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Numero do processo: 15586.000288/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG.
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 28 8/ 20 07 -3 1 Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.488 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento do Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, foram lavrados contra a empresa em epígrafe os autos de infração de fls. 523/556, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: (...) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL R$ 285.500,53 Multa de ofício de 75% (art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996).... R$ 214.125,37 Juros de mora (calculados até 30/04/2007) R$ 158.561,27 TOTAL R$ 658.187,17 As infrações que motivaram a autuação encontramse descritas no relatório fiscal de fls. 517/522, cuja transcrição é a que segue: "RELA TÓRIO FISCAL IINTRODUÇÃO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 0720100.2006.006272, foi realizada a Auditoria na Empresa PROTECTIONSISTEMAS DE VIGILÂNCIA LTDA, CNPJ 02.210.878/000187. A fiscalização foi motivada em virtude da discrepância entre as receitas informadas pelos clientes da fiscalizada, a movimentação financeira da empresa e as receitas conhecidas através dos sistemas, diferença esta detectada pelos controles da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A composição do Capital Social segundo a última alteração contratual é a seguinte: Nome CPF/CNPJ Participação Jesus Guarnieri 679.762.55800 50,00% Pedro Garschagen Filho 525.777.16753 50,00% IIDA AUDITORIA Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.489 3 Através do Termo de Início de fls. 0086 a 0090, datado de 28/12/2006, enviado por via postal e recebido em 03/01/2007, intimouse a empresa a apresentar Livros Contábeis, Fiscais e demais documentos. Em 29/01/2007 e nova Intimação foi enviada a empresa já que a primeira ainda não havia sido respondida, fls. 0091 a 0094. Examinándose o Dossiê da empresa preparado pelo Setor de Seleção desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória constatamos divergência entre os valores Declarados na DCTF, fls. 0084 a 0085, de onde se pode obter a Receita, as DIRF's de 53 clientes, fls. 0016 a 0024 e a movimentação financeira da empresa obtida pelas Declarações de CPMF dos Bancos, fls. 0011 a 0014. AC RECEITA D1PJ RECEITA DCTF DIRF'S CLIENTES MOVIMENTAÇÃO FINANC. (gastos) CPMF 2003 0,00 85.652.00 5.612.434,33 11.077.528,83 Caracterizase, portanto, a hipótese de gastos realizados incompatíveis com a receita conhecida. Em virtude disto e da não apresentação de documentação e dos extratos bancários pedidos, solicitamos aos bancos através de RMFa movimentação bancária do ano de 2003. De acordo com os extratos obtidos através de RMF, fls. 0203 a 0509, os valores creditados nas contascorrentes da empresa são os mostrados na planilha abaixo: (...) Em vista da movimentação financeira ocorrida em contraste com os valores informados pela empresa na DCTF, enviamos mais uma Intimação em 26/02/2007, fls. 0095 a 0127, solicitando mais uma vez os Livros da empresa, bem como que fosse explicada e comprovada a origem dos créditos ocorridos nas contascorrentes da PROTECTION. Em 03/2007 recebemos os primeiros documentos da empresa, isto é, Diário de 2003, Razão de 2003 e notas fiscais do ano de 2003. Só a título de comparação apresentamos abaixo tabela com os valores das contas bancárias contabilizadas: (...) Vêse claramente a diferença entre os valores bancários contabilizados, 0162 a 0167 e os apurados através dos extratos bancários, fls. 0203 a 0509. Em 19/03/2007 através de outra Intimação, fls. 0129 a 0140, solicitamos à empresa entre outras coisas o LALUR, uma vez que como optante pela tributação pelo Lucro Real este livro é obrigatório. Solicitamos também mais uma vez que explicasse e comprovasse a origem dos créditos recebidos em suas contas correntes. Até a presente data ainda não recebemos resposta a estes questionamentos. IIIINFRAÇÕES Examinandose a documentação da empresa bem como consultando os nossos sistemas detectamos os seguintes fatos: a) A DIPJ do ano calendário de 2003, fls. 0029 a 0083, com opção pelo Lucro Real Trimestral foi preenchida com os campos zerados, ou seja, sem apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.490 4 b) Apuramos também que as DCTF's, fls. 0084 a 0085, informaram valores de PIS e COFINS não condizentes as receitas constantes da contabilidade, fls. 0175 a 0176. Os respectivos Autos de Infração foram lavrados em processo apartado. c) Nas DCTF's também não foram declarados valores de IRPJ e CSLL. d) Observandose os valores escriturados no RAZÃO, no DIÁRIO e no Balanço do ano de 2003 constatase que a apuração do IRPJfoi feita de forma anualizada e com lucro de R$ 306214,95, fls. 0161 a 0192. e) Embora na contabilidade conste como tendo sido paga IRPJ e CSLL tendo como contrapartida a conta CAIXA, fls. 0161, pelo exame dos pagamentos efetuados conforme sistema SINAL, fls. 0026 a 0028, vêse que nada foi pago em relação a estes tributos. J) A empresa não apresentou balanços de suspensão nem efetuou pagamentos por estimativa do IRPJ. Diante do todo o exposto lavramos os seguintes Autos de Infração: 1 OMISSÃO IRPJ E REFLEXOS A diferença entre os depósitos bancários fornecidos pelos bancos e o valor das receitas escrituradas não foram devidamente explicadas nem tiveram sua origem comprovada. São consideradas receitas omitidas de acordo com a legislação. MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO jan/03 460.209.35 710.148.16 249.938.81 fev/03 445.451.97 565.619.68 120.167.71 mar/03 507.900.51 783.539.18 275.638.67 abr/03 554.203.66 743.898.94 189.695.28 mai/03 597.381.87 945.265.44 347.883.57 jun/03 528.738.14 791.682.11 262.943.97 jul/03 526.361.25 761.727.36 235.366.11 ago/03 495.071.95 636.376.62 141.304.67 set/03 529.787,18 710.883.64 181.096,46 V MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO out/03 545.260,94 689.365,44 144.104,50 Nov/03 519.088,61 628.093,90 109.005,29 Dez/03 468.768,72 1.077.636,98 608.868,26 Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.491 5 De acordo com o RIR/99 artigo 287RIR Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n" 9.430. de 1996, art. 42). § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, § 1°). 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA Em virtude da opção pela tributação pelo Lucro Real e na falta de apresentação de Balanços de Suspensão, o não recolhimento das estimativas devidas ou o seu recolhimento com insuficiência sujeita a empresa à cobrança da multa isolada a que se refere o art. 44, parágrafo 1°, inciso VI, da Lei n° 9.430/96. Apesar de na DIPJ haver a opção pelo Lucro Real trimestral os quadros da mesma estão sem preenchimento, não houve apresentação de balanços trimestrais à fiscalização e a contabilidade, Diário, Razão e Balanço, está toda anualizada, ou seja, foi apurado lucro anual e não trimestral. Por este motivo lavramos Auto de Infração para cobrança da multa isolada prevista na legislação. MÊS RECEITARazão ESTIMATIVA MULTA(75%) jan/03 460.209,35 36.816.75 27.612,56 fev/03 445.451.97 35.636.16 26.727,12 mar/03 507.900,51 40.632,04 30.474,03 abr/03 554.203.66 44.336,29 33.252.22 mai/03 597.381,87 47.790.55 35.842.91 jun/03 528.738.14 42.299.05 31.724,29 jul/03 526.361,25 42.108.90 31.581.68 ago/03 495.071.95 39.605.76 29.704.32 set/03 529.787,18 42.382.97 31.787.23 out/03 545.260.94 43.620.88 32.715.66 nov/03 519.088,61 41.527.09 31.145.32 dez/03 468.768.72 37.501.50 28.126.12 6.178.224.15 494.257.93 370.693,45 3 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DO IRPJ E CSLL APURADOS NA CONTABILIDADE Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.492 6 Conforme Balanço apresentado pela empresa constante de seu Livro Diário e respectiva conta do Razão o contribuinte apurou Lucro Líquido de R$ 306.214,95, fls. 0188. A DIPJ tem seus campos zerados, não tendo apresentado Lalur (apesar de intimada) e apurado adições e exclusões. O IRPJ e CSLL sobre este lucro apurado na contabilidade deveriam ter sido declarados em DCTF e pagos, o que não ocorreu. Em virtude do exposto lavramos os competentes Autos de Infração do IRPJ e da CSLL não pagos/declarados acompanhados das respectivas multas de oficio. (...) 1 Os procedimentos adotados nesta fiscalização foram preconizados para a Operação 91231 Movimentação Financeira incompatível com receita declarada, ficando ressalvado o direito de a Fazenda Pública, dentro do prazo decadência!, proceder a outras fiscalizações, nestas ou em outras ações fiscais. 2 Os fatos, bases de cálculo, créditos tributários e enquadramentos legais encontramse no Auto de Infração, folhas de continuação ao Auto de Infração, Demonstrativo de Apuração e Demonstrativo de Multa e Juros. 3 Este Termo de Verificação, os demonstrativos, quadros e demais documentos nele mencionados são partes integrantes e inseparáveis do Auto de Infração. Inconformada com a exigência, de que foi cientificada em 09/05/2007, a Interessada apresentou, em 08/06/2007, as impugnações de fls. 561/574 (IRPJ), fls. 776/789 (PIS), fls. 994/1007 (COFINS) e fls. 1205/1218 (CSLL), instruídas com a documentação anexa de fls. 575/775, fls. 790/993, fls. 1008/1204, fls. 1219/1420 e fls. 1423/1428, alegando, em síntese: que, ao analisar os extratos das contascorrentes bancárias, a autoridade fiscal deixou de considerar transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento; que a multa de ofício é excessivamente gravosa e sua aplicação ofende o princípio constitucional da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco; que a aplicação da taxa Selic também é inconstitucional, uma vez que não foi criada por lei, além do que não se presta, tampouco, à atualização de débitos fiscais. Finalizando seu arrazoado, requereu a Interessada a realização de perícia nos seus extratos bancários, a fim de demonstrar a existência de transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento. É O RELATÓRIO. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.493 7 A DRJ Manteve em parte os lançamentos e recorreu da parte cancelada, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumemse receitas omitidas os valores creditados em contacorrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo do imposto, Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.494 8 devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. LANÇAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de apurar a contribuição social mediante aplicação da alíquota de 9% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo da contribuição, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar a contribuição devida é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.495 9 O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. A aplicação da multa de ofício de 75%, na hipótese de falta de pagamento de tributo, está prevista, expressamente, em lei. A alegação de que a referida penalidade violaria o princípio constitucional de vedação do confisco em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. TAXA SELIC. QUESTIONAMENTO DE SUA UTILIZAÇÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA DE DÉBITOS FISCAIS. A utilização da taxa Selic, para efeitos de atualização de débitos tributários, está prevista expressamente em lei. A alegação de que o uso da referida taxa, para fins de cálculo dos juros de mora, violaria o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. Irresignada com a decisão de primeira instância na parte mantida, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 1466/1480 para este CARF . É o Relatório Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Resolução nº 1401000.202 S1C4T1 Fl. 1.496 10 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Constato que os extratos bancários foram obtidos pela fiscalização, a partir da emissão RMFs aos bancos (RMF, fls. 0203 a 0509), culminando com o lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Embora a DRJ tenha cancelado os auto de infração do IRPJ e da CSLL, subsistiram, em parte, os autos de infração do PIS e da COFINS. Nesse contexto, é de se observar que a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11516.006541/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
Ementa:
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 1996 até dezembro de 1998. Ressalta-se que o lançamento cientificado em 08/11/2010, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 28], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003.
VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO POR VIA LEI ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA.
Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, a verba paga aos servidores públicos a título de auxílio alimentação, com base em lei específica, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela própria legislação que regulamentou a matéria, independentemente da vinculação dos beneficiários ao Regime Geral de Previdência Social RGPS.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social as contribuições sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
Numero da decisão: 2301-003.923
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2003, anteriores a 11/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao auxílio alimentação, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em negar provimento ao recurso.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 1996 até dezembro de 1998. Ressaltase que o lançamento cientificado em 08/11/2010, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 28], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. DESVINCULAÇÃO REMUNERAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO POR VIA LEI ESPECÍFICA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO PARECER AGU N° AC 030. ANALOGIA. Em observância aos preceitos inscritos no Parecer AGU n° AC 030/2005, a verba paga aos servidores públicos a título de auxílio alimentação, com base em lei específica, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, em face da sua natureza indenizatória, reconhecida pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 65 41 /2 00 8- 13 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 própria legislação que regulamentou a matéria, independentemente da vinculação dos beneficiários ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social as contribuições sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 10/2003, anteriores a 11/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao auxílio alimentação, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, que votou em negar provimento ao recurso. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.000.9630, no montante de R$ 199.463,07 (cento e noventa e nove mil e quatrocentos e sessenta e três reais e sete centavos), consolidado em 17 de outubro de 2008, tendo como sujeito passivo a Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina. Conforme Relatório do Auto de Infração [fls. 98 a 104], o lançamento refere se às contribuições a cargo da empresa sobre às remunerações pagas aos empregados e aos contribuintes individuais, sobre os quais a Secretaria da Administração deixou de recolher parte das contribuições devidas, nas competências de 01/2003 a 12/2007. O Estado de Santa Catarina, cientificado em 03 de novembro de 2008 [fl. 157] da notificação, apresentou, em 02 de dezembro de 2008 [fl. 162], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese [fls. 162 a 172]: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006541/200813 Acórdão n.º 2301003.923 S2C3T1 Fl. 195 3 a) erro formal do lançamento: “Atentandose ao RL Relatório de Lançamentos ora impugnado, verificase que existem incorreções no mesmo que determinam a sua anulação, ou pelo menos sua correção para exclusão dos valores indevidos, referentes à exigência de retenção de empresas tomadoras de serviços optantes pelo SIMPLES, bem como referentes a inclusão de valores diversos da prestação de serviços, como base de cálculo da notificação.”. “Afinal, não se pode exigir a retenção antecipada da contribuição previdenciária de empresa que aderiu ao Sistema Simplificado de Recolhimento de Impostos, SIMPLES, instituído pela Lei n° 9317/96, em face da incompatibilidade deste regime com o recolhimento antecipado de 11% sobre a fatura do serviço, o que afasta a aplicação da norma geral, em respeito ao princípio da especialidade.”. b) nulidade do processo de lançamento em razão da inadequação e ilegalidade da base de cálculo: “[...] a base de cálculo do valor das contribuições previdenciárias supostamente devidas foi efetuada de oficio, através de arbitramento, aferição indireta, englobando, não apenas valores referentes à prestação de serviços, mas também valores referentes à aquisição de materiais e equipamentos”. “Entretanto, como o ato de lançamento é atividade administrativa vinculada e considerando que a aferição indireta somente poderá ser realizada quando verificada omissão, fraude ou simulação daquele que tenha a obrigação legal de informar, o que não ocorre no presente caso, concluise que foi nulo o procedimento de lançamento, e, do mesmo modo são nulos os títulos executivos, ora impugnados, em função da iliquidez dos valores apurados no processo administrativo de lançamento”. O contribuinte, no mérito, arguiu ser inexistente o fato gerador da contribuição previdenciária em relação ao auxílioalimentação: “A presente notificação não pode ser mantida, porquanto ausente o seu fato gerador, na medida em que o auxílio alimentação é, indiscutivelmente, uma verba com feições indenizatórias”. “Desta forma, evidente que não é devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio alimentação aos servidores públicos estatutários ou celetistas, posto que esta verba não tem caráter remuneratório, como equivocadamente entende o INSS, que alegou, ainda, o descabimento da natureza indenizatória da mesma, em razão da não inscrição do Estado no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, em 30 de janeiro de 2009, no acórdão no 0714.975 – 6a Turma da DRJ/FNS, manteve o crédito tributário exigido [fls. 177 a 180], concluindo que: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 “Quanto ao disposto na Lei Estadual n° 11.647/2000, que define que o AuxílioAlimentação pago aos servidores públicos não será incorporado ao vencimento, remuneração, provento ou pensão, entre outros dispositivos, cabe registrar que, esta norma não tem aplicação em relação às contribuições ora exigidas, uma vez que o presente lançamento abrange somente a remuneração percebida pelos servidores que integram o Regime Geral de Previdência”. “Assim, tendo em vista que as normas dispostas pela Lei Estadual n° 11.647/2000, em decorrência das determinações constitucionais supracitadas, não se referem às contribuições estabelecidas pela Lei n° 8.212/91, seus preceitos não podem ser aplicados a este lançamento”. O Estado de Santa Catarina recebeu o ofício em 20 de fevereiro de 2009 [fl. 188] e, em 11 de março de 2009 [fl. 183], apresentou recurso voluntário repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação [fls. 183 a 187]. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento [fl. 189]. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. DECADÊNCIA De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103ª da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006541/200813 Acórdão n.º 2301003.923 S2C3T1 Fl. 196 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; Extrai se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Tal entendimento restou consignado no Enunciado da Súmula CARF n. 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006541/200813 Acórdão n.º 2301003.923 S2C3T1 Fl. 197 7 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ressaltase que o lançamento cientificado em 08/11/2008, conforme fls. 01, e existindo presunção relativa de recolhimento parcial [fl. 28], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 10/2003. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Tratase de benefício concedido pelo órgão público em pecúnia, conforme consta da folha de pagamento. Para o fisco, a incidência decorreu do fato da recorrente não ser inscrita no PAT, além de que neste programa não há previsão para fornecimento de alimentação em pecúnia. Para afastar a exigência de contribuições sobre essa verba, a notificada alegou que a lei que institui o benefício expressamente afastou seu caráter salarial, não se enquadrando a verba no conceito de salário de contribuição. Assevera ainda que a sua forma de pagamento é incompatível com a sistemática do PAT. Sobre essa questão devo me afastar do entendimento dado pelo órgão recorrido. Inclusive deixarei de abordar a legislação de regência ou mesmo de ponderar acerca da questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que a Advocacia Geral da União, mediante aprovação do Parecer n° AC 030/2005, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos servidores da administração federal, a despeito da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, senão vejamos: “EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES PELA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. LEI nº 8.745/93. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E AUXÍLIO PRÉESCOLAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. I Não são devidas contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação e auxílio préescolar aos servidores contratados nos termos da Lei nº 8.745/93, a despeito de sua vinculação ao Regime Geral de Previdência Social, tendo em vista o disposto no artigo 22 da Lei nº 8.460/92 e no artigo 7º do Decreto nº 977/93.” Em que pese o Parecer da Advocacia Geral da União contemplar o caso de pagamento/concessão de auxílio alimentação aos servidores públicos temporários no âmbito Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 federal, temos que admitir que este se presta a elucidar a controvérsia posta nos autos, sobretudo com arrimo no princípio da analogia. Isto porque, além da verba sob análise possuir a mesma natureza e ter destinação idêntica nos dois casos (servidores estaduais e federais), a não incidência das contribuições previdenciárias, ou melhor, a desvinculação da remuneração, encontrase amparada pela própria legislação de regência que trata de referido beneficio. Na hipótese do servidor público federal com fundamento nos preceitos contidos no artigo 22 da Lei n° 8.460/92. Na mesma linha, para os servidores da Secretaria da Educação e do Desporto do Estado de Santa Catarina, com esteio no § 1. do art. 1. da Lei Estadual n. 11.647/2000, verbis: Art. 1. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal de auxílio alimentação por dia de trabalho aos servidores públicos civis e militares ativos da administração pública estadual direta, autárquica e fundacional. § 1. A concessão de auxílio alimentação será feita em espécie e terá caráter indenizatório. (...) Diante das razões supra, ainda que o Parecer AGU n° AC 030 se refira aos servidores federais, com arrimo no princípio da analogia, o entendimento ali inserido deve prevalecer no caso dos autos, o que rechaça a incidência de contribuições sobre aludida verba, em face da sua natureza eminentemente indenizatória, assim definida pela própria legislação que regulamentou o tema. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS As contribuições lançadas têm como fatos geradores os pagamentos de valores conforme folha de pagamentos e comprovantes de pagamentos de contribuintes individuais, cujos valores não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentadas pelo contribuinte, sobre os quais o Órgão deixou de recolher, parte da contribuição devidas, estabelecida nos incisos "I", "II" e"III" do art. 22 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual esta Auditoria lançou a diferença entre os valores devidos e aquele efetivamente recolhidos. Do lançamento das contribuições devidas, incidentes sobre as diferenças de remunerações pagas pela Secretaria aos segurados empregados constantes das folhas de pagamento apresentadas, com aquelas informadas à Previdência Social através da GFIP, levantamento "DIF"; Na ação fiscal, ao serem comparadas as remunerações constantes das folhas de pagamento dos segurados empregados, apurada pela Auditoria, com aquelas informadas à Previdência Social, através da "GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social", constatouse que a Secretaria informou a menor à base de cálculo das contribuições previdenciárias em diversas competências, bem como, não efetuou, parte, dos recolhimentos devidos à Previdência Social sobre estas diferenças. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.006541/200813 Acórdão n.º 2301003.923 S2C3T1 Fl. 198 9 Nesta condição, essas pessoas físicas se enquadram como segurados obrigatórios do RGPS na categoria de CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, em conformidade com o art. 12, V, alínea g e h da Lei 8.212/91, sujeitando ao recolhimento da contribuição patronal de 20% incidente sobre respectiva remuneração, de acordo com o artigo 22, III, da referida Lei. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer a decadência para as competências até 10/2003 e afastar a o lançamento em face do auxílioalimentação; devendo ser mantida em relação aos contribuintes individuais. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10410.902203/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO.
Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o nãoatendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 22 03 /2 01 2- 14 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani –Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “O presente processo trata contencioso sobre o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, instruído através do PER/Dcomp 09113.74115.280408.1.1.117227, transmitido em 28/04/2008, relativo a suposto crédito de Cofins não cumulativa – mercado interno, do 1º trimestre de 2008. 2. Conforme informado no Despacho Decisório, “... não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF n. 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado”. Diante disto, foi indeferido o pedido de restituição/ressarcimento. 3. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que: 3.1. a fundamentação do Despacho Decisório é insubsistente, pois não estava obrigada a apresentar os tais arquivos digitais, uma vez que o art. 1º da IN 86/01 dispõe que apenas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, é que estão obrigadas a manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas, de sorte que as empresas que não utilizam sistema eletrônico não estão obrigadas; 3.3. seria absurdo exigir que empresas que não utilizam sistema eletrônico, assim que intimadas passem a adquirir software e lancem a contabilidade retroativamente para só aí poder gerar arquivos digitais, o que levaria anos para uma ME, além de ser caro; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 4 3 3.4. nenhum direito pode ser negado por falta de arquivo digital, pois não se enquadra na IN 86/01, por não usar sistema eletrônico; 3.5. a ressalva da IN é repetida no art. 11 da lei 8.212/91, reforçada pelo seu §2°, que dispensa da obrigação as empresas optantes pelo Simples Federal (lei 9.317/96); 3.6. não tendo a empresa descumprido nenhuma norma e como o Despacho só negou por esse motivo, não há o óbice apresentado no Despacho Decisório, devendo ser deferido o direito pleiteado no PER/Dcomp.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. FORNECIMENTO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. Deve ser indeferido o crédito pleiteado por contribuinte que tenha optando pela escrituração em meio magnético (digital) e tenha se negado a apresentar os arquivos digitais correspondentes, quando para isso intimado.” Ciente da decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte apresentou recurso voluntário no alega que: i) Não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade; ii) Registra sua movimentação em livros fiscais em papel; iii) O fato de utilizar certificação digital para transmitir DIPJ e retirar certidão negativa não significa que faça contabilidade digital ou utilize o SPED e não se pode confundir software para conciliar movimentação em computador com o efetivo registro contábil, que se faz nos livros contábeis. iv) É microempresa e, por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais, tendo em vista o disposto na IN 86/01, no ADE 15/01 e no art. 11 da Lei nº 8.218/91 v) Inexiste o único óbice apontado no despacho decisório que implicou o indeferimento do pedido de ressarcimento, logo, deve ser deferido seu pleito amparado no PER/DCOMP. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 5 4 vi) Se não for deferido, que se proceda à diligência para verificar o registro contábil da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. A ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 04/09/2013 e o recurso voluntário foi apresentado em 04/10/2013. Logo, é tempestivo. Também atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Mérito O Despacho Decisório contém no quadro 3, destinado à fundamentação, decisão e enquadramento legal, os seguintes dizeres: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado. Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Para informações complementares da análise de crédito, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 39 e 40 da Lei 9.784, de 1999, Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 2001, e Art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.” Transcrevo as normas que fundamentaram a decisão: Lei nº 9.784, de 29/1/1999: “Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 6 5 Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” IN SRF 86, de 22/10/2001: "Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3º Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações." (grifouse). A Lei nº 8.212., de 1991, ampara a instrução normativa citada acima. Lei 8.212, de 1991 "Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 7 6 decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) )...) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados.(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" (grifou se) Da leitura destas normas verificamse dois requisitos não cumulativos para que a contribuinte não esteja obrigada a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os arquivos digitais e sistemas de processamento de dados: 1º) A nãoutilização dos sistemas e dos arquivos digitais; 2º) O nãoenquadramento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A opção pela utilização dos sistemas de processamento eletrônico de dados e arquivos digitais é da contribuinte. Porém, uma vez efetivada a opção, não pode ela deixar de cumprir a obrigação de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, ressalvada a situação de se enquadrar, também por opção sua, no SIMPLES. No acórdão recorrido, foi copiada tela de consulta à DIPJ da contribuinte, em especial a Ficha 61A, na qual se verifica que ela fez opção pela escrituração em meio magnético para os exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008. Na mesma consulta se verifica a tributação pelo lucro real, o que também se vê no PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. A recorrente afirma que é microempresa e que não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade. Por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais. O que se verifica nos autos é que, no período em discussão, ela havia feito opção pela escrituração em meio magnético e não havia feito opção pelo SIMPLES. E, após intimada, não apresentou os arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, na forma e prazo estabelecidos em conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração. O comando de arquivamento do processo, previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999, implica o indeferimento do pedido de ressarcimento, uma vez que a Administração Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902203/201214 Acórdão n.º 3801004.069 S3TE01 Fl. 8 7 tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência, nos termos do art. 48 dessa lei. Ressaltese que o ônus da prova do direito de crédito alegado é da contribuinte, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil, e que o pedido de ressarcimento só poderia ser deferido para crédito devidamente comprovado. Logo, correto o despacho decisório em não deferir o pedido de ressarcimento Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte optou pela escrituração em meio magnético, não optou pelo SIMPLES e, após intimada, não apresentou os arquivos digitais que permitiriam confirmar a existência do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.002193/2002-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
A Manifestação de Inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, não tendo o Recurso Voluntário, ainda que tempestivo, o condão de restabelecer o litígio em segunda instância.
Numero da decisão: 3803-006.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A Manifestação de Inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, não tendo o Recurso Voluntário, ainda que tempestivo, o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Campinas/SP que não conheceu, por intempestividade, da Manifestação de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 21 93 /2 00 2- 94 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.002193/200294 Acórdão n.º 3803006.840 S3TE03 Fl. 245 2 apresentada pelo contribuinte para se contrapor à decisão da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo a indébitos da contribuição para o PIS, no montante de R$ 58.551,09, pelo fato de fundarse em decisão judicial não transitada em julgado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte protestou pela tempestividade de sua interposição e requereu o reconhecimento do direito creditório por se embasar na inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como no direito assegurado por lei à compensação, independentemente da anuência da autoridade administrativa ou das restrições do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). Tendo a autoridade administrativa de origem negado seguimento à impugnação por intempestividade, o contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração, pedido esse que restou acatado por ter havido, preliminarmente, na Manifestação de Inconformidade, a suscitação da tempestividade. O acórdão da DRJ Campinas/SP restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, protocolada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da ciência da não homologação das compensações, não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, restando impossibilitado qualquer pronunciamento do órgão julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 25/2/2010, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5/3/2010 e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos. Em preliminar, alega o Recorrente que a data de recebimento do despacho decisório aposta no Aviso de Recebimento (AR) encontravase “equivocada”, pois, em verdade, recebera o documento em 2/5/2008 e não em 30/4/2008, tendo em vista que esta última data referese ao recebimento na portaria do Ceasa Campinas e não em seu estabelecimento. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.002193/200294 Acórdão n.º 3803006.840 S3TE03 Fl. 246 3 O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o contribuinte fora cientificado da decisão da repartição de origem em 30/04/2008, conforme consta do AR à fl. 121verso (que corresponde à fl. 130 do processo digitalizado), tendo protocolizado a Manifestação de Inconformidade em 3/6/2008 (fl. 122 ou 131 no processo digitalizado). Como o dia 30/04/2008 era véspera do feriado do dia 1° de maio, a contagem do prazo de 30 dias para a interposição do recurso iniciouse no dia 2 de maio, sextafeira, tendo findado em 02/06/2008, dado que o dia 31/5/2008 fora um sábado. Dessa forma, resta inconteste a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, dada a inobservância do prazo de 30 dias fixados no Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O Recorrente alega que o documento fora recepcionado no dia 30/04/2008 mas na portaria do Ceasa Campinas e não em seu estabelecimento, tendo a ciência sido dada a ele, de forma efetiva, somente no dia 02/05/2008. Contudo, compulsando os autos, verificase que o endereço aposto no AR corresponde ao mesmo endereço constante do cadastro da Receita Federal (conforme se verifica da tela à fl. 111 ou 119 do processo digitalizado), cadastro esse cujo conteúdo reflete as informações fornecidas ao órgão pelo próprio sujeito passivo, tratandose, portanto, do domicílio tributário por ele eleito. Conforme preceitua o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), a intimação será feita por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Constatase, portanto, que agiu bem a DRJ Campinas/SP ao não conhecer da Manifestação de Inconformidade, por intempestividade, não havendo suporte legal às alegações aduzidas preliminarmente pelo Recorrente. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.002193/200294 Acórdão n.º 3803006.840 S3TE03 Fl. 247 4 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 14367.000368/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS PRÓPRIOS.
