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Numero do processo: 13982.720092/2013-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
OMISSÃO DE RECEITAS.
Constatada a falta de comprovação da origem e valores creditados em conta corrente bancária do contribuinte, através de documento hábil e idôneo, fica caracterizada a omissão de receitas.
FRAUDE. MULTA DE 150%
Apuradas pelo fisco práticas com a finalidade de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, é correta a aplicação da multa de 150%.
Numero da decisão: 1802-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a falta de comprovação da origem e valores creditados em conta corrente bancária do contribuinte, através de documento hábil e idôneo, fica caracterizada a omissão de receitas. FRAUDE. MULTA DE 150% Apuradas pelo fisco práticas com a finalidade de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, é correta a aplicação da multa de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.720092/201314 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.545 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Recorrente CASA E CIA MATERIAL DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. Constatada a falta de comprovação da origem e valores creditados em conta corrente bancária do contribuinte, através de documento hábil e idôneo, fica caracterizada a omissão de receitas. FRAUDE. MULTA DE 150% Apuradas pelo fisco práticas com a finalidade de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, é correta a aplicação da multa de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 92 /2 01 3- 14 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 2 Relatório Foi realizada contra a contribuinte ação fiscal na qual culminou na emissão de Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 009, de 26 de fevereiro de 2013, para a sua exclusão da sistemática do Simples Nacional, o que implicou na exigência dos seguintes tributos, por autos de infração: Imposto de Renda – R$ 199.927,29; Contribuição Social Sobre Lucro Liquido – R$ 172.787,06; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – R$ 481.424,06 Contribuição para o Programa de Integridade Social – R$ 104.308,58 No presente caso, foram apuradas as seguintes infrações: I – Omissão de Receitas por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem não Comprovadas Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; art. 42 da Lei nº 9.430/96, c/c arts. 518 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99 RIR/ 99. Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As ações/omissões da autuada levaram a fiscalização a fixar a multa de ofício no percentual de 150%. II Receita da Atividade Escriturada e Não Declarada Receita Bruta na Revenda de Mercadorias Em decorrência da exclusão da sistemática do Simples Nacional, a partir das receitas declaradas em Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, anoscalendário de 2009 e 2010, apuroue a existência de revenda mercadorias escriturada e não declaradas à Receita Federal. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 518 e 519 do RIR/99. Com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional – CTN foram arrolados como devedores solidários a Sra. Viviane Fátima da Rosa dos Passos e o Sr. Diomar José dos Passos. A Recorrente foi cientificada da exclusão em 14/03/2013 e apresentou Impugnação em 02/04/2013, alegando em suma que: Discorda da exclusão, porque o total de suas receitas estaria dentro do limite, concordando migrar de sistema de tributação – do SIMPLES para o de LUCRO PRESUMIDO, com revisão das bases de cálculo, dedução dos valores e aplicação de multas moratórias; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13982.720092/201314 Acórdão n.º 1802002.545 S1TE02 Fl. 3 3 Alega que o ADE somente citou o caput dos artigos, sem indicar seus incisos, alegando que a infração seria “a falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal a venda”, o que não seria motivo para a exclusão; Entende que seria fundamental a ocorrência desde janeiro de 2009 em valor superior ao teto base de cálculo, o que precisaria ser comprovado para se ter o marco inicial. Entende que não houve a prática de vendas não escrituradas em valor superior ao teto máximo do SIMPLES desde janeiro de 2009, portanto, não haveria o que se falar em exclusão; Alega que o teto para o SIMPLES em 2009 era de R$ 2.400.000,00 e se a empresa tivesse a receita de R$ 2.087.750,68, como alegado ainda estaria dentro dos limites da tributação, devendo apenas cobrar a diferença dos já tributados R$ 758.140,13; Em 2010 se efetivamente os R$ 2.609.476,69 do documento fiscal pudessem ser considerados receitas e não forem apenas “movimentações” – teríamos a partir de 2010 o mês em que o movimento se revela superior ao limite e aprovada naquele ano a reiterada prática de excesso numa sequencia de meses; Requereu perícia, tendo como objetivo verificar se com base nos dados que nos autos constam é possível provar que nem em todos os meses de 2009 houve faturamento superior ao teto máximo do Simples em 2009. Requer a alteração/correção do Ato Declaratório Executivo para que os efeitos de sua exclusão surta efeito apenas a partir do mês subsequente aquele em que ocorrida a infração (meados de 2010). Alega ser inaceitável a multa de 150% ou até 75%, sendo apenas devido 20% Requer o afastamento da solidariedade dos sócios, sendo a pessoa jurídica a única responsável por eventuais débitos fiscais. Os devedores solidários foram devidamente arrolados, tendo apresentado impugnação conjunta em 26/04/2013, alegando em suma: Que a imputação da responsabilidade solidária jamais poderia ter sido efetuada da forma como pretendida pelo Fisco. Entendem que a competência seria da Procuradoria da Fazenda Nacional em momento próprio; Que a solidariedade não se presume, devendo ter expressa previsão legal, ter relação de causalidade entre atos; A fiscalização não pode valerse de silogismos. A sua inclusão deuse em razão do Fisco ter considerado a ocorrência de condutas omissivas com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência de fatos geradores da obrigação tributária principal. Requerem for fim sejam declarados nulos os Termos de Sujeição Passiva Solidária, e que seja julgada nula a imputação de responsabilidade solidária dos sócios em razão da incompetência do Fisco para praticar tal ato. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 4 Houve parecer SAFI nº 001/2013 motivando a emissão de Ato Declaratório apontando os motivos que ensejaram a exclusão do Recorrente do SIMPLES (apuração de prática reiterada de omissão de receitas; falta de escrituração da movimentação financeira e a falta de emissão de documento fiscal). O V. Acórdão entendeu correta a exclusão, do Simples, a aplicação da multa de 150%, bem como a inclusão da responsabilidade solidária pela DRJ. RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente inconformada com o V. Acórdão interpôs Recurso Voluntário limitandose a aduzir os mesmos argumentos aduzidos em sua Impugnação de fls. Esse é o relatório. Voto Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 08/10/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 25/10/2013. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A empresa foi excluída do SIMPLES “em razão da constatação de prática de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006 da falta de escrituração da movimentação financeira e da falta de emissão fiscal de venda ou prestação de serviço”. O Simples é um regime de tributação favorecido, instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, com amparo no art. 170, inciso IX, da Constituição Federal. Tratase de um regime de normas próprias para empresas que optem por uma sistemática de tributação mais favorecida e, principalmente, simplificada, que prevê a aplicação de alíquotas para apuração do imposto devido, diretamente sobre a receita bruta das empresas que, por estarem dispensadas da escrituração comercial, não efetuam a apuração do lucro real do período. A fixação das alíquotas pela legislação leva em conta o lucro presumível dessas empresas, tendose em conta o volume de vendas efetuadas. Por força da Portaria SRF nº 6.129 de 02/12/2005, o ato de exclusão e os autos de infração devem compor o mesmo processo administrativo, assim entendo que mesmo que o Recorrente não impugnasse os lançamentos, a cobrança do crédito tributário ficaria na dependência da decisão final quanto a procedência ou não da exclusão do SIMPLES. Entendo que ocorreu nos autos a omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação mediante documento hábil e idônea, de origem e valores creditados em conta corrente bancária em nome do Recorrente, conforme preceitua o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 13982.720092/201314 Acórdão n.º 1802002.545 S1TE02 Fl. 4 5 não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Assim, a partir de 1997, verificada a ocorrência da situação fática, créditos em conta de depósito sem comprovação de origem – presumese até prova em contrário a ocorrência do fato a ser provado – omissão de receita. No tocante à aplicação de multa, entendo que o percentual de 150% deva ser aplicado apenas nos casos previstos nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964, quando há o intuito de fraudar. No caso dos presentes autos, não envolve uma simples apuração de omissão de receitas com base em presunção legal ( o que afastaria a qualificação da multa), mas sim a constatação de uma serie de práticas para ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos decorrentes das receitas omitidas, tendo o Recorrente deixado de declarar a totalidade dos tributos e efetuar os recolhimentos das diferenças respectivas. Portanto, correta a aplicação da multa no percentual de 150% em decorrências das situações descritas nos autos. No tocante à responsabilidade solidária, a afirmativa do Recorrente tendente a eximirse da imputação não pode ser levada em consideração, uma vez que a identificação do sujeito passivo está inserida no procedimento administrativo de lançamento – artigo 142 do CTN. “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” O Regimento interno da Receita Federal do Brasil, Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, estabelece em seu artigo 233, inciso I, que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ com jurisdição Nacional, compete conhecer e julgar em primeira instancia, após instaurado o litígio, impugnações em processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive sendo atribuição a identificação dos sujeitos passivos solidários. Ademais, esta questão encontrase normatizada pela Receita Federal, por intermédio da Portaria RFB nº 2284 de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluridade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. De se ressaltar, entretanto, que, quando há exclusão do regime do Simples e lavratura de autos de infração para cobrança dos débitos tributários apurados sob outro regime de tributação o regime normal, há que se considerar o quanto já pago sob o regime de simplificado, abatendose do montante a pagar. Tal procedimento já foi consagrado pela Súmula 76 deste CARF, conforme transcrevo: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA 6 recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Ao que parece, o procedimento não foi observado. Por estes motivos, dou parcial provimento ao recurso para, mantendo a exclusão da contribuinte do SIMPLES, na forma data e pelos motivos expendidos na decisão preliminar sejam, entretanto, considerados os valores já pagos e deduzidos dos lançamentos efetuados em auto de infração, observando os percentuais previstos em lei. Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000072/00-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1991
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
A restituição e a compensação de crédito decorrente de sentença judicial estão condicionadas à comprovação da desistência da execução do título judicial.
A destinação legal do produto da execução não modifica a titularidade da ação.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
1.0 = *:*
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A restituição e a compensação de crédito decorrente de sentença judicial estão condicionadas à comprovação da desistência da execução do título judicial. A destinação legal do produto da execução não modifica a titularidade da ação. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PARA AGRICULTURA LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A restituição e a compensação de crédito decorrente de sentença judicial estão condicionadas à comprovação da desistência da execução do título judicial. I A destinação legal do produto da execução não modifica a titularidade da ação. Recurso Especial do Procur~dor Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.e, IAcordam os membros do provimento ao recurso especial. por unanimidade de votos, em dar Caio Marcos Cândido - Presidente/' -'n.-~ Ro~taÇÔ~or Participaram do presente' julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Caio Marcos Cândido. knpresso ern 1D!'1 Clt2Ciri per EJ//\NDFI.. PiNHFIF(Ç) SP 'ASSIS ARF Relatório. FL 344 ! '\ I .,,1 !, Por estar _bem circunstanciado, transcrevo o relatório da DRl, com as alterações e acréscimos pertinentes." '/ 1, Trata';se -de Recurso Especial int~i"posto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 291 a 297) dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por contrariedade à legislação tributária ~ CSRF, insurgindo-se contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão nO30238.199, fls. 267 a 272, de 09/11/2006, cuja ementa transcrevo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07//991 Ementa: FINSOCIAL RESTITUiÇÃO/ COMPENSAÇÃO AÇA-O JUDICIAL DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO HONORARIOS ADVOCATÍCIOS E CUSTAS JUDICIAIS. O art. 23 do Estatuto da Advocacia é claro ao dizer que os honorários na sucumbência pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor. Em síntese, os honorários integram o patrimônio do advogado e a parte não pode abrir mão de um direito que não lhe pertence. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 'I A contribuinte ingressou em 08/02/2000 com pedido de restituição de fl. 1 (Darf de fls. 5 a 12), relativo a valores pagos a maior a título de Finsocial, cumulado com pedido de compensação (fl. 2) de valores referentes' ao IRPJ e CSLL lançados de oficio (processo n° 13830.000267/0012) e a débitos de terceiros (fl.79). Consta no processo que a interessada ingressou na justiça e obteve decisão favorável declarando a possibilidade de serem compensadas as quantias pagas indevidamente de Finsocial com a Cofins. I Sendo intimada (fl. 82) a contribuinte não apresentou a prova da homologação, no juízo da causa, da desistência do pro,êesso de execução, ficando comprovado 'que houve a execução parcial da sentença visando o recebimento dos honorários advocatícios. Pelo motivo acima exposto, a Delegacia da Receita Federal em Marília proferiu o Despacho Decisório de fls. 138 a 141, não h~mologandoa compensação pleiteada. Na manifestação de inconformidadetapresentada às fls. 156 a 162, subscrita por Carlos José Dal Piva, procurador da interessada.(fl. 163), alegou-se que a execução da sentença visa exclusivamente o recebimento das custas e honorários advocatícios, uma vez que a decisão transitada em julgado declarou o direito de a recorrente compensar o crédito e não de restituí-lo via precatório. Defendeu que o pedido de compensação foi feito nos estritos moldes da Instrução Normativa (IN) nO21, de 1997. 1{-. .- Impresso em 19í1 Oí2015 por EMI\NOEL WERCELENS PINHEIRO " I' :, ,'o 2 SP ASSIS ARF Processo nO 13826.000072/00- 13 Acórdão n.o 9303-01.330 , l F!. 345 CSRF-T3 Fl.JJ.4 • " A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n° 30238.199, fls. 267 a 272, de 09/11/2006. A Procuradoria da Fazenda,Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 291 a 297) dirigido à Clll,ara Superior de Recursos~iscais, por contrariedade à legislação tributária. O recurso foi admitido às fl.'298 a 300. É o Relatório . .:voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos ,de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nO70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dela conheço. A contribuinte solicita a restituição de valores que alega terem sido pagos a maior a título de Finsocial, cumulado com pedido de compensação de valores referentes ao IRPJ e CSLL lançados de ofi,cio (processo n° 13830.000267/0012) e a débitos de terceiros (fl.79). Verifica-se que a contribuinte obteve decisão judicial favorável (transitada em julgado em 26/05/1998) para a restituição dos recolhimentos feitos a título de Finsocial que excederam a alíquota de 0,5%, reconhecendo o direito à compensação com a Cofins, com base na Lei nO8.383, de 1991, art. 66. Dessa forma, o título judicial somente defere à contribuinte o direito à compensação com débitos da Cofins, não se estendendo aos demais tributos e contribuições. Tendo optado pela compen~ação administrativa do indébito reconhecido na sentença judicial com o IRPJ, a CSLL e débitos de terceiros, a contribuinte deve observar as normas administra~ivas que regulam a matéria,' ou seja, a Instrução Normativa (IN) SRF n° 21, de 1997 (abaixo transcrita)~ vigente à época de seu pedido, revogada pela IN SRF nO210, de 2002, que manteve o mesmo entendimento daquela IN: IN SRF n° 21, de 1997: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. 3 Impresso em 19/10/2015 por Ef,,1ANOELWEf,(CELENS PINHEIRO SP ASSIS :\RF ~ ]O No caso de título judicial emfase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o 4 contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do.processo, inclusive os honorários advocatícios. ~ 2" Não poderão ser objeto de. pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. FI. 346 A desistência da execução judicial somente produz efeitos, entre os quais o de afastat o impedimento da concomitância de instâncias, se houver a sua homologação por sentençajudicial, tendo em vista o disposto no Código de Processo Civil, art. 158. A contribuinte foi intimada e não apresentou a prova da homologação, no juízo da causa, da desistência da execução e na manifestação de inconformidade alegou que estava executando exclusivamente o recebimento das custas e honorários advocatícios. Consta no processo a prova da execução das custas e honorários advocatícios, não sendo comprovado que houve a desistência da execução judicial com assunção das custas e honorários advocatícios e que tal desistência foi homologada. Sob a argumentação de que os honorários advocatícios não pertencem ao autor da execução, mas sim ao patrono da causa, o sujeito passivo alega ter direito à restituição e que atendeu às condições da IN em epígrafe. Porém, a alegação não procede, pois o fato de o produto da execução não pertencer ao autor da execução, não significa que houve a mudança na titularidade da ação. Não houve comprovação, desta forma, da desistência da execução por parte da contribuinte. Ante o exposto, não tendo o sujeito passivo atendido às condições estabelecidas na legislação tributária, não há como fazer jus a homologação da compensação pleiteada. Voto pelo provimento do Recurso Especial Interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional. . R(dt.J~df.." C P~ ~odrigo dârosta ossas 4 Impresso em 1n!1 Oí2D1S por EMANOEL \NERCELENS PINHEIf{O <qJ. 1'\ .' 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 13654.000869/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2008
CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 08 69 /2 00 9- 58 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000869/200958 Acórdão n.º 2402004.744 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 09/2004 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 67/70) informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/10/2009 (fls. 01 e 219), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 133/214), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0928.206 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 220/223) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal; 5. por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000869/200958 Acórdão n.º 2402004.744 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O Fisco afirma que o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS para a Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 [...]”. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, já que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – bem como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela existência do indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformado pelas instâncias judiciais ordinárias. Contudo, não houve a emissão de qualquer Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000869/200958 Acórdão n.º 2402004.744 S2C4T2 Fl. 5 7 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Dentro do quadro fático e jurídico, verificase que o Fisco não observou a necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e seus parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]” Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000869/200958 Acórdão n.º 2402004.744 S2C4T2 Fl. 6 9 Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foi o § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000869/200958 Acórdão n.º 2402004.744 S2C4T2 Fl. 7 11 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10280.722443/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma acordam, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidas as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix.
EDELI PEREIRA BESSA Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidas as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil.
