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Numero do processo: 10865.908869/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
PIS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso as Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2004 PIS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido.
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COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 69 /2 00 9- 24 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908869/200924 Acórdão n.º 3801002.150 S3TE01 Fl. 12 2 Caliendo Velloso as Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Ribeirão Preto: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "lido restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908869/200924 Acórdão n.º 3801002.150 S3TE01 Fl. 13 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. 0 poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A. presente manifestação de Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908869/200924 Acórdão n.º 3801002.150 S3TE01 Fl. 14 4 inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto entendeu por bem em não conhecêla, ao argumento de que o contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não possuíam qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração relativo ao crédito pleiteado, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso, o Recorrente rebateu a decisão da DRJ como se esta tivesse não homologado a sua compensação pelo fato de o crédito do contribuinte ter sido atingido pelo instituto da decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo. Porém, não há como conhecêlo. Isso porque o Recurso Voluntário é o meio através do qual o Recorrente devolve ao Conselho a matéria decidida pela Delegacia de Julgamento. Deve, portanto, efetivamente impugnar tal decisão, demonstrando seu inconformismo com as razões apresentadas pelos julgadores. Contudo, a Recorrente não pode utilizarse desse instrumento para alegar matéria totalmente estranha ao processo. Ora, o processo foi instaurado em face de uma compensação realizada pela Recorrente de suposto crédito de PIS. A compensação não foi homologada ao argumento de que o Recorrente utilizou integralmente o mesmo saldo do pretenso crédito para compensar Cofins, CSLL, IRPJ e PIS em 8 diferentes processos. A Recorrente, em sua primeira manifestação, em momento algum, rebate tal argumentação. Discorre, sim, sobre o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que o despacho decisório aventou tal hipótese de decadência. Argumentou, ainda, que faria jus aos créditos tributários porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908869/200924 Acórdão n.º 3801002.150 S3TE01 Fl. 15 5 permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998, muito embora o pagamento que a Recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 30/06/2004, sem nenhuma correlação com o período anterior. Fez também alusão a documentos que não estão nos autos e argumentou que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, embasada no disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, considerou que o contribuinte não contestou expressamente a matéria objeto do litígio, e que, portanto, a mataria não restou impugnada, não tendo, conseqüentemente, sido iniciada a fase litigiosa do procedimento. Decidiu, desta feita, que o mérito da compensação não poderia ser Trazido à discussão no órgão superior de jurisdição administrativa. E, por fim, em suas razões recursais, a Recorrente contesta a decisão da DRJ ao argumento de não restou configurada a decadência do seu crédito!!! Ora, está claro, para esta conselheira, que padece o recurso de regularidade formal. O Recurso só é possível quando o Recorrente demonstra de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão recorrida, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Na presente hipótese, carece a peça recursal de elementos técnicos de formação, posto que não guarda relação lógica e pertinência temática com aquilo que foi objeto da decisão. Não tendo sido impugnados os alicerces da decisão recorrida, tratando de matéria alheia ao processo, não há como conhecer do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908344/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUMÁRIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o despacho decisório que descreve de maneira objetiva o motivo pelo qual o direito creditório pleiteado foi indeferido e, por conseqüência, não homologada a compensação aviada, mormente quando o sujeito passivo compreende os seus termos, defende-se das questões meritórias e contesta a conclusão estampada em tal ato administrativo.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUMÁRIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que descreve de maneira objetiva o motivo pelo qual o direito creditório pleiteado foi indeferido e, por conseqüência, não homologada a compensação aviada, mormente quando o sujeito passivo compreende os seus termos, defende-se das questões meritórias e contesta a conclusão estampada em tal ato administrativo. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUMÁRIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que descreve de maneira objetiva o motivo pelo qual o direito creditório pleiteado foi indeferido e, por conseqüência, não homologada a compensação aviada, mormente quando o sujeito passivo compreende os seus termos, defendese das questões meritórias e contesta a conclusão estampada em tal ato administrativo. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 83 44 /2 00 9- 70Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 16507.67266.250609.1.3.043073, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte, preliminarmente, contestou a intimação por via editalícia; asseverou a nulidade do despacho decisório por falta de motivação da não homologação da compensação, citando jurisprudência administrativa, e conseqüente cerceamento do direito de defesa. No mérito, afirmou a legitimidade do direito creditório, decorrente de modificação do conceito de faturamento, e pugnou pela produção de prova em momento posterior. A DRJ Campinas/SP conheceu do recurso, suprindo o suposto defeito de intimação, e afastou as preliminares argüidas alegando que o recorrente entendeu perfeitamente as razões da não homologação da compensação, e, no mérito, indeferiu a produção superveniente de prova com fulcro nas disposições do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 e, por via reflexa, o próprio pleito, por ausência de provas. Em recurso voluntário o contribuinte insiste na nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa, por desconhecimento amplo dos fatos, e inobservância dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, pelo que, dele se conhece. Data maxima venia, de pronto afasto a requestada nulidade do despacho decisório, porquanto, como sobejamente exposto na decisão de primeiro grau, aludido ato administrativo está devidamente motivado, sendo clara a razão da não homologação da compensação realizada. Nesta senda, foi reconhecida a existência do recolhimento que supostamente seria indevido, todavia, houve a ressalva que o mesmo estava atrelado a débitos declarados pelo próprio contribuinte, motivo pelo qual não poderia ocorrer a pretendida homologação da compensação, havendo congruência na narrativa apresentada. Acentuese: a motivação do ato administrativo, ainda que sucinta, houve, não se podendo confundir arrazoado sintético com inexistente. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10875.908344/200970 Acórdão n.º 3401002.320 S3C4T1 Fl. 11 3 Os fatos, ainda que de maneira singela, foram clara e pontualmente descritos, pelo que não há que se falar em cerceamento de defesa ou vilipêndio ao princípio da ampla defesa, a não ser como argumento meramente retórico, como parece ser o caso. De outra banda, o fato de o contribuinte não ser intimado a prestar esclarecimentos em momento preambular à prática do ato administrativo não tem o condão de viciálo, haja vista que nesta fase inquisitória sua participação é dispensável, se a Administração Tributária já possui todos os elementos necessários à sua produção. No caso vertente, todas as informações necessárias ao exame da compensação já estavam disponíveis por intermédio das declarações prestadas pelo próprio sujeito passivo, não havendo aí qualquer irregularidade. Como já apontado pela decisão recorrida, o contribuinte, em seu recurso inaugural, demonstrou que, nada obstante suas colocações preliminares, bem compreendeu os motivos do despacho decisório reclamado, tanto que apontou a origem jurídica do seu direito de crédito e requereu produção de prova para demonstrálo; contudo, no recurso voluntário, estranhamente parece recuar desta posição e insinuar que desconheceria por completo a fundamentação da não aceitação da compensação aviada, o que não procede. Assim, diante do quadro descortinado, não vislumbro qualquer defeito que possa macular o despacho decisório sob vergasta, mormente, as figuras relacionadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, em que pese não ser objeto do recurso voluntário, em momento algum o recorrente demonstrou a quantificação do seu indébito e tampouco o comprovou, não juntando qualquer elemento que pudesse respaldar seu pleito, em que pese na primeira oportunidade processual tenha requerido a produção posterior de provas, porém, até o presente momento não foi feito. Com estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.961704/2008-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA.
