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Numero do processo: 10880.987785/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 85 /2 01 2- 56 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987785/201256 Acórdão n.º 1401001.967 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987785/201256 Acórdão n.º 1401001.967 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987785/201256 Acórdão n.º 1401001.967 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001371/2006-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
PARADIGMA INAPLICÁVEL, SEM CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL, AINDA, EM RECURSO ESPECIAL DE DECISÃO QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme prescreve o RICARF, art. 67: (§ 1º) Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente; (§ 3º) Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da sua interposição e (§ 12º, III) Não servirá como paradigma o acórdão que contrarie Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, NÃO DECORRENTES DE ATIVIDADES PRÓPRIAS DA ENTIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO.
As demais receitas de instituições de saúde sem fins lucrativos, que não sejam contraprestações de atendimentos médico-hospitalares (como as decorrentes de aluguéis), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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NÃO CONHECIMENTO. Conforme prescreve o RICARF, art. 67: (§ 1º) Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente; (§ 3º) Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da sua interposição e (§ 12º, III) Não servirá como paradigma o acórdão que contrarie Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, NÃO DECORRENTES DE ATIVIDADES PRÓPRIAS DA ENTIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO. As demais receitas de instituições de saúde sem fins lucrativos, que não sejam contraprestações de atendimentos médicohospitalares (como as decorrentes de aluguéis), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 13 71 /2 00 6- 54 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 9303005.772 CSRFT3 Fl. 1.118 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3102002.248, de 20/8/2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. As “receitas relativas às atividades próprias”, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da MP 2.15835/2001, são aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo art. 543B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1975 Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62 A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 9303005.772 CSRFT3 Fl. 1.119 3 Lei nº 9.718/98 para atingir receitas outras como os alugueis e as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional requer e reforma do acórdão sob o argumento de que não se pode conceber como “receitas próprias” aquelas decorrentes de contraprestação de serviços oferecidos. A decisão recorrida, portanto, além de negar aplicação ao § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 147/2002, busca dar interpretação extensiva aos arts. 13, III, c/c 14, X, da MP nº 2.15835/2001 (editada inicialmente sob o nº 1.858/99), para abarcar na isenção da COFINS receitas da entidade autuada que nada têm de “próprias” da assistência social, contrariando, dessa forma, a diretriz do art. 111, II, do CTN, que manda interpretar literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção. Assinala que as receitas de aluguel, excluídas pela decisão recorrida, integram a base de cálculo da COFINS. Acrescenta ainda que a norma isentiva, muito embora tenha feito remissão ao art. 12 da Lei nº 9.532/97, editado especificamente para regular a imunidade de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88, tem aplicação bem menos abrangente que a citada norma constitucional de nãoincidência, porquanto exclui da tributação da Cofins apenas e tão somente as receitas decorrentes das “atividades próprias” das instituições de assistência social, sem fins lucrativos, ao contrário daquela outra, que retira a incidência de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços das mesmas entidades. Em Exame de Admissibilidade, foi dado prosseguimento ao Recurso. O contribuinte apresentou Contrarrazões, alegando como preliminares: 1) Que os acórdãos paradigmas trazidos pela PGFN são relativos a instituições de educação (FACULDADE DE MEDICINA DE JUNDIAÍ e COLÉGIO DOM BARRETO) e a autuada tem como objetivo principal administrar e custear o funcionamento do HOSPITAL FELÍCIO ROCHO, promovendo, com isto, a saúde das pessoas carentes; 2) Que os paradigmas também não poderiam ser utilizados, obedecendo ao comando do art. 67, § 12º, III, do RICARF, pois contrários à Súmula CARF nº 107; 3) Que o mesmo artigo do RICARF prevê, em seu art. 67, § 3º, que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Aduz ainda que "uma simples leitura" das ementas dos acórdãos (paradigmas e recorrido) mostra que não existiria a divergência alegada, pois, de fato, os confrontados trataram de questões envolvendo as imunidades previstas nos artigos 150, VI, "a", e 195, § 7º, da Constituição Federal. Já o acórdão recorrido analisou, única e exclusivamente, a isenção prevista pela MP nº 2.15835/2001. Em caráter sucessivo, no mérito, alega que (i) que "restou incontroverso nos autos que a ora Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social, que cumpre os requisitos necessários e suficientes para assumir essa condição e (ii) que "as receitas objeto da Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 9303005.772 CSRFT3 Fl. 1.120 4 autuação não estão divorciadas de suas atividades estatutárias, pelo contrário, decorrem da realização das atividades para as quais ela foi instituída". É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Vejamos o que diz a Súmula CARF nº 107: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. E, agora, o que prescreve o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Os paradigmas trazidos refletem com a similitude necessária duas situações julgadas de forma distinta, com base na mesma legislação tributária? A Súmula transcrita é tão abrangente a ponto de simplesmente não se conhecer do Recurso Especial interposto, em observância ao disposto no RICARF? Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 9303005.772 CSRFT3 Fl. 1.121 5 Os paradigmas tratam de instituições de educação e o processo sob julgamento é de uma instituição de saúde. Penso que o termo “alcança” é suficiente para afastar a tributação das receitas decorrentes das mensalidades escolares, de cunho contraprestacional (como o são as de atendimentos remunerados na área de saúde), mas não de todo e qualquer ingresso obtido pela entidade. Tanto é que outra manifestação – desta feita do Poder Judiciário (STJ) – que vincularia estes Conselheiros (a teor do art. 62, § 2º, do mesmo RICARF), claramente diz que trata exclusivamente das mensalidades escolares (não que afaste, mas sim que, simplesmente, não versa sobre outras receitas), que é o REsp nº 1.353.111/RS, cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (os grifos são originais): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 9303005.772 CSRFT3 Fl. 1.122 6 Vejase que a ementa, ao final, fala “nesta extensão”. Não abrange todas as receitas auferidas pela entidade, e a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, fala também em receitas de aluguéis. A grande dúvida que se coloca é se a Súmula em questão também atinge as entidades assistenciais que prestam atendimentos na área da saúde. Penso que sim, mas exclusivamente no que tange às remunerações diretas por atendimentos médico/hospitalares, que em tudo se assemelham às mensalidades escolares. Mas há que se observar que somos vinculados às Súmulas do CARF em seus estritos termos, e, sendo assim, seria plausível "formalmente" não elastecer a sua interpretação. Os paradigmas tratam de situações materiais distintas, mas sob o mesmo manto legislativo. Não poderia então ser conhecido o Recurso, pois não demonstra de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente, conforme art. 67, § 1º, também do RICARF? Também não fica indiscutivelmente caracterizado o não conhecimento por este motivo. Mas algo que para mim é indiscutível é que toda a questão gira em torno da discussão sobre o que seriam "receitas derivadas das atividades próprias" das entidades, cuja definição o § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 242/2002 procurou estabelecer, mas foi invalidada, neste ponto, por ter sido o referido dispositivo considerado flagrantemente ilegal em decisão proferida pelo STJ, em sede de Recursos Repetitivos. Então, mesmo com as dúvidas que se colocam, penso que há motivos suficientes para não conhecer do Recurso da PGFN, na parte que trata das receitas decorrentes de atendimentos médicohospitalares de caráter contraprestacional. Quanto às demais receitas, sem dúvida, não poderia contestar a observação de alguém que aqui dissesse que esta discussão é totalmente inócua, já que, in casu, a Entidade era tributada pelo regime cumulativo de apuração da Cofins, e a inclusão na base de cálculo de outras receitas que não as típicas da atividade foi afastada em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Isto não se discute, razão pela qual não pode prosperar o Recurso da Procuradoria, mesmo na parte conhecida (restando a este Relator não deixar de consignar sua posição a respeito, caso a situação fosse outra, ou seja, que o regime fosse o da não cumulatividade). Ex positis, voto por não conhecer, em parte, do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720133/2015-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Tendo sido o recurso voluntário apresentado após o prazo previsto na legislação, mas com a apresentação de alegação de tempestividade, cabe a análise da defesa no tocante a esse assunto, dela não se conhecendo, todavia, ao se confirmar o atraso em sua entrega.
Numero da decisão: 1001-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Tendo sido o recurso voluntário apresentado após o prazo previsto na legislação, mas com a apresentação de alegação de tempestividade, cabe a análise da defesa no tocante a esse assunto, dela não se conhecendo, todavia, ao se confirmar o atraso em sua entrega.
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score : 1.0
Numero do processo: 16643.000138/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006
CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES.
A Lei n° 10.332/2001 ampliou campo de incidência da CIDE para "serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes".
CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. REEMBOLSO DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES.
O art. 2°, §§ 2o e 3o , da Lei n° 10.168/2000 determina que a base de cálculo da contribuição recai sobre o os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. Trata portanto da integralidade dos valores assim enviados, desde que relativos à prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa contratados.
CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). NÃO INCIDÊNCIA.