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Recorrente White Martins Gases Industriais do Norte Ltda Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidas as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix. EDELI PEREIRA BESSA – Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 44 3/ 20 11 -7 1 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 697 2 Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0126.522 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO VINCULAÇÃO. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo por não constituírem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser adicionados à base de cálculo da contribuição. Inaplicáveis as decisões judiciais citadas eis que somente produzem efeitos interpartes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES. O PIS tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. As subvenções obtidas do poder público, tais como os créditos presumidos de ICMS, independentemente de sua classificação contábil, são receitas do subvencionado, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES. A COFINS tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. As subvenções obtidas do poder público, tais como os créditos presumidos de ICMS, independentemente de sua classificação contábil, são receitas do subvencionado, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 698 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0126.522 em 13/09/2013 (sexta feira), cf. AR a fls. 615, interpôs, em 14/10/2013, recurso voluntário (doc. a fls. 616 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, ao analisar a impugnação, a DRF/Belém desconsiderou toda a argumentação e a jurisprudência da CSRF apresentada pela recorrente e julgou improcedente o recurso com base no entendimento firmado na Solução de Divergência Cosit nº 15, de 1 de setembro de 2003; b) que o entendimento do julgador de primeira instância pode ser sintetizado no seguinte trecho extraído do acórdão, verbis: “Como se vê, não procede a utilização da restituição do ICMS no ano calendário 2007 como subvenção para investimento eis que desde 2003 e 2004 os projetos já se encontravam com as instalações concluídas, sendo impossível a vinculação dos valores subvencionados a aplicações específicas uma vez que é entendimento dessa Receita Federal do Brasil, ao interpretar o § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, a necessidade de vinculação dos valores restituídos aos empreendimentos incentivados.”; c) que o Estado do Amazonas, visando fomentar seu desenvolvimento econômico, editou a Lei n° 1939 que regulamenta a política de incentivos fiscais e extrafiscais nos termos da Constituição do Estado do Amazonas e institui a possibilidade de restituição parcial ou total à empresa beneficiária, do ICMS pago; d) que, Posteriormente, foi editada a Lei Estadual nº 2390/96, que tomando como premissa o disposto na Lei nº 1939, instituiu regimes especiais de tributação como mecanismos para interiorizar o desenvolvimento e incrementar as atividades industriais; e) que alguns anos depois foi editada uma terceira lei para tratar do mesmo tema, nº 2826/03; f) com relação à fábrica de cilindros: f.1) que valendose do disposto na Lei estadual nº 2390/96, submeteu ao Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas – CODAM os seus projetos de ampliação e diversificação (Doc. 03 anexo à impunação) da sua fábrica, aos quais foi concedido, por meio do Decreto nº 20.876 (Doc. 04 anexo à impugnação), publicado em 27/04/2000, o regime especial de tributação de que trata a Lei nº 2390, que autorizou a restituição de 100% do ICMS devido na apuração, a título de crédito presumido, até 2004; g) que, posteriormente, pautada na previsão legal na Lei nº 2826/03, obteve, por meio do Decreto 24.558 (doc. 05 anexo à impugnação), a aprovação de seu projeto de diversificação, e a concessão do incentivo Fl. 698DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 699 4 previsto no art. 13 da referida lei, consubstanciado na restituição de 90,25% do ICMS devido na apuração, a título de crédito estímulo; g) com relação à fábrica de gases: g.1) que apresentou projeto de expansão (doc. 06 anexo à impugnação) e obteve benefício fiscal por meio do Decreto nº 19.432/98 (doc. 07 anexo à impugnação), o qual concedeu 100% de restituição do ICMS devido na apuração, a título de crédito presumido, até maio de 2004, em virtude do projeto; g.2) que, a partir de junho de 2004, passou a se beneficiar dos incentivos previstos no art. 13 da Lei nº 2826/03, os quais lhe foram concedidos por meio dos Decretos nº 24.194/04, 24.557/04 e 24.558/04 (todos anexos no doc. 08 da impugnação) e consistem na restituição de 90,25% do ICMS devido na apuração, a título de crédito estímulo; h) que, em virtude dos benefícios fiscais obtidos, a recorrente fez jus a restituição de parte do ICMS apurado, a título de crédito estímulo, quando da venda dos produtos especificados nos Decretos de concessão; i) que, especificamente com relação ao ano de 2007, foram apurados os valores de R$ 7.525.202,42, referentes à filial RBA 262 e R$ 1.951.616,97 para a filial RBA 299, conforme discriminado no doc. 09 anexo à impugnação; j) que esses valores são originalmente contabilizados na conta nº 2.1.3.202301 – ICMS a Recolher – do passivo circulante, foram transferidos para a conta nº 2.4.02.319107 – receita de incentivos fiscais ICMS – Lei 2390, do passivo/reserva de capital, conforme se infere do livro razão anexo (doc. 10 anexo à impugnação); l) que a autoridade lançadora entendeu que a impugnante não poderia ter realizado a transferência desses valores sem que passassem pela conta de resultado e integrassem o lucro real; m) que o entendimento do fiscal é que os valores restituídos à impugnante a título de ICMS e reinvestidos no projeto/região deveriam ser considerados como subvenção de custeio, a qual, nos termos do art. 392 do Decreto 3.000/99 devem ser computados na determinação do lucro operacional; n) que os incentivos concedidos pelo Estado do Amazonas visam promover investimentos na integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos do Estado; o) que a concessão do benefício está condicionada a determinados requisitos a serem atendidos pelas empresas beneficiárias, dentre eles, a apresentação de projeto técnico e de viabilidade econômica do empreendimento, aprovação das autoridades ambientais e do CODAM, além de laudo técnico de inspeção para comprovar a aplicação dos recursos; p) que não há como considerar que a renúncia fiscal promovida pelo Estado do Amazonas seja para recuperar custos de sua atividade operacional; Fl. 699DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 700 5 q) que a Lei nº 1939/89 estabelece como critério para a concessão do benefício a presença do “fundamental interesse” ao desenvolvimento do Estado; r) que não merece subsistir o argumento utilizado pelo Fiscal lançador no sentido de que não existiria correspondência e vinculação entre a percepção do benefício e a aplicação dos recursos, pois basta que os recursos sejam registrados como “reserva de capital”; s) que pouco importa se os valores discutidos referemse a restituição ocorrida no ano de 2007, após a finalização do projeto, se todo e qualquer valor recebido como contraprestação tem natureza precípua de investimento; t) que a transferência entre as rubricas contábeis realizada pela impugnante visa atender o disposto no §2º do art.38 do DL nº 1598/77; u) que a Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de analisar recurso que tratava da mesma matéria, culminando no entendimento que se coaduna com as razões apresentadas pela ora impugnante. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 640 e substabelecimento a fls. 639, razão pela qual dele conheço. Da leitura do Relatório de Fiscalização a fls. 26 e segs., constatase que a Fiscalização considerou que as subvenções contabilizadas em reserva de capital pela recorrente não eram subvenções de investimento, porque, à época (2007), as instalações de ampliação e expansão do parque fabril já estavam concluídas em anos anteriores. Esse é o argumento central da autuação em tela, se não vejamos o seguinte excerto do referido relatório, in verbis: “No anocalendário 2007, consoante confirmação da empresa, Anexo VII, os projetos já estavam concluídos e não foram feitas aquisições de máquinas, equipamentos, ferramentas, bens e direitos vinculados aos projetos. Portanto, não houve correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos. Esses valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS no anocalendário em análise, não possuem vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos, referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, não se caracterizam como subvenção para investimento e sim para custeio, devendo ser computados na determinação do lucro real.” Esse também foi o fundamento do acórdão recorrido, se não vejamos o seguinte trecho do seu voto condutor: “Como se vê, não procede a utilização da restituição do ICMS no ano calendário 2007 como subvenção para investimento eis que desde 2003 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 701 6 e 2004 os projetos já se encontravam com as instalações concluídas, sendo impossível a vinculação dos valores subvencionados a aplicações específicas uma vez que é entendimento dessa Receita Federal do Brasil, ao interpretar o § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, a necessidade de vinculação dos valores restituídos aos empreendimentos incentivados. Ao contrário do que entende o contribuinte, o fato dos incentivos concedidos pelo Estado do Amazonas visarem promover investimentos na integração, expansão, modernização e consolidação dos setores econômicos do Estado não prolongam os benefícios a outros períodos além daqueles necessários para a execução dos projetos aprovados. Destarte, diante da ausência de vinculação dos valores restituídos aos empreendimentos incentivados, a subvenção em comento resta caracterizada como de custeio, sendo portanto tributável.”. Essa, então, é a questão que está posta para este Colegiado responder, ou seja, só pode ser considerada subvenção para investimento aquelas recebidas durante a fase de implantação ou expansão do parque fabril do beneficiário do programa de incentivo fiscal? A Subvenção é um auxílio sem qualquer exigibilidade para quem a recebe. Noutras palavras, aumentase o patrimônio do beneficiário com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma obrigação. As subvenções podem ser feitas pelo poder público, hipótese em que se efetivarão, normalmente, por meio de redução ou isenção de impostos. Contábil e juridicamente, as subvenções para custeio e para investimento são receitas, logo, salvo na hipótese de existir uma lei isentiva, elas serão tributadas. A título ilustrativo, tomemos como exemplo, uma subvenção que importe na redução de 50% do ICMS a pagar. Ora, o ICMS a pagar, quando contabilizado no passivo da empresa tem como contrapartida uma despesa pelo valor total. Logo, se, em momento posterior, o contribuinte não mais tenha que desembolsar 50% daquela obrigação registrada no passivo, claramente, temos aí uma insubsistência do passivo, também denominada de superveniência ativa, porque aumenta a situação líquida patrimonial. Noutros termos, teremos uma receita que aumentará o resultado do exercício no mesmo valor que fora anteriormente reduzido pela parte da despesa com ICMS subvencionada que reduzira o lucro, mas que não fora paga. Desde já, então, já voto no sentido de negar provimento ao recurso no que se refere aos lançamentos de Cofins e Contribuição para o PIS, pois é irrelevante se a subvenção é ou não para investimento, já que de qualquer forma é uma insubsistência do passivo, logo uma receita tributável, na ausência de uma norma isentiva. Todavia, com a entrada em vigor do DecretoLei no 1.598/77, as duas espécies de subvenção passaram a ter consequências tributárias diversas pela legislação do IR, pois, a partir dali, o § 2o do art. 38 passou a considerar a subvenção para investimento como receita isenta do IRPJ, desde que obedecidas as condições estabelecidas no referido diploma legal. Vale assim trazer à colação o § 2o do art. 38 do DL 1.598/77, in verbis: “Art. 38. Omissis. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 702 7 (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (...) Passa a ser de grande importância, para fins de aplicação do referido dispositivo, diferenciar a subvenção para investimento da subvenção para custeio, já que a primeira pode ser isenta do IRPJ, enquanto a segunda será tributada. A Receita Federal, ao interpretar o § 2o do art. 38 do DL 1.598/77, emitiu o Parecer Normativo CST no 112/78, no qual constam as seguintes conclusões: a) que subvenção para investimento “é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos”; b) que não basta apenas o animus de subvencionar para investimento, pois se impõe também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; c) que a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimento; d) que o beneficiário da subvenção para investimento terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; Por sua vez, ao se compulsar os autos, verificase que para obter os benefícios fiscais em questão, a recorrida se comprometia a realizar investimentos de ampliação/expansão do seu parque fabril. Ora, o § 2o do art. 38 é uma norma excepcional, logo deve ser interpretada estritamente, sem qualquer ampliação dos seus parâmetros hermenêuticos. Assim sendo, quando tal norma dispõe que a subvenção para investimento é concedida como “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, há que se entender que a concessão do benefício fica condicionada ao cumprimento pelo beneficiário da exigência de ampliar ou expandir o empreendimento. Agora, se o Estado abre mão de cobrar o tributo do contribuinte, sem que se exija dele qualquer obrigação de ampliar ou expandir seu empreendimento, tal benefício será enquadrável como subvenção para custeio, pois o beneficiário terá total liberdade para aplicar os valores oriundos do benefício. Situação diferente é esta em que o Estado, para conceder o benefício, obriga o contribuinte a ampliar ou expandir seu empreendimento. Por outro lado, em caso de implantação de novo empreendimento, é normal que haja um descasamento entre o momento em que o contribuinte aplica os recursos em ativos fixos e aquele em que recebe a subvenção de investimento, pois nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem tributo a pagar nem muito menos redução de tributo em virtude de subvenção para investimento (isso também vale para o procedimento adotado nos casos em tela). O mesmo raciocínio vale para situações em que o valor do investimento em Fl. 702DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.722443/201171 Resolução nº 1302000.383 S1C3T2 Fl. 703 8 expansão do empreendimento é de tal monta que tornaria o incentivo desprezível se o contribuinte só pudesse se valer da subvenção recebida durante essa fase de expansão, razão pela qual é normal que, em tais situações, o gozo do benefício se arraste para além da fase de expansão do empreendimento. Natural, então, que, em determinadas situações, o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação ou expansão do empreendimento, para depois recompor o caixa da empresa com o recebimento das subvenções de investimento. Destarte, o importante é verificar se o montante dos valores obtidos com o incentivo guarda equivalência com total dos valores aplicados na ampliação ou expansão do empreendimento, pois, logicamente, não gozará de isenção tributária e deverá ser tido como subvenção para custeio os valores que excederem o valor do investimento realizado, já que pode ser aplicado pelo beneficiário para outros fins que não aqueles que justificam legalmente a isenção tributária da subvenção para investimento. É verdade que respeitáveis vozes sustentam que basta que se constitua a reserva (antes de capital, agora de lucros – art. 195A da Lei das S/A), para que esteja assegurado direito ao gozo da subvenção, o que, com a devida vênia, discordo. Ora, a constituição da reserva é apenas um requisito que visa evitar que tal valor, hoje transitando por resultado e sendo parte do lucro líquido, seja distribuído aos sócios/acionistas a título de dividendos. Por outro lado, o objetivo da norma isentiva é fomentar o investimento em ativo fixo de forma a aumentar a capacidade de produção do beneficiário e isso só será garantido se for exigido que valor equivalente às subvenções recebidas sejam aplicado em ativos fixos (implantação/expansão de unidade de produção). Assim, ao fim e ao cabo, a “contrapartida” à reserva formada no patrimônio líquido deverá ser uma conta de ativo imobilizado. Assim, como não há elementos nos autos para se cotejar o investimento realizado pelo contribuinte com o total das subvenções recebidas até o ano de 2007, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que: a) a recorrente demonstre, com os documentos de que ainda disponha, o valor do investimento realizado em ativo fixo e das subvenções recebidas até 2007 nos programas de incentivo fiscal objeto da autuação em tela; e b) que a DRF/Fortaleza analise e se manifeste sobre a resposta da recorrente, dandolhe ciência do relatório final de diligência e concedendolhe prazo para falar nos autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 703DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 19515.721488/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO.
A cominação de multa no percentual de 150% somente se justifica quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplica-se a penalidade de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-002.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os valores consignados na tabela contida no bojo do voto condutor e reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. A cominação de multa no percentual de 150% somente se justifica quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplica-se a penalidade de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 96.446 1 96.445 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721488/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.082 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente RANUR AGENCIAMENTO DE CARGAS E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Preliminar rejeitada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 88 /2 01 1- 00 Fl. 96446DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.447 2 A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. A cominação de multa no percentual de 150% somente se justifica quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplicase a penalidade de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os valores consignados na tabela contida no bojo do voto condutor e reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 96447DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.448 3 Relatório Os presentes autos já alvo de deliberação por parte deste colegiado. Na sessão de 11 de setembro de 2013, por meio da Resolução nº 1402000.210 decidiuse converter o julgamento em diligência. Eis o teor do voto condutor de tal resolução: A empresa autuada desenvolve atividade de agenciamento de cargas. Alega que os recursos movimentados em suas contas correntes não traduzem seu faturamento, uma vez que recebe adiantamentos de seus clientes para fins de pagamento de ICMS, frete, seguro e outras despesas referentes a operações de importação. Analisando os argumentos da recorrente e a documentação anexada em sede recurso, parece assistir razão ao contribuinte. Contudo, diante da enorme quantidade de depósitos, e da demonstração pormenorizada de somente três depósitos, ou seja, amostra irrelevante, não se pode inferir que a origem de todos os depósitos esteja comprovada. Compulsando os documentos que foram apresentados à Fiscalização no decorrer do procedimento fiscal, vislumbro substancial diferença entre o seu conteúdo e aquele apresentado anexo ao presente recurso. Os novos documentos são detalhados e organizados, demonstrando a aplicação dos recursos adiantados pelos clientes, inclusive mediante anexação de guias de recolhimentos de tributos e comprovantes de pagamentos de despesas de frete, seguro, bem como documentação comprobatória de operações de câmbio. A Recorrente chega a comprovar, inclusive, que transferência entre contas de sua titularidade não foi excluída na determinação da receita considerada omitida. Contudo, analisando os autos, constato que, quando intimada, apresentou documentação absolutamente diversa para tentar demonstrar a origem de tal depósito, acabando por induzir em erro a autoridade fiscal. Não se pode admitir, contudo, que tal fato possa implicar cobrança de tributo sobre valores que não denotam auferimento de receita, a teor do que dispõe o próprio dispositivo legal que embasa a autuação (art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96). Em relação aos documentos apresentados no decorrer do procedimento fiscal, reforço que, além de não contarem, em regra, com a riqueza de elementos de prova e comprovação de aplicação dos recursos recebidos de clientes, foram disponibilizados à Fiscalização de modo desorganizado, dificultando em demasia sua análise. Fl. 96448DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.449 4 Diante do impasse, entendo que os autos devam retornar à autoridade fiscal para que intime a Recorrente a apresentar, nos mesmos moldes realizados em sede de recurso voluntário para três casos específicos, a demonstração da aplicação dos recursos supostamente adiantados por seus clientes para pagamentos de despesas relativas à importação. Tal documentação deverá ser agrupada por depósito e deverá conter comprovação dos pagamentos alegados. O prazo fixado para demonstração detalhada a ser realizada pelo contribuinte deverá ser de 60 (sessenta) dias, prorrogável a critério da autoridade fiscal. Frisese que eventuais pedidos de prorrogação de prazo deverão ser fundamentados e acompanhados de elementos que demonstrem que o contribuinte, no prazo inicial, tenha disponibilizado à Fiscalização a maior parte das comprovações ora solicitadas. Caberá à autoridade fiscal a análise dos pedidos de prorrogação de prazo, à luz do princípio da razoabilidade e dos parâmetros ora estabelecidos, podendo, inclusive, indeferilos caso reste caracterizado qualquer embaraço ou atitude protelatória por parte do contribuinte. Após recebimento da documentação, deverá a autoridade fiscal analisála, apontando quais os depósitos poderão ser ou não considerados como receita omitida. Tal relatório deverá ser apresentado ao contribuinte para, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestarse a respeito. Após, retornemse os autos para prosseguimento do julgamento. Cumprida a diligência, os autos retornaram para relato. Inicio com o relatório utilizado na resolução anterior, complementandoo ao final. Tratase de autos de infração lavrados em face de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários que o contribuinte, devidamente intimado, em tese deixou de comprovar suas origens (art. 42 da Lei nº 9.430/96). Os extratos bancários em que se baseia autuação foram alcançados pelo próprio contribuinte. Houve arbitramento de lucros em razão de a Fiscalização considerar imprestável a escrita do contribuinte. Em relação à omissão, transcrevo excerto do relatório de primeira instância, baseado no Termo de Verificação Fiscal lavrado pela autoridade autuante: O interessado foi autuado, em 07/10/2011, no IRPJ e reflexos, por presunção de omissão de receitas nos anoscalendário de 2006 e 2007, tendo seu lucro sido arbitrado. Foi exigido o crédito tributário total de R$ 63.264.093,37, incluindo imposto, contribuições, multas de 150% e juros de mora calculados até 30/09/2011 (fls. 1 a 42536). A fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal (TVF), reportase, na descrição dos fatos, aos arts. 264, 527, 530, inciso Fl. 96449DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.450 5 II, item “a”, 532, 537 e § único, e 957, todos do RIR/99, art. 42 da Lei n° 9.430/96, arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 1º, incisos I e II, da Lei n° 8.137, de 1990. O TVF dá conta, em resumo, de que: “(...) Em 26/06/2010, intimamos o contribuinte ... cientificado por via postal em 01/07/2010, a apresentar livros fiscais, contratos sociais e suas alterações e ... extratos de contas bancárias e aplicações financeiras com saldos de movimentação financeira de R$ 92.431.385,85 e R$ 127.727.115,65, segundo as informações fornecidas pelas instituições financeiras ... referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 respectivamente. Verificamos pelas ... DIPJ entregues pelo contribuinte, que este optou pela sistemática de ... lucro presumido e declarou ... receita bruta ... R$ 1.584.999,67 e R$ 2.286.369,30 em 2006 e 2007, respectivamente. (...) Atendendo a intimação ... apresentou, em 08/07/2010, o primeiro dos inúmeros pedidos de prorrogação de prazo para entrega de documentos, através de seu contador .... Em 28/07/2010 ... apresentou ... livros Razão, Diário, de ISS, Relatórios de Notas Fiscais Eletrônicas de Serviços, extratos bancários do Banco do Brasil, Bradesco e BankBoston. ... entregou ... relatórios referentes a valores expressivos (amostra escolhida por ele), creditados em suas contas bancárias, tentando mostrar a origem e o destino destes valores .... No exame da documentação apresentada verificamos ... examinando os extratos bancários do banco Bradesco verificamos que os saldos iniciais em 01/01/2006 e 01/01/2007 foram adulterados (o saldo inicial de cada ano foi aumentado). Isto pode ser evidenciado, somando e subtraindo os débitos e créditos do primeiro dia e confrontando com o saldo seguinte ... os livros fiscais (Razão e Diário) ... se referem ... ao ano calendário de 2007 e, mesmo assim, não refletem a ... movimentação financeira ... nas contas bancárias, conforme podemos ... verificar através da comparação dos livros e dos extratos bancários. Estes Diário e Razão de 2007 revelam ... deficiências que os tornam imprestáveis para a ... identificação da ... movimentação financeira ... inclusive bancária, posto que a escrituração ... reporta somente pequenos valores ... sem ... discriminações, numa única conta contábil denominada caixa/bancos. Perguntado, o contribuinte respondeu que foi contabilizado somente o que ... "consideram efetivamente da empresa" e não a real movimentação financeira ...; supostamente, a amostra de relatórios ou "processos" de clientes, apresentada por iniciativa do contribuinte, teria por Fl. 96450DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.451 6 objetivo demonstrar ... o que ocorre quando um cliente deposita um ... valor em conta bancária da Ranur. A tentativa foi ... um ... fracasso. Foram entregues várias caixas com "processos", onde o contribuinte apresenta um demonstrativo, seguido de numerosos documentos sem a devida organização e esclarecimento, que possam fazer conexão destes papéis com as indicações do demonstrativo inicial. ... se o contribuinte queria comprovar fatos contábeis, seriam esperadas comprovações hábeis e idôneas, em papéis de emissão de terceiros, da parte dos valores adentrados em contas bancárias do contribuinte que tivessem servido à liquidação de obrigações por conta e ordem dos ... seus clientes. No entanto, quase nada, neste grande amontoado de papel apresentado, poderia comprovar que o contribuinte tivesse, de fato, suportado em suas contas bancárias, o ônus de pagamentos por conta dos ... clientes. ... assim, lavramos o Termo de Intimação Fiscal de 26/08/2010, onde solicitamos o esclarecimento e a demonstração dos saldos iniciais e finais dos movimentos bancários na contabilidade e nas DIPJ's que divergem dos extratos bancários apresentados. Mais, pedimos para esclarecer os saldos diários nos próprios extratos bancários do ... Bradesco que não batem .... Para tanto, intimamos o contribuinte a apresentar os extratos bancários originais e fornecidos pelo próprio banco ... (Bradesco). Solicitamos, também, que as contas contábeis que contabilizam a movimentação bancária fossem apresentadas de forma individualizada por conta bancária e banco, seguindo as boas normas de contabilidade. [...]