O contribuinte que tiver créditos de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social ou a outras entidades e fundos junto ao fisco deve se habilitar para recebê-los mediante processos próprios de restituição/compensação.
MULTA DE MORA.
Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
O artigo 106, c , do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
MULTA MAIS BENÉFICA
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, a) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso à questão da apropriação dos valores abatidos no DEBCAD 37.304.598-0. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Jhonatas Ribeiro da Silva e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a apropriação das retenções destacadas nas Notas Fiscais descritas na folha 100 do processo, se ainda não apropriadas. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na apropriação e Ivacir Julio de Souza que votou pela conversão do julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Ivacir Julio de Souza - Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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COMPENSAÇÃO. PROCESSOS PRÓPRIOS. O contribuinte que tiver créditos de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social ou a outras entidades e fundos junto ao fisco deve se habilitar para recebêlos mediante processos próprios de restituição/compensação. MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. O artigo 106, “c” , do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. MULTA MAIS BENÉFICA Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 03 68 /2 01 0- 11 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, a) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso à questão da apropriação dos valores abatidos no DEBCAD 37.304.598 0. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Jhonatas Ribeiro da Silva e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. b) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a apropriação das retenções destacadas nas Notas Fiscais descritas na folha 100 do processo, se ainda não apropriadas. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na apropriação e Ivacir Julio de Souza que votou pela conversão do julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Ivacir Julio de Souza Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000368/201011 Acórdão n.º 2403002.789 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que manteve em parte o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.312.1890, referente a fiscalização para o período de 01/01/2001 a 31/05/2003, apurado a dívida entre 03/2001 a 04/2003, na qual pretende o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, apuradas em folha de pagamento e nos recibos de contribuintes individuais e não declaradas em GFIP, destinadas ao Fundo de Previdência Social e Assistência Social – FPAS e ao GILRAT, no valor de R$ 476.152,09. Segundo relata a autoridade fiscal nas fls. 66/73, a presente autuação, lavrado em dezembro de 2010, destinase a substituir Notificações Fiscais de Lançamento de Débito, elencados no Relatório Fiscal, originariamente lavradas em 20/10/2006, e julgadas nulas por vício formal pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, ante a ocorrência de vícios na cientificação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. A autuação em epígrafe desdobrase nos seguintes levantamentos: EP – CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS: corresponde ao montante das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que a empresa os tinha considerado como contribuintes individuais e que a fiscalização do lançamento originário comprovou com os próprios documentos da empresa que se tratavam, em verdade, de segurados empregados, conforme documentos constantes na autuação originária, apensado ao presente; FP – FOLHA DE PAG A PARTIR DE 0199: decorre das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestaram serviços; VR – VALORES RESTITUÍDOS VIA PROC: foram lançados os valores que foram restituídos via processo administrativo, conforme COGPS – Consulta Detalhes GPS, conforme documento anexo constante na autuação originária, apensado ao presente; DAL – DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: registra as diferenças decorrentes de recolhimentos a menor de atualizações monetárias, juros ou multa de mora, com indicação de valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal àquela em que foi efetuado o recolhimento a menor. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, o contribuinte apresentou defesa através do instrumento de fls. 77/89. DO ACÓRDÃO DA DRJ Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, DRJ/BEL, prolatou o Acórdão nº 01 22.996, fls. 128/142, na qual consignou a procedência em parte da impugnação ofertada para reconhecer a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como para excluir o segurado Antonio Marques da Silva do levantamento EP – CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS, por ausência, nos autos, de provas de sua caracterização como empregado da Impugnante. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2003 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante nº 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2º da Lei nº 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco). Aplicarseá, assim, o prazo decadencial do art. 150, § 4º, ou do art. 173, inciso I, do CTN. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS Verificando a autoridade administrativa que o trabalho executado pelos prestadores de serviço atendem aos requisitos caracterizadores da relação de emprego, pode ele desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 156/159, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, do argumento de que há prejuízos decorrentes da apropriação inadequada dos créditos. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000368/201011 Acórdão n.º 2403002.789 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 156, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Afirma o recorrente que a fiscalização rateou os recolhimentos efetuados no CNPJ nas diversas CEI’s/levantamentos, gerando diferenças inexistentes em todos os levantamentos e, especialmente, nas NFLD do presente processo. Afirma que não conseguiu assimilar como foram apropriados os recolhimentos efetuados no CNPJ, haja vista que o RDA contém valores superiores as contribuições apuradas nas NFLDs, o que faria dele um credor e não devedor. No entanto, não entendo que o fundamento levantado seja suficiente para a caracterização de nulidade no presente processo, conforme afirma o contribuinte. Três são os levantamentos presentes neste processo: “EP” – pagamento feito através de recibos aos contribuintes individuais, “FP” referente a lançamentos em folha de pagamento e “VR” – relativo a valores restituídos via processo 10/2001 a 12/2002. Em anexo ao auto de infração, consta o Discriminativo Analítico de Débitos, assim como o Relatório de Documentos Apresentados, que discrimina, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores confessados pelo sujeito passivo, quando for o caso. Também no RADA, há a demonstração de como os documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados na ação fiscal foram apropriados pela fiscalização, GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos). Dessa forma, não vislumbro o erro apontado pelo contribuinte, assim como entendo que não restou demonstrado o suposto prejuízo. No entanto, uma ressalva merece ser feita. Nos processos em que fora realizada a aferição indireta, esta turma em julgamento realizado na pauta de outubro/2014 entendeu que ali estão presentes nulidades que maculam os referidos autos de infração de vício material insanável, no qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário quanto ao processo de que tratava o DEBCAD 37.304.598 0 (EMPRESA AFERIÇÃO INDIRETA). Ocorre que, ao assim se proceder, as apropriações (créditos) realizados pelo fiscal naquele processo merecem ser migrados e devidamente apropriados no presente já que ante a inexistência do lançamento anterior e da constatação da existência do crédito do Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 contribuinte, não pode o recorrente ter seus créditos, líquidos e certos, excluídos, uma vez que foram devidamente reconhecidos pela própria fiscalização no Relatório de Documentos Apropriados – RADA. Cumpre destacar que o presente DEBCAD n. 37.304.1890 (EMPRESA), está relacionado com o DEBCAD 37.304.5980 (EMPRESA AFERIÇÃO INDIRETA), que, conforme já se destacou, foi anulado por esta turma de julgamento. Dessa forma, a partir dos lançamentos efetuados pela fiscalização os seguintes créditos, imputados no DEBCAD 37.304.5980, devem ser apropriados no presente lançamento: Os créditos acima totalizam um montante de R$ 90.037,17 (noventa mil, trinta e sete reais e dezessete centavos) e devem ser apropriados, (independentemente da correlação de obras uma vez que se trata do mesmo contribuinte) para o presente DEBCAD por também se tratar da parte EMPRESA. Logo, quando da execução do julgado, os créditos acima devem ser abatidos até o limite do presente DEBCAD. DOS CRÉDITOS NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO – DA RETENÇÃO DE 11% O recorrente alega que a fiscalização deixou de considerar a retenção realizada em diversas notas fiscais, sob o argumento de que apesar de constar no documento fiscal que teria havido uma retenção, não constam nos sistemas da RFB o devido recolhimento por parte do tomador de serviços. LEVANTAMENTO COMPETÊNCIA VALOR APURADO POR DOC. VALOR APROPRIADO AL ‐ RESTAURACAO ASSEMBLEIA LEGIS jan/03 R$ 1.696,59 R$ 1.696,59 AL ‐ RESTAURACAO ASSEMBLEIA LEGIS jan/03 R$ 11.310,62 R$ 11.310,62 DE ‐ CONST DELEGACIA TAPAUA mai/02 R$ 702,00 R$ 702,00 IN ‐ ILUMINAÇÃO NATALINA dez/01 R$ 7.340,00 R$ 7.340,00 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO set/02 R$ 2.325,44 R$ 2.325,44 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO set/02 R$ 15.502,91 R$ 15.502,91 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO out/02 R$ 2.325,44 R$ 2.325,44 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO out/02 R$ 15.502,91 R$ 15.502,91 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO nov/02 R$ 2.325,44 R$ 2.325,44 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO nov/02 R$ 15.502,91 R$ 15.502,91 NR ‐ DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANDO dez/02 R$ 15.502,91 R$ 15.502,91 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000368/201011 Acórdão n.º 2403002.789 S2C4T3 Fl. 5 7 Este argumento foi reforçado pela DRJ. No entanto, entendo que merece provimento o Recurso Voluntário do Contribuinte neste tocante, uma vez que a obrigação pelo recolhimento é do tomador de mão deobra, devendo a fiscalização diligenciar perante ele, já que não se trata aqui de solidariedade, mas sim de subrogação. Dessa forma, analisando as provas, bem como a planilha elaborada pela recorrente, temse os seguintes valores para consideração no presente processo: LEVANTAMENTO COMP. NF VALOR DA NOTA VALOR RETIDO REF. PROVA FL. 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES out/01 254 R$ 148.813,77 R$ 4.910,89 FL. 100 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES dez/01 280 R$ 80.816,42 R$ 2.666,96 FL. 100 106 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES out/01 254 R$ 148.813,77 R$ 4.910,89 FL. 100 104 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES jan/34 280 R$ 80.816,42 R$ 2.666,96 FL. 100 106 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES dez/01 281 R$ 40.804,44 R$ 1.346,55 FL. 100 107 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES jan/02 288 R$ 3.270,31 R$ 107,92 FL. 100 108 088 AMPLIAÇÃO DO BLOCO 5 E CONST. QUADRA ESPORTES jan/02 291 R$ 16.666,60 R$ 549,99 FL. 100 109 236 CONST DE DELEGACIA DE TAPUA jan/02 290 R$ 33.744,61 R$ 1.137,57 FL. 100 110 236 CONST DE DELEGACIA DE TAPUA mar/02 303 R$ 33.748,74 R$ 556,85 FL. 100 111 236 CONST DE DELEGACIA DE TAPUA jun/02 317 R$ 40.305,70 R$ 806,11 FL. 100 112 271 PISTA DE POUSO E DECOLAGEM DE PAUINI mar/02 305 R$ 1.123.072,61 R$ 22.461,45 FL. 100 113 271 PISTA DE POUSO E DECOLAGEM DE PAUINI jun/02 311 R$ 598.611,18 R$ 11.972,22 FL. 100 114 271 PISTA DE POUSO E DECOLAGEM DE PAUINI jun/02 312 R$ 14.630,98 R$ 2.946,62 FL. 100 115 017 RESTAURAÇÃO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA out/02 362 R$ 297.368,91 R$ 16.355,25 FL. 100 116 017 RESTAURAÇÃO nov/02 R$ 329.716,58 R$ 18.134,41 FL. 100 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA 366 117 017 RESTAURAÇÃO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA dez/02 371 R$ 340.230,38 R$ 18.712,67 FL. 100 118 017 RESTAURAÇÃO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA jan/03 398 R$ 163.746,05 R$ 9.006,03 FL. 100 119 045 ESTRADA TRANSAMAZONICA HUMAITÁ set/02 348 R$ 878.906,88 R$ 14.501,96 FL. 101 120 056 PAVIMENTAÇÃO EM APUI ago/02 338 R$ 35.000,00 R$ 577,50 FL. 101 121 076 SISTEMA VIÁRIO DE BENJAMIN CONSTAN jan/03 399 R$ 2.605.956,15 R$ 42.998,28 FL. 101 122 040 DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANSO ago/02 342 R$ 1.104.408,72 R$ 18.222,74 FL. 101 123 040 DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANSO set/02 343 R$ 450.000,00 R$ 7.425,00 FL. 101 124 040 DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANSO dez/02 366 (388 no doc) R$ 383.454,83 R$ 6.327,00 FL. 101 125 044 ILUMINAÇÃO NATALINA 2001 fev/02 308 R$ 550.500,20 R$ 2.128,60 FL. 101 TOTAL: R$ 203.852,57 Ante o exposto, devem as retenções efetuadas obstante não terem sido recolhidas pelo tomador de serviços. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento para, determinar a apropriação dos créditos apurados no DEBCAD n. 37.304.598 0, bem como os valores que foram retidos e não recolhidos das quais o contribuinte anexou provas aos autos. Marcelo Magalhães Peixoto Voto Vencedor Embora respeitando o entendimento do i. Conselheiro que desenvolveu os encimados argumentos sustentados na motivação de seu voto, ouso discordar de sua conclusão. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14367.000368/201011 Acórdão n.º 2403002.789 S2C4T3 Fl. 6 9 Na condução do voto , o I. Conselheiro referindose aos créditos de outro processo aduz que esses devam ser apropriados neste , independente de correlação: "Ocorre que, ao assim se proceder, as apropriações (créditos) realizados pelo fiscal naquele processo merecem ser migrados e devidamente apropriados no presente já que ante a inexistência do lançamento anterior e da constatação da existência do crédito do contribuinte, não pode o recorrente ter seus créditos, líquidos e certos, excluídos, uma vez que foram devidamente reconhecidos pela própria fiscalização no Relatório de Documentos Apropriados – RADA. (...) (independentemente da correlação de obras uma vez que se trata do mesmo contribuinte) para o presente DEBCAD por também se tratar da parte de terceiros. Logo, quando da execução do julgado, os créditos acima devem ser abatidos até o limite do presente DEBCAD " E nesta questão em que divirjo em razão de entender que o contribuinte que tiver créditos de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social ou a outras entidades e fundos junto ao fisco, nas circunstâncias em comento, deve se habilitar para recebêlos mediante processos próprios de restituição/compensação. DA MULTA DE MORA A infração ocorrera no período 01/04/2001 a 30/04/2001. Às fls. 01 se observa que a empresa fora penalizada com multa de mora de mora. No Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 32 o item, 601 – Acréscimos Legais da Multa, a multa restou assentada nos incisos I, II e II do art. 35 da Lei n° 8.212/91 . Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n° 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” Eis que o caput e § 2º da sobredita Lei no 9.430/96 determinam taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, cabe recálculo da multa aplicada na forma do previsto na art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. Ivacir Júlio de Souza Relator designado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/01 /2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.957931/2009-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 79 31 /2 00 9- 57 Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 13 de março de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 16412.27144.151206.1.3.040921 (fls. 39 a 44), transmitido em 15/12/2006 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 11/2006, no valor original de R$ 112.469,43. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 02/2004, no valor total de R$ 95.524,55, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 78.589,50. À fl. 46 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 28/08/2009 (fl. 280), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 02 a 08), alegando, em resumo, que: Ao checar sua situação fiscal no sítio da RFB, surpreendeuse com a informação de que havia recebido o despacho decisório ora contestado em 28/08/2009, não lhe restando mais tempo para defesa tempestiva; Após revirar toda a sua documentação, constatou que não recebera tal despacho, sendo, em conseqüência, nula a citação, pois, se de fato o AR foi entregue, o foi para pessoa que não integra o quadro de funcionários da empresa; Em observância aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, a citação do réu deve ser entregue ao representante legal da empresa, ou pelo menos pessoa que integre sua folha de salários; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 17 4 Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 18 5 PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.957931/200957 Acórdão n.º 3801003.594 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10630.720364/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Relatorc
