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Numero do processo: 15374.001048/99-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. MONTANTE DO CRÉDITO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO.
Verificada a incorreção do acórdão embargado quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008, impõe-se o conhecimento do recurso de ofício.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. ESTOQUES. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE. HIPÓTESE LEGAL. VIGÊNCIA. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ANTERIORIDADE.
Ante a ausência de previsão legal para a aplicação da hipótese de apuração de omissão de receitas com base no levantamento quantitativo de estoques, prevista na Lei nº 9.430/1996, cuja vigência iniciou-se a partir do exercício 1997, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade e da anterioridade (art. 150, I e III, a da Constituição Federal/1988), o lançamento deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1302-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração da Fazenda Nacional, para suprir a omissão apontada, e no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes momentaneamente: Alberto Pinto Souza Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. MONTANTE DO CRÉDITO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. Verificada a incorreção do acórdão embargado quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008, impõese o conhecimento do recurso de ofício. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. ESTOQUES. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE. HIPÓTESE LEGAL. VIGÊNCIA. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ANTERIORIDADE. Ante a ausência de previsão legal para a aplicação da hipótese de apuração de omissão de receitas com base no levantamento quantitativo de estoques, prevista na Lei nº 9.430/1996, cuja vigência iniciouse a partir do exercício 1997, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade e da anterioridade (art. 150, I e III, a da Constituição Federal/1988), o lançamento deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração da Fazenda Nacional, para suprir a omissão apontada, e no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 10 48 /9 9- 50 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 439 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes momentaneamente: Alberto Pinto Souza Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 440 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.017 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 30/07/2009, com a seguinte ementa: RECURSO EX OFFICIO. CRÉDITO EXONERADO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de oficio quando o valor do crédito exonerado for menor daquele fixado na Portaria MF no 03, de janeiro de 2008. Recurso de Oficio não Conhecido. O colegiado, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de oficio por ter sido exonerado crédito de valor inferior ao limite de alçada. Cientificada em 05/08/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 06/08/2010, sustentando que o acórdão recorrido contém obscuridade a ser esclarecida, na medida em que o relator do acórdão considerou, em seu voto, como tendo sido exonerado o crédito tributário no valor de R$ R$ 653.955, 23, que assim seria inferior ao limite de alçada de R$ 1.000.000,00, previsto na Portaria MF. nº 03/2008 e assim não conheceu do recurso. Todavia o valor total do crédito constituído e exonerado, conforme Demonstrativo de fls. 01 dos autos, foi de R$ 1.681.253,45, superior portanto ao limite de alçada referido. Aduz a embargante que: Constatase, portanto, certa obscuridade no acórdão, que assenta seu entendimento em pressuposto contraditório com a situação fática, fazendose necessário a integração do julgado para esclarecer a questão. Ao final, a embargante requer que “sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, para sanar o vicio acima apontado”. O crédito tributário exonerado referese a exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, em face da constatação, segundo a fiscalização, de omissão de receita no ano de 1.995, caracterizada por diferenças de estoque apuradas em inventário final. O sujeito passivo impugnou os lançamentos tempestivamente, questionando as apurações efetuadas pela fiscalização, que conteriam erros materiais, instaurando o contencioso administrativo. A Segunda Turma Julgadora da DRJ no Rio de Janeiro, por unanimidade de seus membros, julgou a ação fiscal improcedente, proferindo o Acórdão DRJ/RJOI nº 5515/2004 (fls. 326/331), com a seguinte ementa: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 441 4 OMISSÃO DE RECEITA. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE. A presunção de omissão de receita pelo fato de ter sido constatada diferenças nos estoques, só veio a constar do ordenamento jurídico em 1996, com efeitos a partir de 1997, de acordo com a Lei 9.430, arts. 41 e 87. Diante da falta de tipicidade a infração deve ser exonerada. Da referida decisão, a Turma Julgadora recorreu de oficio para a Superior Instância. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 442 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que a decisão recorrida ao não conhecer o recurso de ofício contém obscuridade a ser sanada, na medida em que partiu da premissa equivocada de que o crédito total exonerado estaria aquém do limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008. Examinando os autos (fls. 01 e 182 a 204), verificase que o crédito total, incluindo o valor dos tributos, mais multas e juros, na data de sua constituição (10/06/1999) era de 1.681.253,45, superior portanto ao limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008 Assim, entendo que devem ser acolhidos os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, com efeitos modificativos no acórdão embargado, de forma a conhecer do recurso de ofício apresentado pela DRJRio de Janeiro em face de seu acórdão que exonerou integralmente o crédito tributário lançado. Conhecendose do recurso de ofício, impõese, na sequência, apreciar as razões de mérito que levaram à exoneração do crédito tributário constituído. Não obstante o contribuinte ter apresentado alegações tão somente quanto à materialidade dos levantamentos efetuados pela fiscalização que constatou diferenças nos estoques em 31/12/1995, a DRJRio de JaneiroI, atenta à observância dos princípios da legalidade e da tipicidade da hipótese tributável, considerou que a infração apurada pela fiscalização, amparada em presunção legal, só veio a ter amparo legal a partir do exercício de 1.997, com a edição da Lei 9.430/1996, nos seus arts. 41 e 87, in verbis: Levantamento Quantitativo por Espécie Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 443 6 produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda [...] Vigência Art. 87. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1997. O colegiado de primeira instância apontou ainda diversos vícios materiais nos cálculos que embasaram a autuação que no seu entender tornaram imprestável o resultado apurado, dado o auto grau de incerteza quanto aos valores apurados. Examinando as razões expendidas pelo acórdão recorrido tenho como suficiente para manter a exoneração do crédito lançado o fato de faltar base legal ao lançamento, na medida em que a hipótese de presunção legal aplicada ao caso inexistia por ocasião do fato gerador (31/12/1995), sendo, portanto, atípica. Além disso, verifico, ainda, que a autoridade autuante não indicou o fundamento legal da autuação por omissão de receitas nos autos de infração, o que seria causa de nulidade, e ainda que, contrariando a hipótese legal, se utilizou do maior valor de venda no período para a apurar as diferenças omitidas, consoante descreve no Termo de Verificação Fiscal (fls. 177), in verbis: Desta feita, o lançamento não pode subsistir ante a ausência de previsão legal para a aplicação da hipótese de apuração de omissão de receitas com base no levantamento quantitativo de estoques que só veio a vigorar a partir do exercício 1997, em respeito aos princípios constitucionais da legalidade e da anterioridade (art. 150, I e III, a da Constituição Federal/1988). Face ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, modificando o acórdão embargado para conhecer do recurso de ofício para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos do acima. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 15374.001048/9950 Acórdão n.º 1302001.075 S1C3T2 Fl. 444 7 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001443/2010-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DILIGÊNCIA
Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, impedindo o pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte.
Não é cabível realização de diligência, com o objetivo de sanar tais irregularidades.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2403-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, no sentido de anular a decisão da DRJ que baixou o processo em diligência, bem como todo o procedimento que dela resultou, por ter promovido alteração substancial nos elementos essenciais do lançamento. Conseqüentemente, anular, por vício material, o Auto de Infração originalmente lavrado. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DILIGÊNCIA Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, impedindo o pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Não é cabível realização de diligência, com o objetivo de sanar tais irregularidades. Decisão Recorrida Nula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, no sentido de anular a decisão da DRJ que baixou o processo em diligência, bem como todo o procedimento que dela resultou, por ter promovido alteração substancial nos elementos essenciais do lançamento. Conseqüentemente, anular, por vício material, o Auto de Infração originalmente lavrado. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DILIGÊNCIA Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, impedindo o pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Não é cabível realização de diligência, com o objetivo de sanar tais irregularidades. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, no sentido de anular a decisão da DRJ que baixou o processo em diligência, bem como todo o procedimento que dela resultou, por ter promovido alteração substancial nos elementos essenciais do lançamento. Conseqüentemente, anular, por vício material, o Auto de Infração originalmente lavrado. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 14 43 /2 01 0- 39 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos Fl. 327DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.001443/201039 Acórdão n.º 2403002.017 S2C4T3 Fl. 327 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto às fls. 295 a 314 contra o Acórdão nº 0823.293, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FOR (fls. 270280), que julgou procedente o Auto de Infração – DEBCAD nº 37.215.2775, para manter a penalidade imputada à Recorrente, no valor de R$ 42.323,70 (quarenta e dois mil trezentos e vinte e três reais e setenta centavos), em decorrência do descumprimento de obrigação acessória nas competências de 07/2007 a 12/2007e 01/2008, correspondente à falta de informação dos fatos geradores em GFIP. O relatório fiscal da infração às fls. 05 e o relatório fiscal da multa aplicada, fls. 06, seguem abaixo transcritos, na íntegra, para melhor análise (grifei): Relatório Fiscal da Infração A Empresa declarou nas competências 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 13/2008 e 01/2009 a 13/2009, GFIPs (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) com omissão de fatos geradores, o que constitui infração ao art.32, inc.IV, §§ 3° e 5 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528 de 10 de dezembro de 1997, combinado com o art. 225, inc.IV, § 4 o do RPS (Regulamento da Previdência Social), aprovado pelo Decreto 3.048/99. Relatório fiscal de Multa Aplicada A multa pela infração praticada corresponde a 100% da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da Empresa, observado o limite mensal previsto no § 4 o do art.32 da Lei 8.212/91. Conforme portaria interministerial MPS/MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009 DOU de 31/12/2009, o valor mínimo pela infração a qualquer dispositivo do RPS é de R$ 1.410,79, que deverá ser multiplicado por 5 nas competências em o número de segurados encontrarse na faixa 51100 e, deverá ser multiplicado por 10 quando o número de segurados estiver entre 101500. A multa foi aplicada em função do limite previsto no art.32,§ 5 o da Lei 8.212/91 e RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto 3.048/99, art.284, inc. I I e art.373. A planilha em anexo discrimina o cálculo da multa. O auto de infração está acompanhado do resumo de folhas de pagamento (fls. 1538), recibos de rescisão de contrato de trabalho (fls. 1314), recibos de pagamento a autônomos (fls. 3968) e recibos de prólabore (69128), elaboradas diretamente pelo Recorrente e fornecidas