.718, § 1º do art. 3º, foi declarada inconstitucional pelo STF (o alargamento da base de cálculo) no julgamento do RE nº 585.235, em 10/09/2008, cujo acórdão foi publicado em 28/11/2008, e vem sendo aplicada reiteradamente neste Conselho. Nada obstante, o caso dos autos não merece maior discussão a respeito da rubrica que teria originado o suposto crédito, porquanto nenhum lastro probatório veio aos autos para comprovar o alegado direito creditório. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que as receitas financeiras integraram a base de cálculo da contribuição paga a maior ou indevidamente. Se o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa deve prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Como se vê, a questão de fundo que dá supedâneo ao crédito alegado pela Recorrente, desde a primeira instância são recolhimentos efetuados da contribuição calculados sobre uma base de cálculo ampliada com a inclusão de outras receitas, a teor do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Consigna o r. voto do i. Relator que o direito de crédito com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do citado dispositivo legal, pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva, sob o regime de repercussão geral, tem guarida neste Conselho, não sendo o mérito desta matéria empecilho ao êxito da Recorrente. O impedimento, segundo o voto encontrase no fato de a Defesa não ter ofertado os elementos de prova para o sustento da alegação do crédito apurado. É relevante destacar que os processos de compensação com créditos de pagamento indevido ou a maior têm sido decididos pela Autoridade Administrativa por meio de Despacho Decisório eletrônico. Este meio de emissão do ato administrativo tem a peculiaridade de se pautar sobre dados constantes dos sistemas da RFB e oriundos de declarações antecedentes do próprio contribuinte. Nada obstante em seu corpo o Despacho Decisório informar que a inexistência de crédito reside no fato de o DARF indicado na DComp estar integralmente utilizado em casos como o tal , o texto que forma o campo "Ciência e Intimação" não fornece balizas esclarecedoras para o contribuinte quanto ao que a Administração considera importante para acolher os termos da sua eventual defesa. É consabido ser frequente a falha de contribuinte de transmitir compensações sem a devida e anterior retificação da DCTF que contém a informação do DARF utilizado na DComp e alocado ao débito a que, ali, lhe corresponde. Ainda que o crédito esteja escriturado na sua contabilidade, essa inversão de atos do contribuinte resulta no insucesso da sua compensação. Inadvertidamente, falta a muitos a educação processual tributária que os mobilize a ser metódicos e precisos na feitura da sua defesa, segundo o ditame da exigência legal que irá parametrizar a decisão do órgão julgador art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 , já alegando tudo o que é de direito e de fato e juntando todas as provas que possuir. Na Manifestação de Inconformidade esta Contribuinte expressa sua compreensão quanto ao fundamento do Despacho Decisório e informa a origem do seu crédito. A decisão de primeira instância, conhecendo tratarse da inconstitucionalidade da citada ampliação da base de cálculo, apesar de a meu ver dispor de regra apta a solucionar o conflito favoravelmente à Manifestante, dado o regime processual em que proferida a declaração de inconstitucionalidade e sua definitividade o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, aplicado sem prejuízo das provas que haveriam de ser carreadas aos autos, mediante diligência , ficou circunscrita a declarar sua incompetência para apreciar a questão constitucional trazida pela Manifestante, deixando de mencionar como razão de decidir a ausência de provas. Novamente, a Contribuinte não recebera as luzes necessárias quanto à exigência de provas, fundadas na sua escrita contábil/fiscal, da existência e da apuração do alegado crédito e apresenta recurso voluntário sem carrear à defesa aquilo que não fora óbice Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.923598/200911 Acórdão n.º 3803006.410 S3TE03 Fl. 42 5 expresso ao seu pleito: as provas, de sorte a permitirlhe a garantia constitucional do justo contraditório, sem cerceamento à ampla defesa. O mérito esposado pela decisão de primeira instância, tratandose do julgamento da presente matéria, já referida, é superado nesta Corte, com arrimo no art. 62A da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009RI/CARF. Em circunstância como tal, esta Turma, divergindo da razão de mérito que sustentou a decisão a quo, não tem oposto à contestação da Recorrente outra razão de decidir que antes não lhe fora suscitada. Assim, esta Turma tem se posicionado no sentido de afastar o óbice de mérito contra o qual não concorda e de devolver os autos para o órgão julgador para que atue no sentido de coligir, junto ao contribuinte, as provas da sua alegação. É nesta face que se diverge do r. voto do i. Relator. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10280.902968/2011-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2008
PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 68 /2 01 1- 98 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 87/93 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor de R$ 3.091,77, relativo ao PA mês de junho de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DRF em Belém emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, com suporte no argumento a seguir: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902968/201198 Acórdão n.º 3802003.987 S3TE02 Fl. 135 3 legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, que tratam das Contribuições para o PIS e COFINS, dispõem que a não incidência dessas contribuições dependem de duas condições: 1. o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e, 2. o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. (...) Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são, suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2008 Ementa: DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 04/02/2014 (fl. 96, a Recorrente, em 05/03/2014, apresentou o recurso voluntário (fls. 97/116), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente esclarece sobre o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito, alegando sua materialidade. Segue apresentando os demais argumentos, conforme abaixo: Dos fatos: faz uma abordagem sobre o direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS, alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; reproduz a legislação que trata dessa matéria; que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902968/201198 Acórdão n.º 3802003.987 S3TE02 Fl. 136 5 Do Direito: reproduz um arcabouço de toda a legislação que rege a matéria discutida, informando diversas considerações sobre as interpretações possíveis das hipóteses de incidência das contribuições (PIS e da COFINS) e cita vários posicionamentos da RFB, alegando corroborar com a não incidência do fato gerado nas relações jurídicas desenvolvidas pela recorrente. Ao final, afirma estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de junho de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas, também se fazendo necessário que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador)residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, ao invés de a interessada comprovar a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trazer aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas, limitouse à informação de “disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido”. Esclareçase ao sujeito passivo, ainda, que na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos (ao que consta dos autos), as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior limitam se a mero exercício imaginativo. Registrese, também, que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Assim, na hipótese em tela, apresentaria relevo para a finalidade pretendida pelo sujeito passivo que demonstrasse, por intermédio de prova hábil, que de fato ocorreu pagamento indevido, sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência da máxima de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. E nesse sentido, não é demais referir o fácil alcance, por parte do contribuinte, dos supostos elementos probatórios, haja Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902968/201198 Acórdão n.º 3802003.987 S3TE02 Fl. 137 7 vista tratarse de documentos que, acaso existissem, haveriam de integrar o seu próprio acervo. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços: verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte não juntou nos autos os contratos de prestação de serviços firmados. Afirma que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro e apresentou (em sede de manifestação de inconformidade) apenas uma relação de notas fiscais, que não atende as formalidades exigidas para o caso. 2) quanto ao ingresso de divisas: a Recorrente não apresentou nenhum contrato de câmbio. Afirma em seu recurso que “embora os pagamentos sejam feitos pela recorrente, são esses últimos que arcam com seus respectivos encargos tributários, enviando previamente ao Brasil divisas, específicas e suficientes a sua quitação. As empresas em questão, como a recorrente, atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis nacionais, que prescrevem a utilização desse elo para remessa, única e exclusivamente dos fretes contratados. Assim, todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Em outras palavras, as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ao final, ressalta que “Continua a Recorrente a disponibilizar todas as notas fiscais para a conferência do referido período em questão, no momento em que V. Exa. Entender ser devido”. Como já abordado pela DRJ, a Recorrente encaminhou consulta sobre a matéria à SRRF da 2ª RF, sendo emitida para o deslinde da questão a Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, daquela superintendência, a este anexada, referente ao processo 10280.005047/200618, onde constam as condições necessárias para não incidência da contribuição na situação ali aventada, de onde se extrai que: (...) 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.(grifos não originais) Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Assim, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902968/201198 Acórdão n.º 3802003.987 S3TE02 Fl. 138 9 em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Por conseguinte, acerca da comprovação de suas alegações, apenas aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que: (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido (g.n). Em sede de recurso voluntário, repisa os mesmos argumentos acima reforçando que a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que a Fazenda entender ser devido. .Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de sua comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Como visto nos autos, quando da transmissão da DCOMP, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 5º da Lei nº 10.637/2002. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12466.003304/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/08/2007
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/08/2007 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP nº. 22.170 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 04 /2 00 7- 15 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner” e “conjunto de manutenção para impressora”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 03/22) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 2.091,61); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 4.183,24); PIS/PASEP – Importação (R$ 15,56) e COFINS – Importação (R$ 71,66), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 500,00, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. No curso do despacho de importação da Declaração de Importação (DI) n° 07/11611852, registrada em 28/08/2007, pelo importador CISA TRADING S.A., por conta e ordem da empresa adquirente HEWLETT PACKARD BRASIL LTDA., CNPJ n° 61.797.924/000740, solidariamente responsabilizada, conforme inciso III do artigo 105 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro), foi constado que as mercadorias declaradas nos itens 11, 16, 19 e 31 da adição 007 (cartuchos de toner para impressoras, modelos Q7551X e Q7570A) e as declaradas na adição 008 (conjunto de manutenção para impressora, modelo Q5998A) são classificadas na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, por serem partes/acessórios de máquinas multifuncionais, conforme critérios de classificação expostos na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, sendo que o importador os classificou no código NCM 8443.99.29. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 3202001.438 S3C2T2 Fl. 574 3 Explica a auditoria que já houve processo de consulta sobre classificação de cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, protocolizado por outro importador, a qual foi solucionada por meio da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA nº 126, de 26/03/2007, com a adoção da classificação na NCM 8443.99.39, conforme trechos que transcreve. Portanto, segundo os critérios adotados na referida Solução de Consulta, todas as partes/acessórios de máquinas multifuncionais importadas, relacionadas nos itens 11, 16, 19 e 31 da adição 007 e da adição 008 da DI devem ser classificados no código 8443.99.39 da NCM. Regularmente cientificadas (fls. 03, 12, 16, 20 e 250) as interessadas apresentaram impugnação tempestiva conjunta, às fls. 260/269, na qual, em síntese: Alegam, preliminarmente, nulidade do lançamento, por preterição do seu direito de defesa, porque a fiscalização não designou assistência técnica, quando da conferência aduaneira, necessária à identificação das mercadorias e ao conhecimento das funções por elas desempenhadas e porque não há nos autos nenhuma prova ou suporte técnico que confirme que as mercadorias inspecionadas tratamse de partes e peças de copiadoras. Assinala que as requerentes desconhecem as características técnicas da mercadoria que foi objeto da Consulta formulada por outro interessado, o que prejudica a sua defesa. Ademais, os efeitos diretos da Consulta formulada atingem somente o consulente. No mérito, afirmam que as mercadorias são cartuchos de toner e partes e peças para impressoras HP, apresentadas isoladamente e assim conhecidas comercialmente. Os cartuchos de toner fazem parte do módulo de impressão das impressoras e impressoras multifuncionais, sendo esta a sua característica de maior relevância técnica, operacional e comercial e não pode ser desconsiderada. De forma geral o cartucho de impressão contém toner e é responsável pelos estágios de limpeza, condicionamento e desenvolvimento do processo de impressão. No caso dos conjuntos de manutenção, estão diretamente ligados a função de impressão das multifuncionais, servindo à manutenção do módulo de impressão. Assim, deve ser aplicada a Regra Geral do Sistema Harmonizado "3", alínea "a", pois a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Os cartuchos de toner estão vinculados restritivamente à função de impressora, destinandose inclusive a impressoras que não são multifuncionais, deixando caracterizada a sua utilização/finalidade principal, sendo, portanto, indevida a adoção da classificação tarifária 8443.99.39, a qual é dirigida especificamente para copiadoras. Solicitam a realização de perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnico. E aduzem que, uma vez confirmada a classificação tarifária adotada pelas Requerentes, não há se falar na exigência de quaisquer diferenças tributárias ou de outra natureza, acompanhadas das multas relacionadas no auto de infração ora combatido. Requerem seja acolhida a preliminar e declarada a nulidade do Auto de Infração, ou que sejam mantidas as classificações constantes do despacho aduaneiro, sendo declarada indevida a multa lançada. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/08/2007 DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBSERVÂNCIA. Descritos os fatos que fundamentam o lançamento, juridicamente qualificados no ordenamento legal, e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em ofensa ao princípio do devido processo legal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/08/2007 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 3202001.438 S3C2T2 Fl. 575 5 (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 3202001.438 S3C2T2 Fl. 576 7 impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 3202001.438 S3C2T2 Fl. 577 9 final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner” devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.720815/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto Relator
