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Numero do processo: 10920.000521/98-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 05 11, com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.522,35 a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao mês de novembro anocalendário de 1993 de apurada pelo regime de tributação com base no lucro real mensal a partir da revisão da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) n° 9284994, relativa ao período de 01.01.01.1993 a 31.12.1993, fls. 1229. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 52 1/ 98 -1 5 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 241 2 O lançamento fundamentase no lapso na apuração do tributo como se depreende pelos valores alterados objeto de análise de ofício comparativamente àqueles constantes no Quadro 5 do Anexo 3 da DIRPJ do anocalendário de 1993. Verificouse que a Recorrente utilizouse da alíquota de 10% (dez pro cento) ao invés da aplicação correta de 23% sobre a base de cálculo. Na oportunidade mantevese incólume, no valor de 1.982,07 UFIR, a compensação efetuada espontaneamente do débito com direito creditório anterior. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º, art. 3º e art. 38 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 11 da Lei nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e art. 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Cientificada em 25.03.1998, fl. 11, a Recorrente apresenta a impugnação em 20.04.1998, fls. 0404, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que a CSLL devida em novembro de 1993 foi calculada pela aplicação de alíquota incorreta sobre a base de cálculo, esclarecendo que incorreu em erro, já que o tributo foi “calculado automaticamente pelo Sistema de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/94”. Discorda da exigência constante no Auto de Infração, uma vez há pagamento a maior na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” em 31.12.1992, em valor suficiente para compensar integralmente a exigência. Mediante o Despacho DRJ/Florianópolis/SC, de 17.05.1999, fls. 3637, e com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997 e na Nota Cosit/Gab nº 291, de 16 de julho de 1998, o processo foi enviado para DRF/Joinville/SC para as seguintes providências: (a) confirmar, por meio das verificações cabíveis, se a infração constante da autuação é, efetivamente, decorrente de erro de fato no preenchimento da DIRPJ; (b) caso positivo, cancelar de ofício o lançamento respeitado o princípio da economia processual e as orientações administrativas e proceder nos termos dos itens 4.1 e 4.2, da citada Nota COSIT/GAB n° 291/98; (c) caso contrário, elaborar relatório esclarecendo os motivos que determinaram o não reconhecimento das alegações formuladas pela autuada; e (d) do relatório retro deverá a autuada ser cientificada, com a concessão do prazo de quinze dias para eventual aditamento de sua impugnação, retornando o processo a esta DRJ. Intimada em 08.10.1999, fl. 53, a Recorrente apresentou os documentos às fls. 5492. Em conformidade com a Revisão de Lançamento da DRF/Joinville/SC em 14.10.1999, fls. 9394, restou constatado que [...] há saldo negativo da mesma CSLL remanescente de 1992 no valor de CR$51.069.611,00 (fls. 01 e 61) = 6.957,68 UFIR x CR$7.340,03, que poderia ter sido compensado [fl. 93]. [...] Constatase assim que houve recolhimento de CSLL por estimativa [...] em valores superiores àqueles declarados na correspondentes DIRPJ, sendo de direito a Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 242 3 compensação ou a restituição da quantia paga a maior [...]. Considerando que este direito pode ser exercido pelo próprio contribuinte na forma e no momento devidamente requerido, considerando que somente agora há manifestação de vontade do interessado na compensação deste valor proponho encaminhamento deste processo para SASIT para Despacho Decisório quanto ao direito à compensação. Na Informação Fiscal DRF/Joinville/SC, de 23.02.2012, fls. 9899, consta: 9. A questão giram em torno da possibilidade ou não de efetuar a compensação depois da de efetuada a autuação. A competência de apreciação de compensação é da SAORT. [...] Encaminhese o presente à [...] SAORT desta Delegacia para manifestar se sobre a oportunidade ou não da compensação e demais providências decorrentes [...]. A SAORT se pronunciou em 16.03.2012, fl. 99, no seguinte sentido: A compensação pretendida neste processo somente poderia se dar mediante requerimento, nos moldes previstos na IN SRF nº 21/97. Tendo em vista que isso não ocorreu, considerando ainda que não compete à Receita Federal verificar a existência de créditos antes do lançamento, não há compensação válida a ser considerada. A partir de todas essas informações, na Informação Fiscal DRF/Joinville/SC, de 26.03.2012, fls. 100101, está registrado: 11. Encaminhese o presente [...] SACAT para ciência da contribuinte e posterior envio para a [DRJ/Florianópolis/SC]. Notificada em 16.04.2012, fl. 103, a Recorrente permaneceu silente. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 07 29.995, de 15.10.2012, fls. 105110: “Impugnação Improcedente”. Consta no Voto condutor A Autuada reconhece como correto o valor da CSLL devida no mês de novembro de 1993, no montante que resultou do procedimento de revisão da sua DIRPJ/94. No entanto, contra a cobrança que lhe é dirigida por meio do auto de infração de fls. 6 a 10, basicamente apresenta duas alegações: que o erro constatado no procedimento de ofício teria sido causado pelo programa que auxilia a elaboração da declaração; e que possui saldo na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” (em 31/12/1992), em montante suficiente para compensação integral da diferença exigida. Em análise aos argumentos e aos fatos demonstrados no presente processo, considerando o direito então vigente, há que se concluir que não assiste razão à Impugnante. Como se nota, a Contribuinte tenta se eximir da responsabilidade pela apuração da CSLL devida no mês de novembro de 1993, sob a alegação de que o erro constatado no procedimento de revisão da DIRPJ/94 teria sido causado pelo programa que auxilia a elaboração da declaração. Tal alegação não pode ser acolhida. Para bem elucidar a questão, cabe esclarecer que a CSLL do mês de novembro de 1993 deveria ser apurada pela Contribuinte, e eventualmente recolhida se houvesse valor a pagar, em momento anterior àquele em que deveria formalizar a apuração na DIRPJ/94. [...] Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 243 4 Portanto, considerando que à luz da legislação vigente a apuração da CSLL do mês de novembro de 1993 deveria ser realizada em momento anterior ao de apresentação da DIRPJ/94, ainda que o programa que auxiliava a elaboração da referida declaração apresentasse o erro alegado (provocando justamente a redução no valor do tributo devido), a Contribuinte percebeu (ou deveria ter percebido) o problema na declaração, afinal, conhecia (ou deveria conhecer) o valor correto. E ao invés de reportar o fato à autoridade competente, a Contribuinte preferiu silenciar e declarar o tributo em montante inferior ao devido. Se assim procedeu, assumiu a responsabilidade pela informação declarada, e o risco decorrente de tal conduta. De toda sorte, o que se tem claramente demonstrado nos autos é a declaração de tributo devido em montante inferior ao legalmente exigido sendo, portanto, correto o lançamento fiscal que formaliza o crédito relativo à diferença. Há, ainda, que se analisar o argumento de que possuía saldo na conta “Contribuição Social Antecipada Estimada” (em 31/12/1992), em montante suficiente para compensação integral da diferença exigida. Como resultado da diligência determinada por esta DRJ, constatouse que, de fato, havia saldo negativo da CSLL remanescente de 1992 no valor de 6.957,68 UFIR, que poderia ter sido compensado pela Contribuinte (fl. 93). No entanto, também restou esclarecido que a compensação pretendida somente poderia se dar mediante requerimento, nos moldes previstos pela então vigente Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997 [...]. Portanto, ao invés de observar a legislação vigente e requerer a compensação de acordo com as regras então vigentes, a Contribuinte simplesmente optou por questionar o auto de infração que, como visto, foi corretamente lavrado. Consequentemente, conforme bem esclareceu a autoridade fiscal da Saort da DR/Joinville/SC (fl. 99), tendo em vista que a Contribuinte não apresentou o requerimento previsto na legislação, considerando ainda que não compete à Receita Federal do Brasil verificar a existência de créditos do sujeito passivo antes de constituir seu direito por meio do lançamento fiscal, não há compensação válida a ser considerada. Notificada em 13.12.2012, fl. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.01.2012, fls. 11516, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou [...] os livros fiscais demonstrando que o cálculo da [CSLL] foi feito utilizando se a alíquota de 23% [...] e devidamente compensado [e que] a diferença apurada pela autoridade fiscal se originou simplesmente em virtude de erro na sistema da DIRPJ/1994, que utilizou a alíquota de 10%. [...] A Recorrente não se eximiu da responsabilidade do cálculo da CSLL [...] sendo inclusive apresentada Pa autoridade fiscal copia dos resultados dos respectivos livros, onde consta demonstrado o valor devido totalmente compensado. [...] A diferença ocorreu por erro de fato no programa da DIRPJ/1994 [caso em que] ficou impossibilitada de informar os valores corretos. [...] Esclarece que à época a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, ainda não tinha sido editada. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 244 5 Suscita Conforme visto pela própria autoridade fiscal, houve recolhimento de CSLL por estimativa (fls. 69 a 71 do processo), em valores superiores aqueles declarados na correspondente DIRPJ, sendo de direito a compensação ou restituição da quantia paga a maior. Novamente entende a recorrente que o valor foi devidamente compensado na época própria, conforme demonstrado para a autoridade fiscal e devidamente registrado nos livros fiscais entregues à fiscalização, comprovando a compensação dos valores. Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Cabe esclarecer que são incontroversos os valores constantes no Auto de Infração às fls. 0511 decorrente da revisão da DIRPJ em relação à CSLL devida em novembro do anocalendário de 1993, nos termos da Tabela 1. Tabela 1 – Valores objeto do lançamento de ofício do anocalendário de 1993 Descrição Valores de Novembro de 1993 (C) CSLL em CR$ DIRPJ CR$268.670,00 CSLL em UFIR DIRPJ 1.982,07 UFIR CSLL a Pagar em UFIR DIRPJ 0,00 UFIR CSLL em CR$ Apurada de Ofício CR$552.631,00 CSLL em UFIR – Apurada de Ofício 4.076,95 UFIR CSLL a Pagar em UFIR – Apurada de Ofício 2.094,88 UFIR CSLL em CR$ Apurada de Ofício Diferença Lançado no Auto de Infração CR$283.951,00 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 245 6 CSLL em UFIR – Apurada de Ofício Diferença Lançado no Auto de Infração 2.094,88 UFIR CSLL a Pagar em UFIR – Apurada de Ofício Diferença Lançado no Auto de Infração 2.094,88 UFIR A Recorrente procura demonstrar que o débito de CSLL devida em novembro de 1993 no valor remanescente de CR$283.951,00 (2.094,88 UFIR) foi totalmente extinto por compensação com utilização do direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1992 na contabilidade, não nos moldes da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, porque na época ainda não tinha sido editada. Vale esclarecer que o crédito tributário pode ser extinto pela modalidade de compensação, nas condições e sob as garantias que a legislação tributária estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Na época nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, o sujeito passivo pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes e efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. A compensação ou restituição seria efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR1. Em relação à Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, temse que de fato em novembro de 1993 esse ato ainda não tinha sido editado. Na época prevaleciam as normas previstas no art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e no art. 170 do Código Tributário Nacional. Esses atos normativos dispunham que, por via de regra, o sujeito passivo que apurasse crédito relativo a tributo administrado pela SRF, passível de restituição, poderia utilizálo para compensação com débitos do sujeito passivo, em procedimento espontâneo e seria efetuada entre tributos sob a administração da SRF, desde que fossem da mesma espécie e tivessem a mesma destinação constitucional. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações em relação à extinção do crédito tributário constituído pelo lançamento pela modalidade de compensação antes da ciência do Auto de Infração. No Livro Razão Analítico apresentado pela Recorrente está escriturado, fl. 66: CONTA 1161.00031 CS ANTECIPADA ESTIMADA SALDO INICIAL 713.788,39 5.878 30/11/93 0002 VL. V.M.A. N/MÊS 229.325,13 D 6.311 30/11/93 0002 VL CONTRIB. SOCIAL COMPENSADA N/MES 924.914,00 C SALDO FINAL 18.199,52 Esses valores e as respectivas descrição entretanto não evidenciam de forma inequívoca, explícita clara e congruente, porque faltam as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem que de fato o débito de CSLL devida em novembro de 1993 no valor remanescente de CR$283.951,00 (2.094,88 UFIR) foi totalmente extinto por 1 Fundamentação legal: inciso II do art. 156 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 246 7 compensação com utilização do direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1992 na contabilidade. Verificase que os valores informados na DIRPJ e alterados pelo lançamento de ofício não coincidem com aqueles registrados no Livro Razão Analítico. As Planilhas elaboradas pela Recorrente, fls. 65, 6869, por si sós, não evidenciam, em definitivo, que a referida compensação foi levada a efeito na época na forma, no tempo e lugar corretos. Nessa oportunidade, a Recorrente deve produzir um conjunto probatório robusto de efetivamente sua alegação esteja exata, inclusive com decomposição dos valores para que se possa identificar que em novembro de 1993 o valor remanescente de CR$283.951,00 (2.094,88 UFIR) de débito de CSLL lançado de ofício foi totalmente extinto por compensação com utilização do direito creditório de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1992. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona intime a Recorrente a apresentar os registros fiscais e contábeis dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais que corroborem sua alegação de defesa de forma inequívoca, explícita clara e congruente com os valores e as respectivas descrições conjugadamente com as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem que de fato o débito de CSLL devida em novembro de 1993 no valor remanescente de CR$283.951,00 (2.094,88 UFIR) foi totalmente extinto por compensação com utilização do direito creditório de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1992 na contabilidade. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000521/9815 Resolução nº 1801000.259 S1TE01 Fl. 247 8 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000476/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENÇA DE CONTRADIÇÃO ENTRE CONTEÚDO DA EMENTA E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA SANAR O ERRO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão recorrido, omissão, contrariedade ou obscuridade, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF nº 256/09.
