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Numero do processo: 13884.906421/2009-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO.
A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
Numero da decisão: 3403-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 190 1 189 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.906421/200936 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria DCOMPELETRÔNICO Recorrente PARKER HANNIFIN IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo “ab initio”. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 64 21 /2 00 9- 36 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre DCOMP (fls. 76 a 791) transmitida em 14/07/2005, solicitando a compensação de débito de Contribuição para o PIS/Pasep (referente a jun/2005, no valor de R$ 2.308,10) com crédito da mesma contribuição, derivado de “pagamento indevido ou a maior” em 15/04/2005, no valor de R$ 2.217,41 (DARF em valor total de R$ 307.479,58). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 8 (emitido em 09/06/2009, acusase que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) a DCTF transmitida continha valor equivocado do débito (R$ 307.479,58 ao invés de R$ 301.047,15), originando um saldo a compensar de R$ 6.432,43; e (b) na DACON o valor estava correto, tendo a DCTF sido retificada em junho de 2009 (fl. 7), antes mesmo da notificação do despacho decisório. Em 21/06/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 86 a 90), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório, concluindose que “a DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF”, e que “a declaração em DACON não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data de apresentação da DCOMP”. Cientificada da decisão de piso em 12/07/2012 (AR à fl. 94), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 98 a 110), em 10/08/2012 (cf. atestado à fl. 186), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e propugna: (a) pela nulidade da decisão de primeira instância, por inobservância ao princípio da verdade material, afrontando o contraditório e a ampla defesa; (b) pela improcedência do único argumento utilizado na decisão, visto que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, conforme atesta a Instrução Normativa no RFB 903/2008 (art. 11, § 1o), vigente à época da retificação efetuada.; e (c) que a mesma Instrução Normativa (art. 11, § 2o, III) somente exclui os efeitos de retificação efetuada após a intimação de início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente processo. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13884.906421/200936 Acórdão n.º 3403002.456 S3C4T3 Fl. 191 3 Resta inequívoco, no presente processo, logo de início, que a DCTF retificadora foi transmitida antes da ciência (em verdade, antes até da própria emissão) do despacho decisório eletrônico denegatório da compensação. E quando foi registrada a DCTF retificadora, vigente estava a Instrução Normativa no RFB 903/2008, que contém os comandos a seguir transcritos: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)” (grifos nossos) Apesar de a Instrução Normativa (IN) no RFB 903/2008 já ter sido revogada pela IN RFB no 974/2009, por sua vez revogada pela IN no RFB 1.110/2013 (atualmente vigente), os comandos referentes à retificação de DCTF aqui reproduzidos não sofreram modificações. Aliás, eles remontam à IN SRF no 255/2002, tendo sido reproduzidos em todas as IN subseqüentes que tratam da matéria (IN SRF no 482/2004; IN SRF no 583/2005; IN SRF no 695/2006; IN RFB no 786/2007, ...). Não se vê, assim, motivo para que se tenha atribuído efeito diverso à DCTF retificadora na decisão de primeira instância. Em relação ao despacho decisório eletrônico, a desconsideração da DCTF retificadora é até compreensível procedimentalmente (embora inadmissível juridicamente), pois o sistema informatizado, em suas operações automatizadas, tomou em conta um dado desatualizado (provavelmente por retardo na captura de dados ou na emissão do próprio despacho). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. Aliás, nesse sentido tem decidido esta turma unanimemente2, inclusive em outros casos do mesmo sujeito passivo. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, possibilitando à autoridade fiscal competente reexaminar o pleito objeto do presente processo, considerandose a DCTF vigente no momento da prolação do (eventual) novo despacho decisório. Rosaldo Trevisan 2 Acórdãos n. 3403002.223 a 229, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 04/06/2013. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000258/2009-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
O erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Numero da decisão: 2403-002.240
Decisão: Recurso Anulado
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o processo reconhecendo o vicio material. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari( relator) que votou pelo vício formal, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos que entenderam pela ausência da nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Anulado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o processo reconhecendo o vicio material. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari( relator) que votou pelo vício formal, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos que entenderam pela ausência da nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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VÍCIO MATERIAL. O erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Recurso Anulado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o processo reconhecendo o vicio material. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari( relator) que votou pelo vício formal, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos que entenderam pela ausência da nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 58 /2 00 9- 09 Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0241.208 da 6 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Conforme Relatório Fiscal, tratase de crédito lançado contra o contribuinte em epígrafe, no valor de R$ 400.686,83 (quatrocentos mil, seiscentos e oitenta e seis reais e oitenta e três centavos), consolidado em 13/07/2009, relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT, competência maio de 2009, incidentes remuneração paga a mãodeobra empregada em construção civil, apurada por aferição indireta em razão da apresentação deficiente de documentos, vícios na escrita contábil e de a mãodeobra declarada ser insuficiente para execução da obra. Inconformado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou defesa alegando, em resumo, o que se segue: ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA EM FACE DA IMPUGNANTE Nulidade do lançamento fiscal por ofensa à ampla defesa em razão da ausência de motivação e fundamentação legal da cobrança de contribuições previdenciárias, supostamente devidas por empresas empreiteiras/subempreiteiras, ter sido dirigida à defendente. REGIME MENSAL DE COMPETÊNCIA Insubsistência do lançamento em razão do débito ter sido lançado no mês de maio de 2009, quando as obrigações eram devidas mensalmente no curso da execução da obra nos anos de 2003 a 2005, com conseqüências diversas das efetivamente devidas, tais como multa moratória. DECADÊNCIA PARCIAL Os fatos geradores relacionados ao empreendimento em questão ocorreram no período 05/2003 a 06/2004, os quais estão alcançados pela decadência qüinqüenal conforme art. 150, § 4º do CTN. Assim, requer seja reconhecida a decadência parcial relativa aos meses 01/2004 a 06/2004, limitandose o lançamento ao Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 período com inicio na competência 07/2004 e retificandose o percentual não decadente da obra de 65% para 39%. AFERIÇÃO INDIRETA Não ocorreu nenhuma situação autorizada no art. 33, §§ 3º,4º e 6º da Lei 8.212/91. A Auditoria dispunha de todos os elementos necessários a verificar a regularidade dos recolhimentos previdenciários vinculados à obra em questão. Inexistem provas documentais de erros e omissões contábeis no que se refere a utilização da mãodeobra por parte da empresa, o que impede a utilização da aferição indireta. A adoção do arbitramento somente é autorizada quando, a partir da análise da contabilidade e de documentos, constatase que a mãodeobra declarada não corresponde à realidade. A construção em foco não pode ser comparada com os padrões normais de construção civil, mostrandose inconsistente o indício de insuficiência de mãodeobra. INCONSISTÊNCIAS DO LANÇAMENTO O CUB utilizado pela fiscalização correspondeu ao projeto padrão CSL 16/PR1 no valor de R$ 1.065,61, enquanto o valor correto era R$ 1.062,47, conforme documento anexo XI e disponível no www.sindusconpr.com.br. Nem se alegue que deveria ter sido considerado a tabela referente ao CUB do mês anterior ao do lançamento, uma vez que o §2º do art. 435 da IN/SRP 3/05, que dispunha nesse sentido foi revogado pelo art. 4º da IN RFB 829/08. O lançamento fiscal não considerou recolhimentos relativos a atividades que não fazem parte do CUB. Entretanto, tal procedimento não se justifica, uma vez que o disposto no art. 453 da IN 03/05 é de natureza alternativa. O que deve ser observado é a efetiva alocação da mãodeobra nos canteiros. Os equipamentos utilizados na produção do empreendimento deveriam ser alocados para efeito comparativo. A apuração da mãodeobra empregada ignorou também a pré existência de 3.651m2 de construção. Vários prestadores de serviços que emitiram notas fiscais com destaque do valor relativo à retenção da contribuição previdenciária (ANEXO III) não foram considerados pela fiscalização. Existem notas fiscais que, embora sem retenção, foram contabilizadas, devendo ser consideradas para fins de cálculo da remuneração utilizada na obra, como, por exemplo, da empreiteira Suprema Esquadrias Metálicas Ltda, no valor de R$ 119.480,00. Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 4 5 No que toca a área da obra para o cálculo da aferição, o lançamento fiscal considerou, para fins de redução de 50%, garagens/estacionamentos na metragem de 2.079,20 m2, quando o correto era de 2.612,90m2. Além do mais, não foram consideradas outras áreas passiveis de redução, nos termos do art. 449 da IN 03/05, tais como: jardim construído na parte externa do prédio, floreiras do piso térreo e do terraço na planta do atiço, as quais encontramse definidas nas plantas aprovadas pela Prefeitura (anexo X). MULTA IMPOSTA A multa aplicada com base no art. 35A da Lei 8.212/91 e art. 44 da Lei 9.430/96, no percentual de 112,15%, é inaplicável à espécie pois relativa a fatos geradores ocorridos no período 2003 a 2005, sendo que a novel legislação é mais severa, não se configurando nenhuma das hipóteses do art. 106 do CTN. Contrariando o sustentado pela fiscalização, nenhuma circunstância agravante da multa está configurada. A autuada sempre atendeu às intimações fiscais, apresentado, dentro do possível, os esclarecimentos necessários (vide anexo VI). Logo, não havendo motivo para o seu agravamento com acréscimo de 50%. Ademais a citada penalidade é inconstitucional/ilegal dado o seu caráter confiscatório. É indevido o juros à taxa SELIC sobre multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Ao final requer a insubsistência da autuação. Os autos foram remetidos em diligência para pronunciamento sobre as matéria de fato aduzida pela defesa. Em atendimento à diligência, foi emitida Informação Fiscal, tendo a Autoridade Lançadora reiterado o procedimento fiscal adotado e esclarecido, dentre outros, o que se segue resumido: VALOR DO CUB O valor do CUB utilizado no lançamento fiscal está em conformidade com o art. 435 da IN SRP 03/2005, que determina a utilização das tabelas do CUB, divulgado mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular pelo SINDUSCON. Somente seria utilizado o CUB de maio/2009 (R$ 1.062,47), como pretende a defesa, se a competência do lançamento fosse junho/2009. Os dados para o cálculo do CUB de determinado mês são consolidados no final do mês e divulgados no início do mês seguinte. Logo, o CUB de maio foi composto com os custos do Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 mesmo mês e somente totalizado ao final dele e divulgado início de junho. Em assim sendo, não seria possível efetuar o lançamento considerando a competência junho de 2009 e o CUB de maio/2009, divulgado no início de junho, haja visto que o vencimento desta obrigação somente ocorreria no dia 20/07/2009, portanto, em data posterior ao lançamento. NÃO INCLUSÃO DOS VALORES QUE NÃO INTEGRAM O CUB O total das remunerações dos segurados empregados utilizados na execução da obra foi arbitrado por aferição indireta tendo por base o Custo Unitário Básico calculado pelo SINDUSCON PR. As funções que participam do cálculo da mãodeobra aferida indiretamente são somente aquelas previstas na NBR 12.721 e, em conseqüência, as demais funções que não compõem o cálculo do CUB e eventualmente informadas em GFIP não foram consideradas no cálculo, de acordo com o que determina o art. 453 da IN SRP 03, que não tem a natureza facultativa defendida pela defesa. Na planilha “resumo das remunerações declaradas em GFIP” as funções excluídas do cálculo estão identificadas pelos respectivos CBO – Classificação Brasileira de Ocupações. Constam destas exclusões, na obra Edifício Capital Bussiness as remunerações de almoxarife, operador de equipamento, químico e diretor. O que deve ser observado é se a função está vinculada à obra e, concomitantemente, se integra o CUB. As funções citadas pela defesa, embora vinculadas à obra, não integram o cálculo do CUB. Logo, excluídas. ÁREA PRÉEXISTENTE A alegação de área préexistente de 3.651,13 já havia sido analisada no curso da auditoria fiscal, conforme registrado nos itens 4.6.7 a 4.6.14 do Relatório Fiscal. NOTAS FISCAIS COM RETENÇÃO NÃO CONSIDERADAS A respeito da alegação de que não foram consideradas notas fiscais com retenção, a informação fiscal registrou que, havendo notas fiscais com destaque de retenção, mas desacompanhadas de GFIP especifica da obra , não há o que ser apropriado no cálculo da contribuição lançada. A base de cálculo das contribuições lançadas referese a remuneração, não a valores retidos sobre notas fiscais de serviços. Acrescenta que, conforme Demonstrativo de cálculo da remuneração arbitrada por aferição indireta – CUB, a base de cálculo dos créditos lançados é a diferença entre a remuneração Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 5 7 aferida indiretamente e as remunerações declaradas em GFIP específicas da obra. Quanto às notas fiscais da empresa Suprema Esquadrias Metálicas, não seriam consideradas no cálculo dos valores lançados, mesmo que acompanhadas de GFIP específicas, pois os serviços de instalação de esquadrias metálicas não estão incluídos no CUB. CÔMPUTO DA ÁREA DA OBRA Não foram consideradas as áreas do jardim construído na parte externa do prédio, as floreiras do piso térreo e o terraço da planta do atiço porque não integram a área total da edificação (art. 449 da IN SRP 03/2005) Quanto ao cálculo das áreas de garagem, também está correto: 470,68m2 na planta do térreo; 1.088,53 m2 na planta da sobreloja e 519,99 na planta do terceiro pavimento, totalizando 2.079,20 m2, conforme Demonstrativo das áreas passíveis de redução. Tendo a empresa tomado conhecimento da Informação Fiscal, apresentou aditamento à defesa onde reitera seus argumentos anteriores. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Conexão com os processos 12268.000259/200945 (AI 37.236.4438 (segurados)) e 12268.000260/200970 (AI 37.236.4455(terceiros)). Julgamento conjunto. · Foi desconsiderado o contrato de empreitada global com a Construtora Valor Ltda. · Inexistência de vínculo com os fatos geradores (folhas de pagamento de empreiteiras e subempreiteiras). · Solidariedade. Não pode ser cobrada a contribuição do contratante sem verificar se o cumprimento das obrigações pelo contribuinte. · Ilegalidade da instituição da solidariedade sem lei complementar. · Regime mensal da competência. Obrigações eram mensaies e foram cobradas todas em 05/2009. · Decadência parcial. · Aferição indireta. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 · Área préexistente de 3.615,13m² no ano 2003 (fundação e cinco pavimentos) · Particularidades da tecnologia e da forma de execução dos serviços reduziram o custo da obra. · CUB adotado e Tabela de Composição de Preços para Orçamentos TCPO/PINI. · Existência de contabilidade regular. · Para a competência 05/2009, o CUB para o projeto padrão CSL 16/PR1 era R$ 1062,47 e não R$ 1065,61 (adotado). · Questiona a desconsideração de atividades que não fazem parte do CUB. · Área das garagens/estacionamento considerada inferior ao correto. · Multa. É o relatório Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE. A recorrente pleiteia a nulidade da autuação por entender não haver motivo para sua autuação visto que tinha um contrato de empreitada global com a Construtora Valor LTDA. Concordo com a recorrente. Segundo o Relatório Fiscal, o período da obra foi de 05/2003 a 03/2005. 4.1) A obra de construção civil, de responsabilidade do contribuinte sob ação fiscal, foi matriculada sob número 50.008.82202/79 e está localizada na Avenida República Argentina, 210 no bairro Agua Verde, na cidade de Curitiba • PR. Pela análise do projeto arquitetônico, do Alvará de Construção (número 94.808 emitido pela Prefeitura Municipal de Curitiba em 21/12/2007) e do Certificado de Conclusão de Obra (número 254.813 emitido pela Prefeitura Municipal de Curitiba em 21/12/2007) verificase que corresponde ao projeto e execução de edifício comercial, com 23 pavimentos, contendo 126 conjuntos comerciais, três lojas e Áreas de estacionamento. 0 período de execução da obra foi de maio de 2003 a março de 2005. A Área construída total é de 10.522,98 m2 e encontrase totalmente concluído; A regra geral, estabelecida pelo CTN, é que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. O artigo 144, além de estabelecer a regra geral, em seu parágrafo 1º, especifica que não se aplica a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação atribua responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Quando a obra foi iniciada a norma Instrução Normativa vigente para construção civil era a IN INSS/DC 69 de 10/05/2002. Em 18/12/2003, foi editada a IN INSS/DC 100, que revogou a IN 69. A fiscalização, segundo o Relatório Fiscal, atribuiu a responsabilidade pelos tributos à recorrente com base na IN SRP 03, de 14/07/2005, que revogou a IN INSS 100. 4.3) O contrato firmado entre as empresas "Columbia Trade Center" e "Construtora Valor" foi por empreitada global, com fornecimento de material e mãodeobra (a razão social de Columbia Trade Center foi modificada, pela segunda alteração contratual, para Capital Business Center). Em que pese tratar se de contrato por empreitada global, constatouse que todas as empreiteiras, mesmo aquelas contratadas pela "Construtora Valor", emitiram notas fiscais diretamente para a contratante Columbia Trade Center. 0 faturamento direto como ocorreu desqualificou o contrato de empreitada global firmado entre as partes, recebendo o tratamento de empreitada parcial conforme previsão do artigo 413, inciso IV, da IN SRP 03, de 14/07/2005, abaixo transcrito: Art 413 §2° Receberá tratamento de empreitada parcial: IV aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora. 4.4) Na situação acima descrita a contratante "Columbia Trade Center" (Capital Business Center), na condição de proprietária da obra, é diretamente responsável pela matricula junto a Receita Federal do Brasil (artigo 19, inciso III, letra" c" da IN SRP 03); Como visto acima, a norma vigente à época dos fatos geradores era a IN INSS 69, que estabelecia como responsável pela matrícula e pelos recolhimentos a empresa construtora, quando contratada para executar obra por empreitada total. Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 7 11 Não constatei,. no contrato de empreitada global, cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário da obra, fato esse que alteraria a questão da responsabilidade pelos tributos. INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 69 DE 10 DE MAIO DE 2002 DOU DE 15/05/2002 Dispõe sobre as normas e os procedimentos aplicáveis à atividade de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica e de pessoa física. ... TÍTULO I DOS CONCEITOS E DA MATRÍCULA SEÇÃO I DOS CONCEITOS Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, considerase: XXIII contrato de empreitada o contrato celebrado entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para execução de obra de construção civil, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; ... § 2º Receberá tratamento de empreitada parcial: a) o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador; b) a contratação de empresa sem o registro no CREA ou de empresa prestadora de serviços na área de construção civil, ainda que as contratadas assumam a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, observado o disposto no inciso III do art. 5º. SEÇÃO II DA MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Art. 3º São responsáveis pela matrícula da obra de construção civil: I o proprietário; II o dono da obra; III o incorporador; IV a empresa construtora, quando contratada para execução de obra por empreitada total, observado o disposto no § 2º do art. 2º; V a empresa líder, na contratação de consórcio. ... TÍTULO II DA CONSTRUÇÃO CIVIL SOB RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA CAPÍTULO I DAS OBRIGAÇÕES SEÇÃO I DA FOLHA DE PAGAMENTO, DA NOTA FISCAL, DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES E DA GFIP ... Art. 18. São responsáveis pelo recolhimento das contribuições arrecadadas pelo INSS, inclusive as destinadas a outras entidades e fundos ( terceiros): I o proprietário ou o dono da obra; II o incorporador; III a empresa construtora, quando for contratada para executar obra por empreitada total. IV a subempreiteira, no caso de repasse integral do contrato. Conforme o acórdão recorrido, o lançamento foi efetuado contra a recorrente na qualidade de responsável direta pelas contribuições, isto é, não é lançamento por responsabilidade solidária. Consoante se depreende dos autos, a empresa em epígrafe encontrase no pólo passivo da obrigação tributária na qualidade de responsável direto pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a mãodeobra própria utilizada na execução de construção civil de sua propriedade. ... Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 8 13 O procedimento fiscal adotado encontrase em consonância com as regras do capitulo IV da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005, em vigor na época do lançamento fiscal. As mencionadas regras procedimentais não sofreram alteração no ato normativo que se seguiu (Instrução Normativa IN RFB 971, de 13/11/2009). São, portanto, estranhos ao processo os argumentos da defesa de nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação e fundamentação legal da cobrança de contribuições previdenciárias devidas por empreiteiras e subempreiteiras ter sido dirigida à empresa autuada. No processo não se cogita de responsabilidade de terceiros por responsabilidade solidária, como pretende a defesa. Entendo que a Lei 8.212/91 estabelece a solidariedade tributária entre o dono da obra e o construtor e que essa deveria ser a forma do lançamento contra a recorrente. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Entendo presente vício formal. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso, reconhecendo a nulidade por vício formal. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Voto Vencedor Com o máximo respeito aos argumentos trazidos à colação pelo I. Relator, cumpreme discordar do que fora expresso tendo em vista o entendimento que a seguir exponho : Na forma da Ementa abaixo reproduzida, o I. Relator do voto em comento produziu síntese dos argumentos que se utilizara na condução do mesmo : “NULIDADE. VÍCIO FORMAL A falta de capitulação legal para imputação de responsabilidade à recorrente constitui vício formal.” Aduz que considerou, também , que assiste razão à Recorrente em face da existência de um contrato entre as partes onde o objeto de empreitada global de incumbência da Construtora Valor, desmotivaria a autuação sofrida pelo contribuinte : “A recorrente pleiteia a nulidade da autuação por entender não haver motivo para sua autuação visto que tinha um contrato de empreitada global com a Construtora Valor LTDA. Concordo com a recorrente.” Destacou no seu voto que : “ Quando a obra foi iniciada a norma Instrução Normativa vigente para construção civil era a IN INSS/DC 69 de 10/05/2002. Em 18/12/2003, foi editada a IN INSS/DC 100, que revogou a IN 69.” De fato, como fora destacado, na forma dos arts. 3, IV e 18, II da instrução vigente, a empresa autuada não era responsável pelo recolhimento das contribuições arrecadadas pelo INSS, inclusive as destinadas a outras entidades e fundos.(terceiros). Tais responsabilidades são atribuições da CONTRATADA Construtora Valor LTDA, cabendo, se fosse o caso, imputar, tãosomente, RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ao CONTRATANTE pela eventual inadimplência da CONTRATADA. “DA MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL Art. 3º São responsáveis pela matrícula da obra de construção civil: I o proprietário; II o dono da obra; III o incorporador; IV a empresa construtora, quando contratada para execução de obra por empreitada total, observado o disposto no § 2º do art. 2º; V a empresa líder, na contratação de consórcio.... TÍTULO II Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 12268.000258/200909 Acórdão n.