à autoridade fiscal. À vista das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91 pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a Autoridade lançadora procedeu ao cotejo entre as penalidades previstas na legislação vigente à época dos fatos geradores com as previstas na legislação em vigor à época da lavratura do AI, objetivando identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao art. 106, II, do CTN. Para tanto, foram consideradas conjuntamente a multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória (AI 68) e a multa de mora, ambas previstas nas normas vigentes à época dos fatos geradores, com a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei Fl. 328DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009;tendo, a fiscalização, concluído pela aplicação da sistemática anterior, por considerála mais benéfica nas competências 07/2007 a 11/2007 e 01/2008; e que a sistemática atual seria mais benéfica apenas na competência 12/2007 (multa de ofício de 75%). Cientificada do lançamento em 25.05.2010, a Recorrente apresentou, em 24.06.2010, Impugnação (135149), alegando em breve síntese que: · O presente auto de infração foi lavrado de forma totalmente imprecisa e genérica, sem a correta discriminação dos fatos ensejadores da presente autuação, tornando flagrante o cerceamento ao seu direito de defesa. · A empresa era optante do SIMPLES Federal e a opção ao SIMPLES Nacional se dava de forma automática, conforme se depreende da norma da Lei Complementar 123/2006. · A infração foi caracterizada pela não informação ao INSS de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 07/2007 a 11/2007 e 01/2008, em virtude de a empresa ter informado, equivocadamente, que é optante do SIMPLES Nacional. · O lançamento ocorreu justamente devido à sua não inclusão, ou não manutenção, no SIMPLES, assim, o fato de não constar na descrição do auto de infração, ou relatório fiscal, nenhuma informação referente aos motivos que ensejaram a negativa do ingresso no aludido regime, o lançamento deve ser considerado nulo por impedir o exercício do seu direito de defesa. · A exclusão do SIMPLES se deu em 30.06.2007 e, de acordo com o inciso IV do art. 31 da LC nº 123/2006 os efeitos da exclusão somente seriam produzidos no anocalendário subseqüente ao da ciência da exclusão. Entretanto a autuação referese às competências de 2007, 2008, 2009. · A multa foi aplicada sem a observância da Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. Além disso, não houve o devido esclarecimento acerca do cálculo objetivando a comparação entre os dois sistemas de multa, anterior e posterior à publicação da MP nº 449/2008. Ao analisar os Autos, a 5ª Turma da DRJ/FOR concordou com a argumentação do contribuinte de que o lançamento era precário e cerceava o direito de defesa do autuado, diante do que determinou a conversão do julgamento em diligência, a fim de que “sanar” a sua nulidade (fls. 214 e 215). Os trechos relevantes do despacho seguem abaixo transcritos (grifei): De leitura dos Autos, é possível observar que realmente a descrição da infração apresenta falhas. O Relatório Fiscal da Infração afirma que "a empresa declarou nas competências 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 13/2008 e 01/2009 a 13/2009, GFIPs (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) com omissão de fatos geradores". Fl. 329DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.001443/201039 Acórdão n.º 2403002.017 S2C4T3 Fl. 328 5 Mais adiante, o Relatório Fiscal da Multa Aplicada informa que está anexo ao processo planilha discriminativa do cálculo da multa. Contudo, tal planilha não está presente. Apenas o que se encontra é o Relatório SAFIS Comparação de Multas, fls. 128/129, o qual permite concluirse que a infração foi apurada nas competências 07/2007 a 11/2007 e 01/2008. Ainda mais, não há uma indicação sequer da origem do montante da infração apurada. A descrição da infração e o seu montante devem ser apresentados de forma clara e precisa, de sorte a permitir a ampla defesa ao contribuinte, e não serem obtidos através de raciocínios e suposições. Percebese também que os documentos acostados ao Auto de Infração não comprovam o cumprimento do disposto no art. 32A da Lei 8.212/91: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (destacado) Contudo, não há de se falar em nulidade quando se tratar de vício sanável, como é o presente caso, consoante prevê o Decreto 70.235/72: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Para tanto, deve ser realizada diligência, emitindose Termo de Intimação Fiscal TIF, no qual o sujeito passivo seja informado das omissões/incorreções encontradas na GF1P e da necessidade de apresentar correções e/ou esclarecimentos sobre as informações apresentadas. Persistindo a infração, deverá ser emitido Relatório Fiscal Complementar no qual sejam esclarecidos os fatos geradores omitidos/incorretos de GFIP, o período no qual a infração foi cometida, bem como o apensamento da planilha descritiva do crédito, o que faço com supedâneo no art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Por fim, que se dê ciência desta Resolução ao impugnante, bem como dos documentos produzidos na Diligência, informandoo da devolução do prazo para aditamento da impugnação somente na matéria de que tratar a diligência, consoante o disposto na Portaria SRF n° 1.769, de 12/07/2005, Anexo Único, alínea "m", item 1, subitem 1.2. Em atendimento à diligência supra, a Autoridade lançadora, às fls. 216 e 217, apresentou esclarecimentos sobre a multa aplicada, oportunidade em que informou ser a multa decorrente do fato de a Recorrente ter declarado indevidamente em suas GFIP ser optante pelo Simples Nacional, diante do que só foram declaradas as contribuições de segurados, restando omissas as declarações da empresa, terceiros e SAT/RAT. Ainda, às fls. 218 a 237, foi apresentado Relatório Complementar ao Auto de Infração, através do qual foram elaborados e explicitados todos os levantamentos que serviram de base para a multa aplicada (CI, FP, NG, PR e RT), bem como descrita a sua forma de cálculo e apresentada a planilha que, apesar de indicada no Relatório Fiscal original, não havia sido juntada oportunamente aos autos. O Recorrente foi intimado do resultado da diligência em 22/11/2011, tendo apresentado sua manifestação, onde reiterou a impugnação já apresentada, defendeu a sua opção pelo Simples Nacional e requereu nova diligencia para apuração dos fatos que ensejaram a não manutenção da empresa no Simples. Instada a manifestarse sobre a matéria, a DRJ/FOR, conforme já elucidado em linhas anteriores, manteve a integralidade do crédito tributário ao julgar procedente a autuação, consoante ementa do Acórdão abaixo transcrita: Assunto: Contribuições Previdenciárias OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracterizase como descumprimento da obrigação acessória do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/91. SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO À MIGRAÇÃO AO SIMPLES FEDERAL. PENDÊNCIAS JUNTO A OUTRO ENTE ESTATAL. VÍCIO FORMAL. INCOMPETÊNCIA DA DRJ. A alegação de suposto descumprimento do procedimento a ser observado quando do indeferimento de pedido de adesão ao Simples Nacional deve ser dirigida ao contencioso administrativo do ente que decidir o indeferimento. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instancia poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.001443/201039 Acórdão n.º 2403002.017 S2C4T3 Fl. 329 7 Contra a decisão proferida pelo Colegiado a quo, o Recorrente, devidamente intimado em 16.05.2012, interpôs tempestivamente recurso voluntário em 14.06.2012 (fls. 295 314), sustentando a improcedência da acusação fiscal com base na mesma linha argumentativa defendida na Impugnação. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, alega o Recorrente que a autuação se deu de forma imprecisa e genérica, sem a correta discriminação dos fatos e dos fundamentos legais que deram ensejo ao lançamento, tornando flagrante o cerceamento ao seu direito de defesa. Aduz ainda que na descrição dos fatos deveria constar a motivação de lhe ter sido negado o ingresso ao regime do SIMPLES Nacional, “ponto nodal do presente lançamento”, na medida em que, em virtude de tal fato, a Recorrente fora acusada de omitir informações nas GFIPs. Sustenta a Recorrente que a Autuante deveria ter indicado na descrição dos fatos a pendência perante o Município de São José de Ribamar como fator impeditivo à sua migração para o SIMPLES Nacional, bem como sobre a data a partir da qual surtem efeitos a suposta exclusão do regime simplificado de recolhimento de tributos. Analisando o presente processo, constatase que, de fato, a autuação original não continha os mínimos requisitos legais para sua subsistência – a descrição da multa aplicada foi extremamente breve, sem sequer mencionar que decorria da declaração em GFIP de opção pelo Simples Nacional, a qual não foi confirmada pelos registros eletrônicos da Receita Federal; sem apresentar qualquer demonstrativo ou levantamento que servisse de base para o seu cálculo; sem sequer anexar planilha expressamente citada no Relatório Fiscal como esclarecedora da autuação perpetrada. Tais falhas invalidam por completo o lançamento, eivado de nulidade material, com patente impossibilidade do exercício do direito de defesa, a não ser por suposição ou adivinhação. Essas falhas não passaram despercebidas pela própria Delegacia de Julgamento, que, através do despacho de fls. 214/215, detectou todos os vícios do lançamento original, inclusive o cerceamento do direito de defesa. Ocorre, todavia, que, ao invés de reconhecer a nulidade material do presente Auto de Infração, entendeu por bem a autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligência, com o objetivo de sanar tais irregularidades, entendendo que todas as falhas por ela mesma reconhecidas não importam em nulidade e poderão ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, com base no artigo 60 do Decreto n. 70.235/72. Em que pese o fato de a diligência fiscal ter trazido aos autos os elementos que deveriam compor o lançamento original, como os levantamentos, planilhas e esclarecimentos sobre os fatos que levaram à caracterização da infração, com a devida intimação ao contribuinte para apresentação de nova defesa, entendo que a diligência fiscal não é o meio adequado para suprir falhas dessa natureza em Autos de Infração. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.001443/201039 Acórdão n.º 2403002.017 S2C4T3 Fl. 330 9 A peça acusatória deve conter, desde a sua lavratura, todos os seus requisitos mínimos de validade. Não se pode admitir autuações precárias como esta, nem mesmo a sua complementação através de diligência fiscal determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Apenas através de novo lançamento, é possível chegar ao resultado pretendido pela DRJ com a diligência fiscal ordenada, não sendo este procedimento hábil à complementação da autuação original. Ora, não se pode admitir que um Relatório Complementar apresentado em sede de diligência fiscal seja instrumento hábil à regular constituição do crédito tributário – já que o lançamento original é, de fato, imprestável. A DRJ, ao verificar claramente que o Auto de Infração não continha os mínimos requisitos formais e materiais para a sua existência, e que, inclusive, importou em cerceamento do direito de defesa do Autuado (conforme decisão de fls. 214 e 215, acima transcrita), deveria ter promovido a sua anulação, por vício material. Incorreu, assim, em equívoco ao tentar aperfeiçoar os trabalhos da fiscalização, através da realização de diligência fiscal que, na verdade, objetivou dar validade a lançamento nulo na sua origem. A diligência fiscal não é instrumento hábil a corrigir falhas, mas sim a esclarecer fatos que se tornaram controversos no curso do contencioso administrativo, ou à analise de documentos produzidos ou apresentados após a lavratura do auto de infração. Vale ressaltar, ainda, que o contribuinte não foi cientificado da decisão de fls. 214 e 215, para que pudesse acompanhar e participar dos trabalhos de fiscalização complementares que foram efetuados em sede de diligência fiscal,mas que, na verdade, configuraram um novo lançamento. Tal fato também configura cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Diante do cenário acima, entendo não ser cabível a “diligência” determinada pela DRJ, vez que não é possível corrigir através desse expediente lançamento tributário eivado de vício material. Apenas novo lançamento tributário tem esse condão. Conclusão Diante do exposto, dou provimento ao recurso, no sentido de anular a decisão da DRJ que baixou o processo em diligência, bem como todo o procedimento que dela resultou, por ter promovido alteração substancial nos elementos essenciais do lançamento. Consequentemente, anulo, por vício material, o Auto de Infração originalmente lavrado. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723996/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88.
