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Numero do processo: 10680.723570/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Declarou-se impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pela perda do seu objeto, em razão da sua apresentação intempestiva. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Declarouse impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 70 /2 01 0- 01 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 27/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 04/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.278.8246, consistentes em contribuições sociais a cargo dos segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 64/94. Consta no relatório fiscal que os fatos geradores para os quais foram lançadas contribuições são: pagamentos de alugueis de veículos de empregados (código de levantamento AE); despesas de viagem sem comprovação (levantamento DV1); pagamento de aluguéis de veículos de pessoas físicas contribuintes individuais (levantamento AF1); pagamentos efetuados a pessoas físicas, contribuintes individuais, identificados na contabilidade da empresa e não incluídos em folhas de pagamentos (levantamento CI1); pagamentos a empregados não constantes das folhas de pagamento (levantamento EF1); fornecimento de valetransporte a empregados em desacordo com legislação própria (levantamento VT1). Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 129/147. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0252.810 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 167/179, julgando procedente o lançamento em debate, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014 , a fl. 182, e Aviso de Recebimento a fl. 183. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 11/04/2014, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 185/207, requerendo ao fim a nulidade e o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723570/201001 Acórdão n.º 2401004.058 S2C4T1 Fl. 219 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014 , a fl. 182, e Aviso de Recebimento, a fl. 183. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723570/201001 Acórdão n.º 2401004.058 S2C4T1 Fl. 220 5 incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa em 10/03/2014, segundafeira, dia útil, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0022/2014, a fl. 18/2, e Aviso de Recebimento, a fl. 183, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 11/03/2014, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 09 dias do mês de abril do mesmo ano, inclusive, quartafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente, no dia 11/03/2014, o que implica na fixação do dia 09/04/2014 como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. Tal circunstância é corroborada pelos extratos do SICOB a fls. 214 e 215, os quais informam o prazo recursal compreendendo o horizonte temporal de 10/03/2014, data de ciência da Decisão de 1ª Instância, até 09/04/2014, data de expiração do prazo para a interposição de eventual Recurso Voluntário. No caso vertente, havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado, tão somente no dia 11/04/2014, sextafeira, dia útil, como assim denuncia o Carimbo de Protocolo Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 da DRF/Belo Horizonte aposto no canto superior esquerdo da Folha de Rosto do Instrumento Recursal, a fl. 185, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’, da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723570/201001 Acórdão n.º 2401004.058 S2C4T1 Fl. 221 7 seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722351/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DAS DESPESAS. INADMISSÃO.
O fato de a PFN haver informado a maior os encargos incidentes sobre as dívidas cobradas da Interessada não torna dedutíveis os valores que excederam as despesas efetivamente incorridas, segundo o regime de competência dos exercícios, mormente quando a própria Interessada se mostra conhecedora do equívoco cometido pela Procuradoria.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DESPESAS OPERACIONAIS. CARACTERIZAÇÃO, EM TESE.
Os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público constituem um risco inerente a essa específica atividade (são, então, necessários), além de estarem padronizados nos respectivos instrumentos contratuais (são, então, usuais e normais), razões por que se inserem, em tese, no conceito de despesas operacionais adotado pela legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, o só fato de serem contratuais esses encargos não tem o condão de determinar sua indedutibilidade. Para glosar os encargos contratuais deduzidos, há de se perquirir, no caso concreto, se foram desatendidos os requisitos legais da necessidade, usualidade e normalidade das despesas.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PREJUÍZO CAUSADO À FAZENDA NACIONAL. IMPROCEDÊNCIA.
É de todo irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou indedutibilidade) dos encargos decorrentes do inadimplemento de cláusula de contrato de arrecadação de recursos públicos, os eventuais prejuízos (ou a duplicidade destes) infligidos ao Tesouro Nacional pelo agente arrecadador, porque essa circunstância fática não integra o tipo legal que estabelece as regras de dedutibilidade de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4° DA LEI 11.941/2009. IMPROCEDÊNCIA.
A disposição contida no parágrafo único do artigo 4° da Lei n° 11.941/2009 tem o alcance tão-somente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringe-se a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela perdoada da dívida. E só. O dispositivo legal invocado não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE NAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DETERMINANTES DA FALTA DE REPASSE. INDEDUTIBILIDADE.
Se o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros - como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade - mas, ao contrário, deu-se em razão de a Interessada haver se apropriado intencional e conscientemente dos valores arrecadados do público, restam afastados os atributos da necessidade, normalidade e usualidade dos encargos, exigidos pela legislação tributária para conferir dedutibilidade às despesas operacionais.
TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO ARTIGO 236 DO RIR/1999. IMPROCEDÊNCIA.
As normas contidas no caput do artigo 236 do RIR/1999 e seus incisos cuidam de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Por conseguinte, não se prestam à caracterização da dedutibilidade dos encargos incorridos por conta da inexecução do contrato de agente arrecadador. Nos lançamentos impugnados, não foi apurada nenhuma infração atinente à compensação de prejuízos fiscais (ou de bases de cálculo negativas da CSLL).
DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADEDO CRÉDITOTRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA.
Uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade do respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas arroladas exaustivamente no artigo 151 do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, relativo à CSLL.
Numero da decisão: 1401-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público constituem um risco inerente a essa específica atividade (são, então, necessários), além de estarem padronizados nos respectivos instrumentos contratuais (são, então, usuais e normais), razões por que se inserem, em tese, no conceito de despesas operacionais adotado pela legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, o só fato de serem contratuais esses encargos não tem o condão de determinar sua indedutibilidade. Para glosar os encargos contratuais deduzidos, há de se perquirir, no caso concreto, se foram desatendidos os requisitos legais da necessidade, usualidade e normalidade das despesas. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PREJUÍZO CAUSADO À FAZENDA NACIONAL. IMPROCEDÊNCIA. É de todo irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou indedutibilidade) dos encargos decorrentes do inadimplemento de cláusula de contrato de arrecadação de recursos públicos, os eventuais prejuízos (ou a duplicidade destes) infligidos ao Tesouro Nacional pelo agente arrecadador, porque essa circunstância fática não integra o tipo legal que estabelece as regras de dedutibilidade de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4° DA LEI 11.941/2009. IMPROCEDÊNCIA. A disposição contida no parágrafo único do artigo 4° da Lei n° 11.941/2009 tem o alcance tão-somente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringe-se a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela perdoada da dívida. E só. O dispositivo legal invocado não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE NAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DETERMINANTES DA FALTA DE REPASSE. INDEDUTIBILIDADE. Se o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros - como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade - mas, ao contrário, deu-se em razão de a Interessada haver se apropriado intencional e conscientemente dos valores arrecadados do público, restam afastados os atributos da necessidade, normalidade e usualidade dos encargos, exigidos pela legislação tributária para conferir dedutibilidade às despesas operacionais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO ARTIGO 236 DO RIR/1999. IMPROCEDÊNCIA. As normas contidas no caput do artigo 236 do RIR/1999 e seus incisos cuidam de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Por conseguinte, não se prestam à caracterização da dedutibilidade dos encargos incorridos por conta da inexecução do contrato de agente arrecadador. Nos lançamentos impugnados, não foi apurada nenhuma infração atinente à compensação de prejuízos fiscais (ou de bases de cálculo negativas da CSLL). DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADEDO CRÉDITOTRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade do respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas arroladas exaustivamente no artigo 151 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, relativo à CSLL.
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DESISTÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. O acesso ao processo administrativo é uma garantia fundamental consagrada na Constituição Federal, à qual somente o seu titular pode renunciar. Nesses termos, não configura desistência do processo administrativo a propositura, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de execução fiscal contra o contribuinte, ainda que o objeto do processo administrativo esteja abrangido pela execução fiscal. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DO EFEITO DA COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Questão decidida incidentalmente no bojo da execução fiscal, sem amparo dos efeitos da coisa julgada material, em relação à qual exista processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, não caracteriza a concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO ÂMBITO MATERIAL DAS RELAÇÕES JURÍDICAS REGULADAS PELA DECISÃO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Havendo a Autoridade Judiciária delimitado o âmbito material de incidência da decisão proferida na execução fiscal, não há que se falar em concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto, quando o âmbito material de incidência da decisão prolatada no segundo é mais amplo do que aquele ao qual a Autoridade Judiciária restringiu os efeitos da sua própria decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 23 51 /2 01 0- 81 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 68 2 DOS RECURSOS ARRECADADOS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DAS DESPESAS. INADMISSÃO. O fato de a PFN haver informado a maior os encargos incidentes sobre as dívidas cobradas da Interessada não torna dedutíveis os valores que excederam as despesas efetivamente incorridas, segundo o regime de competência dos exercícios, mormente quando a própria Interessada se mostra conhecedora do equívoco cometido pela Procuradoria. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DESPESAS OPERACIONAIS. CARACTERIZAÇÃO, EM TESE. Os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público constituem um risco inerente a essa específica atividade (são, então, necessários), além de estarem padronizados nos respectivos instrumentos contratuais (são, então, usuais e normais), razões por que se inserem, em tese, no conceito de despesas operacionais adotado pela legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, o só fato de serem contratuais esses encargos não tem o condão de determinar sua indedutibilidade. Para glosar os encargos contratuais deduzidos, há de se perquirir, no caso concreto, se foram desatendidos os requisitos legais da necessidade, usualidade e normalidade das despesas. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PREJUÍZO CAUSADO À FAZENDA NACIONAL. IMPROCEDÊNCIA. É de todo irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou indedutibilidade) dos encargos decorrentes do inadimplemento de cláusula de contrato de arrecadação de recursos públicos, os eventuais prejuízos (ou a duplicidade destes) infligidos ao Tesouro Nacional pelo agente arrecadador, porque essa circunstância fática não integra o tipo legal que estabelece as regras de dedutibilidade de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4° DA LEI 11.941/2009. IMPROCEDÊNCIA. A disposição contida no parágrafo único do artigo 4° da Lei n° 11.941/2009 tem o alcance tãosomente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringese a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela “perdoada” da dívida. E só. O dispositivo legal invocado não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE NAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DETERMINANTES DA FALTA DE REPASSE. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 69 3 Se o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade mas, ao contrário, deu se em razão de a Interessada haver se apropriado intencional e conscientemente dos valores arrecadados do público, restam afastados os atributos da necessidade, normalidade e usualidade dos encargos, exigidos pela legislação tributária para conferir dedutibilidade às despesas operacionais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO ARTIGO 236 DO RIR/1999. IMPROCEDÊNCIA. As normas contidas no caput do artigo 236 do RIR/1999 e seus incisos cuidam de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Por conseguinte, não se prestam à caracterização da dedutibilidade dos encargos incorridos por conta da inexecução do contrato de agente arrecadador. Nos lançamentos impugnados, não foi apurada nenhuma infração atinente à compensação de prejuízos fiscais (ou de bases de cálculo negativas da CSLL). DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADEDO CRÉDITOTRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade do respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas arroladas exaustivamente no artigo 151 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, relativo à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Fl. 757DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 70 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 71 5 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Cuidam, os presentes autos, de Impugnação interposta pela Interessada contra os Autos de Infração de fls. 02/14, mediante os quais a autoridade fiscal reduziu os valores do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ a compensar ou a ser restituído e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a compensar ou a ser restituída, relativos ao anocalendário 2008, informados nas Declarações de Informações EconômicoFiscais DIPJ da Interessada. O crédito tributário apurado no procedimento fiscal que culminou na lavratura dos autos de infração impugnados foi assim quantificado pela autoridade lançadora: IRPJ R$ 1.058.706,90 CSLL R$ 649.624,14 TOTAL R$ 1.708.331,04 Na Descrição dos Fatos do Auto de Infração de IRPJ (fls. 04), as autoridades fazendárias relatam a falta de adição ao lucro líquido do exercício, para apuração do Lucro Real, de "acréscimos legais de juros de mora e encargo legal, incidentes sobre débitos existentes em nome da fiscalizada junto à Dívida Ativa da União que, na forma como descrito e fundamentado no Termo de Verificação Fiscal [...] não reúne [sic] as condições para a dedutibilidade pretendida pela empresa". É idêntica a Descrição dos Fatos do Auto de Infração de CSLL (fls. 09), com a única ressalva de que, nesse caso, a falta de adição ao lucro líquido do exercício, para mensuração da base de cálculo da Contribuição, alcança, além dos juros de mora e do encargo legal, a multa de mora incidente sobre débitos existentes em nome da fiscalizada junto à Dívida Ativa ia Jnião". No aludido Termo de Verificação Fiscal, encontrase alentado relato dos fatos apurados pelo Fisco Federal, bem como dos fundamentos jurídicos em que se alicerçaram os lançamentos discutidos. Pela importância dessa peça processual para o deslinde do presente litígio, hei por bem transcrevêlo na íntegra, como abaixo se segue. 1. INTRODUÇÃO A presente fiscalização foi programada a partir de demanda da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suspeitou da excentricidade do prejuízo fiscal apresentado pela empresa no ano de 2008, utilizado pelo síndico da massa falida do Banco Comercial Bancesa S/A para os fins de reduzir sua dívida junto àquele órgão fazendário, com supedâneo na Lei 11.941/2009 (REFIS da crise). É que, na Declaração de Rendimentos (DIPJ) apresentada para referido exercício, foi indicado um montante de prejuízo fiscal da ordem de R$ 701.903.121,00, em grave contraste com a situação superavitária que até então, embora em processo falimentar, vinha sendo apresentada pela empresa nos últimos exercícios. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 72 6 Assim sendo, nossa auditoria concentrouse no exame dos fatos que teriam dado causa a esse prejuízo, à vista dos assentamentos contábeis e dos elementos probatórios oferecidos pela fiscalizada. 2. DOS EXAMES INICIAIS Iniciando o procedimento, foi o síndico da massa falida do BANCESA devidamente intimado a nos apresentar os livros e arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil da fiscalizada do anocalendário de 2008, através da qual esta fiscalização detectou, de forma imediata, a presença de dois lançamentos, datados de 31/12/2008, totalmente destoantes do restante da escrituração da empresa, por envolver a estonteante cifra de R$ 734.411.523,59 a débito de rubrica genérica intitulada de "Outras Despesas Operacionais" que guinou o resultado do exercício para a situação de prejuízo acima mencionada. De notar que em contrapartida dessas despesas foi creditada estranhamente, uma conta do passivo circulante denominada de "Imposto de Renda s/Lucros". Referidos lançamentos estão assim retratados na contabilidade da fiscalizada: 1° lançamento: Data: 31/12/2008 Conta debitada: 8840103 Outras Despesas Operacionais Conta creditada: Imposto de Renda s/Lucros Histórico: Ajuste aos montantes pretendidos pela PFN Valor: R$ 400.756.653,99 Data: 31/12/2008 Conta debitada: 8840103 Outras Despesas Operacionais Conta creditada: Imposto de Renda s/Lucros Histórico: Ajuste aos montantes pretendidos pelo INSS Valor: R$ 333.654.869,60 3. DAS DESPESAS CONTABILIZADAS A propósito dos lançamentos acima retratados, formulamos intimação ao representante da fiscalizada a fim de que nos apresentasse suas justificativas, por escrito e à vista de documentação probatória, acerca dos fatos que lhes teriam dado causa, inclusive o porquê dessa dedução terse concentrado no anocalendário de 2008, devendo ainda identificar as obrigações que ensejaram essas despesas e os seus respectivos saldos atualizados em 31/12/2008, demonstrando de forma detalhada a sua composição, com especificação da natureza dos encargos, fatos geradores, períodos de competência, bases de cálculo, coeficientes aplicados e respectivos valores, conforme consta de Termo próprio aplicado em 16/03/2010 com prazo de 10 dias, que foi prorrogado por igual período a pedido do interessado. Na resposta apresentada, o contribuinte inicia suas explicações sufragando a lei 11.941/2009 para dizer que esse dispositivo autorizava a utilização de prejuízo e base negativa da CSLL para a redução de encargos financeiros sobre as dívidas parceladas junto à Fazenda Nacional, e que para se utilizar dessa faculdade, na qualidade de devedor que é da Fazenda Federal, fez o levantamento de seus débitos junto à Dívida Ativa da União, chegando à apuração dos ajustes financeiros a título de multa, juros e encargos, objeto dos lançamentos das despesas em questão. Acerca das razões para a contabilização desses "ajustes" ter ocorrido de forma globalizada somente na data 31/12/2008, alega que os valores estavam subjudice: a dívida da PFNhavia sido objeto do processo de "embargo à execução" n° 95.13783 6, que suspendia a exigência nos termos do art. 739, § 1o do CPC (transitado em julgado em 04/11/2003). Fl. 760DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 73 7 De igual forma, a dívida junto ao INSS também estava suspensa por conta do processo de "embargo à execução" de n° 96.00394580, do qual desistira em 01/03/2010 por conta da adesão ao parcelamento supracitado. Afirma também que em relação aos ajustes dos encargos financeiros, nenhum lançamento havia feito anteriormente. Em relação ao "quantum" das despesas contabilizadas, esclarece o contribuinte que os dados foram colhidos a partir das certidões de dívida ativa existentes em seu nome junto à PFNCE, correspondendo ao todo 20 inscrições, cujos saldos foram ajustados à data de 31/12/2008. Os totais lançados não foram decompostos como solicitado na nossa Intimação, tendo o contribuinte limitadose a afirmar que essas despesas correspondiam aos ajustes de juros, multas e encargos, indicando seus valores pelos respectivos totais. Por oportuno, cabe registrar que a rubrica correspondente à multa, no montante de R$ 11.391.166,17, foi adicionada pela fiscalizada ao lucro liquido do período, para efeito da apuração do lucro real, conforme consta escriturado no LALUR, o mesmo não ocorrendo, entretanto, em relação à base de cálculo da Contribuição Social s/Lucro Liquido. Para melhor elucidação, transcrevese a seguir trechos da resposta dada pela empresa, cuja íntegra consta da respectiva correspondência que integra o presente Termo: "Em suma, ante a sinalização pelo Congresso Nacional de que os encargos financeiros (multas, juros e honorários da PFN) haveriam de receber substancial redução, nalguns casos, de até 100%; também em face da sinalização de que o prejuízo fiscal e a base negativa da CSL, tal como previsto na Emenda da Senadora Ideli Salvati, haveriam de gerar crédito fiscal para abater os acréscimos; e, finalmente, que o aproveitamento desses descontos não implicaria tributação, justamente porque não seriam mandados "incluir" ao lucro real, nem à base de cálculo de outros tributos, CSL, PIS e Cofins por conseguinte, a partir tãosó das informações acessíveis ao público em geral, através do portal da Câmara dos Deputados e notícias da imprensa especializada adveio a conclusão de que, no encerramento de 2008, tornarase imperioso compatibilizar os saldos pretendidos pela PFN e INSS. (...) A lei 11.941/2009, ao mesmo tempo em que trouxe as reduções sobre os acréscimos, contemplouas com a nãoinclusão à base de cálculo. Daí a necessidade de espelhar, em 31/12/2008, a correta equivalência. (...) Realmente, não teria sentido, de um lado o Fisco dispensar acréscimos legais que o Congresso os considerou exagerados face à crise e, de outro, mandar incidir sobre eles o IRPJ, CSL, PIS e COFINS, etc. Quanto a não ter antes reconhecido os encargos financeiros, é fundamental esclarecer que os créditos pretendidos pelo Fisco foram objeto de contestação perante a Justiça Federal, de sorte que não podia, por princípio da coerência, reconhecêlos ao mesmo tempo em que os contestava. O débito perante a PFN foi objeto do EMBARGO À EXECUÇÃO, processo n° 95.137836. Os embargos em referência, à época (processo de 1995), geravam a suspensão da exigibilidade, redação primitiva do art. 739 do Código de Processo Civil. (... ) Fl. 761DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 74 8 Independentemente da suspensão da exigibilidade, a contestação dos acréscimos financeiros, em 1995, através dos Embargos à Execução, processo n° 95.137836, impedia, por coerência, que a embargante lançasse uma despesa que contestava. E, se acaso, o princípio da coerência não fosse suficiente, a lei 8.981/95 também o impedia. (...) Quanto ao crédito pretendido pelo INSS, a mesma suspensão, independente de depósito, na forma do art. 41, § 1o, da Lei n° 8.981/95, combinado com o art. 739, § 1o, do CPC então vigente, gerando o mesmo impedimento, Processo n° 96.0039458 0, 9a Vara Federal no Ceará. (...) Posteriormente, em data de 28/04/2010, o Síndico da massa falida do BANCESA fez chegar às mãos desta Fiscalização, um Memorial em complemento à sua primeira resposta dada ao nosso Termo de Intimação já citado. Através desse Memorial, que se encontra anexado ao presente Termo, a empresa tenta demonstrar que a atividade de arrecadação das receitas federais feita pela rede bancária com base em contrato próprio de prestação de serviços, é de caráter usual e que, por esta razão, os encargos moratórios decorrentes do atraso nos repasse dos recursos então arrecadados, seriam dedutíveis na apuração do lucro real 4. DAS INFORMAÇÕES COLHIDAS NA PFN A vista das informações trazidas pelo fiscalizado de que os lançamentos em questão resultaram de ajustes dos saldos devedores existentes em seu nome junto à Procuradoria da Fazenda Nacional, cuidou esta fiscalização de oficiar aquele Órgão para que nos fornecesse a composição dessas dívidas, com indicação da natureza, situação e com a segregação dos acréscimos moratórios correspondentes. Através do Ofício PFN/CE/N0 403, que veio acompanhado dos respectivos extratos das CDA, a PFN nos informa sobre a existência de 20 inscrições na DAU de débitos em nome do Banco Comercial BANCESA S/A, todos já, há vários anos, em processo de execução. Referidos extratos demonstram também os valores dos acréscimos ao principal dessas dívidas a título de multa, juros de mora e encargos, constando de planilhas apartadas, a posição desses débitos na data de 31/12/2008, cuja composição se demonstrará mais adiante Por relevante, registrese que no referido ofício a PFN esclarece que os débitos de natureza não tributária e não previdenciária, correspondentes, respectivamente, às CDA 3069500008829 (inscrição SIDA, no valor de R$ 341.811.972,27) e no Crédito 319546454 (inscrição PLENUS no valor de R$ 471.569.501,58), são provenientes de tributos/contribuições federais não repassados à Receita Federal e de contribuições previdenciárias que, igualmente, não foram repassadas ao INSS pela instituição financeira (Banco Comercial BANCESA S/A), na condição de "agente arrecadador" (apropriação indébita). Em aditamento a essa informação, veio ainda o Ofício PFN/CE/N0 1227 esclarecendo que a inscrição n° 3040400587373, embora consignado no título executivo a anotação "dívida tributária", na verdade trata de "dívida nãotributaria" decorrente da cobrança de "honorários de sucumbência" em ação judicial na qual o contribuinte restou vencido. Referida ação cuidava da cobrança/execução dos recursos da arrecadação não repassados à SRF, acima mencionados. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 75 9 Demonstrase a seguir a composição dos débitos do BANCESA para com a Receita Federal do Brasil, na data de 31/12/2008, segundo dados extraídos dos extratos das CDA acima mencionados, originárias dos sistemas de cobrança da PFN (SIDA E PLENUS): C D A INSCRIÇÃO SIDA N9 da Inscrição Principal Multa Juros de Mora Encargo Legal Total 3069500008829 70.834.189,97 10.967.843,05 193.331.375,88 55.026.681,78 330.160.090,68 3029800079986 12.608.663,45 0,00 33.181.567.791 9.158.046,24 54.948.277,48 3040400587373 15.705.744,23 0,00 9.010.385,46 4.943.225,93 29.659.355,62 3069800207509 4.025.420,42 0,00 10.579.643,64 2.921.012,81 17.526.076,87 3060500373485 1.266.514,53 379.954,35 659.094,16 461.112,60 2.766.675,64 3079800018002 457.456,68 0,00 1.205.920,67 332.675,47 1.996.052,82 3029900135403 56.683,48 35.694,04 205.868,89 59.649,28 357.895,69 3029800000135 70.381,84 0,00 180.642,64 50.204,89 301.229,37 3049700000240 10.832,02 4.332,81 77.889,68 18.610,90 111.665,41 3029600166141 2.391,56 1.822,25 25.306,57 5.904,07 35.424,45 3069800219000 3.103,07 0,00 16.526,78 3.925,97 23.555,82 3049700001130 2.975,21 595,02 7.137,89 2.141,62 12.849,74 3020400249333 2.777,92 555,55 3.875,90 1.441,87 8.651,24 3088800002571 887,74 177,54 5.799,99 1.373,05 8.238,32 2169800180121 854.55 0,00 2.350,01 640,91 3.845,47 3040400587705 740,48 148,08 1.239,92 212,84 2.341,32 3030200028604 160,00 32,00 303,15 49,51 544,66 3029700038501 46,59 0,00 114,99 32,31 193,89 3049700001211 38,33 11,48 103,51 30,66 183,98 TOTAL 105.049.862,07 11.391.166,17 248.495.147,52 72.986.972,71 437.923.148,47 C D A INSCRIÇÃO PLENUS | N9 da Inscrição Principal Multa Juros de Mora Enc. Legal Total 319546454 133.789.968,39 0,00 321.898.663,94 0,00 455.688.632,33 Notese que os dados acima tabulados demonstram que os acréscimos legais incidentes sobre os débitos originários de recursos não repassados à Receita Federal e ao INSS (inscrições 3069500008829 e 319546454) e dos honorários da sucumbência resultante da respectiva ação judicial de cobrança (inscrição n° 3040400587373) representam cerca de 91% do total devido pela fiscalizada. Em que pese a expressividade desses débitos (originários de recursos não repassados) devido aos encargos moratórios só agora reconhecidos pela devedora na sua contabilidade, causa espécie o critério utilizado pela massa falida do BANCESA no ato de proceder aos lançamentos dos respectivos ajustes, vez que utilizouse de uma conta totalmente desconexa com os fatos, estranhamente denominada de "Imposto de Renda s/Lucros" que na composição gráfica do seu patrimônio (vide balancete de dez/2008) foi inserida no grupo do "Passivo Circulante Encargos e Dívidas da Massa" (mesmo grupo das obrigações fiscais), quando a conta representativa de valores não repassados aos credores, segundo o COSIF, e que portanto deveria ser atualizada com os ajustes moratórios em questão, era a conta classificada no "Passivo Circulante Outras Exigibilidades Repasses". Voltando ao exame dos acréscimos legais apontados nos demonstrativos acima, constatase que os débitos do BANCESA junto à Procuradora da Fazenda Nacional, correspondentes a juros, multa e encargos posição em 31/12/2008 , se apresentam em montante inferior ao que foi deduzido pela empresa do seu Resultado levantado em 31/12/2008, através dos lançamentos contábeis mencionados no início do presente Termo, conforme se demonstra abaixo: Valores em Cobrança/Execução na PFN Despesas Contabilizado Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 76 10 Multa Juros de Mora Enc. Legal Total Contabilizadas a Maior PFN 11.391.166,17 248.495.147,52 72.986.972,71 332.873.286,40 400.756.653,99 67.883.367,59 INSS 0,00 321.898.663,94 0,00 321.898.663,94 333.654.869,60 11.756.205,66 TOTAL 11.391.166,17 570.393.811,46 72.936.972,71 654.771.950,34 734 411.523,59 79.639.573,25 Considerando que a fiscalizada adicionou ao lucro liquido, para efeito de e MP n° 2.2002jde 24/08/2001, 11.391.166,17, temse, de antemão, que a empresa deduziu a maior do seu lucro tributável (base do IRPJ), em razão de erro material na apuração dos ajustes da sua dívida, a diferença de R$ 68.248.407,08 (79.639.573,25 11.391.166,17). Já em relação à base de cálculo da Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL, que não teve a adição supracitada, a dedução indevida por conta do erro material acima mencionado foi dos exatos R$ 79.639.573,25. 5. DA ANÁLISE SOBRE O ASPECTO DA DEDUTIBILIDADE DOS AJUSTES DAS DÍVIDAS EM EXECUÇÃO NA D.A. U. Quanto ao mérito da dedutibilidade pretendida pela empresa, duas situações se apresentam para análise desta Fiscalização. A primeira diz respeito aos encargos das dívidas decorrentes dos tributos/contribuições federais e das contribuições previdenciárias que foram recebidos pelo Banco Comercial BANCESA S/A, na condição de "agente arrecadador" e que não foram repassados nem à Receita Federal e nem ao INSS (apropriação indébita). Já a segunda diz respeito aos encargos incorridos sobre os demais débitos, em fase de execução sem embargos suspensivos, cujas despesas foram reconhecidas fora dos respectivos períodos de competência. 