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Numero do processo: 10580.728745/2010-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO REGISTRADAS.
A falta de registro e comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento de compras regularmente realizadas, caracterizam omissão de receitas consoante a lei de regência aplicável ao SIMPLES FEDERAL.
MULTA QUALIFICADA.
A constatação de prática reiterada de ausência de registro e comprovação do pagamento de compras regularmente realizadas, no intuito de reduzir a expressão econômica das operações comerciais da empresa, ensejam a aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1803-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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COMPRAS NÃO REGISTRADAS. A falta de registro e comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento de compras regularmente realizadas, caracterizam omissão de receitas consoante a lei de regência aplicável ao SIMPLES FEDERAL. MULTA QUALIFICADA. A constatação de prática reiterada de ausência de registro e comprovação do pagamento de compras regularmente realizadas, no intuito de reduzir a expressão econômica das operações comerciais da empresa, ensejam a aplicação da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 45 /2 01 0- 97 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório VIDROBELO INDUSTRIA DE VIDROS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de autos de infração do Simples Federal (fls. 03/47), exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 328.466,56, incluídos o valor dos tributos que integram o Simples Federal, multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, de acordo com o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à folha 02. A pessoa jurídica tem como atividade econômica a fabricação de artigos de vidros. O crédito tributário lançado corresponde aos fatos geradores do primeiro semestre do anocalendário de 2007 (AC/2007), e decorre de omissão de receitas apurada com base em notas fiscais de compra não escrituradas obtidas, por circularização, junto ao único fornecedor da autuada “Guardian do Brasil Vidros Planos Ltda”, CNPJ 01.410.577/000134, cujos valores mensais (base de cálculo) estão consolidados na planilha de fl. 48. A planilha de fls. 50/59 relaciona as notas fiscais do mencionado fornecedor, suas características e a forma de pagamento, relativamente ao período fiscalizado. Os detalhes do procedimento se encontram no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 59/61, cabendo destacar que: (a) a contribuinte estava omissa da entrega da DSPJ Simples do período fiscalizado; (b) o Termo de Início de Fiscalização (fls. 62/63) foi entregue em 14/04/2010 (fl. 64), intimando a a apresentar os livros e elementos necessários à auditoria no prazo de vinte dias; (c) em 05/05/2010, pediu prorrogação pelo prazo de trinta dias para entregar o requerido pela Fiscalização (fl. 65), no que foi atendida; (d) Findo esse prazo, sem que a fiscalizada apresentasse qualquer elemento ou justificativa, foi emitido o Termo de Reintimação Fiscal (fl. 71), cuja ciência se deu em 11/06/2010 (fl. 72), e mais uma vez a fiscalizada não se manifestou; (e) então, a fiscalização intimou a “Guardian do Brasil” a apresentar cópias das notas fiscais emitidas no AC/2007 para a empresa fiscalizada; (f) em 04/08/2010 a “Guardian do Brasil” entregou as cópias das notas fiscais requeridas (fls. 76/269); (g) Daí que, por estar omissa, a empresa fiscalizada foi intimada a apresentar a DSPJ Simples do período auditado, com vistas à vinculação dos pagamentos do Simples, código 6106, feitos por ela entre janeiro e junho de 2007 (fls. 270/272); (h) embora ciente do termo de intimação em 16/08/2010, mais uma vez a fiscalizada nada apresentou, nem sequer entregou a DSPJ Simples; (i) Ante o silêncio da Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.728745/201097 Acórdão n.º 1803002.039 S1TE03 Fl. 614 3 fiscalizada foram lavrados autos de infração pela forma do Simples Federal e Representação Fiscal para Fins Penais. Em 30/08/2010, a contribuinte tomou ciência da autuação fiscal. Em 24/09/2010, protocolou a impugnação de fls. 303 a 305, alegando, em síntese, que o Auto de Infração é improcedente em parte, conforme razões sintetizadas a seguir: (i) O fisco considerou como base de receita de vendas todas as compras do período. Mas, na realidade, devido às dificuldades cadastrais de uma outra empresa do grupo com o fornecedor da única matéria prima que a autuada utiliza para a sua atividade comercial, por solicitação da empresa fornecedora, acabou permitindo que esta faturasse em sua razão social, o que poderá ser comprovado pelo efetivo pagamento das referidas compras, ficando assim, com um volume de compras que não condiz com a realidade comercial da empresa autuada, como poderá ser comprovado pela sua movimentação fiscal através das "DMA de todo o exercício (anexo I). Admite que por conta desse equivoco já relatado anteriormente, deixara de apresentar a Declaração de Imposto de Renda Simples, do período de janeiro a junho/2007, tendo apresentado o anexo II, que por motivos cadastrais junto a Prefeitura de Salvador, não foi possível a migração imediata para o Super Simples, e aproveitou também para retificar a declaração do período de julho a dezembro do mesmo ano (anexo III). (ii) Após todas as correções devidas, teria sido apurado um crédito tributário a ser recolhido no período de janeiro a junho na condição de simples, no valor de R$ 44.154,79 (quarenta e quatro mil, cento e cinqüenta e quatro reais e setenta e nove centavos), conforme (anexo IV), e com a retificadora do período de julho a dezembro, um crédito tributário a ser recolhido no valor de R$ 71.642,40 (setenta e um mil, seiscentos e quarenta e dois reais e quarenta centavos), conforme anexo V. (iii) Aproveita para solicitar que se reconsidere o percentual da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), e também lhe permita acesso ao parcelamento pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, haja vista que o período de apuração do crédito fiscal é contemplado pela referida Lei. Ante o exposto, agradece e espera que as suas razões de defesa sejam devidamente acatadas. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1529.969, de 06 de março de 2012 (fls. 337/342), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE COMPRA NÃO ESCRITURADAS. Caracteriza omissão de receitas a compra de mercadorias não contabilizadas e não oferecidas à tributação, comprovadas por notas fiscais obtidas junto a fornecedores. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE SONEGAÇÃO FISCAL. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação ou fraude, previsto na legislação fiscal, caracterizado pela omissão ou redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos. PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA LEGAL. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não dispõem de competência legal para apreciar matéria relativa a parcelamento de tributos federais. Tal procedimento compete ao órgão fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdicione o contribuinte. Ciente da decisão em 22/03/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 347), apresentou o recurso voluntário em 18/04/2012 fls. 579/591, onde reitera as alegações da inicial e informa que junta novos documentos para comprovar seu direito. Considerando que a contribuinte reconheceu na impugnação parte dos valores lançados embora com a multa de 75%, a autoridade preparadora apartou do processo os valores incontroversos para imediata cobrança. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício SIMPLES FEDERAL – LEI 9.317/96 (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), relativo ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, realizado em virtude da constatação de omissão de receitas por falta de registro de compras. Alega a recorrente em síntese: a) Que os valores apurados pela fiscalização estão incorretos pois as compras apontadas como não registradas destinaramse à empresa ligada GLASSMAXI IND. VIDROS BA LTDA, não devendo ser imputada à recorrente qualquer irregularidade quanto a este aspecto; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.728745/201097 Acórdão n.º 1803002.039 S1TE03 Fl. 615 5 b) Que apresenta novos elementos (livro caixa, conta bancária no Banco do Brasil e notas fiscais de transferência), que comprovam suas alegações e apresentados em contraposição as razões da decisão de primeira instância; c) Que efetivamente deixou de recolher parte das exações devidas ao SIMPLES FEDERAL, conforme planilha já apresentada na impugnação; d) Que reapresenta os documentos e elementos juntados na impugnação e que não mereceram a adequada apreciação por parte da DRJ SALVADOR (BA); e) Que não concorda com a multa qualificada de 150% pois além de não existir a irregularidade apontada, a mesma tem caráter confiscatório, sem observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Não assiste razão à interessada. Com efeito, o eixo central de sua defesa se sustenta na tese de que as compras realizadas em seu nome e não registradas, destinavamse à empresa ligada “GLASSMAXI INDUSTRIA DE VIDROS BA LTDA” por não possuir esta cadastro na única empresa fornecedora. Inicialmente, é de se ver que considerando o princípio contábil universal de entidade, cada empresa tem natureza jurídica própria e deve registrar adequadamente todas as mutações patrimoniais que lhe são pertinentes. Por ocasião do procedimento fiscal foi intimada e reintimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal bem como a origem dos recursos utilizados para a aquisição das mercadorias quedandose inerte e silenciando completamente a prestar qualquer esclarecimento. Por ocasião da impugnação, apresenta a tese de que as mercadorias destinavamse à empresa “Glassmaxi” apresentando apenas a DMA do Fisco Estadual da Bahia, a DSPJ Simples do período 01 a 06/2007 e planilha com cálculos dos tributos que julga efetivamente devidos no período. Conforme a bem lançada decisão de primeira instância, os valores lançados na DMA do Fisco Estadual, apenas comprovam que sua receita efetivamente reconhecida é efetivamente maior aos valores já recolhidos mas não declarados. Já a DSPJ SIMPLES apresentada na impugnação foi entregue após o encerramento do procedimento fiscal e apenas regulariza a obrigação acessória de entrega da declaração não se prestando para qualquer alteração no lançamento de ofício. Não lhe socorrem tampouco a apresentação do livro “caixa” (fls. 349/422), dos extratos bancários do Banco do Brasil (fls. 464/578) e as notas fiscais de transferência de mercadorias (fls. 424/425). O livro caixa apresentado representa nada mais que uma transposição dos lançamentos constantes dos extratos bancários do Banco do Brasil e além de não identificar qualquer pagamento ou recebimento não guardam qualquer vinculação com os valores das Fl. 617DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 compras da empresa “Guardian” não se prestando para qualquer comprovação de origem dos recursos empregados. Quanto às notas de transferência de mercadorias surpreendentemente somente agora apresentadas, teriam sido emitidas apenas em 31/12/2007, mas estranhamente não estão registradas na DMA do Fisco Estadual que a própria recorrente reapresentou no recurso voluntário. Tampouco comprovam a origem dos recursos empregados para o pagamento das compras da “Guardian”. Quanto a multa de ofício qualificada em 150%, resta mais que evidente que a empresa de forma reiterada, inclusive no período subseqüente (01/07/2007 a 31/12/2007) ocultou a ocorrência do fato gerador, ao omitir do conhecimento das autoridades fiscais, as compras realizadas e com isso, deixou às escâncaras demonstrada a existência de manipulação de recursos espúrios subtraídos da tributação, mantidos à margem da escrituração. Nestes casos, resta evidenciado a dolosa e deliberada conduta em subtrair os tributos devidos, com a redução da expressão econômica das operações comerciais realizadas, sendo aplicável a multa qualificada de 150%. Quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, tal apreciação refoge da competência deste colegiado julgador administrativo, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, rejeito as alegações apresentadas, recomendando no entanto, que a unidade de origem efetue revisão dos débitos, alocando adequadamente os tributos já recolhidos, conforme indicação da autoridade fiscal na intimação de fls. 270. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10280.720130/2006-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
O Decreto nº 70.235/1972 - PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Se os Recorrentes tiveram a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA
O fato de a Contribuinte não ter realizado qualquer pagamento para os tributos e períodos em questão faz com que a contagem da decadência observe o prazo previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. A ocorrência de fraude também enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, obstando a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal.
MULTA QUALIFICADA
O não recolhimento sistemático dos tributos federais já é, por si só, indicativo de conduta dolosa. Se esse fato se apresenta ainda como resultado de fraude na interposição de pessoas, com mais razão deve ser mantida a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS
A interposição de pessoas seguida do não recolhimento sistemático de tributos implica na responsabilização tributária daqueles que administravam de fato a empresa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Decreto nº 70.235/1972 - PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Se os Recorrentes tiveram a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA O fato de a Contribuinte não ter realizado qualquer pagamento para os tributos e períodos em questão faz com que a contagem da decadência observe o prazo previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. A ocorrência de fraude também enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, obstando a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. MULTA QUALIFICADA O não recolhimento sistemático dos tributos federais já é, por si só, indicativo de conduta dolosa. Se esse fato se apresenta ainda como resultado de fraude na interposição de pessoas, com mais razão deve ser mantida a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS A interposição de pessoas seguida do não recolhimento sistemático de tributos implica na responsabilização tributária daqueles que administravam de fato a empresa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de auto de infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório), e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Se os Recorrentes tiveram a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA O fato de a Contribuinte não ter realizado qualquer pagamento para os tributos e períodos em questão faz com que a contagem da decadência observe o prazo previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN. A ocorrência de fraude também enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, obstando a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. MULTA QUALIFICADA O não recolhimento sistemático dos tributos federais já é, por si só, indicativo de conduta dolosa. Se esse fato se apresenta ainda como resultado de fraude na interposição de pessoas, com mais razão deve ser mantida a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 30 /2 00 6- 11 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 3 2 A interposição de pessoas seguida do não recolhimento sistemático de tributos implica na responsabilização tributária daqueles que administravam de fato a empresa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que manteve integralmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 178 a 212, nos valores de R$ 344.999,83, R$ 10.197,06, R$ 47.054,43 e R$ 188.228,97, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2001 e 2002, e houve arbitramento dos lucros para fins de apuração de IRPJ e CSLL. Também houve imputação de responsabilidade solidária a terceiros, que, segundo a Fiscalização, eram os administradores de fato da empresa. Os fatos que ensejaram a autuação estão assim descritos nos autos de infração: O contribuinte informou nas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJ's, anoscalendário 2001 e 2002, Receitas auferidas e IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a pagar, no entanto, não entregou à Secretaria da Receita Federal as Declarações de Débitos e Créditos de Tributos FederaisDCTF's referentes aos anoscalendário 2001 e 2002 e nem há recolhimentos dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme telas de nossos sistemas (fls. 154 a 160). Como nem o contribuinte e nem os administradores de fato da empresa, Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla, pessoas que tinham amplos, gerais e especiais poderes de gerência e administração da empresa, quando intimados, apresentaram a documentação fiscal e comercial, arbitramos o lucro do contribuinte com base nas Notas Fiscais de exportação (Anexo I), anoscalendário 2001 e 2002, enviadas pela Alfândega do Porto de Belém à fiscalização, e nas receitas mensais auferidas no mercado interno informadas nas DIPJs. Então, consolidamos em duas planilhas (fls. 161 a 166) as receitas mensais de exportação auferidas pelo contribuinte durante os anoscalendário 2001 e 2002. Com base nessas receitas mensais de exportação e nas receitas mensais auferidas no mercado interno informadas como base de cálculo do PIS e da COFINS nas DIPJ's (fls. 133 a 153) anoscalendário 2001 e 2002, consolidamos em outras duas planilhas (fls. 167 a 168) as receitas totais trimestrais auferidas pelo contribuinte em relação aos anoscalendário 2001 e 2002. Conforme Relatório de Fiscalização, que é parte integrante do Auto de Infração, ficou evidenciado que os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla utilizaramse de “laranjas” com o intuito de encobrirem suas identidades como os verdadeiros Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 5 4 administradores do empreendimento e que a empresa tentou eximirse do pagamento dos tributos devidos, sujeitandose, desta forma, à incidência de multa qualificada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n. 9.430/90, ficando caracterizado, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 1o e 2o da Lei 8.137/90. Ficou caracterizada também a participação capital dos Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla nos atos negociais da Medida Certa Madeiras Ltda., CNPJ nº 02.081.187/000120, referentes aos anoscalendário 2001 e 2002, e com tais, Responsáveis Solidários pelos tributos devidos à Secretaria da Receita Federal, conforme art. 124, inciso I, do Código Tributário NacionalCTN, eis que sobejamente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A Contribuinte foi cientificada dos autos de infração no dia 9 de dezembro de 2006 (fl. 221). Os responsáveis solidários Elcio Colla e Neuto Sangalli foram cientificados no dia 29 de novembro de 2006 (fls. 219/220). Apenas o responsável solidário Neuto Sangalli apresentou impugnação, cujos argumentos estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 019.762, às fls. 351 a 358: MÉRITO. OS FATOS COMO EFETIVAMENTE OCORRERAM. 1) Após mais de duas décadas à frente do empreendimento autuado, o impugnante experimentou dificuldades financeiras que o impediram de continuar no negócio. Por isso, deixou a dois de seus empregados a titularidade do empreendimento, fato constatado pelos Contratos sociais e alterações posteriores anexados ao processo; 2) Malgrado o fato de a empresa ter descuidado de algumas de suas obrigações tributárias não implica em ação como dolo, fraude ou simulação. Com efeito, os sócios da impugnante foram injustamente adjetivados de laranja, pois assinaram os Contratos Sociais e as suas Alterações por 4 anos e em quatro ocasiões, não podendo serlhes atribuída credibilidade em suas afirmações de que eram interpostas pessoas do impugnante porque tiraram proveito da sociedade; 3) Em vista do exposto no parágrafo precedente, os sócios de direito também devem ser responsabilizados pelos créditos tributários de que trata o presente processo; 4) É possível que os sócios de direito tenha sido pressionados e orientados pelas autoridades constituídas a solicitar a sua exclusão da sociedade. Tanto é verdade que o Senhor Isaac Porfírio continuou praticando atos em nome da empresa; 5) O impugnante não participou de qualquer ato mencionado pela fiscalização em seu Relatório, sendo detentor apenas de uma procuração com poderes limitados; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 6 5 6) Ressaltese que os cheques obtidos junto ao Banco Alvorada estão assinados pelo Senhor Isaac Porfírio. Além disso, depois de solicitar a sua exclusão do quadro societário, o referido Senhor assinou as DIPJ da empresa dos anos de 2003 e 2003; 7) A fiscalização recorreu aos desembaraços de exportação registrados na ALF/Belém para coletar a receita de exportação da empresa autuada, mas poderiam dispensar a providência porque os valores estão todos regularmente informados nas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002; 8) Se a empresa declarou as suas receitas não pode ser acusada de fraude, mormente porque na DIPJ a empresa não é devedora; 9) A ausência de provas das fraudes conduzem à conclusão que o Relatório fiscal não tem idoneidade e injuriou o impugnante com a imputação de fraude, dolo ou simulação; 10) Na DIPJ do anocalendário de 2002 constam os valores das receitas totais da empresa, incluindo as de exportação. Neste particular, os valores apurados pela fiscalização estão inflados em R$ 131.361,70 em relação aos valores declarados. E esta discrepância é passível de verificação, mas não representa fraude; 11) No que se refere DIPJ do anocalendário de 2003, há urna divergência entre a receita apurada pela fiscalização e aquela informada na DIPJ, mas a diferença é reduzida pode ter sido ocasionado por diversos fatores; 12) Existiam e existem todos os elementos para que a fiscalização aferisse o crédito tributário sem necessidade de arbitramento, impondo a extorsiva multa qualificada de 150%. 