A Lei n° 11.452/2007 institui regra de não incidência da contribuição para a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2006.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Renato Vieira de Avila e Semíramis de Oliveira Duro.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005, 2006 CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. A Lei n° 10.332/2001 ampliou campo de incidência da CIDE para "serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes". CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. REEMBOLSO DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. O art. 2°, §§ 2o e 3o , da Lei n° 10.168/2000 determina que a base de cálculo da contribuição recai sobre o os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. Trata portanto da integralidade dos valores assim enviados, desde que relativos à prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa contratados. CIDE - REMESSAS AO EXTERIOR. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n° 11.452/2007 institui regra de não incidência da contribuição para a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2006. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.414 1 1.413 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000138/201063 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.098 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria CIDE REMESSAS PARA O EXTERIOR Recorrente ROLAND BERGER STRATEGY CONSULTANTS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. A Lei n° 10.332/2001 ampliou campo de incidência da CIDE para "serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes". CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. REEMBOLSO DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. O art. 2°, §§ 2o e 3o , da Lei n° 10.168/2000 determina que a base de cálculo da contribuição recai sobre o os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. Trata portanto da integralidade dos valores assim enviados, desde que relativos à prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa contratados. CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n° 11.452/2007 institui regra de não incidência da contribuição para a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, produzindo efeitos a partir de 1o de janeiro de 2006. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 38 /2 01 0- 63 Fl. 1435DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Renato Vieira de Avila e Semíramis de Oliveira Duro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1668.168, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. O presente processo administrativo traz lançamento de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Remessas ao Exterior, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 908/917 a Autoridade Lançadora registra, em síntese, no seguinte sentido: O contribuinte efetuou remessas ao exterior no período sob análise, em razão da prestação de serviços de empresas domiciliadas no exterior, tendo recolhido IRRF e CIDE conforme quadro abaixo: (...)Os contratos de câmbio descrevem as operações, no campo "Natureza da Operação" ou "Outras Especificações", como serviços técnico profissionais ou conversão de serviços técnicos em investimento direto no pais ou serviços administrativos. Todas as empresas destinatárias dos pagamentos ao exterior pertencem ao grupo empresarial denominado Roland Berger Strategy Consultants. Na DIPJ 2007 — AC 2006 (Ficha 45), declarou pagamentos/remessas ao exterior conforme informações abaixo: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.415 3 Pais: ALEMANHA Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia — R$ 3.579.765,62 Pais: ARGENTINA Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia — RS 498.823,42 Pais: ITÁLIA Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia — RS 544.566,00 Na DIPJ 2006 — AC 2005, o fiscalizado não preencheu a Ficha 45. Em resposta ao Termo de Intimação n° 01, o fiscalizado apresentou os contratos de cambio relativos às remessas ao exterior em pauta, decorrentes dos serviços prestados pelas empresas do grupo Roland Berger domiciliadas no exterior, os contratos de prestação de serviço com a matriz e com outras empresas do grupo empresarial, bem como as faturas ("invoice") correspondentes. Em resposta ao Termo de Intimação n° 02 (fls. 170 e 171), o fiscalizado apresentou os lançamentos contábeis das despesas e dos pagamentos/remessas ao exterior, alem de outros esclarecimentos requeridos, documentos estes constantes do presente processo administrativo fiscal. O art. 2° da Lei n° 10.168, de 29/12/2000, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 10.332/2001 e n° 11.452/2007, assim dispõe: (...)Os parágrafos 1° e 3º do dispositivo acima incluem no campo de incidência da CIDE as remessas ao exterior a titulo de remuneração decorrente de serviços técnicos, de assistência técnica e administrativa e semelhantes. O próprio fiscalizado admite a ocorrência do fato gerador da CIDE nas operações efetuadas em 21 de julho de 2005 e 9 de agosto de 2006, tendo recolhido o imposto de renda na fonte (15%) e a CIDE Remessas (10%). Todavia, com exceção dos pagamentos efetuados no dia 09/08/2006, os demais foram desacompanhados do respectivo recolhimento da CIDE Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ou tiveram recolhimento menor do que o devido. Os recolhimentos do imposto de renda na fonte foram efetuados utilizando se o código 0422 (Royalties e Pagamento de Assistência Técnica), com exceção apenas de um dos recolhimentos do dia 21/12/2006, no valor de R$ 259.532,26, recolhido com o código de tributo 0473 (Renda e Proventos de Qualquer Natureza). Embora o recolhimento a titulo de IRRF tenha sido no percentual de 25% nos casos em que não houve recolhimento da CIDE, o credito tributário devido relacionado â CIDE não restou extinto, justificando sua constituição e exigência por meio do presente lançamento de oficio. Relativamente à remessa ao exterior registrada no dia 21/07/2005 (Contrato de Câmbio de Venda NR. 05/060221), o fiscalizado recolheu a CIDE, mas calculou seu valor excluindose da base de cálculo o IRRF. Das informações contidas no próprio contrato de câmbio (fl. 174) depreendese que o valor bruto da remessa corresponde a EUR Fl. 1437DF CARF MF 4 106.153,04 (R$ 301.580,78), que deveria ser a base cálculo da CIDE calculada e recolhida peio (sic) fiscalizado. É certo, ainda, que da combinação dos artigos 682, inciso I, e 717, ambos do RIR/99, depreendese que, nos casos ora examinados, o fiscalizado, ao efetuar os pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior, revestiase da condição de responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF. A despeito de os residentes ou domiciliados no exterior serem os contribuintes do imposto, ao fiscalizado competia reter e recolher tal tributo por eles devido. É indubitável, portanto, que o IRRF e elemento componente das importâncias pagas pelo fiscalizado àqueles beneficiários no exterior. Neste sentido, por força da legislação brasileira, a fonte pagadora ( fiscalizado) reteve parte de cada um dos pagamentos devidos aos beneficiários no exterior, recolhendoa aos cofres públicos a título de IRRF. Reafirmase, assim, que o IRRF e parte da remuneração paga aos beneficiários de rendimentos no exterior, e, por conseguinte, compõe a base de cálculo da CIDE devida pelo remetente de recursos no Brasil. (...)Ademais, cumpre ressaltar que ao recolher a CIDE devida em razão da remessa registrada em 09/08/2006 (fls. 395 a 397), o próprio fiscalizado incluiu na base de cálculo de tal contribuição os correspondentes valores devidos a titulo de IRRF. De acordo com a legislação vigente, a contribuição em pauta é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties ou remuneração, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, em decorrência de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior (Lei n° 10.168, de 29.12.2000, com redação da pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001, e Decreto 4.195, de 11.04.2002). Indagado sobre a natureza dos serviços que geraram as remessas ao exterior em pauta (Item 2 da Intimação N° 2, fls. 170 e 171), o contribuinte apresentou resposta de fls. 526 a 528, na qual informou ser uma empresa prestadora de serviços de consultoria estratégica, serviços esses baseados em uma metodologia de trabalho definida pela matriz em Munique, Alemanha; que para se manter a padronização dos trabalhos globalmente, há a realização de cursos no exterior para aprimoramento e desenvolvimento dessa metodologia; que faz uso de alguns bancos de dados eletrônicos via web para consulta de metodologias, de dados de outros projetos conexos, acessos esses que são cobrados conforme a utilização pelos consultores da empresa no Brasil; que os trabalhos prestados no Brasil podem envolver a prestação de serviço direto por consultores de outros escritórios (outros países), cujos honorários são cobrados com base nas taxas praticadas para os clientes normais. Especificamente sobre o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte com código 0473, referente à remessa no valor de RS 1.038.129,04, o contribuinte informou que: "... de acordo com nosso entendimento, a tributação de CIDE só é aplicável quando da remessa de valores para o Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.416 5 pagamento de honorários". Os lançamentos contábeis registraram os fatos contábeis como: "Honorários de Consultoria" e "Acessorias de Consultoria", conforme se verifica, por exemplo, nos documentos de fls. 538 a 543 (resposta ao Item 3 da Intimação N° 2, Anexo A), corroborando a constatação de que as remessas ao exterior são decorrentes dos serviços técnicos de consultoria prestados e assistidos pelas empresas do grupo empresarial domiciliadas no exterior, o que ficou igualmente evidenciado pelas faturas ("invoice") apresentadas juntamente com cada contrato de câmbio (fls. 172 a 525). Cabe ressaltar que o próprio fiscalizado qualificou tais remessas ao exterior, nas Fichas 45 da DIPJ 2007, como "Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia", e o valor da remessa de R$ 1.038.129,04 está contido no total dos pagamentos/remessas a domiciliados na Alemanha (R$ 3.579.765,62). A IN SRF 252/2002, em seu artigo 17, parágrafo 1°, inciso II, alíneas "a" e "b", estabelece que: "... II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta á. concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao Pais e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido." Muito embora a IN SRF 252/2002 trate da incidência do imposto de renda na fonte sobre as remessas ao exterior em pauta — e não propriamente da CIDE —, estabelece que para os casos previstos no referido artigo 17 a alíquota do IRRF será de 15%, justamente em razão da alteração legislativa trazida pela Lei 10.332/01, que reduziu o percentual do IRRF de 25% para 15% nos casos em que há incidência da CIDE. Nesse passo, a Autoridade Lançadora constituiu crédito sobre a base de cálculo apurada, correspondente aos valores brutos remetidos/pagos às empresas domiciliadas no exterior no período de julho de 2005 a dezembro de 2006, em razão de apontados serviços técnicos e de assistência prestados à Contribuinte. O Lançamento foi impugnado (fls. 938/975), discorrendo e alegando a Interessada, em síntese, no seguinte sentido: Fl. 1439DF CARF MF 6 A Impugnante é sociedade limitada que tem por objeto social, dentre outros, a: "consultoria e assessoria na área de planejamento estratégico, marketing, organizacão estrutural, elaboração de fluxos de caixa de trabalho, suprimento e administração de pessoal". No desenvolvimento de suas atividades sociais, e em conformidade com a legislação pertinente, a Impugnante realiza remessas ao exterior a titulo de pagamento, dentre outros, de serviços técnicos especializados prestados sem transferência de tecnologia e reembolso de despesas, cobrados por empresas do grupo no exterior. Todavia, não obstante toda a lisura dos procedimentos adotados frente à Secretaria da Receita Federal do Brasil ("RFB"), para a surpresa da Impugnante, que sempre cumpriu zelosamente suas obrigações tributárias, ela foi intimada da lavratura do auto de infração ora combatido, por meio do qual a Fiscalização objetiva a cobrança de suposto crédito tributário de CIDE/Remessas ao Exterior, relativamente aos anoscalendário de 2005 e 2006, sob a alegação de "falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — CIDE, sobre a Remessa de Valores ao Exterior (...)".Inicialmente, antes de se combater o mérito da autuação, cumpre asseverar que o auto de infração encontrase eivado de nulidade, em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para a constituição do lançamento, o que, indubitavelmente, fere o principio da verdade material. Como bem sabido, a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais se destaca o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderia o I. Agente Fiscal ter lavrado o auto de infração sem fazer detida e profunda análise nos documentos que ensejaram as remessas ao exterior, suposto fato gerador da CIDE cobrada no auto de infração que gerou o presente processo. É o que se passará a demonstrar. [...] Caberia, portanto, à Fiscalização, analisar todos esses fatos para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base nas informações constantes em declarações prestadas à RFB ou constantes da contabilidade. É exatamente por isso que um dos princípios informadores da atividade administrativotributária é o da verdade material, segundo o qual a Administração deve se pautar de maneira inexorável verdade material dos fatos, fundamentando qualquer ato — especialmente aqueles que resultem em prejuízo ao contribuinte, corno autuações fiscais e indeferimento de créditos — em motivos reais, sob pena de ilegitimidade. [...] Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.417 7 A Fiscalização não buscou a verdade material para lavrar o auto de infração. Isso porque, assim depreendese da análise das fls. 8 do Termo de Verificação que integra o auto de infração: "Os lançamentos contábeis registraram os fatos contábeis como: 'Honorários de Consultoria' e 'Acessórias de Consultoria', conforme se verifica, por exemplo, nos documentos de fls. 538 a 543 (resposta ao Item 3 da Intimação N° 2, Anexo A), corroborando a constatação de que as remessas ao exterior são decorrentes dos serviços técnicos de consultoria prestados e assistidos pelas empresas do grupo empresarial domiciliadas no exterior, o que ficou igualmente evidenciado pelas faturas ('invoice') apresentadas juntamente com cada contrato de câmbio (fls. 172 a 525)." Todavia, em que pese o entendimento dos D. Fiscais, se as faturas comerciais ("invoices") apresentadas tivessem sido objeto de devida análise, sua conclusão seria outra. Com efeito, o exame das invoices apresentadas durante a fiscalização revela, sem muito esforço, que grande parte dos valores remetidos ao exterior não foram a titulo de honorários por prestação de serviços técnicos, mas sim de reembolso de despesas, os quais não estão sujeitos a incidência da CIDE. Deveras, conforme restará demonstrado a seguir, muitas das importâncias enviadas as empresas do grupo foram remetidas a titulo de, reembolso de despesas, o que pode ser facilmente verificável pela simples leitura dessas faturas comerciais, que contém descrições como: locação/uso de celular, aluguel de veículos, despesas com hotel, passagem aérea etc. Ademais, ainda que a Impugnante tenha se equivocado ao contabilizar o reembolso de despesas como "Acessórias de Consultoria", tal fato jamais poderia ensejar o nascimento de obrigação tributária, pois existem elementos e explicações, colocados a disposição da Fiscalização, os quais comprovam a inexistência de qualquer fato jurídico tributável com relação à CIDE de grande parte das remessas efetuadas. [...] Nesse contexto, o estudo da legislação atinente à CIDE não deixa dúvida de que o reembolso de despesas não constitui fato gerador dessa contribuição. Inclusive a própria RFB, por meio de entendimento proferido em diversos processos de consulta, já se posicionou nesse sentido. Confirase: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Remessas para o Fl. 1441DF CARF MF 8 exterior. As remessas de valores a empresa do mesmo grupo econômico domiciliada no exterior, feitas a titulo de reembolso de despesas decorrentes do beneficio indireto, em favor da empresa brasileira, da prestação de serviços de assistência administrativa contratados pela parceira estrangeira com terceiro no exterior, não se sujeitam à incidência da contribuição instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, com as alterações da Lei nº 10.332, de 2001, tanto mais quando não existe qualquer contrato escrito firmado pela pessoa jurídica brasileira a respeito. (Processo de Consulta 50/05; 9ª Região Fiscal) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE). Remessas para o exterior. Os pagamentos efetuados ao exterior em razão dos cursos e treinamentos voltados à área de administração da empresa (capacitação de pessoal para trabalho em grupo e gerência), bem como por conta do reembolso de despesas dos funcionários relativas a hospedagem, alimentação e transporte, não se sujeitam incidência da contribuição instituída pela Lei nº 10.168/2000, com as alterações da Lei nº 10.332/2001. (Processo de Consulta 98/04; 9ª Região Fiscal) Logo, resta cristalino que o reembolso de despesas não se encontra dentro da hipótese de incidência eleita pelo legislador para a CIDE. Consequentemente, eventual exigência sobre tal base de cálculo revela se viciada de forma insanável. Caso o auditor fiscal, ao calcular o montante do tributo devido, olvide a aplicação da norma existente no sistema jurídico, ou o faça com interpretação equivocada, temse um lançamento com erro de direito, ou melhor, com erro no critério jurídico utilizado. [...] Em complementação, é imperioso demonstrar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não detém competência legal para efetuar a constituição do crédito tributário e, ainda que a tivesse (o que se admite apenas ad argumentandum), não poderia alterar o critério jurídico adotado inicialmente pela Autoridade Autuante para efetuar o lançamento de oficio. [...] Embora a Impugnante acredite que os argumentos aduzidos acima já ensejem, por si ao, o cancelamento dos créditos de CIDE indevidamente constituídos, caso assim não se entenda, o que se admite apenas ad argumentandum, é certo que a Fiscalização, quando da lavratura do auto de infração deveria ter levado em consideração, para fins de apuração do montante devido, os valores indevidamente pagos a titulo de IRFonte. [...] Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.418 9 O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. CIDE.VALORES FATURADOS. Os valores remetidos ao exterior, a título de reembolso de despesas ou não, uma vez faturados, compõem o preço dos serviços prestados. COMPENSAÇÃO. REGIME DECLARATÓRIO. A compensação, na atual redação do art. 74 da Lei 9.430, é por via declaratória e se perfaz mediante a regular entrega da Declaração de Compensação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo débito decorrente de tributo ou contribuição e parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. JUROS CALCULADOS COM O CONCURSO DA TAXA SELIC. Não cabe à esfera administrativa apreciar alegações, diretas ou indiretas, contra as normas tributárias que ditam a Taxa Selic para o cômputo dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo parte dos argumentos da peça impugnatória, alegando, em síntese: preliminarmente, a superficialidade do trabalho fiscal e ofensa à verdade material; e no mérito; vício material, com erro de direito, posto que reembolso de despesas não constitui fato gerador da CIDE; incompetência absoluta do órgão julgador para constituir ou "consertar" crédito tributário e a impossibilidade de mudança de critério jurídico na autuação; necessidade de aproveitamento do IR/Fonte pago indevidamente nas remessas ao exterior; e Fl. 1443DF CARF MF 10 inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Ao final, pugna que sejam acolhidas as razões preliminares e de mérito. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.419 11 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar Alega a nulidade da autuação pela superficialidade da análise das informações no trabalho fiscal, ferindo o princípio da verdade material, princípio da motivação e da legalidade. Cita o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), destacando a necessidade de averiguar a ocorrência do fato concreto à luz dos termos previstos na norma geral e abstrata, individualizando e tipificandoa. No caso concreto, defende que "se as faturas comerciais ("invoices"), apresentadas durante a fiscalização tivessem sido objeto de devida análise a conclusão não seria a de que: Ora, se a fiscalização entendeu que os lançamentos contábeis demonstram que as remessas ao exterior se referem a "honorários de consultoria" e "acessórios de consultoria", não havendo argumento em contrário quanto ao acerto daqueles, e se buscou evidencias junto as faturas, como se deduz do trecho acima trazido pela própria recorrente, é porque perfez a análise como deveria, buscando a verdade material. Alega também, em face das invoices apresentadas: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1445DF CARF MF 12 E detalha o que poderia das invoices surgir de relevante: Ora, na discussão de mérito, a atividade que originou as remessas surge como está muito bem delimitada: serviços técnicos e reembolso de despesa, na fala da própria recorrente. Se os reembolsos, quando discriminados em tais faturas, escapam da incidência da CIDE, será objeto de análise, mais adiante. Ainda assim, certo é que se não se enquadram como "honorários de consultoria", "acessórios de consultoria" são, ainda em consonância com a nomeclatura empregada pela contabilidade da empresa, na qual se amparou a fiscalização. A Delegacia de Julgamento não se limitou a alegar contradição da então impugnante: "a Fiscalizada não apontou as remessas tributadas como sendo remessas por reembolso de despesas, vindo a alegar isto apenas na fase impugnatória" ou a se amparar "numa obscuridade terminológica da conta em que (sic) contabilizadas tais remessas". Em verdade, prossegue, em trecho reproduzido no análise dos reembolsos, a construir conclusões sobre a incidência da CIDE sobre tais verbas, independentemente denominação contábil que lhe fora dada. Portanto, nesse ponto nego provimento ao recurso voluntário. Mérito A fiscalização; amparada em documentos que coletou, em particular, DIPJ, contratos de câmbio, recolhimentos de IRRF, lançamentos contábeis; efetuou lançamento de CIDE sobre remessas por serviços técnicos e de assistência administrativa, quando não identificou recolhimento; nos termos do art. 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 10.168/2000: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.420 13 assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) (Grifouse). E assim detalha, com base em resposta a intimação ao contribuinte a natureza dos serviços que geraram as remessas ao exterior em pauta: informou ser uma empresa prestadora de serviços de consultoria estratégica, serviços esses baseados em uma metodologia de trabalho definida pela matriz em Munique, Alemanha; que para se manter a padronização dos trabalhos globalmente, há a realização de cursos no exterior para aprimoramento e desenvolvimento dessa metodologia; que faz uso de alguns bancos de dados eletrônicos via web para consulta de metodologias, de dados de outros projetos conexos, acessos esses que são cobrados conforme a utilização pelos consultores da empresa no Brasil; que os trabalhos prestados no Brasil podem envolver a prestação de serviço direto por consultores de outros escritórios (outros países), cujos honorários são cobrados com base nas taxas praticadas para os clientes normais. (Grifouse). A recorrente expõem sua atividade empresarial e as remessas ao exterior que realiza: serviços técnicos e reembolso de despesa: Os serviços técnicos são imediatamente atingidos pela contribuição, o que restou incontroverso. No mérito, a recorrente alega vício material, com erro de direito, defendendo que, com base na legislação, "o reembolso de despesas não constitui fato gerador dessa contribuição". Expõem soluções de consulta aplicáveis a casos que entende semelhantes, às quais este Conselho não está vinculado. Fl. 1447DF CARF MF 14 Não assiste razão à recorrente. O art. 2°, §§ 3o c/c 2o , da Lei n° 10.168/2000 determina que a base de cálculo da contribuição recai sobre o os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. Trata portanto da integralidade dos valores assim enviados, desde que relativos à prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa contratados. Reproduzo trecho da decisão recorrida, no mesmo sentido: Tendo em conta que as remessas ao exterior por pagamentos de serviços integram o campo de incidência da contribuição, conforme estabelece a lei em tela, cumpre, para a boa compreensão sobre o tratamento jurídico dos alegados reembolsos, verificar se estes compõem o preço do serviço, sendo pertinente, para tanto, observar que a Lei nº 5.474, de 18 de julho de 1968, dispondo sobre a emissão de duplicatas e faturas, caracteriza o preço dos serviços prestados, conforme disposto em seu art. 20, § 2º: “Art. 20 As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta Lei, emitir fatura e duplicata. (...) §2º. A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados. (...)" O texto legal considera como preço dos serviços o valor expressamente contido na fatura de prestação de serviços, cujo documento equivalente em operações de mercado externo é a invoice, peça que formaliza essas mesmas e referidas operações. No caso, a empresa recebedora dos recursos é domiciliada no exterior, sendo o dispositivo legal em tela empregado para definir o alcance, nos termos da legislação brasileira, do que vem a ser o faturamento na prestação de serviços e, como visto, o faturamento corresponde à soma a pagar. Logo, os valores remetidos devem, evidentemente, ser considerados como parte ou integrantes do preço dos serviços que a especializada empresa no exterior presta à Autuada. [...] (Grifouse). Busquei, nas faturas constantes das folhas 172 a 525, mais informações sobre tais valores, inclusive despesas como uso de celular, aluguel de veículos e passagens aéreas, mencionadas pela recorrente, como exemplos do reembolsos. Exemplifico abaixo. As faturas às folhas 279 e 253 tratam de remessas relativas a passagens aéreas e telefonia móvel contratados pela empresa alemã, "por serviços prestados aos consultores do escritório de São Paulo" (tradução livre). Tais verbas estão vinculadas, portanto à prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa. Sem as passagens aéreas, por Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.421 15 exemplo, o consultor alemão não conseguiria se deslocar até São Paulo (se foi o caso), para prestar serviço: [...] Na folha 241, há fatura de prestação de serviço de implementação de estratégia de cadeia de suprimentos (tradução livre), dentro do projeto principal do cliente "Bompreço". Nesta estão discriminados, de forma genérica taxas e despesas (tradução livre): Fl. 1449DF CARF MF 16 Nas fls 248 e 254, figuram faturas de cursos providos pela empresa alemã aos consultores do escritório de São Paulo e taxas e despesas com base de dados (tradução livre), respectivamente: [...] Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.422 17 A recorrente traz em sua peça exemplos de reembolsos de despesas que integram o serviço prestado pela empresa estrangeira e incluídas entre as remessas a elas relativas: [...] Assim, a fiscalização aplicou corretamente a norma, ao incluir na autuação as verbas constantes das faturas, que a autuada, em sede de impugnação trouxe como reembolso de despesas. Não há que se falar, portanto, em erro de direito. As despesas de reembolso, ao integrarem serviços técnicos e de assistência administrativa, subsumemse a norma de incidência, fazendo surgir a obrigação tributária em pauta, diferentemente do que defende a recorrente. Fl. 1451DF CARF MF 18 A recorrente alega ainda que "as remessas surgem no contorno da prestação de serviços, mas não a remuneram, daí que são acessórias a Serviços" (grifos do original). Entendo que se assim são, integram o custo do serviço e foram objeto de remessa, incidindo pois a CIDE. Aduz ainda que têm natureza jurídica dos pagamentos efetuados no ato do dispêndio, e exemplifica: Há de se notar que a natureza pretendida diz respeito não ao que se está remunerando, mas ao momento em que se dá o pagamento. Se houver remessa ao exterior incide a contribuição. A recorrente traz caso de despesa com "licença/manutenção de software", alegando a não incidência da contribuição, por força dos artigos 20 e 21 da Lei n° 11.452/2007: Nesse caso assiste razão a recorrente. Não há elemento a demonstrar haver transferência de tecnologia associada. O referido art. 20, incluiu hipótese de não incidência da CIDE: " sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia". Já o art. 21 determina a produção de efeitos em relação ao disposto no at. 20, a partir de 1o de janeiro de 2006, o que alcança a remessa apontada, diferentemente do que entendeu a decisão de piso. Alega ainda a recorrente a incompetência absoluta do julgador administrativo para constituir ou "consertar" crédito tributário ou mudar o critério jurídico da autuação. Longe disso, a autuação, em sendo mantida será porque entendeu esta Turma pela higidez da autuação. A fiscalização complementa a informação que extraíu dos lançamentos contáveis com o que "ficou igualmente evidenciado pelas faturas apresentadas ('invoice')", conforme passagem do Termo de Verificação Fiscal já reproduzida. E aplicou corretamente a norma, ao incluir as verbas constantes das faturas na autuação. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16643.000138/201063 Acórdão n.º 3301004.098 S3C3T1 Fl. 1.423 19 Aduz a recorrente, ad argumentandum, a necessidade de aproveitamento do imposto retido na fonte, tidos como indevidamente pago, nas remessas ao exterior. E assim detalha: De fato, se entender indevido o recolhimento citado e poderia fazêlo a luz do art. 3º da MP nº 2.15970/2001, este que estabelece a dita redução de alíquota, aberta está a via da restituição ou compensação administrativa., nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. No contencioso administrativo, no entanto, a decisão deve se limitar à autuação e às razões de defesa e não pedido da estranho a estas, nos termos do art. 31 do Decreto n o 70.235/72. A recorrente alega descaber a aplicação de juros moratórios sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal. Argumenta ainda que, "por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles deveriam incidir sobre o deveria ter sido recolhido no prazo e não foi" e não é o caso da multa. Além disso defende que a multa não retrata a obrigação principal, da qual decorrem os juros. Ora, o art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", sendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para a incidência dos juros moratórios. É o que tem decidido este Conselho. Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir da autuação a remessa associada à despesa com licença/manutenção de software antes referida. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1453DF CARF MF 20 Fl. 1454DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.907143/2011-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos.
IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA D DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea d do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal.
Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matéria-prima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal.
