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Numero do processo: 10670.000775/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/04/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos.
Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo Fiscal.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/04/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo Fiscal. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 07 75 /2 01 0- 26 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10670.000775/201026 Acórdão n.º 2401004.048 S2C4T1 Fl. 602 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOP: 13/04/2010. Data da ciência do AIOP: 15/04/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.258.0076, AIOA CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 13/50. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II, na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Não foram informadas as remunerações pagas a segurados empregados, apuradas através de Notas Fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços de consultoria, cujos assim denominados “consultores” prestavam à Autuada, com pessoalidade, serviços remunerados de natureza não eventual, e com subordinação jurídica, estando presentes, portanto, todos os apanágios essenciais da relação de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. A multa corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na tabela do § 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.528/97, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009. A Obrigação Tributária Principal decorrente dos mesmíssimos fatos geradores ora em debate houvese por apurada mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.258.0017, 37.258.0025 e 37.258.0033. Devidamente intimado do lançamento tributário em 15/04/2010, a fl. 63, porém irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 64/108. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0228.251 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 566/570, julgando improcedente a impugnação, e mantendo o crédito tributário lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/07/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 573. Inconformado com a decisão exarada pelo Órgão Administrativo Julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 574/593, requerendo ao fim a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento. Petição a fl. 598, assinada pelo Patrono do Autuado, declara expressamente a adesão da Empresa ora Recorrente ao Parcelamento Instituído pela Lei nº 11.941/2009, conforme reabertura de prazo concedida pela Lei nº 12.996/2014, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do presente Processo Administrativo Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10670.000775/201026 Acórdão n.º 2401004.048 S2C4T1 Fl. 603 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 24/09/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 25/10/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DA RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 0228.251 6ª Turma da DRJ/BHE, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, a fls. 574/593, requerendo ao fim a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento. Na sequência, em 09/10/2014, o Recorrente protocolizou perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Petição a fl. 598, assinada pelo Patrono do Autuado, declarando expressamente a adesão da Empresa ora Recorrente ao Parcelamento Instituído pela Lei nº 11.941/2009, conforme reabertura de prazo concedida pela Lei nº 12.996/2014, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do presente Processo Administrativo Fiscal. De acordo com o art. 2º da Lei nº 12.996/2014, o prazo para a adesão ao parcelamento, em até 180 (cento e oitenta) meses, dos débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, nas condições previstas na Lei nº 11.941/2009, houvese por reaberto até o até o último dia útil do mês de agosto de 2014. Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014 Art. 2º Fica reaberto, até o último dia útil do mês de agosto de 2014, o prazo previsto no §12 do art. 1º e no art. 7º da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como o prazo previsto no § 18 do art. 65 da Lei no 12.249, de 11 de junho de 2010, atendidas as condições estabelecidas neste artigo. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com Fl. 605DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. De acordo com o art. 5º da Lei nº 11.941/2009, a opção pelo parcelamento de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Art. 6o O sujeito passivo que possuir ação judicial em curso, na qual requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos, deverá, como condição para valerse das prerrogativas dos arts. 1o, 2o e 3o desta Lei, desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, protocolando requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos do inciso V do caput do art. 269 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento. §1o Ficam dispensados os honorários advocatícios em razão da extinção da ação na forma deste artigo. §2o Para os fins de que trata este artigo, o saldo remanescente será apurado de acordo com as regras estabelecidas no art. 3o desta Lei, adotandose valores confessados e seus respectivos acréscimos devidos na data da opção do respectivo parcelamento. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10670.000775/201026 Acórdão n.º 2401004.048 S2C4T1 Fl. 604 7 Mais adiante, o art. 12 da Lei nº 11.941/2009 atribuiu à RFB a competência para editar os atos necessários à execução do parcelamento de que ora se debate. Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Art. 12. A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito de suas respectivas competências, editarão, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias a contar da data de publicação desta Lei, os atos necessários à execução dos parcelamentos de que trata esta Lei, inclusive quanto à forma e ao prazo para confissão dos débitos a serem parcelados. Nessa esteira, a PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL e o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, tendo em vista o disposto no art. 12 da Lei nº 11.941/2009, editaram a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, cujo art. 13 expressamente dispõe que a inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa implica desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria.(Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009 ) Iluminese que o §2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estatui que o pedido de parcelamento, por qualquer de suas modalidades, tem por consequência direta a desistência tácita do recurso eventualmente interposto. Regimento Interno do CARF Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso Fl. 607DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. §4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Dessarte, a desistência do Recurso Voluntário interposto e a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos dessai automaticamente da legislação tributária de que trata o parcelamento ao qual aderiu o Autuado. Ante o exposto, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em razão da perda do objeto, tendo em vista o requerimento de parcelamento formulado pelo Recorrente, e a ele deferido, circunstância que implica a renúncia tácita ao contencioso administrativo. 2. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto, pela perda do seu objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10768.901865/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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(nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) Interessado NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS BRASIL S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 65 /2 00 6- 71 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 2 Relatório Em sessão transcorrida em 23 de julho de 2014, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802003.349, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a "ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada". Segundo a embargante, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário[...] restou amplamente esclarecido e comprovado que no DARF que fundamentou o PER/DCOMP acima identificado, foram localizados alguns pagamentos que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos da EMBARGANTE não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. As evidências das razões alegadas pela EMBARGANTE constam na DCTF retificadora, através da qual Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 3 podemos observar um crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP, acima descrito. 04.1 Assim, diante das razões constantes do Despacho Decisório originário, fica claro que essa SRFB não reconheceu o crédito que foi informado pela EMBARGANTE na DCTF; e, por conseguinte, está considerando o valor total do DARF pago totalmente utilizado na sua própria apuração. 05 Na verdade, o que não foi observado tanto no voto quanto no acórdão nº 3802003.349, foi a necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação. Na sequência, depois de fazer sua análise sobre os procedimentos de compensação a partir da IN SRF nº 21/97, questiona "como poderia a Requerente protocolar o PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, se a disponibilização do programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) somente foi disponibilizada após o vencimento da obrigação?". E ressalta que não teria sido enfrentada no acórdão a questão atinente à aduzida impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Defende que "na época do vencimento do tributo e do envio do PER/DCOMP [...] não existia uma determinação legal para entrega na data de vencimento do tributo". Por fim, ressalta a embargante que a Nota Cosit nº 1, de 18/01/2012, decidiu pela validade da aplicação dos efeitos da denúncia espontânea nas hipóteses de extinção do pagamento por compensação tributária. Diante do exposto, requer a embargante o conhecimento e o provimento dos presentes embargos, com fulcro no "pronunciamento sobre as omissões expostas e sobre a denúncia espontânea". É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 13/05/2015 (efls. 138). Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 18/05/2015 (efls. 141). Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. Conforme relatado, vêse que a embargante procura rediscutir o pleito inerente ao pedido de compensação objeto dos autos, alicerçada em suposta omissão no acórdão no que concerne à "necessidade de desoneração da multa moratória, tendo em vista que houve a efetiva compensação", bem como quanto à questão atinente à aduzida 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 4 impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas determinações da IN SRF nº 210/2002. Não obstante, todos os argumentos suscitados pela recorrente foram devidamente tratados na decisão vergastada, de forma que não há nenhuma omissão passível de saneamento mediante embargos de declaração. Isso e válido também quanto à reclamada caracterização de denúncia espontânea. O seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida demonstra que as supostas omissões guerreadas não ocorreram. Confirase: O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 5 Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 6 Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 432 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Também comungo com as razões de decidir da instância a quo em relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem ser dirigidos à unidade jurisdicionante do sujeito passivo, sendo digno de nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) 2 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3301002.749 S3C3T1 Fl. 0 7 Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Diante do que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 26 de janeiro de 2016. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 16643.000304/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%.
Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa isolada, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, conhecer o recurso conhecido. Quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso no tema Trava de 30%, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e no tema Juros de Mora sobre a Multa de Ofício, por maioria de votos, negar provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora) e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocada), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa isolada, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, conhecer o recurso conhecido. Quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso no tema Trava de 30%, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e no tema Juros de Mora sobre a Multa de Ofício, por maioria de votos, negar provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora) e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 04 /2 01 0- 21 Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.908 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocada), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de CSLL pela compensação de prejuízo fiscal, à ocasião da incorporação da Tevecap pela Abril Comunicações S/A em 2007, sem a observância do limite de 30% (trinta por cento) (fls. 298/337 – volume 2), com a imposição de multa de 75%. À ocasião a Abril Comunicações S/A foi identificada como sujeito passivo, com fundamento no artigo 132, do Código Tributário Nacional. O IRPJ foi lançado em processo distinto (nº 16643.000303/201087), que será apreciado nesta mesma sessão de julgamento. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo acolheu parcialmente a impugnação administrativa apresentada (fls. 1.135/1.151), em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Anocalendário: 2007 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei nº 9.065/95, ainda que, em decorrência da Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.909 3 extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. RECEITA INCORRETAMENTE RECONHECIDA EM 2007. EXCLUSÃO. Excluise da base de cálculo do IRPJ receita auferida em 2004 e incorretamente reconhecida pelo contribuinte no anocalendário 2007, conforme ficou demonstrado no processo nº 19515.004172/200927. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADORA. O sucessor por incorporação responde pela multa de ofício decorrente de infração cometida pela sucedida quando se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, ainda que lançada posteriormente ao evento societário, já que tinha conhecimento prévio da situação que levou à autuação fiscal. A impugnação foi acolhida quanto a um ajuste efetuado por força da decisão no processo nº 19515.004172/200927. A Abril Comunicações apresentou recurso voluntário, alegando (i) a possibilidade de compensação integral do prejuízo fiscal e bases negativas na hipótese de extinção da pessoa jurídica; (iii) a violação ao artigo 100, III, na exigência de multa, tendo em vista que as práticas reiteradas de autoridades administrativa serviriam de diretrizes para interpretação de regras fiscais; (iv) a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho negou provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. RECEITAS TRIBUTADAS EM OUTRO EXERCÍCIO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado que a autuação considerou na base de cálculo do IRPJ receitas que foram tributadas em outro exercício, em lançamento constante de processo administrativo já transitado em julgado, correta a exclusão desses rendimentos pela decisão recorrida. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXERCÍCIO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, poderá ser compensada com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite máximo de Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.910 4 redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Não há previsão legal que permita a compensação de bases de cálculo negativas acima desse limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO POR OBEDIÊNCIA À PRÁTICA REITERADA OU ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes ou do CARF, ainda que majoritária, não pode ser considerada como prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, pois decorre de decisões que apreciaram atos dessas autoridades que negaram o direito. O conceito de “erro de proibição” não serve para excluir a multa de ofício básica de 75%, porque o art. 136 do CTN determina que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. A Abril Comunicações S/A apresentou embargos de declaração alegando omissão e obscuridade no acórdão. Estes embargos foram rejeitados por Despacho de fls. 1.604/1.609, proferido pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho. Sendo intimada em 25/08/2014 quanto a este despacho, a contribuinte interpôs recurso especial em 08/09/2014, no qual sustenta divergência quanto aos seguintes temas: a) Limitação de 30% na compensação de prejuízo fiscal, indicando como paradigma os seguintes acórdãos (a.1) acórdão nº 120100.165, no qual consta que: “À empresa extinta por incorporação não se aplica, no período do evento, o limite de 30% do lucro líquido ajustado em relação ao prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores.”; (a.2) CSRF/01 04.258, no qual se decidiu que “No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada” e b) Aplicação do artigo 100, § único do Código Tributário Nacional, constando como paradigma o acórdão 30131.928, que expressa o entendimento que “A observância pelo contribuinte de orientação reiteradas da repartição que administra o imposto, configura o Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.911 5 cumprimento de norma complementar da legislação tributária, o que exclui a imposição de penalidade e a cobrança de juros (CTN, art. 100, III)”; c) Incidência de juros sobre a multa, apontado os seguintes acórdãos paradigmas: (c.1) 9202002.600, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que decidiu que “Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente.”; (c.2) 1202001.133, constando de sua ementa que “Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” O recurso especial foi admitido parcialmente, para apreciação de duas matérias nele enumeradas, quais sejam: (a) limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL na hipótese de incorporação; (b) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme despacho às fls. 1.874/1.878. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo fosse negado provimento ao recurso especial (fls. 1.882/1.898). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Limitação de 30% A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais é regulada pelo artigo 6º, §3º, alínea c, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.912 6 c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. A Lei nº 8.981/1995 estabeleceu que a redução a ser procedida estaria limitada ao máximo de 30%, tratando também da possibilidade de utilização dos prejuízos acumulados nos anoscalendário subsequentes: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. A Lei nº 9.065/1995 também delimitou a compensação do prejuízo fiscal, para definir como limite máximo 30% do lucro líquido ajustado: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. A limitação de 30% na compensação de prejuízos é reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), verbis: Art. 250.Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): (...) III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.913 7 ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1ºO disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2ºOs saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3ºO limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Outrossim, sobreleva considerar que a hipótese de incorporação, há outros dispositivos legais relevantes a serem considerados, como o artigo 33, do DecretoLei nº 2.341/1.987, que expressamente autoriza que a sucessora por incorporação compense os prejuízos fiscais da sucedida: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Referida disposição legal, foi também reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999, artigo 514), nos exatos termos constantes do Decreto Lei. A autorização para compensação integral dos prejuízos, na hipótese de incorporação, tem relação com a sucessão de direitos e obrigações da incorporada pela incorporadora, como tratam os artigos 227, da Lei nº 6.404/1964 e 1.116, do Código Civil. Afinal, se a incorporadora não puder aproveitar todo o prejuízo detido pela incorporada, não haverá a plena sucessão de direitos e obrigações. A garantia da integral compensação de prejuízos à incorporadora respeita, ainda, o conceito de lucro firmado no artigo 43, do Código Tributário Nacional, impossibilitando que patrimônio da incorporada seja objeto de tributação pelo Imposto sobre a Renda. Portanto, entendo que a compensação de prejuízos fiscais, no caso de incorporação, não está limitada ao percentual de 30%. É importante lembrar que o Supremo Tribunal Federal analisou a limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais, concluindo pela sua constitucionalidade, no acórdão cujas ementas são a seguir reproduzidas: Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.914 8 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Tribunal Pleno, DJe 27/08/2009) DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. (RE 545.308, Tribunal Pleno, DJe 25/03/2010) Ademais, há decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a repercussão geral da matéria: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (RE 591.340, DJe 06/11/2008) Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.915 9 Não obstante o reconhecimento de repercussão geral, inexiste decisão definitiva que tenha reconhecido a constitucionalidade da limitação de 30%, para compensação de prejuízos fiscais, submetida ao rito do artigo 543, B, do Código de Processo Civil. Acrescentese que as decisões anteriormente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal não são vinculantes para os julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, além disso, estas decisões não trataram da incorporação de pessoa jurídica, situação peculiar que há de ser enfrentada de forma distinta daquelas apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme transcrição supra. Anoto que a Recorrente trouxe memoriais de julgamento alegando que houve "evidente tributação do patrimônio no caso concreto", pois a empresa teria apresentado prejuízo operacional por muitos anos. Ocorre que esta matéria não consta do recurso especial apresentado, como se pode conferir às fls. 11 a 24 do recurso que trata da divergência na interpretação da limitação de 30% (fls. 1.627 a 1.639). Ressalvo que sequer consta a reprodução de tal argumento a partir das folhas 32/63 do recurso (fls. 1.647/ fls. 1.679) quanto trata genericamente do mérito (sem trazer divergências a este respeito). Diante disso, não tomo conhecimento de questões sobre as quais não se demonstrou qualquer divergência. Pondero, ainda, que o tema foi devidamente abordado pela Turma Ordinária, tanto pelo voto vencedor, do Dr. José Evande Carvalho Araujo, quanto em declaração de voto do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial para reconhecer a legitimidade da compensação de prejuízos fiscais em percentual superior aos 30% (trinta por cento), reformando a decisão recorrida e cancelando o auto de infração. Juros sobre a Multa de Ofício Caso seja vencida no tópico anterior, venho apreciar o pedido subsidiário do recurso especial, para que seja afastada a exigência de juros sobre a multa. Com efeito, o artigo 61, da Lei nº 9.430/1996 estabelece a cobrança de juros de mora quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sem qualquer menção às multas: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.916 10 Ausente previsão de incidência de juros sobre as penalidades impostas pela Receita Federal do Brasil, há que se acolher o recurso especial nesse ponto para afastar a sua cobrança. Ponderese que há súmula nº 4, deste Conselho, consolidando entendimento de que há incidência de juros moratórios à taxa SELIC sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita FEderal: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No entanto, entendo inaplicável tal Súmula aos juros sobre a multa, ao interpretála conjuntamente com o vigente artigo 61, da Lei nº 9.430/1996, considerando que apenas os débitos mencionados no início do caput do artigo 61 estariam alcançados pelos juros tratados pelo Súmula CARF. Conclusão Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso especial, reconhecendo a legitimidade de compensação da base negativa de CSLL na incorporação. Caso seja vencida neste ponto, voto por afastar os juros sobre a multa. É como voto. Assinado Digitalmente Cristiane Silva Costa Relatora Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. A princípio, registro minha concordância com o voto em relação à admissibilidade do recurso especial. Por outro lado, não obstante as considerações da I. Relatora, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir no mérito, no qual foram tratadas as matérias (1) aproveitamento integral dos prejuízos fiscais no evento de incorporação e (2) aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Entendeu a relatora que deveria ter sido dado provimento ao recurso especial interposto pela Contribuinte, posição da qual discordo. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.917 11 Sobre a matéria aproveitamento integral da base negativa de CSLL no evento de incorporação, discorre a recorrente que o limite de utilização de 30% sobre o lucro líquido não se aplicaria nos casos de extinção da pessoa jurídica. Sobre o assunto, há que se observar o que dispõe as Leis nº 8.981, de 1995, e na Lei nº 9065, de 1995: Lei nº 8.981, de 1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, poderá ser reduzido em, no máximo trinta por cento. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. .................................................................. Lei nº 9.065, de 1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.918 12 Verificase que nos comandos legais não há nenhuma disposição no sentido de que a regra que estabelece o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado apurado pela empresa, albergue a exceção alegada pela recorrente, qual seja, de que em razão da extinção da pessoa jurídica por conta da incorporação, ou qualquer outro evento de reorganização societária, o prejuízo fiscal poderia ser aproveitado integralmente. Inclusive, quando o legislador pretendeu estabelecer exceções à aplicação da trava dos 30%, tal medida foi realizada de maneira expressa, conforme aduziu com precisão o voto proferido no Acórdão nº 910100.401, da sessão de 02 de outubro de 2009, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando dois exemplos. Primeiro, no que diz respeito às empresas inscritas no regime BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Inclusive, o art. 510 do RIR/99 contempla expressamente a hipótese: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. ............................................... Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.919 13 Especiais de Exportação Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); (...) (grifei) Segundo, quando o legislador tratou do aproveitamento de prejuízos fiscais referentes à atividade rural, na Lei nº 8.023, de 1990. De acordo com o diploma legal e as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema (IN SRF nº 39, de 28/06/1996 e nº 257, de 11/12/2002), mediante o atendimento de determinadas condições, não se aplica o limite de 30% à compensação de prejuízos de atividade rural com (1) lucro apurado pela mesma atividade, em qualquer anocalendário, e (2) lucro apurado pelas atividades em geral, desde que no mesmo período de apuração. Também se pode utilizar o saldo de prejuízos de atividade rural, acumulados de períodos anteriores, para compensar lucro apurado de atividades em geral, e viceversa, casos em que se aplica a trava dos 30%. Como se pode observar, o aproveitamento de prejuízos fiscais, quando recebeu tratamento de exceção, foi mediante dispositivo legal próprio, específico para a situação positivada pela norma. Em relação à jurisprudência administrativa, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também se mostra interessante apreciar a evolução da questão, sob uma perspectiva histórica. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas sessões de 02/12/2002 (Acórdão nº 0104.258), e de 19/10/2004 (Acórdão nº 0105.100), decidiu no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica. Ocorre que tal posicionamento foi modificado, conforme o já mencionado Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja publicação ocorreu em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (grifei) E, em oportunidade posterior, o entendimento foi ratificado, nos Acórdãos nº 9101001.337 e 9101001.760: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.920 14 são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão de 26 de abril de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A mesma limitação se aplica à compensação de bases negativas da CSLL. (Acórdão nº 9101 001.760, 1ª Turma/CSRF, sessão de 16 de outubro de 2013, redator do voto vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) No que concerne ao voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, na decisão proferida no Acórdão nº 9101001.760, peço vênia para transcrever excerto no qual rebate, com precisão, argumento de que o não aproveitamento do prejuízo fiscal implicaria em tributar o patrimônio: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contraargumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repisese, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.921 15 legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. Enfim, no Supremo Tribunal Federal, em 25/03/2009, ao julgar o RE 344.9940/PR (ocasião em que foi vencido relator Ministro Marco Aurélio), prevaleceu entendimento do Ministro Eros Grau, que redigiu o voto vencedor, conforme ementa a seguir. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.922 16 exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe 162 DIVULG 27082009 PUBLIC 28082009 EMENT VOL 0237104 PP00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186194) Na mesma direção foi proferido o acórdão no RE 545.308/SP (em que foi vencido o relator Marco Aurélio), no qual o voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia foi assim ementado: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido.(RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe055 DIVULG 25032010 PUBLIC 26032010 EMENT VOL0239505 PP01244 RTJ VOL00214 PP00535) Portanto, no que se refere à matéria aproveitamento integral da base negativa de CSLL no evento de incorporação, há que se negar provimento ao recurso da Contribuinte. Em relação à matéria aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.923 17 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Nesse contexto, verificase que a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins mostrase esclarecedora: A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113' (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris, cit., fita n. 6, lado A)." (grifei)” Nesse diapasão, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros no crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º (...) Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 9101002.192 CSRFT1 Fl. 1.924 18 E a correção dos débitos estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, deve ser mantida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, razão pela qual há que se negar provimento ao recurso da Contribuinte. Diante de todo o exposto, voto do sentido de (1) acompanhar a relatora para conhecer o recurso especial e, (2) no mérito, negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA
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Numero do processo: 18470.731304/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
ARBITRAMENTO.