º 2403002.240 S2C4T3 Fl. 9 15 DA CONSTRUÇÃO CIVIL SOB RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA CAPÍTULO I DAS OBRIGAÇÕES SEÇÃO I DA FOLHA DE PAGAMENTO, DA NOTA FISCAL, DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES E DA GFIP... Art. 18. São responsáveis pelo recolhimento das contribuições arrecadadas pelo INSS, inclusive as destinadas a outras entidades e fundos ( terceiros): I o proprietário ou o dono da obra; II o incorporador; III a empresa construtora, quando for contratada para executar obra por empreitada total. IV a subempreiteira, no caso de repasse integral do contrato.” Destacandose novos trechos do voto vencido, se verifica que o I. Relator para concluir pela nulidade em face da ocorrência de vício formal registrou : “Conforme o acórdão recorrido, o lançamento foi efetuado contra a recorrente na qualidade de responsável direta pelas contribuições, isto é, não é lançamento por responsabilidade solidária. Consoante se depreende dos autos, a empresa em epígrafe encontrase no pólo passivo da obrigação tributária na qualidade de responsável direto pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a mãode obra própria utilizada na execução de construção civil de sua propriedade.” Visto isto, eis que surge a questão de fundo motivo da divergência em apreço. Se a Autoridade autuante . diante do contrato da obra por empreitada total, sabedora de que não era competência da autuada a responsabilidade das obrigações lhes imputadas ainda assim constituiu créditos tributários colocando a recorrente no pólo passivo, cometeu não simplesmente um mero erro eventualmente sanável mediante nova ação fiscal. Atribuir nulidade por VÍCIO FORMAL ensejaria nova ação fiscal para providenciar a correção de eventual(ais) questões sanáveis. Ocorre que qualquer ação neste sentido, jamais terá êxito tendo em vista que os fatos geradores que motivaram o lançamento não são de produção da Recorrente. Assim não há o que rever. DA JURISPRUDÊNCIA Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 Me conforta saber que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 13/08/2007, julgando o processo n° 10746000035200178, exarou o Acórdão abaixo transcrito cuja identidade das matérias produz forte sustentáculo para minha conclusão. AUTO DE INFRAÇÃO INEFICÁCIA ILEGITIMIDADE PASSIVA MATERIAL A indicação indevida do sujeito passivo da obrigação tributária torna ineficaz o auto de infração e, conseqüentemente, insustentável a exigência do crédito tributário nele formalizado. (...) ” “ Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40305401 do Processo 10746000035200178 13/08/2007 (..) ILEGITIMIDADE PASSIVA. A eleição indevida do sujeito passivo da obrigação tributária torna ineficaz a notificação de lançamento e, conseqüentemente, insustentável a exigência do crédito tributário lançado. PRECEDENTES: Acórdãos nºs 104 18374/01, 30330231/02 e 30327620/93. Recurso especial provido.” Do exposto, é flagrante a ILEGITIMIDADE da Recorrente para tomar assento no pólo passivo do lançamento. Decorre pois do episódio, NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL “ AB INITIO” CONCLUSÃO Conheço dos argumentos do i.Relator para DIVERGIR em razão da ILEGITIMIDADE da Recorrente para tomar assento no pólo passivo do lançamento gerando NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL “ AB INITIO” É como voto Ivacir Júlio de Souza Realtor Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10925.905353/2011-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA.
Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO.
É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 3403-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastou-se a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (f) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; (g) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (h) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo); (ii) por maioria de votos, reconheceu-se (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
IVAN ALLEGRETTI - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 53 53 /2 01 1- 91 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI máquinas e equipamentos; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastouse a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (f) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; (g) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (h) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo); (ii) por maioria de votos, reconheceuse (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. 2 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 ROSALDO TREVISAN Relator. IVAN ALLEGRETTI Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP referente a créditos da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, do 2o trimestre de 2007. No Despacho Decisório de fl. 2581 (emitido em 04/05/2012), acusase que não há o direito creditório pleiteado, indeferindose o pedido (em montante original de R$ 1.248.390,74). O indeferimento do direito creditório neste processo, e no processo administrativo no 10925.905355/201180 (referente a COFINS, para o mesmo período de apuração) ensejaram a lavratura da autuação levada a cabo no processo administrativo no 10925.720686/201222, incumbindo informar que os três processos, em razão da conexão, serão apreciados na mesma sessão de julgamento, a pedido deste relator (conforme despacho de fl. 573). Incumbe ainda informar que no processo da autuação (no 10925.720686/201222) há um despacho decisório de no 183/2012 (fls. 1073 a 1107), emitido em 02/03/2012, tratando dos mesmos créditos, de forma a detalhar cada glosa efetuada pelo fisco. Pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada no presente processo, são primordialmente a tal despacho decisório praticamente todas as referências. Na manifestação de inconformidade, apresentada em 22/05/2012 (fls. 2 a 115), inicialmente se traz um resumo das glosas (tomando em conta o despacho decisório de no 183/2012): “Segundo relatório da atividade fiscal, de forma breve, após transcrever a legislação vinculada à matéria, apresenta de forma genérica e exemplificativa os créditos e as razões da glosa do pedido de ressarcimento: (i) Insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): aplicou noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 3 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI a. uniformes, artigos de vestuários, equipamento de proteção de empregados, materiais de uso pessoal: luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete, japona. b. materiais de limpeza/desinfecção: detergente, desinfetante, sabonete, vassoura; c. produtos de movimentação de cargas / embalagens utilizadas para transporte: pallet; d. combustíveis: hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás; e. ferramentas e materiais utilizados em máquinas / equipamentos: hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula; f. Bens do ativo imobilizado: animais reprodutores e de lactação (não são consumidos na produção), centrífuga, equipamentos para granja, tanque, armário; g. Outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada: contratação de mãodeobra e compra de materiais/equipamentos destinados ao ativo, soda cáustica; h. Embalagens: acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorize o produto e, por fim, acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela que (sic) o produto é comumente vendido. (ii) Ainda insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): dentro ainda da noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), também glosou de modo genérico e exemplificativo os seguintes créditos: a. aquisições de fretes: ...revelou que alguns fretes que foram glosados porque, na realidade, referemse a fretes internos (fretes de transferências, remessas para parceria); b. aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero: metionina, ovo fértil (...) brócolis congelado, queijo prato, queijo mussarela e ricota; c. redução do crédito nas aquisições com suspensão; d. serviços (alínea 3 das fichas 06A e 16A da DACON: glosou por não se tratar de serviços enquadrados no conceito de insumo. Não cita quais são, nem mesmo exemplificativamente no relatório. (iii) Energia elétrica (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. despesas que não eram de energia elétrica, mas em tese de comunicação; b. despesa de energia elétrica de períodos anteriores; 4 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 (iv) Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3o, IV, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou todo o crédito com o seguinte fundamento: a. aluguéis pagos a pessoas físicas; b. Por amostragem, NF 8971, NF 28514 e NF 39408. A primeira Nota Fiscal somente foi comprovada por contrato, sendo as duas outras (sic) são de períodos anteriores. (v) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. diversas notas não se referem a despesas de armazenagem ou frete, pois seria (sic) energia elétrica e frete em operações de compra; b. aquisições de pessoas físicas; c. algumas notas fiscais na amostragem não foram apresentadas (...) estão com valores diferentes dos declarados; d. reembolso de energia elétrica; e. movimentação de cargas e não (sic) armazenagem. (vi) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e edificações e benfeitorias (art. 3o, VI e VII, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): houve glosa dos seguintes bens: a. existiram bens adquiridos antes de 01/05/2004 que foram utilizados para descontar créditos; b. consta (sic) de planilha os itens glosados que foram adquiridos após 01/05/2004. (vii) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8o da Lei n. 10.925/2004): a. aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8o, § 3o, I, da Lei n. 10.925/2004); b. inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudos técnicos, lenha, retentores; c. inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero: pinto de 01 dia, ovo fértil, pois este não está sujeito à suspensão, mas alíquota zero. (viii) Bens importados utilizados como insumos: a. aquisição de bens sujeitos à alíquota zero: metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio. 5 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI b. peças, correntes, terra ativada, esteira, navalha, mola, correia, corrente, anel, amortecedor, sensor.” (grifos no original) Em seguida, a manifestação de inconformidade suscita a nulidade do despacho decisório por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. No mérito, aduz, em síntese, que: (a) a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional; (b) a expressão insumo está vinculada a dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (considerandose suas peculiaridades e requisitos), visando à obtenção de receita, sendo incorreta a interpretação restritiva vinculada ao desgaste físico na produção (estabelecida nas Instruções Normativas SRF no 358/2003 e 404/2004, que violam o princípio da legalidade); (c) em relação às glosas de: (c.1) uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal, entende que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa (usando idêntico raciocínio para materiais de limpeza/desinfecção, obrigatórios por norma do órgão público responsável); (c.2) produtos para movimentação de cargas/embalagens utilizadas para transporte pallets, entende que são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos); (c.3) combustíveis que não exercem ação direta sobre o produto, entende que são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril; (c.4) ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como correias, lubrificantes, graxa, fusível, rolamentos, tomadas, entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado; (c.5) animais reprodutores e de lactação não consumidos na produção, afirma que são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado), e que centrífuga, equipamentos para granja, tanque e armário são itens vinculados à atividade produtiva; (c.6) soda cáustica, contratação de mãode obra e compra de materiais/equipamentos destinados ao ativo, defende que a soda cáustica é usada em várias finalidades, como refino de óleo animal e vegetal, remoção de ácidos graxos, descascar alimentos e promover limpeza de equipamentos e máquinas, sendo que os demais créditos glosados são essenciais ao processo produtivo, devendo ao menos ser enquadrados nos arts. 3o, VI das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; (c.7) embalagens, argumenta que estão vinculadas ao processo produtivo, embora não se incorporem ao produto final, pois não se pode reconhecer como embalagem 6 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final, pois as embalagens intermediárias buscam garantir a segurança e a descontaminação no processo produtivo; (c.8) fretes, entende que todos geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa); (c.9) aquisições de produtos tributados com alíquota zero (cf. Lei n. 10.925/2004), ou sem tributação pelas contribuições, entende que a exclusão de créditos na hipótese contraria o princípio da não cumulatividade (em caso de negativa, entende ao menos estarem assegurados os créditos presumidos de que trata o art. 8o da referida Lei); (c.10) aquisições de insumos de pessoas jurídicas sendo a venda feita com suspensão das contribuições, informa que as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão, sendo legítimo o crédito; (c.11) serviços, argumenta que não houve exato esclarecimento da glosa, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, serviço de transporte de sangue, serviço de torno, solda, usinagem, fabricação de engrenagem, armazenamento de resíduos, calibração de termômetros, conserto de equipamentos e máquinas, entre outros, como o serviço mecânico e de lavagem de uniformes, por