No presente caso, restou evidenciada a contradição entre o conteúdo da ementa e o dispositivo do acórdão embargado.
Embargos conhecidos e acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) em rerratificar o acórdão recorrido, para que se proceda a correção da ementa, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENÇA DE CONTRADIÇÃO ENTRE CONTEÚDO DA EMENTA E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA SANAR O ERRO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão recorrido, omissão, contrariedade ou obscuridade, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF nº 256/09. No presente caso, restou evidenciada a contradição entre o conteúdo da ementa e o dispositivo do acórdão embargado. Embargos conhecidos e acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) em rerratificar o acórdão recorrido, para que se proceda a correção da ementa, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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PRESENÇA DE CONTRADIÇÃO ENTRE CONTEÚDO DA EMENTA E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA SANAR O ERRO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão recorrido, omissão, contrariedade ou obscuridade, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF nº 256/09. No presente caso, restou evidenciada a contradição entre o conteúdo da ementa e o dispositivo do acórdão embargado. Embargos conhecidos e acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) em rerratificar o acórdão recorrido, para que se proceda a correção da ementa, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 76 /2 00 7- 98 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela União (FAZENDA NACIONAL), fundamentado no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra Acórdão nº 230101.518 que: “por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, I, do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria ser aplicado o artigo 150, § 4º CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores”. 2. Segundo a embargante, há contradição entre o conteúdo da ementa do acórdão julgado e o dispositivo. Para demonstrar o alegado, a Fazenda coteja a ementa do decisum com o dispositivo, conforme transcrição abaixo: “DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos' 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 150, §4°, do CTN, haja vista que não houve o recolhimento, considerada a documentação juntada pela empresa recorrente. O Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial ao recurso e no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores.”[g.n] Fl. 21DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000476/200798 Acórdão n.º 2301003.081 S2C3T1 Fl. 2.713 3 3. Suscita o conhecimento e acolhimento dos embargos, para correção da ementa, fazendo constar a regra decadencial do art. 173, inc. I do CTN. 4. Em seguida os autos foram encaminhados a este conselheiro para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 230101.518, de minha relatoria, em razão da contradição existente entre o conteúdo da ementa e o seu dispositivo. 2. No meu entender, tem razão a recorrente em requerer que seja solucionada a contradição apontada no referido aresto. 3. E, no meu sentir, merece guarida a pretensão fazendária, pois quanto a preliminar de decadência, defendi a aplicação da regra do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional – CTN em razão de haver recolhimento parcial considerando a totalidade da folha de salário apresentada pela recorrente, no entanto, essa tese restou vencida por voto de qualidade. 4. Assim, entendo que a ementa deve ser corrigida para se adequar ao dispositivo do acórdão embargado, qual seja: a regra decadencial aplicável ao presente caso é aquela prevista no artigo 173, I do CTN. 5. Dessa forma, me posiciono no sentido de admitir os embargos de declaração, para retificar a ementa do acórdão e fazer constar no seu texto a aplicação do art. 173, I do CTN como regra decadencial adotada. CONCLUSÃO 6. Feitas estas considerações, voto pelo acolhimento dos embargos declaratórios, na forma acima delineada. (assinado digitalmente) Relator Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 22DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13794.720143/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS JUDICIALMENTE. TRIBUTAÇÃO.
Os valores pagos em cumprimento de decisão da Justiça Federal, mediante precatório ou requisição; de pequeno valor, estão sujeitos a retenção na fonte pela instituição financeira responsável pelo pagamento à aliquota de 3% e deverá ser declarado peio interessado na Declaração de Ajuste Anual e será
considerado antecipação; do imposto a ser apurado pelo contribuinte.
RENDIMENTOS ISENTOS. LEI 10.559/2002. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
Os valores que, comprovadamente, representem reparação económica
reconhecida em ato do Ministro da Justiça e pagos com recursos do Tesouro Nacional a anistiados politicos são isentos do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-002.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcio de Lacerda Martins
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS JUDICIALMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os valores pagos em cumprimento de decisão da Justiça Federal, mediante precatório ou requisição; de pequeno valor, estão sujeitos a retenção na fonte pela instituição financeira responsável pelo pagamento à aliquota de 3% e deverá ser declarado peio interessado na Declaração de Ajuste Anual e será considerado antecipação; do imposto a ser apurado pelo contribuinte. RENDIMENTOS ISENTOS. LEI 10.559/2002. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. Os valores que, comprovadamente, representem reparação económica reconhecida em ato do Ministro da Justiça e pagos com recursos do Tesouro Nacional a anistiados politicos são isentos do imposto de renda.
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Numero do processo: 16327.000174/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA.
Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 74 /2 00 9- 76 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PREVIBOSCH SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO – SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF Mensal — 1.5 referente a Março de 2007, no valor de R$18.037,80 (fls. 36). Em 26/01/2009, o interessado supra qualificado apresentou a Impugnação, de fls. 01/14, na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral, porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1° semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do "PGD DCTF Mensal" (fls. 39); 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 8a Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8° RF/Disit n° 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, 1, c/c art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte — CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3° a 5° da IN SRF n° 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000174/200976 Acórdão n.º 1803001.930 S1TE03 Fl. 540 3 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF e do DACON, e foi obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar q as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições vertidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do art. 3°, da IN SRF n° 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1637.048, de 30 de março de 2012 (fls. 64/68), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OPÇÃO PELA DCTF MENSAL. Ainda que estivesse desobrigado a apresentar a DCTF mensal, seria cabível a multa pelo atraso na entrega. In casu, não restou comprovado que o contribuinte tomou as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF semestral. Ciente da decisão em 03/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 72), apresentou o recurso voluntário em 04/06/2012 fls. 73/90, onde reitera as alegações da inicial. Em 26/11/2012 complementa suas alegações apresentando os documentos de fls. 391/512, compostos das DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais de 2005 e 2006. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensal de março de 2007 (fl. 36). Alega a recorrente em síntese: a) Que “é entidade de previdência complementar fechada, sem fins lucrativos, com personalidade distinta de seus patrocinadores, não tributada pelo lucro real e, ainda, que não aufere receita bruta, já que é mera administradora dos fundos de seus beneficiários.”; b) Que “sempre procedeu a entrega de suas DCTFs na forma semestral, mas que em relação ao 1º semestre de 2007, não logrou êxito na entrega pois o sistema da RFB informou estar sujeita à DCTF mensal”; c) Que “entende estar sujeita apenas a DCTF semestral de acordo com as Instruções Normativas SRF 695/2006 e 786/2007”; d) Que “formulou consulta à Secretaria da Receita Federal e de acordo com a resposta dada em 23.11.2008 foi considerado instrumento inadequado já que não se trata de divergência de interpretação de dispositivos da legislação tributária”; e) Que a decisão de primeira instância merece reforma pois “entendeu equivocadamente que a recorrente não buscou solução adequada para seu problema de entrega das DCTFs e que não comprovou que estava desobrigada à entrega da DCTF mensal.” f) Que “é pessoa jurídica que atua como entidade fechada de previdência complementar não auferindo qualquer tipo de receita. Não possui fins lucrativos, não presta qualquer tipo de serviço e não realiza a venda de mercadorias, limitandose, apenas, à administração dos fundos dos seus beneficiários...”; g) Que “não aufere receitas pois apenas administra os planos de benefícios de natureza previdenciária, devendo ser excluídas da receita bruta das entidades de previdência complementar as contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, bem como rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates.”; h) Que “conforme atestam as DCTFs de 2005 e 2006, não declarou débitos superiores a R$ 3.000.000,00,...”; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000174/200976 Acórdão n.º 1803001.930 S1TE03 Fl. 541 5 i) Que “somente apresentou as DCTFs mensais por imposição do sistema da RFB não sendo sua opção tendo entrega normalmente a DACON de forma semestral”; j) Que “a Administração Tributária não encontrou solução para o seu problema considerando indevidamente a consulta ineficaz”; k) Que “no prazo de 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, apresentou regularmente as DCTFs mensais, sem no entanto estar obrigada, apenas por imposição dos sistemas da RFB, fato que elide a multa de mora aplicada.” Assiste razão à interessada. Com efeito, deve ser afastada inicialmente a dúvida lançada pela decisão de primeira instância sobre a data da mensagem de erro (fl. 39) impossibilitando a entrega da DCTF semestral. O protocolo da consulta formulada à Administração Tributária (fl. 41) comprova que a mesma está datada de 04/10/2007, dentro portanto do prazo regulamentar para a entrega da DCTF semestral preconizado no art. 8º da Instrução Normativa SRF 695/2006. A solução de consulta foi formulada em 04/10/2007 e teve sua resposta cientificada em 23/11/2008 (fl. 50). Não tem sentido afirmar, portanto, que a contribuinte não comprovou estar impedida de efetuar a entrega da DCTF semestral ou que não buscou de forma legal e transparente a solução para o conflito delineado em qual modalidade (mensal ou semestral) de entrega da DCTF a que estava obrigada nos anos 2007 e 2008. Resta verificar se conforme alega a recorrente, não estava realmente sujeita à entrega da DCTF mensal, fato que afastaria o mérito de suas alegações. Neste sentido cabe verificar as hipóteses de enquadramento delineadas nas Instruções Normativas 695/2006 e 786/2007, que abrangem o período em que deixou de entregar as DCTFs mensais até a ciência da solução de consulta. A Instrução Normativa SRF 695/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3 º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III – sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou Fl. 543DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Da mesma forma a Instrução SRF 786/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Conforme a recorrente reiteradamente tem afirmado e comprovado através de seu estatuto (fls. 514/531) e DIPJ (fls. 54/59), tratase de entidade de previdência privada fechada que administra planos de previdência complementar, tendo como patrocinadoras as empresas/associações “Robert Bosch Limitada, Ishida Do Brasil Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Do Brasil, Bosch Rexroth Limitada, Robert Bosch Tecnologia De Embalagem Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Limitada, ZF Sistemas De Direção Limitada”. Portanto a rigor, exceto pequenas taxas de administração, não tem a entidade receitas pois a quase integralidade de seus ingressos decorrem das contribuições dos planos de previdência e as receitas de aplicações financeiras de suas reservas atuariais, que não lhe pertencem mas sim são geridas em seu nome. As cópias da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais dos anos 2005 e 2006 (parâmetro para o enquadramento nas modalidades mensal ou semestral) juntadas às fls. 391/512 e Balancetes (fls. 96/135), demonstram claramente esta constatação, afastando qualquer dúvida de que as receitas da recorrente estão abaixo do limite anual de R$ 30.000.000,00 de receita bruta. Por outro lado, tampouco atinge a recorrente o limite superior a R$ 3.000.000,00 de débitos declarados nos anos de 2005 e 2006 que a sujeitariam à apresentação da DCTF mensal em 2007 e 2008. Com efeito, conforme atestam as DCTFs fls. 138, 203, 267 e 324, não atinge a contribuinte o limite anual superior a R$ 3.000.000,00 para enquadramento na exigência de DCTF mensal nos anos calendários 2007 e 2008. Estando impedida de apresentar a DCTF semestral por evidente equívoco nos sistemas da RFB e tendo formulado regularmente consulta para solução do seu problema, mesmo sem obter solução satisfatória, não vejo como penalizar a contribuinte com a multa pelo atraso na entrega das DCTFs mensais. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000174/200976 Acórdão n.º 1803001.930 S1TE03 Fl. 542 7 A multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal somente seria aplicável se estivesse enquadrada na obrigatoriedade de entrega mensal da DCTF ou tivesse optado voluntariamente (o que não é o caso) pela entrega mensal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10120.004671/97-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IPC 90. INCLUSÃO. CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que, por traduzirem matéria de ordem pública, (....) os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicam-se, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos (...), devendo-se corrigir os créditos na forma da (...) Tabela Única aprovada pela Primeira Seção daquela Corte, que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ (...). (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010).
Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal.
JUROS DE MORA. JUROS SELIC. COMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. PAR. 4°. ART. 39. LEI N. 9.250/95. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que: (...) 2. Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. (...) (REsp 1111175 SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009)
Quanto aos juros de mora (artigos 161 e 167 do CTN), nos termos da súmula 188 daquela Corte: Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença.
PRETENSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA. DIREITO CREDITÓRIO. DÉBITOS FUTUROS. HIPÓTESE DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITOS VINCULADOS. PROGRAMA DE PARCELAMENTO. EXCLUSÃO. DECRETO N. 70.235/75. PODER DE CAUTELA.
Inexiste previsão legal para que Turma Julgadora deste Colegiado decrete a suspensão da exigibilidade ou manutenção da Recorrente em programa de parcelamento ante a possibilidade de, se utilizados os créditos objeto deste PAF, venha a DRF de jurisdição não homologá-los. Providência de caráter cautelar sem respaldo na legislação que rege o PAF.
Outrossim, se não homologada a compensação ou excluída de parcelamento em outro PAF, a Recorrente dispõe dos meios e recursos do contraditório e da ampla defesa para se defender, se assim quiser. Princípio da correlação e proibição de julgamento extra ou ultra petita.
Recurso voluntário procedente em parte.
Numero da decisão: 3202-000.868
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que negava provimento ao recurso, por entender que se aplicava ao caso a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº08/97.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IPC 90. INCLUSÃO. CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que, por traduzirem matéria de ordem pública, (....) os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicam-se, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos (...), devendo-se corrigir os créditos na forma da (...) Tabela Única aprovada pela Primeira Seção daquela Corte, que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ (...). (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010). Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. JUROS DE MORA. JUROS SELIC. COMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. PAR. 4°. ART. 39. LEI N. 9.250/95. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que: (...) 2. Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. (...) (REsp 1111175 SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) Quanto aos juros de mora (artigos 161 e 167 do CTN), nos termos da súmula 188 daquela Corte: Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. PRETENSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA. DIREITO CREDITÓRIO. DÉBITOS FUTUROS. HIPÓTESE DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITOS VINCULADOS. PROGRAMA DE PARCELAMENTO. EXCLUSÃO. DECRETO N. 70.235/75. PODER DE CAUTELA. Inexiste previsão legal para que Turma Julgadora deste Colegiado decrete a suspensão da exigibilidade ou manutenção da Recorrente em programa de parcelamento ante a possibilidade de, se utilizados os créditos objeto deste PAF, venha a DRF de jurisdição não homologá-los. Providência de caráter cautelar sem respaldo na legislação que rege o PAF. Outrossim, se não homologada a compensação ou excluída de parcelamento em outro PAF, a Recorrente dispõe dos meios e recursos do contraditório e da ampla defesa para se defender, se assim quiser. Princípio da correlação e proibição de julgamento extra ou ultra petita. Recurso voluntário procedente em parte.