O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou contiver erros ou vícios que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1301-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou contiver erros ou vícios que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 13 04 /2 01 1- 11 Fl. 16400DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 16401DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.400 3 Relatório OLIMPO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário lançado no valor de R$ 345.754,46, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, R$ 24.629,17, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e de R$ 24.629,17, relativo à contribuição para o programa integração social, de R$ 109.126,33 relativo à contribuição social sobre o lucro líquido, e de R$ 113.673,23, relativo à contribuição para financiamento da seguridade social, somados à multa de ofício qualificada de 150%, e aos juros de mora. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 56 a 88, lavrado pela DRF/RJ2, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, cód. 2197, no valor de R$ 345.754,46, multa de ofício de 150 % e juros de mora; • Contribuição para o programa integração social – PIS, cód. 2986, no valor de R$ 24.629,17, multa de ofício de 150 % e juros de mora; • Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 109.126,33, multa de ofício de 150 % e juros de mora; • Contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, cód. 2960, no valor de R$ 113.673,23, multa de ofício de 150 % e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 62 e 63, e do termo de verificação fiscal de fls. 52 a 55, o lançamento do IRPJ se deve a apuração da existência de depósitos de origem não comprovada com arbitramento do lucro no período de junho a dezembro de 2008, uma vez que o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, conforme por ele declarado, e ainda por apresentar declaração de inatividade para o exercício em que houve movimentação financeira apurada com base nos extratos bancários, bem como nos dois anos seguintes, em que também efetuou movimentação financeira expressiva, razão pela qual também foi aplicada a multa de ofício qualificada em 150%. Os lançamentos do PIS, e da COFINS, com multa de ofício qualificada em 150%, foram efetuados, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls 70/71 e 78/79, em razão da apuração de omissão de receita, em decorrência da fiscalização do IRPJ, onde ficou demonstrada a insuficiência na determinação da base de cálculo destas contribuições, e pelas mesmas razões do lançamento do IRPJ. Por fim, o lançamento da CSLL, com multa de ofício qualificada em 150%, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 85 e 86, foi efetuado em Fl. 16402DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 razão da falta ou insuficiência do recolhimento da contribuição, e também decorre da fiscalização do IRPJ, onde ficou demonstrada a insuficiência na determinação da base de cálculo desta contribuição. Cientificada pessoalmente em 03/02/2012 (fl. 88), a interessada apresentou em 06/03/2012, na pessoa de seu representante legal, impugnação de fls. 94 a 104, na qual, alega, em síntese, que: A impugnante foi constituída em 26/10/2007, com a atividade de administração de imóveis, e com a finalidade de suceder a empresa dos pais dos sócios (Sinai Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ nº 29.970.738/000163) a partir de abril de 2008. Esta sucessão se daria com a transferência dos contratos de prestação de serviço através de adendos, e que por motivos logísticos as duas empresas conviveram juntas, utilizando a mesma estrutura administrativa e sistemas da empresa do patriarca, possuindo os mesmos clientes e inquilinos. No período de transição, a movimentação fiscal e contábil gerada ao final de cada mês foi erroneamente lançada na escrituração da empresa patriarca, induzindo o contador à não confecção dos livros diário e razão e ao envio da declaração de inativa da impugnante. A atividade da impugnante consiste na administração de imóveis, tendo como receita de sua atividade a cobrança de taxa de administração, cujos valores cobrados são, em média, de 8% (oito por cento) incidente sobre o valores dos aluguéis administrados. Sua movimentação financeira no ano calendário de 2008, que alcançou o valor de R$ 4.101.904,29, diferentemente do incorretamente somado pela fiscalização, não é incompatível com o movimento gerado pela empresa na cobrança de valores administrados, que é de R$ 5.231.825,85, para boletos emitidos, e de R$ 4.038.113,52, para boletos recebidos, totalizando uma receita para a empresa de R$ 321.477,34. O arbitramento do lucro, efetuado com base no art. 530, inciso I, do RIR/99 não deveria ser aplicado a impugnante, sendo considerado um ato extremo e abusivo, pois não foram reiteradas as intimações pelo fiscal, bem como não seria aplicável tal dispositivo legal, uma vez que a empresa não seria obrigada a tributação com base no lucro real, já que podia optar pelo lucro presumido. Confessa que cometeu erro, não havendo nenhuma intenção dolosa em reduzir ou suprimir impostos e contribuições devidas, uma vez que se utilizou o sistema financeiro para movimentar recursos com o seu próprio nome, sem intenção de esconder, fugir, “alaranjar”, e muito menos lesar o fisco. Além disso, não houve falta de atendimento às intimações, ou a demonstração de prática constante de infrações, que justificassem a aplicação da multa majorada, evocando ainda o princípio da vedação ao confisco na imposição de multa em 150% do valor do principal. Aponta a incongruência entre os valores dos fatos geradores do IRPJ nos meses de junho, setembro e dezembro de 2008, contidos no auto de infração e os encontrados no relatório do fiscal, sendo que aqueles são bem superiores a estes. Apresenta tabela elaborada com base na escrituração do livro diário, contendo os saldos do razão mensalmente e os valores devidos com base na tributação do lucro presumido, os quais consideram como devidos, com faturamento de R$ Fl. 16403DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.401 5 321.477,34, IRPJ de R$ 15.430,92, CSLL de R$ 9.258,55, COFINS de R$ 9.644,32 e PIS de R$ 2.089,60. Requer, preliminarmente, a declaração de nulidade do auto de infração, por erro na capitulação do enquadramento legal do arbitramento; e, no mérito, a aceitação da documentação apresentada, entre elas o livro diário, para fins de julgamento; a desconsideração do arbitramento do lucro, em razão da não reiteração do não atendimento à fiscalização, a consideração da base de cálculo do valor da receita da empresa em R$ 321.477,34; a desconsideração do dolo ou fraude pela falta de comprovação e da não descontinuidade da infração; e, por fim, a redução da multa para 20%, em face do princípio da razoabilidade e do não confisco. Junto com a impugnação, acompanham a seguinte documentação: • Auto de infração; • Contrato social; • Identidade do sócio; • Alvará de funcionamento; • Extratos bancários; • Balancete; • Espelhos de boletos de recebimento; • Crítica de boletos; • Remessa aos clientes; • Livro diário. A 5ª Turma da DRJ/RJ1, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Fl. 16404DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A conduta da contribuinte de deixar de registrar a movimentação financeira de contacorrente de sua titularidade, não informando a totalidade de suas receitas na declaração de rendimento entregue ao Fisco como inativa, praticando omissão de receitas durante anos consecutivos, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de sonegação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou contiver erros ou vícios que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 16405DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.402 7 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 16/09/2013 (fl. 16.354), e apresentou em 16/10/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 16.357 à 16.392. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. Trata o presente processo do auto de infração de fls. 56 a 88, lavrado pela DRF/RJ2, no qual consta a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 62 e 63, e do termo de verificação fiscal de fls. 52 a 55, o lançamento do IRPJ se deve a apuração da existência de depósitos de origem não comprovada com arbitramento do lucro no período de junho a dezembro de 2008, uma vez que o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, conforme por ele declarado, e ainda por apresentar declaração de inatividade para o exercício em que houve movimentação financeira apurada com base nos extratos bancários, bem como nos dois anos seguintes, em que também efetuou movimentação financeira expressiva, razão pela qual também foi aplicada a multa de ofício qualificada em 150%. O recorrente se insurge contra as seguintes matérias, as quais serão analisadas uma a uma a seguir: 1) Lançamento por Presunção Alega a recorrente que o lançamento de ofício jamais poderia ter se dado baseandose em presunção, em especial quando se trata de presunção calcada em movimentação financeira em contacorrente bancária que, por si só, não prova a existência de receita ou de lucro tributável. Razão não assiste à recorrente. A presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 16406DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da interessada como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto. 2) Quebra Ilegal do Sigilo Bancário O recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. Inicio com a transcrição do dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente Fl. 16407DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.403 9 poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC. Isso porque apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 3) Da Impossibilidade do Arbitramento Aqui não vejo como merecedor de reparos a decisão do órgão a quo, razão pelo qual utilizo como fundamento desta decisão, os mesmos aduzidos pela DRJ/RJ1, verbis: A autoridade fiscal arbitrou o lucro no período de apuração de junho, setembro e dezembro de 2008 em razão de o contribuinte estar sujeito a tributação com base no lucro real e de não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, com fundamento no art. 530, inciso I, do RIR/99, in verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...). Conforme consta do item 2, do documento de fls 05 e 06, apresentada em resposta ao termo de início de fiscalização, relativo ao Mandado de Procedimento Fl. 16408DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 Fiscal nº 07.1.90.00.2010.010095, a impugnante informa que deixou de apresentar os livros diário, razão e caixa, em função de não terem sido escriturados. Via de regra, todas as empresas são tributadas com base no lucro real. As outras formas de tributação previstas na legislação são aplicadas sob certas condições. A opção pela tributação com base no lucro presumido está assim disposta no art. 516, do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). § 2º Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º ). § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). Tratase, portanto, de uma faculdade do contribuinte, a qual a interessada somente terá implementada a sua opção com o pagamento da primeira ou única parcela do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, providência não realizada pela impugnante, uma vez que a mesma apresentou declaração de inatividade no ano calendário. Assim, estava a impugnante sujeita à tributação pelo lucro real, por ausência de opção ao regime de tributação pelo lucro presumido, e uma vez que confessou não ter efetuado a escrituração de seus livros contábeis e fiscais, deixandoos de apresentálos oportunamente a fiscalização, correta está à tributação com base no lucro arbitrado efetuado pela autoridade fiscal. DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO A impugnante requer a aceitação da documentação apresentada juntamente com a impugnação, inclusive dos livros fiscais escriturados posteriormente ao recebimento do termo de início da fiscalização. O arbitramento efetuado pela autoridade fiscal, em decorrência da não escrituração oportuna dos livros contábeis e fiscais, confessado pela autuada, foi efetuado em conformidade com a legislação que rege o tema, conforme anteriormente demonstrado. Fl. 16409DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.404 11 Uma vez que a impugnante não mais dispunha da espontaneidade, na forma do parágrafo único do art. 138, do Código Tributário Nacional, até mesmo porque não fez prova do pagamento dos tributos devidos, a análise de livros fiscais e de documentos escriturados após a autuação não pode ser efetuada por completa incompatibilidade com as razões da autuação, sendo por isso considerada intempestiva. Ademais, a interessada apresentou documentação relativa a controles internos da sua atividade, de sua própria lavra, emitidas intempestivamente, deixando de apresentar notas fiscais de sua emissão pela prestação de serviços de administração de aluguéis, às quais sequer foram escrituradas, de modo que não restou comprovado ter aferido apenas a receita alegada, razão pela qual não se cogita afastar a presunção de omissão de receitas considerada pela fiscalização. A jurisprudência administrativa é pacífica quanto à impossibilidade de apresentação de escrituração após o lançamento no caso de arbitramento, como nos seguintes julgados: ARBITRAMENTO. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tão somente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. (1º CC/8ª Câmara. Acórdão 108.06.053, julgado em 13.03.2000. DOU de 22.08.2000) LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS INTIMAÇÃO. RECUSA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO. ARGÜIÇÃO DE CONDICIONALIDADE. DESCABIMENTO. O arbitramento não é algo que se possa subordinar à uma troca da parte que lhe deu causa. A recusa ou a inexistência de livros e documentos impede a auditoria, não o arbitramento do lucro. O acolhimento ulterior do acervo implicará das duas uma: ou se empreende uma celeridade meteórica às operações fiscais e aos julgamentos em suas diversas instâncias, ainda com amparo em legislação complementar que oferte maior elasticidade aos prazos decadenciais em casos de recusa ou embaraço às ações do Fisco; ou se exime de tributos, paradoxalmente, todos aqueles cidadãos que obrarem contra os cânones democráticos que os agasalham e os protegem. Eis um dualismo e uma antinomia execráveis. Fl. 16410DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 12 IRPJ. ARBITRAMENTO. LIVROS OU DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. FASE DE JULGAMENTO. APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Em face do instituto da decadência, o acolhimento de livros ou documentos obrigatórios na fase de julgamento implicará exoneração do crédito tributário constituído, por arbitramento, sem mais possibilidades temporais de realização de auditoria fiscal regular, com perdas de arrecadação irrecuperáveis, além de aflorar a repudiada injustiça contributiva fiscal. (1º CC/7ª Câmara. Acórdão 107.06.921, julgado em 05.12.2002. DOU de 20.10.2003) REFAZIMENTO DA ESCRITURAÇÃO. A empresa tem a possibilidade de refazer a contabilidade, mas somente pode evitar o arbitramento do lucro se a recomposição for feita antes do encerramento da ação fiscal com a lavratura do auto de infração. A regularização da escrituração contábil após o lançamento não tem o condão de invalidar o arbitramento, pois falece aos julgadores, que não são autoridades lançadoras, competência para alterar o critério jurídico do lançamento. (1º CC/1ª Câmara. Acórdão 101.96.917, julgado em 18.09.2008. DOU de 11.12.2008) Assim, indefiro a análise dos documentos e livros fiscais escriturados após o início da fiscalização e apresentados após a intimação do lançamento. SUMULA CARF INCLUIR Pelos argumentos acima, entendo como correto o arbitramento do lucro efetuado pela fiscalização, com ele concordando. Ademais, uma vez arbitrado, não há que se falar em avaliar os livros diários e razão que somente foram escriturados após o lançamento de ofício, pois não existe a figura do arbitramento condicional. Deixo de analisar a questão da qualificação da multa de ofício, em que pese o recurso faça menção aos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade, por entender que os pedidos devem constar clara, objetiva e de forma expressa nas peças processuais, sob pena de se entender como não questionada a matéria omitida. Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de sessões, 02 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 16411DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 18470.731304/201111 Acórdão n.º 1301001.957 S1C3T1 Fl. 16.405 13 Fl. 16412DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 13854.000335/2002-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
Inclui-se na receita de exportação as receitas provenientes de vendas para empresas comerciais exportadoras, quando reste comprovado que essas vendas ocorreram com o fim específico de exportação (art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/96).
