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Numero do processo: 19515.001623/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA
Período de apuração: 2004
Ementa: NOTAS FISCAIS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADAS.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL.
IRPJ E REFLEXOS.
A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza,
por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com
recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente
quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal.
INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO.
Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças
apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de
utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS.
Aplicase
às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à
exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1803-001.071
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA Período de apuração: 2004 Ementa: NOTAS FISCAIS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. IRPJ E REFLEXOS. A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza, por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas.
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OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. IRPJ E REFLEXOS. A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza, por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 2 Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.002007 031784 e prorrogações (fls.03), a Fiscalização apurou o crédito tributário de R$ 583.961,50, correspondentes aos Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, já incluídos os juros de mora e a multa de ofício, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls.04). 2 Os fatos que levaram aos lançamentos foram os seguintes, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 285 a 292): Omissão de receitas compras não registradas. 3 A auditora fiscal selecionou oito dos maiores fornecedores da empresa fiscalizada e os intimou para que enviassem a relação das vendas, valores pagos e as respectivas datas de pagamento. As empresas fornecedoras intimadas foram as seguintes: 3.1 Beira Rio Indústria e Comercio de Bebidas Ltda, CNPJ 45.484.524/000133, cujos documentos apresentados se encontram às fls. 65 a 75;. 3.2 Companhia Lorenz , CNPJ 82.639.543/000118, relativa aos documentos de fls. 76 a 90; 3.3 Coopersucar Cooperativa de Produtos de CanadeAçucar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, CNP 61.149.589/000189, cujos documentos apresentados estão às fls. 091 a 109; 3.4 Líder Alimentos do Brasil Ltda, CNPJ 80.823.396/000106, que apresentou os documentos de fls. 144 a 168; 3.5 GDC Alimentos S/A, CNPJ 02.279.324/000136, com a documentação de fls. 110 a 143; 3.6 Nutrimental S/A Indústria e Comércio de Alimentos, CNPJ 76.633.890/000130, que enviou a documentação de fls. 169 a 192; 3.7 Sara Lee Cafés do Brasil Ltda, CNPJ 02.333.707/000145, cuja documentação apresentadas se encontra às fls. 193 a 231 e Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 488 3 3.8 Vinhos Randon Ltda, CNPJ 86.552.676/000103, com documentos às fls. 232 a 244. 4 Com base nas informações prestadas pelas empresa acima listadas, a auditora fiscal verificou a existência de compras não contabilizadas no livro Registro de Entradas e intimou, em 29/04/2008, à fiscalizada a comprovar a origem dos recursos utilizados nas aquisições de mercadorias, das empresas fornecedoras e que não haviam sido localizadas no citado livro de Registro de Entradas (fls. 255 a 282). 5 Em 08/05/2008, a contribuinte respondeu alegando "...que a origem dos recurso utilizados pra pagamento dessa notas fiscais não localizadas, no livro de Registros de Entradas, em 2004, foi com o numerário destas próprias aquisições”.(cic) 6 A auditora fiscal considerou a justificativa insuficiente e não embasada em qualquer comprovação, constituindo simples alegações sem provas e elaborou a planilha de fls. 284 que demonstra , mês a mês, os valores das compras, cuja origem dos pagamentos não foi comprovada pela empresa. 7 Desse modo, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, para o cálculo do IRPJ, CSLL , PIS e COFINS e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, tomando como fato gerador dos tributos a data do pagamento das respectivas notas fiscais. 8 Desse modo, em 29/05/2008, foi lavrado o competente Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, a seguir discriminados: 8.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 296 a 299): Total do crédito tributário, R$ 152.082,42, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal: Arts. 15 e 24 da Lei n° 9.249/1995, c/c art. 25, inciso I e art. 40 da Lei n° 9.430/1996, e art. 258 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 aprovado pelo Decreto 3000/1999. 8.2 Programa de Integração Social PIS (fls. 304 a 307): Total do crédito tributário, R$ 59.421,56, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar n° 07/70, art.24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, arts. 2º, inciso I; alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524/2002. 8.3 Contribuição para a Seguridade Social COFINS (fls. 312 a 315): Total do crédito tributário, R$ 4274.253,99, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: arts. 2º , inciso II; e parágrafo único, 3o , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002. 8.4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 319 a 322): Total do crédito tributário, R$ 98.203,53, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/1988; art. 24 da Lei n° 9.249/1995, art. 29 da Lei n° 9.430/1996, e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. 9 Inconformada com o lançamento do qual foi notificada em 29/05/2008, conforme ciência no Auto de Infração e reflexos, a contribuinte protocolizou em 27/06/2008 impugnação (fls. 325 a 343), apresentando suas razoes, a seguir, em apertada síntese: 9.1 Faz primeiramente, relato dos fatos. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 4 9.2 Alega que o auto de infração encontrase eivado de irregularidades que levariam à sua nulidade. 9.3 Alega que não pode prosperar o intento da impugnada em perceber quantia sob a alegação de omissão de receitas, baseada em simples presunção e sem provas verossímeis, reclamando que "...não devendo prosperar que fora aberto à impugnante prazo para que tais atos fossem demonstrados, pois alegar que a presunção é pertinente somente à impugnada é afrontar sobremaneira o Direito. " (sic). 9.4 Alega que "... a impugnante não deve responder aos termos da presente, voz que deu azo a qualquer irregularidade, sendo esta, pessoa jurídica impossível instrumentalizar "omissão de receita" que enseje responder aos termos do presente" (sic) 9.5 Alega que uma vez que o auto de infração foi lavrado sem observação das regras legais, "a impugnante não pode responder por qualquer ônus , que tente a impugnada imputalhes sobre simples presunção" (sic) Preliminarmente 9.6 Alega ilegitimidade da parte, pois argumenta que ".. a impugnante é pessoa jurídica e por assim ser, é impossível que esta instrumentalize uma possível infringência à legislação tributaria e omitir receita, assim como ela não e responsável ao pagamento de possível valor cobrado pela impugnada, pois não e a impugnante que pratica o ato de declarar o imposto, bem como recolher qualquer tributo, não podendo recair tal ônus sobre sua figura." (sic). 9.7 Alega que a impugnante não pratica qualquer ato a ensejar sua legitimidade para figurar no polo passivo da presente demanda, argumentando que todos os atos que "pratica" são de inteira responsabilidade de seu responsável. 9.8 Alega que quem deveria figurar no polo passivo da demanda seria a pessoa física do sócio da impugnante, o senhor Silvio Roberto Pires Chagas. 9.9 Discorre longamente sobre o sujeito passivo da obrigação tributária citando normas legais, acórdãos do Conselho de Contribuintes e os autores tributaristas Hugo de Brito Machado e Marco Aurélio Grecco, para concluir que sobre o acerto, em sua opinião de incluir a figura do sócio no polo passivo da lide. 9.10 Alega nulidade do procedimento fiscal por inépcia do Auto de Infração, informando que a citada inépcia seria nítida em dois momentos que podem ser individualizados, "...vez que saltam aos olhos sua inconsistência na foram em que fora constituído, bem como a forma de como chegou a digna Auditora da Receita Federal em imputar o alegado encardo tributário à pessoa jurídica da impugnante. " (sic); 9.11 Alega que "... para o leigo que observa o presente Auto de Infração, este não se atentaria que não fora constituído de maneira indene de apontamentos que o enfraquecem, devendo de plano ser desconsiderado. " (sic). 9.12 Alega que da simples leitura dos autos "...extraise que não traduz o entendimento certo, detalhado e explicito da impugnada a demonstrar de onde provem seu intento, constando somente cálculos, impossíveis de levar a uma conclusão lógica..., enfim o mencionado Auto de Infração não demonstra sua origem, bem como qual os fatores utilizados para o seu desfecho "(sic). 9.13 Alega que não sabe como a "...impugnada poderia cobrar os valores constantes no mencionado Auto de Infração , vez que este se demonstra inepto, vez Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 489 5 que não originou de procedimento efetivado de maneira indene de dúvidas e contradições", (sic). 9.14 Alega que o Termo de Verificação Fiscal foi entregue somente quando o Auto de Infração fora lavrado e esse termo alegaria uma serie de conjecturas sem nenhuma face sua pessoa, não cabendo qualquer alegação que ateste ou suponha que tenha propósito a intimação recebido por este com referencia exclusiva ao Auto de infração como sócio da impugnante, "(sic). 9.27 Alega que desta feita "..demonstrase o prosseguimento do presente Auto de Infração imputado à impugnante instituído ao fracasso, vez que não preenche as condições de procedibilidade, sendo plenamente nulo."(sic). 9.28 Alega que se não for nulo pelos motivos acima, "... o Auto de Infração tornase nulo devido ao fato desta versar sobre sua totalidade. " (sic). 9.29 Alega que o auto de infração contradiz o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, "... o qual o rol e taxativo, o Autuante está obrigatoriamente vinculado ao local da verificação da falta... " (sic), citando o artigo. 9.30 Alega que da simples leitura do auto, se observa que o local da lavratura não se deu na sede da empresa e sim no endereço da Secretaria da Receita Federal à Avenida Pacaembu, 715,4° andar. 9.31 Alega que comprovada a "...ocorrência de alguma afronta à legislação tributária vigente, existe a obrigatoriedade de sua lavratura em loca do estabelecimento fiscalizado, sob pena de ser considerado ineficaz e inválido, quando lavrado na própria repartição fiscal, como ocorreu no presente caso. " (sic)., citando ainda parecer de professor Bernardo Ribeiro de Moraes. 9.32 Desse modo, alega a declaração de nulidade "In ratione loci", face a desobediência da norma legal, quando da constituição do auto de infração, requerendo a nulidade do auto por desobediência do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Mérito 9.33 Alega que o auditor fiscal não obedeceu ao principio da legalidade, afirmando que a "...a impugnada ultrapassou seu limite profissional, como agente fiscal, entrando em outra órbita, que não àquela para que fora contratado, efetuando levantamentos contábeis—fiscais, verificando e examinando livros mercantis, fiscais, adentrando e avaliando os lançamentos efetuados nestes livros fiscais e respectivos documentos que originaram esse registros e assentos. " (sic). 9.34 Alega que a impugnante pautase pelo art. 37 da Constituição Federal, que exige "...como pressuposto de eficácia e validade de todo e qualquer ato administrativo a moralidade, a impessoalidade e a LEGALIDADE, isto é, a prática do ato sempre de acordo com a previsão legal, legalidade esta que e inarredável no direito tributário em face da estrita vinculação de todos os atos à lei,... " (sic). 9.35 Alega que "... como devidamente explicitado acima, a impugnante em momento algum fora cientificada do teor ao qual se referia o mencionado Termo de Intimação , penso ser suficiente as informações prestadas, inclusive fornecendo seus livros Caixa sem nenhuma resistência. Observase daí, que a impugnada além de se ter equivocado quanto a legitimidade de quem deveria figurar no polo passivo da demanda, cometeu ledo engano ao fazer Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 6 com que a impugnante caísse em erro, para aproveitarse agora da presente para informar que esta não lhe apresentou fatos convincentes para foram sua convicção. 9.36 Discorre sobre a presunção legal, citando autores' tributaristas para alegar que "...a cobrança efetivada está supondo a distribuição automática de lucro da empresa, efetuando assim uma tributação reflexa, pois a impugnada não fez nenhuma referência quanto à efetividade da obtenção dos ganhos pela impugnante", (sic), alegando ainda que o auto de infração violaria o art. 43 do Código Tributário Nacional, pois não teria sido demonstrada pela impugnada, a disponibilidade econômica ou jurídica da impugnante. 9.37 Alega que "Em nenhum momento conseguiu a impugnada determinar fraude cometida pela impugnante, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela a omissão de receita, foi consubstanciada em importações prestadas por parte desconhecida na demanda, ou seja, são provas absolutamente frágeis. " (sic). 9.38 Alega que as planilhas apresentadas pela auditora fiscal "... foram produzidas por pessoas estranhas ao presente, sem qualquer comprovação de que o que estava atestando, efetivamente ocorreu, demonstrando de forma "incontesti" no transcorrer desse procedimento que somente a impugnante apresentou documentos que possuem valor comprobatório ou seja, Livros e documentos fiscais" (sic). 9.39 Alega que " ...aceitar planilhas em detrimento da escrituração fiscal contábil sólida propiciada pela impugnante para a lavratura do Auto de Infração pleiteando valor expressivo é condenar a morte o preceito constitucional da ampla defesa e do contraditório extrapolando inclusive os princípios que norteiam a Administração Pública na legitimidade de seus atos. " (sic). 9.40 Prossegue alegando que planilhas feitas unilateralmente são frágeis e não servem para comprovar omissão de receita, argumentando que o auto de infração não posse subsistir baseado nessas premissa. 9.41 Alega que mesmo estando os dispositivos legais invocados em vigor, "... a impugnante foi intimada (sic) corretamente dos termos do presente processo, não informando a impugnada os objetivos de sua intimação, fazendo com que a impugnante lhe respondesse sem a formalidade que exigia, fazendo somente agora transparecer a grandiosidade do fato, fato que por si só cai por terra no constante no dispositivo legal enfocado, vez que a impugnada a fez incidir em erro. " (sic). 9.42 Discorre sobre a revisão do processo para reclamar a nulidade do processo. 