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COMPENSAÇÃO Recorrente CICAL MOTONAUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IPC 90. INCLUSÃO. CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que, por traduzirem matéria de ordem pública, (....) os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos (...), devendose corrigir os créditos na forma da (...) Tabela Única aprovada pela Primeira Seção daquela Corte, que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ (...). (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010). Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 46 71 /9 7- 61 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 474 2 JUROS DE MORA. JUROS SELIC. COMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. PAR. 4°. ART. 39. LEI N. 9.250/95. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que: (...) 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. (...) (REsp 1111175 SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) Quanto aos juros de mora (artigos 161 e 167 do CTN), nos termos da súmula 188 daquela Corte: Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. PRETENSÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA. DIREITO CREDITÓRIO. DÉBITOS FUTUROS. HIPÓTESE DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITOS VINCULADOS. PROGRAMA DE PARCELAMENTO. EXCLUSÃO. DECRETO N. 70.235/75. PODER DE CAUTELA. Inexiste previsão legal para que Turma Julgadora deste Colegiado decrete a suspensão da exigibilidade ou manutenção da Recorrente em programa de parcelamento ante a possibilidade de, se utilizados os créditos objeto deste PAF, venha a DRF de jurisdição não homologálos. Providência de caráter cautelar sem respaldo na legislação que rege o PAF. Outrossim, se não homologada a compensação ou excluída de parcelamento em outro PAF, a Recorrente dispõe dos meios e recursos do contraditório e da ampla defesa para se defender, se assim quiser. Princípio da correlação e proibição de julgamento extra ou ultra petita. Recurso voluntário procedente em parte. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 475 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que negava provimento ao recurso, por entender que se aplicava ao caso a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº08/97. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, DF (DRJ/BSB) (fls.204/212) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 185/199) apresentada por CICAL MOTONAUTICA LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Relatório A empresa interessada acima identificada em 04/12/1997, na petição inicial requer a suspensão da cobrança dos débitos de Pis relativos aos períodos de apuração de abril, maio e julho de 1996, nos valores de R$ 2.659,8, R$ 3.192,53 e R$ 2.319,83, respectivamente, sob o argumento de que tais débitos foram compensados com base em medida judicial ainda não transitada em julgado — fls. 1 e 2. A auto; idade fiscal competente no despacho decisório (fls. 166/170), após as providências de praxe, examinou a questão e resolveu reconhecer a favor da contribuinte o crédito oriundo da decisão judicial (processo 96.00.007110) transitada em julgado em 3/10/2005, no valor atualizado até a data do encontro das contas devedora e credora de R$ 37.304,14 e deferiu as Fl. 475DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 476 4 compensações dos débitos de Pis acima citados e a restituição do saldo remanescente de R$ 30.049,73. A fl. 171, a empresa interessada argumenta que os valores dos débitos compensados neste processo devem ser desconsiderados, porque além de inseridos em outros processos estão sendo pagos através do PAES; contudo, autoridade preparadora informa (fl. 181) que os débitos compensados neste processo não contam de outros processos e tampouco encontram consolidados no parcelamento especial —PAES. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 09/06/2009 (AR 184). Em 09/07/2009, por intermédio de seu procurador (Wagner Silveira da Rocha), interpôs manifestação de inconformidade indeferida (fls. 185 a 199), na qual cita e transcreve dispositivos da legislação processual/tributária, ementas de jurisprudência judicial e administrativa e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: 1.1 PRELIMINARES a decisão enviada, SEM os "Demonstrativos" nela mencionados e sem os cálculos do crédito apurado unilateralmente pela fiscalização, não lhe permite exercer seu legítimo direito de defesa, pois sequer tem ciência de quais foram os relatórios, demonstrativos e/ou quais foram os cálculos que deram respaldo à referida decisão (eis que a cópia dos mesmos não foi juntada na intimação da decisão), tornandoa completamente nula de pleno direito, conforme normas da própria esfera administrativa; em face a presente preliminar, imperase o retorno dos autos à instância fiscal de origem para início da contagem do prazo para o recurso cabível somente a partir da intimação e da entrega de todos os documentos (relatórios, demonstrativos e planilhas de cálculos fiscais) que fundamentaram a decisão ora recorrida. seja o presente processo convertido em diligências para que possa, ao menos, obter cópia INTEGRAL de todos os relatórios, demonstrativos e planilhas de cálculos mencionados na decisão recorrida e/ou das planilhas fiscais da apuração unilateral efetuada pela Receita Federal que são extremamente importantes para o pleno exercício de sua ampla defesa ou para que seja novamente aberto prazo de 30 (trinta) dias após a efetiva vista e obtenção das cópias de todos os documentos que fundamentaram a decisão fiscal (documentos, relatórios, demonstrativos e cálculos estes NÃO recebidos por ela quando de sua intimação), com a finalidade de poder oferecer razões de defesa ou ainda, alternativamente, o aditamento de sua defesa mediante razões aditivas, e por fim, salienta a necessidade do cancelamento de TODOS os débitos relativos a competências de períodos de apuração já vencidos e prescritos seja em face da prescrição normal ou mesmo em face da decadência e/ou Fl. 476DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 477 5 ainda da prescrição intercorrente em face da suposta decisão recebida em 07/07/2008 e dos débitos apurados serem relativos a períodos anteriores de mais de 5 (CINCO) ANOS desde o início de sua exigibilidade, ou seja, de débitos da competência de set/88 a set/95. 1.2 DA INCLUSÃO DE ACRÉSCIMOS MONETÁRIOS (ÍNDICES, EXPURGOS, JUROS, SELIC) NOS CÁLCULOS DO CONTRIBUINTE, POIS AINDA QUE NÃO CONTEMPLADOS NA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, NÃO REPRESENTAM OFENSA À COISA JULGADA. a jurisprudência já consolidou o entendimento pacífico de que os acréscimos monetários (índices, expurgos, juros, selic) nos cálculos não representam ofensa à coisa julgada (Decisão do STJ REsp 603441/DF RECURSO ESPECIAL 2003/01954410 Relatora Ministra ELIANA CALMON DJ 28.02.2005 p. 290), devendo a decisão ser reformada no prazo de 5 (CINCO) pela autoridade que proferiu a decisão recorrida para fins de reconsideração da mesma ou no máximo de 30 (trinta) dias pelo órgão superior previsto pelo art. 56 e 59, § I ° da Lei 9.784/99. 1.3 DA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA CUMULADOS COM A APLICAÇÃO DOS JUROS LEGAIS PELA TAXA SELIC EM FACE DA SÚMULA 254 DO STF CONTADOS A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS POR SE TRATAR DE INDÉBITOS INCONSTITUCIONAIS E NÃO DE MEROS INDÉBITOS POR ERRO DO CONTRIBUINTE PRECEDENTES DO STF E DO STJ. a decisão recorrida não cumpriu com o dever de aplicação de acréscimos monetários sobre os cálculos fiscais feitos unilateralmente pela fiscalização, sem qualquer ciência, para se defender. O cálculo correto, já precluso em juízo, fundamentaram o aumento do cálculo. Os cálculos de liquidação administrativa de seus créditos efetuados pela autoridade fiscal devem ser reconsiderados, uma vez que provavelmente desobedeceram a SÚMULA 254 do STF que, além dos juros legais pela taxa SELIC, determina expressamente a aplicação de juros moratórios na liquidação dos cálculos do crédito. 1.4 PRECEDENTE JURISPRUDENCIAL DO STJ DETERNINA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA DESDE O PAGAMENTO INDEVIDO o STJ em recente julgado proferido pelo Ministro Franciulli Netto no Recurso Especial n° 505.163 GO posicionouse pelo afastamento da aplicação do § 1 ° do art. 167 do CTN e da Súmula n° 188 daquela Egrégia Corte, que determina ERRONEAMENTE a incidência de juros moratórios apenas quando do trânsito em julgado da decisão judicial. Segundo seu acertado entendimento os juros moratórios são devidos a partir do pagamento indevido, quando esta (Fazenda Nacional) estaria constituída em mora. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 478 6 1.5 DA DETERMINAÇÃO LEGAL PELOS ART, 48, §3°, INCISOS I E II. DA IN SRF 600/2005 BEM COMO DO ART. 74, § 20 E/ou § 9° DA LEI 9.430/96 QUE DETERMINAM O DEVER DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉ OS COMPENSADOS BEM COMO DO DIREITO À OBTENÇÃO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA LIMITADOS APENAS AOS DÉBITOS DO PROCESSO EM COMENTO, EM FACE DO RECURSO ADMINISTRATIVO SUBJUDICE (ARE 151. III DO CTN). tem direito da suspensão dos débitos compensados em face de recurso interposto no processo administrativo; até o limite do crédito pleiteado no referido processo administrativo, conforme lhe é assegurado pelos artigos 151, inciso III, do CTN; 48, § 3% inciso I, e II da IN SRF n° 600/2006. albergando ainda tal direito, a suspensão da cobrança dos débitos objeto de compensação é forma de extinção do crédito tributário de acordo com o art. 156 do CTN: ‘Extinguem o crédito tributário: II – a compensação’. Ademais, tem seu direito também amplamente amparado pelo art. 201 do CTN; a Medida Provisória n° 66, de 2002, no seu artigo 49 alterou a disposição do art. 74 da Lei n° 9.430/96, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela compensação, sendo que os pedidos de tais compensações serão considerados "declaração de compensação" desde o seu protocolo, de forma a suspender a exigibilidade até ulterior homologação, a qual vai darse somente depois de percorrido todas as instâncias administrativas para sua posterior homologação definitiva ou não; no presente pleito o afastamento dos óbices levantados contra o TOTAL do crédito pleiteado para futuras compensações pleiteadas em processo administrativo ainda sub judice, determinando a suspensão da exigibilidade das mesmas, bem como a exclusão de tais valores do REFIS e inclusive a não futura inclusão de outros ou dos mesmos valores, e ainda, a não exclusão da autora do REFIS e/ou PAES pelo não pagamento dos débitos compensados com base nos créditos pleiteados no recurso administrativo e sub judice na própria esfera administrativa, podendose falar na negativação do conta corrente da autora somente quando houver a apreciação final de todos os recursos interpostos; o próprio Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento acerca da matéria em discussão, ou seja, a questão da impossibilidade da cobrança de dívida enquanto houver procedimentos recursas administrativos e/ou judiciais pendentes: 1.6 DO PEDIDO Requer, seja dado provimento a presente Manifestação de Inconformidade interposta contra a decisão recorrida reconhecendose integralmente o crédito pleiteado, com sua integral correção, homologandose todas as Fl. 478DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 479 7 compensações efetuadas, bem como seja mantida a suspensão da exigibilidade das compensações efetuadas até o exaurimento administrativo. Requer ainda a nulidade de quaisquer abatimentos, amortização e/ou deduções de débitos relativos a competências de períodos de apuração de mais de 5 (CINCO) anos atrás, haja vista a prescrição de tal cobrança em face da lei vigente à época, bem como da nova Lei Complementar 118/2005, deduzidos indevidamente do total do seu crédito e/ou seja convertido o processo em diligências para que a autoridade fiscal proceda à devida inclusão dos expurgos inflacionários determinados na tabela abaixo. A decisão, a DRJ/BSB que manteve o lançamento através do acórdão n° 03 32.734, de 20 de agosto de 2009, foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 Restituição/Compensação de Tributos Atualização. O crédito relativo a pagamento indevido deve ser atualizado pelos índices de correção e pela taxa Selic, autorizados pela legislação tributária de regência. Prescrição Intercorrente No Processo Administrativo Fiscal não se configura a prescrição intercorrente, se o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Irresignada com a r. decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, retomando os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, na qual aduz, em síntese, que: a) devem ser incluídos acréscimos monetários (índices, expurgos, juros, SELIC) nos cálculos do contribuinte mesmo que não contemplados na decisão transitada em julgado, pois tais acréscimos não representam violação à coisa julgada; b) devem ser aplicados juros de mora cumulados com a aplicação de juros legais pela taxa SELIC em razão da Súmula n° 254 do Supremo Tribunal Federal contados a partir dos pagamentos indevidos; c) devem ser aplicados os juros de mora desde os pagamentos indevidos; Fl. 479DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 480 8 d) alega que a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário e que a compensação é forma de extinção do referido crédito, assim, enquanto perdurarem os efeitos da suspensão, a certidão a que faz jus a Recorrente é positiva com efeito de negativa. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Expurgos inflacionários A Recorrente postula a aplicação de índices, expurgos, juros e SELIC às importâncias indevidamente recolhidas a título de PIS (DecretosLeis n° 2.445, de 29 de junho de 1988 e 2.449, de 21 de julho de 1988), objeto de compensação nos autos do processo judicial n° 96.7110, processada perante a 6ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Brasília, DF. Ao julgar o pleito da Recorrente, à vista da inexistência de comando judicial determinando a aplicação dos expurgos, a instância de piso houve por bem negar sua inclusão nos cálculos de liquidação, eis que vinculada ao que determina a norma de execução conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8/1997. Quanto à inclusão dos expurgos inflacionários na liquidação do indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através do rito dos recursos repetitivos. In verbis: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 481 9 PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 482 10 impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986;(iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 483 11 sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1112524/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/09/2010, DJe 30/09/2010) (g.n.) Como visto, a jurisprudência do STJ firmada no rito dos recursos repetitivos abona a inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos de liquidação do indébito tributário independentemente de requerimento contribuinte ou do querer da Fazenda Nacional, haja vista ser de ordem pública a matéria relativa à correção monetária. Assim, é com base no parâmetro previsto na decisão supracitada, ou seja, o Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução do Conselho da Justiça Federal (CJF) n° 134, de 21 de dezembro de 2010 (ou outro diploma que venha a substituílo), parâmetro que trata, além dos expurgos, do termo inicial e da impossibilidade de cumulação de juros de mora e remuneratórios, dentre outras questões, que devem ser feitos os cálculos de liquidação objeto da compensação em análise. Aliás, sobre o pleito da Recorrente, é válido consignar que o referido Manual assim dispõe: 4.1.2.1 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral (descontando o BTN ou outro índice utilizado, evitando bis in idem), já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72%; fev/89 = 10,14%; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 484 12 mar/90 a fev/91= IPC/IBGE em todo o período. Não obstante, é oportuno lembrar que o Regimento Interno do CARF (RICARF), na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21, de dezembro de 2010, determina em seu artigo 62A que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (g.n.) Dessa forma, com fulcro no artigo 62A do RICARF, inafastável a aplicação dos critérios do Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal nos cálculos de liquidação do indébito tributário. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Impossibilidade de cumulação dos juros e termo inicial de sua contagem Alega ainda a Recorrente que a decisão recorrida bem provavelmente não cumpriu com o dever de aplicação dos acréscimos monetários. Compulsandose os autos, verifico que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia (DRF/GO) efetuou cálculos fls.138 a 146. Segundo a decisão a quo, tais cálculos foram realizados na forma da norma de execução conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8/1997 e juros SELIC a partir de 1° de janeiro de 1996, como determina o §4° do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Como ressaltado no item precedente, a jurisprudência dominante do STJ determina seja aplicado o Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Fl. 484DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 485 13 Federal como parâmetro legal para fins de liquidação do indébito tributário, devendose observar, sem prejuízo de outras disposições aplicáveis para o cálculo dos juros, o seguinte critério: 4.4.2 JUROS DE MORA Ver regras gerais no item 4.1 deste capítulo. Caso não haja decisão judicial em contrário, utilizar os seguintes critérios: Período Taxa mensal – capitalização OBS Até 31.12.95 1,0% simples Contados a partir do trânsito em julgado (art. 161, §1°, c/c 167, parágrafo único, ambos do CTN), excluindose o mês de início e incluindose o mês da conta. A partir de 01.01.96 Selic NOTA: A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) deve: a) ser capitalizada de forma simples, sendo vedada sua incidência cumulada com os juros de mora e com a correção monetária; b) ser aplicada a partir do mês seguinte ao recolhimento indevido até o mês anterior à repetição, e 1% no mês da repetição. Ressalto, contudo, que dois parâmetros relevantes e também já decididos no rito dos recursos repetitivos pelo STJ devem ser observados: (i) Na forma do parágrafo único do artigo 167 do CTN, os juros de mora do §1° do artigo 161 do mesmo diploma (1% ao mês) devem ser calculados somente a partir do trânsito em julgado da sentença. Assim, os juros de mora só passam a fluir quando constituído o indébito e constituída a mora do devedor. Esse é o entendimento abonado pela jurisprudência do STJ: Nos termos do art. 167, parágrafo único do CTN e da Súmula 188/STJ,"Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença". Tal regime é aplicável à repetição de indébito de contribuições previdenciárias, que também têm natureza tributária. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 486 14 (REsp 1086935 SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/11/2008, DJe 24/11/2008) (ii) A vista de a SELIC configurar juros remuneratórios (correção e juros de mora a um só termo), regendose pelo artigo 39, §4° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, à exceção, portanto, da disciplina dos artigos 161 e 167 do CTN, como autoriza o §1° do mesmo artigo 161, na forma do §4° do artigo 39 da referida lei, tais juros devem ser aplicados a partir de 1° de janeiro de 1996, irrelevante se configurada ou não a mora com o trânsito em julgado da decisão desfavorável à Fazenda Nacional. Essa é o entendimento já pacificado pelo STJ também sob o rito dos recursos repetitivos: Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. (REsp 1111175 SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) Assim, do exposto, para fins de cálculo: (i) devem ser observados os critérios do Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal; (ii) inviável a cumulação de juros de mora e SELIC; (iii) na forma dos artigos 161 e 167 do CTN, os juros de mora são devidos a partir do trânsito em julgado da decisão que condenar a Fazenda Nacional a restituição de valores indevidamente pagos e (iv) os juros SELIC devem ser aplicados sobre os pagamentos indevidos a partir de 1° de janeiro de 1996, irrelevante se transitada em julgado ou não a decisão que a condenar ao pagamento de tributo indevido. Suspensão da exigibilidade A Recorrente discorre ainda sobre seu direito à suspensão da exigibilidade do crédito tributário e manutenção de certidão positiva com efeitos de negativa enquanto perdurar o litígio administrativo posto nestes autos. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 487 15 Assim, entende cabível o afastamento dos óbices levantados contra o TOTAL do crédito pleiteado para futuras compensações pleiteadas em processo administrativo ainda sub judice, determinando a suspensão da exigibilidade das mesmas, bem como a exclusão de tais valores do REFIS e inclusive a não futura inclusão de outros ou dos mesmos valores, e ainda, a não exclusão da Autora do REFIS e/ou PAES pelo não pagamento dos débitos compensados com base nos créditos pleiteados no recurso administrativo e sub judice na própria esfera administrativa podendose falar na negativação do contacorrente da Autora somente quando houver a apreciação final de todos os recursos interpostos. (sic) Como visto, a Recorrente pretende que esta Turma determine a suspensão da exigibilidade de futuros débitos não homologados em processos administrativos que, sabese lá, sequer existem, cujo crédito vinculado seria o indébito de PIS in tela, bem assim decrete a manutenção da Recorrente em programas de parcelamento, se porventura excluída em razão de não homologação ou não pagamento de débitos compensados. A pretensão da Recorrente, nesse ponto, afronta regras basilares de Direito, bem assim o processo administrativo fiscal (PAF), nos moldes em que definido pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, o que, além de defeso aos julgadores desta Turma, representa usurpação de competência deste Colegiado. Se não homologada a compensação ou excluída de parcelamento no futuro, a Recorrente certamente terá à sua disposição os meios e recursos do contraditório e da ampla defesa à sua disposição para defenderse, se assim quiser. Como se sabe, o princípio da correlação ou adstrição do juiz à causa impede possa o julgador decidir além dos limites da lide (ultra ou extra petita). Tal princípio, expresso nos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, por si, já é suficiente para inviabilizar a pretensão da Recorrente. Ante tais considerações, igualmente sem razão falarse em (i) prescrição de cobrança de valores há mais de 5 (cinco) anos com fundamento na Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005 (se houvesse decadência nos autos, esta operaria em desfavor da Recorrente, haja vista tratarse de direito creditório. Além disso, a referida lei nada interfere no debate posto nos autos); (ii) preclusão do direito de se apurar o quantum (não há notícia de liquidação judicial do crédito objeto deste processo, se tal ocorreu, a priori, seria o caso de se decretar a concomitância, como emana da Súmula CARF n° 2) e (iii) aplicação da Súmula vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) (a referida súmula cuida de assunto totalmente diverso, nada influindo na liquidação do julgado). Destarte, neste ponto, irreparável a decisão a quo. Por fim, nego a diligência requerida pela Recorrente, por desnecessária, uma vez que não se presta a apuração de fatos, podendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição da Recorrente efetuar o cálculo dos expurgos e demais consectários com base no Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.004671/9761 Acórdão n.º 3202000.868 S3C2T2 Fl. 488 16 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO EM PARTE ao recurso, para: (i) determinar a inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos e se proceder à liquidação do indébito na forma do Manual de Orientação e Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal e (ii) determinar sejam aplicados os juros SELIC a partir de 1° de janeiro de 1996, na forma do §4° do artigo 39 da Lei n° 9.250/95. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 488DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10480.913041/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 04 1/ 20 09 -1 1 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. A Recorrente apresentou a Declaração de Compensação DCOMP (fls. 01/05), por meio da qual procurou compensar crédito a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, do período de apuração de 30/04/2008, débito de IRPJ Lucro presumido do 1º TRIM/2008, no valor de R$ 429.044,10. A DRF Recife, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 6), não homologou a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado no PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp, senão vejamos: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 436.403,49. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação do débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11/16), argumentando e requerendo, em síntese, que: a) o presente processo teve início em 17/07/2008 em razão da Declaração de Compensação transmitida, na qual identificou DARF do período de apuração de 30/04/2008 correspondente a IRPJ, código de receita 2089, com vencimento em 30/04/2008 e recolhido em 30/04/2008, no valor de R$ 440.492,82, sendo este o mesmo valor do débito a ser compensado e identificado na Declaração de Compensação; b) “Detectase desde logo o erro de preenchimento daquele DARF quanto ao ‘período de apuração’, posto que o correto seria ‘período de apuração 31 de março de 2008’ (primeiro trimestre de 2008), e não ‘período de apuração 30 de abril de 2008”; c) no pedido da “Declaração de Compensação”, a manifestante informa o débito a ser compensado no valor de R$ 429.044,10; d) em 13/05/2008, apresentou DCTF relativa ao mês de março/2008, com PIS/Pasep no valor de R$ 31.516,90 e Cofins de R$ 145.462,64, mas que, uma vez transmitida Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 4 3 aquela DCTF, verificou que a mesma continha algumas omissões relativas à totalização dos tributos no mês de referência; e) em 14/05/2008, com o objetivo de sanear aqueles erros de informações relativos à DCTF primitiva, elaborou e transmitiu a 1a DCTF retificadora, protocolada sob o nº 37.64.19.80.52, na qual informa novos tributos devidos em favor da Fazenda Nacional, relativos ao mês declarado, nos seguintes valores: IRPJ, R$ 440.492,82 (valor incluído); CSLL, R$ 159.258,10 (valor incluído); PIS/Pasep, R$ 31.516,90; Cofins R$ 145.462,64; f) fez lançar a informação de "Débito Apurado" sob a rubrica de IRPJ 1° TRIM2008, devido em favor da Fazenda Nacional no importe de R$ 440.492,82, quando o valor que deveria ter sido lançado naquela DCTF importaria R$ 429.044,10, no entanto, por equívoco, foi lançado/declarado como sendo R$ 440.492,82; g) verificado o equívoco, procedeu à transmissão da 2ª DCTF retificadora, recepcionada em 17/07/2008 sob o nº 37.07.28.41.47, e possuindo as seguintes totalizações de tributos apurados no mês: IRPJ de R$ 429.044,10 (valor retificado); CSLL de R$ 159.258,10; PIS/Pasep no montante de