Tem-se por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontra-se confirmado na escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente.
Numero da decisão: 3803-004.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA. Temse por acertada a decisão da autoridade administrativa denegatória do direito creditório pleiteado, assim como de não homologação da compensação formulada, cujo fundamento fático encontrase confirmado na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica trazida aos autos pelo Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 17 04 /2 00 8- 10 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.961704/200810 Acórdão n.º 3803004.202 S3TE03 Fl. 108 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 15 de outubro de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS não cumulativo, período de apuração dezembro de 2003, no valor de R$ 12.535,10, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento do despacho decisório, alegando que, conforme constara da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Retificadora, apresentada em 19 de dezembro de 2006, o valor devido da contribuição no período seria de R$ 25.917,07, e não de R$ 37.116,12, valor este recolhido por meio de DARF. Segundo o então Manifestante, em 21 de janeiro de 2009, após a ciência do despacho decisório, procedera à retificação da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) do período sob análise, em que se corrigiu o valor do débito, em conformidade com o apurado na DIPJ retificadora. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora (fls. 11 a 20). A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DIPJ e de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.961704/200810 Acórdão n.º 3803004.202 S3TE03 Fl. 109 3 O crédito tributário ora mantido permanecerá suspenso enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que a DCTF retificadora fora apresentada após o despacho decisório, em desconformidade com os termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se estipula que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos, sendo a DCTF o instrumento hábil de confissão de dívida, suficiente à exigência do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.º do Decretolei nº 2.124, de1984, e Instruções Normativas da Receita Federal). Destacouse, também, que, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco ocorrido em ato da Administração finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em momento posterior. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repete os elementos fáticos apontados na Manifestação de Inconformidade, transcreve excertos da doutrina e da jurisprudência administrativa e requer a anulação da decisão recorrida, com o deferimento do direito creditório e a consequente homologação da compensação pleiteada, ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, como forma de se prestigiarem os princípios da oficialidade e da verdade material, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a DIPJ é meio hábil para comprovar o correto valor do débito devido, tendo em vista que a Administração tributária, por meio de simples consulta a outras declarações apresentadas eletronicamente, como o Dacon, pode aferir as informações prestadas pelo sujeito passivo; b) em face dos princípios da legalidade objetiva e da verdade material, tem direito à apresentação de documentos após a manifestação de inconformidade, pois a Constituição Federal confere aos processos administrativos a função de prevenção de conflitos de interesses que envolvam a Administração Pública, conflitos esses que podem ser levados à apreciação do Poder Judiciário, denotando a natureza não contenciosa do processo administrativo; c) o processo administrativo se diferencia do processo judicial quanto à busca da verdade, sendo objeto do primeiro a verdade material, em que o julgador pode determinar outras investigações para apurar os fatos, e do segundo a verdade formal, verdade essa colhida dos fatos trazidos aos autos pelas partes envolvidas; d) a autoridade fiscal, no cumprimento de sua função, deve sempre agir de acordo com a lei, não lhe sendo deferido discricionariedade ou faculdade para agir de acordo com outros interesses que não o interesse público, dado que se submete ao princípio da legalidade objetiva; e) em nenhum momento do processo, ventilouse quanto a uma possível ilegitimidade do direito creditório, controvertendose apenas quanto à suficiência da Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.961704/200810 Acórdão n.º 3803004.202 S3TE03 Fl. 110 4 documentação carreada aos autos para comprovar o indébito, em razão do que tornase imprescindível a realização de diligência; f) no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as obrigações acessórias (DCTF, Dacon, DIPJ etc.) são consideradas meio idôneo de prova, uma vez que são nas declarações que o contribuinte apura e informa o quanto devido. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos mapa de apuração da contribuição e cópias do Dacon e de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento (fls. 87 a 104). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da confirmação do fato apurado pela repartição de origem, assim como por ausência de provas adicionais que pudessem comprovar as alegações do então Manifestante. Para se contrapor às referidas decisões, o Recorrente trouxe aos autos cópias da DCTF retificadora, da DIPJ retificadora e do Dacon, mapa de apuração da contribuição e cópias de partes do Diário Geral, com seus termos de abertura e de encerramento, que, em seu entendimento, seriam bastantes para demonstrar o tributo devido no período sob comento, sendo que, no caso deste Colegiado entender de forma diversa, requer que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para se obterem documentos e informações adicionais. De pronto, destaquese que, inobstante o fato de o Recorrente ter trazido aos autos, na segunda instãncia, cópia de parte do Diário Geral, num movimento tendente a suprir a falta de prova documental atestada pelo julgador a quo, considerando o teor do referido livro, constatase que, ao invés de corroborar a tese do Recorrente, temse a confirmação do valor da contribuição devida no período que constou da DCTF original e que serviu de base à decisão tomada no despacho decisório. Às fls. 99 e 101 dos autos, constam provisões para o PIS nos montantes de R$ 37.116,12, este coincidente com o valor do DARF identificado no despacho decisório, e de R$ 755,35, não havendo, nas demais folhas da cópia parcial do Diário Geral, qualquer informação quanto a uma possível alteração ou estorno do valor da contribuição devida no período. Inexiste, ainda, qualquer elemento da escrituração contábilfiscal ou da documentação que a lastreia que pudesse demonstrar, ao menos, a base de cálculo da Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.961704/200810 Acórdão n.º 3803004.202 S3TE03 Fl. 111 5 contribuição no período, sem o que não se vislumbra fundamento à contrariedade enfática externada pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o elemento da escrituração trazido aos autos, conforme acima destacado, depõe contra o próprio Recorrente, sendo que as provas adicionais que porventura possam existir encontramse em seu poder, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à desconsideração das provas presentes nos autos, com a pretensa preponderância do princípio da verdade material sobre os demais elementos normativos que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, informações essas confirmadas na escrituração contábilfiscal trazida aos autos pelo interessado, não se vislumbrando a possibilidade de inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a realização de diligência junto à repartição de origem. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.961704/200810 Acórdão n.º 3803004.202 S3TE03 Fl. 112 6 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, da DCTF retificadora e da DIPJ retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte traz aos autos planilha por ele elaborada e cópia de parte do Diário Geral, sendo que esta, muito antes de amparar suas alegações, confirma os dados que serviram de base à prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000701/2010-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 70 1/ 20 10 -5 6 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 704 2 Relatório Tratase de Recuso Voluntário apresentado pela contribuinte contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve o indeferimento ao Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 05/2007. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R59/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: não haver GFIP para competência 05/2007, da CEI n. 50.047.09467/77, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 03/2007, sem movimento; não haver GFIP para a competência 05/2007, da CEI n. 50.075.02434/73, sendo que a última GFIP entregue foi a de 04/2007, sem movimento,sem movimento; e que em todos os casos a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2826, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 5,08%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. Dessa decisão monocrática, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, que também foi julgada improvida pela DRJ, pelos mesmos motivos. Do acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário, repetindo os argumentos da manifestação de inconformidade, nos seguintes termos reduzidos: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que Fl. 704DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 705 3 embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 706 4 requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. O contribuinte apresentou memoriais ratificando a impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 707 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido. Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do mesmo que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 708 6 A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; Fl. 708DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000701/201056 Resolução nº 2803000.199 S2TE03 Fl. 709 7 (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 709DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10840.003622/2004-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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Recorrente USINA BAZAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixa de analisar a matéria objeto de glosa pela Fiscalização e que foi contestada pela contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Fernando Ruck Cassiano, OAB/SP nº. 228.126. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de DCOMP apresentada pela contribuinte, por meio da qual pretende a interessada compensar débitos seus utilizandose de créditos que alega possuir referentes à Cofins, relativa ao período de apuração de agosto/2004, no valor total de R$ 412.124,86. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 36 22 /2 00 4- 93 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Relatório Fiscal, constante às efls. 47/63, informou a Fiscalização haver constatado as seguintes irregularidades no cálculo dos créditos da Cofins nãocumulativa: a) Foram incluídas aquisições de serviços que não seriam considerados como insumos, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda. A contribuinte teria incluído, indevidamente, os valores relacionados ao transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte da canadeaçúcar. b) Para fins de cálculo do crédito para desconto da Cofins correspondente ao estoque de abertura, previsto no art. 12 da Lei nº. 10.833/2003, a Fiscalização analisou o “Demonstrativo de Cálculo de Abertura de Estoque” apresentado pela contribuinte e verificou que a interessada havia considerado, no estoque de abertura, os custos agrícolas e os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas referentes ao transporte de pessoal. Tais valores foram glosados e o cálculo do valor do estoque de abertura foi, então, refeito, resultando daí numa redução de R$ 17.941.517,59, pretendido pela contribuinte, para R$ 7.024.423,51. Aplicados os percentuais devidos, apurouse o crédito presumido da Cofins de acordo com o §2º daquele mesmo artigo de lei, resultando em 12 parcelas de R$ 13.517,34. c) A empresa efetuou o rateio da totalidade das receitas, segregando as receitas auferidas no mercado interno e aquelas auferidas no mercado externo. Sobre as receitas auferidas no mercado externo, a contribuinte tomou o crédito presumido da atividade agroindustrial e procedeu a compensação deste crédito presumido com outros tributos federais. Diante disso, a Fiscalização elaborou nova planilha de cálculos, inserindo todo o crédito presumido da agroindústria na coluna dos créditos relativos às vendas no mercado interno, resultando, assim, na redução dos créditos vinculados às receitas de exportação. A DRFRibeirão Preto/SP, por meio do Despacho Decisório constante às efl. 64/65, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 412.124,86, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, a querelante apresentou manifestação de inconformidade (efls. 81/107). A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (efls. 119/129), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para a homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4o , do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PRA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003622/200493 Acórdão n.º 3202000.872 S3C2T2 Fl. 188 3 CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível e demais produtos utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 133/163), alegando, em síntese: I. Preliminarmente: que houve revisão incabível dos critérios de apuração da COFINS relativos a período já atingido pela decadência, vez que foi cientificada do Despacho Decisório somente em 12/06/2009 e que, assim, teria havido homologação tácita dos créditos de Cofins pleiteados, referentes ao levantamento do estoque de abertura efetuado em fevereiro/2004. Afirma que o instituto da decadência não só repercute no ato de lançamento das exações, mas possui também reflexos na própria apuração dos créditos levantados pelos contribuintes. Entende que, na homologação tácita, não é homologado apenas o pagamento, mas sim a própria apuração realizada pelo sujeito passivo, e que, desta forma, o levantamento do estoque de abertura, cuja atividade incluise no rol dos procedimentos de apuração de tributos pelo sujeito passivo, encontravase com sua base de cálculo tacitamente homologada, em razão do transcurso do prazo quinquenal. II. No mérito: a) que houve indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação. Aduz que a DRJ confundiu o dispêndio que a contribuinte pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que se trataria de gastos referentes a combustível utilizado no transporte de trabalhadores, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Assim, diante do equívoco cometido pela DRJ, entende que o processo deveria retornar à instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 b) que os dispêndios incorridos pela Recorrente efetivamente estão atrelados ao seu processo produtivo, delimitandose, assim, o correto alcance do conceito de "insumo" para fins de apropriação dos créditos da COFINS; c) que “a recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto”. Assim ,“nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção”. Desse modo, não haveria como não se considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar, que é a matériaprima para a produção do açúcar e o álcool; d) que o próprio CARF, ao analisar a questão dos insumos em relação aos créditos de PIS e Cofins , não mais vem utilizando o conceito restrito imposto pela IN/SRF nº. 404/2004; e) que são incabíveis as exclusões, da composição do estoque de abertura, dos custos agrícolas e dos gastos com serviços de transporte dos cortadores de cana. A uma, porque o transporte de pessoas e os custos agrícolas efetivamente consistem em insumos para a produção da Recorrente. A duas porque a própria Receita Federal do Brasil entende que o valor que deve ser levado em consideração para fins do cálculo do estoque de abertura é aquele constante dos registros contábeis, sem adições ou exclusões, consoante se depreende do art. 48, §§ 8º e 7º da Instrução Normativa 594/05. f) que o art. 12 da Lei nº. 10.833/20023 leva ao entendimento de que, na apuração do valor dos estoques, é possível computar todos os custos de fabricação, sem quaisquer exclusões ou adições, que é o mesmo entendimento esposado pelos §§ 7º e 8º do art. 48 da IN/SRF nº. 594/05. g) que a compensação utilizando os créditos presumidos da agroindústria encontra fundamento no art. 8º da Lei nº. 10.925/2004 c/c o art. 5º, §1º, inciso II da Lei nº. 10.637/2002. Ao final, requer seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte da cana, determinandose o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema. Com relação às matérias enfrentadas pela DRJ, requer seja dado provimento ao recurso. Subsidiariamente, caso não seja determinada a devolução dos autos à DRJ, pede pela procedência do recurso, com a consequente homologação das compensação efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003622/200493 Acórdão n.