9.43 Por fim, requer a nulidade da intimação efetivada somente em nome da impugnante, uma vez que alega não ser parte legitima para figurar no polo passivo da demanda, e informando que quem deveria figurar no polo passivo seria o sócio da empresa, Sr. Silvio Roberto Pires Chagas. (...)”. A 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP, em sessão de 28/04/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1625.115 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 490 7 COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO FORNECEDOR. Presumese a ocorrência de omissão de receitas, quando não comprovada a contabilização da totalidade das COMPRAS efetuadas, baseada nas informações relativas às mesmas, em declarações prestadas à repartição fiscal, pelos fornecedores da fiscalizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 LOCAL DA LAVRATURA O auto de infração pode ser lavrado no interior da própria REPARTIÇÃO FISCAL, quando estiverem disponíveis ao Auditor Fiscal as informações necessárias. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO OCORRÊNCIA. A empresa, com personalidade jurídica responde pelos tributos devidos em seu nome. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A decisão da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP teve os seguintes argumentos: “(...) De fato, até mesmo ao citar os autores Hugo de Brito Machado e Marco Aurélio Grecco, os doutos representantes da empresa, demonstraram de forma cabal, não compreender sequer o texto que citam, 'pois neles consta a referencia explicita à pessoa jurídica, como sujeito passivo da obrigação tributária. 15 Para melhor clareza e aprendizado, reproduzse aqui novamente os referidos trechos, que foram alias, citados pelos doutos representantes da empresa, sem a referencia à obra de cada autor: (...) 16 Esses insignes autores, obviamente sabem perfeitamente o que seja uma pessoa jurídica sujeito passivo da obrigação tributária. 17 Como os doutos representantes da empresa não parecem conhecer o que seja uma pessoa jurídica, apresentase aqui sucinta explicação para o seu enriquecimento jurídico. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 8 18 Pessoa jurídica, segundo o dicionário Michaelis, é "a entidade abstrata com existência e responsabilidade jurídicas como, por exemplo, uma associação, empresa, companhia, legalmente autorizadas." 19 A pessoa jurídica é um sujeito de direito personalizado, assim como as pessoas físicas, em contraposição aos sujeitos de direito despersonalizados, como o nascituro, a massa falida, o condomínio horizontal, etc. Desse modo, a pessoa jurídica tem a autorização genérica para a prática de atos jurídicos bem como de qualquer ato, exceto o expressamente proibido. Feitas tais considerações, cabe conceituar pessoa jurídica comer o sujeito de direito inanimado personalizado. 20 São requisitos para a existência da pessoa jurídica a organização de pessoas ou bens, a licitude de propósitos e capacidade reconhecida por norma 21 Já a personalidade legal de uma pessoa jurídica, incluindo seus direitos, deveres, obrigações e ações, é separada de qualquer uma das outras pessoas físicas ou jurídicas que a compõem. Assim, a responsabilidade legal de uma pessoa jurídica não é necessariamente a responsabilidade legal de qualquer um de seus componentes. (...) 40 O que se tem de concreto no presente processo é que as alegações apresentadas sobre a nulidade e a inépcia do auto de infração, buscam esconder, de forma pífia, o fato que a fiscalizada não logrou apresentar qualquer justificativa para a não contabilização das notas fiscais de compra e muito menos explicar a falta de origem contábil dos recursos empregados para quitar as citadas compras. 41 Nem mesmo em sua impugnação, apresentou qualquer documentação que justificasse a origem dos recursos empregados nas compras, cabendo ainda ressaltar que a própria contribuinte afirma, à fls 283, que o numerário decorrente das vendas de mercadorias das compras cujas notas fiscais não foram contabilizadas (no dizer, da contribuinte,"...destas Notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas "), foram utilizados para quitar essas compras. Ou seja, a fiscalizada candidamente relata uma sequência de operações de compra e venda, totalmente à margem da sua contabilidade oficial, como se esse tipo de operação fosse aceito pelo Fisco Federal. 42 Dessa maneira, resta claro que a contribuinte manteve em 2004, operações mercantis que foram iniciadas com recursos estranhos à sua contabilidade e continuadas com o produto das vendas de mercadorias não registradas nos livros fiscais, , contrariando o que determina a legislação comercial e fiscal que determina que toda a entrada de recursos financeiros ou mercadorias deve ser contabilizada nos livros comerciais e fiscais, de uso obrigatório. A falta de contabilização presume omissão de receitas conforme art. 282 do RIR/99, cuja matriz legal são os DecretoLei n° 1598/1977, art.12, §2° e Lei n° 9.430/1996, art.40. 43 Consequentemente, como a impugnante limitase a espernear mas não apresenta provas consistentes do que alega, bem como não traz aos autos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 491 9 qualquer evidência de sua escrituração fiscal e contábil, não se pode aceitar seus argumentos. 44 Por fim, vale aqui a velha máxima "Allegatio sine probatione veluti campana sine pistillo est" Alegação sem prova é como sino sem badalo dado que alegações a impugnante entendeu apresentar, demonstraramse inconsistentes, devendose manter, portanto, todos os lançamentos efetuados. 45 Quanto aos lançamentos reflexos, vale o decidido no processo principal. Sendo este procedente, os autos reflexos também o são. (...)” Cientificado da decisão interpôs o contribuinte, em 14/02/2011, Recurso Voluntário a este Conselho, a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada, sem trazer nenhuma novidade e requerendo ao final o seguinte: É o relatório do essencial. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 10 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Sobre a questão da tempestividade, não se pode apurar em que data a Recorrente foi cientificada da decisão da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP. Às fls. 421 dos autos encontramos cópia do Aviso de Recebimento – AR: No AR, não tenho certeza sobre a data do recebimento, se 12/01/2011 ou 17/01/2011. Porém, temos a data do carimbo de retorno, qual seja 17/01/2011. Assim, tomando como base a data do carimbo de retorno, utilizo o princípio “in dublo pro reo” para declarar o presente recurso é tempestivo, além de atender aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Como visto do relatório, o ponto levantado no recurso é a legitimidade passiva da Recorrente para responder sobre a autuação. Não sendo assim legitima, para ser imputada com o IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Isso tudo porque o procedimento fiscal encontrou, aos circularizar os fornecedores da Recorrente a Omissão de Receitas por Compras não Escrituradas. Porém, a recorrente, em suas razões, não apresenta qualquer fato ou comprovação, simplesmente alega que a imposição deveria cair sobre a pessoa física e não sobre a pessoa jurídica. Sobre esse tema, quero, com a devida vênia, fazer minhas as palavras da da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP, “verbis”: “(...) 40 O que se tem de concreto no presente processo é que as alegações apresentadas sobre a nulidade e a inépcia do auto de infração, buscam esconder, de forma pífia, o fato que a fiscalizada não logrou apresentar qualquer justificativa para a não contabilização das notas fiscais de compra e muito menos explicar a falta de origem contábil dos recursos empregados para quitar as citadas compras. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 492 11 41 Nem mesmo em sua impugnação, apresentou qualquer documentação que justificasse a origem dos recursos empregados nas compras, cabendo ainda ressaltar que a própria contribuinte afirma, à fls 283, que o numerário decorrente das vendas de mercadorias das compras cujas notas fiscais não foram contabilizadas (no dizer, da contribuinte,"...destas Notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas"), foram utilizados para quitar essas compras. Ou seja, a fiscalizada candidamente relata uma sequência de operações de compra e venda, totalmente à margem da sua contabilidade oficial, como se esse tipo de operação fosse aceito pelo Fisco Federal. 42 Dessa maneira, resta claro que a contribuinte manteve em 2004, operações mercantis que foram iniciadas com recursos estranhos à sua contabilidade e continuadas com o produto das vendas de mercadorias não registradas nos livros fiscais, contrariando o que determina a legislação comercial e fiscal que determina que toda a entrada de recursos financeiros ou mercadorias deve ser contabilizada nos livros comerciais e fiscais, de uso obrigatório. A falta de contabilização presume omissão de receitas conforme art. 282 do RIR/99, cuja matriz legal são os DecretoLei n° 1598/1977, art.12, §2° e Lei n° 9.430/1996, art.40. 43 Consequentemente, como a impugnante limitase a espernear mas não apresenta provas consistentes do que alega, bem como não traz aos autos qualquer evidência de sua escrituração fiscal e contábil, não se pode aceitar seus argumentos. Na verdade, o que fica comprovado nos autos é que a Recorrente teria omitido dolosamente suas compras, bem como as receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Ora diante da confissão da Recorrente, não se pode negar que a exigência do tributo por meio de lançamento de ofício requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. O Código Tributário Nacional, em seus arts. 3º e 142, estabelece que esta atividade de lançamento é plenamente vinculada, assim, cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. art.3º), não pode ser usado como sanção. Para a exigência de crédito tributário sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada, pois, caso contrário, estaria se lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. A legislação de regência autoriza a circularização; e, foi isso que a Autoridade Administrativa fez. Assim, não há como negar que a autuação por presunção somente nos casos especificamente previstos, tais como, saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos não comprovados, etc., porém, é indispensável que a irregularidade fiscal fique devidamente caracterizada e demonstrada na acusação fiscal. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 12 O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador. Quando o auto de infração trata de omissão de receita, o ônus da prova é de inteira responsabilidade do Fisco que, para tanto, tem poderes de investigação não apenas sobre o contribuinte como também sobre terceiros, ligados ou não à operação, desde que sobre ela haja dúvida de sua regularidade. E desses poderes, na apuração da verdade material, não pode abdicar. É isso que vemos nos autos. Na verdade, a autoridade pública, no exercício da sua função, investigou a fundo a ocorrência da omissão dolosa de parte das compras da Recorrente, bem como as receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Além disso, o fato de não ter a Recorrente respondido a contento às alegações feitas pela fiscalização, nem tampouco trazido aos autos prova de que as notas estavam contabilizadas reforçam as eventuais irregularidades na contabilização das compras e reconhecimento das vendas. Além do mais, a Recorrente fica todo tempo “batendo na tecla” da ilegitimidade. Propositadamente deixei esse tema para o final, mesmo a Recorrente tendo alegado em preliminar a ilegitimidade passiva da TABOR DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, protestando pela nulidade do Ato Administrativo de Lançamento, ao fundamento de que deveria ser lançado contra a pessoa física do seu sócio. Não vejo argumento para sustentar essa tese, tendo em vista que a responsável pelo recolhimento é a TABOR DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., entidade que dolosamente omitiu de parte das compras e das receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Assim, não posso me filiar a tese de nulidade do Ato Administrativo de Lançamento, ao fundamento de que deveria ser lançado contra a pessoa física do seu sócio. Até porque, a autoridade fiscal aprofundou as investigações e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que a Recorrente agiu de forma a omitir compras e subtrair receitas da tributação, visando, salmo melhor juízo, reduzir a base de tributação. Essa é uma presunção extraída dos indícios apurados e que não se prestam a conclusões diversas. Tanto é que a Recorrente nada questionou. Além do mais, vejo que os indícios para efetivação do lançamento efetuado têm a necessária consistência para justificar, de forma inconteste, a acusação de omissão de compras e desvio de receitas da fiscalizada. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 493 13 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10469.003110/97-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
1994
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO
DE RECEITAS.
A presunção legal prevista no art. 228 do RIR/94 não se restringe à
sistemática de apuração do Lucro Real, aplicando-se,
também, às empresas
tributadas pelo Lucro Presumido.
IRPJ E IR-FONTE.
BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS.
EFICÁCIA DOS ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO
PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO.
A MP 492/94 (art. 3º) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8541/92,
para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido
e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a
nova tributação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicar-se-ia
“aos
fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1994”. Todavia, essa
determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não
constar das reedições subsequentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi
convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de
cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir
de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei
8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III,
“b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de
1994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta
por cento) da receita omitida, e cancelar o IR-FONTE
lançado contra a
pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias.
PIS-FATURAMENTO.
LEI COMPLEMENTAR 07/70. BASE DE
CÁLCULO DE 6 (SEIS) MESES ATRÁS.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de
1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
(Súmula CARF nº 15).
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas,
ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário:
1994
OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO.
A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá
ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo
o valor total da receita omitida.
