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Numero do processo: 10920.002676/2008-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.286, integrado este àquela decisão.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO. Embargos Acolhidos.
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Interessado PRÉMOLDADOS AGHA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.286, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 26 76 /2 00 8- 75 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 230 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.286, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que houve omissão no acórdão citado, uma vez que este aplicou o artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, e declarou a decadência até a competência 04/2001, deixando de observar situação relevante a questão, pois o Relatório Fiscal informa que houve o desconto das contribuições dos empregados, mas não seu recolhimento, o que configura o crime do artigo 168A, do Código Penal; · que desta forma a regra de decadência a se aplicar é a do artigo 173, I, do CTN, ante a existência de dolo, podendo ser o genérico e não o específico como decidiu o STJ; · que este conselho assim decidiu no Acórdão 240101.304 da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF; · requer ao final – que a omissão seja sanada para se retificar a declaração da decadência, corrigindose o período, para acrescentar na cobrança as contribuições de 12/2000 a 04/2001, atribuindo efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão original. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 231 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão na decisão embargada, quanto a aplicação da regra decadencial. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão, mas apenas e tão somente, no diz respeito aos esclarecimentos e fixação da tese que deu suporte a decisão original. A qual, embora, para mim suficientemente clara no acórdão sobre vergasta, será aqui retomada para maior elucidação da tese. Em que pese, ter a D. PGFN entendido com base em uma passagem parcimoniosa do REFISC, de fls. 83, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 173,I, da Lei 5.172/66, tendo em vista, o que a alega o agente lançador, conforme transcrição abaixo. 1. FATO GERADOR Os créditos previdenciários, ora notificados, tem como fato gerador a prestação de serviços remunerados por parte de pessoas físicas contratadas pela empresa, referemse aos descontos dos segurados que, tendo sido efetuados, deixaram de ser recolhidos ao INSS na época própria. Tal fato pode caracterizar o crime de apropriação indébita, motivo pelo qual será encaminhado relatório à autoridade competente. Todavia, apesar da expressão acima utilizada, ou seja, “Tal fato pode caracterizar o crime de apropriação indébita...”, esta deve ser interpretada e contextualizada, no ordenamento jurídico, pois ela está no campo das conjecturas. Isto é, o agente lançador no REFISC, apenas diz que tal fato pode ter ocorrido, mas não declara e nem comprova a ocorrência efetiva daquele evento e muito menos informa ou comprova que tal evento se deu por dolo, fraude ou simulação. Aliás, a doutrina pátria sobre esta assunto assim se posiciona: “O castigo penal cora relevância somente quando a apropriação se torna indevida (indébita), isto é, quando é acompanhada de alguma fraude ou engano ou máfé. Quando se trata, enfim, de Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 232 4 um não pagamento atribuível a um devedor fraudulento, contumaz, relapso. São todas essas circunstâncias que iluminam a apropriação indébita previdenciária, para transformála numa apropriação criminosa. Ao juiz, em cada caso concreto, cabe discernir (e bem) o inadimplente do delinquente.” 1 Assim o judiciário se posiciona sobre o assunto. 3. O dolo na espécie configurase na vontade livre e consciente de descontar e deixar de repassar/recolher a contribuição previdenciária devida ao INSS para financiamento da Seguridade Social. Assim, independe da intenção específica de auferir proveito, pois o que se tutela não é a apropriação das importâncias, mas o seu regular recolhimento." (ACR 10388, Proc. 200204010427943/RS, TRF da 4a Reg., 7a Turma, Rel. Des. Federal Fábio Rosa, DJ de 14.05.2003) Evidente das duas passagens acima que a função de definir a ocorrência de dolo no crime não é do fisco, mas sim do judiciário. Devese, lembrar, também, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, conforme, a seguir transcrita não admite o início da ação penal, ou seja, o recebimento da denúncia, antes da constituição definitiva do débito, na seara administrativa, por falta de justa causa. Desta forma, não há que se falar em configuração de dolo. Observese os arestos. EMEN: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO DO DÉBITO. DELITO NÃO CONSUMADO. FALTA DE JUSTA CAUSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. PRECEDENTES. ORDEM CONCEDIDA. 1. Não há justa causa para a instauração da ação penal para apurar o crime previsto no art. 168A, § 1.º, do Código Penal, quando o suposto crédito previdenciário ainda pende de lançamento definitivo, uma vez que a inexistência deste impede a configuração do delito e, por conseguinte, o início da contagem do prazo prescricional. Precedentes do Pretório Excelso e Superior Tribunal de Justiça. 2. No caso dos autos, constatase o constrangimento ilegal, tendo em vista que o processo administrativo, no qual se imputou a existência de débitos previdenciários, ainda não havia chegado ao seu termo quando do recebimento da denúncia. 3. Habeas corpus concedido para determinar o trancamento da ação penal n.º 5013327 75.2010.404.7000, em curso na 1.ª Vara Federal de Curitiba, ficando suspenso o prazo prescricional até o julgamento definitivo do processo administrativo. (HC 201101974673, LAURITA VAZ, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:19/10/2011 ..DTPB:.) 1 GOMES, Luiz Flavio. Crimes Previdenciários. Volume I. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2001, páginas 55. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 233 5 EMEN: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO. DELITO NÃO CONSUMADO. FALTA DE JUSTA CAUSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. PARECER ACOLHIDO. 1. Consoante entendimento jurisprudencial, o esgotamento da via administrativa em que se discute a exigibilidade da contribuição previdenciária é condição de procedibilidade para a ação penal em que se apura o delito tipificado no art. 168A, § 1°, I, do Código Penal. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 2. No caso dos autos, constatase o constrangimento ilegal, tendo em vista que o processo administrativo em que se discutia o débito previdenciário ainda não havia chegado ao seu termo quando do recebimento da denúncia. 3. Recurso provido para determinar o trancamento da ação penal. (RHC 200902145709, SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, STJ SEXTA TURMA, DJE DATA:17/09/2012 ..DTPB:.) (destaques desse Conselheiro). Ademais, de tudo que já foi dito o artigo 112, I, II e III, da Lei 5.172/66, determina que havendo dúvida devese aplicar a interpretação que mais beneficie o acusado. Desta forma, no que tange a capitulação legal do fato, inciso I, não há como prever se realmente o judiciário irá reconhecer a existência da infração penal para daí reconhecer o dolo do agente. No que concerne ao inciso II, natureza ou circunstâncias materiais do fato a dúvida suscitada acima persiste. Por fim, quanto a autoria, imputabilidade ou punibilidade esta seria de uma pessoa natural, ou seja, pessoas física a CRFB/88 só admite a dupla imputação e matéria ambiental e deste forma teríamos violação ao artigo 5º, inciso XLV, isto é, aplicação de pena além do condenado, não implicando isso em reconhecimento de inconstitucionalidade de nenhum diploma legal. Estes foram os motivos pelo quais consideramos o reconhecimento da decadência da forma que o fizemos, pois não há como demonstrado a caracterização do dolo. Esclarecida a omissão, a qual entendeu existente a D. PGFN mantenho a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, exonerandoa do crédito tributário, em razão da decadência para as contribuições previdenciárias, como citado abaixo. I pelo artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66 as competências até 04/2001; II – pelo artigo 173, I, da Lei 5.172/66 as competências até 11/2000 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 234 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando ao seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.286, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16682.720589/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento.
DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa.
ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO.
Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997.
DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA.
A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal.
MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal.
Numero da decisão: 1302-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado.
EDITADO EM: 09/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento. DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal. MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado. EDITADO EM: 09/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva.
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento. DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 89 /2 01 1- 35 Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.295 2 MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Redator designado. EDITADO EM: 09/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva. Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.296 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS, em face do acórdão nº 1243.483 (fls. 3124/3143) da DRJ/ Rio de Janeiro I, proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ano calendário: 2006 e 2007. As atuações foram, nos valores abaixo demonstrados, efetuadas por meio dos Autos de Infração constantes no processo administrativo (fls. 2907/2918 e 2919/2930): Tributo Principal Juros de Mora Multa Multa Isolada Total IRPJ R$ 6.177.791,01 R$ 3.042.562,07 R$ 9.266.686,51 R$ 5.818.610,09 R$ 24.305.649,68 CSLL R$ 3.908.916,94 R$ 1.708.196,69 R$ 5.863.375,40 R$ 2.792.083,53 R$ 14.272.572,56 Os Autos de Infração foram lavrados em face da constatação de: i) redução indevida na apuração do lucro real a título de amortização de ágio de empresa incorporada (IRPJ), e ii) exclusão indevida na apuração da base de cálculo da CSLL a título de amortização de ágio de empresa incorporada. i) Da glosa do ágio amortizado Segundo o relatório fiscal, a recorrente realizou a amortização de ágio no valor total de R$ 153.573.897,00 e, sendo excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (do ano calendário de 2003 a 2007), à razão de R$ 31.023.150,36 em cada anocalendário (fls. 2888/2889). O AFRFB glosou a amortização de ágio, pois entendeu que se trata de ágio interno, sendo inaplicável sob o enfoque contábil, societário e tributário (fl. 2894): Demonstrouse que a criação de ágio interno é uma afronta à lógica contábil, por se tratar de um intangível pelo qual não se pagou e originado de operação sem propósito negocial, por isso, não passível de mensuração, reconhecimento nem divulgação nos relatórios financeiros. Da mesma forma, também se demonstrou que a sua existência é inaceitável do ponto de vista societário, como atesta a determinação de baixalo em todos os casos enfrentados pela CVM. Admitir que a amortização do ágio interno pode reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL – a despeito de não ser aceita nem contábil nem societariamente – é aceitar um ônus pago por toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem propósito negocial. A Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.297 4 artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um “ativo” cujo custo foi nulo e originado de uma transação sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua “amortização”. A argumentação que se segue comprova que a amortização do ágio interno é inaplicável também tributariamente. Suscintamente, o AFRFB expõe as razões pela qual entende que o ágio amortizado pela recorrente é ágio interno (item 4 – qualificação da multa de ofício do relatório fiscal) (fl. 2887 e 2903): Não houve, portanto, qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio das operações transferidas da SATMA – Sul América Participações S/A. para STA PARTICIPAÇÕES S/A. O surgimento da maisvalia decorreu do aumento de capital pela transferência de ações avaliadas economicamente, em uma operação “não caixa” entre empresas do mesmo grupo: em vez de incorporálas pelo valor patrimonial, a STA PARTICIPAÇÕES S/A. recebeu da ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. as ações da SATMA – Sul América Participações S/A. avaliadas por um valor econômico pelo qual não houve qualquer desembolso – subjetivamente avaliadas segundo algum tipo de potencial de lucratividade futura. [...] A fiscalizada estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente, registrado apesar da ausência de custo. [...] A artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um “ativo” cujo custo foi nulo e originado de uma transação sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua “amortização”. Admitir a amortização tributária do ágio interno seria acolher de uma forma de gerar riqueza por meio de um investimento nulo, um investimento, portanto, que propiciaria um retorno infinito; seria admitir, ainda, que – por meio de uma transação sem propósito negocial e realizada intragrupo – um subsídio tributário fosse pago por todos aos sócios da empresa. Destacase que a empresa STA PARTICIPAÇÔES S/A foi adquirida pelo grupo Sul América com o único propósito de servir de canal de passagem de um patrimônio, sem que tivesse efetivamente outra função dentro do contexto, com o intuito de economia tributária indevida reduzindo o pagamento de tributos, sem nenhuma fundamentação econômica. Dessa forma, os valores excluídos da base de cálculo do IRPJ/CSLL no ano calendário de 2006 e 2007 foram de: 1) Ano calendário de 2006: R$ 31.023.150,36. Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.298 5 2) no calendário de 2007: R$ 31.023.150,36 . O AFRFB glosou os valores excluídos a título de amortização de ágio. Ainda, aplicou multa qualificada de 150%, portanto, havendo a incidência do inciso II do art. 44 da lei 9430/96 (atual § 1º do mesmo dispositivo). A recorrente apresentou impugnação (fls. 2943/3011) alegando que: (i) O auditor fiscal ocultou fatos no termo de verificação fiscal, razão pela qual nenhuma das acusações nos subitens 2.3.1 e 2.3.2 da impugnação, que resumem as imposições fiscais contidas no termo de verificação fiscal, se faz presente; (ii) O ágio não decorre de operação do mesmo grupo econômico, foi pago e não foi criado artificialmente; (iii) Nulidade do lançamento que impugna laudo de avaliação, pois baseou os lançamentos tributários em repúdio a laudo de avaliação executados nos ditames da legislação (art. 8º da Lei n. 6.404/76), sem, todavia, assinalar objetivamente inexatidão ou falsidade material ou ideológica de que ele padece, maculando aqueles atos administrativos com o vício da nulidade; (iv) Houve propósito negocial na incorporação, no sentido de tornar a estrutura do Conglomerado Sul América mais simples e econômica; (v) O ágio apurado na incorporada deve ser amortizado nos termos do inciso III do art. 386 do Decreto n. 3.000/1999 c/c o inciso II do § 6º do mesmo artigo; (vi) Os artigos 7º e 8º da Lei n. 9.532/1997 albergam preceitos de natureza tributária especiais, que devem ser obedecidos, ainda que o resultado da aplicação desses preceitos acarrete consequências divergentes das previstas na legislação societária; (vii) A ilegalidade da qualificação da multa por ausência de fraude e dolo; (viii) A impossibilidade de concomitância da multa isolada e multa de ofício, pois implica dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato e uma mesma base de cálculo. A 3a Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, proferindo o Acórdão nº 1243.483 (fls. 3124/3143), com a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.299 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INEXISTENTE. INDEDUTIBILIDADE. Ausentes os pressupostos do ágio, são indedutíveis as despesas dele decorrentes. ÁGIO. EMPRESAVEÍCULO. SIMULAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. REDUÇÃO/SUSPENSÃO INDEVIDA. Aplicase a multa isolada sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada sobre estimativa não paga e da multa de ofício sobre o tributo devido ao final do período de apuração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 02/08/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, tendo interposto recurso voluntário (fls. 3154/3243), basicamente, a recorrente repisou os argumentos expostos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.300 7 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA PRELIMINAR 1.1. Da nulidade do auto de infração em virtude da errônea indicação de dispositivo legal específico da legislação do IRPJ e CSLL, arguida de ofício. Não é demais lembrar que a administração pública tem o poder dever de rever seus próprios atos, quando maculados com vícios ou irregularidades. Assim, se faz necessário analisar a preliminar de nulidade, ex oficio, em vista da análise do processo por este relator. Inicialmente cabe observar que o auto de infração é espécie de ato administrativo e, deste modo, necessita observar todos os princípios e requisitos inerentes a tal espécie. O primeiro princípio administrativo que deve ser observado no procedimento de fiscalização tributária é o da legalidade, segundo o qual a administração fazendária deve observar os dispositivos legais existentes no ordenamento jurídico em sua atuação. Significa dizer que a fiscalização realizada que culminará no lançamento do crédito tributário deve respeitar aos dispositivos legais existentes sob pena de violação do Princípio da Legalidade. É pacífico no meio doutrinário administrativo a respeito da possibilidade de a autoridade competente anular um ato administrativo desde que eivado de nulidade absoluta. Segundo José dos Santos Carvalho Filho, “em face de ato [administrativo] contaminado por vício de legalidade, o administrador deve realmente anulálo”, em razão do disposto no art. 37 da Constituição Federal. “Não é possível, em princípio, conciliar a exigência da legalidade dos atos com a complacência do administrador público em deixálo no mundo jurídico produzindo normalmente seus efeitos; tal omissão ofende literalmente o princípio da legalidade”1. O referido autor prossegue em sua análise da teoria das nulidades dos atos administrativos se referindo a uma prerrogativa denominado de autotutela. Segundo Carvalho Filho: 1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 153. Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.301 8 “a autotutela se caracteriza pela iniciativa de ação atribuída aos próprios órgãos administrativos. [...] se for necessário rever determinado ato ou conduta, a administração poderá fazêlo ex officio, usando sua autoexecutoriedade, sem que dependa necessariamente de que alguém o solicite”.2 Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal cristalizou o entendimento nas súmulas 346 e 473: Súmula n. 346, STF. A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula n. 473, STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Portanto, é inegável que as decisões deste órgão administrativo podem anular os lançamentos administrativos desde que presente nulidade no auto de infração produzido pela autoridade fiscal competente. 1.2. Da errônea fundamentação legal – Nulidade formal No tocante à amortização de ágio, conforme se verifica no presente processo administrativo fiscal, o fundamento legal utilizado no auto de infração foi somente o art. 250 do RIR/99 e os fundamentos legais utilizados no termo de verificação fiscal foram os arts. 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95 (fl. 2909), vejamos: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 3 º ): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei n º 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). 2 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 154. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.302 9 Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: a) os rendimentos e ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, quando auferidos pelo desapropriado (CF, art. 184, § 5 º ); b) os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei n º 2.288, de 1986, art. 5 º , e DecretoLei n º 2.383, de 1987, art. 1 º ); c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8 º do DecretoLei n º 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n º 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei n º 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7 º e 8 º , e Medida Provisória n º 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4 º ); d) os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para troca compulsória no âmbito do Programa Nacional de Privatização PND, controlados na parte "B" do LALUR, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 100); e) a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso X do parágrafo único do art. 249, a qual poderá, nos períodos de apuração subseqüentes, ser excluída do lucro real até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas nos mercados de renda variável e operações de swap (Lei n º 8.981, de 1995, art. 76, § 5 º ). Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º ). § 1 º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1 º ). § 2 º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 4 º ). Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.303 10 § 3 º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei n º 9.249, de 1995, art. 6 º ). Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 15, § 1 º ). § 1 º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 2 º ). § 2 º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 5 º ). § 3 º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 4 º ). § 4 º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei n º 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Art. 325. Poderão ser amortizados: [...] Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.304 11 I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.305 12 § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Destaco que toda a fundamentação legal utilizada pelo AFRFB, acima exposta, no auto de infração e no termo de verificação fiscal, no tocante à amortização do ágio, somente prevê a possibilidade jurídica no ordenamento pátrio de reconhecer a contrapartida de amortização do ágio como despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Mais especificamente, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante, o AFRFB ter feito ampla análise quanto à reorganização societária realizada, o AFRFB fundamentou erroneamente o enquadramento legal do lançamento do crédito tributário que realizou, uma vez que não demonstrou qual o dispositivo Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.306 13 legal que veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno. Ou seja, o auto de infração, em relação à glosa das despesas tidas como indedutíveis pelo AFRFB, apresentou errôneo fundamento legal tributário específico autorizador do referido lançamento. Do auto de infração de IPRJ (fls. 2907/2918) percebese que no local apropriado para a menção expressa do enquadramento legal autorizador do lançamento, o AFRFB se remete somente ao art. 250 do RIR/99 (fl. 2909). Ocorre que o art. 250 do RIR/99 apenas prevê determinadas hipóteses passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real, ou seja, referido artigo não veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio, razão pela qual o AFRFB fundamentou de forma errônea o enquadramento legal tributário autorizador do referido lançamento. E, confirme visto acima, o AFRFB utilizou os seguintes dispositivos legais no termo de verificação fiscal: artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95. Sendo assim, como visto acima, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, ou seja, referidos artigos não vedam a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual inexiste fundamento legal tributário específico autorizar do referido lançamento. Ora, não há em nenhuma das folhas do auto de infração e do termo de verificação fiscal qualquer referência a dispositivo tributário específico que autorize o lançamento realizado, o que há é errôneo enquadramento legal no auto de infração. O AFRFB caracterizou e fundamentou de forma pormenorizada a situação de fraude na reorganização societária, demonstrando os dispositivos legais utilizados no raciocínio jurídico, mas se omitiu em relação à consequência tributária da referida fraude que ocasionou o lançamento, haja vista que errou no enquadramento legal no auto de infração. Ora se omitiu em relação ao mais importante: o fundamento tributário autorizador do lançamento! Desta forma, o AFRFB violou o art. 10 do Decreto 70.235/72, dispositivo o qual prevê os requisitos obrigatórios do auto de infração. Veja que sem qualquer dos referidos requisitos direitos fundamentais como o Contraditório e a Ampla Defesa são impossibilitados de serem exercidos. Vejamos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.307 14 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (grifo não original) O requisito que não preenchido no auto de infração foi justamente aquele que possibilitaria ao administrado se defender de forma adequada e plena. Como o contribuinte poderá exercer o seu direito de defesa sem saber exatamente em qual dispositivo sua conduta incidiu e qual a consequência tributária de seus atos? Seria o art. 299 do RIR/99 o fundamento tributário específico para o referido lançamento? Ou seria outro dispositivo legal de lei ordinária? Não há como saber, pois o AFRFB simplesmente fez referência a dispositivo legal que somente prevê que determinadas hipóteses serão passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real! E que não se diga que a referida nulidade poderia ser suprida pela apresentação da defesa e dos recursos subsequentes, uma vez que, não estando clara qual a disposição tributária infringida, o contribuinte não terá plenas condições de se defender adequadamente, fazendo alegações aleatórias baseadas em suas próprias suposições. Caberia ao AFRFB indicar dispositivos legais previstos na legislação do IRPJ e da CSLL que fundamentariam o lançamento realizado (vedação da dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio), mas em nenhuma parte do auto se encontra tais dispositivos, tendo em vista que errou no enquadramento legal no auto de infração. O insigne doutrinador e desembargador federal Leandro Paulsen faz importante menção à referida necessidade de expressa menção ao fundamento legal violado nas seguintes palavras: São comuns autos de infração em que são indicados inúmeros dispositivos legais, sem indicação precisa de quais especificamente foram infringidos e em que extensão. Esse procedimento, que aparentemente faz conter quase todos os dispositivos legais sobre o tributo em questão, na verdade cerceia o direito de defesa do contribuinte, pois não indica com a especificidade necessária o(s) dispositivos(s) infringido(s). Assim a tentativa de relacionar dispositivos impertinentes à infração específica pode macular de nulidade o auto de infração. Noutros, são indicados apenas dispositivos regulamentares (do Regulamento do IPI ou do Regulamento do Imposto de Renda, por exemplo), sem a indicação do fundamento legal da infração. E fundamento legal é fundamento de lei ordinária, lei complementar ou medida provisória; nunca, de normas complementares como é o caso de Decretos, Instruções Normativas, Portarias e outros afins, todos infralegais. Neste Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.308 15 caso, também, é nulo o auto de infração porque não há indicação do fundamento legal.3 (grifo não original) Não há que se falar no atual Estado Democrático de Direito, de situação na qual a defesa seja exercida baseada na ”sorte” ou na tentativa do contribuinte de acertar o dispositivo violado. É imperioso que o Auto de infração indique expressamente qual a conduta realizada pelo fiscalizado, bem como o dispositivo violado e sua consequência jurídica. Carecendo um desses itens o auto de infração deve ser considerado nulo de pleno direito. No mesmo sentido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou inúmeras vezes, conforme ementas abaixo: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável. Processo anulado. (2º CC – 5ª Câmara – rel. Damião cordeiro de Moraes – Ac. n° 20501.531j. 04/02/09) (grifo não original) CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ADICIONAL DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento, determina a nulidade do lançamento em decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212191, /c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. Processo Anulado. (2º CC – 6ª Câmara – Rel. Cleusa Vieira de Souza Ac. 20601.851, j. 05/02/2009) (grifo não original) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – AUTO DE INFRAÇÃO COM FUNDAMENTO INSUFICIENTE – TERMO COMPLEMENTAR COM CAPITULAÇÃO LEGAL DEFEITUOSA – Segundo o inciso IV do art. 10 do Dec. no 70.235/72, a disposição legal infringida é requisito formal indispensável ao auto de infração, para propiciar a ampla defesa constitucional. Processo que se anula ab initio. (2º CC – 3ª C – Ac. 20303.737 – rel. F – Maurício R. de Albuquerque Silva – DOU 14.07.1998 – p.13) (grifo não original) O dispositivo legal enquadrado no auto de infração (art. 250 do RIR/99) e os dispositivos legais encontradiços no termo de verificação fiscal (artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95), como demonstrado acima, são inaplicáveis 3 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2012, p. 50 e 51. Fl. 3383DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.309 16 ao caso concreto, por não se referirem expressamente à glosa dos valores oriundos da amortização do ágio, em razão da sua indedutibilidade. Cabe ao AFRFB indicar os fundamentos específicos, por exemplo, indicando os dispositivos da lei específica do tributo objeto do lançamento, o que não foi feito no presente caso. O AFRFB se limitou a citar dispositivos legais que preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Resumidamente, todos os dispositivos legais apontados pelo AFRFB como fundamento para o lançamento tributário apenas se referem à dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL quanto à amortização do ágio, ou seja, não fundamentam a indedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL quanto à amortização do ágio. Inexiste um dispositivo legal sequer que possa ser utilizado como fundamento específico do lançamento do tributo objeto do auto de infração (IRPJ). Portanto, reconheço a nulidade, ex ofício, do presente lançamento tributário, para efeito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por erro no enquadramento legal no auto de infração. 2. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 2.1. Da glosa dos valores lançados a título de ágio. O AFRFB entendeu no seu termo de constatação, o qual faz parte integrante do auto de infração, que o ágio amortizado pela recorrente se trata de ágio interno (ausência de realização de pagamento, originado de operação sem propósito negocial e intragrupo), razão pela qual não se pode ser amortizado sob o enfoque contábil, societário e tributário (fls. 2884/2900). Vejamos através do fluxograma abaixo um resumo das operações realizadas: a) Histórico sobre a constituição da empresa JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA e a consequente transformação em STA PARTICIPAÇÕES S/A: a.1.) 11/09/2001: Constituição da JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (STA PARTICIPAÇÕES S/A), sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, com capital de R$ 100,00, dividos em 100 quotas (fls. 2534 a 2545): JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (posteriormente: STA PARTICIPAÇÕES S/A) (Capital Social: R$ 100,00 (100 quotas) Fl. 3384DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.310 17 a.2) 22/02/2002: A empresa GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ: 04.645.506/000175) e a empresa SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ: 03.347.239/000120) substituiram os antigos sócios da empresa JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (STA PARTICIPAÇÕES S/A), mantendo o capital social de R$ 100,00, dividos em 100 quotas, detendo a primeira (GESELLSCHAFT) 99 quotas e a segunda (SCHAFT) 01 quota (fls. 1350/1361): JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (posteriormente: STA PARTICIPAÇÕES S/A) (Capital Social R$ 100,00 (100 quotas) ¯ ¯ GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (99 quotas) SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (01 quota) a.3) 10/04/2012: A empresa GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA alienou a totalidade de suas quotas para a ING INSURANCE INTERNACIONAL B.V. (doravante denominada “ING” – pessoa jurídica domiciliada na Holanda); a empresa SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA alinou sua quota para a POTACHUELO COMERCIAL LTDA; os novos sócios (ING e POTACHUELO) aumentaram o capital da sociedade para R$ 2.301,00, criando 2.201 novas quotas no valor de R$ 1,00 cada uma; detendo a primeira (ING) 2.300 quotas e a segunda (POTACHUELO) 01 quota; transformaram a sociedade em sociedade por ações e alteraram a denominação da sociedade para STA PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 1350/1361): STA PARTICIPAÇÕES S/A (ex JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA) (Capital Social R$ 2.301,00 – 2.301 quotas) ¯ ¯ troca de sócios ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) (2.300 quotas) (GESELLSCHAFT) PATACHUELO COMERCIAL LTDA (01 quota) (SCHAFT) b) Histórico da constituição do ágio amortizado glosado: b.1) 10/05/2002: a “ING” subcreveu aumento do capital da SATMA – SUL AMÉRICA PARTICIPAÇÕES S.A (CNPJ: 33.429.226/000161) (doravante denominada: “SATMA”) (controladora da SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS). Esse aumento foi totalmente integralizado em moeda corrente, no valor de R$ 297.002.178,20, passando o capital social da “SATMA” de R$ 174.442.561,60 para R$ 471.444.739,80 (participando a “ING” em 49% das ações da “SATMA”) (as ações adquiridas pela “ING” representam 24,50% do capital social da “SATMA” ou 25,25% de seu capital em circulação) (fls. 210/223): ING INSURANCE SATMA – Sul América Participações S.A Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.311 18 INTERNATIONAL B.V. (ING) (aumenta o capital social da “SATMA”) ® (controladora da Sul América Companhia Nacional de Seguros) ¯ SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGURO (recorrente controlada pela “SATMA”) b.2) 10/05/2002: ato contínuo, a “ING” transferiu seu investimento da “SATMA” para a “STA”, mediante integralização de aumento de capital, no valor de R$ 297.002.178,20 (nos termos do Laudo de Avaliação pela ACAL – fls. 210/218 – o qual tinha avaliado que a participação da “ING” na “SATMA” estaria compatível e adequado em relação ao valor de mercado dos títulos, com fundamento econômico de expectativa de lucratividade futura da investida “SATMA”, levando em consideração a partição desta na investida Sul América Companhia Nacional de Seguros). b.3) O lançamento contábil da operação relativa ao aumento de capital pela transferência de titularidade das ações (fls. 1375/1386) foi a débito de uma conta de investimentos, no valor de R$ 143.428.281,00, referente ao patrimônio líquido da “SATMA” em abril de 2002, a débito de uma conta de ágio, no valor de R$ 153.573.897,00, e a crédito de capital social no valor de R$ 297.002.178,00. Assim, o capital social da “STA” foi de R$ 2.301,00 para R$ 297.004.479,00: ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SATMA – Sul América Participações S.A ® STA PARTICIPAÇÕES S/A Sul América Companhia Nacional de Seguros Capital Social (antes da transferência de ações): R$ 2.301,00. Transferência Capital: da SATMA para STA: R$ 297.002.178,00. Capital Social (após a transferência de ações): R$ 297.004.479,00. Demonstração da Apuração do Ágio na STA em 05/2002: Patrimônio Líquida da STA na data da operação............................. R$ 554.027.553,85 Total das ações emitidas pela SATMA........................................... 697.496.988 Ações detidas à época pela ING....................................................... 178.117.989 Percentual de participação da ING na SATMA................................. 25,25% Valor patrimonial das ações da SATMA detidas pela ING................. R$ 143.428.281,00 Valor de integralização de capital na STA pela ING com as ações da SATMA....................................................... ........... R$ 297.002.178,00 Ágio apurado pela STA no investimento na SATMA......................... R$ 153.573.897,00 c) Histórico da incorporação das empresas SATMA – Sul América Participações S/A e STA PARTICIPAÇÕES S/A pela recorrente (SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS): Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.312 19 c.1) 10/05/2002: a totalidade das ações da empresa “STA” foi transferida para a empresa SUL AMÉRICA S/A (doravante denominada: “SASA”) (fls. 1362 e 2315/2323): STA PARTICIPAÇÕES S/A ® SUL AMÉRICA S/A Transferência de 297.004.479 ações da “STA” para “SASA” c.2) 31/12/2002: a recorrente (Sul América Companhia Nacional de Seguros) incorporou a “SATMA” e “STA”, registrando em conta de ativo diferido o valor de R$ 153.573.897,00 (equivalente ao ágio registrado pela “STA”): ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SUL AMÉRICA S/A STA PARTICIPAÇÕES S/A Incorporação SATMA – Sul América Participações S.A - Sul América Companhia Nacional de Seguros Resultado da incorporação ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SUL AMÉRICA S/A Sul América Companhia Nacional de Seguros Quanto à utilização do ágio, o AFRFB destacou (fls. 2888/2889): De janeiro a junho de 2003 o contribuinte amortizou, mensalmente, em conta de resultado, os valores do ágio e da provisão constituída. Os lançamentos contábeis efetuados no resultado foram os seguintes: débito da conta nº 37392018, no valor de R$ 15.511.575,12 (6 parcelas mensais de R$ 2.585.262,53), crédito da conta nº 39392026, no valor de R$ 10.237.639,56. Em 30/06/2003 houve a transferência do saldo do ágio da conta nº 15320030 – “Dif. Incorporação STA’ para as contas nº Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.313 20 13411055 – “Créd. Trib. IR S/ Diferido STA” e 13411080 – “Cred. Trib. CS S/ Diferido STA”, na proporção de 73,53% e 26,47%, respectivamente. Na mesma data houve a transferência do saldo da provisão da conta nº 15320049 – “Provisão Dif. Incorporação STA” para as contas nº 13498053 – “Outras Prov. IR S/ Diferido STA” e 13498088 – “Outras Prov. CS S/ Diferido STA”, na mesma proporção das contas acima. A partir de julho de 2003, até o mês de dezembro de 2007, o contribuinte passou a amortizar mensalmente as parcelas do ágio e da provisão, contabilizadas em novas contas do ativo diferido, distintas para cada tipo de tributo (IR e CSLL), na proporção de 73,53% e 26,47%, diretamente contra as contas nº 37511343 – “Crédito Tributário IR S/ Diferido Cias” e 37523147 – “Crédito Tributário CS S/ Diferido Cias”, em valores correspondentes aos efeitos tributários da soma das alíquotas de IR e CSLL. Esses lançamentos não influenciaram a apuração do resultado e consequentemente não afetaram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL daqueles anoscalendário. Entretanto, o contribuinte passou a excluir mensalmente as amortizações do ágio no livro LALUR, reduzindo com isso a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (R$ 31.023.150,36 em cada anocalendário, correspondente a 12 (doze) parcelas mensais no valor de R$ 2.585.262,53). Inicialmente, é característica da atividade comercial a liberdade para escolher a melhor forma para o desenvolvimento de seu negócio e, desde que observadas as exigências previstas em lei, o particular pode decidir como fazer sua reorganização empresarial. Neste sentido, ensina Hermes Marcelo Huck citado por Leandro Paulsen que “nada deve impedir o indivíduo de, dentro dos limites da lei, planejar adequadamente seus negócios, ordenandoos de forma a pagar menos impostos. Não lhe proíbe a lei, nem tampouco se lhe opõem razões de ordem social ou patriótica” 4. A própria Constituição Federal Brasileira dispõe que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer nada sem previsão legal, in verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 4 HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e Elisão: rotas nacionais e internacionais. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 326/327. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 949. Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.314 21 No âmbito tributário a legalidade é ainda mais necessária, de forma que o princípio recebe o nome da doutrina de princípio da legalidade estrita, nos seguintes termos da Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Dentre inúmeras formas de conduta empresarial a recorrente optou pela que foi mais conveniente no seu entendimento, por motivos que só a ela competem, podendo inclusive ser sucessão empresarial, acomodo societário, diminuição de custos ou qualquer que lhe convir. A referida reorganização societária realizada pela recorrente tem base na lei 9.532/97, nos seus arts. 7º e 8º, reproduzidos no art. 386 do RIR/99. Preveem os referidos dispositivos que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. In verbis, os dois dispositivos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Art. 8º [...] b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (grifo não original) Significa dizer que a criação do ágio nas operações realizadas pela recorrente no presente caso foi um meio utilizado pela mesma para fazer sua reorganização societária, de forma que não entendo violado qualquer dispositivo legal. Recentemente, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou a possibilidade de criação e amortização do ágio interno, em situação similar ao presente processo. Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.315 22 Vejamos a ementa do acórdão 110100.708 da 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Se/Jul, proferida pelo conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro em 11 de abril de 2012: ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. O fato de não ser considerada adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir Fl. 3390DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.316 23 intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA.A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. (grifo não original) Resumidamente, o fundamento de que o ágio seria artificial em decorrência da forma como foi criado e, em consequência, indedutível, não merece prosperar. Neste sentido, as fundamentações do voto no referido acórdão acima transcrito, demostram a possibilidade de o contribuinte buscar uma redução do ônus tributário da forma que melhor entende, desde que observada a legislação vigente. Vejamos: Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos. Inclusive, é de se esperar que as pessoas façam isso, sendo reprimível exatamente a conduta oposta. A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação), mas isso não ocorreu no caso concreto. Quando uma pessoa física escolhe declarar pelo modelo completo ou pelo simplificado, visando reduzir sua carga tributária, está agindo racional e licitamente. Sua conduta é artificial, mas é admitida. O mesmo ocorre com dois profissionais que se organizam como empresa para reduzir a carga tributária que teriam como pessoas físicas autônomas. Enfim, desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vício. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. No caso em concreto, o contribuinte argumenta que a operação que redundou no aproveitamento do ágio interno fazia parte de uma reorganização societária e, por isso, não seria artificial. Mas, mesmo que tivesse sido especificamente intencional, estaria no campo do planejamento tributário (elisão) e não da evasão ou erro. (grifo não original) Para efeitos de argumentação, entendo que o art. 116, parágrafo único, não pode ser utilizado como fundamento para a desconsideração do ágio interno amortizado. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:[...] Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.317 24 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Neste sentido o ilustre desembargador Leandro Paulsen esclarece que “a norma em questão não é autoaplicável, tanto que remete à observância dos procedimentos ‘a serem estabelecidos em lei ordinária’. Requer regulamentação própria e específica” 5. Reforçando referido entendimento o nobre desembargador federal cita ainda as palavras de Ivan Tanil Rodrigues, que afirma: o legislador do parágrafo único do artigo 116 constituiu uma dimensão éticojurídica para o acionamento da desconsideração de atos e negócios realizados com o fito de reduzir a oneração tributária dos fins econômicos pretendidos, não sendo esta prática em si, reprovável, ou passível de desconsideração, pelo simples fato de o negócio estar imbuído de propósito de reduzir a carga fiscal incidente sobre o fim almejado.6 (grifo não original) Maria Rita Ferragut desenvolveu importante estudo em relação à aplicabilidade do disposto no parágrafo único do art. 116, no qual diferencia a elisão fiscal, conduta lícita de diminuir a carga tributária e a evasão, quando o contribuinte se utiliza de meios ilícitos e fraudulentos. Assim discorre a autora: A elisão é permitida pela legislação, e a ela não se aplica o parágrafo único do art. 116. Se assim o fosse, essa norma estaria incorrendo em flagrante inconstitucionalidade, pois desrespeitaria os princípios constitucionais da segurança jurídica, certeza do direito e legalidade. O fato de as exposições de motivos constantes da Lei Complementar no 104/2001 considerar que os planejamentos fiscais implicam diminuição de arrecadação, e que por isso deveriam por meio da lei, ser combatidos, não significa ter sido essa a hipótese contemplada pela norma: se na elisão fiscal não há fato gerador ocultado – pois o fato típico foi licitamente evitado –, não há como haver desconsideração do mesmo, com o consequente estabelecimento da verdade jurídica. Já a evasão fiscal é proibida, é fraudulenta. Contra ela – e em prejuízo exclusivamente dela – o parágrafo único do art. 116 do CTN se volta. Evasão é o ato omissivo ou comissivo, de natureza ilícita, praticado com o fim único de diminuir ou eliminar a carga 5 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 948. 6 RODRIGUES, Ivan Tanil. O Princípio Jurídico da BoaFé e o Planejamento Tributário. O Pilar Hermenêutico para a Compreensão de Negócios Estruturados para obter Economia Tributária. RDDT 93, jun/2003. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.318 25 tributária, ocultando o verdadeiro ato ou a real situação jurídica do contribuinte.7 (grifo não original) A referida autora cita três exemplos que demonstram a nítida ocorrência da evasão fiscal. São eles: “(i) consta do contrato social da empresa que seu estabelecimento é em determinado Município, em que a alíquota do ISS é baixa, mas no entanto esta pessoa jurídica não está estabelecida, de fato naquele local, exercendo todas as suas atividades, com a infraestrutura necessária, em outra cidade, em que não é contribuinte do imposto; (ii) pessoa jurídica celebra contrato de compra e venda de mercadorias com empresas e bens inexistentes, aproveitandose dos pretensos créditos de ICMS constantes de notas fiscais frias; e (iii) empresa contrata cooperativa de trabalho em que os cooperados prestam, mediante efetiva e comprovada subordinação – [...] –, serviços consistentes na atividadefim da empresa tomadora dos serviços” 8. No caso em específico do ágio, a própria administração tributária, por intermédio de suas autoridades fiscais, manifestouse no sentido de tentar alterar o entendimento sobre a possibilidade de amortização do ágio interno, que ora tem prevalecido, conforme matéria do periódico Valor Econômico, do dia 03/10/2012, assinado pelos jornalistas Bárbara Mengardo, Adriana Aguiar, Laura Ignacio e Fernando Torres. Vejamos o texto publicado no conceituado jornal sobre matéria tributária: [...] De acordo com o Subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita, Sandro de Vargas Serpa, a proposta de MP seria encaminhada à presidente Dilma Rousseff até sexta feira. Serpa admite, entretanto, que o prazo poderá ser estendido, já que depende da agenda da Fazenda. Antes da publicação, detalhes finais ainda seriam debatidos. "Esse projeto foi feito no âmbito da Receita Federal, e logicamente colhemos impressões, tivemos contato com alguns tributaristas de forma informal. Agora que a minuta está pronta, o Ministério da Fazenda chamará alguns institutos e federações para conversar em cima de algo mais concreto", disse Serpa, em um evento na semana passada. [...] 7 FERRAGUT, Maria Rita. Evasão Fiscal: o parágrafo único do art. 116 do CTN e os limites de sua aplicação. Revista Dialética de Direito Tributário 67, abr/2001, p. 118/119. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. 8 FERRAGUT, Maria Rita. Evasão Fiscal: o parágrafo único do art. 116 do CTN e os limites de sua aplicação. Revista Dialética de Direito Tributário 67, abr/2001, p. 118/119. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.319 26 Conforme o texto, a dedutibilidade fiscal do ágio será proibida em operações dentro do mesmo grupo econômico. Outra mudança tem relação com o cálculo do ágio em si. Até 2007, ele era obtido pela diferença entre o preço pago e o patrimônio líquido contábil da empresa adquirida. Agora, fica claro que ele será composto pela diferença entre o preço de aquisição e o valor justo dos ativos líquidos comprados. "Com isso, o valor do ágio vai diminuir", afirma Sawaya. Quanto menor o ágio, menor o benefício fiscal. (grifo não original) A intenção da administração tributária federal, com essa proposta de Medida Provisória, de impedir as operações com ágio dentro do mesmo grupo econômico, se não esclarece que há a possibilidade de o fazer atualmente, ao menos demonstra que a legislação atual não é clara na sua vedação. Se fosse clara a proibição legal, não haveria necessidade de se propor uma Medida Provisória para ratificar algo que já existe. Por outro lado, em criteriosa análise do processo percebese que o AFRFB não provou cabalmente qualquer simulação, se limitando apenas em alegar que a reestruturação societária da recorrente não teve um fundamento econômico, o que descaracterizaria o ágio amortizado. No entanto, o AFRFB deveria ter trazido aos autos informações, documentos e fatos que comprovassem que realmente houve a famigerada simulação, fraude ou falsificação, é dele o ônus da prova para poder desconstituir um fato gerador e imputar outro. Inicialmente cabe relembrar que a simulação consiste na diferença entre a real intenção do agente e sua exteriorização. Ato simulado é aquele em que a exteriorização dos atos praticados difere daquilo que o agente realmente desejava fazer. Dessa forma, por meios ainda que legais, o agente busca um resultado que não se compatibiliza com os atos praticados. Sua intenção interior não possui correspondência com os atos praticados. O exemplo clássico da doutrina é o alienante que querendo vender seu imóvel, faz uma doação. Veja que neste caso, sua intenção é um negócio de compra e venda, mas o faz de forma distinta através de instituto jurídico que produz os mesmos efeitos, mas que difere em sua natureza. A intenção não é a doação em si, mas a alienação onerosa que é dissimulada por meio da doação. No presente caso, em nenhum momento ficou demonstrada que a intenção da recorrente não era a criação do ágio. Pelo contrário: toda a reorganização societária tinha como um dos objetivos a utilização do ágio. (Protocolo e Justificação de Incorporação – fls. 26/33). Ad argumentandum, os outros objetivos mostram que a reorganização societária também teve viés econômico: (i) integração de projeto de reestruturação societário do Grupo Sul América, do qual resultará maior eficiência operacional e administrativa; (ii) a otimização administrativa e operacional contempla a concentração de determinadas atividades Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.320 27 e ativos, evitando a multiplicação de estruturas voltadas para o mesmo fim; (iii) fortalecimento da estrutura financeira da recorrente, por intermédio do incremento da sua capacidade de geração de fluxo de caixa e de investimento. (Protocolo e Justificação de Incorporação – fls. 26/33). Vejamos o disposto no art. 385 do RIR/99: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (grifo não original) A simples alegação de que a recorrente não poderia criar ágio interno não torna tais despesas indedutíveis, mesmo por que não há distinção em relação a impossibilidade de dedução do ágio criado internamente, ou seja, na aquisição de empresas do mesmo grupo econômico na lei de regência do referido instituto, qual seja a lei 9.532/97. É imperioso destacar que no direito tributário existe a figura da estrita legalidade, princípio que norteia a relação administração pública e contribuinte, e que exige do Fisco uma atuação dentro dos limites legalmente previstos. Significa dizer que a autoridade competente, ao realizar o lançamento tributário, tem o dever legal de observar estritamente o disposto em lei, sendo uma das principais garantias do contribuinte contra a força estatal. Em suma: (i) A lei de regência do ágio (lei 9.532/97) não limita a possibilidade de amortização do chamado ágio interno, ou seja, não há qualquer vedação Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.321 28 para sua amortização, mesmo em operação de empresa de um mesmo grupo econômico; (ii) Não existe norma antielisão regulamentada, ou seja, o parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, não foi regulamentado. Assim, a autoridade administrativa, que deve ficar vinculada a lei ordinária (ainda inexistente), não pode desconsiderar um fato gerador e definir outro em seu lugar. (iii) Não restou comprovada a existência de simulação na reorganização societária realizada, o que o auditor se limitou a provar foi que a reorganização ocorreu entre partes relacionadas e empresas de um mesmo grupo, o que é fato incontroverso. Porém, não existe prova de que não era realmente este o resultado que a recorrente visava buscar, ou seja, a vontade interna e a externa da recorrente eram a mesma: a reestruturação societária e em consequência a criação e posterior amortização do ágio, dentro dos limites legais; Portanto, no mérito julgo procedente o recurso voluntário interposto pela recorrente no sentido de cancelar a glosa dos valores referentes ao ágio criado e amortizado no período fiscalizado e demonstrado no auto de infração por serem eles dedutíveis, uma vez que criados com observância das disposições legais. 2. Da Conclusão No mérito, julgo procedente o recurso voluntário para cancelar a glosa das despesas relacionadas com a amortização do ágio interno, uma vez que o recorrente agiu em conformidade com a lei e dispositivos específicos autorizadores. E, em decorrência da exoneração do crédito tributário relativo ao ágio amortizado, julgo pelo afastamento da integralidade do crédito tributário e seus reflexos e penalizações. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.322 29 Voto Vencedor Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no tocante a nulidade levantada de ofício, embora tenha acompanhado o voto do D. Relator, pelas conclusões, quanto ao mérito da exigência, dando provimento ao recurso voluntário. Com efeito, o D. Relator reconheceu de ofício preliminar de nulidade do auto de infração, ao argumento de que o auto de infração não teria apontado o dispositivo específico da legislação do Imposto de Renda infringido pela autuada, o que violaria o disposto no inc. IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/729. Argumenta o Relator que: “No tocante à amortização de ágio, conforme se verifica no presente processo administrativo fiscal, o fundamento legal utilizado no auto de infração foi somente o art. 250 do RIR/99 e os fundamentos legais utilizados no termo de verificação fiscal foram os arts. 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95(fl. 2909),vejamos: [...] Destaco que toda a fundamentação legal utilizada pelo AFRFB, acima exposta, no auto de infração e no termo de verificação fiscal, no tocante à amortização do ágio, somente prevê a possibilidade jurídica no ordenamento pátrio de reconhecer a contrapartida de amortização do ágio como despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Mais especificamente, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.323 30 contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante, o AFRFB ter feito ampla análise quanto à reorganização societária realizada, o AFRFB fundamentou erroneamente o enquadramento legal do lançamento do crédito tributário que realizou, uma vez que não demonstrou qual o dispositivo legal que veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno. Ou seja, o auto de infração, em relação à glosa das despesas tidas como indedutíveis pelo AFRFB, apresentou errôneo fundamento legal tributário específico autorizador do referido lançamento. Do auto de infração de IPRJ (fls. 2907/2918) percebese que no local apropriado para a menção expressa do enquadramento legal autorizador do lançamento, o AFRFB se remete somente ao art. 250 do RIR/99. Vejamos (fl. 2909): [...] Ocorre que o art. 250 do RIR/99 apenas prevê determinadas hipóteses passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real, ou seja, referido artigo não veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual o AFRFB fundamentou de forma errônea o enquadramento legal tributário autorizador do referido lançamento. E, confirme visto acima, o AFRFB utilizou os seguintes dispositivos legais no termo de verificação fiscal: artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95. Sendo assim, como visto acima, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, ou seja,referidos artigos não vedam a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual inexiste fundamento legal tributário específico autorizar do referido lançamento. Ora, não há em nenhuma das folhas do auto de infração e do termo de verificação fiscal qualquer referência a dispositivo tributário específico que autorize o lançamento realizado, o que há é errôneo enquadramento legal no auto de infração. O AFRFB caracterizou e fundamentou de forma pormenorizada a situação de fraude na reorganização societária, demonstrando os dispositivos legais utilizados no raciocínio jurídico, mas se omitiu em relação à consequência tributária da referida fraude que ocasionou o lançamento, haja vista que errou no Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.324 31 enquadramento legal no auto de infração. Ora se omitiu em relação ao mais importante: o fundamento tributário autorizador do lançamento! Desta forma, o AFRFB violou o art. 10 do Decreto 70.235/72, dispositivo o qual prevê os requisitos obrigatórios do auto de infração. Veja que sem qualquer dos referidos requisitos direitos fundamentais como o Contraditório e a Ampla Defesa são impossibilitados de serem exercidos. Vejamos: [...] O requisito que não preenchido no auto de infração foi justamente aquele que possibilitaria ao administrado se defender de forma adequada e plena. Como o contribuinte poderá exercer o seu direito de defesa sem saber exatamente em qual dispositivo sua conduta incidiu e qual a consequência tributária de seus atos? [...] Caberia ao AFRFB indicar dispositivos legais previstos na legislação do IRPJ e da CSLL que fundamentariam o lançamento realizado (vedação da dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno), mas em nenhuma parte do auto se encontra tais dispositivos, tendo em vista que errou no enquadramento legal no auto de infração.” Pelo que verifico pela próprio relato, a autuação traz a indicação de diversos dispositivo do Regulamento de Imposto de Renda que disciplinam o registro e a amortização do ágio, matéria objeto de discussão nos autos, além de a fiscalização ter descrito minuciosamente as operações por ela imputadas como fraudulentas. O D. Relator reclama a falta de indicação de dispositivo específico da legislação do Imposto de Renda e da CSLL que fundamentasse a infração imputada. Assim, impõese analisar se tal fato, se ocorrido, seria suficiente para acarretar a nulidade da autuação ou se os dispositivos legais indicados, juntamente com a descrição dos fatos foram capazes de suprir eventuais lacunas, sem prejuízo ao direito de defesa, nos termos aceitos pela jurisprudência administrativa10. Entendo que não é causa de nulidade. Ressalto primeiramente que a questão sequer foi arguida pela recorrente em sede de recurso. A única alegação de nulidade feita em sede de impugnação referese ao fato da fiscalização ter impugnado o laudo de avaliação, sem indicar objetivamente qualquer 10 AUTO DE INFRAÇÃO DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judíciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada ímpugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que ínocorreu preterição do direito de defesa. (Acórdão n.° 10313.567,3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuints, DOU de 28/05/1995) Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.325 32 inexatidão ou falsidade ideológica ou material, conforme se observa no relatório do Acórdão nº 1243.483, proferido pela DRJRio de Janeiro (I), in verbis: Nulidade do lançamento que impugna laudo de avaliação (item 2.8) 27 – a autoridade lançadora agrediu as garantias outorgadas ao interessado pelo artigo 845 do RIR/99 e pelos artigos 2o. e 50 da Lei n 9.784/99, ao negar a realidade, já que o valor foi pago pela ING, e ao basear os lançamentos de ofício em repúdio a laudo de avaliação executado segundo os critérios exigidos pelo artigo 8o. da Lei n° 6.404/76, sem, todavia, assinalar objetivamente inexatidão ou falsidade material ou ideológica de que ele padece, maculando aqueles atos administrativos com o vício da nulidade; Em sede de recurso voluntário a recorrente, conforme o relatório deste acórdão, se limitou a reiterar as alegações. Quanto ao mérito da exigência relativa à glosa de despesas com a amortização do ágio o relatório fiscal descreveu minuciosamente as operações societárias realizadas pela recorrente analisando as operações em face da legislação do Imposto de Renda (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto 3.000/1999), e considerouas como ágio interno e, portanto, inoponíveis ao Fisco em face da caracterização de simulação, A recorrente, por sua vez, demonstrou em sua impugnação e recurso completo entendimento da acusação fiscal imputada, trazendo ampla argumentação contra as acusações fiscais, sobretudo quanto a efetividade do ágio, ao seu pagamento, a não se tratar de ágio interno, a validade do laudo de avaliação, etc, escudando o seu procedimento nos mesmo dispositivos tido como violados pelo Fisco. Desta feita, resta claro que a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização, que determinou a glosa da amortização do ágio e pode exercer sem restrição o seu direito de defesa. Entendo que, quando o Decreto nº 70.235/1972 determina em seu art. 10, inc. IV que o auto de infração deve conter a disposição legal infringida está a se referir à legislação tributária que disciplina a exigência do tributo tida como violada. E, nem sempre a legislação estabelece uma conduta que é vedada, mas sim um molde ao qual se subsumem (ou não) as situações de fato. Assim, um mesmo dispositivo tanto pode servir para validar um procedimento adotado pelo sujeito passivo, se a ele se subsumem os fatos, como para negar seus efeitos perante o Fisco. A aplicação da legislação nada mais é do que o enquadramento dos fatos à lei tributária. No aspecto puramente formal, com a devida vênia do entendimento doutrinário trazido pelo D. Relator, entendo que a citação de dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, como fundamento legal da autuação não viola o dispositivo processual administrativo, pois tratase da legislação do Imposto de Renda consolidada, cujos dispositivos são expressamente amparados por dispositivos da lei ordinária ou complementar. O que, dado a sua sistematização, longe de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, antes a facilita. Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.326 33 Ante ao exposto, entendo que se a própria autuada, ora recorrente, não se sentiu prejudicada no exercício de seus direito de defesa em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe a este colegiado reconhecer de ofício a argüição de nulidade da autuação, pelo que afasto a preliminar de nulidade suscitada de ofício pelo relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator Designado Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.327 34 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Divergi do voto do Conselheiro Relator, pois entendo que deva ser afastada a preliminar de nulidade suscitada de ofício, pelos fundamentos que externei no voto vencedor, e, ainda, que seriam devidos juros sobre a multa de ofício e a multa isolada por estimativas (caso fosse mantida a exigência). Todavia, na parte relativa ao cancelamento da glosa de despesa com amortização de ágio acompanho a conclusão do Relator, pelas razões que passo a expor. Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, julgo oportuno tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. 1. Da liberdade de autoorganização do contribuinte A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.328 35 direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 11. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de auto organização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 12. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo” 13. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 14. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 15 Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de autoorganização, não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiarse, aquele que simula a prática de atos com vistas unicamente a redução de tributos menos ainda pode usufruir do benefício fiscal almejado. Primeira conclusão: a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. 2. Os fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa 11 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 12 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 13 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. 14 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. 15 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.329 36 Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º16. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais 17 Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômico tributários que o justificassem” 18 16 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. 17 Acórdão 1301000.999 (relator Valmir Sandri); "[...] A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). Por seu turno, as investidoras também não têm interesse em serem extintas, e mais, podem ter limitações regulatórias específicas, que impeçam a junção patrimonial. Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com ágio) no leilão numa empresa veículo (sociedade com propósito específico), a qual seria incorporada pela investida. Por isso, no contexto do PND, além de prever expressamente a possibilidade de operações invertidas (art. 8º da Lei nº 9.532/97), a Lei nº 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, em seu art. 4º, permitiu a utilização de várias estruturas societárias possíveis para a implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais. [...]" 18 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.330 37 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a cria um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real, caracterizandose a simulação em sua vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado19. 19 A simulação, tal como disciplinada no art. 167 do Código Civil é causa de nulidade do negócio jurídico. Marco Aurélio GRECO (in Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228) destaca que a doutrina majoritária define dois conjuntos de situações que configuram simulação: a) simulações objetivas que levam em conta o negócio jurídico celebrado; b) simulações subjetivas que levam em conta as pessoas participantes de tais negócios. Na categoria das simulações objetivas, está abrangida a simulação relativa se houver um negócio real e outro negócio aparente, enquanto na simulação absoluta haverá um negócio aparente e nenhum negócio subjacente (o que alguns autores chamam de pura mentira). Grande parte da doutrina brasileira defendeu, na vigência do antigo Código Civil, que a simulação corresponderia a um vício da vontade. No entanto, esta não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil, como observa Greco: “Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da idéia de causa do negócio jurídico. Desde (sic) ângulo assume relevância aquilo que se designa por ‘propósito negocial’ (negocial, aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou ‘business’). Este autor esclarece que, “no esquema legal de cada tipo de negócio encontrase a causa que o legitima, inalterável ao arbítrio de quem o pratica”. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando “determinado tipo de negócio seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa”. E mais, “declarando o que realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da causa típica, mas... não pretendem o negócio que praticam”. Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir ou não a ocorrência da simulação. Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante da hipótese de simulação, importa não apenas perguntar se estamos ou não diante de uma dualidade de vontades, mas principalmente, detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente. Ricardo Lobo TORRES (in Planejamento Tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 123 e 124), também cita a diferença existente entre a simulação relativa e a absoluta. Segundo ele “o que caracteriza a simulação, na sua vertente de simulação relativa é que implica a dissimulação, o fingimento ou a manipulação dos fatos praticados”. Segundo esse autor, a teoria do direito civil considera a dissimulação como forma de simulação relativa. Cita civilistas brasileiros que diferenciam a dissimulação (simulação relativa) da simulação (absoluta), in verbis: Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.331 38 As principais características desses arranjos societários simulados são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum ; a criação ou aquisição de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de qualquer outra finalidade nas operações, que não a geração do ágio; operações formais realizadas em curto espaço de tempo (geralmente menos de um ano); incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (mesmo que com bens ou direitos); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. “Cf. Tepedino, Gustavo; Barboza; Heloisa; Moraes, Maria Celina Bodin de. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Parte Geral e Obrigações. Rio de Janeiro: Renovar, 2004, v. 1 p. 313: “A simulação relativa, também chamada de dissimulação, é a que contém dois atos jurídicos, quais sejam: o negócio simulado que esconde e camufla outro negócio, que é o dissimulado, a verdadeira intenção das partes. É então da simulação relativa que fala o dispositivo em tela, referindose à preservação do negócios simulado, se válido na substância e forma”, Monteiro, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 209 e seguintes: ‘Cumpre não confundir simulação com dissimulação. Distinguiuas Ferrara, nos seguintes termos: na simulação, fazse aparecer o que não existe, na dissimulação ocultase o que é; a simulação provoca uma crença falsa num estado não real, a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente... Mas em ambas, o agente quer o engano: na simulação quer enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira, na dissimulação, sobre a inexistência de situação real. Se a simulação é um fantasma, a dissimulação é uma máscara”; Moreira Alves, José Carlos. Conferência Inaugural do XXVIII Simpósito Nacional de Direito Tributário. In: Martins, Ives Gandra da Silva. O princípio da não cumulatividade. Pesquisas Tributárias – Nova Série – 10. São Paulo: Centro d Extensão Universitária/Revista dos Tribunais, 2004, p. 15: “É isso porque a simulação, como sempre se considerou, apresentava, e apresenta, duas modalidades: uma simulação absoluta, em que o que se quer é apenas criar a aparência, e a simulação relativa, em que, por meio de uma aparência, que é caracterizada pelo negócio simulado, se dissimula o negócio real.” Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.332 39 De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido . Outro aspecto que costuma aparecer nas operações de reorganização societária, das quais derivam o ágio, é a transferência do ágio pago pela investidora para outra empresa sob seu controle direto, com posterior incorporação desta última pela investida, com vistas a viabilizar o aproveitamento do ágio. Este fato foi bastante comum no processo de privatização, que contou inúmeras vezes com a participação de empresas sediadas no exterior. Como havia interesse em manter o sigilo dos lances a serem dados nos leilões essas empresas sediadas no exterior, quando vencedoras na licitação, faziam o aporte de investimento diretamente na investida, surgindo o ágio neste primeiro momento. Em momento posterior, essas empresas sediadas no exterior segregavam o investimento mediante a sua transferência (incluindo o ágio) para uma empresa controlada no país, que mais tarde absorvia a investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A justificação econômica é de que essas empresas não tinham interesse em fundirse diretamente com a empresa investida, seja por motivos estratégicos, financeiros ou mesmo operacionais, como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca. Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago não exista óbice para tal operação, pois se não há vício na formação do ágio o seu aproveitamento posterior, nos termos da previsão legal, deve ser respeitado pelo Fisco. A condição é de que o ágio deve ter como referência a situação patrimonial do investimento na data em que foi efetivamente pago, ou seja, o laudo deve espelhar a situação patrimonial da investida no momento da aquisição original, não no momento da transferência do investimento para a controlada. Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto. 3. Do exame das operações e da existência e aproveitamento do ágio Os fatos relevantes a serem analisados, conforme o relatório deste acórdão e o Termo de Verificação Fiscal são: a) Em 10/05/2002: a empresa ING INSURANCE INTERNACIONAL BV subcreveu aumento do capital da empresa SATMA – SUL AMÉRICA PARTICIPAÇÕES S.A (CNPJ: 33.429.226/000161) (controladora da SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS). Esse aumento foi totalmente integralizado em moeda corrente, no valor de R$ 297.002.178,20, passando o capital social da “SATMA” de R$ 174.442.561,60 para R$ 471.444.739,80. As ações adquiridas pela “ING” representavam 24,50% do capital social da “SATMA” ou 25,25% de seu capital em circulação, conforme laudo de avaliação firmado pela empresa ACAL – Consultoria e Auditoria S/C. (fls. 210/218). Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.333 40 b) Ainda em 10/05/2002: a empresa ING transferiu seu investimento da SATMA para a sua controlada STA PARTICIPAÇÕES SA, mediante integralização de aumento de capital, no valor de R$ 297.002.178,20 (nos termos do Laudo de Avaliação pela ACAL – fls. 210/218 – o qual tinha avaliado que a participação da ING na SATMA estaria compatível e adequado em relação ao valor de mercado dos títulos, com fundamento econômico de expectativa de lucratividade futura da investida SATMA, levando em consideração a partição desta na investida Sul América Companhia Nacional de Seguros. O lançamento contábil da operação relativa ao aumento de capital pela transferência de titularidade das ações (fls. 1375/1386) foi a débito de uma conta de investimentos, no valor de R$ 143.428.281,00, referente ao patrimônio líquido da SATMA em abril de 2002, a débito de uma conta de ágio, no valor de R$ 153.573.897,00, e a crédito de capital social no valor de R$ 297.002.178,00. Assim, o capital social da STA foi de R$ 2.301,00 para R$ 297.004.479,00. c) Na mesma data a empresa ING permutou suas ações na empresa STA com ações na empresa Sul América S/A – SASA (controladora da SATMA, que por sua vez controlava a empresa Sul América – Cia Nacional de Seguros – SALIC). d) Em 31/12/2012, a empresa operacional SALIC, ora recorrente, incorporou as empresas SATMA e STA, registrando em conta de ativo diferido o valor de R$ 153.573.897,00 (equivalente ao ágio registrado pela STA). e) A partir de janeiro de 2003 a recorrente passou a amortizar mensalmente os valores de ágio registrados. f) Com a reestruturação a empresa investidora (ING) passou a deter participação minoritária na holding SUL AMÉRICA S/A – SASA, detentora do controle acionário da SALIC. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento entendeu ter havido a criação de ágio interno, motivo pelo qual o mesmo não poderia ser reconhecido nem amortizado. Entendo que desta feita não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. No presente caso ocorreu a subscrição integralização do capital, com pagamento em moeda, remetido do exterior por uma empresa estrangeira (ING), com aquisição efetiva de participação na empresa investida (24,5% da empresa SATMA), por valor superior ao patrimônio escriturado, com base em laudo de avaliação de empresa de consultoria especializada. Neste momento verificouse o pagamento de ágio na subscrição e integralização do capital. Em momento seguinte a empresa estrangeira aumentou capital em empresa controlada no país (STA), mediante a transferência dessa participação adquirida da empresa SATMA, pelo mesmo valor pago, ou seja, o valor patrimonial das ações subscritas, mais a incorporação do ágio pago na integralização. Na sequência registrouse a permuta de ações da empresa STA com os controladores da empresa SASA (outra holding do grupo), por ações desta. E, por fim, a empresa operacional (investida indireta), absorveu por incorporação as empresas SATMA e STA, passando a reconhecer e amortizar o ágio anteriormente pago. Fl. 3408DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.334 41 O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração da participação societária, com expressiva redução da participação do grupo controlador. A circunstância do ágio, originalmente pago pela empresa investidora no exterior, ter sido transferido para outra empresa sob seu controle a meu ver não o desnatura. Observese que a empresa estrangeira já detinha a participação na empresa STA quando efetuou a aquisição das ações da empresa SATMA. Assim, se tivesse feito a capitalização da empresa STA com os recursos enviados em dinheiro do exterior e esta subscrito e integralizado as ações da empresa SATMA o resultado, quanto ao ágio, seria exatamente o mesmo. Não cabe aqui perquirir as razões econômicas, financeiras ou comerciais da empresa investidora ao optar pela formatação do negócio do modo como efetivou. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se vale licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses. No presente caso entendo que restaram caracterizadas: a existência de motivação econômica para a operação, a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação, a existência de efetivo pagamento do ágio (baseado em laudo de avaliação de empresa especializada) e, a modificação da participação no controle (indireto) da empresa operacional após a reorganização, com a redução da participação dos antigos controladores. Do ponto de vista estritamente fiscal entendo que a reorganização societária realizada vai ao encontro dos dispositivos legais, já analisados anteriormente, que permitiam ao contribuinte beneficiarse do ágio pago, mediante a sua amortização mensal na base de 1/60 avos. Ou seja, não existindo vícios na formação do ágio e verificandose a situação prevista no art. 386 do RIR/1999 é direito da recorrente promover a amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, apurado e registrado nas operações societárias. Ante ao exposto voto pelo provimento do recurso voluntário. Sala de Sessões, 06 de Agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3409DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10540.000902/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 02 /2 01 0- 72 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Tratase ação fiscalizatória levada a eleito contra o sujeito passivo acima identificado em epígrafe, relativa à Operação Especial Órgãos Públicos, conforme se observa do Relatório Fiscal da Ação Fiscal [fls. 63/66]: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 18 3 [...]tem como propósito conduzir investigações atinentes a verificações da obrigatoriedade dc declarar e recolher as Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social, previstas no art. 11, parágrafo único, da Lei 8.212 de 27/07/1991, decorrentes da prestação dc serviços executados por segurados empregados pertencentes ao quadro de pessoal da Prefeitura Municipal sob fiscalização, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social. O presente procedimento fiscal abrange os anoscalendários de 2006 a 2008, com execução de procedimentos de auditoria sobre dados disponíveis pela Fiscalização da Receita Federal doBrasil e sobre informações prestadas pelo fiscalizado no curso da ação fiscal. Em 19/03/2010 tiveram início as atividades fiscalizatórias com a lavratura do Termo de Iníciode Procedimento Fiscal com intimação para apresentação dos documentos lá discriminados,cuja ciência deuse por via postal, em 26/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR n° SS72122423 2 BR, Em resposta ao Termo de Intimação, o sujeito passivo entregou em12/04/2010 os documentos relacionados nos Termos de Recebimento. Dentre asdocumentações entregues constam as Listagens de Processos Pagos relativas aos anoscalendáriosem comento. Em 16/04/2010 foram entregues as fotocópias simples das Folhas dePagamentos Avulsas dos meses 01/2007, 04/2007, 07/2007 e 09/2007. A partir destas novas documentações, a Fiscalização elaborou em 10/05/2010 o Termo deConstatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, encaminhando ao sujeito passivojuntamente com fotocópias simples das Listagens de Processos Pagos, objetivando cientificar oautuado dos novos fatos levantados, bem como, intimálo a manifestar sobre as divergênciasapuradas, informar a base de cálculo e a quantidade de segurados empregados relativo ao 13°salário, a apresentar os Demonstrativos Contábeis Mensais cias Contas Específicas de Despesacom Pessoal, bem como a prestar outros esclarecimentos. A resposta ao presente Termo foi encaminhada via postal, mediante Aviso de Recebimento AR n° SO 38339710 4 BR, com entrega em 04/06/2010, conforme informação extraída do sítio dos Correios. O fiscalizado justifica a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela Fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. Comunica que o município não possui Regime Próprio de Previdência.Por fim, afirma que o quadro atual da Prefeitura é composto de 972 funcionários. De posse destes elementos, elaboramos o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e planilhas 1, I I , I I I e IV nas quais contemplam os valores de Remuneração/Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária declarados em GF1P, os valores de Base de Cálculo extraídos das Listagens de Processos Pagos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 entregues pelo fiscalizado, os valores de Base de Cálculo constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM c os valores de Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária indicados nas Folhas de Pagamento Avulsas. Considerando que o fiscalizado alegou dificuldade em encaminhar os dados referentes ao 13° salário, a Fiscalização calculou a media anual da base de cálculo informados nas Listagens de Processos Pagos, nas competências janeiro a dezembro, de 2006 a 2008 e definiu estes valores para a competência 13 de cada ano calendário. O mencionado Termo e planilhas foram enviados ao fiscalizado através de Aviso de Recebimento AR n° SK 11082935 5 BR, cuja ciência deuse em 06/07/2010. Salientese que o sujeito passivo até a presente data não se manifestou acerca das considerações contidas no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e nas planilhas anexas. Com efeito, para fins de quantificar os valores que deixaram de ser declarados nas GFIPs correspondentes às contribuições previdenciárias devidas sobre pagamento efetuados a segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência nos meses sob fiscalização, utilizamos os dados constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas. Do mesmo modo, utilizouse, também, os dados constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM, informações estas prestadas pelo sujeito passivo as quais foram auditadas e publicadas pelo citado Órgão. Foram, então, elaboradas as planilhas I a VIII as quais contemplam os dados c informações verificados no transcorrer da ação fiscal em referência. Constam abaixo a denominação e descrição dos levantamentos e lançamentos constituídos no curso deste procedimento fiscal. Os fatos geradores das obrigações principais e acessórias das contribuições previdenciárias apuradas no curso desta fiscalização foram distribuídos em levantamentos próprios, assim identificados: 1. Obrigação principal: a) GF DECLARADO EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados, das contribuições retidas de segurados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) LP LISTAGEM DE PAGAMENTO; Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 19 5 Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; c) LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo damulta mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; d) LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram docomparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; e) FP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos devalores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as basesde cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Folhas de Pagamentos Avulsas,dos meses de abril e junho de 2007 e valores de base de cálculo de seguradosempregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (códigodo lançamento BC), mais especificamente as Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças decontribuições segurados empregados indicadas nas Folhas de Pagamentos Avulsas, dosmeses de abril e junho de 2007 e valores de contribuições segurados empregadosdeclarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências queentram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; f)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; g) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa maisbenéfica e está sendo cobrada a multa atual; h) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 20 7 de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo damulta mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; i) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multaanterior; j) GI1 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; I) GI2 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; m) DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: No curso da fiscalização é feita aconferência dos acréscimos legais calculados pelo fiscalizado quando dopagamento/recolhimento efetuado após a data de vencimento, através das Guias da Previdência Social GPS. É, então, emitido um relatório denominado DAL Diferenças deAcréscimos Legais, que discrimina as diferenças decorrentes de recolhimento a menor dejuros e/ou multa mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos recolhidos.Constam neste levantamento os valores dos acréscimos legais cobrados Ouros e multa demora), em virtude de recolhimento a menor e após a data de vencimento. Para fins delançamento destes acréscimos legais, embora o pagamento/recolhimento seja decontribuição previdenciária pertinentes aos anoscalendários sob fiscalização, a data daocorrência do fato gerador é o mês em que o autuado procedeu aopagamento/recolhimento incorreto; 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; c) AIOA CFL 77 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo ter entregue as GFIPs após o prazo estabelecido pela legislação regulamentadora da matéria; ou seja, com atraso. O presente processo tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.297.1962, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 02/06 a 03/07, 05/07 a 13/08 e 07/09, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394. Constam dos autos os seguintes levantamentos: DAL, GI, GI1, GI2, LP, LP1 e LP2, conforme se verifica as folhas 04/05: Com efeito, compete ao empregador entregar GFIP fazendo constar as informações relativas aos fatos geradores, base de cálculo e contribuição previdenciária devida, bem como recolher as contribuições a seu cargo. Dentre os documentos entregues pelo intimado estão as Listagens de Processos Pagos, exceto das competências 13/2006, 13/2007 e 13/2008. De posse destes documentos a Fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos Listagens de Processos Pagos e os valores de base de cálculo dos segurados empregados declarados na GFIP em análise. Assim sendo, procedeuse ao confronto entre os valores de base de cálculo dos segurados empregados declarados em GFIP apresentadas pelo fiscalizado e os valores de base de cálculo dos segurados empregados informados nas Listagens de Processos Pagos dos anos calendários de 2006, 2007 e 2008. Isto posto, ficou caracterizado que o autuado deixou de declarar na GFIP a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, fato este que resultou em declaração a menor da base de cálculo da contribuição previdenciária, e consequentemente, da contribuição patronal de responsabilidade da empresa, conforme planilhas 1 a V. Para o cálculo da contribuição patronal está sendo aplicada a alíquota de 20%. Para o cálculo da contribuição GILRAT/SAT está sendo aplicada a alíquota de 1 % ou 2% sobre as bases de cálculos apuradas a partir dos valores de base de cálculo constantes das Listagens de Processos Pagos. Desse modo, sobre as remunerações não declaradas está sendo exigida a contribuição GILRAT/SAT, prevista no art. 22, inciso I I , acima transcrito, aplicandose as alíquotas consoante previsão legal. [...] Desse modo, estão sendo exigidos os acréscimos legais sobre os valores pagos/recolhidos mediante Guias da Previdência Social GPS, código 2402, após data de vencimento c a menor. Para fins de lançamento, a data do fato gerador é o mês no qual o pagamento/recolhimento foi efetuado. No Relatório de Diferenças de Acréscimos Legais DAL encontram Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 21 9 se discriminados os valores recolhidos, os valores apurados e a diferença a ser cobrada. Estando, pois, constatado que o fiscalizado deixou declarar a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, bem como deixou de declarar a contribuição GILRAT/SAT, foi lavrado o presente Auto de Infração para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições patronais, incluída a contribuição GILRAT/SAT, não declaradas e não pagas, apuradas sobre os fatos geradores informados e não informados na GFIP, relativos aos anoscalendarios de 2006, 2007 c 2008. Como também, estão sendo cobrados juros e multa de mora em decorrência de pagamento a menor e fora do prazo. Inconformado o Sujeito Passivo apresentou impugnação tempestiva que, por meio do Acórdão n. 1526.031 – 6ª Turma da DRJ/SDR, foi julgada improcedente: Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada do decisum, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário que alegou, em síntese: (i) Em 04/06/2010, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, o Município justificou a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. (ii) Informa ainda que não possui regime próprio de previdência. 4.3. Equivocouse o senhor AuditorFiscal, quando da tentativa de demonstração da ocorrência do Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 10 fato gerador, ao deixar de esmiuçar e individualizar as bases de cálculo utilizadas para encontrar o valor atualizado demonstrado na consolidação do débito; (iii) o auto de infração é nulo, pois sua narração é confusa e dificulta o direito de defesa; (iv) Cita os arts. 2 o e 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e afirma que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitam a dar o enquadramento da conduta. Não resta sombra de dúvida que o ato administrativo vinculado em apreço está eivado de vício pela falta de motivação, devendo o mesmo ser desconstituído através da sanção de nulidade; (v) A multa cominada no AI é inconstitucional, já que se caracteriza absolutamente como confiscatória. Cita o art. 5ºda Constituição Federal e diz que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que, depois, a multa seja mensurada e aplicada; (vi) Verificase do auto de infração em epígrafe e dos demais consequ ̈entes que o AuditorFiscal de pronto se enveredou a calcular montantes de contribuição e multas, e, ainda, notificou para pagamento em 30 dias. Diz que a multa só se torna exigível após todo o processo administrativo, onde é assegurado o contraditório e a ampla defesa, pois, caso contrário, estáse aplicando uma sanção sem o devido processo legal; (vii) Afirma que os valores de contribuições levantados e as multas aplicadas nos referidos autos de infração são nulas, por afronta aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa; (viii) No mérito, afirma que o Município autuado, no decorrer da ação fiscal, procurou em todo momento cumprir as exigências demonstradas nas intimações emitidas pelo Sr. AuditorFiscal; (ix) Para apuração do crédito tributário devido, foram confrontados os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informados nas GFIP com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas folhas de pagamento avulsas e nos demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados, resultando ainda na aplicação de multas acessórias. Como é visto, trata se de um procedimento que deixa margens a dúvidas, pois não há exatidão nas fontes de informações.Cita o art. 12 do CTN; (x) Argumenta que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. O exercício desse mecanismo encontrase ancorado nos princípios da razoabilidade, da finalidade da lei e proporcionalidade, podendo ser utilizado quando realmente mostrese impossível utilização da base de cálculo originária; e (xi) Requer que sejam acolhidas as preliminares arguidas e, em sendo estas ultrapassadas, seja julgado improcedente o lançamento realizado, em razão dos argumentos de fato e de direito preconizados, desconstituindose o crédito tributário lançado através do AI, por se tratar de medida de mais lídima Justiça e Direito. Pede o apensamento dos demais AI DEBCAD n°s 37.297.1954, 37.297.1920, 37.297.1911, 37.297.1946, 37.297.1938, 37.297.1881, 37.297.1890 e 37.297.1903, por tratarse de resultado da mesma ação fiscal e, em sendo assim, devem ser julgados no conjunto e não em separado. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 22 11 Voto Conselheira Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 12 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 23 13 O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 14 seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese,, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 24 15 QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 16 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 25 17 3CONCLUSÃO Pelo exposto, Voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício As multas relativas às infrações de GFIP, devem ser calculadas considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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Numero do processo: 10920.001992/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/08/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi realizada pessoalmente.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes a cartão de incentivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi realizada pessoalmente. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 19 92 /2 01 0- 44 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes a cartão de incentivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa KG MOTOS LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/2006 a 08/2008. 2. Segundo consta do relatório fiscal, o contribuinte deixou de recolher contribuições previdenciárias destinadas aos terceiros FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE: “1. Tratase de auto de infração – AI, lavrado contra a empresa acima, com a finalidade de se promover o lançamento de ofício de contribuições da empresa, destinadas aos terceiros FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE, não recolhidas e não declaradas em guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP’s. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 106 3 2. O presente lançamento decorre dos mesmos fatos e se fundamenta nos mesmos elementos de convicção apresentados no AI n.º 37.273.1902, que trata do lançamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, e constitui o processo principal.” 3. O acórdão ora vergastado restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. ENDENREÇO INCORRETO. A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi feita pessoalmente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS, INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. REMUNERAÇÃO. CARTÕESPRÊMIO Os prêmios pagos de forma habitual e de cunho contraprestativo dos serviços prestados pelo trabalhador caracterizamse como remuneração, devendo sofrer incidência das contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, INCOMPETÊNICA DAS DRJ. As Delegacias Regionais de Julgamento não são competentes para se pronuncias acerca de Representações Fiscais para Fins Penais encaminhadas ao Ministério Público. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 74) 4. A empresa apresentou o mesmo recurso voluntário interposto nos autos do processo principal de n.º 10920001989201021, no qual aduz em síntese: a) preliminarmente, repete a argumentação trazida em sede de impugnação para defender a nulidade do auto de infração, tendo em vista que o endereço da sede da autuada está incorreto nos autos, o que caracterizaria vício formal; b) que é indevida a atribuição de responsabilidade tributária subsidiária aos sócios da empresa, motivo pelo qual devem ser excluídos da presente autuação todas as pessoas físicas, diretores, sócios e contadores relacionados no “Relatório de Vínculos”; c) no mérito, alega que o pagamento de prêmio não possui natureza jurídica de salário o que impede a incidência de contribuição previdenciária; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) não ocorreu o pagamento de premiação durante toda a contratualidade, mas sim durante determinados períodos, que serviram para o crescimento da empresa; e) os pagamentos realizados por intermédio do marketing de incentivo possui características próprias e distintas do conceito de remuneração previsto na legislação trabalhista, por se tratar de promessa de recompensa de natureza excepcional e que será facultativamente implementada pelo funcionário, por conseguinte sua natureza jurídica é indenizatória; f) a incompatibilidade entre a aplicação da multa de ofício cumulada com a incidência da taxa SELIC, pois não pode haver cobrança de juros sobre multa aplicada; g) não há que se falar em representação fiscal para fins penais, pois tal fato somente poderá ocorrer após proferida a decisão final na esfera administrativa; h) por fim, afirma que encontrase à disposição deste conselho para juntar demais documentos que façamse necessários. 5. O fisco não apresentou contrarrazões. O processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, aduz o contribuinte que o auto de infração deve ser considerado nulo, pois “o endereço da sede da Recorrente é essencial para dar força ao ato administrativo combatido, e seu incorreto preenchimento é fatos de nulidade absoluta da autuação”. 3. E não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, entendo que razão não lhe assiste. Isso porque o documento fiscal, na forma em que foi constituído, atingiu sua finalidade essencial, qual seja, dar ciência ao contribuinte da atuação do fisco, que, inclusive, apresentou sua impugnação tempestivamente. Destaquese que o contribuinte recebeu pessoalmente os documentos relativos ao débito, de maneira que o erro no endereço da empresa não vicia o procedimento perfilhado pelo auditor fiscal. 4. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 107 5 processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR E DOS SÓCIOS 5. A recorrente sustenta que “devem ser excluídos da presente autuação, todas as pessoas físicas, diretores, sócios e contador, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados neste AI” (f. 92). E neste ponto, entendo que assiste razão a recorrente. 6. A responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. Porém, o que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. 7. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. 8. Inexiste, no direito tributário pátrio, espécie de responsabilização objetiva do sócio por créditos tributários inadimplidos pela sociedade. O que o sistema prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. 9. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 10. Sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciono o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). 11. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. 12. Em uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” 13.Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas. DO PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO 14. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito contra o contribuinte se deu com base nas “parcelas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados por serviços prestados, efetuadas mediante créditos em cartões eletrônicos de premiação, não relacionadas em folhas de pagamento, nem declaradas em GFIP’s” (f. 16). 15. Em contrapartida, alega a recorrente, que os valores pagos em cartão premiação não tem qualquer relação remuneratória, portanto não podem ser objeto de incidência de contribuições sociais previdenciárias. 16. Dessa forma, verificase que o cerne da controvérsia trazida nos autos consiste em considerar, ou não, o pagamento de quantias por meio do chamado cartão premiação a empregados como base de cálculo de contribuições previdenciárias. 17. Assim, inicio a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre a rubrica levantada pelo auditor fiscal, por meio de cartão de incentivo, tomando como base o conceito de salário, a habitualidade e o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Da Previsão Constitucional 18. Como é cediço, a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada está baseada na folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A base jurídica originária para a incidência do tributo está na Constituição Federal, verbis: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 108 7 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” 19. Dessa forma, a remuneração percebida em razão do trabalho prestado pelo trabalhador será a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É imperioso que haja um perfeito enquadramento dos valores que se pretende lançar, em “salário” para, em seguida, concluir sobre a incidência, ou não, do tributo na hipótese de premiação de empregados, em virtude do implemento de programas de marketing de incentivo. 20. A respeito do modo como deve ser interpretado os dispositivos constitucionais o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 166.772/RS firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas de forma restritiva e em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Pois devese evitar admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista. 21. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 22. O termo “salário” não é próprio do direito tributário. O salário nasce de uma relação privada, ou seja, de um contrato de trabalho, sendo regulado por essa esfera do direito. Em vista disso, as exigências que tenham por base de cálculo o valor do salário pago ao empregado deverão fundarse nas prescrições de direito do trabalho, que delimitam sua abrangência. 23. Assim sendo, o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição e na legislação trabalhista é unívoco e deve expressar a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre os valores que a justiça trabalhista não considere como salário. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 24. Caminhando neste sentido, vejo com restrição a ideia de que os valores pagos a título de incentivo, por intermédio de empresas de marketing promocional ou equivalente, sejam cunhados de imediato como base de cálculo da contribuição social previdenciária. Notadamente se inserido no conceito a habitualidade dos pagamentos para efeito de consideralos como ganhos habituais. E isso é importante porque faço um cotejamento entre os arts. 195 e 201 da Carta Magna. 25. O art. 201 a Carta magna prevê como a previdência social será organizada e sobre quais valores haverá incidência da contribuição social, sendo que nesse dispositivo ele dispõe que os ganhos habituais serão considerados como base de cálculo. “Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.” 26. Como se constata da leitura do art. 201 da CF/88 a constituição considera como base de cálculo da contribuição os ganhos habituais. Nesse campo, a habitualidade é um dos elementos fundamentais para se determinar se o pagamento feito deve ou não ser considerado como salário e como tal, ser computado para fins de contribuição previdenciária. Mas o que é habitualidade? 27. Habitualidade, conforme o Dicionário Aurélio, é oque ocorre de maneira comum, frequente, ainda que de maneira espaçada, tudo aquilo que “se faz, ou que se sucede por hábito, comum, vulgar, frequente, usual”. O conceito contrasta com o ganho eventual que, conforme a mesma obra, é algo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito, acidental. 28. De tal forma, numa relação de trabalho pode haver, além dos pagamentos contratuais, pagamentos eventuais e aleatórios, o que torna essencial considerar a natureza jurídica de cada um para fazer incidir ou não o tributo. 29. No caso dos autos tratase de pagamentos realizados a título de incentivo por produtividade (prêmio), por meio de cartão premiação. Tais pagamentos ocorrem quando determinada empresa fixa metas e impõe requisitos para que os empregados aufiram resultados financeiros ou de outra natureza, poderemos concluir que, em certos casos, não estaremos diante de uma prestação aleatória, tampouco habitual, conforme os conceitos expostos, pois não se trata de algo que será feito com habitualidade com relação ao mesmo empregado, pois necessita de cumprimento de determinadas condições preestabelecidas e tampouco se trata de um evento sujeito ao acaso ou ao fortuito, tratase desse modo de uma conduta eventual, posto que falamos de algo que será perseguido pelo empregado, mas o seu resultado será incerto. 30. O pagamento de determinado benefício ao empregado que atingir metas preestabelecidas é apenas uma das modalidades que fazem parte do chamado “marketing de incentivo” ou “programas de incentivo” implementados por determinada empresa. Sobre o conceito dessa atividade, Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar, especialistas em direito tributário e economia, assim delimitam o termo: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 109 9 “Programa de incentivo pode ser definido como ação planejada e orientada para motivar toda e qualquer pessoa ou grupo de pessoas, de uma empresa ou não, oferecendo reconhecimento e recompensa por meio de premiação. Os beneficiários podem estar compreendidos em equipes de vendas, distribuidores, revendedores, serviços pósvendas, assistência técnica, controle de qualidade, atendimento ao cliente e similares. Toda campanha dessa natureza tem seu início no planejamento e na criação, quando se determinam os objetivos e metas que a campanha pretende atingir, o público alvo, a marca da campanha (logotema), o universo de ambientação e as formas de premiação. Após essas fases, fazse o lançamento da campanha que será o marco inicial decisivo para atrair o interesse e consequente adesão do públicoalvo. Os programas de incentivo são instrumentalizados e documentados por regulamentos claros e objetivos, com explicação detalhada sobre a mecânica de avaliação e premiação, o que lhes atribui transparência e credibilidade, potencializando as adesões e aumentando o número de participantes.” 31. Com efeito, tratase de uma forma de motivação interna dos funcionários, colaboradores ou prestadores de serviços de uma empresa. Há quem diga que essa prática faz parte do denominado endomarketing, atividade que surgiu em 1990, desenvolvida pelo setor de recursos humanos, para estabelecer uma comunicação interna com os funcionários de uma empresa com o intuito de aumentar e estimular a produtividade e, por consequência, atingir a satisfação dos seus empregados. 32. Não me coloco na linha daqueles que entendem que há salário pago pelo simples fato de o pagamento desse incentivo ter como condição resolutiva o alcance de metas de produtividade, de maneira que, receberá o benefício aquele funcionário que cumprir sua função atingindo a meta de produtividade estabelecida pela empresa. Tratase de uma estratégica de gestão de pessoal da empresa que a fará ser mais produtiva e acelerará o seu crescimento dentro do mercado, premiando o empregado pelo cumprimento de determinada finalidade instituída pelo empregador, no caso, o atingimento de metas, tanto em espécie, equipamentos, passagens aéreas, etc. 33. Nesta linha de raciocínio temos várias rubricas dentro do escopo trabalhista, as quais não há base de cálculo de contribuição social previdenciária, como é o caso dos valores recebidos a título de Participação nos Lucros ou Resultados das empresas, de abono Salarial do PIS equivalente ao valor de um salário mínimo, dentre outros. 34. Alertase que a ferramenta ”cartão de premiação” é examinada somente na hipótese em que o beneficiário pode utilizála se atingir os níveis de comprometimento exigidos pelo encomendante para fazer jus a esse benefício. Assim a utilização do cartão, do ponto de vista operacional, depende sempre de autorização do emitente de comum acordo com o encomentdante, de tal sorte que nenhum detentor se torna, automaticamente, beneficiário se não tiver preenchido as condições para tanto. Do Entendimento da Justiça do Trabalho 35. Retornando ao conceito do que pode ser considerada verba salarial, o fator ‘habitualidade’ será importante para a minha posição. Dentro da interpretação do que Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 constitui saláriodecontribuição, a Justiça do Trabalho têm decidido que estes valores pagos habitualmente integram o montante do salário, sendo assim passível de incidência do tributo. Todavia a Corte trabalhista pondera que, quando não há habitualidade ou quando os valores são pagos esporadicamente ao mesmo empregado, não é coerente entender que esses valores sejam considerados base de cálculo de contribuição social pelo fisco. 36. Vêse que o direito do trabalho abrange ao conceito de salário não só a remuneração fixa e ajustada entre empregado e empregador em retribuição a execução de suas atividades, mas também outros valores percebidos em decorrência do vínculo empregatício (gorjetas, comissões, percentagens e gratificações). Dispõe o artigo 457 da CLT, in verbis: “Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” 37. Para a CLT salário é a retribuição pelo trabalho prestado, paga diretamente pelo empregador. Esse conceito bem simples traduz o que é salário no ordenamento jurídico brasileiro e suas principais características, pois só é salário aquilo que é pago pelo empregador e somente aquilo que corresponda a uma retribuição, que represente um acréscimo patrimonial pelo trabalho prestado. 38. Arnaldo Sussekind comenta que “remuneração é a resultante da soma do salário percebido em virtude do contrato de trabalho e dos proventos auferidos de terceiros, habitualmente, pelos serviços executados por força do mesmo contrato”. Sérgio Pinto Martins, por sua vez, define remuneração como “o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, mas decorrentes do contrato de trabalho, de modo a satisfazer suas necessidades básicas e de sua família. caracterizase a remuneração como uma prestação obrigacional de dar. Não se trata de obrigação de fazer, mas de dar, em retribuição pelos serviços prestados pelo empregado ao empregador, revelando a existência do sinalagma que é encontrado no contrato de trabalho. essa remuneração tanto pode ser em dinheiro, como em utilidades, de maneira que o empregado não necessite compralas, fornecendo o empregador tais coisa (...)”. 39. Tratandose de binômio salárioremuneração, Amauri Mascaro enfatiza que salário “é uma qualificação jurídica que acarreta reflexos na área trabalhista, previdenciária e tributária, sendo que tais reflexos interdisciplinares levam a uma concepção ampla de salário mas que não pode ser tão larga a ponto de desestimular certas concessões por parte do empregador, especialmente soba a forma de serviços e utilidade sendo. 40. A legislação trabalhista menciona o “salário”, termo largamente utilizado para referirse, de forma genérica, à remuneração do empregado. Insta mencionar a definição do termo sob a ótica de Amauri Mascaro do Nascimento, em sua obra “Curso de Direito do Trabalho”. Editora Saraiva: São Paulo. 18ª Edição, p. 717, in verbis: “é a totalidade das percepções econômicas dos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento, quer retribuam o trabalho efetivo, os períodos de interrupção do contrato e os descansos computáveis na jornada de trabalho”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 110 11 41. In casu, o auditor fiscal autuou a empresa por considerar salários os valores pagos a título de “prêmio por produtividade”, conforme Relatório Fiscal de ff. 16 a 21, ocorre que como já mencionamos o conceito de salário deve ser interpretado conforme a conceituação trabalhista. 42. Para a Corte trabalhista o pagamento de prêmios eventualmente são vinculados a comportamentos e resultados de ordem pessoal do empregado e entende que o implemento desse incentivo está diretamente vinculado à produtividade e não se trata de uma retribuição pelo trabalho, pois foi espontaneamente outorgado pelo empregador, vinculado a uma meta preestabelecida pela empresa, e pode a qualquer momento ser suprimido pela empresa se o trabalhador não preencher os requisitos para o reconhecimento da vantagem. O que não ocorre quando falamos de salário, um dos elementos do contrato de trabalho bilateral e que não poderá ser suprimido por liberalidade do empregador, portanto não há como incluir tais rubricas no conceito de salário. 43. O Tribunal pondera que quando esse prêmio é pago habitualmente, ele passa a se confundir com o salario do empregado pois o empregado contará com o pagamento do prêmio correspondente, no seu orçamento mensal. 44. Conforme o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho “a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido a natureza salarial do prêmio assiduidade, desde que não tenha caráter eventual, como na hipótese do prêmio esporádico, ou prêmio troféu.” (Acórdão da 2ª, Turma nº RR540686/1999, de 11 Dezembro 2002, TST. Tribunal Superior do Trabalho, Recurso n.º RO2977/199800003.00, Ministro Renato de Lacerda Paiva). 45. Assim, é indiscutível que havendo habitualidade em sua prestação, passam a assumir um novo papel no contrato de trabalho do empregado, qual seja, própria remuneração. Portanto, demonstrado então a habitualidade na concessão das referidas gratificações (ou prêmios), é inevitável o reconhecimento da natureza salarial de tal parcela, razão pela qual, deverá refletir na incidência de contribuições previdenciárias, considerado a expansão do salário. 46. Cumpre citar a jurisprudência do TST, apenas para firmar o entendimento: “INTEGRAÇÃO DOS PRÊMIOS. O entendimento dominante nesta Corte é no sentido de que os prêmios pagos habitualmente detêm natureza jurídica salarial, nos exatos termos do artigo 457, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Recurso de revista de que não se conhece. (Processo: RR 520500 08.2004.5.09.0004 Data de Julgamento: 23/05/2012, Relator Ministro: Pedro Paulo Manus, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/05/2012). RECURSO DE REVISTA. SALÁRIO PAGO FORA DA FOLHA DE PAGAMENTO. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. O Tribunal Regional constatou que as Reclamadas depositavam, com habitualidade, créditos em cartões magnéticos como contraprestação às metas atingidas pelo Reclamante. Por entender que as Reclamadas pagavam verbas salariais fora da folha de pagamento, a Corte de origem decidiu manter a determinação de integração ao salário das referidas verbas. Registrado que o dinheiro Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 depositado nos cartões representava correspondência às metas atingidas pelo Reclamante e era pago com habitualidade, a decisão de integração ao salário da verba não ofende o art. 457 da CLT, pois, nos termos do referido dispositivo, compreendese na remuneração do empregado toda parcela paga como contraprestação do serviço. Ressaltase que este Tribunal Superior tem decidido que o pagamento de prêmio por alcance de metas adquire natureza salarial quando pago com habitualidade. Recurso de revista de que não se conhece. (...) Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (Processo: RR 10440004.2007.5.03.0037 Data de Julgamento: 07/03/2012, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/03/2012). PRÊMIO. NATUREZA JURÍDICA. ART. 457, § 1º, DA CLT. Deixando o acórdão regional de consignar a habitualidade do pagamento da verba denominada prêmio objetivo, e tendo registrado que a sua percepção não correspondia ao pagamento pela regular e obrigatória prestação de serviços, não há que se cogitar acerca da violação literal do artigo 457, parágrafo 1º, da CLT, porquanto o prêmio pago como incentivo ao melhor desempenho do empregado não possui conotação salarial, já que esta se reserva apenas às verbas decorrentes da contraprestação direta pelo empregador dos serviços realizados pelo empregado. Incide, à hipótese, o teor do Enunciado n. 221 do TST, com óbice ao destrancamento da revista. ((TST – 4ª T., AIRR 783.871/2001.7, Rel. Juiz convocado Luiz Antonio Lazarim, DJ de 25022005) Trechos do voto: “a verba denominada prêmio objetivo foi instituída pela ré para graciar aqueles vencedores que conseguissem atingir metade de vendas traçadas pela empresa, podendo o valor desta premiação variar de acordo com o volume das metas atingidas. Logo, é inequívoco que esta parcela tinha por objetivo recompensar e incentivar atributos individuais, sendo certo que as condições dessa benesse estão estipuladas pelo empregador como liberalidade sua, não possuindo, pois, o caráter de pagamento compulsório ínsito aos salários”. Os prêmios pagos aos obreiros, por liberalidade patronal, que dependem do implemento de determinada condição, não possuem natureza salarial, razão pela qual não integram a remuneração do empregado. (TST – 2ª T, RR 316.466/96.0, Rel. Min. José Bráulio Bassini) O prêmio desempenho não integra o salário. Recurso de Revista provido para declarar que a parcela “prêmio desempenho” não integra o salário, não gerando , portanto, os reflexos deferidos quer ficam excluídos (TST – 3ª T, RR 175549/95, Rel. Min. Zito Calasãs)” Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 111 13 47. Dessa feita, resta patente a impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre as premiações ofertadas em razão dos implementos de campanhas de marketing de incentivos quando ficar clara a inabitualidade dos pagamentos, bem como fundadas em eventos a serem cumpridos pelos empregados. 48. Nessa esteira, cumpre citar ainda o entendimento de Sérgio Pinto Martins em sua obra “Direito da seguridade social” a respeito dos ganhos habituais, onde ele ressalta que na Constituição Federal, art. 201, § 11 dispõe que somente “os ganhos habituais do empregado serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão dos benefícios” e esclarece: “ganhos” serão as prestações fornecidas ao empregado de maneira periódica, incluindo tanto o pagamento em dinheiro, como o fornecimento de utilidade. “habitual” é o que é feito com costume, de forma repetida, duradoura, frequente. será considerado ganho habitual qualquer prestação proporcionada ao empregado que seja repetida no tempo, tendo, portanto, habitualidade. (...) Sobre ganhos eventuais não incidirá a contribuição previdenciária. 49. Dessa forma, o incentivo em questão não possui natureza de remuneração de que trata o art. 195, inc. I, alínea “a, ou do art. 201, §11, da Constituição Federal, o art. 22 ou qualquer outro da Lei nº 8.212/91, haja vista que a relação de que estamos tratando não se enquadra na hipótese de incidência prevista em tais dispositivos normativos. 50. O conceito da verba ora em discussão poderia amoldase perfeitamente ao instituto de promessa de pagamento futuro a alguém, sob uma condição resolutiva, por ter caráter recompensatório e não haver qualquer conotação inerente à remuneração paga no âmbito de um contrato de trabalho. 51. A respeito do prêmio pago a empregados e a sua não relação com a remuneração, Amauri Mascaro do Nascimento preleciona: “os prêmios não têm natureza salarial unicamente enquanto não habituais, assim considerados os feitos a esse título, por exemplo, uma vez por ano ou em função de campanhas de incentivo à produção eventualmente realizadas pela empresa especialmente quando não pagos em dinheiro, mas em outras vantagens como uma viagem ao exterior etc” 52. Na esteira desse raciocínio asseverou Valentin Carrion (in Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho – 28ª ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 297): “Gratificações. Somente as não habituais deixam de ser consideradas como ajustadas; as demais integramse na remuneração para todos os efeitos. É a aplicação do princípio de que todas as vantagens obtidas pelo empregado aderem ao contrato definitivamente”. 53. Reforça o entendimento, o posicionamento de Wagner Balera ao emitir parecer na consulta solicitada pela Associação de Marketing Promocional (AMPRO) publicado na obra “O marketing de incentivo e as contribuições sociais”, p. 115: “Premiações conferidas a quem deu cabal cumprimento a certas e determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, vantagens esporádicas e estímulos à disputa leal entre Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 companheiros de trabalho, conferidos por simples liberalidade do empregador, que de nenhum modo remuneram o trabalho prestasdo. p. 114 (...) Os prêmios pagos ao segurado empregado não integram seus saláriode contribuição e consequentemente não são passíveis de incidência previdenciária, posto que não configuram nenhuma das espécies de remuneração. Tratase de situações esporádicas, não habituais, aleatórias, excepcionais, motivadas por campanhas promocionais com prazo determinado de duração, mediante condições fixadas em regulamentos próprios, com montantes e expressões variáveis e em caráter de recompensa pelo êxito alcançado naquela jornada. A premiação decorre do resultado positivo da disputa de que participou cada beneficiário, por sua livre e espontânea vontade, distinta completamente das naturais atribuições que desempenha na vida ordinária do seu labor, consoante os termos de regulamento tornado público por terceiro, alheio ao contrato de trabalho, especialmente incumbido de promover um certame que é o desdobramento de ato unilateral de vontade (...)” 54. Dessa forma, pelos argumentos expostos, estou certo de que sobre parcelas de prêmios pagos sem a habitualidade e com regras igualitárias (não aleatórias) que consistem na instrumentalização e documentação por regulamentos claros e objetivos para o acesso dos empregados, não incide contribuição previdenciária. Da Legislação Previdenciária 55. A legislação previdenciária também não foge às regras acima delineadas. Segundo dispõe a Lei 8.212/91, em seu artigo 28, inciso I, constitui salário de contribuição “(...) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” (g.n.) 56. A própria Lei de Organização da Seguridade Social dispõe ainda que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, conforme segue abaixo: “Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 112 15 e) as importâncias: ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” (g.n.) 57. Desse modo, muito embora esta Câmara já tenha se manifestado, em julgamentos anteriores, no sentido de que os valores pagos através de cartões de premiação são considerados salário e sobre eles há a incidência de contribuição (acórdão n.º 20501475 de minha relatoria), prefiro avançar na discussão do tema para firmar posição no sentido de que, restando demonstrado que as premiações ocorriam de forma regular, em pagamentos eventuais e que havia regras claras e objetivas disponíveis para o recebimento da verba, não há incidência de contribuição social previdenciária. 58. Embora discorde do posicionamento, porque entendo que é possível a incidência de tributo sobre os valores em comento quanto se revestirem de caráter salarial, vale ressaltar o que assevera Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar na obra “marketing de incentivo: uma visão legal”, p. 43, in verbis: “(...) em nenhuma hipótese a vantagem ou prêmio recebidos em virtude de programas de incentivos comporiam base de cálculo da contribuição previdenciária posto que: i) o prêmio não tem natureza de verba salarial, (ii) não se destina a retribuir trabalho (iii) tem natureza aleatória e principalmente eventual.” Do Pagamento Limitado a Duas Vezes ao Ano 59. Neste ponto, convencido que a habitualidade é fator imprescindível para caracterizar o prêmio como saláriodecontribuição, é preciso estabelecer parâmetros temporais para considerar o pagamento habitual ou não. 60. Mas fica sempre a dúvida quanto ao conceito de habitualidade. Quantas vezes o empregado poderia receber a chamada gratificação sem que isso fosse considerando para efeito da incidência da contribuição? Nesse ponto, creio que a norma de Participação nos Lucros ou Resultados pode servir como parâmetro, já que em vezes a própria justiça assim o considerou no exame do chamado prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral. 61. Como a atividade de marketing de incentivo ainda não possui regulamentação legislativa no tocante à sua atuação no mercado e tão pouco há menção desta na legislação previdenciária, para manter, uma coerência nas decisões proferidas, entendo cabível analisarmos o posicionamento da Justiça Federal que entendeu que o prêmio por produtividade equivale à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos semestralmente conforme o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94. “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. ANULAÇÃO DE NFLD. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LICENÇAPRÊMIO NÃO USUFRUIDA (INDENIZADA). AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AJUDA DE CUSTO TRANSPORTE/DIAS DE REPOUSO. REEMBOLSO Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 CRECHE/BABÁ/DEFICIENTES. PRÊMIO PRODUTIVIDADE BANESPA. GRATIFICAÇÕES SEMESTRAIS. NÃO INCIDÊNCIA. DESLOCAMENTO NOTURNO. SUPERVISOR DE CONTAS. ALIMENTAÇÃO/DIAS DE REPOUSO. INCIDÊNCIA. DECADÊNCIA QUINQUENAL. (...) 6. O prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral ou de balanço se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos em conformidade com o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94 (periodicidade semestral). (...) 13. Apelação a que se dá parcial provimento. (AC 1997.34.00.0228345/DF, Rel. Juiz Federal Osmane Antônio Dos Santos, Oitava Turma, eDJF1 p.576 de 29/10/2008)” 62. Dentro desse contexto transcrevemos trechos do acordão onde o relator equipara o pagamento do prêmio ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultado (PLR). “(...) Sobre o “Prêmio Produtividade Banespa” e “Gratificações Semestrais ou de Balanço”, tem razão o autor ao sustentar a sua natureza não salarial. É que, efetivamente, são verbas pagas para apenas alguns funcionários, de forma individualizada e ocasionalmente, que tenham atingido determinadas metas, o que constitui mera expectativa de direito do empregado. Assim, se são criadas pelo Banco para implementar determinadas condições e para ter direito ao pagamento do prêmio o empregado tem de determinar produtividade, interesse e etc, não há de se falar em habitualidade, pois é intuitivo que não são concedidas sempre aos mesmos empregados. Ademais, tais parcelas se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Portanto, não constitui base de cálculo para a contribuição previdenciária.” 