(Relator)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Relator) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Relator) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 25.151.565,01. Também constam dos autos declarações de compensação vinculadas aos créditos em tela. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 81 5/ 20 10 -4 3 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 3 2 A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, lavrou o Auto de Infração de fls. 170/173 e elaborou o relatório fiscal de fls. 174/176, seguido do Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM n° 687/2011, fl. 179, e novamente do Despacho Decisório do SEORT nº 0015 de 25/01/2012, fls. 774/775 (substituiu o de nº 270 de 30/12/2011), por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 23.482.234,78, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros Refratários) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA (OUTROS INSUMOS): Foram glosadas as notas fiscais referentes a outros insumos, por se tratarem de produtos que estão em desacordo com o disposto no art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003. c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referentes a esses serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas: (i) Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; (ii) Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005 (1/48 avos); (iii) Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2007 a dez/2007 (1/12 avos); (iv) Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), outubro/2007, novembro/2007 e dezembro/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I, da IN 457/04, Lei nº 11.196/2005, Dec. Nº 5.789/2006 e Dec. Nº 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 4 3 Cientificada do Auto de Infração em 21/11/2011 (AR à fl. 177) a interessada apresentou em 29/11/2011 a impugnação de fls. 685/740, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. b) Foram glosados também Refratários, Fita Sintagem, Barra de Aço Carbono, ferro gusa, Argamassa retrataria, Granalha e Pasta de Socagem. c) Por derradeiro, glosarase os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. d) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensada aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio – rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratamse os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. e) Constou no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 5 4 compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da nãocumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo, e a rigor, segundo a legislação regente da não cumulatividade para a PIS, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito nãocumulativo. f) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de PIS/PASEP relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/PASEP não cumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. g) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 6 5 equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Referem julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. h) Cabe voltarmos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre máquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 7 6 apontada no Auto, seria como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. i) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 8 7 apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. j) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Cientificada, pessoalmente, do Despacho Decisório nº 15/2012 em 26/01/2012 (fl. 777) a interessada apresentou, em 10/02/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 782/837, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados pelos serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte e Coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. b) Foram glosados também Refratários, Fita Sintagem, Barra de Aço Carbono, Ferro Gusa , Argamassa retrataria, Granalha e Pasta de Socagem. c) Por derradeiro, glosarase os créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. d) Com todo o respeito a que faz jus a I. Fiscalização, e por maior que seja o esforço dispensado pela requerente à compreensão do objeto das glosas, mas não há como ante o Parecer SEORT em face do qual é apresentada a presente defesa, identificarse com a necessária previsão quais bens e ou serviços teriam sido efetivamente glosados. Primeiramente cabe ressaltar que o Despacho Decisório n° 270 estava obscuro e impreciso, sendo necessário o deslocamento de representante da contribuinte até a sede deste I. Órgão Fazendário para que fossem esclarecidas dúvidas quanto à legislação aludida e numeração do mesmo, o que se deu em 24/01/2012. e) Depois houve nova mudança do Despacho acima citado, pois o mesmo não fora assinado pela autoridade competente, qual seja, o Delegado da Delegacia da Receita Federal, e sim por Chefe do Setor de Orientação e Análise Tributária SEORT. Ademais, houve alteração de sua numeração que era a de n° 270 de 30/12/2011 e passou a ser a de n° 015 de 25/01/2012. O que se tem por certo, portanto, é, com o devido respeito, a nulidade do Parecer SEORT, em que a incongruência dos dados, a não confecção por autoridade competente, e lapsos afins, comprometem o direito à ampla defesa da requerente. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 9 8 f) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e, centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio – rejeito que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerente ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Tratamse os itens mencionados acima, de produtos que tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos dessa indústria e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. g) Constou no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da nãocumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo, e a rigor, segundo a legislação regente da não cumulatividade para a PIS, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito nãocumulativo. h) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de COFINS relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 10 9 material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS nãocumulativa, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. i) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes, não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente, quanto ao transporte e coprocessamento de RGC, Transporte de Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Processamento de Borra de Alumínio que são resíduos industriais decorrentes de consumo/aplicação direta ao processo produtivo do alumínio. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que a Albrás é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 11 10 legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. j) Cabe voltarmos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexequível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 12 11 razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer SEORT que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. k) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu o pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Auditor Fiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. l) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e a impugnação. Intimada do acórdão supra em 21/03/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16/04/2012. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 13 12 É o relatório. Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para a COFINS, no regime de não cumulatividade, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, relativamente ao 4º trimestre de 2007. Alega o Recorrente que foram glosados os custos de transporte e co processamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e os respectivos transportes e de transporte de rejeitos industriais. Além destas glosas, foram efetuadas exclusões referentes aos custos com máquinas e equipamentos, aos custos com peças de manutenção e aos custos alusivos às edificações. Veja que, para que seja proferida uma decisão, devese se analisar cada item relacionado como “insumos” e a sua inserção no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Em face disso, não havendo elementos suficientes nos autos que comprovam a utilidade e essencialidade dos itens glosados pela i. fiscalização, voto no sentido de retornar os à origem para ser realizada diligência, com respectiva emissão relatório conclusivo acerca : (i) da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial da recorrente. (ii) Também há necessidade de serem identificadas no parque fabril da Recorrente as máquinas, os equipamentos e as edificações e seus os respectivos custos, que são ou não efetivamente utilizados para a elaboração do produto final a ser vendido. Neste sentido foram as decisões tomadas em outros processos desta mesma Contribuinte: a) Processo nº 10280.722261/200985 (2ª Turma; Resolução nº 3402000.493) b) Processo nº 10280.722260/200931 (2ª Turma; Resolução nº 3402000.492) c) Processo nº 10280.722256/200972 31 (2ª Turma; Resolução nº 3402 000.491) Após estas diligências, bem como a manifestação da Recorrente sobre a mesma, retornem os autos ao CARF para julgamento. É como voto. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10280.720815/201043 Resolução nº 3302000.308 S3C3T2 Fl. 14 13 Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18336.000335/2001-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/09/1996
EMBARGOS. ERRO FORMAL. REDISCUSSÃO DO MÉRITO.
Cabível os embargos de declaração para ajustes formais no voto, não sendo possível utilizá-los para rediscussão de mérito.
EMBARGOS CONHECIDOS.E PACIALMENTE PROVIDOS.