Nos termos da legislação de regência, os valores acessórios ao principal correspondente ao acréscimo remuneratório percenido pelo Contribuinte são igualmente tributáveis.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. Nos termos da legislação de regência, os valores acessórios ao principal correspondente ao acréscimo remuneratório percenido pelo Contribuinte são igualmente tributáveis. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. Nos termos da legislação de regência, os valores acessórios ao principal correspondente ao acréscimo remuneratório percenido pelo Contribuinte são igualmente tributáveis. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 96 /2 00 9- 37 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 123.848,67, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setentae cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.723996/200937 Acórdão n.º 2802000.925 S2TE02 Fl. 122 3 As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas a título de abono variável, pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para fins de admissibilidade; por isso, dele conheço. Não há preliminares quanto ao julgado de 1ª instância, razão pela qual, de imediato, aprecio a questão de fundo posta. Caso semelhante a este foi julgado por esta mesma C. 2ª Turma Especial, em recurso voluntário relatado pelo i. Conselheiro Sidney Ferro Barros (Processo n. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.723996/200937 Acórdão n.º 2802000.925 S2TE02 Fl. 123 5 15521.000097/200561), naquela oportunidade envolvendo o abono variável dos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em situação fáticonormativa semelhante à ora em julgamento. Naquela ocasião, foi citado acórdão da lavra do i. Conselheiro Sandro Machado dos Reis (Processo n° 17883.000270/200548) no qual restou reconhecida a natureza indenizatória do abono variável, e por via de conseqüência, a intributabilidade de tais vencimentos, a seguir: "Como dito, a questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pela Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis. Com efeito, as Leis n's 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, através da Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4.433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Vejase, em acréscimo, que a lei estadual não cria novo abono, mas se utiliza do abono e da legislação federal para adotálo em relação aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Abono, aliás, cuja natureza indenizatória restou conferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal.” Com efeito, a edição da lei do Estado da Bahia n. 8.730, de 2003, reconhecendo a natureza indenizatória de tais valores, cumpriu exatamente o mesmo papel da lei fluminense, qual seja, o de reconhecer, na esfera estadual, a qualificação de rendimentos já reconhecido aos membros da Magistratura Federal, pela lei n. 10.474 e ao Ministério Público da União, pela simetria imposta pelo art. 2º da lei n. 10.477/2002. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos membros da Magistratura do Estado da Bahia, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPU, de inequívoca natureza indenizatória, nos exatos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não constituindo riqueza nova, senão, mera recomposição de perdas ocasionadas por ajuste de conversão monetária. Exegese em sentido contrário, ou seja, pelo reconhecimento da natureza indenizatória apenas aos membros da Magistratura Federal e do MP da União, implicaria em Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 criar dois pesos e duas medidas, apenas em virtude da origem do instrumento legislativo adotado para o reconhecimento da natureza indenizatória de tais valores Se emanado pelo Congresso Nacional, válido; se pelas respectivas Assembléias dos Estados, inapto a reconhecer juridicamente a natureza indenizatória da recomposição devida. Com a devida vênia de entendimentos contrários ao por mim adotado, reconhecer apenas à lei federal a aptidão em qualificar valores como sendo de natureza indenizatória e desconsiderar as respectivas leis estaduais que buscaram adequar sua legislação ao previsto no artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, equivale a “(...) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente” (inciso II do artigo 150 da CF/88)”, em arrepio à própria redação do texto legal, que ao tratar do abono variável dos membros do Poder Judiciário, não faz ressalvas se membros dos quadros da magistratura federal ou estadual! E mais, a própria redação da EC 19, a que se refere o artigo 6º da lei n. 9.655/98, dispõe que os “(...) subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional.” (destaques meus). Logo, não reconhecer a competência e validade da lei do Estado da Bahia n. 8.730, de 2003, em estender o reconhecimento inequívoco de verba indenizatória, assim qualificada por Resolução do STF e respectiva legislação federal, equivale a negarlhe aplicação, em atividade vedada pelo artigo 26A do Decreto n. 70.235/72. Quanto ao argumento de que imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, a qualificação de verba indenizatória por lei estadual não teria qualquer efeito tributário, é de se lembrar que a não tributação de verbas indenizatórias não é conseqüência de dispositivo isencional, a depender de expressa previsão na legislação do imposto. Tratase de valores fora do campo de incidência do imposto sobre a renda, justamente por não se enquadrarem em nenhum dos conceitos de renda ou de proventos de qualquer natureza (acréscimo patrimonial), a que se refere o artigo 43 e incisos do CTN. Tais verbas se enquadram no conceito adotado por José Souto Maior Borges de não incidência pura e simples, qual seja: "a que se refere a fatos inteiramente estranhos à regra jurídica de tributação, a circunstâncias que se colocam fora da competência do ente tributante" (Isenções tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias, 1969. p. 154). Logo, desnecessário enunciado legal desonerativo expresso, tal qual como pretendido pelo decisão ora recorrida. Posto isso, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Entretanto, se vencido quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.723996/200937 Acórdão n.º 2802000.925 S2TE02 Fl. 124 7 "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 106 16360 e 19600065, cujas ementa são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Se vencido pelos meus pares quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício e aplicação apenas da multa moratória. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.723996/200937 Acórdão n.º 2802000.925 S2TE02 Fl. 125 9 Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena, devendo ser ressalvado que deverseá incidir apenas a multa de mora, nos termos do voto do relator originário. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. E ainda, tendo o Contribuinte impugnado a exigência do IRPF referente sobre aos juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias pagas a detempo, é de se destacar que tais normas, Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.723996/200937 Acórdão n.º 2802000.925 S2TE02 Fl. 126 11 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.728069/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/01/2008 a 21/09/2010
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama acompanhou o relator pelas conclusões.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi da Silva e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama acompanhou o relator pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 80 69 /2 01 1- 58 Fl. 11718DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi da Silva e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “A interessada foi autuada em face da infração capitulada no artigo 618, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), punível com a pena de perdimento — “618. Aplica se a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário: (…) XXII – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”, conforme se depreende do relatório fiscal anexo ao auto de infração: § 1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria em pauta, foi a pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme transcrição a seguir de parte do decretolei 1455/76. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 11719DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.719 3 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) A Fiscalização relatou que, ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) nº 08155002010012397, emitido 07/10/2010, foi lavrado o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação nº 244/2010, cientificando o sujeito passivo do início da ação fiscal e determinando a entrega, no prazo máximo de 20 (vinte) dias, da documentação necessária à realização dos trabalhos de auditoria. Essa intimação foi entregue ao Sr. Paulo Afonso Alves, CPF nº 445.254.19172, gerente comercial da VINTAGE DENIM, em diligência realizada em 22/10/2010 no endereço cadastrado no CNPJ: Rua Haddock Lobo, nº 1573, Bairro Cerqueira César, São Paulo/SP. A mencionada diligência teve como objetivo a ciência pessoal do sujeito passivo a fim de verificar a origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas por meio do exame dos documentos solicitados. Decorrido o prazo inicial sem a entrega dos documentos, em 17/11/2010 a empresa foi novamente intimada mediante o Termo de Reintimação nº 300/2010 (enviado por correio com aviso de recebimento que concedeu um acréscimo de 10 (dez) dias para a apresentação dos documentos. Em 06/12/2010, esse prazo adicional se esgotou sem nenhuma manifestação da empresa. Diante da continuidade da inércia do sujeito passivo, em 03/01/2011, foi lavrado o Termo de Intimação nº 002/2011, solicitando a apresentação das mercadorias correspondentes às declarações de importação do ano de 2008 até a data de início da ação fiscal (período fiscalizado), no prazo máximo de 10 (dez) dias. Esse termo, enviado por correspondência com aviso de recebimento também cientificou o contribuinte da conversão do MPFDiligência no MPFFiscalização nº 08155002010016511. Em 21/02/2011, o Gabinete da Inspetoria da Receita Federal do Brasil acatou Representação Fiscal para fins de Inaptidão do CNPJ, determinando a suspensão da sua inscrição. Em 03/03/2011, pela primeira vez desde a primeira intimação, a empresa compareceu à Inspetoria, representada pela advogada Sra. Priscila Molento Ferreira Zapparolli, OAB/SP nº 119.036, que solicitou cópia integral do processo de inaptidão supracitado. Fl. 11720DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Ressaltase que, mesmo tendo comparecido perante esta fiscalização, o sujeito passivo mais uma vez não entregou absolutamente nenhum documento solicitado. Em 25/03/2011, a empresa apresentouse na Inspetoria e ingressou com impugnação administrativa contra o ato de suspensão do CNPJ, tendo mais uma oportunidade de cumprimento da intimação mencionada, mas novamente não entregou nenhum documento, nem sequer justificou seu descumprimento reiterado. Em 07/04/2011, o contribuinte compareceu na Inspetoria, representado pelas advogadas Sra. Patrícia Cruz Garcia Nunes, OAB/SP nº 142.420, e Sra. Rita de Cássia Kitahara, OAB/SP nº 123.639, mas somente entregou algumas declarações de importação e suas respectivas notas fiscais. Em 02/05/2011, a empresa novamente compareceu na IRF/SPO, desta vez representada pelas advogadas sra. Daniela Cristina Scarabel Manfroni, OAB/SP nº 262.606, e Sra. Rita de Cássia Kitahara, OAB/SP nº 123.639, e entregou apenas mais algumas declarações de importação e respectivas notas fiscais. Em 10/05/2011, a Sra. Raquel Degnes de Deus, OAB/SP nº 214.612, nova advogada contratada pela VINTAGE DENIM, compareceu na IRF/SPO a fim de apresentar petição solicitando a reativação do CNPJ. É importante ressaltar, que nesta ocasião houve mais uma oportunidade para que o sujeito passivo entregasse os documentos solicitados na presente ação fiscal. Mas, ao contrário do esperado, a empresa permaneceu inerte, apresentando somente a cópia do seu contrato social. A simples entrega de algumas cópias de declarações de importação e notas fiscais não comprovam a capacidade financeira da empresa. Embora os tributos incidentes nas operações de importação sejam automaticamente debitados da conta bancária, é fundamental que a empresa indique a fonte dos numerários, pois a mera alegação de posse dos recursos não é suficiente para comprovar a origem lícita do dinheiro. O pagamento dos fornecedores estrangeiros é realizado mediante fechamento regular de câmbio, entretanto esses documentos não foram apresentados pelo sujeito passivo. Os livros fiscais e comerciais de escrituração obrigatória, imprescindíveis para a avaliação da capacidade econômicofinanceira, também não foram entregues. Nem ao menos os extratos bancários, essenciais para a elaboração do fluxo financeiro, foram disponibilizados. Diante disso, passados mais de duzentos e vinte dias desde a data da ciência da primeira intimação, por ocasião da diligência realizada em 22 de outubro de 2010,ficou evidente que o sujeito passivo teve inúmeras oportunidades para a apresentação de todos os documentos elencados. No entanto, o contribuinte resumiuse a entregar apenas as cópias de algumas declarações de importação, de algumas notas fiscais e do contrato social. Segundo a fiscalização, a empresa sempre mostrouse despreocupada com a ação fiscal em curso, visto que além de não ter entregue a documentação, também não justificou sua Fl. 11721DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.720 5 inércia, apesar da concessão de um prazo bastante extenso com diversas prorrogações. Por fim, constatouse que a omissão na apresentação da