63. Assim, considerando necessário estabelecermos um parâmetro temporal para caracterizar, habitual ou eventual, o pagamento de valores por meio do chamado ‘cartão de premiação’ e diante do posicionamento do judiciário que trata o prêmio por produtividade equivalente ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entendo cabível nesse caso, a interpretação por analogia (art. 108, inciso I, do CTN). Até porque a analogia, no Direito Tributário, é sempre forma de integração. Acredito ser razoável o pagamento de prêmio de produtividade por, no máximo, duas vezes ao ano, assim como estipula a regulamentação da PLR. 64. Por fim, embora não seja argumento jurídico para a minha convicção, chamo a atenção, apenas como registro, para o fato de haver sérias distorções no sistema tributário brasileiro, o que ocasiona certa confusão por parte nos contribuintes para Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 113 17 determinarem o que é ou não efetivamente devido ao fisco, o que torna necessária uma urgente reforma tributária. Vejamos a matéria abaixo: “Presidente vê "resistência", mas diz que mudanças são "prementes" e cita o caso da tributação de energia. A presidente Dilma Rousseff quer atacar de forma "específica" as distorções do sistema de impostos, um dos entraves ao crescimento do País. Ao classificar de "inadequada" a tributação brasileira, em discurso na abertura da marcha dos prefeitos, ontem em Brasília, Dilma disse que a opção é fazer mudanças pontuais. "Já tentamos duas vezes fazer uma reforma de maior fôlego. Resolvemos agora atuar, em vez de ficar discutindo se a reforma sai ou não sai." Dilma deixou claro que uma das primeiras áreas que serão atacadas é a de energia. "Não conheço muitos países que tributam energia elétrica. Nós tributamos. Tem várias formas de tributação nossas que são regressivas." Dilma disse saber que há "resistências" à reforma tributária, mas afirmou que "tem coisas que são prementes". (O Estado de S. Paulo 16/05/2012) 65. Diante do exposto, voto no sentido de limitar a incidência da contribuição social previdenciária às parcelas excedentes a dois pagamentos anuais. excluindo totalmente da base de cálculo os valores pagos àqueles empregados segurados em até duas únicas vezes a cada ano. 66. No caso concreto, da análise das planilhas juntadas às ff. 137 a 150 do processo principal (Marketing & Icentivo Avant Senna), depreendese que a premiação foi paga por mais de duas vezes, no mesmo ano, a vários funcionários, mas alguns empregados da empresa como José Carlos Boege (e outros) recebeu, no ano de 2006, valores somente duas vezes, sendo assim essas quantias pagas não integrarão a base de calculo da contribuição, pois esta respeitando o limite de dois pagamentos anuais. 67. Todavia o empregado José Lucas Baraúna (e outros) recebeu valores quase todos os meses. Logo o benefício foi incorporado à remuneração do empregado de forma constante, passando a ter notoriamente caráter salarial. 68. Assim, dentro da sistemática que adoto, estariam excluídas da base de cálculo os pagamentos recebidos as primeiras duas vezes, sofrendo incidência do tributo as quantias que excederem esse limite. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 69. A recorrente afirma que aplicação da taxa SELIC não pode ser feita em conjunto com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico: “(...) Penalidades como multa de ofício e taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não se encontram autorizadas para incidir uma sobre a outra”. (f. 101) 70. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 71. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” 72. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 73. E a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, reza que as contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso das multas) estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 114 19 74. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 920201.806. Recurso especial negado” 75. Assim, tenho como certo que a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida. DA MULTA APLICADA 76. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 77. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 78. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 78. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 79. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 80. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a: a) exclusão da relação fiscal (Relatório de Vínculos) dos administradores, sócios administradores e sócio, bem como o afastamento da incidência de contribuição previdenciária sob as parcelas pagas até duas vezes a título de prêmio; b) redução da multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001992/201044 Acórdão n.º 2301002.924 S2C3T1 Fl. 115 21 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Divergimos do Relator com relação à configuração do requisito da habitualidade para os prêmios. Sabendo da dificuldade de conceituarmos o que é habitual, adotaremos, como primeiro critério, a habitualidade como a qualidade daquilo que é freqüente, que é repetido muitas vezes, o que implica tomarmos como habitual aquilo que é, ou poderá ser, repetido mais de três vezes durante a duração do contrato de trabalho. No caso em destaque, os pagamentos eram feitos em várias parcelas anuais, repetindose em mais de ano, o que nos leva à conclusão que se tratam de ganhos que ocorrerão mais de três vezes durante o contrato de trabalho, tendo, portanto, o atributo da habitualidade. Conforme incisivamente defendido pelo Relator: (...) é indiscutível que havendo habitualidade em sua prestação, passam a assumir um novo papel no contrato de trabalho do empregado, qual seja, própria remuneração. Portanto, demonstrado então a habitualidade na concessão das referidas gratificações (ou prêmios), é inevitável o reconhecimento da natureza salarial de tal parcela, razão pela qual, deverá refletir na incidência de contribuições previdenciárias, considerado a expansão do salário. Logo, caracterizada a habitualidade, correta a conclusão de que os pagamentos possuíam natureza salarial e que deviam compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário nesse aspecto, acompanhando o Relator nos demais pontos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10580.901309/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1101-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 01 30 9/ 20 06 -9 2 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 812 2 RELATÓRIO COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA S/A COELBA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida em 22/04/2009 pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA (fls. 714715) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferira parcialmente os pedidos de reconhecimento de crédito e de compensação, pleiteados pela contribuinte, referentes ao saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado pelo Lucro Real anual, no ano calendário de 2002. A questão envolve o Imposto de Renda Retido na Fonte por empresas públicas, com códigos de recolhimento 6147 e 6190. A contribuinte havia solicitado crédito no valor de R$14.615.195,28 mediante PER/DCOMP (saldo negativo apurado na DIPJ 2003) pelo regime de tributação anual do lucro real. O saldo negativo de IRPJ é composto por valores recolhidos/compensados de IRPJ por estimativa no ano calendário 2002 e também pelo IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos de serviços prestados a empresas públicas e de aplicações financeiras no valor de R$149.128,18. O Despacho Decisório n. 1019 da DRF Salvador – BHA (FLS. 612 623) relata as PER/DCOMPS originais, retificadoras e canceladas e aponta créditos solicitados no valor de R$14.615.195,28 relativos ao ano calendário de 2002 e reconhece em 11/12/2007 o direito creditório de R$14.579.693,19, glosando R$35.128.74 de Imposto de Renda Retido na Fonte não comprovado que corresponde à diferença entre o valor declarado (R$149.128,18) e as retenções apuradas nas DIRF das fontes pagadoras. A respeito do imposto de renda retido na fonte por empresas públicas (códigos 6147 e 6190) o despacho afirma que: As fls. 375/376 a requerente pronunciouse acerca da solicitação para apresentação dos informes de rendimentos constante no item 2 da Intimação 358/2007 (fls. 370/371), esclarecendo que lhe foi assegurado pela Solução de Consulta SRRF/5 RF DISIT NO 19/2004 (FLS. 420/423) o direito à utilização dos registros contábeis das retenções efetuadas na fonte por órgãos públicos ou entidades da administração pública federal como documentação hábil para respaldar a compensação de tributos. Em função da referida permissão, foi anexado ao processo apenas o relatório de fls. 424/607, no qual figuram os números de CNPJ das fontes pagadoras, as datas dos eventos, os rendimentos recebidos assim como os valores do imposto de renda na fonte. Cumpre transcrever, por oportuno, o teor da conclusão integrante da decisão n° 19/2004, proferida pela DISIT SRRF 5a RF no processo de consulta n° 10580.002015/200414: "Ante o exposto, concluise que se o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção ao de que trata o artigo 28 da IN SRF n° 306, de 2003, a compensação dos valores retidos poderá ser respaldada pelos registros contábeis da consulente, acompanhados de nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora." Fl. 812DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 813 3 Tal dedução amparouse no disposto no artigo 923 do Decreto no 3.000/1999 que dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No entanto, a empresa limitouse apresentar o relatório de fls. 424/607 ao qual não pode ser atribuído o tratamento de livro fiscal e que não tem o condão de certificar a efetiva retenção na fonte dos valores nele consignados já que, contrariamente à recomendação contida na Solução de Consulta, não está acompanhado das faturas dos serviços prestados e da comprovação dos valores depositados pelas fontes pagadoras. Por conseguinte, face à impossibilidade de se determinar, de modo inconteste, a legitimidade dos valores constantes no referido relatório, considerarseá para efeito de apuração do crédito a compensar neste processo tão somente as retenções efetivamente corroboradas pelas DIRF de fls. 214/305. O documento de fl. 214 no qual figura o resumo das retenções na fonte sobre rendimentos pagos à interessada durante o ano calendário de 2002 revelou a seguinte situação, no tocante aos códigos 6147 e 6190: CÓDIGO DE RECEITA VALOR DO RENDIMENTO DECLARADO VALOR RETIDO NA FONTE ALÍQUOTA TOTAL ESTABELECIDA PELA LEGISLAÇÃO ALÍQUOTA ESPECÍFICA PARA O CÁLCULO DO IRPJ 6147 9.023.694,28 524.281,54 5,85% 1,2% 6190 470.581,20 27.503,82 9,45% 4,8% TOTAL 9.964.856.68 551.785,36 Conquanto o mencionado resumo evidencie que o valor de R$ 470.581,20 referese integralmente ao código 6190, cuja alíquota total é de 9,45% (IRPJ 4,8%, CSLL 1%. PIS 0,65% E COFINS 3%), as DIRF detalhadas de fls. 322/361 atestam que a alíquota média utilizada foi de 5,85%, aplicável ao código 6147 (IRPJ 4,8%, CSLL 1%, PIS 0,65%) e COFINS 3%). Configurase, portanto, o equivoco de algumas fontes pagadoras no preenchimento das DIRF já que foi informado o código de receita 6190 em lugar de 6147, como seria correto. Tal inconsistência reflete diretamente nos créditos compensáveis, porquanto a alíquota do IRPJ é de 1,2% para o código 6147 e 4,85% para o código 6190 consoante estabelecido pelo Anexo I da Instrução Normativa SRF/STN n° 23/2001 (fls. 608/609). O crédito resultante das retenções efetuadas por órgãos públicos a compensar neste processo foi demonstrado no Anexo II deste Despacho Decisório, devendose esclarecer que: 1.1. foram mantidas no código 6190 apenas as retenções oriundas das fontes pagadoras de CNPJ n° 00.059.311/003907. 00.394.452/001177, 00.394.502/012231 e 26.689.350/001783 para as quais foi utilizada exatamente a alíquota de 9,45% cuja parcela do IRPJ corresponde a 4,8%. 1.2. aos valores informados com o código de receita 6190 (9,45%) e para os quais foi aplicada a alíquota fixada para o código 6147 ou de valor a ela aproximado (5,85%>) foi atribuído o código 6147, tendo sido a parcela concernente ao IRPJ determinada mediante utilização da alíquota de 1,2%; 1.3. por não terem sido detectadas divergências relevantes nas alíquotas utilizadas foi Fl. 813DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 814 4 mantido o código 6147 para as demais fontes pagadoras cujos rendimentos pagos perfazem o total de R$ 9.023.694,28. Em função da comprovação parcial das retenções sobre rendimentos pagos por órgãos públicos, a parcela a compensar foi reduzida de R$149.128,18 para R$113.999,44, tendo sido efetuada a glosa dos valores não corroborados por DIRF no total de R$35.128,74. (...) (original sem grifos) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório (fls. 638 a 641) com as seguintes razões de defesa: Assevera que os valores retidos nas operações com órgãos públicos deveriam ser informados na DIRF pelas referidas instituições e fornecidos à COELBA o comprovante anual de rendimentos, demonstrando os valores pagos e as respectivas retenções. Reclama que nem todos os órgãos públicos cumprem essa obrigação acessória, motivo pelo qual a contribuinte procedeu consulta à Receita Federal sobre a possibilidade de suprir essa faltas através da apresentação de relatórios e/ou comprovantes de escrituração contábil. Informa que a Solução de Consulta SRRF 5ª RF DISIT N. 19/2004 ratificou as disposições legais que permitem a compensação dos valores retidos à medida em que ocorressem, e, em decorrência da dificuldade em receber o citado comprovante de rendimentos, a COELBA poderia comprovar as referidas retenções através de registros contábeis e dos documentos que comprovem a operação realizada e correspondente retenção na fonte. Argumenta que a COELBA é a única concessionária de serviço público de energia elétrica do Estado da Bahia e que o contingente de contas emitidas para consumidores da classe do poder público federal é de cerca de 2.400 ao mês e que diante de expressiva quantidade, é inviável anexar as contas em um processo administrativo e que a SRF teria dificuldade em analisar e manusear tal quantidade de documentos. Propõe que a SRF poderia suprir esta dificuldade recepcionando a comprovação através de arquivos magnéticos, já que a COELBA dispõe de todos os registros de faturamento e arrecadação, inclusive com indicação das retenções que serão realizadas. Anexa alguns cópias das notas fiscais de conta de energia emitidas por órgãos públicos federais, relativas ao anocalendário de 2002, que comprovariam algumas retenções de fonte ocorridas. Sugere que se houver necessidade de verificação documental das retenções, poderá ser realizada por amostragem a partir dos relatórios que elencam os consumidores que procederam a retenção na fonte. Reclama que a COELBA não poderá ser penalizada pela negligência das fontes pagadoras, que não cumprem com as obrigações acessórias determinadas na lei: declarar corretamente na DIRF os rendimentos pagos e enviar os comprovantes aos beneficiários do rendimento. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 815 5 Requer a reforma do Despacho Decisório para homologação do crédito pleiteado e, alternativamente, propõe a comprovação das retenções efetuadas mediante arquivos magnéticos e/ou prova documental por amostragem, de modo a demonstrar a validade do valor retido pelos entes públicos federais. A DRJ/SDR, através do acordão 1518.994 2ª Turma da DRJ/SDR, em 22 de abril de 2009, rejeitou os argumentos, indeferindo o pedido de reconhecimento do crédito pleiteado, in verbis: “Assim, não tendo o sujeito passivo comprovado, na presente fase processual a retenção do imposto de renda na fonte, segundo o entendimento exposto na solução de consulta, ou seja, não apresentou nota fiscal ou fatura justamente com a comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, acolho os argumentos da autoridade administrativa e indefiro e pedido de reconhecimento do crédito pleiteado”. A contribuinte, cientificada em 11/09/2009, interpôs tempestivamente recurso voluntário em 06/10/2009 (proc. fls 717722), contra a glosa de R$35.128,74 no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, dizendo tratarse da única concessionária de serviço público de energia elétrica no estado da Bahia e que a glosa referese ao IRRF retido pelos próprios órgãos públicos. Argumenta que obteve resposta em solução de consulta à SRRF 5ª RF/DISIT N. 19 DE 29 DE MARÇO DE 2004 – processo n. 10580.002015/200414. Ementa: COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO FORNECIDO POR ÓRGÃO OU ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. AUSÊNCIA. Na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos. Dispositivos Legais: art. 64 da Lei n. 9430, de 1996; art. 5º e 28 da IN SRF N. 306, de 2003 art. 923 do Decreto n. 3000, de 1999. Reclama que a 2ª Turma de Julgamento silenciou quanto ao seu pedido onde se dispôs a apresentar, além do relatório, toda a documentação requerida, através de meio magnético e fiscalização por amostragem, de forma a comprovar o seu direito a crédito. Reafirma que se a administração recepcionar sua comprovação através dos arquivos magnéticos poderá conferilas e aponta a alternativa da fiscalização por amostragem, citando que este método já foi utilizado e 10 outros PER/DCOMPs, os quais cita os números. Por fim, pede a reforma do acórdão recorrido para que seja julgado inteiramente procedente, a fim de “autorizar a comprovação das retenções efetuadas por entes públicos federais por meio de arquivos magnéticos e/ou prova documental por amostragem, determinando, para tanto, a conversão do presente feito em diligência, com a conseqüente remessa do processo à primeira instância para o fim de que seja reaberta a fase instrutória”. O recurso foi recebido pela 1a Câmara 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, considerando os argumentos expendidos pela recorrente, conforme relatório de fls. (proc. 739 a 742), em sessão de julgamento ocorrida em Fl. 815DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 816 6 22/02/2011, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator: Considerando os argumentos expendidos pela recorrente, conforme transcrito no relatório, tanto na fase impugnatória quanto na fase recursal, sugiro aos meus pares a conversão do julgamentos em diligência para que seja atendido o pedido da recorrente de ver analisado a correção dos lançamentos oferecidos, na fase instrutória, conforme relatório de flsl. 424/607, os quais fazem remissão as notas emitidas e as correspondentes retenções. Não vejo onde se encontra o óbice da análise dos documentos oferecidos por meio magnético, se espelharem a realidade dos fatos. Por isso entendo que a autoridade poderá checar os 28.620 documentos, por critérios estatísticos consistentes e confirmar, ou não, as informações expedidas ao longo de todos os momentos processuais. Entendo salutar esta medida, também diante das inconsistências apontadas pela própria autoridade lançadora como acima anotado, no que tange à apropriação dos percentuais de retenção e seus respectivos códigos, sendo possível, inclusive erros nessas informações nas DIRFS apresentadas pelas fontes tomadores. Após, relatório circunstanciado será elaborado e dele seja colhida a ciência da Contribuinte para que a mesma se pronuncie, em achando necessário. Sugestão que submeto aos meus pares, neste ato. Em atendimento ao pedido de diligência, através do Termo de Diligência n. 427/2012, a autoridade fiscal solicitou à contribuinte: · Documentação contábil que permita aferir o valor do IRFonte efetivamente retido pelas seguintes entidades: CNPJ ENTIDADE 00.375.972/000756 SUPERINTEND.ESTADUAL DA BAHIAINCRA/SR05 00.394.452/025785 4ª. COMPANHIA DE GUARDA 00.394.452/032994 6º. DEPOSITO DE SUPRIMENTO 00.394.460/009360 DELEGACIA DA REC.FEDERAL EM F. SANTANA/BA 00.394.502/018000 DEPOSITO NAVAL DE SALVADOR 00.396.895/002411 DELEGACIA FEDERAL DE AGRICULTURABA 00.402.552/000126 COMISSAO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR 00.855.923/000125 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SANTA INES 02.030.715/001860 AGENCIA NACIONAL DE TELECOMUNICACOESBA 16.132.623/000158 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CATU 29.979.036/002518 AGENCIA DA PREVIDENCIA SOCIAL EM JEQUIE 29.979.036/003751 AGENCIA DA PREVID. SOCIAL EM ESPLANADA 33.004.300/000360 COMISSÃO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.004.300/015553 COMISSAO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.004.300/016282 COMISSÃO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.787.094/000735 DEPARTAMENTO REGIONAL NORDESTE (IBGE) 37.115.367/001132 DELEG. REG. DO TRAB/BA · Planilha em meio magnético contendo todos os valores de IRPJ retidos na fonte por órgãos ou entidades da Administração Pública Federal, relativamente ao anocalendário 2002. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 817 7 A empresa apresentou em 27/08/2012 a resposta ao pedido de documento (fl. 754), fazendo acompanhar por documentos que comprovam o valor do IR fonte efetivamente retido, sendo parte em arquivo magnético e parte impresso, das seguintes empresas: CNPJ ENTIDADE 00.375.972/000756 SUPERINTEND. ESTADUAL DA BAHIAINCRA/SR05 00.394.452/032994 6º. DEPOSITO DE SUPRIMENTO 00.396.895/002411 DELEGACIA FEDERAL DE AGRICULTURABA 00.402.552/000126 COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR 00.855.923/000125 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SANTA INES 02.030.715/001860 AGENCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕESBA 16.132.623/000158 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CATU 26.689.350/001783 FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAUDE 29.979.036/002518 AGENCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL EM JEQUIE 33.787.094/000735 DEPARTAMENTO REGIONAL NORDESTE 37.115.367/001132 DELEG. REG. DO TRAB/BA Observou que não existe em seus registros a retenção de imposto das demais entidades solicitadas, esclarecendo que essas retenções não foram contempladas no saldo negativo de IRPJ da Coelba para o ano calendário de 2002, nem foram objeto de compensação. Juntou planilha em meio magnético contendo todos os valores de IRPJ retidos na fonte por órgãos ou entidades da Administração Pública Federal do ano calendário de 2002. A Informação Fiscal n. 224/2012, de 19/10/2012, preliminarmente aponta que: · A auditorafiscal que julgou as PER/DCOMPS originalmente, identificou inconsistências na DIRFs dos seguinte órgãos públicos CNPJ ENTIDADE 00.059.311/003907 FUNAI – EUNAPOLIS 00.375.972/000756 SUPERINTEND.ESTADUAL DA BAHIAINCRA/SR05 00.394.452/001177 BATALHÃO DE CAÇADORES 00.394.452/025785 4ª. COMPANHIA DE GUARDA 00.394.452/032994 6º. DEPOSITO DE SUPRIMENTO 00.394.460/009360 DELEGACIA DA REC.FEDERAL EM F. SANTANA/BA 00.394.502/012231 DELEG. CAPITANIA PORTOS ILHEUS 00.394.502/018000 DEPOSITO NAVAL DE SALVADOR 00.396.895/002411 DELEGACIA FEDERAL DE AGRICULTURABA 00.402.552/000126 COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR 00.855.923/000125 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SANTA INES 02.030.715/001860 AGENCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕESBA 16.132.623/000158 ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CATU 26.689.350/001783 FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAUDE 29.979.036/002518 AGENCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL EM JEQUIE 29.979.036/003751 AGENCIA DA PREVID. SOCIAL EM ESPLANADA 33.004.300/000360 COMISSÃO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.004.300/015553 COMISSÃO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.004.300/016282 COMISSÃO EXEC. DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA 33.787.094/000735 DEPARTAMENTO REGIONAL NORDESTE (IBGE) 37.115.367/001132 DELEG. REG. DO TRAB/BA · Para atender à autoridade julgadora do CARF, a unidade de origem iniciou a diligência requerendo o fornecimento de documentação contábil relativas aos 21 (vinte e um) CNPJs que apresentavam inconsistências, assim como uma listagem, em meio digital, de todas as notas fiscais de energia elétrica emitidas para órgãos públicos em 2002. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 818 8 · Que as notas fiscais fornecidas pela contribuinte mostram que a Coelba controla o faturamento mais pelo número do contrato e menos pelo CNPJ ou endereço do cliente, citando o exemplo do Ministério da Agricultura e Abastecimento – CNPJ 33.004.300/016100 para o qual são faturados dezenas de contas (contratos), relativos a estabelecimento da Ceplac e da Conab espalhados por todo o estado da Bahia, incluindo Ilhéus, Itaberaba, Ribeira do Pombal, Itabuna, Uruçuca, Itajupe, Eunápolis, Itamarajú, Irecê e muitos mais. · Em várias contas emitidas pela Coelba para outros clientes sequer consta o número do CNPJ do cliente. · Em face destas ocorrências o número do CPNJ não constitui elemento confiável para o estabelecimento de critérios objetivos de auditoria, já que é impossível confrontar as DIRFs, que usam o número do CNPJ como elemento de identificação com as notas fiscais, que usam o número de contrato como referência. · A planilha fornecida pela Coelba aponta mais de 10.500 registros, relativos a cerca de 150 clientes e que cada registro indica retenções do código 6147. · O total do IRPJ retido na planilha é de R$191.885,35 enquanto que o valor das retenções na fonte indicadas na DIPJ é de R$149.128,18. · A respeito da inconsistência dos valores, a empresa alegou que somente utilizou parte dos valores na DIPJ e que não representou nenhum prejuízo ao fisco. · Na impossibilidade de a Coelba apontar exatamente qual universo de documentos a auditar, seria impossível verificar a regularidade das retenções por técnicas de amostragem. · Alega que “a única forma possivel de se fazer essa verificação com exatidao seria somar os originais físicos das Notas Fiscais de Energia, um após o outro, cumulativamente, até inteirar o valor de IRPJ indicado na DIPJ”. Descarta a apuração do crédito com base em amostragem de documentos, alegando que “não é razoável supor que o Fisco deva se encarregar de trabalho manual de tamanha magnitude apenas porque o contribuinte não tem condições técnicas de fornecer os elementos indispensáveis às necessidades das boas técnicas de auditoria”. · Relata não ser possível nem examinar diretamente as notas fiscais de grande maioria dos órgãos retentores nem realizar batimento direto entre DIRFs e Notas Fiscais, já que nenhum dos dois métodos seria capaz de fornecer resultados exatos. · Afirma que o uso do CNPJ, “é a única maneira defensável de apurar o valor de crédito a que a Coelba tem direito. Não resta, destarte, outra opção a este Auditor Fiscal que não a de manter os cálculos realizados pela ilustre julgadora original ajustando com os resultados da análise documental feita a seguir”. Da análise documental, a Informação Fiscal consta que: · A Coelba informa que possui registros contábeis de apenas parte dos 21 (vinte e um) CNPJs antes referidos, e destes, apresentou apenas uma parte das notas (em papel e meio magnético). Fl. 818DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 819 9 · As retenções de alguns órgãos foram consideradas inicialmente, porém, face a não comprovação, inclusive por não constarem em algumas delas, número de CNPJ, não foram incluídas nos cálculos, totalizando R$2.699,63. · Para os demais CNPJ cujas notas fiscais/faturas/contas de energia apresentadas foram somados individualmente os valores de retenção na fonte e apurado o valor do crédito de IRPJ utilizando o percentual de 1,2%, mesmo percentual utilizado na planilha eletrônica fornecida pela própria empresa. · Contatouse que estes valores não coincidem com os originalmente apurados pelo SEORT, sendo glosado o valor de R$2.703,06. · Que o resultado do procedimento fiscal de diligência gerou uma glosa global de R$5.402,69, reduzindo o valor originalmente deferido de R$113.999,14 para R$108.596,45 e o crédito total, de R$14.579.693,19 para R$14.574.290,50. A contribuinte foi cientificada em 07/11/2012 (fl. 780) e em 22/11/2012 apresentou a sua manifestação para encaminhamento ao CARF (fls. 782 a 788) onde repisa argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Reclama que “a despeito da determinação proferida pela Ilma. Julgadora, a autoridade fiscal limitouse a concluir pela impossibilidade de realizar tal diligência, (...)”