5.1 DAS DESPESAS COM OS ENCARGOS INCIDENTES SOBRE OS RECURSOS NÃO REPASSADOS À SRF E AO INSS Como instituição financeira privada, a empresa fiscalizada está submetida aos ditames da Lei n° 4.595/64, a qual, em seu artigo 25 lhe condiciona a constituirse (como realmente fizera) como sociedade anônima obrigatória, sujeita, portanto, aos mandamentos da Lei n° 6.404/76. E sujeitandose à chamada Lei das S/A, enveredase na incidência imediata do artigo 177, que exige a obediência estrita ao Princípio da Competência, além da prescrição de seu § 2o, que lhe impele como não poderia ser diferente a seguir as especificidades da lei tributária. Como conseqüência legal e imediata daqueles atos legislativos regedores de sua atividade, a instituição financeira BANCESA sujeitase ainda ao cumprimento do Regime Contábil instituído pelo BANCO CENTRAL DO BRASIL, que obriga as pessoas jurídicas assim enquadradas a seguirem rigorosamente o chamado COSIF o Plano Contábil de Contas das Instituições do Sistema Financeiro. Assim, a partir do comando do artigo 4o, inciso XII da Lei n° 4.595/64, o BACEN editou a Circular n° 1273, como norma genérica sobre a matéria. Ficou então estipulado que os recebimentos de tributos, contribuições previdenciárias, sindicais e outras da espécie, registramse nas adequadas Contas do Subgrupo "OUTRAS OBRIGAÇÕES", com transferência para a centralizadora (caso de instituições financeiras com diversas filiais), mediante utilização obrigatória do Título RECEBIMENTOS EM TRANSITO DE TERCEIROS, quando a dependência arrecadadora não for a responsável, nos termos do convênio pelo repasse aos beneficiários. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 77 11 Todo esse rigor do controle contábil ainda é reforçado pela Lei n° 6.024/74 que disciplina a fase da Liquidação Extrajudicial das Instituições Financeiras. Uma vez bem enquadrada a empresa com relação as suas obrigações contábeis e a forma de registro dos valores recepcionados do público em geral, quando decorrentes de recebimentos de recursos financeiros para repasse a terceiros, incluindose os tributos e contribuições, passemos ao enfrentamento da questão de mérito, sem antes, abrir relevância para uma "Questão Prejudicial". 5.1.2. DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO PLEITO DO CONTRIBUINTE Como já fizemos registrar, objetiva o contribuinte o usufruto dos incentivos anistiantes da Lei n° 11.941/09, com a pretensão de liquidar seus débitos, não com recursos financeiros externamente originados do patrimônio próprio da empresa, ou do patrimônio de seus acionistas ou da captação externa de recursos de terceiro que eventualmente lhe financie o dispêndio. Na verdade, sua pretensão faz rebuscar os recursos financeiros para a liquidação da dívida nas entranhas de sua própria dívida, quando alega possuir montante de PREJUÍZO FISCAL e de BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL em cifras além daquilo que deve à Fazenda Nacional, dado que reivindica os descontos da Lei referida. A tese adquiriria perfeição jurídica, não fora uma especificidade primordialmente relevante. E qual é ela? A prudência com que se investiga em auditoria contábilfiscal, exigia que se perscrutassem as entranhas da natureza da dívida originária, geradora única dos encargos em geral, os quais o contribuinte pretende vêlos quitados, numa engenharia contábil, sendo parte liquidada com a anistia legal da Lei n° 11.941/09 e parte liquidada com o alegado Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa de CSLL, também a partir de incentivo da mesma Lei. Pois bem. A formalização de Ofício à Douta Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe luz bastante e suficiente para a elucidação da dúvida. Instada a se manifestar, em 04.03.2010, sobre a natureza das CDAs n° 30695000088 29 (Inscrição SIDA (PFN): Valor atual de R$ 341.811.972,27) e n° 319546454 (Inscrição PLENUS (INSS): Valor atual de R$ 471.569.501,58), a PFN escreve com todas as letras: "...Não obstante estar consignado, em relação à natureza da dívida, "Dívida Não tributária" e "Débito de Natureza NãoPrevidenciária", respectivamente, tais dívidas, na verdade, são decorrentes de tributos e contribuições federais nãorepassados à Receita Federal e de contribuições previdenciárias igualmente não repassadas ao INSS, pela Instituição Financeira (Banco Comercial BANCESA S/A), na condição de "agente arrecadador" (apropriação indébita)". Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 78 12 Como se vê a natureza da dívida é na realidade de cunho contratual. Em Direito Administrativo dizse, nestes casos, que decorre de um ato Administrativo de Prestação de Serviços de Arrecadação de Receitas Federais, celebrado entre a Instituição Financeira e a União, sendo aquela caracterizada como "Agente Arrecadador". Implica dizer que os recursos arrecadados de terceiros (público em geral) para posterior repasse ao titular de Direito (Tesouro Nacional) não constituíam "Receita Própria" do Agente Arrecadador. Ao contrário, sua função como parte em Contrato Administrativo (contratado) era o de mero depositário de recursos da parte contratante (União Federal e sua Autarquia (INSS). Por isso que a douta PFN/CE assentara a conseqüência penal da conduta do BANCESA, quando a classificara de "Apropriação Indébita" prevista no artigo 5o da Lei n° 7.492/86, que define os Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, excluindo por esse mesmo motivo a caracterização daquele tipo penal inserido na lei penal tributária (Lei n° 8.137, art. 2o, inciso II), dado que, com o status de "Agente Arrecadador" (o que pressupõe a posse de recursos do Tesouro Aé^ ̂ Nacional), não funcionava o BANCESA nos Contratos, como sujeito passivo tributário de obrigação de caráter fiscal, mas sim, administrativo. Dessa precisa constatação resultam efeitos contundentes para o pleito do contribuinte. Primeiro, se o Agente Arrecadador não repassara o numerário para o Caixa do Tesouro, sua inadimplência, a despeito de gerar encargos legais de cobrança, não tem o condão de transformar a dívida assim conformada, em dívida decorrente de sua operacionalidade, para efeito de dedutibilidade ou não dos valores acrescidos como encargos. Ademais, é imperativo assentar que esta observada e peculiar inadimplência contém o qualificativo especial mais gravoso (apropriação indébita dolosa e consciente por parte do Agente) repugnado pela norma tributária permissiva de reduções genéricas (deduções, custos, etc.) da base de cálculo do tributo. Por oportuno, cabe registrar que na esfera penal, a conduta criminosa perpetrada pelos dirigentes do BANCESA, acima mencionada, já foi objeto de sentença condenatória exarada nos autos do processo judicial n° 95.00023350 que tramitou na 12a Vara da Justiça Federal no Ceará. A propósito, as regras de DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS para efeito fiscal só encontram sede de disciplina na própria LEI TRIBUTARIA. E o artigo 299 do RIR/99, cuja matriz legal é a Lei n° 4.506/64, art. 47 (com as atualizações posteriores) é cristalino em definir a trilogia legal das condições de dedutibilidade de Despesas. Para serem tidas como dedutíveis, reclamam a adequação integral, simultânea e irrestrita a 03 (três) característicos próprios: i) devem cumprir o critério da estrita necessidade para a manutenção estrutural no tempo da fonte produtora de bens e serviços (empresa); ii) devem se enquadrar no característico da usualidade dentre os dispêndios ordinários da atividade empresarial; iii) além do mais, as despesas devem pautarse pela normalidade operacional da empresa. Os dispêndios, encargos, despesas, custos e respectivos acessórios quando discrepam dessa moldura normativa rígida não são admissíveis como DEDUTÍVEIS para efeito de Apuração do Lucro Real. E esse detalhe da lei Fiscal, a novel Lei da Anistia (Lei n° 11.941/09) não teve o condão de alterar, sequer implicitamente. Tanto é assim que o Código Tributário Nacional, tratandose de hipóteses exonerativas diversas (art. 111), não permite a interpretação extensiva ou alargada da lei instituidora de qualquer benefício fiscal. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 79 13 O segundo efeito que impacta o pleito do contribuinte tem a seguinte construção lógicolegal: a incidência do Princípio Geral de Direito (mais incidente ainda no Direito dos Contratos, e, a fortiori, nos Contratos Administrativos), de que o acessório segue o regime do principal, faz com que uma vez evidenciado que os valores recebidos do público e não repassados ao Tesouro não se constituíam em DESPESAS OPERACIONAIS (ou NãoOperacionais), tampouco se prestando, sequer, ao fomento mesmo da atividade empresarial exercida pelo contribuinte, não há como ter seus acessórios (encargos de multa, juros e encargos de cobrança) como verbas hábeis a se qualificarem como dedutíveis Convém registrar o regime jurídico próprio das chamadas obrigações acessórias. É pacífico o entendimento da jurisprudência de que a obrigação acessória não tem existência independente e autônoma daquela de onde proviera. Na doutrina do ilustre Juiz Federal Guilherme Calmon Nogueira da Gama ("Direito Civil Obrigações", Ed. Atlas) a obrigação acessória adere e passa a se subordinar à obrigação principal, observando o princípio da gravitação jurídica consoante o qual o acessório segue o principal. Como visto, a ilogicidade da tese do contribuinte assume contornos dramáticos quanto à consistência. Na sua visão ofuscada, o montante do débito, pelo simples fato de ser imediatamente imputado à pessoa jurídica que se apropriara dos recursos recebidos do público (lembremonos que o COSIF/BACEN manda segregar os valores em Conta do Subgrupo "OUTRAS OBRIGAÇÕES teria o condão de afastar a incidência da lei fiscal que só ela e somente ela tem a suficiente idoneidade de designar expressamente a dedutibilidade ou a indedutibilidade das rubricas que compõem o Lucro Líquido. Corroborando este raciocínio a jurisprudência administrativa já fez assentar a forma de concepção dos recursos recebidos pelas instituições financeiras e não repassados ao Tesouro Nacional, ainda que, posteriormente, tenha vindo o Agente Arrecadador a fazêlo a destempo, com os devidos acréscimos da mora. Pelo Acórdão n° 1613.055 da 10a Turma da DRJ/São Paulo I, lavrado em 16.04.2007, o órgão administrativo de julgamento fez enumerar: "DESPESAS OPERACIONAIS REPASSES DE RECURSOS À UNIÃO REDE ARRECADADORA DE RECEITAS FEDERAIS. O repasse de recursos arrecadados por meio de participação da instituição financeira na Rede Arrecadadora de Receitas federais não pode ser considerado como despesa operacional". Como fundamento de decidir pela indedutibilidade do principal mais acessórios, tal como registrara contabilmente a instituição financeira, disse o órgão de autuação (corroborado pelo órgão de julgamento): "Tais ocorrências (os repasses feitos a destempo para o Tesouro com os acréscimos contratuais embutidos) nem sequer preenchem o perfil de uma despesa operacional, sob o ponto de vista contábil, pois faltaria a tal dispêndio o requisito fundamental implícito nas despesas operacionais: o consumo de bens ou serviços ou a contraprestação recebida para a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, ou normal e usual, emprego nas atividades da empresa". Com o objetivo de clarear mais ainda todos os pontos, cabem ser expostas 03 (três) observações. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 80 14 A primeira delas concerne às questões da exegese da lei tributária como norma própria de Direito Tributário, tal como concebido, de forma genérica, na Teoria Geral do Direito, e tal como expressamente veiculada no artigo 109 do Código Tributário Nacional. Na eminente doutrina de Paulo de Barros Carvalho, em sua obra "Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência", 6a ed, Ed. Saraiva, vê se a forma como o fato jurídico deve ser compreendido. Diz o autor que a linguagem jurídica é diferenciada da chamada linguagem social (aqui incluídas as linguagens utilizadas nas diversas ciências que não a do Direito). Na verdade a linguagem jurídica é redutora daquela outra, porque o fato jurídico concebe fato social mediante uma qualificação jurídica. Ou seja, de um mesmo podese construir um fato jurídico ou um fato contábil, mas um e outro são sobremaneira diferentes. Só o primeiro tem idoneidade para ingressar no mundo normativo. Prossegue ainda o eminente jurista dizendo que: "uma vez assumindo o caráter jurídico, o fato será, única e exclusivamente, fato jurídico; e, claro, fato de natureza jurídica, não econômica ou contábil, entre outras atérias. Como anotado, o Direito não pede emprestados conceitos de fatos para Outras disciplinas. Ele mesmo constrói sua realidade, seu objeto, suas categorias e unidades de significação". Por essa razão, um determinado dispêndio (ou provisão de dispêndio) para o Direito pode seguir regime de dedutibilidade absolutamente distinto daquele que ordinariamente tem para a Ciência Contábil, desde que haja norma jurídica assim disciplinando a matéria. Isto é expressamente reconhecido pelo corpo normativo do artigo 109 do CTN que enuncia que os efeitos tributários dos institutos de direito privado só devem ser captados pela lei tributária, nunca pela conceituação meramente descritiva do instituto em estudo, tal como vem da Ciência Contábil ou da Economia. A segunda observação diz respeito a uma certa confusão interpretativa da lei anistiante feita pelo contribuinte. Utilizandose do rigor hermenêutico, não se deve confundir o conteúdo do mandamento da Lei n° 11.941/2009 (art. 4o, § único), quando exclui da base de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) o montante parcial perdoado dos encargos devidos (lembremonos que perdão de dívida é, em regra, receita para a lei fiscal), com uma alegada e inexistente autorização para considerar a dívida "dedutível", independentemente de sua natureza específica. A Lei n° 11.941/09, embora podendo têlo feito, não adentrou na questão da dedutibilidade ou indedutibilidade das parcelas da dívida global do contribuinte, restando incólume, o respeito aquilo que a legislação fiscal, desde sempre, se posiciona nessa matéria. A propósito ainda, a Lei n° 11.941/09 foi expressa em consignar que a eventual adesão a seus critérios NÃO CONSTITUI NOVAÇÃO DE DÍVIDA (Art. 8o da lei em comento). Ora, em Direito Civil (art. 360, inciso I do Código Civil), a NOVAÇÃO OBJETIVA extingue a dívida anterior, fazendo surgir outra com características e natureza jurídica distintas da obrigação novada. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 81 15 Se assim dispôs a Lei anistiante, a obrigação do BANCESA como "Agente Arrecadador" segue incólume quanto a sua natureza originária. A conseqüência imediata desse fato inexorável é a INDEDUTIBILIDADE dos acessórios que se lhe agregam. A terceira observação cabível diz respeito ao regime jurídico seguido para o tratamento dos encargos financeiros analisados em caso de estreita semelhança ao caso concreto em exame, quando processada a interpretação sistêmica. Mutatis mutandis, é de bom alvitre investigar o que a doutrina e a jurisprudência (administrativa e judicial) se pronunciam acerca das despesas financeiras originadas de legítimos empréstimos (Contratos de Mútuo) contraídos junto a instituições financeiras, mas que o mutuário faz repassar os recursos para terceiros. É pacífica a compreensão da indedutibilidade das despesas financeiras (juros e demais acréscimos) na mutuária, ao argumento da ausência dos requisitos da normalidade e da necessidade em suportálas. Note que, neste específico, a pessoa jurídica efetiva tomadora do empréstimo (mutuária) assume posição jurídica, em tanto por tanto, semelhante à de um mero repassador de recursos. Ora, se a jurisprudência é pacífica em não reconhecer a legalidade da dedutibilidade de despesas financeiras assim entabuladas, em caso em que a empresa podia e devia reter o principal do empréstimo para o fomento de sua atividade empresarial, mas não o fez, dado que repassarao a terceiro, com maior razão (raciocínio a fortiori), a lei tributária e a jurisprudência não podem reconhecer a legalidade da dedutibilidade dos encargos decorrentes da apropriação indébita de valores, os quais não podiam e tampouco deviam ser retidos pela pessoa jurídica que praticava atos como parte em Contrato Administrativo de Agente Arrecadador, principalmente, quando já reconhecida a prática do delito previsto no artigo 5o da Lei n° 7.492/86 praticado pelos seus órgãos de Administração. Interessante notar que aqui cabe muito bem assentar o teor do princípio geral de Hermenêutica, segundo o qual, qualquer interpretação que conduza o intérprete a um absurdo jurídico estará, desde logo, descartada. O raciocínio em favor da possibilidade de dedução implica em verdade inflição de duplo prejuízo ao Tesouro Nacional: o primeiro, pela impossibilidade mesma dele tomar posse efetiva das receitas públicas recebidas pelo BANCESA e não repassadas ao Caixa da União Federal, fato que lhe provoca despesas adicionais de cobrança executiva; o segundo, pela sensível redução dos tributos posteriores próprios, devidos pela instituição financeira, em função da redução da base de cálculo dos tributos, originada de encargos moratórios alusivos a uma inadimplência qualificada criminalmente como apropriação indébita. Na boa hermenêutica, as obrigações do Banco com aquele conteúdo (e igualmente seus acessórios), estão, em verdade, excluídas, a priori, do conceito tributário mesmo de dedutibilidade. É que o qualificativo que decorre desse conceito só tem inerência aos custos e despesas alusivos à manutenção da fonte produtora da atividade (a empresa). A propósito, não se deve confundir a remuneração percebida pelo Banco quando Fl. 769DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 82 16 participa da rede de agentes arrecadadores receitas próprias do partícipe com o produto da arrecadação de tributos recebidos do público em geral para imediato repasse no prazo legal ao Tesouro Nacional, sendo essas obrigações típicas de depositário. Assim, os valores originários (incluindo seus acessórios) do papel exercido pela empresa a título de mero depositário de valores de terceiros, estão automaticamente afastados, a priori, do conceito de dedutibilidade. Como visto, essa importante "Questão Prejudicial", por si só, já tem o condão de resolver definitivamente a questão, no sentido de que o Fisco considere INDEDUTÍVEIS AS VERBAS LEVADAS PELO CONTRIBUINTE CONTRA RESULTADO DO EXERCÍCIO TITULADAS COMO "OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS", cuja origem provem das CDAs referidas alhures pelos subsistentes motivos supra enumerados. Dessa forma, uma vez levadas essas verbas a reduzirem o Lucro Líquido do Exercício, deverão elas, ipso facto, ser ADICIONADAS AO LUCRO LÍQUIDO PARA EFEITO DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL E PARA EFEITO DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, conforme mandamento legal do artigo 249, inciso I do RIR/99 e Lei n° 7.689/88. Ou seja, não há PREJUÍZO FISCAL e nem BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL idôneos a comporem estoque válido dessas grandezas, a partir dos débitos alegados pelo contribuinte. Convém deixar registrado que os Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL próprios do contribuinte passíveis do usufruto específico previsto nos §§ 7o e 8o da Lei n° 11.941/09, são apenas aqueles apurados conforme os mandamentos da legislação tributária, sem qualquer exceção. E, se não há essas grandezas para a Lei Fiscal, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM PAGAMENTO DA DÍVIDA DO CONTRIBUINTE MEDIANTE A UTILIZAÇÃO dessas grandezas juridicamente inexistentes. 5.1.3 DA QUESTÃO DO LANÇAMENTO GLOBAL DAS DESPESAS RELATIVAS AOS ENCARGOS "PRETENDIDOS PELOS ÓRGÃOS FISCAIS" Após toda a argumentação que fizemos no item anterior, o qual qualificamos como "Questão Prejudicial de Mérito", passemos a discorrer sobre detalhes específicos do procedimento do contribuinte. Note que o fazemos, apenas por questão formal da necessidade de pronunciamento do Fisco acerca de todos os pontos arguidos pelo sujeito passivo, dado que a irrefutabilidade e a inexorável consistência da "Questão Prejudicial" que bem entabulamos, já seria bastante e suficiente para a solução do presente caso. Nas razões de seu comportamento, o contribuinte, ao ser provocado pelo Fisco fez enumerar que não houvera apropriado em cada exercício os encargos respectivos, invocando dois motivos principais: alega a força de um princípio que denomina de "Princípio da Coerência"; afirma que Fl. 770DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 83 17 estaria impedido de proceder aos lançamentos em cada exercício por força do artiqo 41 da Lei n° 8.981/95. Quanto à primeira alegação convém asseverar que, embora a coerência seja elemento pautante da conduta em sociedade civilizada, a lei tributária promove emanações de cumprimento compulsório por todos os contribuintes. A propósito, as prescrições legais, de regra, se pautam sempre pela coerência, sendo um absurdo jurídico, a lei que contenha mandamento incoerente no ordenamento. As lacunas e os choques normativos são sempre resolvidas pelos critérios de conflito de leis quanto ao tempo, ao espaço, à abrangência e à matéria. Se a lei fiscal tem disciplina própria para impelir os contribuintes à correta escrituração de fatos e atos, não é dado a determinado contribuinte salvo casos excepcionais de recurso ao Poder Judiciário com obtenção de provimento expresso em contrário fazer invocações vazias de conteúdo para descumprir o preceito normativo. Principalmente quando a atividade operacional do omitente é a de instituição financeira, com todas as vigilâncias legais que o ordenamento global já prescrevera. Ultrapassado o argumento vazio do elemento "coerência", passemos a discorrer acerca do alegado impedimento fundado na Lei n° 8.981/95. Quem observa os preceitos do artigo 41 da referida Lei deve perspicazmente, de início, ponderar a sua exata hipótese de incidência e os casos em que deva ser Quando o caput alude à dedutibilidade de tributos e contribuições segundo o regime de competência, e, quando no § 1°, a norma alude à exclusão desse regime, no caso de contestação judicial da incidência dos tributos e contribuições, o preceito imperativo está obviamente fazendo alusão aos tributos e contribuições próprios da atividade da pessoa jurídica. Isto é tão evidente que, somente em relação a essas exações próprias, teria qualquer contribuinte, legitimidade processual para contestálos em juízo. O artigo 6o do Código de Processo Civil é hábil e idôneo para comprovar esta afirmação. Diz ele: "Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei". Mas esta afirmação é também decorrente da lógica das coisas. Ao BANCESA só seria conferido interesse jurídico (como uma das condições da ação) para reclamar as questões de incidência ou não de tributo que eventualmente incida sobre sua atividade operacional, para daí reclamar a incidência do artigo 41 da Lei n° 8.981/95. Por isso, não cabe invocar os preceitos da Lei n° 8.981/95 com o afã de justificar comportamento omissivo em relação à obrigação de escriturar, contida na Lei Fiscal (artigo 257 do RIR/99), quando em questão a apreciação da circunstancia de atuação do BANCESA como "Agente Arrecadador". Os valores devidos ao Tesouro pelo BANCESA, recepcionados do público em geral, por pagamentos de tributos e contribuições, em cumprimento a Contrato Administrativo de Prestação de Serviços de Agente Arrecadador, Fl. 771DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 84 18 não se confundem com tributos próprios da operacionalidade da instituição financeira. Na verdade, para o BANCESA, sequer tributos são, dado que a instituição financeira funciona no Contrato Administrativo como mero depositário de valores do Tesouro (contratante). Dessa forma fica provada a improcedência da alegação do contribuinte. Feito este preâmbulo, cabe agora atacar o comportamento do contribuinte que resolveu reconhecer, de forma global, um prejuízo (gênero) concentrado no anocalendário de 2008. A escrituração de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa de CSLL não pode ser segregada da regra geral de reconhecimento das mutações patrimoniais e de aferição dos resultados pelo Princípio da Competência. Se assim é para as empresas em geral que adotam a sistemática do Lucro Real, por maior razão deverá sêlo para as instituições financeiras, constituídas compulsoriamente sob a forma de sociedades anônimas e mantidas sob vigilância ostensiva do Banco Central do Brasil. Outro ponto onde o comportamento que se pautou pelo reconhecimento globalizado dos valores dos encargos sobre obrigações (lembremonos da questão prejudicial acerca da natureza dessas obrigações) vulnera é o mandamento da lei tributária quando analisada no tempo. Até 1994 o regime de compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa de CSLL prescrevia limitação temporal para a sua admissibilidade. Assim, ao reconhecer de forma única e global um "estoque presumido" daquelas duas grandezas, a lei fiscal restaria violada se computados valores com compensabilidade já decaída para o contribuinte. Já dissemos que os Prejuízos Fiscais e as Bases de Cálculo Negativas de CSLL passíveis de utilização no tempo são aqueles efetivamente apurados conforme a lei comercial e fiscal. Dessa forma não há como o Fisco ter por legítima a conduta do contribuinte nesse ponto. Demonstramse a seguir os totais dos acréscimos legais concernentes às dívidas originárias dos recursos da arrecadação não repassados à SRF e ao INSS, cujos valores não são admitidos como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL: N° da Inscrição Origem Multa Juros de Mora Enc. Legal 3069500008829 Não RepasseSRF 10.967.843,05 193.331.375,88 55.026.681,78 319546454 Não RepasseINSS 0 321.898.663,94 0 3040400587373 Sucumbência 0 9.010.385,46 4.943.225,93 TOTAIS 10.967.843,05 524.240.425,28 59.969.907,71 5.2. DOS ENCARGOS INCIDENTES SOBRE OS DEMAIS DÉBITOS (EXCLUÍDOS OS ORIUNDOS DOS RECURSOS NÃO REPASSADOS À SRF E AO INSS) A segunda questão que se coloca diz respeito aos encargos incidentes sobre os demais débitos (de natureza tributária), contra os quais não houvera medida suspensiva, e que na condição de exigências líquidas e certas, inclusive já em fase de execução, a princípio, reuniriam as condições de dedutibilidade. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 85 19 Entretanto, da forma como materializado nos assentamentos contábeis da fiscalizada (lançamento globalizado em 31/12/2008), a dedução pretendida encontra óbice legal para a sua pretensão, no que tange às despesas correspondentes aos acréscimos moratórios de juros e honorários da PFN, incorridos há mais de cinco anos daquela data, observadas as disposições do art. 273 do RIR/99. Conforme se infere pelos extratos dos débitos inscritos na DAU que nos foram encaminhados pela PFN, as dívidas aqui tratadas (dívidas tributárias) se arrastam há muitos e muitos anos em sede de cobrança/execução judicial, não se tendo notícias de haver em relação às mesmas, nenhuma ordem de suspensão de exigibilidade (o contribuinte sufraga suspensão apenas para as dívidas não tributárias), de modo a justificar a inércia da empresa, que, conforme alega, não os teria ainda lançado (provisionado) na contabilidade, nos respectivos períodos de competência. Por outro lado, a leitura do artigo 273 e parágrafos do RIR/99, conduz à conclusão de que a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, nos casos de antecipações de despesas e/ou postergações de receitas, diferentemente do caso de que se cuida na presente fiscalização que é de postergação de despesas. Em que pese essa abertura para que despesas de exercícios anteriores possam ser computadas na formação da base do imposto de renda e da contribuição social s/lucro de períodos posteriores, não se pode perder de vista, por outro lado, a preclusão para o direito de ação previsto na legislação de regência, que estabelece o prazo de cinco anos tanto para a Fazenda constituir o crédito tributário (art. 173 do CTN) como para o sujeito passivo requerer a restituição do indébito tributário (art. 168 do CTN). Importa raciocinar que, reconhecer despesas a destempo de sua própria competência, equivale a redução oblíqua da base de cálculo do tributo atual e, por conseqüência, a uma exoneração do próprio tributo (atual), na exata proporção do reconhecimento dessas despesas intempestivas. Com esse fundamento e invocando a disciplina interpretativa do art. 108, I do CTN, é de aplicarse na espécie a regra da preclusão temporal acima citada, para os efeitos de não se acatar a dedução, na formação da base do imposto de renda e da contribuição social s/lucro do anobase de 2008, das despesas incorridas há mais de cinco anos. Com efeito, não obstante os encargos incorridos sobre os demais débitos da fiscalizada (excluídos os decorrentes da apropriação indébita discorrida no item precedente) envolvam valores da competência de exercícios anteriores ao ano de 2008, tendo em vista não ferirem as restrições estabelecidas no art. 273 do RIR/99, é admissível sua dedução na parte correspondente aos juros e honorários que tenham incorrido ao longo do qüinqüênio em que as respectivas despesas foram contabilizadas, ou seja: desde 01/01/2004, cabendo a glosa dos valores excedentes. Demonstrase a seguir os valores dos encargos supracitados, para cuja apuração nos baseamos nos dados fornecidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Ceará, objeto dos respectivos extratos que nos foram encaminhados através dos Ofícios PFN/CE 403/2010 e 1.227/2010, como segue: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA E ENCARGOS (HONORÁRIOS DA PFN) DOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO, INCORRIDOS NO PERÍODO DE 01/01/2004 A 31/12/2008 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 86 20 JUROS DE MORA ENCARGO LEGAL PFN N° de Inscrição osição em 1/12/2008 osição em 1/12/2003 Juros de 2004 a 2008 osição em 1/12/2008 osição em 1/12/2003 Encargos de 2004 a 2008 3029800079986 33.181.567,79 24.931.742,15 8.249.825,64 9.158.046,24 7.568.297,83 1.589.748,41 3069800207509 10.579.643,64 7.755.811,15 2.823.832,49 2.921.012,81 2.356.246,31 564.766,50 3060500373485 659.094,16 0,00 659.094,16 461.112,60 0,00 461.112,60 3079800018002 1.205.920,67 855.014,76 350.905,91 332.675,47 268.494,28 64.181,19 3029900135403 205.868,89 141.066,06 64.802,83 59.649,28 46.688,71 12.960,57 3029800080135 180.642,64 131.269,44 49.373,20 50.204,89 40.330,25 9.874,64 3049700000240 77.889,68 67.251,53 10.638,15 18.610,90 16.483,27 2.127,63 3029600166141 25.306,57 22.350,56 2.956,01 5.904,07 5.312,87 591,20 3069800219000 16.526,78 14.349,96 2.176,82 3.925,97 3.490,60 435,37 3049700001130 7.137,89 5.050,77 2.087,12 2.141,62 1.724,20 417,42 3020400249333 3.875,90 0,00 3.875,90 1.441,87 0,00 1.441,87 3088800002571 5.799,99 5.177,23 622,76 1.373,05 1.248,50 124,55 2169800180121 2.350,01 1.750,55 599,46 640,91 521,02 119,89 3040400587705 1.239,92 0,00 1.239,92 212,84 0,00 212,84 3080200028604 303,15 190,91 112,24 49,51 38,29 11,22 3029700038501 114,99 82,31 32,68 32,31 25,78 6,53 3049700001211 103,51 76,62 26,89 30,66 25,28 5,38 TOTAL 46.153.386,18 33.931.184,00 12.222.202,18 13.017.065,00 10.308.927,19 2.708.137,81 RESUMO DOS TOTAIS CONSIDERADOS DEDUTÍVEIS E INDEDUTIVEIS JUROS DE MORA ENCARGO LEGAL PFN Total Parte Dedutível Parcela Encargo Parte Dedutível Parcela Acumulado (incorrida Não Legal (incorrida Não em entre 2004 e Dedutível Acumulado entre 2004 e Dedutível 31/12/20 08 em .008) 31/12/2008 2008) 46.153.386,18 12.222.202,18 33.931.184,00 13.017.065,00 2.708.137,81 10.308.927,19 Os valores não dedutíveis correspondentes aos juros de mora no total de R$ 33.931.184,00 e encargo legal no total de R$ 10.308.927,19, acima demonstrados, somamse ainda os valores correspondentes às multas incidentes sobre os débitos das mencionadas inscrições, no total de R$ 423.323,12, que a própria fiscalizada já reconhecera como indedutível, conforme relatado e demonstrado no item 4 do presente Termo, perfazendo assim um total indedutível concernentes aos ajustes dos débitos de natureza tributária, da ordem de R$ 44.663.434,31. 6. DA ANÁLISE ESPECÍFICA DA ARGUMENTAÇÃO DO CONTRIBUINTE NO DOCUMENTO "MEMORIAL AO TERMO DE INTIMAÇÃO DE 05.03.2010". 6.1 DAS ALEGAÇÕES DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA USUALIDADE E DA NECESSIDADE O contribuinte alude ao artigo 17 da Lei n° 4.503/64 no afã de demonstrar que a atividade de arrecadação bancária de tributos federais seria usual, contratual e necessária para as instituições financeiras. Em outra passagem referese à previsão legal da "mora" contida no artigo 86 da Lei das Licitações como fundamento de que, uma vez prevista em lei essa "mora", seria ela tida como usual, hábil a cumprir requisito de admissibilidade para dedução pela lei tributária. