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Numero do processo: 10880.979333/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/08/2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     2  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco  Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.    Relatório  Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que  transcrevo a seguir:  Trata o presente proCesso de Declaração de Compensação (fls.  01  e  02)  relativa  ao  pagamento  indevido  ou  maior  de  IRPJ—  cód.  2089,  no montante  de  R$  19,02,  ocorrido  em  30/08/2002,  com débito próprio de COFINS — cód. 2172.  A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005,  foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB  que  emitiu  o  Despacho  Decisório  de  fl.  03,  assinado  pelo  titular  da  unidade  de  jurisdição  da  requerente,  que  não  homologou  a  compensação  declarada por inexistência do crédito.  Segundo  o  Despacho  Decisório  o  pagamento  indicado  não  possui  saldo  disponível  para  compensação,  visto  que  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte.  Inconformado,  o  contribuinte  por  meio  de  seu  representante  legal,  impugnou  o  despacho  decisório  manifestando  a  sua  inconformidade às  fls. 07, na qual deduz as alegações a  seguir  discriminadas   A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de  cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos  ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras.  Por  força  do  artigo  2°  da Lei  n°  10.209/2001,  o  valor  do  vale  pedágio  não  é  considerado  receita  operacional  ou  rendimento  tributável  da  empresa  não  constituindo  base  de  incidência  de  contribuições social ou previdenciárias.  Portanto  os  valores  recebidos  a  titulo  de  pedágio  pela  Requerente,  obrigatoriamente  destacados  no  campo  especifico  do  conhecimento  de  transporte  rodoviário,  conforme  prevê  o  §  único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam  ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ.  Ocorre  que  por  desconhecimento  até  então  pela  Requerente  desse  fato,  os  valores  relativos  ao  pedágio  vinham  sendo  considerados  como  receita  da  empresa  e,  conseqüentemente,  incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ.  Tendo  tomado  conhecimento  da  não  incidência  dos  impostos  federais  sobre  os  valores  recebidos  a  titulo  de  pedágio,  a  Requerente  efetuou  levantamento  dos  valores  pagos  a  maior  relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição  conforme  PER/DCOMP  n°  27354.60733.141105.1.2.04­1485,  relativo  ao  período  de  apuração  mar/2002.  Nesse  período,  Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/2009­03  Acórdão n.º 1802­001.712  S1­TE02  Fl. 3          3 conforme  poderá  ser  constatado  pela  planilha  anexa,  foram  destacados  nos  conhecimentos  de  transporte  o  valor  correspondente  a  R$  1.584,60,  relativo  ao  pedágio,  valor  esse  que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto.  Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual  do  imposto  aplicado  sobre  a  diferença  acima  informada  corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela  Requerente.  A  5ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  (DRJ/São  Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 16­27.377, de 27 de  outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010.   A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  0  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL   Data do fato gerador:30/08/2002   DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  A mera alegação da existência do crédito,  desacompanhada de  elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do  débito decorrente de compensação não homologada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  em  14/01/2011  narrando  os  mesmos  fundamentos  aduzidos  na  manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repeti­los.  A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou  além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a  relação dos conhecimentos de  transporte onde os valores de pedágio  foram destacados  e  indevidamente considerados como  receita  operacional  da  empresa.  A  confirmação  de  que  os  valores  relativos  ao  pedágio  constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados  na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira  instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente.   Finalmente  requer  que  a  principio  o  julgamento  seja  transformado  em  diligência,  a  fim  de  que  sejam  devidamente  comprovadas  todas  as  alegações  da Recorrente,  para  ao  final  serem as  compensações  efetuadas  julgadas procedentes,  evitando a apropriação  indébita  pelo  estado  de  valores,  certamente,  indevidos  pelo  contribuinte. E por  ser  esta  uma  medida da mais plena JUSTIÇA  É o relatório.    Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     4  Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade  previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço.  O  presente  processo  tem  origem  no  PER/DCOMP  nº  28815.42372.241105.1.3.04­9118  (fls.01/02),  transmitido  em  22/11/2005,  em  que  a  contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 29,94, código 2172, relativo ao mês de  Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do  CSLL  no  valor  de  R$  19,02,  código  –  2372;  Período  de  Apuração:  30/06/2002;  Data  de  Arrecadação: 30/08/2002.   Consta do despacho decisório de  fl.03,  emitido  em 24/08/2009 que a partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PERDCOMP.  Contrapondo­se  ao  despacho  decisório,  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do  valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto  no  artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não  será  considerado  receita operacional ou  rendimento  tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias.   Apresenta  em  anexo  (fl.08),  uma  relação  de  conhecimentos  de  transporte  relativos ao período de apuração de março/2002 e respectivo valor do pedágio cujo total monta  a R$ 1.584,60.   Na  decisão  de  primeira  instância  a  manifestação  de  inconformidade  foi  julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque  constatado  que  o  recolhimento  indicado  como  fonte  de  crédito  (CSLL,  código  2372)  foi  utilizado  na  quitação  de  débito  confessado  em  DCTF  e  não  há  prova  nos  autos  de  que  os  valores  relativos  ao  pedágio  integraram  a  base  de  cálculo  da  CSLL  relativa  ao  período  de  apuração de março/2002, de modo a comprovar o alegado indébito tributário.   Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir:  ...  De  inicio,  é  de  se  registrar  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos líquidos e certos.  Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação —  DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o  Pedido  de  Restituição  —  PER  (eletrônico),utilizam  as  informações  constantes  das  declarações  apresentadas  pelo  contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc).    Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/2009­03  Acórdão n.º 1802­001.712  S1­TE02  Fl. 4          5 No  caso,  por  se  tratar  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a maior,  o  processamento  comparou  o  pagamento  indicado com a informação constante na DCTF.  0  procedimento  em  tela  constatou que o  recolhimento  indicado  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  informado  na  DCTF.  Dito  de  outra  forma,  para  o  tributo  e  período  de  apuração  informado,  não  consta  do  conta  corrente  da  Receita  Federal do Brasil ­ RFB crédito disponível para compensação.  ...  De  plano,  o  que  se  observa  nos  autos  é  que  a  interessada não  traz  qualquer  elemento  que  demonstre  suas  alegações,  o  que  viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova  compete  ou  cabe  à  pessoa  que  alega  o  fato,  conforme  se  depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto  n°  70.235,  de  1972  (PAF),  que  regulamenta  o  processo  administrativo  fiscal  no  âmbito  federal,  e  do  artigo  333,  do  Código de Processo Civil,verbis:  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir.  CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe:  I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor."  Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não  é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a  base  de  calculo  da  CSLL  relativa  ao  período  de  apuração  de  mar/2002,  visto  que,  está  desacompanhada  de  copia  da  escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada  pelo  contabilista  responsável,  bem  como  do  próprio  conhecimento de transporte.  Assim  sendo,  em  face  de  tudo  o  quanto  foi  exposto, VOTO  no  sentido  de  considerar  a  manifestação  de  inconformidade  IMPROCEDENTE.  Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na  manifestação  de  inconformidade,  mas,  apesar  dos  fundamentos  aduzidos  pela  DRJ,  a  Recorrente  em  nada  se  desincumbiu  para  provar  que  os  valores  ditos  recebidos  a  título  de  pedágio,  deveras  compôs  a base de cálculo da CSLL do período de  apuração  em comento  a  proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo.  A Recorrente  requer  diligência  para  comprovar  que  os  valores  relativos  ao  pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável.  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     6  Sobre  tal  pleito,  vale esclarecer que  a diligência  se  reserva  à  elucidação de  pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato  probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a  sua livre convicção.   Ora,  nada  impedia  ao  contribuinte,  acaso  interessado  em  comprovar  seu  direito  creditório,  a  proceder  a  juntada de  cópia  da  escrituração  contábil  e  comparar  com os  valores declarados na DIPJ/2003 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples  relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão  integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2002.  Cabe assinalar que o  reconhecimento de direito  creditório contra a Fazenda  Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual  seria o tributo devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  Registre­se que, nos  termos do  artigo 333,  inciso  I,  do Código de Processo  Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito  tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento.  No  caso  em  tela,  a  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  pois,  no  presente  caso  somente  a  contribuinte  detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.  Com  efeito,  os  registros  contábeis  e  demais  documentos  fiscais  acerca  do  indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito  creditório aqui pleiteado.  Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza,  os  quais  são  imprescindíveis  para  reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de  haver  reconhecimento  de  direito  creditório  incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170 do Código Tributário Nacional (CTN).  É  certo  que  o  artigo  165  do  CTN  autoriza  a  restituição  do  pagamento  indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do  contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  À  míngua  de  tal  comprovação não se homologa a compensação pretendida.  É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo  próprio  contribuinte,  de  sorte  que,  havendo  inconsistências  nas  mesmas  não  retiram  a  obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo  em  vista  que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são passíveis de compensação  tributária,  conforme preceituado no artigo 170 da  Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional ­ CTN).  Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/2009­03  Acórdão n.º 1802­001.712  S1­TE02  Fl. 5          7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado  na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da  alçada da recorrente.   No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios  para provar o alegado crédito. Não o fez.  Cabe  ao  Fisco  exigir  a  comprovação  do  crédito  pleiteado,  desde  que  não  tenha  ocorrido  a  homologação  tácita  da  compensação,  nos  moldes  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96 que assim dispõe:  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em  22/11/2005,  tomou  ciência  do  despacho  decisório  expedido  em  24/08/2009,  e  apresentou  a  manifestação de  inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes  do prazo de 5 (cinco) anos.   É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data  da  compensação  e,  o  contribuinte  que  reclama  o  pagamento  indevido  tem  o  dever  de  comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário.      (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa.                                Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 14120.720002/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 723          1 722  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14120.720002/2011­28  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.080  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de maio de 2013  Matéria  IRPJ e CSLL  Recorrente  Companhia Colorado de Agronegócios  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE  INVESTIMENTO. PERMUTA  DE AÇÕES.  A  IN  SRF  107/88  só  versa  sobre  permuta  de  unidades  imobiliárias  (casas,  apartamentos,  terrenos  etc.),  sendo  totalmente descabida  a  sua  aplicação  ao  caso de permuta de ações.  Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e  das ações transferidas constitui­se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação  do disposto no art. 31 do Decreto­Lei nº 1.598/77.  Não  se  pode  conceber  que  uma  empresa  constituída  unicamente  por  uma  conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de  R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos.  MULTA ISOLADA.   A multa  isolada  pune  o  contribuinte  que  não  observa  a  obrigação  legal  de  antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão,  logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a  qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.  O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do §  1º  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  que  é  devida  a  multa  isolada  ainda  que  o  contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano,  deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final  do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa  isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano­calendário.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  Tratando­se  da  mesma  situação  fática  e  do  mesmo  conjunto  probatório,  a  decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis,  ao lançamento da CSLL.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 72 00 02 /2 01 1- 28 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez.    EDUARDO DE ANDRADE ­ Presidente.     ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade  (presidente  da  turma),  Márcio  Frizzo,  Guilherme  Pollastri,  Luiz  Tadeu  Matosinho,  Paulo  Cortez e Alberto Pinto.    Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte em face do Acórdão n˚ 04­27.818 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim  dispõe:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE  DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE.  O  direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  são  garantidos  ao  contribuinte  depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que  passa a existir  formalmente a  imputação ao contribuinte de responsabilidade  pela prática de um fato considerado como infração.  GANHO  DE  CAPITAL.  ALIENAÇÃO  DE  BENS  OU  DIREITOS  DO  ATIVO.  DENOMINAÇÃO  DADA  AO  NEGÓCIO  JURÍDICO.  IRRELEVÂNCIA.  O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é  superior  ao  custo  do  bem  alienado,  sendo  irrelevante  a  denominação  dada  pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação.  MULTA  ISOLADA.  MULTA  VINCULADA  AO  TRIBUTO.  CUMULAÇÃO. VALIDADE.  É  válida  a  cumulação  da  multa  isolada  com  a  multa  vinculada  ao  tributo,  porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  –  CSLL  Ano­calendário: 2008  CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO.  INAPLICABILIDADE.  Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 724          3 O  direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa  são  garantidos  ao  contribuinte  depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que  passa a existir  formalmente a  imputação ao contribuinte de responsabilidade  pela prática de um fato considerado como infração.  GANHO  DE  CAPITAL.  ALIENAÇÃO  DE  BENS  OU  DIREITOS  DO  ATIVO.  DENOMINAÇÃO  DADA  AO  NEGÓCIO  JURÍDICO.  IRRELEVÂNCIA.  O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é  superior  ao  custo  do  bem  alienado,  sendo  irrelevante  a  denominação  dada  pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação.  MULTA  ISOLADA.  MULTA  VINCULADA  AO  TRIBUTO.  CUMULAÇÃO.  VALIDADE.  É  válida  a  cumulação  da  multa  isolada  com  a  multa  vinculada  ao  tributo,  porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Na sua peça recursal, a contribuinte aduz as seguintes razões defesa:   a) que a modificação societária, como foi devidamente provada e em nenhum  momento  questionada  formalmente,  adveio  de  permuta  de  participações,  que  será mais  bem  esmiuçada  adiante,  mas  de  logo  se  adiante  que  tal  permuta  não  gerou  nenhuma  falta  de  recolhimento de tributo;  b) que foram levadas a bom termo negociações com outro grupo econômico  (Odebrecht  S.A.,  via  ETH  Participações  S.A.  e  Nova  Boipeba  Participações  S.A.),  que  oferecia,  em  troca  de  Eldorado,  a  possibilidade  de  controlar  outra  empresa,  pronta  e  com  projetos para tocar novos negócios, a Mucuri;  c)  que  os  acionistas  da  contribuinte  peremptoriamente  descartaram  vender  sua controlada Eldorado, pois, se vendessem esse negócio, seria um retrocesso, pois o custo de,  a  seguir,  adquirir ou  implementar novos empreendimentos  traria,  com  inflada precificação, o  momento de ebulição no desenvolvimento econômico do Brasil;    d) que, se fosse para, em troca, já receber uma participação com projetos para  serem deslanchados,  não haveria  sobressalto na marcha de diversificação dos  seus negócios,  visando atuar em novas áreas empresariais;  e) que a causa é o propósito negocial que subjaz à permuta havida, atributo  essencial de um negócio jurídico;    f) que forte no desejo de entregar uma participação, mas só, e somente só, se  recebesse outra participação, a contribuinte e a Odebrecht celebraram um "Contrato de Permuta  e Outras Avenças" (fls. 84), pelo qual houve a seguinte permuta: a contribuinte entregou sua  participação em Eldorado e a Odebrecht /ETH entregou sua participação em Mucuri.  