R$ 31.516,90 e Cofins na cifra de R$ 145.462,64; h) destaca que essa 2ª DCTF retificadora, transmitida em 17/07/2008, retrata fielmente a totalização dos tributos apurados no mês/trimestre correspondente; i) no entanto, “sem razão, sem causa e sem justificativa”, em 1º/08/2008, a manifestante elabora e transmite uma nova e indevida DCTF retificadora, (recepcionada sob o nº 01.29.00.47.28), fazendo lançar aquele valor de R$ 440.492,82 como sendo a totalização do imposto apurado (IRPJ) no mês/trimestre, quando o correto e exato corresponde ao valor do IRPJ apurado e devido em favor da Fazenda Nacional importa em R$ 429.044,10; j) enquanto que o valor de R$ 440.492,82 corresponde ao valor recolhido em favor da Fazenda Nacional em 30/04/2008, mediante DARF próprio e específico; k) é indiscutível que o valor declarado naquele PER/Dcomp relativo ao tributo recolhido pela manifestante é no importe de R$ 429.044,10 e que é cabível a compensação do valor recolhido, no importe de R$ 440.492,82; l) ao elaborar e transmitir aquela "Declaração de Compensação" buscou apenas o reconhecimento do crédito recolhido em 30/04/2008, mediante DARF próprio, para a devida e cabível compensação de IRPJ relativo ao 3°TRIM/2008; m) a Declaração de Compensação da manifestante preenche todos os requisitos necessários à sua legalidade e ao deferimento da sua compensação e homologação; n) reconhece que o Auditor Fiscal da Receita Federal, que proferiu o Despacho Decisório, relativo ao PER/Dcomp 39606.10660.170708.1.3.04.9967, não HOMOLOGOU o pedido formulado pelo contribuinte em razão e com base nos dados e registros existentes junto à SRFB, notadamente aqueles originários da 3ª DCTF elaborada e transmitida pelo contribuinte em 01/08/2008, recepcionada sob o nº 01.29.00.47/28, estando correto, portanto, o Despacho Decisório proferido Auditor Fiscal, posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 5 4 o) no entanto, considerando, que as informações lançadas pela contribuinte, ora manifestante, na DCTF retificadora transmitida em 17/07/2008, protocolada sob o nº 37.07.28.41.47, retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês/trimestre de 2008; que as informações lançadas pela manifestante, na DCTF retificadora transmitida e recepcionada em 01/08/2008, protocolada sob o nº 01.29.00.47.28, não retratam a fidelidade os valores de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês/trimestre de 2008, requer: 0.1) o direito de proceder, elaborar e transmitir, na forma da lei, uma nova DCTF retificadora, objetivando, assim, declarar com exatidão os débitos e créditos tributários, ratificando, na sua total inteireza, a DCTF transmitida e recepcionada em 17/07/2008, protocolada sob o nº 37.07.28.41.47; o.2) determinar que o Auditor Fiscal, o qual proferiu o Despacho Decisório relativo ao PER/Dcomp 39606.10660.170708.1.3.04.9967, desconsidere a DCTF retificadora transmitida e recepcionada em 01/08/2008, protocolada sob o nº 01.29.00.47.28, posto que a mesma não retrata com fidelidade os valores de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês/trimestre de 2008; o.3) considere e analise o pedido de compensação formulado pela contribuinte, ora manifestante, com base na DCTF retificadora transmitida e recepcionada em 17/07/2008, protocolada sob o nº 37.07.28.41.47, posto que a mesma retrata com fidelidade os valores de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês/trimestre de 2008; o.4) em síntese, reconhecer que o contribuinte efetivamente recolheu em favor da Fazenda Nacional a importância de R$ 440.492,82, quando deveria recolher R$ 429.044,10, restandolhe efetivamente um crédito no importe de R$ 11.448,72. p) destaquese que quando da elaboração da DCTF retificadora transmitida em 17/07/2008, o valor postulado para ser compensado, no importe de R$ 429.044,10, representa o valor efetivamente devido, enquanto que o valor efetivamente pago e recolhido em favor da Fazenda Nacional importou R$ 440.492,82, restando, pois, evidente cabível a compensação, além de um crédito remanescente de R$ 11.448,72. q) por fim, requer a Revisão do "Despacho Decisório", seguindose até ulteriores termos, que seja julgado procedente em todos os seus termos o pleito formulado pela ora manifestante, no que concerne à homologação do procedimento, “e se assim não o fizer, de ofício, determinar o arquivamento dos pedidos de compensações formulados pelo contribuinte, desconstituindo o crédito postulado, bem como, também, desconstituir os débitos apurados como devidos pelo contribuinte”. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 6 5 Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de impugnação e as provas documentais devem ser aduzidas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual a ciência se deu por decurso de prazo em 06/10/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2012, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, reconheceu que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 39606.10660.170708.1.3.049967, que não homologou o seu pedido, como estando o mesmo correto, ao mesmo tempo em que alega que as informações transmitidas nas DCTF apresentadas (original e retificadora) não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos do mês de março de 2008. Por isso, requer que sejam desconsideradas tais DCTF e que seja considerado o seu Pedido de Compensação com base na DCTF que ainda iria transmitir, com os valores dos débitos e créditos com exatidão e, que, assim, seja revisto o Despacho Decisório para que seja julgado procedente o seu pleito, e se assim não o fizer, que se arquivem os pedidos de compensação formulados, desconstituindo tanto o crédito postulado como os débitos apurados como devidos pela contribuinte. Observase que nesta PER/Dcomp (fl. 05), do valor principal do DARF, a saber, de R$ 440.492,82, a contribuinte deseja utilizar o valor de R$ 436.403,49 que seria aquele remanescente após o pleito de compensação de R$ 4.089,33 ocorrido no outro PER/Dcomp nº 33254.08200.150708.1.3.049957, cujo contencioso foi objeto de julgamento por esta Turma através do Processo nº 10480.913040/200968, com conversão em diligência para prestação de esclarecimentos. A contribuinte, com isso, no presente caso, a compensar o débito de R$ 429.044,10 a título de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas Lucro Presumido, referente ao 1º Trim./2008, para restar, assim, um saldo, remanescente do crédito original no valor de R$ 7.359,39. Posteriormente a DRJ de Recife entendeu que não poderiam ser produzidas novas provas em razão de ter expirado o prazo de trinta dias contados da data em que foi feita a intimação. Nesse ponto discordo da decisão da DRJ, senão vejamos alguns julgados sobre o tema. A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 8 7 “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913041/200911 Resolução nº 1802000.305 S1TE02 Fl. 9 8 divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Aparentemente, com base do Despacho Decisório de fl. 06, a Recorrente utilizou a PER/DCOMP para declarar e extinguir o débito de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2008, pago através do DARF de R$ 440.492,82, vez que não conseguiu retificar novamente a DCTF. Se essa premissa estiver correta a PER/Dcomp objeto do presente processo deve ser cancelada. Vêse que a negativa da compensação se deu com fundamento na alegação que o DARF havia sido utilizado na extinção de débito da contribuinte. Ocorre que o débito indicado no Despacho Decisório (ao qual o pagamento foi vinculado) é o mesmo débito objeto do PER/Dcomp. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem informe: a) com base na escrita contábil, memórias de cálculo do IRPJ e escrituração das notas fiscais de faturamento, o montante devido em 31/03/2008 a título de IRPJ – lucro presumido; b) o desmembramento, por tributo e período de apuração, dos débitos da Recorrente extintos através do DARF no valor de R$ 440.492,82; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 196DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005258/2005-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
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RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA CONTEMPLANDO FATOS DIVERSOS DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa fatos diversos daqueles adotados no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 52 58 /2 00 5- 78 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AGROPECUÁRIA ÁGUAS CRISTALINAS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 09/11/2005 (AR fl. 32), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Cajaíba V”, localizado no município de Cocalinho/MT, inscrita na RFB sob nº 67405231, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0412.056/2007, às fls. 210/216, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 19/08/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2202 00.726, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.005258/200578 Acórdão n.º 9202002.857 CSRFT2 Fl. 306 3 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA) Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matricula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Pregos de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. Preliminar rejeitada. Recurso Parcialmente Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 271/278, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 210200.609, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez admitir como base do arbitramento do VTN inscrito no SIPT a aptidão agrícola da terra, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de que o VTN médio estabelecido no SIPT não pode levar em consideração valores informados em DITR. Em defesa de sua pretensão, assevera que o arbitramento do VTN com base no SIPT encontra lastro no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, c/c a Portaria SRF n° 447/2002, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 possibilitando expressamente, esta última, a adoção dos valores da terra nua constantes da base de declarações do ITR, corroborando, assim, o procedimento eleito pela autoridade lançadora. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220200.418/2010, às fls. 287/289. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação (Acórdão n° nº 210200.609), bem como a legislação de regência, uma vez admitir como base do arbitramento do VTN inscrito no SIPT a aptidão agrícola da terra, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de que o VTN médio estabelecido no SIPT não pode levar em consideração valores informados em DITR. Em defesa de sua pretensão, assevera que o arbitramento do VTN com base no SIPT encontra lastro no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, c/c a Portaria SRF n° 447/2002, possibilitando expressamente, esta última, a adoção dos valores da terra nua constantes da base de declarações do ITR, corroborando, assim, o procedimento eleito pela autoridade lançadora. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito das bases que devem/podem alimentar o Sistema de Preços de Terras – SIPT, para feito do arbitramento do Valor da Terra Nua de cada Região, o que passaremos a analisar. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.005258/200578 Acórdão n.º 9202002.857 CSRFT2 Fl. 307 5 interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Com efeito, perfunctória leitura do especial da Procuradoria, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Isto porque a situação contemplada pelo Acórdão recorrido não encontra consonância com a hipótese tratada no decisório paradigma, de maneira a demonstrar a divergência de teses pretendida, partindo de uma mesma situação fática. Destarte, no caso vertente, a ilustre autoridade lançadora entendeu por bem promover o lançamento adotando como lastro informações do SIPT, que fora alimentado exclusivamente com a média de VTN’s declarados por outros contribuintes em suas DITR’s, consoante se infere da informação constante do documento de fl. 15. Neste sentido, toda discussão travada nos autos do processo se fixou a determinar qual seria o VTN a ser admitido para efeito do cálculo do imposto devido, se aquele constante da DITR da autuada, lastreado em Laudo de Avaliação, ou arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, alimentado pela média dos valores informados em DITR’s de outros contribuintes. Por outro lado, no caso contemplado pelo Acórdão paradigma a fiscalização, ao promover o lançamento, adotou o VTN constante do SIPT, o qual fora alimentado pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, na forma que a legislação tributária possibilita. Como se observa, não há se falar em divergência entre teses, eis que no Acórdão recorrido à discussão centrase na possibilidade de alimentação do SIPT com dados informados em DITR’s, diante da ausência de informação por parte das Secretarias de Estado. Em outra via, no decisum paradigma o SIPT adotado no lançamento fora alimentado exatamente com dados fornecidos pela Secretaria de Agricultura do Estado de Minas Gerais. Ou seja, inexiste qualquer identidade fática nos julgados sob análise, tendente a amparar a divergência suscitada pela nobre Procuradoria da Fazenda Nacional. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em dissídio jurisprudencial na hipótese dos dois julgados confrontados analisarem fatos absolutamente distintos, inclusive, com resultados, igualmente, diversos. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10183.005258/200578 Acórdão n.º 9202002.857 CSRFT2 Fl. 308 7 Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902667/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Numero da decisão: 1802-001.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902667/200952 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.801 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA PARANAENSE DE GÁS COMPAGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados anualmente poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 26 67 /2 00 9- 52 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 37 2 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0632.374 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Quanto aos fatos, consta que a contribuinte transmitiu eletronicamente o PER/DCOMP nº 10965.89205.300306.1.3.040675 (fls. 0510), relativa á compensação do débito de R$ 28.502,15 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) do mês de agosto/2005, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 36.437,14, com utilização do direito creditório de R$ 31.140,19 oriundo do pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ (código de receita 2362) do mês de fevereiro/2005, recolhimento este efetuado em 31/03/2005 (R$ 140.932,40, à fl. 60). A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 18/02/2009 (fl. 01), não homologou a compensação declarada em 30/03/2006 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista entender que o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF 600, de 28 de dezembro de 2005. Com efeito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: “(...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 38.140,19. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 39 4 Cientificada em 04/03/2009 (fl. 03), a reclamante apresentou, em 02/04/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 11/16), cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que o crédito originouse do pagamento a maior por DARF no valor de R$ 140.932,40 efetuado em 31/03/2005; b) que a exigência do débito de R$ 28.502,15 cuja compensação restou não homologada revelase ilíquido, incerto e inexigível, não perfazendo os requisitos do crédito tributário trazidos pelo art. 142 e seguintes do CTN; c) que a não homologação da compensação declarada nos autos fere de morte os princípios constitucionais da igualdade, da isonomia e da propriedade; d) que o direito credit6rio de R$ 31.140,19 deve ser reconhecido, uma vez comprovada a efetividade do pagamento das antecipações calculadas por estimativa, não merecendo subsistir a não homologação da compensação declarada; que, por certo, pode a autoridade julgadora, em homenagem aos princípios constitucionais, em especial ao da verdade material, reconhecer e homologar a compensação declarada;e) ao final pede o recebimento e processamento da presente manifestação de inconformidade e seu total provimento. Por sua vez, a DRJ/Curitiba (PR), à luz dos fatos e elementos de prova consantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 22/06/2011 (fls. 61/66), transcrevo, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR 0 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO A UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 40 5 Ciente desse decisum em 20/07/2011 (fl. 68), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2011 (fls.69/75), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) o despacho decisório, que não homologou a compensação, não possibilitou plena defesa dos seus direitos, pois não consignou a fundamentação legal para o indeferimento do direito creditório; b) inequivocamente tem direito creditório a ser restituído, e tem direito líquido e certo à compensação; c) a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008 configura manifesta violação ao princípio da legalidade; d) a decisão recorrida deve ser reformada. Por fim, a recorrente pediu provimento integral ao recurso para que a compensação tributária seja homologada. Este é o Relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ de Curitiba (PR) que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório da contribuinte. A Recorrente transmitiu eletronicamente o PER/DCOMP nº 10965.89205.300306.1.3.040675 (fls. 0510), relativo á compensação do débito de R$ 28.502,15 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) do mês de agosto/2005, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 36.437,14, com utilização do direito creditório de R$ 31.140,19 oriundo do pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ (código de receita 2362) do mês de fevereiro/2005, recolhimento este efetuado em 31/03/2005 (R$ 140.932,40, à fl. 60). A DRJ Curitiba, sob os mesmos fundamentos do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas somente de saldo negativo do anocalendário. A propósito, nessa parte transcrevo a fundamentação da decisão recorrida (fls.63/64), in verbis: (...) 6. Considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. 7. Assim, verificase que a interessada declarou na Ficha 11 Cálculo do IR Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) tanto da DIPJ 2006 original (ND 0635335) como na DIPJ 2006 retificadora (ND 1252211, às fls. 4854), apresentadas em 26/06/2006 e 30/06/2006, respectivamente, que apurou R$ 109.792,21 de estimativa de IRPJ a pagar para o mês de competência fevereiro/2005. 8. Contudo, na DCTF original do Ines de fevereiro/2005 (ND 1000.000.2005.1840001432), apresentada em 05/04/2005, havia confessado um débito de R$ 140.932,40 de estimativa de IRPJ para esse mês (fls. 5557), cujo valor foi reduzido para R$ Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 42 7 109.792,21 na DCTF retificadora apresentada em 18/04/2006 (ND 1000.000.2006.1810312788, às fls. 55 e 5859), igualando o ao valor declarado em DIPJ. 9. Tendo efetuado o recolhimento de R$ 140.932,40 em 31/03/2005 (fl. 60), indica esse pagamento como origem do direito creditório de R$ 31.140,19 na declaração de compensação em análise, como pagamento indevido ou a maior. 10. No entanto, não há como se reconhecer esse direito creditório porquanto o recolhimento efetuado em 31/03/2005 somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ devido em 31/12/2005 ou para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, conforme previsto no artigo 10 da IN SRF nº 600, de 2005, in verbis: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." (Grifou se) 11. Tal dispositivo legal reproduz integralmente a regra originalmente prevista no artigo 10 da IN SRF no 460, de 18 de outubro de 2004. 12. Ressaltese que a IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu artigo 11, revogou a IN SRF nº 600, de 2005, e disciplinou a matéria de forma diversa, excluindo a vedação para compensar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativas de IRPJ e CSLL: "Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Art. 99. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009. Art.100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF n° 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB n" 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005." (Grifouse) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 43 8 13. Contudo, esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, conforme disposto no seu artigo 99, e não cabe aplicar o artigo 106 do CTN para fazêlo retroagir à data da transmissão da declaração de compensação em análise, haja vista não se tratar de norma expressamente interpretativa e nem de norma que comine penalidade. As normas a serem aplicadas na compensação, que são de direito material, são aquelas vigentes época do encontro de contas, ou seja, no momento em que o direito foi exercido pelo sujeito passivo, no caso, em 30/03/2006, quando estava vigente a IN SRF nº 600, de 2005. 14. Portanto, cabe ressaltar que a indicação dessa estimativa de IRPJ como direito creditório configura descumprimento da regra constante do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN, segundo o qual o direito à compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda ptiblica fica sujeito ás condições e sob as garantias que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, disposto que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo 74. 15. Acrescentese que esta autoridade julgadora não pode deixar de observar o entendimento da Receita Federal expresso em instruções normativas, por força do artigo 70 da Portaria do Ministério da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: "Art. 7° O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 16. Dessa forma, sendo vedada a utilização dessa estimativa de IRPJ como direito creditõrio oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos (...)” Entretanto, nas razões do recurso a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando: que, em face do despacho decisório não conter a fundamentação legal para a denegação do direito creditório, a decisão recorrida deve ser reformada, para que se declare a nulidade do despacho decisório e procedase à homologação da compensação, pois o seu direito creditório seria líquido e certo; que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior; que é ilegal a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 44 9 Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução), pois serão abatidos do imposto apurado no encerramento do anocalendário ou vão compor o saldo negativo. O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior o excesso de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido ou a maior) por erro de base de cálculo estimada do imposto, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial constante do despacho decisório e a decisão a quo, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente é possível a restituição de saldo negativo, pois é possível a devolução de direito creditório pago em excesso, por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.902667/200952 Acórdão n.º 1802001.801 S1TE02 Fl. 45 10 declaração de ajuste. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, para analise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, vale dizer para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve erro de base de cálculo do PA fevereiro/2005; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado (apurar se o valor pleiteado não compôs o saldo negativo do anocalendário 2005). Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar o seu valor e se decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação na forma da legislação de regência ou em decorrência de apuração de prejuízos no ajuste anual. Por tudo que foi exposto, voto para DAR PARCIAL provimento ao recurso, para afastar o óbice, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Curitiba para que ela prossiga no julgamento, na análise do mérito do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela contribuinte. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915968/2008-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/1999
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/1999 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
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RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 68 /2 00 8- 93 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 44/51 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS relativo ao fato gerador de 31/10/1999. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 19.753,36 – código de receita 8109) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 17/06/2011 (vide AR de fls. 53), a interessada, em 18/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 3802001.994 S3TE02 Fl. 101 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 44/51, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 3802001.994 S3TE02 Fl. 102 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção do PIS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de outubro de 1999, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de outubro de 1999, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento do PIS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Da conclusão Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 3802001.994 S3TE02 Fl. 103 7 Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 12514.000001/2007-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/10/2008