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a fiscalização refaça a apuração do crédito presumido, considerando como receitas de exportação indireta os valores decorrentes das remessas de mercadorias efetuadas aos CNPJ 02.092.233/0001-97 e 46.347.795/0006-14. Sustentou pela recorrente o advogado Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000335/200207 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.980 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2016 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente COIMBRA FRUTESP COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. Incluise na receita de exportação as receitas provenientes de vendas para empresas comerciais exportadoras, quando reste comprovado que essas vendas ocorreram com o fim específico de exportação (art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/96). Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a fiscalização refaça a apuração do crédito presumido, considerando como receitas de exportação indireta os valores decorrentes das remessas de mercadorias efetuadas aos CNPJ 02.092.233/000197 e 46.347.795/000614. Sustentou pela recorrente o advogado Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP nº 207.535. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 35 /2 00 2- 07 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, apurado com base na Lei nº 10.276/01 (fl. 6 e 29), referente ao 3º trimestre de 2002, protocolado em formulado em 4 de outubro de 2002. O pedido de ressarcimento foi vinculado a declarações de compensação. Por meio do despacho decisório de fls. 157/162, notificado ao contribuinte em 09 de agosto de 2007, a autoridade administrativa promoveu ajustes na apuração contribuinte, reduzindo o valor do crédito e, consequentemente, homologando parcialmente as compensações vinculadas. Os ajustes efetuados no cálculo do contribuinte foram os seguintes: a) Três adquirentes dos produtos vendidos pela recorrente não possuíam o certificado de registro especial SECEX/RFB a que alude o art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72, razão pela qual as vendas a tais destinatários não foram computadas como receitas de exportação, o que diminui o montante do crédito presumido sob os critérios de apuração da Lei nº 10.276/01; e b) Foram acrescidas às receitas de mercado interno os valores recebidos a título de revenda de mercadorias, o que igualmente diminui o montante do crédito sob os critérios da Lei nº 10.276/01. Em sede de manifestação de inconformidade a defesa alegou, em síntese, que nas exportações indiretas as empresas comerciais exportadoras não precisam ser constituídas sob a forma de tradings, ou seja, da espécie disciplinada pelo Decretolei nº 1.248/72, bastando que exerçam atividade de exportação; e que as exportações realizadas por estabelecimento filial da recorrente dá direito ao crédito presumido. Por meio do Acórdão 18.941, de 12 de março de 2008, a 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, indeferiu a manifestação de inconformidade. O colegiado de primeira instância considerou preclusa a matéria relativa à questão da receita de revenda de mercadorias e acolheu a tese da defesa, no sentido de que as vendas para qualquer empresa comercial exportadora rendem ensejo ao crédito presumido, desde que tais vendas tivessem sido efetuadas com o fim específico de exportação. Inexistindo prova nos autos de que as vendas ocorreram com o fim específico de exportação, foi mantida a apuração efetuada pela fiscalização. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 21/05/2008 (fl. 347), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/06/2008 (fl. 354), alegando, em síntese o seguinte: a) a DRJ concordou com a tese da defesa, no sentido de que as exportações indiretas não precisam ser efetuadas exclusivamente por tradings para gerarem direito ao crédito presumido; b) entretanto, a DRJ inovou a fundamentação do despacho decisório o Fisco, ao exigir a comprovação das exportações, pois a fiscalização nunca questionou o destino das mercadorias. Ao contrário, existem inúmeras manifestações da autoridade, no sentido de que as mercadorias foram efetivamente exportadas; c) houve alteração do critério jurídico; d) as exportações foram efetivamente realizadas, conforme documentos juntados por amostragem com o recurso. Solicitou a baixa do processo em diligência para as averiguações necessárias à aferição do requisito exigido pela DRJ. Por meio da Resolução 3403000.510, o julgamento foi convertido em diligência, pois o colegiado entendeu que não houve alteração de critério jurídico; que tal óbice só pode ser oposto nos casos de processos de iniciativa do fisco; que se tratando de processo de iniciativa do contribuinte, é possível a averiguação do que for necessário à apuração da verdade Fl. 654DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13854.000335/200207 Acórdão n.º 3402002.980 S3C4T2 Fl. 3 3 real; que a DRJ controverteu um ponto novo e ao mesmo tempo tolheu a possibilidade de o contribuinte comproválo. Foram solicitados os seguintes esclarecimentos à autoridade administrativa: "(...) (...)" O processo retornou ao colegiado com a informação fiscal de fls. 502/512, dando conta de que: 1) as empresas mencionadas no item a) da Resolução, possuíam registro no Siscomex durante o 3º trimestre de 2002 e, de fato, realizaram todas as exportações relacionadas no 3º trimestre de 2002, relativas a este processo; 2) em relação ao quesito b) da Resolução, a fiscalização consignou, em síntese, que apesar de as exportações terem sido efetivadas, o contribuinte não comprovou que as remessas ocorreram para recintos alfandegados ou que as vendas ocorreram diretamente para embarque de exportação. Em sua manifestação sobre o quanto apurado em diligência, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Quanto ao quesito a) da Resolução, ele foi plenamente respondido pelo fisco, pois as três empresas estavam registradas no Siscomex durante o trimestrecalendário em questão, não existindo nenhuma ressalva a ser apresentada pelo contribuinte; 2) Contudo, em relação ao quesito b) a defesa se manifesta no sentido de complementar as informações prestadas pela autoridade administrativa, juntando as informações que comprovam o alfandegamento dos recintos para os quais as mercadorias foram enviadas, muito embora a fiscalização pudesse ter obtido essas informações consultando seus próprios sistemas. A tabela contendo os locais para os quais as mercadorias foram enviadas é a seguinte (fl. 511): Fl. 655DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 E o contribuinte, em sua manifestação sobre a diligência forneceu a relação dos locais e dos Atos Declaratórios que reconheceram o alfandegamento (fls. 521/522): Fl. 656DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13854.000335/200207 Acórdão n.º 3402002.980 S3C4T2 Fl. 4 5 Especificamente quanto ao alfandegamento dos locais operados pela COIMBRAFRUTESP e PETROQUÍMICA UNIÃO, a defesa se manifestou da seguinte forma: É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Tratase de continuar o julgamento iniciado pela extinta Turma 3403 na assentada do dia 22 de outubro de 2013. Conforme bem decidiu a DRJ, as empresas comerciais exportadoras previstas no DL nº 1.248/72 constituem uma espécie do gênero de empresas comerciais exportadoras. A existência de um gênero que contém a espécie pode ser aferida no art. 14, VIII e IX da MP nº 2.15835/2001, no art. 39 § 2º da lei nº 9.532/97, nos Convênios ICMS 113/96 e 61/2003 e na Solução de Consulta SRRF/9ª nº 108/2004. Sendo assim, não existe controvérsia quanto ao direito de o contribuinte apurar o crédito presumido de IPI nas exportações indiretas, pois tanto o contribuinte quanto a Administração Tributária entendem que as exportações não precisam ocorrer necessariamente por meio de comerciais exportadoras constituídas sob a forma do DL nº 1.248/72. A controvérsia residiu na falta de comprovação de que as vendas para comerciais exportadoras ocorreram com o fim específico de exportação, a teor do art. 39, I, II e § 2º da Lei nº 9.532/97. Na diligência efetuada, a fiscalização consignou que as três empresas indicadas no item "a" da Resolução estavam cadastradas como comerciais exportadoras, mas Fl. 657DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 que os documentos apresentados pelo contribuinte não permitiram aferir se as mercadorias foram enviadas do estabelecimento da recorrente diretamente para embarque de exportação e que, além disso, os recintos para os quais as mercadorias foram enviadas não eram alfandegados (fls. 511/512). O contribuinte, em sua manifestação sobre a diligência, complementou as informações da fiscalização, apresentando os documentos de fls. 541/617, a fim de comprovar que os recintos para os quais as mercadorias foram enviadas eram recintos alfandegados, restando assim cumprido o requisito estabelecido no art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/97. Pois bem, da análise dos documentos apresentados junto com a manifestação do contribuinte, não restou comprovado que a mercadoria foi remetida para recintos alfandegados em relação às remessas efetuadas para os seguintes locais: 1) Cia Bandeirantes de Armazéns Gerais CNPJ 58.128.174/000174 (ADE 60, de 11/09/2001), em razão do CNPJ que consta do ato declaratório ser diferente do CNPJ do estabelecimento para o qual as mercadorias foram enviadas (fl. 541); 2) Deicmar S/A Terminal Deicmar CNPJ 58.188.756/000196 (ADE 21, de 19/04/2002), em razão do CNPJ que consta do ato declaratório ser diferente do CNPJ do estabelecimento para o qual as mercadorias foram enviadas (fl. 542); 3) Hipercon Terminais de Cargas Ltda CNPJ 57.246.666/000136 (ADE 103, de 17/12/20012), em razão do CNPJ que consta do ato declaratório ser diferente do CNPJ do estabelecimento para o qual as mercadorias foram enviadas (fl. 543); 4) Libra Terminais S/A CNPJ 02.301.598/000189 (ADE 2, DE 07/01/2000), em razão de se tratar de alfandegamento provisório (30 dias) e pelos CNPJ indicados no ADE serem diferentes do CNPJ do estabelecimento para o qual foram enviadas as mercadorias (fl. 544); 5) Santos Brasil Terminal de Containeres CNPJ 58.180.316/000192 (ADE 74, DE 22/05/1998), em razão do CNPJ indicado no ADE ser diferente do CNPJ do estabelecimento para o qual as mercadorias foram remetidas (fl. 545); 6) Citrovita Agroindustrial Ltda CNPJ 57.074.106/001200, em razão do CNPJ consignado no ADE 78, de 3/10/2001 (fl. 615) e ADE 96, DE 28/10/2002 (fl. 616) ser diferente do CNPJ do estabelecimento para o qual a mercadoria foi enviada; 7) Petroquímica União CNPJ 61.632.946/000147, em razão da defesa não ter apresentado o Ato Declaratório Executivo que concedeu o alfandegamento. Sendo assim, em relação a essas remessas os documentos anexados ao processo demonstram que as mercadorias não foram remetidas diretamente para os estabelecimentos alfandegados, restando descumprido o art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/97, não restando caracterizada a venda com o fim específico de exportação. Restou comprovado o alfandegamento do estabelecimento operado pela Empresa Concais S/A CNPJ 02.092.233/000197, ADE 39, de 26/05/2000 (fl. 548) e também pelas empresas Comércio e Industrias Brasileiras Coimbra S/A CNPJ 47.067.525/012386 e CoimbraFrutesp S/A CNPJ 46.347.795/000614, ADE 99, de 29/11/2001 (fl. 556) e contrato de arrendamento PRES/001/91 (fls. 550/553; 557/560 e 561/614). Fl. 658DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13854.000335/200207 Acórdão n.º 3402002.980 S3C4T2 Fl. 5 7 Desse modo, as remessas efetuadas para esses estabelecimentos caracterizam se como exportações indiretas, pois se tratando de local alfandegado restou plenamente cumprida a condição estabelecida no art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/97. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de que a fiscalização refaça a apuração do crédito presumido, considerando como receitas de exportação indireta, os valores decorrentes das remessas de mercadorias efetuadas aos CNPJ 02.092.233/000197 e 46.347.795/000614. Antonio Carlos Atulim Fl. 659DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001034/2003-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 10.276/2001. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE PROVA.