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Recorrente AM INFORMÁTICA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO EDYR CORDEIRO DE PAULA E SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE POR SUPOSTO EXCESSO DE PRAZO NA FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O procedimento fiscal se inicia com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, o qual exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e possui validade por sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A lei não fixa prazo para a conclusão do trabalho de fiscalização, o qual pode variar em razão das peculiaridades de cada caso. NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO ACERCA DO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. A fase que antecede o lançamento tributário tem caráter meramente inquisitório, e não reclama seja instaurado o contraditório com o contribuinte, e menos ainda com relação à pessoa física ou jurídica apontada como responsável pelo crédito tributário lançado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 64 /2 00 7- 21 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 3 2 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. PRÉVIA INTIMAÇÃO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. DESNECESSIDADE. A lei exige apenas a prévia intimação do contribuinte para apresentação dos extratos bancários, antes da expedição da RMF. Da mesma forma, exige apenas a intimação dirigida ao titular da conta para a comprovação da origem dos recursos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 4 3 O presente processo retorna para julgamento nesta Turma, após a prolação de nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância, em cumprimento ao disposto no Acórdão 110200.370, de 26.01.2011, que declarou nula a decisão anteriormente proferida, por cerceamento ao direito de defesa. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 4 a 39, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 9.987.958,94, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 150%. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 40 a 82, que o procedimento de fiscalização teve como origem o cruzamento das informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativamente aos valores sujeitos a incidência da Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF, com a situação fiscal informada nas Declarações Anuais Simplificadas relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, nas quais a empresa consta na condição de inativa, não obstante a movimentação financeira ocorrida em suas contas correntes nos montantes de R$ 13.814.065,68 para o ano de 2002, e de R$ 6.105.215,58 para o ano de 2003. Durante o período de coleta de informações sobre a empresa, foi constatada a utilização de interpostas pessoas na constituição da pessoa jurídica, conforme declaração prestada pelo sócio da empresa, Sr Marcos Antônio Vieira, CPF 007.210.19625, às fls. 109, da qual se destaca as seguintes informações: que trabalhava na empresa Koisas Geladas Ltda, CNPJ 38.637.815/000159, no período de 16 de maio de 1994 até 6 de junho de 2002, empresa esta de propriedade de Edyr Cordeiro de Paula Silva; que, precisando de um financiamento para fazer uma cirurgia, o Sr Edyr lhe propôs abrir uma conta corrente no Banco do Brasil da agência Centro da cidade de Governador Valadares, e que, para isso, providenciou uma Nota Fiscal de Venda referente à compra de um computador; que foi através desse expediente que conseguiu que o Banco lhe emprestasse a quantia necessitada, pois não possuía na época condições de abrir conta corrente junto à instituição financeira; que a conta foi aberta, portanto, com a interferência do Sr Edyr, e na condição de que ela seria tão somente movimentada por ele, Sr Edyr Cordeiro de Paula Silva, sem esclarecer que tipo de movimentação faria; que, a partir da abertura da conta, começou a assinar cheques, periodicamente, para o Sr Edyr, cheques estes que lhe eram apresentados em branco para assinatura; que o cartão do Banco e a senha para uso do cartão ficam na posse do Sr Edyr; Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 5 4 que nunca movimentou essa conta, nunca pegou talão de cheques, e que desconhece a senha de uso do cartão; que o Sr. Edyr trabalha ou é proprietário da Sant’ana Turismo, empresa sediada na cidade de Governador Valadares; e, por fim, que a pedido do Sr Edy, juntamente com Alysson Silva Rosa, assinou o Contrato Social da empresa AM INFORMÁTICA, porém desconhece qualquer situação a respeito dessa empresa. A fiscalização constatou, em visita ao endereço informado pela empresa no CNPJ, que não havia ali nenhuma instalação da empresa, e que na verdade tratavase de uma residência familiar, conforme declaração prestada pela moradora (fls. 108), que informou ocupála há cerca de cinco anos, e disse desconhecer a existência de qualquer empresa de informática naquela rua. Em diligência junto à imobiliária administradora do imóvel, a fiscalização constatou que o Contrato de Locação, datado de 20/06/2002, foi firmado entre o proprietário do imóvel, Sr. José Gonçalves Santos e a empresa AM INFORMÁTICA LTDA, representada no ato pelo Sr. Alysson Silva Rosa, e que o imóvel alugado era um galpão que somente poderia ser usado para fim RESIDENCIAL exclusivo do locatário. Em solicitação de informações feita ao Ministério do Trabalho, obteve a fiscalização a informação de que a empresa AM INFORMÁTICA LTDA não tinha empregados em 2002, e que não havia entregue a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS relativa a 2003. Em solicitação de informações feita à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, obteve a fiscalização cópia do contrato social e alterações da empresa, fls. 144 a 150, nos quais consta que seu objetivo social seria o comércio varejista de máquinas e aparelhos de uso doméstico e pessoal; equipamentos de informática e comunicação, componentes eletrônicos, comércio varejista de suprimentos de informática e material de escritório, e prestação de serviços de manutenção em equipamentos de informática e comunicação. Que possui dois sócios: Alysson Silva Rosa, CPF 040.517.57802, e Marcos Antônio Vieira, CPF 007.210.19625, sendo o sócio Alysson Silva Rosa o responsável pela administração da sociedade. Em solicitação de informações feita à Delegacia Fiscal da Receita Estadual de Governador Valadares, para obtenção das vendas mensais ocorridas nos anos de 2002 e 2003, obteve a fiscalização a informação de que a empresa AM INFORMÁTICA LTDA não consta como inscrita no Estado. Por meio do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 105 e 106, a empresa AM INFORMÁTICA LTDA foi intimada a apresentar, relativamente aos anos de 2002 e 2003, dentre outros elementos, os livros contábeis e fiscais, os documentos referentes a receitas e despesas, os extratos bancários de todas as contas movimentadas, e a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancarias. Na ocasião, o Sr. Alysson Silva Rosa prestou a seguinte declaração (fls. 107): Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 6 5 “1) A empresa AM INFORMÁTICA LTDA, acima identificada, foi aberta por ele Alysson e pelo amigo Marcos Antônio de Souza; 2) A empresa AM INFORMÁTICA LTDA nunca chegou a funcionar. A citada empresa somente foi aberta, mas não chegou a operar. Não comprou nada e não efetuou nenhuma venda, seja de mercadoria, seja de serviços; 3) A empresa AM INFORMÁTICA LTDA não chegou a ter qualquer movimentação financeira; 4) Recentemente, pediu ao contador, Sr Nildo para providenciar a baixa da empresa. Por fim, o Sr Alysson Silva Rosa declarou que o outro sócio da AM INFORMÁTICA LTDA, Sr Marcos Antônio de Souza, encontrase atualmente nos Estados Unidos da América.” Cumpre observar que, diante da dificuldade encontrada pela fiscalização em manter contato com o sócio responsável pela administração da sociedade, o Sr. Alysson Silva Rosa, em geral as intimações eram encaminhadas a três endereços distintos onde ele poderia ser encontrado. Apesar das sucessivas solicitações de prorrogações de prazo, concedidas pela fiscalização, ao fim e ao cabo, a empresa apresentou tão somente cópias do seu Contrato Social registrado na JUCEMG em 15/09/2000 (fls. 163 a 165), e dos extratos bancários da conta n° 503.4332 da agência nº 0116 da Caixa Econômica Federal, abrangendo o período de 26/04/2002 a 01/10/2003 (fls. 166 a 199 e 202 a 304). Por meio das competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 387 a 428, fls. 434 a 465 e fls. 467 e 468), foram obtidos dados e documentos relativos à movimentação financeira da empresa nas contas correntes mantidas junto à Caixa Econômica Federal e ao Bradesco S/A. Verificou a fiscalização que na ficha cadastral preenchida pela empresa quando da abertura da conta bancária junto ao Bradesco S/A, em 07/05/2002, foi indicado como telefone de contato o número 32256208, e que este telefone é o mesmo informado na ficha cadastral do Banco do Brasil S/A para a empresa DATAMICRO INFORMÁTICA LTDA, que também se encontrava sob procedimento fiscal, e nesta última ficha o telefone citado consta como sendo do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Também nas fichas cadastrais dos sócios de direito da empresa DATAMICRO INFORMÁTICA LTDA, consta como referência o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, com endereço à Av. Minas Gerais, n° 228, em Governador Valadares e com telefone de contato 32256208. Este endereço, conforme o contrato de locação de fls. 496498, seria utilizado pelo locatário, Sr.Edyr Cordeiro de Paula Silva, para a exploração de uma agência de viagens e outras atividades relacionadas com turismo. A fiscalização ressalta que, após uma relutância inicial do Sr. Alysson em prestar esclarecimentos, a partir de 16/02/2007, ele passou a colaborar com a fiscalização, fornecendo diversas provas de seu envolvimento com o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, inclusive o registro de diversas ligações efetuadas para o referido telefone. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 7 6 A partir da identificação da caligrafia usadas no preenchimento dos campos “valor”, “extenso do valor”, “beneficiário” e “data” de cada um dos cheques emitidos pela AM INFORMÁTICA LTDA, feita pelo Sr. Alysson Silva Rosa, a fiscalização procurou essas pessoas. Apresentando a elas as cópias dos referidos documentos, a fiscalização obteve a confirmação, por parte do Sr. Alexandre Passos Rodrigues e da Sra. Patrícia Sobreira Silva de Paula, do preenchimento dos referidos cheques, tendo ambos afirmado que o fizeram a mando e ordem do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. A fiscalização procurou ainda diversas outras pessoas ligadas ao Sr. Edyr, reunindo provas de sua participação à frente dos negócios da AM INFORMÁTICA LTDA. Dos contatos feitos com os poucos beneficiários identificados em alguns cheques, constatou a fiscalização a realização de operações irregulares de câmbio. De tudo o que foi apurado, a fiscalização concluiu que, apesar de a empresa AM INFORMÁTICA ter sido constituída pelos Srs. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira, não eram eles de fato os verdadeiros proprietários dessa empresa, mas sim o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. As evidências foram sintetizadas pela autoridade fiscal às fls. 70/71. Diante da ausência de apresentação da escrituração comercial e fiscal da empresa, e da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários em suas contas correntes, a fiscalização arbitrou o lucro da empresa, tomando como receita conhecida os valores dos depósitos cujas origens dos recursos não foram comprovadas, ao abrigo do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Às fls. 77, apresentou ainda uma síntese dos motivos que tornavam completamente impossível a apuração de um “spread” a ser aplicado sobre os depósitos, como forma de se chegar a um possível “ganho” em operações de câmbio. Às fls. 78, a fiscalização sintetizou os motivos que a levaram a concluir pela ocorrência de conduta dolosa por parte da contribuinte, e que conduziram à aplicação da multa qualificada (150%). Por fim, a fiscalização apontou o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva como responsável solidário pelos créditos tributários constituídos contra a empresa AM INFORMÁTICA. Foram apresentadas impugnações pelo Sr. Alysson Silva Rosa, em nome próprio e de AM INFORMÁTICA, fls. 999 a 1016, e pelo Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, fls. 852 a 878. Os argumentos da impugnação apresentada em nome de Alysson Silva Rosa e de AM INFORMÁTICA podem ser assim sinteticamente resumidos: Alysson Silva Rosa é pessoa idônea, de caráter íntegro, reputação ilibada e elevada personalidade, comprovada também pelas declarações de idoneidade e atestado de antecedentes anexos; Alysson Silva Rosa e AM INFORMÁTICA LTDA não possuem legitimidade passiva para figurarem como devedores dos créditos tributários em questão; Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 8 7 a hipossuficiência econômica de Alysson Silva Rosa foi constatada pela própria fiscalização, ademais, os anexos extratos bancários de sua conta bancária retratam sua péssima condição financeira e a mais total escassez de recursos, demonstrando total inexistência de capacidade contributiva; inexigibilidade de conduta diversa por parte de Alysson Silva Rosa, em razão de temor reverencial e submissão funcional ao Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva; em face do instituto da delação premiada, e por ter colaborado com as autoridades fiscais, não é justa a acusação que lhe é direcionada; a autuação, portanto, deve ser totalmente desconstituída. Os argumentos da impugnação apresentada pelo Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva podem ser assim sinteticamente resumidos: a) nulidade do lançamento por excesso de prazo ilegal, tendo em vista o longo prazo decorrido durante o procedimento fiscal (“primeira data de validade como sendo em 10 de dezembro de 2005 e a última para 26 de dezembro de 2007”); b) nulidade do lançamento por ausência de intimação ao contribuinte sobre o processo fiscal instaurado contra a empresa AM INFORMÁTICA; c) ausência de provas da responsabilidade do contribuinte pelos créditos tributários constituídos contra a empresa AM INFORMÁTICA, e de que ele e o senhor Alysson Silva tenham interesse comum nesses recursos depositados e sacados no banco; d) responsabilidade única do senhor Alysson Silva pelos fatos e pela empresa AM INFORMÁTICA; e) imprestabilidade dos “documentos” apresentados pela fiscalização, em razão da falta da designação de peritos para atestar ser sua a letra aposta em diversos cheques da empresa AM INFORMÁTICA; f) imprestabilidade dos “depoimentos”, os quais são ilegais, por sua unilateralidade, pelo fator coativo e surpresa em relação ao