Numero da decisão: 3201-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento aos embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/09/1996 EMBARGOS. ERRO FORMAL. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. Cabível os embargos de declaração para ajustes formais no voto, não sendo possível utilizálos para rediscussão de mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E PACIALMENTE PROVIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e dar parcial provimento aos embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 03 35 /2 00 1- 91 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.102 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais bem como de multa por infração administrativa ao controle das importações, perfazendo, na data do lançamento, o crédito tributário no valor total de R$ 23.492.848,83, objeto do Auto de Infração de fls. 01 21. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração e do Relatório de Revisão Aduaneira (fls. 0311), a fiscalização detectou infrações nas importações promovidas pelo contribuinte, conforme exposto a seguir. Inobservância de normas do Regime Geral de Origem da ALADI Relata a fiscalização que o contribuinte submeteu a despacho aduaneiro de importação as mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação DI nos 000299, 000337, 000370, registradas, respectivamente, em 02/09/1996, 25/09/1996 e 15/10/1996, nas quais pleiteou a redução de alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), firmado entre Brasil e Venezuela, no âmbito da Associação Latinoamericana de Integração – ALADI. Do mesmo modo, por meio das DIs nos 000321 e 000323, registradas em 19/09/1996, o importador solicitou redução de alíquota, com fundamento no Acordo que estabelece a Preferência Tarifária Regional no âmbito da ALADI (PTR 04). Em relação às DIs 000299/96, 000337/96, 000370/99 e 000321/96, acima mencionadas, foi constatado que os certificados de origem apresentados pelo importador foram expedidos antes da emissão das respectivas faturas comerciais. Tal fato, segundo afirma a fiscalização, viola o disposto no art. 2º do Acordo 91 da ALADI, executado pelo Decreto nº 98.836, de 1990. No tocante às DIs nos 000321/96 e 000323/96, foi constatado que o exportador situase em país não integrante da ALADI, uma vez que as respectivas faturas comerciais foram emitidas pela empresa Petrobrás América Inc., com sede nos Estados Unidos da América EUA. A triangulação comercial, conforme observa o autuante, não tinha amparo legal na época das importações, uma vez que a possibilidade de intermediação de terceiro país não signatário do Acordo somente passou a ser admitida, sob certas condições, a partir da Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865, de 07/12/1998. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.103 3 Quanto à DI nº 000321/96, a fiscalização verificou ainda que o Certificado de Origem está em desacordo com o formulário único adotado pela ALADI, acarretando infração ao art. 7º da Resolução nº 78 da ALADI, executada pelo Decreto nº 98.974, de 24/01/1990. Argumenta a fiscalização, com base no art. 129 do Regulamento Aduaneiro, que deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção ou redução, concluindo pela inaceitabilidade dos certificados de origem para fins de aplicação das preferências tarifárias pleiteadas pelo importador. Importação desamparada de Guia de Importação. De acordo com o relato fiscal, as Guias de Importação, relativas às DIs relacionadas às fls. 07, foram emitidas após a conclusão dos respectivos despachos aduaneiros, configurandose a infração administrativa ao controle das importações, prevista no art. 169, inciso I, alínea “b”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978 (art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05 de março de 1985). Acrescenta o autuante que: a) a Instrução Normativa IN nº 97, de 06 de dezembro de 1994, dispensa o importador da apresentação da Guia de Importação durante o despacho, porém, não o exime da obrigação de “já ter a importação amparada pela competente Guia de Importação quando do despacho, conforme determina o art. 432 do Regulamento Aduaneiro”. b) a IN SRF nº 97, de 1994, impõe ao importador a obrigação de manter a Guia de Importação em seus arquivos, à disposição da fiscalização, pelo prazo de cinco anos, contados da conclusão do despacho aduaneiro; c) a IN SRF nº 06, de 02 de outubro de 1986, desobriga a Petrobrás de obter a Guia de Importação anteriormente ao embarque de produtos petrolíferos e de apresentála durante o despacho aduaneiro, determinado que seja mantida em arquivo pelo prazo de cinco anos contados do desembaraço; d) O Ato Declaratório Normativo COSIT, de 09 de janeiro de 1997, firmou o entendimento de que, quando a Guia de Importação for emitida após o registro da DI, aplicase a multa por falta da Guia, prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro; e) tendo em vista o art. 111, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre dispensa do cumprimento de obrigações acessórias, o caso em tela, na falta Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.104 4 de previsão legal que ampare a postergação na emissão da Guia, enquadrase no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro. Assim, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício do Imposto de Importação, exigindo as diferenças que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho aduaneiro, acrescidas de multa e juros de mora, bem como da multa por infração administrativa ao controle das importações, caracterizada por falta de Guia de Importação, conforme enquadramento legal consignado às fls. 11 e 21. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 06/09/2001, conforme fl. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 188201, em 08/10/2001, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: Não há que se falar em autuação para lançamento em relação às DIs nos 273, 274, 285, 286, 287, 288 e 299, porque encontrase prescrito o direito da Secretaria da Receita Federal, de constituir o crédito tributário, em face do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN; Levando em consideração que as citadas importações ocorreram “até no máximo a data de 02/09/2001, necessariamente o lançamento do crédito tributário tinha o seu prazo decadencial até 03/09/2001” (sic), porém o Auto de Infração foi lavrado em 05/09/2001, com ciência do contribuinte em 06/09/2001; o Certificado de Origem destinase a comprovar a origem da mercadoria no âmbito do MERCOSUL, conforme Tratado de Assunção de 1991, promulgado pelo Decreto nº 350, de 21 de novembro de 1991, o qual prevê que referido documento tem validade de 180 dias; quanto à multa pela apresentação do Certificado de Origem fora do padrão, os documentos emitidos na Venezuela, se analisados em conjunto, são iguais e, mesmo que não fossem, inexiste um formulário único; o que interessa é a substância do ato, pois o formulário existe e foi emitido por sociedade certificadora habilitada no país de origem, tendo data, assinatura, especificação das mercadorias, carimbos e todos os aspectos formais foram cumpridos; não pode haver um “baralhamento” de tipos de Certificados de Origem, uma vez que em um mesmo país poderá haver duas ou mais entidades certificadoras, como no caso da Argentina, sendo lógico que não há que haver um padrão, e nesse sentido o Decreto nº 98.974/90 não fala em formulário único; a exceção do Tratado de Assunção não existe nenhuma outra disposição legal acerca da data de emissão da fatura comercial, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.105 5 sendo que qualquer norma de direito interno, principalmente Instrução Normativa, contraria o espírito do tratado internacional; a interpretação