g)  tendo  sido  trazidos,  como  supostas  provas,  elementos  coletados  de  terceiros, estranhos à ora autuada, sem que fosse esclarecido como eles passaram a fazer parte  Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 documental e probatória neste processo, pois, no mínimo, tal fato configura violação do sigilo  fiscal de terceiro estranho à contribuinte, do contraditório e da legalidade da ora recorrente;    h) em momento algum a contribuinte ou seus acionistas receberam direta ou  indiretamente qualquer pagamento;    i) que a Mucuri foi recebida, e continua até hoje, como um investimento  produtivo da contribuinte;  j) que não ocorreu um contrato de compra e venda, que  tem contorno  legal  diverso;   k) que ante a aproximação dos institutos, fica o pagamento em dinheiro como  traço distintivo da permuta para a compra e venda, como é lição vetusta na nossa doutrina, aqui  se valendo das lições do grande mestre Pontes de Miranda (in Tratado de Direito Privado, tomo  39, § 4338): “Pela troca permuta­se coisa por coisa, ou posse por posse. Tudo que é suscetível  de venda é permutável,  tudo que é suscetível de propriedade ou posse também o é, exceto o  dinheiro. A moeda corrente é que, funcionando, como funciona, no tráfico, é medida comum de  valor e constitui preço, o que conceitualmente torna de compra e venda o contrato. (...) Se uma  das prestações é dinheiro, há compra e venda, e não troca. (...)”;  l) que a referência feita no contrato de permuta, sobre os valores patrimoniais  das participações Eldorado e Mucuri se cingiram a obrigação negocial de fornecer dados das  demonstrações contábeis, sem qualquer traço de preço;  m) que a operação nunca foi desfeita, já que a Mucuri permanece até hoje sob  controle da Contribuinte, em plena atividade, realizando o seu objetivo social e, também, nunca  o dinheiro ou o patrimônio, que constava na empresa adquirida por permuta, foi repassado ou  ingressou no patrimônio dos acionistas da controladora;  n) que a  autuação oscilou na  sua  fundamentação, ora parecendo  respeitar o  contrato de permuta, ora acusando de ter havido uma compra e venda;  o) que ou a autuação considerou que foi irreal o contrato de permuta, dizendo  ter ocorrido, na verdade, um contrato de compra e venda ­ portanto simulação, ou a autuação  considerou formalmente correto, pleno e indiscutível o contrato de permuta;  p)  que  a  autuação  expôs  uma  ambiguidade  já  a  revelar  violação  do  contraditório e da ampla defesa, o que, por si só, seria suficiente para inquinar de nulidade a  autuação;  q) que pese não ter havido a acusação formal de simulação ou questionada a  existência do contrato e negócio de permuta; ficando tudo no campo da insinuação;  r)  que,  como  visto  e  provado  e  na  verdade  não  afastado  formalmente  pela  autoridade  fiscal,  não  houve  operação  de  compra  e  venda,  mas  uma  legítima  permuta  de  participações  societárias,  sem  pagamento  de  dinheiro,  mas  recebimento  de  participação  em  outra sociedade, que continua ativa;  s) que,  se a autuação considera que houve uma compra  e venda, e por  isso  buscou aquilatar um inexistente ganho de capital no pagamento em dinheiro, fácil de ver que a  autuação não tem lastro em provas;  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 725          5 t) que a decisão recorrida não enfrentou a maioria dos pontos tratados na peça  Impugnatória, o que, desde já, configura cerceamento no direito de defesa da recorrente;  u) que a decisão recorrida também incorreu em outros vícios como: a) erro na  apreciação  dos  elementos  constante  nos  autos;  b)  alteração  dos  critérios  jurídicos  do  lançamento, conforme serão detalhados em tópico específico;  v)  que  em  momento  algum  a  autoridade  fiscal  considerou  a  existência  de  fraude  ou  simulação,  o  que,  inclusive,  levou  a  lavratura  do  auto  de  infração  com multa  de  ofício de 75%, mas ao apreciar a questão a r. decisão promoveu verdadeira alteração no critério  jurídico utilizado no lançamento, inserindo, equivocadamente, um novo motivo ao lançamento  tributário e, com isso, inovando o lançamento;  w) que  a decisão  recorrida  adotou um novo enquadramento  legal  relativo  à  simulação do Direito Civil que, em nenhum momento foi utilizado pela autoridade fiscal;  x) que enquanto o auto de infração foi motivado na ocorrência de ganho de  capital  decorrente  de  contrato  de  permuta  de  participação  societária,  a  DRJ  atribuiu  consequência jurídica diversa à operação ao requalificá­la como compra e venda e, com isso,  desconsiderar  o  contrato  de  permuta,  quando  não  foi  isso  que  a  autoridade  fiscal  fez  na  autuação,  portanto  a  decisão  recorrida  padece  de  vício  insanável,  pois,  ao  tentar  salvar  o  lançamento, promoveu uma verdadeira alteração dos critérios jurídicos;  y) que o Parecer PGFN nº 970/1991 sustenta que:  “8.  Por  outro  lado,  o  imposto  de  renda  tem  como  fato  gerador  a  disponibilidade econômica ou  jurídica de uma renda ou de proventos  de  qualquer  natureza,  segundo  preceitua  o  art.  43  do  Código  Tributário Nacional  (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o  conceito de  renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos  que  o  referido  imposto  incide  sobre  a  percepção  de  urna  renda,  segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda  ou  proventos  os  que a  lei  define  como  tais,  coincidam ou  não  com o  conceito econômico.  9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de  uma  operação  de  troca  (permuta),  pois  os  participantes  do  leilão  também  buscam  trocar  títulos  públicos  por  participações  acionárias  das estatais, e, dessa  forma, afastar­se­ia a preocupação dos reflexos  na  licitação  (leilão),  pois  o  objetivo  final  dele  não  são  os  cruzeiros,  mas a maior quantidade de títulos públicos.  (...)  15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital  entre  a  aquisição  do  título  por  40  e  o  valor  100  conferido  na  troca,  creio  que  haveria  obstáculos  jurídicos,  relativamente  ao  aspecto  temporal do fato gerador e a própria base de cálculo.  (...)  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6 16.  É  evidente  que  o  momento  não  seria  aquele  da  troca,  mas  sim  quando  o  particular  vendesse  a  participação  acionária  trocada.  E,  ainda,  não  existiria  base  de  cálculo,  pois  o  valor  referencial  em  cruzeiros  no  leilão,  existe  somente  como  estímulo  à  troca  dos  bens  (papéis públicos).  17.  Esta  tributação,  ainda,  seria  iníqua,  pois  como  não  foram  recebidos  cruzeiros,  não  haveria  disponibilidade  líquida  do  contribuinte, e, em consequ ência, naquele momento nenhuma base de  cálculo  para  o  fato  gerador,  pois  a  renda  fica  sujeita  à  tributação  quando  realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese  sob  exame.”  z) que tal entendimento da PGFN veio depois a  ser normatizado pela  IN nº  92/91;  aa) que o momento  futuro, de eventual alienação do bem permutado, é que  poderia ser o marco para aquilatar ganho;  ab)  que  a  contabilização  da  aquisição  de Mucuri,  na  contribuinte,  foi  feita  erroneamente,  afinal,  sendo Mucuri  controlada,  deve  esse  investimento  seguir  os  ditames  do  MEP;  ac)  que  o  registro  deveria  ter  sido  o  seguinte:  valor  PL  Mucuri:  R$  232.540.000,00; e deságio na aquisição R$ 159.142.989,77;  ad) que houve assim a errônea tributação do deságio;  ae) que o erro contábil não pode gerar uma tributação indevida;  af) que é indevida a cumulação de multa de ofício com multa isolada.      A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais alega sucintamente  que:  a)  análise  detida  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  demonstra  que  simplesmente  não  existe  a  ambiguidade  apontada  pela  recorrente,  pois  a  fiscalização  jamais  cogitou  que  a  recorrente  tivesse  celebrado  um  típico  negócio  jurídico  de  permuta,  daqueles  legalmente aptos a afastar a tributação pelo Imposto de Renda;  b)  que,  diante  de  uma  situação  concreta  de  alienação  de  participação  societária,  o  que  a  Fiscalização  fez  foi  deixar  de  lado  a  denominação  dada  pelas  partes  ao  contrato (permuta) para analisar o conteúdo efetivamente avençado;  c) que uma vez afastada a caracterização do negócio como uma permuta apta  a afastar a tributação, só restava ao AFRFB o dever de lavrar o competente Auto de Infração  para lançamento do IRPJ incidente sobre o ganho de capital auferido;  d) que o auto de  infração é muito claro em afirmar que os únicos negócios  permutativos  capazes  de  afastarem  a  tributação  sobre  o  ganho  de  capital  seriam  aqueles  consignados no art. 121, II e 134 do RIR/99, não se enquadrando o caso dos autos em nenhuma  dessas hipóteses;  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 726          7 e)  se,  como visto,  (i)  o  negócio  jurídico  realizado não  é  típica operação  de  permuta,  pois  existente  transferência  de  dinheiro,  e  (ii)  apenas  as  permutas  de  unidades  imobiliárias  sem  torna  e  as  permutas  de  títulos  da  dívida  pública  por  ações  do  Programa  Nacional de Desestatização estão afastadas da tributação pelo ganho de capital, não sendo este  o caso dos autos, (iii) não pode haver outra conclusão senão a de que o negócio não pode ter o  tratamento tributário reservado para os negócios permutativos;  f)  que  exercício  amplo  e  efetivo  do  direito  de  defesa  foi  propiciado  ao  contribuinte, que,  inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado no que concerne a  todos  os  aspectos  abordados  no  lançamento  fiscal,  de  modo  a  demonstrar  que  tinha  pleno  conhecimento das imputações que lhe foram feitas no AI;  g) que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram  imputadas,  rebatendo­as  mediante  extensa  e  substanciosa  defesa,  abrangendo  não  somente  preliminares, mas  também razões de mérito, mostra­se  incabível a declaração de nulidade de  lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade  e economia processual em lugar do rigor das formas;  h)  que,  no  que  diz  respeito  ao  cerceamento  do  direito  de  defesa,  cumpre  registrar que a decisão da DRJ/CGE analisou todos os pontos que se faziam necessários para a  solução da controvérsia, não estando o julgador obrigado a abordar todas as questões apontadas  pelas partes, desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso  dos autos, conforme pacífico entendimento do STF;  i) que a DRJ jamais afirmou que o capital da Nova Mucuri no momento da  “permuta” era de R$ 1.000,00. Como se vê do próprio trecho transcrito pela recorrente, a DRJ  apenas  narra  que  a  Nova  Mucuri  foi  constituída  com  capital  social  de  R$  1.000,00.  No  momento da suposta permuta, a DRJ deixa claro que o capital social era de R$ 232.540.000,00,  oriundo  da  subscrição  de  novas  ações,  logo,  não  há,  portanto,  que  se  falar  em  erro  na  apreciação de fatos.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior  O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela  qual dele conheço.  Inicialmente,  há  que  se  afastar  a  alegação  de  violação  dos  princípios  do  contraditório e da ampla defesa por suposta dubiedade na fundamentação do auto de infração,  pois os fatos estão bem descritos, como também a posição adotada pelos autuantes, segundo a  qual o nomen iuris utilizado pela recorrente no contrato celebrado com a Odebrecht/ETH não é  relevante, por ser a permuta espécie do gênero alienação, sofrendo assim os efeitos tributários  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 que  qualquer  alienação  sofreria,  sendo  que  essa  posição  ficou  bem  clara  para  a  recorrente,  conforme pode­se depreender da simples leitura da sua peça recursal.  A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa, pois sustenta  que  a  decisão  recorrida  não  enfrentou  todos  os  pontos  da  sua  impugnação, mas  não  aponta  qualquer ponto que tenha deixado de ser respondido. Ademais, tem razão a Fazenda Nacional  quando sustenta, respaldada em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o art. 93, IX,  da  Constituição  Federal  exige  que  o  acórdão  ou  decisão  sejam  fundamentados,  ainda  que  sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações  ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Por essas razões também afasto  a alegação de cerceamento do direito de defesa da recorrente.  Quanto  às  alegações  de  que  a  decisão  recorrida  incorreu  em  erro  na  apreciação dos elementos dos autos e alterou critério jurídico, caso sejam procedentes, estará  comprometida a  fundamentação daquela decisão  e,  consequentemente, merecerá  reforma por  parte deste Colegiado, sem contudo, significar que, neste Colegiado, as conclusões acerca da  autuação em tela, obrigatoriamente, venham a ser diferentes, já que, não estando vinculado às  fundamentações da  instância  julgadora primária, poderá, por outras  razões, chegar ao mesmo  dispositivo do acórdão recorrido.  Com relação ao mérito, a questão a ser dirimida, por este Colegiado, é muito  simples, pois consiste em responder se se aplica o disposto na Instrução Normativa nº 107/88  em caso de permuta de ações sem torna.  Qual a base legal da Instrução Normativa nº 107/88 para afastar o ganho de  capital em caso de permuta sem torna? Não há. Como também carece de base legal o inciso II  do art. 121 do RIR/99, pois o ali disposto só encontra eco na IN 107/88. Todavia, são esses os  dispositivos que levaram a contribuinte a concluir que não havia ganho de capital a ser apurado  na permuta que realizou.  Assim, esquivo­me de fazer qualquer  juízo de  legalidade sobre  tão vetustos  dispositivos e passo apenas a verificar se eles se aplicariam ao caso sub examine.  Da simples  leitura da  IN 107/88, verifica­se  instantaneamente que ela só  se  aplica  em  caso  de  permuta  de  unidade  imobiliárias  (casa,  terrenos,  apartamentos),  se  não  vejamos como dispõe o seguinte dispositivo:  “1.1  –  Para  fins  desta  Instrução  Normativa,  considera­se  permuta  toda  e  qualquer  operação  que  tenha  por  objeto  a  troca  de  uma  ou  mais  unidades  imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um  dos  contratantes,  o  pagamento  de  parcela  complementar  em  dinheiro,  aqui  denominada ‘torna’.”.  Como  se  vê,  restringiu­se  o  conceito  próprio  de  permuta,  para  fins  da  IN  107/88,  apenas  para  aquelas  cujos  objetos  fossem  unidades  imobiliárias.  Ademais,  estamos  diante de permuta realizada entre pessoas jurídicas, logo, há que se analisar o item 2 da Seção  II  da  IN  107/88,  o  qual  está  intitulado  como  “Permuta  entre Pessoas  Jurídicas”. Do  item  2,  reforça­se  ainda mais  a  conclusão  de  que  ela  só  se  aplica  em  caso  de  permuta  de  unidades  imobiliárias, se não vejamos como dispõe alguns dos seus dispositivos:  “2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas:  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 727          9 2.1  – Na permuta  entre  pessoas  jurídicas,  tendo  por objeto unidades  imobiliárias  prontas,  serão  observadas  as  normas  constantes  das  divisões do presente subitem...”.   Note­se  que  todas  as  demais  disposições  acerca  de  permuta  entre  pessoas  jurídicas são subitens do  item 2.1, ou seja,  todas as disposições da  IN 107/88 versam apenas  sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos). Logo, inaplicável a IN 107/88  em caso de permuta de ações entre pessoas jurídicas.  Da mesma forma, inaplicável, em caso de permuta de ações, o art. 121, II, do  RIR/99, in verbis:  “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713,  de 1988, art. 22, inciso III):  (...)  II ­ a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura  pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada  torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.”   A contribuinte  cita,  então,  o Parecer PGFN nº 970, de 23/09/91,  e diz que,  posteriormente, o entendimento ali  exarado viria  a ser normatizado na  IN 92/91. Trata­se de  mais um equívoco da contribuinte, pois o referido parecer carecia tanto de suporte legal que se  fez necessário editar o art. 65 na Lei nº 8.383, de 30/12/91, o qual assim versa:  “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor,  de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União,  como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito  do Programa Nacional de Desestatização.  §  1°  Na  hipótese  de  adquirente  pessoa  física,  deverá  ser  considerado  como  custo  de  aquisição  das  ações  ou  quotas  da  empresa  privatizável  o  custo  de  aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da  permuta.  § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não  tributada com base no  lucro real, o  custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior.  § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de  aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos  ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação:  § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada  ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá  registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de  investimentos,  e  o  valor  do  ágio  ou  deságio  na  aquisição  em  subconta  do  mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real  do mês de realização do investimento, a qualquer título.”  Como  se  vê,  trata­se  de  norma  específica  aplicável  apenas  aos  casos  abrangidos  pelo  Programa  Nacional  de  Desestatização,  razão  pela  qual  seria  absurdo  transformar uma norma específica em norma geral de tributação.   Todas essas normas que dispensam a tributação do ganho de capital em caso  de permuta sem torna são normas excepcionais, pois a regra é a tributação sempre que houver  Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     10 diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. Ora, a melhor exegese nos diz que  normas  excepcionais  são  interpretadas  estritamente,  razão  pela  qual  não  há  que  se  falar  em  interpretação extensiva de tais normas para fazê­las alcançar a situação em tela – permuta entre  PJs de direito privado de ações de emissão de outras PJs de direito privado.  Outro ponto que deixa ainda mais claro a inaplicabilidade de tais normas ao  caso  em  tela,  reside na  impossibilidade de  a  recorrente  cumprir  com a exigência prevista no  item 2.2.1 da  IN 107/88, a mesma exigência prevista no § 1º do art. 65 da Lei 8.383/91. Ou  seja,  nestas  hipóteses  de  permuta  sem  torna  de  unidade  imobiliária,  o  contribuinte  deverá  contabilizar  o  bem  recebido  pelo  mesmo  valor  do  bem  dado  em  permuta  (postergar­se  a  tributação do ganho de capital para eventual momento futuro de alienação do bem recebido).   Ocorre  que  a  contribuinte  até  tentou  contabilizar  as  ações  recebidas  da  Mucuri  pelo  valor  que  estavam  registradas,  na  sua  contabilidade,  as  ações  da  Eldorado  (R$  73.397.010,23), mas, já reconheceu, na sua peça recursal, que isso não era correto. No caso em  tela,  o  registro  das  ações  da  Mucuri  pelo  valor  que  estavam  contabilizadas  as  ações  da  Eldorado significa uma ofensa à Lei nº 6.404/76 e ao DL nº 1.598/77, o que, por si só, já seria  o bastante para demonstrar a  inaplicabilidade das normas de permuta de unidade imobiliárias  em caso de permuta de ações de investimentos avaliados pelo MEP.  Qual então a norma aplicável ao caso? O art. 418 do RIR/99, conforme citado  pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal, peça integrante ao auto de infração. A base legal  de tal dispositivo regulamentar é o art. 31 do Decreto­Lei nº 1.598/77, o qual assim dispõe:  “Art 31 ­ Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados  na  determinação  do  lucro  real,  os  resultados  na  alienação,  inclusive  por  desapropriação  (§  4º),  na  baixa  por  perecimento,  extinção,  desgaste,  obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente.  (...)  § 3º ­ O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento  será  determinado  com  base  no  valor  contábil  (§  1º),  diminuído  da  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada  na  determinação  do  lucro  real.”.  Uma  vez  afastado  o  tratamento  da  permuta  estabelecido  na  IN  107/88  ao  presente  caso,  temos  que  observar  a  operação  de  alienação  das  ações  da  Eldorado  como  qualquer  outra  alienação.  Conforme  se  observa  do  dispositivo  acima,  o  custo  será  o  valor  contabilizado das ações da Eldorado (R$ 73.397.010,23), logo, tendo a recorrente recebido em  dação em pagamento as ações da Mucuri, as quais estavam contabilizadas na adquirente por R$  232.540.000,00, resultou em um ganho de capital no montante de R$ 159.142.989,77.  Note­se que o valor da Nova Mucuri correspondia exatamente ao valor que  fora  depositado  em  sua  conta  bancária  no  Banco  Real  pelo  grupo  ETH,  por meio  da Nova  Boipeba  Participações,  no montante  de R$  232.540.000,00.  Esse  era  o  único  ativo  da Nova  Mucuri.   Assim, não há falar em deságio na aquisição da Nova Mucuri, como tentou  sustentar a  recorrente, quando o único ativo que  tal  empresa possuía  era uma conta bancária  com saldo de R$ 232.540.000,00. Ademais, onde está o  laudo que avaliou as ações da Nova  Mucuri  abaixo  do  seu  valor  patrimonial  em  R$  159.142.989,77?  Qual  o  fundamento  desse  deságio? Não existe nada nos autos, mesmo porque seria absurdo dizer que uma empresa cujo  único ativo é uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 tenha sido alienada por R$  R$ 73.397.010,23.  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 728          11 Por  sua  vez,  o  laudo  que  existe  nos  autos  é  o  da  adquirente  das  ações  da  Eldorado, ou seja, o Laudo encomendado pela ETH (doc. a fls. 134 e segs.), no qual as ações  da Usina Eldorado S/A  foram avaliadas em R$ 377.473.000,00 (vide doc. a  fls. 139), o qual  está assim composto:  ­ Valor do fluxo de caixa futuros.............R$ 221.140.000,00  ­ Valor da perpuitadade............................R$ 156.333.000,00  ­ Valor do Empreendimento.....................R$ 377.473.000,00  Note­se que o valor pago à  recorrente, pelas ações da Usina Eldorado S/A,  R$  232.540.000,00,  é  bem  próximo  do  valor  apurado  pelo  laudo  de  avaliação  com  base  no  fluxo  de  caixa  futuros. Como  então  pode  a  recorrente  negar  que  houve  ganho  de  capital  na  operação?   