... instada ... apresentou, por uma segunda vez, os extratos bancários do ... Bradesco. Nestes ... extratos há coerência de valores iniciais e de saldos diários subseqüentes, porém são diferentes dos extratos bancários anteriormente apresentados ... evidenciando que ... foram ... adulterados. ... para apurar ... quais os ... corretos, solicitamos que o contribuinte assinasse ... declaração abrindo mão do sigilo bancário para que ... solicitássemos ao ... Bradesco uma cópia oficial de extratos .... ... entregues os extratos oficiais ... pudemos verificar que os ... corretos ... foram apresentados ... na segunda vez, ou seja, os primeiros ... foram fraudados. À vista da gravidade do fato ..., que, em tese, capitulase ao crime de fraude (adulteração de documentos de terceiros), o contribuinte foi inquirido a explicarse .... Em resposta ... apresentou uma terceira versão dos ... extratos, esta coincidente com a segunda. Esta ... veio acompanhada de ... carta ... do gerente ... da agência que sedia a conta ... onde ... alega que as diferenças ... entre o último (igual ao segundo) e o primeiro extrato se deveriam a ... "atualizações das movimentações financeiras via on line demandam certo tempo para serem compiladas, tendo sua finalização apenas no final do Fl. 96451DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.452 7 dia e, por esta razão, o extrato retirado por este sistema apresentou diversificações (sic)". Observandose, porém: 1) que a diferença de que se trata se resume ao valor dos lançamentos de saldo inicial de cada anocalendário; 2) que as diferenças alçam valores expressivos; 3) que os valores, em tese fraudados, não guardam coerência interna, nos próprios extratos apresentados, com os saldos parciais subsequentes; 4) que, ao considerar os problemas de sistemas alegados pelo gerente da agência, observamos que a movimentação bancária em tela é dos anoscalendário de 2006 e 2007 e AMBAS, primeira e segunda versão dos extratos, foram extraídas no dia 05/07/2010 para a contacorrente n° 8001, e no dia 06/06/2010 para a contacorrente n° 28002, ambas da agência 3304 do banco Bradesco, resultando num tempo de "finalização via on line" entre mais de 3 e 4 anos, e não "ao final do dia", como alegado. ... a conclusão ... é ... que o contribuinte fraudou seus extratos bancários e que o gerente ... ao tentar "explicar" o fato material do crime, tornouse conivente com a fraude praticada. É nossa obrigação ... salientar a gravidade do comportamento do contribuinte ...: apresentar documentos bancários adulterados ... de forma a trazerlhe proveito na apuração das exações fiscais, fatos estes comprovados pela entrega de duas versões divergentes ... e pela utilização, na escrita contábil ... dos valores adulterados, ao invés daqueles ... verdadeiros, com o agravante de que esta escrita foi refeita e apresentada ... APÓS a constatação da, em tese, fraude documental. ... esta fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal de 20/05/2011, no intuito de ter claramente a demonstração, por crédito em contacorrente, do que é receita da empresa e o que é valor de cliente ....(grifo nosso) Devido ao volume de créditos em conta corrente foi feito um corte, deixando os valores abaixo de R$ 20.000,00 fora ... da amostragem .... Nesta intimação, deixamos claríssimo que estavam intimados a demonstrar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos constantes nas contascorrentes dos bancos, cujos valores foram apresentados individualmente na planilha "Relação de Créditos em ContaCorrente dos AnosCalendário dos 2006 e 2007", anexo ao Termo .... Mais, devido ao fato do contribuinte afirmar que grande parte dos valores creditados é utilizada como pagamento efetuado em nome dos clientes, deixamos claríssimo que, além de demonstrar a origem, o contribuinte deveria demonstrar claramente, de forma sistemática e organizada, o montante que seria de repasse Fl. 96452DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.453 8 para pagamento em nome do cliente e o montante que seria seu próprio movimento de receita ou despesa. Alegando dificuldade no atendimento ... o contribuinte solicitou mais prazo .... O contribuinte, tentando atender às intimações anteriores, o fez de forma desordenada e incompleta, razão pela qual, em 29/06/2011, devolvemos todos os documentos ... entregues. Naquele ato foram devolvidas 3 caixas contendo documentos que o contribuinte denomina ... "processos". A devolução ... foi feita no intuito de dar nova oportunidade para que o contribuinte organizasse de maneira inteligível a sua documentação; apresentasse, demonstrasse e comprovasse a origem e o destino dos valores depositados em suas contas correntes bancárias, de forma coerente. Mais uma vez, solicitamos que a documentação fosse apresentada de forma a demonstrar, com clareza e ordenadamente, quais valores se referiam a pagamentos por conta dos clientes (terceiros), com a devida comprovação do efetivo pagamento, e quais valores seriam pertinentes à movimentação financeira própria. Não cabe a esta fiscalização fazer a contabilidade da empresa, ou organizar documentos entregues sem nenhum critério, com planilhas codificadas, de difícil entendimento, com documentos e registros obscurecidos por códigos de uso exclusivo da empresa e anotados sob formas de registros pessoais (do contribuinte) e absolutamente incomuns. .... Até 22/07/2011 o contribuinte havia apresentado, somente, no que denominou "da melhor forma possível", documentos referentes aos meses de janeiro a agosto de 2006. Sendo assim, lavramos o último Termo de ReIntimação Fiscal (desta mesma data), para que ... apresentasse os documentos comprovantes dos créditos em contacorrente ... solicitados em intimações anteriores, referentes aos meses de setembro de 2006 a dezembro de 2007, concedendo ... o prazo final de 31/07/2011. No dia 01/08/2011, o contribuinte compareceu a esta delegacia portando mais 23 caixas de documentos, a serem somadas às 10 caixas anteriormente entregues. Muitos documentos estavam rasgados, embolorados, desorganizados, molhados, mofados, grudados, dobrados, muitos dentro de sacos plásticos sujos, outros na forma de cópia reprográfica de má qualidade, ilegível, ou muito clara, de ponta cabeça, etc etc. Juntos a documentos que poderiam, em um ou outro caso, ser considerados comprobatórios, foram entregues outros, em muito maior número, que de nada adiantavam para a finalidade almejada, de comprovação de pagamentos (centenas, ouso dizer, milhares de folhas inúteis). 3. DA ANÁLISE [...]3.2. Dos documentos Conforme já descrito ... a documentação apresentada, em grande parte, não oferecia condições ... de análise ou auditoria. Mesmo assim, esta fiscalização examinou cada folha de documento, das inúmeras caixas entregues, para ter a exata dimensão dos valores que Fl. 96453DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.454 9 poderiam ser considerados suportados documentalmente e os valores que não poderiam, de forma alguma, se considerar comprovados. Todos os créditos em conta corrente, que foram relacionados nas planilhas constantes do presente procedimento, limitamse aos de valor superior a R$ 20.000,00 .... 3.3. Do humor da empresa [...]A sistemática de atendimento a esta fiscalização sempre foi de dificultar o entendimento do funcionamento da empresa, assim como apresentar alto volume de documentos inchando o trabalho fiscal, misturando documentos úteis com documentos não úteis ou inábeis. Um simples olhar nos documentos anexados a este processo demonstra este fato. 3.4. Dos créditos em conta corrente Para lavrar o auto de infração ... consideramos os valores creditados em conta corrente como receita bruta da empresa, para os quais não foram devidamente comprovados a origem, o destino ou ambos. (...) O que se nota é um recurso do contribuinte de apresentar um número de documentos muito volumoso, sem critério, sem sistematização para dificultar o montante real de sonegação fiscal. Porém, esta fiscalização examinou minuciosamente e adotou alguns procedimentos: notas fiscais, recibos em nome de cliente sem a devida comprovação de pagamento efetuado pela Ranur não foram considerados, visto que não está comprovado quem pagou a nota fiscal ou o recibo; documento de emissão própria não é documento hábil para comprovação de pagamento por conta de terceiro para terceiro; documentos que não apresentam valores monetários juntamente com documento comprovante de pagamento não demonstram efetivo pagamento de qualquer valor pela Ranur; comprovante de pagamento efetuado pela Ranur sem contrapartida de documento de comprovação de serviços prestados ou mercadoria vendida não faz prova de pagamento feito para terceiro; documentos que entre si não se correlacionam através de datas, valores, códigos, numeração etc, apenas estão juntos num "processo" não fazem prova de pagamento ou recebimento pela Ranur; folhas de livros fiscais que foram desconsiderados por esta fiscalização por serem considerados parte de uma contabilidade imprestável para a determinação do lucro da empresa, não Fl. 96454DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.455 10 fazem por si só prova de recebimento ou pagamento para ou pela Ranur; notamos que a sistemática de recebimento do cliente Samsung, geralmente é feito em 2 etapas: o primeiro recebimento é um valor aproximado do valor de ICMS em data próxima do pagamento realmente efetuado pela Ranur. Em seguida, a empresa faz uma prestação de contas e recebe o valor restante do que ele diz ter pago em nome do cliente; via de regra, a empresa demonstra os valores pagos de ICMS, que é feito pelo Banco do Brasil, apresentando o darf de pagamento e o valor sacado da conta da Ranur, coincidindo em data e valor. Porém outros serviços como por exemplo de capatazia, armazenagem, ele muitas vezes apresenta notas fiscais ou recibos, ou recibos onde o nome do pagante é o cliente, e não demonstra o efetivo pagamento feito pela Ranur; no recebimento com a empresa ARA Química o recebimento geralmente é de uma vez só e a Ranur demonstra pagar todos os tributos referentes ao "processo" analisado. No caso da Samsung, a Ranur paga apenas o ICMS, sendo os outros tributos tais como Cofins, Pis, Taxa de utilização de Sicomex, IPI, II pagos pela própria Samsung; .... Procedemos à digitalização de documentos que comprovam os pagamentos efetuados ... em nome dos clientes, assim como os documentos que não colaboram com a definição de que os valores analisados são receita ou não, para que se perceba a alegação de dificultar o trabalho ... e para evidenciar que esta fiscalização analisou todos estes documentos para firmar convicção da tese de arbitramento. Como o contribuinte não conseguiu (ou não quis) comprovar ... com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e motivação de inúmeros créditos em suas contas bancárias, presumese, legalmente, que tais créditos constituem omissão de receita. A presunção legal, neste caso, é "juris tantum" .... Por isso, foi concedida ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a incorreção da presunção em sucessivas intimações. Entretanto, mesmo tendo sido concedidos prazos razoáveis e suficientes ... este se manifestou de forma insatisfatória. É claro que o contribuinte pode até utilizarse do recurso de mostrar uma documentação volumosa e desorganizada, seja para não constituir prova criminal contra si mesmo ou por outra finalidade .... Do ponto de vista ... tributário, os motivos do contribuinte não vêm ao caso, importando, tão somente, o montante e a natureza econômica dos rendimentos auferidos. .... 3.5. Da Sistemática de Apuração do Lucro [...]Quando apresenta documento hábil estes documentos não comprovam o efetivo pagamento de valores que o contribuinte diz ser por conta de cliente; Fl. 96455DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.456 11 O enorme volume de documentos apresentados como um grande amontoado de papel, sem esclarecimentos, muitos inúteis para demonstrar efetivo pagamento, só fez obscurecer o montante a ser considerado como receita bruta; O relato de conta corrente com a empresa Samsung tem lançamentos que não estão nos livros ou nos extratos bancários, não tem outros lançamentos que tem nos livros fiscais ou extratos bancários; Cada valor de crédito em conta corrente a ser comprovado raramente batia em data e valor; A comprovação de determinados valores de crédito continha documentos que comprovavam valores maiores do que deveriam comprovar; [...]Da análise da documentação enviada para demonstrar a origem e o destino dos créditos constantes das contas bancárias, elaboramos as planilhas "Relação de Créditos em Conta Corrente de 2006 e 2007" dos bancos BankBoston, Banco do Brasil e Banco Bradesco, citando para cada crédito bancário acima de R$ 20.000,00 o que seria considerado comprovado e o que não foi passível de comprovação. 4. DA BASE DE CÁLCULO (...) Após os prazos das inúmeras intimações, verificamos que os créditos bancários não foram ... comprovados e/ou declarados com documentos hábeis e idôneos, sendo relacionado individualmente no "Demonstrativo de Créditos Bancários de Origem não Comprovada", anexo a este Termo de Verificação Fiscal. Os extratos bancários são prova do ilícito tributário ... e fazem parte deste processo. Foram computados mensalmente os valores relacionados no Demonstrativo anexo, como segue: (...) Créditos em conta referentes à transferência de mesma titularidade não foram considerados nestas planilhas. 5.2. Do Crédito em Conta Bancária (...) 5.3. Da Multa Qualificada Conforme exposto ... o contribuinte apresentou duas versões ... para extrato de movimentação da mesma conta bancária, com referência ao mesmo período. ... Como agravante ... o contribuinte, tendo a oportunidade de refazer a contabilidade através de livro caixa, utilizou os extratos adulterados. A não escrituração correta do movimento financeiro da empresa, a apresentação de documentos bancários incorretos, o não atendimento a esta fiscalização a contento, a utilização de valores adulterados na escrita contábil como foi claramente Fl. 96456DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.457 12 descrito, demonstram que o contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de sonegação e fraude como definido nos artigos da Lei n° 4.502. Assim sendo, caracterizado o dolo, a fraude e o crime contra a ordem tributária, conforme os dispositivos legais acima referidos, cabe a aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento, conforme disposto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (art. 957 do RIR/99). Podemos adicionar ... reincidência da infração, pois ocorreu a adulteração dos extratos bancários do anocalendário de 2006 e ... do anocalendário de 2007. A conduta reiterada de tentar retardar ou impedir o conhecimento de fato gerador pela autoridade fiscal, evidencia o intuito doloso ... A multa qualificada em razão de conduta reiterada é causa suficiente a sustentar a aplicação da penalidade no percentual de 150%. (...)”Os autos de infração constam às fls. 42490 a 42536, com as bases legais da autuação do IRPJ à fls. 42500 e 42502. A empresa apresentou impugnação ao auto de infração, em 28/10/2011 (fls. 42540 a 42576), por meio de seu advogado (fls. 42576 a 42599), alegando, em resumo, que: 1 ocorreu a decadência do período de janeiro a agosto de 2006, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, conforme argumentos de praxe, mas para afastála e aplicar a multa qualificada, a fiscalização imputa a si a existência de fraude, em razão de extratos bancários supostamente adulterados; 2 a fiscalização não soube interpretar suas operações financeiras, pois sua atividade não se limita ao transporte de cargas: o agenciamento de carga engloba cotação e contratação de frete internacional e nacional junto às agências marítimas, cias. aéreas, e transportadoras, bem como consolidação desconsolidação de cargas, oferecendo aos seus clientes todo o suporte operacional e logístico do início ao fim das operações de importação e exportação; 3 classificar sua contabilidade como "imprestável" é um erro de interpretação das operações, já que toda sua movimentação foi considerada receita e muitos documentos fornecidos não foram analisados, conforme provaremos; e mesmo que a contabilidade fosse "imprestável", isso não autoriza imputar como receita todos os créditos da sua conta bancária, pois foram entregues elementos suficientes para o arbitramento sobre uma base de cálculo correta, como a sua receita, representada pelas Notas Fiscais emitidas; 4 as "caixas" e "processos" entendidos como documentos imprestáveis embasam as movimentações da empresa, demonstram a origem e destino dos valores depositados em sua conta bancária; apesar do descontentamento da fiscalização, Fl. 96457DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.458 13 todos os elementos solicitados foram fornecidos, de modo que permitiriam a realização da auditoria corretamente; adiante será demonstrada a efetiva comprovação da origem e destino dos valores creditados em conta; afinal, os valores recebidos por agenciadoras de cargas destinamse ao pagamento de impostos, taxas, armazenagem, capatazia, Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, honorários, etc.; 5 a fiscalização imputa a si o cometimento de fraude, apesar da carta do gerente do banco explicando o erro, pois todos os extratos os três fornecidos e o quarto obtido pela fiscalização junto ao Bradesco , foram emitidos pelo banco, de modo que o primeiro, que difere dos demais, traz erro do banco, conforme a referida carta; além disso, apresentou voluntariamente outros dois extratos para comprovar sua boa fé, demonstrando não ter intenção de fraudar; e mais: abriu mão de seu sigilo para a fiscalização solicitar ao banco o extrato; com base na mesma, se houve adulteração de extrato, indagase: por que o banco não foi incluído no pólo passivo como responsável solidário e na representação fiscal para fins penais? 6 quanto ao contrato com a construtora, a fiscalização extrapolou os limites do MPF, com descabidas alusões a fatos estranhos ao objeto deste Auto de Infração, pois foi demonstrada a efetiva saída de valores da sua conta para a da construtora, de modo que não há razão para as observações impertinentes; 7 prova os valores pagos de ICMS e demonstra que o valor sacado da sua conta coincide em data e valor; como, então, considerar todos os valores creditados em conta como receita omitida? Aliás, a fiscalização reconhece o pagamento do ICMS em diversos casos, mas não leva isso em consideração na lavratura do Auto de Infração; vejase que a Samsung, sua principal cliente, com 90% do serviço, adianta valores para o pagamento das despesas de importação, em especial do ICMS, sendo certo que, conforme o Contrato de Prestação de Serviços (Anexo II), recebe R$ 350,00 por importação, cabendo notar que o ICMS é pago no ato de registro da DI e normalmente é depositado pela Samsung um valor aproximado, como adiantamento, para o pagamento do imposto e demais taxas; 8 eis alguns exemplos de incompatibilidade entre a base de cálculo do arbitramento e a documentação fornecida, que demonstram a fragilidade da autuação, visto que esta vem acompanhada de "Relação de Créditos em ContaCorrente do Ano Calendário de 2006 e 2007 do Banco do Brasil", na qual 95% dos valores foram considerados receita, embora a documentação apresentada tenha sido a mesma em todos os casos; demonstrase, assim, a inexistência de um trabalho fiscal documentalmente embasado; não traz todos os "processos" que estão na mesma situação, por ser inviável apresentar toda documentação, pois são inúmeras caixas de documentos; mas, se necessário, toda essa documentação está à disposição; Fl. 96458DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.459 14 9 por exemplo, o caso n.º 1, cujas provas estão no Anexo III, que trata de crédito em 10/02/2006, no valor de R$ 87.442,11, com origem na Samsung Eletr. Da Amazônia Ltda., cujo valor considerado como receita foi R$ 2.047.89; mas tudo está perfeitamente especificado na prestação de contas, sendo R$ 87.442,11 de "ADIANTAMENTOICMS", gastando no desembaraço R$ 92.874,68, sendo credora de R$ 5.389,52; a nota fiscal de serviços n.º 001733 mostra o valor recebido de honorário e o comprovante bancário de 09/03/2006 e a GARE ICMS demonstram que foram recolhidos R$ 85.394,22, de ICMS; demais documentos (recibo, fatura, nota fiscal da mercadoria, guia da União, entre outros) demonstram o pagamento das taxas de liberação, desconsolidação, armazenagem, AFRMM, etc.; 10 o caso n.º 2, cujas provas estão no Anexo IV, que trata de crédito em 19/05/2006, no valor de R$ 211.507,05, com origem na Samsung Eletr. Da Amazônia Ltda., cujo valor considerado como receita foi R$ 158.547,24; mas a Samsung adiantou R$ 211.507,05 para pagamento dos impostos e taxas, valor consistente com R$ 161.245,87 da 1ª prestação de contas e com R$ 50.261,18 da 2ª prestação de contas; a documentação anexa mostra que teve que utilizar do próprio bolso R$ 25.090,07, já que os valores efetivamente devidos foram superiores aos adiantamentos; assim, apenas o ICMS da 1ª prestação de contas (R$ 175.708,82) e da 2ª (R$ 52.959,81) ultrapassa o crédito em sua conta corrente; este "processo" está instruído com notas de serviço, de pagamento de taxas, de imposto, entre outros; 11 eis o caso n.º 3, cujas provas estão no Anexo V, que trata de crédito em 09/05/2007, no valor de R$ 27.890,00, de origem não comprovada, sendo todo o valor considerado receita; mas, no "processo" fornecido constam todos os dados, quais sejam: a origem foi a Ara Química S/A e o valor dos serviços prestados foi R$ 700,00, conforme a nota fiscal de serviços; o valor de R$ 27.890,00 foi o adiantamento para o pagamento dos impostos e taxas, conforme os documentos e prestação de contas anexa; ao final da operação, a Ara Química S/A ficou credora em R$ 331,96; todos esses documentos estavam com a fiscalização que, incompreensivelmente, utilizou como receita o valor integral do depósito em conta; 12 eis o caso n.º 4, cujas provas estão no Anexo VI, que trata de crédito em 05/09/2007, no valor de R$ 30.015,84, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda., cujo valor considerado receita foi de R$ 18.141,12; mas recebeu esse valor de adiantamento, sendo que R$ 7.503,96 eram relativos à 1ª prestação de contas, R$ 7.503,96 à 2ª, R$ 7.503,96 à 3ª, e R$ 7.503,96 à 4ª; os "processo" estão perfeitamente instruídos com todos os comprovantes de pagamento, demonstrando que a receita auferida foi R$ 1.400,00 (R$ 350,00 por processo), com base nas notas fiscais de serviços; 13 como já foi dito, em alguns "processos" foi considerado comprovado o pagamento realizado, tendo por base os mesmos Fl. 96459DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.460 15 documentos apresentados para todos os casos, não tendo sido imputada qualquer receita, mesmo existindo nota fiscal de serviços; eis dois exemplos: a) caso n.º 5, cujas provas estão no Anexo VII, com crédito em 10/03/2006, no valor de R$ 249.112,46, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda.; b) o caso n.º 6, cujas provas estão no Anexo VIII, com crédito em 20/07/2006, no valor de R$ 325.987,54, com origem na Samsung Eletr. Amazônia Ltda. A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação, recebendo a seguinte ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não ocorreu a decadência do direito de lançar IRPJ (Lucro Arbitrado) e reflexos dos dois primeiros trimestres de 2006, pois o art. 150, § 4º, do CTN, não é aplicável se não houve o pagamento antecipado dos tributos referentes à matéria autuada, considerandose existente o pagamento antecipado quando efetuada a declaração do tributo referente à matéria em tela e quando a autuação trata de falta de recolhimento. Neste caso, o início do prazo decadencial referente ao primeiro trimestre de 2006 deuse em 1º de janeiro de 2007, de forma que ao lançamento efetuado em 07/10/2011 não se aplica o instituto da decadência. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Afastada a credibilidade dos valores dos serviços prestados registrados nas Notas Fiscais, correto o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, entendida esta como a receita omitida em conformidade com a presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA. A adulteração de extratos bancários, bem como sua utilização após a constatação de que estavam adulterados para recompor a escrituração do livro Caixa configura fraude. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/07/2012, o qual pode ser assim sintetizado: o auto de infração baseouse exclusivamente em presunções; Fl. 96460DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.461 16 a decisão recorrida manteve a exigência, mas a documentação apresentada demonstraria que os recursos movimentados em suas contas, em sua maioria, se tratava de recursos de terceiros para pagamentos de tributos e outros encargos de seus clientes em suas operações rotineiras de agenciamento de cargas internacionais; anexou documentação que comprovaria seus argumentos; reafirma que houve decadência do lançamento, reafirmando entender aplicarse o art. 150, § 4º, do CTN para contagem do prazo decadencial; a respeito da multa qualificada em razão de suposta adulteração de extratos bancários, argumenta que apresentou documento em que o próprio gerente do Banco Bradesco admitia o erro nos dados apresentados, e que as conclusões da decisão recorrida quanto à manutenção da penalidade qualificada estariam em descompasso com os documentos anexados aos autos e que comprovariam que não houve qualquer falsificação dos extratos bancários, mas sim um erro cometido e assumido pela própria instituição financeira. Frisase que não houve qualquer irresignação quanto ao arbitramento de lucros. Conforme já abordado, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte fosse intimado a comprovar pormenorizadamente, assim como realizado em seu recurso voluntário, a composição de cada um dos depósitos considerados como receita omitida. Após intimação realizada pela unidade de origem, a recorrente apresentou vasta documentação, organizada por instituição financeira, por mês e por operação a fim de comprovar que a receita efetivamente auferida já houvera sido oferecida à tributação e que os recursos transitados em suas contas correntes relacionavamse a recursos de terceiros para pagamento dos tributos e outros encargos referentes ao agenciamento de cargas internacionais. Analisada a documentação, a autoridade fiscal responsável pela execução da diligência elaborou o relatório de fls. 96.30096.302, concluindo que a maior parte dos depósitos, de fato, não se referiam a receitas da recorrente. Eis a tabela que resume o seu entendimento: Fl. 96461DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.462 17 Elaborou ainda quadros demonstrativos, indicando cada um dos depósitos e sua conclusão sobre a comprovação ou não de sua origem, sendo que, quando entendeu não haver comprovação, fez constar o porquê de sua conclusão. Intimada a se manifestar a respeito das conclusões da diligência, a recorrente apresentou o expediente de fls. 96.35896.363. Argumentou que 70% da base de cálculo do lançamento já se mostrava equivocada ante às conclusões da diligência, corroborando o que já argumentara em seu recurso voluntário. Alega, contudo, em que pese ter apresentado toda a documentação, alguns valores foram considerados não comprovados. A fim de demonstrar o erro na avaliação realizada pela autoridade fiscal que executou a diligência, apresentou como exemplos o depósito de R$ 796.779,86, dia 13/03/2006 (Banco do Brasil) e de R$ 311.631,34, dia 09/06/2006 (Banco do Brasil). Com base nesses exemplos, requer que seja considerados como comprovados todos os demais depósitos, exonerandose a totalidade da exigência. Alega ainda que alguns depósitos não puderam ter a documentação comprobatória anexada em razão de uma enchente que destruiu parte dos seus documentos. A esse respeito, anexa comprovantes da ocorrência da enchente, pleiteando o cancelamento integral da exigência. É o relatório. BASE DE CÁLCULO ORIGINAL BASE DE CÁLCULO A SER EXONERADA BASE DE CÁLCULO A SER MANTIDA jan/06 4.923.385,22 4.305.883,45 617.501,77 fev/06 4.222.882,58 3.975.027,95 247.854,63 mar/06 5.244.525,19 4.151.604,53 1.092.920,66 abr/06 3.999.083,94 3.710.723,94 288.360,00 mai/06 2.512.706,60 2.007.701,16 505.005,44 jun/06 9.921.309,48 9.050.310,05 870.999,43 jul/06 5.425.221,02 4.664.838,33 760.382,69 ago/06 5.489.739,93 4.806.894,39 682.845,54 set/06 4.054.079,98 3.403.973,73 650.106,25 out/06 3.880.108,08 3.110.438,24 769.669,84 nov/06 3.953.719,25 3.440.689,38 513.029,87 dez/06 3.354.247,51 2.560.922,43 793.325,08 jan/07 3.386.231,15 1.718.008,74 1.668.222,41 fev/07 4.338.741,56 3.718.214,71 620.526,85 mar/07 6.692.671,82 5.610.153,98 1.082.517,84 abr/07 6.959.986,89 6.008.636,90 951.349,99 mai/07 6.134.857,70 4.883.189,31 1.251.668,39 jun/07 7.302.208,14 5.878.139,77 1.424.068,37 jul/07 8.282.422,01 5.672.634,02 2.609.787,99 ago/07 6.203.465,61 4.738.770,07 1.464.695,54 set/07 5.722.572,48 4.186.599,85 1.535.972,63 out/07 5.319.981,70 3.609.684,26 1.710.297,44 nov/07 8.490.868,49 6.712.946,89 1.777.921,60 dez/07 6.303.375,11 4.537.939,82 1.765.435,29 Fl. 96462DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.463 18 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte foi cientificado da decisão em 18 de julho de 2012, uma quartafeira (fl. 42.943), iniciando a contagem do prazo de 30 dias para interposição de seu recurso no dia 19 de julho de 2012. Desse modo, o termo final para sua apresentação era o dia 17 de agosto de 2012. Logo, tendo sido o recurso voluntário interposto em 25 de julho de 2012 (fl. 42.976), o mesmo mostrase tempestivo. Em consequência, considerando que foram preenchidos os demais pressupostos legais, dele tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A respeito da decadência, é fato incontroverso que não houve pagamento antecipado de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A recorrente alega ter ocorrido decadência referente ao período de janeiro a agosto de 2006. Não lhe assiste razão. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 96463DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.464 19 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 96464DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.465 20 No caso concreto, compulsando os autos, de fato, não identifiquei pagamentos antecipados de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Assim, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que, na ausência de pagamento antecipado, o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Ainda que contados 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador, em relação ao IRPJ e à CSLL, o período de apuração do lucro arbitrado é trimestral, de forma que em relação ao IRPJ e à CSLL só se poderia falar, em tese, em decadência dos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2006. No entanto, na ausência de pagamento antecipado, há que se concluir que o pagamento antecipado não foi efetuado aplicase o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, mesmo sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. No que tange ao PIS e a Cofins, de igual forma, há que se falar em decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro e dezembro de 2006, uma vez que o lançamento foi formalizado antes de 5 anos da ocorrência do fato gerador. Em relação aos demais períodos de apuração relativos ao PIS e a Cofins, na ausência de pagamento antecipado, o início da contagem do prazo também iniciouse somente em 1º de janeiro de 2007, tendo como termo final o dia 31 de dezembro de 2011 de 2011. Logo, tendo sido o lançamento formalizado em 07 de outubro de 2011, não há que se falar em decadência. Assim sendo, rejeito a preliminar de decadência. 3 MÉRITO A recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Fl. 96465DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.466 21 Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Fl. 96466DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.467 22 Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas. Impende concluir que compete ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fl. 96467DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.468 23 autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Fl. 96468DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.469 24 Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Contudo, tal entendimento aplicase somente aos depósitos cuja origem não houve comprovação por parte da recorrente. Conforme já relatado, os autos foram remetidos à unidade de origem a fim de se pudesse fazer uma melhor verificação sobre a origem dos depósitos, em especial em face dos argumentos e documentos apresentados no recurso voluntário e em contraposição à decisão de primeira instância. Após a análise da documentação apresentada pela recorrente no decorrer da diligência, praticamente 70% dos depósitos tiveram sua origem devidamente comprovada, constatandose que, inclusive, as receitas correspondentes já haviam sido oferecidas à tributação. Manifestandose a respeito do resultado da diligência, o recorrente apresentou dois exemplos de que havia depósitos considerados como não comprovados, contudo, teria apresentado a documentação correspondente. A fim de demonstrar o erro na avaliação realizada pela autoridade fiscal que executou a diligência, apresentou como exemplos o depósito de R$ 796.779,86, dia 13/03/2006 (Banco do Brasil) e de R$ 311.631,34, dia 09/06/2006 (Banco do Brasil). Com base nesses exemplos, requer que seja considerados como comprovados todos os demais depósitos, exonerandose a totalidade da exigência. Compulsando os elementos de prova atinentes a tais operações, de fato, assiste razão à recorrente quanto aos depósitos citados, devendo os mesmos serem excluídos das bases de cálculo de todos os tributos exigidos de ofício. Fl. 96469DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.470 25 Contudo, não há como extrapolar tal entendimento aos demais depósitos. Caberia à recorrente indicar quais os demais depósitos considerados como não justificados tiveram análise equivocada por parte da autoridade fiscal. Não o fazendo, prevalece o disposto no art. 42 Lei nº 9.430/96, presumindo se que tais valores correspondem a omissão de rendimentos. No que diz respeito ao pedido que, em razão de enchente e da consequente impossibilidade de comprovar os demais depósitos, se considerasse que os depósitos não justificados teriam sua origem comprovada, ainda que se considere que a documentação que houvera sido destruída pela enchente se referisse justamente a que comprovariam os depósitos não justificados, o que discordo, entendo que continuaria a prevalecer a ausência de comprovação da origem dos depósitos justificados. Assim sendo, consolido na tabela a seguir as bases de cálculos exoneradas e mantidas em decorrência do resultado da diligência e após as comprovações adicionais referentes aos meses de março e junho de 2006: BASE DE CÁLCULO ORIGINAL BASE DE CÁLCULO EXONERADA BASE DE CÁLCULO MANTIDA jan/06 4.923.385,22 4.305.883,45 617.501,77 fev/06 4.222.882,58 3.975.027,95 247.854,63 mar/06 5.244.525,19 4.151.604,53 296.140,80 abr/06 3.999.083,94 3.710.723,94 288.360,00 mai/06 2.512.706,60 2.007.701,16 505.005,44 jun/06 9.921.309,48 9.050.310,05 559.368,09 jul/06 5.425.221,02 4.664.838,33 760.382,69 ago/06 5.489.739,93 4.806.894,39 682.845,54 set/06 4.054.079,98 3.403.973,73 650.106,25 out/06 3.880.108,08 3.110.438,24 769.669,84 nov/06 3.953.719,25 3.440.689,38 513.029,87 dez/06 3.354.247,51 2.560.922,43 793.325,08 jan/07 3.386.231,15 1.718.008,74 1.668.222,41 fev/07 4.338.741,56 3.718.214,71 620.526,85 mar/07 6.692.671,82 5.610.153,98 1.082.517,84 abr/07 6.959.986,89 6.008.636,90 951.349,99 mai/07 6.134.857,70 4.883.189,31 1.251.668,39 jun/07 7.302.208,14 5.878.139,77 1.424.068,37 jul/07 8.282.422,01 5.672.634,02 2.609.787,99 ago/07 6.203.465,61 4.738.770,07 1.464.695,54 set/07 5.722.572,48 4.186.599,85 1.535.972,63 out/07 5.319.981,70 3.609.684,26 1.710.297,44 nov/07 8.490.868,49 6.712.946,89 1.777.921,60 dez/07 6.303.375,11 4.537.939,82 1.765.435,29 Fl. 96470DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.471 26 4 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Cominouse a multa qualificada de 150% em razão de a recorrente supostamente ter adulterado extratos bancários. Alega o recorrente que não haveria de se falar em fraude, uma vez que apresentou inclusive correspondência da própria instituição financeira (Bradesco) assumindo o erro. Além disso, a própria recorrente teria alcançado os extratos com os dados corretos após retificação da informação pelo Bradesco. Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Fl. 96471DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.472 27 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso concreto, em primeiro lugar, há de relembrar que a exigência baseouse em presunção legal. A esse respeito foi editada a Súmula CARF nº 14, assim vazada: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Analisando os argumentos da autoridade fiscal que lavrou a exigência, bem como da decisão recorrida, entendo que a penalidade qualificada não deve prosperar. Transcrevo excerto da decisão recorrida a esse respeito: Os argumentos referentes à carta do gerente e à inexistência de fraude não têm amparo na lógica mais comezinha, como foi demonstrado pela fiscalização ao examinar o fato, no TVF, cabendo lembrar que foi ressaltado que a fiscalizada, ao tentar recompor a escrituração do livro Caixa, utilizou os extratos que àquela altura dos acontecimentos eram sabidamente errados. O argumento de que todos os extratos teriam sido emitidos pelo banco não se sustenta, pois: Fl. 96472DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.473 28 1 a tese apresentada na carta não condiz com a lógica, como demonstra o já referido exame do suposto erro, no TVF; 2 a tentativa de recompor a escrituração do livro Caixa foi feita com base em extratos sabidamente errados; 3 é visível que os extratos fraudados poderiam ter sido impressos em qualquer impressora, com qualquer papel, enquanto os extratos oficiais foram impressos em formulários do Bradesco, de modo que é difícil crer que um gerente de banco pusesse seu emprego em risco assinando a alegada carta; 4 em resumo: nada, absolutamente nada, sugere ou indica a possibilidade de ter havido erro do banco, seja no saldo inicial, seja no saldo final, de modo que não há como acusar o banco de fraude; 5 afinal, o sistema de contas correntes do banco ou bem funciona e nesse caso funciona para todos os correntistas ou bem não funciona, o que não é crível, sobretudo no caso do Bradesco. Portanto, a adulteração dos extratos bancários foi cometida pela impugnante, o que configura fraude, assim como a sua utilização após a constatação da adulteração para tentar recompor a escrituração do livro Caixa. Correta a aplicação da multa qualificada. A recorrente anexou documento subscrito por um gerente do Bradesco assumindo o erro nos saldos informados em alguns extratos. Para afastar as informações ali constantes, há de se ter elementos mais fortes do que meras conjecturas, ainda mais quando os valores incorretos contidos nos autos (discrepâncias entre saldo inicial e final de alguns períodos). Cumpre esclarecer que tal discrepância, se muito, poderia ter algum impacto na reescrituração do livro caixa então em andamento, mas em nada interferiria com a principal infração sob exame (depósitos bancários), ainda mais quando tal infração, ao fim e ao cabo, foi reduzida em mais de 70% do valor lançado em razão da comprovação da origem dos depósitos bancários considerados pela autoridade fiscal como receita omitida. Desse modo, voto por reduzir a penalidade a 75% . Fl. 96473DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721488/201100 Acórdão n.º 1402002.082 S1C4T2 Fl. 96.474 29 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das receitas omitidas os valores consignados na tabela constante ao final do item 3 deste voto e para reduzir a multa cominada para 75%. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 96474DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10314.006145/2010-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/04/2010, 11/05/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/04/2010, 11/05/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 61 45 /2 01 0- 14 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 237), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.588, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e julgou procedente os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora em face do depósito judicial do montante integral antes da ocorrência do fato gerador dos tributos contestados Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 01 a 22, cientificados em 19.08.2010, em que são exigidos os impostos de importação e sobre produtos industrializados, vinculado à importação, e as contribuições PISimportação e COFINS~ importação, todos acrescidos dos juros de mora calculados até 30.07.2010, perfazendo um montante de R$ 41.532,26. A empresa epigrafada, através das declarações de importação (DI) nº 10/06978552 e 10/06960602, ambas registradas em 29.04.2010, importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre as respectivas operações por força da concessão da antecipação de tutela recursal obtida nos autos do Agravo de Instrumento nº 000948031.2010.4.03.000/ SP (processo nº 2010.03.00.0094800/ SP), interposto contra o indeferimento da liminar pleiteada nos autos do Mandado de Segurança nº 001880075.2009.403.6100 (antigo 2009.61.00.0188005), impetrado perante a 10ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006145/201014 Acórdão n.º 3802004.132 S3TE02 Fl. 239 3 A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no Memorando nº 138/2010 (fls. 116). No referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “Nos autos do Agravo de Instrumento nº 000948031.2010.4.03.000/ SP (processo nº 2010.03.00.0094800/ SP), interposto contra a liminar indeferida nos autos do Mandado de Segurança nº 001880075.2009.403.6100 (antigo 2009.61.00.0188005), impetrado pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN CNPJ 60.765.823/000130, contra a União Federal, o Juízo da 10ª Vara Federal/SP, assim se manifestou: CONCEDO a antecipação de tutela recursal para determinar o prosseguimento do desembaraço aduaneiro, condicionado à regularidade e suficiência dos depósitos judiciais efetuados.” A autoridade lançadora salienta também que: “(...) Assim, deixou de comprovar seu direito à imunidade pleiteada, e, na qualidade de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao MEMO nº 138/20410 GAB/IRFSPO de 05/05/2010, visando salvaguardar os direitos da Fazenda Nacional, com PREVENÇÃO À DECADÊNCIA, procedo a lavratura do presente AUTO DE INFRAÇÃO, constituindo o crédito tributário relativo ao (...), que por força do artigo 151, inciso V da Lei nº 5172/66, do CTN, com redação da LCP nº 104/2001, fica com sua exigibilidade suspensa, até decisão do mérito.” Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu, em 10.09.2010, defesa administrativa às fls. 127 a 138, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0188005, originário da 10ª Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial de fls. 50 a 64, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão, cita doutrina e jurisprudência sobre o tema em debate. Prosseguindo, defendese alegando que com o depósito do montante integral dos tributos não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 juros. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/04/2010, 11/05/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS.RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/04/2010, 11/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR OS EFEITOS DA DECADÊNCIA. REALIZAÇÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL ANTES DO FATO GERADOR. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INAPLICÁVEIS OS JUROS DE MORA. Inexigíveis os juros de mora quando o lançamento é efetuado para prevenir o crédito tributário dos efeitos decadência e cuja exigibilidade já se encontrava suspensa pela existência de depósito judicial do montante integral, realizado antes do fato gerador do respectivo tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) alega que com o depósito do montante integral dos tributos não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos juros; (iii) nulidade da decisão recorrida or ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006145/201014 Acórdão n.º 3802004.132 S3TE02 Fl. 240 5 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 237), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) com o depósito do montante integral dos tributos não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos juros; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Quanto ao item (ii) da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela, a Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não obstante, quanto ao acima asseverado, cabenos observar que essa matéria já foi analisada e decidida favoravelmente a Recorrente pela decisão a quo (fls. 203/209), conforme trecho do voto abaixo reproduzido (grifamos): "(...) Portanto, efetuado o depósito do montante integral do tributo lançado e/ou litigado até o vencimento da respectiva obrigação tributária, descabe a exigência de juros de mora, conforme inúmeros pronunciamentos jurisprudenciais, a exemplo dos Acórdãos CSRF/0201095, de 22.01.2002; CSRF/0202071, de 17.10.2005; Acórdão CSRF/0202172, de 23.01.2006 e, por derradeiro, da Súmula 07, editada pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, em vigor a partir de 12.01.2007, que esclarece: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Com efeito, como a contribuinte não estava obrigada a efetuar o pagamento em razão de disposição expressa do artigo 151, inciso II do CTN, que aponta o depósito do seu montante integral como causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, segue que não ocorreu a aventada mora, o que torna indevida a exigência dos respectivos juros mora. Da mesma forma verificase o texto da ementa do Acórdão recorrido: Inexigíveis os juros de mora quando o lançamento é efetuado para prevenir o crédito tributário dos efeitos decadência e cuja exigibilidade já se encontrava suspensa pela existência de depósito judicial do montante integral, realizado antes do fato gerador do respectivo tributo. Posto isto, essa matéria também não deve ser conhecida. Ao seu turno, o item (iii) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos haver sido feita a juntada de cópia da petição inicial do writ do Mandado de Segurança nº 001880075.2009.4.03.6100, originário da 10ª Vara Cível Federal da Seção de São Paulo (SP), bem como cópia do Agravo de Instrumento nº 0009480 31.2010.4.03.0000/SP, que estão noticiadas nos autos às fls. 52 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. A suspensão concedida no Agravo de Instrumento citado, inclusive, nos termos da autuação, com depósito judicial dos tributos em questão. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006145/201014 Acórdão n.º 3802004.132 S3TE02 Fl. 241 7 requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Merece destaque ainda o contido no Relatório da Decisão DRJ às fls. 203/209, ficando consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 2009.61.00.0188005, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 10ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio das declarações de importação (DI) nº 10/06978552 e 10/06960602, ambas registradas em 29.04.2010, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (iii) do Recurso Voluntário, relativo a o pleito da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamo a ele. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 001880075.2009.403.6100 (processo nº 2009.61.00.0188005), impetrado perante a 10ª Vara Cível Federal de São Paulo/SP, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Naquela demanda, após ter sido indeferido seu pedido de liminar pleiteada, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento nº 000948031.2010.4.03.000/SP (processo nº 2010.03.00.0094800/SP). Foi concedido a antecipação de tutela recursal. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Em sua peça impugnatória, a Recorrente alerta que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0188005, originário da 10ª Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006145/201014 Acórdão n.º 3802004.132 S3TE02 Fl. 242 9 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13830.720239/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
ÁGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA.
O ágio na aquisição de participação da sociedade realizada por empresa do mesmo grupo empresarial e posteriormente incorporada pela Recorrente, sem alteração da composição do controle acionário da mesma e sem fundamento econômico.
MULTA DE OFÍCIO.
Mantida em respeito ao principio da estrita legalidade.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1402-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES, PAULO MATEUS CICCONE E DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. O ágio na aquisição de participação da sociedade realizada por empresa do mesmo grupo empresarial e posteriormente incorporada pela Recorrente, sem alteração da composição do controle acionário da mesma e sem fundamento econômico. MULTA DE OFÍCIO. Mantida em respeito ao principio da estrita legalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 02 39 /2 01 4- 82 Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.479 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES, PAULO MATEUS CICCONE E DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.480 3 Relatório RAIZEN TARUMÃ LTDA, recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto DRJRPO, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A autuação trata segundo o Relatório Fiscal (fls.940/946) dos seguintes pontos: O Auto de Infração, trata de três pontos principais: 1 Ausência de partes independentes onde foi criado o ágio. (empreses do mesmo grupo). 2 Falta de materialidade do ágio, eis que "não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora" (Relator Moisés Giancomelli Nunes da Silva, no acórdão 1402.001332, de 06/03/2013, da 4 Câmara , 2 Turma Ordinária, da Primeira Seção). 3 No presente caso, em relação a expectativa de rentabilidade futura da sociedade, calculada no Laudo de Avaliação de março de 2009 (do ágio ora glosado), foi considerada a unidade de produção de Paraguaçu Paulista/SP, denominada Destilaria Paraguaçu (fls. 317 e 732), que foi adquirida em novembro de 2007, com àgio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, conforme Laudo de Avaliação de novembro de 2007 (fls. 865/899), apresentado em procedimento específico. Resumo das operações societárias. A seqüência cronológica das operações societárias foi a seguinte. Em 12/03/2009, a Cosan e a Nova América decidem se associarse, por meio de uma reorganização societária abrangendo os dois grupos. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.481 4 Em 31/03/2009, a Nova América Tranding adquire participação societária na Nova América Agroenergia por meio de aumento de capital, integralizado pela Trading com parcelas de crédito detidos face a Agroenergia. (Foi aqui que foi gerado o ágio ora glosado). Em 30/04/2009, ocorreu a cisão parcial da Nova América Agroenergia, ficando parte de seu patrimônio para a Rezende Barbosa, a empresa sócia majoritária e controladora da Tranding e da Agroenergia. No mesmo momento, a Rezenda Barbosa integralizou o capital da Curupay com 66,26% da participação societária detida na Nova América Agroenergia e 100% da participação da Nova América Trading. Cumpre ressaltar que a empresa Curupay pertencia ao grupo da Nova América Agroenergia, conforme fl. 67 do Laudo da Brasil Accounting de fls. 252/355 dos autos, ou seja, empresa que pertence ao mesmo grupo e tendo também como principal acionista a Rezende Barbosa. Em 18/06/2009, ocorre a incorporação da Curupay pela Cosan S.A.. A Rezende Barboza troca ações que tinha com a Curupay por 44.300.389 ações da Cosan, aumentando o capital da Cosan em R$ 4.153.941.887,37, passando a Cosan a ter o lugar da Curupay e a Rezende Barbosa passou a ter 11,89% da Cosan. Em 04/08/2009, a Nova América Agroenergia, altera o nome para Cosan Alimentos S.A. Em 18/11/2009 a Nova América Agroenergia, incorporou a Nova América Trading, alterando sua denominação para Cosan Alimentos, momento em que o ágio começou a ser deduzido. Ato continuo, a Cosan Alimentos altera seu nome para Raizen Tarumã Ltda., ora Recorrenete. (fls. 1237) Resumo da operação societária segundo a autuação para glosar os créditos : Tratase de ágio gerado na subscrição e integralização de capital pela sucedida Nova América S.A. Trading. (demonstrativo das amortizações realizadas (fls. 305 e 719) e Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da empresa Nova América S/A Agroenergia, de 31/03/2009 de fls. 306/339 e 721/754). Em 31/03/2009 a Nova América Agroenergia deliberou aumento de capital, no montante de R$ 237.515.000,00, sendo emitidas 47.503 ações nominativas em favor da coligada Nova América Trading, por conta de créditos (adiantamentos a fornecedores) da Trading face à Agroenergia. Ambas as pessoas jurídicas possuíam os mesmos acionistas quando da subscrição de capital na Agroenergia pela Trading. (Livros de Registro de Ações às fls. 796/848). Em razão da avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial (embora o cálculo correto seja: 47.503 ações do total de 226.598 ações, equivalem Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.482 5 a 20,96% do Patrimônio Líquido, que totalizava R$ 631.037.362,35, resultando na participação de R$ 132.265.431,14 e ágio de R$ 105.249.568,86), o investimento da Trading foi contabilizado em seu ativo, desdobrado nos seguintes valores (Razões das contas do Patrimônio Líquido, de Investimentos, e de Ágio às fls. 860/864): Participação em controladas: R$ 115.622.468,00; Ágio na aquisição de investimentos: R$ 121.892.532,00. O ágio contabilizado teve como fundamento econômico o valor da rentabilidade da coligada com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, atestado em Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira, subscrito em 31/03/2009, pela Brasil Accouting Assessoria e Consultoria Contábil Ltda (fls. 306/339 e 721/754). Em 18/11/2009, a Cosan Alimentos (nova razão social da Agroenergia – a fiscalizada) incorporou a Nova América Trading, passando a deduzir o ágio de R$ 121.892.532,00 na apuração do seu lucro real, via exclusão no LALUR, à razão de 1/60 avos por mês. (Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 18 de novembro de 2009 que deliberou acerca da incorporação da Nova América S/A Trading, de fls. 343/345 e 760/762 e Protocolo de Justificação de Incorporação da Nova América S/A – Trading pela Cosan Alimentos S/A de fls. 346/350 e 763/767). Para completar o relatório entendo por pertinente, transcrever trechos do relatório do v. acórdão recorrido, que por sua vez, colaciona praticamente todo o Relatório Fiscal que fundamentou o Auto de Infração: “Tratase de autos de infração, fls. 901939, relativo ao IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 40.564.877,60 (inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até fevereiro/2014). I) DA AUTUAÇÃO Consoante Relatório fiscal de fls. 940946, parte integrante dos autos de infração, a Fiscalização constatou que: "(...) 3. Relativamente à matéria ora tributada, o sujeito passivo foi intimado (fls. 2/3 e 382/384) a apresentar documentação comprobatória de listadas exclusões efetuadas na apuração do Lucro Real, sendo que informou (fls. 258 e 610) tratarse de ágio gerado na subscrição e integralização de capital pela sucedida Nova América S/A—Trading, apresentando os seguintes documentos: a) Demonstrativo das amortizações realizadas (fls. 305 e 719); b) Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da empresa Nova América S/AAgroenergia, de 31/03/2009 (fls. 306/339 e 721/754); c) Ata de Reunião do Conselho de Administração realizada em 31 de março de 2009 que aprovou a subscrição e integralização de capital pela Nova América S/A Trading (fls. 340/342 e 756/758) e; d) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 18 de novembro de 2009 que deliberou acerca da incorporação da Nova América S/A Trading (fls. 343/345 e 760/762); Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.483 6 e) Protocolo de Justificação de Incorporação da Nova América S/A – Trading pela Cosan Alimentos S/A ( fls. 346/350 e 763/767); f) Laudo de Avaliação Contábil, de 01/11/2009 (fls. 351/355 e 768/772). 4. Portanto, a operação que resultou o ágio, em 31/03/2009, envolveu as seguintes pessoas jurídicas: > NOVA AMÉRICA S/A AGROENERGIA, CNPJ 62.092.739/000128 (atual razão social: Raízen Tarumã S/A a fiscalizada); e > NOVA AMÉRICA S/A TRADING, CNPJ 02.992.296/000108 (baixada por incorporação pela COSAN ALIMENTOS S/A, CNPJ 62.092.739/000128, com atual razão social: Raízen Tarumã S/A a fiscalizada). 5. Ambas as pessoas jurídicas possuíam os mesmos acionistas quando da subscrição de capital na Agroenergia pela Trading, a saber (Livros de Registro de Ações às fls. 796/848): 6. Em 31/03/2009 a Agroenergia deliberou aumento de capital, no montante de R$ 237.515.000,00, sendo emitidas 47.503 ações nominativas em favor da Trading, por conta de créditos (adiantamentos a fornecedores) da Trading face à Agroenergia. 7. Em razão da avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial (embora o cálculo correto seja: 47.503 ações do total de 226.598 ações, equivalem a 20,96% do Patrimônio Líquido, que totalizava R$ 631.037.362,35, resultando na participação de R$ 132.265.431,14 e ágio de R$ 105.249.568,86), o investimento da Trading foi contabilizado em seu ativo, desdobrado nos seguintes valores (Razões das contas do Patrimônio Líquido, de Investimentos, e de Ágio às fls. 860/864): Participação em controladas: R$ 115.622.468,00; Ágio na aquisição de investimentos: R$ 121.892.532,00. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.484 7 8. O ágio contabilizado teve como fundamento econômico o valor da rentabilidade da coligada com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, atestado em Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira, subscrito em 31/03/2009, pela Brasil Accouting Assessoria e Consultoria Contábil Ltda (fls. 306/339 e 721/754). 9. Em 18/11/2009, a Cosan Alimentos (nova razão social da Agroenergia – a fiscalizada) incorporou a Trading, passando a deduzir o ágio de R$ 121.892.532,00 na apuração do seu lucro real, via exclusão no LALUR, à razão de 1/60 avos por mês, a saber: 10. Tais deduções são indevidas, uma porque o investimento que gerou o ágio não tem o respaldo do artigo 386, inciso III, do RIR/99 (Decreto n° 3.000/1999), vez que é da essência de tal dispositivo que o ágio seja gerado entre partes independentes. Não há que se falar em ágio entre empresas de um mesmo grupo econômico, porque o ágio só assume condições de dedutibilidade quando gerado na combinação de vontades de pessoas independentes de fato. Ou seja, quando essa combinação de vontades é o resultado de uma pessoa (compradora) querendo pagar menos pelo ativo e a outra pessoa (vendedora) querendo receber mais pelo ativo. No presente caso, no ato do investimento, os acionistas da investidora e da investida eram os mesmos. (...) 14. A outra porque "não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde sabidamente se constata que não haverá tributação, na empresa investida, do valor que gerou o ágio na empresa investidora" (Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva, no Acórdão n° 1402.001.332, de 06/03/2013, da 4 a Câmara/2a Turma Ordinária, da Primeiro Seção de Julgamento, do CARFConselho Administrativo de Recursos Fiscais), como é o presente caso. 15. Como particularidade da "indústria do ágio", temos no presente caso o fato de que, na expectativa da rentabilidade futura da sociedade, calculada no Laudo de Avaliação de março/2009 (ágio ora glosado), foi considerada, entre outras, a unidade de produção de Paraguaçu Paulista/SP, denominada Destilaria Paraguaçu Ltda (fls. 317 e 732), que foi adquirida em novembro/2007, com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.485 8 futura, conforme Laudo de Avaliação, de novembro/2007 (fls. 865/899), apresentado em procedimento específico, ágio este, dedutível porque gerado em transação envolvendo partes independentes. (A Paraguaçu Paulista Destilaria Paraguaçu Ltda, pertence ao grupo da Nova América Agroenergia). 16. O que salta aos olhos no presente caso é que a Destilaria Paraguaçu, que lá em novembro/2007, teve a sua rentabilidade estimada pelos próximos 10 anos, para fundamentar o ágio pago no negócio ali entabulado, teve, em março/2009, a sua rentabilidade novamente estimada pelos próximos 10 anos para fundamentar o ágio interno ora combatido. Será isso ágio sobre ágio? 17. Portanto, o ágio em questão não tem o amparo legal para as deduções feitas pelo sujeito passivo, via exclusão na apuração do Lucro Real, caracterizando despesa desnecessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, impondose a sua glosa." Complemento o relatório do v. acórdão recorrido, com partes do TVF que entendo importantes para a compreensão dos fastos ocorridos. [...] A Recorrente apresentou impugnação de fls.1130 e seguintes, descrevendo os fatos, requerendo o total cancelamento do Auto de Infração e junta documentos de fls. 953/1127. As principais alegações da Recorrente em sua impugnação foram as seguintes: Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.486 9 A Recorrente alega em sua impugnação que os requisitos previstos em lei para o aproveitamento fiscal do ágio foram integralmente observados pelas empresas envolvidas na operação. Que a alegação da Fiscalização para glosar o ágio em questão, com base no entendimento de que seria indevido o registro de ágio nas reorganizações societárias dentro do mesmo grupo de empresa, não tem fundamento legal e que tal entendimento já foi afastado pela jurisprudência do CARF. Afirma que a legislação contábil apontada no TVF não deve ser aplicada em matéria tributária, não servindo, portanto, para obstar a dedutibilidade na apuração do Lucro Real, de despesas relativas à amortização do ágio, conforme reconhecido pela doutrina especializada e pela jurisprudência do CARF. Aduz que a legislação tributária não condiciona a dedução do ágio ao oferecimento à tributação pela empresa investida do valor correspondente ao ágio, tratandose de benefício fiscal condicionado tão somente ao cumprimento dos requisitos previstos nos art. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 e que é irrelevante o tratamento fiscal dado à receita relativa ao ágio. E mesmo que assim não fosse, seria necessário observar a tributação, na empresa investida, a receita relativa ao ágio pode ser diferida, quando registrada em conta de reserva de reavaliação (art.24 do Decretolei n° 1.958/77). Alega que apesar de não ter sido objeto de questionamento pela Fiscalização, a Recorrente demonstrou que havia propósito negocial no presente caso, sendo que a operação societária de reestruturação se deu devido (i) à contenção de despesas; (ii) pela redução do número de operações intercompany; (iii) a facilitar a parametrização no SAP; e (iv) à melhora na qualidade das informações prestadas em balanços, demonstrandose portanto a existência de propósito negocial, sendo que o ágio foi uma mera consequência. E ainda que não fosse demonstrado o propósito negocial da subscrição das ações da aquisição da Recorrente pela Nova América Tranding, o aproveitamento de ágio registrado em operações dessa natureza não é vedado pela legislação, conforme reconhece o CARF. Aduz que não deveria gerar perplexidade à Fiscalização o fato da Destilaria Paraguaçu (que havia sido adquirida com ágio pela Recorrente) também ter sido levada em consideração para fins da avaliação da expectativa de rentabilidade futura da impugnante, porque esse tipo de avaliação, naturalmente, leva em conta todos os ativos da empresa avaliada e a rentabilidade a eles atrelada (que, aliás, foi confirmada com o passar do tempo); Alega que a Fiscalização cometeu um erro quanto o valor do patrimônio líquido da Recorrente a ser utilizado no cálculo do ágio, em contrariedade ao art. 20 do Decretolei n° 1.958/77. Por fim afirma que é indevida a aplicação de juros sobre multa de ofício. Ato contínuo, foi proferido v. acórdão de fls.1347/1361 afastando as alegações da contribuinte e mantendo integralmente o Auto de Infração, nos seguintes termos. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.487 10 Inicia o voto vencedor do v. acórdão recorrido aduzindo que o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações da defesa e nem a todos os fundamentos nela indicados, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão e apresenta jurisprudência do STJ para embasar este entendimento. Em seguida passa ao voto. Glosa da amortização de ágio. Ágio interno. Pois bem. A matéria é recorrente neste Colegiado e meu posicionamento já conhecido: a amortização do ágio interno, ou ágio de si mesmo, não tem amparo na legislação tributária e, principalmente, fere os princípios básicos da incidência do IRPJ e CSLL haja vista que se trata de uma despesa artificial que desequilibra a apuração desses tributos, reduzindo indevidamente suas bases de cálculo. O litigo é similar em premissas e conclusões ao manifestado por este julgador, quando do julgamento que resultou no Acórdão nº 140200.802. Nos termos do voto condutor do aludido acórdão, prevaleceu o entendimento de que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. A meu ver, no presente caso, a segunda premissa básica não foi cumprida, razão pela qual não restou demonstrado o propósito negocial da operação. Isso porque, conforme comprovado pela Fiscalização, "Não há que se falar em ágio entre empresas de um mesmo grupo econômico, porque o ágio só assume condições de dedutibilidade quando gerado na combinação de vontades de pessoas independentes de fato. Ou seja, quando essa combinação de vontades é o resultado de uma pessoa (compradora) querendo pagar menos pelo ativo e a outra pessoa (vendedora) querendo receber mais pelo ativo. No presente caso, no ato do investimento, os acionistas da investidora e d a investida eram os mesmos". Em verdade não houve ingresso de novos recursos na empresa. De outro lado, não ocorreu tributação de ganho de capital para equilibrar a equação tributária. Está patente nos autos que o contribuinte pretendeu reduzir seu lucro tributável, artificialmente, aproveitandose da sua própria expectativa de lucros. Definitivamente esse procedimento não tem amparo na legislação do IRPJ/CSLL, tratase de uma despesa forjada, que não atende aos pressupostos de dedutibilidade de despesas necessidade, efetividade e usualidade, consagrados no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999 (RIR/99). É certo que no caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da Contribuinte. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.488 11 Vejamos, pois, a redação dos dispositivos legais aplicáveis ao procedimento do contribuinte: Decretolei nº 1598/1977 [...] Lei n° 9.532/1997 [...] Nos dispositivos acima inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Ora, não há dúvidas quanto a intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos, tendo ele praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditória, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para aproveitar o ágio. A criação de empresa veículo para esse fim era prática normal à época, tanto que foi objeto de normatização pela CVM (Instrução CVM 349/2001). Por seu turno, a própria Lei 9.732/1997, art. 8o., versou sobre aspectos relativos a incorporação da controlada pela controladora. Todavia, estamos diante de um planejamento irregular: um negócio forjado para obter beneficio tributário indevido (despesa não necessária), apesar de realizado às claras. Logo, correta a glosa da amortização do agio, a bem assim a multa de oficio deve ser reduzida para 75%. Exigência da CSLL Quanto a exigência da CSLL isso porque após a vigência do art. 28 da Lei n° 9.430/1996, “Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei”, ou seja, as mesmas normas aplicáveis ao IRPJ. Neste sentido reforçam as seguintes normas legais: • Lei n° 9.532, de 1997, art. 60; • Lei n° 9.779, de 1999; • Lei n° 9.959, de 2000; • Lei n° 10.426, de 2002, art. 5º; • Lei n° 10.637, de 2002, art. 35; • Lei n° 10.931, de 2004, arts. 3º e 4º; • Lei n° 11.051, de 2004, art. 1º; • MP nº 2.15835, de 2001, arts. 6º, 7º, 21, 30, 34, 41, 74, e 83. Os julgamentos do CARF tem reiterado esse entendimento, a exemplo do acórdão CSRF 01 04.686. Portanto, cabe manter a exigência da CSLL sobre a glosa da amortização do ágio. O erro no critério para apuração do ágio pela Fiscalização Aduz a impugnante (fl. 32 da peça impugnatoria): "120. Além dos equívocos acima demonstrados, a Fiscalização também falhou na escolha do critério para fins de apuração do valor do ágio em exame. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.489 12 121. Observese que, para determinar o valor do patrimônio líquido da IMPUGNANTE em março de 2009, a Fiscalização considerou o montante correspondente ao seu patrimônio líquido em 31/12/2008, acrescido dos valores relativos (i) ao adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC) efetuado pela REZENDE BARBOSA em 16/02/2009, e (ü) ao capital subscrito pela TRADING em março de 2009, totalizando o montante de R$ 631.037.362,35, conforme demonstrativo anexo (DOC. 21). 122. No entanto, a Fiscalização está equivocada, pois o ágio deveria ter sido calculado com base no valor do patrimônio líquido à época da operação societária, em março de 2009, em observância do art. 20 do Decretolei n° 1.598/1977, qual seja, o montante de R$ 551.540.323,35. 123. Resta claro o erro quanto à data de apuração do valor do patrimônio líquido da IMPUGNANTE utilizado pela Fiscalização no cálculo do ágio: a operação societária foi realizada em março de 2009, e a Fiscalização considerou o patrimônio líquido ajustado de dezembro de 2008. 124. Portanto, uma vez reconhecida a improcedência das acusações fiscais quanto às questões de mérito objeto da autuação, também deve ser afastado o cálculo sugerido pela Fiscalização para apuração do ágio registrado pela TRADING na aquisição de participação societária na IMPUGNANTE em março de 2009." Verificase, de plano, que a impugnante equivocase em suas alegações. Isso porque o procedimento fiscal glosou a despesa de ágio efetivamente amortizado, conforme expresso na fl. 3 do Relatorio Fiscal, verbis: Portanto, eventuais equívocos na apuração do ágio são irrelevantes, haja vista que está correto o procedimento fiscal que glosou integralmente a despesa.” Por fim, afasta as alegações da Recorrente em relação a cobrança de juros sobre multa de ofício. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.490 13 Cumpre esclarecer que o Julgador menciona que a multa aplicada ao presente caso deveria ser reduzida para 75%, entretanto, fazendo menção de que o Auto de Infração havia aplicado multa qualificada, fato este que não ocorreu. O Auto de Infração apenas aplicou multa de oficio de 75% e não a qualificada, porém não vejo prejuízo a defesa o aos direitos aqui defendidos pela Recorrente. Em seguia, inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.1367/1436, alegando o seguinte: Preliminarmente, alega que o v. acórdão da DRJ inovou o lançamento ao fundamentar a manutenção do Auto de Infração entendendo que não teria ocorrido pagamento na operação de aumento de capital da Recorrente (fls. 10 do acórdão), acrescentando assim novo argumento a autuação, o que não pode ser admitido, sob pena de cerceamento de defesa. De resto repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.491 14 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida A Recorrente alega preliminarmente, que a decisão recorrida teria inovado o lançamento. Argumenta que o v. acórdão da DRJ/RPO inovou o lançamento ao também fundamentar a manutenção do Auto de Infração com o entendendo de que não teria ocorrido pagamento na operação de aumento de capital da Recorrente (fls.10 do acórdão), acrescentando assim novo argumento a autuação, o que não pode ser admitido, sob pena de cerceamento de defesa. Com efeito, entendo que as razões de defesa são descabidas. Não houve inovação do lançamento, mas apenas sua ratificação utilizandose outros termos. Vejase o trecho de interesse na decisão recorrida: "O litigo é similar em premissas e conclusões ao manifestado por este julgador, quando do julgamento que resultou no Acórdão nº 140200.802. Nos termos do voto condutor do aludido acórdão, prevaleceu o entendimento de que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. A meu ver, no presente caso, a segunda premissa básica não foi cumprida, razão pela qual não restou demonstrado o propósito negocial da operação. Isso porque, conforme comprovado pela Fiscalização, "Não há que se falar em ágio entre empresas de um mesmo grupo econômico, porque o ágio só assume condições de dedutibilidade quando gerado na combinação de vontades de pessoas independentes de fato. Ou seja, quando essa combinação de vontades é o resultado de uma pessoa (compradora) querendo pagar menos pelo ativo e a outra pessoa (vendedora) querendo receber mais pelo ativo. No presente caso, no ato do investimento, os acionistas da investidora e da investida eram os mesmos". Em verdade não houve ingresso de novos recursos na empresa. De outro lado, não ocorreu tributação de ganho de capital para equilibrar a equação tributária. Está patente nos autos que Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.492 15 o contribuinte pretendeu reduzir seu lucro tributável, artificialmente, aproveitandose da sua própria expectativa de lucros. Definitivamente esse procedimento não tem amparo na legislação do IRPJ/CSLL, tratase de uma despesa forjada, que não atende aos pressupostos de dedutibilidade de despesas necessidade, efetividade e usualidade, consagrados no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999 (RIR/99)." Desta forma, rejeito, a preliminar de nulidade da decisão recorrida por ter inovado o lançamento. Do mérito Em sua defesa a autuada alega que atendeu a todos os requisitos legais para aplicar a dedução fiscal do ágil pago na aquisição de participação societária em coligada ou controlada, sendo que demonstrou o propósito negocial, registrando tais fatos em sua escrituração; que não realizou planejamento tributário, mas apenas exerceu uma opção legal para proceder reorganização societária, reduzir o nível de endividamento sendo, portanto, uma conduta lícita e expressamente prevista pelo legislador. Tais alegações, não restaram comprovados documentalmente nos autos. Ademais, não há questionamento nos autos de que a conduta da Recorrente tenha praticado algum ato ilícito . Isto posto, a controvérsia cingese à existência ou não de artificialismo nas operações societárias realizadas para o fim de se considerar amortizável o ágio gerado na subscrição e integralização de capital pela sucedida Nova América S.A. Trading, onde a Nova América Agroenergia, empresa do mesmo grupo, deliberou aumento de capital, no montante de R$ 237.515.000,00, sendo emitidas 47.503 ações nominativas em favor da coligada Nova América Trading, por conta de créditos (adiantamentos a fornecedores) da Trading face à Agroenergia, empreses estas, incorporadas pela Cosan Alimentos S.A., sociedade posteriormente denominada/sucedida pela Raizen Tarumã, ora Recorrente, para aproveitamento do benefício fiscal mencionado. Conforme pode se verificar, o ágio que está sendo discutido nos autos foi criado internamente pelas empresas coligadas do grupo da Nova América, que tem como controladora a empresa Rezende Barbosa e, é este o ágio que está sendo discutido nos autos. Assim, de acordo com o histórico das operações societárias apontado pelo Agente Fiscal e pela Recorrente em sua defesa e recurso, entendo que o ágio foi criado internamente por meio de operação societária do mesmo grupo. Tanto foi assim, que em face da incorporação da empresa Curupay, não consta dos autos qualquer registro de ágio pela Cosan, bem como restou claro que a Cosan não participou de qualquer ato relacionado ao aumento de capital da Agronergia pela Trading. Sendo assim, demonstrase que por meio de ágio interno registrado, o grupo empresarial aproveitou a extinção de créditos entre pessoas ligadas para criar uma despesa dedutível,optando por transformar o crédito em aumento de capital com o registro de ágio seguido da incorporação de uma empresa pela outra. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.493 16 Desta forma, como os dispositivos legais previstos no RIR/99 artigos 385, 386, 391 e 426, apenas autorizam a dedutibilidade do ágil na aquisição de participação societária (incorporação, fusão ou cisão) quando as operações realizadas estejam fundamentadas em fatos existentes não só no plano jurídico mas principalmente no plano econômico, não podendo tais fatos estarem limitados à própria fruição do benefício, ou como forma de redução do montante do imposto a pagar, não resta dúvida que a autuação procede. Esta interpretação decorre da observância do principio da prevalência da substância sobre a forma, reforçado em nosso ordenamento jurídico com a promulgação do Código Civil de 2002, ao qual determina que todos os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé (art. 113), bem como conceitua como ato ilícito aquele exercido manifestamente com excesso dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé, ou pelos bons costumes (art. 187). Do suposto propósito negocial das operações Há que se verificar, portanto, se operações societárias foram montadas para obtenção do benefício fiscal sem que de fato tenha algum propósito negocial, de cunho econômico extratributário. Verificada tal hipótese configurarseia o abuso do direito de auto organização da sociedade, por ausência de fundamento econômico. Vale dizer, tal ato seria ilícito, e, conseqüentemente, não poderia beneficiarse a autuada dos seus efeitos. Alega a Recorrente, que os atos societários foram praticados devido a intenção de redução do endividamento e segregação de ativos a serem negociados pela Rezende Barbosa, pela reestruturação societária visando a futura associação com a Cosan, bem como proporcionar transparência na operação de aquisição para antigos e novos investidores. Destaco que as alegações apresentadas para justificar as operações realizadas não vieram acompanhadas de provas que corroborassem suas afirmações. Com efeito, as operações societárias, vistas em seu conjunto, tiveram como resultado final a transferência do controle societário, antes pertencentes ao grupo Rezende Barbosa para o grupo Cosan, o que poderia ser realizado de modo direto, sem os atos praticados pelo grupo econômico da autuada. Além disso, não vislumbro a alegada coerência das operações realizadas com o planejamento estratégico do empreendimento econômico do grupo de que a autuada faz parte, de modo que considero que não restou demonstrado que a forma pela qual foram executadas as operações societárias mencionadas tivessem alguma influência na consecução dos objetivos estratégicos de curto ou de longo prazo do grupo Cosan. Da indedutibilidade do ágio Via de regra, a aquisição de participação societária não é considerada despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e, uma vez que a autuada não logrou êxito em demonstrar fundamento econômico que não seja a fruição do próprio benefício fiscal pretendido, o ágio ora discutido tornase indedutível. Do laudo de avaliação apresentado para fundamentar a expectativa de rentabilidade futura: Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.494 17 Conforme o Agente Fiscal de Rendas, o Relatório de AvaliaçãoEconômica Financeira da autuada, elaborado por Brasil Accounting, de fls. 317 e 732, utilizado para servir de parâmetro na análise da fundamentação no ágio pago, contem o seguinte ponto que prejudicam as alegações da Recorrente. Vejamos. "15. Como particularidade da "indústria do ágio", temos no presente caso o fato de que, na expectativa da rentabilidade futura da sociedade, calculada no Laudo de Avaliação de março/2009 (ágio ora glosado), foi considerada, entre outras, a unidade de produção de Paraguaçu Paulista/SP, denominada Destilaria Paraguaçu Ltda (fls. 317 e 732), que foi adquirida em novembro/2007, com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, conforme Laudo de Avaliação, de novembro/2007 (fls. 865/899), apresentado em procedimento específico, ágio este, dedutível porque gerado em transação envolvendo partes independentes. 16. O que salta aos olhos no presente caso é que a Destilaria Paraguaçu, que lá em novembro/2007, teve a sua rentabilidade estimada pelos próximos 10 anos, para fundamentar o ágio pago no negócio ali entabulado, teve, em março/2009, a sua rentabilidade novamente estimada pelos próximos 10 anos para fundamentar o ágio interno ora combatido. Será isso ágio sobre ágio? 17. Portanto, o ágio em questão não tem o amparo legal para as deduções feitas pelo sujeito passivo, via exclusão na apuração do Lucro Real, caracterizando despesa desnecessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, impondose a sua glosa." Ora, da análise do laudo, notase que foi considerado em duplicidade a rentabilidade futura do ágio criado na operação anterior com a empresa Destilaria Paraguaçu. ("Ágio sobre Ágio"). Sendo assim, ante todo o exposto, considero procedente a adição à base cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica dos anos calendário de 2009 a 2012 dos valores relativos a amortização do ágio promovida pela autoridade fiscal, e, de igual modo, por via de conseqüência, as reduções do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, efetuadas na autuação. Da alegação relativa à sobreposição da norma específica sobre a norma geral Alega a Recorrente que não se pode admitir a glosa da despesa do ágio com base em requisitos previstos na norma geral de dedutibilidade (art. 299 do RIR/99), na medida em que existe norma específica (art. 386, inc. III, § 2° do RIR/99) que se sobrepõe ou anula a referida norma geral. Tal afirmação da Recorrente, não procede, eis que conforme se pode verificar no Auto de Infração, o Agente Fiscal utilizou a norma específica do artigo 386, inciso III, para então aplicar o dispositivo 299, ambos do RIR/99, fls. 943. De resto, acompanho o entendimento do v. acórdão recorrido, o qual passo a colacionálo abaixo. "Exigência da CSLL Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.495 18 Quanto a exigência da CSLL isso porque após a vigência do art. 28 da Lei n° 9.430/1996, “Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei”, ou seja, as mesmas normas aplicáveis ao IRPJ. Neste sentido reforçam as seguintes normas legais: • Lei n° 9.532, de 1997, art. 60; • Lei n° 9.779, de 1999; • Lei n° 9.959, de 2000; • Lei n° 10.426, de 2002, art. 5º; • Lei n° 10.637, de 2002, art. 35; • Lei n° 10.931, de 2004, arts. 3º e 4º; • Lei n° 11.051, de 2004, art. 1º; • MP nº 2.15835, de 2001, arts. 6º, 7º, 21, 30, 34, 41, 74, e 83. Os julgamentos do CARF tem reiterado esse entendimento, a exemplo do acórdão CSRF 01 04.686. Portanto, cabe manter a exigência da CSLL sobre a glosa da amortização do ágio. O erro no critério para apuração do ágio pela Fiscalização Aduz a impugnante (fl. 32 da peça impugnatoria): "120. Além dos equívocos acima demonstrados, a Fiscalização também falhou na escolha do critério para fins de apuração do valor do ágio em exame. 121. Observese que, para determinar o valor do patrimônio líquido da IMPUGNANTE em março de 2009, a Fiscalização considerou o montante correspondente ao seu patrimônio líquido em 31/12/2008, acrescido dos valores relativos (i) ao adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC) efetuado pela REZENDE BARBOSA em 16/02/2009, e (ü) ao capital subscrito pela TRADING em março de 2009, totalizando o montante de R$ 631.037.362,35, conforme demonstrativo anexo (DOC. 21). 122. No entanto, a Fiscalização está equivocada, pois o ágio deveria ter sido calculado com base no valor do patrimônio líquido à época da operação societária, em março de 2009, em observância do art. 20 do Decretolei n° 1.598/1977, qual seja, o montante de R$ 551.540.323,35. 123. Resta claro o erro quanto à data de apuração do valor do patrimônio líquido da IMPUGNANTE utilizado pela Fiscalização no cálculo do ágio: a operação societária foi realizada em março de 2009, e a Fiscalização considerou o patrimônio líquido ajustado de dezembro de 2008. 124. Portanto, uma vez reconhecida a improcedência das acusações fiscais quanto às questões de mérito objeto da autuação, também deve ser afastado o cálculo sugerido pela Fiscalização para apuração do ágio registrado pela TRADING na aquisição de participação societária na IMPUGNANTE em março de 2009. Verificase, de plano, que a impugnante equivocase em suas alegações. Isso porque o procedimento fiscal glosou a despesa de ágio efetivamente amortizado, conforme expresso na fl. 3 do Relatorio Fiscal, verbis: Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.496 19 Portanto, eventuais equívocos na apuração do ágio são irrelevantes, haja vista que está correto o procedimento fiscal que glosou integralmente a despesa." Da multa de ofício Apesar do v. acórdão mencionar que a multa aplicada ao presente caso deveria ser reduzida para 75%, fazendo menção de que o Auto de Infração havia aplicado multa qualificada, tal majoração da multa não ocorreu. O Auto de Infração apenas aplicou multa de oficio de 75% e não a qualificada, porém não vejo prejuízo a defesa e aos direitos aqui defendidos pela Recorrente. Sendo assim, em respeito ao principio da estrita legalidade, mantenha a multa de 75% em seus termos. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio A recorrente questiona a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que amparam sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.497 20 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está, pois, na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. Também nesse sentido é a multa de ofício débito decorrente de tributos e contribuições. Isso porque ela resulta, nos exatos termos da alínea a do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização à falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. A jurisprudência neste Conselho é predominante no sentido de que é cabível a apreciação da matéria pelo contencioso administrativo e de que a aplicação da taxa Selic à multa de ofício é correta. Nesse sentido já se manifestou este E. Colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13830.720239/201482 Acórdão n.º 1402002.129 S1C4T2 Fl. 1.498 21 JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. De resto, acompanho os argumentos previstos no v. acórdão recorrido. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 13884.001948/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69.