Numero da decisão: 1402-000.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a
base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) adaptar a exigência do PIS à súmula
nº. 15 do CARF.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1994 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal prevista no art. 228 do RIR/94 não se restringe à sistemática de apuração do Lucro Real, aplicando-se, também, às empresas tributadas pelo Lucro Presumido. IRPJ E IR-FONTE. BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS. EFICÁCIA DOS ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. A MP 492/94 (art. 3º) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8541/92, para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a nova tributação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicar-se-ia “aos fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1994”. Todavia, essa determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não constar das reedições subsequentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de 1994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida, e cancelar o IR-FONTE lançado contra a pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias. PIS-FATURAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 07/70. BASE DE CÁLCULO DE 6 (SEIS) MESES ATRÁS. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (Súmula CARF nº 15). OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo o valor total da receita omitida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 839 1 838 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.003110/9768 Recurso nº 177.078 Voluntário Acórdão nº 140200.662 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente COMERCIAL ELOI CHAVES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal prevista no art. 228 do RIR/94 não se restringe à sistemática de apuração do Lucro Real, aplicandose, também, às empresas tributadas pelo Lucro Presumido. IRPJ E IRFONTE. BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS. EFICÁCIA DOS ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. A MP 492/94 (art. 3º) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8541/92, para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a nova tributação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicarseia “aos fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1994”. Todavia, essa determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não constar das reedições subsequentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de 1994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida, e cancelar o IRFONTE lançado contra a pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias. PISFATURAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 07/70. BASE DE CÁLCULO DE 6 (SEIS) MESES ATRÁS. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 840 2 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (Súmula CARF nº 15). OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo o valor total da receita omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) adaptar a exigência do PIS à súmula nº. 15 do CARF. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 841 3 Relatório Comercial Eloi Chaves Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 270/276, através do qual é exigido o crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 195.576,64, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 237/238), o lançamento decorreu da omissão de receitas nos meses de janeiro a novembro de 1994, caracterizada pela ocorrência de saldo credor da conta caixa. 3. Em conseqüência da omissão de receitas, foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 247/252), no valor de R$ 56.562,15, ao Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 253/258), no valor de R$ 195.576,64, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 264/269), no valor de R$ 5.867,33, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 259/263), no valor de R$ 15.646,14. 4. O crédito tributário total importa em R$ 469.228,88, conforme demonstrativo consolidado de fls. 01/02. 5. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração, encontramse nos autos de infração e em seus anexos. 6. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 279/322), alegando, em síntese: 6.1 que não houve saldo credor de caixa em nenhum mês. A fiscalização não teria considerado a movimentação bancária, os rendimentos de aplicações financeiras, nem os saldos de caixa de períodos anteriores, conforme teria assinalado o autuante no termo de encerramento; 6.2 – que as despesas e a composição do Passivo foram incorretamente apuradas pela fiscalização; 6.3 – que seus registros contábeis estão assentados no Livro Diário, revestido das formalidades legais, os quais divergem expressivamente dos incluídos pela fiscalização, a quem caberia provar a desclassificação dos registros; 6.4 – que o art. 892 do RIR/94 diz respeito a declaração inexata, além de que e a empresa não teria omitido receitas, já que as vendas teriam sido contabilizadas; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 842 4 6.5 – que é insubsistente, inaplicável e ilegal a caracterização de omissão de receita a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/92, razão por que é improcedente o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte; 6.6 – que a conversão da UFIR foi incorretamente efetuada; 6.7 – que nos meses de maio a novembro o cálculo da CSLL considerou o coeficiente de 10% sobre as receitas omitidas, quando deveria ser de 1%; 7. Ao final, requereu a realização de diligência, a retificação dos cálculos apontados na defesa e a descaracterização da omissão de receita. 8. Foi o processo baixado em diligência (fls. 324/325), visando a confirmar a veracidade das alegações de defesa. 9. Em despacho de fl. 330, a autoridade lançadora informa estranhar que as receitas contabilizadas no Livro Diário eram superiores à receita declarada e escriturada nos livros fiscais. Chamaramlhe a atenção aspectos extrínsecos do Livro Diário, motivo pelo qual foi ele submetido a exame pela Polícia Federal, que, por meio do laudo de fls. 332/334, concluiu pela invalidade da autenticação do livro, “tornandoo, assim, um documento inábil para qualquer tipo de exame e/ou análise contábil”. 10. A fiscalização emitiu relatório de fls. 336/337, considerando prejudicada a diligência, haja vista que as alegações de defesa estavam integralmente alicerçadas nos registros do Diário, tido por inválido. 11. A autuada, ouvida por solicitação desta delegacia, trouxe novas alegações, em resumo (fls. 347/402): 11.1 – que houve ofensa ao princípio constitucional da anualidade, equívocos quanto aos fatos geradores, incorreção quanto à nãoadoção da semestralidade do PIS, nãoobservância do princípio da retroatividade benigna; 11.2 – que a fiscalização, quando da intimação para realização da diligência, reteve indevidamente os livros e documentos da empresa. Teria sido impossível, assim, uma completa e minuciosa impugnação, por ausentes os extratos bancários e os Livros Razão, Diário e Registro de Saídas, restando caracterizado o cerceamento do direito de defesa, agravado pela falta de clareza nos demonstrativos elaborados pelo autuante; 11.3 – que o saldo de caixa do ano anterior, não considerado no lançamento, encontrase registrado no balanço patrimonial e no Livro Caixa do ano de 1993, não sendo alcançado, portanto, pelas equivocadas conclusões do laudo pericial. Também não teria sido considerado o saldo de numerário mantido no Banco Bamerindus em 31/12/93; 11.4 – que a fiscalização não incluiu rendimentos de aplicações financeiras e calculou incorretamente as obrigações da empresa; 11.5 – que o Livro Diário foi autenticado na Junta Comercial do Rio Grande do Norte, a quem foi requerida certidão comprobatória da autenticidade, não tendo ainda obtido o documento e 11.6 – que a recomposição do fluxo de caixa carece de retificações. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 843 5 12. Através da Resolução DRJ/RCE nº14, de 22 de fevereiro de 2002 (fls. 519/546), a 3ª Turma de Julgamento baixou novamente o processo em diligência, solicitando que, em relação aos documentos trazidos na segunda impugnação, fosse verificada sua autenticidade e confirmados os pagamentos alegados pelo sujeito passivo. Requereuse, ainda, a documentação comprobatória de outras alegações sustentadas pela defesa, bem assim a elucidação de outras questões argüidas pela empresa, restituindolhe os livros e reabrindolhe prazo para defesa. 13. Efetuada a diligência (fls. 626/645), concluiuse pela procedência parcial das alegações da contribuinte, tendo a fiscalização ajustado os demonstrativos de composição do Passivo e do fluxo de caixa à nova situação. 14. A autuada apresentou contestação à diligência (fls. 646/658), por meio da qual reafirma a inclusão de seis notas fiscais no rol de suas obrigações, reitera as aplicações financeiras não aceitas pela fiscalização e relaciona compras que teriam sido pagas em vencimento posterior ao admitido pela autoridade fiscal. Sobre a nãoconfirmação dos pagamentos, alega que as empresas fornecedoras não mais existem, em face do que requer seja considerado, para cada nota fiscal, que o pagamento se deu no mês do vencimento da respectiva duplicata. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 11 24.934 (fls. 737753) de 19/12/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. DEVER DE ESCRITURAR. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, sendo obrigatório o uso do livro Diário revestido das formalidades legais. BASE DE CÁLCULO. CONVERSÃO EM UFIR. A partir de 1º de setembro de 1994, a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas será convertida em quantidade de UFIR mediante a divisão do valor do lucro real, presumido ou arbitrado, pelo valor da UFIR vigente no mês subseqüente ao de encerramento do períodobase de sua apuração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS.IRRF.CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 844 6 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo o valor total da receita omitida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1994 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. NOVAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. PRECLUSÃO. Devem ser rejeitados argumentos suplementares alegados após a realização de diligência e que não guardem relação com os novos fatos ou documentos trazidos aos autos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/03/2009 (A.R. de fl. 758), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/04/2009 (fls. 763809) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (fls. 232/236), a autoridade autuante identificou, através do demonstrativo de fluxo de caixa, que a contribuinte teve dispêndios de recursos superiores aos ingressos nos meses de janeiro a novembro de 1994, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 845 7 configurandose omissão de receitas em virtude do saldo credor de caixa, conforme art. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Alega a recorrente, inicialmente, que a caracterização de omissão de receitas a que se referem os art. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 é ilegal, haja vista serem as disposições contidas naqueles artigos aplicáveis para empresas tributadas pelo lucro presumido apenas a partir de 1º/01/1995. Quanto a esse ponto, reproduzo a seguir excerto do Acórdão 10806125, de 06/06/2000, da Oitava Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo fundamento peço vênia ao autor para adotar como razão de decidir no presente caso: “... Com efeito, o art. 43 da Lei 8.541/92 dispunha originalmente: "Art. 43— Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de oficio, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. ... § 2° — O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Vêse que esse dispositivo não se destinava às empresas tributadas pelo lucro presumido, já que no §2° estabelece apenas para empresas tributadas pelo lucro real. A inclusão da sistemática para empresas tributadas pelo lucro presumido veio apenas com a Medida Provisória 492, de 5/5/94, cujo art. 3° deu a seguinte redação ao dispositivo: “§2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos.” (grifouse). Contudo, quando do julgamento do recurso 117.884, o relator Conselheiro José Antonio Minatel fez notar que, pelo princípio da anterioridade, o aumento introduzido pela MP 492/94 somente poderia surtir efeitos em 1995 (Constituição Federal. Art. 150, III, "b"). O Poder Executivo, tendo percebido o equívoco legal, a partir da reedição de julho da MP 492, a de n° 544, publicada no DOU de 04.07.94, e até a sua conversão na Lei 9.064/95, não fez constar o termo de início da aplicação da norma anteriormente previsto no art. 7º. Quanto ao IRRF, o mesmo raciocínio deve ser adotado, isto é, a alteração da apuração do tributo somente pode ter aplicação no exercício seguinte. Dessa forma, o lançamento do IRRF deveria seguir a legislação anterior com tributação diretamente da pessoa física (art. 40, § 11, da Lei 8.383191). Peço vênia para transcrever a ementa e a conclusão do eminente Conselheiro na apreciação do recurso acima referido (10805.552): Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 846 8 IRPJ E IRFONTE — BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS — EFICÁCIA DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO: A MP 492/94 (art. 3°) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a nova tribulação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicarseia "aos fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1.994". Todavia, essa determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não constar das reedições subseqüentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de 1.994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida, e cancelar o IRFONTE lançado contra a pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias. (...) Diante dessa sucessão legislativa, que afastou o vício de inconstitucionalidade acenado com a eficácia imediata na primeira inserção proposta com a MP 492/94, não vejo óbice para sua interpretação no campo administrativo, de cuja tarefa é possível extrair duas conclusões que me parecem irrefutáveis: 1 — ao teor do parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, pela não conversão em lei no prazo de trinta dias e por não constar do texto das Medidas Provisórias que lhes sucederam, perdeu integralmente a eficácia, desde a primeira edição, o expresso mandamento "exceto o disposto nos art. 3º e 4º, que aplicarseão aos fatos geradores ocorridos partir de 9 de maio de 1.994" contido nas Medidas Provisórias n°s 492/94 e 520/94, traduzindo a supressão forma de revogação; 2 — por implicarem majoração de impostos para as empresa, tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, as alterações processadas pelo artigo 3º da Medida Provisória 492/94, só podem produzir efeitos a partir de 01.01.95, permanecendo em vigor, no ano de 1.994, a legislação anterior que mandava considerar 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida como base de cálculo do IRPJ (art. 6°, da Lei 6.468/77 — RIR/80, art. 396), assim como a regra do art. 40, § 11, da Lei 8.383/91, que mandava tributar na pessoa física valores presumidamente distribuídos. Dessa forma, há que se considerar que a base de cálculo do IRPJ deve corresponder a 50% da receita omitida, nos termos do art. 6°, de Lei 6.468/77 (RIR/80, art. 396). No que se refere ao IRFonte, como demonstrado acima, deve ser exigido da pessoa física conforme o art. 40, § 11, da Lei 8313. Quanto à alegação de que nos meses de maio a novembro o coeficiente aplicável ao cálculo da CSLL seria de 1%, e não de 10%, entendo descabido o argumento da recorrente. A partir de maio de 1994, com a edição da Medida Provisória nº 492, de 05 de maio de 1994, posteriormente convertida na Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, a tributação da CSLL, nos casos de omissão de receitas, tem como base de cálculo o valor total da receita omitida, sobre a qual é aplicada a alíquota de 10%, procedimento corretamente observado no lançamento. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 847 9 Quanto à semestralidade do PIS, esclareço que tal matéria possui entendimento firmado nesta Corte, por meio da Súmula CARF nº 15, no sentido de que sua base de cálculo, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Quanto às falhas de filigranagens que levaram à conclusão de imprestabilidade da utilização do Livro Diário, há que se ponderar que o laudo embasador de tal conclusão (Laudo nº 051/01SR/RN, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, fls. 332/334) foi lavrado por instituição competente para tal mister, não cabendo a esta esfera de julgamento tecer juízo de valor a respeito das conclusões ali presentes, as quais transcrevo abaixo: “(...) as autenticações filigranadas (...) foram produzidas em momentos diferentes, acarretando com isso na invalidade de sua autenticação, tornandoo, assim, um documento inábil para qualquer tipo de exame e/ou análise contábil, conforme estabelecem as normas do Registro de Comércio e a legislação fiscal (...)”. Por todo o exposto, Voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) considerar como base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (súmula nº. 15 do CARF). Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 12267.000365/2008-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO.
Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se
que o momento
processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto
70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o
direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, com as
exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.
Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos
previstos na legislação, considera-se
não formulado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - PERÍODO
ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291,
DECRETO 3.048/1999.