º 3202000.872 S3C2T2 Fl. 189 5 Logo de plano, vêse caber razão à querelante quando afirma que a autoridade julgadora de piso teria decidido sobre a adequação no conceito de insumo, para fins de creditamento da Cofins, de gasto diverso daquele que fora objeto de glosa. A Fiscalização deixou claro: desconsiderou, como insumos, os gastos relativos às aquisições de serviço de transporte de pessoas, bem como os custos agrícolas. Em momento algum houve qualquer manifestação relativa a gasto com combustível, fosse este referente ao transporte de pessoas, fosse referente ao transporte de canadeaçúcar. Vejase: “A. DA GLOSA, NO CÁLCULO DE CRÉDITOS DA COFINS, APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA, DE AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS, PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE, PARA A FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. ....................................................................................................................................... A fiscalização apurou que a contribuinte inseriu no cálculo dos créditos da COFINS (Fls. 23) não cumulativa valores pagos a empresas prestadoras de serviços, a título de transporte de pessoas. Diante desta verificação, em 25/02/2009 a empresa foi intimada (Fl. 28 item 2.) a informar, apresentando documentação hábil e idônea que comprovassem o valor informado na planilha de cálculo de crédito (Fl. 21), referência 530 e 885 "Transporte de Pessoas" bem assim, informar também que tipo de transporte e que pessoas foram transportadas. Em 13/03/2009 a contribuinte apresentou resposta à intimação (Item 2. da Fl. 32) informando que : tratase do transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte." Diante do exposto, a fiscalização efetuou a glosa dos créditos (Fls. 43) de todas as aquisições de serviços a título de Transporte de Pessoas entendendo não haver amparo legal vigente para considerar estas aquisições como INSUMOS na produção e fabricação de AÇÚCAR E ÁLCOOL pela empresa.’ Quanto aos insumos glosados pela Fiscalização, assim se manifestou a autoridade julgadora administrativa de primeira instância: “ Bens não incluídos no conceito de insumos Dispõe o art. 92 da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. Por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n° 404, de 2004, que em seu art. 8º , § 4º , definiu o conceito de insumos para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo: Art. 8 Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos 111 e IV do § lº do art. 4°; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b. 1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou (...) § 4 Para os efeitos da alínea "b" do inciso Ido caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;(grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto Assim, o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias,por falta de previsão legal, não pode ser considerado como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição.” (grifei) Desta forma, temse claro que o Acórdão recorrido não analisou a questão referente ao objeto desta lide e que foi contestada na manifestação de inconformidade, pois afastou o creditamento, a título de insumo, de gasto referente ao combustível utilizado no transporte de pessoas, quando, na verdade, houve a glosa do serviço de transporte de pessoas. Assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão de primeira instância recorrida, a fim de que outra seja proferida, decidindo sobre as matérias efetivamente objeto de glosa pela Fiscalização e que foram trazidas na manifestação de inconformidade. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003622/200493 Acórdão n.º 3202000.872 S3C2T2 Fl. 190 7 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908030/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
APENSAMENTO DO PROCESSO
Deve ser indeferido o pedido de apensamento quando o período for distinto e não houver interdependência dos processos.
INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. INCONSTITUCIONALIDADE.
Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho.
AFRONTA À SEGURANÇA JURIDICA.
Não há afronta quando uma lei que institui isenção não condicionada é simplesmente revogada pelo Congresso Nacional.
Recurso Voluntário Improcedente
Numero da decisão: 3801-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 APENSAMENTO DO PROCESSO Deve ser indeferido o pedido de apensamento quando o período for distinto e não houver interdependência dos processos. INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho. AFRONTA À SEGURANÇA JURIDICA. Não há afronta quando uma lei que institui isenção não condicionada é simplesmente revogada pelo Congresso Nacional. Recurso Voluntário Improcedente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 96 1 95 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.908030/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.095 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria COFINS Recorrente STURGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 APENSAMENTO DO PROCESSO Deve ser indeferido o pedido de apensamento quando o período for distinto e não houver interdependência dos processos. INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho. AFRONTA À SEGURANÇA JURIDICA. Não há afronta quando uma lei que institui isenção não condicionada é simplesmente revogada pelo Congresso Nacional. Recurso Voluntário Improcedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 80 30 /2 00 8- 51 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908030/200851 Acórdão n.º 3801002.095 S3TE01 Fl. 97 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908030/200851 Acórdão n.º 3801002.095 S3TE01 Fl. 98 3 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação do período de maio de 2002 apresentada pela sociedade Zalcberg Advogados Associados, atualmente denominada Sturgis Administração e Participação Ltda.. A decisão de não homologar o PER/DCOMP tem por fundamento que “foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que a cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em face da Requerente referente à Cofins está tramitando em processo administrativo autônomo de n.º 18471.000995/200893. Por este motivo, em observância aos princípios constitucionais que servem de diretrizes para a administração pública, requer, desde já, o apensamento do presente àquele processo; que recolheu indevidamente a COFINS objeto do presente pedido de compensação; que o pedido se dá com base na inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996, que alterou disposição do artigo 6º, inciso II da Lei Complementar n.º 70/1991 que isentava as sociedades civis de profissão regulamentada da COFINS, considerando a alegação de que Lei Ordinária não poderia revogar preceito constante de Lei Complementar. A DRJ do Rio de Janeiro II julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte com base na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. Isenção. Inocorrência, no período pleiteado. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a órgãos administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário no qual alega que: a) A cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, referente à Cofins, está tramitando em processo administrativo autônomo de n.º 18471.000995/200893. Portanto, em observância aos princípios Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908030/200851 Acórdão n.