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Numero do processo: 10875.908206/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 60/64), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 6/ 20 09 -9 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 98 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 14/03/2003. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 66 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 69/76, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 79/86), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 87/92, e cópias Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 99 3 de DARF (fls. 93/94). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 100 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 79) que as receitas financeiras do mês de fevereiro/2003 correspondem a R$ 419.753,05, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 12.592,59. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 85. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 85, notadamente: “outras receitas” e “remuneração de cobrança”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10850.900967/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Conselho, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinada digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinada digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Dérouléde (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Acordaram os membros do Conselho, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinada digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinada digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Dérouléde (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 96 7/ 20 08 -0 0 Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1436.295, de 12 de janeiro de 2012, da 4ª. Turma da DRJ/RPO, referente ao processo administrativo n° 10850.900967/200800, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 23/28) de crédito da Cofins de junho de 2004, no valor de R$ R$8.398,68, com débito de IRPJ de agosto de 2004, no mesmo valor. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório de fls. 135/136, não homologou a compensação declarada, em razão da inexistência de saldo referente ao recolhimento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido integralmente alocado para extinção de débito declarado pela própria contribuinte. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/8, alegando ter cometido erro de preenchimento da DCTF e do Dacon do período a que se refere o indébito. Argumentou que na DCTF não deveria ter constado débito da Cofins de junho de 2004, pois na verdade foi apurado saldo credor no respectivo mês, conforme demonstrativos da DIPJ/2005 original (fls. 31/32). O erro, reproduzido também no Dacon do segundo trimestre de 2004, deveuse ao fato de a contribuinte ter considerado como receitas sujeitas à alíquota zero o montante de R$ 2.735.382,45, enquanto o correto seria R$ 3.413.500,00, com comprovam as notas fiscais apresentadas por cópia (fls. 97/129). Como tal parcela é redutora da receita total,na apuração da base de cálculo da contribuição, sua correção resultaria na apuração de saldo de crédito no mês, e não Cofins a pagar. Para sanar esses equívocos, apresentou a DCTF retificadora de fls. 33/76 e o Dacon retificador de fls. 79/94. A DRJ/RPO proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 4 3 “ASSUNTO:NORMASGERAISDEDIREITOTRIBUTÁRIO Datadofatogerador:15/07/2004 REPETIÇÃODEINDÉBITO.LIQUIDEZECERTEZA. Osvaloresrecolhidosamaiorouindevidamentesomentesãopassíveisde restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidezecerteza. ManifestaçãodeInconformidadeImprocedente DireitoCreditórioNãoReconhecido” Ocorreu que a recorrente recolheu aos cofres públicos federais a título de COFINS tendo em vista equívocos praticados na apuração do referido tributo. Dentre tais, considerou como tributável, vendas de produtos cuja alíquota da contribuição é 0%. Verificado o equívoco, realizou a contribuinte PER/DCOMP em 09/03/2007, que restou indeferido, sendo posteriormente apresentado manifestação de inconformidade que restou novamente indeferida, entendendo a DRJ/RPO que a DCTF retificadora (fls. 3376) e o Dacon retificador (fls. 7994), não teriam o condão de alterar por si só o despacho decisório que indeferiu o direito creditório. Aduz a DRJ/RPO que a alegação deveria vir acompanhada de documentação comprobatória da existência de pagamento a maior, sendo o ônus da comprovação da contribuinte. Alega a recorrente, a fl. 162, que “A base da compensação pelo pagamento indevido foram as notas fiscais relacionadas na manifestação de inconformidade. Documentos de emissão obrigatória por Lei com validade jurídica, cuja falta de emissão acarreta penalidades tributárias e penais. A negativas ao provimento da manifestação de inconformidade com fulcro nas alegações dos julgadores, colocam dúvidas se tais documentos possuem de fato o condão de arrecadar e validar operações mercantis. Nesse passo, considerando a falta de vinculação dos julgadores de primeira instância, faz juntada a recorrente de todo seu acervo documental, contábil e fiscal.” Tal como alegado no Recurso Voluntário, a recorrente fez de fato a juntada de 3848 páginas de documentos contábeis e fiscais, conforme se verifica a fls. 1754022 deste processo administrativo. Postula o provimento do recurso, a reforma da decisão, o direito de provar o alegado e o apensamento ao processo 10850.900966/200857, Acórdão 1436.294, para fazer prova emprestada dado o enorme volume documental, em face do princípio da economia processual. É o sucinto relatório. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Verificase que a recorrente realizou a juntada de 3848 páginas de documentos contábeis e fiscais, conforme se verifica a fls. 1824030 deste processo administrativo, buscando provar a certeza e liquidez do crédito tributário. Tenho defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição, bem como da juntada de novos documentos fiscais e contáveis comprobatórios do direito alegado. Se o processamento administrativo do pedido de restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF e DACON, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Como a Recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundou se unicamente nas informações constantes da DCTF e DACON apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a Recorrente tivesse apresentado a DCTF e DACON retificadoras antes da transmissão do pedido de restituição, bem como dos demais documentos contábeis e fiscais juntados quando da interposição deste Recurso Voluntário, poderia ter sido tornado líquido e certo o crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF e DACON retificadoras, não exclui o direito da Recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. Afastado, portanto, a razão alegada pela DRF de origem para indeferir o pedido da recorrente, é inequívoco o direito de a recorrente ver apreciado, pela mesma DRF de origem, as provas do direito alegado e a conseqüente apuração do valor do indébito alegado. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 6 5 Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da Recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à Recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Neste sentido, assim já restou decidido neste Colendo Conselho, conforme ementa transcrita do julgado abaixo: Processo nº 10283.902681/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.104 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente YAMAHA MOTOR DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve se apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (grifouse) Quanto ao pedido de apensamento ao processo 10850.900966/200857, voto por indeferir tal pedido, haja vista que a mesma prova já foi juntada naquele processo, conforme pode ser verificado a fls. 1754022, do processo mencionado. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de São José do Rio Preto (SP) para: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e, se for o caso, homologue as compensações declaradas pela Recorrente; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 7 6 É o meu voto. (assinada digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12269.002817/2008-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.138
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 02 81 7/ 20 08 -1 6 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 163 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.062.3665, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.763.762,32. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pela contratação de serviços de cooperativas médicas de trabalho, nas competências entre 01/2003 e 12/2006. O Relatório Fiscal informa: O fato gerador da obrigação previdenciária tem como base a analise da DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte confrontada com os contratos celebrados entre a empresa Dr. Clin (tomadora dos serviços) com as cooperativas de serviços médicos que lhe prestaram serviços, bem como com os lançamentos da escrituração contábil, apurado conforme descrito abaixo: COP Levantamento relativo à contribuição incidente sobre os serviços das Notas Fiscais e faturas das cooperativas médicas contratadas nas competências 01/2003 a 12/2006 e que não foram declaradas em GFIP's.Observase, em relação ao cálculo dos acréscimos legais, que o Relatório Fiscal apresenta o quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11.941/2009. Deixar a empresa, de informar mensalmente ao Fisco Federal por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, configura, em tese, ilícito penal, que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. A Recorrente teve ciência do AIOP em 11.07.2008, via Aviso de Recebimento – AR, às fls. 33. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Sintético do Débito DSD é de 01/2003 a 12/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 164 3 O contribuinte teve ciência do lançamento fiscal em 11 de julho de 2008, apresentando impugnação tempestiva em 11 de agosto de 2008. Alega a decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e junho de 2003. Refere a Súmula Vinculante n° 08. Apresenta diversos argumentos acerca da inconstitucionalidade da contribuição objeto do presente lançamento, fundamentada no artigo 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99. Afirma que o Auto de Infração AI teve como base as informações constantes na DIRF, onde consta a data do pagamento das notas fiscais, enquanto o fato gerador ocorre na data da emissão das faturas com a respectiva prestação dos serviços. Assim, o lançamento deve ser anulado para que constem as informações e valores existentes nas notas fiscais em anexo, conforme planilha que acompanha a impugnação. Prossegue, alegando que deve ser excluído o valor de R$ 48.571,90, referente aos valores pagos à Cooperativa dos Anestesistas de Porto Alegre, lançado em duplicidade, conforme planilha em anexo. Argumenta que as penalidades aplicadas possuem caráter confiscatório, concluindo que a multa deve ser revista e reduzida para índice não superior a 20% (vinte por cento) do valor apurado. Quanto à taxa SELIC, alega que não pode ser aplicada cumulativamente com outros índices de reajustamento. Portanto, ou se aplica a taxa SELIC ou se aplica a multa de 20%, não podendo prosperar a aplicação de multa de 100% cumulada com a taxa SELIC. Ao final requer, em preliminar, seja reconhecida a decadência de valores cujos fatos geradores ocorreram antes de julho de 2003. No mérito, requer a anulação do Aulo de Infração: a) em razão da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição sobre as notas fiscais e faturas referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho; e b) para que constem os valores existentes nas notas fiscais de serviço em anexo e não os constantes das DIRF (diferença entre período de competência e data de pagamento). Também requer a exclusão do valor de R$ 48.571,90, lançado em duplicidade, referente à Cooperativa dos Anestesistas de Porto Alegre. Em relação às multas impostas, deverão ser excluídas ou reduzidas para o máximo de 20% sobre o débito restante, uma vez caracterizado o efeito confiscatório e observado precedentes do STF Posteriormente, em 03 de novembro de 2009, o sujeito passivo protocolizou na Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, fl. 90, requerimento de desistência parcial da impugnação, relativamente ao período de 07/2003 a 12/2006, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Após o desmembramento, o crédito lançado corresponde a R$ 267.448,57 (duzentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 25/06/2008, abrangendo o período de 01/2003 a 06/2003, conforme DD Discriminativo do Débito, fls. 105/106. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 165 4 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 Auto de Infração n° DEBCAD 37.062.3665 1.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Foge a alçada do contencioso administrativo fiscal afastar a aplicação da legislação tributária vigente, sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. 2. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de não haver pagamento antecipado do tributo a ser homologado, o prazo decadencial qüinqüenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Decadência não configurada. 3. ÔNUS DA PROVA. A impugnante tem o ônus da prova acerca daquilo que alega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) da decadência; (ii) inconstitucionalidade; (iii) caráter confiscatório da penalidade aplicada. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 166 5 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.062.3665, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.763.762,32. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pela contratação de serviços de cooperativas médicas de trabalho, nas competências entre 01/2003 e 12/2006. O Relatório Fiscal informa: O fato gerador da obrigação previdenciária tem como base a analise da DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte confrontada com os contratos celebrados entre a empresa Dr. Clin (tomadora dos serviços) com as cooperativas de serviços médicos que lhe prestaram serviços, bem como com os lançamentos da escrituração contábil, apurado conforme descrito abaixo: COP Levantamento relativo à contribuição incidente sobre os serviços das Notas Fiscais e faturas das cooperativas médicas contratadas nas competências 01/2003 a 12/2006 e que não foram declaradas em GFIP's.Observase, em relação ao cálculo dos acréscimos legais, que o Relatório Fiscal apresenta o quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11.941/2009. Deixar a empresa, de informar mensalmente ao Fisco Federal por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, configura, em tese, ilícito penal, que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. Posteriormente, em 03 de novembro de 2009, o sujeito passivo protocolizou na Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, fl. 90, requerimento de desistência parcial da impugnação, relativamente ao período de 07/2003 a 12/2006, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 167 6 Após o desmembramento, o crédito lançado corresponde a R$ 267.448,57 (duzentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 25/06/2008, abrangendo o período de 01/2003 a 06/2003, conforme DD Discriminativo do Débito, fls. 105/106. Da necessidade de verificação de recolhimentos A Recorrente teve ciência do AIOP em 11.07.2008, via Aviso de Recebimento – AR, às fls. 33. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Sintético do Débito DSD é de 01/2003 a 12/2006. Após a desistência parcial do Recurso, o período objeto do auto de infração, é de 01/2003 a 06/2003. Desta forma, para efeitos de apreciação da preliminar de decadência, se faz necessário o envio dos autos para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente informe se: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 06/2003; (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 12/2006; CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 06/2003; (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 12/2006. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.016111/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.160
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que votaram pela análise das demais questões sob o entendimento de que o Recorrente não discutia a quebra do sigilo bancário através de procedimento administrativo. Fez sustentação oral, seu representante legal, Alan Luiz Tavares e Silva, RG nº 1988391 – DGPC-GO