A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 NULIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 regra que a notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo, podendo ser assinada pelo chefe do órgão expedidor. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE FORA DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 69. A legislação prescreve a aplicação da multa por atraso na entrega da DIRPF, caso esta se dê após o vencimento do respectivo prazo. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF E DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. Matéria já pacificada no âmbito do CARF, conforme respectiva Súmula nº 49: "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". REMISSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe remissão quando ausente previsão legal que a ampare, forte no art. 172, IV do CTN. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 19 48 /2 01 0- 14 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001948/201014 Acórdão n.º 2402004.965 S2C4T2 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.496,95, relativo ao anocalendário 2008 (fl. 12). A notificação decorreu da constatação de que o contribuinte entregou a DIRPF/2009 fora do prazo regulamentar, ou seja, em 22/11/2010, quando a data limite foi o último dia útil do mês de abril do ano de 2009. O contribuinte impugnou o lançamento às fls. 4/11, não logrando êxito, contudo, havendo o lançamento sido integralmente mantido no julgamento de primeiro grau (fls. 38/45). O recurso voluntário foi interposto em 8/3/2013, reiterando os argumentos da impugnação, na sequência resumidos: nulidade da Notificação de Lançamento, pois lavrado por Delegado da Receita Federal; improcedência da multa aplicada, pois o contribuinte não teve imposto a pagar, e sim a restituir, estando inclusive sob o abrigo da denúncia espontânea; caráter confiscatório da multa; pede remissão por ser portador de cardiopatia grave. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe explicar que há previsão legal expressa para que a Notificação de Lançamento seja assinada pelo chefe do órgão expedidor no caso, Delegado da Receita Federal a saber o art. 11 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido expedido a notificação sob exame em conformidade com todos os requisitos constantes nessa regra normativa. Não se verificando na espécie hipótese de nulidade prevista nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, cabe rejeitar a arguição de nulidade. Quanto à alegação de que a multa cobrada seria indevida, pois teria o contribuinte imposto a restituir, e não a pagar, esbarra ela mais uma vez na literalidade de disposição legal, no caso o art. 88, I da Lei nº 8.981/1991 c/c o art. 27 da Lei nº 9.532/1997, que prevêem que a apresentação da declaração fora do prazo fixado sujeita a pessoa física à multa de mora de um por cento ao mês ou fração calculada sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, por exemplo, via antecipações mensais ou retenções na fonte, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido). Nesse sentido, vejase o disposto no art. 964 do Decreto nº 3.000/1999: Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: Imulta de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2 ºe 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº9.532, de 1997, art. 27); (...) §2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, §1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; O tema já foi objeto de apreciação no contencioso administrativo em diversas oportunidades, resultando na edição da Súmula CARF nº 69: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13884.001948/201014 Acórdão n.º 2402004.965 S2C4T2 Fl. 84 5 devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Quanto à aplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento, tratase de matéria também já pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Registrese, ainda, que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, vale anotar que o instituto da remissão requer previsão legal para fins de aplicação por parte da autoridade julgadora em um determinado caso concreto, forte no art. 172, IV do CTN, o que não se verifica no particular. Vejase que o eventual acometimento de moléstia grave não dispensa o contribuinte de cumprir suas obrigações acessórias, tais como a entrega da Declaração de Ajuste. Por conseguinte, correto o lançamento contestado, razão pela qual impõese a sua manutenção. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001434/2003-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 43 4/ 20 03 -4 0 Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.403 2 O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 3º trimestre de 2002 e no valor de R$ 713.718,02, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 17.336,09, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Em síntese, os motivos expostos para o deferimento parcial do pedido de ressarcimento foram os seguintes: 1. Quanto ao custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, foram incluídos indevidamente pela contribuinte, no montante das aquisições de insumos, os seguintes valores: a) custo de canadeaçúcar adquirida de Produtores Rurais (Pessoas Físicas), não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS; b) IPI incidente sobre as Notas Fiscais de compras; c) custo de insumos adquiridos de Cooperativas de Produtores; d) aquisições de serviços aplicados na produção, porém não incluídos nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; e) RS 111.980,24 que corresponderia ao valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos, que teria sido excluído na apuração do benefício relativo ao ano de 2001. A c o n t r i b u i n t e c o m e t e u o m e s m o e r r o q u a n t o a o v a l o r e x c l u í d o n a a p u r a ç ã o r e l a t i v a a o q u a r t o t r i m e s t r e d e 2 0 0 2 ( R $ 7 3 2 . 2 5 9 , 3 0 ) , p o i s e x c l u i u d a b a s e d e c á l c u l o d o b e n e f í c i o o v a l o r d o s i n s u m o s e m e s t o q u e e m 3 1 / 1 2 / 2 0 0 2 e n ã o o v a l o r d a s m a t é r i a s p r i m a s , d o s p r o d u t o s i n t e r m e d i á r i o s e d o s m a t e r i a i s d e e m b a l a g e m u t i l i z a d o s n a p r o d u ç ã o d e p r o d u t o s n ã o a c a b a d o s e d o s p r o d u t o s a c a b a d o s m a s n ã o v e n d i d o s ; f) apuração incorreta da quantidade de matérias matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos) utilizados na produção, pois não considerou os estoques iniciais e finais do período; apenas computou os valores das aquisições, em desacordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 3o da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997; 2. Quanto ao valor da Receita de Exportação: a) a empresa não efetuou exportações diretas no ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas Cargill Agrícola S/A, CNPJ 60.498.706/000904, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.404 3 as filias da empresa E D & F Man Brasil S/A, CNPJ 35.829.068/000677 e 35.829.068/000243, e Usinas Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/000170, não enquadradas como Empresas Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei nº 1.248/72, mas sim uma empresa comercial exportadora comum. A l e g i s l a ç ã o e m v i g o r d o b e n e f í c i o n o r e f e r i d o p e r í o d o c o n t e m p l o u a s e x p o r t a ç õ e s d i r e t a s e a s e f e t u a d a s p o r e m p r e s a c o m e r c i a l e x p o r t a d o r a , d e f i n i d a n o D e c r e t o l e i n ° 1 . 2 4 8 / 7 2 . F o r a m a d m i t i d a s n a a p u r a ç ã o d o b e n e f í c i o a s e x p o r t a ç õ e s e f e t u a d a s a t r a v é s d a s e m p r e s a s Sab Trading Comercial Exportadora S/A, CNPJ 42.354.274/000129, Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/000250, e Nova América S/A – Trading, CNPJ 02.992.296/000108; b ) f oram incluídos, indevidamente, no valor das exportações, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do benefício, pois são contabilizados como Receitas Operacionais; 3. Quanto à Receita Operacional Bruta: o montante da receita foi ajustado tendo em vista que os valores das Exportações sofreram modificações; 4. Quanto à atualização monetária dos valores solicitados com a utilização dos juros Selic, não há qualquer previsão legal para a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos; 5. Com base nos valores da receitas, estoques, custos, etc, calculados nos demonstrativos de fls. 124/177, procedese à apuração do benefício acumulado no 3o trimestre do ano 2002 através do "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO ANO DE 2002", de fl. 178, onde se pode verificar que o valor apurado do crédito presumido acumulado no 3º trimestre de 2002 é igual a R$ 27.160,30. Subtraindose, do valor apurado, o montante de R$ 9.824,21, correspondente ao valor do crédito presumido apurado no 2º trimestre de 2002, concluise que a empresa tem direito ao benefício no valor de R$ 17.336,09. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 212/228, instruída com os documentos de fls. 229/2.344, alegando, em resumo, o que segue: a) Por mais que a autoridade administrativa por seu despacho decisório insista na exclusão dos valores de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas bem como adquiridos de cooperativas, na base de cálculo do beneficio do crédito presumido, temse que a legislação é clara quanto possibilidade da sua inclusão, não cabendo ao interprete restringir onde o legislador o fez. Aliás, não é demais rememorar que a IN SRF nº 23/97, mais especificamente seu artigo 2º, parágrafo 2º, nunca veio a regulamentar o art. 1º da Lei 9.363/96, haja visto que inexiste na referida norma última citada qualquer restrição ao benefício do crédito presumido. É importante ainda destacar que é entendimento pacífico da possibilidade do benefício do crédito presumido, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de pessoas físicas e Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.405 4 cooperativas, é o que se verifica em diversas ementas do 2a Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; b) O valor de R$ 111.980,24 que corresponderia ao valor de matérias primas, produtos intermediários e de materiais de embalagens, valor esse glosado pelos fundamentos da informação fiscal, não reflete em nada sobre o resultado do crédito de ressarcimento do benefício fiscal, posto que mesmo excluindo esse valor da base de cálculo do crédito presumido de IPI, verificarseá que o valor do crédito presumido resta inalterado. Por outro lado, ao inverso dos fundamentos apresentado pela informação fiscal, a impugnante provou e demonstrou à fiscalização que o valor de R$ 111.980,24, permaneceu em estoques na data de 31/12/2001, conforme se verifica da memória de cálculo juntada (doc. I); c) Inversamente do que fundamenta a informação fiscal, a impugnante atendeu a legislação quando excluiu do valor do benefício o valor de R$ 111.980,24. Aliás, tal informação resta comprovada conforme se verifica de resposta apresentada à fiscalização em 15/01/2008, sendo, inclusive, citado à época o amparo legal, mais especificamente a IN SRF n° 490/2004. Assim, não há em que se falar em comprometimento de toda apuração do crédito presumido; d) No que se refere à impossibilidade da inclusão na base de cálculo do benefício os valores dos produtos exportados pelas empresas Cargill Agrícola S.A, CNPJ 60.498.706/000904, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/000290, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/000108, e Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/000206, comercializados pela impugnante, em que pese fundamentação apresentada pela informação fiscal, é de ser visto que outras empresas que não estejam especificamente dentro dos requisitos previstos pelo art. 2o do Decreto n° 1.248/72, de fato, podem realizar operações de exportação equiparadas as Trading Company, bastando que realizem operações mercantis de exportação e que estejam inscritas no SISCOMEX, até porque se assim não fosse não haveria necessidade da Lei Complementar 87/96, mais especificamente em seu art. 3º, parágrafo único, inciso I, prever que equiparam operações de exportação as comercializações de mercadorias destinadas ao exterior por empresas comerciais exportadoras, inclusive Trading; e) Não há em que se falar em exclusão dos valores relativos à variação cambial, porquanto como propriamente dito pela informação fiscal, a impugnante emitiu Nota Fiscal de complemento de vendas para o mercado externo, tratamse, assim, de venda a comercial exportadora, não deixando tais valores de serem complementos dos valores das mercadorias exportadas; f) Quanto à correção monetária dos valores relativos ao beneficio fiscal, não há que discordar quanto à reposição de seu valor, haja visto que tal Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.406 5 entendimento já se encontra sedimentado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como pode ser verificado nos seguintes acórdãos: CSRF 0202.212, CSRF 0201.626 e CSRF 0201.688. g) Ao final, conclui que inexiste qualquer justificativa jurídica para manutenção do Despacho Decisório, sendo imperiosa a declaração de homologação dos valores compensados, mormente pelas provas dos autos pelas quais demonstram as exportações dos produtos pelas empresas exportadoras e ser remansosa a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto inclusão de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas bem como cooperativas no cálculo do benefício. Em 28/08/2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu a Resolução nº 1.641, de fls. 2352/2355, baixando o processo em diligência fiscal para que a Delegacia de origem verificasse se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97 (“Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”). Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, revisasse o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou Informação Fiscal de fls. 3346/3350, concluindo que a empresa Viralcool “não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou os documentos anexados ao arquivo não paginável de fl. 3354, encaminhando relatórios de notas fiscais de exportação emitidas no 3º trimestre de 2002 e cópia das notas fiscais que comprovariam que os produtos vendidos foram realmente remetidos diretamente para as empresas comerciais exportadoras. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1454.795, de 18/11/2014, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.407 6 Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n° 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi procedente em parte para acatar a possibilidade do cômputo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas na base do crédito presumido do IPI, no entanto, negar o direito ao benefício, pois o valor das exportações no período com direito ao beneficio é igual a zero, Assim, mantémse, a decisão do despacho decisório em indeferir o pedido de ressarcimento e, consequentemente, não homologar as compensações declaradas, conforme conclusão do voto. Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.408 7 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta que finalizadas as diligências e informações fiscais, apresentou arquivos anexados ao arquivo não paginável, da mesma forma, apresentou relatórios de controles de estoque e notas fiscais para comprovar que as mercadorias foram remetidas diretamente para as empresas comercias exportadoras. Expõe, pois, a recorrente, em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas. Ressalta que comprovou, dessa forma, as exportações, através dos diversos documentos, dentre eles, cópias digitalizadas dos contratos de venda para exportação firmados com empresas comerciais exportadoras e resposta do contribuinte ( cópias magnéticas no doc. de fl.3354). O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 3º trimestre de 2002 no valor de R$ 713.718,02, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. Através do Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 17.336,09, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Através da Resolução de n° 1.641, de 28/08/2012, provocada pela própria DRJ/RPO, o processo baixou em diligência, para que, nos termos abaixo: § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, deverá ser revisado o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. Fl. 3408DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.409 8 Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada do resultado da diligência, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste. Em resposta, às efls. 3346/3350, consta a informação fiscal (em 10/07/2014) que: 5. Em atendimento à intimação fiscal, a empresa entregou à fiscalização os documentos de fls. 2360 e 2364, encaminhando ao Fisco um relatório de notas fiscais de exportação (inserido às fls. 2361/2363) e documentos (notas fiscais mãe e de remessa, memorandos de exportação, BL e RE) que comprovariam as exportações efetivadas nos períodos de apuração do segundo e terceiro trimestres do ano de 2002 (cópias parciais anexadas às fls. 2365/3328). 6. O relatório de notas fiscais de exportação apresentado pela VIRALCOOL contém os valores das receitas de exportação inseridas no cálculo do crédito presumido de IPI. Verificamos que os montantes utilizados na apuração da contribuinte foram extraídos das Notas Fiscais emitidas de Venda Para Entrega Futura, cujos dados estão transcritos abaixo. quadro 7. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 2365/3328) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 8. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de documento para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos comprobatórios do efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. 9. Entretanto, como se trata de um processo com direito à ampla defesa, devemos contar com a possibilidade de a contribuinte apresentar referidos documentos em sua manifestação à DRJ, após tomar ciência desta Informação Fiscal. 10. Assim sendo, efetuamos verificações fiscais na documentação apresentada pela contribuinte e constatamos que os dados dos locais de entrega constantes dos documentos fiscais contidos na planilha elaborada pela empresa, transcritos no item 6 acima, de uma forma geral coincidem com as anotações contidas no corpo dos documentos fiscais de venda para entrega futura e das remessas correspondentes. Observamos, entretanto, a existência de notas fiscais de remessas atreladas à Nota Fiscal de Venda para Entrega Futura de nº 58.843 que contêm em seu corpo como local de entrega tanto o estabelecimento Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/000568, que consta na planilha da VIRALCOOL, quanto a empresa Servicargo – Serviços de Assessoria Fl. 3409DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.410 9 Portuária Ltda, de CNPJ 85.273.332/000364 (vide os documentos inseridos às fls. 2657/2808). 11. Por outro lado, independentemente da comprovação do efetivo ingresso nos estabelecimentos elencados pela VIRALCOOL em seus demonstrativos, efetuamos pesquisas e coletas de informações junto à DIANA da Superintendência da 8ª Região Fiscal (SP) (vide os documentos inseridos às folhas 3329/3345), para se constatar se os estabelecimentos identificados nas notas fiscais de remessas de produtos (descritos na planilha inserida no item 6) eram, à época das respectivas exportações, recintos alfandegados. 12. Constatamos que os estabelecimentos União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300, Santos Brasil S/A, de CNPJ 02.084.220/000257, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223 se caracterizavam como recintos alfandegados à época dos fatos geradores contemplados neste processo. 13. Entretanto, não foram encontradas nas relações de recintos alfandegados as empresas Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/000568, Embalex Transp. e Serv. Ltda, de CNPJ 66.554.494/000164, Servicargo – Serviços de Assessoria Portuária Ltda, de CNPJ 85.273.332/0003 64, Armazéns Gerais Fassina S/A, de CNPJ 44.611.234/000655, ENAR Emp. Nação de Arm. Gerais Ltda, de CNPJ 80.575.459/002368 e ENAR Com.Serv. Marítimos Ltda, de CNPJ 01.013.999/000257 e 01.013.999/000338. O estabelecimento Armazéns Gerais Fassina S/A era cadastrado na Receita Federal como REDEX Permanente (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação), caracterizado como recinto nãoalfandegado, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF 114, de 31 de dezembro de 2001. Os demais não tinham qualquer tipo de controle por parte da Receita Federal do Brasil. (grifamos) 14. Dessa forma, em caso de a VIRALCOOL apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso nos estabelecimentos das empresas União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/000406, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/000157, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/000300, Santos Brasil S/A, de CNPJ 02.084.220/000257, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, entendemos que as informações contidas nesta Informação Fiscal são suficientes para se revisar o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores efetivamente comprovados. Observei que o contribuinte foi cientificado em 17/07/2014, a se manifestar sobre o resultado da Informação Fiscal. Em resposta, a empresa apresentou o documento anexado ao arquivo não paginável de fl. 3354 (documento recebido em 02/10/2014 e o mesmo contém muitas páginas, denominado como resposta do contribuinte). Diante desses fatos relatados acima, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para a unidade de origem: Fl. 3410DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.001434/200340 Resolução nº 3201000.624 S3C2T1 Fl. 3.411 10 informar se o documento de efl. 3354 (arquivo magnético) já foi analisado, bem como considerado na informação fiscal; em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprovase, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmar em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais;e prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. Após a efetivação da diligência, cientifique o contribuinte dos fatos da mesma, se quiser se manifestar, no prazo de 30 dias e retornem os autos para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 3411DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.010686/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. COFINS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. INCABÍVEL.
O artigo 3o, §2°, inciso II da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento do crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Assim, incabível o desconto de crédito da contribuição calculado em relação à aquisição de bem sujeito a alíquota zero.
COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS CORRELATOS À ARMAZENAGEM. INADMISSIBILIDADE.
Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram com essa atividade.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.978
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por reverter as glosas dos créditos tomados sobre despesas vinculadas à armazenagem e logística; dos créditos sobre despesas de fretes, assim como para reconhecer o direito de o contribuinte tributar com alíquota zero o glifosato que foi revendido. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que votou por conhecer as matérias não conhecidas pela relatora e incluir no provimento reconhecido pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro o direito ao crédito por todas as despesas de frete, inclusive de motoboys, e sobre as aquisições de PIA com tributação. Vencida a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz que acompanhou o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, ampliando a extensão do provimento para reconhecer o direito de crédito sobre aquisições de PIA com tributação. Esteve presente ao julgamento o advogado Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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COFINS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. INCABÍVEL. O artigo 3o, §2°, inciso II da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento do crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Assim, incabível o desconto de crédito da contribuição calculado em relação à aquisição de bem sujeito a alíquota zero. COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS CORRELATOS À ARMAZENAGEM. INADMISSIBILIDADE. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram com essa atividade. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por reverter as glosas dos créditos tomados sobre despesas vinculadas à armazenagem e logística; dos créditos sobre despesas de fretes, assim como para reconhecer o direito de o contribuinte tributar com alíquota zero o glifosato que foi revendido. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que votou por conhecer as matérias não conhecidas pela relatora e incluir no provimento reconhecido pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro o direito ao crédito por todas as despesas de frete, inclusive de motoboys, e sobre as aquisições de PIA com tributação. Vencida a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 06 86 /2 00 5- 15 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 acompanhou o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, ampliando a extensão do provimento para reconhecer o direito de crédito sobre aquisições de PIA com tributação. Esteve presente ao julgamento o advogado Luiz Romano, OAB/DF nº 14.303. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de Declarações de Compensação feitas no período de 28/9/2005 a 13/10/2005, Pedido de Ressarcimento de 10/12/2008 e Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente entre 15/5/2009 e 19/8/2009, conforme relacionados às fls. 206/208. A autoridade competente da Derat homologou a Declaração de Compensação de 28/9/2005 até o valor do crédito reconhecido, indeferiu o Pedido de Ressarcimento e não homologou as demais Declarações de Compensação. Conforme consta no despacho decisório das fls. 205/223, a fiscalização apurou, dentre outros, os seguintes fatos: A empresa não apresentou as notas fiscais 22853, de 8/7/2004, e 10566, de 30/11/2004, solicitadas pelo TIF nº 9. Com base no artigo 17 da Lei 11.033/04 e no artigo 16 da Lei 11.116/05, a empresa alega créditos da Cofins não cumulativa, decorrentes de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, em operações no mercado interno, que seriam passíveis de utilização mediante compensação. A fiscalização não acatou alguns desses alegados créditos relativos a: bens para revenda ou insumos tributados à alíquota zero, em desacordo com o art 3º, § 2º, II, Lei 10.833/04, quais sejam: sementes e mudas destinadas a semeadura ou plantio (art. 1º, III, Lei 10.925/04, NCM’s 10051000 e 10070010); adubos ou fertilizantes classificados no capítulo 31 da TIPI e suas matérias primas (art 1º, I, e 17, II, Lei 10.925/04 e Decreto 5.195/04); defensivos agropecuários da posição 38.08 da TIPI e suas matérias primas (art 1º, II, e 17, II, Lei 10.925/04 e Decreto 5.195/04); produtos da posição 3926.9090 da TIPI (Decreto 5.127/04, art 1º, II, e seu anexo II); produtos da posição 4015.1900 da TIPI (Decreto 5.127/04, art 1º, II, e seu anexo II); serviços prestados por “motoboys”, por não ser esse serviço aplicado na produção do Milho ou do Glifosato Técnico, portanto, em desacordo com o art. 8°, inciso I, Fl. 990DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 990 3 alínea "b", § 4º , inciso I, aliena "b", da IN SRF 404/2004; locação de gerador para festa “julhina”, por falta de previsão legal; e despesas de: movimentação de bens, seguro para armazenagem de bens, reembolso de despesas telefônicas de terceiros, mão de obra extraordinária, alimentação e táxis de terceiros; de logística/transporte sem discriminação das notas, impedindo a verificação da procedência ou não do creditamento sobre a despesa de transporte, todas por falta de previsão legal; Foram apurados também fretes, indevidamente calculados, sobre diversas operações: aquisição para revenda ou insumo, tributados à alíquota zero, NCM 3808, em desacordo com o art. 3º, § 2º, II, Lei 10.833/2004, c/c RIR (Regulamento do Imposto de Renda art. 289, § 1º ); aquisição de mercadoria não identificada; venda sem identificação da nota de venda; armazenagem, doação/brinde, devolução, locação; remessa para fins experimentais; condicionamento; conserto; reposição técnica; troca; retorno de armazenagem e transferência, por falta de previsão legal. Apurouse que a empresa lançou despesas nas contas de fretes sobre fabricação própria, revenda e armazenagem. Os históricos de fretes não eram elucidativos, por exemplo: fretes de importação/exportação/transferência. A empresa informou como fretes de vendas, fretes não vinculado a vendas. Em 8/6/2010 a empresa apresentou nova planilha (substitutiva) de fretes e devoluções de vendas. A devolução de vendas tributadas à alíquota zero (sementes e mudas e defensivos) estavam em desacordo com o art. 3º, VIII, da Lei 10.833/2004 (VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. A empresa tem receitas sujeitas a alíquota zero (NCM 10051000, 10070010 e 3808). O Glifosato e seu sal (NCM 29310032) não se sujeitam a alíquota zero, como considerou a empresa, pois não consta do anexo I ao Decreto 5.127/04, tendo sido incluído na base da Cofins. Foi calculado o valor das vendas à alíquota zero, por NCM e a proporção destas nas vendas ao mercado interno (MI): NCM 10051000, 10070010 e 3808, obtendo 81,85 em agosto e 86,10 % em setembro. As outras receitas na planilha apresentada pela empresa são menores que as da Dacon. A empresa tem, dentre outras receitas sujeitas à alíquota zero, as de aplicações financeiras, juros ativos, juros intercompanhia e descontos obtidos. A auditoria recalculou a base da Cofins no mês de agosto e de setembro com base na planilha da Cofins apresentada pela empresa em atendimento ao TIF 14, incluindo as vendas do Glifosato (NCM 29310032). O crédito de Cofins não cumulativa foi recalculado com base nas proporções de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, obtendose o valor de R$ 589.065,13. Ao final, a auditoria indeferiu o Ressarcimento e homologou parte da Declaração de Compensação (Dcomp) de 28/9/2005 até o valor reconhecido do alegado crédito. Tendo sido cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) Na irresignação a defesa argui, em síntese: Fl. 991DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 tem a maior parte de receitas pela venda de produtos com alíquota zero de Pis e Cofins o que gera créditos de Cofins não cumulativa; apura crédito nas aquisições de bens e serviços [item 5]; nas vendas à alíquota zero pode ressarcir ou compensar seu saldo credor de Pis e Cofins; o produto Glifosato estaria sujeito à alíquota zero pela Lei 10.925/04 art 1º, II, e o auditor tributou a venda e o desconsiderou no cálculo da proporcionalidade das receitas, para apurar o crédito ressarcível; a fiscalização esqueceu [item 14] que receitas financeiras também se submetem a alíquota zero (Decreto 5.164/04); com isso errou nos cálculos e reduziu os créditos de agosto e setembro [item 16]; decaiu o direito da fazenda rever os créditos tributários do terceiro trimestre de 2004 (CTN, art 150), conforme doutrina e decisões dos conselhos administrativos e tribunais (transcreve); a Lei 9.430/96 não é complementar e não pode tratar de prazo decadencial [item 48]; o prazo é de cinco anos do fato gerador e não da DComp e tampouco é de dez anos (Decreto 4.524/2002, art. 95); cabe homologar os pedidos de restituição e compensação [item 58]; o fisco lançou débitos sobre receita de venda de Glifosato, após cinco anos do fato gerador; houve inversão do ônus da prova e cerceamento de defesa; houve homologação tácita do crédito tributário e os resultados declarados tornaramse imutáveis [item 65]; o fisco não pode recompor a base de período decaído informada na declaração; o auditor glosou créditos de frete indevidamente; fretes de compras e transferências entre plantas foram registrados como frete de vendas [item 79]; as operações de exportação eram fretes de vendas [item 80]; houve glosa de créditos por devoluções recebidas em agosto e setembro e o auditor não juntou notas fiscais ao processo [item 89]; a defesa alega que essas devoluções eram vendas tributadas de meses anteriores, antes do início da alíquota zero [item 90]; houve inversão do ônus da prova sem base legal e cerceamento de defesa, cita doutrina e decisões administrativas colegiadas de Conselhos e Delegacia(s) da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ (s); Fl. 992DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 991 5 pede para afastar as glosas de créditos de fretes e devoluções [item 98]; a amostragem dificulta a defesa e não é prova indiciária (cita decisão colegiada do Conselho); as operações de fretes e devoluções envolvem mais de 2400 notas e o levantamento levará semanas ou meses em prejuízo da defesa [itens 101 e 102]; requer nulidade das glosas por falta de comprovação fiscal ou diligência; argui [item 111] créditos sobre insumos importados antes da redução da alíquota a zero em 26/7/2004 (cita Nota 11529 “doc. 7” de 23/7/2004); o fato gerador do crédito é a data posta no documento fiscal; pede a manutenção desta operação na base do crédito [item 117]; nas mercadorias para revenda ou insumos a alíquota zero não se aplica a material intermediário e embalagem [item 122]; créditos de bens para revenda e insumos do anexo I devem ser mantidos [item 126]; créditos de insumos do anexo I, não tributados a alíquota zero, devem ser mantidos, pois selo de segurança e filmes plásticos para embalagens não se enquadram no Decreto 5. 127/04 e seu anexo, pois não são produtos químicos nem se destinam ao uso laboratorial [item 137]; créditos de locação de gerador para festa de congraçamento de funcionários faz parte das atividades a empresa, conforme Lei 10.637/02, art. 3º, IV (cita decisão colegiada sobre IRPJ); créditos sobre seguros movimentação de bens, telefonemas, mão de obra de terceiros, alimentação, táxis, logística e transporte, relacionados à armazenagem, têm base legal (art. 3º), citando soluções de consultas e decisões judiciais (notas anexas doctos 14 a 19) [item 161]; os serviços de logística são os de reacondicionamento e carregamento de caminhões ( doc. 20 e 21) e compõem o conceito de armazenagem [item 165 c/c 167]; Fretes tem créditos por frete no transporte pela compra de insumos tributados à alíquota zero ou mercadorias para revenda, pois compõem o custo de aquisição [item 170 e ss], citando decisões de DRJ e solução de consulta, não teria crédito se o bem ou serviço não fosse tributado; Fl. 993DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 tem crédito sobre 9 operações relativo ao frete de mercadorias não identificadas (compras importação, transferência e exportação, remessa para armazenagem ) [item 201]; Despesas com fretes de mercadoria não identificada Exportações/Vendas não houve frete na exportação e sim sobre vendas (o histórico estava errado e foi corrigido e substituído antes do final da fiscalização) e gera créditos, conforme amostram as notas apresentadas [itens 203 a 206]; se os elementos apresentados não forem suficientes à procedência, pede diligência com agendamento prévio para preparar os documentos para analisar as operações [item 208]; Importações fretes de importações (compras) geram crédito, pois compõem o custo do produto, cita o Regulamento do Imposto de Renda (RIR) e decisões de consultas [item 212]; Transferências fretes sobre transferências foram erroneamente considerados pois tratase de compra de insumos de outra empresa do grupo com personalidade própria (não da mesma PJ) tendo crédito de PIS, que a autoridade desconsiderou por tratar como transporte de insumo tributado à alíquota zero [item 222 e 223]; se entender que o caso é de alíquota zero pede para considerar os argumentos dos itens 170 a 188; Demais transferências as demais transferências tratam de remessa de insumos e produtos ao armazém geral, são despesas e geram crédito [item 229]; Frete de venda sem identificação da nota de venda o auditor glosou crédito de frete de venda sem identificação da nota de venda, mas o demonstrativo estava desatualizado (“doc. 6”) havendo crédito [item 238]; Fretes de movimentação de mercadoria (fl. 508) fretes de mercadorias doadas, brindes, devolução, locação em comodato, remessa para fins experimentais, acondicionamento, conserto, reposição técnica, troca , retornos de armazenagem foram glosados, mas se relacionam com despesas de armazenagem [item 240] são custos de aquisição ou de venda [item 252 e 254], sob pena de ferir artigos da CF/88 (livre iniciativa, isonomia); se os elementos apresentados não forem suficientes à procedência, pede diligência com agendamento prévio para preparar os documentos para analisar as operações [item 268]; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 992 7 há crédito sobre devolução das vendas, todas anteriores à redução da alíquota a zero em 26/7/2004 (Lei 10.925/04) [item 272]; há créditos sobre a importação de defensivos, tributada antes da Lei 10.925 [itens 281 e 282]; Erro de direito ao afastar a alíquota zero nas vendas de Glifosate reduziu o crédito ao apurar indevidamente Cofins sobre receita de Glifosate, afastando a alíquota zero, e reduziu a base de ressarcimento ao desconsiderar a receita no cálculo da proporção feito pela sociedade (art 16, Lei 11.116/05) o produto fabricado é vendido e também usado como matéria prima [item 295]; Erro no crédito proporcional às receitas no mercado interno tributadas à alíquota zero em razão da tributação das receitas do Glifosato, houve erro no cálculo do crédito proporcional às receitas de vendas no mercado interno; também houve erro pela não inclusão das receitas financeiras até agosto de 2004 no cálculo proporcional [item 306]; Ao final pede: acolher as preliminares de decadência e cerceamento de defesa e homologar as declarações de compensação; reconhecer o direito ao crédito a ressarcir e homologar as declarações de compensação; diligência para verificar documentos que não puderam ser juntados, dado que o auditor também fez amostragem insuficiente como prova indiciária para a glosa das operações. (...) Mediante o Acórdão nº 1636.703, de 15 de março de 2012, a 9ª Turma da DRJ/SP1, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. MATÉRIA DEDUTÍVEL PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. A arguição de inconstitucionalidade é matéria adstrita ao Poder Judiciário. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justifica quando o fato possa ser demonstrado pela juntada de documentos. DECADÊNCIA. ART. 150 CTN. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a regra de decadência de lançamento ao encontro de contas decorrente de Declaração de Compensação não homologada. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A Lei 9.430/96 não prevê homologação tácita de pedido de restituição nem de pedido de ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A ciência da decisão não homologatória expressa antes do decurso do quinquênio iniciado da data da declaração de compensação impede o efeito de homologação tácita. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO ANTERIOR À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A ZERO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Lei publicada no decorrer do mês, prevendo redução de alíquota, aplicarseá apenas às receitas auferidas após a sua entrada em vigor. Não se aplicando, portanto, à totalidade das receitas no mês de sua publicação. (art.1º da Lei nº 10.925, de 2004; arts. 105 e 116, CTN). NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Na fabricação ou produção de bem, o insumo é matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outro bem que sofra alteração, tal como desgaste, dano, perda de propriedade física ou química, em função da ação diretamente exercida sobre o produto, não incluído no ativo imobilizado, bem como o serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicado ou consumido na produção ou fabricação. NÃOCUMULATIVIDADE. COMPRA À ALÍQUOTA ZERO PARA REVENDA OU INSUMO. Aquisição tributada à alíquota zero de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito. DESPESAS COM FESTA “JULHINA”. Não é dedutível esta despesa para a sistemática nãocumulativa, por ausência de previsão legal. ARMAZENAGEM. Apenas a despesa de armazenagem de mercadoria, entendida como o valor cobrado pela retribuição Fl. 996DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 993 9 estipulada com o armazém, pode formar crédito na sistemática nãocumulativa. FRETE EM OPERAÇÃO DIVERSA DA VENDA. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso IX, do art 3º, da Lei 10.833/2003 só admite crédito pelo frete na operação de venda. MATERIAL DE EMBALAGEM. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Pela Lei 10.925/04 artigo 1º, II a alíquota zero alcança defensivos e suas matériasprimas mas não o material de embalagem, o qual pode formar crédito. GLOSA. MOTIVO INSUBSISTENTE. AFASTAMENTO. Quando as informações contidas na prova documental oferecida com a irresignação mostram que havia inexatidão nos dados antes oferecidos em meio magnético, cabe afastar o motivo da glosa. Em 31/07/2013, foi proferida Informação Fiscal pela Derat/SP, na qual consta que: (...) 2 Relativamente a três das notas acatadas para inclusão na base de cálculo dos créditos pelo Acórdão informamos: Nota Fiscal n° 343875 – na planilha da memória dos cálculos a empresa informou para essa nota fiscal o NCM 1005.10.00, milho para semeadura, adquirido em 31/07/2004, portanto, tributado à alíquota zero, conforme Lei n° 10.925/2004, art. 1°, III, motivando a glosa com base no art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Em sua impugnação, a empresa apresentou a nota fiscal n° 343875 a qual não trata da aquisição de milho, como constou na planilha, e sim da aquisição de material de embalagem, motivando a exclusão da glosa para essa nota fiscal. Cabe ressaltar que o valor da nota fiscal é R$ 3.289,20 e não R$ 493,38 como constou no Acórdão; Notas Fiscais n°s 4022 e 4063 na planilha da memória dos cálculos a empresa informou para essas notas o NCM 4015.19.00, luvas de borracha, tributadas à alíquota zero, conforme art. 1º, inciso II, do Decreto 5.127/04 e seu Anexo II, motivando a glosa com base no art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Em sua impugnação, a empresa apresentou as notas fiscais 4022 e 4063 as quais não tratam da aquisição de luvas, como constou na planilha, e sim da aquisição de material para embalagem, motivando a exclusão da glosa para essas notas fiscais. 3 – Efetuada a apuração da base de cálculo e dos créditos relativos às notas fiscais acolhidas pelo Acórdão, obtendose o montante de crédito de R$ 45.416,31 (quarenta e cinco mil, quatrocentos e dezesseis reais e trinta e um centavos), conforme discriminado abaixo e demonstrado nos anexos I a III da presente informação. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 (...) A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância, da Informação Fiscal das fls. 878/879, anexos e demais documentos, pela abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 09/08/2013, tendo ocorrido a ciência por decurso de prazo em 23/08/2013. Em 09/09/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual apresenta seus argumentos nos seguintes tópicos: PRELIMINARES 1. A obrigatoriedade da formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento 2. Nulidade do V. Acórdão recorrido OS MOTIVOS DA REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO 1. A não cumulatividade da COFINS 2. O conceito de insumo e sua abrangência 3. Os créditos apurados pela Recorrente e a impossibilidade de glosa pelas DD. Autoridades Fiscais (A) Apropriação de créditos sobre despesas com a aquisição de bens tributados a alíquota zero (B) Apropriação de créditos sobre despesas com serviços prestados por "Motoboys" (C) Apropriação de créditos sobre despesas com armazenagem (D) Apropriação de créditos sobre despesas com fretes D.1. Frete na aquisição de insumos tributados à alíquota zero D.2. Frete na aquisição de mercadorias "não identificadas" e sobre operações sem identificação da nota fiscal: operações de vendas, importação e transferências D.3. Frete com operações de doações, brindes, devolução, comodato, remessas para fins experimentais, conserto, teste, troca, reposição técnica, destruição, empréstimos, amostras, armazenagem e retorno de armazenagem e "outras entradas" (E)Da apropriação de créditos sobre devoluções de venda, sendo estas últimas tributadas à alíquota zero (F) Apropriação de créditos sobre importação de defensivo agrícola e suas matériasprimas, que não foram tributados à alíquota zero (G) Operações de venda do Glifosato sujeitas à alíquota zero É o relatório. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 994 11 Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Inicialmente, não conheço da informação fiscal das fls. 878/879, eis que são definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício, em conformidade com o disposto no art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Passo a analisálo segundo seus próprios tópicos: PRELIMINARES 1. "A obrigatoriedade da formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento" Requer a recorrente que a exigência seja cancelada, uma vez que o despacho decisório não é a via competente para exigência de tributo. Sustenta que a Autoridade Administrativa não poderia cobrar débitos da compensação sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento. Não assiste razão à recorrente, eis que não se trata de exigir tributo em face do despacho decisório, mas de atividade fiscalizatória para a análise do pedido da contribuinte que resultou em glosas e nos correspondentes ajustes no rateio e na base de cálculo da Cofins, os quais acarretaram redução no montante a ressarcir/compensar. O crédito pleiteado depende da recomposição da base de cálculo da Cofins. Assim, a incorporação de valores na base de cálculo da Cofins nos presentes autos deuse na exclusiva tarefa da quantificação legítima do crédito objeto de ressarcimento. Dentro do âmbito de análise do pleito da interessada de ressarcimento, no intuito de apurar o montante de ressarcimento a ser efetuado ao sujeito passivo, pode a fiscalização tanto reduzir o montante de créditos do sujeito passivo, como também majorar os débitos, independentemente de lançamento. Ademais, como se vê abaixo, não houve qualquer cerceamento do direito de defesa, eis que a contribuinte foi devidamente cientificada do despacho decisório no qual estão detalhadas todas as parcelas que reduziram o montante a ressarcir, relativamente às quais a recorrente pode muito bem se defender no presente processo nas duas instâncias administrativas. Com efeito, trata o presente processo de Declarações de Compensação relativas a créditos da Cofins não cumulativa mercado interno 3º Trimestre de 2004, com base no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos, de forma que são passíveis de utilização para as compensações somente os créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins: [Lei nº 11.116/2005] Fl. 999DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma doart. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, e doart. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto noart. 17 da Lei no11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. [Lei nº 11.033/2004] Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Conforme consta no Despacho Decisório, foram efetuadas várias glosas: de créditos calculados sobre o valor das aquisições de bens para revenda ou insumos sujeitos a alíquota zero, despesas de armazenagem, fretes, etc. Também foram efetuados ajustes na base de cálculo de créditos da contribuição em face das glosas de devolução de vendas e no rateio entre as vendas sujeitas à alíquota zero (produtos NCM 10051000, 10070010 e 3808) sobre o total de vendas no Mercado Interno (MI). Foram também incluídos na base de cálculo da Cofins as vendas do Glifosato e seu sal, e efetuados os ajustes devidos no Dacon, eis que tal produto, de NCM 29310032, não se sujeitava à alíquota zero, como tinha considerado a contribuinte : Assim, os valores dos créditos glosados e reconhecidos foram os seguintes: Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 995 13 Resultando, ao final, num saldo credor de R$589.065,13 do trimestre e a consequente homologação parcial da Declaração de Compensação objeto do processo nº 19679.010686/200515 nesse montante: Conforme já decidido por este Conselho, nos precedentes abaixo, é legítimo o procedimento utilizado pela fiscalização para a análise do pleito da recorrente e sua devida quantificação: Acórdão 330201.170– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2011 Relator: Alexandre Gomes Redator designado: José Antonio Francisco Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo, uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de ressarcimento e não a exigência de tributo. (...) Acórdão nº 3403003.591 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Relator ad hoc: Antonio Carlos Atulim Redator Designado: Rosaldo Trevisan Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO. O pedido de ressarcimento faz com que a Administração seja obrigada, ao analisálo, revisar toda a apuração da Contribuição realizada pela Recorrente, não havendo que se falar em decadência e muito menos na necessidade de lançamento de ofício, vez que a Administração apenas apurou que o valor levantado pela Recorrente encontravase incorreto. (...) 2."Nulidade do V. Acórdão recorrido" Alega a recorrente que as autoridades administrativas deveriam ter buscado informações complementares sobre os insumos utilizados por ela, e não simplesmente glosar o crédito correspondente com base em mera amostragem. Assim, considerando que elas deixaram de considerar todos os documentos que demonstram a validade da apuração dos créditos da Recorrente, muitos deles disponíveis em seu estabelecimento (que deveriam ser analisados por meio de diligência), deveria ser reconhecida a nulidade do V. Acórdão recorrido, por suprimir o direito da Recorrente à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela legislação fiscal e pela própria Constituição Federal de 1988 ("CF/88"), em seu artigo 5o, inciso LV. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 996 15 Como é consabido, nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como o presente, cabe ao requerente a demonstração do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 333 do Código de Processo Civil, juntando aos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Com efeito, entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não eram hábeis a demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, caberia à recorrente trazer aos autos na manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do CPC, a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão da fiscalização. De forma que agiu corretamente a fiscalização, e também a Delegacia de Julgamento, ao não reconhecer o direito creditório não comprovado pela requerente, não lhes incumbindo buscar informações complementares ou fazer diligências no estabelecimento da contribuinte para comprovar o seu pleito. Nesta esteira, tampouco caberia a realização de diligência neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, além do que seria da recorrente o ônus da prova do alegado em contraposição ao despacho decisório que denegou em parte seu pleito, em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material e do contraditório e da ampla defesa, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. Eis que os dois princípios estão balizados pelo rito processual definido em lei, num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Desta forma, não houve qualquer nulidade no Acórdão recorrido e, com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, indefiro o pedido de diligência. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 "OS MOTIVOS DA REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO" 1. "A não cumulatividade da COFINS" Neste tópico, a recorrente apenas informa que apresentou seu pedido de ressarcimento e declarações de compensação em face dos créditos de Cofins apurados na aquisição de insumos, com base no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. 