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o relator que deu provimento ao recurso. Fez sustentação oral: Dr. José Eduardo Silverino Caetano, OAB/SP nº 166.881.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/10/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o relator que deu provimento ao recurso. Fez sustentação oral: Dr. José Eduardo Silverino Caetano, OAB/SP nº 166.881. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o relator que deu provimento ao recurso. Fez sustentação oral: Dr. José Eduardo Silverino Caetano, OAB/SP nº 166.881. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 51 4. 00 00 01 /2 00 7- 28 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve os autos de infração que alteraram a classificação da mercadoria importada pelo recorrente para “cartas de jogar” (código 9504.40.00) impondo a exigência de Imposto de Importação em razão da DI nº 05/10711183, de 04/10/2005 alíquota de 20 % e Imposto de Produtos Industrializado – alíquota de 10 %, bem como multa em razão de erro na classificação. À fls. 01/22 estão anexos Autos de Infração lavrados, sob o pressuposto de que a recorrente teria realizado classificação tributária errônea, relativo a “outros livros, brochuras e impressos semelhantes” quando o correto seria a classificação pelo Código NCM 9504.40.00, uma vez que, no entendimento da autoridade aduaneira, a mercadoria importada seria enquadrada como “cartas de jogar”, que teriam tratamento tributário diverso. A mercadoria seria utilizada para jogar RPG (Rolling Playing Game). Já as fls. 24 e seguintes está anexo Termo de Verificação Fiscal e às fls. 67/70 há amostras da mercadoria objeto da exação. Irresignada, a contribuinte apresentou Impugnação contra os Autos de Infração às fls. 80/125, mas apenas em relação as exigências do II e IPI –Importação. Afirma que possui como objeto social o comércio, importação e a exportação de livros, revistas, periódicos, postais, brinquedos e outras mercadorias semelhantes. Em sua defesa, argumentou que a correta classificação das mercadorias importadas deve ser na categoria de “impressos ilustrados”, que são alcançadas pela imunidade constitucional relativas aos livros e encartada no art. 150, inciso VI, alínea “d” do Texto Constitucional. Invocou ofensa ao princípio da segurança jurídica, em razão da mudança de entendimento da Receita Federal, pois segundo afirma importa a mesma mercadoria há mais de dez anos, beneficiandose da imunidade constitucional. Rogou pela aplicação do “princípio in dubio pro contribuinte”, colacionando soluções de consulta onde a Receita Federal do Brasil manifestou entendimento divergente, ora se afirmando que as cartas para RPG (como do caso em comento) se enquadram no Código 9504.90.00 (imune), ora no Código 9404.40.00 (cartas para jogar). No que diz respeito a mercadoria em si, cita que as cartas não se prestam para jogos, sendo identificadas como cartões ilustrados com personagens de livros, merecendo, dessa forma interpretação extensiva para enquadrarse no conceito de livro previsto na Lei 10.753/2003, que trata da Política Nacional do Livro. Ao final, refuta as multas aplicadas, sob a alegação de que, se incorreta a classificação, não houve máfé. Da mesma forma, não concorda com a incidência dos juros de mora, protestando ao final pela produção da prova pericial e pela improcedência do lançamento oriundo ao auto de infração. À fls. 155 e seguintes sobreveio Acórdão da DRJ, n.º 1757.132, da 1ª Turma da DRJ/SP2 que de forma exaustiva analisou a questão, julgando improcedente a impugnação, cuja Ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Data do fato gerador: 04/10/2005 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12514.000001/200728 Acórdão n.º 3803004.125 S3TE03 Fl. 271 3 Imposto de Importação II CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Exigibilidade da multa por erro de classificação dos tributos, multa proporcional e juros de mora. Descrição da mercadoria. Omissão de informação detalhada. Declaração inexata da mercadoria. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Exigível a multa do controle administrativo das importações. PEDIDO DE PERÍCIA. Incabível face evidente clareza na identificação da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls.155/166, onde alegou como preliminar de mérito a existência de decisões judiciais que já declararam a imunidade dos impressos ilustrados. Conforme referidas decisões a União teria sido condenada a reconhecer a imunidade na importação de “impressos ilustrados (título Magic)” e “impressos ilustrados (título Pokemon)”. No mérito, aduz que diferente do entendimento manifestado no Acórdão guerreado não pretende a extensão da norma constitucional no sentido de ficar definido que são imunes “livros, impressos ilustrados, jornais periódicos e papel destinado a sua impressão”, mas requerer que seus impressos ilustrados sejam considerados “complementos de livros”, definidos pela Lei n. 10.753/2003, cuja aplicação teria sido negada pela autoridade fiscal, que ao assim agir teria desrespeitado o princípio da legalidade. Defende o entendimento de que o Art. 2º da Lei nº 10.753/2003 que trata da Política Nacional do Livro tem aplicação ao presente caso, pois ao definir o que considera livro, elenca nos incisos do seu parágrafo único o que seria equiparado a livro, dando especial destaque aos incisos I ( fascículos e publicações de qualquer natureza que representem parte de livro), II ( materiais avulsos relacionados com o livro, impressos em papel ou material similar), III ( roteiros de leitura para controle e estudo de literatura ou obras didáticas) e VI ( textos derivados de livros ou originais, produzidos por editores, mediante contrato de edição celebrado com o autor, com a utilização de qualquer suporte). Por outro lado, refuta a aplicação ao caso do sistema NESH (Decreto n.º 97.409/88), bem como a classificação atribuída pela autoridade aduaneira, quando declarou que “...a mercadoria importada está muito mais destinada a caracterizarse como cartas de jogar do que livros ao assemelhados...” Importante destacar que a contribuinte inova na argumentação, ao afirmar que teria direito a imunidade, na medida em que “...os impressos ilustrados importados seriam COLECIONÁVEIS, embalados de forma ALEATÓRIA e passíveis de serem afixados em álbuns e contém trechos de OBRAS LITERÁRIAS.” (sic) No seu entendimento haveria ainda ofensa ao princípio da isonomia, pois inúmeros impressos ilustrados nacionais similares aos seus são considerados imunes, pois aceitos pela Receita Federal como complementos de livros e declarados na NCM 4901.99.00. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS 4 No que diz respeito à interpretação da norma tributária, alega que a autoridade administrativa usurpou função jurisdicional ao interpretar de forma restritiva a norma constitucional referente a imunidade dos livros, jornais e periódicos, cujo objetivo é promover de forma democrática a divulgação da cultura e do pensamento. Colaciona ainda jurisprudência do STF no sentido de garantir a imunidade tributária aos impressos ilustrados, que apesar de serem vendidos separadamente em envelopes lacrados merecem o benefício constitucional. Por fim, protestou pela procedência do recurso, com o consequente cancelamento do auto de infração. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e merecem ser conhecido. PRELIMINAR A recorrente apresenta preliminar com objetivo de que seja reconhecida a imunidade tributária em relação a importação das mercadorias em questão, com fundamento em decisões judiciais que lhes foram favoráveis em outras operações de importação semelhantes. A Ação Ordinária julgada pela 26ª Vara Federal de São Paulo diz respeito outras DIs e não à DI 05/10711183, relacionada aos presentes autos, logo não há que se falar em coisa julgada em seu favor e nem mesmo em concomitância entre a discussão judicial e a administrativa. Assim, em relação a suscitada preliminar, nego provimento por entender que as decisões judiciais não geram os efeitos da coisa julgada em relação aos fatos tributários objeto do presente processo administrativo. Importante fazer constar que analisando as sentenças proferidas pelos juízes federais, salvo melhor juízo, conclui que a recorrente não interpôs ação declaratória contra a Receita Federal, mas ação anulatória de inexistência de relação jurídica em virtude de fato imponível do Imposto de Importação, inclusive com pedido de liberação da mercadoria apreendida. Cumpre esclarecer ainda que não localizei nos autos a petição inicial elaborada pela recorrente que culminou na ação judicial em comento, digo isso em razão de que por intermédio da análise desta peça seria possível refutar a conclusão de que a recorrente interpôs ação anulatória de débito fiscal, caso no bojo da ação estivesse descrito tratarse de ação declaratória. Ante o exposto, nego provimento a preliminar. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12514.000001/200728 Acórdão n.º 3803004.125 S3TE03 Fl. 272 5 MÉRITO Conforme se observa, em relação ao mérito, o cerne da questão encontrase no correto enquadramento da classificação da mercadoria importada, que no entendimento do contribuinte seria no Código NCM 4901.99.00 e no entendimento da autoridade fiscal no código NCM 9504.40.00 (cartas de jogar). Assim, se o enquadramento se der conforme requerido pela recorrente, não haverá a incidência de tributos devidos na importação, em razão da incidência da norma imunizante. Nos Autos de Infração há amostras da mercadoria importada às fls.67 /70. Tratase de cartões ilustrados, do tipo “Magic: The Gathering”, sendo que há ainda nos autos uma reprodução de regras do que seria um jogo. O Fisco alega que a mercadoria “...é designada pelo termo genérico CCG, utilizado para os Collectible Card Games, também conhecidos como Customizable Card Game, Tradable Card Game e Trading Card Game, sendo popularmente conhecido como ‘RPG em cartas’ ou ‘RPG em formato de cartões’, por ter sua origem no produto determinado RPG (RolePlaying Game)”, consoante às fls. 31/33. Considerando que a recorrente apenas alegou, mas não fez prova em seu recurso voluntário a respeito da existência de álbum que acompanharia referidos impressos gráficos, compreendi no julgamento realizado em 28.02.2013 que a mercadoria objeto da exação se tratava de um jogo e por isso não seriam imunes. Todavia, o Conselheiro João Alfredo pediu vistas dos autos e após o procurador da recorrente enviou email a secretaria da 3ª Turma, da 3ª Seção da 3ª Câmara, o qual nos foi encaminhado. Analisando o conteúdo desse email visualizei a existência de um álbum de figurinhas, antes não juntado aos autos, razão pela qual alterei meu voto no sentido de agora reconhecer o direito a imunidade pleiteada, com fundamento no art. 150, VI, “d” da Constituição Federal, principalmente devido ao fato de que o STF já reconheceu a imunidade para os álbuns de figurinha, por meio de 3 (três) Recursos Extraordinários: RE 656203 AgR SP, RE 179893SP e RE 221239SP. Abaixo transcrevo o teor do RE nº 179.893SP: Álbum de figurinha. Imunidade tributária. art. 150, VI, "d", da Constituição Federal. Precedentes da Suprema Corte. 1. Os álbuns de figurinhas e os respectivos cromos adesivos estão alcançados pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, "d", da Constituição Federal. 2. Recurso extraordinário desprovido Com efeito, uma vez demonstrado que a mercadoria tributada se refere a figurinhas que integra álbum, resta tão somente reconhecer a imunidade requerida, pois não cabe restrição feita por juízo de valor quanto ao conteúdo do livro ou periódico. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS 6 Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Peço vênia ao relator para discordar do teor de seu voto e decidir de forma diversa quanto ao encaminhamento a ser dado à lide presente neste processo. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial declaratória versando sobre a mesma matéria deste processo, qual seja, a possibilidade de aplicação da imunidade tributária aos “impressos ilustrados” (“Cards Magic” ou RPG), mercadorias essas objeto de importação pelo Recorrente, cuja classificação fiscal foi alterada pela Fiscalização, decorrendo daí a lavratura dos autos de infração sobre os quais se controverte nos presentes autos. No momento de sua sustentação oral, o patrono suplementou a sua defesa, informando e demonstrando que a referida ação judicial, de nº 001151446.2009.403.6100, já havia transitado em julgado em 27 de novembro de 2012, com o reconhecimento da imunidade tributária do produto cuja importação ensejara os lançamentos de ofício do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Consultando a referida ação judicial no sítio da internet do Supremo Tribunal Federal – STF (RE 656.203), é possível constatar a coincidência de objeto1 em ambos os processos, o judicial e o administrativo, pois há coincidência de partes, de pedido e da causa de pedir. Tanto o processo judicial quanto este administrativo têm como partes a pessoa jurídica Devir Livraria Ltda. e a União Federal, como pedido o reconhecimento da desobrigação do contribuinte de pagar impostos incidentes na importação de produto imune2 e como causa de pedir a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, “d”, da Constituição Federal. Temse, portanto, evidenciada a ocorrência de concomitância da discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. 1 Art. 301, § 2º, do Código de Processo Civil. 2 Com o efeito direto, no processo administrativo, do cancelamento dos autos de infração, dado que estes foram constituídos com base na reclassificação fiscal da mercadoria, cujo efeito imediato foi a desconsideração da imunidade tributária em relação ao produto importado pelo Recorrente. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 12514.000001/200728 Acórdão n.º 3803004.125 S3TE03 Fl. 273 7 Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário3 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado 3 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS 8 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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