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que votaram pela análise das demais questões sob o entendimento de que o Recorrente não discutia a quebra do sigilo bancário através de procedimento administrativo. Fez sustentação oral, seu representante legal, Alan Luiz Tavares e Silva, RG nº 1988391 – DGPCGO. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, PAULO CESAR FARIA, foi lavrado, por Auditor — Fiscal da DRF/ Goiânia GO, o Auto de Infração de fls.916/927, cuja ciência se deu em 26/11/2008 (fl.1376) O valor do crédito tributário apurado é de R$ 5.336.044,16 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de deposito ou de investimento, mantidas nas Instituições financeiras listadas em anexo ao Auto de Infração, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Demonstrativos integrantes do Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 26 de dezembro de 2008, impugnação ao lançamento, 'As fls.932/956, mediante as alegações relatadas a seguir: Esclarece que, ao longo do ano fiscalizado, foram realizadas operações financeiras de troca de favores entre ele e algumas pessoas de seu relacionamento na regido, que consistia no empréstimo de folhas de cheques do autuado, para que pudesse lastrear operação financeira, dando em garantia o referido cheque. Quando do vencimento da operação contratada, o cheque vai a compensação e o numerário para cobrir a operação é depositado pela pessoa beneficiária da folha do cheque ou por terceiros a sua ordem, via transferência bancária TED, ou depósito em conta corrente. Tais transações envolveram vários cheques, montam a R$4.364.830,97 e foram realizadas com as empresas do grupo COTRIL e seus sócios, ou pessoa de sua ligação, tudo na base da confiança, da amizade, declarados e reconhecidos pelos favorecidos, conforme declarações prestadas por eles. (doc. 26/35) A impugnação enumera todos os depósitos alegadamente decorrentes de transações envolvendo empréstimos de cheques para lastrear empréstimos a pessoas de seu relacionamento, relacionandoos As provas apresentadas, pretendendo justificar depósitos no montante de R$4.364.830,37, conforme documentação enumerada de 01 a 18. Lista, ainda depósitos cuja origem explica como decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade (doc.19), empréstimos oriundos de Conta Garantida (doc.20), devolução de empréstimo (doc.21), desconto de cheques de ter eiros (doc.22), receitas da atividade rural (doc.23 e 24) decorrentes de depósitos feitos, pelo frigorífico FRIBOI, e outros depósitos decorrentes da atividade rural. Explica ter efetuado intensa movimentação bovina, compra e venda, para empreender confinamento bovino e, levando em conta os diversos boatos no meio agro pecuário, notadamente no que diz respeito a epidemias de febre amarela e outros, a carne sofreu restrições em alguns paises, por conseqüência, houve uma queda nos preços internos, levando os empresários que trabalha com engorda de animal em confinamento ao prejuízo. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 3 3 Por ter tido prejuízo no ano, entendeu que não era necessária a inclusão na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ano base dois mil e quatro, dos dados do livro caixa, ou seja, a apresentação de receita e despesas, com isto não preencheu o anexo rural exigido, o que teria ensejado distorções, entre os valores efetivamente recebidos com os que foram declarados, aparentando omissão de receitas. Assim, entende ter apresentado provas para justificar depósitos nos seguintes montantes: 1. R$4.364.830,37 referentes a cheques emprestados, de favor, relacionados nos documentos de n° 01 ao 18; 2. receita da atividade rural R$1.151.611,76 e R$2.770.880,38 (documento n° 23); 3. transferência bancária da mesma titularidade R$80.000,00 (documento 19); 4. devolução de empréstimos R$13.052,68 (documento n° 21); 5. liberação de empréstimos bancários R$ 300.000,00 (documento 20); 6. desconto de cheques R$ 70.000,00 (documento 22) A soma desses valores totaliza R$8.750.375,19, e os respectivos depósitos estariam devidamente justificados e superariam o valor de R$8.745.681,97 autuado pelo fiscal. No ano base em questão, o contribuinte, realizou durante o ano, notadamente mais no segundo semestre, uma intensa movimentação bovina, compra e venda, para empreender o chamado confinamento bovino, que consiste no fechamento de uma determinada quantidade de animais com tratamento intensivo por um curto período, a fim de ganhar peso e vender o animal o mais rápido possível. Justamente neste ano, levando em conta os diversos boatos no meio agro pecuário, notadamente no que diz respeito a epidemias de febre amarela e outros, a carne, uma comoditie internacional, sofreram restrições em alguns paises, por conseqüência, houve uma queda nos preços internos, levando aos empresários que trabalha com engorda de animal em confinamento ao prejuízo. Alguns dos depósitos listados pelo autuante como falta de origem, seriam resultados da venda de bovinos a frigoríficos, com emissão de nota fiscal, com desconto de NPR, com créditos levados h. conta corrente bancária. Por ter 'realizado prejuízo no ano, entendeu o impugnante, que nã tJera necessária a inclusão na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ano base dois mil e quatro, dos dados do livro caixa, ou seja, a apresentação de receita e despesas, com isto não preencheu o anexo rural exigido. A falta da inclusão dos números, principalmente os da receita da atividade rural, na sua declaração ensejou distorções, entre os valores efetivamente recebidos e os que foram declarados, levando a crer uma omissão de receitas. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 4 4 A documentação que deram origem ao livro caixa rural, elide também, valores lançados pelo autuante como omissão de receitas. Cumpre ressaltar que, em 27 de maio de 2009, foi proferido o Acórdão n°. 03 31.148 — 3 a Turma da DRJ/BSA, julgando procedente em parte o lançamento. Posteriormente, em 18/06/2009, o contribuinte apresenta requerimento a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiania, para que os autos fossem devolvidos . Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia para que fosse analisada a alegação de que o relator do acórdão acima mencionado teria deixado de apreciar provas apresentadas com a impugnação, o que constituiria lapso manifesto, possibilitando a correção do acórdão, nos termos do artigo 32, do Decreto n° 70.235/72. A DRJ Brasília ao apreciar o lançamento neste segunda oportunidade, julgouo procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 REVISÃO DE ACÓRDÃO Materializadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão revisado, há que ser proferido novo acórdão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora com base nos documentos apresentados, apresentou arrazoado onde conclui sua avaliação sobre os documentos apresentados: A) EMPRÉSTIMOS DE CHEQUES. DOCUMENTO n°01 No dia 10/11/2003, foi emitido o cheque do impugnante n° 206045 do HSBC, no valor de R$135.000,00 com vencimento para o dia 19/01/2004 (fl.972), que, juntamente com outro, serviu para lastrear a operação de descontos de cheques realizados junto ao Banco Rural (fls.976/979). No dia do vencimento, 19/01/2004, ao mesmo tempo em que o cheque era descontado, foram efetuados dois depósitos na conta do interessado, um de R$132.000,00 e outro de R$3.515,00, totalizando R$135.515,00. Notese que a CPMF calculada sobre o montante de R$135.000,00, equivale a R$513,00. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 5 5 Assim, considero como justificados os créditos ocorridos na conta corrente do interessado totalizando R$135.515,00. DOCUMENTO 02 No dia 10/11/2003, foi emitido cheque do HSBC, n° 203046 no valor de R$135.000,00, com vencimento para 18/02/2004 (fl.986), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos de crédito com o Banco Rural (f1.990), em nome da Cotril Agropecuária Ltda., com vencimento em 19/02/2004. O cheque foi descontado em 18/02/2009, mesmo dia em que a Cotril e seu sócio, Henrique Pereira de Avila efetuaram duas TED's, uma de R$50.000,00 e outra de R$52.000,00, além de um depósito de R$32.558,00 (fls.995 a 999), totalizando R$134.558,00. Considero que esses créditos estão justificados e serão excluídos da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 03 Cheque HSBC n° 260584, emitido em 13/01/2004, com vencimento para 31/05/2004, no valor de R$373.000,00 (fls.1005/1006), no mesmo dia, 13/01/2004, foi efetuada operação de desconto de títulos na cooperativa CREDIGOIAS CARNE, em nome de Henrique Pereira de Avila, sócio da empresa Cotril Agropecuária Ltda. (fls./1008/1011). No vencimento, em 31/05/2008, a empresa Cotril Agropecuária Ltda. emitiu um TED no valor de R$373.000,00, diretamente para conta 305697, do HSBC. (fl .1014). Considero que esse depósito está justificado, uma vez que toda a operação está documentada e há coincidência de datas e valores DOCUMENTO 04 Cheque do HSBC, no 307196, emitido em 27/02/2004, com vencimento para 30/06/2004, no valor de R$ 410.400,00 (fls.1018/1019), que lastreou operação de desconto de títulos realizada no Banco Rural, em nome, de Thiago Marques de Avila (fl.doc.0402), com o Sr. Henrique Pereira de Avila como avalista. No dia 30/06/2008 ocorreu transferência bancária, creditada diretamente na conta 305697 do contribuinte no HSBC, no valor de R$415.000,00, feita pela Cotril (fl.1026), montante que sera estornado da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 05 Cheque HSBC no 348490, emitido em 02/03/2004 com vencimento para 10/07/2004, no valor de R$ 410.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1030), que lastreou operação de desconto realizado no CREDIGOIASCARNE, em nome de Cotril Agropecuária Ltda. (111033), com vencimento em 12/07/04, data em que o cheque foi descontado e efetuado o retorno via Transferência Bancária TED , no valor de R$410.000,00, na conta do HSBC n° 305697, a partir da conta 1679577, na agência 2486, do HSBC, cujo titular é a Cotril (fl.1040). Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 6 6 Desse modo, esse crédito na conta do interessado, no montante de R$410.000,00, ocorrido em 12/07/04, deve ser estornado da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 06 Cheque do HSBC, n° 307194, emitido em 27/02/2004 com vencimento para 13/07/2004, no valor de R$ 410.400,00, em favor de Marcos Pereira de Avila. (fl.1044), lastreou operação de desconto de títulos realizada com o Banco Rural (fls.1046/1048). No dia 13/07/2004, houve Transferência Bancária — TED, no valor de R$412.300,00 (fl.1051/1052), creditado na conta do contribuinte, n° 305697 no HSBC, sendo que a diferença de R$ 1.900,00 referese, alegadamente, a acerto de CPMF. Considero que o depósito no valor de R$412.300,00, ocorrido em 13/07/04, está justificado, uma vez que as datas coincidem com os documentos apresentados e o valor é muito próximo, principalmente, levandose em conta que a CPMF calculada sobre R$410.400,00 é de R$1.559,52. DOCUMENTO 07 Cheque do HSBC, n° 364576, emitido em 23/04/2004, com vencimento para 20/08/2004, no valor de R$80.000,00, em favor de Domingos Pereira de Avila Júnior, sócio da Cotril (fls.1058/1059), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos, no Banco do Brasil (f1.1061). Este cheque teria sido pago por meio de dois créditos em conta corrente do interessado nos dias 21/05/2004; R$77.780,00 e 26/08/2004, no importe de R$2.500,00. Apesar do fato de a soma dos dois depósitos totalizar montante bem próximo do valor do cheque, não há explicações para justificar o pagamento de quase a totalidade do empréstimo três meses antes do vencimento, uma vez que o vencimento da operação ocorreria em 20/08/2004, e o depósito de R$77.780,00, na conta do contribuinte, ocorreu em 21/05/2004. Assim, esses depósitos não serão considerados justificados. DOCUMENTO 08 Cheque HSBC, n° 377068, emitido em 03/06/2004 com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$500.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fls.1071/1072), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos realizada no Banco do Brasil, (fls.1075/1084). O pagamento do cheque teria sido efetuado via transferências entre contas nos dias 20/09, no valor de R$325.980,00 e 11/10 no valor de R$50.000,00, além de depósito diretamente na conta a importância de R$125.000,00, em 20/09/2004 (fls.1086/1090). Considero que os valores depositados, e as datas dos depósitos estão coerentes com a operação alegada pela defesa, de maneira que os depósitos listados no parágrafo anterior serão considerados como justificados. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 7 7 DOCUMENTO 09 Cheque do HSBC, no 3487809, emitido em 21/07/2004, com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$ 328.000,00, em favor de Lourival Gabriel de Oliveira, (fl.1094), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos realizada no Banco Rural (fls.1097/1100). No dia do vencimento da operação, 20/09/2004, foi efetuado depósito na conta do interessado, no montante de R$329.508,00, sendo que a diferença (R$1.508,00) seria devido aos encargos de CPMF. 0 valor calculado para a CPMF, à aliquota de 0,38% seria de R$1.246,40. Considero que o depósito acima mencionado está justificado pelos documentos presentes nos autos, uma vez que há coincidência de datas e os valores são muito próximos, devendo se excluído da base de cálculo o montante de R$329.508,00. DOCUMENTOS 10 E 12 Cheque HSBC n° 387803, emitido em 07/06/2004 com vencimento para 30/09/2004, no valor de R$164.000,00 em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1108), utilizado para lastrear operação de desconto realizada no Banco flail (fl.1112). Cheque HSBC n° 387806, emitido em 29/06/2004 com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$ 148.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1131), utilizado para lastrear operação modalidade conta garantida, com caução e custódia de cheque, realizada no Banco Bradesco. (fl.1134/1152). Esses dois cheques totalizam R$310.000,00 e teriam sido pagos pelo Grupo Cotril por meio dos depósitos na conta do contribuinte, nos valores de R$300.000,00 e R$11.000,00, ambos em 11/10/04. Devido a compatibilidade de datas e valores, bem como a identificação dos depositantes como sendo os beneficiários dos cheques emitidos pelo interessado, considero como justificados os depósitos acima listados. DOCUMENTO 11 Cheque do Banco Rural, n° 88105, emitido em 22/07/2004 com vencimento para 30/08/2004, no valor de R$150.627,00, em favor de Boi Vida Nutrição Ltda. (fl.1122), que teria sido pago por meio de transferências bancárias — TED nos valores de R$15.000,00 e R$132.000,00, diretamente na conta 305697 do HSBC, respectivamente em 20 e 23 de Setembro (fls.1126/1127). 0 crédito de R$132.000,00 foi feito pela Cotril Motors Ltda., e—não está identificado quem teria efetuado o depósito de R$15.000,00, não há como estabelecer vinculação entre os créditos efetuados na conta do sujeito passivo e o cheque emitido, nem a razão pela qual o cheque foi passado. De modo que será mantido inalterado o lançamento nesse particular. DOCUMENTO 12 Este item foi analisado conjuntamente com o item 10. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 8 8 DOCUMENTO 13 Cheque do HSBC, n° 387807, emitido em 24/06/2004 com vencimento para 01/11/2004, no valor de R$200.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (11.1158), utilizado para lastrear operação de descontos realizada no banco Rural, realizada em 24/06/200 (fl.1161). No dia 03/11/2004, a Cotril Agropecuária efetuou transferência de R$201.000,00 para a conta do interessado. Considero como justificado o depósito de R$201.000,00, em 03/11/04, uma vez que ha. compatibilidade de datas e valores com as provas apresentadas. DOCUMENTOS 14 E 15 Cheques do HSBC n° 387815 e n° 387816, emitidos em 30/09/2004 com vencimento para 30/11/2004 nos valores de R$47.000,00 e R$192.000,00 em favor de Cotril Ltda. (fls.1169 e 1187), teriam gerado os depósitos de R$200.000,00 em 29/11/2004 e R$39.000,00 em 30/11/2004. Estes cheques foram descontados em instituições financeiras em favor da Cotril, conforme documentos de fls.1172/1178 e 1191/1192, de maneira que, devido A. coincidência de datas e valores, os depósitos de R$200.000,00, em 29/11/04, e R$39.000,00, em 30/11/04, serão considerados justificados e excluídos da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 16 A defesa pretende justificar depósitos nos seguintes valores: R$72.7 ,00, em 01/03/04, R$30.000,00, em 06/09/04 e R$44.766,97, em 16/12/04, sob o argumento de que decorreriam de uma operação de empréstimo de cheques para desconto no banco Bradesco, no valor de R$ 148.000,00, sendo que o cheque foi emitido em 02/09/2004, com vencimento para 13/09/2004. Apesar de os depósitos totalizarem (R$147.506,97) valor próximo ao do cheque emitido, R$148.000,00, não há explicações para o fato de a Cotril, empresa com dificuldades financeiras que a teriam levado a pedir cheques emprestados ao sujeito passivo, ter efetuado pagamentos antecipados ao interessado, fato que descaracteriza a necessidade de efetuar a operação alegada. Assim, os depósitos listados nesse tópico não serão considerados justificados, mantendose o lançamento inalterado nesse particular. DOCUMENTO 17 A defesa pretende justificar os créditos listados a seguir sob o argumento de que se refeririam a empréstimos feitos pelo grupo Cotril a ele, sendo que ao final, teria sido feito encontro de contas no qual o interessado teria emitido um cheque no valor de R$410.000,00, do Cheque HSBC, conta n° 387810, emitido em 02/08/2004 com vencimento para 10/12/2004, em favor de Cotril Agropecuária Ltda, utilizado para lastrear operação de descontos. (fls.1224/1256). Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 9 9 Os depósitos a serem justificados teriam ocorrido nas seguintes datas e valores: 05/01R$13.600,00; 12/01 — R$50.000,00; 30/01 R$31.000,00; 30/01 — R$25.000,00; 30/01 — R$14.000,00; 03/03 R$50.000,00; 10/03 R$10.862,00; 17/03 R$50.000,00; 23/03 R$130.000,00; 03/09 R$20.000,00; 07/12 R$1.842,00; 10/12 R$17.755,00. Não há como acatar os argumentos do interessado, uma vez que não é possível estabelecer vinculação entre os depósitos listados e o cheque emprestado. DOCUMENTO 18 Cheque HSBC 0 455455, no valor de R$149.412,05, emitido em 02/09/2004, emprestado ao amigo, Domingos Pereira de Avila Júnior, sócio da Cotril, com recursos oriundos de titulo descontada operação rural. (fls.1258/1269). 