integralidade dos documentos solicitados, indispensáveis ao regular andamento dos trabalhos de auditoria, teve como consequência a impossibilidade de comprovação da origem lícita dos recursos utilizados nas suas operações de importação. Com o auxílio do extrator DW Aduaneiro, foram levantadas todas as importações realizadas em nome da VINTAGE DENIM, com data de registro a partir ano de 2008 até a data de início da ação fiscal, obtendose a lista de declarações de importação – DI na tabela a seguir. É importante ressaltar que tal listagem abarcou não somente as importações realizadas diretamente pela VINTAGE DENIM (em modalidade de importação direta), mas também aquelas promovidas por terceiros (importador de direito) tendo como adquirente/encomendante a VINTAGE DENIM (em modalidade de importação por conta e ordem ou por encomenda, conforme informado pelo próprio importador em campo específico da DI). A respeito do assunto, vide tópico “3 Das modalidades de importação”. O final da tabela contém o somatório do valor aduaneiro das mercadorias importadas no período, qual seja, R$ 16.133.245,47 (dezesseis milhões, cento e trinta e três mil, duzentos e quarenta e cinco reais e quarenta e sete centavos), que é justamente a importância lançada relativamente à infração em comento. Houve impugnação, onde a interessada alega, em síntese, que: a presunção foi relativa. tem capacidade para operar no comércio exterior mediante importação direta ou por conta e ordem de terceiros. não houve dano ao erário, fraude, dolo ou simulação, ofendendo aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, com caráter confiscatório. a interposição fraudulenta somente se define e tipifica a uma intermediação com artifício doloso, com ocultação do real comprador ou vendedor ou o responsável pela operação quando os recursos tenham origem ilícita oriunda de crime antecedente. assiste razão em aplicar multa quando há nos autos comprovação de utilização de uma empresa para ocultar outra com o fim de prática de evasão fiscal, o que não é o caso. os recursos que viabilizaram as transações de comércio exterior pela modalidade de conta e ordem e direta, conforme contrato com a trading STILE, tem origem em adiantamento de sócios para aumento de capitais e em empréstimos bancários, contratos de mútuo e cédulas de crédito bancário firmados junto Fl. 11722DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 ao Unibanco, ao Banco Guanabara, ao Banco Votorantim e ao Banco Máxima. ao final, pleiteia mais prazo para a juntada de documentos." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu por manter integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/01/2008 a 21/09/2010 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. Considerase Dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificado da decisão, o autuado interpôs recurso, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Afirmando a licitude das operações realizadas, demonstrada, por meio dos documentos apresentados na impugnação e volta a ressaltar que a origem dos recursos estaria amparado nas seguintes operações: adiantamento de sócios; empréstimos bancários/Contratos de Mútuo/Cédula de Crédito Bancário firmado junto ao Banco Guanabara S/A, Banco Votorantim S/A e Banco Máxima; Empréstimos bancário em conta corrente relativos à crédito rotativo de cheque especial junto ao Banco Unibanco e Banco Itaú; Na própria atividade da recorrente, como receita de vendas, segundo lançado nos livros fiscais em anexo e nos balanços e demonstrativos do resultado do exercício. É o Relatório. Fl. 11723DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.721 7 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade e teria caráter confiscatório. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Ademais as penalidades aplicadas estavam previstas em lei e disciplinadas em Decretos emitidos pelo Poder Executivo. Afastar a exigência das multas aplicadas, por ilegalidade de normas infralegais também é discussão que não pode acontecer neste colegiado, em obediência ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que não permite aos membros das turmas de julgamento deste Conselho, afastar a aplicação de tratado, Leis ou Decretos. “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 11724DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Assim, por mais, que possam ser relevantes e importantes os argumentos constantes do recurso. Este colegiado é compelido a seguir nos seus julgados, as determinações legais e conforme descrito alhures, as multas aplicadas, foram lastreadas em atos legais normativos vigentes e de cumprimento obrigatório, por parte da Fiscalização Aduaneira. Lançamento em razão da aplicação da pena de perdimento para mercadorias que teriam sido importadas sob o artifício da interposição fraudulenta Afastada a discussão preliminares, passo a análise dos argumentos contidos no recurso voluntário quanto a responsabilidade do Recorrente sobre os fatos ocorridos e a sua situação no polo passivo da obrigação tributária A lide gira em torno da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, amparado no fato da empresa importadora não ter comprovada a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. A autuada, em sua defesa, alega a licitude dos recursos utilizados e apresenta documentos referentes a operações e alega que empréstimos bancários comprovariam os recursos utilizados nas operações. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias.. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Fl. 11725DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.722 9 Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. " Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 11726DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" É mister salientar que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo óbvio, aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Recorrente e a presunção da interposição fraudulenta Examinando os autos, consta do relatório da autuação, que o presente lançamento ocorreu em razão da Recorrente não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em operações de comércio exterior. Em razão deste fato, entendeu a Fiscalização aplicar a hipótese de interposição fraudulenta com base na presunção legal prevista no art. 23, do Decretolei nº 1.455/76, aplicando a multa de conversão da pena de perdimento controlada no presente processo. A possibilidade da utilização em determinadas situações da presunção da irregularidade nos operadores de comércio exterior ou nas operações de importação foram Fl. 11727DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.723 11 aplicadas ao caso. A Recorrente, na impugnação alega a licitude das suas operações, e trouxe extratos bancários e outros documentos que segundo suas afirmações comprovariam as origens do Recurso,o que desqualificaria a interposição fraudulenta. Julgando a impugnação, a autoridade a quo entendeu não estarem comprovadas nos documentos apresentados a origem dos recursos. Transcrevo abaixo o trecho daquela decisão que detalha a posição adotada neste julgamento. " Apegandose aos documentos apresentados pela interessada em sua impugnação, em sua grande maioria de nenhum valor probatório por se tratarem de declarações de importação e de notas fiscais, notamos que o contrato de mútuo citado pela interessada com o Banco Guanabara, no valor de dois milhões de reais, foi praticado em 01/12/2010,posteriormente às importações consideradas sem origem de recursos. Com relação aos contratos com o Banco Máxima e com o Banco Votorantim, notamos que são de julho e de agosto de 2010, não servindo como suporte de recursos para as importações consideradas sem origem de recursos no período de janeiro a junho de 2010. Vimos disso que a interessada não comprova a origem dos recursos. A própria alteração de Contrato Social, com valor de dois milhões, é de meados de 2010, o que mais uma vez deixa de fora as importações consideradas sem origem de recursos no período de janeiro a junho de 2010. Os extratos do Unibanco apresentados, por si só, não comprovam a origem dos recursos para as importações em questão, demonstrando apenas que houve movimentação financeira. Notese que a autuação se fez por falta de comprovação da origem dos recursos, tendo em vista a falta de apresentação da documentação pedida pela fiscalização. Esclarecer detalhadamente o procedimento contábil das operações de importação, juntar modelo exemplificativo do procedimento de importação, notas fiscais, contratos de empréstimo ou planilha de alguns valores remetidos ao exterior, os quais a interessada junta cópias em sua impugnação, não são suficientes para comprovar a efetiva origem de recursos. Necessário seria a apuração em relação às operações efetuadas, que somam dezenas de importações sem comprovação de origem de recursos. O fato de ter sido intimada várias vezes para comprovar a origem e a falta de apresentação dos documentos que a fiscalização pediu demonstram claramente a intenção da interessada de tornar a situação de difícil esclarecimento." Fl. 11728DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 Sem sucesso na sua impugnação, veio novamente a Recorrente aos autos e interpôs Recurso Voluntários, já tendo conhecimento da decisão de primeira instância que indeferiu a impugnação em razão da ausência de origem dos recursos, mas mesmo assim, não trouxe nenhum inovação quanto aos documentos e esclarecimentos já apresentados. No Recurso Voluntário são trazidos as alegações que a origem dos recursos utilizados no comércio exterior viriam de empréstimos bancários e para justificar estas alegações, a Recorrente informa que trouxe extratos bancários que comprovariam a origem dos recursos. O cerne da lide é demonstrar de forma satisfatória a origem destes valores que segundo a Recorrente constariam em numerário em caixa. Os contratos de financiamento que segundo a recorrente justificariam a origem destes valores foram firmados em 2010, dois anos após a existência destes números no balanço da empresa. Os extratos bancários em que a Recorrente utiliza em determinados momentos os limites de Cheque Especial são muito inferiores aos valores constantes do balanço patrimonial e do ano de 2009, posterior a 2008 e também não podem justificar a origem destes recursos. De outro giro, a discussão da comprovação da origem dos recursos já percorre um longo caminho, que vem desde o início do procedimento fiscal levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal, onde a interessada vem sendo intimada seguidas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos que não são apresentados. Os livros fiscais, conforme detalhado na ação fiscal, somente foram apresentados quando da impugnação e não trouxe uma informações relevante para solução do mérito da lide, como detalhamento dos contratos e demonstrativos das receitas obtidas com as operações, os extratos bancários, não abarcam todo o período fiscalizado, limitandose a descrever operações comerciais, não sendo indicado fluxos financeiros ou origem de recursos. Ilustrando a falta de comprovação da origem dos recursos, tomemos como exemplo o Balanço Patrimonial para o ano de 2008, apresentado pela empresa (fls. 5640). Registra como Ativo Circulante um Saldo no dia 01/01/2008 o valor de R$ 19.353.068,00 (dezenove milhões, trezentos e cinquenta e três mil e sessenta e oito reais). O saldo desta mesma conta em 31/12/2008 é de R$ 23.580.964,85 (vinte e três milhões, quinhentos e oitenta mil, novecentos e sessenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos). Neste mesmo balanço consta da conta caixa (bens numerários) o valor de R$ 11.121.470,52 (onze milhões, cento e vinte e um mil, quatrocentos e setenta reais e cinquenta e dois centavos) no dia 01/01/2008 e para o dia 31/12/2008 o saldo desta mesma conta é de R$ 6.687.088,34 (seis milhões, seiscentos e oitenta e sete mil, oitenta e oito reais e trinta e quatro centavos). O estoque declarado para a empresa no dia 01/01/2008 é de R$ 7.610.050,00 (sete milhões, seiscentos e dez mil e cinquenta reais) e o estoque final em 31/12/2008 é de R$ 15.860.620,00 (quinze milhões, oitocentos e sessenta mil, seiscentos e vinte reais). Analisando os contratos de mutuo apresentados (fls. 4183 a 4205) constatase que foram firmados nos meses de julho, agosto e dezembro de 2010 período posterior ao início das importações, objeto do lançamento, que estendemse do período de janeiro de 2008 a setembro de 2010. Quanto aos extratos bancários (fls. 4206 a 4324), apresenta em determinados período o saldo da conta negativo em uma conta no banco Itaú, em razão de utilização de empréstimos realizados, mas são quitados durante o período, sendo o saldo final no dia 31/12/2008 um saldo negativo no valor de R$ 1.830.612,19 (um milhão, oitocentos e trinta mil, seiscentos e doze reais e dezenove centavos), em outra conta o saldo no dia Fl. 11729DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.728069/201158 Acórdão n.