contribuinte; g) ilegalidade e inconstitucionalidade na “quebra” do sigilo bancário; h) ilegalidade no uso dos “valores bancários”, pois não foi regularmente intimado para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente da empresa AM INFORMÁTICA. A DRJ/Rio de JaneiroI, por meio do Acórdão 1219.711, de 26.06.2008, destacou que o extenso e bem documentado Termo de Verificação Fiscal confirma que a pessoa jurídica foi constituída por sócios denominados “laranjas”, e que processou expressiva movimentação financeira em benefício do seu proprietário de fato, identificado pela fiscalização como responsável solidário pelo crédito tributário. No mérito, manteve Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 9 8 integralmente o lançamento efetuado, por absoluta falência de fundamentos legais e/ou materiais que conduzissem a solução diversa. Cientificado desta decisão em 21.08.2008, conforme AR de fls. 1084, e com ela inconformada, o Sr. Alysson Silva Rosa interpôs recurso voluntário em 12.09.2008, fls. 1118 a 1131, no qual protesta que “a decisão recorrida não reconheceu a sua ilegitimidade passiva, bem como as demais teses por ele levantadas, e, no mérito, ratificou a solidariedade atribuída ao recorrente, que era mero ‘laranja’ da empresa AM INFORMÁTICA LTDA.” Assim, pede que seja reexaminada a questão e que seja excluída a sua imputada responsabilidade subsidiária, cancelandose a exigência fiscal em relação ao recorrente Alysson Silva Rosa, culminando assim pela exclusão do seu nome dos autos administrativos. Cientificado da decisão a quo em 08.08.2008, conforme AR de fls. 1081, e com ela inconformada, o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, por sua vez, também interpôs recurso voluntário, em 03.09.2008, fls. 1085 a 1113, no qual reprisa os mesmos argumentos expostos por ocasião da inicial, e acrescenta ainda o pedido de nulidade do Acórdão proferido pela DRJ, por ausência de julgamento da sua Impugnação. Por meio do Acórdão no 110200.370, de 26.01.2011, esta Turma decidiu, por unanimidade de votos, anular a decisão proferida pela DRJ, em razão de a mesma não ter analisado nenhuma das razões de defesa constantes da impugnação apresentada pelo Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Em 29.11.2011 proferiu a DRJ nova decisão, acrescendo à anterior a análise da referida impugnação. Afastou as preliminares de nulidade invocadas, rejeitou as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade, e, no mérito, observou que as provas coletadas, ao contrário do alegado, não deixam quaisquer dúvidas acerca da responsabilidade do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva pelo crédito tributário constituído. Manteve, portanto, integralmente o lançamento efetuado. O Acórdão 1242.495, fls. 1178 a 1185, possui a seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE Por se defeso à administração sua apreciação, insustentável, em sede administrativa, o questionamento de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de dispositivo legal. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E LEGITIMIDADE PASSIVA. Os conceitos exarados no CTN, capacidade contributiva (art. 121, § ú, I)) e legitimidade passiva (art. 126), se interligam, intimamente, na evidenciação da atividade exercida. LEI N◦ 9.613/98. DELAÇÃO PREMIADA O conceito de delação premiada, formalizado no artigo 1o, § 5o, da Lei no 9.613/98, reportase ao direito criminal; não, tributário. INFRAÇÃO CAMBIAL. Eventual infração a normas cambiais não constitui, per se, fundamento de qualquer exação tributária; vinculase, sim, às autoridades monetárias. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 10 9 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LUCRO ARBITRADO. Impõese o arbitramento de lucro ante a falência de argumentos impugnatórios, legais e/ou materiais, que afastem o arbitramento, fundado em explícitas omissões factuais da pessoa jurídica, constituída de interpostas pessoas, evidenciado o intuito fraudulento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003 REFLEXIVIDADE. Ante a inexistência de elemento relevante, o decidido no feito matriz se estende àquele dele tomados por reflexo. Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 2002, 2003 PIS e COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. Detectada omissão de receita, impõemse as exigências do PIS e COFINS pertinentes.” Cientificada desta decisão por edital afixado em 20.12.2011, após ter resultado improfícua a tentativa de intimação por via postal, a empresa AM INFORMÁTICA LTDA não apresentou recurso. Por sua vez, dela cientificado o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, em 14.12.2011, interpôs recurso voluntário, em 03.01.2012, no qual reprisa os mesmos argumentos expostos por ocasião da inicial, apenas não há mais a alegação de inconstitucionalidade de quebra de sigilo, mas tão somente da ilegalidade existente nessa quebra de sigilo e no uso dos dados bancários. Na sessão de 12 de junho de 2012, por meio da Resolução 110200.088, o julgamento do recurso foi sobrestado em razão do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, e da discussão pelo STF a respeito da possibilidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Com a revogação do citado dispositivo regimental, o processo retorna à pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Conforme relatado, a empresa autuada não apresentou recurso. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 11 10 Já com relação ao Sr. Alysson Silva Rosa, importa registrar que sequer foi pessoalmente intimado do acórdão recorrido. Contudo, de se observar que a referida decisão deixou expressamente assente que o Sr. Alysson em nenhum momento foi responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário constituído, mas tão somente o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Neste contexto — que é corroborado pela análise dos autos — a verdade é que o recurso originalmente apresentado pelo Sr. Alysson Silva Rosa, no qual ele contestava exclusivamente o seu suposto vínculo de responsabilidade, já se mostrava despiciendo. Neste contexto, também justificada e correta a atitude da unidade administrativa em intimar, acerca da decisão proferida pela DRJ, apenas a empresa e o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. E, tendo a intimação à empresa obedecido as disposições legais, não houve recurso interposto. Resta analisar, portanto, apenas o recurso apresentado pelo responsável pelo crédito tributário constituído, o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Seu recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, sustenta o recorrente a nulidade do lançamento por excesso de prazo ilegal, tendo em vista o longo prazo decorrido durante o procedimento fiscal, de cerca de dois anos. Ora, o Decreto nº 70.235/72 (PAF), diploma que rege o processo administrativo fiscal, e que sabidamente possui status de Lei, não fixa um prazo máximo para a conclusão dos trabalhos de fiscalização. Nem tampouco o faz o CTN ou qualquer outra lei tributária. Ao contrário, o PAF apenas estabelece que o procedimento fiscal se inicia o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, o qual exclui a espontaneidade do sujeito passivo, e possui validade por sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos (art. 7o). Ademais, o prazo total transcorrido durante o procedimento de auditoria se coaduna com as dificuldades, maiores ou menores, que venha a enfrentar a fiscalização no curso dos trabalhos, pelo que se afigura plenamente razoável o tempo demandado no presente caso. Outrossim, o recorrente não apontou qualquer irregularidade formal nas sucessivas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal levadas a efeito (fls. 02), ainda que, a juízo deste relator, eventual irregularidade de tal ordem não seria, de todo modo, motivo de nulidade. Assim, o único prazo que efetivamente corre contra a autoridade fiscal é o que rege a decadência do direito à constituição do crédito tributário pelo lançamento, mas este não foi desrespeitado no caso concreto. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 12 11 Ainda em preliminares, aduz o recorrente a nulidade do lançamento por ausência de intimação pessoal a respeito do processo fiscal instaurado contra a empresa AM INFORMÁTICA. É certo que a todos os litigantes são assegurados o contraditório, a ampla defesa, e o devido processo legal, nos termos da Constituição Federal de 1988. Contudo, estes direitos são exercitados na forma em que estabelecidos nas respectivas legislações que regem os processos judiciais ou administrativos, não havendo incompatibilidade entre aqueles direitos fundamentais antes nominados e os ritos e formalidades processuais exigidas ou previstas, em cada caso. Nos termos do já citado Decreto nº 70.235/72 o direito ao contraditório e ampla defesa é exercido a partir da fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação da exigência, nos termos do seu art. 14, abaixo transcrito, descabendo, na fase inquisitorial ou investigativa, a intimação de sujeito passivo para acompanhar procedimento de auditoria. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” Assim, no caso concreto, o recorrente foi cientificado do lançamento constituído contra a empresa AM INFORMÁTICA ao mesmo tempo em que cientificado de sua imputação como responsável pelo crédito constituído, momento a partir do qual pode exercer amplamente o seu direito de defesa, com direito ao duplo grau de jurisdição, do que é prova o presente recurso. Aliás, quando ele teve o seu direito cerceado, por falta de julgamento de sua impugnação, esta mesma Turma lhe assegurou o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para o devido julgamento. Portanto, improcedentes as preliminares arguidas. Passo ao mérito. No tocante à ausência de provas de sua responsabilidade, alega o recorrente, em síntese, que: os Auditores narram supostos fatos, com base em imprestáveis “depoimentos” e hipotéticos “documentos”, no sentido da existência da empresa “AM”, constituída por interpostas pessoas, a qual teve receita bancária omitida à tributação federal própria para a sociedade empresarial, cuja responsabilidade pelo crédito tributário seria do contribuinte na qualidade de “sócio de fato”, por ter se beneficiado sozinho dessas receitas; os documentos e depoimentos usados pelos Auditores não provam duas coisas essenciais: primeira, que o senhor Edyr não passasse de um mero credor do senhor Alysson; e, segunda, que o contribuinte tinha interesse nos recursos depositados e sacados pelos senhores Alysson e Alexandre da conta da "AM" no Bradesco e na CEF. Não há uma prova documental válida no sentido de comprovar que o senhor Alysson Silva repassava dinheiro para o contribuinte; a prova presumida é, portanto, toda contrária o Sr. Alysson Silva. Se os “documentos” provarem alguma responsabilidade, esta é a do Sr. Alysson Silva. O conjunto probatório, contudo, não corrobora suas alegações. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 13 12 De se observar que foram intimadas pela fiscalização diversas pessoas, entre funcionários de empresas vinculadas, de fato ou de direito ao recorrente, e ainda beneficiárias de cheques emitidos pela empresa AM INFORMÁTICA, além dos próprios sócios de direito da empresa fiscalizada, não havendo uma única pessoa só que corroborasse a assertiva do recorrente de que seria o Sr. Alysson o verdadeiro responsável pela administração e pela tomada de decisões empresariais. Ao contrário, todos os elementos de prova convergiram para o fato de que, por trás da referida empresa, e de sua movimentação bancária, na verdade encontravase o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Neste sentido, destacamse especialmente os diversos depoimentos pessoais prestados por terceiros, e detalhadamente expostos no Termo de Verificação Fiscal. Por outro lado, os elementos dos autos permitem verificar a falta de capacidade econômicofinanceira do Sr. Alysson Silva Rosa para ser sócio de uma empresa que movimentou aproximadamente R$ 21 milhões nos anos de 2002 e 2003, corroborando assim a conclusão da fiscalização, que, neste caso, não arrolou o Sr. Alysson como responsável pelo crédito tributário, nada obstante fosse responsável, perante a Receita Federal, pela empresa fiscalizada. No que toca à suposta ilegalidade dos depoimentos, seja por sua unilateralidade e surpresa em relação ao contribuinte, seja pela suposta coação que teria sido praticada para a sua obtenção, é de se rejeitar totalmente o argumento. Conforme dito, foram diversas as pessoas chamadas a depor e prestar esclarecimentos, circunstância esta que retira, em verdade, não a credibilidade dos depoimentos, senão antes a credibilidade do argumento recursal apresentado. Alega ainda o recorrente que a única tentativa de uso de prova documental contra o contribuinte seria a suposta aposição de sua letra em alguns cheques sacados da Caixa Econômica Federal – CEF (fls. 51/54), com valores sobremaneira ínfimos ao valor tributado, e que os Auditores Fiscais não determinaram a realização de perícia técnica, que neste caso teria de ser necessariamente feita por profissional que tenha essa habilidade técnica para reconhecimento de caligrafia, tanto a sua quanto dos senhores Alexandre, Alysson e Patrícia. Daí a imprestabilidade dos documentos para o fim pretendido. Não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, não é apenas o apontado fato que constituiria a “única prova documental” contra o contribuinte. E a confirmação da caligrafia do próprio recorrente nos cheques em questão, ante o vasto conjunto probatório compilado pela fiscalização, não é absolutamente necessária nem imprescindível para que se chegue à conclusão de sua responsabilidade pelos fatos imputados. O reconhecimento das caligrafias apostas nos cheques, inicialmente feito pelo Sr. Alysson, tão somente possibilitou que a fiscalização tomasse conhecimento de quem seriam as pessoas que teriam preenchido os cheques. Ato contínuo, a fiscalização apresentou os referidos documentos a essas pessoas, sendo de se destacar que elas mesmas confirmaram os fatos. Assim, foram as próprias pessoas que confirmaram as suas caligrafias apostas nos referidos cheques, bem como a circunstância de o terem feito a mando do recorrente (Sr. Edyr). Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 14 13 Tal procedimento, portanto, apenas possibilitou que a fiscalização ampliasse o seu espectro investigativo, não havendo nisto nada de ilícito. O próprio Sr. Alysson também reconheceu a sua caligrafia em diversos cheques, igualmente preenchidos a mando do Sr. Edyr. Além disto, apontou alguns cheques que teriam sido preenchidos pelo próprio Sr. Edyr, sendo apenas estes os cheques aos quais faz alusão o recorrente, e com relação aos quais nega ser sua a caligrafia. No tocante à ilegalidade da quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, alega o recorrente que deveria ter sido previamente intimado para que fornecesse os dados bancários da AM INFORMÁTICA, cuja propriedade e responsabilidade lhe estava sendo imputada, com a demonstração de que havia um procedimento fiscal em curso e a importância desses exames, antes de expedir a competente Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Aponta ainda ilegalidade na utilização dos dados assim obtidos, por não ter sido regularmente intimado para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente da AM INFORMÁTICA. Não lhe assiste razão. O contribuinte (AM INFORMÁTICA) foi previamente intimado, não apresentou todos os extratos solicitados, e a fiscalização deixou assente que, no decorrer dos trabalhos, fora evidenciada a utilização de interpostas pessoas na constituição da pessoa jurídica, condição esta que atesta a imprescindibilidade do exame da movimentação bancária, nos termos do artigo 6o da LC 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, que o regulamenta. Portanto, perfeitamente demonstrada a legalidade e a motivação do procedimento de expedição das RMF, sendo que não há necessidade, conforme já referido, de que o responsável tributário seja previamente cientificado da existência de procedimento fiscal em curso ou mesmo de qualquer outra circunstância prévia ao lançamento fiscal. O procedimento fiscal é conduzido junto ao contribuinte, e, se o titular formal das contas bancárias é a pessoa jurídica, é ela quem deve ser intimada acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários, para fins de aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, ainda que outros sócios ou administradores, de fato ou de direito, tenham dela (pessoa jurídica) se aproveitado para a prática de ilícitos. Neste mesmo sentido também decidiu a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1a Seção, por unanimidade de votos, em processo de outra empresa da qual o mesmo Sr. Edyr também fora apontado responsável tributário, e manejara essas mesmas alegações. É o que se verifica no seguinte excerto da ementa, abaixo transcrito, do acórdão 110300.538, de lavra do ilustre conselheiro Marcos Shigueo Takata: “ILEGALIDADE NA QUEBRA DO SIGILO E NO USO DOS DADOS BANCÁRIOS O fundamento para a ilegalidade se limita à insuficiência da intimação do contribuinte para que ele fornecesse os extratos bancários, impondose a intimação do recorrente, para lhe imputar a responsabilidade solidária. Não há a ilegalidade por não intimação do recorrente. A intimação deve ser feita ao contribuinte, como ocorreu.” De mais a mais, não há propriamente qualquer contestação de mérito acerca dos valores autuados, da forma de apuração utilizada (lucro arbitrado), nem tampouco sequer da multa qualificada, ou de qualquer um dos lançamentos reflexos (PIS, COFINS, e CSLL). Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 15 14 Ademais, não se vislumbra, tampouco, qualquer vício nos procedimentos adotados pelo fisco, motivo pelo qual deve ser integralmente mantida a omissão de receitas apurada por presunção legal. No tocante à responsabilidade tributária do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, plenamente comprovada pelas provas dos autos e por todo o quanto exposto no minucioso Termo de Verificação Fiscal, de se destacar ainda que a fiscalização, no caso, enquadrou a referida responsabilidade tanto no artigo 124, inciso I, quanto no art. 135, incisos II e III, do Código Tributário Nacional (conforme consta também no termo lavrado às fls. 848). No que toca ao art. 135, inciso III, tal dispositivo prevê a responsabilidade de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, tendo restado plenamente configurada tal situação no caso concreto, em que houve a prática de ação dolosa por parte do sócio e administrador de fato da pessoa jurídica, tanto assim que foi aplicada (e mantida) a multa qualificada de 150%, em face do evidente intuito de fraude. Como já em diversos outros precedentes tenhome manifestado, entendo que tal responsabilidade (art. 135) é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Adoto, neste sentido, o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” No que toca ao art. 124, inciso I, conforme também já manifestei em diversos outros precedentes, entendo que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. E que, em casos como o dos autos, em que restou demonstrado que a empresa AM INFORMÁTICA LTDA encontravase constituída em nome de interpostas pessoas, e que dela se utilizava o seu verdadeiro sócio e administrador de fato, o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 16 15 Silva, para a prática de operações à margem da tributação, não há dúvidas do seu interesse comum nas situações que constituam o fato gerador da obrigação tributária. Portanto, também por este motivo deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado. Na mesma linha do presente voto, destaco os seguintes julgados desta Corte, em situações envolvendo a administração de pessoas jurídicas por sócios gerentes de fato, em que o CARF entendeu restar demonstrado, nesses casos, o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 20311.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10630.720364/200721 Acórdão n.º 1102001.289 S1C1T2 Fl. 17 16 responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102001.034, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) Apenas a título de informação, de se observar, ainda, que um dos precedentes acima citados (Acórdão 1202001.034) diz respeito a mais outra empresa cuja administração e responsabilidade tributária também foi atribuída ao mesmo Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Pelo exposto, afasto as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 16048.720088/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 48 .7 20 08 8/ 20 13 -0 4 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 534 2 Relatório: Tratase de recurso voluntário. Versam os presentes autos sobre pedidos de compensações de débitos com saldo negativo de IRPJ acumulado ao final do anocalendário de 2007, no valor original de R$ 14.934.367,38, conforme tabela abaixo: PER/DCOMP TOTAL DÉBITO DT. TRANSMISSÃO TIPO DECLARAÇÃO FLS. 16699.96015.090610.1.3.02 0069 R$ 8.546.558,12 09/06/10 ORIGINAL 02/09 17841.58562.280610.1.3.02 5521 R$ 7.706.911,36 28/06/10 ORIGINAL 10/13 26485.90907.290610.1.3.02 0704 R$ 7.888,25 29/06/10 ORIGINAL 14/17 35275.29681.290710.1.3.02 0495 R$ 1.903.161,62 29/07/10 ORIGINAL 18/21 08836.43254.290710.1.3.02 0270 R$ 631.270,30 29/07/10 ORIGINAL 22/25 No entanto, ao realizar a análise dos referidos pedidos de compensações, entendeu a autoridade fazendária pela não homologação dos mesmos por inexistência do crédito indicado pela recorrente, consoante narra o Despacho Decisório (fls. 58/63), em síntese: i) Que na análise do crédito referente ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2007, devido as estimativas mensais daquele período, extintas por intermédio de compensações, não terem sido confirmadas em sua integralidade, conforme extratos de fls. 51/57, houve sua redução de R$ 55.459.838,59 para R$ 41.069.621,55; ii) Que se constatou, também, que a interessada foi alvo de um procedimento fiscal instaurado pelo MPF nº 0818500.2010.00008, realizado pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo, o qual culminou com a lavratura do Auto de Infração lavrado em 19/12/201 (fls. 30/50), dando origem ao processo nº 16561.720068/201154; iii) Que esse auto de infração (fls. 34/35) elevou o IRPJ do exercício de 2008 (anocalendário de 2007) de R$ 42.014.169,60 (fl. 29) para R$ 49.034.768,82; iv) Que, em decorrência da análise do crédito apontado nas PER/DCOMPS e da lavratura do auto de infração, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 foi totalmente consumido, passando a existir “IRPJ a Pagar”, conforme a atualização da Ficha 12A da DIPJ 2008 (fls. 61 TVF) v) Que, assim, a interessada não possui crédito liquido e certo no montante pleiteado, pelo que não se homologou as compensações declaradas nas DCOMP’s. Na sequência, ciente do Despacho Decisório (fls. 58/63) em 26/04/2013 (fls. 65), a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/05/2013 (fls. 67/437), a qual foi julgada improcedente nos termos da ementa do acórdão n° 1443.597, proferido no dia Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 535 3 06/08/2013, pela 13º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Ribeirão Preto (DRJRPO), que adiante segue transcrita (fl. 439/457): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se reconhece o cerceamento de defesa quando a decisão questionada apresentou elementos suficientes para que se perceba as razões da não homologação da compensação. ARGÜIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não existe norma legal que preveja a suspensão do processo administrativo a fim de que se aguarde decisão acerca da procedência de auto de infração que, ao reconstituir a base de cálculo, inviabilizou o saldo negativo que serviu de suporte ao direito creditório indicado na Dcomp. DÉBITO. ESTIMATIVA. Esta correta a cobrança de estimativa não compensada, uma vez que a manifestante a incluiu no rol de débitos compensados por sua exclusiva vontade, devendose se submeter às consequências decorrentes da não homologação da compensação. JUROS E MULTA DE MORA. Não homologada a compensação, os tributos indevidamente compensados são exigidos com os correspondentes acréscimos legais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Sobre o valor da multa quando aplicada incidem juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ em 20/08/2013 (fls. 459), apresentando seu Recurso Voluntário em 18/09/2013 (fls. 462/530), arguindo as seguintes razões, em síntese: i) Esclareceu que, com relação ao auto de infração lavrado no processo administrativo n.º 16561.720068/201154, importou no anocalendário de 2006 diversos componentes eletrônicos necessários à manufatura de seus produtos ao Brasil, e que as operações foram praticadas com pessoas vinculadas no exterior. ii) Que efetuou os cálculos previstos na Lei 9.430/96, para que os reajustes de preços de transferências fossem realizados. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 536 4 iii) Que os parâmetros usados foram com base no Método de Preço Revenda menos Lucro (“PRL”), com a aplicação da margem de 60%, e pelo método Preços Independentes Comparados (“PIC”). iii) Que a fiscalização não considerou os ajustes feitos e, com base na Instrução Normativa 243/02, refez os cálculos do PRL 60% para 290 insumos importados, apurando uma diferença de R$ 819.244.278,50 entre os seus ajustes e os realizados pela recorrente. Assim, lavrouse o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 16561.720068/201154. iv) Que seguindo a norma do artigo 151, III do CTN, é indispensável destacar a suspensão da exigibilidade do crédito no referido processo, pois ainda encontra se pendente de decisão final. v) Que no anocalendário de 2007, apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 14.934.367,38, conforme devidamente informado na sua Declaração de Informações Econômicas da Pessoa Jurídica do exercício de 2008 (“DIPJ/2008”). vi) Que o saldo negativo de IRPJ apurado foi utilizado para efetuar as compensações por meio das PER/DCOMPs n°s. 16699.96015.090610.1.3.02 0069, 17841.58562.280610.1.3.025521, 26485.90907.290610.1.3.020704, 35275.290710.1.3.020495 e 08836.43254.290710.1.3.020270. vii) Que na PER/DCOMP n° 16699.96015.090610.1.3.020069, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 para compensar débitos de IPI no valor de R$ 8.546.558,12, referente ao mês de maio de 2010. viii) Que na PER/DCOMP nº. 17841.58562.280610.1.3.025521, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 para compensar o IRPJ no valor de R$ 5.629.659,80 e CSL no valor de R$ 2.077.251,56, referentes ao mês de maio de 2010. ix) Que na PER/DCOMP n°. 26485.90907.290610.1.3.020704, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2007 para compensar débitos de IRPJ no valor de R$ 7.888,25, referente ao mês de agosto de 2009. x) Que na PER/DCOMP n°. 35275.290710.1.3.020495, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 para compensar débitos de IRPJ no valor de R$ 1.903.161,62, referente ao mês de junho de 2010. xi) Que na PER/DCOMP n°. 08836.43254.290710.1.3.020270, utilizou parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 para compensar débitos de CSL no valor de R$ 631.270,30, referente ao mês de junho de 2010. xii) Que a fiscalização desconsiderou e glosou sem fundamento legal a base negativa de IRPJ que foi apurada no ano calendário de 2007, agindo como se já houvesse decisão definitiva no processo administrativo n° 16561.720068/2011 54, resultando em IRPJ a ser pago no valor de R$ 6.473.448,87 no lugar do saldo negativo de R$ 14.934.367,38. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 537 5 xiii) Que a fiscalização não homologou os pedidos de compensações, dando apenas ciência e formalizando a cobrança integral das compensações realizadas por meio das PER/DCOMPs, em um valor principal total de R$ 18.795.789,65. xiv) Que o despacho proferido pela DRJ afronta o principio da segurança jurídica e da ampla defesa, na medida em que ignora a suspensão da exigibilidade, devido à falta de julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 151, III, do CTN. xv) Que a argumentação dada na decisão pelo fisco é descabida e sem fundamento, pois não há na esfera administrativa decisão final nos autos n° 16561.720068/201154 que possa justificar a glosa do prejuízo fiscal e, consequentemente, a não compensação dos créditos pleiteados referentes ao ano de 2009 e 2010. xvi) Que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007, utilizado na PER/DCOMP, só poderia ser declarado inexistente caso houvesse decisão administrativa definitiva nos autos do Processo n° 16561.720068/201154. Juntou jurisprudência deste Conselho. xvii) Que não há que se falar em falta de liquidez e certeza do seu crédito, uma vez que o IRPJ apurado no ano calendário de 2006 está sendo discutido administrativamente. Ademais, o saldo negativo do anocalendário de 2007 está escriturado de forma correta, presumindose sua legitimidade, segundo o artigo 923, do RIR/99. xviii) Que se deve observar que as compensações via PER/DCOMP’s, ocorreram antes de qualquer discussão a respeito do tema proposto no processo administrativo n° 16561.720068/201154, o qual foi instaurado em 2011 – posteriormente às compensações realizadas em 2009 e 2010 –, não podendo ser alegado falta de liquidez e certeza na época da transmissão dos pedidos de compensações. Acaso assim não se entenda, estes autos apenas podem ser julgados após a decisão final no processo administrativo n° 16561.720068/2011 54. xix) Que mesmo se os valores ora cobrados fossem de fato exigíveis, uma vez que se tratam de estimativas mensais compensadas, estas não poderiam ser cobradas após o encerramento do anocalendário, como é unânime na jurisprudência. xx) Que no anobase de 2007 foi apurado IRPJ pelo lucro real anual, recolhidos mensalmente por estimativas, as quais se tratam de antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário, acaso ocorra o fato gerador. xi) Que, por configurar como antecipação, as estimativas não podem ser objeto de lançamento por suposta falta de recolhimento do IRPJ ou CSL, pois nem mesmo são consideradas tributos em respeito aos artigos 3º e 4° do CTN. xii) Que a não homologação das compensações não poderiam vir acompanhadas de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. Ainda que assim não fosse, em atenção ao artigo 100, parágrafo Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 538 6 único, do CTN, deve ser excluído da base de calculo do tributo à imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário. xiii) Que com relação à aplicação da taxa Selic a mesma deve ser afastada do calculo do crédito tributário, sob pena de violação aos artigos 5°, inciso II e 150, inciso, I da CF/88. xiv) Que os juros somente são aplicáveis sobre o valor principal do tributo não recolhido, mas nunca sobre a multa imposta como sanção, em respeito ao art. 3º, do CTN. Trouxe jurisprudência administrativa. xv) Por fim, pugna pela reforma da decisão recorrida para homologar integralmente as compensações transmitidas ou, alternativamente, que o julgamento do presente processo seja sobrestado até decisão final no processo administrativo n° 16561.720068/201154. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 539 7 Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Nos termos destacados pela autoridade fazendária em seu Despacho Decisório (fls. 58/63), verificase que a não homologação das compensações transmitidas pela recorrente se fundamentou no fato de existir um auto de infração que, acaso mantido, refletirá no crédito (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007) apontado nas PER/DCOMPs transmitidas pela recorrente, como se destaca: 3 – ANÁLISE DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ LAVRADO (...) constatouse que a interessada foi alvo de um procedimento fiscal instaurado pelo MPF nº 0818500.2010.00008, realizado pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo, que culminou com a lavratura, em 19/12/2011, do Auto de Infração cuja cópia se encontra a fls. 30/50, o qual deu origem ao processo nº 16561.720068/201154. (...) Essa infração gerou o lançamento do IRPJ à alíquota de 15% no valor de R$ 4.210.559,53 e do Adicional no valor de R$ 2.807.039,69, totalizando R$ 7.017.599,22 (fls. 34/35) e elevou, por via de consequência, o IRPJ do exercício de 2008/anocalendário de 2007, de R$ 42.014.169,60 (fl. 29) para R$ 49.034.768,82 (...). Desta maneira, considerando o lançamento tributário objeto do processo administrativo fiscal n.