teleológica do tratado há que considerar as facilidades das transações realizadas pelos países integrantes do Mercosul e prestigiar a origem dos produtos destes; a “DRF/CE” tem entendimento de que o descumprimento do prazo para apresentação do Certificado de Origem, previsto na IN SRF nº 97, de 1994, não enseja a perda do benefício de redução tarifária, se referido documento atende aos requisitos do Acordo Internacional; o Terceiro Conselho de Contribuintes tem entendimento uníssono de que não se pode determinar a perda da redução tarifária e considerar nulo o Certificado de Origem sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda a consulta ao órgão emitente do país exportador, não havendo norma que exija relação cronológica entre o Certificado de Origem e a fatura comercial; o fato de a ALADI ter permitido a triangulação comercial a partir de 08/12/1997 (sic) não quer dizer que antes estava proibido, pois, sob a ótica do direito comercial, é um costume adotado internacionalmente; a ALADI veio chancelar uma prática comercial há muito adotada; tendo em vista o princípio de que é permitido o que não for proibido e com base no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, não havendo lei proibitiva, é improcedente o Auto de Infração; em virtude de significativas especificidades geopolíticas, que acarretam limitações aos negócios e inviabilizam o pagamento no prazo estipulado pelo fornecedor, a mercadoria é enviada diretamente para o Brasil e uma das subsidiárias da Petrobrás, por ordem da controladora, paga o preço da compra ao produtorexportador situado na Venezuela, sendo que, concomitantemente, a Petrobrás revende a mercadoria à mesma subsidiária e a recompra para alongar o prazo para pagamento; a fatura final, relativa à recompra, compreende o preço puro e idêntico constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; a exigência da fatura e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal, nos termos na Nota Coana/Colad/Diteg nº 60, de 19/08/1997, que conclui pela regularidade da intermediação, inclusive quando envolver preferência tarifária; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.106 6 o art. 4º, “b”, da Resolução nº 78 e o Acordo nº 91 não vedam a compra direta com intermediação posterior de terceiros, com finalidade de mera alavancagem financeira e sem trânsito por outro país; a vedação é quanto à figura do atravessador ou especulador e não impede que o importador subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e as formalidades do Acordo; em razão da falta de recursos necessários para o pagamento do preço, a realização dessas operações de intermediação reputase necessária para a empresa, como forma de alavancagem financeira, e vital para a economia do país, no que se refere ao saldo de divisas, abastecimento e preço dos derivados de petróleo, em decorrência do agravamento de custos, acaso seja efetuada a antecipação dos pagamentos; a operação comercial não colide com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, impondose o reconhecimento do benefício neles previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, devendose observar ainda o devido processo legal. Não havia, à época dos desembaraços, prazo para emissão de GI; A jurisprudência dominante no Terceiro Conselho de Contribuintes é no sentido de que não configura importação ao desamparo de Guia a apresentação, fora de prazo, de GI emitida após o desembaraço, ao amparo da Portaria DECEX nº 15, de 1991; uma coisa é a prática do ato jurídico, outra é a sua prática fora do prazo; as importações em causa estavam amparadas por GI, sendo imprópria a capitulação legal do Auto de Infração, que deve ser declarado nulo; as importações ocorreram com base na Portaria DECEX nº 15, de 09 de agosto de 1991, que dispensa a emissão prévia de GI, combinado com a IN SRF nº 6, de 1986, que autoriza os embarques no exterior de produtos petrolíferos sem emissão prévia de GI; o ADN COSIT nº 05, de 1997, é posterior aos desembaraços em questão, não podendo servir de fundamento para regular aqueles procedimentos; tanto a Delegacia da SRF no Ceará, por meio da decisão nº 038/98, quanto o Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 30129.084, manifestaram o entendimento favorável Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.107 7 à defendente após a publicação do citado ADN COSIT, o que demonstra que também discordam dele; os juros de mora estão em desacordo com o disposto nos arts. 1.062, 1.063 e 1.064 do Código Civil que, de modo claro estabelecem o percentual de 6% ao ano, e também com o art. 162, § 3º, da Constituição Federal, que limita a cobrança de juros a 12% ao ano. Por fim, requer seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou a sua improcedência. DA DILIGÊNCIA De acordo com as considerações feitas no despacho de fls. 209 211, a impugnante alega que as importações estavam amparadas pela Portaria DECEX nº 15/91, a qual permitia, em algumas situações, a realização do despacho aduaneiro sem emissão prévia da GI, destacandose, dentre essas hipóteses, as importações de produtos destinados a processamento, sujeitas à anuência prévia de órgão governamental. Ainda conforme o mesmo despacho, o que demonstra ter sido a GI emitida com base na mencionada Portaria é a existência no documento de cláusula específica, formalidade estabelecida na norma, exatamente para garantir a vinculação da GI a uma mercadoria previamente desembaraçada, e que consiste na menção expressa a essa circunstância com a indicação do número da DI à qual se vincula a Guia. Foi constatado ainda que o campo 04 das cópias das GIs anexadas aos autos, onde deve ser indicada a data de validade para embarque das mercadorias, consta a observação “vide verso” e que os versos das cópias acostadas aos autos não contêm nenhuma informação, indicando que não foram fotocopiados os versos dos documentos originais. Em razão de não se poder descartar a possibilidade de as GIs apresentadas conterem no verso a citada cláusula, que poderia demonstrar terem sido emitidas com base no art. 2º, alínea "b", da Portaria DECEX nº 08/91, com redação dada pela Portaria DECEX nº 15/91 e, assim, justificar a sua emissão após o início dos despachos aduaneiros a que se referem, foi determinada diligência. Foram solicitadas providências no sentido de confirmar se as cópias das GIs anexadas aos autos se relacionam com as DIs objeto da ação fiscal e, acaso constatadas quaisquer informações apostas nos versos das Guias de Importação, fotocopiar e anexar ao processo, informando ainda, se for o caso, quais Guias de Importação que não contêm nenhuma informação no verso. Para atendimento do solicitado, a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar as vias originais das GIs ou cópias autenticadas (frente e verso) (fls. 215). O contribuinte Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.108 8 encaminhou cópias de GIs (frente e verso), que foram anexadas às fls. 219/232 e 235/238, deixando de apresentar as cópias das GIs de nos 196/466680, 196/476812 e 196/476820. A fiscalização atestou que as GIs referemse às DIs objeto da ação fiscal (fls. 241). Afora o atendimento das providências solicitadas, a fiscalização, por meio do despacho de fls. 239/241, aduziu novos argumentos no sentido de refutar a alegação da impugnante de que as importações estavam amparadas pela Portaria DECEX nº 15, de 1991, afirmando, em síntese, que as mercadorias importadas (óleo diesel, gasolina e querosene) não são matériasprimas a serem submetidas a processos de industrialização. Sustenta, assim, que tais produtos são destinados a consumo e não a processamento, de modo que os despachos aduaneiros não estavam acobertados pelo art. 2º da Portaria DECEX nº 08/91, com redação dada pela Portaria DECEX nº 