Impossível a inclusão de gastos com energia elétrica e
combustíveis quando não comprovado o montante dos gastos. No
caso, a fatura de prestação de serviços da concessionária é
emitida em nome de uma empresa, não obstante o parque fabril
seja constituído de duas unidades industriais distintas. No caso
dos combustíveis, as notas fiscais são emitidas em nome de um
único estabelecimento, não obstante sejam partilhados os valores
entre si.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS.
Não incide correção monetária nem juros compensatórios no
ressarcimento de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 203-13.371
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: 1) por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso quanto à possibilidade de utilização dos insumos de energia elétrica e de combustíveis, em virtude da falta de sua comprovação; e II) por maioria de votos, em - negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de aplicação da taxa Selic nos valores dç1s créditos reconhecidos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Eric Moraes de Castro e Silva.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 10.276/2001. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE PROVA. Impossível a inclusão de gastos com energia elétrica e combustíveis quando não comprovado o montante dos gastos. No caso, a fatura de prestação de serviços da concessionária é emitida em nome de uma empresa, não obstante o parque fabril seja constituído de duas unidades industriais distintas. No caso dos combustíveis, as notas fiscais são emitidas em nome de um único estabelecimento, não obstante sejam partilhados os valores entre si. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 10.276/2001. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. AUSÊNCIA DE PROVA. Impossível a inclusão de gastos com energia elétrica e combustíveis quando não comprovado o montante dos gastos. No • caso, a fatura de prestação de serviços da concessionária é emitida em nome de uma empresa, não obstante o parque fabril seja constituído de duas unidades industriais distintas. No caso • dos combustíveis, as notas fiscais são emitidas em nome de um • único estabelecimento, não obstante sejam partilhados os valores entre si. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: 1) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de utilização dos insumos de energia elétrica e de combustíveis, • em virtude da falta de sua comprovação; e II) por maioria de votos, em - negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de aplicação da taxa Selic nos valores dç1s créditos reconhecidos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Eric oraes de • Castro e Silva. ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONIRIBUINIES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, 07h / J./ / 0 I. Malte CursiSOIMM9 Mal. Sopa 91650 • Processo n° 11020.001034/2003-51 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-13.371 Fls. 186 / , n ILSS CEDO ROSENBURG FILHO 1 Presidente idee\fi DASSI GUERZONI FI O R ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques eto Duarte e Dalton • Cesar Cordeiro de Miranda. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTR10U4NTES I CONFERE COM O ORIGINAL • araSllia, o:2‘ Marlde Curso° de Obsta MM. Siape 91650 2 • Processo n° 1 I 020.001034/2003-51 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.371 Fls. 187 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • BrasIlla 096- / /19 g Marido Cum: de Men Mai &age 91050 Relatório • Trata-se de Pedido de Ressarcimento de IPI (crédito presumido), relativo ao 1° trimestre de 2003, no valor de R$ 351.171,50, formalizado em 24/04/2003, a ele atrelado uma • Declaração de Compensação de débitos. O formulário do Pedido de Ressarcimento de IPI • indica tratar-se do crédito presumido fundado na Portaria MF n° 38/97, e a DCTF de fl. 11 está a indicar que se trata do crédito presumido sem custo integrado previsto pela Lei n° 10.276, de 2001. • A DRF em Caxias do Sul/RS, no entanto, ao proceder à análise do pedido, procedeu a uma glosa parcial, reconhecendo o direito ao crédito da ordem de R$ 321.658,64, • em face de, primeiro, a contribuinte ter utilizado os saldos de estoque inicial e estoque final • avaliados pelo método do Custo Médio, contrariando o artigo 15, § 2°, da IN SRF n° 315, de 2003, e ter ainda considerado no cálculo, os estoques referentes a materiais de manutenção. A outra motivação para a glosa, deveu-se ao fato de as despesas com energia elétrica e • combustíveis não possuírem comprovação suficiente para atestar que realmente nelas tenha • efetivamente incorrido a contribuinte, visto que estão contempladas numa única fatura para duas empresas distintas. • Na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em resumo, argumenta que • não poderia uma instrução normativa criar exclusões na fruição do beneficio e impedir o aproveitamento de seus gastos com energia elétrica e com combustíveis. Explica a impugnante • que as- despesas de energia elétrica são faturadas em nome da empresa Móveis CECE Ltda. • "através do levantamento da carga instalada das duas unidades fabris e apuração do percentual correspondente a cada uma das empresas (..)", conforme laudo de avaliação que apresentou à fiscalização. Invoca ainda a Impugnante o disposto no artigo 6° da IN SRF n° 460, de 2004, para dizer que obteve o valor dos gastos mediante a elaboração de rateio. Em aditamento à Manifestação de Inconformidade, insurgiu-se a empresa também contra a não incidência de atualização monetária sobre o montante do crédito • reconhecido, pedido que o seja mediante a aplicação da taxa Selic, desde o surgimento do crédito, ou, alternativamente, da data do protocolo do presente processo. Instada a DRF a se manifestar quanto a esse aditamento, considerou incabível a • incidência de atualização rnonetária ao pedido de ressarcimento, tendo, de sua parte, a contribuinte apresentada nova Manifestação de Inconformidade nos mesmos termos em que do aditamento. A 33 Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, por meio do Acórdão n° 13.750, de 5/10/2007, indeferiu a solicitação, em decisão assim ementada: Acórdão DRJ N" 10-13750 de 2007 • "I» Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI • CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - Matéria não contestada, expressamente, torna-se definitiva na esfera administrativa. - Devem • ser excluídos, da base de cálculo do crédito presumido do IPI, os 3 Processo n° 11020 00103412003-51 CCO2/CO3 Acórdão ri.• 203-13.371 Fls. 188 gastos com energia elétrica e combustíveis, não comprovados adequadamente. - Abono de correção monetária no ressarcimento. Descabimento. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária no ressarcimento de créditos de IN. Solicitação indeferida. No Recurso Voluntário praticamente foram repetidos os mesmos argumentos da impugnação, com a ênfase de que todas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo do bem exportado devem integrar a base de cálculo do beneficio, nele incluindo-se, por óbvio, os gastos com energia elétrica e com combustíveis. Aduz a Recorrente que o laudo de avaliação apresentado à fiscalização procurou demonstrar a carga instalada nas duas unidades fabris, apurou os percentuais correspondentes a cada uma das duas empresas, e que, por uma inviabilidade técnica da concessionária de energia elétrica na região — RGE não possui medidores autônomos em cada empresa componente do parque fabril da Recorrente. Insiste ainda a Recorrente em invocar o disposto no art. 6° da N SRF n°410, de 2004, para apropriar os seus gastos com energia elétrica e ,com combustíveis. Repete as considerações em relação ao cabimento da taxa Selic ao valor'ressarcido. É o relatório. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Broma, Cen6 • Wide Ct no de 011velra Met Sapa 91650 4 p Processo n° 1 1020.00 1034t2003-5 I CCO2/CO3 Acórdão n • 203-13.371 SELHO DE coNlInauiNres Fls. 189CONFERE COM O OR1GiNAL Brasina,_32CLIL htarthis Cursiiede Oliveira Met. Sapa 91650 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 11/12/2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 09/01/2008. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será formada com os custos sobre os quais incidiram o PIS/Pasep e a Cotins, inclusive os gastos com energia elétrica e os • combustíveis, não se tem nenhuma dúvida, dada a clareza do inciso I do parágrafo 1° do artigo • 1° da Lei n° 10.276, de 2001. A questão é saber se tais gastos podem ser comprovados para serem incluídos na formação do referido favor fiscal. A Recorrente diz que seu parque fabril possui duas unidades industriais distintas: o seu, propriamente dito, e o da Móveis Cece Ltda., sendo que a concessionária de energia elétrica da localidade alega dificuldades técnicas para emitir notas fiscais de consumo distintas, fazendo-o numa só, em nome da segunda. Para apurar o quanto gasta de energia elétrica, a Recorrente se vale de um "Laudo de Avaliação", firmado por Perfil Energia Ltda., com data de 23/02/2005, que diz, • verbis: I Empresas: TREBOLL MOVEIS LTDA. MOVEIS CECE LTDA. 2 Objetivo: Determinação do percentual de consumo de energia elétrica utilizada pelas unidades fabris de Treboll Móveis Ltda. e Móveis CECE Ltda. 3. Critérios Adotados: Foram realizados levantamentos de carga• instalada das duas unidades fabris e apurados os percentuais • correspondentes a cada uma das empresas. 4. Análise e conclusão: Analisando-se os dados levantados, verificamos que o consumo calculado de energia elétrica da Treboll Móveis Ltda. corresponde a 63,48% do consumo total, enquanto que o da Móveis • CECE Lula., corresponde a 36,52% do consumo total de energia • elétrica. • O referido "Laudo" partiu da carga potencial (kW) de consumo de cada • equipamento instalado nas duas unidades fabris, multiplicou-o pelas horas potenciais de utilização no mês e obteve o total de consumo em KWh de cada unidade fabril, sendo: 162.095,74 kWh, para a Treboll Móveis Ltda., e 93.337,60 kWh para a Móveis Cece Ltda. Daí, obteve o consumo potencial mensal de 255.433,34 kWh e a relação percentual de consumo de energia para cada uma das unidades fabris, quais sejam, os 63,48% e 36,52%, respectivamente. Como dito acima, a questão aqui é meramente probatória e, com a devida venta, a postulante não conseguiu demonstrar o quanto efetivamente gastou de energia elétrica no s Í f'AF-SEGUND--6WNr----- -I-NO DE CONNEUNTEs- . • CONFERE COM O ORIGNAL .13res1113._42LL12_, og • Processo n° 11020.001034/2003-51 CCO2/CO3 . Acórdão n.° 203-13.371 Fls. 190 Marede do de 011ve4re Mausla e sieso período. A meu ver, o "laudo" não se presta a comprovar outra coisa que não a capacidade potencial de consumo de energia elétrica. Ora, primeiro, porque leva em conta o consumo médio mensal de energia elétrica, certamente obtido das faturas de prestação de serviços, dos meses de setembro de 2003 a agosto de 2005, quando o período que está sob análise é o do primeiro trimestre de 2003. Segundo, que não há qualquer indicio ou evidência de prova de que as dezenas de equipamentos que analisou estivessem mesmo na empresa, e em operação, durante o primeiro trimestre de 2003. E, por último, conforme bem destacou a fiscalização, não há qualquer prova • de que todo o potencial de energia elétrica de cada um dos equipamentos tenha sido atingido, e/ou não se conseguiu comprovar que a produção do estabelecimento tenha gerado aquela quantidade de quilowatt-hora no período. Assim, admite-se que a empresa tenha utilizado a energia elétrica para a sua produção exportada, mas tal admissão deve, obrigatoriamente, estar respaldada em elementos concretos, materiais, capazes de garantir o direito ao beneficio à empresa produtora exportadora, conforme preceitua a lei, o que, no caso, não ocorreu, razão porque deve prevalecer a glosa efetuada pela fiscalização em relação à energia elétrica. O mesmo vale para os gastos com combustíveis, já que nenhum elemento de prova foi trazido aos autos pela empresa, que se limitou a confirmar que tais gastos são faturados em seu nome, porém compartilhados com a empresa Móveis Cece Ltda., não obstante tivesse três oportunidades para fazê-lo. De outra parte, não lhe socorre o artigo 6° da IN SRF n° 420, de 10/05/20041, pois, conforme bem destacou a instância de piso, o referido dispositivo não se presta a tratar de • rateio entre empresas distintas, como é o caso. Também em relação à atualização monetária do crédito reconhecido mediante a • aplicação da taxa Selic, não merece acolhida o pleito da Recorrente. • Respeitadas as posições em sentido contrário, entendo que não existe — e nunca • existiu - previsão legal para incidência de juros compensatórios ou de quaisquer outros acréscimos sobre créditos de IPI, tendo a lei estabelecido a incidência da taxa Selic apenas nos • casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos. Art. 6° A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. I°: . . . • (///) • II - de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo industrial; § I° No cisd de imPossibilidade da deterMinação dos cuStbs referidoino inciio II, deverá ser aplicado às despesas • com energia elétrica e combustíveis o percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos . custos e despesas operacionais do estabelecimento industrial. § 20 Não coincidindo o período de faturamento dos custos referidos no inciso II com o período de apuração do • crédito presumido, deverá ser feita apropriação pro rata. . Processo e 11020.001034/2003-51 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.371 Fls. 191 Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundem e não mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o art. 165 do CTN, tem direito à restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevido. A lei estabelece que apenas nos casos de • compensação ou restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior • haverá a incidência de juros equivalentes à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se • tratando de ressarcimento, não existe previsão legal específica para essa incidência. Em relação à correção monetária dos valores pleiteados a título de ressarcimento • do IPI, é pacífico o entendimento neste Colegiado de que essa atualização visa apenas restabelecer o valor real do incentivo fiscal, para evitar o enriquecimento sem causa que sua efetivação em valor nominal adviria à Fazenda Nacional. Entretanto, a atualização do ressarcimento não pode se dar pela variação da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, que tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação efetivamente verificada no período, e que • se adotada no caso causaria a concessão de um "pias", que só é possível por expressa previsão • legal. • No processo administrativo o julgador restringe-se à lei, pela sua competência estritamente vinculada. Se impossibilitado de adotar a Selic como índice de atualização monetária, não pode fixar outro índice, sem que haja previsão legal para tanto. Logo, indefiro a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária no ressarcimento pleiteado. • Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso. • Sala das Sessões, em 08 de ,utubro de 2008 e O ASSI GUERZONI FILH ( SOE tes MF4EGUI4"14BEERE COM O ORIGINAI- • ensaia, etb • Madbie Cunsino de Otivelre Mat. Slepe 91650 7 Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1