º 3801002.095 S3TE01 Fl. 99 4 constitucionais que servem de diretrizes para a administração pública, a contribuinte requer o apensamento do presente processo àquele já mencionado. b) Segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária no 9.430/1996 viola normas infraconstitucionais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6º, II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. c) A compensação do crédito em questão somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. d) Até a data da interposição do Recurso Voluntário não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006. Nos termos das decisões do STJ, não há Cofins a ser paga, já pela ótica do STF ainda não há decisão transitada em julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n.º 9.430/1996, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. e) A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, tendo em vista possível decisão do tema no STF, não autoriza sequer a revisão do lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza, também, a negativa de homologação da compensação. f) É clara a ofensa do art. 56 da Lei n.º 9.430/1996 ao principio da especialidade instituído pelo art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. Por fim, requer a reforma da decisão e o provimento do presente recurso. É o que importa relatar. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908030/200851 Acórdão n.º 3801002.095 S3TE01 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Analiso, inicialmente, o pedido de apensamento ao Processo Administrativo n.º 18471.000995/200893. Entendo, não ser necessária a reforma da decisão acerca desta matéria por dois motivos: o um, pelas razões expostas pela DRJ/RJ2 e consultando o citado processo administrativo, verifico que as únicas características em comum com este processo são: o mesmo contribuinte e a mesma causa de pedir, tratandose também de suposta isenção. Contudo, o processo citado trata de fatos geradores ocorridos a partir de 2003, período este subseqüente ao versado no atual processo e aquele processo não havendo conexão ou continência; o dois, porque conforme consulta realizada no site do COMPROT1 já foi julgado e os valores inscritos em dívida ativa. O Código de Processo Civil dispõe em seu art.105 que devem ser apensados processos quando há continência ou conexão. Em ambos os processos a causa de pedir é a mesma, entretanto, os objetos não são os mesmos, visto que tratam de fatos geradores ocorridos em períodos distintos, portanto, indefiro o pedido de apensamento. No que tange a argumentação da recorrente em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei Ordinária n.º 9.430/1996 que violaria as normas infraconstitucionais, não podendo esta revogar a isenção concedida pelo art. 6º, inc. II, da Lei Complementar n.º 70/91, também nego provimento, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula n.º 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, não há decisão do STF negando vigência do artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996. Ao contrário, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n.º 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996, cuja ementa tem o seguinte teor: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente 1http://comprot.fazenda.gov.br/E gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=18471000995200893&DDMovimentoQ=07032012&SQO rdemQ=0 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908030/200851 Acórdão n.º 3801002.095 S3TE01 Fl. 101 6 constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC I, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado Provimento. Por isso e estando em pleno vigor a legislação sobre a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais legalmente regulamentadas, não há que se falar em pagamento indevido ou maior que o devido, no período objeto do pedido de compensação sob a alegação de que estas sociedades estariam isentas desta contribuição Quanto as demais alegações, por superadas, deixo de apreciálas. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso a que se refere ao apensamento requerido e não conheço das demais questões com base na súmula 2 desse Conselho. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728073/2011-02
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. SOGRO E SOGRA. POSSIBILIDADE
É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, sempre que o cônjuge figurar como dependente na Declaração. Precedentes desta C. Turma.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 15/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Carlos Andre Ribas De Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. SOGRO E SOGRA. POSSIBILIDADE É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, sempre que o cônjuge figurar como dependente na Declaração. Precedentes desta C. Turma. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Carlos Andre Ribas De Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 80 73 /2 01 1- 02 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os autos sobre lavratura de Auto de Infração em decorrência da dedução indevida de previdência privada e Fapi, dependentes e despesas médicas por falta de comprovação, a totalizar crédito tributário no montante de R$ 15.799,24. Cientificado do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação parcial (fl. 4/5), julgada procedente em parte, reduzindo o valor do imposto suplementar para R$ 3.347,94, sob o seguinte fundamento: A certidão de casamento (fls. 8) comprova que Kazu Hiwatashi Yway, é cônjuge do contribuinte, satisfazendo as condições de dependência na declaração de rendimentos. Portanto, deve ser restabelecido o valor de R$ 1.584,60. Entretanto, os sogros do contribuinte (Motsuo e Toku) não podem ser considerados como dependentes, no anocalendário em litígio, uma vez que a declaração de ajuste anual não é em conjunto com o cônjuge, condição imprescindível para fazer jus a tal dedução. O informe de rendimentos financeiros (fl. 6) fornecido pela Brasilprev comprova o valor de R$ 6.782,16 de contribuição realizadas em 2007 em nome de cônjuge (Kazu Hiwatashi Yway) e dependente do interessado, fazendo ele jus a dedução desse montante conforme pleiteado na DIRPF/2008. Relativamente as despesas com plano de saúde deve ser restabelecido o total de R$ 4.976,50 pagos à Unimed Porto Alegre, relativos ao contribuinte (R$ 2.238,74) e seu cônjuge (R$ 2.737,76), conforme documento em fl. 7. Quanto à glosa de R$ 1.892,37 relativo a Peter Hiwatashi Ymay o contribuinte nada contesta, tendo inclusive efetuado o recolhimento do imposto correspondente. Nas razões de Voluntário (fl. 76), reiterou o pedido para que seus sogros fossem reconhecidos como seus dependentes. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Em que pese o entendimento exposto pelo Colegiado de 1ª instância, a legislação de regência (artigo 35 da lei n. 9.250 e o § 3º do artigo 8º do RIR) não traz a exigência ) que a declaração de ajuste anual seja em conjunto dos cônjuges, para fins de reconhecimento dos sogros de um dos cônjuges como dependente. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.728073/201102 Acórdão n.º 2802002.444 S2TE02 Fl. 79 3 Decisões desta C. Turma, permitem a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, desde que o cônjuge figure como dependente na declaração. Processo n. 10980.011269/200763. Recurso n. 165.302 Voluntário Acórdão n. 280200.244 – 2ª Turma Especial. Sessão de 12 de abril de 2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 200.3, 2004, 2005, 2006. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES, SOGRA. É permitida a inclusão de despesas com dependentes relacionadas à sogra na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na medida em que o cônjuge figurar como dependente em tal declaração. No mesmo sentido, de que o sogro ou sogra (pai ou mãe do cônjuge/companheira do declarante), desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do declarante, quando cônjuge/companheira esteja igualmente incluída na respectiva declaração de rendimentos, os seguintes julgados: Acórdão n. 10617.231, de 04/02/2009); Acórdão nº 10617.231, de 04/02/2009 – Recurso nº 164.910 – Processo nº 10120.006346/200611; Acórdão nº 280100.419, de 13/04/2010 – Recurso nº 162.367 – Processo nº 10680.001614/200492; Acórdão nº 10615.105, de 11/11/2005 Recurso nº 147.087 – Processo nº 11516.000859/200203), Recurso n. 164.910 Processo n° 10120..006346/200611. No caso dos autos, a cônjuge Kazu Hiwatashi Ymay se encontra relacionada como dependente à fl. 34. Ademais, não é matéria controversa se os sogros do Recorrente auferiram ou não rendimentos tributáveis nos respectivos anoscalendários. Logo, presentes os requisitos legais, de acordo com a interpretação dada em precedentes desta E. Corte, para fins de reconhecimento da condição de dependentes dos sogros do Recorrente.. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000161/2005-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