15/91. Além disso, no mesmo despacho, a fiscalização afirma ainda que as GIs foram emitidas ao amparo do art. 64 do Decreto nº 42.820, de 10/12/1957, argumentando que o citado dispositivo não permite que a GI seja emitida após o desembaraço e sim após o embarque, ou seja, no caso de produtos petrolíferos, tão somente confere ao importador o direito de providenciar o embarque antes da emissão da GI, mediante autorização do órgão governamental competente. Por meio da Resolução DRJ/FOR nº 251, de 20/12/2002, foi firmado o entendimento de que, ao emitir o pronunciamento acima relatado, a fiscalização trouxe aos autos novos elementos após a apresentação da impugnação, os quais não haviam servido de motivo inicial para a autuação e, assim, não chegaram a ser cientificados ao impugnante. Assim, com base no art. 16, § 4º, alínea “c”, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 9.532/97 c/c alínea “m”, item 1, do Anexo à Portaria SRF nº 436/2002, com vista a preservar o contraditório e da ampla defesa, o processo foi devolvido à repartição de origem, para cientificar o contribuinte das informações prestadas pela fiscalização às fls. 239/241, assegurandolhe o prazo de trinta dias para juntar documentos. O sujeito passivo tomou ciência, conforme despacho de fls. 245, e, decorrido o prazo de trinta dias, não se manifestou nos autos. O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário. Julgado o recurso, este foi provido. A Fazenda Nacional, fato seguinte, interpõe embargos de declaração, alegando omissão e contradição. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.109 9 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida acolheu parcialmente o recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício. A embargante alega omissão e contradição no voto, por problemas formais nas datas do acórdão quando analisada a decadência, bem como buscando rediscutir o mérito e reanalisar provas. Quanto à parte de equívocos no voto referente a decadência, esta parte do recurso deve ser ajustada, para que assim passe a constar (grifos feitos nas alterações): Da decadência – Recurso de Ofício e Voluntário Como bem alega a recorrente, a DRJ acatou a alegação da decadência para a DI 96/00299, pois o registro da DI se deu em 06/09/1996, mais de cinco anos do pagamento, não aplicando a decisão para as DI´s 273, 274, 285, 286, 287, 288 e 299 que se encontram na mesma situação. Por esse mesmo motivo também é interposto recurso de ofício. Entendo que não só o recurso de ofício deva ser negado, como o voluntário, neste tópico, provido. Não há motivos para não ser declarada a decadência do lançamento para as referidas DI´s, aceitas pela fiscalização e recorridas pelo contribuinte, já que parte do lançamento ocorreu mais de cinco anos do registro daquelas e da homologação daqueles pagamentos. A decisão recorrida é clara em seu julgamento: Portanto, aplicandose a regra contida no art. 150, § 4º, do CTN c/c art. 138, parágrafo único, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, concluise que, no caso da DI nº 96/000299, tendo em vista que o fato gerador ocorreu em 02/09/1996, a homologação tácita do pagamento do Imposto de Importação se deu em 01/09/1996, data que corresponde ao termo final do prazo decadencial para lançamento ex officio de diferenças do citado imposto. Uma vez que o lançamento se efetivou em 06/09/1996, com a ciência do Auto de Infração, constatase que foi efetuado após o decurso do prazo decadencial, quando já estava extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário suplementar do Imposto de Importação apurado em relação à referida DI, impondo se a sua exoneração. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 18336.000335/200191 Acórdão n.º 3201001.831 S3‐C2T1 Fl. 1.110 10 A alegação de que a aplicação de penalidade não se enquadraria naquele prazo não pode ser mantida, já que o RA/09 é claro sobre o tema: Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). Como a infração ocorreu quando da importação, não há como lançar tributos sobre os fatos ocorridos mais de cinco anos daquela data. Assim, resta clara a decadência no que se referente ao lançamento sobre as DI´s registradas até 06/09/1996, motivo pelo qual o recurso de ofício é negado e o do contribuinte provido neste tópico. Ressalto que os referidos ajustes em nada alteram o julgamento, já que, de sua análise, claramente se abstrai o que se julgou. Afora esta parte, que em nada altera o julgamento, o que temos efetivamente neste recurso é a tentativa de rediscutir o mérito, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Assim, voto por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos, apenas para retificar o voto quando da análise da decadência, sem alterar ao que foi decidido. Sala das Sessões, 11 de dezembro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 18471.002599/2003-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE.
Recuperação de tributos pagos indevidamente não se equipara a faturamento, razão pela qual é indevida a cobrança da Cofins sobre tais valores. Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, é obrigatória a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de repercussão geral. Matéria decidida no Recurso Extraordinário nº 585.235 sob o regime do art. 543-B do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3201-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recuperação de tributos pagos indevidamente não se equipara a faturamento, razão pela qual é indevida a cobrança da Cofins sobre tais valores. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, é obrigatória a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de repercussão geral. Matéria decidida no Recurso Extraordinário nº 585.235 sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 25 99 /2 00 3- 96 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização/RJ (fls. 120/146), o qual foi cientificado ao interessado em 12/11/2003, para exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS de R$ 16.111,86, e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 40.102,84 (fls. 02). 2 No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 120), constatou que o interessado deixou de incluir receitas na base de cálculo da COFINS, conforme quadro à fl. 121. 3 O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 124/125. 4 O interessado, cientificado em 12/11/2003 (fl. 146), apresentou, em 12/12/2003, impugnação parcial (fl. 152/157), na qual, alega em síntese que: 5 na receita registrada na conta “Recuperações Diversas 4.2.1.02.01.0001” no valor de R$ 490.717,11, está incluso R$ 275.321,09, que se refere à recuperação de tributos (FINSOCIAL) e contribuições (INSS) pagas indevidamente, que foram questionadas conforme processo nº 96.72779 e nº 95.07755825 (anexados), tendo a empresa obtido êxito; desta forma, esses valores não geram ingresso de novas receitas, razão pela qual não integram a base de cálculo da COFINS; 6 a receita registrada na conta “Recuperações de Vale Transporte” se refere ao limite de 6% descontado dos funcionários pela sua participação na aquisição de vales transporte que, para facilitar a visualização contábil destes registros, foram lançados a crédito de resultado, não configurando ingresso de novas receitas, razão pela qual, não integram a base de cálculo da COFINS; 7 Quanto às demais receitas, o interessado concorda que indevidamente não foram incluídas na base de cálculo. 8 Comunica que aos autos juntou cópias de DARFs, que foram recolhidos em função dos valores que compõem a parte não impugnada do auto de infração. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 18471.002599/200396 Acórdão n.º 3201001.550 S3C2T1 Fl. 515 3 9 Anexa à impugnação os documentos de fls. 158/194. 10 Encerra solicitando deferimento de seu pleito. 