Numero da decisão: 3001-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA “D” DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea “d” do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 71 43 /2 01 1- 68 Fl. 683DF CARF MF 2 competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 650 a 678) interposto contra o Acórdão 0956.458, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, na sessão de julgamento realizada em 23.01.2015 (fls. 625 a 644), que deferiu, em parte, a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, para reconhecer como saldo credor do trimestre a quantia de R$ 35.874,54. Tendo em vista que no Despacho Decisório já foi reconhecido ao contribuinte o saldo credor de R$ 33.655,61. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER 12031.45098.231009.1.1.014304, referente ao 3º trimestre de 2009, calculado segundo o artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999, solicitou o ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Vinculou ao citado ressarcimento, a Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP 32013.77124.231009.1.3.018270 (fls. 02 a 30). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 024896074: (...) Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 71.761,39 Valor do crédito reconhecido: R$ 33.655,61 Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 684 3 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 32013.77124.231009.1.3.018270 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 12031.45098.231009.1.1.014304 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2012. PRINCIPAL MULTA JUROS 36.786,24 7.357,24 10.061,03 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 07.08.2012, manifestação de inconformidade (fls. 32 a 49) para aduzir, para que se: a) reconhecesse o direito do manifestante de apurar e aproveitar os créditos de IPI, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de produtos amparados pela imunidade fiscal, homologandose, integralmente, os Pedidos de Restituição/Compensações PERD/COMP's; ou noutra hipótese, para que se: Fl. 685DF CARF MF 4 b) determinasse a inclusão na base de cálculo do percentual da glosa, as Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento; c) estabelecesse o percentual da glosa com base somente nas Receitas do mesmo mês do crédito e não média dos meses anteriores, como foi efetuado; d) retificasse na planilha em que estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI, para constar os valores do Livro de Apuração do IPI, referente aos meses de fevereiro e março de 2010; e) excluísse da glosa os créditos de IPI sobre a compra de papel comercial, que é empregado no processo produtivo de produtos não imunes, já que a Manifestante provou a aquisição de papel imune para a produção dos livros; e f) retificasse o valor do saldo devedor e acessórios (multa e juros), de acordo com as planilhas ora apresentadas, ou de acordo com novos cálculos que deveriam ser efetuados pela auditoria fiscal, com a observância das alíneas "b" a "e", supra. g) dentro do princípio do contraditório e da ampla defesa, se acatasse o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizessem necessárias à elucidação do feito. Para tanto, indicou assistente técnico para acompanhamento da perícia; requereu sua intimação da data e do local da realização dos trabalhos periciais e elaborou os seguintes quesitos: 1) Queira o D. Perito informar, se no desenvolvimento de suas atividades sociais, a Manifestante promove a industrialização de livros, revistas, periódicos, jornais e outras atividade contempladas pela imunidade fiscal, conforme a Constituição Federal? 2) Se positiva a resposta anterior, a Manifestante adquire matériaprima, produtos intermediário, material de embalagem tributados com o IPI e utilizados no processo produtivo de produtos imunes, gerando assim créditos de IPI? 3) As Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento foram incluídas na base de cálculo do percentual da glosa? 4) O percentual da glosa foi apurado mês a mês, de acordo com as receitas no mesmo mês do crédito? Ou, foi apurado pela média dos meses anteriores? Existe diferença entre estes dois métodos de apuração do percentual da glosa? 5) Existe divergência entre os valores consignados na planilha onde estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI (elaborada pela Auditora Fiscal) e os valores lançados no Livro de Apuração de IPI, referentes aos meses de fevereiro e março de 2010? 6) A Impugnante adquire papel "linha d'água" (sem a tributação de IPI)? Se positiva a resposta, esse papel é declarado em DIF entregue à SRF, bem como consta do SINTEGRA? O referido papel é utilizado no processo produtivo de produtos imunes? 7) A D. Auditora incluiu na glosa os créditos de IPI decorrentes da aquisição de papel comercial utilizado no processo produtivo de produtos não imunes? 8) As planilhas apresentadas pela Manifestante anexas à Manifestação de Inconformidade, estão corretas? Se estão, qual é o valor real e correto da glosa? Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 685 5 9) Caso o D. Perito não concorde com as planilhas apresentadas pela Manifestara (sic), queira retificar os cálculos apurados pela Ilustre Auditora, efetuandose as retificações e exclusões pertinentes. Do Despacho de Diligência da 1ª Instância Frente aos argumentos trazidos pelo contribuinte com a apresentação da manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por entender que deveriam ser verificadas algumas questões específicas, encaminhou, por meio do Despacho 57 de 02.10.2013, os autos para a SAFIS/DRF/CONTAGEM/MG, para que fossem elucidadas as seguintes dúvidas (fls. 390 a 393): 1) se o contribuinte adquiria realmente papéis com imunidade de IPI e os empregava corretamente na elaboração de livros. Se verdadeira a afirmação do contribuinte nesse sentido, deveriam ser excluídas da proporcionalização prevista no artigo 3º da IN SRF 33 de 04.03.1999, as receitas decorrentes da venda de livros; 2) se de fato houve divergências na apuração de créditos, nos meses de fevereiro e março de 2010, entre o RAIPI e a planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, adotandose, justificadamente, o valor correto a se considerar; 3) se houve eventual aproveitamento de créditos sobre receitas de prestação de serviços. Se quando do exercício de tal atividade foi empregado insumo sobre o qual incidiu o IPI, excluir o tributo do cômputo do saldo credor trimestral. Do Termo de Diligência da 1ª Instância Em atenção à solicitação supra, a DRF/CONMG procedeu à diligência requerida e elaborou o respectivo Termo de Diligência Fiscal (fls. 604 a 609). Do Aditamento da Manifestação de Inconformidade Cientificada do resultado da diligência fiscal, o contribuinte apresentou razões de defesa adicionais (fls. 610 a 622), em síntese, para: 1) alegar o direito ao crédito de IPI incidente sobre os insumos utilizados na confecção de livros, cuja saída esteja amparada pela imunidade tributária; 2) solicitar a inclusão de créditos de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços; 3) solicitar a retificação do saldo devedor, valor principal mais os acessórios (multa e juros), de acordo com os novos cálculos que deverão ser efetuados pela auditoria; 4) ratificar, segundo os mesmos argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizerem necessárias à elucidação do feito. Da Decisão de 1ª Instância Fl. 687DF CARF MF 6 Sobreveio a decisão contida no voto condutor do referido acórdão vergastado, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem. Cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITOS DE IPI. LEI Nº 9.779, DE 1999/IN SRF Nº 33, DE 1999. Tendo em vista o Preâmbulo da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, que consignava regulamentação de matérias relativas ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e aos arts. 178 e 179 do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 RIPI/1998, é de se concluir que o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos tributados diz respeito ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, enquanto o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos imunes é decorrência de regulamentação de incentivos fiscais à exportação tratados nos arts. 178 e 179 do RIPI/2002. Surge desta regulamentação a inserção da expressão “inclusive imunes” no art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS NT. Não representa inovação à legislação do IPI o art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999, pois a elaboração de produtos não tributados e de produtos originalmente imunes (livros, jornais e periódicos) não conferem direito ao crédito de IPI. IPI. ISQN. EXISTÊNCIA CONCOMITANTE. Não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI, portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. Basta que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI), para que seja tomada a operação como de industrialização, pois a incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, não implica, ainda que se consuma na execução dos serviços ali discriminados, matériasprimas e produtos intermediários, o direito ao crédito de IPI. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 686 7 CRÉDITOS DE IPI. SEGREGAÇÃO. PRODUTO ISENTO. PRODUTO IMUNE. É lícita a separação entre os insumos utilizados em produtos imunes (não tributados) e produtos tributados, tomandose como referência o valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, conforme determina a legislação de regência. IN SRF nº 33, de 1999, art. 3º. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 ADI Nº 5, DE 2006 O dispositivo interpretativo não extrapolou normas, não foi além da atividade regimental da SRF. Tãosomente, usando das atribuições que lhe são próprias, a SRF afastou conclusões equivocadas que pareciam emergir do texto da IN SRF nº 33, de 1999. Não se criou norma contrária ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, ou ao texto constitucional. Com o ADI nº 5, de 2006, expedido pela autoridade superior da SRF, foi solucionada a interpretação conflitante com as normas legais vigentes, expressas em soluções de consulta, emanadas de unidades regionais da SRF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 LEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. As discussões a respeito de legalidade ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos não serão travadas na esfera administrativa. Cumpre a função o Poder Judiciário, a quem a Constituição Federal atribuiu tal competência (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2001). DILIGÊNCIA/PERÍCIA/FORMAÇÃO DE PROVAS. Quando a diligência requerida pela Delegacia de Julgamento e solucionada pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte foi suficiente para elucidar os pontos controversos encontrados no autos, tornando possível a análise da manifestação de inconformidade e, conseqüentemente, a solução do litígio, rejeitamse as petições pela formação de novas provas, perícia contábil, pois que elas não se mostram necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 689DF CARF MF 8 Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões trazidas na manifestação de inconformidade. Os tópicos a seguir transcritos confirmam a identidade dos argumentos, vejamos: (...) III.1 PRELIMINARMENTE DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DE DEFESA (...) III.2 NO MÉRITO (...) A DO DIREITO E RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IPI IMUNIDADE FISCAL (...) B DO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO Nº5, DE 2006 (...) C DA LEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS E ATOS NORMATIVOS (...) D DA IMPOSSIBILIDADE/ILEGALIDADE DE SEGREGAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES E PRODUTOS TRIBUTADOS (...) E DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (...) V DO PEDIDO Por todo o exposto, por tudo que dos autos constam e, ainda, pelos douto e valiosos subsídios que estes D. Conselheiros certamente trarão à espécie, requer a Recorrente, seja acolhida a preliminar arguida, para cassar o v. acórdão recorrido e determinar a realização de perícia contábil, ou noutra hipótese dar provimento ao presente Recurso Voluntário, para reconhecer o direito da Recorrente de aproveitar os créditos de IPI, relativos aos insumos (MP, PI e ME) utilizado na industrialização de produtos imunes, bem como, na prestação de serviços. Reconhecendose, por conseguinte o crédito requerido no PER nº 12031.45098.231009.1.1.014304, homologandose a compensação apresentada no DCOMP nº 32013.77124.231009.1.3.018270. Tudo de conformidade com a Manifestação de Inconformidade que foi apresentada e as razões recursais aqui expostas. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 687 9 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONMG em 31.03.2015. O contribuinte, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 647), acessou o Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 04.03.2015. Portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.046 de 30 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 13603.907138/201155, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.046): "Pedido de Perícia Contábil Do Indeferimento da prova pericial cerceamento de defesa Quanto à realização de perícia contábil para elucidação de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. As regras sobre nulidades, no Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 691DF CARF MF 10 §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, o recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnica, para que fossem verificados “in locu”, os seus produtos industrializados, a fim de demonstrar que se tratavam de produtos industrializados e por ela desenvolvidos sob encomenda de seus clientes. Como a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA entendera prescindível a realização desta providência, por entender que as amostras a que tivera acesso já lhe forneciam os elementos probatórios suficientes à formação da convicção, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida, o recorrente então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não pode ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a decisão recorrida fundamentou o indeferimento na prescindibilidade da prova solicitada. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial (contábil) ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 688 11 em torno das matérias de direito que dos fatos decorrem, pelo que igualmente se indefere tais requerimentos, na certeza que ao assim agir inexiste violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado, pois, na espécie não há qualquer questão fática (técnico contábil) que mereça ser dirimida por diligência, mesmo porque aquela que eventualmente poderia suscitar dúvida para este julgador já foi objetivamente elucidada pela instância a quo, ao exarar, em 02.10.2013, o Despacho 52. Rejeito, portanto, o pedido de diligência para a realização de perícia contábil. Do Mérito Do direito e reconhecimento do crédito de IPI imunidade fiscal; Do Ato Declaratório Interpretativo 5 de 2006; e Da impossibilidade/ilegalidade de segregação de produtos imunes e produtos tributados Em síntese, sustenta a recorrente ser improcedente a glosa dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Entende que a imunidade se acha inserida nas situações contempladas com o aproveitamento de crédito acumulado do IPI. Argumenta que o princípio da não cumulatividade impõe a necessidade de manutenção do crédito de IPI na hipótese de operação de saída imune, até para que a própria imunidade não perca a sua finalidade, também, desonerativa. Portanto, conclui que tem direito ao aproveitamento do crédito de IPI oriundos da aquisição de MP, PI e ME, utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual requer seja dado provimento ao recurso, para reconhecer seu direito de apurar e aproveitar os créditos de IPI em questão. Neste sentido, aduz que a segregação efetuada pela fiscalização e acatada pelo acórdão recorrido não é legal e nem está correta, vez que afasta o direito creditório que faz jus, em relação ao IPI dos insumos utilizados na industrialização de produtos imunes. Entendeu a autoridade fiscal pela necessidade de estorno de créditos de IPI calculados sobre insumos aplicados na industrialização de produtos com saídas não tributadas (“NT”), em conformidade com o artigo 193 do RIPI/2002 (art. 25, § 3º da Lei 4.502 de 30.11.1964, art. 2º do Decretolei 34 de 18.11.1966, com alteração pelo art. 12 a Lei 7.798 de 10.07.1989, e art. 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999). O artigo 193 do Decreto 4.544 de 26.12.2002 dispõe que "Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados". Ademais, a questão é tratada pela Súmula CARF 20, que dispõe nos seguintes termos: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como visto antes, a recorrente argumenta que em virtude de os produtos por ela confeccionados não serem “nãotributados”, mas imunes, em decorrência da imunidade objetiva contida na alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Constituição de 1988, referente à Fl. 693DF CARF MF 12 imunidade de livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, seria possível à manutenção dos referidos créditos. De fato, ao disciplinar o creditamento em relação a insumos utilizados na produção, o artigo 11 da Lei 9.799 de 1999 garantiu o direito a crédito para saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, nada dispondo, no entanto, a respeito da imunidade: Lei 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A Instrução Normativa SRF 33 de 04.03.1999, por seu turno, tratou expressamente da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos a serem aplicados na industrialização de produtos, "(...) inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero" a partir de 1º de janeiro de 1999. Observese que a Receita Federal do Brasil, quase dez anos depois da edição das normas acima transcritas, publicou o Ato Declaratório Interpretativo 6/2008, esclarecendo que o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 não se aplica aos produtos: (i) com a notação “NT” na TIPI, e (ii) aparados por imunidade. Aponta, ainda, o preceptivo, para a exceção: aqueles produtos abrangidos por imunidade técnica, i.e., destinados à exportação, o que não poderia ser diferente, pois a legislação do IPI sempre concedeu, na qualidade de créditos incentivados, o direito dos exportadores de produtos tributados, desonerados do imposto pela imunidade prevista no inciso IV do parágrafo 3º do artigo 153 da CF de 1988, de se creditar do IPI pago na aquisição dos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados e, no caso do montante de tais créditos excederem os débitos do imposto, possibilitar o ressarcimento de tal incentivo. Por este motivo, em 18.04.2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006, que dispôs no seguinte sentido: Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006 Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 689 13 Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não se trata o presente caso, de processo de fabricação de produto com imunidade técnica, destinado à exportação, e muito menos de IPI incidente sobre saída de produto imune, mas, como se esclareceu acima, da possibilidade de creditamento na escrita fiscal sobre insumo destinado a produto imune, o que remete à necessidade de se interpretar e aplicar o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999. No sentido de uma aplicação não extensiva da norma em apreço, o quanto decidido no Recurso Especial 1.015.855/SP, de relatoria do Ministro José Delgado, publicado em 30.04.2008: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 695DF CARF MF 14 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 690 15 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (grifei). Assim, a nãocumulatividade do IPI deve ser interpretada de maneira a açambarcar o inciso II do parágrafo 3º da Constituição da República, o artigo 49 do Código Tributário Nacional ecoado pelo artigo 81 do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981 de 23.12.1982, e cujo artigo 103 trata especificamente do método e o uso do creditamento deste imposto, o que evidencia a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Não é outra a interpretação do Acórdão 3401003.313, proferido na sessão de 25.01.2017, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no qual se decidiu, em votação unânime de seus membros, no sentido da ementa abaixo transcrita: Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. No mesmo sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em conformidade com o Acórdão CSRF 9303004.581, proferido na sessão de 24.01.2008, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 697DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Assim, não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, neste particular. Da ilegalidade/inconstitucionalidade de leis e atos normativos Entende o recorrente que a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, pode ser feita tanto pela própria Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário; afirma que em obediência aos princípios da legalidade, da moralidade e da probidade administrativa cabe à Administração Pública invalidar ou anular seus próprios atos, inclusive se utilizando de seu poder de autotutela. Por fim, espera que os textos doutrinários e decisões judiciais citadas ou colacionadas na manifestação de inconformidade sirvam subsídios para a decisão administrativa. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235 de 06.03.1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 691 17 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º, antes reproduzidos. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 699DF CARF MF 18 Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, toda essa argumentação retórica a que recorreu o contribuinte, no sentido de que ao julgador administrativo compete envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, deixa evidente que seu intuito é ver afastada a aplicação das normas que regulam o ressarcimento do IPI com base no fundamento de que elas estão em desconformidade com a Carta da República, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo de segunda instância não somente pelo artigo 26A do Decreto 70.235 de 1972, mas também pela Súmula CARF 2 e por força do RICARF. Da improcedência da glosa do crédito de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços O recorrente, argumentando que para executar os serviços discriminados notas fiscais de saída, emitidas exclusivamente para documentar a prestação dos referidos serviços, creditouse do IPI referente à aquisição de insumos empregados na prestação de serviços nelas discriminados, que foram realizados sob encomenda de terceiros. Alega que o produto gráfico pode ser faturado através de nota fiscal de venda ou de serviço, importando apenas, para definir qual o tipo de documentário fiscal a ser utilizado, sua finalidade. Ou seja, se é para acobertar a saída de produtos destinados à comercialização pelo encomendante, circunstância em que incide o ICMS, ou se é para saída de produtos para uso e consumo do encomendante, ocasião em que incide o ISS; sustenta este entendimento pois concluiu que para obter o produto gráfico final, em ambas as situações, a gráfica se utiliza da mesma matéria prima, material de embalagem e produto intermediário, o que justifica o aproveitamento do crédito do IPI incidente, na entrada destes insumos. Como é cediço que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do princípio da não cumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito como quer fazer crer o recorrente, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos no texto Constitucional. Os créditos do IPI são escriturados pelo beneficiário, à vista do documento que lhes confere legitimidade e o direito à sua utilização está subordinado ao cumprimento das condições para cada caso e das exigências previstas para sua escrituração, estabelecidas no regulamento. Em síntese, afirma o recorrente que a glosa efetuada sobre a prestação de serviços não procede, por estar em desacordo com a legislação vigente à época, bem como com a Solução de Consulta SRRF/6ªRF/DISIT 50 de 31.03.2003; pelo que requer o direito de aproveitamento dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na prestação de serviços (industrialização por encomenda). No tocante à referida solução de consulta, assiste razão o acórdão recorrido quando salienta que incorre em erro o pretendente, quando faz uso da consulta para tentar resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação das glosas tratadas nos presentes autos. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 692 19 Em face da clareza e didática dos argumentos tecidos pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, utilizados para justificar a manutenção das glosas fiscais acerca do tema ora em debate, peço licença para reproduzilos, em prestígio à objetividade. Pretendeu o contribuinte na consulta resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação de glosa tratada nos autos. Entendeuse como tal e dirigiu a consulta como se realizasse industrialização por encomenda. O RIPI trata dessa matéria, porém a industrialização por encomenda tem conceituação diversa da simples encomenda feita por usuários finais, como é o caso de realização de encomendas de serviços gráficos personalizados. Na industrialização por encomenda de que trata o RIPI (art. 9º, inc. IV) há a equiparação do encomendande dos produtos porque se realizará a industrialização em outro estabelecimento que não o seu. No entanto, a caracterização da industrialização é completa: mandase fabricar o produto, com a remessa de insumos, moldes e matrizes. O encomendante posteriormente o revenderá ou o utilizará no seu processo produtivo como um estabelecimento industrial faz, com todas as características, direitos e obrigações de um estabelecimento industrial. No caso concreto, o “encomendante” é o utilizador dos serviços personalizados encomendados ao prestador de serviços. Não existe a figura nem do industrial (o executor da encomenda), nem do equiparado a industrial (o encomendante). Entretanto, diante de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, o contribuinte, sob a justificativa que para executar os serviços ali discriminados, comprava matérias primas e produtos intermediários, pretende que sejam acatados créditos de IPI. Justifica o creditamento pelo fato de que a execução dos serviços exigia a aquisição de insumos e ainda que os realizava sob encomenda. Assim, o IPI incidente sobre esses insumos eram passíveis de escrituração e, conseqüentemente, de compor o saldo credor trimestral. Desse modo, não havia razão legal para a glosa realizada pela fiscalização. Ademais, tinha ao seu lado a Solução de Consulta nº 50, de 2002. As questões respondidas ao contribuinte na Solução de Consulta, excetuandose a parte relativa aos produtos imunes, não estão em desacordo com a posição oficial da Receita Federal. A uma, porque, na industrialização por encomenda, é possível o creditamento do IPI, embora no caso concreto não esteja assente esta condição. Não se trata de caso de industrialização por encomenda. A duas, pois que se entende ser possível exigir concomitantemente o ISSQN e o IPI, bastando, para tanto, que a atividade desempenhada possa ser definida como de industrialização, conforme preceitos do Regulamento do IPI. Nesse sentido, há a Solução de Consulta Interna nº 4, de 07/04/2003, em cuja ementa se dispõe: Incidência do IPI sobre serviços gráficos. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços Fl. 701DF CARF MF 20 estarem catalogados na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, desde que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI). A incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, em nenhum momento se previu na Solução de Consulta nº 50 ou na Solução de Consulta Interna nº 4 que notas fiscais de prestação de serviços correspondiam às notas fiscais de saída utilizadas por contribuintes do IPI, tais quais as discriminadas no Regulamento do IPI, como documentos ensejadores de direitos no tocante ao IPI, a exemplo do aproveitamento de créditos (as notas fiscais estão descritas nos arts. 323 a 365 do RIPI/2002). De modo diverso, na solução de consulta nº 50 ficou claro que o aproveitamento de créditos deveria ser realizado em conformidade com as normas expedidas pela SRF. Certamente, não só pela observação das normas expedidas pela SRF, mas por toda a legislação do IPI, que engloba as leis, os regulamentos, as instruções normativas, etc. Possuir direito demanda, antes de tudo, possuir obrigações, entre elas, a obediência a todas as determinações legais concernentes ao IPI: emissão de notas fiscais compatíveis com o destaque do tributo, escrituração do RAIPI, etc. Além disso, não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, caso típico do manifestante, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI e não se comporta como tal. Portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. Assim, por adotar como razão de decidir, uma vez que compartilho com os fundamentos acima reproduzidos, concluo que não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, igualmente neste particular. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13603.907143/201168 Acórdão n.º 3001000.051 S3C0T1 Fl. 693 21 Fl. 703DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.017760/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES ESCOLARES. RECEITAS DA ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO (SÚMULA CARF 107).
Conforme Súmula CARF nº 107, A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.
RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO, NÃO ORIUNDAS DE MENSALIDADES ESCOLARES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO.