0 empréstimo teria sido pago por meio dos seguintes depósitos nas contas do sujeito passivo: 20/08/2004R$7.424,00; 04/10/2004 R$58.000,00; 20/12/2004 R$48.700,00; 04/01/2005R$37.000,00. Não há como estabelecer conexão entre o alegado empréstimo feito ao amigo e os depósitos efetuados nas contas do contribuinte, mesmo porque um dos depósitos listados foi feito antes mesmo da data em que o interessado emitiu o cheque. B) TED DE MESMA TITULARIDADE DOCUMENTO 19 Deve ser excluído o crédito referente à transferência entre contas do próprio contribuinte, ocorrido em 27/05/04, no montante de R$80.000,00, uma vez que teve como origem a conta n° 880000510, da agência 0091, do Banco Rural, para a conta 4 70 0305697, no banco HSBC, ambas do contribuinte em conjunto com sua esposa (fls.1275/1276). Esse depósito será excluído da base de cálculo do imposto de renda. C) EMPRÉSTIMO CONTA GARANTIDA DOCUMENTO 20 Está perfeitamente demonstrado nos autos que o crédito de R$300.000,00, ocorrido em 12/07/04, decorre de empréstimo efetuado pelo Banco Rural pela modalidade Conta — Garantida, conforme declaração do banco As fls.1281, devendo ser excluído da base de cálculo do imposto de renda. • D) DEVOLUÇÃO DE EMPRÉSTIMO DOCUMENTO 21 A declaração apresentada pela defesa, emitida pelo Sr. José Fernando de Barros é insuficiente para comprovar a operação de mútuo alegada, cujo pagamento teria ocasionado o depósito de R$13.052,68, em 02/06/04, que será mantido como tributável. E) DESCONTO DE CHEQUE DE TERCEIROS. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 10 10 DOCUMENTO 22 A defesa afirma que o depósito de R$70.000,00, ocorrido em 30/04/04, decorre de empréstimo de cheque emitido por Henrique Pereira de Avila (fl.1299). Realmente, está comprovado que o interessado utilizou o mencionado cheque para lastrear operação de desconto de titulo com o Banco HSBC (fls.1291/1298), e o depósito do cheque na conta do interessado faz parte da operação, entretanto, não está clara a motivação pela qual o cheque chegou As mãos do contribuinte. • Não há provas de que se trata de mútuo ou de que o contribuinte tenha ressarcido o emitente do cheque. Assim, o lançamento referente ao depósito do cheque na conta do interessado deve ser mantido inalterado nesse particular, uma vez que não está justificado o motivo pelo qual o cheque foi repassado ao interessado. Fl) RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL DOCUMENTO 23 0 interessado apresenta provas de que vários depósitos considerados como tributáveis em suas contas correntes, totalizando R$1.153.424,61, foram efetuados pelo frigorifico FRIBOI, conforme documentos de fls.1302/1320, além disso, apresenta documentos demonstrando ter efetuado vendas de gado a esta empresa, no importe de R$1.151.611,76, conforme notas fiscais apresentadas com a impugnação. Estes depósitos, listados a seguir, serão considerados como justificados e excluídos da base de cálculo do imposto de renda: 17/02R$200.000,00; 20/08 R$72.880,00; 30/09R$164.000,00; 09/12 R$207.356,51; 09/12R$70.608,49; 09/12R$70.608,49; 09/12 R$116.167,94; 16/12R$50.233,03 e 23/12R$8.601,64, na conta corrente ,19700305697, no HSBC. Também devem ser excluídos os depósitos feitos pelo FRIBOI, em 02/09/04, no SICOOB — Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, nos montantes de R$172.030,00 e R$91.547,00. Todos esses depósitos, relacionados a venda de gado ao FRIBOI, montam a R$1.153.424,61, valor que será excluido da base de cálculo do imposto de renda. F2) DESCONTOS DE NPR. DOCUMENTO 24 O interessado comprova a realização de várias operações de crédito bancário realizadas com o Banco Rural, que justificam depósitos ocorridos na conta corrente mantida neste banco, levados a tributação como não justificados (fl.914). fl.1323, o interessado apresenta cópia de Cédula de Crédito Rural, no valor de R$409.514,57, assinada em 26/07/2004, tendo como suporte as notas fiscais de entrada do Friboi, no 6062 e 6063, nos valores de R$290.409,45 e R$119.105,12 (fls.1325 e 1326), totalizando R$409.514,57. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 11 11 Nesse mesmo dia (26/07/2004), houve depósito na conta do contribuinte no importe de R$401.935,66 (fl.161), sob a rubrica "LIQ. DESCONTO", tributado pela fiscalização como ocorrido em 26/08/2004. A diferença entre o valor da Cédula de Crédito Bancário e o montante depositado se deve a juros previstos no contrato. Desse modo, será excluído da base de cálculo o montante de R$401.935,66, tributado em 26/08/2004. As notas fiscais de entrada número 7104 e 7105, totalizando R$219.736,57 (fls.1327 e 1328), serviram de suporte a duas Cédulas de Crédito, nos montantes de R$19.736,57, emitida em 23/09/04 (f1.1330) e R$200.000,00, emitida em 20/09/04 (fl.1333). Estes documentos justificam os depósitos nos valores de R$195.263,48, em 20/09/04 e R$19.736,57, em 22/10/04. As notas fiscais de entrada do Friboi, de números 6789 e 6790 (fls.1340/1341), emitidas em 01/09/04, totalizando R$337.078,63, lastrearam Cédula de Crédito Bancário no mesmo valor, emitida em02/09/2004, com vencimento em 01/10/04, e o conjunto probatório justifica o depósito da importância de R$337.078,63, ocorrido em 01/10/04 levado a tributação pela fiscalização (fl.914). As notas fiscais de entrada de números 7306 e 7307, emitidas em 05/10/2004 (fls.1344/1345), totalizando R$74.889,67, serviram de garantia para Cédula de Crédito, emitida em 11/10/2004, no mesmo valor, que teria ocasionado de R$73.499,20, na mesma data. As notas fiscais de entrada de números 7840, 7841, 7854, 7855 e 871, totalizando R$374.559,55, emitidas nos dias três, quatro e cinco de novembro, lastrearam operação de crédito que justificam depósito ocorrido em 16/11/04, no valor de R$369.333,68. A nota fiscal de entrada n° 7960, emitida em 1 OR 1/2004 (fl.1354), lastreou Cédula de Crédito Bancário, no valor de R$300.000,00 (fl.1352), emitida em 10/11/2004, que justifica depósito no valor de R$293.338,75, no mesmo dia (fl.914). A defesa apresenta (fl.577), cópia de Cédula de Desconto Bancário, emitida em 08/11/2004, no valor de R$1.010.000,00 (fl.577), que justifica depósito ocorrido em 08/11/2004, no valor de R$987.573,79, sob a rubrica "LIQ COBRANÇA".Também está comprovado que o crédito de R$62.911,85, ocorrido na conta 950171328, da agência 0091, do Banco Rural, decorre de operação de crédito lastreada em direito do contribuinte a receber do Friboi (documento de fl.533), de maneira que este valor também sera excluído da base de cálculo do imposto de renda. De acordo com a documentação apresentada, a autoridade julgadora considerou como justificados créditos no montante de R$2.740.671,61, uma vez que os respectivos depósitos tiveram origem em descontos de NPR..Desse modo, considero como justificados depósitos que totalizam R$7.735.957,22, que serão excluídos da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 12 12 Tendo em vista o montante exonerado, a autoridade julgadora recorre de ofício ao CARF. Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou em 14/10/2009, o Recurso Voluntário, de fls. 1507/1522, onde reitera os pontos apresentados na impugnação, trazendo novos documentos aos autos. É o relatório. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 13 13 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No caso concreto observase que os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) requerida pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada. Nesse contexto parte da discussão se desloca para a análise do fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 14 14 Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10280.720951/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 51 /2 01 0- 33 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 177 2 Relatório Por economia processual transcrevo abaixo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que descreve bem os fatos. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS (fls. 3/5), no valor de R$ 67.045,74, relativo ao 2º trimestre/2006. Constam dos autos DCOMP com a utilização do crédito. A DRF/Belém indeferiu o pleito sob o argumento de que o indeferimento dos créditos está amparado na legislação vigente, que exclui das possibilidades de compensação de créditos aqueles originados de operações monofásicas, e, que nesta sistemática (tributação concentrada), a tomada de créditos por comerciantes atacadistas e varejistas é expressamente vedada pelo ordenamento jurídico pátrio, conforme indica a alínea b, inciso I, do Art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Por via de conseqüência as DCOMP não foram homologadas. Cientificada em 20/05/2011 (AR à fl. 94) a interessada apresentou, tempestivamente, em 15/06/2011, manifestação de inconformidade (fls. 95/114) na qual alega que: a) Com o advento da Lei n° 11.033, de 2004, os revendedores de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, quando adquirirem produtos sujeitos à alíquota 0 (zero) na saída, como ocorre com os sujeitos a tributação "monofásica", poderão proceder a escrituração e manutenção do PIS e da COFINS decorrente das aquisições realizadas dos fabricantes e importadores; b) O artigo 17, da Lei n° 11.033/04, autoriza a manutenção pelo revendedor dos créditos decorrentes de venda com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; c) Diante da clareza do art. 17, da Lei n° 11.033/04, não há como negar aos atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, determinadas máquinas e veículos, autopeças, pneus e câmaras de ar etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos; d) A vedação aos créditos nos casos de incidência monofásica, bem como dos produtos constantes da Lei n° 10.485/02, apenas prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03, em especial incisos III e IV, do § 3º , do art. 1º; e) No que tange as vendas dos produtos e mercadorias arrolados no § 1º , do art. 2º, da Lei n° 10.833/03, somente os produtores e Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 178 3 importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias e produtos; f) E mesmo que se entenda que a restrição do § 1º , do art. 2º , da Lei n° 10.833/03 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, também após as alterações perpetradas pela Lei n° 10.865/04, o que se admite por mera hipótese, tal restrição restou afastada pelo art. 17, da Lei n° 11.033/04; g) O referido art. 17, da Lei n° 11.033/04, a claras luzes, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3°r L bf da Lei n° 10.833/03. que negava o aludido direito ao crédito, nos termos do art. 2º, § I o , da Lei de Introdução ao Código Civil; h) A RFB a partir de 2007 além de negar vigência à Lei Federal, passou a Constituição Federal, ao desrespeitar o princípio da igualdade tributária previsto em seu art. 150, II; i) O princípio da igualdade proíbe que seja estabelecido um tratamento diferenciado entre os contribuintes em uma mesma situação sem que haja critérios legitimadores dessa diferenciação entre os mesmos. j) Para que haja discriminação, devem existir motivos razoáveis para tal. No caso em questão, inexiste motivação para o ato segregador, razão pela qual a negativa de manutenção dos créditos ora pleiteados viola o princípio da igualdade tributária, como será demonstrado a seguir; k) Ademais, o próprio artigo 17 da Lei n° 11.033/2004 não faz (e nem poderia) nenhuma distinção em relação à forma de tributação da origem do crédito. Aliás, a parte final do dispositivo, exige apenas que os créditos estejam vinculados a essas operações de venda; l) Desta forma, concluise que qualquer limitação à manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime "monofásico", estando o contribuinte vinculado à sistemática da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Ao analisar a manifestação de inconformidade a DRJ/BelémPA, emitiu o seguinte Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 179 4 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega em síntese os seguintes pontos: que as decisões adotadas pela RFB refletem apenas uma interpretação casuística praticada pela Administração para negar um direito latente ao contribuinte conferido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/2004; que por meio da Lei nº 10.865/2004, que trouxe várias alterações às Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita auferida pelos comerciantes atacadistas e/ou varejistas de máquinas e veículos classificados nos códigos 8429, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 8701, 8702, 8703, 8704, 8705 e 8706 da TIPI, foram reduzidas a zero, pelo fato de tais produtos estarem sujeitos à tributação monofásica, nos termos do art. 3º, § 2º, II e art. 1º da Lei nº 10.485/2002; que por conta do regime monofásico o recolhimento das contribuições se dá em uma única etapa da cadeia produtiva, no caso pelos fabricantes e importadores, o que não significa que esta operação não sofre tributação em relação aos comerciantes atacadistas e varejistas, pois ela é tributada à alíquota zero; que a partir do advento da Lei nº 10.865/2004, as receitas do regime monofásico passaram a se submeter à sistemática da nãocumulatividade; que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, garante o aproveitamento do crédito quando adquirem produtos sujeitos à alíquota zero na saída, como ocorre com os sujeitos à tributação monofásica; que os produtos classificados legalmente como monofásicos em regra, possuem isenção ou sofrem incidência à alíquota zero, garantindo o direito a crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004; que o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, possibilitou aos contribuintes no caso de obterem saldo credor do PIS e da Cofins decorrente da aquisição de produtos sujeitos a alíquota zero (na saída), de procederem à extinção do crédito tributário por meio do instituto da compensação; cita algumas soluções de consulta emitidas pela RFB sobre o aproveitamento de créditos de produtos saídos com alíquota zero; que a vedação ao aproveitamento do crédito previsto no art. 3º, I, “b” da Lei 10.833/2003 só se aplicam aos produtores e importadores dos produtos especificados e não aos atacadistas e revendedores; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 180 5 que mesmo que se entenda que as restrições impostas pelo art. 3º, I, “b” da Lei 10.833/2003 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, o que se admite por mera hipótese, esta restrição foi afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004; aborda sobre a ilegalidade da IN SRF nº 594/2005 pois editada em contrariedade ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004; defende que negar o direito ao crédito, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, viola o princípio da igualdade tributária previsto no art. 150, II da Constituição Federal, pois o legislador ao colocar os adquirentes dos produtos com tributação concentrada (denominado pela legislação como monofásico) nas regras da nãocumulatividade da apuração do PIS e da Cofins, pretendeu darlhes uma compensação, concedendo a todas pessoas jurídicas sujeitas a esta sistemática a possibilidade de aproveitamento do crédito nas aquisições dos produtos monofásicos e vendidos com alíquota zero; Por fim solicita seja julgado procedente o recurso voluntário para que seja declarado ao recorrente comerciante de produtos sujeito a tributação monofásica o direito à manutenção dos créditos de PIS e Cofins decorrentes dos produtos adquiridos para revenda, com base no art. 17 da Lei 11.033/2004. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 181 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. O processo administrativo fiscal foi regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e tem status de lei ordinária. O prazo para a interposição do recurso voluntário está estabelecido no art. 33, deste diploma legal, in verbis: Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão"(... )(grifouse) O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 08/03/2012, conforme aviso de recebimento constante da fl. 136. O próprio contribuinte confirma a ciência nesta data no preâmbulo de seu recurso à fl. 137. O recurso voluntário foi interposto em 12/04/2012, conforme carimbo de protocolo constante da fl. 137. O despacho de encaminhamento da unidade preparadora, ARF/AnanindeuaPA, fl. 174, confirma que o recurso foi apresentado em 12/04/2012. O comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no CNPJ, juntado ao recurso, fl. 173, foi retirado pela internet em 11/04/2012, também após trinta dias, o que afasta qualquer hipótese de que o recurso tenha sido entregue em data anterior. Comprovado está que o recurso voluntário foi interposto intempestivamente, uma vez que foi apresentado fora do prazo de 30 dias contados da ciência de decisão de 1ª instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não se toma conhecimento do recurso voluntário. Além do mais, nos autos administrativo não consta informação a respeito de uma possível dilatação deste prazo e a interessada não discutiu a tempestividade de seu recurso. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista que foi apresentado intempestivamente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720266/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO.
Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente.
As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindo-se da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, far-se-á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99.
INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA.
Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, deve-se deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco.