Alienação  é  gênero  do  qual  compra  e  venda,  permuta,  desapropriação,  etc.  são espécies, razão pela qual concluo perfeita a conclusão do autuante de que houve,  in casu,  um ganho de capital  no montante de R$ 159.142.989,77, o qual deveria  ter  sido oferecido  à  tributação  pela  recorrente.  Note­se  que  este  ganho  de  capital  da  recorrente  na  alienação  da  Eldorado é tão óbvio quanto o registro do ágio na aquisição da Eldorado pela ETH Bioenergia  S/A.   Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da  contribuinte no tocante aos lançamentos do IRPJ e CSLL.  Passo a analisar o  lançamento da multa  isolada por  falta de pagamento dos  tributos  sobre  as  bases  estimadas,  quando  também  lançada  multa  de  ofício  sobre  o  IRPJ  apurado sobre o lucro real e a CSLL sobre a base ajustada.   Inicialmente, friso que este Colegiado tem firmado diferentes posições sobre  o tema, se não vejamos:  a) há quem sustente que não se aplica a multa isolada após o encerramento do  ano­calendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de  renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração;  b)  há  quem  sustente  que  só  se  aplica  a multa  isolada  sobre  o  valor  que  o  montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real  devido ao final do ano;  c)  há  quem  sustente  que,  até  a  entrada  em  vigor  da  redação  dada  pela  Lei  11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que  a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e  que  os  valores  calculados  sobre  a  base  estimada  são  meras  antecipações,  logo  não  se  confundem com tais tributos;  d) há quem sustente que a multa isolada não é devida juntamente com a multa  de ofício por ser aplicável o instituto do Direito Penal da “consunção”.  Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     12 Trata­se  assim  de  questão  de  amplo  conhecimento  deste  Colegiado,  razão  pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no  qual enfrentei cada uma dessas posições.  Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção    O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal,  aplicável  para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais  normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato.    Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é  norma  penal  stricto  sensu.  Vale  aqui  a  lembrança  que  o  parágrafo  único  do  art.  273  do  anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa  que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos  de  interpretação  da  lei  tributária,  especialmente  da  lei  tributária  que  definia  infrações.  Esse  dispositivo  foi  rechaçado  pela  Comissão  Especial  de  1954  ­  que  elaborou  o  texto  final  do  anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado  pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de  que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789,  p.  513  dos Trabalhos  da Comissão Especial  do CTN)  e  que  o  direito  penal  tributário  não  é  autônomo  ao  direito  tributário,  pois  a  pena  fiscal  mais  se  assemelha  a  pena  cível  do  que  a  criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN  afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação  da  norma  tributária,  logicamente,  salvo  aqueles  expressamente  previstos  no  seu  texto,  como  por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112.   Das condutas infracionais diferentes    Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos  aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua  aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais  normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre  in casu,  já que  temos  duas  situações  fáticas  diferentes:  a  primeira,  o  não  recolhimento  do  tributo  devido;  a  segunda,  a  não  observância  das  normas  do  regime  de  recolhimento  sobre  bases  estimadas.  Ressalte­se que o simples  fato de alguém, optante pelo  lucro real anual, deixar de recolher o  IRPJ mensal  sobre a base estimada não enseja per  se  a aplicação da multa  isolada, pois esta  multa  só  é  aplicável  quando,  além  de  não  recolher  o  IRPJ mensal  sobre  a  base  estimada,  o  contribuinte  deixar  de  levantar  balanço  de  suspensão,  conforme  dispõe  o  art.  35  da  Lei  no  8.981/95. Assim,  a multa  isolada  não  decorre  unicamente  da  falta  de  recolhimento  do  IRPJ  mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou  seja, do regime.    Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas  também  diferentes.  O  art.  44  da  Lei  no  9.430/96  (na  sua  redação  vigente  à  época  do  lançamento)  já  albergava  várias  normas,  das  quais  vale  pinçar  as  duas  sub  examine:  a  decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o ­ aplicável por falta de  pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do §  1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora,  a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais  poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se  falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput  com o inciso IV do mesmo § 1o .  Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 729          13   Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais  incidem normas  diferentes,  resta  irrefutável  que  não  há unidade  de  conduta,  logo  não  existe  qualquer  conflito  aparente  entre  as  normas  dos  incisos  I  e  IV  do  §  1º  do  art.  44  e,  consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela.    Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais  concluem que  a  falta de  recolhimento da estimativa mensal  seria uma conduta menos grave,  por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo.  Conforme  já  demonstrado,  a  multa  isolada  é  aplicável  pela  não  observância  do  regime  de  recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como  menos grave,  já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real  anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador.   Em verdade, a sistemática de  antecipação dos  impostos ocorre por diversos  meios  previstos  na  legislação  tributária,  sendo  exemplos  disto,  alem  dos  recolhimentos  por  estimativa,  as  retenções  feitas  pelas  fontes  pagadoras  e  o  recolhimento  mensal  obrigatório  (carnê­leão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes  formas e momentos de exigência da obrigação  tributária. Todos esses  instrumentos visam ao  mesmo  tempo  assegurar  a  efetividade  da  arrecadação  tributária  e  o  fluxo  de  caixa  para  a  execução do orçamento fiscal pelo governo, impondo­se igualmente a sua proteção (como bens  jurídicos).  Portanto,  não  há  um  bem menor,  nem  uma  conduta  menos  grave  que  possa  ser  englobada pela outra, neste caso.  Ademais,  é um equívoco dizer que o não  recolhimento do  IRPJ­estimada é  uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo  efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício  pode  ocorrer  independente  do  fato  de  terem  sido  recolhidas  as  estimativas,  pois  o  resultado  final  apurado  não  guarda  necessariamente proporção  com os  valores  devidos  por  estimativa.  Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo  a  pagar,  com  base  no  resultado  do  exercício.  As  infrações  tributárias  que  ensejam  a  multa  isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não  pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já  que não existe conflito aparente de normas.  Das diferentes bases para cálculos das multas  A  tese  de  que  as  multas  isolada  e  de  ofício,  no  presente  caso,  estariam  incidindo  sobre  a  mesma  base,  também,  não  deve  prosperar,  seja  porque  as  bases  não  são  idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem  aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que  já  ficou demonstrado que não ocorre,  se  não vejamos.   A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base  estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o  legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo  da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício,  in casu,  corresponde  a  um  percentual  sobre  o  IRPJ  calculado  sobre  o  lucro  real,  na  qual  se  leva  em  conta  as  despesas  e  custos  efetivamente  incorridos.  Em  suma,  se  a  base  estimada  difere  do  lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas  resultantes  são  também  valores  distintos  e,  consequentemente,  as  multas  ad  valorem  que  incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem.  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     14 Todavia, ainda que as multas  isolada e de ofício  fossem calculadas  sobre o  IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como  já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência  da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte  pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do ano­calendário e  não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício,  mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada,  mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à  multa isolada.   A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável  é  matéria  exclusiva  de  lei,  nos  termos  do  art.  97,  V  do  CTN,  não  cabendo  ao  intérprete  questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que  adentre  a  seara  da  sua  constitucionalidade,  o  que  está  expressamente  vedado  pela  Súmula  CARF no 2.  Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96   Adite­se ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original  do  inciso  IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa  isolada ainda que o contribuinte apure  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que:  a)  primeiro,  que  estava  se  referindo  ao  imposto  ou  contribuição  calculado  sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo  devido no ajuste; e  b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do  ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e  c)  terceiro,  que  a  multa  isolada  é  devida  ainda  que  lançada  após  o  encerramento do ano­calendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal  ou base negativa.  Da negativa de vigência de lei federal    Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com  as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em  verdade,  por  via  oblíqua,  negado  vigência  a  uma  lei  federal,  pois  afrontam  literalmente  o  disposto nos art. 2o e 44, § 1o , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art.  35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do  direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado  ano  calendário,  decidir  se  obedece  ou  não  o  art.  2o  e  segs.  da  Lei  no  9.430/96.  Em  outras  palavras,  os  referidos  posicionamentos  deste  Colegiado  desnaturam  a  norma  tributária  tornando­a  uma  norma  facultativa,  já  que  a  sua  não  observância  não  traz,  à  luz  de  tais  posicionamentos, qualquer consequência jurídica.    Assim, por todo o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada  e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte.    Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/2011­28  Acórdão n.º 1302­001.080  S1­C3T2  Fl. 730          15                             Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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Numero do processo: 13657.001235/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2101-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 1          1             S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13657.001235/2007­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­001.490  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de fevereiro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  NEWTON RIOS SCHMIDT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Exercício: 2005   DEDUÇÕES.    PENSÃO  ALIMENTÍCIA  JUDICIAL.  Apenas  são  dedutíveis  a  titulo  de  pensão  alimentícia  as    importâncias  comprovadamente  pagas em cumprimento de  decisão  judicial ou  acordo homologado judicialmente.   Recurso Voluntário Provido  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  ___________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  ___________________________________     Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  ­ Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta  Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de  Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.      Relatório  AUTUAÇÃO  Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento  de fls. 03 a 05, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 – Ano Calendário 2004,  para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido  crédito tributário – Suplementar ­, no valor de R$ 3.017,80,  mais acréscimos legais.    IMPUGNAÇÃO  Cientificado  do  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  1),  acatada como tempestiva, onde alegou, em síntese, que:  1º. Está em plena vigência a obrigação do pagamento da pensão a sua ex­esposa,  conforme se pode confirmar pelo processo 860/953/92, de 10/11/1992­2a Vara     Cível em Pouso  Alegre/MG  e pelos comprovantes de pagamentos, cujas  cópias  ora anexa;   2º. Como pagou de diversas  formas  a pensão,  inclusive em  cheque    e dinheiro,  além de  crédito  bancário,  envia  também  a  cópia  da  declaração  do  imposto  de  renda  de    sua  ex­ esposa para confirmação do recebido;   3º. A diferença de pagamento  realizada pela Prefeitura  realmente ocorreu, visto  que somou os valores dos recibos por não ter a declaração anual da Prefeitura em mãos.   Por  fim,  requer  seja  acolhida  a  impugnação  e  cancelado    o  débito  fiscal  reclamado.    ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o  lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 62):    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Exercício: 2005   MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.    OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Considera­se como  não  impugnada a parte do  lançamento  com a  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/2007­21  Acórdão n.º 2101­001.490  S2­C1T1  Fl. 2          3 qual  o contribuinte concorda ou  não se manifesta expressamente.  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA  FÍSICA  ­   IRPF Exercício:  2005 .   DEDUÇÕES.    PENSÃO  ALIMENTÍCIA  JUDICIAL.  Apenas  são  dedutíveis  a  titulo  de  pensão  alimentícia  as    importâncias  comprovadamente  pagas em cumprimento de  decisão  judicial ou  acordo homologado judicialmente.   Impugnação Improcedente.   Crédito Tributário Mantido.    O  julgador  de  1a  instância,  manteve  a  glosa  da  dedução  a  título  de  pensão  alimentícia judicial, no valor de R$ 14.300,00.    RECURSO  AO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS (CARF)  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  18/06/2010  (fl.  64v),  o  Recorrente apresentou, em 15/07/2010, o recurso de fls. 67, onde reafirma que:  a)  Houve  equivoco  por  parte  do  representante  da  Receita  Federal,  já  que  fora  juntada cópias da   SENTENÇA  JUDICIAL, HOMOLOGACAO JUDICIAL  DE  ACORDO  INFORMAL  ENTRE  O  CONTRIBUINTE      E  PENSIONISTA,      COMO  TAMBÉM,  TODOS  COMPROVANTES  REFERENTES  AO  PAGAMENTO  DE  PENSÃO  JUDICIAL  JÁ  REFERIDA.   b)  Nos  autos,  constam  todos  os  documentos    possíveis  e  necessários  que  comprovam    o    pagamento    e    recebimento  da  referida  pensão  entre  os  contribuintes em questão.   c)  Pode  ter havido equivoco no entendimento do pagamento e    recebimento da  Pensão Alimentícia em questão.   Por fim requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.  O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 75, que também  trata do envio dos autos a este Conselho.  É o relatório.    Voto             Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator.  O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto  merece ser conhecido.  O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005 –  Ano  Calendário  2004,  com  irregularidades,  e  foi  autuado  em  decorrência  de  omissão  de  rendimentos e glosa de dedução a título de pensão alimentícia judicial.  O julgador a quo manteve a glosa relativa à referida pensão.  O acórdão recorrido fundamentou o indeferimento dessa dedução em razão da não  apresentação  de  certidão  atualizada  pelo  Juízo  de  Direito  da  Comarca  de  Pouso  Alegre/MG  e,  ainda,  a  não  identificação  de  quem  efetuou  os  pagamentos  e  a  não  coincidência  dos  valores  declarados com o valor que teria sido pago pelo impugnante. Ressalte­se que foi apresentado pelo  recorrente o acordo homologado judicialmente que fixou os alimentos, fls.09/11, bem como recibos  de depósitos referentes à alimentada, fls. 17/28 e, ainda, a Declaração de Ajuste Anual do Imposto  de Renda da ex­esposa, fls.29, Nídia Maria de Oliveira.    Da análise  da documentação acostada nos autos,  entendo  que  há  no  presente   processo    um    conjunto  comprobatório  robusto  que  permite  concluir  que  o  contribuinte  teve  despesas  com alimentos  judiciais durante o  ano­calendário 2004,  já que conforme fl. 29,  acostou  aos autos cópia da DIRPF da benefíciária, sua ex­esposa, reportando rendimentos de R$ 13.200,00,  mesmo nao tendo apresentado a certidão judicial confirmando o valor mensal da pensão.  Após  a  análise  dos    esclarecimentos    prestados    pelo  contribuinte,  fica  comprovado que  realmente o  recorrente  teve despesas dedutíveis da base de cálculo do  IRPF no  montante de R$ 14.400,00 como alimentos judiciais em favor de Nídia Maria de Oliveira durante o  ano­calendário 2004.   Em casos análogos, este Conselho assim tem decidido, nas ementas:  Ementa   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  –  IRPF. Exercício: 2004  GLOSA  DE  PENSÃO  ALIMENTÍCIA.  RESTABELECIMENTO.  Devem  ser  restabelecidas  as  despesas  glosadas  de  pensão  alimentícia  quando  foram  realizadas  em  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente  com  ônus  do  contribuinte.  Recurso  Voluntário  Provido.  Vistos,  relatados  e  discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102­000.988 ­ Segunda  Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento).      Ementa   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  –  IRPF  Exercício:  2004  DEDUÇÕES.  PENSÃO  JUDICIAL  E  DESPESAS  MÉDICAS.  Acatam­se  as  deduções  quando  comprovadas  por  documentação  hábil  apresentada  pelo  contribuinte.  Recurso  Voluntário  Provido  em  parte.  Vistos,  relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102­000.783  ­ Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento).    Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/2007­21  Acórdão n.º 2101­001.490  S2­C1T1  Fl. 3          5 Ante ao  exposto,   VOTO    PELO    PROVIMENTO    DO    RECURSO,   para    que   seja restabelecida a dedução de pensão judicial alimentícia no valor de R$ 14.400,00.       Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  (assinado eletronicamente)                                    Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Numero do processo: 10730.004241/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/12/2006 EX-TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria importada em Ex-tarifário reclama estejam presentes todas as características previstas na regra excepcional de classificação. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 910          1 909  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.004241/2009­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3202­000.811  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de junho de 2013  Matéria  II/IPI.CLASSIFICAÇÃO  Recorrente  ALOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 28/12/2006  EX­TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.  O enquadramento de mercadoria importada em Ex­tarifário reclama estejam  presentes  todas  as  características  previstas  na  regra  excepcional  de  classificação.  REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.  A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço  da  mercadoria,  verifica  a  regularidade  do  pagamento  dos  impostos  e  dos  demais  gravames  devidos  à  Fazenda  Nacional,  da  aplicação  de  benefício  fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração  de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho,  em  decorrência  de  revisão  aduaneira,  não  configura  mudança  de  critério  jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido.  