11 É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1213.543, de 15/03/2007, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 RECEITAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. As alegações desprovidas de prova não elidem a infração. RECUPERAÇÕES DE VALE TRANSPORTE. A recuperação de despesa com vale transporte não caracteriza faturamento. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a parcela do lançamento mantida, a empresa interpôs recurso voluntário tempestivamente, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação nesse particular, bem como acostando documentação complementar para embasar a sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A Recorrente alega que a decisão a quo deve ser reformada, tendo em vista que não representa faturamento a recuperação de despesas, consubstanciadas em compensações tributárias amparadas por decisões judiciais. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A decisão recorrida abstevese de analisar esse mérito, tendo em vista que a Recorrente não instruiu a sua impugnação com a documentação que daria suporte às suas alegações. Isso fica claro no seguinte trecho do voto condutor: 16 Quanto à primeira receita contestada (“Recuperações Diversas”), alega o interessado que se refere à recuperação judicial de créditos relativos ao FINSOCIAL e às contribuições para o INSS pagos indevidamente. 17 Ocorre que, embora mencionado na impugnação “processo nº 96.72779 e nº 95.07755825 (anexados)”, não há nos autos qualquer documento que possibilite comprovar tal alegação. 18 Os documentos juntados pelo interessados estão assim dispostos: 19 – fl. 158: cópia de documentos de identificação do signatário da impugnação; 20 – fls. 159/171: cópia do auto de infração; 21 – fls. 172/181: cópias da AGE de 14/04/2003 e do Estatuto Social Consolidado; 22 – fl. 182: cartão CNPJ; 23 – fls. 183/194: cópias de DARFs. 24 Além disso, em se tratando de impugnação de valor parcial, totalizado no ano (R$ 275.321,09), deve o interessado apresentar demonstrativo mensal das parcelas que pretende excluir, visto que o período de apuração da COFINS é mensal. Pois bem, em fase recursal, a Recorrente junta partes das principais peças dos processos mencionados, as quais supostamente confirmariam as suas alegações. A despeito dos argumentos que motivaram a prolação da decisão recorrida, é fato inconteste que a repetição de indébitos tributários, lastreada em decisões judiciais, não caracteriza faturamento, e, portanto, não pode ser objeto de incidência de Cofins. Com efeito, aplicase ao caso os precedentes do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, sem amparo na Constituição Federal. Em questão de ordem, o Pleno do STF reconheceu a repercussão geral desse tema no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, o que o torna vinculante aos membros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do seu Regimento Interno (Anexo II, Art. 62 A). Confirase a ementa do referido julgado: EMENTA: Recurso Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 18471.002599/200396 Acórdão n.º 3201001.550 S3C2T1 Fl. 516 5 (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário mantido pela instância a quo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10880.909146/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.288
Decisão: Visto e discutidos este autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
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Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ Recorrente BRF BRASIL FOODS S/A (Incorporadora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 14 6/ 20 10 -9 8 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 8 2 RELATÓRIO BRF BRASIL FOODS S/A (Sucessora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida: A Interessada transmitiu vários PER/DCOMP, apontando crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL (SNRCSLL), relativo ao anocalendário (AC) de 2004, no montante de R$8.559.866,11. O PER/DCOMP com demonstrativo de crédito é o de nº 13165.37567.250907.1.7.036736 (fls. 01 a 11). 2. Foi exarado, em 22/01/2010, Despacho Decisório NÃO HOMOLOGANDO as compensações constantes nas DCOMPs eletrônicas vinculadas ao SNCSLL AC 2004, nos termos a seguir sintetizados (fl. 10): “Analisadas as informações prestadas ... e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Parc. Crédito IR Exterior Retenções Fonte DEM. Estim. Comp. Soma Parc. Créd. Per/ Dcomp 107.517,93 1.992,70 14.619.807,91 14.729.318,54 Confirma. 107.517,93 1.524,27 2.316,00 111.358,20 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$8.559.866,11 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$14.729.318,54 CSLL devida: R$6.169.452,43 Valor do saldo negativo disponível = (...): R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos PER/DCOMP listados no endereço eletrônico indicado abaixo. (...)” 2.1. Nas “Informações Complementares da Análise do Crédito” (fls. 13 e 14), consta detalhamento da CSLL retida na fonte confirmada (R$785,05 + R$739,22 = R$1.524,27), e das Estimativas confirmadas (R$2.316,00). 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 03/02/2010 (AR; fls. 15 e 16), e dele recorreu a esta DRJ, em 05/03/2010, por meio de advogada (fls. 24 a 39), juntando documentos (fls. 25 a 51), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 17 a 24): I – DOS FATOS 3.1. A Recorrente apurou saldo negativo de CSLL a pagar no Exercício 2005 (AC 2004) no montante de R$5.757.897,30. Em sua composição, houve retenções de CSLL no montante de R$1.992,70 e por isso a Requerente manteve o direito de utilizar estes créditos para quitar outros débitos pendentes perante a Secretaria da Receita Federal (atual RFB). Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 9 3 3.2. Além disso, apurou saldo de CSLL por estimativa mensal no montante de R$14.619.807,91, que foram recolhidas através de compensação. Desta forma, procedeu às compensações através dos Per/Dcomps não homologados pelo Despacho Decisório, tal como segue: (...), onde teve apenas parte de suas retenções de CSLL na fonte e CSLL por estimativa mensal confirmadas pela RFB, conforme detalhado no quadro abaixo: (...). 3.3. Em que pese as razões emanadas pela RFB, há que ser reformado o Despacho Decisório, pelas razões que passa a demonstrar a seguir. II – DO DIREITO II.1 – DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RETIDA NA FONTE 3.4. A RFB confirmou apenas CSLL no montante de R$1.524,27, não confirmando R$468,43, tal como detalhado a seguir: (...). Como se denota, os CNPJs referemse a Instituições de Serviços Financeiros que promoveram as retenções do imposto, mas, os saldos foram identificados com outros códigos de receita. 3.5. Deste modo, é necessário que seja confrontado outras retenções com outros códigos para fechar o saldo da conta, conforme comprovantes que serão oportunamente apresentados. 3.6. Para que a recorrente possa dirimir as inconsistências do sistema da RFB e comprovar as retenções, apresentará os extratos e outros documentos equivalentes. Em vista da dificuldade de resgatar todos os aludidos comprovantes em seus arquivos, pugna pela apresentação a posteriori, conforme entendimento firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no que diz respeito à verdade material. (...). II.2 – DOS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA 3.7. A Recorrente apurou o montante de R$14.619.807,91 referente à CSLL mensal por estimativa. Foi confirmado apenas o valor de R$2.316,00, e não aceito o montante de R$14.617.491,91. 3.8. No que tange aos valores não confirmados, as DCOMP nº 00689.84985.270204.1.3.013402, 38780.85177.310304.1.3.013480 e 42666.40560.300404.1.3.011244, tais saldos estão homologados tacitamente, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que somente foi cientificada de sua não homologação pelo demonstrativo anexo ao Despacho Decisório. 