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 87 21 Os argumentos trazidos, a despeito de serem de sutileza relevante, pecam quanto à consistência, quando contrastados pela visão sistêmica da subsunção do caso concreto às normas tributárias específicas e com as especificidades e gravosidades que a conduta geradora dessa específica mora do contribuinte contêm em sua essência. Em primeiro lugar a atividade de arrecadação bancária de tributos federais, salvo a prevista na Lei n° 9.703/98 (que nomeia normativamente a Caixa Econômica Federal para a recepção dos Depósitos Judiciais e Extrajudiciais de valores e contribuições federais tem natureza contratual e não compulsória. Funciona como espécie de "contrato de adesão", não obrigatório. Mas, uma vez aderido, seus termos devem ser cumpridos fielmente pelas partes. Na verdade, ser Agente Arrecadador constitui atividade opcional das instituições financeiras que tem a almejar como decorrência desse peculiar status apenas uma remuneração pelo serviço prestado. Nada mais que isso. Impossível que, neste contexto, pratique conduta expressamente vedada pelo ordenamento jurídico (apropriação indébita) e, em decorrência dessa mesma conduta proibida, pretenda tirar proveito de sua própria torpeza. Em Contrato Administrativo de Agente Arrecadador a mora prevista é a ordinária. Aquela decorrente de ausência de repasses por questões operacionais observadas na execução normal dos contratos administrativos em geral. Apesar dessa realidade, isso não tem o condão de transmudar a natureza e as circunstâncias das coisas. Mas o que o contribuinte procura insistentemente ocultar é a condição inusitada, extravagante e extraordinária com que se comportou no cumprimento de seu Contrato de Agente Arrecadador celebrado com a União Federal (Receita Federal e a Autarquia INSS). Na análise desse caso concreto não podem os agentes do Fisco proceder e conduzirse mediante um mero olhar contábil da situação posta, sem que a ela se integre materialmente o obrigatório e vinculado olhar jurídico. Com as alegações simplórias que faz ao Fisco, o contribuinte confunde situações visceralmente distintas em essência. Na verdade, procura aplicar a disciplina da infração meramente contratual/administrativa a uma deliberada situação de ilícito penal configurado administrativa e judicialmente. Como já dissemos, não pode o Fisco, em nenhum momento, conceber a análise deste caso concreto, aplicando meros conceitos da Ciência Contábil, nem tampouco se afastar do contexto estrutural das alegadas despesas financeiras em geral escrituradas à Conta Genérica OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Não é da essência do Contrato de Agente Arrecadador apropriarse inveterada e deliberadamente das receitas públicas recepcionadas do público em geral, descumprindo a obrigação de repassar os recursos para o Tesouro Nacional. A conduta assim observada sai do campo da inadimplência ordinária, compensada pela mora, para adentrar o campo infracional da utilização privada de receitas públicas líquidas, exigíveis e certas, no intuito de enriquecimento indevido dos órgãos de administração da instituição financeira contratante. Por essa razão, embora não seja obrigatório contratar, usual é ser Agente Arrecadador com fiel cumprimento das cláusulas contratuais, ainda que, em um caso e outro, detectese a involuntariedade de repasses. Porém é absolutamente inusual Fl. 775DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 88 22 transformar a exceção (mora ordinária para repasse) em regra, afastandose do conceito ordinário de mora para adentrar contumazmente na mora qualificada penalmente. Outrossim, dada a faculdade de contratar, não se pode declarar a priori a necessidade em exercerse esta atividade de Agente Arrecadador. Mas uma vez contratado, o requisito da necessidade só alcança a verba remuneratória que do contrato decorre. Nunca a apropriação daquilo que a instituição financeira é mera depositária. Somente se a conduta "apropriarse indevidamente das receitas públicas" fosse necessária ao fomento da atividade empresarial exercida pela instituição financeira é que as obrigações acessórias que lhe correspondessem (os encargos em geral) deveriam seguir o mesmo regime tributário (seriam igualmente "necessárias"). Seria conduta normal ao Agente Arrecadador cumprir suas obrigações tal como reza o contrato a que se vinculara. Em assim se comportando, haveria tênue plausibilidade em se alegar que, os dispêndios proporcionadores do exercício e desenvolvimento desta atividade, teria cumprido o requisito da normalidade. Por essas fundadas razões, não pode a lei tributária conceber como cumpridos na íntegra os requisitos de dedutibilidade previstos no artigo 299 do RIR/99. 6.2 DA PRETENSA JURISPRUDÊNCIA BENÉFICA À TESE DO CONTRIBUINTE TRAZIDA NESTE MEMORIAL O contribuinte pretende justificar sua tese com o teor do Parecer Normativo CST n° 50/76. Aqui vêse verdadeira digressão do tema discutido no presente caso concreto. Não há qualquer relação de pertinência entre o objeto deste Parecer Normativo e o caso dos encargos (obrigações acessórias) decorrentes das obrigações da instituição financeira assumidas na qualidade de Agente Arrecadador. Por essa razão o argumento não se presta para fundamento de dedutibilidade das OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Também o contribuinte alude a Decisões do Conselho de Contribuintes com o mesmo afã. Ocorre que, o contexto factual dessas decisões, referemse a contratos de prestação de serviços que não teriam sido executados e, por isso, incidiram as chamadas "cláusulas penais" normalmente substitutivas da obrigação principal previstas nos contratos. Evidentemente não há pertinência fática entre um e outro caso. Finalmente o contribuinte reingressa na pretensão de reivindicar direitos com base no § único do artigo 4°, da Lei n° 11.941/2009. Aqui há argumento de um indevido efeito da lei anistiante sobre a lei tributária que prescreve as condições de dedutibilidade de dispêndios computados pela pessoa jurídica. Há um flagrante equívoco de raciocínio do sujeito passivo na interpretação e na abrangência do § único do art. 4o da Lei em questão. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 89 23 Não computar na base de cálculo do Lucro Real os valores anistiados pela Lei não significa considerarse dedutíveis toda e qualquer despesa apropriada. A Lei da Anistia não revogou a norma tributária das dedutibilidades. 7. DA RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO ANOCALENDÁRIO DE 2008. Em razão de tudo que foi exposto no presente Termo, do total de R$ 734.411.523,59 deduzido do Resultado do Exercício de 2008, a débito de "Outras Despesas Operacionais" lançadas em 31/12/2008 a título de "ajustes aos montantes pretendidos pela PFN e INSS, glosase por indedutível, o montante correspondente a R$ 719.481.183,60, conforme se demonstra a seguir, tendo por fundamento legal o disposto no art. 299, §§ F e 2o, art. 251 e parágrafo único e art. 249, I do Decreto 3.000/99 em relação ao IRPJ; e o disposto no art. 2o e seus parágrafos da Lei 7689/88, art. 3o, I da Lei 7.689/88 c/redação do art. 17 da Lei 11.727/2008 e art. 28 da Lei 9.430/96 em relação à CSLL. Diz o lançamento fiscal que a impugnante teria contabilizado em 31.12.2008 um valor a maior, exatos R$ 68.248.407,08para o IRPJe R$ 79.639.573,25para a CSL, vide pág. 6 do Termo de Verificação Fiscal. Há, todavia, um reparo aos cálculos da PFN. Todo o problema — ou a sua maior parte — reside na CDA de n° 3040400587373, indicada na terceira linha do Quadro Demonstrativo, pág. 5 do Termo de Verificação Fiscal. É que em outubro de 2009, já na fase de operacionalização do parcelamento COMPOSIÇÃO DOS VALORES GLOSADOS (indicados pelos respectivos itens deste Termo de Verificação Fiscal) (em R$) Encargos da dívida decorrentes do não repasse da arrecadação (subitem 5.1 e item 6).............................................................................................. 595.178.176,04 Encargos da dívida tributária alcançados pela preclusão (item 5.2)..................................................................................................... 44.663.434,31 Diferença contabilizada a maior (item 4) TOTAL DAS DESPESAS GLOSADAS........................................................................ RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL (BC do IRPJ) Lucro Real Declarado (Ficha 09BDIPJ)..............................................(701.903.121,00) y Despesas Indedutíveis ............................................................................. 719.481.183,60 Multa adicionada p/Contribuinte .............................................................(11.391.166,00) Total Glosado .......................................................................................... 708.090.017,60 LUCRO REAL AJUSTADO........................................................................... 6.186.896,60 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO DA CSLL Base de Cálculo Declarada (Ficha 17DIPJ) ...................................... (713.294.287,00) .. 79.639.573,25 719.481.183,60 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 90 24 Despesas Glosadas................................................................................... 719.481.183.60 BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL............................................... 6.186.896,60 Irresignada com as autuações, a Interessada manejou a Impugnação de fls. 283/311, na qual agita os seguintes argumentos de defesa: II DA DIVERGÊNCIA DE VALOR Diz o lançamento fiscal que a impugnante teria contabilizado em 31.12.2008 um valor a maior, exatos R$ 68.248.407,08para o IRPJe R$ 79.639.573,25para a CSL, vide pág. 6 do Termo de Verificação Fiscal. Há, todavia, um reparo aos cálculos da PFN. Todo o problema — ou a sua maior parte — reside na CDA de n° 3040400587373, indicada na terceira linha do Quadro Demonstrativo, pág. 5 do Termo de Verificação Fiscal. É que em outubro de 2009, já na fase de operacionalização do parcelamento da Lei n° 11.941/09, a impugnante constatou inconsistência na apuração daquela CDA. Ali se espelhava um débito de R$ 92.225.496,58, consoante extrato da PFN, de 01.10.2009: Neste ponto da sua Impugnação, a Interessada anexa tela de consulta ao sistema e CAC Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, contendo o valor consolidado da dívida relativa à CDA de n° 3040400587373, em 01/10/2009. Reproduzo os números constantes da tela anexada: Valores Atuais Valores com Benefícios Valor principal R$ 22.253.468,99 R$ 22.253.468,99 Multa da Mora R$ 0,00 R$ 0,00 Juros da Mora R$ 54.601.111,50 R$ 30.030.611,32 Encargos Legais R$ 15.370.916,09 R$ 0,00 Valor Total R$ 92.225.496,58 R$ 52.284.080,31 Continua a Impugnante sua argumentação: A impugnante requereu a retificação à PFN, que acatou, ainda que parcialmente, daí o novo valor. Mas, evidente, esse novo valor, muito menor, R$ 29.659.355,62, não poderia ser dado como existente em 31.12.2008, porque tornou se conhecido apenas em novembro de 2009, quando da retificação solicitada pela impugnante e atendida parcialmente. Vejamos o Demonstrativo, pág 5 do Termo Verificação Fiscal, como sendo esse valor o saldo que se apresentava em dezembro de 2008, que não era: ' C D A INSCRIÇÃO SIDA N9 da Inscrição Principal Multa Juros de Mora Encargo Legal Total 3069500008829 70.834.189,97 10.967.843,05 193.331.375,88 55.026.681,78 330.160.090,68 3029800079986 12.608.663,45 0,00 33.181.567.791 9.158.046,24 54.948.277,48 3040400587373 15.705.744,23 0,00 9.010.385,46 4.943.225,93 29.659.355,62 3069800207509 4.025.420,42 0,00 10.579.643,64 2.921.012,81 17.526.076,87 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 91 25 Nesta primeira inconsistência da PFN, há uma diferença em favor da impugnante de R$ 62.566.140,96para ambos os prejuízos, IRPJ e CSL. Requerse, evidente, o ajuste. Há uma segunda inconsistência, também da PFN, no mesmo levantamento (pág. 5 do Termo de Verificação Fiscal). Tratase da CDA 30 6 05 00373485, que em 2009, a PFN apresentava em R$ 4.852.777,05, assim o vejamos na consulta on line, já em fase de apuração dos saldos do Refis da Crise, Lei n° 11.941/2009: Neste ponto da sua Impugnação, a Interessada anexa tela de consulta ao sistema eCAC Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, contendo o valor consolidado da dívida relativa à CDA de n° 3060500373485, em 01/10/2009. Reproduzo os números constantes da tela anexada: Valores Atuais Valores com Benefícios Valor principal R$ 1.266.514,53 R$ 1.266.514,53 Multa da Mora R$ 379.954,35 R$ 0,00 Juros da Mora R$ 2.397.512,00 R$ 1.318.631,60 Encargos Legais R$ 808.796,17 R$ 0,00 Valor Total R$ 4.852.777,05 R$ 2.585.146,13 Continua a Impugnante sua argumentação: Pois bem, no quadro da PFN, Termo de Verificação Fiscal, pág. 5, a mesma inscrição, de n° 30 6 05 00373485, aparece com o valor de R$ 2.766.675,64, com uma inconsistência, também em favor da impugnante, de R$ 2.086.101,41. C D A INSCRIÇÃO SIDA N9 da Inscrição Principal Multa Juros de Mora Encargo Legal Total 3069500008829 70.834.189,97 10.967.843,05 193.331.375,88 55.026.681,78 330.160.090,68 3029800079986 12.608.663,45 0,00 33.181.567.791 9.158.046,24 54.948.277,48 3040400587373 15.705.744,23 0,00 9.010.385,46 4.943.225,93 29.659.355,62 3069800207509 4.025.420,42 0,00 10.579.643,64 2.921.012,81 17.526.076,87 3060500373485 1.266.514,53 379.954,35 659.094,16 461.112,60 2.766.675,64 Em resumo, em apenas duas inconsistências numéricas trazidas aos autos pela PFN como sendo os saldos de 31.12.2008, há uma diferença em favor da impugnante de R$ 62.566.140,96 + R$ 2.086.101,41 num total de R$ 64.652.242,37, tanto no prejuízo fiscal (IRPJ) como na base negativa da CSL, de que se requer o necessário ajuste. Encerrado este capítulo, a demonstrar que os enganos são possíveis porque, afinal, a infalibilidade é apenas um dogma de fé, abrese uma preliminar de esclarecimento. III DUAS ENTIDADES DISTINTAS A Interessada inicia este ponto de sua Impugnação requerendo que "seja considerada não pertinente qualquer adjetivação, positiva ou negativa, à margem dos estritos parâmetros do lançamento", listando em seguida expressões utilizadas pelas autoridades fiscais no Termo de Verificação Fiscal que, no seu entender, são inadequadas ao processo administrativo fiscal. Invoca a distinção entre as duas entidades (o Bancesa e a entidade em liquidação extrajudicial) para alegar que as autoridades fiscais até poderiam, em homenagem ao direito de argumentar, adjetivar a "conduta anterior à decretação da liquidação extrajudicial/ falência", não podendo fazêlo, todavia, em relação à entidade em liquidação e/ou à massa falida, "mesmo porque o Fisco, inclusos os Fl. 779DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 92 26 seus procuradores, com todo o respeito, não seria(m) o tribunal competente à sua valoração". Em favor do seu pedido, alude ainda a Impugnante ao artigo 3°, inciso I, da Lei n° 9.784/09 (O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração [...]: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores [...]). Conclui dizendo que "fica, portanto, o compromisso de, nesta Impugnação, manterse o nível adequado ao DEVIDO PROCESSO LEGAL, rebatendose, tãosó pelo silêncio, as adjetivações não pertinentes". Ainda sob o mesmo título da Impugnação ("DUAS ENTIDADES DISTINTAS"), a Interessada, a título do que denomina de "Preliminar de Esclarecimento", afirma que "esta Massa Falida é tão contribuinte como qualquer outro". Fundamenta sua assertiva no quanto disposto no artigo 60 da Lei n° 9.430/96, que determina a sujeição das entidades em liquidação extrajudicial ou em falência às normas de incidência aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A partir do raciocínio exposto, propugna pela "igualdade fiscal com as demais empresas", "sem privilégios", "nem gravames". IV DA ATIVIDADE DO BANCO —» LIQUIDANDA EXTRAJUDICIAL —» MASSA FALIDA. ATIVIDADE NECESSÁRIA, USUAL, CONTRATUAL E NORMAL. Sob o título acima exibido, a Impugnante envereda na defesa da dedutibilidade dos encargos financeiros incidentes sobre as dívidas fazendárias, mediante o manejo dos argumentos que abaixo se transcrevem na sua inteireza: Enfrentemos, finalmente, a dedutibilidade dos encargos financeiros das contas de arrecadação, INSS e Receita Federal, não repassadas. Demonstrarseá, com todo o acatamento, que a atividade arrecadadora de tributos federais pelo BANCESA (anteriormente à liquidação extrajudicial/falência) era NECESSÁRIA, USUAL, CONTRATUAL E NORMAL. Antes, todavia, alguns esclarecimentos sobre a crise por que passou o sistema financeiro nacional, logo após a implantação do Plano Cruzado (1994), justamente quando o Bancesa sofreu o processo de intervenção federal, com a decretação de sua liquidação extrajudicial, fevereiro de 1995, convertido em falência. Era uma crise. Uma senhoracrise; a rigor, um cataclismo, a ponto de o Governo Federal, sob intensa pressão da economia em esfacelamento, terse visto na contingência de baixar um MP para socorrer globalmente o sistema, inclusos os depositantes. Tratase da MP n° 1.779, de 3.11.1995, que criou o PROER. Tarde, contudo, para o Bancesa que, mergulhado na crise da insolvência, sob intensa "corrida" de seus investidores, depositantes e clientes, já estava, desde fevereiro de 1995, em processo de liquidação extrajudicial. Agora, passada a crise, ausentes os fatores que, naqueles dias amedrontaram a economia do pósREAL, é muito fácil assacar toda a adjetivação possível contra os administradores de então. É bom que se diga que a impugnante não está aqui para defendêlos, mesmo porque já se demonstrou que uma coisa é a empresa de então; outra, bem diferente, a Massa Falda, tãosó um aglomerado de contas a pagar, dentro do possível, com os valores a realizar. Mas vale perguntar: o que é feito dos grandes conglomerados americanos na crise do "bolha imobiliária", dos últimos dois anos? Fl. 780DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 93 27 Sabese que banco algum suporta uma "corrida", um ataque especulativo. Bancos de porte mundial quebraram. No mundo inteiro. No Brasil, sim, também. Alguns foram absorvidos por outros grupos, mercê do esforço PROER, um programa que chegou tarde para o Bancesa. Quebrara antes. A propósito de "desdemonizar" o setor, o registro do Banco Central, quando da implantação do PROER, disponível no seu site, matéria de novembro de 1995, plenamente atual (http://www.bcb.gov.br/ ?PROER): O Brasil também está sujeito a esse redemoinho. É o efeito da globalização mexendo com a nossa realidade. Nosso país tem o maior e, provavelmente, o mais complexo sistema financeiro na América Latina, cujo desenvolvimento, nos últimos trinta anos, foi marcado pelo processo inflacionário. As reformas institucionais e as grandes mudanças legais e normativas nesse período foram determinadas em grande medida pelo processo de combate à inflação. O longo período de convivência com o processo inflacionário permitiu que ganhos proporcionados pelos passivos não remunerados, como os depósitos à vista e os recursos em trânsito, compensassem ineficiências administrativas e, até mesmo, concessões de crédito de liquidação duvidosa. Na mesma publicação, o Banco Central nomeia a gênesis da crise: «O longo período de convivência com o processo inflacionário». Afinal, não é normal que bancos quebrem a três por quatro. Pois quebraram. O Bancesa incluso. Seria a "quebra generalizada" a "normalidade" pretendida no lançamento impugnado? Diz o Banco Central (http://www.bcb.gov.br/7PROER): Num universo com 265 bancos, com mais de 16 mil agências, 11 mil postos de atendimento adicionais (sem contar as caixas econômicas, com 1.800 agências veja quadro abaixo), dezenas de bancos quebraram, gerando enormes custos financeiros e sociais. O Banco Central refere dezenas de bancos quebrados. A rigor, dos bancos contemporâneos ao Bancesa, podese dizer, com algum exagero, que sobraram apenas o Bradesco, o Itaú, o BB e CEF. Normalidade? Sim! Uma normalidade muito estranha, mas "normal". Não é normal avançar o sinal vermelho; pelo contrário, um ilícito de trânsito. Mas, à noite, na violência urbana, passou a ser "normal". Vejamos, na prática, a corrida ao caixa —: clientes, aplicadores e investidores, vorazmente ao caixa — este o motivo real da apropriação que, antes de ser indébita, derase ao sabor do desfalecimento dos recursos do caixa. Na corrida dos bancos é assim: quem aplicou, saca; quem deve, foge; clientes novos, nem pensar. Foramse ao brejo o Nacional, o Econômico, o Mercantil, o Banfort, o Bancesa e muitos outros. O BANCESA, como os demais bancos, inclusos os muitos que também quebraram, operava contas públicas, a rede bancária arrecadadora, mediante contrato: INSS e Receita Federal, assim o vejamos do ponto de vista da "normalidade" negocial: A Lei n° 4.503, de 30.11.1964 dispôs: Art 17. Fica o Poder Executivo autorizado a cometer a arrecadação das rendas federais a estabelecimentos bancários oficiais e privados, e, onde não houver estabelecimento bancário ou Exatoria Federal, às Agências do Departamento Nacional de Correios e Telégrafos. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 94 28 A partir de 1967, a rede bancária nacional foi autorizada a arrecadar receitas federais, que até então eram pagas nas unidades da Secretaria da Receita Federal (Exatorias Federais). Em 1971 foi criado o "Documento Único de Arrecadação DAU". Posteriormente, em 1974, o DARF Documento de Arrecadação de Receitas Federais, substituindo os diversos modelos de guias de pagamento até então existentes. Por isto mesmo, a atividade de arrecadar receitas federais passou a ser "usual" ao sistema bancário, incluso naturalmente o Bancesa, a partir da implantação da nova sistemática (1971). Todos os contratos de arrecadação de receitas federais entre os bancos e o Tesouro Nacional referem, modelo padrão, expressamente a Lei n° 8.666 (Lei das Licitações), com a necessária previsão da mora, que, em face da previsão legal, há de ser entendida como "usual": Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado à multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato. (Lei n° 8.666/93) O contrato do Bancesa com a Receita Federal refere expressamente em seu cabeçalho: (... ) celebram um contrato de prestação de serviços pelo Banco, de arrecadação de receitas federais por DARF, e sua respectiva prestação de contas, com fundamento na Lei 8.666, de 21/06/93 (... ) No mesmo molde, o contrato com o INSS: Contrato do INSS: «Cláusula X. É vedada a retenção da arrecadação além dos prazos estabelecidos na cláusula IX. A ocorrência desta infração sujeitará o BANCO a pagamento ao INSS de multa de seis por cento ao mês "pro rata tempore", limitada a trinta por cento, mais juros de doze por cento a.a., também na forma"pro rata tempore" sobre o valor atualizado monetariamente pela taxa média do OVERNIGHT.» Contrato do MF/SRF: «Cláusula Oitava. Penalidades. Fica o Banco, por infração de qualquer cláusula deste contrato, sujeito às penalidades previstas na legislação mencionada no caput da Cláusula Terceira" (Portaria MF 604/92 c/c Portaria MF 680/92 e IN SRF122/92).» O INSS e o MF/SRF, aplicaram a multa moratória: INSS: Multa de mora: R$ 33.225.321,16 MF/SRF: Multa de mora: R$ 9.386.044,08 O encargo moratório — porque usual e contratual — é dedutível, assim o vejamos, Parecer Normativo n° 50/76: EMENTA É dedutível, como despesa operacional da pessoa jurídica, o valor da multa contratual, paga ou incorrida, decorrente do inadimplemento de cláusula que obrigue o representante comercial, o mandatário ou o comissário mercantil a vender uma quantidade determinada de mercadorias. 1. Objetivase esclarecer se a legislação do imposto de renda admite a dedutibilidade, como despesa operacional, de multa paga por representante Fl. 782DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 95 29 comercial, mandatário ou comissário mercantil nos casos em que não consigam promover a venda de determinada cota de produtos, a que se obrigaram contratualmente. 2. O critério básico para saber da dedutibilidade de tal despesa consiste em aferir a sua necessidade para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, conforme dispõe o art. 162 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: "Art. 162. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações ou operações ou atividade da empresa". (Grifo nosso) 3. Ora, o encargo em apreço resulta de uma garantia oferecida com o objetivo de proporcionar às empresas produtoras a devida segurança de escoamento de determinado volume de mercadoria, cuja estimativa é, evidentemente, fator indispensável a qualquer programação industrial tecnicamente aceitável. A multa pecuniária, pois, no caso, faz parte do negócio, é risco das transações, constitui ônus inerente à própria atividade de intermediação comercial. 4. Por outro lado, cumpre reconhecer que é freqüente encontrarse em contratos da espécie a existência de cláusulas semelhantes, quer sob a forma de multa pecuniária, quer estipulando a obrigatoriedade de aquisição de quantidades mínimas de mercadorias. Em face do exposto, é de concluir que o dispêndio analisado satisfaz aos requisitos de necessidade e normalidade previstos no art. 162 do Regulamento do Imposto de Renda/75, devendo, por isso mesmo, ser admissível como despesa operacional para efeito de apuração do lucro sujeito ao pagamento do imposto de renda. 6. Ademais, ressaltese que a dedução do encargo não provocará efeitos lesivos aos interesses da Fazenda Nacional, considerada a arrecadação global do tributo, porquanto a redução do lucro operacional de uma pessoa jurídica implicará a contrapartida de acréscimo do valor correspondente ao lucro real da empresa beneficiária. 7. Por derradeiro, cabe lembrar que a remuneração de representante comercial somente será considerada legalmente como tal e, por conseguinte, como despesa operacional quando o mediador estiver devidamente registrado no Conselho Regional dos Representantes Comerciais (art. 5o da Lei n° 4.886, de 09/12/65). À consideração superior. Os encargos ao INSS e MF/SRF, dedutíveis porque contratuais — e normais —, assim esclarece a jurisprudência: TÍTULO: ACÓRDÃO 10808.442 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 96 30 ÓRGÃO: 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES 8a CÂMARA DECISÃO: 1° Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 10808.442 em 11.08.2005 IRPJ e OUTROS EXS.: 1995 e 1996 IRPJ PRELIMINAR NULIDADE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO SE VISLUMBRANDO QUALQUER IRREGULARIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO E TENDO SIDO RESPEITADO O DIREITO À AMPLA DEFESA NOS AUTOS, NÃO HÁ DE SE ACOLHER A PRELIMINAR SUSCITADA. COM RELAÇÃO À REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA, FICA COMPROVADO NOS AUTOS QUE A CONTRIBUINTE NÃO PREENCHEU OS REQUISITOS DO ART. 16, 111, IV E §1°, DO DECRETO 70.235/1972, QUE REGULA O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, LOGO, NÃO VISLUMBRA TAL DIREITO. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DAS RECEITAS. Legítima a exigência embasada em informações prestadas pelos tomadores dos serviços quando o prestador não logra comprovar o reconhecimento da receita correspondente. IRPJ CUSTOS OU DESPESAS NECESSÁRIOS MULTA CONTRATUAL. Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual quando o objeto do contrato de prestação de serviços não foi executado. IRPJ GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Merece ser ajustada a glosa de compensação de prejuízos na proporção da matéria exonerada da exigência fiscal. TAXA DE JUROS SELIC APLICABILIDADE. É legítima a cobrança de juros calculada com base na SELIC, prescrita em lei e autorizada pelo art 161, §1°, do CTN, admitindo a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se contida em lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS.COF1NS e IRRF A tributação reflexa deve Ser mantida devido à estreita relação de causa e efeito existente, uma vez julgada subsistente a imposição por omissão de receitas no âmbito do IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL A exigência deve ser mantida em razão da decisão matriz de IRPJ, que manteve a exigência sobre omissão de receita. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente, e, no mérito, igualmente por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência com base na glosa da multa da rescisão contratual. DORIVAL PADOVAN PRESIDENTE PUBLICADO NO DOU EM 11.12.2006 RELATOR LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA RECORRENTE: HOTEL NOVO MUNDO LTDA. RECORRIDA: 3* TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ I DATA DE DECISÃO: 11/08/2005 DATA DE PUBLICAÇÃO: 11/12/2006 E mais: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 97 31 1° Conselho de Contribuintes / 1a Câmara / ACÓRDÃO 10196.327 em 13.09.2007. IRPJ E OUTRO Ex(s): 1996e 1997 DESPESA FINANCEIRA. MULTA CONTRATUAL Apresentados os contratos que prevêem a incidência da multa, bem como os documentos que demonstram que a interessada incorreu na despesa lançada a resultado, não procede a glosa. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para: I) quanto ao item 2 do Auto de Infração, cancelar o lançamento em relação à variação monetária ativa do saldo da conta do mútuo; e II) quanto ao item 3 do Auto de Infração, restabelecer a dedução das despesas financeiras. Antonio José Praga de Souza Presidente. Publicado no DOU em: 12.03.2008 Relator: Sandra Maria Faroni " Finalmente, o disposto no parágrafo único do art 4o da Lei n°11.941/2009: Art. 4°. Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se 01 aplica o disposto no § 1o do art. 3o da Lei no 9.964, 10 de abril de 2000, no § 2o do art. 14A da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1o da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. (... ) Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2o e 3o desta Lei. Não faria sentido, contábil ou fiscal, a lei superveniente (11.941) mencionasse inclusão/exclusão se a empresa não tivesse antes reconhecido a dívida pelo seu total e, ao mesmo tempo, considerado dedutíveis os seus acréscimos. Dedutíveis porque contratuais. (Algo que decorre do usual e do contratual, evidentemente é necessário). Agora, com a dispensa dos acréscimos, seria o caso de computálos ao lucro real, hipótese prevista no parágrafo acima, para ter algum sentido lógico dispensar essa inclusão. Se a empresa acaso fosse obrigada a incluir os acréscimos, o parágrafo acima estaria solto no ar. Só faz sentido se tiver reconhecido a dívida, com os seus acréscimos, sem refletir no lucro real. Se fosse obrigatório incluílos, a lei determinaria a nãoinclusão. Em resumo: atividade usual, contratual e necessária, sob o alcance do art 4o, parágrafo único da Lei 11.941/2009. A rigor, pela legislação do PROER, já era assim: a dedutibilidade dos prejuízos incorporados, via ágio, apenas com a limitação dos 30%: Art. 236. Na hipótese de incorporação, aplicase às instituições financeiras participantes do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional o seguinte tratamento tributário (Lei n° 9.710, de 1998, art. 2°): (... ) II as instituições Incorporadoras poderão registrar como ágio, na aquisição do investimento, a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial da participação societária adquirida; Fl. 785DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 98 32 (... ) IV após a incorporação, o ágio a que se refere o inciso II, registrado contabilmente, poderá ser amortizado, observado o disposto no inciso seguinte; V para efeitos de determinação do lucro real, a soma do ágio amortizado com o valor compensado dos prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores não poderá exceder, em cada período de apuração, a trinta por cento do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação aplicável (... ) (Regulamento do Imposto de Renda, Dec. 3.000/99) V— DA DEDUTIBILIDADE DOS ENCARGOS FINANCEIROS, QUANDO ORIUNDOS DE TRIBUTOS NA CONDIÇÃO DE SUJEITO PASSIVO E DA DEDUTIBILIDADE DOS Causa desconforto constatar que o lançamento impugnado está no sentido contrário à história da dedutibilidade dos encargos financeiros. Nunca, em tempo algum, perante o Imposto de Renda, os encargos financeiros dos empréstimos bancários, contratos e tudo o mais, deixaram de ser dedutíveis. Já jé^^ os encargos fiscais, não. Houve época em que os tributos em geral só seriam dedutíveis, não quando incorridos, mas quando efetivamente pagos, em regime de caixa; no mesmo sentido, os seus encargos. Qualquer razão de ordem moral — ou criminal — que se queira trazer ao critério adotado pelo lançamento impugnado de considerar nãodedutíveis os encargos financeiros dos valores não repassados e, de outra margem, considerar dedutíveis os mesmos encargos quando oriundos de tributos não recolhidos, é o mesmo que colocar em segundo plano a obrigação tributária em prol da obrigação contratual. Há de se ter em conta que dentre as 17 execuções fiscais, quadro de pág. 5 do Termo de Verificação Fiscal, em que a impugnante figura, não como contratante inadimplente, mas como contribuinte e sujeito passivo, algumas referemse ao IR Fonte, cujo nãorecolhimento tipificase no mesmo padrão do nãorepasse das verbas contratuais, isto é: apropriação indébita, no campo penal. Independentemente de valores morais (ou penais) a discutir, a lei fiscal não faz distinção: encargos financeiros são dedutíveis, tanto os contratuais como os tributários. Sim, o agente do lançamento acatou os tributários, mas engasgou os contratuais. E quem disse que os débitos em favor do INSS e da PFN não são tributários? Se não o forem, serão, naturalmente, quirografários, ao fim da fila, espantosamente um "tiro no pé", garantindo, absurdo dos absurdos, que a Massa Falida peça de volta o que recolheu à frente dos demais — hipótese que se menciona apenas em respeito ao direito de argumentar. O fato é que em ambas as CDA 's, INSS e PFN, as garantias de preferência foram requeridas precisamente pela condição "tributária" dos débitos, assim o vejamos neste fragmento: O INSS, na Impugnação de Valor, Vara de Falências, processo 2002.02.351548, exigiu para os seus créditos as garantias do CTN, in verbis: Fica, pois, prequestionada para fins de possível Recurso Especial, caso sejam afrontados os artigos 26, do Decretolei 7.661/45, o art. 1° e seu §1°, do Decretolei 858/69, no §4° da lei 6.830/80 e arts. 186/188 do Código Tributário Nacional Fl. 786DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 99 33 (Eis as indicações dos artigos do CTN, citados, com destaque à EXPRESSÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO): Art. 186. O crédito tributário.../ I o crédito tributário.../ III a multa tributária.../ Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário... / Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários.../ §1° Contestado o crédito tributário.../ Um absurdo, pois, autêntica teoria do "Venha a nós o Vosso reino...", que se diga sejam tributários os débitos apenas na hora de cobrálos com todas as garantias e preferências que o CTN garante aos créditos tributários, mas que se lhe negue essa condição na hora de deduzir os encargos. Coerência? A léguas! Em resumo, os encargos contratuais são dedutíveis porque, afinal de contas decorrem de operação normal, necessária, legítima e previsível em sua inadimplência —, tanto assim que todas as cláusulas foram previstas nos respectivos contratos. Sim, a inadimplência também é contratual. VI DOS VALORES COM MAIS DE CINCO ANOS Os encargos financeiros, tanto os contratuais como os tributários, foram objeto de contestação perante a Justiça Federal justo porque a PFN queria recebêlos como se inexistissem a Lei de Falências que manda afastálos, de sorte que não podia, princípio da coerência, reconhecêlos ao mesmo tempo em que os contestava. O débito perante a PFNfoi objeto do Embargo A Execução, processo n° 95.137836. Os embargos em referência, à época (processo de 1995), geravam a suspensão da exigibilidade, redação primitiva do art. 739 do Código do Processo Civil1: Art. 739. O juiz rejeitará liminarmente os embargos: (... ) § 1° Os embargos serão sempre recebidos com efeito suspensivo. (Incluído pela Lei n° 8.953, de 13.12.1994) (Revogado pela Lei n° 11.382, de 2006) Independentemente da suspensão da exequibilidade, a contestação dos acréscimos financeiros, em 1995, através dos Embargos à Execução, processo n° 95.137836, impedia, por coerência, que a embargante lançasse uma despesa que contestava. E, se acaso, o princípio da coerência não fosse suficiente, a lei 8.981/95 também o impedia: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Em suma, presentes os embargos (art. 739, § 1o, do CPC, na redação em vigor em 1995, à data dos embargos), a embargante não podia, por força da lei acima transcrita, reconhecer o valor pretendido pelo Fisco. O processo n° 95.137836, dos embargos em referência, transitou em julgado em 04.11.2003, consoante certidão da Justiça Federal, apresentada aos senhores Auditores e anexa a este processo. Quanto ao crédito pretendido pelo INSS, a mesma suspensão, independente de depósito, na forma do art. 41, § 1o, da Lei n° 8.981/95, combinado com o art. 739, § 1o, do CPC então vigente, gerando o mesmo impedimento, Processo n° 96.0039458 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 100 34 0, 9a Vara Federal no Ceará. A sua atualização contábil em 31.12.2008 implicou tãosó ajuste de com os saldos do INSS, o que se confirma o pedido de desistência (também apresentado aos senhores auditores, e anexo a este processo) no prazo legal, 01.03.2010, na forma da Portaria Conjunta PFN/SRFB n° 13/2009. VII CONCLUSÃO E PEDIDO A divergência entre os valores encontrados pela impugnante com os valores encontrados pela PFN é real, mas infinitamente menor que o indicado na pág. 6 do Termo de Verificação Fiscal, havendo, pois de se lhe abater as inconsistências ^^^^^numéricas cometidas pela PFN, no valor de R$ 62.566.140,96, vide 12 desta impugnação. Os encargos financeiros, dos últimos cinco anos, das dívidas contratuais, são legítimos porque se revestem da necessidade, usualidade e normalidade. Em suma, contratuais, e assim cobertas pela doutrina e jurisprudência. E, afinal, cobrados em processo de execução sob a égide da lei tributária, o Código Tributário Nacional. Os encargos financeiros, dos últimos cinco anos, das dívidas tributárias, na condição de sujeito passivo, são dedutíveis, tanto assim que o lançamento assim as reconhece (págs. 18/19 do Termo de Verificação Fiscal). Os encargos financeiros de ambas as contas, contratuais e tributárias, com mais de cinco anos, e que não vinham sendo lançadas em face do impedimento de lançálas, são igualmente legítimas e dedutíveis, sob pena de negaremse as razões legais de nãolançar algo que estava suspenso judicialmente. Em face das razões expostas, requer seja esta impugnação recebida em seu efeito suspensivo, dandoselhe o provimento. Às fls. 314/316 dos autos, figura o Ofício PFN/CE n° 4295/2010, de 06 de dezembro de 2010, endereçado à Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza, e por esta despachado para as devidas providências, no qual o Procurador Oficiante faz constar o que se segue. Pelo presente, comunicamos a V. Senhoria decisão judicial proferida pelo MM. Juiz Federal da 9a. Vara da SJCE, nos autos do Processo de Execução Fiscal n°. 