º 3102001.695 S3C1T2 Fl. 11.724 13 29/12/2008 é positivo no valor de R$ 3.947,55 (três mil, novecentos e quarenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos), o restante dos extratos referemse ao ano de 2011. Mesmo que considerado que todo esta valor seria numerário da empresa, o valor é bem inferior àquele constante do balanço patrimonial da empresa no ano de 2008. Assim, os recursos que poderiam advir destes financiamentos não justificam os recursos utilizados nas operações de importação, tampouco demonstrar de forma satisfatória a origem destes valores que segundo a Recorrente constariam em numerário em caixa. Os contratos de financiamento que segundo a recorrente justificariam a origem destes valores foram firmados em 2010, dois anos após a existência destes números no balanço da empresa. Os extratos bancários em que a Recorrente utiliza em determinados momentos os limites de Cheque Especial são muito inferiores aos valores constantes do balanço patrimonial e do ano de 2009, posterior a 2008 e também não podem justificar a origem destes recursos. De observação obvia, os recursos que poderiam advir destes financiamentos não justificam os recursos utilizados nas operações de importação, além deste fato as operações bancárias listadas não vinculam os valores às despesas de comércio exterior, não sendo indicado em que momento os recursos foram utilizados para quitação das despesas aduaneira e das mercadorias importadas. De outro giro, a discussão da comprovação da origem dos recursos já percorre um longo caminho, que vem desde o início do procedimento fiscal levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal, onde a interessada vem sendo intimada seguidas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos que não são apresentados. Os livros fiscais, conforme detalhado na ação fiscal, somente foram apresentados quando da impugnação e não trouxeram informações relevante para solução do mérito da lide, como detalhamento dos contratos e demonstrativos das receitas obtidas com as operações, os extratos bancários, não abarcam todo o período fiscalizado, limitandose a descrever operações comerciais, não sendo indicado fluxos financeiros ou origem de recursos. Toda a motivação do lançamento em discussão, vem da não comprovação da origem dos Recursos. A apresentação de contratos de câmbio e documentos utilizados no despacho aduaneiro comprovam a existência de Recursos, mas não a sua origem e em nada auxiliam na elucidação dos fatos e da interposição fraudulenta imputada a Recorrente. O problema central, a cerne da lide, não foi enfrentada, que era demonstrar a origem dos recursos. A alegação de que teriam origem em empréstimos e a descrição dos assentamos que seriam realizados, sem as necessárias provas documentais não podem ser aceitas. Os argumentos do Recurso Voluntário detalham a utilização do Recurso, mas o que interessa para a solução da questão é a origem dos recursos. O conceito de origem no que concerne a matéria tributária, esta assim definido no Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva. 1 ORIGEM. Do latim origo, originis, em sentido amplo quer exprimir o começo ou causa de todas as coisas. É assim, o germe, o motivo, o fundamento, a razão, a procedência. 1 Silva, De Plácido, Vocabulário Jurídico, 23ª ed., Forense, Rio de Janeiro, 2003, p. 990. Fl. 11730DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 Mostra, pois, a coisa eficiente ou a determinante das coisas ou a fonte de onde vieram ou procederam. É a força criadora. É o motivo. Na linguagem técnica de do Direito Tributário, origem exprime a procedência ou o lugar de onde a coisa provém: é assim que se entende a expressão origem da mercadoria ou o certificado de origem da mercadoria ou do produto. (...)” A origem é a procedência o nascedouro da coisa. Na investigação sobre a origem do recurso, buscase o seu nascedouro de onde partiu. A comprovação documental do fechamento de câmbio e do pagamento dos tributos aduaneiros, confirma a utilização do recursos, mas não ajuda em nada o esclarecimento quanto a sua origem, de onde provém. Não há como mudar ou questionar o lançamento e a decisão da primeira instância. Sem a comprovação que os recursos utilizados para o pagamento das operações de câmbio e dos tributos aduaneiros, teriam origem em receitas própria da Recorrente ou que as tenha recebido de forma lícita e legítima de empresas para a qual tenha prestado serviço. Firme neste entendimento, a presunção legal é fato aplicável ao caso em tela, configurando a interposição fraudulenta. Advindo dai, todas as implicações legais, quais sejam a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas e na sua impossibilidade a conversão desta pena em multa nos termos do art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 11731DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35564.006097/2006-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2005
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL.
SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei
1569/77 e os
artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Tratando-se
de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao
lançamento por homologação, aplica-se
a decadência do art. 150, § 4º do
Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A.
VINCULAÇÃO À
DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N
973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A,
esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça
proferidas em conformidade com o art.543-C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o
RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150, § 4º do Código Tributário
Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de
recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário
Nacional.
CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NFLD. SIMPLES INDICAÇÃO.
AUSÊNCIA DE VÍCIO.
A indicação de sócios na NFLD não pode ser interpretada como conduta
prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em
simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo
qualquer tipo de consequencia para esses sócios-gerentes,
o que só ocorrerá
em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais
autorizadores.
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. GFIP’S. INFORMAÇÕES INCORRETAS. MULTA.
APLICAÇÃO MAIS BENÉFICA.
Caso a empresa apresente informações incorretas em GFIP, será lavrado Auto
de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória em não informar
corretamente ao fisco os fatos geradores passíveis de tributação. No caso em
tela, a multa a ser aplicada é a prevista no art.32A
da Lei n 8.212/91, com a
nova redação dada pela Lei n 11.941/2009, por ser mais benéfica e ser
específica às obrigações relacionadas a GFIP.
SUCESSÃO EMPRESARIAL - TRIBUTO
E MULTA POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COBRANÇA
DEVIDA.
A pessoa jurídica de direito privado que suceder outra responde
integralmente pelos tributos devidos e pela multa decorrente, seja ela de
caráter moratório ou punitivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de
preliminar, negar provimento ao recurso voluntário. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao
contribuinte.
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150, § 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NFLD. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na NFLD não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequencia para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP’S. INFORMAÇÕES INCORRETAS. MULTA. APLICAÇÃO MAIS BENÉFICA. Caso a empresa apresente informações incorretas em GFIP, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória em não informar corretamente ao fisco os fatos geradores passíveis de tributação. No caso em tela, a multa a ser aplicada é a prevista no art.32A da Lei n 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei n 11.941/2009, por ser mais benéfica e ser específica às obrigações relacionadas a GFIP. SUCESSÃO EMPRESARIAL TRIBUTO E MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COBRANÇA DEVIDA. A pessoa jurídica de direito privado que suceder outra responde integralmente pelos tributos devidos e pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, negar provimento ao recurso voluntário. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 320 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.251 a 291 contra decisão da 9 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.225 a 243) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração nº 37.011.3705 no valor consolidado originalmente de R$ 355.315,96 (trezentos e cinquenta e cinco mil, trezentos e quinze reais e noventa e seis centavos), o qual foi reduzido após decisão de 1 instância, que reconheceu parte do crédito tributário acobertado pela decadência com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional, para R$ 304.094,96 (trezentos e quatro mil, noventa e quatro reais e noventa e seis centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 14 a 17, a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP, no período 11/2000 a 11/2005 (não contínuo), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo sido aplicada a multa do art.32, parágrafo 5, da Lei n 8.212/91 como fundamento legal para a infração cometida, acrescida em razão de circunstância agravante verificada pela fiscalização (AI lavrado anteriormente me 12/12/2001), conforme atesta informação às fls.17. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 31/10/2006 e apresentou impugnação às fls. 30 a 73, alegando em síntese: Ser precário o relatório fiscal, uma vez que não aponta os fatos geradores omitidos; A ilegitimidade da inclusão de diretores como corresponsáveis, sem a devida comprovação da responsabilidade pessoal na forma do art.135,III, do Código Tributário Nacional, trazendo para fundamentar seu pleito julgado da extinta Secretaria da Receita Previdenciária; A decadência das competências anteriores a 11/2001 com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional; A inexistência da obrigação principal, uma vez que a mesma está sendo discutida na NFLD n 37.011.3675; Desrespeito da fiscalização à Lei n 8.212/91 e ao Decreto n 3.048/99, pois o limite legal da multa foi ultrapassado; Inovação indevida pelo art.649 da IN SRF 03/2005 à Lei 8.212/91 e ao Decreto n 3.048/99; Que a premiação concedida não se enquadra no conceito de remuneração, por ser concedida esporadicamente, tendo sido o pagamento efetuado com três tipos de verbas (prêmio em razão do desempenho individual do funcionário; bônus pago aos funcionários que complementaram 25 anos de serviço; abono eventualmente pago a determinados funcionários), as quais tiveram suas características bem informadas ao longo da defesa; Ser indevida a aplicação da multa por ato praticado pela empresa sucedida, por previsão do art.132 do CTN; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 321 5 Por fim, requereu o conhecimento e o total provimento da impugnação apresentada para que o AI fosse declarado improcedente. Às fls. 111 e 112, houve despacho determinando a realização de diligência para que o Auditor Fiscal esclarecesse a obscuridade na elaboração do relatório fiscal, haja vista a falta de clareza do mesmo e analisasse o presente processo em conjunto com a NFLD n 37.011.3675 para, ao final, ser elaborado um relatório fiscal complementar. Em resposta, a autoridade fiscal confeccionou relatório complementar da infração e da multa, tendo sido a mesma retificada para R$ 269.965,56 (duzentos e sessenta e nove mil, novecentos e sessenta e cinco reais e cinquenta e seis centavos). Após essa diligência, houve outra, tendo sido sugerida a desconsideração da retificação (relatório complementar) que resultou na correção do valor da multa para R$ 307.027,46 (trezentos e sete mil, vinte e sete reais e quarenta e seis centavos). Deste resultado, o contribuinte foi intimado e apresentou nova manifestação às fls.184 a 217, ratificando, sumariamente, os mesmos argumentos expostos na primeira defesa. Instada a manifestarse acerca da impugnação e da defesa complementar, a 9 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP proferiu decisão às fls.225 a 243 (acórdão n° 0528.302) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2005 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o respectivo lançamento já podia ser efetuado. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. GFIP.DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada com a decisão de 1 instância, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 251 a 291, ratificando os mesmos argumentos apresentados em oportunidade anterior. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 No pedido, requereu o recebimento do recurso voluntário para que fosse acolhido in totum e que fosse acolhida a preliminar de decadência até setembro/2001, bem como fosse declarada a nulidade do AI por revogação do dispositivo legal que fundamentou a autuação. Alternativamente, requereu, em respeito ao art.106, II, “c”, do CTN, a retroatividade da Lei n 11.941/2009 ao caso em tela. Postulou ainda a exclusão dos valores decorrentes dos atos praticados pela empresa sucedida, bem como a retirada dos nomes dos sócios constantes no CORESP – Relação de Corresponsáveis. Pugnou também pelo sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo n 35564.606094/200623, ou, o julgamento em conjunto. No mérito, rogou pelo total provimento do recurso para fins de considerar que os valores constantes na NFLD 37.011.3675 não devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária e, alternativamente, caso nenhum dos seus argumentos acima sejam acolhidos, requisitou a exclusão dos valores a título de multa decorrente de ato processual praticado pela empresa sucedida Agip Distribuidora. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 322 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. I – DA DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL: A recorrente alega ter ocorrido a decadência quinquenal, com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional, das competências anteriores a 11/2001, em razão da ciência do débito ter ocorrido em 31/10/2006. Todavia, cabe destacar que antes de ser analisada a ocorrência do instituto, algumas considerações devem ser tecidas. As controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderiam ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos a contar do marco inicial estabelecido pelo CTN. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173, I e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 323 9 este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Este entendimento é pacífico na doutrina pátria1: O início do prazo de decadência do direito de lançar, em se tratando de tributo ordinariamente sujeito a lançamento por homologação, começa na data do fato gerador do tributo a que se referir o lançamento. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No caso em tela, a notificação ocorreu em 31/10/2006 e foi verificada a ausência de recolhimento, motivo pelo qual o critério de contagem para fins de decadência será o previsto no art.173, I, do Código Tributário Nacional. Por essa sistemática, entendo também que apenas a competência 11/2000 está decadente, tendo em vista que o fisco poderia apurála até 01/01/2006 (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido lançado), o que só foi feito em 31/10/2006, ou seja, ocorreu a decadência desse período. Por todo o exposto, mantenho a decadência nos termos da decisão a quo. II – DA INDICAÇÃO DOS SÓCIOS – AUSÊNCIA DE VÍCIOS:. A recorrente alega ainda que a indicação dos sócios da pessoa jurídica recorrente é ilegal, tendo em vista que a fiscalização não provou a ocorrência dos requisitos que autorizam a responsabilidade pessoal pelo pagamento do débito exigido. Entretanto, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da 1 MACHADO, Hugo de Brito. Decadência e Prescrição no Direito Tributário Brasileiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.), Curso de direito tributário. 11ed. São Paulo. Saraiva,2009, p.208. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003, determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Por fim, entendo que a indicação dos sóciosgerentes não representa nenhum vício na NFLD do presente caso, motivo pelo qual entendo que não seja caso de nulidade. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 324 11 DO MÉRITO I – DA INFRAÇÃO COMETIDA A recorrente foi autuada por ter apresentado GFIP, no período 11/2000 a 11/2005 (não contínuo), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo sido aplicada a multa do art.32, parágrafo 5, da Lei n 8.212/91 como fundamento legal para a infração cometida, acrescida em razão de circunstância agravante verificada pela fiscalização (AI lavrado anteriormente me 12/12/2001), conforme atesta informação às fls.17. No caso em tela, o fisco procedeu à lavratura do auto de infração ao verificar que a empresa não informou os valores pagos as segurados empregados mediante cartão de premiação, violando supostamente previsão do.32, IV, parágrafos 3º e 5º, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Destacouse) Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Ressaltese que os parágrafos 3 e 5 do art.32 da Lei n 8.212/91 foram revogados pela Lei n 11.941/2009, mas esses dispositivos não alteraram a obrigação tributária da empresa de declarar/informar à Secretaria da Receita Federal dados cadastrais e elementos relativos aos fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A recorrente apresentou a GFIP com omissão de dados (não informou os valores pagos as segurados empregados mediante cartão de premiação), o que caracteriza a entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores. Tal fato pode ainda ser constatado com o resultado do processo 35564.006094/200623, o qual entendeu que houve habitualidade por parte da empresa no pagamento dessa premiação aos seus empregados, com exceção daqueles que tiveram suas remunerações excluídas de tributação em face de diligência realizada. Desse modo, a consequência da infração do presente caso é o pagamento de multa prevista na legislação competente, qual seja o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto n 3.048/99) e a Lei n 8.212/91, in verbis: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 32, § 5º que a empresa que apresentar os documentos do art.32, IV, com dados que não correspondam aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, pagará multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. Então vejamos: Art.32 – (...) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 325 13 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. Na presente autuação, a fiscalização aplicou, ao fundamentar a aplicação da multa no §5º do art.32 da Lei n 8.212/91, um valor máximo de multa com base na quantidade de segurados da empresa. Todavia, ambos os dispositivos (§4º e §5º) foram revogados pela Lei n 11.941/2009 e, sabendo dessa revogação, a 1 instância fundamentou que a penalidade deveria estar amparada pelo art.35 da Lei n 8.212/91 após nova redação. Entretanto, entendo que a sistemática aplicada não foi correta, tendo em vista que o julgamento da 1 instância determinou que à multa do art.32, parágrafo 5 da Lei n 8.212/91 fosse acrescida a multa de mora do art 35 da Lei n 8.212/91 e a comparação fosse efetuada quando do pagamento do débito pelo contribuinte, caso o lançamento seja julgado procedente. Ora, a Lei n 8.212/91 (art.34 e 35), antes de receber nova redação pela Lei n 11.941/2009, tratava apenas de multa de mora, não havia o que se falar em multa de ofício, tanto é que nos lançamentos fiscais o percentual continuava sendo majorado com o transcurso do tempo, motivo pelo qual a comparação entre a multa de mora anterior com a multa de ofício atual não pode acontecer pela distinção de natureza jurídica entre ambas. Além disso, passou desapercebido pela instância a quo o novo dispositivo incluído pela Lei 11.941/2009. É que a nova legislação revogou dispositivos da Lei n 8.212/91, e acrescentou o art.32A na Lei n 8.212/91, o qual estabeleceu que a empresa que deixasse de apresentar o documento do inciso IV do art.32 ou apresentasseo com incorreções/omissões seria intimada a prestar esclarecimentos e pagar multa de acordo com a conduta praticada. Então vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, não há como prevalecer o entendimento da 1 instância em aplicar à falta de declaração incorreta em GFIP o art.44, I, da Lei n 9.430/96, tendo em vista que no caso em tela os fatos geradores foram anteriores ao advento da Lei n 11.941/2009, não podendo a nova legislação onerar a obrigação tributária da recorrente com o acréscimo dessa multa de ofício, principalmente nos casos de contribuição social previdenciária, espécie tributária regida por Lei específica (Lei n 8.212/91). Por outro lado, se a novel legislação prevê penalidade menos severa para os casos de omissão de fatos geradores, bem como ausência de informações , não há como não ser aplicada em respeito aos ditames do Código Tributário Nacional (art.106, II, “c” e art.112, I). Diante de tudo o que foi exposto, percebese que o critério adotado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi alterado, podendo assim o valor inicial da multa ser reduzido pela aplicação da nova lei que retroagirá para beneficiar o contribuinte, nos moldes do art.106, II, “c”do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Não obstante a nova legislação ser mais benéfica à anterior, se ainda causar dúvidas quanto à aplicação do dispositivo legal, ainda assim entendo que o correto seja aplicar o previsto no art.32A, caput, da Lei n 8.212/91 em respeito ao art.112, I, do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.006097/200667 Acórdão n.º 2403001.269 S2C4T3 Fl. 326 15 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Desse modo, entendo que a infração cometida pela recorrente em apresentar as GFIP’s com ausência de dados (dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias), incorre no descumprimento previsto no art.32A, caput, da Lei n 8.212/91 com redação dada pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto, tal norma retroagir, conforme art.106, II, “c”, do Código Tributário Nacional combinado com o art.112, I, do mesmo diploma. V – DA LEGITIMIDADE DA SUCESSORA PARA RESPONDER POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS: A recorrente alega que não é devida a cobrança de crédito tributário constituído por empresa sucedida. Todavia, vale destacar que a pessoa jurídica sucessora assume, conforme previsão legal, os créditos tributários da empresa sucedida até a data da alteração societária (fusão, cisão, incorporação), vejamos: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Desta forma, a pessoa jurídica que resultar de sucessão empresarial é responsável pelo pagamento de crédito tributário vencido e não pago, estando incluído nesse valor a multa e os juros incidentes sobre esse valor originário. Vale destacar com relação à multa que a recorrente alega não poder responder por penalidade devida à empresa sucedida, considerando que a lei só prevê a responsabilidade por sucessão relativa a tributo e não à penalidade. Ocorre que o preceito legal é aplicável à assunção de crédito tributário, seja decorrente de obrigação principal, seja decorrente de obrigação acessória, , motivo pelo qual deverá ser mantida a cobrança contra a empresa recorrente em todos os termos CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, em preliminar, NEGARLHE PROVIMENTO. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.011.3705, na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905038/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 26/09/2008
CONTRATO DE KNOW HOW. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS-IMPORTAÇÃO
Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINS-Importação
Numero da decisão: 3801-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Siidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 26/09/2008 CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINSIMPORTAÇÃO Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Siidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 38 /2 00 9- 41 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório O presente processo administrativo trata de compensação declarada no PER/DCOMP (fls. 01/07), de crédito referente a valor indevidamente recolhido a maior a título de COFINS (Cod. 5442) sobre receitas de importação de serviços. Dita compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte (fls. 08). O despacho e a cobrança dos débitos indevidamente compensados foram cientificados à contribuinte (fls. 09), que entendeu por apresentar sua manifestação de inconformidade afirmando que seu crédito decorre de pagamento de COFINS a maior, alegando que o crédito advém da diferença entre o valor efetivamente devido a título do tributo e o valor recolhido (fls. 10/52). A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos qualquer documento comprobatório da prestação de serviços para o exterior e do valor considerado a maior, sendo obrigação do contribuinte a reunião e apresentação de conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. O acórdão de fls. 57/58 ora recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Data do fato gerador: 26/09/2008 Direito Creditório. Prova. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 62/82), desta vez juntando as “invoices” supostamente relacionadas aos serviços prestados para empresas no exterior, afirmando que o valor considerado indevidamente recolhido referese ao pagamento de royalties a fornecedor sediado no exterior e juntando planilha de cálculo dos valores recolhidos a título de COFINS. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10860.905038/200941 Acórdão n.º 3801001.813 S3TE01 Fl. 207 3 Essa Turma converteu o julgamento em diligência por entender que os documentos apresentados eram insuficientes para se apurar se as compensações foram devidamente registradas na contabilidade do sujeito passivo. E determinou que em diligência a Delegacia de origem: a) Determinasse ao contribuinte que juntasse a tradução juramentada dos contratos referente aos royalties e das notas correspondentes; b) Apresentasse o registro contábil referente às “invoices” 8323, 8324 e 8325 juntadas às fls. 70/73; e, após, c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O presente recurso voluntário foi convertido em diligência para que o contribuinte pudesse juntar aos autos as traduções, documentos e os contratos representativos dos royalties que deram origem ao crédito objeto do pedido de compensação. Às fls 94 e seguintes a Recorrente juntou os seguintes documentos: a) Cópia Autenticada Invoice Autoliv Development AB n° 8323 b) Cópia Autenticada Tradução Juramentada Invoic¢ Autoliv Development AB n° 8323 c) Cópia Autenticada Invoice Autoliv Deve]opment AB n° 8324 d) Cópia Autenticada Tradução Juramentada Invoice Autoliv Development AB n° 8324 e) Cópia Autenticada lnvoice Autoliv Development AB n° 8325 f) Cópia Autenticada Tradução Juramentada lnvoice Autoliv Development AB n° 8325 g) Tela da contabilização da entrada das Invoices n° 8323, 8324 e 8325 h) Contabilização do Pagamento das Invoices n° 8323, 8324 e 8325 através da OI n° 8314 (Ordem de Pagamento Fornecedores do Exterior) i) Cópia Autenticada de Averbação no INPI do Contrato de Royalties. j) Cópia Autenticada da Tradução Juramentada do Contrato de Royalties k) Cópia Autenticada do Contrato de Royalties l) Cópia Autenticada da Tradução Juramentada do Adendo do Contrato de Royalties m) Cópia Autenticada do Adendo do Contrato de Royalties. Do confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento apresentado fica evidenciado o crédito objeto da presente compensação. A própria Receita Federal tem dado respostas favoráveis às consultas de empresas, livrandoas do pagamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10860.905038/200941 Acórdão n.º 3801001.813 S3TE01 Fl. 208 5 remessas ao exterior relativas a royalties e direitos pelo uso de marcas e transferência de conhecimento e tecnologia. A solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, inclusive, dispões do seguinte modo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1odo art. 1oe inciso II do art. 3odaLei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” No presente caso os requisitos para a não incidência estão configurados: o contrato é de licenciamento de patentes, estão devidamente descritos os produtos licenciados e os valores devidos a esse título e não há serviços conexos. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 O contrato é contrato de “knowhow”, ou seja, aquele mediante o qual o licenciante transmite informações tecnológicas previamente existentes de natureza sigilosa que lhe pertencem, por cessão temporária ou definitiva de direitos, autorizando o licenciatário a explorar por conta própria, sem que o licenciante interfira na aplicação da tecnologia ou garanta o resultado. Não se trata e não engloba de prestação de serviços. Considerando a existência desses elementos tenho que tem a Recorrente bom direito. Nesse sentido voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919008/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/03/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos
débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser
declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/2002
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do
direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta
fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da
compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada
e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma
estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as
alterações posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.058
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 02-28.162, de 16 de agosto de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos que ocorreram até a prolação do referido Acórdão, transcrevo a seguir o relatório do julgador de primeiro grau: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.15/19, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 31/03/2002. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 12) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919008/2008-59 Acórdão n.º 3802-01.058 S3-TE02 Fl. 2 3 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em 08/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 01/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. No final requereu o provimento do citado Recurso, para que fosse declarado nulo o despacho decisório ou homologada as compensações realizadas. Em 20/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de novembro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive no que tange ao limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Em sede de preliminar, o cerne da presente controvérsia limita-se a validade do presente Despacho Decisório, em que o Titular da Unidade da Receita Federal de origem, não homologou a compensação declarada pela Recorrente, com base no argumento que não existia o crédito informado, haja vista que já havia sido integralmente utilizado no pagamento de outro débito da própria Recorrente. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No presente Recurso, a Interessada pleiteou a nulidade do citado Despacho Decisório sob alegação de que houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao contraditório, com base no argumento que não houve exposição das razões de fato e direito que motivaram a referida decisão. Não procede a presente alegação, com a devida vênia. A uma, porque a decisão questionada foi devidamente motivada, conforme reconheceu a própria Recorrente no excerto a seguir transcrito: Como no presente caso, segundo o Fisco, a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, evidentemente que tal alegação é nula, tendo em vista ser completamente vazia e desprovida de fundamentação. De fato, ao afirmar que “a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente”, a Recorrente demonstrou que compreendeu o motivo da não homologação da compensação declarada, que foi consignado no tópico da fundamentação do referido Despacho Decisório, com os seguintes termos, in verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, porque o enquadramento legal nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, representa adequada fundamentação legal para a decisão proferida. Dessa forma, diferentemente do que alegou a Recorrente, entendo que o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a Recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica da decisão proferida, o que descaracteriza a aduzida alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Também não procede a alegação de que houve afronta ao contraditório, haja vista que a Recorrente teve pleno conhecimento do inteiro teor do citado Despacho Decisório, assim como lhe foi oportunizado apresentar manifestação de inconformidade, nos prazos e nos termos dos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, que foi normalmente exercido, sem nenhuma dificuldade, conforme noticiam os autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Da análise do mérito. Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito a existência ou não do crédito utilizado pelo sujeito passivo na quitação do débito confessado na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é requisito necessário, para fim de realização da autocompensação declarada, que sujeito passivo seja titular de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919008/2008-59 Acórdão n.º 3802-01.058 S3-TE02 Fl. 3 5 conforme disposto no art. 170 do CTN, combinado com estabelecido no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. No presente caso, com base nas informações contidas nos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi apurado que não existia o crédito informado na referida DComp, uma vez que alegado pagamento indevido havia sido integralmente utilizado no pagamento de débito da Cofins constituído pela própria Recorrente. Por este motivo, o Titular da Unidade da RFB de origem não homologou o presente procedimento compensatório. É oportuno ainda esclarecer que, no caso em tela, foi a própria Recorrente quem apurou e confessou a existência do débito vinculado ao alegado pagamento indevido, mediante a apresentação da respectiva DCTF, que, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Diante dessa constatação, para reforma da decisão em questão, era imprescindível que a Recorrente apresentasse as provas no sentido de que o dito pagamento era indevido. E tal mister seria facilmente realizado mediante a exibição dos documentos e livros contábeis e fiscais, documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência ou não do faturamento no respectivo mês, que representava, na época, a base de cálculo da referida Contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. No entanto, ao invés de trazer tal documentação aos autos e assim provar a existência do indébito tributário, a Recorrente alegou, nas duas oportunidades em que exerceu o seu direito de defesa, inclusive, incluindo o presente Recurso, que a autocompensação por ela realizada gozava de presunção de validade, não podendo o Fisco indeferi-la com base na alegação de que não existia o crédito declarado. Evidentemente, essa alegação que a autocompensação (declarada) goza de presunção de validade não tem respaldo jurídico. De fato, é comezinho que a presunção de validade ou legitimidade (juris tantum) é uma prerrogativa exclusiva do ato administrativo emanado do Poder Público, em decorrência direta da sujeição da Administração Pública ao princípio da estrita legalidade, explicitamente previsto no caput do art. 37 da CF/1988, que exige que tais atos sejam expedidos com estrita observância do que determina a lei. É oportuno esclarecer que a autocompensação declarada tem natureza de confissão dívida, segundo o disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação que foi atribuída pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da impossibilidade de retificação da DCTF. Na verdade, diversamente do que afirmou, há permissão expressa de alteração dos dados da DCTF, conforme estabelecido no artigo 9º e seus parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, e nas Instruções Normativas anteriores que disciplinavam a matéria, a qual se efetiva mediante a entrega, via Internet, da declaração retificadora gerada a partir do PGD DCTF. É oportuno esclarecer que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e pode ser utilizada para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Porém, a DCTF retificadora não produzirá efeitos quando tiver por objeto: a) reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; (ii) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou (iii) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. b) alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nos presentes autos, nenhum dessas situações impeditivas ocorreram, portanto, inaplicável ao caso em tela tal alegação. Também fica demonstrado a improcedência da alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF, pois, conforme demonstrado precedentemente, a alteração dos débitos declarados na DCTF somente pode ser realizada mediante a entrega da DCTF retificadora. É oportuno ainda ressalta que, além de não ter nenhum amparo legal, no meu entendimento, tais alegações, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do respectivo crédito utilizado na quitação do débito declarado. Com base nessas, considerações estou convencido que o crédito informado pela Recorrente não existe, pois o valor do suposto pagamento indevido foi utilizado integralmente no pagamento do débito da Cofins declarado pela própria Recorrente na DCTF do respectivo período. Dessa forma, se não existe o crédito informado, consequentemente, a compensação declarada reputa-se indevida e, portanto, legítima a sua não homologação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter a não homologação da compensação declarada, em razão da inexistência do crédito informado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.919008/2008-59 Acórdão n.º 3802-01.058 S3-TE02 Fl. 4 7 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 19288.000154/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE.
Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 132,48 e alterar a parcela a deduzir para R$ 7.955,36.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a falta. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa médica no valor de R$ 132,48 e alterar a parcela a deduzir para R$ 7.955,36. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 28 8. 00 01 54 /2 01 1- 11 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 104), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado, foi emitida a Notificação de Lançamento, do exercício 2010, anocalendário 2009, em decorrência das glosas das seguintes deduções: despesas médicas, pensão alimentícia judicial, Previdência Privada e despesas com instrução, resultando na apuração do IRPF/2009 Suplementar de R$ 3.028,51 , multa de oficio e juros de mora, total de R$ 6.612,68, atualizado até 29/04/2011. 2. Cientificado do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 02, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, nos seguintes termos: “ARMANDO JIMENEZ GONZALEZ, residente a Rua E 22 N° 255 NOVO HORIZONTE, CEP27910000 município MACAÉ, RJ, CPF 475.841.57491, não se conformando com o auto de infração/Notificação de Lançamento acima referido, do qual foi notificado em 06/04/2011, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõem o art. 15 do Dec. 70.235/72, apresentar sua impugnação, pelos motivos de fato e de direito que se seguem (art. 16, inciso II do Dec.70.235/72): I OS FATOS Descrição dos motivos de fato, de forma minuciosa e clara. Deverão ser descritos aqueles importantes para a solução do conflito. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR Nas preliminares podese alegar tudo o que precisa ser decidido antes de apreciar o mérito. A preliminar não discute as razões da impugnação e sim as razões que podem modificar, inclusive anular o lançamento efetuado. II. 2 MÉRITO ( inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Descrição do direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (anexálas ). III. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19288.000154/201111 Acórdão n.º 2201002.109 S2C2T1 Fl. 131 3 3. Às fls. 12 a 21, foram juntados os seguintes documentos: cópia do acordo da pensão alimentícia pela Vara de Família de Macaé, cópia da declaração de ajuste da mãe de sua filha beneficiária da pensão alimentícia judicial, comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, cópia da DIRPF/2010. 