No regime de substituição tributária o IPI integra o preço de venda do fabricante de veículos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. No regime de substituição tributária o IPI integra o preço de venda do fabricante de veículos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 61 /2 00 5- 61 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13639.000161/200561 Acórdão n.º 3801002.187 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: O interessado apresentou pedido de restituição no valor de R$ 10.225,93, relativo ao PIS/pasep do período 13 de junho de 2000 a 27 de junho de 2002, referente a uma suposta inclusão indevida de IPI na base de cálculo da contribuição, promovida pelo §1o, do artigo 3o, da IN n° 54/2000; A DRFJuiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório, no qual não reconhece o direito creditório; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 54/66), na qual alega, em síntese, que: 1) “os fabricantes como fornecedores e montadores que são, passaram a ter a função de cobrar da Manifestante p PIS, antecipadamente e recolherem à Receita Federal, como substitutos tributários, calculadas sobre o preço de venda, conforme estabelecido pelo parágrafo único do art. 44, da referida Medida Provisória 1.99117/2000”; 2) “a Lei n° 9.718/98, ao estipular a base de cálculo das referidas contribuições, estatuiu expressamente que excluemse da base de cálculo das citadas contribuições o ICMS e o IPI pagos pela revendedora. Logo, concluise que o preço de venda a que se refere a medida provisória é o preço do veículo pago pela concessionária, menos o IPI e o ICMS”; 3) “destarte, por meio de um simples ato administrativo denominado "instrução normativa" da Receita Federal, pretendese legislar alterando a base de cálculo de um tributo estabelecida em lei ordinária, majorando a carga tributária da Manifestante e demais concessionárias de veículos, que com o ato arbitrário estão sujeitas ao recolhimento antecipado de ditas contribuições pelo regime de substituição tributária, com a inclusão do IPI na base de cálculo, que é agregado ao custo do veículo adquirido para comercialização” A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: PIS/PASEP E COFINS DE REVENDEDORES DE AUTOMÓVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13639.000161/200561 Acórdão n.º 3801002.187 S3TE01 Fl. 12 3 A base de cálculo estabelecida para a PIS/Pasep e para a Cofins, devidos em nome do substituído é exatamente o custo da concessionária adquirente do veículo, incluído o IPI. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado apresenta uma síntese dos fatos argumentando que merece reforma o acórdão recorrido. Sustenta, de imediato, que a decisão “a quo” não apreciou a inconstitucionalidade da Instrução Normativa 54/2000, que é um argumento de suma importância, portanto foi omissa, além de violar princípios constitucionais. Insiste na tese de que o pedido de restituição tem por fundamento na inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º da Instrução Normativa 54/2000. Alega que esta norma afronta a Lei 9.718/98, notadamente o seu artigo 3º, parágrafo 2º, inciso I, que exclui da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins o ICMS e o IPI pagos pela revendedora. Faz referência a diversos artigos da Lei 9.784/99 e reitera que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal viola diversos princípios constitucionais e contraria dispositivo de lei federal hierarquicamente superior. Com relação à base de cálculo da Cofins, alega que o valor da mercadoria determina a base de cálculo da contribuição, assim ao acrescer na base de cálculo, que seria tão somente o valor da mercadoria, o Fisco terminou por criar hipótese de incidência de contribuições sobre impostos federais, cujo valor não incluiu na base de cálculo do imposto e sobre o qual não incide imposto. Conclui que quando a Cofins for cobrada e recolhida antecipadamente pelo vendedor de bens na condição de substituto tributário, deverá excluir da base de cálculo desta contribuição o IPI em razão do disposto na Lei 9.718/98 e na MP 2.037. Destaca, ainda, que o art. 30, § 2º da Lei nº 9.718/98 dispôs sobre a base de cálculo com o único objetivo de assegurar aos contribuintes da Cofins a aplicação de princípios constitucionais tributários, evitando a cobrança de tributo com efeito confiscatório, a fim de se fazer respeitar a capacidade financeira do contribuinte. Por fim, requer a procedência de seu recurso voluntário para que seja deferido o seu pedido de restituição. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13639.000161/200561 Acórdão n.º 3801002.187 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Com referência à substituição tributária, a legislação de regência, art. 44 da MP n° 1.99115/2000 (DOU 10/3/2003), com vigência para os fatos geradores ocorridos a partir de 11/06/2000, disciplinava: Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8703, e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 54/2000, alterada pela IN SRF n° 112/2000 (DOU 21/12/2000), regulamentou o assunto: Da Substituição Tributária Art. 2º Os fabricantes e os importadores dos produtos relacionados no art. 44 da Medida Provisória no 199116, de 2000, relativamente às vendas desses produtos realizadas a partir de 11 de junho de 2000, ficam obrigados a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas desses produtos. Da Base de Cálculo Art. 3º Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no preço de venda do fabricante ou importador. § 1º Considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação.(grifouse) (...) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13639.000161/200561 Acórdão n.º 3801002.187 S3TE01 Fl. 14 5 Destarte, os fabricantes de veículos estavam na condição de responsáveis, como substitutos tributários, pelo recolhimento das contribuições devidas pelos comerciantes varejistas nos termos dos artigos 121 e 128 do Código Tributário Nacional. Como se nota, há, por presunção legal, uma antecipação dos fatos geradores. A requerente insiste na tese de que essa sistemática, em especial o parágrafo 1º do art. 3º da Instrução Normativa acima citada é inconstitucional, uma vez que violou diversos princípios constitucionais. Diferentemente do alegado, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da contribuição em discussão. As exclusões da base de cálculo de cálculo estabelecidas no inciso I, do parágrafo único, do art. 3° da Lei 9.718/98, aplicamse somente aos estabelecimentos industriais, no caso vertente, os fabricantes dos veículos, como bem assentou a decisão recorrida. Cabe, mais, acrescentar que quando o comerciante varejista, situação da recorrente, revende esses produtos ele está dispensado do recolhimento da contribuição, uma vez que as contribuições já foram recolhidas antecipadamente por substituição tributária pelo fabricante de veículos. Em síntese, nesta operação não existe tributo passível de ressarcimento. Assim, essa norma complementar não atentou contra a legalidade, além de não ter extrapolado os limite traçados na respectiva lei. Em outras palavras, a norma acima apenas explicitou que o IPI integra a base de cálculo da contribuição para os efeitos da substituição tributária. Quanto às argumentações referentes à inconstitucionalidade da Instrução Normativa (IN) nº 54/2000, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Instrução Normativa, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que o regime de substituição tributária para o setor automotivo foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora competência para examinar eventuais efeitos confiscatórios desta sistemática. De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que no regime de substituição tributária o IPI integra o preço de venda do fabricante de veículos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13639.000161/200561 Acórdão n.º 3801002.187 S3TE01 Fl. 15 6 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011470/2004-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
IRPF. DECADÊNCIA.
O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL.
Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Numero da decisão: 2201-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE 5.213.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE 5.213. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 14 70 /2 00 4- 67 Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, relativamente ao anocalendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE 5.213. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 1999, 2000, 2001, 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.299 835,77, calculados até 30/11/2004. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese: (a) decadência em relação ao ano de 1999; (b) invalidade da quebra do sigilo fiscal; (c) invalidade do Auto de Infração, tendo como fundamento os depósitos bancários; (d) inexistência do fato gerador do IRPF; (e) duplicidade de tributação na movimentação de recursos em conta bancária; (f) isenção de IRPF nas retiradas de sócios; (g) necessidade de perícia técnica para definir o que são recursos próprios e recursos de terceiros. Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 3 3 A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Omissão de rendimentos. Lançamento com base em depósitos bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ônus da prova. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Lançamento com base em depósitos bancários. Exclusão. A presunção de omissão de rendimento do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada pelo contribuinte, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Depósitos bancários. Titularidade. Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros. Quebra de sigilo bancário. Lei complementar nº 105/2001. Regularidade. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. Decisões administrativas. Efeitos. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Decadência. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pedido de perícia. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Lançamento Procedente em Parte Citase, outrossim, a conclusão do julgamento: Ante o exposto e tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar parte dos depósitos objeto da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, devese recalcular o valor do imposto de renda pessoa física devido, conforme a seguir demonstrado: (...) Assim, VOTO no sentido de rejeitar o pedido de perícia e a preliminar suscitada e, no mérito, declarar procedente em parte o lançamento para considerar devido o imposto de renda pessoa física, referente aos anoscalendário de 1999 a 2002, nos valores de R$ 3.873,33, R$ 104.384,56, R$ 208.968,83 e R$ 177.178,79, respectivamente, sobre os quais incidirá multa de ofício de 75% e juros de acordo com a legislação pertinente. Cientificada da decisão de primeira instância, Lara Maria Mores de Vasconcelos apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi incluído na pauta de 04 de março de 2009 e os membros da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiram converter o julgamento em diligência, conforme se observa dos fundamentos expostos: Prossegue seu desiderato afirmando que há muitos documentos que coincidem com os saques feitos nas contas em datas e valores. Reiterando que não juntou toda documentação porque, sendo esta muito volumosa, pretendeu fazer apenas uma amostragem, que demonstrasse serem os valores pertencentes às pessoas jurídicas. Para roborar sua tese anexa, ao recurso, duas planilhas, sendo que a primeira contém a relação de notas fiscais emitidas por Acrílico Comércio e Representações e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda e a segunda, contendo relação de pagamentos feitos em benefício das citadas pessoas jurídicas, a partir das contas correntes objeto da autuação. Compulsandose os autos no cotejo com a documentação carreada por ocasião do Recurso Voluntário, não há como firmar convicção em relação à origem dos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes do Banco Real e Banco Itaú. Em contrapartida, a contribuinte argumenta que é possível comprovar que toda origem dos recursos é proveniente das pessoas jurídicas e que os referidos valores já foram anteriormente tributados. Nestes termos, fazse necessário que se converta o julgamento em diligência para a confirmação de alguns pontos, especialmente trazidos em sua peça recursal: Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 4 5 i) comprovar a autenticidade dos documentos apresentados, bem como das planilhas apresentadas em sede de recurso, já que não passaram pelo exame da fiscalização; ii) intimar a contribuinte para apresentação do restante da documentação que comprovaria, ser das pessoas jurídicas todos os depósitos/créditos efetuados nas contas correntes; iii) verificar se existe relação entre os valores creditados nas contas correntes e as respectivas vendas efetuadas pelas empresas Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e presentes Ltda. Em caso positivo estabelecer a vinculação mediante planilhamento; iv) outros elementos capazes de conferir certeza à exigência. A diligência foi realizada e vieram aos autos os documentos de fls. 647/4518. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário de 1999 a 2002. Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares aventadas pela recorrente. A primeira questiona a quebra do sigilo bancário e a segunda alega decadência do crédito tributário relativo ao ano de 1999. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, verificase que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). No que tange à utilização das informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, este Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Sobre a alegação de decadência, relativamente à data de início para a contagem do prazo, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada é dispensável tecer comentários. O tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como a contribuinte antecipou o recolhimento do IRPF, confirmado pelo imposto de renda retido na fonte à fl. 269, aplicase para o anocalendário 1999 o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, o fato gerador do IRPF referente ao ano calendário de 1999 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2000. Considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2004. Dessarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 07/01/2005, fl. 416, o crédito tributário constituído pelo lançamento, relativo ao anocalendário de 1999, já havia sido atingido pela decadência. No mérito, a questão nuclear dos autos diz respeito à ilegitimidade passiva da recorrente, ou seja, se os depósitos bancários havidos em seu movimento financeiro pertencem à pessoa jurídica. Muitas são as evidências de que a recorrente utilizara das contas bancárias pessoais para movimentar recursos da atividade comercial. Nesse sentido, os autos foram devolvidos para a autoridade lançadora cumprir a diligência proposta pelos membros da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Após análise dos inúmeros documentos juntados aos autos, bem como dos esclarecimentos prestados pela contribuinte, a autoridade lançadora manifestouse no seguinte sentido (Relatório de Diligência – fls. 647/649): Banco Real Conta 8705857 “Examinadas as tais planilhas, de pronto descartamos a comprovação da origem dos depósitos feitos na conta 8705857 do Banco Real relacionados às fls. 650 e 651, dado Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza3a. RF. Serviço de FiscalizaçãoSEFIS que as notas fiscais indicadas na respectiva planilha são as mesmas já utilizadas para justificar os depósitos da outra conta de n° 332230 mantida no Banco ás fls. 652 a 672”. De fato, compulsandose os autos, verificase que a recorrente indicou como prova da origem os mesmos documentos utilizados para justificar os depósitos da conta mantida no Banco Itaú conta n° 332230 (fls. 652/672). Ademais, os parcos créditos comprovados já foram excluídos pela autoridade recorrida e os demais considerados como de origem não comprovada, aplicando a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996. Banco Itaú Conta n° 332230 “Já em relação aos depósitos na contacorrente mantida no Banco Itaú sob o n° 332230, embora não possamos atestar que todos os valores originaramse apenas das revendas de mercadorias realizadas pelas empresas citadas, a documentação aduzida na resposta aos quesitos da diligência, confirmam de forma satisfatória a alegação da recorrente, eis que as empresas que teriam se utilizado dessa conta pertenciam à família da correntista, que era sócia da ACRÍLICO juntamente com sua Mãe Maria de Fátima Moraes de Vasconcelos e era esposa de um dos sócios da AMITAF Sr.Francisco José Nobre Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 5 7 Sisnando, e Irmã do outro sócio Sr. Tiago Moraes de Vasconcelos, sendo que as receitas auferidas por essas empresas nos períodos examinados, se apresentam compatíveis com os valores depositados na conta bancária em questão, o que pode ainda ser explicado pelo fato dessas empresas não retratarem na sua contabilidade, durante esses anos, nenhum lançamento em "conta Bancos", centrando suas disponibilidades financeiras na "conta Caixa”. Do exposto, verificase que a autoridade lançadora entendeu que os documentos comprobatórios juntados aos autos, no cotejo com a movimentação financeira das pessoas jurídicas Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda, confirmam de forma satisfatória a alegação da recorrente de que a pessoa física utilizava sua conta pessoal para movimentar recursos das pessoas jurídicas pertencentes à família da recorrente. A título de exemplo, citamse os seguintes casos: 1 O depósito realizado no dia 03/12/1999, no valor de R$ 600,00, referese à venda ocorrida, na mesma data, conforme NF 14235. 