A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa,
ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido
a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos-de-infração
lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o
termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira
instância.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ELABORAR E MANTER PERFIL PROFISSIOGRÁFICO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa deixar de elaborar e
manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades
desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do
contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.250
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA RELEVAÇÃO PERÍODO ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291, DECRETO 3.048/1999. A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos deinfração lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ELABORAR E MANTER PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa deixar de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 183 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – HOSPITALAV SERV PROCS DE ROUPAS E TEC contra Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0507/2005, fls. 75 a 81, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.699.8657, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.035,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.865 7, Código de Fundamentação Legal – CFL 89, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica desse documento., nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 12 a 14: 3. No caso que se apresenta, o sujeito passivo deixou de elaborar o citado documento (PPP) quando da rescisão do contrato de trabalho de inúmeros segurados. A titulo de materializar a referida infração citase o momento da rescisão do contrato de trabalho do segurado Edgard Xavier Filho, Número de Identificação 'do Trabalhador (NIT) 12.145.239.229, ocorrida na competência 01/2000. 4. Ressaltese que o sujeito passivo em referência deixou de entregar cópia autêntica do citado documento, haja vista que em nenhum daqueles documentos apresentados à fiscalização constava recebimento do mesmo pelo respectivo segurado. Apresentase em anexo o "PPP" dos segurados empregados abaixo relacionados, nos quais não são acusados o recebimento de suas respectivas cópias: • Adelma Tertuliano da Paixão — NIT: 10.708.801.746; e • Adilson Coelho de Carvalho — NIT: 10.607.037.579; Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.213, de 24/07/1991, art. 58, § 4°, na redação dada pela Medida Provisória n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528, de 10/12/1997, § 6°, acrescentado pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998 e na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, na redação dada pela Medida Provisória n° 449/08, combinados com art. 68, §§ 6°, 9° e 10° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "h", cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 07/05/2004. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09207724, com ciência da Recorrente. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 01.04.2005, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1998 a 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0507/2005, fls. 75 a 81, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ, conforme Ementa a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO A empresa deverá elaborar e manter atualizado o perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador, e fornecer a este cópia autêntica deste documento, quando da rescisão do contrato de trabalho. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, às fls. 84 a 100, reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 184 5 especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. (iii) Não necessidade de elaboração imediata do PPP – exigência apenas a partir de 01/2004. Inicialmente, com relação à suposta infração cometida pela Recorrente, cumpre esclarecer que o § 4°, do art. 58 da Lei n.° 8.213/91, diferentemente do que alega a autoridade fiscal, não obriga as empresas contribuintes do INSS a elaborar imediatamente e incondicionalmente o referido Perfil Profissiográfico Previdenciário ("PPP"), quando relativo a concessões de benefícios por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 1° de janeiro de 2004 e somente quando solicitado pelo INSS, conforme será amplamente comprovado a seguir: 0 § 42, do artigo 58, da Lei 8.213/1991, não obriga as empresas a elaborar imediatamente e incondicionalmente o PPP, quando relativo a concessões de beneficio por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 01/01/2004, e somente quando solicitado pelo INSS A IN INSS 99/2003, no seu artigo 148, determina que a impugnante somente está obrigada à emissão do PPP a partir de 01/01/2004 e quando solicitado pelo INSS. Registrese que a própria autoridade fiscal autuante, em seu relatório fiscal da infração, reconhece que a Recorrente elaborou e apresentou it fiscalização o PPP de seus segurados empregados, sendo que a única falha imputada à Recorrente seria a falta de comprovação do recebimento das cópias autenticadas pelos respectivos empregados, ou seja, de mera formalidade. (iv) requer relevação da multa. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Posteriormente, após diversos trâmites administrativos e judiciais, inclusive referente à discussão acerca da inconstitucionalidade do depósito em recursos administrativos, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 181. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 185 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada pela unidade da RFB de jurisdição da Recorrente. DEPÓSITO RECURSAL Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Possibilidade da autoridade julgadora afastar a norma inconstitucional. Analisemos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 186 9 (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. Analisemos. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. CORESP – Relatório de CoResponsáveis do Débito; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 f. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. g. Relatório Fiscal da Infração e de Aplicação da Multa. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ademais, o auto de infração foi lavrado em obediência às determinações legais, com fundamento no art. 58, Lei 8.213/91, observandose que a infração foi identificada, explicitado o dispositivo legal infringido, a multa aplicada e esclarecidos os critérios de sua gradação. Portanto, analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 293, Decreto 3.048/1999. (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 187 11 A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. Analisemos. Preliminarmente, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de co responsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão no argumento. DO MÉRITO. (iii) Não necessidade de elaboração imediata do PPP – exigência apenas a partir de 01/2004. Inicialmente, com relação à suposta infração cometida pela Recorrente, cumpre esclarecer que o § 4°, do art. 58 da Lei n.° 8.213/91, diferentemente do que alega a autoridade fiscal, não obriga as empresas contribuintes do INSS a elaborar imediatamente e incondicionalmente o referido Perfil Profissiográfico Previdenciário ("PPP"), quando relativo a concessões de benefícios por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 1° de janeiro de 2004 e somente quando solicitado pelo INSS, conforme será amplamente comprovado a seguir: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 0 § 42, do artigo 58, da Lei 8.213/1991, não obriga as empresas a elaborar imediatamente e incondicionalmente o PPP, quando relativo a concessões de beneficio por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 01/01/2004, e somente quando solicitado pelo INSS A IN INSS 99/2003, no seu artigo 148, determina que a impugnante somente está obrigada à emissão do PPP a partir de 01/01/2004 e quando solicitado pelo INSS. Registrese que a própria autoridade fiscal autuante, em seu relatório fiscal da infração, reconhece que a Recorrente elaborou e apresentou it fiscalização o PPP de seus segurados empregados, sendo que a única falha imputada à Recorrente seria a falta de comprovação do recebimento das cópias autenticadas pelos respectivos empregados, ou seja, de mera formalidade. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.865 7, Código de Fundamentação Legal – CFL 89, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica desse documento., nas competências 07/1998 a 12/2004. A legislação previdenciária, insculpida no art. 58, Lei 8.213/1991, assim trata do Perfil Profissiográfico: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1° A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 2° Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 188 13 médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) (gn) Desta forma, o art. 58, § 4º, Lei 8.213/1991 determina que a empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. No entanto, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 12 a 14, aponta que em nenhuma das cópias dos documentos apresentados pela interessada à fiscalização constava recebimento pelos seus empregados, concluindo então o AFPS autuante que os mesmos não foram entregues aos segurados empregados: 3. No caso que se apresenta, o sujeito passivo deixou de elaborar o citado documento (PPP) quando da rescisão do contrato de trabalho de inúmeros segurados. A titulo de materializar a referida infração citase o momento da rescisão do contrato de trabalho do segurado Edgard Xavier Filho, Número de Identificação 'do Trabalhador (NIT) 12.145.239.229, ocorrida na competência 01/2000. 4. Ressaltese que o sujeito passivo em referência deixou de entregar cópia autêntica do citado documento, haja vista que em nenhum daqueles documentos apresentados à fiscalização constava recebimento do mesmo pelo respectivo segurado. Apresentase em anexo o "PPP" dos segurados empregados abaixo relacionados, nos quais não são acusados o recebimento de suas respectivas cópias: • Adelma Tertuliano da Paixão — NIT: 10.708.801.746; e • Adilson Coelho de Carvalho — NIT: 10.607.037.579; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Ademais, compulsando a decisão de primeira instância, às fls. 75 a 81, temse que foi plenamente debatido acerca dos documentos relacionados ao Perfil Profissiográfico, portanto adoto integralmente o posicionamento da primeira instância neste ponto. Ou seja, considerandose o art. 58, Lei 8.213/1991 e IN nº 95/2003, na redação dada pela IN nº 99/2003, no seu art. 148: durante o período de 01/07/1999 a 31/12/2003, a empresa era obrigada a elaborar, manter atualizado e entregar ao segurado quando do desligamento do trabalho, o Perfil Profissiográfico ou DIRBEN 8030/DSS 8030/SB 40 (para os empregados com rescisão até 31/12/2003); a partir de 01/01/2004 tais documentos foram substituídos pelo Perfil Profissiográfico Previdenciário (para os empregados com rescisão a partir de 01/01/2004). foi solicitado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, às fls. 07, o FORMULÁRIO DIRBEN 8030 / PERFIL PROFISSIOGRÁFICO / PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP), e considerando que o conteúdo de qualquer destes formulários é praticamente idêntico, constatamos que a apresentação de qualquer destes documentos poderia sanar a exigência do Perfil Profissiográfico Previdenciário exigido legalmente no período em que esta substituição é permitida. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) requer relevação da multa. Analisemos. Anotase que, à época da lavratura do auto de infração, as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, fosse primário, tivesse corrigido a falta e não tivesse ocorrido nenhuma circunstância agravante., conforme o art. 291, § 1º, RPS antes da redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009. Decreto 3.048/1999 Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 189 15 §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Observase que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprimento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto nº 6.727, de 2009 revogou o art. 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8.212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir com a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.870, de 1994). (Revogado o caput pela Lei nº 9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar multa recorrerá de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Portanto, compulsando os autos, não foram atendidas todas as prescrições legais para relevação da multa, pois embora a autuada tenha formulado o seu pedido tempestivamente e seja primaria (não tenha incorrido em reincidência), a Recorrente não corrigiu a falta cometida, nos termos do art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Analisemos. Quanto à solicitação de prova documental e pericial, verificamos que a mesma encontrase em desacordo com o previsto na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Como o pedido de perícia não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10140.003861/2002-79
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. DECADÊNCIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DA CONFISSÃO.
O crédito tributário decaído não pode ser exigido pela Administração Tributária, nem pode ser constituído por confissão feita em parcelamento especial, uma vez considerado extinto por disposição expressa do Código Tributário Nacional. O valor probatório da confissão, como espécie de prova, deve ser mitigado diante da verdade material dos fatos.
DESISTÊNCIA DE RECURSO. FATO DESCONHECIDO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A decadência é a perda do direito de constituir-se crédito tributário. Inexistente o crédito, por inércia da Administração Tributária ou por falta de declaração em DCTF do contribuinte em tempo hábil, deve ser reconhecida ex officio, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A desistência do Recurso Voluntário, fato que não constou nos autos antes de proferido o Acórdão, não tem o condão de constituir crédito tributário decaído, considerado por disposição legal extinto.
PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. HIPÓTESES.
As hipóteses de nulidade de decisão proferida em processo administrativo fiscal estão expressas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS, para, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-01.148, em sessão realizada em 12 de setembro de 2012, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.003861/200279 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1801001.519 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria Embargos de Declaração Decadência e Desistência de Recurso Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CAMPO GRANDE/MS Interessado M3M INFORMÁTICA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. DECADÊNCIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DA CONFISSÃO. O crédito tributário decaído não pode ser exigido pela Administração Tributária, nem pode ser constituído por confissão feita em parcelamento especial, uma vez considerado extinto por disposição expressa do Código Tributário Nacional. O valor probatório da confissão, como espécie de prova, deve ser mitigado diante da verdade material dos fatos. DESISTÊNCIA DE RECURSO. FATO DESCONHECIDO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A decadência é a perda do direito de constituirse crédito tributário. Inexistente o crédito, por inércia da Administração Tributária ou por falta de declaração em DCTF do contribuinte em tempo hábil, deve ser reconhecida ex officio, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A desistência do Recurso Voluntário, fato que não constou nos autos antes de proferido o Acórdão, não tem o condão de constituir crédito tributário decaído, considerado por disposição legal extinto. PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. HIPÓTESES. As hipóteses de nulidade de decisão proferida em processo administrativo fiscal estão expressas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 38 61 /2 00 2- 79 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS, para, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 180101.148, em sessão realizada em 12 de setembro de 2012, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS emitiu o despacho de fls. 341, esclarecendo que os débitos discutidos neste processo foram incluídos em parcelamento, observadas as disposições da Lei nº 11.941/2009, consolidado em 29 de junho de 2011, e, por conseguinte, houve a desistência do Recurso Voluntário nesta data. Pleiteia que seja declarada nula a decisão desta Turma Colegiada, formalizada no Acórdão nº 180101.148, proferido em 12 de setembro de 2012, a qual deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da ementa e texto dispositivo que se transcrevem: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1997 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou o(s) débito(s) em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1997 DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, acolher a arguição de decadência do lançamento tributário e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 3 3 A autuação fiscal, que ensejou o presente litígio administrativo, apurou infração tributária (não realização de lucro inflacionário no anocalendário de 1997), culminando na lavratura de Auto de Infração para exigência de IRPJ, e acréscimos legais, no valor integral de R$ 4.746,30 – fls. 46 a 49. No entanto, em se tratando de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, a ciência do referido Auto de Infração deuse em 31 de março de 2003, por via postal – fls. 64. Daí constatarse que o lançamento tributário foi fulminado pelo instituto da decadência, discorridos mais de cinco anos entre o lançamento e a ocorrência do respectivo fato gerador, com fulcro no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, uma vez tratarse de tributo da modalidade de lançamento por homologação e a recorrente haver declarado parte de IRPJ em DCTF no ano objeto da ação fiscal. Esta informação, da declaração em DCTF de parte do IRPJ devido pela recorrente, foi obtida em resultado à realização de diligências formalizada pela Resolução nº 180100.014, deliberada em 08 de dezembro de 2009 – fls. 157 a 163 e 172. O Relatório Fiscal foi lavrado em 08 de maio de 2012 (fls. 324) e o processo foi reencaminhado a esta Turma Especial em 24 de maio de 2012 (fls. 326), salientandose que não foi informado nos autos que o débito objeto deste litígio fora incluído em parcelamento especial e que a recorrente havia desistido do Recurso Voluntário (consolidação do parcelamento deuse em 29/06/11). Restou esclarecido no Acórdão nº 1801001.148/12 que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da matéria em recurso representativo de controvérsia (REsp nº 973.733/SC – 2007/017699400), estando este órgão colegiado vinculado às decisões proferidas pelo STJ/STF processadas sobre o rito do art. 543B e C do Código de Processo Civil, consoante artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09). A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão em 19 de janeiro de 2012 e não ofereceu Embargos de Declaração ou Recurso Especial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS analisou o processo em 01/10/2012 (conforme autenticação de tela de pesquisa – fls. 336) e interpôs o despacho de fls. 341 requerendo a nulidade do acórdão em questão em 30/04/2013. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Em preliminar, cabe salientar que o Ricarf admite somente duas espécies de recursos contra as decisões proferidas pelas turmas julgadoras do Carf, conforme disposto no seu artigo 64, Anexo II: DOS RECURSOS Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; e II Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões dos colegiados não cabe pedido de reconsideração. Recebo o despacho de fls. 341 como Embargos de Declaração interpostos, observado os princípios do informalismo do processo administrativo fiscal e da fungibilidade, consagrado nos processos cíveis. A respeito desta espécie de recurso dispõe o Ricarf, no artigo 65, Anexo II: Seção I Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} [...] V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. {2} (grifos não pertencem ao original) Pela leitura do dispositivo regimental supra, constatase que os Embargos de Declaração interpostos pela unidade de jurisdição da embargada está intempestivo – processo analisado em 01/10/2012 e embargos interpostos em 30/04/2013 –, não podendo ser apreciado por esta Primeira Turma Especial. Todavia, por amor ao embate jurídico, esclareço à embargante que o Acórdão embargado não pode ser declarado nulo, por força do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece apenas duas hipóteses para a declaração de nulidade dos atos administrativos:: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O caso em concreto não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses. Ademais, no mérito, a fundamentação da insubsistência da autuação formalizada contra a embargada foi a inquestionável ocorrência da decadência. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 4 5 A decadência1 é a perda do direito da Administração Tributária constituir o crédito tributário. Tratase de instituto de direito público e sendo indisponível o crédito tributário deve ser declarada de ofício, independentemente do requerimento do sujeito passivo da ação fiscal. Desta forma, não obstante a embargada haja desistido do Recurso Voluntário interposto, por força de sua adesão a parcelamento especial, primeiramente, esta informação não foi trazida aos autos, antes de proferido o acórdão. E o que não existe nos autos, não existe no mundo jurídico. Em segundo, porque a desistência do Recurso Voluntário não tem o condão de validar exação fiscal fulminada pela decadência. Neste sentido dispôs o artigo do Código Tributário Nacional (CTN): Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] V a prescrição e a decadência; [...] Destarte, a constituição de crédito tributário já extinto (grifei) pela ocorrência da decadência é impossível juridicamente. O Auto de Infração lavrado contra a embargada exigindo este crédito é insubsistente, por determinação de Lei Complementar que deve ser aplicada independente do requerimento do administrado, ou seja, ex officio. 1 CONCEITO DE DECADÊNCIA Decadência, no nosso conceito, é o fenômeno que acarreta a perda do direito subjetivo do Fisco constituir o crédito tributário pelo ato jurídico chamado lançamento, em decorrência da inércia, ultrapassando o prazo legal para tanto. A decadência faz morrer, decair, perecer o próprio direito material, impedindo que a Fazenda Pública proceda ao lançamento, e constitua, conseqüentemente, o crédito tributário. Melhor explicando, devemos esclarecer que, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária, ainda ilíquida. A legislação tributária exige a formalização de um ato oficial do Fisco para conferir liquidez à obrigação tributária surgida após a ocorrência do fato gerador, e tal formalização se dá com o ato denominado lançamento. O lançamento, uma vez formalizado, tem o condão de constituir o crédito tributário, ou seja, oficializa e documenta um crédito tributário da Fazenda Pública, surgido com a ocorrência daquele fato gerador, do qual nasceu uma obrigação tributária. O lançamento, como veremos mais adiante, torna líquida a obrigação tributária surgida. Conforme o Ministro do STF Moreira Alves [02], "o direito de lançar é um direito potestativo modificativo", pois o Fisco transforma a obrigação tributária ilíquida em obrigação tributária líquida, isto é, no próprio crédito tributário. Relembrando, então, a decadência atinge o direito subjetivo do sujeito ativo da relação jurídica tributária, que é uma relação jurídica de direito material. A decadência decorre sempre de lei, mais especificamente de Lei Complementar, pois o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Carta Magna assim exige. E o Código Tributário Nacional é uma Lei Complementar, embora seja materialmente complementar e formalmente ordinária. E à decadência se aplicam os princípios da legalidade e da segurança jurídica.[...] http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/decad%C3%AAncianodireitotribut%C3%A1riobrasileiro Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A inclusão deste crédito tributário, exigido a destempo e portanto extinto, em parcelamento é indevida. A confissão professa pela contribuinte por ocasião do pedido de parcelamento de algo que não existe não se sustenta. A confissão2 é espécie de prova, relativa, que deve ceder diante da prova da verdade material, consignada nos fatos em concreto e na legalidade imposta pelo artigo 156, inciso V, do CTN. No que respeita aos atos administrativos infralegais citados pela embargante sobre a adesão ao parcelamento importar em renúncia à instância administrativa – Orientação Disit e Portaria Conjunta –, não podem ser opostos às disposições de Lei Complementar, no caso, o Código Tributário Nacional. Como já explicado, antes do ato de julgamento esta informação não constava dos autos, pelo que não pode, agora, atingir a sua eficácia, bem como por se tratar de crédito tributário, cuja constituição não era mais possível, é regido pelo princípio da indisponibilidade. Depreendese de todo o exposto que a lavratura de Auto de Infração que constitui crédito tributário decaído é inócua, devendo ser declarado insubsistente, conforme reconhecido no Acórdão nº 180101.148/12 proferido por esta Turma Julgadora. A inclusão deste valor em parcelamento, se não pleiteada a repetição do indébito, consiste em ato de mera liberalidade da contribuinte. Voto por rejeitar os Embargos de Declaração, por intempestivo, e ratificar o decidido no Acórdão nº 180101.148/12. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes 2 A admissibilidade da confissão está restrita ao direito disponível, vinculase ao princípio dispositivo, restrição também incidente nos atos processuais negociais. Impossível a confissão em direito indisponível (art. 351), com as exceções expressamente reguladas pelo direito material, v. g., escritura pública de reconhecimento de paternidade. A confissão é ato de manifestação unilateral da parte; independe da aceitação do adversário. Não há, por óbvio, necessidade de que o confitente prove os fatos confessados. A confissão economiza a produção de prova. O juiz não aceitará, todavia, confissão que esteja desconforme à prova dos autos, e nem a confissão verdadeira levará o juiz a determinada decisão. A confissão não constrange o julgamento. http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/18245182461PB.pdf Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 5 7 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13807.006964/2004-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite
de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas
Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser
interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas
Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.126, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 715 a 723, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao terceiro trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS; excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006964/200460 Acórdão n.º 3803002.840 S3TE03 Fl. 784 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 01 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 725 a 766, em 22 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 8.089.525,01. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006964/200460 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10700.000014/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Retornam os autos após terem sido cumpridas, em parte, as providências solicitadas pelo relator, conforme Resolução nº 20500.216, que converteu o julgamento em diligência nos termos do voto acostado às ff. 423 a 426, in verbis “8. (...) analisando os autos, vejo a necessidade da realização de diligência para esclarecimentos de questões atinentes ao procedimento de constituição do crédito previdenciário. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003. Contudo, em outras notificações fiscais, que envolvem a mesma ação fiscal, há um outro TAD emitido em 6 de outubro de 2003; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. 9. Desse modo, em virtude da decisão proferida nas outras notificações fiscais, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil informe o motivo de emissão do TIAD em 6 de outubro de 2003, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos.” (ff. 425 a 426) 2. Em atendimento à diligência requerida a então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro juntou a documentação de ff. 429 a 438, bem como os seguintes esclarecimentos “1. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 foi emitido em 26 de novembro de 2003, conforme cópia em anexo. Em 18 de março de 2004 foi emitido um MPF Complementar de número 01, em 9 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 01, em 09 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 02 e em 28 de outubro de 2004 foi emitido o MPF Complementar número 03. (cópias em anexo) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 446 3 II. O Termo de Início da Ação fiscal foi emitido em 03/12/2003 e entregue ao fiscalizado em 08/12/2003 (copia em anexo), portanto em data posterior ao Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 (que se deu em 26 de novembro de 2003). O primeiro Termo de Intimação para apresentação de documentos foi dado ao contribuinte em 08/12/2003 (cópia às fls. 233), portanto em data posterior ao da emissão do MPF. III. Cumpre esclarecer que as datas dos MPF complementares em nada interferem no caso, porque o início da ação se dá com a data do MPF ORIGINÁRIO, no caso sua emissão foi em 26 de novembro de 2003, os demais MFP são complementares. IV – Cumpre esclarecer ainda que os TIADs – Termo de Intimação para apresentação de documentos entregues no curso da ação fiscal referida no parágrafo I foram datados de 08/12/2003, 29/12/2003, 06/02/2004, 30/03/2004, e 13/10/2004, isto é, posteriores à emissão do MPF, conforme cópias em anexo”. (f. 439) 3. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da decisão anterior, cito seu inteiro teor: “1. Tratam os autos de pedido de revisão interposto pelo fisco para combater o acórdão de ff. 326/328, proferido pela então 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos por vício formal 2. Na oportunidade, aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa nº 100. 3. O fisco em suas razões entende que, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não é apta para gerar vício insanável. A fim de corroborar seu entendimento, cita acórdãos divergentes da própria 4ª Câmara de Julgamentos do CRPS. 4. Cientificado do pedido de revisão, o Estado recorrido manifestouse, aduzindo, em síntese, que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de mera rediscussão de matéria, bem como que inexiste violação a preceito legal. É o relatório.” (f. 424) 4. Dada ciência ao contribuinte que não se manifestou sobre o resultado da diligência. Os autos foram devolvidos à análise deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 1. Tendo em vista que os pressupostos de admissibilidade já foram analisados em assentada anterior, passo ao julgamento das questões de mérito. DO MPF 2. Com a realização da diligência foram devidamente esclarecidas as dúvidas originalmente formalizadas em assentada anterior, apontando, também, a regularidade dos Mandados de Procedimentos Fiscais, de forma que o processo está apto a julgamento. DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, de ofício, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 447 5 reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, constatase do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (ff. 230 a 235) que o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento comprovantes de recolhimento, e GFIPs apresentadas pela recorrente, além disso, depreendese do Relatório de Documentos Apresentados – RDA (ff. 08 a 115) que foram analisadas GRPS da empresa, sendo assim, considerando a totalidade da folha de salário da empresa, podese afirmar que houve o recolhimento de parte das contribuições sociais previdenciárias. Posto isso, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. 10. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 16/12/2004, referente às contribuições do período de 02/1999 a 11/2003, ficam alcançadas pela decadência quinquenal o período de 02/1999 a 11/1999, restando mantidas as competências 12/1999 a 11/2003. 11. Dito isso, acato a preliminar de decadência sustentada pelo contribuinte e, tendo em vista a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 DO LANÇAMENTO 12. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante “cessão de mãodeobra ou por empreitada contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela empresa contratante, contidas nas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela empresa prestadora de serviços” no período de 02/1999 a 11/2003. 13. Nesse momento, fazse necessário um breve comentário sobre o instituto da cessão de mão de obra. Conforme entendimento doutrinário, a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). O objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra, dessa forma, a força de trabalho do trabalhador é a principal prestação da empresa cedente. 14. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: “Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” “Art. 31. (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 15. Quando da leitura do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 16. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço, em si, deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 17. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 448 7 18. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra ou se tratava de empreitada. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 19. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos – TIAD, quais sejam: “folha de pagamento de empregados/avulsos/contribuintes individuais; GFIP; GRFP; GRFC e eventuais retificações; cópias reprográficas dos documentos acima; contrato de empreitada e subempreitada; contratos de serv. de cessão de mão de obra e temporários; notas fiscais de serviços e faturas emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; GRPS/GPS e declaração de contabilidade emitidas pelas empresas prestadoras de serviço; faturas e recibos de mão de obra; comprovantes de recolhimento; laudo técnico, perfil profissional; PPRA e PCMSO; proc. trabalhista; livro diário/livro razão/plano de contas; contratos de prestação de serviços por cessão de mão de obra/empreitada”, entre outros (ff. 218 a 222) 20. E de acordo com o termo de encerramento da ação fiscal – TEAF constatase que foram analisados: folha de pagamento; guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); comprovantes de recolhimento; outros elementos”. (f. 230) 21. Desta forma, descabe o argumento de que o fisco poderia deixar de caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 22. Além disso, da leitura do relatório fiscal depreendese que não foi apontado pelo fisco quais os serviços prestados mediante cessão de mão de obra. 23. Cumpre ressaltar que os contratos de prestação de serviço firmados entre o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Educação, e a Associação Carioca de Ensino Superior (ff. 186 a 211) têm como objeto referências genéricas inclusive à remissão a outros documentos (Plano de Trabalho e a Proposta especial): Contrato de ff. 186 a 191 “a atualização de 72 (setenta e duas) turmas de professores dos quadros do ESTADO (SEE) das disciplinas de português e matemática, pertencentes às Coordenadorias Regionais Serrana II e III, Metropolitana III, IV e X, e Baixada Litorânea II, para implantação do Projeto ‘Contextualizado as Grandes Áreas do Conhecimento’, conforme o Plano de Trabalho e a Proposta especial” Contrato de ff. 202 a 211 “Prestação dos Serviços, de pesquisa e desenvolvimento de sistema integrado de gestão escolar, abrangendo uma rede de 1200 escolas, com implantação experimental na Rede Pública do Estado dos sistemas pesquisados incluindo infra estrutura tecnológica, conforme Proposta Especial n.º60/2001 e Plano de Trabalho” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 24. Dessa forma, verificase que não há qualquer menção, nos contratos juntados ao processo, sobre a cessão de mão de obra ou empreitada. 25. E por esse motivo entendo que o lançamento é insubsistente e não comprova o surgimento do fato gerador da obrigação tributária, uma vez que até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. 26. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 27. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 28. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 29. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 30. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 31. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 32. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 33. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 449 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.901708/2009-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 17 08 /2 00 9- 95 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1528.408, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fatos ocorridos nos presentes autos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tomase de empréstimo o relatório formulado pelo julgador a quo: “A interessada transmitiu em 15/06/2005 PER/DCOMP eletrônico (fls. 01/05) visando utilizar crédito no valor original de R$6.682,83 que teria sido informado inicialmente no PER/DCOMP nº 19423.41078.150605.1.7.042465. A DRF/Passo Fundo emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação sob o argumento de que o pagamento efetuado em 15/10/2004, no valor de R$38.768,33, estava alocado ao débito da Cofins do PA 30/09/2004. Irresignada, a contribuinte apresenta em 08/04/2009 Manifestação de Inconformidade informando a retificação da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004, em 03/04/2009, por ter sido preenchida incorretamente.” Ante as alegações do sujeito passivo e da documentação carreada aos autos, a autoridade julgadora de 1ª instância achou por bem negar provimento à pretensão da contribuinte, sintetizando suas razões na forma da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Não se conformando, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual alega que “constatado que foi informado incorretamente na DCTF do período onde não demonstrava realmente o débito devido e esta foi retificada com o débito realmente ocorrido (em anexo 01), onde esta demonstrado também na ficha 27F e ficha 26A da DIPJ 2005 ano calendário 2004 (anexo n. 02), e os DARFS (anexo n. 03) e PERDCOMP n. 04035.23174.280105.1.3.572420 (anexo 04), onde comprova o valor pago a maior. Acrescenta ainda que “considerando que houve apenas equívoco no preenchimento da DCTF e que as demais declarações anexadas comprovam que o débito é de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11030.901708/200995 Acórdão n.