4 Posteriormente, o contribuinte apresentou o pedido de prioridade por ser maior de 60 anos com base na Lei 12.008 de 29/07/2009 e efetuando também pedido de prioridade junto a Ouvidoria da RFB. 5. Da verificase dos documentos apresentados pelo contribuinte, em 13/05/2011, quando da formalização do presente processo, referese tão somente às glosas da Contribuição à Previdência Privada e a Pensão Alimentícia, Em relação as despesas médicas de R$ 13.380,48, o contribuinte foi omisso em sua contestação, como também não juntou qualquer documento atinente ao valor da dedução. Portanto, matéria não contestada nos termos do Decreto n° 70.235/72.” A 1a Turma da DRJ/Rio de Janeiro II julgou a impugnação procedente em parte (fls. 104 a 107), para fins de restabelecer as deduções relativas à Contribuição à Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 1.838,68, e pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 27.650,00, nos termos da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. É de se restabelecer a dedução quando devidamente comprovado com documentos hábil e idôneo. DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Devidamente comprovado nos autos que a ação judicial expedida pela Vara de Família, alcançou ao anocalendário de 2009, portanto é se considerar o pleito do contribuinte, no valor acordado em as partes. DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consolidase, na esfera administrativa, à matéria que não houver sido expressamente contestada pelo impugnante, em sua peça contestatória, nos termos do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado” Inconformado com o resultado do acórdão de primeira instância, o Contribuinte interpôs o Recurso de fls. 111, datado de 03/05/2012, juntamente com a documentação de fls. 112 a 122, alegando, em suma, que: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 a) no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls. 121) consta pagamento de R$ 132,48 à Unimed Mossoró, que se refere, na realidade, a despesa realizada com a Uniodonto, razão pela qual solicita que seja feita essa alteração no lançamento; b) no acórdão recorrido foi utilizada a tabela errada, para efeito de apuração do pagamento, posto que o valor da parcela a deduzir correto é R$ 7.955,36, e não R$ 6.882,24. Diante do exposto acima requer sejam tomadas as devidas providências. Em 22/06/2012 contribuinte apresentou o pedido de prioridade no andamento do processo (fls. 126), por ser maior de 60 anos, com base na Lei nº 12.008, de 29/07/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator Como não consta nos autos a data em que o Contribuinte foi cientificado do acórdão de primeira instância, considero o Recurso tempestivo, merecendo ser conhecido, por atender os demais pressupostos de admissibilidade. O acórdão recorrido considerou que a glosa das despesas médicas não foi contestada, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, por considerar que o Contribuinte foi omisso em sua contestação, em relação a essa matéria, e por não ter juntado qualquer documento atinente ao valor da dedução em questão. Não obstante o entendimento acima, compulsando os autos, verificase que o Interessado juntou à impugnação o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (fls. 23), em que consta pagamento de despesas odontológicas no valor de R$ 132,48, conforme esclarecimentos contidos naquele documento. Cumpre assinalar que o julgamento de primeira instância foi realizado com base na documentação apresentada juntamente com a impugnação, posto que nesta o Contribuinte não contestou expressamente nenhuma das infrações lançadas. Assim, a omissão acerca da matéria em questão pelo órgão julgador de primeira instância ensejaria a nulidade do acórdão recorrido. Entretanto, o art. 59, § 3o, do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, prevê que, quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.59. São nulos: I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19288.000154/201111 Acórdão n.º 2201002.109 S2C2T1 Fl. 132 5 § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Neste caso, como considero, com fulcro no disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o documento de fls. 121 é hábil e idôneo a comprovar as despesas médicas/odontológicas ali especificadas, deve ser restabelecida a dedução de despesa médica no valor de R$ 132,48, que consta naquele documento como pagamento de despesas odontológicas. Cabe destacar que o Contribuinte informou esse valor, como dedução, em sua declaração de ajuste anual do IRPF (fls. 26). Por conseguinte deixo de pronunciar a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Quanto ao erro na utilização da tabela para fins de apuração do imposto devido, assiste razão ao Recorrente, haja vista que o valor correto da parcela a deduzir é R$ 7.955,36, conforme informação contida no próprio sítio da Receita Federal do Brasil na internet, e não R$ 6.882,24, como informado no acórdão recorrido. Diante do exposto acima voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer o valor de R$ 132,48, a título de dedução de despesas médicas, e para que, no cálculo da apuração do imposto devido, seja utilizado, como parcela a deduzir, o valor de R$ 7.955,36. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10840.903652/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 30/06/2004 Ementa: IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Segundo o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, é dever do sujeito passivo apresentar, na impugnação, toda a matéria de defesa contra a autuação fiscal. Considera-se não impugnado o tópico da autuação que não tenha sido objeto de contestação pelo contribuinte. IPI. SALDO CREDOR. UTILIZAÇÃO RESTRITA AO MONTANTE APURADO AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. É defeso ao sujeito passivo utilizar créditos de IPI, escriturados ao final de um determinado período de apuração, para compensação com débitos de outros tributos federais, quando o saldo credor deste período de apuração já tenha sido transportado para períodos subseqüentes.
Numero da decisão: 3403-001.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/06/2004 Ementa: IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Segundo o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, é dever do sujeito passivo apresentar, na impugnação, toda a matéria de defesa contra a autuação fiscal. Considerase não impugnado o tópico da autuação que não tenha sido objeto de contestação pelo contribuinte. IPI. SALDO CREDOR. UTILIZAÇÃO RESTRITA AO MONTANTE APURADO AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. É defeso ao sujeito passivo utilizar créditos de IPI, escriturados ao final de um determinado período de apuração, para compensação com débitos de outros tributos federais, quando o saldo credor deste período de apuração já tenha sido transportado para períodos subseqüentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de PER/DComp (fls. 01/25), transmitido em 12.07.2004, pelo qual o recorrente pretendeu ressarcir saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2004 mediante compensação com débitos do PIS e da COFINS. Em seguida, foram transmitidos mais três DComps, respectivamente em 14.07.2004, 10.08.2004 e 12.11.2004. Diferentemente dos três primeiros, este último PER/DComp de 12.11.2004 não foi homologado pelo despacho decisório (fls. 26/34), pelas seguintes razões: (i) insuficiência de saldo credor ocasionada pela glosa de alguns créditos tidos por indevidos pela auditoria e (ii) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento teria sido consumido, na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao trimestre em referência. Em 27.05.2009, o recorrente manifestou sua inconformidade (fls. 36) alegando, de forma bastante genérica, que as notas fiscais relacionadas no PER/DComp original demonstram que o crédito pleiteado estava correto e que, mesmo após considerar os débitos do período, este crédito seria maior que o reconhecido pela autoridade fiscal. Em 27.01.2010, a DRJ/Ribeirão PretoSP julgou improcedente a inconformidade (fls. 68), aduzindo que o recorrente não se manifestara sobre os créditos glosados, atraindo a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como que o saldo credor a ser ressarcido deve ser calculado levandose em consideração o período de apuração imediatamente anterior ao da transmissão do pedido. Em 23.03.2010, o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 72/74), insurgindose, agora, quanto à glosa dos créditos e, no mais, ratificando as razões genéricas presentes na inconformidade. Anexou ao voluntário planilha demonstrativa do saldo credor de IPI ao final do 2º trimestre de 2004, bem como as notas fiscais de aquisição que geraram os créditos e livro Registro de Apuração do IPI (fls. 83/216). Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. É de se ressaltar, primeiramente, que as três primeiras DComps transmitidas, respectivamente, em 12.07.2004 (final 3625), em 14.07.2004 (final 4702) e em 10.08.2004 (final 8225) foram integralmente homologadas pelo despacho decisório (fls. 26/34), razão pela qual estas não são objeto da presente irresignação. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10840.903652/200914 Acórdão n.º 340301.526 S3C4T3 Fl. 2 3 Cingese o litígio, então, à verificação da existência de créditos suficientes à homologação da DComp nº 27154.65691.121104.1.3.017665, transmitida em 12.11.2004. De acordo com a DRF, são dois os obstáculos à homologação desta compensação: (a) a glosa de créditos de IPI em notas fiscais de aquisição cujo emitente tivera seu CNPJ cancelado perante os cadastros da RFB; e (b) o saldo credor passível de ressarcimento teria sido utilizado em períodos subsequentes anteriores ao da transmissão do PER/DComp. Como apontou a DRJ, o primeiro item não foi contestado pelo recorrente na manifestação de inconformidade. Isto, indubitavelmente, atrai a aplicação do art. 17, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Esta é também a orientação jurisprudencial do CARF, segundo a qual a análise de matérias não debatidas nas instâncias ordinárias implicaria supressão de instância e ofensa ao devido processo legal. Nesse sentido, eis os seguintes precedentes: “(...). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.” (2ª Seção, 3ª Câmara, processo nº 10540.000807/200773, j. em 26.10.2011) “(...). RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.” (2ª Seção, 3ª Câmara, processo nº 11020.002308/200914, j. em 26.10.2011) “(...). PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, (...)” (2ª Seção, 3ª Câmara, processo nº 10380.016009/200743, j. em 27.07.2011) Portanto, não devem ser conhecidas as alegações do recorrente, e nem as mesmo as notas fiscais tardiamente trazidas aos autos, no tocante à suposta invalidade da glosa de créditos do imposto. No que se refere ao segundo item – utilização do saldo credor em períodos subseqüentes anteriores ao da transmissão do pedido –, percebese que, de fato, o saldo credor foi utilizado em períodos subseqüentes, notadamente nos trimestres seguintes do ano calendário 2004, conforme informações apresentadas pelo próprio recorrente quando transmitiu a DComp ora questionada (fls. 56/59). A legislação relativa ao ressarcimento de créditos básicos de IPI é taxativa sobre a obrigatoriedade de que o direito creditório se refira a um determinado período de apuração. Uma vez transferidos os créditos para período de apuração subseqüente, estes não podem, logicamente, ser utilizados através de pedidos de ressarcimento. Nesse sentido, dispõem os arts. 21, §2º, §7º, I e 23, caput, da IN/RFB nº 900/08: “Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal.” “Art. 23. No período de apuração em que for apresentado à RFB o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado.” Prejudica ainda mais o recorrente o fato de não ter se insurgido especificamente, em seu voluntário (fls. 72/74), sobre a alegação da autoridade fiscal de que os créditos já teriam sido transferidos para períodos subsequentes. Limitase o recorrente a dizer que o “saldo credor objeto do pedido reflete a realidade dos documentos apresentados”. Não há nos autos nada que contraponha a demonstração da autoridade fiscal no sentido de que os créditos não mais seriam ressarcíveis. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10840.903652/200914 Acórdão n.º 340301.526 S3C4T3 Fl. 3 5 Voto, assim, pelo desprovimento do voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10830.011890/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 30/06/2003 a 31/12/2006
RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
Numero da decisão: 2301-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Empresa desenquadrada do Simples Recorrente PENTAGON LANGUAGE LEARNING LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/06/2003 a 31/12/2006 RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 18 90 /2 00 8- 21 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.184.8270, a qual impõe multa em face do sujeito passivo, o qual exibiu livros contábeis sem o atendimento das formalidades legais. Segundo consta do Relatório Fiscal o sujeito passivo, por exercer atividade vedada ao Simples, foi excluído desse regime mediante Ato Declaratório 113.799, confirmado em primeira e segunda instâncias administrativas. Contudo, apesar da exclusão efetuou o pagamento de tributos e contribuições de acordo com o Simples. O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, preliminarmente, a decadência do direito do Fisco de lançar; a possibilidade de se enquadrar no Simples em analogia às escolas de ensino de linguagem; a observância do princípio da capacidade contributiva, pois a multa não poderia ter sido exigida nos patamares lançados; que a multa teria efeito confiscatório. A DRJ de Campinas julgou improcedente a impugnação, mantendo o Auto de Infração tal como lançado. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário pugnando pela observância do princípio da capacidade contributiva, já que os valores exigidos são incompatíveis com a sua realidade, bem como requereu a aplicação do artigo 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, qual seja, a tempestividade e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 09 de agosto de 2011. Contandose o prazo, nos termos dos artigos 5º e 33 do Decreto nº 70.235/721, verificase que o dies a quo se deu em 10 de agosto de 2011, uma quartafeira. Ocorre que o recurso somente foi protocolado na repartição competente em 12 de setembro de 2011, conforme fl. 156 dos autos, ou seja, no 34º quarto dia após o início do prazo recursal, em dissonância, portanto, com o já mencionado artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.011890/200821 Acórdão n.º 2301003.481 S2C3T1 Fl. 186 3 Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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