0 arbitramento não é um procedimento discricionário, mas urna forma de apuração que não pode ser utilizada ao talante da autoridade fiscal. A doutrina e a jurisprudência judicial, reproduzidas na peça impugnatória, corroboram o que foi afirmado pelo impugnante; NULIDADE DO PROCEDIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 13) São nulos todos os atos praticados pela fiscalização, mormente os depoimentos colhidos, porque o impugnante deles não participou, não lhe sendo dado o direito de contrapor. A desconstituição da personalidade jurídica, com a desconstituição dos sócios de direito demandam a presença do contraditório, por isso o procedimento representa cerceamento do direito de defesa, fato que ocasiona a nulidade do procedimento nos termos do disposto no artigo 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972; DECADÊNCIA. 14) Quando a impugnante foi cientificada das exações já houvera decaído o direito à sua formalização, nos termos do disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A alegação é Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 7 6 reforçada com diversos julgados administrativos e judiciais reproduzidos na peça impugnatória. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA manteve integralmente as exigências fiscais, e também o vínculo de responsabilidade tributária solidária, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica e os sócios de fato, no curso da ação fiscal, deixarem de exibir a escrituração que a ampararia na tributação da empresa com base no lucro real. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A comprovação da interposição de pessoa por meio de provas coletadas regularmente autoriza a responsabilização solidária pelo crédito tributário nas pessoas dos sócios de fato. MULTA QUALIFICADA. EXEQÜIBILIDADE. É exeqüível a qualificação da multa de oficio quando comprovado nos autos que a ação dos sócios de fato do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando se de meios que caracterizam evidente intuito de fraude. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não estando configurada a ocorrência de preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. DECADÊNCIA. No que se refere ao prazo decadencial, para os casos mencionados no § 4° do art. 150 do CTN fraude, dolo ou simulação excetuase a regra contida no caput e aplicase a regra do art. 173, I do CTN. CSLL. DECORRÊNCIA. Quando as provas que amparam o lançamento do IRPJ são as mesmas utilizadas para o lançamento da CSLL, o que foi decido em relação àquele aplicase a esta. PIS E COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mister o reconhecimento da legitimidade dos lançamentos de PIS e COFINS nos casos em que o sujeito passivo informa na DIRPJ a receita tributável e as contribuições sociais devidas, mas nada recolhe. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 8 7 Lançamento Procedente Os três interessados mencionados anteriormente foram cientificados da decisão de primeira instância administrativa: Elcio Colla, em 15/07/2008; Neuto Sangalli, em 27/06/2008 (sexta feira); e a empresa Medida Certa Madeiras Ltda., em 15/10/2008, por edital, conforme documentos de fls. 365/366, 371, 376 e 386. Houve apresentação de recurso voluntário contra a referida decisão, às fls. 377 a 382, protocolado em 28/07/2008, e subscrito conjuntamente por Neuto Sangalli (na condição de responsável) e pela pessoa jurídica autuada. De acordo com os recorrentes: as ações que precederam o lançamento estão eivadas de arbitrariedades e evidenciam notório óbice ao exercício pleno da Ampla Defesa, uma vez que foi conduta precípua da RFB/Bel buscar a caracterização, de qualquer maneira, da existência de ato fraudulento, simulador ou doloso, tendo a atividade fiscalizatória iniciado sem a devida intimação dos interessados, fatores esses clarificadores da prejudicialidade que assola a existência e/ou validade de todos os atos/condições preliminarmente praticados para formalizar o crédito tributário; a cadeia factual ensejadora da presente Demanda Tributária e da conseqüente responsabilidade solidária revela a vacuosidade dos argumentos exarados pelo Fisco, pois assentada em especulações, limitandose a proferir que o indigitado Contribuinte por Solidariedade, a Empresa e seus Responsáveis Sociais, não prestaram as Informações e não entregaram os Livros e Documentos Fiscais necessários à Fiscalização, e por essa razão agiram com dolo, fraude ou simulação (§ 4°, do artigo 150, do CTN), bem como tentaram se eximir da satisfação dos gravames, sujeitandose, por isso, à multa qualificada; os fatos não ocorreram como descritos pelo Ente Fiscal, não havendo que se falar nem em fraude e nem em simulação, pois, como já mencionado e demonstrado documentalmente na peça impugnativa antes destacada, todos os negócios jurídicos efetuados pela signatária foram devidamente registrados nos órgãos competentes, sem nunca terem sofrido restrição ou questionamento de qualquer natureza; o reconhecimento de “fraude, simulação ou dolo” nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, tem implicações no que diz respeito à incidência do instituto decadencial e não sobre responsabilidade penal, como insiste o órgão Fiscal; a atribuição de uma multa qualificada ignora arcabouço principiológico do Direito e todo esteio normativo legal, como também incorre em substanciosa contradição intrínseca, porque no próprio Decisório é destacado que “a multa qualificada imposta à autuada pressupõe elementos de prova que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo especifico seja elementar” e matérias dessa natureza, verificatórias/apuratárias de condutas definidas como criminosas, são objetos, unicamente, de processo penal; a Empresa e seu Litisconsorte Ativo reconheceu o descumprir de diversas de suas obrigações tributárias/contábeis/organizacionais e foi inadimplente quanto ao pagamento de tributos, porém, frisase, jamais incidiu em fraude, simulação ou dolo; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 9 8 pelo teor da Decisão firmada pela DRJ/Bel/PA, a constatação da “prática de atos sistemáticos visando à interposição de pessoas” e a natureza comum desse procedimento em casos de pessoas que almejam se esquivar de responsabilidades tributárias, após a prática de sonegação fiscal, conforme reconhecido em Julgados, é que permitiram a visualização da responsabilidade solidária, notorizaram que o interessado Neuto Sangalli sempre foi sócio de fato da empresa autuada e fizeram transparecer “o evidente intuito de fraude”; esse posicionamento é injusto, violador dos postulados da razoabilidade, da proporcionalidade, da racionalidade, da moralidade, e, por conseguinte, contrário à própria instrumentalidade do Direito que, ao ser aplicado, para não se tornar uma ferramenta despótica, deve considerar as peculiaridades de cada caso concreto, adequando as fontes do Direito ao conflito de interesses apresentado, o que não foi observado pela Administração, que simplesmente aplicou a regra geral dos Julgados à situação em epígrafe, considerando a Signatária “culpada” da prática de “fraude”, suprimindo instâncias e competências; a atribuição de conduta fraudulenta, simuladora ou dolosa, deve partir de fatos concretos, nascidos de provas robustas e indicadoras uníssonas dessa(s) condição(ões) e nunca originada de meros indícios; é inconcebível que em um Estado Democrático de Direito, assegurador de Direitos e Garantias Individuais, consagrador dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa, do Contraditório, da Presunção de Inocência, etc., seja imputada à Contribuinte a qualidade de “fraudadora” sem que tal acusação tenha sido discutida em um processo penal transitado em julgado; nessa linha, deve este apelo ser acolhido no sentido de desconstituir o decisório ora atacado, a fim de desconsiderar a aplicação da multa qualificada; nesta relação conflitiva jurídico/fiscal, a Autoridade Lançadora ultrapassou os limites do cabível proceder apuratório, com respaldo em fatos concretos registrados, transformandose em notório proceder investigatório, chegando a, unilateralmente, colher depoimentos e declarações escapistas dos Srs. Isaac Porfírio de Lima e Manoel Nascimento da Silva, sócios reais da Empresa. E, sem o estabelecimento de qualquer Contraditório, acolheu, arbitrariamente as aleivosias daqueles que, diretamente, acusou e acusa de laranjas. E, tendo como verazes e definitivas essas declarações conduzidas, as incorporou ao Decisório, sem propiciar proceder Contraditório à Empresa Medida Certa Ltda. ou a qualquer um dos solidariamente implicados; no que diz respeito à decadência, acrescentase que o prazo decadencial para cobrança de Contribuições Sociais, a partir da publicação da Súmula Vinculante n.° 8/STF, é de 5 anos e não de 10 anos, como defendido pela DRJ/Bel/PA. Portanto, como os fatos geradores ocorreram em 2001 e 2002 e o lançamento se deu dezembro de 2006, algumas parcelas carecem de exigibilidade; considerando a importância do conteúdo que consubstanciou a Impugnação ofertada em 29.12.2006 e dos documentos nela anexados, e para evitar repetições desnecessárias, procedese, agora, a integração e a incorporação plenas do referido arrazoado factual e legal ao presente Recurso Voluntário; Ao final, os recorrentes solicitam: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 10 9 que seja declarada a nulidade da decisão recorrida em face do cerceamento de defesa ocorrido na fase preparatório do lançamento efetuado; que à luz da Súmula Vinculante n° 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal, seja acolhida a decadência no que diz respeito às Contribuições Sociais, cujos pretensos fatos geradores tenham ocorrido há mais de cinco anos; e caso seja acolhido o lançamento, que seja desconstituída a multa qualificada, porque inaplicável ao caso, pelos motivos factuais e legais expostos. Este é o Relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, questionase no presente processo lançamento para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS). A autuação abrangeu fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2001 e 2002, e houve arbitramento dos lucros para fins de apuração de IRPJ e CSLL. Também houve imputação de responsabilidade solidária a terceiros, que, segundo a Fiscalização, eram os administradores de fato da empresa. O Relatório de Fiscalização, às fls. 169 a 177, que é parte integrante dos autos de infração, descreve detalhadamente os fatos que ensejaram o lançamento: DOS FATOS Em 02/03/2006, fomos ao endereço da empresa supramencionada, constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, dar ciência do Termo de Início de Fiscalização. No entanto, chegando ao referido endereço, Trav. Cristóvão Colombo, nº 264, Sala B Altos, Bairro lcoaraci, BelémPa, constatamos que a empresa não existe neste endereço, conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 05 a 06). Cabe salientar que segundo o advogado Adalberto Guimarães Neto, que possui um escritório de advocacia ao lado do endereço da empresa, e sua assistente Sra. Nádia Carolina, os quais assinaram como testemunhas o Termo de Constatação Fiscal, a empresa não funciona a mais de dois anos no endereço acima referido. Então, entramos em contato telefônico com o Sr. João Antônio de Barros Neto, CPF nº 301.962.64200, sócio de direito da empresa (seu nome como sócio da empresa consta dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, conforme fl. 07), o qual compareceu na Delegacia da Receita Federal em Belém, setor de Fiscalização, para prestar esclarecimentos em 03/03/2006. Segundo o Sr. João Antônio, o Sr. Hideo Kabuki, CPF nº 582.678.83215, pessoa para quem trabalhou na CEASA de Belém como vendedor de frutas e legumes, o convenceu a assinar, como testemunha, um contrato de uma empresa que estava sendo negociada em 2002, não sabendo qual era o nome da dita empresa; afirmando também que só soube que era sócio de empresa quando foi fazer sua Declaração de Isento e que não tem e nunca teve condições financeiras de ser sócio de qualquer empresa, pois sempre trabalhou como empregado de serviços gerais, vendedor e supervisor de atendimento, conforme Termo de Esclarecimentos (f1. 08) prestado à Secretaria da Receita Federal. O outro sócio da empresa constante dos dados Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 12 11 cadastrais da Secretaria da Receita Federal, Sr. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho (fl. 07), CPF nº 713.694.65300, residente e domiciliado em SantanaAmapá, portador de certo transtorno mental, reconhecida tal situação pela Promotoria de Justiça do Estado do Pará, também foi induzido a figurar como sócio da referida empresa em troca de um emprego, conforme Termo de Declaração (fls. 09 a 12) prestado por Celina Nascimento de Assis, mãe do Sr. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho, ao Ministério Público do Estado do Pará. Como o contribuinte não foi localizado no endereço constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, conforme Termo de constatação Fiscal (fls. 05 a 06), cientificamos o contribuinte, por meio de Edital (fl. 13), do Mandado de Procedimento Fiscal nº 02.1.01.002006000047 e do Termo de Início de Fiscalização, intimandoo a apresentar os Livros Contábeis e Fiscais, as Notas Fiscais de vendas realizadas aos mercados interno e externo, cópias, acompanhadas dos originais, do Contrato Social e suas alterações posteriores, bem como entregasse, via internet ou em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, as Declarações de Débitos e Créditos de Tributos FederaisDCTF's anoscalendário 2001 e 2002, pois as mesmas não constam dos nossos sistemas como entregues. Entretanto, o contribuinte não se manifestou em relação ao Edital. Devido a empresa não existir no endereço constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, conforme Termo de Constatação Fiscal (fl. 05 a 06), e ter o contribuinte informado nas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJ's como Inativa, ou seja, que está com suas atividades paralisadas, desde o anocalendário 2004, fizemos uma Representação para fins de Inaptidão no CNPJ, tendo sido declarada Inapta a empresa por inexistir de fato, conforme Ato Declaratório Executivo (fl. 14) e tela do sistema CNPJ (fl. 15), com efeitos a partir de 01/01/2005. A Seção de Programação, Avaliação e Controle de Atividade FiscalSAPAC da Delegacia da Receita Federal em Belém já havia detectado fortes indícios que as pessoas que figuraram e as que figuram atualmente como sócios de direito da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., CNPJ nº 02.081.187/000120, desde o início da constituição da empresa (em 11/08/1997), seriam “laranjas” dos Srs. Neuto Sangaili, CPF nº 005.852.200 00, e Elcio Colla, CPF nº 318.363.21953, conforme Relatório (fl. 16 a 23). Com base nessas informações, a Delegacia da Receita Federal em Belém, através de Ofício (fl. 24), solicitou cópias autenticadas de procurações em nome de Neuto Sangalli, Elcio Colla e Sandra Maria Sangalli da Cruz ao Cartório de Notas e Registro Civil de Icoaraci. Em resposta (fl. 25), o Cartório entregou à fiscalização uma Certidão (fl. 26) na qual o Sr. Neuto Sangalli e o Sr. EIcio Colla aparecem como procuradores com amplos, gerais e especiais poderes de gestão e Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 13 12 administração da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., CNPJ nº 02.081.187/000120, desde 24/06/1998. Através de ofício (fls. 27 a 28) solicitamos à Junta Comercial do Estado do ParáJUCEPA o Contrato Social e suas alterações posteriores referentes à empresa Medida Certa Madeiras Ltda., a qual foi atendida (fl. 29 a 42). Por meio de Memorando (fl. 43), foi solicitado à Alfândega do Porto de Belém cópias das Notas Fiscais das exportações efetuadas pelo contribuinte durante os anoscalendário 2001 e 2002, tendo sido entregues à fiscalização tanto as cópias das Notas Fiscais como dos comprovantes dos embarques das mercadoriasBL's, conforme Anexo I. Com base na presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, pois os dois titulares de direito da empresa afirmam que não são titulares de fato e há uma Certidão do Cartório de lcoaraci onde aparecem como procuradores da empresa com amplos, gerais e especiais poderes de gerência e administração os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla, requisitamos, através de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF (fl. 44 a 47), ao Banco Alvorada S.A., conglomerado do Banco Bradesco S.A., cópias do Cartão de Assinaturas, dos Cheques emitidos maiores que R$ 20.000,00 (vinte mil reais), da Ficha Cadastral e de Procurações dando poderes a terceiros movimentar a conta, referentes à empresa Medida Certa Madeiras Ltda., em relação aos anos calendário 2001 e 2002, tendo sido enviadas as cópias de todos os documentos solicitados (fls. 48 a 107). Em 22/09/2006, por meio dos Termos de Intimação Fiscal (fls. 108 a 113), intimamos os procuradores com amplos, gerais e especiais poderes de gerência e administração da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla, a apresentarem à fiscalização os Livros Contábeis e Fiscais, as Notas Fiscais de vendas realizadas aos mercados externo e interno e demais documentos. Em 03/10/2006, o Sr. Neuto Sangalli, através de seu procurador (fl. 114 a 117), solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação, a qual foi acatada. Entretanto, até o presente momento, o Sr. Neuto Sangalli não enviou à fiscalização a documentação nem solicitou outra prorrogação de prazo. O Sr. Elcio Colla, até o presente momento, não se manifestou sobre a intimação. DA ANÁLISE DOS FATOS A empresa não existe no endereço constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 05 a 06). Os atuais sócios constantes da quarta alteração do Contrato Social (fls. 41 a 42), Srs. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho e João Antônio de Barros Neto, declararam que foram induzidos a assinar a alteração deste Contrato Social como sócios da empresa, conforme Termo de Declaração (fls. 09 a 12) prestado ao Ministério Público do Estado do Pará e Termo de Esclarecimentos (fl. 08) à Secretaria da Receita Federal, respectivamente. Tanto o Sr. Manoel Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 14 13 Francisco, CPF nº 713.694.65300, como o Sr. João Antônio, CPF nº 301.962.64200, não possuíam e nem possuem capacidade econômicofinanceira para serem sócios da empresa, conforme Relatório (fls. 16 a 23) da Seção de Programação, Avaliação e Controle de Atividade FiscalSAPAC da Delegacia da Receita Federal em Belém e telas do sistema GUIA, VICVisão Integrada do Contribuinte (fls. 118 a 119). Em requerimento (fls. 120 a 122) protocolado em 2002 na Delegacia da Receita Federal em Belém, os Srs. Isaac Porfírio de Lima e Manoel Nascimento da Silva, pessoas essas que figuraram como sócios da empresa Medida Certa Madeiras Ltda. na primeira alteração contratual (fls. 33 a 36), solicitaram a exclusão de seus nomes dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal como sócios da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., pois os mesmos teriam sido enganados pelos Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla a assinar tal Contrato Social, afirmando eles também que os reais responsáveis por tal empresa seriam os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla, bem como a Sra. Sandra Sangalli. Tal solicitação foi acolhida pela Delegacia da Receita Federal, conforme telas do sistema CNPJ (fls. 123 a 124). Há uma Certidão do Cartório de lcoaraci (fl. 26) onde aparecem os nomes dos Srs. Neuto Sangalli e Elcio Coita como procuradores com amplos, gerais e especiais poderes para gestão e administração da empresa Medida Certa Madeiras Ltda, podendo eles comprar e vender mercadorias ligadas ao ramo de negócios da empresa (madeira), representar a empresa perante quaisquer repartições públicas (inclusive Receita Federal), movimentar contas bancárias, entre outros. Os documentos (fls. 48 a 107) enviados à fiscalização pelo Banco Bradesco S.A., dono do Banco Alvorada S.A., comprovam que realmente eram os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla que tinham a administração de fato da empresa Medida Certa Madeiras Ltda, em relação aos anoscalendário 2001 e 2002, inclusive na totalidade dos Cheques emitidos acima de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) possuem a assinatura do Sr. Neuto Sangalli (fls. 54 a 105), excetuandose apenas um Cheque com a assinatura do Sr. Elcio Colla (fls. 106 a 107). Nesses Cheques não há nenhuma assinatura dos atuais sócios de direito (a partir de 14/02/2002, conforme Contrato Social), Srs. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho e João Antônio de Barros Neto, nem dos sócios anteriores (de 14/05/1998 a 13/02/2002, conforme Contrato Social), Srs. Izaac Porfirio de Lima e Manoel Nascimento da Silva. O Sr. Neuto Sangalli, CPF nº 005.852.20000, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF's, conforme Relatório (fls. 16 a 23) da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade FiscalSAPAC da Delegacia da Receita Federal em Belém, teve como fonte pagadora a empresa Medida Certa Madeiras Ltda. nos anoscalendário 1999 a 2001, e, no anocalendário 2002, teve como fonte pagadora a empresa Madeiras Acará S.A. (que possui o mesmo ramo de negócio da Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 15 14 empresa Medida Certa Madeiras Ltda.), CNPJ nº 04.942.660/0001 42, empresa esta da qual é Presidente e sócio responsável perante a Secretaria da Receita Federal, conforme tela do sistema CNPJ (fl. 125). As Declarações de Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF's (fls. 126 a 131), anoscalendário 2001 e 2002, mostram que o Sr. Neuto Sangalli possuía capacidade econômicofinanceira para ser sócio da empresa. O Sr. Elcio Colla, CPF nº 18.363.21943, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF's, conforme Relatório (fl.) da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade FiscalSAPAC da Delegacia da Receita Federal em Belém, teve como fonte pagadora no anocalendário 2000 a empresa Medida Certa Madeiras Ltda., e, no anocalendário 1999, teve como fonte pagadora a empresa Madeiras Acará S.A.; porém, não apresentou as DIRPF's dos anoscalendário 2001 a 2003, apesar de ter tido uma movimentação financeira em 2001 no valor de R$ 184.450,87 (cento e oitenta e quatro mil, quatrocentos e cinqüenta reais e oitenta e sete centavos). Os Srs. Neuto Sangalli e Sr. Elcio Colla constam da Ficha 42A (Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular) da DIPJ, ano calendário 2000, como sócios da empresa Medida Certa Madeiras Ltda, remunerados naquele ano com os valores de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) e R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil reais), respectivamente, conforme tela do sistema IRPJ (fl. 132). No entanto, no Contrato Social e suas alterações posteriores seus nomes não aparecem como sócios da empresa. Intimamos a empresa Medida Certa Madeiras Ltda. por meio de Edital (fl. 13), pois a empresa não existe no endereço constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 05 a 06), como também os reais detentores de poderes de gerir a empresa, os Srs. Neuto Sangalli (fls. 108 a 110) e Elcio Colla (fls. 111 a 113), a entregarem à fiscalização os livros contábeis e fiscais, as Notas Fiscais de vendas realizadas aos mercados externo e interno, bem como os demais documentos, referentes aos anos calendário 2001 e 2002; entretanto, a fiscalização não obteve a documentação solicitada nas intimações. Por conseguinte, não restou outra alternativa à fiscalização senão arbitrar o lucro da referida empresa, por infringência ao inciso III do art. 530 do Regulamento do Imposto de RendaRIR/99, ou seja, a não apresentação de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à fiscalização. A base de cálculo, trimestral, do arbitramento do lucro é de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento) sobre as receitas totais conhecidas, referentes aos anoscalendário 2001 e 2002, ou seja, sobre as receitas de exportação registradas nas Notas Fiscais (Anexo I) enviadas pela Alfândega do Porto de Belém à fiscalização, referentes aos anoscalendário 2001 e 2002, e sobre as receitas auferidas no mercado interno informadas pelo contribuinte nas Declarações de Informações Econômico Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 16 15 FiscaisDIPJ's (fls. 133 a 153) como base de cálculo do PIS e da COFINS, anoscalendário 2001 e 2002. Cabe ressaltar que o contribuinte não entregou à Secretaria da Receita Federal as Declarações de Débitos e Créditos de Tributos FederaisDCTF's referentes aos anoscalendário 2001 e 2002 e nem há recolhimentos dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme telas de nossos sistemas (fls. 154 a 160). Conforme acima relatado, fica evidenciado que os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla utilizaramse de “laranjas” com o intuito de encobrirem suas identidades como os verdadeiros administradores do empreendimento e que a empresa tentou eximirse do pagamento dos tributos devidos, sujeitandose, desta forma, à incidência de multa qualificada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, ficando caracterizado, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 1° e 2° da Lei 8.137/90. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO De posse das cópias das Notas Fiscais de exportação (Anexo I), anoscalendário 2001 e 2002, enviadas pela Alfândega do Porto de Belém à fiscalização, consolidamos em duas planilhas (fls. 161 a 166) as receitas mensais de exportação auferidas pelo contribuinte durante os anoscalendário 2001 e 2002. Com base nessas receitas mensais de exportação e nas receitas mensais auferidas no mercado interno informadas como base de cálculo do PIS e da COFINS nas DIPJ's (fls. 133 a 153) anoscalendário 2001 e 2002, consolidamos em outras duas planilhas (fls. 167 a 168) as receitas totais trimestrais auferidas pelo contribuinte em relação aos anoscalendário 2001 e 2002. Como nem o contribuinte e nem os administradores de fato da empresa, Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla, pessoas que tinham amplos, gerais e especiais poderes de gerência e administração da empresa, apresentaram a documentação fiscal e comercial, arbitramos o lucro do contribuinte. A base de cálculo, trimestral, do arbitramento do lucro é de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento) sobre as receitas totais trimestrais (mercado externo e mercado interno). A base de cálculo da CSLL é de 12% (doze por cento) sobre as receitas totais trimestrais (mercado externo e mercado interno). Como não incide PIS e COFINS sobre as receitas de exportação, fizemos os lançamentos de ofício destes tributos tendo como base de cálculo as receitas mensais auferidas no mercado interno informadas nas DIPJ's (fls. 133 a 153) anoscalendário 2001 e 2002. Os lançamentos de ofício resultaram em Autos de Infração (fls. 178 a 214) de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, constantes do Processo Administrativo Fiscal nº 10280720.130/200611, cujo crédito tributário consolidado atingiu o montante de R$ 590.480,29 (quinhentos e noventa mil, quatrocentos e oitenta reais e vinte e nove centavos), conforme demonstrativo consolidado (f1. 04) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 17 16 A empresa não existe no endereço constante dos dados cadastrais da SRF, conforme Termo de Constatação (fls. 05 a 06). Os sócios atuais constantes da quarta alteração do Contrato Social (fls. 41 a 42) e dos sistemas da Secretaria da Receita Federal (fl. 07), Srs. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho e João Antônio de Barros Neto declararam que foram induzidos a assinar o Contrato Social, conforme Termo de Declaração (fls. 09 a 12) prestado ao Ministério Público do Estado do Pará e Termo de Esclarecimentos prestado à Secretaria da Receita Federal (fl. 08), respectivamente. Ambos não possuíam e nem possuem capacidade econômicofinanceira para serem sócios da empresa, conforme Relatório (fls. 16 a 23) da Seção de Programação, Avaliação e Controle de Atividade FiscalSAPAC da Delegacia da Receita Federal em Belém e telas do sistema GUIA, VICVisão Integrada do Contribuinte (fls. 118 a 119). Os Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla são as pessoas que tinham a administração de fato da empresa durante os anoscalendário 2001 e 2002, conforme Certidão (f1. 26) do Cartório de lcoaraci e Procuração (fls. 51 a 53) com amplos, gerais e especiais poderes de gerência e administração da empresa, bem como os Cheques emitidos em 2001 e 2002 assinados pelos mesmos (fls. 54 a 107). Por conseguinte, diante do conjunto probatório descrito e comprovado neste Relatório, resta perfeitamente caracterizada a participação capital dos Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla nos atos negociais da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., CNPJ nº 02.081.187/000120, referentes aos anoscalendário 2001 e 2002, e com tais, Responsáveis Solidários pelos tributos devidos à Secretaria da Receita Federal, conforme art. 124, inciso I, do Código Tributário NacionalCTN, eis que sobejamente comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Foi feita uma Representação Fiscal para Fins Penais, protocolada sob o nº 10280720.131/200665, por ter sido demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram Crimes Contra a Ordem Tributária, definidos pelos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Tendo sido declarada inapta a empresa por inexistir de fato, fizemos uma Propositura de Medida Cautelar, protocolada sob o nº 10280720.133/200654, por ocorrência da hipótese prevista no inciso VIII do artigo 9º da IN SRF 264/2002. Lavramos o presente Relatório, que é parte integrante dos Autos de Infração, em 03 (três) vias de igual teor, assinadas pelo AuditorFiscal da Receita Federal, das quais uma via será notificada ao contribuinte por meio de Edital, sendo enviada cópias por via postal, com Aviso de Recebimento (AR), aos administradores de fato da empresa e Responsáveis Solidários, Srs. Neuto Sangalli e Elcio Colla. (grifos acrescidos) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 18 17 Houve apresentação de impugnação, por parte do responsável Neuto Sangalli, mas a Delegacia de julgamento manteve integralmente a exigência, e também o vínculo de responsabilidade tributária. Na seqüência, houve apresentação de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância administrativa, subscrito conjuntamente por Neuto Sangalli e pela pessoa jurídica autuada, e que é objeto da presente decisão. Em síntese, os Recorrentes questionam a falta de contraditório na fase que precedeu o lançamento; contestam os fatos que implicaram no reconhecimento da fraude, e que, por conseqüência, ensejaram a multa qualificada e a responsabilidade tributária a terceiros; e também alegam que parte da exigência estaria fulminada pela decadência, em razão do prazo previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Ao final da peça recursal, os Recorrentes reiteram genericamente todos os argumentos que foram apresentados na fase de impugnação. A decisão de primeira instância administrativa examinou com profundidade as matérias abordadas nas duas peças de defesa, nos seguintes termos: [...] Voto [...] MÉRITO OS FATOS COMO EFETIVAMENTE OCORRERAM 4. Analisando as peças do processo, verificase a ocorrência de prática de atos sistemáticos visando a interposição de pessoas. 0 procedimento pode ser considerado como comum nesses casos porque sempre é observado quando uma ou mais pessoas almejam excluirse da responsabilidade tributária que criaram mediante a prática da sonegação fiscal. 5. Após diversos julgados, é possível afirmar que o procedimento se dá mediante a simulação de alteração do quadro societário da empresa, na qual passam a figurar como sócios pessoas humildes, sem qualquer suporte financeiro que lhes dessem condições de adquirir um empreendimento comercial. 6. Este é o caso da presente processo, muito embora o único responsável solidário que apresentou impugnação tenha tentado desmerecer o que foi apurado pela fiscalização. Sem muito esforço, apenas reproduzindo o que foi apurado pela fiscalização, e que conta descrito no Relatório de Fiscalização (fls. 169 a 177), é possível visualizar a interposição de pessoa e a responsabilidade solidária do impugnante, que sempre foi o sócio de fato da empresa autuada: “... que só soube que era sócio de empresa quando foi fazer sua Declaração de Isento e que não tem e nunca teve condições financeiras de ser sócio de qualquer Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 19 18 empresa, pois sempre trabalhou como empregado de serviços gerais, vendedor e supervisor de atendimento...”. "O outro sócio da empresa constante dos dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, Sr. Manoel Francisco do Nascimento Carvalho (fl. 07), CPF n° 713.694.65300, residente e domiciliado em Santana Amapá, portador de certo transtorno mental, reconhecida tal situação pela Promotoria de Justiça do Estado do Pará, também foi induzido a figurar como sócio da referida empresa em troca de emprego, conforme Termo de Declaração (fls. 09 a 12)...”. “Há uma Certidão de Cartório de Icoaraci (fl. 26) onde aparecem os nomes dos Srs. Neuto Sangalli e Élcio Colla como procuradores com amplos, gerais e especiais poderes para gestão e administração da empresa Medida Certa Madeiras Ltda., podendo eles comprar e vender mercadorias ligadas ao ramo de negócios da empresa (madeira), representar a empresa perante quaisquer repartições públicas (inclusive Receita Federal), movimentar contas bancárias entre outros”. 7. Em vista do que foi apurado pela fiscalização, estão presentes no expediente adotado pelos sócios de fato, incluindo o impugnante, todos os procedimentos observados nas empresas nas quais é utilizado o expediente de interpor pessoas. Obviamente, a medida visa a exclusão de responsabilidade tributária quando há o evidente intuito de fraude. A respeito do evidente intuito de fraude, o fato será abordado no tópico referente à qualificação da multa de oficio para 150%. 8. O impugnante ainda argumenta que as interpostas pessoas teriam sido pressionadas ou orientadas a depor da forma como o fizeram nos autos do processo. Entretanto, a Unidade de origem cercouse de todos os cuidados para certificar a interposição de pessoa. Assim, nas folhas 16 a 22 consta um relatório de lavra do Setor de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal que expõe de forma clara a interposição de pessoa. Ressaltese que o impugnante não somente interpôs pessoas para ocultar a sua condição de sócio, como também apresentou variação patrimonial a descoberto e movimentação financeira incompatível com a renda declarada. 9. Outra alegação do impugnante foi de que o Sr. Isaac Porfírio teria assinado cheques do Banco Alvorada, fato que comprovaria a sua condição de sócio de fato da empresa autuada. A respeito do assunto, malgrado o cadastro de assinaturas (fl. 50) indicar o nome das duas pessoas interpostas, além dos nomes dos responsáveis solidários, as cópias dos cheques fornecidas à fiscalização comprovam que era o impugnante quem assinava os cheques e efetivamente movimentava a empresa (fls. 51 a 107). 10. No que se refere ao arbitramento do lucro, convém destacar inicialmente que o lançamento do PIS e da COFINS não se Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 20 19 originou do arbitramento. E nem poderia ser diferente porque a base de cálculo dessas contribuições é o faturamento bruto. Com efeito, a fiscalização apurou a receita tributável e sobre ela lançou de oficio as contribuições em comento, tendo em vista que a empresa autuada nada recolheu nos períodos fiscalizados a titulo de PIS e COFINS. 11. Ressaltese que a receita com a exportação foi excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. Somente a receita com a venda no mercado interno foi lançada de oficio. 12. O arbitramento, ao contrário do que alega a impugnante, é legitimo e não foi formalizado mediante juízo de valor da fiscalização. Tratouse de aplicação de disposição legal em vigor tendo em vista que a empresa autuada foi intimada a apresentar os livros e documentos de suporte contábil, mas não o fez. Os responsáveis solidários também foram intimados a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais, mas nada apresentaram. Nestes casos, o artigo 530, III, do Decreto n° 3.000, de 1999, dispõe que a fiscalização deverá arbitrar o lucro: “Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)”. 13. Não há que se falar em atitude discricionária da fiscalização quando se trata de arbitramento do lucro. O procedimento está em conformidade que o que dispõe a legislação de regência acima reproduzida. 14. O impugnante alega que a fiscalização nem necessitava recorrer aos valores dos desembaraços de exportação para formalizar a exação. A alegação é inócua porque qualquer que seja o desfecho da análise, não afetará o resultado apurado pela fiscalização. 15. Ressaltese, novamente, que os fatos envolvendo a qualificação da multa de oficio serão objeto de apreciação em tópico próprio. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 16. O impugnante suscita a nulidade do procedimento porque não teria sido notificado para acompanhar os procedimentos que antecederam à lavratura dos autos de infração. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 21 20 17. Esses procedimentos são a atividade de lançamento estabelecida no caput do artigo 142 do CTN. Neste particular, o impugnante fala em cerceamento do direito de defesa, mas antes da lavratura dos autos de infração não existia acusação contra o impugnante. 18. A inexistência de acusação implica em desnecessidade de defesa. E se não existe necessidade de defesa, não há que se falar em cerceamento desta. 19. Após a ciência dos autos de infração, o impugnante dispôs de 30 dias para se defender, tal como determina o Decreto n° 70.235, de 1972. Todos os procedimentos legais foram observados, fato que implica na rejeição do argumento de cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA 20. Apreciando a preliminar de decadência, rejeitamse os argumentos. Com efeito, no caso do IRPJ dos trimestres 1, 2 e 3 do anocalendário de 2001, como a empresa nada recolheu a titulo de IRPJ e existe a comprovação do evidente intuito de fraude, fato que será objeto de apreciação em tópico próprio, o prazo decadencial iniciouse no dia 1° de janeiro de 2002 e seria alcançado em 1º de janeiro de 2007 (art. 173, I, do CTN). O impugnante foi notificado das exações no dia 29 de novembro de 2006, antes, portanto, da decadência. 21. Obviamente, o trimestre 4 do anocalendário de 2001 e os fatos geradores do anocalendário de 2002, também não foram alcançados pela decadência (o prazo fatal seria 1º de janeiro de 2008). 22. Enfim, no caso das contribuições sociais, o prazo decadencial é de 10 anos, nos termos do disposto no artigo 45, I, da Lei n° 8.212, de 1991. MULTA QUALIFICADA 23. A multa qualificada imposta à autuada pressupõe elementos de prova que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo especifico seja elementar. A Fiscalização entendeu presente o requisito e por isso lavrou Representação Fiscal para Fins Penais justamente para que o fato fosse apurado também judicialmente, na medida em que os elementos dos autos indicam ter havido interposição de pessoas (o que não se admite pela forma culposa) e sonegação fiscal. 24. Mesmo desconsiderando a segunda parte da operação, que seria a sonegação fiscal, e analisando apenas a interposição de pessoa, que foi comprovada nos autos, o fato configuraria os tipos penais descritos no art. 1°, inciso I da Lei n.° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, suprimir tributo omitindo informação ou prestando declaração falsa às autoridades. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 22 21 25. De fato, o termo “evidente intuito de fraude” é citado de modo genérico no inciso II do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996: “nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64”. A Lei n.° 9.430, de 1996, não se referiu apenas à fraude propriamente dita, como seria se citasse somente o art. 72 da Lei n.° 4.502, de 1964. Sendo assim, a figura definida no inciso I do art. 71 desta Lei, que vem a ser a sonegação, faz parte do grupo de situações que a Lei n.° 9.430, de 1996, identificou genericamente como de evidente intuito de fraude. “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 26. Tanto o crime definido no art. 1º, inciso I da Lei n.° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, quanto as práticas definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, tratam de infrações em cuja definição seja elementar o “dolo especifico” do agente, ou seja, infrações nas quais o “executor” do ato tenha em mente a obtenção de um determinado resultado. É preciso, portanto, que fique evidenciada não apenas a intencionalidade do agente, mas seu objetivo de atingir determinado resultado. 27. No presente caso estão presentes elementos de prova que autorizam a conclusão que o impugnante agiu com a manifesta vontade de fraudar o erário público, mediante o artifício de prestar declaração falsa, sonegar tributo e contribuições sociais, bem como se utilizar da simulação de distrato societário. CONCLUSÃO 28. De acordo com tudo o que consta nos autos e foi analisado, VOTO pela procedência dos lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. (grifo acrescido) Fl. 444DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 23 22 Os argumentos apresentados nessa fase recursal não são capazes de refutar os fundamentos contidos na decisão recorrida, os quais também adoto como base para este voto. Pouco tenho a acrescentar à decisão de primeira instância administrativa. Quanto à preliminar de nulidade, cabe destacar que o Decreto nº 70.235/1972 – PAF (arts. 14 e 15) não estabelece a possibilidade de exercício do direito de defesa e do contraditório previamente à lavratura do auto de infração. Com efeito, o art. 14 do Decreto 70.235/1972 menciona expressamente que “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, e a impugnação é sempre apresentada depois da ciência do auto de infração. Aliás, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 é bastante claro a esse respeito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Isto não quer dizer, contudo, que a legislação que regula o PAF não preveja o contraditório ou a possibilidade do direito de defesa, mas apenas que o exercício destes direitos é diferido para um determinado momento, eis que os trabalhos de fiscalização (auditoria) tem a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório). Em relação ao caso concreto, vêse que os Recorrentes tiveram a ciência de todos os termos, documentos e demonstrativos que compõe o processo, onde estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento, as infrações que lhes foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Com a ciência do lançamento, puderam eles plenamente exercer o contraditório e o direito de defesa, para contraditar as informações que a Fiscalização obteve junto a terceiros (declarações reduzidas a termo, certidão cartorial e cópia de procuração, fichas cadastrais bancárias, cópias de cheques emitidos, etc.), e que ensejaram as principais questões abordadas nas peças de defesa (caracterização de fraude por interposição de pessoas, multa qualificada e imputação de responsabilidade tributária a terceiros). Deste modo, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. Quanto ao mérito, constato que as peças de defesa não trouxeram nenhuma informação ou esclarecimento relevante, capazes de confrontar o sólido conjunto probatório apresentado pela Fiscalização. Não procede a alegação de que a decisão recorrida está pautada por critérios genéricos extraídos de decisões administrativas anteriores, e de que ela não considerou as peculiaridades do caso concreto. Diante do conteúdo das informações e dos documentos obtidos pela Fiscalização, cujos aspectos principais encontramse grifados na transcrição contida no início deste voto, não há dúvidas de que o não recolhimento sistemático dos tributos federais, conforme apurado pela auditoria fiscal, apresentase como resultado de uma fraude que enseja tanto a qualificação da multa quanto a responsabilização tributária de terceiros. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 24 23 No caso, foram os Recorrentes que, trazendo argumentos puramente teóricos, não enfrentaram específica e objetivamente as informações colhidas na auditoria fiscal. Nem ao menos procuraram esclarecer porque os cheques da empresa autuada eram assinados pelos Srs. Neuto Sangalli ou Elcio Colla, e qual era a relação destas pessoas com a empresa. A omissão reiterada de receitas e o não recolhimento sistemático de tributos já seriam, por si só, indicativo de conduta dolosa, situação que fica bastante agravada pela fraude na interposição de pessoas. Ao contrário do defendido pelos Recorrentes, não é necessário decisão transitada em julgado em processo penal para que as normas de qualificação de multa fiscal e responsabilização tributária operem seus efeitos. Embora haja aspectos comuns entre os tipos penaltributário (relacionado à pena de privação de liberdade) e tributáriopenal (que trata da exigência de multa fiscal juntamente com o tributo devido), os efeitos destes diferentes ramos normativos são relativamente independentes. Aliás, de acordo com o art. 83 da Lei 9.430/1996, é a ação penal que está, de certo modo, a depender da sorte do processo administrativo fiscal, e não o contrário, como sugerido pelos Recorrentes: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1o e 2oda Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Isto porque a própria Administração Tributária pode entender que não ocorreu falta de recolhimento de tributo (ou seja, o resultado da conduta fraudulenta), o que afetaria a tipificação na esfera penal. Não há, portanto, que se aguardar nenhuma decisão em processo penal para que sejam aplicadas as referidas normas jurídicotributárias. Finalmente, cabe registrar que de acordo com a Súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais realmente deve observar os dispositivos do Código Tributário Nacional CTN, e não mais o art. 45 da Lei 8.212/1991. No caso, a Contribuinte autuada não realizou qualquer pagamento para os tributos e períodos em questão, e em razão disso a contagem da decadência deve se dar de acordo com a regra do art. 173, I, do CTN. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme o acórdão de 09/10/2007 exarado em Agravo Regimental no Recurso Especial nº 2007/01055441, com a seguinte ementa: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720130/200611 Acórdão n.º 1802002.156 S1TE02 Fl. 25 24 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. ART. 173, I, DO CTN. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO FINANCEIRO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ART. 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO CONJUNTA. IMPOSSIBILIDADE. I Esta Corte adota entendimento de que o prazo para a constituição de crédito de tributo sujeito a lançamento por homologação, na hipótese em que não há pagamento da dívida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Precedentes: REsp nº 733.915/SP, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ de 16/08/2007; EREsp nº 413.265/SC, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 30/10/2006; REsp nº 839.418/SC, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 28/09/2006 e AgRg no Ag nº 717.345/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/09/2006. II Agravo regimental improvido. Além disso, a ocorrência de fraude também enseja a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, obstando a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. Deste modo, a decisão de primeira instância também não merece reparos em relação a essa matéria, eis que mesmo para os fatos geradores mais antigos, ocorridos no início de 2001, a decadência se daria em 01/01/2007, e o lançamento ocorreu antes dessa data, em 29/11/2006. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 447DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10070.000334/98-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1998
DCOMP. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS.
Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu o direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS. Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu o direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 03 34 /9 8- 45 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.707 2 Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento processual, adoto o relatório constante do Acórdão nº 1255.389: 1. O presente processo administrativo foi formalizado em 19.03.1998, tendo em vista a solicitação do interessado constante à fl. 03 e o pedido de compensação de fl. 04, recepcionado em 01.04.1998. 2. Neste, o interessado requer a compensação de R$ 2.448.582,12, a título de pagamento indevido ou a maior de FINSOCIAL, com os valores vencidos e vincendos de quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, amparado na medida liminar de antecipação de tutela, concedida nos autos do Processo Judicial nº 98.00028188, da 22ª Vara Federal do RJ. 3. Às fls. 39/48, constam duas petições e planilhas, nas quais a interessada informa os valores compensados até os meses de abril/98 e maio/98 de débitos próprios de COFINS, PIS e de débitos de IPI de seus estabelecimentos em Nova Friburgo/RJ, Caxias do Sul/RS e Garibaldi/RS. 4. No processo administrativo nº 10768.006338/9825, apenso ao presente, consta cópia de nova petição da interessada, recepcionada em 10.07.1999, informando os valores compensados até junho/98, de débitos próprios de COFINS, PIS e de débitos de IPI de seus estabelecimentos em Nova Friburgo/RJ, Caxias do Sul/RS e Garibaldi/RS (fls. 11/13). Neste, às fls. 14/28, constam ainda os demonstrativos de apuração dos valores indevidamente recolhidos. 5. Às fls. 53/54 e 56/57, do presente processo, constam novos pedidos de compensação datados de 25.11.1998, 03.12.1998, 10.12.1998 e 15.12.1998, nos quais a interessada solicita a compensação com os débitos de IPI, do 2º e 3º decêndio de 11/98, de PIS e de COFINS de 11/98 e de IPI do 1º decêndio de 12/98. 6. Às fls. 1115 a 1117, consta o Despacho Decisório exarado em 16.06.2009, no qual, em resumo, é informado que: • Os pedidos de compensação foram apresentados anteriormente ao trânsito em julgado da decisão judicial que ocorreu em 01.09.2006, não se convertendo em Declaração de Compensação. • De acordo com o relatório da SACAT/DRF/VRA, foi reconhecido o montante de R$ 779.510,74 de saldo de pagamentos do FINSOCIAL, em valores consolidados até 01.01.95. • A decisão da 5ª Turma do TRF da 2ª Região, que transitou em julgado, restringiu o direito de compensar os créditos de FINSOCIAL apenas com débitos de COFINS. • Os débitos constantes dos pedidos de compensação encontramse confessados em DCTF (fls. 850/905). • Foi deferido parcialmente o pedido de compensação, até o limite do direito creditório reconhecido, no montante de R$ 779.510,74, em valores consolidados até 01.01.95, na compensação exclusiva de débitos de COFINS. • Foi determinada a cobrança dos débitos não compensados. • Foi determinada fosse dada ciência do inteiro teor do Despacho Decisório, resguardando o direito ao contribuinte de interpor manifestação de inconformidade Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.708 3 no prazo de 30 dias a contar da ciência, a qual deveria ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. 7. À fl. 1143, consta o Comunicado nº 694/2009, de 19.11.2009, de encaminhamento de cópia de inteiro teor do Despacho Decisório e de intimação para recolhimentos dos débitos não confessados. À fl. 1152, foi anexado o AR com data de entrega em 25.11.2009. 8. A interessada inconformada apresentou, por via postal, em 07.01.2010, as manifestações de inconformidade anexadas, por cópia, às fls. 1169/1220, 1222/1273, 1275/1326 e 1328/1381. Nestas consta em resumo que: • Tratase de pedido de restituição e compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos da Impugnante, a titulo da Contribuição ao PIS, da COFINS e do IPI, nos valores totais originais de, respectivamente, R$ 151.845,91, R$ 246.466,74 e R$ 3.654.120,68. • O direito creditório foi reconhecido em decisão transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária n° 98.00028188, que tramitou perante a 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, em função do pagamento a maior daquela Contribuição, decorrente da majoração de alíquotas instituídas pelas Leis n°s 7.689/88, 7.787/89 e 8.147/90. • O despacho decisório está em desacordo com entendimento jurisprudencial dominante do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, razão pela qual não merece prosperar. • A Lei n° 9.430 tratou da sistemática da compensação em seus artigos 73 e 74, estabelecendo que a Secretaria da Receita Federal poderia autorizar a compensação de créditos com débitos de quaisquer tributos por ela administrados, independentemente de serem os créditos e os débitos da mesma espécie e destinação constitucional. • Em 05.02.1998, propôs a Ação Ordinária n° 98.00028188, que tramitou perante a 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, requerendo fosse reconhecido seu indébito decorrente do pagamento a maior de FINSOCIAL, em função da majoração de alíquotas preconizadas pelas Leis n°s 7.689/88, 7.787/89 e 8.147/90, bem como fosse concedida tutela antecipada autorizandoa a compensar de imediato o valor do referido indébito com débitos da COFINS e de outros tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal. • Em 13.02.1998, foi concedida a tutela antecipada, autorizando a Impugnante a compensar os créditos decorrentes do pagamento a maior de FINSOCIAL com débitos de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. • Respaldada na decisão acima mencionada, formulou os pedidos de compensação de débitos da Contribuição ao PIS, da COFINS e do IPI apurados a partir de fevereiro de 1998, consubstanciados nos autos do Processo Administrativo n° 10070000.334/9845. • Promoveu as compensações em questão somente a partir do momento em que obteve provimento jurisdicional para tanto. • Não bastasse a decisão judicial acima mencionada, posteriormente confirmada em sentença proferida em 22.07.1999, com o advento da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, o que era uma faculdade da Secretaria da Receita Federal, aceitar ou Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.709 4 não a compensação entre tributos sob a sua administração, passou a ser um direito do contribuinte. • Ao tempo da homologação das compensações por ela promovidas, o artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n° 10.637/02, autorizava a compensação de créditos com débitos de quaisquer tributos administrados pela então SRF. • Cita as Soluções de Consulta nº 432, de 05.09.2007, 98 de 28.06.2002, 197 de 13.11.2003 e decisões do então Conselho de Contribuintes do MF, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. • Apesar dos termos do acórdão proferido pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, entende corretas as compensações por ela promovidas nos autos do presente processo, posto que estão em perfeita consonância com o entendimento deste Órgão Julgador e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. • Ao final requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para reformar a parte do despacho decisório que deixou de homologar as compensações realizadas com os débitos de PIS e do IPI. 9. A SAORT/DRF/VRA/RJ, por meio do despacho de fls. 1383, entendeu que como o contribuinte alegou preliminarmente a tempestividade de cada manifestação de inconformidade e considerando a ausência de data de recebimento no campo próprio do AR (fl. 943), postado em 23.11.2009, deveria o presente processo ser encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento para análise e julgamento. Acrescentou, ainda, que permaneceram devedores os débitos de PIS (proc. nº 17878.00196/200962), e de IPI (processos administrativos nº 17878.000197/200915, 18878.000198/200951 e 17878.000199/200904), tendo sido dado prosseguimento à cobrança em razão do disposto no parágrafo único do art. 91 da IN RFB nº 900/2008. 10. Por meio da Resolução nº 161 da DRJ/RJ, de fls. 1384 a 1390, foi decidido que, em se tratando o presente caso de pedidos administrativos de compensação de créditos tributários com créditos oriundos de decisão judicial não transitada em julgado, tais pedidos não alcançaram a nova sistemática de declaração de compensação. Conseqüentemente, as reclamações apresentadas não se revestiriam da condição de manifestação de inconformidade, prevista na Lei nº 9.430/96, não sendo pois competência desta DRJ apreciálas. A 4ª Turma de Julgamento manifestouse ainda no sentido de que deveria ser aplicado ao presente caso o rito processual previsto na Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 11. Cientificada da citada Resolução em 29.03.2011, a interessada apresentou a petição de fls. 1397 a 1403 (não consta data da recepção de tal documento), dirigida à Relatora da 4ª Turma da DRJ II, na qual em resumo sustenta que: • A possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade já tem previsão desde o ano de 1998, ano em que a Requerente apresentou os pedidos de compensação. • A Portaria MF n° 227, de 03.09.1998, em seu artigo 183, estabeleceu a competência das DRJ para julgamento de manifestações de inconformidade em processos administrativos de compensação. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.710 5 • De acordo com o art. 170 do CTN, inexistia limitação de natureza formal para a apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologa pedido de compensação formulado antes da alteração promovida em 2001 no citado artigo. • Pouco importa se os pedidos de compensação formulados pela Requerente foram ou não convertidos em declaração de compensação, conforme preceitua a Lei n° 9.430/96, e sim, a materialização do instituto através do artigo 170, do CTN. • Aplicando subsidiariamente o Código de Processo Civil à legislação do Processo Administrativo Fiscal Federal, a outra conclusão não se chega senão pela apreciação da manifestação de inconformidade pela Delegacia de Julgamento, pois como o despacho decisório foi prolatado em 16.06.2009, aplicase a legislação desse tempo, qual seja, a Lei n° 9.430/96 e a IN SRF n° 900/08. • Por qualquer ângulo que seja analisado o caso em tela, a outra conclusão não se chega senão pela apreciação da manifestação de inconformidade apresentada pela Requerente por este Órgão Colegiado, pois, no presente caso, não há que se falar que os pedidos de compensação não se revestem da natureza de declaração de compensação. 12. Posteriormente, em 18.08.2008, fls. 1407 a 1410, o Delegado da RFB em Volta Redonda/RJ resolveu não reconsiderar a decisão proferida e manter o disposto no despacho decisório de fls. 1115 a 1117, bem como determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. O presente processo foi, então, nos termos do art. 56, §1o, da Lei 9.784, de 1999 e na forma do parágrafo 2o do art. 1º da Portaria SRRF07 n° 552, de 13 de julho de 2011, encaminhado à Sra. Superintendente da 7ª RF para apreciação do recurso interposto. 13. Entretanto, decidiu a DISIT/7ª RF, por meio do Despacho Decisório nº 04 SRRF07/Disit, fls. 1420 a 1426, em prover em parte o recurso hierárquico na forma abaixo exposta: “A impossibilidade de se utilizar crédito decorrente de ação judicial antes do trânsito em julgado para o encontro de contas característico da compensação tributária, antes da edição da MP nº 66/02, determinava a decisão de indeferila. A manifestação de inconformidade, processada e julgada segundo o rito do Decreto n° 70.235/1972, é o recurso adequado a impugnar a decisão administrativa que indeferiu a compensação.” 14. A DISIT/7ªRF fundamentou tal decisão no Parecer PGFN/CAT nº 163/2007, notadamente em seu item 16, abaixo reproduzido. “16. Para os casos em que, onde os pedidos dos contribuintes são fundamentadamente indeferidos, caberá manifestação de inconformidade por parte do contribuinte, a qual será apreciada pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, cuja decisão sujeitase a recurso aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, órgãos competentes para julgálo a teor do disposto no art. 3º II da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993.” 15. Assim, concluiu aquela Divisão que não cabia a apresentação de recurso hierárquico (Lei nº 9784/99) e sim manifestação de inconformidade, observandose o rito previsto no Decreto nº 70.235/72. Conseqüentemente, a Superintendente da 7ª RF conheceu em parte o recurso apresentado e, no mérito, decidiu provêlo na parte conhecida, declinando da competência em favor da DRJ/RJO II. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.711 6 16. Posteriormente, em 18.04.2012, a interessada anexou o requerimento de fls. 1490 a 1494, dirigido ao Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da RFB em Volta Redonda/RJ, alegando em síntese que: • A Superintendência da 7a Região Fiscal, ao analisar o presente caso, decidiu, com fundamento nas orientações editadas pela PGFN, por meio do Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499, de 2005, que no caso em exame deveria ser aplicado o rito processual estabelecido no Decreto n° 70.235/72, aplicandose a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do disposto no inciso III, do artigo 151, do CTN, e determinou que a manifestação fosse julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. • Estando os débitos controlados por meio dos processos administrativos nºs 1087878.000196/200962 (PIS), 17878.000197/200915 (IPI), 17878.000198/2009 51 (IPI) e 17878.000199/200904 (IPI) tenham, os mesmos, a sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inc. III, do CTN, considerando a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade; • Deverá ser oficiada a Procuradoria da Fazenda Nacional em Resende para determinar o cancelamento das Certidões de Dívida Ativa que consubstanciam os débitos objeto dos processos administrativos de cobrança n°s 17878000.196/2009 62, 17878000.197/200915, 17878000.198/200951 e 17878000.199/200904, tendo em vista serem as mesmas nulas de pleno direito, uma vez que a discussão dos débitos ainda não se encerrou na esfera administrativa. 17. A 16ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu, por meio da Resolução nº 135, (fls. 1546 a 1554) restar configurado o conflito de competência, motivo pelo qual decidiu pelo encaminhamento do presente à COSIT, a fim de que fosse solucionado o citado conflito. Antes, porém, encaminhou este à Delegacia de Volta Redonda/RJ para que se pronunciasse a respeito da petição de fls. 1490 a 1494. 18. Na Informação Fiscal de fls. 1556 a 1557, consta em resumo que: • após encerrado o prazo para cobrança amigável, sem pagamento, parcelamento ou qualquer outra medida passível de extinguir ou suspender a cobrança do crédito tributário, foi efetivada a inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) de nº 70 7 10 00037203, com os débitos do processo nº 17878.000196/2009 62, de nº 70 3 11 00020311, com os débitos do processo nº 17878.000197/200915, de nº 00 3 10 00025739, com os débitos do processo nº 17878.000198/200951, e de nº 00 3 10 00009296, com os débitos do processo nº 17878.000199/200904. • Irresignada, a interessada impetrou Mandado de Segurança nos autos do processo judicial nº 2010.51.04.0011656, que, em liminar deferida e, posteriormente, em sentença que julgou procedente o pedido e concedeu a segurança, atribuiu efeito suspensivo à Manifestação de Inconformidade apresentada no âmbito do presente processo e reconheceu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários controlados nos processos administrativos de nº 17878.000196/200962 e 17878.000199/200904, até o julgamento definitivo do mérito, nos moldes do art. 151, inciso III, do CTN. • Por isso, foi proposto o cancelamento da inscrição de nº 70 7 10 00037203 e 00 3 10 00009296, sendo os processos administrativos de nº 17878.000196/200962 e 17878.000199/200904 encaminhados, à época, à Procuradoria da Fazenda Nacional em ResendeRJ, para as providências cabíveis. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.712 7 • Por outro lado, a interessada impetrou Mandado de Segurança nos autos do processo judicial nº 2010.51.04.0025527, que, em liminar indeferida e, posteriormente, em sentença que denegou a segurança e extinguiu o feito com resolução do mérito, negou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários controlados nos processos administrativos de nº 17878.000197/200915 e 17878.000198/200951. • Por isso, foi proposta a manutenção da inscrição em DAU de nº 00 3 10 00025739, sendo o processo administrativo de nº 17878.000198/200951 encaminhado, à época, à Procuradoria da Fazenda Nacional em ResendeRJ, para as providências cabíveis. • Já o processo administrativo nº 17878.000197/200915 foi encaminhado, à época, à DRF em Niterói, em face do pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União apresentado posteriormente pela interessada, haja vista que os débitos controlados por aquele processo são do estabelecimento 31.323.157/0003 43, com domicílio tributário em Nova Friburgo/RJ, sob a jurisdição daquela DRF. 19. A COSIT proferiu o Parecer nº 4, de 08.03.2013, às fls. 1561 a 1567, no qual em resumo manifestouse no sentido de que: • A competência das DRJ para julgar os processos relativos a tributos e contribuições federais administrados pela RFB tem caráter genérico (caput do art. 2º da Lei nº 8.748, de 1993); • Os recursos contra o indeferimento de pedidos de compensação não convertidos em declarações de compensação são manifestações de inconformidade (art. 102 da IN RFB nº 1.300, de 2012); • Compete às DRJ apreciar manifestações de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos à compensação de tributos (caput e inciso IV do art. 233 do RIRFB/2012 e ADN Cosit nº 17, de 15 de junho de 1999). Após solucionado o conflito de competência, a 16ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro I, analisou as manifestações de inconformidade unificadas no presente processo, proferindo o Acórdão nº 1255.389, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1998 DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. As decisões judiciais que disponham sobre a compensação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, devem ser cumpridas em seus exatos termos, quando a norma vigente, à data em que foi proferida a referida decisão e que regia a matéria, não tenha sido alterada por legislação superveniente, ainda que a interpretação desta pelo Poder Judiciário tenha sido menos favorável ao contribuinte do que a utilizada pela Administração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.713 8 Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual traz basicamente os mesmos argumentos expostos em sede da manifestação de inconformidade e que se traduz em demonstrar que tanto nas orientações emanadas em Soluções de Consulta, por parte da Receita Federal do Brasil, quanto na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admitese a compensação de crédito tributário reconhecido em decisão judicial com todos os tributos administrados pela RFB, mesmo que a sentença judicial transitada em julgado, tenha apresentado restrição em relação aos tributos objetos da compensação. É o relatório. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.714 9 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Retomando o histórico deste processo e procedendo à sua análise, verificase que o contribuinte solicitou restituição no valor de R$ 2.448.582,12, que seriam decorrentes de valores pagos a maior de Finsocial, e conseqüente compensação com débitos de Cofins, PIS e IPI de diversos períodos de vencimento. O direito à compensação estaria garantido por sentença judicial nº 98.00028188. No despacho decisório da autoridade preparadora, DRF/Volta Redonda, fls. 1115/1118 (numeração digital), consta que foi reconhecido parcialmente o direito creditório em favor do contribuinte no valor de R$ 779.510,74, em valores consolidados em 01/01/1995. Porém, restringiu a utilização deste crédito somente na compensação com débitos da Cofins, destacando que foi este o resultado do provimento jurisdicional. Ressaltese que o contribuinte, tanto na manifestação de inconformidade quanto em sede de recurso voluntário, não questionou o valor do direito creditório reconhecido. Portanto não compõe o presente litígio a discussão do valor do indébito tributário. O contribuinte somente questiona o direito de utilizar o valor do crédito tributário reconhecido na compensação com os demais tributos, sobretudo com PIS e IPI, que são objetos de declaração de compensação apresentadas neste processo ou em processos a este apensados. Efetivamente o provimento judicial conseguido pelo contribuinte foi no sentido de compensar os valores pagos a maior do Finsocial, em função da majoração de alíquotas preconizadas pelas Leis n°s 7.689/88, 7.787/89 e 8.147/90, exclusivamente com débitos da Cofins. Quando da decisão judicial havia efetivamente restrição legal a este respeito. Originariamente, os dispositivos legais que autorizavam a compensação só permitia que fossem compensados tributos e contribuições da mesma espécie. Art. 66 da Lei 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei) Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.715 10 Art. 39 da Lei 9.250/95: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (Grifei) Somente a partir de janeiro/2003, com a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é que foram retiradas quaisquer restrições nas compensações entre tributos de espécies diferentes. Art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifei). Neste sentido, também vem decidindo o CARF, inclusive esta turma conforme ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2004 CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DCOMP. O crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial transitada em julgado, é passível de compensação, mediante transmissão de declaração de compensação (Dcomp), com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido em Parte.(CARF, 1ª TO/3ª Câmara/3ª Seção, Acórdão nº 3301001.680, Cons. Relator José Adão Vitorino Morais, julgado em 28/11/2012). No mesmo sentido recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa está transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 DCOMP. FORMULÁRIOPAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10070.000334/9845 Acórdão n.º 3301002.162 S3C3T1 Fl. 1.716 11 No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, o poder discricionário da administração autoriza a regulação da matéria por meio de atos administrativos. DCOMP. PAPEL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação de débitos tributários informadas em Declaração de Compensação apresentada em formuláriopapel, sem a justificativa para sua apresentação em meio eletrônico. DCOMP. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS. Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu do direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte. (grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. .(CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 9303002.453, Cons. Relator Henrique Pinheiro Torres, julgado em 08/12/2013). Portanto, estando demonstrado no processo a existência de crédito financeiro reconhecido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda no valor de R$ 779.510,74, e diante dos pressupostos legais acima citados e também do que dispõe o art. 170 do CTN, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar as declarações de compensação apresentadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10920.911414/2012-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 14 /2 01 2- 80 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911414/201280 Acórdão n.º 3803005.663 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10384.721137/2012-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a Contribuição para o PASEP com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas, devendo sobre tais valores incidir a alíquota de 1%, descontando-se ao final os valores pagos/retidos.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a Contribuição para o PASEP com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas, devendo sobre tais valores incidir a alíquota de 1%, descontandose ao final os valores pagos/retidos. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 11 37 /2 01 2- 30 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 3 e 4, e 535 a 538)1, lavrado em 13/04/2012 (com ciência em 16/04/2012) para exigência de Contribuição Social para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, referente aos períodos de janeiro de 2008 a dezembro de 2010, no total de R$ 2.990.999,77 (a título de principal). No Relatório Fiscal de fls. 5 a 9, narrase que a fiscalização, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas pelo município, e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas (encontradas no “Balancete Orçamentário de Receita”, no documento de “Retenção PASEP Banco do Brasil”, em DCTF e DARF, e no “Relatório de Transferências a Entidades Públicas”, consolidados na “Planilha de Apuração Contribuição PASEP Devidas e não Declarada em DCTF Jan/2008 a Dez/2010”), apurou em demonstrativo (fls. 526 a 534) as contribuições a pagar, autuadas. Tendo em vista que a omissão da declaração dos fatos geradores em DCTF configura, em tese, crime contra a ordem tributária, lavrouse ainda representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal (processo apensado), em que pese a multa aplicada ser de 75%, cf. art. 44, I da Lei no 9.430/1996. Em sua impugnação (fls. 565 a 573), a prefeitura relaciona os repasses recebidos de 2008 a 2010, informando que ao tempo da chegada dos recursos, já havia sido descontado na fonte o percentual de 1% a título de Contribuição para o PASEP, nada mais havendo a recolher. Afirma ainda que a autuação não se sustenta, pois a base de cálculo se refere a valores que a Secretaria do Tesouro Nacional, por determinação legal, deveria recolher na fonte (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001), que a autuação configura excesso de exação, e que a multa de 75% é confiscatória, e fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Em 21/08/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 578 a 583), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) a base de cálculo da contribuição é constituída pelas receitas arrecadadas, acrescidas das transferências correntes e de capital recebidas, não havendo exclusão da base de cálculo das receitas sobre as quais incidiu retenção na fonte, como sugere implicitamente a prefeitura; (b) por óbvio, as retenções na fonte devem ser descontadas do valor devido, na apuração da contribuição a pagar, conforme a legislação de regência; (c) os repasses relacionados pela prefeitura em sua impugnação não são cotejados com os valores autuados, não constituindo elemento probatório capaz de afastar a documentação extraída dos relatórios oficiais, utilizada na autuação; e (d) a multa aplicada está expressamente prevista em lei, não cabendo ao julgador administrativo o exercício do juízo de constitucionalidade. Cientificada do acórdão da DRJ em 31/10/2012 (AR à fl. 591), a prefeitura apresenta Recurso Voluntário (fls. 593 a 602, atestado como tempestivo à fl. 618), no qual basicamente reproduz o teor da impugnação, acrescentando transcrição da decisão de piso, e considerações sobre a Lei no 9.715/1998, no que se refere à responsabilidade pela retenção, a cargo da Secretaria do Tesouro Nacional, bem assim sobre o valor da autuação ter sido reduzido (comparandose o DARF para pagamento com o valor constante do Auto de Infração). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 621DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10384.721137/201230 Acórdão n.º 3403002.682 S3C4T3 Fl. 621 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O tema central é o cabimento da exigência da Contribuição para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, disciplinada pela Lei no 9.715/1998, e regulamentada no Decreto no 4.542/2002. Na autuação (fl. 535), esclarecese que os valores autuados correspondem às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas, cf. art. 2o, III da Lei no 9.715/1998, e que sobre tal base de cálculo foi aplicada a alíquota de 1%, prevista no art. 8o, III da mesma Lei no 9.715/1998, chegandose ao valor devido, do qual foram deduzidos o montante correspondente às retenções para o PASEP (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001) e os valores declarados em DCTF recolhidos mediante DARF. Cristalina a metodologia adotada: apurase a base de cálculo, aplicase a alíquota, chegase ao valor devido e subtraise tal valor daquele já pago ou retido. Abaixo, são transcritos os dispositivos legais mencionados, com destaque para os excertos pertinentes: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 215835, de 2001) (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” Assim, o que o fisco fez foi adicionar às receitas correntes arrecadadas (constantes do balancete orçamentário de fls. 10 a 264) as transferências correntes e de capital recebidas (cf. demonstrativo de distribuição de fls. 265 a 423). Obtendo a base de cálculo e aplicando a alíquota legalmente prevista, o valor foi subtraído do constante das DCTF de fls. 424 a 487, tomando em conta os empenhos pagos de fls. 488 a 496, conforme planilha de fls. 524 e 525. É de se destacar que as tabelas de repasses anuais decorrentes de Convênios que a recorrente incorpora a sua peça de defesa, sem amparo documental, não guardam relação com a base de cálculo apurada na autuação (e sequer com ela são cotejadas). Abaixo, segue somatória dos valores de convênios referidos no recurso voluntário (RV), comparada co m a somatória dos valores de repasses computados, constantes da planilha anexa à autuação (coluna transferência de capital). Ano Σ valores (R$) planilha RV Σ valores (R$) planilha autuação 2008 3.022.911,20 32.388.548,82 2009 31.298.295,40 3.665.971,49 2010 10.915.713,44 13.933.317,24 Ou seja, não se pode atribuir as diferenças lançadas pelo fisco aos convênios indicados pela recorrente. E a recorrente não faz qualquer vínculo entre os montantes autuados e os convênio que relaciona, partindo do princípio de que a totalidade da autuação se resume a tais convênios, que, repitase, sequer estão acompanhados de documentação de suporte apta a refutar os documentos utilizados como amparo à autuação. Contudo, a corroborar o entendimento da recorrente estaria a recente alteração efetuada na Lei no 9.715/1998, acrescentando um § 7o ao art. 2o, com o seguinte teor: “§ 7o Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido.” (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) Pelo texto do referido parágrafo, incluído pelo art. 13 da Lei no 12.810, de 15/05/2013, em vigor desde 16/05/2013 (data de publicação do texto em diário oficial), os valores das transferências decorrentes de convênios ou repasses deveriam ser excluídos da base de cálculo, e não computados para posterior desconto dos montantes retidos. Tal Lei resulta da conversão da Medida Provisória no 589, de 13/11/2012, que dispõe sobre o parcelamento de débitos relativos a contribuição previdenciária de Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No entanto, a disposição do art. 13 não figurava na Medida Provisória, surgindo somente durante o processo legislativo de conversão. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10384.721137/201230 Acórdão n.º 3403002.682 S3C4T3 Fl. 622 5 Em pesquisa no sítio web da Câmara dos Deputados (www.camara.gov.br), percebese, por meio do Parecer no 08, de 2013, relatado pelo Senador Romero Jucá, que a Medida Provisória sofreu 98 propostas de emenda na Comissão Mista encarregada de seu exame, e que, em relação ao tópico específico em discussão (que constou como art. 14 do Projeto de Lei de Conversão no 4/2013), assim se manifestou a Comissão: “Com relação ainda ao PASEP, submetemos sugestão para alterar o art. 2o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, com o objetivo de excluir a incidência da alíquota de 1% sobre as receitas arrecadadas e as transferências recebidas, devida pelos Estados e Municípios, conforme dispõem os arts. 2o e 8o da Lei no 9.715, de 1998, e a Lei Complementar no 8, de 1970. Avaliamos que não se justifica tal gravame sobre transferências decorrentes de convênio com objeto específico, as quais meramente transitam pelo orçamento e pelo caixa do ente governamental recebedor, que imediatamente as aplicará no fim público definido. Nítido aí o intuito de alterar a legislação vigente, na qual tal parcela não estava excluída da base de cálculo, conforme se sustentou na autuação. Temse, assim, que a natureza constitutiva do comando legal aprovado pelo parlamento assegura que a partir de 16/05/2013 a referida parcela não mais compõe a base de cálculo da contribuição. Contudo, incumbe informar, à luz da verdade material (pois a matéria sequer foi suscitada em sede de recurso voluntário e nem poderia, por ainda não estar vigente a lei quando da redação da peça de defesa), que a retroação de tal comando é inaplicável, por não estar presente nenhuma das situações descritas no art. 106 do Código Tributário Nacional. Assim, para o período lançado, faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, devendo sobre tais valores incidir a alíquota de 1%, descontandose, ao final, os valores pagos/retidos. Assim entendeu unanimemente a 1a Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Terceira Seção do CARF, em julgado semelhante, referente à Prefeitura de Curitiba: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.”2 2 Acórdão n. 3201001.192, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D'amorim, unânime, sessão de 31.jan.2013. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Em relação ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, é de se destacar que o percentual de 75% (da diferença de tributos) está fixado em lei (Lei no 9.430/1996, art. 44), não cabendo ao julgador administrativo juízo sobre proporcionalidade ou razoabilidade, à luz de dispositivos constitucionais, como já assentado neste tributal por meio da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, cabe manifestarse sobre a consideração efetuada em sede de recurso voluntário sobre a existência de redução no valor da autuação: “Apesar de tudo, a Receita Federal do Brasil apurou uma dívida de R$ 6.045.882,25 (seis milhões, quarenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e dois reais e vinte e cinco centavos). Por ironia, agora, passado (sic) quase seis meses, o valor caiu para R$ 5.578.201,90 (cinco milhões, quinhentos e setenta e oito mil, duzentos e um reais e noventa centavos), conforme DARF em anexo, com vencimento em 31/10/2012.” Há que se destacar que a redução de 30% para pagamento após a decisão de primeira instância não é irônica, mas também decorrente de lei, como explicado no demonstrativo de fls. 588 a 590, constituindo um incentivo à não litigância. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 625DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011901/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a proposta de conversão do julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a proposta de conversão do julgamento em diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 11.066,46. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de Despesas Médicas, no valor de R$ 18.310,00. Em sua impugnação, o Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 11 90 1/ 20 08 -3 4 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.011901/200834 Resolução nº 2801000.293 S2TE01 Fl. 87 2 Os honorários referentes à prestação de serviços das profissionais médica psiquiatra e fonoaudióloga foram devida e oportunamente pagos em moeda corrente, sendo, por estas, emitidos recibos comprobatórios já encaminhados à Receita Federal, juntamente com relatório dos atendimentos realizados com cada uma delas. Nesta oportunidade, para confirmar o seu hábito em quitar suas dívidas e compromissos financeiros em moeda corrente, anexa a essa impugnação novamente, os relatórios das profissionais e extrato de sua conta corrente onde se comprova vários saques dos mais diversos valores realizados àquela época para pagamento de suas despesas cotidianas em dinheiro. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do valor do crédito tributário apurado. A 6ª Turma da DRJ/BHE/MG julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 53/57, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Para gozar de deduções a título de despesas médicas, o contribuinte deve comprovar de forma inequívoca o respectivo pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 27/12/2011 (fl. 62), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 66/83. Em sua defesa, apresenta, em síntese, as seguintes razões de defesa: · Nos exatos termos da legislação, a comprovação de despesas médicas é feita com documento onde conste nome, endereço e CPF/CNPJ de quem as recebeu; · O pagamento de despesas pode ser efetuado de diversas maneiras, dentre elas, em papel moeda (dinheiro em espécie), sendo do desconhecimento deste contribuinte qualquer legislação que proíba tal forma de quitação de débito ou obrigação; · Esse contribuinte também é médico, atuando profissionalmente de diversas maneiras (é servidor público/empregado e, também, profissional autônomo), obtendo rendimentos por depósito de suas remunerações em conta corrente, como também através de pagamento direto em espécie para quem presta serviços; · Não se pode presumir a inexistência de despesas médicas, objeto de recibos, apenas porque eventualmente os extratos bancários não Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.011901/200834 Resolução nº 2801000.293 S2TE01 Fl. 88 3 identificaram o saque de dinheiro no mesmo valor para cobrir o pagamento feito em espécie, ou outras situações equivalentes; · Nenhum fato contraria ou atinge a idoneidade dos documentos exibidos. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com a descrição dos fatos constantes da notificação em apreço, à fl. 08, o Contribuinte, após ser devidamente intimado, não apresentou os documentos hábeis (cópias de cheques nominais, extratos ou depósitos bancários, ordem de pagamento, entre outros) para comprovar o efetivo pagamento a Rosana Passos no valor de R$5.760,00 e a Alicia Maria Parreiras Barbosa no de R$12.550,00. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou ao Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das referidas despesas médicas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte ao processo o termo de intimação para comprovação do efetivo pagamento aos profissionais Rosana Passos e Alicia Maria Parreiras Barbosa. Após tais providências, devem os autos retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10510.721876/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 01/01/2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ADE COM EFEITOS SUSPENSOS. INOCORRÊNCIA. A CONTESTAÇÃO AO ADE É AUSENTE DE EFEITO SUSPENSIVO. O ATO FISCALIZATÓRIO E O LANÇAMENTO SÃO DIREITOS POTESTATIVOS DO FISCO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA, QUANTO À MULTA RELACIONADA À GFIP.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para corrigir a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória - AIOA - DEBCAD 37.323.473-2, CFL.68, para a determinada no artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 01/01/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ADE COM EFEITOS SUSPENSOS. INOCORRÊNCIA. A CONTESTAÇÃO AO ADE É AUSENTE DE EFEITO SUSPENSIVO. O ATO FISCALIZATÓRIO E O LANÇAMENTO SÃO DIREITOS POTESTATIVOS DO FISCO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA, QUANTO À MULTA RELACIONADA À GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para corrigir a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória - AIOA - DEBCAD 37.323.473-2, CFL.68, para a determinada no artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrente BARROS FILHOS COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 01/01/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ADE COM EFEITOS SUSPENSOS. INOCORRÊNCIA. A CONTESTAÇÃO AO ADE É AUSENTE DE EFEITO SUSPENSIVO. O ATO FISCALIZATÓRIO E O LANÇAMENTO SÃO DIREITOS POTESTATIVOS DO FISCO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA, QUANTO À MULTA RELACIONADA À GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para corrigir a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.323.4732, CFL.68, para a determinada no artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 18 76 /2 01 1- 58 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 269 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 270 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.323.4902, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa das categorias de empregados e contribuintes individuais, parte patronal; SAT e contribuição da empresa sobre a remuneração do contribuinte individual, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.323.4791, que objetiva o lançamento das contribuições próprias dos trabalhadores, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de contribuinte individual, bem assim Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.323.4775, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, relativamente às contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.323.473 2, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 78 a 82, com período de apuração de 07/2006 a 12/2010, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 159. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 10/06/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02; 41; e 47, e do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, em 10/06/2011, fls. 74. O contribuinte apresentou suas defesas, em 06/07/2011, as fls. 181 a 185; 186 a 190; 191 a 195 e 196 a 200, acompanhada dos documentos, de fls. 201 a 221. As defesas foram consideradas tempestivas, fls. 222 a 226. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0732.208 5ª, Turma DRJ/FNS, em 08/08/2013, fls. 231 a 236. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/08/2013, conforme AR, de fls. 245. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 250 a 257, recebido, em 16/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 250, acompanhado dos documentos, de fls. 258 a 261. Mérito. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 271 4 · que a recorrente não está excluída do sistema de tributação do SIMPLES, pois apresentou manifestação de inconformidade em face do ADE, bem como continua sendo tributada por esse sistema, ainda, hoje, o que comprova a sua não exclusão; · que uma vez ofertado prazo para contestar o ADE apresentada esta contestação o ato administrativo tem seus efeitos suspensos, cita jurisprudência; · Por fim a recorrente espera e requer: a) acolhimento do recurso, com o cancelamento dos débitos fiscais. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 266. Os autos subiram ao CARF, fls. 266. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 272 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao dizer que não está excluída do sistema SIMPLES seja o Federal ou o Nacional, pois a apresentação de manifestação de inconformidade não tem efeito suspensivo, apenas não atingindo definitividade o ato de exclusão até o julgamento final das causas de exclusão. O recolhimento dos tributos em determinado regime de tributação, não prova o direito do contribuinte em se utilizar desse regime, pois pode haver erro do contribuinte no seu autoenquadramento, bem como na escolha e utilização do regime tributário praticado. O fisco pode e deve a qualquer tempo verificar a situação do contribuinte e enquadrála e conformála dentro das determinações legais, inclusive, com o lançamento dos tributos devidos. A oferta de prazo para contestar o ADE não implica em efeito suspensivo dos efeitos deste, mas apenas a ausência de sua definitividade, caso fosse para o ADE ter efeito suspensivo o legislador ordinário na tramitação do projeto de lei que culminou com a Lei 9.317/96 e com a LC 123/2006, teria inserido um artigo nos citados projetos, com tal previsão é isso não existe, assim sendo como a Administração Pública deve pautarse pelos princípios constitucionais, artigo 37, caput, da CRFB/88 e sendo um deles o da legalidade, não havendo previsão legal de efeito suspensivo não há como concedêlo, no processo que discute a exclusão do sistema de tributação do SIMPLES. Ademais, ainda, que existisse a possibilidade de concessão de efeito suspensivo no processo administrativo que discute a exclusão do contribuinte do sistema SIMPLES isso não implica dizer que o fisco fique impossibilidade de exercer o seu mister, pois a execução da ação fiscal ou do procedimento fiscalizatório, bem como o lançamento dos tributos decorrentes dessas atividade é direito potestativo do fisco, que independe de qualquer atitude do contribuinte, observese, o que a seguir se transcreve. Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 273 6 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 274 7 lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 275 8 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento 1 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 276 9 tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 2 (todos os grifos são meus). Assim em nada afetaria o lançamento a existência de efeito suspensivo ao ADE, pois a ação fiscal ou o procedimento fiscal e o lançamento são direitos potestativos do fisco, lembro, ainda, que o alegado efeito suspensivo em razão da contestação do ADE inexiste. Pelos motivos expostos, bem como por não ter efeitos em razão de terceiros, não participante dos ações judiciais as jurisprudências citadas não se aplicam ao presente caso. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. 2 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.721876/201158 Acórdão n.º 2803002.996 S2TE03 Fl. 277 10 Todavia, no que tange ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.323.4732, CFL.68, as normas introduzidas pela nova legislação MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, que implantou na Lei 8.212/91, o artigo 32 – A, I, traz novo patamar de multa a ser aplicada em substituição a multa do artigo 32, parágrafo 4º e 5º, da Lei 8.212/91 que foi aplicado, devendo tal valor ser recalculado, exclusivamente, nos preceitos determinados na lei e nada mais. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para corrigir a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.323.4732, CFL.68, para a determinada no artigo 32 – A, I, da Lei 8.212/91. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.721820/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
CONCEITO DE EMPRESA. COOPERATIVA DE TRABALHO. COOPERADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Nos termos do parágrafo unico do art. 15 da Lei n° 8.212/91, a cooperativa de trabalho equipara-se à empresa, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Sendo assim, deve haver o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhes prestem serviços.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91.
Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso, do Auto de Infração de Obrigação Principal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.604 1 1.603 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721820/201128 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.973 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente TRANSCOOPER COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE PESSOAS E CARGAS DA REGIÃO SUDESTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). CONCEITO DE EMPRESA. COOPERATIVA DE TRABALHO. COOPERADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos do parágrafo unico do art. 15 da Lei n° 8.212/91, a cooperativa de trabalho equiparase à empresa, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Sendo assim, deve haver o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 20 /2 01 1- 28 Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso, do Auto de Infração de Obrigação Principal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.605 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.464 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: • Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.353.8014, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais – diretores eleitos e prestadores de serviços – pessoas físicas sem vínculo empregatício, no montante de R$ 385.833,07 ( trezentos e oitenta e cinco mil e oitocentos e trinta e três reais e sete centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências de 01/2006 a 12/2007, consolidado em 24/11/2011; • Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.353.8022, relativo às contribuições dos segurados contribuintes individuais diretores eleitos, prestadores de serviços– pessoas físicas sem vínculo empregatício e cooperados, destinadas à Seguridade Social, no montante de R$ 27.886.619,58 ( vinte e sete milhões e oitocentos e oitenta e seis mil e seiscentos e dezenove reais e cinqüenta e oito centavos), incluindo juros e multa, que por não terem sido descontadas dos trabalhadores não configura crime de apropriação indébita, abrangendo as competências de 01/2006 a 12/2007, consolidado em 24/11/2011; • Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.353.8030, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (SEST/SENAT), incidentes sobre as remunerações dos cooperados, no montante de R$ 558.792,26 (quinhentos e cinqüenta e oito mil e setecentos e noventa e dois reais e vinte e seis centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências de 01/2006 a 12/2007, consolidado em 24/11/2011; • Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD nº 37.283.6380– CFL 68 lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e ao artigo 225, inciso IV e Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com aplicação da multa prevista no art.284, inciso II, do RPS e art. 32, inciso IV, § 5º da lei 8212/91, no montante de R$ 1.280.521,20 ( um milhão e duzentos e oitenta mil e quinhentos e vinte e um reais e vinte centavos), consolidado em 24/11/2011. Tendo em vista o disposto na Medida provisória MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, foi feita a comparação do cálculo da multa mais benéfica, considerando a multa de mora de 24% calculada sobre o montante da contribuição previdenciária devida, somada com o AIOA com código de fundamentação legal 68, conforme legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador (legislação anterior), com a MULTA DE OFÍCIO, que é equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) da obrigação originária (legislação atual). Em razão disso, foi aplicada a MULTA ANTERIOR para todas as competências (01/2006 a 12/2007), por ser mais benéfica para o Sujeito Passivo, em respeito ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 – CTN. O Relatório Fiscal de fls. 1042 a 1060, comum aos três Autos de Infração de Obrigação Principal, e o de fls. 1061/63 relativo ao Auto de Infração Obrigação Acessória informam que: A Transcooper – Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste (antiga Transcooper – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste), é uma Sociedade Cooperativa de Trabalho formada por cooperados motoristas autônomos, que atua no ramo de transporte de Cargas e Pessoas, operando de forma permissionária no município de São Paulo, nas regiões 01 (Zona noroeste), 02 (Zona Norte) e 04 (Zona Leste) e foi constituída em 11 de agosto de 1997, através da Assembléia Geral de Constituição desta mesma data, registrada na organização das Cooperativas do Estado de São Paulo sob nº 1377, tendo por finalidade, dentre outras, a prestação de serviços aos seus Cooperados, mediante a contratação de serviços perante pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, representando e defendendo seus interesses junto aos Contratantes (artigo 3º do Estatuto Social, com as alterações posteriores, consolidado em 19/11/2010), constando essas informações no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. A Cooperativa, sendo permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes – SMT da Prefeitura do Município de São Paulo (Termos de Permissão nº 692/03, 693/03 e 695/03), é, substancialmente, uma prestadora de serviço público de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, sendo essa a sua atividade preponderante, bem como sua principal fonte geradora de recursos. Durante a ação fiscal o contribuinte foi intimado, de forma reiterada, a apresentar, na data especificada na intimação, os documentos e livros nela relacionados, para fins de Auditoria Fiscal, conforme previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O contribuinte pôs à disposição da fiscalização os livros contábeis e a maioria dos documentos solicitados, indispensáveis Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.606 5 à verificação do regular cumprimento das suas obrigações perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Deram origem ao crédito tributário constituído os pagamentos efetuados pela Cooperativa aos prestadores de serviços pessoa física (Cooperados, Diretores não Empregados e Trabalhadores sem vínculo empregatício), vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS como contribuintes individuais, que à luz da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, integram a base de cálculo (salário de contribuição) das contribuições previdenciárias. Sobre tais valores, após análise dos documentos e livros apresentados, restou comprovado que a Cooperativa deixou de recolher as contribuições previdenciárias devidas e as destinadas a outras entidades e fundos ( SEST/SENAT ): a) incidentes sobre os valores recebidos pela Cooperativa e repassados aos Cooperados (contribuintes individuais), concernentes aos serviços por estes prestados ao Contratante (Secretaria Municipal de Transportes SMT); b) incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas (contribuintes individuais), pelos serviços prestados, na condição de trabalhadores sem vínculo empregatício; e c) incidentes sobre os valores pagos aos dirigentes da cooperativa (contribuintes individuais), na condição de diretores eleitos. Os dispositivos legais vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores que fundamentaram a constituição do presente crédito tributário estão relacionados nos itens 2.4 a 2.7 do Relatório Fiscal, fls. 1.043 a 1.051, ou seja, os artigos específicos da Lei de Custeio da Previdência Social, nº 8.212/91 e da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária nº 03/2005. Foram lançadas neste Auto de Infração as contribuições sociais devidas, como segue: a) pela EMPRESA, a título de contribuição patronal, a razão de 20%, de acordo com o disposto na Lei 8.212/91, incidente sobre os honorários dos diretores eleitos e sobre os valores pagos aos trabalhadores sem vínculo empregatício; b) pelos CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (Diretores eleitos e Prestadores de Serviços – pessoa física e Cooperados), segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, que não foram descontadas