Recurso Voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Irene Souza da Trindade Torres ­ Presidente    Charles Mayer de Castro Souza – Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 42 41 /2 00 9- 83 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles  Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.    Relatório      Contra  a  contribuinte  acima  qualificada,  lavraram­se  autos  de  infração  formalizando a exigência do  Imposto sobre a  Importação e do  IPI vinculado, no valor de R$  1.148.149, 62, incluídos juros e multa de ofício, face ao não reconhecimento do enquadramento  da mercadoria importada em Ex­tarifário.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  Relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  Versa o presente processo sobre os Autos de  Infração  lavrados  (fls. 165/179) para a exigência do crédito tributário no valor de  R$  1.148.149,62,  relativo  às  diferenças  do  Imposto  de  Importação  e  do  IPI­Importação,  acrescidos  dos  juros  e  da  multa de ofício, em virtude do não reconhecimento do benefício  da redução de impostos com base em Ex­tarifário pleiteado pela  interessada  com  relação  à  mercadoria  importada  através  da  Declaração de Importação (DI) n° 06/15787481, registrada em  28/12/2006,  equipamento  FA­X  SUPERSTAR,  classificado,  inicialmente,  de  Sistema  Integrado  Automático  (SI  308),  constituído  pelos  componentes  descritos  no  artigo  2°  da  Resolução CAMEX N°  26, DE  05/10/2004,  para  fabricação  de  fraldas  descartáveis,  tipo  multipeças,  com  aplicação  de  gel  absorvente  (poliacrilato  de  sílica)  e  difusor  de  urina,  com  capacidade  de  produção máxima maior  ou  igual  a 650  fraldas  por  minuto,  cujos  componentes  são  classificáveis  em  diversos  códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  183/195),  a  auditoria  informa  que  a  mercadoria,  conforme  laudo  técnico,  não se enquadra no Ex­tarifário, porque não satisfaz a condição  de  produção  de  650  fraldas  ou  mais  peças  por  minuto.  Além  disto,  não  se  trata  do  modelo  que,  conforme  dados  técnicos  extraídos  da  página  do  fabricante  "www.fameccanica.com/en/sezioni_prodotti.htm",  satisfaz  as  condições necessárias ao beneficio fiscal do "Ex".  Regularmente  cientificada  (fl.  196),  a  interessada  apresentou  impugnações  tempestivas, às  fls.  199/209 e 241/251, nas quais,  em síntese:  Alega  que,  conforme  o  laudo  pericial,  a  máquina  pode  atingir  um  volume  de  675  peças  por  minuto,  dependendo  do  comprimento do produto e da velocidade de trabalho imposta, e  corresponde ao padrão definido no Ex­tarifário.  Afirma  que  a  vistoria  para  o  laudo  complementar  não  chegou  sequer  a  verificar  efetivamente  o  volume  de  peças  produzidas  Fl. 911DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10730.004241/2009­83  Acórdão n.º 3202­000.811  S3­C2T2  Fl. 911          3 pela máquina  em  funcionamento. Mas  que,  de  qualquer  forma,  não constatou a insatisfação quanto ao número e que a questão  da qualidade, além de não  ser um expert  no assunto,  reflete­se  nos preços praticados ao alcance de uma determinada camada  social  Esclarece  que  a  velocidade  máxima  da  máquina  de  fraldas  é  obtida  dividindo­se  a  velocidade  de  trabalho  em  metros/minutos pelo comprimento da menor peça fabricada, que  no caso é 370 mm (0,37 m), resultando, portanto, para o caso do  sistema integrado FAX Superstar que a velocidade máxima é de  675  fraldas/minuto.  E  que  a  divergência  da  perícia  resulta  do  fato de que foi observado e filmado pelo perito a velocidade de  produção corrente e não a velocidade máxima, obtida apenas em  fraldas menores.  Aduz  que  a  velocidade  de  produção  depende  do  produto,  da  matéria­prima, das condições ambientais e da performance dos  operadores,  mas  que  a  máquina  satisfaz  as  condições  do  Ex­ tarifário  se  colocada  para  produzir  na  maior  celeridade  possível. Mas que, após observar a máquina em funcionamento,  a  vistoria  concluiu  que  foram  produzidas  650  fraldas,  além  de  um percentual de peças semiprejudicadas.  Alega  que  a  abusiva  autuação  fere  vários  princípios  constitucionais, tais como o do direito adquirido, da motivação,  da primazia dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa,  da prioridade do desenvolvimento nacional, do não confisco e da  propriedade privada, pois a máquina já estava nacionalizada e o  processo de conferência encerrado. Daí resulta a impropriedade  de modificar a classificação retirando­a do Ex­tarifário e lançar  complemento  fiscal,  sem  justificativa  concreta  e  de  forma  imotivada,  indiferente  às  consequências  sociais  e  aos  graves  reflexos que poderão advir ao complexo industrial que emprega  mais  de  900  empregados,  tendo  em  vista  a  função  social  da  empresa,  e  agindo  contra  os  interesses  nacionais,  o  desenvolvimento econômico e o progresso social.  Requer o cancelamento da presente autuação.  A  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BSA n.º 07­ 29.789, de 24/08/2009 (fls. 862 e ss), assim ementado:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 28/12/2006  EX­TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.  Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um  determinado código fiscal para um Ex­tarifário, é necessário que  suas características essenciais estejam perfeitamente adequadas  às  especificações  estabelecidas  no  referido  “Ex”.  Qualquer  discrepância  entre  as  características  da  mercadoria  que  se  pretende  destacar  com  aquelas  descritas  no  “Ex”  pretendido  impossibilita o enquadramento no destaque tarifário.  Fl. 912DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Irresignada, a  interessada apresentou, no prazo  legal,  recurso voluntário de fls.  873/882, com fundamento nas  seguintes  razões de defesa, aqui  relatadas no que  interessa ao  deslinde do litígio:  Fez a aquisição da máquina justamente por estar enquadrada no Ex­tarifário. A  descrição da mercadoria  importada informada na Declaração de Importação – DI, confirmada  em  laudo  pericial,  indica  que  a  máquina  pode  atingir  até  675  peças,  a  depender  do  comprimento do produto e da velocidade de trabalho imposta.  O laudo resultante da vistoria concluiu pela inadequação ao Ex­tarifário, porém  não  chegou  sequer  a  verificar  o  volume  de  peças  produzidas  pela  máquina,  declarando  a  dificuldade de  fazê­lo  em  razão do elevado volume que dela  saía,  inclusive pelo  atolamento  causado  pelo  desprendimento  de  fraldas  do  transportador  do  stacker  e  o  prosseguimento  de  fraldas desordenadas.  A divergência da perícia realizada por ocasião da vistoria resulta do fato de que  o que  foi  observado pelo perito  foi  a velocidade  corrente  e não  a velocidade máxima, que é  obtida apenas com fraldas menores. A velocidade varia em função do produto, das matérias­ primas, das condições de umidade e temperatura, da performance dos operadores etc. Afora o  fato  de  o  procedimento  reclassificatório  violar  um  direito  adquirido,  “vale  ressaltar  que  a  vistoria conclui por ela após observar a máquina em funcionamento e o produto dele resultante,  que saiu na quantidade prevista no Ex­tarifário (650 fraldas) com um percentual de peças semi  prejudicadas  o  que  é  comum,  o  que  implica  na  sua  distribuição  entre  os  1.000  (mil)  funcionários da empresa”.  A  fiscalização esteve no parque  industrial  e observou a máquina  funcionando,  testando o seu volume de produção, que atinge o volume previsto para enquadramento no Ex­ tarifário, independentemente do produto final, desde que a máquina seja colocada para produzir  na maior celeridade possível.  A  Recorrente  ressalta  princípios  constitucionais,  uma  vez  que  a  máquina  já  estava  nacionalizada  e  o  processo  de  conferência  encerrado.  Turvou­se  o  seu  direito  de  propriedade.  Fabrica  produtos  de  vários  tipos  e  padrões,  com  o  fito  de  atender  a  todas  as  camadas  sociais,  pelo  que  o  acórdão  recorrido  desconsiderou  interesses  comunitários,  uma  forma de atacar o desenvolvimento social.  A exigência acarreta sério dano financeiro à Recorrente.  A decisão recorrida manteve o lançamento sem motivação.  O  processo  digitalizado  foi  distribuído  a  este  Conselheiro  Relator,  na  forma  regimental.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  Fl. 913DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10730.004241/2009­83  Acórdão n.º 3202­000.811  S3­C2T2  Fl. 912          5 O cerne da questão diz com o enquadramento ou não de mercadoria importada  pela Recorrente em “Ex­tarifário”.  O equipamento importado é o FA­X SUPERSTAR, identificado como Sistema  Integrado Automático (SI 308) e constituído por componentes descritos no art. 2° da Resolução  CAMEX  N°  26,  de  05/10/2004.  Destina­se  à  fabricação  de  fraldas  descartáveis,  tipo  multipeças,  com  aplicação  de  gel  absorvente  (poliacrilato  de  sílica)  e  difusor  de  urina,  características  técnicas  que  aqui  não  se  discutem.  A  divergência  se  restringe  apenas  a  sua  capacidade  de  produção:  se  igual  ou  superior  a  650  fraldas  por  minuto,  no  entender  da  Recorrente,  ou  se  inferior  a  este  volume,  no  entendimento  da  fiscalização,  definição  que  ensejaria ou não a aplicação da regra excepcional de classificação em Ex­tarifário.  Segundo  ressai  dos  autos,  foram  os  seguintes  os  exames  realizados  no  equipamento importado:  1º  EXAME:  durante  o  despacho  aduaneiro,  a  Recorrente  apresentou  laudo  técnico, subscrito pelo assistente técnico Sérgio Lima Maya, concluindo, com fundamento em  cálculos  matemáticos  (divisão  da  velocidade  de  trabalho  pelo  comprimento  da  fralda),  pelo  enquadramento da mercadoria no Ex­tarifário, uma vez que capacidade de produção seria de  657  peças  por minuto  (ressalva  de próprio  punho  ao  final  do  documento). Cumpre destacar,  como  já  o  fez  a  DRJ,  que  dados  técnicos  disponibilizados  pelo  fabricante  do  equipamento  foram desconsiderados pelo assistente técnico, especificamente a escala de eficiência variável  entre 85 a 95% a depender da velocidade do equipamento. Assim, quanto maior a velocidade,  menor eficiência na produção;    2º EXAME: perícia técnica realizada pelo perito credenciado Elcino Del Penho  Júnior,  em  5/12/2008,  no  equipamento  importado  já  em  pleno  funcionamento  no  próprio  estabelecimento industrial da Recorrente, havendo­se concluído que a sua produção era de 456  fraldas  por minuto,  próxima  a  indicada  pelo  próprio  fabricante  (a  FAMECCANICA divulga  que  a  capacidade  produtiva  da  máquina  importada  pela  Recorrente  é  de  até  500  peças  por  minuto);  3º  EXAME:  uma  segunda  vistoria  na  máquina,  realizada,  em  2/4/2009,  pelo  mesmo  perito  credenciado,  apontou,  em  laudo  complementar,  que  o  equipamento  importado  apresentara  uma  capacidade  de  produção  de  608  fraldas  por  minuto  –  ainda  inferior  ao  necessário para o enquadramento no Ex­tarifário. De ressaltar, no entanto, que, para atingir  essa produção, o equipamento foi submetido a condições excepcionais de velocidade, em ritmo  de produção que seus próprios operadores não estavam familiarizados, tanto que fraldas caíram  da  máquina,  não  foram  dobradas  adequadamente,  não  foram  conduzidas  corretamente  ao  empacotamento ou apresentavam algum outro problema relativo a defeito de fabricação.  Nesse  cenário,  tudo  está  a  comprovar,  permita­me  o  truísmo,  que  o  laudo  apresentado  pelo  assistente  técnico  está,  no  mínimo,  equivocado,  porque,  além  de  ter  desconsiderado  dados  técnicos  importantes  fornecidos  pelo  próprio  fabricante,  não  foi  realizado  em  equipamento  em  plena  operação,  ao  contrário  do  que  se  verificou  nas  duas  perícias técnicas seguintes, que, ademais, foram realizadas com base em dados divulgados pelo  próprio fabricante.  De conseguinte, entendo assistir razão à fiscalização.  Ademais,  além  de  não  ter  conseguido  desacreditar  os  exames  realizados  pelo  perito  credenciado,  a Recorrente  apenas  traz,  como matéria  de  defesa,  considerações  que  se  podem qualificar como metajurídicas, insuficientes, por sua própria natureza, para invalidar o  Fl. 914DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     6 lançamento,  o  qual,  em  contradição  com o  que  se  alega,  traz  todos  os motivos  de  fato  e  de  direito em que se fundamenta.  Com respeito à alegação de violação a princípios constitucionais, entre os quais  o  direito  adquirido,  e  ao  direito  de  propriedade,  cabe  assentar  que  a  revisão  aduaneira  é  procedimento absolutamente legal (art. 54 do Decreto­lei n.º 37, de 1996, e art. 8º do Decreto­ lei n.º 1.578, de 1977), destinado a permitir ao Fisco apurar, após o desembaraço aduaneiro, a  regularidade da importação ou da exportação e exigir, em sendo o caso, os tributos porventura  não recolhidos.   Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                                  Fl. 915DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10380.006547/2004-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon- Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon- Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 235          1 234  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.006547/2004­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­001.366  –  1ª Turma Especial   Sessão de  19 de julho de 2012  Matéria  Crédito PIS Não­Cumulativo  Recorrente  DEL MONTE FRESH PROD BRASIL LTDA.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2003  PIS/PASEP NÃO­CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E  CUSTOS  DISSOCIADOS  DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  DESCABIMENTO.  Existe  vedação  legal  para  o  creditamento  de  despesas  que  não  podem  ser  caracterizadas  como  insumos dentro da  sistemática de  apuração de  créditos  pela não­cumulatividade do Pis/Pasep.  PIS NÃO­CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS.  O  creditamento  de  gastos  com  fretes,  desde  que  contratados  com  pessoas  jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma  operação de venda.  PIS  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITO.  EMBALAGENS  DE  TRANSPORTE.  As  embalagens  que  se  destinam  tão  somente  ao  transporte  dos  produtos  acabados  (embalagens  de  transporte)  não  geram  direito  a  creditamento  em  relação a suas aquisições.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I  ­  Por  unanimidade  de  votos  negar  provimento  quanto  às  glosas  decorrentes  dos  encargos  de  depreciação.  II  ­  Pelo  voto  de  qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação  às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva  Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III ­ Por  maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 47 /2 00 4- 87 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     2 relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva  Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para  elaborar o voto vencedor.       (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora    (assinado digitalmente)  Jose Luiz Bordignon­ Redator Designado    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon,  Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.      Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 236          3 Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ ­ Fortaleza/CE, abaixo  transcrito:  "Trata­se  de  processo  contendo  Pedido  de  Ressarcimento  de  crédito correspondente ao Pis/Pasep – Exportação, apurado sob  a sistemática do regime de incidência não­cumulativa, referente  ao 2º Trimestre de 2003, totalizando R$ 128.137,87, formalizado  mediante  a  transmissão  do  PER/DCOMP  de  número  24427.14199.290906.1.3.085228, fls. 17/27.  Tendo por  substrato  Informação Fiscal  elaborada pelo  Serviço  de Fiscalização  local,  fls. 105/107, a DRF Fortaleza,  por meio  de  Despacho  Decisório  datado  de  29/10/2010,  fls.  154/157,  reconheceu  crédito  no  valor  de  95.182,81  e  homologou  parcialmente as compensações.  O não reconhecimento integral decorreu de glosas efetuadas em  determinados  créditos  considerados  pela  pessoa  jurídica,  mais  especificadamente  concernentes  a  fretes,  despesas  com  depreciação  e  com  pallets,  cantoneiras  e  demais  produtos  utilizados em embalagem destinada ao transporte.  Quanto  às  glosas  com  fretes  e  despesas  com  depreciação,  consubstanciadas nos demonstrativos de fls. 76/103, nos valores  respectivos  de  15.465,43  e  9.009,44,  foram  efetuados  pelos  fundamentos a seguir delineados.  Segundo registrado na Informação Fiscal, quanto aos descontos  com os fretes, foi afirmado que “Somente a partir de fevereiro de  2004  é  que  passou  a  ser  admitido,  para  fins  de  apuração  de  crédito de PIS, as despesas com frete,  conforme Lei 10.833, de  29 de dezembro de 2003, em seu art. 3º, inciso IX do caput, c/c  art.  15,  inciso  II  e  art.  93”."  Em  relação  às  despesas  com  depreciação,  a  glosa  efetivou­se  porque  “não  houve  a  apresentação  das  notas  fiscais  que  comprovam  a  despesa  que  deu origem à depreciação”.  No  que  diz  respeito  à  glosa  correspondente  ao  item  pallets,  cantoneiras  e  demais  produtos  utilizados  em  embalagem  destinada ao transporte, teve como lastro o demonstrativo de fl.  104,  no  valor  de  8.480,19,  tendo  sido  afirmado  que  de  acordo  com  esclarecimentos  e  fotos  apresentados  pela  empresa,  “os  pallets  e  as  cantoneiras  são  utilizados  no  processo  como  embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em  unidades  maiores,  promovendo,  assim,  uma  eficiente  movimentação  das  mercadorias  nas  empilhadeiras  e  carregamento  nos  containers,  quando  da  realização  do  transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”.  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     4 Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do  art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art.  66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de  2002, afirmou a autoridade  fiscal que “somente dão direito ao  crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os  produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte  de produtos não geram direito ao crédito do PIS”.  No  Despacho  Decisório,  a  Autoridade  Local  reiterou  o  posicionamento  versado na  Informação Fiscal  e deliberou pelo  reconhecimento  parcial  do  crédito,  no  valor  de  95.182,81.  A  ciência deu­se em 08/11/2010, fl. 154/157.  Não  satisfeita  com o que  foi  decidido,  em 30/11/2010 a pessoa  jurídica  apresentou Manifestação  de  Inconformidade,  166/177,  argumentando  tratar­se  de  empresa  “produtora  de  variados  tipos  de  frutas  in  natura  destinada  à  exportação,  de modo  que  para  garantir  a  qualidade  e  conservação  de  seus  produtos  é  INDISPENSÁVEL a utilização de determinados materiais para a  embalagem”.  Segundo consta na Informação Fiscal, “somente as embalagens  que acondicionam os produtos de  forma  individual e autônoma  poderiam  gerar  crédito  de  PIS.  Assim,  as  demais  embalagens  utilizadas,  em especial àquelas adquiridas para a proteção das  frutas  frescas durante seu transporte ao exterior, não gerariam  direito ao crédito”.  Todavia, no entender da  impugnante, “os pallets, cantoneiras e  demais  produtos  são  considerados  embalagens  de  acondicionamento”,  posto  que  a  tipificação  adotada  pela  autoridade  fiscal  teria  se  apoiado,  dentre  outros,  no  art.  6º  do  Decreto nº 4.544, de 2002, o Regulamento do IPI, enquanto no  caso presente a matéria em discussão diz respeito a apuração da  Contribuição para o Pis/Pasep de forma não­cumulativa, regime  que  não  se  confunde  com a  não­cumulatividade  encontrada  no  IPI.  Afirmou  a  peticionante  que  “estamos  tratando  de  créditos  de  PIS,  o  qual  tem como  fato  gerador  as  receitas  provenientes  da  PRODUÇÃO da empresa. Registre­se, por oportuno, no vertente  caso o contribuinte não é uma indústria, mas uma produtora de  frutas  frescas,  sem  qualquer  beneficiamento”,  que  a  distinção  entre a embalagem de apresentação e embalagem de transporte  fora  definida  para  fins  de  incidência  do  IPI  (RIPI),  não  sendo  considerada no caso de ressarcimento do PIS, que possuem um  fato gerador mais amplo”. Ao seu ver, “Na legislação, tanto do  PIS, quanto da COFINS, os créditos de embalagem utilizadas na  produção são expressamente autorizadas, conforme veremos ao  longo desta manifestação”.  