º 3802001.705 S3TE02 Fl. 112 3 R$70.176,53 e não R$78.311,35 e que existe um saldo a compensar informado conforme comprovado pelos anexos n. 01, 02, 03 e 04, pedimos desconsiderar a cobrança constante no processo nº 11030.900446/200995 – intimação 154/2012.” É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. O caso envolve discussão sobre simples matéria de prova, embora seja peculiar pelos motivos expostos a seguir. Tratase de processo de compensação em que, nada obstante não constarem cópias documentais aos autos, a DRJ trouxe a informação de que o contribuinte apresentou DCTF’s retificadoras em série: diversas entre a apresentação do PER/DCOMP e o despacho decisório, e mais outras após a prolação do referido despacho. Como o processo é carente desses documentos, trago a manifestação da autoridade julgadora originária sobre o assunto: Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004 transmitida em 22/03/2005, que se encontrava ativa em 15/06/2005 quando da transmissão do PER/DCOMP objeto deste processo, a contribuinte informou débito da Cofins relativo a setembro de 2004 no valor de R$59.330,83, extinto por pagamento no valor de R$38.768,33 e por compensação no valor de R$20.562,50. Posteriormente outras DCTF retificadoras foram transmitidas, em 08/11/2005, 10/07/2006, 23/03/2007, 20/11/2007 e duas em 22/08/2008, antes da emissão do Despacho Decisório eletrônico ora em litígio, em 25/03/2009; e mais três DCTF retificadoras foram transmitidas após o referido despacho, em 02/04/2009, 03/04/2009 e 01/07/2009. Por mais que seja a DCTF retificadora, nos termos das regras vigentes, substituta em todos os termos da anterior, certo é que uma sucessão de retificações desse documento deve ser acompanhada de uma sucessão de retificações de todo o corpo dos demais documentos de cunho declaratório a que o contribuinte tem obrigação de apresentar. Nos autos não consta nada disso. Sem embargo, no processo de compensação é crucial a análise da materialidade do crédito do sujeito passivo, que, no caso, perpassa ainda pelo confronto com a realocação de um crédito que, além de tudo, constava de outro PER/DCOMP. E não verifico nos autos qualquer explicação para tal fato, nem mesmo indicação de retificação do PER/DCOMP original. Ao contrário, a única informação relativa a esse PER/DCOMP consta do voto do relator da manifestação de inconformidade, o qual indica que, mesmo naqueles autos, consta a informação de crédito inexistente. Neste espeque, repisese que em seu sucinto Recurso Voluntário a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para ilidir tal circunstância. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Isso para dizer o mínimo, limitado às peculiaridades do caso. Afinal, uma vez retificada a DCTF, para fins de corrigir débitos, o contribuinte deve minimamente comprovar as razões pelas quais o fez, não bastando apenas a juntada dos documentos retificadores, tal como procedeu o Recorrente. Por consequência, não restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo. Assim sendo, por não haver fundamentos para a homologação da compensação promovida pela Recorrente, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002472/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considera-se que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação, mormente quando sua receita ultrapassa em muito o limite do Simples.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Correto o lançamento de omissões de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto, sendo correto o arbitramento dos lucros para fins de determinar a base de cálculo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Alexei Macorin Vivan, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considera-se que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação, mormente quando sua receita ultrapassa em muito o limite do Simples. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Correto o lançamento de omissões de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto, sendo correto o arbitramento dos lucros para fins de determinar a base de cálculo. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.012 1 1.011 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002472/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.383 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2013 Matéria SIMPLES. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA E REFLEXOS Recorrente AVANT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VASSOURAS EM GERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considerase que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação, mormente quando sua receita ultrapassa em muito o limite do Simples. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Correto o lançamento de omissões de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto, sendo correto o arbitramento dos lucros para fins de determinar a base de cálculo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Alexei Macorin Vivan, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 72 /2 00 9- 71 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Foram lavrados autos de infração contra a empresa AVANT IND E COM VASSOURAS EM GERAL LTDA, com ciência pessoal em 29.06.2009, por meio dos quais foram exigidas importâncias de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, totalizando R$ 2.375.388,60. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 651 a 654. A AuditoraFiscal relata que a empresa solicitou sua inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (processo nº 19679.009092/200481), mas seu pedido foi indeferido, conforme Decisão Dicat nº 210, de 10.02.2006. Consequentemente, as Declarações Simplificadas apresentadas nos exercícios de 2003 a 2007 foram canceladas. O contribuinte foi intimado a entregar as DIPJ dos anoscalendário 2002 a 2006 na forma do lucro presumido/real, bem como as respectivas DCTF. Também foi intimado para providenciar a regularização (restituição ou compensação) dos pagamentos efetuados no regime simplificado. A autoridade fiscal arbitrou o lucro por não ter a empresa apresentado os livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios. Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 666, tratase de exigência identificando as seguintes infrações, com o enquadramento legal que segue. 001 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A infração acima referida diz respeito a fatos geradores relacionado a cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo como enquadramento legal os artigos 27, I e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e os artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda. Segundo Consta do Termo de Verificação Fiscal, a empresa solicitou sua inclusão no SIMPLES, mas seu pedido foi indeferido conforme decisão Dicat nº 210, de 2006 e, consequentemente, as Declarações Simplificadas apresentadas dos exercícios de 2003 a 2007 foram canceladas. Notificada, a empresa apresentou defesa alegando, em síntese: a) Diferentemente do que alega o agente fiscal, o impugnante não teve seu pedido de inclusão no SIMPLES indeferido, mas sim, após sua inclusão, em virtude de possuir débitos inscritos em Divida, foi excluído, com base no artigo 9º, XV, da Lei nº 9.317, de 1996. b) Que nos termos do artigo 8º, § 1º, da Lei nº 9.317, de 1996, "as pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MP, exerciam sua opção pelo simples mediante alteração contratual. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 3 'Art. 8. (...). § 1°. As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no 'CGC/MF' exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral." § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. c) Logo, nos exatos termos da Lei, a opção ao Regime Simplificado efetuada pelo impugnante, se deu no ato em que este efetivou sua alteração cadastral junto ao CNPJ/MF no ano de 2004, surtindo efeitos a partir de 01.01.2004. d) Assim, a decisão Dicat n° 210 de 10/02/2006, poderia quando muito, excluir o impugnante do SIMPLES, mas jamais lhe indeferir sua opção já efetuada dois anos antes e que repisamos, possuía plena vigência e eficácia. e) Em sua defesa a empresa recorrente cita, de forma grifada, o artigo 15, VI: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: .... VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9 o desta Lei. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) d) Quanto aos demais aspectos, o recorrente alega que não podem ser objetos de tributação os valores cujo histórico consta como sendo "financiamento", já que decorrente de empréstimo fornecido pelo Banco, bem como os que se referem a "Liquidação de Cobrança valor indisponível", porque nestas operações o impugnante leva ao Banco suas Duplicatas emitidas para uma antecipação de vencimento. Assim, mediante pagamento de juros o Banco lhe antecipa. Entretanto, quando do vencimento, o adquirente da mercadoria realiza o pagamento diretamente na conta do impugnante, ficando tal valor indisponível, sendo logo em seguida debitado na conta corrente do impugnante. e e estes são correspondentes A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento, cujos fundamentos de sua decisão encontramse sintetizados na ementa do acórdão de fls. 943 e seguintes, que segue transcrita: INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considerase que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. Correto o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 4 PAGAMENTOS DO SIMPLES. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO A SER LANÇADO DE OFÍCIO. Os pagamentos efetuados a título de Simples devem ser deduzidos para fins de apuração do valor devido dos tributos a serem lançados de ofício em outra sistemática de apuração. LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Cientificada em 24/1/2012 (AR de fl. 985), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/02/2013 (fl. 9861001), no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ao final pleiteia: É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. A parte que recorreu tem interesse em ver a decisão alterada. Tal situação, conjugada com a tempestividade e legitimidade caracteriza o preenchimento dos os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O documento de fls. 821/823 e 855, indica que em 25/04/2004 a empresa recorrente formulou pedido de inclusão no SIMPLES com data retroativa (processo 19679.009092/200481). Na ocasião indicou que desde 1998 vinha fazendo os pagamentos e entregando declarações como se optante pelo SIMPLES. O recorrente aduz que passados quase dois anos sem que a Administração Tributária não lhe respondesse, em 03/02/2006 protocolizou o requerimento de fl. 899 comunicando seu enquadramento no SIMPLES e se reportando ao pedido feito por meio do processo nº 19679.009092/200481 (fls. 821/823). Ocorre que, tal qual registrado na decisão recorrida, o recorrente não foi excluído do Simples, mas teve sua solicitação de inclusão retroativa negada pela RFB, conforme se constata no processo nº 19679.009092/200481, cujas cópias juntei aos presentes autos (fls. 821 a 887). O artigo 8º da Lei nº 9.317/96 previa que a opção pelo Simples se daria quando da inscrição da pessoa jurídica no cadastro CNPJ ou por meio de alteração cadastral, para as pessoas jurídicas já inscritas, procedimento que não foi adotado pela empresa. De igual forma cabe razão à DRJ quando registra que: “ (...) percebese que o contribuinte não se utilizou dos meios previstos em lei para efetuar a sua opção, e por isso, através de petição protocolada em 25.06.2004 (fl. 823), solicitou o seu “reenquadramento” desde 01.01.2003, o que foi reiterado em 03.02.2006 (fl. 839). A Decisão Dicat nº 210/2006 (fl. 860) analisou a possibilidade desta inclusão retroativa, indeferindoa, por constarem débitos inscritos em Dívida Ativa da União, fator impeditivo constante do artigo 9º, inciso XV da Lei nº 9.317/96. De todo modo, o contribuinte foi informado que poderia regularizar sua situação no prazo de 30 dias a partir do dia seguinte à ciência daquela decisão. Se assim o fizesse, a decisão de indeferimento ficaria automaticamente cancelada e o acesso ao Simples autorizado a partir de 12.11.1998. Não tendo regularizado a sua situação, nem apresentado recurso contra aquele ato administrativo, as declarações simplificadas foram canceladas (fl. 870) e autos de infração lavrados. Para o anocalendário de 2003 o lançamento encontrase nos autos do processo nº 19515.008426/200803, tratando o presente processo da autuação dos anoscalendário de 2004 a 2006. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 6 Concluise, portanto, ser inaplicável o artigo 15, VI c/c artigo 9º, XV da Lei nº 9.317/96, que tratam da hipótese em que o contribuinte é excluído do Simples: (...)” Concluo, então que o contribuinte não pode mesmo fazer jus ao Simples nos anoscalendário de que trata o presente processo. Além disso, o montante das receitas omitidas pelo contribuinte ultrapassam em muito o limite anual do Simples nos anoscalendário de 2004 e 2005 que era de R$ 1.200.000,00 e também em 2006 (R$2.400.000,00), conforme demonstrativo de fl. 645, a seguir reproduzido. Logo o contribuinte também não poderia optar pelo Simples em nenhum desses 3 anos autuados: Mais a mais, verificase que em relação ao mérito, o contribuinte não justificou a origem dos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, sendo que solicitou 90 (noventa) dias para apresentar a documentação e passados quase 180 (cento e oitenta) dias nada juntou aos autos. Portanto correta a aplicação da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei 9.430/1996, no sentido de que tais depósitos referemse a receitas das operações da empresa. Verificase, ainda, que os tributos foram exigidos na sistemática do lucro arbitrado, ou seja, apenas o percentual de 9,6% desses depósitos (receitas omitidas) foi tratado como lucro tributável. O procedimento está correto, à luz do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Além disso a decisão de 1a. instância já corrigiu o equivoco do auto de infração, que havia deixado de aproveitar os pagamentos espontâneos do contribuinte, assim foram deduzindo todos os valores recolhidos pelo contribuinte no Simples. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter integralmente as exigências. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11634.001056/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. Recurso Voluntário Negado.
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OUTROS DADOS Recorrente ROMERO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AEREOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 56 /2 01 0- 21 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001056/201021 Acórdão n.º 2402003.534 S2C4T2 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ROMERO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AÉREO, em face de acórdão que manteve o parcialmente o Auto de Infração n. 37.269.9375, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Consta do relatório fiscal que a recorrente exerceu atividades junto a contratante TAM LINHAS AÉREAS, dentre as quais destacamse: atendimento de rampa, manuseio de solo, atendimento a passageiros, serviços de sala VIPs, atendimento aos vôos da rede nacional noturna, serviços de cargas (embarques e desembarques), tidas pela fiscalização como atividades sujeitas a cessão de mãodeobra. Por tais motivos, a Secretaria de Receita Federal, de ofício, determinou sua exclusão do SIMPLES mediante Ato Declaratório do Executivo n°. 36 de 09/09/2010, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão prevista no Art. 14, inciso I, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O auditor esclareceu que as informações inexatas foram as seguintes: 3.1 AS GFIPS de 01/2005 a 04/2007 GFIP's foram apresentadas com as seguintes irregularidades: o campo "Código outras entidades" não foi informado o Código de recolhimento informado "2003 SIMPLES CNPJ, quando deveria ser "2100Empresas em geralc. 3.2 Nas competências 05/2007 até 12/2007 somente o Código de recolhimento informado "2003 SIMPLES CNPJ, quando deveria ser "2100Empresas em geral O lançamento da multa compreende a competências de 01/2005 a 11/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 09/2010 (fls. 54). O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário através do qual sustenta: 1. a nulidade do julgamento de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de diligência formulado para a verificação in loco da natureza dos serviços prestados pela recorrente; 2. que o lançamento não poderia ser efetuado, tendo em vista que o processo administrativo que discute a sua exclusão do SIMPLES ainda não transitou em julgado; 3. a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. a nulidade dos Atos de Exclusão do SIMPLES, tendo em vista que os mesmos não foram devidamente fundamentados e que não exerce atividade mediante a cessão de mãodeobra, mas apenas de serviços auxiliares de transporte aéreo; 5. que o lançamento deve ser anulado pois a atividade de serviços de transporte aéreo não é vedada pelo SIMPLES; 6. que seja o art. 31 da Lei 8.212/91 ou o próprio art. 219 do Decreto 3.048/99 não elencam como atividade sujeita a cessão de mãodeobra a prestação de serviços auxiliares de transporte aéreo; 7. que não havia qualquer relação de subordinação entre os empregados da recorrente e a sua contratante, no caso a TAM; sendo, pois, a única responsável pela contratação, administração e pagamento de seus funcionários; 8. que é parte ilegítima no presente processo, tendo em vista que os empregados cujas remunerações foram objeto da autuação estão registrados em outra pessoa jurídica; 9. que o auditor fiscal imputou equivocadamente à recorrente a obrigação pelo pagamento de valores a título de contribuição do empregado, como se contribuinte fosse, quando, em verdade apenas possuía a obrigação acessória de reter e repassar ao INSS; 10. que a responsabilidade do recolhimento das contribuições lançadas é do empregado; 11. que em relação à multa deve ser aplicado o disposto na Lei 11.941/09; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001056/201021 Acórdão n.º 2402003.534 S2C4T2 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Antes mesmo de analisar qualquer das teses objeto do recurso voluntário, cumpre apontar que o lançamento principal, no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e geraram o presente Auto de Infração, já foram objeto de julgamento por esta Eg. Turma, quando da análise dos processos administrativos n. 11634.001060/201090 e 11634.001059/201065, os quais restaram assim ementados: AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES). LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE. ART. 144 DO CTN Em razão da superveniência da Lei Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 11.941/09, deverá ser aplicada ao caso em concreto no caso de vir a ser mais benéfica. Em se tratando do lançamento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência de referida Lei está correto o lançamento quando a multa aplicada é aquela vigente à época. Recurso Voluntário Negado. Por tais motivos, em sendo o presente processo acessório ao principal, outra não pode ser a conclusão senão pelo acatamento de referidos fundamentos no julgamento do presente recurso, uma vez que os argumentos de defesa apresentados pela recorrente são os mesmos daqueles que já vieram a ser analisados por este Eg. Conselho. Por fim, com relação a multa aplicada, esclareço que o fiscal a imputála já efetuaou a sua comparação com o dispositivo do art. 32A da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/09, tendo aplicado ao caso a multa considerada mais benéfica, que foi aquela válida a época dos fatos geradores da multa plaicada, com fundamento no antigo artigo 32, §6o da Lei 8.212/91. Dessa forma o pedido de retroatividade da Lei 11.941/09, já fora devidamente adotado pela fiscalização, bem como pelo prõprio v. acórdão de primeira instância. Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15504.019042/2010-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
COFINS. IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS.
Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos.
COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA.
A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.158-35/2001, ao se referir às receitas relativas às atividades próprias, aplica-se principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869).