Numero da decisão: 1402-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO. Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindo-se da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, far-se-á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA. Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, deve-se deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes. Leonardo de Andrade Couto - Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 617 1 616 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720266/201229 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.425 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO ATIVIDADE IMOBILIÍARIA Recorrentes IVO PAGANINI FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO. Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, farse á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA. Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, devese deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 02 66 /2 01 2- 29 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 618 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 619 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo a IRPJ e reflexo de CSLL exigido do contribuinte após equiparação a pessoa jurídica. O contribuinte, em sua pessoa física, promoveu a incorporação de prédio em condomínio amoldando a situação fática à hipótese legal de equiparação à pessoa jurídica (art. 150, §1°, III, do Decreto n° 3.000/1999; Decreto Lei nº 1.381/1974, arts. 1º e 3º, III; e DecretoLei nº 1.510/1976, art. 10, I). Contudo, havia tributado os rendimentos das alienações de imóveis em sua declaração de renda de pessoa física. Intimado a respeito da equiparação a pessoa jurídica, o próprio contribuinte providenciou a formalização da pessoa jurídica IVO PAGANINI. A Fiscalização procedeu ao arbitramento de lucros em razão de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, não sendo possível, portanto, tributar seus resultados com base no lucro real (art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda para o ano de 1999 – RIR/99). Para tanto, utilizouse do disposto no art. 534 RIR/99, ou seja, a base de cálculo para fins de arbitramento foi considerada a diferença entre a receita bruta e custos devidamente comprovados. O contribuinte, intimado e reintimado, deixou de apresentar a documentação comprobatória dos custos das unidades vendidas. A respeito da impugnação do contribuinte, transcrevo trecho do relatório da decisão recorrida que bem resume as razões de irresignação do contribuinte: Regularmente intimada por via postal em 23/08/2012 (AR à fl. 538), a interessada apresentou, em 18/09/2012, a tempestiva impugnação de fls. 540543, instruída com os documentos de fls. 544581, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que, conforme exposto no item V do Termo de Verificação Fiscal, o lucro arbitrado foi fixado em valor absolutamente idêntico ao valor das alienações; b) que ao assim proceder, a autoridade fiscal descumpriu duas regras básicas impostas na ordem jurídicotributária: (i) descumpriu o art. 534 do RIR de 1999, que dispõe que o lucro arbitrado das empresas imobiliárias é calculado sobre a receita bruta de vendas deduzida dos custos dos imóveis vendidos; (ii) descumpriu o art. 532 do RIR de 1999, que determina a aplicação do percentual de 9,6% de arbitramento do lucro; c) que embora, equivocadamente, tenha declarado esses custos como deduções do Livro Caixa, devese atentar para a verdade material, que demonstra que houve custos para construção dos imóveis vendidos; que autoridade fiscal utilizou percentual de 100% do valor das alienações para fixar o lucro arbitrado, em procedimento totalmente irregular e em desacordo com as normas vigentes; d) conclui que os autos de infração de IRPJ e reflexos devem ser cancelados, dados os vícios e incorreções apontados. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 620 4 A decisão de primeira instância manteve parcialmente a exigência (fl. 589 a 597), e sua ementa ficou assim redigida: EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. As pessoas físicas que promovem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos equiparamse à pessoa jurídica e se sujeitam às regras de tributação aplicáveis às empresas em geral. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Na impossibilidade material de apurar o lucro da pessoa jurídica, pela falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabe à autoridade fiscal apurar o imposto com base no arbitramento do lucro. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas que se dedicam à exploração de atividades imobiliárias é apurado mediante aplicação do percentual de 9,6% da receita bruta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do montante do crédito tributário exonerado, recorreuse de ofício a este Colegiado. A autoridade preparadora apresentou embargos de declaração(fls. 598 a 601), requerendo que a Turma Julgadora se manifestasse a respeito de suposto lapso manifesto no acórdão lavrado. Tal lapso decorreria da conclusão equivocada da DRJ quanto à aplicação concomitante dos arts. 532 e 534 do RIR/99 (bases de cálculo do lucro arbitrado baseados em coeficientes de arbitramento e/ou arbitramento das atividades imobiliárias, respectivamente). Aduziu ainda a embargante que não haveria base legal para compensação do imposto de renda declara/recolhido pelo contribuinte como pessoa física. Às fls. 603 e 604, o Presidente da Turma julgadora exarou despacho no sentido de que os embargos propostos pela autoridade julgadora não diziam respeito a qualquer lapso manifesto relativo à decisão recorrida, mas sim quanto ao próprio mérito do lançamento Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 621 5 efetuado. Aduziu ainda razões complementares que, a seu ver, justificariam a aplicação concomitante dos arts. 532 e 534 do RIR/99 para o arbitramento dos lucros das empresas que se dediquem à atividade imobiliária. Conclui que o crédito tributário exonerado, em razão do recurso de ofício, seria alvo de análise do CARF, a quem competiria analisar a correição, ou não, do julgado em questão. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário (fls. 612 a 615), reiterando seus argumentos da impugnação e alegando nulidade da decisão recorrida em razão de suposta alteração do critério jurídico da autuação (decisão da DRJ concluiu por aplicar o art. 532 do RIR/99 – lucro arbitrado a partir de coeficientes de presunção de lucro posicionamento diverso da autoridade autuante). É o relatório. Voto 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 14/02/2013 (fl. 607), apresentando recurso voluntário em 11/03/2013 (fl. 612). Desse modo, considerando a tempestividade do recurso interposto, e do preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR Alega o recorrente que a decisão recorrida seria nula por alterar a fundamentação jurídica da autuação. Conforme relatado, a Fiscalização entendeu que no arbitramento de lucros de empresa que desempenha atividade imobiliária devese aplicar o art. 534 do RIR/99 (base de cálculo seria a diferença entre a receita bruta e os custos comprovados), enquanto a decisão recorrida entendeu que, após aplicação do art. 534 do RIR/99 deveriam ser aplicados os coeficientes de arbitramento previstos nos arts. 519 c/c 532, ambos do RIR/99. Entendo que a discussão do tema diz respeito ao próprio mérito da autuação e, em qualquer hipótese, não redundaria em alteração da fundamentação jurídica da autuação, ainda mais que o raciocínio impingido pela autoridade julgador foi extremamente favorável ao recorrente. Entender que divergências entre a Fiscalização e as autoridades julgadoras a respeito da apuração da base de cálculo de qualquer tributo, por si só, leve à nulidade da decisão recorrida, implicaria concluir que, nessas hipóteses, ou o lançamento seria mantido em sua integralidade, ou cancelado integralmente, o que não me parece razoável. Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 622 6 3 MÉRITO O litígio repousa sob duas matérias autônomas: · a possibilidade de dedução, para fins de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que trata o art. 5341 do RIR/99, dos custos comprovados supostamente comprovados; · a aplicação, ao caso concreto, das normas de apuração do lucro arbitrado prevista no art. 5322 do RIR/99. Por oportuno, frisese que não há litígio quanto à equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. 3.1 DA DEDUÇÃO DOS CUSTOS PARA FINS DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO Em relação à apuração da base de cálculo do lucro arbitrado admitirseia a dedutibilidade dos custos se devidamente comprovados. Não obstante, os únicos documentos acostados aos autos não dizem respeito à construção dos imóveis que compõem a receita bruta objeto da autuação. A esse respeito, transcrevo excerto da decisão recorrida que muito bem analisou a questão: Contudo, da análise dos autos verificase que os custos discriminados pela impugnante na planilha de fls. 570581, cuja documentação foi apresentada no curso da ação fiscal, correspondem à aquisição de mercadorias entregues e a serviços prestados em endereços diversos do Edifício Residencial Vera Regina (à Rua Barão de Capanema, 544, Guarapuava/PR), ou seja, referemse a custos de outras obras, de modo que valor algum deve ser deduzido do valor tributável em análise. (grifo nosso) Ressaltese que, embora intimado por diversas oportunidades a apresentar a documentação comprobatória dos custos incorridos na construção dos imóveis a que se refere a autuação, o contribuinte quedouse inerte. Entendo que a Fiscalização agiu corretamente buscando a verdade material, tentando alcançar os custos incorridos pelo contribuinte. De maneira diversa, é fácil constatar 1 “Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio trimestre (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º)”. 2 “Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I)”. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 623 7 que o recorrente preferiu não apresentar tais documentos justamente para, em sua defesa, alegar a incorreção do procedimento do Fisco. A incompatibilidade dos atos processuais praticados pelo recorrente é mais do que evidente. Intimado a apresentar os documentos comprobatórios de custos, não o fez. Entendo que a Fiscalização não pode ficar a mercê do comportamento refratário do fiscalizado. Diversas teorias tratam da questão da produção de provas nestas situações. Uma das teses que mais ganha relevo atualmente é a chamada dinamização do ônus da prova, tendo na obra “Ônus Dinâmico da Prova”, de Artur Carpes, excepcional contribuição para o desenvolvimento do tema. Tal obra surgiu da dissertação de mestrado do autor, cujo inteiro teor está disponível no sítio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Prova e participação no processo civil : a dinamização dos ônus probatórios na perspectiva dos direitos fundamentais).3 Mais especificamente a respeito da inviabilidade da prova por ato da parte é tratado com maestria pelo doutrinador. Vejase: A inviabilidade da prova por ato da parte pode se dar através da sua destruição, do seu perecimento quando se faz necessária a conservação ou mesmo porque sua produção depende única e exclusivamente de conduta da parte quando esta deve se submeter a determinado exame, por exemplo. Nos casos em que a inviabilidade da prova se dá por ato da parte onerada, a solução darseá pela funcionalidade da regra de julgamento, caso esta não consiga, através de outros meios ou fontes, alcançar ao processo aquilo que se pretendia através da prova inviabilizada. Todavia, a questão ganha contornos problemáticos quando sobre a parte responsável pela inviabilidade da produção da prova não recai o ônus probatório, decorrendo, assim, impossibilidade na produção da prova e respectiva impossibilidade na tarefa de se desincumbir do ônus probandi gerando, na esteira do que se sustentou supra, vedação do direito fundamental à prova. O comportamento da parte quanto à conservação das provas e a viabilidade de sua produção, especialmente quando revestido de culpa ou dolo, poderá exercer a função de um argumento de prova, hipótese que abre a porta a um valoroso e renovado debate, principalmente quando se desembarca na era do processo cooperativo, período informado por um movimento de reforço nos postulados éticos, e cujos reflexos poderão ser visualizados na disciplina dos ônus probatórios. 4 (grifo nosso) Sem dúvida, o comportamento da parte pode, em determinado grau, influenciar o convencimento do julgador. Com a maestria que lhe é peculiar, Darci Guimarães Ribeiro, em sua célebre obra “Provas Atípicas”, assevera que: [...] 4) o art. 332 do CPC prevê: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste 3 Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/14251>. Acesso em: 25 jun 2013. 4 CARPES, Artur Thompsen. Prova e participação no processo civil : a dinamização dos ônus probatórios na perspectiva dos direitos fundamentais. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/14251>. Acesso em: 25 jun 2013, p. 99. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 624 8 Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”. E o comportamento processual das partes é um meio legal, porque não é ilegal, moralmente legítimo, não está especificado neste código, porém é hábil para provar a verdade de um fato, em que se funda a ação ou a defesa; 5) o processo sem eu sentido social ou, como querem alguns, instrumental, é um instrumento público eficaz, legítimo e verdadeiro de realização da justiça que foi colocado à disposição das partes pelo Estado, para que elas possam buscar a prestação da tutela jurisdicional, e nenhum instrumento de justiça pode sobreviver fundado em mentira, em conduta ímproba, em máfé, motivo pelo qual o comportamento da partes influenciará a convicção do juiz; 5 [...] Ora, quem dispunha dos elementos comprobatórios dos custos das unidades imobiliárias alienadas era o próprio recorrente. A autoridade autuante concedeu prazos dilatados para apresentação de tais documentos. A recorrente, por sua vez, não os alcançou. Diante do impasse, entendo que a Fiscalização agiu corretamente. Senão vejamos. Primeiro por desincumbirse de seu dever probatório, uma vez que comprovou o auferimento de receitas auferidas pela empresa individual. Em seguida por tentar alcançar a correição na determinação da base de cálculo ao buscar quantificar os custos – devidamente comprovados a serem abatidos das receitas a fim de quantificar a base de incidência do lucro arbitrado. O recorrente, por sua vez, possuía o ônus de ao menos alcançar ao Fisco os documentos que comprovassem os custos em questão. Assim, não restou outra opção à autoridade autuante senão desconsiderar as deduções de custos não lastreadas em documentação. Frisese: sequer se pode falar em documentação hábil e idônea, pois, em relação às unidades imobiliárias alienadas, nenhum documento foi apresentado. O dever probatório do Fisco, a meu ver, restou comprovado. Ao recorrente caberia comprovar a existência de documentos que respaldassem os custos das unidades imobiliárias alienadas. Preferiu não fazêlo como forma de argumento de defesa. Concluo que dar guarida ao argumento do contribuinte afronta a máxima do venire contra factum proprium, ou seja, vedação ao comportamento contraditório. Em outras palavras: não se pode conceber que alguém possa se beneficiar da própria torpeza. Bastaria a apresentação da documentação para que a base de cálculo fosse perfeitamente levantada pela autoridade fiscal. Contudo, a recorrente buscou agir de forma a impossibilitar tal correição no procedimento. Seu comportamento, a meu ver, é o forte indício a me convencer de que lhe faltou lealdade processual, sobreprincípio processual que, segundo Darci Guimarães Ribeiro, se sobrepõe aos demais6. Diante da recalcitrância do contribuinte incidem, portanto, as regra dos arts. 841, II, e 845, II, ambos do RIR/99 que rezam que o lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente (art. 841, II) e abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com 5 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 126. 6 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 120. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 625 9 as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (art. 845,II). Em situação semelhante, a jurisprudência do CARF consolidou entendimento de que não é possível conceberse o lançamento condicional. Nesse sentido foi expedida a Súmula CARF nº 49 que dá validade ao lançamento com base no lucro arbitrado quando o contribuinte, devidamente intimado durante o procedimento fiscal, apresenta sua escrituração somente em sede de recurso. Entendo que estamos diante de situação do mesmo quilate, em que o contribuinte busca anular lançamento baseado em seu próprio comportamento anterior, lastreado na negativa de apresentação de documentação que possibilitaria outro escopo no trabalho fiscal. Aqui, ainda, incide um agravante: nem em suas peças de defesa comprovouse o custo das unidades vendidas. Desse modo, nesse ponto da autuação, entendo perfeita a conclusão da Fiscalização e também da decisão recorrida. 3.2 DA APLICAÇÃO SIMULTÂNEA DOS ARTIGOS 532 E 534 DO RIR/99 Conforme dito, a questão da aplicação simultânea dos artigos 532 (coeficientes de arbitramento) e 534 (regra específica para arbitramento de lucros de empresas que desenvolvam “atividades imobiliárias”), ambos do RIR/99, foi o principal motivo da exoneração de crédito tributário na decisão recorrida. À fl. 595 do julgado de primeira instância (item 27), mostrase evidente que entendeu a Turma julgadora ser possível a aplicação concomitante de ambos os dispositivos. Aliás, mais evidente ainda é o entendimento firmado pela autoridade a quo de que se aplica o art. 532 do RIR/99 (coeficientes de arbitramento) para determinação da base de cálculo arbitrada do IRPJ das pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio. Entendo, contudo, que há norma específica a regular a determinação da base de cálculo do IRPJ arbitrado das pessoas jurídicas que se dediquem a “atividades imobiliárias”. Neste contexto, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do mesmo RIR/99, sem a aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro de que trata o art. 532, c/c arts. 518 e 519, todos do RIR/99, tal qual realizado pela Fiscalização. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente, o que reforça a insubsistência da tese defendida pela decisão recorrida. Nesse sentido, há farta jurisprudência do CARF, conforme se observa a seguir: ARBITRAMENTO DE LUCROS ATIVIDADE IMOBILIÁRIA BASE DE CÁLCULO As regras legais que permeiam o arbitramento de lucros na esfera do IRPJ não se confundem com as que regem outros regimes de tributação. Sobrelevase na atividade imobiliária um tratamento pontual mais distante do que se empresta às outras atividades. Diversamente das demais em que a legislação estabelecera um coeficiente que deveria incidir sobre a integralidade da base de cálculo, Fl. 625DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 626 10 desconsiderandose inclusive quaisquer custos, na hipótese de pessoas jurídicas que se dedicam à venda de imóveis o legislador permitira a dedutibilidade do custo do imóvel, desde que comprovado. 1º CC. / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 10707.676 em 16.06.2004. Publicado no DOU em: 02.03.2005. ARBITRAMENTO CONSTRUÇÃO DE PRÉDIOS DE APARTAMENTOS PARA VENDA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS AUTÔNOMAS As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de unidades autônomas de prédios residenciais por elas construídos, tendo seus resultados arbitrados por falta de escrituração comercial, adotarão como base de cálculo do IRPJ o valor da receita bruta deduzido dos custos devidamente comprovados. 1º CC. / 5ª Câmara / ACÓRDÃO 10515.303 em 13.09.2005. Publicado no DOU em: 07.03.2006 Ressalto excerto do voto condutor do primeiro aresto transcrito acima (Acórdão 10707.676), de lavra do então Conselheiro Neicyr de Almeida: “Em relação ao custo irrisório, reiterase que somente são aproveitados os custos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Portanto mais do que argumentos, imporseia a juntada dos elementos críveis para que se apreciasse o apelo recursal nesse âmbito.” A respeito do tema, a doutrina também se manifesta sobre a prevalência da norma específica sobre a regra geral. Hiromi Higuchi, por exemplo, conclui que “O art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, apesar de ter regulado inteiramente a matéria para determinação do lucro arbitrado, quando a receita da atividade da pessoa jurídica é conhecida, o art. 534 do RIR/99 manteve o arbitramento diferenciado para as empresas imobiliárias.” 