000292868.1995.4.05.8100 e apensos (fls. 1663/1776), reputando válida a glosa realizada pela Receita Federal do Brasil (Termo de Verificação Fiscal — PROCESSO ADMINISTRATIVO N°. 10380.722351/201081), referente a apuração pela Massa Falida do "BANCESA" (Dezembro de 2008), de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas de CSLL), restando prejudicado, por conseguinte, o reexame da matéria, na esfera administrativa, por esta Delegacia de Julgamento. Com efeito, restou consignado às fls. 1760/1761: "Outro equívoco da Massa Falida do Bancesa foi identificado pela Receita Federal, quando glosou a utilização dos prejuízos fiscais para fins de abatimento dos juros de mora. (Para os pagamentos à vista, a Lei 11941/2009 autorizou um abatimento de 45% dos juros de mora e autorizou a liquidação desses valores "com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido próprios", "mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de 25% e 9%, respectivamente "). Fl. 788DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 101 35 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1273/1295), foi constatado que o prejuízo fiscal apresentado pela Massa Falida do Bancesa, relativo ao ano de 2008, no montante de R$ 701.903.121,00, seria incompatível com a situação superavitária que, até então, embora em processo falimentar, vinha sendo apresentada pela empresa nos últimos exercícios. Em sua defesa, a Massa Falida do Bancesa alegou que somente passou a contabilizar os referidos prejuízos fiscais a partir de 2008 em razão de as dívidas estarem "sub judice". Sustentou também que a inclusão dos referidos valores em sua contabilidade ocorreu para que pudesse gozar dos benefícios da Lei 11.941/2009. Curiosamente, a Massa Falida incluiu as referidas dividas como prejuízo fiscal, mas, no momento de confessar o débito e aderir ao "Novo Refis", unilateralmente as excluiu do cálculo, defendendo que eram indevidas. A Receita Federal, no referido Termo de Verificação Fiscal, detectou claramente a incoerência do método adotado pela Massa Falida. Afinal, a pretensão da Massa "faz rebuscar os recursos financeiros para a liquidação da dívida nas entranhas de sua própria dívida, quando alega possuir montante de PREJUÍZO FISCAL e de BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL em cifras além daquilo que deve à Fazenda Nacional, dado que reivindica os descontos da Lei referida" (fls. 1280). Além disso, a Receita Federal apresentou várias justificações bastante plausíveis para glosar os valores dos supostos prejuízos fiscais apresentados pela Massa Falida. Baseouse na idéia de que os recursos que o Bancesa arrecadou de terceiros (contribuintes) para posterior repasse ao Tesouro Nacional não constituíam "Receita Própria" do Agente Arrecadador, já que este era o mero depositário daqueles recursos. Assim, o não repasse daquele numerário para o caixa do Tesouro não teria o condão de transformar a natureza da dívida para tornála dedutível para fins tributários. Com razão, a Receita Federal sustentou que os valores recebidos do público e não repassados ao Tesouro não seriam despesas operacionais (ou não operacionais); logo, não seriam verbas hábeis a se qualificarem como dedutíveis na apuração do Lucro Real. Nesse ponto, portanto, tenho por válida a glosa realizada no Termo de Verificação Fiscal já mencionado. Como se observa, toda a engenharia jurídica e contábil promovida pela Massa Falida não passou de uma tentativa frustrada de quitar unilateralmente a dívida fazendária, sem que fossem respeitadas algumas regras básicas do procedimento fiscal e da legislação aplicável. Se a Massa Falida do Bancesa tem interesse em se beneficiar das vantagens concedidas pela Lei 11.941/2009, deve respeitar todas as regras estabelecidas naquele programa e não apenas aquelas que lhe convêm". No dispositivo final da decisão, proclamou o MM. Juiz Federal que "os valores dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL serão aqueles indicados pela Receita Federal para o exercício findo em 31/12/2008, no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL — CONSTATAÇÃO, juntado aos autos pela Procuradoria da Fazenda Nacional". Ressaltese, outrossim, que a Massa Falida do BANCESA recorreu da mencionada decisão através da interposição de Agravo de Instrumento junto ao Tribunal Regional Federal da 5a. Região — TRF5 (AGTR 111.399CE — consulta processual em anexo). O Procurador Oficiante fez acompanhar seu expediente de cópia da Decisão Interlocutória a que faz menção, a qual se encontra anexada às fls. 317/430 dos autos. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 102 36 É o Relatório. A DRJ manteve em PARTE os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROPOSITURA DE EXECUÇÃO FISCAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. O acesso ao processo administrativo é uma garantia fundamental consagrada na Constituição Federal, à qual somente o seu titular pode renunciar. Nesses termos, não configura desistência do processo administrativo a propositura, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de execução fiscal contra o contribuinte, ainda que o objeto do processo administrativo esteja abrangido pela execução fiscal. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DO EFEITO DA COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Questão decidida incidentalmente no bojo da execução fiscal, sem amparo dos efeitos da coisa julgada material, em relação à qual exista processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, não caracteriza a concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO ÂMBITO MATERIAL DAS RELAÇÕES JURÍDICAS REGULADAS PELA DECISÃO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Havendo a Autoridade Judiciária delimitado o âmbito material de incidência da decisão proferida na execução fiscal, não há que se falar em concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto, quando o âmbito material de incidência da decisão prolatada no segundo é mais amplo do que aquele ao qual a Autoridade Judiciária restringiu os efeitos da sua própria decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ADJETIVAÇÕES LANÇADORAS. SITUAÇÃO JURÍDICA DA MASSA FALIDA. IRRELEVÂNCIA PARA A CONVICÇÃO DO JULGADOR. São de nenhum valor, para a formação da convicção do Julgador Administrativo, as considerações de ordem subjetiva atribuíveis às autoridades responsáveis pelos lançamentos impugnados (exceto na eventualidade de infrações em que o elemento subjetivo integre o tipo tributário), bem como a específica situação jurídica da Interessada (massa falida). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE Fl. 790DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 103 37 DOS RECURSOS ARRECADADOS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DAS DESPESAS. INADMISSÃO. O fato de a PFN haver informado a maior os encargos incidentes sobre as dívidas cobradas da Interessada não torna dedutíveis os valores que excederam as despesas efetivamente incorridas, segundo o regime de competência dos exercícios, mormente quando a própria Interessada se mostra conhecedora do equívoco cometido pela Procuradoria. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NA UTILIZAÇÃO DO PREJUÍZO GERADO PELOS ENCARGOS PARA PAGAMENTO DA PRÓPRIA DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou não) dos encargos por inadimplemento de contrato de arrecadação de tributos/contribuições, o fato de a Interessada haver aproveitado, sob os auspícios da legislação pertinente, o prejuízo gerado por esses encargos para amortizar juros de mora relativos à dívida que ensejou os mesmos encargos. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DESPESAS OPERACIONAIS. CARACTERIZAÇÃO, EM TESE. Os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público constituem um risco inerente a essa específica atividade (são, então, necessários), além de estarem padronizados nos respectivos instrumentos contratuais (são, então, usuais e normais), razões por que se inserem, em tese, no conceito de despesas operacionais adotado pela legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, o só fato de serem contratuais esses encargos não tem o condão de determinar sua indedutibilidade. Para glosar os encargos contratuais deduzidos, há de se perquirir, no caso concreto, se foram desatendidos os requisitos legais da necessidade, usualidade e normalidade das despesas. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ENTRE AMBOS. INEXISTÊNCIA. O montante constituído pelos tributos e contribuições arrecadados do público está intimamente ligado à relação tributária, em que o agente arrecadador funciona como uma espécie de intermediário entre o contribuinte e o Fisco. Já os encargos contratuais não têm qualquer ligação com a relação tributária. Tratase, no sentido mais puro, de uma relação bilateral entre o agente arrecadador e o Órgão Público que o contratou. São, portanto, duas dívidas que não são acessórias uma da outra. A dívida "principal" não afeta a dívida resultante do não cumprimento dos encargos contratuais. Dessa forma, eventual indedutibilidade da primeira não pode se comunicar à segunda. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. AFERIÇÃO DA SUA DEDUTIBILIDADE. COMUNICAÇÃO DE EVENTUAL INDEDUTIBILIDADE AOS ENCARGOS DECORRENTES DA FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. IMPROPRIEDADE. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 104 38 O montante constituído pelos tributos e contribuições arrecadados do público para posterior repasse ao Órgão contratante não configura despesa do agente arrecadador, uma vez que é registrado contabilmente como obrigação, cuja liquidação não reduz o resultado do exercício. Não constituindo despesa, os tributos/contribuições arrecadados do público não detêm (ou deixam de deter) o atributo da indedutibilidade. À míngua desse atributo, não podem comunicálo à dívida relativa aos encargos contratuais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE. ANALOGIA COM EMPRESA QUE TOMA E REPASSA EMPRÉSTIMO BANCÁRIO A TERCEIROS. IMPROPRIEDADE. É impróprio assemelhar os encargos dos juros incidentes sobre empréstimo que uma empresa nãofinanceira contrata para o usufruto de outra empresa com os encargos assumidos por um banco em razão de descumprimento de cláusula de contrato de prestação de serviços de arrecadação de recursos públicos. No primeiro caso, os encargos não guardam qualquer relação com a atividade operacional da mutuária, seja na condição de despesas necessárias ao desempenho dessa atividade ou à manutenção da respectiva fonte produtora, seja na condição de dispêndios referentes a riscos típicos da atividade própria da empresa. No segundo caso, os encargos assumidos pela contratada do Poder Público são próprios da atividade de qualquer agente arrecadador porque representam os riscos inerentes a essa atividade. Daí sua natureza operacional. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PREJUÍZO CAUSADO À FAZENDA NACIONAL. IMPROCEDÊNCIA. É de todo irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou indedutibilidade) dos encargos decorrentes do inadimplemento de cláusula de contrato de arrecadação de recursos públicos, os eventuais prejuízos (ou a duplicidade destes) infligidos ao Tesouro Nacional pelo agente arrecadador, porque essa circunstância fática não integra o tipo legal que estabelece as regras de dedutibilidade de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NA INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. A inobservância do regime de competência na apropriação das despesas relativas aos encargos por descumprimento de contrato de arrecadação e repasse de recursos públicos não pode, por si só, ser óbice à dedução dos encargos contratuais, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, se os próprios autuantes admitiram a dedução dos encargos relativos à dívida de natureza tributária (impostos e contribuições devidos pela Interessada na qualidade de sujeito passivo), incorridos nos cinco anos que antecederam a apuração do resultado, em razão de não se ter operado a preclusão temporal. Estando também estes últimos encargos sujeitos à observância do regime de competência dos exercícios, uma vez admitida a sua dedução para o período qüinqüenal mencionado, igual tratamento deve ser dispensado aos encargos de natureza contratual. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 105 39 ENCARGOS CONTRATUAIS. CLÁUSULA PENAL MORATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. A jurisprudência administrativa, de primeira e segunda instâncias, é convergente no sentido de admitir, como dedutíveis do lucro líquido do exercício, para o fim de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os encargos de natureza contratual, ainda que constituam cláusula penal moratória (nãocondenatória). TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4° DA LEI 11.941/2009. IMPROCEDÊNCIA. A disposição contida no parágrafo único do artigo 4° da Lei n° 11.941/2009 tem o alcance tãosomente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringese a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela “perdoada” da dívida. E só. O dispositivo legal invocado não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE NAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DETERMINANTES DA FALTA DE REPASSE. INDEDUTIBILIDADE. Se o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade mas, ao contrário, deu se em razão de a Interessada haver se apropriado intencional e conscientemente dos valores arrecadados do público, restam afastados os atributos da necessidade, normalidade e usualidade dos encargos, exigidos pela legislação tributária para conferir dedutibilidade às despesas operacionais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO ARTIGO 236 DO RIR/1999. IMPROCEDÊNCIA. As normas contidas no caput do artigo 236 do RIR/1999 e seus incisos cuidam de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Por conseguinte, não se prestam à caracterização da dedutibilidade dos encargos incorridos por conta da inexecução do contrato de agente arrecadador. Nos lançamentos impugnados, não foi apurada nenhuma infração atinente à compensação de prejuízos fiscais (ou de bases de cálculo negativas da CSLL). TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA EM ANALOGIA COM O IRRF. IMPROCEDÊNCIA. A dedutibilidade dos encargos moratórios de natureza fiscal (como o são os incidentes sobre IRRF nãorecolhido tempestivamente) é expressamente admitida por uma norma tributária especial. Dessa maneira, não há que submetêlos ao Fl. 793DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 106 40 escrutínio das regras gerais de dedutibilidade (artigo 299 do RIR/1999) mas tão somente que aplicar a disposição especial contida no § 5°, do artigo 344, do RIR/1999. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA EM PRETENSA NATUREZA TRIBUTÁRIA DOS ENCARGOS. IMPROCEDÊNCIA. Fogem inteiramente do objeto do processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários da União os procedimentos adotados pela PFN na execução das dívidas que ensejaram os encargos tidos por indedutíveis nos lançamentos impugnados. Se, na execução fiscal, a PFN invocou a natureza tributária das dívidas ou foi desrespeitada a ordem de preferência entre os credores da massa falida, não há que se cogitar de qualquer reflexo sobre o julgamento da dedutibilidade dos encargos na apuração do IRPJ e da CSLL. Para o deslinde do litígio apreciado, o que importa saber é se, no âmbito dos autos do processo administrativo fiscal, restou demonstrada a natureza nãotributária dos encargos contratuais devidos pela Interessada. DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE. LIMITAÇÃO TEMPORAL. A apropriação retardada de despesas, desde que não correspondam a períodos já alcançados pela decadência, ou cujos resultados já estejam tacitamente homologados (art. 150 do CTN), não tem a dedutibilidade prejudicada. Até porque o retardamento na apropriação de despesas ou custos prejudica a empresa e, salvo casos especiais de burla ao limite na compensação de prejuízos, provoca antecipação dos tributos incidentes. DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITOTRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade do respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas arroladas exaustivamente no artigo 151 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, relativo à CSLL. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 586/651 a este CARF, repisando os mesmos argumentos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 107 41 É o Relatório A DRJ manteve em PARTE os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROPOSITURA DE EXECUÇÃO FISCAL COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA DA VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. O acesso ao processo administrativo é uma garantia fundamental consagrada na Constituição Federal, à qual somente o seu titular pode renunciar. Nesses termos, não configura desistência do processo administrativo a propositura, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de execução fiscal contra o contribuinte, ainda que o objeto do processo administrativo esteja abrangido pela execução fiscal. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DO EFEITO DA COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Questão decidida incidentalmente no bojo da execução fiscal, sem amparo dos efeitos da coisa julgada material, em relação à qual exista processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, não caracteriza a concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto. DECISÃO INCIDENTAL NO ÂMBITO DA EXECUÇÃO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO ÂMBITO MATERIAL DAS RELAÇÕES JURÍDICAS REGULADAS PELA DECISÃO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO. Havendo a Autoridade Judiciária delimitado o âmbito material de incidência da decisão proferida na execução fiscal, não há que se falar em concomitância de processos judicial e administrativo com o mesmo objeto, quando o âmbito material de incidência da decisão prolatada no segundo é mais amplo do que aquele ao qual a Autoridade Judiciária restringiu os efeitos da sua própria decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ADJETIVAÇÕES LANÇADORAS. SITUAÇÃO JURÍDICA DA MASSA FALIDA. IRRELEVÂNCIA PARA A CONVICÇÃO DO JULGADOR. São de nenhum valor, para a formação da convicção do Julgador Administrativo, as considerações de ordem subjetiva atribuíveis às autoridades responsáveis pelos lançamentos impugnados (exceto na eventualidade de infrações em que o elemento subjetivo integre o tipo tributário), bem como a específica situação jurídica da Interessada (massa falida). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DEDUTIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DAS DESPESAS. INADMISSÃO. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 108 42 O fato de a PFN haver informado a maior os encargos incidentes sobre as dívidas cobradas da Interessada não torna dedutíveis os valores que excederam as despesas efetivamente incorridas, segundo o regime de competência dos exercícios, mormente quando a própria Interessada se mostra conhecedora do equívoco cometido pela Procuradoria. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NA UTILIZAÇÃO DO PREJUÍZO GERADO PELOS ENCARGOS PARA PAGAMENTO DA PRÓPRIA DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou não) dos encargos por inadimplemento de contrato de arrecadação de tributos/contribuições, o fato de a Interessada haver aproveitado, sob os auspícios da legislação pertinente, o prejuízo gerado por esses encargos para amortizar juros de mora relativos à dívida que ensejou os mesmos encargos. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. DESPESAS OPERACIONAIS. CARACTERIZAÇÃO, EM TESE. Os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público constituem um risco inerente a essa específica atividade (são, então, necessários), além de estarem padronizados nos respectivos instrumentos contratuais (são, então, usuais e normais), razões por que se inserem, em tese, no conceito de despesas operacionais adotado pela legislação do IRPJ e da CSLL. Assim, o só fato de serem contratuais esses encargos não tem o condão de determinar sua indedutibilidade. Para glosar os encargos contratuais deduzidos, há de se perquirir, no caso concreto, se foram desatendidos os requisitos legais da necessidade, usualidade e normalidade das despesas. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. ENCARGOS CONTRATUAIS POR FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ENTRE AMBOS. INEXISTÊNCIA. O montante constituído pelos tributos e contribuições arrecadados do público está intimamente ligado à relação tributária, em que o agente arrecadador funciona como uma espécie de intermediário entre o contribuinte e o Fisco. Já os encargos contratuais não têm qualquer ligação com a relação tributária. Tratase, no sentido mais puro, de uma relação bilateral entre o agente arrecadador e o Órgão Público que o contratou. São, portanto, duas dívidas que não são acessórias uma da outra. A dívida "principal" não afeta a dívida resultante do não cumprimento dos encargos contratuais. Dessa forma, eventual indedutibilidade da primeira não pode se comunicar à segunda. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. AFERIÇÃO DA SUA DEDUTIBILIDADE. COMUNICAÇÃO DE EVENTUAL INDEDUTIBILIDADE AOS ENCARGOS DECORRENTES DA FALTA DE REPASSE DOS RECURSOS ARRECADADOS. IMPROPRIEDADE. O montante constituído pelos tributos e contribuições arrecadados do público para posterior repasse ao Órgão contratante não configura despesa do agente arrecadador, uma vez que é registrado contabilmente como obrigação, cuja liquidação não reduz Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 109 43 o resultado do exercício. Não constituindo despesa, os tributos/contribuições arrecadados do público não detêm (ou deixam de deter) o atributo da indedutibilidade. À míngua desse atributo, não podem comunicálo à dívida relativa aos encargos contratuais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE. ANALOGIA COM EMPRESA QUE TOMA E REPASSA EMPRÉSTIMO BANCÁRIO A TERCEIROS. IMPROPRIEDADE. É impróprio assemelhar os encargos dos juros incidentes sobre empréstimo que uma empresa nãofinanceira contrata para o usufruto de outra empresa com os encargos assumidos por um banco em razão de descumprimento de cláusula de contrato de prestação de serviços de arrecadação de recursos públicos. No primeiro caso, os encargos não guardam qualquer relação com a atividade operacional da mutuária, seja na condição de despesas necessárias ao desempenho dessa atividade ou à manutenção da respectiva fonte produtora, seja na condição de dispêndios referentes a riscos típicos da atividade própria da empresa. No segundo caso, os encargos assumidos pela contratada do Poder Público são próprios da atividade de qualquer agente arrecadador porque representam os riscos inerentes a essa atividade. Daí sua natureza operacional. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PREJUÍZO CAUSADO À FAZENDA NACIONAL. IMPROCEDÊNCIA. É de todo irrelevante, para a caracterização da dedutibilidade (ou indedutibilidade) dos encargos decorrentes do inadimplemento de cláusula de contrato de arrecadação de recursos públicos, os eventuais prejuízos (ou a duplicidade destes) infligidos ao Tesouro Nacional pelo agente arrecadador, porque essa circunstância fática não integra o tipo legal que estabelece as regras de dedutibilidade de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE INDEDUTIBILIDADE FUNDADA NA INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. A inobservância do regime de competência na apropriação das despesas relativas aos encargos por descumprimento de contrato de arrecadação e repasse de recursos públicos não pode, por si só, ser óbice à dedução dos encargos contratuais, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, se os próprios autuantes admitiram a dedução dos encargos relativos à dívida de natureza tributária (impostos e contribuições devidos pela Interessada na qualidade de sujeito passivo), incorridos nos cinco anos que antecederam a apuração do resultado, em razão de não se ter operado a preclusão temporal. Estando também estes últimos encargos sujeitos à observância do regime de competência dos exercícios, uma vez admitida a sua dedução para o período qüinqüenal mencionado, igual tratamento deve ser dispensado aos encargos de natureza contratual. ENCARGOS CONTRATUAIS. CLÁUSULA PENAL MORATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. A jurisprudência administrativa, de primeira e segunda instâncias, é convergente no sentido de admitir, como dedutíveis do lucro líquido do exercício, para o fim de Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 110 44 apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os encargos de natureza contratual, ainda que constituam cláusula penal moratória (nãocondenatória). TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4° DA LEI 11.941/2009. IMPROCEDÊNCIA. A disposição contida no parágrafo único do artigo 4° da Lei n° 11.941/2009 tem o alcance tãosomente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringese a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela “perdoada” da dívida. E só. O dispositivo legal invocado não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE NAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DETERMINANTES DA FALTA DE REPASSE. INDEDUTIBILIDADE. Se o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade mas, ao contrário, deu se em razão de a Interessada haver se apropriado intencional e conscientemente dos valores arrecadados do público, restam afastados os atributos da necessidade, normalidade e usualidade dos encargos, exigidos pela legislação tributária para conferir dedutibilidade às despesas operacionais. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA NO ARTIGO 236 DO RIR/1999. IMPROCEDÊNCIA. As normas contidas no caput do artigo 236 do RIR/1999 e seus incisos cuidam de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Por conseguinte, não se prestam à caracterização da dedutibilidade dos encargos incorridos por conta da inexecução do contrato de agente arrecadador. Nos lançamentos impugnados, não foi apurada nenhuma infração atinente à compensação de prejuízos fiscais (ou de bases de cálculo negativas da CSLL). TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA EM ANALOGIA COM O IRRF. IMPROCEDÊNCIA. A dedutibilidade dos encargos moratórios de natureza fiscal (como o são os incidentes sobre IRRF nãorecolhido tempestivamente) é expressamente admitida por uma norma tributária especial. Dessa maneira, não há que submetêlos ao escrutínio das regras gerais de dedutibilidade (artigo 299 do RIR/1999) mas tão somente que aplicar a disposição especial contida no § 5°, do artigo 344, do RIR/1999. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 111 45 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES RECEBIDOS DO PÚBLICO POR AGENTE ARRECADADOR. FALTA DE REPASSE AO ÓRGÃO CONTRATANTE. ENCARGOS CONTRATUAIS. ALEGAÇÃO DE DEDUTIBILIDADE FUNDADA EM PRETENSA NATUREZA TRIBUTÁRIA DOS ENCARGOS. IMPROCEDÊNCIA. Fogem inteiramente do objeto do processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários da União os procedimentos adotados pela PFN na execução das dívidas que ensejaram os encargos tidos por indedutíveis nos lançamentos impugnados. Se, na execução fiscal, a PFN invocou a natureza tributária das dívidas ou foi desrespeitada a ordem de preferência entre os credores da massa falida, não há que se cogitar de qualquer reflexo sobre o julgamento da dedutibilidade dos encargos na apuração do IRPJ e da CSLL. Para o deslinde do litígio apreciado, o que importa saber é se, no âmbito dos autos do processo administrativo fiscal, restou demonstrada a natureza nãotributária dos encargos contratuais devidos pela Interessada. DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE. LIMITAÇÃO TEMPORAL. A apropriação retardada de despesas, desde que não correspondam a períodos já alcançados pela decadência, ou cujos resultados já estejam tacitamente homologados (art. 150 do CTN), não tem a dedutibilidade prejudicada. Até porque o retardamento na apropriação de despesas ou custos prejudica a empresa e, salvo casos especiais de burla ao limite na compensação de prejuízos, provoca antecipação dos tributos incidentes. DESPESAS COM ENCARGOS DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITOTRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade do respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são aquelas arroladas exaustivamente no artigo 151 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente, relativo à CSLL. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 586/651 a este CARF, repisando os mesmos argumentos trazidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 112 46 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator 1. PRELIMINAR DE CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO Entende o douto Procurador da Fazenda Nacional, autor do Ofício de fls. 314/316, que restaria prejudicado o reexame da matéria, na esfera administrativa, pela Delegacia de Julgamento". A esse respeito concordo com o posicionamento adotado pela DRJ no sentido de conhecer a peça impugnatória por dois motivos muito bem desenvolvidos: (I) não foi a empresa que propôs a "judicialização" da discussão da matéria versada nestes autos; (II) não está configurada, de forma cabal, a hipótese de concomitância de ação judicial com o idêntico objeto dos presentes autos. Conforme relatado o objeto deste processo administrativo é a aferição do valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 2008 da Interessada para todo e qualquer fim, inclusive para efeito de utilização dos referidos benefícios como moeda de troca para abatimento de juros do parcelamento do Refis da Crise. A respeito do tratamento da concomitância judicial, estabelece a Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011, que Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte conta a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do processo. Assim, caracteriza desistência do processo administrativo fiscal a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto. No caso dos autos, temse uma decisão interlocutória em ação de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional e pelo INSS contra a Interessada. Portanto, a situação fática em comento não se subsume à disposição da Portaria já no seu primeiro requisito. Em relação à identidade de objeto, a decisão DRJ fez um estudo minudente da situação e conclui acertadamente que o objeto da ação judicial é bem mais abrangente, sendo a questão da quantificação dos prejuízos uma questão incidental que, que embora contida nele, não faz coisa julgada a teor do art. 469 do CPC, transcrito mais adiante no voto. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 113 47 De fato, o objeto do presente processo administrativo não deixa de estar abrangido pela execução fiscal, que se verifica a partir deste trecho (no item II.VI do dispositivo da Decisão Judicial), estabeleceu o Magistrado que (fls. 429): II.V1— para fins do artigo 1° , §§ 7° e 8° , da Lei 11.941/2009, os valores dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL serão aqueles indicados pela Receita Federal para o exercício findo em 31/12/2008, no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL — CONSTATAÇÃO juntado aos autos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, como muito bem colocou a decisão de piso é preciso perquirir a natureza e o alcance da dita decisão, na forma como expressada pelo ilustre Magistrado: Consultando o Voto do Relator do Agravo de Instrumento de n° 001703460.2010.4.05.0000, manejado pela Interessada contra a Decisão Interlocutória de aqui se trata, encontro, às fls. 436, a seguinte apreciação do pedido da agravante para aguardar "o trânsito em julgado do processo administrativo, auto de infração do prejuízo fiscal (processo n° 10380.722351/201081)" [sem os grifos, no original]: Por outro lado, a agravante, caso não concorde com os prejuízos fiscais apurados, poderá questionálos na sede judicial própria, desde que estejam presentes os demais pressupostos processuais positivos e negativos e observadas todas as demais regras do direito processual civil brasileiro, uma vez que, neste específico ponto, a decisão judicial agravada é meramente incidental e não está abrangida pelos limites da coisa julgada. Esclarecimento, aliás, despiciendo. No Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, às fls. 446, observo que a Quarta Turma daquela Corte Judicante resolveu [grifos acrescidos]: por unanimidade, dar parcial provimento ao agravo de instrumento nos termos do voto do Relator, na forma do relatório [...] Da leitura dos trechos acima transcritos, concluo que o Relator do Agravo de Instrumento entendeu que a decisão do Juiz da execução fiscal, a respeito do valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL da Interessada, relativos ao ano calendário 2008, foi "meramente incidental" e que "não está abrangida pelos limites da coisa julgada", estando as portas do Judiciário abertas para demanda da Interessada referente à matéria, "na sede judicial própria". E verifico que o entendimento do Relator foi compartilhado pelos demais membros da Turma de Julgamento, uma vez que o dispositivo da decisão é claro ao asseverar que os Desembargadores decidiram unanimemente o recurso "nos termos do voto do Relator". (destaquei) Tomando agora como certo que se trata de uma questão prejudicial e decidida incidentalmente, vejamos a legislação a respeito: CPC: Art. 469. Não fazem coisa julgada: (...); III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Como se vê, no artigo 469, inciso III, estatuise uma regra geral, a respeito das questões incidentais: a sua apreciação não faz coisa julgada no âmbito do processo em que propostas. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 114 48 É verdade que existe uma exceção no art. 470 do CPC: Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5o e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Porém, a exceção a esta regra pressupõe que a parte interessada requeira os efeitos da coisa julgada para a questão prejudicial suscitada, que o Juiz da causa detenha competência material para a sua apreciação e que a questão prejudicial seja pressuposto necessário para o julgamento da lide. A esse respeito a DRJ verificou, acertadamente, que a exceção não se estabeleceu no caso concreto: Compulsando a Decisão Interlocutória, não encontro qualquer referência à aplicação, in casu, do disposto no artigo 470 do CPC. Também não há, no ofício da PFN, informação de que esta tenha requerido ao Juiz a incidência do mencionado dispositivo legal no julgamento incidental da matéria atinente ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL. E, como se viu, o Relator do Agravo de Instrumento no TRF/5a Região (no que foi acompanhado pelos demais Desembargadores da Quarta Turma), entendeu que, na Decisão Interlocutória desafiada, não se aplicou a regra excepcional do artigo 470 do CPC (porque se houvesse entendido em sentido contrário, não teria concluído que se tratava de uma decisão "meramente incidental", "não abrangida pelos limites da coisa julgada"). É evidente que caberá ao próprio Poder Judiciário decidir se, afinal, a matéria referente ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL constitui mera questão incidental, não amparada pela exceção estatuída no artigo 470 do CPC, ou se será alcançada pela coisa julgada no âmbito da execução fiscal. Todavia, pelos elementos de fato e de direito aqui aduzidos, é muito razoável entender que a decisão a respeito do valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL da Interessada, relativos ao anocalendário 2008, não fará coisa julgada no âmbito da execução fiscal ajuizada pela Fazenda Nacional. E que a Interessada poderá propor ação judicial contra a Fazenda Pública da União para discutir a matéria em outra sede judicial em que aí, sim fará coisa julgada. Portanto, tomo conhecimento agora em fase recursal das razões da Recorrente, uma vez que não está configurada na espécie a hipótese de concomitância de ação judicial com o idêntico objeto dos presentes autos, bem assim não foi o contribuinte que propôs a "judicialização" da discussão da matéria em debate nestes autos; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 115 49 Mérito O ponto relevante da lide é saber se as despesas com encargos das dívidas da Interessada junto à Fazenda Nacional (tributárias e nãotributárias) são ou não dedutíveis do lucro líquido do exercício, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL e daí integrar, por consequência, o montante de seu prejuízo fiscal e base negativa da CSSL para efeito de aproveitamento do benefício fiscal no Refis da crise. O autuante separou a matéria em duas partes: 1) na primeira, trataram dos encargos decorrentes do inadimplemento de repasses dos contratos de arrecadação de tributos/contribuições federais e de contribuições previdenciárias de terceiros, celebrados pela Interessada com o Ministério da Fazenda e o INSS (aí incluídos os honorários de sucumbência e respectivos acréscimos legais, relativos à CDA de n° 30404005873; 2) na segunda, trataram dos encargos incidentes sobre tributos/contribuições federais devidos pela própria Interessada, na condição de sujeito passivo das respectivas obrigações tributárias. Trataremos cada matéria em separado. 1) Encargos Decorrentes do Descumprimento de Cláusula de Contrato de Prestação de Serviços de Arrecadação Celebrados com o Ministério da Fazenda e o INSS (incluindo os honorários de sucumbência e respectivos acréscimos legais, decorrentes do êxito da PFN nos Embargos à Execução Fiscal da Dívida Relativa ao Contrato Celebrado com o MF) Vários foram os argumentos usados pelas autoridades lançadoras para fundamentarem o entendimento de que são indedutíveis os referidos encargos, encontrandose todos descritos no item 5.1.2 do Termo de Verificação Fiscal, sob o título "DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO PLEITO DO CONTRIBUINTE". Os fundamentos são cumulativos e independentes, ou seja, bastaria um único fundamento para manter a infração: 1.1) Óbice na Utilização dos Encargos Contratuais da Dívida para Pagamento da Própria Dívida Nas próprias palavras dos autuantes: A interessada faz rebuscar os recursos financeiros para a liquidação da dívida nas entranhas de sua própria dívida, quando alega possuir montante de PREJUÍZO FISCAL e de BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL em cifras além daquilo que deve à Fazenda Nacional, dado que reivindica os descontos da Lei referida. 1.2) os encargos das dívidas nãotributárias não constituiriam despesas operacionais (segundo o conceito estabelecido na legislação do IRPJ e da CSLL), sendo, por essa razão, indedutíveis de plano, para fins de apuração das bases de cálculo dessas exações fiscais. A DRJ muito bem resumiu o referido fundamento: Fl. 803DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 116 50 Como se viu, o fundamento determinante do entendimento das autoridades fiscais de que os encargos de que aqui se trata não atendem aos requisitos fixados na legislação tributária para conformar a sua natureza operacional (e, portanto, para caracterizar sua dedutibilidade) é o fato de serem de ordem contratual, ou seja, decorrerem da inobservância de cláusulas dos contratos de agente arrecadador firmados com o Ministério da Fazenda e o INSS. Raciocinam as autoridades lançadoras que, em não constituindo, os recursos arrecadados do público pela Interessada, "Receita Própria" desta, não podem os encargos decorrentes da falta de repasse desses recursos revestirem a condição de operacionais. 1.3) as circunstâncias fáticas que determinaram o inadimplemento contratual no caso concreto indicam que as despesas não são normais ou usuais, portanto, indedutíveis. 1o Fundamento Não concordo com o primeiro fundamento tal qual o fez também a DRJ, porém não o considero um argumento independente conforme foi tratado pela DRJ, mas sim um simples reforço persuasivo aos outros dois fundamentos seguintes, principalmente o terceiro, que é o que irá prevalecer no presente voto. É o que se passa a demonstrar. A DRJ, no mérito, o refutou prontamente e acertadamente, de forma que não gastarei aqui muitas tintas a não ser considerar como se aqui neste voto estivesse reproduzido toda a argumentação da DRJ. Porém, como já disse, não vejo tal argumento como um argumento independente, na verdade ele está ligado ao 3o fundamento (tópico 1.3), como se fosse um argumento de cunho moral para reforçar a anormalidade dessa despesa, em face das circunstâncias fáticas do caso concreto. É mais um argumento persuasivo e preparatório para o 3o fundamento do que qualquer outra coisa. 2o Fundamento Equivocase, também, o fiscal no seu segundo fundamento, ao considerar a priori indedutíveis os encargos contratuais. Raciocinam da seguinte forma: como os recursos arrecadados do público pela Interessada não constituem "Receita Própria" desta, não podem os encargos decorrentes da falta de repasse desses recursos revestirem a condição de operacionais. No caso, o seu raciocínio padece da chamada falácia da generalização apressada. O raciocínio de que “o acessório segue o principal” é de fato bastante útil e, por isso, utilizado no Direito. Porém, nem sempre isso acontece quando as peculiaridades e o contexto do caso concreto ensejam um outro tipo de raciocínio, mormente quando se percebe que uma coisa não se segue da outra. O fato de duas coisas estarem justapostas podem ter vários motivos, fazendo com que uma coisa não necessariamente tenha a mesma natureza que a outra pelo simples fato de estarem juntas em uma relação imputacional. Ora, não há dependência entre os encargos da inobservância da obrigação contratual de repassar os recursos arrecadados do público e a natureza desses recursos arrecadados. São duas dívidas e relações obrigacionais independentes, uma não se interligando com a outra, portanto, uma não pode ser considerada acessória da outra, com quis fazer crer os autuantes. É o que de fato aconteceu no caso concreto Afinal, no caput e nos §§ 1° e 2° do artigo 299, são operacionais as despesas inerentes à atividade da empresa e usualmente verificadas nas operações ou transações que constituem o seu objeto social. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 117 51 Assim, não há porquê os encargos pelo descumprimento de contrato de arrecadação de recursos junto ao público não serem considerados despesas operacionais da empresa, uma vez que constituem um risco inerente a essa específica atividade, previsto, inclusive de forma padronizada, nos seus instrumentos contratuais. Ainda em amparo à tese da natureza operacional dos encargos também comungo, juntamente com a DRJ, dos fundamentos do Parecer Normativo CST n° 50/76, mesmo que o mesmo não trate de caso idêntico, no sentido de afirmar que a multa pecuniária que constitui risco das transações faz parte do negócio, configurando ônus inerente à própria atividade da empresa. Bem assim, de que a padronização dos contratos é indicativa da usualidade e normalidade dos encargos. Transcrevese abaixo trechos do referido Parecer: 1. Objetivase esclarecer se a legislação do imposto de renda admite a dedutibilidade, como despesa operacional, de multa paga por representante comercial, mandatário ou comissário mercantil nos casos em que não consigam promover a venda de determinada cota de produtos, a que se obrigaram contratualmente. (...) 3. (...) A multa pecuniária, pois, no caso, faz parte do negócio, é risco das transações, constitui ônus inerente à própria atividade de intermediação comercial. 4. Por outro lado, cumpre reconhecer que é freqüente encontrarse em contratos da espécie a existência de cláusulas semelhantes, quer sob a forma de multa pecuniária, quer estipulando a obrigatoriedade de aquisição de quantidades mínimas de mercadorias. O entendimento de que encargos contratuais são, via de regra, dedutíveis na apuração do resultado tributável das pessoas jurídica está inclusive assentado na Jurisprudência administrativa: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Acórdão n° 140200.394 4aCâmara /2aTurma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ Ação Fiscal Lucro Real Recorrente UNIBANCO UNIÃO DOS BANCOS BRASILEIROS S.A. Recorrida 4A TURMA DRJ EM BELO HORIZONTE MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2004 DESPESAS NECESSÁRIAS. MULTA CONTRATUAL Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual ou perda em atividades operacionais. Outrossim, devem ser adicionados na apuração do IRPJ e CSLL os dispêndios incorridos por liberalidade do contribuinte. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 118 52 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Acórdão n° 10196. Processo 10380.722351/201081 DRJ/FOR Acórdão n.° 0823.132 Matéria IRPJ e CSLL Anoscalendário 1995 e 1996 Recorrente: Produtos Plásticos SIJLtda. Recorrida 5A TURMA DRJ RIO DE JANEIRO I DESPESA FINANCEIRA. MULTA CONTRATUAL Apresentados os contratos que prevêem a incidência da multa, bem como os documentos que demonstram que a interessada incorreu na despesa lançada a resultado, não procede a glosa. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Acórdão n° 10808.442 Sessão de 11 de agosto de 2005 Matéria IRPJ Ação Fiscal Omissão de Receitas Demais presunções legais Recorrente: Hotel Novo Mundo Ltda. IRPJ CUSTOS OU DESPESAS NECESSÁRIOS MULTA CONTRATUAL Cabível a dedução de dispêndio com multa contratual quando o objeto do contrato de prestação de serviços não foi executado. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO DE FORTALEZA/CE Acórdão n° 6310 3aTurma Sessão de 30 de maio de 2005 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1992 MULTA CONTRATUAL. DEDUTIBILIDADE É dedutível, como despesa operacional da pessoa jurídica, o valor da multa paga ou incorrida, decorrente do inadimplemento de cláusula contratual. 3o Fundamento (prevalecente) Deixase de enfrentar os demais argumentos ainda utilizados pelo Fiscal para sustentar o lançamento e todos refutados, seja porque desnecessário para o desfecho da lide, seja porque podem ser superados como muito bem fez a DRJ. Os referidos argumentos são os seguintes: Fl. 806DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 119 53 Lançamento Global das Despesas Relativas aos Encargos Contratuais, sem autorização legal ou judicial, desrespeitando o regime de competência; O Duplo Prejuízo ao Tesouro Nacional (argumento que se interliga indiretamente com o primeiro fundamento) Analogia com a Situação da Empresa que Repassa a Terceiro Recursos Obtidos mediante Empréstimo Bancário, para então tornar a despesa indedutível Porém, o fundamento que se passa analisar é insuperável e o mais relevante, a meu ver, de todos. Na verdade, é um argumento que pode ser visto como um complemento ao 2o fundamento, abrindolhe uma especificidade. O 2o fundamento foi aqui refutado, na linha da DRJ, se visto de forma isolada, pois traçou uma linha de raciocínio por demais generalizante e nesse ponto falhou. Porém, se visto em conjunto com este 3o fundamento, levandose em consideração as peculiaridades do caso concreto, de fato os encargos por não repasse de forma intencional, dolosa e reiterada da arrecadação pública não pode ser considerado mesmo uma despesa necessária, usual ou normal da atividade de intermediação desempenhada pela Recorrente. E essa ilação que envolve o dolo não é deste julgador, mas como se demonstrará é da própria Justiça Federal que se convenceu de que a falta de recolhimento, aos Órgãos contratantes, dos recursos arrecadados do público pela Interessada, se deveu a uma atitude consciente e deliberada de apropriação privada do numerário do qual o agente arrecadador era mero depositário. Como bem disse a DRJ, a esse mesmo respeito: Cuidase, apenas, de trazer ao exame da matéria a conclusão da Justiça Federal quanto ao elemento subjetivo da conduta da Interessada, e não de trasladar para o presente Voto o juízo de reprovabilidade emanado das Decisões antes mencionadas (sentença de primeiro grau e Acórdão do TRF), o qual deve restringir seus efeitos ao âmbito especificamente criminal. Não é porque a conduta praticada pela Interessada constitua um ilícito penal (o que somente se configurará na eventualidade do trânsito em julgado de uma decisão penal condenatória) que os encargos incorridos se tornam desnecessários, inusuais ou anormais. Pois, ainda que a dita conduta não encontre reprimenda na esfera criminal, remanescerão, segundo meu entendimento, carentes de necessidade, usualidade e normalidade, as despesas ora analisadas, diante da demonstração de que a única e exclusiva razão que determinou o descumprimento da obrigação de repassar os recursos foi a decisão da Interessada de destes se apropriar. A decisão judicial a que a DRJ alude, é uma Interlocutória, nos trechos em que reproduz parte da Sentença do Juiz Singular e do Acórdão do Tribunal Regional Federal da 5a Região TRF, proferidos no âmbito da ação criminal de n° 95.00023350 (fls. 323): "antes de tudo, vale registrar que o fato principal é incontroverso: os 134 milhões de reais (que correspondiam na época a mais de 134 milhões de dólares) do INSS e da Receita Federal ficaram para o Bancesa. Quanto a esse fato não há Fl. 807DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 120 54 controvérsia. A controvérsia suscitada pela defesa — gira em torno da intenção ou não intenção de devolver esses milhões (...) O dinheiro, segundo emana da defesa, teria sido usado para o pagamento de terceiros (depositantes). Teria sido, portanto utilizado para esses fins, que podem ser passados, por uma certa ótica, como no caminho das boas ações, ainda que ao arrepio da lei, particularizada a Aé^^ administração do recurso e ocultada a prestação de contas. Entretanto, em nenhum momento, não seria difícil fazêlo, a defesa se preocupou em demonstrar quanto de dinheiro o Bancesa era depositário, ou seja, o quanto o Bancesa tinha de dívidas para com terceiros (depositantes). Também nos autos não se encontram provas de que esses terceiros, ou a maioria deles, tiveram, de fato, seu dinheiro devolvido" (trecho da sentença proferida na ação criminal 95.00023350 JFCE, julgador Agostino Lima Chaves). [...] No acórdão criminal do Tribunal Regional Federal da 5a Região que confirmou a condenação do exdirigente do Bancesa, também ficou consignado que "as partes não divergem quanto à constatação de que o BANCESA deixou de repassar à Receita Federal e ao INSS a quantia de 134.000.000,00 (cento e trinta e quatro milhões de reais)". [...] 90) No caso dos autos houve uma verdadeira apropriação dos valores recolhidos aos cofres do BANCESA. Afigurase nítida a intenção de apoderarse das quantias que estavam em poder do BANCESA apenas para repasse aos entes públicos. O tipo subjetivo está presente, pois houve consciência e vontade na apropriação dos valores em proveito próprio. Observese que não existiu prova de que todos os valores retidos foram empregados no pagamento a clientes". Dúvidas não há do convencimento da Justiça Federal quanto ao dolo praticado pela Recorrente dado sua atitude consciente e deliberada de apropriação privada do numerário do qual o agente arrecadador era mero depositário. Cabe enfatizar, como bem colocou também a DRJ, que “embora passível de recursos aos Tribunais Superiores, o Acórdão do TRF da 5a Região não poderá mais ser modificado, no que diz respeito ao entendimento quanto às matérias de fato nele apreciadas.” Isso porque os recursos a serem manejados aptos a combater o referido Acórdão (especial e extraordinário) não rediscutem matéria de fato, mas tão somente de direito. Como também colocou a DRJ: No caso em apreço, a Interessada incorreu nos encargos contratuais não porque, em meio a milhares de operações de arrecadação e repasse de tributos/contribuições federais e de contribuições previdenciárias, tenha, de forma indesejada, deixado de recolher aos Órgãos contratantes parcelas dos valores recebidos do público. Em outras palavras, o incorrimento dos encargos não pode ser atribuído a eventos intrinsecamente associados à atividade de arrecadação e repasse de recursos a terceiros, como o seriam, por exemplo, falhas humanas ou eletrônicas compatíveis com a quantidade e a complexidade dos procedimentos envolvidos na atividade. A esse respeito o Fiscal dessa feita foi preciso: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 121 55 Em Contrato Administrativo de Agente Arrecadador a mora prevista é a ordinária. Aquela decorrente de ausência de repasses por questões operacionais justificáveis no campo das inadimplências "inocentes", imprevisíveis e observadas na execução normal dos contratos administrativos em geral. Apesar dessa realidade, isso não tem o condão de transmudar a natureza e as circunstâncias das coisas. Outrossim, o motivo alegado pela Interessada para afastar o elemento doloso da sua conduta (‘teria sido pagamento de terceiros (depositantes)”), não torna os encargos contratuais incorridos o caráter de necessários, usuais e normais, ainda que não se leve em conta o fato de que o referido motivo não restou provado – nem no Juízo Criminal nem nestes autos. A esse mesmo respeito, a DRJ acertadamente concluiu; Mencionado motivo "o dinheiro, segundo emana da defesa, teria sido usado para o pagamento de terceiros (depositantes)", esgrimido na esfera penal, e "Vejamos, na prática, a corrida ao caixa —: clientes, aplicadores e investidores, vorazmente ao caixa — este o motivo real da apropriação que, antes de ser indébita, derase ao sabor do desfalecimento dos recursos do caixa", agitado na Impugnação ora examinada], não guarda conexão com os riscos inerentes aos procedimentos de arrecadação e repasse de recursos públicos. Entendo que os riscos imanentes a essa atividade não abrangem eventual crise de liquidez da instituição bancária, mas tãosomente aqueles eventos intrinsecamente ligados aos procedimentos necessários à execução dos serviços contratados. Também não assiste maior sorte a alegação da Recorrente de que o artigo 236 do RIR/1999, abaixo transcrito, ampararia sua pretensão à dedutibilidade dos encargos contratuais: Art. 236. Na hipótese de incorporação, aplicase às instituições financeiras participantes do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional o seguinte tratamento tributário (Lei n° 9.710, de 1998, art. 2°): (...) II as instituições Incorporadoras poderão registrar como ágio, na aquisição do investimento, a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial da participação societária adquirida; (...) IV após a incorporação, o ágio a que se refere o inciso II, registrado contabilmente, poderá ser amortizado, observado o disposto no inciso seguinte; V para efeitos de determinação do lucro real, a soma do ágio amortizado com o valor compensado dos prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores não poderá exceder, em cada período de apuração, a trinta por cento do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação aplicável (...) (Regulamento do Imposto de Renda, Dec. 3.000/99) Sem razão a Recorrente porque as normas acima tratam de assunto diverso, ou seja de compensação de prejuízos fiscais, e não de dedução de despesas operacionais. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 122 56 A alegação da Recorrente de dedutibilidade fundada no parágrafo único do artigo 4° da Lei nº 11.941/2009 também é improcedente. Como bem colocou a decisão de piso, a disposição contida nesse preceptivo legal tem o alcance tãosomente de excluir da incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela da dívida "perdoada" em razão de outros dispositivos da mesma Lei. Ou seja, restringese a excluir da tributação a receita representada pela recuperação da despesa consistente na parcela “perdoada” da dívida. Portanto, não disciplina a natureza (dedutível ou indedutível) das despesas referentes aos encargos dos quais uma parcela está sendo perdoada por outros dispositivos da mesma Lei. A regulação da matéria da dedutibilidade de despesas continuou afeta às normas que cuidam especificamente do assunto. Por todo o exposto, nego provimento a este item em função da peculiaridades do caso concreto, como foi demonstrado. 2 Encargos Decorrentes das Dívidas Tributárias Passase agora à apreciação da dedutibilidade (ou não) das despesas correspondentes aos encargos em que incorreu a Interessada em razão de inadimplemento no recolhimento de tributos/contribuições federais de que ela própria era sujeito passivo (dívida tributária). A esse respeito os fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial dos encargos, tão somente em relação os encargos incorridos no lapso temporal compreendido entre 01/01/2004 e 31/12/2008. A DRJ, por sua vez, alargou ainda mais esse reconhecimento, considerando dedutível os encargos incorridos no lapso temporal compreendido entre 01/01/2003 e 31/12/2008. Em seu recurso, a Recorrente pleiteia a sua dedução integral sob o fundamento de que a exigibilidade do crédito representado pelos encargos incidentes sobre a dívida de natureza tributária estava suspensa por medida judicial. Segundo a mesma, em função desse óbice judicial, a totalidade dos encargos tributários incorridos (independentemente do período a que competem) poderia ser deduzida em 2008, como efetivamente o fez, e não apenas a fração relativa ao período considerado pela DRJ. Isso porque, apenas neste caso específico, o disposto no § 1°, do artigo 41, da Lei n° 8.981/95 (exclusão do regime de competência dos exercícios na apropriação dos encargos) aplicase aos créditos de natureza tributária, diferentemente do que ocorreu em tópico anterior que tratava de créditos de natureza não tributária. Em relação aos encargos contratuais (não tributários), consta dos autos que a causa da pretendida suspensão da exigibilidade da respectiva dívida seria o ajuizamento de embargos às execuções fiscais propostas pela PFN. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 123 57 Por outro lado, em relação às dívidas de natureza tributária não há referência no processo a qualquer medida judicial que suspendesse a exigibilidade desses créditos. Essa foi também a conclusão que consta do TVF: A segunda questão que se coloca diz respeito aos encargos incidentes sobre os demais débitos (de natureza tributária), contra os quais não houvera medida suspensiva, e que na condição de exigências liquidas e certas, inclusive já em fase de execução, a principio, reuniriam as condições de dedutibilidade. Porém, como bem colocou a decisão de piso: (...) ainda que a Interessada tenha oposto os embargos de devedor nas execuções da dívida tributária e que estes tenham sido recebidos no efeito suspensivo (como previsto no revogado § 1°, do artigo 739, do CPC), impende afirmar que a sua pretensão de deduzir todo o montante dos encargos de natureza tributária não pode ser atendida. Isso porque o efeito suspensivo da execução da dívida (estatuído no revogado § 1°, do artigo 739, do CPC) não se confunde com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (disciplinada no artigo 151 do CTN). Vejase o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ quanto à matéria: (...) 6. Deveras, é certo que a efetivação da penhora (entre outras hipóteses previstas no artigo 9°, da Lei 6.830/80) configura garantia da execução fiscal (pressuposto para o ajuizamento dos embargos pelo executado), bem como autoriza a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa (artigo 206, do CTN), no que concerne aos débitos pertinentes. 7. Entrementes, somente as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, taxativamente enumeradas no artigo 151, do CTN (moratória; depósito do montante integral do débito fiscal; reclamações e recursos administrativos; concessão de liminar em mandado de segurança; concessão de liminar ou de antecipação de tutela em outras espécies de ação judicial; e parcelamento), inibem a prática de atos de cobrança pelo Fisco, afastando a inadimplência do contribuinte, que é considerado em situação de regularidade fiscal. 8. Assim é que a constituição de garantia da execução fiscal (hipótese não prevista no artigo 151, do CTN) não tem o condão de macular a presunção de exigibilidade do crédito tributário. Outrossim, a atribuição de efeito suspensivo aos embargos à execução limitase a sobrestar o curso do processo executivo, o que não interfere na exigibilidade do crédito tributário. 9. Conseqüentemente, não merece reforma o acórdão regional, máxime tendo em vista que a adesão ao Simples Nacional é uma faculdade concedida ao contribuinte, que pode anuir ou não às condições estabelecidas na lei, razão pela qual não há falarse em coação perpetrada pelo Fisco. 10. Recurso ordinário desprovido. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 124 58 Em verdade, uma vez ajuizada a execução fiscal, não cabe mais falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A oposição de embargos pode ensejar a suspensão dos atos executórios da dívida (enquanto vigorou o revogado § 1°, do artigo 739, do CPC, esse efeito suspensivo era automático) mas não tem o condão de suspender a exigibilidade respectivo crédito tributário. O atributo da exigibilidade do crédito tributário precede o ajuizamento da execução fiscal, constituindo mesmo condição para esta. Como se vê, a Recorrente confunde a suspensão da execução manejada por embargos à execução com as causas arroladas no art. 151 do CTN, que são as únicas que de fato suspendem a exigibilidade do crédito tributário. É que o efeito suspensivo da execução da dívida (regrado no revogado § 1°, do artigo 739, do CPC) nada tem a ver com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no artigo 151 do CTN). Como não ocorreu qualquer das hipóteses suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, arroladas na lista exaustiva do artigo 151 do CTN, os encargos das dívidas de natureza tributária executadas pela PFN estavam sujeitos à apropriação segundo o regime de competência dos exercícios, conforme perfeitamente percebido pelos autuantes, aplicandose no caso, apenas a regra extintiva da decadência. Da alegada divergência de Valor Não procede a tentativa da Recorrente de deduzir valores a títulos de encargos da dívida junto à Fazenda Nacional superiores aos constantes das CDA encaminhadas pela PFN, no valor de R$ 79.639.573,25. A Recorrente se apega no fato de ter provas através de consulta no eCAC telas (fls. 286 e 288), as CDA de n° 3040400587373 e 3060500373485 possuíam valor principal maior (com reflexos nos respectivos valores dos "juros de mora" e dos "encargos legais") do que os atribuídos pela PFN em data posterior 22/10/2009. Conforme bem explicou a DRJ, de fato houve erro por parte da PFN em relação aos valores principais dessas CDA com repercussões nos valores de juros de mora e encargos legais. Tanto é que a Recorrente requereu a retificação desse erro junto à PFN, que acatou, ainda que parcialmente, daí o novo valor. Mas, evidente, esse novo valor, muito menor, R$ 29.659.355,62, não poderia ser dado como existente em 31.12.2008, porque tornouse conhecido apenas em novembro de 2009, quando da retificação solicitada pela impugnante e atendida parcialmente. Porém, o pleito da Recorrente é completamente infundado na medida em que alega sob a justificativa de que tais valores de acréscimos legais muito menores só se tornaram conhecidos em novembro/2009, quando da retificação solicitada pela interessada, teria assim direito de deduzir, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os montantes originalmente calculados pela PFN. Ora, tal pleito não merece prosperar por dois motivos. Primeiro, porque nessa diferença se encontra também o valor principal que não se deduz da apuração uma vez que não se trata de despesas propriamente ditas, mas de recursos arrecadados junto ao público (tributos/contribuições federais e contribuições previdenciárias), de que a Contribuinte é mera depositária, até seu ulterior repasse à Fazenda Nacional. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 125 59 Em segundo lugar, as despesas admitidas pela Contabilidade na apuração do resultado das pessoas jurídicas, concernente a um determinado exercício, são somente aquelas efetivamente incorridas no exercício considerado (regime de competência). E obviamente não foram incorridas uma vez que tais encargos estavam lastreados em erro, inclusive porque ela reconhece que os valores "originalmente" considerados pela PFN estavam errados e, portanto, tais encargos são destituídos de qualquer materialidade, tanto é assim que "requereu a retificação à PFN, que acatou, ainda que parcialmente, daí o novo valor. Veja o que diz a DRJ a esse mesmo respeito: Observese que a própria Autuada reconhece que os valores "originalmente" considerados pela PFN estavam errados, tanto assim que "requereu a retificação à PFN, que acatou, ainda que parcialmente, daí o novo valor". Ora, as palavras da Impugnante revelam pleno conhecimento do erro, para mais, cometido pela PFN na aferição dos valores das CDA em 31/12/2008 (num primeiro momento). O fato de os "novos valores" somente se terem tornado conhecidos em novembro/2009 (segundo alega a Interessada) não a autoriza a tomar como efetivamente incorridas despesas destituídas de materialidade. Na verdade, ainda que a PFN não houvesse corrigido (para menos) os mencionados valores, não estaria a Impugnante autorizada a deduzilos na apuração do resultado do exercício (e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL), porque a materialidade das despesas se apóia no seu efetivo incorrimento (segundo o regime de competência). Como se vê, jamais ocorreu o "surgimento do passivo" apontado na Resolução do C.F.C. como condição para o incorrimento de uma despesa. Aduzase que a mensuração dos encargos incidentes sobre débitos para com a Fazenda Nacional está regulada em lei (quando se trata de dívida de natureza tributária) ou nos contratos de agente arrecadador (quando se cuida de recursos arrecadados do público para posterior repasse ao Tesouro Nacional como, aliás, enfatiza a Interessada às fls. 295 dos autos fls. 13 da Impugnação , ao defender o caráter contratual dos encargos referentes a essas dívidas). Logo, os valores efetivamente incorridos dessas despesas são aqueles calculados segundo as regras estabelecidas em lei ou nos aludidos contratos, e seu reconhecimento deve obedecer ao regime de competência dos exercícios. Em nada altera esses critérios uma informação errada da PFN. Assim, concordo com a glosa feita pelas autoridades lançadoras, quanto ao valor de R$ 79.639.573, para o lucro real e para a base de cálculo da CSLL do não calendário 2008. Em sede recursal, a Recorrente faz ouvido de mercador às explicações da DRJ e repete a mesma cantilena que foi esclarecida na fase recursal sem trazer nenhum novo argumento que infirme os fundamentos trazidos pela DRJ. Por todo o exposto, nego provimento também em relação a esse item. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 813DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.722351/201081 Acórdão n.º 1401001.576 S1C4T1 Fl. 126 60 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11065.100352/2007-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência do PIS não-cumulativo sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INCIDÊNCIA SOBRE CONTRAPRESTAÇÕES DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE SALDOS CREDORES DE ICMS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Excelso Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, acolheu a tese da inconstitucionalidade da incidência do PIS nãocumulativo sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 52 /2 00 7- 19 Fl. 859DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100352/200719 Acórdão n.º 9303003.237 CSRFT3 Fl. 860 2 assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 798 a 822) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 786 a 795) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. O presente processo trata, em síntese, de pedido de ressarcimento de crédito de “PIS/Pasep nãocumulativo – Exportação” do 4º trimestre de 2006 formulado através de PER/DComp (fls. 01). A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: BASE DE CALCULO DO PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITA DA CESSÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Não compõem a base de cálculo do PIS o valor auferido com a venda do crédito do ICMS. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros com a finalidade de recebimento de vantagens patrimoniais configura receita que deve ser considerada na base de cálculo da COFINS. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 838 a 839. Contrarrazões às fls. 842 a 850. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 860DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100352/200719 Acórdão n.º 9303003.237 CSRFT3 Fl. 861 3 Por intermédio do Despacho de fl. 858, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais de redigir o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou os relatório, voto e ementa aqui transcritos à secretaria da Câmara Superior, mas, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Eis o voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que foi acompanhado por todos: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto à cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, com a finalidade de recebimento de vantagens patrimoniais, configurar receita que deve ser considerada na base de cálculo do PIS, é de se destacar que o Excelso Supremo Tribunal Federal já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise de recurso extraordinário com a observância do requisito da repercussão geral. O precedente proferido tem a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100352/200719 Acórdão n.º 9303003.237 CSRFT3 Fl. 862 4 demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100352/200719 Acórdão n.º 9303003.237 CSRFT3 Fl. 863 5 aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Excelso Supremo Tribunal Federal a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, como na presente hipótese. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.100352/200719 Acórdão n.º 9303003.237 CSRFT3 Fl. 864 6 Verificase, assim, que a referida decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Com base nesses fundamentos o relator original negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, sendo acompanhado pela unanimidade do Colegiado, sendo esse o acórdão proferido pela Câmara que me coube redigir.. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10860.721978/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/2008
ARQUIVOS MAGNÉTICOS. EXAME. DECADÊNCIA.
O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN , extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O MPF- Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.158-35/2001, EM ATENDIMENTO A RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015.
Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, deve-se aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.158-35, com a redação da Lei nº 12.766/2012.
A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.158-35, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91.
Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN.
Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-001.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Douglas Guidini, OAB/SP nº 202535.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXAME. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN , extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.15835/2001, EM ATENDIMENTO A RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, devese AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 78 /2 01 3- 65 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012. A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela Recorrente, o advogado Douglas Guidini, OAB/SP nº 202535. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 03/05, lavrado em 12/12/2013, com ciência da contribuinte em 13/12/2013, totalizando o crédito tributário de R$ 84.133.721,23. Segundo a descrição dos fatos de fl. 05 e o relatório fiscal de fls. 08/21 foi infligida a multa regulamentar de que tratam os artigos 11 e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, e o art. 504, inciso II, do Fl. 894DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.508 3 RIPI/2002, pela prestação incorreta, em arquivos magnéticos (art. 318), de informações solicitadas: 5% sobre o valor da operação informada incorretamente, limitada a multa a 1% do montante da receita bruta no período. A fiscalização relata que no curso da fiscalização das obrigações relativas ao IPI, a contribuinte foi intimada a disponibilizar os arquivos digitais referentes ao ano de 2008, entretanto, foi constatado que os arquivos apresentados continham os seguintes erros, incorreções e omissões: os valores dos créditos de IPI constantes dos arquivos não conferem com os valores escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI; erros nos campos do número das notas fiscais; campo “Observações” vazios apesar de constar informações e dados no mesmo campo das notas fiscais; erros nos campos “Descrição da Mercadoria” e “Descrição Complementar”. Como a aplicação da multa calculada sobre 5% do valor das operações informadas incorretamente ultrapassaria o limite legal, foi calculada a multa com base em 1% da receita bruta da contribuinte no ano de 2008. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 648/674, alegando, em síntese, que: o auto de infração é nulo porque não havia Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a avaliação da regularidade dos arquivos digitais; a atribuição dada à fiscalização estava restrita à revisão da regular apuração e recolhimento do IPI; as operações escrituradas pela impugnante até cinco anos antes da intimação da exação não poderiam ter sido objeto de avaliação e lançamento por meio de autuação promovida em 13/12/2013, haja vista o transcurso do prazo decadencial; a exigência é improcedente porque não foi concedido o prazo de 45 dias para disponibilização dos arquivos digitais estabelecido pela Lei nº 12.766/2012; em razão de a sanção prevista no inciso II ser passível de aplicação somente após o Fisco identificar as transações omitidas ou incorretamente registradas e conceder prazo ao sujeito passivo para que as apresente corretamente, a inobservância do rito pela fiscalização enseja a declaração de insubsistência da exigência; estava dispensada de preencher o arquivo relacionado aos créditos de IPI por ter transmitido ao fisco a sua Escrituração Contábil Digital – ECD, conforme consta no art. 6º das INs SRF nº 787/2007 e nº 1.420/2013; não houve erro nos números das notas fiscais de entrada e saída de mercadorias em conjunto com prefixo formado por três casas decimais; o arquivo foi produzido acompanhado de prefixo formado por três números para compatibilizar os arquivos do SINTEGRA com os da IN SRF nº 86/2001; a diferença é incapaz de impedir a auditoria realizada, tanto que, suprimido o prefixo, passam a subsistir apenas a parte dos mesmos números de notas; não é possível a imputação de sanção por erro no preenchimento do campo “Observação” do arquivo de notas Fl. 895DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 fiscais de entrada e saída, pois a alimentação do campo é opcional, tanto assim que a ausência de seu preenchimento não impediu a validação do arquivo no sistema de dados da Receita Federal; eventual imprecisão na indicação dos campos “Descrição” e “Descrição Complementar” não impediu o Fisco de auditar as operações objeto das notas fiscais que enumerou." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O Mandado de Procedimento Fiscal que determina a fiscalização das obrigações relativas ao IPI, abrange a verificação da regularidade dos arquivos magnéticos. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a manutenção e disponibilização de arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN, de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARQUIVOS MAGNÉTICOS APRESENTADOS COM INCORREÇÕES. Constatada a incorreção nas informações constantes nos arquivos magnéticos disponibilizados à fiscalização, é cabível a aplicação da multa prevista no artigo 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A matéria que se discute nos autos diz respeito a exigência da multa por apresentação dos arquivos digitais com erros e inconsistências. A matéria sofreu diversas alterações normativas no decorrer do tempo o que gerou dúvidas quanto a aplicação da Fl. 896DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.509 5 penalidade, ensejando a emissão de parecer normativo da Receita Federal para dirimir dúvidas quanto aos diplomas normativos a serem utilizados quando da existência de infrações ligadas a apresentação de arquivos digitais. Tais pontos serão abordados durante este voto quando for tratar especificamente do mérito da exigência, entretanto, considerando a existência de questões preliminares suscitadas na impugnação e reapresentadas no recurso voluntário, estas questões serão abordadas antes de adentrarmos ao mérito da exigência fiscal. A primeira preliminar suscitada no recurso diz respeito a decadência para exigência do lançamento. A análise do prazo decadencial necessita de duas definições claras quanto a obrigação tributária, inicialmente definir qual a data do fato gerador e posteriormente o momento em que se inicia o prazo para que seja formalizado o lançamento tributário. O lançamento controlado no presente processo, diz respeito a multa por apresentação com erros de arquivos digitais. Tal exigência se revela como uma obrigação acessória, pois trata de obrigação tributária a cargo do contribuinte, mas que não se revela em exigência de tributos. A obrigação de manter a escrituração digital dos seus registros fiscais e contábeis cumpre ao contribuinte esta prevista na legislação referente a escrituração e se assemelha à exigência para a escrituração padrão de registros comerciais e fiscais, portanto, possíveis irregularidades quanto a escrituração digital ocorrem no momento em que o contribuinte tronase obrigado a registra tais informações. Com estas premissas, o fato gerado que enseja a exigência é o momento em que ocorreram os fatos referentes a escrituração digital. No caso em análise nos autos os arquivos digitais em que a Fiscalização identificou irregularidades referemse ao ano calendário de 2008 e portanto, este é o fato gerador da irregularidade. Considerando que tratase de exigência de cumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento de tributos e somente pode ser aplicado as definições do art. 173, I do CTN para o termo inicial da contagem do prazo decadencial. No caso em tela, a data inicial é 01/01/2009, encerrandose o prazo decadencial em 31/12/2013. O lançamento for lavrado em 12/12/2013 com ciência em 13/12/2013, portanto não procede a alegação da decadência do lançamento. O contribuinte alega a seguir, ainda em sede preliminar, a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Não vislumbro assistir razão as alegações do Recurso. O Mandato de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Receita Federal como um instrumento administrativo e não possui o condão de servir de limitador do trabalho fiscal. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é feito por meio de Intimações e outros documentos com a ciência do fiscalizado. No mesmo entendimento ora exposto, caminha o voto do e. conselheiro Walber José da Silva, emitido no Acórdão nº 3302.00.60 da Terceira Seção do CARF, que peço vênia para incluir e fazer parte da minhas razões de decidir. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 “O MPF foi disciplinado pela Portaria SRF 1.265/1999, com as alterações incluídas pelas Portarias SRF nº 1.614/2000, nº 407/2001, nº 1.020/2001, compilada na Portaria nº 3.007/2001 e, atualmente, na Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado, conforme determinação expressa do art. 16 da Portaria SRF 6.087/2005, abaixo reproduzido: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso lido artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Cabe ressaltar, no que toca à ciência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da existência do instrumento prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Contudo, tratandose os eventuais vícios relativos ao uso do MPF de meras irregularidades formais, sabese que estas, quando supríveis, não podem elidir a atividade regrada e obrigatória do lançamento de oficio. Nesse sentido, é importante reproduzir a Lei n2 9.784/1999, art. 55, que assim preconiza: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.510 7 própria Administração". Por sua vez, o Decreto d 70.235/1972, art. 60, é redigido nos seguintes termos: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento .Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que.. estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, §único, conforme transcrição a seguir. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". "Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (..)Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Ainda no que diz respeito ao MPF, ressaltese que tem se sedimentado nos extintos Conselhos de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, isto é, sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Citamse as seguintes ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n°10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 NULIDADE 1NOCORRÊNCL4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1° CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n°10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso de oficio provido, determinando que, ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, deve a autoridade julgadora a quo continuar o julgamento do mesmo quanto ao seu mérito (Ac. n° 20176449, Sessão 19/09/2002, Relator Gilberto Cassui)” Por fim, a Recorrente alega em sede preliminar a ausência de intimação da Recorrente para prestar informações sobre os erros identificados nos arquivos magnéticos. Também para esta matéria não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram à lavratura do auto de infração. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.511 9 A Recorrente foi cientificadas da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Afastada as questões preliminares, passemos as razões de mérito. Mérito Inicialmente, a Recorrente alega não estar obrigada a prestar informações em arquivos digitais, pois a transmissão da Escrituração Contábil Digital ECD afastaria a exigência prevista na IN 86/2001, e ainda, que erros no preenchimento do campo "Unidade" e eventual imprecisão na indicação dos campos nos arquivos não impediria que a Fiscalização realizasse os trabalhos de auditoria. Não procede os argumentos do recurso. As empresas que utilizam a ECD estão desobrigadas de enviar os Livros Diário e Razão e os Balancetes Diários. As informações referentes ao IPI não constam deste rol, conforme pode ser verificado nos arts. 2º e 6º da IN SRF nº 787/2007, transcritos abaixo, com a redação vigente na data do fato gerador. Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. ... Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa, supre, em relação aos arquivos correspondentes, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. Quanto a alegação que os erros no preenchimento dos arquivos magnéticos permitiriam que a Fiscalização realizase os trabalhos de auditoria. Também para esta alegação não assiste razão à Recorrente. As dificuldades ao trabalho fiscal foram relatadas pela Fiscalização e mesmo que assim, não fosse entendido, a aplicação da penalidade é prevista para Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 a situação em que arquivos digitais são entregues com omissões e/ou incorreções, não existindo nenhuma exclusão da penalidade em razão do prejuízo que as omissões e incorreções possam ocasionar as auditorias fiscais. Por fim, resta para apreciação o base legal para a exigência da penalidade, que originalmente consta do Auto de Infração, como lastreada no art. 12, II da Lei nº 8.218/91. Conforme já citado no início deste voto, a legislação que rege a matéria, sofreu diversas alterações no decorrer do tempo que serão detalhadas a seguir: Inicialmente a exigência para a apresentação de arquivos digitais e a multa por falta ou erro na apresentação dos arquivos foi prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.512 11 Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) As penalidades por falta de apresentação de arquivos digitais sofreu significativa alteração com a edição da Lei nº 12.766/2012, que alterou o art. 57 da MP nº 2.15835/2001 e posteriormente com a edição da Lei nº 12.873/2013, que promoveu nova alteração no art 57 da MP 2.15835/2001. Este artigo tratava de penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias e não tratava até o advindo destas alterações, penalidades por problemas na apresentação de arquivos em meio magnético. Entretanto, com as alterações promovidas pelo Lei nº 12.766/2012 foram incluídos penalidades a serem aplicadas em razão da não apresentação da escrituração digital. Assim, ficou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, com o histórico das alterações. Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.513 13 § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Com as alterações promovidas na legislação durante o período em que foi vigente a Lei nº 12.766/2012, existiam para o mesmo fato, duas penalidades referentes a entrega de arquivos digitais. A multa prevista no art. 12 da Lei nº 8.218/91 e a multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835. A Receita Federal elucidando a questão editou o Parecer RFB nº 3/2013 discorrendo sobre quais situações se aplicavam a cada uma das normas. Transcrevo abaixo trecho do referido parecer que contempla a matéria tratada no presente processo. "4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 4.7. Caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Isso porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei nº 12.766, de 2012, mas na do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Esse último dispositivo continua em vigência e deve ser aplicado quando não haja divergência com a nova lei. 4.8. Desse modo, não houve revogação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Eles continuam em vigência juntamente com o novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.(grifo nosso) Segundo o Parecer RFB nº3/2013, no seu item 4.4, a penalidade por não entrega de arquivo digital a ser utilizada, quanto a empresa possui a escrituração, mas apresenta à Receita Federal, com erros ou inconsistências é aquela prevista na Lei nº 12.766/2012, que alterou o art. 57 da Lei nº 2.15835/2001. De outro giro, para as empresas que não mantêm a disposição da Receita Federal os seus arquivos deverá ser aplicado as penalidades previstas na Lei nº 8.218/91. A multa aplicada no presente lançamento referese a multa por informação omitida ou cuja informação solicitada tenha sido prestada incorretamente, ou seja, existe a Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.514 15 escrituração digital, entretanto, as informações foram apresentadas com omissões e/ou incorreções, implicando assim, na aplicação da penalidade prevista no art. 57, III da Lei nº 2.15835/2001. Entretanto, a questão não fica resolvida com o Parecer RFB nº 3/2013, fazse necessário analisar os efeitos da mudança na legislação realizada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. O estudo do arcabouço normativo que trata da matéria apresenta três períodos claramente determinados. O primeiro a partir da definição da multa por não apresentação ou apresentação com erro de arquivo digital prevista na Lei nº 8.218/91 até a edição da Lei nº 12.766/2012. A partir deste momento tem início o segundo período até a edição da Lei nº 12.873/2013 e por fim, o terceiro período a partir da vigência deste novo diploma legal até o momento atual. O fato gerador da penalidade aplicada no presente lançamento ocorreu em 31/12/2008, conforme consta do Auto de Infração (fl. 5), data anterior às alterações na legislação. O lançamento fiscal foi lavrado em 12/12/2013, data posterior a todas as alterações da legislação. Diante dos fatos, resta definir qual a implicação das alterações normativas e qual a legislação a ser aplicada ao caso em tela. A Receita Federal enfrentou a matéria no Parecer Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015. Onde foram discutidas as questões aqui colocadas, especificamente as penalidades referentes a escrituração digital. Transcrevo abaixo trecho do Parecer que esclarece a penalidade a ser aplicada para os fatos geradores anteriores a edição da Lei nº 12.766/2012. "6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.783, de 2013, retomou o escopo genérico de sua redação originária, e não contém mais, em seu aspecto material, as infrações relativas à não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 16 contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, e não mais se encontra limitado pelo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, de modo a abarcar, novamente (tal qual antes da Lei nº 12.766, de 2012), a não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b.1) Os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, em nenhum momento foram revogados e, portanto, mantiveram sua vigência mesmo no período de vigência da redação dada ao art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, de 2012 ? conforme item 4.8. do Parecer Normativo Nº 3, de 2013 ?, o que implica (observadas as considerações do contido nos itens 4.1. a 4.7. do Parecer Normativo nº 3, de 2013) a validade, em tese, dos lançamentos efetuados com esse suporte legal no referido período; c) Os prazos de entrega para entrega de escrituração, demonstração e arquivo digital de forma ordinária não sofreram alteração quando da vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, tampouco na redação atual; d) O prazo previsto no § 1º do art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, na redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001, considerado derrogado tacitamente para a apresentação de arquivo, demonstração ou escrituração digital ou para prestar esclarecimento sobre eles (na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme alínea “g” do item 10 do Parecer Normativo nº 3, de 2013), não poderá ser invocado para essas mesmas situações, haja vista que a repristinação há que ser expressa (art. 2º, § 3 da Lindb), o que inocorreu, na espécie; e) Quanto às pessoas jurídicas omissas, como elas não optaram pelo regime presumido de apuração do lucro, tampouco do Simples Nacional, aplicase a elas a multa relativa “às demais pessoas jurídicas” de que trata a alínea “b” do inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Conclusão 7. Em conclusão: a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; b) A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo."(grifo nosso) A Posição do Parecer COSIT nº 3/2015 que se coaduna com o meu entendimento, caminha no sentido de manter as posições definidas no Parecer RFB nº 3/2013 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10860.721978/201365 Acórdão n.º 3201001.955 S3C2T1 Fl. 3.515 17 para as infrações que tenham fato gerador até a data de 24/10/2013, quando foi editada a Lei nº 12.783/2013. Considerando que o fato gerador da multa controlada no presente processo é 31/12/2008, resta aplicável o item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN, em razão da multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para aplicar a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, afastando a aplicação da multa do art. 12, II da Lei nº 8.218/91 e aplicar a multa prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835/2001, com a redação da Lei nº 12.766, de 0,2% (dois décimos por cento) sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega dos arquivos digitais. Winderley Morais Pereira Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 13654.001069/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DILIGÊNCIA FISCAL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 10 69 /2 00 8- 73 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001069/200873 Acórdão n.º 2402004.747 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, devidas por esses segurados e não descontadas de suas remunerações, para as competências 09/2003 a 12/2003. O Relatório Fiscal (fls. 33/37) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. (...) V DO CRÉDITO 1 O crédito objeto do presente auto de infração diz respeito a contribuições devidas a Seguridade Social sobre: a remuneração paga ou creditada, a qualquer titulo, no decorrer dos meses aos contribuintes individuais, que prestaram serviço a Instituição, não declarados em GFIPC11. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/09/2008 (fls. 01 e 42), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 48/99), alegando, em síntese, que: (i) alguns dos lançamentos efetuados a título de prestação de serviços por contribuintes individuais o foram equivocadamente por serem, na realidade, pagamentos a pessoas jurídicas ou reembolsos de despesa realizadas por terceiros (folha 49). Para comprovar o alegado, requer perícia contábil enumerando quatro quesitos e indicando seu perito; e (ii) houve inclusão de contribuinte individual, médico do trabalho, em que, nos meses outubro e dezembro de 2003, já havia tido retenção em outras empresas, estando no teto de contribuição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0926.563 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 109/112) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que excluiu os valores lançados na competência 09/2003, e reduzindo em R$20,88 o lançado na competência 10/2003, R$12,10 na competência 11/2003 e R$223,50 em 12/2003. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001069/200873 Acórdão n.º 2402004.747 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive solicita realização de diligência fiscal, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a diligência fiscal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou diligência fiscal – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a diligência solicitada pela Recorrente que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relaciona com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/100) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial, testemunhal ou diligência. Dessa forma, a realização de diligência não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos do Decreto 70.235/1972, estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, inclusive a solicitação de diligencia, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Com relação às demais questões postuladas na peça recursal, elas foram devidamente refutadas na decisão de primeira instância, a qual não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação dessa decisão, nos seguintes termos: “[...] Tais documentos, juntados às folhas 64 a 99, devem ser analisados detidamente: (...) Pelo exposto, o lançamento na competência 9/2003 deveria ser excluído, o da competência 10/2003 deveria ser reduzido em R$20,88 (R$189,84 na base de cálculo), o lançamento referente à competência 11/2003, reduzido em R$12,10 (R$110,00 na base de cálculo), bem como R$223,50 para a competência 12/2003 (R$2.031,82). [...]” (fls. 110/111 do Acórdão 0926.563 da 5a Turma da DRJ/JFA) Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13706.001310/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (Relatora) e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE.
HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR - Presidente.
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
CARLOS CESAR QUADROS PIERRE - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (Relatora) e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE. HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR Presidente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 13 10 /2 00 9- 92 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 146 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 0429.102 – 3ª Turma da DRJ/CGE, de 20 de junho de 2012, fls. 73/77 que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2005, exercício de 2006, por glosa de despesas médicas. Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: Trata o presente processo de impugnação ao crédito tributário relativo a Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar formalizado através Notificação de Lançamento(fl. 07), em face do sujeito passivo acima identificado, emitido na data de 22/12/2008, no montante de R$ 5.578,65, por intermédio de Revisão de Declaração de IRPF referente ao exercício 2006. A partir das informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil em comparação com a Declaração prestada, foram constatados dados tributários que exigiram esclarecimentos mediante a intimação pela autoridade fiscal para apresentação de justificativa e documentos. Do confronto dos esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo com as informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, foi efetuado o lançamento dos fatos geradores conforme o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 09 ): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Falta de comprovação ou de previsão legal para a sua dedução. Glosa de R$ 9.800,00 . GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.800,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISCIONAL. Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada via AR em 19/01/2009 (fl. 68). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 147 3 O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 18/02/2009 (fl. 0203), com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: 1) Suponho referirse ao recibo no 0343 de 04 de abril de 2006, nesse valor, passado pelo médico Dr. Alexandre Kahtalian. 2) No verso do citado recibo já constava o carimbo do profissional, todavia dado o grande número de cópias que tive que apresentar a Receita, devo ter esquecido de tirar xerox do verso, quando juntei atendendo ao requerido na intimação no 2006/607291186661041. 3) Agora, anexo à presente, cópia autenticada da frente e verso do recibo acima referido doc.1 Apresento, também, cópia fornecida pelo meu médico de folha em que consta o endereço de seu consultório, onde sempre fui atendida, (doc. 2), qual seja, Rua Jardim Botânico, no 700,sala 520. 4) Finalmente ; junto à presente cópia de todos os recibos dos valores pagos aos profissionais relacionados, para dedução, em minha declaração de rendimentos de 2005/2006, vez que na notificação citada somente é mencionado o valor da glosa. 5) Não obstante, solicito prazo para a juntada de outros documentos, caso haja algum considerado incompleto. A contribuinte toma ciência desta decisão em 23 de julho de 2012 conforme despacho de fls.81 (Termo de Vista de Processo). Em 17 de agosto de 2012, às fls.91/93, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, após narrar os fatos, alega que a dúvida postada sobre a idoneidade dos recibos apresentados não prospera. O tratamento de saúde, prestado pelo o Dr. Alexandre Kahtalian, psicólogo, é perfeitamente enquadrado naqueles previstos para dedução. Comprova o efetivo desembolso, através dos recibos, dos cheques e dos extratos bancários. Informa que está anexando as cópias dos cheques microfilmados, nominativos ao Dr.Alexandre Kahtalian, sendo eles: cheques nºs 850432, no valor de R$700,00; 850480 – R$ 1.000,00; 850502 – R$ 800,00; 850514 – R$ 900,00 ; 850527 – R$ 800,00 ; 850552 – R$ 800,00 ; 850566 – R$ 900,00 ; 850583 – R$ 900,00 ; 850600 – R$800,00; 850633 – R$ 700,00. Informa que no ano de 2005 o banco não forneceu cópia de um cheque, o de nº 850613, emitido em 01/12/2005, no valor de R$ 900,00, compensado, no mês de dezembro de 2005. Ressalta que anexou os extratos de todo ano de 2005. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 148 4 Anexa cópia autenticada da declaração do médico confirmando seu tratamento. Cita artigo 80 do Decreto 3000/99; e artigo 43 da INSRF 15/2001, c/c artigo 8º,II, “a” da Lei 9250/95, como a legislação que respalda seu procedimento. Requer ao final provimento e prioridade no julgamento, nos termos do estatuto do idoso. Através do despacho de encaminhamento de fls.144, por sorteio, recebo o processo para relato. Voto Vencido Conselheira Relatora Conforme anteriormente relatado tratase de exigência do imposto de renda de pessoa física, referente ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, onde na descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 05, consigna a autoridade lançadora, o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 9.800,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal:Art.8° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3º , da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. Vejase que neste item a acusação é genérica. A acusação se esclareceu em seguida: COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.800,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. A recorrente junta a sua impugnação, às fls.38, recibo assinado e com firma reconhecida do médico. Às fls.39 há nota do médico que se refere aos recibos dos anos de 2005,2006, 2007, onde consta, o endereço e os demais dados (telefones e email). E acrescenta as razões impugnatórias os seguintes argumentos: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 149 5 Como na presente notificação só é mencionada o valor de R$ 9.800,00, sem referencia ao profissional ou a empresa, suponho referirse ao recibo nº 0343 de o4 de abril de 2006, neste valor, passado pelo médico Dr.Alexandre Kahtalian. No verso do citado recibo já constava o carimbo do profissional, todavia dado o grande número de cópias que tive de apresentar a Receita, devo ter esquecido de tirar cópia xerox do verso do recibo acima referido (doc 1)Apresento, também, cópia fornecida pelo meu médico de folha que consta o endereço do seu consultório, onde sempre fui atendida(doc 2), qual seja, Rua Jardim Botânico, nº 700, sala 520. Pede ao final que lhe seja concedido prazo para complementar algum documento caso seja considerado incompleto. No voto condutor do acórdão recorrido, assim constou: Portanto, se houver questionamento da autoridade fiscal, torna se necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento/desembolso correspondente, que não se restringe a apresentação de simples recibos ou declarações, pois ocorre a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, que passa a ter o ônus de comprovar e justificar as deduções e deve trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Ou seja, além das exigências da autoridade lançadora, a julgadora acrescentou as suas. O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Aqui o princípio da legalidade estrita. Todavia o Processo Administrativo Federal sofre a influência de diversos princípios, dentre estes, o do formalismo moderado e o da verdade material. Além do mais, no presente caso, também vejo permissão para aceitar as provas trazidas em sede de recurso, ante o comando da letra “c” do acima transcrito, parágrafo 4º do artigo 16 (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) . Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 150 6 No lançamento, a acusação foi GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.800,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. E esta condição foi atendida na impugnação onde a causa para manter o lançamento foi além. O Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir que “ a apresentação de simples recibos ou declarações não se prestavam para comprovação da efetiva prestação do serviço”. Entendo que confrontado este argumento com a causa de lançar, pelo benefício da dúvida, é lícito supor que a recorrente entendeu que não estaria obrigada a comprovar com os cheques, os pagamentos realizados. Exigência que só se esclareceu após a ciência do acórdão. Agora, cotejando os cheques com os extratos temse a seguinte situação: os cheques estão insertos às fls.97 a 115(sendo que estão microfilmados frente e verso e todos estão nominais ao emitente do recibo – Dr Alexandre Katalian). Às fls. 118/127 constam os extratos bancários (Banco do Brasil) onde há compensação dos cheques, conforme abaixo apontados. FLS. CHEQUE VALOR R$ DATA EXT.FLS 97 850432 700,00 04/01/2005 118 99 850480 1.000,00 05/04/2005 119 101 850502 800,00 03/05/2005 120 103 850514 900,00 02/06/2005 121 105 850527 800,00 04/07/2005 122 107 850552 800,00 02/08/2005 123 109 850566 900,00 01/09/2005 124 111 850583 900,00 04/10/2005 125 113 850600 800,00 01/11/2005 126 115 850613 900,00 01/12/2005 127 TOTAL 8.500,00 Todavia, o valor glosado foi de 9.800,00 e entendo que só restou comprovado o valor de R$ 8.500,00. Por isto encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir da exigência o valor efetivamente comprovado. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 151 7 Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão de mérito. Conforme se verifica no relatório e no Voto da Relatora, no lançamento, a acusação foi GLOSA PARCIAL DAS DESPESAS MEDICAS NO VALOR DE R$ 9.800,00, POR FALTA DE CARIMBO E ENDEREÇO DO PROFISSIONAL; e esta condição foi atendida na impugnação. Ocorre que o Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir que, apesar dos vícios da falta de carimbo e endereço do profissional terem sido sanados “a apresentação de simples recibos ou declarações não se prestavam para comprovação da efetiva prestação do serviço”. Nesta linha de raciocínio, a Conselheira Relatora entendeu que a falta de comprovação dos serviços e efetivo pagamento levariam a manutenção de parte das glosas das deduções de despesas médicas em litígio. Com a devida vênia, ouso discordar da Relatora. É que, observo que a fiscalização sequer intimou a contribuinte para comprovar os efetivos pagamentos, limitandose apenas a não aceitar os recibos apresentado por considerar que não atendia aos requisitos legais, em razão da ausência do carimbo e endereço do profissional emitente. É de se considerar que a fundamentação do auto de infração é a falta do carimbo e endereço do profissional emitente dos recibos para a consideração dos mesmos como provas documentais à dedução pleiteada. Pois bem, a autoridade autuadora não afirma haver falta de comprovantes de despesas, não invoca a falta de comprovação do pagamento, nem exibe razões para sustentar que há dúvida quanto a sua idoneidade, apenas afirma faltar o carimbo e endereço do profissional emitente. Sendo assim, a DRJ, por ocasião de seu julgamento não poderia ter argüido a falta de comprovação do pagamento das despesas médicas como razão para o não reconhecimento da dedução das despesas médicas pleiteadas, vez que este não foi o fundamento utilizado para a autuação. Deveria, outrossim, ter se prestado a DRJ a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que foi neste ponto que fundouse o lançamento. Desta feita, passo a análise dos requisitos legais constantes do artigo 8º, II, a c/c seu §2º, III, para a verificação da idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13706.001310/200992 Acórdão n.º 2201002.755 S2C2T1 Fl. 152 8 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; De acordo com o extraído do texto legal acima, verifico que os documentos anexados na impugnação, como já ressaltado pela Ilustre Relatora, atendem aos requisitos legais e, por tal razão, devem ser considerados como idôneos para a comprovação das despesas medicas e conseqüente dedução das mesmas. Nestas condições, penso que os recibos e notas fiscais são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas médicas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$9.800,00. Carlos César Quadros Pierre. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESA R QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.007777/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
REDUÇÃO DE MULTA APLICADA. PREVISÃO EXPRESSA DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE RESERVA LEGAL.
É incabível a redução de multa aplicada, cujo percentual está expresso em lei, ante a situação fática demonstrada nos autos.
Numero da decisão: 3302-002.958
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REDUÇÃO DE MULTA APLICADA. PREVISÃO EXPRESSA DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE RESERVA LEGAL. É incabível a redução de multa aplicada, cujo percentual está expresso em lei, ante a situação fática demonstrada nos autos. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 77 77 /2 00 7- 61 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS,. fls. 134/149, que constituíram o crédito tributário total de R$ 1.969.618,93, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 28/09/2007. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 31/33, a autoridade autuante assim contextualiza o lançamento: 9. Observase nas Planilhas 1 e 2, em anexo ao Termo de Início de Fiscalização que o contribuinte declarou nas DCTFs (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, valores inferiores de PIS e COFINS aos informados nas DIPJs (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica).(grifei). 10. Intimado a conferir, confirmar ou corrigir todos os valores das Planilhas 1 e 2, bem como se efetuou o recolhimento ou solicitou pedido de parcelamento das diferenças encontradas, o contribuinte não apresentou resposta aos termos lavrados em 14/06/2007, 25/07/2007 e 27/08/2007. 11. Observase também que as bases de cálculo apresentadas nas D1PJs estão coerentes com os valores registrados nos livros Diário e de Saídas, conforme cópias em anexo. 12. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, não foram encontrados recolhimentos das diferenças, conforme extratos SINAL08, em anexo. 13. Isto posto, ficou sujeito ao lançamento de oficio das diferenças, o qual está sendo realizada com a lavratura de autos de infração nesta data, da qual o presente termo faz parte integrante. 14. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou resposta aos termos lavrados em 14/06/2007, 25/07/2007 e 27/08/2007, também ficou sujeito ao agravamento da multa, nos termos do parágrafo 2°, do art. 44 da Lei 9.430/96, deforma que está sendo aplicada a multa agravada de 112,5%.(grifei). Cientificado do lançamento em 08/10/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento do contribuição para 0 Programa de Integração SocialPIS em 09/11/2007, fls. 155/165, alegando, em síntese: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10830.007777/200761 Acórdão n.º 3302002.958 S3C3T2 Fl. 237 3 3. A Administração Pública impôs ao contribuinte uma multa de 112%, sobre o valor da débito atualizado, contrariando diversos dispositivos legais, pois a cobrança de multa por atraso do pagamento (cumprimento de uma obrigação), não pode se transformar em instrumento a inviabilizar o adimplemento desta obrigação. 5. Entretanto, ao fixar o valor ou percentagem da multa, esta não pode adquirir caráter indenizatória ou confiscatório, sob pena de flagrante inconstitucionalidade. 12. Por todo o exposto, há de se considerar exorbitante a multa imposta, devendo a mesma ser reduzida a um patamar justo. Ao fim, a impugnação contesta a aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora, alegando inconstitucionalidade e ilegalidade. Preconiza a aplicação de juros limitados a um por cento nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Impugnação do mesmo teor contra a Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, conforme fls. 167/177. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. Excluise a exigência formalizada após o transcurso do prazo decadencial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES. PERCENTUAL AGRAVADO. Correto o agravamento do percentual da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende a intimação para prestar esclarecimentos. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 O percentual de multa de lançamento de ofício, determinado por lei, não cabendo a discussão de seu valor no âmbito administrativo, sendo que a proibição de confisco prevista na Constituição Federal aplicase unicamente a tributo, e não à multa. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/10/2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 218, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 224/229 e documentos anexados, fls.230/234, em 18/11/2009, por meio de postagem nos Correios, conforme envelope de fl. 222. Após recompor a situação fática dos autos, reitera os argumentos já aduzidos na Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto aos seguintes aspectos, resumidos a seguir: o caráter confiscatório da multa agravada, lançada no percentual de 112,5% sobre o valor do débito atualizado, com base no artigo 44, inciso l c/co § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996; o percentual aplicado, ainda que previsto na legislação é completamente inadmissível, na medida em que inviabiliza o adimplemento da obrigação pela Recorrente; o parâmetro mais usual do crivo dos limites das multas fiscais diz respeito à observância da razoabilidade e da proporcionalidade da exação; a doutrina constitucional moderna e o Supremo Tribunal Federal, nesse sentido, determinam que não se deve analisar as leis somente sob a ótica do princípio da reserva legal. O julgamento da questão deve ter como base o princípio da reserva legal proporcional, que tem como pressuposto não somente a legitimidade dos meios e dos fIns a serem alcançados, mas também a necessidade de utilizarse o meio menos gravoso ao indivíduo para alcançar o fim almejado; não há dúvida que a aplicação das penalidades fiscais não pode extrapolar direitos e garantias do contribuinte, o que prova que os princípios constitucionais tributários devem ser aplicados também às penalidades; a pretensão da recorrente não é a declaração de inconstitucionalidade do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, mas tão somente o reconhecimento do percentual exorbitante da multa imposta, devendo a mesma ser reduzida a um patamar justo por este E. Conselho. Cita respeitável doutrina. Ao final requer: a) o processamento do presente Recurso Voluntário; b) a reforma parcial do Acórdão n° 0526.519, proferido pela 3ª Turma da DRJ/CPS, nos autos do Processo Administrativo n° 10830.007777/200761, para cancelar e tornar insubsistente os Autos de Infração relativos a débitos de PIS e COFINS, extinguindose o crédito tributário remanescente; c) caso assim não entenda este E. Conselho, pelo princípio da eventualidade, requer a redução da multa moratória imposta à Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10830.007777/200761 Acórdão n.º 3302002.958 S3C3T2 Fl. 238 5 recorrente, no percentual de 112,5%, em virtude da inconstitucionalidade do montante exigido; d) que o inteiro teor da decisão colegiada seja comunicado à recorrente, ou, alternativamente, ao advogado André Luiz Silva, inscrito na OAB/SP sob n° 114.875, com escritório na Avenida Paulista, 2.073 conj. 403A Ed. Horsa H, São Paulo/SP. CEP: 01311300. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Observase da peça recursal que cingemse os argumentos discorridos a duas questões: inconstitucionalidade da multa aplicada e redução do percentual da referida multa a um patamar mais justo. Da arguição de natureza confiscatória Em relação à alegação de ofensa a dispositivos constitucionais como o do não confisco, da proporcionalidade etc, cumpre observar que a Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 I– que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II– que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 1artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da redução pleiteada Quanto à redução pretendida, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. Com efeito, em decorrência da situação fática dos autos, conforme relatado, constatando a fiscalização que o contribuinte declarou nas DCTFs (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, valores inferiores de PIS e COFINS aos informados nas DIPJs (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e intimado a conferir, confirmar ou corrigir todos os valores, bem como se efetuou o recolhimento ou 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10830.007777/200761 Acórdão n.º 3302002.958 S3C3T2 Fl. 239 7 solicitou pedido de parcelamento das diferenças encontradas, não apresentou resposta aos termos lavrados em 14/06/2007, 25/07/2007 e 27/08/2007, situação fática incontroversa já que os argumentos em sede recursal pendemse à natureza confiscatória e ao pleito de redução do percentual por ser medida de justiça, segundo seu entendimento, verificase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso, visto que restou caracterizada a tipicidade no caso em exame com o lançamento da multa agravada de 112,5%, nos termos do 2parágrafo 2°, do art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Assim, conforme já assinalado, estando a aplicação de uma penalidade submetida à reserva legal e dispondo a lei acima destacada sobre a hipótese legal aplicável ao caso, ante a situação fática retratada, sendo o atividade de lançamento vinculada e obrigatória, foi efetuado em observância às disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, sendo portanto incabível a redução pleiteada. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997).grifei). Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001949/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.
A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 19 49 /2 01 0- 51 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001949/201051 Acórdão n.º 2402004.966 S2C4T2 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.908,47, relativo ao anocalendário 2007 (fl. 12). A notificação decorreu da constatação de que o contribuinte entregou a DIRPF/2008 fora do prazo regulamentar, ou seja, em 22/11/2010, quando a data limite foi o último dia útil do mês de abril do ano de 2010. O contribuinte impugnou o lançamento às fls. 1/9, não logrando êxito, contudo, havendo o lançamento sido integralmente mantido no julgamento de primeiro grau (fls. 39/46). O recurso voluntário foi interposto em 8/3/2013 (fls. 52/69), reiterando os argumentos da impugnação, na sequência resumidos: nulidade da Notificação de Lançamento, pois lavrado por Delegado da Receita Federal; improcedência da multa aplicada, pois o contribuinte não teve imposto a pagar, e sim a restituir, estando inclusive sob o abrigo da denúncia espontânea; caráter confiscatório da multa; pede remissão por ser portador de cardiopatia grave. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe explicar que há previsão legal expressa para que a Notificação de Lançamento seja assinada pelo chefe do órgão expedidor no caso, Delegado da Receita Federal a saber o art. 11 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido expedido a notificação sob exame em conformidade com todos os requisitos constantes nessa regra normativa. Não se verificando na espécie hipótese de nulidade prevista nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, cabe rejeitar a arguição de nulidade. Quanto à alegação de que a multa cobrada seria indevida, pois teria o contribuinte imposto a restituir, e não a pagar, esbarra ela mais uma vez na literalidade de disposição legal, no caso o art. 88, I da Lei nº 8.981/1991 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997, que prevêem que a apresentação da declaração fora do prazo fixado sujeita a pessoa física à multa de mora de um por cento ao mês ou fração calculada sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, por exemplo, via antecipações mensais ou retenções na fonte, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido). Nesse sentido, vejase o disposto no art. 964 do Decreto nº 3.000/1999: Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: Imulta de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2 ºe 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº9.532, de 1997, art. 27); (...) §2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, §1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; O tema já foi objeto de apreciação no contencioso administrativo em diversas oportunidades, resultando na edição da Súmula CARF nº 69: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001949/201051 Acórdão n.º 2402004.966 S2C4T2 Fl. 84 5 devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento, tratase de matéria também já pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Registrese, ainda, que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, vale anotar que o instituto da remissão requer previsão legal para fins de aplicação por parte da autoridade julgadora em um determinado caso concreto, forte no art. 172, IV do CTN, o que não se verifica no particular. Vejase que o eventual acometimento de moléstia grave não dispensa o contribuinte de cumprir suas obrigações acessórias, tais como a entrega da Declaração de Ajuste. Por conseguinte, correto o lançamento contestado, razão pela qual impõese a sua manutenção. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001928/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
Embargos Declaratórios. Obscuridade.
Constatado nos autos que não houve qualquer omissão/obscuridade/contradição entre o decidido e os fundamentos da decisão, rejeitam-se os Embargos Declaratórios e ratifica-se o acórdão embargado.