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Numero do processo: 14090.000523/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contado do fato gerador. Nenhum período pleiteado pelo contribuinte pode ser analisado.
REEDIÇÃO DA MP 1212/95. ANÁLISE. PODER JUDICIÁRIO.
O vácuo temporal entre a MP 1212/95 e a lei 9.715/98 pelo não cumprimento dos prazos de 30 dias para reedição de 16 das 38 Medidas Provisórias instituidoras do PASEP deve ser apreciados pelo Poder Judiciário.
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2.
Não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de norma regularmente vigente. Compete-lhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contado do fato gerador. Nenhum período pleiteado pelo contribuinte pode ser analisado. REEDIÇÃO DA MP 1212/95. ANÁLISE. PODER JUDICIÁRIO. O vácuo temporal entre a MP 1212/95 e a lei 9.715/98 pelo não cumprimento dos prazos de 30 dias para reedição de 16 das 38 Medidas Provisórias instituidoras do PASEP deve ser apreciados pelo Poder Judiciário. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. Não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de norma regularmente vigente. Competelhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 00 05 23 /2 00 7- 83 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 14090.000523/200783 Acórdão n.º 3301002.686 S3C3T1 Fl. 186 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 14090.000523/200783 Acórdão n.º 3301002.686 S3C3T1 Fl. 187 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS: Foi exarado despacho decisório não homologando a compensação declarada pelo contribuinte acima identificado de PASEP no valor original total de R$ 317.090,00 (trezentos e dezessete mil, e noventa reais) conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 83 a 86. A autoridade fiscal à vista da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte não a homologou em face da decadência do pedido, em razão dos pretendidos créditos terem sido pagos entre março de 1996 e março de 1999, enquanto que o prazo decadencial para efetuar o pedido teria ocorrido cinco anos após o pagamento. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que é sólida a argumentação de que o prazo para solicitar a compensação do indébito tributário é de dez anos, considerando que a Egrégia Corte Especial do STJ por unanimidade acolheu a argüição de inconstitucionalidade do artigo 4º segunda parte, da lei complementar 118/2005, decidindo que, em termos práticos, que diante de tributos onde o fato gerador aconteceu antes da vigência da LC 118/2005 devese adicionar 10 anos sobre essa data, porque a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior para pagamentos anteriores à lei à vigência da lei nova, a tese dos 5 + 5, transcrevendo referida decisão. Alega ainda, que não embasa a sua tese na inconstitucionalidade das medidas provisórias, mas, na ocorrência de um vácuo legislativo entre a edição da MP 1.212/95 e da lei 9.715/98, na série de medidas provisórias que se sucederam com 16 soluções de continuidade provocadas por publicações fora do prazo, ditado pelo comando constitucional de trinta dias. Que as suas alegações encontram respaldo nas decisões do STF e que a perda da eficácia da medida provisória não restaura a da norma legal anterior. Que a conseqüência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à lei 9.715/98 e quem a acolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir e/ou compensar. Que das edições das medidas provisórias que dispõe sobre as contribuições para o PIS/PASEP em dezesseis delas ocorreram após o prazo constitucional de 30 dias, criando um hiato entre a nova e a anterior, caracterizando a não reedição, mas uma nova edição, e que, a perda da eficácia da MP não restaura a da norma legal anterior. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS indeferiu a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 14090.000523/200783 Acórdão n.º 3301002.686 S3C3T1 Fl. 188 4 LEI INTERPRETATIVA EFEITOS. Os efeitos de lei expressamente interpretativa aplicase a fatos ou atos pretéritos, excluída a aplicação de penalidades às infrações dos dispositivos interpretados. PASEP. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. O contribuinte apresentou recurso voluntário onde, basicamente repete seus argumentos em relação ao prazo para pleitear a restituição, e em relação ao mérito do pedido, É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 14090.000523/200783 Acórdão n.º 3301002.686 S3C3T1 Fl. 189 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. O ente municipal protocolizou, em 30/03/2006, as Dcomps com créditos de Pasep oriundos de recolhimentos e retenções realizados a maior, no período de 03/1996 a 03/1999. Assim, a primeira questão que remanesce neste Recurso Voluntário diz respeito ao prazo para pleitear a repetição de indébito do Pasep. Conforme observado anteriormente, o pedido foi protocolizado em 30 de março de 2006 e o ente municipal está a pleitear restituições concernentes aos períodos de apuração de março de 1996 a março de 1999. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contado do fato gerador. Nenhum período pleiteado pelo contribuinte pode ser analisado. Considerando que o pedido de restituição foi protocolizado em 30 de março de 2006 e o ente municipal está a pleitear restituições concernentes aos períodos de apuração de março de 1996 a março de 1999, todos os períodos de apuração foram fulminados pelo prazo decadencial para pleitear a restituição. Portanto, já nesse aspecto, não assiste razão ao recorrente. O crédito pleiteado pelo recorrente está sustentado na alegação de vácuo temporal entre a MP 1212/95 e a lei 9.715/98. Este vácuo temporal estaria caracterizado pelo não cumprimento dos prazos de 30 dias para reedição de 16 das 38 Medidas Provisórias instituidoras do PASEP, tendo como conseqüência jurídica de que não houve exigibilidade legal eficaz no período anterior à lei 9.715/98, e que, conseqüentemente houve cobrança ilegal da referida contribuição. Esta alegação não pode ser analisada em sede administrativa, pois, somente o Poder Judiciário, exclusivamente, pode realizar tal análise de legalidade. Também importa citar a Súmula CARF Nº 2, que traz que não é competência das autoridades administrativas definir sobre limitação da eficácia de norma regularmente vigente. Competelhes somente, no caso, avaliar a existência ou não de indébito tributário. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 14090.000523/200783 Acórdão n.º 3301002.686 S3C3T1 Fl. 190 6 Portanto, o pedido de restituição não está apto a ser analisado no que tange ao prazo para pleitear a restituição, e quando se analisa o mérito, a recorrente não tem razão em seus argumentos. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903957/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 39 57 /2 00 9- 19 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10280.903957/200919 Acórdão n.º 3301002.570 S3C3T1 Fl. 189 2 Relatório O Contribuinte CADAM S.A. devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através de recurso voluntário, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, resultante de pagamento indevido ou a maior através de DARF relativo a pagamento de PIS, conforme relatório nos seguintes termos, ao qual me reporto: Tratase de declaração de compensação transmitida em 03/10/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 17.277,14, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo a. receita de código 6912, do período de apuração de 31/12/2004, no valor originário de R$ 63.808,67. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débito informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 04/06/2009, a interessada apresentou, em 03.07.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "O crédito analisado (...) deriva do pagamento de DARF (...) referente ao (...) PIS apurada em 31/12/04 pela empresa. Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do (...) DACON (...), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (...) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a (...) DCTF referente ao mesmo período. (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10280.903957/200919 Acórdão n.º 3301002.570 S3C3T1 Fl. 190 3 Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório ora recorrido. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação (...). Logo, considerando que a empresa apontou a existência do crédito no DACON RETIFICADOR antes da realização do PER/DCOMP, é forçoso que a autoridade fiscal reveja a decisão recorrida a fim de homologar a compensação declarada pela Requerente em face da indubitável existência do crédito declarado. Nesse sentido é o entendimento do CONSELHO DE CONTRIBUINTES (...). Ressaltese que, em atenção ao principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, não se pode ignorar o conjunto de provas acostado aos autos, o qual revela a existência do crédito tributário declarado(.)." A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de IPI, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária; como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10280.903957/200919 Acórdão n.º 3301002.570 S3C3T1 Fl. 191 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. pedindo a reforma do Julgado insistindo na existência do crédito negado Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10280.903957/200919 Acórdão n.º 3301002.570 S3C3T1 Fl. 192 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. A minuciosa e efetiva diligência foi realizada pela DRF/Belém, solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para que se procedesse à apuração da Contribuição para o PIS, período de apuração 31/12/2004. O contribuinte alega que “ao apurar o valor do PIS devida em 31/12/2004, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período”. Isso gerou para a empresa um valor a pagar de R$ 63.808,67 , que foi efetivamente recolhido por meio de DARF. Posteriormente, houve a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), referente ao 4º trimestre de 2004. A retificação teve o efeito de fazer com que os créditos provenientes do PIS não cumulativo fossem suficientes para compensar os valores da contribuição devida. Dessa forma, o valor recolhido anteriormente a título de PIS seria indevido. Sendo assim, a diligência analisou o DACON, referente ao 4º trimestre de 2004, para aferir se há contribuição a pagar para esse período de apuração, se o pagamento efetuado pelo contribuinte é indevido e quais os efeitos sobre o PER/DCOMP objeto do presente processo. A análise verificou os créditos de PIS já que esses créditos podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher conforme estabelece O cálculo dos créditos de PIS, pelo fato de poderem ser utilizados para dedução da contribuição a recolher, influenciam diretamente o valor da contribuição a pagar o que representa informação fundamental para determinar se o valor pago pelo contribuinte foi indevido. A tabela abaixo relaciona os processos, e respectivas Declarações de Compensação (DCOMP), que se utilizam do mesmo pagamento indevido que a empresa alega ter efetuado. Dessa forma, a diligência serviu como base para a análise dos seguintes processos cujas diligências foram solicitadas pelo CARF: A diligência analisou com precisão todas as glosas realizadas pela fiscalização e concordou totalmente com o procedimento realizado. Posteriormente a diligência realizou a recomposição da base de cálculo e dos créditos do PIS no período em tela. Após a análise, verificouse que mesmo tendo sido efetuadas glosas o contribuinte ainda possui créditos suficientes para compensar a contribuição apurada, ou seja, não houve contribuição a pagar para o período analisado conforme demonstrado na recomposição do DACON referente ao 4º trimestre de 2004. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10280.903957/200919 Acórdão n.º 3301002.570 S3C3T1 Fl. 193 6 Sendo assim, constatou que o pagamento de R$ 63.808,67 , do período de apuração de 31/12/2004, é indevido e pode ser utilizado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP nº 37487.43359.031006.1.3.049460 em análise neste processo. Assim, pelos fatos expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 03 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
score : 1.0
Numero do processo: 13805.005022/98-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/1994 a 08/04/1994
AUSÊNCIA DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DO FATO.