serem essenciais e inerentes à atividade produtiva); (c.12) energia elétrica, sustenta que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de meses anteriores deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos; (c.13) despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, entende que deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade (havendo ainda nulidade nas glosas de itens com descrição insuficiente, visto que o Fisco não solicitou esclarecimentos à empresa), afirmando que, em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos na linha 06 da DACON, houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não ter sido suficiente o esclarecimento em relação a três Notas Fiscais, sendo que em duas delas tratase somente de crédito extemporâneo, mas não prescrito, conforme art. 3o, § 4o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003); (c.14) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas com energia elétrica e fretes de compras erroneamente lançadas em tal conta na DACON pela empresa, pois os créditos são legítimos (em relação às NF não localizadas, com valores diferentes dos declarados, isso não dá causa à glosa da totalidade das despesas de armazenagem e frete), e que, em relação ao reembolso de energia elétrica, a alocação deve ser no item adequado ou mesmo em armazenagem, pois os produtos requerem refrigeração, e, quanto à movimentação de cargas para exportação, tais valores são decorrentes de armazenagem e frete na venda, o que permite o crédito; 7 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI (c.15) bens e direitos do ativo imobilizado, entende que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente, sendo igualmente improcedente a rejeição do credito de bens importados, e a de outros constantes em planilha (mas não justificados individualmente); (c.16) crédito presumido da atividade agroindustrial, argumenta que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido (sendo a IN SRF no 660/2006 ilegal); (c.17) aquisições que não constituem insumos, estabelece que são de fato utilizadas no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação ou recria, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção); (c.18) pintos de 1 dia, defende que estes se enquadram no art. 8o da Lei no 10.865/2004, que se sobrepõe ao art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c.19) bens importados como insumos, sustenta ainda que a metionina líquida não é tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época; (d) em relação aos demais itens glosados, também sustenta a improcedência das glosas diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco, além da nulidade já levantada pela falta de detalhamento das justificativas; (e) requer prova pericial e juntada posterior de documentos; (f) quanto aos juros, devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não devem incidir sobre a multa; e (g) quanto à multa de ofício, sustenta que é confiscatória. Em 15/02/2013 (fls. 430 a 484), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda unanimemente que: (a) são incabíveis as solicitações de perícia/diligência, sendo ônus do contribuinte a comprovação detalhada da existência do direito creditório, não cabendo ao fisco a comprovação minudente no presente processo, que trata de compensação, nem as alegações de nulidade por carência de motivação/fundamentação; (b) a autoridade administrativa não é competente para apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados; (inclusive os que se referem a juros de mora e multa de ofício); (c) no regime da não cumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento os bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, não constituindo insumos os uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção, materiais de uso pessoal, de limpeza/desinfecção, e outros que não exercem ação diretamente sobre os produtos fabricados; 8 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 (d) no regime da não cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos (os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem); (e) o creditamento é incabível no caso de “embalagens de transporte”, sendo permitido apenas para “embalagens de apresentação”; (f) somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; (g) as despesas efetuadas com a aquisição de ferramentas e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito a créditos das contribuições, desde que tais ferramentas e peças não estejam incluídas no ativo imobilizado; (h) por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem se enquadrarem como operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos das contribuições; (i) não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados (ou tributados à alíquota zero) na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, e o aproveitamento do crédito presumido, pedido alternativo da empresa, já foi considerado em tópico próprio; (j) a utilização dos créditos das contribuições, apurados na sistemática da não cumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo à autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON; (k) a aquisição de insumos com suspensão não passou a ser obrigatória somente com a IN RFB no 977/2009, como alega a recorrente, mas ainda com a IN SRF no 636/2006 (sendo irrelevante o destaque ou não da suspensão nas NF); (l) as despesas com telecomunicações não constituem insumos, e as despesas com energia elétrica devem se dar no período de apuração (para permitir confronto entre créditos e débitos); (m) as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade das contribuições que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8o da Lei no 10.925/2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo, calculado sobre o valor 9 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1o de tal artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido; e (n) deve ser cancelada a glosa em relação à soda cáustica, cujo emprego no processo produtivo restou comprovado, e em relação aos serviços mecânicos (como rebobinagem de motor, de torno, solda, usinagem, fabricação de engrenagem, calibração de termômetros e consertos de máquinas e equipamentos, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País), assim como em relação aos pintos de 1 dia e lenha (para os quais é cabível o crédito presumido no percentual de 35%) e à metionina importada (não alcançada pela alíquota zero as contribuições). Cientificada da decisão em 03/06/2013 (AR de fl. 488), a empresa apresenta recurso voluntário em 18/06/2013 (fls. 489 a 568), basicamente reiterando alguns tópicos da argumentação exposta na impugnação em relação aos itens não acolhidos pelo julgador a quo (a respeito de ausência de motivação e fundamentação na autuação, com consequente cerceamento de defesa; do princípio da não cumulatividade e sua impossibilidade de restrição por norma infraconstitucional ou mesmo infralegal; da definição de insumo para as contribuições, abarcando aquilo que contribui direta ou indiretamente para o exercício da atividade econômica; das especificidades da atividade da recorrente; e das glosas em espécie), e acrescentando argumentação sobre manifestações jurisprudenciais deste CARF (v.g. sobre equipamento de segurança/higiene Acórdão no 3401001.716, e sobre crédito presumido para a agroindústria Acórdão no 330100.980). Sustenta ainda a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, em virtude da negativa de acolhimento do pedido de perícia/diligência, pedido este que reitera no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclarecese, de início, que são analisadas a seguir as matérias efetivamente controvertidas em sede de recurso voluntário, excluindose aquelas em que houve acolhimento integral da argumentação da impugnação pelo julgador de primeira instância, e as que sequer foram objeto de menção na impugnação, mas constam do recurso voluntário. As matérias não controvertidas são tomadas no sentido do acolhimento das glosas efetuadas. 1. Da (in)existência de nulidades na decisão de primeira instância Sustenta a recorrente preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância, por ter esta indeferido de forma subjetiva a perícia solicitada, tendo sido atendidos na solicitação todos os requisitos essenciais de que trata o Decreto no 70.235/1972 (pedido expresso, demonstração da importância e da relevância, e indicação do perito com qualificações). 10 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 Na decisão de primeira instância, percebese que o indeferimento se deu basicamente por que: (a) a perícia é um meio de prova que apenas deve ser determinado para esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a juntada de documentos ou pela realização de diligência; (b) pelo Decreto no 70.235/1972, é necessária ainda a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e os quesitos formulados pela recorrente poderiam ser respondidos por ela própria mediante exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, ou, ainda, pela simples análise das peças que estão juntadas aos autos; e (c) os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. Inexistente, assim, a carência de motivação alegada. É inclusive de se endossar a argumentação pela desnecessidade de diligência ou perícia no presente processo, rechaçandose a nova solicitação de diligência/perícia, porque tais procedimentos não se prestam a suprir deficiência probatória por parte da recorrente (ou mesmo por parte do fisco, nos casos em que seria deste o ônus probatório). No caso em análise, que deriva de pedidos de compensação, invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E a vinculação ou não de bens ao processo produtivo poderia ter sido comprovada sem a necessidade de perícia (como, de fato, ocorreu com a soda cáustica, em sede de impugnação, tendo sido a glosa afastada pelo julgador de piso). Pelo exposto, resta improcedente a alegação de nulidade da decisão da DRJ. 2. Da (in)existência de nulidades no despacho decisório Alega a recorrente ser nulo o “auto de infração” por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. Assumirseá aqui, contudo, para que a alegação faça sentido, que a nulidade suscitada se refere ao despacho decisório, visto que o presente processo não trata de auto de infração. Isso se coaduna, inclusive, com outras passagens do recurso voluntário, onde se faz referência ao despacho decisório. No que se refere ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972 (que, destaquese, é referente a lançamento), recordase que o presente processo tem origem em PER/DCOMP, invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, sendo dele o dever de trazer aos autos os respectivos elementos probatórios. Cientificada a autuada do teor do despacho decisório no 183/2012 (fls. 1073 a 1107), o que resta nítido pelo próprio conteúdo da impugnação, e estando ali detalhadas as glosas ensejadoras do não acolhimento dos créditos pleiteados, em planilhas específicas, especificandose a matéria de direito item a item por tema da glosa (conceito de insumos, extemporaneidade de aproveitamento, créditos presumidos de atividade agrícola, ...), inclusive trazendose qual a legislação aplicável, não se percebe a alegada ausência de motivação ou fundamentação. 11 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Assim, igualmente não há que se falar em cerceamento de defesa ou violação do devido processo legal, tendo em conta que as glosas foram efetivamente motivadas e detalhadas, possibilitando à recorrente o contraditório e a ampla defesa, simplesmente discutindo os temas glosados, pelos quais se exaurem os conteúdos das planilhas individualizadas de glosa. Não se vê, assim, mácula formal que eive de nulidade o despacho decisório. 3. Da não cumulatividade em relação à Contribuição para o PIS/PASEP Sustenta a recorrente que a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional. Incumbe, em relação ao tema, inicialmente esclarecer que a não cumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. 12 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 4. Do conceito de insumos na Contribuição para o PIS/PASEP O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarse ia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) 13 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. A recorrente sustenta que: “[...] a noção de insumo há que ser ampla, ou seja: todos os custos, despesas, gastos e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita.”(...)” (grifos no original) Contudo, em face do comando legal tributário vigente, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos. 5. Das glosas em espécie 5.1. Uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal Os principais itens glosados nessa categoria foram luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete e japona. A recorrente entende que tais bens são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa. Os precedentes do CARF em favor de tal argumento estão longe de constituir posicionamento dominante no tribunal. Vejase, a título ilustrativo, acórdão decidido por maioria, em turma especial desta terceira sessão, vencido o relator (e atualmente membro desta Turma, Conselheiro Alexandre Kern) e acórdão, também por maioria, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo): “Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos.” (Acórdão no 3803 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. 