2 O depósito realizado no dia 18/02/2000, no valor de R$ 256,80, referese às vendas realizadas, nesta data, conforme NF 3858 R$ 93,00; NF 8584 R$ 80,00 e NF 8586 R$ 83,80. 3 O depósito realizado no valor de R$ 3.196,95, no dia 10/04/2000, refere se às seguintes vendas: NF 8874 R$ 68,00; NF 8875 R$ 49,95; NF 8878 30,00; NF 8882 R$ 163,00; NF 4144 R$ 151,00; NF 4146 R$ 183,00; NF 4147 R$ 440,00; NF 4148 R$ 231,00; NF 4149 R$ 480,00; NF 4153 R$ 183,00; NF 4156 R$ 215,00; NF 4158 R$ 100,00; NF 4159 R$ 137,00 NF 4161 R$ 267,00; NF 4162 R$ 97,00; NF 4163 R$ 327,00; NF 4164 R$ 75,00. Ademais, compulsandose a conta 33223.0 do Banco Itaú, verificase que ela foi utilizada para diversos pagamentos da pessoa jurídica, tais como: ICMS, em 21/08/2000, com cheque nº 380403, no valor de R$ 5.474,52; Cristais São Marcos, em 19/04/2000, com cheque n° 891302, no valor de R$ 1.743,61; Fórum Confecções em 08/05/2000, com cheque nº 891309, no valor de 3.308,99; PIS/COFINS, em 29/11/2001, com cheque n°316182, no valor de R$ 3.241,57. Com efeito, salta aos olhos que uma conta pessoa física contenha créditos denominados Credicard, Pgto Credicard, Rede shop e Pgto. Amex, razão pela qual a autoridade recorrida de pronto excluíra da exigência todos os créditos relacionados a esses históricos. Corrobora com a tese da recorrente a Nota de Esclarecimento elaborada pelo contador das empresas informando que movimentava recursos da pessoa jurídica na conta pessoal da contribuinte, bem como a informação de que os valores recebidos em cheques e em dinheiro foram lançados na conta “caixa” como receita de venda à vista (fls. 756/757 e fl. 762). Concluo, no mesmo sentido da autoridade fiscal, que os documentos constantes dos autos confirmam de forma satisfatória a alegação da defesa, ou seja, de que a conta 33223.0 do Banco Itaú, pertencente à recorrente, foi utilizada para movimentar recursos das pessoas jurídicas: Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda. Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Feitas as exclusões da conta 33223.0 do Banco Itaú remanesceram os depósitos não comprovados da conta corrente e poupança do Banco Real de nº 8705857, relativo aos anoscalendário 2001 e 2002, fl. 17, contudo, verificase que os valores ficaram abaixo dos limites individuais e globais previstos no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Logo, devese reconhecer a improcedência da exigência também em relação à conta corrente e poupança do Banco Real de nº 8705857, nos exatos termos da Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a decadência em relação ao ano calendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10380011470/200467 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.233. Brasília/DF, 17 de setembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 36624.000742/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO.
Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Ausente a prova da dispensabilidade, o lançamento que inclui tal utilidade na base de cálculo da contribuição não pode prosperar.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que votou pela nulidade por vício formal.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente na data de formalização
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva (relator) e Júlio César Vieira Gomes(presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 457 1 456 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.000742/200720 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301001.691 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria CONT. PREV. SALÁRIO UTILIDADE Recorrente YAKULT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Ausente a prova da dispensabilidade, o lançamento que inclui tal utilidade na base de cálculo da contribuição não pode prosperar. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que votou pela nulidade por vício formal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente na data de formalização (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 07 42 /2 00 7- 20 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva (relator) e Júlio César Vieira Gomes(presidente). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000742/200720 Acórdão n.º 2301001.691 S2C3T1 Fl. 458 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.764.9206, lavrada em 15/05/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais na modalidade salárioutilidade (veículos) no período de 01/2002 a 12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 212.561,63, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 17/05/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 101/121, na qual alegou: decadência, inaplicabilidade da taxa Selic e não caracterização de salárioutilidade. Na DecisãoNotificação de fls. 159/162, a DRP/São PauloOeste concluiu pela intempestividade da impugnação, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/08/2006, fls. 166. Inconformada, a recorrente protocolou pedido de reconsideração para demonstrar a tempestividade da impugnação, fls. 168/172. A DRPSão PauloOeste acatou o pedido de reconsideração e analisou o mérito da impugnação na Decisão Notificação de fls. 249/260. Naquele decisório os argumentos da recorrente relativos à autuação foram afastados, tendo esta sido cientificada em 11/12/2006. O recurso voluntário, apresentado em 10/01/2007, fls. 267/299, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De início, argumenta pela decadência do período anterior a 2001 por conta da aplicação do art. 150, §4º do CTN. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Alega que a autuação está baseada em presunção, sem que o fato gerador esteja provado. Sustenta que fornece aos funcionários de alto escalão veículos que podem ser utilizados fora do horário de expediente, mas que tais veículos designados são necessários para o desenvolvimento das atividades dos diretores dentro do cargo que ocupam. Destaca que os diretores possuem veículos próprios para seus interesse particulares. Entende que a necessidade de retornar à sede da empresa para guardar os veículos iria desfigurar o cargo de confiança dos diretores. Argumenta que o §4º do art. 201 da Constituição seria aplicável somente no caso dos empregados e não no caso dos contribuintes individuais, pois o texto se refere aos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 ganhos habituais dos empregados. Não sendo seus diretores empregados, os seus ganhos habituais estariam fora da incidência. Argumenta que, estando enquadrada como agroindústria desde 11/2001, conforme art. 22A da Lei 8.212/91, não tem obrigação de incluir as utilidades na base de cálculo que, nesse caso, é o seu faturamento e não a remuneração daqueles que lhe prestam serviços. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000742/200720 Acórdão n.º 2301001.691 S2C3T1 Fl. 459 5 Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Afastamos os argumentos sobre decadência, uma vez que os fatos geradores lançados não seriam atingidos pela decadência qualquer que fosse a regra de dies a quo adotada para o prazo de caducidade de cinco anos. Incidência da contribuição previdenciária sobre salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos. Necessidade de o fisco demonstrar que os veículos eram dispensáveis para o trabalho ou para a prestação de serviço. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos, analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 201 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria sobre o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000742/200720 Acórdão n.º 2301001.691 S2C3T1 Fl. 460 7 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de veículos e sua caracterização como salário utilidade, o TST editou a Súmula 367 que esclarece em que situações os veículos fornecidos podem ser considerados como salárioutilidade, in verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso por conta da aplicação do art. 110 do CTN, exige que o fornecimento de veículos seja Fl. 442DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 dispensável para a realização do trabalho, sendo irrelevante a utilização deste em atividades particulares. Tal circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade dos veículos para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do uso do veículo como salárioutilidade e, portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salário utilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, verificamos que a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar a dispensabilidade do uso dos veículos nem podemos atribuir a tal circunstância a natureza de fato notório. Ao contrário, é bastante plausível supor que alguns diretores necessitem de veículos para desempenhar suas funções. Também é bastante plausível supor que outros dirigentes não necessitem dos veículos para a realização do trabalho. No entanto, a fiscalização não individualizou as situações, deixando de se desincumbir do ônus da prova necessária para a configuração do salárioutilidade por conta da designação de veículos. Assim, concluímos que o lançamento não pode prosperar nesse aspecto. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por MAURO JOSE SILVA
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