Não há nulidade quando a descrição do fato descreve de forma suficiente a infração e possibilita a plena defesa do direito do contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE.
Incabível o aproveitamento de valores depositados em juízo em compensação realizada no âmbito administrativo antes da sua conversão em renda.
CORREÇÃO DE VALORES. CRÉDITOS A FAVOR DO CONTRIBUINTE.
Os créditos apurados a favor do contribuinte devem ser corrigidos conforme preceitua a NE CST/CSR nº 08/97.
Numero da decisão: 3201-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/1994 a 08/04/1994 AUSÊNCIA DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DO FATO. Não há nulidade quando a descrição do fato descreve de forma suficiente a infração e possibilita a plena defesa do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. Incabível o aproveitamento de valores depositados em juízo em compensação realizada no âmbito administrativo antes da sua conversão em renda. CORREÇÃO DE VALORES. CRÉDITOS A FAVOR DO CONTRIBUINTE. Os créditos apurados a favor do contribuinte devem ser corrigidos conforme preceitua a NE CST/CSR nº 08/97.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 404 1 403 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.005022/9820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.013 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS FINSOCIAL Recorrente CHURRASCARIA FLORIANO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/1994 a 08/04/1994 AUSÊNCIA DE NULIDADE. DESCRIÇÃO DO FATO. Não há nulidade quando a descrição do fato descreve de forma suficiente a infração e possibilita a plena defesa do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. Incabível o aproveitamento de valores depositados em juízo em compensação realizada no âmbito administrativo antes da sua conversão em renda. CORREÇÃO DE VALORES. CRÉDITOS A FAVOR DO CONTRIBUINTE. Os créditos apurados a favor do contribuinte devem ser corrigidos conforme preceitua a NE CST/CSR nº 08/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 50 22 /9 8- 20 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório Tendo em vista tratarse de autos com retorno de diligência, adoto como relatório aquele mesmo lançado por este CARF às fls. 369/372: Tratase de auto de infração fiscal (fls. 109/110), no montante de R$ 4.805,67 (quatro mil oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos), lavrado por meio do lançamento de ofício, efetivando a exigência da COFINS relativa ao período de março de 1994. Pelo Termo de Constatação (fls. 105/106), verificase que o agente fiscal autorizou a compensação dos débitos de COFINS com créditos do Finsocial que surgiram em detrimento do recolhimento feito pelo contribuinte com alíquota superior a 0,5%. Porém, valores depositados em juízo não foram admitidos na compensação, razão pela qual originou o presente auto de infração. Inconformado, o Recorrente apresentou sua Impugnação, tempestivamente, na data de 08/06/98, na qual destaco trechos de maior relevância: a) "A tipificação do fato passível de tributação e pena fiscal, entretanto, foi incorretamente lançada pelo Agente Fiscal, condenando integralmente o ato de lançamento, ao ponto de condenar a cobrança resultante desta imprecisão; b) O caso que foi objeto do lançamento fiscal não é o pagamento, mas sim o de compensação "indevida" ou excesso como mencionado por diversas vezes no auto de infração; c) Ademais, a compensação procedida pela impugnante teve base em decisão judicial da qual o I. Agente Fiscal teve ciência no ato fiscalizatório, por meio de cópia autêntica do mencionado documento; d) A decisão judicial deu à impugnante o direito de compensar todo o crédito do FINSOCIAL, com tributo de igual espécie; e) O fato dos mencionados valoresexcesso estarem depositados em juízo, não muda o direito de compensação da impugnante. O que foi feito, na época, foi a garantia, em processo autônomo, de que esses mesmos valores, não fossem pagos simplesmente ao Fisco, dificultando a devolução posterior. Esses valores estão até hoje depositados à ordem do Juízo da Justiça Federal, vez que o respectivo processo foi recentemente julgado pelo Tribunal Regional Federal, pendendo ainda de finalização; f) Os depósitos judiciais das quantias devidas à época, foram feitos em valores e datas corretos, como o próprio Agente Fiscal reconhece, não restando para o Fisco qualquer prejuízo. Do contrário, os depósitos judiciais sofreram acréscimo de correção monetária e juros comuns aos depósitos poupança, tendo valor correspondente em reais superior ao valor correspondente em reais da UFIR levantadas pelo Ilustre Agente Fiscal; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13805.005022/9820 Acórdão n.º 3201002.013 S3C2T1 Fl. 405 3 g) Desta maneira, portanto, os valores depositados em juízo tem valor bastante superior ao compensado pela impugnante, que teve que aterse as regras de compensação determinadas pela Receita Federal; h) Agora que o processo judicial chegou ao final, a impugnante pretendia, como de fato o fará, comunicar ao Juiz da compensação efetivada, a fim de solicitar a conversão do em renda em nome da União, dos depósitos judiciais, não resultando seu ato em qualquer lesão ao fisco; (grifo nosso) i) Quando a Suprema Corte julgou a questão relativa ao FINSOCIALl sbm efeito vinculante, restou sacramentada a inconstitucionalidade\op FÜNSOCIAL cobrado na forma do Decretolei n. 1940/82. Esta decisas influenciaria mais tarde a questão discutida pela impugnante no processo n.93.00251864; j) Como na ocasião o referido processo sequer se encontrava decidido em primeira instância, à impugnante resolveu pedir judicialmente a compensação do mesmo FINSOCIAL, com o recém criado COFINS. Deferido seu pedido nesta outra demanda, procedeu a compensação conforme lhe autorizou a ordem judicial"; k) Quanto ao valor e juros da multa imposta, argumenta que não estão de acordo com a legislação vigente Art. 920 do Código Civil , pois supera muito o valor do débito principal. Cita, ainda, violação ao princípio do nãoconfísco, art. 150, IV, da Constituição Federal. Em decisão proferida pela DRJ de São Paulo/SP, por unanimidade de votos, decidiuse: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/03/1994 Ementa: COMPENSAÇÃO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Incabível o aproveitamento de valores depositados em juízo em compensação realizada no âmbito administrativo. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. A vedação constitucional do emprego de tributo com efeito de confisco dirigese ao legislador e não ao aplicador da lei, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio e os juros de mora de acordo com a legislação própria. NULIDADE. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO SUPOSTAMENTE INCORRETA. E incabível a argüição de nulidade por incorreta tipificação da infração, quando esta ê descrita com clareza tanto no auto de infração quanto no termo de constatação e o lançamento obedece rigorosamente à legislação aplicável. Lançamento Procedente. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Irresignada, a Recorrente apresentou seu Recurso voluntário, tempestivamente, onde alega: a) a nulidade do auto de infração em função do erro na descrição do fato objeto da autuação, uma vez que não se pode falar em não pagamento do tributo uma vez que se trata de compensação; b) que poderia ter efetuado as compensações com os valores depositados em juízo uma vez que não existe impedimento legal para este procedimento, e que os valores depositados já foram convertidos em renda da União Conforme requerimento formulado junto a Justiça Federal para assim validar as compensações c) que no processo 13805.005023/9892 que analisa as compensações promovidas por Galetos Rio Branco, coautor, juntamente com o Recorrente, das mesmas ações judiciais que reconheceram o direto ao crédito do FINSOCIAL e que também promoveu compensações com valores depositados, teve seus créditos calculados com base na NE CST/CSR n° 08/97; d) que se utilizada a NE CST/CSR n° 08/97 para o cálculo de seus créditos estes alcançariam a monte de 11.384,29 UFIRs (planilha de fls. 344), valor superior aos valores compensados que seriam equivalentes a 7.187,05 UFIR (fls. 342), pugnando assim a aplicação da referida norma e o cancelamento do auto de infração uma vez que os créditos seriam suficientes mesmo se desconsiderados os valores depositados; e) por fim requer a juntada de documentos nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72 e o direito de sustentar oralmente quando do julgamento do Recurso Voluntário, É o relatório Os autos foram então distribuídos à Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sob relatoria do exConselheiro Alexandre Gomes. Em sessão do dia 17/09/2009 foi deliberado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento do recurso em diligência para que a autoridade preparadora prestasse os seguintes esclarecimentos (fls. 372/373): a) detalhe os valores dos recolhimentos indevidos de FINSOCIAL em planilha que contenha, os valores das bases de cálculo, os valores devidos e os recolhidos e o valor em UFIR dos créditos; b) discrimine os índices utilizados na atualização dos créditos e o valor das compensações efetuadas, bem como o eventual saldo devedor existente; c) efetue também os cálculos acima descritos tendo por base a NE CST/CSR n° 08/97 d) informe a data da conversão em renda dos depósitos judiciais efetuados; A DEFIS São Paulo apresentou os esclarecimentos solicitados, bem como as respectivas planilhas de cálculo (fls. 377 a 394). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13805.005022/9820 Acórdão n.º 3201002.013 S3C2T1 Fl. 406 5 Devidamente intimado do resultado da diligência, o Recorrente deixou de se manifestar. Os autos subiram a este CARF, sendo redistribuídos à minha relatoria. É o relatório. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme destacado pelo Relator original do presente feito, o recurso Voluntário apresentado, no que diz respeito ao mérito, fundamentase em dois aspectos: O recurso apresentado aborda dois temas distintos. O primeiro diz respeito à possibilidade de compensação com base em créditos depositados judicialmente que após o transcurso do processo são convertidos em renda da União. O Segundo, é relativo a questão do valor real dos créditos de FINSOCIAL a que fazia jus o Recorrente. Segundo o auditor fiscal, em seu Termo de Constatação e Auto de Infração (fls. 105 a 111) , os créditos seriam equivalentes a 7.457 UFIR, em contraponto os cálculos do contribuinte alcançariam a monta de 11.384,24 UFIR. Não obstante, existe aspecto preliminar suscitado pelo Recorrente que antes passo a examinar. Descrição equivocada do fato. O Recorrente postula pelo anulação do auto de infração por entender que "o Ilustre Agente Fiscal tipificou erroneamente o suposto fato passível de tributação e pena fiscal". Isso porque, ao contrário do que foi afirmado no Auto de Infração, "não há que se falar em não pagamento do tributo, que presume impontualidade ou inadimplência, situações estas não ocorridas." Continua, aduzindo que "o que de fato aconteceu foi a compensação espontânea realizada pela RECORRENTE." (fls. 213/214) Não vislumbro, contudo, a nulidade aventada. A uma, porque, Conforme se verifica do Auto de Infração lavrado em 08/05/1994, apurouse a "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL". Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 O Termo de Constatação lavrado (fls. 106/108) parte integrante do Auto de Infração deixa claro que a falta de recolhimento da COFINS apurada decorreu do fato que, para a extinção, a Recorrente valeuse do procedimento de compensação. A possibilidade de compensação foi devidamente acatada pela Autoridade Fiscal. Contudo, verificouse que o crédito utilizado teria sido insuficiente, uma vez que, parte deste, seria decorrente de valores depositados judicialmente, faltandolhe, assim os requisitos da certeza e liquidez. Logo, não se verifica qualquer irregularidade na descrição dos fatos que deram causa à lavratura do Auto de Infração. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Passase ao mérito. Compensação com valores depositados judicialmente. O contribuinte requer seja convalidada compensação de débitos próprios realizada com crédito decorrente de depósitos judiciais que, no momento do encontro de contas, ainda se encontravam à disposição do juízo (ainda não convertidos em renda). Todavia, é pressuposto básico do instituto da compensação que as partes envolvidas sejam, ao mesmo tempo, credor e devedor uma da outra (art. 368 do Código Civil). Na hipótese ora analisada temse que, à época dos fatos, o Recorrente era "devedor" da Fazenda Nacional. Contudo, não se pode inferir que a Fazenda Nacional era, a tal tempo, devedora do Recorrente, já que, como exposto anteriormente, ainda havia pendência de decisão judicial acerca da legitimidade da cobrança do Finsocial e, mais ainda, os valores apurados a tal título não haviam sido entregues, de fato e de direito, à Fazenda Nacional, já que se encontravam à disposição do juízo. Sendo assim, não se verificava a presença dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. Vale salientar que, à época dos fatos, sequer se poderia alegar que os valores correspondentes aos depósito judiciais se encontravam no caixa único do Tesouro Nacional. Apenas com a edição da Medida Provisória n. 1.721, de 28 de outubro de 1998, convertida na Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, é que os depósitos judiciais de valores referentes a tributos e contribuições federais passaram a ser direcionados à Conta Única do Tesouro Nacional. Desse modo, concluo que está correta a decisão recorrida quanto a ser Incabível o aproveitamento de valores depositados em juízo em compensação realizada no âmbito administrativo. Oportuno destacar que a presente decisão não tem o condão de indeferir o direito creditório da Recorrente eventualmente advindo da posterior conversão em renda dos depósitos judiciais. O que se afirma é que, à época dos fatos examinados no presente Auto de Infração, estes valores não estavam dotados dos requisitos de liquidez e certeza, sem os quais não poderia ser realizada a compensação. Correção dos valores pela NE CST/CSR nº 08/97. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que, ainda que não se admita, na valoração do crédito passível de restituição e compensação, aqueles valores que se Fl. 409DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13805.005022/9820 Acórdão n.º 3201002.013 S3C2T1 Fl. 407 7 encontravam depositados judicialmente, ainda assim o crédito postulado seria suficiente para a extinção de todos os débitos indicados. De acordo com o auditor fiscal, em seu Termo de Constatação e Auto de Infração (fls. 105 a 111), o débito que o contribuinte pretende compensar é de 7.187 UFIR. Já o crédito total postulado seria de 7.457,90 UFIR. Desse montante, apenas 4.970,67 UFIR seria crédito líquido e certo, já que 2.487,23 UFIR seriam relativas aos depósitos judiciais. Por outro lado, o contribuinte defende que o crédito total postulado alcançaria a monta de 11.384,24 UFIR, suficientes, portanto, para a quitação do débito de 7.187,05 UFIR, remanescendo, ainda, um saldo de 4.197,24 UFIR (sendo que o saldo depositado em juízo representa 3.342,25). Ou seja, o crédito líquido e certo (excluídos os depósitos judiciais) seria de 8.041,99 UFIR. A diferença entre o crédito reconhecido pela Fazenda Nacional (4.970,67 UFIR) e aquele apontado pela Recorrente (8.041,99 UFIR ) seria decorrente do fato de que a Fazenda Nacional não teria efetuado a correção dos valores passíveis de restituição da forma adequada, qual seja, aquela prevista na NE CST/CSR n° 08/97. Diante dessa disparidade, em diligência solicitada por este órgão julgador, pediuse à Autoridade Preparadora que "efetue também os cálculos acima descritos tendo por base a NE CST/CSR n° 08/97". Esta foi a conclusão: IV) EXCESSO DE RECOLHIMENTO Com base na NE CST/CSR n.8 de 06/97 Atendendo a solicitação do item "c" no que se refere a efetuação dos cálculos baseados na NE CST/CSR n. 8 de 08/97 elaboramos o calculo em UFIR e obtivemos os seguintes valores: Total dos excessos em UFIR 11.456,21 Excessos relativos as contr. recolhidas 8.113,94 Excessos relativos aos dep. judiciais: 3.342,27 Logo, a Autoridade Fiscal reconheceu que, efetuandose a correção dos créditos do contribuinte em conformidade com a NE CST/CSR n. 8 de 08/97, este faz jus ao montante de 8.113,94 UFIR (correspondente apenas às contribuições recolhidas), o que é suficiente para a extinção do débito de 7.187 UFIR. Diante do exposto, é forçoso concluir que a assiste razão à Recorrente no que diz respeito à comprovação de suficiência do crédito reconhecido pelo Agente Fiscal para a quitação da totalidade dos débitos apurados. Assim, voto por dar PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer a legitimidade do crédito apurado em diligência fiscal no montante de 8.113,94 UFIR (correspondente apenas às contribuições recolhidas) e, conseqüentemente, a extinção da totalidade dos débitos apurados no Auto de Infração (7.187 UFIR). Fl. 410DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10314.005698/2011-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/02/2011, 10/02/2011, 21/03/2011, 22/03/2011, 31/05/2011, 02/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 244 1 243 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.005698/201131 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.130 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PAF MANDADO DE SEGURANÇA Recorrente SOCIEDADE BENEFICIENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN" Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/02/2011, 10/02/2011, 21/03/2011, 22/03/2011, 31/05/2011, 02/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 56 98 /2 01 1- 31 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 243), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.548, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 04 a 28, cientificados em 26.07.2011, em que são exigidos os impostos de Importação e Sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, e as contribuições PISImportação e COFINS Importação, acrescidos dos juros de mora calculados até 30.06.2011, perfazendo um montante de R$ 191.729,37. Através das declarações de importação (DI) nº 11/02560911, 11/05073906 e 11/09959933, registradas em 09.02.2011, 21.03.2011 e 31.05.2011, respectivamente, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.4.03.6100, impetrado perante Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005698/201131 Acórdão n.º 3802004.130 S3TE02 Fl. 245 3 a 4ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO/SACAT/ALF/SPO nº 42, de 20/04/2011 (fls. 28). No item 1do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.403.6100, da 4ª Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, objetivando o desembaraço das mercadorias descritas na inicial, sem o recolhimento de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, o juízo assim se manifestou:”Isto posto, defiro a liminar requerida para determinar à autoridade impetrada que proceda à liberação das mercadorias citada as fls. 03/04 dos autos, independentemente do recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS”. Ainda, a autoridade lançadora salienta que: “(...), e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente auto de infração para a constituição dos créditos tributários, que se encontram com suas exigibilidades suspensas, nos termos da liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000229259.2011.403.6100, em trâmite na 4ª Vara cível/SP, impetrado pelo importador. Em cumprimento à determinação judicial exarada nos autos do processo judicial citado, houve autorização, através do MEMO SACAT/ALF/SPO nº 042 de 20/04/2011, para que esta fiscalização procedesse ao desembaraço e a entrega da carga em questão. Em cumprimento ao disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, deixouse de exigir a multa de ofício,.” Dos autos se depreende também que a inicial que deu azo à citada ação mandamental foi protocolada em 25.02.2011, ocasião que a impetrante assim se manifesta em seu pedido: “DO PEDIDO Uma vez demonstrado o direito líquido e certo do Impetrante de não ser compelido a recolher os tributos acima mencionados e presentes os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”, bem como a flagrante ilegalidade do ato coator atacado, requerse: 1 – a concessão de MEDIDA LIMINAR, inaldita altera pars, sem qualquer espécie de caução, para assegurar seu direito líquido e certo de, nos termos da Constituição Federal, proceder o Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 desembaraço dos bens citados à pagina 02/03, sem o recolhimento dos tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins). 2 – que seja oficiado o Ilmo. Sr. INSPETOR ALFANDEGÁRIO DA RECEITA FEDERAL DE SÃO PAULO (Rua Celso Garcia, nº 3580), para que realize o desembaraço dos bens abaixo mencionados, que aguardarão o início dos procedimentos aduaneiros no EADI/São Paulo – CNAGA (Av. das Nações Unidas, nº 22452 – Jurubatuba São Paulo/SP), sem a apresentação das guias comprobatórias de recolhimento dos tributos em questão. (...) 5 – por fim, que à época da prolação da sentença seja concedida DEFINITIVA SEGURANÇA, nos estritos termos constitucionais, ou seja, para que a Impetrante não seja obrigada a recolher os aludidos tributos e, por fim, para que a autoridades coatora indicada se abstenha da prática de qualquer ato tendente a restringir esse seu direito, tais como a lavratura de auto de infração e a conseqüente imposição de penalidades. (...)”. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu defesa administrativa protocolada em 25.08.2011 para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da liminar e sentença procedente, originário do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.403.6100, da 4ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do deferimento de medida liminar não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005698/201131 Acórdão n.º 3802004.130 S3TE02 Fl. 246 5 Data do fato gerador: 09/02/2011, 10/02/2011, 21/03/2011, 22/03/2011, 31/05/2011, 02/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/02/2011, 10/02/2011, 21/03/2011, 22/03/2011, 31/05/2011, 02/06/2011 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 243), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ, bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 000299259.2011.403.6100, originário da 4ª Vara Federal da Seção da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 117 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005698/201131 Acórdão n.º 3802004.130 S3TE02 Fl. 247 7 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Voto da Decisão da DRJ às fls. 216/223, fica consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000299259.2011.403.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio das DI nº 11/02560911, 11/05073906 e 11/09959933, registradas em 09.02.2011, 21.03.2011 e 31.05.2011, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação.. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000299259.2011.4.03.6100, da 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005698/201131 Acórdão n.º 3802004.130 S3TE02 Fl. 248 9 depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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