14 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 004.025, Rel. Cons. Alexandre Kernvencido, maioria em relação ao tema, sessão de 19.mar.2013) “Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.” (Acórdão no 930301.741, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, sessão de 9.nov.2011) Esta terceira turma não tem comungado de tal entendimento, e negou recentemente, por unanimidade, o direito a creditamento das contribuições em relação a uniformes e equipamentos de proteção tanto em relação a industrial calçadista (Acórdãos no 3403.001.893 a 896, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2013), quanto em relação a fabricante de fertilizantes (Acórdãos no 3403.001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação ao tema, sessão de 19.mar.2013). No caso concreto, a nosso ver, todos os bens relacionados podem até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas não são diretamente empregados no processo produtivo/fabril, ou necessários à obtenção do produto final. Correta, assim, a glosa efetuada para tais bens. 5.2. Materiais de limpeza e desinfecção Os principais itens glosados nessa categoria foram detergente, desinfetante, sabonete e vassoura. Em relação a tais bens, a recorrente argumenta que “embora não sejam consumidos ou transformados no produto final (alimento), são de fundamental importância e obrigatoriedade na atividade industrial da recorrente”, também remetendo a normas sanitárias aplicáveis a empresas alimentícias. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza e desinfecção. 5.3. Produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte 15 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Os produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte, destacandose os “pallets”, também foram objeto de glosa pelo fisco por não estarem enquadrados no conceito de insumo. Em sua defesa, a recorrente sustenta que tais bens são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos). Participam na fase de industrialização (para movimentar as matériasprimas) e armazenagem (de matérias primas, de produtos intermediários e de produtos industrializados). A priori, entendese assistir razão à recorrente, visto que as embalagens realmente são necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Contudo, no que se refere especificamente aos “pallets”, há que se destacar nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, deve ser afastada a glosa somente em relação a embalagens utilizadas para transporte. É de se destacar que embora haja outro item do recurso voluntário discutindo embalagens (especificamente os acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorizem o produto, e acondicionamentos feitos em embalagem de capacidade superior àquela na qual o produto é comumente vendido), decidiuse por aqui consolidar o tratamento da matéria, tendo em vista a solução comum proposta de afastar as glosas correspondentes. 5.4. Combustíveis Os principais itens glosados nessa categoria foram hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás, por não exercerem ação direta sobre o produto. A recorrente entende que tais bens são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril, e recorda que os combustíveis e lubrificantes são expressamente nominados pelo inciso II do art. 3o das leis que tratam dos insumos para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos 16 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...)” (grifo nosso) Admissível, assim, o creditamento em relação a combustíveis. Basta que sejam utilizados como insumo no processo produtivo. A motivação da glosa, no despacho decisório, destaca apenas que tais combustíveis “não exercem ação direta sobre o produto”, utilizando o conceito de insumo do IPI, e se revela insuficiente para afastar o direito creditório. É certo que há combustíveis que não podem ser considerados insumos (por exemplo, aqueles utilizados em veículos que transportam funcionários), mas tal detalhamento, por não constar na motivação da autuação, constituiria raciocínio inovador por parte deste tribunal administrativo, pelo que deve ser afastado. Pelo exposto, deve ser cancelada a glosa em relação a combustíveis. 5.5. Ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos Os principais itens glosados nessa categoria foram hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. A recorrente entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado. De início, recordese que o item “lubrificantes”, e o item “graxa”, tratados neste tópico 5.5, enquadramse perfeitamente no que já se expôs no tópico anterior (5.4 combustíveis), sendo incabível a glosa. Em relação aos demais itens, acordamos com o posicionamento externado em voto vencedor pelo Conselheiro Alexandre Kern, em processos recentemente julgados nesta turma. Na ocasião, tratavamse de antenas, baterias, carregadores de baterias/pilhas, fontes de alimentação, ferramentas de corte e colheita de canade açúcar, e ferramentas para manutenção e máquina e equipamentos, e o tratamento dado ao processo da empresa (usina) foi o seguinte: “[...] há de se reconhecer que os bens e serviços em questão, ou são bens incluídos no Ativo Permanente, ou neles são aplicados, seja como serviço, seja como partes ou peças de reposição. Portanto, os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas”. (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, Rel. Cons. Ivan Alegretti, qualidade, sessão de 25.jun.2013) Deve, então, ser cancelada a glosa somente em relação a lubrificantes e graxa. 5.6. Bens do ativo imobilizado 17 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Os principais itens glosados nessa categoria foram animais reprodutores e de lactação (que não são consumidos na produção), centrífuga, equipamentos para granja, tanque, armário. A recorrente contrapõe a glosa afirmando que tais bens são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado). A nosso ver, restaria preliminarmente bem explicada a utilização no processo produtivo, cabendo o creditamento, não fosse o fato de constituírem os bens/semoventes (como informa a própria recorrente) ativo imobilizado. E não parece seguir em sentido diferente o julgador de primeira instância, que refuta o enquadramento como insumo tãosomente pelo fato de constar o bem no ativo imobilizado. E, estando no ativo imobilizado, o enquadramento seria no inciso VI, e não no inciso II do art. 3o das leis que tratam do creditamento para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (grifo nosso) É preciso alertar, contudo, que a forma/quantificação de creditamento do inciso VI é diferente daquela constante do inciso II, como esclarece o § 1o do art. 3o das leis: “§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;” Como destaca o julgador a quo, tal posicionamento deveria ter sido informado em DACON pela recorrente, antes do procedimento fiscal. Flexibilizando tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, consideramos que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaquese, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. Vale, assim, a mesma máxima expressa no tópico anterior: ou os bens são enquadrados no inciso II, como insumos (e aí não devem constar do ativo imobilizado), ou constam do ativo imobilizado, aplicandose a regra do inciso VI. Assim, procedente a glosa em relação a tais bens/semoventes. 5.7. Aquisições de produtos à alíquota zero das contribuições 18 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 Também sofreram glosa as aquisições de produtos efetuadas com alíquota zero, conforme arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, como leite em pó, requeijão, mata mosca, champignon, mandioca congelada, queijo mussarela e ricota. Sobre tais glosas, entende a recorrente que a exclusão contraria o princípio da nãocumulatividade. Manifesta ainda a recorrente posicionamento de que diversos dos produtos objeto de glosa não constam nas classificações fiscais relacionadas no art. 1o da Lei no 10.925/2004 (que reduz a zero as alíquotas). E conclui sustentando que aos produtos agropecuários deveriam ser assegurados ao menos os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, pois tal lei se sobrepõe aos comandos das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Sobre o direito ao creditamento quando a aquisição é feita sem o pagamento da contribuição, a legislação estabelece (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos transcritos, extraise nitidamente que é vedado o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que indubitavelmente inclui a situação de alíquota zero). Para que haja creditamento, deve ter havido efetivo pagamento. Tentar ler algo gritantemente diferente disso no texto é negarlhe vigência, o que é tarefa vedada a este tribunal por força da já citada Súmula CARF no 2. E, como disposto ao início deste voto (tópico 3), não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. Em relação à alegação de que há produtos glosados cuja alíquota não seria zero (verificada e refutada pelo julgador a quo), não faz prova a recorrente, para nenhum dos produtos em questão (com crédito glosado por não ter havido pagamento da contribuição na aquisição) que houve efetivo pagamento, em contraposição à alegação do fisco (endossada pela DRJ). No que se refere à alegação de que na aquisição de produtos agropecuários, o crédito deveria ser mantido, ao menos, no sentido de outorgar aquele presumido previsto nas operações do art. 8o da Lei no 10.925/2004, a DRJ destacou que é condição para o aproveitamento dos créditos a informação correta em DACON, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ volta, depois, a tratar do tema quando analisa o crédito presumido (e aqui se fará o mesmo). Assim, nesse tópico, mantémse a glosa, na mesma linha da decisão de piso. 19 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI 5.8. Aquisições de insumos de pessoas jurídicas com suspensão Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadram se nas situações previstas no art. 9o da Lei n o 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF n o 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa. 5.9. Aquisições de serviços utilizados como insumos A autoridade fiscal glosou ainda os serviços que entendeu não estarem enquadrados como insumos, seja porque vários itens descritos como serviços na verdade refletiam aquisições de bens (vários deles inclusive não enquadráveis como insumos), seja porque alguns itens sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, seja porque eram serviços não enquadráveis no conceito normativo de insumos. Em relação a tais glosas, a recorrente sustenta que não houve exato esclarecimento por parte do fisco, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, conserto de equipamentos, armazenamento de resíduos, transporte de sangue, higienização e congêneres, por serem essenciais e inerentes à atividade produtiva). No que se refere às glosas de serviços que na verdade refletiam aquisições de bens não enquadráveis como insumos, conforme alegado pelo fisco, ou que sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, é de se destacar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais bens/serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa. Em relação aos serviços especificamente impugnados, no julgamento de piso acolhese a argumentação em relação aos serviços mecânicos, de rebobinagem de motor, de 20 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 torno, solda, usinagem, fabricação de engrenagem, calibração de termômetros e consertos de equipamentos e máquinas, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Segue, então, o recurso voluntário, questionando somente os serviços de lavagem de uniformes, transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Na mesma linha já adotada ao início deste item 5 (tópico 5.1), de que uniformes não constituem insumos, entendemos ainda que os serviços de lavagem de tais uniformes não constituem insumos, de modo a ensejar o creditamento das contribuições. Em relação ao transporte de sangue ao armazenamento de resíduos, entendo ser cabível a acolhida do pleito da interessada, de afastamento da glosa, considerando a linha que vem adotando majoritariamente esta turma de julgamento no que se refere à remoção de resíduos e limpeza de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Assim, acolho o posicionamento externado pelo Conselheiro Ivan Alegretti (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, unânimesem relação à matéria, sessão de 25.jun.2013): “Não apenas o transporte de produtos aplicados no processo produtivo como também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configuram atos que viabilizam e integram o processo produtivo.” Assim, é de se afastar a glosa em relação a serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos, mantendoa no que se refere a serviços de lavagem de uniformes. 