2. "O conceito de insumo e sua abrangência" No que diz respeito à contribuição à Cofins não cumulativa, a recorrente entende que o conceito de insumo deve ser analisado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios relacionados ao processo produtivo da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento, posição que seria corroborada pela doutrina e jurisprudência administrativa. A seu ver, o conceito de insumo deveria incorporar todas as despesas que sejam essenciais para o processo produtivo e geração de receitas específicas da sociedade. Aduz que a doutrina estabeleceria um conceito de insumo para apuração do crédito de PIS/Cofins mais amplo do que aquele sustentado pelas Autoridades Fiscais com base nas IN's n°s 247/02 e 404/04. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 997 17 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Com efeito, incumbe analisar as glosas expressamente contestadas no âmbito do presente recurso voluntário, dentro do princípio da livre persuasão racional deste órgão julgador, segundo o entendimento acima exposto, o que será feito mais a frente, conforme os itens do recurso voluntário. 3. "Os créditos apurados pela Recorrente e a impossibilidade de glosa pelas DD. Autoridades Fiscais" (A) "Apropriação de créditos sobre despesas com a aquisição de bens tributados a alíquota zero" Nesse item, insurgese a recorrente contra a glosa dos bens adquiridos sujeitos à alíquota zero da Cofins. Aduz que esses insumos seriam necessários ao regular desenvolvimento das suas atividades, sendo que as sementes e mudas, os adubos e fertilizantes e os defensivos agropecuários seriam utilizados para a produção e comercialização de sementes destinadas ao plantio, enquanto que as matériasprimas dos defensivos agropecuários são destinadas à produção destes, além do que, esses bens também são revendidos aos seus clientes em outras operações. Ocorre que, o fato de tais bens serem necessários e essenciais o desenvolvimento das atividades da recorrente e, eventualmente, enquadremse como "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" (art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003) ou como "bens adquiridos para revenda" (art. 3º, I da Lei nº 10.833/2003), não dispensa a necessidade de que os bens adquiridos tenham sido tributados pela Cofins. O artigo 3o, § 2° inciso II da Lei n° 10.833/03 veda expressamente o aproveitamento do crédito na "aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". (B) "Apropriação de créditos sobre despesas com serviços prestados por Motoboys" Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 Esta matéria não foi objeto de defesa na manifestação de inconformidade, conforme informa a decisão de primeira instância: (...) Por não ser serviço aplicado na produção de Milho, a auditoria não aceita formação de créditos de agosto e setembro de 2004, relativos a serviços prestados por “motoboys”, pois em desacordo com o artigo 8º, I, “b”, § 4º, I “b”, da IN SRF 404/204 ( anexo II, fl 231). (...) A defesa não se pronuncia sobre este tema. Logo, não se forma lide. Considerase não impugnado este tema, ou seja, a glosa foi admitida pela interessada. Razão pela qual prevalece a decisão recorrida neste aspecto. (...) No recurso voluntário, a recorrente não se manifestou sobre esse pronunciamento da DRJ e apenas se insurgiu sobre a referida glosa da fiscalização, sustentando o direito aos créditos de Cofins decorrentes dos valores despendidos com o serviço de "motoboy" no transporte de insumos necessários para o seu processo produtivo, em razão do disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa somente se instaura se apresentada a impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas. Dessa forma, são os argumentos submetidos à apreciação do julgador de primeira instância que determinam os limites do litígio. Nesse sentido, este CARF, como no julgado cuja ementa ora se transcreve, tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância: Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 998 19 Assim, por se tratar de inovação recursal, não conheço da matéria acerca do direito aos créditos de Cofins decorrentes dos valores despendidos com os serviços de "motoboys". (C) "Apropriação de créditos sobre despesas com armazenagem" A fiscalização procedeu às glosas relativas a este item da seguinte forma: (...) d) Créditos calculados sobre: despesas com movimentação de bens; seguro para armazenagem de bens; reembolso de despesas telefônicas de terceiros; despesa com mãodeobra extraordinária de terceiros, acrescida de despesas com alimentação e táxis, e despesas com logística/transporte, sem discriminação nas notas fiscais dos valores relativos logística e ao transporte impedindo a verificação da procedência ou não do creditamento sobre a despesa de transporte, todos por falta de previsão legal. Essas despesas foram lançadas nas planilhas de memória de cálculo dos créditos apresentadas pela empresa com o histórico de despesas de armazenagem. A planilha relativa à glosa dessas despesas e as cópias das notas fiscais envolvidas constituem os anexos IV e V, respectivamente; (...) Para a recorrente, no entanto, restaria inequívoco o direito aos créditos de Cofins relacionados às despesas atreladas ao serviço de armazenagem, que corroboram com a atividade de "armazenar", na medida em que garantem a manutenção dos produtos. Aduz que, tais despesas, por estarem relacionadas ao processo produtivo, também poderiam ser consideradas como insumo nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.833/03. Conforme disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a empresa pode descontar créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De forma que não encontra amparo nesse dispositivo legal a pretensão da recorrente de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de "armazenagem", mas que corroborariam com essa atividade. Por certo não poderia o aplicador dessa norma concessiva de direito creditório ampliar o seu alcance de forma a abranger outros descontos não previstos expressamente pelo legislador ordinário. Nesse sentido estão as normas dispostas nos arts. 107 a 112 do CTN sobre a interpretação e aplicação da legislação tributária. Também, em face do princípio da legalidade da Administração Pública, o desconto das contribuições não cumulativas só é legítimo quando previsto em lei. Nessa linha, sob a rubrica de "armazenagem", não cabe o desconto das "despesas com movimentação de bens", que visariam "à sua organização, acondicionamento, encaminhamento para expedição quando deixarem as dependências do armazém, dentre outras Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 atividades"; nem tampouco daquelas decorrentes de seguro contratado pelo Armazém Geral, mãodeobra extraordinária, telefonemas, táxi e alimentação e logística e transporte. A pretensão da recorrente também não encontraria respaldo no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, pois não restou comprovado que os referidos serviços seriam, de verdade, "utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". Não há que se olvidar que ônus da prova incumbe a quem alega, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Ademais, ao que tudo indica, as despesas desse item referemse a gastos com pagamento de serviços, ou com ressarcimento de despesas incorridas por terceiros, relacionados ou correlatos às despesas de armazenamento do produto final da recorrente, após o seu processo produtivo, de forma que não poderiam ser consideradas como utilizadas na produção ou fabricação dos bens destinados à venda. Nessa linha, com relação ao contrato com a "Universal", a correspondência emitida pela recorrente a sua contratada (fls. 651/652), esclarece que "Monsanto ratifica a obrigação ao pagamento da Área destinada pela Universal a armazenagem dos produtos produzidos e/ou comercializados pela Monsanto, independentemente de utilização total da mesma". Assim, essas despesas mais se assemelham a despesas com vendas, para as quais não há hipótese permissiva para o desconto da Cofins, no artigo 3° da Lei n° 10.833/03, conforme entendimentos já expressos nos Acórdãos deste CARF cujas ementas se seguem: Acórdão nº 3403002.139, j. 25/04/2013, Rel. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3° da Lei n° 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. (...) Acórdão nº 3403003.097, j. 22/07/2014, Rel. Alexandre Kern, unânime: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 999 21 contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Assim, pelo acima exposto, a pretensão da recorrente não encontra amparo no inciso IX, como despesa de armazenagem, nem no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, como insumo, não havendo o direito de creditamento da Cofins. (D) "Apropriação de créditos sobre despesas com fretes" D.1. "Frete na aquisição de insumos tributados à alíquota zero" A glosa deste item foi assim motivada pela autoridade fiscal: (...) e.1) fretes de aquisição de bens para revenda ou para utilização como insumo, bens esses tributados à aliquota zero, NCM 3808, portanto, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2004. Conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999, os custos de transporte integram o custo de aquisição da mercadoria, portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero, o frete a ela vinculado não gera direito a créditos em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2004; (...) Alega a recorrente que esse entendimento não se sustenta, seja porque a despesa com frete configura insumo necessário as suas atividades, já que seria necessária para a aquisição das matériasprimas e demais produtos necessários à fabricação de seus bens; seja porque, muito embora o insumo seja tributado à alíquota zero, as despesas com frete são regularmente tributadas pela Cofins, o que deixa claro o direito ao crédito dessa contribuição e a necessidade de se afastar a vedação do artigo 3o, § 2o, inciso II da Lei n° 10.833/2003. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte é utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No caso presente, não comprovou a contribuinte que: se trataria de frete na operação de venda, de frete utilizado na prestação do serviço ou na produção de bens destinados à venda, ou de transporte entre estabelecimentos dentro do contexto produtivo, estando descartadas as hipóteses de creditamento listadas acima nos itens i), ii), e iv). Assim, a despesa de frete "necessária para a aquisição das matériasprimas e demais produtos necessários à fabricação de seus bens" somente poderia ser objeto de desconto da Cofins caso se enquadrasse como (iii) frete pago a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo. Nessa situação, o creditamento sobre o frete estaria condicionado à possibilidade de creditamento sobre o custo do respectivo insumo, o que não ocorre no caso dos bens sujeitos a alíquota zero, nos termos do artigo 3o, § 2o, inciso II da Lei n° 10.833/2003. Nesse ponto há de se esclarecer à recorrente que o Processo de Consulta n° 31/08, por ela citado, cuida de situação diversa, eis que trata de frete na operação de venda, hipótese descrita no item ii) acima, expressamente prevista nos arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03 para o PIS e a Cofins, na qual o desconto da contribuição sobre o frete independe do creditamento do custo de aquisição do insumo ou bem para revenda. Assim, não se podendo descontar o valor da contribuição sobre o custo total de aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, também inexiste possibilidade de creditamento sobre o valor correspondente ao frete de aquisição que integraria tal custo (art 289 do RIR/991). Razão pela qual foi correta a manutenção dessa glosa pelo julgador de primeira instância. D.2. "Frete na aquisição de mercadorias "não identificadas" e sobre operações sem identificação da nota fiscal: operações de vendas, importação e transferências" Sustenta a recorrente que o frete sobre vendas enseja apuração de crédito de Cofins em razão do disposto no artigo 3o, inciso IX da Lei n° 10.833/03 e que o frete relativo a importações também enseja direito ao creditamento por se tratar de insumo indispensável ao desenvolvimento das suas atividades. Sobre as "transferências", alega que o frete é relativo à venda do insumo do Glifosato, que é regularmente tributado pelo PIS e pela Cofins, o que deixa inequívoco o direito aos créditos de PIS e Cofins, mesmo que o insumo seja tributado à alíquota zero. As glosas deste item foram assim justificadas pela autoridade fiscal: 1 Custo dos Bens ou Serviços Custo de Aquisição Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14 ). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13 ). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 1000 23 (...) e.2) fretes de aquisição de mercadorias não identificadas pela empresa, embora tenha sido intimada a fazêlo pelo TIF n° 11, impedindo a verificação da procedência ou não do crédito; e.3) fretes sobre venda sem a identificação da nota fiscal de venda, embora tenha sido a empresa intimada a fazêlo pelo TIF n°11, impedindo a verificação da procedência ou não do crédito; (...) Mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 11 (fl. 176), a contribuinte já tinha sido intimada a apresentar planilha de todas as operações de frete constantes nas planilhas de memória de cálculo dos créditos do PIS e da Cofins (de 08/2004 a 03/2005), na qual deveria ser apontada a operação a qual se vincula o frete (compra, venda, ou outra operação), bem como deveria ser identificada cada nota fiscal de compra ou venda vinculada à Nota Fiscal do frete (número, emitente, CNPJ, data da emissão e valor), sendo que, no caso dos fretes decorrentes de compra, deveria ser informado o(s) número(s) da NCM dos produtos adquiridos em cada nota fiscal. Depois, em cotejo do arquivo fornecido pela contribuinte na sua manifestação de inconformidade com os dados do Anexo VI ("Créditos indevidamente calculados sobre diversas operações de fretes") do Despacho Decisório (fls. 376/381), concluiu o julgador de primeira instância que: (...) Do arquivo fornecido pela empresa em 8/6/2010 extraímos esses 22 registros acima para a operação “Compra Imp.” e conta 32205150 (frete sobre revenda). A defesa alega tratarse de custos de compras por importação, transferência entre plantas, exportação, remessa para armazenagem. Faltam dados nos demais campos desses registros magnéticos de operações na planilha substitutiva (NF, Emitente, Cnpj, Data, Valor NCM, Descrição, Filial destino e CFOP). Logo, é cabível entender que a situação se enquadra na situação descrita pela autuante como aquisição de mercadorias não identificadas, impedindo verificar a procedência ou não do crédito. (...) A recorrente não se manifestou no recurso voluntário sobre esse pronunciamento da decisão de primeira instância. Assim, diante da ausência de apresentação de elementos modificativos da decisão de primeira instância, a cargo da recorrente, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99, remanesce a falta de informações sobre as operações para a verificação da procedência ou não do crédito pleiteado sobre o frete, constatada pela fiscalização e confirmada pelo julgador de primeira instância após a análise da documentação apresentada pela então manifestante. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 24 Como já explanado neste Voto, não cabe a realização de diligência neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, além do que seria da recorrente o ônus da prova do alegado em contraposição ao despacho decisório que denegou em parte seu pleito, em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99. Razão pela qual indefiro o pedido de diligência. D.3. "Frete com operações de doações, brindes, devolução, comodato, remessas para fins experimentais, conserto, teste, troca, reposição técnica, destruição, empréstimos, amostras, armazenagem e retorno de armazenagem e outras entradas" A autoridade fiscal procedeu estas glosas por ausência de previsão legal, nos seguintes termos: (...) e.4) fretes vinculados a operações de: armazenagem; doação/brinde;devolução; locação em comodato; remessa para fins experimentais; remessa para acondicionamento; remessa para conserto; remessa para reposição técnica; remessa para troca; retorno de armazenagem e transferência, todos por falta de previsão legal; (...) Alega a recorrente que esses fretes estão relacionados à remessa e ao retorno de acondicionamento e armazenagem, os quais, como já teria demonstrado no recurso voluntário, deveriam ensejar a apuração dos créditos de Cofins, por se tratarem de custos relacionados à atividade de armazenagem e de manutenção dos produtos fabricados. Especificamente com relação às despesas de frete incorridas nas transferências de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou para armazém geral, argumenta que haveria acórdão favorável deste CARF. Como já exposto neste Voto, a pretensão da recorrente de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de "armazenagem", mas que corroborariam com essa atividade, não encontra amparo no inciso IX, como despesa de armazenagem, nem no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, como insumo. Dentre as quatro modalidades de frete passíveis de creditamento mencionadas acima, segundo o entendimento deste Voto, uma delas se refere aos (iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, diante da ausência de comprovação, nos presentes autos, de que o frete de transferência seria relativo a insumos ou produtos inacabados, e não de produtos para posterior venda, não há a possibilidade de creditamento da Cofins. (E)"Da apropriação de créditos sobre devoluções de venda, sendo estas últimas tributadas a alíquota zero" Entendeu a autoridade fiscal por glosar os créditos calculados sobre devoluções de vendas tributadas a alíquota zero, portanto, em desacordo com o art. 3°, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2004: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 1001 25 (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) O julgador de primeira instância atendeu o pleito da manifestante nesse item na seguinte forma: (...) O auditor não acata créditos nos meses de 08 e 09/2004 na devolução de vendas tributadas à alíquota zero, em desacordo com o art 3º, VIII, da Lei 10.833/2004 (fl 214 c/c anexo VIII, fls 403435), relativos a: (...) A defesa diz ter crédito, pois essas vendas teriam sido tributadas, por terem ocorrido antes da redução da alíquota a zero em 26/7/2004 (Lei 10.925/04), conforme documentos 43 a 52 [item 272 e 277, anexos de fls 759 a 779 ]. O auditor diz que as vendas das posições 38.08 e sementes foram tributadas à alíquota zero. A Lei nº 10.925 (DOU 26/7/2004) reduz as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercado interno de fertilizantes e defensivos agropecuários: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1º, 3º, 7º, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 26 Logo, vendas até 25/7/2004 não estariam sujeitas à alíquota zero. A defesa anexa notas de devoluções de mercadorias vendidas antes de 26/7/2004 (fls 759 a 779). Verificando se essas notas estão na lista de devoluções glosadas, temos: a) a nota 6182 (fl 760) de R$ 23.289,60, de 26/8/2004, indica devolução parcial referente à nota 15258 de 16/02/2004 (fl 761), foi processada em 2/9/2004 (glosa anexo VIII fl 432); b) a nota 11534 (fl 762) de R$ 1.031,00 indica devolução parcial de produto classificado na posição 38.08.30.23, referente à nota 18374 de 23/07/2004 (fl 763) foi processada em 26/8/2004; c) a nota 6162 (fl 764) indica devolução parcial de produto classificado na posição 38.08.30.23, referente à nota 15291 de 17/02/2004 (fl 765) foi processada em 2/9/2004 e a glosa na lista do anexo VIII foi R$ 13.845,00 (fl 432); d) a nota 6172 (fl 766) indica devolução parcial de produto classificado na posição 38.08.30.23, referente à nota 15476 de 26/02/2004 (fl 767), foi processada em 2/9/2004 e está em dois registros na lista do anexo VIII com glosas de R$ 1.065,00 e R$ 17.395,00 (fl 432); e) a nota 6192 (fl 768) indica devolução parcial de produto classificado na posição 38.08.30.22, referente à nota 15290 de 17/02/2004 (fl 769), foi processada em 3/9/2004 e a glosa foi de R$ 45.270,40 na lista do anexo VIII (fl 433); f) a nota 838 (fl 770) indica devolução parcial de sementes de milho, referente à nota 53338 de 4/2/2004 (fl 771), foi processada em 10/8/2004 e está em dois registros na lista do anexo VIII com glosas de R$ 4.887,67 e R$ 38.542,75 (fl 410); g) a nota 315 (fl 772) indica devolução parcial de sementes de milho, referente à nota 51865 de 15/1/2004 (fl 773), foi processada em 3/8/2004 e está na lista do anexo VIII com glosa de R$ 1.675,77 (fl 405); h) a nota 1256 (fl 774) indica devolução parcial de sementes de milho, referente à nota 57367 de 9/6/2004 (fl 775), foi processada em 2/8/2004 com glosa de R$ 13.067,68 na lista do anexo VIII (fl 404); i) a nota 4322 (fl 776) indica devolução parcial de sementes de milho, referente à nota 50971 de 29/12/2003 (fl 777), foi processada em 2/8/2004 com glosa de R$ 30.764,51 na lista do anexo VIII (fl 404); j) a nota 8026 (fl 778) indica devolução parcial de sementes de milho, no valor de R$ 41.434,95 referente à nota 53548 de 6/2/2004 (fl 779), foi processada em 18/8/2004 (fl 423) e está dividida em quatro registros da lista de glosas (anexo VIII). A defesa diz que tais notas foram tributadas normalmente [item 276]. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 1002 27 Cabe reconhecer a possibilidade de formar crédito em relação a essas devoluções de mercadorias vendidas antes de 26/7/2004 acima citadas comprovado pelas notas anexadas à impugnação, reformando o Despacho Decisório neste aspecto (fls 759 a 779). (...) Alega agora a recorrente que o acórdão recorrido assegurou o crédito com relação à devolução de mercadorias vendidas antes de 26.7.2004, mas, equivocadamente, considerou apenas algumas notas fiscais, entretanto, o crédito de COFINS também deveria ser assegurado para as demais notas fiscais apresentadas, nos termos do artigo 3o, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2003, porque o regime da não cumulatividade da COFINS teve efeitos desde 2.2.2004 e as vendas ocorreram antes do advento do benefício da alíquota zero trazido pela Lei n° 10.925/04. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, são os argumentos e provas submetidos à apreciação do julgador de primeira instância que determinam os limites do litígio. De forma que correta a decisão que reconheceu o direito ao crédito dentro dos limites da manifestação de inconformidade, somente em relação às devoluções comprovadas pela manifestante por notas fiscais de mercadorias vendidas antes de 26/7/2004. (F) "Apropriação de créditos sobre importação de defensivo agrícola e suas matériasprimas, que não foram tributados a alíquota zero" O julgador de primeira instância manteve esta glosa sob os seguintes argumentos: (...) O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação é a entrada de bens estrangeiros no território nacional. Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, inclusive no caso de despacho para consumo de bens importados sob regime suspensivo de tributação do imposto de importação. (Fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/PisPas epCofins/IncidenciaExportServico.htm) A defesa diz ter créditos nessa importação de defensivos, pois teriam sido tributados, como consta das DI’s [itens 281 282]. Analisando o conjunto probatório notase que os extratos das DI’s e os pedidos de desembaraço mostram que não houve o alegado recolhimento (fls 781, 785 e 789). No anexo IX e nos documentos trazidos com a impugnação (anexo IX, fl 437 c/c fl 780 e ss), consta que data de desembaraço e de registro é 5/8/2004 para essa mercadoria classificada na posição 38.08.3023 da TIPI. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 28 A data de registro da DI é posterior a 26/7/2004. Logo, a importação não foi tributada e não pode gerar o alegado crédito. Nos dados do sistema Sinal da unidade de desembaraço aduaneiro não constam recolhimentos no período indicado (fl. 799). A defesa não apresenta outros documentos que comprovem os alegados recolhimentos. Nessas circunstâncias e não havendo norma determinando tratarse de crédito presumido, não há como se falar em formação de direito creditório. Razão pela qual, prevalece o entendimento da autoridade a quo no despacho decisório. (...) Alega agora a recorrente que as importações indicadas no Anexo IX do despacho decisório foram efetuadas antes da vigência da Lei n° 10.925/04, tendo sido apenas, por questões operacionais, registradas posteriormente, já que, muitas vezes, os documentos que suportam as importações não chegam aos responsáveis pela apuração dos tributos dentro do próprio mês do desembaraço aduaneiro. Em razão disso, teria havido a regular tributação das operações pela Cofins, ao contrário do que consignado no Acórdão recorrido, e como demonstrado exemplificativamente nas Declarações de Importação ("DI") anexadas como"docs. n°s 53 a 55" da Manifestação de Inconformidade. Não assiste qualquer razão à recorrente, eis que os extratos das 3 DI´s (fls. 780/791) demonstram que todas foram efetivamente registradas em 05/08/2004, data em que se considera ocorrido o fato gerador da contribuição, portanto, depois da vigência da Lei n° 10.925/04. (G) "Operações de venda do Glifosato sujeitas à alíquota zero" A autoridade fiscal reduziu o crédito, ao apurar a Cofins sobre receita de Glifosato, afastando a alíquota zero, e reduziu a base de ressarcimento ao desconsiderar a receita no cálculo da proporção feito pela contribuinte. Entendeu o AuditorFiscal que o Glifosato Técnico (NCM 29310032) não se sujeitaria à alíquota zero pois não consta do anexo I, do Decreto 5.127/04: Decreto nº 5.127, de 5 de julho de 2004 (DOU de 6.7.2004) Reduz a zero as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS dos produtos que menciona Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, incidentes sobre a operação de importação e sobre a receita decorrente da venda, no mercado interno, dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; e Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19679.010686/200515 Acórdão n.º 3402002.978 S3C4T2 Fl. 1003 29 II destinados ao uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionados no Anexo II deste Decreto. (...) Em defesa a contribuinte alegou na manifestação de inconformidade que o Glifosato é classificado na posição 29310032 da NCM e se enquadraria no inciso II do Decreto 5.195/04, pois seria matériaprima para fabricar defensivos da posição 38.08, aplicandose a alíquota zero. No entanto, quanto às provas, entendeu o julgador de primeira instância que eram insuficientes para provar o alegado, nestes termos: (...) Processo produtivo A autoridade a quo apreciou a descrição do(s) processo(s) produtivo(s) (fl 102 c/c 208). A defesa junta, novamente, a descrição do processo produtivo (fl 727 e seguintes). Na descrição do processo produtivo consta que o Glifosato é insumo de produtos finais sólidos classificados na NCM nas posições 29.31 e 38.08 e produtos finais líquidos na posição 38.08 (fls. 97 a 100). A defesa afirma que o Glifosato é usado para fabricar seu próprio defensivo e que parte dele é vendida para seus clientes, com a finalidade de fabricar defensivo [item 289]. Se a empresa vende parte do produto citado, tais matérias primas não são utilizadas em processo produtivo de defensivos agropecuários classificados na posição 38.08. Se o Glifosato não for usado pelo cliente para fabricar defensivo agropecuário a receita bruta da interessada no mercado interno não pode ser tributada à alíquota zero. A empresa deveria comprovar a afirmação de que seus clientes fabricam defensivo com o Glifosato. Não há provas voltadas a esta circunstância nos autos. (...) No recurso voluntário, alega a contribuinte que o Ministério da Agricultura concedeu registro à Recorrente para a comercialização do Glifosato para a produção de herbicidas (defensivos agrícolas). Corroborando esse entendimento, a Recorrente reitera que apresentou documento que indica a descrição do processo produtivo do Glifosato, onde está expressamente indicado que se destina à formulação de herbicidas ("doc. n° 27" da Manifestação de Inconformidade). No entanto, o julgador de primeira instância não discorda que o glifosato pode, sim, ser matériaprima de herbicidas. O ponto da defesa que restou em aberto é que não restou comprovado que a parte do Glifosato que é vendida pela recorrente para seus clientes seria mesmo para fabricar defensivos agropecuários por eles. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 30 Essa situação ainda persiste nos autos e não procede a alegação da recorrente de que não haveria necessidade de comprovar que seus clientes utilizam o Glifosato como matériaprima. Tratando de elemento modificativo ou extintivo do despacho decisório e da decisão recorrida, incumbe a quem alega a produção da prova pertinente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, não se prestando a diligência para suprir essa deficiência probatória, como já explanado neste Voto, mormente quando preclusa a produção de prova neste momento processual, nos termos do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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