7 A esse respeito, outros pontos merecem destaque. A decisão recorrida considerou que a receita bruta das atividades imobiliárias, em caso de lucro arbitrado, seria calculada com base no art. 534 do RIR/99 (receita menos custo devidamente comprovado). É possível extrair tal conclusão pelo fato de a Turma julgadora entender que sobre o valor calculado com base em tal dispositivo deverseia aplicar os coeficientes de arbitramento de lucro. Contudo, convém relembrar que: o art. 518 do RIR/99 dispõe que a base de cálculo do lucro presumido será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração; o caput do art. 519 do regulamento determina que considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único, o qual, por sua vez, reza que a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário; 7 HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e prática. Atualizado até 10012007. 32. ed. São Paulo: IR Publicação Ltda, 2007, p. 499. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 627 11 os parágrafos do art. 519 do mesmo diploma relacionam os coeficientes de presunção de lucro para as diversas atividades, sempre aplicáveis, conforme determina o art. 518, sobre a respectiva receita bruta; já o art. 532 do regulamento determina que o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento. Obviamente, tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta, tal qual determinam os demais dispositivos sobre o lucro presumido; conforme se observa, tanto para o lucro presumido (arts. 518 e 519, em todos os casos), quanto para o lucro arbitrado (regra geral), determinase a base de cálculo presumida ou arbitrada mediante a aplicação de coeficientes determinados por lei sobre a receita bruta auferida em cada período de apuração (trimestral), acrescidos das demais receitas não contidas na receita bruta; por outro lado, determina o art. 534 que “as pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado”. (grifo nosso) Ora, se o art. 534 determina que as “empresas imobiliárias” terão seus lucros arbitrados consideradose a diferença entre a receita bruta e o custo do imóvel devidamente comprovado, incorreta a conclusão de que tal diferença seja a própria receita bruta. Contudo foi isso que fez a decisão recorrida ao concluir que devese aplicar os coeficientes de determinação do lucro arbitrado sobre tal diferença, uma vez que os arts. 518 e 519 do RIR/99 determinam que tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta. Além disso, importante salientar que a base legal do art. 534 do RIR/99 é o art. 49 da Lei nº 8.981, de 1995, período em que era vedada a opção pelo lucro presumido às “empresas imobiliárias” (na realidade, o art. 36, IV, da mesma Lei nº 8.98/95 impunha a tais empresas a obrigação de adotarem a tributação com base no lucro real). Tal obrigatoriedade de tributação pelo lucro real somente teve fim com o advento da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que revogou o art. 36, IV, da Lei nº 8.981/95 e passou a possibilitar, a partir de 1 º de janeiro de 1999, que as “empresas imobiliárias” fossem tributadas com base no lucro presumido. Desse modo, impossível, portanto, que se aplicasse o acréscimo de vinte por cento sobre o coeficiente de lucro presumido para determinação dos coeficientes de arbitramento de lucro de tais atividades. Como se aplicaria, então, o art. 534 durante a vigência do art. 36, IV, da Lei 8.981/95? Obviamente, o lucro arbitrado era a diferença entre a receita bruta e o custo devidamente comprovado (interpretação literal do art. 534). Pois bem, se o art. 49 da Lei nº 8.981/95 não foi revogado (tanto que compõe o art. 534 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99), como alterar sua aplicação com o simples fato de as empresas imobiliárias passarem a poder optar pelo lucro presumido? Como transformar “receita bruta menos custo devidamente comprovado” (art. 534 do RIR/99) em receita bruta para fins de aplicação dos coeficientes de arbitramento? (arts. 518, 519 e 534 do RIR/99) Há de se traçar, ainda, importante paralelo entre o art. 534 do RIR/99 e o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Nesta, ao contrário daquela, o legislador explicitamente equiparou o “lucro bruto” nas operações de compra e venda de veículos usados às operações de Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 628 12 consignação para fins de tributação, ou seja, a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição de veículos usados é considerada receita, nos mesmos moldes aplicáveis às receitas auferidas em operações de consignação. Quisesse o legislador que o “lucro bruto” das operações imobiliárias tivesse tratamento análogo, certamente adotaria expediente similar ao praticado nas operações de revenda de veículos usados. Ademais, mesmo a regra geral do art. 532 do RIR/99 impõe que a base de cálculo do IRPJ no lucro arbitrado será, em regra, 20% superior à base do lucro presumido. Aplicandose o entendimento da decisão recorrida de se aplicar primeiro o art. 534 do RIR/99, e após o art. 532 do mesmo diploma, implicaria que, para as empresas imobiliárias, seria mais vantajoso optar pelo lucro arbitrado do que se manter tributado pelo lucro presumido. Ora, qual a lógica que haveria no sistema de se excluir determinado contribuinte do lucro presumido, por descumprimento de suas obrigações acessórias ou por opção vedada em lei, para incluílo em outro regime – lucro arbitrado – se este último redundaria em menor carga tributária? Isso posto, entendo que a conclusão da decisão a quo merece ser reformada, restabelecendose a autuação, nesse ponto, conforme realizada pela autoridade lançadora. 3.3 DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Contudo, no que tange à dedução do imposto de renda recolhidos e pago pelo contribuinte, em sua pessoa física, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada, ou seja, deve ser mantida a exclusão dos valores de IRPF já declarados pelo contribuinte, nos termos da decisão a quo. Tal dedução decorre da mera lógica de não se efetuar cobrança indevida de tributos. No presente lançamento, exigese da pessoa física, por equiparação, imposto de renda da pessoa jurídica, e o contribuinte, na condição de pessoa física, já recolheu parcelas de imposto de renda sobre tal renda, ainda que de modo equivocado, não há porque não se deduzir o montante já recolhido, ainda que tais pagamentos tenham se dado sob outra rubrica. Assim se faz, sem maiores discussões, quando, em lançamento de ofício de IRPJ com base no lucro arbitrado, se aproveitam os recolhimentos do mesmo imposto sob outras rubricas (lucro real ou presumido, por exemplo), ou quando se exclui o contribuinte do Simples deduzindose da exigência fiscal todos os tributos já declarados pelo contribuinte. Não se admitir a dedução, sob o pretexto de que o contribuinte deveria requerer restituição de tais valores, implicaria cobrança de multa de ofício sobre tal diferença, o que, a meu ver, caracterizaria o enriquecimento sem causa por parte da Fazenda. Ademais, à luz do princípio da eficiência, sem contar os transtornos causados ao contribuinte, oneraria ainda mais a Administração Tributária ante a necessidade de análise de eventual pedido de restituição. Desse modo, nesse ponto, correta a conclusão da decisão a quo. 4 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação de coeficientes de arbitramento de lucro (arts. 518 e 519, c/c art. 532, ambos do RIR/99), e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 629 13 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13804.000216/00-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/
PIS/PASEP. DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/ PIS/PASEP. DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 02 16 /0 0- 17 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), protocolado em 02/02/2000, no valor de R$ 34.194,72, combinado com pedido de compensação de tributos, por meio do qual a interessada pretende compensar supostos pagamentos a maior do PIS (períodos de apuração: fevereiro/1990 a novembro/1995), decorrentes de recolhimentos com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório DRF/SOR nº 417/2008, de 18/06/2008 (efls. 174/180), sob os seguintes fundamentos: “com relação aos pagamentos realizados entre 02/90 e 01/95, o direito de solicitar eventual restituição do suposto indébito já estava extinto na data da protocolização do pedido, em 02/02/2000, visto que se operou a decadência pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário pelos pagamentos”;. em relação aos pagamentos efetuados entre 02/95 e 11/95, concluiu que não restou caracterizada, em face da legislação aplicável ao período e dos documentos juntados, a alegada existência de pagamentos a maior a título da contribuição ao PIS. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 12/08/2008 (efls. 183/ss), onde alega, em apertada síntese, que: apresentou tempestivamente o Pedido de Restituição frente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, inexistindo a decadência alegada pela fiscalização, por entender que “firmouse, no entanto, no Superior Tribunal de Justiça, a jurisprudência de que nas ações, em que versem tributos lançados por homologação (art.150,do CNT), o prazo prescricional é de 10 (Dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§4°), mais 05 (Cinco) anos da prescrição do direito do contribuinte para haver tributo pago a maior e/ou indevidamente (168,I, do CTN)”; o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos referidos decretos, e pôr sua vez o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 09.10.95, suspendeu os mesmos. Com isso, as empresas passaram a ter direito à compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.000216/0017 Acórdão n.º 3202000.689 S3C2T2 Fl. 234 3 na vigência da LC nº 7/70 o PIS era devido à razão de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. E por consequência disso, haveria o direito de congelar a base de cálculo por seis meses, por inexistência de norma que determinasse a sua atualização monetária entre a época do faturamento e a época em que devida a contribuição, um semestre após, sendo, de resto, inapropriada a tentativa de suprir a deficiência da legislação com as normas voltadas à correção monetária dos tributos; concluise alegando que o direito material não se extinguiu pelo tempo, e que, assim, cabe perfeitamente a compensação, devendo, portanto, ser homologado o seu pedido de compensação. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo deferiu parcialmente o pedido do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 1620.612, de 04 de março de 2009 (folhas 210/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. LEI COMPLEMENTAR 7/70. O afastamento do mundo jurídico de atos inquinados de inconstitucionalidade fulmina tais atos desde seu aparecimento. Com a Resolução n° 49 do Senado Federal, de 1995, no período abrangido pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 a Contribuição ao PIS deve ser recolhida segundo a Lei Complementar n° 7, de 1970, e alterações da legislação válida superveniente. PIS. SEMESTRALIDADE. A Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da L.C. n° 7/70; não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originalmente determinara o referido dispositivo. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O Pedido de Compensação que não havia sido analisado pela autoridade competente até a publicação da MP n° 66 de 29/08/02 foi automaticamente transformado em Declaração de Compensação. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa competente, no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 compensação, deverá apreciála, caso contrário, as compensações estarão tacitamente homologadas. Solicitação Deferida em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo, em 07/04/2009 (efolhas 222/223), interpôs Recurso Voluntário em 29/04/2009 (efls. 199/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Inicialmente, devemos analisar a questão relativa ao prazo prescricional para que o contribuinte possa efetuar o pedido de restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS advindos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs. 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal — STF no exame do Recurso Extraordinário nº. 148.7542/210/RJ, com extensão erga omnes dada pela Resolução do Senado nº 49, de 09 de outubro de 1995. Entendo que assiste razão à Recorrente no tocante aos prazos para pedir a restituição de tributos recolhidos indevidamente. Vejamos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente era aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.000216/0017 Acórdão n.º 3202000.689 S3C2T2 Fl. 235 5 inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, o Pedido de Restituição foi protocolado em 02/02/2000, para o período de apuração de fevereiro/1990 a novembro/1995, portanto, quando formulado o pedido não havia ocorrido a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição de tributos, considerandose o prazo de 10 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados antes 09/06/2005. Consequentemente, deve ser revista a decisão recorrida, para que análise o mérito do pedido também em relação aos períodos entre fevereiro/1990 a novembro/1995. Neste sentido, citase a decisão proferida pela CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303002.127, em 13/09/2012, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1991 a 28/02/1995 PIS/PASEP. RESTITUIÇÃO. DECRETOSLEIS Nºs 2.445/88 e 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial do Contribuinte provido. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição dos indébitos cujos recolhimentos ocorreram posteriormente a fevereiro/1990, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito do pedido. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11522.001811/2010-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS.
Comprovado, quanto ao ano-calendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado.
Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).
Numero da decisão: 1103-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
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ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 18 11 /2 01 0- 35 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 311 2 Relatório Tratase de auto de infração de Multa por descumprimento de obrigações relacionadas à entrega de arquivos digitais (fls.77/85), no valor original de R$7.176.714,06 (sete milhões, cento e setenta e seis mil, setecentos e quatorze reais e seis centavos), cientificado ao contribuinte em 01/12/10 (fl.90). Eis os fundamentos da fiscalização (fls.79/81), in verbis: “[...] Em decorrência de requisição do Ministério Público Federal, iniciamos procedimento fiscal no contribuinte acima qualificado objetivando averiguar eventuais irregularidades tributárias. Por meio do Termo Diligência Fiscal n° 001, cuja ciência se efetivou no dia 22/08/2008, conforme anexado ao processo, foram solicitados livros contábeis e fiscais referentes aos anoscalendário de 1984 a 2007 para serem examinados. O contribuinte atendeu ao solicitado apresentando em papel os seguintes livros razão: anoscalendário 2002, 2003, 2006 e 2007. Nessa oportunidade o contribuinte informou que apresentaria somente os livros referentes aos últimos cinco anos alegando não possuir os documentos dos anos anteriores. Logo em seguida, a fiscalização cientificou o contribuinte de nova intimação para apresentação da contabilidade em meio magnético, compreendendo o período de 2003 a 2007. Em atendimento a essa intimação o contribuinte apresentou arquivos magnéticos referentes aos anoscalendário de 2003 a 2006 e, posteriormente, solicitou dilação de prazo para apresentação dos arquivos referentes ao anocalendário de 2007, sendo estes entregues no dia 19/01/2009. Ocorre que, analisando tais livros (em papel e em meio magnético), foi constatado que a escrituração havia sido realizada em desacordo com a legislação comercial e fiscal, uma vez que possuía diversos lançamentos aglutinadores sem que tenham sido apresentados livros auxiliares com o detalhamento desses registros, conforme exigido pelos artigos 258 e 259 do Dec. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), com supedâneo nos artigos 5º o do DecretoLei nº 486/69, artigo 14 da Lei n° 8.218/91 e artigo 62 da Lei n° 8.383/91. A título de exemplo, reproduzimos impressão do arquivo magnético e cópia parcial dos livros apresentados em papel, relativos aos lançamentos aglutinadores efetuados conforme demonstrado no anexo I. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 312 3 Assim, em decorrência de tal exame, o contribuinte foi intimado em 21 de julho de 2009 a apresentar a escrituração complementar no prazo de 20 dias, que detalhasse os lançamentos nos livros diário e razão quando estes tiverem sido feitos por meio de lançamentos aglutinadores, bem como a retificar os referidos lançamentos fazendo constar remissão às páginas (ou aos códigos identificadores dos lançamentos) em que as operações se encontrassem lançadas nos livros auxiliares, de forma que permitissem a verificação da integralidade dos lançamentos contábeis. Logo em seguida, o contribuinte solicitou dilação de prazo para atendimento da intimação, sendo atendido em seu pedido, de modo que o prazo para atendimento passou a ser o dia 19/08/2009. Novamente, em 01/09/2009, o contribuinte solicitou dilação de prazo. O prazo para cumprimento da Intimação ficou estabelecido para o dia 11/09/2009. Entretanto, apenas no dia 15/09/2009 o contribuinte apresentou os arquivos digitais, abrangendo apenas informações referentes ao anocalendário de 2005, mas deixou de atender à solicitação da fiscalização ao não apresentar livros auxiliares que pudessem identificar plenamente os lançamentos efetuados nos livros principais, conforme demonstrado nas transcrições dos arquivos magnéticos constantes no anexo. Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais, como se observa exemplificativamente na conta ‘4.1.05.0005 Depreciação de Veículos’, com histórico de ‘depreciação efetuada conforme mapa’, sem o devido detalhamento no livro auxiliar apresentado. Ademais, é bom que se frise que o próprio contribuinte admite a não integralidade das informações apresentadas quando afirma na resposta entregue em 15/09/2009 que ‘[...] Dado isso, apresenta na presente data parte das informações solicitadas, sendo certo que o restante demandaria dilação de prazo.’ Considerando que o contribuinte também estava obrigado à entrega de sua contabilidade por meio do SPED, verificamos nos sistemas informatizados se ele havia efetuado a transmissão dos arquivos. Passados vários meses, o contribuinte não apresentou os arquivos de sua contabilidade via SPED, tampouco apresentou à fiscalização os livros auxiliares solicitados nas intimações lavradas. Diante disso, a fiscalização lavrou o presente auto de infração com fulcro no inciso III, artigo 12 da Lei n° 8.218/91 (abaixo transcrito), pela não apresentação dos livros auxiliares que, salientese, tornaramse obrigatórios diante dos dispositivos legais já mencionados. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 313 4 Lei 8.218/91 [...] Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas. Informese que para a autuação foram adotados os valores a seguir. Ano Receita Bruta (RB) Dias em atraso % da Multa Valor da Multa 2005 215.369.550,34 +50 1% 2.153.695,50 2006 257.894.951,48 +50 1% 2.578.949,51 2007 244.406.905,87 +50 1% 2.444.069,05 Total 7.176.714,06 *Informação extraída dos balanços patrimoniais entregues pelo contribuinte” (destaquei) O lançamento foi considerado parcialmente procedente pela Primeira Turma da DRJ – Belém (PA), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.260/277): DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. MULTA REGULAMENTAR FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O Inciso III, do Art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas a aplicação de multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 314 5 LANÇAMENTO DE OFÍCIO OFENSA AO PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. PAF. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo, notadamente quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado, em se tratando de perícia. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Em decorrência do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. Devidamente cientificado do acórdão em 31/05/12 (fl.283), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 28/06/12 (fls.288/305), em que sustenta: Síntese da questão em um primeiro momento, todos os livros “físicos” teriam sido entregues à fiscalização; quanto aos livros Razão e Diário em meio digital, relativos aos anoscalendário 2003 a 2007, atendera prontamente à intimação, “muito embora não estivesse obrigada, àquela época, à escrituração digital”; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 315 6 acerca da apresentação de livros auxiliares, para fins de apuração dos lançamentos contábeis, deixara de atender à intimação em razão do exíguo prazo concedido; apenas os documentos relativos ao anocalendário 2005 teriam sido entregues e corrigidos, razão pela qual a DRJ cancelou a multa quanto a tal ano; Ausência de motivação do auto de infração todos os registros contábeis mostraramse úteis à fiscalização, tanto que não houve autuação pelo não recolhimento de créditos tributários; conforme ratificado pela decisão recorrida, não estaria obrigada à escrituração digital nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, “...muito embora tenha apresentado todos os documentos solicitados à autoridade fiscal, de modo a COMPLEMENTAR os arquivos físicos que já estavam em posse desta”; em momento algum a fiscalização consignou que a documentação física apresentada seria imprestável, o que demonstra a não necessidade de documentos digitais; os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 apenas seriam oponíveis às empresas que transferissem suas rotinas contábeis e fiscais a arquivos digitais; Erro de capitulação legal da multa constaria do auto de infração que a escrituração havia sido realizada em desacordo com a legislação comercial e fiscal, não restando dúvida quanto à entrega dos documentos à autoridade fiscal; na realidade, constatouse “...uma divergência nas informações imputadas nos arquivos digitais entregues à autoridade fiscal, cuja manutenção, vale frisar, não era imposta à recorrente pela legislação de regência”; considerando os fundamentos adotados, a multa não poderia prosperar. O inciso III do art.12 da Lei nº 8.218/91, aplicarseia aos casos “...em que o sujeito, notificado, recusase a entregar a sua escrituração digital, impossibilitando o devido exaurimento do procedimento de fiscalização, o que, de fato, não ocorreu. Verificase que todos os documentos solicitados foram devidamente entregues à autoridade fiscal, não sendo possível cogitar a mora da RECORRENTE. Ocorre, no entanto, conforme a própria autoridade disse, que a escrituração teria sido realizada, supostamente, de forma equivocada. Neste sentido, tratandose de escrituração em desconformidade à forma em que deve ser apresentada, caberia à autoridade fiscal ter capitulado a infração de acordo com o inciso I, cuja multa, vale lembrar, é sensivelmente inferior àquela realmente aplicada”; a capitulação legal equivocada impediria a precisa defesa quanto aos fatos imputados e em relação à penalidade imposta; não teria havido qualquer atraso na entrega, tampouco recusa que prejudicasse as atividades fiscais; o art.142 do Código Tributário Nacional (CTN) exigiria a correta descrição dos fatos para a higidez do lançamento tributário, como já decidido pelo extinto Terceiro Conselho de Contribuinte (acórdão nº 30235.158); Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 316 7 caso não se entenda pela nulidade do lançamento, fazse necessária a retificação da capitulação legal do auto de infração. O patrono pleiteou ainda a intimação pessoal sobre a pauta de julgamento para possibilitarlhe realizar sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Acerca do requerimento de intimação pessoal sobre a pauta de julgamento, veiculado na peça recursal, cabe dizer que não integra o litígio. Apenas a título de esclarecimento, nos termos do art.55, parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), com esteio no art.37 do Decreto nº 70.235/721, a pauta de julgamento é publicada no Diário Oficial da União (DOU) com 10 (dez) dias de antecedência, sendo ainda divulgada no sítio do CARF na internet, cabendo aos patronos o devido acompanhamento. Quanto a este processo, a inclusão na pauta foi devidamente publicada em 27/03/13 (DOU nº 59, Seção 1, p.21): [...] Relator(a): EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO 20 Processo: 11522.001811/201035 Ex Officio e Voluntário Recorrentes: FAZENDA NACIONAL e RECOL DISTRIBUIÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Matéria: IRPJ Multa entrega de arquivos magnéticos. [...]” Com a divulgação do julgamento, as partes já podem requerer ao Sr. Presidente da Turma a sustentação oral de suas razões em plenário, o que ocorrerá após a leitura do relatório, conforme art.58 do Anexo II do RICARF: Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; III à parte adversa ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; e IV aos demais conselheiros. 1 O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 317 8 No caso concreto, tal faculdade não foi exercida. Passase, então, à análise das questões postas. I Da preliminar de nulidade Para o Recorrente, a capitulação legal equivocada do lançamento impediria a adequada defesa, sendo a correta descrição do fato uma exigência do art.142 do CTN. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, o lançamento fundamentouse no art.12, III, da Lei nº 8.218, de 29/08/91. Cabe, então, transcrever abaixo os dispositivos de tal diploma legal que interessam à solução da controvérsia: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o §3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 318 9 III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (destaquei) Os fatos que levaram à autuação foram igualmente expostos, consoante relatório supra. Assim, não há se falar em prejuízo à ampla defesa, mormente quando considerados os recursos administrativos apresentados no curso do processo. Caso, afinal, entendase que o suporte normativo é inaplicável ao substrato empírico considerado pela fiscalização, a solução será pela improcedência do lançamento, não pela nulidade. A questão foi bem equacionada no acórdão recorrido, em que se concluiu: “[...] Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os Atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido ao mesmo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que receberam, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Por fim, o contribuinte tomou ciência do mesmo, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida de fls. 94/120.” Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade. II Do mérito 1. Recurso de ofício Em razão do valor exonerado em primeira instância (R$ 2.153.695,50), conhecese do recurso de ofício. A Primeira Turma da DRJ – Belém (PA) fundamentou sua decisão nos seguintes termos: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 319 10 “[...] Pelo exposto, concluímos que o Contribuinte não cumpriu no prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas, logo, a aplicação da Multa Regulamentar encontrase devidamente enquadrada no Inciso III, do art. 12, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com alteração dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001. No entanto, em relação ao Livro Auxiliar de 2005, a própria fiscalização descreve que este Livro foi Apresentado como vejamos: [...] Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais, como se observa exemplificativamente na conta ‘4.1.05.0005 Depreciação de Veículos’, com histórico de ‘depreciação efetuada conforme mapa’, sem o devido detalhamento no livro auxiliar apresentado. [....] Agora vejamos o Inciso III do art. 12 da Lei 8.218/1991: Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Inciso com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas. (Parágrafo único com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001) Observa que a penalidade descrita no Enquadramento Legal diz respeito, “aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas”, e como a própria Auditoria afirma que os arquivos dos Livros Auxiliares referente ao anocalendário 2005 foram entregues, logo concordamos com a exoneração da Multa lançada referente à este ano.” (destaquei) O reexame necessário cingese, portanto, às ocorrências relacionada ao ano calendário 2005. Vale à pena brevemente repisálas. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 320 11 O contribuinte apresentou os livros Diários em arquivo magnético, referentes aos anoscalendário 2003 a 2006. Estando a escrituração em desacordo com a legislação, especificamente por contemplar diversos lançamentos contábeis “aglutinadores”, a fiscalização, em 21/07/09, intimouo a apresentar, no prazo de 20 dias, escrituração complementar “...que detalhasse os lançamentos nos livros diário e razão quando estes tiverem sido feitos por meio de lançamentos aglutinadores, bem como a retificar os referidos lançamentos fazendo constar remissão às páginas (ou aos códigos identificadores dos lançamentos) em que as operações se encontrassem lançadas nos livros auxiliares, de forma que permitissem a verificação da integralidade dos lançamentos contábeis”. Após requerer dilação do prazo em 01/09/09 (fl.58), concedida pela autoridade fiscal até 11/09/09, “...apenas no dia 15/09/2009 [fls.59/60] o contribuinte apresentou os arquivos digitais, abrangendo apenas informações referentes ao anocalendário de 2005, mas deixou de atender à solicitação da fiscalização ao não apresentar livros auxiliares que pudessem identificar plenamente os lançamentos efetuados nos livros principais, conforme demonstrado nas transcrições dos arquivos magnéticos constantes no anexo.”. Prosseguiu a autoridade fazendária: “...Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais [...]”, tendo ao final arrematado: “[...] Passados vários meses, o contribuinte não apresentou os arquivos de sua contabilidade via SPED, tampouco apresentou à fiscalização os livros auxiliares solicitados nas intimações lavradas. Diante disso, a fiscalização lavrou o presente auto de infração com fulcro no inciso III, artigo 12 da Lei nº 8.218/91 (abaixo transcrito), pela não apresentação dos livros auxiliares que, salientese, tornaramse obrigatórios diante dos dispositivos legais já mencionados. ..... 001 – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO – ESCRITURAÇÃO DE LIVROS AUXILIARES Multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, considerando que o contribuinte não apresentou os arquivos em meio magnético referentes aos livros auxiliares da escrituração, conforme descrição dos fatos efetuada.” (destaquei) Especificamente quanto ao ano 2005, o livro auxiliar, em meio digital, foi entregue, como afirma o próprio agente autuante, que, entretanto, na fundamentação da infração, textualmente afirmou o contrário, tanto que considerou um atraso superior a 50 (cinquenta) dias, tendo resultado na aplicação do percentual máximo de 1% (um por cento) sobre a receita bruta, conforme memória de cálculo transcrita no relatório deste voto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 321 12 Para uma melhor análise, vejamos novamente o que dispõe a Lei nº 8.218/91: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (destaquei) A hipótese de incidência do inciso III trata do descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas. Na falta de apresentação, aplicase o percentual máximo de 1% (um por cento) sobre a base de cálculo quando a mora ultrapassa cinquenta dias. Considerandose o atraso do contribuinte, a multa poderia ter sido aplicada em um valor menor, pois o livro auxiliar foi entregue 4 (quatro) dias após o prazo final estabelecido (11/09/09), ainda que na forma supostamente não requerida, o que implicaria na aplicação do percentual de 0,08% (4 dias de atraso x 0,02%) sobre a base de cálculo. Contudo, a penalidade não pode prevalecer, vez que, como já anotado na decisão recorrida, a acusação reportouse à falta de entrega do arquivo digital do livro auxiliar, não à entrega em atraso. A própria apuração do quantum reforça tal conclusão. Assim, negase provimento ao recurso de ofício. 2. Recurso voluntário Estando presentes os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Aqui se cuida dos anoscalendário 2006 e 2007, decorrendo a autuação da falta de apresentação de arquivos digitais. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 322 13 Apesar de o Recorrente afirmar que os entregou, não produziu a necessária prova, como exigem os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ... Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Em suma, a acusação da autoridade fiscal de que os arquivos digitais relativos aos livros auxiliares deixaram de ser entregues não foi infirmada pelo sujeito passivo. Quanto ao suposto equívoco na forma de apresentação dos arquivos digitais, não há se falar em erro de capitulação legal. O Recorrente entende que a multa deveria ter sido aplicada, quando muito, com base no inciso I do art.12 da Lei nº 8.218/91, porém, tal inciso referese ao leiaute, ou seja, ao formato de entrega dos arquivos, definido no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 23/10/01, com “Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos” e “Documentação de Acompanhamento”. Quanto aos anos calendário 2006 e 2007, os livros auxiliares sequer chegaram a ser entregues pelo contribuinte em meio digital. Acerca da alegação de que estaria desobrigado a manter sistema de escrituração digital, não se sujeitando, portanto, à penalidade aplicada, igualmente não pode ser acolhida. Vejamos. Anteriormente, a manutenção, à disposição do Fisco federal, de arquivos digitais e sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, era obrigatória apenas para as pessoas jurídicas com patrimônio líquido superior a determinado valor. Tal cenário modificouse com a MP nº 2.15834, de 27/07/01, reeditada sob nº 2.15835/01. Assim, a partir de 28/07/01, à exceção dos optantes pelo Simples, todas as pessoas jurídicas que utilizavam sistemas de processamento eletrônico de dados para, por exemplo, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil, obrigaramse a manter à disposição do Fisco federal os respectivos arquivos digitais e sistemas (nova redação do art.11 da Lei nº 8.218/91). No caso concreto, ao receber em um primeiro momento a documentação contábil, a autoridade fiscal verificou que a pessoa jurídica utilizava processamento eletrônico de dados, como se nota das fls.19/23 (livro Diário) e Anexo I do processo. Logo, já no Termo de Intimação Fiscal de 11/11/08, passou a requerer os livros em meio digital, mesmo sem maiores exigências quanto à forma: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 323 14 “[...] Apresentar Livros Razão e Diário referentes aos ano calendário de 2003 a 2007 em meio digital (CD ou DVD) em conformidade com o disposto nos termos do art.11 da Lei 8.218/91 (alterado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001), utilizandose de formato Excel, Access ou em outro formato que possam ser trabalhados por estes aplicativos” O próprio contribuinte, ao expor dificuldades sobre o envio dos livros relativos ao anocalendário 2007, confirmou a utilização de determinado sistema de processamento eletrônico. In verbis: “[...] Em virtude de no ano de 2007 o sistema ser diferente, na versão Windows, o programa Mastermaq não gerava os arquivos digitais para envio a receita federal através do programa Sinco, porém na data de hoje chegou esta atualização, só que por motivos técnicos do sistema não estamos conseguindo atualizar, solicitamos então mais 2 dias para entregar 2007.” Logo, à luz dos autos e com fundamento no art.11 da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, o autuado, por utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil, obrigavase a manter à disposição do Fisco federal os respectivos arquivos digitais e sistemas. Quanto à suposta inexistência de constituição de créditos tributário, tal fato não interfere na aplicação da multa, cuja hipótese de incidência independe da exigência de tributos, razão pela qual também não se acolhe tal alegação de defesa. Assim, considerandose o arcabouço jurídico existente quando da autuação, voltado a regular as obrigações e penalidades relacionadas à entrega de arquivos digitais, a controvérsia estaria equacionada com a manutenção do lançamento quanto aos anoscalendário 2006 e 2007. Entretanto, não se pode deixar de analisar o impacto da edição da Lei nº 12.766, de 27/12/12, particularmente do seu artigo oitavo, sobre os lançamentos realizados sob a égide do art.12 da Lei nº 8.218/91. Para tanto, recorrese inicialmente a um breve histórico. A Medida Provisória nº 298, de 29/07/91, dispôs: Art. 12. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00 e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficarão obrigadas a manter em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos registros, arquivos e sistemas operacionais, até que ocorra a extinção do direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos relativos aos tributos e contribuições decorrentes das operações a que se referem. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 324 15 § 1º O Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, com base em critérios vinculados à racionalidade e à capacidade de fiscalização, poderá reduzir ou aumentar, em até cinqüenta por cento, o limite do valor do patrimônio líquido, bem como reduzir o prazo de manutenção, nas hipóteses que especificar. § 2º O Departamento da Receita Federal poderá expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais deverão ser apresentados. Art. 13. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de um por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de dez por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 100.000,00, por dia de atraso até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido, pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Na conversão para a Lei nº 8.218, de 29/08/91, houve algumas alterações, de maneira que a matéria, já com as disposições da Lei nº 8.383, de 30/12/91, recebeu o seguinte tratamento: Art. 11 As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00, e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas, a partir do período base de 1991, a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. § 1º O valor referido neste artigo será reajustado, anualmente, com base no coeficiente de atualização das demonstrações financeiras a que se refere a Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 325 16 § 2º O Departamento da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Lei nº 8.383, de 30/12/1991) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Com a MP nº 2.11330, de 26/04/01, reeditada posteriormente sob o nº 2.158 33, estabeleceramse penalidades quando descumpridas obrigações acessórias exigidas nos termos do art.16 da Lei nº 9.779, de 19/01/99 (“Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.”): Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 326 17 Não obstante tal dispositivo também contemplar hipótese voltada ao não fornecimento, nos prazos estabelecidos, de informações ou esclarecimentos solicitados pela Secretaria da Receita Federal, ou à omissão de informações ou prestação inexata ou incompleta, o campo de incidência não se confundia com o traçado pelo art.12 da Lei nº 8.218/91, dado o caráter especial deste dispositivo, restrito à aplicação de multas relacionadas com a apresentação de arquivos digitais, por exemplo, de escrituração de livros. Com o art.72 da edição nº 34 da MP nº 2.158, de 27/07/01, alteraramse os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 para os seguintes termos2: "Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. §1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. §2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.” (NR) "Art.12..................................................................... II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas.” (NR) 2 Este artigo 72 foi reproduzido na edição nº 35 da MP nº 2.158, de 24/08/01. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 327 18 Em resumo, a par do art.57 da MP nº 2.15835/01, de cunho geral, o descumprimento de obrigações relacionadas a arquivos digitais de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, bem como de escrituração de livros fiscais e contábeis, sujeitava a pessoa jurídica, nos termos do art.12 da Lei nº 8.218/91, às seguintes penalidades: a) 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta no período, em caso de não atendimento à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (inciso I); b) 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta no período, em caso de omissão ou prestação incorreta de informações (inciso II); e c) 0,02% (dois centésimos por cento), por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, limitada a 1% (um por cento) desta, em caso de não cumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas. Este era o quadro normativo. Sobreveio, então, resultante da conversão da MP nº 575, de 07/08/12, a Lei nº 12.766, de 27/12/12, que, por meio de seu artigo oitavo, conferiu a seguinte redação ao art.57 da MP nº 2.15835, com efeitos a partir de sua publicação oficial (art.13, IV): Art.57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 328 19 III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) (destaquei) Ao contrário da redação anterior, o art.57 da MP nº 2.15835 passou a tipificar, para fins de sanção tributária, condutas relacionadas à apresentação extemporânea de escrituração digital, ou com informações inexatas, incompletas ou omitidas, bem como ao não atendimento de intimação fiscal para apresentálas nos prazos estipulados. Durante a tramitação da MP nº 575/12, pela Comissão Mista do Congresso Nacional, acolheuse, conforme Parecer Final3, a Emenda nº 65, de autoria do Deputado Jerônimo Goergen (PP/RS), “...com a redação aperfeiçoada, para reduzir a valores razoáveis as multas cobradas por descumprimento da entrega de declarações criadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)”. Constou ainda como justificativa: “[...] é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art.16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art.57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” (destaquei) Aquela Emenda parlamentar foi justificada, segundo o autor, na necessidade de aperfeiçoamento de algumas penalidades, “tornandoas mais razoáveis”: 3 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1039685&filename=PAR+33+MPV57 512+%3D%3E+MPV+575/2012. Consulta em 28/02/2013. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 329 20 “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornandoas mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” (destaquei) Não obstante no Relatório final aprovado pela Comissão Mista do Congresso Nacional ter sido mencionada apenas a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista na redação anterior do art.57 da MP nº 2.15835/01, que, como visto anteriormente, convivia com os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 por estes veicularem normas especiais, e tendo sido apontado como justificativa para a alteração legislativa a necessidade de redução daquele valor em caso de entrega, com atraso, de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, os tipos tributários não se limitaram à imposição de sanções quando concretizada tal conduta. É verdade que o legislador poderia ter alterado, ou mesmo revogado expressamente as hipóteses contempladas nos incisos II e III do art.12 da Lei nº 8.218/91, porém, o texto final do artigo 8º da Lei nº 12.766/12 provoca a análise, à luz do art.106 do CTN, de sua incidência nos casos pendentes de apreciação. No quadro comparativo abaixo, visualizamse as condutas passíveis de sanção, previstas na Lei nº 8.218/91 e no art.57 da MP nº 2.15835/01, relacionadas à entrega de arquivos e escrituração digitais: Conduta Art.12 da Lei nº 8.218/91 Art.57 da MP nº 2.15835/01 A entregar registros e respectivos arquivos digitais sem atender à forma/leiaute de apresentação estabelecida (inciso I). B entregar os arquivos digitais com omissão ou incorreção nas informações solicitadas (inciso II). apresentar escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas (inciso III). C não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos digitais (inciso III). apresentar extemporaneamente escrituração digital (inciso I); não atender à intimação para apresentar escrituração digital (inciso II). Não apenas a abertura semântica que a expressão encerra autoriza a compreensão, à luz da legislação de regência, de que a “escrituração digital” compõese dos livros contábeis e fiscais, confeccionados em meio magnético, digital. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao tratar da Escrituração Contábil Digital (ECD) a ser transmitida ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), por meio da IN RFB nº 787/07 dispôs, em seu artigo 2º, que “A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros”: “I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.” Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 330 21 Vale também lembrar que o art.11 da Lei nº 8.218/91 contempla a expressão “arquivos digitais”, a serem entregues por quem se utiliza de “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A menção a “arquivo digital” também está presente na IN SRF nº 86/01 e no ADE Cofis nº 15/01. Notase, também, haver identidade entre os bens jurídicos tutelados pelos artigos 12, II e III, da Lei nº 8.218/91, e pela atual redação do art.57 da MP nº 2.15835/01, qual seja, a entrega pontual e escorreita de documentos e livros, contábeis e fiscais, em formato digital, no interesse da fiscalização. Assim, não há impropriedade em se entender que a Lei nº 12.766/12 buscou inibir, em bases próprias, condutas relacionadas com a entrega de livros contábeis digitais, a exemplo do que regulava a Lei nº 8.218/91. Assim, no caso de omissão ou prestação incorreta de informações solicitadas, a multa, antes estabelecida em 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período (art.12, II, da Lei nº 8.218/91), passou para 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da escrituração digital equivocada (art.57, III, da MP nº 2.158 35/01). Por sua vez, a conduta de não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas digitais, antes penalizada na base de 0,02 % (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, até o máximo de 1% (um por cento) desta (art.12, III, da Lei nº 8.218/91), passou a ser sancionada, no caso de apresentação extemporânea da escrituração digital, com R$ 500,00 ou R$ 1.500,00, por mêscalendário ou fração (art.57, I, da MP nº 2.15835/01), sendo aplicável, em caso de não atendimento à intimação para apresentála, R$ 1.000,00 por mêscalendário (art.57, II, da MP nº 2.158 35/01). In casu, a pessoa jurídica não cumpriu o prazo estabelecido para apresentação dos livros auxiliares do Razão em formato digital, anoscalendário 2006 e 2007. Esta foi a conduta sancionada, que de acordo com a nova redação do art.57 da MP nº 2.15835/01, lembrando que a expressão “escrituração digital” engloba tais livros, implicaria, atualmente, na aplicação da multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário (inciso II). Assim, a depender do caso concreto, a imposição de penalidade por não apresentação de livros em formato digital, prevista no art.12, III, da Lei nº 8.218/91, pode implicar em sanção mais benéfica para o contribuinte, quando considerado o art.57, II, da MP nº 2.15835/01, fazendo incidir, na espécie, o art.106, II, c, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 331 22 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Levandose em conta a nova forma de apuração do quantum da penalidade após a entrada em vigor do artigo 8º da Lei nº 12.766/12, o contribuinte, em razão da mesma conduta praticada sob a égide da Lei nº 8.218/91, sujeitarseia à multa de R$ 13.000,00 (treze mil reais), haja vista o atraso de 13 (treze) meses, considerando a data final para a entrega dos arquivos digitais definida pela fiscalização (11/09/09) e a lavratura do auto de infração (27/11/10), dies ad quem 4. Assim, quanto à penalidade decorrente da conduta objeto do recurso voluntário (não entrega dos livros dos anoscalendário 2006 e 2007), deve, por força da nova redação do art.57, II, da MP nº 2.158,35/01, aplicável de acordo com o art.106, II, c, do CTN, ser reduzida para R$ 13.000,00 (treze mil reais). Por fim, observase que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil já relativizou a incidência de penalidade prevista no artigo 12 da Lei nº 8.218/91, após a implementação da sistemática da Escrituração Contábil Digital (ECD), transmitida ao Sped. Na hipótese de não apresentação desta, que, frisese novamente, engloba, por exemplo, os livros Diários, Razão e seus auxiliares, entende ser aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, conforme disposto no art.10 da IN RFB nº 787/07, suprindo a apresentação da ECD, quanto aos períodos posteriores a 31/12/07, a exigência, em relação às mesmas informações, contida na IN SRF nº 86/01: Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007, supre: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) II a obrigatoriedade de escriturar o Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Lei nº 8.218, de 1991, art.14, e Lei nº 8.383 , de 1991, art. 62). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) 4 No inciso II do art.57 da MP nº 2.15835/01, com a redação conferida pela Lei nº 12.766/12 , o atraso é quantificado por mêscalendário, sem se levar em conta as frações, razão pela qual no cálculo foram considerados apenas os mesescalendário completos (outubro a dezembro/2009; e janeiro a outubro/2010). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 332 23 III a obrigatoriedade de transcrever no Livro Diário o Balancete ou Balanço de Suspensão ou Redução do Imposto de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1991 (Instrução Normativa SRF nº 93 , de 1997, art. 12, inciso 5, alínea b). ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) Parágrafo único. A adoção da Escrituração Fiscal Digital, nos termos ao Convênio ICMS nº 143 , de 15 de dezembro de 2006, supre: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I a elaboração, registro e autenticação de livros para registro de inventário e registro de entradas, em relação ao mesmo período. (Lei nº 154, de 1947, arts. 2º, caput e § 7º, e 3º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 71 e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) II em relação às mesmas informações, da exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) ..... Art. 10. A não apresentação da ECD no prazo fixado no art. 5º acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00 (treze mil reais). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901310/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3801-001.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado.
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 13 10 /2 00 8- 42 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901310/200842 Acórdão n.º 3801001.289 S3TE01 Fl. 36 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 19/09/2006 (fls. 08/12), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de fevereiro de 2004, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/03/2004, com débitos de CSLL do período de apuração de julho de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 300,59. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 18/19, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 20), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 21 (em 15/03/2004), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901310/200842 Acórdão n.º 3801001.289 S3TE01 Fl. 37 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008344/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/10/2000 a 07/01/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Reagentes de diagnóstico ou de laboratório classificam-se na posição 3002, quando a substância que lhes dêem a característica principal forem classificáveis nessa posição.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento do imposto de importação, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota, rende ensejo ao lançamento de ofício.
MULTAS. BIS IN IDEN.
A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden.
MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO.
O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública.
MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 04/10/2000 a 07/01/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Reagentes de diagnóstico ou de laboratório classificam-se na posição 3002, quando a substância que lhes dêem a característica principal forem classificáveis nessa posição. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto de importação, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota, rende ensejo ao lançamento de ofício. MULTAS. BIS IN IDEN. A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden. MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública. MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 6 1 5 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.008344/200511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.558 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente ALBALAB COM. PROD. LABORATORIAIS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/10/2000 a 07/01/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Reagentes de diagnóstico ou de laboratório classificamse na posição 3002, quando a substância que lhes dêem a característica principal forem classificáveis nessa posição. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto de importação, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota, rende ensejo ao lançamento de ofício. MULTAS. BIS IN IDEN. A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden. MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública. MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 83 44 /2 00 5- 11 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 16/08/2005, lavrado em decorrência de procedimento fiscal de revisão aduaneira para exigir o Imposto de Importação, multa de ofício e multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 2000 e janeiro de 2005. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o contribuinte importou vários produtos para uso em laboratórios de clínica médica, classificandoos sob os códigos 3822.00.00 e 3822.00.90 da NCM/TEC. Entende a fiscalização que por força da RG nº 1 e das notas de capítulo, os produtos em questão deveriam ser classificados na posição 3002. Foi lançada a diferença do imposto em razão da diferença de alíquotas e a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão do erro de classificação fiscal. Em sede de impugnação, o contribuinte concordou com a reclassificação de 21 produtos, mas entende que a reclassificação só deveria prevalecer para as futuras importações, não podendo ser aplicada à mercadoria que já foi importada. Discordou da reclassificação de outros 14 produtos. Impugnou a multa 1% sobre o valor aduaneiro, pois no seu entender estaria sendo aplicada cumulativamente sobre um fato que já foi punido com a multa proporcional à falta de recolhimento do imposto. Por meio do Acórdão 36.673, de 18 de abril de 2012, a 6ª Turma da DRJ – Recife julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Em relação aos 14 produtos cuja reclassificação foi contestada pelo contribuinte, entendeu a DRJ que tais produtos não podem ser classificados na posição 3822 por dois motivos: a) são kits de diagnóstico mencionados nas Notas Explicativas à posição 3002 do SH, cuja característica essencial é dada pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste; e 2) não cumprem os requisitos para serem considerados materiais de referência certificados (Notas 1 e 2 do Capítulo 38). A DRJ acatou a reclassificação desses produtos para a posição 3002, que inclui o sangue humano, antisoros e outras frações do sangue, por força da RGI nº 1, da Nota 2 do Capítulo 30 e das Notas Explicativas à posição 3002 do SH. Ficou decidido também que o procedimento legal de revisão aduaneira autoriza a revisão dos despachos enquanto não ocorrida a decadência do direito do fisco exigir as diferenças de tributos, não havendo que se falar em aplicação da reclassificação apenas para as futuras importações. Foi mantida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão dela independer da cobrança do tributo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 10/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/06/2012. Após historiar a autuação e reiterar Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 7 3 que concordou com a reclassificação de 21 produtos, a defesa reiterou seu inconformismo quanto à reclassificação dos 14 produtos impugnados, a saber: 1) Soro Controle Atirreumático, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e os parâmetros ASO (antiestreptolisina O), PCR (proteína Creativa) e FR (fator reumatóide); 2) Soro Controle de Bioquímica, por tratarse de soro bovino liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria, com todos os parâmetros comuns da bioquímica, como glicose; 3) Soro controle de Proteínas, por tratarse de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e alguns dos parâmetros são IgA (imunoglobulina A), IgG, IgM, C3 (complemento fração 3); 4) Albumina, porque esta substância não confere a característica essencial ao kit, como descrito no item “e”. A função da albumina contida no padrão não é medir a concentração de proteína, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 5) AntiEstreptolisina O – Turbidimetria, pois este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na posição 3002. O produto na sua característica essencial de funcionamento contém partículas de látex revestidas (sensibilizadas) com estreptolisina O. A anti estreptolisina O (ASO) sérica produz a união das partículas de látex e dá uma turbidez, que é proporcional à concentração e pode ser quantificada por turbidimetria. O padrão de ASO não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit; 6) Proteína (Total), pois este kit não possui nenhuma das substâncias mencionadas na posição 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, a proteína presente na amostra reage com os iões (sic) cobre (II) em meio alcalino, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. O padrão de proteína não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 7) Controle de Hemoglobina HBA 2 C, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a espectrofotometria e o parâmetro é HBA 2C; 8) Creatinina Quinase – CKMB, pois na sua característica essencial de funcionamento, o anticorpo específico inibe as duas subunidades M da CKMM (CK3) e a única subunidade M da CKMB (CK2), o que permite a medição da subunidade B da CKMB. Determina se a partir da velocidade de formação de NADPH, medido a 340 nm. Portanto, apesar de possuir anticorpo específico, não é a característica essencial de funcionamento, que é a Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 formação de NADPH, consoante explicado na bula. Não há produto imunológico no reagente; 9) Proteína urinária, pois este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, a proteína presente na amostra reage com o vermelho de pirogalol e o molibdato em meio ácido, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. O padrão de proteína (Urina) não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 10) Calibradores de Proteínas, por se tratar cinco soros humanos líquidos, usados como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e alguns dos parâmetros são IgA (imunoglobulina A), IgG, IgM, C3 (complemento fração 3). Os valores de concentração são traçáveis ao material de referência certificado 470 (Instituto para Materiais e Medidas de Referência, IRMM), conforme indica a bula anexada com a impugnação; 11) Soro Controle CKMB, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a espectrofotometria e os parâmetros são CD e CDMB; 12) RPR – Carbono, em razão do kit não conter nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profilático ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, as reaginas plasmáticas, anticorpos dirigidos contra antígenos derivados de fontes não treponemicas, produzem agregações com o antígeno, precipitando com as partículas de carbono. O reativo é uma suspensão de lípidos e carbono. Não há produto imunológico no reagente. Alega a recorrente que se trata de um material de referência certificado; 13) Prevecal, por se tratar de soros de origem humana liofilizados, usados como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula já anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria com todos os parâmetros comuns da bioquímica como glicose (sic); 14) Soro de controle de lipídios, por se tratar de plasma humano desfibrinizado e liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria e os parâmetros relacionados com lipídios, como HDL colesterol. Alegou, ainda, que a multa de 1% sobre o valor aduaneiro se refere a uma penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória e não pode ser cumulada com a multa proporcional em razão das diferenças de imposto. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória é aplicável para punir omissões praticadas pelo contribuinte em relação a obrigações não pecuniárias. Esta deve ser aplicada isoladamente e não sobre um fato ou uma infração que já foi punida com a aplicação de multa por infração como foi o caso. A multa regulamentar foi abusiva e confiscatória por ter sido aplicada cumulativamente a imposto já punido com penalidade específica, violando também o princípio da capacidade contributiva. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 8 5 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O contribuinte classificou os 14 produtos, cuja reclassificação foi por ele impugnada, sob o código 3822.00.90 – outros. O texto da posição 3822 é o seguinte: “Reagentes de diagnóstico ou de laboratório em qualquer suporte e reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, mesmo apresentados num suporte, exceto os das posições 30.02 ou 30.06; materiais de referência certificados.” Portanto, são três tipos de produtos que podem ser classificados na posição 3822, a saber: a) reagentes de diagnóstico ou de laboratório em qualquer suporte; b) reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, estejam ou não apresentados em um suporte; e c) materiais de referência certificados. A Nota 1 do Capítulo 38 exclui desse Capítulo alguns materiais de referência certificados, especificados na Nota 2 B. E a Nota 2 A, por seu turno, definiu o que na Nomenclatura se deve entender por materiais de referência certificados, in verbis: “2.A) Na acepção da posição 38.22, considerase “material de referência certificado” o que é acompanhado de um certificado que indique os valores das propriedades certificadas e os métodos utilizados para determinar esses valores, bem como o grau de certeza associado a cada valor e que pode ser utilizado para análise, aferição ou referência. B) Com exceção dos produtos dos Capítulos 28 ou 29, os materiais de referência certificados classificamse na posição 38.22, que, neste caso, terá prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura.” (Grifei) E a Nota Explicativa à posição 3822 do Sistema Harmonizado esclarece o seguinte: “A presente posição inclui os reagentes de diagnóstico ou de laboratório em um suporte, os reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, exceto os reagentes de diagnóstico da posição 30.02, os reagentes de diagnóstico destinados a serem administrados em pacientes e os reagentes destinados à determinação dos grupos sanguíneos da posição 30.06. Ela inclui também os materiais de referência certificados. Os reagentes de diagnóstico são utilizados para a avaliação de processos e estados psíquicos, biofísicos e bioquímicos no homem e no animal. Suas funções baseiamse em uma modificação mensurável ou observável de suas substâncias constitutivas biológicas ou químicas. ......................................................................................................... Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Os reagentes de laboratório e de diagnóstico preparados podem ser utilizados em laboratórios médicos, veterinários, científicos ou industriais, em hospitais, na indústria, no campo, ou, em certos casos, a domicílio. Os reagentes da presente posição são apresentados quer em um suporte, quer na forma de uma preparação e são compostos, neste último caso, de mais de um constituinte. Eles podem ter, por exemplo, água. Eles podem também apresentarse na forma de papéis, plástico ou outras matérias (utilizados como base ou suporte) impregnados ou revestidos com um ou vários reagentes de diagnóstico ou de laboratório como os papéis de tornassol, os papéis indicadores de pH, os papéis buscapólos ou as placas prérevestidas para os testes de imunologia. Os reagentes da presente posição podem também ser acondicionados na forma de kit constituído de vários componentes mesmo se um ou vários destes componentes são compostos de constituição química definida do Capítulo 28 ou do Capítulo 29 apresentados isoladamente, matérias corantes sintéticas da posição 32.04 ou qualquer outra substância que, apresentada isoladamente, seria classificada em outra posição. Como exemplo destes kits, podem citarse os que servem para determinar a presença de glicose no sangue, de cetonas na urina, etc., e aqueles à base de enzimas. Todavia, os kits de diagnóstico apresentando a característica essencial de produtos da posição 30.02 ou da posição 30.06 (por exemplo, aqueles à base de anticorpos monoclonais ou policlonais) são excluídos. Os reagentes da presente posição devem ser claramente reconhecíveis como sendo destinados a ser utilizados unicamente como reagentes de diagnóstico ou de laboratório. Esta utilização deve ficar clara em virtude de sua composição, de instruções constantes na etiqueta relativas a sua utilização in vitro ou em laboratório, da indicação de teste de diagnóstico específico a efetuar ou da forma material na qual eles são apresentados (em uma base ou um suporte, por exemplo). ......................................................................................................... . Os materiais de referência certificados da presente posição são materiais destinados à aferição de um aparelho, avaliação de um método de medida ou atribuição de valores aos materiais. Esses materiais de referência certificados podem consistir em: a) substratos adicionados de analitos cuja concentração tenha sido determinada com precisão; b) materiais não misturados cuja concentração de certos componentes tenha sido determinada com precisão (teor de proteínas e de matérias gordas do leite em pó, por exemplo); c) materiais, naturais ou sintéticos, dos quais certas propriedades tenham sido determinadas com precisão (resistência ao alongamento, densidade, por exemplo). Esses materiais de referência certificados devem ser acompanhados de um certificado indicando os valores das propriedades certificadas, os métodos utilizados para determinar esses valores assim como o grau de precisão associado a cada valor e o nome da autoridade certificadora. ...................................................................................... ...........” Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 9 7 Por seu turno, o texto da posição 3002, preconizada pela fiscalização, possui o seguinte teor: “Sangue humano; sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações do sangue e produtos imunológicos, mesmo modificados ou obtidos por via biotecnológica; vacinas, toxinas, culturas de microorganismos (exceto leveduras) e produtos semelhantes.” E a Nota 2 do Capitulo 30 define o que deve ser considerado “produto imunológico” no âmbito da posição 3002: “Na acepção da posição 30.02, consideramse “produtos imunológicos” os peptídios e as proteínas (com exclusão dos produtos da posição 29.37) que participem diretamente na regulação dos processos imunológicos, tais como os anticorpos monoclonais (MAB), os fragmentos de anticorpos, os conjugados de anticorpos e os conjugados de fragmentos de anticorpos, as interleucinas, os interferons (IFN), as quimioquinas, bem como alguns fatores de necrose tumoral (TNF), fatores de crescimento (GF), hematopoietinas e fatores de estimulação de colônias (CSF).” E as Notas Explicativas à posição 3002 do Sistema Harmonizado esclarecem o seguinte: “A presente posição compreende: A) O sangue humano (por exemplo: em ampolas seladas). B) O sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico. O sangue animal não preparado para estes fins incluise na posição 05.11. C) Os antisoros e outras frações do sangue e os produtos imunológicos modificados. Estes produtos incluem: 1) Os antisoros e outras frações do sangue. Os soros são as frações fluidas do sangue que se separam após a coagulação. Estão compreendidos nesta posição, entre outros, os seguintes produtos derivados do sangue: os soros “normais”, a imunoglobulina humana normal, o plasma, a trombina, o fibrinogênio, a fibrina e outros fatores de coagulação do sangue, as globulinas do sangue, as soroglobulinas e a hemoglobina. Esta posição também compreende a albumina do sangue (por exemplo, a albumina humana obtida por fracionamento do plasma do sangue humano integral) preparada para fins terapêuticos ou profiláticos. ............................................................................................................ 2) Os produtos imunológicos modificados, mesmo obtidos por via biotecnológica. Consideramse como produtos desta categoria os produtos que, na sua reação antígenoanticorpos, correspondem aos antisoros naturais e que são utilizados para fins de diagnóstico, de análises imunológicas ou para fins terapêuticos. São definidos do seguinte modo: Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 a) Anticorpos monoclonais (MAK, MAB) imunoglobulinas específicas compostas de células de hibridomas selecionadas e clonadas, mantidas em cultura in vitro ou sob a forma de tumor ascítico. b) Fragmentos de anticorpos fragmentos de uma proteína de anticorpos obtida por desintegração enzimática especifica. c) Conjugados de anticorpos e de fragmentos de anticorpos enzimas ligadas por covalência à estrutura protéica (por exemplo, fosfatase alcalina, peroxidase, betagalactosidase) ou corantes (fluoresceína) utilizados para reações de dosagens simples. D) ...................................................................................................... E) Kits de diagnóstico. Os kits de diagnóstico são classificados na presente posição desde que a característica essencial do kit seja conferida por qualquer um dos produtos desta posição. As reações que comumente ocorrem na utilização destes kits compreendem, por exemplo, a aglutinação, a precipitação, a neutralização, a ligação de um complemento, a hemoaglutinação e a imunoabsorção ligada às enzimas (ELISA). A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste. Os produtos incluídos nesta posição podem apresentarse sob qualquer forma, mesmo doseados ou acondicionados para venda a retalho”. (Grifei) A defesa não contestou a aplicação das regras de interpretação efetuada no acórdão recorrido, apenas insurgiuse quanto ao enquadramento daqueles 14 produtos na posição 3002, por entender que pela aplicação da RGI nº 1 eles não se enquadram no texto da referida posição, mas sim no texto da posição 3822 porque (i) ou são materiais de referência certificados ou (ii) porque a característica essencial do kit não é dada pelo parâmetro adotado pela autoridade administrativa. Desse modo, o deslinde da controvérsia passa necessariamente pelo exame probatório dos autos para se aferir, um a um, do que são constituídos os 14 produtos objeto da do recurso voluntário, pois para poder se fazer o correto enquadramento desses produtos é preciso antes de mais nada saber: 1) o que é o produto e qual o elemento que lhe confere a característica essencial; 2) saber se o produto possui o certificado mencionado na Nota 2 – A do Capítulo 38. Relativamente aos produtos que a defesa alega serem materiais de referência certificados, verificase nas bulas anexadas com a impugnação que elas apresentam alguns dos elementos mencionados nas Notas Explicativas à posição 3822, quais sejam: que produto é para uso in vitro nos laboratórios clínicos; que o produto se presta para avaliar tanto a exatidão como a precisão e métodos analíticos; constam os parâmetros avaliados, o método utilizado na medição, os valores obtidos em relação a cada parâmetro e o respectivo o desvio. Entretanto, as bulas são documentos produzidos de forma unilateral pelo fabricante dos produtos. Esses documentos não são suficientes para comprovar que os produtos são materiais de referência certificados porque a prova desse fato, segundo exige a Nomenclatura, eve ser feita mediante a apresentação de um certificado que indique os valores das propriedades certificadas, os métodos utilizados para determinar esses valores assim como o grau de precisão associado a cada valor e o nome da autoridade certificadora. É evidente que a prova de que o material é certificado deve ser feita por meio de um documento emitido por um terceiro, já que se exige que o documento contenha o “nome da autoridade certificadora”. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 10 9 Reforça essa tese o fato de que a bula da albumina (fl. 713) faz referência expressa no sentido de que “O valor de concentração [de albumina] é traçavel ao Material de Referência Certificado 927 (National Institute of Standards and Technology, USA).” Isso significa, sem sombra de dúvida, que os certificados que devem acompanhar o material de referência devem ser emitidos por uma autoridade de metrologia oficial e não pelo próprio fabricante do produto. Tendo em vista que no caso concreto as bulas apresentadas com a impugnação e os documento 6 e 7 de fls. 953/955 e 956/958, respectivamente, foram emitidos pelo próprio fabricante, não há prova nos autos no sentido de que os produtos são materiais de referência enquadráveis na posição 3822. No que tange aos demais produtos, a defesa questionou o parâmetro adotado pela fiscalização como referência da essencialidade dos kits. Vejamos um a um a função desses parâmetros. Relativamente à albumina, alegou a recorrente que “esta substância não confere a característica essencial ao kit, como descrito no item “e”.” Segundo a defesa, a função da albumina contida no padrão não seria a de medir a concentração de proteína, mas sim servir apenas de calibração para o kit. A recorrente fez menção no recurso a uma descrição que estaria contida no item “e”, mas não disse onde se pode encontrar essa descrição. Não se sabe onde está esse item “e”. O exame da bula (fl. 713), além revelar que não existe nenhum item “e” naquele documento, nos diz também que “Albumina presente na amostra reage com o verde de bromocresol em meio ácido, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria”. A bula desmente a alegação da defesa, pois é a albumina quem reage com o verde de bromocresol. Considerando que “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” , é óbvio que a característica essencial deste kit é dado pela albumina. Assim, deve o produto ser classificado na posição 3002, nos moldes em que restou decidido no acórdão de primeira instância. Quanto à AntiEstreptolisina O – Turbidimetria, alegou a defesa que este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na posição 3002. Alegou ainda que o padrão de ASO não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. A defesa fez referência a uma descrição que estaria contida no item “e’, mas não se sabe onde se encontra essa descrição. O exame da bula (fl. 718) revela que não existe nenhum item “e” e, além disso, desmente a alegação da defesa no sentido de que o produto não contém sangue e Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 tampouco derivados de sangue humano. Isto porque na composição do produto está consignado que o padrão de ASO é constituído por soro humano. Além disso, o papel da antiestreptolisina não é “calibrar o kit” como alegou a defendente, a bula nos diz que “La antiestreptolisina O (ASO) sérica provoca una algutinación de las partículas de látex recubiertas com estreptolisina.” Se está escrito que é a estreptolisina quem provoca uma aglutinação das partículas de látex, então é ela quem deve dar a característica essencial ao produto, pois “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Desse modo, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância quando manteve a classificação desse produto na posição 3002. No que tange à Proteína (Total), alegou a recorrente que este kit não possui nenhuma das substâncias mencionadas na posição 3002 e, além disso, o padrão de proteína não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. Não haveria produto imunológico no reagente. Mais uma vez a defesa citou um item “e” que não se consegue localizar no processo. A leitura da bula (fl. 719) revela que não existe nenhum item “e” e que a alegações do contribuinte são improcedentes. No fundamento do método consta que a função da proteína é reagir com os íons de cobre em meio alcalino, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. Assim, é a proteína quem dá a característica essencial ao kit. Seu papel não “apenas calibrar o kit”, como alegou a defesa. Não se olvide que segundo a Nota Explicativa à posição 3002, “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Além disso, no tópico da bula denominado “composição”, consta que o padrão de proteína é constituído por albumina bovina, que é um componente do sangue animal preparado para fins de diagnóstico, enquadrandose perfeitamente no texto da posição 3002. Portanto, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância que manteve o produto classificado na posição 3002. No que tange à proteína urinária, alegou a defesa que o kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. O padrão de proteína (Urina) não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. A leitura da bula (fl. 731) revela que não existe nenhum item “e” e que o papel da proteína não é “calibrar o kit”, mas sim reagir com o vermelho de pirogalol e o molibdato em meio ácido, originando um complexo colorido que se pode quantificar por espectrofotometria. Se a função da proteína é reagir com alguma coisa, então é ela quem dá a característica essencial ao produto, pois a Nota Explicativa à posição 3002 estabelece que “A Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 11 11 característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Também não tem razão a recorrente quando alega que o kit não contém produtos enquadráveis na posição 3002, pois no item “composição” a bula nos diz que o padrão de proteína (urina) é constituído por albumina bovina, que é um derivado do sangue animal, incluído na posição 3002. Se a substância que dá a característica essencial ao kit é enquadrável na posição 3002, então este kit enquadrase nesta posição, conforme decidiu o acórdão de primeira instância. No que tange ao RPR – Carbono, a defesa alegou que o kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profilático ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002 e também que se trata de um material de referência certificado. A leitura da bula (fl. 740) mais uma vez desmente a alegação da defesa, pois o kit contém produto derivado do sangue humano, uma vez que no item “composição” consta que o controle positivo é constituído por soro humano reativo frente a antígenos não treponêmicos. Quanto à alegação de que se trata de um material de referência certificado, a recorrente não trouxe aos autos o certificado emitido por uma autoridade certificadora, sem o qual não é possível afirmar que o produto realmente é um material de referência certificado. Relativamente ao produto Creatinina Quinase – CKMB, o contribuinte alegou que a característica essencial é dada pela reação de formação do NADPH e não pelo anticorpo específico que inibe as subunidades M da CKMM. Acontece que no item E) da Nota Explicativa à posição 3002 está consignado que “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” No caso deste produto, conforme consta na bula (fl. 729), é o reagente anti CKM (anticorpo específico) capaz de inibir 1000 U/L de CKM humana que dispara a reação química que vai formar o NADPH. É esse anticorpo que “rege principalmente a especificidade do procedimento do teste”, pois em o anticorpo específico não haverá a formação do NADPH. Portanto, a característica essencial do produto é dada pela presença do anticorpo e não pela formação do NADPH, como argumentou a recorrente. Concluise que o produto deve ser classificado na posição 3002, nos moldes em que restou decidido no acórdão de primeira instância. Quanto à multa de 1% sobre o valor aduaneiro, alegou o contribuinte que ocorreu bis in idem, uma vez que a fiscalização aplicou 75% a título de multa e ofício e 1% a título de multa regulamentar, mas ambas teriam incidido sobre o mesmo fato que foi o erro cometido na classificação fiscal. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Entende o contribuinte que a multa de 1% foi criada para penalizar o descumprimento de uma obrigação acessória e, portanto, não pode ser cumulada com a penalidade pelo descumprimento de obrigação principal. Não procede a alegação da defesa. Isto porque a multa de ofício no patamar de 75% incidiu sobre a falta de recolhimento do imposto e puniu o fato jurídico “falta de recolhimento do imposto”. Por sua vez, a multa regulamentar de 1% incidiu sobre o valor aduaneiro da mercadoria, base de cálculo completamente distinta daquela sobre a qual incidiu a multa de ofício, e sua inflição puniu o fato jurídico “erro de classificação fiscal da mercadoria”. Como se vê, no auto de infração foram aplicadas duas multas distintas, as quais puniram dois fatos distintos e que incidiram sobre bases de cálculo distintas, não havendo que se falar em dupla punição pelo mesmo fato. Além disso, a previsão de cumulatividade é expressa no art. 84, § 2º da MP nº 2.15835/2001. Ainda com relação às multas, alegou o contribuinte a violação dos princípios da proporcionalidade (multa abusiva), da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito de confisco. O princípios da não utilização de tributo com efeito de confisco e da capacidade contributiva têm origem constitucional e destinamse de imediato ao legislador ordinário e não à administração pública. Estando as duas multas ora infligidas com as respectivas bases de cálculo e alíquotas estabelecidas em lei, só cabe à administração verificar se estão ou não presentes os pressupostos de fato para suas incidências. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, seja em grau de declaração, seja em grau de mero reconhecimento de que a lei é inconstitucional (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do RICARF). No que tange ao princípio da proporcionalidade, também não é possível aplicálo ao caso concreto, pois as leis que instituíram as duas multas não estabeleceram gradação e, tampouco, elegeram critérios que permitissem à fiscalização ou aos órgãos administrativos de julgamento efetuarem a dosimetria da pena. Também não há nenhuma previsão legal no sentido de que a incidência de uma das multas exonera a inflição da outra, inexistindo sustentáculo jurídico para a alegação do contribuinte no sentido de que a incidência da multa proporcional ao valor do imposto exclui a incidência da multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 12 13 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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