Discorreu ainda que os “pallets (ou estrados), as cantoneiras, e  os demais produtos utilizados no processo produtivo,  têm como  finalidade  a  acomodação  das  caixas  em  unidades  maiores,  viabilizando  a  eficiente  movimentação  de  uma  mercadoria  extremamente frágil (fruta fresca e natural) nas empilhadeiras e  carregamento  nos  containers,  quando  da  realização  do  transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”, que  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 237          5 “sem tais materiais seria impossível a comercialização de frutas  in  natura  para  o  exterior!”  face  o  que  não  poderia  haver  qualquer dúvida quanto ao direito a referido crédito.   Objetivando  fundamentar  sua  argumentação,  trouxe  à  colação  doutrina do  insigne constitucionalista Roque Antônio Carrazza,  ementas  de  Soluções  de  Consulta  prolatadas  nas  Divisões  de  Tributação (Disit) da 6ª e da 10ª Regiões Fiscais e das Soluções  de Consultas Internas nº 102 e nº 118, ambas de 2008.   De acordo com a hermenêutica da peticionante, seria possível se  depreender dessas duas últimas ementas que “Não configurando  ativo  imobilizado,  surge  a  possibilidade  de  ressarcimento  de  crédito  no  caso  em  apreço,  e;  Se  até  nos  casos  que  não  há  a  suspensão do tributo torna possível o ressarcimento dos créditos,  quanto  mais  no  caso  em  tablado”,  arrematando  no  sentido  de  que  “os  pallets  (ou  estrados)  e  as  cantoneiras,  e  os  demais  produtos  objeto  de  glosa,  são,  unicamente,  materiais  de  embalagem, não retornando a empresa exportadora, e por isso,  gerando créditos por não pertencerem ao ativo imobilizado”.  No  que  tange  à  glosa  correspondente  às  despesas  com  frete,  decorrente da possibilidade do creditamento somente a partir de  fevereiro/2004, face o determinado pelo art. 3º, inc. IX e art. 15,  inc.  II,  ambos  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  manifestou­se  no  sentido  de  que  referida  legislação  não  teria  trazido  qualquer  inovação quanto ao aproveitamento de crédito do Pis, referente  a  despesas  com  fretes,  posto  que  a  Lei  nº  10.637,  de  2002,  já  permitiria  a  utilização  de  crédito  dessa  natureza.  Segundo  o  contribuinte,  a  glosa  em  questão  teria  se  apoiado  em  lei  estritamente  elucidativa,  que  unicamente  esclareceu  possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637, de 2002.  Ao  final  de  suas  considerações  postulou  o  deferimento  integral  do  crédito  e  a  homologação  das  compensações  em  sua  totalidade,  como  também que  fosse  oportunizada a  sustentação  oral por parte do signatário da peça em apreciação, quando da  inclusão do presente processo em pauta de julgamento.  Acompanhando  a  Manifestação  de  Inconformidade,  foram  apresentadas cópias de Instrumento Público de Procuração e da  53ª Alteração Contratual.  A  Unidade  Local  efetuou  os  cadastramentos  necessários  nos  sistemas  de  controle  interno  e  encaminhou  o  processo  à  esta  DRJ para conhecimento e deliberação.   É o que se tem a relatar.”   Analisando  o  litígio,  a  DRJ  ­  Fortaleza/CE  entendeu  por  bem  manter  a  decisão que homologou parcialmente a compensação, conforme ementa abaixo transcrita:  “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­ calendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE  CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS.  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     6 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no  regime  não­cumulativo,  créditos  calculados  sobre  valores  correspondentes a insumos assim entendidos as matérias primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação.  PALLETS,  CANTONEIRAS  E  DEMAIS  PRODUTOS  UTILIZADOS  EM  EMBALAGEM  DESTINADA  AO  TRANSPORTE.  As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a  fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinam­se  tão somente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito  ao crédito.  DESPESA COM FRETE. CRÉDITO.  DESCONTO DO  VALOR  APURADO.  A dedução no valor apurado da contribuição do PIS/PASEP pelo  crédito gerado com as despesas com fretes, nos casos dos incisos  I  e  II  do  art.  3º  da Lei  nº  10.833,  de  2003,  quando o  ônus  for  suportado pelo vendedor, tornou­se possível somente a partir de  1º de fevereiro de 2004, conforme estabelecido pelo art. 93, inc. I  do citado diploma legal.  SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO.  No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão  para  a  realização  de  sustentação  oral  durante  a  sessão  de  julgamento de primeira instância.  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido”.  Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a  empresa traz as seguintes alegações, em resumo:    · As  despesas  com  serviços  de  expedição  de  produtos  enquadram­se  no  conceito  de  insumos,  uma  vez  que  são  necessárias  e  indispensáveis  para  o  funcionamento  da  cadeia  produtiva.  Isto  é,  as  despesas  relativas  às  embalagens destinadas ao transporte dos produtos geram crédito de PIS;  · Não houve omissão no que se refere às glosas relativas à depreciação,  uma  vez  que  o  pedido  aduzido  na  Manifestação  de  Inconformidade  fez  referência à totalidade do valor requerido no Pedido de Ressarcimento;  · O direito ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com fretes  já estaria albergado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.637/2002.    É o relatório.      Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 238          7 Voto Vencido  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Em síntese, o que será analisado no presente processo administrativo é se a  Recorrente  faz  jus  a  créditos  de PIS  decorrentes  de  despesas  com depreciação,  com  fretes  e  com materiais de embalagem destinados ao transporte dos produtos ao destinatário final.  Pois bem.  Por meio do despacho decisório proferido nos autos, a Delegacia da Receita  Federal  em  Fortaleza/CE  houve  por  bem  negar  homologação  ao  Pedido  de  Ressarcimento  decorrente  das  despesas  de  depreciação,  com  relação  às  quais  não  houve  a  apresentação  de  notas fiscais comprobatórias de sua origem.  A referida decisão foi mantida pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em  Fortaleza/CE,  ao  argumento  de  que  a  Recorrente  teria  se  mantido  omissa  quanto  às  glosas  decorrentes dos encargos de depreciação, tratando­se de matéria não impugnada.  Embora o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade faça referência  à totalidade do valor requerido no presente Pedido de Ressarcimento, é certo que a Recorrente  não  trouxe,  em  nenhum  momento  que  lhe  fora  oportunizado  o  direito  de  defesa,  qualquer  elemento ou fundamento capaz de infirmar o entendimento da Delegacia de origem, no sentido  de que inexiste a comprovação da origem das despesas de depreciação glosadas. Por esta razão,  voto pelo conhecimento e desprovimento do Recurso Voluntário neste ponto.  No entanto, o inconformismo da Recorrente no que diz respeito às despesas  com materiais de embalagem e com fretes merece prosperar.  Não se discute que o regime de créditos na sistemática da não­cumulatividade  do PIS e COFINS é mais amplo que aquele utilizado no âmbito da não­cumulatividade do IPI.  Nesse sentido é o magistério de Marco Aurélio Greco, confira­se:  "Note­se,  inicialmente,  que  as  Leis  de  PIS/COFINS  não  fazem  expressa  remissão  à  legislação  do  IPI.  Vale  dizer,  não  há  um  dispositivo  que,  categoricamente,  determine  que  "insumo"  deva  ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele  imposto.  Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não­ cumulatividade  que,  em  se  tratando  de  PIS/COFINS,  não  encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI.  Realmente,  no  âmbito  da  não­cumulatividade  do  IPI,  a  CF/88  (art. 53, §3º, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado  nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido  em relação a algo que seja "produto  industrializado", de modo  que  a  palavra  "insumo"  só  pode  evocar  sentidos  que  sejam  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     8 necessariamente compatíveis com essa idéia (= algo fisicamente  apreensível). Por  isso,  insumo para  fins de não­cumulatividade  de  IPI  é  conceito  de  âmbito  restrito,  por  alcançar,  fundamentalmente,  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais de embalagem.  Por  outro  lado,  nas  contribuições,  o  §11  do  artigo  195  da CF  não  fixa  parâmetros  para  o  desenho  da  não­cumulatividade  o  que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar  calcular  o  crédito  sobre  o  valor  dos  dispêndios  feitos  com  a  aquisição  de  bens  e  também  de  serviços  tributados,  mas  não  restringe  o  crédito  ao  montante  cobrado  anteriormente.  Vale  dizer,  a  não­cumulatividade  regulada  pelas  Leis  não  tem  o  mesmo  perfil  da  pertinente  ao  IPI,  pois  a  integração  exigida  é  mais funcional do que apenas física.  Assim,  por  exemplo,  no  âmbito  do  IPI  o  referencial  constitucional  é  um  produto  (objeto  físico)  e  a  ele  deve  ser  reportada  a  relação  funcional  determinante  do  que  poderá,  ou  não, ser considerado "insumo".  Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita  é  a  "produção  ou  fabricação",  vale  dizer  às  ATIVIDADES  e  PROCESSOS  de  produzir  ou  fabricar,  de  modo  que  a  partir  deste  referencial  deverá  ser  identificado  o  universo  de  bens  e  serviços reputados seus respectivos insumos.  Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário,  o termo "insumo" não tem um sentido único; sua amplitude e seu  significado  são  definidos  pelo  contexto  em  que  o  termo  é  utilizado, pelas balizas juridíco­normativas a aplicar no âmbito  de  determinado  imposto  ou  contribuição,  e  as  conclusões  pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para  outro.  No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato  é a  receita ou o  faturamento, portanto, sua não­cumulatividade  deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação  do montante a recolher em função deles (receita/faturamento).  Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido  de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do  faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou  funcionais)  relevantes  para  sua  obtenção.  Vale  dizer,  por mais  de  uma  razão,  o  universo  de  elementos  captáveis  pela  não­ cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI”.  (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista  Fórum de Direito Tributário, v. 34, juL/ago. 2008)  Observe­se,  portanto,  que  a  análise  do  regime  de  créditos  atinentes  à  não­ cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS  deve  levar  em  consideração  todas  as  atividades  envolvidas no processo de formação da receita ou faturamento de determinada pessoa jurídica.  Aplicando­se  tais  ensinamentos  ao  caso  concreto,  não  há  dúvidas  de  que  a  exportação  das mercadorias  integra  o  processo  de  formação  da  receita  da Recorrente. Deste  modo,  as  despesas  incorridas  com  o  material  de  embalagem  necessário  ao  transporte  dos  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 239          9 produtos da Recorrente (e, em última análise, à sua distribuição e comercialização), deve gerar  direito ao aproveitamento do crédito de PIS e COFINS.  Soma­se ao exposto acima que a Instrução Normativa nº. 404/2004, ao dispor  sobre a incidência não­cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  na forma estabelecida pela Lei nº 10.833/2003, não distingue, no conceito de insumo, qualquer  espécie de material de embalagem para fins de desconto de créditos, veja­se:  “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  (...)  §  4º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado; (...)”.  Sobre o tema, inclusive, já se pronunciou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara  da Terceira Seção de Julgamento do CARF:  “INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  CRÉDITOS.  BENS  E  SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.  O COFINS incidente nas aquisições de bens e serviços utilizados  no processo produtivo, desde que não estejam incluídos no ativo  imobilizado, gera direito a crédito.  Recurso Voluntário Provido”.  (  Processo  nº  13931.000340/200756,  Recurso  nº  511.759  Voluntário, Acórdão nº 330200.766, Sessão de 10 de dezembro  de 2010)  Extrai­se do inteiro teor do voto condutor do referido julgado:  “Quanto  aos  paletes,  estrados,  ripas  e  etiquetas,  o  acórdão  recorrido  nega  o  creditamento  aduzindo  que  a  contribuinte  os  utiliza para embalar e proteger seus produtos até o seu destino  final,  se  destinando  inequivocamente  apenas  para  movimentação, armazenagem e transporte de produtos, sem que  haja  a  incorporação  desses  bens  durante  o  processo  de  industrialização.  Mas  apenas  com  a  sua  utilização  depois  de  concluído  o  processo  produtivo,  não  pode  gerar  direito  ao  crédito da contribuição.  Ao  contrário  do  que  afirma  o  decisum,  entendo  que  esses  produtos  são  incorporados  ao  produto  final,  pois  sem  eles não  podem  ser  comercializados,  quer  por  exigência  da  legislação,  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     10 quer por propiciar o manuseio/transporte. O seu enquadramento  como insumo está previsto na alínea “a”, inc. I, do § 4º, do art.  8º, da INSRF 404/04, ipsis verbis:  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado; (grifo nosso)  Conveniente  lembrar  a  regra  de  hermenêutica  insculpida  no  aforismo  de  que  ao  intérprete  não  cabe  distinguir  quando  a  norma  não  distingue,  restando  inconcebível  interpretação  restritiva,  assim  como  o  estabelecimento  de  óbices  não  expressamente  previstos  na  lei.  No  caso  em  comento,  a  norma  contempla  “material  de  embalagem”,  sem  qualquer  especificação,  portanto  abrange  todo  tipo  de  embalagem  aplicado  no  processo  produtivo,  independentemente  de  sua  finalidade, vez que a norma não faz distinção.  Portanto,  os  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  paletes,  estrados, ripas e etiquetas, utilizados para embalar, armazenar,  proteger e identificar seus produtos, podem ser deduzidos”.  Finalmente,  o  Recurso Voluntário  interposto  pela  Recorrente  também  deve  ser provido no que se  refere  às despesas com fretes. De fato, a possibilidade de desconto de  créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à  venda sempre  esteve  albergada pelo  inciso  II  do  artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, que  assim  determina:  “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  –  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”.  É  o  que  verifica  na  hipótese.  A  “PLANILHA  I  ­  GLOSAS  EFETUADAS  EM DESPESAS COM FRETES”  que  instrui  os  autos  faz menção  à  nota  fiscal  de  entrada,  emitida pelos  fornecedores ali  listados, donde se presume que o valor do  frete corresponde a  serviço utilizado pela Recorrente em seu processo produtivo.    Ora, a própria legislação de regência, como visto, admite que serviços sejam  utilizados como insumo na produção de bens.  Infere­se, aí, que o legislador tributário adotou  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 240          11 um sentido amplo para o termo, fazendo com que seu alcance chegasse a uma utilidade fruída  pelo produtor para viabilizar a venda de seu produto – no caso, o serviço de transporte.     Importante  ressaltar  que  o  PIS  é  contribuição  cujo  pressuposto  de  fato  é  a  receita ou o faturamento. Por essa razão, sua não­cumulatividade deve ser vista como técnica  voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita/faturamento.  O processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos  relevantes para sua obtenção.   Daí se conclui serem considerados como "utilizados como insumo" para fins  de  não  cumulatividade  de  PIS/COFINS  todos  os  elementos  físicos  ou  funcionais  que  sejam  relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais  resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.    Assim, entendo que a alegada inovação promovida pela Lei nº. 10.833/2003,  que  teria  trazido  ao  mundo  jurídico  a  possibilidade  de  aproveitamento  de  créditos  na  contratação de fretes, veio apenas convalidar o que, na prática, já estava autorizado, em termos  amplos, pelo artigo 3º., inciso II, da Lei no. 10.637/2002.    Neste  sentido,  voto  pelo  conhecimento  e  parcial  provimento  do  Recurso  Voluntário, reconhecendo o direito de desconto de créditos decorrentes de despesas com fretes  e materiais de embalagem.    Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     12 Voto Vencedor  Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado  Não  obstante  as  respeitáveis  razões  exaradas  no  voto  da  ilustre  Relatora,  discordo do seu entendimento quanto a possibilidade de creditamento de despesas com fretes e  de materiais de embalagem, e o faço pelos motivos abaixo explicitados.     1. Das Despesas com Fretes  A  Recorrente  se  insurge  contra  as  glosas  de  suas  despesas  com  fretes.  Sustenta o direito aos referidos créditos em razão de:  “O  Ilustre  Auditor  glosou  a  importância  de  R$  16.897,89  (dezesseis mil, oitocentos e noventa e sete reais e nove centavos)  referente as despesas com frete.  O  Agente  Fiscal  afirma  que  somente  a  partir  de  fevereiro  de  2004 o aproveitamento de crédito de PIS, a título de despesa de  frete,  passou  a  ser  permitido,  justificando  assim  a  glosa  no  artigo 3º, IX; artigo 15, II e artigo 93 da Lei nº 10.833/2003.  Todavia,  cumpre­nos  elucidar  que  a  referida  legislação  não  trouxe qualquer inovação sobre a matéria de aproveitamento de  crédito de PIS, referente a despesas com frete, uma vez que a Lei  nº 10.637/2002 já permitia a utilização dos créditos referente a  despesas com frete.   [...]  Ora, a glosa efetuada pelo Agente Fiscal teve fundamento legal  em  uma  lei  estritamente  elucidativa,  ou  seja,  uma  lei  que  não  inovou  ou  gerou  direitos,  mas  unicamente  esclareceu  uma  possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637/2002.  Desse  modo,  torna­se  indevida  a  glosa  efetuada  pelo  Agente  Fiscal,  pelos  motivos  acima,  posto  ter  o  contribuinte  agido  dentro dos limites permissivos da legislação”.    Importante se faz, para bem analisar a questão aqui discutida, trazer a lume a  legislação de que trata o direito ao crédito das despesas com fretes, nas operações de vendas,  arcado pela pessoa jurídica, relacionadas à apuração das Contribuições não­cumulativas para o  Pis/Pasep e Cofins.   A Lei nº 10.637, de 2002, instituidora do regime de apuração não­cumulativa  da Contribuição para o PIS/Pasep,  fixou em seu art. 3º quais os custos/despesas passíveis de  integrar a base de cálculo como crédito a ser descontado, dentre os quais o valor dos serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/2004­87  Acórdão n.º 3801­001.366  S3­TE01  Fl. 241          13 A  partir  da  Lei  no  10.833,  de  2003,  o  regime  de  apuração  não­cumulativa  passou  a  ser  adotado  também  para  a  Cofins,  sendo  admitido,  a  partir  de  então,  o  aproveitamento  de  crédito  sobre  os  valores  dos  gastos  efetuados  com  a  armazenagem  de  mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa  vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2  o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]  [...]  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor. [...]  Por sua vez, o art. 15 da Lei no 10.833/2003 estendeu o permissivo previsto  no  inciso  IX  às  pessoas  jurídicas  incluídas  no  regime  de  incidência  não­cumulativa  da  Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de  2004.   Da análise da evolução legislativa acima exposta, permite­se concluir que o  creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no  País, somente poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. É questão de  prova. No entanto, a Recorrente não trouxe, seja na impugnação, seja nessa instância recursal,  qualquer  elemento  que  demonstrasse  a  vinculação  da  referida  despesa  com  as  operações  de  venda.   Portanto, no caso em tela, os gastos relativos ao frete de que trata a planilha I,  fls. 74/87, no valor de R$ 15.465,43, não são passíveis de creditamento para fins de apuração  do valor devido das contribuições não­cumulativas.    2. Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Utilizados em Embalagem.  