. Afirma que a ordem para realizar a diligência foi desatendida “Em outras palavras, diante do volume de documentos a serem analisados, o Ilmo. Auditor fiscal entendeu que poderia se abster de realizar o levantamento com base na vasta documentação disponível, dispondo que tal levantamento deveria ser feito pelo contribuinte. Acontece que a Ilma. Julgadora determinou expressamente que tal levantamento deveria ser realizado pela autoridade fiscal, ou seja, tal ordem foi simplesmente desatendida.” Argumenta que a autoridade fiscal não poderia ter se esquivado de realizar diligência imposta pelo órgão julgador, ferindo o direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Destaca que apresentou planilhas demonstrando que foi retido o total de R$191.885,35, montante superior ao crédito de R$149.128,18, indicado na DIPJ, valor este reconhecido pelo próprio fiscal. Adverte que não tendo o levantamento sido aceito pela autoridade fiscal, seria imprescindível que fosse verificada a documentação do contribuinte posta à disposição em meio magnético, apta a comprovar os números indicados. Reclama da glosa de R$5.402,69, além da glosa inicial de R$35.128,74, apontada na decisão de primeira instância administrativa e acresce que o levantamento para a glosa foi feito com base no CNPJ, da mesma forma procedida na decisão recorrida. Lembra que o próprio fiscal reconheceu que o método baseado no CNPJ “não constitui elemento confiável para o estabelecimento de critérios objetivos de auditoria, já que é impossível confrontar as DIRFS – que usam o CNPJ como elemento de identificação – com Notas Fiscais – que usam o número do contrato como referência”. Confirma que, como Fl. 819DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 820 10 reconheceu o próprio fiscal, a COELBA controla seu faturamento mais pelo número do contrato do que pelo CNPJ do cliente. Alega que a adoção do método adotado pelo Fiscal afronta o princípio da verdade material que deve reger o procedimento administrativo tributário, apontando ser imprescindível que tivessem sido analisados os documentos disponíveis pela contribuinte em meio magnético, os quais comprovam o direito à integralidade do crédito tributário perseguido pelo contribuinte. Ressalta que sequer foi abordado pelo fiscal na informação fiscal, o empreendimento da fiscalização por meio de amostragem, a partir das confrontações de parte dos documentos fiscais com os relatórios que elencam os consumidores que procederam à retenção na fonte. Elenca 10 (dez) PER/DCOMP, que alega serem idênticos ao caso ocorrido onde foram utilizadas as alternativas da amostragem. Requer que a devolução dos autos para que a diligência fiscal seja realizada por completo, inclusive com base na análise de toda a documentação disponível em via magnética, ou por meio de amostragem. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 821 11 VOTO Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI A informação fiscal 224/2012 da DRF Salvador SEORT, relata que foram iniciados os procedimentos de diligência intimando a contribuinte a apresentar a documentação contábil relativa aos 21 CNPJs que apresentavam inconsistências, assim como uma listagem, em meio digital, de todas as Notas Fiscais de Energia Elétrica emitidas para os órgãos públicos no anocalendário sob análise. O contribuinte apresentou documentos (parte em arquivo magnético e parte impresso) de somente 9 (nove) empresas, informando que não possui registros de retenção de impostos das demais entidades solicitadas e que essas retenções não foram incluídas no saldo negativo de IRPJ da Coelba no ano calendário 2002, nem foram objeto de compensação. A informação fiscal relata problemas de auditoria, por exemplo, ao menos no que diz respeito aos órgãos públicos, que a Coelba controla seu faturamento mais pelo número do contrato do que pelo CNPJ ou endereço do cliente. Cita ainda como exemplo o Ministério da Agricultura e Abastecimento, CNPJ 33.004.300/016100, para o qual são faturados dezenas de contas (contratos) relativas a estabelecimentos da Ceplac e da Conab espalhados por todo o estado da Bahia, incluindo Ilhéus, Itaberaba, Ribeira do Pombal, Itabuna, Uruçuca, Itajupe, Eunápolis, Itamarajú, Irecê entre outros. Acrescenta que em várias das contas emitidas pela Coelba sequer consta o número do CNPJ do cliente. Acrescenta que o número do CNPJ não constitui elemento confiável para o estabelecimento de critérios objetivos de auditoria, já que é impossível confrontar as DIRFs – que usam o CNPJ como elemento de identificação – com Notas Fiscais – que usam o número de contrato como referência. O problema relatado é bem conhecido, por isso a necessidade de a contribuinte comprovar com documentos idôneos e contabilidade, os valores que estão sendo requeridos para compensação. Por sua vez, a contribuinte, em sua manifestação à informação fiscal afirma que “ ... o procedimento fiscal aqui combatido indicou uma glosa adicional de R$5.402,69, além da glosa de R$35.128,74 apontada na decisão de primeira instância administrativa. Tal levantamento foi feito da mesma forma procedida na r. decisão recorrida, ou seja, com base no uso do CNPJ”. Em verdade, os elementos reunidos nos autos não permitem concluir sobre a consistência dos valores solicitados para compensação não sendo possível negar ou reconhecer o direito à contribuinte. De forma alguma impõese que a Recorrente seja penalizada pela negligência das fontes pagadoras, porém, a contribuinte deve apresentar contabilidade e documentos que permitam a conferência dos valores requeridos, como conclui a solução de consulta SRRF 5ª RF DISIT N. 19/2004: “Na hipótese de o órgão público ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos”. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.901309/200692 Resolução nº 1101000.092 S1C1T1 Fl. 822 12 Pelas razões expostas, ciente da dificuldade apresentada pelo auditor fiscal para efetuar a conferência nota por nota, devido ao grande volume, e da contribuinte em juntar todas as notas em papel ao processo, meu voto é no sentido de converter o julgamento para realização de nova diligência a fim de que a contribuinte seja intimada a confrontar os dados da sua planilha com a contabilidade da empresa, comprovandoos ao auditor fiscal. O auditor fiscal, utilizando as técnicas de auditoria por amostragem, após a comprovação contábil poderá selecionar os lotes que a contribuinte deverá comprovar com as notas fiscais, seja em meio material ou magnético, desde que permitam a confrontação dos valores registrados com as notas emitidas. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado das verificações promovidas e do resultado alcançado, cientificandoo à interessada e reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, após o qual os autos deverão retornar a este Conselho (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 822DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11020.912250/2009-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 50 /2 00 9- 19 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 2 a 61, transmitida em 29/09/2006, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 6.126,87, pago em 14/11/2003) a título de Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 3.001,46) com débito de R$ 3.799,00 relativo a IPI (período de apuração maio/2006) e com débito de R$ 892,12 a título de Cofins nãocumulativa (ref. maio/2006). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 7 (emitido em 24/08/2009, com ciência em 15/09/2009, conforme documento de fls. 9), acusase que o pagamento (DARF de R$ 6.126,87) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 12 a 21), alega a empresa que: (a) não implementou a exclusão prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (referente a valores transferidos a para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras editadas pelo Poder Executivo), tendo recolhido tributos a maior em função disso; (b) a referida norma é autoaplicável; e (c) aplicase ao caso o disposto no art. 66 da Lei no 8.383/1991, “visto que a empresa pretende compensar os valores vencidos com as próprias contribuições objeto do litígio”. Em 09/03/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 36 a 39), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver qualquer documento comprobatório do direito creditório. O julgador afirma ainda que o inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até sua revogação pela MP no 1.991/00 (como endossa o Ato Declaratório SRF no 56/2000), e que o crédito pleiteado no presente processo se refere a período posterior inclusive a tal revogação. Cientificada da decisão de piso em 19/03/2012 (AR à fl. 42), a empresa apresenta recurso voluntário em 18/04/2012 (fls. 43 a 54), tratando de temas que sequer são objeto de questionamento no processo (como arrolamento de bens, habilitação para compensação, inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/1988 e no 2.449/1998, semestralidade da base de cálculo e exclusão da multa aplicada). No mérito, não discute a fundamentação adotada pela DRJ para o indeferimento, nem apresenta qualquer documento comprobatório do crédito que indica possuir. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.912250/200919 Acórdão n.º 3403002.380 S3C4T3 Fl. 60 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alegava originalmente que o crédito decorria da não utilização da faculdade prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, dispositivo por ela entendido como auto aplicável. Contudo, em sede de recurso voluntário parece tratar de tema diverso, afirmando, por exemplo, que (fl. 53): “Conforme restou amplamente demonstrado, a Impugnante (sic) tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS (sic) decorrentes (sic) dos Decretos inconstitucional (sic) 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. Há pouca coisa a se analisar, visto que a argumentação expressa no recurso voluntário não guarda pertinência com o analisado pelo órgão julgador de primeira instância. Resta assim repisar a questão referente à ausência de comprovação do direito creditório expressa em primeira instância. Tendo em vista ter sido o despacho denegatório inicial exarado de forma eletrônica, teve o julgador de primeira instância a cautela de buscar, fundado na verdade material, o alcance da argumentação da então impugnante sobre a discussão jurídica em torno do comando do inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, concluindo que ainda que houvesse documentação comprobatória do direito, não seria procedente o argumento da autoaplicabilidade do referido dispositivo legal. E ainda que fosse procedente tal argumento, os créditos em discussão no presente processo são referentes a período posterior à revogação do citado comando legal. Não tendo sido agregado pela recorrente elemento destinado a refutar o expresso pelo julgador a quo, nem qualquer prova ou mero indício do direito creditório, não há como acolher o pleito de compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. É de se destacar adicionalmente que esta Terceira Turma, em casos semelhantes, da mesma recorrente, decidiu recentemente de forma unânime pela não acolhida das compensações, em face da ausência de comprovação do direito creditório2. 2 Acórdãos n. 3403002.237, 3403002.238, 3403002.239, 3403002.240 e 3403002.241. Relator: Antonio Carlos Atulim. Unânimes. Sessão de 23/05/2003. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 37216.000953/2007-37
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REVISÃO. ARTIGO 149, CTN.
A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação.
NULIDADE
Na forma do art 61 do Decreto 70.235/72,: A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Cumpre subsidiariamente observar o preceituado no artigo 53 da Lei 9.784/99 quando prevê que ; A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio De Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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NORMAS PROCEDIMENTAIS. REVISÃO. ARTIGO 149, CTN. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. NULIDADE Na forma do art 61 do Decreto 70.235/72,: “A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Cumpre subsidiariamente observar o preceituado no artigo 53 da Lei 9.784/99 quando prevê que ; “ A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 09 53 /2 00 7- 37 Fl. 6745DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio De Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 6746DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Compondo o Acórdão da decisão de primeira instância, o i. Julgador “ ad quod” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado , com grifos de minha autoria , o transcrevo na íntegra : “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.007.3134, consolidado em 19/05/2006), no valor de R$ 1.450.756,20, acrescidos de juros e multa, referente às competências 04/1999 a 12/2002, inclusive décimo terceiro salário, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 72/92), referese às contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento das aposentarias especiais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que exercem funções as quais, conforme Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho, sujeitamse à cobrança da contribuição adicional, em virtude da exposição a agentes nocivos no meio ambiente de trabalho com níveis de concentração acima dos limites de tolerância estabelecidos. DA IMPUGNAÇÃO 2. A empresa, inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada pessoalmente em 22/05/2006, apresentou impugnação, tempestivamente, protocolada sob nº 37216.000962/200647 em 06/06/2006 (fls. 166/185), alegando em síntese: 2.1. A tempestividade da impugnação; 2.2. A decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de abril de 1999 a abril de 2001; 2.3. A ilegitimidade do arbitramento. Somente depois de esgotado o exame de todos os elementos de prova dos quais o contribuinte disponha é que a autoridade fiscalizadora pode lançar mão do arbitramento; 2.4. A impugnante dispõe de elementos capazes de comprovar a sua correção no pagamento da contribuição previdenciária, que serão oportunamente apresentados em perícia desde já requerida; 2.5. A exigência da especificação dos EPC e dos EPI no LTCAT somente surgiu na IN 70 de 10/05/2002, determinando que o LTCAT deveria ser elaborado de acordo com a IN 57 de 11/10/2001; Fl. 6747DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 2.6. À época da elaboração dos referidos LTCAT estavam em vigor a OS INSS/DSS 600 e a OI INSS/DSS 010, que não exigiam tal formalidade; 2.7. A obrigatoriedade para que o PPP fosse feito para todos os trabalhadores no momento da sua demissão somente surgiu com a IN 99 de 05/12/2003. No período abrangido pelo lançamento foram feitos o SB 40 ou DIRBEN 8030 somente para os empregados que os solicitaram, de acordo com a legislação da época; 2.8. Apresenta documentos discriminados nas alíneas (i), (ii), (iii), (iv) e (v) do item 54; 2.9. Que a perícia se faz indispensável à elucidação da matéria, tendo em vista que o lançamento foi feito mediante arbitramento, pelo que requer demonstrar que no período lançado não expunha seus funcionários a agentes nocivos à saúde e à integridade física, de acordo com os quesitos anexos (fls. 186). DA DILIGÊNCIA 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento. Em resposta, às fls. 1890/1961, a auditorafiscal, após análise de toda a documentação juntada pela impugnante, conclui pela necessidade de retificação da presente NFLD. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO, DO RECURSO E DO ACÓRDÃO DO CRPS 4. Às fls. 1994/2004, consta a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0309/2007, que considerou o lançamento procedente em parte, com base no resultado da diligência. 5. Às fls. 2009/2029, a interessada interpôs recurso voluntário tempestivo direcionado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. 6. Em 03/12/2008, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que absorveu a competência do CRPS, em matéria de custeio, nos termos da Lei nº 11.457/2007, exara o acórdão de fls. 2103/2108, no sentido de anular a DecisãoNotificação, por violação ao contraditório, determinando o reinício do contencioso administrativo para ciência do Resultado de Diligência anterior à decisão de primeira instância. DA NOVA IMPUGNAÇÃO 7. Devidamente cientificada do Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes e do Resultado da Diligência de 16/01/2007, consoante Intimação e AR de fls.2116/2117, a interessada, interpõe, tempestivamente nova impugnação, às fls. 2118/2129, reiterando os argumentos da impugnação originária e alegando ainda: Fl. 6748DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 4 5 7.1. Que apresentou, em sua impugnação, diversos documentos comprobatórios de suas alegações e que visavam afastar o arbitramento realizado; 7.2. Que o arbitramento não é uma modalidade de lançamento, mas sim uma ferramenta para a efetivação do lançamento de ofício, devendo submeterse ao principio da verdade material; 7.3. Que a autoridade lançadora não deveria simplesmente ter desqualificado a documentação apresentada pela requerente e sim ter lhe dado tempo de buscar as provas de que, no período lançado, providenciou a devida proteção contra o risco de acidente de trabalho para os seus empregados; 7.4. Que no curto período para apresentação da impugnação, não conseguiu localizar toda a documentação comprobatória do seu efetivo gerenciamento do ambiente de trabalho, contudo, em nenhum momento se negou a fazêlo, tendo, inclusive, apresentado, ainda que, por amostragem, diversos documentos que demonstravam as medidas por ela adotadas, visando eliminar e controlar os agentes nocivos; 7.5. Que muitos documentos apresentados sequer foram analisados pela fiscalização que se limitou à verificação da documentação relativa à entrega de EPI’s, desconsiderando os demais documentos; 7.6. Que ante a ausência de análise de parte da documentação apresentada e da necessidade de realização de perícia, é evidente que deve ser julgado nulo o lançamento que não observou o principio da verdade material; 7.7. Que reitera a alegação contida na impugnação apresentada, de que os débitos relativos às competências de abril de 1999 a abril de 2001 já se encontravam extintos pela decadência quando da realização do lançamento, com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos débitos previdenciários, conforme Súmula Vinculante nº 08, do STF. 8. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.6662, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJO I, em 19 de dezembro de 2011, exarou o Acórdão n° 1243.121 concedendo provimento parcial à impugnação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 6.677, onde reiterou as razões de impugnação. Fl. 6749DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DAS PREJUDICIAIS DE NULIDADE De plano, é necessário destacar que em 19 de janeiro de 2005, na forma do registro de fls.126 a 146 procederamse a 15ª ALTERAÇÃO BC CONTRATO SOCIAL para o CNPJ n°. 02.773.629/000108. Na cláusula segunda, do referido documento aduz que a empresa estabelecida no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo teria este como seu foro: “ CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Av. Doutor Olívio Lira, 353, salas 1201 a 1216/1301 a 1316, Praia da Costa, município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, CEP 29.101950,que é seu foro.” Muito embora tal registro, a ação e autuação fiscal , sem justificativas no Relatório Fiscal, elegeu o CNPJ 02.773.629/003387 da filial com endereço à AV.RODRIGUES ALVES 261 275 PARTE CAI5 DO PORTO – RJ. Assim a justificativa para que o lançamento tenha sido feito no CNPJ da filial precisaria ficar esclarecida. DO LANÇAMENTO NO CNPJ DA FILIAL Pesquisa no sitio da Receita federal do Brasil, revela que a abertura desta filial ocorreu em 01/02/2002, considerando que o período da constituição do crédito ocorreu nas competências 01/02/1999 a 31/12/2002, é Nula, por impossível, impossível a imputação de créditos constituídos para fatos anteriores a abertura da filial. Neste sentido não se faz legítimo seu assento no pólo passivo da autuação em razão de eventuais contratos anteriores a sua existência. Ademais, muito embora os créditos discutidos tenham sido lançados em 07/07/2005 consta, também, no documento que a filial em comento fora BAIXADA do Cadastro da Receita Federal em 14/08/2008 extinta por liquidação voluntária. Assim, as eventuais pendências fiscais seriam de se exigidas do respectivo estabelecimento matriz. Fl. 6750DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 5 7 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 02.773.629/003387 FILIAL COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 01/02/2002 NOME EMPRESARIAL XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 14/08/2008 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Por ocasião da baixa da filial, vigiam os termos capitulados no inciso I do § 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB, n° 748, de 28 de junho de 2007, verbis: “ Art. 28. A baixa de inscrição no CNPJ, de matriz ou de filial, deverá ser solicitada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos de extinção: I encerramento da liquidação, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência; II incorporação; Fl. 6751DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 III fusão; IV cisão total; V elevação de filial à condição de matriz, inclusive: a) transformação em matriz de órgãos regionais de Serviço Social Autônomo; e b) transformação em matriz de unidades regionais ou locais de órgãos públicos; VI transformação de órgãos locais de Serviço Social Autônomo em filial de órgão regional; e VII transformação de filial de um órgão em filial de outro órgão. § 1º O pedido de baixa de entidade deverá observar o disposto no art. 8º. § 2º Para efeito de baixa de inscrição no CNPJ de filial, a verificação restringirseá à análise formal do ato registrado e as pendências fiscais serão exigidas do respectivo estabelecimento matriz. § 3º Será indeferido o pedido de baixa de inscrição no CNPJ de entidade para a qual constarem as seguintes situações: I débito tributário em aberto, parcelado ou com exigibilidade suspensa; No inciso I supra a exigibilidade suspensa, como no caso em comento, apesar do registro do § 2º do citado artigo, era motivo de indeferimento. Cumpre ressaltar que tradicionalmente, anterior a unificação das receitas, a baixa de empresa junto ao INSS sempre fora precedida do pedido de Certidão Negativa de Débito. Na época não se concedia a baixa de filial em relação à qual constasse pendência quanto à obrigação tributária principal ou acessória. Há questão pode não estar sendo trazida à colação pela Recorrente motivada por alguma estratégia processual que posterior ao trânsito em julgado nas instância administrativas sem que lhe tenha sido atribuído êxito, argüida em juízo é grande a possibilidade dos argumentos prosperarem tendo em vista que confirmandose a ocorrência de ato nulo este não terá convalescido. DA NULIDADE DO MPF. A matéria já fora enfrentada em sede de impugnação com arrazoado o qual tem minha anuência. Entretanto, referindome sobre outros aspectos dos MPFs, providenciei a planilha abaixo para elucidar questões relevantes na emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF. PROCESSO CNPJ MPF CIÊNCIA FLS EMISSÃO Fl. 6752DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 6 9 1 37216.000668/20063502.773.629/0033870919438513/10/2004 61 08/10/04 2 37216.000672/20060102.773.629/0033870919438513/10/2004 80 08/10/04 3 37216.000677/20062602.773.629/0033870919438513/10/2004 55 08/10/04 4 37216.000705/20061302.773.629/0033870919438513/10/2004 70 08/10/04 5 35301.006194/20056002.773.629/0033870919438513/10/2004 256 08/10/04 635301.007038/20060502.773.629/00338709194385 13/10/2004 80 04/10/04 737216.000671/20065902.773.629/00338709194385 13/10/2004 50 04/10/04 837216.000674/20069202.773.629/00338709194385 13/10/2004 110 04/10/04 937216.000953/20073702.773.629/00338709254533 05/08/2005 61 02/08/05 (1) Período 08/98 a 12/2002. Ressaltese que os processos numerados de 1 a 8 tiveram o período ago/98 a out. 2004 para proceder a ação fiscal.Todos foram 5 vezes prorrogados. É relevante notar que muito embora todos tivessem o mesmo número de identificação de – 09194385 – não foram emitidos nas mesmas datas. Registramse coincidentes os de número 1 a 5, em 08/10/04 e os numerados de 6 a 8, em 04/10/04. Nos termos de encerramento da Ação fiscal – TEAF consta que os procedimentos tiveram termo em 06/07/2005. Entretanto, para o processo número 9 acima descrito, emitiramse, em 02/08/2005 novo MPF – 09254533 para a mesma Autoridade Autuante proceder a verificação das mesmas rubricas dos mandados anteriores para o período 08/98 a 10/2004, desta vez contidas no período 08/98 a 12/2002 cujo encerramento ocorreu em 22/05/2006 conforme TEAF de fls.69. No sobredito MPF se registra que sua emissão obedecera os art. 1 ° e 3 ° , da Lei 11.098 de 13 de Janeiro de 2005 e não faz menção de que este estaria sendo emitido nos Moldes do previsto no art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN. DAS REVISÕES FISCAIS. Os Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs emitidos conforme planilha acima, definidos para analisar o período ago/98 a out. 2004 tiveram termo de encerramento realizado em 06/07/2005. Entretanto, como visto alhures, concluída as referidas ações fiscais, novo MPF fora emitido para ser executado pela mesma Auditora Fiscal para verificação dos mesmos fatos geradores de período contido nos MPFs anteriores. A nova ação desenvolvida nestes moldes caracterizou uma espécie de refiscalização para as competências já fiscalizadas no procedimento anterior . DO ART. 