5.10. Despesas de energia elétrica Foram ainda glosadas despesas de energia elétrica não incorridas no mês, e despesas classificadas como de energia elétrica, mas que correspondem a aquisições de serviços de comunicação. A recorrente, em sua defesa, alega que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de dezembro de 2006 deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos. As disposições legais que regem a matéria são os multicitados arts. 3o das Leis no 10.637/2002 (inciso IX) e no 10.833/2003 (inciso III), em suas redações originais: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...) 21 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI § 1o (...) o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos (...) do caput, incorridos no mês;” (grifo nosso) Vejase que os créditos de energia elétrica (limitador material) só poderão ser descontados se incorridos os valores no mês (limitador temporal). E, no caso em análise, há uma afronta ao limitador material, e outra ao temporal. A violação ao limitador material é flagrante, pois é inconcebível que sob o manto da expressão “energia elétrica” se abarquem despesas de telecomunicações. Nesse aspecto, e buscando uma interpretação sistemática, é preciso recordar que a Lei no 10.637/2002 continha, em seu art. 3o, um inciso III, que dispunha “energia elétrica e serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, alargando o que dispunha a Medida Provisória que a originou (no 66/2002), que tratava no mesmo inciso somente de “energia elétrica”. Esse alargamento motivou um veto presidencial, que atrasou inclusive o retorno da expressão “energia elétrica” à lei, que jamais foi complementada por qualquer nova menção a “telecomunicações”. Cristalino, assim, não estarem incluídas as telecomunicações na rubrica de energia elétrica, nem haver qualquer vestígio de creditamento em relação às despesas correspondentes. Por fim, a violação temporal se refere ao descumprimento de comando legal (o inciso II do § 1o supra). Em relação a tal violação, a recorrente sustenta que lhe ampara o § 4o do mesmo artigo, que estabelece que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. O fisco não aceita o aproveitamento por não ter sido adotada a forma correta: retificação das DACON correspondentes, antes do início do procedimento fiscal (em que pese não questionar a existência dos créditos). Contudo, entendese aqui que tal argumento não constitui motivação suficiente para a glosa, não devendo o aspecto formal não deve prevalecer sobre o material. Assim, no que se refere a energia elétrica, devem ser afastadas as glosas referentes a despesas de energia elétrica de períodos anteriores, mantendose as glosas de aquisições de serviços de comunicação. 5.11. Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos Restaram também glosadas despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos (arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) de pessoa física, e não comprovadas. Em sua defesa, a recorrente aduz que: (a) deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade; (b) que as despesas erroneamente computadas não deveriam ensejar a glosa, devendo o fisco de ofício alocalas corretamente, e (c) que são nulas as glosas de itens com descrição insuficiente, visto que o fisco não solicitou esclarecimentos à empresa, pedindo conversão em diligência para apuração em face da escrituração, ou juntada a posteriori (afirmando que houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não terem sido localizadas notas fiscais). 22 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 No que se refere às glosas de despesas de aluguel que na verdade refletiam outras rubricas, e as despesas com descrição insuficiente/notas fiscais não apresentadas, conforme alegado pelo fisco, é de se recordar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Em relação à alegação inicial da recorrente de que deve ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas em face do princípio da não cumulatividade, é de se remeter ao tópico 3 deste voto, que trata da possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), e não podem ser afastadas pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. Destarte, também integralmente procedentes as glosas referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. 5.12. Armazenagem e fretes na operação de venda A fiscalização glosou ainda despesas de armazenagem e fretes na operação de venda não comprovadas, relativas a aquisições de pessoas físicas, e referentes a reembolso de energia elétrica e movimentação de cargas/armazenagem. A recorrente, em contraposição, informou que entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas erroneamente lançadas em tal conta na Dacon pela empresa, pois os créditos são legítimos (a escrituração faz prova em favor da empresa e, no máximo, deveria ter sido efetuada apuração pelo Fisco, o que ainda pode ser objeto de diligência). Percebese que os temas são recorrentes. Em relação à glosa relativa a aquisições de pessoas físicas, remetese ao expresso tópico anterior (5.11). No que se refere às operações não comprovadas, e informadas em contas incorretas, também se endossa o disposto no tópico anterior (5.11), recordando que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente eram geradores de créditos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Por fim, em relação à extemporaneidade, remetese ao tópico 5.10, no qual se acolhe a argumentação da recorrente. Corretas, então, as glosas efetuadas em relação a armazenagem e fretes na operação de venda, à exceção das despesas de armazenagem e fretes não incorridas no mês. 23 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI 5.13. Encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado O fisco considerou, para efeitos de geração de créditos, somente as aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004, glosando os bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior. Foram ainda glosados os bens importados, que não foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, e custos inerentes à importação. A recorrente alega que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente. Em às aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004, a glosa encontra expresso amparo no art. 31 da Lei no 10.865/2004: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3 o das Leis n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1 o de maio . § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1o deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.” (grifo nosso) Não há, assim, como se furtar à observância do comando legal vigente. No que se refere ao segundo tópico da glosa (bens importados), não há impugnação específica no recurso voluntário. Contudo, é de se analisar o disposto no art. 15 da Lei no 10.865/2004: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2 o e3 o das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.” (grifo nosso) 24 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 O julgador de piso não desconhece o dispositivo, mas entende que não houve regular registro das operações, ou sua retificação por parte da empresa. Em nome da verdade material, entendemos ser cabível a retificação (sem discutir eventuais penalidades aplicáveis) mesmo após o início do procedimento fiscal, desde que devidamente comprovadas as operações pelo postulante ao crédito. Mas isto não acontece no presente processo. Assim, também nesse tópico (encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado) é de se manter integralmente a glosa fiscal. 5.14. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia / ovo fértil). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 25 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) Vêse, pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável. A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi 26 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: 27 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgalo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou 28 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o. A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de 2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35% incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos, há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de 1o de novembro de 2009, foi concedido o direito a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos. Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na 29 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos. 5.15. Bens importados utilizados como insumos No que se refere a bens importados como insumos (art. 15, II da Lei no 10.865/2004), entendeu o fisco que foram indevidamente solicitados créditos de aquisições sujeitas à alíquota zero (metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio). A recorrente sustentava, em sua impugnação, que a metionina líquida não era tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época. Na decisão de primeira instância, a DRJ acolheu tal alegação, afastando a glosa relativa à metionina: “Conforme Decreto n. 5.447/2005, vigente à época, somente a LMETIONINA seria alcançada pela alíquota zero do Decreto n. 5.127/2004. Como no caso concreto, não se trata da L METIONINA, o crédito há de ser mantido.” Agora, em sede de recurso voluntário, alega a empresa em relação a esse tópico somente que: “Em remate, houve a glosa de bens importados e utilizados como insumo, pois seriam tributados mediante alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio), sendo de rigor a reforma, pois são improcedentes diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco.” Já externamos aqui (tópico 3 deste voto), o entendimento pela possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como o § 1o do art. 15 da Lei no 10.865/2004, que expressamente estabelece que o creditamento se aplica “em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços” (grifo nosso), e não pode ser afastado pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. Assim, procedente a glosa em relação às aquisições sujeitas à alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio). 6. Dos juros de mora e da multa de ofício Sustenta ainda a recorrente que os juros devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não mediante a aplicação da Taxa SELIC, que a multa de ofício é confiscatória e que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. É de se recordar, contudo, que o presente processo se refere a PER/DCOMP, não havendo autuação, nem lançamento de crédito tributário. No despacho decisório é apenas indeferido o crédito postulado. De qualquer sorte, é de se recordar que tanto a aplicabilidade da multa legalmente prevista quanto a exigência de juros à Taxa SELIC são matérias já sumuladas no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 30 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 574 “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em relação à aplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício, é entendimento dominante desta turma de julgamento, há mais de ano, e por nós endossado (conforme o último Acórdão abaixo reproduzido, no qual hermeneuticamente se sustenta a conclusão trazida), que: “JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) “JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício” (Acórdão no 3403001.623, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unanimidade em relação ao tema, sessão de 23.mai.2012). “Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma” (Acórdão no 3403002.367, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria em relação ao tema, sessão de 24.jul.2013). Contudo, apesar do entendimento pela impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, é de se informar que não há relação da matéria com o presente processo, pelo qual não se efetua lançamento de crédito tributário. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a glosa para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (f) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; (g) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (h) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo). Rosaldo Trevisan 31 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Voto Vencedor Divirjo do Conselheiro Relator em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários da empresa produtora de gêneros alimentícios. Entendo que tais serviços também devem ser considerados como elementos integrantes da atividade produtiva, tendo em vista que o ato de produzir também exige a manutenção das condições de higiene necessárias ao manuseio dos alimentos. A atividade produtiva, em seu sentido completo, envolve a manutenção sanitária do ambiente no qual acontece a produção, em condições compatíveis com as necessárias para os bens produzidos (no caso, alimentos). Assim, preservase o ambiente de produção livre de fatores de contaminação, que colocariam em risco a segurança alimentar dos consumidores. Entendo, por isso, que também deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários das empresas de gêneros alimentício. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI
score : 1.0
Numero do processo: 19404.001338/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO.