Com  relação  as  glosas  das  despesas  com  embalagens,  a  Recorrente  assim  defendeu seu direito:  “As  embalagens  desconsideradas  são  essenciais  para  garantir  eficiência na exportação, permitindo a conservação dos produtos  no final até sua chegada no porto de destino, atendendo assim a  sua qualidade.  Os  pallets  (ou  estrados),  as  cantoneiras  e  os  demais  produtos  utilizados  no  processo  produtivo,  têm  como  finalidade  a  acomodação  das  caixas  em  unidades  maiores,  viabilizando  a  eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil  (FRUTA  FRESCA  E  NATURAL)  nas  empilhadeiras  e  carregamento  nos  containers,  quando  da  realização  do  transporte  terrestre  e  marítimo  até  os  locais  destinatários,  conforme documentos anexos.  Ademais, os pallets, as cantoneiras e demais produtos utilizados  para  a  embalagem  não  compõem  o  ativo  imobilizado  da  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     14 empresa, uma vez que tais mercadorias não retornam a empresa  exportadora,  sendo  colocadas  nos  containers  e  entregues  aos  seus  clientes,  pois  sem  estes  produtos  não  seria  possível  o  seu  transporte e comercialização.  As  referidas  embalagens  viabilizam  a  operação  de  uma  fruta  produzida no Ceará e consumida ainda  fresca na Europa. Sem  elas, as operações não poderiam se realizar”.    Em apertada síntese, pretende a Recorrente ter assegurado o direito creditório  relativo a contribuição para o PIS no que tange a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras  e  demais  produtos)  utilizados  para  acomodação  de  caixas  de  frutas  frescas  destinadas  à  exportação. Defende a tese de que os gastos com embalagens, sejam elas de acondicionamento  ou transporte, estariam enquadrados no conceito de insumos.   Nesse aspecto, é meu pensar que a Recorrente não tem razão. O alargamento  do sentido do termo “insumos” que se quer imprimir não pode prosperar.  No  caso  vertente,  as  despesas  com  embalagens  não  se  relacionam  com  o  processo  produtivo  da  empresa,  mas  em  etapa  posterior  à  produção  do  bem,  isto  é,  ao  transporte inerente à fase de comercialização do produto.  Assim  sendo,  uma  vez  que  a  lei  se  refere  expressamente  à  utilização  do  insumo na produção ou fabricação e os aqui referidos não se relacionam diretamente com o  processo  fabril  da  empresa,  por  ausência  de  permissivo  legal,  os  dispêndios  agregados  em  momento  posterior  à  conclusão  do  processo  produtivo  (embalagens  utilizadas  para  o  transporte  de  mercadorias),  não  podem  ser  descontados  como  créditos  na  apuração  das  contribuições não­cumulativas.   Destarte, também improcedente a argumentação da Recorrente nesse tópico.    Com  estas  considerações,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário interposto.     É como voto.    (assinado digitalmente)   José Luiz Bordignon                 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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Numero do processo: 11065.000105/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) MULTA A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) MULTA A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     2   Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Andre  Luiz  Marsico  Lombardi  ,  Manoel  Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.  Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/2011­91  Acórdão n.º 2302­002.403  S2­C3T2  Fl. 558          3   Relatório  O presente processo contém a três Autos de Infração de Obrigação Principal,  todos  consolidados  em  28/02/2011  e  cientificados  ao  sujeito  passivo  acima  identificado,  em  01/03/2011, relativos às contribuições previdenciárias patronais – AI DEBCAD 37.303.421­0,  às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados – AI DEBCAD 37.303.422­9 e  às  contribuições  arrecadadas  para  as  terceiras  entidades  – AI DEBCAD 37.303.423­7,  todos  abrangendo o período de 01/2009 a 07/2010.  As  contribuições  previdenciárias  são  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  vinculados  a  outra  pessoa  jurídica,  URÂNIA MARKETING  E  COMÉRCIO  DE  MODA LTDA., mas entendidos pela fiscalização como prestadores de serviço à notificada .  O  relatório  fiscal de  fls, 57/65 demonstra de forma cabal a  relação entre as  duas  empresas,  onde  a  empresa  URÂNIA  MARKETING  E  COMÉRCIO  DE  MODA  LTDA.optante pelo SIMPLES, arca com toda a mão de obra necessária para que a recorrente  atinja seus objetivos sociais, com a visível  redução de tributos a serem recolhidos aos cofres  previdenciários.  Após  a  impugnação,  Acórdão  de  fls.  456/475,  julgou  o  lançamento  procedente  em parte para o DEBCAD 37.303.422­9,  referente às  contribuições dos  segurads  empregados para excluir os lançamentos até a competência 06/2010 e retificar a competência  07/2010,  porque  a  empresa  interposta  URÂNIA MARKETING  E  COMÉRCIO DE MODA  LTDA.  Já  tinha efetuado o  recolhimento das  contribuições  relativas  ao  segurado. Os demais  DEBCAD foram mantidos na sua integralidade.  Ainda  inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega em apertada síntese:  a)  cerceamento  de  defesa  pelo  indeferimento  de  prova  pericial, testemunhal e realização de vistoria;  b)  que era imprescindível provar que as atividades não são  simuladas, o que somente seria feito através da perícia;  c)  que  inexistiu  simulação, que o objeto  social  descrito no  relatório  fiscal  não  condiz  com  a  realidade,  que  os  objetivos  sociais  são  mais  extensos  do  que  os  ali  pinçados;  d)  que o objeto social constante do relatório fiscal sequer é  desenvolvido  pela  URÂNIA,  que  não  possui  inscrição  estadual para exercer o comércio;  e)  que  a  fiscal  não  checou  as  reais  atividades  desempenhadas pelas empresas;  Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 f)  que a decisão inovou ao dizer que as atividades exercidas  eram complementares;  g)  que  contratou  os  serviços  da  URÂNIA  porque  necessários a sua atividade;  h)  que a terceirização de serviços não é prova de simulação;  i)  que atualmente estão localizadas em prédios vizinhos por  estrita  conveniência  dos  serviços,  mas  originalmente  estavam localizadas em prédios distantes;  j)  os prédios tem entradas separadas, layout próprio;  k)  que apenas terceirizou serviços de cobrança à URÂNIA;  l)  que os  sócios das  empresas  investigadas  serem parentes  por si só não indica simulação;  m)  que  mesmo  possuindo  sócios  da  mesma  família  as  pessoas jurídicas são independentes e autônomas;  n)  que  as  atividades  das  empresas  são  distintas  e  por  isso  existe a discrepância na mão de obra;  o)  que mesmo antes da contratação da URÂNIA a mão de  obra da recorrente era baixa, em torno de 22%;  p)  que  a  recorrente  é  administrada  por  um  de  seus  sócios,  enquanto  a  URÂNIA  possui  profissionais  beneficiários  de salários mais elevados e por  isso gasta mais em mão  de obra;  q)  que o crédito foi constituído pelo seu valor  integral sem  considerar  os  recolhimentos  efetuados  pela  URÂNIA  como optante do SIMPLES, acarretando o bis in idem;  r)  que não foi demonstrado o ânimo de fraude para aplicar a  multa agravada. Discorre sobre o assunto.  Requer  o  provimento  do  recurso  para  a  desconstituição  da  decisão  de  primeira instância, determinando a realização das provas solicitadas ou, subsidiariamente que  seja  reformada  a  decisão  para  descaracterizar  a  infração  dada  a  inocorrência  de  simulação,  anulando­se o lançamento, ou considerar os recolhimentos efetuados no SIMPLES e que seja a  afastada a penalidade qualificada.  É o relatório.  Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/2011­91  Acórdão n.º 2302­002.403  S2­C3T2  Fl. 559          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora  Cumprido o requsito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do  recurso e passo ao seu exame.  Da Preliminar  Ressalto a  inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que os  Autos de Infração, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do  débito,  o  procedimento  fiscal  foi  desenvolvido  dentro  da  empresa,  à  vista  de  seus  administradores e empregados, tanto que foi possível à notificada contestar totalmente o débito,  o que demonstra perfeita compreensão do mesmo.  O  relatório  fiscal  de  fls.57/65,  expressa  claramente  que  porque  a  base  imponível  para  a  cobrança  das  contribuições  previdenciárias,  consubstanciadas  nesta  notificação, foi retirada das folhas de pagamento de empresa interposta na relação que deveria  se dar entrea a recorrente e os empregados.  O  direito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  assegurado  pela  Constituição  federal, não foi maculado como podemos observar do que ensina Hugo de Brito Machado in  Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304:  Os  conceitos  de  contraditório,  e  de  ampla  defesa,  são  interligados,  até  porque  o  contraditório  é,  de  certa  forma,  um  meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa.  Por contraditório entende­se a garantia de que nenhum decisão  ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No  processo administrativo  fiscal a garantia do  contraditório quer  dizer que o contribuinte tem direito de manifestar­se sobre toda e  qualquer  afirmação  dos  agentes  do  fisco,  antes  da  decisão.  E  também  que  os  agentes  do  fisco  devem  ser  ouvidos  sobre  a  defesa oferecida pelo contribuinte.  ..........................................................................................  A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra  ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada  oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido.    Portanto,  a  argumentação da  recorrente não deve prosperar. O cerceamento  de  defesa  e  a  violação  ao  princípio  do  contraditório  e  ao  princípio  da  ampla  defesa  não  restaram  caracterizados,  pois,  o  interessado  apresentou  impugnação  e  recurso  às  autuações  lavradas.  Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 A decisão de primeira instância  indeferiu o pedido de perícia apresentado e  também não vislumbro motivos para o seu deferimento. Em razão da natureza do lançamento ,  dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte entendo prescindível a perícia para a  necessária  convicção  no  julgamento  do  presente  recurso,  devendo­se  aplicar  o  disposto  nas  normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis:  DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972.  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)  PORTARIA RFB Nº 10875, 16 de agosto de 2007  Art.  11.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 15.  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 7º.  O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado e pelo  constante  no  relatório  fiscal,  entendo  que  a  eventual  prova  pericial  para  mostrar  que  as  empresas  não  trabalham  em  prédios  interligados,  ou  que  o  objetivo  social  da  empresa  interposta  é  mais  extenso  do  que  relatado  pela  fiscalização,  não  vai  alterar  a  razã  do  lançamento  Do Mérito  O  levantamento  refere­se  à  remuneração  dos  segurados  registrados  na  empresa, URÂNIA MARKETING E COMÉRCIO DE MODA LTDA,  apuradas  através  dos  valores  declarados  em GFIP’s  e nas  folhas  de  pagamento  da mesma, mas  considerados  pela  fiscalização como de responsabilidade da recorrente.  Os elementos de convencimento apurados na auditoria estão detalhadamente  descritos  no  relatório  fiscal  (fls.  57/65).  O  fisco  provou  a  existência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  ao  demonstrar  com  propriedade,  que  a  recorrente  se  valeu  de  empresa  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e Empresas de pequeno Porte – SIMPLES para fracionar nela a mão de obra  necessária à consecução de seus objetivos sociais. Ou seja, a recorrente utilizou outra empresa  que  lhe  prestava  serviços  exclusivos,  demonstrado  pela  sequencia  de  notas  fiscais  mensais,  cujo faturamento advinha apenas da prestação de serviço à autuada e se destinava tão somente  ao pagamento dos funcionários e encargos sociais, ficando dentro do limite legal de opção ao  SIMPLES, enquanto a recorrente por apresentar faturamento superior ao parâmetro legal para a  opção,  arcava  com uma  pequena  parcela  de mão de obra,  sobre  a qual  recolhia os  encargos  previdenciários.   O  relatório  fiscal  traz  diversos  elementos  de  convicção,  como  o  fato  das  empresas  estarem  situadas  em  prédios  contíguos  e  interligados,  com  cartazes  fixados  para  treinamento  que  são  comuns  às  empresas,  inclusive  com  o  logotipo  de  ambas  em  cartaz  Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/2011­91  Acórdão n.º 2302­002.403  S2­C3T2  Fl. 560          7 intitulado “Agenda Sala de Treinamentos”. O responsável contábil das empresas  também é o  mesmo.Os  sócios  administradores das duas  empresas pertencem a mesma  família  e uma das  sócias exerce concomitantemente a direção das firmas. A receita da URÂNIA advém somente  da prestação de serviço para a USE FASHION. A relação de mão de obra versus faturamento  demonstra que a recorrente possui faturamento maior e ínfimos gastos com a mão de obra, ao  contrário da URÂNIA onde apesar de faturar bem menos que a recorrente, tem comprometido  por volta de mais de 70% de seu faturamento com mão de obra.  As alegações da recorrente quanto a este tópico não merecem acolhida, pois  se limitam a dizer que na recorrente os serviços de administração são exercidos pelos sócios,  enquanto na URÂNIA os administradores são contratados e por isso o gasto é maior. Como se  vê a assertiva é frágil, não justificando os fatos elencados pelo fisco.  A  fiscalização analisou dados e documentos das empresas  e concluiu que a  mão de obra foi distribuída na empresa optante do SIMPLES, sem recolhimento dos encargos  previdenciários  patronais,  enquanto  a  recorrente  possuía  um  alto  faturamento  e  em  contrapartida um reduzido quadro de funcionários.   Ainda, às fls. 62, temos um quadro comparativo de receitas e total gasto com  remuneração,  onde  se  percebe  que  a  empresa  URÂNIA  pelo  faturamento  obtido,  não  tinha  condições de arcar com o custo da mão de obra para  realizar  suas atividades e  cumprir com  seus objetivos sociais.   Por  tudo que foi exposto, e da análise dos documentos trazidos aos autos, é  possível  afirmar  que  os  empregados  registrados  na  empresa  URÂNIA  MARKETING  E  COMÈRCIO DE MODA LTDA.,  optante  pelo SIMPLES,  prestara  serviço  para  a  recorrente  através  da  empresa  interposta,  sendo  impossível  negar  a  existência  de  "prejuízo"  para  a  seguridade  social,  advindo  com  a  prestação  de  serviços  nos  moldes  em  que  feito,  já  que  proporcionou o não recolhimento de contribuições previdenciárias patronais.  Saliento,  por  fim,  que  não  ocorreu  a  despersonificação  da  pessoa  jurídica,  mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal  permitiu  caracterizar  os  vínculos  com  a  Previdência  Social  dos  segurados  que  prestavam  serviço  através  da  empresa  interposta  para  com  a  recorrente.  Os  serviços  prestados  estão  ligados à atividade meio e fim da notificada, mediante remuneração mensal, com caráter não  eventual. A desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas  quer dizer que  a mesma é  ineficaz para  a prática de determinados  atos  como a prestação de  serviços que aqui se evidenciou.   A  capacidade  da  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  em  desconsiderar  contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo é  muito  clara  na  leitura  da  legislação  previdenciária  em  conjunto  com  o  Código  Tributário  Nacional ­ CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN:  Art. 116. (...)   Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária.  Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229  do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro  que o Auditor Fiscal pode desconsiderar o contrato pactuado, quando presentes as condições  que denotem uma relação de emprego:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação,  cobrança  e  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único  do  art.  11,  as  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição e as devidas a outras entidades e fundos.   DECRETO N.º 3.048/99   Art. 229. (...)  § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.  No  mesmo  sentido,  também  o  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  já  vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade:  PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  RECOLHIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS.  1  ­  A  competência  da  Justiça  do  Trabalho  não  exclui  a  das  autoridades  que  exerçam  funções  delegadas  para  exercer  a  fiscalização  do  fiel  cumprimento  das  normas  de  proteção  do  trabalho,  entre  as  quais  se  incluem  o  direito  à  previdência  social.  2 ­ No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões  diferentes  das  adotadas  pelo  contribuinte,  sob  pena  de  se  consagrar  a  sonegação.  Exige­se,  contudo,  que  a  decisão  decorrente  da  fiscalização  seja  fundamentada,  quer  para  que  não  se  ofenda  ao  princípio  da  legalidade,  ou  para  que  o  contribuinte possa exercer o seu direito de defesa.  3 ­ Apelação a que se nega provimento.   (AMS  n.º  89.04.07954­3­PR,  Ac.  TRF  400003018,  de  20/02/92,  1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937).  Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescrevem os artigos  legais citados em parágrafos anteriores e compete à fiscalização da Receita Federal do Brasil  solicitar  e  examinar  livros  e  documentos  da  empresa  a  fim  de  assegurar  o  correto  e  eficaz  cumprimento  das  obrigações  principais  e  acessórias,  relativamente  às  contribuições  previdenciárias.  Quanto aos argumentos da recorrente de que não houve ânimo de fraude, me  reporto  integralmente  ao  relatório  fiscal  de  fls.57/65,  que  muito  bem  sustentou  a  autuação  procedida,  permitindo  que  da  sua  leitura  se  vislumbrasse  a  situação  encontrada  pelo  fisco,  trazendo  elementos  de  prova  e  convencimento,  mostrando  que  houve  prejuízo  para  a  Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/2011­91  Acórdão n.º 2302­002.403  S2­C3T2  Fl. 561          9 seguridade social que deixou de receber as contribuições previdenciárias patronais sobre a mão  de obra utilizada pela recorrente.  Quanto à multa aplicada a MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº  11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35  da  Lei  nº  8.212/91,  conferindo­lhe  outras  condições,  eis  que  se  tratando  de  recolhimento  espontâneo  pelo  contribuinte  de  contribuições  previdenciárias  pagas  em  atraso,  a  multa  de  mora  a  ser  aplicada  será  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia de  atraso,  contados  a  partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do  tributo  ou  da  contribuição  até  o  dia  em  que  ocorrer  o  seu  pagamento,  limitado  a  vinte  por  cento:    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por  cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Quando  se  tratar  de  lançamento  de  ofício,  como  no  caso  da  presente  notificação  fiscal  de  lançamento  de  débito  –NFLD,  a  legislação  superveniente  determinou  a  incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição  devidos  e  não  recolhidos,  podendo,  inclusive  ser  duplicado  o  valor  em  caso  de  fraude, simulação ou conluio:    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)    II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)    §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488, de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488, de 2007)    §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/2011­91  Acórdão n.º 2302­002.403  S2­C3T2  Fl. 562          11 tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.  Portanto,  no  exame  do  caso  em  questão  é  de  se  ver  que  o  Fisco  agiu  de  acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do  integral  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias,  foi  correta  a  aplicação  da multa  de  ofício agravada, nos termos anteriormente descritos.   Faço  referência  a  parte  do  voto  proferido  na  APELAÇÃO  CÍVEL  Nº  2002.71.07.013695­7/RS, TRF 4 Região, Desembargador Vilson Darós, DOU de 13/06/2007,  que trata de assunto similar:  Na presente situação, as empresas terceirizadas estão vinculadas  ao  SIMPLES,  submetendo­se  a  regime  tributário  diferenciado.  Como  elas  assumem  atividades  que  deveriam,  originalmente,  pertencer  à  contratante,  empresa  de  grande  porte,  acabam  avocando  desta  seus  encargos  fiscais,  mas,  em  contrapartida,  submetidas  ao  regime  especial.  Tal  fato,  além  de  fraudar  a  atividade  fiscal, compromete a  finalidade do sistema  tributário,  já  que  o  SIMPLES  foi  instituído  como  forma  de  estimular  o  crescimento de pequenas empresas, e não de aliviar as despesas  de grandes empreendimentos. Estes devem arcar com os valores  que  lhes  são  compatíveis,  sendo­lhes  vedada  a  utilização  do  serviço  terceirizado  como  forma  de  amenizar  os  encargos  tributários.  Com  isso,  não  se  está  dizendo  que  uma  terceirização  legítima  poderia  ser  desconsiderada  para  abrir  espaço  à  ação  arrecadadora  do  Fisco.  O  que  se  afirma,  no  caso,  é  que  o  serviço  terceirizado  perde  sua  legitimidade  quando  atinge  o  processo  principal  da  empresa,  adentrando  em  suas  atividades  essenciais, caracterizando fraude trabalhista e, inclusive, fiscal.  Os recolhimentos  relativos à cota dos segurados  empregados efetuados pela  empresa  optante  do  SIMPLES  já  foram  aproveitados  e  os  respectivos  valores  excluídos  do  lançamento DEBCAD 37.303.422­9, pela primeira instância administrativa.  Por todo o exposto,  Voto por negar provimento ao recurso.  Liege Lacroix Thomasi, Relatora                              Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     12   Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 15374.901175/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante.