º 16561.720068/201154, o Fisco recompôs o saldo de prejuízo fiscal da recorrente em relação ao período de apuração do anocalendário de 2007, nos termos abaixo (fls. 61): Em decorrência do resultado da análise do crédito e da lavratura do Auto de Infração, tratados, respectivamente, nos itens 2 e 3 supra, o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ do exercício de 2008, referente ao anocalendário de 2007, foi totalmente consumido, passando a existir “IRPJ a Pagar”, conforme a seguir se demonstra, por meio da atualização da Ficha 12A da DIPJ 2008 (fls. 29). Portanto, é evidente a conexão existente entre estes autos e o processo administrativo fiscal n.º 16561.720068/201154, pois a decisão final naquele processo influenciará diretamente o direito pleiteado pela recorrente no recurso ora analisado. Tal circunstância se evidencia não somente no Despacho Decisório, mas também é expressamente destacada na decisão da DRJ recorrida, consoante o trecho seguinte (fls. 440): Atentese para o deslinde do Processo nº 16561.720068/201154, o qual repercute na composição do saldo negativo objeto das compensações discutidas no presente processo. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 540 8 Assim. em que pese as razões da autoridade fazendária para não homologar os pedidos de compensações transmitidos pela recorrente, entendo que ainda não é possível considerar, para fins de recomposição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, os autos de infração lavrados no bojo dos autos nº 16561.720068/201154, pois os débitos tributários correlatos estão com sua exigibilidade suspensa em virtude de apresentação de recurso pela contribuinte. Vale destacar que em consulta no sítio eletrônico do CARF, atualmente, o processo administrativo fiscal nº 16561.720068/201154 encontrase pendente de decisão final, aguardando o juízo de admissibilidade e julgamento de recurso especial apresentado pelo contribuinte. Neste viés, verificase que é plenamente possível no âmbito administrativo o sobrestamento de um processo fiscal até a decisão final de outros processos, sendo aplicado, de forma subsidiária, o art. 265, inciso IV, ‘a’, do Código de Processo Civil, como se observa dos julgados que seguem: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO — Pendência de decisão judicial que influencia nos fundamentos do lançamento do crédito tributário, enseja o sobrestamento do julgamento administrativo com fulcro no artigo 265 do Código de Processo Civil. (Acórdão n. 10614.776 – 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator José Ribamar Barros Penha, sessão de 06 de julho de 2005). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSOS DE OFICIO E VOLUNTÁRIO SOBRESTAMENTO DA APRECIAÇÃO DO LITÍGIO – Com fundamento no inciso IV, do artigo 265, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, suspendese o processo, quando a apreciação do mérito do litígio depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. (Acórdão n. 10514.270 – 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator Luis Gonzaga Medeiros Nobrega, sessão de 03 de dezembro de 2003). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — Pendência de decisão judicial que influencia nos fundamentos da autuação. Sobrestamento do feito até julgamento do processo judicial com fulcro no artigo 265 do Código de Processo Civil. COMPETÊNCIA EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE SENTENÇA JUDICIAL — Diante da decisão judicial não definitiva, sujeita a reexame em instância superior, cabe à esfera judicial a tutela jurisdicional sobre a forma, ritos e procedimentos atinentes à execução provisória da sentença. (Acórdão n. 10613.913 – 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator José Ribamar Barros Penha, sessão de 14 de abril de 2004). Diante dos fatos que se apresentam no caso concreto, entendo que o julgamento do direito creditório da recorrente nestes autos depende diretamente do julgamento final no processo administrativo n.º 16561.720068/201154. Portanto, considero atendidas as condições para o sobrestamento do presente processo administrativo fiscal até a decisão final dos autos nº 16561.720068/201154. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16048.720088/201304 Resolução nº 1302000.353 S1C3T2 Fl. 541 9 Ante o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, determinando que o processo retorne a delegacia de origem e lá, aguarde a decisão final do processo administrativo fiscal n.º 16561.720068/201154, aplicandose de forma subsidiária o art. 265, inciso IV, do Código de Processo Civil. Após o julgamento do processo prejudicial, que a delegacia de origem junte a decisão a este feito e o devolva ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja distribuído a este relator e novamente pautado para o devido julgamento. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 18108.002166/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.375
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2007
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam acostadas aos autos cópia das decisões definitivas a serem proferidas em todos os Processos Administrativos Fiscais cujas NFLD neles aviadas tenham por objeto os mesmos fatos geradores que constituem o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
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decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam acostadas aos autos cópia das decisões definitivas a serem proferidas em todos os Processos Administrativos Fiscais cujas NFLD neles aviadas tenham por objeto os mesmos fatos geradores que constituem o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam acostadas aos autos cópia das decisões definitivas a serem proferidas em todos os Processos Administrativos Fiscais cujas NFLD neles aviadas tenham por objeto os mesmos fatos geradores que constituem o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 08 .0 02 16 6/ 20 07 -1 1 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 423 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2007 Data de lavratura do Auto de Infração: 31/10/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 05/11/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo II/SP que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.130.0983, CFL 68, lavrado em decorrência do descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 24/44. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa fiscalizada não apresentou quaisquer de suas GFIPS em papel ou em arquivo digital. No entanto, as GFIP obtidas no DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, quando comparadas com CNIS/RAIS, DIPJ, FOLHA DE PAGAMENTO CTI, revelaram omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária, que geraram valores menores devidos a Previdência Social apontados no campo “VALOR DEVIDO PREVIDENCIA SOCIAL”, conforme abaixo detalhado: No campo “SEGURADOS, BASE DE CALCULO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO SALARIO CONTRIBUICAO” deixou de declarar os valores “ALIMENTAÇAO SEM PAT” Salário in natura, com base na DIPJ Anos Calendários 2001 e 2002, base para a soma de Segurados, Empresa, RAT; No campo “SEGURADOS, BASE DE CALCULO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO”, deixou de declarar os valores das Folhas de Pagamento CTI, de 10/2001 a 07/2003, base para a soma de Segurado, Empresa, RAT, por manter em seus quadros segurados empregados SEM INSCRIÇAO, Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 424 3 popularmente “SEM REGISTRO em CTPS”, No campo “BASE DE CALCULO DA PREVIDENCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, base para o levantamento Autônomos, não declarou em GFIP os valores de DIPJ Anocalendário 2002; No campo “SEGURADOS, BASE DE CALCULO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO”, deixou de declarar os valores maiores contidos em RAIS, optando por declarar os valores diferentes e menores em GFIP, conforme atesta os dados obtidos DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Totais de Vínculos e Massa Salarial RAISGFIP, base para a soma de Segurados, Empresa, RAT; No campo “SEGURADOS, BASE DE CALCULO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO SALÁRIO CONTRIBUIÇÃO”, deixou de declarar todos os valores totais do DIPJ CUSTO DE PESSOAL APLICADO NA PRODUCAO DE SERVIÇOS e ORDENADOS, SALARIOS, GRATIFICACOES E OUTRAS REMUNERAÇÔES A EMPREGADOS, valores maiores que contidos em RAIS, optando por declarar os valores diferentes e menores em GFIP, conforme atesta os dados obtidos DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Totais de Vínculos e Massa Salarial RAISGFIP, base para soma de Segurados, Empresa, RAT; No campo “BASE DE CALCULO DA PREVIDENCIA SOCIAL/REMUNERAÇÃO SOCIOS/PRO LABORE”, deixou de declarar os valores maiores contidos em DIPJ REMUNERACAO DE DIRIGENTES DE PRODUCAO DOS SERVIÇOS e REMUNERACAO A DIRIGENTES E A CONSELHO DE ADMINISTRACAO, Anocalendário 2001, optando por declarar os valores diferentes e menores em GFIP, conforme atesta os dados obtidos DATAPREV CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Resumo Mensal GFIP por Estabelecimento, base para soma Segurados, Empresa, RAT; No campo “DEDUÇAO SALARIO FAMILIA” foram declarados, em GFIP, valores altíssimos em Quotas de SALÁRIO FAMILIA, inconsistentes com os níveis normais da própria empresa, no período 02/2000 a 07/2000, com intuito claro de diminuir em cada competência o “VALOR DEVIDO PREVIDENCIA SOCIAL. Mesmo formalmente intimada, a empresa não apresentou Termos de Responsabilidade, Fichas de Salário Família, Carteira de Vacinação, Certidão de Nascimento, além de suas Folhas de Pagamento, conduta omissiva que motivou a lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 37.130.0959; A ausência de informações prestadas e da apresentação de documentos pela empresa, quanto ao PAT, mas com valores no campo 07 Alimentação do Trabalhador em DIPJS, motivaram a lavratura das NFLD DEBCAD nº 37.080.0974 e 37.080.0982, por aferição indireta da base de cálculo. A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§ 4° e 5° do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 c/c art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003, c.c. art. 102 da Lei 8.212/91, calculada conforme destacado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa a fls. 45/49. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 425 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 299/326. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP proferiu Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1729.470 10ª Turma da DRJ/SPII, a fls. 356/365, julgando procedente em parte o Auto de Infração imputado, para dele fazer excluir as obrigações tributárias alcançadas pela decadência, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, retificando o valor da penalidade pecuniária imputada ao infrator. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/06/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 384. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 385/413, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que o arbitramento feito de ofício é o recurso da fiscalização previdenciária da Receita Federal do Brasil, quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o valor da contribuição devida pelo contribuinte. Aduz que o Conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido que essa modalidade de tributação é excepcional e deve ser aplicada somente quando esgotadas de fato as possibilidades de apuração do tributo; · Que não foram respeitados os seguintes princípios da liquidez e certeza, da reserva legal, da prova segura e tipicidade. Aduz que o lançamento é duvidoso eis que não foi comprovada, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do tributo, uma vez que não foram realizadas as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário. · Que a falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como: GFIP e GPS ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. · Que na obtenção dos dados de todas as GFIP e GPS com a utilização do banco de dados Dataprev/CNIS para apuração do presente débito o Auditor Fiscal também deveria ter considerado as informações a respeito das retenções que foram efetuadas da Recorrente e aquelas efetuadas de seus subempreiteiros, com vistas a dar mais segurança e certeza para o levantamento, o que evidencia a nulidade do Auto de Infração. · Decadência Parcial; · Que com o advento da Lei nº 9.71 l/98 que alterou a sistemática de recolhimento da contribuição social instituindo a retenção de l1% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e considerando que sua atividade exclusiva era a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 426 5 TELEMAR S/A, elas são responsáveis por substituição e devem ser incluídas no polo passivo do presente processo administrativo. · Com referência à Representação Fiscal para Fins Penais, alega que a caracterização do ilícito penal está a depender da procedência do lançamento fiscal, eis que se trata de um crime material, de resultado, em que a supressão ou redução do tributo deve ser caracterizada, além do que a Autoridade Fiscal está proibida por lei (art. 83 da Lei 9.430/96) de encaminhar a representação ao Ministério Público, razão porque o Inquérito Policial decorrente de tal representação está inquinado pelo vício da ilegalidade. Ao fim, requer a declaração de nulidade do lançamento e o cancelamento do Auto de Infração e imposição de multa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1.1.DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/06/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22/07/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2.2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.2.1. DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CONEXA CFL 68 Merece ser considerado, antes de mais nada, que as obrigações principais correspondentes aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foram lançadas mediante diversas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, lavradas na mesma ação fiscal, conforme arroladas no Termo de Encerramento de Ação Fiscal TEAF, a fls. 22/23. O Relatório Fiscal da Infração, todavia, não explicitou a correlação entre o fato gerador específico, descrito nos subitens 1.1. até 1.7. , não declarado nas GFIP, e o número do DebCad da NFLD correspondente. No entanto, exsurge das circunstâncias atávicas ao presente caso uma flagrante questão de prejudicialidade entre o veredictum a ser plasmado no presente julgamento, e a Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 427 6 decisão final do Processo Administrativo Fiscal relativo a cada uma das Notificações Fiscais conexas acima referidas. Assim, considerando a flagrante relação de prejudicialidade entre o litígio objeto do vertente Auto de Infração e os lançamentos fiscais aviados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD conexas, pugnamos pela conversão do presente julgamento em Diligência Fiscal, para que sejam acostadas aos autos cópia das decisões definitivas a serem proferidas em TODOS os Processos Administrativos Fiscais cujas NFLD neles aviada tenham por objeto os mesmos fatos geradores que constituem o presente Auto de Infração, descrito nos subitens 1.1. até 1.7. supra. PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS: A DILIGÊNCIA DEVE SER CONCLUÍDA PELA JUNTADA AOS PRESENTES AUTOS DE CÓPIA DE TODAS AS DECISÕES DEFINITIVAS REFERIDAS NO PARÁGRAFO ANTERIOR.. Ao fim, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos assinalados nos parágrafos anteriores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18108.002166/200711 Resolução nº 2302000.375 S2C3T2 Fl. 428 7 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15504.020113/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO.
O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.
Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como indenizatória, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado.
Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária.
SALÁRIO-FAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte-se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991.
ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, conclui-se que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício.
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO.
A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN.
CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnico-profissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, frente à aplicação do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica "alimentação in natura". Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a rubrica "alimentação em pecúnia", vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à rubrica "auxílio financeiro a servidores estudantes", devido à ausência de caráter remuneratório da verba. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser a rubrica passível da incidência contributiva, por força do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento sobre as demais verbas "diferenças de Salário-Família; Contribuintes Individuais; Bolsa Estagiários; Programa Jovem Ouro", bem como de diferenças apuradas nas folhas de pagamento.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como indenizatória, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado. Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO-FAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte-se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, conclui-se que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO. A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN. CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnico-profissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 01 13 /2 00 9- 74 Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como “indenizatória”, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado. Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIOFAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, concluise que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO. Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.846 3 A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN. CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnicoprofissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, “ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários”. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, frente à aplicação do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica "alimentação in natura". Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a rubrica "alimentação em pecúnia", vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à rubrica "auxílio financeiro a servidores estudantes", devido à ausência de caráter remuneratório da verba. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser a rubrica passível da incidência contributiva, por força do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento sobre as demais verbas "diferenças de SalárioFamília; Contribuintes Individuais; Bolsa Estagiários; Programa Jovem Ouro", bem como de diferenças apuradas nas folhas de pagamento. (assinado digitalmente) Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.847 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 4.755 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, o MUNICÍPIO DE OURO PRETO PREFEITURA MUNICIPAL foi autuado por contribuições não recolhidas à Seguridade Social, parte Patronal, no período de 01/2004 a 12/2005, cm razão dos seguintes fatos geradores: A) Benefícios aos servidores a titulo de alimentação do trabalho em pecúnia e in natura, sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; B) Benefícios a titulo de auxilio financeiro a servidores estudantes na forma de ajuda de custo ou bolsa de estudo; C) Valores pagos indevidamente a segurados servidores do município a titulo de salário família; D) Pagamentos a contribuintes individuais, a conselheiros tutelares e a transportadores rodoviários autônomos; E) Remunerações a estagiários contratados sem a observância da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; F) Pagamentos a adolescentes inscritos no programa instituído pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto Programa Jovens de Ouro; G) Diferenças de contribuições resultantes do confronto dos valores apurados com base nas folhas de pagamento com valores incluídos em Guias de Recolhimento; H) Glosas de dedução feitas a maior nas Guia de Recolhimento. Consoante o Relatório Fiscal, o Fundo Previdenciário Municipal de Ouro Preto, criado pela Lei Municipal n° 58, de 23.12.1997, foi extinto por força do artigo 1° da Lei n° 40, de 22.11.2000, retornando o Município ao Sistema Geral de Previdência. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais por terem sido verificados, em tese, crimes contra a Seguridade Social e contra a Ordem Tributária, previstos no artigo 337A, inciso III, do DecretoLei n° 2.848, de 07.12.1940 (Código Penal), e no artigo 1° da Lei n° 8.137, de 1990, conforme descrito no item 3.12 do Relatório Fiscal. Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Impugnando o lançamento, As fls. 1119/1151, o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal diz ser indevida a autuação, devendo a mesma ser julgada improcedente, nos termos a seguir expostos: (...) (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 4.774 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência das competências anteriores a 28/12/2004 (lançamento em 28/12/2009); * não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura e em pecúnia (cartões eletrônico com créditos destinados à aquisição de gêneros alimentícios); * não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio financeiro aos servidores estudantes (ajuda de custo ou bolsas de estudo – vinculado a cursos de graduação); * foram observadas as faixas e limites de salário de contribuição, razão pela qual não procede a glosa do saláriofamília e mesmo que tal não ocorresse, deveria ter sido cobrado do segurado o quanto recebido indevidamente; * houve o pagamento das contribuições patronais sobre as remunerações de todos os contribuintes individuais e estes pagamentos não foram considerados (remunerações de transportadores rodoviários autônomos e conselheiros tutelares); * os estagiários não mantinham vínculo empregatício (ausência de seguro contra acidentes pessoais) * não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas por atividades laborais (programa jovem ouro – natureza indenizatória) pela não demonstração dos requisitos da relação de emprego; * quanto às diferenças de folhas de pagamento, afirma que houve o devido recolhimento; * inexistência de outras deduções a maior em GPS (fora o saláriofamília); * indevida cumulação de juros de mora e taxa selic; É o relatório. Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.848 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Quanto à decadência invocada, com razão a recorrente. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Resta definir se é o caso de aplicação do art. 173, I, ou do art. 150, § 4°, do referido codex. É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ocorre que, em razão da persistência da divergência, este Conselho editou a Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.849 9 Analisandose os autos, constatase que a recorrente foi cientificada da lavratura em 29/12/2009 (fls. 2), de sorte que, pela aplicação do art. 150, § 4° do CTN, podese considerar como decadentes todas as competências até 11/2004. Do lançamento, verificase que a autoridade fiscal procedeu ao lançamento apenas das diferenças relativas às rubricas não consideradas como salário de contribuição pela recorrente, razão pela qual se deduz que houve recolhimento da parte não lançada (rubricas não controvertidas). Assim, para as competências concernentes ao ano de 2004, especificamente até 11/2004, devese aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, reconhecendose, portanto, a decadência. Alimentação. Aduz a recorrente a não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura e em pecúnia (cartões eletrônico com créditos destinados à aquisição de gêneros alimentícios). No relatório fiscal (fls. 988 e seguintes), verifico que, efetivamente, houve o lançamento dividido nos seguintes levantamentos: * AT1 — Alimentação do Trab em Pecúnia (Não Dec GFIP); * AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP). Quanto à alegação da recorrente de que não há possibilidade de incidência de contribuição previdenciária, cumpre relembrar que, levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Assim, não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, entendemos que está demonstrado nos autos que, durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento deve ser mantido quanto ao levantamento “AT1 — Alimentação do Trab em Pecúnia (Não Dec GFIP)”. Todavia, quanto ao levantamento “AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP)”, pelas razões expostas, entendemos que deve ser excluído. Auxílio Financeiro. Servidores Estudantes. A recorrente afirma que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio financeiro aos servidores estudantes (ajuda de custo ou bolsas de estudo – vinculado a cursos de graduação). Segundo o Relatório Fiscal, é condição sine quo non para a percepção do benefício: • Receber, como remuneração, importância não superior a 3 (três) saláriosmínimos; • Freqüentar curso de graduação e apenas aquele diretamente relacionado à área de educação; • A ajuda de custo é devida somente ao servidor enquadrado na categoria de professor; • O servidor se obriga a permanecer vinculado ao serviço público pelo período correspondente ao daquele em que receber o benefício; • Não faz jus ao beneficio, o servidor que, após 5 anos, contados a partir do requerimento da ajuda de custo, puder gozar de aposentadoria. (destaques nossos) Da análise das referidas condições, verifico que, efetivamente, a situação descrita não se enquadra nos pressupostos então previstos na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, que assim previa à época dos fatos geradores: Art. 28. (...) (...) Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.850 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso em comento, verifico que o pagamento não foi disponibilizado a todos os servidores (apenas professores de determinada faixa remuneratória). Assim, a teor do art. 111 do CTN, que determina a interpretação literal da legislação tributária em matéria de isenção, penso que houve descumprimento das condições legais. Ocorre que vislumbro que tal pagamento estaria melhor enquadrado como ferramenta para o trabalho, estando, portanto, fora do campo de incidência estipulado pelo art. 195 da CF e pela Lei n° 8.212/91. Nossa interpretação ainda não alcança a amplitude aparentemente atribuída pelo STJ, em alguns julgamentos, no sentido de que todo e qualquer auxílioeducação/bolsa de estudo configuraria verba de caráter indenizatória, a exemplo dos seguintes: PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013) Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Todavia, no caso em apreço, diante das peculiaridades do caso, em especial o fato de se tratar de curso necessariamente relacionado à área de educação, de ser exclusivo de professores, de haver necessidade de permanência no serviço pelo período correspondente à percepção do “benefício” e, inclusive, por não ser possível de ser alcançado por quem poderá se aposentar nos cinco anos subseqüentes, concluímos que se trata de verba paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o próprio labor, uma forma de capacitação intelectual que equivale ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho. Se professor é aquele individuo que ensina, é necessário que primeiro aprenda para que, depois, possa exercer a sua função. Acrescentese que, no caso em comento, tratase de cursos ligados à área de educação, que constituem instrumental único, específico e adequado ao desempenho de seu labor. Afinal, não há porque imaginar que um professor municipal freqüente um curso de graduação na área de educação senão, precipuamente, para aplicar os conhecimentos adquiridos no exercício da própria função. No caso, prevalece, sem sombra de dúvidas, a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória. Portanto, entendo que o levantamento “AFE — Auxilio Financ Serv Estudante (Não Dec GFIP)” deve ser excluído do lançamento por não constituir verba remuneratória, mas sim verba a título de ressarcimento dos gastos do trabalhador para o melhor desempenho de sua função (impropriamente denominada de “indenizatória” pelo STJ). Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.851 13 SalárioFamília. Aduz a recorrente que foram observadas as faixas e limites de salário de contribuição, razão pela qual não procede a glosa do saláriofamília e mesmo que tal não ocorresse, deveria ter sido cobrado do segurado o quanto recebido indevidamente. Quanto à observação das faixas e limites, não é o que consta dos autos. Com efeito, o Relatório Fiscal e o Anexo XI do Auto de infração apontam com precisão os equívocos da recorrente. Naquele Relatório, ficou consignado que o salário família é benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, nos termos dos art. 65 e 66 da Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991. Também se registrou que o Município efetuou pagamentos a diversos segurados sem observância das faixas e limites dos salários de contribuição e dos valores das cotas de salário família, conforme o supracitado artigo 66. No Anexo XI, indicase a remuneração (base de cálculo) do segurado, o limite de remuneração para a concessão do beneficio (cota), o número de dependentes por segurado, o valor pago a titulo de salário família, o valor devido e a diferença exigida no auto de infração. Destarte, a comprovação que competia à autoridade fiscal foi feita. Quanto à responsabilidade dos segurados, não há o menor viso de lógica ou juridicidade. Se a recorrente não observou a legislação pertinente, o pagamento indevido de salário família deixa de ser um beneficio previdenciário e se converte, para todos os efeitos legais, em remuneração. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto ao saláriofamília. Contribuintes Individuais. Transportadores Autônomos e Conselheiros Tutelares. Assevera a recorrente que houve o pagamento das contribuições patronais sobre as remunerações de todos os contribuintes individuais e estes pagamentos não foram considerados (remunerações de transportadores rodoviários autônomos e conselheiros tutelares). Em defesa, foi alegado o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, inclusive a transportadores rodoviários autônomos, de acordo com os valores lançados nas folhas de pagamento mensais das competências de 03/2005 a 12/2005. No Relatório do auto de infração, consta que as remunerações apuradas não constavam em folhas de pagamento e nem Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, bem como o Município de Ouro Preto não procedeu ao desconto das contribuições devidas pelos segurados. Destarte, a alegação da recorrente de que a fiscalização não teria considerado os recolhimentos sobre as remunerações, constantes das folhas de pagamento, aos contribuintes individuais, não prospera porque o que se exige são valores não reconhecidos nas folhas de pagamento, não declarados em GFIP e não recolhidos pelo Município de Ouro Preto. Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Bolsas de estagiários. Descumprimento da legislação. Aduz a recorrente que os estagiários não mantinham vínculo empregatício (ausência de seguro contra acidentes pessoais). Afirma ainda que houve indicação da legislação não vigente à época dos fatos geradores (Lei no 11.788/08); Em verdade, de acordo com o Relatório Fiscal, item 2.3.2, "as contribuições devidas incidiram sobre remunerações pagas a diversos estagiários contratados e remunerados sem obediência às determinações legais contidas na Lei no 6.494, de 7 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto de n° 87.497/82". No item seguinte do Relatório, escreveu que "a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, de forma clara, no art. 28, parágrafo 9o, 1, determina que não integra o salário de contribuição para os fins desta Lei, a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494, de 7 de dezembro de 1997, revogada pela Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre estágios de estudantes de ensino superior e ensino profissionalizante de segundo grau e supletivo e dá outras providências". Portanto, a menção à Lei no 11.788, de 2008, apenas reforçou a base jurídica existente e mencionada relativamente à época dos fatos geradores. Assim, percebese, da narrativa fiscal, a perfeita descrição das razões de fato e de direito. Quanto ao vínculo reconhecido, a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, como visto, é o estabelecimento do vínculo empregatício. Portanto, não tendo a recorrente celebrado seguro de acidentes pessoais, a relação jurídica deixa de ocorrer na forma excepcional (estágio – que sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas cuja relação é determinada ex lege, por exceção) para seguir a regra (vínculo empregatício). Quanto ao argumento de que a competência para o estabelecimento de vínculo de emprego seria exclusiva da Justiça do Trabalho, cumpre ressaltar que a atribuição ofertada pela Constituição Federal à Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN, não assistindo razão à recorrente. Sendo assim, procede o lançamento quanto ao vínculo reconhecido com os estagiários, pelo descumprimento dos pressupostos legais. Programa Jovem Ouro. Assevera a recorrente a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas por atividades laborais (programa jovem ouro – natureza indenizatória) pela não demonstração dos requisitos da relação de emprego. Neste particular, adotamos, integralmente, os argumentos da decisão de origem, bastantes para responder aos argumentos recursais: No artigo 4° da Lei n° 67, de 26 de agosto de 1992, do Município de Ouro Preto, consta que o Fundo Municipal de Recursos, destinado ao atendimento dos direitos da Criança e do Adolescente, obedecerá aos artigos e incisos estabelecidos na Lei 8.069, de 1990. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.852 15 Os direitos trabalhistas e previdenciários ao adolescente aprendiz estão assegurados no artigo 65 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente. Para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o § 4o do artigo 28 da Lei n°8.212, de 1991, escreve que o limite mínimo do salário de contribuição do menor aprendiz corresponde à sua remuneração mínima definida em lei. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto, segundo o Relatório Fiscal, contrata e coloca jovens adolescentes, com idade entre 16 a 18 anos, à disposição de empresas privadas e de órgãos públicos, aos quais é garantida uma bolsa por atividades laborais. Assim, a fiscalização apenas constatou que o Município de Ouro Preto tem como segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS menores aprendizes, eis que o próprio Município, em sua Lei 67, de 1992, dispõe sobre fundo financeiro dentro das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, das quais ressaltamos os direitos trabalhistas e os previdenciários do adolescente aprendiz. Em outra análise, agora com base na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, DecretoLei n° 5.452, de 1° de maio de 1943, especificamente em seu artigo 428, abaixo transcrito, verificamos direitos trabalhistas a menor aprendiz. Art. 428 Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de quatorze e menor de dezoito anos, inscrito CM programa de aprendizagem, formação técnicoprofissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação. (Redação dada pela Lei 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). § 1° A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matricula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnicoprofissional metódica. (incluído pela Lei . n" 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). § 2° Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o saláriomínimo hora. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). (g. mi.). § 3°. O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de dois anos. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). De acordo com a CLT, contrato de aprendizagem também é contrato de trabalho, onde é garantido salário mínimo hora. Com isso, o valor pago pela prestação dos serviços, ainda que na formação técnicoprofissional, não é de natureza indenizatória, mas sim remuneratória, porque salário Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 retribuição pelo trabalho e não uma indenização ou reparação de dano, ou ajuda de custo para a realização das atividades laborativas. É improcedente, portanto, falar que os valores recebidos pelos menores seriam para transporte, alimentação e aquisição de equipamentos, necessários às atividades do Programa Jovens de Ouro. Da legislação acima, percebese que o empregador é aquele que remunera por serviços prestados face ao contrato de trabalho de aprendizagem, sendo que os pagamentos foram verificados na escrituração contábil do Município de Ouro Preto. Então, o Município é que é responsável pelas contribuições previdenciárias devidas, e não empresas e órgãos públicos contratantes de serviços Programa Jovens de Ouro. Quanto à questão colocada pela impugnante da necessidade de realização de entrevistas junto aos participantes do Programa Jovens de Ouro para possível verificação da relação de emprego com o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal, temos que isso ocioso, uma vez que a legislação trabalhista, de forma literal, estabelece esta relação entre o menor aprendiz e o contratante. É uma questão unicamente de direito (inciso I do artigo 330 do Código Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973), não havendo a necessidade da autoridade fiscal de produzir provas daquela relação. Portanto, deve prosperar o lançamento quanto ao Programa Jovem Ouro. Diferenças de Folha. Outras Deduções (fora saláriofamília). Afirma a recorrente que inexistem diferenças a recolher em folha de pagamento e que não procedem as afirmações quanto a existência de deduções a maior em GPS (fora o saláriofamília). Todavia, não traz prova de sua alegação, razão pela qual aplicase ao caso o aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Portanto, não cumprindo com seu ônus probatório de apresentar argumentos substanciosos quanto ao seu inconformismo, temos como improcedentes os argumentos relativos às diferenças de folha e outras deduções (fora saláriofamília). Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020113/200974 Acórdão n.º 2302003.380 S2C3T2 Fl. 4.853 17 Cumulação de Juros de Mora e Taxa Selic. Aduz a recorrente que houve indevida cumulação de juros de mora e taxa selic. Não é verdade que houve cumulação de juros de mora com Taxa Selic. Ademais, especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as competências concernentes ao ano de 2004, especificamente até 11/2004, devese aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, reconhecendose, portanto, a decadência. Quanto aos valores pagos a título de alimentação, voto por excluir do lançamento o levantamento “AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP)”. Por fim, quanto aos valores pagos aos servidores estudantes (professores), levantamento “AFE — Auxilio Financ Serv Estudante (Não Dec GFIP)”, igualmente deve ser excluído do lançamento. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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