As demais receitas de instituições de educação, que não sejam de mensalidades escolares (como as decorrentes de aluguéis e aplicações financeiras), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
IMUNIDADE. APLICAÇÃO RESTRITA ÀS ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
As instituições de educação sem fins lucrativos são imunes somente aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, c, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MENSALIDADES ESCOLARES. RECEITAS DA ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO (SÚMULA CARF 107). Conforme Súmula CARF nº 107, “A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997”. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO, NÃO ORIUNDAS DE MENSALIDADES ESCOLARES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO. As demais receitas de instituições de educação, que não sejam de mensalidades escolares (como as decorrentes de aluguéis e aplicações financeiras), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 77 60 /2 00 5- 11 Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10680.017760/200511 Acórdão n.º 9303005.776 CSRFT3 Fl. 930 2 IMUNIDADE. APLICAÇÃO RESTRITA ÀS ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. As instituições de educação sem fins lucrativos são imunes somente aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra Acórdão o Acórdão 310200.930, de 1º/3/2011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO OU DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10680.017760/200511 Acórdão n.º 9303005.776 CSRFT3 Fl. 931 3 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional requer e reforma do acórdão sob os fundamentos de que o contribuinte foi autuado por não terem sido oferecidas à tributação as receitas decorrentes de mensalidades, aluguéis e aplicações financeiras, não se podendo conceber como “receitas próprias” aquelas decorrentes de contraprestação de serviços oferecidos, e assinalando que as receitas de aluguel integram a base de cálculo pois se referem à atividade operacional da contribuinte, conforme exige o STF para fins de incidência da contribuição. Em Exame de Admissibilidade, foi dado prosseguimento ao Recurso. O contribuinte apresentou Contrarrazões (dizendo que o assunto estaria pacificado no CARF, com lastro em vários acórdãos que transcreve), sob o argumento de que as receitas retributivas e aluguéis integram o conceito de receitas de atividades próprias para fins de concessão da isenção prevista no inciso X do art. 14 da MP nº 2.15835/2001, de modo que devem assim ser consideradas todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento, afastados ainda os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação dos serviços. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Vejamos o que diz a Súmula CARF nº 107: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. E, agora, o que prescreve o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10680.017760/200511 Acórdão n.º 9303005.776 CSRFT3 Fl. 932 4 (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Súmula transcrita é tão abrangente a ponto de simplesmente não conhecer do Recurso Especial interposto, em observância ao disposto no RICARF? Penso que o termo “alcança” é suficiente para afastar a tributação das receitas decorrentes das mensalidades escolares, de cunho contraprestacional, mas não de todo e qualquer ingresso obtido pela entidade. Tanto é que outra manifestação – desta feita do Poder Judiciário (STJ) – que vincularia os conselheiros do CARF (a teor do art. 62, § 2º, do mesmo RICARF), claramente diz que trata exclusivamente das mensalidades escolares (não que afaste, mas sim que, simplesmente, não versa sobre outras receitas), que é o REsp nº 1.353.111/RS, cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (os grifos são originais): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10680.017760/200511 Acórdão n.º 9303005.776 CSRFT3 Fl. 933 5 no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Vejase que a ementa, ao final, fala “nesta extensão”. Não abrange todas as receitas auferidas pela entidade, e a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, fala expressamente, como já visto, que “o lançamento ocorreu por não terem sido oferecidas à tributação as receitas decorrentes de mensalidades, aluguéis e aplicações financeiras”. Sem dúvida, eu não poderia contestar a observação de alguém que aqui dissesse que esta discussão é totalmente inócua, já que, in casu, a Entidade era tributada pelo regime cumulativo de apuração da Cofins, e a inclusão na base de cálculo de outras receitas que não as típicas da atividade foi afastada em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Isto não se discute, razão pela qual não pode prosperar o Recurso da Procuradoria, mesmo na parte conhecida (restando a este Relator não deixar de consignar sua posição a respeito, caso a situação fosse outra, ou seja, que o regime fosse o da nãocumulatividade). No que se refere à imunidade – também a título de observação, já que não poderia aqui alterar o resultado do julgamento, na sua “materialidade” –, atinge as instituições de educação sem fins lucrativos somente no tocante aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, as quais, aqui, somente em parte foram preenchidas. Ex positis, voto por não conhecer, em parte, o Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 933DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.932534/2009-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
Numero da decisão: 3001-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 25 34 /2 00 9- 95 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 18/08/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 28713.04532.120809.1.3.040616 declarando a compensação de débitos de PIS devido no mês 11/2007, COFINS devido no mês 01/2007 e CSLL devido no mês 01/2007, com crédito da COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 04/2007. Do Despacho Decisório A DRF de Belo Horizonte em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (Fls. 22), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do código 5856. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2), justificando que: 1 – o crédito declarado a título de compensação é decorrente de um único DARF, no valor de R$ 20.635,47 no qual está consignado o período de apuração 30/04/2007, bastando perquirilo com o valor declarado em DCTF para atestar a veracidade de sua origem; 2 – embora havendo a transmissão de DCTF retificadora referente ao 1º semestre de 2007, esta foi recepcionada pela RFB na data de 13/08/2009, data anterior, inclusive, da transmissão da PER/DCOMP (18/08/2009), não havendo débito declarado da COFINS para a competência 04/2007; 3 – destaca que o fisco não aponta qualquer indício de irregularidade na escrita fiscal do contribuinte, devendo tomar por verdadeiras as informações nela contidas; 4 – que o fisco não homologou a compensação porque não encontrou crédito disponível com base na DCTF original, a qual continha equívoco quanto ao valor apurado a título de COFINS de abril de 2007, o que fora corrigido com a apresentação de DCTF retificadora, não levada em consideração quando da lavratura do Despacho Decisório; 5 – extrai lição da obra de Leandro Paulsen, 2007, P.955, em que: “Retificada a declaração pelo contribuinte — DCTF, DIRPJ, etc., não pode mais o Fisco proceder à inscrição em divida dos valores apontados na declaração originária, pois esta já não mais persiste”. 6 – que a DCTF retificadora tem por base ajustar a realidade do fato gerador do tributo e deve ser sempre aceita em razão do princípio da verdade material, princípio cardeal da atuação da administração pública (art. 37 da CF/88), que é justamente o caso dos autos; 7 – concluindo pugna pela homologação da compensação pleiteada, com reconhecimento do credito apontado e extinção dos débitos relacionados; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.932534/200995 Acórdão n.º 3001000.104 S3C0T1 Fl. 3 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade sintetizando seus fundamentos no sentido de que “Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação” e de que “A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação”. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls. 91) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, reforça as razões trazidas em sua Manifestação de Inconformidade, das quais destacamos os seguintes pontos: 1 “Eis, aí, o motivo do indeferimento do pedido de compensação; a alegada falta de certeza do crédito... no entanto, Eg. Conselho, o crédito apropriado pelo contribuinte é certo e líquido; conforme restará demonstrado a seguir o erro de preenchimento da DACON, ou a discordância em relação às informações prestadas na DCTF, enseja, ou deveria ensejar, a verificação por parte do fisco da correção destas declarações, mas jamais poderia impor o indeferimento de procedimento compensação – modalidade de extinção do crédito tributário sujeito a “condição resolutória” (como afirmado pela própria junta julgadora)”; 2 – chama a atenção para o fato de que caberia à administração fazendária, mediante processo de auditoria fiscal, verificar a correção ou não dos dados informados em DCTF, conforme disposto no art. 8º da IN da RFB nº 255/2002; 3 – ressalta, também, que é a DCTF o instrumento adequado a prestar informação sobre o crédito tributário, sendo de responsabilidade do contribuinte antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa – art. 150, caput do CTN; 4 – com relação ao princípio da verdade material traz posicionamento de nossos tribunais, como também, de renomados doutrinadores, no sentido de que os fatos devem ser investigados e avaliados na maior conformidade possível com a existência real; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através da transmissão eletrônica da PER/DCOMP nº 28713.04532.120809.1.3.040616, transmitida na data de 18 de agosto de 2009, a compensação da quantia de R$ 20.635,47 em razão do recolhimento a maior que o devido de COFINS no Fl. 101DF CARF MF 4 código 5856, da competência 04/2007, com valores devidos de PIS, COFINS e CSLL no ano de 2007, acrescido dos correspondentes valores de multa e de juros. Discordando do Despacho Decisório que foi desfavorável ao seu pedido, aborda o fato de ter transmitido DCTF retificadora referente ao período do 1º Semestre de 2007 na data de 13/08/2009 e que esta declaração não foi levada em consideração na análise de seu pleito. A DRJ/BHE (2ª Turma) negou provimento a Manifestação de Inconformidade pela ausência de comprovação da origem do crédito e pela divergência entre os valores informados no DACON e na DCTF, o que afasta a certeza do crédito e resulta em razão suficiente para o indeferimento da compensação requerida. A questão se apresenta sob dois enfoques, o primeiro, conforme apresentado pela recorrente diz respeito a existência de uma DCTF retificadora transmitida em data anterior à PER/DCOMP, que no seu entendimento atesta a existência de crédito da COFINS pelo pagamento a maior/indevido da competência 30/04/2007 e que sequer foi levada em consideração quando da emissão do Despacho Decisório; o segundo, passado pela DRJ/BHE de que haveria divergência de valores declarados entre a DACON e a DCTF. Cabe esclarecer que a divergência apontada pelo julgador singular só passou a existir com a recepção pelo fisco da DCTF retificadora, quando comparados a DACON original com a DCTF retificadora. A 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, já firmou entendimento ao confirmar decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. De outro norte vem o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, nº 3201003.071 da Sessão de 27/07/2017, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.932534/200995 Acórdão n.º 3001000.104 S3C0T1 Fl. 4 5 Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 103DF CARF MF 6 No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10680.932534/200995 Acórdão n.º 3001000.104 S3C0T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11557.000808/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1994 a 30/06/1996
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
PRESCRIÇÃO.
Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2401-005.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento, reconhecendo a decadência de todo o período lançado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1994 a 30/06/1996 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. PRESCRIÇÃO. Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento, reconhecendo a decadência de todo o período lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 30/06/1996 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. PRESCRIÇÃO. Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 08 08 /2 00 8- 82 Fl. 223DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento, reconhecendo a decadência de todo o período lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11557.000808/200882 Acórdão n.º 2401005.101 S2C4T1 Fl. 224 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 35.732.5826) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social correspondente à contribuição previdenciária dos segurados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados decorrentes de reclamatórias trabalhistas, no período de 02/94 a 06/96, conforme Relatório Fiscal (fls. 35/37). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese: decadência e que o Sesi não é contribuinte das contribuições para terceiros. Foi proferida a DecisãoNotificação (DN) 07.401/0357/2004, fls. 56/63, que julgou procedente o lançamento. Cientificado da DN em 6/10/04 (Aviso de Recebimento AR de fl. 66), o contribuinte não apresentou recurso e, após o prazo para cobrança amigável, o processo foi encaminhado para a Procuradoria. O crédito foi inscrito em dívida ativa e ajuizada a execução fiscal. O Sesi obteve decisão favorável no Mandado de Segurança 2005.50.01.0008499, reconhecendo o direito de interpor recurso administrativo sem garantia de instância (depósito de 30%, à época exigível). Assim, a execução fiscal foi extinta. Na decisão do mandato de segurança, fls. 99/103, determinouse que se admitisse o recurso administrativo do sujeito passivo, independentemente do oferecimento de garantia. Após processamento no qual se discutia se o contribuinte teria perdido o prazo para interposição do recurso administrativo, fls. 104/122, reabriuse o prazo para apresentação de recurso e o contribuinte foi cientificado em 285/11/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 128). Em 26/12/13, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 130/146, que contém, em síntese: Preliminarmente, alega que ocorreu a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário. Cita o CTN, art. 174. Entende que o processo de execução foi extinto sem julgamento do mérito em 2007, iniciandose o prazo de cinco anos para propositura de nova execução. Assim, não há que se falar em abertura de prazo para "defesa", já que o crédito perdeu sua eficácia, não podendo mais ser inscrito em dívida ativa, devendo ser reconhecido de ofício a ilegalidade da cobrança, em decorrência da prescrição. No mérito, afirma que o Sesi não é contribuinte dos Terceiros. Disserta sobre a natureza jurídica do Sesi, que é serviço social autônomo. Diz que a Lei 2.613/55, isentou os Fl. 225DF CARF MF 4 serviços sociais autônomos tanto dos impostos quanto das contribuições para Terceiros. Afirma ser imune, nos termos da CR/88, art. 150, VI, 'c'. Entende que a expressão "bens e serviços" da lei não pode ter interpretação restritiva. Cita jurisprudência. Volta a afirmar que é isenta das contribuições para Terceiros e requer a desconstituição do crédito tributário. Alega que o Ministro da Fazenda aprovou o parecer da PGFN nº 2.025/2011, publicado no DOU em 5/7/13, no sentido de impedir que matérias reiteradamente julgadas nos tribunais sejam objeto de postergação na justiça ou no âmbito administrativo. E que, assim, além da PFN não poder mais ajuizar execuções fiscais nem recorrer das questões já definidas pelo STJ ou STF, a Fazenda também não deve mais cobrar os créditos. Requer seja reconhecida a nulidade do lançamento. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11557.000808/200882 Acórdão n.º 2401005.101 S2C4T1 Fl. 225 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A prescrição referese ao direito de ação de cobrança do crédito tributário. Este prazo começa a fluir após a constituição do crédito pelo lançamento e extinguese pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o lançamento se tornar definitivo. Tal comando normativo está previsto no art. 174 do CTN. Assim, durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Tendo sido concedido ao sujeito passivo, conforme pleiteado por ele, em sede de Mandado de Segurança, o direito de apresentar recurso administrativo, não há que se falar em prescrição, visto que o instituto da prescrição não se aplica aos créditos na atual fase de litígio administrativo. Não há que se falar em prescrição, pois referido prazo sequer começou a fluir. Sendo assim, descabidos os argumentos no sentido que ocorreu a prescrição e que a cobrança é ilegal. DECADÊNCIA Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. Para verificar se houve decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 227DF CARF MF 6 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Se houve princípio de recolhimento, aplicase o disposto na Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifo nosso) No presente caso, o lançamento foi efetuado em 29/6/04 e se apurou contribuições do período de 02/94 a 06/96. Logo, aplicandose os artigos do CTN, tanto o art. 173, I, quanto o art. 150, § 4º, o crédito lançado foi totalmente atingido pelo decadência. Sendo assim, por evidente perda de objeto, desnecessário tecer maiores considerações sobre os argumentos de mérito apresentados pela recorrente. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento, reconhecendo a decadência de todo o período lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725129/2014-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
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PERÍODO: 01/07/2010 a 31/07/2010 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 29 /2 01 4- 50 Fl. 32DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de JULHO de 2010, no valor de R$812,54 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de JULHO de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 23/09/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformado, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10845.725129/201450 Acórdão n.º 1001000.066 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, a recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720724/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS.
Afastam-se as preliminares de nulidade arguidas na situações em que o auto de infração é lavrado por servidor competente, com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, e contém todos os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUAÇÃO.