Numero da decisão: 3403-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN     2 Rosaldo Trevisan ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Rosaldo  Trevisan  (relator),  Alexandre  Kern,  Ivan  Allegretti,  Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel.    Relatório  Versa  o  presente  sobre  DCOMP  (fls.  2  a  61)  transmitida  em  31/05/2004,  solicitando  a  compensação  de  débito  de  Cofins  (no  valor  de  R$  2.113,91)  com  crédito  da  mesma contribuição, derivado de “pagamento indevido ou a maior” (DARF de R$ 21.339,07,  pago em 15/10/2003), referente ao período de apuração de setembro de 2003.  No  despacho  decisório  (eletrônico)  de  fl.  7,  emitido  em  24/04/2008,  a  compensação não  é homologada por  inexistência do  crédito,  pois os pagamentos  localizados  foram integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito  disponível para a compensação pleiteada.  Cientificada  do  despacho  decisório,  a  empresa  apresenta  manifestação  de  inconformidade (fls 10 a 14), sustentando que cometeu erro no preenchimento da última DCTF  referente a setembro de 2003 enviada à RFB, pois o valor correto devido a título de Cofins para  a  competência  é  de  R$  19.225,16  (como  se  verifica  na  DIPJ  de  fls.  52  a  70),  e  não  R$  21.339,07 (como consta no DARF de fl. 72). Para sanar a incorreção comunica que já enviou  DCTF retificadora (fls. 77 a 79).  No julgamento de primeira instância, em 31/01/2011 (fls. 86 a 89), acorda­se  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  sob  o  argumento  de  que  não  são  juntados aos autos documentos que comprovam o valor da Cofins alegada como efetivamente  devida (mas  tão­somente as DIPJ e a DCTF retificadora, sem os registros contábeis que  lhes  dão suporte), e de que cabe à recorrente o ônus da comprovação de seu direito creditório.  Cientificada  do  acórdão  da  DRJ  em  16/02/2011  (AR  à  fl.  93),  a  empresa  apresenta recurso voluntário em 15/03/2011 (fls. 95 a 105), no qual alega, em síntese, que em  sua impugnação apresentou sim os documentos que comprovaram o erro. Acrescenta ainda que  o  despacho  decisório  é  nulo  por  ser  genérico  e  não  fundamentado,  apresentando mensagem  padrão  que  impede  o  exercício  do  direito  de defesa.  Por  fim,  junta  o Balancete  referente  ao  período analisado (fls. 106 a 124), buscando comprovar definitivamente o erro já apontado na  peça impugnatória.  É o relatório.                                                                1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Voto             Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.901175/2008­21  Acórdão n.º 3403­002.213  S3­C4T3  Fl. 130          3 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  O contencioso  restringe­se a matéria probatória. A empresa  reitera  em sede  de recurso voluntário que errou no preenchimento da DCTF, mas efetivamente detém o crédito  apresentado para compensação.  No  presente  processo,  como  em  todos  nos  quais  o  despacho  decisório  é  eletrônico,  a  fundamentação  não  tem  como  antecedente  uma  operação  individualizada  de  análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Daí a importância  de,  nestes  casos,  assegurar­se  com  ânimo  ainda maior  a  preservação  da  verdade material.  É  somente  com  a  manifestação  de  inconformidade  que  o  contribuinte  é  chamado  justificar­se  especificamente em relação ao caso concreto. E o julgamento de primeira instância constituirá,  em regra, a primeira análise humana do processo.  O  julgador de primeira  instância,  ao  analisar  a documentação carreada pela  empresa,  não  identificou  elemento  probatório  que  pudesse  amparar  a  liquidez  do  crédito  em  análise. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, negou de plano o  direito à compensação.  Agora,  em  sede  de  recurso  voluntário,  a  empresa  apresenta  adicionalmente  seu Balancete referente ao período em análise (fls. 106 a 124), alegando que busca comprovar  definitivamente o erro já apontado na peça impugnatória.  O  documento  apresentado,  contudo,  encontra­se  fora  do  universo  contemplado pelo art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser  apresentado)  desde  a  manifestação  de  inconformidade.  O  referido  parágrafo  do  art.  16  do  Decreto  no  70.235/1972  dispõe  sobre  o  momento  de  apresentação  da  prova  documental.  A  análise  do  documento  (repita­se,  já  disponível  quando  da  manifestação  de  inconformidade)  apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância.  Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado  na compensação. Constando na manifestação de inconformidade os documentos necessários à  prova  do  direito  creditório  alegado,  imperiosa  a  declaração  da  procedência  do  pedido.  Não  havendo na manifestação  de  inconformidade  a  apresentação  de  documentos  que  atestem um  mínimo  de  liquidez  e  certeza  no  direito  creditório,  incabível  acatar­se  o  pleito.  E,  por  fim,  havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do  julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a  baixa em diligência para saná­la. Não se presta, entretanto, a diligência, para suprir deficiência  probatória a cargo do postulante.  Em  sede  de  recurso  voluntário,  igualmente  estreito  é  o  leque  de  opções.  E  agrega­se um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses  de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972.  No presente processo, permanecem carentes de comprovação tanto o direito  creditório  quanto  a  liquidez  do  crédito  utilizado  em  compensação  pela  postulante.  É  de  se  acrescentar,  por  derradeiro,  que  no  caso  concreto,  ainda  que  considerado  o  documento  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN     4 apresentado  fora  do  comando  permissivo  do  Decreto  no  70.235/1972,  distante  estaria  a  segurança do julgador para atestar a existência e a liquidez do crédito.    Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.  Rosaldo Trevisan                                Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 13808.001394/99-38
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/1996 RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO SUPERVENIENTE. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8212/91. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2  Relatório  Trata­se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no  artigo 5º, inciso I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, qual  seja, o aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de n.º 203­10.341, o qual,  por  maioria  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  acolher  a  preliminar  de  decadência para os períodos de janeiro a setembro de 1994, eis que a ciência do  lançamento  teria  ocorrido  em  01/10/99  e,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  ao  mesmo  para  reconhecer a semestralidade na base de cálculo do PIS, conforme ementa a seguir:  “PIS. DECADÊNCIA. 01/94 a 09/94. 1. As contribuições sociais,  dentre elas a referente ao PIS, embora não compondo o elenco  dos  impostos,  têm  caráter  tributário,  devendo  seguir  as  regras  inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais  que lhe forem específicas. 2. Em se tratando de tributos sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  se  desloca  da  regra  geral,  prevista  no  art.  173  do  CTN, para encontrar respaldo no § 4º do artigo 150 do mesmo  Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo  de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado  esse  prazo,  sem  que  a  Fazenda  Pública  tenha  se  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito.  PREVISÃO LEGAL. Até 29/02/1996 o PIS deve ser cobrado com  base nas disposições da LC nº 7/70, e após essa data com base  na MP nº  1.212/95  e  suas  reedições até  a  conversão  na Lei nº  9.718/98.  SEMESTRALIDADE.  BASE  DE  CÁLCULO.  A  base  de  cálculo  da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996 (IN SRF nº 002/96),  é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato  gerado,  de  acordo  com  o  parágrafo  único  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  7/70,  conforme  entendimento  da  CSRF  e  do  STJ.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS QUE  REGEM  A  MULTA  DE  OFÍCIO  E  OS  JUROS  DE MORA.  O  juízo  sobre  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  é  de  competência exclusiva do Poder Judiciário.  MULTA DE OFÍCIO. A aplicação multa de 75% tem amparo no  art.  44,  I,  da  Lei  nº  9.430/96,  visto  que  a  exigência  foi  formalizada de ofício.  JUROS DE MORA. O § 1º do art. 161 do CTN dispõe que serão  calculados  à  taxa  de  1%  ao  mês  somente  quando  a  lei  não  dispuser de modo diverso. TR E SELIC – As  taxas TR e SELIC  têm previsão legal para serem utilizadas no cálculo dos juros de  mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu  vencimento, ou seja, Leis nºs 9.069/95 e 9.430/96.  Recurso provido.”  Inconformada,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  por  contrariedade à  legislação  tributária  suscitando que o  acórdão  recorrido  teria desrespeitado o  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001394/99­38  Acórdão n.º 9303­001.642  CSRF­T3  Fl. 198          3 disposto no  artigo 45,  I  da Lei nº 8.212/91, o qual prevê que o direito da Seguridade Social  apurar e constituir seus créditos decai após decorridos 10 (dez) anos a contar do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, e não em 5 (cinco)  anos contados do fato gerador como entendeu o acórdão a quo.  Em  despacho  de  fls.  175,  o  i.  presidente  da  Terceira  Câmara  do  extinto  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  aprovando  o  despacho  de  fls.  174,  deu  seguimento  ao  recurso especial da Fazenda Nacional.  Intimado do acórdão recorrido e do recurso especial da Fazenda Nacional, o  contribuinte apenas requereu a inclusão, no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, dos  períodos de apuração mantidos no lançamento, quais sejam, os compreendidos entre outubro de  1994  e  abril  de  1996,  julho  e  setembro  de  1996  e,  também,  junho  a  setembro  de  1998,  não  tendo, em contrapartida, apresentado contra­razões ao recurso especial da Fazenda Nacional.  É o relatório.  Voto             Conselheira Nanci Gama, Relatora  Tendo  em  vista  a  tempestividade  do  recurso  especial  por  contrariedade  à  legislação  tributária  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  cabe  a  esta  Conselheira  analisar,  primeiramente, a sua admissibilidade.  Conforme  se  depreende  do  relatório,  o  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda Nacional se embasou na possível violação do acórdão recorrido ao artigo 45, I da Lei  8.212/91.  No entanto, em que pesem os argumentos suscitados pela Fazenda Nacional,  os mesmos se tornaram inócuos em decorrência do fato superveniente ao seu recurso especial,  o qual  se  trata da  aprovação,  em 11 de  junho de 2008, da Súmula Vinculante de nº 08 pela  Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal, a qual declarou inconstitucional aludido artigo  45 da Lei 8.212/91 com efeitos retroativos.  Dessa  forma, não havendo que se falar em violação à dispositivo declarado  inconstitucional por meio de Súmula Vinculante,  voto no  sentido de não conhecer o  recurso  especial interposto pela Fazenda Nacional face à perda do seu objeto.  É como voto.    Nanci Gama                Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4                  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 10283.721193/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNC1A. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de que o crédito lançado de ofício já havia sido parcelado em parte, em data anterior à do início da ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada, para os quais o contribuinte foi regularmente intimado, mas não logrou esclarecer a procedência dos recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.721193/2008­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.361  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ/REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS  DEPOSITOS BANCARIOS.  Recorrente  SOBOROSA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  NULIDADE.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  Sendo  o  mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo  de  instrumento,  na  essência,  de  afirmação  da  validade  da  ação  fiscal  e,  portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se  acatar os argumentos de nulidade.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA.  INEXISTÊNCIA. Não há que se  falar em cerceamento do direito de defesa  antes de iniciado o prazo para a  impugnação do lançamento, haja vista que,  no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo  14 do Decreto n° 70.235/1972.  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INOCORRÊNC1A.  Não  há  de  se  cogitar  da  materialização  de  hipótese  de  ofensa  a  princípios  constitucionais  quando  os  lançamentos  se  pautaram  nos  pressupostos  jurídicos,  declarados  no  enquadramento  legal,  e  fáticos,  esses  coadunados  com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.  PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não  há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de  que  o  crédito  lançado  de  ofício  já  havia  sido  parcelado  em  parte,  em  data  anterior à do início da ação fiscal.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  A  existência  de  depósitos  de  origem  não  comprovada,  para  os  quais  o  contribuinte  foi  regularmente  intimado,  mas  não  logrou  esclarecer  a  procedência  dos  recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/1996.  Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 93 /2 00 8- 26 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 3          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao  recurso voluntário, nos  termos do  relatório e  voto que passa a integrar o presente julgado.     (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes  da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.          Relatório  SOBOROSA  ALIMENTOS  DO  BRASIL  LTDA.  recorre  a  este  Conselho  contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência,  pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis):  Versa  o  presente  processo  sobre  auto  de  infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ, Contribuição Social  sobre  o Lucro Líquido  ­ CSLL,  Programa de  Integração Social  ­ PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social  ­  COFINS,  no  valor  total  de  RS  2.841.549,36,  incluídos  os  acréscimos  legais,  referente ao ano­calendário de 2005.  A  autuação  fiscal  fundamentou­se  em  depósitos  bancários  não  comprovados,  embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado.  Cientificado  do  lançamento  em  28/11/2008  apresenta  impugnação  em  23/12/2008  onde alega em síntese que:  1.  houve  várias  prorrogações  do  MPF  e  não  foi  dada  ciência  ao  Impugnante  de  nenhuma das referenciadas prorrogações, nenhuma dessas prorrogações encontra­se  acostada aos autos;  2. em procedimento de ofício efetuado com base em depósitos bancários, nos termos  da Lei n° 9.430/96, é imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados  como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si  só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda;  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 4          3 3.  houve  tributação  de  incorporação  de  bancos,  depósito  em  dinheiro  objeto  de  transferência  entre  contas  de  mesma  titularidade,  resgate  de  papéis  em  conta­ corrente,  ordem  de  pagamento  recebida,  na  verdade  tributou  tudo  que  entrou  na  conta da impugnante;  4. não se pode afirmar que a sanção  imposta é válida legítima,  tendo em vista sua  afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade;  5.  a  exação  exigida  assoma  nítidas  feições  de  confisco,  o  que  é  defeso  pela  Constituição Federal em voga em seu art. 150, IV;  6.  a  fiscalização  utilizou  descrições  genéricas  e  pouco  precisas  para  se  referir  aos  fatos  indiciários  que  ensejaram  a  aplicação  da  presunção  legal  para  omissão  de  receitas;  7. não foram considerados os valores Declarados no PAES, conforme Comunicado  Parcelamento/SEORT/DRF/MNS, datado de 30/12/2005;  8.  a  fiscalização descaracterizou  totalmente a autuação, pois ao contrário de  trazer  certeza  e  segurança,  trouxe  desconfiança  e  dúvida,  o  que  é  vital  para  garantia  ao  direito da ampla defesa dos contribuintes;  9. olvidou­se a fiscalização do disposto no art. 4o da Lei n° 9.481/1997 que alterou os  limites  estabelecidos  no  art.  42,  §  3o  ,  inciso  1,  da Lei  n°  9.430/96,  onde  não  são  considerados  como  omissão  de  receita  os  valores  de  depósito  inferiores  a  R$  80.000,00, durante o mesmo ano calendário.    A decisão recorrida está assim ementada:  NULIDADE.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  Sendo  o  mandado  de  procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na  essência,  de  afirmação  da  validade  da  ação  fiscal  e,  portanto,  com  efeitos  preponderantemente  "intra  corporis",  não  há  porque  se  acatar  os  argumentos  de  nulidade.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações  são caracterizados como omissão de receitas.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FASE  FISCALIZATÓRIA.  INEXISTÊNCIA.  Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo  para  a  impugnação  do  lançamento,  haja  vista  que,  no  decurso  da  ação  fiscal,  inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972.  OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNC1A.  Não  há  de  se  cogitar  da  materialização  de  hipótese  de  ofensa  a  princípios  constitucionais  quando  os  lançamentos  se  pautaram  nos  pressupostos  jurídicos,  declarados  no  enquadramento  legal,  e  fáticos,  esses  coadunados  com  o  conteúdo  econômico das operações comerciais do contribuinte.  PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO.  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 5          4 Não há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de  que o crédito lançado de ofício já havia sido parcelado em parte, em data anterior à  do início da ação fiscal.  CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA.  Quando  há  harmonia  entre  as  provas  e  irregularidades  que  ampararam  os  lançamentos  do  IRPJ  e  das Contribuições  Sociais,  o  que  foi  decidido  cm  relação  àquele é aproveitado nos lançamentos destas.  Impugnação improcedente.    Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário,  no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento.  É o relatório.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator.  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade.  