dos trabalhadores, tendo o sujeito passivo assumido o ônus dos valores que deixou de reter, calculadas mediante a aplicação da alíquota única de 11% ( onze por cento), incidente sobre o valor total pago no mês, respeitado o limite máximo previsto em lei, para todo o período, nos casos em que foi possível a identificação individualizada dos valores pagos (Diretores Eleitos e Prestadores de Serviços – Pessoa Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Física), cuja obrigação e responsabilidade pelo desconto e recolhimento é da fonte pagadora, conforme o previsto no artigo 4º da Lei nº 10.666, de 08 de Maio de 2003. c) às contribuições sociais destinadas às outras entidades e fundos –SEST e SENAT, instituída pela Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993, teve como fato gerador o montante mensal repassado aos Cooperados, pela prestação de serviços, que não foi retido, nas épocas próprias, pela TRANSCOOPER, ficando, assim, diretamente responsável pelo que deixou e reter, a saber: a) Serviço Social do Transporte – SEST: 1,5%; e b) Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT: 1,0% c) total devido:2,5%. O crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores contidos nos documentos examinados, corroborados pelos lançamentos constantes da escrituração contábil do contribuinte e referese a pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, a saber: a) COOPERADOS: O montante repassado aos Cooperados, em decorrência da prestação de serviços de transporte de passageiros, foi registrado diretamente nas contas contábeis “DO Passivo Circulante” “2.1.01.04 21104: Cooperados a Pagar” e “2.1.01.05 21105: Cooperados a Pagar Nova Aliança”, em contrapartida aos débitos nas contas contábeis do “Ativo Circulante” “1.1.04.04 – 11404: Remição SPTrans NovaAliança” e “1.1.04.05 – 11405: Remição SPTrans”, sem, contudo, transitar pelas contas de Resultado do Exercício. De acordo com os dados extraídos das planilhas para o cálculo da remuneração lhes seria devida (número de passageiros transportados x valor unitário por passageiro), elaboradas pela SPTrans, denominada SPTrans – Sistema de Pagamento de Cooperativas, disponibilizados pelo contribuinte, e os registros a crédito, verificados nas contas do passivo acima mencionadas, o montante total dessa remuneração (valor bruto da remuneração denominada remição), compreendendo a receita em dinheiro recebido a bordo do coletivo e o saldo posteriormente depositado pela SPTrans), totalizaram R$ 349.849.650,79 no ano de 2006 e R$ 365.462.084,60 no ano de 2007. O detalhamento mensal dessas receitas encontrase no Anexo – Demonstrativo Receitas Remição : 2006/2007, cujo resumo encontrase discriminado às fls. 1054/1055. b) DIRETORES: Nos anos calendário objeto da ação fiscal ( 2006 e 2007) a TRANSCOOPER efetuou pagamentos de honorários à Diretoria eleita, registrados na conta contábil “5.1.01.15 – 42403: Multas e Infrações de Trânsito”. O detalhamento mensal contendo, inclusive, o nome dos beneficiários, encontrase no Anexo – Relação dos Honorários Pagos à Diretoria, cujo resumo encontrase discriminado às fls. 1055/1056. c) SERVIÇOS PRESTADOS: a Cooperativa efetuou pagamentos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, nos anos base de 2006 e 2007, em retribuição aos serviços prestados por esses trabalhadores, registrados nas contas contábeis Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.607 7 “5.1.04.08 –54108: Serviços PrestadosPessoa Física” e “5.1.04.10 – 54110: serviços Prestados –Pessoa Física – área 4”. O detalhamento mensal contendo, inclusive, o nome dos beneficiários, encontrase no Anexo – Relação dos Prestadores de Serviços – Pessoas Físicas, cujo resumo encontrase discriminado às fls. 1056. Acresce ainda que a cooperativa deixou de apresentar as GFIPs para as competências 01/2006 a 12/2007, nas quais deveriam constar os valores recebidos pela Cooperativa e repassados aos Cooperados, concernentes aos serviços por estes prestados ao Contratante (Secretaria Municipal de Transporte SMT), como também os valores pagos aos seus prestadores de serviços – pessoas físicas e aos seus dirigentes, registrados nas contas contábeis acima descritas, motivando assim a lavratura do AIOA DEBCAD nº 37.283.6380, pela não apresentação, por parte da empresa, da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no referido período. Para apuração do crédito tributário foram examinados as folhas de pagamento específicas dos diretores não empregados, os livros contábeis e os documentos (cópias de cheques, Recibos de Pagamento e Notas Fiscais de Serviço) relacionados diretamente com as contribuições previdenciárias de responsabilidade do sujeito passivo, solicitados mediante a lavratura reiterada dos termos de intimação e apresentados à fiscalização pelo contribuinte, inclusive a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração do Imposto de renda retido na Fonte – DIRF. O Discriminativo do Débito –DD discrimina sinteticamente, por competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo. A base legal que ensejou o presente auto de infração encontrase na legislação constante do relatório “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, bem como no Relatório Fiscal. Dessa ação fiscal resultou, além deste Processo Administrativo Fiscal –PAF comprot nº 19.515.721.820/201128 que referese aos AIOPs nº 37.353.8014, nº 37.353.8022, nº 37.353.8030 e AIOA nº 37.283.6380, acima descritos, a lavratura dos seguintes Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória: a) AIOA CFL 38, que constitui o Processo administrativo Fiscal – PAF comprot nº 19.515.721.821/201172, Debcad nº 51.001.8076, no valor total de R$ 15.244,14, por falta de apresentação de documentos, tendo em vista que não foram apresentados à fiscalização a relação nominal individualizada dos valores repassados aos Cooperados, todos os comprovantes de pagamentos efetuados (cópias de cheques, Recibos de Pagamento e Notas Fiscais de Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Serviço), aos prestadores de serviços pessoas físicas e aos diretores eleitos; e b) AIOA CFL 59, que constitui o Processo administrativo Fiscal – PAF comprot nº 19.515.721.822/201117, Debcad nº 51.001.8084, no valor total de R$ 1.524,43, por deixar de descontar as contribuições previdenciárias dos segurados contribuintes individuais. A situação encontrada no contribuinte ensejou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, pela prática, em tese, do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, de acordo com o artigo 337A, inciso I, do Código Penal – Decretolei 2.848, de 07/12/1940, verificado no período de janeiro/2006 a dezembro/2007. Não foi emitida a RFFP por apropriação indébita previdenciária porque não ocorreu a situação ensejadora prevista na legislação, já que o sujeito passivo não efetuou o desconto dos segurados, tendo assumido o ônus desses valores. Tendo em vista o valor total consolidado do crédito tributário constituído nesta ação fiscal, foi lavrado o Termo de Arrolamento de Bens – TAB, referente aos bens registrados no Ativo Imobilizado da empresa ( Veículos), conforme determina a legislação vigente. Integram o Processo Administrativo Fiscal – PAF os anexos do Auto de Infração discriminados acima, o Relatório Fiscal e os seguintes documentos: a) Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo – DCCTP: fornece ao sujeito passivo informações discriminadas sobre a constituição do crédito tributário; b) Instruções para o Contribuinte – IPC: fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; e c) Relatório de Vínculos – VÍNCULOS: lista todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da RFB, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, os recursos voluntários de fls. 1.500/1.527; 1.528/1.555; 1.556/1.581 e 1.582/1.596, individualizados por Auto de Infração, nos quais alega, em apertada síntese, que: * Os seus cooperados são contribuintes individuais e recolheriam as respectivas contribuições, individualmente, por carnês; * Os cooperados e as pessoas físicas não prestam serviços à cooperativa (ora afirma que é ao usuário do serviço de transporte, ora afirma que é ao Município de São Paulo – Secretaria Municipal de Transportes); Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.608 9 * A cooperativa não pode ser equiparada à empresa, de sorte que não há contribuição sobre os valores repassados a pessoas físicas, inclusive seus diretores; * Ilegalidade e Inconstitucionalidade da Taxa Selic; * Multa confiscatória; * Quanto ao Auto de Infração n° 37.353.8030, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SEST/SENAT), incidentes sobre as remunerações dos cooperados, aduz que a Lei n° 8.706/93, ao instituir tais contribuições, ofendeu vários dispositivos constitucionais, sendo que a cooperativa não pode ser enquadrada no conceito de empresa de transporte rodoviário; * Quanto ao Auto de Infração n° 37.283.6380, aduz que não está obrigada a apresentar GFIP, pois não há qualquer prestação de serviços por parte dos cooperados à cooperativa. É o relatório. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Inconstitucionalidade. Instância Administrativa. Antes de avançar na análise do recurso voluntário, cumpre destacar que diversos dos argumentos suscitados pela recorrente baseiamse na análise da constitucionalidade das leis que embasam o lançamento. Apreciando a questão da constitucionalidade das contribuições e acréscimos legais, ressaltese, de pronto, que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.609 11 Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, não há viabilidade jurídica para os pleitos da recorrente, nos aspectos de reconhecimento da inconstitucionalidade de contribuições e respectivos acréscimos legais. De toda sorte, buscaremos mostrar a correção das exigências fiscais e analisaremos os demais aspectos suscitados na peça recursal. Conceito de empresa para fins previdenciários. Cooperativas de trabaho. Equiparação. Com bem destacado na decisão de origem, os traços gerais das Cooperativas estão previstos no art. 4º da Lei nº 5.764, de 16/12/1971 e no parágrafo único do art. 982 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil): Lei n° 5.764/71: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotas partes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Código Civil – CC Lei nº 10.406/2002: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. (sempre destaques nossos) Outrossim, a Lei n° 12.690/2012, que dispõe sobre a organização e funcionamento das Cooperativas de Trabalho, estabelece que Art. 2o Considerase Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. § 1o A autonomia de que trata o caput deste artigo deve ser exercida de forma coletiva e coordenada, mediante a fixação, em Assembleia Geral, das regras de funcionamento da cooperativa e da forma de execução dos trabalhos, nos termos desta Lei. § 2o Considerase autogestão o processo democrático no qual a Assembleia Geral define as diretrizes para o funcionamento e as operações da cooperativa, e os sócios decidem sobre a forma de execução dos trabalhos, nos termos da lei. Art. 3o A Cooperativa de Trabalho regese pelos seguintes princípios e valores: I adesão voluntária e livre; II gestão democrática; III participação econômica dos membros; IV autonomia e independência; V educação, formação e informação; VI intercooperação; Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.610 13 VII interesse pela comunidade; VIII preservação dos direitos sociais, do valor social do trabalho e da livre iniciativa; IX não precarização do trabalho; X respeito às decisões de asssembleia, observado o disposto nesta Lei; XI participação na gestão em todos os níveis de decisão de acordo com o previsto em lei e no Estatuto Social. O fato de a mesma ser uma sociedade simples, como previsto no art. 982, parágrafo único do CC/02, em nada modifica o regime de custeio da Previdência Social, pois as Cooperativas são equiparadas às empresas Deveras, de acordo com o disposto no art. 15, parágrafo único da Lei n ° 8.212/1991, a cooperativa é equiparada à empresa perante a legislação previdenciária, mesmo porque a obtenção de lucro não é requisito para que o contribuinte seja enquadrado como empresa perante o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, sendo equiparada à empresa perante a legislação previdenciária, a cooperativa de trabalho está sujeita a incidência das contribuições na forma do art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Existindo lei definindo a cooperativa de trabalho como sujeito passivo da contribuição de 20% para os serviços prestados por pessoas físicas, não há que se falar portanto, em violação ao princípio da legalidade. A redação conferida pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, aponta que as contribuições devidas pela cooperativa só não se aplicam em relação às importâncias por ela pagas, distribuídas ou creditadas aos respectivos cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que, por seu intermédio, tenham prestado a outras empresas. Nesse sentido, dispõe o art. 201, § 19 do RPS, nestas palavras: Art. 201 (...) § 19. A cooperativa de trabalho não está sujeita à contribuição de que trata o inciso II do caput, em relação às importâncias por ela pagas, distribuídas ou creditadas aos respectivos cooperados, a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que, por seu intermédio, tenham prestado a empresas. (Redação dada pelo Decreto nº 3.452, de 9/05/2000) Todavia, havendo prestação de serviços à própria cooperativa, há incidência de contribuições previdenciárias, sejam estes prestadores dirigentes, cooperados ou terceiros. Portanto, podese concluir que a cooperativa é sujeito passivo da contribuição previdenciária sempre que remunerar a qualquer título a pessoa física que lhe preste serviço. Destarte, as cooperativas sujeitamse as mesmas regras das empresas em geral quando toma serviços para a própria cooperativa e não para terceiros, devendo recolher a cota patronal das contribuições previdenciárias sobre a remuneração destes cooperados por esses serviços prestados Ademais, nos termos do art. 4° da Lei nº 10.666/03, a contribuição do contribuinte individual que presta serviços à cooperativa de trabalho, passou a ser retida e recolhida diretamente por esta: Lei n° 10.666/03 Art.4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). § 1º As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir.(...) Tal obrigação foi transposta para a Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 351/2007, mas hoje encontrase com a seguinte redação, decorrente da Lei n° 11.933/2009: Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.611 15 Lei n° 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (...) b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência;(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). Quanto à responsabilidade da recorrente, que deixou de efetuar os respectivos descontos e recolhimentos, cumpre transcrever o parágrafo 5° do artigo 33, também da Lei n° 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Art. 33. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Assim, depreendese facilmente que há inequívoco embasamento legal para a exigência da contribuição devida pelo contribuinte individual que presta serviço à cooperativa de trabalho e também da obrigatoriedade de a cooperativa de trabalho proceder à retenção da contribuição devida por todos os segurados contribuintes individuais a seu serviço (dirigentes, cooperados ou terceiros). Também acerta a decisão de primeira instância ao afirmar que: “ (...) não prosperam as demais alegações da impugnante de que os serviços foram prestados exclusivamente pelos cooperados, diretamente aos usuários de transporte público de passageiros, e não pela Cooperativa que não remunera seus associados, mas apenas repassa o valor recebido da Secretaria Municipal de Transporte, motivo pelo não haveria incidências das contribuições sociais devidas apuradas pela fiscalização. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 Como a própria impugnante confessa, é fato que os associados da cooperativa prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros à população, porém a permissão foi concedida à Cooperativa e não diretamente a eles. Tanto é assim, que a Prefeitura do Município de São Paulo remunera os cooperados através da Cooperativa e, conforme disposto no artigo 9º, inciso V, parágrafo 15 do Decreto nº 3.048/99, acima transcrito, são segurados obrigatórios da previdência social, como contribuinte individual, o trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta serviços a terceiros. Observese que o lançamento em questão não está adstrito somente aos cooperados da impugnante que prestaram serviços de transporte público a Secretaria Municipal de Transportes, abrange também os honorários pagos aos diretores eleitos da cooperativa e os valores pagos aos prestadores de serviços à cooperativa, sem vínculo empregatício, sendo todos eles considerados “contribuintes individuais”. Considerando que, não foram apresentados à fiscalização a relação nominal individualizada dos valores repassados aos Cooperados e, todos os comprovantes de pagamentos efetuados ( cópias de cheques, Recibos de Pagamento e Notas Fiscais de Serviço) aos prestadores de serviços pessoas físicas e aos diretores eleitos, utilizouse o procedimento de aferição indireta para o cálculo das contribuições dos cooperados (contribuintes individuais) e lavrouse o Auto de Infração – AI CFL 38 (falta de apresentação de documentos) debcad nº 51.001.8076. Assim, o presente crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores contidos nos documentos examinados, corroborados pelos lançamentos constantes da escrituração contábil da cooperativa e referese a pagamentos efetuados somente a contribuintes individuais (...) Destarte, resta claro que o inconformismo da recorrente encontrase despido de qualquer viso de lógica e juridicidade. Taxa Selic. Alega a recorrente a ilegalidade de juros equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.612 17 Confisco. Outrossim, a recorrente invoca a ilegalidade das multas acima de 20%, que caracterizam confisco (art. 150, inciso IV da Constituição Federal). Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, como já afirmado anteriormente, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Contribuição ao SEST.SENAT. Quanto ao Auto de Infração n° 37.353.803 0, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SEST/SENAT), incidentes sobre as remunerações dos cooperados, aduz a recorrente que a Lei n° 8.706/93, ao instituir tais contribuições, ofendeu vários dispositivos constitucionais, sendo que a cooperativa não pode ser enquadrada no conceito de empresa de transporte rodoviário. Conforme disposto na Lei 8.706/93 (art. 7°) e no Decreto 1.007/93 (art. 2°), está definido como sujeito passivo de tais contribuições o “transportador autônomo”. Como já destacado na decisão do órgão a quo, a cooperativa deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido. Tal previsão sempre esteve presente nas instruções normativas do INSS/SRP/RFB, e, à época dos fatos geradores, estava descrita no art. 139, § 10 e, art. 288, § 2º, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/7/05, como segue: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3° da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. (...) Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 § 9º O condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), o auxiliar de condutor autônomo, bem como o cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, estão sujeitos ao pagamento da contribuição para o Serviço Social do Transporte SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, conforme disposto no art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, que será calculada mediante a aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III sobre a base de cálculo definida no §2° do art. 69, ambos desta IN. §10. A contribuição referida no §9° deverá ser: I recolhida pelo próprio contribuinte individual diretamente ao SEST/SENAT, quando se tratar de serviços prestados a pessoas físicas não equiparadas à empresa; (...) III descontada e recolhida pela cooperativa, quando se tratar de cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos. Obrigações Específicas da Cooperativa de Trabalho e de Produção (...) Art. 288. As cooperativas de trabalho e de produção são equiparadas às empresas em geral, ficando sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 60 e às obrigações principais previstas nos arts. 86 e 92, todos desta IN, em relação: I à contratação de segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual para lhes prestar serviços; II à remuneração paga ou creditada a cooperado pelos serviços prestados à própria cooperativa, inclusive aos cooperados eleitos para cargo de direção; III à arrecadação da contribuição individual de seus cooperados pelos serviços por elas intermediados e prestados a pessoas físicas, a pessoas jurídicas ou à elas prestados, no caso de cooperativas de trabalho, observado o disposto no inciso III do caput do art. 92 e os prazos de recolhimento previstos no art. 97; VI à contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, quando contratarem serviços mediante intermediação de outra cooperativa de trabalho. (...) § 2° A cooperativa de trabalho, na atividade de transporte, em relação à remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual que lhe presta serviços e a cooperado pelos serviços prestados com sua intermediação, deve reter e recolher a contribuição do segurado transportador autônomo. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.613 19 Não há qualquer irregularidade na referida sistemática, que se baseia no § 2° da Lei n° 8.706/89, que estabelece que tais contribuições ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS, competência esta da Secretaria da Receita Federal do Brasil, após o advento da Lei n° 11.457/2007 (artigo 3°). Tampouco a jurisprudência reconhece qualquer pecha de ilegalidade ou inconstitucionalidade das aluídas contribuições: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE CONHECIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL DO TRANSPORTE E AO SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO TRANSPORTE. SEST/SENAT. DEFICIÊNCIA DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA PARA DEFINIR SUJEITO PASSIVO E ALÍQUOTA. VIOLAÇÃO DA REGRA DA LEGALIDADE (ART. 150, I DA CONSTITUIÇÃO). CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. 1. Recurso de embargos de declaração conhecido como agravo regimental, eis que interposto de decisão monocrática e com inequívoco intuito modificativo. 2. Ambas as Turmas desta Corte firmaram precedentes quanto à constitucionalidade da contribuição destinada ao custeio do SEST e do SENAT. 3. Da forma como articulada, a violação da regra da legalidade é meramente reflexa ou indireta, pois os parâmetros de controle utilizados pelo acórdão recorrido foram a legislação ordinária e a infra ordinária, sem a necessidade de reforço pela Constituição. Houvesse a contrariedade aventada, ela se daria diretamente em relação ao texto da Lei 8.706/1993 e aos Decretos 1.007/1993 e 1.092/1994. Embargos de declaração conhecidos como agravo regimental, ao qual se nega provimento. (RE 474717 ED, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 20/04/2010, DJe105 DIVULG 10 062010 PUBLIC 11062010 EMENT VOL0240504 PP 00770) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EMPRESA LOCADORA DE VEÍCULOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O SEST E SENAT. LEGALIDADE. LEI 8.706/93. DECRETO 1.007/93, ART. 2º, I, § 1º. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ARTS. 97 E 99 DO CTN. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. 1. Tratase de recurso especial fundado na alínea “a” do permissivo constitucional, interposto por TOTAL FLEET S/A em autos de mandado de segurança preventivo, impetrado em razão de ato praticado pelo Sr. Superintendente Regional do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, tendose indicado como Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 litisconsortes passivos o Serviço Social de Transporte –SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT. 2. Passando a Lei 8.709/93 a direcionar a contribuição antes destinada ao SESI e ao SENAI para o SEST/SENAT, operouse simples alteração nas instituições destinatárias desses valores, não se verificando qualquer ilegalidade nessa alteração. 3. A Lei 8.706/93 direcionou a contribuição antes destinada ao SESI e ao SENAI para o SEST/SENAT, operandose simples alteração nas instituições destinatárias desses valores. Aperfeiçouse a condição de exigibilidade dessa exação com a vigência dos Decretos 1007/93 e 1093/94, que ao regularem a lei em referência explicitaram a legitimidade contributiva passiva de empresas que possuem como objeto a locação de veículos (tido como atividade congênere de transporte), como é o caso da recorrente. 4. Precedentes: REsp 587.659/SC, DJ 06/09/2004, Rel. Min. Franciulli Netto; REsp 526.245/PR, DJ 01/03/2004, REPDJ 30/08/2004, Rel. p/ acórdão Min. Luiz Fux; Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 524.812/SC, DJ 29/03/2004, Rel. Min. João Otávio de Noronha; REsp 522.832/SC, DJ 09/12/2003, Rel. Min. Francisco Falcão. 5. O acórdão recorrido não tratou da matéria inscrita nos artigos 97 e 99 do Código Tributário Nacional, razão pela qual, no particular, não resta atendido o necessário requisito do prequestionamento. 6. Não se caracteriza violação do artigo 535 do Código de Processo Civil quando a decisão colegiada impugnada está adequadamente fundada, em que pese não haver examinado o tema assinalado em alguns dos dispositivos indicados pela empresa recorrente. 7. Recurso especial conhecido em parte e, nessa, desprovido. (REsp 652.655/MG, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2004, DJ 17/12/2004, p. 459) Portanto, a fiscalização ao constatar que o serviço de transporte foi prestado por condutores autônomos ou auxiliares de condutores autônomos de veículo rodoviário (cooperados) considerou, corretamente, que a remuneração paga a estes transportadores autônomos é base de cálculo das contribuições em destaque. Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória. Retroatividade Benigna. Quanto ao Auto de Infração n° 37.283.6380, a recorrente aduz que não está obrigada a apresentar GFIP, pois não há qualquer prestação de serviços por parte dos cooperados à cooperativa. Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que os valores lançados no aludido Auto de Infração não se resumem aos fatos geradores decorrentes dos pagamentos efetuados Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.614 21 aos cooperados, incluindo também os valores pagos a dirigentes e prestadores de serviço pessoas físicas (parte patronal e desconto dos segurados). Outrossim, conforme disposto no art. 298 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/7/05, acima transcrito, vigente à época dos fatos geradores, a cooperativa está obrigada a informar em GFIP, por tomador, os dados cadastrais dos cooperados e os valores a eles pagos ou creditados, correspondentes aos serviços prestados às empresas contratantes. Verificada a existência de fatos geradores não declarados em GFIP, constatouse o descumprimento da obrigação acessória, estando configurado o cometimento da infração. Assim, ainda que a cooperativa, em relação aos serviços prestados por seus cooperados, apenas tenha o dever de arrecadar a contribuição social dos seus associados como contribuintes individuais e recolher o respectivo valor, tratase de informação que precisa ser prestada em GFIP, de sorte que não prospera o inconformismo da recorrente no sentido de que não se trata de fato gerador a ser informado em GFIP. De toda sorte, cumpre analisar matéria de ordem pública: a retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN) decorrente das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. Com efeito, o acórdão de origem reconheceu a aplicação do Parecer PGFN/CAT n° 433/2009, que, como veremos faz um somatório da multa moratória de vinte e quatro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas (obrigação acessória), comparandoas com a multa de ofício de 75% da novel legislação. Ou seja, mistura a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.615 23 Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa no Auto de Infração de omissão de fatos geradores em GFIP, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescentese que a lei, ao tipificar essas infrações em dispositivos distintos, denota estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 2302002.973 S2C3T2 Fl. 1.616 25 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo no Auto de Infração n° 37.283.6380 ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10909.720013/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3401-002.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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CONFISSÃO DE EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo a contribuinte admitido a extinção do litígio, ao afirmar que apresentou equivocadamente o pedido de compensação, não há que se conhecer o recurso voluntário apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 13 /2 00 9- 75 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Cofins não cumulativo no valor de R$ 23.244,23, relativo ao 3º Trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí – DRF/Itajaí indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo do crédito da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que não possui débitos da contribuição nãocumulativa no anocalendário 2005. Afirma que, atendendo à intimação, apresentou o respectivo DACON, no qual demonstra os valores da base de cálculo do crédito da contribuição bem como os valores da contribuição devida para o anocalendário 2005. Em 22.12.2011, a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou o pleito da contribuinte improcedente, pois como no procedimento de ressarcimento de crédito se faz necessário que a apuração deste esteja perfeitamente demonstrada no DACON, cabe a sua apresentação em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise do seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Resta à contribuinte formular novo pedido de ressarcimento em relação ao crédito agora contemplado no DACON apresentado, juntando as provas necessárias, para oportuna análise pela autoridade competente. A contribuinte foi cientificada da decisão, em 16.2.2012 e, em 15.3.2012, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando que os créditos de PIS e Cofins já foram pagos no processo de importação. O erro foi solicitar o pedido de ressarcimento sem necessidade. Por fim, a contribuinte requer o cancelamento dos débitos declarados indevidamente no PER/DCOMP, uma vez que já foram compensados na prória DACON. É o relatório. Voto Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10909.720013/200975 Acórdão n.º 3401002.299 S3C4T1 Fl. 158 3 Preliminarmente, cabe esclarecer que, conquanto o presente recurso não preencha todos os requisitos formais, admitoo em prestígio à essência sobre a forma e pela tempestividade de sua apresentação. Em curto resumo, o presente processo originouse por meio de Pedido de Ressarcimento – PER/DCOMP, relativo à contribuição ao Cofins, apurada no regime da não cumulatividade. Após a apresentação do pedido, a DRF/Itajaí, mediante Despacho Decisório, indeferiu a solicitação em razão de que a contribuinte, intimada, deixou de apresentar o DACON, para todo o anocalendário 2005, bem como não apresentou qualquer cálculo para demonstrar a formação dos valores da base de cálculo da contribuição e os valores utilizados para o cálculo da contribuição devida no respectivo ano. Em face disto, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e também o DACON, que não fora apresentado anteriormente. A DRJ de Florianópolis, em Sessão de 22.12.2011, entendeu por não analisar o crédito demonstrado no DACON entregue após a ciência do indeferimento do pedido do contribuinte, portanto, negou provimento à Manifestação. Posteriormente, a contribuinte protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou que os créditos de PIS e Cofins foram pagos no processo de importação, arrecadados antecipadamente para a Receita Federal. Além disso, destaca que o Pedido de Compensação formulado por ela foi um erro. Cabe ressaltar que, quanto ao cancelamento dos débitos solicitado pela contribuinte, não é possível tratar dessa matéria por ela não fazer parte do presente processo, cujo objeto é o exame de seu Pedido de Ressarcimento Frente ao exposto, não conheço do recurso, tendo em vista, como exposto, a contribuinte ter admitido a extinção do litígio, ao afirmar ter apresentado equivocadamente o pedido de compensação. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10680.900460/2008-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento ou sofrido retenções em valor maior que o imposto devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento. Ausente a prova, o pedido deve ser indeferido.
Numero da decisão: 1801-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. PROVA. NECESSIDADE. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento ou sofrido retenções em valor maior que o imposto devido. Decorre daí que o pedido seja, necessariamente, instruído com as provas do indébito tributário do qual se pretende o aproveitamento. Ausente a prova, o pedido deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 04 60 /2 00 8- 47 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Aproveito do relatório da Resolução n º 1801000.100, de 9 de maio de 2012, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF: Tratase de recurso voluntário apresentado contra o acórdão da 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que deu provimento, em parte, à manifestação de inconformidade apresentada, reconhecendo apenas uma pequena parcela do direito creditório reivindicado em PERDCOMP. Histórico. A empresa interessada apresentou PERDCOMP n°36069.43238.161204.1.3.020102 (fls. 16/18), transmitido em 16/12/2004 com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ do 3 º trimestre de 2004, para utilizálo na compensação de débitos próprios (fl. 18). Não teria sido possível confirmar o direito creditório, pois o valor informado na DIPJ não corresponderia ao valor do saldo negativo informado no PERDCOMP, razão pela qual a compensação declarada foi não homologada. Cientificada do Despacho Decisório, em 03/04/2008, a interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02) argumentando em síntese que: retificou o PER/DCOMP, no qual informou um saldo negativo no valor de R$10.325,30, que seria idêntico ao apurado na DIPJ/2005. considera improcedente o Despacho Decisório, porque apresentou a correção do PERDCOMP no prazo legal. Apreciando o litígio a 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, deferiu, em parte, a manifestação. Em pesquisas realizadas nos sistemas internos da RFB constatou a existência de DIRF apresentada pela fonte pagadora Vale S/A CNPJ 33.592.510/000154, na qual foram informados os pagamentos à interessada de rendimentos totais, no 3o. trimestre de 2004, da ordem de R$ 474.892,94, com imposto retido da ordem de R$ 6.142,70. Assim, em face da apuração, no 3o. trimestre de 2004 do IRPJ devido no valor de R$ 6.042,70, foi reconhecido como direito creditório passível de utilização em compensações, a diferença de R$ 50,00, e homologada a compensação até o limite do crédito assim reconhecido. Notificada da decisão, em 22/02/2011 (AR fl. 38), apresentou, a interessada, em 22/03/2011, o recurso voluntário de fls. 39/ Nas razões de defesa afirma, inicialmente, que tentou retificar o PERDCOMP para fazer constar o saldo negativo de R$ 10.325,30, como apurado na DIPJ retificadora, mas foi impedida pelo próprio sistema que não permitiu a retificação. Observa que na condição de pessoa jurídica prestadora de serviços, sujeitase à retenção na fonte à alíquota de 1,5%, de responsabilidade da fonte pagadora e que teria sofrido retenções, no 3 º trimestre de 2004, da ordem de R$ 12.365,39, apresentando, para comprovar a afirmação, cópias de notas fiscais de prestação de serviços do período e cópias de extratos bancários. Em sessão realizada em 9 de maio de 2012, esta 1a TE / 3a.CAM / 1a. SEÇÃO do CARF converteu o julgamento na realização de diligências para que fosse verificada a Fl. 212DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900460/200847 Acórdão n.º 1801001.894 S1TE01 Fl. 3 3 existência de retenções pelas fontes pagadoras Vale do Rio Doce e Rio Doce Manganês S/A e a tributação dos rendimentos auferidos. Atendida a solicitação, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O cerne do litígio encontrase na existência de retenções das fontes pagadoras Vale do Rio Doce e Rio Doce Manganês S/A, alegadas pela recorrente e que lhe garantiriam o direito ao reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2004, no valor pleiteado de R$ 6.272,69. Para colacionar elementos necessários a apreciação da solicitação foram os autos enviados em diligência. A empresa foi então intimada a apresentar uma série de documentos que foram objeto de análise pela autoridade fiscal. Como resultado, foi produzido o Relatório de Diligência Fiscal acostado às fls. 203/205 do p.d., do qual extraio os seguintes trechos: “[...] Serviços prestados à Rio Doce Manganês S/A O contribuinte apresentou três notas fiscais, de números 357, 362 e 367 (fls. 111, 117 e 124, respectivamente), que discriminam apenas a retenção para o INSS e o valor relativo ao ISSQN. Os valores das retenções devidas foram calculados e lançados na planilha à folha 200. Foi verificado que estão registrados corretamente no livro Razão os valores das notas fiscais e das retenções relativas ao INSS, Pis, Cofins e CSLL, bem como o ISSQN devido. Porém, não há registro de retenção do IRRF. Foram também lançados nessa planilha as cauções registradas no livro Razão (fl. 167) e os valores efetivamente recebidos, conforme livro Razão (fls. 161 a 163) e extratos bancários (fls. 155 a 157). Verificase que os valores recebidos superam os valores a receber calculados após as retenções e cauções e que as diferenças a maior são iguais aos valores do Imposto de Renda que não foram retidos. É interessante observar que o próprio contribuinte, no seu recurso voluntário, apresenta tabela em que não constam valores de IRRF relativos às notas fiscais 357 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 e 362 (fl. 54). Nessa tabela consta apenas o valor de R$ 654,33 como IRRF relativo à NF 367, porém esse valor é registrado no livro Diário como parte do pagamento de serviço prestado, creditado na conta Rio Doce Manganês e debitado diretamente na conta CaixaMatriz (fl. 179). Os registros no livro Razão são coerentes com esse lançamento. Assim, pela documentação analisada, concluise que não houve retenção do Imposto de Renda relativo às notas fiscais citadas. Serviços prestados à Companhia Vale do Rio Doce O contribuinte apresentou doze notas fiscais (fls. 106 a 109, 113 a 116 e 119 a 122), que também discriminam apenas a retenção para o INSS e o valor relativo ao ISSQN. Os valores das retenções devidas foram calculados e lançados na planilha às folhas 201 e 202. Foi verificado que estão registrados corretamente no livro Razão os valores das notas fiscais e das retenções relativas ao INSS, Pis, Cofins e CSLL, bem como o ISSQN devido. O valor do IRRF também está registrado, pelo valor total das notas fiscais de cada mês (fl. 168). Também foram lançados na planilha as cauções e glosas registradas no livro Razão (fls. 164 a 166) e os valores efetivamente recebidos, conforme livro Razão (fl. 160) e extratos bancários (fl. 154). Os valores a receber, calculados após as retenções, cauções e glosas, coincidem com os valores informados pelo contribuinte no recurso voluntário (fl. 54). Por outro lado, os valores efetivamente recebidos superam os valores a receber calculados após glosas, retenções e cauções. As diferenças demonstradas na planilha são significativas e não guardam relação com nenhum outro valor do cálculo. Não foram apresentadas justificativas para essas diferenças, o que não permite nenhuma conclusão a respeito da retenção do Imposto de Renda relativo a essas notas fiscais. Intimações às fontes pagadoras Conforme a resolução do CARF, as empresas Rio Doce Manganês S/A e Vale S/A (antiga Companhia Vale do Rio Doce) foram intimadas a informar e comprovar os valores de IRRF retidos da Qualitas Serviços no 3º trimestre de 2004. Ambas as empresas não forneceram as informações, alegando decadência (fls. 180 a 199). Conclusão Em vista do exposto, concluo que: – não houve retenção do Imposto de Renda relativo aos serviços prestados à empresa Rio Doce Manganês S/A; (*) – os documentos apresentados são insuficientes para confirmação de retenção do Imposto de Renda relativo aos serviços prestados à Companhia Vale do Rio Doce. (*) [...]” (*) destaques acrescidos Verificase, pois, que não foram comprovadas as alegações da recorrente. Em relação às conclusões da auditoria fiscal, a defesa preferiu se calar. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900460/200847 Acórdão n.º 1801001.894 S1TE01 Fl. 4 5 Nos termos da legislação processual em vigor o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido ou sofrido retenções em valor maior que o imposto devido. Decorre daí que, se tratando o presente processo de Declaração de Compensação, este haveria, necessariamente, de estar instruído com as provas do indébito tributário do qual a interessada pretende o aproveitamento. Não havendo prova do indébito pleiteado pela interessada, não há como ser concedido o pedido, motivo pelo qual devese indeferir o direito creditório e não homologadas as compensações declaradas a ele vinculadas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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