Os fundamentos legais do lançamento tributário devem constar, de maneira explicita, do auto de infração. Verificação do cumprimento do requisito no caso concreto.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. LEGALIDADE.
O lançamento de ofício deve ser acompanhado da multa prevista na legislação tributária, não cabendo a este Conselho Administrativo, apreciar questões de ofensas da norma tributária aos princípios constitucionais aplicáveis.
Numero da decisão: 2201-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Afastam-se as preliminares de nulidade arguidas na situações em que o auto de infração é lavrado por servidor competente, com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, e contém todos os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUAÇÃO. Os fundamentos legais do lançamento tributário devem constar, de maneira explicita, do auto de infração. Verificação do cumprimento do requisito no caso concreto. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. LEGALIDADE. O lançamento de ofício deve ser acompanhado da multa prevista na legislação tributária, não cabendo a este Conselho Administrativo, apreciar questões de ofensas da norma tributária aos princípios constitucionais aplicáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 263 1 262 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720724/201240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.976 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Recorrente JOAO RICARDO OLIVA PARDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Afastamse as preliminares de nulidade arguidas na situações em que o auto de infração é lavrado por servidor competente, com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, e contém todos os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUAÇÃO. Os fundamentos legais do lançamento tributário devem constar, de maneira explicita, do auto de infração. Verificação do cumprimento do requisito no caso concreto. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. LEGALIDADE. O lançamento de ofício deve ser acompanhado da multa prevista na legislação tributária, não cabendo a este Conselho Administrativo, apreciar questões de ofensas da norma tributária aos princípios constitucionais aplicáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 24 /2 01 2- 40 Fl. 263DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 142 do processo digitalizado), referente ao imposto sobre a renda da pessoa física decorrente do ganho de capital obtido pela alienação de quotas de capital não negociadas em bolsa de valores e depósitos bancários de origem não comprovada. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram na descrição dos fatos do auto de infração (fls 143). Foi constituído um crédito tributário de R$ 692.284,11 referente ao imposto (R$ 341.442,05). juros de mora (R$ 94.760,48), e multa de ofício (R$ 256.081,58), atualizados até maio de 2012. O crédito constituído referese aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2008 e 2009 e se aperfeiçoou com a ciência do contribuinte em 24 de maio de 2012 (AR fls. 155). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 160), em 22 de junho de 2012. A 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF, em 15 de dezembro de 2015, nega procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 03069.746 (fls 186). Tal decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Nas situações em que o contribuinte abstémse de efetuar pagamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas relativo ao ganho de capital auferido e aos rendimentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos do art. 173, I do Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 264 3 CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Afastamse as preliminares de nulidade arguidas na situações em que o auto de infração é lavrado por servidor competente, com observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, e contém todos os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Impugnação Improcedente" O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 188): "O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de ganho de capital na alienação de quotas não negociadas em bolsa de valores. A fiscalização decorreu da constatação de movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados. Intimado a apresentar documentação probatória dos rendimentos isentos e extratos bancários, o interessado apresentou razão analítico da empresa Pool Engenharia Serviços e Comércio Ltda, contrato de cessão de quotas de sociedade limitada, contrato e alterações contratuais dessa empresa e extratos de contas mantidas nos bancos Bradesco e Real/Santander. Analisados os documentos, o contribuinte foi novamente intimado, desta feita a comprovar a origem de valores creditados em suas contas e a oferecer esclarecimentos sobre valores especificados em demonstrativo de apuração de ganho de capital relativo à alienação de sua participação societária na empresa retromencionada. Os argumentos apresentados, relativos aos depósitos bancários, não foram aceitos, visto que os valores recebidos pela alienação das quotas, os quais ele alegou serem a origem dos recursos atinentes aos depósitos, não haviam sido incluídos na planilha Fl. 265DF CARF MF 4 para comprovação de origem. O contribuinte não se manifestou sobre o ganho de capital apurado pela autoridade fiscal. Em consequência, foram lançados os rendimentos referentes ao ganho de capital obtido na alienação de quotas da sociedade, bem como os rendimentos omitidos, caracterizados pela não comprovação da origem de depósitos bancários. Cientificado da exigência em 24/05/2012 (fls. 155/156), o contribuinte apresentou, em 22/06/2012, a petição impugnativa acostada às fls. 160/181, contrapondose ao feito com os argumentos a seguir resumidos: após alegar a tempestividade da defesa, solicita a concessão de efeito suspensivo ao crédito tributário exigido; a título de esclarecimentos iniciais, aduz que a Fiscalização desconsiderou as informações do impugnante acerca dos depósitos bancários sem uma justificativa plausível, em desacordo com decisões administrativas e judiciais que vedam o lançamento de créditos tributários exclusivamente com base em extratos bancários; ainda com relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assevera que em alguns itens da autuação o impugnante figura como “ordenante” de remessas, conforme Demonstrativo de Transferências Eletrônicas de fls. 4/9. Conclui, então, que a autuação incluiu glosas sobre “débitos”, “saídas de recursos” e não apenas “créditos” ou “depósitos”, os quais não consistem em produto do capital ou trabalho e tampouco em proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN); aduz, na sequência, que não existe fato gerador de imposto de renda no decréscimo patrimonial (decorrente dos aludidos débitos) e que não faz sentido a cobrança de imposto sobre a movimentação de valores objeto de transferências entre contas de mesma titularidade; passo seguinte, defende que a jurisprudência é maciça em afirmar que os elementos obtidos por meio de contas bancárias são meros indícios, não justificando, isoladamente, a imposição de autos de infração; por outro lado, afirma o requerente que não foi questionado a respeito da origem dos recursos e que não teve a oportunidade de esclarecer que esses valores não correspondiam a rendimentos omitidos, verbis: "Assim, está claro neste processo que a fiscalização não pretendia obter esclarecimentos do Impugnante, haja vista que (i) não oficiou a Polícia Federal sobre os documentos apreendidos (inclusive com sua participação), e (ii) tampouco inquiriu o Impugnante – quando pôde – sobre a origem dos recursos levados a crédito e a débito da subconta glosada." diz, então, que o impugnante não é, e jamais foi, beneficiário dos valores ora discutidos, motivo pelo qual não poderia ser autuado por omissão de rendimentos; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 265 5 no que tange à omissão de ganho de capital, afirma que a Fiscalização, ao analisar os documentos e elaborar o demonstrativo correspondente, incluiu como rendimento tributável os rendimentos isentos nos termos do art. 39, XLVI do Decreto nº 3.000, de 1999; alega então a impossibilidade de enriquecimento sem causa e aduz que não pode a Fiscalização exigir do impugnante imposto sobre um valor que foi considerado duplamente, seja por lapso da fiscalização, seja por qualquer outra razão; isso posto, requer, preliminarmente, seja refeito o lançamento para excluir o valor dos pagamentos em devolução de capital, recalculandose o quantum supostamente devido e seus respectivos acréscimos legais, com a correspondente reabertura de prazo; requer, ainda, a nulidade do lançamento, sob a alegação de que o lançamento fiscal é precário, pois foram utilizadas descrições genéricas e pouco precisas para referirse aos fatos indiciários que ensejaram a aplicação da presunção legal para omissão de receitas, o que tornaria incerta a capitulação legal da infração; ainda com relação à alegação de nulidade, diz que a Fiscalização não relacionou quais situações o impugnante atuou como ordenante e em quais atuou como beneficiário dos valores considerados como rendimentos omitidos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, o que reforça a precariedade do lançamento; por fim, em item intitulado “Do Pedido”: _ requer, preliminarmente, (i) a correção de ofício dos erros apontados no item 3.1 da impugnação; (ii) o reconhecimento e a decretação da nulidade do lançamento em razão da decadência; _ caso não reconhecidas essas preliminares, requer, ainda preliminarmente, seja reconhecida a nulidade em razão da falta de certeza quanto à correta capitulação legal da infração a ele imputada; _ quanto ao mérito, requer seja acolhida a impugnação, cancelandose a exigência questionada; _ protesta, então, pela posterior juntada de todas as provas admitidas em direito, particularmente em relação à tradução juramentada do doc. 5 e em relação àquelas em poder de terceiros e que não puderam ser apresentadas. É o relatório." Ciente da decisão que contrariou seus interesses, em 05 de fevereiro de2016 ( AR fls. 202), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 01º de março seguinte (fls. 204), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Fl. 267DF CARF MF 6 Por sorteio eletrônico realizado em sessão pública, o presente processo foi para mim distribuído. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Por preencher os requisitos de admissibilidade, passo a analisar o presente apelo na ordem de suas alegações, independentemente de versarem sobre o mérito ou como preliminar, posto que assim foi organizada a peça recursal. Após se insurgir genericamente contra a decisão de piso, o Recorrente alega: PRELIMINAR DE NULIDADE ANTE A INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Após asseverar que houve a correta declaração, e consequente tributação, dos valores supostamente omitidos, são os seguintes, os argumentos recursais sobre o tema (fls. 211): "O auto de infração lavrado contra o Impugnante originouse, conforme aduziram as autoridades que conduziram a fiscalização em omissão de receitas da atividade presumida legalmente pela autoridade tributária, de acordo com o art. 282 do Decreto 3.000/1999. Um dos primados de nossa Constituição Federal é o da Segurança jurídica, pelo qual se confere previsibilidade antecipada dos atos e disposições estatais, a fim de que o contribuinte possa acautelarse. Pois bem, tal princípio basilar de nosso ordenamento foi mortalmente ferido, uma vez que os próprios agentes fiscais decidiram de forma literal tributar como omissão de receitas empréstimos entre pessoas jurídicas legalmente contabilizados e declarados ao fisco, bem como comprovados nos extratos bancários." Embora haja às folhas 210/211 um quadro mencionando anexos (de I a VII) relacionados aos: i) valores transferidos por força de alienação das quotas de capital; ii) de valores creditados por clientes oriundos de receitas já tributadas e declaradas em DIRF; iii) de empréstimos tomados; iv) de transferência de valores da conta do cônjuge; v) de valores referentes aos saldos de rendimentos tributados exclusivamente na fonte e declarados; vi) de valores de resgate de títulos de capitalização; vii) e de valores mantido em conta conjunta com cônjuge a título de previdência; não verifico tais anexos juntados aos autos. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 266 7 Logo, não há nenhuma comprovação das alegações recursais nessa parte. Em outro giro, observo às folhas 143/144 do Auto de Infração, a motivação do lançamento. Reproduzo: "Com base nesses extratos bancários, emiti o Termo de Intimação Fiscal n°001, intimando o contribuinte a: analisar e apresentar manifestação sobre os dados e valores especificados nos Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital dos anoscalendário 2008 e 2009, anexos ao referido Termo, relativos à alienação de sua participação societária na empresa Pool Engenharia Serviços e Comércio Ltda. comprovar a origem dos valores creditados/depositados no banco Real, conforme relação anexa ao referido Termo. Foi informado de que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações ensejaria lançamento de ofício, a titulo de omissão de rendimentos. Novamente intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal n002. Atendendo à intimação, argumentou ser os valores creditados/depositados em suas contas correntes provenientes dos pagamentos parciais das cotas de capital da empresa Pool Engenharia Serviços e Comércio Ltda. Não procede o argumento do contribuinte, visto que as parcelas recebidas pela alienação de sua participação na referida empresa, creditadas em sua conta corrente mantida no banco Real, nas datas de 08/01/09, 12/02/09, 20/03/09, 06/05/09, 03/07/09, 07/08/09, 10/09/09, 07/10/09, 11/11/09 e 10/12/09, no valor de R$145.000,00 cada parcela, conforme demonstram os extratos bancários daquele banco, não foram incluídos no Extrato de Créditos a Comprovar elaborado pela fiscalização, portanto, não foram objetos dos Termos de Intimação Fiscal n°s 01 e 02." Do trecho acima, decorre o lançamento tributário posto que os depósitos bancários não foram comprovados pelo Contribuinte, mesmo após intimado e reintimado, ensejando a presunção legal, prevista no ordenamento tributário pátrio, da omissão de rendimentos. Tal ônus, a comprovação da origem dos depósitos, não afastado pelo Recorrente na fase inquisitória, durante o procedimento fiscal, permanece, mesmo após duas fases do processo administrativo fiscal, posto que não houve comprovação da origem dos depósitos quando da impugnação, tampouco agora, em fase recursal. Logo, não verifico a nulidade arguída. Recurso negado nessa parte. DA NÃO TRIBUTAÇÃO DE VALORES CONSTANTES DE EMPRÉSTMOS Reclama a Recorrente (fls. 212): "A autoridade fiscal que conduziu o procedimento de fiscalização, tributou ainda, toda a movimentação financeira Fl. 269DF CARF MF 8 decorrente de empréstimos/liberação de contratos bancários, valores estes, declarados na Declaração de Ajuste Anual da Impugnante (DIRPF/2009 e 2010), conforme se comprovou com os documentos autênticos juntados na Impugnação, para se afastar mais uma vez, a presunção de omissão de receitas. No caso em discussão, fica comprovado que o valor cobrado no Auto de Infração é ilíquido, devendo ser cancelado o Auto de Infração Lavrado. Portanto, excluemse da tributação os créditos bancários originários de empréstimos bancários contraídos, conforme se comprova com os lançamentos nos Extratos bancários de fls. (40, 46, 118 e 119) . tomados Mesmo comprovando que os valores acima nominados foram obtidos através de empréstimos de instituições financeiras e de Cartões de Créditos, a autoridade fiscal, tributouos, como se os mencionados tivessem sido omitidos." (grifos originais) Compulsando os autos, encontro às folhas 152, a discriminação de valores lançados como rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovadas: Não procede a alegação do Recorrente. Não há nenhum lançamento sobre valores oriundos de empréstimo ou liberação de contratos bancários, posto que, como se verifica com a simples leitura, os valores são provenientes de transferências eletrônicas e depósitos de cheques. Recurso negado também nesta parte. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 267 9 DA NÃO TRIBUTAÇÃO DE VALORES CONSTANTES DE TRANSFERÊNCIAS DE VALORES ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE Alega a Recorrente que a autoridade fiscal fez constar do lançamento valores decorrentes de transferência entre contas de mesma titularidade. Vejamos (fls. 213): "Não se conformando com o erro na tributação de valores não sujeitos a tributação a autoridade fiscal 'cameteu' (sic) ainda, os erros constantes da planilha abaixo: A autoridade fiscal que conduziu o procedimento de fiscalização carece de conhecimento técnico, ao resolver simplesmente, tributar tudo que encontrou na planilha elaborada pela fiscalização, colocando no colo do contribuinte, a cobrança indevida, carecendo assim de liquidez e certeza o auto de infração, devendo, portanto, ser cancelado de plano. No mesmo giro, apesar de ter sido impugnado essa cobrança na peça inaugural, a autoridade sequer se analisou os elementos probantes, ou seja, deixou de cotejar as transferências de contas de mesma titularidade da Recorrente, com os extratos obtidos a margem da legalidade pela fiscalização tributária." (destacamos) Ora, embora o trecho acima reproduzido do apelo, negritado e sublinhado, faça menção expressa a uma planilha, não há na peça recursal nenhum formulário que registre tais informações. Passos adiante há nova menção ao tal anexo VI, agora se referindo à impugnação. Novamente em busca por todo o processo não encontrei tal anexo. Recordo a decisão de primeiro grau sobre a questão da transferência de valores entre contas de mesma titularidade (fls.197): "Aduz, na sequência, que não existe fato gerador de imposto de renda no decréscimo patrimonial (decorrente dos aludidos débitos) e que não faz sentido a cobrança de imposto sobre a movimentação de valores objeto de transferências entre contas de mesma titularidade. Entretanto, mais uma vez, não assiste razão ao contribuinte. Conforme documento intitulado “Extratos de Créditos Não Comprovados” (fl. 152), parte integrante do Auto de Infração, todos os valores lançados referemse a créditos, e não débitos, efetuados em sua conta mantida junto ao Banco Real/Santander, de nº 1712085 3, Agência 0433. Registrese que os extratos bancários apresentados se referem à movimentação corrente da referida conta, que abrange disponibilidades em conta e em poupança corrente, e que os créditos objeto de autuação decorrem de Ted Recebida e de depósitos feitos em cheque ou dinheiro; ou seja, não consistem em transferências entre contas da mesma titularidade, como alega o contribuinte. Os depósitos objeto de autuação constam Fl. 271DF CARF MF 10 das fls. 87, 92, 93 e 98, de forma que ele é, até prova em contrário, o beneficiário dos valores ora discutidos." Novas alegações desacompanhadas de provas. Tal combinação, como visto, atraí a presunção legal embasadora do lançamento tributário. Recurso negado também nessa parte. DEMONSTRATIVO DOS VALORES CREDITADOS REFERENTES A SALDOS DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E/OU TRIBUTADOS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE Agora as alegações da Recorrente apresentam um quadro (fls 214), abaixo reproduzido. Há argumentos de que tais valores, pertencentes em conjunto com a cônjuge do Recorrente foram tributados. Ora, mera comparação dos valores abaixo relacionados com o extrato constante do relatório fiscal e acima reproduzido, demonstra a total dissonância entre as alegações recursais e o lançamento vergastado. Recurso voluntário rejeitado também nesse ponto. DA IMPROCEDÊNCIA E DA ILEGALIDADE DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alega a Recorrente a inexistência de omissão de receitas, posto que segundo o CTN o imposto incide sobre a renda, assim entendido o produto do capital do trabalho ou da combinação de ambos ou sobre os proventos de qualquer natureza, aquilo que acresce ao patrimônio do sujeito passivo e não está compreendido no conceito de renda. Argumenta (fls. 216): "Pela própria definição trazida pelo CTN, proventos de qualquer natureza correspondem a acréscimos patrimoniais. Ora, 'débitos' jamais poderiam representar acréscimo patrimonial. Por esse motivo, deve ser considerado completamente improcedente o lançamento fiscal efetuado sobre 'débitos' descritos nos extratos e demonstrativos juntados pela fiscalização, na medida em que estes não constituem acréscimo patrimonial ao Impugnante. Poderiam, quando muito, representar decréscimo patrimonial, mas tal fato jamais poderia ser ensejador de tributação pelo IRPF. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 268 11 Dessa forma, se não existe fato gerador de imposto de renda no decréscimo patrimonial, muito menos sentido faz a cobrança do aludido imposto sobre a movimentação de valores de terceiros, transferência de valores entre contas de mesma titularidade, bem como, empréstimos obtidos junto a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Mais uma vez, resta evidente que a autuação efetuada com base em débitos de conta bancária carece de fundamentação legal, por dois motivos: 1— débito em conta bancária não constitui fato gerador de imposto de renda; 2— débito em conta bancária não caracteriza omissão de rendimentos. Ora, é surpreendente constatar que a autuação referente a 'depósitos bancários' tome também por base movimentações de débitos bancários, quando sequer existe previsão legal para tal procedimento. No que se refere aos lançamentos efetuados contra 'depósitos' e 'créditos' supostamente atribuídos ao Impugnante, temse que a fiscalização não se aprofundou no assunto, utilizando apenas extratos bancários. Todavia, mesmo com acesso, ainda que indevido, aos documentos, a fiscalização sequer se deu ao trabalho de aprofundar as investigações contra o Impugnante, limitandose a usar extratos que lhe foram obtidos de forma ilicita, para proceder o lançamento tributário." Em que pese a criativa argumentação do Recorrente, com ela não se pode concordar. Os valores que embasaram o lançamento tributário estão relacionados no relatório fiscal e foram acima reproduzidos. Tais valores representam acréscimos monetários em conta corrente mantida em instituição financeira e o contribuinte, devidamente intimado, com prazo concedido e prorrogado e depois, reintimado, não logrou comprovar a origem de tais valores, atraindo assim a presunção constante do artigo 42 da Lei 9.430/96: "Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." Fl. 273DF CARF MF 12 Bastaria ao contribuinte, comprovar, ainda que no processo administrativo tributário a origem dos recursos depositados. Não o fez, ou não pode fazêlo. Quanto aos argumentos de que tais recursos não pertenceriam ao Recorrente, mister considerar que não há no apelo, tampouco na impugnação ou mesmo nas repostas às intimações, qualquer comprovação de tal alegação. Logo, recurso voluntário negado nessa parte. DO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL Argui o Recorrente (fls. 222), erro de direito: "Caso sejam superadas todas as questões suscitadas até o momento, temse que mesmo se procedente o lançamento não haveria como se sustentar o enquadramento legal, como codificou a fiscalização, no Art. 530, Inciso III, do RIR/99." Mais uma vez não assiste razão ao Recorrente. Voltemos às folhas 144 do Auto de Infração. Nela encontramos os fundamentos legais do lançamento no tocante aos valores de depósitos bancários de origem não comprovada: Às folhas 143, encontramos os fundamentos legais do lançamento relativo ao ganho de capital obtido pela alienação de bens e direitos: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 269 13 Não observo o fundamento legal mencionado. Não há erro de enquadramento legal como alega o Apelante. Não examinarei as questões apontadas de eventual ofensa ao princípio da legalidade e da falta de motivação do ato administrativo posto que tais questões estão fundadas no erro de direito alegado, o que como comprovado não ocorreu. Por todo o exposto, nego provimento ao voluntário também nessa parte. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO MPF POR VÍCIO FORMAL Prosseguindo com sua prolixa argumentação, o Recorrente vê a existência de vícios insanáveis no MPF e no Auto de Infração. Acosta jurisprudência administrativa (fls. 231/235) no sentido que a ausência de prorrogação do MPF e o descumprimento dos requisitos do lançamento e a preterição do direito de defesa geram nulidade no auto de infração. Segundo o Apelante há vários desses vícios no caso em tela. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Consta do Apelo (fls.236): "Configurase obstrução do direito de ampla defesa quando a Fiscalização embaraça, dificulta e obstaculiza o entendimento da suposta infração praticada pelo Sujeito Passivo, majorando a base de cálculo do tributo no auto de infração o que de fato esta materializado e comprovado, dificultandolhe a defesa, haja vista não estar formalizado corretamente o presente Auto de Infração." Discorre sobre o tema por várias laudas, porém sem demonstrar uma única vez a ocorrência de embaraço, criação de qualquer tipo de dificuldade ou de obstáculo pela Autoridade Lançadora no curso do procedimento fiscal. Novamente nos vemos diante de farta argumentação, inclusive com apoio jurisprudencial e doutrinário, porém destituído de qualquer forma de comprovação do alegado. Na sequência do longo apelo, o Recorrente discorre novamente sobre o princípio da legalidade tributária, porém sem nada a acrescentar ao seu pleito. Do exposto, forçosa a negativa de provimento ao apelo nessa parte. DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE DA MULTA APLICADA — DO AFRONTO AO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DE CONFISCO Observo às folhas 243, o seguinte: Fl. 275DF CARF MF 14 Mesmo sendo indevido o pagamento dos valores instituídos a título de multa, se esta Colenda Turma desta douta DRJ em Belém PA entender devidas as multas atacadas, o que se admite tãosomente pelo dever de argumentação, pelo Princípio da Eventualidade, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pela empresa, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. Temse que a sanção punitiva não pode ser desviada de sua real finalidade, qual seja, atender às três máximas do princípio da Proporcionalidade: Adequação, Necessidade e a Proporcionalidade em sentido estrito. Vêse, de plano, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômica financeira da Impugnante, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, a ocorrência de um desvio de finalidade da sanção punitiva aplicada, podendo levar o Impugnante a prejuízos pessoais incalculáveis, até com alimentação e vestuário. No entanto, o que se vê no presente caso é que a penalidade exigida não obedece aos referidos princípios constitucionais, uma vez que o delito supostamente cometido pela Fundação de forma razoável com a sanção imposta. As sanções tributárias constituem nada mais do que um instrumento de busca da concretização do Princípio da Capacidade Contributiva, sendo esta a finalidade da penalidade imposta, o que novamente não se verifica no presente caso. Confirase, in verbis, decisão do Superior Tribunal de Justiça a respeito (...)" Em que pese o recurso demonstrar que os argumentos se referem a outro contribuinte, mister ressaltar que este Conselho Administrativo não pode se pronunciar sobre questões voltadas a constitucionalidade de lei tributária, o que forçosamente aconteceria se adrentassemos nos questões principiológicas constantes do apelo. Nesse sentido a Súmula CARF nº 02, determina: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Observo a adequação da penalidade aplicada ao ditames da Lei nº 9.430/96 que versa sobre o tema. Nesse mesmo sentido, deixo de examinar as questões atinentes aos princípios da legalidade e moralidade administrativa, posto que não observo nos autos nenhum ponto que respalde tais alegações principiológicas Recurso negado nessa parte. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10283.720724/201240 Acórdão n.º 2201003.976 S2C2T1 Fl. 270 15 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por rejeitar as preliminares arguídas e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 277DF CARF MF
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