Conforme  relatado,  trata­se  de  exigência  com  base  em  depósitos  bancários  não  contabilizados,  com multa  de  75%,  mas  que  a  origem  dos  recursos  não  totalmente  foi  justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal.  No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas.  Omissão  de  Receitas.  Depósitos  Bancários.  Aplicação  do  artigo  42  da  Lei  9.430 de 1996  Quanto  à  possibilidade  de  se  exigir  o  imposto  de  renda,  com  base  exclusivamente em depósitos bancários, deve­se esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º  da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais  exteriores de riqueza.   A  tributação  com  base  em  depósitos  bancários,  a  partir  de  01/01/1997,  é  regida  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  publicada  no DOU  de  30/12/1996,  que  instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o  contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea  a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira­se:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.   1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.   2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à  época em que auferidos ou recebidos.   3º  Para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  os  créditos  serão  analisados  individualizadamente, observado que não serão considerados:  I  ­  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  ou  jurídica;   II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor  individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório,  dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).”  Verifica­se,  então,  que  o  diploma  legal  acima  citado  passa  a  caracterizar  omissão  de  rendimentos,  sujeitos  a  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  conta  de  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 7          6 depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Não  se  inquire  o  titular  da  conta  bancária  sobre  o  destino  dos  saques,  cheques  emitidos  e  outros  débitos,  ou  se  foram  utilizados  para  consumo,  aquisição  de  patrimônio,  viagens  etc.  A  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada.   Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de  ser modalidade de arbitramento simples ­ que exigia da fiscalização a demonstração de gastos  incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza),  entendimento  também  consagrado  à  época  pelo  poder  judiciário  (súmula  TFR  182)  e  pelo  Primeiro Conselho de Contribuintes ­ para se constituir na própria omissão de rendimento (art.  43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda  Pública Federal.   Os  julgamentos  do  Conselho  de  Contribuintes  passaram  a  refletir  a  determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base  exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos  a seguir  reproduzidas:  “OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  SITUAÇÃO  POSTERIOR À LEI Nº  9.430/96  ­ Com o  advento  da Lei  nº  9.430/96,  caracteriza­se  também  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não  comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º,  do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 106­13329).  “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos  a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão  de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o  titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  “ÔNUS DA PROVA ­ Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais  e aquisições de bens e direitos.”(Ac 106­13188).”  Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o  artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei  de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutir­se sobre  a  constitucionalidade  ou  legalidade  de  uma  lei  em  vigor”,  consoante  Sumula  nº.  2  deste  Conselho. Uma  vez  que  o  diploma  legal  tenha  sido  formalmente  sancionado,  promulgado  e  publicado, encontrando­se em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio  da  legalidade  objetiva  que  informa  o  lançamento  e  o  processo  administrativo  fiscal.  O  lançamento  tributário,  conforme  estabelece  o  art.  142  do  CTN,  é  atividade  vinculada  e  obrigatória,  na  qual  a  discricionariedade  da  autoridade  administrativa  é  afastada  em  prol  do  princípio  da  legalidade  e  da  subordinação  hierárquica  a  que  estão  submetidos  os  órgãos  e  agentes da Administração Pública.   Outrossim,  na  busca  da  verdade  material  e  imprescindível  a  análise  de  documentos e alegações/justificativas quanto aos  ingressos de numerários em conta bancária,  para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 8          7 base  na  aludida  presunção.  Todavia,  no  presente  caso  a  contribuinte  nada  apresentou  para  justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas.  Em  relação  as  demais  alegações  repisadas  pela  recorrente,  peço  vênia  para  adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos:  “(...)  Alega a defendente que é imperiosa a comprovação da utilização dos valores  depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto  que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda,  assim como, que houve tributação de incorporação de bancos, depósito em dinheiro  objeto  de  transferência  entre  contas  de  mesma  titularidade,  resgate  de  papéis  em  conta­corrente,  ordem Acontece que no  caso de omissão de  receitas detectada por  intermédio da movimentação bancária, caberia à contribuinte comprovar, através de  documentação hábil e  idônea coincidente em datas e valores, a origem dos valores  creditados/depositados em suas  contas bancárias, o que não  foi  feito. A presunção  legal é de que estes depósitos são omissão de receitas, ou seja, estão à margem do  faturamento da empresa.  Faz­se  oportuno,  discorrer  superficialmente  sobre  o  uso  de  presunções  nos  trabalhos fiscais.  As  provas,  via  de  regra,  simbolizam  determinado  acontecimento  por  intermédio  de  articulações  lingüísticas,  existindo  sempre  uma  probabilidade  associada.  Isso  porque,  a  verdade  material  é  inatingível.  As  provas  são  apenas  instrumentos  que  possibilitam  reconstruir  e  evidenciar  a  verdade,  cuja  validade  depende do sistema de referência em que se encontra contextualizada.  No  que  diz  respeito  à  classificação,  as  provas  dividem­se  em  diretas  e  indiretas.  As  primeiras  representam,  de  forma  imediata,  a  ocorrência  do  fato  de  implicações  jurídicas,  constituindo  uma  versão  do  evento.  Já  a  segunda  exprime  fatos  secundários  ou  indiciários,  diversos  do  fato  principal,  que  se  considera  existente  em  virtude  do  uso  de  inferência  lógica  e  de  raciocínio  dedutivo.  Geralmente, as provas indiretas possuem maior probabilidade de erro que as provas  diretas, devido à necessidade de sc efetuar uma operação lógica. Porém, a soma de  indícios que apontam a um mesmo resultado aumenta significativamente o grau de  certeza,  conduzindo,  muitas  vezes,  a  uma  convicção  tão  segura,  quanto  àquela  amparada em provas diretas.  Nesse  sentido,  as  presunções  constituem  meios  indiretos  de  provas  plenamente capazes de embasar o lançamento tributário. Certamente, por serem uma  prova indireta, quanto maior o número de indícios concatenados, mais evidenciados  fica o acontecimento investigado. Importante observar que para as presunções legais  basta comprovar o fato tipificado na norma, pois o próprio legislador reconheceu a  força desta prova indireta, dispensando a busca por mais evidências.  No  caso  em  concreto,  a  fiscalização  fundamentou  o  lançamento  justamente  em  uma  presunção  legal.  Com  a  edição  do  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos bancários, cuja  origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão  de receita.  (...)  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 9          8 Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados em  sua conta dede pagamento recebida, na verdade tributou tudo que entrou na conta da  impugnante. Contudo, não é o que se depreende dos autos.  Portanto,  impróprias  as  alegações  da  reclamante.  Na  verdade,  a  autuação  decorrente da  falta de  comprovação da origem dos  recursos depositados na  conta­ corrente da defendente encontra­se perfeitamente enquadrada no dispositivo citado e  só pode ser afastada com a apresentação por parte do sujeito passivo de provas em  contrário, motivo pelo qual se prestigia a exigência formalizada pelo fisco.  Assim,  restam  perfeitamente  comprovadas  as  origens  das  receitas  utilizadas  pela fiscalização como base para o arbitramento do lucro e para a base de cálculo do  IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofíns.  Quanto  às  alegações  do  defendente  de  que  os  depósitos  bancários  não  se  traduzem em omissão de receitas, já asseverei acima que se trata de uma hipótese de  presunção  de  omissão  de  receita.  Se  o  sujeito  passivo  não  comprovou  as  origens  desses depósitos bancários, passam a ser considerados receita omitida, com todos os  reflexos nas bases de cálculo dos tributos ora exigidos.  Além do mais, verifica­se que o fiscal autuante analisou individualizadamente  os extratos bancários, tanto que baseou o lançamento nos valores lançados a crédito  excluindo  a  devolução  dos  cheques.  As  assertivas  quanto  a  transferências  entre  contas não foram comprovadas pela impugnante.  Registre­se quanto ao disposto no art. 4  o da Lei n° 9.481/1997 que alterou os  limites  estabelecidos  no  art.  42,  §  3o  ,  inciso  I,  da  Lei  n°  9.430/96,  que  referido  dispositivo  legal  se  refere  a  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  não  se  aplicando  a  Pessoas Jurídicas.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA   A  impugnante  alega  cerceamento  do  direito  de  defesa  em  virtude  de  a  fiscalização,  ao  contrário  de  trazer  certeza  e  segurança,  trouxe  desconfiança  e  dúvida,  o  que  é  vital  para  garantia  ao  direito  da  ampla  defesa  dos  contribuintes,  ocorre que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado  o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que no decurso da ação fiscal  não  existe  litígio  ou  contraditório.  Para  comprovar  tal  assertiva  é  suficiente  a  transcrição do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis:  "Art.  14.  A  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  liligiosa  do  procedimento. " A ação fiscal é uma fase pré­processual, ou seja, é fase na qual os  agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes  são  conferidos  pelos  artigos  194,  195  e  197  a  200,  todos  do  Código  Tributário  Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias.  O  auto  de  infração  é  um mero  procedimento,  considera­se  o  procedimento  como  a  sucessão  encadeada  de  atos  que  prepara  um  ato  final,  enquanto  processo  implica,  além  do  vínculo  entre  os  atos,  vínculos  jurídicos  entre  os  sujeitos,  envolvendo  direitos,  deveres,  poderes  na  relação  processual.  Processo  implica,  sobretudo, atuação dos sujeitos sob o prisma contraditório.  A lide tem início após a lavratura do Auto de Infração. É a partir da lavratura  do auto de infração que o contribuinte, em discordando da exigência fiscal, poderá  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 10          9 opor  resistência  à  pretensão,  respaldado  pelas  garantias  constitucionais  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  assim  inaugurando  o  processo  administrativo  de  exigência de crédito tributário.  Assim, o devido processo  legal pelo qual pugna a  interessada, como  resulta  notório dos autos, encontra­se plenamente preservado.  Logo,  na  verdade  não  teria  sentido  anular­se  o  auto  de  infração  por  cerceamento do direito de defesa, porque auto de  infração não cerceia a defesa do  contribuinte  que  sempre  poderá  fazê­la,  inclusive  para  dizer  que  é  nulo  ou  improcedente.  OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS   Conforme se verifica da análise dos autos, a impugnante não trouxe aos autos  comprovantes que demonstrasse conduta ou procedimento da Administração ou de  seus  agentes  que  impediu  ou  dificultou  que  acompanhasse  o  desenvolvimento  do  procedimento  fiscal,  que  tivesse  pleno  conhecimento  do  processo  correlato,  que  apresentasse  sua  impugnação  e  carreasse  aos  autos  provas  de  suas  alegações,  não  restando violado, pois, qualquer direito fundamental.  Com  efeito,  tem­se  que  a  contribuinte,  cientificada  das  etapas  do  procedimento,  teve  franqueado  o  livre  acesso  aos  autos,  pelo  prazo  oferecido  à  apresentação  de  sua  defesa,  ao  fim  do  qual  apresentou  impugnação  na  qual  demonstra,  de  forma  inequívoca,  pleno  conhecimento  do  processo  fiscal,  das  infrações que lhe foram imputadas e das provas que lhe servem de fundamento.  Resulta notório, pois, que nenhuma mácula houve ao contraditório e à ampla  defesa, observado que foi o devido processo legal, não aproveitando à impugnante,  porque  inexistente,  qualquer  ofensa  à  legalidade,  moralidade  ou  a  qualquer  outro  princípio diretor da atividade administrativa em questão.  Como  os  lançamentos  estão  respaldados  em  normas  integrantes  do  ordenamento  jurídico,  não  há  espaço  para  maiores  reflexões  sobre  eventuais  infrações a princípios constitucionais, como os citados pela impugnante.  Ausentes os vícios suscitados, descabe acolher a tese de anulabilidade do ato  administrativo atacado, como requerido pela contribuinte.  PARCELAMENTO PAES. NÃO COMPROVAÇÃO.  A  impugnante  alega,  ainda,  que  não  foram  considerados  os  valores  Declarados  no  PAES,  conforme  Comunicado  Parcelamento/SEORT/DRF/MNS,  datado  de  30/12/2005,  portanto,  em  data  anterior  à  lavratura  do  auto  de  infração.  Contudo,  não  traz  aos  autos  documentos  que  comprovem  referido  parcelamento  e  quais os períodos/valores nele  incluídos, portanto, não há como se acatar  referidas  alegações por falta de provas.  CSLL, PIS E COF1NS. DECORRÊNCIA.  Quando  há  harmonia  entre  as  provas  e  irregularidades  que  ampararam  os  lançamentos  do  IRPJ  e  das  contribuições  sociais,  o  que  foi  decidido  em  relação  àquele, no que couber, é aproveitado nos lançamentos destas.  (...”  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/2008­26  Acórdão n.º 1402­001.361  S1­C4T2  Fl. 11          10 Pois bem, confrontando as razões recursais com a peça impugnatória verifica­ se que a contribuinte repisa suas alegações e pedidos já enfrentados na decisão recorrida, sendo  que,  em  relação  aos  depósitos,  bastava  que  justifica­se  a  origem  e  apresente  as  respectivas  provas, o que não foi feito.     CONCLUSÃO:  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito,  negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 15959.000217/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/2008­33  Acórdão n.º 3302­002.132  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  restituição  de  créditos  de  terceiros,  reconhecido  em  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  combinado  com  declaração  de  compensação de débito de Cofins do período de apuração de novembro de 2004.  A DRF de origem indeferiu o pedido da recorrente por duas razões: falta de  atendimento  a  intimação  para  apresentar  documentos  e  esclarecimentos  acerca  do  crédito  alegado e porque trata­se de crédito de terceiros, cuja utilização é expressamente vedado pelo  art.  40  da  IN  SRF  nº  460/2004,  vigente  à  época  da  transmissão  da  DCOMP,  conforme  Despacho Decisório e Relatório de fl. 14/16.  Ciente  da  decisão,  a  empresa  interessada  ingressou  com  manifestação  de  inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em  sessão.  A  1a  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto  ­  SP  indeferiu  a  solicitação  da  recorrente,  nos  termos  do Acórdão  no  14­32.164,  de  17/01/2011,  cuja  ementa  abaixo transcrevo:  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  TERCEIROS. VEDAÇÃO.  É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF,  com  créditos de terceiros.  A  recorrente  tomou  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  no  dia  03/02/2011, conforme AR de fl. 285, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2011,  com o recurso voluntário de fls. 295/303, no qual:  1­ discorre sobre o  teor das disposições  legais da compensação (art. 170 do  CTN e 74 da Lei nº 9.430/96);  2­ discorre sobre o instituo da cessão de créditos para concluir que o art. 74  da Lei nº 9.430/96 não proíbe a sua realização.  Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído.  É o Relatório do essencial.    Voto             Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.    Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/2008­33  Acórdão n.º 3302­002.132  S3­C3T2  Fl. 4          3 O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele  se conhece.  Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando a restituição, combinado  com  declaração  de  compensação,  de  créditos  de  terceiros  reconhecido  em  decisão  judicial  transitada em julgado.  Por não ter atendido a intimação da DRF para comprovar a  legitimidade do  crédito e por ser o crédito de terceiro, o pedido da Recorrente dói indeferido e a compensação  declarada não foi homologada.  A empresa recorrente alega em seu recurso que não há vedação no CTN e na  Lei nº 9.430/96 para a utilização de crédito de terceiros na compensação.  Sem razão a Recorrente.  Sobre  a  cessão  de  créditos,  e  sua  utilização  para  compensar  débito  da  Recorrente,  é  preciso  salientar  que,  embora  tenham  amparo  na  legislação  civil  e  processual  civil,  bem  como  na  jurisprudência  e  na  doutrina,  são,  todavia,  absolutamente  ineficazes  no  âmbito da legislação tributária, em especial no que diz respeito às compensações objeto deste  processo, pois, no campo tributário, a compensação perde seu contorno genérico, delimitando­ se pelo princípio maior que rege as relações jurídico­tributárias: o da legalidade estrita.   Como se vê, uma condição imposta pelo artigo 170 do CTN consiste no fato  de que a compensação provocará a extinção do crédito tributário se o crédito líquido e certo  for do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Para  que  a  contribuinte  possa  afirmar  que  seu  crédito  é  líquido  e  certo  é  necessário que se proceda ao exame formal e material dessa constituição. É preciso resposta às  seguintes indagações: a) Quem é o credor? b) Qual o montante do objeto da prestação? d) Qual  o motivo do vínculo jurídico que enlaça os sujeitos de direito?  Nesse sentido, o caput do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação que  lhe  foi  dada  pelo  art.  49  da  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  só  autoriza  compensação  de  créditos  apurados  pelo  sujeito  passivo  com  débitos  próprios,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.  A par disso, a IN SRF no 460/2004, em seu art. 40, vedava expressamente a  compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a  tributos e contribuições administrados  pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, vedação hoje determinada pela  Lei no 11.051/2004.  Dessa forma, verifica­se que na Ação Ordinária no 96.0006301­0,  transitada  em julgado em 27/08/1997, descrita pelo contribuinte como sendo a origem do crédito que está  sendo objeto de compensação, ela Recorrente não figura no pólo ativo, bem como não é parte.   Assim, observa­se que a extinção via compensação do crédito do contribuinte  contra a Fazenda Pública pressupõe a precisa constituição dos respectivos direitos subjetivos.  Sem  o  cumprimento  desses  requisitos,  não  há  que  se  falar  em  compensação,  pois  o  direito  subjetivo  à  compensação  nasce  no  instante  em  que  o  contribuinte  for  credor  de  créditos  líquidos e certos contra a Fazenda Pública.  Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/2008­33  Acórdão n.º 3302­002.132  S3­C3T2  Fl. 5          4 No  mais,  ratifico  e,  supletivamente,  adoto  os  fundamentos  da  decisão  recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991).  Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Relator                                                             1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  [. . .]  § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de  anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.                              Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA

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