Numero da decisão: 1302-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, rejeitá-los e ratificar o decidido no Acórdão nº 191-000.028, proferido em sessão realizada em 21 de outubro de 2008, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 Embargos Declaratórios. Obscuridade. Constatado nos autos que não houve qualquer omissão/obscuridade/contradição entre o decidido e os fundamentos da decisão, rejeitam-se os Embargos Declaratórios e ratifica-se o acórdão embargado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.001928/200587 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.793 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria Embargos de Declaração Obscuridade na decisão Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado NBS COMÉRCIO DE COMPUTADORES LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. Constatado nos autos que não houve qualquer omissão/obscuridade/contradição entre o decidido e os fundamentos da decisão, rejeitamse os Embargos Declaratórios e ratificase o acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, rejeitálos e ratificar o decidido no Acórdão nº 191000.028, proferido em sessão realizada em 21 de outubro de 2008, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 19 28 /2 00 5- 87 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Relatório A Fazenda Nacional interpôs os presentes Embargos Declaratórios, efls. 654 e 655, nos seguintes termos: "[...] A antiga Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão l9l00.028, determinou o retomo dos autos à DRJ de Curitiba/PR para que esta apreciasse as alegações dos recorrentes no tocante a à sujeição passiva. Eis o dispositivo do Acórdão: “ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à 2a. Turma da DRJ/Curitiba (PR) para que aprecie as alegações dos recorrentes no tocante à sujeição passiva, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. (Grifouse) Pela leitura dessa redação, concluise que a referida Turma anulou apenas parcialmente a decisão de primeira instância, pois especificou que a nova apreciação se restringirá às alegações dos recorrentes quanto à sujeição passiva. No entanto, a fundamentação apresentada, data venia, não indica claramente que a anulação alcançou apenas uma parte da decisão da DRJ. Dessa forma, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para constar expressamente no acórdão que a nulidade da decisão de primeira instância foi apenas parcial, concordando a e. Câmara com o entendimento apresentado pela DRJ quanto aos demais temas." Os Embargos de Declaração foram interpostos tempestivamente1. É o suficiente para a apreciação de admissibilidade dos presentes Embargos. 1 Ciência em 27/04/2010, pela Procuradora da Fazenda Nacional; Embargos Declaratórios datados e recebidos em 28/04/2010 efls. 652, 654 e 656. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço dos Embargos Declaratórios, por tempestivo. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1302001.793 S1C3T2 Fl. 3 3 O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/2009 – RICARF, no Anexo II, com alterações posteriores, dispõe em seu artigo 65: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. Dos dispositivos acima mencionados verificase, preliminarmente, que os Embargos de Declaração não se prestam a reformar o decidido no Acórdão embargado. A embargante carece de razão ao arguir que : "... a fundamentação apresentada, data venia, não indica claramente que a anulação alcançou apenas uma parte da decisão da DRJ. Dessa forma, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para constar expressamente no acórdão que a nulidade da decisão de primeira instância foi apenas parcial, concordando a e. Câmara com o entendimento apresentado pela DRJ quanto aos demais temas." A fundamentação da decisão embargada não está adstrita ao texto do acórdão, mas sim ao teor integral do decisório. Restou expressamente esclarecido (destaquei) ao final do extenso arrazoado do acórdão embargado, in verbis, efls. 650: "Por todo o discorrido, afasto os demais tópicos suscetíveis de apreciação, em outras preliminares ou no mérito da questão, por prejudicados, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, do Brasil, em Curitiba PR para que se manifeste sobre a responsabilidade solidária atacada pelos contribuintes Ulisses Amarildo Januzzi e Mauro Borsalli, pelas razões impugnatórias." (grifos não pertencem ao original) Por conseguinte, de uma leitura mais acurada do inteiro teor do acórdão, verificase que a Turma Julgadora não apreciou qualquer outra matéria, sobrestando o julgamento destas, fossem de natureza preliminar ou de mérito, até que a Turma Julgadora de Primeira Instância manifestese a respeito da solidariedade passiva inerente aos autos, bem como aprecie as impugnações interpostas pelos sujeitos passivos solidários. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 Repito, a Turma Julgadora não se manifestou sobre a nulidade da decisão da primeira instância ser total, ou parcial. Simplesmente declarou que declinou apreciação de pontos que deveria ter ser pronunciado, consoante relatado no acórdão recorrido, a saber: Importa, ainda, fazer menção ao fato de que foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 422/423 e 424/425, para nomear Mauro Borsali, CPF 280.481.56920 e Ulisses Amarildo Januzzi, CPF 531.428.70997, como responsáveis solidários junto ao presente processo. Emitidos os autos de infração, foram cientificados o sujeito passivo (NBS Comércio de Computadores) e as duas pessoas identificadas nos tennos de sujeição passiva solidária. Tempestivamente, foram apresentadas três impugnações aos autos, ou seja, as três pessoas já mencionadas compareceram aos autos (fls. 447/504). 25. Ulisses Amarildo Januzzi, em sua impugnação, ataca o fato de ter sido designado como responsável solidário, alega a decadência para a maioria dos fatos autuados, diz que a multa, na presente circunstância é ilegal e pede a nulidade do feito. Mauro Borsali, ataca tãosomente o fato de ser nomeado responsável solidário. A pessoa juridica, aventa outras questões que serão devidamente analisadas no decorrer do voto. Do exposto, ser impossível alterarse a deliberação do colegiado por intermédio de Embargos Declaratórios propostos pela Fazenda Nacional para adentrarse em qualquer outra matéria que não a solidariedade passiva, extensamente abordada no acórdão embargado. A prejudicialidade declarada, que entendeu o colegiado impedir o exame de outras questões, não pode ser contestada via embargos declaratórios. Culminou a decisão embargada: Por todo o discorrido, afasto os demais tópicos suscetíveis de apreciação, em outras preliminares ou no mérito da questão, por prejudicados, devendo os autos retomar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, do Brasil, em CuritibaPR para que se manifeste sobre a responsabilidade solidária atacada pelos contribuintes Ulisses Amarildo Januzzi e Mauro Borsalli, pelas razões impugnatórias. Restou suficientemente claro, portanto, que as impugnações de Ulisses Amarildo Januzzi e Mauro Borsalli devem ser devidamente apreciadas pelo órgão julgador de primeira instância, antes de qualquer outro ato de apreciação das demais matérias litigiosas. Não havendo, portanto, "...obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma", os Embargos Declaratórios devem ser, de plano, rejeitados. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10930.001928/200587 Acórdão n.º 1302001.793 S1C3T2 Fl. 4 5 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 11080.907380/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 07 38 0/ 20 12 -2 1 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu parcialmente pedido de restituição e homologou parcialmente compensação declarada com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2006. Consta do despacho decisório de fls. 273/279 que parte das estimativas integrantes do saldo negativo não foram confirmadas em razão da homologação parcial das compensações declaradas para sua extinção. Além disso, observase que as antecipações e pagamentos informados na DCOMP (R$ 11.347.932,80) apresentam valor inferior ao indicado em DIPJ (R$ 11.470.629,57). Assim, o confronto do IRPJ devido informado em DIPJ, no valor de R$ 7.535.656,70, com as antecipações apontadas em DCOMP e reduzidas em R$ 992.654,57 por não confirmação de parte das estimativas, resultou no saldo negativo reconhecido de R$ 2.819.648,48, insuficiente para liquidação dos débitos compensados, vinculados ao pedido de restituição apresentado no valor original de R$ 3.934.972,80. Manifestando sua inconformidade, a interessada arguiu a nulidade do despacho decisório por erro no enquadramento legal e prejuízo ao seu direito de defesa, observou que a homologação parcial da compensação das estimativas seria objeto de discussão em outros processos administrativos, sendo que parte das glosas já teria sido paga no parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009. Discorreu sobre o direito creditório utilizado para compensação das estimativas, e pleiteou, além da declaração de nulidade do despacho decisório, o afastamento das glosas em razão do alegado parcelamento e da cobrança que se seguirá caso a subsista a homologação parcial das compensações em litígio, ou, subsidiariamente, a suspensão do julgamento do mérito deste processo até o julgamento final dos demais processos administrativos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o contribuinte revela conhecer as razões de decidir e sobre tudo se defende mediante bem articulada manifestação de inconformidade. MATÉRIA CONSTANTE EM OUTRO PROCESSO. REABERTURA DO LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a reabertura de litígio já tratado em outro processo. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 4 3 SOBRESTAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. A autoridade administrativa não tem poderes para sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não deve ser homologada a compensação cujo crédito não possua os atributos de certeza e liquidez. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. Os valores das estimativas incluídas em parcelamento especial somente poderão ser confirmados para formação de direito creditório (como saldo negativo para compensação), quando liquidado o parcelamento correspondente, porque antes não gozam de certeza e liquidez. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/09/2013 (fl. 408/409), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/10/2013 (fls. 307/406), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com referência à arguição de nulidade do despacho decisório, assevera que o art. 168 da Lei nº 5.172/66, o inciso II do parágrafo 1º do art. 6º, o art. 28 e o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e o art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 900/08 em nada indicariam a suposta exigência que consta como descumprida. Entende que na fundamentação legal da infração, a autoridade fazendária teria que apontar os dispositivos que comprovariam que o contribuinte infringiu na legislação tributária, e neste caso deveria ter relação direta com a insuficiência de crédito para o adimplemento das compensações apontadas. Contudo, nos dispositivos antes referidos inexistem indícios de que a operação realizada pela manifestante seria ilegal, havendo apenas menção a disposições gerais relativas à restituição e à compensação. Assevera que por essa razão, a manifestante careceria de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da não homologação dos pedido de compensação, restando obstado o exercício do seu pleno direito de defesa, tendo que trabalhar na suposição, tentando imaginar a motivação que a autoridade fazendária teria empregado/imaginado. Discorda da decisão recorrida que não vislumbrou ofensa ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, até porque a Recorrente teria entendido os motivos das glosas. No caso, o procedimento adotado estaria eivado de vício, o qual, por conseguinte, acarreta a nulidade do despacho decisório, uma vez que teria deixado de observar os requisitos essenciais para o seu sustento. Aduz que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte e cita julgados administrativos neste sentido. Observa que buscou se defender para evitar o perecimento do seu direito de defender, tateando com suposição de possível fundamentação da autoridade fazendária. Aponta ofensa ao art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, do que resulta a nulidade da autuação. Insiste que faltaram elementos de convicção da cobrança, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência do crédito, retirando, por conseguinte, a segurança Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 5 4 jurídica da Recorrente, e que mesmo no quadro apresentado para determinação da parcela glosada não foi demonstrada a devida motivação a glosar essa parcela do crédito, de modo que a defesa se baseia em meras especulações sobre a fundamentação/entendimento referidas no despacho decisório. Discorre sobre a vinculação entre o princípio do contraditório e o dever de motivação dos atos administrativos e invoca o princípio da legalidade, reportandose a doutrina para concluir que a ausência de motivação desencadeia a nulidade do ato, inclusive tendo em conta o que dispõe o art. 2º, inciso VIII e o art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99. Fundamenta o pedido de declaração de nulidade do despacho decisório no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, na forma de jurisprudência administrativa que cita. No mérito, insiste que parte das estimativas objeto de compensações não homologadas já foi parcelada com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, e que o restante está em discussão nos processos administrativos nº 11080.010555/200637, 11080.010558/2006 71, 11080.010560/200640 e 11080.720128/201047. Discorda da ausência de liquidez e certeza aventada na decisão recorrida acerca dos débitos parcelados, observando que eles são objeto de confissão irretratável de dívida, passíveis de cobrança judicial. Acrescenta que das compensações discutidas nos processos administrativos antes referidos poderá resultar carta cobrança dos débitos caso mantida a não homologação das compensações, resultando em duplo prejuízo à recorrente, sendo certo que uma vez adimplidas estas cartas cobrança sanariam as glosas aqui em discussão. Sob o tópico "Da Suspensão da Exigibilidade", discorre sobre sua atividade e a apuração de saldos credores na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, objeto de pedidos de ressarcimento deferidos apenas parcialmente em razão de irregularidades que descreve e contesta, observando que os recursos administrativos interpostos contra tais indeferimentos aguardam apreciação neste Conselho. Identifica as glosas das quais não discordou, parcelando os correspondentes débitos compensados, reportase ao art. 151 do CTN, em seus incisos III e VI, e reitera que a manutenção das glosas aqui promovidas imputarlheá o pagamento em duplicidade dos referidos valores. Aborda individualmente o litígio instaurado em cada processo de ressarcimento de Contribuição ao PIS e de COFINS, apresentando defesa contra as irregularidades ali constatadas, e ao final pede: a) Seja declarada a nulidade do despacho decisório, ora combatido, face às irregularidades, em preliminar, acima expostas; b) Caso não seja acolhido o pedido acima, seja o presente Recurso Voluntário julgado procedente, para reformar o r. acórdão, tendo em vista que parte das glosas dos créditos de saldo negativo do exercício 2007, foram incluídas no parcelamento especial da Lei nº 11.941/09; e parte estão sendo discutidos nos processos administrativos n° 11080.010555/200637, n° 11080.010558/200671 e n° 11080.010560/200640, de modo que mesmo que haja indeferimento dos pedidos, serão objeto de DARF nos referidos processos, de modo que estarão sendo sanadas as supostas diferenças que compõe o saldo negativo do anocalendário de 2006, pois caso mantidas as glosas neste processo estaria sendo imputado a ora manifestante o pagamento em duplicidade dos referidos débitos. c) Sucessivamente, caso não acolhido o pedido anterior, requer a ora Recorrente a suspensão do julgamento de mérito deste processo, enquanto não houver julgamento Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 6 5 final dos processos administrativos de números 11080.010555/200637, 11080.010558/200671 e 11080.010560/ 200640, bem como seja determinada a conexão aos referidos processos para que não hajam decisões contraditórias nos processos administrativos; d) Sucessivamente caso não acolhido o pedido anterior, no mérito, requer que o presente Recurso Voluntário seja julgado procedente, sendo reconhecida a legitimidade do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2006, para que seja reformada a decisão recorrida sendo reconhecidos os pagamentos das estimativas mensais dos meses de fevereiro, março, junho, julho e outubro de 2006 e, por corolário, homologada integralmente a compensação declarada na PER/DCOMP´s: n° 39779.67705.310708.1.3.028043, visto que devidamente comprovada a existência do crédito. e) Requer, outrossim, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso necessário, seja determinada a baixa para diligência fiscal, tudo para comprovar os fatos descritos ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre rejeitar a arguição de nulidade do despacho decisório com base nas mesmas razões expostas na decisão recorrida: O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verifico que as questões apresentadas pela defesa não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcritos. Não há a incompetência de que tratam os itens I e II, e não ocorre a hipótese de preterição do direito de defesa. Pela análise da manifestação de inconformidade, verifico que a contribuinte entendeu o motivo da homologação parcial do direito creditório pleiteado, e procedeu a sua defesa sem maiores dificuldades. Em sua argumentação, a própria contribuinte construiu tabelas (fl. 14) que permitem identificar a origem do litígio (processos envolvidos, Per/DComp e valor do litígio). Portanto, no presente caso não verifico prejuízo ao exercício do pleno direito de defesa da contribuinte, ao contrário do que alega. Por sua vez, o despacho decisório foi lavrado de acordo com as formalidades legais exigidas, com ênfase no cumprimento especialmente do art. 168 da Lei nº 5.172 (CTN); inciso II do parágrafo 1º do art. 6º, e art. 74 da Lei nº 9.430/96; e arts. 4º e 36 da Instrução Normativa RFB nº 900/08. Assim, entendo que não procedem as alegações de falta de motivação suscitadas pela contribuinte (art. 50 da Lei nº 9.784/99). Importante frisar que a compensação permitida no art. 74 da Lei nº 9.430/96, implica na apuração de um direito creditório “líquido e certo” a favor da contribuinte, como condição básica para utilizálo na extinção de seu(s) crédito(s) tributário(s), conforme determina o art. 170 da Lei nº 5.172/66, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) O despacho decisório mencionou a insuficiência do direito creditório apurado pela contribuinte, quando declarou que (fl. 273): “O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, ...”. Portanto, o direito creditório pleiteado pela contribuinte não foi passível de compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 pois não reuniu as características de certeza e liquidez legalmente exigidas. Entendo, assim, que o despacho decisório é válido e eficaz, e rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela contribuinte. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 8 7 A recorrente entende que o despacho decisório deveria indicar a suposta exigência que consta como descumprida, apresentando fundamentação legal da infração com relação direta com a insuficiência de crédito para o adimplemento das compensações apontadas. Contudo, como demonstrado acima, a homologação parcial das compensações restou validamente fundamentada na ausência de liquidez e certeza do direito creditório utilizado em compensação, e assim permitiu que a contribuinte deduzisse seus argumentos contra esta motivação. Logo, não se trata de decisão obscura, contra a qual a recorrente se defendeu supondo os motivos da glosa. A acusação é clara e está regularmente motivada e fundamentada na legislação de regência, e isto inclusive em relação à parcela do crédito que subsistirá injustificada caso admitidas todas as antecipações informadas em DCOMP. De fato, assim consta do despacho decisório: Como se vê, em DIPJ a contribuinte indicou antecipações de R$ 11.470.629,57 para liquidar o IRPJ devido de R$ 7.535.656,77, e assim apurou saldo negativo de R$ 3.934.972,80. Contudo, para utilizar o mesmo crédito em compensações, informou antecipações de, apenas, R$ 11.347.932,80, relativamente às quais foi confirmado o montante de R$ 10.355.275,25 porque, analisadas as antecipações de R$ 11.347.932,80, restaram não confirmadas antecipações de R$ 992.657,54. Assim, ainda que estas estimativas sejam confirmadas, as antecipações totais de R$ 11.347.932,80 não serão suficientes para legitimar integralmente o saldo negativo no montante de R$ 3.934.972,80, tendo em conta o IRPJ devido no período no valor de R$ 7.535.656,77. A recorrente insiste que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, e reportase a julgados administrativos exarados em face de lançamentos, e não de despachos decisórios. É certo que em algumas circunstâncias os despachos decisórios exigirão fundamentação semelhante àquela deduzida em autos de infração, nos quais, em regra, há alteração da base tributável em razão de disposições legais específicas. Mas o caso em tela decorre, tão só, da falta de comprovação das antecipações confrontadas com o IRPJ devido no período (não questionado na decisão), de modo que a fundamentação do ato limitase aos dispositivos legais que autorizam a compensação do saldo negativo de IRPJ (art. 6º da Lei nº 9.430/96) e à regra geral de compensação de indébitos (art. 74 da Lei nº 9.430/96), assim como à indicação do motivo pelo qual as antecipações, consignadas em DCOMP, não foram admitidas como comprovadas. Ressaltese que as informações complementares mencionadas no despacho decisório acima reproduzido destacam quais estimativas não foram integralmente confirmadas, reportandose ao resultado da análise da DCOMP por meio da qual a contribuinte pretendeu liquidálas: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 9 8 Estes elementos permitiram à contribuinte confrontar as constatações fiscais aqui exteriorizadas com aquelas que lhe foram cientificadas por ocasião da análise das compensações indicadas, sendo desnecessário qualquer outra referência aos motivos da não homologação ou homologação parcial antes promovidas, especialmente porque a discussão destes motivos somente teria lugar nos autos em que proferidos os anteriores despachos decisórios, e não nestes autos. Ressaltese que a recorrente não menciona qualquer descompasso entre os valores acima apontados e as decisões anteriores, limitandose a afirmar que faltam elementos de convicção da cobrança, e que sua defesa teria se baseado em meras especulações sobre a fundamentação/entendimento referidas no despacho decisório, para mais à frente discorrer sobre o mérito dos atos administrativos proferidos nos processos administrativos nº 11080.010555/200637, 11080.010558/200671, 11080.010560/200640 e 11080.720128/201047, sem abordar qualquer aspecto acerca da liquidação dos créditos ali parcialmente reconhecidos. Inexiste, pois, qualquer cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, devendo ser REJEITADA a preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto ao mérito, a recorrente assevera que parte das estimativas objeto de compensações não homologadas já foi parcelada com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, e que o restante está em discussão nos processos administrativos nº 11080.010555/200637, 11080.010558/200671, 11080.010560/200640 e 11080.720128/201047. O parcelamento de estimativas foi vedado pela Lei nº 11.941/2009, que deu nova redação à Lei nº 10.522/2002, nos seguintes termos: Art. 14. É vedada a concessão de parcelamento de débitos relativos a: I – tributos passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de subrogação; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF, retido e não recolhido ao Tesouro Nacional; III valores recebidos pelos agentes arrecadadores não recolhidos aos cofres públicos. IV – tributos devidos no registro da Declaração de Importação;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 427DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 10 9 V – incentivos fiscais devidos ao Fundo de Investimento do Nordeste – FINOR, Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM e Fundo de Recuperação do Estado do Espírito Santo – FUNRES; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) VI – pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, na forma do art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) VII – recolhimento mensal obrigatório da pessoa física relativo a rendimentos de que trata o art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) VIII – tributo ou outra exação qualquer, enquanto não integralmente pago parcelamento anterior relativo ao mesmo tributo ou exação, salvo nas hipóteses previstas no art. 14A desta Lei;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IX – tributos devidos por pessoa jurídica com falência decretada ou por pessoa física com insolvência civil decretada; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) X – créditos tributários devidos na forma do art. 4o da Lei no 10.931, de 2 de agosto de 2004, pela incorporadora optante do Regime Especial Tributário do Patrimônio de Afetação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (negrejou se) De outro lado, observase nos elementos de fls. 148/165 que estimativas aqui não confirmadas na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006 estão relacionadas dentre as dívidas não parceladas anteriormente, tratadas no parcelamento instituído pelo art. 1º da Lei nº 11.941/2009. Assim, seria necessário confirmar se tais débitos foram, de fato, parcelados e, caso haja autorização legal para tanto, aferir qual o estágio atual do parcelamento, de modo a determinar o montante dos débitos alcançados por pagamentos realizados até a data de apresentação da(s) DCOMP(s) nãohomologada(s). A liquidação, ainda que parcial, destes débitos eventualmente parcelados, autorizaria seu reconhecimento no saldo negativo, caso a liquidação se verifique até o momento da utilização em compensação. Esclareçase, ainda, que embora tais débitos de estimativas, caso efetivamente parcelados, tenham sua exigibilidade suspensa, permitindo cogitar de sua cobrança em caso de eventual rescisão do parcelamento, tal suspensão da exigibilidade decorre de moratória requerida pelo sujeito passivo, e não de ato decisório sujeito a discussão administrativa. Assim, frente a moratória, não há razão para se aguardar o final do parcelamento para confirmação da extinção das estimativas aqui em debate. A opção do sujeito passivo de postergar o pagamento da dívida traz reflexos imediatos sobre o indébito que poderia vir a ser formado em razão da quitação das estimativas, postergando também a sua utilização. Daí a necessidade de se aferir, apenas, quais estimativas que, eventualmente parceladas, foram quitadas até a data de apresentação da(s) DCOMP nãohomologada(s), porque se pagas parcelas posteriores, elas constituirão novo indébito que somente poderá ser utilizado a partir de sua formação. Com referência à liquidez e certeza do crédito correspondente às estimativas em discussão administrativa acerca da homologação das compensações com as quais se pretendeu sua liquidação, a recorrente argumenta que, proferida decisão definitiva em desfavor da compensação, as estimativas seriam passíveis de cobrança, de modo que a manutenção da não homologação das compensações resultaria em duplo prejuízo à recorrente. Ocorre que, caso homologada a compensação da estimativa que compõe o presente saldo negativo, a parcela correspondente estará aqui convalidada, impedindo a Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 11 10 cobrança de débitos compensados até o limite do crédito comprovado. Já em se tornando definitiva a não homologação da compensação desta estimativa, somente o pagamento decorrente de sua cobrança lhe conferirá novamente a certeza retirada pelo anterior ato de não homologação. E, uma vez restabelecida esta certeza acerca da antecipação que a interessada pretende aqui ver computada no saldo negativo em debate, este direito creditório será reconstituído para imputação aos débitos compensados, impedindo sua cobrança. Logo, somente o pagamento das estimativas compensadas, vinculadas ao crédito tratado nos demais processos administrativos abordados pela recorrente, seria passível de cobrança, não se verificando qualquer duplicidade em relação a exigência decorrente dos débitos aqui compensados. Já se o sujeito passivo optar não pagar o débito que venha a se tornar exigível naqueles autos, o crédito aqui utilizado não será confirmado e então apenas os débitos com ele compensados serão exigíveis. Por certo não poderá a autoridade administrativa proceder a ambas as cobranças concomitantemente, mas apenas sucessivamente, caso se mostre inviável prosseguir na primeira cobrança. Assim, tem razão a recorrente quando defende que uma vez adimplidas as cartas cobrança daquelas estimativas a glosa aqui em discussão seria sanada. Contudo, esta é apenas uma hipótese, que demanda confirmação para que o crédito seja revestido de liquidez e certeza e se preste a uma compensação extintiva. De fato, outras circunstâncias podem se verificar caso aquelas estimativas voltem a ser exigíveis, no caso de decisão desfavorável à compensação declarada para sua extinção. E neste ponto, é relevante esclarecer, ainda, que a Súmula CARF nº 82 (Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas) aborda a questão apenas com relação às estimativas não recolhidas, não cogitando de estimativas compensadas por meio de DCOMP que restem não homologadas. A Lei nº 9.430/96 é clara quanto às conseqüências em relação ao sujeito passivo que, obrigado, deixe de pagar as estimativas devidas: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 12 11 A redação estabelecida a partir da Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, segue a mesma linha: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, o fato de o sujeito passivo declarar em DCTF débitos de estimativas de IRPJ e CSLL não é suficiente para autorizar a imediata inscrição em Dívida Ativa para efeito de cobrança executiva, na forma do art. 5o, §2o do Decretolei nº 2.124/84. Ao menos nos casos em que esta declaração é desacompanhada de qualquer forma de quitação do débito, a lei reprime a omissão do sujeito passivo com a aplicação de multa isolada, e não com a cobrança do débito de estimativa. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 13 12 Contudo, cabe ao intérprete definir se as conseqüências expressas na lei também são aplicáveis casos em que o sujeito passivo não se omite, mas sim promove a extinção da estimativa devida mediante a entrega de DCOMP, extinção esta que pode se tornar definitiva após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos concedido para análise da operação pela autoridade fiscal. E, neste ponto, cumpre destacar que a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 (§§ 9o a 11), permitiu a interposição de manifestação de inconformidade e recurso voluntário contra o ato de nãohomologação, conferindo ao débito compensado suspensão da exigibilidade durante o contencioso administrativo, qualquer que seja sua natureza. Frente a tais circunstâncias, editado o ato de nãohomologação, a autoridade administrativa concede ao sujeito passivo a possibilidade de, espontaneamente, quitar o débito compensado, sem discutir administrativamente a compensação. Caso o sujeito passivo opte por atender a esta recomendação, convalida a utilização da estimativa no correspondente período de apuração, quer para formação de outro saldo negativo, quer para reduzir o tributo verificado no ajuste anual. Porém, se o sujeito passivo opta por interpor manifestação de inconformidade e o posterior recurso voluntário, o débito compensado passa a estar com a exigibilidade suspensa, sendo inaplicáveis as conseqüências estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em face daqueles que deixam de pagar as estimativas devidas. Eventualmente poderseia questionar qual providência seria adotada se o sujeito passivo, ao restar vencido em sua pretensão, não recolhesse as estimativas indevidamente compensadas. Poderseia argumentar que estas estimativas não seriam passíveis de cobrança executiva porque a lei assim não autoriza. Todavia, como demonstrado, a lei não aborda diretamente as providências que devem ser adotadas em face de estimativa indevidamente compensada, mormente quando sua exigibilidade é restabelecida em razão da definitividade do ato de nãohomologação de compensação. Assim, caberá à autoridade administrativa competente para agir em tais circunstâncias interpretar a lei e definir os procedimentos que serão adotados, e a indefinição presente neste momento, em que ainda não encerrado o litígio administrativo acerca da liquidação das estimativas por compensação, é incompatível com a certeza e liquidez necessárias para confirmação do direito creditório aqui em litígio. Por todo o exposto, admitese, como a alega a recorrente, que parte das estimativas não reconhecidas na formação do direito creditório aqui em litígio possam estar com a exigibilidade suspensa em razão de discussão administrativa da compensação declarada para sua extinção. E, embora não se aceite que a possibilidade de futura cobrança daquelas estimativas frente a uma decisão desfavorável autorize a convalidação do crédito aqui utilizado, reconhecese que o pedido de suspensão do julgamento do presente recurso voluntário pode ser deferido, até que se confirme a extinção das referidas estimativas. De fato, em tais circunstâncias, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 nada dispõe a respeito, mostrase aplicável, subsidiariamente, o art. 265, inciso IV do Código de Processo Civil1, assim redigido no que importa ao presente litígio: 1 No mesmo sentido é a determinação do atual Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015 (art. 313, inciso V, alínea "a"). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.907380/201221 Resolução nº 1302000.376 S1C3T2 Fl. 14 13 Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...] § 5o Nos casos enumerados nas letras a, b e c do no IV, o período de suspensão nunca poderá exceder 1 (um) ano. Findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo. Nas lições de Vicente Greco Filho2, referido dispositivo trata da denominada questão prejudicial, por ele conceituada como relação jurídica controvertida, logicamente antecedente, que subordina a resolução de outra dita principal e apta, em tese, a ser objeto de uma ação principal. No presente caso, segundo a classificação exposta pelo autor, há uma prejudicial externa, na medida em que a relação jurídica antecedente depende de decisão em outro processo, e não no mesmo processo em que vai ser proferida a sentença. Em tais circunstâncias, seria pertinente a vinculação destes autos aos processos administrativos nos quais é discutida a extinção, por compensação, das estimativas glosadas (processos administrativos nº 11080.010555/200637, 11080.010558/200671, 11080.010560/200640 e 11080.720128/201047), e o consequente sobrestamento, na forma art. 6º, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Todavia, considerando que a finalização do julgamento do presente litígio depende de informações acerca do parcelamento de estimativas glosadas na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade que jurisdiciona o sujeito passivo confirme se foi admitido o parcelamento de parte das estimativas aqui glosadas e, em caso positivo, informe o estágio atual do parcelamento, determinando o montante dos débitos alcançados por pagamentos realizados até a data de apresentação da(s) DCOMP(s) nãohomologada(s). Ao final, a autoridade fiscal deverá informar, em relatório circunstanciado, as estimativas que restaram extintas e a repercussão destas ocorrências no direito creditório em litígio, disto cientificando o sujeito passivo e facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora 2 Direito Processual Civil Brasileiro, 2º volume, 14º edição, São Paulo, Editora Saraiva, 2000, p. 63 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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