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira. OAB/DF nº 24.259.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.15835/2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim. Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 90 42 /2 01 0- 09 Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira. OAB/DF nº 24.259. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 02/05 eprocesso) que formaliza a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, cuja notificação ocorreu em 11/11/2010 (fl.5 eprocesso). Na descrição dos fatos que deram causa ao lançamento, consta do Termo de Verificação Fiscal que a entidade não recolheu a Cofins no período por entender que seria beneficiária de imunidade. A Fiscalização entendeu que a imunidade das contribuições, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, não seria aplicável ao contribuinte por não atender os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, dentre eles, mais especificamente, não deter o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, conforme se verifica no seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: 44 — Em pesquisa no "sitio" do Ministeŕio do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, confirmase que a FUMEC não faz parte do rol de entidades Beneficentes de Assistência Social certificadas pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Confirmase igualmente que a FUMEC teve seu pedido de Certificação indeferido e seu processo arquivado em 06/12/2000. Após essa data não há mais nenhum registro requisitado pela fiscalizada (fls. 309 a 312). 45 — Ante o exposto, concluímos que a FUMEC não faz jus à isençã̃o da COFINS por não atender aos ditames do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. A Fiscalização também entendeu que a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835 não afastaria a incidência da contribuição, por adotar a seguinte interpretação: 21 — Dessa forma, somente as receitas típicas das instituições de assistência social, de educação e das fundações estão isentas da COFINS. Referidas receitas revestemse de contribuições, doações, mensalidades e anuidades de seus associados ou mantenedores. As receitas comuns aos dos demais agentes econômicos sofrem a incidência da contribuição. Isto demonstra o caráter da equidade tributária, pois se não fosse dessa forma estaria se beneficiando um agente econômico em detrimento de outro que pratica a mesma atividade. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 325/341 eprocesso) sustentando, em síntese, (a) que o lançamento incorreu em alteração do critério jurídico firmado em lançamento anterior; (b) que a Cofins não incide sobre as suas receitas, por naõ se enquadrarem no conceito de faturamento; e (c) que faz jus a ̀isenção do art. 14, X da MP 2.158. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.868 3 Alega que o lançamento discutido neste processo teria incorrido em alteração de critério jurídico em relação ao lançamento relativo a fatos geradores de períodos anteriores (PA n° 10680.005130/200331, 10680.018641/200313, 10.680.018642/200368, 10680.003993/200455 e 10680.003991/200466), ao argumento de que em tais outros processos houve a anulação do ato de suspensão da imunidade, por julgamento do Conselho de Contribuintes, e que a situação de fato teria se mantido inalterada, de maneira que não poderia haver mudança de entendimento. Também alega que não poderia ter sido alcançada pela incidência da Cofins os valores que não configuram faturamento, tal como conceituado pelo E. Supremo Tribunal Federal quando da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (RE 390840, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15/08/2006), devendo restringirse à receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Sustenta que de tal entendimento do STF deveria resultar o reconhecimento da não incidência da Cofins tanto em relação às receitas financeiras como em relação às mensalidades, em razão de que não atua em caráter mercantil nem empresarial, sendo uma Fundação despida de caráter lucrativo, não exercendo atividade econômica destinada a produzir resultados, mas pratica atividade desinteressada, com reversão de todos os seus recursos para as suas finalidades, de maneira que não pratica nenhuma operação mercantil. Alega, ainda, para defender a aplicação da isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158, que a receita decorrente de sua atividade própria – alcançada pela isenção – somente pode ser aquela proveniente de sua atividade institucional, de suas atividades educacionais e científicas, ou seja, justamente as mensalidades pagas por aqueles que usufruem das atividades educacionais, científicas e culturais próprias das instutição. Ao final, protesta pela produção de prova pericial contábil, de forma a demonstrar a ausência de finalidade lucrativa, a exclusão da fundação do mundo empresarial e o preenchimento dos requisitos para o gozo da isenção de Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0231.785, de 11 de abril de 2011 (fls. 520/538 eprocesso), julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Somente fazem jus à isenção das contribuições para a Seguridade Social as entidades beneficentes que comprovarem possuir, entre outros, o Certificado e o Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento da impugnação foi parcial porque a DRJ entendeu que, em virtude da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendida pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº. 9.718/98, deviam ser excluídos os valores correspondentes às receitas financeiras. Quanto aos demais temas, foi negado provimento à impugnação, valendo destacar do voto condutor do acórdão na DRJ os seguintes trechos: Para o uso do beneficio da isenção, a legislação obriga uma entidade beneficente de assistência social a cumprir os devidos requisitos, dentre eles a posse do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS. Como o contribuinte afirma ser uma fundação sem fins lucrativos e não uma entidade beneficente de assistência social, então não detém o beneficio da isenção das contribuições. (...) Contudo, estão sujeitas à Cofins, por força da legislação de regência da matéria lançada, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade lucrativa. E, de fato, este é o caso do autuado, que, como se conclui da análise dos autos, aufere, em sua maior parte, receitas provenientes de serviços prestados na área da educação, além de outras tributáveis. As receitas autuadas, aquelas, por exemplo, oriundas de mensalidades pagas como condição para a fruição de um beneficio pessoal e individualizado, tal como o direito de freqüentar determinado curso em instituição de educação. Estas receitas enquadramse no conceito de faturamento e, conseqüentemente, devem ser oferecidas à tributação, por configurarem, inequivocamente, receitas de prestação de serviços. A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1837/1860 eprocesso), por meio do qual reedita os mesmos fundamentos de sua impugnação, ou seja, alegando afronta ao art. 146 do CTN, em razão de que o Conselho de Contribuintes havia firmado anteriormente um critério jurídico diferente em relação à impugnante, pelo qual esta mesma contribuinte era reconhecida desonerada de tributos e contribuições federais mesmo sem portar o CEBAS. E que, por isso, a alteração desse critério só pode surtir efeito em relação a ela quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à introdução do novo critério. Também argumenta que a Cofins não pode incidir sobre as receitas das mensalidades por não se tratar de atividade mercantil ou empresarial, sendo despida de caráter lucrativo, e que, portanto, não configurariam faturamento tributável nos termos do art. 195 da Constituição e da LC 70/91. A propósito da isenção, reitera o seguinte: Tendo abandonado o fundamento da falta de CEBAS, o acórdão se prende ao fundamento de que as receitas sobre as quais foi Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.869 5 constituído o crédito tributário de COFINS não são decorrentes de atividades próprias. Isso, porque, tal como a fiscalização, o acórdão entendeu que receitas decorrentes de atividades próprias que estão abrangidas pela isenção do art. 14, X da MP 2.158 são somente aquelas oriundas “de contribuições, doações, mensalidades e anuidades de seus associados ou mantenedores”. O fundamento para esse entendimento é o art. 47, §2º da IN 247/2002, que assim dispõe: Art. 47 (...) §2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Ora, o entendimento não pode prevalecer, uma vez que é clara a ilegalidade da IN 247/2002 na parte em que pretende restringir o conceito de atividade própria previsto na lei que outorga a isenção. A uma, porque receita decorrente de atividade própria da instituição sem fins lucrativos somente pode ser aquela proveniente de sua atividade institucional, que no caso são as atividades educacionais e científicas. Doações e contribuições não são decorrentes de atividade própria da instituição, mas, apenas, da boavontade de terceiros, ou seja, provêm de atos jurídicos externos à instituição. Veja que a IN esvazia qualquer sentido que o vocábulo “próprio” possa ter, igualandoo justamente ao seu antônimo, tomando por receitas próprias receitas que na verdade são alheias às atividades da instituição. A duas, porque a regra exonerativa em momento algum estabeleceu tal requisito, ao contrário, disse que atingia as instituições que prestem os serviços para os quais foi instituída a um grupo de pessoas (art. 15 da MP 2.158) isentando de COFINS suas atividades próprias (art. 14, X da MP 2.158). Ora, portanto, aquelas atividades regularmente desempenhadas, ou seja, inseridas no seu contexto institucional, o qual tem como elemento principal a prestação do serviço de educação e de caráter científico e cultural. Ora, decorrentes dessas atividades próprias são justamente as mensalidades pagas por aqueles que usufruem das atividades educacionais, científicas e culturais próprias da instituição, que utiliza essas mensalidades para manter seus serviços em padrão de excelência, sem finalidade lucrativa, na medida em que todas as mensalidades são revertidas para as atividades das quais decorreram. Pouco importa, por ausência de previsão legal, sendo esta mais uma inovação ilegal decorrente da própria IN 247, que tenham caráter contraprestacional direto. A contribuinte informa que não obstante se entenda que os requisitos para o gozo da isenção encontramse no art. 12, §2º da mesma lei 9.532/97, estes restam preenchidos, Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 quais sejam: não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; manter escrituração completa de suas receitas e despesas; conservar em boa ordem os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas; apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; e assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. Ao final, alega a nulidade do acórdão recorrido por ausência de motivação posto que não foi apreciado seu pedido de perícia para comprovar o cumprimento dos requisitos à isenção de Cofins prevista na MP 2.158/2001. Portanto, reitera o pedido de perícia contábil e apresenta os quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 31/10/2011 (fl. 1837e), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da notificação, ocorrida em 29/09/2011 (fl. 1835e). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. 1) A imunidade das contribuições sociais. Quando da ocorrência dos fatos geradores em questão, de 01/2006 a 12/2007, ainda vigorava o art. 55 da Lei nº 8.212/91, o qual regulamentava a imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição, concedida às entidades beneficentes beneficentes de assistência social em relação às contribuições previstas no caput deste dispositivo constitucional. Dispõe o art. 195, § 7º, da Constituição que “São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Sabese que, embora tenha utilizado a terminologia imprecisa de “isenção”, o referido dispositivo constitucional veicula, por força de sua própria natureza de outorga e delineamento da competência tributária, uma imunidade. Na época dos fatos, dispunha o art. 55 da Lei nº 8.212/91 que as entidades em questão deveriam atender, dentre outros requisitos, o de ser “portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos”. O fundamento da Fiscalização para entender que não se aplicaria a imunidade foi justamente o de que a entidade não possuía tal certificado em relação aos anos de 2006 e 2007, conforme informado pela própria contribuinte e depois confirmado pela Fiscalização, que verificou que a referida certificação havia sido indeferida pelo órgão competente (itens 31 e 44 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 32 e 35). O contribuinte não contesta tal fato – de ausência do Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) –, nem contesta as exigências do art. 55 da Lei nº Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.870 7 8.212/91 para o efeito de condicionar a aplicação da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. Isto fica claro no seguinte trecho do Recurso Voluntário: “(…) devese notar que o acórdão recorrido abandonou por completo o fundamento da ausência de CEBAS, levantado pela fiscalização. Nos termos do art. 17 da MP 2.158, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 só são exigíveis das instituições filantrópicas de assistência social: Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. A Recorrente, na qualidade de instituição de educação, científica e cultural, não se submete, portanto, ao citado requisito.” Como visto, a Recorrente se ocupa em discutir a respeito da aplicação da isenção prevista na MP 2.158, demonstrando que o CEBAS não é requisito para a isenção prevista no art. 14, X, c/c art 13, II, da mesma Medida Provisória. Mas não se encontra em discussão a legalidade da exigência do CEBAS como condição para a fruição da imunidade constitucional. A recusa da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, portanto, não está em discussão no presente julgamento. 2) A mudança de critério jurídico. O Recorrente pretende cotejar o presente lançamento com os lançamentos fiscais promovidos em relação a períodos anteriores, argumentado que neste caso houve alteração de critério jurídico, o que seria vedado pelo art. 146 do CTN. Não há, contudo, como aplicar o art. 146 do CTN ao presente caso (Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Isto porque o contexto dos fatos e dos fundamentos jurídicos que dão suporte aos lançamentos são distintos. Basta ver que naqueles outros processos administrativos o lançamento de Cofins ancoravase no mesmo ato de suspensão da imunidade de impostos que permitiu o lançamento do IRPJ. Naquele caso, portanto, confundiramse a discussão a respeito da imunidade de impostos e de contribuições. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Neste caso, de maneira diferente, a Fiscalização isolou a questão da imunidade e da isenção especificamente aplicadas à Cofins, de maneira que nem mesmo envolveu a expedição de ato de suspensão da imunidade – que é instituto aplicável apenas à imunidade de impostos, conforme previsto nos arts. 12 e 13 da Lei nº 9.532/97. Assim, a motivação e a fundamentação legal do presente lançamento é distinta, não se podendo cogitar de transportar ao presente caso, pura e simplesmente, o entendimento contido em decisão proferida em julgamento que avaliou contexto distinto. 3) O conceito de receita e as mensalidades. O Recorrente sustenta que as mensalidades que recebe dos alunos não configurariam receita porque a atividade que desempenha não teria natureza mercantil. E assim, por não se tratar de um ato comercial, não se configuraria o faturamento ou a receita bruta, de maneira que as mensalidades não estariam sujeitas à incidência da Cofins. Ocorre, em primeiro lugar, que não se pode negar à atividade desempenhada pela instituição a natureza de prestação de serviço. Outrossim, o fato de as mensalidades serem vertidas pelos contratantes em caráter de contraprestação à atividade da contribuinte, ao serviço educacional prestado, configura forçosamente o auferimento de receita. Ou seja, basta haver contraprestação pela venda de mercadorias ou pela prestação de serviços para que exista receita tributável da pessoa jurídica. Portanto, o recebimento das mensalidades pela entidade configura receita de prestação de serviço educacional, de tal modo que, não havendo imunidade que se aplique em relação à entidade, nem isenção que se aplique em relação às suas receitas, deverá haver a regular exigência da Cofins. 4) A isenção. Entendo que assiste razão ao Recorrente quando alega que se lhe aplica a isenção prevista no art. 14, X, da MP nº 2.158/2001, pois as mensalidades escolares configuram receitas relativas às atividades próprias de uma entidade educacional. Tal dispositivo prevê que, “Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13”. O art. 13, por sua vez, referese textualmente às “instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997” (inciso II). O art. 12 da Lei nº 9.532/97 dispõe que, “Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos”. Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.871 9 Da combinação destes dispositivos, se evidencia que a intenção da legislação ordinária foi a de conferir um tratamento claro, quanto à incidência de PIS/Cofins, em relação àquelas entidades destinatárias da imunidade dos impostos, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição. Isto porque, embora seja certo que a imunidade do art. 150, VI, “a” da Constituição aplicase aos impostos enquanto a imunidade do art. 195, § 7º, aplicase às contribuições, nunca ficou exatamente claro qual seria a base legal que asseguraria a fruição desta última. Há manifestações abalizadas no sentido de que a regulamentação de ambas apenas poderia acontecer por meio de Lei Complementar, de maneira que as condições impostas pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, por se tratar de lei ordinária, não poderiam ser reconhecidos como critérios para a imunidade, mas se trataria de uma isenção ordinária, devendo tomarse como balizamento para a imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição a previsão do art. 14 do CTN, que contém os mesmos requisitos aplicados à imunidade dos impostos, por ter sido tal dispositivo recepcionado como Lei Complementar. Sem entrar neste debate – mesmo porque não foi suscitado pelo Recorrente – verifico que neste caso não houve a demonstração pela Fiscalização do descumprimento de nenhum dos requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para o gozo da imunidade prevista no art. 150, VI, da Constituição. Para afastar a imunidade das contribuições sociais, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, a Fiscalização apenas demonstrou que a entidade não obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), que era exigido pela legislação vigente à época. Mas o fato de negar a configuração da imunidade das contribuições, por este motivo, não prejudica a configuração da imunidade dos impostos. Devese partir do pressuposto, por isso, de que a entidade se enquadra como instituição de educação a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97. A Recorrente também sustenta enquadrase na hipótese do inciso IV do art. 13 da MP 215835/2001, que trata das “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997”. O art. 15 da Lei nº 9.532/97 dispõe que “Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Este último dispositivo, que possui uma abrangência mais ampla que o art. 12 da mesma Lei, também alcança a Recorrente, diante do fato de que não qualquer demonstração pela Fiscalização de que não tenha caráter cultural e científico. A Fiscalização, com efeito, não recusa qualquer destas qualificações à entidade, motivo pelo qual entendo que se deve admitir tal enquadramento, sem prejuízo do seu enquadramento também no inciso III. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A propósito, a Recorrente parece defender a aplicação da hipótese do inciso IV – que trata das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico – , como forma de evitar a hipóteses do inciso III – que trata das instituições de educação e de assistência social –, pelo receio da aplicação do art. 17 da mesma Medida Provisória, que prevê a aplicação das mesmas exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/91 em relação às entidade filantrópicas e beneficentes de assistência social. Não se justifica o receio da Recorrente, pois o art. 17 delimita o alcance da exigência às entidades filantrópicas e às beneficentes, não se podendo considerar alcançadas as demais entidades, como as de caráter recreativo, cultura e científico, bem como as entidades de educação. Mesmo porque, interpretar de modo contrário equivaleria a exigir, como condição para o reconhecimento de uma isenção legal às entidades dedicadas a estas atividades, que tais entidades também se enquadrem como imunes – situação em que deixaria de haver qualquer utilidade para a isenção. A questão central, em verdade, está em definir no que consiste a receita da atividade própria destas entidades. Entendo que se deve reconhecer como receitas próprias de uma entidade de ensino aquelas que custeiam o desempenho desta atividade, ou seja, as mensalidades por meio das quais são suportadas as atividades educacionais, culturais e científicas. Não é razoável esperar que as entidades privadas devam sobreviver a custa de liberalidades, nem se pode entrever qualquer estranheza no regime de contraprestação financeira pelos serviços educacionais. A respeito da interpretação que se deve dar à receita de atividade própria, valhome das seguintes reflexões do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Para compreender o sentido da expressão “atividades próprias” a fiscalização valese essencialmente de interpretação histórica. Recorre ao seqüenciamento legislativo da matéria para aduzir que, ao conferir a isenção, o propósito da MP no 2.15835/01 teria sido o de simplesmente restabelecer a base de cálculo da COFINS a que as associações se submetiam antes do advento da Lei no 9.718/98. Daí porque, prossegue, deverseia entender por “receitas relativas a atividades próprias” somente aquelas conseguidas gratuitamente. De minha parte, digo que o texto da norma posta seria muito infeliz acaso servisse a este escopo, o de recompor o tratamento dispensado pela LC no 70/91. No esforço de compreender o alcance da expressão é convidativo interpretála em comparação com o sentido atribuído a outra expressão, de sentido no mínimo análogo, contida no §4o, do artigo 150, da CF/88. A pretexto de limitar a imunidade a impostos prevista para templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e também instituições de educação e assistência social, o dispositivo refere ao patrimônio, renda e serviços associados às “finalidades essenciais das entidades” em comento. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.872 11 Também parte da doutrina enxerga entre as duas expressões a aproximação de sentido que autoriza emprestar a interpretação construída para uma na compreensão da extensão da outra. É como pensa Leandro Marins de Souza, no seu “Tributação do Terceiro Setor no Brasil”: “Não é a condição contraprestacional que define se a receita é oriunda de atividade própria da entidade ou não. O conceito a ser aqui utilizado é o mesmo trabalhado quando da interpretação da cláusula do artigo 150, §4o da Constituição Federal, que se remete às finalidades essenciais das entidades. Ora, é própria a atividade da instituição quando se volta a seus objetivos institucionais, a suas finalidades essenciais. Estando fora desta característica, a atividade não será própria de entidades sem fins lucrativos, afastandose a isenção em comento”. (Tributação do Terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296) Pensando o dispositivo constitucional, o STF lhe atribuiu exegese “finalística”, se é que assim se poderia designar seu entendimento. Depreendeu que renda relacionada às “atividades essenciais” da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, obtida das mais variadas origens, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatuárias. A compreensão está bem sintetizada na Súmula no 724 da Corte, enunciada em dezembro de 2003: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’ da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. A prevalecer semelhante compreensão para a hipótese em concreto, as receitas de atividades contraprestacionais estariam albergadas pela isenção tanto quanto os ingressos gratuitos, a depender exclusivamente do destino que se lhes der. Esta leitura comete o pecado de reduzir dois requisitos constitucionais independentes para a fruição da imunidade a apenas um. Exigir que a instituição aplique suas rendas na consecução de seus propósitos estatutários é o mesmo que demandarlhe a dedicação a fins nãolucrativos. O que vem a ser uma entidade sem escopo de lucro, senão aquela cujos recursos precisam ser permanentemente revertidos ao objeto social, em vista de vedação a que sejam distribuídos? Vejase, a respeito, os incisos I e II, do artigo 14 do CTN e, ainda mais revelador, o §3o do artigo 12, da Lei no 9.532/97: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Pareceme, portanto, que por inutilizar a independência da restrição contida no §4o do artigo 150 da CF em face de um outro requisito constitucional, a proposta hermenêutica consolidada na Súmula STF no 724 não seja a melhor. Mas ainda mantendo como referência a imunidade do artigo 150, inciso VI, da CF/88, podese buscar o sentido para a expressão “finalidades essenciais” no próprio CTN que, afinal, tem a incumbência constitucional de, justamente, disciplinar as limitações ao poder de tributar. E o §2o, do artigo 14 do Código adjudica o seguinte sentido ao texto da CF: “Art. 14. §2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos”. Se emprestarmos a mesma exegese à expressão veiculada pela MP no 2.15835/01, passaremos a definir a abrangência da isenção a partir da relação entre as atividades geradoras de receita e o objeto social da instituição. Alterase a perspectiva. Quando propõem que se adjudique à expressão “receitas relativas a atividades próprias” o sentido de ingressos auferidos gratuitamente apenas, a auditoria fiscal e o acórdão recorrido, a meu ver, voltam suas atenções para o que, supostamente, seriam atividades próprias das associações civis como categoria, como gênero, e não para o que seria próprio de cada associação civil aspirante à isenção, considerada em si mesma. Sugerem que se limite o benefício a anuidades, mensalidades e doações por assumir que estes sejam recursos típicos de uma entidade sem fins lucrativos. Não vejo assim por dois motivos. O primeiro deles é que, salvo melhor juízo, não se pode falar em atividades que sejam próprias ou típicas das associações civis em geral. O que as caracteriza como tais, é dizer, o que é comum a todas elas não é a atividade a que se dedicam ou o serviço que prestam. As mais variadas atividades podem ser desempenhadas pelas associações civis porque não há objeto que lhes seja vedado praticar. O que, ao contrário, lhes é comum é o trato dos recursos que obtêm. São associações civis simplesmente porque afetam integralmente suas receitas à manutenção e expansão de suas atividades, sejam elas quais forem. É um equívoco, portanto, supor que se possa delimitar a “atividade própria” deste gênero de pessoas jurídicas. O segundo motivo resulta de interpretação literal do artigo 14 da MP no 2.15835/01 – já que estamos no campo das isenções (artigo 111, CTN). Na dicção normativa, isentas de COFINS não são as “atividades próprias” das associações, mas as “receitas relativas às atividades próprias”. E nisso vai uma diferença. Se o benefício se dirige às receitas relativas às atividades próprias é porque, a meu ver, há uma vinculação entre o exercício de uma Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.873 13 atividade e a percepção de uma receita. Estáse falando de uma atividade geradora de receita; de uma receita decorrente de uma atividade que a produz. Não faz sentido, então, pensar a regra isentiva apenas abrangendo as receitas gratuitas porque, por definição, estas não decorrem de qualquer atividade empreendida por quem as aufere. Justamente porque não são contraprestativas, não são “relativas” a atividade alguma. Mais ainda. Se associarmos o contido no artigo 14, da MP no 2.15835/01 com o disposto no artigo 15, da Lei no 9.532/97 a que remete, teremos que se consideram “receitas relativas às atividades próprias” das associações civis todos os ingressos provenientes dos “serviços para os quais houverem sido instituídas”, desde que “os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Estamos falando, in casu, de uma entidade constituída essencialmente para prestar serviços educacionais. Este o seu mais típico objeto social. Que espécie de receita pode lhe ser mais própria do que a auferida dos próprios alunos, em contraprestação ao ensino que recebem? É por estas razões que, eventualmente vencido no reconhecimento da imunidade, entendo improsperável o auto de infração relativamente às receitas advindas da atividade educativa, designadamente as seguintes: (a) matrículas e mensalidades escolares (conta 3.1.0.01.001); (b) taxa para processo seletivo de admissão à escola (conta 3.1.0.01.004); (c) aulas de recuperação e reforço (conta 3.1.0.01.021); e (d) contribuição de expediente cobrada dos alunos (conta 3.1.01.022); (Recurso nº 258.241, PA nº 10680.004894/200571 Rel. Cons. MARCOS TRANCHESI ORTIZ) Também me parece claro que, estando diante de uma entidade cujo objeto social seja a prestação de serviços educacionais – sendo isto que lhe caracteriza como entidade educacional –, que outra receita lhe seria mais pertinente, devendo considerarse de atividade que lhe é própria, que aquela que remunera a sua atividade? Entendo, pois, que não há como recusar a isenção às receitas pertinentes à atividade educacional. A propósito do tema, confirase o seguinte trecho de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan, em que esclarece o contexto em que deve ser interpretado o texto da Lei, como também informa o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido que ora se propugna: Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 “Vejase que a lei instituidora da isenção a estabelece para “receitas de atividades próprias”, e o fisco as restringe às “receitas de atividades próprias derivadas de contribuição ...”, conforme exposto no parágrafo anterior. A expressão restritiva entre aspas constante do entendimento do fisco deriva do Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992, conforme se reconhece no próprio texto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 23/24), anexo à autuação. Ao final do referido Termo (fls. 24/25), concluise que: “Desse modo, estão sujeitas à Cofins, por força da Lei no 9.718, de 1998, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade lucrativa. E, de fato, este é o caso da fiscalizada, como se conclui da análise das DIPJ correspondentes aos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, que conferem com a escrituração apresentada, pois a Fundação apura receitas de serviços prestados na área de educação, com relação às quais deve ser exigida a Cofins”. (grifo nosso) A autuação não levanta, portanto, discussão quanto a ser ou não a fundação uma entidade sem fins lucrativos, ou quanto ao comprimento estrito dos dispositivos da Lei no 9.532/1997. Discute especificamente a expressão “receitas de atividades próprias” do inciso X do art. 14 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, à luz de abordagem histórica (do regime anterior à Lei no 9.718/1998) na qual defende a aplicabilidade do disposto no referido Parecer da CST. O julgador de primeira instância partilha de tal entendimento fundado em análise histórica da legislação da Cofins, agregando aos argumentos expostos na autuação que a Instrução Normativa SRF no 247, de 21/11/2002, em seu art. 47, II e § 2o, veio a esclarecer a aplicabilidade das disposições do Parecer da CST (pois manteve exatamente seus termos) à isenção tratada no art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Em que pese a discussão sobre a referida Instrução Normativa sequer constar da autuação, ela foi de tamanha relevância no julgamento de primeira instância, a ponto de dois dos julgadores manifestarem se pela manutenção da autuação somente para fatos geradores posteriores a sua vigência. A matéria foi então decidida por qualidade, nos termos do voto do presidente da turma (relator), acompanhado (pelas conclusões) por outro julgador. É de se destacar, contudo, que o Parecer Normativo CST no 5, de 22/4/1992, foi emitido cerca de uma década antes do texto legal em discussão (Medida Provisória no 2.15835/2001), e para tratar de não incidência (instituto tributário com natureza diversa da isenção). Ademais, o parecer trata de situação sensivelmente diferente da que consta na presente autuação. Sobre a matéria, conveniente trazer decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303001.8691). Do voto condutor da decisão, unanimemente acolhido no tribunal, 1 CSRF, Acórdão n. 9303001.869, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, unânime, sessão de 6.mar.2012. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.874 15 transcrevese excerto referente ao tema que se está aqui a analisar: “Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembléia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizálas economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que são cobertas pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo –entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituísse uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão do mesmo art. 13 da MP). Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos – sob pena de esvaziar a própria isenção concedida.” 2 (grifo nosso) O teor do referido Parecer da CST, assim, não se refere à matéria especificamente tratada no presente processo. E não merece prosperar o argumento de que a situação teria sido remediada com a inclusão de teor idêntico ao do referido parecer no texto de Instrução Normativa veiculada em 2002, tanto pelo acolhimento dos argumentos expressos no julgamento efetuado pela CSRF, quanto pelo fato de ter sido a matéria suscitada inauguralmente no julgamento de primeira instância. (Acórdão 3403002.298, PA 10380.010196/200671, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 25/06/2013; trecho do voto do Relator) Com efeito, é neste mesmo sentido o entendimento da CSRF, conforme se verifica nas ementas abaixo: COFINS. ISENÇÃO. São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade mantedora de instituição educacional sem fins lucrativos, para fins da incidência da isenção da COFINS prevista no inciso X, do artigo 14, da MP no 215835/01 (que alterou a MP no 1858/99), aquelas receitas que são oriundas da prestaçãõ de serviços educacionais, desde que as mesmas se revertam em benefício da própria entidade, em consonância ao §3o, do artigo 12, da Lei no 9.532/97, com redação dada pela Lei no 9.718/98. O conceito de “receitas derivadas de atividades próprias” previsto no § 2o, do artigo 47, da IN no 247/2002 não se aplica para instituição educacional. Recurso Especial do Procurador Negado. 2 O presente excerto do voto condutor do acórdão 9303001.869 tem origem em outro voto do mesmo relator (julgamento do recurso nº 138.130 proc. nº 10183.003953/200414, fevereiro de 2008). Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.875 17 (Acórdão 930301.486, PA 10183.003953/200414, rel. Cons. Nanci Gama, j. 31/05/2011) Ementa: COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória no 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. (Acórdão 9303‐001.869, PA 19515.002662/200484, Rel. Cons. Júlio Cesar Alves, j. 06/03/2012) Entendo, pois, que as receitas obtidas pelas contraprestação de atividades educacionais e culturais devem ser reconhecidas como receitas próprias da atividade da entidade educacional e cultural, para o fim de aplicar a isenção da Cofins prevista no art. 14 da MP nº 2.15835/2001. 5) Conclusão. Voto, pois, pelo provimento do recurso para cancelar o lançamento fiscal em relação às receitas de mensalidade e outras diretamente relacionadas à atividade educacional, cultural e científica desenvolvida pela contribuinte. Ivan Allegretti Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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