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. Analisando os autos, aduz que, na forma do que se determina no , inciso IX do artigo 149 do CTN a revisão ocorre : “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 6753DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Na Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, se observa nos § §1º e 2º do art. 588 que a revisão de lançamento de crédito previdenciário ocorrem nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN : Art. 588 (...) .1º A AFP poderá, a critério da autoridade competente, ser determinada com vistas a abranger períodos e fatos já objeto de ações fiscais anteriores § 2º Do procedimento fiscal realizado na forma do § 1º deste artigo, poderá resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito previdenciário nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN).” A instrução normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 DOU de 15/07/2005, que revogou a IN 100 acima citada, que mais tarde , também, seria revogada pela Instrução Normativa n 971, de 13 de novembro de 2009, não mencionou o § 2º do artigo 588 da instrução IN 100 revogada. Tal fato não impede o dever de se observar o artigo 149 omitido na instrução. DA JURISPRUDÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIO DE RECURSOS FISCAIS – CARF A jurisprudência deste Egrégio Conselho registra mansa comunhão de meu entendimento com as decisões então tomadas: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20600367 do Processo 36216001947200734 12/02/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004 NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida demonstração e comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte. REVISÃO DE LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÃ.ES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de Fl. 6754DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 7 11 forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. ( grifos de minha autoria) Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma Acórdão nº 40202922 do Processo 10680014973200329 28/01/2008 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 30/11/2002 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA AUTUAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. REVISÃO DE LANÇAMENTO. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL OMISSO. O Termo de Verificação Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DESISTÊNCIA VIA ADMINISTRATIVA. A existência de discussão judicial de matéria idêntica a objeto de exame na esfera administrativa implica na desistência tácita deste último contencioso a propósito de referido tema, conforme preceitos contidos no artigo 47, § 2º, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. REP negado e REC não conhecido ( grifos de minha autoria) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Quinta Câmara Processo 36624.009988/200503 Acórdão 20500.815 Data 03 de julho de 2008 Período de apuração: 01/19995 q 01/1999. Fl. 6755DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 Ementa: DECADÊNCIA. REFISCALIZAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. O lançamento somente pode ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos previstos na Legislação. Processo Anulado. ACORDAM os Membros da, Por maioria de votos, anular o auto de infração/lançamento na forma do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira que votou pela anulação da decisão de primeira instância. JULIO CESAR VIEIRA GOMESPresidente MARCELO OLIVEIRARelator ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 35301.000008/200741 Acórdão 240100.534 Data 19 de agosto de 2009 REVISÃO DE ACÓRDÃO. ACÓRDÃO NULO. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Nulidade do acórdão nº 2825/2005 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS. REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN AUSÊNCIA DE MOTIVO A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. Constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, o que acarreta a improcedência do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ACORDAM os membros da, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão nº 2825/2005 Fl. 6756DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 8 13 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, e em substituição, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Kleber Ferreira de Araújo. ” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 36204.000153/200792 Acórdão 240200.009 Data 9 de julho de 2009 Período de apuração: 01/09/2003 a 30/04/2005 REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN MOTIVAÇÃO AUSÊNCIA A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. PROCESSO ANULADO. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento. II) por maioria de votos, em declarar a nulidade por vício formal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa que decidiram votar pela anulação por vício material. MARCELO OLIVEIRA Presidente ANA MARIA BANDEIRA – Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente).” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Fl. 6757DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 Processo 36204.000152/200748 Acórdão 240100.049 Data 4 de março de 2009 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. MPF. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. REVISÃO DE LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA PARCIAL. INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. I Rejeita a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência do MPF. II O lançamento pode ser revisto exofficio, condicionandose a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN; III Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo Códex Tributário não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado e onde teria se constatado naquela oportunidade anterior não haver; IV Representa vício material à ausência de motivação quanto aos elementos de fato e de direito que autorizam o procedimento revisional; V É pacífico o entendimento de que os valores pagos a empregados ou contribuintes individuais a titulo de incentivo, encontrase abrangido pelo conceito de saláriodecontribuição, portanto, deve haver a incidência do tributo previdenciário ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para declarar a nulidade dos levantamentos correspondentes ao período compreendido entre as competências 04/2003 a 04/2005. II) Por maioria de votos, em declarar a nulidade dos levantamentos correspondentes ao período compreendido entre as competências 04/2003 a 04/2005 por vício material. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a nulidade por vício formal. III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; b) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ROGÉRIO DE LELLIS PINTO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 14485.000266/200746 Acórdão 240100.204 Fl. 6758DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 9 15 Data 7 de maio de 2009 REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN AUSÊNCIA DE MOTIVO A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. Não houve uma mera ausência de motivação, que acarretaria a ocorrência de nulidade de lançamento. Ao contrário, constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, o que acarreta a improcedência do lançamento ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão n.º 367/2007 proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 08/2000. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; II) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Conselheiro Elias Sampaio Freire, Redator Designado O CTN estipula os casos em que o lançamento pode ser efetuado e revisto de ofício, posto que consagrado é o princípio da inalterabilidade do lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo. Portanto, em princípio, ele se torna definitivo com a notificação regular, não podendo mais ser alterado pela autoridade administrativa, exceto nas hipóteses arroladas no Código Tributário. Leandro Pausen, (in Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, 5ª Edição, pág. 868/869), mencionando Francisco José Soares Feitosa leciona que: “Já o art. 149/CTN estipula os casos em que o lançamento será revisto, e somente nesses é que poderá um mesmo fato ser refiscalizado. A fiscalização, no demais casos, não poderá ser alterada, sob pena de violar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Ressalta que a imutabilidade do ato contém dupla proteção. Uma, ao contribuinte que tem a garantia de não ser perseguido pelo fisco, e, duas, ao funcionário que terá a validade de seu trabalho respeitada”. Fl. 6759DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Por certo o conceito de refiscalização, que consiste fiscalização que abrange períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, não se confunde com o de revisão do lançamento. A própria legislação infralegal, no caso, a Instrução Normativa SRP n.º 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época do lançamento, condicionava a constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrentes de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN (art. 570 e parágrafos), in verbis: “Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. § 1º A AFP poderá, a critério da autoridade competente, ser determinada com vistas a abranger períodos e fatos já objeto de ações fiscais anteriores. § 2º Do procedimento fiscal realizado na forma do § 1º deste artigo, poderá resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito previdenciário nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN).” Portanto, apesar de uma refiscalização poder ser determinada independente da efetiva constatação da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Em procedimento de refiscalização, a realização tanto de um novo lançamento como a revisão de lançamento necessitam de suporte fático e de direito em uma das hipóteses previstas no já aludido dispositivo legal. Há de se esclarecer que o motivo consiste na situação que levou a Administração Pública a praticar o ato. Já a motivação trata se da justificativa do pronunciamento ou da decisão adotada, onde se exprime de modo expresso as situações de fato de direito que levaram à Administração Pública a manifestar sua vontade. Nas palavras de Cláudio Brandão de Oliveira, in Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Impetus, 2002, p. 68.: “A motivação pode ser conceituada como sendo a exteriorização, por parte da Administração Pública das razões de fato e do fundamento de direito que foram levados em consideração para a materialização do ato. Através dela os particulares terão ciência do conteúdo do ato, deflagrando se for o caso, mecanismos de controle”. Ao meu ver não houve uma mera ausência de motivação, que acarretaria a ocorrência de nulidade de lançamento. Ao contrário, constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, conforme previstos no art. 149 do CTN, o que acarreta a improcedência do lançamento. Fl. 6760DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 10 17 Ademais, o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72 prevê expressamente que: “Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Diante de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO Nº 367/2007, e em substituição declarar a decadência até a competência 08/2000 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em ELIAS SAMPAIO FREIRE Redator Designado” ( grifos de minha autoria) DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O artigo 41, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, define que : “Art. 41. São deveres dos conselheiros, dentre outros previstos neste Regimento: (...) III observar o devido processo legal, assegurando às partes igualdade de tratamento e zelando pela rápida solução do litígio.” ( grifei) O princípio do devido processo legal assegura a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias constitucionais. Se no processo não forem observadas as regras básicas, ele se tornará nulo. O devido processo legal é considerado o mais importante dos princípios constitucionais, pois dele derivam todos os demais. Ele reflete em uma dupla proteção ao sujeito, no âmbito material e formal, de forma que o indivíduo receba instrumentos para atuar com paridade de condições com o Estadopersecutor. É um conceito de direito que busca uma adequação do processo à ritualística prevista, praticamente confundindose ao princípio da legalidade . DA NULIDADE Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Ademais o artigo 53 da Lei 9.784/99 preceitua que ; “ A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Assim, pelo que foi demonstrado, a ação fiscal ocorreu maculada de vício material. DA ECONOMIA PROCESSUAL Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 Diante da análise posta, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE em razão de a ação fiscal ter sido realizada maculada de VÍCIO FORMAL. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904051/2010-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 51 /2 01 0- 57 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A lide versa sobre a não homologação de compensação transmitida por meio de Per/Dcomp em 20/04/2007, pela via de despacho decisório eletrônico nº 880562976, exarado em 06/09/2010, cuja autoridade administrativa emitente analisando o limite de crédito originalmente informado (DARF), constatou não restar saldo credor disponível à satisfação da compensação intentada, posto que utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do próprio contribuinte. Manifestando a sua inconformidade em face do referido despacho a contribuinte argüiu sucintamente, que do referido crédito informado através de DARF foi detectado um pagamento indevido ou a maior, sendo tais valores compensados com débito de Cofins, apurado em março/2007. Conclusos foram os autos para apreciação pela 9a Turma de Julgamento da DRJ/CPS, que em sessão realizada em 07/12/2011, por meio do Acórdão nº 0536.228, proferiu decisão cuja síntese do entendimento vazado na ementa, adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumiu a decisão acima ementada que tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas, destarte faltando aos autos a comprovação da Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904051/201057 Acórdão n.º 3803004.463 S3TE03 Fl. 6 3 existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A interessada faz o registro em peça apartada a título de pedido de correção de erro material, esclarecendo que foi notificada por documento de nº 125/2012, que destoa do conteúdo do acórdão ora recorrido, ocasião em que requer o refazimento da mesma, com a devida reabertura de prazo para a interposição do recurso voluntário (protocolada em 07/03/2012). Cientificada da decisão de primeira instância por meio de AR em 13/02/2012, em face da mesma interpôs recurso voluntário em 14/03/2012, conforme registro em protocolo do órgão preparador estampado nos autos, para aduzir sucintamente: A recorrente identificou recolhimentos a maior ou indevidos de tributos federais e quantificou no DAR o seu respectivos valor, sendo que, a fundamentação jurídica desse indébito fiscal é: 1) o alargamento indevido da base de cálculo do PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento (art. 154, I e art. 195, I, § 4o; CF/88; art. 110, CTN; art. 2o, LC 70/91; e declaração de inconstitucionalidade pelo STF do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); 2) exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis (art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parág. Único, Lei 9.718/98; MP 1.99115/00, extinguiu a substituição tributária e instituiu o regime de incidência monofásica, posteriormente convertida na Lei 9.990/00; Lei 10.865/04, deu nova redação ao art. 4o da Lei 9.718/98, alterando as alíquotas antes previstas); e 3) exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. Compulsando os autos verificouse que a recorrente no momento de protocolização de sua manifestação de inconformidade não aduziu acerca das razões de direito que consubstanciaram à formação do crédito decorrente de pagamento indevido, nem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 tampouco juntou elementos de prova material com a finalidade de demonstrar a existência de saldo credor no montante correspondente aos débitos já informados à Receita Federal do Brasil, sendo esta a razão da não homologação da compensação declarada. Portanto as questões atinentes ao alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, da exclusão de valores da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, bem assim da exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, que se constituíram nas razões de defesa, somente vieram a lume por ocasião do apelo apresentado e, certamente, não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por conseguinte não obstante tenha a recorrente trazido ao debate nesta Corte matérias de direito a título de composição do indébito utilizado na compensação não homologada, a meu ver tais temas não podem ser objeto de pronunciamento por este colegiado, sob risco de dar azo a supressão de instância, eis que tais matérias são estranhas à decisão de piso, uma vez que não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por tal razão deixo de conhecer o recurso nesta parte. Assim o debate a ser realizado no âmbito deste colegiado não comporta discussão sobre matéria de direito, circunscrevendose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada, portanto a matéria de prova. A recorrente em nenhum momento carreou aos autos elementos materiais de prova, com robustez o suficiente a sustentar às suas razões de defesa, como também não logrou apontar em que tipo de irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Ante todo o exposto, em sede de preliminar, deixo de conhecer o recurso por inovação dos argumentos de defesa. É como voto. Sala de sessões, em 21 de Agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904051/201057 Acórdão n.º 3803004.463 S3TE03 Fl. 7 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15374.907842/2008-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 42 /2 00 8- 89 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 24672.12427.270904.1.7.040604 (fls. 03/07), transmitida em 27/09/2004, de débito de COFINS (cód. 5856), relativo ao período de apuração de fevereiro de 2004, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 12/04/2000, atinente ao Período de Apuração 31/12/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 08) emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 121), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 09/18), na qual alega, em síntese, que: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907842/200889 Acórdão n.º 3802001.724 S3TE02 Fl. 183 3 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em setembro de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A Recorrente, nas razões de fls. 133 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/04/2012 (fls. 131), interpondo recurso tempestivo em 22/05/2012 (fls. 133). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, de nossa relatoria, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907842/200889 Acórdão n.º 3802001.724 S3TE02 Fl. 184 5 apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso, verificase que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitouse a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação. Assim, devido à ausência de prova da liquidez e da certeza do direito creditório, votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923576/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2001
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997.
Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2001 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997. Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Recurso Voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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Recorrente MULTIPETRO COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2001 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997. Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 76 /2 00 9- 51 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio da Dcomp nº13896.40205.280406.1.3.048725. Na aludida Dcomp a contribuinte indicou um suposto direito creditório que adviria de um pagamento efetuado em 15/08/2003, sob o código 2172, no valor de R$ 2.938,67, para quitar um débito indicado nessa declaração. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, assim fundamentado: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados noPER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 21/07/2009, manifestação de inconformidade, na qual diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Consta dos autos despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade.” A DRJCuritiba/PR decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e não homologou o direito creditório pleiteado (efls 33/36), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/04/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, alegando, em síntese: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923576/200951 Acórdão n.º 3202000.907 S3C2T2 Fl. 48 3 que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade o alargamento da base de cálculo da Cofins, estbelecida no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, tendo sido reconhecida a repercussão geral da matéria, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Com isso, deve ser assegurado à contribuinte recolher a Cofins nos moldes da Lei Complementar nº. 70/91, razão pela qual os valores recolhidos indevidamente devem ser restituídos/compensados; que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a decisão proferida pelo STF, na sistema da repercussão geral, deve ser reproduzida pelo CARF; e que a Lei nº. 11.941/2009, em seu art. 7º, inciso XII, revogou o §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98. Ao final, requer seja homologada a compensação pleiteada. É o Relatório Voto Conselheira Relator Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de PER/DCOMP eletrônica apresentada pela contribuinte, à alegação de que possui créditos relativos ao recolhimento indevido da Cofins, referente ao período de apuração de 31/07/2001, no valor de R$ 2.938,67. Alega a recorrente que, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF em sede de repercussão geral, referente ao chamado alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, teria direito ao recolhimento daquela contribuição na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 70/1991, dispositivo anteriormente vigente à edição da referida lei. A DRJCuritiba/PR indeferiu o pedido da requerente ao argumento de que à autoridade julgadora administrativa seria defeso pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, utilizandose, para tanto, da Súmula CARF nº 02. Equivocase, entretanto, a autoridade julgadora. A questão dos autos não diz respeito a qualquer apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária por parte da autoridade julgadora administrativa. A inconstitucionalidade da lei já foi declarada pelo Poder competente para tanto, ou seja, pelo Poder Judiciário, por meio de seu órgão máximo, o STF. Não pretende, pois, a recorrente, o afastamento de lei tributária em razão de declaração de inconstitucionalidade por parte da autoridade administrativa. A declaração de inconstitucionalidade já existe e foi proferida pelo autoridade competente. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O que pretende a recorrente é que seja delimitado, pela autoridade julgadora administrativa, o exato alcance da declaração de inconstitucionalidade já proferida pelo STF, em sede de repercussão geral, o que é algo bem diverso do entendimento esposado no voto condutor do acórdão proferido pela DRJ. A própria autoridade de piso cita o dispositivo legal que lhe autoriza para tanto e perfeitamente aplicável ao caso em questão. Vejase: “É verdade que, sob certas condições, o julgador administrativo deve afastar a aplicação de norma inconstitucional. Estas condições, no entanto, são as que se encontram expressas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que dispõe: Art. 1.º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. (...) Art. 4.º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (grifouse). (negrito não constante do original) Equivocase a autoridade julgadora de base quando afirma que as decisões sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins foram proferidas pelo STF apenas em relação a casos específicos envolvendo partes específicas que não a contribuinte. A declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98 foi proferida em sede de repercussão geral reconhecida pelo STF, em sessão realizada em 10/09/2008, nos autos do RE 855235 QORG/MG, abaixo transcrita, tratandose de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, tendo sido, inclusive, estabelecida futura edição de súmula vinculante. Vejase: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923576/200951 Acórdão n.º 3202000.907 S3C2T2 Fl. 49 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (negrito não constante do original) Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ, a fim de que seja apreciado o pedido formulado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade, à luz da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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