Os honorários advocatícios comprovadamente pagos são dedutíveis na apuração do imposto incidentes sobre os rendimentos auferidos relativamente à correspondente ação judicial.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. Os honorários advocatícios comprovadamente pagos são dedutíveis na apuração do imposto incidentes sobre os rendimentos auferidos relativamente à correspondente ação judicial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 40 4. 00 13 38 /2 00 9- 19 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora que indeferiu impugnação que pleiteava cancelamento de lançamento do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício 2006, anocalendário 2005, com base na alegação de que a omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização corresponde ao valor dos honorários advocatícios pagos na ação judicial que deu causa aos rendimentos tributados. A decisão recorrido fundamentouse na falta da documentação comprobatória do pagamentos dos honorários e na falta de previsão legal para sobrestar o julgamento até que o contribuinte obtivesse o recibo com intermédio da OAB. No recurso voluntário o contribuinte relata que o advogado não forneceu recibo, que não obteve êxito na tentativa perante a OAB e que ajuizou ação na Comarca de MacaéRJ para obter em juízo o recibo no valor de R$110.000,00, que coincide com a omissão apurada pela Fiscalização. Posteriormente, o contribuinte apresenta o recibo em questão (fls. 63) A ciência do acórdão ocorreu em 03/04/2012. O recurso foi protocolado em 29/04/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A impugnação foi indeferida porque a ausência de documentos, hábeis a comprovar de forma inequívoca o pagamento de honorários advocatícios ao patrono da causa, impossibilita que tal valor seja subtraído do bruto tributável decorrente da ação a ser informado na Declaração de Ajuste Anual. Por meio de ação judicial, o recorrente obteve o recibo (fls. 63) que comprova o pagamento de R$110.000,00 de honorários advocatícios, referentes à ação trabalhista 00677199848101002, e princípios como o da busca da verdade material e do formalismo moderado combinados com o disposto na alínea “a” e “c” do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972 autorizam a apreciação do documento. Comprovado o pagamento, fica assegurado ao recorrente o direito de subtrair essa importância dos rendimentos tributáveis. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19404.001338/200919 Acórdão n.º 2802002.512 S2TE02 Fl. 69 3 Afastado o único óbice apontado pelo acórdão recorrido, resta incontroverso que a omissão de rendimentos corresponde à não dedução dos honorários advocatícios, cabendo ao Órgão de segunda instância DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10510.903750/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 75 0/ 20 09 -8 5 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903750/200985 Resolução nº 1802000.356 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 19/04/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 02527.43053.220506.1.3.046595, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: abril/2006; vencimento: 22/05/2006 principal: R$ 4.577,83; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 4.577,83. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 36094.94426.190406.1.3.046420 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 3.512,65 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 3.479,39 Crédito Atualizado: R$ 5.983,51 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 4.577,83 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 2.661,99 Saldo do Crédito Original: R$ 817,40 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 3.479,39. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903750/200985 Resolução nº 1802000.356 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 22/05/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Em 07/05/2013, por unanimidade de votos, esta Turma através da Resolução nº 1802000.215, baixou o processo em diligência para que a DRF Aracajú: “a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903750/200985 Resolução nº 1802000.356 S1TE02 Fl. 5 4 c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a março de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar.” Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência pela DRF de Aracajú para cumprimento da diligência a Recorrente veio a requerer a desistência do presente processo, conforme consta do pedido de fls. 66. “A empresa RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 16.467.358/000103, vem perante V.Sa., por meio de seu representante legal ao final firmado, requerer a desistência de ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados. Processos : 10510.903.804/200911; 10510.903.805/200957; 10510.903.878/200949; 10510.903.879/200993” Em seguida a DRF de Aracajú mediante profere o seguinte Despacho de Encaminhamento: “O contribuinte acima apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário apresentado em processos de compensação abaixo listados. Na petição, o mesmo informa os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo. Estes recursos voluntários foram convertidos em diligência pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução acima. Proponho, então, que o processo retorne àquele conselho para o mesmo se manifeste sobre o pedido de desistência e demais providências. PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510.903.804/200911 10510.903.651/200901 10510.903.805/200957 10510.903.652/200948 10510.903.878/200949 10510.903.749/200951 10510.903.879/200993 10510.903.750/200985” É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903750/200985 Resolução nº 1802000.356 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510.903.879/200993 e não do processo nº 10510.903.750/200985 em que se analisa o crédito vinculado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como cediço, o processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) é o objeto do processo em que se analisa o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Aracaju/SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903750/200985 Resolução nº 1802000.356 S1TE02 Fl. 7 6 Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13749.720205/2011-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 02 05 /2 01 1- 74 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.04.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.924, de 27.02.2013, fls. 1820: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de fevereiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 23.04.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720205/201174 Acórdão n.º 1801001.673 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11007.000109/91-87
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 1998
Ementa: REDUÇÃO/ISENÇÃO. BEFIEX. D.L. no 491/69, art. 13, alterado
pelo D.L. N° 1.428/75, art. 9°. A transferência a terceiros de bens adquiridos com redução de impostos, antes de decorridos 5 anos, caracteriza falta de emprego nas finalidades que motivaram a concessão do beneficio.
Aplicação da multa prevista no art. 521, I, "a" do Regulamento
Aduaneiro.
DECADÊNCIA. (RIPI — art. 42, § 1°). Isenção condicionada
destinação do produto. Mudança de destinação após o decurso de 3
(três) anos da ocorrência do fato gerador. Inexigibilidade do crédito tributário relativo ao I.P.I. e respectiva multa, por decadência, argüida de oficio.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO.
Numero da decisão: 301-28.851
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Henrique Klaser Filho
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()S Luc it-h.-NV-66i Eiio1z TOTifEs nocursdora es fazenda NOCIOnQI CARLO Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE ACÓRDÃO N° RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 11007-000109/91-87 17 de setembro de 1998 301-28.851 113.833 LANIFÍCIO DO RIO GRANDE DO SUL - THOMAZ ALBORNOZ S/A IRF/SANTANA DO LIVRAMENTO/RS REDUÇÃO/ISENÇÃO. BEFIEX. D.L. no 491/69, art. 13, alterado pelo D.L. N° 1.428/75, art. 9°. A transferência a terceiros de bens adquiridos com redução de impostos, antes de decorridos 5 anos, caracteriza falta de emprego nas finalidades que motivaram a concessão do beneficio. Aplicação da multa prevista no art. 521, I, "a" do Regulamento Aduaneiro. DECADÊNCIA. (RIPI — art. 42, § 1°). Isenção condicionada destinação do produto. Mudança de destinação após o decurso de 3 (tits) anos da ocorrência do fato gerador. Inexigibilidade do crédito tributário relativo ao I.P.I. e respectiva multa, por decadência, argüida de oficio. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 17 de setembro de 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÊ, PAULO LUCENA DE MENEZES, LEDA RUIZ DAMASCENO, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO e JORGE CIAMACO VIEIRA (Suplente). Ausente o Conselheiro MÁRIO RODRIGUES MORENO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 113.833 ACÓRDÃO N.° : 301-28.851 RECORRENTE : LANIFÍCIO DO RIO GRANDE DO SUL THOMAZ ALBORNOZ S/A RECORRIDA : IRF/SANTANA DO LIVRAMENTO/RS RELATOR(A) : CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO RELATÓRIO Contra o Contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls.79/82 em virtude de irregularidades apuradas nos beneficios do Crédito Prémio do IPI, do Imposto de Importação e do IPI a ele vinculado e no que respeita ao compromisso da exportação - BEFIEX. Tempestivamente impugnado com base, em síntese, nas seguintes alegações: - o compromisso para importar não era vinculado A. destinação dos bens; - comprovada a exportação compromissada foi considerado encerrado pela Comissão para Concessão do BEFTEX; - que exportou mais do que o necessário pelo programa; - que fatores externos e alheios A sua vontade impediram a instalação e utilização dos bens importados; - que os autuantes desconsideraram serviços prestados a terceiros com faturamento para exportação; - que não procede o argumento de que a venda foi feita antes do prazo de 5 anos; - que não se diga que o bem não instalado não deprecia, sendo esta válida somente a partir da instalação. As fls. 100/102 temos a informação fiscal, onde o AFTN se manifesta pela manutenção integral do crédito tributário em litígio. A decisão "a quo" julgou improcedente a impugnação e procedente a ação fiscal, considerando em sínteses que: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 113.833 ACÓRDÃO N.° : 301-28.851 - o compromisso de exportação da Resolução BEHEX n° 278, de 25/05/1984 não foi cumprido; - o Aditivo/SDI/BEFIEX n° 278/1/89 é extemporâneo por que foi expedido após o vencimento do programa; - não é relevante o percentual de exportação mas sim proporcionar o crescimento de exportações visando a melhoria da balança de pagamentos; - mesmo considerando o faturamento de terceiros ficaria aquém do mínimo necessário; - que os bens importados sejam destinados A implantação, ampliação e reaparelhamento das empresas favorecidas; - a redução proporcional à depreciação foi desconsiderada por não terem os equipamentos sido instalados. Em sessão realizada aos 06/11/91, esta Camara exarou sua decisão, consubstanciada no v. Acórdão n° 301-26.721, que ostenta a seguinte ementa: REDUÇÃO/ISENÇÃO. BEFIEX. D.L. n° 491/69, art. 13, alterado pelo D.L. N° 1.428/75, art. 9°. A transferência a terceiros de bens adquiridos com redução de impostos, antes de decorridos 5 anos, caracteriza falta de emprego nas finalidades que motivaram a concessão do beneficio. Aplicação da multa prevista no art. 521, I, "a" do Regulamento Aduaneiro. DECADÊNCIA. I.P.I. (RlPI — art. 42, § 1°). Isenção condicionada à destinação do produto. Mudança de destinação após o decurso de 3 (três) anos da ocorrência do fato gerador. Inexigibilidade do crédito tributário relativo ao I.P.I. e respectiva multa, por decadência, arguida de oficio. Negado provimento ao recurso. Irresignado, o contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração, apenas reprisando os argumentos anteriores, na parte que lhe foi desfavorável, sem trazer novas provas ou elementos. 0 agente preparador não conheceu do Pedido de Reconsideração apresentado, em face das disposições constantes do art. 2° do Decreto n° 74.445/75. 2? 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 113.833 ACÓRDÃO N.° : 301-28.851 Por força de determinação judicial, constante da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 92.1300934-8, fls. 4, voltam os autos a este Conselho, para apreciação e julgamento do Pedido de Reconsideração apresentado pelo contribuinte. É o relatórioy 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 113.833 ACÓRDÃO N.° : 301-28.851 VOTO Parece-me fora de contestação que a eventual reapreciação da matéria pela Camara que já tenha se pronunciado sobre a matéria em litígio somente poderá ocorrer nos casos de omissão, contradição ou, então, excepcionalmente, nas hipóteses em que o contribuinte traga novos elementos ou provas que possam conduzir a conclusão diversa daquela alcançada originariamente. No caso dos autos, pretende o contribuinte a reconsideração da decisão proferida através do v. Acórdão n° 301-26.721 sem, no entanto, ao meu ver, trazer qualquer novo elemento que justifique tal modificação. Pretende, apenas, que a decisão anterior seja modificada apresentando argumentos que já foram despendidos por ocasião daquele julgamento e, por isto mesmo, já enfrentados por esta Camara, razão pela qual nego provimento ao Pedido de Reconsideração apresentado. É o meu voto. Sala das Sessões, em 17 de setembro de 1998 CARLOS HO - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905164/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem confirme se a empresa optou pela tributação pelo lucro presumido no ano de 2005 e ateste a base de cálculo da COFINS do mês de janeiro de 2005 na sistemática da cumulatividade. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sou-sa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Por maioria, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem confirme se a empresa optou pela tributação pelo lucro presumido no ano de 2005 e ateste a base de cálculo da COFINS do mês de janeiro de 2005 na sistemática da cumulatividade. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 10/05/2007, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de competência janeiro de 2005, com débitos do mesmo tributo de período de apuração abril de 2007 no valor total de R$ 36.489,87. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 05 16 4/ 20 09 -0 3 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905164/200903 Resolução nº 3803000.343 S3TE03 Fl. 11 2 Através de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF em Taubaté/SP não homologou o pedido do contribuinte pois, apesar de ter localizado o pagamento verificou que estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte. Irresignado o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde, resumidamente, alega que a não homologação do pedido enviado se deu pelo erro no preenchimento das declarações (DCTF e DACON) do período .Anexa Copias das DCTF's e DACON's originais e retificadas posteriormente ao Despacho Decisório. A DRJ em Campinas/SP através do acórdão nº 0537.215, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/01/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário onde, preliminarmente pede que o julgamento seja transformado em diligência, e, resumidamente alega que o erro aconteceu por equívoco na apuração da base de cálculo, que havia acontecido com base no lucro real quando o correto seria a apuração com base no lucro presumido. Irresignado. o contribuinte protocolou Recurso Voluntário onde requer, preliminarmente, a diligência. Argumenta que "O erro aconteceu por equívoco na apuração da base de cálculo, que havia acontecido com base no lucro real quando o correto seria a apuração com base no lucro presumido". Protesta para a validade das informações retificadas e argumenta que todas as provas fiscais e contábeis provam cabalmente os erros alegados. Por fim requer o provimento do recurso a fim de reconhecer o direito creditório pleiteado. Anexa DCTF original e retificada, DACON original e retificada, cópia da DIPJ de 2006, planilha demonstrativa de apuração e copia do livro fiscal de saídas da matriz e filial. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905164/200903 Resolução nº 3803000.343 S3TE03 Fl. 12 3 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No que tange o mérito da lide, entendemos que não se pode afastar, no processo administrativo fiscal, os diversos princípios informadores do processo judicial e garantias constitucionais do cidadão, entre eles os princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Segundo Sergio Ferraz e Adilson Abreu Dallari: “Em oposição ao princípio da verdade formal, inerente aos processos judiciais, no processo administrativo se impõe o princípio da verdade material. O significado deste princípio pode ser compreendido por comparação: no processo judicial normalmente se tem entendido que aquilo que não consta nos autos não pode ser considerado pelo juiz, cuja decisão fica adstrita às provas produzidas nos autos; no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados.”(Processo Administrativo, São Paulo, Malheiros, 2ª edição, Pág. 109.) Hely Lopes Mirelles diz: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valerse de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz devese cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela. Este princípio é que autoriza a reformatio in pejus, ou a nova prova conduz o julgador de segunda instância a uma verdade material desfavorável ao próprio recorrente.” (Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo, RT, 16ª edição, 1991, Pág. 581.) O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto Federal nº 70.235 de 06/03/1972, e suas alterações posteriores. O artigo 29 do Decreto mencionado se coloca em consonância com o princípio da verdade material, bem como prevê a possibilidade de determinação de diligências, in verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Resta claro, que o Decreto nº 70.235/72 teve o intuito de fazer com que o julgador buscasse a verdade material dos fatos, podendo este, inclusive, diligenciar de ofício para tanto. Neste sentido se coloca a Jurisprudência do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa:REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE. (...)Se, em respeito ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora, amparada em verificações empreendidas por meio de diligências fiscais, acolhe as retificações efetuadas na declaração anteriormente apresentada pelo contribuinte e, com base nela, apura os saldos finais do IRPJ e da CSLL, o reconhecimento de eventual Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905164/200903 Resolução nº 3803000.343 S3TE03 Fl. 13 4 direito creditório, por decorrência lógica, deve levar em consideração tais retificações.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” (11610.000453/200163, Segunda Turma/Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Rel. WILSON FERNANDES GUIMARAES, d.j. 31/03/2011) Em analise das provas acossadas observamos que o DACON original já apontava para a tributação pelo lucro presumido, sua retificação se deu pela exclusão de valor referente a DARF componente do crédito, no valor de R$ 38,88, e mencionado em sede de Manifestação de Inconformidade. A DIPJ de 2006 já está preenchida segundo a tributação pelo lucro presumido, os livros de saídas e planilha demonstrativa de apuração apontam para a base de calculo alegada pelo contribuinte, de forma que apenas na DCTF original se verifica o erro alegado que foi sanado pela retificadora. Há fortes indícios de que o sujeito passivo possui os créditos apontados, porem, as provas anexadas são insuficientes para se ter a certeza do alegado. Por dever de justiça entendemos necessária a instauração de diligencia, com fulcro no art. 29 do Decreto Federal nº 70.235 de 06/03/1972, a fim de dirimir as duvidas surgidas pela deficiência do material probatório. Em vista do exposto, e ainda, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem confirme se a empresa efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano base de 2005 e na sistemática da cumulatividade ateste a correta base de cálculo da COFINS do mês de janeiro de 2005, concedendo ao contribuinte oportunidade de manifestarse sobre o resultado da diligência. É como voto João Alfredo Eduão Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000451/2002-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997
MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA.
Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 MULTA DE OFÍCIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA. Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 04 51 /2 00 2- 61 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Os fatos foram assim descritos pela decisão recorrida: Tratase de auto de infração no qual está a ser exigida a multa de oficio isolada, referente aos pagamentos da Cofins relativos aos períodos de julho e agosto/97, efetuado em atraso sem a multa moratória. A contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo, nos termos do art. 138 do CTN, e se o pagamento for realizado antes de qualquer procedimento de oficio cabe apenas o pagamento do principal e dos juros de mora. Cita jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes para fundamentar sua tese, e que nestes casos a Lei n° 9430/96 é clara ou determinar a cobrança da multa de acordo com o numero de dias de atraso, podendo atingir o percentual Maximo de 20%, sendo, portanto, incabível cobrança de multa no percentual de 75%. A DRJ em Florianópolis SC julgou o lançamento procedente. Cientificada a contribuinte apresentou recurso voluntário argüindo em sua defesa as mesmas razões da inicial. Foi apresentado arrolamento de bens, segundo documentos de fl. 123. Julgando o feito, o órgão julgador de a quo manteve o lançamento em decisão assim ementada: MULTA DE MORA. O atraso no pagamento da contribuição implica em incidência de multa de mora, que não pode ser excluída pela denúncia espontânea, devido a sua natureza jurídica compensatória ou reparatória, ainda mais quando a contribuição devida havia sido declarada em DCTF. MULTA ISOLADA. É devida a multa isolada no caso de pagamento efetuado a destempo sem o recolhimento da respectiva multa moratória. Recurso negado. Inconformada, a Autuada apresentou recurso especial onde pede a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do auto de infração, para fundamentar seu pedido, reedita, em síntese, os argumentos apresentados no recurso voluntário. O especial foi por mim admitido, nos termos do despacho de fl. 189. Contrarrazões vieram às fls. 192 a 198. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13973.000451/200261 Acórdão n.º 9303002.398 CSRFT3 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Da análise dos autos, verificase ser incontroverso o fato de a autuada haver recolhido a diferença da contribuição fora do prazo de vencimento, sem a multa de mora exigida no art. 61 da Lei 9.430/96. A inobservância dessa norma configurava infração punível com multa de 75% do valor do tributo ou contribuição devidos, nos exatos termos do inc. I, do art. 44, da Lei 9.430/96, combinado com o inciso II do § 1º desse artigo, que previa, expressamente, a imposição de multa isolada quando o tributo houvesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. Sempre entendi cabível a exigência dessa multa no caso em que o sujeito passivo recolhia espontaneamente o tributo, mas fora do prazo legal estabelecido em lei. Sendo devidos os juros moratórios e a multa de mora, correta fora a imputação feita pela Fiscalização que exigiu a multa de ofício isolada, no percentual de 75%, incidente sobre o total da contribuição devida. Todavia, a multa que sancionava essa conduta proibida foi excluída do ordenamento jurídico, por meio da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, e, como é de todos sabido, por força do princípio da retroatividade benigna, a lei deve retroagir quando deixar de prever a penalidade em questão ou quando comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época em que a infração fora praticada, CTN, 1art. 106, inciso II. 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ............................................................................ II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo para cancelar a exigência da indigitada multa de ofício. Henrique Pinheiro Torres Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.912773/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/09/2002 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 73 /2 00 9- 29 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação de débitos fiscais de IRPJ e CSLL, vencidos na data de 31/08/2005, declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 09/14, transmitida na data de 23/08/2005, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de agosto de 2002, recolhida em 13/09/2002. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 07. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação dos débitos declarados, conforme Acórdão nº 0238.036, datado de 20/03/2012, às fls. 51/55, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912773/200929 Acórdão n.º 3301001.971 S3C3T1 Fl. 164 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 63/85), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de agosto de 2002 e recolhida em 13 de setembro do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e, ainda, que a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de agosto de 2002, no valor de R$1.793,72, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 13/09/2002, visando à compensação de débitos do IRPJ e CSLL, nos valores de R$1.775,36 e R$1.557,72, respectivamente, vencidos em 31/08/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de agosto de 2002: a) débito de PIS, no valor de R$1.793,72; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.793,72 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 88/95, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 125/161, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912773/200929 Acórdão n.º 3301001.971 S3C3T1 Fl. 165 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de agosto de 2002 e recolhida em 13 de setembro do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de agosto de 2002, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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