3.9. Em relação às demais compensações, o crédito ainda está sendo discutido administrativamente e, portanto, não assiste razão à RFB para definir como não homologado. Assim, a exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN. Traz jurisprudência administrativa. 3.10. Isto posto, em vista da comprovação da Recorrente pleiteia que o crédito não confirmado nos termos do Despacho Decisório seja reconhecido, garantindo saldo para as compensações executadas. III – DO PEDIDO 3.7. Requer o reconhecimento e confirmação dos créditos de CSLL retido na fonte e de CSLL por estimativa mensal, e a homologação das compensações declaradas vinculadas ao presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 10 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO SEM DECISÃO DEFINITIVA. DIREITO CREDITÓRIO. Não pode ser reconhecido direito creditório decorrente de questões ainda não apreciadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que foram objeto de Despachos Decisórios e Acórdãos em que não homologadas as compensações pleiteadas e que teriam reflexo no valor da CSLL apurada para o AC 2004, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. DIREITO CREDITÓRIO. Não foi reconhecido crédito em favor do contribuinte, referente à CSLL apurada no AC de 2004, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente. No voto condutor do acórdão recorrido constam os motivos do indeferimento, conforme abaixo transcrito: “(...) 9. Observase que o litígio se circunscreve aos valores de: (i) CSLL na fonte passível de ser utilizado na apuração da CSLL referente ao AC 2004; e (ii) CSLL mensal calculada por estimativa a ser informada na Ficha 17A (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), da DIPJ/2005 (AC 2004). Assim, passase a analisar tais questões. 9.1. CSLL na fonte. 9.1.1. Compulsando os autos, observase que a Recorrente nada trouxe que pudesse comprovar a CSLL na fonte por ela informada na DIPJ/2005 (AC 2004) e no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito. 9.1.2. Como já visto, compete à Recorrente o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar sua certeza e liquidez. Nesse ponto, importa enfatizar que o contribuinte não trouxe documentos de prova que servissem de supedâneo as suas alegações. (...) 9.1.5. Portanto, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, “precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual”, sendo ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. 9.1.6. Assim, concluise que as alegações da empresa informadas neste item não estão comprovadas, razão pela qual mantémse a CSLL na fonte confirmada no Despacho Decisório, no montante de R$1.524,27. 9.2. CSLL Mensal calculada por Estimativa. 9.2.1. A Recorrente afirma que as estimativas foram objeto de compensações, algumas homologadas tacitamente (referentes às estimativas apuradas em janeiro, fevereiro e março/2004), e outras ainda estão em discussão administrativa (novembro e dezembro/2004). 9.2.2. Consultas aos Sistemas PERDCOMP no SIEF (fls. 306 a 318), COMPROT (fls. 319 a 330) e DECISÕES (fls. 331 a 363), indicam que os processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 14) se encontram no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), (...) 9.2.2.1. Observase que os processos administrativos 10880.906886/200858 e 10880.906887/200801 foram objeto de Acórdãos exarados pela DRJ/RPO, em 10/08/2010 (após ciência do Despacho Decisório sob análise), em que não reconhecidos direitos creditórios, mas nos quais foram consideradas homologadas tacitamente as DCOMP a eles referentes, razão pela qual consideramse compensadas, no presente voto, as estimativas de CSLL referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 11 5 9.2.3. Como visto no subitem 8.1., o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública há que ser líquido e certo. Como as estimativas de CSLL referente aos meses de novembro e dezembro de 2004 não foram ainda apreciadas no CARF, não há liquidez nem certeza sobre o valor do crédito de estimativa que porventura poderia exceder ao acima apurado a este título (R$4.301.442,82). 9.2.4. Assim, há que se reconhecer CSLL calculada por estimativa, referente ao AC 2004, no total de R$4.301.442,82. (...) 10.1. Consulta ao Sistema IRPJ indica que o cálculo da CSLL mensal por estimativa foi apurado com base em balanço/balancete de suspensão/redução em cada um dos meses de janeiro a outubro/2004, e com base na Receita Bruta e Acréscimos nos meses de novembro e dezembro/2004. 10.2. Refazendo o cálculo das Fichas 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa) e 17 (Cálculo da CSLL), da DIPJ/2005, obtémse os valores (em Real) abaixo indicados (fls. 364 a 380). (...) 10.3. Desse modo, verificase que não foi apurado crédito líquido e certo em favor da Recorrente. Ao contrário, o valor de CSLL encontrado ao final do AC 2004 foi positivo, de R$1.758.967,41. Portanto, não há direito creditório a ser reconhecido em relação à CSLL referente ao AC 2004. 11. Em face do exposto, VOTO no sentido de INDEFERIR a Manifestação de Inconformidade, NÃO RECONHECENDO direito creditório em favor da Recorrente relativamente à CSLL apurada no AC 2004, e, conseqüentemente, NÃO HOMOLOGAR a compensação dos débitos informados nas DCOMP sob análise. (...)” Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 428 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, buscando comprovar as retenções em fonte, pelo que propugna pela realização de diligência visando comprovar a correção de seus procedimentos. Ao final, requer seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 12 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, o pleito do contribuinte quanto ao SNRCSLL, ano calendário de 2004, foi indeferido pela DRJ, tendo em vista a falta de comprovação das retenções em Fonte (apenas R$468,53), mas principalmente pela falta de recolhimento das estimativas, que foram objeto de DCOMP não homologadas, as quais ainda estão pendentes de julgamento no CARF (R$14.618.589,91). Pois bem, verifiquei que os processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 14) ainda estão pendentes de julgamento na Terceira Seção do CARF, conforme abaixo relacionado: ESTIM. MÊS PROC. ADMIN./DCOMP LOCALIZAÇÃO ATUAL NOV/2004 13804.008888/200457 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000471/200527 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000468/200511 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000458/200578 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000467/200569 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000455/200534 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000466/200514 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000457/200523 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF Salvo melhor juízo o julgamento deste processo somente poderá ser realizado após os acima listados. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.909146/201098 Resolução nº 1402000.288 S1C4T2 Fl. 13 7 Conclusão Diante do exposto, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para os seguintes procedimentos: 1) A DRF de Origem deverá manter o presente processo na DRF aguardando o encerramento dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004, listados neste voto. 2) Por fim, juntar no presente cópia dos acórdãos dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004, e devolver os autos ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 830DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 03/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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